A inteligentsia da engenharia

No programa Prós&Contras que segue na RTP1, há uma mostra de costumes de engenharia lusa.
Os presentes, são quase todos bem entrados nos entas, formados no tempo do Salazarismo e presumivelmente prósperos, pela aparência do trato e do traje.

Presumo que se trata da nossa elite, mais avançada de catedráticos, directores e responsáveis altos por departamentos.

Todos gravateim e casaqueiam, com a sobriedade dos anos sessenta. Seria uma obra de arte, mais interessante do que a ponte do Infante, haver alguém que soubesse e lhes traçasse o perfil pessoal, político e profissional.

Julgo estar ali, neste momento, concentrado um conhecimento prático da nossa vida político-técnica dos últimos 40 anos.

Publicado por josé 00:02:00  

8 Comments:

  1. Anónimo nominado said...
    Foi pena não terem convidado o Engenheiro Sócrates...
    o-espectro said...
    Eu acho que estamos a cometer um crime: Sócrates é uma " vítima " de um sistema de Ensino fundado, na base,na separação violenta ou dissumulada das relações entre a " estética, a política, a ética e o mundo científico ". A tal herança do Sistema Educativo de Veiga Simão e Roberto Carneiro, de soi-disant democracia participativa e modernista,produz objectos tão ridiculamente dramáticos como o perfil desta verrinosa diatribe contra o nosso PM, que foi eleito democraticamente num escrutínio onde todos os lances têem a representação conferida pela Lei.
    De um texto notável e escrito por um dos grandes filósofos revolucionários - em todos os sentidos da palavra- lanço estes fragmentos para um debate cujo sentido se determina na espantosa transformação da Pedagogia contemporânea: " Sous le signe de l´utilitarisme, d´un cotê l´on affirme que l´enseignement doit être modifié pour être adaptê aux exigences de la vie economique, l´on fait état de la demande du marché, l´on invoque les exigences du progrès tecnique, d´un autre côtê on défend la condition de l´é- leve, de l´étudiant, en demandant que cet étudiant trouve des débouchés au sortir de l´ecole ou de l´université(...). En mai 68, la demande d´un savoir dont il puisse se rendre maitre, d´un savoir qui puisse être déterminable, qui puisse à la limite être mesurable, et il refuse souvent, sous le couvert d´une dénonciation du charisme de l´enseignant, l´idée d ún savoir qu´il ne serait pas mâitre d ´apprécier selon des critères définis ". Trata-se de um texto capital, portanto, de um antigo aluno e discípulo de Maurice Merleau-Ponty, e fundador com Edgar Morin , J-F Lyotard e C. Castoriadis, da importantíssima revista " Socialisme ou Barbarie". Está incluido no livro " Écrire - `A l´epreuve du politique ", pág. 219 e sgs..., capítulo sobre Formação e Autoridade ", Ed. Calmann- Lévy. Paris 1992. Niet
    josé said...
    Caro niet:

    A ideia recente de o Papa Bento XVI, reintroduzir o latim, na recitação da Missa, tem a ver com o fenómeno que apontou, mesmo que não pareça.
    O latim é uma língua morta para a fala corrente, mas é a fonte das línguas vivas românicas.
    Ninguém atinge a qualidade da excelência na linguagem se desprezar a fonte de onde ela brotou.
    O Latim na Missa é uma forma de aproximação ao Mistério, tal como o estudo do Latim nas escolas, é um modo de participar no que é Antigo e clássico, ou dito de outro modo, Essencial.
    o-espectro said...
    Meu caro: O texto do Lefort prolonga aquela linha- longe de querer simplificar- que nos diz que a aprendizagem é uma forma ideológica perversa e viciosa, onde todas as armadilhas da ideologia dominante jogam e se disputam em rodopio. Eu sei de engenheiros formados em Coimbra, sem cultura alguma, que passavam a vida a beber... e só estudavam na véspera dos exames. O mesmo aconteceu em Direito... Gostei foi da classe de Marcelo Rebelo de Sousa- na charla de Domingo passado- que evitou, com habilidade e finura extremas, fazer chacota com o grave problema que pode inquietar José Sócrates. Acho que o caminho vai por aí, o bom. Portanto calma, exorto-o a que não deite por terra uma admirável prestação bloguista como a sua. Niet
    josé said...
    Caro niet:

    Algo me diz que este caso, é profundamente revelador do Estado a que chegamos.

    Não devemos dar importância, acha?

    Um facto que tomei conhecimento, há poucos minutos, foi o de que José Sócrates obteve a licenciatura no dia 8 de Setembro de 1996.
    Fui ver e confirmo o que outros já disseram: foi num Domingo. É azar a mais para o PM.
    Acha que isto deve ficar assim, em águas de bacalhau, porque não há nda a fazer e enfim, tantos fazem o mesmo e quie se há-de agora fazer que este primeiro-ministro até parece razoável e que tem competência e que ainda vêm outros piores e que ...bla, bla, bla?

    Que me diz a tal coisa? Mostre as suas razões para a temperança, neste caso. Se forem aceitáveis, ponderarei.
    o-espectro said...
    Meu caro: como dizia o Freud, a sociedade é um crime feito em comum. Vou ponderar...Tenha calma. Niet
    o-espectro said...
    Meu caro: Andei a ler e a reler coisas sobre a vontade e a reprsentação política, o seu estatuto e alcance.Interpretações de Maquiavel por Fichte e Lefort, que tem um livro indispensável sobre o autor do Princípe. A questão Sócrates ai está: a data é mesmo assim? A coisa parece mesmo obscena: a política à portuguesa, lá diz o outro, tem destas voltas. Daí a importância dos grupos... E dos jantares. Houve o grupo do Soares, o do Sampaio, um fraco do Guterres( onde surgiu o Sócrates...); e agora temos, de novo, o grupo do Marcelo, o do Durão Barroso e os de JM Júdice( em constituição), entre os mais fortes. A Esquerda sonhava com o grupo do Sócrates, saiu-lhe um estória digna de Pyrrho comentado por Nietzsche, o homem da "Vontade de Poder":" Viver de modo vulgar- venerar e acreditar, acreditar em tudo no que os outros acreditam. Evitar a ciência e o espírito, sobretudo tudo o que seja arrogância. Ter simplesmente uma paciência indescritível.(...) tudo o que é pobre, tudo o que é idiota exerce a sua sedução. Isso narcotiza, isso desdramatiza(Pascal) ". Poupo-lhe as referências de Horheimer sobre a praxis concreta como momento(!) da verdade. Salut! Niet
    o-espectro said...
    Errata: Queria referir-me a Max Horkheimer, como é evidente, fundador da Escola de Frankfurt,1923/1979, com Adorno, Marcuse Fromm e Wittfogel. Niet

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