Faltam 4 dias (LXIV): McCain tenta um milagre, Obama antecipa-se a ataques de última hora

MCCAIN NA ABC:


OBAMA EM DES MOINES, IOWA

Publicado por André 20:08:00 1 comentários Links para este post  



O imprescindível recurso

Do Sol:

O Ministério Público sustenta que não houve «acto temerário ou erro grosseiro» do juiz Rui Teixeira quando prendeu Paulo Pedroso, e considera «exorbitante» a indemnização atribuida ao deputado socialista.

A pressa de Paulo P. , em assumir lugar de destaque no panorama político e mediático, foi tanta que até já tem um banco corrido, onde senta correligionários e amigos de tendências do costume. Escreve, em roda livre, sobre coligações espúrias que o próprio partido enjeita, para se dar uma ar de voz audível no panorama político.
Alguns, acham-no imprescindível na política, como se esta fosse uma actividade de benemerência e ninguém pudesse ser afastado por ferrete algum, a não ser o de cuspir na sopa do chefe.
No Domingo, a Pública, já anunciou uma entrevista de fundo, com o regressado político que assim vê a sua imagem progredir na senda do futuro radioso da arena política.
O próprio MP que recorre da decisão e suspende os efeitos da sentença redentora, escreve nas alegações que «o seu futuro profissional na política se normalizou e se orientará agora sempre em sentido ascendente»(!!).
Tudo isto, parte de uma base e de um único facto relevante, como foi dado a conhecer logo que a decisão sobre o processo civil, foi conhecido: a condenação do Estado ao pagamento da indemnização, com regras e termos do processo civil.
Essa condenação do Estado, foi tomada pela generalidade dos apaniguados e correligionários, como a redenção última e o atestado indiscutível de ilibação completa e definitiva, sobre o assunto famigerado que teve origem cabalística, sob a forma de urdidura.
Assim, vendo este assunto como sendo de exclusiva relevância política, acolheram a decisão agora contestada e ainda não transitada nem definitiva, como o lamiré para a entrada auspiciosa, novamente, na senda política. A prudência destas pessoas, é proporcional à sua coerência política.
Como assim é, pergunta-se, como aliás outros já perguntaram:
Como é que vai ser, se o destino do processo, for invertido e o tribunal superior der razão ao MP e ao Estado?
Vai Paulo P. sair da cena política, pela esquerda baixa, para sempre, como aliás deveria, desde o início?

Publicado por josé 12:09:00 2 comentários Links para este post  



As regras da sensatez

Na Quadratura do Círculo discutiu-se há bocado, o assunto dos jornalistas-assessores de governos que se prestam ao trabalho que neste momento é apanágio da dupla Luís & Bernardo, inc.
Tanto Lobo Xavier como Pacheco Pereira, concordam no aspecto promíscuo e de falta de isenção desse tipo de jornalismo assessorial, criticando-o acerbamente. Pacheco Pereira até acha que a promiscuidade em Portugal é um assunto sério e preocupante, porque somos um pais pequeno e de escassez de lugares e bens, lançando uma nuvem de suspeita sobre os jornalistas -assessores que nem se sabem bem quem são...

A propósito deste assunto, nas revista Marianne da semana passada, um dos cronistas convidados, Edwy Plenel, da www.mediapart.fr, trata o caso do Nobel, a Paul Krugman, precisamente focado na presidência Bush, que Krugman sempre criticou.
Krugman, num livro intitulado A América derrapa, menciona o poder revolucionário que atribui a Bush, no sentido de ser detentor de um poder que mina a democracia pelo interior, porque está determinado a alterar-lhe as regras, em função de uma crença na virtude da justiça e do bem, encarnados nele próprio.
Plenel que foi director do Le Monde, cita cinco regras, apontadas por Krugman, para os jornalistas seguirem sempre, na relação dos media com o poder político, particularmente nesse caso que considera como um poder revolucionário, mesmo com um exagero semiótico:


1. Não julgar as propostas políticas em função dos objectivos proclamados.
2. Pôr as meninges a funcionar, para descobrir as verdadeiras intenções.
3. Não imaginar ou supor que as regras do jogo, são aquelas a que já estão habituados e são conhecidas.
4. Esperar que um poder revolucionário reaja à crítica pelo ataque.
5. Não imaginar que há limites ao que um poder revolucionário pode fazer.

Mutatis mutandis, é exactamente este o problema que temos actualmente, com este primeiro-ministro, Sócrates. Não são poucos a nomeá-lo, mas muito poucos o reconhecem verdadeiramente.
E no entanto, o paralelo, é flagrante: igorância, arrogância e poder executivo sem grandes freios., acompanhado de um convencimento obstinado em soluções criticadas. Estão aí, todos os sinais. Basta vê-los. Em França, Plenel, aponta directamente ao presidente bling bling, Sarkozy.

Aqui, não é preciso muito. O indivíduo que nos representa como primeiro-ministro, acaba de afirmar numa conferência no estrangeiro, em San Salvador que o pequeno computador Magalhães, é usado por todos os seus assessores que aliás nem precisam de outro. E que o aparelho é como o Tintin: destina-se aos jovens dos 7 aos 77.
O que diria Krugman, disto?

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Faltam 5 dias (LXIII): o anúncio milionário de Obama e a resistência de McCain

O ANÚNCIO DE MEIA HORA NO HORÁRIO NOBRE DAS TELEVISÕES AMERICANAS QUE CUSTOU A OBAMA 4 MILHÕES DE DÓLARES:


O CASAL MCCAIN AINDA ACREDITA NA RECUPERAÇÃO E NÃO DESISTE:

Publicado por André 13:21:00 2 comentários Links para este post  



As bandeiras da Esquerda

Quem ouviu, ontem, nas tv´s, o padre Amadeu Pinto, jesuita que dirige o Colégio S. João de Brito, considerado como a melhor escola portuguesa, nos rankings publicados, fica algo perplexo. A linguagem é simples, chã, perfeitamente acessível ao mais inculto. A explicação do sucesso nada tem de excepcional, a não ser a frequência de favorecidos pela sorte económica, como se pode ler, aqui:

Projectos educativos bem elaborados, reforço da carga curricular e frequência de alunos das classes dominantes. Estas são algumas das razões apontadas por especialistas para explicar o predomínio do ensino privado no topo dos rankings."As escolas privadas têm dono que sabe muito bem cuidar da sua casa". É desta forma simples que o padre Amadeu Pinto, director do Colégio S. João de Brito, em Lisboa, tenta explicar a razão por que os colégios ocupam a maioria dos lugares de topo do ranking das escolas secundárias.Amadeu Pinto é de opinião que o sucesso das escolas privadas está no projecto educativo. "Nas escolas oficiais, esse projecto não passa de um proforma", referiu, para destacar, ainda, a estabilidade do corpo docente como também uma mais-valia dos colégios. Por outro lado, Amadeu Pinto critica o "facilitismo" que existe nas escolas de ensino oficial. "As crianças têm necessidade que se puxe por elas e não que se lhes facilite cada vez mais a vida", realçou.O director do Colégio S. João de Brito sabe que só frequenta a instuição quem pode pagar os 460 euros de mensalidade mensal no Ensino Secundário. Em troca disso, salientou AmadeuPinto, os alunos beneficiam de um projecto educativo credível, que tem por detrás a Companhia de Jesus, um corpo docente estável ("dos nossos 120 professores, apenas dois mudaram"), aulas de apoio e salas bem equipadas.

Depois disto, deste sucesso educativo, torna-se cómico, embora de triste tragicomicidade, ouvir o Secretário Valter Lemos. Segundo o JN, disse que para o ano, o sucesso tem que ser mais moderado...
Pudera! Tanto sucesso, até ofusca as estatísticas.

Por outro lado, como reflexo deste Estado de coisas, temos o guerreiro da causa de sempre a apontar, sempre que lhe convém, os indícios de que temos um Governo de Esquerda, destacando benefícios sociais pífios e de alcance mitigado, como provas seguras da canhotice pegada.
Infelizmente, estes rankings desmentem-no no aspecto importante da democratização do ensino, mostrando escancaradamente o falhanço do ensino público, no caminho da excelência. E deitam pelo cano, o esforço de milhões com a "paixão pela Educação", porque demonstram à sacieade o falhanço, o embuste e o equívoco dessa paixão assolapada a mitos.
Como o desmentem, de modo rotundo e insofismável, as estatísticas que nos colocam como um dos países em que o fosso entre ricos e pobres, é maior e sem perspectivas de melhoria porque em vez de diminuir, tem aumentado. Com estas políticas sociais, de Esquerda putativa.
Se isto foi conseguido pela Esquerda putativa, que venha qualquer Direita hipotética, que a diferença só pode ser para melhor...

Publicado por josé 11:29:00 4 comentários Links para este post  



A fábrica de milagres

Numa visita à Sala dos Professores, fica a saber-se que há resultados históricos, no ranking das escolas, deste ano.

Das 609 escolas que o jornal DN listou, 82,4 % chegou aos 9,5 valores, contra 66%, o ano passado.

E parece que nem é surpresa por aí além, tendo em conta que na Matemática, os resultados foram mais espectaculares: a taxa de reprovações, passou de 14% do ano anterior, para metade, neste ano corrente.
Só a pior disciplina do lote, Fisica e Química, atinge ainda a preocupante taxa de 22% de reprovações, mas os progressos ainda assim, são encorajadores.

O Ministério da Educação está assim, de parabéns, e esta Ministra, Lurdes Rodrigues, merece todos os encómios, como generalizadamente é entendido, por quase todos os comentadores nos media que lhe atribuem o mérito inegável e o contributo impagável , desta maravilha dos tempos modernos.

E o segredo deste sucesso estrondoso, estonteante e miraculoso, afinal reside numa receita bem simples e dada pelo Ministério da Educação: trabalho. Sim, trabalho. Principalmente, nas escolas privadas. Na lista das dez melhores escolas, não há uma única pública. E trabalho estatístico aturado e paciente.

Quanto a este milagre educativo, porém, Nuno Crato, um desmancha-prazeres notório, está neste momento a dizer na Sic-Notícias, que não é possível , em dois anos, haver um incremento de seis valores do ranking geral da disciplina de Matemática. É impossível, diz o presidente da Associação de Matemática.

E no entanto, mesmo perante esta impossibilidade, na sala de professores ainda se dá o lugar ao benefício da dúvida ao Ministério milagreiro. Desvalorizam-se as acusações generalizadas de facilitismo e atribui-se ao Ministério, esse benefício, negado noutros lados. Em muitos lados, afinal.

Por isso, alguém anda a enganar as pessoas. Entre o Ministério e os comentadores que o denigrem, alguma verdade terá de passar.
Uma coisa é certa: o milagre educativo, está aí em todo o esplendor e a ministra não o enjeita, porque o fabricou, de algum modo. Resta saber qual.

Publicado por josé 22:55:00 6 comentários Links para este post  



Faltam 6 dias (LXII): Obama 9 pontos à frente

BARÓMETRO DIÁRIO GALLUP:
-- Barack Obama 51
-- John McCain 42

COLÉGIO ELEITORAL:
-- Vantagem Obama 311
-- Vantagem McCain 142
-- Em aberto 85

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O esclarecedor

Segundo o Público de hoje, ( pág. 5), "Sócrates telefonou ao director do Diário Económico para esclarecer notícia sobre financiamento de partidos".

Segundo gabinete de imprensa de Sócrates, a dupla dinâmica, Luís & Bernardo inc. ( de incompet...glup, de inconveni..., glup glup, de incongruentes, assim é que é), informou o Público que sua Excelência, o Primeiro-Ministro de Portugal, se dignou esclarecer o jornal Diário Económico, por causa de uma incorrecção noticiosa. E não, nunca, jamais em tempo algum, para desmentir notícias.

Portanto, o telefonema, ao director do Diário Económico, foi apenas com uma intenção caridosa, manifesta, de esclarecimento. De quem? Pois, parece que afinal teria sido do próprio...Sócrates: "Fê-lo para esclarecer e no final até deu razão" ao director do jornal. Ou seja, em português que todos entendem: ia à lã e acabou tosquiado.

O jornal, tinha descoberto uma alteração capciosa e manhosa no Orçamento, à Lei de Financiamento partidário. As más línguas habituais, boateiros profissionais e outros eventuais da calúnia e delação difamatória da honra de um primeiro-ministro, atiraram a matar, mais uma vez, à seriedade de sua Excelência e su governo.
Vai daí, telefonema em marcha, directo ao director do Diário que o manchava na manchete.

O caso merecia atenção particular do PM, enfática até, por causa do pormenor orçamental que o PM achava despiciendo e tentou numa primeira abordagem passar como tal. Afinal, teve de inflectir direcção, desculpar-se, amochar, retrair-se e remendar o diploma mais importante do ano. A vergonha, nisto tudo?
A desfaçatez de se entender liberto de constrangimentos seja de que espécie for, para telefonar ao director de um dos poderes fácticos ( a imprensa), a fim de lhe puxar as orelhas, sob o eufemismo bacoco, do "esclarecimento".
Um Primeiro-Ministro que se preze, esclarece esses assuntos no lugar próprio, na sede própria e quando muito através dos seus assessores de imprensa. E nunca com conversetas que ficam reservadas e anódinas, a não ser que suscitem a anedota, como é o caso.

Paulo Rangel, o líder parlamentar do PSD, segundo o Público, acha o telefonema, um despautério, sendo até "inaceitável e inadmissível, numa democracia", este comportamento reiterado, porque o é.

Depois do caso triste com o director do Público, a propósito da ERC, o mesmo Sócrates, deu-se conta de uma investida televisiva no programa humorístico, dos Sábados à noite , na SIC-Notícias, com nome de Eixo do mal. Uma das participantes, Clara Ferreira Alves, deu conta pública que o mesmo PM lhe telefonou a esclarecer, mais uma vez, sobre coisas que não disse ao director do Público, e tinham sido repetidas no Eixo do Mal, com uma violência tal que até parecia um blog de boateiros maledicentes.

E assim o PM se deu à canseira de esclarecer a maga axiológica, desmentindo-a, com o sucesso relativo de nos tomar a todos como parvos e mentecaptos suficientes para entender a conversa com José Manuel Fernandes, como apenas e mais um "esclarecimento".

Um dia destes, telefona a um blog qualquer, para dar esclarecimentos ao blogueiro perplexo. Aliás, já fez pior do que isso: processou um blog - é verdade!- , por causa de uma pretensa calúnia...

Triste. Muito triste e é isto que vamos tendo na chefia de um Governo que se apresta a reganhar voto popular, porventura com maioria confortável, por falta de comparência de adversário à altura.
Revertendo para o lado mais patético, o que isto acaba por denotar é a profunda solidão deste PM que se acha pessoalmente incomodado com este tipo de notícias, ao ponto de achar necessário o telefonema pessoal, directo, ao autor da notícia, ou responsável por ela.
Em vez de suscitar a indignação, acaba por trazer pena. E não falo com ironia.

Portugal, de que é que estás à espera?

Publicado por josé 19:13:00 7 comentários Links para este post  



A independência dos juízes

Mário Varges Gomes, juiz desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa, acaba de ser indigitado para Inspector-geral da Administração Interna. O IGAI, ocupado ( bem) por Maximiano Rodrigues, entretanto falecido e marido de Cândida de Almeida, directora do DCIAP. Agora sucessor de outro desembargador, Clemente Lima.

Traço comum a estes altos funcionários que foram e são magistrados? Uma ligação óbvia ao poder político, por motivos ideológicos ou simplesmente clubísticos, de amizades chegadas e objectivamente promíscuas.
Basta ler os comentários na noticia do Publico, anónimos e de má língua, cobardes, como os imprescindíveis gostam de caracterialmente assassinar , para perceber algo de gravidade indiscutível: Varges Gomes é de clube secreto? Aparentado? Próximo? Mesmo que o não seja, onde reside a sua reserva essencial de independência no acto de julgar , exigível como mínimo imprescindível a essa função nobre, tendo em vista tantas ligações, objectivas e indiscutívieis , ao poder político?

Varges Gomes, foi o desembargador-relator do acórdão que sufragou a decisão de não pronúncia, relativamente a Paulo P., [ corrigenda: não foi assim. Varges Gomes, chegou apenas a estar designado para esse processo, mas não interveio nele como juiz, porque entretanto funcionou um incidente de escusa que o afastou. ] numa decisão acompanhada por Mário Morgado, outro juiz que foi director nacional da PSP [ e antes, de 1991 a 1995, director-geral, dos serviços judiciários] um cargo de confiança política.

Quanto a Mário Varges Gomes, importa recolocar a polémica em torno do seu perfil, aquando da célebre decisão sobre o processo de Paulo P.

No blog Incursões, nessa época escrevia-se, citando o blog Do Portugal Profundo( que tratou este assunto de forma mais ampla, pertinente e profunda):

O desembargador Varges Gomes foi membro-fundador e presidente do conselho fiscal da FPS - Fundação para a Prevenção e Segurança, desde a sua constituição em 1999 até à sua extinção em 2001, criada pelo secretário de Estado, e depois Ministro da Juventude e Desporto, Armando Vara. Esta Fundação PS foi objecto, em Junho de 2001 de um relatório de auditoria do Tribunal de Contas, de um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República em Janeiro de 2001 e, ainda, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia da República (na qual foi ouvida a Inspecção-Geral da Administração Interna em Maio de 2001). O juiz desembargador Mário Manuel Varges Gomes é casado com a vice-presidente socialista da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Maria Gomes, que é também presidente da Comissão Política Concelhia do PS/Portimão e apoiante de José Sócrates.

Nessa altura, a comentadora Kamikaze, nesse blog Incursões, acresentou um comentário no referido blog, da minha autoria e que escrevi aqui, com este teor:

(...) "A segurança jurídica e a sua previsibilidade, como valores importantes das leis, para que não se esteja sempre em dúvida quanto ao desfecho dos litígios, em Portugal, é cada vez mais uma miragem. À medida que se consolida o sentimento comum de que a cada cabeça corresponde uma sentença, o que é da sabedoria popular aplicada a .
A coisa fica pior se as sentenças vem sarapintadas de ideologia, mesmo daquela rasteira e que se cola às preferências político-partidárias.

Este sentimento cada vez assume maior importância na minha hermenêutica particular. Explicando: a cada decisão polémica, actualmente, tendo a perguntar quem a proferiu; de onde veio e para onde quer ir.
Não gosto disto
." (...)


Continuo a não gostar disto, passados mais de quatro anos, porque "isto" está muito pior e a pouca-vergonha, já desapareceu de todo.

Por outro lado, nessa altura, lembrei-me de citar um acórdão do tribunal Constitucional sobre a independência dos juízes, a sua isenção e o sentido do dever de escusa, sempre que esteja em causa matéria em que não sintam que podem ser independentes e imparciais, como lhe ordena a constituição e a consciência. Assim:

O pedido de recusa do juiz deve ser deferido quando a sua intervenção “correr o risco de ser considerada suspeita por existir motivo sério e grave, adequado a gerar desconfiança sobre a sua imparcialidade” – art. 43º, 1 do Cód. Proc. Penal.
Como sublinhou o Tribunal Constitucional Tribunal Constitucional, relativamente à interpretação do art. 40º do Cód. Proc. Penal: “A imparcialidade do juiz pode ser vista de dois modos, numa aproximação subjectiva ou objectiva. Na perspectiva subjectiva, importa conhecer o que o juiz pensava no seu foro íntimo em determinada circunstância; esta imparcialidade presume-se até prova em contrário. Mas esta garantia é insuficiente; necessita-se de uma imparcialidade objectiva que dissipe todas as dúvidas ou reservas, porquanto mesmo as aparências podem ter importância de acordo com o adágio do direito inglês justice must not only be done; it must also be seen to be done. Deve ser recusado todo o juiz de quem se possa temer uma falta de imparcialidade, para preservar a confiança que, numa sociedade democrática, os tribunais devem oferecer aos cidadãos.” – Acórdão do Tribunal Constitucional nº. 935/96, citado no Acórdão nº 186/98 (TC), DR nº 67/98 SÉRIE I-A, de 20 de Março de 1998."

Em suma: à mulher de César, não basta ser. Tem de parecer. Em Portugal, este ditado não tem qualquer valor ou sentido.
Talvez seja tempo de reequacionar estas discussões. Em nome da verdadeira independência dos tribunais. E da garantia de isenção e imparcialidade.

Publicado por josé 13:55:00 3 comentários Links para este post  



Cunha Rodrigues, oito anos depois

Cunha Rodrigues, antigo PGR, saído em desgraça e corrido por uma onda de má imprensa, faz agora oito anos, regressou à ribalta da informação de relevo.
Em Coimbra, hoje, no aniversário do tribunal da Relação, pronunciou-se sobre o nosso sistema judiciário de que é um dos fundadores e arquitectos. E que disse Cunha Rodrigues?

Depende. Segundo a TSF disse mal dos magistrados, juízes, mesmo do Supremo. São uns individualistas que não conhecem outra regra que não o formalismo mais arreigado.

Segundo a Lusa, citada pelo JN, foi mais comedido e abrangente nas críticas. Espalhou a todo o sistema social e educativo os males da Justiça e deste mundo português, poupando os juizes.
Foi um discurso redondo e circular, nesta redundância costumeira, no dizer habitual de Cunha Rodrigues.
Assim:

Coimbra, 28 Out (Lusa) - O antigo Procurador-Geral da República (PGR) Cunha Rodrigues defendeu hoje, em Coimbra, que deve ser "restaurada a autoridade dos tribunais", contrariando uma alegada "erosão" mediática do seu papel na sociedade.

"Os media encarregam-se de fazer manchetes que atestam que a situação da Justiça vai de mal a pior", afirmou Cunha Rodrigues.

Na sua opinião, por exemplo, as agressões a magistrados em Portugal durante julgamentos demonstram, como "primeira prioridade", que importa "restaurar a autoridade dos tribunais".

"É urgente um programa nacional de educação para o direito, que já não pode limitar-se às escolas", sendo necessário que comece logo na infância, "no leite materno", como afirmou o conselheiro Cunha Rodrigues.

Neste domínio, acrescentou, caberá à Assembleia da República um papel determinante para fazer avançar essa iniciativa.

(...)

"A educação para o direito é um desígnio nacional que compete ao Estado no seu conjunto", disse.

Cunha Rodrigues preconizou, por outro lado, que "se impõe revisitar a Justiça como fim" e que "a formação permanente dos magistrados é geradora de mudança" no sector.

"A preparação dos magistrados portugueses é excelente, quando comparada com outros países", referiu, para defender que "é importante, então, a atitude".

O julgador deve possuir, em seu entender, "uma compreensão forte do mundo".

Cunha Rodrigues admitiu que a especialização na área da Justiça, "hoje incontornável", acaba por "desintegrar a capacidade intelectual" dos seus agentes.

"O especialista tem que continuar ligado à vida real, particularmente o magistrado", sublinhou o juiz do TJCE.

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Faltam 7 dias (LXI): alegações finais

OBAMA PEDE UM ESFORÇO FINAL


MCCAIN ACUSA OBAMA DE QUERER «REDISTRIBUIR A RIQUEZA»

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As mulas da cooperativa

Ainda sobre o Jumento que se alimenta a fardos cor de rosa, torna-se interessante a consulta aos fardos empilhados de há uns meses a esta parte. Não variam de cor e acentuam a tonalidade, sempre em momentos de crise do dono.

Um Jumento assim, já ganhou o merecimento do alimento a pão de ló, pelos restantes membros da cooperativa.
Daí os aplausos, de toda uma câmara corporativa dos blogs da situação.

Para ver o cúmulo da hipocrisia, dos que nada se incomodaram com outras perseguições do poder a alguns blogs ( poucos, muito poucos e todos ignorados pela cooperativa), apanhem-se alguns fardos ao acaso da monda, nos palheiros das mulas.

E neste, por exemplo, todos os que acompanharam o êxito processual, mesmo temporário, de um dos elementos mais notórios da cooperativa e que se farta de apelidar os anónimos dos blogs, como cobardes sem nome, mas apenas quando o incomodam.
E para dar todo o recorte literário ao coro de protestos, um fardo dos melhores e que resume todo o problema do palheiro da cooperativa. Onde se nota a elevada consideração pessoal que lhe merecem supostos superiores hierárquicos. Que naturalmente não passam de uns salafrários, por quererem saber quem assim os trata, com tão desmesurado desvelo, em sereno anonimato.
Como é evidente, nenhum dos frequentadores da Tomazolândia, amigos pessoais do ambicioso e putativo dirigente fiscal, ignorantes e incompetentes, todos de direita ainda por cima -que horror!- e da confiança de um suspeito advogado, nenhum deles, dizia, tem o direito de se sentir ofendido. A cooperativa não admite.

Tudo leva a crer que com a saída de Paulo Macedo a DGCI se transforme numa Tomazolância, onde uma boa parte dos dirigentes são amigos pessoais daquele que vai ser o verdadeiro director-geral, alguém que durante muitos anos ambicionou o cargo. Tanto quanto se sabe o dr. Macedo vai permanecer no cargo até ao fim do ano, altura em que virá de Bruxelas um outro amigo, o dr. Mário Alexandre, de quem não se conhece maior experiência de chefia para além de, eventualmente, dar
instruções à empregada doméstica.
Quem poderia imaginar que com a vitória do PS o PSD consolidasse o seu bastião do fisco, onde nem com Manuela Ferreira Leite conseguiu ter tantas posições. Até parece que o dr. Valdez estava a adivinhar e escolheu os homens do PSD mais próximos do secretário de Estado dos Assuntos Ficais. A verdade é que se há governos de direita e governos de Eesquerda, no fisco não há nem uma coisa nem outra, no fisco mandam os AAT, os amigos do Amaral Tomaz, que para mal dos nossos pecados são de competência duvidosa e quase todos da direita e uma boa parte deles homens da confiança de Vasco Valdez, um bem sucedido advogado da área fiscal.

Publicado por josé 12:32:00 0 comentários Links para este post  



A jumenta

O Jumento, já descobriu quem andou a tentar pôr-lhe a corda. Encheu-se de brios e escreveu assim, um postal, bem seguro pelas orelhas da coragem de mais uma cabala:

Para usar uma expressão que aprendi na infância vou aqui "chamar os coiros pelos nomes", isto é, identificar as personagens envolvidas na investigação promovida pelo dr. Macedo das missas de acção de graças para identificar o ou os auores d'O Jumento:
  • Dr. Paulo Macedo: homem da Opus Dei e do BCP ligado ao capital mais conservador deste banco foi nomeado director-geral dos impostos pela dra. Manuela Ferreira Leite, ministra das Finanças do PSD.
  • Dr. Marcelino: director de finanças de Lisboa, ex-chefe de gabinete de Dias Loureiro, de quem é próximo. Foi nomeado para o cargo por Manuela Ferreira Leite e reconduzido já com o actual Governo pela mão de Amaral Tomás.
  • Dr. Amaral Tomás: ex-secretário de estado dos Assuntos Fiscais do actual Governo, exercia as funções de assessor do ministro da Agricultura de Santana Lopes (e actual líder do PSD Açores), cargo que abandonou para ir ao baptismo das Novas Fronteiras.
  • Dr. José Maria Leite Martins: ex-chefe de gabinete de Durão Barroso.

Quem diria que o Governo é do PS? Todos os envolvidos neste triste processo apadrinhado por Teixiera dos Santos é gente do PSD, alguns são mesmo daquilo que de pior tem o PSD.


Como já escrevi antes, o Jumento, sabe muito bem de onde sopra o vento e quem lhe dá a palha. E percebe bem que está de feição a estas pequenas bravatas, com fardos cor de rosa.

O mais interessante, porém, é o anonimato da máscara, com o cortejo de laudas à coragem de esconder o nome.

Aqueles que vituperam anónimos, pseudónimos e outros fenómenos, agora batem-lhe palmas pela atitude. Grandes hipócritas.

Publicado por josé 00:24:00 3 comentários Links para este post  



Faltam 8 dias (LX): começou o «sprint» final

OBAMA INSISTE NA ECONOMIA E CRITICA A TÁCTICA DO ADVERSÁRIO:


MCCAIN AVISA QUE A CORRIDA AINDA PODE MUDAR:

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Vozes de burro

O blog do Jumento foi investigado pela PJ e pelo DIAP, em 2005 e 2006. Motivo, segundo o Público que dá a notícia? Difamação, através de textos publicados. Queixoso? O antigo director-geral de Impostos, Paulo Macedo, antes e agora funcionário bancário, de topo de administração.

A difamação de um indivíduo, é um crime particular que exige a constituição como assistente e a difamação de uma entidade colectiva, como também seria o caso, exige pelo menos a queixa. O que aconteceu.
A PJ pediu aos americanos ajuda na identificação do difamador blogueiro, o dito Jumento. Os americanos, mandaram-na dar uma volta ao bilhar grande da cooperação judiciária internacional e o DIAP, depois de ter lido algumas passagens do estábulo, remexeu em pouca palha e arquivou o processo, por nada lhe ter encontrado de difamatório ou malcheiroso.
Prevaleceu um bom senso que faltou ao director-geral.

No meio disto tudo, o que releva , porém, também é pouca coisa
Em primeiro lugar, a extrema sensibilidade de um director-geral, a um blog anónimo que assina como Jumento. Paulo Macedo, não deu conta do velho ditado das vozes de burro…
Depois, o próprio burro em si, traz a marca de origem, com brinco na orelha.
À falta de melhor e porque os arquivos anteriores a Agosto de 2006, estão alojados algures, ainda é possível ler textos como este, de relevo situacionista, bem demarcado e garantia de futura tranquilidade, num palheiro simpático e cómodo:

Parece que foi há séculos que este país viveu um PRCP, o Processo Revolucionário da Casa Pia, que permitiu a um governo incompetente viver quase sem oposição, remetendo o maior partido da oposição à quase destruição com todos os seus dirigentes a interrogar-se se alguma vez tinham passado pelo Parque Eduardo VII, a caminho do El Corte Inglês, com receio de alguma criança inocente os poder reconhecer nalgum dossier de fotos de imprensa.
Lançou-se a confusão, foi imposto o medo e o silêncio, os procuradores pareciam ter mais legitimidade que o Presidente da República, o Paulo Portas era o maior, o Bagão Félix ia a toas as cerimónias da Casa Pia, o Ferro Rodrigues era conhecido em todos os jardins de infância de Lisboa, os investigadores da PJ tinham mais força que o Silva Pais, todos eram escutados, os jornais transferiram as redacções para a PGR, era um verdadeiro regabofe de acusações e suspeitas.
Agora fez-se silêncio, a vítima mais conhecida, vítima de assédio, deixou de liderar manifestações, a procuradora das criancinhas deixou de ser adjunta dos telejornais, o PGR desapareceu e nem do famoso envelope dá notícias, a dona Catalina deixou de ser a avozinha protectora de todas as criancinhas abandonadas da Nação dos pedófilos, o José Barroso foi para Bruxelas, o Paulo Portas faz a vida num inferno ao Ribeiro e Castro, e os eleitos para o papel de boi da piranha arrastam-se num processo judicial que não terá fim. Das muitas crianças abusadas por desconhecidos ou pelos seus próprios colegas (sem que os directores das escolas o soubesse…) e que não tiveram direito a indemnizações ou não poderão ganhar nada à conta dos arguidos nada se sabe.
Mais alguns anos e as escutas e processos serão queimados e este país deitará para o lixo das suas memórias uma história que o pôs de pernas para o ar, que suspendeu a normalidade da democracia, que difamou políticos e que mudou o curso da nossa própria história, os portugueses não vão ficar a conhecer nem os pedófilos nem os que se aproveitaram deste para interferir na história do país.
Caso para dizer: quem escreve assim, não é Jumento. É burro de carga, de um fardo alheio, para alijar.
E por isso, sabe perfeitamente de onde sopra o vento e de onde lhe vem a palha.

Publicado por josé 11:45:00 1 comentários Links para este post  



noves fora nada

A propósito do 'envelope 9', ainda se lembram?, correram rios e rios de tinta, quiseram correr com um Procurador Geral, e dinamitar o que resta do Processo Casa Pia. Obviamente nada se provou, porque - até um ceguinho topava - não havia nada para provar. Mas o barulho, o 'buzz', - as comissões parlamentares, convinham, como de facto convieram.

Hoje sabe-se que do seio daqueles 'republicanos' que mais barulho fizeram sairam afinal os que deram a ordem para vasculhar 'milhares de mensagens de e-mail de centenas de funcionários dos impostos' e ler 'o conteúdo de muitas dessas mensagens' (sic). Obviamente que num país normal, a confirmarem-se os factos, haveria uma série de titulares de certos e determinados cargos que deixariam imediatamente o lugar...

Obviamente, que num país em que em nome das aparências, um Presidente aprova leis com as quais genuinamene não concorda, tudo pode acontecer... Afinal, em tempos de 'crise' a estabilidade é um valor absoluto, já que os princípios, esses, dependem sempre dos fins...

Quem vier a seguir que apague a luz...

Publicado por Manuel 22:32:00 2 comentários Links para este post  



Burrices

Do Público:


Estes dados fazem parte de um processo aberto no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa que o PÚBLICO consultou e que teve origem numa queixa feita à Polícia Judiciária pelo anterior director-geral dos Impostos, Paulo Macedo, em Outubro de 2005. O anterior responsável da máquina fiscal denunciou um conjunto de situações que, segundo ele, indiciavam fugas de informação por parte dos funcionários que, dessa forma, violavam o dever de sigilo a que estão sujeitos.

No âmbito das investigações, foram ainda detectadas várias situações anómalas dentro da Direcção-geral dos Impostos (DGCI), como o desaparecimento de documentos ou a existência de programas para decifrar as password dos funcionários. O DIAP tentou ainda saber quem é o autor, ou os autores, do Jumento, um blogue que se dedica, essencialmente, a escrever sobre situações passadas na DGCI.


Parecer, despacho e endereço , desta Loja, ao Jumento:

Albarda-te.

Publicado por josé 20:42:00 0 comentários Links para este post  



Pires Cardoso e José

Como é que se pode comemorar uma efeméride, acerca de uma figura das letras? Por exemplo assim:

A minha avó era uma leitora sui generis. E uma contadora de histórias absolutamente abracadabrante. Capaz de tudo por um final feliz, um final como os que outrora uma escrava lhe contava. Uma escrava comprada para entreter a menina acabada de nascer. Uma escrava dirão? Sim, uma escrava ou algo igual e da mesma substância. As leis generosas e anti-esclavagistas só funcionavam em escassos sítios do Império e seguramente não funcionavam nesse Sul de Angola povoado por tchicoronhos (madeirenses), boers audaciosos e portugueses fugidos do Brasil onde um nacionalismo recente e exaltado não aceitava os portugueses que não adquiriam a nacionalidade brasileira.
A avó, além de contadora de histórias, tinha um fraco por pôr alcunhas. Era mesmo mortífera nesse exercício. Ainda me lembro de um desinfeliz a quem ela apodou de “batata rim”. A criatura nascera para aquele nome!
As escolhas literárias da avó, já o disse, eram inesperadas. Gostava do Ruben A (nos anos 60!...) e de um autor que nos deixava ( a mim e ao meu irmão) perplexos: Pires Cardoso. É que não conhecíamos ninguém com esse nome. O mistério durou algum tempo. Mais propriamente até ao dia em que ela exasperada pela nossa ignorância nos deixou um título: “O anjo ancorado”.
Mas é o Cardoso Pires, bradámos! Ou isso, respondeu a Avó que se tinha apoderado de uma “Retirada dos 10.000” na versão de Aquilino Ribeiro que me tinha sido oferecido por uma namoradinha chamada Judite. E continuou a ler.
Felizmente não conhecia Shakespeare, pelo menos em versão erudita, senão ainda nos tinha atirado com “o que é “um nome?” do Romeu e Julieta, para nos provar que a sua distracção quanto a identificações era uma mera formalidade dispensável entre pessoas de bem.
Lembrei-me de tudo isto ao ler hoje um belo texto de Vasco Pulido Valente sobre o Zé Cardoso Pires.
Eu também faço parte dessa confraria entusiasta de leitores. E isso desde um dia tristonho no colégio Almeida Garrett onde penava e tentava sobreviver lendo tudo o que me passava ao alcance. Numas das raras saídas autorizadas (para um concerto da Juventude Musical vira na livraria Divulgação (hoje Leitura) o livrinho, acabado de sair e, sem saber do que se tratava, gastara a mesada na compra do voluminho. Há exactamente cinquenta anos! Cinquenta anos em que gastei três edições do anjo. Uma dada como penhor de amorios juvenis, a segunda desaparecida por Coimbra, sabe-se lá graças a quem e a última comprada logo a seguir (pela data que ostenta) e que por milagre ainda habita uma estante da biblioteca junta com toda a restante produção do Zé Cardoso Pires.
Conheci-o mesmo e falei com ele um escasso número de vezes. Numa delas contei-lhe a confusão de nomes em que a minha avó persistia. E aproveitei para lhe pedir uma dedicatória um “Delfim” antecipadamente comprado na Opinião para oferecer à Velha Senhora. Nessa noite gloriosa, na “Trave” dos irmão Jaime e Santos, o Zé Cardoso dedicou com palavras carinhosas o seu livro para uma senhora de oitenta anos e assinou “José Pires Cardoso”.

What’s a name? That which we call a rose
By any other name woud smell as sweet


Este texto, é da autoria de M.C.R., no blog Incursões.

Publicado por josé 17:49:00 1 comentários Links para este post  



Faltam 9 dias (LIX): os últimos cartuchos

O PLANO DE OBAMA PARA A CLASSE MÉDIA:


MCCAIN INSISTE QUE OBAMA VAI AUMENTAR OS IMPOSTOS:

Publicado por André 15:53:00 0 comentários Links para este post  



O queijo

O Correio da Manhã, descobriu hoje o que o Sol já tinha procurado e mostrado há muito: entre 2004 e 2006. o Governo gastou 134 milhões de euros na parecerística avulsa, alguma dela sem qualquer controlo concreto, por causa do ajuste directo. A notícia não é nova, mas é renovada pela intervenção do TC e confirmada.

A notícia do Correio da Manhã, desta vez, parte de um relatório do Tribunal de Contas, onde se analisa essa matéria, e onde se escreve preto no branco que não há transparência e rigor na contratação de consultadoria para o Estado. Quer dizer, para o Governo.

O assunto, passa numa notícia de um dia, esquece no dia seguinte. Este ano, prevêem-se cerca de 167 milhões de euros para o efeito, depois de no ano anterior, ter sido uma substancial maquia de 190 milhões, para ajudar este Governo a governar do modo brilhante que todos podem apreciar.

No relatório do Tribunal de Contas, avultam nomes. Na advocacia, dois escritórios levaram a parte de leão: o de Sérvulo Correia e o de Rui Pena. 2,3 milhões entraram em regra de custas para estes escritórios.
No entanto, são vários os contemplados, diversificados os serviços e pelos vistos, há uma verba de 1, 1 milhões que não tem rasto. O TC não conseguiu identificar a quem foram entregues serviços de consultadoria, por um motivo: as entidades públicas, nada disseram a esses costumes.

O problema aqui, tem a ver simplesmente com um aspecto interessante: estes desmandos nas contas públicas, denunciadas pelo tribunal de Contas, têm um remédio de alguma forma previsto na lei: a intervenção do Ministério Público, junto desse tribunal. Neste momento, António Cluny, é o responsável número um e foi criticado pelo anterior presidente do TC, por quase nada fazer nesse sentido. Defendeu-se então, dizendo que a lei não ajudava...

Pois se não ajuda, que denuncie. Este caso é infinitamente mais grave do que o da Gebalis ou da gestão de cartões de crédito na CML que levou a tribunal algumas pessoas, por peculato e participação económica em negócio.
Neste caso, porém, não podemos ficar pela simples (ir)responsabilidade política, porque já sabemos que a Assembleia da República cuja missão fundamental é fiscalizar o Governo, neste momento funciona como uma correia de transmissão desse mesmo Executivo. Por aí, nada tem o Governo a temer. "Ó sr. Deputado! Ó sr. Deputado!", meia dúzia de vezes por ano e está a coisa feita.

O que importa neste caso, e vendo este descaramento e este escândalo que se repete de ano para ano, tem que ser mais e melhor: a intervenção do Ministério Público e da Polícia Judiciária, com peritos que analisem o relatório do TC e vão verificar e investigar para onde raio vai o dinheiro.

Como dizia a procuradora Maria José Morgado, "é preciso apanhar os ratos enquanto estão a comer o queijo."




Publicado por josé 20:37:00 3 comentários Links para este post  



Faltam 10 dias (LVIII): Obama 12 pontos à frente

SONDAGEM NEWSWEEK:

-- Barack Obama 53%
-- John McCain 41%
(22 e 23 de Outubro)

COLÉGIO ELEITORAL:

-- Vantagem Obama 306
-- Vantagem McCain 157
-- Em aberto 75
(fonte: Pollster, resulta do cruzamento de várias sondagens)

Publicado por André 01:50:00 0 comentários Links para este post  



blogs dardejantes

No blog Cocanha, dá-se conta de uma corrente de ligações a blogs, premiados com Dardos e como este onde escrevo, recebe um dos galardões, retribuo e relanço a corrente, sem chegar aos 15- que não leio, senão esporadicamente.

Pede a Zazie, pessoa que conheço e por quem tenho admiração e respeito, que enuncie outros tantos. Alguns são de gosto comum, como se percebe. Outros, nem tanto e por isso aí vão que se faz tarde. Por ordem alfabética, uma dúzia que consegui arranjar, a correr e sem contar com alguns de culto que frequento por acaso e necessidade ( por exemplo, o rato, para ouvir músicas perdidas) e também os de alguns amigos que frequento de vez em quando, sempre que me lembro e que não levam a mal que não os cite explicitamente.

1. Almocreve das Petas, por causa dos alfarrábios e de alguns artigos e entradas ácidas e sem freio. São raras, mas quando aparecem, são quase sempre mortais.

2. Blasfémias, pelas polémicas, e alguns textos de certos colaboradores. Também por causa da variedade e oportunidade dos assuntos.

3. Causa Nossa. O blog mais insidioso da situação e por isso mesmo, politicamente interessante. Com um bónus: Vital Moreira, apesar das enormes, inultrapassáveis, divergências ideológias e porventura pessoais, se tal fosse possível, é um grande blogger.

4. Cocanha, naturalmente e não só para retribuir gentilezas, mas para ler alguns textos originais e fora do mainstream.

5. Da Literatura. De um indivíduo que não conhecia, Eduardo Pitta, aqui está um blog de tendência, para perceber a diferença de gostos de género e espécie e ao mesmo tempo, ler sobre literatura.

6. Do Portugal Profundo, do António Caldeira, que tem sido um lugar de denúncia contra um Estado de coisas que merecem reflexão geral. E como esta apreciação se afigura escassa, acrescento agora que este blog foi o único, de toda a blogosfera nacional, a pôr em causa, de modo sério e fundamentado qb, o poder político que temos. António Caldeira, costuma escrever os seus postais, sempre com base em factos. A opinião pode transparecer dos factos, mas estes normalmente são inatacáveis, porque advêem de uma boa fé na escrita e uma honestidade no pensar o que aparece escrito.
Será António Caldeira, o melhor blogger português, neste sentido? Pensando bem, talvez seja mesmo. Pelo menos foi o único que foi incomodado judicialmente por este poder que está. E que saiu sempre vencedor desse confronto.
Do Portugal Profundo, destaca-se dos demais blogs, por não fazer fretes nem encomiar gratuitamente estes poderes que estão.
Há por aí dezenas de blogs em que a atitude de apoio explícito ao establishment, é notória e outros cujos animadores, se acomodam com muita facilidade ao que está e principalmente ao que está a dar.
São sempre pelo poder, mesmo que o poder seja contra eles. E por isso assumem uma sabujice involuntária ou proactiva.
Nesse panorama, destaca-se em contraste, o blog Do Portugal Profundo.



7. Dragoscópio, o lugar preferido para ler algo escrito num português metacamiliano e ainda por cima com conteúdo corrosivo até à medula dos visados. De temas sempre actuais e verdadeiramente fracturantes para a tromba do politicamente correcto que por cá se passeia nos blogs que não leio, cinco dias por semana e que teimam em se jugularem em bancos e sarjetas da blogosfera.

8. Ié-Ié, um blog de culto, sobre a música e fenómenos paralelos, do tempo dos guedelhudos.

9. Incursões, pelos textos supinos de um indivíduo que assina M.C.R. iniciais do seu nome real e que escreve como um Assis Pacheco o fazia: parecendo em cima do joelho, atinge a estratosfera da graça em modo escrito. Este tipo merecia coluna de jornal, mais que muitos que por aí andam a estragar papel.

10. InVerbis, o melhor sítio português em forma de revista digital. Aparentado a blog, na caixa de comentários é esse o verdadeiro must do sítio. Onde se podem perceber os juízes, magistrados e advogados que temos: os bons e os menos bons...

11. Portugal Contemporâneo, provavelmente o blog mais liberal que temos, pela liberdade de escrita e pela temática transposta, de género alargado. E onde escreve, na caixa de comentários, um erudito que dá pelo pseudónimo de Modernista, que só por si vale a frequência.

12. The Braganza Mothers, o blog mais iconoclasta da blogosfera portuguesa, maldito por isso e perseguido por uns tantos, precisamente os da situação toda em que estamos.

Ficam doze, mas podiam ficar mais. Alguns, de eruditos e de especialidades ( por exemplo o de Paulo Guinote) , assumem relevância sempre que os temas descambam para essas matérias.

Além disso, os blogs, já eram , para certos figurões que escrevem na melhor revista do mundo: a Wired. Sobre estas coisas. E a seguir à Vanity Fair. E a outras.

Publicado por josé 22:01:00 5 comentários Links para este post  



O fedor do costume

Do Sol:

As queixas na ERC, Entidade Reguladora para a Comunicação, contra a sátira dos «Gato Fedorento» ao computador Magalhães chegaram ontem às 50.

«Nunca um programa, no caso, um sketche, recebeu um tão elevado número de cartas a contestá-lo», disse fonte da Entidade Reguladora ao Jornal de Notícias.
As queixas em relação à sátira feita ao computador Magalhães são todas no mesmo sentido: ofensa à Igreja Católica, mais concretamente, ao seus símbolos sagrados.
O sketche 'Louvado sejas, ó Magalhães' imita os rituais da missa, incluindo a entrega da hóstia pelo personagem de Ricardo Araújo Pereira, que na sátira substituí a expressão «Corpo de Deus» por «disco de Instalação».
É neste cenário que se ouve, ainda, um discurso que elogia o computador. Numa das falas, é dito: «Bendito seja Sócrates que nos reuniu em nome Magalhães».


Enfim, é o que os cripto-cómicos sempre almejam: uma qualquer polémica, segura e sem riscos. Supostamente, dá-lhes visibilidade e aumenta o seu valor de troca, no mercado televisivo.
Meter-se com a Igreja Católica, já avisava um velho macaco, é perigoso e comporta riscos, apresentado um exemplo pífio de gozo irrelevante, ocorrido na pré-história das tv´s privadas.
Logo, tumba! É mesmo por aí que vamos, cantando e rindo. O risco, é a nossa profissão; o perigo, é o nosso ofício. E os tempos correm de feição.
Pensando assim, melhor o fizeram, numa espécie de magazine do ultrage, com sobredosagem de conteúdo politicamente correcto.
No fundo, o sketch não passa de uma profunda palermice que provoca de facto o riso, mas pelo efeito oposto: o da irrisão.
Ofender crenças, particularmente as seculares, católicas, em que presumivelmente foram educados os engraçados fedorentos, não passa de uma canalhada, sem qualquer valor senão o de um desafio pueril ao tabu.

Interessante mesmo, como desafio ao politicamente correcto e em modo realmente ultrajante, seria prosseguir a série, apresentando uns pacóvios de djhelaba, a tirar os sapatos para entrar num templo e gozar com os rituais dos aninhados de braços erguidos.

Isso, sim! Mas por aí, nesse arco abatido, é que os destemidos palermas nunca entrarão.

Por outro lado, se isso fosse para levar a sério, sempre se deveria equacionar a lei que temos. E que no artigo 252º do C.Penal, sob a epígrafe de "ultrage a acto de culto", escreve assim:
"Quem:
(...)
b) Publicamente vilipendiar acto de culto de religião ou dele escarnecer; é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias."

É a mesma pena que se aplica a quem anda a conduzir bêbado...e permite também suspensão provisória do processo.
Ah! Já esquecia: e não é preciso queixa de católico algum, porque o crime é público. Tal como andar a conduzir com os copos.

Publicado por josé 12:07:00 19 comentários Links para este post  



Faltam 11 dias (LVII): o «endorsment» da Grande Loja



Tal como sucedeu em 2004 (altura em que declarámos o apoio a John Kerry), e a exemplo também do que fizemos durante as primárias deste ano (quando apontámos, ainda com a corrida no início, o apoio a Barack Obama, do lado democrata, e John McCain, no campo republicano, muito antes de ser sequer provável que acabariam por ser mesmo esses os dois nomeados), a Grande Loja do Queijo Limiano declara hoje, a 11 dias de se saber quem será o sucessor de George W. Bush, o seu endorsment na campanha presidencial norte-americana de 2008.

Trata-se, como sabem, de uma tradição na imprensa norte-americana que, infelizmente, não tem seguimento por cá. Quem acompanhou, até agora, a cobertura que fizemos desta louca corrida à Casa Branca terá a sua opinião (legítima, seja ela positiva ou negativa) sobre a forma como informámos e/ou opinámos sobre o que se foi passando.

Arrancámos essa cobertura há mais de dois anos, quando ainda nenhum candidato havia, sequer, começado um comité exploratório. Fizemos retratos personalizados sobre todos os principais candidatos. E explicámos as razões pelas quais achámos que Barack Obama e John McCain seriam as melhores escolhas de democratas e republicanos.

Chegados à recta final daquela que será, sem qualquer dúvida, a eleição mais decisiva da história americana (além de ser, também, a mais cara e a que reúne uma carga simbólica maior, sobretudo doo lado democrata), chegou a altura de declararmos o apoio ao senador Barack Obama, do Illinois, nomeado pelo Partido Democrata após ter vencido o mais excitante duelo de umas primárias nas últimas décadas.

Fazêmo-lo por cinco grandes razões:

1 – porque Obama está em melhores condições de reerguer a confiança interna e o prestígio externo da América; a forma como os EUA, o mesmo país que elegeu por duas vezes George W. Bush, conseguiu produzir, em tão pouco tempo, um candidato com as características do senador do Illinois dá conta da fantástica capacidade regeneradora da América

2 – porque Obama mostra-se capaz de reaproximar as novas gerações (que têm dado sinais crescentes de descrédito em relação à política e às instituições) de um participação cívica que terá, num futuro próximo, uma configuração completamente diferente da estávamos habituados

3 – porque a vitória de Obama transmite ao Mundo uma carga simbólica muito positiva, numa prova de que os Estados Unidos foram capazes de ultrapassar tensões raciais e pretendem olhar para o futuro

4 – porque Obama se tem revelado um líder inovador, inspirador, com um grande poder federador de vontades, interesses e diferenças; a forma como conseguiu o apoio de antigos rivais de partido, até de republicanos e, sobretudo, o apelo mobilizador aos mais diversos segmentos do eleitorado anunciam que o senador do Illinois tem excelentes condições para vir a ser um Presidente respeitado e com um suporte numa grande percentagem de norte-americanos

5 – porque Obama passou todos os testes duros desta longa corrida: revelou-se um líder sensato, ponderado, racional, que sabe reagir em momentos de alta tensão, que consegue manter a perspectiva e que mantém, nos mais diferentes contextos, uma eloquência e um poder de persuasão e, mesmo de sedução que se revelam trunfos decisivos para, nos dias de hoje, mobilizar vontades e conseguir consensos

John McCain é um candidato respeitável, de longe a melhor escolha que o campo republicano tinha em cima da mesa. Mas houve, na nossa opinião, três pecados capitais na campanha do senador do Arizona:

1 – a escolha de Sarah Palin para «vice» foi, a longo prazo, irresponsável. Pode ter-lhe dado jeito para agarrar a base conservadora, mas retirou-lhe apelo no eleitorado independente e moderado, segmentos onde sempre foi muito forte. Manifestamente, a governadora do Alasca não está preparada para ser vice-presidente, muito menos ser a substituta do Presidente, em caso de emergência ou fatalidade

2 – McCain, um «maverick» ao longo de mais de 20 anos no Senado, caiu no erro de se aproximar da linha dominante do seu partido, quando era fundamental que conseguisse delinear claramente as suas diferenças com Bush

3 – John, que em 2000 foi vítima da campanha suja do campo de Bush na corrida pela nomeação do Partido Republicano, fechou agora os olhos aos «robocalls» feitos para eleitores de estados decisivos, dizendo coisas como «Obama é amigo de terroristas que já atacaram a América». Ao não travar esse lixo de campanha, McCain perdeu a superioridade moral que o demarcava do pior da herança de Bush

Publicado por André 01:24:00 5 comentários Links para este post  



A difusão boateira

Pacheco Pereira, agora mesmo na SIC-Notícias, fala das leis, retomando a sua experiência parlamentar. Indica certas leis, como as amnistias, onde se aninhavam nos detalhes de certas alíneas, autênticos casos de corrupção. O diabo está nos detalhes, refere JPP.

Instado a especificar e pormenorizar, fugiu à questão.

Depois, são os blogs, anónimos de preferência, os meios de difusão de boatos e maledicência...

Publicado por josé 23:38:00 1 comentários Links para este post  



O humor penoso

Acaba de passar na RTP1, uma espécie de sketch, de um programa que se pretende de humor, onde prepondera um tal Nogueira que também tem tacho humorístico na TSF. Um novo humorista de grande talento, como poucos duvidarão.

O sketch em causa, macaqueando o musical Mamma Mia, inventou uma original montagem sobre o processo Casa Pia, em karaoke, cantando em verso, a versão politicamente correcta do tal processo.

E que nos contam os versos da macacada? Que foi tudo uma grande cegada que as investigações foram uma cagada e os suspeitos uma enorme fezada. Que a culpa é dos jornais que querem vender sempre mais, à espera de notícias ainda mais sensacionais. As crianças aldrabaram, os juizes manipularam e todos se enganaram. Os pedófilos andam à solta, prenderam gente sem culpa e todos vão dar uma volta. Nada se investigou, apenas se interrogou e do muito que se escutou, pouco se aproveitou.

É destes versos cantados que se faz o discurso correcto, do jornalismo corrente, nos poderes que por lá estão.
Foi para este discurso que foram lá colocados, que foram escolhidos e por sua vez cooptam colaboradores.
E já chegou a este Nogueira, o discurso corrente. Aplaudido pelos directores.
Alguém disse que o humor é algo corrosivo, de fractura ao correcto, para suscitar o riso.
Não a pena.

Publicado por josé 23:05:00 5 comentários Links para este post  



Para inglês ver

Uma notícia do JN:

Um camionista português foi acusado da morte de seis pessoas e vai ser presente a tribunal em breve. Paulo Jorge Nogueira da Silva é suspeito de condução perigosa num acidente ocorrido na terça-feira, na auto-estrada M6, em Inglaterra.
Segundo noticia a Sky News, Paulo Silva, de 46 anos, vai ser julgado pela morte de uma família de seis pessoas. Oriundos de Llandudno, no País de Gales, morreram carbonizados quando a viatura em que seguiam ficou, alegadamente, debaixo do camião conduzido pelo português.
Entre os mortos, todos da mesma família, encontrava-se uma bebé de 10 semanas, Ellouise Statham, que perdeu a vida, juntamente com os pais, David e Michele. faleceram, ainda, os outros três filhos do casal, Mason, 20 meses, Reece, 13 anos, e Jay, 9 anos.
Isto aconteceu na Inglaterra, cujo sistema judiciário é totalmente diferente do nosso, quanto ao modelo seguido. Nem os juízes, lá, são escolhidos como cá. Nem os procuradores são figuras comparáveis, às de cá. Nem, principalmente, as leis processuais, são idênticas às de cá.
Na Inglaterra, com séculos de democracia e atenção aos direitos individuais, uma pessoa como este português que interveio directamente num acidente de viação, tem este destino:
Depois do gravíssimo acidente ocorrido na terça-feira, portanto há dois dias, a polícia deteve-o e levou-o para a esquadra nessa condição. Provavelmente, teve direito a advogado, intérprete, defesa circunstanciada. Passados dois dias, é formalmente acusado de homicídio e segundo o jornal, já será julgado pela morte de seis pessoas.
Deve descontar-se, ao jornal, a notícia sobre o "julgamento". Estes jornalistas julgam-se dispensados do rigor dos termos informativos e muito mais do rigor conceptual que leva a explicar a quem não entende, o significado de expressões e assuntos que exijam algum conhecimento técnico.
Assim, um julgamento, não equivale a um interrogatório para aplicação de medida de coacção. E que pode ser a prisão preventiva, remível, neste caso, à famosa caução que só pode ter a natureza de carcerária, ou seja, para substituir a prisão.
E como acontece em Portugal?
Tomemos o caso paradigmático do acidente ocorrido há uns meses numa estrada rápida do Nordeste transmontano e que vitimou vários idosos, que seguiam num autocarro, abalroado por um veículo ligeiro.
Na altura, apareceu no local toda o circo mediático costumeiro, para tentar dar a explicação do sucedido. A única pessoa interveniente e sobre quem surgiram suspeitas de comportamento inadequado na condução ( confirmado indiciariamente meses depois), ficou em liberdade e nem sequer foi ouvida em declarações na altura. Muito menos detida ou com prognóstico nesse sentido.
O que a polícia de estrada ( GNR-BT) nesse caso, faz, é o trivial: tomar conta do caso, participar ao Ministério Público, e depois, investigar. A audição das testemunhas e suspeitos, com recolha de provas fica por conta da polícia, também. Ao fim de alguns meses, por vezes longos, elaboram um relatório onde dão conta do resultado da investigação. Nesta altura, esses relatórios são tecnicamente bem elaborados, com indicações concretas das causas possíveis do acidente e dos responsáveis.
Só depois disso, o MP, elabora o despacho final no processo com vista ao destino que pode ser a acusação penal.
E depois dessa acusação, decorre um prazo de algumas semanas, para uma eventual instrução a cargo de um juiz e para reapreciar os fundamentos da acusação, se for esse o caso.
Só então, passados mais uns meses ou semanas, o processo chega à barra do tribunal propriamente dito. Com o julgamento a demorar o que tiver que demorar ( alguns, pelos vistos, demora anos!).
Tudo isto em resultado das leis que temos e nada mais. E em boa parte dos casos, para inglês ver.
Mesmo dando o devido desconto, pelo julgamento aqui anunciado, a verdade é que a formulação de um "indictment", de uma acusação formalizada no sentido de a polícia ter recolhido provas do facto criminoso, suficientes para apresentar o suspeito ao juiz, em dois dias, é motivo de reflexão sobre os nossos métodos. Que não sobre o modelo...

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Faltam 13 dias (LVI): ainda não dá para dançar, mas quase...

É o lado do espectáculo levado ao exagero da loucura que é uma corrida presidencial na América, mas faz parte do jogo.
Há coisas piores...

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Faltam 13 dias (LV): McCain está a recuperar nos estados decisivos, mas o tempo corre contra ele

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A direita travestida

Estava há bocado a ver a Sic-Notícias, com as notícias apresentadas por Mário Crespo e dei com um indivíduo que conheço há umas semanas da tv, depois de ter visto no blog Blasfémias um vídeo sobre o futebol do FC Porto. Pedro Marques Lopes, reparei, depois de ler a legenda de identidade.

No blog, no video iutubuesco, aparecia uma figura algo rotunda, de modos evidentemente portistas, desinibidos no falar e na atitude, em modo futeboleiro e de asserção fácil.

Não conhecendo a personagem, tirei a pinta da pessoa, pelo aspecto algo suficiente.

Como não frequento assiduamente blogs, tirando dois ou três, de culto, não me dei conta da ascensão mediática de Pedro Marques Lopes, como se comprova pelo facto de ter emergido num Eixo do Mal, na mesma Sic-Notícias, após a saída do humorista fino e corrosivo, José Judice.

E no entanto, o caso de Pedro Marques Lopes, permite entender como é que a SIC-Notícias escolhe gente, para aparecer na pantalha. Saber o que lhes toca na idiossincrasia. E por aí apreciar o ar do tempo que passa.

Depois de uma breve busca pela Rede de blogs, dei com este texto de apresentação, num blog típico do tempo que passa, em cinco dias :

Parêntesis: Pedro é de direita - diz ele - e liberal (o que é óbvio). Defendeu a legalização do aborto até às 10 semanas, defende o casamento das pessoas do mesmo sexo, é ateu. Na direita portuguesa, não há muitos como ele, ou então andam bem escondidos - e é o primeiro a afirmá-lo: “Somos um país que acredita pouco na li berdade. Ser de direita é achar que a liberdade é um valor superior à igualdade”. Diz-se próximo do PSD e há quem o diga “a cabeça” de Pedro Passos Coelho. Era ele o homem de gabardine bege que acompanhou o prospectivo líder ao anúncio da candidatura. Fim de parêntesis.

“Então comecei a escrever num blogue, O Acidental [já acabou], na revista Atlântico [já fechou] e no respectivo blogue [ainda existe]; convidaram-me para fazer comentário político no Rádio Clube Português , meti-me na política, fui convidado pelo Nuno Artur Silva [das Produções Fictícias] para fazer um comentário-vídeo na Net sobre futebol [À lei da bola] e agora para o Eixo do Mal [vai substituir José Júdice a partir de Setembro].” Em pouco mais de seis meses, passou de ilustre desconhecido a vedeta do Jornal das Nove da SIC Notícias, onde esteve esta semana a comentar o Pontal, a ausência de Ferreira Leite, e o rumo do PSD. E a fazer o que gosta. Haveria muito mais a dizer sobre isso e sobre ele, mas não há espaço. Fica para a próxima. Vai haver muitas ocasiões para falar de Pedro Marques Lopes.

Pois vai. E parece-me interessante que se fale. Não da pessoa, concreta, mas do modo como estas pessoas, em geral, assumem actualmente o espaço mediático. Liberal, abortista e ateu, com um bónus: o de aceitar plenamente os casamentos gay. Portanto, todo o caminho livre, para a máxima exposição mediática.

Sinais dos tempos, sem dúvida.

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Faltam 13 dias (LIV): Obama e Hillary juntos na Florida

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Azar do telhado

O azar bateu à porta de Miguel Sousa Tavares e entrou. Pelo telhado. Foi ao escritório e pegou num computador portátil, com "toda a vida" escrita, do cronista e escritor de best-sellers.

Sousa Tavares acha, no 24 Horas de terça-feira, que o azar não veio só, mas acompanhado da tramóia que anonimamente o persegue. Topa-lhe a companhia, na selecção do objecto de desejo que continha o único exemplar de um livro quase no prelo.

No jornal 24 Horas de hoje quarta-feira, Sousa Tavares, faz um apelo de primeira página, ao Azar , para que lhe devolva o "seu trabalho", prometendo dar tudo o que o celerado quiser.

Faz bem, duplamente. Desiste de lhe arranjar companhia e ao mesmo tempo, dá-nos a esperança de voltar a ler uma crítica literária, de Vasco Pulido Valente.


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Faltam 14 dias (LIII): Obama 11 pontos à frente

BARÓMETRO GALLUP:

-- Barack Obama 52%
-- John McCain 41%

COLÉGIO ELEITORAL
-- Vantagem Obama 301
-- Vantagem McCain 157
-- Em aberto 80

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O manguito

Torna-se impressionante, pelo facciosismo que revela, o artigo de Vital Moreira no Público de hoje, sobre os resultados das eleições açorianas.
A refulgência de encómios à maioria absoluta do PS, com futuros reflexos nacionais, no desejo explícito do cronista, só encontra paralelo, na completa ausência de referências, ao aspecto mais saliente dessas eleições: a abstenção brutal dos açorianos, neste processo eleitoral.
Para quê falar nisso, se a maioria absoluta, está garantida com 20 % dos votos dos que querem manifestar a sua escolha política?
Por isso mesmo, aqui fica a crónica de Manuel Pina, no Jornal de Notícias, para lembrar o "óbvio ululante" ao obnubilado escriba da causa:

Apesar de, mal foram conhecidos os resultados das eleições de domingo nos Açores, todos os partidos sem excepção, cada qual com o seu argumento, terem clamado vitória, mais de metade dos açorianos (exactamente 53,24%) não foram às urnas. Ora quando a grande maioria dos eleitores acha que não vale a pena votar seja em que partido for, e faz um grande e bordaliano manguito a todos eles, só por total falta de pudor algum pode mostrar satisfação.
Pode ser-se cínico, como fez o socialista Carlos César, e dizer que só conta quem vota, nem que, acrescento eu, vote apenas uma clientela de meia dúzia de pessoas. Mas a César o que é de César: o PS irá governar o arquipélago em maioria absoluta com a confiança de apenas pouco mais de 20% dos governados (40 mil, em mais de 192 mil eleitores inscritos). E isso devia ser motivo de preocupação e não de jactância. O futuro parlamento açoriano, para ser materialmente, e não só formalmente, representativo, deveria funcionar com mais de metade das cadeiras vazias. Os que irão sentar-se nelas usurparão uma representatividade que, na verdade, não lhes pertence.

Publicado por josé 12:44:00 2 comentários Links para este post  



Faltam 15 dias (LII): Colin Powell apoia Obama

Entre tantos apoios importantes (e muitos deles inesperados) que o nomeado democrata já teve, este será um dos mais siginficativos.

Republicano moderado, secretário de Estado na primeira Administração W. Bush (2001-2005), foi enganado pelos falcões Rumsfeld, Cheney e Wolfowitz e fez o papel do pato, nas Nações Unidas, em Fevereiro de 2003, ao defender a intervenção no Iraque, garantindo que havia mesmo armas de destruição maciça.

Quando percebeu o que lhe fizeram, recusou continuar no segundo mandato e foi-se afastando de Bush. A consequência aqui está: Colin Powell apoia Barack Obama.

Vale a pena ouvir os 7 minutos de declaração de Powell. É uma intervenção lúcida, muito equilibrada e esclarecido em relação ao que está verdadeiramente em jogo nesta eleição e, sobretudo, numa crítica acertada aos exageros em que a campanha de McCain tem caído:

Publicado por André 01:02:00 9 comentários Links para este post  



A voz do povo

João da Cal foi um "mata-lobos", quando pastoreava o rebanho, nos montes de Covas de Monte, em S. Pedro do Sul.
Nunca teve rádio ou televisão. Mas percebe alguma coisa de política...

É ouvir, no programa O grande rebanho, na TSF...colocando o cursor nos 25:32.

Para quem não quiser dar-se ao trabalho, o extracto corre assim: o entrevistador, diz a João da Cal que "assim, não sabe o que se passa no mundo..." e o mesmo responde-lhe: "eu não quero saber. O meu tempo já lá vai."
E o entrevistador a insistir: " e como é que sabe o que se passa em Portugal?", com a resposta pronta, na voz simples: " ouço dizer os outros na rua. Foi assim e foi , é...só roubar. Inda roubaram em tal parte. Roubaram no Porto, roubaram em Lisboa e...coisa...a polícia não faz nada com eles, os ladrões...ouço dizer os outros na rua."

De facto, para que precisa o João da Cal, mata-lobos no seu tempo, de rádio ou televisão?

Sabe mais do que muitos que mandam nelas...

Publicado por josé 22:28:00 1 comentários Links para este post  



Crises e crises

A propósito de crise económica, e da compreensão da sua extensão, origem e reflexos, interessa ler e ouvir quem sabe da poda, por experiência e saber teórico combinados. Não quem arremeda conhecimentos obtidos em leituras apressadas ou opiniões de feição e muitas vezes facção, como estamos fartos de ver, ouvir e ler nos media.

A Pública de hoje, tem uma "conversa" com o antigo governador e vice-governador do Banco de Portugal, ( logo em Abril-Maio de 1974), depois ministro das Finanças ( em 1978-79) Jacinto Nunes.

O que o mesmo refere a propósito da crise cambial, com graves reflexos financeiros que atravessámos, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, com a fuga de capitais e a carência de divisas, para pagar mercadorias importadas.
Lendo a conversa, percebe-se melhor ( clicando na imagem). E torna-se ainda mais compreensível perceber como é que um país passa de uma situação invejável de crescimento económico,- segundo o blog Portugal Contemporâneo, de 11,2 % ao ano- embora também em época de crise anunciada, para uma situação de ruptura completa de divisas e dificuldades gravíssimas de cumprimento de compromissos, pelo Estado.
Jacinto Nunes, refere a existência de ouro, no Banco de Portugal, que nos salvou da bancarrota, auxiliando os outros bancos. Como agora...

Interessante, porém, é verificar que logo no mês de Maio de 1974, o governo provisório de então, criou uma Comissão de Controlo do Comércio Externo, com a finalidade de evitar a fuga de capitais e regular o abastecimento de produtos fundamentais.

A leitura do texto copiado da revista O Século Ilustrado de 18.5.1974, ao lado ( clicar na imagem) permite entender melhor, porque é que nessa altura se fez uma lista de "artigos de luxo", ( os primeiros são as lagostas e lavagantes...) de importação condicionada, através de burocracias de bri´s e que favoreceram nos anos seguintes, o aparecimento do contrabando como fenómeno generalizado...


























Mais interessante ainda: em 25 de Outubro de 1973, o Diário de Notícias, trazia uma entrevista em formato broadsheet, ao então presidente do Conselho, Marcello Caetano, por João Coito ( saneado logo a seguir, claro) , onde se falava abertamente dos tempos de crise que se aproximavam e do futuro que afinal ficou redefinido seis meses depois, nos termos que acima ficaram apontados.
Nessa entrevista, Marcelo Caetano, define as suas ideias sobre vários assuntos, incluindo a sua noção do papel da iniciativa privada e do Estado, na economia, cujo excerto se apresenta ( clicar na imagem). Curiosamente, este país que então estava em crise, crescia mais de 11% ao ano ( como a China, agora) e segundo a revista Time da época ( Novembro de 1973, em artido tendencioso sem assinatura, mas da presumível autoria de Martha de la Cal) , gastava em esforço de guerra " fighting insurgents", cerca de 35 a 40% do seu Orçamento e tinha cerca de 1 milhão e meio de emigrantes nos países europeus. De tal modo estava em crise que um certo Balsemão, patrioticamente, declarava à revista que "o nosso único competidor é a Albania. Até os países do leste europeu, já nos ultrapassaram"...
Sem dúvida. Anos depois, nem muitos, o mesmo Balsemão era primeiro-ministro. Com os resultados que se conhecem...




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A caminho de 4 de Novembro (LI): ligeira recuperação de McCain, mas... virá a tempo?

A apenas 16 dias da eleição, Barack Obama mantém vantagem em todas as sondagens nacionais, embora seja verdade que a diferença não é tão grande como há 3 ou 4 dias, altura em que o fosso parecia começar a ser demasiado profundo.

Ainda é cedo para perceber se este ligeira recuperação de McCain se deve à sua prestação no último debate (talvez a principal razão não seja essa), até porque Obama, em todos os estudos, venceu esse debate.

Certo, certo é que a margem, que era entre 6 e 14 pontos, reduziu-se agora para um intervalo entre 2 e 8 pontos.

Teoricamente, seria uma diferença recuperável, tão oscilante é a balança das sondagens diárias, nas duas últimas semanas, que estão aí a chegar.

O problema, para as contas de John McCain, é que no Colégio Eleitoral (o que verdadeiramente decidirá) Barack Obama mantém um avanço enorme, em todos os estudos -- algures entre os 268 e os 313 Grandes Eleitores, sem contar os indecisos.

Obama continua à frente na Florida, no Ohio, na Virgínia, no Michigan e até na Carolina do Norte no Colorado. Se ganhar dois (só dois) destes seis estados, ganha a eleição (mesmo que perca os outros quatro). Até lhe basta que vença só o Ohio ou só a Florida. E ainda é provável que lhe baste vencer em Virgínia, desde que não perca nenhum dos estados ganhos por Kerry há quatro anos.

Ora, neste momento, não se perpectiva que Obama... perca qualquer um destes seis estados. Logo, seria preciso uma enorme viragem para que McCain pudesse vencer.

Independentemente desta (indesmentível) aproximação no voto popular...

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Marcas amarelas

José Pacheco Pereira, escreve hoje no Público, um texto que arremeda de certa forma a temática do livro de Umberto Eco, A Misteriosa Chama da rainha Loana, de 2004.


O livro de Eco, de memórias de uma infância, por um desmemoriado que vai retomando parcialmente as recordações, traz aos leitores, bocados de memorabilia, sobre livros, cartazes e figuras de infância, com inclusão de figurinhas de banda desenhada, dos fumetti do Corriere dei Piccoli e dos comics, vindos da América pós-guerra. Numa das páginas, refere as imagens que encontrava nos comics do agente secreto X-9 e de Terry and the Pirates, com as pernas das mulheres, desenhadas a sair da racha dos vestidos, de modo que ainda hoje se lembra...

No texto de JPP, não temos desses snipets idiossincráticos, mas temos outros. Apanha-se o combóio da publicação pelo Público, das aventuras de Blake & Mortimer, no mesmo tom de uma misteriosa chama que queima na infância, para todo o sempre.

No caso de Blake & Mortimer, as aventuras agora publicadas em álbuns, são-no, na sua maior parte, relativas a histórias publicadas originalmente, em revistas de fascículos do tempo, com alguns decénios em cima.
Lembra-me de apanhar a primeira aventura original, de Blake & Mortimer, no Tintin português de 14.10.1972, com o título de As três fórmulas do professor Sato.
Nessa altura, as historieras de banda desenhada, publicavam-se originariamente em revistas como o Tintin, ( a edição belga, original, da revista, no seu primeiro número de 26.9.1946, continha já a primeira aventura de Blake & Mortimer, precisamente os dos volumes já publicados pelo Público, O segredo do Espadão- informação recolhida na Wiki).

Portanto, em 1972, a maior parte das aventuras clássicas da dupla desenhada e escrita por Edgar Pierre Jacobs ( E.P. Jacobs), tinha já sido publicada e impressa em revistas avulsas, durante as décadas precedentes. A anterior ( O caso do colar) , tinha sido em 1967 e por isso, ainda fora do alcance da curiosidade natural de um jovenzito nascido no ano em que foi conhecida a Marca Amarela. A revista Tintin, em edição portuguesa só apareceria em 1968 e mesmo assim, só despertou a curiosidade do jovenzito, no começo do ano de 1972.

As três fórmulas do professor Sato, foi precisamente a última história desenhada e escrita pelo seu autor original. Depois disso, a segunda parte da historieta, publicada em 1990, já teve intervenção directa de outro autor de bd, Bob de Moor, seguindo o guião do mestre e após a morte deste, em 1987.

Mesmo assim, em Outubro de 1972, a revista Tintin, estava no seu auge.
Para além das Três fórmulas, publicadas a conta-gotas de uma página por semana, tinha duas , cómicas, de Spaghetti, de Atanasio e Goscinny ( uma das figuras mais relevantes da bd franco-belga); de um universo onírico de Olivier Rameau, por Dany e Greg ( outro portento na bd franco-belga); Dan Cooper, em modo de aventuras tipo indiana jones, mostrando realisticamente um Parténon como nunca o vi, vazio e inóspito; o cómico Rataplan, em modo de encher páginas, como aperitivo para duas cheias das aventuras automobilísticas de Michel Vaillant, desenhado por Jean Graton e que fez muito pelo imaginário das corridas de automóvel; o impagável Lucky Luke, por Morris & Goscinny, em Canyon Apache; os Franval, em modo de encher páginas, com aventuras no Oriente; Mr. Magellan, no Vaticano, em ficção científica de realismo fantástico, com guardas suíços e monsenhores; Ric Ochet, nas aventuras de espionagem; Astérix, de Goscinny e Uderzo, na Zaragata que reune a personagem Detritus aos resistentes da Gália; Alix, logo a seguir, sobre a mesma temática da antiguidade clássica latina, mas em desenho realista de Jacques Martin e as duas últimas páginas, com Tintin, na aventura Os charutos do faraó.

Nesse ano, publicavam-se notícias sobre o combate à droga, em França, por iniciativa do governo e em cartazes de banda desenhada. Sob o tema genérico: droga, loucura, morte. Curiosidades de um tempo passado que não volta mais, contadas por um Vasco Granja que dali a dois anos se reconverteria à oportunidade dos desenhos animados de Leste.






















Quanto às historietas, agora publicadas em álbum pelo Público e pela Asa, há uma observação a fazer. Os álbuns Blake & Mortimer, são cartonados ( o primeiro, pelo menos), e com boa apresentação gráfica, essencial neste tipo de produtos, para apreciadores de algo mais do que historietas já conhecidas.
As cores deste primeiro álbum, atenta a data da publicação original, nos anos 40, terão alguma modificação, em relação à cor original. No entanto, deve dizer-se que nos anos cinquenta, a revista Cavaleiro Andante, em 1956, por exemplo, já publicava O enigma da Atlântida, da mesma série Blake& Mortimer, com aspecto gráfico colorido que não envergonharia niguém da época, em relação às técnicas de hoje.

Ora, o trabalho da Asa e do Público, na publicação da série anterior, sobre Blueberry, deixa muito a desejar, em termos de aspecto gráfico. E é pena, porque o trabalho de cor dessas historietas, vale o esforço do rigor gráfico. O problema, pode ser da impressão, do controlo de saturação de cor, ou de outro aspecto técnico. Mas a responsabilidade é de um perito e conhecedor de bd: Carlos Pessoa.

Ficam aqui duas imagens: a da direita, a original, publicada na revista Pilote, nº 671 de 14.9.1972 e à esquerda, a mesma imagem, tirada do álbum agora publicado pelo Público. A saturação da cor impressa, quase esborrata a imagem originalmente publicada naquela revista francesa. Para mim, é inadmissível. Não vi o álbum Chihuahua Pearl, da mesma série, mas já fico desapontado, só de pensar nisso e no cor que deram aos olhos cobalto da cowgirl.




























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