"Olhava-se ao espelho pelo buraco da fechadura"
Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Não, caro George! O meu nome não é fruto do anonimato. É mesmo assim! Eu nasci assim; eu cresci assim; eu sou mesmo assim: José! Mas nada tenho de gabiru ou mesmo de Gaby...pode crer! Sou do tempo dela; vi os episódios todos e estanquei no suspense final, em que a Assembleia em peso, parou, para ver o último. V. que é George, provavelmente nem sabe do que estou a falar!
Mas sendo George e não José, não pense que é o Best...
Esse , também do tempo áureo do génio a pataco, já passou away. E esse, é que era um génio do tempo em que os havia em cada esquina. A dobrar!
Agora, qualquer George serve para afunilar caneladas na sensibilidade macia dos que andam a ganhar a vidinha, como sabem e podem.
No tempo do O´Neill, cuidava-se a linguagem, antes de sair para a rua. E aqueles a quem calha na rifa levar rasteiradas, encolhem-se na toca e soltam murmúrios, não vá o diabo tecê-las! Escrevem depois postais, a serenar tempestades, nos copos emprestados. Não partem loiça, só puxam lustro...
Por isso, fique com o seu nome e excelente verve que eu fico por cá , num anonimato breve: o tempo de um mail, se isso lhe serve.
Publicado por josé 22:58:00 8 comentários Links para este post
visões do inferno
A propósito dos 'negócios' anunciados entre a Microsoft e o Estado Português sou assaltado por uma terrível dúvida, saber se a 'coisa' é um mero caso de polícia, ou um caso de patologia clínica. Em qualquer caso uma vergonha nacional, e um erro de proporções históricas, de calibre maior, e sim estou a medir bem as palavras, que a Ota e o TGV.
Publicado por Manuel 20:00:00 4 comentários Links para este post
bater no ceguinho - parte II
DEVE TER SIDO ISSO, DEVE...
"O resultado de Mário Soare foi ligeiramente abaixo do que eu esperava. Mário Soares deve ter perdido votos na última semana"
Marcelo Rebelo de Sousa
RTP, publicado, hoje, no Diário de Notícias
(As previsões estão sempre certas. Os resultados, às vezes, é que não)
constança cunha e sá
Publicado por Manuel 19:54:00 0 comentários Links para este post
pá, caramba
Publicado por Manuel 19:09:00 0 comentários Links para este post
bater no ceguinho
Coteries literárias
Ainda a propósito da "nota certeira no Esplanar contra a troca grupal de elogios mútuos, uma das pragas da blogosfera, herdeira do mesmo tipo de atitude já antiga nos nossos meios literários" - frase que cito do Abrupto - gostaria de saber o que pensa Pacheco Pereira sobre a crítica que saiu ontem na pág. 11 do "Público" assinada pelo director José Manuel Fernandes? A crítica é sobre o último livro de Pacheco Pereira e é publicada no mesmo jornal em que o comentador escreve todas as semanas. Não sei se JMF não é amigo de PP, ou se PP não é amigo de JMF, mas calculo que não sejam propriamente desconhecidos. A mesma "nota certeira" poderia ser feita em relação aos meios de comunicação social a que Pacheco Pereira deu entrevistas sobre o seu último livro - "Sábado" e "SIC", por exemplo - e em que Pacheco Pereira colabora regularmente. Eu sei, é verdade, "há hoje no mundo literato vários sistemas e subsistemas grupais competindo pelos mesmos "bens", influência, artigos, colunas, programas de televisão, entrevistas, promoções, editoras, colóquios." Pois há.
[Paulo Pinto Mascarenhas]
Publicado por Manuel 16:20:00 3 comentários Links para este post
Crónica de uma violação anunciada
Segundo notícias de hoje, a acusação no processo "Apito Dourado" ( seria interessante saber quem assim o crismou), será deduzida até ao final do dia de hoje.
Segundo a lei processual penal em vigor, o segredo de justiça, mantém-se até ao momento em que seja proferida decisão instrutória, no caso de vir a ser requerida; ou até ao momento em que já não possa ser requerida.
Até quando pode ser requerida a Instrução no processo, que - refira-se- não é obrigatória e depende da iniciativa dos arguidos?
Diz a lei- Código Processo Penal- Artigo 287:
Requerimento para abertura da instrução
1 - A abertura da instrução pode ser requerida, no prazo de 20 dias a contar da notificação da acusação ou do arquivamento:
(...) - O despacho de abertura de instrução é notificado ao Ministério Público, ao assistente, ao arguido e ao seu defensor.
Quer dizer, daqui a vinte dias, que terminam em 20.2.2006 ( pressupondo a notificação hoje mesmo), o processo Apito Dourado ( mas quem é que o crismou assim?), será eventualmente um processo público. Eventualmente, digo, pois se for requerida a Instrução, só no final desta o será, com o despacho instrutório a proferir então pelo juiz de Instrução criminal.
Como é sabido, o processo tem estado em estrito sigilo de justiça, guardado pelo MP de Gondomar - não é na PGR...
Resta saber se assim vai ficar a partir de hoje, logo que se souber que já foi deduzida a acusação e portanto notificados os intervenientes processuais, - neste caso, particularmente, os advogados dos arguidos e estes ( normalmente são notificados primeiro os advogados...).
Será interessantíssimo ver e ler as reacções de quem está habituado a lançar lama à PGR e ao MP em geral, rasgando as vestes pelos desmandos e atribuindo directamente a estas entidades a responsabilidade pela violação de segredos de justiça, se neste caso, - como é mais do que certo- , se vier a saber já hoje ou amanhã, quem foi acusado e quem não foi e porque o foi e patati patata.
No rigor da lei, a divulgação de elementos processuais constitui violação desse segredo.
Há uma excepção e que é a prevista no artº86º nº 9 do CPP:
- O segredo de justiça não prejudica a prestação de esclarecimentos públicos:
a) Quando necessários ao restabelecimento da verdade e sem prejuízo para a investigação, a pedido de pessoas publicamente postas em causa;
b) Excepcionalmente, nomeadamente em casos de especial repercussão pública, quando e na medida do estritamente necessário para a reposição da verdade sobre factos publicamente divulgados, para garantir a segurança de pessoas e bens e para evitar perturbação da tranquilidade pública.
A Procuradoria Distrital do Porto já comunicou- e muito bem- o que havia a comunicar, ao abrigo do disposto nesse artigo.
Provavelmente, no caso, justificar-se-á mais algum esclarecimento, dada a relevância social do assunto.
Para além dessa particularidade que está já assegurada, vigora a proibição do artigo 89º nº4:
4 - O segredo de justiça vincula todos os participantes processuais, bem como as pessoas que, por qualquer título, tiverem tomado contacto com o processo e conhecimento de elementos a ele pertencentes, e implica as proibições de:
a) Assistência à prática ou tomada de conhecimento do conteúdo de acto processual a que não tenham o direito ou o dever de assistir;
b) Divulgação da ocorrência de acto processual ou dos seus termos, independentemente do motivo que presidir a tal divulgação.
Vamos a ver, mas isto é uma crónica de uma violação anunciada. Mais certo do que isto que escrevi.
Publicado por josé 14:54:00 0 comentários Links para este post
a outra face do multilateralismo...

acções e reacções.
Publicado por Manuel 3:57:00 0 comentários Links para este post
um filme, um retrato
Esta noite fui ao cinema, fui ver o 'match point' do Woody Allen. Gostei. Saí de lá siderado. Não que tenha ficado particularmente impressionado com a Scarlett, como outros, mas porque me tocou a identificação da assistência com o personagem principal (e que a matou). No fundo, ficaram todos aliviados, até bateram palmas (!) , quando perceberam que o inseguro e simpático personagem principal, um potencial vizinho do lado com quem seria agradável conversar, e que matou a sangue frio a amante, grávida, para não perder a segurança e o conforto de um casamento 'rico' se ia 'safar'. Finalmente percebi, e já não era sem tempo, a extraordinária complacência com que por cá se continuam a tratar Guterres e Barroso, dois absolutos irresponsáveis, para não dizer mais. Ao contrário do que dizia o primeiro entre a espada e a parede preferimos mesmo é fugir às responsabilidades, seja de que forma for. Ia ainda escrever sobre as inúmeras referências a Dostoyevski, e ao 'Crime e Castigo', ocorridas no filme, mas entretanto apercebi-me que já o tinha feito, involuntariamente, aqui.
Publicado por Manuel 2:27:00 4 comentários Links para este post
Parece que o Sr. Mourinho, treinador do Chelsea, recebeu ontem a mais importante condecoração mais importante da sua vida. Foi condecorado com a Grande Insígnia do Infante D. Henrique pelo Estado Português. Até aqui tudo bem não fosse o pequeno detalhe da condecoração ter ocorrido em... Londres. A culpa não é dele, naturalmente.
Publicado por Manuel 2:19:00 0 comentários Links para este post
uma lição e meia
Vasco Pulido Valente pode ter todos os defeitos do mundo, terá bastantes, pode ser isto e aquilo, será, pode até ter escrito, um dia, um dos textos mais rebuscados de todos os tempos onde, no auge de Michael 'Air Jordan', rebitava contra a cultura americana que via personificada no... basquetebol da NBA, mas está infinitamente muitos furos acima de outros que se tem em tão boa ou melhor conta. Hoje, mais uma vez demonstrou-o, ao publicar um texto saudavelmente mordaz sobre a sua própria pessoa. Tem a lucidez para sabe exactamente o que vale, e porque o vale, e isso é meio caminho andado para muita coisa. Dito isto, não me parece que a entrada que outros classificam de voluntarista de VPV tenha algo com 'optimismo'. É muito mais simples, e elementar - no Olimpo há muito que não lhe dão pica, ponto.
Uma nota ainda para a questão das audiências blogueiras. É secundária, até porque no dia em que um qualquer Conde Castelo Branco, da TVI, resolver abrir um blog levámos todos uma cabazada. Quem conta, ou pode vir a contar, já lia e vai continuar a ler. A diferença fundamental é que cada vez mais vai ser mais díficil a determinadas forças 'marcar' arbitrariamente a agenda, e a definir os protagonistas. Muito mais que as audiências são os mecanismos de 'agenda setting' que (já) estão a mudar.
Publicado por Manuel 1:51:00 3 comentários Links para este post
the writing is on the wall
Ao Dr. Pacheco já pouco falta para também ele, em desespero, dar o seu mergulhinho no Tejo, ou talvez no Douro. Então não é que agora, e só agora, num exercício de cinismo e hipocrisia a que nem o Prof Marcelo se permite, é que descobriu que há 'potencialidades de conflito' entre Sócrates e Cavaco ?... Um destes dias ainda o vamos ver por aí, a cavalgar, de braço dado com o Dr. Menezes. Triste, mas não exactamente uma surpresa.
Publicado por Manuel 1:42:00 0 comentários Links para este post
sobre o politicamente correcto, e seus excessos
Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
Publicado por Manuel 19:53:00 0 comentários Links para este post
A Grande Loja mostra-lhe o momento em que Co Adriaanse foi recebido simpaticamente, no Olival, após o empate em Vila do Conde...
Publicado por André 19:53:00 0 comentários Links para este post
contra a maré
Uma série de gente respeitável anda entusiasmada com a Atlântico. Eu, por mim, mantenho as dúvidas. Num ponto porém tenho certezas - naqueles moldes é um erro monumental. Numa altura em que todos se querem soltar dos espartilhos, e limitações, da imprensa tradicional, ingressando na liberdade da blogosfera, não deixa de ser anacrónico que outros a secundarizem, tornado-a subsidiária a um universo em desmoronamento. A Atlântico até que podia ser uma boa ideia se fosse um best off do que vai sendo dito, em tempo real. Uma 'boa ideia' não pode esperar um mês para ser publicada. Pode, Paulo ?
Publicado por Manuel 19:07:00 3 comentários Links para este post
uma dúvida
Política e moralmente qual é a diferença entre um deputado que 'simulava' viagens-fantasma e um outro que simula baixas médicas que o incapacitam de estar presente na Assembleia mas não de fazer trabalho político fora dela ? Nenhuma, rigorosamente nenhuma. E o tal milhão de votos que Manuel Alegre obteve pode servir como justificação para muita coisa, mas não pode servir para branquear uma situação que é absolutamente inaceitável. Onde estão agora os eticistas do regime ? Ou será que a ética e a moralidade é algo que apenas se exige à direita ?
Publicado por Manuel 18:53:00 3 comentários Links para este post
a caixa de pandora
Vai bonita a 'polémica' iniciada pelo João Pedro George acerca das 'cumplicidades' entre críticos e criticados no nosso mundo 'cultural'. Puro serviço público, vai bonita e é oportuna. Só espero que, aberta a caixa de pandora, um destes dias se extenda o debate ao universo político e jornalístico. É disso que Pacheco Pereira (um personagem, cujo share ocupado, a par do de Marcelo, face à substância das ideias defendidas só tem equivalência nos votos obtidos por Alegre face à ausência de ideias deste), tem medo. Quem escreve sobre quem, o quê, e aonde, quem foi assessor de quem e aonde, quem apadrinha quem, quem promoveu, quem convida e entrevista quem, e por aí fora. Depois, tudo será mais claro.
Publicado por Manuel 18:35:00 0 comentários Links para este post
Pastelaria Cister
Publicado por João Gonçalves 18:19:00 0 comentários Links para este post
Direita, volver
Já toda a gente percebeu que a eleição do Prof. Cavaco mais do que o fim de um ciclo é o início de uma nova etapa, nomeadamente para a direita portuguesa. Termina, contudo, aqui o consenso. Para uns será Cavaco que, de Belém, não resistirá à tentação de pastorear a direita, para outros Cavaco, no 'poder', será um empecilho que impedirá uma verdadeira regeneração da direita, que agora se quer arejada, liberal, whatever, prendendo-a ao passado. Em paralelo a estas questões há, à margem, e com uma guerra civil no PSD a avizinhar-se como pano de fundo, um debate, mais ideológico, vivo sobre qual a identidade 'ideal' da direita, e sobre a identidade, e até 'função', dos partidos e da relação destes com a sociedade.
Teremos pois em gestação uma corrente liberal, agora muito na moda. Grosso modo não existe. Ou melhor, existem, digamos assim, três grandes facções, que se consideram - e só a elas - genuinamente, liberais. Uma, é composta por pessoal com pouca ou nenhuma experiência política, e que tem do mundo uma visão eminentemente académica e teórica, axiomática, que peca muitas vezes por não ter em conta as vicissitudes do mundo real. A outra, mais 'religiosa' para não dizer fundamentalista, é composta por quem que já foi, ou tentou ser, político, e que mais do que ser 'liberal' é simplesmente contra, contra (a bovinidade d)o Estado, que vê sobretudo como sinónimo de 'Lisboa', contra os partidos, e contra qualquer tipo de poder instituído. Finalmente, há os 'neo'-liberais, profissionais da política, ou com aspirações a tal, que face à falência das ideologias viram no 'liberalismo' não só um balão de oxigénio mas também um novo fôlego que lhes permitiria marcar a 'diferença' (aqui a metamorfose d'O Acidental com o início desta legislatura fala por si...).
Dito isto, nesta altura do campeonato, discutir o liberalismo, em 'abstracto', seja sob que vertente for é o mesmo que querer construir uma casa, iniciando-a pelo telhado. Pode ser conceptualmente muito interessante, e divertido, mas não leva a lado nenhum. Antes, é preciso levar este debate ao seio dos partidos. Partidos estes que andam, há muito, distantes dos cidadãos cujos interesses, em última instância, devem defender. E tem andado, por culpa fundamentalmente de dois factores, por um lado dos próprios eleitores que vêem a política como algo de pouco recomendável e se afastam, deixando-a, muitas vezes, a cargo de pessoal muito pouco qualificado, e da comunicação social, muitas vezes por preguiça, que alimenta e se alimenta, de um universo mais ou menos virtual criando uma realidade (política) que pouco ou nada diz ao comum dos mortais. O corolário desta conjugação perversa é o pouco interesse das massas na política e a inexistência de uma pressão popular que ponha na agenda uma reforma, a sério, do sistema político vigente.
Felizmente, lentamente, as coisas estão a mudar. E estão a mudar porque começa a existir, do interior do próprio establishment, um forte cansaço face ao decorrer dos acontecimentos. Cansaço dos mesmos protagonistas, das mesmas pantominas, cansaço sempre de uma recorrente sensação de deja vu. Em suma, cansaço de andar em ciclo, às voltas, para nunca se chegar a lado nenhum. É por isso que o que se vier a passar no interior do PSD é importante não só para a direita como também para o país. Tema a que me dedicarei numa prosa próxima.
Publicado por Manuel 16:49:00 3 comentários Links para este post
Inevitável
Pois é: não há paz, não há dinheiro...
«A União Europeia (UE) admitiu hoje continuar a financiar o "desenvolvimento económico e institucional" da Palestina mas exigiu que o novo Governo do Hamas renuncie à violência e reconheça Israel, anunciou a presidência austríaca. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, reunidos hoje em Bruxelas, "apelaram ao Hamas para que renuncie à violência" e que "reconheça o Estado de Israel, afirmou a chefe da diplomacia austríaca, Ursula Plassnik.
"Afirmámos ainda que a UE espera do próximo Conselho Legislativo Palestiniano (Parlamento) o apoio à formação de um Governo determinado a encontrar uma solução negociada" para o conflito com Israel, acrescentou a ministra austríaca. "Nesta base, afirmámos a disposição da UE de continuar o seu apoio ao desenvolvimento económico palestiniano e à criação de um Estado democrático", disse.
A presidência austríaca manifestou ainda "total apoio" ao presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmud Abbas. A UE é o principal financiador da Autoridade palestiniana com cerca de 500 milhões de euros por ano desde 2003. O movimento radical islâmico Hamas venceu as eleições legislativas palestinianas de quarta-feira, derrotando o movimento Al- Fatah, de Mahmud Abbas.»
in www.portugaldiario.iol.pt
Publicado por André 16:27:00 0 comentários Links para este post
cada qual no seu galho...
As magistraturas queixam-se frequentemente, e muitas vezes com razão, de interferências externas, no seu trabalho, e na sua independência. Está mal, afinal a Constituição proclama solenenente a firme separação de poderes. Dito isto, nos últimos tempos assistimos a fenómenos verdadeiramente estranhos em que parece por demais evidente existir, também nas magistraturas, uma grande confusão sobre o que é, e quais os limites, a 'separação de poderes' consagrada na nossa Constituição. Primeiro, é o fenomeno verdadeiramente assombroso de um tribunal, de primeira instância, se julgar competente , para 'julgar' um acto legislativo, político, que - vá lá - considera legítimo, aprovado na AR por larga maioria, e que foi ractificado pelo Presidente da República, como o é a criação do concelho da Trofa, condenado o Estado a pagar uma indeminização ao concelho de Santo Tirso... Depois, e igualmente irresponsável, é o facto do Supremo Tribunal de Justiçase considerar competente para discutir o impeachment encapotado ao PGR proposto por Ferro Rodrigues, por causa de um processo que este nunca avocou, e onde nunca interveio processualmente, simplesmente não inviabilizou, esquecendo-se que a nomeação, e continuidade, deste depende só e apenas do PR e do Governo. Assim, não se vai longe.
Publicado por Manuel 14:02:00 4 comentários Links para este post
Leituras atrasadas
dr. jekyll e mr. hyde
O Presidente da Comissão Europeia, segundo a TSF, advertiu «o Governo português para a necessidade de se «esforçar a sério» para pôr em prática as reformas estruturais».
Sem dúvida que o Presidente da Comissão está cheio de razão: Portugal é o país das reformas eternamente adiadas e, por isso, este empurrãozinho da União pode ser de extrema importância.
Só é pena ter chegado tão tarde. Havia de ter sido dado logo no começo do primeiro governo da coligação do PSD com o CDS, chefiado por Durão Barroso, que chegou precisamente ao poder com um ambicioso programa reformista, em contraponto ao imobilismo dos anteriores governos do PS. Que depois, uma vez lá instalado e para cumprir a tradição, meteu na gaveta.
Publicado por irreflexoes 12:13:00 2 comentários Links para este post
antes e depois
Quando um dia se fizer a história da blogosfera portuguesa esta terá que ser forçosamente dividida em duas partes - antes e depois d'O Espectro. No início, a blogosfera eram os outros, mais um ou outro 'famoso', tier one, que a usava como mero instrumento de promoção pessoal. Com o tempo foi evoluindo, mas 'agora' vamos ter o mais marcante opinion maker do regime, Vasco Pulido Valente, sem mediações, em discurso directo. Bastar-lhe-á fazer o que Constança Cunha e Sá tem feito - usar o seu espaço não como um púlpito donde catequiza a plebe, mas antes algo interactivo, onde se debate, e combate, sem preconceitos de 'classe', por aquilo em que acredita, por mero prazer, para iniciar uma verdadeira revolução. No fundo democratizando verdadeiramente o (acesso ao) debate (político). Bem vistas as coisas, por isto, e até por isto, era inevitável.
Vai se curioso ver como é que o establishment, político e jornalístico, que 'reboca' mas não quer ser rebocado, reage... Hão-de entranhar. Já agora, aqui ficam votos para que VPV não se fique 'apenas' pela política estrita. Os seus melhores posts, quer dizer textos, políticos, são quando fala de outras coisas, escritores russos por exemplo...
Publicado por Manuel 1:08:00 1 comentários Links para este post
Disse, VPV?
Atenção!
Vasco Pulido Valente acaba de entrar na blogosfera com o nome reconhecido por Constança Cunha e Sá. É no Espectro. Veremos o que virá. Para já, os parabéns!
Publicado por josé 0:14:00 2 comentários Links para este post
O Relógio parado
Domingo, Janeiro 29, 2006
No blog Esplanar, um postal oportuno colocou tónicas sílabas na questão magna dos arranjinhos dos criticadores e critiqueiros dos autores literários e artísticos indígenas, nos jornais.
Alguns exemplares da fauna rara, mas preciosa, dos que escrevem bem e costumam receber por isso, já pegaram em armas para defender os coutos. Algumas prosas, são defensivas, de trincheira; outras, de formação para ataque cerrado. Outras ainda, declaram-se neutrais, como se estivessem na terra do relógio de cuco.
Ora, cucos, é o que não falta, nesta terra de louvaminheiros profissionais.
Não costumo ver os verbetes no Jornal de Letras nem as recensões para a gente Ler.
Porém, de todos os visados, virtualmente atarefados, um se destaca pelo compromisso: Pedro Mexia escreve em blog e nos jornais também.
Devo declarar que gosto da escrita, uma das mais escorreitas que apareceu entretanto e gosto dos temas, mesmo em croniqueta de canto de página, a recensear livrinhos que são para ler.
Dito isto, que leio eu no blog em causa de Estado Civil?
Um postal a avisar sobre um grande educador chamado Lester Bangs. E o texto pequeno, estende-se assim:
“Ando a ler Mainlines, Blood Feasts and Bad Taste, o segundo volume dos textos escolhidos de Lester Bangs. E confirmo: Bangs é o Arnaldo de Matos da crítica rock. E digo isto (estranhamente) como um elogio.”
Quem assim elogia o Arnaldo Matos da crítica pop, não pode a seguir, dar-se por achado na polémica da crítica exposta no Esplanar.
Escrever a preceito sobre música pop, no universo das revistas da especialidade, nos anos de brasa dos sixties/seventies, era um feito reservado a poucos. Escrever bem, quero dizer. Escrevinhar baboseiras, qualquer um o fazia. Além disso, o que poderia acrescentar-se, sempre que se ouvia cantar em sonoridade anglófona “WopBopaLoobopLopBamBoom”?!
Talvez aduzir: “BebopaLula” ou “TuttiFrutti” ou ainda “Rock, rock, rock”!
Apesar da limitação séria na escolha de adjectivos para qualificar a idiossincrática produção musical da época, alguns excederam o naipe disponível e tiraram cartas da manga para baralhar leitores.
Um deles foi Lester Bangs, na revista americana Creem(!).
As críticas publicadas a discos momentaneamente transcendentais, como os dos Black Sabbath( arghh!), dos Stones ou até do próprio Bob Dylan, fizeram escola entre os escribas das revistas pop-rock que publicavam algum texto, excepcionando-se àquelas que vendiam “posters” de parede para adolescentes na puberdade, como a Pop alemã ou a Salut les Copains, em França. Em finais dos sessenta, apareceram a Rolling Stone , a Creem e a Crawdaddy na América; na Inglaterra há muito que havia o NME e o Melody Maker sobre o mesmo assunto e que faziam companhia ao Disc music and echo que no início dos setenta, por cá se traduzia em publicação com o título e logótipo copiado: Disco, música e moda .
Porém, só com o aparecimento de Bob Dylan, a “escrítica pop” se tornou interessante. Greil Marcus, da Rolling Stone, assinou algumas das melhores páginas sobre a música de Dylan e não só, escrevendo ainda em 1975, uma obra de referência para o entendimento da cultura popular norte-americana- Mistery Train, sobre os prolegómenos à roda de “WopBopaLooBop”. Lester Bangs, ocupou-se depois do “BlamBamBoom” e o espaço para a crítica reduziu-se drasticamente. Sobraram alguns atarefados do Tutti Frutti, como Robert Christgau na Village Voice; Jonathan Cott e Dave Marsh, também da RStone. Este, em Dezembro de 76, escreveu na Rolling Stone, duas crónicas numa coluna intitulada American Grandstand, e que subintitulou Critic´s Critic.
Começava assim:
“There´s been nothing but grief since Newsweek (or was it the Sunday New York Times?) decided that rock critics invented Bruce Springsteen. Only a moron would have made such a claim. Yet it was dignified by serious consideration.More ran the obligatory dissection of the so called hype. Robert Christgau, the Village Voice putative Dean of the American Rock Critics, discerned a Rock Critic Establishment consisting of himself, John Rockwell of the daily Times, freelancer Paul Nelson, semi-retired Jon Landau an me.” Mais á frente, adianta: “ Little rock criticism is concerned with music, because most rock critics are less concerned with sound than sociology. This can have depressing consequences.” Oribem…
No número seguinte da revista ( 13 Janeiro 1977), terminava a teorização sobre o rock com esta passagem de antologia:
“The punk rock critics, led by Lester bangs and Richard Meltzer, clebrate cultural garbage- televised wrestling, franchised foods, Quaaludes- and often wander into racism and sexism. Unfortunately for the punks, some mass culture artefacts are just garbage- Bangs and Meltzer usually knows the difference but most of their followers and fellow punk critics do not, as a glance at an issue of Creem, their main outlet, quickly shows.
Pseudoacademics, on the other hand, insist that rock parallels literature and the resulting articles are often as opaque and obtuse as the worst scholarly papers. “
Esta lucidez na análise crítica aos críticos dessa forma de expressão popular que é a música rock, pode paralelizar-se com a crítica que vamos tendo por cá.
Em Março de 1977, o mesmo Dave Marsh, intitulava uma crónica “Hey Rocky, what´s a punk?” para escrever sobre uma forma de música ainda mais primitiva do que o celebrado “WopBop a LooBop”, encontrando-lhe no miolo uma ética inesperada:
“Punk to me as never just music or style, bur a set of standards, a code of behaviour, founded on friendship, acting on principle.”
Em Portugal, nessa mesma época, ninguém se importava muito com esse tipo de crítica elaborada. Basta folhear a única revista dedicada à música que então apareceu – a Música & Som, saída em 11 de Fevereiro de 1977, ou folhear o jornal semanário Sete, também dessa altura. Os textos de João David Nunes, Manuel Cadafaz de Matos ou até de João de Menezes Ferreira ou Jaime Fernandes, não figuram em nenhuma antologia imaginária. Nem poderiam aspirar a tal, perante o compromisso da capa, onde figura Art Sullivan e os Abba, mesmo que por baixo de uma imagem de palco dos Pink Floyd! É mistura a mais para um gosto de menos.
Foi preciso esperar pelo mês de Junho de 1980, para ler isto, num título de jornal – O Jornal - a falar de música rock:
“Coque o roca, identifique o frique” ( Guia da fauna musical Lusitana). E de seguida uma página inteira a elencar estilos e géneros. “Os Punques ( vomitus vulgaris).2.Do inglês “punk” que significa rufia. 3.Punkrácio,Pancão ( segundo o Dic. Cândido de Figueiredo : homem maníaco, telhudo). Substantivos colectivos: Puncalhada, Pancaria. O feminino é Punquette. 4. Música punk, anti-música regida pelas técnicas da surdez e da inaptidão com vocais tipo ardina rouco e letras sobre a destruição absoluta da sociedade através da apatia.”
No número seguinte o título variava para “ Dar azo a um Jazo, ou ares de Muzaque a Mozart” Os jazos são os “Bluenotius Biliosus” e os Muzaques são os “Labregus Parolus” e definem-se pela raiz “muzak”, “deturpação da palavra “música” e significando isso mesmo”.
O autor destas prosas inovadoras e aliteradas, tinha um nome composto :Miguel Esteves Cardoso e a crítica musical portuguesa nunca mais foi a mesma.
Não obstante, em França, por exemplo, não esperaram por tão serôdias inovações para refinar a escrita sobre música popular.
Em Abril de 1977, numa recensão crítica a um disco de um artista antes estimado ao paroxismo- Nils Lofgren e o LP I Came to Dance- o crítico implacável da Rock & Folk, Philippe Manoeuvre, desdenhava da obra nestes termos traduzidos como é possível:
“Este disco não merece uma grande crónica.(…)A primeira vez que ouvi o primeiro lado, quase adormecia, de tal forma é monótona. Estava á espera de “Happy”, e de repente, tchac, vrrrrt! Bem…já acabou? Tomado de um horrível pressentimento, o suor a escorrer costas abaixo, pouso a agulha no último trecho…Sim, era isso mesmo! “Happy”, mas em 16 rotações, pegajoso como uma mistela de cola! Ila va râler, Keith! Même Bowie, au pire de sa période mégalo, n´aurait pás osé en faire autant! Et rien ici ne permetd´indiquer que Nils va revenir ensuite au rockn´roll! Supposons juste que l´un de cês morceaux fasse un hit aux États Unis? Ça y est, c´est foutu pour toujours! “ e como remate: “Il est rare que je casse un álbum, mais celui-là gît au fond de ma poubelle. C´est un cauchemar.!”
Deste tipo de textos, por cá e até então, não havia. A estética da Gaiola Aberta, não conta para este campeonato. E de MEC, passou a haver umas variações. Porém, sempre no mesmo estilo e com os temas a esgotarem-se ao longo dos anos. Hoje, parecem esgotados de todo. O estilo continua vivo; a essência está morta.
O interesse pela escrita de MEC, hoje, jaz no fundo do caixote…do lixo.
Assim, retomando a polémica, espero ver sair da luta escrita em punhos de renda , algumas novidades. Pode ser que arrebitem a estamina e provoquem a língua escrita.
Pode ser…mas não tenho grande esperança, como se confirma pelo tom conciliatório dos últimos postais. A vidinha, pois...
Afinal, andamos atrasados no relógio do tempo, em relação à civilização, quanto? 20, 30 anos?! Bem, se assim for, estamos quase a chegar lá…
Aditamento em 30.1.2005:
Depois deste postal, no Esplanar, João Pedro George retoma a polémica, colocando novamente os pontos nos ii.
Não há tergiversações nem paninhos quentes ou punhos de renda. O recado é directo e sem hipocrisias. Raro.
Melhor, no género e sobre assunto de teor idêntico, só mesmo aqui, no Dragoscópio!
Publicado por josé 18:21:00 1 comentários Links para este post
No país em que nada se inscreve
Aos que verberam os "fanáticos" da segurança rodoviária, solicito a leitura deste excerto de um acórdão, entre símiles, do Supremo Tribunal de Justiça:
«(...) a)- na altura do acidente (...) a autora tinha 18 anos, era estudante do Instituto Politécnico (...) onde frequentava o 1º ano do curso de Comunicação e Relações Comerciais e vivia às custas de seus pais;
b)- em consequência do acidente a autora sofreu traumatismo crâneo-encefálico grave com perda de consciência (estado de coma de Glasgow = 6, com olhos fechados, localizando a dor e anisocoria pupilar D > E desigualdade das duas pupilas) e traumatismo da bacia com fractura dos ramos íleo e íqueo-púbico à direita;
c)- do local do acidente foi transportada para o Serviço de Urgência (...) ficando internada na Unidade de Cuidados Intensivos;
d)- inicialmente esteve com entubação oro-traqueal e ventilação assistida, tendo sido traqueostomizada, incisão da traqueia com sutura dos lábios da incisão à pela, para introdução de cânula permanente, desenvolvendo uma pneumonia nasocomial que foi debelada; (...)
h)- decorridos 21 meses do acidente apresentava as seguintes sequelas - tetraparesia espática grave secundárias a lesão cerebral, afasia com elevado grau de dificuldade de se fazer compreender, disfunção esfincteriana acentuada, ano-rectal e vesicular, desmineralização generalizada dos dentes em relação com a situação de coma prolongado, diversas cáries e estenose parcial simples da traqueia, sem disfonia e sem dispneia, que lhe provocam uma incapacidade parcial permanente para o trabalho de 91% e a deixam totalmente incapaz para qualquer tipo de trabalho, ocupação ou actividade;
i)- a autora necessitará de manter continuadamente o apoio da medicina física e de reabilitação em diversos domínios como a terapia da fala, o controlo de esfincteres e a recuperação motora, funcional, bem como o uso de fraldas no seu dia-a-dia;
j)- era saudável, fisicamente bem constituída, alegre, jovial, com um feitio sociável e expansivo, tinha uma figura agradável e bonita e um rosto simpático, e um corpo bem feito e atraente;
l)- tem a consciência de que nunca mais na sua vida irá recuperar a sua independência funcional, constituir família e ter filhos;
m)- necessita permanentemente da ajuda de terceira pessoa, 24 horas sobre 24 horas, para se levantar, deitar, vestir, despir, que a leve à casa de banho, lavar, dar banho, mudar as fraldas e os pensos, que lhe meta a comida na boca, que lhe lave os dentes; (...)»
Publicado por Nino 16:58:00 0 comentários Links para este post
os desígnios do Senhor são (mesmo) insondáveis

Depois da morte de Arafat, do AVC de Sharon, da vitória do Hamas, e da mais que provável eleição de Netanyahu, só faltava que acontecesse alguma coisa de grave a Daniel Barenboin, o maestro judeu que bateu o pé à proibição de se tocar Wagner em Israel e que criou uma orquestra composta por jovens músicos oriundos deste país e da Palestina, demonstrando que por via de uma linguagem universal como é a música se podem conciliar antagonismos. Definitivamente, Deus não deve querer nada com o Médio Oriente.
Publicado por contra-baixo 11:57:00 1 comentários Links para este post
O tribuno
O deputado Duarte Lima, esta semana que passou, segundo os jornais, produziu um brilhante discurso no Parlamento. Concitou o aplauso quase em unanimidade, da plateia partidária em espectro alargado e até foi aplaudido pelo BE, na pessoa de Ana Drago que lhe atirou um “muito bem”! Sendo Duarte Lima um dos melhores tribunos que a nossa democracia parlamentar tem para oferecer, que disse então o eleito, de substancial, para merecer tais encómios?
Falou sobre a Justiça! Sobre a “deriva a que chegou a investigação criminal” e o “formidável défice de legitimidade democrática do sistema de justiça”.
Para além destas estafadas generalidades repisadas sem fundamentar a preceito, propôs depois algo inédito nos discursos públicos parlamentares: a eliminação pura e simples, da possibilidade de recurso a escutas telefónicas em investigação de crimes como a corrupção e toda a panóplia das infracções económico-financeiras.
Perorou depois sobre a organização do MP e polícias, indo contra a corrente que entende que estas devem depender daquele, podendo fazer investigação. Duarte Lima, quer os magistrados do MP fechados nos gabinetes e polícia em roda livre, tocada pelo ministério; quer depois que as escutas legalizadas sejam escrutinadas por um órgão independente eleito pelo Parlamento.
Além disso, sugeriu que os conselhos superiores da magistratura, tanto judicial como do MP, fossem controlados por uma maioria de membros exteriores a essas magistraturas, para “garantir a sua independência”. Bem, as medidas são avulsas. Não são inéditas nem se afiguram esquisitas.
Falta ouvir quem delineou o sistema, para explicar porque o fez como está feito. Poderia convocar-se ao Parlamento um ex presidente da casa, Almeida Santos; e de caminho, convidar Cunha Rodrigues para uma audição do tipo das realizadas com Souto Moura. Com certeza que iria ser um espectáculo digno de transmissão em directo. Porém, deveriam ainda estar presentes alguns outros.
Figueiredo Dias, por exemplo e que segundo notícia do Expresso desta semana, considera a nova lei-quadro para a política criminal, “Uma inutilidade perigosa”. Souto Moura já tinha dito que era uma forma de circunscrever a actividade do MP. Odete Santos do PCP foi mais longe: referiu mesmo que a lei soava a “ajuste de contas”. Do Governo com o MP, entenda-se!
Perante este panorama, recuemos até meados da década de 90. Duarte Lima era líder parlamentar do PSD, em maioria, em 1994. No final desse ano, uma aborrecedora notícia no Independente de Paulo Portas, dava conta ao país de um escândalo. Duarte Lima aparecia como novo rico, sem causa justificativa, visível. Uma quinta em nome de uma sobrinha; apartamento novo e ultra caro; dinheiro a rodos. Duarte Lima, com o “apoio” de Pacheco Pereira, suspende o mandato de deputado e quer inquérito. A PGR de Cunha Rodrigues faz-lhe a vontade.
As suspeitas de enriquecimento são alimentadas pelo próprio PR, Mário Soares que comentou a estranheza da quinta, mesmo ao lado do seu eido. Em 1997, o Inquérito acaba por um arquivamento geral. Não há crimes graves indiciados e a carreira política de Duarte Lima estava interrompida. Numa entrevista ao Expresso de 25 de Abril de 97, Duarte Lima, dizia-se “Não sou uma pessoa rica” e em 3.1.1998, numa carta ao Público, respondia a José Manuel Fernandes que então escreveu...
Duarte Lima acha que não vale a pena voltar ao passado. Eu acho. Nomeadamente ao conteúdo dos 20 volumes e 11 apensos que constituem o relatório do Ministério Público, Aí se mostra que pelas contas ligadas a Duarte Lima passaram , em oito anos, mais de um milhão de contos. Que desse total 640 mil contos foram movimentados entre 1992 e 1994, ano em que o caso rebentou. Que a maior parte dos depósitos destas singelas quantias – apenas 750 mil contos …- foram depositadas em numerário, isto é, em notas. Que analisado o seu património, e cito, o mesmo “também revela fontes de rendimentos ou proventos não conformes aos valores declarados à administração fiscal.” Por exemplo: só na decoração da sua casa em Lisboa foram gastos cerca de 150 mil contosm quando entre 1986 e 1994 o total declarado para impostos foi de 180 mil contos. Que das diversas contas associadas a Duarte Lima saíram 233.883 contos para uma quinta na região de Sintra que supostamente pertence a uma empresa sediada nas ilhas Virgem, a COsmatic, que por sua vez terá enviado para Portugal 120 mil contos. Que foram detectadas nove situações de crimes fiscais, que só não dram origem a processos porque os valores em dívida foram prontamente regularizados. Que o MP julgou encontrar indícios de “manobras de simulação de capitais”. Que o enorme prestígio da firma de advogados de Duarte Lima (quem sou eu para julgar?) lhe permitiu ter apenas dois clientes confirmados, a Associação Nacional de Farmácias e a Mota & Companhia”. Que o processo foi mandado arquivar, porque “não se obtiveram provas suficientes.”
Deve dizer-se que em 1994, o Código Penal que vinha de 1982, ainda não continha a norma que actualmente prevê expressamente a prática de crime de Tráfico de Influência. Tal norma, só veio a ser introduzida nesse ano, por uma lei avulsa ( 35/94) e depois na revisão de 1995 do Código Penal.
A essa luz, Duarte Lima nenhum crime desse género poderá ter praticado. Foi perseguido pelo Independente de Paulo Portas, por razões que o mesmo apontou de “políticas”, provavelmente com alguma razão. Se fosse hoje, provavelmente, Duarte Lima, teria que se defender da acusação de “tráfico de influências”. Mas em 1994, não era assim. E o que aconteceu então, provavelmente marcou a carreira do tribuno.
Hoje, a mesma questão, no mesmo nível e com contornos idênticos ou muito parecidos, coloca-se a propósito do caso Eurominas. Nesta semana, tomou-se conhecimento de que o PS não quer que se saiba mais do que a verdade já estabelecida. No Parlamento estão as pessoas que não querem ser escutadas por causa de casos de corrupção e aplaudiram vibrantemente o discurso de Duarte Lima. Neste contexto, percebe-se perfeitamente. "Ferpeitamente"…
Na mesma entrevista ao Expresso, Duarte Lima afirmou “um dia regressarei”. Aí está ele!
Aditamento:
O paralelismo que se establece entre o caso Duarte Lima, de 94, o actual Eurominas e outros em que interrvém elementos notáveis do PS, como Pina Moura, António Vitorino e mais algun, parece-me notório e relevante, para aquilatar da nossa solidez democrática e da transparência das instituições que sustentam uma democracia constitucionalmente garantida e prestes a completar 30 anos.
Em todos esses casos, não se evidenciam práticas criminalizadas. Não se evidencia a tão propalada e temida corrupção, para cuja investigação o tribuno Duarte Lima defendeu a restrição de meios essenciais; não se evidencia qualquer infamante peculato ou qualquer sinuosa participação económica em negócio ou portentoso abuso de poder. São casos limpos de manchas de crime económico e impecáveis no respeito pela legalidade.
E contudo, são casos escandalosos que fizeram muita gente bradar aos céus, nos jornais e nos cafés. Os factos relativos a Duarte Lima estão documentados, não foram inventados. É público e notório que na época, até Mário Soares se mostrou "perplexo" e falou sobre o assunto, com insinuações omissivas.
Os recentes casos que envolvem deputados que são advogados e negoceiam nos escritórios, motivaram a realização de um Inquérito Parlamentar que acabou abruptamente por iniciativa do PS. Os comentários são unânimes: O PS não quer que se investigue mais o assunto.
Estes casos levantam pois, o problema da ética na política.
Este problema para muitos não existe. Existe a lei que se confunde com a ética e a moral. E os moralistas que escrevem sobre o asunto, são atirados às feras da indiferença da maioria absoluta.
Na América, na semana passada, foi notícia de escândalo o facto de um juiz do Supremo ter faltado a uma cerimónia protocolar por estar ocupado noutros assuntos. Veio a saber-se que estivera a jogar ténis. Com um indivíduo que lidera uma firma de lobbying, e que se encontrará a ser julgado por corrupção. O juiz não cometeu nenhum crime, nem sequer qualquer falta leve. Segundo se escreveu, ao contrário de outras instituições, o Supremo dos USA não tem um código de ética...!
O Parlamento Português precisará também de um código ético, para além da lei de incompatibilidades?
Ou basta o código vigente do porreirismo que é igualmente omisso quanto ao nepotismo e clubismo?
É esse o problema. O único problema.E que parece não ser bem entendido por muitos. Daí talvez os aplausos no Parlamento ao discurso de Duarte Lima.
Há efectivamente um problema de entendimento dos limites de actuação política e a sua interacção com negócios particulares entretidos com assuntos de natureza pública de um deputado que foi eleito para representar o povo que o elegeu. Só para isso, parece. O enriquecimento súbito não vem no pacote eleitoral, nem faz parte da propaganda eleitoral ou dos incentivos à captação de candidatos a listas partidárias. E por isso, quando acontecem estes casos, surge a natural estranheza. E estranho seria que não surgisse. Portugal é um pequeno país em que as pessoas se vão conhecendo, até as anónimas.
Logo, não se pode desculpar tudo com a inveja ou com a curiosidade pela vida alheia.
Ainda há quem defenda certos princípios como a honestidade, a lisura de procedimentos, a transparência de métodos, o rigor ético.
A ética, para brilhar, não precisa de decoradores.
Quanto a Duarte Lima, depois de mais de dez anos de provação e quarentena política, regressou.E bem. Como disse, sans blague, é um excelente tribuno. Dos melhores que passaram no Parlamento. Mesmo que tivesse chamado a Jaime Gama, numa certa tarde de 1991, uma "coisa viscosa". Fê-lo num acto retórico e quem ouviu percebeu que não foi com animus injuriandi.
Exactamente como tentei escrever aqui. Quem não entender, paciência.
Mais um aditamento, por causa das virgens ofendidas:
Repescar memórias de 1994, para confrontar com o discurso actual de Duarte Lima, não pode significar uma nova enlameadela num pano branqueado.
Primeiro, porque como o então deputado disse ao Expresso em 1998, serviu como exercício do direito de defesa perante os factos então apurados.
Duarte Lima escreveu então num Expresso de 22 de Fevereiro 1997:
" A substância da notícia [de O Independente] que me visava procurava demonstrar explicitamente que eu teria praticado crime fiscal de fuga á sisa. Porém, o que nela ficava implícito, e o que futuramente viria a ser glosa de notícias e comentários jornalísticos, era a suspeição de que eu poderia ter praticado actos ( nunca especificados) no exercício da minha função política, para beneficiar materialmente e enriquecer, com a a gravante de ser subitamente."
Esta defesa de Duarte Lima, encontrava obstáculos nos factos apurados nos autos e transcritos pelo director do Público, José Manuel Fernandes.
A circunstância de terem passado já mais de 10 anos sobre a ocorrência e pouco mais de oito sobre o texto do Expresso, não apaga da memória pública o que se passou. Está registado.
E se o trouxe para aqui, agora, a intenção é apenas a de confrontar o espírito do tempo que passa e o discurso de alguém que pretende subtrair dos meios de investigação criminal um instrumento que tem inequívocas vantagens ( e muitos inconvenientes também), para a descoberta de infracções económico-financeiras ligadas aos titulares de cargos políticos.
O espírito de révanche notório que se vive no Parlamento português actual, reconhecido por pessoas insuspeitas como Odete Santos e até Paulo Rangel, ambos deputados, autoriza a que se tragam para aqui razões que podem justificar atitudes como a que se vê, apoiadas por alguns comentadores habituais.
E a discussão sobre questões éticas que sobrelevam a estrita legalidade, aplicadas aos negócios que os deputados-advogados e não só se autorizaram a fazer, também autoriza que se reponham estas questões e que se lembrem estes problemas.
Porque o são e esconder estas coisas debaixo de um tapete da Assembleia, releva de um porreirismo que não deveria ter lugar, mesmo no especial código de conduta dos parlamentares.
Torna-se cada vez mais óbvio aos olhos do cidadão comum, que há uma tentativa que já nem é oculta, de afastar do controlo dos poderes de facto que residem no Executivo e de que os partidos com assento no Parlamento são muitas vezes extensão, os outros órgãos de Supervisão.
Em primeiro lugar está em marcha acelerada o controlo do MP, através da substituição do PGR e da lei quadro de investigação criminal. Porém, como disse Miguel Sousa Tavares, isso é apenas" um primeiro passo". O resto virá já a seguir. E como todos já se deram conta, quem controla o MP, as polícias, os meios de investigação e tudo o que interessa, controla efectivamente o andamento da criminalidade, incluindo a mais sofisticada e imporá as regras novas sobre a actualização do princípio da legalidade e da oportunidade de facto.
É isto, simplesmente o que está em marcha,neste momento em Portugal.
O discurso de Duarte Lima, mais não fez do que reconhecê-lo.
E por isso, convém ter memória.
Publicado por josé 1:57:00 40 comentários Links para este post
sobre o 'homem normal'
A propósito de mais um aniversário de Mozart, e da transmissão, ontem na RTP/1, do Amadeus de Milos Forman, o João Gonçalves assinou uma cirúgica prosa sobre a verdadeira 'estrela' do filme, o narrador, Salieri, a qual Constança Cunha e Sá complementou, com refinada ironia, terminando-o assim...
A “mediocridade” de Salieri vem deste reconhecimento: dos seus limites, da sua impotência, da sua solidão perante a gratuitidade do génio. Só ele, a quem Deus, na sua infinita injustiça, deu o talento de saber “ouvir”, é capaz de compreender a genialidade de Mozart. O homem normal, o “ouvido” da corte, desconhece estes abismos da criação: o esforço inglório de Salieri e a imensa facilidade dos que, como Mozart, foram tocados pela "graça" divina. A revolta de Salieri, a sua loucura final, acompanhada pela música de Mozart (concerto para piano nº 20, se não me engano) mostra o imenso “talento do fracasso”, como diz o João, perante a “normalidade” dos homens e o génio inalcansável daqueles que foram eleitos. O Mozart de Forman, na sua exterior vulgaridade, é uma caricatura que serve apenas de contraponto à personagem de Salieri. Deus é injusto. Até naqueles que escolhe!No fundo, um tratado em dois actos sobre a natureza humana. Quantos Salieris não há afinal por aí, na arte, na política, na vida, prisioneiros da sua própria personagem, incapazes de irem para além dela, porque 'cegos' pela 'graça' que tocou a outros, ou pela 'graça' que acham que até lhes tocou. Quanto a Deus, um eufemismo nestas coisas, este, cara Constança, nunca é injusto. Nós é que somos imperfeitos, demasiado humanos. Preferimos apreciar a 'grandeza' e a 'sorte' dos outros, resignando-nos a não ousar, a nunca desafiar o destino, a ver para além do óbvio e do imediato. Conformamo-nos porque no fundo achamos que já está tudo escrito e que não vale a pena lutar. A culpa é sempre dos outros. Olhem que não.
Publicado por Manuel 0:08:00 1 comentários Links para este post

Portuguese police said they have seized two adult crocodiles from a house in southern Portugal where they were being kept as pets by a retired German doctor. (AFP/File/Peter Parks)
Publicado por Manuel 23:38:00 0 comentários Links para este post
Hamas ou não amas, eis a questão
Um acervo que recupera a história do partido Hamas, compaginado com a democracia e a abertura ao diálogo, a ponto de realizar os seus comícios eleitorais no interior dos autocarros, cafés e discotecas israelitas.
Publicado por Nino 21:38:00 2 comentários Links para este post
Sorte(io)

Polónia, Sérvia, Bélgica, Finlândia, Arménia, Cazaquistão e Azerbaijão.
Dificilmente seria mais acessível o que nos calhou em sorte para a qualificação para o Euro-2008.
Portugal tem tudo para fazer o pleno das grandes competições nos últimos oito anos: desde o Euro-2000 que a selecção das quinas conseguiu sempre o acesso às fases finais (Euro-2000, mundial-2002, Euro-2004, mundial-2006 e, espera-se, Euro-2008).
Não é só sorte: temos sido cada vez mais fortes internacionalmente, mas essa tendência tem que ser confirmada este Verão, no mundial da Alemanha, e na caminhada para o Euro-2008.
Publicado por André 17:45:00 1 comentários Links para este post
a leitura crítica
A recensão crítica a livros de autores portugueses, nos jornais, é frequentemente, uma seca de louvaminheiros.
Esta que por aqui se faz, esplanando um assunto assaz frequente, maneja o espanejador até fazer cócegas...literárias, ao livro de um apresentador de telejornal.
Vale a pena ler a analogia continuada com Miller, Henry. E continuando, a leitura do correio de uma leitora...lena.
Publicado por josé 16:24:00 0 comentários Links para este post
Tempos sombrios

Confirma-se: eles não querem a paz.
O Hamas, movimento radical que há anos tem sido o principal responsável por atentados terroristas, venceu com... maioria absoluta as eleições legislativas na Palestina.
Quem precisava de uma prova de que ainda não há verdadeira democracia do lado palestiniano, aqui está ela: como é óbvio, um movimento como o Hamas nunca poderia ter tido este apoio se estivéssemos a falar uma democracia.
O sinal está dado: não se pode tentar fazer a paz com quem, simplesmente, não quer a paz.
George Bush respondeu com uma... negação da realidade (dizendo que Abbas continuará a ser o seu interlocutor); Sharon está em estado vegetativo e ninguém aposta o que pode acontecer nas eleições em Israel, mas o mais provável é que ganhe o inenarrável Netanyahu; a União Europeia nunca soube, verdadeiramente, como lidar com esta questão dando uma no cravo (solidariedade conveniente com os EUA e, por inerência, com Israel) e outra na ferradura (desculpabilização patética dos crimes praticados pelo lado palestiniano, indo atrás da onda politicamente correcta).
Anunciam-se tempos difíceis e muito, muito sombrios para o Médio Oriente e, por consequência, para o Mundo.
Publicado por André 15:16:00 12 comentários Links para este post
alfa beta...Mozart

Ave verum corpus natum de Maria Virgine.
vere passum immolatum in cruce pro homine:
cuius latum perforatum fluxit aqua et sanguine:
esto nobis praegustatum mortis in examine.
O Iesu dulcis! O Iesu pie! O Iesu fili Mariae.
Na Sexta passada, já à tardinha, estive numa Academia de música. Enquanto escutava a inquirição que decorria na AR, por rádio com auscultadores, numa mesa em frente , alguns jovens adolescentes divertiam-se em barulho próprio que me confundia a audição- e daí os auscultadores.
Em determinada altura, começo a ouvir, na sonoridade ambiente filtrada pelos auriculares, uns sons do divino e que me pareciam provir de um mais que profano aparelho de reprodução.
Apurei melhor a audição ao som ambiental, não querendo perder pitada da intervenção da Drago no Parlamento e o som tornou-se inconfundível: os primeiros acordes do motete Ave, verum corpus, estavam ali perto, vindos de algures, numa direcção ainda incerta para mim.
O hino magnífico ao mistério da consagração, vindo dos séculos medievais, genialmente musicado por Wolfgang Amadeus Mozart, tomava corpo em coro, ali mesmo, ao pé de mim.
Cantado por uns putos que ensaiavam, já na perfeição, as vozes da composição genial de Mozart.
Irrepetível, pensei, depois de me dar conta que o som inesperado era o natural e já mais que perfeito de uma curta composição , com umas poucas dezenas de compassos e duração de pouco mais de um par de minutos.
Segundo dizem, fácil de cantar para as crianças e muito difícil para adultos. Genial.
Publicado por josé 12:36:00 5 comentários Links para este post
Perdidos e achados na PJ
O site da Polícia Judiciária abriu uma secção de perdidos e achados. Entre os objectos que podem ser reclamados encontra-se um tabuleiro de xadrez. O que é curioso, porque sempre se disse que o dito nunca foi encontrado.
Publicado por Carlos 11:25:00 2 comentários Links para este post
Faleceu a mãe do António Duarte. O funeral realiza-se amanhã, na aldeia de Baraçal, em Celorico da Beira, às 15h30m. Com o António, e demais família, aos quais expressamos condolências, neste momento díficil e doloroso estão os nossos pensamentos.
Publicado por Manuel 19:52:00 0 comentários Links para este post
A cadeira abençoada
Publicado por João Gonçalves 19:41:00 0 comentários Links para este post
Quando cá são 6 horas, que horas são em Kuala Lumpur?

O povo de esquerda autêntica português envia ao Partido Hamas calorosas felicitações pelos resultados alcançados nas legislativas palestinianas salientando que a opção do povo, apesar das poderosas pressões imperialistas da União Europeia e dos Estados Unidos, constitui um importante incentivo à luta por uma Palestina livre e plenamente soberana, onde os direitos humanos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente realizados, nomeadamente a liberdade de reprimir mulheres, abusar psicologica e fisicamente de crianças e matar israelitas.
Publicado por Nino 19:40:00 1 comentários Links para este post
A dúvida
Publicado por contra-baixo 15:26:00 0 comentários Links para este post
um país...
Publicado por Manuel 12:43:00 6 comentários Links para este post
artigo ciêntifico na New Cientist...
... sobre um método eficaz de combater o stress.
Publicado por Manuel 12:18:00 2 comentários Links para este post
Escandâlo
Governo tenta calar críticos. Abaixo se reproduz o fax (entratanto já objecto de melhoramentos), "recebido" da PCM e "assinado" pelo Chefe de Gabinete do Primeiro-Ministro (clicar duas vezes para ver maior):
Publicado por irreflexoes 11:12:00 4 comentários Links para este post
O discurso inicial

O supremo plano do Largo do Rato de controlo da opinião pública e de sequestro político dos opositores foi desvendado na noite presidencial.
Publicado por Nino 8:07:00 1 comentários Links para este post
A mitomania Alegre
Quarta-feira, Janeiro 25, 2006
Publicado por João Gonçalves 18:47:00 4 comentários Links para este post
o mal e a cura
Há uma maneira muito simples de se estancar já com a história do fax. Demonstrar que este é objectivamente falso e que, muito menos, não foi mandado da PCM. Há registos, não há ? Fausto Correia, o alegado destinatário, e o alegado remetente, um zombie da PCM, certamente que autorizarão o acesso aos registos telefónicos a uma comissão imparcial ... Não ?
Publicado por Manuel 17:32:00 11 comentários Links para este post
um post de serviço público
Hiding confidential information with black marks works on printed copy, but not with electronic documents, the National Security Agency has warned government officials.
The agency makes the point in a guidance paper on editing documents for release, published last month following several embarrassing incidents in which sensitive data was unintentionally included in computer documents and exposed. The 13-page paper (click here for PDF) is called: "Redacting with confidence: How to safely publish sanitized reports converted from Word to PDF."
continua aqui. [News.com]
Publicado por Manuel 16:51:00 0 comentários Links para este post
as provas
Em abono da tese do João Morgado Fernandes, seguem-se provas inequívocas do 'mau ganhar' dos 'cavaquistas'...
«Alguém quer tramar Sócrates»
É a única explicação para um fax a circular na internet. E que teria sido enviado a pedido do primeiro-ministro durante a campanha presidencial. Fausto Correia conta tudo. O destinatário é Fausto Correia. No remetente surge o logótipo da Presidência do Conselho de Ministros. O documento é sigiloso. O conteúdo, porém, tornou-se público. O PortugalDiário teve acesso a este fax que pede ao mandatário distrital de Coimbra da campanha de Mário Soares que convença um núcleo restrito a votarem Cavaco Silva ou em branco. No documento, o remetente pede, em nome de José Sócrates, que «o núcleo de pessoas do partido envolvidas na campanha de Soares» [...] «tentem influenciar as pessoas que estão mais próximas, sempre pessoalmente, para que votem em branco, ou mesmo que votem no Cavaco, para assegurar que não haja 2ª volta, e o governo não saia fragilizado desta eleição». (...)
na integra no Portugal Diário
Sócrates nega intenção de interromper discurso de Alegre
(...) "É falso, absolutamente falso, que tivesse conhecimento de que Manuel Alegre estava também a falar. Se soubesse, naturalmente teria esperado" para começar, disse José Sócrates aos jornalistas durante uma conferência de imprensa em Lisboa com o seu homólogo da Letónia, Aigars Kalvitis. O primeiro-ministro, que respondia a uma pergunta dos jornalistas, sublinhou que a declaração que fez na noite das eleições "foi de apaziguamento, de um clima no Partido Socialista avesso a qualquer ajuste de contas e avesso também a qualquer tensão", o que "seria contraditório" com uma interrupção do discurso do segundo candidato mais votado. "Nunca tive essa intenção (...). Não houve nenhuma intencionalidade, nem nenhuma vontade", insistiu. Afirmando esperar que "esta explicação ponha um ponto final" nas acusações de que tem sido alvo a propósito do incidente, Sócrates afirmou que faz política "com clareza, sem ambiguidades nem meias-palavras". "Se tiver alguma coisa a dizer, digo", sublinhou.
Domingo, após a divulgação dos resultados das eleições presidenciais, a transmissão em directo pelas televisões do discurso de Manuel Alegre foi interrompida pela transmissão, também em directo, do discurso do líder socialista, apoiante da candidatura de Mário Soares. Logo na noite eleitoral, Helena Roseta, dirigente do PS e apoiante de Alegre, protestou contra a interrupção da transmissão televisiva e classificou o incidente como "um ataque à liberdade e à democracia". (...)
na integra no Portugal Diário
Publicado por Manuel 16:05:00 5 comentários Links para este post
azia

A propósito das presidenciais, o João Morgado Fernandes publicou um texto estranhíssimo onde fala num alegado mau ganhar de alguns (blogs) cavaquistas. Vale o que vale, mas não deixa de ser sintomático, e ilustrativo, da forma recorrente como alguma intelectualidade de esquerda, da mais politizada e 'ilustrada', vê a realidade. Não sabem assumir os erros, enquanto tal, e acabam sempre por tentar justificar nas más acções dos outros, sejam estas reais ou imaginárias, as razões últimas para os seus próprios falhanços. Dito isto, alguém viu, só para citar um exemplo, na blogosfera de referência reações 'cavaquistas', de 'mau ganhar', comparáveis à azia demonstrada, por exemplo, por um Vital Moreira ? Eu percebo que, por muitas e variadas razões, ao João não apeteça falar muitoda esquerda e das lutazinhas fraticidas que por lá vão, mas daí a escrever o que escreveu vai um grande passo. A Scarllet, como se pode ver na foto, não conseguiu sequer esconder a indignação...
Publicado por Manuel 14:29:00 2 comentários Links para este post
um desenho
Publicado por Manuel 14:05:00 1 comentários Links para este post
exemplar
Terça-feira, Janeiro 24, 2006
Antes de que el tsunami de cemento se nos venga encima debemos activar los mecanismos de alerta y regular la expansión racional y no especulativa de una riqueza natural que no hemos hecho nada para merecérnosla. Sí mereceremos el reproche de nuestros conciudadanos si no sabemos utilizar los recursos del Estado de Derecho para que, en un futuro, como ya ha pasado en algunas zonas, los bloques de apartamentos no parezcan estructuras fantasmagóricas que nos recuerden el desastre que estamos impasiblemente levantando. Al final conseguiremos los mismos efectos que la bomba de neutrones: cemento y desolación.
José Antonio Martín Pallín es magistrado del Tribunal Supremo.In El Pais
Publicado por contra-baixo 23:36:00 1 comentários Links para este post
As FPs/25 nunca foram a Espanha, os GAL recrutaram elementos no Burundi, Camarate foi um acidente, Portugal não enviou armas para o Irão
Gabinete Coordenador de Segurança sem informações sobre presença da ETA em Portugal
O responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança garantiu hoje que, até ao momento, não existem dados que "confiram credibilidade" às notícias avançadas ontem sobre a possível presença da organização terrorista basca ETA em Portugal. "Pelo menos até ao momento, não dispomos de qualquer informação que confira qualquer credibilidade ao que foi dito na imprensa espanhola e que agora está a ter eco em Portugal", afirmou o general Leonel Carvalho, secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança, órgão dependente do Ministério da Administração Interna.
O general Leonel Carvalho sublinhou que, "historicamente", as notícias sobre a alegada presença da ETA em território nacional "não fazem sentido". "A ETA nunca teve, nunca demonstrou qualquer interesse em Portugal. Seria uma novidade, não temos qualquer indicação de uma mudança de procedimento", referiu.
Esta informação surge depois de o PSD e o CDS-PP terem exigido ao Governo explicações públicas sobre o assunto, após as notícias de ontem da imprensa espanhola. Os serviços secretos espanhóis avisaram as autoridades portuguesas de que o grupo terrorista ETA pode estar a utilizar o território nacional para negociar com redes internacionais de tráfico de armas. Segundo a agência de notícias espanhola Europa Press, "a ETA terá mantido em Portugal contactos bem sucedidos com redes de tráfico de armas, além de ter criado bases de recuo em território português, que serviriam para apoio logístico dos comandos operacionais".
Público - Última Hora
Publicado por Carlos 20:11:00 2 comentários Links para este post
uma oportunidade perdida
A pedido do Paulo Gorjão, o spinner meister da blogosfera lusa, o PSD acabou de anunciar um Congresso Extraordinário para 17 e 18 de Março próximos (presume-se que não em Braga...). No menú uma revisão estatutária mais ou menos confinada às directas. Uma perda de tempo. Impunha-se é um debate a sério sobre o programa do Partido, sobre a sua própria identidade, sobre o que o verdadeiramente o distingue, a si e às suas políticas do PS, e depois, aí sim, uma revisão dos estatutos em conformidade. Avançar com as directas já, ou sequer debatê-las a seco, é uma pura perda de tempo. Tudo continuará como dantes.
Publicado por Manuel 18:53:00 3 comentários Links para este post
finalmente, daqueles lados, uma boa notícia...
O blog do Provedor dos Leitores do PÚBLICO foi criado para facilitar a expressão dos sentimentos e das opiniões dos leitores sobre o PÚBLICO e para alargar as formas de contacto com o Provedor. Este blog não pretende substituir as cartas e os mails que constituem a base do trabalho do Provedor e que permitem um contacto mais pessoal, mas sim constituir um espaço de debate, aberto aos leitores, à Direcção do Público e aos seus jornalistas em torno das questões levantadas pelo Provedor. Serão aqui publicados semanalmente os textos do Provedor dos Leitores do PÚBLICO e espera-se que eles suscitem reacções. O Provedor não se pode comprometer a responder a todos os “posts” nem a arbitrar todas as discussões que aqui tiverem lugar. Mas ele seguirá atentamente tudo o que for aqui publicado.
Parabéns ao Rui Araújo e ao Público.
Publicado por Manuel 18:27:00 1 comentários Links para este post
Alegre
Como não há (?!) nada de mais importante para discutir discute-se Alegre, e o que é que este vai ou não vai fazer com o seu resultado presidencial. Como o bom povo gosta é de 'novelas' cá vamos ter mais uma, breve sem grandes episódios pesem os esforços. Convém pois recordar duas ou três coisinhas básicas... A candidatura de Alegre foi tudo menos de ruptura ou verdadeiramente independente. É verdade que foi contra a vontade do directório do PS mas nada mais. Alegre, o corajoso, renunciou ao mandato de deputado ? Suspendeu-o, ao menos ? Não, nem isso. Nem na questão - essencial - do Orçamento vimos Alegre a tomar algo que se parecesse remotamente com uma posição ? Simplesmente, não apareceu, por questões de... agenda.
Para finalizar, uma última nota sobre a comoção indignada que grassa por aí acerca do tratamento aplicado por Sócrates a Alegre, no passado domingo. Chamem-me o que quiserem, mas eu gosto é da política sem falinhas mansas, sem punhinhos de rendas, sem hipocrisias, gosto da política 'à moda antiga', e, por isso, não posso deixar de apreciar a 'performance' de Sócrates, por razões formais e substanciais. Para começar, Sócrates, para variar, mostrou na hora quem verdadeiramente mandava, matando, à nascença qualquer veleidade de quem se preparava para atacar uma sua eventual fragilidade, só pecou por não ter assumido o acto enquanto tal, e para terminar há que dizer que do ponto de vista formal Alegre não pode alegar rigorosamente nada - ao não suspender o mandato de deputado, ao manter, como manteve sempre uma enorme ambiguidade em relação ao PS e ao Governo, o 'independente' Alegre nunca deixou, em bom rigor, de ser um mero subalterno de Sócrates a quem, mesmo na noite eleitoral, não podia deixar de prestar vassalagem, ponto. Para rematar, há outro 'pequeno' problema - depois de ter permitido a Sócrates livrar-se da tralha 'soarista', ou pelo menos deixar de lhe dever favores, Alegre quer atirá-la, de novo, para o colo de Sócrates ? Vai ser candidato ao Parlamento Europeu, como antes, já tinha amansado quando, sem motivo político aparente, arranjaram um lugarzito de deputada à irmã - é deputada sabiam?...
N.A. ver também o que diz a Constança aqui.
Publicado por Manuel 13:41:00 2 comentários Links para este post
A segunda volta que nunca aconteceu
Acabou por me poupar uma dor de cabeça, incomparavelmente menor que a que teria atacado o Sr. Primeiro Ministro, mas ainda assim uma dor de cabeça.
Cabe agradecer, portanto, aos 0,6% de votantes expressos, pela antecipada panaceia. Em democracia, ganhamos ou perdemos, consoante a vontade da maioria. A vontade foi esta. Cabe respeitá-la. E voltar ao trabalho com redobrada vontade.
Publicado por irreflexoes 11:17:00 3 comentários Links para este post
Como o improvável Garcia Pereira perorou, o Prof. Cavaco ganhou, e o mundo não acabou, nem vai acabar por causa disso. É provável que um dia destes ainda o vejamos a condecorar o Saramago, mas nem aí o mundo vai acabar... Mas era bom que acabasse, de uma vez por todas, a insuportável arrogância de uma parte significativa da nossa 'intelectualidade', política e académica e jornalística. A ideologia A ou B, a esquerda ou a direita não são apenas intrinsecamente boas ou más 'per se' mas pelas medidas concretas que a preconizam e pelas pessoas que se propõe a implentá-las. Nestas presidenciais muitos, demasiados, foram o que reduziram tudo a uma questão 'clubística', e não ao interesse nacional. Cegos, e surdos ignoraram e continuam a ignorar a realidade na premissa da sua (alegada) superioridade intrinseca. Alguns à direita, quase todos à esquerda.
Uma última nota para Vital Moreira. Tem alguém que escreve o que escreve de um Presidente da República eleito, ao arrepio das mais elementares regras de convivência democrática, e num absoluto desprezo pela decisão popular, condições para presidir a uma comissão comemorativa do centenário da implementação dessa mesma República, cujo representante máximo é esse mesmo PR ? Obviamente, não tem. Mas já se percebeu que com Vital, a ética fica sempre para os outros...
Publicado por Manuel 18:45:00 13 comentários Links para este post
' America's unlikely defender'
French provocateur Bernard-Henri Levy denounces anti-Americanism and defends the idealism of the neocons.
[salon.com]
Publicado por Manuel 18:42:00 2 comentários Links para este post
sobre a solidão...
"Many people claim that pets are good for their owners. But, what about robot pets? Some scientists at the Center for the Human-Animal Bond at Purdue's Veterinary school say yes, robot pets can benefit humans. Petting an AIBO caused the human stress hormone cortisol to decrease in patients, much like a real dog, although the effects weren't as pronounced. Also, AIBOs sent to nursing homes caused the residents to be less depressed and lonely. Similar research is being done by Dr. Dr. Takanori Shibata with his robotic seal named Pero." via slashdot ...
Publicado por Manuel 18:25:00 1 comentários Links para este post
sem margem para erro
Na ressaca das presidenciais Pedro Magalhães diz ir entrar em hibernação, para um merecido repouso, com a promessa de voltar sempre. Cá o esperamos, até porque uma coisa já é certa - as eleições e as sondagens, e a leitura que delas se faz, antes, após e durante, deixaram de ser as mesmas desde que pudemos contar com ele, no Margens de Erro.
Publicado por Manuel 14:33:00 2 comentários Links para este post
Os perdidos (actualizado)...
... está aqui.
Publicado por João Gonçalves 13:59:00 0 comentários Links para este post
Publicado por Manuel 11:47:00 2 comentários Links para este post
A primeira medida do Presidente eleito - um aviso para o futuro
"Neste exacto momento se dissolve a maioria que me elegeu", Cavaco Silva, 22 de Janeiro de 2006
Publicado por Carlos 10:56:00 2 comentários Links para este post
Cavaco Silva, Presidente de TODOS os Portugueses

Inclusivamente dos que ainda não nasceram.
Publicado por Nino 7:55:00 2 comentários Links para este post
Os perdidos
Esta eleição presidencial registou um verdadeiro exército de derrotados. À semelhança do que aconteceu no final do ano, elenco, à medida que me for lembrando, as coisas, os gestos e as pessoas em causa.
- o discurso de derrota de Jerónimo de Sousa que veio "branquear" a imagem simpática que tinha deixado na campanha ou o regresso do estalinista de Pires Coxe;
- o discurso de derrota de Louçã, que é candidato a tudo e mais alguma coisa que lhe dê tempo de antena evangélico, prometendo mais "luta";
- o discurso de derrota de Alegre, interrompido a frio por Sócrates, onde insistiu no seu equívoco vazio que deve ter deixado as "esquerdas" à beira de um ataque de nervos;
- os cortesãos de Mário Soares, mais do que o próprio;
- a chorona Helena Roseta que falou na SIC directamente para a estratosfera;
- as reportagens de Anabela Neves na SIC contra Cavaco;
- o Padre Melícias que nunca escamoteou o seu odiozinho pouco católico a Cavaco;´
- a Joana Amaral Dias que é duplamente derrotada, dentro e fora do BE;
- o Diário de Notícias;
- a sobranceria das esquerdas acerca de tudo e de todos, particularmente em matéria de subtileza "cultural";
- Santana Lopes, na sua segunda volta como derrotado;
- os meus amigos que sobrepuseram a sua "lucidez" política à amizade;
- o "aparelho" do PS, nas pessoas de Jorge Coelho, Lello, Edite Estrela e outros e de alguns membros do governo que decidiram ir brincar às presidenciais;
- alguns blogues cujos "discursos" e respectivas ilustrações, muitos já realizados depois dos resultados, mostram pouco discernimento democrático;
(talvez continue)
Publicado por João Gonçalves 0:52:00 3 comentários Links para este post
de regresso ao futuro é tempo de olhar, com muita preocupação, para outras coisas realmente sérias, como este take da IRNA, a agência oficial de notícias do Irão...
Publicado por Manuel 0:38:00 0 comentários Links para este post
Cavaco Silva, Presidente de TODOS os Portugueses
Domingo, Janeiro 22, 2006
Habituem-se...
Publicado por Manuel 22:47:00 0 comentários Links para este post
Atropelo que a CNE não deveria descuidar
Cônscia da prioridade dada pelas estações de televisão à hierarquia republicana, a máquina socialista, atordoada com os resultados, aniquilou a primeira declaração jubilosa de Alegre impelindo Sócrates a discursar concomitantemente. Nos quatro canais generalistas, não sobejou um suspiro de Alegre...
Publicado por Nino 22:08:00 9 comentários Links para este post
o 'outro' vencedor...
Sócrates abafa declaração de Alegre, entrando em directo, nas TVs e com a anuência destas, ao mesmo tempo que Alegre se preparava para falar... Uma absooluta demonstração de poder de fogo. Já é, sem margem para dúvidas, o outro vencedor da noite.
Publicado por Manuel 22:02:00 5 comentários Links para este post
Promoção da Semana no Largo do Rato
Publicado por Carlos 21:10:00 0 comentários Links para este post
as coisas são o que são
Nesta altura do campeonato em que teoricamente ainda poderia haver segunda volta alguém acha que os directórios partidários do PS, do BE até do PC a desejam ? Obviamente não desejam. I rest my case
Publicado por Manuel 20:53:00 0 comentários Links para este post
pontos nos ís
Cavaco ganhou, e ganhou bem. Ele e Portugal estão de parabéns. Contudo, a sua mais que previsível eleição não chega para esconder o caos pantanoso em que vai ficar uma boa parte do nosso sistema político/partidário. E isso, não é bom para ninguém, nem para aqueles que hoje cantam vitória. Dito isto, a outra boa notícia da noite não é o alegado fim político de Mário Soares, que já alcançou há muito a imortalidade nos livros de história, mas o princípio do fim de Francisco Louçã. Quanto a Alegre e a Sócrates, Sócrates é o grande vencedor da noite. Não o seria se Alegre saltasse e formasse um novo partido, mas como Alegre não o fará... Sócrates fará o quiser e o que lhe apetecer, assim o saiba. Continua primeiro-ministro, com um potencial 'inimigo externo' em Belém, e com esta 'banhada' tem razões para considerar muitas dívidas saldadas. E sabem que mais ? seria muito mau para o país que não fosse assim.
Publicado por Manuel 20:21:00 1 comentários Links para este post
Publicado por Manuel 18:08:00 3 comentários Links para este post
Escrever direito por linhas tortas
Luís Miguel Cintra critica falta de apoio estatal aos novos criados.
Publicado por Nino 12:25:00 0 comentários Links para este post
"Nada de Mais"
Kasimir MalevitchWhite on white1918Museum of Modern Art, New York
Porque hoje vamos votar, deixo um post imparcial, a branco - também podia ser a preto - sem cor partidária.
Kasimir Malevitch pintou este "White on White" em 1918, no fim da Primeira Guerra Mundial, integrado no Suprematismo. A mim, os movimentos artísticos pós-românticos sabem-me a pouco, são fogo fátuo. Não lhes subestimo no entanto o papel que tiveram enquanto correntes artísticas que não se baseavam no figurativismo, mas que tinham na sua base um conceito. Talvez as mais interessantes sejam o cubismo e o conceptualismo (pela complexidade).
Malevitch tomou o denominador comum a toda a pintura - tela e cor - e reduziu estes dois elementos ao mínimo. "Nada de mais", pensamos hoje que em termos de arte já tudo vimos (performances com auto-mutilação, exploração dos limites emocionais do público, interação com o mesmo, etc...). Mas para a época este foi um passo importante, numa altura em que a pintura vivia entre a segurança das propostas cubistas, bem pensadas, programadas; e a identificação com a eleição/exaltação da máquina (na Primeira Guerra Mundial o conceito bélico mudou) do Futurismo.
Depois disso, a pintura não foi a mesma, mas o Mundo também já não era.
Beluga (in Formiga Bargante)
Tal como o quadro do Malevitch um texto com o essencial sobre a Arte Contemporânea. Absolutamente brilhante.
Publicado por contra-baixo 11:29:00 3 comentários Links para este post
Votem
«O rapaz até que nem é burro
tem é falta de uso
mete o nariz onde não é chamado
como um parafuso
ó meu rapaz, tu só és senhor
do nariz que é teu
aqui paro para explicar uma coisa:
é que o rapaz sou eu
e assim fala quem quer mandar em mim
e assim fala quem quer mandar em mim
e assim fala quem quer mandar em mim
'não protestes,não desfiles
não contestes, não refiles'
já joguei ao boxe, já toquei bateria
p'ra ver se me livrava desta energia
nada feito, que arrelia
Isto no fim não passa de uma fase
que passa com o uso
foi muita liberdade de uma vez
e o rapaz está confuso
agora é tempo de apertar com ele:
'olha, acabou-se a farra
ai, ai, que este país está de pantanas
e não há quem o varra'
assim fala quem já me quis varrer
assim fala quem já me quis varrer
assim fala quem já me quis varrer
'não protestes, não desfiles
não contestes, não refiles'
já joguei ao boxe, já toquei bateria
p'ra ver se me livrava desta energia
nada feito, que arrelia
Durante algum tempo foi necessário
pôr o rapaz a uso
pô-lo a gritar sobre o «prestígio pátrio»
e o «orgulho luso»
agora só nos faltava ele querer
virar o feitiço contra o feiticeiro que o pôs a render
é que nem pensar nisso
assim fala quem me pôs a render
assim fala quem me pôs a render
assim fala quem me pôs a render
'não protestes, não desfiles
não contestes, não refiles'
já joguei boxe, já toquei bateria
p'ra ver se me livrava desta energia»
«JÁ JOGUEI AO BOXE, JÁ TOQUEI BATERIA», Sérgio Godinho
Reflictam bem, protestem e refilem, mas votem. Para se poder ter legitimidade de pedir mais e melhor a este país, há que votar. Quem cala consente.
Publicado por André 2:35:00 1 comentários Links para este post
Dia de reflexão
Sábado, Janeiro 21, 2006
Em 1997 — recuperando das arcas de uma memória recente o conceito que havia sido preenchido pelo FIT, notavelmente dirigido por António Lagarto na primeira metade da década de 90, e encontrando uma feliz consonância com o desejo de internacionalização que então se tornara essencial ao projecto do Teatro Nacional S. João —, o Ministério da Cultura propôs-se encontrar os meios para a criação de um festival internacional de Teatro.
Insistindo numa ideia que, por tão óbvia, fica muitas vezes secundarizada no argumentário da política cultural — a de que não há desenvolvimento nacional ou regional que possa ignorar um investimento decisivo, bem estruturado e consequente nos domínios de produção e exibição artística — foi possível concitar o apoio essencial do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional (FEDER) e assim criar condições para um trabalho tranquilo na evolução do conceito e na afirmação do festival.
In página oficial do TNSJ (secção Unidades- PoNTI)
A curiosidade deste texto retirado da página oficial do Teatro Nacional S. João está na utilização de um conjunto de ideias chave que em 2006 se podem considerar arredadas da política cultural do Ministério da Cultura. De facto, num ano, é possível mudar muita coisa ... para pior.
Publicado por contra-baixo 20:56:00 2 comentários Links para este post
"Wake up Neo"
Publicado por Carlos 16:07:00 1 comentários Links para este post
Ingenuidade e Boa Fé
Mais um postal de mangadalpaca. Esclarecem os mais desatentos que "mangadalpaca" não é pseudónimo de "josé". É pseudónimo de alguém que prefere escrever sem que se saiba quem é exactamente. Mas há quem saiba, para além do postador- e por isso não é anónimo. Será alguém inserido na conspiração dos "interesses corporativos ocultados". Neste caso concreto, a corporação dos cidadãos deste país que se preocupam com os fenómenos do tempo que passa. Ou seja, e por muito que custe a certos estabelecidos no mercado da opinião, um militante da cidadania que não assina o nome próprio porque não precisa de o fazer. A opinião vale por si.
"Ingenuidade e Boa Fé-ou quando um pasquim dita a agenda do Estado
O Procurador-Geral da República foi chamado à comissão de direitos liberdades e garantias da AR, que protagonizou um preocupante episódio de alinhamento no clima de intoxicação da opinião pública no sentido de descredibilizar a investigação do processo Casa Pia, e, desse modo, permitir abusivas conclusões no sentido de responsabilizar o Dr. Souto Moura por factos que toda a gente de boa-fé percebe que não o justificam.
O clima criado é de autêntico linchamento público sumário de carácter de uma personalidade que é responsável por uma das mais importantes estruturas de um Estado de Direito.
É de meridiana clareza que a responsabilidade do conteúdo das disquetes do envelope 9 – que, agora, tantos «escandaliza» – se a alguém pode ser imputada, não será ao Procurador.
Algumas perguntas quanto a isso:
- Porque razão o info-excluído advogado Ricardo Sá Fernandes – mas, ao que parece, o primeiro a ter conhecimento do conteúdo oculto no programa Excel – quando teve conhecimento dos registos de tráfego de dados ocultos nas referidas disquetes, não o revelou imediatamente aos titulares do processo?
- Porque razão foi cirurgicamente divulgada na sexta-feira – 13, uma informação que era conhecida do dito advogado há cerca de um ano, através de um jornalista que se sabe tentar fazer o branqueamento do seu cliente?
- Se os «investigadores do processo Casa Pia» (nunca se sabe a quem se refere esta imputação) tinham «obrigação de saber do conteúdo oculto das disquetes», porque razão não se faz exigência semelhante à juiz de instrução e aos juízes que actualmente são titulares do processo?
Será que se deve esperar como normal que uma operadora telefónica viole o segredo de comunicações?
- Como foi possível o Presidente da República prestar-se ao papel de contribuir para adensar um clima de suspeição e responsabilização precipitada de um órgão tão relevante como o PGR e, afinal, todo o Ministério Público?
Depois de ter abortado a bem orquestrada maquinação de 6.ª-Feira 13 (Sampaio deve ter “caído em si”), o circo continua, insistentemente provocador e insidioso, desgastando ainda mais (se tal é possível) o já fragilizado (por quem o não devia fazer) Procurador.
A forma grosseira, ignorante e inquisitória da maior parte das intervenções dos deputados da comissão de direitos liberdades e garantias encontrou, da parte do Dr. Souto Moura, uma resposta de competência e serenidade de quem está seguro de nada ter a esconder.
Mais, Souto Moura demonstrou exemplar nobreza de carácter e de isenção, ao admitir ter havido lapsos num comunicado da PGR, num contexto em que mais ninguém assume responsabilidades de qualquer tipo (o que muito menos se esperaria de um pasquim).
Souto Moura evidenciou, por último, verdadeira humildade democrática.
Souto Moura é, continua a ser, e – provavelmente – continuará a ser muito incómodo a um bloco político-empresarial de interesses (que, essencialmente, domina a comunicação social) e que está apostado a apeá-lo de uma forma indigna («Ontem foram uns figurões da política, do espectáculo e do futebol que foram “incomodados”. Amanhã poderemos ser nós, por causa dos nossos negócios?»).
Souto Moura pode ter muitos defeitos. Pode não ter algumas qualidades.
Não pode é ser acusado de falta de seriedade, de dignidade e de independência. Além disso, é um homem de Boa-Fé.
Atributos que escasseiam por aí. "
mangadalpaca
Publicado por josé 14:58:00 3 comentários Links para este post
um apelo
Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
Este domingo o meu voto vai, naturalmente, para Anibal Cavaco Silva. Longe de ser um candidato perfeito, que não os há, mostrou ao longo dos últimos anos ser o menos imperfeito dos políticos portugueses. Mas não é para dizer que vou votar em Cavaco que escrevo este post, é para apelar aqueles que não indo votar em Cavaco, jamais e em tempo ou caso algum, para que não fiquem em casa, e para que votem em... Mário Soares. Não sou daqueles que irresponsavelmente ache que a disputa entre Soares e Alegre é um mero problema interno do Partido Socialista, porque não o é! Com ou seu eleição à primeira volta, e eu admito como muito plausível uma segunda ronda, a pior coisa que podia acontecer à democracia portuguesa era uma nulidade absoluta, simpática mas sem qualquer ideia na cabeça vir a ficar em segundo lugar numas eleições presidenciais. Para pesadelo já bastou o Dr. Lopes. Eu posso não gostar de Soares, não gosto, posso não concordar c0m quase tudo o que diz, e não concordo, posso até achar esta candidatura fora de tempo, acho, mas em Soares há uma lógica, um fio condutor, há, para o melhor e para o pior 'política'. Manuel Alegre representa o que de pior pode acontecer numa democracia moderna - por ficarmos descontentes com a política entregarmos a 'alma' ao primeiro demagogo que aparece numa esquina. Podia ter sido de outra forma, mas nesta campanha, sobretudo nos debates, deu para perceber que, no fundo, o poeta não passa de um actor, a representar um papel.
Publicado por Manuel 21:44:00 17 comentários Links para este post
Alexandra

Alexandra Lencastre é capa da «FHM» deste mês. As fotos são, no mínimo, chamativas. Alguém falou na «ternura dos 40»???
Publicado por André 19:46:00 2 comentários Links para este post
As confinações dos poderes
Como exemplo de leituras a ponderar pelos novos poderes fácticos, elencados no Inimigo Público, deixa-se por aqui, um postal, bem ilustrado, publicado por Joel Timóteo Ramos Pereira, no blog Verbo Jurídico:
"Poderes totais
Excerto da intervenção de Jorge Coelho, in "Quadratura do Círculo":
«(...) O processo Casa Pia, que teve fugas permanentes ao segredo de justiça, alimentou a comunicação social com transcrições de escutas que violam os direitos dos cidadãos.
(...) Não sigo os que defendem o fim das escutas telefónicas, considero-as fundamentais para o avanço da investigação criminal. Mas têm de ser feitas com profissionalismo, rigor e controlo de quem de direito. Deveria ser criada uma comissão, eleita pela AR, com cidadãos insuspeitos, para fiscalizar, com poderes totais, todas estas situações e criminalizar a sério todos os que violem a lei».
.
N.R.
I. Onde se lê «cidadãos insuspeitos», leia-se "políticos, lobbies e seus prosélitos boys & girls".
II. Onde se lê «com poderes totais», não é lapso de escrita.
III. Onde se lê «criminalizar», não é equívoco. Foi efectivamente dito pelo "circulante", que sugere que uma comissão política tenha funções não simplesmente acusatórias, mas condenatórias (quando é que na história da humanidade ocorreu algo semelhante ? Pretende porventura o comentador o regresso à Diabólica Inquisição ?)"
Publicado por josé 14:14:00 4 comentários Links para este post
Opinião no Expresso - Estado : Falir ou Renovar ?
Publicado hoje no Expresso (Caderno de Economia - link disponível apenas para assinantes)
Estado: falir ou renovar?
António José Duarte
Numa economia com grave défice de sustentabilidade das suas finanças públicas, partilhando elevadas despesas correntes, com agravamento do saldo primário e sem o alcance do mesmo nível de receitas correntes, a subida dos impostos, é do lado da receita, uma medida impopular, que tem tanto de facilidade na sua aplicabilidade, como de discutível na sua eficiência. É difícil entender um orçamento que onera brutalmente a carga fiscal das famílias e empresas e ao mesmo tempo propõe investimentos como o da OTA ou do TGV, que se sabe nunca conseguirão ser rentáveis.
A subida da taxa do IVA de 19% para 21%, inibiu o consumo privado, reproduziu diminuição de receitas nas empresas, levando o Estado a cobrar menos IVA e menos IRC, reduziu o nível de importações porque a pressão da procura sobre a oferta diminui e menos lucros nas empresas significa mais desemprego e ao mesmo tempo um maior encargo da Segurança Social no pagamento dos subsídios. Há muito que se sabe que na economia portuguesa, não há jogos de somas nulas.
A arrecadação de receita fiscal depende primariamente do nível de crescimento da economia portuguesa. Quanto maior for o crescimento real da economia, maior será o nível de receita apurada. Quando em Junho o Governo decidiu aumentar o IVA para adjudicar a receita ao défice que ele criou na Caixa Geral de Aposentações, não percebeu que o caminho escolhido levaria à recessão. O sinal primário está aí. Em 2006 a economia apenas crescerá 0,8%.
Depois ainda há a subida das taxas de juro, com um duplo impacto na economia. O financiamento do investimento privado será mais caro logo menor, e as famílias irão restringir ainda mais o consumo privado pela diminuição do seu rendimento disponível.
A adopção de uma política restritiva por parte do Governo não se pode centrar única e exclusivamente na questão fiscal, e é questionável se a estratégia escolhida é a mais acertada. A criação de um mecanismo de crédito de imposto para empresas associado a um desconto proporcional que seria maior quanto maior fosse o lucro declarado, sendo metade desse crédito de imposto para aplicação em investigação e desenvolvimento, inverteria a actual lógica, e se ao mesmo tempo se estabelecesse uma «flat-rate» de IRC, mais baixa que a actual, estariam criadas condições para se gerar mais investimento, mais emprego e mais produtividade.
Apenas a conjugação da descida das taxas de juro, de receitas de privatização de 17 mil milhões e de fluxos de fundos comunitários na casa dos 45 mil milhões permitiu esconder durante 8 anos a realidade dura da economia portuguesa.
É fácil justificarmos que quando não crescemos tal se deve ao facto da Alemanha, França e Espanha não crescerem. Mas e agora que ambos crescem e nós não? Talvez seja tempo de assumir que o modelo assente no consumo e na procura interna se esgotou e que é necessário apostar nas exportações. O défice continua a ser um problema, sobretudo quando se pensa que o erro está do lado da receita e não da despesa.
Que fique subentendido, que existem soluções capazes de transformar o país, não sem antes assumir transparência perante o país. Dizer-lhes que no actual modelo o desemprego chegará aos 10% em menos de quatro anos. Que dentro de 10 anos começarão os cortes nas reformas para depois o Estado as deixar de pagar.
É uma questão de escolha entre um Estado verdadeiramente falido a prazo ou um Estado renovado e com noção do que está a realizar. Veja-se este Orçamento do Estado, onde o impossível está em perceber a diferença entre receitas extraordinárias obtidas por via da alienação patrimonial ou aumentar o ISP para financiar esse grande erro que foram as Scuts? Uma não fere a economia a outra atinge-a a fundo.
A política não pode continuar a ser vista como subsidiária da economia. É tempo de se alterar esta visão.
Publicado por António Duarte 14:13:00 1 comentários Links para este post
As probabilidades de uma segunda volta das Presidenciais II
Continuando a militar convido os leitores a reflectirem comigo sobre este documento que contém o sumário da totalidade da tracking poll da Marktest. Ao todo, foram realizadas 3088 entrevistas. Um esforço notável e uma transparência sem precedentes. E ainda bem.
Os resultados que nos são mostrados só contam com quem expressou sentido de voto. Mas o conhecimento dos valores dito brutos é importante.
E estes, tendo em conta a totalidade da amostra (quadro III.1, pág. 7) dizem-nos que Cavaco Silva recolhe 43.5% das intenções de voto.
A diferença entre este valor e os 56% do quadro III.2, mesma página, é que aí apenas se consideram os eleitores que expressaram sentido de voto.
Ora tendo em conta que, como no mesmo estudo se diz (Quadro III.9, pág. 10) as percentagens de indecisos ou de eleitores que admitem mudar o sentido de voto é muito menor para Cavaco Silva do que para qualquer outro candidato (por exemplo, mais de 91% dos que dizem ir votar Cavaco afirmam que não mudarão de opinião, contra apenas 82-83% dos eleitores que dizem ir votar em Manuel Alegre ou Cavaco Silva), resta saber se este factor não devia ser tido em conta.
Aliás, era de esperar que, à esquerda, tendo em conta o fraccionamento do PS e a multiplicidade de candidaturas, a expressão dos indecisos fosse maior. O que pode estar a inflacionar os números "finais" dados a Cavaco Silva. É que, de entre os que não expressaram sentido de voto, a percentagem dos votantes de esquerda será superior às dos votantes de direita.
Tendo em conta os dados do mesmo Quadro III.9, a percentagem de indecisos à esquerda pode ser mesmo de dois em cada três.
Em suma, os 10% que se declaram indecisos (Quadro III.1, pág. 7), e as eventuais flutuações dos votos em branvo (4%), de quem disse que não ia votar e afinal vai (2.6%) e de quem se recusa a responder à sondagem (4.9%) vão ser decisivos.
E a existência ou não de uma segunda volta depende deles. Portanto, decidam-se! Já está na hora.
Publicado por irreflexoes 13:30:00 1 comentários Links para este post
A PGR em mudanças
No suplemento Inimigo Público, do Público de hoje, uma revelação bombástica a que a TSF não deu atenção, logo pela manhã...
" Director do ´24Horas` é o novo procurador-geral da República", escreve-se no suplemento semanal do jornal . E a excelente notícia continua:
"Pedro Tadeu, AVC da ONG "24Horas" é o novo PGR. Com Cavaco Silva a poucas semanas de tomar posse como Presidente da República, Jorge Sampaio e José Sócrates não podeiam perder mais tempo, puseram-se de acordo e despediram Souto Moura através de uma tabela com duas ou três razões alinhadas num ficheiro Excel sem filtro. Tadeu esteve ontem no Palácio de Belém e garantiu a Sampaio que pode tomar posse já na edição de amanhã do "24Horas", uma garantia que estendeu à sua equipa de procuradores-gerais adjuntas, as Belas & Perigosas Fátima Preto, Mónica Sofia e Fiona Bunnett.
O convite a Pedro Tadeu é encarado com naturalidade nos outros meios de fast-justice como a SIC Notícias ou o Fórum TSF.
Segundo a sondagem diária DN/TSF, o 24Horas é lido por mais de 97% dos membros de brigadas de justiça popular, por cerda de 81% dos psicóticos e por todos os adeptos do Vitória de Guimarães. Ou seja, Tadeu está em posição privilegiada para conduzir processos ultra-rápidos com investigação, acusação, instrução, condenação, recurso e agravamento de pena concentradas numa única primeira página do seu jornal.
E, por apenas mais 50 cêntimos, cada arguido ainda leva três pérolas naturais de brinde."
Embora o Inimigo Público não o desvende, esta Loja está em condições de assegurar a listagem dos nomes que vão substituir os procuradores-gerais adjuntos que neste momento ainda chefiam as procuradorias gerais distritais de Porto, Lisboa, Coimbra, Évora e Guimarães.
Assim, para o lugar ocupado actualmente por Alípio Ribeiro, no Porto, está já designado José Pacheco Pereira, digno representante do sistema de justiça fast, em artigos e comentários avulsos e que já aceitou, tendo convidado para adjunta, uma conhecida jornalista do Público, cujo nome, porém, não revelou .
Para Lisboa, o lugar, já cativo nas intenções do novo PGR, pertence de pleno direito a Miguel Sousa Tavares que assim se verá forçado a abandonar os comentários ultra fast que todas as semanas debita na TVI. Sousa Tavares escolheu como equipa que vai trabalhar directamente consigo, a direcção da revista Sábado.
Em Coimbra, não houve qualquer dificuldade na escolha. Vital Moreira, estava na calha óbvia, já há algum tempo, depois de se ter esforçado em demonstrar publicamente a sua acrisolada simpatia pelas figuras e prestações mais notórias da fast justice. Terá como adjunta, a sua colega de blog, Ana Gomes que assim deixa o Parlamento Europeu, onde se esforçava demais.
Em Évora, ainda não há nomes revelados, mas sopra-se entre dentes cerrados, um misterioso Rangel que destila fel na TSF.
Em Guimarães, o lugar de Lemos da Costa vai ser preenchido por um nome desconhecido do grande público, mas com ressonância certa nos meios judiciários: Reis Martins, recém reformado inspector da PJ do Porto, vai ocupar o lugar. Lobo Xavier, também contactado por causa da sua proximidade na Quadratura circular, com o indigitado pgd do Porto, declinou rapida e abruptamente.
Devido às mudanças, em curso acelerado, para a "implementação" ainda mais rápida da fast-justice, foram designados novos membros para o Conselho Consultivo da nova PGR.
Como membros de pleno direito pelo que têm dito e escrito sobre Direito, o sociólogo António Barreto que recentemente defendeu a abolição de toda e qualquer escuta telefónica na investigação criminal e José Pinto Ribeiro, pelas sempre excelentes intervenções públicas televisivas. Esperam-se pareceres à altura.
Outro nome sondado e que aliás aceitou imediatamente, foi Eurico Reis, cansado de atender telefonemas às 7 da manhã, da TSF, para fazer comentário ensonados. Já por sua vez, Garcia Pereira também convidado e que se afigurava, à partida, uma mais valia para o agora mais prestigiado órgão da procuradoria, declinou, alegando que não estava disposto a passar de cavalo para jerico. Um candidato a PR tem os seus pergaminhos, precisou.
À hora do fecho desta edição postaleira, continuavam os convites do novel PGR. Aguardam-se novidades.
Publicado por josé 11:45:00 15 comentários Links para este post
A Visão da Sábado
Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

A revista da Cofina, que sai agora à Quinta-feira e que se intitula Sábado, decidiu investir todo o esforço de uma semana de investigação jornalística, no apuramento da identidade de proprietários de números de telefone que se encontram numa listagem apócrifa, em apenso ao processo Casa Pia. “ A Sábado ligou para os números no Envelope nº 9-leia os diálogos”.
O que se pode ler, então?
Nas páginas interiores, despidas de grandes revelações, no artigo sóbrio e ponderado, aparecem 16 numerários identificados e anónimos. Um dos diálogos é assim:
“Sabia que o seu número de telefone de casa consta do processo Casa Pia?
- Soube através do jornal 24 Horas.
- “O que pensa disso?”
- Penso que vou pedir esclarecimentos às autoridades competentes porque, atendendo ao teor da notícia, parece-me tratar-se de um procedimento ilegal.”
Outro, assim:
“Foi publicado o conteúdo de um ficheiro com uma série de números de telefone cuja factura foi pedida pela investigação do processo Casa Pia à PT. Este número é um deles.”
(...)- Não sei de nada. Este telefone foi pedido há seis meses.
No miolo do artigo vestido com alguns factos, vem uma declaração cândida e presumivelmente inocente do advogado info-excluido Ricardo Sá Fernandes que defende um dos arguidos do processo:
“Em Janeiro de 2005, quando Carlos Cruz começou a depor no julgamento, pedi para ver os registos de todas as chamadas feitas pelos arguidos e pelos seus familiares. Não sei nada de informática e pedi a um técnico para fazer o cruzamento de dados, para tentar perceber se havia algumas chamadas dos arguidos uns para os outros. Não havia. Não me apercebi da existência de outros números, muito menos do Presidente da República ou do procurador-geral. Copiei os ficheiros e entreguei-os a vários colegas da defesa.”
E principalmente, aparece, em dois pequenos períodos, na viragem da pág.45 para a 46, esta verificação extraordinária:
“Não se sabe, para já, se os investigadores do Ministério Público fizeram o tal clique e controlaram as chamadas feitas pelos titulares dos cargos de soberania. Ou se, simplesmente, não conseguiram descobrir os números escondidos no ficheiro apesar de na investigação terem o apoio de peritos informáticos.” !!!
Isto que não se sabe, porém , deu para que se escrevesse nos Bastidores da revista Sábado, assinado pelo director Miguel Pinheiro:
“Quem esta semana entrasse na redacção da Sábado podia achar com razão, que nos tínhamos tornado num call center. (...) Tanto trabalho só podia Ter sido provocado pelo procurador-geral da República. A lista de telefones privados de altas figuras de Estado que foi enviada pela PT aos investigadores...bla bla bla” (...) no artigo assinado pelos repórteres Rui Gustavo e António José Vilela que publicamos a partir da página 40 procura explicar todos os mistérios deste lamentável episódio”
Todos?! E então os principais e mais importantes, ficaram explicados?! Que vergonha de jornalista!
E a fls. 12, em editorial, a revista repisa o assunto, em colectiva indignação:
“ Chegue o inquérito da PGR à conclusão a que chegar – à hora do fecho desta edição não tinha chegado a nenhuma-, sejam os investigadores do processo Casa Pia uns incompetentes ignorantes ou uns perigosos espertalhões ( as duas únicas hipóteses possíveis), pelo menos uma coisa é certa: o comunicado que Souto Moura emitiu na passada Sexta-feira é negligente e mentiroso. Negligente porque o Procurador não tinha investigado ainda nada e, mesmo assim, numa altura de crise que exigia bom senso, escreveu um papel com sentenças definitivas. Mentiroso, porque hoje já se sabe que, efectivamente, para lá de qualquer dúvida, o Envelope 9 tem mesmo as disquetes com centenas de números privados de altas figuras do Estado.”
Este escrito colectivo é a imagem de uma revista portuguesa de grande informação que se quer digna, profissional e competente!
Vejamos o comunicado da PGR de Sexta-feira 13. Diz expressamente:
“Na edição de hoje do jornal “24 horas” foi publicada uma notícia, da autoria dos jornalistas Jorge Van Krieken e Joaquim Eduardo Oliveira, com o título na primeira página “Até os telefonemas de Sampaio foram investigados no processo Casa Pia”. De acordo com essa notícia, o Ministério Público solicitou à PT e juntou aos autos facturação detalhada de números de telefones da rede fixa instalados em residências de vários titulares de órgãos de soberania e pessoas que detêm ou já detiveram elevados cargos públicos, integrando essa notícia uma listagem dos nomes dos titulares dos telefones em causa e do número de chamadas efectuadas através desses telefones. A facturação em causa, ainda segundo a mesma notícia, estaria em cinco CD’s juntos aos autos, guardados no envelope nº. 9. 2. Tal notícia é falsa. (...) 3. Tal facturação detalhada foi solicitada à PT, por despacho do Ministério Público, a coberto de despacho do Juiz de Instrução Criminal competente, e reportava-se, exclusivamente, ao telefone fixo da pessoa indicada, a qual, à data, estava a ser investigada. 4. Não foi, em momento algum, pedida a facturação detalhada dos telefones instalados nas residências citadas das pessoas em causa, não existindo – nem podendo existir – no processo qualquer despacho a solicitar à operadora PT o envio desses elementos.
E é. Efectivamente. Redondamente falsa.
Os factos já conhecidos, permitem saber – e a Sábado investigou...- que os elementos que o jornal apasquinado, 24 Horas, publicou como sendo a expressão da mais pura verdade, não o eram de todo.
O facto de alguém da PT ter remetido os elementos agora apocrifamente revelados, não significa que os mesmos tenham sido vistos, mesmo que estivessem à distância de um clique, como diz a Sábado; e muito menos investigados.
Ao escrever que “O envelope nº. 9, a que se reporta a notícia, contém 5 disquetes onde se encontra registada a facturação detalha de um único telefone fixo atribuído a um dos indivíduos constituídos arguidos no processo, o Dr. Paulo Pedroso”, isso significa que só disso houve conhecimento no processo.
O facto de as disquetes poderem conter outros dados, se não forem do conhecimento da investigação, tornam, imediata e irremediavelmente, o comunicado mentiroso?!
Tembém é rotundamente falso que “Até os telefonemas de Sampaio foram investigados no processo Casa Pia”. Não foram nem poderiam ser e ninguém das defesas ou do ataque ou do lado dos árbitros viu tal coisa no processo.
Onde está então a mentira da PGR apontada a dedo pelos editorialistas da Sábado ?!
A direcção da Sábado sabe ler português?! Sabem os jornalistas (?!) que a compõem o que significa o verbo investigar aferido a um processo crime? Sabem o que significa ligar a expressão “os telefonemas de Sampaio” à actividade dos investigadores do processo e o que isso implicaria se fosse verdadeiro?!
Não sabem ou não devem saber. Nem leram a reportagem dos próprios jornalistas e que publicam... na revista!
Se lessem, recolhiam a prosápia e dedicavam a capa da revista a assuntos de pesca. Actividade em que provavelmente se sentirão mais versados. Em águas turvas, porém- porque foi o que sucedeu.
Depois disto, torna-se perfeitamente compreensível que na pág.16 apareça o sempre presente nestas alhadas, Pacheco Pereira, a perorar sobre “uma história mal contada”; que apareça na pág. 18 a opinião de João Marcelino, o intrépido repórter do Correio da Manhã das capas sensacionalistas; na pág. 50 o relatório minoritário de Nuno Rogeiro; na pág. 71 o primeiro plano de Filomena Martins (?) que define tudo como “mais uma rábula da justiça” e depois se põe com considerações dolosas de meter dó; na pag. 81 o caso, cara e conta de Sérgio Figueiredo que reclama responsabilidades para pagar o escândalo, ficando por saber se as vai pedir na mesma se se vier a descobrir que foi alguém da PT que meteu a pata na poça e se o jornal e a revista também tiverem molhado os pés; na pág. 92, a opinião avalizada de um tal Alexandre Pais que inventa a nova designação de “perturbador-geral da República” para acrescentar irrisão ao comentário insosso; na pág 120 o Homem a dias, Alberto Gonçalves também lava a roupa suja da sua opinião singela de sabidolas de blog para elucidar o público leitor que “O 24Horas revelou que os telefones de altas figuras do Estado foram vigiados pelo Ministério Público durante ano e meio.”!!!
Na pág. 5,7,9 e 11 da revista , o BES paga uma quota parte a quem isto escreveu.Na pág. 93 é o DN e o JN, quem paga;
Aqui fica também a declaração: ao dar 2,75 euros por esta revista, também deixei lá o óbulo. Em troca, em vez de informação isenta, competente e séria, apanho com esta pasquinada em que todos os artigos de opinião têm o mesmo sentido; todas as reportagens vão na mesma direcção e nem as fotos desviam a atenção desta vergonha jornalística . Basta. Não há mais euros para a Cofina, do meu bolso.
Há um pormenor delicioso na reportagem da revista. A notícia do 24 Horas foi comunicada pelas assessorias do PR e do PGR, por ocasião do lançamento do livro “Jorge Sampaio- um cidadão igual a nós. “ Igual?!!
Publicado por josé 23:12:00 10 comentários Links para este post
a táctica e a estratégia
O Rui Costa Pinto chama a atenção para o timing do aumento dos combustíveis, hoje ocorrido, e derivado do aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos, previsto no último OE. Implicitamente, Costa Pinto acha que tal timing, 'escolhido' pelo governo, não beneficiará 'o governo, os socialistas e os candidatos que pertencem ao seu universo político' (sic). Recorde-se que Soares, o candidato 'oficial' do PS, hoje apareceu ao lado de oito, oito, ministros, ponto. Por uma vez (ok, duas... aquela de propor Maria José Morgado para PGR também foi fresca...) parece que o filme está a passar todo ao lado do Rui. Em primeiro lugar, convém recordar que grosso modo não houve uma oposição 'dura' e consequente ao último OE, fora das portas desta Loja. O PSD votou contra, é certo, mas logo a seguir apareceram uma série de notáveis alegadamente cavaquistas a defender a abstenção, que fragilizaram qb a posição do PSD. Em segundo lugar, não há, no PSD e no PP, fora as divergências - apontadas como 'pontuais' - na Ota, no TGV e nas SCUTs, uma alternativa política clara, em termos de modelo e de propostas concretas, em especial em matéria económica, que leve o eleitorado, em particular o que votou Sócrates, a querer penalizar o Governo, por hipoteticamente ver em Cavaco um travão a determinado tipo de iniciativas. Em terceiro lugar, se estas propostas beneficiam alguém, beneficiam é Alegre, Jerónimo e Louçã, três personagens que nunca se preocuparam muito em fazer bater o seu discurso, e as suas propostas, com a realidade concreta. Para terminar, uma nota breve sobre os motivos : ao fazer o aumento agora Sócrates conta com o silêncio tácito de quem lhe interessa, ponto. Se este silêncio ensurdecedor, e distópico, que só distancia uma vez mais eleitores e eleitos, a prazo, é bom ou não, face por exemplo às dramáticas declarações do Presidente do Automóvel Clube de Portugal, Carlos barbosa, ao qual só faltou apelar à insurreição civil, já é outra história, mas esta gente nunca se preocupou com a estratégia... é só tácticas.
Publicado por Manuel 19:46:00 2 comentários Links para este post
O grito do povo
Vindo daqui, aqui fica o...
Comunicado dos advogados da Casa Pia e demais assistentes sobre a audição do Procurador-Geral da República pela Assembleia da República
1. A Casa Pia tomou conhecimento, através de notícias não desmentidas, de o Procurador-Geral da República haver sido convocado para comparecer ante a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, a propósito do processo referente a abusos sexuais sobre alunos da Casa Pia de Lisboa.
2. Face a tal insólita situação, os advogados da Casa Pia, sem quererem contribuir para a discussão pública da substância do caso que lhes está confiado, mas no exercício indeclinável de um direito de cidadania, entendem ser seu dever afirmar publicamente o seguinte:
3. Uma audição parlamentar do Procurador-Geral da República sobre factos ou incidentes processuais de um qualquer processo judicial pendente, configura acto ilegítimo da Assembleia da República, concretamente intromissão abusiva deste órgão de soberania na esfera privativa de acção do poder judicial.
4. Esta interferência é ainda mais grave se o objecto da inquirição for a análise e a discussão de documentos de processo criminal em curso.
5. Neste contexto geral, mas vista sobretudo a situação concreta que está em apreço, os Advogados da Casa Pia e demais assistentes repudiam vivamente esta iniciativa parlamentar, porquanto:
(1) A Assembleia da República não tem competência para conhecer, discutir ou resolver matérias que estejam sujeitas em processo próprio ao poder judicial; a fazê-lo, poderá estar em causa um acto grave de condicionamento da independência dos tribunais e da autonomia do Ministério Público.
(2) Essa incompetência parlamentar absoluta é ainda mais evidente tratando-se, como é o caso, de discutir as condições sobre as quais foi produzido, obtido, conservado, acedido e manipulado um documento de um processo criminal pendente.
(3) A situação assume foros de intolerável, a tratar-se de um acto de intervenção política numa matéria sobre a qual, e é disso que se trata, já foi determinada, pelo colectivo de juízes, a efectivação de uma averiguação e perícia por entidade independente, tendente a apurar a fidedignidade do documento em causa e as condições em que se procedeu à divulgação pública do mesmo.
(4) Com todo o respeito devido ao Procurador-Geral da República, não tem o mesmo direito a pronunciar-se em sede parlamentar sobre um documento de um processo judicial criminal pendente, nem a Assembleia da República tem direito a perguntar-lho.
(5) Nos termos do artigo 10º do Estatuto do Ministério Público à Procuradoria-Geral da República cabe apenas «f) Propor ao Ministro da Justiça providências legislativas com vista à eficiência do Ministério Público e ao aperfeiçoamento das instituições judiciárias; g) Informar, por intermédio do Ministro da Justiça, a Assembleia da República e o Governo acerca de quaisquer obscuridades, deficiências ou contradições dos textos legais». Nada mais.
(6) Em nenhum preceito da Constituição se prevê que a Assembleia da República possa inquirir o Procurador-Geral da República ou quem quer que seja com funções em processos pendentes sobre o conteúdo de tais processos.
(7) Se é grave que a Assembleia da Republica intervenha a propósito de processos judiciais pendentes, mais grave que se pronuncie sobre documentos concretos desses processos, gravíssimo é que se possa sobrepor àquilo que já está determinado por juízes nesse processo.
(8) O Procurador-Geral da República, garante que é da legalidade, não tem, no que respeita a processos judicias pendentes, que prestar contas nem ao Presidente da República que o nomeia, nem à Assembleia da República, à qual é estranho.
(9) Os advogados da Casa Pia aguardam que no foro judicial, por ser o próprio, se obtenham conclusões jurídicas sobre a matéria em causa, fora de quaisquer condicionantes de cunho político.
(10) Cumpre lembrar que, tanto quanto é dado saber, corre actualmente um processo quanto a este incidente, o que ainda torna mais inaceitável a discussão do caso em sede parlamentar: se neste caso houver, ou vierem a haver, ilegalidades, irregularidades, abusos, ou crimes, então que sejam conhecidos, julgados e punidos, mas por quem de Direito, na forma própria.
(11) Os advogados da Casa Pia lamentam o clima de especulação política que se criou em torno desta matéria e esperam que com este caso se não crie um grave precedente de sujeição da Justiça aos ditames do poder político, o que seria a negação do Estado de Direito e um atentado à própria Democracia.
(12) Os advogados da Casa Pia respeitam a Assembleia da República, mas não respeitam menos a independência dos Tribunais. Não se trata, ao vir a público sobre esta matéria, de defender os seus constituintes, trata-se sim, de defender a Constituição da República de Portugal.
(13) Os advogados da Casa Pia confiam que, com a colaboração de todos os sujeitos processuais envolvidos neste complexo processo judicial, e o sentido de Estado daqueles que lhe são estranhos, se fará Justiça.
Lisboa, 19.01.06»
comunicado distribuido na conferencia de imprensa dada esta tarde no Centro Cultural da Casa Pia de Lisboa
Publicado por josé 19:07:00 6 comentários Links para este post
público e notório
A PT hoje desmentiu vigorosamente a manchete do Público. Normal. Afinal, o próprio Público já se desmente, e contradiz, a si próprio, e na mesma edição. Não é que também na primeira página de hoje se fala de uns incidentes que terão 'estragado' a campanha de Cavaco em Coimbra, para logo a seguir, na página três, ao relatar a mesmíssima, e 'cheia', campanha, em Coimbra, o Público informar os leitores que afinal o tal 'incidente' não estragou coisíssima nenhuma...
Publicado por Manuel 17:58:00 3 comentários Links para este post
As probabilidades de uma segunda volta das Presidenciais
Vão crescendo, pese embora o relativo silêncio que se tem mantido. Tendo em conta isto:
E ouvindo quem sabe: "E se, na próxima semana, as estimativas médias para Cavaco, resultantes de sondagens conduzidas, o mais tardar, até à próxima 3ª feira, forem, digamos, 54-55%? Poriam, nesse caso, todo o vosso dinheiro em que não há segunda volta? Sim? Eu não."
O cenário parece cada vez mais possível.
Para que quero eu uma segunda volta se, sendo de esquerda, me vejo incapaz, pela primeira vez na minha vida de eleitor, de definir uma opção de voto antecipadamente?
Bom, porque terei de me decidir no próximo domingo e votarei, seguramente, à esquerda.
E porque não quero que Cavaco Silva ache que teve mais uma maioria absoluta (a confusão não é minha, seria dele).
E porque numa segunda volta a eleição de Cavaco Silva fica bem mais incerta. E isso, para mim, seriam grandes notícias.
Um optimista é mesmo assim. Acredita até ao fim que as coisas vão correr bem. E correr bem para já, é haver segunda volta.
Publicado por irreflexoes 12:33:00 13 comentários Links para este post
'Vatican Paper Hits 'Intelligent Design''
... e há para aí uns cromos que acusam Ratzinger de fundamentalista...
VATICAN CITY, Jan. 18, 2006(AP) The Vatican newspaper has published an article saying "intelligent design" is not science and that teaching it alongside evolutionary theory in school classrooms only creates confusion. The article in Tuesday's editions of L'Osservatore Romano was the latest in a series of interventions by Vatican officials _ including the pope _ on the issue that has dominated headlines in the United States.
(AP)
The author, Fiorenzo Facchini, a professor of evolutionary biology at the University of Bologna, laid out the scientific rationale for Darwin's theory of evolution, saying that in the scientific world, biological evolution "represents the interpretative key of the history of life on Earth." He lamented that certain American "creationists" had brought the debate back to the "dogmatic" 1800s, and said their arguments weren't science but ideology. "This isn't how science is done," he wrote. "If the model proposed by Darwin is deemed insufficient, one should look for another, but it's not correct from a methodological point of view to take oneself away from the scientific field pretending to do science."
Intelligent design "doesn't belong to science and the pretext that it be taught as a scientific theory alongside Darwin's explanation is unjustified," he wrote. "It only creates confusion between the scientific and philosophical and religious planes." (...)
CBS News
Publicado por Manuel 12:02:00 3 comentários Links para este post
À atenção de quem de direito
Vi na Quadratura do Círculo na SIC Notícias, José Pacheco Pereira dizer que
"É preciso saber se há abusos de poder na Procuradoria."
Partindo do pressuposto que se trata da PGR, sugiro uma medida a quem de direito:
Façam um convite ao comentador da SIC, nessa qualidade, para uma visita guiada ao palácio de Palmela e expliquem-lhe com tacto e firmeza, como é que funciona o MP.
Digam-lhe como é que se organiza o poder da Procuradoria; como e quem é que faz os Inquéritos que não estão na "procuradoria" mas nas procuradorias de todo o país; como e em que circunstâncias se fazem escutas.
Estou certo que duas horas chegam para se evitarem mais escritos e declarações como a que acima se referiu.
Já cansam porque se vão penosamente tornando em "insinuações sobre tudo e todos, alimentando uma atitude policial de desconfiança".
E isso, estou certo, ninguém quer.
Publicado por josé 0:50:00 15 comentários Links para este post
duas notas apenas
- uma, para notar o pesaroso silêncio acerca das circunstâncias que rodeiam a hipotética vinda do MIT para Portugal, e das resistências que isso provoca em míseros defensores de 'capelinhas'. Já se percebeu que José Tavares, ex-coordenador do 'plano tecnológico', saiu por estar em rota de colisão com Mariano Gago, Ministro da Ciência, que pretendia, acima de tudo, defender os interesses do 'lobby' do IST, nesta questão... A ambígua resposta de Sócrates quer dizer apenas uma coisa - a questão avançará quando Gago já não for ministro. Resta saber se o MIT esperará até lá. Curiosamente, ou talvez não, esta matéria - crucial - não foi considerada minimamente importante para os candidatos presidenciais serem confrontados com ela pelos jornalistas da nossa praça...
- A segunda, para anotar os diferentes registos adoptados por diferentes membros do Gverno nesta campanha presidencial. Das duas uma, ou Sócrates não coordena coisíssima nenhuma, e não manda nada, o que é plausível ou... Mário Lino e Santos 'Golpe de Estado' Silva terão imperiosamente de ir de vela numa próxima remodelação governamental, em nome do regular e normal funcionamento das instituições...
Publicado por Manuel 0:12:00 8 comentários Links para este post
Hillary vs Condoleeza?
Quarta-feira, Janeiro 18, 2006


Em tempo de presidenciais em Portugal, aqui vai mais actualização sobre as tendências para as primárias nos EUA. Faltam dois anos e meio para que os americanos escolham o sucessor de George W. Bush e há sinais cada vez mais fortes, tanto no campo democrata como no republicano, em relação a quem irá disputar a nomeação.
Do lado democrata, a senadora Hillary Rodham Clinton é, claramente, a front-runner. Lidera todas as sondagens feitas até agora e já está no terreno. Para já, vai dizendo que só está preocupada na reeleição para o Senado, já este ano, mas a sua candidatura é praticamente certa.
Hillary tem um enorme trunfo, o capital político deixado pelo marido, mas terá que recentrar o seu discurso, de modo a tranquilizar quem acha que é demasiado radical e esquerdista. As visitas, nos últimos meses, aos estados tradicionalmente indecisos não deixa dúvidas: ela vai mesmo avançar, provavelmente durante o ano de 2007, e depois de conseguir uma (mais que provável) maioria esmagadora na eleição para o senado.
O antigo senador pela Carolina do Norte, e candidato a vice-presidente em 2004, John Edwards, o candidato a presidente em 2004 e senador por Massachussets, John Kerry, e o general na reserva e terceiro classificado nas primárias de 2004, Wesley Clark, são os principais rivais de Hillary na corrida.
Nos últimos dias, têm aparecido alguns sinais no sentido de que Al Gore, candidato em 2000 (quando teve mais votos expressos do que Bush, mas não foi eleito) poderá estar a posicionar-se para uma eventual candidatura. Se tal acontecer, Gore poderá vir a ser, dentro de algum tempo, o grande opositor de Hillary.
Nos próximos meses, a Grande Loja fará uma análise individualizada destas cinco figuras das quais, com quase toda a certeza, sairá o candidato investido pelo Partido Democrata à presidência dos EUA, em 2008. O governador da Virgínia, Mark Warner, o senador pelo Indiana, Evan Bayh, o senador pelo Illinois, Barack Obama, e o governador do Iowa, Tom Vilsack são outros possíveis candidatos, embora com muito menos hipóteses de discutirem a nomeação. 
Últimos números do lado democrata:
Hillary Clinton: 43 por cento
John Edwards: 14
John Kerry: 13
Wesley Clark: 7
Al Gore: 6
Barack Obama: 5
Joe Biden: 3
Mark Warner: 2
Evan Bayh: 2
Bill Richardson: 1
Tom Vilsack: 1
Com menos de um por cento: Russ Feingold, Tim Kaine, Joe Lieberman
No campo republicano, está tudo bem mais complicado. Não há um front-runner claro, como é Hillary no campo democrata. As últimas sondagens mostram três candidatos muito aproximados e que, nos próximos meses, poderão disputar a liderança na corrida republicana: o senador pelo Arizona, e segundo classificado nas primárias de 2000, John McCain; o antigo mayor de Nova Iorque, Rudy Giuliani e a actual secretária de Estado, Condoleeza Rice.
Rice tem dito que não passa pelos seus horizontes ser Presidente dos EUA, mas não é isso que muitos dos eleitores republicanos acham. Uma eventual disputa feminina Hillary vs Rice seria histórica e a possibilidade até já fez capa de revistas internacionais.
Mas Condoleeza está longe de ser a candidata mais natural. McCain já está no terreno e seria, neste momento, a escolha mais consensual. Falta saber o que o próximo ano nos reserva no que toca ao sucesso da política internacional norte-americana. Se se mantiver a popularidade de Rice, que é vista como a unidade mais válida numa desastrada administração Bush, pode haver uma surpresa.
Outros possíveis nomes na corrida republicana são o governador da Florida, e irmão do actual Presidente, Jeb Bush; o antigo speaker do Senado, Newt Gingrich (mentor da Revolução Republicana dos anos 90); o senador da Virgínia, George Allen; o governador do Massachussets, Mitt Romney, entre muitos outros pretendentes.
Últimos números do lado republicano:
John McCain: 28
Condoleeza Rice: 26
Rudy Giuliani: 25
George Allen: 7
Haley Barbour: 3
Jeb Bush: 3
Newt Gingrich: 2
Mitt Romney: 2
Chuck Hagel: 1
Sam Brownback: 1
George Pataki: 1
Com menos de 1 por cento: Rick Santorum, Tom Tancredo, George Pataki, Mark Sanford, Tim Pawlenty, Elisabeth Dole, Fred Thompson, MIke Huckabee, Bill Frist
Até Novembro de 2008, a Grande Loja continuará a publicar, com regularidade, histórias e análises sobre a mais complexa campanha da democracia moderna: a corrida presidencial nos EUA.
Publicado por André 22:48:00 0 comentários Links para este post

A priest blesses a Boa constrictor from Madrid's Safari Park in Aldea del Fresno during the festival of San Anton. Hundreds of pet owners around Spain flock to church to have their pets blessed on the day of San Anton, the patron saint of domestic animals(AFP/Pedro Armestre)
Publicado por Manuel 20:26:00 2 comentários Links para este post
O advento
Talvez valha a pena recordar um texto publicado nesta Loja, já em 2004, agora que se fala na substituição do PGR.
A revista Pública, em 12 de Janeiro de 1997, publicou um extenso panegírico de 16 páginas, consagrado a “Zé Narciso”, profusamente ilustrado, com fotos que só poderiam ter saído dos álbuns do próprio panegirizado. A carreira de Cunha Rodrigues, segundo Áurea Sampaio, a autora do escrito:
“...em Fevereiro de 1975 é convidado para vir para a Procuradoria Geral, como procurador-adjunto ( deve referir-se que CR era á época juiz de direito, nota de copista).
A família fica no Porto (...) . Um ano depois, já Almeida Santos era ministro da Justiça, o Governo decide fazer a adapatação do sistema jurídico à nova Constituição. Era necessário não só proceder à revisão dos códigos, mas também adequar todo o sistema judiciário à separação das magistraturas. Com esse objectivo, o ministro reúne no seu gabinete um conjunto de entidades, entre as quais o procurador geral Arala Chaves, que levava consigo o jovem magistrado Cunha Rodrigues. “Eu não o conhecia, mas as intervenções que fez e as impressões que trocámos depois revelaram uma clareza de pensamento e uma profundidade de conhecimentos que me levaram a pensar : é este o meu grande auxiliar para este processo”, diz Almeida Santos.
Esteve ano e meio no Ministério e trabalhou tecnicamente em todas as leis orgânicas, nos estatutos dos magistrados judiciais e do Ministério Público, Organização Tutelar de Menores, Lei do CEJ...
A sua grande vantagem era aquilo que, nos meios jurídicos, é considerado um conhecimento “verdadeiramente enciclopédico” na área do Direito Comparado. Admite que o assunto é uma das suas “manias” e que isso lhe permite chegar junto dos responsáveis políticos, mostrar as soluções neste ou naquele país e propor caminhos. Mas reage algo violentamente quando apelidado de “arquitecto” do actual sistema judiciário: “Não, o sistema tem sido muito pensado por mim e muito estragado por outros”.
Assume a postura de técnico que teve “alguma influência” e assistiu , decepcionado, ao desvirtuar da sua obra. “ As leis, em vez de terem progredido, foram perdendo a sua identidade e a sua raiz.” Porquê? “Porque não correspondem ao modelo desenhado en 25 de Abril. Foram criadas normas e feitas reformas que não correspondem a esse paradigma”.
O Procurador não gosta nada de se lembrar disso e recrimina-se: “Aí tenho culpa, porque eu próprio podia, a certo momento, fazer a ruptura com o sistema ou então entrar nele para o mudar.”
E continua o artigo de Áurea Sampaio:
Por trás da nomeação de Cunha Rodrigues como Procurador Geral da República esteve um conflito( mais um) entre Mário Soares e Ramalho Eanes, então presidente da República. Estava-se em 1984 e o Governo era de Bloco Central, com PS e PSD coligados. Surge então a polémica sobre se o cargo de Procurador devia ou não estar sujeito a limite de idade. O Executivo achava que sim, argumentando que toda a administrção pública estava abrangia por esse limite e o facto de isso não acpntecer no caso do PGR conferia ao cargo “uma natureza política que não devia ter”, segundo recorda Rui Machete, entáo ministro da Justiça. Por seu lado, o Presidente entendia justamente o contrário. Isto é, “o cargo não devia estar limitado por nenhuma baía”, coomo relembra o general Eanes. Na altura,”pesava tanto o cargo de PGR que este só devia sair se não houvesse confiança nele”, adianta.Neste jogo de empurra, e sem qualquer comunicação pévia ao PR, Mário Soares avança publicamente com o nome de Cunha Rodrigues para substituir Arala Chaves, que chegava aos 70 anos. Estava-se no auge da guerra entre S. Bento e Belém e Soares terá fintado o Presidente, que desejava ser ouvido na escolha.Quem sugeriu o nome de Cunha Rodrigues foi Almeida Santos, que com ele trabalhara, anos antes, na reforma do sistema jurídico. “Mário Soares não o conhecia bem, mas confiou em mim e o dr. Mota Pinto também já tinha dele boa impressão”. Também Rui Machete já fizera as suas “démarches” e, entre vários nomes, chegara à mesma conclusão. Com “padrinhos” desta monta é natural que o Conselho de Ministros acabasse por aprovar a indigitação de Cunha Rodrigues, que assim derrotava Pinheiro Farinha ( depois nomeado presidente do Tribunal de Contas) e Marques Vidal, então vice-Procurador e considerado o natural sucessor de Arala Chaves.Quem não via a indigitação com bons olhos era o Sindicato dos Magistrados. É Maximiano Rodrigues que o revela. “ Em 84 eu integrava uma corrente que não apoiava Cunha Rodrigues, tido como figura próxima do PSD, o que se entendia ser negativo para uma magistratura muito formada em 75”. Hoje arrepende-se dessa análise. “Verifiquei que o comportamento dele não tinha nada a ver com essas correntes (PSD), nem com quaisquer outras”.Embora considerando “não terem sido apresentados contra-argumentos suficientemente convincentes” para contrarias as suas razões, Eanes acabou por nomear o novo Procurador. “ Para não criar perturbações”, justifica. Ou por não ter outro remédio...”
Publicado por josé 17:53:00 1 comentários Links para este post
dos benefícios de um vendido no reino dos bonifácios

Através de um blog, surgiu a lembrança de uma música popular portuguesa como já não há.
A Banda do Casaco editou, entre finais de 1974 e 1977, três discos fundamentais para a nossa música popular.
Um deles, do qual se reproduz aqui a capa- bem sugestiva, aliás, dos tempos que correm e que já corriam em 1977- não pode ser reeditado porque se perderam os "masters" originais.
O disco, intitulado Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos, foi gravado pelo técnico José Fortes, no estúdio da Rádio Triunfo, em 1977 e editado pela Imavox.
Segundo uma entrevista, há uns anos, do próprio Nuno Rodrigues ou de António Pinho, os génios da banda, o master original ter-se-á perdido, depois de uma arrematação, por junto, de um lote de bens pertencentes à falência da firma editora ( a Imavox? Ou a Rádio Triunfo em meados dos 80, cujo espólio passou para a Movieplay? ).
Alguém saberá do paradeiro das fitas?
Fica um dos poemas do primeira disco- Dos benefícios de um vendido no reino dos bonifácios.( título sugestivo e com destino certo na minha intenção...)
É um sujeito é um escritório
uma gravata, um suspensório
uma conversa de latrina
é um verbete, uma aldrabice
é um trabalho , uma chatice
entre fumo e aspirina
É numa rua o pôr da sol
acalçada nas horas de ponta e mola
são conversas de cotovelo
é um eléctrico um pendura
um regresso e uma tontura
é um sorrir muito amarelo
É uma casa uma família
uma torrada um chá de tília
uma conversa de fastídio
é um chinelo e um menino
televisão com o Vitorino
a lentidão de um suicídio
É numa rua o pôr da sol
acalçada nas horas de ponta e mola
é um silencio e um ritual
são os lacaios do comendador
são as gravatas sem côr
na procissão dum funeral
Publicado por josé 17:16:00 5 comentários Links para este post
"Mas onde é que estão os outros números?"
Publicado por Carlos 15:24:00 3 comentários Links para este post
Sabes alguma coisa das disquetes?
Publicado por Carlos 14:57:00 4 comentários Links para este post
My lunch with an antifeminist pundit
Kate O'Beirne, author of the new book "Women Who Make the World Worse," says most women don't want the things feminists are fighting for.
para ler tudo em salon.com
Publicado por Manuel 23:44:00 0 comentários Links para este post
Te Doy Mis Ojos
Publicado por contra-baixo 23:02:00 0 comentários Links para este post
e quando eu pensava que já tinha visto tudo...
... eis que a Fox (canal por cabo) transmite um episódio da série, norte-americana, 'House' dobrado em espanhol, e legendado em Português...
Publicado por Manuel 22:17:00 2 comentários Links para este post
Padeiro de Aljubarrota Torres Vedras aguarda condecoração
O militar de 26 anos alvejado ontem em Sobral de Monte Agraço, que sofreu um desprezível arrancamento de parte da face esquerda e esmagamento do olho homolateral, será punido disciplinarmente por não ter oferecido catolicamente a outra face, mas Sampaio, na qualidade de agnóstico comandante supremo das forças armadas, prometeu já interceder a seu favor, alvitrando a possibilidade de comutar a sua pena por um trabalho pedagógico na verberada comunidade de Chelas, facultando aos jovens habitantes mais propensos para a física aplicada a oportunidade de estimarem correctamente a distância a um alvo humano nas provas de tiro organizadas no bairro ao lusco-fusco, proposta apenas concretizável após a conclusão da negociação de entrega às autoridades do bárbaro soldado, alegadamente barricado numa cama do serviço de cuidados intensivos do hospital de São José, onde persiste cercado por uma equipa de médicos e enfermeiras que envidam esforços para demovê-lo da intenção de detonar o balão de oxigénio conectado ao tubo introduzido na sua traqueia. Entretanto, o padeiro ofendido ambiciona expandir por todo o país, através do franchising, o negócio da transformação de agentes da autoridade em carcaças, asseverando a manutenção do preço actual do pão, face à forte concorrência espanhola a partir da via do infante no Algarve.
Publicado por Nino 21:58:00 1 comentários Links para este post
'Canal Memória'
Uma leitura fundamental n'O Acidental.
Publicado por Manuel 20:15:00 0 comentários Links para este post
toma lá, dá cá
O affair Eurominas continua a dar que falar. Hoje, na TSF está um espantoso resumo das declarações de José Lamego, na comissão parlamentar de inquérito. Reguila, Lamego por um lado considera 'justa' a indeminização, mas por outro lembra alegadas pressões do Governo da África do Sul, as quais testemunhou, e que terão condicionado a decisão final. Torna-se patente que o problema é muito mais que jurídico-formal, e mais da estrita ética política. Lamego tomou conhecimento das pressões, enquanto membro do Governo, e em vez de recordar a um país estrangeiro a independência dos tribunais e da justiça portuguesa, onde as pretensões da Eurominas jamais teriam provimento que fez ? Patriota, saiu do Governo e passou a defender os interesses, a alegada chantagem, de uma potência estrangeira. Edificante. Só falta saber, continua a faltar saber, que parte dos milhões pagos à Eurominas foi de facto parar à África do Sul, e que parte ficou, pelo caminho, nos bolsos dos patrióticos advogados, e intermediários... É a única parte que interessa aliás...
Publicado por Manuel 19:49:00 5 comentários Links para este post
Pereira, Pacheco Pereira - o autor da fatwa
Publicado por Manuel 19:11:00 3 comentários Links para este post
A pasionaria
Ana Gomes, no seu melhor! Anda Pacheco!
Publicado por josé 18:30:00 4 comentários Links para este post
um balanço
Quer seja eleito à primeira volta, quer não seja sequer eleito, quer seja reeleito daqui a quatro anos, a carreira política de Anibal Cavaco Silva, para todos os efeitos, terminará no próximo domingo, 22 de Janeiro. Tal como Soares, antes dele, Cavaco ficará para a história 'apenas' com o primeiro ministro que foi, e que mudou a face de Portugal, sendo o seu eventual mandato presidencial uma mera nota de rodapé. É inevitável. Fruto das opções tomadas nos últimos meses, fruto de uma estratégia tão profissional e tacticista que acaba a razar a ingenuidade, Cavaco vai alcançar, tudo o indica, uma vitória de Pirro.
Cavaco Silva abdicou nesta campanha de fazer um discurso 'duro', concreto e realista, um discurso 'duro' não 'contra' o Governo, ou a esquerda, mas um discurso sobre a realidade da crise e dos sacrifícios que se impõe, a todos, e que são inevitáveis. Aparentemente a conselho dos marketeiros, por sinal os mesmos que guindaram Sócrates, adoptou um discurso híbrido e delicodoce, onde pretendia aparecer como tudo, aos olhos de toda a gente. Acabou com maior ou menor vigor acantonado e catalogado como o candidato da 'direita', de uma direita sem alma nem memória, que até já canta embevecida a 'Grândola Vila Morena', e a quem só falta mesmo é elogiar Saramago.
Cavaco Silva podia ter sido o candidato da mudança, podia ter introduzido na campanha e no discurso elementos substantivos de reforma e de ruptura mas não. Apresenta-se como o candidato da continuidade, do regime, eventualmente da transição. Podia ter feito uma campanha sem recurso a aparelhos partidários, mas não resistiu, podia ter feito uma campanha sem líderes partidários mas não arriscou, podia até ter ido à Madeira sem pedir autorização ao regedor lá do sítio, Alberto João, e sem ceder à exigência de um ter que ouvir a grunhir num seu comicío, mas não ousou.
Será, sem dúvida, um bom presidente, sóbrio, sensato e respeitável, mas não mais do que isso. O discurso e a estratégia que adoptou, assim como a rapaziada, simpática, obdiente mas politicamente acéfala, de que se rodeou, não lhe permitirão muito mais do que isso. Por muito que se agitem fantasmas, não só por causa de uma hipotética 'reeleição' mas também por isso, a sua relação com Sócrates, e com o Governo, será pacífica e cordata, na exacta medida da relação deste com o eleitorado, e com as sondagens.
A Cavaco faltou a irreverência, a ousadia, Cavaco não apresentou, para além da competência, conceito vago e nebuloso, muitas vezes estragado pelas companhias, um modelo alternativo, e é por isso, pelas razões erradas, que, tudo o indica, chegará a Belém. Os portugueses não vão votar maioritariamente em Cavaco por quererem uma inversão de rumo, não vão sequer votar por razões ideológicas, vão votar em Cavaco sobretudo por descargo de consciência. Com Cavaco em Belém ficam com a consciência tranquila, Cavaco em Belém, apresentado por muitos dos seus apoiantes como um salvador omnipotente e omnisciente, resolverá os problemas todos e isentá-los-á, a eles eleitores, de sacríficios e responsabilidades adicionais. Não deixa de ser irónico, que quanto mais folgada, mais fácil, for a vitória de Cavaco, mais estreita será a sua margem de manobra, o que, bem vistas as coisas, não é necessariamente mau.
Numa primeira fase a imprensa, os analistas, e os intriguistas do regime, vão ver todas as intenções, em todos os actos, numa primeira fase PSD e PP vão continuar atordoados e desnorteados, como agora, em que abdicaram de praticamente fazer política com vista a não (!) 'ofuscar' Cavaco, mas depois, todos, inevitavelmente, vão ter de fazer o que não fizeram nos últimos 20 anos - reinventarem-se, porque Cavaco não os vai salvar - não tem, nunca teve, 'gente' para isso. O estado actual do PSD e do PP em que tudo ou quase tudo pode ser explicado por acontecimentos remotos no século passado não pode durar muito mais tempo, e não vai durar.
Quanto a Sócrates continuará entregue à sua sorte, com um PS em mutação. Vai ter que escolher entre uma via de esquerda 'pura', o que quer que isso seja, e uma via 'social-democrata', à Blair, que tanto pode encolher o PSD, como acabar com o PS fracturado, como aconteceu ao SPD alemão.
Sobre Alegre não há, ao contrário do que por aí se diz, muito para dizer. Vai ter votos, não pelas suas ideias, que ou não tem, ou são completamente insustentáveis, e contraditórias, mas tão simplesmente porque foi o que a esquerda encontrou de mais parecido com o estilo e a pose de Cavaco. Ao contrário de Louçã e de Jerónimo, 'simpáticos' radicais, Alegre não choca, não hostiliza, e sobretudo não impressiona. Junte-se um certo ar quixotesco (contra tudo aquilo que o manteve à tona nestes 30 anos) e está explicada a 'onda'.
No fundo estas eleições não são sobre 'política', são sobre a negação da política, são um passo, mas nunca um fim. E se calhar é melhor assim, que todos percebam que a 'salvação' não vem de cima, mas de todos nós, e de cada um, quando deixarmos de abdicar das nossas responsabilidades, e de as imputar a terceiros.
Dito isto, o meu voto vai para Cavaco, sem quaisquer ilusões, por ele, e só por ele.
Publicado por Manuel 15:24:00 7 comentários Links para este post
e agora algo de verdadeiramente importante...
... Começou nos states mais uma temporada da série 24 na fox. Os quatro primeiros episódios já andam por aí... imperdível.
Publicado por Manuel 14:08:00 1 comentários Links para este post
Em busca da Alma mater
Pois é, caro José Adelino Maltez! Se tivesse levado esse texto que agora escreveu e o lesse, no que demoraria uns poucos minutos; e pedisse à realizadora a ilustração da declamação com algumas das imagens que também mostra, o programa seria de arromba!
Assim, foi um pouco a mistura de alguns sound bytes, curto-circuitados por intervenções anafiláticas do eu de alguns intervenientes.
Publicado por josé 14:01:00 5 comentários Links para este post
A pátria e a Alma
Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
Prós & Contras. Tema: A alma da Nação.
Participam Nandim de Carvalho; José Adelino Maltez; Clara Pinto Correia; João Carlos Oliveira, publicitário ; Jacinto Lucas Pires, esritor; P.e António, nascido em Damão.
CPC- "eu sou..."
"Os meus pais foram..."
" Você é..."
"Eu chorei. Eu gosto de fado. Eu estive 10 anos na América e foram os piores anos da minha vida."
JLC- " Nós caimos..."
" A não existência...."
"O sonho e a possibilidade"
"O primitivismo sofisticado..."
"A fuga é a norma..."
" O som e a origem..."
" Uma nova possibilidade e um novo caminho".
JCO- "O anúncio ( da PT, com o hino) é legítimo. Permitido por lei."
" temos um deslumbre com tudo o que vem de fora"
"A ponte é a 2ª maior da Europa"
"Nós achamos que os portugueses são todos como o Mourinho e a Paula Rego"
" Nós queremos não ser saloios".
"Sou técnico de comunicação e comparo a alma com ouro que me parece uma analogia"
" O Zé povinho, hoje, é folclore".
" O que é que há hoje para olhar em Portugal? Falta-nos orgulho"
JAM- " A política não é apenas uma questão de razão e vontade; há uma terceira potência que é o afecto"
" Nós criamos uma super-nação"
" A república portuguesa a que chegamos é a república dos que ficaram cá; porque há os que partiram para o Brasil e outros lados."
" Porque é que não havemos de brincar com as coisas que são sagradas?"
"P. ex. o Zé Povinho, é uma invenção de Bordalo."
" A geração de Malhoa é uma invenção".
" A nossa principal força é a língua com o espaço de afecto."
" Todas as histórias pátrias são ridículas porque são invenções."
" O saloio é dos povos, do mais antigo de Portugal"
" O Zé povinho é saloio".
P.e António ( de Damão)- " AS pessoas não respeitavam o hino antes de 25A"
" A alma através da língua e cultura penetra muitas outras nações . Mesmo na Índia, em Cochim, zonas onde Portugal passou, há quem fale português, mesmo que não se ensine na escola".
N.C. -" Temos que ter confiança em nós próprios e não ter visão derrotista."
"Os valores tradicionais"
" Pátria alicerçada na lusofonia."
" Temos que falar em Deus que é a vertente espiritual."
" O novo valor da alma- anima- ânimo- deve ser construida através de vertentes tradicionais e novas."
" Concordo com o prof. Maltez- também sou saloio!"
Foi esta a primeira parte. A segunda não promete muito mais...
Publicado por josé 23:07:00 15 comentários Links para este post
Subsídio à fisiopatologia do prurido provocado pelo anonimato em alguns meta-políticos
«Vê-se que o espaço público falta cruelmente em Portugal. Quando há diálogo, nunca ou raramente ultrapassa as "opiniões" dos dois sujeitos bem personalizados (cara, nome, estatuto social) que se criticam mutuamente através das suas crónicas nos jornais respectivos (ou no mesmo jornal). O "debate" é necessariamente "fulanizado", o que significa que a personalidade social dos interlocutores entra como uma mais-valia de sentido e de verdade no seu discurso. É uma espécie de argumento de autoridade invisível que pesa na discussão: se é X que o diz, com a sua inteligência, a sua cultura, o seu prestígio (de economicista, de sociólogo, de catedrático, etc.), então as suas palavras enchem-se de uma força que não teriam se tivessem sido escritas por um x qualquer, desconhecido de todos. Mais: a condição de legitimação de um discurso é a sua passagem pelo plano do prestígio mediático - que, longe de dissolver o sujeito, o reforça e o enquista numa imagem "em carne e osso", subjectivando-o como o melhor, o mais competente, o que realmente merece estar no palco do mundo.»
GIL, José, "Portugal, Hoje: o Medo de Existir", 2004, Relógio D'Água Editores, pp. 30 e 31
Publicado por Nino 22:02:00 3 comentários Links para este post
O nome e a coisa

Sobre a polémica iniciada por José Pacheco Pereira, cumpre-me dizer apenas isto: como assino como Carlos, sou presenteado com um trauliteiro naco de prosa, se assinasse Manuel Tiago (com todo o respeito pela memória do senhor, não vá o Jerónimo exaltar-se) se calhar tinha direito a três calhamaços. Lá chegarei!
Publicado por Carlos 21:54:00 1 comentários Links para este post
"Curiosidade"
"Os 64 nomes que constam da listagem ontem revelada não pagam telefone. Esta situação é facilmente explicada, se tomarmos em conta que a Portugal Telecom tem um sistema informático que gera informação agregada por cliente e não por número da linha de rede. Nessa sua listagem de clientes, existe um ficheiro chamado “Estado” onde se encontram agregados todos os nomes de titulares de cargos públicos, ou de cidadãos que prestaram relevantes serviços à Nação e que, por decisão estatal, não pagam telefone. Estão nestas condições, por exemplo, Mário Soares, que possui três residências e não paga telefone em nenhuma delas. "
Uma questão lateral levantada pelo 24 Horas tem uma certa curiosidade. O facto de os políticos pedirem sacrifícios aos cidadãos quando eles próprios não dão o exemplo. Que legitimidade tem quem passa férias no Quénia ou se aleija em férias na neve para exigir os tais sacrifícios? Que legitimidade tem quem afirma ter os mesmos cuidados de saúde que os magistrados e é tratado com mordomias?
E um candidato presidencial, que diz pensar no povo, com os telefones de todas as suas casas pagos?
Assur
Publicado por Nino 19:32:00 5 comentários Links para este post
nota aos leitores
technorati tags: Grande Loja do Queijo Limiano
Publicado por Manuel 17:50:00 5 comentários Links para este post
uma questão de respeito...
Ao que parece as candidaturas da frente anti cavaquista acordaram entre si um último debate, na RDP(!), e desafiaram o Prof. Cavaco a aparecer. Este declinou o convite, alegando não o estranhar da data sugerida, sexta -feira, último dia da campanha, mas questões de agenda e de respeito pelos eleitores. Errou. Pois bem, por uma questão de respeito pelos eleitores, eu espero sinceramente que a RDP mantenha o debate. Sempre estou para ver se, sem Cavaco, os outros todos aparecem, ou se, sem a presença de Cavaco, ficam todos sem nada para dizer, ou... como Cavaco como 'questões de agenda'...
Publicado por Manuel 16:37:00 2 comentários Links para este post
Borges, António Borges
António Borges, putativo candidato a salvador da Pátria, apoia o Prof. Cavaco, o que só lhe fica bem. O que já fica mal, pessimamente, é alguma da argumentação que Borges usa para 'contextualizar' o seu apoio... Hoje no Diário Económico, num comovente texto onde só faltou apelar a Bento XVI que canonizasse Cavaco ainda em vida, Borges escreve barbaridades como...Um bom juiz saberá que um bom presidente o apoiará quando for preciso demonstrar verdadeira independência.
Se Borges tivesse dois dedinhos de testa, e soubesse minimamente sobre o que está a falar, perceberia que a principal e maior razão para votar em Cavaco é o da credibilização do sistema político. Ora, essa credibilização não se obtém, nem de perto nem de longe, fazendo no auge de uma campanha eleitoral promessas incumpríveis, inconstitucionais e absolutamente demagógicas.
Publicado por Manuel 16:05:00 1 comentários Links para este post
Publicado por Manuel 15:19:00 4 comentários Links para este post
Vá directamente para a magistratura sem passar pelo CEJ
Obrigado, José Pacheco Pereira. A sério.
Três apontamentos apenas:
- 1) A questão do anonimato ressurge de vez em quando, mais concretamente quando convém chamuscar certas pessoas. A hipocrisia grassa. A Grande Loja "servia" ao grande timoneiro da blogosfera quando teve um papel importante na "campanha" da Ota, mas agora já não. Logo, o anonimato que anteriormente não incomodava nada agora já incomóda. Sintomático.
- 2) Gostava que me esclarecesse quando é que, pessoalmente, fiz"insinuações sobre tudo e todos, alimentando uma atitude policial de desconfiança, sem respeito algum pelas liberdades.". Pode contactar-me para o e-mail irreflexoes@gmail.com (identificação completa disponível a pedido);
- 3) A imputação a uma pessoa, "mesmo sob a forma de suspeita, [de] um facto, ou formular sobre ela um juízo, ofensivos da sua honra ou consideração" tem um nome: difamação. Esteja descansado, que não vou entupir os tribunais com uma questão que, em bom rigor, devia estar na esfera da honra e verticalidade morais e não da do Direito e da Justiça. Ora eu nunca difamei ninguém. Já José Pacheco Pereira fê-lo. Difamou todos e cada um dos que aqui escrevem. Os actos ficam com quem os pratica.
E admitir um erro, e fazê-lo publicamente, é algo que só fica bem, especialmente a homens de bem. Cá aguardo. Sentado.
Publicado por irreflexoes 14:59:00 2 comentários Links para este post
Mais dos "corporativos ocultados"
A juiza Fátima Mata-Mouros que em tempo chegou a declarar que o papel do JIC é dizer não ao MP, faz uma boa análise do problema das escutas telefónicas em sede de investigação criminal, em Portugal, hoje no Público. Aliás, este jornal, nos últimos dias, tem feito um bom trabalho sobre o problema do embrulho. Estão de parabéns (sans blague), neste caso, os jornalistas do costume - António Arnaldo Mesquita e Tânia Lâranjo. O artigo da juiza pode ser lido aqui, no blog Verbo Jurídico.
Não obstante, o artigo levanta mais problemas do que aqueles de aponta e denuncia. Poderia assim de repente, dizer-se o seguinte:
A análise é boa - mas inconsequente. O que é que propõe a seguir? O regresso ao sistema de JIC´s como havia antes de 1987?! Com todos os custos de formação de juizes de instrução que isso implica e depois destes 18 anos de experiências?! Vamos passar outros vinte a experimentar, para chegar depois à conclusão que era melhor deixar estar como está?! A submissão das polícias ao MP? A organização do MP de modo a ter na PJ o poiso dos investigadores do DCIAP, como acontecia antes do 25 de Abril com os juizes privativos da PJ? A dignificação dos DCIAPS, com a reestruturação destes e um novo élan, mais do que necessário, aliás? Ou pretende-se a submissão do MP ao Ministro da Justiça, com a perda subsequente da autonomia e a governamentalização dos "parquets" como em França, Espanha ou Alemanha (e sem os contrapesos deste sistema, nestes paises)?
Vamos dar razão a Proença de Carvalho e a uns tantos (muito poucos, aliás) que defendem a defenestração do MP da casa da investigação? E nesse caso, vamos dar-lhes razão sem que os mesmos apresentem modelo teórico coerente; sem que apontem um único teórico que o defenda actualmente e por isso vamos acreditar em amadores e voluntaristas que só dão palpites avulsos de controlo e mais controlo, porque é isso apenas que aparentemente pretendem? Ou vamos dar razão a Figueiredo Dias e Costa Andrade e à escola de Coimbra que gizou este modelo e ainda o defendem como sendo o melhor, mas aperfeiçoável, na prática?
A discussão promete. Se for feita por quem a saiba fazer.
Publicado por josé 12:34:00 3 comentários Links para este post
A "perspectiva corporativa ocultada"...
Em alguns blogs animados por magistrados, escreve-se sobre os acontecimentos recentes do "envelope 9" que acabou por sair um bom embrulho.
No blog Sine Die, Eduardo Maia Costa, assina "Envelopes" e logo acima, a mostarda chegou ao nariz de A.H. Gaspar que escreve "Basta!" Este magistrado de topo, começa por quase pedir desculpa em escrever sobre o assunto, por causa do "dever de reserva" (!!) e acaba assim...
Tudo isto tem objectivamente como efeito o risco de dissolução do Estado e das suas instituições fundamentais.E aqui a comunicação também tem deveres e responsabilidades que lhe são impostos pela sua missão de interesse público.Basta!Notável ainda o texto, no mesmo blog, intitulado "Reflexões sobre a prostituição, a política e a justiça", assinado por Artur Costa.
A propósito dos pruridos de A H Gaspar em quebrar o selo sagrado da "reserva", e que ainda é princípio ético de muitos magistrados que assobiam a estes problemas como se fosse nada com eles, só me ocorre uma história que poderia resumir do seguinte modo: há um tipo que está a dormir e apercebe-se de um incêndio na casa. Apesar do fumo e das chamas que o ameaçam, hesita em sair porque está em pijama... Vistam o roupão! E vão buscar água rapidamente, pois já nem há tempo para os bombeiros! Não caiem os parentes na lama, por causa disso. Quem cai na lama, isso sim, é a dignidade profissional de centenas ou milhares de pessoas, aos pés de pasquins em formato tablóide.
Porém, o melhor texto sobre o assunto e que coloca os pontos nos ii, está no blog Grano salis. Assinado por um anónimo, Vasconcelos, fica aqui o texto integral e os parabéns pela lucidez analítica...
O “Número Nove”
Numa investigação de abuso sexual de crianças, onde tombam nomes de gente famosa, pede-se o registo das chamadas feitas a partir do telefone de um dos suspeitos. Por azar, um telefone em nome do Estado, dos muitos que por aí param em boas mãos e para que todos nós contribuímos civicamente.Um zeloso funcionário da operadora responde e, vá-se lá saber porquê, para além do que foi pedido, junta ao pacote encomendado algumas dezenas de milhares de outros registos do mesmo cliente, o Sr. Estado. Diz a operadora, muito naturalmente, que «o sistema informático gera a informação agregada por cliente e não por número da linha da rede». Perante esta fatalidade, o mesmo funcionário, muito diligente e inocentemente, segue o caminho mais difícil - oculta com um «filtro informático» o excesso de dados «referentes a outros números do mesmo cliente», o tal Sr. Estado, e manda tudo, muito bem embrulhado, camuflado e encriptado, aos investigadores dos abusos, sem que estes o saibam. Assim nasce um envelope, crismado de “Número Nove”.Os investigadores e todos quantos, de boa fé, tiveram que manusear o pacote, não se aperceberam da excrescência. Nem tinham razões para suspeitar da existência do presente envenenado, tanto mais que provinha de um entidade também do Sr. Estado, administrada por gente de respeito, logo de bem.A investigação prossegue, prossegue, sempre com o “Número Nove” ao dependuro. O processo muda de fase, muda de mãos, leva trambolhões, é analisado, escalpelizado, espezinhado, maltratado, vilipendiado, e ninguém, ao longo de meses e anos, se dá conta do abcesso. Até que, em vésperas de eleições, quando o Presidente está de malas aviadas e não dá sinais de grandes mudanças, alguém se lembra de lhe sobressaltar o sono. Não por causa do “Número Nove”, mas de quem é tido por seu guardião; não por causa dos registos, mas, a pretexto destes, do frete que não foi prestado e da integridade que não foi possível domar.É assim que alguém que não dá a cara, por artes do maligno, consegue descobrir que o ficheiro escondido no “Número Nove” estava prenhe de informação. Que alguém que manobra na sombra, lhe topa o filtro e lhe retira o manto diáfano... da pulhice. E como, nestas coisas, há sempre quem não tenha escrúpulos e esteja pronto a vender a alma ao diabo, é assim que alguém, que se acobarda no anonimato, põe um jornal de muitas horas a fazer o rebentamento da bomba tecnológica.O acto terrorista foi consumado. O resto é o que se vê.A campanha eleitoral é suspensa. Os candidatos botam palpite, alguns fazem ameaças, lançam reptos, condenam antes de julgar, mostram como usariam os poderes presidenciais se já os tivessem (ainda bem que o fazem, pois assim mais prevenido se fica). As carpideiras contratadas dão largas à histeria colectiva. A imprensa redobra as tiragens e os lucros. Os catedráticos do costume perdem o tino e o senso. Opinadores assalariados lançam dedos em riste. Todos se afadigam em descobrir e crucificar os culpados que lhes convêm.Do cobarde que, anonimamente, preparou e executou toda esta agitação, ninguém se lembra. O jornalista que despoletou o engenho, acoberta-se atrás da libertinagem de imprensa e do segredo gloriosamente chamado profissional, e, com um sorriso de inocência, limpa as mãos sujas da pólvora. Das vítimas dos abusos sexuais, dessas, coitadas, já ninguém fala. E sobre os senhores que gostam de pilinha de menino e de cuzinho pobre, paira uma névoa de esquecimento e perdão.O que é preciso é arranjar um bode expiatório, mesmo inocente, apedrejá-lo, cuspir-lhe na honra, levá-lo ao cadafalso. O que é preciso é descredibilizar e enlamear a Justiça, antes que o processo, com ou sem o pendericalho do “Número Nove”, chegue ao fim. O que é preciso, é animar a malta.
Publicado por josé 12:00:00 4 comentários Links para este post
domínio público e 'propriedade intelectual'
[in the USA...] A sports fantasy league company has asked a federal court to decided whether baseball statistics belong in the public domain as history or are the property of major league baseball. Basically, they had been licensing the statistics for nine cents (US) per gross from the Major League Baseball Players Association. But MLB recently bought the rights to be the sole licensor and has refused to renew the license of the fantasy league company. From the article: 'Major League Baseball has claimed that intellectual property law makes it illegal for fantasy league operators to commercially exploit the identities and statistical profiles of big league players.' (via slashdot)
Publicado por Manuel 10:33:00 0 comentários Links para este post
ideias luminosas
Parece que há muita gente animada pelas sondagens diárias do DN/Marktest. Cavaco Silva estará a descer nas intenções de voto (estará nuns míseros 56%). O corolário lógico é agora pedir o adiamento das presidenciais até a uma altura em que Cavaco já tenha 'descido' o suficiente. O único factor de curiosidade é saber quem vai ser o primeiro candidato das esquerdas a exigir tal adiamento, em nome da saúde das instituições, e do bom realacionamento 'fraterno' entre essas mesmas esquerdas...
Publicado por Manuel 9:30:00 1 comentários Links para este post
O choque da info-exclusão
Domingo, Janeiro 15, 2006

Agora que se sabe como acontecem certas coisas e ainda não se sabem outras, o jornal 24 Horas continua a insistir, em editorial, que aí se faz "jornalismo, não política." E que " se há uma notícia, publica-se"! Publicar, publica-se. Poderiam então publicar também como se desinforma, tomando meia verdade como uma mentira e meia. Pois, como também já vi por lá escrito, "nós não nascemos ontem".
Assim, fica aqui para recordação uma primeira página de outro jornal, de Novembro do ano passado, sobre uma outra gaffe informática. Dessa vez, sobre gaffe parecida, o que escreveram os jornais?! Também pediram a demissão do responsável de topo?!
Publicado por josé 23:51:00 7 comentários Links para este post
Entre as brumas
Tenho para mim que a utilização do Hino Nacional no spot televisivo da PT é a prova inequívoca do profundo sentido de Estado que rege (expressão com influências monárquicas em homenagem ao Conde Costa) os destinos da empresa.
Publicado por contra-baixo 19:38:00 4 comentários Links para este post
A minha resposta ao postal do Abrupto
Num pequeno texto, uma súmula de acusações, sem factos; sem argumentos e sem justificações, José Pacheco Pereira aviltou este blog. Com uma pequena bolsa de opiniões baseadas em preconceito e, pior, juízos de valor que a si mesmos se definem.
O capo do corpo de delito é o “anonimato” num blog “político”. O que é um blog “político”? O que se dedica à causa da política em sentido lato de, como agora se diz, cidadania? Os jornais e media em geral, são “políticos”, neste sentido? O Expresso e o Público onde José Pacheco Pereira escreve crónicas sobre política geral, são-no? Para bom entendedor, passemos então à frente…ou mais atrás um pouco.
Sobre o anonimato, vou dar de barato que a discussão já estiolou nos argumentos essenciais. Se José Pacheco Pereira não os apreendeu, ainda vai a tempo. Basta googlar umas tantas palavras e fica esclarecido sobre o valor e desvalor do uso de pseudónimos para assinar escritos. Particularmente, tenho a dizer que conheço nos blogs com maior divulgação e noutros que nem tanto, gente suficiente para testemunharem a minha identidade- quem sou; o que sou e o que faço, onde e quando- para o bem e para o mal. Se isso não for suficiente…tenho mais um argumento: não preciso de revelar o nome para acrescentar valor ao que escrevo. Não ganho a vida a escrever…e isto é mesmo uma insinuação, pode estar certo, agora.
Quanto ao demais, sugiro-lhe a leitura deste postal que publiquei em 4. 9.2005, de crítica a Vital Moreira e no qual concentro a minha atitude ética no blog e no qual publiquei, mais uma vez o endereço de email e pedi a um energúmeno que aí me insultou que o fizesse pessoalmente. Até hoje… Além disso, como toda a gente sabe, este blog tem caixa de comentários onde qualquer visado se pode defender e…atacar. O Abrupto não tem. E não é anónimo.
Passemos à questão oculta e insidiosa dos escritos na “perspectiva corporativa ocultada”. O que é uma perspectiva corporativa? A que é apresentada a partir do interior de uma corporação e secundando os presumidos interesses dos seus membros?
Vejamos, o que José Pacheco Pereira quer referir, sem mencionar expressamente, insinuando portanto, é que aqui os meus escritos estão ao serviço da causa de uma corporação que no caso poderia ser a dos magistrados. Bem, poder, podia. Mas como os escritos estão aí, podem sempre sindicar-se para lhes topar esse perfil maldito, que o inquisidor aqui lança ao público.
O teor das inquisições várias, ao longo dos tempos, tem todas este mesmo perfil. Desde o tempo medieval até aos modernos, as acusações mais graves contra alguém e que levam à eliminação social e muitas vezes individual, são geralmente acusações desse tipo. Para não atrasarmos muito o relógio do tempo, no tempo de Salazar, dizia-se que alguém não era da situação e estava tudo dito. Redizia-se que era subversivo e ia parar com os costados ao Aljube ou à António Maria Cardoso.
Ainda no tempo em que José Pacheco Pereira conhece muito bem e anda a historiar, numa outras perspectiva oculta, dizia-se que alguém era fassista e estava o assunto arrumado. Agora diz-se que é corporativo e é caso assente para remessa expedita ao desprezo argumentativo. Nem é preciso explicar o significado da palavra, pois o significado preciso e querido já lá está. E é pena porque já tenho visto escritos a denunciar precisamente esse uso da linguagem típica do autoritarismo de todas as ditaduras e pretensos ditadores. Citar a seguir e neste contexto, “as liberdades”, só por distracção.
Defender uma interpretação das leis num sentido ou noutro, é defender necessariamente e sempre, interesses corporativos de magistrados? Defender posições de princípio, com menção expressa a esses mesmos princípios, -ao contrário de José Pacheco Pereira que se refere amiúde à “liberdade”, “democracia”, “demagogia”, etc , como termos suficientes de justificação e explicação de opiniões- é ser corporativo?
Defender um grupo de profissionais do foro, no caso a magistratura em geral, quando foram atacados publica e notoriamente por um ou mais governantes, apodados impúdica e impunemente de privilegiados com objectivo conseguido de aviltamento, é defesa corporativa? E mesmo que o fosse, de onde vêm o mal? Da defesa em si mesma? ? Não é admissível?!
Por exemplo, Paula Teixeira da Cruz, que o tem feito, quase sozinha na classe política ( no sentido de ser de um partido e exercer cargos políticos), também é “corporativa”? Em 17.9.2005, antes da greve dos magistrados, defendeu-se aqui mesmo , neste blog, uma posição totalmente oposta à greve que se adivinhava. Corporativismo, isto?!
JPP defendeu-os, alguma vez ? Não me parece! Concordou com o Governo e atirou mais achas para a fogueira. Qual é então a sua perspectiva de classe? A dos políticos? JPP é um membro da classe política, no sentido apontado. Acharia correcto que se escrevesse que as suas opiniões escritas no blog e jornais e media, são a “perspectiva corporativa ocultada”? Faço a justiça de pensar que não será assim, embora com muita benevolência, face às evidências.
A questão fundamental, neste assunto é esta:
Acha ou não que há uma guerra entre poderes do Estado, particularmente entre o poder judicial e o legislativo/ executivo? As evidências estão aí, para serem analisadas. Fazê-lo, apontando episódios dessa luta, denunciando as intromissões de um poder noutro, é perspectiva corporativa ocultada? Apontar as evidentes incongruências argumentativas, por exemplo de um Vital Moreira, constitucionalista, ex-juiz, ex-deputado, professor, político e blogger, é necessariamente um reflexo “corporativo” se ele ataca injustamente um grupo profissional? E que dizer da atitude de Vital Moreira? É a perspectiva de quem? Dele próprio, só?
Seria, talvez, se não víssemos depois as nomeações, recomendações e condecorações. O poder agradece os seus serventuários, como José Pacheco Pereira sabe- e muito bem. Aqui, nos meus escritos anódinos apenas pretendo mostrar o que me parece criticável nessas várias perspectivas, partindo de bases argumentativas que procuro justificar, ao contrário de José Pacheco Pereira e mesmo de Vital que se bastam com os argumentos baculinos, muitas e muitas vezes.
Fará algum sentido criticar e apodar de “corporativos” os argumentos que se contrapõem aos dos que os criticam e se situam na área dos criticados?! Fará- se os próprios entenderem situar-se no campo da discussão dos poderes do Estado, tomando partido por um lado ou outro. Mas essa discussão elimina necessariamente a autoridade para se apodar o outro de corporativo e parece-me ser esse o caso.
A questão de equilíbrio dos poderes do Estado, não merece uma discussão alargada? Quem a faz nos blogs? Há alguns por aí e com muito mérito. Alguns são exactamente blogs de magistrados que assumem a sua condição profissional, aparentemente porque acreditam nessa forma de apresentação. É uma opção válida. Tão válida como se o fizessem por pseudónimo, parece-me.
No entanto, há outros blogs que partem de perspectivas diversas e apresentam argumentos que em tudo poderiam ser igualmente classificados de corporativos. Os meus argumentos são os de um diletante, apenas. Alguém que apenas aponta as carrapetas aos vitais que se julgam vitalícios e muitas vezes andam nus e a mostrar as misérias. Será de arrogante e pretensioso? Contestem no escrito dos comentários. Há quem o faça.
Em vários postais que escrevi aqui sobre esse assunto, coloquei a tónica no aspecto essencial: a de que o princípio da divisão de poderes do Estado, firmado na Constituição, merece reflexão e que se deve questionar quem no poder executivo tendencialmente pretende invadir campos alheios para lhes cercear direitos e empobrecera democracia, num exercício que pretende justificar o ditado do poder que corrompe e do poder absoluto que corrompe desse modo também.
Ainda não vi José Pacheco Pereira muito preocupado com isso. Mas vi-o com algumas outras coisas de politiquice. Quererá José Pacheco Pereira que lhe venha aqui recordar o que escreveu no tempo do governo de Santana?! Isso que escreveu nessa altura, é o quê?! Exercício de cidadania?
É certo que por cá, neste blog,( mas não por mim, entenda-se) a tónica foi idêntica. Mas há um mundo de diferença entre quem é conhecido na política e dela vive directa e indirectamente e quem procura apenas colocar no ar as suas opiniões, sem interesses ocultos ou declarados. Política por política, é pecado fazer num blog, se não for assinada por nome conhecido? Não me parece, mas é esse o anátema que José Pacheco Pereira lança aqui no escrito.
Não vi José Pacheco Pereira apontar o dedo a certos blogs, como um desaparecido Barnabé, onde se insultou soezmente, com o nome dos autores publicados, o presidente da República aquando de certas decisões que não lhes interessavam politicamente. Vi, sim , aplausos a esse tipo de blogs valorosos que colocam o nome dos autores que depois são convidados para escrever em jornais...entrando no mainstream do politicamente correcto. Nem o vejo apontar o dedo ao Blasfémias, onde um dos autores, presumido qb, anda há meses e meses a chamar ao PR, D. João VI, e outros mimos de calibre pesado.
E vejo agora uma ignomínia grave: José Pacheco Pereira refere uma “mentalidade justicialista arrogante e prepotente”. O que quer dizer “justicialista”? Para melhor compreensão, aponto um exemplo concreto do que a mim me parece ser o exemplo mais perfeito do conceito:
Em Agosto de 2004, uma assessora da PGR, Sara Pina, filha de um ilustre escritor e jornalista Manuel António Pina, do Porto) foi corrida sumariamente da PGR, por terem sido publicadas por um jornal, gravações de conversas que este manteve com jornalistas em que esta, que tinha essa incumbência específica na PGR, se pronunciava ingenuamente sobre aspecto do processo, sem que tal significasse qualquer violação de segredo de justiça, como aliás, se veio a comprovar posteriormente.
Quem fez José Pacheco Pereira então, ao tomar conhecimento do teor das gravações publicadas pelo Independente? Republicou-as! Deu-lhes espaço de audiência pública e aumentou a ignomínia, depois de saber que essa publicação no jornal era a prática de um crime específico.
José Pacheco Pereira escreveu assim no seu blog, depois de transcrever integralmente a gravação de conversas particulares publicadas pelo Independente, republicadas precisamente no blog Barnabé (para ele considerado um blog valoroso, porque nada anónimo...embora nos comentários o teor de muitos deles, faria corar de vergonha um estivador do séc passado):
“Esta mulher já está na rua das suas funções ou não? O PGR sabia ou não que a sua porta-voz (a que transporta a voz) falava assim com um jornalista ou não? Porque se sabia, a porta é a mesma. E rápido.”
O que significa isto? Posso dizer que foi das prosas mais violentas que vi escritas em blogs sobre uma situação concreta, visando uma pessoa concreta e o seu assassinato profissional. O autor é o mesmo que agora vem recriminar aos outros um suposto “justicialismo”!
Na altura, escrevi um postal, a dizer que José Pacheco Pereira incorreu em possível prática criminal, no blog. E expliquei porquê, com as razões que podem ser lidas aqui e que se resumem no comentário que coloquei então. O postal começa assim:
“Ontem[ 13.8.2004], o Abrupto de JPP, transcreveu de um outro blog, mantendo no entanto a transcrição na sua integralidade truncada (omitiu a primeira parte que até contextualizava o diálogo), a conversa que o jornalista Octávio Lopes manteve com a assessora de Imprensa da Procuradoria Geral da República, Sara Pina.
É sabido e o Abrupto não podia ignorar que essas conversas que o jornalista manteve com a fonte, estavam sob reserva. O jornalista gravou a conversa e guardou o registo. Há indícios fortes de que cometeu um crime, com essa actuação.
Isto que aqui escrevi então, significa justicialismo de quem? Meu - ou do autor do Abrupto que sumariamente exigiu a demissão e responsabilidades de Sara Pina, (e do PGR, à cola) sem sequer se inteirar dos factos tal como ocorreram e sem querer perceber o que se passou? A verdade é que Sara Pina foi despedida do cargo que exercia na PGR, aparentemente por exigência directa do PR, sem justificação plausível a não ser a da escandaleira artificial amplificada por alguns, entre os quais, inequivocamente se conta José Pacheco Pereira.
Não consta que na minha cruzada justicialista tenha feito tanto estrago pessoal, como a atitude de perseguição pessoal e legalmente injustificada o fez. E contudo, ainda tem a supina lata de acusar de justicialismo! Saberá mesmo o que é isso?!
E que dizer da pedrada seguinte? “O blogue está cheio de insinuações sobre tudo e todos, alimentando uma atitude policial de desconfiança,”?!
Estará tanto assim? Ou antes, estará mais do que aquilo que escrevem nos jornais um Miguel Sousa Tavares; um José Manuel Fernandes e um Eduardo Dâmaso, só para citar os colegas de escrita no Público?! Exigem-se provas a José Pacheco Pereira! Provas concretas do que acaba de escrever, sob pena de passar por uma simples atoarda o que escreveu. Sem valor e a recair nele o peso da ignomínia. E são fáceis de procurar, pois os escritos estão todos em arquivo.
Que vale o facto de se ter escrito aqui sobre os escândalos revelados em primeira mão na imprensa escrita, mormente o da Galp, o dos escritórios de advogados de topo, o caso Eurominas, o caso Pina Moura, com esta simples referência feita por Pacheco Pereira num programa de televisão de grande audiência , ainda em Dezembro de 2005 , relatado no Expresso nestes termos:
“(…) Pacheco Pereira, na Quadratura do Círculo , depois de acentuar o excesso de escutas telefónicas que se fazem em Portugal, virou-se para Jorge Coelho e afirmou:
Você não tenha dúvida nenhuma de que está ser escutado.
Coelho admitiu logo que sim e adiantou que os altos cargos do Estado já contam com isso quando falam ao telefone.
Os jornais divulgam as escutas de políticos com conversas que nada têm a ver com processos investigados.”
Será preciso comparar a gravidades entre ESTAS insinuações que envolvem um universo de milhares de pessoas, entre magistrados e polícias e altos funcionários públicos e as que por aqui alguma vez se produziram?!
Como se escreveu nesta Loja, em Dezembro de 2005, as escutas, e a sua revelação, para Pacheco Pereira têm um valor relativo. Por exemplo, escreveu na revista Sábado , nessa altura sobre o caso de Laurentino Dias que foi apanhado em conversa comprometedora com outro grande do futebol: Pimenta Machado! Diz PPereira que nesse caso talvez seja caso para dar importância ao assunto, dado tratar-se de um secretário de Estado ( na altura não o era, porém). Laurentino Dias é do PS…
Logo, este segredo é menos importante do que outros que atingem os companheiros de luta de Pacheco. É um segredo relativo e o crime já não lesa majestades, mas apenas almocreves. E isso, é assunto de estrebaria, como toda a gente percebe. Como toda a gente já percebeu, “quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré”!
A propósito de mais insinuações sobre tudo e todos, “de insinuações sobre tudo e todos, alimentando uma atitude policial de desconfiança” julgo ter sido suficientemente eloquente sobre quem é o quê.
Compreendo que alguns visados pelo que aqui escrevo, não gostem da Loja. O estilo, agreste e agressivo por vezes, pode não agradar aos mais sensíveis. Lamento. Em minha defesa, poderia dizer que há pior, entre os supostos amigos de José Pacheco Pereira. Cito Vasco Graça Moura, por exemplo que apodou de nomes interessantes alguns adversários, por ocasião das eleições para o sítio onde está. Eticamente irrepreeensível, se calhar, para o Abrupto que lhe publicou poemas nessa altura.
Porém, a José Pacheco Pereira não lhe reconheço qualquer autoridade para escrever o que escreveu. E sinto-me ofendido pelo teor do postal. E assim findo a conversa, deixando escrito que me chamo José. E o meu email é jmvc@sapo.pt. E mais não digo, pois chega e sobra.
technorati tags: Pacheco Pereira, Abrupto, Justiça, Política, Portugal, grande loja do queijo limiano
Publicado por josé 19:19:00 12 comentários Links para este post
com conta, peso e medida
Ontem, escassas horas depois de aqui se ter cripticamente anunciado o 'nome' de 'regime' que, nos bastidores, esta(va) em cima da mesa para substituir Souto Moura fomos brindados, pelo aclamado 'pai' da blogosfera portuguesa, José Pacheco Pereira com o duvidoso galardão de sermos uma das coisas 'péssimas' da blogosfera em Portugal. Pacheco escreveu assim...
ACRESCENTADO A BOAS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005Sejamos claros, José Pacheco Pereira tem todo o direito de não concordar com muito do que cá se escreve. Tem todo o direito de não gostar do 'estilo', tem todo o direito de não gostar da 'pose'. José Pacheco Pereira não tem é o direito de aldrabar, vil e descaradamente, os seus leitores, mentindo-lhes objectivamente, num exercício da mais pura e rasca desonestidade intelectual. Sim, porque Pacheco Pereira mentiu! Porque, ou lê regularmente este blog, e logo sabe que o que escreveu é redondamente falso, ou não lê, e nesse caso, ainda mais grave, se limitou a aviar encomenda alheia.
NAS PÉSSIMAS
Na blogosfera: a utilização do anonimato em blogues estritamente políticos, em particular, os que são escritos a partir de uma perspectiva corporativa ocultada. O caso mais grave é a Grande Loja do Queijo Limiano, um blogue escrito e habitualmente comentado por “agentes da justiça”, sob capa do anonimato, um retrato preocupante de uma mentalidade justicialista arrogante e prepotente. O blogue está cheio de insinuações sobre tudo e todos, alimentando uma atitude policial de desconfiança, sem respeito algum pelas liberdades. Se os seus principais autores são magistrados, procuradores ou juízes, é razão para ter medo, muito medo, das mãos em que está entregue a justiça em Portugal. Infelizmente, a blogosfera paga também este preço pela sua liberdade.
O dr. Pacheco Pereira sabe muito bem que aqui não escrevem maioritariamente "agentes da justiça". Sabe muito bem que a maioria dos membros deste blog não trabalha na área judicial, muitos nem tem formação júridica, a começar por mim, há desde médicos, economistas, jornalistas e matemáticos. Basta consultar o technorati ou o icerocket (dois sites que avaliam o impacto de blogs) para se ter a certeza que a esmagadora maioria daqueles que nos citam o citam por questões que extrapolam em muito o microcosmos judicial. Mas sim, é verdade que escrevem cá magistrados, alguns até com nome próprio. Duvido é que Pacheco Pereira tenha de facto lido o que eles tem escrito, porque se tivesse lido repararia que a multitude de visões que apresentamos são, no conjunto, tudo menos corporativistas, tudo menos afuniladas.
Pacheco fala numa 'mentalidade justicialista, arrogante e prepotente', fala em 'insinuações, e numa atitude polícial de desconfiança sem respeito algum pelas liberdades', mas deve estar a falar de si próprio, e do tom e do conteúdo do post que escreveu. Manifestamente, e a título de exemplo, não leu isto (onde um Procurador Geral Adjunto, a assinar com o nome, muito lucidamente zurze nos abusos às escutas), também, e sobre o tal 'estado polícial', não deve ter lido isto nem isto, onde se apontam excessos é nas teses fascizantes que ele próprio, e não outros, defende. Porque, se tivesse lido, e se lhe restasse um mínimo de sobriedade e seriedade intelectual, não escreveria o que escreveu.
O drama do Dr. Pacheco é outro, mais comezinho. Ele não nos 'conhece', não nos consegue catalogar com facilidade, não organizamos "Noites Limianas" nem "Cafés com Queijo", como outros, transparentes e cristalinos. O problema do Dr. Pacheco é que, connosco, não pode pegar num número de telefone, para tirar 'dúvidas', trocar 'impressões', pôr-se em bicos de pés. Nós não publicamos, nem mais nem menos insinuações que os meios onde o Dr. Pacheco se move, e que o pagam a peso de ouro. Nós damos pistas, apresentamos factos, e fazemos perguntas, o leitor, soberano, avalia, ponto. E o problema, o maior problema, do Dr. Pacheco é que há cada vez mais leitores a avaliar, a ponderar, a pensar, pela sua própria cabeça.
O Dr. Pacheco pode achar-se melhor que os outros, pode achar-se com pinta para dar aulas e lições, desde a agentes do SIS até ao sr. Gorbatchev (que aquando da sua vinda a Lisboa há uns anos publicamente humilhou) mas a nós não nos dá lições. É, por muito que lhe custe, igual aos outros, louvá-mo-lo, quando achamos que deve ser louvado,é critic quando achamos que deve ser criticado, nem mais, nem menos. Por muito que lhe custe é esse, e só esse, o preço da liberdade.
Pacheco prefere obviamente um outro estilo, uma outra estética. Prefere a discusão teórica, palaciana e abstracta. Pediu os Estudos da Ota, mas depois calou-se, nós não, apresentamos alternativas. Fala sobre o sistema político, mas não apresenta alternativas, fala sobre a credibilização da vida pública mas é incapaz de soletrar uma sílaba quando são os amigos, ou os amigos dos amigos, os envolvidos, é incapaz de apresentar propostas sólidas, exequíveis, fala sobre a crise económica, mas não tem propostas para a segurança social, por exemplo, nós temos. E é isso que incomoda o Dr. Pacheco Pereira, fala, fala, mas não diz nada, e as pessoas, a começar pela blogosfera já perceberam isso.
José Pacheco Pereira usou, sobre nós, um tom e um vigor, que cruza o pior dos estilos do Dr. Portas e do Dr. Louçã, só comparável ao que usou contra o 'muito mentiroso'. Infelizmente, para a sua própria credibilidade, o rigor daquilo que escreveu, e para o qual é incapaz, porque não existem, de apresentar, desafiámo-lo, provas, até às intenções, com que o escreveu são, em tudo, iguaizinhas às dos autores do Muito Mentiroso. Pretendeu lançar a suspeita, desacreditar, torpedear. É-lhe mais confortável assim, do que debater leal e cordatamemte. Ao contrário de Pacheco Pereira, que só debate com quem quer, quando quer e nas suas próprias condições, nunca, em tempo algum, fugimos ao debate, ao confronto leal e frontal. Os nossos leitores conhecem-nos, não aparecemos ontem, estamos online deste 2003.
Pacheco Pereira devia era meditar na sua própria ascensão e na sua queda, em curso. A uma dada altura, cai-se lá do alto, sem se perceber muito bem como, e fica-se insuportável para a plateia. Céus, a dor de cotovelo, e o ressabianço, não justificam tudo.
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Alberto Caeiro
Verdade, Mentira
Sábado, Janeiro 14, 2006
Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos
e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
Publicado por Manuel 18:23:00 3 comentários Links para este post
24 horas depois.
Um curioso "blogger" pede-me para lhe indicar as mentiras e imprecisões do jornal 24 Horas de ontem,relativas à notícia bombástica de primeira página.
Com todo o gosto o tentarei fazer, caro blogger. Só é pena que não o tenha feito por si-à semelhança de muitos outros, aliás.
Primeira mentirola, disfarçada de chico-espertice: a menção logo na primeira página a este pretenso facto :
"Os telefones de casa do PR, do primeiro-ministro, do presidente da AR, do presidente do Tribunal COnstitucional, do presidente do Tribunal de Contas e todas as chamadas que fizeram durante um ano e meio foram analisados pelo Ministério Público."
Não é apenas uma mentirola! São duas, no mesmo pacote!
Nenhum desses telefones terá sido investigado ou analisado no âmbito do processo, com o âmbito referenciado. Nem aliás, o poderia ser, atena a lei que temos.
A PGR disse que isso era falso e acredito no que a PGR disse, ao ponto de ter sido confirmado pelo próprio advogado Ricardo Sá Fernandes. Este advogado de quem se fala pouco a propósito deste caso, segundo o Expresso de hoje, terá sido o único advogado que teve acesso às disquetes e as descodificou com ajuda de um técnico de informática, segundo declarou ao mesmo jornal. Ponto final, neste primeiro assunto. Parágrafo:
O período em causa, ou seja o tal " durante um ano e meio", segundo o mesmo jornal, nas "coisas que tem de saber" foi afinal de "seis meses em causa".
Na realidade, terá sido de 10.12.2001 a 7 .5. 2002, o que nem dá seis meses..., mas sim quatro meses e 28 dias! Logo, a mentirola fica logo com o rabo felpudíssimo de fora! Um ano e meio para nem sequer cinco meses...
Para além dessas mentirolas, avulta o facto, confirmado pela PT, de que forneceu números e não nomes, ao processo. Logo, quem identificou os nomes que o jornal publica e quem viola impudicamente a privacidade dos visados, será o próprio jornal. Seria caso para amanhã, outro jornal tablóide publicar: "24 Horas investiga por conta própria nomes da lista!" E ainda outro, à "24 Horas": "Souto e Pedroso tem o mesmo fornecedor de pizzas ", o que aliás o jornal publicita. COmo publicita que tomou conhecimento do cabeleireiro e da depiladora da mulher do procurador.
A par desta devassa da vida particular de certas pessoas, feita pelo jornal, podemos ler no mesmo número, de ontem, a indignação farisaica que consiste em vituperar a existência destes elementos no processo, como constituindo um atentado à privacidade dessas figuras públicas! Pasme-se! Pasme-se! E não é a primeira vez que tal acontece.
Hoje, no jornal, o director Pedro Tadeu vem bater nas mesmas teclas, colocando o título "A mentira é sua, senhor procurador". Tal e qual!
Depois das mentiras, vamos às imprecisões:
O jornal dá conta de que falou com alguém da PT. Até põe o nome do funcionário da empresa, e cita "fonte oficial da empresa" para dizer que esta "cumpre escrupulosamente todas as regras legais" e por isso, teria exigido um mandado judicial para fornecer esses dados.
O jornal( nem quem forneceu os elementos ao jornal), pelos vistos, não o encontrou...e pode perguntar-se porquê. Há uma razão que poderia ter sido logo esclarecida se o jornal quisesse mesmo ficar esclarecido: perguntar " à fonte oficial da empresa" como se processavam, em 2002, esses pedidos de autoridades judiciárias.
Como agora a empresa PT esclareceu, teria sido a primeira vez que houve pedido para entrega de listagem de telefones, em "ficheiro electrónico". Esta informação importantíssima e base para compreensão do que terá sucedido, foi dada pelo jornal "24 Horas"? Ontem ou mesmo hoje, depois de já ter sido emitido o comunicado pela PT?! NÃO!
Quem mente?! Quem manipula? Quem aldraba? Quem quer fazer passar os outros por parvos?!
A única verdade que o 24Horas revela, seria uma verdade sem notícia: que existiam no processo casa Pia, algumas disquetes contendo registos detalhados da facturação de um único telefone fixo atribuido a um dos arguidos.
E outra verdade ainda, poderia ter sido desvendada e publicada: para além disso, havia outros registos de altas individualidades cuja existência o jornal apurou ter sido remetida por lapso, desconhecendo se o MP delas tomou conhecimento.
Sendo esta a verdade, onde estará o muito mentiroso?!
Publicado por josé 17:43:00 16 comentários Links para este post
Portugal, pimba!
Antes disso, porém, fica aqui mais uma opinião alheia sobre este Portugal pimba:
"A operação pela qual se conseguirá, enfim, o descrédito definitivo do Ministério Público e o fundamento para a substituição do Procurador Geral foi conduzida com mestria. A meio da manhã era um monumental e gravíssimo escândalo de escutas telefónicas a altas figuras do Estado, ao começo da noite era já só um raquítico lapso de um funcionário da PT. A noite permitiu, porém, corrigr a manobra: pela hora do jantar já se sabia onde tudo iria parar: se a culpa parecia ser, afinal, a dos procuradores que não sabiam ver coisas escondidas em CD's, o objectivo, que não podia perder-se era o PGR, sem perdão, ter de ir à mesma para a rua, e já! Estão de parabéns todos os que contribuiram para o efeito! O resultado está alcançado! Julgo saber que os magistrados vão deixar de ter um magistrado como PGR. Um novo mundo se aproxima. O Dr. Souto Moura é um homem bom e sério. Mas como tudo isso se tornou ridiculamente irrelevante no país em que vivemos e para o cargo em que ainda está!."
José António Barreiros in A Revolta das Palavras
Publicado por josé 12:41:00 4 comentários Links para este post
Finalmente!
Finalmente, JPP, dedica uma prosa a este blog! Por mim, sinto-me extremamente desvanecido pela atenção, embora supeite que os motivos não serão os mais honrosos.
Enfim, não se pode ter tudo na vida: ou se escreve como se pensa; ou se pensa conforma as conveniências do momento.
Assim, aí está o labéu acusatório. Logo, com mais tempo, comentarei a prosa acacio-pachequeana. E comunicarei pessoalmente ao autor desta nova ignomínia pessoal, a minha identidade. Com explicação de motivos e exigência de explicitação das acusações inquisitoriais.
Publicado por josé 12:15:00 8 comentários Links para este post
interrupção da programação habitual...
ACRESCENTADO A
BOAS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005
NAS PÉSSIMAS
Na blogosfera: a utilização do anonimato em blogues estritamente políticos, em particular, os que são escritos a partir de uma perspectiva corporativa ocultada. O caso mais grave é a Grande Loja do Queijo Limiano, um blogue escrito e habitualmente comentado por “agentes da justiça”, sob capa do anonimato, um retrato preocupante de uma mentalidade justicialista arrogante e prepotente. O blogue está cheio de insinuações sobre tudo e todos, alimentando uma atitude policial de desconfiança, sem respeito algum pelas liberdades. Se os seus principais autores são magistrados, procuradores ou juízes, é razão para ter medo, muito medo, das mãos em que está entregue a justiça em Portugal. Infelizmente, a blogosfera paga também este preço pela sua liberdade.
José Pacheco Pereira
Publicado por Manuel 12:03:00 5 comentários Links para este post
perguntas e respostas
- O Ministério Público, para além dos registos telefónicos de Paulo Pedroso, solicitou à PT registos de titulares de altos cargos de soberania ?
- - Não, não solicitou. PT, MP, e 24 Horas estão de acordo
- A PT 'avisou' que para além dos registos pedidos de Paulo Pedroso também iam como bónus, e 'escondidos', os demais registos, do de Sampaio ao de Souto Moura ?
- - Nã0, não avisou. Parece que, neste ponto também está tudo de acordo.
- Há alguma prova concreta de que o MP soubesse, tivesse usado, ou sequer tivesse a mínima suspeita de que aqueles dados estavam 'lá' ?
- - Não, não há.
- O MP tinha obrigação de saber ?
- - Não, não tinha. Não lembrava nem ao diabo que 'aqueles' dados pudessem 'também' estar lá, e por muito fácil que seja 'à posteriori' consultá-los o facto é que isso é tudo menos espectável. Imaginem agora a seguinte historieta - Um grupo terrorista resolvia fazer um atentado em Portugal. Na véspera manda, por email, ao director do 24 Horas, um ficheiro do word a 'apresentar-se', mas omitindo que vai realizar um atentado. No dia seguinte um atentado ocorre. Nesse mesmo dia o tal grupo terrorista imputa toda a responsabilidade ao 24 Horas, porque no tal email enviado, escrito a branco sobre fundo branco, (como neste e neste post) estava 'anunciado' a data e o local do atentado. Acham mesmo que a culpa era do director do 24H, que devia ser bruxo ? Acham mesmo ?
- E a PT no meio disto?
- - Tabú. Pelos vistos prefere mandar tudo por papel, e o verdadeiro crime dos procuradores do Processo Casa Pia, foi terem pedido a info em formato digital. Obviamente foram os únicos em Portugal que tiveram tal ideia...
- E Souto Moura ?
- Há milhares de razões, legítimas e pertinentes, para se achar que Souto Moura é um mau , péssimo, PGR, simplesmente as invocadas nas últimas horas não estão entre elas.
Factos são factos, pelo menos deveriam ser.
Publicado por Manuel 10:17:00 2 comentários Links para este post
Daniel Proença de Carvalho

Publicado por Manuel 2:15:00 0 comentários Links para este post
Anjinhos de coro
Cinco jornalistas e um académico de Direito acabaram agora de charlar pacatamente no Expresso da Meia Noite na SIC, sobre a cacha do 24 Horas de hoje.
Conclusão comum, entre os jornalistas - Miguel Pinheiro da Sábado; Pedro Tadeu, do 24 Horas; Eduardo Dâmaso do DN; Ricardo Costa da SIC e Nicolau Santos do Expresso- : O PGR é uma nódoa que é preciso limpar para tudo ficar mais branco. Os jornalistas em causa são bons profissionais. Tão bons como os demais das restantes profissões. Esquecem por isso,uma dado básico: erram como os demais. Com uma grande diferença, porém. Os erros graves que cometem, nunca são punidos. Uma primeira página lava a outra e os dias passam com as notícias a correrem das agências para os textos que escrevem de um dia para o outro. O abaixamento das tiragens é um mero factor conjuntural que pode quando muito levar a mudanças de jornal. O facto de o 24 Horas ter sido o jornal que melhor se aguentou nesta guerra diária do quem dá mais, significa nada, neste contexto.
Pedro Tadeu, sobre a manchete de hoje do seu jornal, um exemplo de grande jornalismo, só com paralelo no National Inquirer ou no Sun, afirmou esta coisa espantosa:
os números de telefone que foram fornecidos pela Portugal Telecom a pedido dos investigadores e que não interessavam para a investigação, deveriam ter sido apagados...e assim nunca o seu jornal de referência de ética e qualidade profissional elevadíssima, os teria publicado! Incrível hipocrisia! Implacável lógica.
Não menciona o facto de esses números poderem nem estar no processo. Nem se dá conta por um momento que seja que a informação entregue pela PT, poderia ter sido encriptada e não visível a quem investiga e sem interesse a não ser a quem se proponha fazer o trabalho árduo de descodificação, como aliás já foi reconhecido. Não! Isso interessa-lhe tanto como lhe interessa dizer que estão! Estão, porque estão, mesmo que a PGR diga que não estejam. Estão! Para Pedro Tadeu, não há nuances nas notícias nem estados de alma quanto à ética jornalística. Se alguém disse que estão, é porque estão...e pronto!
E se não estiverem? Irá Pedro Tadeu tomar do próprio remédio que receita aos investigadores quanto à inadmissibilidade de procedimentos?! E portanto, demitir-se e pedir desculpa aos leitores?
É o que vamos ver.
Pedro Tadeu é o mesmo que na semana passada, publicou outra manchete sobre o mesmo assunto, referindo "telefonemas secretos de jornalistas expostos no Processo Casa Pia". Mesmos métodos; mesmos processos. Em Notas do Dia, escreveu a seguinte pérola:
"Todas as chamadas feitas pelo telefone que está aqui ao meu lado - e cujo número os investigadores do processo Casa Pia identificam no processo que conduziram- foram de e para Raquel Cruz. Nessa altura ela escrevia uma crónica diária no 24 Horas e o contacto profissional com a mulher do arguido Carlos Cruz era, por isso, frequente. Obviamente, pude verificar, os investigadores não poderiam, por este método, descobrir como é que o 24 Horas conseguiu obter a informação que permitiu, em 2003, fazer mais de 180 manchetes sobre o tema. Lamento, mas não nascemos ontem..."
Numa coisa tem razão: nem todos nascemos ontem...
Publicado por josé 0:20:00 6 comentários Links para este post
a culpa é do Souto. Só pode...
Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

é fácil ler esta frase, escrita a branco, sobre fundo branco, se se souber que está aqui escrita. Não sabendo, lia-a ?
Publicado por Manuel 23:56:00 1 comentários Links para este post
não deixe que a Verdade estrague uma boa história
...é um outro título possível do Expresso da Meia Noite, a passar na SIC. De facto, é preferivel bater no MP a malhar na PT.
Publicado por Manuel 23:35:00 1 comentários Links para este post
Conflito diplomático
Taiwan cria porco transgénico verde fosforescente. Legislador que transpôs para Portugal a obrigatoriedade europeia do uso de colete reflector sempre que um veículo fique imobilizado na estrada reclama a invenção.
Publicado por Nino 23:05:00 0 comentários Links para este post
Garcia Pereira

Um candidato comunista patrocinado pela maior companhia capitalista de distribuição da Europa?
Publicado por Nino 21:26:00 0 comentários Links para este post
PTgate
A SIC/Notícias está a avançar que terá sido afinal a própria PT a enviar dados 'a mais' ao MP. Ora, será crível pensar que o método de envio adoptado pela PT tenha sido especial neste processo concreto ? Será ? Não será lícito pensar que este foi apenas um caso, entre muitos, exemplar do amadorismo e da (falta de) sofisticação tecnológica da PT, essa empresa que se arvora a usar o hino como campanha publicitária? Culpados da incúria da PT, que não sabe proteger os dados e a privacidade dos seus clientes? Souto Moura e a equipa de João Guerra, naturalmente... Não há pachorra!
Publicado por Manuel 21:03:00 9 comentários Links para este post
um desenho, ou o outro lado do choque tecnológico
Depois da não comunicação ao País de Jorge Sampaio, que mais uma vez não disse nada, apetece-se contar uma história... Imagine-se que alguém do 24Horas é suspeito de uma prevaricação, imagine-se que o MP, titular da acção penal, solicita a um juíz que autorize a PT a ceder os dados relativos às actividades telefónicas desse alguém. Agora, suponha-se que esse alguém do 24H tem um telefone pago por uma empresa, a proprietária do 24, a Olivedesportos. Por absurdo, imagine-se que a PT, na sua infinita sapiência envia ao MP um ficheiro do excell onde estão (visíveis e invísiveis) não só os dados pedidos mas também os de todos os telefones pagos pela Olivedesportos, que 'pagava' o tal telefone do tal 'suspeito'. Imagine-se que no MP, tótós, não se aperceberam, e que o processo é arquivado. Agora imaginem que d' A Bola, vão consultar o processo e que uma alminha mais reguila 'topa' que no ficheiro enviado pela PT também estão os registos do Sr. Joaquim Oliveira da Olivesportos, e a seguir n' A Bola fazem disso manchete, e escândalo... De quem acham que o sr. Oliveira ia achar que era a culpa ? do MP ? d'A Bola ? da PT ? Qualquer semelhança com a realidade é pura ficção, continuo em estado febril.
Publicado por Manuel 19:50:00 0 comentários Links para este post
wag the cat
Não deixa de ser curioso que já depois da Procuradoria Geral da República ter desmentido inequivocamente as notícias vindas a lume, depois da PT ter afirmado em comunicado que só forneceu o que lhe foi pedido por um Juíz, logo não forneceu aqueles dados que o 24 Horas diz ter, o que levanta questões 'interessantes', se continue a agir, despudoradamente como se tal desmentido não tenha acontecido. Das duas uma, ou Vera Jardim, Luis Filipe Menezes & Associados, acham que a PGR é uma associação de malfeitores, e de mentirosos, 'a verdadeira ameaça', e nesse caso convinha que o dissessem com as letras todos, ou, então, estão todos a agir de má fé, ponto. E ainda falta Sampaio, o humilde, falar ao País....
Publicado por Manuel 19:16:00 1 comentários Links para este post
Declaração de voto (gráfica)

A foto é antiga mas a minha geração lembra-se bem do que se trata. Quem tem hoje entre 18 e 26 anos ou até um pouco mais não saberá. É também a eles que nos devemos dirigir. Antes que seja tarde demais.
Publicado por irreflexoes 18:53:00 8 comentários Links para este post
uma dúvida
Imaginem que nas próximas horas se torna penosamente claro que os factos estrondosamente hoje dados à estampa, pelo 24 Horas, não passam uma manobra grosseira de forçar a queda, e substituição, de Souto Moura antes de uma eventual eleição de Cavaco Silva para Presidente da República, uma notícia sem, diga-se, 'grande' ligação com a realidade dos factos. Imaginem só, como exercício. Estão a ver a mesma algazarra, a mesma onda de




Duarte Lima acha que não vale a pena voltar ao passado. Eu acho









(AP)






