"Olhava-se ao espelho pelo buraco da fechadura"

Não, caro George! O meu nome não é fruto do anonimato. É mesmo assim! Eu nasci assim; eu cresci assim; eu sou mesmo assim: José! Mas nada tenho de gabiru ou mesmo de Gaby...pode crer! Sou do tempo dela; vi os episódios todos e estanquei no suspense final, em que a Assembleia em peso, parou, para ver o último. V. que é George, provavelmente nem sabe do que estou a falar!
Mas sendo George e não José, não pense que é o Best...
Esse , também do tempo áureo do génio a pataco, já passou away. E esse, é que era um génio do tempo em que os havia em cada esquina. A dobrar!
Agora, qualquer George serve para afunilar caneladas na sensibilidade macia dos que andam a ganhar a vidinha, como sabem e podem.
No tempo do O´Neill, cuidava-se a linguagem, antes de sair para a rua. E aqueles a quem calha na rifa levar rasteiradas, encolhem-se na toca e soltam murmúrios, não vá o diabo tecê-las! Escrevem depois postais, a serenar tempestades, nos copos emprestados. Não partem loiça, só puxam lustro...
Por isso, fique com o seu nome e excelente verve que eu fico por cá , num anonimato breve: o tempo de um mail, se isso lhe serve.

Publicado por josé 22:58:00 8 comentários Links para este post  



visões do inferno

A propósito dos 'negócios' anunciados entre a Microsoft e o Estado Português sou assaltado por uma terrível dúvida, saber se a 'coisa' é um mero caso de polícia, ou um caso de patologia clínica. Em qualquer caso uma vergonha nacional, e um erro de proporções históricas, de calibre maior, e sim estou a medir bem as palavras, que a Ota e o TGV.

Publicado por Manuel 20:00:00 4 comentários Links para este post  



bater no ceguinho - parte II

DEVE TER SIDO ISSO, DEVE...

"O resultado de Mário Soare foi ligeiramente abaixo do que eu esperava. Mário Soares deve ter perdido votos na última semana"

Marcelo Rebelo de Sousa

RTP, publicado, hoje, no Diário de Notícias

(As previsões estão sempre certas. Os resultados, às vezes, é que não)

constança cunha e sá

Publicado por Manuel 19:54:00 0 comentários Links para este post  



pá, caramba

Publicado por Manuel 19:09:00 0 comentários Links para este post  



bater no ceguinho

Coteries literárias

Ainda a propósito da "nota certeira no Esplanar contra a troca grupal de elogios mútuos, uma das pragas da blogosfera, herdeira do mesmo tipo de atitude já antiga nos nossos meios literários" - frase que cito do Abrupto - gostaria de saber o que pensa Pacheco Pereira sobre a crítica que saiu ontem na pág. 11 do "Público" assinada pelo director José Manuel Fernandes? A crítica é sobre o último livro de Pacheco Pereira e é publicada no mesmo jornal em que o comentador escreve todas as semanas. Não sei se JMF não é amigo de PP, ou se PP não é amigo de JMF, mas calculo que não sejam propriamente desconhecidos. A mesma "nota certeira" poderia ser feita em relação aos meios de comunicação social a que Pacheco Pereira deu entrevistas sobre o seu último livro - "Sábado" e "SIC", por exemplo - e em que Pacheco Pereira colabora regularmente. Eu sei, é verdade, "há hoje no mundo literato vários sistemas e subsistemas grupais competindo pelos mesmos "bens", influência, artigos, colunas, programas de televisão, entrevistas, promoções, editoras, colóquios." Pois .

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Publicado por Manuel 16:20:00 3 comentários Links para este post  



Crónica de uma violação anunciada

Segundo notícias de hoje, a acusação no processo "Apito Dourado" ( seria interessante saber quem assim o crismou), será deduzida até ao final do dia de hoje.

Segundo a lei processual penal em vigor, o segredo de justiça, mantém-se até ao momento em que seja proferida decisão instrutória, no caso de vir a ser requerida; ou até ao momento em que já não possa ser requerida.

Até quando pode ser requerida a Instrução no processo, que - refira-se- não é obrigatória e depende da iniciativa dos arguidos?
Diz a lei- Código Processo Penal- Artigo 287:

Requerimento para abertura da instrução
1 - A abertura da instrução pode ser requerida, no prazo de 20 dias a contar da notificação da acusação ou do arquivamento:
(...) - O despacho de abertura de instrução é notificado ao Ministério Público, ao assistente, ao arguido e ao seu defensor.


Quer dizer, daqui a vinte dias, que terminam em 20.2.2006 ( pressupondo a notificação hoje mesmo), o processo Apito Dourado ( mas quem é que o crismou assim?), será eventualmente um processo público. Eventualmente, digo, pois se for requerida a Instrução, só no final desta o será, com o despacho instrutório a proferir então pelo juiz de Instrução criminal.

Como é sabido, o processo tem estado em estrito sigilo de justiça, guardado pelo MP de Gondomar - não é na PGR...

Resta saber se assim vai ficar a partir de hoje, logo que se souber que já foi deduzida a acusação e portanto notificados os intervenientes processuais, - neste caso, particularmente, os advogados dos arguidos e estes ( normalmente são notificados primeiro os advogados...).

Será interessantíssimo ver e ler as reacções de quem está habituado a lançar lama à PGR e ao MP em geral, rasgando as vestes pelos desmandos e atribuindo directamente a estas entidades a responsabilidade pela violação de segredos de justiça, se neste caso, - como é mais do que certo- , se vier a saber já hoje ou amanhã, quem foi acusado e quem não foi e porque o foi e patati patata.

No rigor da lei, a divulgação de elementos processuais constitui violação desse segredo.
Há uma excepção e que é a prevista no artº86º nº 9 do CPP:


- O segredo de justiça não prejudica a prestação de esclarecimentos públicos:
a) Quando necessários ao restabelecimento da verdade e sem prejuízo para a investigação, a pedido de pessoas publicamente postas em causa;
b) Excepcionalmente, nomeadamente em casos de especial repercussão pública, quando e na medida do estritamente necessário para a reposição da verdade sobre factos publicamente divulgados, para garantir a segurança de pessoas e bens e para evitar perturbação da tranquilidade pública.


A Procuradoria Distrital do Porto já comunicou- e muito bem- o que havia a comunicar, ao abrigo do disposto nesse artigo.
Provavelmente, no caso, justificar-se-á mais algum esclarecimento, dada a relevância social do assunto.

Para além dessa particularidade que está já assegurada, vigora a proibição do artigo 89º nº4:

4 - O segredo de justiça vincula todos os participantes processuais, bem como as pessoas que, por qualquer título, tiverem tomado contacto com o processo e conhecimento de elementos a ele pertencentes, e implica as proibições de:
a) Assistência à prática ou tomada de conhecimento do conteúdo de acto processual a que não tenham o direito ou o dever de assistir;
b) Divulgação da ocorrência de acto processual ou dos seus termos, independentemente do motivo que presidir a tal divulgação.


Vamos a ver, mas isto é uma crónica de uma violação anunciada. Mais certo do que isto que escrevi.

Publicado por josé 14:54:00 0 comentários Links para este post  



a outra face do multilateralismo...




acções
e reacções.

Publicado por Manuel 03:57:00 0 comentários Links para este post  



um filme, um retrato

Esta noite fui ao cinema, fui ver o 'match point' do Woody Allen. Gostei. Saí de lá siderado. Não que tenha ficado particularmente impressionado com a Scarlett, como outros, mas porque me tocou a identificação da assistência com o personagem principal (e que a matou). No fundo, ficaram todos aliviados, até bateram palmas (!) , quando perceberam que o inseguro e simpático personagem principal, um potencial vizinho do lado com quem seria agradável conversar, e que matou a sangue frio a amante, grávida, para não perder a segurança e o conforto de um casamento 'rico' se ia 'safar'. Finalmente percebi, e já não era sem tempo, a extraordinária complacência com que por cá se continuam a tratar Guterres e Barroso, dois absolutos irresponsáveis, para não dizer mais. Ao contrário do que dizia o primeiro entre a espada e a parede preferimos mesmo é fugir às responsabilidades, seja de que forma for. Ia ainda escrever sobre as inúmeras referências a Dostoyevski, e ao 'Crime e Castigo', ocorridas no filme, mas entretanto apercebi-me que já o tinha feito, involuntariamente, aqui.

Publicado por Manuel 02:27:00 4 comentários Links para este post  

Parece que o Sr. Mourinho, treinador do Chelsea, recebeu ontem a mais importante condecoração mais importante da sua vida. Foi condecorado com a Grande Insígnia do Infante D. Henrique pelo Estado Português. Até aqui tudo bem não fosse o pequeno detalhe da condecoração ter ocorrido em... Londres. A culpa não é dele, naturalmente.

Publicado por Manuel 02:19:00 0 comentários Links para este post  



uma lição e meia

Vasco Pulido Valente pode ter todos os defeitos do mundo, terá bastantes, pode ser isto e aquilo, será, pode até ter escrito, um dia, um dos textos mais rebuscados de todos os tempos onde, no auge de Michael 'Air Jordan', rebitava contra a cultura americana que via personificada no... basquetebol da NBA, mas está infinitamente muitos furos acima de outros que se tem em tão boa ou melhor conta. Hoje, mais uma vez demonstrou-o, ao publicar um texto saudavelmente mordaz sobre a sua própria pessoa. Tem a lucidez para sabe exactamente o que vale, e porque o vale, e isso é meio caminho andado para muita coisa. Dito isto, não me parece que a entrada que outros classificam de voluntarista de VPV tenha algo com 'optimismo'. É muito mais simples, e elementar - no Olimpo há muito que não lhe dão pica, ponto.

Uma nota ainda para a questão das audiências blogueiras. É secundária, até porque no dia em que um qualquer Conde Castelo Branco, da TVI, resolver abrir um blog levámos todos uma cabazada. Quem conta, ou pode vir a contar, já lia e vai continuar a ler. A diferença fundamental é que cada vez mais vai ser mais díficil a determinadas forças 'marcar' arbitrariamente a agenda, e a definir os protagonistas. Muito mais que as audiências são os mecanismos de 'agenda setting' que (já) estão a mudar.

Publicado por Manuel 01:51:00 3 comentários Links para este post  



the writing is on the wall

Ao Dr. Pacheco já pouco falta para também ele, em desespero, dar o seu mergulhinho no Tejo, ou talvez no Douro. Então não é que agora, e só agora, num exercício de cinismo e hipocrisia a que nem o Prof Marcelo se permite, é que descobriu que há 'potencialidades de conflito' entre Sócrates e Cavaco ?... Um destes dias ainda o vamos ver por aí, a cavalgar, de braço dado com o Dr. Menezes. Triste, mas não exactamente uma surpresa.

Publicado por Manuel 01:42:00 0 comentários Links para este post  



sobre o politicamente correcto, e seus excessos

Publicado por Manuel 19:53:00 0 comentários Links para este post  



A Grande Loja mostra-lhe o momento em que Co Adriaanse foi recebido simpaticamente, no Olival, após o empate em Vila do Conde...

Publicado por André 19:53:00 0 comentários Links para este post  



contra a maré

Uma série de gente respeitável anda entusiasmada com a Atlântico. Eu, por mim, mantenho as dúvidas. Num ponto porém tenho certezas - naqueles moldes é um erro monumental. Numa altura em que todos se querem soltar dos espartilhos, e limitações, da imprensa tradicional, ingressando na liberdade da blogosfera, não deixa de ser anacrónico que outros a secundarizem, tornado-a subsidiária a um universo em desmoronamento. A Atlântico até que podia ser uma boa ideia se fosse um best off do que vai sendo dito, em tempo real. Uma 'boa ideia' não pode esperar um mês para ser publicada. Pode, Paulo ?

Publicado por Manuel 19:07:00 3 comentários Links para este post  



uma dúvida

Política e moralmente qual é a diferença entre um deputado que 'simulava' viagens-fantasma e um outro que simula baixas médicas que o incapacitam de estar presente na Assembleia mas não de fazer trabalho político fora dela ? Nenhuma, rigorosamente nenhuma. E o tal milhão de votos que Manuel Alegre obteve pode servir como justificação para muita coisa, mas não pode servir para branquear uma situação que é absolutamente inaceitável. Onde estão agora os eticistas do regime ? Ou será que a ética e a moralidade é algo que apenas se exige à direita ?

Publicado por Manuel 18:53:00 3 comentários Links para este post  



a caixa de pandora

Vai bonita a 'polémica' iniciada pelo João Pedro George acerca das 'cumplicidades' entre críticos e criticados no nosso mundo 'cultural'. Puro serviço público, vai bonita e é oportuna. Só espero que, aberta a caixa de pandora, um destes dias se extenda o debate ao universo político e jornalístico. É disso que Pacheco Pereira (um personagem, cujo share ocupado, a par do de Marcelo, face à substância das ideias defendidas só tem equivalência nos votos obtidos por Alegre face à ausência de ideias deste), tem medo. Quem escreve sobre quem, o quê, e aonde, quem foi assessor de quem e aonde, quem apadrinha quem, quem promoveu, quem convida e entrevista quem, e por aí fora. Depois, tudo será mais claro.

Publicado por Manuel 18:35:00 0 comentários Links para este post  



Pastelaria Cister

Um acaso feliz levou-me a encontrar José Medeiros Ferreira num famoso café perto de sua casa, ao Príncipe Real. Precisamente no mesmo sítio onde, vai para vinte e sete anos, e por causa do "Manifesto Reformador", nos cruzámos. Nessa altura eu tinha todas as ilusões do mundo sobre o “homem” e o “futuro”. Agora não tenho nenhumas. Fiquei satisfeito por permanecermos ambos “reformadores”, um no registo "optimista", o outro no que se pode ler aqui. Ele, do lado “esquerdo” da vida pública, e eu modestamente mais inclinado à “reforma” do encosto “direito” do regime. Sempre admirei em Medeiros Ferreira e na sua intensa actividade política a capacidade de promover uma subtil e permanente aliança entre a reflexão e a acção. O impulso do “terceiro soarismo”, gorado nas urnas, vem daí, mas a história regista outros cujo acerto é hoje indiscutível. Quem sabe se, mesmo este, com o decurso do tempo, não se revelará interessante. O presidente Cavaco prescindirá de ouvir, em determinados contextos, Mário Soares? Mas adiante. Por causa da “justiça”, Medeiros Ferreira recordou-me um “desafio” não correspondido pela Grande Loja – sítio onde a “justiça” faz correr rios de posts – em que, a propósito do papel do Ministério Público, se falava do “recuo do estado acusador”, considerando as posições de alguns sobre o papel da Procuradoria Geral da República no contexto do Estado democrático de direito. E rematámos a conversa da melhor maneira, com Mitterrand, por causa dos cultores da superficialidade política. Escrevia Mitterrand, em "L’ Abeille et L’Architecte", que existe uma classe de políticos com algumas convicções e com muito métier. Apesar das discordâncias dos últimos tempos, arrumadas com a vitória de Cavaco Silva, eu continuo a preferir os homens com convicções e menos métier, mesmo quando concordo ou não concordo com eles. Homens contraditórios e por isso mais densos, como Medeiros Ferreira.

Publicado por João Gonçalves 18:19:00 0 comentários Links para este post  



Direita, volver

Já toda a gente percebeu que a eleição do Prof. Cavaco mais do que o fim de um ciclo é o início de uma nova etapa, nomeadamente para a direita portuguesa. Termina, contudo, aqui o consenso. Para uns será Cavaco que, de Belém, não resistirá à tentação de pastorear a direita, para outros Cavaco, no 'poder', será um empecilho que impedirá uma verdadeira regeneração da direita, que agora se quer arejada, liberal, whatever, prendendo-a ao passado. Em paralelo a estas questões há, à margem, e com uma guerra civil no PSD a avizinhar-se como pano de fundo, um debate, mais ideológico, vivo sobre qual a identidade 'ideal' da direita, e sobre a identidade, e até 'função', dos partidos e da relação destes com a sociedade.

Teremos pois em gestação uma corrente liberal, agora muito na moda. Grosso modo não existe. Ou melhor, existem, digamos assim, três grandes facções, que se consideram - e só a elas - genuinamente, liberais. Uma, é composta por pessoal com pouca ou nenhuma experiência política, e que tem do mundo uma visão eminentemente académica e teórica, axiomática, que peca muitas vezes por não ter em conta as vicissitudes do mundo real. A outra, mais 'religiosa' para não dizer fundamentalista, é composta por quem que já foi, ou tentou ser, político, e que mais do que ser 'liberal' é simplesmente contra, contra (a bovinidade d)o Estado, que vê sobretudo como sinónimo de 'Lisboa', contra os partidos, e contra qualquer tipo de poder instituído. Finalmente, há os 'neo'-liberais, profissionais da política, ou com aspirações a tal, que face à falência das ideologias viram no 'liberalismo' não só um balão de oxigénio mas também um novo fôlego que lhes permitiria marcar a 'diferença' (aqui a metamorfose d'O Acidental com o início desta legislatura fala por si...).

Dito isto, nesta altura do campeonato, discutir o liberalismo, em 'abstracto', seja sob que vertente for é o mesmo que querer construir uma casa, iniciando-a pelo telhado. Pode ser conceptualmente muito interessante, e divertido, mas não leva a lado nenhum. Antes, é preciso levar este debate ao seio dos partidos. Partidos estes que andam, há muito, distantes dos cidadãos cujos interesses, em última instância, devem defender. E tem andado, por culpa fundamentalmente de dois factores, por um lado dos próprios eleitores que vêem a política como algo de pouco recomendável e se afastam, deixando-a, muitas vezes, a cargo de pessoal muito pouco qualificado, e da comunicação social, muitas vezes por preguiça, que alimenta e se alimenta, de um universo mais ou menos virtual criando uma realidade (política) que pouco ou nada diz ao comum dos mortais. O corolário desta conjugação perversa é o pouco interesse das massas na política e a inexistência de uma pressão popular que ponha na agenda uma reforma, a sério, do sistema político vigente.

Felizmente, lentamente, as coisas estão a mudar. E estão a mudar porque começa a existir, do interior do próprio establishment, um forte cansaço face ao decorrer dos acontecimentos. Cansaço dos mesmos protagonistas, das mesmas pantominas, cansaço sempre de uma recorrente sensação de deja vu. Em suma, cansaço de andar em ciclo, às voltas, para nunca se chegar a lado nenhum. É por isso que o que se vier a passar no interior do PSD é importante não só para a direita como também para o país. Tema a que me dedicarei numa prosa próxima.

Publicado por Manuel 16:49:00 3 comentários Links para este post  



Inevitável

Pois é: não há paz, não há dinheiro...

«A União Europeia (UE) admitiu hoje continuar a financiar o "desenvolvimento económico e institucional" da Palestina mas exigiu que o novo Governo do Hamas renuncie à violência e reconheça Israel, anunciou a presidência austríaca. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, reunidos hoje em Bruxelas, "apelaram ao Hamas para que renuncie à violência" e que "reconheça o Estado de Israel, afirmou a chefe da diplomacia austríaca, Ursula Plassnik.

"Afirmámos ainda que a UE espera do próximo Conselho Legislativo Palestiniano (Parlamento) o apoio à formação de um Governo determinado a encontrar uma solução negociada" para o conflito com Israel, acrescentou a ministra austríaca. "Nesta base, afirmámos a disposição da UE de continuar o seu apoio ao desenvolvimento económico palestiniano e à criação de um Estado democrático", disse.

A presidência austríaca manifestou ainda "total apoio" ao presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmud Abbas. A UE é o principal financiador da Autoridade palestiniana com cerca de 500 milhões de euros por ano desde 2003. O movimento radical islâmico Hamas venceu as eleições legislativas palestinianas de quarta-feira, derrotando o movimento Al- Fatah, de Mahmud Abbas.»

in www.portugaldiario.iol.pt

Publicado por André 16:27:00 0 comentários Links para este post  



cada qual no seu galho...

As magistraturas queixam-se frequentemente, e muitas vezes com razão, de interferências externas, no seu trabalho, e na sua independência. Está mal, afinal a Constituição proclama solenenente a firme separação de poderes. Dito isto, nos últimos tempos assistimos a fenómenos verdadeiramente estranhos em que parece por demais evidente existir, também nas magistraturas, uma grande confusão sobre o que é, e quais os limites, a 'separação de poderes' consagrada na nossa Constituição. Primeiro, é o fenomeno verdadeiramente assombroso de um tribunal, de primeira instância, se julgar competente , para 'julgar' um acto legislativo, político, que - vá lá - considera legítimo, aprovado na AR por larga maioria, e que foi ractificado pelo Presidente da República, como o é a criação do concelho da Trofa, condenado o Estado a pagar uma indeminização ao concelho de Santo Tirso... Depois, e igualmente irresponsável, é o facto do Supremo Tribunal de Justiçase considerar competente para discutir o impeachment encapotado ao PGR proposto por Ferro Rodrigues, por causa de um processo que este nunca avocou, e onde nunca interveio processualmente, simplesmente não inviabilizou, esquecendo-se que a nomeação, e continuidade, deste depende só e apenas do PR e do Governo. Assim, não se vai longe.

Publicado por Manuel 14:02:00 4 comentários Links para este post  



Leituras atrasadas

dr. jekyll e mr. hyde

Publicado por irreflexoes 12:13:00 2 comentários Links para este post  



antes e depois

Quando um dia se fizer a história da blogosfera portuguesa esta terá que ser forçosamente dividida em duas partes - antes e depois d'O Espectro. No início, a blogosfera eram os outros, mais um ou outro 'famoso', tier one, que a usava como mero instrumento de promoção pessoal. Com o tempo foi evoluindo, mas 'agora' vamos ter o mais marcante opinion maker do regime, Vasco Pulido Valente, sem mediações, em discurso directo. Bastar-lhe-á fazer o que Constança Cunha e Sá tem feito - usar o seu espaço não como um púlpito donde catequiza a plebe, mas antes algo interactivo, onde se debate, e combate, sem preconceitos de 'classe', por aquilo em que acredita, por mero prazer, para iniciar uma verdadeira revolução. No fundo democratizando verdadeiramente o (acesso ao) debate (político). Bem vistas as coisas, por isto, e até por isto, era inevitável.

Vai se curioso ver como é que o establishment, político e jornalístico, que 'reboca' mas não quer ser rebocado, reage... Hão-de entranhar. Já agora, aqui ficam votos para que VPV não se fique 'apenas' pela política estrita. Os seus melhores posts, quer dizer textos, políticos, são quando fala de outras coisas, escritores russos por exemplo...

Publicado por Manuel 01:08:00 1 comentários Links para este post  



Disse, VPV?

Atenção!

Vasco Pulido Valente acaba de entrar na blogosfera com o nome reconhecido por Constança Cunha e Sá. É no Espectro. Veremos o que virá. Para já, os parabéns!

Publicado por josé 00:14:00 2 comentários Links para este post  



O Relógio parado

No blog Esplanar, um postal oportuno colocou tónicas sílabas na questão magna dos arranjinhos dos criticadores e critiqueiros dos autores literários e artísticos indígenas, nos jornais.
Alguns exemplares da fauna rara, mas preciosa, dos que escrevem bem e costumam receber por isso, já pegaram em armas para defender os coutos. Algumas prosas, são defensivas, de trincheira; outras, de formação para ataque cerrado. Outras ainda, declaram-se neutrais, como se estivessem na terra do relógio de cuco.
Ora, cucos, é o que não falta, nesta terra de louvaminheiros profissionais.
Não costumo ver os verbetes no Jornal de Letras nem as recensões para a gente Ler.
Porém, de todos os visados, virtualmente atarefados, um se destaca pelo compromisso: Pedro Mexia escreve em blog e nos jornais também.
Devo declarar que gosto da escrita, uma das mais escorreitas que apareceu entretanto e gosto dos temas, mesmo em croniqueta de canto de página, a recensear livrinhos que são para ler.
Dito isto, que leio eu no blog em causa de Estado Civil?
Um postal a avisar sobre um grande educador chamado Lester Bangs. E o texto pequeno, estende-se assim:
Ando a ler Mainlines, Blood Feasts and Bad Taste, o segundo volume dos textos escolhidos de Lester Bangs. E confirmo: Bangs é o Arnaldo de Matos da crítica rock. E digo isto (estranhamente) como um elogio.”

Quem assim elogia o Arnaldo Matos da crítica pop, não pode a seguir, dar-se por achado na polémica da crítica exposta no Esplanar.
Escrever a preceito sobre música pop, no universo das revistas da especialidade, nos anos de brasa dos sixties/seventies, era um feito reservado a poucos. Escrever bem, quero dizer. Escrevinhar baboseiras, qualquer um o fazia. Além disso, o que poderia acrescentar-se, sempre que se ouvia cantar em sonoridade anglófona “WopBopaLoobopLopBamBoom”?!
Talvez aduzir: “BebopaLula” ou “TuttiFrutti” ou ainda “Rock, rock, rock”!
Apesar da limitação séria na escolha de adjectivos para qualificar a idiossincrática produção musical da época, alguns excederam o naipe disponível e tiraram cartas da manga para baralhar leitores.
Um deles foi Lester Bangs, na revista americana Creem(!).
As críticas publicadas a discos momentaneamente transcendentais, como os dos Black Sabbath( arghh!), dos Stones ou até do próprio Bob Dylan, fizeram escola entre os escribas das revistas pop-rock que publicavam algum texto, excepcionando-se àquelas que vendiam “posters” de parede para adolescentes na puberdade, como a Pop alemã ou a Salut les Copains, em França. Em finais dos sessenta, apareceram a Rolling Stone , a Creem e a Crawdaddy na América; na Inglaterra há muito que havia o NME e o Melody Maker sobre o mesmo assunto e que faziam companhia ao Disc music and echo que no início dos setenta, por cá se traduzia em publicação com o título e logótipo copiado: Disco, música e moda .

Porém, só com o aparecimento de Bob Dylan, a “escrítica pop” se tornou interessante. Greil Marcus, da Rolling Stone, assinou algumas das melhores páginas sobre a música de Dylan e não só, escrevendo ainda em 1975, uma obra de referência para o entendimento da cultura popular norte-americana- Mistery Train, sobre os prolegómenos à roda de “WopBopaLooBop”. Lester Bangs, ocupou-se depois do “BlamBamBoom” e o espaço para a crítica reduziu-se drasticamente. Sobraram alguns atarefados do Tutti Frutti, como Robert Christgau na Village Voice; Jonathan Cott e Dave Marsh, também da RStone. Este, em Dezembro de 76, escreveu na Rolling Stone, duas crónicas numa coluna intitulada American Grandstand, e que subintitulou Critic´s Critic.
Começava assim:
“There´s been nothing but grief since Newsweek (or was it the Sunday New York Times?) decided that rock critics invented Bruce Springsteen. Only a moron would have made such a claim. Yet it was dignified by serious consideration.More ran the obligatory dissection of the so called hype. Robert Christgau, the Village Voice putative Dean of the American Rock Critics, discerned a Rock Critic Establishment consisting of himself, John Rockwell of the daily Times, freelancer Paul Nelson, semi-retired Jon Landau an me.” Mais á frente, adianta: “ Little rock criticism is concerned with music, because most rock critics are less concerned with sound than sociology. This can have depressing consequences.” Oribem…
No número seguinte da revista ( 13 Janeiro 1977), terminava a teorização sobre o rock com esta passagem de antologia:
The punk rock critics, led by Lester bangs and Richard Meltzer, clebrate cultural garbage- televised wrestling, franchised foods, Quaaludes- and often wander into racism and sexism. Unfortunately for the punks, some mass culture artefacts are just garbage- Bangs and Meltzer usually knows the difference but most of their followers and fellow punk critics do not, as a glance at an issue of Creem, their main outlet, quickly shows.
Pseudoacademics, on the other hand, insist that rock parallels literature and the resulting articles are often as opaque and obtuse as the worst scholarly papers
. “
Esta lucidez na análise crítica aos críticos dessa forma de expressão popular que é a música rock, pode paralelizar-se com a crítica que vamos tendo por cá.
Em Março de 1977, o mesmo Dave Marsh, intitulava uma crónica “Hey Rocky, what´s a punk?” para escrever sobre uma forma de música ainda mais primitiva do que o celebrado “WopBop a LooBop”, encontrando-lhe no miolo uma ética inesperada:
Punk to me as never just music or style, bur a set of standards, a code of behaviour, founded on friendship, acting on principle.”
Em Portugal, nessa mesma época, ninguém se importava muito com esse tipo de crítica elaborada. Basta folhear a única revista dedicada à música que então apareceu – a Música & Som, saída em 11 de Fevereiro de 1977, ou folhear o jornal semanário Sete, também dessa altura. Os textos de João David Nunes, Manuel Cadafaz de Matos ou até de João de Menezes Ferreira ou Jaime Fernandes, não figuram em nenhuma antologia imaginária. Nem poderiam aspirar a tal, perante o compromisso da capa, onde figura Art Sullivan e os Abba, mesmo que por baixo de uma imagem de palco dos Pink Floyd! É mistura a mais para um gosto de menos.

Foi preciso esperar pelo mês de Junho de 1980, para ler isto, num título de jornal – O Jornal - a falar de música rock:
Coque o roca, identifique o frique” ( Guia da fauna musical Lusitana). E de seguida uma página inteira a elencar estilos e géneros. “Os Punques ( vomitus vulgaris).2.Do inglês “punk” que significa rufia. 3.Punkrácio,Pancão ( segundo o Dic. Cândido de Figueiredo : homem maníaco, telhudo). Substantivos colectivos: Puncalhada, Pancaria. O feminino é Punquette. 4. Música punk, anti-música regida pelas técnicas da surdez e da inaptidão com vocais tipo ardina rouco e letras sobre a destruição absoluta da sociedade através da apatia.
No número seguinte o título variava para “ Dar azo a um Jazo, ou ares de Muzaque a Mozart” Os jazos são os “Bluenotius Biliosus” e os Muzaques são os “Labregus Parolus” e definem-se pela raiz “muzak”, “deturpação da palavra “música” e significando isso mesmo”.
O autor destas prosas inovadoras e aliteradas, tinha um nome composto :Miguel Esteves Cardoso e a crítica musical portuguesa nunca mais foi a mesma.
Não obstante, em França, por exemplo, não esperaram por tão serôdias inovações para refinar a escrita sobre música popular.
Em Abril de 1977, numa recensão crítica a um disco de um artista antes estimado ao paroxismo- Nils Lofgren e o LP I Came to Dance- o crítico implacável da Rock & Folk, Philippe Manoeuvre, desdenhava da obra nestes termos traduzidos como é possível:
Este disco não merece uma grande crónica.(…)A primeira vez que ouvi o primeiro lado, quase adormecia, de tal forma é monótona. Estava á espera de “Happy”, e de repente, tchac, vrrrrt! Bem…já acabou? Tomado de um horrível pressentimento, o suor a escorrer costas abaixo, pouso a agulha no último trecho…Sim, era isso mesmo! “Happy”, mas em 16 rotações, pegajoso como uma mistela de cola! Ila va râler, Keith! Même Bowie, au pire de sa période mégalo, n´aurait pás osé en faire autant! Et rien ici ne permetd´indiquer que Nils va revenir ensuite au rockn´roll! Supposons juste que l´un de cês morceaux fasse un hit aux États Unis? Ça y est, c´est foutu pour toujours! “ e como remate: “Il est rare que je casse un álbum, mais celui-là gît au fond de ma poubelle. C´est un cauchemar.!”

Deste tipo de textos, por cá e até então, não havia. A estética da Gaiola Aberta, não conta para este campeonato. E de MEC, passou a haver umas variações. Porém, sempre no mesmo estilo e com os temas a esgotarem-se ao longo dos anos. Hoje, parecem esgotados de todo. O estilo continua vivo; a essência está morta.
O interesse pela escrita de MEC, hoje, jaz no fundo do caixote…do lixo.

Assim, retomando a polémica, espero ver sair da luta escrita em punhos de renda , algumas novidades. Pode ser que arrebitem a estamina e provoquem a língua escrita.
Pode ser…mas não tenho grande esperança, como se confirma pelo tom conciliatório dos últimos postais. A vidinha, pois...
Afinal, andamos atrasados no relógio do tempo, em relação à civilização, quanto? 20, 30 anos?! Bem, se assim for, estamos quase a chegar lá…

Aditamento em 30.1.2005:

Depois deste postal, no Esplanar, João Pedro George retoma a polémica, colocando novamente os pontos nos ii.
Não há tergiversações nem paninhos quentes ou punhos de renda. O recado é directo e sem hipocrisias. Raro.

Melhor, no género e sobre assunto de teor idêntico, só mesmo aqui, no Dragoscópio!

Publicado por josé 18:21:00 1 comentários Links para este post  



No país em que nada se inscreve

Aos que verberam os "fanáticos" da segurança rodoviária, solicito a leitura deste excerto de um acórdão, entre símiles, do Supremo Tribunal de Justiça:

«(...) a)- na altura do acidente (...) a autora tinha 18 anos, era estudante do Instituto Politécnico (...) onde frequentava o 1º ano do curso de Comunicação e Relações Comerciais e vivia às custas de seus pais;

b)- em consequência do acidente a autora sofreu traumatismo crâneo-encefálico grave com perda de consciência (estado de coma de Glasgow = 6, com olhos fechados, localizando a dor e anisocoria pupilar D > E desigualdade das duas pupilas) e traumatismo da bacia com fractura dos ramos íleo e íqueo-púbico à direita;

c)- do local do acidente foi transportada para o Serviço de Urgência (...) ficando internada na Unidade de Cuidados Intensivos;

d)- inicialmente esteve com entubação oro-traqueal e ventilação assistida, tendo sido traqueostomizada, incisão da traqueia com sutura dos lábios da incisão à pela, para introdução de cânula permanente, desenvolvendo uma pneumonia nasocomial que foi debelada; (...)

h)- decorridos 21 meses do acidente apresentava as seguintes sequelas - tetraparesia espática grave secundárias a lesão cerebral, afasia com elevado grau de dificuldade de se fazer compreender, disfunção esfincteriana acentuada, ano-rectal e vesicular, desmineralização generalizada dos dentes em relação com a situação de coma prolongado, diversas cáries e estenose parcial simples da traqueia, sem disfonia e sem dispneia, que lhe provocam uma incapacidade parcial permanente para o trabalho de 91% e a deixam totalmente incapaz para qualquer tipo de trabalho, ocupação ou actividade;

i)- a autora necessitará de manter continuadamente o apoio da medicina física e de reabilitação em diversos domínios como a terapia da fala, o controlo de esfincteres e a recuperação motora, funcional, bem como o uso de fraldas no seu dia-a-dia;

j)- era saudável, fisicamente bem constituída, alegre, jovial, com um feitio sociável e expansivo, tinha uma figura agradável e bonita e um rosto simpático, e um corpo bem feito e atraente;

l)- tem a consciência de que nunca mais na sua vida irá recuperar a sua independência funcional, constituir família e ter filhos;

m)- necessita permanentemente da ajuda de terceira pessoa, 24 horas sobre 24 horas, para se levantar, deitar, vestir, despir, que a leve à casa de banho, lavar, dar banho, mudar as fraldas e os pensos, que lhe meta a comida na boca, que lhe lave os dentes; (...)»

Publicado por Nino 16:58:00 0 comentários Links para este post  



os desígnios do Senhor são (mesmo) insondáveis



Depois da morte de Arafat, do AVC de Sharon, da vitória do Hamas, e da mais que provável eleição de Netanyahu, só faltava que acontecesse alguma coisa de grave a Daniel Barenboin, o maestro judeu que bateu o pé à proibição de se tocar Wagner em Israel e que criou uma orquestra composta por jovens músicos oriundos deste país e da Palestina, demonstrando que por via de uma linguagem universal como é a música se podem conciliar antagonismos. Definitivamente, Deus não deve querer nada com o Médio Oriente.

Publicado por contra-baixo 11:57:00 1 comentários Links para este post  



O tribuno

O deputado Duarte Lima, esta semana que passou, segundo os jornais, produziu um brilhante discurso no Parlamento. Concitou o aplauso quase em unanimidade, da plateia partidária em espectro alargado e até foi aplaudido pelo BE, na pessoa de Ana Drago que lhe atirou um “muito bem! Sendo Duarte Lima um dos melhores tribunos que a nossa democracia parlamentar tem para oferecer, que disse então o eleito, de substancial, para merecer tais encómios?

Falou sobre a Justiça! Sobre a “deriva a que chegou a investigação criminal e o “formidável défice de legitimidade democrática do sistema de justiça”.

Para além destas estafadas generalidades repisadas sem fundamentar a preceito, propôs depois algo inédito nos discursos públicos parlamentares: a eliminação pura e simples, da possibilidade de recurso a escutas telefónicas em investigação de crimes como a corrupção e toda a panóplia das infracções económico-financeiras.

Perorou depois sobre a organização do MP e polícias, indo contra a corrente que entende que estas devem depender daquele, podendo fazer investigação. Duarte Lima, quer os magistrados do MP fechados nos gabinetes e polícia em roda livre, tocada pelo ministério; quer depois que as escutas legalizadas sejam escrutinadas por um órgão independente eleito pelo Parlamento.

Além disso, sugeriu que os conselhos superiores da magistratura, tanto judicial como do MP, fossem controlados por uma maioria de membros exteriores a essas magistraturas, para “garantir a sua independência”. Bem, as medidas são avulsas. Não são inéditas nem se afiguram esquisitas.

Falta ouvir quem delineou o sistema, para explicar porque o fez como está feito. Poderia convocar-se ao Parlamento um ex presidente da casa, Almeida Santos; e de caminho, convidar Cunha Rodrigues para uma audição do tipo das realizadas com Souto Moura. Com certeza que iria ser um espectáculo digno de transmissão em directo. Porém, deveriam ainda estar presentes alguns outros.

Figueiredo Dias, por exemplo e que segundo notícia do Expresso desta semana, considera a nova lei-quadro para a política criminal, “Uma inutilidade perigosa”. Souto Moura já tinha dito que era uma forma de circunscrever a actividade do MP. Odete Santos do PCP foi mais longe: referiu mesmo que a lei soava a “ajuste de contas”. Do Governo com o MP, entenda-se!

Perante este panorama, recuemos até meados da década de 90. Duarte Lima era líder parlamentar do PSD, em maioria, em 1994. No final desse ano, uma aborrecedora notícia no Independente de Paulo Portas, dava conta ao país de um escândalo. Duarte Lima aparecia como novo rico, sem causa justificativa, visível. Uma quinta em nome de uma sobrinha; apartamento novo e ultra caro; dinheiro a rodos. Duarte Lima, com o “apoio” de Pacheco Pereira, suspende o mandato de deputado e quer inquérito. A PGR de Cunha Rodrigues faz-lhe a vontade.

As suspeitas de enriquecimento são alimentadas pelo próprio PR, Mário Soares que comentou a estranheza da quinta, mesmo ao lado do seu eido. Em 1997, o Inquérito acaba por um arquivamento geral. Não há crimes graves indiciados e a carreira política de Duarte Lima estava interrompida. Numa entrevista ao Expresso de 25 de Abril de 97, Duarte Lima, dizia-se “Não sou uma pessoa rica” e em 3.1.1998, numa carta ao Público, respondia a José Manuel Fernandes que então escreveu...

Duarte Lima acha que não vale a pena voltar ao passado. Eu acho. Nomeadamente ao conteúdo dos 20 volumes e 11 apensos que constituem o relatório do Ministério Público, Aí se mostra que pelas contas ligadas a Duarte Lima passaram , em oito anos, mais de um milhão de contos. Que desse total 640 mil contos foram movimentados entre 1992 e 1994, ano em que o caso rebentou. Que a maior parte dos depósitos destas singelas quantias – apenas 750 mil contos …- foram depositadas em numerário, isto é, em notas. Que analisado o seu património, e cito, o mesmo “também revela fontes de rendimentos ou proventos não conformes aos valores declarados à administração fiscal.” Por exemplo: só na decoração da sua casa em Lisboa foram gastos cerca de 150 mil contosm quando entre 1986 e 1994 o total declarado para impostos foi de 180 mil contos. Que das diversas contas associadas a Duarte Lima saíram 233.883 contos para uma quinta na região de Sintra que supostamente pertence a uma empresa sediada nas ilhas Virgem, a COsmatic, que por sua vez terá enviado para Portugal 120 mil contos. Que foram detectadas nove situações de crimes fiscais, que só não dram origem a processos porque os valores em dívida foram prontamente regularizados. Que o MP julgou encontrar indícios de “manobras de simulação de capitais”. Que o enorme prestígio da firma de advogados de Duarte Lima (quem sou eu para julgar?) lhe permitiu ter apenas dois clientes confirmados, a Associação Nacional de Farmácias e a Mota & Companhia”. Que o processo foi mandado arquivar, porque “não se obtiveram provas suficientes.”

Deve dizer-se que em 1994, o Código Penal que vinha de 1982, ainda não continha a norma que actualmente prevê expressamente a prática de crime de Tráfico de Influência. Tal norma, só veio a ser introduzida nesse ano, por uma lei avulsa ( 35/94) e depois na revisão de 1995 do Código Penal.
A essa luz, Duarte Lima nenhum crime desse género poderá ter praticado. Foi perseguido pelo Independente de Paulo Portas, por razões que o mesmo apontou de “políticas”, provavelmente com alguma razão. Se fosse hoje, provavelmente, Duarte Lima, teria que se defender da acusação de “tráfico de influências”. Mas em 1994, não era assim. E o que aconteceu então, provavelmente marcou a carreira do tribuno.

Hoje, a mesma questão, no mesmo nível e com contornos idênticos ou muito parecidos, coloca-se a propósito do caso Eurominas. Nesta semana, tomou-se conhecimento de que o PS não quer que se saiba mais do que a verdade já estabelecida. No Parlamento estão as pessoas que não querem ser escutadas por causa de casos de corrupção e aplaudiram vibrantemente o discurso de Duarte Lima. Neste contexto, percebe-se perfeitamente. "Ferpeitamente"

Na mesma entrevista ao Expresso, Duarte Lima afirmou “um dia regressarei”. Aí está ele!

Aditamento:

O paralelismo que se establece entre o caso Duarte Lima, de 94, o actual Eurominas e outros em que interrvém elementos notáveis do PS, como Pina Moura, António Vitorino e mais algun, parece-me notório e relevante, para aquilatar da nossa solidez democrática e da transparência das instituições que sustentam uma democracia constitucionalmente garantida e prestes a completar 30 anos.
Em todos esses casos, não se evidenciam práticas criminalizadas. Não se evidencia a tão propalada e temida corrupção, para cuja investigação o tribuno Duarte Lima defendeu a restrição de meios essenciais; não se evidencia qualquer infamante peculato ou qualquer sinuosa participação económica em negócio ou portentoso abuso de poder. São casos limpos de manchas de crime económico e impecáveis no respeito pela legalidade.
E contudo, são casos escandalosos que fizeram muita gente bradar aos céus, nos jornais e nos cafés. Os factos relativos a Duarte Lima estão documentados, não foram inventados. É público e notório que na época, até Mário Soares se mostrou "perplexo" e falou sobre o assunto, com insinuações omissivas.
Os recentes casos que envolvem deputados que são advogados e negoceiam nos escritórios, motivaram a realização de um Inquérito Parlamentar que acabou abruptamente por iniciativa do PS. Os comentários são unânimes: O PS não quer que se investigue mais o assunto.
Estes casos levantam pois, o problema da ética na política.
Este problema para muitos não existe. Existe a lei que se confunde com a ética e a moral. E os moralistas que escrevem sobre o asunto, são atirados às feras da indiferença da maioria absoluta.
Na América, na semana passada, foi notícia de escândalo o facto de um juiz do Supremo ter faltado a uma cerimónia protocolar por estar ocupado noutros assuntos. Veio a saber-se que estivera a jogar ténis. Com um indivíduo que lidera uma firma de lobbying, e que se encontrará a ser julgado por corrupção. O juiz não cometeu nenhum crime, nem sequer qualquer falta leve. Segundo se escreveu, ao contrário de outras instituições, o Supremo dos USA não tem um código de ética...!
O Parlamento Português precisará também de um código ético, para além da lei de incompatibilidades?
Ou basta o código vigente do porreirismo que é igualmente omisso quanto ao nepotismo e clubismo?
É esse o problema. O único problema.E que parece não ser bem entendido por muitos. Daí talvez os aplausos no Parlamento ao discurso de Duarte Lima.
Há efectivamente um problema de entendimento dos limites de actuação política e a sua interacção com negócios particulares entretidos com assuntos de natureza pública de um deputado que foi eleito para representar o povo que o elegeu. Só para isso, parece. O enriquecimento súbito não vem no pacote eleitoral, nem faz parte da propaganda eleitoral ou dos incentivos à captação de candidatos a listas partidárias. E por isso, quando acontecem estes casos, surge a natural estranheza. E estranho seria que não surgisse. Portugal é um pequeno país em que as pessoas se vão conhecendo, até as anónimas.
Logo, não se pode desculpar tudo com a inveja ou com a curiosidade pela vida alheia.
Ainda há quem defenda certos princípios como a honestidade, a lisura de procedimentos, a transparência de métodos, o rigor ético.
A ética, para brilhar, não precisa de decoradores.

Quanto a Duarte Lima, depois de mais de dez anos de provação e quarentena política, regressou.E bem. Como disse, sans blague, é um excelente tribuno. Dos melhores que passaram no Parlamento. Mesmo que tivesse chamado a Jaime Gama, numa certa tarde de 1991, uma "coisa viscosa". Fê-lo num acto retórico e quem ouviu percebeu que não foi com animus injuriandi.
Exactamente como tentei escrever aqui. Quem não entender, paciência.

Mais um aditamento, por causa das virgens ofendidas:

Repescar memórias de 1994, para confrontar com o discurso actual de Duarte Lima, não pode significar uma nova enlameadela num pano branqueado.
Primeiro, porque como o então deputado disse ao Expresso em 1998, serviu como exercício do direito de defesa perante os factos então apurados.
Duarte Lima escreveu então num Expresso de 22 de Fevereiro 1997:
" A substância da notícia [de O Independente] que me visava procurava demonstrar explicitamente que eu teria praticado crime fiscal de fuga á sisa. Porém, o que nela ficava implícito, e o que futuramente viria a ser glosa de notícias e comentários jornalísticos, era a suspeição de que eu poderia ter praticado actos ( nunca especificados) no exercício da minha função política, para beneficiar materialmente e enriquecer, com a a gravante de ser subitamente."
Esta defesa de Duarte Lima, encontrava obstáculos nos factos apurados nos autos e transcritos pelo director do Público, José Manuel Fernandes.
A circunstância de terem passado já mais de 10 anos sobre a ocorrência e pouco mais de oito sobre o texto do Expresso, não apaga da memória pública o que se passou. Está registado.
E se o trouxe para aqui, agora, a intenção é apenas a de confrontar o espírito do tempo que passa e o discurso de alguém que pretende subtrair dos meios de investigação criminal um instrumento que tem inequívocas vantagens ( e muitos inconvenientes também), para a descoberta de infracções económico-financeiras ligadas aos titulares de cargos políticos.
O espírito de révanche notório que se vive no Parlamento português actual, reconhecido por pessoas insuspeitas como Odete Santos e até Paulo Rangel, ambos deputados, autoriza a que se tragam para aqui razões que podem justificar atitudes como a que se vê, apoiadas por alguns comentadores habituais.
E a discussão sobre questões éticas que sobrelevam a estrita legalidade, aplicadas aos negócios que os deputados-advogados e não só se autorizaram a fazer, também autoriza que se reponham estas questões e que se lembrem estes problemas.
Porque o são e esconder estas coisas debaixo de um tapete da Assembleia, releva de um porreirismo que não deveria ter lugar, mesmo no especial código de conduta dos parlamentares.
Torna-se cada vez mais óbvio aos olhos do cidadão comum, que há uma tentativa que já nem é oculta, de afastar do controlo dos poderes de facto que residem no Executivo e de que os partidos com assento no Parlamento são muitas vezes extensão, os outros órgãos de Supervisão.
Em primeiro lugar está em marcha acelerada o controlo do MP, através da substituição do PGR e da lei quadro de investigação criminal. Porém, como disse Miguel Sousa Tavares, isso é apenas" um primeiro passo". O resto virá já a seguir. E como todos já se deram conta, quem controla o MP, as polícias, os meios de investigação e tudo o que interessa, controla efectivamente o andamento da criminalidade, incluindo a mais sofisticada e imporá as regras novas sobre a actualização do princípio da legalidade e da oportunidade de facto.
É isto, simplesmente o que está em marcha,neste momento em Portugal.
O discurso de Duarte Lima, mais não fez do que reconhecê-lo.
E por isso, convém ter memória.

Publicado por josé 01:57:00 40 comentários Links para este post  



sobre o 'homem normal'

A propósito de mais um aniversário de Mozart, e da transmissão, ontem na RTP/1, do Amadeus de Milos Forman, o João Gonçalves assinou uma cirúgica prosa sobre a verdadeira 'estrela' do filme, o narrador, Salieri, a qual Constança Cunha e Sá complementou, com refinada ironia, terminando-o assim...

A “mediocridade” de Salieri vem deste reconhecimento: dos seus limites, da sua impotência, da sua solidão perante a gratuitidade do génio. Só ele, a quem Deus, na sua infinita injustiça, deu o talento de saber “ouvir”, é capaz de compreender a genialidade de Mozart. O homem normal, o “ouvido” da corte, desconhece estes abismos da criação: o esforço inglório de Salieri e a imensa facilidade dos que, como Mozart, foram tocados pela "graça" divina. A revolta de Salieri, a sua loucura final, acompanhada pela música de Mozart (concerto para piano nº 20, se não me engano) mostra o imenso “talento do fracasso”, como diz o João, perante a “normalidade” dos homens e o génio inalcansável daqueles que foram eleitos. O Mozart de Forman, na sua exterior vulgaridade, é uma caricatura que serve apenas de contraponto à personagem de Salieri. Deus é injusto. Até naqueles que escolhe!
No fundo, um tratado em dois actos sobre a natureza humana. Quantos Salieris não há afinal por aí, na arte, na política, na vida, prisioneiros da sua própria personagem, incapazes de irem para além dela, porque 'cegos' pela 'graça' que tocou a outros, ou pela 'graça' que acham que até lhes tocou. Quanto a Deus, um eufemismo nestas coisas, este, cara Constança, nunca é injusto. Nós é que somos imperfeitos, demasiado humanos. Preferimos apreciar a 'grandeza' e a 'sorte' dos outros, resignando-nos a não ousar, a nunca desafiar o destino, a ver para além do óbvio e do imediato. Conformamo-nos porque no fundo achamos que está tudo escrito e que não vale a pena lutar. A culpa é sempre dos outros. Olhem que não.

Publicado por Manuel 00:08:00 1 comentários Links para este post  


Portuguese police said they have seized two adult crocodiles from a house in southern Portugal where they were being kept as pets by a retired German doctor. (AFP/File/Peter Parks)

Publicado por Manuel 23:38:00 0 comentários Links para este post  



Hamas ou não amas, eis a questão

Um acervo que recupera a história do partido Hamas, compaginado com a democracia e a abertura ao diálogo, a ponto de realizar os seus comícios eleitorais no interior dos autocarros, cafés e discotecas israelitas.

Publicado por Nino 21:38:00 2 comentários Links para este post  



Sorte(io)


Polónia, Sérvia, Bélgica, Finlândia, Arménia, Cazaquistão e Azerbaijão.

Dificilmente seria mais acessível o que nos calhou em sorte para a qualificação para o Euro-2008.

Portugal tem tudo para fazer o pleno das grandes competições nos últimos oito anos: desde o Euro-2000 que a selecção das quinas conseguiu sempre o acesso às fases finais (Euro-2000, mundial-2002, Euro-2004, mundial-2006 e, espera-se, Euro-2008).

Não é só sorte: temos sido cada vez mais fortes internacionalmente, mas essa tendência tem que ser confirmada este Verão, no mundial da Alemanha, e na caminhada para o Euro-2008.

Publicado por André 17:45:00 1 comentários Links para este post  



a leitura crítica

A recensão crítica a livros de autores portugueses, nos jornais, é frequentemente, uma seca de louvaminheiros.
Esta que por aqui se faz, esplanando um assunto assaz frequente, maneja o espanejador até fazer cócegas...literárias, ao livro de um apresentador de telejornal.
Vale a pena ler a analogia continuada com Miller, Henry. E continuando, a leitura do correio de uma leitora...lena.

Publicado por josé 16:24:00 0 comentários Links para este post  



Tempos sombrios


Confirma-se: eles não querem a paz.

O Hamas, movimento radical que há anos tem sido o principal responsável por atentados terroristas, venceu com... maioria absoluta as eleições legislativas na Palestina.

Quem precisava de uma prova de que ainda não há verdadeira democracia do lado palestiniano, aqui está ela: como é óbvio, um movimento como o Hamas nunca poderia ter tido este apoio se estivéssemos a falar uma democracia.

O sinal está dado: não se pode tentar fazer a paz com quem, simplesmente, não quer a paz.

George Bush respondeu com uma... negação da realidade (dizendo que Abbas continuará a ser o seu interlocutor); Sharon está em estado vegetativo e ninguém aposta o que pode acontecer nas eleições em Israel, mas o mais provável é que ganhe o inenarrável Netanyahu; a União Europeia nunca soube, verdadeiramente, como lidar com esta questão dando uma no cravo (solidariedade conveniente com os EUA e, por inerência, com Israel) e outra na ferradura (desculpabilização patética dos crimes praticados pelo lado palestiniano, indo atrás da onda politicamente correcta).

Anunciam-se tempos difíceis e muito, muito sombrios para o Médio Oriente e, por consequência, para o Mundo.

Publicado por André 15:16:00 12 comentários Links para este post  



alfa beta...Mozart


Ave verum corpus natum de Maria Virgine.
vere passum immolatum in cruce pro homine:
cuius latum perforatum fluxit aqua et sanguine:
esto nobis praegustatum mortis in examine.
O Iesu dulcis! O Iesu pie! O Iesu fili Mariae.

Na Sexta passada, já à tardinha, estive numa Academia de música. Enquanto escutava a inquirição que decorria na AR, por rádio com auscultadores, numa mesa em frente , alguns jovens adolescentes divertiam-se em barulho próprio que me confundia a audição- e daí os auscultadores.
Em determinada altura, começo a ouvir, na sonoridade ambiente filtrada pelos auriculares, uns sons do divino e que me pareciam provir de um mais que profano aparelho de reprodução.
Apurei melhor a audição ao som ambiental, não querendo perder pitada da intervenção da Drago no Parlamento e o som tornou-se inconfundível: os primeiros acordes do motete Ave, verum corpus, estavam ali perto, vindos de algures, numa direcção ainda incerta para mim.
O hino magnífico ao mistério da consagração, vindo dos séculos medievais, genialmente musicado por Wolfgang Amadeus Mozart, tomava corpo em coro, ali mesmo, ao pé de mim.
Cantado por uns putos que ensaiavam, já na perfeição, as vozes da composição genial de Mozart.
Irrepetível, pensei, depois de me dar conta que o som inesperado era o natural e já mais que perfeito de uma curta composição , com umas poucas dezenas de compassos e duração de pouco mais de um par de minutos.
Segundo dizem, fácil de cantar para as crianças e muito difícil para adultos. Genial.

Publicado por josé 12:36:00 5 comentários Links para este post  



Perdidos e achados na PJ

O site da Polícia Judiciária abriu uma secção de perdidos e achados. Entre os objectos que podem ser reclamados encontra-se um tabuleiro de xadrez. O que é curioso, porque sempre se disse que o dito nunca foi encontrado.

Publicado por Carlos 11:25:00 2 comentários Links para este post  

Faleceu a mãe do António Duarte. O funeral realiza-se amanhã, na aldeia de Baraçal, em Celorico da Beira, às 15h30m. Com o António, e demais família, aos quais expressamos condolências, neste momento díficil e doloroso estão os nossos pensamentos.

Publicado por Manuel 19:52:00 0 comentários Links para este post  



A cadeira abençoada


Eu sou o que se pode chamar um católico foleiro. Não pratico e sou mais dado à teoria e à contradição, graças a Deus. Daí a minha tendência "hiper-ratzingeriana". Todavia, em matérias de Estado, sou ferozmente laico. Por isso, não compreendo muito bem o que é que o cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, pessoa que eu muito estimo, estava a fazer na abertura do ano judicial ao lado do Estado e das corporações. Tal como não percebo que, por esse país fora, em determinadas inaugurações, ocorram bençãos. Deve ser mal meu.

Publicado por João Gonçalves 19:41:00 0 comentários Links para este post  



Quando cá são 6 horas, que horas são em Kuala Lumpur?


O povo de esquerda autêntica português envia ao Partido Hamas calorosas felicitações pelos resultados alcançados nas legislativas palestinianas salientando que a opção do povo, apesar das poderosas pressões imperialistas da União Europeia e dos Estados Unidos, constitui um importante incentivo à luta por uma Palestina livre e plenamente soberana, onde os direitos humanos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente realizados, nomeadamente a liberdade de reprimir mulheres, abusar psicologica e fisicamente de crianças e matar israelitas.

Publicado por Nino 19:40:00 1 comentários Links para este post  



A dúvida

Pedro Burmester irá ser nomeado oficialmente director artístico da Casa da Música antes ou depois da substituição da ministra da cultura? Podendo parecer que não, é algo que para o próprio fará toda a diferença.

Publicado por contra-baixo 15:26:00 0 comentários Links para este post  



um país...

Publicado por Manuel 12:43:00 6 comentários Links para este post  



artigo ciêntifico na New Cientist...

... sobre um método eficaz de combater o stress.

Publicado por Manuel 12:18:00 2 comentários Links para este post  



Escandâlo

Governo tenta calar críticos. Abaixo se reproduz o fax (entratanto já objecto de melhoramentos), "recebido" da PCM e "assinado" pelo Chefe de Gabinete do Primeiro-Ministro (clicar duas vezes para ver maior):


Publicado por irreflexoes 11:12:00 4 comentários Links para este post  



O discurso inicial


O supremo plano do Largo do Rato de controlo da opinião pública e de sequestro político dos opositores foi desvendado na noite presidencial.

Publicado por Nino 08:07:00 1 comentários Links para este post  



A mitomania Alegre

A tonteria que envolveu a campanha de Manuel Alegre pretende prolongar-se. "O poder dos cidadãos", uma coisa que Alegre parece ter descoberto nesta fase tardia da sua vida política, depois de ter estado mais de trinta anos em actividades exclusivamente partidárias, comove alguns dos seus mais afoitos apoiantes. Era bom que alguém explicasse a essas almas duas ou três coisas. Em democracias da natureza da nossa, e embora a representatividade política não se deva esgotar nos partidos, é fundamentalmente com eles que a coisa funciona. Até o general Eanes, que era alérgico, acabou por fundar um. Ou seja, as criaturas que berram que "ninguém pára Alegre", ou querem um PS "novo", ou querem outra coisa parecida e nada filantrópica. Depois, fazia-lhes igualmente bem perceberem que os votos de domingo se esgotaram naquela eleição. Quer os do candidato vencedor - que realçou claramente este aspecto -, quer os dos outros todos, mesmo os tribunícios que apareceram apenas para contar os deles. O ter ficado à frente ou atrás só interessa para efeitos domésticos, logo, de partido, a tal entidade de que os apoiantes de Alegre querem aparentemente fugir. A mitomania Alegre terminará oportunamente como começou. É só dar tempo ao tempo.

Publicado por João Gonçalves 18:47:00 4 comentários Links para este post  



o mal e a cura

Há uma maneira muito simples de se estancar com a história do fax. Demonstrar que este é objectivamente falso e que, muito menos, não foi mandado da PCM. Há registos, não há ? Fausto Correia, o alegado destinatário, e o alegado remetente, um zombie da PCM, certamente que autorizarão o acesso aos registos telefónicos a uma comissão imparcial ... Não ?

Publicado por Manuel 17:32:00 11 comentários Links para este post  



um post de serviço público

Hiding confidential information with black marks works on printed copy, but not with electronic documents, the National Security Agency has warned government officials.

The agency makes the point in a guidance paper on editing documents for release, published last month following several embarrassing incidents in which sensitive data was unintentionally included in computer documents and exposed. The 13-page paper (click here for PDF) is called: "Redacting with confidence: How to safely publish sanitized reports converted from Word to PDF."

continua aqui. [News.com]


Publicado por Manuel 16:51:00 0 comentários Links para este post  



as provas

Em abono da tese do João Morgado Fernandes, seguem-se provas inequívocas do 'mau ganhar' dos 'cavaquistas'...

«Alguém quer tramar Sócrates»

É a única explicação para um fax a circular na internet. E que teria sido enviado a pedido do primeiro-ministro durante a campanha presidencial. Fausto Correia conta tudo. O destinatário é Fausto Correia. No remetente surge o logótipo da Presidência do Conselho de Ministros. O documento é sigiloso. O conteúdo, porém, tornou-se público. O PortugalDiário teve acesso a este fax que pede ao mandatário distrital de Coimbra da campanha de Mário Soares que convença um núcleo restrito a votarem Cavaco Silva ou em branco. No documento, o remetente pede, em nome de José Sócrates, que «o núcleo de pessoas do partido envolvidas na campanha de Soares» [...] «tentem influenciar as pessoas que estão mais próximas, sempre pessoalmente, para que votem em branco, ou mesmo que votem no Cavaco, para assegurar que não haja 2ª volta, e o governo não saia fragilizado desta eleição». (...)



na integra no Portugal Diário


Sócrates nega intenção de interromper discurso de Alegre

(...) "É falso, absolutamente falso, que tivesse conhecimento de que Manuel Alegre estava também a falar. Se soubesse, naturalmente teria esperado" para começar, disse José Sócrates aos jornalistas durante uma conferência de imprensa em Lisboa com o seu homólogo da Letónia, Aigars Kalvitis. O primeiro-ministro, que respondia a uma pergunta dos jornalistas, sublinhou que a declaração que fez na noite das eleições "foi de apaziguamento, de um clima no Partido Socialista avesso a qualquer ajuste de contas e avesso também a qualquer tensão", o que "seria contraditório" com uma interrupção do discurso do segundo candidato mais votado. "Nunca tive essa intenção (...). Não houve nenhuma intencionalidade, nem nenhuma vontade", insistiu. Afirmando esperar que "esta explicação ponha um ponto final" nas acusações de que tem sido alvo a propósito do incidente, Sócrates afirmou que faz política "com clareza, sem ambiguidades nem meias-palavras". "Se tiver alguma coisa a dizer, digo", sublinhou.

Domingo, após a divulgação dos resultados das eleições presidenciais, a transmissão em directo pelas televisões do discurso de Manuel Alegre foi interrompida pela transmissão, também em directo, do discurso do líder socialista, apoiante da candidatura de Mário Soares. Logo na noite eleitoral, Helena Roseta, dirigente do PS e apoiante de Alegre, protestou contra a interrupção da transmissão televisiva e classificou o incidente como "um ataque à liberdade e à democracia". (...)

na integra no Portugal Diário

Publicado por Manuel 16:05:00 5 comentários Links para este post  



azia



A propósito das presidenciais, o João Morgado Fernandes publicou um texto estranhíssimo onde fala num alegado mau ganhar de alguns (blogs) cavaquistas. Vale o que vale, mas não deixa de ser sintomático, e ilustrativo, da forma recorrente como alguma intelectualidade de esquerda, da mais politizada e 'ilustrada', vê a realidade. Não sabem assumir os erros, enquanto tal, e acabam sempre por tentar justificar nas más acções dos outros, sejam estas reais ou imaginárias, as razões últimas para os seus próprios falhanços. Dito isto, alguém viu, só para citar um exemplo, na blogosfera de referência reações 'cavaquistas', de 'mau ganhar', comparáveis à azia demonstrada, por exemplo, por um Vital Moreira ? Eu percebo que, por muitas e variadas razões, ao João não apeteça falar muitoda esquerda e das lutazinhas fraticidas que por lá vão, mas daí a escrever o que escreveu vai um grande passo. A Scarllet, como se pode ver na foto, não conseguiu sequer esconder a indignação...

Publicado por Manuel 14:29:00 2 comentários Links para este post  



um desenho

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exemplar

Antes de que el tsunami de cemento se nos venga encima debemos activar los mecanismos de alerta y regular la expansión racional y no especulativa de una riqueza natural que no hemos hecho nada para merecérnosla. Sí mereceremos el reproche de nuestros conciudadanos si no sabemos utilizar los recursos del Estado de Derecho para que, en un futuro, como ya ha pasado en algunas zonas, los bloques de apartamentos no parezcan estructuras fantasmagóricas que nos recuerden el desastre que estamos impasiblemente levantando. Al final conseguiremos los mismos efectos que la bomba de neutrones: cemento y desolación.

José Antonio Martín Pallín es magistrado del Tribunal Supremo.

Publicado por contra-baixo 23:36:00 1 comentários Links para este post