era escusado

Sócrates tinha de facto uma saída, antes da edição deste fim de semana do Expresso. (aquele tipo de vitimização, e contextualização - na bíblia do regime - não mata mas moi e muito. Esperem só que as coisas no Irão se compliquem e tenhámos um início de Verão com aumentos de combustíveis bi-semanais, ou que o boom dos empreiteiros em Espanha acabe de vez...)

Publicado por Manuel 00:49:00 2 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Fred Thompson na corrida

Fred Thompson: para os republicanos que ainda não estão convencidos com Giuliani e olham com desconfiança a idade de McCain, o ex-senador pelo Tennessee pode significar o back to basics dos conservadores americanos


Últimas da corrida para 2008:

O reaparecimento do cancro de Elisabeth Edwards abalou a campanha de John Edwards. O ex-senador pela Carolina do Norte mantém-se na corrida e até terá beneficiado, nos últimos números, de um certo clima emocional em torno da sua situação familiar

Barack Obama continua a pressionar a liderança de Hillary mas, pela primeira vez desde que avançou, parece estar a ocorrer uma certa estabilização nos seus números, que até agora não paravam de subir

O vídeo «Hillary1984», em que a senadora por Nova Iorque aparece como «Big Brother» a controlar os cidadãos, gerou desconforto entre as duas principais candidaturas do lado democrata, mas Barack Obama já se demarcou da «piadinha» feita por um apoiante

Giuliani continua com uma vantagem confortável no lado republicano. McCain não descola de números entre os 13 e os 20 por cento

— Perante o silêncio de Newt Gingrich, e as dificuldades de afirmação de Mitt Romney, Fred Thompson pode ser, surpreendentemente, o terceiro candidato do lado republicano. Thompson, de 60 anos, é um antigo senador pelo Tennessee, que chegou a ser apontado como possível vice-presidente de George W. Bush em 2000. É visto como um candidato «law and order», a exemplo da série televisiva na qual participou, da ala tradicional do Partido Republicano

Sondagens fresquinhas:

DEMOCRATAS
— Hillary 37
— Obama 25
-- Edwards 17
(Rasmussen Reports)

-- Hillary 36
-- Obama 28
-- Edwards 18
(CBS)

Com Al Gore:
-- Hillary 35
-- Obama 22
-- Gore 17
-- Edwards 14
(USA Today)


REPUBLICANOS
— Giuliani 35
— McCain 15
— Gingrich 11
— Romney 8
(Rasmussen Reports)


-- Giuliani 27
-- McCain 13
-- Romney 9
-- Fred Thompson 9
(Zogby)

Publicado por André 19:15:00 0 comentários Links para este post  



Avante, camarada!

Notícias das sarjetas que incomodam o ministro Santos Silva:

Recordamos que a Universidade Independente é a tal onde o Primeiro-Ministro José Sócrates diz ter terminado a licenciatura, num processo nebuloso onde, na altura, trocava correspondência com o próprio Luís Arouca em papel timbrado da secretaria de Estado de que era titular num governo de Guterres, para obter equivalências em diversas disciplinas.Esperemos que isso nada tenha a ver com o alheamento que o ministro Mariano Gago aparentemente usou com o assunto, limitando-se a ordenar à inspecção-geral da tutela para que desencadeasse «investigações no terreno», enquanto, durante um mês, se desenrolava esta vergonhosa barafunda em mais uma universidade privada.Daí o País estar particularmente atento ao que, de concreto, vai resultar da «advertência» esta semana lançada por Mariano Gago à Universidade Independente.


Aditamento às 13h e 15m.
O noticiário da RTP1 abriu com mais de dez minutos com a grande notícia de um acidente no Rali de Portugal, com alguns feridos. Sem imagens do acidente propriamente dito ( que a TVI apresentou em exclusivo), seguiu depois a falar do jogo de Portugal com a Sérvia. Só ao fim do quarto de hora inicial, deu a notícia, com entrevista de um responsável que alertou para o "perigo do vazio" e para os "oportunismos"...
A SIC e a TVI, abriram com as notícias do caos na Uni, durante mais de dez minutos. A SIC, mencionou o facto de o ministro Mariano Gago, estar a ser criticado pela inoperância, com entrevistas no local e em directo. Notícias de última hora, dão conta de conferência de imprensa para as 18h e 30m, do ministro Gago.

Está aqui o retrato do governo de Portugal, no estado actual: uma RTP atenta e obrigada ao silêncio e um escândalo de proporções enormes que se levanta do horizonte.

Quando foi do caso da Universidade Moderna, o retrato do governo de Portugal era...quase o mesmo!

Publicado por josé 12:53:00 1 comentários Links para este post  



entretanto, na Alemanha...

Siemens Executive Kept In custody; Shares Drop


A top Siemens executive arrested on breach of trust charges must remain in custody, prosecutors said, jolting investors in earnest for the first time since a corruption scandal broke out in November.

Reuters

Publicado por Manuel 14:24:00 0 comentários Links para este post  



um filme...

O José acha que a culpa é do 'Maneta', eu não... A culpa todinha é dos nossos Keyser Sozes. E o que mais há é candidatos a Kobayashi, advogado do diabo, e cujo maior truqe é passar a imagem de que o seu cliente nem sequer existe...

Publicado por Manuel 13:35:00 0 comentários Links para este post  



'grandes portugueses'

Publicado por Manuel 13:32:00 1 comentários Links para este post  



Passadores de moeda falsa

Um cada vez mais imprescindível Rui Ramos, no exercício de opinião, intelectualiza no Público de hoje, as suas razões para explicar o voto em Salazar no concurso da RTP.
As razões resumem-se a…uma: “a votação envolveu sobretudo os que quiseram que um deles ganhasse ao outro.” Ponto, parágrafo.
E na continuação da explicação do regime de Salazar, escreve: “
Foram décadas onde, em Portugal, se negou o direito de oposição ao governo, a tortura foi um método aceite para a recolha de informações, a imprensa esteve sujeita a censura, e se praticou a discriminação no emprego. “
Tudo isso é certo e sabido. Tudo isso tem sido escrito em manuais escolares, para ensino das crianças e lembrança ao povo. Por isso , a perplexidade continua a ser grande, porque esses horrores não chegam para impressionar o Zé votante que telefona a protestar e isso deveria fazer acender a luzinha da dúvida naquelas cabeças pensadoras que debitam opinião em jornal credenciada por títulos académicos, mesmo de História.
A negação do direito de oposição ao governo, a tortura, a censura e a discriminação no emprego existiram exactamente porquê? O próprio Rui Ramos o escreve e explica: “
Salazar e os seus adversários pensavam em termos de guerra civil”.
Ora quem assim pensa, justifica as suas acções de supressão de direitos e liberdades individuais, para assegurar o bem colectivo que entendem primordial e se a maioria do colectivo aceita as premissas, não sente a perseguição e justifica-a. Seja de um lado; seja de outro.
E para estabelecer esta verdade como aceite, o próprio Rui Ramos continua a sua análise:
Mas quando vemos que alguns dos que condenam tudo isso no caso do salazarismo são os mesmos que nunca se incomodaram com as mesmas coisas na União Soviética ou em Cuba, percebemos que a indignação que o salazarismo neles provoca não se deve ao horror perante a ditadura, mas antes às causas que, segundo eles, a ditadura terá servido: o capitalismo e a igreja.”
Voilà! Rui Ramos escreve agora no Público, aquilo que até há um certo tempo era impensável escrever noutro jornal para além de O Diabo, um “pasquim” de extrema direita, como ainda hoje é considerado pelos bem pensantes da inteligentsia mediática, toda situada no lado esquerdo da barricada, num fenómeno incrível de arregimentação pela propaganda.

Agora, o que se perfila nesta análise simples e directa, sem rodeios ou contradições, é apenas a especulação sobre os fundamentos da mesma. Foi preciso passar mais de trinta anos para concluir o que era óbvio para alguns, e que por causa disso mesmo foram igualmente censurados pelos directores de jornais, através do método mais subtil da não contratação; da marginalização; da execração pública como “fascistas”. A censura nestes últimos trinta anos, não é um exame prévio ao escrito: passa preferencialmente pela prévia formatação do escriba. A discriminação no emprego que dantes existia como modo negativo de selecção, passou a método positivo, pela contratação afincada e permanente de boys and girls e pela segurança social do cartão partidário.
A tortura dantes existente, deixou de existir como tal. A estátua e os choques eléctricos nas partes, bem como o arremesso para as catacumbas dos tarrafais, acabou, felizmente, porque nunca foi além do sadismo de uns poucos que nem chegaram a ser julgados, tão grandes eram os crimes imputados.
Ficou, porém, a prisão para os fascistas, a censura dos seus livros e a proibição constitucional das organizações com tal ordem nova de ideias, sem que se determinasse o perfil das mesmas, deixando a um tribunal democraticamente constitucional a sua apreciação in casu.
Fascistas, por exemplo e em 1975, eram o Expresso, o Jornal Novo e a Rua, cujo director foi preso. E fascistas eram muitos cidadãos, como por exemplo Artur Agostinho, igualmente preso e destituído de emprego. Quem fala em Artur Agostinho, fala noutros menos conhecidos e notórios.
É essa a razão pela qual Rui Ramos cita Raul Proença num texto de 1926, contrapondo os “bons aos maus” e fazendo o paralelo, “num país em que era preciso censurar para não ser censurado, sanear para não ser saneado, prender para não ser preso. Foi deste país que nos livrámos em 1976”. Livramos?! Isso é que seria preciso demonstrar cabalmente e é dos reflexos dessa luta que ouvimos agora os telefones a tocar.

A História portuguesa dos anos de Salazar, foi apresentada aos portugueses, durante estes anos, como um livro de caricaturas de João Abel Manta: formalmente perfeito; esteticamente belo e de suprema qualidade artística, no grafismo do desenho.
No fundo, porém, o retrato é de uma profunda falsidade, porque se apresenta a caricatura como perfil fiel da realidade e no subtexto da imagem, a mensagem fatal da propaganda, atinada à guerra civil, de luta contra o adversário inventado.
É nessa intertextualidade que se criou uma linguagem específica que abrangeu todos os domínios da vida social e intelectual, do Portugal das últimas décadas.
A identidade do nosso País só será retomada a sério, quando se equilibrar e desbastar essa linguagem escrita, pictórica e impressionista, com as cores de outros lados e visões.
A linguagem dos comunistas e seus compagnons de route socialistas, por uma questão de jeito, trejeito e preconceito, toldou a visão da realidade portuguesa como ela foi, é e será: um misto de tradição antiquíssima, com o modernismo das modas importadas.
Para entender a tradição antiga, dos nossos oitocentos anos de História, é preciso ir ver ao sótão da memória colectiva, vê-la, entendê-la e comunicá-la.
Os salazaristas fizeram-no de um modo particular que afeiçoava certas características de tradição. Os comunistas desfizeram-nas em nome da tradição nova do que estaria para vir e não veio, frustrando as grandes ilusões.
Resta agora, aos que verificam a realidade desta luta civil, desmistificar ideias e preconceitos, retomar o fio da linguagem antiga e mostrar o que já parece notório: o antifascismo é a outra face da moeda do fascismo. Sem um conceito, o outro fenece.
O salazarismo é doutro padrão, já desaparecido de circulação, como moeda velha que era e deve ficar no sótão do Tombo e nas caves das bibliotecas para que os interessados e eruditos possam explicar como foi, para todos perceberem que já não serve.
Confundir moedas, no entanto, é tarefa de charlatães, interessados em passar moeda falsa. E no entanto, é esta que circula como corrente, há mais de trinta anos. Já é tempo de mudar de padrão e o artigo de Rui Ramos é um excelente contributo para a nova moeda.
Nota: o livro da foto, copiada da net, encontra-se esgotado há muito tempo. E não devia, porque é uma das obras emblemáticas da esquerda comunista não alinhada e com um valor artístico assinalável. A primeira edição, foi publicada pelas edições O Jornal, salvo erro, nos anos setenta e esgotou em pouco tempo. João Abel Manta, foi colaborador na ilustração, de O Jornal e ainda O Jornal de Letras. As suas caricaturas e ilustrações figuram entre as melhores de sempre, de toda a parte. A propósito de ilustração, deve assinalar-se que André Carrilho, ilustrador do DN, tem duas ilustrações publicadas na revista Vanity Fair de Abril de 2007. Parabéns.

Publicado por josé 11:51:00 14 comentários Links para este post  



Explicações


A primeira página do Público de hoje, explica-se a si mesma, numa singela e bem explícita alegoria dos problemas que nos afligem como país.

No topo, uma caixa de imagem com um Salazar estilizado por um pintor não identificado ( o Público acha que não tem o dever de). Uma citação de um comentador do jornal ( JPP) deixa no ar a perplexidade do dia: como foi possível, mesmo num concurso banal, de tv, um ditador morto quase há 40 anos, ter ainda uma imagem tão forte junto dos portugueses?
O esforço de desvalorização ( “do ponto de vista técnico-científico, os resultados divulgados pela RTP não valem nada”), feito pelo politólogo Pedro Magalhães, no corpo da notícia assinada por Adelino Gomes, não pega muito, quando diz a seguir que afinal valem os das agências de sondagens. Ora estas, dão uma imagem com algum relevo da figura de Salazar, por forma a não permitir que se possa dizer que os resultados do concurso “não valem nada”.
Para saber se valem ou não, melhor seria interpretar outros factores de ponderação. Por exemplo, especular sobre a motivação dos votantes.

E o Público procurou saber dessas motivações por interpostas pessoas, quase sempre as mesmas e que declinam nomes já conhecidos como Pacheco Pereira, Eduardo Lourenço, José Mattoso e até Vasco Lourenço(!), para além do politólogo. As opiniões destes comentadores, são as do costume, sem novidade e sempre na direcção do pensamento unificado. O Público, ( e Adelino Gomes, em particular) nunca sairiam desse trilho bem marcado- e é pena.

No entanto, é na primeira página do Público de hoje, que numa feliz conjugação de títulos, se atinge o alvo, com recheio, mesmo involuntário.
O primeiro título respeita aos gestores públicos, engendrados por esta democracia de há uma dúzia de anos a esta parte. A notícia de que um gestor anódino da GALP, ao fim de um ano e de ter ganho com a saída, cerca de quinhentos mil contos de indemnização, ter passado para a REN, para ganhar balúrdios, acerta no coração dos pobres de espírito que não compreendem os critérios governamentais que presidiram a estas regras de generosidade sem paralelo, na decência de um país pobretanas e na cauda da Europa. Os portugueses em geral, não compreendem, não aceitam e acham escandaloso que tal aconteça. E tal acontece, devido a uma simples palavra mágica que todos entendem: corrupção. Não a do código Penal, mas a outra mais simples, a moral. O senso comum, no entanto, não a distingue da outra, aquela que vem escarrapachada no segundo título: “Assembleia discute corrupção-Ministério Público contra lei da política criminal”.
Este título que encima uma foto de um símbolo da luta contra a corrupção no país ao lado ( Baltazar Garçon) , lembra-nos a nós leitores que foi na Assembleia que se derrotou a proposta de Cravinho, por ser disparate e até “asneira” e lembra-nos também dos inquéritos parlamentares a casos singulares que dão aquilo que as maiorias querem que dêem. Lembra-nos ainda a ética que existe na Comissão de Ética e outros fenómenos que os portugueses conhecem .
Por causa de asneiras, repetidas e recalcitradas, o público que votou na figura do melhor português de sempre, escolheu Salazar.
É preciso explicar mais?!

Publicado por josé 18:23:00 5 comentários Links para este post  



Alimento para o espírito

Alguns cépticos, andam já há algum tempo a questionar a validade da Wikipedia, enquanto meio de conhecimento, como se um projecto dessa ordem não tivesse as suas limitações evidentes.
Baseados em casos reais, devidamente apontados, de adulteração e falsificação de dados e elementos de facto, consciente ou inconsciente, os cépticos apontam a falta de crédito de um meio de informação e conhecimento que sempre partiu de um pressuposto simples: confiança. E outro ainda: gratuitidade.
Nem se percebe bem o objectivo de tais acusações sustentadas, uma vez que esses pressupostos, só por si, deixam um ampla margem de manobra aos cépticos mais simples, para sustentarem os seus pontos de vista.
Assim, o que resta, é a confiança em estado puro, numa abordagem à Utopia do saber e do conhecimento, sem paralelo nos tempos modernos. Borges ficaria encantado. Quem o cita, amiúde, parece que não. Desconfia do que não merecendo total confiança , merece ainda assim, boa fé.
Um dos co-fundadores da Wikipedia, Jimmy Wales, responde a dez perguntas directas de anónimos que a Time publica, na edição desta semana.
Uma das perguntas contende com essa faceta insondável da Wikipedia:
- O que viu nas pessoas que o leva a confiar na descoberta da verdade através de um processo colectivo?
Responde Jimmy Wales: São os resultados. A maioria das edições da Wikipedia- mesmo de utilizadores anónimos- representa benefícios. Em alguns tópicos difíceis há muita discussão sobre o modo de os apresentar. Mas esses debates são realizados por pessoas de boa-fé. Acontece que as pessoas não são tão más como a Internet as apresentou durante algum tempo.
Outra pergunta contende com a motivação de quem escreve na Wikipedia:
- O que leva as pessoas a contribuir para a Wikipedia? Altruísmo?
- Não. É compreender que fazer algo de intelectual, pode ser socialmente divertido- e faz sentido.

Publicado por josé 17:26:00 2 comentários Links para este post  



Don Raffaele e o combate à corrupção

“Don Raffaele Palizzolo recebia os seus clientes de manhã, na sua residência de Palermo (...). Abordavam-no levando flores ou outras ofertas, enquanto ele permanecia sentado na cama com um cobertor pelos ombros. Alguns procuravam emprego na edilidade. Outros talvez fossem juizes ou agentes da polícia ansiosos por uma transferência, uma promoção, um aumento de salário. Ou podia, ser pessoas suspeitas a precisar de uma licença de uso e porte de arma ou de protecção contra a perseguição da polícia; vereadores em busca de uma posição de influência nalguma comissão; estudantes do ensino secundário ou superior desejosos que lhes fossem perdoadas más notas susceptíveis de ameaçar o seu progresso nos estudos"

(...)

"As reuniões matinais, que se realizaram durante toda a sua carreira política de quarenta anos, tinha um estilo caracteristicamente desassombrado. Mas nada havia exclusivamente mafioso, ou siciliano, neste tipo de apadrinhamento e clientelismo na política. Os mesmos mecanismos básicos funcionam ainda em muitos lugares da Itália, para não falar de outros países em todo o mundo. Os votos são trocados por favores: os políticos e funcionários do Estado apropriam-se de bens públicos - empregos, contratos, licenças, pensões, subsídios - e reinvestem-nos a título particular nas suas redes de apoio ou clientelas pessoais"

(...)

"Don Raffaele Palizzolo respondeu ao desafio e dedidcou a sua vida a negociar favores"

John Dickie, Cosa Nostra, História da Máfia Siciliana (pág. 117 a 119)

Publicado por Carlos 13:07:00 1 comentários Links para este post  



A inteligentsia da engenharia

No programa Prós&Contras que segue na RTP1, há uma mostra de costumes de engenharia lusa.
Os presentes, são quase todos bem entrados nos entas, formados no tempo do Salazarismo e presumivelmente prósperos, pela aparência do trato e do traje.

Presumo que se trata da nossa elite, mais avançada de catedráticos, directores e responsáveis altos por departamentos.

Todos gravateim e casaqueiam, com a sobriedade dos anos sessenta. Seria uma obra de arte, mais interessante do que a ponte do Infante, haver alguém que soubesse e lhes traçasse o perfil pessoal, político e profissional.

Julgo estar ali, neste momento, concentrado um conhecimento prático da nossa vida político-técnica dos últimos 40 anos.

Publicado por josé 00:02:00 8 comentários Links para este post  



O enigma

O aviso não tardou: "Estou aqui só como engenheiro e como político." Sem gravata, José Sócrates deixou a farpela de primeiro-ministro que envergara horas antes, no termo da visita à China, e ainda mal recuperado do tropel de fusos horários compareceu ontem no Centro Cultural de Belém para uma sessão de esclarecimento junto de simpatizantes socialistas.
(..)Lá estavam Correia de Campos, José Magalhães, Idália Moniz, Ana Paula Vitorino, Jorge Lacão, Maria de Belém, Maria Carrilho, Marcos Perestrello. ( D.N. 5.2.2007)
Helena Matos, parece que também testemunhou. Daí, talvez, o silêncio inocente.

Na ausência de mesquinhos adeptos do purismo mais reluzente, (no dizer de Vital Moreira), esta afirmação sonora e qualificada de José Sócrates, acabado de chegar da China e perante a plateia cheia de adeptos socialistas, deve ter soado cheia e redundante.
"Estou aqui como engenheiro"!
Rosebud, diria o outro.

Publicado por josé 23:13:00 14 comentários Links para este post  



Lobos com pele de cordeiro


Num artigo da revista Vanity Fair de Abril 2007, Michael Wolff, trata o assunto Valerie Plame-Lewis Scooter Libby, de um modo alargado a quatro páginas, menos porém do que o artigo de Mark Frankel, do New York Times Magazine.
O artigo de Wolff tem a vantagem de lidar com o modo idiossincrático do Partido Republicano por contraposição ao modelo democrático de relacionamento com o público.
Wolff acha que os republicanos lidam com o público da imprensa, de modo mais “corporate” do que os democratas que o fazem sem grandes ademanes. Os Republicanos respondem aos telefonemas, telefonando em seguida; os democratas nada disso fazem e esforçam-se por nem dar atenção exagerada a quem lhes pede explicações. Por isso, Wolff entende que essa atitude republicana, foi o motivo principal do drama que atingiu Lewis Scooter Libby e os demais republicanos envolvidos na grande operação de spin destinada a desacreditar aqueles – como Joe Wilson – que desacreditaram os neoconistas apologistas da guerra no Iraque.
O bom marketing depende da manutenção de uma ilusão – admiramos sempre uma eficiente e sofisticada operação de comunicação mas ficamos chocados, chocados mesmo perante a ideia de uma manipulação cínica- e o julgamento de Libby revelou-se nesse aspecto notável e, na prática, um exercício de descasque voyeurístico das habilidades das relações públicas da administração Bush” , escreve Wolff.
De todo o artigo ressalta uma ideia básica: Libby é apenas o que foi apanhado, condenado e no final de contas vítima da sua própria estratégia de defesa dos chefões do topo. A ilustração vale as tais mil palavras.

Ao ler estes artigos, uma pessoa fica a imaginar, como é que na América republicana bushista, no fim de contas, a democracia relatada pelos media, se apresenta e compara com a opacidade de vergonha que por cá se experimenta, neste pequeno jardim à beira mal plantado, a propósito do caso Sócrates, recentemente tratado no Público.
Será apenas spin? Ou isto já chegou ao estado de pepineira?
Seja como for, é uma vergonha maior. Ponham os olhos na América, senhores directores dos jornais! Nem me atrevo a falar das tv´s: é caso perdido.

Publicado por josé 19:57:00 0 comentários Links para este post  



breve ensaio sobre ovelhas e carneiros

Contam-me, não vi, que ontem os portugueses elegeram Oliveira Salazar como o maior português de sempre (!). Também um dia desdes, no Público, Vasco Pulido Valente fazia uma apaixonada defesa de Paulo Portas, um 'político' que não seria pior do que aqueles que o criticam. Não, não estou a comparar o Dr. Portas a Salazar, mas já estou a comparar aqueles que votaram em Salazar, com o mesmo Vasco Pulido Valente que defendeu, da forma que o fez, o segundo regresso do Dr. Portas. De facto, uma boa parte do país passa a vida a dizer mal de tudo e do seu contrário mas, chegada a hora, não consegue vislumbrar algo de diferente ou alternativo, muito menos se vê parte dessa alternativa. Uns, não conseguem imaginar uma vida política - em Portugal - sem os Dr.s Portas, e as Zezinhas, que temos, outros, no fundo, no fundo, querem é que os deixem em paz, e que pensem por eles - e Salazar, e Cunhal (os dois primeiros classificados) pensavam por todos...

Publicado por Manuel 10:47:00 1 comentários Links para este post  



debate, para quê...

Now scientists create a sheep that's 15% human (Daily Mail)

Publicado por Manuel 10:42:00 0 comentários Links para este post  



era uma vez um partido...

Publicado por Manuel 06:41:00 0 comentários Links para este post  



Os manetas da sarjeta

O pessoal da redacção nacional do Washington Post raramente cobre casos de polícia. Assim, a pedido de Sussman, tanto Bernstein como Woodward regressaram ao gabinete na manhã seguinte, um Domingo claro, 18 de Junho, para seguir a história.
Um assunto que passava no cabo da Associated Press tornou embaraçosamente clara a razão por que McCord merecia atenção suplementar.
De acordo com relatórios de despesa de campanha, arquivados pelo Governo, James McCord era o secretário-coordenador do Comité para a Reeleição do Presidente ( CRP).
Os dois repórteres fincaram-se no meio da sala da redacção e olharam um para o outro. Que raio achas que isto quer dizer? Perguntou Woodward. Bernstein não sabia.
Em Los Angeles, John Mitchell, antigo Procurador Geral, e gestor da campanha Presidencial, publicitou uma declaração: “A pessoa envolvida tem uma agência privada de segurança e foi empregada pelo nosso comité, há alguns meses, para ajudar na instalação do nosso sistema de segurança. Tem, tanto quanto sabemos, um número de clientes e interesses, que não são do nosso conhecimento. Queremos enfatizar que este indivíduo e outras pessoas envolvidas, não se encontravam a operar por nossa conta nem com o nosso consentimento. Não há lugar na nossa campanha ou procedimento eleitoral para este tipo de actividade, o que não permitiremos ou aprovaremos.”

(…)

Woodward teclou os primeiros três parágrafos de uma história identificando um dos assaltantes do Watergate como um coordenador de segurança, assalariado do comité para a reeleição do Presidente e entregou-a a um editor na secção de assuntos de cidade. No minuto a seguir, Woodward reparou que Bernstein estava a olhar por cima do ombro do editor. Então, Bernstein regressou à sua secretária com a primeira página da história; dali a pouco, teclava. Woodward acabou a segunda página e passou-a ao editor. Bernstein pegou logo nela e voltou para a máquina de escrever. Woddward decidiu ver o que se passava.
Bernstein estava a reescrever a história. Woodward leu a versão reescrita. Estava melhor.
Na manhã seguinte, no escritório, Woodward fez uma lista de títulos. Um dos vizinhos de McCord tinha dito que o vira com uniforme da Força Aérea e outro que McCord era tenente coronel na Reserva da Força Aérea. Meia dúzia de chamadas mais tarde, para o Pentágono, um oficial do pessoal dissera-lhe que James McCord era tenente coronel numa unidade de reserva especial baseada em Washington, ligada ao Office of Emergency Preparedness.”
Woodward deu conta do nome Hunt, que se tornou a prioridade a partir de segunda feira e deu atenção à lista de pertences apanhados aos assaltantes. Um cheque não endossado e dois bilhetinhos continham uma referência a “Dear Friend Mr. Howard” e outro a “Dear Mr. H.H.” e então ligou a alguém conhecido do governo, fonte de informação que lhe disse o caso ia aquecer, sem explicação suplementar.
Woodward ligou para a Casa Branca e perguntou pelo nome Howard Hunt. Disseram-lhe que costumava trabalhar com Charles Colson. Woodward então descobriu que Colson era conselheiro especial do Presidente e seu homem de mão e uns poucos telefonemas adiante, o próprio Hunt atendeu e respondeu a Woodward que lhe perguntou a razão do seu nome e telefone constar dos bilhetes apreendidos aos assaltantes. “Santo Deus!”, foi a resposta. E a seguir: Tendo em vista que o assunto está sob observação, não tenho mais comentários a fazer.” E desligou-lhe o telefone.
Woodward pensou que tinha caso para história. Contudo, o nome e telefone fosse de quem fosse podiam estar em qualquer agenda. O bilhete com a conta, podia ser informação mais relevante mas ainda assim, qual a relação?

Uma notícia alinhada com o título “ Consultor da Casa Branca ligado aos suspeitos das escutas”, poderia ser um erro de interpretação, injusto para Hunt.
Com mais dois ou três telefonemas, no entanto, Woodward descobriu que Hunt tinha trabalhado para a CIA . A informação primordial vinha directamente do filho de um senador republicano do Utah, agora presidente da firma de consultadoria e relações públicas, onde Hunt trabalhava como colaborador.
Mais uns tantos telefonemas, estabeleceram a certeza, mesmo em off-record que assim tinha sido.
Woodward titulou então: “Consultor da Casa Branca ligado aos suspeitos das escutas”
Nessa manhã, Ronald Ziegler, secretário de imprensa do Presidente, respondeu brevemente às questões sobre o assalto ao Watergate: “certos elementos podem tentar alargar isto para além do que que isto é” e descreveu o incidente como uma tentativa de assalto de terceira categoria.
No dia seguinte, o presidente do Partido Democrático, apresentou uma acção cível por danos, no valor de 1 milhão de dólares, contra o Comité para a Reeleição do Presidente.

Excerto, em tradução livre, do livro All the president´s men, de Bob Woodward e Carl Bernstein, de 1974.

Estes excertos do livro de dois jornalistas sobre o Watergate e aquilo a que o mesmo conduziu, têm como objectivo mostrar como se pode fazer jornalismo de investigação, partindo de factos aparentemente anódinos, mas explorados com perspicácia aplicada. Factos sem aparente relação, vêm a revelar-se cruciais para a compreensão dos acontecimentos. O faro dos jornalistas, aproveitando os meios usuais de investigação e alguns apoios institucionais e redactoriais, revelam um modo de fazer jornalismo que aparentemente não existe, enquanto tal, em Portugal. Porquê?

Talvez porque o país seja demasiado pequeno, os jornalistas demasiado ligados aos poderes e a dependência económica dos jornais, a grupos de interesses motivados, uma triste realidade.

O modo como o jornal Público pegou no assunto da licenciatura de Sócrates parece ser o melhor exemplo disse mesmo. A comparação com o caso Watergate, é por isso, apenas uma coincidência, para apontar o modo como se poderia fazer uma investigação que - tudo indica-, não se fará.

E porquê? Por não valer a pena? Pelos vistos vale e o próprio PSD já o disse. Por não se oferecer sequência narrativa, por falta de matéria noticiosa? Nem isso vale como desculpa. O caso em si mesmo, deveria valer como exemplo do que se passa no ensino superior universitário privado, com múltiplos casos, denunciados por alguns próximos do actual governo ( Vital Moreira por exemplo). Será exactamente por isso que a reportagem ficará em águas de bacalhau? Por haver muitos e muitos casos, no jornalismo e no poder político, de pessoas que aproveitaram o ensino particular universitário de modo muito duvidoso?

Enfim, cada vez mais se verifica que a liberdade passa mais por aqui, nos blogs, do que por ali, nos media tradicionais.

Segundo se noticia, porém, aproximam-se tempos mais escurecidos para a transparência dos poderes nas notícias: o ministro Santos Silva acabou de dar a entender, numa entrevista ao Correio da Manhã que há um jornalismo de sarjeta que é para reprimir e censurar. E ele é um dos que tem o livro do índex e o lápis azul...neste caso democráticos e por isso mesmo, legítimos.

Santos Silva prepara-se para mandar para o Maneta, em nome do tal "jornalismo de sarjeta", algo que o incomoda e ao poder que representa: a liberdade de expressão. Não aquela que conhecemos dos telejornais, mas outra que não existindo ainda plenamente, já ameaça os poderes constituidos: a que vem da rua e da voz do povo e começa a ter alguma expressão informal, em blogs e jornais que afoitam mais um pouco.

Aqui há uns meses, no firmamente político-mediático, uma certa Estrela, Serrano de apelido, formulava na tv, uma queixa semelhante em relação aos blogs anónimos que eram um horror em forma de rede, para o poderzinho que lhe convinha. No Parlamento, já houve rábula semelhante, protagonizado pelos mesmos. Uma certa Catarina, que o Alentejo não viu nascer, denunciou o anonimato abjecto de certos blogs e um PGR atento, respondeu-lhe que sim, que eram uma vergonha.

Objectivamente, todas essas manifestações têm um sentido: C-E-N-S-U-R-A.

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A grande barrela

As extraordinárias revelações do professor Arouca, ex-futuro reitor da Independente, sobre o estranho fenómeno dos documentos curriculares dos alunos da universidade, terem ido parar à mão de um misterioso Maneta, suscitou a esta Loja curiosidade de investigação. Assim, estamos em condições de adiantar algumas pistas.


Após aturadas buscas de alguns minutos, nos confins da internet (que guarda os documentos por mais do que os cinco anos derradeiros, antes das grandes barrelas), estamos em condições de apresentar a foto do suspeito número um:



De seu nome Bill Raisch, era ele o verdadeiro Maneta da série O Fugitivo, que no final dos anos sessenta passou pela tv portuguesa.

Luís Arouca, o reitor que foi e ainda poderá vir a ser, deve lembrar-se bem do magano...

Outro suspeito apontado algures, seria este. Mas não tem grandes hipóteses: não é dos anos sessenta...

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O farol do paraíso que se perde

Na Universidade Independente, o reitor que já não é, mas pode ainda vir a ser, de seu nome Arouca, disse ao Público, referindo-se aos documentos que suportam as classificações académicas dos alunos que “as fichas de cada aluno já ninguém sabe delas. Nos primeiros anos, a nota final é acompanhada com fundamento, depois é deitada fora. Ao fim de cinco anos, vai tudo para o maneta”.

Ao Expresso de hoje, o Professor Arouca, assegurou que “ a licenciatura é correcta, impecável”, apesar de não mostrar os documentos que atestam a afirmação. Tudo indica, aliás que estejam nas mãos do misterioso…Maneta. Será o do Fugitivo, de boa memória?

Vital Moreira, depois de ter glosado o tema da Universidade Independente, do modo que se conhece, no blog e nos jornais, lançando a lama mais pútrida sobre a honorabilidade curricular das universidades privadas e respectivos corpos docentes, entende agora que , “o Primeiro-Ministro mudou a forma da sua apresentação pessoal, de "engenheiro civil" para "licenciado em engenharia civil", para pôr fim a acusações mesquinhas.”
E para que não fiquem dúvidas sobre a mesquinhez do propósito dos maledicentes, apresenta os seus argumentos constitucionais:
Engenheiros, há muitos! Arquitectos e doutores, idem! E pergunta, destemido, se querem que diga nomes!

Queremos, senhor Professor Doutor, Vital Moreira, honoris causa em muitas causas!

Queremos o nome do Primeiro- Ministro de Portugal ( e até da Europa) que não sendo aquilo que dizia ser, foi obrigado a alterar a designação académica com que se apresentava em documentos, encontros e comunicações e oficiais. Queremos saber se houve vergonha igual por essa Europa fora!
Queremos que nos diga quem foram os Primeiros-Ministros de Portugal que viram a sua vida académica em vias de ser escrutinada, por se levantarem dúvidas e suspeitas sobre a sua correcção e verdade.
Se não houver nomes, espera-se que em nome do purismo, vá reler o que escreveu, nas suas causas avulsas e recolha a penates.
Podem ser vários escritos, todos eles de purismo exemplar. Por mim, escolheria aqueles com que brindou Santana Lopes, ao logo dos últimos meses de governo; pode ser o artiguito purista sobre ”a Nobre casa de Guedes”, ao mesmo tempo que poderia compará-los com os grandes e magníficos encómios ao engenheiro que agora se descobre nunca ter sido verdadeiramente, facto descoberto num acaso mesquinho.

Publicado por josé 16:34:00 8 comentários Links para este post  



O faro

"Ao mais alto dos suspeitos , que tinha dado o nome de James W. McCord, Jr, foi-lhe dito para se aproximar. Era calvo, com um nariz largo e chato, um queixo quadrado, dentes perfeitos e uma expressão benigna, que parecia incongruente com os demais traços, bem vincados.
O Juiz perguntou-lhe a ocupação.
"Consultor de segurança", respondeu.
O Juiz perguntou onde.
McCord, numa voz em arrastamento suave, disse que se tinha reformado do serviço, havia pouco tempo. Woodward passou para a fila da frente e inclinou-se para diante.
"Onde, no governo?", perguntou o Juiz.
"CIA", murmurou McCord.
O Juiz contorceu-se ligeiramente.
"Holy shit", silabou Woodward a meia voz, a CIA.
Apanhou um táxi para a redacção e relatou o depoimento de McCord. Oito repórteres foram chamados a delinear a história, sob a batuta de Alfred E.Lewis. À medida que a prazo limite das 6h e 30m. se aproximava, Howard Simons, o editor do Post, chegou ao gabinete do editor dos assuntos da cidade, no lado sul da redacção.
“É uma história e peras”, disse ao editor de cidade, Barry Sussman, e deu ordens para a colocar na primeira página da edição de Domingo.
O primeiro parágrafo da história dizia: “Cinco homens, um deles dizendo-se antigo funcionário da CIA, foram presos às 2h e 30m de ontem, naquilo que as autoridades descrevem como um plano elaborado para colocar sob escutas os escritórios de cá, do Comité Nacional Democrata.
Uma investigação de grande júri federal tinha já sido anunciada, mas ainda assim, na opinião de Simons, havia ainda demasiados factos desconhecidos para fazer da história do assalto, a manchete do dia.
"Podiam bem ser uns doidos cubanos", disse.
De facto, o pensamento de que o assalto poderia ser algo da responsabilidade dos Republicanos, parecia implausível. Em 17 de Junho, 1972, menos de um mês antes da convenção Democrática, o presidente ia à frente de todos os candidatos democratas já anunciados, com uma vantagem, nas sondagens, de nada menos que 19 pontos. A visão de Richard Nixon sobre a emergência de uma maioria republicana que governaria o último quarto de século, como os democratas o tinham feito nas duas gerações antecedentes, parecera possível.”

Esta passagem do livro de Woodard& Bernstein, All the president´s men, permite ler várias coisas:
O jornalismo americano dos setenta, ainda pode ensinar muito ao jornalismo português actual.
Uma notícia em modo de reportagem, sobre um assunto complexo e ainda desconhecido, precisa do faro dos editores dos jornais, suficiente para perceberem que um facto isolado, poder ter um potencial noticioso importante e até mesmo imprescindível, se devidamente explorado.
O modo de noticiar tais factos, começa sempre…pelo princípio e segue a rota do faro jornalístico se ele existir, com persistência e acreditando na verdade que se poderá vir a descobrir.

Em 18 de Junho de 1972, o repórter Bob Woodward, ao ouvir que um dos assaltantes do Watergate, tinha sido da CIA, afinou as orelhas e deverá ter pensado: aqui há marosca.
E havia. Dois anos depois, a História deu-lhe razão total. E é por isso que ainda hoje é lembrado.

Get it?

Publicado por josé 19:48:00 2 comentários Links para este post  



A liberdade está a passar por aqui

17de Junho de 1972. Nove da manhã de Sábado. Cedo para telefonemas. Woodward tacteou o auscultador e acordou num instante. O editor de cidade do Washington Post estava em linha. Cinco homens tinham sido presos nessa madrugada, num assalto às instalações do partido Democrático e tinham com eles equipamento electrónico e fotográfico. Poderia chegar lá?
Woodward trabalhava para o Post há oito meses e estava sempre à espera de um bom trabalho de Sábado, mas este não lhe parecia tal coisa. Um assalto às instalações locais dos Democratas era mais do mesmo a que ele já estava habituado- investigações acerca de restaurantes sem condições sanitárias e pequena corrupção policial. Woodward gostaria de já ter saído disso; tinha acabado uma série de histórias sobre a tentativa de assassínio do governador do Alabama, George Wallace e agora parecia-lhe que voltava de novo para o buraco. (…)
Os primeiros detalhes da história tinham sido telefonados, do interior do edifício Watergate por Alfred E.Lewis, um veterano com 35 anos de relatórios de polícia para o Post. Lewis era uma espécie de lenda no jornalismo de Washington- meio polícia, meio repórter, alguém que se vestia muitas vezes com camisolas azuis da Polícia Metropolitana abotoadas até ao fim por cima de um cinto metálico com a estrela de David. Em 35 anos, Lewis jamais “escrevera” uma história; telefonava os detalhes para um escriba e durante anos, o Washington Post nem sequer tivera uma máquina de escrever nas esquadras de polícia.
Os cinco homens presos às 2 horas e meia da manhã, vestiam fatos de homens de negócios e usavam todos, luvas cirúrgicas Playtex. A polícia apreendera um walkie talkie, 40 rolos de filme não revelado, duas câmeras de 35 mm, gazuas, armas de gás lacrimogénio, e aparelhagem de escuta aparentemente suficiente para escutar conversas de telefone e de ambiente. Um deles tinha 814 dólares; outro 215, outro 234 e outro 230, Lewis tinha ditado. A maior parte em notas de 100 dólares, em sequência….pareciam saber o que se passava à volta; pelo menos um deles devia ser bem familiar com o sítio. Tinham quartos no segundo e terceiro andares . Os homens comeram lagosta no restaurante local. Um usava um fato comprado na Raleigh´s. Alguém teria visto os bolsos de dentro.”
Woodward soube por Lewis que os suspeitos iriam ser presentes a tribunal, essa tarde, para uma audição preliminar. Decidiu ir lá.


Este texto, extraído das primeiras páginas do livro de Bernstein & Woodard, All the president´s men, de Fevereiro de 1974 ( publicado em Portugal pela Bertrand, nesse mesmo ano), anunciam os primeiros factos que conduziram à queda do presidente Nixon, dois anos mais tarde.
O planeador do assalto, Howard Hunt, ex-agente da CIA, em Maio de 74, três meses antes da demissão de Nixon, confessava à revista People que viu a missão como qualquer outra, depois de tanto tempo a trabalhar para a CIA: “aquilo que a Casa Branca mandava fazer, era lei”.
Nixon, durante os 800 dias que separam o assalto a Watergate, da sua resignação, tentou encobrir a verdade dos factos, aldrabando.
Provou-se que em 23 de Junho de 1972, apenas seis dias depois do assalto, Nixon, soube o que se passava, deu ordens directas aos envolvidos, para que a CIA impedisse as investigações do FBI, escondeu provas, mentiu e deixou também provas gravadas dessas conversas, em fitas magnéticas. Nixon, tinha decidido anteriormente, gravar secretamente todas as conversas que mantinha e inexplicavelmente deixou as provas gravadas da sua participação no encobrimento do caso. A obrigatoriedade de entrega às autoridades judiciais, depois de lutas renhidas nos tribunais, dessas gravações, em Agosto de 1974, determinou a resignação, em directo na tv nacional, depois de ter admitido em 5 de Agosto de 1974, que de facto, naquele dia 23 de Junho dera instruções para o encobrimento. Admissão fatal, para a credibilidade de quem até ali, tinha sempre negado qualquer conhecimento dos factos.
A prova, a “smoking gun” fora essa gravação que o próprio Nixon teve que entregar.
Perante a iminência do impeachment, então já requerido, Nixon vai à tv e resigna.

Em 17 de Novembro de 1973, numa conferência de imprensa, Nixon disse “não sou um patife”, I´m not a crook.
Os repórteres Woodward e Bernstein, na investigação que realizaram, abriram o caminho à descoberta da verdade, com ajuda de um informador anónimo que assim ficou até Junho de 2005. Apesar de todo o encobrimento. o jornal prestou um grande serviço à causa da liberdade de expressão e de imprensa.

O Expresso de 10 de Agosto de 1974, dirigido então por Francisco Pinto Balsemão, escrevia assim sobre o assunto:
Watergate, para nós significa essencialmente liberdade de imprensa. Porque não esqueçamos, tudo começou com a curiosidade de um grupo de jornalistas do Washington Post apoiado incondicionalmente pelo seu director. O mérito da sua acção não está em terem feito cair um Presidente. O mérito está em terem denunciado publicamente o clima de ilegalidade, o gangsterismo que se instalara na Casa Branca, que tudo corrompia, que tudo e todos procurava comprar.
Ao longo destes dois anos, o Washington Post e os seus jornalistas sofreram toda a espécie de pressões para se calarem. Mas eles, conscientes dos seus direitos ( e deveres) não cederam."


Aditamento em 23.3.2007:

Quase 33 anos depois deste texto editorial do Expresso, da responsabilidade de Balsemão, quem temos hoje no lugar de Balsemão, para escrever algo que possa, ainda que de modo remoto, assemelhar-se, no espírito e na letra? O próprio, só se for para desdizer o que disse.

Aliás, nem é preciso. Temos Nicolau Santos. Leiam aqui, para entender a que ponto chegou a democracia portuguesa que se pratica no jornalismo.

Publicado por josé 21:33:00 14 comentários Links para este post  



serviço público

A RTP acha que serviço público é entrevistar o Major, nós achamos que serviço público é reproduzir o comunicado abaixo...



COMUNICADO ACA-M

O DIABO DA VELOCIDADE


Face às notícias surgidas na imprensa de ontem sobre o comportamento rodoviário anti-social de um pároco de Santa Comba Dão, a direcção da ACA-M decidiu dirigir-se ao Papa Bento XVI, à Conferencia Episcopal portuguesa e ao Arcebispo de Viseu, pedindo à hierarquia eclesiástica que ajude aquele sacerdote a exorcizar o seu desmedido prazer pela velocidade que a potência do seu Ford Fiesta 200 ST lhe permite atingir.



A Sua Santidade o Papa Bento XVI
Sumo Pontífice da Igreja Católica

A Sua Eminência Reverendíssima Dom Jorge da Costa Ortiga, Arcebispo de Braga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

A Sua Eminência Reverendíssima Dom Alfio Rapisarda
Núncio Apostólico da Cúria Romana em Portugal

A Sua Excelência Reverendíssima Dom Ilídio Pinto Leandro
Bispo de Viseu

A Sua Reverência Padre António Rodrigues
Pároco do Couto do Mosteiro


Dirigimo-nos a V. Santidade para apresentar o seguinte pleito:

O comportamento rodoviário anti-social do sr. Padre António Rodrigues, pároco do Couto do Mosteiro, em Santa Comba Dão, foi noticiado ontem, dia 21/03/07, em alguns jornais diários portugueses (Público, p. 14, “Um padre movido a fé e adrenalina”, 24 Horas, p. 21, “O padre tem uma máquina... dos diabos”).

O sr. Padre António Rodrigues orgulha-se de ser proprietário de uma “autêntica bomba”, um Ford Fiesta 200 ST de 150 cavalos de potência, adquirido “no estrangeiro”, e de “andar no picanço na A25” (competir com outros utentes daquela que já foi conhecida internacionalmente como a “estrada da morte”, tantas foram as vítimas mortais naquele trajecto).

O sr. Padre António Rodrigues, que afirma gostar da “adrenalina provocada pela velocidade” e “de sentir a potência debaixo do pé”, vangloria-se ainda de o seu automóvel chegar facilmente aos 210km/h, acrescentando que “Graças a Deus” nunca foi multado, e que, antes de padre é um ser humano.

Finalmente, admite que utiliza o seu carro para levar os jovens [das aldeias] a “dar uma volta”, e para “chegar a tempo às 3 igrejas da paróquia” (que distam entre si não mais que 13 km).

Foi com horror que a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados tomou conhecimento destas notícias. E é com natural incómodo que nos dirigimos a V. Santidade para notar que:

1) Um padre é um cidadão. Nesse sentido, não pode colocar os seus deveres de padre (chegar a horas às diferentes igrejas onde oficia, transportar jovens entre aldeias) à frente dos de cidadão. Numa palavra, não se pode colocar acima da lei da república portuguesa.

2) Um padre católico é um homem, mas antes de ser homem é padre. Caso pusesse o ser “homem normal” antes do sacerdócio, não haveria motivo para cumprir o princípio do Celibato. Ora um padre tem de dar o exemplo, porque nele o Sentido Ético é o mais importante.

3) Um padre é um predicador – não por acaso é tantas vezes também professor de Religião e Moral. Um guia espiritual que molda o comportamento e valores de outrém.

4) Um padre é, sine qua non, um modelo de virtudes – não pode ser um repositório de pecados.

O arrepiante comportamento descrito nas notícias testemunha um deslumbramento ingénuo pela velocidade, pela ilegalidade, e pela irresponsabilidade social, que é seguramente condenável pela hierarquia da Igreja católica.

Mais ainda, o sr. Padre António Rodrigues parece crer, na sua cega vaidade, que a providência divina o favorece, permitindo-lhe fugir às sanções judiciárias humanas. Como ele diz: “Graças a Deus, não [sei] o que é uma multa”.

Acreditamos que o sr. Padre António Rodrigues não esteja agindo de má fé, e acreditamos ele conseguirá arrepiar caminho e compreender quão longe se encontra hoje dos valores implícitos no sacerdócio que assumiu. Vimos assim pedir a V. Santidade que ajude este infeliz pároco a ponderar a gravidade dos seus actos e a imodéstia das suas palavras, e a resistir às tentações conjugadas da velocidade e da vanglória.

Despedimo-nos respeitosamente.

Direcção da ACA-M
Lisboa, 21/03/07

Publicado por Manuel 19:48:00 4 comentários Links para este post  



Observatório 2008 -- Rudy foge de McCain

Rudy Giuliani: quase seis anos depois, a imagem do pós-11 de Setembro ainda vale ao antigo mayor de Nova Iorque um capital político que lhe poderá garantir a nomeação republicana



Rudy Giuliani é o front-runner da corrida pela nomeação republicana para 2008. O ex-presidente da câmara de Nova Iorque, que mais de cinco anos depois de ter abandonado funções ainda é visto como o Super Mayor da America, pela forma como enfrentou o pós-11 de Setembro na Big Apple, partiu como eventual opositor ao inicialmente favorito John McCain, mas está a surpreender pela forma se tem distanciado do senador pelo Arizona.

A imagem de Rudy como corajoso e determinado líder a defender o seu território após o ataque dos terroristas parece ter sido a solução mágica para obter a nomeação. Giuliani tem-se mantido cautelosamente afastado da discussão sobre o Iraque, mas tem sabido capitalizar o facto de ser um candidato com perfil bem diferente de George W. Bush: é mais cosmopolita, mais aberto ao mundo exterior (o que o torna num candidato mais apetecível para o eleitorado independente e mesmo para alguns sectores democratas), e mostra-se moderado em temas como o aborto ou a orientação sexual.

Se, numa situação normal, Rudy teria um perfil demasiado liberal, demasiado pro choice nesses temas, para quem pretende ser escolhido pelo Partido Republicano, a verdade é que a queda livre de George W. Bush pode vir a ser a sorte de Giuliani. A questão é qie o trabalho relativo aos temas de segurança e do combate à criminalidade que Rudy tem para mostrar enquanto mayor de Nova Iorque conferem-lhe uma grande credibilidade enquanto candidato presidencial.

Mas Rudy está longe de se mostrar um candidato imbatível: se for mesmo investido como candidato republicano, há temas em que dificilmente escapará ileso no eleitorado típico dos republicanos. Giuliani é casado pela terceira vez, terá dificuldades em se mostrar como o americano típico em que os eleitores dos estados que tradicionalmente votam republicano se revêem.

Ainda à espreita está John McCain. O senador pelo Arizona era, até há uns meses, o candidato natural dos republicanos, mas tem tido vida complicada desde que a campanha começou a arrancar. As sondagens insistem em revelar que McCain não consegue reaproximar-se de Giuliani, embora se mantenha como único candidato com hipóteses reais de retirar a nomeação de Rudy.

O senador pelo Arizona está a pagar a factura do seu apoio ao envio de mais de 21500 soldados americanos para o Iraque. McCain é uma voz respeitada pelos americanos nestes temas sobre a guerra e até já criticou duramente a estratégia de alguns falcões como Dick Chenney ou, sobretudo, Donald Rumsfeld, tendo responsabilizado a antigo secretário da Defesa por aquilo que correu mal.

Há quem acredite que a coerência de McCain, que não teve medo de dar a sua opinião sobre o envio de mais tropas mesmo sabendo que iria ser penalizado nas sondagens, pode ser-lhe frutuosa, dentro de alguns meses. Pode ser que sim: mas este não é o único problema do senador.

Para muitos, a grande questão é a idade. Se for eleito Presidente, McCain terá 73 anos a 20 de Janeiro de 2009 e será o mais velho a tomar posse — mesmo contando com Ronald Reagan. As sondagens têm mostrado que esse pode ser um factor a ter em conta.

Mitt Romney, que está na corrida há quase três meses, não consegue descolar dos 7 a 10 por cento e já se percebeu que não terá hipóteses reais de sonhar com a nomeação. Newt Gingrich ainda não anunciou a candidatura, mas se avançar pode chegar a números próximos dos de McCain, mas ainda muito distantes de Giuliani. Todos os outros candidatos têm números insignificantes.

Aqui ficam os dados mais recentes da corrida republicana:

— Rudy Giuliani 40
— John McCain 20
— Newt Gingrich 10
-- Mitt Romney 7
-- Sam Brownback 2
-- Mike Huckabee 2
-- Jim Gilmore 1
-- Chuck Hagel 1
-- Outros 2
(Time)

-- Giuliani 34
-- McCain 18
-- Romney 9
-- Gingrich 9
(CNN)

-- Giuliani 33
-- McCain 15
-- Gingirich 13
-- Romney 10
(Rasmussen Reports)

Publicado por André 17:47:00 0 comentários Links para este post  



Innuendos

Para o bravo da causa nossa, o assunto do Público, sobre as habilitações académicas de Sócrates, é "innuendo", digno do 24 Horas.

Será do 24 Horas que fez estalar o escândalo, que fez o bravo do causa nossa, escrever isto:


Basta o que basta
Se forem verdadeiras as escandalosas notícias sobre os registos pormenorizados das comunicações telefónicas de várias personalidades políticas alheias ao processo na investigação do processo Casa Pia, o destino do PGR só pode ser a demissão imediata. O que, aliás, surpreende é que seja preciso demiti-lo.
[Publicado por vital moreira]
13.1.06

Perante o resultado do Inquérito Parlamentar, nem uma palavra do sempre atento bravo do causa nossa. Sintomático, mas não surpreendente.

Publicado por josé 17:42:00 3 comentários Links para este post  



Para lamentar

O inquérito parlamentar ao caso do envelope 9, terminou. Como a memória do tempo mediático é extremamente curta, sigamos o fio de Ariadne.

Para a investigação deste caso, transformado em escândalo pelo jornal 24 Horas, com apoio, em histeria, de toda a indústria mediatizada dos sectores do costume, o anterior presidente da República, tinha solicitado ao ex-PGR, chamado de urgência no dia seguinte às notícias, a urgência devida. Urgência foi dada e o inquérito criminal, na sua essência ficou concluído em princípio de Março de 2006, embora apenas concluído em Setembro de 2006, exclusivamente por causa da tramitação de um recurso interposto pelos arguidos no processo. Não fora assim, o Inquérito teria terminado logo, em Março e portanto em menos tempo do que agora demorou o Inquérito parlamentar .
Ainda assim, as explicações então dadas pela PGR, publicamente, não satisfizeram alguns urgentes que pediram inquérito parlamentar urgente também.
Um dos primeiros a fazê-lo foi José Pacheco Pereira, num programa de tv. E também, ao que parece, António Lobo Xavier, cada vez mais mimético e sincrético.
Aproveitando a ideia, o BE, no início de Outubro do ano transacto, propôs o devido inquérito parlamentar, aprovado por todos, menos pelo PSD. A ideia de base, deixava-se adivinhar: revindicta pura e simples pelo que se passou no processo Casa Pia e que durante meses e meses alimentou romagens a S. Bento e outras preces laicas, pelos estranhíssimos deputados do bloco. Prazo para esta urgência? 60 dias. Prorrogados depois por mais trinta, quando o presidente das urgências, Vera Jardim, concluiu que não tinha tempo, em dois meses, para concluir a tarefa que a outros exigira ficasse pronta em meia dúzia de dias.

Onze deputados, ouviram e analisaram pessoas e documentos, destinados a apurar o seguinte: esclarecer em que condições foi solicitada à PT, a divulgação dos registos constantes do “Envelope 9” anexo ao processo Casa Pia, e quem seleccionou, processou e disponibilizou a informação e se algum dos procedimentos violou as leis e as garantias dos assinantes do serviço telefónico.

Conclusões? Simples e fornecidas agora mesmo, à sorrelfa do segredo exigível e mediante violação do dito, sem consequências, nem sequer disciplinares: A PT forneceu informação a mais e que não tinha sido pedida pelas autoridades judiciárias.
A resposta agora dada ao mistério, tinha já sido dada na própria AR pelo então PGR, uma semana após os factos eclodirem com estupor, no jornal 24 Horas.
Outra conclusão do Inquéirito parlamentar: o MP foi “desatento” e “esquecido”, neste affair.

O ridículo parece não ter sossego, nas bancadas da AR.
Sem esquecer as digníssimas declarações do deputado Ricardo Rodrigues, sobre a prestação de Souto Moura, e que só enriquecem a memória do Parlamento, onze deputados ficaram incumbidos de investigar durante 60 dias ( prorrogados por mais 30), matéria que alguns deles tinham exigido fosse investigada em dias que se contassem pelos dedos de uma mão.
Para além de investigarem algo que já se sabia, pôde ainda ler-se ao longo do tempo de duração do Inquérito que afinal demorou ainda mais tempo do que o do MP, algumas afirmações curiosas dos magníficos deputados do PS e afins.
Osvaldo Castro, uma das lendas vivas da resistência aos grunhos do fascismo universitário de 69, vice-presidente da Assembleia da República (AR) e presidente da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias, assegurou publicamente que nunca este órgão de soberania pretenderia imiscuir-se em processos pendentes e ouvir magistrados intervenientes nesses processos, designadamente sobre a sua conduta e actuação processual.
Poucas semanas depois, no entanto, eram ouvidos Souto Moura e o próprio magistrado investigador, João Guerra, precisamente sobre a sua conduta e actuação processual. Osvaldo de Castro, impassível, continuou em funções, imperturbáveisl na sua coerência democrática.

Fernando Rosas, o grande inquiridor dos inquéritos parlamentares, descobriu contradições insanáveis nos depoimentos do investigador e do antigo PGR, em declarações amplamente divulgadas pelos media, numa aproximação curiosa do segredo de instrução dos inquéritos parlamentares.
Perante o esclarecimento das contradições, e na ausência de fogo de vistas sobre o antigo PGR, foi notícia o facto de o procurador João Guerra não se deixar fotografar...

Agora, a notícia, sumida e fugidia, antes das conclusões oficiais e denotativa do respeito que os próprios parlamentares dão ao cargo que desempenham, é apresentada no sentido de o MP ter sido “esquecido” e “desatento”. Através de uma desatenção aos cuidados mínimos a observar, na divulgação das conclusões dos inquéritos, dão a conhecer as desatenções do MP.

Porém, nem se dão conta da desatenção que representa, apontar culpas ao MP, por causa de umas diquetes que foram apensas a um processo que transitou para o juiz de instrução e de lá para um colectivo de juízes que ainda estão a julgar o mesmo processo.
Nem se dão conta que as críticas de desatenção e esquecimento, atingem sobremaneira, o poder judicial do julgamento, ou seja, o tribunal concreto que ficou com a posse efectiva dos autos e seus apensos, logo que remetidos e que os tem à sua guarda.
Nem se dão conta da contradição em que incorrem ao apodar o MP do inquérito, de desatento e esquecido, quando a notícia escandalosa saiu porque dois advogados do processo, tiveram acesso aos apensos, com disquetes incluidas, em Janeiro de 2005 e um deles pelo menos terá entregue as disquetes ao cliente. Nada disso despertou a atenção dos parlamentares.

Nessa altura, já o processo, com apensos e disquetes, estava, há mais de um ano, acusado pelo MP ( Dezembro de 2003); já tinha passado pelas mãos da juíza de instrução que pronunciou alguns arguidos, em 2004, e estava já na fase de julgamento, logo nas mãos de um juiz, no caso a juíza Ana Peres.
O que é que se pretende, de facto, ao acusar o MP do modo que se acusa, neste Inquérito Parlamentar?
Sindicar a prestação do antigo procurador Souto Moura, à custa da desonra de uma instituição como o MP, mais uma vez vilipendiada, por representantes de outra instituição, onde, em vez de se dar o exemplo das regras e costumes democráticos, figuram e preponderam certas figuras tristes da nossa democracia.

A AR, neste inquérito parlamentar, não se cobriu apenas de ridículo. Encheu-se de vergonha.
Para a apurar devidamente, não chegariam cem inquéritos parlamentares, porque para quem não tem vergonha, todo o mundo é seu, já lá diz o povo.

Editado e corrigido.

Publicado por josé 16:18:00 1 comentários Links para este post  



o corolário

Se houvesse uma réstia de normalidade na vida política portuguesa, que não há, o actual Primeiro Ministro, hoje, depois do 'destaque' do Público sobre a sua carreira académica, só tinha uma, e uma só coisa, a fazer - fazer uma comunicação ao País a explicar o que há para explicar, até para que não fique a pairar a dúvida de que o Primeiro-Ministro de um país está - pura e simplesmente - refém dos interesses obtusos que, de presente, se movem à volta da Universidade Independente. A explicação, porventura penosa, seria fácil e os portugueses compreenderiam. De seguida era perdir ao Presidente da República, que convocasse eleições legislativas antecipadas. Sócrates voltava a ganhar, quase de certeza com maioria absoluta, e ficava tudo muito infinitamente mais claro, e o ar ficaria mais respirável. Mais, dava um exemplo raro. Obviamente, que as hipóteses de isto acontecer são mínimas, para não dizer nulas, até porque não 'convém' à Oposição, sob o manto diáfono de um conceito difuso a que se dão nomes como 'estabilidade', tacticismo ou conveniência. Mas por cá prefere-se a fachada e a aparência, sempre, o que resulta muitas vezes em fugas (bem intencionadas, até) infelizes para a 'frente', com os resultados que se conhecem e que resultam invariavelmente num ainda maior descrédito da classe política indígena, descrédito esse, que, por estes dias, não deriva apenas do triste 'reality-show' que decorre - diariamente - no seio do PP.

P.S. 1. A investigação do Público é legítima e pertinente; o que já não é legítimo nem pertinente, e atenta contra todas as regras da deontologia, e da transparência jornalistica, é não ter havido uma linha, um parágrafo, uma caixa, para relevar devidamente o trabalho do António Balbino Caldeira, que há mais de uma ano puxa pelo tema, quanto mais quando se reconhece explicitamente que foi esse o pretexto e o mote que levou à investigação...
P.S. 2. O João Gonçalves ontem escreveu isto. As coisas são o que são pelo que seria bom, para todos, que de facto Sócrates estivesse, por uma vez, 'à altura'.

Publicado por Manuel 12:47:00 0 comentários Links para este post  



Os parágrafos do engenheiro Sócrates

Tinha a certeza de que a engenharia não era o meu destino. É o mundo dos pormenores e eu tenho uma inteligência direccionada para o abstracto”José Sócrates, na revista Tabu.

O primeiro-ministro do Governo de Portugal, José Sócrates, referindo-se às notícias sobre o seu percurso académico, lamenta hoje, no Público que se dê espavento a “este tipo de insinuações” que “assume uma dimensão difamatória e caluniosa” e “são veiculadas pelos mesmos meios, sob o anonimato dos blogs ou por jornais de referência no sensacionalismo e no crime. E usam também o mesmo método, limitando-se a levantar suspeitas insidiosas com base em dados falsos”.

O Público, em nota editorial, escreve que não dá à estampa boatos, mas não deve ignorar que eles existem e que a melhor forma de acabar com eles é confirmá-los ou desmenti-los.

O percurso académico de José Sócrates, antes de ser primeiro-ministro, suscita ou não, dúvidas sérias quanto à sua correcção e verdade? Apontar essas dúvidas e questionar directamente o visado ( que exerce o mais alto cargo público, em Portugal, a seguir ao PR), sobre as mesmas, será logo difamação e calúnia?
O Público a escreve, preto no branco: “Há falhas no dossier da licenciatura de Sócrates na Universidade Independente”. Portanto, o que o primeiro-ministro escreve, tem de se contextualizar como um modo de atacar directamente e de modo soez, quem coloca em dúvida aquilo que merece dúvida e por isso faz perguntas. Um primeiro-ministro terá o direito de se eximir a esclarecimentos desse teor? Dito de outro modo, o cidadão comum, está inibido de fazer perguntas sobre o percurso académico de um primeiro-ministro, sob pena de o difamar?

O primeiro conhecido a levantar essas dúvidas e também a procurar esclarecê-las, junto das entidades que o poderiam ter feito, foi o autor do blog Do Portugal Profundo, António Balbino Caldeira, já em 2005.
Ninguém ligou publicamente ao assunto que entretanto passou o prazo de validade blogsoférica. A retoma do interesse, deu-se com a crise na Universidade Independente e com o perfil académico, encomiástico qb, entregue pelo reitor que afinal já não é mas pode voltar a ser, daquela universidade. Luís Arouca, no mínimo, levantou as suspeitas, ao referir a licenciatura do primeiro-ministro naquela universidade privada, com datas equívocas, e suscitou de novo a curiosidade, no perfil da revista Tabu, do semanário Sol.
Esse perfil, aliás, foi antecedido de intensa actividade de publicidade positiva sobre o primeiro-ministro, na imprensa escrita e na tv, o qual se desdobrou em declarações sobre a sua infência, o seu modo de pensar e até o seu modo de agir com primeiro-ministro. Tudo edulcorado com os mais finos encómios, panegíricos e laudações. Até Vasco Pulido Valente falou em "hagiografia" do primeiro-ministro.
Não deveria ser de estranhar, por isso mesmo, que venham agora a público os pormenores sobre a vida do primeiro ministro, embora do lado que menos lhe agrade. É compreensível mas quem se dá ao trabalho de mostrar a lua da sua vida particular, para óbvias vantagens pessoais, não pode estranhar que a curiosidade vá um pouco mais além do que o visado desejaria.

Assim,quanto às “difamações e calúnias” de que se queixa o primeiro-ministro, seria bom que tivesse um pouco mais de senso comum e se lembrasse dos panegíricos anteriores.

Como remédio para o culto da personalidade em vias de desenvolvimentom, seria bom que aproveitasse para ler alguns postais colocados no blog causa-nossa, da autoria de Vital Moreira, um indefectível do seu governo. Poderia ler, particularmente, um com o título de “diz que é uma espécie de universidade” e ainda outro, com um sumarento conteúdo a propósito da contratação de Santana Lopes, como professor doutor, com convite expresso à intervenção dos serviços inspectivos do Estado, aompanhado de uma ridicularização que José Sócrates nunca experimentou...
Para rematar o estado das insinuações e suspeitas, aliás, nada melhor que repescar um outro postal do mesmo Vital Moreira, sobre a dita universidade:
Por que é que certas universidades privadas procuram a colaboração de jornalistas, incluindo directores de jornais (mesmo fora das áreas de ensino de jornalismo e comunicação)?” E para reforçar o ambiente saudável dos boatos e afins:
Por que é que várias universidades privadas têm entre o seu corpo docente um número tão grande de deputados, ex-deputados e outras personalidades da esfera política? “, perguntava o núncio do governo, em 8.3.2007, sem se dar conta do tiro no pé...

As dúvidas agora amplificadas no artigo do Público, não se resumem, para quem quiser ler e tem acompanhado o assunto das universidades privadas, particularmente a Independente, a meras suspeitas, boatos, calúnias ou difamações. Concentram em si mesmas, todo um caldo de cultura devidamente denunciado por Vital Moreira, num artigo publicado no Público de 13 de Março de 2007.
Aí, de modo bem mais grave e sentido do que todos os artigos em blogs “anónimos”, apodados pelo primeiro-ministro de Portugal como difamadores e caluniadores, dá-se conta do descalabro do ensino superior privado, da sua génese inquinada e lançam-se objectivamente as mais graves suspeitas sobre o modo de funcionamento dessas universidades.
Sobre a U.Independente, conhecendo-se o que já se conhece, alguém duvida disso, ou continuará a achar que são tudo boatos, insinuações e calúnias?
O artigo do Público, aliás, permite só por si, deixar as maiores suspeitas sobre o modo como outros indivíduos aí tiraram as suas licenciaturas.
Em nome da verdade e da transparência, quem é que está disposto a fazer um inquérito, daqueles "rigorosos", sobre esses assuntos?
Quem fez um inquérito parlamentar sobre um assunto tão sério e retumbante como foi o do "envelope 9", deverá estar neste momento, já preparado para o próximo, sobre os cursos superiores na universidade independente. Aposto que teria todo o apoio de Vital Moreira.
Vamos a isso, senhor deputado Ricardo Rodrigues?! Não será mesmo assim, senhor deputado Fernando Rosas?
Ou será que o inquérito ainda acaba em cima dos blogs, seguindo a sugestão em tempos lançada, como quem não quer a coisa, pela senhora deputada Catarina?
Isto da democracia e da liberdade de expressão, é uma chatice, às vezes...

Publicado por josé 10:47:00 4 comentários Links para este post  



Portugal, circa 2007

Ontem, no centro de Lisboa, um carro 'afundou-se', depois de a rua por onde circulava ter açapado cerca de 1 metro. Hoje, o Alfa Pendular, que faz a ligação Porto-Lisboa, pela linha do Norte, a tal onde nos últimos anos foram enterrados milhões e milhões, 'atropelou' (!) um camião de areia. São estas 'coisinhas' que verdadeiramente definem um país.

Publicado por Manuel 19:45:00 1 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Obama mais perto de Hillary

Carisma e consistência: Barack Obama é o candidato do momento e há cada vez mais norte-americanos que acreditam que a mudança em Washington pode mesmo passar pelo único senador negro do Capitólio



Barack Obama está cada vez mais próximo de Hillary Clinton. A corrida democrata nunca esteve tão quente e a ideia de que a senadora por Nova Iorque seria imbatível já caiu por terra.

Obama, que é o único senador negro do Capitólio, e também o mais novo (tem 45 anos), está a capitalizar a sua oposição à guerra no Iraque (ao contrário de Hillary, que votou a favor, embora tenha criticado muito o Presidente nos últimos dois anos).

O factor Obama não pára de crescer: a diferença já foi de 25 pontos e, agora, parece ser menor do que dez por cento. John Edwards não consegue descolar dos 10/14 pontos e só falta saber se Al Gore vai mesmo avançar para que tudo fique claro no campo democrata.

Com ou sem o vencedor dos Óscares, a corrida democrata está focada, pelo menos para os próximos meses, no duelo Hillary/Obama.

E com novos dados muito interessantes para se perceber qual dos dois terá mais hipóteses de bater o nomeado republicano. Para os mais reticentes à viabilidade de Barack Obama ser aceite pelo grosso do eleitorado norte-americano, é curioso verificar que à pergunta sobre qual seria o pressuposto que faria NUNCA votar determinado candidato, as respostas são estas:

— ser mulher (Hillary Clinton) 46%
— ser negro (Barack Obama) 33%
— ser mórmon (Mitt Romney) 67%
— ser casado pela terceira vez (Rudy Giuliani) 68%
-- ter mais de 70 anos (John McCain) 48%

O facto de ser negro implica a Obama a rejeição de apenas um terço do eleitorado, sendo que, a Hillary, o facto de ser mulher lhe retira, à partida, quase metade da fatia dos eleitores.

Aqui ficam os últimos números da corrida democrata:

— Hillary Clinton 34
— Barack Obama 26
— Al Gore 13
-- John Edwards 10
(TIME)

(Sem Al Gore)
-- Hillary 42
-- Obama 31
-- Edwards 17


No próximo texto, a Grande Loja fará o ponto da situação na corrida republicana, em que Rudy Giuliani se mantém com um grande avanço sobre John McCain.

Publicado por André 17:50:00 0 comentários Links para este post  



(in)consequências...

Na hora da despedida o Eng. Belmiro proferiu, a propósito da OPA à PT, umas declarações nada ambiguas, que a TSF se fartou de passar, relativas à hipotética origem dos fundos de alguns accionistas de 'referência' do núcleo duro. Sendo certo que o Eng. não falará de cor, aguarda-se com expectativa a reação da PGR...

Publicado por Manuel 11:42:00 0 comentários Links para este post  



As imagens que faltavam de um cristão Conselho Nacional

Publicado por Carlos 21:41:00 2 comentários Links para este post  



A Ota...de novo

Depois de muito reclamar, o governo lá colocou na página da NAER , os estudos que sustentam a sua decisão. Nada de extraordinário, e o Ministro ainda na sexta-feira passada disse, que os estudos estavam todos publicados.
Há só uma pequena coincidência.
  1. Se repararmos os estudos intitulados " Relatório para a preparação da escolha do local (Parte 1)" e Relatório para a preparação da escolha do local (Parte 2)" foram elaborados pela conceituada empresa Aéroports de Paris (ADP). Se repararmos o estudo " Aeroporto de Lisboa - Feasibility studies" foi elaborado pela empresa inglesa BAA.
  2. Se lermos os estudos, percebemos que a escolha do local foi elaborada e sustentada com estudos da ADP e da BAA.
  3. A empresa inglesa BAA foi adquirida pela empresa Espanhola Ferrovial.
  4. Em 29 de Janeiro de 2007, são divulgadas as empresas interessadas na Ota, e quem vai á frente, é a Ferrovial e a AdP.

Curioso não é.

Publicado por António Duarte 15:09:00 2 comentários Links para este post  



'A Luta Continua'

Com realização de Ettore Scola1 a Grande Loja orgulha-se de apresentar, em rigoroso exclusivo mundial, o cartaz da sua próxima obra-prima, já em fase avançada de produção...




1 realizador de 'Feios, Porcos e Maus' (1973), um retrato atroz sobre a natureza humana.

Publicado por Manuel 10:15:00 1 comentários Links para este post  



Doutores e engenheiros - apenas uma curiosidade. Para mim tanto me faz



Antes (via Google Cache) e depois...

Para saber mais

aqui

"Recordando ser também engenheiro civil, José Sócrates contou que, enquanto estudante, Edgar Cardoso foi para si e para os colegas "uma grande referência"

"Depois da experiência universitária em Coimbra regressei à Covilhã como engenheiro e trabalhei entre 1982 e 1987 na Câmara Municipal"

Publicado por Carlos 22:33:00 4 comentários Links para este post  



Ser ou não ser


A propósito das lutas estudantis, a revista de Domingo do Correio da Manhã, publica um artigo ilustrado com fotos antigas, algumas com mais de quarenta anos, à procura das motivações de estudantes.
As motivações de estudantes, não têm segredo: o idealismo juvenil combinado com a delinquência libertária, suscitam em muitas latitudes, o despertar da consciência política.
Nos anos sessenta, Salazar ainda censurava, perseguia e reprimia as ideias de esquerda revolucionária e os costumes a condizer.
O Governo salazarista tinha medo dos estudantes politizados à esquerda, geralmente filhos ou conhecidos de clandestinos do PCP ou da esquerda associada ao movimento de oposição . Anos antes, incorporaram as eleições que por pouco colocaram Humberto Delgado no poder da presidência da República. Salazar tinha medo que os estudantes, pelo exemplo, lograssem convencer a população a retomar o estandarte da democracia dos subversivos, onde se misturavam os comunistas, a extrema esquerda e os anarquistas libertários. A lei e a ordem de Salazar, no início dos sessenta, não tolerava alternativa a não ser a continuidade, sem evolução. E a evolução na continuidade só apareceu timidamente, em 1969, com Marcelo Caetano que em 1962 era reitor da Universidade, onde tudo começou.
Os protagonistas de 62 e 69, estão hoje em lugares de destaque, o que pode parecer estranho. Mas…será mesmo assim?
A característica comum a todos eles é apenas uma: o apego ao esquerdismo idealista que os levou a dar crédito total a ideologias que combatessem o capitalismo e prometessem protecção aos “desfavorecidos”. Muitos evoluiram para a democracia socializante, mas continuam na mesma.
Um dos protagonistas mais notórios das lutas estudantis dos sessenta, é um idealista convicto: Saldanha Sanches, mesmo depois de 1974, acreditava que a salvação para Portugal viria da China. Curiosamente, muitos dos que actualmente governam, passaram por lá, pela China de Macau, depois de terem experimentado as correrias e as prisões do início dos anos setenta, por defenderem a China de Mao.
Outro protagonista de relevo mediático, é Celso Cruzeiro. Ainda hoje não tem papas na língua para explicar o que pretendiam os estudantes: “ Tratava-se de mudar a Universidade, para mudar a sociedade portuguesa, para mudar o Mundo”. Voilà, em poucas palavras, um programa político incipiente.
E continua insatisfeito: “Vivemos numa sociedade com profundas desigualdades. Defendo a possibilidade de uma visão alternativa do mundo”. Como? Não diz. Adivinha-se que através da entrada em cena das várias políticas fracturantes, já anunciadas…

Outro actor da luta contínua, Luís Marques, actualmente administra a RTP, talvez o órgão de media mais imbecilizador que pode haver. É a vida…
José Lamego, Maria José Morgado e Durão Barrroso, são ainda citados, como lutadores da utopia. Onde se encontram, actualmente, na luta de sempre?
Fernando Rosas, outro nome que passa o tempo na Assembleia, a requerer comissões de Inquérito. Fê-lo contra Lamego por causa da Eurominas e fê-lo outra vez contra Souto Moura, (um apagado das lutas estudantis e por isso inimigo de classe), mas por motivos inconfessáveis, a propósito de um caso de escândalo sexual, com homosexualidade e pedofilia à mistura. Uma vergonha das maiores que não entendem e explicam em motivos cabalísticos.
Jorge Sampaio e Alberto Martins, de gerações diferentes, são iguais nos papéis de liderar crises, um em 62; outro em 69. Agora, defendem as mesmas cores, na crise democrática, definida por Saldanha Sanches, um confesso recalcitrante que “não está nada arrependido naquilo que fez”: “Portugal está demasiado mal. Vivemos num ambiente de desconfiança que não pode continuar”.
É pena que deixe por explicar a génese do ambiente malsão. Mesmo na sua opinião, seria de interesse casual.
Uma das causas, porém, pode bem residir naqueles que fizeram a geração de estudantes que contestavam o salazarismo. E porquê? Porque ocuparam os poderes, quase todos, durante tempo suficiente, para perfilar um discurso de correcção política. Ocuparam poderes e distribuiram-no pelos amigos ideológicos de antanho, reconvertidos à vida prosaica das carreiras e profissões para filhos e sobrinhos.
Os erros ideológicos, esses, sem correcção, acabaram por tornar cara a democracia que temos e os fazedores de milagres, revelaram-se afinal uns charlatães que dominam as discursatas, conquistam lugares nos aparelhos de escalar redutos, cimentam amizades nepóticas e inquinam a vivência democrática.
Em tempos, chamou-se aqui, a geração perdida. Mais que perdida, é uma geração esbanjada. Tragicamente equivocada e objectivamente responsável pelo atraso endémico que nos consome. Podia ter sido a geração modelo e modelou apenas uma herança de fracassos. Económicos, sociais e geracionais.
Assegurou apenas uma coisa: o amiguismo na política que se revelou tão fatal como uma tragédia de Shakespeare. A casa Pia, a que alguns dos seus próceres, desgraçada e desnecessariamente se ligaram num dia triste para a democracia, nas escadarias do Parlamento, foi o seu Waterloo. Ainda falta chegar a Santa Helena.

Publicado por josé 19:53:00 2 comentários Links para este post  



Politics 2.0



It may be the most stunning and creative attack ad yet for a 2008 presidential candidate -- one experts say could represent a watershed moment in 21st century media and political advertising.

Yet the groundbreaking 74-second pitch for Democratic Illinois Sen. Barack Obama, which remixes the classic "1984" ad that introduced Apple computers to the world, is not on cable or network TV, but on the Internet.

(continua aqui) San Francisco Chronicle




A revolução também há-de chegar cá...

Publicado por Manuel 18:47:00 0 comentários Links para este post  



sinais do tempo

Ao 'patrono' desta Loja, Cícero, de quem uma das máximas desde sempre tem estado, aqui à direita, depois de morto, cortaram a língua. Entre os muitos ensinamentos que Cícero nos deixou figura um que a gentinha, de um lado e de outro, que agora se degladia no PP ignora estoicamente - o de que 'somos todos escravos das Leis de modo a ser livres'. Nunca leram Cícero, não sabem quem é Cícero, nem querem saber. 'Pragmáticos', não o consideram importante. No pequeno mundo de intriga, pequena vaidade e vingança, qualquer escrito de Cícero está para eles a mais. Numa democracia 'normal' também eles estariam a mais, mas nestes dias normal, absolutamente normal, é um Conselho Nacional do CDS/PP mais parecer uma AG do Benfica, nos tempos aureos do Dr. Vale e Azevedo...

Publicado por Manuel 09:45:00 1 comentários Links para este post  



"Who Was Milton Friedman?




In the long run, great men are remembered for their strengths, not their weaknesses, and Milton Friedman was a very great man indeed—a man of intellectual courage who was one of the most important economic thinkers of all time, and possibly the most brilliant communicator of economic ideas to the general public that ever lived. But there's a good case for arguing that Friedmanism, in the end, went too far, both as a doctrine and in its practical applications. When Friedman was beginning his career as a public intellectual, the times were ripe for a counterreformation against Keynesianism and all that went with it. But what the world needs now, I'd argue, is a counter-counterreformation.


Publicado por contra-baixo 22:52:00 0 comentários Links para este post  

Publicado por Manuel 15:57:00 0 comentários Links para este post  



avisos à navegação

(...) "When you have a financial crisis, it reverberates in other financial markets, especially in those with speculative excess," he said.

"Right now, there is huge speculative excess in emerging markets around the world. There will be a lot of money coming out of emerging markets.

"I've sold out of emerging markets except for China," said Rogers, long a prominent China bull.

Even in China, the world's fastest expanding economy, Rogers said stocks were overvalued and could go down 30-40 percent.

But he added: "China is one of the few countries in the world where I'm willing to sit out a 30-40 percent decline."

The last stock market bubble to burst was the dot-com craze which sparked a crash from March 2000 to October 2002.

When the last bubble burst in Japan, said Rogers, stock prices went down 85 percent despite the country's high savings rate and huge balance of payment surplus.

"This is the end of the liquidity party," said Rogers. "Some emerging markets will go down 80 percent, some will go down 50 percent. Some will most probably collapse."

Reuters

Publicado por Manuel 16:36:00 0 comentários Links para este post  



A cabalinha coxa

Convém lembrar aos esquecidos que muitas medidas excessivas e violadoras dos direitos individuais quanto às escutas telefónicas, que vieram a revelar-se perversas no processo Casa Pia, foram de autoria de António Costa num governo de Guterres e tinham também as melhores das intenções”.

Esta afirmação de José Pacheco Pereira na revista Sábado de hoje, ( que não resisto a comprar, embora verificando o logro editorial, em todos os números), não pode passar em claro e como verdade mediaticamente oficializada, porque já é repetida e corre o risco de passar a ser a norma de referência das citações do cidadão comum desprevenido.
Digamos, em poucas palavras: esta afirmação é rotundamente falsa, apesar da eventual boa-fé do autor que a tem proferido e de outros que a replicam( salvo erro, Helena Matos já entrou na onda, num artigo do Público sobre securitarismo e concentração de poderes).
E é também perigosa, não só para a reputação do ministro que tem futuro neste PS, como também para a verdade esclarecida que todos devem conhecer.
Afirmação falsa, porquê?
Em primeiro lugar, as escutas telefónicas, são apenas um dos meios de obtenção de prova em processo penal, estabelecidos desde sempre nas legislações de processo penal de todos os países. Em Inglaterra, por exemplo, é a polícia quem as determina e as faz. Na Itália, não o sendo do mesmo modo, têm uma amplitude e importância maiores do que por cá e basta atender ao escândalo do calcio para o perceber muito bem.
Em Portugal, a lei que actualmente as disciplina, é o Código de Processo Penal que vigora desde 1.1.1988. Há quase vinte anos e sem grandes alterações, nesse campo, embora com mais de uma dúzia, noutros!

Como meio particularmente invasivo da privacidade, a lei processual rodeou a sua admissibilidade de especiais cuidados: só podem ser efectuadas em certos crimes, quando sejam idóneas a descobrir a verdade de certos factos e sempre autorizadas por um juiz.
Tais exigências, particularmente as decorrentes da importância para a descoberta da verdade, foram ao longo dos anos, afirmadas repetidas vezes, na jurisprudência, pelo que só quem anda arredado destas andanças, pode repetir o que JPP escreveu.
O que se passou com as escutas no processo Casa Pia, (que JPP e outros entendem como o exemplo máximo da “perversidade e violação dos direitos individuais”) e que começou no início de 2003, não contende com nenhuma lei que tenha sido apadrinhada por António Costa, enquanto ministro de Guterres.
As tais “perversidades” apontadas genericamente, contendem apenas com aspectos de pormenor na execução das escutas e antes do processo Casa Pia, nunca tinha sido levantad0 como problema, maxime constitucional, por nenhum governo, nem sequer por aqueles fiscalizados por Pacheco Pereira, enquanto foi deputado na AR, no início dos anos noventa.

O Código de Processo Penal de 1988, foi aprovado por uma A.R. dominada por deputados do partido então maioritário: o PSD, onde estava então JPP a deputar e a combater sempre a oposição e as forças de bloqueio, na companhia de Duarte Lima e Silva Marques ( desaparecido do combate).
O quadro geral do artigo 187º do Código de Processo Penal, centro nevrálgico desta matéria, e que estabelece a “admissibilidade” de uma qualquer escuta telefónica, manteve-se inalterado nas sucessivas revistas avulsas do CPP, incluindo a operação major de 1998, essa sim, da autoria de um governo Guterres. A letra da lei de 1988, nesse artigo, porém, é idêntica à de 1998 e vigorou até agora.
O que mudou em 1998 , foram apenas alguns procedimentos práticos quanto às escutas, como por exemplo, a necessidade de indicação precisa, por quem grava as conversas, das passagens com interesse relevante para a prova, melhor explicitado com a lei 320-c/2000 de 25.12 que reviu pontualmente algumas normas. Daí que a expressão das pressões de dirigentes partidários sobre os titulares de instituições, reveladas nas escutas, fosse considerada válida, perante o horror dos visados, e seus advogados empenhados, apanhados com as calças na mão da hipocrisia do tal processo.
Ficou ainda esclarecido em 1998 que as polícias que escutam, podem actuar imediata e cautelarmente se tal for necessário. Nem deveria ficar na lei, dada a evidente dose de bom senso que tal comporta, mas a verdade é que precisou, por causa de objecções bloqueiras.
Ficou ainda definido que o que não interessasse nas escutas, para a investigação ( para a prova, melhor dizendo e que levanta celeuma interpretativa), deveria ser apagado- mas pelo juiz, tenha-se em atenção.
Isto existe desde 1998, em vigor desde 1.1.1999, com o diploma ( D.L. 59/98 de 25 de Agosto) que reviu o CPP. Mas foi estudado antes, como é natural, por Germano Marques da Silva, autor da revisão de 1998.
Em 1995, Guterres ganhou o governo e colocou António Costa como ministro dos Assuntos Parlamentares ( Sócrates era então adjunto do PM) e que aí ficou uns bons anos, até depois da entrada em vigor daquela revisão do CPP.
Em que é que António Costa é responsável pelas tais “perversões”?
Quanto a mim, sê-lo-á tanto, ou menos ainda, que JPP, que na altura da aprovação da estrutura da nossa lei processual penal que consagrou o figurino apontado, em 1987, a aprovou certamente com maioria absoluta, de eficácia parlamentar social-democrata.
No entanto, para se entender esta “cabala” contra o actual MAI do PS, talvez seja interessante perceber de onde virá o substrato, entrando na análise das perversidades.

As “perversidades” agora gemidas, são por isso, simples de entender: a legislação processual penal, tal como configurada pelo legislador de então ( até constitucionalmente, pois o código passou os primeiros embates no TC), permitiu apanhar escutas de dirigentes partidários, conversas de altos responsáveis de partidos, desabafos escandalosos e tentativas de pressão de pessoas politicamente responsáveis, sobre titulares de instituições ( sobre o então PGR e até o PR, por exemplo que permitem a muitos, dizer que se fosse outro o PGR, o processo da Casa Pia não existiria), e deram a conhecer ao povo aquilo que para JPP e outros representa a suprema perversidade: a demonstração de que muitos que nos governam não merecem efectivamente o lugar que ocupam. E não me refiro à brejeirice da linguagem...

Outra perversidade assinalada com dor, algumas vezes alheia, foi a possibilidade de as escutas a altas individualidades do Estado, intocáveis do regime e outros impermeáveis a investigações, estimularem sicofantas avulsos, ao exercício do poder de denúncia anónima.

O que é que isto tem a ver com a responsabilidade imputada a António Costa?
Este, foi ministro da Justiça desde 25 de Outubro de 1999 e em 2002 ainda lá estava, quando Durão Barroso irrompeu, após a fuga de Guterres, para a frente dos refugiados.

Em 2000, enquanto era ministro, saiu o D.L. 320-C/2000, de 15 .12, que deu expressão à necessidades de melhorar o processo penal existente, sem lhe tocar na essência vinda de 1987. O regime de escutas não foi mexido, a não ser para explicar que o juiz deveria indicar o que era relevante para a prova, o que denota o contrário do que se lhe poderia imputar em matéria de vigilância democrática.

Durante o consulado de António Costa, aconteceu o 11 de Setembro de 2001, na América e são conhecidas as repercussões securitárias que tal fenómeno, provocou no mundo ocidental.
Foi produzida alguma legislação relevante, para o efeito, e potenciador de maior laxismo no controlo das escutas, até 2002, altura em que entrou Durão Barroso?
Não foi. O processo Casa Pia começou em 2003 e a legislação aplicável sobre escutas telefónicas e que as permitiu e autorizou, é a prevista no Código de Processo Penal, tal como apresentado.
Nada tem a ver com a autoria de António Costa, a não ser que se entenda que a lei de 2000, deveria ter ido mais longe na revisão ou que em 1998, se poderia ter alterado tal regime. Mas argumentar isso, equivale a dizer que o erro vem do passado de 1987 ou que a culpa é de…Vera Jardim ou dos ministros do PSD.

Então, para que é que JPP continua a bater na tecla perra da má informação sobre estes assuntos? Páre lá com isso... ou explique melhor.

O que agora se vislumbra como alteração ao CPP, aliás, poderia fazê-lo pensar se é legítimo um governo propor legislação ( através de Unidade de Missão) que em certa medida, vai a reboque dos problemas concretos gerados pelo processo Casa Pia, correndo o risco desta revisão do CPP ficar conhecida como revisão do processo Casa Pia. Não será assim? Então vejamos no que concerne às escutas telefónicas:

Com a revisão do CPP, pela Unidade de Missão de Rui Pereira, restringe-se o número e qualidade de pessoas que podem ser válida e directamente escutadas e consagra-se a excepcionalidade deste meio de prova. Para quê? Para evitar que se apanhem em escutas, conversas tipo aquela, daquele que falava despreocupadamente com um assessor do PR, propondo uma “chupeta” para o PGR ir à vidinha, lá para fora e deixar os “boys” em sossego.
No entanto, a regra que há e que continua a haver é que qualquer pessoa pode ser escutada, dentro das exigências apertadas da lei que se aproxima: ser diligência indispensável ou estritamente necessária, com justificação ponderosa. Ainda assim, sobra uma dificuldade que a lei não resolve porque nunca resolveu: se uma pessoa legalmente escutada, fala com outras que não cabem no âmbito da autorização, como é que vai ser? Apaga-se tudo? Se um qualquer Paulo, escutado, falar com um outro Eduardo, que não o é, apaga-se?!
E quanto ao apagar dos registos? Apaga-se tudo o que não interessa, ou só o que resultar de escutas de pessoas que não o deviam ser?
Se um bastonário dos advogados, for caçado a falar para um dirigente partidário, no sentido de prometer os bons ofícios, para desmontar cabalinhas, apaga-se, ou mostra-se para se ficar a saber a pouca vergonha e a desfaçatez?
Nenhuma destas questões está resolvida pacificamente, no actual projecto de revisão ou reforma do CPP.
Daqui a uns tempos, quando a coisa correr para o torto novamente, vamos ler JPP a acusar o actual ministro Costa, de malfeitorias cabalísticas?
Será que o ministro bloguista, também vai rebater o artigo de JPP, à semelhança do que já fez com outros dois? Não seria de admirar e até seria bem aconselhável. Ficaríamos a saber o que talvez não saibamos.

Texto já revisto.

Publicado por josé 20:00:00 6 comentários Links para este post