O engodo de Camarate


A quem era destinada a bomba de Camarate?

José Esteves - Era um engodo destinado ao Soares Carneiro. O circo mediático estava todo montado [para noticiar a tentativa de assassinato]. Soares Carneiro não tinha jeito para actor. Nem teve jeito para general, quanto mais....

Esta revelação de José Esteves – na revista Focus - leva-me a pensar que pode haver uma nova explicação para Camarate. Apesar do autor do engenho dizer que a sua “bomba” (cloreto de potássio com açúcar e ácido sulfúrico) possa ter sido adulterada (com uns pós de piri-piri), também não é de excluir que apenas foi colocado no avião o engenho original, de acordo com o tal “engodo” que estaria em marcha. A deflagração da “bomba” de José Esteves acabou por provocar uma confusão enorme no interior do Cessna, levando à queda deste.

Sendo assim, a entrevista de José Esteves abre uma nova tese sobre Camarate: A morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa resultou, apenas e só, de um brincadeira de muito mau gosto que correu mal.

O melhor será esperar por alguns dados deste sennhor que, com toda a certeza, não irá protestar pelo facto de eu lhe ter roubado a foto.

Publicado por Carlos 13:27:00 5 comentários Links para este post  



Importa-se de repetir?

«As pessoas acreditam que podem vencer e que vale a pena lutar, não partem já derrotadas como antigamente. Há outro ânimo. Em 1985, dizia-se que as nossas empresas iam ser esmagadas pelas empresas espanholas. Não foram. Isso contribuiu muito para mudar a atitude dos empresários. Os jovens empresários e os jovens agricultores estão mais abertos a enfrentar uma concorrência muito difícil. Mas não desistem. Querem ganhar e acham que de facto vão ganhar».

ANÍBAL CAVACO SILVA, à revista «Kapa», Setembro de 1991, quando era primeiro-ministro há seis anos

Publicado por André 22:45:00 3 comentários Links para este post  



Camarate

Doa a quem doer, apareçam as confissões (?) que aparecerem, as provas que houver, desde o início que Camarate se tornou uma questão de fé, de conveniência, de posicionamento, de interesse. Tudo o resto não interessa. Este fenómeno, tipicamente indígena, não se resume a Camarate, naturalmente. As razões do 'Estado', tem razões que a razão mundana desconhece, e isso explica muito do 'estado' a que já se chegou.

Publicado por Manuel 22:18:00 5 comentários Links para este post  



À paulada é mais prático

O escritor britânico Ian McEwan, foi alvo de uma notícia no jornal inglês Mail on Sunday, do passado Domingo, a qual eclodiu rapidamente em acusações públicas de plágio, em jornais “sérios”, como o Times e em múltiplos blogs e comentários dispersos.
O jornal nem mencionou a palavra plágio. Apenas referiu semelhanças entre a obra de McEwan, Atonement, e a de Lucille Andrews, No Time for Romance.
A notícia tem fonte anónima.
Contudo, plágio é a palavra em curso, nos debates profusos que se encetaram logo, nos media.
Algumas das frases que sustentam a acusação são estas:

Excerpts from Atonement (Ian McEwan)
. . . she had already dabbed gentian violet on ringworm, aquaflavine emulsion on a cut, and painted lead lotion on a bruise . . .”
“. . . practising blanket baths on life-size models — Mrs Mackintosh, Lady Chase, and baby George whose blandly impaired physique allowed him to double as a baby girl.”
“These bandages are so tight. Will you loosen them for me a little . . .There’s a good girl . . . go and wash the blood from your face. We don’t want the other patients upset.

Excerpts from No Time For Romance (Lucilla Andrews)
Our ‘nursing’ seldom involved more than dabbing gentian violet on ringworm, aquaflavine emulsion on cuts and scratches, lead lotion on bruises and sprains.”
“. . . the life-size dolls on which decades of young Nightingale nurses had learnt to blanket bath. Mrs Mackintosh, Lady Chase and George, a baby boy of convenient physique to allow him to double as a baby girl.”
“Go and wash that blood off your face and neck . . . It’ll upset the patients.

Na busca ao Google, com as palavras "McEwan plagiarism", foi em vão que busquei palavras como “cobardia”, “difamação”, “anónimo abjecto”, “libertinagem”, na miríade de referências. Estranhamente, não se vêem. O máximo que se pode encontrar é este texto, interessante e revelador. McEwan também já se defendeu no Guardian e estranhamente, também não fala de pauladas, calúnia ou de tribunal...

Por cá, tente-se a busca com as palavras “Miguel Sousa Tavares plágio”e veja-se o que resulta...
Escusado será dizer que por cá, o que aconteceu a Miguel Sousa Tavares, com a discussão que nem chegou a haver, com o alto patrocínio dos bonzos do jornalismo pátrio, é outra loiça.

A diferença, parece-me, será assim como a que pode existir entre a porcelana inglesa, de servir chá e a louça das Caldas, para o caldo entornado, os manguitos, os frades de burel manhoso e as surpresas no fundo das canecas.
Talvez seja essa uma das diferenças que nos separa da civilização. Estamos ainda um pouco atrasados.

Publicado por josé 21:16:00 7 comentários Links para este post  



Blogs foto-maton

"Será interessante acompanhar o nascimento, evolução (e, se se mantiver a tendência do passado, a morte por inanição) de blogues políticos que, pelos seus meios profissionais, se percebe terem financiamentos próprios cuja origem é desconhecida. " in Abrupto

Esta frase do Abrupto, pode insinuar várias realidades, mas uma apenas sobressai nas entrelinhas: há blogs politicamente disfarçados que servem a política em sentido estrito, político-partidário, sendo financiados por fontes desconhecidas.
A afirmação pode muito bem resumir-se num conceito: mercenarismo de propaganda, pago por quem de direito. Blogs que servem desígnios políticos, animados por comissários e apaniguados partidários.
A quem se poderá referir o Abrupto? Népia, no que concerne a indicações concretas ou mesmo pistas de identificação. Generalização manhosa, e portanto, boateira.
Se fosse por cá, nesta Loja, ou até noutros lugares selectos e bem frequentados da blogosfera, que se adiantasse uma afirmação desse jaez, tínhamos o mastim à perna, na próxima investida.
Assim, fica a afirmação dada gratuitamente, aparentemente irrelevante e irresponsável.
Quem é que liga? Assim se vê a importância do que se lê.

Publicado por josé 16:22:00 13 comentários Links para este post  



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Maio, Matosinhos

Hoje fui à praça e encontrei a hortaliceira muito desanimada com os militares no Governo.
- Tem lá algum jeito! – dizia-me enquanto me tentava ainda com um molhinho de rabanetes – então eles perderam a guerra que era a única coisa que sabiam fazer e, agora, querem-nos governar?!
Irrespondível.

Luísa Dacosta in Na Água do Tempo [Diário]

Publicado por contra-baixo 15:46:00 1 comentários Links para este post  



OTA - Uma questão de Credibilidade

No fim-de-semana voltamos a ouvir Luís Marques Mendes, líder do PSD, a falar da OTA.

Afirmou que :

  1. A OTA é um erro.
  2. Que em vez da OTA era melhor que o governo aproveitasse os fundos que ali vai gastar e reconduzi-los para apoiar as PME´s.
  3. Que o custo com a OTA ia aumentar 3 mil milhões de euros.

Para quem ambiciona um dia chegar a líder do país, não basta dizer que a OTA é um erro, e aqui tem a enormíssima vantagem de o governo quando demitiu Campos e Cunha há mais de 1 ano, ter demonstrado que acima de tudo a OTA era uma questão de fé.

A quem ambiciona mais, exigem-se soluções, porque numa matéria este governo tem razão – talvez a única na questão do aeroporto – se as coisas se mantiverem como estão, a Portela em 2017 não terá capacidade de escoamento. Que solução tem o PSD, para o esgotamento da capacidade no aeroporto da Portela em 2017 ? Por os aviões a aterrar nas PME`S ?

Erro 1

Quanto a soluções concretas, o líder do PSD não as deu e remeteu-se num custo de oportunidade discutível de apoio ás PME´s. Ou melhor, sabe-se que não concorda com a OTA, mas não se sabe que solução tem. Quanto ao custo de oportunidade de não construir a OTA e apoiar mais as PME´s é discutível porque uma vez mais, a impressão que fica é uma vez mais a utilização do Estado como intrumento financeiro, política aliás seguida há muito anos em Portugal e com os tristes resultados que se conhecessem. Não percebeu, mas ao dar esta solução, esta implicitamente a aumentar a despesa pública, e infelizmente temos que reconhecer que entre a OTA e o apoio ás PME´s, a taxa de retorno será maior na OTA. Se o governo precisava de um argumento Luís Marques Mendes, deu-o de bandeja.

Que solução tem o líder do PSD, para o esgotamento da capacidade no aeroporto da Portela em 2017 ? Por os aviões a aterrar nas PME`S ?

Erro 2

O adiamento da OTA para 2017, não aumentará os custos da obra em 3 mil milhões. O custo da obra estimado será de 3,2 mil milhões de euros.

Aparte dos erros, o que mais incomoda, é a falta de uma solução.

A OTA não é uma arma de arremesso político. É um assunto sério, que não pode ser misturado com demagogia. A bem do país.

Publicado por António Duarte 11:21:00 5 comentários Links para este post  



A crítica de classe

No blog da literatura, João Paulo Sousa que não conheço, escreve sobre Les bienveilantes de Jonathan Littel, para dizer que ainda não leu; nem leu as críticas que Claude Lanzmann fez ao livro.
Aqui, na Loja, em tempos escrevi sobre o que o Nouvel Observateur disse do livro: "Attention chef d´oeuvre"!
Depois disso, o autor ganhou já dois prémios importantes, literários, em França.
Também ainda não li o livro. Mas li a interessantíssima crítica de Lanzmann. Aqui fica, em fac simile, tirada igualmente do Nouvel Observateur de 21 a 27 de Setembro de 2006.

Publicado por josé 22:42:00 0 comentários Links para este post  



Pequenos deuses caseiros

Celebrou-se esta semana que passou, o centenário do nascimento de António Gedeão. O poeta António Gedeão, agora conhecido como Rómulo de Carvalho, professor do ensino secundário e que publicou há cinquenta anos, o seu primeiro livro. Segundo o próprio declarou em entrevista televisiva, antes não se sentia preparado, seguro, para tal. E foi por isso que pretendeu o anonimato relativo de um pseudónimo que escondeu da própria mulher.

Mas… a comemoração falhou um aspecto primordial, essencial, do fenómeno e que consiste em termos um poeta, conhecido principalmente através da música popular.
Mais: não fora o movimento dos baladeiros, no final dos anos sessenta e António Gedeão, não seria a figura que é, na poesia portuguesa. Mais ainda: a Pedra Filosofal , em vez da Grândola, deveria ter sido o sinal musical do 25 de Abril, na minha opinião.
Como é que aqui se chegou?
Tudo começou com a Pedra Filosofal cantada por Manuel Freire, no início de 1970.
Antes, em 1968, Manuel Freire cantara já, acompanhado a viola acústica, Dedicatória, de Fernando Miguel Bernardes ( “Se poeta sou, sei a quem o devo; Ao povo a quem dou os versos que escrevo. Da sua vida rude, colhi a poesia; tentei quanto pude, dar-lhe a melodia”) e ainda Livre, de Carlos de Oliveira ( “Não há machado que corte A raiz ao pensamento. Não há morte para o vento, não há morte.”).
Manuel Freire, com a Pedra Filosofal, relançou o interesse na poesia de António Gedeão, cujas obras completas, tinham sido publicadas cerca de dez anos antes.
A canção, editada pela marca Zip-Zip Movieplay, em 14 de Janeiro de 1970, foi um êxito, logo à saída, e a sua divulgação, ao vivo, no programa Zip-Zip, de Carlos Cruz, Raul Solnado e Fialho Gouveia, apenas acrescentou notoriedade ao cantor e ao poema.
Em 1970, para além de Manuel Freire, nas cantigas a solo e que mereceram o epíteto de baladeiros, antes de serem catalogados como cantores de intervenção, podiam ouvir-se na rádio e em discos ep, singles e até em longa duração, José Afonso, Padre Francisco Fanhais, Adriano Correia de Oliveira, Vieira da Silva, Barata Moura ( que cantava também em francês), Luís Cília, Duarte & Ciríaco e …nada mais, quase. Fausto, cantou Ó Pastor que choras, ( obra prima), em 1970 e parou até 74. O tempo de José Mário Branco, Sérgio Godinho, Luís Cília ( ausentes em França) José Jorge Letria, Fausto, viria também a seguir.
O sucesso de Manuel Freire, com a Pedra Filosofal, levou-o a uma fama duradoura nos anos vindouros. Em 27 de Março de 1970, participou no convívio promovido por uma revista do Porto, Mundo da Canção, cujo primeiro número saído em Dezembro de 1969, continha já as letras das suas primeiras canções ( Dedicatória e Livre). A revista, aliás, fez tudo o que podia e devia pela divulgação da nova música popular portuguesa, a par com a publicação de letras de música do estrangeiro anglo-saxónico, francês, italiano e espanhol, para além, claro, do brasileiro. Porém, a ênfase era sempre colocada na música portuguesa de intervenção (e não só); foi aí, nesse viveiro intelectual e artístico que aprendi a gostar da música portuguesa.

Quanto à poesia de António Gedeão, continuou nos anos a seguir, a servir de inspiração a grandes obras da música popular portuguesa.
Manuel Freire, em 1971, também na etiqueta Zip-Zip, edita o ep Dulcineia, contendo este poema de José Gomes Ferreira e ainda o Poema da malta das naus, de António Gedeão.
Em 1972, António Gedeão, levou mais um grande empurrão na fama, com a intervenção de outro músico, também médico, também alferes, recolhido no mato do norte de Angola, em tempo de guerra ultramarina.
José Niza, apanhou o volume da poesia completa do poeta e com o tempo longe de todos, compôs uma obra prima da música popular portuguesa: Fala do Homem nascido, saído em 1972, destacando a poesia de António Gedeão, reforça as vozes já antes reveladas, de Samuel, Duarte Mendes, Tonicha, Carlos Mendes e a orquestração de José Calvário, para além do que se conhecia dos festivais da canção, cunhados como do "nacional-cançonetismo”, termo da autoria de João Paulo Guerra.
Talvez seja este disco que nos anos a seguir, passou com frequência nas rádios da época, normalizado pelas vozes correntes e festivaleiras, a pedra de toque na divulgação da poesia de António Gedeão.
Lágrima de preta, associa-se à voz de Duarte Mendes, como a Luísa da Calçada de Carriche, fica ligada à voz de Carlos Mendes ( sobe Luísa; Luísa sobe…) ; Poema da malta das naus, antes cantado também por Manuel Freire, num registo lento, refaz o vigor épico, na voz mais estugada de Samuel e o pícaro Poema do fecho éclair só se entende na voz de Carlos Mendes.
Enfim, passados todos estes anos, as memórias que sobram das músicas e poesias do Portugal da década de setenta, ecoam nas décadas que seguem, repetindo os mesmos nomes, num universo restrito e que fatalmente esbarra em pequenas estrelas, grandes astros, cometas ( António Macedo e Luís Rego por exemplo), e também estrelas cadentes.

O pequeno universo da música popular portuguesa que fazia na época brilhar, até hoje, a poesia de António Gedeão, contava-se em poucos nomes.
Alguns, importantíssimos, como é o caso de Carlos Cruz, divulgador ímpar da mesma, no programa e produções Zip-Zip.
Os nomes que giraram à roda desse pequeno universo de produção musical, conhecido como o Tempo Zip, abrangem quase todo o espectro de uma esquerda que já não há, mas que se solidarizou nas amizades antigas.
Músicos, produtores de tv, compositores, actores e personagens dos media portugueses, solidarizados em compreensíveis amizades, atestam a inocência de um tempo que acabou. São muitos, estão espalhados pelos jornais, rádios, tv´s, e foram já apanhados por outra geração.
O tempo Zip passou e ficou a memória de algo ímpar, nestas últimas décadas, em prol da cultura popular. António Gedeão, Manuel Freire, as produções Zip, José Niza, a rádio da época, alguns jornalistas de época, estão ligados no tempo. E o tempo é implacável. Este tempo é implacável.
Rever esse tempo actualizado, com essas memórias, desvenda-se por vezes como uma tragédia, por causa de um escândalo sexual. Grega ou Shakespeareana é o que falta saber. Mundo da Canção,nº5, Abril 1970

PS
. Este texto é uma espécie de resposta às brilhantes incursões nas memórias de M.C.R., aqui, neste lugar de culto.
Nota: o título do texto é de Manuel Freire.

Publicado por josé 19:01:00 3 comentários Links para este post  



Maria José Margarido, uma amiga e grande jornalista

Publicado por Carlos 21:35:00 3 comentários Links para este post  



Um prenda para o Miguel


O Carlos, esse, segura as audiências, afixando por cima dos passarinhos coloridos do Manuel umas moças de calendário (e de olhar lânguido) repescadas só ele sabe aonde.

Meu caro amigo Miguel, se o problema são as mocinhas "repescadas", faço questão de pescar, especialmente para si, este rapagão.

Publicado por Carlos 20:10:00 8 comentários Links para este post  



nós e (/d)a banca





bom fim de semana.

Publicado por Manuel 20:09:00 0 comentários Links para este post  



Ando assim...

Publicado por Carlos 01:29:00 1 comentários Links para este post  



'Veja' (com os próprios olhos)



Editorial da Veja desta semana (via NV)

Publicado por Manuel 17:45:00 0 comentários Links para este post  



O guarda Miguel

Aproveitando a boleia do postal anterior, deve dizer-se que o blog em questão, Câmara Corporativa, submete a frequentes sindicâncias, informalizadas, sumárias e principalmente em tom humorístico puxado quase sempre para sarcasmos infelizes, aquilo que cataloga como “corporações”.
Nada a apontar de especialmente negativo, em relação a essas inspecções perfunctórias, geralmente em modo opinativo e também irrisório e às vezes ligeiramente irritante, uma vez que as instituições do Estado, as autónomas e as directa ou indirectamente dele dependentes , sendo constituídas por corpos profissionais que geram rotinas e tendem a cristalizar procedimentos discutíveis, só terão a ganhar com uma maior transparência e um conhecimento alargado dos seus modos de funcionamento e crítica dos mesmos.
O que já há efectivamente a apontar, é uma obsessão programada com certas “corporações” , mormente as dos magistrados em geral e pessoas concretas que as integram, que sendo entre todas, das mais vigiadas e inspeccionadas, não se acompanham de outras observações relativamente às corporações mais ocultas, enquistadas e assolapadas no seio do próprio poder administrativo do executivo e que o blogger bem conhece.
O animador Miguel Abrantes, um verdadeiro anónimo com nome verdadeiro ( é um alto funcionário da Administração Pública, com tempos livres), diverte-se assim a gozar, repetidamente, algumas pessoas, instituições e situações que lhe vão caindo no goto de freelancer do humor facilitado pela condescendência de quem verdadeiramente serve: o actual poder instituído dos “praces”, “simplex” e outras modas para inglês ver.
Oscilando nos seus escritos, entre o dever de guarda da actual situação e a fidelidade canina ao chefe da repartição desse poder situado, figura muitas vezes na posição alerta e bem amestrada na mordacidade e noutras,- aliás, as mais interessantes-, como figura de banda desenhada, parecendo um rantanplan, numa reprise improvável das histórias de Lucky Luke, sempre que desanda a defender quem manda em certas chefias, para além do esperado louvor e aclamação.
Vital Moreira que o diga… pois assumindo idêntico papel de guarda, vital, neste contexto, também se permite veleidades de crítica. No caso do blogger Miguel Abrantes, defensor estrénue das "medidas" contra as corporações, nunca tal veremos. E nem será preciso. Um guarda não critica. Obedece e cumpre. Fielmente. Caninamente, se for preciso, mordendo as canelas de inimigos, mesmo imaginários.

ADITAMENTO em 24.11.06-

estrenuamente, ran tan plan.
Ora, ora! Em vez do jack que estripa, temos um zé-da-esquina a apodar de zé-polícia quem o topa à légua. Um roto a rir-se de quem chama esfarrapado.
Em vez de resposta a condizer com os praces e simplex, formas elaboradas de modernização administrativa, temos um arrazoado mercado em feira de cebolas: de chorar, a pobreza imaginativa.
Em vez do colorido de uma narrativa que nos contasse por que contas defende sempre os mesmos situados, assumindo um lugar de blogger militante, lemos uma saída sorrateira pelo lado esconso da administração corporativa.
A temática blogueira habitual, não ultrapassa a obsessão de um subsídio de compensação. O Direito, visto em linha clara, nunca oferece reservas, nuances ou divergências. Não há enganos nem dúvidas. A interpretação circular, é norma legal.

O que sobra, dessa falência discursiva? Um simples activo: um catador de gralhas, vigilante atento de erros ortográficos. Um sintacticista de bolso, compulsivamente agarrado ao prontuário.
Quanto ao resto, no passivo, um imenso colector de escarninhos.

Por isso, não subscrevo a ideia que o blog em causa será uma ante-câmara da corporação governamental. É mais uma câmara escura, onde se revelam práticas simplex e praxis simples de um apaniguado que reverencia quem lhe dá o pão da inspiração e lhe pode dar com o pau da reversão. Para disfarçar essa estranha forma de vida, arma em zombeteiro.
A imagem do blogger é o retrato do blog. Este que aqui fica. E tudo fica como dantes.

Publicado por josé 15:50:00 17 comentários Links para este post  



Detecting Aggression in the Human Voice

Acoustic recognition is helpful enough when it enables Gracenote to replace missing album art in iTunes, but the idea of similar technology analyzing voices in public places in order to activate video surveillance or contact the authorities is just a wee bit unsettling.

That's what's happening in the Dutch town of Groningen, after the official activation of street microphones set to pick up on aggressive sounding voices helped police make three arrests in a trial run earlier in the year. According to New Scientist Tech, the secret sauce is software that detects "high frequency vowel sounds [that] span a broader frequency range."

Publicado por contra-baixo 15:11:00 0 comentários Links para este post  



uma questão de (in)conveniência

O Câmara Corporativa é uma daquelas ideias simples, e razoavelmente eficazes, que o Dr. Lopes gostava de ter tido, e executado devidamente, no tempo dele mas não teve. É uma micro-central de (des)informação que, à sua escala, cumpre razoavelmente os objectivos de quem está por trás - desacreditar, desacreditar e desacreditar, nomeadamente o sistema judicial.

Contudo, porém, às vezes, muito raramente, há por lá tiradas que ultrapassam em muito o (pequeno) alcance da mera parada/(contra) resposta. Hoje, por exemplo esta é imperdível e devia ser motivo para séria reflexão... É que às vezes o tal sistema judicial desacredita-se mesmo sozinho...


Realiza-se, amanhã e depois, o IV Encontro Anual do Conselho Superior da Magistratura (CSM), órgão presidido por Noronha do Nascimento. Um dos temas em debate é a globalização e as novas exigências que ela coloca ao sistema judicial. A intervenção principal estará a cargo de Paulo Teixeira Pinto, presidente do conselho de administração do Millennium/BCP. (...) Estão reunidas as condições para que, no próximo encontro anual do CSM, se discuta o futebol profissional e as novas exigências que ele coloca ao sistema judicial. Poderão ser convidados pelo CSM Valentim Loureiro (para a intervenção principal), Pinto da Costa e José Veiga (para interlocutores principais). Haverá, certamente, juízes à altura para moderar o debate sobre os donos da bola. (daqui)



P.S. Sobre poderes fácticos, e discretos, sobre a Maçonaria e a Opus Dei, não vale a pena dizer mais nada. As coisas são o que são. Quanto a Paulo Teixeira Pinto, julgava-o mais inteligente, na melhor das hipóteses caiu numa armadilha...

Publicado por Manuel 13:56:00 0 comentários Links para este post  



Vaticano aprende com a Unidade de Missão para a Reforma Penal

O Conselho Pontifício para a Saúde (CPS), do Vaticano, já enviou aos responsáveis da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) um esboço de um documento sobre o preservativo. Continua aqui (durante o dia de hoje, amanhã só para assinantes)

Publicado por Carlos 13:27:00 0 comentários Links para este post  



O rigorismo exacto

No espaço de blogs do Público, o Provedor do leitor, anima uma interessantíssima discussão, acerca da notícia, no mesmo jornal, sobre o alegado plágio do Equador.
A notícia, assinada por duas jornalistas, deu a conhecer ao público do Público, o facto de o escritor do “romance histórico” Equador, ter ameaçado com “pauladas” e manifestado a intenção de accionar judicialmente os autores anónimos de um blog, por causa de um alegado plágio.

Para o Provedor do leitor do Público, o essencial das críticas que dirige às jornalistas e à notícia em causa, reside na afirmação de que “as jornalistas tinham o dever de confirmar os factos. É isso que está em causa.”

Mas não parece ser apenas isso que está em causa. O Provedor do Leitor do Público entende que as jornalistas “passaram o risco” ao não confirmar os factos e infere-se da sua argumentação que as mesmas partiram de um preconceito, feito de opinião escrita. Esta, estaria traduzida na afirmação “assassina”, feita pelas mesmas de que no livro referido “Há muitas ideias parecidas e frases praticamente iguais”.

Para o Provedor do Leitor, as jornalistas, com aquela frase, emitiram opinião no sentido de insinuar a prática de plágio pelo autor ofendido.
O Provedor do Leitor, por sua vez, naquilo que escreve e argumenta, emite opinião contrária. Acusando o preconceito, incorre em idêntico preconceito, de sinal contrário.

É este, parece-me, o paradigma do jornalismo português. Um jornalismo em que a objectividade não é compreendida ( porque, segundo o Provedor, nem existe) como conceito autónomo e se confunde com “rigor, exactidão, etc”.

Um jornalismo em que um preconceito se combate com outro de sinal contrário, portanto e segundo se indicia. Valem, neste caso, outras ordens de razões: na impossibilidade(confessada) de uma objectividade, com a interferência mínima do subjectivo que inevitavelmente estará sempre presente, desloca-se o centro de gravidade deste tipo de jornalismo, para o “rigor e exactidão” que podem ser… subjectivos.
Numa notícia como a criticada, a objectividade consistia em quê, exactamente?
Em dizer o que se passava e mostrar os factos que se apresentavam ao conhecimento público. Tal e qual as jornalistas visadas pelo Provedor o fizeram. Um desses factos, porém, inelutavelmente, era a comparação entre duas obras literárias. Bem ou mal, tanto no blog anónimo, como noutro(s) não anónimos, foram apresentadas aos leitores essas comparações.
Então, que faz o jornalismo “rigoroso e exacto”? Publica opiniões. Exactas e rigorosas, claro. A opinião do Provedor é que as comparações não foram “checadas” e deveriam sê-lo. Mas…o Público tem “fact-checkers”? E se não tem, qual o papel dos editores? A cargo de quem ficará, neste caso, o rigor e a exactidão? E outra pergunta, a propósito, que isto é como um cacho de cerejas: quais as notícias em que se efectua mesmo, mesmo, mesmo, essa comprovação dos factos? Por exemplo, as que incidem sobre assuntos judiciários, são comprovadas, “a priori”? Como é que se pode julgar o jornalismo judiciário do Público, sob este ponto de vista? “Rigoroso, exacto e etc.?”

A discussão promete.

Publicado por josé 14:22:00 5 comentários Links para este post  



ainda não chegamos ao egipto... ou já ?

Egypt arrests another blog critic

Police in Cairo have detained a blogger whose posts have been critical of the Egyptian government.

Rami Siyam, who blogs under the name of Ayyoub, was detained along with three friends after leaving the house of a fellow blogger late at night. No reasons have been given for Mr Siyam's detention. The other friends were released after being questioned.

Human rights groups have accused Egypt of eroding freedom of speech by arresting several bloggers recently. BBC Arab Affairs analyst Magdi Abdelhadi says blogging in Egypt is closely associated with political activism in a culture where democratic freedoms are severely restricted.

(...) ler o resto na BBC online

Publicado por Manuel 12:27:00 3 comentários Links para este post  



baralhar e voltar a dar

Pelo Rui fico a saber que o Eng. Sócrates considera muito infeliz a ideia do PSD de levar o PGR e o director da PJ ao Parlamento para debater a... corrupção. Eu se fosse ao Primeiro Ministro não me queixaria demasiado, antes pelo contrário. Infinitamente 'pior' que mandar, ao Parlamento, Pinto Monteiro - o tal que vai almoçar alegremente a São Bento - e o director da PJ - carimbado, por António Costa numa entrevista recente, como um mero funcionário subalterno, sem direito a grandes opiniões, e condenado a mero executante de ordems superiores - seria se o PSD se lembrasse de chamar à AR Cândida Almeida para lhe perguntar, por exemplo, que interpretação faz ela do rescaldo do tal almoço...

Publicado por Manuel 20:51:00 1 comentários Links para este post  



posições inadiáveis

Almoço em São Bento

Na passada 3ª-feira houve um almoço em São Bento. Anfitrião: o PM. Convidados: os ministros da Justiça e das Finanças e o PGR. O "prato forte" do almoço não foi qualquer espécie culinária (o Orçamento do Estado não o permite e estava lá precisamente o Ministro das Finanças), mas sim a "Operação Furacão". Motivo do almoço: a preocupação do Governo pela "imagem da banca".

Conclusão do almoço: necessidade de "investigar depressa e em força".

Tão insólita almoçarada (ainda que possivelmente frugal, face aos condicionalismos) deixa-me algumas perplexidades. Qual o exacto e preciso "interesse" do Governo na matéria? O que fazia o Ministro das Finanças no almoço?

Julgava eu que as recentes e unânimes declarações das mais altas figuras do Estado no sentido da necessidade de perseguição impiedosa da corrupção e criminalidade económica eram para levar a sério. Mas, à primeira grande investida nessa área, a reacção do Governo não é de incentivo à investigação, mas sim de "preocupação" com a imagem dos arguidos (tudo gente acima de toda a suspeita, aliás). E em vez de recomendar uma investigação profunda e profícua ("doa a quem doer", etc.), recomenda uma investigação rápida e em força!!!

Será que esses métodos são compatíveis com uma investigação que é certamente muito complexa? Estarão reunidas as condições para uma investigação que vá "ao fundo"?

Enfim, fico por aqui.

Eduardo Maia Costa, in Sine Die

Publicado por Manuel 18:54:00 0 comentários Links para este post  



'a fome e a vontade de comer'

Publicado por Manuel 18:51:00 0 comentários Links para este post  



surrealizar por aí (2)

e o "prato do dia" dos restaurantes também.

Publicado por contra-baixo 16:40:00 0 comentários Links para este post  



surrealizar por aí

Duvido mesmo que o próprio saiba que tem o seu retrato aqui , mesmo ao lado de fotos com estas aqui, aqui e aqui. Todas sob o lema

Rancinan loves to photograph people like …

Publicado por contra-baixo 15:55:00 0 comentários Links para este post  



Cruzes, canhoto!

"Mas, independentemente de qualquer acto eleitoral, os símbolos religiosos não podem estar patentes em estabelecimentos públicos, pela simples razão de que representam uma violação qualificada da separação entre o Estado e as religiões." Vital Moreira, causa nossa.

Vital Moreira, na sua luta encarniçada e porfiada, na senda de um serôdio jacobinismo, herdeiro de mata-frades, atira-se às cruzes. As cruzes são o diabo, em estabelecimentos” ( sic) públicos, como bem mostra a resenha que segue, de um lugar ligado a muitas cruzes: a freguesia de Santa Cruz, em Coimbra. Coimbra, aliás, é um lugar de cruzes. Na Igreja, onde estão sepultados os restos mortais do nosso primeiro rei, cujo reinado se simboliza numa cruz, que é a de Cristo, há um ror de cruzes que atenazarão para todo o sempre Vital Moreira.
Abrenúncio!
A história da freguesia de Santa Cruz está intimamente ligada à fundação do Mosteiro com o mesmo nome. No ano de 1131 D. Afonso Henriques autoriza a construção do Mosteiro. A primeira pedra da construção da Igreja é lançada a 28 de Junho, num local conhecido por "Banhos Reais". É à sua sombra que se desenvolve uma vida medieval de artistas, do comércio e das primeiras habitações.
No ano seguinte começa a vida da Comunidade de Agostinianos, constituída por 12 frades, tendo como superior o prior D. Teotónio (S. Teotónio).
Em 1530 é aberta a rua da Sofia (etimologicamente "sabedoria"), plena de monumentalidade e tradição, construindo-se ali importantes edifícios, conhecidos como Colégios Universitários que fornecem as primeiras matérias pré-universitárias e dão apoio logístico ao já grande afluxo de formandos que pretendiam frequentar a Universidade de Coimbra.
Do conjunto destes edifícios, destaque para o antigo Colégio de S. Teotónio (Palácio da Justiça); Igreja de S. Pedro dos Terceiros (antigo Colégio S. Bernardo); Colégio de S. Boaventura (de que resta só a fachada); Colégio de S. Domingos (hoje Shopping Center); Colégios da Graça e do Carmo.
A fundação da Igreja da Graça data de 1543 (reinado de D. João III). A Igreja de Santa Justa foi edificada nos princípios do séc. XVIII.
Ao Lado da Igreja de Santa Cruz está o "Café Santa Cruz", que fez parte do antigo Mosteiro das Donas e foi a Igreja Paroquial da freguesia de Santa Cruz (Igreja de S. João de Stª. Cruz, construída pelo ano de 1530.
Ligado a esta freguesia e à Rua da Sofia anda o Tribunal da Inquisição proposto pelo rei D. João III e trazido para Coimbra pela mão do Cardeal Infante D. Henrique.

Se Vital Moreira continuar nesta senda de expurgo de simbolismos religiosos, de "estabelecimentos públicos", vai ter um trabalho medonho. Vai ser mesmo o diabo...



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CONTROLLED CHAOS

European Cities Do Away with Traffic Signs

By Matthias Schulz

Are streets without traffic signs conceivable? Seven cities and regions in Europe are giving it a try -- with good results.

"We reject every form of legislation," the Russian aristocrat and "father of anarchism" Mikhail Bakunin once thundered. The czar banished him to Siberia. But now it seems his ideas are being rediscovered.

European traffic planners are dreaming of streets free of rules and directives. They want drivers and pedestrians to interact in a free and humane way, as brethren -- by means of friendly gestures, nods of the head and eye contact, without the harassment of prohibitions, restrictions and warning signs.

A project implemented by the European Union is currently seeing seven cities and regions clear-cutting their forest of traffic signs. Ejby, in Denmark, is participating in the experiment, as are Ipswich in England and the Belgian town of Ostende.

Continuar a ler no Der Spiegel Online...

Publicado por Manuel 10:50:00 1 comentários Links para este post  



os outros também

O Ministro da Justiça ficou extremamente "agastado" com a divulgação pública do almoço, em S. Bento, entre Pinto Monteiro, José Sócrates, o Ministro das Finanças e ele próprio, alegadamente para discutir meios para a PGR e por consequência para o combate à corrupção. Mais, considerou 'extremamente irresponsável' a notícia que foi capa do Sol, onde a reunião era associada à preocupação do Governo relativamente à Operação Furacão, que afecta a grande banca nacional. Para Alberto Costa a notícia é tanto mais 'irresponsável e inexplicável' porque o actual PGR foi nomeado há menos de um mês.

O drama de Alberto Costa não é noticia do Sol, que aliás não foi minimamente desmentida, no comunicado publicado no Sábado, pela PGR mas sim o facto de o almoço/reunião ter sido tornado público. Alberto Costa e Pinto Monteiro podem achar a coisa mais natural do mundo um PGR, um PM, mais dois ministros almoçarem (!) , às escondidas, em São Bento, só que não é. Nunca foi. Fosse, e não haveria notícia já que tal almoço estaria, prévia e antecipadamente, escarrapachado na agenda oficial do PGR que este agora, e bem, publicita no site oficial da Procuradoria.

Alberto Costa e Pinto Monteiro parecem continuar a achar que as coisas se resolvem com cochichos e segredinhos, quando o que é preciso é clareza e transparência, isto é tudo o que não está a acontecer. Obviamente que nenhuma consequência ou ilação irá ser tirada, a não ser mais 'cuidado' da 'próxima' vez.
Noutras circunstâncias uma ida do PM, e do PGR, a Belém para lhes ser recordado o princípio básico da separação de poderes seria mais do que oportuna mas, todos sabemos que isso não vai acontecer.

Nos entretantos, a culpa, repito, a culpa não é de Pinto Monteiro, ele limita-se, afinal, a ser igual a si próprio. O drama é que os outros também.

Faltam 43 dias.

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Bem-vindos à mais louca corrida do Mundo

A Grande Loja inicia hoje um acompanhamento permanente à corrida para a sucessão de George W. Bush como Presidente dos EUA.

A precisamente dois anos de distância das presidenciais (vão ser em Novembro de 2008), lançamos, desde já, uma short list de dez nomes (cinco democratas, cinco republicanos) de onde deverá sair, com quase toda a certeza, o Presidente que governará a América até Janeiro de 2013.

Assim, no campo democrata:

-- Hillary Rodham Clinton, senadora por Nova Iorque, 59 anos
-- Barack Obama, senador pelo Illinois, 45 anos
-- Al Gore, vice-presidente dos EUA entre 1993 e 2001, 58 anos
-- John Edwards, candidato a vice-presidente dos EUA em 2004, 53 anos
-- John Kerry, candidato a presidente dos EUA em 2004, 62 anos

No campo republicano:

-- John McCain, senador pelo Arizona, 70 anos
-- Rudy Giuliani, antigo mayor de Nova Iorque, 62 anos
-- Condoleeza Rice, secretária de Estado, 52 anos
-- Jeb Bush, governador da Flórida, 53 anos
-- Mitt Romney, governador do Massachussets, 59 anos

Nos próximos meses, dedicaremos um texto especial a cada um destes dez nomes, com o seu passado, os trunfos e fraquezas de cada um, a fim de anteciparmos o processo que será acelerado durante o ano de 2007, mas que já arrancou: o do posicionamento dos potenciais pretendentes nas primárias que decorrerão a partir do Outono do próximo ano, quando faltar um ano para as eleições presidenciais.

É óbvio que há uma certa margem de risco em assumir esta escolha de dez nomes, dado que alguns eventuais candidatos ficaram de fora. Mas tendo em conta os dados já existentes, seria uma enorme surpresa se o próximo Presidente dos EUA não fosse um dos dez nomes acima elencados.

Mesmo assim, e quase por… descarga de consciência, aqui ficam a lista dos excluídos, ficando desde já aqui feito um direito de reserva: se, por um acaso nada provável neste momento, o evoluir da corrida revelar como plausível que o investido de um dos campos vier a ser algum dos nomes colocados neste rol de outsiders, obviamente que o colocaremos no lote principal, e faremos, em relação a ele o mesmo texto biográfico a que os outros terão direito. A ideia é conferirmos aos leitores da Grande Loja a mais completa informação possível sobre aquela que será, certamente, a mais longa e mais cara corrida eleitoral da história das democracias.

Aqui vai então uma lista de outsiders, com outros dez nomes repartidos pelos dois campos:

Democratas:
-- Tom Vilsack, governador do Iowa
-- Wesley Clark, terceiro classificado nas primárias de 2004
-- Russ Feingold, senador pelo Wisconsin
-- Mark Warner, governador da Virgínia
-- Bill Richardson, governador do Novo México

Republicanos:
-- Newt Gingrich, antigo speaker do Congresso, durante a «Revolução Republicana» dos anos 90
-- Haley Barbour, governador do Mississipi
-- Sam Brownback, senador pelo Kansas
-- Elisabeth Dole, senadora pela Carolina do Norte
-- Dick Chenney, vice-presidente dos EUA

Mas insistimos: só um terramoto político faria alcandorar para o topo da corrida algum destes dez nomes. A corrida está lançada e há posições já definidas na grelha:

-- do lado dos democratas, Hillary é, claramente, a front-runner, embora já tenha tido uma vantagem mais confortável. O relançamento de Barack Obama (que primeiro disse que não ia avançar em 2008 e, recentemente, admitiu candidatar-se) baralhou as contas e confirmou a enorme popularidade do senador pelo Illinois, que reúne juventude, apelo ao sonho americano (um descendente de escravos que pode chegar ao cargo mais poderoso do Mundo), brilhantismo oratório e intelectual com uma imagem positiva e moderada, uma mistura pouco habitual em políticos que provêm de minorias sociais.

Al Gore é uma incógnita: continua a dizer que não tem uma nova candidatura como prioridade e isso talvez o prejudique nos números disponíveis até agora. Se, nos próximos meses, der um sinal mais claro de que também é candidato, talvez se aproxime de Hillary e Obama, naquele que seria um interessante cenário a três que, a confirmar-se, afastaria as hipóteses de nomes como Kerry, Edwards ou Wesley Clark.

Mas se algum dos três mais fortes democratas neste momento (Hillary, Obama e Gore) não for a jogo, abre espaço a Kerry ou Edwards que, apesar de virem com o rótulo de perdedores contra Bush em 2004, têm um trunfo que, na hora da verdade, não será de desprezar: o de terem reunido mais de 55 milhões de votos, de longe a maior votação num candidato do Partido Democrata na história eleitoral dos EUA.

A última sondagem sobre a nomeação democrata, feita pelo Pew Research Ccenter, revelou o seguinte:

-- Hillary Clinton, 39
-- Barack Obama, 23
-- Al Gore, 10
-- John Edwards, 10
-- John Kerry, 7
-- Outros candidatos+não sabe+não responde, 11

Do lado republicano, prefigura-se uma luta a dois entre McCain e Giuliani. Até há cerca de um ano, McCain seria a escolha natural: esteve quase, quase a bater Bush nas primárias de 2000, que abriram caminho ao actual Presidente. Goza de altos níveis de popularidade em sectores fora do Partido Republicano, mas tem dois grandes problemas: a idade (se for eleito, terá 72 anos quando tomar posse, pelo que completará o previsível ciclo de oito anos de um Presidente já na casa dos 80) e o facto de pretender enviar ainda mais tropas para o Iraque (o que o coloca, claramente, em contra-corrente com o actual paradigma de retirada).

Rudy tem capitalizado a imagem deixada de «superMayor» durante o 11 de Setembro e também terá a seu favor o facto de, desde aí, não ter sofrido o desgaste de popularidade de cargos executivos. É um republicano moderado, que entra bem em algum eleitorado democrata, e não deverá ser menosprezado. Mas se conseguir a investidura será uma surpresa, porque não é tradição que alguém fora da Casa Branca, do Senado, do Congresso ou do governo de um Estado consiga chegar a Presidente.

Condoleeza Rice poderia ter esperanças de se intrometer nesta luta a dois, mas a progressiva degradação da imagem da Administração Bush quase retira à partida as ambições de uma candidatura saída da actual Casa Branca. E a verdade é que Condi é o único com alguma popularidade na actual Administração.

Aqui vão os números mais recentes da corrida republicana:
-- Rudy Giuliani, 27
-- John McCain, 26

-- Condoleeza Rice, 20
-- Mitt Romney, 7
-- Outros+não sabe+não responde, 20

As eleições intercalares aceleraram o processo de mudança que se adivinha em Washington. Mesmo que vença o candidato republicano em 2008, ele será bem diferente de Bush. Tanto McCain como Rudy são mais moderado, mais centrais se assim quisermos chamar, pelo que obdecerão, certamente, a um esquema de funcionamento mais pragmático.

Mas falta saber que bissectriz encontrarão os democratas para voltarem à Casa Branca. Qualquer um dos três mais fortes tem fragilidades que, no caso de serem investidos, serão exploradas ao limite pelos republicanos: Hillary é mulher, já teve uma imagem excessivamente esquerdista e, agora, exagera na preocupação em mostrar-se à vontade num mundo de homens, insistindo em temas como a Defesa, as Forças Armadas e a Segurança; Obama é negro e uma corrida à Casa Branca levantará temas nunca até agora debatidos entre candidatos à Presidência; Al Gore nunca se libertou do estigma de 2000, em que tinha tudo para vencer de forma confortável.

Todos os meses, até Novembro de 2008, a Grande Loja fará actualizações dos números e publicará retratos personalizados dos protagonistas.

Publicado por André 02:18:00 2 comentários Links para este post  



Portugal, Hoje e Sempre

«O sebastianismo é acreditar no Euromilhões. É um país inteiro à espera que lhe saia a sorte grande».

JOÃO MEDINA, no Público de 19 de Novembro de 2006

Na mouche.

Publicado por André 01:18:00 0 comentários Links para este post  



Ministério Público precisa de submarinos?


Que meios tão extraordináros necessita o Ministério Público para combater a corrupção para que o Pinto Monteiro precise de uma almoçarada com o Primeiro Ministro, o ministro da Finanças e o ministro da Justiça?

Publicado por Carlos 00:45:00 0 comentários Links para este post  



O ambiente da corrupção

O indivíduo que aí fica em retrato, tirado do Público de hoje ( que retrata também um "dono" de um partido), tem escrito , dito e feito algo, a propósito de combate à corrupção e não só. Chama-se Euclides Dâmaso e dirige, em Coimbra, o Ministério Público, nos Diap locais. A sua intervenção cívica, no entanto, segue um dito bem pensante, sobre o ambiente, mas nem por isso menos interessante: "Pense globalmente; actue localmente".
Leiam o escrito, ampliando a imagem, por click.

Publicado por josé 19:07:00 2 comentários Links para este post  



'boas' práticas internacionais - à aten(ta)ção do ministro António Costa...










COPENHAGEN - November 17, 2006: "Wonderful, wonderful Copenhagen," as the words to the song goes. The Danish Road Safety Council has developed a wonderful, unique way to draw attention to posted speed limts. Frankly, it's a wonder that it hadn't been implemented already in various parts of the world (although we're sure that it's been thought of). more information about the Danish Road Safety Council.

Publicado por Manuel 18:22:00 1 comentários Links para este post  



O anonimato sindical ou o medo do Medo

Em 2006, em Portugal, com um governo democraticamente eleito e com uma constituição e leis que asseguram na sua letra, uma ampla margem para a liberdade de expressão dos indivíduos, fará algum sentido uma imagem desta? Quatro sindicalistas da PSP, a comunicar à opinião pública as suas preocupações e reivindicações profissionais, como se fossem membros de uma eta num país de repressão política e policial a actividades subversivas? A actividade sindical na PSP será mesmo uma actividade subversiva do estado de direito que temos?

Bem...fará todo o sentido, se afinal, os encapuçados o forem por necessidade e não motivados por qualquer maluqueira de imitação improvável de uma referência revolucionária de tempos revolvidos mas nem sequer muito distantes.

Essa necessidade deriva do medo. Medo de aparecer de cara descoberta, enquanto membros de uma corporação policial cuja hierarquia lhes impõem, expressa ou tacitamente, um silêncio sobre matérias e assuntos incómodos que interessando aos membros da corporação, se reflectem depois na comunidade em geral.
A imposição estrita de reserva e silêncio, em casos de reivindicação de direitos e atenção a condições de trabalho, não deriva de leis. Deriva apenas do simples reflexo de defesa de quem se pode sentir atacado numa autoridade que lhe advém dessa mesma lei e posto em causa por não cumprir os deveres associados. Deriva também, por isso, de um reflexo de um autoritarismo de inspiração proto-fascista, exactamente e com propriedade, neste caso. Reflexo esse que é de Medo também. Medo que quem questiona certezas ou dúvidas; de quem pode apontar a nudez dos reizinhos dos pequenos e grandes poderes; de quem não tendo poder efectivo para executar em nome de todos, poder criticar o poder de quem o tem.
É nesse exercício de um direito de crítica que as democracias se distinguem: umas concedem-no amplamente e sem muitas reservas. Outras, reservam esses direitos, apontando limites sempre com base em conceitos e ideias muito bem estruturados e lógicos. Não é fácil argumentar contra quem usa a lei para proibir o direito de questionar a própria lei, o costume ou as pessoas que deles se servem. Portugal, aparentemente, não entrou ainda no clube das "amplas liberdades".
Há um medo do Medo, portanto.
A lei, como é próprio, admitindo interpretações variadas e díspares, abre o caminho do medo. O reflexo do medo, está contido na própria lei e nas consequências que a mesma prevê para quem a violar. Em direito criminal, podem designar-se esses efeitos inefáveis , como o de “prevenção especial” e o de “prevenção geral” que significam uma repressão individual e um aviso geral.
Quem tem o poder de a interpretar e aplicar em procedimentos disciplinares ou mesmo penais, tem um dever também: não abusar desse grande poder.
Ao alargar o campo do medo inerente ao funcionamento da própria lei, para o âmbito pantanoso da discricionariedade interpretativa, consoante os poderes e sensibilidades políticos do momento, usando a vontade de perseguir indivíduos ou grupos, para reprimir atitudes e gestos incómodas ou calar vozes de contestação, desmente-se, na prática e nessas atitudes, a essência da própria democracia apregoada.
Por muito que se apregoe a disciplina e o respeito hierárquico,como valores fulcrais numa corporação, se forem caladas as vozes discordantes e reivindicativas mais sensíveis à injustiça e indignidade individual e social, mais tarde ou mais cedo surgirá a revolta.
Foi assim, aliás, que surgiu o movimento das Forças Armadas que se mostrou a todos, em 25 de Abril de 1974. Os seus herdeiros, estão a esquecê-lo. E no entando, são os que mais reivindicaram essa liberdade que agora parecem querer negar. Sinais dos tempos ou simplesmente sinal inequívoco de que o poder corrompe?

Nota: foto copiada do Expresso desta semana.

Publicado por josé 11:53:00 11 comentários Links para este post  



Podemos ser amigos

O Miguel ficou triste com as minhas preferências, reveladas neste post. Vá lá...Miguel, não há necessidade de tanta azia. Podemos ser amigos. Nada mais!

Publicado por Carlos 21:55:00 1 comentários Links para este post  



Pois com certeza.

O jornalista Paulo Querido, sinalizou o postal sobre o Pasquim e o Tal& Qual, rememorando histórias que ajudam a perceber a formação de jornais em Portugal e de onde vêm quem vai para onde.
O seu postal, precioso, fica disponível, nesta ligação, para consulta.
Como pede a indicação da ficha técnica do jornal, é para já:
Como bónus, fica a capa do nº3:
E como as lembranças são como as cerejas, fica aqui a capa e respectiva ficha técnica de outro "pasquim", "O fiel Inimigo", de 1993, dirigido por Júlio Pinto, já desaparecido, e percursor do humor tipo Inimigo Público.
A ficha técnica do semanário "satírico-independente", é de luxo, com imagem a condizer:

Publicado por josé 19:23:00 0 comentários Links para este post  



too little, too late

O pacto para a Justiça, algo que naqueles moldes nunca deveria ter acontecido sequer, morreu formalmente hoje. Too little, too late. Nestas coisas a ingenuidade (e não foi a ingenuidade a causa - descansem...) nunca serve de desculpa.

N.A. esta constatação não é particularmente dirigida à São Caetano à Lapa, é mais para as bandas de Belém.

Publicado por Manuel 17:40:00 1 comentários Links para este post  



para fazer a vontade a Cavaco, Governo e PGR preparam em segredo unidade de élite para combate à corrupção e afins



(video exclusivo de sessão de formação ministrada em país amigo)

Publicado por Carlos 19:45:00 2 comentários Links para este post  



A fórmula de Deus

Publicado por Carlos 19:18:00 9 comentários Links para este post  



assim e assado

Hoje, o Público vale cada tostão que custa. Pelo Editorial sóbrio, sensato e pertinente de José Manuel Fernandes, e - sobretudo - pelo artigo da Constança Cunha e Sá, sobre as irresponsabilidades do Dr. Lopes e... e as responsabilidades do Dr. Durão. Obviamente, dois textos para caírem em saco roto. [já escrevemos aquilo, e muito mais, por estas bandas para aí um milhão de vezes...]

Já ontem, tivemos o Dr. Lopes na RTP/1 e o Prof. Cavaco na SIC. O primeiro esteve igual a si próprio, o segundo já não sei. Confesso que ao contrário de outros que nele votaram não fiquei particularmente afligido com a linha de raciocínio presidencial, as coisas são o que são e a política é o que é - por estas bandas - fiquei foi genuinamente assustado foi por Cavaco parecer acreditar, genuinamente, naquilo que estava a dizer...

Antes já tínhamos tido o lançamento do livro do Dr. Lopes. Dou de barato que fora o umbiguismo do autor a esmagadora maioria do que lá está é verdade, como dou de barato que, fora isso, a maioria do que estava no livro do Dr. Carrilho também não andaria muito longe da verdade. A diferença jaz, caro JPH, não na alegada humildade do Dr. Lopes, por oposição à arrogância de Carrilho. A diferença está noutro campo, bem diferente - Lopes, ao contrário de Carrilho assume-se como parte de um sistema, e de um meio, pequeno e fechado, cujas regras conhece e cuja existência não contesta, sistema esse, palaciano e florentino, onde alguma imprensa tem importância fundamental. Ora, essa assunção não resulta de nenhuma particular humildade mas de uma forma hábil de desarmar quem por acção e omissão contribuiu para o circo. Já com Carrilho essa relação 'simbiótica' com a imprensa nunca existiu, daí ser visto por esta como um peixe fora da água, absolutamente descartável, por oposição a Lopes, que - como ontem se viu - garante sempre bons momentos e melhores caixas. De resto, fica-se com a certeza que - por estas bandas - a democracia é nominal. É tudo entre umas poucas dúzias, políticos, jornalistas, 'financeiros', e afins, que tudo se trata e tudo se joga, o resto meras formalidades.

Assim, e voltando ao tal editorial de José Manuel Fernandes seria bom que houvesse, finalmente, um debate a sério sobre o sistema eleitoral e a reforma do sistema político/administrativo. Por muitas entrevistas delicodoces que Cavaco venha a dar a verdade é que muitos dos problemas são endémicos da actual topologia do sistema... Infelizmente, parece-me, que se vai usar o argumento da 'estabilidade' para evitar que esse debate, ao menos o debate, ocorra. Ora, por muita boa vontade que haja, e às vezes há, outras vezes não há, há reformas que são pura e simplesmente impossíveis, com as coisas como estão. A balbúrdia à volta da lei das finanças locais e regionais é uma amostra, uma ínfima amostra disso.

Publicado por Manuel 14:14:00 5 comentários Links para este post  



'A mulher de César'




Não sei se na adjudicação do SIRESP houve ou não - como suspeitam MP e PJ - corrupção e tráfico de influências. Mas o nariz é um órgão naturalmente menos escrupuloso que a razão crítica, e que coisa cheira mal, cheira (aliás, o negócio não terá sido anulado só por repugnância olfactiva). Um negócio de 600 milhões, com um caderno de encargos que outros potenciais concorrentes consideraram feito por medida, assinado à pressa por um governo em gestão três dias depois de ter perdido as eleições e atribuído a um consórcio com ligações ao ministro adjudicatário, tudo com base num singular "parecer verbal" dado por um auditor do mesmo ministério, parece um cozinhado com ingredientes duvidosos de mais para não cheirar a esturro mesmo a narizes condescendentes. Mas o caso põe outra questão, a da mulher de César, a quem, diz-se, se exige não só que seja honesta mas também que o pareça. Ora o tal auditor é agora vice-procurador-geral da República, cargo que é suposto estar acima de qualquer suspeita e em que, mal tome posse, passará a ter autoridade sobre as investigações. Se em política, como também se diz, o que parece é, não se pode considerar que, em tudo isto, as aparências sejam particularmente recomendáveis. Mas a ver vamos, como diz o cego

Manuel António Pina, hoje no JN

Bem aventurado, pois, o país em que ninguém liga às aparências...

Publicado por Manuel 12:53:00 1 comentários Links para este post  



Minas e armadilhas

Ferreira Fernandes, o jornalista que na Sábado passada, veio aqui à Loja mercar assunto para a sua crónica, aviando-se num elogio e num vitupério simultâneos, já levou o devido troco. Mas, reparo agora, com a leitura da Sábado de hoje, que continuei em dívida. Aqui vão mais uns trocos, por conta do vitupério que comprou.
Na Sábado, num artigo de meia dúzia de páginas, subscrito por Ferreira Fernandes e Raquel Lito, a capa elucida o comprador: “Calúnias – como as mentiras podem destruir”.
Com esse mote e Sousa Tavares, em retrato grande plano, serve-se no artigo, uma crónica de costumes, sobre calúnias que ao longo destes últimos vinte anos, puseram a honra e consideração de alguns famosos, em risco de grande erosão social de fazer até perigar o ganha pão da família e amigos.
Os exemplos apontados, uma dúzia deles, são exemplos de desgraça, que atingiram impiedosamente os visados, pelas calúnias pérfidas que recairam sobre as suas impolutas personas.
Ver a lista: para além do chamado à capa, deslustrado por um anónimo ignóbil, temos, despidos no interior das suas mágoas, Mário Soares, uma das vítimas mais retumbantes desta prática viscosa. O seu exemplo de desgraça, está à vista de todos. Até do Estado que continua a pagar-lhe o telefone privado. A seguir, Santana Lopes, um vitimizado por natureza e cujo último livro rememoria essas desgraças que lhe cairam em catadupa, atirando-o para o limbo político.
Depois, Bagão Félix, um desempregado da política, que acabou na Universidade, talvez por conta de um boato amplificado por Manuel Serrão. A infeliz Fernanda Serrano, perdoou ao infame anónimo que lhe denegriu a imagem num filme manhoso que quase ninguém viu mas os jornais mostraram, em imagens avulsas, nos seus títulos horrorizados . Talvez por isso, figurou numa série publicitária de um banco, em pancartas por esse Portugal fora, lembrando as delícias das compras em prestações. Continua, aliás, a amargurar essas cenas tristes, alternando em representações dignas de uma Vivien Leigh, em telenovelas.
O caso de Sá Carneiro é trazido à liça para ninguém esquecer que também há malfeitorias boas: as calúnias vindas da esquerda, para bem do “nosso povo”, são notícia de jornal e assinadas com toda a urbanidade, por intelectuais.
O caso anedótico que atingiu o semiótico Prado Coelho, nem merece relevo, porque é verbo de encher no artigo de Ferreira Fernandes. Tal como o de Sócrates e o imbróglio com o desaparecido Independente do Freeport.
A maledicência que atingiu depois Emídio Rangel, só tem paralelo nas notícias sobre os berbequins revolucionários, para tomar conta das ondas. Foi, aliás, o primeiro caso publicitado, de “pauladas” no suposto caluniador. Rangel sempre foi um percursor. Agora , queixa-se de ter sido saneado pelo nosso Primeiro, actual Comissário na Europa . Uma calúnia? Sem direito a “paulada”?
No âmbito das intimidades sexuais, são continuadas as calúnias. O caso de Laura Diogo, das Doce, provavelmente, será o mais duradouro. Ainda hoje, passados 25 anos, toda a gente se lembra do célebre hit que durava toda a noite, numa festa pagã ao deus do “Bem bom”. A anedota circulante que se instalou, de efeito seguro entre risos alarves, foi idêntica a muitas outras que atingem figuras públicas, como terá sido o caso de Melão (?!) e Calado, vinte anos depois. A diferença, reside numa circunstância singela: vinte anos depois, havia três canais de tv e jornais que vivem à sombra dos “famosos, do dinheiro e do crime”, agora dirigidos por quem eventualmente aplaudia as calúnias a Sá Carneiro, para bem do povo.
Antes do aparecimento desse expoente máximo do jornalismo português que se titula 24 Horas, os percursores anunciaram a sua vinda iminente.
O primeiro foi o semanário Tal & Qual, dirigido por um cronista actual desse mesmo jornal dos famosos, Joaquim Letria. O jornal, alimentado a capitães Roby e donas Brancas, foi secundado na segunda metade da década de oitenta por um outro Pasquim, um “semanário de actualidade e crítica”, dirigido por Luciano Rocha , João Querido Manha e com nomes sólidos no jornalismo como é o caso de José António Cerejo e um deconhecido Paulo Querido
Esses jornais de fim de semana, parcos em páginas e impantes nas notícias de primeira, dedicavam a sua atenção aos “escândalos”. Como sempre os houve, o Tal & Qual aí anda, continuadamente à procura dos clientes perdidos para o 24 Horas e outros pasquins.
Em meados dos anos oitenta, o Tal & Qual abrigava na sua última página, um circunspecto Draga-Minas que escrevia de modo castiço, que aliás apetece ler, como poucos, ainda hoje.
O Tal & Qual de oitenta, não repescava minas perdidas, como hoje se lêem por todo o lado e que explodem na mente de incautos.
Mesmo assim, em 15.2.1985, ainda arranjava espaço para “arrincar” notícias deste tipo:
O dr. Sousa Tavares anda em maré de azar. Depois da ameaça, ainda no ar, de extinção do seu Ministério da Qualidade de Vida, aquele governante acaba de ser referenciado pela Rádio Renascença, que para o efeito citou a Rádio Macau, como sendo o ministro envolvido num caso de tráfico de capitais, que tem vindo a ser noticiado pelo jornal “o diário”. Contactado pelo Tal & Qual, o ainda ministro da Qualidade de Vida comentou: “ É falso. Nunca fiz tráfico de capitais, não tenho nada a ver com o assunto.” E esclareceu: “Recori, por vezes, aos serviços do dr. Queirós de Andrade, para me arranjar divisas para as minhas deslocações lá fora e para me tratar de cheques que recebi do estrangeiro. Recorde-se que Queirós de Andrade é um dos presumíveis implicados no referido processo de fuga de capitais.”
Esta notícia, foi dafa numa coluna , em “Privado” aos leitores do jornal e ao passante leitor da última página.
Se se reparar, Macau aparece como fonte da notícia. Tal como nesta crónica do Draga-minas, intitulada “Orientalices”:

Publicado por josé 22:48:00 5 comentários Links para este post  



Câmara Municipal de Lisboa - o corolário



Não há muito a dizer sobre a ruptura consumada na Câmara Municipal de Lisboa entre o PSD e o PP, que a governavam em coligação. As coisas, e as pessoas, são o que são. Há, no entanto, algo que é absolutamente óbvio - quer Carmona Rodrigues se aguente ou não até ao final do presente mandato, algo que basicamente depende da vontade de José Sócrates, a quem, já se percebeu, bastará piscar o olho a Maria José Nogueira Pinto, para forçar antecipadas - Carmona Rodrigues perdeu toda e qualquer condição, que ainda lhe restasse, para ser re-candidato. O corolário lógico dos eventos destes dias é só um - a próxima candidata do PSD à presidência da CML tem que ser Paula Teixeira da Cruz.

Publicado por Manuel 13:50:00 2 comentários Links para este post  


After a long illness, the groundbreaking home-entertainment format VHS has died of natural causes in the United States. The format was 30 years old.
No services are planned.
The format had been expected to survive until January, but high-def formats and next-generation vidgame consoles hastened its final decline.

In Variety

Publicado por contra-baixo 10:32:00 1 comentários Links para este post  



tudo o que resta

In a letter to Varro on April 20, 46 BC, Cicero outlined his strategy under the dictatorship of Caesar: “I advise you to do what I am advising myself – avoid being seen, even if we cannot avoid being talked about… If our voices are no longer heard in the Senate and in the Forum, let us follow the example of the ancient sages and serve our country through our writings, concentrating on questions of ethics and constitutional law.” (da Wikipédia)



Eu gosto do Cícero, gosto tanto que até está em todas as páginas deste espaço uma citação sua - 'Todos os Homens honestos mataram César. A alguns faltou arte, a outros coragem e a outros oportunidade mas a nenhum faltou a vontade'. Essa citação, e o mote - 'Não deixe que a Verdade estrague uma boa história' deviam ser, por si só, mais do que suficientes para explicar a razão, e o porquê, deste espaço, mas... enfim. Adiante.

Voltando a Cícero, este deixou-nos muitas máximas memoráveis, vindo-me agora à memória uma outra que convém (sempre) ter em conta, a 'de que somos todos escravos das Leis de forma a podermos ser livres '. Somos 'escravos' das Leis, e das regras, e não o contrário, ponto. Num episódio penoso, recentemente, o actual PGR decidiu impor, após um veto inicial, o nome de Gomes Dias como vice-PGR, e, à segunda, 'passou'. Não faltou quem viesse dizer quer era tudo legítimo e que a confusão inicial se deveu a uma leitura 'redutora' da Lei. Pinto Monteiro ganhou pois a sua batalha. O problema, é hoje ululantemente óbvio, é que ao fazê-lo perdeu definitivamente qualquer guerra que quisesse vir a travar (e há tantas a precisarem de ser travadas). Ao cair no engodo delicodoce dalguns e ao recorrer a uma argumentação cujo grau de sofisticação não fica atrás do usado pelos melhores juristas e fiscalistas, experts em 'optimizações', ao serviço da nossa bancae demais 'grande capital', Pinto Monteiro deu um sinal claro e inequívoco - o de que o patamar, de exigência e clareza, em que se colocava, a si e à PGR, não era em nada, rigorosamente em nada diferente, daquele que é (e mal) norma, por estas bandas.

O irónico, e dramático, é que este episódio (absolutamente impensável com qualquer outro PGR, ou noutro contexto) só foi 'perdoado' porque de Pinto Monteiro se esperava que 'limpasse' o MP, o 'pusesse' na linha, e vergasse a 'espinha' a um outro 'poder' mais autónomo no seio do MP... Mais, a atitude dura e intransigente até fez Pinto Monteiro, no imediato, marcar pontos, pela 'firmeza' demonstrada. Acontece que a tal firmeza que alguns viram é inversamente proporcional à flexibilidade demonstrada na interptretação de algo que deveria ser (e pelos vistos não foi) absolutamente óbvio e inequívoco.

Pinto Monteiro não só não quis ser escravo da Lei, que serviu todos os que o precederam, como terá até (ao que reza a imprensa) assegurado do Governo a sua modificação. Quem pode, pode, e ele entendeu que podia.

Sabem por que escrevo isto ? Não, é por causa do SIRESP, nem do súbito mediatismo dos pareceres orais de Gomes Dias (sobre isso escrevi oportunamente o que achava que havia para dizer, nomeadamente aqui e aqui, e não consta que os dados se tenham alterado), é por causa do lançamento do livro de memórias do Dr. Lopes. É que também à época, desde o primeiro minuto, era absolutamente óbvio, e sem quaisquer margem para dúvidas, o que iria acabar por acontecer, e no entanto teve mesmo que acontecer. A culpa não foi obviamente do Dr. Lopes, um menino grande, que gosta de brinquedos ainda maiores, e de quem é impossível desgostar totalmente, a culpa foi de outros, de muitos outros.

Alguém disse um dia que a história se repetia sempre, ora farsa ora tragédia. Dito isto, e depois de se ter falado no Cícero, talvez não fosse má ideia ao actual inquilino do Palácio da Palmela reler 'A Campanha da Gália' de um tal de Júlio César (há boas traduções em português, e tudo). Relê-la, e meditar na morte do autor, às mãos de Brutus. Apesar do mau começo, pode ser que ainda vá a tempo. Haja fé. Às vezes é tudo o que resta.

Publicado por Manuel 11:20:00 0 comentários Links para este post  



As francesas

Mário Mesquita, encenador de discórdias no Público, neste último Domingo, levou à cena uma peça em modo de obituário sobre dois franceses recentemente desaparecidos.
Um, Jean-Jacques Servan-Schreiber, co-fundador, em Maio de 1953, da revista L´Express. Outro, Bernard Frank, jornalista e "homem de letras" e que Mário Mesquita apresenta como "diletante", na definição que o próprio apresenta: " Pessoa que se dedica a uma ocupação ou uma arte como amador, tendo em vista apenas o seu prazer".
Bernard Frank colaborava como cronista na revista Le Nouvel Observateur, fundada por Jean Daniel que por sua vez tinha ajudado a fundar o L´Express. O L´Express foi, aliás, uma grande escola de jornalistas franceses. Os directores do Le Point, L´Évènemente de Jeudi e mais tarde Marianne, para além do Nouvel Observateur, sairam todos do mesmo L´Express.
Jean-Jacques Servan-Schreiber no início dos anos sessenta ( em Setembro de 1964), ajudou a modificar a revista criada dez anos antes, aproximando-a do modelo da Time e Newsweek americanas e da Der Spiegel alemã.
A revista L´Express, tal como a Nouvel Observateur, numa época em que o francês se aprendia obrigatoriamente nas escolas, eram modelos de revistas de notícias, opinião e principalmente reportagem. JJSS, em 1963, tinha enviado o irmão Jean Louis, aos Estados Unidos, para estudar o funcionamento da Time. Quem conta a história é a parceira de JJSS, Françoise Giroud, em 1999, no número 2500 da revista.
Comecei a dar atenção a essas duas revistas ( e a outras) no início dos anos setenta. Em 1973, a propósito da guerra Israelo-Árabe, juntei as duas e guardei. Como tinha seguido os acontecimentos de 67, da guerra dos seis dias, através do Diário Popular, seguia agora a do Yom Kippour, através das revistas internacionais que então chegavam a Portugal, sem censura alguma.
Foi assim que pude ler o editorial de Jean Daniel, na Nouvel Obs de 15 Outubro de 1973, que começava assim:
"Durante vários séulos, uma mitologia racista de que em França, Charles Maurra foi o mais brilhante teórico, conseguiu impregnar em milhões de pessoas a ideia que os judeus eram incapazes congénitos de se baterem e afrontarem a morte. Hitler também o pensava. O racismo acabaria por intoxicar as próprias vítimas, levando numerosos judeus a pensar que tal seria verdade. Os israelitas, e isso foi a meu ver a sua verdadeira missão histórica, lograram libertar o Judeu da prisão onde o olhar secular do antisemitismo o encerrara." Frases como esta, ficam a retinir no ouvido. Depois da guerra dos seis dias, os judeus eram os heróis que afrontavam os árabes invasores e foi assim que a guerra seguinte, em 1973, foi encarada nessas como em outras revistas que então lia. Os repórteres de guerra tinham nomes como Josette Alia, Olivier Todd, Guy Sitbon, do lado do Nouvel Obs e Jacques Dérogy,Jacques Haillot, André Pautard e Pierre Salinger, do lado do L´Express. As crónicas de opinião, repartiam Jean Daniel, K.S.Karol do lado Nouvel Obs e do lado L´Express, lia-se Françoise Giroud, Jean-Jacques Servan-Schreiber e Jean-François Revel.

Na crónica de Mário Mesquita, releva-se no entanto, o outro, Bernard Frank, cujo motto de vida, merece destaque: " A infância é uma armadilha. Se não houvesse infância, ninguém aceitaria viver-levar essa vida de idiota que é a vida dos homens".
Esta tirada, juntamente com a do diletante, parece-me um programa de vida. Boa vida. Para Mário Mesquita, a literatura e o jornalismo literário representavam para o cronista-escritor a forma de iludir o enfado quotidiano e, de certa forma prolongar a infância. Para mim, o mesmo efeito consegue-se aqui, nas imagens destas revistas antigas, de uma França que já não conta tanto para a formação de opinião, mas que não deixou de ter alguns bons pensadores que valem bem os dos países anglo-saxónicos. No entanto, são estes quem dominam os media.

Publicado por josé 00:29:00 4 comentários Links para este post  



Para além disto, na corda do Sol

Matthew Fisher, em 1967, tinha 21 anos quando Gary Brooker o convidou para um grupo de pop/rock, com o nome de Procol Harum, uma corruptela alatinada e aliterada da expressão procul harum, “para longe” ( o procul, porque o harum, o meu Torrinha não diz e desconfio que só Gary Brooker saberá).
Uma das primeiras canções do grupo, A Whiter Shade of Pale, sendo a mais célebre de todas, anda agora em bolandas judicias, na Inglaterra, por causa da determinação da sua autoria integral.
Matthew Fisher, em 2005, accionou judicialmente Gary Brooker e Onward Music Limited, pedindo que lhe seja reconhecido o direito de co-autoria nessa canção e o acesso a parte dos rendimentos substanciais que a mesma gerou, em valor calculado na ordem de um milhão de libras.
Para fazer valer o seu direito, Fisher argumenta que compôs os primeiros acordes no seu órgão Hammond, cuja sonoridade característica, eventualmente a essência do sucesso dessa música, semeou nos 250 segundos de duração.
Numa entrevista de 2001, a um órgão de informação da sua terra natal, Fisher disse que a canção tinha sido originalmente prevista para uma longa duração de 10 minutos. Em 1967, algumas peças musicais do chamado rock progressivo, com Pink Floyd, Soft Machine e outros Moody Blues, não evitavam essa insistência em sonoridades arrastadas, numa incidência do então celebrado psicadelismo que duraria uns tempos e produziria obras primas da música popular de expressão anglo saxónica.
Matthew Fisher, tinha obtido uma formação musical “clássica” e gostava de Bach, particularmente da Missa em si menor e com uma referência explícita à Ária na corda de Sol, no segundo movimento da Suite para orquestra, em Do, terá surgido o som desse tema.
A canção celebrada nasceu daí, desse gosto particular pela sonoridade de Bach. Será plágio? Inspiração directa? Variação sobre o tema?
Seja como for, a canção criada na Primavera de 1967, entrou pelo Verão do Amor, com o estrondo de um sucesso imparável que perdura há quase quarenta anos. Quem nasceu há mais de quarenta anos, lembrará essa canção de “roço”, nos bailes de garagem de um romantismo reforçado.
Os lugares na net, dedicados ao tema, são legião e em Barcelona, um aficionado, consagrou todo um site à canção, onde colige todos os autores e discos onde se gravou essa canção de antanho.
Para explicar a sua génese, já se ouviu em tempos Gary Brooker que se atribui os louros por inteiro, incluindo a lembrança da célebre Ária de Bach.
Contudo, também Matthew Fisher se pronunciou, reivindicando igualmente a co- paternidade, em particular da sonoridade do órgão Hammond e do artifício Leslie, uma espécie de ventoinha interna que faz vaguear o som, para além da sua natural ondulação. A bem dizer, a canção sem o órgão, é uma cançoneta que se aguenta por si mesma, como o provam as inúmeras versões, mas a substância sonora original não perdura sem foles, naturais ou sintéticos.
A querela segue, portanto, e dentro de dias se saberá se Fisher é peixe que sabe nadar ou se dilui, em águas de bacalhau, numa sombra pálida, como um amor de verão.

Adenda ( com postal corrigido e aumentado): Quem quiser ver e ouvir, a cançoneta original, com imagens de época, incluindo o bónus do teclado do Hammond, pode ir procurar ao YouTube. Ou então, mais rápido, a uma Nova Floresta, aqui mesmo.

Publicado por josé 14:11:00 4 comentários Links para este post  



... mas não era tudo uma questão sindical e corporativa ?

Cappice?

O Público e o DN recordam hoje a história, a propósito da notícia de buscas da PJ: três dias depois das últimas eleições legislativas (20 de Fevereiro de 2005) - repito: três dias depois das eleições -, o Governo ainda em funções, chefiado por Pedro Santana Lopes, adjudicou um concurso de 600 milhões de euros - repito: 600 milhões - para criação de uma rede de comunicações que ligaria entre si os principais organismo de socorro do País (vulgo: SIRESP).

O caso tresanda, pelas ligações ao consórcio vencedor (Sociedade Lusa de Negócios) a figuras como Daniel Sanches (então MAI) e Dias Loureiro (dispensa apresentações). Mas o que me traz aqui é só um pormenor da história: a adjudicação de um negócio de 600 milhões três dias depois das eleições, com o Governo em mais do que gestão corrente, foi viabilizada por um parecer jurídico do então auditor do MAI, um procurador chamado Gomes Dias. Sim: o mesmo que agora é vice-procurador-geral da República.

Há gente um bocadinho burra que ainda não tinha percebido as razões da contestação à escolha de Gomes Dias. Talvez agora as tenha percebido. Não são poucas. O SIRESP é só um entre vários exemplos de como Gomes Dias foi diligentemente fazendo as vontades a todos os governos de quem foi auditor jurídico. Podia-se falar do caso GAL. Ou do guarda Abel. Ou dos processos que levaram à reforma compulsiva de dirigentes sindicais da PSP. Havia imensos argumentos mais para não o escolher para número dois do MP. 600 milhões, pelo menos. Cappice?

João Pedro Henriques, in Glória Fácil

Publicado por Manuel 13:12:00 5 comentários Links para este post