exames nacionais para os professores, JÁ!

A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o enunciado do exame nacional do 9.º ano para a disciplina contribuiu para os maus resultados dos alunos, por ter um grau de abstracção elevado e por fazer exigências «dispensáveis».

Segundo dados divulgados segunda-feira pelo Ministério da Educação, mais de dois terços dos 84.980 alunos do 9.º ano sujeitos a exame tiveram nota negativa na prova de Matemática, que a APM classifica de «exigente».

Num parecer sobre o enunciado do exame, a associação refere que «a maior parte das questões exige um trabalho elaborado de interpretação e análise das situações propostas, com algumas exigências que neste nível de ensino seriam dispensáveis».

Os professores de Matemática consideram, por exemplo, que a última questão da prova «exige um grau de abstracção e formalização muito superior ao normalmente trabalhado no 9.º ano».

«Pensamos que uma parte dos resultados se deve à prova em si, que exigia um grau de formalização elevado e tinha critérios de correcção demasiado restritivos, além de alguns aspectos que podem ser demasiado exigentes», disse à agência Lusa Manuela Pires, da direcção da associação.

[continua aqui]

E que tal e já para o ano a tal prova nacional ser também feita, ao mesmo tempo e nas mesmas condições, pelos senhores professores ? Palpita-me que os resultados seriam surpreendentes... Dito isto, é pesaroso ver professores a alegarem que no final de NOVE anos de escolaridade é expectável os alunos não saberem português - i.e., não conseguirem interpretar uma reles questão, no caso bem formulada - e sobretudo não terem a mínima capacidade de pensar em abstracto.

O facto é que,
por muitas e variadas razões, muitos daqueles que hoje ensinam matemática no ensino básico (como muitas outras matérias) não têm, pura e simplesmente, categoria para tal, muitos nem sequer sabem (!) a tabuada, e enquanto não houver coragem de assumir esse facto e o solucionar o problema vai pura e simplesmente persistir.

O enunciado da "exigente" prova, com «a maior parte das questões exige um trabalho elaborado de interpretação e análise das situações propostas, com algumas exigências que neste nível de ensino seriam dispensáveis», pode ser encontrado aqui. Da prova pode dizer-se muito, agora que as perguntas são de díficil interpretação e altamente abstractas, enfim... É claro que se tomarmos a matemática essencialmente uma abstracção da realidade e levando à letra esta associaçãozeca de "professores" (?) então o melhor se calhar é só começar a leccionar a coisa a maiores... Em Portugal, o ridículo ainda não mata.

Publicado por Manuel 21:05:00  

16 Comments:

  1. lino said...
    A Associação de Professores de Matemática considera, por exemplo, a questão 11 do exame demasiado exigente pela abstracção e formalização que exige. Lendo o enunciado, e atendendo a que as fórmulas necessárias para resolver o problema são dadas, a conclusão a tirar é outra: é que, na ausência de avaliações sérias, de um modo geral os alunos não foram treinados para resolver problemas com eficácia.
    Curiosidade: na resolução do exame, no site da APM, há um passo em que se escreve que P=31,4159 e P=31,42cm são afirmações equivalentes. Grande desfeita a Constâncio, logo no ano em que teve o trabalho de aproximar o défice às centésimas! E logo professores de matemática! Não se faz.
    Anónimo said...
    Isso sim, seria revolucionário... um verdadeiro corte epistemológico.
    diogenes
    Cecília said...
    Manuel, quem é você para falar como falou da APM? Quem é você para sugerir que os profs de matemática teriam de fazer o exame? O que é que você sabe de matemática? O que é que você sabe sobre o que é uma aula de matemática? O que é que você sabe sobre o que é uma escola? E 'the last..', o que é que você sabe das desculpas que os pais dão aos filhos porque também eles já foram maus alunos a matemática? Quando comenta algum assunto tem sempre este 'profundo' conhecimento?
    Anónimo said...
    Qual a média de entrada dos alunos nos cursos superiores para Matemática, nos últimos 20 anos?
    Qual a média de saída dos alunos nos cursos superiores para Matemática, nos últimos 20 anos?
    Qual a taxa de abandono durante a frequência universitária de cursos de Matemática?

    E 1 + 1 = 2!!!
    diogenes
    Anónimo said...
    Esperem lá, que agora, o problema dos alunos com a Matemática vai ser resolvido com mais umas horas de acompanhamento... Depois dos professores de Matemática, quem serão os próximos bodes expiatórios das más políticas de educação?
    G. Mbeki said...
    Agora está na moda todos serem treinadores de bancada no que toca à escola. Toda a gente dava um melhor professor do que os que lá estão. Não têm noção do que são as competências de um aluno de 9º ano, provavelmente não conhecem o programa e os objectivos do 3º ciclo, não têm a capacidade para analisar a dificuldade de um exame pela perspectiva do aluno, mas isso não impede ninguém de criticar. Esta "chico-esperteza" nacional, que aponta sempre o erro ao outro em vez de o assumir como problema do país, logo de todos, demonstra, se não outras coisas, falta de sentido de cidadania...
    Luís P said...
    Pergunto à Cecília se ela é professora de matemática, porque se não é, sabe tanto como o Manuel e o melhor é fazer como os outros, deitar uns palpites ao ar sem esse ar de superioridade ofendida. Se é, então explique-nos a razão de haver uma tão elevada taxa de insucesso nos exames e de a mesma não ter comparação com a avaliação feita pelos professores. E explique-nos também porque se insurge tanto com a ideia de pôr os professores a prestarem provas, coisa que já deveria ter sido feita há muito tempo e talvez agora não estivessemos tão mal. E essa conversa dos pais é uma desculpa um pouco esfarrapada, uma vez que à escola compete habilitar os alunos com as competências curriculares e aos pais o que se exige é acompanhamento e exigência em relação ao trabalho que a escola desenvolve com os seus filhos, não substituir-se a esta.
    Se a Cecília é professora percebe-se porque é que as coisas chegaram a este estado. Deixo-lhe uma sugestão Cecília: veja bem onde lhe doi antes de vir para aqui dizer disparates. É capaz de concluir que deve seguir o conselho que dá ao autor do post, informe-se antes de escrever. E não se faça mandatária de interesses alheios.
    Anónimo said...
    Para que servem estes exames se não têm repercussão naquilo que realmente está em causa para os alunos: a transição de ciclo? É óbvio que os alunos também não sentiram necessidade de se prepararem devidamente. Quando se tem 14 ou 15 anos só se estuda por absoluta necessidade.

    Agora esta visão de que os alunos estão todos empenhadissimos e desejosos de aprender e que os pais estão empenhadissimos em que em acompanhar os estudos dos filhos é uma ideia ingénua e utópica. Não tem nada a ver com o "país real".

    José Manuel
    Manuel said...
    Ó Cecília,

    Sou matemático (pouco aplicado); chega ?
    Anónimo said...
    Não há nenhum "progresso" da sociedade que não tenha na base a matemática, a física e a química. Tudo o resto deriva disto. Se os portugueses desprezam estas áreas nunca poderão esperar participar do desenvolvimento mundial. O "paleio" já deu o que tinha a dar. Impõe-se acção, doa a quem doer, mesmo aos "soi-disants" professores de matemática e física. Reciclagem generalizada e obrigatória para todos os professores, já, e sob controlo de professores estrangeiros não coniventes com o nosso sistema. Seguir o exemplo do Marquês de Pombal em relação à Física. Acabou o tempo das experiências a palpite. Os sucessivos responsáveis do ensino das ciências falharam em toda a linha. Terapia de choque. Em cinco anos, no máximo, é possível inverter
    este descalabro. Esta discussão sobre a burrice genética é uma burrice.
    X
    Anónimo said...
    Mas se o problema, como pensa o Manuel, é dos professores e do sistema como explica que os com os mesmos professores os alunos filhgos de emigrantes de leste e asiáticos tenham sucesso e os outros não?

    Não será que o problema também radica na atitude dos pais e alunos?

    José Manuel
    Cecília said...
    Ó Manuel,

    sou prof de matemática há 29 anos.
    Anónimo said...
    Apoiado! todos os professores, deviam fazer um exame de habilitação da cadeira que pretendem lecionar, e garanto que 50% iam para a rua!
    Conheço uma professora deligente
    formada nas Belas Artes. Como tinha mais habilitações, que a maioria, na escola, era maltratada e convidada a sabotar os actos de escolaridade! Já viram que corpo
    de professores existem? esta professora tem hoje 33 anos.
    Fernando Martins said...
    Apoiado...!
    Exames para os Professores portugueses já (e, já agora, exames para os alunos e comparação entre as notas dos alunos dadas pelos docentes e obtidas nos exames).

    Fernando Martins (Professor há 15 anos)
    Anónimo said...
    Sobre a dra. Cecília e se ainda sei subtrair, formou-se / começou a ensinar em 1976, está tudo dito ...
    Anónimo said...
    "E que tal e já para o ano a tal prova nacional ser também feita, ao mesmo tempo e nas mesmas condições, pelos senhores professores ?"
    este comentário aplicava-o DIREITINHO aos que elaboram as provas do CEJ........

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