O farol do paraíso que se perde

Na Universidade Independente, o reitor que já não é, mas pode ainda vir a ser, de seu nome Arouca, disse ao Público, referindo-se aos documentos que suportam as classificações académicas dos alunos que “as fichas de cada aluno já ninguém sabe delas. Nos primeiros anos, a nota final é acompanhada com fundamento, depois é deitada fora. Ao fim de cinco anos, vai tudo para o maneta”.

Ao Expresso de hoje, o Professor Arouca, assegurou que “ a licenciatura é correcta, impecável”, apesar de não mostrar os documentos que atestam a afirmação. Tudo indica, aliás que estejam nas mãos do misterioso…Maneta. Será o do Fugitivo, de boa memória?

Vital Moreira, depois de ter glosado o tema da Universidade Independente, do modo que se conhece, no blog e nos jornais, lançando a lama mais pútrida sobre a honorabilidade curricular das universidades privadas e respectivos corpos docentes, entende agora que , “o Primeiro-Ministro mudou a forma da sua apresentação pessoal, de "engenheiro civil" para "licenciado em engenharia civil", para pôr fim a acusações mesquinhas.”
E para que não fiquem dúvidas sobre a mesquinhez do propósito dos maledicentes, apresenta os seus argumentos constitucionais:
Engenheiros, há muitos! Arquitectos e doutores, idem! E pergunta, destemido, se querem que diga nomes!

Queremos, senhor Professor Doutor, Vital Moreira, honoris causa em muitas causas!

Queremos o nome do Primeiro- Ministro de Portugal ( e até da Europa) que não sendo aquilo que dizia ser, foi obrigado a alterar a designação académica com que se apresentava em documentos, encontros e comunicações e oficiais. Queremos saber se houve vergonha igual por essa Europa fora!
Queremos que nos diga quem foram os Primeiros-Ministros de Portugal que viram a sua vida académica em vias de ser escrutinada, por se levantarem dúvidas e suspeitas sobre a sua correcção e verdade.
Se não houver nomes, espera-se que em nome do purismo, vá reler o que escreveu, nas suas causas avulsas e recolha a penates.
Podem ser vários escritos, todos eles de purismo exemplar. Por mim, escolheria aqueles com que brindou Santana Lopes, ao logo dos últimos meses de governo; pode ser o artiguito purista sobre ”a Nobre casa de Guedes”, ao mesmo tempo que poderia compará-los com os grandes e magníficos encómios ao engenheiro que agora se descobre nunca ter sido verdadeiramente, facto descoberto num acaso mesquinho.

Publicado por josé 16:34:00  

8 Comments:

  1. lusitânea said...
    É aquele beirão desnaturado ia-se queimando perante o "chefe" e lá virou um pouquinho o bico ao prego... olha se o homem fosse juiz ...
    Zé Luís said...
    Este Moreira vê-se logo que ganhou respeitinho perdendo o medo à Sibéria e a degredo...
    zazie said...
    Que diabo. A coisa é ainda mais vergonhosa do que se pensava. E as desculpas do engenheiro são preocupantes. Já se imaginou como uma cabecinha desmemoriada daquelas, que nem se lembra do colega que lhe orientou as 4 cadeirinhas dos estudos nocturnos, há-de lembrar-se de tanto detalho dos dossiers?

    Quanto aos Vitais, o que os leva a sujarem-se por isto?
    Há-de ser a pequenez caseira em que vivem. Afinal, nem o saber deles precisa de se internacionalizar, quanto mais a defesa de alguma honra.
    fm said...
    Possível resposta a uma das perguntas do comentário anterior:
    o Tribunal Constitucional?
    josé said...
    O tribunal constitucional já lá vai, na escolha dos futuros juízes feita pelos partidos.

    Não consta o nome Vital, nem parece viável cooptação com tão excelente núncio.

    Aliás, sobre Vital acabei de ler um comunicado do PCP, assim:

    "E chama a isto democracia"
    Ruben de Carvalho no "Diário de Notícias"
    Sábado, 03 Maio 2003
    O jurisconsulto Vital Moreira foi, como é sabido, comunista. E militante do PCP. Nesta qualidade, em meados dos anos 80, defendeu dentro do PCP transformações, nomeadamente a adopção do voto secreto.

    Não o fez da forma mais dignificante. Tergiversou quanto às instâncias e princípios que lhe indicavam as normas estatutárias, recorreu a expressões públicas sugeridas pelo interesse político de adversários do PCP dominantes na comunicação social. Não falando de pusilanimidades como pseudónimos pueris.

    Vital Moreira não defendeu que a República impusesse o voto secreto aos partidos: defendeu no PCP (como era seu direito) que o PCP o adoptasse. A maioria (esmagadora, aliás) dos militantes do PCP não esteve de acordo. Vital Moreira tirou do facto conclusões razoáveis: saiu do PCP. Entre os seus camaradas e os pontos de vista pessoais, escolheu estes últimos. Ninguém o impediu de os defender, tal como ninguém o obrigou a deles abdicar. Eleito depois nas listas parlamentares do PS, teve directa responsabilidade numa revisão constitucional que visava (ele o diz) a situação presente. Vital Moreira não ganhou para os seus pontos de vista a confiança dos então seus companheiros militantes - Vital Moreira regozija-se agora que eles lhes sejam impostos na base de leis fruto de acordos partidários espúrios".

    Aquela do "Não falando de pusilanimidades como pseudónimos pueris.", ainda vai servir para lhe atirar aqui mesmo, à cara do blog...
    Carlos Medina Ribeiro said...
    Na realidade, há muitas pessoas que, não sendo "engenheiros", são tratados como se o fossem - e não corrigem.

    Eu trabalhei dezenas de anos em engenharia (desde 1970...) e era frequente suceder o seguinte:

    Quando um vendedor aparecia lá na empresa, e queria falar com alguém cujas habilitações desconhecia, atirava "por alti" com:

    - Queria falar com o Sr. Eng. Fulano.

    Raramente o/a recepcionista corrigia, e, quase sempre, a conversa posterior desenrolava-se em termos de «senhor engenheiro para aqui/senhor engenheiro para acolá» - mesmo que o interlocutor fosse tão engenheiro como o guarda-nocturno...

    Mas garanto que NENHUM desses PSEUDO-ENGENHEIROS (que, alegremente, deixavam que os tratassem assim) alguma vez escreveu "Eng." nos cartões de visita, nem nos curricula nem na sua "homepage" (se a tivesse).

    Mesmo no caso dos Engenheiros-Técnicos, sucede, quase sempre, que as pessoas os tratam por "engenheiros". Mas, quando fazem cartões-de-visita ou curricula escrevem a habilitação correcta.

    Isto que aqui digo aplica-se, pelo menos, às muitas DEZENAS de pessoas que conheci nessas condições - ao longo de mais de 30 anos de vida profissional.
    josé said...
    CMR:

    Muito há a dizer destes pseudo engenheiros, mas isso é certamente secundário, em relação ao que aqui importa: ocultação, dissimulação, numa palavra sintética: MENTIRA.

    É isso que aqui está em causa, como esteve no caso do Watergate e noutros.

    A diferença, agora, é que por cá, há muitos que têm a obrigação estrita de denunciar a mentira, mas que o não podem fazer, porque vivem dela e para ela.
    Exemplo? Alguns jornalistas de topo.
    Eis o nosso drama!

    Até fiquei admirado com o reportagem do Público passar o crivo da direcção, das Sãos Josés de Almeira e quejandos que por lá andam, controleiros do fluxo de informação e opinião.
    Carlos Medina Ribeiro said...
    José,

    Sim, claro, o problema essencial é esse, o da mentira, agravado ultimamente com a ideia peregrina de que quem a denuncia está a caluniar.

    Mas eu não quis deixar de fora o argumento "lateral" que referi.

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