uma pergunta

Se os titulares de cargos políticos, orgãos de soberania, tem, em nome da transparência, de apresentar ao Tribunal Constitucional as suas declarações de rendimentos e posses, e, sendo os magistrados, nomeadamente os juízes, também orgãos de soberania, porque é que, em nome da mesma transparência, e para acabar com algumas suspeições, as associações para-sindicais das magistraturas não propõe, ao Governo, que também os magistrados, todos, passam a apresentar regularmente as suas declarações de deve & haver ?

Publicado por Manuel 21:19:00 7 comentários Links para este post  



"Cidadãos Quê?"

Após disponibilização do texto pelo seu autor, acto generoso que agradecemos, a última crónica de Eduardo Cintra Torres, publicada ontem no Público, e aqui referenciada, reproduz-se abaixo ...

Em 1 de Outubro um terrorista explodiu-se num bar turístico na Indonésia. Os seus últimos passos foram filmados por uma câmara de vídeo e divulgados dois dias depois. As imagens, por alguma razão, tinham um ar policial. Parecia que o operador da pequena câmara andava atrás do rapaz da mochila. Mas podiam ser amadoras. Vá-se lá saber. Captadas por polícia ou por turista, eram amadoras mas impressionantes.

A capacidade descritiva da imagem é enorme. No caso, vimos perfeitamente o ambiente descontraído do bar e a determinação do anónimo terrorista, escolhendo o ponto mais interior do bar para se imolar.

A importância que a imagem adquiriu na vida contemporânea é penetrante, literalmente penetrante: na medicina e cirurgia a imagem tem permitido avanços na detecção e correcção de doenças e no conhecimento do funcionamento do corpo. Nos últimos tempos noticiários mostraram imagens duma operação ao nariz facilitada pelo vídeo; antes foi uma operação aos olhos: uma câmara de TV mostrou-nos uma sala cheia de médicos que a viam num ecrã gigante – os nossos olhos viram oftalmologistas olhando para imagens de um oftalmologista operando aos olhos... Seis olhares, seis imagens: a do doente, a do cirurgião, a da câmara, a dos médicos na sala, a da câmara de TV na sala, a do espectador em casa: haverá melhor exemplo da penetração da imagem – a visão em segunda mão  na vida quotidiana e profissional?

As imagens permitem até o reencantamento dos indivíduos, o regresso de um encanto perdido pelo cinismo que a informação massiva estimula: caso das imagens da National Geographic Society mostrando (e animando) a fecundação de um óvulo e o crescimento do feto e permitindo aos telejornais frases como a de que «os fetos abrem os olhos muito mais cedo do que se pensava anteriormente»  quer dizer, a «imagem» devolvendo um encantamento com a vida que a «ciência» havia obliterado.

Mas voltemos à Indonésia, entremos no metro de Londres em 7 de Julho ou vejamos o maremoto de 2004 no Índico: as imagens amadoras substituem o relato posterior por testemunhas. São as imagens que narram. Desta forma, elas substituem parte do trabalho do jornalista. Mesmo em diferido, este tipo de imagens mostra o acontecimento acontecendo. A narração por palavras, mesmo em directo, não obtém o mesmo efeito de veracidade.

Este poder intenso das imagens, o «ter-estado-lá», como escrevia Roland Barthes a propósito da fotografia, tem confundido a reflexão sobre a evolução do jornalismo e contribuiu para se desenvolver o conceito de «cidadão-jornalista». Para simplificar, digamos que no limite será cidadão-jornalista quem grava imagens de um acontecimento imprevisto com o seu telemóvel. As crescentes literacia mediática e possibilidade participativa das pessoas no «espaço público» através dos novos e velhos media levaram ao desenvolvimento do conceito de cidadão-jornalista contribuindo para a feitura das próprias notícias e comentários, como defendem Steve Outing (www.poynter.org) ou Dan Gillmor em Nós, os Media (Ed.Presença, 2005). O primeiro é um Moisés que escreveu tábuas (mas com 11 mandamentos) sobre como desenvolver a participação dos cidadãos no trabalho jornalístico. O segundo escreveu um daqueles livros americanos de estilo messiânico nos quais se vão repetindo até à exaustão do leitor as ideias principais.

Dado que uma característica fundamental do indivíduo social americano é agir como os outros querem que ele aja, este movimento messiânico de «nós os media» prevê uma forte intromissão criativa dos leitores, incluindo no próprio livro de Gillmor, que inclui várias páginas com centenas de nomes de pessoas que de alguma forma contribuíram para o resultado final publicado. Em última instância, o «cidadão» substitui o «jornalista» para bem de todos.

É certo que as novas tecnologias possibilitaram uma maior participação dos cidadãos nos media tradicionais e permitiram-lhes criar os seus próprios media, como os blogues. Isso contribui para aprofundar a democracia, para um alargamento do espaço público. Mas há uma forte deriva de determinismo tecnológico neste conceito que abarca ao mesmo tempo o jornalista dum jornal, o turista do telemóvel que filma o tsunami e o autor de um blogue diário. Não é por acaso que Gillmor escreve, com mais certeza do que um pastorinho em Fátima: «Não tenho dúvidas de que a tecnologia acabará por vencer» (p.229). Mesmo o título do livro, Nós, os Media, faz do cidadão uma tecnologia (media) e não um autor de conteúdos, que é o que um jornalista é.

Mas se é cidadão-jornalista aquele que enviou imagens do atentado no Metro de Londres, como defendeu um dirigente da BBC (em 06.10), também o deveria ser o habitual informador verbal dos jornalistas. Por exemplo, a mulher que descreveu para a CBS o embate do primeiro avião nas Torres Gémeas ou a mulher que descreveu para a RTP o som da derrocada da ponte de Entre-os-Rios e os faróis acesos afundando-se no Douro. Essas pessoas usaram a velha palavra e uma tecnologia antiga – o telefone – para participar na informação. As pessoas que descrevem um incêndio para a câmara profissional ou para um bloco-de-notas dum jornalista também participam na feitura da notícia com a sua narrativa pessoal. Por que raio se chama jornalista ao transeunte que faz umas imagens no metro de Londres e não à velhota que telefona para a SIC a dizer que há mais um incêndio no seu concelho?

Se o nível de participação é diferente, a função do narrador in loco ou do indivíduo que grava um ataque terrorista no telemóvel é a mesma. O primeiro existe há séculos. O segundo há cinco anos. E todavia, porque o contributo de um é oral e do outro visual são considerados diferentemente pelos teóricos do cidadão-jornalista. Como um reage ao jornalista e o outro o interpela, ou por usarem técnicas diferentes de informação, são considerados diferentemente.
No caso da TV, media que predomina nas tragédias comunitárias, são valorizados os contributos com imagem. Mas as pessoas que contribuem para ao notícia dificilmente se podem chamar cidadãos-jornalistas. São testemunhas circunstanciais. São fontes. Distinguem-se umas das outras pelo suporte do testemunho: a memória, que é subjectiva, ou a imagem, que é «independente» da pessoa que a grava, que é aparentemente objectiva e manuseável pelo media.

Publicado por Manuel 20:50:00 1 comentários Links para este post  



double standards

Eu acho muito bem que se explique tim-tim-por-tim-tim toda a história de Felgueiras, 'doa' a quem doer. Acho-o desde muito antes de esta estar sequer no mapa. Convém é que haja, Paulo, um mínimo de coerência, e uniformidade de critérios. Afinal, sobre o boicote do DCIAP de Cândida Almeida às 'sugestões' de prisão de Joaquim Raposo, o 'patrão' da Área Metropolitana de Lisboa, e não só, denunciado na última Visão, ninguém levantou um dedo. Até já vi, num passado recente, defender que Isaltino, de Oeiras, era 'diferente' de Fátima e Valentim, esses dois da 'província'. Com Raposo, da Amadora, a história repete-se. Depois espantem-se por o discurso da santinha da ladeira felgueirense colar em Felgueiras, e arredores. De facto, ela até tem razão - 'se os outros se safam todos porquê eu?!'. Sim! Porquê ela ? Quanto a Souto Moura 'isso é lá com eles'...

Publicado por Manuel 20:41:00 2 comentários Links para este post  



a educação

Graças ao manifesto de Cavaco, primeiro, e a uma violenta prosa de Pulido Valente, ontem no Público, depois, a questão educativa voltou à tona. Acontece que o problema, em Portugal, não tem nada a ver com a 'qualificação', nada. Tem antes a ver com um de exigência, e de mérito. A treta da qualificação foi usada recorrentemente para atrasar a entrada no mercado de trabalho e manter o desemprego artificialmente baixo, ponto. Nunca houve qualquer vontade de qualificar, o que interessou sempre foram as estatísticas, os canudos e títulos que apenas, na esmagadora maioria dos casos, garantem o desemprego. Nada nem ninguém é avaliado em Portugal. Magistrados, médicos, professores, é tudo 'muito bom', não por o serem mas para defender a 'honra' da 'classe', o 'prestígio'. Se se quer atacar o problema a sério, que tal começar por defender a avaliação rigorosa dos professores, e dos locais onde estes são formados, públicos e privados ? Há-os a mais, e se não sabem, não podem ensinar bem, ponto. O resto é conversa.

Publicado por Manuel 19:57:00 4 comentários Links para este post  



o tutor

É curiosa a imagem que tantos, neste país, à esquerda tem de José Sócrates, líder do PS e primeiro-ministro. Acham-no, os 'seus', um incapaz, sem vontade própria, e fruto absoluto das circunstâncias. Só assim, só mesmo assim a esta luz, se podem compreender as afirmações de um dos mais 'esclarecidos', nas palavras de Medeiros Ferreira, apoiantes de Mário Soares, Mário Mesquita, quando este diz, sem papas na língua, que Cavaco, eleito, não vai obstaculizar coisíssima nenhuma mas 'apenas' 'potenciar o pior de Sócrates'. No fundo, reduzem as presidenciais a um exercício doméstico para determinar que vai ser o tutor de Sócrates.

Publicado por Manuel 19:16:00 2 comentários Links para este post  



um manifesto

É verdade, ninguém vai votar neste ou naquele candidato presidencial, por causa do seu manifesto eleitoral. Dito isto, o Manifesto Eleitoral de Cavaco Silva, que podia muito bem ser assinado por Alegre ou Soares, enferma de um vício substantivo grave. Vamos por partes, Cavaco Silva, depois de ter abandonado a chefia do governo, chegou onde chegou, quer nas sondagens, quer na imagem que dele tem os portugueses, não por ser politicamente correcto, ou um a espécie de guardião do regime, mas porque os portugueses se habituaram a ver nele alguém que falando pouco, quando falava, falava de questões importantes, sem paninhos quentes e independentemente destas agradarem ou não ao 'sistema'. É essa a imagem que os portugueses tem mais presente de Cavaco, alguém que, estando na política, não se rege pela lógica rasteira desta, e se limita a ser igual a sí próprio. É pois algo penoso ver agora Cavaco pintado como o maior gardião dos lugares comuns do regime, 'embrulhado' até como mais soarista, na acepção delicodoce da palavra, que o próprio Dr. Soares. No seu manifesto Cavaco só tinha que dizer que respeitava a natureza semi-presidencial do regime mas, que, quanto ao resto, esta precisava de ser aperfeiçoada, comprometendo-se, uma vez eleito, a não só não inviabilizar o debate necessário como a impulsioná-lo, sobre a reforma do sistema politico, a reforma administrativa, etc, à semelhança do que defendeu aliás Gomes Canotilho há 2 semanas atrás. Cavaco não precisava, nem havia necessidade, de aparecer, à imagem e semelhança de Soares, como guardião de todos os axiomas do regime, inclusivé dos mais obtusos. As luminárias, especialistas em 'comunicação', que convenceram Cavaco de que é 'assim' que ele chega a Belém, prestaram-lhe um péssimo serviço. Porque, é antes 'assim' que se dá espaço a Soares, e seus acólitos, quando estes dizem que Cavaco é politico... como 'eles', até usa as mesmas 'agências de comunicação' que 'eles' (a LPM que fez a campanha de Sócrates), com toda a carga que isso implica. A mais valia de Cavaco é nunca, no melhor e no pior, ter sido igual aos outros, pelo que se estranha que o queiram apresentar agora como uma espécie de primeiro entre iguais. A sorte de Cavaco é mesmo os portugueses conhecerem-no.

Publicado por Manuel 18:35:00 3 comentários Links para este post  



um nome


José Luís Lopes da Mota.

Procurador Geral Adjunto. Foi também secretário de Estado da Justiça, de Vera Jardim, num governo de Guterres, e, enquanto membro do MP, esteve vários anos estacionado em Felgueiras. Cunha Rodrigues levou-o para a Europa, onde, em Haia faz a ligação entre as autoridades judiciárias portuguesas e a Eurojust, um órgão da UE promotor da coordenação do combate à criminalidade grave transnacional. José Luís Lopes da Mota é suspeito de ter fornecido a Fátima Felgueiras uma cópia da denúncia original enviada a Cunha Rodrigues, numa altura em que a PJ de Braga não tinha iniciado sequer as investigações...

Publicado por Manuel 17:33:00 3 comentários Links para este post  



uma vergonha

PS e PSD tinham tudo para ter evitar que, em Felgueiras, o poder de Fátima Felgueiras fosse absoluto. Tinham tudo, mas não tiveram. Fátima Felgueiras elegeu quem quis para a presidência da Assembleia Municipal de Felgueiras onde, aritmericamente, estava em clara minoria. Num cenário de 31 eleitos para o PSD, 19 para o PS e 15 para o movimento Sempre Presente, o que seria mais lógico acontecer seria a vitória do PSD isto se todos fossem fiéis aos seus principios e valores e acima de tudo à força política pela qual foram eleitos. No final verificaram-se 25 votos (mais 10) para o movimento Sempre Presente, 24 (menos 7) para o PSD e 16 (menos 3) para o PS. Palavras para quê ?

Publicado por Manuel 17:02:00 1 comentários Links para este post  



um desenho

Há por aí muita alminha que angélica e convenientemente não percebe o interesse prático, que podem ter, no tempo presente, eventos passados nos anos 80 em Macau. Julgam até, comoventemente, que tudo não passa de uma cabala para fazer chincalha política com o Dr. Soares, ou com um outro desgraçado, conjunturalmente ministro da justiça. Acontece que se Soares, nisto, é hoje uma nota de rodapé, sem interferência real no 'terreno', o mesmo não se pode dizer dos 'herdeiros' da 'operação'. Saber do que se passou em Macau, antes, durante e após o caso emaudio/fax/melancia é fundamental para perceber fenómenos tão diversos como o da generosa indemnização à Eurominas, as constantes piruetas do Dr. Vitorino, até os ruidosos silêncios e omissões do Prof. Marcelo, para não falar do Dr. Coelho ou da vitalícia permanência de Cândida Almeida no DCIAP... Até o extraordinário à vontade com que um tal Almeida Lopes, juiz do STA, ajudou, impunemente, Fátima Felgueiras pode ser atribuído ao efeito Macau, pasme-se...

Publicado por Manuel 16:30:00 4 comentários Links para este post  


Le ministre de l'intérieur ­ et président de l'UMP ­ persiste et signe. Alors que la tonalité martiale de ses propos sur les banlieues est contestée jusque dans les rangs du gouvernement, Nicolas Sarkozy tient à rester en première ligne. Sans se départir d'un langage d'une extrême fermeté. Intervenu publiquement à plusieurs reprises, depuis cinq jours, au sujet des émeutes qui ont suivi la mort de deux adolescents à Clichy-sous-Bois (Seine-Saint-Denis), le ministre était l'invité du journal de 20 heures de TF1, dimanche 30 octobre. M. Sarkozy a prôné la "tolérance zéro" en matière de violences urbaines, qui feront l'objet d'un indicateur mensuel. Il a rappelé sa volonté de mobiliser dans les quartiers sensibles 17 compagnies de CRS et 7 escadrons de gendarmes mobiles.

Le Monde

Publicado por Nino 16:28:00 0 comentários Links para este post  



O regresso de Maria Rita

Me leva no teu bumbá,
me leva Leva que quero ver meu pai

Caminho bordado a fé, caminho das águas
Me leva que quero ver meu pai.

A barca segue seu rumo lenta,
Como quem já não quer mais chegar

Como quem se acostumou no canto das águas
Como quem já não quer mais voltar;

Os olhos da morena bonita,
Aguenta que to chegando já
Na roda conta com seu,
Ouvira a zabumba
Me leva que quero ver meu pai.

Me leva no teu bumbá, me leva
Leva que quero ver meu pai

«Caminho das Águas», tema de apresentação de «Segundo», o mais recente álbum de Maria Rita.
Um regresso há muito aguardado, que a Grande Loja saúda. Maria Rita, filha da grande Elis Regina, confirma-se como a maior revelação dos últimos anos do riquíssimo mundo da Música Popular Brasileira (embora sejam de destacar nomes como Vanessa da Mata, Ana Carolina, Seu Jorge, entre outros). Que venham muitos mais trabalhos como os dois primeiros desta cantora versátil, com um timbre de voz personalizado e um jeito muito especial de interpretar. Herança materna, por certo, mas com um cunho pessoal que embeleza o estilo e a torna uma digna sucessora da raínha da música brasileira.

No primeiro trabalho, a marca de Milton Nascimento ajudou-a a chegar a registos muito próximos dos de Elis Regina, ao alternar a melancolia («Encontros e Despedidas») com a euforia («Lavadeira do Rio»). Em «Segundo», Maria Rita assume o seu próprio caminho: com a ajuda de Lenine, um dos músicos mais originais e interessantes do novo caleidoscópio brasileiro, a jovem cantora reforça a ideia de que cada álbum que apresentar na sua carreira será de audição obrigatória.

Publicado por André 16:21:00 1 comentários Links para este post  



Super-heróis?

A RTP 1 passou ontem uma reportagem idiota sobre a "blogosfera presidencial". A menina que preparou o texto, andou pelos "blogues" ditos não oficiais de apoio aos candidatos e pelas "páginas" já "abertas" pelas candidaturas. O "super -Mário" e um "mega-Cavaco" - parece que é assim que se chama -, tiveram lugar de destaque, aparentemente por apelarem ao "imaginário" infantil dos espectadores e dos eventuais leitores. A menina da reportagem, se tivesse perdido algum tempo a investigar, veria que não é nesses "blogues" que se anda a discutir o que é preciso discutir nestas eleições: política. Os candidatos presidenciais não são "super-heróis" dos cromos que a imagem analfabeta da reportagem tentou passar cá para fora, menosprezando o debate que ocorre na blogosfera mais crescidinha. A rematar, avisou que as eleições presidenciais "passam" pelas ruas e pelos meios tradicionais de comunicação social e não pela "net". Lembrou-me uma frase de um humorista brasileiro que cito muitas vezes. Mais vale estar calado e passar por parvo, do que abrir a boca e acabar com as dúvidas.

Adenda: No mesmo sentido, o Elba Everywhere.

Publicado por João Gonçalves 15:58:00 0 comentários Links para este post  



uma nota

Há não muito tempo atrás, António Duarte e Marco Ferreira, publicaram aqui, nesta Loja, e em stéreo no Expresso, não só crítico em relação à opção pelo aeroporto da Ota, mas com uma solução alternativa, mais sensata, viável, e infinitamente mais barata. O artigo entitulava-se ''Ota é um erro histórico" e praticamente ninguém ligou, até ontem. Espera-se que agora, exactamente 2 meses e um dia depois, que o Eng. Belmiro de Azevedo, que ao contrário dos 'anónimos' autores do texto toda a gente conhece,veio defender precisamente a mesma tese, vide a entrevista ao Diga Lá Excelência transcrita hoje no Público, esta seja levada um 'bocadinho' mais a sério. Estamos, afinal, a falar de um desperdício potencial de 5 000 milhões de euros.

Publicado por Manuel 15:57:00 2 comentários Links para este post  



uma ilusão

Um retrato da nossa élite do poder

Somem-se os nomes das Comissões de Honra de Soares e Cavaco, e dá mais de mil nomes, que são um retrato de quem manda em Portugal. Do establishment. Do "quem é quem". Somem-se mais meia dúzia de nomes, mais os militares no activo, juízes e embaixadores, alguns jornalistas, mais a hierarquia da Igreja, e está toda a nossa elite. Quem manda.

José Pacheco Pereira

Pacheco está errado
, mais uma vez. Quem 'manda', quem decide, quem tem o 'poder', mais até que o 'dinheiro', na sua esmagadora maioria, não aparece em nenhuma das Comissões de 'honra'. Nas comissões aparecem os capatazes, os feitores, os testas de ferro. Não perceber isto, é não perceber nada.

Publicado por Manuel 15:12:00 1 comentários Links para este post  



Novo Paradigma na Segurança Social

Resolver a questão da Segurança Social é um passo decisivo para Portugal. Por muito meritórias que sejam as medidas que o Governo agora implementou, elas são apenas paliativas e com um único objectivo adiar a resolução do problema. Com base em tendências demográficas relativas à população activa, teremos um diferencial negativo entre as pensões e contribuições em quase 10% do PIB, a partir de 2020. Prova irrefutável da falência do sistema. Esta é a verdade.

A questão é que, com a manutenção do modelo actual, estamos a acumular passivos não cobertos. Assim, a reforma da gestão da Segurança Social deveria funcionar assente em três pilares. O primeiro, resultará do pagamento por parte do Estado de uma pensão única, igual para todos os contribuintes que tenham completado 65 anos de idade e 35 anos de descontos. O valor desta pensão será sempre igual ao salário mínimo nacional vigente à data. Para isto, pedir-se-á aos contribuintes que descontem 6,00% do seu salário. O segundo, resultará do pagamento por parte de fundos de pensões - através de contas individuais de capitalização (CIC) - de um complemento de reforma de forma obrigatória. Para isto, pedir-se-á aos contribuintes que descontem 5,5% do seu salário para a sua CIC. O terceiro, assente em entregas suplementares não obrigatórias, para as contas individuais de capitalização.

Se para os contribuintes futuros este modelo se inicia automaticamente aquando do início de descontos, para os actuais contribuintes a transferência de contribuintes activos para o sistema privado far-se-á sempre pela proporção da melhor metade do total do número de anos de descontos. Sobre esta proporção serão transferidos 5,5 % para a CIC, valor que alterará para quem tem mais de 30 anos de descontos.

Passará a existir uma menor propensão à entrada na economia paralela, uma vez que os descontos serão vistos como um investimento futuro. Logo é de todo o interesse que maior seja o valor tributável. Com a transferência de pensões para os privados fica assegurado uma maior rentabilidade dos activos sob gestão e logo uma maior rentabilidade para os aforradores.

Para o custo das transferências e para o pagamento das pensões actuais, o Estado adoptará a emissão de títulos da dívida pública, caso necessário para o primeiro, e a securitização do pagamento de pensões, com evidentes diminuições das necessidades de financiamento.

Ao contrário de todas as medidas tomadas até hoje, esta não coloca em causa o crescimento da economia, não agrava fiscalmente os contribuintes e incentiva ao abandono da economia paralela. Melhor, resolve o problema crónico.

A securitização permitirá ao Estado transferir a obrigatoriedade do pagamento de pensões para terceiros, que, devidamente remunerados, irão financiar-se através da emissão de títulos no mercado. Poderá, inclusive, diferenciar-se as pensões com maior durabilidade face à esperança média de vida e atribuir-lhes maior rentabilidade. No final, o reembolso aos investidores será garantido pelos sucessivos cash flows positivos que o Estado obterá entre o desconto de 7,00% de quem ganha o salário mínimo e os 7,00% de quem ganha 10 salários mínimos, quando a ambos pagará apenas a pensão igual ao salário mínimo. Acresce a isto a brutal dinamização do mercado de capitais.

Não se compreende se é por incapacidade técnica ou se por falta de coragem que o Governo recusa este caminho. Aqui fica o desafio, e que o debate seja lançado, pois o futuro de Portugal não só pode, como deve ser melhor.

Nota Este artigo faz parte de um estudo intitulado "Um Novo Paradigma da Segurança Social" elaborado por António Duarte (economista) e Marco Capitão Ferreira (docente universitário)

Publicado hoje no Suplemento Negócios do DN

Publicado por António Duarte 10:28:00 3 comentários Links para este post  



O Cofre

A presidência do Conselho de Ministros, hoje, distribuiu à comunicação social uma nota a dizer que...

O Primeiro-Ministro não beneficia dos Serviços Sociais da Presidência do Conselho de Ministros. Na verdade, o acesso aos benefícios dos referidos Serviços Sociais depende de inscrição, sendo que o Primeiro-Ministro não está, nem nunca esteve, inscrito naqueles Serviços, pelo que não é deles beneficiário.
Pois está bem. Não quer beneficiar, é lá com o nosso primeiro. Será rico, talvez. Mas podia aproveitar... e é aí que reside a questão. E quanto vale o orçamento para os SSPCM? É assim tão pobrezinho, como dizem?!

Por falar em rico, observem bem estas contas que sairam destas reflexões em verbo jurídico

Permitam-me os cidadãos livres e independentes pensadores, que lhes chame a atenção para o valor orçamentado para os Serviços de Apoio, Estudos e Coordenação da Presidência do Conselho de Ministros: €2.694.539.529,00. Confesso que, quando vi este número, pensei que fosse um erro ou uma enorme brincadeira de mau gosto. No entanto, não deixa de ser significativo de que a soma de todas as parcelas prevista nos Encargos Gerais do Estado acabem por dar este valor por certo.

Agora, e sem analisar os restantes itens, perguntamos:
  • 1. Mas [o que] fazem estes serviços de apoio ao Conselho de Ministros para terem orçamentado para um ano, quase o valor da construção do aeroporto da OTA?
  • 2. Qual a riqueza que este organismo do Estado cria anualmente para justificar a atribuição de tal faraónica verba?
  • 3. Como é possível que um gabinete de apoio ao Conselho de Ministros possa ter um orçamento equivalente à soma do orçamento previsto para a JUSTIÇA e DEFESA NACIONAL?
  • 3. Então, nós pagamos impostos para sustentar […] tecnocratas que fazem estudos e dão apoio ao Conselho de Ministros ou pagamos impostos para ter Saúde, Justiça, Segurança, etc.?
  • 4. Será que não haveria uma empresa privada que realizasse os mesmos serviços por um décimo do valor? E que serviços serão estes?
  • 5. Que país (rico) é este em que o valor orçamentado para a Ciência, Tecnologia e Ensino Superior é, no seu conjunto (€1.531.793.381,00), escandalosamente inferior ao previsto para os Serviços de Apoio, Estudos e Coordenaçào da Presidência do Conselho de Ministros? Isto já para nem comparar com a verba prevista para a CULTURA, uns “míseros” €189.705.371,00) …

Deixo um desafio, a todos aqueles que nos honram ao ler estas linhas, para analisarem esse mapa com atenção… comparem umas despesas com outras, pois certamente chegarão a brilhantes “pérolas”. Quanto a nós, para além destas nossas “descobertas” existe algo que nos preocupa profundamente e que não vem no OE de 2006. Referimo-nos, pois claro, ao Silêncio.

Em primeiro lugar, silêncio da Oposição, que deveria pedir contas ao Governo dos motivos para que estas verbas estão atribuídas e que só se preocupa em arranjar argumentos que, na nossa opinião e perante estes números, são areia para os olhos dos portugueses. Nenhum partido político, nenhuma bancada parlamente, nenhum deputado, teve o bom-senso de olhar para estes números e perguntar porque os Serviços de Apoio do Conselho de Ministros tem direito a dois MIL milhões e seiscentos milhões de euros para gastar num ano. Daqui se retira que... Ou não viram, Ou não quiseram ver, Ou viram e acharam normal.

Publicado por josé 0:34:00 9 comentários Links para este post  



Fazia-te, se pudesse e se beneficiasse dos Serviços Sociais da Justiça e da Presidência do Conselho de Ministros (estes têm creche), um filho



Soraia Chaves, à margem do Crime do Padre Amaro

Publicado por Carlos 0:12:00 1 comentários Links para este post  



Otello...

... De Giuseppe Verdi, para ver no Teatro Nacional de São Carlos, a partir de amanhã, 31 de Outubro, e dias 2, 4, 6 e 10 de Novembro. Libreto de Arrigo Boito, baseado na tragédia 'Othello, The Moor of Venice', de William Shakespeare. A direcção musical pertence a Antonio Pirolli, a encenação é de Nicolas Joel e a cenografia de Ezio Frigerio. Os cenários e figurinos são do "Théâtre du Capitole de Toulouse". Cantam, entre outros: Mario Malagnini, Otello; Dimitra Theodossiou, Desdemona; Carlo Guelfi, Jago; Carlos Guilherme, Cassio; Carlo Cigni, Ludovico. Toca a Orquestra Sinfónica Portuguesa com o Coro do Teatro Nacional de São Carlos. 'Otello' regressa ao São Carlos depois de, em 1989, Placido Domingo lhe ter dado voz, naquela que foi a única presença do tenor no nosso teatro lírico. É a primeira de um conjunto de óperas que Paolo Pinamonti escolheu para uma temporada que, se não existirem os habituais trambolhões por causa dos "dinheiros", se anuncia auspiciosa. Destaco Otello por, além disso, ser uma das minhas óperas preferidas. Como sugestão discográfica, considero imperdível a versão "ao vivo" - primeiramente ouvida, em "vinil", na casa do saudoso José Ribeiro da Fonte - captada no Teatro alla Scala de Milão, em 1976, dirigida por Carlos Kleiber, com Placido Domingo (a estreia no papel titular), Mirella Freni e Piero Cappuccilli, todos no auge das suas carreiras. Também recomendo as versões onde aparecem os tenores americanos Jon Vickers e James Mckracken, seguramente dois dos maiores "Otellos" do século passado. Ou ainda o Otello de Herbert von Karajan, com Mario del Monaco e Renata Tebaldi (existe uma outra gravação de Karajan, magnificamente dirigida e musicalmente fabulosa, com a Freni e com Vickers, porém "estragada" por um inexplicável Jago de Peter Glossop). Escrevo de cor. Coisas da idade.

Publicado por João Gonçalves 22:41:00 0 comentários Links para este post  



Engenheiros

Vasco Pulido Valente, na sua crónica de hoje do Público, realçada até por Marcelo R. Sousa na RTP/1, fala sucintamente sobre a Educação em Portugal, a propósito da noticiada fuga de “cérebros” do país. Diz a dado passo...

(…) perguntam como Portugal chegou ao que chegou. Chegou assim: com políticas de uma inimaginável estupidez, conduzidas por meia dúzia de indivíduos que ignoravam militantemente a história e a realidade do país e se aplicavam a imitar o que se fazia lá fora e, em particular, o que se fazia na “Europa”. Os responsáveis são conhecidos. Pela parte “técnica”, Veiga Simão, Fraústo da Silva, Roberto Carneiro e Marçal Grilo e, agora, Mariano Gago. Pela parte do governo, Cavaco e António Guterres, que envenenou tudo em que tocou. Infelizmente nem perante o desastre se aprendeu a lição. De Cavaco a Sócrates, com uma persistência que roça o patológico, o regime continua a repetir que Portugal precisa antes de mais nada de “qualificação” e “formação”. Já se percebeu há quase meio século que não vale a pena sobreeducar sociedades com um mercado de emprego semi-arcaico, porque as competências, sejam elas quais forem, de facto desnecessárias, desandam para onde as podem usar e, naturalmente, lhes pagam bem. (…) E a história não acaba aqui. O Estado criou ou permitiu que se criasse uma enorme e abstrusa máquina, que vai do pré-escolar ao ensino superior oficial ( hoje irremediavelmente degradado) e do colégio católico com subsídio por cabeça ao comércio vil de universidades privadas que são uma vergonha nacional. E como o produto dessa máquina é largamente inútil, o Estado, para disfarçar a calamidade que ele próprio promoveu, mete inúteis num funcionalismo público igualmente inútil, que nos levou à calamidade maior da crise orçamental e da estagnação económica. A moral a tirar desta comédia sem desculpa é a de que o dr. Cavaco tem razão: nós gostamos mesmo da moeda má.

Em tempos, coligi informação sobre os nossos ministros da Educação ao longo dos anos. Temos assim...

Roberto Carneiro, licenciado em Engenharia Química, acumulou cursos de formação na área da educação ! Foi ministro da dita entre 1987 e 1991, perfazendo a legislatura e é professor na UC. Antes dele, outro licenciado em Eng. Química, J. J. Fraústo da Silva, também foi o ministro da educação, entre 1982-83 e entre 1968 e 1973, foi presidente do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação. Veiga Simão, ministro da Educação no antigo regime, é formado em Física. Em 1978, mandou no Ministério da Educação, Carlos Lloyd Braga, eng. Químico. Antes de Vítor Pereira Cresco, engº químico, mandar, entre 1980 e 1982, estiveram lá, Valente de Oliveira e Veiga da Cunha, engenheiros. A seguir, em 1982, esteve lá Fraústo da Silva, eng.º químico e depois veio Diamantino Durão, catedrático de engenharia no Técnico. Só em 1993, até 1995, esteve lá um letrado - o falecido José Augusto Seabra, tendo sido substituido por João de Deus Pinheiro... eng.º químico! De 1992 a 1995, ocaso do cavaquismo, a batuta pertenceu ao engº Couto dos Santos e à inefável Ferreira Leite, versada em economia. Desde essa altura e até 1999, a pasta foi carregada pelo engº mecânico Marçal Grilo que fez a legislatura, sendo aliás o único, a par de Roberto Carneiro, antes dele, a cumprir a tarefa até ao fim e por isso a ter toda a margem de manobra para as mudanças. A seguir ao Grilo, veio Júlio Pedrosa, engº químico! E depois dele, a história já é contemporânea - um especialista em sociologia económica (David Justino) e uma engª mecânica (Graça Carvalho). Actualmente, Maria de Lurdes Rodrigues, é… socióloga!

Pode assim dizer-se que em Portugal, nas últimas décadas, à cabeça do ministério da Educação esteve quase sempre a engenharia, com predomínio da química!

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uma habilidade

Em nome da ecologia e da proteção do ambiente mexeu-se na fórmula do Imposto Automóvel. Como resultado carros baratos e utilitários são mais atingidos que muitos modelos de luxo. Mais valia ser honesto e dizer simplesmente que eram necessárias mais receitas e que se ia aumentar o IA, tout court.

Publicado por Manuel 20:05:00 6 comentários Links para este post  



o cidadão-jornalista

A ler o texto de hoje assinado por Eduardo Cintra Torres no Público,uma das mais notáveis reflexões, made in Portugal, sobre o novo mundo 'pós-McLuhan'. A ler por políticos, p0r jornalistas, por aqueles que se julgam donos da verdade, e por todos aqueles que se julgam sem voz.

Publicado por Manuel 19:56:00 2 comentários Links para este post  



um detalhe


O Ministério da Justiça pagou entre Janeiro a Junho deste ano mais de 500 mil euros de renda à Amorim Imobiliária por umas instalações vazias no Sintra Business Park.

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uma contra-análise

A contra-análise de Rui Pena Pires a uma 'manchete' recente. Fuga de cérebros e notícias sem cérebro. Como nota de rodapé registe-se que Pena Pires é companheiro da actual ministra da educação.

Publicado por Manuel 19:09:00 1 comentários Links para este post  



uma metamorfose
...pelo menos para quem andava distraído

Rui Rio foi reeleito com maioria absoluta. Na sua primeira entrevista evita esclarecimento sobre o futuro presidente da Junta Metropolitana, deixa antever que Valentim Loureiro deverá continuar à frente da Metro, realça a coragem de Sócrates, rejeita eleições no PSD e abre a porta a negociações sobre as construções no Parque da Cidade. [a ler no JN]

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uma entrevista

a não perder, a de Belmiro de Azevedo, ao Diga lá Excelêcia.

Belmiro de Azevedo discorda «totalmente» da construção de um novo aeroporto na Ota e da implementação da linha ferroviária de alta velocidade TGV. Em entrevista ao programa «Diga Lá, Excelência», da Rádio Renascença e jornal Público, o patrão da Sonae apresenta sugestões de investimentos que, na sua óptica, seriam muito mais úteis para o país. Comboios de mercadorias a ligar Sines a Madrid e a divisão do tráfego aéreo pelo Porto, Alverca, Montijo, Beja e Faro, para aliviar o Aeroporto de Lisboa, seriam as opções de Belmiro.

O empresário comentou ainda a política nacional. Para Belmiro de Azevedo, foi Santana Lopes quem «ofereceu» o cargo de primeiro-ministro a José Sócrates. Quanto à prestação do actual chefe do Governo, apesar do «grande esforço», o empresário considera que Sócrates ainda não tomou nenhuma «grande decisão estratégica importante». Quanto à proposta de Orçamento de Estado para 2006, Belmiro de Azevedo advoga que carece de componente estratégica e que as previsões para as exportações são irrealistas. «Não pode haver aumento de exportações sem produto em quantidade, com qualidade e competitivo globalmente», sustenta.

Numa altura em que se fala na necessidade de reduzir o número funcionários públicos, o empresário diz que é preciso começar a resolver a situação e critica o discurso do Governo de que não vão haver despedimentos. «Temos de ter respeito pelos 750 mil trabalhadores, mas também temos de ter consciência de que há 200 ou 250 [mil] a mais», sublinha. (...) [resumo do Portugal Diário]

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um recado

A Osvaldo de Castro, emérito jurista Presidente da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Aassembleia da República, e deputado eleito pelo Partido Socialista, para que arranje, e rapidamente, outro entretenimento a um seu 'subalterno' que, com excesso de tempo livre e a expensas dos contribuintes, se entretem a inundar, ora como 'nónó', ora como 'pisca-pisca', as nossas caixas de comentários com propaganda pró-governamental. Se a cassete, e o copy/paste, não fosse sempre, e literalmente, a mesma, a coisa ainda teria piada, assim não tem. Percebido ?

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uma constatação

Joaquim Vieira, ex-director da Grande Reportagem, e autor, recentemente, de uma série de prosas sobre o affair Rui Mateus/fax/Melância/Macau/Soares, é, por estes dias, elevado ao panteão dos heróis nacionais. E é-o, não pela sua coragem, não pelo que escreveu, ao qual quase ninguém ligou patavina, e devia..., mas por ter sido despedido. O homem escreveu sobre Macau, atacando Soares, logo Macau foi a causa da sua 'queda'. Eu, por acaso, até acho que as prosas relativas a Macau, e ao livro de Rui Mateus, tiveram pouco peso nos motivos últimos do despedimento, mas isso para o caso pouco interessa. Pouco interessa porque de facto se continua, cobardemente, a discutir o lateral. Discute-se a queda de Vieira, e aventa-se, en passant, a razão eventual, mas não há coragem de discutir aquela, a sério, e até às últimas consequências, não se vá ser também 'despedido'. No fundo, no fundo, 'heróis' que sejam os outros. Portugal também é assim.

Publicado por Manuel 16:15:00 1 comentários Links para este post  



Gato escondido...

Uma vez que um mais do que emérito jurista, pediu para ser publicado o esclarecimento da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da AR, em resposta à crónica de José António Lima, no Expresso online, republicada ontem no Expresso papel, talvez tenha interesse dizer o seguinte e desse modo restabelecer o objectivo do requerente...

Há um erro nessa crónica. A entrada em vigor da Lei 52-A/2005 de 10 de Outubro, verificou-se cinco dias depois, ou seja em 15 de Outubro de 2005 e não em 1/11/05 como se escreveu. Foi esse erro de análise jurídica que sustentou um eventual processo de intenção baseado em suspeitas sérias - as de que os autarcas e titulares de cargos políticos tentaram protelar a data de entrada em vigor da lei, de modo a beneficiarem directamente de tal estultícia.

Não foi assim, diz o mais do que emérito jurista! Então, se não foi, são devidas desculpas. Não por mim, mas por quem o terá sugerido ou afirmado. E como aqui foi reproduzido o texto que vitimizou algumas virgens ofendidas, fica também a reparação pública, pela publicação da explicação do próprio Expresso de ontem.

Os autarcas que foram eleitos em 9 de Outubro anteciparam a tomada de posse para evitar cair sob a alçada da lei que lhes retira regalias, nomeadamente a contagem a dobrar do tempo de exercício do cargo para efeitos de reforma, um direito até agora reconhecido aos edis com pelo menos seis anos em funções. O esquema foi possível porque a lei, apro­vada a 15 de Setembro, demorou 19 dias a sair da Assembleia da República, levando a que, depois de promulgada pelo PR, apenas fosse publicada exactamente no dia seguinte ao das eleições autárquicas. Ainda assim, se a lei entrasse imediatamente em vigor, no dia 10, seria impossível aos autarcas antecipa­rem-se aos seus efeitos. Só que nem o Gover­no nem a AR se lembraram de determinar que a Lei 52-A/2005 vigorasse no dia da publi­cação, ao contrário do que aconteceu quan­do, por várias vezes, se conferiram novos di­reitos aos políticos.

Não tendo aposto qual­quer artigo sobre a entrada em vigor, funcio­na a «vacatio legis» de cinco dias no Continente e 15 nas Regiões Autónomas. Évora e Celorico de Basto estão entre os casos dos que conseguiram tomar posse antes, numa pressa inédita cuja explicação deixa muitas dúvidas. Também em Braga, o novo executi­vo de Mesquita Machado tomou posse em tempo recorde, a 15 de Outubro.

Mas, pior do que isso, muitos autarcas acreditam que a lei só entrará em vigor a 1 de Novembro. Porque o Estatuto dos Elei­tos Locais, republicado em anexo no final da Lei 52-A/2oos, conserva o artigo 28º que , determina: «A presente lei entra em vi­gor no dia 1º do mês seguinte ao da sua publicação). Por causa deste artigo, uma «febre» de tomadas de posse assolou o país. Em Lisboa (ver caixa), Carmona Rodri­gues antecipou a posse. Também Rui Rio, no Porto, Isabel Damasceno, em Leiria, Fá­tima Felgueiras, em Felgueiras, Isaltino Morais, em Oeiras, entre muitos outros, to­maram posse esta semana. E Nazaré, Faro, Santarém, Coimbra, Aveiro e a maioria dos concelhos já têm os novos autarcas empos­sados. Em Beja, a cerimónia ficou mesmo marcada pela manifesta «pressa», com depu­tados municipais a lamentarem a «falta de dignidade do acto». Em Salvaterra de Ma­gos, a única Câmara do BE, o executivo to­mou posse ontem. O Governo, reconhecendo terem sido le­vantadas «dúvidas», veio entretanto afirmar em nota da Presidência do Conselho de Mi­nistros que a «republicação em anexo» do Estatuto dos Eleitos Locais «não produz qualquer efeito quanto à entrada em vi­gor da lei» que agora vem restringir direitos dos autarcas. Mas fica por esclarecer por que razão nem o Governo nem a AR revogaram o dito artigo. O constitucionalista Jorge Miranda entende que «mais valia que se eliminasse a antiga norma na republicação, ou então que se tivesse disposto que a nova lei entrava imediatamente em vigor». Embora admita que a interpretação do Governo é a mais cor­recta, diz que «eventualmente haverá deba­te jurídico» que podia ter sido evitado. Outro constitucionalista ouvido pelo EX­PRESSO, Marcelo Rebelo de Sousa (que, en­quanto presidente cessante da Assembleia Municipal de Celorico de Basto, deu posse ao novo executivo local no dia 14 de Outu­bro), vai mais longe nas dúvidas legais: «Nor­malmente a republicação de um diploma legal alterado, incorporando as altera­ções, não implica o tomar-se em conside­ração disposições originárias sobre a sua entrada em vigor. E, por isso, é frequente que, ao alterá-lo, se revoguem essas dispo­sições. O estranho neste caso é que a AR tenha expressamente revogado o artigo 33° da Lei n° 4/85 de 9 de Abril, sobre asua entrada em vigor, e não tenha revoga­do o artigo z8.° da Lei 29/87 de 3o de Ju­nho, relativa à entrada em vigor deste di­ploma. Esta curiosa dualidade de crité­ rios, certamente não devida a distracção num diploma que demorou tanto tempo a elaborar, é a fonte das dúvidas sobre se o tal artigo z8.° serve para alguma coisa, ou seja, se serve para que as alterações à Lei 29/87, sobre o Estatuto dos Eleitos Locais, apenas entrem em vigor em 1 de Novembro próximo». Também Gomes Canotilho põe em cau­sa a técnica legislativa, embora considere que a data do diploma republicado “não tem efeitos agora”.

Falta de cuidado? Durante oito dias es­teve na 1ª comissão, para redacção final. O comunista António Filipe, membro desta comissão diz “que podia não ter demorado tanto tempo”, considerando porém «que não foi excessivo». Por seu lado, o presiden­te da comissão, o socialista Osvaldo Castro, diz que “este processo não podia ter nem menos um dia”, esclarecendo que o diplo­ma foi “no dia 28” enviado para o Gabinete de Jaime Gama. O presidente da AR levou até dia 4 para mandar o diploma para Belém. Sobre a controvérsia da entrada em vigor, Osvaldo Castro diz: “Eu admiti que podia dar confusão”, acrescentando que “o Go­verno podia ter tido o cuidado de tirar a data de entrada em vigor” no republicado Estatuto dos Eleitos Locais. Osvaldo Castro desvaloriza porém os feitos desta opção.

Ora, como se lê, a estultícia pode muito bem ter ocorrido, até porque houve pelo menos um autarca que beneficiou-e é do PS... Fica ao critério dos leitores a análise dos factos, contextualizando-se a questão para melhor se perceber. José Sócrates, disse publicamente, em Maio, na AR, que se propunha acabar “com os privilégios injustificados do actual regime especial de subvenções vitalícias dos titulares de cargos políticos." E disse depois disso, publicamente, que o governo tinha em primeiro lugar acabado com os privilégios dos políticos e depois com os de outros funcionários públicos. Ora bem, esta lei para “acabar com os tais privilégios dos políticos, no dia 16 de Junho já tinha dado entrada no Parlamento. Duas semanas depois foi discutida pelos deputados na generalidade, e no final de Julho (dia 28, véspera da interrupção para as férias de Verão) foi votada e aprovada na generalidade, com os votos do PS, PSD, PCP, BE e Verdes, e abstenção do CDS/PP. A lei de idêntico teor relativamente aos outros funcionários públicos, designadamente a que acabou com a progressão automática nas carreiras, foi publicada logo a seguir e entrou logo em vigor, antes de meados de Setembro ( et pour cause…). Esta, só mais de um mês depois!

Depois disto, admire-se o mais do que emérito jurista presidente da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da AR que o “público” pense o que foi escrito.

Publicado por josé 15:14:00 1 comentários Links para este post  



O Expresso acertou

Ontem, no Expresso, escrevia-se...


Todos os ministérios, além do da Justiça, têm serviços sociais –o que significa que todos os funcionários que trabalham para o Estado podem recorrer a um sistema alternativo de protecção social e de saúde, além daquele que é assegurado pela ADSE.


Enquanto existir no seio do Estado, o SSPCM o SOFE; o SSMTSS;o SSME; o SSMJ e outros pequenos nichos em subsistema social por conta de Estado, a notícia do Expresso é verdadeira e útil para esclarecimento do "público". E demonstrativa de que o primeiro ministro não disse a verdade ao "público". Escusam, por isso, de prestar qualquer atenção às cabriolas obsessivas de qualquer manipulador de tasca

Aditamento às 23h:

O senhor Abrantes do blog Câmara Corporativa resolveu desvanecer-se em atenções comigo, certamente em exercício terapêutico que passa pelo uso do insulto gratuito. Enfim...por mim pode continuar com as cabriolas no lugar que lhe é próprio.

Como quero alguma reserva a que julgo ter direito, prefiro utilizar o meu nome próprio como pseudónimo. Daí que me reserve o direito de julgar que o senhor Abrantes é apelido próprio.E para já, fazer de conta que também é pseudónimo.
Por isso, senhor Abrantes, veja por favor isto em relação ao SOFE e veja se aprende alguma coisa de contabilidade pública, porque de direito parece ser um mestre acabado:

"Uma vez que os encargos directos com o fornecimento das refeições atingiram a importância de € 1 746 066,41, não foi possível com as verbas oriundas do Orçamento do Estado suportar, não só o diferencial dos custos indirectos resultantes do fornecimento de refeições, como também as despesas com todas as outras regalias e as despesas com todos os sectores de apoio, pelo que transitaram para 2003 encargos com o fornecimento de refeições no valor de € 276 264,41."

E isto é só das refeições.
E ainda mais isto:
" Para pagamento das despesas de funcionamento e de realização de actividades, os SOFE têm disposto de receita própria e de dotações no âmbito do O.E., bem como, a partir de 1998 de verbas do PIDDAC, cujos montantes anuais figuram no quadro e gráfico constantes da folha seguinte."

Depois disto, dou a discussão por encerrada.

Publicado por josé 14:19:00 3 comentários Links para este post  



A "artilharia pesada"

Esqueçam tudo o que até agora foi dito sobre a "união", a "concórdia" e os "afectos". O verdadeiro candidato Mário Soares está "todo", inteiro, naqueles breves segundos em que, fugindo à banalidade, vergastou Cavaco com a sua "reforma" de "político profissional". Basta ter olhado para as televisões, como previ, ou lido os jornais, para perceber "o que é que interessa". Os "manifestos" e as "declarações de candidatura" vão rapidamente esfumar-se por entre bravatas captadas pelas câmaras e pelos textos. Atrair Cavaco para a "peixeirada" - duvido do sucesso do exercício - é o que importa. É preciso recuar a Agosto para situarmos as coisas no seu devido sítio. No famoso "perídodo de reflexão", Soares deu logo conta ao que vinha. Evitar, a todo o custo, o "passeio pela Avenida", alegadamente preparado para e por Cavaco, é o verdadeiro "programa". Vai, por isso, valer tudo. Soares acha - sempre achou - que Cavaco não possui aquilo a que ele e os seus amigos apelidam de "cultura democrática". Não ter estado escondido da PIDE, nem que por breves instantes, atrás de uma moita, é uma falha curricular grave. Não "praticar" a política, nem tão-pouco "teorizar" sobre ela a partir de uma visão jacobina do mundo e dos outros, é outra. Finalmente ter tido de suportar, durante os dez anos de mandato, a esquálida figura que, na sua concepção sobranceira, emergiu do "nada", terá sido a última das provações. Como se tudo isto não bastasse, Cavaco "ainda" tem o desplante de se candidatar a Belém, e, imagine-se, a veleidade plausível de vencer. Soares, o "real" - e não o das sonolentas apresentações a que temos assistido -, está-se nas tintas para os "afectos" quando a sua sobrevivência está em causa. Fazer dele um "coitadinho", perdido na bruma das sondagens, é uma falácia perigosa. Como ele explicou na Visconde Valbom, numa tarde de domingo solarento de Inverno, a uma plateia de "jovens" que faziam parte do MASP I, em 1985, com Zenha era forçado a recorrer à "artilharia pesada". É essa que ele irá buscar à medida que as coisas forem "aquecendo". A da "reforma" é apenas um "cheirinho" do que aí vem.

Publicado por João Gonçalves 13:25:00 3 comentários Links para este post  



O guerreiro no seu labirinto

Numa cerimónia íntima e para os íntimos, Mário Soares apresentou, no Porto, as suas "comissões". Vasco Vieira de Almeida, o mandatário nacional, que pode ter talento para tudo menos para falar, aborreceu. Sobrinho Simões, o mandatário distrital, gracejou. Terminou o evento com um meio improviso do candidato. Soares quer uma campanha "diferente" e andar suavemente pelo país a pregar a "mudança", nas "colectividades", nas "universidades" e onde mais o "convidarem", tudo sem comícios e com sobriedade. Quer uma campanha "descentralizada" e os seus a trabalharem por si, nas localidades. E não conseguiu explicar por que é que achou "necessário" candidatar-se de novo, apesar da retórica das "circunstâncias" a que recorreu para justificar um exercício artificial. Lançou, por fim, uma "pérola" irritada ao "não político profissional", no que constituiu o único momento excitante e significativo da cerimónia. As televisões encarregar-se-ão de o divulgar como a melhor "ideia" que ali brotou. Por outro lado, no "Expresso", Mário Mesquita - que é da "comissão política" de Soares e que, presumo, partilha o candidato com o secretário geral do PS -, afirmou que "Cavaco Silva potencia o pior de José Sócrates". Não vale a pena comentar. Ça va de soi.

Publicado por João Gonçalves 13:17:00 0 comentários Links para este post  



A elite profissional

A obsessão pela apresentação pública da comissão de honra da candidatura de Soares é um atestado de estultícia aos restantes cidadãos, um processo de submissão da autonomia de pensamento a uma elite, que mais não procura, na sua heterogeneidade, que conservar as regalias e privilégios que entende ameaçados.

Publicado por Nino 13:10:00 0 comentários Links para este post  



cinco fora dois

Jerónimo de Sousa e Franscisco Louçã não irão, tudo o indica, a votos, nestas presidenciais. Está demasiado em jogo. A nenhum interessa que se diga que Cavaco ganhou porque eles dividiram. O PS, e 'os' do PS, que assaquem as culpas. Ao PCP, embalado do bom resultado das autárquicas, interessa tudo menos arriscar ter menos votos que Louçã, ao Bloco é demasiado perigoso e arriscado deixar Alegre crescer com um discurso 'alternativo' mais 'bloquista' que o do BE alguma vez foi. Ao Bloco interessa apostar em Soares, e sobretudo que este fique à frente de Alegre, já ao PC interessa, pesem os apoios de muitos renovadores comunistas áquele, apostar em Alegre, cujo discurso não tresmalha grande parte do seu eleitorado tradicional, mas dilacera o do BE, e sobretudo que Alegre se mantenha à frente de Soares. Sobram três candidatos.

P.S. Quanto ao Dr. Portas sosseguem, com sondagens ou sem elas, com ou sem campanha paga, não vai ser candidato.

Publicado por Manuel 0:22:00 10 comentários Links para este post  



um disparate

«Neste momento, a eleição do professor Cavaco Silva iria destabilizar, do ponto de vista institucional», defende dirigente nacional do PS [Francisco Assis]

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um homem preocupado

Jorge Coelho.

Publicado por Manuel 23:51:00 0 comentários Links para este post  



um homem perigoso

António Costa, a quem por estes dias tudo corre bem, até o SIRESP. Munícipios, Polícias, GNR, secretas, SEF, protecção civil, bombeiros, tudo sobre a sua alçada, em nome da eficiência e coordenação. Já só falta (falta mesmo ?) o INEM. A seguir, em nome da optimização, vai ser o assalto ao Ministério da Justiça, logo à PJ, que se funde com o MAI...

Publicado por Manuel 23:40:00 0 comentários Links para este post  



um exemplo

de imprensa livre e insubmissa. A edição da Veja desta semana. Por cá não há disto. Em bom rigor nunca houve.

Publicado por Manuel 23:30:00 0 comentários Links para este post  



uma pergunta

A propósito da tomada do controlo da Media Capital pelos espanhóis da Prisa, 'amigos' do PSOE, e com o beneplácito do governo, a esquerda defendeu as virtudes da livre circulação de capitais e do 'mercado' e a direita, indignada, arranhou a tese da defesa da pátria, da língua e até da soberania nacional. Agora que se aproxima, também com o beneplácito do Governo, a entrada do Sr. Berlusconni no sector de media nacional, como mais que provável parceiro estratégico da Cofina, como é que vai ser ? Vai ser igual, ou ao contrário ?

Publicado por Manuel 23:29:00 1 comentários Links para este post  



uma medida sensata

A de José Sócrates ao anunciar que 'afinal' o PS e o Governo só mexerão na lei do Aborto após novo referendo.

Publicado por Manuel 22:16:00 0 comentários Links para este post  



O velho "novo homem português"

Depois de escutar com atenção a leitura do "manifesto" de Cavaco Silva - ao contrário do Paulo Gorjão, não tenho paciência para os ler -, percebi que aquilo ia levar muita pancada. Salvo meia dúzia de interessados que, por dever de ofício ou por malícia, os têm de consumir, ninguém que esteja de bem com a vida perde um segundo com manifestos eleitorais. Não é por aí que se perde ou ganha o que quer que seja. De Soares veio o trivial. De Cavaco, chegou aquilo a que Vasco Pulido Valente hoje chama (link indisponível) "um manifesto misterioso". A crítica mais imediata é de que se trata de "um programa de governo". Não é, embora pareça. Cavaco propôe um programa de ajuda pessoal e política ao governo, seja ele qual for. Para o efeito, viu-se na necessidade de falar praticamente de tudo. Foi a opção dele e de quem o aconselhou - não seria a minha -, o que deu ao "manifesto" um "tom" misto de redacção e de dicionário de lugares-comuns políticos, como sublinha Pulido Valente. Qualquer coisa de mais escorreito teria servido perfeitamente o propósito. No fundo, Cavaco quis voltar ao velho mito do "novo homem português", revisto, corrigido e aumentado para o século XXI. Não vale a pena. O "novo homem", o dos anos noventa, deu no que deu. Arrivista, irreformável, ambicioso, ignorante e melífluo, este "produto" da democracia está espalhado, como praga, um pouco por toda a parte, do Estado à "sociedade civil". Quando as coisas mudaram, passou-se, com a tranquilidade própria dos invertebrados, e depois de ter sumariamente liquidado o "pai", para o aconchego maternal do "socialismo" de Guterres o qual, quando deu por isso, já estava enterrado no célebre "pântano". Vieram Barroso e Santana Lopes e, aí, o nosso "novo homem" tornou a prosperar com o "tempo novo" daqueles dois. Sócrates renovou a "ambição" ao propôr, em vez de um "novo homem", um "homem novo" para uma legislatura. É mais do mesmo. Há coisas onde, por bom senso e pudor, não vale a pena tocar. Nem Sócrates nem Cavaco nos livram da sua essencial viscosidade. O velho "novo homem português" veio para ficar. Não muda e nem eles - muito menos eles - o conseguem mudar.

Publicado por João Gonçalves 22:15:00 2 comentários Links para este post  



uma frase

As presidênciais estão longe de ser um facto consumado.

Publicado por Manuel 21:39:00 1 comentários Links para este post  



um resultado

O Setúbal, agora de José Couceiro, e ainda com salários em atraso, empatou com o F. C. Porto.

Publicado por Manuel 21:34:00 3 comentários Links para este post  



um filme

O Crime do padre Amaro. É, no fundo, até nos excessos, a outra 'metade' de um outro filme - Portugal S.A. Juntos são outro bom resumo de Portugal. Ana Bustorff merecia um óscar.

Publicado por Manuel 21:09:00 0 comentários Links para este post  



um retrato

Três (jovens) actrizes distintas da série 'Morangos com Açucar', TVI, são este mês capa, das três revistas 'masculinas' de 'referência' que se editam em Portugal. Este pequeno 'facto' é também ele um bom retrato do país.

Publicado por Manuel 21:03:00 0 comentários Links para este post  



oito ministros sob escuta

O Rui Costa Pinto, na Visão desta semana, escreve, sem papas na língua, que o MP, presume-se que o DCIAP de Cândida Almeida, inviabilizou várias vezes a detenção, por proposta da PJ, de Joaquim Raposo, presidente da Câmara Municipal da Amadora, eleito pelo PS, e braço armado de Jorge Coelho nas mais diversas frentes. Mais para o meio da mesma prosa fica-se a saber que a propósito de outro caso mediático, por acaso até 'relacionado', chegaram a estar sob escuta telefónica oito, repito, oito, sim oito ministros, ao mesmo tempo, do inesquecível governo do Dr. Lopes, sem no entanto ficar o leitor a saber quais. Em qualquer circunstância, sob qualquer ponto de vista, parece inacreditável que a justiça de um país europeu, do 'primeiro mundo', considere como alvos 'suspeitos' nada mais do que oito ministros de um mesmo governo. Ou se usa e abusa 'à balda' das escutas, e nesse caso é de assacar responsabilidades, ou as suspeitas eram suficientemente graves, e verosímeis, e, nesse caso, é de questionar onde estãos os resultados... É que pelo meio, ao ler-se do PS e do PSD, e vice-versa, fica um travo amargo - o de que uma mão (a)paga a outra...

Publicado por Manuel 20:37:00 0 comentários Links para este post  



it 's Macau stupid !

No Expresso de hoje, discretamente, fica-se a saber que Cândida Almeida, Rodrigues Maximiano e António Cluny, apresentados como Procuradores Gerais Adjuntos, estão entre os 700 integrantes da Comissão de Honra de Apoio à candidatura Presidencial do Dr. Soares. Cândida Almeida é a responsável pelo DCIAP, que combate candidamente a alta criminalidade, além de, mais recentemente, ser a madrinha de baptismo da já tristemente célebre operação 'furacão'. Cluny, além de representante sindical dos magistrados do MP, tarefa que partilha com a de confidente de Cunha Rodrigues ainda é relações públicas de Alberto Costa, Ministro da Justiça, que incessantemente tenta sistematicamente credibilizar, tal é a forma como defende os 'direitos' dos seus. Já Rodrigues Maximiano, um caso à parte, esteve em Macau onde foi 'abonador' de Alberto Costa, é marido da primeira, foi 'arquivador' do caso do Fax/Macau/Melancia, já cá, e responsável mais tarde da IGAI (onde fez um bom trabalh0, note-se), já não 'é' tecnicamente do MP, está 'apenas', como eleito pelo PS, no... Conselho Superior do Ministério Público, falando-se recorrentemente no seu nome como putativo PGR caso Souto Moura tropece antes de Sampaio apagar a luz. Na curta 'breve' do Expresso está explicada muita da história recente portuguesa. O resto à conversa.

Publicado por Manuel 20:22:00 0 comentários Links para este post  



Macau, Alberto Costa, os magistrados, o povo e a Justiça que (não) temos (III)

Convinha que muito boa gente das magistratutas percebesse e interiorizasse um dado básico - não vale a pena perder um segundo, sequer, a reclamar, das 'qualidades' intrínsecas do Ministro Alberto Costa, do seu carácter, etc e tal, enquanto o comum dos mortais olhar para o ministro, e olhar de seguida para as magistraturas e vir como superiores representantes destas, e faces visíveis, personagens com o calibre do Dr. Cluny, do Sindicato do MP, ou Baptista Coelho, do Sindicato dos juízes, cujo calibre, discurso e carácter, é de todo equiparável ao do mesmo ministro que tanto vituperam...

Publicado por Manuel 20:09:00 0 comentários Links para este post  



Macau, Alberto Costa, os magistrados, o povo e a Justiça que (não) temos (II)

Sejamos claros, mais uma vez - ao português comum não interessa o que se passou em Macau, que nunca lhes disse muito (ao contrário das colónias) na década de 80, mas isso não quer dizer que o assunto não seja relevante nem deva ser discutido, embora não necessariamente nos moldes em que o tema está a ser reintroduzido. É que o relevante não serão tanto os eventuais pecadilhos 'juvenis' de uma série de gente, ocorridos em Macau, mas o relevo e, 'efeitos secundários', que esses eventos, e esses pecados, ainda tem nos dias que correm. É que se criminalmente os factos serão irrelevantes porque prescritos, politicamente podem servir para explicar muita coisa, desde nomeações, a promoções, a negócios, passando por silêncios activos e passivos. E uma democracia adulta e madura, não se pode dar ao 'luxo' de este tipo de fantasmas, que os há, que contam e pesam mais, e estão muito mais próximos, no espaço e no tempo, do que parecerá à primeira vista. Dito isto, em todo o dossier Macau, Alberto Costa não passa, tal como neste governo, de uma nota de rodapé. Coelho e Vitorino , por exemplo, é que já não.

Publicado por Manuel 19:58:00 0 comentários Links para este post  



Para erradicar de vez o anti-semitismo

Publicado por Nino 19:45:00 0 comentários Links para este post  



uma capa

Publicado por Manuel 18:59:00 0 comentários Links para este post  



Leitura para um sábado chuvoso

E ele tem o teu rosto, e os teus olhos, e a tua voz, e é irlandês, e tem cinquenta e dois anos.
Ashley sentira frio durante toda a viagem, vestia apenas uma camisola de algodão branca e os jeans, o casaco azul-escuro não era muito quente. Descera numa pequena estação para tomar um café, ao voltar à plataforma metera um pé numa poça de água e a bota ficara molhada, a humidade chegara-lhe aos dedos. Claro que podia ter tirado a mochila da bagageira e vestido duas ou três camisolas, umas peúgas, o compartimento estava vazio, mas sentia-se entorpecida, cansada, e talvez o frio lhe desse um obscuro prazer. Quando entrava no mar e a água estava a uma tem- peratura muito baixa, reunia as suas forças e nadava para longe da costa, e o frio fazia-a sentir-se viva, forte, talvez indestrutível. Acontecia o mesmo quando era miúda e se escapulia do dormitório do colégio de manhã muito cedo, corria pelos campos e ia nadar na piscina entre as rochas.

A estação de Charing Cross tinha um ar festivo, as luzes acesas. Ashley colocou a mochila aos ombros e agarrou no grande saco impermeável onde trazia as telas. Eram seis ou sete, as que a tocavam mais, pensou com amargura que agora pintava como um Monet de segunda ordem que começava também a ficar cego, as paisagens quase indistintas, os pássaros marinhos que eram um único pássaro, as asas que pareciam ondas e as ondas que podiam ser asas; por momentos sentiu vontade de deixar o saco no comboio, de perdê-Io, mas depois apertou a alça com mais força e saltou para a plataforma. Estava em Londres, apercebeu-se de repente, voltara, um impulso muito forte crescera nela nos últimos dias e tivera de voltar. Não sabia para quê, tinha qualquer coisa a ver com os quadros da National Gallery, com as livrarias, com a Marchpane e os livros infantis, tinha qualquer coisa a ver com a neve nas ruas e com a árvore de Natal em Trafalgar Square.

Alguns minutos depois sentou-se num banco e ficou a olhar para a árvore iluminada com um encantamento de criança. Sempre gostara do Natal, mesmo quando o passava no colégio interno; via as colegas partirem com os pais mas não se sentia triste, os livros que Tom lhe enviava dos Estados Unidos tinham acabado de chegar, e com eles mundos estranhos, histórias que a aqueciam por dentro. Os professores não lhe davam ocupações nas férias, e o edifício enorme que conhecia bem ficava um pouco por sua conta, as inúmeras salas vazias onde ninguém entrava, os dormitórios abandonados, o ginásio, a biblioteca; ia de manhã às piscinas naturais, e embora estivesse frio mesmo para ela, era bom estar ali, ler um livro de aventuras, desenhar o mar e as rochas, e as pequenas plantas que cresciam entre as rochas, no seu caderno de esboços.

Desde cedo gostara de estar sozinha, talvez porque não podia estar com ele, e as outras pessoas não lhe interessavam muito. Também passara alguns natais com Miss Winter, em casas de campo rodeadas de neve, no Norte de Inglaterra, mas estar com Miss Winter era como estar sozinha, tinham aquele acordo tácito de partirem de manhã cada uma para o seu lado com o material de desenho ou pintura e encontrarem-se às refeições, falavam pouco mas gostavam uma da outra. Miss Winter ensinara-lhe tudo o que sabia e quando percebera que não tinha mais nada a ensinar deixara-a trabalhar tranquilamente.

A igreja de St. Martin-in-the-Fields, a National Gallery, a Portrait Gallery, uma exposição de
fotografia de Philippe Halsman, Charing Cross Road. Gostava muito das pequenas ruas onde não passavam automóveis e as lojas tinham algo de mágico. Cecil Court: Martin Murray Cigarette Cards, Travis & Emery Music, Mark Sullivan Antiques & Decoratives, The Rae-Smith Gallery Cartoons & Illustrations, as livrarias que conhecia intimamente, Nigel Williams Rare Books, Peter Ellis Bookseller, Marchpane Children's Books, P. J. Hilton Literature, Antiquarian & General Books; deteve-se por instantes junto de Tindley and Chapman, alguns livros que tinha em casa mas que lhe apetecia comprar de novo, The Grass Harp, Wide Sargasso Sea, The Collector, Treasure Island. Uma peça de Tchekhov no Albery Theatre, A Gaivota, os cartazes enormes, e depois a sua rua, enumerou baixinho, como se rezasse, aqueles nomes que conhecia tão bem, James of New Row - Clock and Watch Repairers, Prime Video, Nigel & Crown, Harry Brown Caffee, Scott's Caffee, Waterstone's Bookshop.

Ashley estremeceu ao ver a luz acesa no sótão da casa. Sentiu que o coração batia muito depressa e que o peso da mochila e do saco se tinham tomado insuportáveis, o seu corpo estava fraco e frio, quase teve uma tontura. Mas então lembrou-se, era muito tarde para acreditar em fantasmas, Ed alugara o sótão a um amigo, um professor universitário ou algo do género.

Invadiu-a um forte sentimento de rejeição, não devia ter concordado, para o diabo com o dinheiro, não queria um velho desconhecido a viver naquela casa que era deles, que continuava a ser a casa deles. Procurou a chave e não a encontrou, era estranha a ideia de tocar à campainha, finalmente descobriu o chaveiro no fundo do bolso do casaco e com a mão trémula abriu a porta e acendeu a luz. Como sempre Tom esperava-a, ele e os seus cães, os três cães que tivera na sua vida, um depois do outro, não haveria mais nenhum, agora era demasiado tarde. Deixou cair a mochila e o saco e viu-se de relance no espelho do vestíbulo, o rosto fechado, a pele um pouco queimada pelo sol, o cabelo comprido e mal tratado. Estava feia, magra, os lábios gretados, os olhos muito azuis tinham um brilho frio, de pedras geladas. Sempre se achara parecida com ele, eram ambos altos e magros, o cabelo cor de palha, mesmo cor de palha, os olhos muito azuis, a pele clara bronzeada pelo sol, passavam muito tempo ao ar livre. Ele tinha uma pequena cicatriz numa face, e um sorriso que ela muitas vezes tentara imitar. Meu amor, estou aqui, disse baixinho, meu amor, agora estamos os dois aqui.

Abriu a porta da sala e sorriu sem se dar conta, aquele espaço que tinham criado os dois, os livros e as pedras, as rosas secas, a caixinha russa pintada à mão, as duas paisagens de que ele gostava muito, uma ruazinha de Londres coberta de neve, o Tamisa gelado e os barcos, os seus filmes, aprendera com ele a amar os filmes a preto e branco, ela que tinha a paixão da cor, a neve num filme a preto e branco. Pegou num livro e folheou-o devagar, The Golden Bowl, aproximou-o do rosto para sentir o seu cheiro; Charlotte Stant num museu, durante a noite...

Entrou na cozinha e percebeu que estava cheia de fome. Esquecia-se de comer durante dias inteiros, sempre fora assim, e a fome chegava inesperadamente; tomara o pequeno-almoço na cidadezinha perto da casa de praia e depois não comera mais nada, só bebera uma chávena de café. A mesa tinha uma das suas toalhas aos quadrados vermelhos e brancos, não muito limpa; com migalhas. Se havia migalhas devia haver pão, abriu a lata de estanho que estava em cima de um armário e viu um pão escuro cortado em fatias; no frigorífico encontrou queijo cheddar, maçãs Cox's Orange Pippin, peras William e tangerinas.

Ashley não celebrava o Natal. Às vezes comprava uma garrafa de champanhe e morangos, mas uma sandes de queijo e uma tangerina serviam muito bem. Comeu devagar e bebeu um copo de água da torneira. Depois afastou a cortina da janela e ficou a olhar para o jardim cheio de neve, suavemente iluminado pela luz da cozinha e as do prédio em frente. Tenho de ir ao jardim e entrar no estúdio, tem de ser agora, depois não sou capaz. Ashley apertou a gola do casaco azul-escuro e saiu para o jardim. A neve estava intacta, os arbustos, as pequenas árvores e o telhado do pavilhão tinham uma camada branca por cima. Deu alguns passos e deteve-se, sem forças para continuar. Era como se o cansaço e a tristeza tivessem chegado, o que sentira durante a viagem não era nada comparado com aquilo, o peso nos ombros, o rosto tão frio que quase não conseguia mover os músculos, as pernas entorpecidas, as botas enterradas na neve. Uma figura de gelo, pensou, um anjo de gelo esquecido num jardim. Um anjo de gelo que não sobrevive ao primeiro dia de sol. E de repente teve a sensação de que no interior da casa alguém a observava.

Mas não se voltou. Os seus olhos estavam fixos em frente, e o pavilhão coberto de neve era a única realidade, um espaço quase sagrado, fora do mundo. O lugar onde ele trabalhava, de dia e de noite. A imagem era muito forte, Tom sentado à secretária, inclinado sobre um livro ou um caderno de apontamentos; ao lado um candeeiro aceso, um copo de água, uma cigarreira castanha e um cinzeiro. O seu cabelo cor de palha, mesmo cor de palha, o rosto seco queimado pelo sol, os olhos azuis, a cicatriz, as mãos de dedos compridos e ágeis, o corpo imóvel. Encontrou a chave, abriu a porta do pavilhão e acendeu a luz. O compartimento estava tão frio como o exterior. As duas janelas, as cortinas que tinham sido azul-escuras, a secretária na qual se misturavam cadernos e desenhos soltos, a estante cheia de livros, os cavaletes, as telas encostadas às paredes, as setas de papel no chão, o velho sofá onde, em alturas diferentes, ambos se tinham deitado a fumar e a ouvir Bach ou Mozart, A Criação de Haydn. Porque nós vivemos juntos, sempre vivemos juntos, separados pelo tempo. Sozinhos.

E então lembrou-se do homem que entrara no mundo deles. Aproximou-se da janela e olhou para a sombra familiar da casa, a luz acesa do sótão. Um vulto na janela. Recuou um pouco, para que ele não a visse, e naquele instante começou a nevar, os flocos caíam lentamente, tomando o silêncio mais profundo, e ela sorriu, estou viva, pensou, de alguma forma estamos vivos, e o mundo ainda não acabou, não chegou o fim dos tempos e os anjos não dobraram os céus. Meu Deus, está a nevar

in «Se nos encontrarmos de novo», Ana Teresa Pereira

Publicado por André 16:19:00 1 comentários Links para este post  



Dois anos na nossa geografia de afectos


A Rua da Judiaria existia há muito na minha geografia de afectos. Muito antes do blog. Muito antes de se sonhar que blogs um dia existiriam. Por coincidência, ou partida pregada pelo destino, a rua da minha infância chamava-se Judiaria – uma pequena e quase escondida rua de Almada, atrás da velha loja Singer e a dois passos do antigo edifício da Câmara e da Sociedade Recreativa Incrível Almadense. No terceiro andar esquerdo do número 24 da Rua da Judiaria aprendi a falar e a andar. Da mesma varanda onde se via uma nesga do Tejo e de Lisboa, olhei eu horas a fio para o jardim da casa da Janeca, o meu primeiro amor.

Rua da Judiaria


Obrigado, Nuno.

Publicado por Nino 7:46:00 0 comentários Links para este post  



Desperdício

Câmara Corporativa - um blog interessante e que se perdeu em compulsivas obsessões. Triste.

Publicado por josé 2:37:00 1 comentários Links para este post  



O maroto

"Os ataques de Alegre inquietam-me", Joana Amaral Dias n' O Inpependente

Publicado por Carlos 1:58:00 3 comentários Links para este post  



Diria mesmo mais...

Ridendo Castigat Mores. De facto, Hilariante!

Publicado por josé 17:39:00 4 comentários Links para este post  



Defesa do FC Porto em perigo...

... Ricardo Costa e Bruno Alves renovaram até 2010!!

Publicado por André 14:59:00 1 comentários Links para este post  



Começam as ameaças ao irmão Manuel



Cortesia O Jumento

Publicado por Carlos 13:34:00 2 comentários Links para este post  

Há algum entendido que possa explicar a racionalidade de o TGV fazer paragem logo na OTA? E é esse o único serviço ferroviário ao novo aeroporto? Qual a análise custo/benefício que justifica o investimento na construção de uma nova ligação ferroviária Lisboa - Porto? São certamente dúvidas de ignorante, mas ficaria mais sossegado se alguém lhes desse resposta cabal.



Não serei a pessoa mais preparada tecnicamente para dar uma resposta. Mas há duas questões importantes. Primeiro a ligação em TGV entre Lisboa e o Porto roubará mercado á ligação convencional existente actualmente e entre o brutal investimento na modernização e na aquisição de pendulares. Segundo, dada a distância entre Lisboa e o Porto, as paragens na Ota, Leiria, Coimbra e Aveiro, farão de um ligação em TGV algo mais parecido com a alta velocidade. Percebe-se as paragens em Coimbra por forma a funcionar como intercomunicação com a ligação da linha do Norte, mas não se compreendem as restantes paragens.

Ao mesmo tempo é assumido pelo governo que a Portela é para acabar. O investimento que o metropolitano prepara na extensão á Portela, servirá a nova cidade que ali há-de ser erguida, apenas e só depois da privatização da Ana. Não valerá a pena a partir daqui questionar o governo sobre a opção da Ota. Por muito errada que possa ser, por pouca estratégica que possa parecer, infelizmente essa é a ideia do governo.

Publicado por António Duarte 13:33:00 2 comentários Links para este post  



o cenário das Presidenciais...

... pode não estar completo.

Publicado por irreflexoes 12:21:00 0 comentários Links para este post  



Overdoing It!

Ontem, Cavaco Silva disse n vezes que exercerá o mandato de PR nos limites constitucionais, com respeito pelo governo, etc, etc. Tanto protesto parece-me demais.

Publicado por irreflexoes 12:11:00 2 comentários Links para este post  



Follow-up

Na sequência deste post fui ler o tal artigo de Rui Pereira na Política Internacional. É particularmente assustadora a proposta de que os serviços de informação possam interceptar comunicações a título preventivo, "antes ainda de ganharem consistência como ílicitos criminais". Tudo isto, e mais acções encobertas, com agentes das secretas a circularem por aí em investigações disfarçadas de quem quiserem. Tudo isto sob "controlo" de uma qualquer comissão de três juízes. A fazer doutrina, este tipo de ideias significa um risco importante para as liberdades individuais de todos nós. Seria útil que estivéssemos todos atentos. Sob pena de só darmos por ela quando for tarde demais.

Publicado por irreflexoes 11:33:00 0 comentários Links para este post  



Alta Velocidade...o retorno à racionalidade !

A decisão do Governo em eliminar três das cinco ligações em TGV é uma óptima notícia. Significa antes demais que o executivo deu ouvidos a todas as vozes críticas que construtivamente alertavam para a incapacidade da rentabilidade das ligações entre Porto-Vigo, Aveiro-Salamanca e Lisboa-Faro-Huelva. Racionalidade.

Como no Expresso se escreveu, o modelo ideal assentaria numa ligação em TGV entre Lisboa e Madrid, e depois a reconversão dos principais eixos ferroviários em bitola europeia e proporcionando alta velocidade com um máximo de 250 kms/hora, substancialmente mais barato que o TGV e indicando para a nossa dimensão.

Tal decisão ficou apenas a pecar pelo facto de ser questionável a ligação Lisboa-Porto, quando temos o pendular à espera da modernização da linha do norte que ainda não contempla a bitola europeia.

Publicado por António Duarte 11:17:00 2 comentários Links para este post  



Maus Sinais


Assim não vamos lá, não.

Publicado por irreflexoes 10:00:00 1 comentários Links para este post  



A voragem dos acontecimentos não permite uma reflexão serena sobre as alternativas

Publicado por Carlos 1:34:00 0 comentários Links para este post  



balada do rio das pérolas

Publicado por Manuel 22:55:00 10 comentários Links para este post  



Anúncio de um anúncio anunciado

«Confirmo que dentro de poucos dias vou anunciar a hora e o local de apresentação» do projecto, que inclui a calendarização das obras do futuro aeroporto, disse Mário Lino

Publicado por irreflexoes 18:47:00 0 comentários Links para este post  



opinião pública(da)

A propósito da greve dos agentes judiciais o Paulo Gorjão resolveu ser intérpete e porta-voz da 'opinião pública'. Acha até que "É importante que o Governo perceba que a opinião pública está ao seu lado nesta matéria". Não percebeu nada. A opinião pública não está nem deixa de estar, com o Governo. Não está, o que é diferente, é contente com o actual estado de coisas, na justiça, não a percebe, e, como tal, é-lhe de todo indiferente o que o Governo faz ou deixa de fazer, nem que seja regar tudo com gasolina, porque se fartou do estado actual. Acontece que este estado de espírito não legitima tudo, muito menos algumas das ideias peregrinas que este governo pretende tomar. É claro também que os agentes judiciais e os seus iluminados representantes tem muitas culpas nisto. É a vida.

Publicado por Manuel 18:23:00 1 comentários Links para este post  



Uma ideia a desenvolver

A recusa do passado, dos factos e das lições, está normalmente associada a uma certa vergonha do que têm para nos dizer.

Publicado por irreflexoes 17:14:00 0 comentários Links para este post  



uma monumental estupidez

Sobre as corporações, e sobre a transparência do poder judicial, recordo este post velhinho do nosso Pinto Nogueira, uma excepção que não faz regra. Convinha que os magistrados, como um todo, percebessem, de uma vez por todas, que a única forma de impedirem a efectivação de um controlo político formal sobre as suas actividades é serem eles próprios a proporem uma reforma de fundo que garanta não só a sua efectiva independência como dê garantias, a toda a gente, de transparência e accountability, até de democraticidade interna, garantias essas que o actual modelo, que já se percebeu não funciona, pura e simplesmente não dá. Agarrarem-se, com unhas e dentes, ao presente modelo, que é absolutamente insustentável, por reação pavloviana às investidas do governo é leviano, irresponsável, para não dizer uma monumental estupidez.

Publicado por Manuel 17:09:00 0 comentários Links para este post  



Macau, Alberto Costa, os magistrados, o povo e a Justiça que (não) temos

Vamos ser claros, o meu problema com Alberto Costa, titular da pasta da Justiça, é estritamente político. Dito isto, não me choca, muito menos repugna, que para 'contextualizar' um sem número de medidas alegadamente moralizantes se tragam de novo à superfície, do baú da História, uma série de esqueletos mal resolvidos do tempo de Macau. Acho mesmo que, enquanto não for possível tratar com serenidade e objectividade o fenómeno Macau (entre outros como Camarate) a democracia portuguesa não terá entrado plenamente na maioridade. Mas, e nestas coisas há sempre um mas, convinha contudo que quem se sente incumbido da nobre missão de trazer de volta estes temas à superfície tivesse o mínimo dos mínimos de noção daquilo que está a fazer, sobretudo se estiver ligado às magistraturas, porque numa guerra, por muito legítima que seja, não pode valer tudo, sobretudo quando isso implica, no limite, um hara-kiri corporativo, que só convém ao 'inimigo'.

É patente que existe um sentimento generalizado de descontentamento dos portugueses para com o estado da justiça, sentimento este que tem sido explorado, com maior ou menos habilidade, por este Governo. É também patente que a esmagadora maiorida dos portugueses além de estar descontente com os resultados não percebe a 'logica', quando há uma, da justiça portuguesa. Não percebe o caso Fátima Felgueiras, porque é que provas absolutamente irrefutáveis, tais como escutas, são anuladas por tecnicalidades, porque Juízes do Supremo Tribunal Administrativo são apanhados, também em escutas, a prometer (a Fátima Felgueiras) favores e lobbying ilegais mas são ilibados sumariamente (pelo vice PGR) porque prometeram mas (derama palavra que) não cumpriram a promessa, não percebem o Caso Casa Pia, onde uns são acusados, e outro, Paulo Pedroso, perante os mesmos dados, as mesmas provas, os mesmos factos não o não é, não percebem como é que Isaltino não ata nem desata, muito menos (e é ver a Visão de hoje, numa peça notável do Rui Costa Pinto) porque é que Joaquim Raposo é 'intocável', muito menos ainda porque é que um incendiário confesso que confessou tudo em fase de inquérito, calado e com um advogado hábil em julgamento, pode saír cá para fora, por falta de provas. Em suma, os portugueses não confiam na justiça, muito a menos a consideram verdadeiramente cega e capaz de tratar todos, e cada um, por igual.

Palhaçadas, e não há outro nome, como a protagonizada sexta feira passada por Cândida Almeida, que ainda continua no DCIAP, não contribuem em nada para a credibilização da Justiça, como não contribui muito para a credibilização da justiça virem agora magistrados por em cheque Alberto Costa bramindo uma decisão judicial em que este foi 'tecnicamente'... ilibado. O pior serviço que os magistrados podem fazer à causa da justiça é ao invés de a explicarem, ao povo, em nome de quem agem, nem sequer eles a levarem a sério. E se os magistrados não levam as decisões dos tribunais a sério (ou não as contestam no local devido, ou não agem objectivamente para que as coisas mudem e 'essas' coisas acabem), se consideram que a culpa já não se afere nas decisões judiciais, mas nas entrelinhas destas, então o problema é ainda maior do que já se supunha...

Publicado por Manuel 15:56:00 2 comentários Links para este post  



Porque não?

O Rui Costa Pinto - que também faz parte da qualificada "brigada anti-cavaquista" - acha que os portugueses não desejam verdadeiramente ver Cavaco em Belém. Até porque devem estar lembrados, diz ele, da "pesada herança" dos dez anos de "cavaquismo", o suficiente para qualquer forma de vida inteligente fugir dele. Na opinião de Costa Pinto, Sócrates, o governo e o "assalto ao aparelho do Estado" são os maiores responsáveis por esta eventual ignomínia insinuada nas sondagens. A solução passa por Sócrates assumir "uma governação credível", única hipótese de "eleição de um candidato à esquerda". Com o devido respeito, Costa Pinto não tem razão nenhuma. Começo pelo fim. Quem for eleito PR, desta vez não o será por estar mais torto para a "esquerda" ou mais torcido para a "direita". E muito menos por se reclamar de "esquerda" ou de "direita". O eleitorado sabe perfeitamente de onde todos procedem e avalia quem é que, neste momento, tem melhores condições para protagonizar, com credibilidade e autoridade, a chefia do Estado. Acabaram definitivamente os "fantasmas", mas o "vale tudo" vai andar por aí. Por outro lado, Costa Pinto também não tem razão ao ligar a eleição presidencial ao desempenho do governo. Apesar de tudo, Mário Soares "vale" mais - ou "valerá" menos - do que a simplificadora ligação umbilical ao PS e ao governo. Os resultados que alcançar, serão dele, em exclusivo, e uma sua eventual derrota não prejudica, um milímetro sequer, o eng.º Sócrates. Julgo, aliás, que grande parte daqueles que estão predispostos a votar em Cavaco Silva, acha razoavelmente "credível" o "estilo" do primeiro-ministro e aceita, no essencial, o que está a ser feito em sectores como a Educação, a Justiça ou a Defesa. Finalmente, os "dez anos de cavaquismo" foram julgados em eleições adequadas, em 1995. Mesmo assim, uns meses depois, Cavaco "conseguiu", num escrutínio previamente condenado ao fracasso, 46% contra Sampaio e, como disse M. Soares na altura, com mais algum tempo "ainda ganhava". De facto, eu compreendo as dúvidas de Costa Pinto e de outros respeitáveis membros da "brigada". É que lhes é cada vez mais penoso responder, com um módico de lucidez e de respeito pela "realidade", a esta pergunta trivial: por que é que Cavaco Silva não pode ser eleito livremente Presidente da República? Só porque não?

Publicado por João Gonçalves 15:55:00 3 comentários Links para este post  



Diria mesmo mais..."tudo o que precisa saber sobre o poder judicial"!

Tudo o que precisa de saber sobre o poder judicial em Portugal

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses anunciou uma taxa de adesão à greve de 95%. Contudo, segundo notícias de ontem da TSF, e ao contrário do que é habitual, o Governo não pode fornecer números alternativos. Ao que parece, isso sucede porque não existe qualquer mecanismo regular e institucionalizado de verificação da presença dos magistrados nos seus locais de trabalho. Logo, o Governo aguardará pela divulgação de números por parte do Conselho Superior de Magistratura. Sim, esse CSM cujo Conselho Permanente é composto por 8 membros, 5 deles obrigatoriamente juízes.Ou de como num único facto se condensa quase tudo o que precisamos de saber sobre o funcionamento do poder judicial em Portugal nos últimos 30 anos.

Pedro Magalhães


Neste blog, assinado por Pedro Magalhães, onde aparentemente se escreve sobre sondagens e opinião pública (?!) escrevem-se estas coisas extraordinárias. É com certeza um exercício de captura do "sentir" da opinião pública, feita por um entendido na matéria. Porém, no sentido do escrito trespassa uma opinião pessoal. Será pública?

É que se dá conta de uma descoberta fantástica - "tudo o que precisamos saber sobre o funcionamento do poder judicial nos últimos trinta anos". Ora tomem lá, do tal Pedro Magalhães! Nem mais! Poderia do mesmo modo escrever - tudo o que um sapateiro entende sobre o poder judicial. Ou então, tudo o que o rabecão entende sobre horários de trabalho e assiduidade... É talvez por estas e por outras que o desconhecimento campeador e a demagogia rainha, entram até no domínio sagrado dos universos esotéricos das sondagens!

Se o blogger fosse mais cuidadoso, antes de escrever a insinuação e a aleivosia inerente, iria consultar os estatutos dos magistrados e outros diplomas relativos ao horário na função pública que se aplicam porque o exercício de funções públicas também está regulamentado para órgãos de soberania. Decobriria que os magistrados têm, como muitos outros trabalhadores da causa pública, isenção de horário, mas também têm um dever de assiduidade.

Descobriria o D.L. nº259/98, de 18 de Agosto, que regulamentou o regime jurídico da duração do trabalho na Adminsitração Pública. E que nos eu artº 23º nº 4 determina que esta isenção de horário não dispensa a presença no local de trabalho nem o seu "contacto regular" nem dispensa a observância do dever geral de assiduidade. Se o problema se coloca no controlo efectivo da assiduidade, pois então deveria saber que um juiz, por exemplo, exerce funções num tribunal, onde exercita na prática a soberania que a Constituição lhe concede.

Quereria o blogger que se dedica a sondagens, que os juizes, enquanto titulares de órgãos de soberania, picassem um ponto, como fazem os funcionários de algum lado?! Ou que assinassem um livro de presenças, como se faz noutros? Estou em crer que muitos, anseiam por isso: é que trabalhariam muito menos e passariam a fazer o que faz qualquer funcionário bancário ou de repartição de Finanças: 9 às 17h 30m e acabou!

Mas tal significaria isto - seria o modo mais directo e mais simples de reduzir os magistrados à condição plena de funcionários. Acredito piamente que tal como o blogger desconhecedor, é isso mesmo que este Governo pretende - cercear o poder judicial e arreatar o exercício da sua independência. Como alguns já escrevem, isto é ridículo ou até mesmo patético...

Aditamento às 23h 13m:
Regista-se a resposta em alargado fair paly, do blogger visado. Contido, mas impressivo, lá continua em mais outro registo errado: diz que aqui se "manifesta aqui e ali grande indisposição com o facto de eu ter usado este meu blogue, dedicado a sondagens e opinião pública, para transmitir aos leitores uma opinião pessoal sobre o funcionamento e organização interna do poder judicial. Parece que não só procurei "cercear o poder judicial e arreatar o exercício da sua independência" (mais um canalha), como também o fiz violando os estatutos editorais desta publicação."
Ora, o que se escreveu, foi apenas o que está escrito. Os trabalhos de casa, fazem-se, lendo e apreciando correctamente o escrito.
Assim, pergunta-se: qual é o facto ( "o único facto") que condiciona a afirmação bombástica de que se descobriu a pólvora( "tudo o que precisamos de saber sobre o funcionamento do poder judicial em Portugal nos últimos 30 anos")? Será a afirmação de que o Conselho Permanente do CSM é composto por 8 juizes e 5 não juizes?!
Será o de que "não existe qualquer mecanismo regular e institucionalizado de verificação de presença dos magistrados no seu local de trabalho"?
É que além desses factos, só vejo um mais no escerito: o de que o governo não pode fornecer números alternativos aos 95% da greve...

Então, para mostrar trabalho de casa, aqui vai:

1. Recomendação para leitura integral dos comentários do juiz Joel Timóteo R. Pereira, no blog Incursões.

2. O CSM é composto por 17 membros e a maioria deles pode muito bem não ser de juizes.Actualmente os juizes escolheram 6 entre os pares. O restante vem de outros lados...

O Conselho Permanente é "composto pelo Presidente, pelo Vice-Presidente, por um Juiz da Relação, dois juizes de Direito, um dos vogais eleitos pelo Presidente da República, dois vogais de entre os eleitos pela Assembleia da República, sendo da sua competência, entre outras, nomear, colocar, transferir, promover, exonerar, apreciar o mérito profissional, exercer a acção disciplinar e, em geral, praticar todos os actos de idêntica natureza respeitante a magistrados judiciais colocados nos tribunais da 1ª instância, elaborar o plano anual das inspecções, bem como ordenar inspecções, sindicâncias e inquéritos aos serviços judiciais e alterar a distribuição de processos aos tribunais com mais de uma vara ou juízo, a fim de assegurar a igualação e operacionalidade dos serviços, podendo tais atribuições serem avocadas a todo o tempo pelo Conselho Plenário."

Saberá o estimado blogger se este Conselho tem as atribuições que lhe entregou?!

Faça uma sondagem...pelo Google.
Ah! E receba cumprimentos pelo fair play.

Publicado por josé 15:26:00 17 comentários Links para este post  



Diria mesmo mais..."bem prega frei Sócrates"!

Do Expresso online, aparentemente ainda dirigido por um arquitecto de ideias feitas, fica aqui uma crónica de José António Lima...

Bem prega Frei Sócrates

No momento em que elimina vários direitos adquiridos, em nome da sustentabilidade da contas do país e da equidade de direitos no funcionalismo público, José Sócrates e o PS alargam até 2009 o generoso regime de privilégios de autarcas e deputados. Pior: fazem-no à socapa, com enganosos artifícios por baixo da mesa, e tentando passar a ideia de que estão a fazer o contrário, a moralizar o alargado esquema de regalias da classe política.

Atente-se nos passos desta artimanha processual e política. Antes de impor os generalizados sacrifícios e cortes à função pública, José Sócrates anunciou e garantiu que, como exemplo, os políticos seriam os primeiros a prescindir dos seus regimes de privilégios injustificados. Para isso, e porque «os sacrifícios teriam de ser distribuídos por todos» como humildemente assegurou Sócrates, iria ser revista a lei das subvenções dos políticos. Uma lei que, há mais de duas décadas, permite que seja contado a dobrar o tempo em funções dos políticos para efeitos de reforma, que lhes seja atribuído um invejável subsídio de reintegração ou que se reformem antecipadamente muito antes dos 65, dos 60 ou até dos 50 anos.

O fim destes privilégios iria abranger, de imediato, mais de um milhar de autarcas (presidentes de câmara e vereadores executivos) e algumas dezenas de deputados, entre outros políticos. A nova lei entrou mesmo no Parlamento a 16 de Junho e foi votada e aprovada a 28 de Julho. Faltava apenas a votação final global que, face ao crescente clamor de protesto dos aparelhos partidários, o Parlamento meteu na gaveta e deixou para depois das férias.

Começava a perceber-se que a nova lei só iria entrar em vigor depois das eleições de 9 de Outubro, por pressões de autarcas de todos os quadrantes e das estruturas partidárias. Para um autarca que tivesse terminado o seu primeiro mandato e agora se recandidatava, agora a entrada em vigor da nova lei implicaria que no final de 2009 apenas contasse 8 anos, de dois mandatos, para a sua reforma. Se a lei não entrasse em vigor (e como estipula que, a partir dos 6 anos em funções, a contagem é feita a dobrar), esse mesmo autarca chegaria a 2009 contabilizando 16 anos para a sua reforma. E muitos deles, deputados e autarcas, poderiam mesmo continuar a usufruir até 2009 do privilegiado sistema de reformas antecipadas. Percebe-se a inquietação.

Quando o Parlamento reabriu, a 15 de Setembro, Sócrates fez questão que a aprovação final da nova lei fosse votada de imediato, para afastar dúvidas e suspeições. E foi. Só que, em vez de seguir para promulgação em Belém, ficou a aboborar nos gabinetes do Parlamento e na secretária do socialista Osvaldo Castro. Só foi enviada a Jorge Sampaio a 4 de Outubro e contendo uma disposição que estipula que «a presente lei entra em vigor no primeiro dia do mês seguinte ao da sua publicação». Ou seja, estava garantido que os autarcas reeleitos a 9 de Outubro podiam dormir descansados. A nova lei só teria efeitos a partir de 1 de Novembro. Os vinte dias que o Parlamento e o PS retiveram a lei, antes de a enviar para a Presidência, tinham sido cirurgicamente providenciais.

Sampaio promulgou a lei com rapidez, em dois dias, e enviou-a para publicação em «Diário da República», onde viu a luz do dia na manhã seguinte às eleições autárquicas. Mas já era tarde para ter efeitos imediatos. Ainda assim e porque as leis entram em vigor cinco dias após a sua publicação (não fosse a disposição que, neste caso, remete para 1 de Novembro), muitos autarcas recearam que ela passasse a vigorar logo no dia 15 de Outubro. E à cautela, num movimento inédito logo na primeira semana pós-eleições, muitos foram os concelhos e os autarcas que se apressaram a antecipar as tomadas de posse Não fosse o diabo tecê-las.

Em conclusão. No momento em que restringe privilégios a vários sectores do funcionalismo público, em que extingue subsistemas de saúde mais favoráveis, em que aumenta a idade para efeito de reforma, em que congela salários e progressões nas carreiras - nesse mesmo momento, José Sócrates e o PS permitem que as regalias e regimes especiais da classe política se prolonguem até 2009 e abranjam mais umas larguíssimas centenas de políticos no activo.

Com que cara e com que moralidade podem o primeiro-ministro, o PS e os deputados em geral (cúmplices nesta artimanha processual em proveito próprio) encarar os juízes e magistrados em greve? Ou exigir que a generalidade dos funcionários públicos compreenda as dificuldades e aceite os sacrifícios? Não sobrará, no meio de tudo isto, um mínimo de vergonha?


Comentários? Apenas um: "se não fosse ridículo, seria patético"! E que tal se o Governo esclarecesse em que consiste o sistema de "apoio à doença" previsto nos serviços sociais da presidência do Conselho de Ministros? O primeiro ministro, os ministros, os deputados, os dependentes destes e ainda os beneficiários do minsitério da saúde beneficiam? Quem paga? Nem chega a uma causa micro: é apenas uma causa nossa...

Publicado por josé 14:42:00 4 comentários Links para este post  

Publicado por Manuel 13:25:00 3 comentários Links para este post  



Mais Cavaco na K

Da série o que hoje é verdade amanhã é mentira e assim sucessivamente, em sede da tese de "eu não sou político como os outros"

K: Considera ainda a política «a pirueta, o floreado, a retórica»? Palavras suas.
Da campanha eleitoral, com certeza?

K: Da pré-campanha.
De um período de luta, portanto. Repare, quando fui eleito presidente do PSD, em 1985, os portugueses estavam cansados de um excessivo verbalismo, de promessas vãs, de políticos muito hábeis em jogadas palacianas. Procurei, de facto, tirar benefícios desse estado de espírito, do desejo de outro estilo e de outros métodos. Hoje é diferente.

Publicado por irreflexoes 11:52:00 1 comentários Links para este post  



Motivos de greve

Do Verbo Jurídico, que vai mantendo a alta qualidade na exposição de razões sérias e verdadeiras para a crise da Justiça, extrai-se um comentário, assinado por um simples "luis" que merece toda a atenção pela lucidez que nestes tempos também vai faltando...

Os juízes têm direito, sem dúvida alguma, a manifestar-se contra as medidas governamentais que visam alterar – sem melhorar – o actual sistema de justiça e o seu estatuto. Porém, ao ecoar as suas reivindicações os juízes – ou antes, os seus órgãos representativos – puseram o acento tónico não nos aspectos que realmente interessavam à nação – melhorar a justiça, o que implica manter um estatuto do juiz que garanta a sua imparcialidade, independência e capacidade de desempenhar um bom trabalho – mas antes, nos aspectos (comezinhos e puramente individualistas) de manter um sistema de saúde especifico, um calendário de férias judiciais de dois meses, jubilações como que não existem na maioria dos cargos públicos, subsídios de renda de casa, que não visam subsidiar a falta de casa no local do trabalho, mas complementar de forma «ad hoc» o ordenado e que (após decisão do STA) foi decidido que não era tributado em sede de IRS – quando o seria para a maioria dos «outros» cidadãos, sem que se explicasse o porquê da manutenção destas situações. Ora, tais reivindicações soam a muitos dos cidadãos portugueses como injustas e injustificadas. O que não é de estranhar, aliás, face à forma ao teor do discurso oficial dos Conselhos e da Associação Sindical, por contraposição com o discurso do Governo. Pena é, que os órgãos representativos dos juízes, em vezes de propalarem apenas a defesa de direitosalguns tão ilógicos e irrazoáveis, que mais parecem verdadeiros privilégios – aproveitassem a ocasião para questionarem o sistema e o seu próprio estatuto, que avaliassem os seus anacronismos e idiossincrasias e propusessem - ao governo e à população - medidas concretas para os melhorarem. É um facto de conhecimento público que há tribunais com uma pendência insustentável, que a justiça tarda e que por vezes se torna numa justiça injusta. Mas não será através da proposta de alteração do calendário judicial que este problema se resolve. Há que explicar porquê. E há que fazer propostas concretas que garantam que os juízes – sejam de 1º instância sejam dos tribunais superiores – não têm, na prática, nem mais nem menos férias que aquelas que por lei lhes são devidas. Há que explicar porque é que, em concreto, a justiça tarda, quantos processos tem cada juiz em cada momento, como estes são avaliados – ou inspeccionados (e num estado social de direito também conviria publicar um novo diploma que regulamentasse as inspecções de uma forma clara e transparente, com critérios verificáveis e adequados, diminuindo a discricionariedade existente…), quais as condições de trabalho que lhes são proporcionadas, de que forma e a expensas de quem o juiz adquire formação ou livros para executar o seu trabalho. E talvez haja que propor medidas concretas para evitar esse congestionamento da justiça, designadamente com a contingentação dos processos e, se se comprovar a necessidade, com a abertura de concursos para a admissão de um maior número de juízes. E elencar quais os tribunais onde não há condições de trabalho e que meios de trabalho compete ao Ministério da Justiça atribuir. Há também que explicar porque é que se quer preservar o estatuto do juiz e porque é que os direitos reivindicados podem influir nesse estatuto. Há que explicar como apareceu o sistema de saúde do MJ e em que medida os juízes contribuem para a sua manutenção e porque é que para os juízes – principalmente aqueles que têm maior idade – é extremamente onerosa a decisão governamental. Há depois que explicar como apareceu o subsídio de renda de casa, indicar os valores dos ordenados dos juízes e lembrar que eles estão impedidos de auferir outras retribuições. Há que fazer propostas concretas para criar um sistema remuneratório que garanta a imparcialidade e independência dos juízes, que não passe por um complemento de ordenado a que chamam subsídio de renda de casa ou um provável subsídio de exclusividade de funções. Se até meados dos anos de 80 os juízes gozavam de um estatuto remuneratório que os distinguia dos funcionários públicos, a verdade é que com a reforma da AP, e designadamente com o DL 248/85, de 15.07, aos poucos, o seu estatuto foi-se fundindo com os desses funcionários. E hoje chegamos ao ponto de um juiz ganhar menos que ganha um funcionário público que seja chefe de serviço – que detém responsabilidades muito inferiores às atribuídas a qualquer juiz. Porém, em vez de dignificar-se o seu estatuto remuneratório, reestruturando-o de uma forma coerente e justa, compactuou-se a criação de um subsídio de renda de casa, que nada visa subsidiar, que não seja o próprio ordenado. E está prestes a compactuar-se um novo subsídio que visa compensar uma exclusividade que não deriva das funções especiais, mas do próprio estatuto remuneratório, que devia querer-se, para todos os juízes, como suficientemente digno para que o juiz mantenha a sua imparcialidade e independência relativamente aos restantes poderes. Integrem-se quaisquer «pseudo» subsídios nos ordenados, que têm, urgentemente, de ser reestruturados, para que o juiz não seja um «funcionário fora do baralho», que na primeira instância pode ganhar menos que qualquer funcionário público chefe de serviço e que nos tribunais superiores pode ganhar mais que o Presidente da República.

Publicado por josé 11:15:00 0 comentários Links para este post  



Cheiro a Piovra...

Joaquim Vieira despedido

Joaquim Vieira, director da ‘Grande Reportagem’, detida pelo grupo Controlinveste, foi ontem despedido. O jornalista, que terá de sair até sexta-feira, foi, igualmente, informado de que a revista será fechada até Dezembro. As razões de tais medidas são desconhecidas. Recorde-se que Vieira tem vindo a escrever sobre o polémico livro de Rui Mateus, onde se aludia a ligações do PS de Soares ao caso Emáudio.

Publicado por Gomez 9:38:00 6 comentários Links para este post  



E não podiam ter descoberto isso mais cedo?

A Taxa de Aprovação de George W. Bush chegou, esta semana, aos níveis mais baixos de sempre. O «Gallup», o maior instituto de sondagens dos EUA, apresenta um valor de 42 por cento. O «Rasmussen Reports», que faz um barómetro semanal da popularidade do Presidente, libertou ontem um número ainda mais baixo: 41 por cento.

Neste estudo, 59 por cento dos inquiridos desaprova o trabalho do Presidente, sendo que 22 por cento «desaprova fortemente». A má gestão do furacão Katrina, a presença de militares americanos no Iraque e os escândalos que afectam pessoas muito próximas do seu núcleo duro -- como Karl Rove, Tom DeLay ou, mesmo, o vice-presidente Dick Cheney - são as principais razões apontadas para este ponto crítico, que chegou a níveis nada habituais num Presidente dos EUA.

A partir de Novembro, quando faltarem menos de três anos para a eleição de 2008, a Grande Loja fará uma actualização mensal dessa longa corrida pela sucessão do mais desastrado Presidente americano desde Hoover (o Presidente que, no final da década de 20, deixou os americanos na Grande Depressão). Até lá, ficam os números das mais recentes sondagens sobre as primárias para 2008...

  • Democratas
    • 1.ª Hillary Clinton - 41%
    • 2.º John Kerry - 17%
    • 3.º John Edwards - 14%
    • 4.º Joe Biden - 5%
    • 5.º Wesley Clark - 3%
    • Outros nomes mencionados...
      • Evan Bayh
      • Tom Vilsack
      • Mark Warner
      • Bill Richardson
      • Al Gore
      • Russ Feingold
  • Republicanos
    • 1.ª Condoleeza Rice - 21%
    • 2.º Rudy Giuliani - 21%
    • 3.º John McCain - 19%
    • 4.º Jeb Bush - 5%
    • 5.º Newt Gingrich - 5%
    • Outros nomes mencionados...
      • George Allen
      • George Pataki
      • Bill Frist
      • Mitt Romney
      • Tom Tancredo
      • Chuck Hagel
      • Bill Owens,
      • Haley Barbour
      • Donald Rumsfeld
      • Rick Santorum
      • Elisabeth Dole
Bush foi reeleito há quase um ano (a 2 de Novembro de 2004), numa altura em que a sua Taxa de Aprovação oscilava entre os 50 e 54 por cento. Estava na cara que isto ia acontecer: não dava para os americanos perceberem o erro em que iam cair um ano mais cedo?...

Publicado por André 2:32:00 0 comentários Links para este post  



Ó meu amor algum dia/Havemos de ir a Macau/Se o meu sangue não me engana/Havemos de ir a Macau



E cá estão mais umas achegas daqui, que cheguei lá através daqui.

Publicado por Carlos 1:52:00 1 comentários Links para este post  



Cavaco na K circa 1991

Admito que seja irritante para muitos a realidade interpor-se contra uma certa ficção. Abaixo fica um pequeno extrato de uma entrevista, publicada na K, em... 1991, a Cavaco Silva, então primeiro-ministro, e conduzida por Vasco Pulido Valente. Imprescindível pode ser lida na integra aqui.

K: Suponha que é Presidente da República, que nomeia o Primeiro-Ministro, que assiste aos Conselhos de Ministros...
Só por convite do Primeiro-Ministro.

K: Um Primeiro-Ministro do PSD, nomeado por si, certamente que o convidaria...
Não acredito. De maneira nenhuma. Defendo o espírito e a letra da Instituição. Não se pode torcer a Constituição ao sabor das conjunturas eleitorais.

K: Mas, nesta hipótese, a letra da lei seria respeitada, a prática é que mudaria;
Com péssimos resultados. Sempre que o Presidente da República, seja ele quem for, membro do partido do poder ou chefe do partido da oposição, interferir nas competências do governo cria inevitavelmente instabilidade no País. O Presidente deve ficar confinado às suas funções. Cabe ao governo conduzir a política geral do País. O Presidente não dispõe dos instrumentos necessários para o fazer e, se o fizer, fá-Io-à por força pela negativa...

K: Excepto na hipótese que lhe pus.
Mesmo nessa hipótese, o Presidente depressa entraria em conflito com o Primeiro-Ministro. Quando sair deste lugar, espero que quem me suceder, do PSD ou não, não prescinda das suas competências.

K: Não acha a eleição directa do Presidente um resíduo do período «revolucionário»? Não preferia que o Presidente fosse eleito pela Assembleia da República?
Não. Optámos por um modelo que funciona relativamente bem. Neste momento, não me atreveria a tocar-lhe. E note: ao contrário do que sucede em Espanha e em Inglaterra, em Portugal o Primeiro-Ministro não determina a data das eleições e a dissolução do Parlamento. Se o Presidente fosse eleito pela Assembleia, o Primeiro-Ministro ficava com certeza com mais poderes e, então, nem quero pensar no que diriam alguns senhores, que continuam com a cabeça povoada por certos fantasmas.

Publicado por Manuel 0:08:00 2 comentários Links para este post  



O filho pródigo

O desejo expresso pelo presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, de "riscar Israel do mapa" encerra naturalmente extrema gravidade, mas não deve surpreender minimamente aqueles que acompanham a expansão da ideologia extremista do islamismo. Embora tardio, anota-se com agrado o despertar da letargia do nosso ministro dos negócios estrangeiros, um dia depois do presidente Sampaio ter aquiescido no combate ao terrorismo trilhado pela Casa Branca.

Publicado por Nino 22:41:00 2 comentários Links para este post  



Gostos

Gostei de ver o Francisco nesta lista. Já agora, e se me é permitida uma sugestão, também gostaria de ver, por exemplo, António Barreto e Vasco Pulido Valente na comissão política da candidatura presidencial de Aníbal Cavaco Silva.

Publicado por João Gonçalves 22:41:00 3 comentários Links para este post  



Um jogo pré-histórico em versão pirata

O conhecido Super Mário vai voltar a fazer as alegrias dos entusiastas nestas novas aventuras. Vão ser vários os inimigos que vão querer desafiar Super Mario e tentar de certa forma dominar o mundo. Mas Super Mário com a sua habilidade vai defender a terra de todos estes intrusos. Super Mario vai passar de simples canalizador para defensor do universo. [Filmes de animação]


E Vital Moreira, que personagem é do jogo de Super Mário?

Publicado por Nino 19:46:00 1 comentários Links para este post  



a indigência soarista e a (so)negação da realidade

É indigente a reação 'oficiosa' da inteligentzia soarista (ver aqui e aqui) ao último escrito de Medina Carreira. É indigente porque se perde em dissertações aluadas, quando não insolentes, completamente desfasadas da realidade, e dos factos, que é incapaz de negar e para a qual não apresenta qualquer alternativa. Afinal, até Helena Roseta, uma das mais destacadas apoiantes de Manuel Alegre, já se demarcou da defesa 'fundamentalista' e axiomática do modelo social europeu que tem vindo a ser feita por Mário Soares. Roseta reconhece que esse modelo é inviável, sem qualquer futuro, pelo que tem de ser reinventado e adaptado às novas realidades.

Publicado por Manuel 19:03:00 1 comentários Links para este post  



the writing is on the wall... (II)

A missão do Banco de Portugal

... como complemento a isto. Ainda sobre esta matéria, não me parece nada inteligente, da parte das instuituções bancárias, e para salvaguardar a credibilidade destas, estas alegarem razões formais, e falhas processuais, reais ou não, para se furtarem às investigações. Um Banco, seja ele qual for, não pode, ou pelo menos não deveria, usar das mesmas 'técnicas' que uma Fátima Felgueiras ou um qualquer acusado de pedofília. Não lhes basta evitar serem acusados, convinha, em nome da confiança que se quer e se deseja no sistema financeiro, que, no final, não restassem dúvidas de que de facto cumprem a Lei, e, para isso, só lhes ficava bem não enveredearem por labirintos processuais... De pouco lhes servirá ganharem nos tribunais se acabarem inapelavelmente condenados na praça pública.

Publicado por Manuel 18:58:00 2 comentários Links para este post  



o (princípio do) fim da independência judicial...

Enquanto os magistrados deste país fazem greve, uns convictamente convencidos de que tem razão, de que já toda a gente percebeu a forma e os motivos e até está solidária com eles, e de que essa é a melhor forma de mostrar 'força' ao governo, e outros, a maior parte, por mero seguidismo resignado, porque têm o coração à 'esquerda' e não 'furam' greves, a Terra continua a mover-se inapelavelmente. Assim, não pode ser alegada surpresa, nem choque, quando se lê um artigo, interessante, publicado na revista, também do Paulo Gorjão, Política Internacional, último número, e assinado por Rui Pereira. Rui Pereira foi responsável pelo SIS, no tempo de Guterres, está encarregue de 'recauchutar' a política penal, para tal encabeça um 'grupo de trabalho', e... por vontade de Alberto Costa, e de alguns sectores do PS, há muito que já era Procurador Geral da República. Bom, regressando ao artigo, 10 páginas da referida revista, Rui Pereira disserta sobre um tema aparentemente inócuo e consensual - 'O combate ao terrorismo transnacional', só que ao fazê-lo deixa cair uma série de considerandos absolutamente intoleráveis num estado de direito democrático. Logo no introito pode ler-se...

Os órgãos de polícia criminal e as autoridades judiciárias não podem transmitir elementos de processos abrangidos pelo segredo de justiça. Ainda assim, certas informações relevantes para a segurança e para a defesa devem ser transmitidas não para efeitos de investigação criminal, mas sim para continuarem a produzir informações de segurança ou de defesa.

Explanando, Rui Pereira defende uma osmose entre o sistema judicial e as 'secretas', naturalmente apenas versada em matérias 'estratégicas' de segurança ou defesa, ou seja no limite, e num país com as características do nosso, em 'tudo'. Rui Pereira defende - na prática - uma subsidiarização da independência do poder judicial, e das investigações lançadas por este, ao 'interesse' nacional, e à agenda deste. O pretexto - o combate ao terrorismo, claro. A Rui Pereira parece escapar que, por definição, a missão de uma secreta é antecipar, evitar e não julgar ou condenar, a Rui Pereira parece escapar o essencial, o absolutamente essencial, de que é uma secreta que deve reportar/informar ao sistema judicial (que age à posteriori) e não, nunca, o contrário ou inverso. Nos entretantos os magistrados, que nem piam sobre estas matérias, fazem greve. Devem estar felizes. Como felizes vão ficar, quando em nome do combate ao terrorismo, começarem a receber cartõezinhos do SIS , que agora até tem um sindicalista à sua frente, a solicitar o congelamento desta ou daquela investigação, por motivos de conveniência, para não colocar em causa a segurança nacional. Se calhar apenas 'formaliza' e 'institucionaliza' muito do que já se passa...

De qualquer modo, magistrados que fazem 'de cruz' uma greve como esta, merecem um ministro como Alberto Costa, e mais, merecem um 'ideólogo' como Rui Pereira. O País é que, talvez, não.

Publicado por Manuel 18:50:00 0 comentários Links para este post  



o efeito dominó

A 19 de Julho passado existiam dúvidas sobre a qualidade dos caçadores, amanhã, mais ainda... e por via da Visão, começam a aparecer mais certezas. Que é que Joaquim Raposo, presidente da Câmara da Amadora, e controleiro dos autarcas rosa da Área Metropolitana de Lisboa, entre outras múltiplas actividades, tem que o tornam objectivamente diferente de Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, e até Isaltino Morais ? Que é que ele sabe a mais que os outros ?

Publicado por Manuel 17:43:00 0 comentários Links para este post  



'mau' quê ?

Há quem tenha visto na recusa de Marques Mendes, Presidente da Assembleia Municipal cessante de Oeiras, em dar 'posse' a Isaltino Morais 'mau perder'. Bom, depois de todo o país ter constatado a forma 'democrática' como Teresa Zambujo foi vaiada e enxovalhada na dita cerimónia pelos apoiantes de Isaltino (que alguma inteligentzia diz não ser um cacique...) gostava de saber como classificam os tais críticos de Mendes tal acto... A sério que gostava.

Publicado por Manuel 17:17:00 3 comentários Links para este post  



'O estado do sítio'

O 'regresso' de António Ribeiro Ferreira, desta feita à blogosfera, parece que comoveu muitas alminhas. Ribeiro Ferreira é - sempre foi - um dos duros de Paulo Portas, de quem foi tropa de choque, e, por ter miolos, mete num saco muitos Delgados, num ápice. Dito isto vamos ao c(h)erne da questão. Puxando dos galões, Ribeiro Ferreira acha que agora os jornais fazem perfis sem sal e pimenta e sofrem de enormes amnésias, ao contrário do velho Independente, do 'seu' Independente, pelo que seria serviço público recuperar os arquivos deste, e as prosas sobre Soares e, sobretudo, a 'intifada' contra Cavaco. Bem vistas as coisas, eu também acho que é serviço público recordar 'esse' Independente, só que não pelas razões que Ribeiro Ferreira aventa. Aliás o Indy desse tempo, passado o romantismo inícial da fase MEC, é um mito construído à posteriori. O Independente nunca foi verdadeiramente anti-cavaquista, nem 'contra' o que quer que seja, limitou-se a ser uma espécie de 'ETAR' do regime vigente onde se ia lavando, fingindo, a roupa suja. Não por acaso as principais fontes do Indy, sabe-se hoje, eram não 'reformadores' mas sim os principais barões do regime, que usavam o Independente como proxy de causas nem sempre confessáveis. Convém recordar que aquele que 'agora' Ribeiro Ferreira considera como o 'abafador' do regime, Cunha Rodrigues, então PGR, era, à época, não só uma espécie herói, e virgem casta e pura, no seio do Indy, tratado reverencialmente, como também muito mais que isso. E sobretudo convém não esquecer que se hoje a imprensa anda asséptica e insossa isso se deve, em muito, ao Indy, que perseguiu, caluniou e queimou arbitrariamente, com razões e sem elas, mas 'nunca', 'nunca' , levou uma única causa até ao fim, ou sequer soube separar o trigo do joio. Pura e simplesmente, as pessoas cansaram-se. Cansaram-se, porque o Indy, em excesso atrás de excesso de verborreia, fazia é bluff.

Publicado por Manuel 16:45:00 3 comentários Links para este post  



Diria mesmo mais...

Os pitorescos Dupond e Dupont são duas figuras cómicas saídas do lápis de Hergé e que já entraram no imaginário comum. Aparecidos em 1934, numa primeira versão de uma das aventuras de Tintin, estes dois desastrados detectives, tratam o herói desenhado, por "cher ami" e assemelham-se para além de toda a verosimilhança, nos tiques e gestos. Fisicamente , são duas gotas de água que espelham uma ingenuidade muito própria, já estereotipada, mas caturrenta e vincada. Como imagem de marca, ficou para a posteridade o costume de as duas figuras cómicas se vestirem de acordo com aquilo que julgam ser o hábito local o que origina frequentes situações de comicidade assegurada. Como marca de linguagem e cliché permanente, fica-lhes a retoma da expressão: "eu diria mesmo mais..."

Ontem , um magistrado do MP foi a Genebra entregar duas cartas, ao Relator Especial da Nações Unidas para a Independência do Poder Judicial e da Advocacia, mencionando as preocupações da magistratura portuguesa relativamente à situação "perigosa" da Justiça em Portugal. António Cluny disse que as cartas do SMMP e da Associação Sindical dos Juízes Portugueses entregues a Leandro Despouy, expõem matérias coincidentes sobre o "estado de ruptura em que chegou a Justiça em Portugal" e as alterações aos estatutos profissionais que contendem com a independência dos tribunais. "Não é normal haver uma greve como a nossa num país europeu", disse o magistrado. Hoje, o ministro da Justiça classificou a atitude como "ridículo"! "ridículo!" Hoje ainda, no sítio do costume, diz-se mesmo mais - "seria ridícula se não fosse patética"!

Publicado por josé 16:35:00 4 comentários Links para este post  



sobre os 'porta-vozes' de Cavaco

A propósito de uma não-'notícia' , ontem, no Público, relatando a alegada dificuldade que o inner circle cavaquista, na pessoa de Pedro Lomba, estaria a ter em 'angariar' escribas para o blog oficial da candidatura, há algumas notas, a montante e jusante, que se afiguram pertinentes. Por demasiadas vezes o principal drama de Cavaco Silva tem sido mesmo os cavaquistas. Logo, seria bom que a entourage cavaquista, antes que seja necessário o próprio candidato recordar-lho, se fosse lembrando permanentemente de duas ou três factores básicos.

O primeiro, é a de que a candidatura é supra-partidária, nacional, plural e interclassista, nascendo da vontade profund a dos portugueses, e não da de um qualquer directório ou élite, partidário ou não. Por vontade das 'élites' Cavaco jamais seria candidato, muito menos Presidente da República, ponto. O segundo, é de que um apoio a Cavaco não deriva nem implica uma qualquer simpatia automática para com as ideias da área política de que este é oriundo, mas tão somente a convicção firme e profunda de que, no presente contexto, Cavaco Silva, sobretudo pelo que fez desde que deixou de ser primeiro-ministro, é a personalidade com o melhor perfil para Presidente da República nesta fase difícil que o país atravessa.

É , pois, preocupante, e redutor, um certo exercício de estilização que se vai notando. Não há, não tem que haver, uma plataforma política comum a todos os apoiantes da candidatura que ultrapasse o óbvio - o desejo de ver Cavaco em Belém, e a subscrição do manifesto político da candidatura, muito menos parece curial querer passar a ideia de uma 'frente' comum (de direita) monolítica, lembrando tempos idos. A grande mais valia de Cavaco é precisamente a diversidade e ecletismo da sua base social de apoio, a qual está muito para lá deste ou daquele espartilho ideológico. O pior serviço que os cavaquistas poderiam prestar seria, a exemplo de Soares, o de cederem à tentação de reduzir tudo, já basta Marcelo, a um elaborado jogo de xadrez, florentino e palaciano, onde conta tudo, menos o que realmente interessa aos portugueses. Cavaco tem, hoje, condições únicas para reconciliar os portugueses com a política, reaproximando-a, e ao debate político, dos cidadãos. Seria dramático, e penoso, se fossem os seus próprios acólitos em excessos de 'estilo', zelo, 'profissionalismo', até de micro-management, a inviabilizar que tal aconteça, cedendo à tentação de reduzir, e resumir, a campanha aos do costume, no formato do costume, numa redutora batalha esquerda/direita.

Cavaco Silva já disse que só ele era o seu próprio porta-voz
. Por isso, deixe-se que, naturalmente, de entre a sua base de apoio, quem tem ideias, protagonismo, visibilidade, e o seu próprio espaço, já conquistado, o use , sem artificialismos, para passar a 'mensagem', e as ideias, que interessam. Dessa forma, essas ideias , diversas e plurais, valerão mais, terão muito mais força, mais visibilidade, mais impacto, no seu meio próprio e natural.

Para terminar, e regressando à não-'notícia' inicial, parece razoável a existência de um blog pessoal do Professor Cavaco, onde este relate a sua vivência no dia-a-dia da campanha. Também parece razoável um outro, colectivo, onde transpareça o esforço da equipa que no dia-a-dia mantém a campanha na rua. Quanto ao resto sugere-se um 'planet' onde sejam agregados os textos que, quer na comunicação social tradicional, quer na blogosfera, são publicados sobre a candidatura. A entronização de 'comentadores' oficiais, escolhidos a dedo e 'sized to fit', seja qual for a lógica e a liturgia, é algo que não acrescenta e só diminui.

Publicado por Manuel 15:03:00 2 comentários Links para este post  



Leitura recomendada

How to Kick the Oil Habit

[Time]

Publicado por irreflexoes 12:43:00 1 comentários Links para este post  



cópia do dia

Soares

Como os jornais fazem perfis sem sal e pimenta e sofrem de enormes amnésias, seria interessante o Indy ir aos seus arquivos e mostrar aos eleitores com menos de 35 anos o que foi o soarismo em Portugal e em Macau, falar em Maxwell, na Emáudio, no contrabando de Setúbal e outros interessantes assuntos que o abafador Cunha Rodrigues foi gerindo ao longo dos anos.

Cavaco

Seria bem interessante o Indy ir aos seus arquivos e mostrar aos portugueses com menos de 35 anos o que foi o cavaquismo. Uma operação barata, de enorme interesse público e com êxito editorial garantido. Falo no Indy porque os outros jornais só poderiam publicar as suas edições de sábado com os desmentidos oficiais às manchetes do Indy. Vá lá Inês. Tu estás e estiveste presente nos anos heróicos em que a imprensa do regime era inimiga confessa do Indy.

Uma dobradinha vinda d'O Estado do Sítio.

Publicado por irreflexoes 11:41:00 3 comentários Links para este post  



O fim da doçaria portuguesa

A União Europeia vai aconselhar os cidadãos a não consumir ovos crus e a cozinhar bem a carne das aves de capoeira para evitar a contaminação pelo vírus da gripe das aves, afirma o “Financial Times”. A advertência, dada em nome do princípio de precaução, vai emanar da autoridade europeia de segurança alimentar (EFSA), afirma o diário londrino na edição que vai sair amanhã. Segundo a agência sedeada em Parma (Itália), uma boa cozedura deverá impedir a contaminação de humanos pela via alimentar. Mas a instância científica admite igualmente não se poder excluir totalmente esse risco. [Público]

Publicado por Nino 8:20:00 1 comentários Links para este post  



e a terra é redonda

O Banco Português de Negócios (BPN) contratou a sociedade de advogados PLMJ, Pereira, Sáragga, Leal, Oliveira Martins, Júdice e Associados para representar o banco no âmbito do inquérito que corre no Ministério Público sobre fraude fiscal e branqueamento de capitais, no âmbito do qual foram efectuadas buscas a quatro instituições bancárias. José Miguel Júdice, ex-bastonário da Ordem dos Advogados, e Nuno Morais Sarmento, ex-ministro da Presidência, vão coordenar directamente uma equipa de advogados daquela sociedade. [DN]

Publicado por Manuel 2:28:00 3 comentários Links para este post  



Sobretudo Souto Moura...
(este post esteve mesmo vai, não vai...)

Comigo em Belém, os portugueses podem dormir tranquilos

Mário Soares

Publicado por Carlos 1:22:00 0 comentários Links para este post  



Henrique Medina Carreira
no fio da navalha


Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável.

Séneca


  • 1. A nossa crise aí está, cada vez mais complexa, mais demorada e mais perigosa. Tenderá a agravar-se enquanto os “optimistas profissionais” não entenderem que o mal não é o pessimismo, mas o atraso; não é a desconfiança, mas os embustes; não é a descrença, mas a incompetência; não são os défices, mas a inviabilidade de viver à custa alheia; não é a falta de desenvolvimento, mas o conservadorismo que o bloqueia; não são as ideias, mas as palavras; não são os males do mundo, mas a nossa incapacidade para vencer os próprios.

    As crises do Estado e da economia
    , entre todas, têm especial relevância e arriscada repercussão. Daremos um decisivo passo em frente quando os portugueses tomarem “[...] consciência deste estado, porque as políticas só serão possíveis com consenso social [...]”. E que “é preciso dizer a verdade, não histórias”, como sensatamente sublinha Andrea Canino (1).
  • 2. A crise do nosso Estado é, antes de mais, política. Um regime quase parlamentar vale o que valerem os princípios e a prática dos principais partidos. Em Portugal, eles estão agora dominados por um clientelismo devorador que a tudo antepõe o objectivo da “ocupação” do Estado porque, só neste, se dispõe de tantos empregos, de tantas oportunidades e de tantas influências. Os demais partidos, sem horizontes próximos de assunção de responsabilidades, garantem ou insinuam, em geral, a existência de uma capacidade do Estado, para dar ou para fazer, que oscila entre uma confrangedora ingenuidade e um descarado embuste. Portanto, fora do arrivismo, do negocismo, da fantasia ou do sofisma, vai-se reduzindo perigosamente o espaço para a verdade e para a acção política séria.

    A democracia, assim, é um engano e em breve será uma terrível desilusão.
  • 3. O clientelismo partidário encontra um aliado decisivo no “Partido do Estado”. Sem este não há votos suficientes, sem votos não há “ocupação” do Estado e sem esta “ocupação” não há distribuição de benefícios. Isto é: sem os favores de grande parte dessa multidão de mais de cinco milhões de portugueses - políticos, funcionários, pensionistas, subsidiados e familiares -, detentores de mais de 55% dos votos do eleitorado, nenhum partido pode hoje governar em Portugal. Por isso, nas campanhas eleitorais silencia-se, distorce-se ou dissimula-se a verdade da nossa situação para tranquilizar os membros do “Partido do Estado”. Atingido o Governo, logo se procura o pretexto da “alteração das circunstâncias” em vista da imposição de medidas impopulares que, embora insuficientes, teriam alterado o sentido da votação se fossem ditas na campanha eleitoral.

    Os resultados desta traficância são fatais
    : o descrédito dos políticos e a ausência de reformas essenciais. Legislatura após legislatura, vamos caindo para níveis que não eram sequer pensáveis.
  • 4. O produto interno bruto português cresceu 80% (1960-70), 57% (1970-80), 43% (1980-90) e 30% (1990-2000); 4% entre 2000 e 2005 (2). E hoje a sua evolução está muito condicionada pelo volume do crédito externo que formos obtendo: como adverte Silva Lopes (3), se este atingir limites muito mais apertados que os actuais “negras nuvens pairarão sobre o crescimento da economia nacional”. No curto e no médio prazo teremos uma economia rastejante e, em boa medida, nas mãos dos financiadores internacionais.
  • 5. É também muito grave a crise financeira do Estado. A queda prolongada da economia, a expansão descontrolada das despesas, o envelhecimento demográfico e a insuficiência relativa da arrecadação fiscal colocaram-nos na situação financeira pública mais desesperada de toda a UE/15.

    Efectivamente, foram estes os crescimentos reais (1960-2005): do Pib, 5,5 vezes; dos impostos, 13,8 vezes; da despesa pública primária, 15,5 vezes. Por isso, o défice fiscal em relação a esta despesa apresenta uma forte tendência para o agravamento: -1,2 pp. do Pib (1960); -2,5 pp. (1990); e –8 pp. (2005), embora a carga fiscal, equivalente a cerca de 55% da média europeia, nos anos sessenta, tenha subido para quase 95% em 2005. Um Estado constitucionalizado na dependência implícita de uma economia que crescia quase 80% numa década (1960-70), não tem suporte económico e financeiro quando ela se queda nos 4% num lustro (2000-2005) e enfrenta ainda um acelerado envelhecimento demográfico. É isto, nomeadamente, que não permite falar com seriedade de “alteração das circunstâncias”, perante uma tendência continuada e sempre agravada que atravessa mais de três décadas.
  • 6. Crise económica e crise financeira do Estado, em especial, determinam a pouco referida crise da social-democracia / socialismo democrático. De facto, sem perspectivas favoráveis, no curto e no médio prazo, a economia portuguesa já não suporta, e não suportará, uma política redistributiva do rendimento e da riqueza (4); nem aproximará a taxa de ocupação da mão-de-obra do pleno emprego; nem assegurará, responsavelmente, o futuro de um Estado Social que pretenda garantir tudo a todos; nem um sindicalismo actuante porque, “contra” os privados, teme as falências e as “deslocalizações”, e “contra” o Estado ataca verdadeiramente os contribuintes, que são as únicas vítimas do “Partido do Estado”. Além da medíocre economia que temos, o Estado português, na Zona Euro, não pode ser intervencionista: sem moeda já não tem política monetária, nem cambial próprias; não tem fronteiras nem alfândegas; não tem autonomia orçamental; e não pode controlar a circulação dos capitais. Neste contexto, as políticas e os objectivos da social-democracia/socialismo democrático, que a grande maioria dos portugueses prefere, caminham para o esgotamento.
  • 7. De resto, ainda não se entendeu bem, entre nós, que “[…] as principais baixas políticas das crises do capitalismo na Europa Ocidental haviam de ser os partidos da esquerda […], ao passo que os seus maiores êxitos se verificaram durante os trinta gloriosos anos de crescimento capitalista (1945-75) – a Era Dourada do Capitalismo(5). Na verdade, sem uma economia próspera é uma pura estultícia prometer a redistribuição, o pleno emprego, a solidez do Estado Social que dá tudo a todos e a intervenção consistente do sindicalismo. Ao menos como modelo nacional e no mundo actual, a social-democracia está a caminho da irrelevância completa. É isto, muito claramente, que coloca o problema económico no cerne de todas as preocupações em alguns países da UE.
  • 8. A abertura das economias através da UE/15, do “alargamento” e da liberalização do comércio mundial é a novidade e o embaraço. Neste novo e enorme mercado, e sem capacidade competitiva, nem vendemos em Portugal o que aqui poderíamos produzir, nem exportamos porque outros são os preferidos: as nossas produções acabam por desaparecer se não conseguirmos competir melhor ou se o mundo não voltar para trás.

    Em face disto, há quem pense, como Mário Soares (6), que “os socialistas têm que estar conscientes de que hoje é indispensável mudar a ordem das coisas no mundo, sem o que os seus ideais deixam de ter sentido”. É correcta esta percepção quanto ao futuro da social-democracia, como a conhecemos, num espaço comercialmente aberto e com livre circulação dos capitais. Mas é muito arriscado esperar que mude a “ordem das coisas no mundo”, para viabilizar a social-democracia, porque poderá não acontecer. É por isso que, se não formos capazes de promover a nossa própria mudança, nos restará o estatuto de modestos serviçais dos europeus. Resumindo: mudar é a condição da sobrevivência, conservar será o nosso suicídio. Esta é a escolha que se coloca aos portugueses.
  • 9. A modificação mais urgente e mais difícil, mas ao nosso alcance, é a do Estado, porque não haverá meios, na próxima década, para alimentar o desvario despesista dos últimos anos. Pese embora a circunstância de sermos um dos países mais pobres da UE/15 (Quadro anexo–col.1), excedemos todos os outros na evolução de índices fundamentais relativos às finanças públicas (Quadro anexo): na carga fiscal (+ 8,4 pp. do Pib – col.2); na despesa corrente (+ 4,7 pp. – col.3); na despesa corrente primária (+ 10 pp. – col.4); nas despesas de protecção social (+ 8,2 pp. – col.5); nas pensões (+ 3,7 pp. – col.6); e na fracção dos impostos aplicados na protecção social (+ 18 pp. do NF - col.7) (7). Uma tão desatinada evolução financeira – verdadeiramente ruinosa e sem paralelo europeu - constitui em muito o resultado do “optimismo profissional” e inconsistente dos responsáveis, e da maldição que sempre nos persegue, e que é o “ódio nacional” aos números, às contas, ao rigor e à responsabilidade, quando está em causa a gestão dos dinheiros públicos.
  • 10. O Quadro anexo evidencia assim o insuportável ritmo da evolução das despesas correntes primárias e, nelas, das da protecção social, onde as pensões assumem grande importância. Os países que aí nos seguem imediatamente, a Alemanha e a Grécia, situam-se a uma distância enorme: -6,1 pp. (despesa corrente primária - col.4), -3,1 pp.(despesa de protecção social - col.5), e -1.8 pp.(pensões - col.6). Porque não vislumbramos condições para uma próxima e suficiente prosperidade económica, resta apenas o caminho das reformas urgentes, drásticas e com efeitos num prazo útil, isto é, da ordem dos cinco anos: são uma condição necessária, embora insuficiente, para evitar o colapso financeiro do Estado.
  • 11. Fixemos o quadro fundamental e factual seguinte:
    • 1.º - Que a nossa economia, no longo prazo, apresenta um inexorável declínio;
    • 2.º - Que, no médio prazo, tenderá a manter-se esta mediocridade, nomeadamente, devido: ao nosso endividamento e à dependência financeira externa; à falta de competitividade; aos custos elevados do petróleo; ao “alargamento” e às suas consequências; à penetração dos produtos chineses; à estagnação das principais economias europeias; e à ausência de investimentos estrangeiros;
    • 3.º - Que a iniquidade do nosso sistema fiscal não tem impedido arrecadações que já excedem as expectativas, em comparação com a UE/15;
    • 4.º - Que, sendo estes os muito prováveis limites económicos e financeiros, nos próximos anos, a consolidação orçamental dependerá das políticas de despesas, em que avultam as do pessoal e as prestações sociais (80% da despesa corrente primária, em 2004);
    • 5.º - Que, consequentemente, terá de ir-se muito mais longe do que se foi, até agora, quanto àquelas políticas, o que só será possível modificando os regimes em vigor e os “direitos adquiridos”, face à verdadeira “alteração das circunstâncias”;
    • 6.º - Que só uma nova e próxima prosperidade económica, inverosímil em prazo útil, poderia evitar ou atenuar a rudeza do que se impõe fazer;
    • 7.º - Que a improbabilidade manifesta de êxito da política de espera pela “mudança do mundo” não consente, responsavelmente, mais tergiversações e delongas.
  • 12. O que é imperativo que se faça, sob pena da nossa devastação pelo livre comércio mundial e pelo peso insuportável do Estado, exige a adesão e a unidade consciente da sociedade. E esta só será conquistada perante a verdade completa da nossa situação, enunciada pelos mais altos responsáveis políticos.


Notas:
  • (1). Jornal Público, 6.Out.2005.
  • (2). Nos últimos anos: 1998 - +4,7%; 1999 - +3,8%; 2000 - +3,7%; 2001 - +1,8%; 2002 - +0,4%;2003 - -1,1%; 2004 - +1,1%.
  • (3). A economia portuguesa no século xx, ICS/2004, p. 125.
  • (4). Dificuldade agravada pelos altos níveis fiscais já atingidos, pela competitividade fiscal internacional e pela livre circulação dos capitais.
  • (5). Donald Sassoon, Cem anos de socialismo, Vol. I, p. 21.
  • (6). Mário Soares e Sérgio Sousa Pinto, Diálogo de Gerações, Temas & Debates/2004, p. 59.
  • (7). Os resultados recentes das contas públicas só não são mais desastrados porque, nos anos 90, os impostos se comportaram positivamente, os fundos europeus atingiram os 45 000 milhões de euros, as privatizações renderam 17 000 milhões de euros (dos quais 10 000 milhões amortizaram a dívida pública) e o peso dos juros caiu o equivalente a quase a 6 pp. do Pib. Este conjunto de circunstâncias favoráveis são irrepetíveis nos próximos anos.

Publicado por Manuel 22:36:00 7 comentários Links para este post  



O "manifesto"

Ninguém - aliás, muito legitimamente - liga a "manifestos". Nem ao do dr. Soares nem aos que se lhe seguirão. O que interessa é a "deixa", o "ambiente" e a frivolidade narrada nos "directos". Nada mais. Estas, aliás, serão umas eleições inteiramente decididas nas televisões e nos jornais. Se o candidato ultrapassar o limiar da trivialidade e do lugar-comum, corre o risco de ser delicadamente insultado pelo consenso "mole" do "regime", sublimemente representado pelos "comentadores" e pelos "guardiões da legalidade". Por isso Soares quer apenas que durmamos "descansados", em "concórdia nacional", porém em alerta contra aquilo que chamou o "messianismo revanchista", o termo mais brando que arranjou para "saudar" Cavaco Silva. De resto, garantiu-nos a famosa "magistratura de influência" - sem esclarecer qual o "modelo" que preferia, se o do seu primeiro mandato, se o do segundo ou se o do torpor "sampaísta" - e a falácia do "moderador e árbitro" que, com tanto sucesso, arremessou contra Cavaco nos anos 90. Não houve novidades neste "manifesto". Foi um ersatz do discurso de Agosto, sem rasgos particulares. Onde Soares esteve bem, como era esperável, foi nas respostas aos jornalistas, uma vez liberto do jargão escrito. É "à solta" e não espartilhado pela mesquinhez retórica que Soares é sempre maior do que ele próprio. De qualquer maneira, sente-se que, desta vez, Soares não arrebata. E aquela gente que teima em aparecer à sua volta, muito menos. Soares não consegue explicar por que é que a sua candidatura é "necessária", nem tão-pouco qual a "mais-valia" que dela se pode retirar. O embaraço com que os dirigentes nacionais andam pelo país "socialista" a catequizar os militantes, é a prova disso mesmo. Há 20 anos nada disso era preciso. A coisa "andava" por si. Era, digamos, "natural". Agora não é.

Publicado por João Gonçalves 21:45:00 1 comentários Links para este post  



Comecemos pela linguagem gestual

Perdi na infância um colega de turma que disparou acidentalmente contra si próprio a arma do pai que empunhava numa insane brincadeira. Em mesquinhas quezílias rodoviárias, há quem prefira desembainhar uma caçadeira no lugar de preencher a declaração amigável de acidente ou contactar a polícia. Nada mais antinómico que na era de primado da palavra e da internet, derribando amiúde a intimidade e a noção de razoabilidade, seja aceirada a auto-determinação de dispor da vida de outrém, emparelhando na mesma prateleira quotidiana relacional o teclado do computador e o gatilho. Talvez após o resplandecimento da comunicação virtual, seja o momento de reaprender a conviver com o nosso próximo real. Que caminho árduo nos aguarda.

Publicado por Nino 21:40:00 0 comentários Links para este post  



menos uma vergonha

O Presidente do Conselho de Administração da Refer, E.P. acaba de se furtar ao processo de exoneração em curso por via da apresentação da sua demissão.

Publicado por irreflexoes 20:19:00 1 comentários Links para este post  



a outra operação furacão...

Amanhã será divulgado, pela ONU, um relatório com os nomes das companhias petrolíferas que subornaram o regime de Saddam Hussein no âmbito do programa Oil-for-food. Preparem-se...

Publicado por António Duarte 19:29:00 1 comentários Links para este post  



Sampaio nas antípodas de todos os candidatos da esquerda à Presidência

Jorge Sampaio defende apoio aos EUA no combate ao terrorismo

Publicado por Nino 19:24:00 1 comentários Links para este post  



Nem todas as aves têm gripe

Em tempo de pânico generalizado (e quase nunca justificado) por causa da gripe das aves, aqui vai uma divertida letra de Sérgio Godinho em que várias espécies aviárias são referidas como metáfora de outras bicharadas que pululavam no Portugal político do final dos anos 70...

O galo é o dono da casa
a galinha, da cozinha
ou se porta direitinha
ou apanha com a asa

que o galo é o dono da casa

O galo canta de galo
a galinha, cacareja
e o pintainho deseja
o fim de tanto badalo
e o galo canta de galo

O galo come faisão
a galinha é quem o assa
e o pobre do pinto passa
passa uma fome de cão

e o galo come faisão
O galo é o dono dos ovos
a galinha é quem os bota
e o pinto é compatriota
da miséria de outros povos

que o galo é o dono dos ovos

Por mais que cante de galo
o galo está a dar o berro
é que nem com mão de ferro
faz do pinto seu vassalo
por mais que cante de galo

Anda amarelado o galo
como a gema que o pariu
o sol nunca lhe sorriu
quanto ao pinto, é um regalo
não há sol que não o tisne

o galo canta de galo
para o pinto é o canto do cisne

«O Galo é o Dono dos Ovos», Sérgio Godinho, in Pano Cru

Publicado por André 18:55:00 2 comentários Links para este post  



'estado de sítio'

António Ribeiro Ferreira, esse mesmo, transferiu-se para a blogosfera. Já esteve no Independente, e no DN, e é dos que melhor conhece o regime por dentro, um regime que por diversas vezes o 'tentou'. São lendárias as descrições bem humoradas descrevendo os rituais iniciáticos de uma maçonaria em que se queria iniciar 'em nome do rigor informativo'... Como lendária é a sua acutilância, quando inspirado. Acostumem-se pois a' "O Estado de Sítio"

Publicado por Manuel 18:30:00 0 comentários Links para este post  



presidenciais...

e agora um bem humorado 'resumo' que nos chegou por email...


Publicado por Manuel 18:22:00 1 comentários Links para este post  



E D I T O R I A L
e que saúdades eu já tinha...

... de discutir política com vivacidade, calor e paixão. Algo que se vê pouco hoje em dia, onde imperam o politiquês, socialmente correcto, as banalidades e generalides, a política do 'chá e bolinhos'. Sou do que acho que em política o meio termo não existe. Pode-se defender, legitimamente, tudo, ou o seu contrário, não se deveria poder é ficar à espera da direção do vento e das conveniências, no meio da ponte, como diz o povo. Dito isto, sosseguem que não nos vamos matar uns aos outros. Cada um à sua maneira, prometemos apenas dar o nosso melhor, os nossos melhores argumentos, não para impôr esta ou aquela visão mas para que o leitor possa julgar e decidir melhor. A Democracia também é isto.

Publicado por Manuel 18:00:00 9 comentários Links para este post  



apostilha II

Oh, meu caro... na mouche, na mouche! Mas precisamente por o voto (dever) ser ideológico é que convinha discutir o futuro, e projectos para este, e não perder tempo a chorar por um passado e um tempo que não volta para trás... É que há por ai muita vergonha contida em muita crítica que se faz... Vergonha de dizer que se é de esquerda, porque se é de esquerda, e - mais grave - vergonha em explicar o que é - no século XXI - a 'esquerda'... Afinal, nada dos males de que é acusado Cavaco - nem um deles - não pode ser também imputado a (outros) governos de esquerda... O drama é que, para a esquerda, Cavaco não é um deles, não pelo que fez, pelo que não fez, não pelo que defende, ou deixa de defender, mas por uma questão orgânica. Oelo que a Cavaco, se aplica um grau de exigência, e de exegese, de que libertam os 'camaradas'...

Publicado por Manuel 17:47:00 1 comentários Links para este post  



apostilha

Oh Venerável, decerto que brinca com a minha inocência politica quando diz...

"convinha que se dissesse explicitamente a verdadeira razão porque não se vota em Cavaco, a qual me parece ser, na esmagadora maioria das vezes, estritamente ideológica e derivada da tradicional 'superioridade intelectual' das esquerdas, mais do que baseada numa análise concreta e racional..."

Eu tinha para mim que a decisão de voto era mesmo para ser "ideológica".

Publicado por irreflexoes 17:40:00 2 comentários Links para este post  



factos sem argumento

Fontes, muito, próximas de Mário Soares, e da sua candidatura, já fizeram saber a Paulo Portas que caso este decida avançar numa candidatura presidencial, lhe providenciarão todos - todos - os meios e recursos (leia-se dinheiro) necessários. Que venha o primeiro desmentido.

Publicado por Manuel 17:37:00 5 comentários Links para este post  



Irreflexões Reflectidas

O cidadão "João Gonçalves" (nóvel forma de tratamento que adoptarei por esta vez, sem exemplo, mas também sem remorso) decidiu interromper o seu anunciado distanciamento higiénico dos anónimos em geral, e desta Grande Loja em particular, para malhar forte e feio num meu texto. Em primeiro lugar, há que saudar a frontalidade e o atirar das luvinhas para onde elas pertencem, o baú das recordações. Escrever sem pejo é sempre uma virtude. Nunca me verão falhar em reconhecer isso mesmo.

Como não me verão falhar em recusar ad limine paternalismos do tipo "o autor nasceu tarde para as suas "irreflexões" políticas". Tarde, cedo, eu lá saberei. Acho que foi na altura certa. Fui mesmo a tempo de não ter participado no MASP, como o "João Gonçalves" participou. E tenho, porventura, uma ideia do que é nascer para a política diversa. Não considero que isso aconteça quando um jovem se inscreve na Jota lá do sítio, por exemplo. Além do mais, se os argumentos de autoridade já são pobrezinhos, fazer equivaler antiguidade a autoridade é ainda mais franciscano. A irmos por aí devia o "João Gonçalves" defender que se votasse em Soares; afinal, quando Cavaco "nasceu" para a política, já o velho leão levava umas décadas de luta. E quanto a isto, estamos conversados.

Quanto a aprender não escolho mestres, mas escolho ensinamentos. Sou homem para ouvir todo e mais algum, do latim mais refinado ao português mais vernáculo (esta resposta é disso bom exemplo) mas guardo apenas aquilo que me é útil. Caso não raro na blogosfera lusa, embora já tenha sido mais verdade. Não foi, contudo, o caso. Tirando a constatação do óbvio "dizendo-se da "área socialista"", coisa que efectivamente sou obrigado a reconhecer que disse, e de umas considerações que me abstenho de comentar, ao nível daquela "algaraviada básica" que para ali pontua algures (o insulto ou menoração do objecto da crítica vem logo a seguir aos argumentos de autoridade na minha lista de inutilidades retórico-argumentativas) não aprendi nada de novo.

Gostava honestamente que alguém me tivesse convencido, com factos, que Cavaco era um democrata de gema, que sempre respeitou a oposição na Assembleia da República, e os demais órgãos de soberania, que as cenas com polícia de choque em frente à Assembleia da República nos idos de 90 e os agentes de autoridade armados de máquinas de filmar foram uma alucinação colectiva de uns putos que tinha fumado charros a mais. Mas sobre tudo isto nem uma palavra. Silêncios que são reveladores. Ou que alguém me tivesse explicado as reais motivações da candidatura do Dr. Mário Soares, condescendendo que pode haver quem não acredite naquela conversa da falta de um candidato ganhador à esquerda. Quando falo de "um certo toque de desespero ou alienação cujas origens se desconhecem" parece que não me terei feito compreender. É verdade que as palavras só imperfeitamente podem expressar pensamentos, mas tinha para mim que estava a ser razoavelmente escorreito. Erro meu. Remédio pronto.

Só percebo psicologicamente o impulso do Dr. Mário Soares em candidatar-se ou no desespero da perda de protagonismo pessoal e familiar, num contexto em que percebe que já está remetido aos compêndios da história, e que não lhe caberá nem mais uma linha, ao contrário do que acontece com o seu velho rival, que pode abrir todo um novo capítulo só para si e/ou (proposição dicotómica que pretende expressar a ideia de cumulação ou alternativa) numa certa alienação da realidade, que o faz efectivamente acreditar na sua qualidade de reserva moral da República, e que existe na sociedade um qualquer sentimento colectivo de orfandade fruto do seu afastamento de 10 anos da política activa.

Divago? Divago sim. Deixarei de o fazer quando morrer. Só é o meu labirinto privado enquanto não o partilho em público. O Pedro Lomba está cansado de explicar o quão dificil é este tipo de exercício mas também o quão recompensador pode ser. Não foi, infelizmente, o caso. Quanto a uma qualquer tentativa de "achincalhar" quem quer que seja e ao respeito que, aparentemente, se tem de ter pelas "biografias", repudio a primeira e desconhecia, felizmente, a segunda. Vantagens, porventura, da frescura intelectual dos jovens.

Publicado por irreflexoes 17:25:00 0 comentários Links para este post  



Últimas! Sócrates acaba com SSPCM ?!

Segundo a SIC online...

"Juízes e magistrados estão a convocar a greve por um único motivo: não querem ter um sistema na protecção na doença igual ao que tenho e igual ao que têm a generalidade dos funcionários públicos", declarou José Sócrates, antes de um encontro com o presidente da Eslováquia, Ivan Gasparovic, em Sintra.

Ora, grande notícia nos dá o nosso primeiro ministro, com vista à extinção dos privilégios na função pública! O sistema de protecção na doença do primeiro-ministro vai acabar! Quem diria... "muito bem, senhor primeiro-ministro!"

Publicado por josé 17:04:00 2 comentários Links para este post  



O ex-refugiado

O actual ministro da Justiça, licenciado em Direito, em Lisboa, foi da Oposição Democrática e preso pela Pide em 1969. Foi excluido de "todas as universidades" por "decisão do governo da ditadura" e refugiou-se em França onde alcançou o respectivo estatuto, em 1973/74. Um ex-refugiado, portanto, é o que temos actualmente como ministro da Justiça.

É advogado desde 1974; deputado desde 1991 ; já foi ministro e é-o outra vez e foi também administrador não executivo da Petrogal, em 1997-98. É esta a biografia sucinta que o próprio dá de si, na página oficial do ministério da Justiça. A passagem por Macau é para esquecer e as actividades como advogado nem são lembradas. Diz que é advogado desde 1974, mas não se diz onde, quando e com quem. Uma pesquisa no Google pouco ajuda e apenas se vislumbra que foi advogado intermitente, nos anos setente e ainda no ano de... 1998!

O actual ministro da Justiça que tem andado muito calado, disse na sua primeira entrevista como ministro, em 5/5/2005, à revista Visão o que pensava de teses conspirativas correntes que o apontam como perseguidor implacável de magistrados...

Eu nada disse que possa ser interpretado no sentido de converter os juízes, os magistrados do Ministério Público ou os advogados, nos bodes expiatórios do sistema. Acho que os políticos existem para serem os bodes expiatórios do mau funcionamento do sistema. Pela minha parte estou disposto a assumir esse papel. O que é preciso é adoptar medidas e não apenas exarar explicações e discursos

Ora temos então que é o próprio que aceita a posição de bode expiatório desta greve geral no sector da Justiça como nunca houve outra em Portugal! E que consequências vai então tirar?! Esconder-se, como fez hoje? Prestar declarações contraditórias em que num dia admite a greve como reflexo da normalidade democrática, depois de a vituperar como impensável em órgãos de soberania porque ...não prevista na Constituição! ( entrevista ao Correio da Manhã, em 28/7/2005) e agora recentemente afirma que a greve põe em risco o prestígio das instituições democráticas?! Que ideias tem o ministro para a Justiça?! Numa entrevista ao Correio da Manhã dizia que a Justiça precisava de...
algumas reformas, melhor organização, melhor aproveitamento dos recursos e, fundamentalmente, de modernização de processos.
Pois, vejamos então a página do Ministério da Justiça. De uma pobreza confrangedora, nem sequer o organigrama do ministério está disponível para consulta pelo "público"! Mas com data recente, de 13 de Outubro, o ministro admitiu ao serviço do seu Gabinete uma assessora para prestar trabalhos desse género, " na manutenção dos conteúdos da página oficial do Ministério da Justiça". Remuneração: 3254 euros por mês, 14 vezes por ano. Vamos a ver se a página melhora...

Publicado por josé 17:00:00 2 comentários Links para este post  



Reflexões irreflectidas

O cidadão "Irreflexões" dá-nos conta das suas "razões para não votar em Mário Soares" e, entre parêntesis, em Cavaco Silva. Dizendo-se da "área socialista", o referido cidadão diz logo nas primeiras linhas ao que vem: "reclamar" a boa herança do segundo mandato "soarista" que consistiu em "defender o país de uma proto-ditadura pessoalizada por Cavaco Silva". Ficámos esclarecidos. Esta "proto-ditadura", nota, teria mais a ver com a famosa teoria "das forças de bloqueio" do que propriamente com características eventualmente fascizóides do então primeiro-ministro, o que já nos tranquiliza um pouco mais. Com alguma tolerância, o nosso autor ainda concede o epíteto de "despotismo iluminado" a essa "proto-ditadura", apesar da "polícia de choque" e dos "serviços de informação". De repente, o autor "salta" sem mais desta algaraviada básica para o dr. Soares e, não fosse a menção do nome do "déspota iluminado", poderíamos pensar que continuava vidrado no professor. Soares também não é poupado. A sua candidatura comporta "um grau de perversão da democracia em nada inferior" ao do referido "déspota", com "um certo toque de desespero ou alienação cujas origens se desconhecem" (sic). Perante tamanhas monstruosidades - um "déspota" propriamente dito e um "quase déspota" democrático - o cidadão "Irreflexões" medita sobre a "viabilidade da candidatura de Manuel Alegre" para concluir de imediato que também ele não o "convence". Que fazer, pergunta finalmente este angustiado homem "de esquerda"? Ele está, no entanto, disponível para ser "convencido" ou, caso contrário, votará "em branco". Com o devido respeito, parece que tantas "(ir)reflexões" reconduziram o nosso autor de volta ao seu irreflectido labirinto privado. Na busca do seu "código Da Vinci" presidencial, tentou achincalhar pelo caminho o que de melhor possuem as duas pessoas que refere expressamente (e, de alguma maneira, a terceira): as suas biografias. Porém, e como escreve logo de ínicio, o autor nasceu tarde para as suas "irreflexões" políticas. Mas vai sempre a tempo de aprender.

Publicado por João Gonçalves 14:45:00 4 comentários Links para este post  



“O Homem Providencial”



Ninguém profundamente me conhece
nem talvez isso interesse a alguém
e aos íntimos menos que a ninguém

Ruy Belo, A Margem da Alegria

Publicado por contra-baixo 14:43:00 1 comentários Links para este post  



equivocos & presidenciais... (reloaded)

Enquanto o candidato oficial do partido do Governo, a Presidente da República, sente necessidade de explicar que 'também' ele garante a estabilidade política, o que não deixa de ser sintomático e revelador, continuam os balanços sobre o cavaquismo. A este propósito convém recordar uma prosa já antiga, publicada em Julho, onde se tentei colocar as coisa na sua devida dimensão.Até porque, sendo legítimo não gostar, de Cavaco, convinha que se dissesse explicitamente a verdadeira razão porque não se vota em Cavaco, a qual me parece ser, na esmagadora maioria das vezes, estritamente ideológica e derivada da tradicional 'superioridade intelectual' das esquerdas, mais do que baseada numa análise concreta e racional...

Já o escrevi, por aqui, em tempos - que tecnicamente não sou um cavaquista, mais, duvido muito que o cavaquismo, tal como é apresentado por detractores e adeptos, alguma vez tenha existido. Dito isto, é penoso, verdadeiramente penoso, assistir recorrentemente a uma espécie de coligação entre uns e outros com vista a reescrever o passado, que nunca é apresentado como foi mas ou mitificado ou diabolizado. Por estes dias é dislate, atrás de dislate, uns donde se esperaria, outros nem tanto.

O Prof. Cavaco, e a sua governação, é assim apresentado ou como a fonte de todas as virtudes, ou como a raíz de todos os males, não havendo, ao que parece, espaço nem para o meio termo, nem para um mínimo de sensatez. Falta a uns e a outros um mínimo de humildade, a uns, reconher que Cavaco foi de facto o melhor primeiro-ministro da Democracia Portuguesa, e a outros, que tendo sido um excelente primeiro ministro, e até por via da sua qualidade humana, cometeu erros, alguns grandes.

Parece contudo, que não é por via do que Cavaco fez ou deixou de fazer enquanto foi primeiro-ministro que agora - em meu entender - deixa de ser a personalidade adequada para exercer o cargo de Presidente da República. O prof. Cavaco é - no momento - o presidente da república ideal essencialmente por aquilo que fez, e não fez, sobretudo desde que deixou de ser primeiro ministro.

Alguns apontarão a alegada frieza do personagem, outros a alegada falta de cultura, outros ainda o não elitismo do natural de Boliqueime como factores que o desqualificam para o cargo mas, no balanço das virtudes e defeitos, e até por via da sua própria evolução pessoal, Cavaco personifica o cocktail ideal que se espera do próximo presidente da República.

Ao contrário do que se pode dizer de outros - vide o Dr. Soares - nunca, mas nunca em tempo algum, se viu o professor Cavaco interferir desde que abandonou a actividade política activamente na mercearia política. Desligou-se completa e cabalmente do PSD, deixando-o entregue ao seu destino. Todas as intervenções do Professor Cavaco o foram dirigidas ao país, e ao sistema político em geral, abstraídas de questiúnculas partidárias, e grosso modo sempre dessa forma foram - a seu tempo - assim interpretadas. Mais, foi o primeiro a chamar a atenção para o monstro - em tempo de vacas gordas - pelo que não deixa de ser soez a acusação de que o pai do dito é afinal ele (factualmente Portugal e Espanha só começaram a divergir com Guterres já Primeiro-Ministro...). Dito isto, só por má-fé ou manifesta ignorância é que se pode insinuar que Cavaco será - por definição - um Presidente belicoso vocacionado para salvar e vingar a honra das direitas (mas quais ?). Cavaco, ao longo do tempo, sempre demonstrou um apurado sentido de estado e de responsabilidade que o levaram aliás a ser acusado por (ex?!) correlegionários seus de traidor já que ainda no Verão passado pôs claramente os interesses do país - face aos delírios santanistas - à frente dos da força política de que foi líder.

- é claro - um fantasma que persegue o Prof. Cavaco - os proclamados cavaquistas. Acontece que ao contrário de outros, e mais uma vez temos a inevitável comparação com o Dr. Soares, nunca o Prof. Cavaco fez questão de ter uma corte, uma quota, ou uma seita, à diposição, nunca, do Além, negociou lugares ou deixou que os regateassem em seu nome, percebendo sempre, e em todo o momento, rigorosamente qual era o seu lugar. É verdade que deixou um estilo, estilo esse pessoal e intransmissível, impassível de ser imitado. O cavaquismo é se o quisermos uma mistura blended de competência e eficâcia, associada a uma gestão política apurada e nunca - como muitos, até auto-proclamados cavaquistas, o querem pintar - uma mera associação de tecnocracia com carisma.



A votos em Janeiro de 2006 vai um Homem
, apenas é só um Homem. Um ex primeiro-ministro que não enriqueceu à custa da política, que não se deslumbrou com o poder, e que enquanto o deteve fez o melhor que pode e soube. É verdade que cometeu erros - a sua falta de sensibilidade - à época - para áreas fundamentais como a educação e a saúde - onde teve tantas políticas (divergentes) como ministros ainda hoje saem caro ao país, sendo que - registe-se - ninguém ao tempo questionou verdadeiramente essas mesmas politicas. É verdade que se enganou em algumas escolhas pessoais que fez, quem não engana ? É fácil - dizer-se agora - que com os recursos de que Cavaco dispôs se faria melhor. Talvez se fizesse, mas outros tiveram tantos ou mais recursos e nem aos calcanhares lhe chegaram. Dentro do - humanamente - possível ninguém fez mais, e melhor, que ele.

Por outro lado Cavaco tem uma característica rara num político - o desprendimento, total e absoluto, pelo poder. Nunca o acusaram de pôr o PSD, e os seus interesses, à frente dos interesses do País, e - recorde-se - quando em consciência achou que não tinha mão no PSD saiu. E se o PSD ao fim destes anos todos ainda não se libertou de alguns dos tiques que levaram Cavaco a afastar-se, ninguém em seu pleno juízo pode acusar Cavaco de verdadeiras responsabilidades. Os tabús, os incompreendidos tabús, são, e foram, apenas e só a corporização da rejeição aos timings do sistema e do politicamente correcto.

Desenganem-se pois aqueles que veêm em Cavaco o salvador, ou o derradeiro redentor. Não é por isso, ou para isso, que Anibal Cavaco Silva deve ser Presidente da República.

Devê-lo-á ser porque - em tempo de crise - Portugal e os portugueses precisam de um referencial de estabilidade, de credibilidade, de alguém que saibam, tenham a certeza, que não tem agendas secretas ou camufladas. De alguém que mais do que deixar uma derradeira herança quer apenas e só servir Portugal.

Mas, há ainda uma outra classe de razões para se desejar que o Prof. Cavaco chegue a Presidente da República. É um facto que o actual sistema político funciona mal, tem vícios, e está, mais dia, menos dia, condenado ao fracasso, e também é um facto que per se não se regenerará tão cedo. Ora, a candidatura de Cavaco Silva não será nunca partidária, uma boa parte do aparelho do PSD abomina-o até, mas popular, basista, não será a esquerda vs a direita, mas sim o confronto entre diferentes maneiras de ver Portugal e o mundo, reconciliará pois os eleitores com o eleito, porque sendo desintermediada e livre de vícios aparelhístico-partidários.

Queira Cavaco e, nesta campanha presidencial que se avizinha, pode iniciar uma autêntica revolução - desde logo ao nível do financiamento - aceitando só e apenas , com toda a transparência, doações dos seus apoiantes, desde logo ao nível da participação, fugindo à habitual triagem aparelhistico-partidária, desde logo ao nível dos temas já que pode falar de tudo sem constrangimentos.

O Prof. Cavaco tem hoje - como ninguém - condições objectivas e subjectivas, de fazer o que o país mais precisa - de pensar sobre si próprio - sem auto-censuras politicamente convenientes - e de olhar para o futuro. Dele não se espera que seja tutor ou fiador de coisíssima nenhuma, apenas que seja um garante de progresso e desenvolvimento.

Associada a este upgrade qualitativo - nomeadamente quando comparado com o perfil do ainda titular do cargo - teremos a inevitável, e que só peca por tardia - requalificação do sistema politico-partidário, à esquerda e à direita. À esquerda por cairem de vez os mitos, à direita, porque o Prof. Cavaco será, não duvidem, o primeiro a distanciar-se, e a exigir distância e responsabilidade, até porque qualquer neocavaquismo para o poder ser terá de ser primariamente descavacaínado...

É, para terminar, redondamente falso que o embate entre o Dr. Soares e o Prof. Cavaco seja o embate entre duas figuras do passado. Se pode ser dúbio que o Dr. Soares tenha evoluído nestes últimos 10 anos (e convinha que ele precisasse de novo a sua interpretação dos poderes presidenciais até para o Dr. Sócrates poder dormir mais descansado), não se percebendo o que pode ter a acrescentar, só por manifesta cegueira é que se pode arguir que o Prof. Cavaco não evoluiu, e sobretudo não aprendeu com muitos dos seus erros passados.

Face ao panorama e para alguns, a tentação abstencionista poderá até ser grande mas, na hora da verdade, a pergunta a que é preciso responder é uma e uma só - num momento de aperto, de crise, de incerteza, em quem se confia para tomar uma decisão dura (e que tanto pode passar por exemplo por deixar cair como por segurar Sócrates, a quem já muitos no PS querem de facto e desde já dar a cicuta), difícil mas necessária ? Em Cavaco? Em Soares ? Quem estará mais livre, e imune a pressões ? Tudo o resto, não sendo assessório, quase que passa para segundo plano.

É por tudo isto, e com o à vontade de quem já criticou e há-de, com certeza, voltar a criticar, que eu não posso deixar de votar no Prof. Cavaco.

Publicado por Manuel 13:10:00 10 comentários Links para este post  



Razões para não votar em Mário Soares (nem em Cavaco Silva)

Para alguém que sempre se identificou com a àrea socialista, sem nunca ter deixado de ser crítico quando se justifica, que nasceu politicamente numa altura em que Mário Soares era um Presidente activamente envolvido em defender o país de uma proto-ditadura pessoalizada por Cavaco Silva (pode ser uma descrição dura, admito até que controversa, mas é a minha) é contranatura não apoiar novamente o velho leão.

Importa abrir um parêntesis para explicitar que falo em proto-ditadura não porque houvesse repressão social (apenas pressão), presos políticos ou censura (afinal, estamos a falar dos anos de glória do Independente) mas porque havia um dirigente do país que achava que o povo, a opinião das pessoas, a imprensa escrita, as instituições de controlo, aqui se incluindo o Parlamento, o Tribunal de Contas, o Tribunal Constitucional e a Presidência da República, eram meros obstáculos à sua visão do país, em vez de serem, como são, fontes de legitimidade para o exercício democrático do poder.

Esse tipo de visão pode ser reconduzida com propriedade, acho, à ideia de Despotismo Iluminado, cujas origens remontam, na sua forma "moderna", à família real francesa. E assusta qualquer um que tenha embutido no código genético a qualidade de democrata. A somar a isto existiam práticas hoje esquecidas, como a de fazer acompanhar manifestações juvenis de polícia de choque e serviços de informação. Ou aquela imagem de político acima da política. Memórias que importa não perder.

Adiante, não que me pareça que a maior parte das pessoas consiga passar do aparte. Mas isso é da vida.

O que me leva a não votar em Mário Soares é reconhecer nesta candidatura um grau de perversão da democracia em nada inferior ao que acima mencionei.

Falo, naturalmente, de uma certa pessoalização do poder, numa forma de república pervertida a favor da busca de um poder familiar, numa tentativa em quel se identifica um certo toque de desespero ou alienação, não sei bem qual, cujas origens se desconhecem.

Ademais, não vejo que um Mário Soares com 80 anos possa fazer alguma coisa que não tenha podido fazer com 60 ou 70 anos, antes pelo contrário. Não estou a usar a idade como argumento, note-se, diria o mesmo se o candidato tivesse 60 anos e tivesse sido presidente dos 40 aos 50.

O velho adágio de que não se deve voltar a um local onde se foi feliz devia aplicar-se mesmo contra a contade do próprio. A bipolarização pretendida pelo PS não me serve, portanto. E temo bem que não sirva à maior parte da esquerda. Isso explica, em larga medida, a viabilidade da candidatura de Manuel Alegre. Que, contudo, também não me convence. Aquele perfil do poeta-político esconde um político de carreira, com os vícios próprios de todos eles. Incluindo, embora em menor escala, quer a tentativa de colagem à imagem de outsider que Cavaco tão bem cultiva quer as idissiocrancias familiares que são tão patentes em Soares.

Resumindo, com meia dúzia bem contada de candidatos à esquerda nenhum me convenceu ainda. O meu voto está disponível para quem me convença em campanha eleitoral. Ou isso ou será em branco.

P.S. - Um esclarecimento porventura desnecessário: Este post é escrito, como foram os anteriores e serão os próximos sem que tal signifique "falta de respeito por mim próprio" e a utilização de um nome de fantasia não releva da necessidade de um qualquer "manto cobarde e diáfano" mas de outras considerações, que estou cansado de explicar e de que não devo explicações, muito menos a virgens ofendidas de última hora. Respeito muito mais aqueles para quem a concordância ou discordância pela opção de anonimato não é matéria de ocasião, nem é coisa que esteja sujeita a juízos de oportunidade. E sobre este assunto não me ouvirão (lerão) nem mais uma palavra.

Publicado por irreflexoes 11:21:00 3 comentários Links para este post  



Cópia do dia

Para sorrir...

O Socialismo como fonte de maleitas

Eu não sou adepto de teorias da conspiração, mas vou formulando uma tese, nos meus tempos livres, que aponta para o Socialismo como fonte de maleitas. Os valiosos argumentos que sustentam esta aturada reflexão são dois: a vaca louca e a gripe das aves.

Reparem Vossas Excelências no que a seguir se expõe:

Aquando do advento guterrista, o mundo encarregou-se de enlouquecer as vacas. Se bem se recordam, o nosso Ministro da Agricultura, Gomes da Silva, trinchou com a sua dentição um cérebro de uma vaca que, dizia ele, estava de perfeita saúde e recomendava-se. Naquele tempo viviam-se momentos de terror com as vacas. Será que este bitoque é a minha sentença de morte, era a interrogação que corria o espírito daqueles que ousadamente escolhiam o bovino para a refeição.

Depois a direita assumiu o poder e houve descanso no mundo animal. Hoje, em 2005, após os Socialistas terem reconquistado o poder, somos novamente confrontados com uma golpada no mundo alimentar. Desta feita, as aves andam engripadas. Há um e outro cientista que já afirmam que estamos perante o fim da humanidade. Uma perfeita desgraça e uma morte pouco digna. Sempre achei que o homem devia morrer de ataque cardíaco, a bordo de um barco milionário, divorciado mas rodeado de modelos fotográficos. Ou então, numa visão mais nobre, de uma bala perdida numa caçada com os herdeiros britânicos. Nunca, mas mesmo nunca, de uma gripe provocada por aves.

Esperei, durante todo o fim-de-semana, pela imagem do Ministro da Agricultura a papar um franguinho. Achei que isso podia salvar o negócio dos aviários. Nada.

Do Lóbi do Chá

Publicado por irreflexoes 11:02:00 1 comentários Links para este post  



Scuts : A decisão que há muito se previa...

Escrito no dia 16 de Agosto, aqui na Grande Loja e no Diário de Notícias.

A decisão de agora, em 2005, se optar por permanecer com as Scut, mesmo que balizada pelo Governo até às autárquicas, tendo como contraponto o aumento de impostos sobre o combustível para o seu financiamento, remete de forma indirecta para a generalidade dos contribuintes o pagamento das vias. Sendo verdade que a reposição de portagens poderá ter um custo elevado - cerca de 300 milhões de euros -, não é menos verdade, que a teimosia em manter uma promessa custará a toda a economia uma repercussão nos custos, e logo no consumo privado que estava a ser o motor - ainda que pelos piores motivos - do seu fraco crescimento nos últimos 12 meses.

Numa altura em que Portugal enfrenta uma grave crise de finanças públicas, o Governo teima em não compreender que o problema não é o défice, mas sim a forma de conseguir reabilitar a economia portuguesa. As Scut não só oneram em termos de despesa pública, como induzem nas empresas um problema de competitividade ao nível do acréscimo dos custos com combustível.


Este fim-de-semana o governo anunciou que vai colocar portagens nas Scuts. Parabéns pela decisão. Ficam a faltar duas coisas. Baixar o Imposto sobre produtos petrolíferos que aumentou em Junho para financiar as Scuts e explicar de forma cuidadosa como e sobretudo o porquê da decisão ter sido balizada pelas autárquicas. Mais uma promessa que caiu. Ainda bem !!

Publicado por António Duarte 10:15:00 0 comentários Links para este post  



Admito que o defeito possa ser meu

Aqui é dito que...

o presidente do Conselho Superior da Magistratura e do Supremo Tribunal de Justiça, Nunes da Cruz, e mais três conselheiros quiseram deixar registado que a requisição civil não se pode aplicar aos juízes, porque um órgão de soberania não pode requisitar outro órgão de soberania.

... só que aqui diz-se que...
face ao quadro constitucional e legal vigente, "é lícito o exercício do direito à greve por parte dos magistrados judiciais, tendo em conta que do seu estatuto emerge uma dupla condição de titulares de órgão de soberania e de profissionais de carreira que não dispõem de competência para definir as condições em que exercem as suas funções"...

Conclusão...


... no direito à greve, os juízes "beneficiam" de uma dupla condição de titulares de órgão de soberania e de profissionais de carreira. Em caso de requisição civil, um órgão de soberania não pode requisitar outro órgão de soberania. Faltam 14 minutos para as duas da madrugada. Estou desde a meia noite a tentar perceber, mas não consigo. Admito que o defeito possa ser meu.

Publicado por Carlos 1:48:00 1 comentários Links para este post  



the writing is on the wall...

'bancos'

João Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, disse ontem que a investigação que envolve quatro instituições bancárias está a ser "desastrosa" e que "os braços do Estado deviam ser exemplares no cumprimento da lei". Disse mais que é necessário que "uma coisa que começou mal acabe de forma rápida e correcta". Porventura será prematuro dizer que a investigação está a ser "desastrosa". Há alguns aspectos, como a realização de buscas praticamente anunciadas ao sujeito da busca e a revelação ao primeiro alvo destas diligências da identidade dos destinatários seguintes, que não será feliz. Também não foi feliz o comunicado da Procuradoria-Geral da República porque não esclarece se os bancos e uma eventual conduta sua na exportação organizada, consciente e assumida pelas administrações, de capitais, envolvendo uma flagrante fuga ao pagamento de impostos, estão aqui em causa. Ou se, pelo contrário, a investigação visa um conjunto alargado de clientes que colocou dinheiro sujo fora do país através da utilização de mecanismos legais usados rotineiramente pela banca. O comunicado deixou uma margem de ambiguidade que lança a desconfiança generalizada sobre o sistema bancário e isso não é bom.

Mas é precipitado partir daí para achar que tudo será "desastroso" porque não se conhece a substância nem a extensão da investigação. Este inquérito levanta, de resto, outras questões que deveriam preocupar igualmente João Salgueiro, a Associação de Bancos, o Governo, toda a gente que tenha obrigações ou meras preocupações sobre a solidez do sistema financeiro. Quando João Salgueiro diz que "os braços do Estado" deviam ser exemplares no cumprimento da lei está obviamente a referir-se ao Ministério Público, à Polícia Judiciária e à Direcção-Geral dos Impostos. Deveria, porém, ser mais prudente e incluir nas suas preocupações o Banco de Portugal e, já agora, os próprios bancos se vier a demonstrar-se que esta investigação versa sobre uma exportação organizada de capitais para paraísos fiscais com o fim de escapar à tributação, através dos bancos, com o seu conhecimento e consciência da ilicitude. Se vier a confirmar-se tal cenário, então, todo o sistema de supervisão bancária será francamente posto em causa, sendo que o presente silêncio do Banco de Portugal já é em si próprio suficientemente insustentável. Se vier a demonstrar-se que está em causa uma forma organizada de fuga aos impostos, os bancos bem podem vir argumentar a seu favor com a concorrência da banca estrangeira, com a importância que têm para o país, seja lá o que for, mas ninguém os compreenderá.

O país que paga impostos sem hipótese de fuga compreenderá então as razões da falta de equidade fiscal que tem minado a economia nacional e a confiança dos cidadãos nas instituições. Ninguém entenderá como é que tudo isso se passou sob o olhar complacente do Banco de Portugal.

Eduardo Dâmaso, editorial no DN

Publicado por Manuel 1:41:00 3 comentários Links para este post  



segurança social - o segredo de um orçamento 'equilibrado'

«Este é um orçamento equilibrado, pois apresenta, na óptica das contas nacionais, um saldo que passa de um défice de 45 milhões de euros em 2005 para um saldo positivo de 101, 8 milhões de euros em 2006», afirmou Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e Solidariedade Social, em conferência de imprensa. Equilibradíssimo. Tão equilibrado que, na mesma conferência de imprensa, em rodapé, se ficou também a saber que em relação à transferência de dois por cento das contribuições dos trabalhadores para o Fundo de Capitalização da Segurança Social, como está definido na Lei de Bases da Segurança Social, o ministro Vieira da Silva disse que não há condições para a realizar, pelo que vão invocar uma situação excepcional. Explicado fica o tal saldo positivo, e exposta fica a forma como este governo ataca os problemas... Nos entretantos adia-se um debate sério, e a sério, sobre a reforma da segurança social. Ainda a propósito das reformas na segurança social é ler o texto, publicado hoje no DN, do 'nosso' António Duarte.

Publicado por Manuel 21:36:00 1 comentários Links para este post  



as coisas no seu contexto



Gripe das Aves
- 12 gansos patola e cinco gaivotas encontrados em Peniche sob suspeita. É ver as TVs. Candidatos infectados, políticos infectados, jornalistas infectados, banqueiros infectados, empresários infectados, cocorocó!! em vez das chamas vistas por satélite, agora a NASA detecta um manto de penas sobre Portugal. quac quac quac...

Agora - muito - a sério, convinha, e aí a comunicação social 'mainstream' podia ajudar, que não se entrasse numa deriva demagógica, apocalíptica e simplista, a propósito deste surto de gripe das aves. O que tiver que acontecer, acontecerá e, simplesmente, o que as pessoas tem que saber é que lhes é dita a verdade, sempre, e que tudo, o que for possível, será feito para minimizar os danos, se o pior vier a ocorrer. Tudo o resto, o que for dito a menos ou a mais, é um erro. Dito isto, em matéria de catástrofes, e prioridades, talvez valha a a pena notar que ontem em 3 horas choveu mais em Itália, é perto..., do que costuma chover num ano... Seria por isso pertinente que se tomassem, just in case, medidas atempadas que garantissem que nada de mais grave derivará de um Inverno ou de uma 'simples' bátega mais rigorosa - estou-me, por exemplo, a lembrar da possibilidade de cheias no Tejo...

Publicado por Manuel 20:28:00 1 comentários Links para este post  



O Público, Ricardo Salgado e e as fotos de 'estúdio'

Curiosa a edição do Público de hoje. Ricardo Salgado faz o pleno - primeira página do jornal, e primeira página do suplemento 'económico' - o Dia D. Curiosas também as declarações de Salgado, numa 'entrevista' a Helena Cristina Coelho e João Cândido da Silva, assim como a escolha dos títulos. "Nunca procuramos influenciar" comoveu-me particularmente, como aquela boca de que, ao contrário de outros, o BES nada tem a ver com grupos de Media... De notar, ainda, a revelação da carreira académica secreta de Ricardo Salgado (lendo a entrevista até parece que Cavaco foi 'seu' assistente... e não que Ricardo Salgado foi tão somente seu aluno). Mas, muito mais curiosas são as fotos - em pose de Estado - fotos essas de estúdio (estúdio joão cupertino, pode ler-se lá). Assim, ou o Público/Dia D, foi tão reverente para com Ricardo Salgado que não confiou na capacidade dos seus próprios fotógrafos, sendo preciso recorrer a um de 'estúdio' externo, ou, numa curiosa parcimónia de meios, à falta de fotógrafos, aceitou publicar fotos do portfólio pessoal de Ricardo Salgado. Esta questão pode parecer menor, mas o simples facto de existir diz quase tudo sobre a entrevista. Também diz muito sobre o presente estado do Público.

Publicado por Manuel 17:12:00 2 comentários Links para este post  



vento nos salgueiros

O Presidente da Associação Portuguesa de Bancos veio hoje criticar (som aqui e aqui) a forma desastrada, mas a forma, como tem decorrido a mega-investigação à Banca. Realçou até a quebra de segredo de justiça. Ao lado de João Salgueiro apareceu o inevitável Ricardo Salgado (som), este a considerar também que este caso não afecta a imagem do BES. Há no entanto uma conversinha que Salgueiro e Ricardo Espírito Santo podiam ir tendo. Dando de barato que as investigações de facto não beneficiam a banca, nem a sua imagem, e sabendo-se do célebre engano que levou o DCIAP a mandar informação a mais ao BES (denunciando as outras entidades financeiras sob investigação) aguarda-se pelo desmentido formal por parte do BES de que as notícias que apareceram, e que batem cirugicamente com os extras dados pelo DCIAP ao BES, não tiveram, como 'parece', o seu dedo, isto é que para salvaguardar os seus interesses, e sua imagem, o BES não hesitou em enterrar na lama uma boa parte da concorrência, concorrência essa que, tal como o BES, faz parte da... Associação Portuguesa de Bancos.

Publicado por Manuel 16:20:00 0 comentários Links para este post  



K.O.

Presidenciais

Cavaco Silva está disponível para debates a dois com todos os candidatos que já se apresentaram à eleição presidencial, soube o PÚBLICO junto da direcção da candidatura.

Público Online

Publicado por Manuel 16:15:00 1 comentários Links para este post  



a diferença



À míngua de ideias, à falta de um projecto, tudo serve. A última de que se lembraram, para criticar Cavaco, foram as fotos deste com os netos, publicadas no último Expresso. Tais fotos, tal 'utilização' da 'família', foram imediatamente comparadas com o passado recente e com a utilização que Carrilho fez, na sua desastrada campanha autárquica, da mulher, Bárbara Guimarães e do filho do casal. Acontece que as situações não são, em bom rigor, minimamente comparáveis, nem de perto, nem de longe. Carrilho usou, e abusou, do mediatismo da mulher, e do filho do casal, não para provar que era um cidadadão normal, com uma vida e uma família normais, mas porque julgava que poderia transferir para si o share de que o brand Bárbara Guimarães dispõe na imprensa cor-de-rosa, e assim beneficiar eleitoralmente. Já Cavaco, limitou-se a aparecer como um homem normal, avô, ao lado do seus. Mais, ao mesmo tempo que aparecia a esposa - e sobre isso ninguém sussura uma sílaba - teve o cuidado de notar de que , na campanha, Cavaco estaria a solo, remetendo a família para o sossego doméstico. Um mundo de diferença.

Publicado por Manuel 15:55:00 3 comentários Links para este post  



só podem estar a gozar connosco

Al Qaeda pede ajuda para as vítimas do terramoto no Paquistão

in Público de 24 de Outubro de 2005, pág. 15

Publicado por André 15:47:00 1 comentários Links para este post  



"não faz bem a coisa nenhuma"

Confesso: gosto de ler o Inimigo Público, no Público das sextas, cujo único defeito é a sobrecarga de conteúdo humorístico. Pois bem! Acaba de aparecer na blogosfera o equivalente, para melhor até, se isso for possível...



Viva
, então!

Publicado por josé 14:23:00 4 comentários Links para este post  



a cópia do dia


Espanto











Ninguém se esquece da tempestade que se abateu sobre Manuel Maria Carrilho
, candidato socialista à Câmara de Lisboa, por ter usado a mulher, Bárbara Guimarães, e o filho, Diniz Maria, num tempo de antena de apresentação da sua candidatura. Sete meses depois, no âmbito da apresentação da sua candidatura presidencial, Cavaco Silva posa para o Expresso, acompanhado pelos seus quatro netos.

A reacção à estratégia do candidato derrotado na corrida para a Câmara de Lisboa não constituiu surpresa. O que é espantoso, verdadeiramente, é o silêncio sobre o marketing político de Cavaco Silva. Afinal, em ambos os casos, não estamos perante a utilização da família para fins de promoção de uma campanha eleitoral?

Rui Costa Pinto

Publicado por irreflexoes 13:33:00 0 comentários Links para este post  


via Francisco José Viegas.

Publicado por Manuel 0:34:00 0 comentários Links para este post  



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Há ideias que de tão 'boas' colam logo. Depois da malta da comunicação do PS, e do Governo, ter achado genial experimentar uns blogs de propaganda, dos quais sobressai este, é a vez de Alberto João Jardim seguir o exemplo. Temos assim o AntiPúblico - um blog madeirense cujo objectivo é desmascarar a enorme cabala que na comunicação social do contenente move os portugueses contra esse estadista impar que é Alberto João Jardim. O bombo da festa é óbviamente o Público e o seu Astérix insular - Tolentino da Nóbrega, que obviamente ainda não se resignou...

Publicado por Manuel 23:40:00 6 comentários Links para este post  



Presidenciais
Super cola 3 é que tem melhores condições para "unir o país"


Partido Socialista deve abdicar de Mário Soares caso a conhecida cola decida avançar na corrida à Presidência da República.

Publicado por Nino 21:26:00 1 comentários Links para este post  



a foto da semana

Publicado por Manuel 20:16:00 0 comentários Links para este post