Camarate

Doa a quem doer, apareçam as confissões (?) que aparecerem, as provas que houver, desde o início que Camarate se tornou uma questão de fé, de conveniência, de posicionamento, de interesse. Tudo o resto não interessa. Este fenómeno, tipicamente indígena, não se resume a Camarate, naturalmente. As razões do 'Estado', tem razões que a razão mundana desconhece, e isso explica muito do 'estado' a que já se chegou.

Publicado por Manuel 22:18:00  

5 Comments:

  1. Anónimo said...
    Partilho das suas preocupações.
    Quase said...
    Concordo com o sentido deste post, acrescentando que a "fé" também existente nas magistraturas «indígenas» (e não tenho fé nenhuma nas suas capacidades de entrever o óbvio nos processos), no caso não terá sido o factor determinante para não levar ninguém a julgamento.
    Acrescento, repetindo o comentário, colocado no Anónimo de Coutinho Ribeiro:
    Embora sem ser intuitivo em termos de dizer crime sim ou não, penso que existem dados públicos que permitem considerar que não existiam indícios suficientes para levar quem quer que seja a julgamento (sem necessidade de ser crédulo). Acrescento que merecem ser lidas com a maior atenção as actas da última comissão parlamentar e o que as mesmas evidenciam, nomeadamente o peculiar estatuto de que gozou RSá Fernandes.
    Lembrava ainda que:
    O 1º despacho que se pronunciou pelo arquivamento foi do então PGR Arala Chaves (o PGR, que era conselheiro e foi escolhido como se sabe, com o pretendido escrutínio político, e não um qualquer procurador);
    Houve vários juízes de instrução que se pronunciaram: todos no mesmo sentido da falta de indícios.
    Houve assistentes com intervenção processual, que tiveram a possibilidade de lhe dar impulso e viram sempre ser recusadas pelos tribunais as suas alegações sobre a existência de indícios.
    A última decisão sobre a inexistência de indícios suficientes foi proferida em pelo Tribunal da Relação de Lisboa (acórdão proferido por unanimidade e relatado por uma desembargadora que até desempenhou vários cargos de confiança política por indicação do PSD).
    Já estou como o Manuel da Grande Loja, Camarate tornou-se uma questão de fé que retrata bem o estado civilizacional do nosso país.
    Também me parece que ao contrário do que se afirma este é um caso em que a justiça portuguesa funcionou bem (e pessoalmente sou cada vez mais crítico do sistema judicial e sua capacidade de funcionamento minimamente aceitável, apesar de trabalhar nele), pois seria tão mais fácil pegar num esteves ou num rodrigues qualquer... Espera-se da judicatura e do MP que o não façam!
    josé said...
    Pessoalmente estou convencido de que a investigação correu mal logo no início, a partir dos primeiros minutos e da responsabilidade de quem lá apareceu.
    Moita Flores sabe o que se passou, pois já o contou ( pelo menos a mim, escreveu a dizer isso mesmo, aqui há uns anos).
    O que ele disse é simples: estava de serviço na época e ouviu falar no caso. Quando chegaram as primeiras equipas, estava tudo em pantanas e não foram preservados como deveriam ter sido, alguns indícios.
    Não obstante, o que me parece fundamental ainda é outra coisa:
    O espírito geral de quem investigou à partida, estava condicionado pela tese oficial, afiançadas pelos mais ilustres e insuspeitos representantes do país, de que tinha sido acidente.
    Freitas do Amaral apareceu na tv, minutos após o desastre, a assegurar que não havia sinais de outra coisa que não acidente.
    O mote estava dado e quem investigou a partir daí, é natural que temesse ser apelidade de idiota, por não pressupor logo outra hipótese que não a de acidente, investigando tudo o que deveria ter sido logo investigado.
    Estas coisas pesam.
    É pena que não tivéssemos na altura um Sherlock Holmes ou um Guilherme de Baskerville( cópia daquele).Ou até um Watson.
    Tivemos em vez disso, muitos Moitas Flores e foi esse sempre o nosso drama.
    Pedro Soares de Albergaria said...
    Fala-se que agora vai ser criado um Procurador Especial à americana, que terá o pesado encargo de acusar, a mando do Parlamento, onde o MP ou o Juiz de Instrução arquivaram... A coisa está a ficar bonita.
    JusNavegante said...
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