era escusado

Sócrates tinha de facto uma saída, antes da edição deste fim de semana do Expresso. (aquele tipo de vitimização, e contextualização - na bíblia do regime - não mata mas moi e muito. Esperem só que as coisas no Irão se compliquem e tenhámos um início de Verão com aumentos de combustíveis bi-semanais, ou que o boom dos empreiteiros em Espanha acabe de vez...)

Publicado por Manuel 0:49:00 2 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Fred Thompson na corrida

Fred Thompson: para os republicanos que ainda não estão convencidos com Giuliani e olham com desconfiança a idade de McCain, o ex-senador pelo Tennessee pode significar o back to basics dos conservadores americanos


Últimas da corrida para 2008:

O reaparecimento do cancro de Elisabeth Edwards abalou a campanha de John Edwards. O ex-senador pela Carolina do Norte mantém-se na corrida e até terá beneficiado, nos últimos números, de um certo clima emocional em torno da sua situação familiar

Barack Obama continua a pressionar a liderança de Hillary mas, pela primeira vez desde que avançou, parece estar a ocorrer uma certa estabilização nos seus números, que até agora não paravam de subir

O vídeo «Hillary1984», em que a senadora por Nova Iorque aparece como «Big Brother» a controlar os cidadãos, gerou desconforto entre as duas principais candidaturas do lado democrata, mas Barack Obama já se demarcou da «piadinha» feita por um apoiante

Giuliani continua com uma vantagem confortável no lado republicano. McCain não descola de números entre os 13 e os 20 por cento

— Perante o silêncio de Newt Gingrich, e as dificuldades de afirmação de Mitt Romney, Fred Thompson pode ser, surpreendentemente, o terceiro candidato do lado republicano. Thompson, de 60 anos, é um antigo senador pelo Tennessee, que chegou a ser apontado como possível vice-presidente de George W. Bush em 2000. É visto como um candidato «law and order», a exemplo da série televisiva na qual participou, da ala tradicional do Partido Republicano

Sondagens fresquinhas:

DEMOCRATAS
— Hillary 37
— Obama 25
-- Edwards 17
(Rasmussen Reports)

-- Hillary 36
-- Obama 28
-- Edwards 18
(CBS)

Com Al Gore:
-- Hillary 35
-- Obama 22
-- Gore 17
-- Edwards 14
(USA Today)


REPUBLICANOS
— Giuliani 35
— McCain 15
— Gingrich 11
— Romney 8
(Rasmussen Reports)


-- Giuliani 27
-- McCain 13
-- Romney 9
-- Fred Thompson 9
(Zogby)

Publicado por André 19:15:00 0 comentários Links para este post  



Avante, camarada!

Notícias das sarjetas que incomodam o ministro Santos Silva:

Recordamos que a Universidade Independente é a tal onde o Primeiro-Ministro José Sócrates diz ter terminado a licenciatura, num processo nebuloso onde, na altura, trocava correspondência com o próprio Luís Arouca em papel timbrado da secretaria de Estado de que era titular num governo de Guterres, para obter equivalências em diversas disciplinas.Esperemos que isso nada tenha a ver com o alheamento que o ministro Mariano Gago aparentemente usou com o assunto, limitando-se a ordenar à inspecção-geral da tutela para que desencadeasse «investigações no terreno», enquanto, durante um mês, se desenrolava esta vergonhosa barafunda em mais uma universidade privada.Daí o País estar particularmente atento ao que, de concreto, vai resultar da «advertência» esta semana lançada por Mariano Gago à Universidade Independente.


Aditamento às 13h e 15m.
O noticiário da RTP1 abriu com mais de dez minutos com a grande notícia de um acidente no Rali de Portugal, com alguns feridos. Sem imagens do acidente propriamente dito ( que a TVI apresentou em exclusivo), seguiu depois a falar do jogo de Portugal com a Sérvia. Só ao fim do quarto de hora inicial, deu a notícia, com entrevista de um responsável que alertou para o "perigo do vazio" e para os "oportunismos"...
A SIC e a TVI, abriram com as notícias do caos na Uni, durante mais de dez minutos. A SIC, mencionou o facto de o ministro Mariano Gago, estar a ser criticado pela inoperância, com entrevistas no local e em directo. Notícias de última hora, dão conta de conferência de imprensa para as 18h e 30m, do ministro Gago.

Está aqui o retrato do governo de Portugal, no estado actual: uma RTP atenta e obrigada ao silêncio e um escândalo de proporções enormes que se levanta do horizonte.

Quando foi do caso da Universidade Moderna, o retrato do governo de Portugal era...quase o mesmo!

Publicado por josé 12:53:00 1 comentários Links para este post  



entretanto, na Alemanha...

Siemens Executive Kept In custody; Shares Drop


A top Siemens executive arrested on breach of trust charges must remain in custody, prosecutors said, jolting investors in earnest for the first time since a corruption scandal broke out in November.

Reuters

Publicado por Manuel 14:24:00 0 comentários Links para este post  



um filme...

O José acha que a culpa é do 'Maneta', eu não... A culpa todinha é dos nossos Keyser Sozes. E o que mais há é candidatos a Kobayashi, advogado do diabo, e cujo maior truqe é passar a imagem de que o seu cliente nem sequer existe...

Publicado por Manuel 13:35:00 0 comentários Links para este post  



'grandes portugueses'

Publicado por Manuel 13:32:00 1 comentários Links para este post  



Passadores de moeda falsa

Um cada vez mais imprescindível Rui Ramos, no exercício de opinião, intelectualiza no Público de hoje, as suas razões para explicar o voto em Salazar no concurso da RTP.
As razões resumem-se a…uma: “a votação envolveu sobretudo os que quiseram que um deles ganhasse ao outro.” Ponto, parágrafo.
E na continuação da explicação do regime de Salazar, escreve: “
Foram décadas onde, em Portugal, se negou o direito de oposição ao governo, a tortura foi um método aceite para a recolha de informações, a imprensa esteve sujeita a censura, e se praticou a discriminação no emprego. “
Tudo isso é certo e sabido. Tudo isso tem sido escrito em manuais escolares, para ensino das crianças e lembrança ao povo. Por isso , a perplexidade continua a ser grande, porque esses horrores não chegam para impressionar o Zé votante que telefona a protestar e isso deveria fazer acender a luzinha da dúvida naquelas cabeças pensadoras que debitam opinião em jornal credenciada por títulos académicos, mesmo de História.
A negação do direito de oposição ao governo, a tortura, a censura e a discriminação no emprego existiram exactamente porquê? O próprio Rui Ramos o escreve e explica: “
Salazar e os seus adversários pensavam em termos de guerra civil”.
Ora quem assim pensa, justifica as suas acções de supressão de direitos e liberdades individuais, para assegurar o bem colectivo que entendem primordial e se a maioria do colectivo aceita as premissas, não sente a perseguição e justifica-a. Seja de um lado; seja de outro.
E para estabelecer esta verdade como aceite, o próprio Rui Ramos continua a sua análise:
Mas quando vemos que alguns dos que condenam tudo isso no caso do salazarismo são os mesmos que nunca se incomodaram com as mesmas coisas na União Soviética ou em Cuba, percebemos que a indignação que o salazarismo neles provoca não se deve ao horror perante a ditadura, mas antes às causas que, segundo eles, a ditadura terá servido: o capitalismo e a igreja.”
Voilà! Rui Ramos escreve agora no Público, aquilo que até há um certo tempo era impensável escrever noutro jornal para além de O Diabo, um “pasquim” de extrema direita, como ainda hoje é considerado pelos bem pensantes da inteligentsia mediática, toda situada no lado esquerdo da barricada, num fenómeno incrível de arregimentação pela propaganda.

Agora, o que se perfila nesta análise simples e directa, sem rodeios ou contradições, é apenas a especulação sobre os fundamentos da mesma. Foi preciso passar mais de trinta anos para concluir o que era óbvio para alguns, e que por causa disso mesmo foram igualmente censurados pelos directores de jornais, através do método mais subtil da não contratação; da marginalização; da execração pública como “fascistas”. A censura nestes últimos trinta anos, não é um exame prévio ao escrito: passa preferencialmente pela prévia formatação do escriba. A discriminação no emprego que dantes existia como modo negativo de selecção, passou a método positivo, pela contratação afincada e permanente de boys and girls e pela segurança social do cartão partidário.
A tortura dantes existente, deixou de existir como tal. A estátua e os choques eléctricos nas partes, bem como o arremesso para as catacumbas dos tarrafais, acabou, felizmente, porque nunca foi além do sadismo de uns poucos que nem chegaram a ser julgados, tão grandes eram os crimes imputados.
Ficou, porém, a prisão para os fascistas, a censura dos seus livros e a proibição constitucional das organizações com tal ordem nova de ideias, sem que se determinasse o perfil das mesmas, deixando a um tribunal democraticamente constitucional a sua apreciação in casu.
Fascistas, por exemplo e em 1975, eram o Expresso, o Jornal Novo e a Rua, cujo director foi preso. E fascistas eram muitos cidadãos, como por exemplo Artur Agostinho, igualmente preso e destituído de emprego. Quem fala em Artur Agostinho, fala noutros menos conhecidos e notórios.
É essa a razão pela qual Rui Ramos cita Raul Proença num texto de 1926, contrapondo os “bons aos maus” e fazendo o paralelo, “num país em que era preciso censurar para não ser censurado, sanear para não ser saneado, prender para não ser preso. Foi deste país que nos livrámos em 1976”. Livramos?! Isso é que seria preciso demonstrar cabalmente e é dos reflexos dessa luta que ouvimos agora os telefones a tocar.

A História portuguesa dos anos de Salazar, foi apresentada aos portugueses, durante estes anos, como um livro de caricaturas de João Abel Manta: formalmente perfeito; esteticamente belo e de suprema qualidade artística, no grafismo do desenho.
No fundo, porém, o retrato é de uma profunda falsidade, porque se apresenta a caricatura como perfil fiel da realidade e no subtexto da imagem, a mensagem fatal da propaganda, atinada à guerra civil, de luta contra o adversário inventado.
É nessa intertextualidade que se criou uma linguagem específica que abrangeu todos os domínios da vida social e intelectual, do Portugal das últimas décadas.
A identidade do nosso País só será retomada a sério, quando se equilibrar e desbastar essa linguagem escrita, pictórica e impressionista, com as cores de outros lados e visões.
A linguagem dos comunistas e seus compagnons de route socialistas, por uma questão de jeito, trejeito e preconceito, toldou a visão da realidade portuguesa como ela foi, é e será: um misto de tradição antiquíssima, com o modernismo das modas importadas.
Para entender a tradição antiga, dos nossos oitocentos anos de História, é preciso ir ver ao sótão da memória colectiva, vê-la, entendê-la e comunicá-la.
Os salazaristas fizeram-no de um modo particular que afeiçoava certas características de tradição. Os comunistas desfizeram-nas em nome da tradição nova do que estaria para vir e não veio, frustrando as grandes ilusões.
Resta agora, aos que verificam a realidade desta luta civil, desmistificar ideias e preconceitos, retomar o fio da linguagem antiga e mostrar o que já parece notório: o antifascismo é a outra face da moeda do fascismo. Sem um conceito, o outro fenece.
O salazarismo é doutro padrão, já desaparecido de circulação, como moeda velha que era e deve ficar no sótão do Tombo e nas caves das bibliotecas para que os interessados e eruditos possam explicar como foi, para todos perceberem que já não serve.
Confundir moedas, no entanto, é tarefa de charlatães, interessados em passar moeda falsa. E no entanto, é esta que circula como corrente, há mais de trinta anos. Já é tempo de mudar de padrão e o artigo de Rui Ramos é um excelente contributo para a nova moeda.
Nota: o livro da foto, copiada da net, encontra-se esgotado há muito tempo. E não devia, porque é uma das obras emblemáticas da esquerda comunista não alinhada e com um valor artístico assinalável. A primeira edição, foi publicada pelas edições O Jornal, salvo erro, nos anos setenta e esgotou em pouco tempo. João Abel Manta, foi colaborador na ilustração, de O Jornal e ainda O Jornal de Letras. As suas caricaturas e ilustrações figuram entre as melhores de sempre, de toda a parte. A propósito de ilustração, deve assinalar-se que André Carrilho, ilustrador do DN, tem duas ilustrações publicadas na revista Vanity Fair de Abril de 2007. Parabéns.

Publicado por josé 11:51:00 14 comentários Links para este post  



Explicações


A primeira página do Público de hoje, explica-se a si mesma, numa singela e bem explícita alegoria dos problemas que nos afligem como país.

No topo, uma caixa de imagem com um Salazar estilizado por um pintor não identificado ( o Público acha que não tem o dever de). Uma citação de um comentador do jornal ( JPP) deixa no ar a perplexidade do dia: como foi possível, mesmo num concurso banal, de tv, um ditador morto quase há 40 anos, ter ainda uma imagem tão forte junto dos portugueses?
O esforço de desvalorização ( “do ponto de vista técnico-científico, os resultados divulgados pela RTP não valem nada”), feito pelo politólogo Pedro Magalhães, no corpo da notícia assinada por Adelino Gomes, não pega muito, quando diz a seguir que afinal valem os das agências de sondagens. Ora estas, dão uma imagem com algum relevo da figura de Salazar, por forma a não permitir que se possa dizer que os resultados do concurso “não valem nada”.
Para saber se valem ou não, melhor seria interpretar outros factores de ponderação. Por exemplo, especular sobre a motivação dos votantes.

E o Público procurou saber dessas motivações por interpostas pessoas, quase sempre as mesmas e que declinam nomes já conhecidos como Pacheco Pereira, Eduardo Lourenço, José Mattoso e até Vasco Lourenço(!), para além do politólogo. As opiniões destes comentadores, são as do costume, sem novidade e sempre na direcção do pensamento unificado. O Público, ( e Adelino Gomes, em particular) nunca sairiam desse trilho bem marcado- e é pena.

No entanto, é na primeira página do Público de hoje, que numa feliz conjugação de títulos, se atinge o alvo, com recheio, mesmo involuntário.
O primeiro título respeita aos gestores públicos, engendrados por esta democracia de há uma dúzia de anos a esta parte. A notícia de que um gestor anódino da GALP, ao fim de um ano e de ter ganho com a saída, cerca de quinhentos mil contos de indemnização, ter passado para a REN, para ganhar balúrdios, acerta no coração dos pobres de espírito que não compreendem os critérios governamentais que presidiram a estas regras de generosidade sem paralelo, na decência de um país pobretanas e na cauda da Europa. Os portugueses em geral, não compreendem, não aceitam e acham escandaloso que tal aconteça. E tal acontece, devido a uma simples palavra mágica que todos entendem: corrupção. Não a do código Penal, mas a outra mais simples, a moral. O senso comum, no entanto, não a distingue da outra, aquela que vem escarrapachada no segundo título: “Assembleia discute corrupção-Ministério Público contra lei da política criminal”.
Este título que encima uma foto de um símbolo da luta contra a corrupção no país ao lado ( Baltazar Garçon) , lembra-nos a nós leitores que foi na Assembleia que se derrotou a proposta de Cravinho, por ser disparate e até “asneira” e lembra-nos também dos inquéritos parlamentares a casos singulares que dão aquilo que as maiorias querem que dêem. Lembra-nos ainda a ética que existe na Comissão de Ética e outros fenómenos que os portugueses conhecem .
Por causa de asneiras, repetidas e recalcitradas, o público que votou na figura do melhor português de sempre, escolheu Salazar.
É preciso explicar mais?!

Publicado por josé 18:23:00 5 comentários Links para este post  



Alimento para o espírito

Alguns cépticos, andam já há algum tempo a questionar a validade da Wikipedia, enquanto meio de conhecimento, como se um projecto dessa ordem não tivesse as suas limitações evidentes.
Baseados em casos reais, devidamente apontados, de adulteração e falsificação de dados e elementos de facto, consciente ou inconsciente, os cépticos apontam a falta de crédito de um meio de informação e conhecimento que sempre partiu de um pressuposto simples: confiança. E outro ainda: gratuitidade.
Nem se percebe bem o objectivo de tais acusações sustentadas, uma vez que esses pressupostos, só por si, deixam um ampla margem de manobra aos cépticos mais simples, para sustentarem os seus pontos de vista.
Assim, o que resta, é a confiança em estado puro, numa abordagem à Utopia do saber e do conhecimento, sem paralelo nos tempos modernos. Borges ficaria encantado. Quem o cita, amiúde, parece que não. Desconfia do que não merecendo total confiança , merece ainda assim, boa fé.
Um dos co-fundadores da Wikipedia, Jimmy Wales, responde a dez perguntas directas de anónimos que a Time publica, na edição desta semana.
Uma das perguntas contende com essa faceta insondável da Wikipedia:
- O que viu nas pessoas que o leva a confiar na descoberta da verdade através de um processo colectivo?
Responde Jimmy Wales: São os resultados. A maioria das edições da Wikipedia- mesmo de utilizadores anónimos- representa benefícios. Em alguns tópicos difíceis há muita discussão sobre o modo de os apresentar. Mas esses debates são realizados por pessoas de boa-fé. Acontece que as pessoas não são tão más como a Internet as apresentou durante algum tempo.
Outra pergunta contende com a motivação de quem escreve na Wikipedia:
- O que leva as pessoas a contribuir para a Wikipedia? Altruísmo?
- Não. É compreender que fazer algo de intelectual, pode ser socialmente divertido- e faz sentido.

Publicado por josé 17:26:00 2 comentários Links para este post  



Don Raffaele e o combate à corrupção

“Don Raffaele Palizzolo recebia os seus clientes de manhã, na sua residência de Palermo (...). Abordavam-no levando flores ou outras ofertas, enquanto ele permanecia sentado na cama com um cobertor pelos ombros. Alguns procuravam emprego na edilidade. Outros talvez fossem juizes ou agentes da polícia ansiosos por uma transferência, uma promoção, um aumento de salário. Ou podia, ser pessoas suspeitas a precisar de uma licença de uso e porte de arma ou de protecção contra a perseguição da polícia; vereadores em busca de uma posição de influência nalguma comissão; estudantes do ensino secundário ou superior desejosos que lhes fossem perdoadas más notas susceptíveis de ameaçar o seu progresso nos estudos"

(...)

"As reuniões matinais, que se realizaram durante toda a sua carreira política de quarenta anos, tinha um estilo caracteristicamente desassombrado. Mas nada havia exclusivamente mafioso, ou siciliano, neste tipo de apadrinhamento e clientelismo na política. Os mesmos mecanismos básicos funcionam ainda em muitos lugares da Itália, para não falar de outros países em todo o mundo. Os votos são trocados por favores: os políticos e funcionários do Estado apropriam-se de bens públicos - empregos, contratos, licenças, pensões, subsídios - e reinvestem-nos a título particular nas suas redes de apoio ou clientelas pessoais"

(...)

"Don Raffaele Palizzolo respondeu ao desafio e dedidcou a sua vida a negociar favores"

John Dickie, Cosa Nostra, História da Máfia Siciliana (pág. 117 a 119)

Publicado por Carlos 13:07:00 1 comentários Links para este post  



A inteligentsia da engenharia

No programa Prós&Contras que segue na RTP1, há uma mostra de costumes de engenharia lusa.
Os presentes, são quase todos bem entrados nos entas, formados no tempo do Salazarismo e presumivelmente prósperos, pela aparência do trato e do traje.

Presumo que se trata da nossa elite, mais avançada de catedráticos, directores e responsáveis altos por departamentos.

Todos gravateim e casaqueiam, com a sobriedade dos anos sessenta. Seria uma obra de arte, mais interessante do que a ponte do Infante, haver alguém que soubesse e lhes traçasse o perfil pessoal, político e profissional.

Julgo estar ali, neste momento, concentrado um conhecimento prático da nossa vida político-técnica dos últimos 40 anos.

Publicado por josé 0:02:00 8 comentários Links para este post  



O enigma

O aviso não tardou: "Estou aqui só como engenheiro e como político." Sem gravata, José Sócrates deixou a farpela de primeiro-ministro que envergara horas antes, no termo da visita à China, e ainda mal recuperado do tropel de fusos horários compareceu ontem no Centro Cultural de Belém para uma sessão de esclarecimento junto de simpatizantes socialistas.
(..)Lá estavam Correia de Campos, José Magalhães, Idália Moniz, Ana Paula Vitorino, Jorge Lacão, Maria de Belém, Maria Carrilho, Marcos Perestrello. ( D.N. 5.2.2007)
Helena Matos, parece que também testemunhou. Daí, talvez, o silêncio inocente.

Na ausência de mesquinhos adeptos do purismo mais reluzente, (no dizer de Vital Moreira), esta afirmação sonora e qualificada de José Sócrates, acabado de chegar da China e perante a plateia cheia de adeptos socialistas, deve ter soado cheia e redundante.
"Estou aqui como engenheiro"!
Rosebud, diria o outro.

Publicado por josé 23:13:00 14 comentários Links para este post  



Lobos com pele de cordeiro


Num artigo da revista Vanity Fair de Abril 2007, Michael Wolff, trata o assunto Valerie Plame-Lewis Scooter Libby, de um modo alargado a quatro páginas, menos porém do que o artigo de Mark Frankel, do New York Times Magazine.
O artigo de Wolff tem a vantagem de lidar com o modo idiossincrático do Partido Republicano por contraposição ao modelo democrático de relacionamento com o público.
Wolff acha que os republicanos lidam com o público da imprensa, de modo mais “corporate” do que os democratas que o fazem sem grandes ademanes. Os Republicanos respondem aos telefonemas, telefonando em seguida; os democratas nada disso fazem e esforçam-se por nem dar atenção exagerada a quem lhes pede explicações. Por isso, Wolff entende que essa atitude republicana, foi o motivo principal do drama que atingiu Lewis Scooter Libby e os demais republicanos envolvidos na grande operação de spin destinada a desacreditar aqueles – como Joe Wilson – que desacreditaram os neoconistas apologistas da guerra no Iraque.
O bom marketing depende da manutenção de uma ilusão – admiramos sempre uma eficiente e sofisticada operação de comunicação mas ficamos chocados, chocados mesmo perante a ideia de uma manipulação cínica- e o julgamento de Libby revelou-se nesse aspecto notável e, na prática, um exercício de descasque voyeurístico das habilidades das relações públicas da administração Bush” , escreve Wolff.
De todo o artigo ressalta uma ideia básica: Libby é apenas o que foi apanhado, condenado e no final de contas vítima da sua própria estratégia de defesa dos chefões do topo. A ilustração vale as tais mil palavras.

Ao ler estes artigos, uma pessoa fica a imaginar, como é que na América republicana bushista, no fim de contas, a democracia relatada pelos media, se apresenta e compara com a opacidade de vergonha que por cá se experimenta, neste pequeno jardim à beira mal plantado, a propósito do caso Sócrates, recentemente tratado no Público.
Será apenas spin? Ou isto já chegou ao estado de pepineira?
Seja como for, é uma vergonha maior. Ponham os olhos na América, senhores directores dos jornais! Nem me atrevo a falar das tv´s: é caso perdido.

Publicado por josé 19:57:00 0 comentários Links para este post  



breve ensaio sobre ovelhas e carneiros

Contam-me, não vi, que ontem os portugueses elegeram Oliveira Salazar como o maior português de sempre (!). Também um dia desdes, no Público, Vasco Pulido Valente fazia uma apaixonada defesa de Paulo Portas, um 'político' que não seria pior do que aqueles que o criticam. Não, não estou a comparar o Dr. Portas a Salazar, mas já estou a comparar aqueles que votaram em Salazar, com o mesmo Vasco Pulido Valente que defendeu, da forma que o fez, o segundo regresso do Dr. Portas. De facto, uma boa parte do país passa a vida a dizer mal de tudo e do seu contrário mas, chegada a hora, não consegue vislumbrar algo de diferente ou alternativo, muito menos se vê parte dessa alternativa. Uns, não conseguem imaginar uma vida política - em Portugal - sem os Dr.s Portas, e as Zezinhas, que temos, outros, no fundo, no fundo, querem é que os deixem em paz, e que pensem por eles - e Salazar, e Cunhal (os dois primeiros classificados) pensavam por todos...

Publicado por Manuel 10:47:00 1 comentários Links para este post  



debate, para quê...

Now scientists create a sheep that's 15% human (Daily Mail)

Publicado por Manuel 10:42:00 0 comentários Links para este post  



era uma vez um partido...

Publicado por Manuel 6:41:00 0 comentários Links para este post  



Os manetas da sarjeta

O pessoal da redacção nacional do Washington Post raramente cobre casos de polícia. Assim, a pedido de Sussman, tanto Bernstein como Woodward regressaram ao gabinete na manhã seguinte, um Domingo claro, 18 de Junho, para seguir a história.
Um assunto que passava no cabo da Associated Press tornou embaraçosamente clara a razão por que McCord merecia atenção suplementar.
De acordo com relatórios de despesa de campanha, arquivados pelo Governo, James McCord era o secretário-coordenador do Comité para a Reeleição do Presidente ( CRP).
Os dois repórteres fincaram-se no meio da sala da redacção e olharam um para o outro. Que raio achas que isto quer dizer? Perguntou Woodward. Bernstein não sabia.
Em Los Angeles, John Mitchell, antigo Procurador Geral, e gestor da campanha Presidencial, publicitou uma declaração: “A pessoa envolvida tem uma agência privada de segurança e foi empregada pelo nosso comité, há alguns meses, para ajudar na instalação do nosso sistema de segurança. Tem, tanto quanto sabemos, um número de clientes e interesses, que não são do nosso conhecimento. Queremos enfatizar que este indivíduo e outras pessoas envolvidas, não se encontravam a operar por nossa conta nem com o nosso consentimento. Não há lugar na nossa campanha ou procedimento eleitoral para este tipo de actividade, o que não permitiremos ou aprovaremos.”

(…)

Woodward teclou os primeiros três parágrafos de uma história identificando um dos assaltantes do Watergate como um coordenador de segurança, assalariado do comité para a reeleição do Presidente e entregou-a a um editor na secção de assuntos de cidade. No minuto a seguir, Woodward reparou que Bernstein estava a olhar por cima do ombro do editor. Então, Bernstein regressou à sua secretária com a primeira página da história; dali a pouco, teclava. Woodward acabou a segunda página e passou-a ao editor. Bernstein pegou logo nela e voltou para a máquina de escrever. Woddward decidiu ver o que se passava.
Bernstein estava a reescrever a história. Woodward leu a versão reescrita. Estava melhor.
Na manhã seguinte, no escritório, Woodward fez uma lista de títulos. Um dos vizinhos de McCord tinha dito que o vira com uniforme da Força Aérea e outro que McCord era tenente coronel na Reserva da Força Aérea. Meia dúzia de chamadas mais tarde, para o Pentágono, um oficial do pessoal dissera-lhe que James McCord era tenente coronel numa unidade de reserva especial baseada em Washington, ligada ao Office of Emergency Preparedness.”
Woodward deu conta do nome Hunt, que se tornou a prioridade a partir de segunda feira e deu atenção à lista de pertences apanhados aos assaltantes. Um cheque não endossado e dois bilhetinhos continham uma referência a “Dear Friend Mr. Howard” e outro a “Dear Mr. H.H.” e então ligou a alguém conhecido do governo, fonte de informação que lhe disse o caso ia aquecer, sem explicação suplementar.
Woodward ligou para a Casa Branca e perguntou pelo nome Howard Hunt. Disseram-lhe que costumava trabalhar com Charles Colson. Woodward então descobriu que Colson era conselheiro especial do Presidente e seu homem de mão e uns poucos telefonemas adiante, o próprio Hunt atendeu e respondeu a Woodward que lhe perguntou a razão do seu nome e telefone constar dos bilhetes apreendidos aos assaltantes. “Santo Deus!”, foi a resposta. E a seguir: Tendo em vista que o assunto está sob observação, não tenho mais comentários a fazer.” E desligou-lhe o telefone.
Woodward pensou que tinha caso para história. Contudo, o nome e telefone fosse de quem fosse podiam estar em qualquer agenda. O bilhete com a conta, podia ser informação mais relevante mas ainda assim, qual a relação?

Uma notícia alinhada com o título “ Consultor da Casa Branca ligado aos suspeitos das escutas”, poderia ser um erro de interpretação, injusto para Hunt.
Com mais dois ou três telefonemas, no entanto, Woodward descobriu que Hunt tinha trabalhado para a CIA . A informação primordial vinha directamente do filho de um senador republicano do Utah, agora presidente da firma de consultadoria e relações públicas, onde Hunt trabalhava como colaborador.
Mais uns tantos telefonemas, estabeleceram a certeza, mesmo em off-record que assim tinha sido.
Woodward titulou então: “Consultor da Casa Branca ligado aos suspeitos das escutas”
Nessa manhã, Ronald Ziegler, secretário de imprensa do Presidente, respondeu brevemente às questões sobre o assalto ao Watergate: “certos elementos podem tentar alargar isto para além do que que isto é” e descreveu o incidente como uma tentativa de assalto de terceira categoria.
No dia seguinte, o presidente do Partido Democrático, apresentou uma acção cível por danos, no valor de 1 milhão de dólares, contra o Comité para a Reeleição do Presidente.

Excerto, em tradução livre, do livro All the president´s men, de Bob Woodward e Carl Bernstein, de 1974.

Estes excertos do livro de dois jornalistas sobre o Watergate e aquilo a que o mesmo conduziu, têm como objectivo mostrar como se pode fazer jornalismo de investigação, partindo de factos aparentemente anódinos, mas explorados com perspicácia aplicada. Factos sem aparente relação, vêm a revelar-se cruciais para a compreensão dos acontecimentos. O faro dos jornalistas, aproveitando os meios usuais de investigação e alguns apoios institucionais e redactoriais, revelam um modo de fazer jornalismo que aparentemente não existe, enquanto tal, em Portugal. Porquê?

Talvez porque o país seja demasiado pequeno, os jornalistas demasiado ligados aos poderes e a dependência económica dos jornais, a grupos de interesses motivados, uma triste realidade.

O modo como o jornal Público pegou no assunto da licenciatura de Sócrates parece ser o melhor exemplo disse mesmo. A comparação com o caso Watergate, é por isso, apenas uma coincidência, para apontar o modo como se poderia fazer uma investigação que - tudo indica-, não se fará.

E porquê? Por não valer a pena? Pelos vistos vale e o próprio PSD já o disse. Por não se oferecer sequência narrativa, por falta de matéria noticiosa? Nem isso vale como desculpa. O caso em si mesmo, deveria valer como exemplo do que se passa no ensino superior universitário privado, com múltiplos casos, denunciados por alguns próximos do actual governo ( Vital Moreira por exemplo). Será exactamente por isso que a reportagem ficará em águas de bacalhau? Por haver muitos e muitos casos, no jornalismo e no poder político, de pessoas que aproveitaram o ensino particular universitário de modo muito duvidoso?

Enfim, cada vez mais se verifica que a liberdade passa mais por aqui, nos blogs, do que por ali, nos media tradicionais.

Segundo se noticia, porém, aproximam-se tempos mais escurecidos para a transparência dos poderes nas notícias: o ministro Santos Silva acabou de dar a entender, numa entrevista ao Correio da Manhã que há um jornalismo de sarjeta que é para reprimir e censurar. E ele é um dos que tem o livro do índex e o lápis azul...neste caso democráticos e por isso mesmo, legítimos.

Santos Silva prepara-se para mandar para o Maneta, em nome do tal "jornalismo de sarjeta", algo que o incomoda e ao poder que representa: a liberdade de expressão. Não aquela que conhecemos dos telejornais, mas outra que não existindo ainda plenamente, já ameaça os poderes constituidos: a que vem da rua e da voz do povo e começa a ter alguma expressão informal, em blogs e jornais que afoitam mais um pouco.

Aqui há uns meses, no firmamente político-mediático, uma certa Estrela, Serrano de apelido, formulava na tv, uma queixa semelhante em relação aos blogs anónimos que eram um horror em forma de rede, para o poderzinho que lhe convinha. No Parlamento, já houve rábula semelhante, protagonizado pelos mesmos. Uma certa Catarina, que o Alentejo não viu nascer, denunciou o anonimato abjecto de certos blogs e um PGR atento, respondeu-lhe que sim, que eram uma vergonha.

Objectivamente, todas essas manifestações têm um sentido: C-E-N-S-U-R-A.

Publicado por josé 19:19:00 6 comentários Links para este post  



A grande barrela

As extraordinárias revelações do professor Arouca, ex-futuro reitor da Independente, sobre o estranho fenómeno dos documentos curriculares dos alunos da universidade, terem ido parar à mão de um misterioso Maneta, suscitou a esta Loja curiosidade de investigação. Assim, estamos em condições de adiantar algumas pistas.


Após aturadas buscas de alguns minutos, nos confins da internet (que guarda os documentos por mais do que os cinco anos derradeiros, antes das grandes barrelas), estamos em condições de apresentar a foto do suspeito número um:



De seu nome Bill Raisch, era ele o verdadeiro Maneta da série O Fugitivo, que no final dos anos sessenta passou pela tv portuguesa.

Luís Arouca, o reitor que foi e ainda poderá vir a ser, deve lembrar-se bem do magano...

Outro suspeito apontado algures, seria este. Mas não tem grandes hipóteses: não é dos anos sessenta...

Publicado por josé 17:28:00 29 comentários Links para este post  



O farol do paraíso que se perde

Na Universidade Independente, o reitor que já não é, mas pode ainda vir a ser, de seu nome Arouca, disse ao Público, referindo-se aos documentos que suportam as classificações académicas dos alunos que “as fichas de cada aluno já ninguém sabe delas. Nos primeiros anos, a nota final é acompanhada com fundamento, depois é deitada fora. Ao fim de cinco anos, vai tudo para o maneta”.

Ao Expresso de hoje, o Professor Arouca, assegurou que “ a licenciatura é correcta, impecável”, apesar de não mostrar os documentos que atestam a afirmação. Tudo indica, aliás que estejam nas mãos do misterioso…Maneta. Será o do Fugitivo, de boa memória?

Vital Moreira, depois de ter glosado o tema da Universidade Independente, do modo que se conhece, no blog e nos jornais, lançando a lama mais pútrida sobre a honorabilidade curricular das universidades privadas e respectivos corpos docentes, entende agora que , “o Primeiro-Ministro mudou a forma da sua apresentação pessoal, de "engenheiro civil" para "licenciado em engenharia civil", para pôr fim a acusações mesquinhas.”
E para que não fiquem dúvidas sobre a mesquinhez do propósito dos maledicentes, apresenta os seus argumentos constitucionais:
Engenheiros, há muitos! Arquitectos e doutores, idem! E pergunta, destemido, se querem que diga nomes!

Queremos, senhor Professor Doutor, Vital Moreira, honoris causa em muitas causas!

Queremos o nome do Primeiro- Ministro de Portugal ( e até da Europa) que não sendo aquilo que dizia ser, foi obrigado a alterar a designação académica com que se apresentava em documentos, encontros e comunicações e oficiais. Queremos saber se houve vergonha igual por essa Europa fora!
Queremos que nos diga quem foram os Primeiros-Ministros de Portugal que viram a sua vida académica em vias de ser escrutinada, por se levantarem dúvidas e suspeitas sobre a sua correcção e verdade.
Se não houver nomes, espera-se que em nome do purismo, vá reler o que escreveu, nas suas causas avulsas e recolha a penates.
Podem ser vários escritos, todos eles de purismo exemplar. Por mim, escolheria aqueles com que brindou Santana Lopes, ao logo dos últimos meses de governo; pode ser o artiguito purista sobre ”a Nobre casa de Guedes”, ao mesmo tempo que poderia compará-los com os grandes e magníficos encómios ao engenheiro que agora se descobre nunca ter sido verdadeiramente, facto descoberto num acaso mesquinho.

Publicado por josé 16:34:00 8 comentários Links para este post  



O faro

"Ao mais alto dos suspeitos , que tinha dado o nome de James W. McCord, Jr, foi-lhe dito para se aproximar. Era calvo, com um nariz largo e chato, um queixo quadrado, dentes perfeitos e uma expressão benigna, que parecia incongruente com os demais traços, bem vincados.
O Juiz perguntou-lhe a ocupação.
"Consultor de segurança", respondeu.
O Juiz perguntou onde.
McCord, numa voz em arrastamento suave, disse que se tinha reformado do serviço, havia pouco tempo. Woodward passou para a fila da frente e inclinou-se para diante.
"Onde, no governo?", perguntou o Juiz.
"CIA", murmurou McCord.
O Juiz contorceu-se ligeiramente.
"Holy shit", silabou Woodward a meia voz, a CIA.
Apanhou um táxi para a redacção e relatou o depoimento de McCord. Oito repórteres foram chamados a delinear a história, sob a batuta de Alfred E.Lewis. À medida que a prazo limite das 6h e 30m. se aproximava, Howard Simons, o editor do Post, chegou ao gabinete do editor dos assuntos da cidade, no lado sul da redacção.
“É uma história e peras”, disse ao editor de cidade, Barry Sussman, e deu ordens para a colocar na primeira página da edição de Domingo.
O primeiro parágrafo da história dizia: “Cinco homens, um deles dizendo-se antigo funcionário da CIA, foram presos às 2h e 30m de ontem, naquilo que as autoridades descrevem como um plano elaborado para colocar sob escutas os escritórios de cá, do Comité Nacional Democrata.
Uma investigação de grande júri federal tinha já sido anunciada, mas ainda assim, na opinião de Simons, havia ainda demasiados factos desconhecidos para fazer da história do assalto, a manchete do dia.
"Podiam bem ser uns doidos cubanos", disse.
De facto, o pensamento de que o assalto poderia ser algo da responsabilidade dos Republicanos, parecia implausível. Em 17 de Junho, 1972, menos de um mês antes da convenção Democrática, o presidente ia à frente de todos os candidatos democratas já anunciados, com uma vantagem, nas sondagens, de nada menos que 19 pontos. A visão de Richard Nixon sobre a emergência de uma maioria republicana que governaria o último quarto de século, como os democratas o tinham feito nas duas gerações antecedentes, parecera possível.”

Esta passagem do livro de Woodard& Bernstein, All the president´s men, permite ler várias coisas:
O jornalismo americano dos setenta, ainda pode ensinar muito ao jornalismo português actual.
Uma notícia em modo de reportagem, sobre um assunto complexo e ainda desconhecido, precisa do faro dos editores dos jornais, suficiente para perceberem que um facto isolado, poder ter um potencial noticioso importante e até mesmo imprescindível, se devidamente explorado.
O modo de noticiar tais factos, começa sempre…pelo princípio e segue a rota do faro jornalístico se ele existir, com persistência e acreditando na verdade que se poderá vir a descobrir.

Em 18 de Junho de 1972, o repórter Bob Woodward, ao ouvir que um dos assaltantes do Watergate, tinha sido da CIA, afinou as orelhas e deverá ter pensado: aqui há marosca.
E havia. Dois anos depois, a História deu-lhe razão total. E é por isso que ainda hoje é lembrado.

Get it?

Publicado por josé 19:48:00 2 comentários Links para este post  



A liberdade está a passar por aqui

17de Junho de 1972. Nove da manhã de Sábado. Cedo para telefonemas. Woodward tacteou o auscultador e acordou num instante. O editor de cidade do Washington Post estava em linha. Cinco homens tinham sido presos nessa madrugada, num assalto às instalações do partido Democrático e tinham com eles equipamento electrónico e fotográfico. Poderia chegar lá?
Woodward trabalhava para o Post há oito meses e estava sempre à espera de um bom trabalho de Sábado, mas este não lhe parecia tal coisa. Um assalto às instalações locais dos Democratas era mais do mesmo a que ele já estava habituado- investigações acerca de restaurantes sem condições sanitárias e pequena corrupção policial. Woodward gostaria de já ter saído disso; tinha acabado uma série de histórias sobre a tentativa de assassínio do governador do Alabama, George Wallace e agora parecia-lhe que voltava de novo para o buraco. (…)
Os primeiros detalhes da história tinham sido telefonados, do interior do edifício Watergate por Alfred E.Lewis, um veterano com 35 anos de relatórios de polícia para o Post. Lewis era uma espécie de lenda no jornalismo de Washington- meio polícia, meio repórter, alguém que se vestia muitas vezes com camisolas azuis da Polícia Metropolitana abotoadas até ao fim por cima de um cinto metálico com a estrela de David. Em 35 anos, Lewis jamais “escrevera” uma história; telefonava os detalhes para um escriba e durante anos, o Washington Post nem sequer tivera uma máquina de escrever nas esquadras de polícia.
Os cinco homens presos às 2 horas e meia da manhã, vestiam fatos de homens de negócios e usavam todos, luvas cirúrgicas Playtex. A polícia apreendera um walkie talkie, 40 rolos de filme não revelado, duas câmeras de 35 mm, gazuas, armas de gás lacrimogénio, e aparelhagem de escuta aparentemente suficiente para escutar conversas de telefone e de ambiente. Um deles tinha 814 dólares; outro 215, outro 234 e outro 230, Lewis tinha ditado. A maior parte em notas de 100 dólares, em sequência….pareciam saber o que se passava à volta; pelo menos um deles devia ser bem familiar com o sítio. Tinham quartos no segundo e terceiro andares . Os homens comeram lagosta no restaurante local. Um usava um fato comprado na Raleigh´s. Alguém teria visto os bolsos de dentro.”
Woodward soube por Lewis que os suspeitos iriam ser presentes a tribunal, essa tarde, para uma audição preliminar. Decidiu ir lá.


Este texto, extraído das primeiras páginas do livro de Bernstein & Woodard, All the president´s men, de Fevereiro de 1974 ( publicado em Portugal pela Bertrand, nesse mesmo ano), anunciam os primeiros factos que conduziram à queda do presidente Nixon, dois anos mais tarde.
O planeador do assalto, Howard Hunt, ex-agente da CIA, em Maio de 74, três meses antes da demissão de Nixon, confessava à revista People que viu a missão como qualquer outra, depois de tanto tempo a trabalhar para a CIA: “aquilo que a Casa Branca mandava fazer, era lei”.
Nixon, durante os 800 dias que separam o assalto a Watergate, da sua resignação, tentou encobrir a verdade dos factos, aldrabando.
Provou-se que em 23 de Junho de 1972, apenas seis dias depois do assalto, Nixon, soube o que se passava, deu ordens directas aos envolvidos, para que a CIA impedisse as investigações do FBI, escondeu provas, mentiu e deixou também provas gravadas dessas conversas, em fitas magnéticas. Nixon, tinha decidido anteriormente, gravar secretamente todas as conversas que mantinha e inexplicavelmente deixou as provas gravadas da sua participação no encobrimento do caso. A obrigatoriedade de entrega às autoridades judiciais, depois de lutas renhidas nos tribunais, dessas gravações, em Agosto de 1974, determinou a resignação, em directo na tv nacional, depois de ter admitido em 5 de Agosto de 1974, que de facto, naquele dia 23 de Junho dera instruções para o encobrimento. Admissão fatal, para a credibilidade de quem até ali, tinha sempre negado qualquer conhecimento dos factos.
A prova, a “smoking gun” fora essa gravação que o próprio Nixon teve que entregar.
Perante a iminência do impeachment, então já requerido, Nixon vai à tv e resigna.

Em 17 de Novembro de 1973, numa conferência de imprensa, Nixon disse “não sou um patife”, I´m not a crook.
Os repórteres Woodward e Bernstein, na investigação que realizaram, abriram o caminho à descoberta da verdade, com ajuda de um informador anónimo que assim ficou até Junho de 2005. Apesar de todo o encobrimento. o jornal prestou um grande serviço à causa da liberdade de expressão e de imprensa.

O Expresso de 10 de Agosto de 1974, dirigido então por Francisco Pinto Balsemão, escrevia assim sobre o assunto:
Watergate, para nós significa essencialmente liberdade de imprensa. Porque não esqueçamos, tudo começou com a curiosidade de um grupo de jornalistas do Washington Post apoiado incondicionalmente pelo seu director. O mérito da sua acção não está em terem feito cair um Presidente. O mérito está em terem denunciado publicamente o clima de ilegalidade, o gangsterismo que se instalara na Casa Branca, que tudo corrompia, que tudo e todos procurava comprar.
Ao longo destes dois anos, o Washington Post e os seus jornalistas sofreram toda a espécie de pressões para se calarem. Mas eles, conscientes dos seus direitos ( e deveres) não cederam."


Aditamento em 23.3.2007:

Quase 33 anos depois deste texto editorial do Expresso, da responsabilidade de Balsemão, quem temos hoje no lugar de Balsemão, para escrever algo que possa, ainda que de modo remoto, assemelhar-se, no espírito e na letra? O próprio, só se for para desdizer o que disse.

Aliás, nem é preciso. Temos Nicolau Santos. Leiam aqui, para entender a que ponto chegou a democracia portuguesa que se pratica no jornalismo.

Publicado por josé 21:33:00 14 comentários Links para este post  



serviço público

A RTP acha que serviço público é entrevistar o Major, nós achamos que serviço público é reproduzir o comunicado abaixo...



COMUNICADO ACA-M

O DIABO DA VELOCIDADE


Face às notícias surgidas na imprensa de ontem sobre o comportamento rodoviário anti-social de um pároco de Santa Comba Dão, a direcção da ACA-M decidiu dirigir-se ao Papa Bento XVI, à Conferencia Episcopal portuguesa e ao Arcebispo de Viseu, pedindo à hierarquia eclesiástica que ajude aquele sacerdote a exorcizar o seu desmedido prazer pela velocidade que a potência do seu Ford Fiesta 200 ST lhe permite atingir.



A Sua Santidade o Papa Bento XVI
Sumo Pontífice da Igreja Católica

A Sua Eminência Reverendíssima Dom Jorge da Costa Ortiga, Arcebispo de Braga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

A Sua Eminência Reverendíssima Dom Alfio Rapisarda
Núncio Apostólico da Cúria Romana em Portugal

A Sua Excelência Reverendíssima Dom Ilídio Pinto Leandro
Bispo de Viseu

A Sua Reverência Padre António Rodrigues
Pároco do Couto do Mosteiro


Dirigimo-nos a V. Santidade para apresentar o seguinte pleito:

O comportamento rodoviário anti-social do sr. Padre António Rodrigues, pároco do Couto do Mosteiro, em Santa Comba Dão, foi noticiado ontem, dia 21/03/07, em alguns jornais diários portugueses (Público, p. 14, “Um padre movido a fé e adrenalina”, 24 Horas, p. 21, “O padre tem uma máquina... dos diabos”).

O sr. Padre António Rodrigues orgulha-se de ser proprietário de uma “autêntica bomba”, um Ford Fiesta 200 ST de 150 cavalos de potência, adquirido “no estrangeiro”, e de “andar no picanço na A25” (competir com outros utentes daquela que já foi conhecida internacionalmente como a “estrada da morte”, tantas foram as vítimas mortais naquele trajecto).

O sr. Padre António Rodrigues, que afirma gostar da “adrenalina provocada pela velocidade” e “de sentir a potência debaixo do pé”, vangloria-se ainda de o seu automóvel chegar facilmente aos 210km/h, acrescentando que “Graças a Deus” nunca foi multado, e que, antes de padre é um ser humano.

Finalmente, admite que utiliza o seu carro para levar os jovens [das aldeias] a “dar uma volta”, e para “chegar a tempo às 3 igrejas da paróquia” (que distam entre si não mais que 13 km).

Foi com horror que a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados tomou conhecimento destas notícias. E é com natural incómodo que nos dirigimos a V. Santidade para notar que:

1) Um padre é um cidadão. Nesse sentido, não pode colocar os seus deveres de padre (chegar a horas às diferentes igrejas onde oficia, transportar jovens entre aldeias) à frente dos de cidadão. Numa palavra, não se pode colocar acima da lei da república portuguesa.

2) Um padre católico é um homem, mas antes de ser homem é padre. Caso pusesse o ser “homem normal” antes do sacerdócio, não haveria motivo para cumprir o princípio do Celibato. Ora um padre tem de dar o exemplo, porque nele o Sentido Ético é o mais importante.

3) Um padre é um predicador – não por acaso é tantas vezes também professor de Religião e Moral. Um guia espiritual que molda o comportamento e valores de outrém.

4) Um padre é, sine qua non, um modelo de virtudes – não pode ser um repositório de pecados.

O arrepiante comportamento descrito nas notícias testemunha um deslumbramento ingénuo pela velocidade, pela ilegalidade, e pela irresponsabilidade social, que é seguramente condenável pela hierarquia da Igreja católica.

Mais ainda, o sr. Padre António Rodrigues parece crer, na sua cega vaidade, que a providência divina o favorece, permitindo-lhe fugir às sanções judiciárias humanas. Como ele diz: “Graças a Deus, não [sei] o que é uma multa”.

Acreditamos que o sr. Padre António Rodrigues não esteja agindo de má fé, e acreditamos ele conseguirá arrepiar caminho e compreender quão longe se encontra hoje dos valores implícitos no sacerdócio que assumiu. Vimos assim pedir a V. Santidade que ajude este infeliz pároco a ponderar a gravidade dos seus actos e a imodéstia das suas palavras, e a resistir às tentações conjugadas da velocidade e da vanglória.

Despedimo-nos respeitosamente.

Direcção da ACA-M
Lisboa, 21/03/07

Publicado por Manuel 19:48:00 4 comentários Links para este post  



Observatório 2008 -- Rudy foge de McCain

Rudy Giuliani: quase seis anos depois, a imagem do pós-11 de Setembro ainda vale ao antigo mayor de Nova Iorque um capital político que lhe poderá garantir a nomeação republicana



Rudy Giuliani é o front-runner da corrida pela nomeação republicana para 2008. O ex-presidente da câmara de Nova Iorque, que mais de cinco anos depois de ter abandonado funções ainda é visto como o Super Mayor da America, pela forma como enfrentou o pós-11 de Setembro na Big Apple, partiu como eventual opositor ao inicialmente favorito John McCain, mas está a surpreender pela forma se tem distanciado do senador pelo Arizona.

A imagem de Rudy como corajoso e determinado líder a defender o seu território após o ataque dos terroristas parece ter sido a solução mágica para obter a nomeação. Giuliani tem-se mantido cautelosamente afastado da discussão sobre o Iraque, mas tem sabido capitalizar o facto de ser um candidato com perfil bem diferente de George W. Bush: é mais cosmopolita, mais aberto ao mundo exterior (o que o torna num candidato mais apetecível para o eleitorado independente e mesmo para alguns sectores democratas), e mostra-se moderado em temas como o aborto ou a orientação sexual.

Se, numa situação normal, Rudy teria um perfil demasiado liberal, demasiado pro choice nesses temas, para quem pretende ser escolhido pelo Partido Republicano, a verdade é que a queda livre de George W. Bush pode vir a ser a sorte de Giuliani. A questão é qie o trabalho relativo aos temas de segurança e do combate à criminalidade que Rudy tem para mostrar enquanto mayor de Nova Iorque conferem-lhe uma grande credibilidade enquanto candidato presidencial.

Mas Rudy está longe de se mostrar um candidato imbatível: se for mesmo investido como candidato republicano, há temas em que dificilmente escapará ileso no eleitorado típico dos republicanos. Giuliani é casado pela terceira vez, terá dificuldades em se mostrar como o americano típico em que os eleitores dos estados que tradicionalmente votam republicano se revêem.

Ainda à espreita está John McCain. O senador pelo Arizona era, até há uns meses, o candidato natural dos republicanos, mas tem tido vida complicada desde que a campanha começou a arrancar. As sondagens insistem em revelar que McCain não consegue reaproximar-se de Giuliani, embora se mantenha como único candidato com hipóteses reais de retirar a nomeação de Rudy.

O senador pelo Arizona está a pagar a factura do seu apoio ao envio de mais de 21500 soldados americanos para o Iraque. McCain é uma voz respeitada pelos americanos nestes temas sobre a guerra e até já criticou duramente a estratégia de alguns falcões como Dick Chenney ou, sobretudo, Donald Rumsfeld, tendo responsabilizado a antigo secretário da Defesa por aquilo que correu mal.

Há quem acredite que a coerência de McCain, que não teve medo de dar a sua opinião sobre o envio de mais tropas mesmo sabendo que iria ser penalizado nas sondagens, pode ser-lhe frutuosa, dentro de alguns meses. Pode ser que sim: mas este não é o único problema do senador.

Para muitos, a grande questão é a idade. Se for eleito Presidente, McCain terá 73 anos a 20 de Janeiro de 2009 e será o mais velho a tomar posse — mesmo contando com Ronald Reagan. As sondagens têm mostrado que esse pode ser um factor a ter em conta.

Mitt Romney, que está na corrida há quase três meses, não consegue descolar dos 7 a 10 por cento e já se percebeu que não terá hipóteses reais de sonhar com a nomeação. Newt Gingrich ainda não anunciou a candidatura, mas se avançar pode chegar a números próximos dos de McCain, mas ainda muito distantes de Giuliani. Todos os outros candidatos têm números insignificantes.

Aqui ficam os dados mais recentes da corrida republicana:

— Rudy Giuliani 40
— John McCain 20
— Newt Gingrich 10
-- Mitt Romney 7
-- Sam Brownback 2
-- Mike Huckabee 2
-- Jim Gilmore 1
-- Chuck Hagel 1
-- Outros 2
(Time)

-- Giuliani 34
-- McCain 18
-- Romney 9
-- Gingrich 9
(CNN)

-- Giuliani 33
-- McCain 15
-- Gingirich 13
-- Romney 10
(Rasmussen Reports)

Publicado por André 17:47:00 0 comentários Links para este post  



Innuendos

Para o bravo da causa nossa, o assunto do Público, sobre as habilitações académicas de Sócrates, é "innuendo", digno do 24 Horas.

Será do 24 Horas que fez estalar o escândalo, que fez o bravo do causa nossa, escrever isto:


Basta o que basta
Se forem verdadeiras as escandalosas notícias sobre os registos pormenorizados das comunicações telefónicas de várias personalidades políticas alheias ao processo na investigação do processo Casa Pia, o destino do PGR só pode ser a demissão imediata. O que, aliás, surpreende é que seja preciso demiti-lo.
[Publicado por vital moreira]
13.1.06

Perante o resultado do Inquérito Parlamentar, nem uma palavra do sempre atento bravo do causa nossa. Sintomático, mas não surpreendente.

Publicado por josé 17:42:00 3 comentários Links para este post  



Para lamentar

O inquérito parlamentar ao caso do envelope 9, terminou. Como a memória do tempo mediático é extremamente curta, sigamos o fio de Ariadne.

Para a investigação deste caso, transformado em escândalo pelo jornal 24 Horas, com apoio, em histeria, de toda a indústria mediatizada dos sectores do costume, o anterior presidente da República, tinha solicitado ao ex-PGR, chamado de urgência no dia seguinte às notícias, a urgência devida. Urgência foi dada e o inquérito criminal, na sua essência ficou concluído em princípio de Março de 2006, embora apenas concluído em Setembro de 2006, exclusivamente por causa da tramitação de um recurso interposto pelos arguidos no processo. Não fora assim, o Inquérito teria terminado logo, em Março e portanto em menos tempo do que agora demorou o Inquérito parlamentar .
Ainda assim, as explicações então dadas pela PGR, publicamente, não satisfizeram alguns urgentes que pediram inquérito parlamentar urgente também.
Um dos primeiros a fazê-lo foi José Pacheco Pereira, num programa de tv. E também, ao que parece, António Lobo Xavier, cada vez mais mimético e sincrético.
Aproveitando a ideia, o BE, no início de Outubro do ano transacto, propôs o devido inquérito parlamentar, aprovado por todos, menos pelo PSD. A ideia de base, deixava-se adivinhar: revindicta pura e simples pelo que se passou no processo Casa Pia e que durante meses e meses alimentou romagens a S. Bento e outras preces laicas, pelos estranhíssimos deputados do bloco. Prazo para esta urgência? 60 dias. Prorrogados depois por mais trinta, quando o presidente das urgências, Vera Jardim, concluiu que não tinha tempo, em dois meses, para concluir a tarefa que a outros exigira ficasse pronta em meia dúzia de dias.

Onze deputados, ouviram e analisaram pessoas e documentos, destinados a apurar o seguinte: esclarecer em que condições foi solicitada à PT, a divulgação dos registos constantes do “Envelope 9” anexo ao processo Casa Pia, e quem seleccionou, processou e disponibilizou a informação e se algum dos procedimentos violou as leis e as garantias dos assinantes do serviço telefónico.

Conclusões? Simples e fornecidas agora mesmo, à sorrelfa do segredo exigível e mediante violação do dito, sem consequências, nem sequer disciplinares: A PT forneceu informação a mais e que não tinha sido pedida pelas autoridades judiciárias.
A resposta agora dada ao mistério, tinha já sido dada na própria AR pelo então PGR, uma semana após os factos eclodirem com estupor, no jornal 24 Horas.
Outra conclusão do Inquéirito parlamentar: o MP foi “desatento” e “esquecido”, neste affair.

O ridículo parece não ter sossego, nas bancadas da AR.
Sem esquecer as digníssimas declarações do deputado Ricardo Rodrigues, sobre a prestação de Souto Moura, e que só enriquecem a memória do Parlamento, onze deputados ficaram incumbidos de investigar durante 60 dias ( prorrogados por mais 30), matéria que alguns deles tinham exigido fosse investigada em dias que se contassem pelos dedos de uma mão.
Para além de investigarem algo que já se sabia, pôde ainda ler-se ao longo do tempo de duração do Inquérito que afinal demorou ainda mais tempo do que o do MP, algumas afirmações curiosas dos magníficos deputados do PS e afins.
Osvaldo Castro, uma das lendas vivas da resistência aos grunhos do fascismo universitário de 69, vice-presidente da Assembleia da República (AR) e presidente da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias, assegurou publicamente que nunca este órgão de soberania pretenderia imiscuir-se em processos pendentes e ouvir magistrados intervenientes nesses processos, designadamente sobre a sua conduta e actuação processual.
Poucas semanas depois, no entanto, eram ouvidos Souto Moura e o próprio magistrado investigador, João Guerra, precisamente sobre a sua conduta e actuação processual. Osvaldo de Castro, impassível, continuou em funções, imperturbáveisl na sua coerência democrática.

Fernando Rosas, o grande inquiridor dos inquéritos parlamentares, descobriu contradições insanáveis nos depoimentos do investigador e do antigo PGR, em declarações amplamente divulgadas pelos media, numa aproximação curiosa do segredo de instrução dos inquéritos parlamentares.
Perante o esclarecimento das contradições, e na ausência de fogo de vistas sobre o antigo PGR, foi notícia o facto de o procurador João Guerra não se deixar fotografar...

Agora, a notícia, sumida e fugidia, antes das conclusões oficiais e denotativa do respeito que os próprios parlamentares dão ao cargo que desempenham, é apresentada no sentido de o MP ter sido “esquecido” e “desatento”. Através de uma desatenção aos cuidados mínimos a observar, na divulgação das conclusões dos inquéritos, dão a conhecer as desatenções do MP.

Porém, nem se dão conta da desatenção que representa, apontar culpas ao MP, por causa de umas diquetes que foram apensas a um processo que transitou para o juiz de instrução e de lá para um colectivo de juízes que ainda estão a julgar o mesmo processo.
Nem se dão conta que as críticas de desatenção e esquecimento, atingem sobremaneira, o poder judicial do julgamento, ou seja, o tribunal concreto que ficou com a posse efectiva dos autos e seus apensos, logo que remetidos e que os tem à sua guarda.
Nem se dão conta da contradição em que incorrem ao apodar o MP do inquérito, de desatento e esquecido, quando a notícia escandalosa saiu porque dois advogados do processo, tiveram acesso aos apensos, com disquetes incluidas, em Janeiro de 2005 e um deles pelo menos terá entregue as disquetes ao cliente. Nada disso despertou a atenção dos parlamentares.

Nessa altura, já o processo, com apensos e disquetes, estava, há mais de um ano, acusado pelo MP ( Dezembro de 2003); já tinha passado pelas mãos da juíza de instrução que pronunciou alguns arguidos, em 2004, e estava já na fase de julgamento, logo nas mãos de um juiz, no caso a juíza Ana Peres.
O que é que se pretende, de facto, ao acusar o MP do modo que se acusa, neste Inquérito Parlamentar?
Sindicar a prestação do antigo procurador Souto Moura, à custa da desonra de uma instituição como o MP, mais uma vez vilipendiada, por representantes de outra instituição, onde, em vez de se dar o exemplo das regras e costumes democráticos, figuram e preponderam certas figuras tristes da nossa democracia.

A AR, neste inquérito parlamentar, não se cobriu apenas de ridículo. Encheu-se de vergonha.
Para a apurar devidamente, não chegariam cem inquéritos parlamentares, porque para quem não tem vergonha, todo o mundo é seu, já lá diz o povo.

Editado e corrigido.

Publicado por josé 16:18:00 1 comentários Links para este post  



o corolário

Se houvesse uma réstia de normalidade na vida política portuguesa, que não há, o actual Primeiro Ministro, hoje, depois do 'destaque' do Público sobre a sua carreira académica, só tinha uma, e uma só coisa, a fazer - fazer uma comunicação ao País a explicar o que há para explicar, até para que não fique a pairar a dúvida de que o Primeiro-Ministro de um país está - pura e simplesmente - refém dos interesses obtusos que, de presente, se movem à volta da Universidade Independente. A explicação, porventura penosa, seria fácil e os portugueses compreenderiam. De seguida era perdir ao Presidente da República, que convocasse eleições legislativas antecipadas. Sócrates voltava a ganhar, quase de certeza com maioria absoluta, e ficava tudo muito infinitamente mais claro, e o ar ficaria mais respirável. Mais, dava um exemplo raro. Obviamente, que as hipóteses de isto acontecer são mínimas, para não dizer nulas, até porque não 'convém' à Oposição, sob o manto diáfono de um conceito difuso a que se dão nomes como 'estabilidade', tacticismo ou conveniência. Mas por cá prefere-se a fachada e a aparência, sempre, o que resulta muitas vezes em fugas (bem intencionadas, até) infelizes para a 'frente', com os resultados que se conhecem e que resultam invariavelmente num ainda maior descrédito da classe política indígena, descrédito esse, que, por estes dias, não deriva apenas do triste 'reality-show' que decorre - diariamente - no seio do PP.

P.S. 1. A investigação do Público é legítima e pertinente; o que já não é legítimo nem pertinente, e atenta contra todas as regras da deontologia, e da transparência jornalistica, é não ter havido uma linha, um parágrafo, uma caixa, para relevar devidamente o trabalho do António Balbino Caldeira, que há mais de uma ano puxa pelo tema, quanto mais quando se reconhece explicitamente que foi esse o pretexto e o mote que levou à investigação...
P.S. 2. O João Gonçalves ontem escreveu isto. As coisas são o que são pelo que seria bom, para todos, que de facto Sócrates estivesse, por uma vez, 'à altura'.

Publicado por Manuel 12:47:00 0 comentários Links para este post  



Os parágrafos do engenheiro Sócrates

Tinha a certeza de que a engenharia não era o meu destino. É o mundo dos pormenores e eu tenho uma inteligência direccionada para o abstracto”José Sócrates, na revista Tabu.

O primeiro-ministro do Governo de Portugal, José Sócrates, referindo-se às notícias sobre o seu percurso académico, lamenta hoje, no Público que se dê espavento a “este tipo de insinuações” que “assume uma dimensão difamatória e caluniosa” e “são veiculadas pelos mesmos meios, sob o anonimato dos blogs ou por jornais de referência no sensacionalismo e no crime. E usam também o mesmo método, limitando-se a levantar suspeitas insidiosas com base em dados falsos”.

O Público, em nota editorial, escreve que não dá à estampa boatos, mas não deve ignorar que eles existem e que a melhor forma de acabar com eles é confirmá-los ou desmenti-los.

O percurso académico de José Sócrates, antes de ser primeiro-ministro, suscita ou não, dúvidas sérias quanto à sua correcção e verdade? Apontar essas dúvidas e questionar directamente o visado ( que exerce o mais alto cargo público, em Portugal, a seguir ao PR), sobre as mesmas, será logo difamação e calúnia?
O Público a escreve, preto no branco: “Há falhas no dossier da licenciatura de Sócrates na Universidade Independente”. Portanto, o que o primeiro-ministro escreve, tem de se contextualizar como um modo de atacar directamente e de modo soez, quem coloca em dúvida aquilo que merece dúvida e por isso faz perguntas. Um primeiro-ministro terá o direito de se eximir a esclarecimentos desse teor? Dito de outro modo, o cidadão comum, está inibido de fazer perguntas sobre o percurso académico de um primeiro-ministro, sob pena de o difamar?

O primeiro conhecido a levantar essas dúvidas e também a procurar esclarecê-las, junto das entidades que o poderiam ter feito, foi o autor do blog Do Portugal Profundo, António Balbino Caldeira, já em 2005.
Ninguém ligou publicamente ao assunto que entretanto passou o prazo de validade blogsoférica. A retoma do interesse, deu-se com a crise na Universidade Independente e com o perfil académico, encomiástico qb, entregue pelo reitor que afinal já não é mas pode voltar a ser, daquela universidade. Luís Arouca, no mínimo, levantou as suspeitas, ao referir a licenciatura do primeiro-ministro naquela universidade privada, com datas equívocas, e suscitou de novo a curiosidade, no perfil da revista Tabu, do semanário Sol.
Esse perfil, aliás, foi antecedido de intensa actividade de publicidade positiva sobre o primeiro-ministro, na imprensa escrita e na tv, o qual se desdobrou em declarações sobre a sua infência, o seu modo de pensar e até o seu modo de agir com primeiro-ministro. Tudo edulcorado com os mais finos encómios, panegíricos e laudações. Até Vasco Pulido Valente falou em "hagiografia" do primeiro-ministro.
Não deveria ser de estranhar, por isso mesmo, que venham agora a público os pormenores sobre a vida do primeiro ministro, embora do lado que menos lhe agrade. É compreensível mas quem se dá ao trabalho de mostrar a lua da sua vida particular, para óbvias vantagens pessoais, não pode estranhar que a curiosidade vá um pouco mais além do que o visado desejaria.

Assim,quanto às “difamações e calúnias” de que se queixa o primeiro-ministro, seria bom que tivesse um pouco mais de senso comum e se lembrasse dos panegíricos anteriores.

Como remédio para o culto da personalidade em vias de desenvolvimentom, seria bom que aproveitasse para ler alguns postais colocados no blog causa-nossa, da autoria de Vital Moreira, um indefectível do seu governo. Poderia ler, particularmente, um com o título de “diz que é uma espécie de universidade” e ainda outro, com um sumarento conteúdo a propósito da contratação de Santana Lopes, como professor doutor, com convite expresso à intervenção dos serviços inspectivos do Estado, aompanhado de uma ridicularização que José Sócrates nunca experimentou...
Para rematar o estado das insinuações e suspeitas, aliás, nada melhor que repescar um outro postal do mesmo Vital Moreira, sobre a dita universidade:
Por que é que certas universidades privadas procuram a colaboração de jornalistas, incluindo directores de jornais (mesmo fora das áreas de ensino de jornalismo e comunicação)?” E para reforçar o ambiente saudável dos boatos e afins:
Por que é que várias universidades privadas têm entre o seu corpo docente um número tão grande de deputados, ex-deputados e outras personalidades da esfera política? “, perguntava o núncio do governo, em 8.3.2007, sem se dar conta do tiro no pé...

As dúvidas agora amplificadas no artigo do Público, não se resumem, para quem quiser ler e tem acompanhado o assunto das universidades privadas, particularmente a Independente, a meras suspeitas, boatos, calúnias ou difamações. Concentram em si mesmas, todo um caldo de cultura devidamente denunciado por Vital Moreira, num artigo publicado no Público de 13 de Março de 2007.
Aí, de modo bem mais grave e sentido do que todos os artigos em blogs “anónimos”, apodados pelo primeiro-ministro de Portugal como difamadores e caluniadores, dá-se conta do descalabro do ensino superior privado, da sua génese inquinada e lançam-se objectivamente as mais graves suspeitas sobre o modo de funcionamento dessas universidades.
Sobre a U.Independente, conhecendo-se o que já se conhece, alguém duvida disso, ou continuará a achar que são tudo boatos, insinuações e calúnias?
O artigo do Público, aliás, permite só por si, deixar as maiores suspeitas sobre o modo como outros indivíduos aí tiraram as suas licenciaturas.
Em nome da verdade e da transparência, quem é que está disposto a fazer um inquérito, daqueles "rigorosos", sobre esses assuntos?
Quem fez um inquérito parlamentar sobre um assunto tão sério e retumbante como foi o do "envelope 9", deverá estar neste momento, já preparado para o próximo, sobre os cursos superiores na universidade independente. Aposto que teria todo o apoio de Vital Moreira.
Vamos a isso, senhor deputado Ricardo Rodrigues?! Não será mesmo assim, senhor deputado Fernando Rosas?
Ou será que o inquérito ainda acaba em cima dos blogs, seguindo a sugestão em tempos lançada, como quem não quer a coisa, pela senhora deputada Catarina?
Isto da democracia e da liberdade de expressão, é uma chatice, às vezes...

Publicado por josé 10:47:00 4 comentários Links para este post  



Portugal, circa 2007

Ontem, no centro de Lisboa, um carro 'afundou-se', depois de a rua por onde circulava ter açapado cerca de 1 metro. Hoje, o Alfa Pendular, que faz a ligação Porto-Lisboa, pela linha do Norte, a tal onde nos últimos anos foram enterrados milhões e milhões, 'atropelou' (!) um camião de areia. São estas 'coisinhas' que verdadeiramente definem um país.

Publicado por Manuel 19:45:00 1 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Obama mais perto de Hillary

Carisma e consistência: Barack Obama é o candidato do momento e há cada vez mais norte-americanos que acreditam que a mudança em Washington pode mesmo passar pelo único senador negro do Capitólio



Barack Obama está cada vez mais próximo de Hillary Clinton. A corrida democrata nunca esteve tão quente e a ideia de que a senadora por Nova Iorque seria imbatível já caiu por terra.

Obama, que é o único senador negro do Capitólio, e também o mais novo (tem 45 anos), está a capitalizar a sua oposição à guerra no Iraque (ao contrário de Hillary, que votou a favor, embora tenha criticado muito o Presidente nos últimos dois anos).

O factor Obama não pára de crescer: a diferença já foi de 25 pontos e, agora, parece ser menor do que dez por cento. John Edwards não consegue descolar dos 10/14 pontos e só falta saber se Al Gore vai mesmo avançar para que tudo fique claro no campo democrata.

Com ou sem o vencedor dos Óscares, a corrida democrata está focada, pelo menos para os próximos meses, no duelo Hillary/Obama.

E com novos dados muito interessantes para se perceber qual dos dois terá mais hipóteses de bater o nomeado republicano. Para os mais reticentes à viabilidade de Barack Obama ser aceite pelo grosso do eleitorado norte-americano, é curioso verificar que à pergunta sobre qual seria o pressuposto que faria NUNCA votar determinado candidato, as respostas são estas:

— ser mulher (Hillary Clinton) 46%
— ser negro (Barack Obama) 33%
— ser mórmon (Mitt Romney) 67%
— ser casado pela terceira vez (Rudy Giuliani) 68%
-- ter mais de 70 anos (John McCain) 48%

O facto de ser negro implica a Obama a rejeição de apenas um terço do eleitorado, sendo que, a Hillary, o facto de ser mulher lhe retira, à partida, quase metade da fatia dos eleitores.

Aqui ficam os últimos números da corrida democrata:

— Hillary Clinton 34
— Barack Obama 26
— Al Gore 13
-- John Edwards 10
(TIME)

(Sem Al Gore)
-- Hillary 42
-- Obama 31
-- Edwards 17


No próximo texto, a Grande Loja fará o ponto da situação na corrida republicana, em que Rudy Giuliani se mantém com um grande avanço sobre John McCain.

Publicado por André 17:50:00 0 comentários Links para este post  



(in)consequências...

Na hora da despedida o Eng. Belmiro proferiu, a propósito da OPA à PT, umas declarações nada ambiguas, que a TSF se fartou de passar, relativas à hipotética origem dos fundos de alguns accionistas de 'referência' do núcleo duro. Sendo certo que o Eng. não falará de cor, aguarda-se com expectativa a reação da PGR...

Publicado por Manuel 11:42:00 0 comentários Links para este post  



As imagens que faltavam de um cristão Conselho Nacional

Publicado por Carlos 21:41:00 2 comentários Links para este post  



A Ota...de novo

Depois de muito reclamar, o governo lá colocou na página da NAER , os estudos que sustentam a sua decisão. Nada de extraordinário, e o Ministro ainda na sexta-feira passada disse, que os estudos estavam todos publicados.
Há só uma pequena coincidência.
  1. Se repararmos os estudos intitulados " Relatório para a preparação da escolha do local (Parte 1)" e Relatório para a preparação da escolha do local (Parte 2)" foram elaborados pela conceituada empresa Aéroports de Paris (ADP). Se repararmos o estudo " Aeroporto de Lisboa - Feasibility studies" foi elaborado pela empresa inglesa BAA.
  2. Se lermos os estudos, percebemos que a escolha do local foi elaborada e sustentada com estudos da ADP e da BAA.
  3. A empresa inglesa BAA foi adquirida pela empresa Espanhola Ferrovial.
  4. Em 29 de Janeiro de 2007, são divulgadas as empresas interessadas na Ota, e quem vai á frente, é a Ferrovial e a AdP.

Curioso não é.

Publicado por António Duarte 15:09:00 2 comentários Links para este post  



'A Luta Continua'

Com realização de Ettore Scola1 a Grande Loja orgulha-se de apresentar, em rigoroso exclusivo mundial, o cartaz da sua próxima obra-prima, já em fase avançada de produção...




1 realizador de 'Feios, Porcos e Maus' (1973), um retrato atroz sobre a natureza humana.

Publicado por Manuel 10:15:00 1 comentários Links para este post  



Doutores e engenheiros - apenas uma curiosidade. Para mim tanto me faz



Antes (via Google Cache) e depois...

Para saber mais

aqui

"Recordando ser também engenheiro civil, José Sócrates contou que, enquanto estudante, Edgar Cardoso foi para si e para os colegas "uma grande referência"

"Depois da experiência universitária em Coimbra regressei à Covilhã como engenheiro e trabalhei entre 1982 e 1987 na Câmara Municipal"

Publicado por Carlos 22:33:00 4 comentários Links para este post  



Ser ou não ser


A propósito das lutas estudantis, a revista de Domingo do Correio da Manhã, publica um artigo ilustrado com fotos antigas, algumas com mais de quarenta anos, à procura das motivações de estudantes.
As motivações de estudantes, não têm segredo: o idealismo juvenil combinado com a delinquência libertária, suscitam em muitas latitudes, o despertar da consciência política.
Nos anos sessenta, Salazar ainda censurava, perseguia e reprimia as ideias de esquerda revolucionária e os costumes a condizer.
O Governo salazarista tinha medo dos estudantes politizados à esquerda, geralmente filhos ou conhecidos de clandestinos do PCP ou da esquerda associada ao movimento de oposição . Anos antes, incorporaram as eleições que por pouco colocaram Humberto Delgado no poder da presidência da República. Salazar tinha medo que os estudantes, pelo exemplo, lograssem convencer a população a retomar o estandarte da democracia dos subversivos, onde se misturavam os comunistas, a extrema esquerda e os anarquistas libertários. A lei e a ordem de Salazar, no início dos sessenta, não tolerava alternativa a não ser a continuidade, sem evolução. E a evolução na continuidade só apareceu timidamente, em 1969, com Marcelo Caetano que em 1962 era reitor da Universidade, onde tudo começou.
Os protagonistas de 62 e 69, estão hoje em lugares de destaque, o que pode parecer estranho. Mas…será mesmo assim?
A característica comum a todos eles é apenas uma: o apego ao esquerdismo idealista que os levou a dar crédito total a ideologias que combatessem o capitalismo e prometessem protecção aos “desfavorecidos”. Muitos evoluiram para a democracia socializante, mas continuam na mesma.
Um dos protagonistas mais notórios das lutas estudantis dos sessenta, é um idealista convicto: Saldanha Sanches, mesmo depois de 1974, acreditava que a salvação para Portugal viria da China. Curiosamente, muitos dos que actualmente governam, passaram por lá, pela China de Macau, depois de terem experimentado as correrias e as prisões do início dos anos setenta, por defenderem a China de Mao.
Outro protagonista de relevo mediático, é Celso Cruzeiro. Ainda hoje não tem papas na língua para explicar o que pretendiam os estudantes: “ Tratava-se de mudar a Universidade, para mudar a sociedade portuguesa, para mudar o Mundo”. Voilà, em poucas palavras, um programa político incipiente.
E continua insatisfeito: “Vivemos numa sociedade com profundas desigualdades. Defendo a possibilidade de uma visão alternativa do mundo”. Como? Não diz. Adivinha-se que através da entrada em cena das várias políticas fracturantes, já anunciadas…

Outro actor da luta contínua, Luís Marques, actualmente administra a RTP, talvez o órgão de media mais imbecilizador que pode haver. É a vida…
José Lamego, Maria José Morgado e Durão Barrroso, são ainda citados, como lutadores da utopia. Onde se encontram, actualmente, na luta de sempre?
Fernando Rosas, outro nome que passa o tempo na Assembleia, a requerer comissões de Inquérito. Fê-lo contra Lamego por causa da Eurominas e fê-lo outra vez contra Souto Moura, (um apagado das lutas estudantis e por isso inimigo de classe), mas por motivos inconfessáveis, a propósito de um caso de escândalo sexual, com homosexualidade e pedofilia à mistura. Uma vergonha das maiores que não entendem e explicam em motivos cabalísticos.
Jorge Sampaio e Alberto Martins, de gerações diferentes, são iguais nos papéis de liderar crises, um em 62; outro em 69. Agora, defendem as mesmas cores, na crise democrática, definida por Saldanha Sanches, um confesso recalcitrante que “não está nada arrependido naquilo que fez”: “Portugal está demasiado mal. Vivemos num ambiente de desconfiança que não pode continuar”.
É pena que deixe por explicar a génese do ambiente malsão. Mesmo na sua opinião, seria de interesse casual.
Uma das causas, porém, pode bem residir naqueles que fizeram a geração de estudantes que contestavam o salazarismo. E porquê? Porque ocuparam os poderes, quase todos, durante tempo suficiente, para perfilar um discurso de correcção política. Ocuparam poderes e distribuiram-no pelos amigos ideológicos de antanho, reconvertidos à vida prosaica das carreiras e profissões para filhos e sobrinhos.
Os erros ideológicos, esses, sem correcção, acabaram por tornar cara a democracia que temos e os fazedores de milagres, revelaram-se afinal uns charlatães que dominam as discursatas, conquistam lugares nos aparelhos de escalar redutos, cimentam amizades nepóticas e inquinam a vivência democrática.
Em tempos, chamou-se aqui, a geração perdida. Mais que perdida, é uma geração esbanjada. Tragicamente equivocada e objectivamente responsável pelo atraso endémico que nos consome. Podia ter sido a geração modelo e modelou apenas uma herança de fracassos. Económicos, sociais e geracionais.
Assegurou apenas uma coisa: o amiguismo na política que se revelou tão fatal como uma tragédia de Shakespeare. A casa Pia, a que alguns dos seus próceres, desgraçada e desnecessariamente se ligaram num dia triste para a democracia, nas escadarias do Parlamento, foi o seu Waterloo. Ainda falta chegar a Santa Helena.

Publicado por josé 19:53:00 2 comentários Links para este post  



Politics 2.0



It may be the most stunning and creative attack ad yet for a 2008 presidential candidate -- one experts say could represent a watershed moment in 21st century media and political advertising.

Yet the groundbreaking 74-second pitch for Democratic Illinois Sen. Barack Obama, which remixes the classic "1984" ad that introduced Apple computers to the world, is not on cable or network TV, but on the Internet.

(continua aqui) San Francisco Chronicle




A revolução também há-de chegar cá...

Publicado por Manuel 18:47:00 0 comentários Links para este post  



sinais do tempo

Ao 'patrono' desta Loja, Cícero, de quem uma das máximas desde sempre tem estado, aqui à direita, depois de morto, cortaram a língua. Entre os muitos ensinamentos que Cícero nos deixou figura um que a gentinha, de um lado e de outro, que agora se degladia no PP ignora estoicamente - o de que 'somos todos escravos das Leis de modo a ser livres'. Nunca leram Cícero, não sabem quem é Cícero, nem querem saber. 'Pragmáticos', não o consideram importante. No pequeno mundo de intriga, pequena vaidade e vingança, qualquer escrito de Cícero está para eles a mais. Numa democracia 'normal' também eles estariam a mais, mas nestes dias normal, absolutamente normal, é um Conselho Nacional do CDS/PP mais parecer uma AG do Benfica, nos tempos aureos do Dr. Vale e Azevedo...

Publicado por Manuel 9:45:00 1 comentários Links para este post  



"Who Was Milton Friedman?




In the long run, great men are remembered for their strengths, not their weaknesses, and Milton Friedman was a very great man indeed—a man of intellectual courage who was one of the most important economic thinkers of all time, and possibly the most brilliant communicator of economic ideas to the general public that ever lived. But there's a good case for arguing that Friedmanism, in the end, went too far, both as a doctrine and in its practical applications. When Friedman was beginning his career as a public intellectual, the times were ripe for a counterreformation against Keynesianism and all that went with it. But what the world needs now, I'd argue, is a counter-counterreformation.


Publicado por contra-baixo 22:52:00 0 comentários Links para este post  

Publicado por Manuel 15:57:00 0 comentários Links para este post  



avisos à navegação

(...) "When you have a financial crisis, it reverberates in other financial markets, especially in those with speculative excess," he said.

"Right now, there is huge speculative excess in emerging markets around the world. There will be a lot of money coming out of emerging markets.

"I've sold out of emerging markets except for China," said Rogers, long a prominent China bull.

Even in China, the world's fastest expanding economy, Rogers said stocks were overvalued and could go down 30-40 percent.

But he added: "China is one of the few countries in the world where I'm willing to sit out a 30-40 percent decline."

The last stock market bubble to burst was the dot-com craze which sparked a crash from March 2000 to October 2002.

When the last bubble burst in Japan, said Rogers, stock prices went down 85 percent despite the country's high savings rate and huge balance of payment surplus.

"This is the end of the liquidity party," said Rogers. "Some emerging markets will go down 80 percent, some will go down 50 percent. Some will most probably collapse."

Reuters

Publicado por Manuel 16:36:00 0 comentários Links para este post  



A cabalinha coxa

Convém lembrar aos esquecidos que muitas medidas excessivas e violadoras dos direitos individuais quanto às escutas telefónicas, que vieram a revelar-se perversas no processo Casa Pia, foram de autoria de António Costa num governo de Guterres e tinham também as melhores das intenções”.

Esta afirmação de José Pacheco Pereira na revista Sábado de hoje, ( que não resisto a comprar, embora verificando o logro editorial, em todos os números), não pode passar em claro e como verdade mediaticamente oficializada, porque já é repetida e corre o risco de passar a ser a norma de referência das citações do cidadão comum desprevenido.
Digamos, em poucas palavras: esta afirmação é rotundamente falsa, apesar da eventual boa-fé do autor que a tem proferido e de outros que a replicam( salvo erro, Helena Matos já entrou na onda, num artigo do Público sobre securitarismo e concentração de poderes).
E é também perigosa, não só para a reputação do ministro que tem futuro neste PS, como também para a verdade esclarecida que todos devem conhecer.
Afirmação falsa, porquê?
Em primeiro lugar, as escutas telefónicas, são apenas um dos meios de obtenção de prova em processo penal, estabelecidos desde sempre nas legislações de processo penal de todos os países. Em Inglaterra, por exemplo, é a polícia quem as determina e as faz. Na Itália, não o sendo do mesmo modo, têm uma amplitude e importância maiores do que por cá e basta atender ao escândalo do calcio para o perceber muito bem.
Em Portugal, a lei que actualmente as disciplina, é o Código de Processo Penal que vigora desde 1.1.1988. Há quase vinte anos e sem grandes alterações, nesse campo, embora com mais de uma dúzia, noutros!

Como meio particularmente invasivo da privacidade, a lei processual rodeou a sua admissibilidade de especiais cuidados: só podem ser efectuadas em certos crimes, quando sejam idóneas a descobrir a verdade de certos factos e sempre autorizadas por um juiz.
Tais exigências, particularmente as decorrentes da importância para a descoberta da verdade, foram ao longo dos anos, afirmadas repetidas vezes, na jurisprudência, pelo que só quem anda arredado destas andanças, pode repetir o que JPP escreveu.
O que se passou com as escutas no processo Casa Pia, (que JPP e outros entendem como o exemplo máximo da “perversidade e violação dos direitos individuais”) e que começou no início de 2003, não contende com nenhuma lei que tenha sido apadrinhada por António Costa, enquanto ministro de Guterres.
As tais “perversidades” apontadas genericamente, contendem apenas com aspectos de pormenor na execução das escutas e antes do processo Casa Pia, nunca tinha sido levantad0 como problema, maxime constitucional, por nenhum governo, nem sequer por aqueles fiscalizados por Pacheco Pereira, enquanto foi deputado na AR, no início dos anos noventa.

O Código de Processo Penal de 1988, foi aprovado por uma A.R. dominada por deputados do partido então maioritário: o PSD, onde estava então JPP a deputar e a combater sempre a oposição e as forças de bloqueio, na companhia de Duarte Lima e Silva Marques ( desaparecido do combate).
O quadro geral do artigo 187º do Código de Processo Penal, centro nevrálgico desta matéria, e que estabelece a “admissibilidade” de uma qualquer escuta telefónica, manteve-se inalterado nas sucessivas revistas avulsas do CPP, incluindo a operação major de 1998, essa sim, da autoria de um governo Guterres. A letra da lei de 1988, nesse artigo, porém, é idêntica à de 1998 e vigorou até agora.
O que mudou em 1998 , foram apenas alguns procedimentos práticos quanto às escutas, como por exemplo, a necessidade de indicação precisa, por quem grava as conversas, das passagens com interesse relevante para a prova, melhor explicitado com a lei 320-c/2000 de 25.12 que reviu pontualmente algumas normas. Daí que a expressão das pressões de dirigentes partidários sobre os titulares de instituições, reveladas nas escutas, fosse considerada válida, perante o horror dos visados, e seus advogados empenhados, apanhados com as calças na mão da hipocrisia do tal processo.
Ficou ainda esclarecido em 1998 que as polícias que escutam, podem actuar imediata e cautelarmente se tal for necessário. Nem deveria ficar na lei, dada a evidente dose de bom senso que tal comporta, mas a verdade é que precisou, por causa de objecções bloqueiras.
Ficou ainda definido que o que não interessasse nas escutas, para a investigação ( para a prova, melhor dizendo e que levanta celeuma interpretativa), deveria ser apagado- mas pelo juiz, tenha-se em atenção.
Isto existe desde 1998, em vigor desde 1.1.1999, com o diploma ( D.L. 59/98 de 25 de Agosto) que reviu o CPP. Mas foi estudado antes, como é natural, por Germano Marques da Silva, autor da revisão de 1998.
Em 1995, Guterres ganhou o governo e colocou António Costa como ministro dos Assuntos Parlamentares ( Sócrates era então adjunto do PM) e que aí ficou uns bons anos, até depois da entrada em vigor daquela revisão do CPP.
Em que é que António Costa é responsável pelas tais “perversões”?
Quanto a mim, sê-lo-á tanto, ou menos ainda, que JPP, que na altura da aprovação da estrutura da nossa lei processual penal que consagrou o figurino apontado, em 1987, a aprovou certamente com maioria absoluta, de eficácia parlamentar social-democrata.
No entanto, para se entender esta “cabala” contra o actual MAI do PS, talvez seja interessante perceber de onde virá o substrato, entrando na análise das perversidades.

As “perversidades” agora gemidas, são por isso, simples de entender: a legislação processual penal, tal como configurada pelo legislador de então ( até constitucionalmente, pois o código passou os primeiros embates no TC), permitiu apanhar escutas de dirigentes partidários, conversas de altos responsáveis de partidos, desabafos escandalosos e tentativas de pressão de pessoas politicamente responsáveis, sobre titulares de instituições ( sobre o então PGR e até o PR, por exemplo que permitem a muitos, dizer que se fosse outro o PGR, o processo da Casa Pia não existiria), e deram a conhecer ao povo aquilo que para JPP e outros representa a suprema perversidade: a demonstração de que muitos que nos governam não merecem efectivamente o lugar que ocupam. E não me refiro à brejeirice da linguagem...

Outra perversidade assinalada com dor, algumas vezes alheia, foi a possibilidade de as escutas a altas individualidades do Estado, intocáveis do regime e outros impermeáveis a investigações, estimularem sicofantas avulsos, ao exercício do poder de denúncia anónima.

O que é que isto tem a ver com a responsabilidade imputada a António Costa?
Este, foi ministro da Justiça desde 25 de Outubro de 1999 e em 2002 ainda lá estava, quando Durão Barroso irrompeu, após a fuga de Guterres, para a frente dos refugiados.

Em 2000, enquanto era ministro, saiu o D.L. 320-C/2000, de 15 .12, que deu expressão à necessidades de melhorar o processo penal existente, sem lhe tocar na essência vinda de 1987. O regime de escutas não foi mexido, a não ser para explicar que o juiz deveria indicar o que era relevante para a prova, o que denota o contrário do que se lhe poderia imputar em matéria de vigilância democrática.

Durante o consulado de António Costa, aconteceu o 11 de Setembro de 2001, na América e são conhecidas as repercussões securitárias que tal fenómeno, provocou no mundo ocidental.
Foi produzida alguma legislação relevante, para o efeito, e potenciador de maior laxismo no controlo das escutas, até 2002, altura em que entrou Durão Barroso?
Não foi. O processo Casa Pia começou em 2003 e a legislação aplicável sobre escutas telefónicas e que as permitiu e autorizou, é a prevista no Código de Processo Penal, tal como apresentado.
Nada tem a ver com a autoria de António Costa, a não ser que se entenda que a lei de 2000, deveria ter ido mais longe na revisão ou que em 1998, se poderia ter alterado tal regime. Mas argumentar isso, equivale a dizer que o erro vem do passado de 1987 ou que a culpa é de…Vera Jardim ou dos ministros do PSD.

Então, para que é que JPP continua a bater na tecla perra da má informação sobre estes assuntos? Páre lá com isso... ou explique melhor.

O que agora se vislumbra como alteração ao CPP, aliás, poderia fazê-lo pensar se é legítimo um governo propor legislação ( através de Unidade de Missão) que em certa medida, vai a reboque dos problemas concretos gerados pelo processo Casa Pia, correndo o risco desta revisão do CPP ficar conhecida como revisão do processo Casa Pia. Não será assim? Então vejamos no que concerne às escutas telefónicas:

Com a revisão do CPP, pela Unidade de Missão de Rui Pereira, restringe-se o número e qualidade de pessoas que podem ser válida e directamente escutadas e consagra-se a excepcionalidade deste meio de prova. Para quê? Para evitar que se apanhem em escutas, conversas tipo aquela, daquele que falava despreocupadamente com um assessor do PR, propondo uma “chupeta” para o PGR ir à vidinha, lá para fora e deixar os “boys” em sossego.
No entanto, a regra que há e que continua a haver é que qualquer pessoa pode ser escutada, dentro das exigências apertadas da lei que se aproxima: ser diligência indispensável ou estritamente necessária, com justificação ponderosa. Ainda assim, sobra uma dificuldade que a lei não resolve porque nunca resolveu: se uma pessoa legalmente escutada, fala com outras que não cabem no âmbito da autorização, como é que vai ser? Apaga-se tudo? Se um qualquer Paulo, escutado, falar com um outro Eduardo, que não o é, apaga-se?!
E quanto ao apagar dos registos? Apaga-se tudo o que não interessa, ou só o que resultar de escutas de pessoas que não o deviam ser?
Se um bastonário dos advogados, for caçado a falar para um dirigente partidário, no sentido de prometer os bons ofícios, para desmontar cabalinhas, apaga-se, ou mostra-se para se ficar a saber a pouca vergonha e a desfaçatez?
Nenhuma destas questões está resolvida pacificamente, no actual projecto de revisão ou reforma do CPP.
Daqui a uns tempos, quando a coisa correr para o torto novamente, vamos ler JPP a acusar o actual ministro Costa, de malfeitorias cabalísticas?
Será que o ministro bloguista, também vai rebater o artigo de JPP, à semelhança do que já fez com outros dois? Não seria de admirar e até seria bem aconselhável. Ficaríamos a saber o que talvez não saibamos.

Texto já revisto.

Publicado por josé 20:00:00 6 comentários Links para este post  



jogos de espelhos

Publicado por Manuel 18:37:00 1 comentários Links para este post  



Universidades à moda de Fafe

A ler, o artigo de Rui Ramos no Público, sobre a “corrupção”, em sentido lato, de moral educativa.
O resumo descrito, sobre o que realmente acontece em Portugal, neste campo minado, deveria fazer corar da maior vergonha os teórico-práticos do direito penal e processual penal; os legisladores que lhes compram as ideias e os aplicadores lenientes, salta-pocinhas e virtuosos da interpretação a favor de corruptos.
Rui Ramos circunscreve o fenómeno do combate repressivo à corrupção em Portugal, como um “negócio fácil das insinuações, denúncias, queixas-crime, sindicâncias e auditorias. (…) A ineficiência das polícias e dos tribunais garante que há sempre investigações, mesmo sem provas ( como no caso Freeport em 2005), mas que raramente há conclusões ( dos 1521 inquéritos entre 2002 e 2005, só 407 foram concluídos). A “corrupção” em Portugal é sobretudo um espectáculo para os jornais e televisões, em que ninguém é inocente mas também ninguém é culpado”.
Por outro lado, o artigo de Vital Moreira no Público de ontem, transcrito em parte, no blog de apoio às causas, pode explicar uma das manifestações deste fenómeno, através da análise cortante e sem contemplações, sobre o ensino nas “universidades dependentes”.
Torna-se óbvio que as opiniões de Vital Moreira nesta matéria, o de(s)nunciam, como académico reputado numa área em que é autoridade: a autoridade constitucional do Estado. Ao mesmo tempo, Vital, a escrever assim, colecciona rancores contidos e com futuro efeito seguro, de todos aqueles que são objectivamente visados nas prosas verrinosas contra o ensino de pacotilha e as universidades à brasileira, montra da nossa desgraça actual.
Escreve Vital que “com excepção da Universidade Católica, o ensino superior particular desenvolveu-se em Portugal desde os anos oitenta do século passado de forma desregulada e sem controlo público, aproveitando o súbito alargamento da procura e a incapacidade do sistema público para lhe corresponder. Quando a lei veio proceder ao enquadramento desse subsector, já se tinham criado e consolidado situações que limitaram os requisitos e as exigências legais dessas instituições, quer em termos de predicados institucionais e financeiros das entidades instituidoras, quer em termos de organização e de autonomia dos estabelecimentos em relação àquelas. Como se não bastasse esse défice de regulamentação normativa, sucedeu-se uma generalizada falta de supervisão, que permitiu a criação de numerosas situações à margem da lei e de incumprimento impune dos requisitos estabelecidos.”

Este pequeno excerto do artigo de Vital, é suficientemente eloquente, dada a qualidade de quem o escreve, um académico respeitado e docente de sempre, na prestigiada Universidade de Coimbra ( apesar das pós-graduações, para brasileiros e outros interesseiros, induzidas sob o manto diáfano de associações criadas ad hoc) para apresentar o panorama trágico do ensino superior privado.
Quantos docentes sem qualquer qualificação particular, arranjaram poiso rendoso, no seio destas cooperativas? Vital adianta: “Foi assim que proliferaram estabelecimentos e extensões por esse país fora sem as mínimas condições materiais e pedagógicas: que se multiplicaram formações de lápis e papel em detrimento de formações tecnológicas e científicas; que entraram em funcionamento cursos sem autorização prévia; que se ultrapassaram frequentemente os números de vagas autorizadas; que se criaram formações pós-graduadas- incluindo mestrados e doutoramentos- sem as condições exigíveis em qualquer país europeu”.

Quem lê esta catilinária vitalícia, nem suspeita de quem esteve nos governos dos anos oitenta em diante. E contudo, diz Vital, “ tudo isto era evidente desde cedo e tudo ficou comprovado num inquérito e num relatório produzido por uma comissão de especialistas no final dos anos 90, que mostrou de forma concludente as deficiências de instalações, a obnubilação da distinção entre escolas politécnicas e universitárias, as ilegalidades em matéria de cursos não autorizados e de excesso de vagas, a falta de bibliotecas e de laboratórios, o incumprimento das exigências legais no que respeita ao número de professores doutorados e de docentes em dedicação exclusiva, a passividade e o laxismo da tutela governamental”.
Está dito! Quem governou, entre os anos 80 e os 90 do século passado, cum raio?!
Quem responde a este requisitório?
Marques Mendes? Não. Não se espere dali qualquer resposta. Marques Mendes, nessa altura andava ocupado, na sua terra natal de Fafe, em promover uma espécie de universidade por correspondência que formou uns tantos alunos esforçados, ao fim de semana, habilitando-os à efectividade do ensino secundário. Antes professores de trabalhos manuais, do ensino preparatório, entrados no ensino logo depois do 25 de Abril, aproveitando a abertura de vagas, generosas como nunca se viu e que se traduziu nas actuais desgraças no ensino secundário, ficaram aptos em poucos meses, para entrar no grosso caudal do ensino efectivo. A escola de Fafe, foi percursora destes ensinamentos e as cooperativas vieram logo a seguir. Com o resultado que está à vista.

Ora bem. Falávamos então, no artigo de Rui Ramos e na corrupção moral, não era? O historiador cita os antigos clássicos que faziam a correspondência entre a corrupção e a degradação da qualidade do governo, fosse qual fosse a sua origem.
Estamos bem conversados. Espero que Vital Moreira, perceba o resto da história e deixe de anunciar medidas, aprovadas por licenciados nestas universidades dependentes.
Não tenho qualquer esperança, devo acrescentar.

Publicado por josé 20:08:00 6 comentários Links para este post  



Estudos sobre o Estado Novo


O jornalista José Manuel Barroso, antigo director das agências portuguesas de notícias, Anop e Notícias de Portugal, de 1977 e 1987, e actualmente da Lusa, dirigiu ainda o Diário de Notícias, entre 1987 e 1992, e antes do 25 de Abril, foi um dos obreiros intelectuais do Movimento dos Capitães, ainda na Guiné, onde prestava serviço militar, com o general Spínola.
É talvez a este tipo de jornalistas que o artigo de Dan Rather citado pelo Manuel, se destina inteiramente. Ligado ao poder desde o advento da democracia, é um jornalista que está ligado ao poder político efectivo de modo inextricável e já sem remédio, para o ideal do jornalismo independente.
José Manuel Barroso, faz, assim, de pleno direito, parte da nossa inteligentsia e nomenklatura dos poderes difusos do establishment, paralelos aos constitucionalmente consagrados.
Hoje, no DN, articula uma ideia simples, sobre o fenómeno sempre renovado do fascismo salazarista, fascínio antigo dos antifascistas e que dele dependem para a identificação.
Descobre agora, com acuidade visual centrada na tv, que é preciso conhecer melhor Salazar e Cunhal, sem complexos de esquerda ou à direita.
E para sustentar o crescimento de tal ideia, arrebimba o malho no lombo antifascista, culpando-o de obliterar imagens conhecidas, guardadas em álbuns, a fim de veicularem a mensagem convenientemente desejada. Com o balanço, faz o paralelo assimétrico, equidistanciando-se, com o salazarismo da repressão e censura prévia.
Na visão estereotipada do articulista, o antifascista desgraçaria sempre o retrato presencial de Salazar, da mesma forma que o fascista salazarento, safaria rapidamente o Cunhal, do imaginário popular do Alentejo.
Defende por isso, e para garantir a fidelidade das imagens ao dono da máquina de retratos, os museus vivos da História, com figuras realistas, mas retocadas.
O museu Salazar seria o “retrato vivo da época, sem propaganda e sem ocultação”. Já o de Cunhal, seria antes, e “para além da sua evocação favorável”, um repositório de artefactos que “nos desse a conhecer a personagem e a sua época”, como “uma fonte de ensinamentos sobre a História de uma força importantíssima na luta contra a ditadura do Estado Novo”.
E o cronista assegura, com objectividade e rigor, que “conhecer Mao não torna alguém maoista, assim como conhecer Mussolini, não torna ninguém, fascista”.
No topo do bolo deste argumento, a cerejinha da vermelhinha que ludibria: os jovens que lutam no Nepal, em nome das ideias do antigo ditador chinês, se tivessem um museu à vista, onde pudessem conhecer as desigualdades sociais e a ferocidade do regime chinês, talvez não vivessem no obscurantismo, como vivem.
Para emoldurar esta ideia simples, o jornalista, manifesta ainda a sua perplexidade que é comum a outros: o silêncio dos historiadores perante o “debate”.

Realmente, parece ser essa, a sede do problema: a ausência de estudos de História que nos permita citar com proveito e exemplo e ensinar o que se passou, aos mais novos. Temos agora, em demasia, Adolfos Simões Muller, no campo da esquerda e faltam Antónios Josés Saraivas, Antónios Sérgios e até Eduardos Lourenço.
Quem são os historiadores da nossa História recente que ensaiaram estudos precisos, isentos, rigorosos e já divulgados? Rui Tavares? Rui Ramos? Apenas dois ruis e ainda com provas a prestar no capítulo da isenção. O caso particular de Eduardo Lourenço está arrumado num livro esgotado.
Assim, para além dos verbetes de enciclopédia, nos círculos do verbo, não se detecta alma viva a escrever sobre mortos e feridos recentes.
A história do salazarismo fica assim por conta de “ensaístas”, vindos do jornalismo nas notícias e agências de comunicação. São esses curiosos, diletantes dos métodos de investigação histórica e voluntaristas da consulta livresca, quem nos tem valido.
A ausência de nomes, origina o aparecimento de pronomes, em livros de estudo escolar que definem o salazarismo como o fascismo e o 25 de Abril, como uma revolução que libertou Portugal da longa noite fascista. “E assim se faz Portugal. Uns vão bem; outros mal”.
Para equilibrar pronomes e adjectivos, podemos sempre ler Fernando Dacosta e Joaquim Vieira, este na parte dos retratos. Os livros do primeiro, particularmente, Nascido no Estado Novo, de finais de 2001 da editorial Notícias, ( e também o mais recente, As máscaras de Salazar) sendo excepcionalmente bem escritos e documentados, e de equilíbrio e isenção bastantes, não sustentam teses de mestrado ou doutoramento e por isso não encantam academias.
Breve, são livro de “jornalistas”, mesmo que outros jornalistas estrangeiros os acolham como repositórios da nossa História contemporânea, em detrimento dos doutorados que agora criticam os concursos de tv.
Podemos ler João Medina, no seu livrinho sobre os Portuguesismos. E temos um volume editado pela Assembleia da República, sobre os livros proibidos que afinal não o foram sempre.
Temos ainda o acesso a blogs como o Futuro Presente e o Kontratempos, de assinalável qualidade expositiva e erudita, sobre o assunto em causa.
O problema com esses exercícios de voluntarista esparso, ressalta aparente, da leitura da crónica de José Manuel Barroso: perante a sua sugestão de museu vivo, a objectividade histórica, ficaria dependente dos museus que evoquem “favoravelmente” as figuras de cera. Como exemplo acabado, temos já os mausoléus que conservam quase intactas as figuras históricas para serem visitadas em romaria.
Noutros casos de escrita sobre os nossos anos 40 a 70 , regressaremos ao passado, com visões distorcidas do psicadelismo revolucionário que ainda hoje pretendem à viva força garantir os amanhãs a cantar, ou teremos pequenos ensaios politicamente correctos, como o do citado jornalista, alinhados pelo centrão ideológico. É óbvio que falta por aqui alguma coisa para equilibrar e corrigir a visão que nos apresentam como a mais certa.
A História, nisto tudo, acaba refém de ideologias e a tributar visões alheias e peregrinas. E ninguém se lembra que a “História é um carro alegre, cheia de um povo contente que atropela, indiferente, todo aquele que a negue.” no dizer de um cantor sul-americano.

Publicado por josé 23:22:00 5 comentários Links para este post  



Dan Rather: Journalism has 'lost its guts'

À atenção da classe jornalística indígena.

N.A. este post é dedicado a um tal Ricardo Batista, outrora um 'cidadão profissional', também muito 'atento', que perora, como perorava, nas nossas caixas de comentários...

Publicado por Manuel 13:37:00 1 comentários Links para este post  



a remar por uma outra maré...

o "sr." Bin Laden já está a ganhar
Segunda-feira, Julho 11, 2005

Passou na TSF, no Fórum, esta manhã. Um proclamado especialista na Sociedade da Informação, docente da Nova de Lisboa, não se coibe de afirmar que "entre privacidade e segurança, escolhe a segurança". Outro papagaio já defende, como método de combate ao terrorismo, um sistema agilizado de denúncias à boa maneira da STASI da defunta RDA. Assim vai a Europa, assim vai Portugal.

O problema é que a tecnologia, as máquinas, nunca irão fazer um serviço que é essencialmente humano. Nenhuma overdose de tecnologia derrotará o terrorismo, nenhuma. Nesta sociedade mais ou menos digital em que vivemos é trivial, ou quase, alguém manter-se invísivel e não é por acaso que os Estados Unidos, detentores da mais avançada tecnologia na área, e conhecidos por nem sempre se preocuparem por aí além com a burocracia, ainda não conseguiram caçar o "sr." Bin Laden.

A luta contra o terrorismo não é uma luta asséptica, cinzenta, é uma luta de pessoas contra pessoas, de um conceito de civilização contra outro, totalitário e de terror. Não é preciso ser-se gurú da NSA ou da Mossad para se saber que o que conta, muito mais que um qualquer Big Brother à escala global, é ter gente no terreno, na lama, infiltrada mas, mesmo assim, o dislate continua.

Democracia é sinónimo de liberdade, e liberdade é sinónimo de privacidade, não faz sentido sequer pensar em segurança se não se tiver democracia, liberdade, e privacidade. E não fazendo qualquer sentido o "sr." Bin Laden já está a ganhar, porque quase que está a conseguir obrigar-nos a moldar o nosso mundo à imagem do dele - fechado e totalitário. Ora, eu, entre a liberdade e a segurança escolho obviamente a liberdade. E se isso implicar mais uns atentados bombistas, e não implica, que venham os atentados, são afinal um preço muito baixo a pagar.



A prosa acima foi escrita aqui há pouco menos de dois anos e mantém-se plenamente actual (esta também...) A um observador desatento pode até parecer que está absolutamente na linha da improvavel coligação, como lhe chama Paulo Gorjão em defesa dos 'direitos, liberdades e garantias', por causa do SISI. Não está, e a onda que alguns querem formar é triste e lamentável, porque mais não está do que a impedir um debate sério e global, e minimamente productivo, sobre uma matéria estruturante. Alguns, como Vasco Pulido Valente, escrevem dramaticamente sobre a matéria como se se estivesse em Inglaterra e as medidas deste Governo fossem algumas das pretendidas pelo Governo do Dr. Blair, outros berram porque sim. Todos tresleêm um ponto essencial, que me parece uma evolução sóbria e positiva - acabam-se os poderes e as hierarquias difusas e passa tudo a depender (sem intermediários) do Primeiro-Ministro. Dir-se-á que depender 'só' do PM é mau, e é verdade. Mas também é verdade que deixam de existir desculpas para 'falhas de comunicação', para alegações de 'plausible denial', descoordenações, 'coincidências', etc e tal. Por outro lado, parecendo óbvio que alguma coisa é preciso fazer, bastaria que as Oposições, nomeadamente o PSD, não pondo em causa a pertinência da reestruturação dessem garantias públicas, que uma vez governo, garantiriam a despartidarização/despolitização do orgãos entretanto criados, tornando-os de facto escrutináveis e sindicáveis, até para abir espaço para uma putativa intervenção de Belém. O pior que pode acontecer 'agora' com o SISI não é diferente do que já acontece, com quem 'pode' a dar ordens pelo telefone. A rematar há a componente tecnológica que tanto assusta alguns que veêm no cartão único a ponta de um tenebroso iceberg. Enfim, viva a info-nabice! - É que se é absolutamente verdade que a tecnologia (o data-mining) pode ter usos tenebrosos e absolutamente indevidos também não é menos verdade, que nesta área, e neste tempo, a única arma que existe, e que nós cidadãos temos, contra esses mesmos usos, indesejáveis, é essa mesma tecnlogia. E é isso que todos deve(ria)m(os) exigir - que ela seja usada, sim - porque é inevitável - mas de forma lícita, sindicável e transparente, mas as coisas são o que são... Entretanto, o Dr. António Costa, que até já tem um blogue, goza. Pudera, só lhe saem duques.

Publicado por Manuel 11:08:00 6 comentários Links para este post  



Abrantes, sem emenda

O Miguel Abrantes, pode ler-se sempre com a confiança de quem sabe de antemão o que vai encontrar. A câmara, é afinal, uma antecâmara das medidas que correm nos gabinetes das assessorias governamentais. Miguel Abrantes é, com toda a propriedade, um paquete de recados, num blog apostado em cumprir tarefas. O Governo manda, dispõe em lei, projecta em estudo obscuro e Abrantes, obediente e obrigado, recomenda e reproduz, levando a bandeja a servir as receitas e medidas, sempre solícito e obrigado, não tem de quê, senhor ministro e secretário de Estado, pode ser senhor director geral, ai que bom que somos tão democratas, esses fascistas de antanho que ainda não acordaram para o 25 de Abril, andam a precisar de uma lição senhor director, ministro, não é senhor deputado? Essa direita envergonhada anda outra vez com os corninhos de fora, senhor doutor,mas eu sei bem quem são e como desejam o regresso da velha senhora.
Ainda há meses o senhor doutor Brederode dizia que há desentendimentos entre entendidos, mas nós é que somos os tais entendidos que não nos desentendemos e que receberam o testemunho da democracia e por isso temos o privilégio exclusivo do direito ao verbo correcto, não é senhor professor vital, agora dos nossos?
Com que direito e topete, aparece por aí um Cluny, acolitado pelo sindicato dos beneficiários do subsídio de habitação, senhor ministro da justiça que tem sempre razão e quando não tem, eu direi sempre que tem?
Deixe estar senhor ministro secretário de estado da reforma da administração que a nossa maravilha de prace, ainda vai espantar os simplex dos críticos que não entendem o esforço deste nosso governo de mérito valeroso.
O doutor Vital esforça-se sempre para anunciar as maravilhas da governação quando as não pré-anuncia e tem aqui um valete e um valido sempre pronto para o que for preciso: recados, anúncios e bajulice a rodos e de graça.
Quem discorda da nossa ideia fixa e certa, leva com bonequinhos de cartoon, senhor ministro, secretário, director geral que eu sei bem como os arrelio. O Cluny, pimba, é certo que leva sempre que se mete com o nosso ministro secretário de Estado por causa da justiça que está em tão boas mãos. Às vezes com musiquinha a companhar, só para o arrufar. A Cândida, também leva sempre troco, e o resto da pandilha fica por minha conta, senhor secretário ministro director geral, muito obrigadinho que eu fico bem nestes meus cuidados e topo-os à légua. Há para aí também uns juizecos que se atrevem a questionar o nosso belíssimo discurso politicamente correcto, mas eu sei como lidar com esses reaccionários nostálgicos do antigamente. Ficam por minha conta, vai ver já a seguir que eu tenho tempo para isto e para muito mais que me farto de trabalhar neste ofício de inspeccionar contas, por conta do estado que é nosso e da causa que nos pertence.

Publicado por josé 22:33:00 4 comentários Links para este post  



Oratória constitucional

Na última revisão constitucional ficou exarado na CRP que Portugal é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência dos poderes.

A que poderes se refere o artigo 2º da CRP? Ao dos diferentes órgão de soberania, a saber, PR, AR, Governo e Tribunais?

Em nome do princípio da separação de poderes e da independência dos tribunais, o Poder Legislativo não pode substituir-se ao poder judiciário, a fim de exercer uma competência dispositiva que modifique o conteúdo de quaisquer decisões judiciais, seja qual for o fundamento alegado.

Fica agora a saber-se, através da nunciatura do causa nossa que o facto de o poder legislativo, num inquérito parlamentar, convocar um magistrado do MP que investigou um processo crime, de modo autónomo, exclusivo e sujeito a estritos princípios de legalidade, não afronta qualquer princípio de separação de poderes.
Segundo a oração de sapiência resumida do nosso núncio, tal convocatória afronta nada de nada o princípio da separação de poderes, pois o MP não é órgão de soberania e a Constituição só a estes se refere, para assegurar essa separação.

Isso, apesar de o Ministério Público se encontrar definido nas suas funções e estatuto, no capítulo IV, do título V, epigrafado como Tribunais, no que se refere à parte III epigrafada como Organização do Poder político. Tem nada a ver, segundo o vigário da causa a quem nunca me atreveria a ensinar pai-nossos.

Além disso, afigura-se-lhe da mais perfeita normalidade democrática e constitucional que um magistrado do MP, seja chamado a depor num inquérito parlamentar, destinado a averiguar procedimentos de investigação, relativos a um processo pendente de julgamento e portanto no âmbito do poder judicial.
Essa normalidade, assegurada constitucionalmente pelo constitucionalista a oficiar no causa nossa, é tanto maior quanto o é a circunstância de o referido magistrado, ainda se encontrar abrangido por um dever geral de reserva que o impedirá, estatutariamente, de se pronunciar quanto a aspectos do processo tão relevantes e de averiguação tão imprescindível e urgente como são os que se encontram em causa. Além disso, o facto de o processo estar ainda em sede de julgamento, conta nada para este constitucionalista.
Com Vital Moreira, estamos sempre a aprender. Pelo menos ficamos a saber que Vital deixou de considerar o MP como órgão integrante não só do do Poder Judicial, como até dos próprios tribunais.
Em 1993, ainda escrevia que “O Ministério Público é, depois dos juízes, a segunda das componentes pessoais dos tribunais. Mas a Constituição é omissa quanto ao seu lugar nos tribunais enquanto órgãos de soberania. (…)Nada diz explicitamente sobre o seu estatuto face ao Governo, embora um regime de subordinação seja certamente incompatível com a autonomização funcional e orgânica do MP” (CRP Anotada, 3ª edição, 1993)
A clareza desta exposição é de coerência constitucional estonteante.
Com esta pedalada, só poderemos gritar em uníssono: Vital Moreira a presidente do TC, já!

Publicado por josé 18:14:00 2 comentários Links para este post  



quem vier a seguir que apague a luz

Inapelavelmente, desde há decadas, que o bom povo português, dos mais humildes à esmagadora maioria das (pretensas) élites, prefere, em todos os domínios, a ficção à realidade. Adia-se à espera que tudo se resolva com o tempo. Não resolve. Como país - colectivo - merecemos a classe política que temos, e lá no fundo, no fundo, 'eles' conhecem bem quem os elege. E depois, se é possível pôr, sistematicamente, por conveniência, por cinismo, por calculismo, por cobardia, uma nação inteira, do Prof. Cavaco para baixo, a acreditar na carochinha, para quê, estragar o 'sonho', agora ? Quem vier a seguir que apague a luz.

Publicado por Manuel 17:54:00 1 comentários Links para este post  



bocas (ar)rasantes

Vai tudo Raso

Francisco Louçã vai à Herdade do Cabo Raso no momento em que se está a discutir, em Comissão Parlamentar, um projecto de Lei do Bloco de Esquerda que sobre as mais mais valias realizadas com a alteração administrativa das licenças dos terrenos. Em cheio! E onde vai ser a próxima deslocação? Ao gabinete de um famoso advogado, por sinal também advogado dos grandes poderes, e putativo candidato a todos os cargos da República?

Rui Costa Pinto

Publicado por Manuel 11:45:00 0 comentários Links para este post  



O Correio de Notícias


O Diário de Notícias de hoje, sob a direcção de João Marcelino, tem capa memorável. É a primeira vez em muitos e longos anos que aparece uma notícia e reportagem com este teor que anuncia borrascas futuras:
" Sócrates fez 2373 nomeações e dois anos. Governo nomeou menos 431 do que Durão Barros em igual período. Primeiro-minsitro tem 13 adjuntos, 19 assessores, 15 secretárias e sete motoristas."
No interior, logo a abrir, 3 páginas sobre as nomeações, num jornalismo incisivo e de rigor estatístico, mas nem por isso menos cortante para o spin governamental dos últimos dias. Um exemplo: na pág.5, uma caixa com o título: "Falta de transparência- pouca informação sobre os nomeados e algumas escolhas curiosas". Entre as curiosidades, diz-se logo que apesar de os despachos de nomeação,publicados no DR, deverem obrigatoria e legalmente conter o currículo dos nomeados, contam-se pelos dedos das mãos as situações em que isso acontece. Consequências? Zero. Irresponsabilidade total, nesses casos.
Outra curiosidade: a nomeação de ex-chefes de gabinetes de topo para a presidência ou vice-presidência de Institutos Públicos. Remunerações? Agradáveis surpresas...
Quer parecer que nem os 19 assessores vão ser suficientes, para iludirem notícias e capas como esta...

Publicado por josé 10:42:00 3 comentários Links para este post  



Candura vital

Não vale adivinhar à segunda...
Por que é que certas universidades privadas procuram a colaboração de jornalistas, incluindo directores de jornais (mesmo fora das áreas de ensino de jornalismo e comunicação)?
[Publicado por vital moreira] 8.3.07
Não vale adivinhar à primeira...
Por que é que várias universidades privadas têm entre o seu corpo docente um número tão grande de deputados, ex-deputados e outras personalidades da esfera política?
[Publicado por vital moreira] 8.3.07

Estes postais de candura encantadora, de Vital Moreira, no blog das suas causas, deixam adivinhar que o núncio governamental ainda não percebeu o vespeiro para onde está a soprar. Por um lado, assegura-nos que continua fiel a uma certa ingenuidade simpática, solidificada na indiscutível autoridade académica. Por outro, assevera-nos que não demorará muito a abandonar esta verrina insidiosa, contra a Universidade Independente, quando perceber quem são os ilustres licenciados de tal escola e o modo como se coloca abertamente em causa a obtenção das suas licenciaturas.

Publicado por josé 10:32:00 2 comentários Links para este post  



O ministro que precisa de férias

O ministro da Justiça, em entrevista na RTP2, a jornalistas do Público e Rádio Renascença, pronunciou-se sobre as férias judiciais.
Referiu que "o sistema funcionou desde as Ordenações Afonsinas, com dois meses de férias no Verão" e por isso, acha natural que no primeiro ano em que tal sistema foi modificado, haja alguns acertos necessários a fazer. "Estamos prontos a aprender", disse mesmo, porque acha que "o sistema não pode estar tanto tempo parado".

Muito bem. O mesmo ministro que agora assim fala, "pronto a aprender", apresentou como justificação para as alteração, um estudo algo fantasmático, ( apresentado a correr e sem contorno definidos quanto às circunstâncias concretas da sua elaboração) que sustentava ganhos de produtividade assinaláveis e não discutiu com mais ninguém, aceitando a sugestão de Vital Moreira no sentido de fazer primeiro, depressa e justificar depois.

Agora, perante as dificuldades notórias, pode muito bem perguntar-se: seria preciso tanta pressa e justificar a medida, com tal estudo, sem grande credibilidade, de modo apócrifo ( só quando um juiz o exigiu, foi apresentado, mal amanhado e a correr) ? O que é que o sistema realmente ganhou com a mudança apressada e algo destemperada?
Será apanágio da governação, nesta área sensível, ainda por cima para alterar algo que existiu durante centenas de anos, fazer mudanças deste modo atabalhoado?

Os adjectivos são duros? Mais dura será a razão que os sustêm.

Publicado por josé 23:14:00 1 comentários Links para este post  



Anjinhos em procissão

"Nunca tenho dúvidas e raramento me engano”- Cavaco Silva, algures, logo após ganhar as eleições que permitiram a formação do seu primeiro governo, em meados dos anos oitenta e a maioria absoluta, em 1987.

As biografias dos nossos políticos mais notórios, publicadas numa dúzia de páginas das revistas semanais, costuma ser florilégio de referências hagiográficas, pois todas contêm imagens serôdias de anjinhos de procissão, do tempo em que o Estado e a Igreja davam as mãos, em comunhão concordatária.
Aconteceu com Cavaco, Guterres e agora Sócrates que aparece na Tabu de Sábado, em 20 páginas resumidas e também sumidas de referências seguras, reveladoras do verdadeiro perfil do Primeiro que agora manda no Executivo.
A entrevista do género, a Cavaco Silva, feita na então Revista do Expresso dirigido por José António Saraiva, o mesmo director do SOL de agora, tem já 17 anos em cima e foi publicada em 20.10.1990, quando Cavaco tinha 51 anos. Sócrates tem agora 49.
A entrevista a Cavaco e artigo de fundo, está assinado por Felícia Cabrita e Fátima Maldonado( com Ricardo Costa). A de agora, da Tabu, tem a assinatura de Ana Sofia Fonseca com fotos de João Francisco Vilhena.
Que diferença tem o peso de quase 17 anos que passaram entre os dois momentos?
Em primeiro lugar, a evolução tecnológica. Em 1990, os computadores e as artes gráficas ainda não permitiam a facilidade de montar uma imagem como a que aqui fica. Não havia blogs, e a Internet não era realidade alargada a todos.
O estado do país, em 1990, anunciava bom tempo económico, por causa da chuva de fundos que nos chegaram da Europa e que uns poucos açambarcaram. Actualmente, anunciam-se tempos de seca prolongada. As causas remotas e ainda imediatas, do fenómeno que nos empobrece há vários anos, em contra-ciclo europeu, podem encontrar-se nas opções políticas destas duas figuras. Em vez da afirmação gratuita, fica a este propósito, a pergunta custosa: Cavaco (e os seus governos), soube aplicar os fundos europeus de modo correcto e como investimento produtivo, ou gastou em consumo supérfluo e errou os objectivos?
Em relação a Sócrates, as perguntas pertinentes, colocam-se na ordem do dia e partem das dúvidas em saber se o Primeiro sabe bem o que será preciso para endireitar o país. Por mim, não oferece nenhuma garantia e as dúvidas, expõem-se com clareza meridiana na entrevista de fundo que fica à superfície da realidade.
Ao contrário do que foi anunciado, em pancartas publicitárias, a entrevista não é a história da vida de Sócrates. É apenas uma operação de imagem, com relato de episódios simpáticos, em registo de puro spin, que o Sol patrocinou, porventura conscientemente e com interesse mútuo. Afinal, as vendas de jornais dependem destas coisas. O Diário de Notícias de hoje, Domingo, dirigido por um incrível Miguel Gaspar, amplifica o efeito com as páginas de abertura, numa suspeita operação alargada de OPV de imagem do nosso Primeiro.
Em 20 de Fevereiro último, o Público, em artigo de Ricardo Dias Felner, adiantou um artigo ainda mais interessante, sobre o perfil do Primeiro. Titulou mesmo, sans blague aparente, “Na cabeça de Sócrates”, pretendendo explicar o modo de pensar e agir do Primeiro. “Empenhado”, “pragmático”, “não gosta de brincar com coisas sérias” ( Alberto Arons de Carvalho dixit), terá feito um mestrado de Gestão em 2004/2005, no ISCTE, em que tratou Huntington e Mintzberg ( “teve das notas mais altas”, António Robalo, professor dixit); “exigente”, "organizado e disciplinado" que cita Bernstein, a favor da social democracia, com a frase feita “ o reino da política é o reino do compromisso”.
Aprecia a competência e a lealdade. “É preparado, tem gosto pela acção política”, Medeiros Ferreira dixit que acrescenta ainda, “ Parece-me que ele tem uma mistura de frontalidade e de dissimulação que é uma boa mistura em termos políticos”.
Sobre a frontalidade, deve passar-se à frente, pois é de manifestação despicienda. Sobre a dissimulação, a única via de acesso a actos dissimulados, é a investigação da figura pública e a sindicância das suas acções públicas e particulares, com reflexos na coisa pública.
Terá algum interesse saber quem é o Primeiro Ministro que governa o país, com maioria absoluta e que tem concentrado em si mesmo, na sua pessoa política, uma fatia de poder já perigosamente alargada?
A ociosidade da resposta, convidaria a que este tipo de abordagens jornalísticas, deixasse um pouco de lado a aura hagiográfica e se centrasse um pouco mais na personalidade verdadeira e real do entrevistado, com a apreciação crítica das incongruências de quem tomou as rédeas de um poder, delegado pelo povo.
Porém, assim não acontece. Este tipo de artigos, alguns a rasar o plano da sabujice mais chã, contribui ainda mais para a mitificação dos governantes e para a ausência de críticas que se possam ouvir à sua acção política.
Com uma agravante de peso: passados quase 17 anos estamos pior, bem pior. O perfil de Felícia Cabrita vale em qualidade intrínseca e aproximação à realidade do então Primeiro Ministro, pelo menos o triplo do actual perfil da Tabu. Isso, para ficarmos pela retórica.
Centremo-nos num aspecto exemplar: as habilitações literárias e o aproveitamento escolar, em paralelo, de Cavaco e Sócrates.
O perfil de Cavaco é abundante em referências precisas e curiosidades demonstradas em pormenor. Datas, notas, curricula, são apresentados com garbo, pelo então Primeiro. O doutoramente, Ph.D. ,em York, na década de setenta, é um cartão de visita do então Primeiro, mesmo que desvalorizado por quem esteve na mesma altura em Oxford ou noutros lugares ainda mais prestigiados. No entanto, Cavaco tem orgulho no seu percurso académico e profissional, poucos duvidando da sua justeza e exemplo a seguir.
E Sócrates, a este propósito, o que diz, deixa dizer e apresenta como carta de recomendação? Pouco e muito mal, escondido e susceptível de revelar grandes suspeitas de outras vergonhas, indignas de quem assume um cargo público, quanto mais da categoria de chefe de um Governo de um país!
No entanto, é o contrário que se revela nestas abordagens hagiografadas dos entrevistados, em que se destaca sempre o mérito, para além do razoável e a desafiar a inteligência vulgar do leitor.
Tinha a certeza de que a engenharia não era o meu destino. É o mundo dos pormenores e eu tenho uma inteligência direccionada para o abstracto” – diz José Sócrates, em entrevista guiada, da revista Tabu..

Visto em modo de Tabu, o percurso académico de Sócrates, é apresentado como um sucesso da inteligência rara do actual Primeiro. São várias, as referências a essa inteligência esperta, no artigo, o que deveria, em conformidade, permitir que o Primeiro mostrasse orgulho as suas performances académicas. No entanto, tal não acontece, deixando a pairar dúvidas e suspeitas que alguns já procuraram aclarar, sem sucesso e sem que lhes seja dada atenção mediática, o que se revela também suspeito.
O amigo Valente que é presidente da Câmara da Guarda, até assegura: “Ele era muito inteligente, nunca precisava de estudar grande coisa…”
E assim, fica a saber-se que concluiu o bacharelato em data imprecisa, mas anterior a 1981. Nessa data, Sócrates “arranjara posto na Câmara [Covilhã], como engenheiro-técnico civil, apesar desse nunca ter sido o seu destino vocacional, segundo o mesmo reconhece.
O resto do destino académico do nosso Primeiro, é dado lapidarmente, numa singela frase: “Quase 20 anos depois, em Setembro de 1996, já com posto no Governo, completará a licenciatura na Universidade Independente com média de 14 valores”. E por aí fica, sem outros pormenores.

Sabe-se através do blog Do Portugal Profundo, já citado noutros blogs, que as desventuras recentes na Universidade Independente que licenciou José Sócrates em 1996, permitiram que voltasse à tona das suspeitas, o modo de obtenção desse cobiçado título académico que permite ao nosso Primeiro, anunciar nas páginas oficiais que tem a categoria profissional de Engenheiro. O reitor da UI disse ao jornal 24 Horas que Sócrates se licenciara em 1998, com 16 valores. Agora, no artigo da Tabu, quase como um pequeno tabu, aparece a data de 1996 e a nota de 14 valores. Será isto um mero lapso ou revelador de algo mais grave do que se aparenta?
Um dos implicados na contenda da Universidade, Amadeu Lima de Carvalho, apresentado como advogado, é renegado na respectiva qualificação profissional e título académico, pelo próprio reitor Arouca e apesar disso, o mesmo volta a afirmar que é tanto licenciado como Sócrates o é…
Em que ficamos? A suspeita que estas revelações levantam sobre a honra do Primeiro Ministro de Portugal, pode passar assim despercebida dos media em geral, ao ponto de ser num blog que se tenta a investigação que deveria ser assunto arrumado e já explicado, há muito, por exigência democrática? Isto não é assunto mais relevante do que um envelope com o número 9?

São estas diferenças que relevam entre ambos os artigos laudatórios, passados quase 17 anos de democracia.
Está melhor a nossa democracia, depois dos Fundos europeus que permitem que o nosso Primeiro possa ter um Mercedes em vez de um Citroen?
Estará melhor na qualidade jornalística? E na exigência ética publicamente assumida pelo público em geral?

Não me parece nada- antes pelo contrário. Então que andamos a fazer durante estes 17 anos? Em procissão de anjinhos?

Imagens: Expresso a Revista, de 20.10.1990 e Revista Tabu, do Sol de 10.3.2007 . Texto revisto em 12.3.07

Publicado por josé 18:34:00 35 comentários Links para este post  



Rock de brado


O que é a música rock? Uma sonoridade geralmente vocalizada, acompanhada por guitarras eléctricas, bateria de percussão e por vezes som de teclados, tudo misturado num amplificador electrificado?
A definição ficará sempre aquém do som imediato e urgente de uma canção de Carl Perkins, Chuck Berry ou…Boston.
O grupo que lançou o primeiro disco em 1976, com o mesmo nome, simboliza toda a beleza simples da música rock, podada já de influências variadas, desde os blues, o country, o gospel e a canção melodiosa aligeirada dos anos cinquenta.
No primeiro LP, logo na primeira canção, More than a feeling, estão reunidos os clichés da música rock, na sua evolução até à época. Os primeiros acordes, em crescendo, deixam ouvir uma guitarra acústica, electrificada, uns poucos segundos, quando entra o tom do baixo a marcar o ritmo que lembra imediatamente outras canções anteriores e batidas semelhantes. O som de um grupo do sul dos EUA, vem logo à memória para quem o ouviu: Lynyrd Skynyrd.
A progressão sustentada pelos arpejos da viola acústica electrificada, encontra logo a seguir uma rolamento nas percussões da bateria e a entrada de um solo de guitarra eléctrica, no caso uma Gibson Les Paul, tocada pelo chefe da banda, Tom Scholz. Mal o rolamento nas percussões regressa ao compasso de origem, entra a voz de Brad Delp, de um timbre original e que empresta ao disco a sonoridade que lhe permitiu convencer mais de 17 milhões de pessoas a comprar o LP, na altura. O disco foi quase todo gravado por Tom Scholz, então um engenheiro da Polaroid, numa cave da sua casa. Boston era Tom Scholz, excepto numa parte: a vocalização de Brad Delp.
Brad Delp morreu ontem, aos 55 anos, em Atkinson. N.H. A minha homenagem fica aqui.

Publicado por josé 19:56:00 0 comentários Links para este post  



os jogos e as sombras

Este fim de semana o Major Valentim Loureiro deu uma entrevista (chamemos-lhe assim) ao semanário Expresso, a qual teve honras de capa, e onde declarava solenemente querer ser julgado na televisão, pois só assim seria feita 'justiça'. Também esta semana a Sábado (da Cofina, cujo parceiro financeiro, o BPI, pode ou não cair nas mãos do BPI, deixando-a assim 'descalça'...) punha na capa Ricardo Espírito Santo, homem-forte do BES, descrito como o homem mais poderoso de Portugal (a peça nas páginas interiores é de ir à lágrimas). Nestes dois 'detalhes' está todo um retrato de Portugal. Por cá, vive-se e morre-se, não pelo que se faz, mas pelo que se é, na comunicação social. Ao major não importa a figura absolutamente ridícula que dele fazem na contra-informação, como não importa a Fátima Felgueiras, a Pinto da Costa e a muitos outros. E não importa porque o que conta, é 'aparecer' lá, só assim se está 'vivo'. O que conta ao major é poder pré-anunciar - com quinze dias de antecedência que vai à TV (pública), ser entrevistado para responder a 'todas' as perguntas (feitas pela companheira de um amigo seu, e correligionário do mundo da bola...). Também para Ricardo Salgado o que conta são 'capas' como 'aquela', que 'cobrem', e de que maneira, quaisquer furacões do momento. O que (a)'parece' é.

Dito isto, a comunicação social em Portugal não tem emenda. Há demasiados interesses (pavlovianos ou não) em jogo, como ainda agora na história da OPA se viu, e voluntária ou involuntariamente, (já) não interessa, contribuí-se invariavelmente para o circo, não para dar pistas, mas para despistar. As coisas só irão mudar quando aparecer um projecto jornalístico de fundo, cujos protagonistas, não dependam, directa ou indirectamente, nem do Estado, nem da miríade de interesses publicamente privados que se movem à sua imensa sombra... Traduzindo, para bom português, as coisas só terão uma ínfima hipótese de mudar - reestablecendo o 'playing field' - quando quem, no fim do mês, a pagar a factura for estrangeiro e não depender, num chavo que seja, de ninguém dos múltiplos aparelhos de poder que há em Portugal. Até esse dia chegar, continuarão os jogos e as sombras.

Publicado por Manuel 17:36:00 1 comentários Links para este post  



Retrato constitucional


Uma foto para a posteridade, num ambiente concentrado de feltro, madeira e livros, da biblioteca do Tribunal Constitucional.

Os 13 elementos que o formam, ficam aqui assinalados. Cada um deles tem a sua história pessoal, profissional e pública. Alguns foram nomeados por motivos políticos; outros por motivos de competência técnica, acerto ajuizado e porque sim.

Dizendo-se o Tribunal Constitucional um tribunal sui generis, quiçá político e não poucas vezes com decisões que o aparentam, merecem referência particular cada um dos juízes conselheiros, pelo que representam publicamente e pela imagem que transmitem, também publicamente.

Assim, com alguma má língua passageira ( certamente desculpada pelo facto de serem figuras públicas o que agora se demonstra pela fotografia junta), e com referência a aspectos desconhecidos do povo em geral que ficam certamente submersos nas ondas de jurisprudência certa que os visados subscreveram em nome da Justiça, aqui segue o elenco.

Em pé,na fila de trás, vemos da esquerda para a direita de quem olha a foto:

Vítor Manuel Gonçalves Gomes, 58 anos, anteriormente juiz do STA; Benjamim da Silva Rodrigues, 61 anos, antes Conselheiro do STJ, antes ainda Conselheiro do STA e conhecido pelo voto polémico na questão do aborto e pelo fait-divers numa caixa de multibando, em Coimbra; Maria Fernanda dos Santos Martins Palma Pereira, 52, antes professora universitária em Lisboa, de Direito Penal, casada com o jurista e político Rui Pereira; José Manuel Sepúlveda Bravo Serra, 59, conselheiro do STJ, relator do acórdão que ilibou Leonor Beleza no caso dos hemofílicos; Paulo Cardoso Correia da Mota Pinto, 40, antes professor em Coimbra, filho de Mota Pinto; Gil Manuel Gonçalves Gomes Galvão, 57, antes, jurista; Carlos José Belo Pamplona de Oliveira, 57, antes conselheiro do STA, conhecido pela decisão sobre a constitucionalidade da Lei das Finanças Locais e ainda por causa de dois anos de espera no caso Esmeralda;


Sentados e ainda da esquerda para a direita:

Maria João da Silva Baila Madeira Antunes, 44, antes professora universitária em Coimbra, da escola de Figueiredo Dias; Mário José de Araújo Torres, 61, antes conselheiro do STA e do STJ, conhecido pelo voto contra, no caso da lei do referendo ao aborto; Artur Maurício, 62, presidente do TC, antes, conselheiro do STA e do STJ, conhecido por ter sido apanhado a ser conduzido em velocidade instantânea estonteante e transgressora, dizendo que nada tinha a ver com o caso ( a culpa era do motorista) e que além disso tinha pressa; Maria dos Prazeres Couceiro Pizarro Beleza, 50, jurista, a minha preferida, por tudo, incluindo a sensatez particular; Rui Manuel Gens de Moura Ramos, 56, antes juiz no tribunal europeu de primeira instância e professor catedrático de uma das mais áridas e difíceis matérias do direito: direito internacional privado; Maria Helena Barros de Brito, 58, antes, professora de Direito em Lisboa.


Destes treze juízes, apenas três foram cooptados, - Maria João Antunes, Vítor Gomes e Rui Moura Ramos. Os restantes, foram eleitos pela Assembleia da República, pelos partidos com assento e após negociações dos directórios partidários que escolheram os nomes, segundo aquilo que entendiam ser os mais próximos aos da defesa dos respectivos interesses, situados à esquerda, centro ou direita.

É este o critério, sem critério definido ou transparente, para além do que parece e quem em política fatalmente, acaba por ser, porque é, de facto.
Uma característica comum à maioria é a sua categoria de magistrados, de tribunais superiores e do STA em particular, o que nada dizendo de especial, deixa à vista a preferência dos nossos políticos da AR, nestas escolhas, por juízes da área do Direito Administrativo. Curioso.

Amanhã, dia 11 de Março, acabam o mandato os juízes Fernanda Palma, Bravo Serra, Paulo Mota Pinto, Artur Maurício, Maria dos Prazeres Beleza e Helena Brito.

Seguem-se as apostas, para ver quem entra. Alberto João Jardim, aquando da decisão sobre a passagem da lei das Finanças Locais, disse publicamente que iria estar atento a quem sai e a quem entra.

Todos deveríamos estar e exigir transparência maior na escolha dos nomes, indicados pelos directórios partidários em nome de todos nós que votamos. Em nome da democracia que é de todos e não apenas de alguns, eleitos, como já parece haver escola, com aula no próprio ministério da Justiça.
A foto é da revista Única do Expresso de hoje.

Publicado por josé 16:13:00 11 comentários Links para este post  



A propósito da (reality-)'entrevista' do Major ao Expresso...



Os monstros de facto, andam por aí.

Publicado por Manuel 15:49:00 0 comentários Links para este post  



O exemplo "Scooter"

Os jornais de quarta-feira, escreviam nas secções de notícias internacionais, coisas interessantes de ler, sobre um curioso veredicto de um tribunal americano: I.Lewis “Scooter” Libby, chefe de gabinete de Dick Cheney, este, por sua vez, um dos parceiros mais chegados à Casa Branca de Bush, foi considerado culpado de várias acusações que lhe poderão valer a condenação em 30 anos de cadeia!
Qual o crime hediondo para tal pena, cuja moldura nem sequer existe entre nós? Homicídio? Violação, seguida de homicídio? Não. Apenas o de perjúrio e obstrução à justiça, que na tradução portuguesa, correspondem ao falso depoimento e ao favorecimento pessoal . Por cá, tais crimes, se provados, o que aliás costuma ser raro, levam no máximo com uma pena de multa; leve e de aviso, porque a moldura só pesa até três anos de prisão, ou pesa mesmo nada se o agente se retractar a tempo.

A América, no entanto, leva muito a sério a mentira processual, em matéria criminal, porque a eficácia do sistema penal disso depende. Em Portugal, os nossos teóricos dos direitos, liberdades e garantias, acharam por bem desvalorizar esse comportamento. Assim, a mentira, falsidade e dissimulação, em sentido material e processual, bem como o encobrimento, são a regra comum e geral a que ninguém escapa, porque tal é barato, fácil e costuma render bem. Por vezes, mesmo milhões.

O caso de I.Lewis "Scooter" Libby, apresenta ainda particularidades curiosas que os jornais portugueses se dispensaram de explicar aos leitores, o que aliás se compreende, porque quem as quiser saber, vai à net, por exemplo e porque estão lá, também, as fontes dos jornalistas portugueses que sabem copiar com estilo e boa dissimulação.
Assim, com os mesmos instrumentos do plagiador, repicando aqui e ali, será possível a qualquer interessado, saber como tudo começou, neste caso fatídico para os neocons americanos. Capitaneados por W.Bush, acompanhado de Paul Wolfowitz, o meias rotas presidente do banco Mundial; ainda de Feith e de Abrams, Richard Pearle e Billy Kristol, todos actualmente se lêem, a jurar que nunca conheceram Bush e nunca foram adeptos da sua guerra preventiva. Há dois mil anos atrás, há um exemplo eloquente que se pode ler, na Bíblia.
No cerne da questão, porém, aparece os íntimos e mais notáveis neoconistas acreditados da própria vice-presidência da Casa Branca: Dick Cheney e o intelectual Karl Rove, o pequeno génio do spin, no seu papel de conselheiro de príncipes.

No final de 2002, até ao Verão de 2003, para conseguir apoio geral à intervenção preventiva no Iraque, gerou-se um pseudo-facto de assinalável relevância, transmitido à opinião pública mundial: Saddam teria negociado com o Níger, secretamente e em violação de regras internacionais, o fornecimento de urânio tipo “yellowcake”.
Essa prova de malfeitoria, seria a demonstração inequívoca do perigo iraquiano, cujo ditador teria já na sua posse, dissimuladas, algumas armas de destruição maciça.
Como é que se conseguiu elevar tal pseudo-facto à categoria de verdade sólida, acreditada por Blair, Aznar e Durão Barroso, sob sugestão de W.Bush, Cheney e os demais neoconistas ávidos de sangue de guerra?
Por informação veiculada ao mais alto nível de um discurso sobre o Estado da União, em Janeiro de 2003 e alcançada por pressão de Dick Cheney sobre a CIA, no sentido de se elaborar relatório plausível sobre a verdade da mentira e convencer os papalvos ocidentais apoiantes, os ditos cujos.
A mentirola tinha sido veiculada pelos serviços secretos italianos, do Sismi , sem confirmação dos franceses ou dos ingleses, servindo às mil maravilhas, para a discursata de W. Bush em Janeiro de 2003, na qual assegurou que Saddam era o ogre a abater, por ter comprovadamente, armas de destruição maciça.
É sabido o que os papagaios pátrios e doutras paragens, asseguraram com idêntico fervor neófito, sobre a indiscutível a asserção das armas destruidoras, justificativas da agressão.

Porém, como o diabo cobre com uma mão e destapa com as duas, o azar neoconista veio pela mala diplomática de um ex-embaixador , Joseph Wilson, enviado em Fevereiro de 2002, por alguém da CIA ao Níger. A missão, era descobrir verdades sobre as pistas avançadas pelo Sismi italiano, sobre o caso do urânio iraquiano, vindo do Níger e com enriquecimento muito desejado pelos noconistas, para sustentar a necessidade e inevitabilidade da intervenção militar em larga escala.
Wilson descobriu o logro da desejada verdade oficial, veiculada pelos italianos e acreditada pelos americanos neoconistas e seus apoiantes mundiais, crédulos e ambiciosos por ficar bem, no retrato do novo poder. Reportou em conformidade, só para concluir pouco depois que as respostas que encontrou não convinham à verdade que era preciso acalentar e apresentar à opinião pública.
Perante a denegação do seu trabalho, Wilson escreveu no New York TImes, em Julho de 2003, um artigo a dar conta da sua opinião, que era já muito fraca, acerca dos propósitos e razões para uma invasão, baseada nos seus conhecimentos práticos, adquiridos no terreno.
Joseph Wilson, para além da denúncia de uma verdadeira cabala que se delineava, descobriu assim a luzidia careca neoconista de Dick Cheney e dos demais neoconistas, ficando estes a remoer o modo de restringir danos, proteger a pele e aplicar a vingança necessária, enquanto continuavam a negar a autenticidade da informação que os desautorizava a lançar a ofensiva militar, como aliás foi lançada, com o êxito conhecido e agora renegado pelos mesmíssimos que a sustentaram.

Descobriram que Wilson tinha sido mandado para a missão, pela sua própria mulher, Valerie Plame, funcionária da CIA, exactamente do departamento de armas de destruição maciça da agência.
Essa boa nova, ainda desconhecida do público, e que, aliás, o público não deveria conhecer, caiu como sopa no mel neoconista. Configurou-se logo a hipóteses de, com uma cajadada mediática, se poderem eliminar dois males, evitando o ridículo geral, derivado do crédito firme na mentirola italiana, exposta ao público e descredibilizadora da missão humanitária de salvação do Iraque das mãos do tirano, encetada pelos neoconistas.
Acusariam a CIA de incompetência e ainda expunham as bocas de Joseph Wilson ao descrédito, por ser desinformador e traidor da confiança da Administração americana.
Para tal, precisavam de expor a ligação pessoal de Wilson, à alta funcionária dos serviços secretos, Valerie Plame.
Como fazê-lo, incorrendo na prática de um crime federal e ainda assim, safando-se das consequências? O problema, similar a todos os governos que laboram na dissimulação mentirosa da propaganda, mereceu altas reuniões conspirativas.
Descobriram afinal, a solução mais à mão: a fuga de informação subtil, para a imprensa, táctica com provas dadas, pelo menos desde Watergate.
A revelação sobre a identidade de um agente da CIA é crime, em função de uma lei que todos acham razoável, incluindo os jornalistas.
A revelação, feita por um jornalista, está protegida pela imunidade inerente à qualidade profissional, garantida pela primeira Emenda constitucional americana, mantendo secretas as fontes de informação.
Assim, no interior da própria Administração, começou a operação de spin, fornecendo-se aos jornalistas, informação para o descrédito de Wilson e de caminho, conduzindo directamente à revelação da identidade de Valerie Plame, como agente da CIA, cometendo-se desse modo, eventualmente, um crime. Quem foi o garganta funda da Administração que revelou o nome ao público, em primeira mão, cometendo assim o crime federal?
Ainda não se sabe oficialmente e com a certeza processual, sendo matéria de especulação e investigação aturada, mas pelo que se adivinha, sem destino grandioso.
Porém, no que tange ao essencial, vários jornalistas souberam do assunto, por conversas com diversos responsáveis da Administração e publicaram notícias, sobre o caso. A identidade de Valerie Plame, foi publicamente exposta, em artigo de imprensa, assinado em primeira mão por Robert Novak, jornalista da CNN, ligando-a ao assunto das investigações do marido Joseph Wilson, sobre a existência da conexão nigeriana, com o Iraque, para permitir a este país e ao regime de Saddam, a obtenção de armas de destruição maciça.

As notícias reveladoras da ligação, escandalosa e devidamente empoladas para o efeito, levaram directamente à constituição de uma comissão de inquérito federal, dirigida por Patrick Fitzgerald, um Procurador Especial, Federal ( como nos casos Kennedy, Nixon e Clinton ).

A imprensa e media em geral, incluindo pela primeira vez, de modo saliente, os blogs, têm acompanhado o caso com inusitado interesse e relevância discursiva, interrogando-se sobre a legitimidade de investigação, a notícias derivadas de fugas de informação que esclarecem o público, sobre segredos mal guardados pela Administração.

O assunto, aliás, revela muitas semelhanças com o que por cá se passa, com a violação sistemática de segredo de justiça pela imprensa.
A diferença de vulto, no entanto reside em que por cá, e ao contrário de lá, a investigação dos jornalistas e a sua perseguição criminal, são consideradas, em si mesmas, as actividades celeradas. Como exemplo, pode apontar-se o caso recentes do Envelope 9, e o da investigação alargada aos jornalistas, por violação de segredo de justiça. Serão estes, valores em troca ou em mudança?

A tarefa do Procurador Especial, assim, ficou orientada para a análise de documentos e a audição dos mensageiros e para as perguntas fatídicas: quem teria soprado o nome da agente da CIA, Valerie Plame, ao público? Alguns ( o do Washington Post e o da NBC), bufaram logo: I.Lewis Scooter Libby tinha falado sobre o assunto, informaram pressurosamente e com a anuência do próprio, confiado em que a confissão das conversas, limitaria os danos e seria insuficiente para estabelecer conexões exclusivas e fatais.

Ficou então a saber-se que Scooter Libby, mais uns tantos da Administração ( Richard Armitage, subsecretário de Estado e Karl Rove, conselheiro presidencial) tinham falado com repórteres, sobre o assunto, logo em Julho de 2003. Ficou ainda a saber-se, através de notícias de jornais e admissão pelo próprio, que um dos reveladores iniciais, fora o próprio subsecretário de estado, Richard Armitage, que seria a fonte de Robert Novak, (CNN) para o artigo de 14 de Julho de 2003, onde o nome de Valerie Plame, apareceu citado pela primeira vez. Novak citou outro responsável, especulando-se o nome de Karl Rove, muito badalado neste affair. De certo, oficial e assente, ainda pouco se sabe e de qualquer modo, ainda insuficiente para acusações públicas, do Procurador Especial.

Apesar disso, nem todos os repórteres intimados falaram. Judith Miller do New York Times, recusou, não delatando logo e invocando a 1ª Emenda. Foi presa por desobediência. Só falou, quando o próprio Lewis Scooter Libby a autorizou a contar as conversas mantidas( tal como fizera com os demais jornalistas), e a jornalista confirmou então a indicação do nome da agente da CIA, como tendo sido revelado pelo mesmo, ainda com gaffe na escrita( Flame em vez de Plame).
Ainda assim, o Procurador Especial, apenas conseguiu acusar Scooter Libby. Porquê, pergunta-se?
Ele mesmo o disse: não foi acusado pela autoria da fuga de informação, a qual ainda hoje permanece por esclarecer oficialmente, mas por causa da obstrução à justiça e perjúrio, que será responsabilidade única, de Scooter Libby.
Segundo o Procurador Especial que ouviu Richard Armitage e outros, não foi possível apanhar mais peixe graúdo na rede da investigação em Grande Júri, devido aos actos de obstrução de justiça e mentirolas de I.Lewis Scooter Libby.
Eventualmente e parece que todos o reconhecem -a própria revista Time, de 22 de Fevereiro em artigo de opinião de Michael Kinsley, pede a sua libertação - a actuação de Libby destinou-se a protecção dos seus superiores. Quem? Cheney, Rove e Armitage, pelo menos.

E assim a acusação, com base nos depoimentos e documentação apreendida nos departamentos de Estgado, foi apenas de perjúrio e obstrução à justiça.
O Procurador Especial Fitzgerald, foi considerado herói nacional pelo trabalho desenvolvido e a revista Vanity Fair, consagrou-lhe um artigo de fundo, laudatório em toda a extensão, à semelhança dos que por cá se lêem sobre Maria José, a Morgado.

Lewis Scooter Libby
, foi julgado pelo tribunal de júri, à americana e agora considerado culpado por quatro das cinco acusações, arriscando seriamente, passar os próximos anos na cadeia, se não vier a ser indultado por intervenção directa do presidente. 30 anos de cadeia, é o limite e em Junho se saberá. Mas há precedentes, como se sabe já, desde o escândalo Irão-Contras, com Oliver North, do tempo de Bush pai- e os anos ficarão reduzidos a angústias que nem serão muitas, a não ser com as contas dos advogados da ordem das centenas de milhar de dólares e os pedidos de indemnização faraónicos que já chovem, por conta de Valerie Plame e marido.

Que dizer destes acontecimentos americanos, comparando com o que por cá se passa, em termos de aplicação de justiça?
Sinceramente, pouco ou nada, porque o sistema de justiça americano, nestes casos, não tem comparação com o nosso.
Mas, ainda assim, arrisca-se um pequeno termo de comparação: o que se tem passado nas margens do processo Casa Pia, onde se envolveram pessoal e gravemente indivíduos que estão activamente na política.
Um inquérito parlamentar a esses factos, não adianta nada de novo para averiguar verdades incómodas. Já sabemos como funcionam e o último que decorre, tem uma novidade gravíssima:
O grupo parlamentar do PS, partido suspeitíssimo de estar interessado em descredibilizar a investigação criminal efectuada nesse processo, decidiu ontem, ouvir em declarações um dos responsáveis pela investigação do Ministério Público , acerca de um fait-divers do processo: o caso das disquetes do envelope 9, com o intuito declarado de entalar o ex-procurador geral da República.
A aposta é elevada e o risco enorme. Se o inquérito parlamentar se revelar o falhanço que se adivinha, podem ter a certeza que…tudo ficará na mesma. COmo ficaram os anteriores inquéritos da Eurominas e outros que tal.
Mesmo que a jogada de audição do investigador do processo, para o inquirir acerca do modo como efectuou a investigação criminal, signifique descaradamente uma interferência do poder legislativo, na competência da entidade que detém o exclusivo da acção penal em Portugal, obrigando-o a quebrar um dever de reserva, os deputados do PS e do BE, acham que não e que se impõe tal audição, sobre um assunto mediático. O que virá a seguir? Um inquérito parlamentatr ao caso do Apito Dourado, para saber quem escutou 15 mil horas de conversas telefónicas e o que lá se ouviu?

Não será isto a suprema sem-vergonha de um regime podre e já sem princípios?
Veremos qual será o resultado final.

O postal foi editado, revisto e aumentado, em 10.3.2007.

Publicado por josé 18:26:00 5 comentários Links para este post  



A cabala da alheira

Não sei se é uma cabala, mas estou a ser inundado com notícias sobre a alheira. O Público começou ontem (abertura da secção "Portugal"), retomando hoje o tema em dose dupla: a reacção e mais um enchido (no segundo carderno que tem nome de loja maçónica - P2). Não li nenhum dos textos, mas o caso parece ser mesmo grave que até mereceu honras de editorial do Correio da Manhã. Um tema a seguir nos próximos tempos....

Publicado por Carlos 13:37:00 1 comentários Links para este post  



Orfandade

Ainda na Sábado, na rubrica “Ligação directa”, João Braga, fadista, pergunta a Ruben Carvalho, “Membro do Comité Central do PCP”:

Contanto na história do comunismo, com um ditador do calibre de Estaline, porque é que o PCP se preocupa com um ditadorzinho como Salazar?

O dialético e materialista Ruben, responde-lhe:
Fico satisfeito por João Braga reconhecer que Salazar foi um ditador.

Réplica perfeita de um comunista autêntico.
Perguntar a um comunista do tempo da idade da pedra estalinista, algo a propósito de ditadores, com o intuito de o encostar ao muro de Berlim, é como falar nas doces e celebradas bolas dessa cidade. Mera semântica.
Uma ditadura, para um comunista convicto dos seus princípios, não é algo que possa amargar argumentos. Antes os adocicará.
Uma ditadura, se for como deve ser, do proletariado vencedor, é o estádio necessário para que as bolas progressistas entrem nas balizas da sociedade comunista.
O marxismo-leninismo, defende exactamente a ditadura do proletariado, como partenaire do partido único dos trabalhadores vitoriosos e a caminho dos amanhãs a cantar da sociedade comunista.
Ruben de Carvalho ri-se destas perguntas. Como se ri de se andar por aí a citar o camarada Estaline, "pai dos povos", como exemplo de práticas ignóbeis contra a humanidade.
Os erros de Estaline, como por exemplo o facto singelo de ter mandado matar milhões de pessoas, e em particular ter mandado assassinar Trotski por motivos puramente políticos, foram já oportunamente denunciados, em 1956, por Nikita Krutschev, aquando de um congresso do PCUS. Estaline morreu em opróbrio oficial.
A partir daí, depois dessa orfandade, o muro ficou branqueado , porque a denúncia dos erros comunistas funciona como a confissão para os católicos: perdoa todos os pecados.

Salazar, pelo contrário, não tem qualquer perdão. É um fascista e isso basta, porque é crime imprescritível, no código comunista. Mesmo que depois de Salazar tenha vindo Caetano, o Portugal de Abril, acabou oficialmente com o fascismo e como se sabe "25 de Abril, sempre! Fascismo, nunca mais!".
Como é que Ruben de Carvalho pode pensar de outra forma, se foi assim que se formatou ao longo dos anos, no culto da orfandade?

Publicado por josé 19:42:00 5 comentários Links para este post  



por quem os sinos dobram

  • Alma que se preze em Portugal tem que ter 'opinião' sobre tudo e mais alguma coisa. Não interessa a solidez da mesma desde que se tenha 'estatuto', uma cara conhecida, ou coisa que o valha. É por isso lastimoso ver Vasco Pulido Valente, habitualmente sóbrio, e que de algumas coisas sabe do que fala, a aderir à onda das boutades avulsas e disparatas, particularmente porque depois há sempre os 'wanabes' que insistem, por manifesta falta de criatividade, a ir atrás. Dois exemplos emblemáticos - as suas prosas sobre o desfecho da OPA à PT, e a sua cruzada contra a racionalização das forças de segurança. Dois disparates pegados, e, usando a terminologia dele - 'perigosos', porque absolutamente simplistas e redutores. Começando pela OPA, por muito que lhe custe, o mercado funcionou, ponto. Tudo o resto é palha. Quanto à PT, eu posso não gostar da estrutura accionista, e não gosto, e quanto ao Governo eu até posso achar cínico o comportamento da CGD, e achar que o governo esteve globalmente mal, porque esteve! E esteve mal, porque toda a gente sabia, desde o início, que para a OPA chegar a bom porto o Eng. Belmiro teria que 'despachar' os investimentos da PT no Brasil. Pelo que, caso a OPA fosse para a frente, teriamos a acontecer com a PT o que já (e muito mal) aconteceu com a EDP e com a GALP, onde em vez de se liberalizar a sério o mercado (só agora é que parece óbvio que a PT não pode estar no cabo e no cobre, no grosso e no retalho, ao mesmo tempo) o que se tem feito é retalhar o que é grande, tornando-o automaticamente apetecível a estrangeiros, em vez de se forçar uma verdadeira internacionalização (35% do volume da PT já vem do Brasil, e essa percentagem subirá bastante com a saída da PTMultimédia). Isto - diversificar a área geografica de actuação dos antigos monópolios locais - é o que tem sido feito - bem - lá fora, e chama-se razão de Estado, além de lógica. Os lamentos de VPV, a tomar suas as dores de outrém (e está para demonstrar que o projecto REAL de Belmiro fosse mesmo comprar a PT...) são, quanto muito, dores de umbigo. Quanto à racionalização das forças de segurança, eu até percebo o argumento, só não percebo o que é que leva almas inteligentes como VPV a basicamente proporem o caos, e a bagunça completa, como alternativa a encontrar , e promover, consensos que levem a mecanismos que garantam 'accountability', racionalidade e transparência, no topo dos organismos de estado. É que se, de facto, VPV, como outros, acha que o Estado, e a topologia deste, é irreformável, que quem nos governa, as polícias e afins, são - e serão sempre - totalmente inimputáveis, então que o assuma e o diga claramente. Ao menos aí ficavamos todos esclarecidos. Agora, criticar uma medida topologicamente correcta só porque se não gosta deste ou daquele, é que não. (é claro que, numa lógica de reformas, e racionalização a sério, que criasse mecanimos 'reais', de transparência e fiscalização, que o PSD tinha aqui, como até a Presidência da República, amplo espaço para marcar pontos, mas enfim...)
  • Antes de terminar, e a propósito de uma prosa do José, abaixo, comparando o que (não) é a nossa imprensa com a estrangeira alguém escrevinhou na nossa caixa de comentários que em Portugal não há 'mercado' para um jornal (diário) como deve ser. A tese em sí é interessante, e leva-me a fazer uma outra questão - e há 'mercado' para bons políticos, bons magistrados, bons jornalistas ? Em suma, bons cidadãos ? Ou, será que as coisas estão como estão porque mais de 30 anos depois ainda não queremos, ou não sabemos, pagar o 'preço' da democracia?
  • Já agora, há uns meses houve por esse mundo fora uma leve polémica a propósito do suícidio assistido da Sr.a Schiavo. Falou-se de humanidade, confundida - à época - com conveniência. Depois lê-se disto. Não interessa, naturalmente, e ainda não está na agenda. (a este propósito antes já tinha escrito isto)

Publicado por Manuel 18:57:00 0 comentários Links para este post  



Tudo em boas mãos

Ontem, na RTP1, o espectáculo de comemoração do cinquentenário teve momentos deprimentes e outros apenas sofríveis de ver. O semblante geral dos espectadores da sala, era soturno, para o bisonho, apenas com sorrisos de circunstância de quem está a testemunhar fretes. Pior espectáculo do que o apresentado, só o da TVI, alguns dias antes.
No fim, o director de programas da RTP1, Nuno Santos, fez uma breve quanto irrelevante declaração de encerramento e felicitou alguns escolhidos, pelo nome próprio. Um dos citados com laudação especial, foi Carlos Cruz, um pouco a medo e apenas a revelar a coragem de quem se sente protegido pelos seus.
O nome de Carlos Cruz é, inevitavelmente, um dos grandes nomes da TV portuguesa dos sessenta e setenta e até dos oitenta. Não é preciso ter vergonha de o dizer, agora que o apresentador-realizador, se encontra afastado da ribalta, a braços com uma acusação criminal grave, ainda em julgamento. Os factos do foro privado, e que estão em julgamento, não devem desmerecer o crédito pelo trabalho realizado na RTP, ao longo de décadas.
O que se torna estranho, no entanto, é o facto de o programa gravado e apresentado ontem, ter passado ao de leve a relevante contribuição profissional daquele apresentador, tendo no fim, o director de programas feito uma espécie de desagravo, tímido ainda assim e algo desconchavado no contexto final.
Hoje, na revista Sábado, aparece um perfil do director de programas Nuno Santos, profusamente ilustrado.
Miguel Pinheiro director da Sábado, apresenta o artigo de mais de sete páginas, como resultado de uma semana inteira passada ao lado do director de programas da RTP1 e a jornalista Dulce Garcia, confessa que esperou 10 horas pelo privilégio da entrevista ligeira.
Começa por apresentar o depoimento de um amigo, Daniel Oliveira, (escolhido por Nuno Santos, para a equipa da SIC Notícias) e que o apresenta como um trabalhador viciado ( às 7h já estava no trabalho e quando aquele saía às 20 horas, o director continuava lá ainda por mais cinco horas…).
Mais escreve que Nuno Santos namora com a jornalista da SIC Andreia Vale. Está sempre ao telefone ( o director da Sábado assegura que não passa mais de cinco minutos sem falar ao telemóvel) e apresenta Daniel Cruzeiro ( filho de Celso Cruzeiro, advogado de Paulo Pedroso), como o amigo que “foi com ele fundar a SIC-Notícias”, sendo Luís Montez o amigo que o estreou na rádio, em 1985. Catarina Furtado, também é amiga, tal como Tony Carreira, Nuno Luz e Luís Miguel Carreira, jornalista da Sport TV.
A revista dá conta que Nuno Santos foi entrevistar Mário Soares na sede da Fundação com o mesmo nome, a propósito de um programa sobre a Europa.
A jornalista menciona depois os nomes de reunião do director. Primeiro as meninas: Catarina Furtado, Sílvia Alberto, Sónia Araújo, Marta Leite de Castro, Isabel Figueira, Helena Coelho, Tânia Ribas de Oliveira, Dália Madruga, Serenela Andrade e Margarida Mercês de Melo( “só faltam as pernas esguias de Merche Romero”, escreve ). Os homens a seguir: Jorge Gabriel, Eládio Clímaco, Júlio Isidro, Francisco Mendes e João Baião.
Na coluna mesmo ao lado do artigo, uma crónica de Alexandre Pais, director de Record. Resumida, é uma análise de 40 anos de jornalismo pátrio, feita de vitupérios contra os espertos que tomaram conta dos empregos disponíveis, recrutados com base no critério da “confiança política”. Apresenta o actual director como “O exemplo do fulgor de uma nova geração de profissionais apostada em mostrar que é capaz”.
Na conclusão do artigo apresentado, com mais de sete páginas incluindo fotos, a jornalista cita o director de programas a citar Giulio Andreotti: “o poder angustia, mas não ter poder angustia muito mais”.
Por mim, a minha angústia, é ler isto e concluir que estamos no pântano. Em pleno pântano anunciado. A televisão da RTP1, é apenas o espelho de água.

Publicado por josé 18:46:00 1 comentários Links para este post  



RTP-50 anos

A RTP faz hoje cinquenta anos. Parabéns à televisão pública, apesar de não ter muito de quê.
Quem tem a mesma idade, que balanço pode fazer dos anos que passaram já a ver tv?
Nos anos sessenta, época da meninice, que programa escolher como exemplo que ficou na memória do tempo que entretanto passou? E nas seguintes décadas?
Vamos a ver…
No final dos sessenta, a tv mostrou o passeio do Homem na Lua. Gostei de ver e lembro-me. Foi em 1969, em Julho. No mês de Junho, mas em 1966, tinha mostrado o campeonato do mundo de futebol, com a equipa portuguesa das Quinas, a ganhar o terceiro lugar, depois de dois jogos memoráveis: um contra a Coreia e outro contra a Inglaterra.
Acontecimentos de vulto, anuais, eram os Festivais da Canção. Nacionais e da Eurovisão. De visão obrigatória, as músicas que de lá saiam, eram êxitos certos nos meses a seguir.
Em finais de 1969, um programa mereceu atenção geral, mesmo para um puto imberbe, mas interessado na novidade: o Zip-Zip, foi um marco, na tv e na música ligeira, com gravações de discos que marcaram época. O nome de Carlos Cruz, como personagem dos media, é incontornável neste panorama de finais dos sessenta, início de setenta. Curiosamente e bem à portuguesa, o seu papel na tv, tem sido obliterado nos media dos últimos dias. Mas não devia, apesar das circunstâncias que deixam adivinhar sinais dos tempos.
Nessa altura, em 1969, ainda antes da morte de Salazar, começaram as Conversas em Família de Marcelo Caetano. Lembro o ar composto e sério do então presidente do Conselho, a ensaiar a abertura do regime, a que se chamou Primavera marcelista. Falava-se nisso, mesmo com censura prévia.
No mesmo registo chato de quem ouve algo que ainda nem entende muito bem, a não ser uns termos esotérios, aparecia então à noitinha de Sábado, no écran, Vitorino Nemésio. Lembro-me da palavra cibernética, usada pelo literato, para impressionar ouvidos pedantes. Aliás, Vitorino podia ser lido, numa revista aparecida pouco depois ( em Fevereiro de 1971), O Observador.
Mas lembro sobretudo, nesses anos de transição da infância para a adolescência, as tardes de Sábado e Domingo, com os filmes e séries então apresentados.
O Santo, Daktari, Bonanza, Os Cavaleiros do Céu, Shane, Os pequenos vagabundos, nas séries que não se perdiam por nada, como não se perdiam os bons filmes das tardes de Domingo, nem sequer por uma partida de futebol no adro da igreja ou na relva do campo à beira-rio.
Nos filmes de impressão mais duradoura, ficam as memórias dos filmes de cóbois ou de aventuras, tudo a preto e branco, com destaque para as comédias com Shirley Temple.
Como o efeito surpresa era ainda seguro, na ausência de leitura da programação, o filme da tarde dos Domingos, era crucial para se saber se havia futebol, correrias e brincadeiras diversas ou sessão de cinema. Aos Domingos, havia sempre o TV7, no II Programa, com a crónica dita e assinada por João Coito ( ainda escreve no O Diabo). Conservo a crónica que escreveu e publicou na revista Nova Antena de 7.8.1970, sobre a morte de Salazar que ainda hoje poderia ser escrita.
No início dos setenta, o panorama mudou um pouco, melhorando a qualidade da tv, progressivamente.
Nas séries cómicas, houve Get Smart, - Olho Vivo, na imagem acima- , com Don Adams e a agente 99, a lutarem contra o Kaos em meia hora de tv do começo da noite de Domingo, com ritmo narrativo moderno e americano.
A Missão Impossível passava no II programa. Às segundas havia o Curto Circuito e antes o Silêncio! Vamos rir, com pequenos sketches de cinema mudo, depois de se ouvir a narração das Imagens da Poesia Europeia, por David Mourão-Ferreira.
Logo a seguir, vieram as séries de culto e inesquecíveis: O Fugitivo, Arsène Lupin e depois Columbo e McCloud e os desenhos animados das segundas-feiras. O Museu de Cinema das Quintas, na II, com António Lopes Ribeiro e partenaire, eram o must dos ragtimes televisivos.
No panorama musica, pouco havia. Telediscos, passavam por vezes no Do La Si. Mas foi apenas com o Pop 25 de José Nuno Martins que começou a valer a pena ouvir música na tv. Ao mesmo, tempo os programas de António Vitorino D´Almeida, sobre A música e o Silêncio, produzidos na Áustria, ganhavam prémios da crítica de Mário Castrim e Francisco Mata. Tal como os de José Hermano Saraiva, com O Tempo e a Alma.

Chegados a 1974, a música mudou. A principal mudança visível, foi a dos apresentadores que nesse mesmo dia, apareceram sem a gravata ritual ( “tira a gravata, pá!”, era mote da altura).
A tv em 1974, a 25 de Abril, não esteve presente nas primeiras horas. A rádio, sim.
Lembro os separadores sonoros, do “Programa segue dentro de momentos” e as marchas militares a anunciar as imagens da Junta de Salvação Nacional, dos Movimentos dos Capitães.
Outra era começava. De grandes esperanças. Até hoje. Desses trinta anos de tv que se seguiram, recordo, as reportagens de Adelino Gomes no 11 de Março de 1975, os comunicados incríveis do capitão Clemente, da 5ª divisão; as noites de eleições com debates a perder o sono; as comissões de trabalhadores e as comissões de gerência que repetiam a voz do dono; as demissões e prateleiras dos Mensurados e dos Cruzes. A tv da segunda metade dos setenta, é a do nosso PREC, a seguir ao Sinal do Dragão de David Carradine e do kungfu e ao Sangue na Estrada de Filipe Nogueira.
Com a telenovela Gabriela de 1977 e o concurso A Visita da Cornélia, acabou a tv criativa portuguesa. Nem a cor lhe trouxe alegria inovadora. Apenas panache. Logo a seguir, apareceu o Rangel e o José Eduardo Moniz. Prefiro nem falar disso. São memórias sem interesse, porque representam a decadência da imitação dos formatos estrangeiros, sem originalidade para assinalar.

Imagem: revista R&T nº 762 ( ano XIX), de 1971.

Publicado por josé 20:34:00 1 comentários Links para este post  



o homem sem passado

Publicado por Manuel 9:53:00 0 comentários Links para este post  



"À espera do comboio na paragem do autocarro"

Há dias comprei na fnac uma gravação da Harmonia Mundi com a obra Quatour pour de fin du temps de Olivier Messiaen (compositor da minha lista de melhores compositores do século XX) por pouco mais de 6€. Um amigo comprou numa outra loja do grupo a mesma obra, mas de uma outra editora e agrupamento, por 4,90€. No mesmo local um disco duplo com peças de Jorge Peixinho, subsidiado pela Câmara do Montijo e pelo Instituto das Artes (edição não luxuosa do, talvez, melhor compositor português do século XX) custa quase 18€. Há tempos, na Casa da Música [Porto] pediram-me perto de 20€ por um disco de Remix Emsemble que é um agrupamento da CdM, pago pela CdM com dinheiros quase todos públicos. Para quem não sabe a impressão de uma razoável edição discográfica (cd + booklet) custa cêntimos e não euros. Eu até percebo que são de evitar os subsídios que provoquem distorções no funcionamento do mercado, não precisam é de ser mais papistas que o Papa, colocando nele os discos a preços ainda mais caros do que este oferece só porque são subsidiados, pois favores destes é coisa que o mercado não precisa. Resta assim perguntar para que servem os financiamentos públicos, já que para a função de acesso à fruição cultural não é de certeza, pois o consumidor final paga o bem a um preço equivalente àquele que tem todos os custos de produção nele repercutidos. Sabe-se que em Portugal os apoios à cultura não são canalizados para atenuar os custos de produção e assim mediar o acesso do público ao bem cultural, pois para isso era preciso que houvesse público e este fosse a finalidade – o que não é um dado adquirido em muitas das ocorrências, mas sim para financiar o acto de “criar”, basta ler os regulamentos do Instituto das Artes recentemente aprovados para constatar que as palavras “criadores” e “criação” são as que mais vezes aparecem repetidas, quando na realidade as “obras” são o resultado exclusivo da actividade intelectual do seu criador não necessitando, para isso, de ser subsidiadas, pois nunca foi por falta de dinheiro que os criadores deixaram de criar, antes deitando cá para fora as obras geniais.


* Sérgio Godinho

Publicado por contra-baixo 16:18:00 0 comentários Links para este post  



Observatório 2008: Obama Rocks!

Barack Obama: a campanha do senador pelo Illinois não pára de crescer e há quem acredite que a liderança de Hillary começa a estar em risco


Obama a subir, Hillary a perder estatuto de invencível e Giuliani cada vez mais à frente de McCain.

É esta a actual tendência das primárias norte-americanas para 2008. «Obama rocks!» é um lema seguido por cada vez mais entusiastas do Partido Democrata. Barack está a conseguir ultrapassar todas as etapas para se afirmar como principal challenger de Hillary na corrida para a nomeação democrata.

Com o apoio de vários sectores da sociedade americana, Obama tem provado ser um candidato fortíssimo, com o seu carisma a chegar a nível de exaltação colectivos.

Barack está a subir em terrenos que muitos analistas consideravam que dificilmente atingiria e, ao que consta, já resolveu a «tal» questão de não penetrar com tanta facilidade assim no seu eleitorado mais natural: os negros.

Há poucas semanas, os estudos mostravam que Hillary batia Obama junto dos negros, aproveitando, ainda, o capital de simpatia conquistado durante os dois mandatos de Bill Clinton, junto dos afro-americanos.

Recentemente, Obama já passou à frente de Hillary entre os negros. A ex-Primeira Dama ainda lidera a corrida democrata, mas viu a sua vantagem reduzida para números que já permitem acreditar numa acesa luta até ao fim.

Mas há um factor que ainda não está fechado: Al Gore. O recém vencedor de um Óscar de Hollywood mantém níveis de popularidade elevados e há quem garanta que o ex-vice de Bill Clinton está a deixar arrefecer este fenómeno Hillary vs Obama e se prepara para anunciar a candidatura lá para o Outono.

Se tal acontecer, é provável que se intrometa entre os dois front-runners, alternado, por completo, os dados...

No lado republicano, Rudy continua a surpreender: mantém-se com um avanço acima dos dez pontos, por vezes perto das duas dezenas e vai aproveitando os deslizes de McCain. O senador do Arizona está a ser muito penalizado pelo seu apoio ao aumento do número de tropas no Iraque e há uma grande fatia do eleitorado que olha com desconfiança o facto de McCain ter 72 anos à data da eleição, facto que o tornaria o mais velho Presidente da história dos EUA no momento do sufrágio.

Aqui ficam os dados mais recentes:

DEMOCRATAS
— Hillary Clinton 34,2
— Barack Obama 24,8
— John Edwards 12,4
— Al Gore 8,2

Sem Al Gore:
— Hillary Clinton 35
— Barack Obama 29
— John Edwards 17


REPUBLICANOS
— Rudy Giuliani 36,6
— John McCain 20,2
— Newt Gingrich 10,8
— Mitt Romney 7,2


DUELOS PROVÁVEIS
— Giuliani 48-Hillary 43
— McCain 46-Hillary 44
— Giuliani 45-Obama 42
— Obama 44-McCain 42
— Giuliani 46-Edwards 43
— Edwards 44-McCain 44
— Hillary 50-Romney 37
— Obama 51-Romney 32
— Edwards 51-Romney 32

Em breve, a Grande Loja publicará retratos personalizados de Hillary Clinton e John McCain, depois de já ter disponibilizado as biografias de Barack Obama, John Edwards e Mitt Romney.

Publicado por André 18:27:00 1 comentários Links para este post  



Linguagem conservadora

Na semana passada, num encontro anual de conservadores americanos, Ann Coulter chamou "panasca" ( faggot) a John Edwards.
Está já no YouTube e o que merece algum destaque são os comentários avulsos, e os impropérios que cairam sobre a pobre senhora conservadora, nessa espécie de blog de videos. "Stupid bitch" é o mais suave...

Publicado por josé 15:36:00 0 comentários Links para este post  



o estalinismo nunca existiu

Vital Moreira, no seu blog de causas esparsas e de exercício prático de nunciatura, afirma a propósito da casa-museu de Salazar, que " Por muitos salazaristas que existam (e não há), o salazarismo está morto e bem morto e Salazar não passa mesmo de uma figura ... de museu."

Ao ler esta afirmação de consenso, apetece logo perguntar: e o estalinismo, também "está morto e bem morto"?
Entre salazaristas e estalinistas, venha o diabo e escolha. E não aposto nada que o salazarismo ganhe...

Publicado por josé 10:53:00 4 comentários Links para este post  



O modelo republicano

O jornal Público, com a mudança estética, operou uma pequena cosmética nas letras, títulos e arrumos de assuntos nas páginas renovadas. O recheio ético, poético, patético, sintáctico e programático continua o mesmo dos últimos anos. Logo, a melhoria da aparência nada de substancial irá mudar na audiência e credibilidade do jornal e a verificação está apenas a poucos meses de vista.

Qual o problema central do Público actual? Para mim, a questão que se coloca, é a própria “filosofia” do jornal. À semelhança do ocorrido com o alterado Libération, francês, cujo paralelismo de crise mais de uma vez assentei como referência, incluindo a particularidade de os directores de ambos os periódicos terem passado os tempos de juventude a clamar publicamente e por escrito em jornalecos, por uma sociedade sem classes do tipo maoista.

JPP, no Público de Sexta-feira, escreveu que os jornais de referência, devem ser “mais compactos, mais pequenos, especializados, menos generalistas, comunicando de forma próxima com outros media”. É uma opinião que carece de demonstração de bom funcionamento. Se alguma vez alguém o fizer, logo se verá o acerto ou desacerto da impressão.
Quanto ao Público, parece-me mais acertado comparar com o que se passa lá por fora, em países com semelhanças latinas, por exemplo, em vez de as procurar em semelhanças anglo-saxónicas.
Tomemos por exemplo, o caso de La Repubblica, como poderíamos tomar o caso comparativo do EL Pais ou El Mundo, para rever páginas diárias de informação e cultura.
Na Terça-feira, 27 de Fevereiro, o Público dedicava a primeira página a assuntos nacionais: A OPA e a PT; A contestação dos magistrados aos números estatísticos do Ministério da Justiça; a censura – Castigos infantis, Portugal condenado, era o título- de uma decisão do STJ por um órgão do Conselho da Europa ( Comité Europeu dos Direitos Sociais); protestos pelo fecho de serviços de urgências e uma sondagem do Eurobarómetro sobre a confiança das novas gerações.
No âmbito internacional, refere-se a deliberação das Nações Unidas sobre Srebrenica, sobre a ausência de culpa da Sérvia no genocídio e destacam-se notícias do suplemente da P2, sobre a moda e os prémios das estrelas da noite dos Óscares, uma referência às atribulações sobre a credibilidade de uma guatemalteca, Nobel da Paz em 1992 e agora candidata à presidência do país.
Como é que o LaRepubblica retrata a Itália e o mundo, na primeira página desse dia?
A política caseira, toma toda a importância de um título dedicado às…reformas da Segurança Social. Lá como cá, os sindicatos estão contra. Mas a primeira página transcreve dois artigos de opinião, continuados nas páginas interiores, sobre assuntos de política interna: a reforma eleitoral e um outro sobre as duas esquerdas, a estalinista e a libertária e o “duelo nunca acabado”. Uma referência ao estudo científico do efeito de estufa, com artigo de correspondente de Londres. Num quadradinho de chamada, em fim de página, um título, “as declarações de inquérito”, evidencia a existência de mais um escândalo de corrupção com “50 milioni pagati ao politici”.
No noticiário internacional, uma referência a um livro de Ariel Toaff, israelita polémico que põe em causa teses oficiais sobre assuntos de guerra; uma notícia sobre a decisão de não condenação da Sérvia, pela Onu. O título semelhante ao do Público, tem desenvolvimento nas mesmas duas páginas , 12 e 13. A comparação dos artigos do Público e do La Repubblica, dão toda a imagem da diferença entre os dois jornais. As fotos são praticamente idênticas e colocadas do mesmo modo, até. E mesmo os artigos são assinados por uma jornalista, num jornal como noutro. Mas o sumo, a essência do escrito, diz a diferença e dita a sentença: a extensão, profundidade de análise e o próprio estilo de escrita nem se devem comparar, porque a derrota nacional está assegurada.
E a P2 portuguesa, comparada com a italiana, original? Sabendo que a loja italiana tem melhor recheio, mesmo assim, valerá a pena comparar:
Na P2 nacional, o relevo todo vai para os Óscares de Hollywood e para o túmulo encontrado pelo cineasta James Cameron, em Jerusalém, reivindicado como sendo o de Jesus Cristo.
A P2 nacional, ainda iniciou uma coluna de citações de blogs, em papel. A ideia vale pouco, parece-me. Reproduzir opiniões anódinas de gente anónima ou nem tanto, vale o mesmo que alargar a secção das cartas ao director, com recolha de cartas abertas em lugares escolhidos.
O LaRepubblica - tem nada disto, mas tem, pelo contrário, referências aos sites relevantes, através da indicação precisa e principalmente, a indicação de livros sobre os assuntos ensaiados nas páginas do jornal. Acontece isso mesmo, nesta edição que dedica sete páginas a assuntos de cultura geral, com particular atenção à discussão ente as “duas esquerdas”, com artigo de Anthony Giddens e caixinha de comentários dedicada a Norberto Bobbio, já falecido, mas com direito a ser ouvido nestes assuntos. Sintetiza assim: “ enquanto a esquerda liberal é interna à dimensão do capitalismo, a outra esquerda, a “verdadeira”, a “autêntica”, “boa esquerda”, pressupõe a definitiva superação.” Mas a questão ocupa três páginas, bem ilustradas e com referências ao site na net- Eric Hobsawm, Vittorio Foa, Ralf Dahrendorf e Robert Hughes e uma arrumação gráfica dos textos e imagens, exemplar. E sem cores. Mesmo assim, bem colorida, é a discussão que se estende por mais três páginas da secção Cultura, sobre o assunto de capa que atenta na polémica que o Parlamento israelita levantou ao condenar o livro de Ariel Toaff. Alguém ouviu falar no assunto, por cá? E alguma vez a P2 publicaria um artigo de duas páginas sobre a Inquisição, com a isenção revelada nas páginas 42 e 43 do LaRepubblica?
O Público é a cores; o La Repubblica, é todo a preto e branco, mesmo a publicidade. Contudo, as cores da narrativa, descrição e análise, são muito mais vivas neste, do que naquele. Fenómeno óptico, certamente. Por exemplo, sobre os Óscares, o Público omitiu totalmente a referência ao prémio de carreira recebido por Ennio Morricone. O La Repubblica, dá-lhe a referência máxima, ainda mais do que a Scorsese. Poderia escrever-se: não admira, é italiano. Contudo, Scorcese também descende de Rómulo e Remo. E o assunto, neste caso, é música. De filmes.
Poderíamos continuar a análise comparativa, com as edições de fim de semana, da Sexta-Feira última. Retenho apenas o assunto do obituário de Schlesinger. O Público, na sua loja P2, dedica uma página do correspondente Dennis McLellan. No LaRepubblica, escreve um enviado, Vittorio Zucconi. A arrumação do texto e da imagem, tornam o artigo italiano, mais apetecível de ler, mesmo a preto e branco. Repare-se apenas no tratamento da mesma imagem ilustrativa, nos dois jornais de Sexta:


Publicado por josé 16:08:00 9 comentários Links para este post  



Marcelo Viana, alguém conhece?

Na passada quinta-feira, 2.3.2007, a Universidade de Coimbra comemorou o seu 717º ano de existência. A efeméride, por si mesma, justifica notícia e atenção. Tirando jornais regionais e alguns virtuais, a imprensa de “referência”, desligou do assunto, aparentemente local e acantonado nas Beiras.
Não obstante tal omissão informativa, o Público de Sexta-feira, titulava que “Número de doutoramentos mais que triplicou nos últimos anos”, baseado em notícias online de site do Observatório da Ciência e do Ensino Superior.
Tal fenómeno, aliás, era bem visível, na cerimónia de comemoração que se realizou no Auditório da Reitoria da Universidade, perante o “magnífico reitor”, vice-reitores e alguns docentes. Poucos, muito poucos mesmo, aparentemente desligados das comemorações.
A efeméride foi aproveitada para a Universidade homenagear publicamente, com medalhas , os “aposentados” do ano, professores e funcionários e ainda para entregar a várias dezenas de novos doutorados o diploma pelo doutoramento concluído no ano transacto. Um canudo em metal dourado, contendo um pergaminho em tromp l´oeil, escrito no latinório do costume e que provoca sempre o sorriso lato de quem lê, para garantia de que o titular possa escrever doutor por extenso.
Tirando este fait-divers, anualmente repetido, a Universidade de Coimbra, decidiu este ano, atribuir um prémio da própria Universidade e que em edições anteriores tinha já distinguido um historiador- António Hespanha- uma o actor e encenador- Luís Miguel Cintra- um neurocientista - Fernando Lopes da Silva- e uma professora jubilada, a classicista Maria Helena da Rocha Pereira.
Ora, este ano, o prémio recaiu em…Marcelo Viana. Marcelo Viana?! Mas, quem raio é Marcelo Viana?
Pois, é aqui que reside a razão deste postal. A estupefacção ao ouvir o discurso de agradecimento do prémio, justifica esta referência, acumulada pela completa ausência de notícia nos media de referência.
Marcelo Viana é um matemático. Dedicado à investigação matemática, na área dos Sistemas Dinâmicos ( área dedicada à compreensão e previsão da evolução de uma qualquer realidade ao longo do tempo).
Licenciou-se em Matemática pela Universidade do Porto, em 1984, e doutorou-se no Brasil pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro. O IMPA não é propriamente uma qualquer universidade independente, mas sim a mais prestigiada instituição da América Latina no estudo da matemática. O currículo justifica já atenção demorada, pois os prémios, convites para participações em conferências e publicações científicas, já é extenso. Talvez por isso, Marcelo Viana é considerado já um dos grandes especialistas da área de estudo dos Sistemas Dinâmicos.
Por isso mesmo, a Universidade de Coimbra, por empenho do seu departamento de Matemática, atribuiu-lhe o premido deste ano.
Quem o soube e deu a saber?
O Diário Digital, por exemplo. Também o sítio da Cabra.
Para saber mais de Marcelo Viana e do que pensa sobre o estudo da Matemática em Portugal, pode ler-se a entrevista aqui que reproduz genericamente o siderante discurso de agradecimento, em que destacou o progresso extraordinário alcançado por Portugal, nos últimos vinte anos no estudo da Matemática e o apresentou como exemplo do que por cá acontece, muitas vezes sem darmos conta disso e à margem do desenrascanço habitual , das modernas e lusíadas chico-espertices independentes e vergonhosas ( para quem tem vergonha).
Fica, porém, uma perplexidade registada: nem o Público, nem o Diário de Notícias, nem o Sol, nem o Expresso dedicam uma única linha que seja, ao assunto, na Sexta-feira e Sábado que passaram. Nada.
Marcelo Viana, já com profusas referências na net, não existe enquanto personalidade científica e nem mesmo o prémio importante que alcançou, chegou para ser noticiado.
Depois, interrogam-se acerca da crise de venda de jornais.
Seria tal omissão possível noutros lados, mesmo os mais mediterrânicos, como a Itália do la Repubblica ?
Veremos a seguir, para configurar uma análise perfunctória e mais prática do que a encetada por JPP, no Público, onde tem andado a tentar "pensar os jornais" ( e já vai no terceiro tomo).

Publicado por josé 11:44:00 1 comentários Links para este post  



Engenharia de sistemas

A propósito do caso Universidade Independente, com contornos parecidíssimos ao caso da Moderna, com a diferença de que o escândalo de então, está agora amenizado com a anomia dos media em geral, relativa ao assunto, passo aqui uma pequena historieta que em tempos esta Loja publicou numa caixa de comentários. O texto podia ser um dos parágrafos do engenheiro Simões, nome de guerra de um livrito publicado no final dos anos noventa, de António Borges de Carvalho. Mas vem daqui e segundo indicação do próprio, foi escrita por Carlos Medina Ribeiro. Fica aqui o crédito explícito, com parabéns pela subtileza deliciosa e algo queirosiana.

"Mas ainda faltava a melhor. Foi quando ele comentou: «Não nos podemos esquecer de meter aí o E-N-G!»
Essa é que, de facto, eu não estava a perceber! E ele foi buscar a maqueta dos catálogos que andava a preparar e mostrou-me: ENG OLIVEIRA
Reagi mal a essa evidente desonestidade profissional: «Que história é essa?! Desde quando é que você é licenciado em engenharia?!».
Riu-se, com aquele ar de chico-esperto com que eu tanto embirro, e saiu-se com esta:
«Ora, ora... nestas coisas de negócios, o ENG cai sempre bem... afinal de contas, são as iniciais de Empresa de Nutrição e Gastronomia...»
Reagi, talvez agressivamente demais:
«Ó Oliveira! Que raio! NÃO HAVERÁ QUEM O META NA ORDEM?!»
Aí, ele ficou de olhos em bico, e - gaguejando de sincera emoção - saiu-se com esta:
«Acha que era possível?! Você ajudava-me?!»
Não entendi...Mas ele também não tardou a explicar-se:
«Sim!! Era bestial!!! Você arranjava maneira de me meter na Ordem dos Engenheiros?» "

Publicado por josé 11:59:00 8 comentários Links para este post  



sobre o regresso de um estranho...

... mais logo, à hora dos telejornais, só tenho, se é que tenho, uma dúvida - o Dr. Portas vai dizer alguma coisinha sobre a matéria abaixo ? Vai mesmo ? E, se não disser, o Dr. Pires de Lima, e o Dr. Xavier, vão ficar, outra vez, 'cirugicamente' calados ?

O ex-vice-presidente do CDS- PP Pires de Lima afirmou terça-feira à noite que "a direita não estava preparada para governar" em 2001, e confessou o "sabor da desilusão e até da incompetência" desses três anos no poder.

Num debate sobre "A direita e a liberdade", António Pires de Lima admitiu que PSD e CDS "foram apanhados de surpresa" pela demissão de António Guterres após a derrota nas autárquicas e considerou que isso teve consequências na forma como a coligação foi elaborada, em formato pós- eleitoral.

"A falta de autenticidade, a falta de convicção rapidamente se detectaram", sublinhou, lamentando que os três anos em que PSD e CDS-PP estiveram no poder não tenham conseguido deixar uma "marca de eficácia" no país.

Portugal Diário (06 de Julho de 2005)

Publicado por Manuel 17:41:00 1 comentários Links para este post  



No fundo, o engenheiro está nisto por desporto

"Sonaecom e PT lutam até ao fim pelo voto dos accionistas" - Uma notícia que pode ler no Público (pág. 38, atenção ao cabeçalho)

Publicado por Carlos 14:07:00 2 comentários Links para este post  



A luta continua

O deputado Dr. Ricardo Rodrigues, autor da abortada proposta de criação de um “Procurador Especial”, foi designado pelo parlamento para integrar o Conselho Superior do Ministério Público.

Publicado por Gomez 12:31:00 1 comentários Links para este post  



"Não havia necessidade!"

A Senhora Directora do Centro de Estudos Judiciários declarou-se hoje “desagradavelmente surpreendida” com a candidatura de um arguido à admissão como auditor naquela escola de magistrados (“DN”, p. 21 – link não disponível).

Registando a franqueza da declarante, permito-me fazer notar, aos Exms. formandos no CEJ, que esta peculiar visão do princípio da presunção de inocência é capaz de não ser a mais propícia ao sucesso na prestação de provas na cadeira de Processo Penal.

Publicado por Gomez 12:23:00 0 comentários Links para este post