Engenheiros

Vasco Pulido Valente, na sua crónica de hoje do Público, realçada até por Marcelo R. Sousa na RTP/1, fala sucintamente sobre a Educação em Portugal, a propósito da noticiada fuga de “cérebros” do país. Diz a dado passo...

(…) perguntam como Portugal chegou ao que chegou. Chegou assim: com políticas de uma inimaginável estupidez, conduzidas por meia dúzia de indivíduos que ignoravam militantemente a história e a realidade do país e se aplicavam a imitar o que se fazia lá fora e, em particular, o que se fazia na “Europa”. Os responsáveis são conhecidos. Pela parte “técnica”, Veiga Simão, Fraústo da Silva, Roberto Carneiro e Marçal Grilo e, agora, Mariano Gago. Pela parte do governo, Cavaco e António Guterres, que envenenou tudo em que tocou. Infelizmente nem perante o desastre se aprendeu a lição. De Cavaco a Sócrates, com uma persistência que roça o patológico, o regime continua a repetir que Portugal precisa antes de mais nada de “qualificação” e “formação”. Já se percebeu há quase meio século que não vale a pena sobreeducar sociedades com um mercado de emprego semi-arcaico, porque as competências, sejam elas quais forem, de facto desnecessárias, desandam para onde as podem usar e, naturalmente, lhes pagam bem. (…) E a história não acaba aqui. O Estado criou ou permitiu que se criasse uma enorme e abstrusa máquina, que vai do pré-escolar ao ensino superior oficial ( hoje irremediavelmente degradado) e do colégio católico com subsídio por cabeça ao comércio vil de universidades privadas que são uma vergonha nacional. E como o produto dessa máquina é largamente inútil, o Estado, para disfarçar a calamidade que ele próprio promoveu, mete inúteis num funcionalismo público igualmente inútil, que nos levou à calamidade maior da crise orçamental e da estagnação económica. A moral a tirar desta comédia sem desculpa é a de que o dr. Cavaco tem razão: nós gostamos mesmo da moeda má.

Em tempos, coligi informação sobre os nossos ministros da Educação ao longo dos anos. Temos assim...

Roberto Carneiro, licenciado em Engenharia Química, acumulou cursos de formação na área da educação ! Foi ministro da dita entre 1987 e 1991, perfazendo a legislatura e é professor na UC. Antes dele, outro licenciado em Eng. Química, J. J. Fraústo da Silva, também foi o ministro da educação, entre 1982-83 e entre 1968 e 1973, foi presidente do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação. Veiga Simão, ministro da Educação no antigo regime, é formado em Física. Em 1978, mandou no Ministério da Educação, Carlos Lloyd Braga, eng. Químico. Antes de Vítor Pereira Cresco, engº químico, mandar, entre 1980 e 1982, estiveram lá, Valente de Oliveira e Veiga da Cunha, engenheiros. A seguir, em 1982, esteve lá Fraústo da Silva, eng.º químico e depois veio Diamantino Durão, catedrático de engenharia no Técnico. Só em 1993, até 1995, esteve lá um letrado - o falecido José Augusto Seabra, tendo sido substituido por João de Deus Pinheiro... eng.º químico! De 1992 a 1995, ocaso do cavaquismo, a batuta pertenceu ao engº Couto dos Santos e à inefável Ferreira Leite, versada em economia. Desde essa altura e até 1999, a pasta foi carregada pelo engº mecânico Marçal Grilo que fez a legislatura, sendo aliás o único, a par de Roberto Carneiro, antes dele, a cumprir a tarefa até ao fim e por isso a ter toda a margem de manobra para as mudanças. A seguir ao Grilo, veio Júlio Pedrosa, engº químico! E depois dele, a história já é contemporânea - um especialista em sociologia económica (David Justino) e uma engª mecânica (Graça Carvalho). Actualmente, Maria de Lurdes Rodrigues, é… socióloga!

Pode assim dizer-se que em Portugal, nas últimas décadas, à cabeça do ministério da Educação esteve quase sempre a engenharia, com predomínio da química!

Publicado por josé 22:03:00  

6 Comments:

  1. zezepovinho said...
    PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

    Nota à Comunicação Social

    Face a notícias falsas vindas a público, a Presidência do Conselho de Ministros (PCM) esclarece o seguinte:

    O Primeiro-Ministro não beneficia dos Serviços Sociais da Presidência do Conselho de Ministros.

    Na verdade, o acesso aos benefícios dos referidos Serviços Sociais depende de inscrição, sendo que o Primeiro-Ministro não está, nem nunca esteve, inscrito naqueles Serviços, pelo que não é deles beneficiário.

    O Primeiro-Ministro mantém, na íntegra, a afirmação que fez segundo a qual dispõe do mesmo sistema público de apoio na doença que é aplicável à generalidade dos funcionários públicos - a ADSE - e que alguns se recusam a aceitar.

    Mais se esclarece, em todo o caso, que os Serviços Sociais da PCM não são serviços de apoio na doença, mas sim, essencialmente, serviços de natureza social, como refeitórios, campos de férias, actividades sócio-culturais ou apoios em situações de carência, resumindo-se os serviços relacionados com a saúde à comparticipação em exames de "check-up" a partir de certa idade e à divulgação do acesso a serviços médicos oferecidos com desconto mas sem qualquer encargo para os referidos Serviços Sociais.

    Informa-se, ainda, que os Serviços Sociais da Presidência do Conselho de Ministros não são, de modo algum e ao contrário do que por vezes se pretende fazer crer, um regime especial de protecção social "para Ministros". Pelo contrário, não só a generalidade dos funcionários públicos beneficia de serviços sociais complementares nos diversos Ministérios, como sucede que os Serviços Sociais da PCM constituem, hoje, o verdadeiro regime geral dessa acção social complementar. Na verdade, nos serviços sociais da PCM estão integrados não apenas os funcionários da própria PCM, como os dos Ministérios da Ciência, da Cultura, da Saúde, dos Negócios Estrangeiros, da Administração Interna, da Defesa, da Presidência da República, da Assembleia da República e da Provedoria da Justiça, entre muitos outros.

    Quem tem tido, portanto, Serviços Sociais especiais não é a PCM mas Ministérios como o Ministério da Justiça, onde, aí sim, para além dos serviços sociais complementares, propriamente ditos, tem estado integrado um verdadeiro subsistema de saúde.
    Para além da harmonização em curso dos regimes de protecção na doença na função pública, o Governo pretende, também, promover uma progressiva harmonização dos benefícios em sede de serviços sociais complementares. Foi nesse sentido que se processou já a integração dos funcionários do Ministério da Saúde nos Serviços Sociais da PCM.
    josé said...
    Mais uma faena.Um embuste.
    zazie said...
    Vá-se lá saber porquê....
    josé said...
    Zazie:

    O embuste é este:

    No próprio site dos SSPCM consta isto:

    "Acordos com médicos e clínicas


    Tendo em conta os encargos para a economia familiar, mesmo quando comparticipados pela ADSE, resultantes do recurso à medicina privada, os Serviços Sociais da Presidência do Conselho de Ministros estabelecem acordos com médicos das várias especialidades, bem como com clínicas particulares.

    Estes acordos permitem aos beneficiários obter descontos nas despesas de internamento e usufruir de consultas e outros actos médicos (em clínicas de assistência e consultórios) mediante o pagamento de honorários mínimos estabelecidos nos Códigos de Nomenclatura da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Médicos Dentistas.

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    Pediatria
    Psicologia / Psicoterapia
    Psiquiatria
    Reumatologia
    Urologia"

    Basta clicar depois em cada uma destas especialidades e vem o nome dos médicos convencionados.~
    E ainda há as clínicas de internamento.

    É preciso ter lata...
    ocontradito said...
    Não faltará nesta lista o Prof.Dr. Santos Silva, que também foi Ministro da Cultura e agora é Ministro de qualquer outra coisa? Um político profissional à Mario Soares ... dá para tudo.
    José Carrancudo said...
    Posso concordar nisso com o Sr. Vasco Pulido Valente. Infelizmente, esta Ministra, tal como os seus antecessores, pouco percebe da Educação.

    O País está em crise educativa generalizada, resultado das políticas governamentais dos últimos 20 anos, que empreenderam experiências pedagógicas malparadas na nossa Escola. Com efeito, 80% dos nossos alunos abandonam a Escola ou recebem notas negativas nos Exames Nacionais de Português e Matemática. Disto, os culpados são os educadores oficiosos que promoveram políticas educativas desastrosas, e não os alunos e professores. Os problemas da Educação não se prendem com os conteúdos programáticos ou com o desempenho dos professores, mas sim com as bases metódicas cientificamente inválidas.

    Ora, devemos olhar para o nosso Ensino na sua íntegra, e não apenas para assuntos pontuais, para podermos perceber o que se passa. Os problemas começam logo no ensino primário, e é por ai que devemos começar a reconstruir a nossa Escola. Recomendamos vivamente a nossa análise, que identifica as principais razões da crise educativa e indica o caminho de saída. Em poucas palavras, é necessário fazer duas coisas: repor o método fonético no ensino de leitura e repor os exercícios de desenvolvimento da memória nos currículos de todas as disciplinas escolares. Resolvidos os problemas metódicos, muitos dos outros, com o tempo, desaparecerão. No seu estado corrente, o Ensino apenas reproduz a Ignorância, numa escala alargada.

    Devemos todos exigir uma acção urgente e empenhada do Governo, para salvar o pouco que ainda pode ser salvo.

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