assim e assado

Hoje, o Público vale cada tostão que custa. Pelo Editorial sóbrio, sensato e pertinente de José Manuel Fernandes, e - sobretudo - pelo artigo da Constança Cunha e Sá, sobre as irresponsabilidades do Dr. Lopes e... e as responsabilidades do Dr. Durão. Obviamente, dois textos para caírem em saco roto. [já escrevemos aquilo, e muito mais, por estas bandas para aí um milhão de vezes...]

Já ontem, tivemos o Dr. Lopes na RTP/1 e o Prof. Cavaco na SIC. O primeiro esteve igual a si próprio, o segundo já não sei. Confesso que ao contrário de outros que nele votaram não fiquei particularmente afligido com a linha de raciocínio presidencial, as coisas são o que são e a política é o que é - por estas bandas - fiquei foi genuinamente assustado foi por Cavaco parecer acreditar, genuinamente, naquilo que estava a dizer...

Antes já tínhamos tido o lançamento do livro do Dr. Lopes. Dou de barato que fora o umbiguismo do autor a esmagadora maioria do que lá está é verdade, como dou de barato que, fora isso, a maioria do que estava no livro do Dr. Carrilho também não andaria muito longe da verdade. A diferença jaz, caro JPH, não na alegada humildade do Dr. Lopes, por oposição à arrogância de Carrilho. A diferença está noutro campo, bem diferente - Lopes, ao contrário de Carrilho assume-se como parte de um sistema, e de um meio, pequeno e fechado, cujas regras conhece e cuja existência não contesta, sistema esse, palaciano e florentino, onde alguma imprensa tem importância fundamental. Ora, essa assunção não resulta de nenhuma particular humildade mas de uma forma hábil de desarmar quem por acção e omissão contribuiu para o circo. Já com Carrilho essa relação 'simbiótica' com a imprensa nunca existiu, daí ser visto por esta como um peixe fora da água, absolutamente descartável, por oposição a Lopes, que - como ontem se viu - garante sempre bons momentos e melhores caixas. De resto, fica-se com a certeza que - por estas bandas - a democracia é nominal. É tudo entre umas poucas dúzias, políticos, jornalistas, 'financeiros', e afins, que tudo se trata e tudo se joga, o resto meras formalidades.

Assim, e voltando ao tal editorial de José Manuel Fernandes seria bom que houvesse, finalmente, um debate a sério sobre o sistema eleitoral e a reforma do sistema político/administrativo. Por muitas entrevistas delicodoces que Cavaco venha a dar a verdade é que muitos dos problemas são endémicos da actual topologia do sistema... Infelizmente, parece-me, que se vai usar o argumento da 'estabilidade' para evitar que esse debate, ao menos o debate, ocorra. Ora, por muita boa vontade que haja, e às vezes há, outras vezes não há, há reformas que são pura e simplesmente impossíveis, com as coisas como estão. A balbúrdia à volta da lei das finanças locais e regionais é uma amostra, uma ínfima amostra disso.

Publicado por Manuel 14:14:00  

5 Comments:

  1. Arid Monk said...
    Oh meu caro, então se você dá "de barato que fora o umbiguismo do autor a esmagadora maioria do que lá está é verdade", devia agora ter a hombridade de conceder que exagerou há dois anos nas críticas que fez a PSL. Nomeadamente quando o acusou de estar por trás da (suposta) tentativa de calar o Prof. Martelo (e logo este...) na TVI.

    Não o ouvi na altura reconhecer que todo aquele folclore à volta da demissão do MRS foi um circo bem montado (a que não faltou nenhum dos ursos nem dos palhaços). Dizia você na altura que estava "contra uma tentativa hegemónica de eugenizar[sic] a opinião publicada em Portugal", como se aquela encenação toda fosse sinal dessa tal "tentativa"; concordava com os que chamaram ao episódio um "grosseiro ataque à liberdade de expressão". E nem falo da insinuação torpe (porque improvada e, como se veio a ver, totalmente descabida) de o Governo da altura ter chantageado a TVI para despedir o Marcelo (olha quem)...

    Diga lá então em que é que ficamos: A descrição deste episódio no livro do PSL faz parte da esmagadora "minoria" do que não é verdade, ou foi você que na altura decidiu também participar do "circo", penitenciando-se agora por isso, sem o querer confessar?
    Guida do Pino said...
    ou foi você que na altura decidiu também participar do "circo"

    E já agora, que acha da figura que fez, e que parece querer continuar, "urso" ou "palhaço"?
    Manuel said...
    Ai, ai Monk... falar de cor é tão fácil...

    É que por acaso antes de escrever o txt acima tive o cuidado de ler o que escrevi na altura e sabe que mais... os factos só vieram a confirmar o que na altura opinei.

    E depois não há rigorosamente contradição nenhuma. Quanto ao Marcelo - é público que não morro de amores pelo artista, e já o era à época mas nada do escrevi é - lamento - contraditado substantivamente pelo Dr. Lopes. A grande nuance é que para ele (DL) tudo era normal (quando feito pelos dele) e cabalístico quando no sentido inverso, sendo que a habilidade era in versamente proporcional à lingua... Quanto às pressões que alegadamente nunca foram feitas sugiro a leitura atenta de uma certa entrevista dada pelo... dr. Lopes nas vésperas das últimas legislativas ao JN. Para quem souber ler está lá tudo.

    E não, não me arrependo de ter ajudado a por fim ao circo! Os que lá estão agora até podem não ser muito melhores mas pelo menos não passo a vergonha de ter de reconhecer que são da minha área política. E sim, eu sei que teria sido mais fácil fazer como o Toninho Xavier e o Pacheco fizeram, no último flashback (na sic/n - vide DN do dia seguinte), até você... Lamento mas não sou cínico nem hipócrita, muito menos a esse ponto.

    As coisas são o que são.
    Manuel said...
    Em relação ao comentário da Sr.a D.a Guida do Pino não me compete a mim assertar da figura que fiz/faço ou não... Certo é que de Santanette não foi de certeza. Q.E.D.
    Arid Monk said...
    Ah! Ah! Ah! Você às vezes é tão testudo na argumentação como aquele gajo do Blasfémias. Devia era evitar "espingardar" para todo o lado que "só falam de cor" cada vez que discordam de si. Como técnica argumentativa não adianta muito e você é capaz de fazer bem melhor. Por outro lado, ir agora buscar o que se disse no JN ou ao ouvido da mulher da hortaliça cheira a "desconversação", não acha?

    Sem que estejamos em grande desacordo quanto a tudo o resto, parece que esta resposta confirma que você ajudou àquele foguetório todo, em que se falou de "chantagem", de "liberdade de expressão" e até o "Dr. Cavaco" (posso chamar-lhe "DC"?) se mostrou preocupado, mas fê-lo por uma boa causa...

    "Não deixe que a verdade estrague uma boa história"

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