O engodo de Camarate


A quem era destinada a bomba de Camarate?

José Esteves - Era um engodo destinado ao Soares Carneiro. O circo mediático estava todo montado [para noticiar a tentativa de assassinato]. Soares Carneiro não tinha jeito para actor. Nem teve jeito para general, quanto mais....

Esta revelação de José Esteves – na revista Focus - leva-me a pensar que pode haver uma nova explicação para Camarate. Apesar do autor do engenho dizer que a sua “bomba” (cloreto de potássio com açúcar e ácido sulfúrico) possa ter sido adulterada (com uns pós de piri-piri), também não é de excluir que apenas foi colocado no avião o engenho original, de acordo com o tal “engodo” que estaria em marcha. A deflagração da “bomba” de José Esteves acabou por provocar uma confusão enorme no interior do Cessna, levando à queda deste.

Sendo assim, a entrevista de José Esteves abre uma nova tese sobre Camarate: A morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa resultou, apenas e só, de um brincadeira de muito mau gosto que correu mal.

O melhor será esperar por alguns dados deste sennhor que, com toda a certeza, não irá protestar pelo facto de eu lhe ter roubado a foto.

Publicado por Carlos 13:27:00 5 comentários Links para este post  



Importa-se de repetir?

«As pessoas acreditam que podem vencer e que vale a pena lutar, não partem já derrotadas como antigamente. Há outro ânimo. Em 1985, dizia-se que as nossas empresas iam ser esmagadas pelas empresas espanholas. Não foram. Isso contribuiu muito para mudar a atitude dos empresários. Os jovens empresários e os jovens agricultores estão mais abertos a enfrentar uma concorrência muito difícil. Mas não desistem. Querem ganhar e acham que de facto vão ganhar».

ANÍBAL CAVACO SILVA, à revista «Kapa», Setembro de 1991, quando era primeiro-ministro há seis anos

Publicado por André 22:45:00 3 comentários Links para este post  



Camarate

Doa a quem doer, apareçam as confissões (?) que aparecerem, as provas que houver, desde o início que Camarate se tornou uma questão de fé, de conveniência, de posicionamento, de interesse. Tudo o resto não interessa. Este fenómeno, tipicamente indígena, não se resume a Camarate, naturalmente. As razões do 'Estado', tem razões que a razão mundana desconhece, e isso explica muito do 'estado' a que já se chegou.

Publicado por Manuel 22:18:00 5 comentários Links para este post  



À paulada é mais prático

O escritor britânico Ian McEwan, foi alvo de uma notícia no jornal inglês Mail on Sunday, do passado Domingo, a qual eclodiu rapidamente em acusações públicas de plágio, em jornais “sérios”, como o Times e em múltiplos blogs e comentários dispersos.
O jornal nem mencionou a palavra plágio. Apenas referiu semelhanças entre a obra de McEwan, Atonement, e a de Lucille Andrews, No Time for Romance.
A notícia tem fonte anónima.
Contudo, plágio é a palavra em curso, nos debates profusos que se encetaram logo, nos media.
Algumas das frases que sustentam a acusação são estas:

Excerpts from Atonement (Ian McEwan)
. . . she had already dabbed gentian violet on ringworm, aquaflavine emulsion on a cut, and painted lead lotion on a bruise . . .”
“. . . practising blanket baths on life-size models — Mrs Mackintosh, Lady Chase, and baby George whose blandly impaired physique allowed him to double as a baby girl.”
“These bandages are so tight. Will you loosen them for me a little . . .There’s a good girl . . . go and wash the blood from your face. We don’t want the other patients upset.

Excerpts from No Time For Romance (Lucilla Andrews)
Our ‘nursing’ seldom involved more than dabbing gentian violet on ringworm, aquaflavine emulsion on cuts and scratches, lead lotion on bruises and sprains.”
“. . . the life-size dolls on which decades of young Nightingale nurses had learnt to blanket bath. Mrs Mackintosh, Lady Chase and George, a baby boy of convenient physique to allow him to double as a baby girl.”
“Go and wash that blood off your face and neck . . . It’ll upset the patients.

Na busca ao Google, com as palavras "McEwan plagiarism", foi em vão que busquei palavras como “cobardia”, “difamação”, “anónimo abjecto”, “libertinagem”, na miríade de referências. Estranhamente, não se vêem. O máximo que se pode encontrar é este texto, interessante e revelador. McEwan também já se defendeu no Guardian e estranhamente, também não fala de pauladas, calúnia ou de tribunal...

Por cá, tente-se a busca com as palavras “Miguel Sousa Tavares plágio”e veja-se o que resulta...
Escusado será dizer que por cá, o que aconteceu a Miguel Sousa Tavares, com a discussão que nem chegou a haver, com o alto patrocínio dos bonzos do jornalismo pátrio, é outra loiça.

A diferença, parece-me, será assim como a que pode existir entre a porcelana inglesa, de servir chá e a louça das Caldas, para o caldo entornado, os manguitos, os frades de burel manhoso e as surpresas no fundo das canecas.
Talvez seja essa uma das diferenças que nos separa da civilização. Estamos ainda um pouco atrasados.

Publicado por josé 21:16:00 7 comentários Links para este post  



Blogs foto-maton

"Será interessante acompanhar o nascimento, evolução (e, se se mantiver a tendência do passado, a morte por inanição) de blogues políticos que, pelos seus meios profissionais, se percebe terem financiamentos próprios cuja origem é desconhecida. " in Abrupto

Esta frase do Abrupto, pode insinuar várias realidades, mas uma apenas sobressai nas entrelinhas: há blogs politicamente disfarçados que servem a política em sentido estrito, político-partidário, sendo financiados por fontes desconhecidas.
A afirmação pode muito bem resumir-se num conceito: mercenarismo de propaganda, pago por quem de direito. Blogs que servem desígnios políticos, animados por comissários e apaniguados partidários.
A quem se poderá referir o Abrupto? Népia, no que concerne a indicações concretas ou mesmo pistas de identificação. Generalização manhosa, e portanto, boateira.
Se fosse por cá, nesta Loja, ou até noutros lugares selectos e bem frequentados da blogosfera, que se adiantasse uma afirmação desse jaez, tínhamos o mastim à perna, na próxima investida.
Assim, fica a afirmação dada gratuitamente, aparentemente irrelevante e irresponsável.
Quem é que liga? Assim se vê a importância do que se lê.

Publicado por josé 16:22:00 13 comentários Links para este post  



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Maio, Matosinhos

Hoje fui à praça e encontrei a hortaliceira muito desanimada com os militares no Governo.
- Tem lá algum jeito! – dizia-me enquanto me tentava ainda com um molhinho de rabanetes – então eles perderam a guerra que era a única coisa que sabiam fazer e, agora, querem-nos governar?!
Irrespondível.

Luísa Dacosta in Na Água do Tempo [Diário]

Publicado por contra-baixo 15:46:00 1 comentários Links para este post  



OTA - Uma questão de Credibilidade

No fim-de-semana voltamos a ouvir Luís Marques Mendes, líder do PSD, a falar da OTA.

Afirmou que :

  1. A OTA é um erro.
  2. Que em vez da OTA era melhor que o governo aproveitasse os fundos que ali vai gastar e reconduzi-los para apoiar as PME´s.
  3. Que o custo com a OTA ia aumentar 3 mil milhões de euros.

Para quem ambiciona um dia chegar a líder do país, não basta dizer que a OTA é um erro, e aqui tem a enormíssima vantagem de o governo quando demitiu Campos e Cunha há mais de 1 ano, ter demonstrado que acima de tudo a OTA era uma questão de fé.

A quem ambiciona mais, exigem-se soluções, porque numa matéria este governo tem razão – talvez a única na questão do aeroporto – se as coisas se mantiverem como estão, a Portela em 2017 não terá capacidade de escoamento. Que solução tem o PSD, para o esgotamento da capacidade no aeroporto da Portela em 2017 ? Por os aviões a aterrar nas PME`S ?

Erro 1

Quanto a soluções concretas, o líder do PSD não as deu e remeteu-se num custo de oportunidade discutível de apoio ás PME´s. Ou melhor, sabe-se que não concorda com a OTA, mas não se sabe que solução tem. Quanto ao custo de oportunidade de não construir a OTA e apoiar mais as PME´s é discutível porque uma vez mais, a impressão que fica é uma vez mais a utilização do Estado como intrumento financeiro, política aliás seguida há muito anos em Portugal e com os tristes resultados que se conhecessem. Não percebeu, mas ao dar esta solução, esta implicitamente a aumentar a despesa pública, e infelizmente temos que reconhecer que entre a OTA e o apoio ás PME´s, a taxa de retorno será maior na OTA. Se o governo precisava de um argumento Luís Marques Mendes, deu-o de bandeja.

Que solução tem o líder do PSD, para o esgotamento da capacidade no aeroporto da Portela em 2017 ? Por os aviões a aterrar nas PME`S ?

Erro 2

O adiamento da OTA para 2017, não aumentará os custos da obra em 3 mil milhões. O custo da obra estimado será de 3,2 mil milhões de euros.

Aparte dos erros, o que mais incomoda, é a falta de uma solução.

A OTA não é uma arma de arremesso político. É um assunto sério, que não pode ser misturado com demagogia. A bem do país.

Publicado por António Duarte 11:21:00 5 comentários Links para este post  



A crítica de classe

No blog da literatura, João Paulo Sousa que não conheço, escreve sobre Les bienveilantes de Jonathan Littel, para dizer que ainda não leu; nem leu as críticas que Claude Lanzmann fez ao livro.
Aqui, na Loja, em tempos escrevi sobre o que o Nouvel Observateur disse do livro: "Attention chef d´oeuvre"!
Depois disso, o autor ganhou já dois prémios importantes, literários, em França.
Também ainda não li o livro. Mas li a interessantíssima crítica de Lanzmann. Aqui fica, em fac simile, tirada igualmente do Nouvel Observateur de 21 a 27 de Setembro de 2006.

Publicado por josé 22:42:00 0 comentários Links para este post  



Pequenos deuses caseiros

Celebrou-se esta semana que passou, o centenário do nascimento de António Gedeão. O poeta António Gedeão, agora conhecido como Rómulo de Carvalho, professor do ensino secundário e que publicou há cinquenta anos, o seu primeiro livro. Segundo o próprio declarou em entrevista televisiva, antes não se sentia preparado, seguro, para tal. E foi por isso que pretendeu o anonimato relativo de um pseudónimo que escondeu da própria mulher.

Mas… a comemoração falhou um aspecto primordial, essencial, do fenómeno e que consiste em termos um poeta, conhecido principalmente através da música popular.
Mais: não fora o movimento dos baladeiros, no final dos anos sessenta e António Gedeão, não seria a figura que é, na poesia portuguesa. Mais ainda: a Pedra Filosofal , em vez da Grândola, deveria ter sido o sinal musical do 25 de Abril, na minha opinião.
Como é que aqui se chegou?
Tudo começou com a Pedra Filosofal cantada por Manuel Freire, no início de 1970.
Antes, em 1968, Manuel Freire cantara já, acompanhado a viola acústica, Dedicatória, de Fernando Miguel Bernardes ( “Se poeta sou, sei a quem o devo; Ao povo a quem dou os versos que escrevo. Da sua vida rude, colhi a poesia; tentei quanto pude, dar-lhe a melodia”) e ainda Livre, de Carlos de Oliveira ( “Não há machado que corte A raiz ao pensamento. Não há morte para o vento, não há morte.”).
Manuel Freire, com a Pedra Filosofal, relançou o interesse na poesia de António Gedeão, cujas obras completas, tinham sido publicadas cerca de dez anos antes.
A canção, editada pela marca Zip-Zip Movieplay, em 14 de Janeiro de 1970, foi um êxito, logo à saída, e a sua divulgação, ao vivo, no programa Zip-Zip, de Carlos Cruz, Raul Solnado e Fialho Gouveia, apenas acrescentou notoriedade ao cantor e ao poema.
Em 1970, para além de Manuel Freire, nas cantigas a solo e que mereceram o epíteto de baladeiros, antes de serem catalogados como cantores de intervenção, podiam ouvir-se na rádio e em discos ep, singles e até em longa duração, José Afonso, Padre Francisco Fanhais, Adriano Correia de Oliveira, Vieira da Silva, Barata Moura ( que cantava também em francês), Luís Cília, Duarte & Ciríaco e …nada mais, quase. Fausto, cantou Ó Pastor que choras, ( obra prima), em 1970 e parou até 74. O tempo de José Mário Branco, Sérgio Godinho, Luís Cília ( ausentes em França) José Jorge Letria, Fausto, viria também a seguir.
O sucesso de Manuel Freire, com a Pedra Filosofal, levou-o a uma fama duradoura nos anos vindouros. Em 27 de Março de 1970, participou no convívio promovido por uma revista do Porto, Mundo da Canção, cujo primeiro número saído em Dezembro de 1969, continha já as letras das suas primeiras canções ( Dedicatória e Livre). A revista, aliás, fez tudo o que podia e devia pela divulgação da nova música popular portuguesa, a par com a publicação de letras de música do estrangeiro anglo-saxónico, francês, italiano e espanhol, para além, claro, do brasileiro. Porém, a ênfase era sempre colocada na música portuguesa de intervenção (e não só); foi aí, nesse viveiro intelectual e artístico que aprendi a gostar da música portuguesa.

Quanto à poesia de António Gedeão, continuou nos anos a seguir, a servir de inspiração a grandes obras da música popular portuguesa.
Manuel Freire, em 1971, também na etiqueta Zip-Zip, edita o ep Dulcineia, contendo este poema de José Gomes Ferreira e ainda o Poema da malta das naus, de António Gedeão.
Em 1972, António Gedeão, levou mais um grande empurrão na fama, com a intervenção de outro músico, também médico, também alferes, recolhido no mato do norte de Angola, em tempo de guerra ultramarina.
José Niza, apanhou o volume da poesia completa do poeta e com o tempo longe de todos, compôs uma obra prima da música popular portuguesa: Fala do Homem nascido, saído em 1972, destacando a poesia de António Gedeão, reforça as vozes já antes reveladas, de Samuel, Duarte Mendes, Tonicha, Carlos Mendes e a orquestração de José Calvário, para além do que se conhecia dos festivais da canção, cunhados como do "nacional-cançonetismo”, termo da autoria de João Paulo Guerra.
Talvez seja este disco que nos anos a seguir, passou com frequência nas rádios da época, normalizado pelas vozes correntes e festivaleiras, a pedra de toque na divulgação da poesia de António Gedeão.
Lágrima de preta, associa-se à voz de Duarte Mendes, como a Luísa da Calçada de Carriche, fica ligada à voz de Carlos Mendes ( sobe Luísa; Luísa sobe…) ; Poema da malta das naus, antes cantado também por Manuel Freire, num registo lento, refaz o vigor épico, na voz mais estugada de Samuel e o pícaro Poema do fecho éclair só se entende na voz de Carlos Mendes.
Enfim, passados todos estes anos, as memórias que sobram das músicas e poesias do Portugal da década de setenta, ecoam nas décadas que seguem, repetindo os mesmos nomes, num universo restrito e que fatalmente esbarra em pequenas estrelas, grandes astros, cometas ( António Macedo e Luís Rego por exemplo), e também estrelas cadentes.

O pequeno universo da música popular portuguesa que fazia na época brilhar, até hoje, a poesia de António Gedeão, contava-se em poucos nomes.
Alguns, importantíssimos, como é o caso de Carlos Cruz, divulgador ímpar da mesma, no programa e produções Zip-Zip.
Os nomes que giraram à roda desse pequeno universo de produção musical, conhecido como o Tempo Zip, abrangem quase todo o espectro de uma esquerda que já não há, mas que se solidarizou nas amizades antigas.
Músicos, produtores de tv, compositores, actores e personagens dos media portugueses, solidarizados em compreensíveis amizades, atestam a inocência de um tempo que acabou. São muitos, estão espalhados pelos jornais, rádios, tv´s, e foram já apanhados por outra geração.
O tempo Zip passou e ficou a memória de algo ímpar, nestas últimas décadas, em prol da cultura popular. António Gedeão, Manuel Freire, as produções Zip, José Niza, a rádio da época, alguns jornalistas de época, estão ligados no tempo. E o tempo é implacável. Este tempo é implacável.
Rever esse tempo actualizado, com essas memórias, desvenda-se por vezes como uma tragédia, por causa de um escândalo sexual. Grega ou Shakespeareana é o que falta saber. Mundo da Canção,nº5, Abril 1970

PS
. Este texto é uma espécie de resposta às brilhantes incursões nas memórias de M.C.R., aqui, neste lugar de culto.
Nota: o título do texto é de Manuel Freire.

Publicado por josé 19:01:00 3 comentários Links para este post  



Maria José Margarido, uma amiga e grande jornalista

Publicado por Carlos 21:35:00 3 comentários Links para este post  



Um prenda para o Miguel


O Carlos, esse, segura as audiências, afixando por cima dos passarinhos coloridos do Manuel umas moças de calendário (e de olhar lânguido) repescadas só ele sabe aonde.

Meu caro amigo Miguel, se o problema são as mocinhas "repescadas", faço questão de pescar, especialmente para si, este rapagão.

Publicado por Carlos 20:10:00 8 comentários Links para este post  



nós e (/d)a banca





bom fim de semana.

Publicado por Manuel 20:09:00 0 comentários Links para este post  



Ando assim...

Publicado por Carlos 1:29:00 1 comentários Links para este post  



'Veja' (com os próprios olhos)



Editorial da Veja desta semana (via NV)

Publicado por Manuel 17:45:00 0 comentários Links para este post  



O guarda Miguel

Aproveitando a boleia do postal anterior, deve dizer-se que o blog em questão, Câmara Corporativa, submete a frequentes sindicâncias, informalizadas, sumárias e principalmente em tom humorístico puxado quase sempre para sarcasmos infelizes, aquilo que cataloga como “corporações”.
Nada a apontar de especialmente negativo, em relação a essas inspecções perfunctórias, geralmente em modo opinativo e também irrisório e às vezes ligeiramente irritante, uma vez que as instituições do Estado, as autónomas e as directa ou indirectamente dele dependentes , sendo constituídas por corpos profissionais que geram rotinas e tendem a cristalizar procedimentos discutíveis, só terão a ganhar com uma maior transparência e um conhecimento alargado dos seus modos de funcionamento e crítica dos mesmos.
O que já há efectivamente a apontar, é uma obsessão programada com certas “corporações” , mormente as dos magistrados em geral e pessoas concretas que as integram, que sendo entre todas, das mais vigiadas e inspeccionadas, não se acompanham de outras observações relativamente às corporações mais ocultas, enquistadas e assolapadas no seio do próprio poder administrativo do executivo e que o blogger bem conhece.
O animador Miguel Abrantes, um verdadeiro anónimo com nome verdadeiro ( é um alto funcionário da Administração Pública, com tempos livres), diverte-se assim a gozar, repetidamente, algumas pessoas, instituições e situações que lhe vão caindo no goto de freelancer do humor facilitado pela condescendência de quem verdadeiramente serve: o actual poder instituído dos “praces”, “simplex” e outras modas para inglês ver.
Oscilando nos seus escritos, entre o dever de guarda da actual situação e a fidelidade canina ao chefe da repartição desse poder situado, figura muitas vezes na posição alerta e bem amestrada na mordacidade e noutras,- aliás, as mais interessantes-, como figura de banda desenhada, parecendo um rantanplan, numa reprise improvável das histórias de Lucky Luke, sempre que desanda a defender quem manda em certas chefias, para além do esperado louvor e aclamação.
Vital Moreira que o diga… pois assumindo idêntico papel de guarda, vital, neste contexto, também se permite veleidades de crítica. No caso do blogger Miguel Abrantes, defensor estrénue das "medidas" contra as corporações, nunca tal veremos. E nem será preciso. Um guarda não critica. Obedece e cumpre. Fielmente. Caninamente, se for preciso, mordendo as canelas de inimigos, mesmo imaginários.

ADITAMENTO em 24.11.06-

estrenuamente, ran tan plan.
Ora, ora! Em vez do jack que estripa, temos um zé-da-esquina a apodar de zé-polícia quem o topa à légua. Um roto a rir-se de quem chama esfarrapado.
Em vez de resposta a condizer com os praces e simplex, formas elaboradas de modernização administrativa, temos um arrazoado mercado em feira de cebolas: de chorar, a pobreza imaginativa.
Em vez do colorido de uma narrativa que nos contasse por que contas defende sempre os mesmos situados, assumindo um lugar de blogger militante, lemos uma saída sorrateira pelo lado esconso da administração corporativa.
A temática blogueira habitual, não ultrapassa a obsessão de um subsídio de compensação. O Direito, visto em linha clara, nunca oferece reservas, nuances ou divergências. Não há enganos nem dúvidas. A interpretação circular, é norma legal.

O que sobra, dessa falência discursiva? Um simples activo: um catador de gralhas, vigilante atento de erros ortográficos. Um sintacticista de bolso, compulsivamente agarrado ao prontuário.
Quanto ao resto, no passivo, um imenso colector de escarninhos.

Por isso, não subscrevo a ideia que o blog em causa será uma ante-câmara da corporação governamental. É mais uma câmara escura, onde se revelam práticas simplex e praxis simples de um apaniguado que reverencia quem lhe dá o pão da inspiração e lhe pode dar com o pau da reversão. Para disfarçar essa estranha forma de vida, arma em zombeteiro.
A imagem do blogger é o retrato do blog. Este que aqui fica. E tudo fica como dantes.

Publicado por josé 15:50:00 17 comentários Links para este post  



Detecting Aggression in the Human Voice

Acoustic recognition is helpful enough when it enables Gracenote to replace missing album art in iTunes, but the idea of similar technology analyzing voices in public places in order to activate video surveillance or contact the authorities is just a wee bit unsettling.

That's what's happening in the Dutch town of Groningen, after the official activation of street microphones set to pick up on aggressive sounding voices helped police make three arrests in a trial run earlier in the year. According to New Scientist Tech, the secret sauce is software that detects "high frequency vowel sounds [that] span a broader frequency range."

Publicado por contra-baixo 15:11:00 0 comentários Links para este post  



uma questão de (in)conveniência

O Câmara Corporativa é uma daquelas ideias simples, e razoavelmente eficazes, que o Dr. Lopes gostava de ter tido, e executado devidamente, no tempo dele mas não teve. É uma micro-central de (des)informação que, à sua escala, cumpre razoavelmente os objectivos de quem está por trás - desacreditar, desacreditar e desacreditar, nomeadamente o sistema judicial.

Contudo, porém, às vezes, muito raramente, há por lá tiradas que ultrapassam em muito o (pequeno) alcance da mera parada/(contra) resposta. Hoje, por exemplo esta é imperdível e devia ser motivo para séria reflexão... É que às vezes o tal sistema judicial desacredita-se mesmo sozinho...


Realiza-se, amanhã e depois, o IV Encontro Anual do Conselho Superior da Magistratura (CSM), órgão presidido por Noronha do Nascimento. Um dos temas em debate é a globalização e as novas exigências que ela coloca ao sistema judicial. A intervenção principal estará a cargo de Paulo Teixeira Pinto, presidente do conselho de administração do Millennium/BCP. (...) Estão reunidas as condições para que, no próximo encontro anual do CSM, se discuta o futebol profissional e as novas exigências que ele coloca ao sistema judicial. Poderão ser convidados pelo CSM Valentim Loureiro (para a intervenção principal), Pinto da Costa e José Veiga (para interlocutores principais). Haverá, certamente, juízes à altura para moderar o debate sobre os donos da bola. (daqui)



P.S. Sobre poderes fácticos, e discretos, sobre a Maçonaria e a Opus Dei, não vale a pena dizer mais nada. As coisas são o que são. Quanto a Paulo Teixeira Pinto, julgava-o mais inteligente, na melhor das hipóteses caiu numa armadilha...

Publicado por Manuel 13:56:00 0 comentários Links para este post  



Vaticano aprende com a Unidade de Missão para a Reforma Penal

O Conselho Pontifício para a Saúde (CPS), do Vaticano, já enviou aos responsáveis da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) um esboço de um documento sobre o preservativo. Continua aqui (durante o dia de hoje, amanhã só para assinantes)

Publicado por Carlos 13:27:00 0 comentários Links para este post  



O rigorismo exacto

No espaço de blogs do Público, o Provedor do leitor, anima uma interessantíssima discussão, acerca da notícia, no mesmo jornal, sobre o alegado plágio do Equador.
A notícia, assinada por duas jornalistas, deu a conhecer ao público do Público, o facto de o escritor do “romance histórico” Equador, ter ameaçado com “pauladas” e manifestado a intenção de accionar judicialmente os autores anónimos de um blog, por causa de um alegado plágio.

Para o Provedor do leitor do Público, o essencial das críticas que dirige às jornalistas e à notícia em causa, reside na afirmação de que “as jornalistas tinham o dever de confirmar os factos. É isso que está em causa.”

Mas não parece ser apenas isso que está em causa. O Provedor do Leitor do Público entende que as jornalistas “passaram o risco” ao não confirmar os factos e infere-se da sua argumentação que as mesmas partiram de um preconceito, feito de opinião escrita. Esta, estaria traduzida na afirmação “assassina”, feita pelas mesmas de que no livro referido “Há muitas ideias parecidas e frases praticamente iguais”.

Para o Provedor do Leitor, as jornalistas, com aquela frase, emitiram opinião no sentido de insinuar a prática de plágio pelo autor ofendido.
O Provedor do Leitor, por sua vez, naquilo que escreve e argumenta, emite opinião contrária. Acusando o preconceito, incorre em idêntico preconceito, de sinal contrário.

É este, parece-me, o paradigma do jornalismo português. Um jornalismo em que a objectividade não é compreendida ( porque, segundo o Provedor, nem existe) como conceito autónomo e se confunde com “rigor, exactidão, etc”.

Um jornalismo em que um preconceito se combate com outro de sinal contrário, portanto e segundo se indicia. Valem, neste caso, outras ordens de razões: na impossibilidade(confessada) de uma objectividade, com a interferência mínima do subjectivo que inevitavelmente estará sempre presente, desloca-se o centro de gravidade deste tipo de jornalismo, para o “rigor e exactidão” que podem ser… subjectivos.
Numa notícia como a criticada, a objectividade consistia em quê, exactamente?
Em dizer o que se passava e mostrar os factos que se apresentavam ao conhecimento público. Tal e qual as jornalistas visadas pelo Provedor o fizeram. Um desses factos, porém, inelutavelmente, era a comparação entre duas obras literárias. Bem ou mal, tanto no blog anónimo, como noutro(s) não anónimos, foram apresentadas aos leitores essas comparações.
Então, que faz o jornalismo “rigoroso e exacto”? Publica opiniões. Exactas e rigorosas, claro. A opinião do Provedor é que as comparações não foram “checadas” e deveriam sê-lo. Mas…o Público tem “fact-checkers”? E se não tem, qual o papel dos editores? A cargo de quem ficará, neste caso, o rigor e a exactidão? E outra pergunta, a propósito, que isto é como um cacho de cerejas: quais as notícias em que se efectua mesmo, mesmo, mesmo, essa comprovação dos factos? Por exemplo, as que incidem sobre assuntos judiciários, são comprovadas, “a priori”? Como é que se pode julgar o jornalismo judiciário do Público, sob este ponto de vista? “Rigoroso, exacto e etc.?”

A discussão promete.

Publicado por josé 14:22:00 5 comentários Links para este post  



ainda não chegamos ao egipto... ou já ?

Egypt arrests another blog critic

Police in Cairo have detained a blogger whose posts have been critical of the Egyptian government.

Rami Siyam, who blogs under the name of Ayyoub, was detained along with three friends after leaving the house of a fellow blogger late at night. No reasons have been given for Mr Siyam's detention. The other friends were released after being questioned.

Human rights groups have accused Egypt of eroding freedom of speech by arresting several bloggers recently. BBC Arab Affairs analyst Magdi Abdelhadi says blogging in Egypt is closely associated with political activism in a culture where democratic freedoms are severely restricted.

(...) ler o resto na BBC online

Publicado por Manuel 12:27:00 3 comentários Links para este post  



baralhar e voltar a dar

Pelo Rui fico a saber que o Eng. Sócrates considera muito infeliz a ideia do PSD de levar o PGR e o director da PJ ao Parlamento para debater a... corrupção. Eu se fosse ao Primeiro Ministro não me queixaria demasiado, antes pelo contrário. Infinitamente 'pior' que mandar, ao Parlamento, Pinto Monteiro - o tal que vai almoçar alegremente a São Bento - e o director da PJ - carimbado, por António Costa numa entrevista recente, como um mero funcionário subalterno, sem direito a grandes opiniões, e condenado a mero executante de ordems superiores - seria se o PSD se lembrasse de chamar à AR Cândida Almeida para lhe perguntar, por exemplo, que interpretação faz ela do rescaldo do tal almoço...

Publicado por Manuel 20:51:00 1 comentários Links para este post  



posições inadiáveis

Almoço em São Bento

Na passada 3ª-feira houve um almoço em São Bento. Anfitrião: o PM. Convidados: os ministros da Justiça e das Finanças e o PGR. O "prato forte" do almoço não foi qualquer espécie culinária (o Orçamento do Estado não o permite e estava lá precisamente o Ministro das Finanças), mas sim a "Operação Furacão". Motivo do almoço: a preocupação do Governo pela "imagem da banca".

Conclusão do almoço: necessidade de "investigar depressa e em força".

Tão insólita almoçarada (ainda que possivelmente frugal, face aos condicionalismos) deixa-me algumas perplexidades. Qual o exacto e preciso "interesse" do Governo na matéria? O que fazia o Ministro das Finanças no almoço?

Julgava eu que as recentes e unânimes declarações das mais altas figuras do Estado no sentido da necessidade de perseguição impiedosa da corrupção e criminalidade económica eram para levar a sério. Mas, à primeira grande investida nessa área, a reacção do Governo não é de incentivo à investigação, mas sim de "preocupação" com a imagem dos arguidos (tudo gente acima de toda a suspeita, aliás). E em vez de recomendar uma investigação profunda e profícua ("doa a quem doer", etc.), recomenda uma investigação rápida e em força!!!

Será que esses métodos são compatíveis com uma investigação que é certamente muito complexa? Estarão reunidas as condições para uma investigação que vá "ao fundo"?

Enfim, fico por aqui.

Eduardo Maia Costa, in Sine Die

Publicado por Manuel 18:54:00 0 comentários Links para este post  



'a fome e a vontade de comer'

Publicado por Manuel 18:51:00 0 comentários Links para este post  



surrealizar por aí (2)

e o "prato do dia" dos restaurantes também.

Publicado por contra-baixo 16:40:00 0 comentários Links para este post  



surrealizar por aí

Duvido mesmo que o próprio saiba que tem o seu retrato aqui , mesmo ao lado de fotos com estas aqui, aqui e aqui. Todas sob o lema

Rancinan loves to photograph people like …

Publicado por contra-baixo 15:55:00 0 comentários Links para este post  



Cruzes, canhoto!

"Mas, independentemente de qualquer acto eleitoral, os símbolos religiosos não podem estar patentes em estabelecimentos públicos, pela simples razão de que representam uma violação qualificada da separação entre o Estado e as religiões." Vital Moreira, causa nossa.

Vital Moreira, na sua luta encarniçada e porfiada, na senda de um serôdio jacobinismo, herdeiro de mata-frades, atira-se às cruzes. As cruzes são o diabo, em estabelecimentos” ( sic) públicos, como bem mostra a resenha que segue, de um lugar ligado a muitas cruzes: a freguesia de Santa Cruz, em Coimbra. Coimbra, aliás, é um lugar de cruzes. Na Igreja, onde estão sepultados os restos mortais do nosso primeiro rei, cujo reinado se simboliza numa cruz, que é a de Cristo, há um ror de cruzes que atenazarão para todo o sempre Vital Moreira.
Abrenúncio!
A história da freguesia de Santa Cruz está intimamente ligada à fundação do Mosteiro com o mesmo nome. No ano de 1131 D. Afonso Henriques autoriza a construção do Mosteiro. A primeira pedra da construção da Igreja é lançada a 28 de Junho, num local conhecido por "Banhos Reais". É à sua sombra que se desenvolve uma vida medieval de artistas, do comércio e das primeiras habitações.
No ano seguinte começa a vida da Comunidade de Agostinianos, constituída por 12 frades, tendo como superior o prior D. Teotónio (S. Teotónio).
Em 1530 é aberta a rua da Sofia (etimologicamente "sabedoria"), plena de monumentalidade e tradição, construindo-se ali importantes edifícios, conhecidos como Colégios Universitários que fornecem as primeiras matérias pré-universitárias e dão apoio logístico ao já grande afluxo de formandos que pretendiam frequentar a Universidade de Coimbra.
Do conjunto destes edifícios, destaque para o antigo Colégio de S. Teotónio (Palácio da Justiça); Igreja de S. Pedro dos Terceiros (antigo Colégio S. Bernardo); Colégio de S. Boaventura (de que resta só a fachada); Colégio de S. Domingos (hoje Shopping Center); Colégios da Graça e do Carmo.
A fundação da Igreja da Graça data de 1543 (reinado de D. João III). A Igreja de Santa Justa foi edificada nos princípios do séc. XVIII.
Ao Lado da Igreja de Santa Cruz está o "Café Santa Cruz", que fez parte do antigo Mosteiro das Donas e foi a Igreja Paroquial da freguesia de Santa Cruz (Igreja de S. João de Stª. Cruz, construída pelo ano de 1530.
Ligado a esta freguesia e à Rua da Sofia anda o Tribunal da Inquisição proposto pelo rei D. João III e trazido para Coimbra pela mão do Cardeal Infante D. Henrique.

Se Vital Moreira continuar nesta senda de expurgo de simbolismos religiosos, de "estabelecimentos públicos", vai ter um trabalho medonho. Vai ser mesmo o diabo...



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CONTROLLED CHAOS

European Cities Do Away with Traffic Signs

By Matthias Schulz

Are streets without traffic signs conceivable? Seven cities and regions in Europe are giving it a try -- with good results.

"We reject every form of legislation," the Russian aristocrat and "father of anarchism" Mikhail Bakunin once thundered. The czar banished him to Siberia. But now it seems his ideas are being rediscovered.

European traffic planners are dreaming of streets free of rules and directives. They want drivers and pedestrians to interact in a free and humane way, as brethren -- by means of friendly gestures, nods of the head and eye contact, without the harassment of prohibitions, restrictions and warning signs.

A project implemented by the European Union is currently seeing seven cities and regions clear-cutting their forest of traffic signs. Ejby, in Denmark, is participating in the experiment, as are Ipswich in England and the Belgian town of Ostende.

Continuar a ler no Der Spiegel Online...

Publicado por Manuel 10:50:00 1 comentários Links para este post  



os outros também

O Ministro da Justiça ficou extremamente "agastado" com a divulgação pública do almoço, em S. Bento, entre Pinto Monteiro, José Sócrates, o Ministro das Finanças e ele próprio, alegadamente para discutir meios para a PGR e por consequência para o combate à corrupção. Mais, considerou 'extremamente irresponsável' a notícia que foi capa do Sol, onde a reunião era associada à preocupação do Governo relativamente à Operação Furacão, que afecta a grande banca nacional. Para Alberto Costa a notícia é tanto mais 'irresponsável e inexplicável' porque o actual PGR foi nomeado há menos de um mês.

O drama de Alberto Costa não é noticia do Sol, que aliás não foi minimamente desmentida, no comunicado publicado no Sábado, pela PGR mas sim o facto de o almoço/reunião ter sido tornado público. Alberto Costa e Pinto Monteiro podem achar a coisa mais natural do mundo um PGR, um PM, mais dois ministros almoçarem (!) , às escondidas, em São Bento, só que não é. Nunca foi. Fosse, e não haveria notícia já que tal almoço estaria, prévia e antecipadamente, escarrapachado na agenda oficial do PGR que este agora, e bem, publicita no site oficial da Procuradoria.

Alberto Costa e Pinto Monteiro parecem continuar a achar que as coisas se resolvem com cochichos e segredinhos, quando o que é preciso é clareza e transparência, isto é tudo o que não está a acontecer. Obviamente que nenhuma consequência ou ilação irá ser tirada, a não ser mais 'cuidado' da 'próxima' vez.
Noutras circunstâncias uma ida do PM, e do PGR, a Belém para lhes ser recordado o princípio básico da separação de poderes seria mais do que oportuna mas, todos sabemos que isso não vai acontecer.

Nos entretantos, a culpa, repito, a culpa não é de Pinto Monteiro, ele limita-se, afinal, a ser igual a si próprio. O drama é que os outros também.

Faltam 43 dias.

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Bem-vindos à mais louca corrida do Mundo

A Grande Loja inicia hoje um acompanhamento permanente à corrida para a sucessão de George W. Bush como Presidente dos EUA.

A precisamente dois anos de distância das presidenciais (vão ser em Novembro de 2008), lançamos, desde já, uma short list de dez nomes (cinco democratas, cinco republicanos) de onde deverá sair, com quase toda a certeza, o Presidente que governará a América até Janeiro de 2013.

Assim, no campo democrata:

-- Hillary Rodham Clinton, senadora por Nova Iorque, 59 anos
-- Barack Obama, senador pelo Illinois, 45 anos
-- Al Gore, vice-presidente dos EUA entre 1993 e 2001, 58 anos
-- John Edwards, candidato a vice-presidente dos EUA em 2004, 53 anos
-- John Kerry, candidato a presidente dos EUA em 2004, 62 anos

No campo republicano:

-- John McCain, senador pelo Arizona, 70 anos
-- Rudy Giuliani, antigo mayor de Nova Iorque, 62 anos
-- Condoleeza Rice, secretária de Estado, 52 anos
-- Jeb Bush, governador da Flórida, 53 anos
-- Mitt Romney, governador do Massachussets, 59 anos

Nos próximos meses, dedicaremos um texto especial a cada um destes dez nomes, com o seu passado, os trunfos e fraquezas de cada um, a fim de anteciparmos o processo que será acelerado durante o ano de 2007, mas que já arrancou: o do posicionamento dos potenciais pretendentes nas primárias que decorrerão a partir do Outono do próximo ano, quando faltar um ano para as eleições presidenciais.

É óbvio que há uma certa margem de risco em assumir esta escolha de dez nomes, dado que alguns eventuais candidatos ficaram de fora. Mas tendo em conta os dados já existentes, seria uma enorme surpresa se o próximo Presidente dos EUA não fosse um dos dez nomes acima elencados.

Mesmo assim, e quase por… descarga de consciência, aqui ficam a lista dos excluídos, ficando desde já aqui feito um direito de reserva: se, por um acaso nada provável neste momento, o evoluir da corrida revelar como plausível que o investido de um dos campos vier a ser algum dos nomes colocados neste rol de outsiders, obviamente que o colocaremos no lote principal, e faremos, em relação a ele o mesmo texto biográfico a que os outros terão direito. A ideia é conferirmos aos leitores da Grande Loja a mais completa informação possível sobre aquela que será, certamente, a mais longa e mais cara corrida eleitoral da história das democracias.

Aqui vai então uma lista de outsiders, com outros dez nomes repartidos pelos dois campos:

Democratas:
-- Tom Vilsack, governador do Iowa
-- Wesley Clark, terceiro classificado nas primárias de 2004
-- Russ Feingold, senador pelo Wisconsin
-- Mark Warner, governador da Virgínia
-- Bill Richardson, governador do Novo México

Republicanos:
-- Newt Gingrich, antigo speaker do Congresso, durante a «Revolução Republicana» dos anos 90
-- Haley Barbour, governador do Mississipi
-- Sam Brownback, senador pelo Kansas
-- Elisabeth Dole, senadora pela Carolina do Norte
-- Dick Chenney, vice-presidente dos EUA

Mas insistimos: só um terramoto político faria alcandorar para o topo da corrida algum destes dez nomes. A corrida está lançada e há posições já definidas na grelha:

-- do lado dos democratas, Hillary é, claramente, a front-runner, embora já tenha tido uma vantagem mais confortável. O relançamento de Barack Obama (que primeiro disse que não ia avançar em 2008 e, recentemente, admitiu candidatar-se) baralhou as contas e confirmou a enorme popularidade do senador pelo Illinois, que reúne juventude, apelo ao sonho americano (um descendente de escravos que pode chegar ao cargo mais poderoso do Mundo), brilhantismo oratório e intelectual com uma imagem positiva e moderada, uma mistura pouco habitual em políticos que provêm de minorias sociais.

Al Gore é uma incógnita: continua a dizer que não tem uma nova candidatura como prioridade e isso talvez o prejudique nos números disponíveis até agora. Se, nos próximos meses, der um sinal mais claro de que também é candidato, talvez se aproxime de Hillary e Obama, naquele que seria um interessante cenário a três que, a confirmar-se, afastaria as hipóteses de nomes como Kerry, Edwards ou Wesley Clark.

Mas se algum dos três mais fortes democratas neste momento (Hillary, Obama e Gore) não for a jogo, abre espaço a Kerry ou Edwards que, apesar de virem com o rótulo de perdedores contra Bush em 2004, têm um trunfo que, na hora da verdade, não será de desprezar: o de terem reunido mais de 55 milhões de votos, de longe a maior votação num candidato do Partido Democrata na história eleitoral dos EUA.

A última sondagem sobre a nomeação democrata, feita pelo Pew Research Ccenter, revelou o seguinte:

-- Hillary Clinton, 39
-- Barack Obama, 23
-- Al Gore, 10
-- John Edwards, 10
-- John Kerry, 7
-- Outros candidatos+não sabe+não responde, 11

Do lado republicano, prefigura-se uma luta a dois entre McCain e Giuliani. Até há cerca de um ano, McCain seria a escolha natural: esteve quase, quase a bater Bush nas primárias de 2000, que abriram caminho ao actual Presidente. Goza de altos níveis de popularidade em sectores fora do Partido Republicano, mas tem dois grandes problemas: a idade (se for eleito, terá 72 anos quando tomar posse, pelo que completará o previsível ciclo de oito anos de um Presidente já na casa dos 80) e o facto de pretender enviar ainda mais tropas para o Iraque (o que o coloca, claramente, em contra-corrente com o actual paradigma de retirada).

Rudy tem capitalizado a imagem deixada de «superMayor» durante o 11 de Setembro e também terá a seu favor o facto de, desde aí, não ter sofrido o desgaste de popularidade de cargos executivos. É um republicano moderado, que entra bem em algum eleitorado democrata, e não deverá ser menosprezado. Mas se conseguir a investidura será uma surpresa, porque não é tradição que alguém fora da Casa Branca, do Senado, do Congresso ou do governo de um Estado consiga chegar a Presidente.

Condoleeza Rice poderia ter esperanças de se intrometer nesta luta a dois, mas a progressiva degradação da imagem da Administração Bush quase retira à partida as ambições de uma candidatura saída da actual Casa Branca. E a verdade é que Condi é o único com alguma popularidade na actual Administração.

Aqui vão os números mais recentes da corrida republicana:
-- Rudy Giuliani, 27
-- John McCain, 26

-- Condoleeza Rice, 20
-- Mitt Romney, 7
-- Outros+não sabe+não responde, 20

As eleições intercalares aceleraram o processo de mudança que se adivinha em Washington. Mesmo que vença o candidato republicano em 2008, ele será bem diferente de Bush. Tanto McCain como Rudy são mais moderado, mais centrais se assim quisermos chamar, pelo que obdecerão, certamente, a um esquema de funcionamento mais pragmático.

Mas falta saber que bissectriz encontrarão os democratas para voltarem à Casa Branca. Qualquer um dos três mais fortes tem fragilidades que, no caso de serem investidos, serão exploradas ao limite pelos republicanos: Hillary é mulher, já teve uma imagem excessivamente esquerdista e, agora, exagera na preocupação em mostrar-se à vontade num mundo de homens, insistindo em temas como a Defesa, as Forças Armadas e a Segurança; Obama é negro e uma corrida à Casa Branca levantará temas nunca até agora debatidos entre candidatos à Presidência; Al Gore nunca se libertou do estigma de 2000, em que tinha tudo para vencer de forma confortável.

Todos os meses, até Novembro de 2008, a Grande Loja fará actualizações dos números e publicará retratos personalizados dos protagonistas.

Publicado por André 2:18:00 2 comentários Links para este post  



Portugal, Hoje e Sempre

«O sebastianismo é acreditar no Euromilhões. É um país inteiro à espera que lhe saia a sorte grande».

JOÃO MEDINA, no Público de 19 de Novembro de 2006

Na mouche.

Publicado por André 1:18:00 0 comentários Links para este post  



Ministério Público precisa de submarinos?


Que meios tão extraordináros necessita o Ministério Público para combater a corrupção para que o Pinto Monteiro precise de uma almoçarada com o Primeiro Ministro, o ministro da Finanças e o ministro da Justiça?

Publicado por Carlos 0:45:00 0 comentários Links para este post  



O ambiente da corrupção

O indivíduo que aí fica em retrato, tirado do Público de hoje ( que retrata também um "dono" de um partido), tem escrito , dito e feito algo, a propósito de combate à corrupção e não só. Chama-se Euclides Dâmaso e dirige, em Coimbra, o Ministério Público, nos Diap locais. A sua intervenção cívica, no entanto, segue um dito bem pensante, sobre o ambiente, mas nem por isso menos interessante: "Pense globalmente; actue localmente".
Leiam o escrito, ampliando a imagem, por click.

Publicado por josé 19:07:00 2 comentários Links para este post  



'boas' práticas internacionais - à aten(ta)ção do ministro António Costa...










COPENHAGEN - November 17, 2006: "Wonderful, wonderful Copenhagen," as the words to the song goes. The Danish Road Safety Council has developed a wonderful, unique way to draw attention to posted speed limts. Frankly, it's a wonder that it hadn't been implemented already in various parts of the world (although we're sure that it's been thought of). more information about the Danish Road Safety Council.

Publicado por Manuel 18:22:00 1 comentários Links para este post  



O anonimato sindical ou o medo do Medo

Em 2006, em Portugal, com um governo democraticamente eleito e com uma constituição e leis que asseguram na sua letra, uma ampla margem para a liberdade de expressão dos indivíduos, fará algum sentido uma imagem desta? Quatro sindicalistas da PSP, a comunicar à opinião pública as suas preocupações e reivindicações profissionais, como se fossem membros de uma eta num país de repressão política e policial a actividades subversivas? A actividade sindical na PSP será mesmo uma actividade subversiva do estado de direito que temos?

Bem...fará todo o sentido, se afinal, os encapuçados o forem por necessidade e não motivados por qualquer maluqueira de imitação improvável de uma referência revolucionária de tempos revolvidos mas nem sequer muito distantes.

Essa necessidade deriva do medo. Medo de aparecer de cara descoberta, enquanto membros de uma corporação policial cuja hierarquia lhes impõem, expressa ou tacitamente, um silêncio sobre matérias e assuntos incómodos que interessando aos membros da corporação, se reflectem depois na comunidade em geral.
A imposição estrita de reserva e silêncio, em casos de reivindicação de direitos e atenção a condições de trabalho, não deriva de leis. Deriva apenas do simples reflexo de defesa de quem se pode sentir atacado numa autoridade que lhe advém dessa mesma lei e posto em causa por não cumprir os deveres associados. Deriva também, por isso, de um reflexo de um autoritarismo de inspiração proto-fascista, exactamente e com propriedade, neste caso. Reflexo esse que é de Medo também. Medo que quem questiona certezas ou dúvidas; de quem pode apontar a nudez dos reizinhos dos pequenos e grandes poderes; de quem não tendo poder efectivo para executar em nome de todos, poder criticar o poder de quem o tem.
É nesse exercício de um direito de crítica que as democracias se distinguem: umas concedem-no amplamente e sem muitas reservas. Outras, reservam esses direitos, apontando limites sempre com base em conceitos e ideias muito bem estruturados e lógicos. Não é fácil argumentar contra quem usa a lei para proibir o direito de questionar a própria lei, o costume ou as pessoas que deles se servem. Portugal, aparentemente, não entrou ainda no clube das "amplas liberdades".
Há um medo do Medo, portanto.
A lei, como é próprio, admitindo interpretações variadas e díspares, abre o caminho do medo. O reflexo do medo, está contido na própria lei e nas consequências que a mesma prevê para quem a violar. Em direito criminal, podem designar-se esses efeitos inefáveis , como o de “prevenção especial” e o de “prevenção geral” que significam uma repressão individual e um aviso geral.
Quem tem o poder de a interpretar e aplicar em procedimentos disciplinares ou mesmo penais, tem um dever também: não abusar desse grande poder.
Ao alargar o campo do medo inerente ao funcionamento da própria lei, para o âmbito pantanoso da discricionariedade interpretativa, consoante os poderes e sensibilidades políticos do momento, usando a vontade de perseguir indivíduos ou grupos, para reprimir atitudes e gestos incómodas ou calar vozes de contestação, desmente-se, na prática e nessas atitudes, a essência da própria democracia apregoada.
Por muito que se apregoe a disciplina e o respeito hierárquico,como valores fulcrais numa corporação, se forem caladas as vozes discordantes e reivindicativas mais sensíveis à injustiça e indignidade individual e social, mais tarde ou mais cedo surgirá a revolta.
Foi assim, aliás, que surgiu o movimento das Forças Armadas que se mostrou a todos, em 25 de Abril de 1974. Os seus herdeiros, estão a esquecê-lo. E no entando, são os que mais reivindicaram essa liberdade que agora parecem querer negar. Sinais dos tempos ou simplesmente sinal inequívoco de que o poder corrompe?

Nota: foto copiada do Expresso desta semana.

Publicado por josé 11:53:00 11 comentários Links para este post  



Podemos ser amigos

O Miguel ficou triste com as minhas preferências, reveladas neste post. Vá lá...Miguel, não há necessidade de tanta azia. Podemos ser amigos. Nada mais!

Publicado por Carlos 21:55:00 1 comentários Links para este post  



Pois com certeza.

O jornalista Paulo Querido, sinalizou o postal sobre o Pasquim e o Tal& Qual, rememorando histórias que ajudam a perceber a formação de jornais em Portugal e de onde vêm quem vai para onde.
O seu postal, precioso, fica disponível, nesta ligação, para consulta.
Como pede a indicação da ficha técnica do jornal, é para já:
Como bónus, fica a capa do nº3:
E como as lembranças são como as cerejas, fica aqui a capa e respectiva ficha técnica de outro "pasquim", "O fiel Inimigo", de 1993, dirigido por Júlio Pinto, já desaparecido, e percursor do humor tipo Inimigo Público.
A ficha técnica do semanário "satírico-independente", é de luxo, com imagem a condizer:

Publicado por josé 19:23:00 0 comentários Links para este post  



too little, too late

O pacto para a Justiça, algo que naqueles moldes nunca deveria ter acontecido sequer, morreu formalmente hoje. Too little, too late. Nestas coisas a ingenuidade (e não foi a ingenuidade a causa - descansem...) nunca serve de desculpa.

N.A. esta constatação não é particularmente dirigida à São Caetano à Lapa, é mais para as bandas de Belém.

Publicado por Manuel 17:40:00 1 comentários Links para este post  



para fazer a vontade a Cavaco, Governo e PGR preparam em segredo unidade de élite para combate à corrupção e afins



(video exclusivo de sessão de formação ministrada em país amigo)

Publicado por Carlos 19:45:00 2 comentários Links para este post  



A fórmula de Deus

Publicado por Carlos 19:18:00 9 comentários Links para este post  



assim e assado

Hoje, o Público vale cada tostão que custa. Pelo Editorial sóbrio, sensato e pertinente de José Manuel Fernandes, e - sobretudo - pelo artigo da Constança Cunha e Sá, sobre as irresponsabilidades do Dr. Lopes e... e as responsabilidades do Dr. Durão. Obviamente, dois textos para caírem em saco roto. [já escrevemos aquilo, e muito mais, por estas bandas para aí um milhão de vezes...]

Já ontem, tivemos o Dr. Lopes na RTP/1 e o Prof. Cavaco na SIC. O primeiro esteve igual a si próprio, o segundo já não sei. Confesso que ao contrário de outros que nele votaram não fiquei particularmente afligido com a linha de raciocínio presidencial, as coisas são o que são e a política é o que é - por estas bandas - fiquei foi genuinamente assustado foi por Cavaco parecer acreditar, genuinamente, naquilo que estava a dizer...

Antes já tínhamos tido o lançamento do livro do Dr. Lopes. Dou de barato que fora o umbiguismo do autor a esmagadora maioria do que lá está é verdade, como dou de barato que, fora isso, a maioria do que estava no livro do Dr. Carrilho também não andaria muito longe da verdade. A diferença jaz, caro JPH, não na alegada humildade do Dr. Lopes, por oposição à arrogância de Carrilho. A diferença está noutro campo, bem diferente - Lopes, ao contrário de Carrilho assume-se como parte de um sistema, e de um meio, pequeno e fechado, cujas regras conhece e cuja existência não contesta, sistema esse, palaciano e florentino, onde alguma imprensa tem importância fundamental. Ora, essa assunção não resulta de nenhuma particular humildade mas de uma forma hábil de desarmar quem por acção e omissão contribuiu para o circo. Já com Carrilho essa relação 'simbiótica' com a imprensa nunca existiu, daí ser visto por esta como um peixe fora da água, absolutamente descartável, por oposição a Lopes, que - como ontem se viu - garante sempre bons momentos e melhores caixas. De resto, fica-se com a certeza que - por estas bandas - a democracia é nominal. É tudo entre umas poucas dúzias, políticos, jornalistas, 'financeiros', e afins, que tudo se trata e tudo se joga, o resto meras formalidades.

Assim, e voltando ao tal editorial de José Manuel Fernandes seria bom que houvesse, finalmente, um debate a sério sobre o sistema eleitoral e a reforma do sistema político/administrativo. Por muitas entrevistas delicodoces que Cavaco venha a dar a verdade é que muitos dos problemas são endémicos da actual topologia do sistema... Infelizmente, parece-me, que se vai usar o argumento da 'estabilidade' para evitar que esse debate, ao menos o debate, ocorra. Ora, por muita boa vontade que haja, e às vezes há, outras vezes não há, há reformas que são pura e simplesmente impossíveis, com as coisas como estão. A balbúrdia à volta da lei das finanças locais e regionais é uma amostra, uma ínfima amostra disso.

Publicado por Manuel 14:14:00 5 comentários Links para este post  



'A mulher de César'




Não sei se na adjudicação do SIRESP houve ou não - como suspeitam MP e PJ - corrupção e tráfico de influências. Mas o nariz é um órgão naturalmente menos escrupuloso que a razão crítica, e que coisa cheira mal, cheira (aliás, o negócio não terá sido anulado só por repugnância olfactiva). Um negócio de 600 milhões, com um caderno de encargos que outros potenciais concorrentes consideraram feito por medida, assinado à pressa por um governo em gestão três dias depois de ter perdido as eleições e atribuído a um consórcio com ligações ao ministro adjudicatário, tudo com base num singular "parecer verbal" dado por um auditor do mesmo ministério, parece um cozinhado com ingredientes duvidosos de mais para não cheirar a esturro mesmo a narizes condescendentes. Mas o caso põe outra questão, a da mulher de César, a quem, diz-se, se exige não só que seja honesta mas também que o pareça. Ora o tal auditor é agora vice-procurador-geral da República, cargo que é suposto estar acima de qualquer suspeita e em que, mal tome posse, passará a ter autoridade sobre as investigações. Se em política, como também se diz, o que parece é, não se pode considerar que, em tudo isto, as aparências sejam particularmente recomendáveis. Mas a ver vamos, como diz o cego

Manuel António Pina, hoje no JN

Bem aventurado, pois, o país em que ninguém liga às aparências...

Publicado por Manuel 12:53:00 1 comentários Links para este post  



Minas e armadilhas

Ferreira Fernandes, o jornalista que na Sábado passada, veio aqui à Loja mercar assunto para a sua crónica, aviando-se num elogio e num vitupério simultâneos, já levou o devido troco. Mas, reparo agora, com a leitura da Sábado de hoje, que continuei em dívida. Aqui vão mais uns trocos, por conta do vitupério que comprou.
Na Sábado, num artigo de meia dúzia de páginas, subscrito por Ferreira Fernandes e Raquel Lito, a capa elucida o comprador: “Calúnias – como as mentiras podem destruir”.
Com esse mote e Sousa Tavares, em retrato grande plano, serve-se no artigo, uma crónica de costumes, sobre calúnias que ao longo destes últimos vinte anos, puseram a honra e consideração de alguns famosos, em risco de grande erosão social de fazer até perigar o ganha pão da família e amigos.
Os exemplos apontados, uma dúzia deles, são exemplos de desgraça, que atingiram impiedosamente os visados, pelas calúnias pérfidas que recairam sobre as suas impolutas personas.
Ver a lista: para além do chamado à capa, deslustrado por um anónimo ignóbil, temos, despidos no interior das suas mágoas, Mário Soares, uma das vítimas mais retumbantes desta prática viscosa. O seu exemplo de desgraça, está à vista de todos. Até do Estado que continua a pagar-lhe o telefone privado. A seguir, Santana Lopes, um vitimizado por natureza e cujo último livro rememoria essas desgraças que lhe cairam em catadupa, atirando-o para o limbo político.
Depois, Bagão Félix, um desempregado da política, que acabou na Universidade, talvez por conta de um boato amplificado por Manuel Serrão. A infeliz Fernanda Serrano, perdoou ao infame anónimo que lhe denegriu a imagem num filme manhoso que quase ninguém viu mas os jornais mostraram, em imagens avulsas, nos seus títulos horrorizados . Talvez por isso, figurou numa série publicitária de um banco, em pancartas por esse Portugal fora, lembrando as delícias das compras em prestações. Continua, aliás, a amargurar essas cenas tristes, alternando em representações dignas de uma Vivien Leigh, em telenovelas.
O caso de Sá Carneiro é trazido à liça para ninguém esquecer que também há malfeitorias boas: as calúnias vindas da esquerda, para bem do “nosso povo”, são notícia de jornal e assinadas com toda a urbanidade, por intelectuais.
O caso anedótico que atingiu o semiótico Prado Coelho, nem merece relevo, porque é verbo de encher no artigo de Ferreira Fernandes. Tal como o de Sócrates e o imbróglio com o desaparecido Independente do Freeport.
A maledicência que atingiu depois Emídio Rangel, só tem paralelo nas notícias sobre os berbequins revolucionários, para tomar conta das ondas. Foi, aliás, o primeiro caso publicitado, de “pauladas” no suposto caluniador. Rangel sempre foi um percursor. Agora , queixa-se de ter sido saneado pelo nosso Primeiro, actual Comissário na Europa . Uma calúnia? Sem direito a “paulada”?
No âmbito das intimidades sexuais, são continuadas as calúnias. O caso de Laura Diogo, das Doce, provavelmente, será o mais duradouro. Ainda hoje, passados 25 anos, toda a gente se lembra do célebre hit que durava toda a noite, numa festa pagã ao deus do “Bem bom”. A anedota circulante que se instalou, de efeito seguro entre risos alarves, foi idêntica a muitas outras que atingem figuras públicas, como terá sido o caso de Melão (?!) e Calado, vinte anos depois. A diferença, reside numa circunstância singela: vinte anos depois, havia três canais de tv e jornais que vivem à sombra dos “famosos, do dinheiro e do crime”, agora dirigidos por quem eventualmente aplaudia as calúnias a Sá Carneiro, para bem do povo.
Antes do aparecimento desse expoente máximo do jornalismo português que se titula 24 Horas, os percursores anunciaram a sua vinda iminente.
O primeiro foi o semanário Tal & Qual, dirigido por um cronista actual desse mesmo jornal dos famosos, Joaquim Letria. O jornal, alimentado a capitães Roby e donas Brancas, foi secundado na segunda metade da década de oitenta por um outro Pasquim, um “semanário de actualidade e crítica”, dirigido por Luciano Rocha , João Querido Manha e com nomes sólidos no jornalismo como é o caso de José António Cerejo e um deconhecido Paulo Querido
Esses jornais de fim de semana, parcos em páginas e impantes nas notícias de primeira, dedicavam a sua atenção aos “escândalos”. Como sempre os houve, o Tal & Qual aí anda, continuadamente à procura dos clientes perdidos para o 24 Horas e outros pasquins.
Em meados dos anos oitenta, o Tal & Qual abrigava na sua última página, um circunspecto Draga-Minas que escrevia de modo castiço, que aliás apetece ler, como poucos, ainda hoje.
O Tal & Qual de oitenta, não repescava minas perdidas, como hoje se lêem por todo o lado e que explodem na mente de incautos.
Mesmo assim, em 15.2.1985, ainda arranjava espaço para “arrincar” notícias deste tipo:
O dr. Sousa Tavares anda em maré de azar. Depois da ameaça, ainda no ar, de extinção do seu Ministério da Qualidade de Vida, aquele governante acaba de ser referenciado pela Rádio Renascença, que para o efeito citou a Rádio Macau, como sendo o ministro envolvido num caso de tráfico de capitais, que tem vindo a ser noticiado pelo jornal “o diário”. Contactado pelo Tal & Qual, o ainda ministro da Qualidade de Vida comentou: “ É falso. Nunca fiz tráfico de capitais, não tenho nada a ver com o assunto.” E esclareceu: “Recori, por vezes, aos serviços do dr. Queirós de Andrade, para me arranjar divisas para as minhas deslocações lá fora e para me tratar de cheques que recebi do estrangeiro. Recorde-se que Queirós de Andrade é um dos presumíveis implicados no referido processo de fuga de capitais.”
Esta notícia, foi dafa numa coluna , em “Privado” aos leitores do jornal e ao passante leitor da última página.
Se se reparar, Macau aparece como fonte da notícia. Tal como nesta crónica do Draga-minas, intitulada “Orientalices”:

Publicado por josé 22:48:00 5 comentários Links para este post  



Câmara Municipal de Lisboa - o corolário



Não há muito a dizer sobre a ruptura consumada na Câmara Municipal de Lisboa entre o PSD e o PP, que a governavam em coligação. As coisas, e as pessoas, são o que são. Há, no entanto, algo que é absolutamente óbvio - quer Carmona Rodrigues se aguente ou não até ao final do presente mandato, algo que basicamente depende da vontade de José Sócrates, a quem, já se percebeu, bastará piscar o olho a Maria José Nogueira Pinto, para forçar antecipadas - Carmona Rodrigues perdeu toda e qualquer condição, que ainda lhe restasse, para ser re-candidato. O corolário lógico dos eventos destes dias é só um - a próxima candidata do PSD à presidência da CML tem que ser Paula Teixeira da Cruz.

Publicado por Manuel 13:50:00 2 comentários Links para este post  


After a long illness, the groundbreaking home-entertainment format VHS has died of natural causes in the United States. The format was 30 years old.
No services are planned.
The format had been expected to survive until January, but high-def formats and next-generation vidgame consoles hastened its final decline.

In Variety

Publicado por contra-baixo 10:32:00 1 comentários Links para este post  



tudo o que resta

In a letter to Varro on April 20, 46 BC, Cicero outlined his strategy under the dictatorship of Caesar: “I advise you to do what I am advising myself – avoid being seen, even if we cannot avoid being talked about… If our voices are no longer heard in the Senate and in the Forum, let us follow the example of the ancient sages and serve our country through our writings, concentrating on questions of ethics and constitutional law.” (da Wikipédia)



Eu gosto do Cícero, gosto tanto que até está em todas as páginas deste espaço uma citação sua - 'Todos os Homens honestos mataram César. A alguns faltou arte, a outros coragem e a outros oportunidade mas a nenhum faltou a vontade'. Essa citação, e o mote - 'Não deixe que a Verdade estrague uma boa história' deviam ser, por si só, mais do que suficientes para explicar a razão, e o porquê, deste espaço, mas... enfim. Adiante.

Voltando a Cícero, este deixou-nos muitas máximas memoráveis, vindo-me agora à memória uma outra que convém (sempre) ter em conta, a 'de que somos todos escravos das Leis de forma a podermos ser livres '. Somos 'escravos' das Leis, e das regras, e não o contrário, ponto. Num episódio penoso, recentemente, o actual PGR decidiu impor, após um veto inicial, o nome de Gomes Dias como vice-PGR, e, à segunda, 'passou'. Não faltou quem viesse dizer quer era tudo legítimo e que a confusão inicial se deveu a uma leitura 'redutora' da Lei. Pinto Monteiro ganhou pois a sua batalha. O problema, é hoje ululantemente óbvio, é que ao fazê-lo perdeu definitivamente qualquer guerra que quisesse vir a travar (e há tantas a precisarem de ser travadas). Ao cair no engodo delicodoce dalguns e ao recorrer a uma argumentação cujo grau de sofisticação não fica atrás do usado pelos melhores juristas e fiscalistas, experts em 'optimizações', ao serviço da nossa bancae demais 'grande capital', Pinto Monteiro deu um sinal claro e inequívoco - o de que o patamar, de exigência e clareza, em que se colocava, a si e à PGR, não era em nada, rigorosamente em nada diferente, daquele que é (e mal) norma, por estas bandas.

O irónico, e dramático, é que este episódio (absolutamente impensável com qualquer outro PGR, ou noutro contexto) só foi 'perdoado' porque de Pinto Monteiro se esperava que 'limpasse' o MP, o 'pusesse' na linha, e vergasse a 'espinha' a um outro 'poder' mais autónomo no seio do MP... Mais, a atitude dura e intransigente até fez Pinto Monteiro, no imediato, marcar pontos, pela 'firmeza' demonstrada. Acontece que a tal firmeza que alguns viram é inversamente proporcional à flexibilidade demonstrada na interptretação de algo que deveria ser (e pelos vistos não foi) absolutamente óbvio e inequívoco.

Pinto Monteiro não só não quis ser escravo da Lei, que serviu todos os que o precederam, como terá até (ao que reza a imprensa) assegurado do Governo a sua modificação. Quem pode, pode, e ele entendeu que podia.

Sabem por que escrevo isto ? Não, é por causa do SIRESP, nem do súbito mediatismo dos pareceres orais de Gomes Dias (sobre isso escrevi oportunamente o que achava que havia para dizer, nomeadamente aqui e aqui, e não consta que os dados se tenham alterado), é por causa do lançamento do livro de memórias do Dr. Lopes. É que também à época, desde o primeiro minuto, era absolutamente óbvio, e sem quaisquer margem para dúvidas, o que iria acabar por acontecer, e no entanto teve mesmo que acontecer. A culpa não foi obviamente do Dr. Lopes, um menino grande, que gosta de brinquedos ainda maiores, e de quem é impossível desgostar totalmente, a culpa foi de outros, de muitos outros.

Alguém disse um dia que a história se repetia sempre, ora farsa ora tragédia. Dito isto, e depois de se ter falado no Cícero, talvez não fosse má ideia ao actual inquilino do Palácio da Palmela reler 'A Campanha da Gália' de um tal de Júlio César (há boas traduções em português, e tudo). Relê-la, e meditar na morte do autor, às mãos de Brutus. Apesar do mau começo, pode ser que ainda vá a tempo. Haja fé. Às vezes é tudo o que resta.

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As francesas

Mário Mesquita, encenador de discórdias no Público, neste último Domingo, levou à cena uma peça em modo de obituário sobre dois franceses recentemente desaparecidos.
Um, Jean-Jacques Servan-Schreiber, co-fundador, em Maio de 1953, da revista L´Express. Outro, Bernard Frank, jornalista e "homem de letras" e que Mário Mesquita apresenta como "diletante", na definição que o próprio apresenta: " Pessoa que se dedica a uma ocupação ou uma arte como amador, tendo em vista apenas o seu prazer".
Bernard Frank colaborava como cronista na revista Le Nouvel Observateur, fundada por Jean Daniel que por sua vez tinha ajudado a fundar o L´Express. O L´Express foi, aliás, uma grande escola de jornalistas franceses. Os directores do Le Point, L´Évènemente de Jeudi e mais tarde Marianne, para além do Nouvel Observateur, sairam todos do mesmo L´Express.
Jean-Jacques Servan-Schreiber no início dos anos sessenta ( em Setembro de 1964), ajudou a modificar a revista criada dez anos antes, aproximando-a do modelo da Time e Newsweek americanas e da Der Spiegel alemã.
A revista L´Express, tal como a Nouvel Observateur, numa época em que o francês se aprendia obrigatoriamente nas escolas, eram modelos de revistas de notícias, opinião e principalmente reportagem. JJSS, em 1963, tinha enviado o irmão Jean Louis, aos Estados Unidos, para estudar o funcionamento da Time. Quem conta a história é a parceira de JJSS, Françoise Giroud, em 1999, no número 2500 da revista.
Comecei a dar atenção a essas duas revistas ( e a outras) no início dos anos setenta. Em 1973, a propósito da guerra Israelo-Árabe, juntei as duas e guardei. Como tinha seguido os acontecimentos de 67, da guerra dos seis dias, através do Diário Popular, seguia agora a do Yom Kippour, através das revistas internacionais que então chegavam a Portugal, sem censura alguma.
Foi assim que pude ler o editorial de Jean Daniel, na Nouvel Obs de 15 Outubro de 1973, que começava assim:
"Durante vários séulos, uma mitologia racista de que em França, Charles Maurra foi o mais brilhante teórico, conseguiu impregnar em milhões de pessoas a ideia que os judeus eram incapazes congénitos de se baterem e afrontarem a morte. Hitler também o pensava. O racismo acabaria por intoxicar as próprias vítimas, levando numerosos judeus a pensar que tal seria verdade. Os israelitas, e isso foi a meu ver a sua verdadeira missão histórica, lograram libertar o Judeu da prisão onde o olhar secular do antisemitismo o encerrara." Frases como esta, ficam a retinir no ouvido. Depois da guerra dos seis dias, os judeus eram os heróis que afrontavam os árabes invasores e foi assim que a guerra seguinte, em 1973, foi encarada nessas como em outras revistas que então lia. Os repórteres de guerra tinham nomes como Josette Alia, Olivier Todd, Guy Sitbon, do lado do Nouvel Obs e Jacques Dérogy,Jacques Haillot, André Pautard e Pierre Salinger, do lado do L´Express. As crónicas de opinião, repartiam Jean Daniel, K.S.Karol do lado Nouvel Obs e do lado L´Express, lia-se Françoise Giroud, Jean-Jacques Servan-Schreiber e Jean-François Revel.

Na crónica de Mário Mesquita, releva-se no entanto, o outro, Bernard Frank, cujo motto de vida, merece destaque: " A infância é uma armadilha. Se não houvesse infância, ninguém aceitaria viver-levar essa vida de idiota que é a vida dos homens".
Esta tirada, juntamente com a do diletante, parece-me um programa de vida. Boa vida. Para Mário Mesquita, a literatura e o jornalismo literário representavam para o cronista-escritor a forma de iludir o enfado quotidiano e, de certa forma prolongar a infância. Para mim, o mesmo efeito consegue-se aqui, nas imagens destas revistas antigas, de uma França que já não conta tanto para a formação de opinião, mas que não deixou de ter alguns bons pensadores que valem bem os dos países anglo-saxónicos. No entanto, são estes quem dominam os media.

Publicado por josé 0:29:00 4 comentários Links para este post  



Para além disto, na corda do Sol

Matthew Fisher, em 1967, tinha 21 anos quando Gary Brooker o convidou para um grupo de pop/rock, com o nome de Procol Harum, uma corruptela alatinada e aliterada da expressão procul harum, “para longe” ( o procul, porque o harum, o meu Torrinha não diz e desconfio que só Gary Brooker saberá).
Uma das primeiras canções do grupo, A Whiter Shade of Pale, sendo a mais célebre de todas, anda agora em bolandas judicias, na Inglaterra, por causa da determinação da sua autoria integral.
Matthew Fisher, em 2005, accionou judicialmente Gary Brooker e Onward Music Limited, pedindo que lhe seja reconhecido o direito de co-autoria nessa canção e o acesso a parte dos rendimentos substanciais que a mesma gerou, em valor calculado na ordem de um milhão de libras.
Para fazer valer o seu direito, Fisher argumenta que compôs os primeiros acordes no seu órgão Hammond, cuja sonoridade característica, eventualmente a essência do sucesso dessa música, semeou nos 250 segundos de duração.
Numa entrevista de 2001, a um órgão de informação da sua terra natal, Fisher disse que a canção tinha sido originalmente prevista para uma longa duração de 10 minutos. Em 1967, algumas peças musicais do chamado rock progressivo, com Pink Floyd, Soft Machine e outros Moody Blues, não evitavam essa insistência em sonoridades arrastadas, numa incidência do então celebrado psicadelismo que duraria uns tempos e produziria obras primas da música popular de expressão anglo saxónica.
Matthew Fisher, tinha obtido uma formação musical “clássica” e gostava de Bach, particularmente da Missa em si menor e com uma referência explícita à Ária na corda de Sol, no segundo movimento da Suite para orquestra, em Do, terá surgido o som desse tema.
A canção celebrada nasceu daí, desse gosto particular pela sonoridade de Bach. Será plágio? Inspiração directa? Variação sobre o tema?
Seja como for, a canção criada na Primavera de 1967, entrou pelo Verão do Amor, com o estrondo de um sucesso imparável que perdura há quase quarenta anos. Quem nasceu há mais de quarenta anos, lembrará essa canção de “roço”, nos bailes de garagem de um romantismo reforçado.
Os lugares na net, dedicados ao tema, são legião e em Barcelona, um aficionado, consagrou todo um site à canção, onde colige todos os autores e discos onde se gravou essa canção de antanho.
Para explicar a sua génese, já se ouviu em tempos Gary Brooker que se atribui os louros por inteiro, incluindo a lembrança da célebre Ária de Bach.
Contudo, também Matthew Fisher se pronunciou, reivindicando igualmente a co- paternidade, em particular da sonoridade do órgão Hammond e do artifício Leslie, uma espécie de ventoinha interna que faz vaguear o som, para além da sua natural ondulação. A bem dizer, a canção sem o órgão, é uma cançoneta que se aguenta por si mesma, como o provam as inúmeras versões, mas a substância sonora original não perdura sem foles, naturais ou sintéticos.
A querela segue, portanto, e dentro de dias se saberá se Fisher é peixe que sabe nadar ou se dilui, em águas de bacalhau, numa sombra pálida, como um amor de verão.

Adenda ( com postal corrigido e aumentado): Quem quiser ver e ouvir, a cançoneta original, com imagens de época, incluindo o bónus do teclado do Hammond, pode ir procurar ao YouTube. Ou então, mais rápido, a uma Nova Floresta, aqui mesmo.

Publicado por josé 14:11:00 4 comentários Links para este post  



... mas não era tudo uma questão sindical e corporativa ?

Cappice?

O Público e o DN recordam hoje a história, a propósito da notícia de buscas da PJ: três dias depois das últimas eleições legislativas (20 de Fevereiro de 2005) - repito: três dias depois das eleições -, o Governo ainda em funções, chefiado por Pedro Santana Lopes, adjudicou um concurso de 600 milhões de euros - repito: 600 milhões - para criação de uma rede de comunicações que ligaria entre si os principais organismo de socorro do País (vulgo: SIRESP).

O caso tresanda, pelas ligações ao consórcio vencedor (Sociedade Lusa de Negócios) a figuras como Daniel Sanches (então MAI) e Dias Loureiro (dispensa apresentações). Mas o que me traz aqui é só um pormenor da história: a adjudicação de um negócio de 600 milhões três dias depois das eleições, com o Governo em mais do que gestão corrente, foi viabilizada por um parecer jurídico do então auditor do MAI, um procurador chamado Gomes Dias. Sim: o mesmo que agora é vice-procurador-geral da República.

Há gente um bocadinho burra que ainda não tinha percebido as razões da contestação à escolha de Gomes Dias. Talvez agora as tenha percebido. Não são poucas. O SIRESP é só um entre vários exemplos de como Gomes Dias foi diligentemente fazendo as vontades a todos os governos de quem foi auditor jurídico. Podia-se falar do caso GAL. Ou do guarda Abel. Ou dos processos que levaram à reforma compulsiva de dirigentes sindicais da PSP. Havia imensos argumentos mais para não o escolher para número dois do MP. 600 milhões, pelo menos. Cappice?

João Pedro Henriques, in Glória Fácil

Publicado por Manuel 13:12:00 5 comentários Links para este post  



business as usual


A restituted work of art is one that has been returned to its rightful owners or their heirs after it has been proven that it was illegally taken away from them. In the art market, this applies mainly to works taken from Jewish collections in the Nazi era.

Awareness of Nazi-looted art as both a danger zone and a potential goldmine surfaced about 10 years ago when Sotheby's and Christie's set up specialised departments, headed by trained lawyers, dedicated to provenance research and restitution.

In Telegraph

Publicado por contra-baixo 12:02:00 0 comentários Links para este post  



Afirma Pais


Alertado pelo Eduardo Pitta, fui ler a entrevista do director do Teatro Nacional São João do Porto, Ricardo Pais, no Público. Pais aparentemente perpetuou-se num livro escrito por outra pessoa e esse é o pretexto para a conversa. Que nos diz Pais? Desde logo, e devidamente aconchegado pelo orçamento de Estado e por Isabel Pires de Lima, zurze metodicamente em Rui Rio, que Eduardo Prado Coelho, num acesso metafísico, apelidou outro dia de "extrema-direita". Estão lá todos os clichés habituais contra Rio por causa de um Rivoli que Pais também deve cobiçar. "Arcaico", "pré-histórico", "invalorizável" constitui o essencial da adjectivação. Depois vem o comentário mais extraordinário e, sobretudo, revelador do conceito de democracia dos nossos sublimes "criadores": "O dr. Rui Rio tem um problema pessoal grave de relacionamento com os agentes culturais, os seus munícipes e a sua cidade. E este problema tem de ser resolvido." Tem? Como? Correndo com ele a pontapé? Rio, não sei se o Ricardo se tem isso presente, foi reeleito e com uma maioria absoluta dada pelos munícipes do Porto e não pelos "agentes culturais". Rio não o bajula, Ricardo? Paciência, ele andou na escola alemã, não é exactamente um "balzaquiano". "Recuamos 30 anos quando começamos a falar em saneamento versus cultura. A cultura é um factor de desenvolvimento como outro qualquer", afirma Pais. Plenamente de acordo. Acontece - e o Ricardo, fechado no seu labirinto, decerto ignora - que há para aí uma percentagem muito razoável de portugueses que não dispõe de água canalizada em 2006. Eu sei que isto é dum "reaccionarismo" e de um "populismo" primários, mas imagino que não faltem torneiras ao Ricardo. Por outro lado, sendo certo que a cultura é um "factor de desenvolvimento", não se deve daí concluir que os nossos agentes culturais sejam indistintamente "um factor de desenvolvimento". Nem sequer é preciso dar exemplos. Podemos ficar logo pelo Porto. A tirada infeliz sobre os comentaristas, "tropas de elite", na versão Pais - "a maior parte dos quais são "subsídio-pagos" através de instituições como o Instituto de Ciências Sociais, no pressuposto (certo) de que estão a fazer investigação histórica, mesmo que a História se considere ou não uma arte" -, fala por si. Que eu dê por isso, só costumam aparecer "comentaristas" e abaixo-assinados que andam ao colo com a "causa" da D. Regina e do sr. Alves contra Rio que é, aliás, o "correcto". Pais também tem a sua privada politicazinha do espírito: "A cultura é a área por excelência da ignorância. Como nós temos uma classe média muito inculta e uma série de comentaristas autocomplacentes, nunca perguntamos a estas pessoas se elas porventura não estarão a falar daquilo que desconhecem." Cá está um aproveitamento heróico-soviético do "lugar-comum" (o termo de Sócrates para a classe média) embrulhado na superioridade intelectual do criador. Ricardo, você vale mais do que esta pequenina pesporrência. Não será essencialmente essa gente que não vai ao teatro que o paga através dos seus impostos? Pais ainda tem tempo e lata para converter Cintra e o Teatro Aberto em monumentos nacionais - já são, é verdade - que "deveriam estar há muito tempo estabilizados com fórmulas próprias inscritas no Orçamento de Estado". Na cabeça do director do São João "não é o Estado que está a subsidiar o teatro, são as companhias que estão a subsidiar o teatro". Leu bem isto, profª Pires de Lima? Poupe rapidamente dinheiro. Volta-se a Rui Rio. "O programa do dr. Rui Rio não dizia que se iria privatizar o Rivoli, anexar o Rivoli ou parar com a política cultural que tinha sido seguida até ali (...) A expressão é dura [Rui Rio traiu os eleitores], mas é esta que eu usaria." Só o Rio, Ricardo? Acha que os munícipes que pagam o Rivoli (é teatro municipal) e outras coisas concordam consigo e com a D. Regina, ou com o presidente da câmara? Quando ocorrerem eleições, não é o Ricardo quem vai a votos nem as dezenas de "ocupas" do folclore do mês passado. É Rio. Logo se verá. Finalmente, Ricardo Pais, na sua falsa modéstia, insinua que "ainda" não sabe o que vai fazer quando o São João for uma EPE e avança com a sua "conversa" recorrente nestas alturas: "O que está escrito na lei é que o meu trabalho como encenador residente funciona como eixo principal da estratégia de gestão da casa. E isto não muda quando o teatro passar a EPE: o presidente do conselho de administração continuará a ser o director artístico e encenador residente. Mas há aqui uma coisa que gostaria de esclarecer: numa entrevista recente, transparece que serei inevitavelmente o presidente da futura EPE (...) Não, não sou de todo, embora o pressuposto da tutela [Ministério da Cultura] seja o de que continuarei". Pergunta: "Não gostaria de ser presidente do TNSJ pelo menos nos primeiros tempos de passagem a EPE, para assegurar uma transição tranquila?" Resposta: "Não disse que não gostaria de ser. Ainda estou a pensar". Pois, Ricardo. O que seria deste pobre e ignorante país sem portugueses clarividentes e humildes como você?

Publicado por João Gonçalves 21:59:00 4 comentários Links para este post  



timing

O dr. Dias Loureiro escolheu a passada sexta-feira para dar uma entrevista, a meias com Jorge Coelho, ao Correio da Manhã, que saiu no última sábado. Pelo meio, entre meia dúzia de banalidades e lugares comuns, lá ficamos a saber que era um grande adepto do Pacto para a Justiça, modelo que considera ser de seguir. Timing, puro timing, digo eu.

Publicado por Manuel 19:14:00 0 comentários Links para este post  



um epitáfio...

Enquanto por cá se discute a fim (?) da era do punho cerrado no PS, se comemora (!) o início de uma era protecionista e virada para o umbigo nos EUA, a terra move-se... lentamente mas move-se. Para já, registe-se o epitáfio fúnebre de Karl Rove, o 'cérebro' de Bush, na Newsweek...

His confidence buoyed everyone inside the West Wing, especially the president. Ten days before the elections, House Majority Leader John Boehner visited Bush in the Oval Office with bad news. He told Bush that the party would lose Tom DeLay's old seat in Texas, where Bush was set to campaign. Bush brushed him off, Boehner recalls. "Get me Karl," the president told an aide. "Karl has the numbers."

É claro que enquanto por cá ainda andam alguns à procura do Anthony Giddens do Eng. Sócrates... Ainda não repararam que cá, como do outro lado do Atlântico só há tácticas, sem tempo para a estratégia.

Publicado por Manuel 17:26:00 1 comentários Links para este post  

A child walk through a large tire on display at the Transport and Logistics Fair 2006 in the southern port city of Busan. (AFP/Jung Yeon-Je)

Publicado por Manuel 11:27:00 0 comentários Links para este post  



Isto tá mesmo bonito


Agostinho Branquinho, que neste momento é deputado do PSD, instou a Entidade Reguladora da Comunicação a "investigar os registos de chamadas entre os telemóveis dos assessores do primeiro-ministro e dos coordenadores dos principais noticiários da RTP durante o mês de Agosto. Está aí, garante o deputado do PSD, a prova da tentativa de manipulação do Governo sobre a televisão pública, que Branquinho denunciou".

Em declarações ao Expresso Agostinho Branquinho, que neste momento é deputado do PSD, afirma: "As ingerências foram feitas através de telefonemas e, portanto, existem hoje mecanismos para se poder averiguar se esses telefonemas existiram ou não. Se escolherem o mês de Agosto, logo se verificará se houve ou não telefonemas dos senhores assessores do primeiro-ministro para o canal público de televisão e se esses telefonemas foram ou não recebidos por profissionais do serviço público de televisão”, acrescentou.

Ou seja, Agostinho Branquinho, que neste momento é deputado do PSD, considera que uma entidade administrativa pode investigar a facturação detalhada de um telemóvel. Tudo de uma forma simples, fácil e eficaz. Agostinho Branquinho, recorde-se, é deputado do PSD.

Bibliografia

Publicado por Carlos 0:50:00 12 comentários Links para este post  



o incompreendido

O João Morgado Fernandes, encostadinho na direcção do DN, é um tipo com montes de piada e uma refinada ironia, muitas vezes injustamente mal compreendida. Por exemplo, por estes tempos, e para reduzir ao absurdo a demagogia e simplismos ultra-liberais do João Miranda, no Blasfémias, tem-se entretido a escrever posts similares, no estilo, na fé, e no absurdo, mas na defesa de tudo o que diga respeito ao Governo. E não é que ninguém percebe a graça! Uma injustiça é o que é...

Publicado por Manuel 17:00:00 2 comentários Links para este post  



Reviver o passado....

No passado dia 20 de Março de longíquo Ano de 2005, escreveu-se nesta loja um texto quase premonitório.

Foi assim, também pelas mãos do Sr. Tremoço, sindicalista da Bombardier, que em parte a empresa decidiu-se deslocalizar.


E esta a ser assim, na Azambuja, onde a intransigência de um qualquer rebelde, que exige 75 euros de valor mínimo de aumento, para qualquer trabalhador, esta a impedir a empresa de assinar o acordo de concertação social.


A única subsidiária da Opel na Europa que ainda não o fez. Em coerência , e para quem ganha 500 euros por mês na fábrica da Opel da Azambuja, a percentagem de aumento será substancialmente diferente de quem ganha por exmeplo 1 000 euros por mês.


Em 2008, e já depois da Opel da Azambuja perder o fabrico do novo modelo que estaria prestes a vir para Portugal, não fosse a intransigência do sindicalista, a Opel deverá abandonar Portugal, deslocalizando-se para um desses novos países de leste, sujeitos a tudo. Nesse dia, ninguém culpará o sindicalista, porque de facto a culpa não é dele.


Nesse dia todos se virarão à semelhança do verificado agora com o caso Bombardier, para o governo. Mas pelos motivos errados.É muito complicado ter razão, porque não houve visão de ...estratégia.


Um governo forte e com presença, há muito que teria chamado os senhores tremoços deste país, e lhes teria dito olhos nos olhos, o que é interesse nacional e o que não é. Quais os assuntos onde podem brincar ao comunismo e quais os assuntos onde não podem mexer um fio de cabelo. A bem do interesse nacional.

Publicado por António Duarte 16:31:00 1 comentários Links para este post  



'para se perceberem os mecanismos comunicacionais e aqueles que deles dependem'

Um homem chamado José Pacheco Pereira assinou há momentos uma prosa notável, a muitos títulos, num blog chamado Abrupto. O último parágrafo, num contexto muito similar, podia ler-se também assim...

Um dos mais graves problemas da comunicação social está aqui retratado: as pessoas que os media produzem e que só tem vida no espaço público pelo seu poder dentro deles. Pacheco Pereira só ganharia se dissesse preto no branco que na comunicação social de que vive não há lugar para estas atitudes, para privilegiados, até porque é suspeito de só subsistir nessa massa, afastando toda e qualquer competição e contraditório...

... mas as coisas são o que são.

Publicado por Manuel 13:21:00 0 comentários Links para este post  



Manipulações e delírios

O senhor Jorge Van Krieken (JVK), autor do site Repórter X teceu algumas considerações obre um artigo no Diário de Notícias que, apesar de não ser um hábito meu, merecem vários comentários, até pelos indícios de “paranóia e loucura total”. Apenas vou comentar factos. O restante é matéria para as ciências do além e, quiçá, para o colégio de psiquiatria da Ordem dos Médicos.

  • 1. JVK começa por dizer ser “mentira” que tenha admitido durante o seu depoimento no julgamento do processo da Casa Pia que não possui documentos que não constem do processo. Documentos que poderiam demonstrar a inocência dos arguidos. ”É mentira”, escreve. Num primeiro momento, diz em sua defesa que entregou “vários documentos ao tribunal que comprovam em como foi ocultada informação vital logo no início do processo”.

    Porém, umas linhas mais abaixo do seu escrito, vem dizer o seguinte: ”O que eu disse ao tribunal foi que possuo informações e não «documentos fora do processo»”. Pois é. Olhei para o lado, e vi o que escreveu o Jornal de Notícias sobre o mesmo episódio: Van Krieken acusou o Ministério Público de ocultar provas durante a investigação do processo e garantiu ter em seu poder documentos que se tivessem sido juntos ao processo inocentariam os arguidos. Instado pelo tribunal a trazê-los ao processo, o jornalista acabou por dizer que não são documentos, mas "informações". Esta testemunha, que assina um blogue na Internet no qual se empenha em fazer a defesa dos arguidos e, nomeadamente, de Carlos Cruz, garantiu não ser paga pelo apresentador de televisão e não ter qualquer outro interesse no processo, que não o de jornalista. E numa volta pela Agência Lusa: Quase no final da sessão, José António Barreiros requereu que a testemunha junte os documentos que diz provarem a inocência dos arguidos, tendo Van Krieken replicado que não se tratam de “documentos, mas sim de informações”, alegando não dispor de “documentos milagrosos. Afinal, estamos todos, incluindo o depoente, de acordo.

  • 2. Refere depois que eu ocultei que as tais “informações” resultam de uma análise que fez. E que informações são estas? ”Disse várias vezes no tribunal que mais de 15 milhões de dados telefónicos recolhidos pelo MP no âmbito do processo da Casa Pia foram analisados e cruzados por mim, e daí resulta a informação (comprovada pelos ficheiros informáticos) em como os arguidos não contactaram com as testemunhas, que não contactaram entre si, e que as testemunhas contactaram com outras pessoas”.

    Ou seja, depois de um árduo trabalho, JVK concluiu que não existem registos de chamadas telefónicas entre arguidos e entre estes e as testemunhas. Será esta uma grande revelação que foi ocultada aos leitores do DN? Será o facto, reafirmo, o facto tão novo que mereça um amplo destaque?

  • 3. Uma vez que em tribunal disse, repito, disse que apenas conhece o processo da Casa Pia “provavelmente até ao volume 70”, JVK talvez desconheça que que a ausência de contactos entre arguidos e com testemunhas foi já mencionada por alguns advogados na respectiva contestação apresentada antes do início do julgamento.

    Já em 2004, os advogados de Carlos Cruz escreveram no ponto 127 da “contestação à acusação do Ministério Público”: A estas questões, mister é dizer que não existe qualquer prova documental que relacione o Arguido com os pretensos crimes que lhe são imputados na acusação, não existindo qualquer chamada telefónica, qualquer mail, qualquer correspondência, qualquer fotografia, qualquer via verde, qualquer registo que estabeleça qualquer relação entre o arguido e os co-arguidos, bem como entre o arguido e os locais em Elvas ou na Av. das Forças Armadas, em Lisboa, onde teriam decorrido as supostas actividades pedófilas.

    Na mesma altura, os advogados de Manuel Abrantes declararam no mesmo tipo de documento (ponto 18): Dos elementos probatórios constantes dos autos, como sejam, entre outros, escutas telefónicas, listagens das chamadas efectuadas e recebidas pelo Arguido, dados relativos a contas bancárias e respectivos movimentos, não resulta qualquer indício que sustente a conclusão de que o Arguido Manuel Abrantes conhecia ou se relacionava com os Arguidos Carlos Cruz, João Ferreira Dinis, Jorge Ritto, Hugo Marçal, Francisco Alves ou Maria Gertrudes Nunes.

    Se recuarmos um pouco, também Celso Cruzeiro e João Pedroso (que representaram Paulo Pedroso) tinham já feito alusão ao registos telefónicos do processo. Portanto, JVK chegou atrasado. Outros já tinham feito a mesma análise e concluído o mesmo. Portanto, o tribunal já está ao corrente desta questão. Onde está a novidade? O grande segredo revelado?

    Depois diz que ocultei aos leitores este dado: “Todas as provas que podiam contraditar os testemunhos foram ocultadas [bold meu], estando curiosamente dentro dos anexos”. Vamos lá por partes: informação ocultada? Onde está essa informação? Responde o próprio: nos anexos. Onde estão os anexos? No processo. Haaa....esclarecido. Valerá a pena continuar?

  • 4.A seguir, faz referência a uma passagem no texto em que eu utilizo a palavra “reunião” para descrever um encontro entre JVK e dois directores da PJ. “Pessoas que se encontram reúnem-se. Este é um exemplo de como as palavras podem ser deturpadas com má-fé”. Melhor é impossível.

  • 5.Então, parte para a referência à procuradora Fernanda Pêgo e a uma conversa que diz ter tido com a senhora magistrada. Tudo para salientar a coragem da senhora procuradora. Fica-lhe bem a gratidão! Até pelo que vim a apurar a magistrada em questão arquivou uma queixa que foi movida pelo inspector Dias André a JVK.

  • 6.Inspirado, JVK passa para o “momento de exaltação” de Carlos Silvino, partindo deste facto para uma teoria de ocultação de dados que eu, enquanto jornalista do PortugalDiário, teria realizado. A ocultação foi de tal forma grave que até publiquei uma declarção de uma das alegadas vítimas que, em 2003, me disse que o “Carlos Cruz não tem nada a ver com estas coisas”. Em tribunal, confirmei a autoria da notícia e a respectiva declaração. Ou seja, ainda vai dizer que eu ocultei algo que escrevi, à semlhança do raciocínio de que há ocultação de provas que estão no processo.

  • 7.Eis que se chega à lista dos mais de 100. “Durante a inquirição tentei várias vezes (umas 5, pelo menos) referir o tal documento que contém uma listagem, até que no final de uma inquirição lá consegui denunciar a sua existência na posse de Catalina Pestana. Este documento, que poderá estar na base de muitas notícias publicadas, integra nomes de mais de uma centena de pessoas, (entre elas, alguns verdadeiros icons da Nação)”, escreveu. Quem elaborou tal listagem? O SIS? O SIED? A PJ? Ou ainda é dos tempos da DINFO ou da PIDE? Se é apenas um documento sem pai nem mãe, até agora (porque ainda não se lhe conhece a cara) vale o que vale: ZERO.

”Provavelmente até ao volume 70

Durante algum tempo, JVK arvorou-se no grande conhecedor do processo da Casa Pia, quer dos autos quer do que se passava em julgamento, lançando a desconfiança sobre todos os jornalistas que acompanhavam as sessões. Chegou a escrever, num artigo narcisicamente intitulado “Repórter X em tribunal, brevemente”, o seguinte: “Uma certeza: aquilo que está a ser noticiado sobre o julgamento da Casa Pia é totalmente diferente do que se passa, de facto, dentro da sala de tribunal. Basta ler as transcrições para constatar isso”. Noutro artigo, “Jornalismo de Bancada”, atira: “O comportamento do DN ao longo deste processo foi e é deplorável. Bastará analisar o que ali foi publicado e o que de facto se passou no processo e na sala do tribunal”

No segundo dia de depoimento em tribunal, JVK disse, repito novamente, disse que apenas conhece o processo “provavelmente até ao volume 70”. O volume 70 foi “aberto” (isto é, iniciado) a 3 de Fevereiro de 2004 e encerrado a 10 de Fevereiro de 2004. Daqui para a frente, o processo já deve contar com mais 100 volumes. Sinceramente, valerá a pena continuar?

E para finalizar mais uma pérola. No texto “Os jornalistas da bófia”, JVK revelou ao mundo a sua humildade: “Desde o início deste processo que me recusei a aparecer publicamente, seja em entrevistas, seja em debates. Fui convidado para inúmeras entrevistas, debates na TV, etc. Sempre recusei, por duas razões: primeiro, o jornalista conta o que se passa, não deve ser ele a notícia. Segundo, porque o anonimato permite-me mover à vontade em todo o lado, sem ser reconhecido, o que é importante para um jornalista de investigação, ao mesmo tempo que dá mais confiança de confidencialidade às minhas fontes, que sabem que não procuro protagonismos nem show-offs”. Isto comove-me.

Mas, o mundo pula e avança e agora a conversa é outra: “Parece ser claro que os advogados de Bibi e da Casa Pia apostaram numa estratégia de «soprarem» aos jornalistas presentes a necessidade de descredibilizar o «louco» do jornalista Van Krieken. O resultado da estratégia sentiu-se logo a seguir, quando à saída da segunda sessão, nenhum jornalista me colocou uma única questão”. Penso que toda a gente ficou esclarecida.

P.S. – Em tribunal, JVK disse que apenas se interessou pelo caso após as primeiras detenções (Carlos Cruz, Ferreira Diniz e Hugo Marçal, na noite de 31 de Janeiro de 2003). E, já que diz que eu não lhe fiz nenhuma pergunta, faço uma agora: quando é que falou pela primeira vez com a jornalista Felícia Cabrita sobre o caso da Casa Pia e quem lhe forneceu o contacto?

É tudo.



Carlos Rodrigues Lima

Publicado por Carlos 12:37:00 0 comentários Links para este post  



branco é, galinha o põe

Além do que ficou escrito pelo Manuel, talvez seja interessante focar um outro aspecto do problema da comunicação massificada que certos blogs também representam, tornando-se émulos dos jornais que informam, desinformam e opinam.
Um jornal tem uma direcção editorial. Um blog não tem necessariamente e não conheço algum que a tenha.
Ou seja, num blog, quem escreve, subscreve-se pelo que fica dito por escrito, sem que tal implique a responsabilidade colectiva, numa espécie de associação a uma qualquer sociedade em comandita.
Para além disso, quanto aos jornais e colaboradores anónimos dos mesmos, muitissimo há a dizer e a escrever, sem necessidade de convocar estudantes de jornalismo para o debate- embora sejam bem vindos.
O que se passa numa redacção como o Público ou o Diário de Notícias quanto à escolha das notícias de primeira págica e ao destaque nas interiores, onde se apresentam por vezes, sujidades várias, comunicadas por "fontes anónimas" ou por sopradores e olheiros suspeitos?
Como é que um jornal tipo 24 Horas, escolhe notícias para a primeira página?
Que critérios subjazem às escolhas? Como é que se alinham telejornais e notícias na TSF?
Alguns críticos de circunstância que participam em quadraturas de círculo e outros fora, da moda, andam a tentar catar noticiários enviesados e hoje foi notícia a notícia que afinal um denunciador público, chamado Branquinho, deputado da Nação, teria mentido ao denunciar desmandos e manipulação da informação da RTP, a mando do Governo. Foi isso que disseram todos os alinhadores e apresentadores de notícias na nossa tv pública. Ninguém assumiu a acusação publicamente proferida.
Branquinho fica em branco?

Publicado por josé 12:28:00 1 comentários Links para este post  



editorial

Andam por aí umas alminhas piedosas a insinuar que os 'donos' dos blogs, mas só os dos blogs, são não só responsáveis pelo que escrevem como, pasme-se, por tudo o que neles é dito pelos leitores, em forma de comentário, nesses mesmíssimos blogs.

A tese não sendo nova, muito menos original, peca pela mais elementar irrazoabilidade, pela mais elementar das razões - Um boato, um insulto, uma ignomínia, uma barbaridade, um disparate, ou o que quer que seja, não desaparece por ter sido apagado de um qualquer blog, antes pelo contrário, 'cresce' no seu estatuto. É preferível deixá-lo a marinar, reduzido à sua insignificância, e contextualizá-lo, na hora e no local, e no mesmo espaço. Não o fazer, é alimentar tabus, e, isso sim, credibilizá-lo na lógica do 'você sabe que eu sei que você sabe do que eu estou a falar mas não me dá jeito escrever'. Tudo isto, para além do facto de que a implementação em toda a linha de qualquer espécie de censura prévia é - antes de mais - um insulto à esmagadora maioria dos leitores, já que assume explicitamente que estes não tem o mínimo dos mínimos de discernimento...

Aliás, a história, e os factos recentes, provam que um insulto ou um boato são muito mais facilmente (reb)atidos, depois de postos na 'prancha'. Um 'artista' qualquer que materialize na 'net' ou noutro sítio qualquer um boato ou uma falsidade 'materializa-a' - torna-a não só rebatível como, por definição, a limita a um dado âmbito, por outro lado, responsabiliza-se e, expõe-se, ao ridículo potencial.

O que moi, e roi mesmo, são as meias verdades, e meias mentiras, os tabuzinhos que não se assumem, não se escrevem, mas que se sopram ao ouvido e que andam por aí. É isso que moi, isso e o facto de não se saber - quando 'convém' - distinguir entre o que é notícia - logo baseado em factos - e o que não é.

Dito isto, é perfeitamente lógico e natural que as maiores confusões surjam logo nas cabecinhas pensadoras de alguns políticos, e de alguns jornalistas.

Nas dos políticos porque estes perderam, desde há muito, o contacto com a realidade, preferindo descrevê-la não como ela é, mas como gostariam que fosse, na qualidade de únicos e exclusivos intérpretes dessa mesma realidade.

Nas dos jornalistas porque aqueles, enquanto classe, desde há muito perderam a noção do que é notícia, e facto, e do que é outra coisa qualquer. Aliás, ainda por estes dias vimos, em sede de tribunal, um proclamado jornalista - com carteira profissional e tudo - a esquivar-se a apresentar um facto tangível que fosse, fundamentando todas as suas 'convicções', que se resumem a insultos à inteligência de muitos, na sua análise empírica da matéria, reduzindo a verdade e a mentira a um estatuto de fé, e crença, do domínio do religioso.

Vivem todos num mundo onde a verdade e a mentira, a realidade da efabulacão, mal se distinguem, e do qual se sentem todos, cúmplices, como absolutos guardiões. No fundo, sentem-se felizes como sentiam os coronéis da 'censura prévia' do antigamente, no seu pequeno poder de ditar o que aconteceu, ou deixou de acontecer, como se só eles pudessem saber, só eles tivesses discernimento e bom senso. Basta passar os olhos por um qualquer edição do flashback - na SIC Notícias - atentar nos olhares, nas meias conversas, nos sorrisos e olhares para se perceber como eles se sentem felizes nesse seu papel que veêm como exclusivo.

E mais uma vez lá me vem à cabeça um livro de Umberto Eco, bastante conhecido por sinal, O Nome da Rosa. Lá um velho monge assassinou uma boa parte dos personagens impreparados para perceberem uma obra perdida de Aristóteles - sobre o Riso. Só os ungidos é que estariam preparados para ler o Mestre. Crueldade das crueldades, Eco quis que o velho monge - guardião da ortodoxia, e o único com acesso ao tesouro, o único exemplar, fosse cego.

Publicado por Manuel 10:45:00 0 comentários Links para este post  



O canto e o assobio


Alertado por outros, fui até à última página da revista Sábado. Ferreira Fernandes aí costuma cantar e assobiar. E faz bem as duas coisas, geralmente. Mas não ao mesmo tempo, como hoje se tenta.
Ferreira Fernandes é um dos jornalistas-comentadores da “velha guarda” que terá muito que ensinar às novas gerações, porque aprendeu no bom tempo e praticou num tempo melhor ainda. Leio-o sempre que posso e guardo sempre que merece, as suas crónicas de trocadilhos, calembours e humor acidificado com bom tempero de senso comum.
Hoje, dedica a terceira coluna do texto de três, a um “josé” que é este que se assina. Diz que o gajo é magistrado do MP e que é este que escreve aqui neste blog, tendo-lhe topado um “talento insuspeito”, sendo ao mesmo tempo, um mau exemplo para blogonautas. Uma “má razão” , para a blogosfera nacional.
Diz que o josé é anónimo, para cujo peditório ou “debate rançoso”, não dá qualquer vintém,ou acrescenta ponto, mas assegura-lhe um estatuto na magistratura portuguesa, num curioso sentido do anonimato. Quadra o círculo, portanto, na descoberta de um segredo esotérico digno de um José Rodrigues dos Santos.
E vai mais longe ainda:canta e assobia, nesse pequeno excerto do texto, em sinfonia singela e num tour de force mais adequado a praticantes de pífaro virtuoso.
Assim, para o jornalista F.F., o “magistrado josé” , “talento insuspeito”, é um mau exemplo, porque já “deve ter levado algum director de jornal a julgamento por difamação”. E se não levou, podia ter levado. Ou outros que ele conhece, levaram! Não tendo sido ele, pode muito bem ter sido seja quem for. O pai, se magistrado fosse, por exemplo. E…zás! Assim se explica a célebre fábula de Jean de La Fontaine.
Ora, o motivo de “josé” que escreve aqui, ser um mau magistrado, ou o magistrado “josé” ser um mau escriba, deve-se a um facto singelo, nesta sinfonia desconcertante:
ter permitido um comentário de um tal “Arrebenta” a um postal que escreveu em tempos e que- leia-se o desaforo!- ainda por cá estará!
O tal comentário do Arrebenta, parece-lhe abjectamente insultuoso e indiciador da necessidade de limpeza da blogosfera.
Ora, ao contrário de Ferreira Fernandes que tenta quadrar círculos e desafiar as leis da física, este josé que aqui nos blogs só assobia, porque nunca poderia cantar como magistrado, acha que o Arrebenta da blogosfera, tem direito à existência sem censura.
Censurar os Arrebentas, é capar a libertinagem da blogosfera. E ela parece tão necessária, para funcionar como válvula de escape, como os “Periscópios” d´O Jornal de antigamente, os “Privados “ do Tal & Qual ou a “Gente” do Expresso, para não falar das coscuvilhices em cricuito fechado das redacções. A atitude certa de quem lê, é fazer a triagem ou não ler. E quem se sentir que seja gente e avance para os lugares certos: pauladas ou tribunal, como alvitrava o outro.
E acredite o Ferreira Fernandes que muito prezo em ler, e que sem dificuldade subscrevo as considerações relativas a outros blogs que também apontou como exemplos bons, que a mim também me custa ler o que outos arrebentas escrevem. Até sobre os josés que não cantam aqui. Por exemplo, neste. E noutros, que os exemplos não faltam. Para mim, o que os “arrebentas” escrevem podem ser e são-no certamente por vezes, um abuso flagrante da liberdade de expressão, mas são ainda mais o barómetro da extensão dessa mesma liberdade. Por mim, não defendo a sua restrição. Defendo o desprezo quando não nos agrada o que escrevem. Ou a acção directa e penal se necessária.
E mais ainda um argumento que julgo de peso específico: a revista que alberga Ferreira Fernandes, em relação a certos assuntos e pessoas, com destaque para o caso Casa Pia , tem prestado um pessimo serviço ao público leitor. Os seuss comentadores de escol, quase sem excepção, seguiram a linha clara da ofensa à honra e consideração profissional e até pessoal, do antigo procurador-geral, Souto Moura, como em tempos aqui escrevi. Será esse o jornalismo tipo que F.F. defende como modelo?
Os blogs de arrebentas dificilmente destroem a reputação seja de quem for. De uma revista como a Sábado, já não será fácil dizer a mesma coisa.
E a isto que me diz Ferreira Fernandes? Assobia para o lado? Canta em coro?
Para terminar, vou deixar dois bons exemplos da boa música de Ferreira Fernandes.
Um, para assobiar, segundo a partitura que FF segue no seu artigo de hoje. Outro, para as loas da praxe. Felizmente, destes últimos, há cem- para um daqueles. Um concerto, portanto, para F.F.

Publicado por josé 18:15:00 67 comentários Links para este post  



uma dúvida...

A propósito de uma crónica publicada hoje na revista Sábado, assinada por Ferreira Fernandes, uma, e uma só, dúvida, me assalta - por acaso achará o autor de tal texto que o nível, ou falta dele, dos comentários inseridos (e neste momento há 3191 comentários que ninguém aqui da colectividade se deu ao trabalho de ler) a posts nesta Loja é pior que o dos presentes nos sites oficiais da nossa melhor imprensa, do Expresso ao ... Correio da Manhã. Acha mesmo ? A sério ? E se eles - com infinitos recursos - não resolvem o problema (que é complexo) porque raio é que hão-de esperar que quem não tem - por definição - esses recursos o resolva (se é que há solução simples) ?... Ou será que um comentário é mais perverso se aparecer nas nossas caixas de comentários do que se aparecer no site do respeitabilíssimo Expresso?

Publicado por Manuel 17:51:00 1 comentários Links para este post  



Escaparate de blogs

José Pacheco Pereira( JPP) volta ao assunto dos blogs, recorrente e desta vez em artigo de jornal, no Público de hoje, onde tenta destapar os bidões de ácido, cal, vidrões e caixotes de lixo que entende estarem aterrados nesse lugar mítico e virtual chamado blogosfera.
Mais uma vez, JPP chama a si a tarefa ingrata de andar a cheirar esterco e a apontar o dedo espetado: “é ali, ” , “é aquele!” , "vejam acolá!".
A essência do seu argumento, desta vez, é a comparação entre os blogs disponíveis no espaço virtual e um quiosque que vende letra de imprensa e o lixo que ambos atraem.
O processo agregador já não é novo nem suscita admiração: “ Se abrir as folhas ao acaso, como se consultar blogues ao acaso, coisas sinistras estão sempre a cair dentro das folhas : notícias falsas, especulações, falsidades anónimas, plágios, voyeurismo, egos à prova de bala, ignorância, erros, invejas, ajustes de contas, presunção, arrogância, esquemas diversos, banha de cobra, cobras.”

Lendo isto, a tentação imediata, dado o potencial ofensivo genérico que estas afirmações comportam, insustentadas, gratuitas e com efeito terrorista, (ao aterrar o leitor desprecatado), seria entrar imediatamente num registo de irrisão e gozo, também ele potencialmente ofensivo da consideração do autor, eventualmente imerecido embora justificado na troca de argumentos em polémicas, mas que se tornaria deletério e acabaria por reforçar a razão de que o mesmo se considera imbuído. Sempre imbuído desse auto-convencimento, aliás, nunca concedendo margem para dúvida, para equilíbrio de posições argumentativas ou para uma grande elasticidade de análise.
Vamos então pelo lado claro e da argumentação com a seriedade e respeito intelectual possíveis.

Em primeiro lugar, poderá comparar-se o universo virtual dos blogs com um quiosque de jornais? Será aperfeiçoada, justa, a metáfora?
JPP elenca uma série de publicações em que denota estarem à vista as ofertas de maldades, algumas nefandas outras simplesmente de pôr a cara à banda e ainda outras sem ponta por onde se lhe possa pegar, assimilando tudo e paralelizando com os blogs onde tudo se encontra também, segundo assevera.
Simplificando, JPP acha que noventa por cento do que aparece na rede, é lixo. Tal como na imprensa de quiosque. E acha que será importante analisar o lixo para chegar ao luxo, em esforço de análise para “entender o que está a mudar no conjunto do sistema comunicacional”.
A diferença a favor do lixo, para JPP, é quantitativa: agora, há milhões a despejar no contentor virtual, dejectos escritos que ficam à vista de quem passa.
E continua a sua epistemologia sumária desses blogs, recorrendo a dois exemplos: o que aconteceu precisamente com Eduardo Prado Coelho e com Miguel Sousa Tavares, em que dois bloggers desconhecidos publicaram aquilo que JPP entende como tendo sido “acusações e falsificações anónimas”, exemplificando o fenómeno como o paradigma “da selvajaria blogosférica”.
JPP acha que os jornais não deveriam ter noticiado o alegado plágio de Sousa Tavares porque a notícia seria o plágio mesmo e não a sua alegação anónima. Terá alguma razão, a meu ver. Esquece porém, uma outra coisa importante: sendo a fonte anónima, nesta como noutras notícias, os jornalistas não são inocentes ao dá-la. Nunca podem ser inocentes, neste trabalho de escolha. Aliás, os jornalistas do Público mencionaram a semelhança entre as escritas , (por exemplo, pois os do 24 Horas não o fizeram, limitando-se a noticiar, dando a ideia de que defendiam o autor, numa perversão noticiosa ainda mais interessante) o que incomodou o autor que disso deu conta na sua coluna no Expresso.
Assim, a razão de JPP neste caso, sai algo enfraquecida, ao não ponderar o juízo que os jornalistas fizeram sobre a alegação em causa. E fica sem razão de todo, a meu ver, quando é certo que não foi apenas um blog anónimo que publicitou o aparente plágio, mas sim um outro, animado por um jornalista com nome ( Frederico Duarte de Carvalho) pelo menos, que até se deu ao trabalho de comparar passagens concretas dos dois livros em causa e que publicou o trabalho em causa numa revista de circulação geral ( a Focus). O blog de FDC que não é anónimo, como o próprio vincou, e o próprio autor, foram completamente obliterados nas considerações inflamadas e algo suspeitas, daqueles que se apressaram a defender o autor ofendido, esquecendo o óbvio à vista de todos: uma acusação de plágio será fácil de provar, com os elementos à vista, se estes forem apresentados correctamente, como me parece ter acontecido no caso de FDC. Ou seja, discuta-se então se há verdadeiramente plágio num caso como esse. Discuta-se porque tal noção não é pacífica e admite interpretações a vários níveis: legal, ético e de costumes. Alguém o fez, na blogosfera ou fora dela? Não, não fez. O que se fez e agora JPP continua a fazer, é o costume: tomar partido. Pessoalizar, ver quem fala e tomar partido. A favor ou contra, sem apresentar razões.A discussão série e desapaixonada, neste como noutros casos, não existe. E podia existir, facilmente. Bastava que alguém comparasse objectivamente as passagens; explicasse o que se deve entender por plágios literários; como se distinguem dos científicos que também os haverá, como se faz noutros países em casos destes e toda a gente ficaria a perceber melhor se o autor plagiou ou não e se o fez em certa medida, se isso é condenável ou não em modo de opinião pública. MST não o fez e nem se percebe porquê,
se tiver razão. Mas o modo como se defendeu, foi a meu ver o pior possível num caso destes. Armar em vítima, depois disso, não lhe devolve a razão que tenha.

O que este episódio do plágio revela e JPP não menciona ( et pout cause) é outro fenómeno, a meu ver mais grave, pernicioso e notório na imprensa e media portugueses: quem a controla efectivamente ao nível da opinião publicada; quem detém as chaves do discurso corrente e “politicamente correcto” e quem distingue o que é publicável do que o não é, denegrindo quem sai desses parâmetros inefáveis que os próprios estabeleceram, aparentemente em defesa de causa própria.
Esse poder de intervenção na sociedade portuguesa, através do exercício de opinião, em multimédia, como é o caso de JPP, é muitíssimo mais relevante e muitíssimo mais significativo do que o de todos os blogs do lixo. Os comentadores dos media e da imprensa em particular, assumem uma importância certa para quem lê sem querer pensar ou informar-se devidamente acerca das ideias que lê.
As falsificações, invenções, distorções, manipulações, desentendimentos, aleivosias, erros graves, abundam nos artigos de opinião, particularmente daqueles de que aqui se fala. A meu cargo ficaram já alguns exemplos, em que procurei fundamentar. Quanto a MST ( e já agora ao próprio JPP), por exemplo, aquilo que o mesmo tem escrito sobre assuntos de justiça, matéria em que posso sentir-me um pouco mais à vontade por ser jurista, ronda muitas vezes o inadmissível , ao nível do piorio e do lixo dos blogs.
Aliás, quem dá importância ao lixo, ao ponto de o promover ao prime time, numa contradição com o que escreveu acerca da notícia do plágio ( e não do plágio em si mesmo) parece ser o próprio José Pacheco Pereira.
No auge da investigação policial do processo Casa Pia, alguém se lembrou de manipular informação e lançar boatos graves sobre a honorabildiade de pessoas e instituições.
Num blog, sem autor conhecido, intitulado muitomentiroso, foram produzidas afirmações graves atentatórias de diversos direitos de pessoas concretas. Esse blog, foi aproveitado para uma jornalista com carteira, mencionar expressamente na TV, o mesmo, associando-o sem margem para dúvidas a este blog onde escrevo, deixando passar a ideia de que estavam no mesmo nível de lixo e eventualmente ligado a este. JPP, em dois artigos, fez o mesmo, denegrindo o que aqui se escrevia, tendo obtido, aliás, resposta que ficou em silêncio (consentido portanto).
Um tal blog, tal como acontece hoje com outros de idêntico teor que existem por aí, deve ser mostrado e propagandeado na tv, para que milhões que nem conhecem a blogosfera, fiquem a conhecer o que nele se contém, sob o pretexto de o condenar publicamente pelo que contém?
É uma pergunta à qual JPP respondeu afirmativamente, fazendo exactamente o que fez o 24 Horas com o blog anónimo do plágio: mostrou-o dizendo “isto é inadmissível”.
A pergunta que coloco em boa lógica a José Pacheco Pereira,( pergunta retórica, à qual julgo não irá responder, em face de acontecimentos passados) é esta: para quê?

Esperemos pela indicação dos dez por cento de “boa moeda” nos blogs, para comentar a seguir.
( segue dentro de algum tempo).
Ps. A fim de não dará azo a argumentos sobre anonimatos em modo de pseudónimo, fica o meu e-mail: jmvc@sapo.pt

Em tempo:
Li agora no Jornal de Notícias, a crónica do habitualmente excelente Manuel António Pina, sobre este mesmo assunto, a qual intitula de "Amordaçar a Internet".
Fica aqui uma passagem significativa:
"A questão da liberdade, da perigosa liberdade, da Net começa a pôr-se também em países como Portugal. Ao lado dos inevitáveis abusos - não mais, nem decerto mais graves, do que os que diariamente se vêem nos jornais - o anonimato com que alguns "bloggers" se protegem, entre eles os jornalistas que publicam na Net factos que são impedidos de revelar nos seus jornais, tem sido, entre nós, o principal pretexto. Como se boa parte da informação hoje publicada na Imprensa não tivesse origem em fontes anónimas. A Net é (ainda) um país livre e plural. Para alguns, livre de mais. E, sobretudo, plural de mais. Há, pois, que amordaçá-la rapidamente"

Manuel António Pina, além de escritor e pessoa de cultura, é jornalista profissional. O que o mesmo dá conta, por aqui, na crónica de hoje do JN, transcende e conjuga de outro modo, o problema apresentado por JPP. Aliás, permite que nos comecemos a interrogar sobre o que pretende realmente José Pacheco Pereira, com estas análises.
A censura? Mesmo em subconsciência? O regresso ao respeitinho? Ao direitinho e alinhadinho, em nome do combate a uma execrável libertinagem, aliás já denunciada também por Sousa Tavares?
Quando as contradições surgem, as respostas acabam por se impor. Explícitas ou implícitas.

Publicado por josé 11:21:00 16 comentários Links para este post  



Uma daquelas notícias sem interesse nenhum. Um fait divers

Juiz quer magistrados fora da Maçonaria e da Opus Dei
Tânia Laranjo


Desembargador Pedro Mourão critica CSM por não querer juízes no futebol e denuncia que, no tempo do actual procurador-geral da República, havia pagamentos ilegais

Pedro Mourão, o juiz desembargador que até há poucos meses presidia à comissão disciplinar da Liga de Clubes, critica a iniciativa do Conselho Superior da Magistratura (CSM) para impedir a participação dos magistrados nos órgãos de disciplina do desporto profissional. E pergunta por que é que tal proibição não se estende às "sociedades secretas", como a Maçonaria e a Opus Dei, que, na sua óptica, têm compromissos muito mais "perigosos" do que os do futebol.

"Tenho alguma dificuldade em perceber, em democracia, as sociedades secretas. Grupos como a Maçonaria ou a Opus Dei tinham razão de ser na ditadura, mas levantam-me sérias dúvidas numa sociedade democrática. E o que eu pergunto é se não serão mais perigosos esses compromissos do que os existentes no futebol profissional. Não será mais pernicioso ter juízes nessas sociedades, o que todos sabem que acontece?", interroga Pedro Mourão.

O juiz desembargador vê, assim, com estranheza o desejo do CSM de proibir os magistrados de participarem nos órgãos do futebol. "Eu entendo o CSM. Mas também gostaria muito que os juízes que se portassem à altura pudessem participar nestes órgãos. Somos pessoas como as outras e a proibição nunca me parece desejável. Não deve ser essa a via escolhida para regular o que quer que seja", defende.

Pedro Mourão recusa ainda a ideia de que a presença dos juízes nos órgãos desportivos afecta a imagem e a credibilidade do sistema judicial. Porque, na sua opinião, é precisamente o facto de serem juízes que lhes dá um maior grau de independência. "Se eu não fosse juiz, não tinha conseguido adoptar determinadas medidas. Não tinha sido possível vencer lobbies antigos e instaurar processos disciplinares no âmbito do Apito Dourado. Não tinha conseguido resistir às ameaças e teria cedido quando foi posta em causa a minha integridade física. Não aceito, nunca, que digam que o meu comportamento não dignificou os órgãos desportivos", afirmou ao PÚBLICO.

O magistrado judicial levanta ainda o problema da inconstitucionalidade da pretensão do CSM (ver caixa), afirmando ser ilegal proibir os juízes de participarem em órgãos disciplinares desportivos, sem que haja uma revisão constitucional. "Parece-me existir um sério problema formal. Os direitos dos juízes são direitos idênticos aos de outros mortais e prevejo sérios problemas constitucionais numa proibição desse tipo", afirmou, considerando que aos juízes não deve ser vedado o "direito de exercerem funções disciplinares".

Pagamentos ilegais no
tempo de Pinto Monteiro

Pedro Mourão afirma que o pagamento de senhas de presença não é ilegal e lembra que a questão ainda está a ser discutida no tribunal, não sendo líquido que a punição do Conselho Superior da Magistratura aos magistrados que recebiam tais verbas - advertência verbal - seja validada. "É evidente que os membros do CSM também recebem senhas de presença. Isso não me parece ilegal, embora tenhamos suspendido o recebimento após o CSM ter dito que se opunha", refere.

Recuando no tempo, o juiz desembargador recorda situações que, na sua óptica, também eram ilegais, mas que nunca foram resolvidas. Recorda, por exemplo, que, no tempo em que o actual procurador-geral da República, Pinto Monteiro, estava na Federação Portuguesa de Futebol, os magistrados eram pagos por cada acórdão que redigiam. "Quando cheguei à federação, os membros eram pagos à peça. Recusei-me a receber um tostão, porque seria uma forma encapotada de remuneração e era ilegal. Isso acontecia, por exemplo, no tempo do conselheiro Pinto Monteiro e fui eu que redigi o regimento das senhas de presença, pondo termo àquela forma de pagamento", explicou.

O PÚBLICO tentou, sem êxito, ouvir o procurador-geral da República sobre esta matéria, mas este esteve incontactável até ao fecho desta edição.

Publicado por Carlos 19:25:00 6 comentários Links para este post  

*
A Casa da Música [Porto] em 2007 disporá de 4,4 milhões de € do seu orçamento para programação musical, este parece-me ser um montante razoável, nada portanto a opor quanto a isso. Atendendo, no entanto, a que o Estado nesse ano contribuirá com 10 milhões de euros para a despesa corrente do equipamento; a que a CMP, pelos estatutos da fundação, contribuirá para o financiamento das actividades desta com uma verba não especificada; a que haverão receitas de exploração significativas; e a que os encargos com salários dos músicos da ONP serão suportados autonomamente pelo Ministério Cultura (embora essa verba vá decrescer até “0” nos próximos 5 anos, o que, em minha opinião, foi uma forma de de o MC decretar, a prazo e sem hematomas de maior, o fim da orquestra, mas este será um assunto objecto de uma futura posta) pode-se concluir que a CdM, por ano, gasta com ela própria muito mais de 5,6 milhões de € ou seja muito mais do dobro do que dispõe para a finalidade para que foi construída. Admito que o problema seja meu, mas há algo aqui que me parece errado ou que necessita de ser explicado rapidamente, principalmente por se tratar de uma estrutura que é nova mas que parece funcionar com os mesmos defeitos das velhas. Mas como referi, é de admitir que o problema possa ser meu.

Publicado por contra-baixo 12:52:00 1 comentários Links para este post  



Três longos retratos

Alertado pelo mais anónimo dos anónimos, acabei por encontrar três longos retratos do Portugal contemporâneo. Imperdíveis. Aqui, aqui e aqui.

Destes, nem o Pacheco

Publicado por Carlos 0:41:00 0 comentários Links para este post  



Uma daquelas frases que levantaria o congresso do PSD

7.11.06
REPITA COMIGO, 150 VEZES:
[1622] -- «O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida.»

Paulo Gorjão, na Bloguítica

Publicado por Carlos 22:23:00 0 comentários Links para este post  



Mexilhões

O Miguel, nosso vizinho na blogger, resolveu voltar à carga sobre o BES em Espanha. E, roçando a fronteira do delírio, afirma desta vez que o meu grande drama é "a pátria que corre perigo — e o Carlos oferece-se para avançar para as trincheiras". Antes de mais, convém fazer uma declaração de interesses: não fui à tropa, logo seria um péssimo soldado (apenas me desenrasco no Medal of Honor). Agora deixo-lhe uma pergunta: onde está o mexilhão espanhol? Não lhe parece que em Espanha "alguns chicos-espertos foram apanhados nas malhas, mas ainda não há nenhuma evidência de que os “produtos bancários” “oferecidos” nos balcões das instituições bancárias fossem do conhecimento das próprias instituições bancárias e, muito menos, dos banqueiros. Conhecem a estória do mexilhão?". Em que ficamos?

Outro abraço....

Publicado por Carlos 16:49:00 4 comentários Links para este post  



um requiem

Nos últimos tempos tornou-se um desporto nacional dizer mal do Dr. Mendes, líder do PSD. Não é que uma boa parte das críticas não sejam merecidas mas, à esmagadora, senão toda, maioria dos 'comentadores', de baancada ou da comunicação social, escapa o rigorosamente essencial. É verdade que Mendes, nos últimos tempos tem 'esquecido' o país 'real' e concentrado atenções no PSD 'profundo', sendo que a lógica deste último não diz necessariamente muito ao cidadão comum. É assim demasiado fácil criticar Marques Mendes, e dá-lo desde já como 'morto', só que isso é ignorar a história. Mendes, que tem (ou teve) a seu favor o facto de ter sido dos poucos a críticar a estratégia de sobrevivência barrosista que guindou o actual Presidente percebeu que de nada lhe vale agora falar para o País. Sabe que lhe bastará, na hora certa, ser líder do PSD, para então subitamente ser levado a sério (bem ou mal) por tudo e todos. Nessa altura terá toda a credibilidade deste mundo e do outro porque é a ... alternativa, a 'única' alternativa. Ora, para isso, precisa de garantir que o PSD não se livra dele, e daí todas as pantominas e acrobacias recentes. É a vida. Mendes desistiu de reformar o PSD, não vá o PSD 'reformá-lo' a ele. Foi assim, com Barroso, é assim com ele, e será assim com quem vier a seguir. Será assim, enquanto a tal sociedade civil que tanto critica os partidos se continuar a demitir sistematicamente das suas responsabilidades, delegando nos partidos competências, que estes manifestamente (já) não tem. É fácil agora dizer mal, como será confortável - na hora certa - mostrar disponibilidade para dar uma mãozinha, mas seria infinitamente mais útil e produtivo - agora - fazer alguma coisa. O dr. Mendes conta com o que tem, e olhando à volta, onde estão as alternativas ? Onde estão os projectos estruturados ? Onde estão aqueles que tem uma visão globalizante que passe do mero sound-byte ou da alegada especialização nesta ou naquela micro-área ? Simplesmente não estão, e não estão porque os mesmos que exigem 'mais' ao Dr. Mendes são os mesmos que por conforto, cinismo, preguiça ou irresponsabilidade, garantem que por acção ou omissão, ao dr. Mendes não restam alternativas. Eu confesso que não sei se o Dr. Mendes vai chegar um dia a primeiro ministro, e mais, confesso que a questão é largamente irrelevante. É que enquanto as coisas continuarem como estão, enquanto os partidos funcionarem como funcionam, enquanto a sociedade civil se comportar como comporta, nem ele nem ninguém vai fazer milagres, pelo que nos resta esperar que não apareça outro Dr. Lopes, ainda que disfarçado em peles de cordeiro.

Ironia das ironias, Marques Mendes, o mesmo que denunciou em tempos o cinismo de Barroso, pode ter-se tornado um cínico, mas não mais cínico que uma boa parte daqueles que o criticam... Querem deixar a 'política' para os outros, e ainda se queixam.

Publicado por Manuel 10:46:00 1 comentários Links para este post  



Jura dizer a verdade?

Leio no Público de hoje que “O jornalista Jorge Van Krieken acusou, ontem, em tribunal, os magistrados do Ministério Público e os agentes da Polícia Judiciária, responsáveis pela investigação do processo Casa Pia de terem falsificado, manipulado e ocultado provas durante a investigação”. E até, “ as coisas apontam para um sentido mais grave. Não só ocultação e manipulação, mas também prevaricação da prova”.
A gente lê estas coisas e fica perplexa. Descrente na polícia Judiciária que temos e costuma ser apresentada como uma das melhores do mundo. Descrente e desconfiada do Ministério Público que nos serve para accionar, em nome de todos, os criminosos e só os criminosos.
Diz ainda o Público que o procurador presente em julgamento, “se insurgiu contra os enxovalhos e ofensas” feitas pelo tal jornalista ao MP. O Diário Digital acrescentou ainda que o procurador referiu que a testemunha «não disse um só facto» ou apontou um «só suspeito» para concretizar o que acabara de dizer, no sentido de que era tudo um «embuste».
O advogado das vítimas terá referido que as afirmações eram graves e que o chocou ouvir falar em “pseudovítimas”.

Ora bem. Não consta que o tal jornalista seja parte no processo, para além do depoimento que ontem prestou.
Não consta que seja advogado e tenha analisado e subscrito qualquer requerimento, aquando da prolação da acusação, para contestar a validade desta. Não consta que tenha legitimidade para sindicar em julgamento, para além do teor de um depoimento necessariamente sobre factos, nesta fase, todas as provas de um processo que já passou pelo crivo de um juiz de instrução que manteve o teor da acusação relativamente aos arguidos que agora respondem.
Não consta ainda que tenha qualquer legitimidade para pôr em causa, do modo peremptório como o fez - e até absoluto-, a actuação de dezenas de pessoas que trabalharam no processo para recolha de prova indiciária suficiente para levar os arguidos a julgamento, e assim lhes imputando a prática de crimes gravíssimos de falsificação, ocultação de prova e denegação de justiça, para além de abuso de poder. Crimes mais graves imputáveis a magistrados e polícias, nessa qualidade, não pode haver.

O que objectivamente o jornalista Van Krieken fez, é muito simples de entender: desacreditou, objectivamente, todo o trabalho, de toda a gente e das instituições que em Portugal têm a incumbência de investigar e accionar criminalmente, nesse caso concreto e nos outros, porque o descrédito não é selectivo.
A contundência dos seus depoimentos e dos seus escritos, terá uma de duas saídas:
Ou o jornalista prova aquilo que diz, com factos concretos e dados objectivos, o que segundo o procurador do processo, não aconteceu; ou a difamação e infâmia se tornam tão graves que haverá necessidade de proceder de modo exemplar, neste caso concreto.
Há uma terceira hipótese a considerar: estar plenamente convencido daquilo que diz porque acredita que é verdade o que disse, agindo de boa fé. Se essa hipótese se confirmar, seria bom que ficasse explicada, para toda a gente perceber como é fácil, a alguém, acreditar em qualquer coisa e dizê-la, sem medir as consequências e usando esse convencimento como arma de arremesso, sem limites na liberdade de expressão. E além disso, influenciar todo um rol de comentadores, jornalistas e espectadores de que afinal esse processo é mesmo uma cabala e quem a montou foram os investigadores.
O que não pode de todo acontecer é deixar em branco e em águas de bacalhau todo este rol de acusações gravíssimas que enlameiam dezenas de pessoas e sujam a reputação de uns tantos polícias e magistrados, bem definidos e concretos.
Quem lê estas notícias, aliás recorrentes, nas ruas e nos cafés e espalhadas pelas vozes comuns do povo que lê e não apreende tudo o que é dito, não pode ser desprezado por quem de direito que não dê a devida importância a este tipo de depoimentos incendiários e alarmantes. O que foi dito, publicamente, não se limitou a um artigo num qualquer blog manhoso e de mera opinião. O que foi dito é de relevância assinalável, porque o foi numa audiência de um julgamento, onde se avalia a prova indiciária de um processo; em que são cumpridas formalidades rituais que passam pelo facto de a testemunha ser ajuramentada para dizer a verdade. É preciso saber se disse a verdade. Ponto.
Alea jacta est.

Publicado por josé 10:16:00 14 comentários Links para este post  



Think? Thank you.

Ao ler o artigo de Pedro Lomba para o DN de Sábado, espequei numas passagens verdadeiramente siderantes.
Julgo saber que o articulista será jurista. Aprendeu direito constitucional, penal, civil, administrativo e processual. Ao ler que se refere a “escutas telefónicas sem controlo” arrebitei as orelhas, para ver se entendia mais alguma coisa. Não entendi, a não ser que um jurista não é obrigado a saber tudo, menos ainda se for processo penal e organização judiciária.

Porém, no seu articulado sumariado, escreve sobre a apatia do Liberalismo e diz que “ a justiça é um alibi retórico” para significar não se percebe bem o quê. Manifesta preocupação, logo a seguir a esta boutade, com a imprensa de escândalos que “desatou a espiolhar a priacidade das figuras públicas incluindo, coisa inédita, alguns políticos”, afirmando que esse fenómeno é trend de inversão de valores que apreciam agora “a devassa e o onanismo social”.
Pedro Lomba que entrou em blogs e se inclui numa geração aparecida ao mundo nos anos setenta, sustenta a seguir, algumas ideias feitas por quem já nasceu antes.
Acha que em Portugal “o poder político está ainda demasiado refém do clientelismo, do corporativismo, de grupos organizados, de redes de interesses. Nos arranjinhos que por aí se fazem os indivíduos contam pouco.João Cravinho anda a dizer o mesmo, quase, há anos e repetiu-o esta semana.
Acha ainda que Portugal está maduro para que vença a tecnocracia, em detrimento dos “políticos”.
Ora , o conceito também vem de trás, dos liberais da Ala que vingou em 73 e continuou nos meses que seguiram ao 25 de Abril, fenecendo pouco tempo depois. Os nomes de Oliveira Martins (o outro), João Salgueiro e Rogério Martins dir-lhe-ão alguma coisa? Este último, também foi cronista do Público,nos anos noventa. E dos melhores que pode haver.
No entanto, Pedro Lomba entende que nestas alterações climáticas na sociedade nacional e com o advento até do “império da técnica”, a monção fica a dever-se à liberdade de expressão, liberdade de crítica , liberdade de imprensa, liberdade de voto, privacidade. E desejaria um Portugal mais liberal do que é, embora reconheça que “há por aí lunáticos que encaram o liberalismo como uma experiência mística.
Quer referir-se a quem, exactamente? A um Pedro Arroja que agora escreve em blogs e até comenta nas caixas totalmente livres, onde aliás é insultado, amiúde?

A geração do Think?-Thank you, que se alimentou da cultura anglo saxónica, estará a acordar para a dúvida? Quem dera.

Publicado por josé 23:45:00 4 comentários Links para este post  



Um post onde uma coisa não tem nada a ver com a outra




Publicado por Carlos 9:14:00 7 comentários Links para este post  



Isto é que é mesmo uma espécie de magazine

João Cravinho continua a sua porfiada investida contra o fenómeno da corrupção em Portugal.
João Cravinho, não precisa de provar nada, nem de se defender de nada, quanto a este assunto. Há anos que diz o mesmo e aponta caminhos para sair destas veredas de obscuridade onde nos encontramos, apresentando um fio de Ariadne.
Hoje no Público, transcrevem-se afirmações de João Cravinho de uma gravidade extrema e que só num país em anomia, adormecido, não servem de abertura de telejornais.
Diz que Portugal tem um grave problema de corrupção ao nível do sistema e que tal fenómeno levou à captura do Estado, por "grupos que hoje partilham a influência de determinados sectores".
Acrescenta que a gravidade de tal fenómeno não se circunscreve a qualquer pequeno grupo de pessoas delinquentes, mas é um problema de sistema.
E para ser ainda mais claro, acrescenta que esse fenómeno crescente com o advento da democracia, "favoreceu o tráfico de influência, a colocação de pessoas em pontos-chave do sistema e a fidelização de clientelas de vários partidos."
E não poupa as palavras para acrescentar que tal distorsão, c"compromete gravemente as instituições democráticas."

Aqui chegados, todos se poderão perguntar? Será mesmo assim? E afinal, se o for, onde se encontrará a cabeça do polvo?
Di-lo também João Cravinho: reside "entre grupos, de certos sectores da admninistração".
Que grupos de que administração? Continua Cravinho, procurando causas entre os efeitos. "são as autoestradas mais caras, talvez a saúde mais cara, as casas mais caras, tudo."

Num país pequeno como Portugal, em que as empresas de grande porte são poucas e com líderes conhecidos, tais afirmações deveriam provocar sobressalto democrático.
Provocam nada. Daqui a pouco, se João Cravinho continuar a insistir no assunto, ainda vira assunto de piada do Gato. Fedorento, quero dizer.

Publicado por josé 21:46:00 3 comentários Links para este post  



cada falso

O que fazer quando lemos num blog completamente anónimo, mas não tanto que não deixe pistas de quem o anima, considerações caluniosas e difamatórias de quem escreve noutros blogs, atirando-se à pessoa e deixando de lado o que escreve?
Lamuriar, como os dois maduros abaixo identificados, o fizeram na Sábado?
Fantasiar um mundo cor de rosa em que somos puros e sanos, contrapondo-o ao das trevas da blogosfera negra?
Oferecer porrada ou ameaçar com tribunais?

Deixo à consideração dos leitores. Por mim, estou inclinado a deixar assim como está: à vista desarmada, para se poder ler o que é uma infâmia. É assim que considero e assim me defendo.
Nos blogs, não há refúgio possível a quem delibere atacar-nos pelo que somos ou fazemos, mesmo que isso nada tenha a ver com o que escrevemos. Mas pode haver defesa efectiva contra os ataques, na resposta imediata que estes proporcionam.

Publicado por josé 19:01:00 0 comentários Links para este post  



O Miguel

Miguel Abrantes, que eu não tenho o prazer de conhecer, respondeu ao naco de prosa que aqui elaborei sobre a operação que envolveu o BES em Espanha. E então diz assim: "Mas suspeito, em relação aos jornalistas, de que o Carlos não tenha razão. Uma operação desencadeada às oito horas da manhã, envolvendo centenas de pessoas em diversos locais de Madrid e Barcelona, é capaz de, ao fim de algum tempo, não ter passado despercebida aos media". Ou seja, segundo o Miguel, é natural que os jornalistas tivessem tido conhecimento do que se estava a passar. Eu também acho. E conclui o Miguel: "O Carlos esqueceu-se no entanto de referir se o fax também foi enviado. E nestas coisas, dizem os entendidos, o efeito surpresa pode estragar tudo". Concordo novamente.

Mas, vejamos: em declarações ao Expresso, Ricardo Salgado afirma que as televisões "foram convocadas para o local uma hora antes da chegada da polícia". Será que o Miguel não leu esta declaração?

E, talvez por ser em Espanha, esta citação do El Pais não lhe causa comichão? "La investigación, entre otros asuntos, pretende determinar si el BES, dentro o fuera de España, "ha facilitado esas estructuras societarias" a la trama". Parece tudo normal, não é Miguel. Mas, vamos recordar o que escreveu aqui a propósito do Furacão português e do envolvimento dos bancos:

"Segunda conclusão: alguns chicos-espertos foram apanhados nas malhas, mas ainda não há nenhuma evidência de que os “produtos bancários” “oferecidos” nos balcões das instituições bancárias fossem do conhecimento das próprias instituições bancárias e, muito menos, dos banqueiros. Conhecem a estória do mexilhão?".

Como se diz mexilhão em castelhano?


Mais um vez, um grande abraço.

Publicado por Carlos 17:46:00 0 comentários Links para este post  



Um espectáculo

Eurico dos Reis(E.R.) , um dos reis da rádio nacional, no comentário matinal, concede entrevista hoje, à revista Notícias Magazine. Apresentado como juiz-desembargador, deixa-se fotografar debaixo das arcadas do edifício onde desembarga, para dizer certas coisas deveras embargantes, à mistura com outras, algo perplexizantes.
Vamos às primeiras, sem esquecer as segundas.
A começar, o segredo de justiça é passado a pente fino pelo Eurico entrevistado. Não concorda que a sua violação pelos jornalistas seja crime. A explicação é simples: “Quem viola o segredo de justiça são as pessoas que estão dentro do processo”. E chega como explicação, para contrariar acórdãos de defendem o contrário com base na interpretação legal, seguida por conselheiros e pelo STJ e doutos opinadores, incluindo-se o sempre visível Vital Moreira.
E.R. considera ainda que essa violação de segredo “é uma deslealdade” e sustenta argumentos de eficácia investigatória que acha actualíssimos, para descobrir violadores, na sua própria experiência como juiz de instrução (há mais de vinte anos), explicando que nessa altura era ele, o magistrado do mp e um funcionário quem detinham o poder de guardar o processo. Logo, a investigação sobre quem viola o segredo de justiça hoje em dia, seria muito fácil. Hoje, como há vinte anos…
Logo a seguir a esta explanação de boas práticas processuais e investigatórias, que infelizmente não tem sido seguidas pelo MP que temos, que desgraçadamente não escutam o que diz Eurico, na TSF e na SIC Notícias, passa a atacar a própria essência do legislador e a sua legitimidade para criar novos tipos de delito, para tentar explicar o que aconteceu aos jornalistas do famigerado caso de envelope que para E.R. ainda não está esclarecido ( quem pediu a informação; porque a pediu; quem a entregou e quem a recebeu, são ainda segredos para E.R.)
E toda a gente o poderia saber se seguissem o método avançado por E.R.: tal poderia muito bem ter sido resolvido de uma penada, em 48 horas, num processo administrativo.
Também não sabe, afirmando com à vontade raro que mais ninguém sabe, o que sucedeu aos crimimosos da PT que forneceram as informações codificadas nas disquetes. E adianta que este crime de divulgação de dados pessoais até era mais grave do que o crime de que os jornalistas foram acusados!
No entanto, parece que toda a gente sabe( menos Eurico dos Reis), que o tal crime é exactamente o mesmo que foi imputado aos jornalistas…e parece que toda a gente também sabe, menos o nosso Eurico, que o crime imputável aos responsáveis da PT estava já prescrito aquando da instauração do processo. Foi divulgado amplamente, mas a informação não chega a todo o lado.A desinformação, essa, não tem fronteira visível.
Por outro lado, segundo E.R. esse crime de divulgação de dados pessoais é um dos tais crimes em que o legislador foi “desleal”. Porquê? Ora, porque o escondeu, colocando a sua previsão fora do…Código Penal! Aliás, tal como sucede com o crime de violação de segredo de justiça, imputável a jornalistas e que também não consta do Código Penal e afinal se anichou no Código de Processo Penal, onde aliás, refastelado, medra a olhos vistos num dolce farniente.
Estes crimes, estão de tal modo disfarçados e escondidos que para o nosso Eurico entrevistado,“ a maior parte das pessoas, incluindo juristas, nem sabe que existem”.
É assim a explicação de um juiz-desembargador para aquilo que afoitamente define como um modo de legislar “tecnicamente incorrecto e socialmente perigoso”.
Figueiredo Dias e Germano Marques da Silva, a estas horas, provavelmente e se leram a entrevista, o que é plausível, estarão com as orelhas a arder. Falta saber se não será de tanto abrirem a boca de…espanto!
Mas o desembargador E.R., assumindo integralmente essa qualidade, depois de reafirmar tudo o que disse antes e lhe valeu já a instauração de processos disciplinares pelo CSM, tendo num deles sido condenado com uma repreensão, por falar demasiado sobre o que não deveria, mostra-se sensato ao dizer que “nalgumas profissões, incluindo a vossa e a minha, a preocupação relativamente à imagem deve ser uma constante.”
Talvez por causa dessa sensatez assim plana, não se coibiu de um exercício humorístico em relação ao ex-PGR. Acicatado pela entrevistadora, que lhe apresentou à consideração o facto de aquele ter dito que se assumisse funções hoje, contrataria centenas de assessores, a mesma, revelando um alto sentido de humor, adiantou-lhe que se tinha sentido insultada por tal afirmaçáo, ao que E.R., despreocupadamente, com figuras de estilo bem nítidas para apresentar a imagem desfocada, lhe respondeu:
Choca-me haver quem pense que os jornalistas são ingénuos, idiotas ou incapazes a ponto de um qualquer artista de variedades lhes poder dar a volta; haver quem pense que vocês comem toda a papinha que vos derem.
Pois choca. Também a mim me choca, neste caso concreto, mas é assim mesmo. "Artistas de variedades", há muitos. Na rádio, na tv e na cassette pirata.

Publicado por josé 16:41:00 3 comentários Links para este post  



Uma das melhores explicações que já li

O caso foi este. O inquértio do costume foi aberto, e as conclusões divulgadas:


Na sequência do despacho conjunto do ministro de Estado e da Administração Interna e do ministro da Justiça, em que era ordenada à Inspecção-Geral da Administração Interna e à Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça a realização de uma averiguação conjunta relativa à actuação de elementos da Polícia de Segurança Pública e da
Polícia Judiciária, no dia 6 de Outubro, no Tribunal de Setúbal, foi o relatório dessa averiguação conjunta entregue aos ministros no passado dia 30 de Outubro. Tornam-se agora públicas as conclusões do referido relatório:


1. Durante todo o dia 06.10, as relações entre os elementos da PSP e da PJ presentes no TJ Setúbal pautaram-se pela cordialidade e por um espírito de colaboração;

2. Dentro desse espírito, os inspectores da PJ solicitaram aos elementos da PSP a colaboração para facilitar a saída do Tribunal com o arguido, em condições de segurança e discrição, de acordo com as instruções que tinham, o que se mostrava dificultado pela presença, às portas do Tribunal, de um número considerável de populares e jornalistas;

3. Para isso, os elementos da PSP levaram a cabo uma manobra, envolvendo a simulação da saída do arguido, que se revelou adequada ao efeito pretendido, tendo efectivamente permitido que os inspectores da PJ e o arguido saíssem do Tribunal em segurança e com discrição;

4. Não foi possível apurar com toda a segurança se essa manobra em concreto foi expressamente solicitada pelos inspectores da PJ; mas ainda que não o tenha sido, tiveram a clara percepção de que a mesma ia ser realizada nos termos em que o foi, e não só não se opuseram como a aceitaram implicitamente, facilitando a sua execução;

5. Ainda que porventura assim não tivesse sido solicitada, como foi, a colaboração da PSP, cabia a esta decidir o tipo de manobra a realizar, uma vez que estava em a utilização dos seus meios materiais e humanos;

6. Neste contexto, não há quaisquer elementos que permitam concluir que a manobra realizada resultou de um desejo de protagonismo por parte da PSP, e muito menos que se insere numa qualquer «guerra de polícias», sendo antes, pelo contrário, fruto de uma normal e desejável cooperação entre as forças policiais;
7. Os reportes às hierarquias, realizadas posteriormente aos factos daquele dia 06.10.06, quer por elementos da PSP quer, talvez de uma forma mais evidente, pelos inspectores da PJ, permitiram, ou pelo menos não foram de molde a impedir claramente, o surgimento de versões contraditórias;

8. O tratamento da informação assim recebida por parte das hierarquias e sua divulgação aos meios de comunicação social empolou a situação e potenciou as contradições semânticas e de pormenor, em detrimento da cooperação que efectivamente se verificou na base;
9. Não foram colhidos quaisquer indícios reveladores de comportamentos, por parte dos diversos intervenientes no local (TJ Setúbal), tendentes ao resultado divulgado pelos órgãos de comunicação social.

Publicado por Carlos 23:11:00 0 comentários Links para este post  

Vanity Fair Exclusive: Now They Tell Us

Neo Culpa

As Iraq slips further into chaos, the war's neoconservative boosters have turned sharply on the Bush administration, charging that their grand designs have been undermined by White House incompetence. In a series of exclusive interviews, Richard Perle, Kenneth Adelman, David Frum, and others play the blame game with shocking frankness. Target No. 1: the president himself.

Publicado por Manuel 18:47:00 0 comentários Links para este post  



O reino da fantasia cor de rosa

Numa subsecção da revista Única do Expresso de hoje, intitulada "blogs", uma colunista que costuma recensear blogs da sua corda, adianta-se numa acusação generalizadora e comum a certos comentadores doridos de males aheios. "Cobardia" é o nome da croniqueta, em coro de carpideira com outros que lamentam o assassino anónimo que anda a matar certos carácteres impolutos, de coluna perfilada em jornal e avença posta.
Num parágrafo de acusação genérica, escreve Rita F.R.:
" O que aconteceu a Miguel Sousa Tavares acontece diariamente na blogosfera portuguesa: temos juízes, advogados, políticos e jornalistas, entre outros, sob anonimato, a lançar boatos miseráveis e lama para cima de quem não se pode defender".
É este o parágrafo que continua, insatisfeito e recalcitrante, no seguinte: " É uma espécie de submundo da porcaria, onde se movimentam pegajosos, alguns vermes que retratam a pequenez".
Este tipo de escrita, em papel de jornal, nem sequer se revê na essência do que produz.

Acusar genericamente, sem qualquer facto à ilharga e sem nomear um sequer dos tais "juízes, advogados, políticos e jornalistas", apodando-os de vermes que se movimentam, pegajosos, no submundo da porcaria, parece ser o retrato perfeito do mundo de quem assim escreve.

E quem cauciona esta escrita, vinda de um reino da fantasia, pequenino e de louvaminha a amiguinhos e apaniguados, defende certamente o seu mundo como o melhor de todos.
Felizmente, ainda não é o de todos, mas se pudessem...

Publicado por josé 16:00:00 9 comentários Links para este post  



'don't ask, don 't tell'

A Honra Perdida de um Jovem Tenente

De acordo com o Expresso - e já o tinha lido noutro sítio qualquer - o ministro da administração interna, dr. Costa, instaurou um processo disciplinar contra o jovem oficial da GNR que se apercebeu das alegadas irregularidades praticadas na Escola Prática da Guarda. O tenente, de 28 anos, e com especialização nas contabilidades e na gestão, segundo a IGAI, teria sido o responsável pela informação veiculada ao Expresso e, vai daí, levou com um processo idêntico ao que levaram os supostos autores das irregularidades. Imagino que este jovem quadro da GNR se deve sentir maravilhado com esta diligência ministerial. E que, daqui para diante, se sinta como peixe na água na instituição que agora o condena. Para começar, e apesar de ser o melhor classificado do seu curso, já foi preterido na promoção a capitão. Ninguém, na vida e nos cursos (vários) que o jovem tenente frequentou, lhe explicou que o país é uma imensa paróquia, dividida meticulosamente em capelas, em que cada uma tem os seus oficiantes exclusivos. Na cabeça de quem dirigiu as averiguações, o jovem tenente terá violado o sagrado "segredo de justiça" e, por isso, é perseguido disciplinarmente da mesma maneira que o são os alegados infractores. António Costa, cujo desempenho como MAI lhe deu para mostrar uma inédita "musculação política", já varreu com dois sindicalistas pobres de espírito da PSP e prepara-se para estragar uma carreira promissora e íntegra à conta da "autoridade do Estado" que ele tem andado a confundir com autoritarismo gratuito. Não conheço o jovem tenente de lado nenhum, mas conheço o António Costa, o filho de Maria Antónia Palla e de Orlando Costa. Tenho pena pelos quatro.

João Gonçalves

Publicado por Manuel 15:20:00 0 comentários Links para este post  



"A nomeação realiza-se sob proposta do PGR, não podendo o Conselho Superior do MP vetar, para cada vaga, mais que dois nomes"*******




****** - Será necessário um curso de Direito para ler o 125º do Estatuto do Ministério Público. Às tantas é....


P.S. - Meu caro Miguel, não vale a pena responder-lhe. Sinceramente. Você, propositadamente ou não, está a confundir dois processo: O Portucale (que envolvia o genocídio de sobreiros) e o Furacão, este sim da banca. Bom fim de semana.

Publicado por Carlos 1:49:00 1 comentários Links para este post  



Coisas da Sábado

"Libertinagem"...onde é que já ouvi isto?!

PS. Já sei! Foi aqui, num artigo assinado por este político, há mais de dois anos!

Antes disso, Alexandre O´Neill já tinha definido a libertinagem: dizia que era a liberdade, com garagem.
Tem nada a ver, com estes maduros.



Publicado por josé 19:08:00 2 comentários Links para este post  



o fio de terra

(foto Michele Grinstead)

First Projects, Then Principles

A political left needs agreement on projects much more than it needs to think through its principles. In a constitutional democracy like ours, leftist projects typically take the form of laws that need to be passed: laws that will increase socioeconomic equality. We need a list of First Projects--of laws that will remedy gaping inequalities--much more than we need agreement on First Principles.

Richard Rorty


O défice ideológico

Suponho que todos concordam com o facto de que algo se passou no mundo entre estas referências doutrinais e os nossos dias. Talvez seja o momento de dar um “grande salto em frente”, de ultrapassar outras importantes referências do século XX, e de ligar a ideologia dos partidos actuais ao pensamento actual. Imaginemos agora como seria se os partidos políticos portugueses decidissem seguir a metodologia do sr. Thomas Meyer e adoptar propostas ideológicas com base em leituras do pensamento político contemporâneo.

João Cardoso Rosas (via Causa Nossa)



A ordem das citações não é arbitrária. O texto de Rorty foi publicado há praticamente 10 anos no The Nation (guardo uma cópia desde essa altura). O de João Cardoso Rosas tem data de ontem.

Publicado por contra-baixo 18:20:00 0 comentários Links para este post  



Não tem pais ricos, não lhe saiu o El Gordo....foi ao BES

Publicado por Carlos 17:41:00 1 comentários Links para este post  



Esclarecedor, mesmo!

João Correia não faltou à reunião de hoje do Conselho Superior do Ministério Público - ponto! Simplesmente recusou-se foi a participar (mais outros dois elementos) na repetição de uma votação, por considerar essa mesma repetição ilegal... Esclarecido ?

Publicado por Manuel 17:10:00 1 comentários Links para este post  



Post com o patrocínio da MultiOpticas


Procurando ser engraçado, assim a modos com piada, o Miguel Abrantes escreve neste post: Uma busca foi feita às agências do BES sem nenhum aviso prévio por fax, nem a presença das televisões no local. Uma pouca-vergonha pegada actuar assim.

Não podia estar mais de acordo. Porque estas fotos foram tiradas por transeuntes que, por coincidência, por ali passavam. E, na que se encontra à esquerda, está lá um tipo com uma câmara de TV ao ombro. Provavelmente, estaria pelas redondezas a filmar um casamento. E os tipos que estão com uns coletes da "Guardia Civil" foram fotografados por engano. Apenas tiveram um acidente e a lei obriga o condutor a vestir o colete quando sai do carro. É de facto uma pouca vergonha!



Publicado por Carlos 15:39:00 1 comentários Links para este post  



Teletubbies

Por vezes, não aprecio o estilo de Vasco Graça Moura, uma espécie de Sousa Tavares um pouco mais sofisticado. Porém, ontem publicou no DN um texto de mérito sobre a TLEBS. Aqui fica, em plágio.

Há perto de um ano, abordei nesta coluna a questão da nova terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (TLEBS).
Agora, com a serenidade olímpica e a autoridade incontestável que lhe vêm do muito saber académico, de uma longa experiência cultural e pedagógica e de um bom senso elementar, Maria Alzira Seixo, numa síntese fundamental, "A TLEBS e a educação" (Visão, 26.10.2006), põe em evidência como certos sectores da Linguística em Portugal (talvez, digo eu, por qualquer descompensação da ordem do freudiano...) se estão solenemente nas tintas para a Literatura e para o papel essencial que esta deveria ter no ensino e na aprendizagem da língua portuguesa.
Demonstra que nunca é inocente a substituição de uma terminologia gramatical por outra e anota não ser cientificamente consensual, nem isenta de muitas incoerências, a orientação universitária que foi imposta através da TLEBS e que não deveria, portanto, ter sido considerada "representativa para uma orientação ministerial".
Sublinha que nem a Gramática nem a Língua são feudo exclusivo da Linguística e estão também indissoluvelmente ligadas à Literatura e à Filosofia.
Exprime o receio, mais do que fundamentado, de que o pensamento subjacente à TLEBS não favoreça a qualificação educativa.
Denuncia o autismo teórico das concepções subjacentes à TLEBS e os "raciocínios tecnicistas e funcionais, com uma óptica exclusivista e auto-suficiente que, não dialogando com áreas centrais do pensamento humanístico, estreita a compreensão gramatical".
Aponta o lado abstruso, aberrante e incompreensível de muitos aspectos da terminologia em questão, bem como os equívocos a que isso dará lugar, tanto no plano da docência como no da discência.
E observa: "Não é por serem diferentes que as designações são inovadoras ou adequadas; Rodrigues Lapa mostrou há décadas, relacionando linguística e literatura, que a estilística da
língua matiza as categorias gramaticais e a actualiza em alterações da norma praticadas por escritores que criam valores que a categoria não contém e é a literatura que vai fixando."


A rematar, uma evidência clamorosa: "Ninguém pode obrigar um professor a ensinar mal."
Também Maria do Carmo Vieira publicou um excelente artigo, "O regresso da polémica", no JL de 25.10.2006, em que, depois de uma breve resenha da tragicomédia do ensino da Gramática, dá uma série de exemplos de pôr os cabelos em pé.
Entre outros, há pronomes indefinidos que dão agora pelos nomes sorumbáticos de "quantificadores indefinidos", "quantificadores universais" e "quantificadores relativos". Nos advérbios, encontramos coisas alucinantes como "advérbios disjuntos avaliativos", "advérbios disjuntos modais", "advérbios disjuntos reforçadores da verdade da asserção" e "advérbios disjuntos restritivos da verdade da asserção". O sujeito indefinido passa a ser o luminoso "sujeito nulo expletivo". O "aposto ou continuado" chama-se bombasticamente "modificador do nome apositivo", podendo ser do tipo "nominal", "adjectival", "proposicional" ou "frásico"...
Isto posto, o que é que leva a ministra da Educação a aceitar um conjunto de enormidades
deste tipo e a desatender as muitas objecções que, sem dúvida, lhe chegaram da parte de inúmeros professores?

Quem são os responsáveis que, no seu ministério, se vêm enfeudando a estas aberrações, conseguindo fazê-las consagrar na lei, com os resultados desastrosos que todos conhecem? Não lhes acontece nada? Ninguém pensa em pô-los na rua?
Não se vê que a avaliação dos professores, face ao novo estatuto, se vai tornar absolutamente impraticável nesta matéria? Nem que o ensino se vai degradar ainda mais?

Será isto uma política da Educação? Será assim que a cooperação com os outros países de língua portuguesa vai ser mais eficaz, no tocante ao ensino e promoção da língua comum?Não há um deputado à Assembleia da República para interpelar o Governo, uma associação de pais para protestar com energia, uma associação de professores para se recusar teminantemente a pôr em prática esta pepineira?
Assim como a sublimação implica a passagem do estado sólido ao estado gasoso, sem passar pelo intermédio, temos agora este trânsito da ignorância geral à embrulhada específica, sem se passar pelo estado intermédio e necessário de um ensino razoável e sensato.
Por alguma razão a palavra "gás" deriva de kaos. Esse será o resultado deprimente do ensino gasoso que a TLEBS nos prepara.

Publicado por josé 15:48:00 4 comentários Links para este post  

uns brincalhões, estes espanhóis...

Publicado por Manuel 14:03:00 2 comentários Links para este post  



Plagiarius

A propósito de plágios, fica aqui um caso concreto, com alguns anos e apresentado por Pierre Assouline, na revista Lire, de Janeiro de 1992, dirigida então por Bernard Pivot.

A polémica recente com o livro Equador, de Miguel Sousa Tavares, que terá motivado já uma queixa crime contra o autor de um blog anónimo, por ofensa à honra do autor do livro, incita a que se estude um pouco mais a noção de plágio na nossa ordem jurídica e principalmente a noção de plágio em concreto e com o significado que deverá ter na ordem social, na ética de costumes.

Se bem que nem tudo que se copia em obras literárias, possa ser considerado plágio, o assunto está longe de esgotar a atenção nos media e tem passado, mesmo em blogs que lhe dedicam atenção, como se fosse um fait-divers entre um blogger anónimo, apontado como caluniador e cobardolas e um autor respeitado e por isso mesmo insusceptível de malfeitorias aos direitos de autor e à consideração geral de quem lê e compra livros.
Parece no entanto, que a posição correcta neste alinhamento de atitudes, seria talvez a de verificar em primeiro lugar se há razões concretas, entre as que foram apresentadas, para se considerar a existência de cópia,mesmo parcial ou fragmentada. E depois disso, saber se a cópia pode constituir plágio literário.
Para essa discussão que não se faz, por razões que me escapam, dou dois contributos.
Citando dois blogs.
O de Frederico Duarte de Carvalho, para mim tanto faz. onde se publica a imagem da revista Focus, em que se transcrevem parágrafos das duas obras - a do autor e a do livro de Diminique Lapierre e Larry Collins, Cette nuit la liberté, de 1975, publicado em Portugal, pela Ática, em 1976- e que permitem a comparação.

E o deste escriba- Portadaloja- onde se explora um pouco mais o assunto, com grandes plágios à mistura.

Publicado por josé 1:33:00 4 comentários Links para este post  



Janie's Got A Gun (Aerosmith, versão Pink)




Agenda do Procurador Geral da República

Dia 03

11:15 - Reunião em Plenário do Conselho Superior do Ministério Público

- Nomeação do Vice-Procurador-Geral da República

- Composição da Secção Disciplinar do CSMP - Artº 29º Nº3 do EMP

- Questões relativas à gestão interna do M.P.

Publicado por Carlos 16:48:00 0 comentários Links para este post  



Novidades no Direito de Pernada


A saga continua. Quatro novos episódios da série "O Sexo e os Tribunais", no canal por cabo da Grande Loja, o Direito de Pernada.

Publicado por Carlos 1:12:00 0 comentários Links para este post