O Teseu Crato e o labirinto

Confesso: de Educação sei pouco mais do que aquilo que me ensinaram. O que aprendi em exercício autodidacta, foi-o ao longo dos anos e pela observação dos efeitos nefastos produzidos em série por este sistema instituído, alimentado e protegido por alguns práticos, em exercícios governamentais.
O que me é dado ver, pelos resultados à vista, é um desastre sem culpados conhecidos. E nisso, nem preciso de me esconder em pretensa sabedoria de cátedra, pois até os catedráticos convergem nessa apreciação: o sistema de ensino, delineado ao longo dos anos pelo Estado, em Portugal, não presta o que deveria prestar e tem sido um sorvedouro imparável de dinheiro dos Orçamentos.
Como habitualmente, não há responsáveis à vista e as tentativas de os topar para lhes travar os intentos em que continuam a porfiar, cavando o fosso maior da nossa desgraça, revelam-se inglórios ou inúteis.
Pouco adianta revelar os nomes dos nossos ministros magníficos que orientaram o sector durante mais de trinta anos. Pouco adianta denunciar os métodos e a filosofia que erigiu o pedagogês em símbolo máximo do eduquês. Virão, pressurosos e desdenhosos, os atingidos, apontar estes neologismos como reveladores de ignorância e assim continuam convencidos da sua razão, afastando Cassandras que só incomodam no remanso das prebendas das comissões, cargos e viagens oficiais.
Basta ouvir, ler ou ver qualquer debate em que intervenham “os do costume” e que ao longo dos anos marcaram o ritmo da nossa valsa lenta para o fosso da desgraça, para perceber a inutilidade de argumentos que os contrariem. Ciosos da suas opiniões e autistas nas suas razões de poder, prosperam nos gabinetes ministeriais e secretariados vários, gerando um monstro invisível de contornos feitos de atitudes e armando um labirinto complexo, com leis e regulamentos que alimentam e protegem o monstro que devora incautos e estralhaça ao afoitos que ousam enfrentá-lo por escrito.

De há uns meses para cá, porém, agregam-se vozes independentes e iconoclastas, prontas a entrar no labirinto das direcções-gerais e secretarias governamentais e a pegar o bicho pelos cornos virtuais.
Houve quem já chegasse ao ponto de atacar o mito, defendendo o desmantelamento puro e simples da estrutura vigente, assestando-lhe com um decreto de dissolvência. Debalde, porém. E o que não mata o monstro, engorda-o cada vez mais, afagando-lhe a petulância de atitudes autistas.
Há alguns meses, um iconoclasta, armado em mais um Teseu dos tempos modernos, Crato de apelido e académico das matemáticas, por isso mesmo insuspeito de ignorância, arremeteu em letra de forma contra o monstro das direcções gerais e das pedagogias correntes.
As suas armas: um livro - O Eduquês em discurso directo, “uma crítica da pedagogia romântica e construtivista” e artigos em jornais e revistas.
Nas prosas armadas contra o mito, o autor, tem glosado conceitos para esboroar as defesas estruturantes dessa linha maginot do nosso ensino imaginário. Com ideias simples, combate os tanques da burocracia enquistada nos manuais pedagógicos e as torres filosófico-pedagógicas onde se entrincheiram os defensores do status quo que são muitos e bons, incluindo catedrátidos com curricula a toda a prova, mesmo à do ridículo.
A última das investidas, desta vez com escopeta de mira telescópica, foi contra o Estatuto da Carreira Docente, mais um dos disfarces do mostrengo.
O sniper Crato, vendo aparecer o vulto tenebroso, disparou e atingiu ao de leve, um órgão vital do monstro escondido, ao dizer que “curiosamente a palavra ´ensinar`, não aparece uma única vez no documento que tem 55 páginas”.
Esta frase-bala, feriu o conceito elevadíssimo onde o monstro se acoita e suscitou a reacção pavloviana de quem o protege, criando labirintos onde aquele pernoita. A oficiante, erigida em vestal e no lugar de ministrada Educação, deu entrevista a uma Visão, disparando dardo envenenado em direcção ao sniper que apareceu de peito feito.
Disse em discurso directo que tal não era verdade e que tal palavra até aparecia “várias vezes”. Em poucas palavras, a rosa, defendendo o lugar do monstro, chamou aldrabão ao cavaleiro andante.
Ora este, habituado a conferir documentos e ao rigor matemático das equações, fez o que se impunha: verificou palavra por palavra, as 55 páginas em pdf. E que descobriu então?
Que essa palavra maldita e substantivamente activa, “ensinar”, não aparece, de facto, uma única vez!
Em vez do verbo, princípio de tudo, aparece o substantivo, o “Ensino”! E em função determinante, como em “estabelecimento de ensino” ou “ensino básico”.
E não se fica por aí. Em vez de “ensinar”, singela palavra de compreensão difícil para o monstro educativo, escondido no labirinto oficial, a nova encarnação do mostrengo propõe “aprendizagem” repetindo treze vezes, para que não haja dúvidas das verdadeiras intenções em papar o que resta de esperança num futuro melhor no sistema.
É por isso que o iconoclasta académico, recalcitra hoje no Público, num artigo na pág. 22, intitulado “ A importância da palavra ensinar”, numa resposta àquela protectora do animal horrendo que nos vai devorando a esperança.
Uma vez mais, entrando no labirinto, desafia o sistema de linguagem, arma preferida do inominável, disfarçado agora em Estatuto da Carreira Docente. Em vez de “ensinar”, pode ler-se “identificar saberes e competências-chave dos programas”; “desenvolver situações didáticas”, e criar “situações de aprendizagem”. Entre os deveres do docente, estão o de “Trabalhar em equipa”, “colaborar com as famílias”, “conceber respostas inovadoras às novas necessidades da sociedade do conhecimento”.
Quem se atrever a entrar neste dédalo, sem guia ou fio condutor, perde-se fatalmente e será devorado mais cedo ou mais tarde, pelo “sistema”, outro nome da rosa.
Assim, temo bem que mais esta investida do Teseu Crato, tenha o mesmo efeito que as restantes: o olvido olímpico no labirinto perfeito.

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Farewell and bye bye

RIP Freitas do Amaral.

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pedradas no charco

A propósito da sucessão de declarações comoventes de Fernando Ruas (que já mereceram até a solidariedade de João Jardim) nada há a dizer. A não ser que esta, sem ter nada a ver, seria uma óptima, excelente, oportunidade para o PR fazer um pouco de pedagogia e dissertar em abstrato sobre o Ambiente, o desenvolvimento sustentado, enfim, sobre a modernidade. Nestas coisas, às vezes, o timing é tudo.

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Caçador de Prémios


O jornal Público começou a publicar uma série de 20 álbuns de banda desenhada das aventuras de Lucky Luke. O primeiro é um dos melhores da série: A Diligência, publicada originalmente na revista Spirou em 1967, vale os quase cinco euros do passe. O humor inteligente e a história com alguns clichés do western e desenhos caricaturais, relembram divertimentos passados, em gags sucessivos.
Tudo o que há a dizer sobre as personagens e adereços da história dessas historietas tem vindo a ser escrito no jornal, pelo especialista em BD, Carlos Pessoa.
Na net, há um mundo de referências em sites oficiais e avulsos. Pouco resta a acrescentar ao que está escrito e um dos melhores lugares de visita é este.
A não ser dizer que descobri Lucky Luke e os temíveis Dalton, aos poucos, a partir da revista Tintin nº 39 de 19.2.1972 que trazia na capa precisamente uma imagem a publicitar a história O Circo do Oeste ( Western Circus no original de 1970) que já ia na 13ª prancha em que se aludia ao velho ditado de que “os elefantes nunca esquecem”.
Ao longo dos anos, fui vendo e lendo as sucessivas aventuras do cowbói que dispara mais rápido que a própria sombra e saboreando os deliciosos argumentos de René Goscinny que complementam na perfeição os desenhos de Morris.
Dois anos depois, em 16.2.1974, o começo da publicação, ainda no Tintin português, da historieta O caçador de Prémios( Chasseur de primes, no original de 1972), consagrou definitivamente a BD de Morris como uma das melhores que me foi dado ler e por isso até comprei o nº1 da revista que acima se reproduz, de Março de 1974 ( o 25 de Abril estava próximo).
Aquela historieta, acerca de um caçador de prémios detestado por todos, juntamente com a publicada em Abril de 1976, Psicanálise para os Dalton, e outras como O Pezinho mole ou O Imperador Smith, ficam nas memórias permanentes daquilo que entendemos como cultura.
As historietas originais, publicadas em francês, eram traduzidas, na época, pelos responsáveis da Bertrand que as publicavam na revista Tintin que distribuíam. Vasco Granja era o grande animador dessa aventura do Tintin em edição nacional.
Para reparar na qualidade das traduções de época e comparar com as actuais, ficam duas pranchas da mesma história, precisamente da historieta original La Guérison dês Dalton, publicada na revista Tintin, edição francesa, em 1975.
O título traduzido em 1976, para a revista Tintin portuguesa foi Psicanálise para os Dalton e fica em baixo à esquerda,uma imagem da primeira prancha. Em 2004, a editora Asa, publicou em álbum cartonado, a mesma historieta, com o título de Os Dalton e o Psicólogo. A primeira prancha comparativa, fica em baixo, à direita. Basta clicar para ampliar e apreciar as diferenças -subtis, mas importantes- na tradução. Prefiro a antiga...

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Desfocado


O jornalista Ferreira Fernandes escrevia hoje no Correio da Manhã, a propósito da publicação por esse mesmo jornal, do teor de certas conversas telefónicas:
Ontem, a Lusa disse que no julgamento do processo Casa Pia foi ouvido um inspector da PJ sobre escutas a Paulo Pedroso. Diz a notícia: “Nas escutas há, designadamente, uma conversa entre Paulo Pedroso e o ex-juiz Simões de Almeida onde se refere que Carlos Cruz teria ‘comprado’ a capa da revista ‘Focus’.” Comprado, na notícia, vem entre aspas. Na altura, eu era director da ‘Focus’. Um jornalista que se deixa comprar, com aspas ou sem, é um canalha. Um advogado pediu para eu ser ouvido, como testemunha, e eu vou a Tribunal dizer coisa simples. Ou aquela referência não existe, e quem a inventou vai levar um par de bofetadas em público. Ou existe e quem a disse (de ex-ministro a ex-juiz) vai levar um par de bofetadas. É só. É tempo de este caso começar a ter ideias simples.

Ferreira Fernandes ( FF) , actualmente cronista no Correio da Manhã e na última página da revista Sábado, tem um extenso currículo como jornalista. Dos bons. Daqueles que aprecio, na escrita, no estilo e nos modos.
O seu jornalismo pouco tem a ver com o que por aí dirige publicações especializadas, sustentadas por publicidade subsidiária, inserida em manadas de impalas de papel que infestam escaparates de supermercados. Prefere agora, porventura, a ética de grupo da cousa fina, mas o jornalismo que defende não é de manadas, mesmo sofisticadas , parece-me.
Contudo, em tempos que já lá vão, colaborou e depois dirigiu uma dessas pontas de lança do jornalismo de manada, intitulada Focus, com recendência teutónica, mas aflitivamente carente dos seus elmos e pergaminhos.
Nessa época fulgurante, de há meia dúzia de anos atrás, a promessa do primeiro número da revista da PressEuro de Jacques Rodrigues, era auspiciosa: “uma revista para os tempos modernos”! Nem mais. Para tal, resumiam o sucesso da congénere alemã, com citações estrangeiras que garantiam futuro de luxo em papel glacé. E no miolo, entrevistas a notáveis, reportagens de África assinadas pelo mesmo FF e cronistas de luxo certo, como é o caso de Lobo Antunes, António.
Espremendo bem esse fruto dos tempos modernos, será justo dizer que era seco e desenxabido. Com pouco sumo, estiolou depressa e afundou-se nas vendas que são o barómetro mais certo do futuro das publicações e o grande aferidor de modernidades prometidas.
Em 2003, a revista contava já direcções variadas e sem rumo definido. Encartava já suplementos sobre carros e tecnologias e a capa que se apresenta é o modelo mais aproximado de mau gosto que se pode arranjar no jornalismo moderno, em Portugal.

Dirigia então a revista precisamente FF. Do grupo inicial de jornalistas que compunham o projecto de revista para os tempos modernos, tinham saído já nomes como Ana Sousa Dias, Leonardo Ralha, Miguel Coutinho, João Gobern, Marina Ramos, Martim Avilez de Figueiredo e…claro, de Lobo Antunes, António, o rasto já estava na Visão.
Um ano depois, a revista já era orientada por outro jornalista de méritos consagrados no tabloidismo nacional, Rocha Vieira que publicava sem assinar um artigo sobre as “o escândalo das cassetes” que o Correio da Manhã revelara e escrevia “Souto Moura ´ainda`procurador-geral”, grafando a palavra “ainda”, com intenção deliberada, entrevistando logo a seguir, extensamente, Ferro Rodrigues, a quem concedia o direito de proclamar “Até os inocentes têm razões para temer”.
Mais um ano a seguir, estamos em 2005 e a revista era já dirigida pelo conhecidíssimo Frederico Valarinho, o que acabei agora mesmo de confirmar.
Em resumo: o jornalismo da Focus, antes, durante e depois de FF, não se recomenda a ninguém que esteja a ponderar uma profissão de futuro na área. A qualidade, na minha modesta opinião de comprador, nunca passou o limiar amplo da mediocridade e o futuro dos tempos modernos ficou irremediavelmente comprometido.
Sobre as capas alegadamente compradas por um determinado indivíduo influente, nada sei. Lembro-me vagamente de em certa altura, no tempo referido em que FF dirigia a revista, outras publicações impaladas terem, à vista desarmada, expostas em escaparates, fotos e nomes sobe o assunto.
Quanto à capa que se publica apenas posso atestar que o artigo que a acompanha está escrito de modo escorreito e sem riscos. Não nos mostra nenhum estanho mundo, mas deixa-nos entrever um mundo estranho no jornalismo de investigação e que é o exemplo concreto da ausência dela.

A reacção quente e de sangue na guelra, de FF, agora, ressuma a uma atitude de bravata barata. Déjà vu. Desnecessária.
FF não precisa de provar nada, enquanto jornalista e profissional de qualidade na escrita em jornais. Mesmo apesar do fracasso na Focus, os artigos de FF são dos que costumo ler quando a eles acedo. Cada vez menos, porém, uma vez que a revista do grupo Cofina, onde actualmente escreve ao Sábado, não me interessa de todo. Segue a mesma rota de futuro da Focus e fatalmente lá chegará.
Mesmo que FF seja mais um cronista com opiniões sólidas sobre tudo e sobre nada, e sobretudo sobre nada, tal como a maior parte, são dele alguns dos recortes que guardo pelo gozo que me deram ao ler. Lembro, assim de repente, Rir é o melhor remédio, na Focus 61/2000, sobre Manuel João Vieira candidato a Belém e Mistério á nossa moda, sobre Camarate na Focus anterior a essa.

Ferreira Fernandes não precisa de prometer bofetadas a ninguém, como Eça prometeu bengaladas a não sei quem.
Ferreira Fernandes dá bofetadas, sim, mas de luva branca, sempre que escreve com jeito. E essas chegam bem.

Espero, por isso que não diga, se isto ler, que “a identidade é condição necessária para se ter opinião”, como já escreveu por aí.

Publicado por josé 20:07:00 8 comentários Links para este post  



As triagens

Segundo notícia do Diário Digital/Lusa:

O diário mais vendido do país continuou a ser o Correio da Manhã que, apesar de uma perda de 2,6% nas vendas, foi o único a manter-se acima dos 100 mil exemplares vendidos por edição, com uma média diária de 116.071 exemplares.

Entre os dois diários considerados de referência a maior descida foi sentida pelo Público (da Sonaecom), cuja circulação paga caiu 8,9%, para uma média de 44.783 exemplares por edição.

A circulação paga do Diário de Notícias também caiu, tendo este diário também detido pela Global Notícias vendido menos 2.036 exemplares por dia, o que significou uma queda de 5,5 por cento.

O Jornal de Notícias, título detido igualmente pela empresa de Joaquim Oliveira, foi o diário que apresentou a descida menos significativa, de 0,3 por cento, ou seja, uma quebra de 327 unidades. "

O jornal Público foi o que desceu mais - 8,9%- rondando uma média de quase 45 mil exemplares por edição.

Destes números parece haver uma lição tirar, por quem nunca se regateia a dar lições aos outros em editoriais esforçados: o Público merece um director melhor. Este falhou. José Manuel Fernandes devia ler melhor o Libération...e retirar daí ilações.

Outro que deve estar a fazer contas à vida é o jornal de referência no mundo em tablóide: o 24 Horas perdeu cerca de 10 mil compradores por edição. A este, nem "os famosos, o dinheiro ou o crime" lhe valem.

Será que esta queda abrupta tem algo a ver com a "verdade, verdade, verdade", que se espelha diariamente no jornal?

Publicado por josé 14:56:00 6 comentários Links para este post  



At the zoo


In a photo provided by the San Diego Zoo, one of nine Caribbean flamingo chicks is looked after by an adult, Tuesday, June 27, 2006, in San Diego. The recently-hatched chicks may soon have company. With several more eggs on the conical nests, zookeepers are hoping more of the downy gray chicks will soon join the flock. Both male and female flamingos sit on the nests and raise and feed the young birds. (AP Photo/The San Diego Zoo, Ken Bohn)

Publicado por Manuel 23:02:00 1 comentários Links para este post  



para bom entendedor


ESCUTAS

17 de Abril de 2003

- “O João [Pedroso] ‘tá-me a dizer que o Carlos Cruz já comprou duas capas da Focus." - Simões de Almeida

- “Duas não. Deve ter comprado mais" - Simões de Almeida.

- "Ah.. pois, pois. Comprou-as todas porque ele é um gajo que precisa” - Paulo Pedroso

- “É evidente que isto parece ser uma estratégia de defesa brutal para desacreditar o testemunho das crianças, não é?” - Paulo Pedroso

- "É. Isso é o que me parece (..)" - Simões de Almeida

- “Quer dizer.. mas a estratégia do Carlos Cruz parece ser a de desacreditar tudo, não é?" - Paulo Pedroso

- Desconhecido - "É. É.”

diálogo entre Paulo Pedroso e o juiz Simões de Almeida, em Abril de 2003, citado hoje pelo Correio da Manhã,


N.A. Suponho que ainda não é considerado como passível de ser crime citar um jornal, ou linkar para uma pesquisa no Google....

Publicado por Manuel 20:25:00 4 comentários Links para este post  



nomear critérios


O ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira, precisava, eventualmente, de uma pessoa para trabalhar no seu Gabinete, como adjunto/a.
Podia escolher até cinco. Até agora, escolheu três. Ontem, foi publicado no DR, II Série, o nome de mais uma escolha.
A dita cuja é pessoa licenciada em Direito. Seria mais um nome de adjunta, a ocupar funções (in)específicas de gabinete ministerial e a ganhar 2800 euros ilíquidos, caso o apelido fosse anónimo. Não é. Trata-se de Vera Sampaio e é filha do ex-presidente da República.
Isso muda tudo e faz do assunto notícia. Até o Público lhe topou interesse noticioso e publicou notícia a propósito.
Pode perguntar-se: e daí? A licenciada em Direito, independentemente de ser filha de quem é, não terá requisitos necessários para as tarefas de adjunta? Não haverá por aí alguma inveja ou mesquinhez?
Pode efectivamente perguntar-se isso e muito mais.

No entanto, haverá sempre pessoas que parecem não entender coisas que se apresentam como óbvias para o comum cidadão, porque são corriqueiras e de entendimento básico.
É esta a razão única deste postal.

Publicado por josé 17:13:00 24 comentários Links para este post  



The times they are changing

Numa escola do centro de Lisboa, a Directora de Turma recebeu de uma mãe de uma miúda de 13 anos uma carta.

A semhora arranjou um licenciado em direito a exercer advocacia (coisa distinta de um jurista) para fazer o papelão de escrever uma cartinha intimidatória, citando inúmeros artigos e decretos-lei, destinada a suscitar a obrigatoriedade de lhe passarem a menina.

Eu espero que o Ministério Público e os senhores Juízes estejam prontinhos para o que ai vem ...

Publicado por irreflexoes 15:37:00 2 comentários Links para este post  



O fim de uma lenda


Galos deixam de nascer em Barcelos a partir da meia-noite.

Publicado por Nino 20:20:00 3 comentários Links para este post  



O português tem sempre sorte

É isto: um dos milhares de cartões amarelos distribuídos no jogo de ontem acaba por poupar Luis Figo de uma (merecida) punição disciplinar que o impedisse de alinhar (pelo menos) no próximo jogo.


A Comissão Disciplinar da FIFA vai ignorar a cabeçada de Luís Figo a Mark van Bommel, no jogo de ontem que valeu a vitória de Portugal sobre a Holanda (1- 0), nos oitavos-de-final do Mundial de futebol na Alemanha.

Markus Siegler, porta-voz da FIFA, explicou que o lance foi sancionado com um cartão amarelo por Valentin Ivanov, pelo que a Comissão Disciplinar não vai sobrepor-se ao critério do árbitro russo.

O responsável da FIFA recordou que Figo "foi sancionado" pela cabeçada ao médio holandês, não havendo motivos para qualquer outro procedimento disciplinar.

Publicado por irreflexoes 17:53:00 5 comentários Links para este post  



Ah, os Estados Unidos!

Essa democracia monarquia intermitente:

Jeb Bush Eyed for Number Two Spot

Publicado por irreflexoes 17:51:00 0 comentários Links para este post  



Já não há revisores?

Nos jornais.

Da capa do DN de ontem: "Suspeitas recariam sobre ex-GNR por ser insuspeito".

Temos de admitir que não deixa de ser engraçado, uma vez que não tem graça nenhuma.

Perceberam? Nas letrinhas azuis ...

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Ora bolas

Alkatiri demitiu-se.

Vamos continuar sem saber muitas coisas.


Poucas horas depois da declaração de demissão, foi anunciado em Díli que o Ministério Público timorense decidiu ouvir Mari Alkatiri na sexta-feira, no âmbito do processo sobre distribuição de armas a civis, que já levou à imposição da medida de prisão domiciliária ao ex-ministro do Interior Rogério Lobato.

Fonte judicial disse à Lusa que a audição de Mari Alkatiri foi justificada com as declarações feitas na semana passada por Rogério Lobato, "que confirmou todas as alegações feitas por Vicente da Conceição Railos".

Veterano da resistência contra a ocupação indonésia, "Railos" acusou Alkatiri e Lobato de terem ordenado a distribuição de armas a civis para eliminar adversários políticos do chefe do Governo.

Quando exigiu a demissão de Alkatiri, na terça-feira passada, Xanana Gusmão alegou ter perdido a confiança no primeiro-ministro depois "graves denúncias sobre o seu envolvimento na distribuição de armas a civis" feitas numa reportagem da televisão australiana.

Publicado por irreflexoes 15:13:00 1 comentários Links para este post  



Ânimos exaltados no mundo português

Os emigrantes portugueses no Luxemburgo estão a realizar um abaixo-assinado contra dois artigos, considerados "xenófobos", publicados nos jornais Tageblatt e Jeudi que interpretavam a colocação de bandeiras portuguesas às janelas, não acompanhadas das congéneres nacionais, como um sinal de "falta de respeito" e de "não integração" e criticavam a elevada taxa de insucesso escolar entre a comunidade portuguesa.

Sob anonimato, o presidente de uma associação de emigrantes ameaçou ripostar convocando um grupo de mulheres mártires, treinadas durante anos pelos maridos, pronto a imolar-se em frente às portas das embaixadas luxemburguesas espalhadas pelo mundo inteiro, caso o governo do grande ducado não puna severamente os jornalistas. Entre palavras de ordem como “Deco é grande”, milhares de portugueses indignados reduziram a cinzas cigarros com a bandeira luxemburguesa inscrita e rasgaram fotografias do monarca recortadas da imprensa cor-de-rosa.

Ainda em Nuremberga no rescaldo de uma conversão forçada do protestante Miguel Tavares e acólitos à mensagem do profeta Scolari, o xeque Al-Madaíl exortou os portugueses residentes no Luxemburgo a boicotarem os produtos daquele país, nomeadamente as ofertas de trabalho na construção civil e na limpeza. No entanto, na capital do ducado, o pregador da Grande Tasca do Benfica afirmou, perante milhares de fiéis: "Não aceitamos `desculpas`. Deve cortar-se a cabeça daqueles que publicaram esses artigos. Qualquer dia hão-de inventar que trouxemos a sida a este país". As forças de segurança apenas conseguiram dispersar a multidão uma hora depois do início dos distúrbios, recorrendo ao lançamento de (mais) um boato sobre a vida privada de Cristiano Ronaldo.

Publicado por Nino 14:03:00 0 comentários Links para este post  



Brandos costumes

"O exemplo italiano

Dirigentes da Juventus, do Milan, da Fiorentina, da Lazio, o presidente da Liga e vários árbitros começam depois de amanhã a ser julgados em Itália por crimes de corrupção. O escândalo veio a público há pouco mais de um mês, mas a sentença deverá ser pronunciada já em Julho. Compare-se isso como o nosso pelintra "Apito Dourado", que está de novo suspenso na sequência de mais um pedido de recusa de um magistrado feito por um dos arguidos (e outros se anunciam). Serão os magistrados italianos melhores que os portugueses? Não, a diferença entre a justiça italiana e a portuguesa reside, fundamentalmente, nas leis. E quem faz as leis são os políticos, não são os magistrados. Ora o nosso Código de Processo Penal oferece aos arguidos com meios para pagarem advogados a tempo inteiro possibilidades ilimitadas para, com incidentes de toda a ordem e a propósito de tudo e nada, bloquearem o andamento dos processos. O resultado é a prescrição da maior parte daqueles em que há "poderosos" envolvidos. Por isso é que, ao contrário do que fizeram os dirigentes desportivos italianos mal foram constituídos arguidos, nenhum dos acusados do "Apito Dourado" se demitiu. Porque todos têm boas razões para acreditar que nunca chegarão a ser julgados."

Partindo desta crónica de Manuel António Pina no JN de hoje, que mais uma vez se subscreve na íntegra, adianto alguns comentários:

No texto Preambular no nosso Código de Processo Penal de 1987, e da responsabilidade de quem o elaborou, escreve-se assim:

Procurou-se , em particular, tirar vantagens dos ensinamentos oferecidos pela experiência dos países comunitários ( Espanha, França, Itália, RFA), com os quais Portugal mantém um mais extenso património jurídico e cultural comum; países, de resto, todos eles, empenhados num processo de profunda renovação das insituições processuais penais.

É sabido, em meios académicos e não só que o Código de Processo Penal Português, aprovado em Janeiro de 1987 e entrado em vigor um ano depois, se baseou, em muitas das suas disposições, no Código de Processo Italiano que ainda nem estava em vigor à data( só foi aprovado na Itália, em 22 Setembro de 1988 e entrou em vigor um ano depois) , mas cujo projecto já era conhecido do legislador português e por ele foi seguido.

O código de Processo Penal Português, por força de vicissitudes variadas e conhecidas, sempre a propósito de processos célebres com “famosos” da política e da vida social portuguesa, o último dos quais, é o famigerado processo casapiano, sofreu ao longo dos anos de vigência, alterações pontuais que se contam já por dois dígitos, sendo a maior delas, a operada com a Lei 59/98 de 25 Agosto, com Comissão revisora, presidida pelo Professor Germano Marques da Silva e que motivou entrevista rara do presidente da Comissão Revisora de 1987 e que aprovara o diploma original. Figueiredo Dias, de seu nome, declarou que a revisão deixara intactos, apesar de tudo, os fundamentos estruturais da sua obra original…

É esta obra, aliás já revista, que agora vai ser profundamente remodelada, com mais uma revisão, para a capar de veleidades que apesar de tudo ainda permitiam umas escutas “à italiana” e umas detenções “à maneira” da PJ que temos ( tínhamos?).

Esses procedimentos, conhecidos do Conselho da Europa ( muito citado no preâmbulo do Código, pela Comissão de 1987), e do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, foram sendo gradual e rotundamente questionados pelo nosso Tribunal Constitucional, sempre que estiveram em causa interesses fundamentais, de terceiros notáveis. Basta ler as decisões em processos célebres já prescritos.

Então, surge naturalmente a pergunta lógica:

Se o nosso Código é, em certas partes, uma cópia do italiano, o que justifica que um processo de corrupção desportiva seja investigado por lá em tempo record, com o apoio de instrumentos legais e processuais, idênticos ou semelhantes aos nossos, com ampla informação da opinião pública , e por cá, esteja já tudo encaminhado para um desfecho de rato a sair de montanha, ou mesmo de anulação absoluta de todo o processado e arquivamento geral, como previsto por um constitucionalista como Gomes Canotilho e acompanhado de ameaças de procedimento contra magistrados e investigadores e pedidos de faraminosas indemnizações ao Estado, por violação de “direitos fundamentais”?

Em Itália, havendo famosos, poderosos e influentes até ao limite que o dinheiro pode atingir ( veja-se o caso Berlusconi), mesmo assim, as instituições judiciárias funcionam de um modo inaudito por cá: fazem-se buscas impensáveis que seriam criticadas por cá, ao ponto de obrigarem a mudanças de lei; fazem-se escutas, que por cá são sistematicamente anuladas com base em razões legais improváveis ( a impossibilidade de um único juiz poder ouvir 15 mil horas de escuta e controlar as mesmas, por exemplo);e a estabilidade das leis italianas, não se demove com ventos de interesses suspeitos.

Em Itália, a democracia funciona e o princípio da igualdade dos cidadãoes perante as leis, não encontra escolhos constitucionais de relevo; por cá, é sempre, sempre a mesma coisa: processo mediático que envolva pessoas influentes, é processo morto à nascença. E o problema grave, como escreve Manuel A. Pina, é que as pessoas já sabem e contam com isso mesmo, não sendo esta afirmação, uma figura de retórica argumentativa. É uma realidade demonstrável!

Lembro, no início do processo casapiano, a afirmação críptica de uma figura senatorial e do nosso Estado e que presidiu à AR: "as testemunhas podem estar a mentir..." .

Esta situação, comparada com a Itália, ou até mesmo com a França, que até tem outro modelo, envergonha-nos como país, como democracia e como povo. É intolerável e devemos dizer. Basta!

A respostas a estas perplexidades, deveriam ser dadas, em primeiro lugar, por Figueiredo Dias e Germano Marques da Silva, ambos professores catedráticos de Direito Penal, encarregados de serviço público de organização de leis fundamentais e que não se deveriam furtar a, democraticamente, esclarecer o povo, do modo como aplicaram os seus conhecimentos e porque razões as soluções que encontraram para os problemas têm dado no que têm dado e que todos vêem.

Mas para isso, é preciso que lhes coloquem as perguntas…e até agora, só o jornal O Diabo o tem feito. Os outros, fazem reportagens extensas, tipo novo jornalismo neo- realista.

Publicado por josé 13:10:00 10 comentários Links para este post  

Um livro sobre uma das grandes escolas do pensamento económico
Escola Romena – Mercado e Criatividade Empresarial
Prefácio de João Miranda

Crianças e adolescentes, fazendo-se passar por surdos-mudos, abordam as pessoas junto às estações de metropolitano e vias movimentadas da região de Lisboa pedindo-lhes dinheiro para a construção de um centro. Há quem dê uma nota de cinco ou dez euros e, ainda por cima, assine uma folha e escreva o nome e o número de telefone. E assim, ingenuamente, caem em mais um conto do vigário, praticado por romenos, a maioria ilegais.

O militar da PSP revela que são romenos, a maioria ciganos ilegais. De burla em burla, transitam entre a Roménia e países da UE, nomeadamente Portugal e Espanha, e alteram o "negócio" à medida que deixa de ser lucrativo. Começaram como pedintes, passaram à lavagem dos vidros dos carros, transitaram para a venda da revista dos sem-abrigo, a Cais, e agora utilizam as crianças, na maioria do sexo feminino, na "angariação de fundos". É uma carrinha que os vai distribuindo por Lisboa.

DN

Publicado por Nino 8:00:00 0 comentários Links para este post  



Segundo assassino em série de Santa Comba Dão nos últimos 50 anos também é visto como "boa pessoa" pelos vizinhos

Um cabo da GNR reformado, de 53 anos, foi detido hoje pela Judiciária de Coimbra por suspeitas de ter assassinado pelo menos três raparigas, com idades entre os 16 e os 18 anos de idade, que desapareceram no ano passado em Santa Comba Dão.

fonte

Publicado por Nino 20:34:00 13 comentários Links para este post  



"esta é a ética"

De um leitor, por mail. devidamente identificado...



vd a pág 16 do independente de hoje

Ontem recebi a carta publicitando um curso sobre a nova legislação empresarial.

Além do custo, 895 Euros+IVA por apenas um dia, mas o mercado é livre e ninguém é obrigado a inscrever-se, os oradores/formadores, três membros do actual governo, ou melhor dois ajudantes de ministro e um ajudante de ajudante.

Além da duvidosa legalidade (sou engº), esta a ética.

Publicado por Manuel 18:48:00 1 comentários Links para este post  



qual crise ...

Temos que baste: a pátria à janela
e a vontade na cama.

Eduardo Pitta

Publicado por contra-baixo 16:41:00 4 comentários Links para este post  



Sobre o que se passa em Timor

Tenho apenas duas perguntas:

- Quem é que vendeu a Timor as armas que andaram a ser distribuidas aos civis?

- A GNR foi reconvertida para guarda pretoriana?

Publicado por irreflexoes 12:37:00 21 comentários Links para este post  



génio

A propósito da revisão da Lei do protocolo de Estado (vide Público do último Domingo) a posição do PSD, pela voz de Mota Amaral (!), ao tratar em 'pacote' os 'direitos' da Igreja Católica e os dos descendentes da... família real é absolutamente comovente. Nem os mais puros jacobinos se lembrariam de tal.

Publicado por Manuel 23:14:00 2 comentários Links para este post  



Análise a Execução Orçamental - Janeiro Maio de 2006

Head-Line : Mais Receira e mais Défice...

Défice do Sub-Sector Estado

O comportamento da despesa nos primeiros cinco meses de 2006, mostra um descontrolo preocupante das finanças públicas portuguesas, como comprova a evolução do défice mensal no decorrer dos dois últimos anos.
Comportamento da Receita

A chamada receita corrente atingiu nos primeiros 5 meses do ano, cerca de 14.671 milhões de euros, mais 8,3 % do verificado em 2004, que corresponde a mais 957,5 milhões de euros. No entanto é necessário induzir os seguintes efeitos para perceber se este crescimento corresponde ao crescimento real ou não :
  • Os reembolsos de IRS através da emissão da respectiva nota de crédito ainda não foram processados nem serão no decorrer do mês de Junho, o que por si só é responsável – valores de 2005 – por um acréscimo de “receita indevida” de 614 Milhões de Euros. Apesar de este impacto apenas ter ocorrido em Julho de 2005, é de realçar desde este impacto nos próximos meses.
  • Admitindo uma melhoria na relação entre o contribuinte e o Estado, destaca-se o aumento da autoliquidação de IRC, responsável pelo aumento de 240 milhões de euros.
  • Perda já em Junho do impacto do efeito base desviado da taxa de IVA. O crescimento homologo em 2006 (taxa 21%) face a 2005 (taxa 19 %) foi de 12,3 %, enquanto que o crescimento homologo em 2005 face a 2004 – taxa base de 19 % - situou-se nos 12,1 %, pelo que já a partir de Junho é previsível a queda nas taxas de crescimento do IVA e consequente quebra da receita fiscal. Uma vez mais este mês fica demonstrado a correlação negativa existente entre o aumento do IVA e a repercussão na taxa de crescimento da economia e no impacto na procura interna. Inclusive um dos objectivos secundários – reduzir a pressão da procura sobre a oferta e consequente crescimento da inflação homóloga não foi conseguido.

Comportamento da Despesa

A despesa provisória do subsector Estado no período em análise situou-se em € 16.466.8 milhões representando um aumento em termos homólogos de 9.5%. Este comportamento da despesa assenta em três vectores:

  • Aumento das transferências correntes para a segurança social e para o sistema nacional de saúde.
  • Aumento da despesa com juros referentes á emissão de dívida pública, ainda que seja expectável que esta rubrica venha a corrigir ao longo do ano.
  • Realização da transferência de 75 Milhões para a CGA que já deveria ter sido realizada e só este mês foi consumada.

No entanto importa destacar que a despesa apresenta não só a maior variação homóloga em Maio desde 1998, como cresceu quase 9 vezes acima do crescimento expectável da economia. Ainda assim devem ser considerados em análise os seguintes elementos que evitaram uma subida ainda maior da despesa:

  • As despesas com pessoal apresentam o decréscimo mais significativo (2,5%), mas note-se tal deve-se a dois factores:
  • Transferência dos Laboratórios do Estado para os serviços e fundos autónomos que se traduz num impacto em termos percentuais de 1,3 %.
  • Redução de contratação e congelamento de escalões no Ministério de Educação ao nível do ensino básico e secundário, responsáveis pela diminuição de sensivelmente 1,0 % das despesas com pessoal.
  • Desorçamentação por força da diminuição dos encargos associados ao financiamento da CGA que contraria o previsto em Orçamento de Estado.
  • Redução na execução dos encargos associados á bonificação dos juros á habitação, responsáveis pela diminuição de 11,1 % dos subsídios.

Publicado por António Duarte 20:55:00 2 comentários Links para este post  



pocket money

Tenho andado, por aí, distraído, e ainda mais atarefado... Deve ser por isso que não vi em lado nenhum o enunciar dos custos, certamente simbólicos, da mega parada militar ocorrida no Porto por ocasião do último 10 de Junho. Aliás, os custos devem ter sido tão simbólicos que deles ninguém deve ter achado por bem dar conhecimento ao PR... Questões de trocos.

Publicado por Manuel 18:24:00 2 comentários Links para este post  



Em jeito de despedida

Alguém me sabe esclarecer porque é que a tomada de posse do Governandor do Banco de Portugal, que exibiu a sua independência tocando nessa mesma tomada de posse a música do agrado de quem o renomeou, aconteceu agora?

1) Foi porque já foram revistos os benefícios inenarráveis da administração do Banco de Portugal mas ninguém se lembrou de falar disso;

2) Porque essa medida acabou absorvida no Simplex e, portanto, nunca mais se vai ouvir falar dela mesmo, pelo que é irrelevante o momento da tomada de posse.

3) Foi proque os benefícios vão ser revistos em breve, o que justifica a tomada de posse JÁ com vista à aquisição duma espécie de direitos adquiridos à moda do empreiteiro (aprovação do PIP antes da alteração do PDM - faz-se todos os dias).

Uma das alíneas, como compreendem, é uma piadinha. Descubram qual ...

Publicado por irreflexoes 17:26:00 2 comentários Links para este post  



Improváveis coincidências políticas

O desempenho do Prof. Cavaco Silva como Presidente da República vai gerando as primeiras manifestações públicas da prática muito portuguesa de dizer "eu votei nele mas não foi para isto".

Conheço sobejamente a prática, que costumo aplicar ao actual Governo a propósito de certas medidas. Até aí tudo normal. O que não é normal é que, de repente, percebam todos que foram enganados.

O Manuel proclama: "Afinal, não foi para que tudo continuasse na mesma que eu votei no Prof. Cavaco, nem eu, nem, suspeito, muita gente..."

O Paulo Gorjão vai de dizer que: "a consequência disto é que Cavaco Silva se põe a jeito para ser comparado com os seus antecessores. Ora, quem o elegeu não queria, certamente, mais do mesmo."

Esperavam o quê, então? Um golpe de Estado a partir de Belém?

Publicado por irreflexoes 17:12:00 5 comentários Links para este post  



Ainda sobre as comparações simplistas

Tomemos aqui, para comparação, as despesas (inclui transferências) da administração pública central (excluindo Institutos Públicos, Autarquias e Segurança Social) previstas no OE:

2003 - 63.169.039.411 €

2004 - 78.781.959.085 €

2005 - 83.161.672.109 €

2005 rectificativo - 85.239.899.106 €

2006 - 89.783.009.685 €

Com mais 5 mil milhões de euros e uns trocos do que a despesa prevista por Santana Lopes e mais 4,5 mil milhões de euros do que a despesa prevista no Rectificativo qual é a dificuldade de cumprir o orçamentado?

Dificil, dificil era orçamentar o mesmo valor do ano passado e depois viver com isso.

Publicado por irreflexoes 16:36:00 0 comentários Links para este post  



Ouve-se

Na TSF o Sr. Ministro das Finanças a recusar "comparações simplistas" como as que fizémos ontem, aqui mesmo.

Diz ele que o que interessa é se se está a cumprir o orçamentado. Bom, é importante, reconhece-se. Mas nada diz sobre a evolução da despesa. Se mais previrmos mais gastamos e estamos sempre a cumprir a previsão. Assim também eu.

Publicado por irreflexoes 15:24:00 0 comentários Links para este post  



Sons de estimação


No meu quarto, num tempo de estar só e quando crescia para ser homem, ouvia música e apanhava ondas de surf de boas vibrações, sonhando com raparigas da Califórnia, fossem Rhondas, Carolinas ( não…) ou Barbra Ann.
Só Deus sabe como seria giro, então, poder beijá-las, sem lágrimas pela manhã, juntando apenas música ao meu dia, até morrer…de amor.
Mas… não fui feito para estes tempos.

Este pequeno texto de homenagem a Brian Wilson que hoje também perfaz 64 anos e que compôs uma das melhores canções de todos os tempos, God only knows. Admirada por Paul McCartney como tal, foi incluída no Lp Pet Sounds de 1966 , o qual, a par do disco dos Beatles, Sgt. Peppers, ontem aqui lembrado, é justamente considerado o melhor disco de música popular, de sempre.
O palimpsesto que escrevi, por baixo, contém este texto original que é uma espécie de best of da música dos Beach Boys e de Brian Wilson:

In my room, Time to get alone, When i grow up to be a man, I can hear music, Catch a wave, Surfin´, Good Vibrations, California Girls, Help me Rhonda, Caroline No, Barbra Ann, God only knows, Wouldn´t it be nice, Then i kissed her, Tears in the morning, Add Some Music to your day, ´Til i die…LOVE.
I just wasn´t made for theses times.

PS. Espero que o Manuel A. Pina encontre os discos perdidos e as memórias intactas.
Sugiro para audição, God only knows, seguido de I Get around

Os cinco Beach Boys sobreviventes-- Al Jardine, Bruce Johnston, Mike Love, Brian Wilson, and David Marks -- reunidos no cimo da Capitol Tower em 13 de Junho 2006

Publicado por josé 13:52:00 6 comentários Links para este post  



Lendo os outros

A sua acuidade, atenção e (a)propósito:

...e mal pagos

Os assessores de imprensa do Governo andam amuadotes porque se consideram mal pagos.
Coitados, mais umas vítimas do marialvismo português, agora da tradição reles de pagar mal às amantes. Assim o país não evolui.

Publicado por irreflexoes 12:18:00 1 comentários Links para este post  



Intendência

- O Adufe mudou de casa. Agora está aqui. Infelizmente já não está aqui, aqui. Mas devia, até porque está em granfe forma.

- Idem, mas não mudou de casa, para o João Gonçalves.

- O Daniel Oliveira, sózinho, não tem nem um terço da piada. Pelo menos para quem o lê. É que desapareceu aquela ponta de curiosidade de ver quando é que o homem rebentava com mais um blog. Agora só se for num improvável momento de esquizofrenia.

- Ainda há quem escreva grandes frases na blogosfera lusa: "A verdade é que a bíblia é tão dúbia e passível de interpretações antagónicas que parece ter sido escrita pelo gabinete jurídico de um qualquer conselho de administração.".

- E ainda se lêem comentários lúcidos como este, do Lóbi-do-Chá: "O Governo parece muito preocupado com a imagem de Portugal junto dos investidores internacionais. Quando alguém sugeriu que o Governo cobrasse à General Motors os subsídios concedidos por contrato até 2008, o ministro da Economia disse, num tom académico mas generoso, que não podemos assustar as empresas que podem vir a investir em Portugal. Nem parece o mesmo Governo. Tão fresquinha que ainda está a expropriação dos terrenos da Bombardier, na Amadora."

Publicado por irreflexoes 17:19:00 1 comentários Links para este post  



Quando tiver 64...


When I get older losing my hair
many years from now
will you still be sending me a valentine
birthday greeting, bottle of wine
If I'd been out till quarter to three
would you lock the door
Will you still need me
Will you still feed me
When I'm sixty-four

Beatles, 1967.

Em 1966, Paul McCartney compunha esta canção, publicada no ano seguinte, no LP Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, em que perguntava explicitamente se alguém lhe ligaria alguma… quando tivesse 64 anos! Fê-los ontem!
A pergunta, porém, tem aqui resposta hoje mesmo.

Quando envelhecer , perdendo o cabelo,
Daqui a muitos anos,
Será que me mandam um postal a desejar bom aniversário?

É para já, Sir Paul McCartney! O que lhe devo em alegrias musicais, ao longo dos anos, justificam uma plena homenagem em formato de postal num blog despretencioso, no imenso universos blogosférico global.
A música e algumas palavras de Paul McCartney, nos Beatles e em trabalhos “ a solo”, para mim significam tanto como as melhores obras artísticas, literárias, pictóricas ou de outra ordem.
A música composta por McCartney ao longo dos anos, reúne alguns dos melhores sons que alguém jamais produziu para serem ouvidos.
É essa singela homenagem que aqui fica.
A canção dos 64 anos, gravada há quase quarenta , em finais de 1966 e incluída no mítico Lp de 67, dos Beatles, Sg Peppers Lonely Hearts Club Band, trazia em anexo uma nostalgia futura: lembrava aos novos que a velhice dos sessenta viria lá para o fim dos tempos e se atingiria lá para o séc. XXI, numa data de ficção científica.
Acontece porém que já lá chegamos e a ciência, ficcionando promessas, ainda não nos permite viajar no tempo, como então se julgaria possível.
Viajemos então nas memórias, que são interstícios do tempo, com sensações fragmentadas de “alegrias e dores, penas e trabalhos”.
Em 1966, até 1970, para mim e em termos estritamente musicais, havia os Beatles e pouco mais.

E os Beatles, pouco mais eram do que as canções Ob La Di Ob La Da, Yellow Submarine, All you need is love ou Oh Darling.
Era mais um grupo de singles do que um disco de longa duração.
Contudo, o grupo já vinha a compor êxitos desde 1963, com o álbum Please Please me que continha pérolas musicais como Love me do ( inteiramente de McCarteny), Do you Want to Know a secret, para além do tema título do disco que começava com uma sonoridade de harmónica.
O segundo disco, With the Beatles, do mesmo ano, continha por exemplo All my loving (inteiramente de McCartney) e o terceiro, lançado em 1964 com o título Hard Days Night, continha Things we said today( inteiramente de McCartney) , You can´t do that e And i love her (inteiramente de McCartney). No mesmo ano saiu Beatles for Sale que tinha I´ll follow the sun (inteiramente mcCartney) , I don´t want to spoil the party e No reply .
Em Agosto de 1965 ouvia-se Help!, com as canções do filme do mesmo nome, realizado por Richard Lester e que incluía três canções das melhores do grupo: You´ve got to hide your love away ( Lennon, influenciado por Dylan, segundo uma entrevista de McCartney à revista Playboy, em 1984) , Yesterday e I´ve just seen a face .
A canção Yesterday , talvez a mais interpretada por outros autores na história da música, é um clássico da autoria exclusiva de Paul McCartney que a terá escrito definitivamente, a caminho do Algarve, com algumas hesitações quanto à letra que começou por se referir a ovos estrelados e ao amor às… pernas duma rapariga. A melodia e a letra definitivas , porém, sintetizam na perfeição as agruras de um afecto perdido de um dia para o outro, sem remédio e por culpa própria.
Em Dezembro do mesmo ano, novo lançamento. O álbum Rubber Soul representa uma viragem na obra dos Beatles, já decisivamente influenciados por Bob Dylan que os encontrou em Londres e a construção de uma identidade para além da herança dos anos 50 e do rock n´ roll. As letras, até aí de algum descomprometimento social, começam a reflectir, aos poucos, outras preocupações para além das mulheres e do amor conquistado e perdido. Nowhere man fala de solidão e In my Life , a primeira de John Lennon, e a última de McCartney, esta última com a curiosidade do cravo, e de nostalgia de lugares do passado. Michelle ( inteiramente de McCartney) é uma cançoneta cantada em inglês e francês, de letra simples e de beleza desconcertante. Norwegian Wood, inteiramente da autoria de John Lennon, integra a primeira intervenção do instrumento indiano, “sitar”, na música rock e refere-se à infidelidade matrimonial ( de Lennon, supõe-se).
O disco de Agosto de 1966, Revolver, é outro marco da música pop. Seguramente entre os dez melhores discos da década, contém pérolas musicais como Eleanor Rigby( essencialmente de McCartney) , com uma parte de violinos directamente inspirada na música de Vivaldi ( Lennon dixit) e letra a contar a história de mais solidão; Here there and everywhere, de Paul McCartney, sobre o que significa amar em perfeita harmonia; For no one, também de McCartney e uma das preferidas de John Lennon, juntamente com a anterior, é uma crónica dum amor a dois que ficou órfão, com saudades de quem ficou. Yellow Submarine,( inteiramente de McCartney) cantada por Ringo Starr, é um exercício de virtuosismo conceptual de McCartney, a nível musical e com um refrão facilmente apreendido e cantado. Um clássico.
O disco seguinte, já de 1967, Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band é o primeiro álbum conceptual da música rock, utilizando as treze canções como um todo, em sequência e ligadas entre si, com influências musicais de diversas proveniências e que transcendiam o tradicional blues e rock n´roll,. Não continha singles evidentes, mesmo que Lucy in the sky with diamonds ( de Lennon) viesse a atingir o primeiro lugar de vendas nos USA, em 1974, na interpretação de Elton John. O disco vale como exercício de inovação e composição em estúdio, de uma complexidade superior e levou seis meses a completar. Na altura, Pete Towshend dos Who achou-o fantástico e aquilo que ele próprio queria fazer. Para completar o quadro, a BBC proibiu a faixa A day in the life, por entender que continha referências implícitas ao consumo de drogas.
A revista Time , na época, para além de lhes dedicar a capa , escreveu que “ a capa num novo LP chamado Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band é uma fotomontagem de um grupo de pessoas reunido à volta de uma campa. Um curioso grupo: Está lá Marylin Monroe e também Karl Marx, Edgar Allan Poe, Albert Einstein, Lawrence da Arábia, Mae West, Sonny Liston e oito Beatles. Oito? Bem, quatro deles, de pé, parecendo bonecos de cera, são de facto figuras de cera dos Beatles como a maioria das pessoas os reconhecem: cabelo bem penteadinho, fatos escuros, caras de meninos de coro. Os outros quatro Beatles estão bem vivos: magritos, com aspecto hippie, de bigode, vestidos com uniformes esquisitos."
No mesmo artigo, é citado um compositor de “canções de arte “, Ned Rorem, o qual refere que uma das composições do disco, She´s Leaving Home(inteiramente de McCartney) , é equivalente a qualquer uma das canções que Schubert escreveu. Também Leonard Bernstein tem idêntica opinião. Cita Schumann e um musicólogo, Henry Pleasant diz estarem os Beatles onde a música `estava`, nesse momento.
Contudo, numa entrevista à revista Musician, em Agosto de 1980, Paul McCartney dizia que o disco tinha sido muito influenciado pelo Lp Pet Sounds, dos Beach Boys, saído no ano anterior e que os tinha impressionado sobremaneira pela invenção musical, o que levou directamente a uma emulação criadora. Curiosamente, Brian Wilson, o criador de Pet Sounds, dizia nas notas à reedição do disco em cd, em 1990, que em Dezembro de 1966 começou a ouvir Rubber Soul e que este também o impressionou e o desafiou pela qualidade artística de cada uma das músicas e sentiu a necessidade de competição…

A seguir a essa obra prima, e ainda no mesmo ano, os Beatles lançaram Magical Mistery Tour, filmado também para um espectáculo na televisão. O disco, na Inglaterra só saiu em 1976, mas a edição americana continha os singles Penny lane ( inteiramente McCartney) e All you need is love, saídos anteriormente e ainda Your mother should know ( inteiramente McCartney) e Strawberry fields forever ( Lennon). É um disco sem história, uma extensão do anterior , mas com essas músicas memoráveis, apesar de tudo.
Em 1968, Paul McCartney escreveu dois temas – Lady Madonna e Hey Jude – que se tornaram sucessos como singles e precederam a saída do album duplo de capa branca, por isso mesmo chamado Álbum Branco, um compêndio do génio musical do grupo e de McCartney em particular.
Este disco contém trinta canções que são uma espécie de testamento dos Beatles, pois abrangem todas as facetas musicais do grupo e algumas obras primas como Ob la Di Ob La Da, Piggies ( George Harrison), Martha my dear , Blackbird ( essencialmente McCartney) , Júlia ( Lennon) , Sexy Sadie ( Lennon) e While my guitar gently weeps( George Harrison). Não sendo um álbum conceptual é um álbum de conceitos: Piggies, de G. Harrison é sobre porcos e porquinhos que vivem na sujidade e se deleitam com isso; Julia de John Lennon é sobre a mãe deste, e também sobre a mulher Yoko Ono.
Sexie Sadie, de John Lennon, é sobre o guru Maharishi e foi escrita à partida da Índia. Dear Prudence escrita na Índia por J.Lennon, é sobre uma irmã de Mia Farrow que aí se tornou uma meditadora compulsiva em busca da descoberta cósmica, à frente dos demais e numa óptica de competição.
Em 1969, os Beatles publicaram Abbey Road.
As contribuições de McCartney para esse disco já “do meu tempo”, mais que perfeito:
Maxwell´s silver hammer; Oh Darling, numa interpretação que marcou a minha entrada séria na música dos Beatles, com vontade de conhecer tudo o que havia para trás; You never give me your Money; Carry that weight; The end.
Em 1970, o último disco do grupo chamou-se Let it be e já foi aqui cronicado em tempos.
De McCartney podemos ouvir:
Let it be, na sua magnificência clássica e The Long and Winding Road, no seu classicismo magnífico, resumem o disco, sem necessidade de esperar pela última, Get back.
Regressando porém, ao futuro das décadas seguintes, de 70 e 80, McCartney produziu ainda algumas obras primas de relevo singular, em single publicadas. A escolha por álbum quanto a mim, recairia em duas ou três obras: uma de 1973, Band n the Run e outra de 1975, Venus and Mars e a última , em 1978, London Town.

HAPPY BIRTHDAY, Sir Paul McCartney.

Publicado por josé 16:36:00 10 comentários Links para este post  



Coisas que não é suposto serem faladas

E, graças ao jornalismo que temos, não são.

Veja-se esta pérola constante do Boletim Informativo de Maio (link) da Direcção Geral do Orçamento, sobre a esquecida questão da "contenção orçamental":

A despesa provisória do subsector Estado no período em análise situou-se em € 16 466.8 milhões representando um aumento em termos homólogos de 9.5%.

O ano passado, recorde-se, registou um défice orçamental histórico, que não era visto desde os tempos de Cavaco. Sim, de Cavaco. Guterres, nesta história, tem mais a fama que o proveito.

Publicado por irreflexoes 12:38:00 1 comentários Links para este post  



Falar da casa dos outros

em modo de citação:


Depois da vitória de Cavaco Silva nas eleições presidenciais, era clara a predisposição dos cavaquistas para tomarem conta, de novo, do PSD. Cedo demais para tomarem o PSD nacional, optaram por começar agora a reconquista das estruturas do PSD por Lisboa. Paula Teixeira da Cruz foi a escolhida para a operação de tomada de poder.

Para que não restassem dúvidas quanto à intencionalidade, além da candidata à distrital de Lisboa ter sido colaboradora de Cavaco nos seus governos e ser mulher do porta-voz da Cavaco no governo, faz-se acompanhar do ministro mais empreendedor de Cavaco - Ferreira do Amaral para candidato à mesa da assembleia e de Manuela Ferreira Leite - a mais cavaquista dos cavaquistas como sua mandatária.

Também Alexandre Relvas, o director de campanha de Cavaco Silva parece ser candidato nas listas de Paula Teixeira da Cruz. Um sinal inequivoco do ímpeto dos cavaquistas na tomada de posições no interior do PSD.

Publicado por irreflexoes 12:14:00 0 comentários Links para este post  



Cow Parade


in El Mundo

Publicado por contra-baixo 12:10:00 3 comentários Links para este post  



Joaquim Miranda 1950-2006

Faleceram precocemente os renovadores João Amaral, Luis Sá, Edgar Correia, Barros Moura, Lino de Carvalho e Joaquim Miranda. O segredo para a longevidade parece ser a cristalização do ideário comunista.

Publicado por Nino 9:22:00 3 comentários Links para este post  

Durante muito tempo pensei e desejei escrever sobre o assunto, não o tendo feito exclusivamente por falta de jeito e por justificados pruridos, pois quase de certeza que, ou cairia numa lamechice a que o porte digno da visada não apela, ou porque mediria o grau da desgraça humana pela beleza e atracção sentida, o que me soaria como uma forma de perversão. Felizmente que me fiquei só pela intenção, pois entretanto alguém o fez com as palavras certas.

Soco no estômago


Tem os pés descalços. Melhor, um dos pés. O outro não existe. Nem a perna. Tem o cabelo sempre todo emaranhado, espécie de confusão de rastas involuntárias. E sobre a pele morena, uns olhos verdes, grandes, luminosos, que desviam a atenção dos olhares dos outros da cadeira de rodas onde está sempre depositada, ali, no meio da estrada, quase sempre em frente ao Hotel Ipanema Park, a caminho da Foz. Os carros passam, desviam-se. Às vezes param. Ela rodopia, nunca sorri, estende a mão e regressa à linha que divide as duas faixas de rodagem. Quando há jogos do Mundial e a cidade fica vazia, ela continua lá. Quando os trovões caem do céu para se estatelarem no chão como caixas de sapatos com lâmpadas, também.

Helena

Publicado por contra-baixo 23:10:00 9 comentários Links para este post  



a candidata

Paula Teixeira da Cruz é - sem tirar nem pôr - um dos elementos mais válidos do PSD actual, e daria porventura e por oposição a muitos dos candidatos ditos naturais, uma excelente líder, e - porque não - primeira-ministro. Dito isto, também não percebo muito bem o seu avanço para a Distrital de Lisboa do PSD... Ou melhor, "só" percebo o voluntarismo. Espero é que esse mesmo voluntarismo lhe grangeie, desta vez, melhores resultados do que os obtidos quando aceitou ser candidata ao Conselho Distrital da OA de Lisboa... Merece-os.

Publicado por Manuel 16:54:00 4 comentários Links para este post  



o primeiro grande erro de Cavaco

Dez anos volvidos os apelos ao "diálogo" voltaram. Não, ainda não foi desta que o Engº Guterres regressou do Nevoeiro, mas quase. Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, num gesto radical e fracturante, decidiu tomar o partido explícito da CAP, no "conflito", muito pouco elegante registe-se, que a opõe ao Ministro da Agricultura, apelando ao... diálogo. É pena. É pena porque, independentemente da maior ou menor habilidade de Jaime Silva, a Agricultura portuguesa precisa de ser reformada, e reformada radicalmente, mais, precisa de ser colocada no seu lugar e requalificada à sua exacta e precisa dimensão. Não é simplemente concebível que o orçamento do Ministério da Agricultura seja comparável ao do do Ministério da Justiça e do da Administração Interna... combinados, ponto.

Cavaco escolheu, infelizmente o caminho mais fácil. Tal como outros, no caso das maternidades, esquivou-se à substância e refugiou-se num apelo cínico ao... diálogo, para gáudio da Confederação dos Agricultores. Mal, muito mal, péssimo. Ora, aquilo que a CAP ainda não provou, desde os tempos idos em que Cavaco era (aliás) primeiro-ministro, e em que enterrou milhões de fundos europeus destinados à agricultura numa... sede faraónica, é que quer verdadeiramente modernizar e racionalizar o sector agrícola português. Na prática, só se ouvem quando se trata de discutir subsídios, ora porque chove, ora porque faz sol.

Cavaco, melhor que muitos, conhece os problemas das contas públicas, melhor que quase todos é suposto saber do imperativo da implementação de reformas. Reformas que terão que passar também inapelavelmente pela agricultura e pelo fim de muitos dos regímes de previlégio e excepção que pululam naquele sector. É por isso que é de todo incompreensível, para não dizer irracional, esta sua atitude, a qual voluntária e conscientemente, fragiliza as tímidas reformas e passos que se tentavam dar para racionalizar a Agricultura, e o respectivo Ministério (que no limite não deveria ser mais do que uma secretária de estado do ministério da economia, ordens de magnitude mais leve e ágil), em Portugal. Afinal, não foi para que tudo continuasse na mesma que eu votei no Prof. Cavaco, nem eu, nem, suspeito, muita gente...

Publicado por Manuel 14:28:00 9 comentários Links para este post  



O desejado

Proença de Carvalho, segundo o Correio da Manhã de hoje, defende numa entrevista a publicar na revista Atlântico, que “não temos ninguém a quem pedir responsabilidades pelo mau funcionamento da Justiça”.
Este discurso recorrente do causídico notório, apontado desde há anos como potencial candidato a procurador-geral da República deste país, remata uma outra afirmação de tomo e de ribombante repercussão: “O presidente Jorge Sampaio foi, de alguma forma, humilhado no caso do Envelope 9” e que as buscas ao jornal 24 Horas foram feitas “ perante a total impotência do poder político”, criticando assim o primeiro-ministro e o ministro da Justiça pela inoperância.

Segundo estas declarações extraordinárias ou nem tanto, porque já em repetição, o que deveríamos esperar de Proença de Carvalho enquanto titular do cargo máximo no órgão de Supervisão que será a PGR(segundo o site do governo)?
Pois será fácil de concluir, em boa lógica.
Se um Souto fosse um Proença, logo que estalou o escândalo através do jornal 24 Horas, órgão de referência ímpar, no panorama da imprensa portuguesa, um Proença assim constituído, nem esperaria pela convocatória do PRepública, que aliás apenas teria abrigo no disposto no artº 134, al. e) da Constituição, em que se refere a intervenção do PR em emergências para a vida da República.

Como todos agora reconhecem, devido à repercussão da questão, tratava-se mesmo de uma emergência, pois estava em causa a averiguação de condutas irregulares no âmbito de um Inquérito penal, idêntico na sua essência a centenas de milhar de outros relativos a cidadãos anónimos deste país. A diferença de vulto, porém, reside em que não era um Inquérito com cidadãos anónimos e como toda a gente sabe, a Constituição e a lei penal, estabelece um tratamento diferenciador entre o cidadão comum e as “altas figuras do Estado”. A afirmação genérica do artigo 13º onde se refere que “ Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”, observa aqui, nessa interpretação sui generis de latos comentadores, uma leve entorse orweliana e deveria ficar por isso à mercê de PGR´s como Proença gostaria que fossem e por isso, ele próprio sê-lo-ia -se o fosse.
A justificação para tal celeridade e emergência, reside por isso e como alguns comentadores encartados já disseram, na extrema gravidade dos factos que se resumem a saber quem pediu e teria visto uma lista de telefones usados por altas figuras do Estado. Grave, gravíssimo como todos unanimemente reconhecem. Mais grave que isto, só mesmo um terramoto.

Assim, o PGR Proença, assumiria, ele mesmo, a iniciativa das operações de resgate da honra perdida dos investigadores, digo, das altas figuras do Estado, em nome da emergência nacional, cosntitucionalmente garantida.
Para tal, mesmo que a notícia denunciasse a prática de crimes públicos de abuso de poder, o PGR Proença, instauraria uma averiguação sumária e rápida, num qualquer dossier do tipo daqueles que os advogados usam para guardar documentos e em “dois ou três dias”, teria a resposta à pergunta fatal de quem pôs a lista no processo.
Escusado será dizer que teria que ouvir os intervenientes, investigadores no processo, a quem evidentemente daria garantias administrativas, próprias de dossier de advogado. Teria que ouvir as pessoas que remeteram a informação ao processo, com as mesmas garantias. Teria que consultar o próprio processo, oficial e que se encontra em fase de julgamento, nas mãos do Tribunal Penal. Teria que ouvir também e eventualmente os jornalistas que publicaram a notícia e saber se ela corresponderia à verdade factual e fá-lo-ia na mesma com as garantias administrativas de dossier de advogado.
E com base nessas diligências que se fazem “ em dois ou três dias”, com garantias de direitos "de boca", daria a resposta que afinal já era conhecida de todos- pelos jornais.

Claro que com essa actuação o PGR Proença, passaria por cima de todas as regras processuais penais, do actual Código de Processo. Mas isso, que valeria essa ilegalidade, numa emergência tamanha com esta?
No caso de ouvir e responder a uma convocatória do PR como a que foi efectuada, teria ainda que observar com a reverência de uma submissão hierárquica que a Constituição não prevê nem aceita, a exigência fatal do presidente da Republica e aceitar, reconhecido que este não o demitisse na hora, mas depois de ouvir o governo.

Mas essa interferência do PR na marcha de um processo que significaria, afinal? O presidente da República, como entidade que nomeia o PGR, não pode meter cunhas, perdão, pedidos , para que determinado Inquérito seja investigado com toda a urgência, passando por cima de todos os demais, sob pena de serem “ retiradas todas as consequências”, da falta de atenção ao pedido ?
Sofrerá alguma coisa com isso, a autonomia do MP ( e do PGR) consagrada constitucionalmente?
Claro que no entender do PGR Proença, nada disso importa.
Portanto, como o actual PGR Souto, se limitou a respeitar as leis existentes, seja a constitucional ou a de processo penal, o futuro e putativo PGR acha que “isto está mal” que o PR foi humilhado e que esse é o exemplo de que “ não temos ninguém a quem pedir responsabilidades pelo mau funcionamento da Justiça” .
No caso concreto de o advogado Proença ser efectivamente o PGR, saberíamos muito bem a quem pedir essas responsabilidades pelo (in)cumprimento das leis: a ele próprio- e não seria bonito de ver o que viria a seguir.

Publicado por josé 12:14:00 25 comentários Links para este post  



momentos zen

Um destes dias trespassou o país uma daquelas micro-indignações, típicas de Verão. Já passou. Foi apenas uma cidadã indiana a quem recusaram a nacionalidade portuguesa, pese dominar a língua, ser casada com um português, viver cá há vários anos, etecetera e tal. Recusaram-lhe a nacionalidade porque não sabia o hino, muito menos a cultura portuguesa. Nesse dia, à noitinha a SIC/Notícias dedicou alguns minutos ao caso, convidando Marinho Pinto, advogado, a comentar o tema. E Marinho Pinto comentou, e comentou, e mais, até nem parecia, para um observador casual, particularmente insensato ou exótico, até que no final - borra a pintura toda - e lá confessa que, afinal, estava a falar de cor, que não conhecia a Lei (da naturalidade), a nova e a antiga, logo, no fundo, que dava apenas palpites. Contudo, nem ele, nem ninguém questionaram a legislação - boa ou má. A culpa, é claro, foi dos juízes, malandros e tratantes, que se terão limitado a... cumprir a Lei.

Para Marinho Pinto, Proença de Carvalho e muitos outros, as regras, que eles muitas vezes fizeram, são algo de ténue e relativo, subsidiário ao "bom senso" do momento. Nunca que se questionam verdadeiramente, porque no fundo não se lhes reconhece importância. São uma espécie de fardo, mais ou menos incómodo, que se aplicam a uns e que causam espécie quando se tentam aplicar a outros. Portugal deve ser aliás o único cantinho do universo onde é possivel um legislador fazer leis tão ambíguas e polivalentes que uma vez no "sector privado" passa a ganhar balúrdios aclarando, ao sabor do momento, o sentido dessas mesmas leis. Ora o problema não é apenas as leis serem mal aplicadas e interpretadas (quando o são), o drama é, na generalidade, haver leis e regras a mais, e mal feitas, que ninguém, "que conte", se sinta na obrigação de cumprir. Aliás, as Leis estão a mais, são desnecessárias quando a única coisa que é precisa é o "bom senso" - eufemismo difuso que serve para justificar tudo e o seu contrário, consoante o tempo do momento.

A franqueza, porventura involuntária, de Marinho Pinto vale por todo um programa e é todo um retrato. Não foi o primeiro, não há-de ser o último. Portugal também é assim.

Publicado por Manuel 10:55:00 1 comentários Links para este post  



Doutoras Amélias


Quando num pé de conversa uma senhora pretensamente culta, emancipada e com responsabilidade social resvala numa crítica indolente ao apego de certos homens pelos seus filhos, inferimos que algumas mulheres perambulam, volvidos trinta anos de pretensa evolução, reféns do machismo e algozes da sua própria opressão, encoberta pelo propugnáculo do acessório, tal como a liberalização do aborto (que beneficia essencialmente o homem irresponsável) ou a imposição de quotas femininas.

Publicado por Nino 20:53:00 16 comentários Links para este post  



Crónicas da "boa imprensa"

É assim, a crónica de Manuel António Pina, no Jornal de Notícias de hoje:

"Com a condenação, no início da semana, de um ex- -monitor da Casa Pia a 16 anos e meio de prisão por 19 crimes de abuso sexual de menores, sobe para 17 o número de condenações nos processos autonomizados do da Casa Pia (ainda em julgamento) e no chamado "processo do Parque". Até agora, longe dos holofotes das primeiras páginas dos jornais e dos "prime times" das TV's, as penas ascendem já a um total de 74 anos e 9 meses de cadeia. Em nenhum desses processos a veracidade dos depoimentos das crianças e adolescentes abusados foi questionada na comunicação social, nem houve jornais a pôr no banco dos réus os responsáveis pela investigação (e muito menos a pedir, por causa dela, a cabeça do PGR). Não sei se há (e quero crer que não haja) duas justiças diferentes, uma para os cidadãos comuns e outra para os "incomuns". Mas há decerto um jornalismo diferente para uns e outros, e não me refiro apenas ao jornalismo tablóide nem ao valor-notícia da notoriedade. Refiro-me a "boa imprensa" e a má, ou a nenhuma, "imprensa" para os mesmos factos. E, jornalista há 35 anos, pergunto-me se o jornalismo de pessoas se terá substituído inteiramente ao jornalismo de factos, em que se funda (ou fundava) a própria credibilidade do jornalismo."

O estimado cronista do JN e jornalista há dezenas de anos, poderia obter uma resposta, mesmo parcial, para a sua pergunta implícita, indagando em cogitações, como é que se chegou, em Portugal, a uma réplica de jornais já famigerados em outras latitudes e de que o jornal 24Horas é o expoente.
Poderia – poderíamos todos - tentar perceber, como é que um jornalista que chegou a escrever no jornal de partido, o comunista Avante, aterra numa redacção para dirigir um jornal diário em que confessadamente e, na perspectiva do interesse púbico- definido pelo próprio-, se procura noticiar tudo aquilo que diz respeito aos “famosos”, ao “dinheiro” e ao “crime”, em formato semanticamente tablóide.
Se soubéssemos como foi possível chegar profundamente, a tão altos interesses do público, compreenderíamos a razão, por exemplo, de uma notícia a propósito dos problemas urinários de um “famoso”, e teríamos certamente a chave da compreensão daquilo que nos aconteceu nos últimos trinta anos.

Publicado por josé 12:57:00 0 comentários Links para este post  



Lá se vão os argumentos para eliminar embriões humanos

Cientista português identifica gene que reverte células adultas em estaminais.

Publicado por Nino 9:55:00 3 comentários Links para este post  



A estratégia da aranha

Do blog Verbo Jurídico, um postal sobre o director do Público e a realidade que lhe entrou pela janela dentro.

"A realidade responde a J.M.Fernandes

Na sua coluna de opinião de hoje no Público, o senhor jornalista José Manuel Fernandes volta a atacar o poder judicial. Escreve o mesmo que:
"Este tipo de promiscuidade entre poderes que nunca deviam confundir quais as áreas de influência e competência também já chegou a Portugal por via de providências cautelares destinadas a impedir a concretização de decisões políticas legítimas, mesmo que polémicas. Exemplo gritante de até onde pode ir a exorbitância de uma decisão judicial foi-nos ontem dada pela aceitação, por um juiz do Tribunal de Castelo Branco, de uma providência cautelar que visava impedir o encerramento do bloco de partos de Elvas. É a segunda vez que um juiz interfere com a área do Executivo no conflito das maternidades que serão encerradas, mas o caso de ontem mostra como a justiça pode ser absurda e contraditória.Faz sentido que os cidadãos possam interpor uma providência cautelar contra uma acção do poder executivo, pois esta pode estar ferida por uma qualquer ilegalidade.Foi isso que tentou uma primeira iniciativa desse género relativamente à maternidade de Elvas, pois invocava-se o incumprimento de um contrato firmado entre o Estado e a fundação que geria a maternidade, mas não foi ainda apreciada. Contudo uma segunda providência cautelar, desta vez invocando “o direito à saúde das mulheres de Elvas”, foi ontem paradoxalmente deferida.O que é que isto quer dizer? Que o juiz entendeu que o Estado violou qualquer lei? Aparentemente não. Que entendeu, isso sim, que sem a maternidade em Elvas o direito à saúde das mulheres desse concelho estará diminuído. Sem ser médico, porventura sem ter verificado in loco as condições da sala de partos, sem ter competência técnica e, sobretudo, sem ter competência jurídica para se atravessar no caminho do Governo, um juiz de Castelo Branco terá agido em função da sua opinião política sobre um conflito político. E digo “terá” porque não conheço o acórdão, apenas o que sobre ele disse o advogado que interpôs a providência cautelar. Se o seu conteúdo confirmar esta dedução, então estaremos perante algo intolerável em democracia.".
A resposta às perplexidades do senhor jornalista, veio mais rápido do que seria previsível, proveniente da vida real e também tem eco nas nas páginas Público:
«Uma jovem de 21 anos grávida de 24 semanas perdeu o feto esta madrugada, no Hospital de Portalegre, horas depois de ter sido transferida a partir das urgências de Elvas, informou a unidade hospitalar.
A mulher, cabo-verdiana, tem 21 anos e estuda em Elvas. Dirigiu-se às urgências do Hospital de Santa Luzia durante a tarde, mas foi encaminhada para Portalegre, sem acompanhamento clínico.Em comunicado divulgado ao final da tarde, o Conselho de Administração do Hospital de Santa Luzia de Elvas, cuja sala de partos foi encerrada segunda-feira, explica que, nesse mesmo dia, às 17h47, a jovem foi admitida nas urgências, apresentando “dores moderadas” na região abdominal, sem perdas de sangue.“ Às 18h00 foi transferida para o Hospital Dr. José Maria Grande de Portalegre que, na rede nacional, de acordo com a requalificação dos serviços de urgência peri-natal, constitui o serviço de apoio à população de Elvas, para as situações não emergentes”, refere o hospital. A rapariga deu entrada nas urgências de Portalegre às 19h07, de acordo com o hospital de Elvas, com o diagnóstico de “gravidez de 24 semanas em período expulsivo, ficando internada no serviço de Obstetrícia”.“Às 20h15, verificou-se rotura prematura de membranas, tendo ocorrido a expulsão do feto às 00h20 de hoje”, ou seja cerca de cinco horas depois de ter dado entrada na unidade de Portalegre, acrescenta a administração hospitalar de Elvas.O comunicado refere, por último, que a jovem continua internada no serviço de Obstetrícia do Hospital de Portalegre, devendo ter alta “nas próximas horas”.
Este caso foi hoje utilizado pelo presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas, João Carpinteiro, para pôr em causa o transporte de grávidas após o encerramento do bloco de partos da maternidade. Carpinteiro também é membro do movimento cívico Pró-Maternidade de Elvas e dos Amigos da Fundação Mariana Martins, instituição proprietária da maternidade.“
Perto das 18h00 de segunda-feira, os bombeiros receberam um alerta do hospital de Elvas para transportar uma grávida para Portalegre. O bombeiro que se deslocou ao local, ainda perguntou se não era necessário o transporte ser acompanhado por algum profissional de enfermagem ou médico, mas disseram que não”, argumentou.“Enviámos a nossa ambulância mais moderna, medicalizada e com os aparelhos necessários a bordo, e, além de não ter indicado um profissional para acompanhar o motorista, o hospital também não nos solicitou um maqueiro para apoiar”, acrescentou.Contactado pela Lusa, o comandante da corporação dos bombeiros de Elvas, José Santos, recusou pronunciar-se pormenorizadamente sobre este caso. Explicou no entanto à Lusa que, no caso de situações de risco no hospital de Elvas, mesmo antes do fecho da sala de partos, as grávidas “sempre foram encaminhadas para os hospitais de Portalegre ou Évora”.“Nesses casos, o hospital disponibiliza, habitualmente, um enfermeiro para acompanhar a grávida ou solicita um socorrista ou maqueiro para fazer o transporte", disse. José Santos acrescentou, ainda, que as próprias ambulâncias são “legalmente obrigadas a circular com um motorista e um maqueiro”, mas, “por vezes, por falta de pessoas suficientes, o transporte é apenas assegurado por um motorista”.Esta polémica surge após o encerramento a sala de partos da cidade por determinação do ministro da Saúde, Correia de Campos, uma decisão contestada pela Fundação proprietária da maternidade e por um movimento cívico constituído para o efeito, entidades que já interpuseram duas providências cautelares em tribunal, das quais se aguarda decisão
»
E agora, a quem vão os cidadãos pedir responsabilidades ?
Ao juiz que aceitou liminarmente a providência, ou ao senhor ministro que quis encerrar a maternidade ?
Foi o juiz que instaurou o procedimento cautelar ou foram cidadãos que querem ver apreciado judicialmente e de acordo com a legislação em vigor, dos direitos de que se julgam titulares ?

Por aqui, por esta Grande Loja, alarga-se um pouco mais a pergunta:
Sabe José Manuel Fernandes, o suficiente de Direito, mormente Adminsitrativo, para se poder abalançar a editoriais daquele género?
E..." se não sabe, porque é que pergunta?"

Publicado por josé 11:45:00 35 comentários Links para este post  



O "novo" jornalismo

Café da esquina. 8 e meia da manhã. Há várias pessoas na sala, sentadas em algumas mesas. A bebericar da chávena; a ler o jornal ou a conversar. São clientes habituais do café, que dali a pouco vão sair para o trabalho, regressando no dia seguinte, à mesma hora, para a bica da manhã.
Do mesmo modo, poderíamos descrever o ambiente numa repartição de Finanças, Câmara, bancos ou até mesmo na redacção do jornal Público. Que é que ficaríamos a saber sobre esse ambiente ou sobre o que provoca esse ambiente, com descrições destas?
Pouco. Quase nada.
E contudo, é assim que podemos ler, neste tipo de escrita, a jornalista do Público, Paula Torres de Carvalho, a mostrar “Retratos da Justiça em Portugal”. É esse estilo que podemos ler nos dois artigos, de duas páginas cada e que começou a publicar esta semana sob esse título impressivo e que promete continuar por mais dois ou três dias.
O artigo de ontem, titula “ O relógio da Boa-Hora”. O de hoje, “Os magistrados, jura por sua honra dizer a verdade?
Ambos se dedicam a descrever ambientes e personagens, narrando ao mesmo tempo pequenas histórias dos julgamentos que decorrem no tribunal da Boa-Hora.
Quem os ler, que retrato observará da “Justiça em Portugal”? Aquele tipo de relato, a aremedar o novo jornalismo, o que é que pretende mostrar ao leitor?
A presença de guardas prisionais em julgamentos de arguidos presos? Qual a novidade?
A atitude dos funcionários, na sala de audiências? Que acrescenta de especial?
O papel dos magistrados? O que pretende informar?
Tome-se nota desta passagem do artigo de hoje:
(…) o procurador da República, representante do Ministério Público, a quem compete sustentar a acusação mas não julgar, uma tarefa exclusiva dos magistrados judiciais. Muitos destes, aliás, consideram a magistratura do MP como uma magistratura menor, o que tem levado a vários conflitos ao longo do tempo.”
Para a “nova” jornalista, ainda vamos aqui, nos primórdios da compreensão e entendimento das funções judiciais.
Depois, a seguir,mesmo correndo o risco da descontextualização, peguem-se em instantâneos, ao acaso no texto e em escolha diagonal
No texto de Segunda Feira, começa por descrever uma audiência em que “(…) a juíza lê acusação apressadamente, quase sem respeitar a pontuação . (…)Levanta a cabeça do papel, olha para os réus ( sic). ´Não há factos não provados, toda a matéria se provou`, afirma, (…) antes de começar a ditar a medida das penas a aplicar a cada um deles:
Dez meses de prisão suspensa por 18 meses(…)”
Quem lê este texto, sem saber o que é uma acusação ou uma sentença ou até uma audiência, que fica a perceber?!
Que em processo penal, continua a haver “réus”. Que numa decisão em que se “ditam” medidas de penas, lê-se também a acusação “apressadamente” e que …provavelmente nem a “nova” jornalistas percebeu muito bem aquilo a que assistiu. Teria sido uma sentença? Então porque não dizê-lo e explicar como é que se chega aí?
Segundo a jornalista “ Dezenas de casos como estes são julgados, todos os dias , nas nove varas criminais da Boa-Hora”. E então, não dá para perceber melhor?! O artigo de Segunda Feira, continua com a narrativa de outra audiência. No mesmo estilo e com mais esta novidade penal: “(…) A poucos metros estão estacionadas duas carrinhas de transporte de presos, alguns dos quais respondem por ofensas corporais” (!)
No artigo de Terça.-Feira, dá-se a palavra aos magistrados e tecem-se considerações pessoais, no estilo novo-jornalístico, sobre a personalidade dos mesmos:
O juiz Renato Barros revela-se um exemplo da serenidade e da correcção que devia nortear a actuação de todos os juízes”.
Sobre a “coordenadora dos serviços da Procuradoria”, “A doutora Brites”, escreve, ao saber que esta não queria falar com a nova jornalista:
Um magistrado devia pensar de outra forma, devia defender a transparência das instituições públicas, facilitar o direito a informar e a ser informado”. Para quê esta agressividade para alguém que entendeu não atender a "nova" jornalista?
Assim?! No artigo, uma caixa, a desancar em letra de forma a atitude da magistrada, á laia de vingançazinha? Ainda se fosse num blog...
Embora não defendendo a atitude da “doutora Brites” , na medida em que já defendi que a comunicação à comunicação social é essencial para informar o Público do que se passa, acabo por a entender, depois de ler estes dois artigos.
E pergunto:
A culpa disto, deste tipo de artigos, será das leis que temos? Dos tribunais que as aplicam? Da falta de comunicação e informação dos “operadores judiciários”?
Esperemos os restantes…

Aditamento de 14.6.2006:

...e já temos as restantes, de hoje. Escrevendo sobre os funcionários, “É sempre o funcionário a levar pancada”.
O funcionário tem um papel na mão e lê alto o número do processo, o nome dos arguidos e dos advogados. Depois anuncia que o julgamento foi adiado para o mês seguinte. Ouvem-se exclamações de desagrado, um coro de protestos. Há pessoas que vieram do Porto e de Bragança e ficaram com o ´dia estragado`. Reclamam directmente com o funcionário, elevando a voz. ´Isto é uma vergonha! Parece impossível, é a justiça que temos`.
É sempre o funcionário que leva pancada. Muito raramente os juízes dão a cara por esta situação.”

A grande maioria [dos funcionários] esquivou-se a qualquer contacto com a jornalista e os que acederam a falar fizeram-no sempre soba a condição do off.”
“O cenário em que os funcionários judiciais trabalham é muito semelhante nas nove varas criminais do tribunal da Boa-Hora.” (…) Compete-lhes a notificação das pessoas para comparecer em tribunal e a requisição de expedientes e de despachos até à fase dos julgamentos. Desempenham, além disso, um papel essencial na sala de audiências. São os responsáveis pelo registo de toda a produção de prova feita em julgamento: as declarações de arguidos, testemunhas, advogados, de todos os intervenientes no processo. Compete-lhes ainda fazer a chamada das pessoas que estarão na sala e esclarecê-las sobre as regras de conduta que têm de seguir durante as audiências
.”
os equipamentos obsoletos são outro problema com que os funcionários se debatem todos os dias. Dificultam a gravação de prova e as reproduções.”

É esta a essência do escrito de hoje, retratando os funcionários. “Amanhã: os advogados”.


Ainda a tempo, junta-se aqui o comentário do colaborador esporádico desta Loja, Gomez:
Gomez said...
É a fruta da época...A reportagem ligeirinha e gasosa, estilo "silly season", parece ter ido à Boa Hora porque o tempo não está para praias e os tribunais têm agora lugar cativo na agenda mediática. Croniquetas do quotidiano judiciário não deviam ter lugar, com foros de reportagem, naquela secção do jornal. Ainda por cima sabem a pouco, quando comparadas com a maestria dos textos do Rui Cardoso Martins (aos domingos na "Pública"). O "Público" e a jornalista em causa são capazes de muito melhor e devem muito melhor aos seus leitores. O atarantado Director parece ainda não ter percebido que não ganha nada em afinar pela mediocridade que vai reinando, a menos que esteja disposto a bater-se, taco a taco, com o "24 Horas".Quanto à "doutora Brites", se o relato é fidedigno, a crítica é mais do que justa!!Em todo o caso, na pele da Senhora Jornalista, teria tido algum pudor em fazê-la tão cruamente. No fim de contas, uma classe que tem rejeitado mecanismos de sancionamento disciplinar das infracções deontológicas e que goza do privilégio da última palavra, não está particularmente bem posicionada para clamar pela "accountability" de quem quer que seja.

Publicado por josé 1:06:00 10 comentários Links para este post  



Monopólio do Estado

Metade dos assinantes da TV Cabo apresentam queixas.

A outra metade não pede factura detalhada.

Publicado por Nino 20:42:00 4 comentários Links para este post  



Da documentação que faz parte do espólio do Museu da Presidência da República em exposição na Câmara Municipal do Porto está uma carta que Álvaro Cunhal, em 14 de Julho de 1976, dirigiu ao eleito Presidente da República, Ramalho Eanes. Trata-se de uma carta dactilografada em papel timbrado do PCP e com a assinatura do próprio.

Eis o seu teor:

Ex.mo Senhor
Presidente da República
General Ramalho Eanes


Para além dos cumprimentos protocolares, desejo-lhe sinceramente felicidades e bom êxito no cumprimento do seu difícil mandato.


Álvaro Cunhal

O que aqui não consigo reproduzir, mas que me chamou a atenção na exposição, é um sublinhado com marcador vermelho que alguém colocou sob o nome “Álvaro Cunhal” batido à máquina. Não faço a menor ideia o porquê do destaque ao remetente da carta, em todas as outras da mesma altura que também são exibidas este não consta, pelo que não deveria ser este um hábito de secretária.

Do que eu não tenho grandes dúvidas é que, naquele dia, esta foi a carta mais lida, relida e interpretada no Palácio de Belém.

Publicado por contra-baixo 15:59:00 7 comentários Links para este post  

Experiência piloto em escola do Lumiar
Pais dão nota negativa a professora

A Escola Básica do 1º ciclo de São Gonçalo, no Lumiar, vai estar encerrada amanhã, por decisão dos professores, depois de uma docente ter sido agredida anteontem por familiares de um aluno do estabelecimento.

O incidente ocorreu pela hora de almoço, quando a professora em causa, que é coordenadora da escola e membro do conselho do SDPGL, se encontrava dentro do estabelecimento de ensino. A docente, que está na escola há quase duas décadas, terá chamado a atenção a um aluno, com cerca de 13 anos, que estava a atirar cascas para o chão. Este terá ignorado o aviso da professora, que fez menção de lhe segurar a mão para que o jovem apanhasse as cascas, mas este recusou-se a fazê-lo.

Segundo o relato da dirigente sindical, "pouco tempo depois" terá entrado na sala onde estava a docente um casal, aparentemente familiar do aluno, que a insultou, tentou arremessar-lhe à cabeça um balde de lixo de alumínio e lhe bateu na cara e na cabeça repetidas vezes até que os restantes professores e auxiliares conseguiram por cobro ao ataque.

A professora, de 50 anos, foi assistida pelo Instituto Nacional de Emergência Médica na escola e vai ficar de baixa, adiantou Maria Conceição Pinto.

Público

Publicado por Nino 8:22:00 117 comentários Links para este post  



Mahmoud Ahmadinejad escreve carta ao presidente Fox

Jogos
Nossa Senhora de Guadalupe, 3 - Ayatola Khomeini, 1
Candomblé, 0 - Nossa Senhora de Caravaggio, 1

Classificação das equipas
Nossa Senhora de Guadalupe: 3 pontos
Nossa Senhora de Caravaggio: 3 pontos
Candomblé: 0 pontos
Ayatola Khomeini: 0 pontos

Publicado por Nino 8:19:00 0 comentários Links para este post  



Passarolas voadoras.



Em Junho de 1976 foi publicado o LP Greatest Hits, dos Eagles e que ao longo de trinta anos veio a tornar-se, provavelmente, o disco mais vendido de sempre da história da música popular, todas as expressões incluídas. Cerca de 30 milhões de exemplares, em 30 anos!
O que leva os Eagles a voarem tão alto, na passarola voadora da indústria musical mundial?

Sem dúvida, a sonoridade impecável de meia dúzia de êxitos, decalcada e sintetizada a partir de músicas já ouvidas e estilos já experimentados, por outros músicos, no decurso da década antecedente.
Os Eagles começaram em 1972 com um LP homónimo e um single de abertura a toda a prova: Take it easy, incluído também no Greatest Hits. A música nem é um original do grupo, mas obra de Jackson Browne, companheiro de andanças e que na mesma altura lançava um disco de autor, com um alinhamento de canções de uma sublime melancolia que ainda hoje se ouvem com o proveito da beleza de uma música intimista e aperfeiçoada. Aliás, Jackson Browne repetiria nos anos a seguir, precisamente até 1976, com The Pretender, as canções de mérito, para ouvir sempre, reincidindo finalmente em 1980 no LP Hold Out, com a colaboração imprescindível e única, do multi-instrumentista David Lindley.
Embora 1972 seja o ano dos Carpenters de A Song for you e o hit Top of the World; dos Bread de Guitar Man e de Don Mclean e a sua pequena história condensada da música popular, na canção American Pie, foi também o ano de Harvest de Neil Young e Manassas de Stephen Stills; A Horse with no name, dos America e principalmente Exile on Main Street dos Rolling Stones e o primeiro álbum a solo de Paul Simon, um portento de finesse e subtileza musical, suplantado apenas pelo disco do ano seguinte,There Goes Rhymin´Simon, um dos mais perfeitos de toda a música popular.
Isto para nos circunscrevermos à música de expressão anglo-americana, em franca explosão e mundialização avant la lettre e sem citar sequer o Lp Holland dos Beach Boys cuja estrutura musical no tema The beaks of eagles, encadeado no seguinte, California Saga, é de antologia no género que aqui se trata e serve de exemplo máximo do estilo musical: melodias suaves e simples, harmonizadas em vocais entretecidos e intrumentalizadas em tom acústico, com a sonorização marcada a pedal steel guitar. Tão interessante no estilo e nesse ano, só mesmo Leo Kottke, no Lp Greenhouse.
Em Portugal, em 1972, embora se ouvisse esse Lp dos Beach Boys, não se ouviu o primeiro LP dos Eagles, como já se ouvia em 1976, o Greatest Hits, em plena rádio.
Em 1972, a influência musical, em Portugal, provinha da Inglaterra de modo predominante, onde se importavam mais facilmente os discos e por isso, a publicação Mundo da Canção, no final desse ano, fazia uma lista dos melhores discos do ano. Não espanta muito que em primeiro lugar apareça o disco dos Van Der Graaf Generator, Pawn Hearts, logo seguido de Foxtrot dos Genesis e Thick as a Brick dos Jethro Tull. Em dez discos escolhidos, nenhum americano de renome que se pudesse ouvir e muito menos os Eagles ou até mesmo Neil Young ou Stephen Stills, sendo certo que estes dois últimos se ouviam por cá com muita assiduidade em programas de rádio, como o Página 1, apresentado nessa época por um Adelino Gomes, salvo erro.
A sonoridade de Manassas, no duplo LP de Stephen Stills, é um condensado de tudo aquilo que os Eagles começavam então a tocar: o country-rock, uma mistura de algo que parecia imiscível.
Numa década, entre 1966 e 1976, a Califórnia do sul, à roda de Los Angeles, foi a pátria desta música nova, criada a partir do country tocado por brancos, com a mistura de rock n´roll, saído dos blues e soul, animados pelos negros, nas igrejas e no delta e repescados pelos primeiros rockers, como fundação rítmica das novas sonoridades que se exprimiam em hipérboles tipo wopbabalumablambambum e às quais Bob Dylan deu sentido diverso.
Em Setembro de 1968, apareceu o primeiro LP , por muitos considerado um dos máximos expoentes deste género musical e que o inaugurou: Sweetheart of the rodeo, dos Byrds, onde tocam Chris Hillman, Roger McGuinn e Gram Parsons. Este, no ano seguinte, sai dos Byrds, vai juntar-se a Chris Hillman que também saiu e com Sneaky Pete Kleinow e ainda Chris Ethridge, forma os Flying Burrito Brothers que publicam talvez o disco mais significativo do género, a par com o dos Byrds: The Gilded Palace of Sin, em Abril de 1969.
O som deste novo tipo de música, mistura a guitarra acústica seca e dedilhada em seis ou doze cordas, com contrapontos a solo de guitarra eléctrica, misturando as rítmicas numa sonoridade híbrida e estugada em tons suaves, de onde evola quase sempre a sonoridade etérea de um tipo de guitarra tocada em slide e em assento deslizante: a pedal steel guitar, de som inconfundível e que constitui, para mim, talvez a marca mais indelével deste tipo de música arrebatadora nos seus melhores momentos.
A sonoridade Country Rock não era inteiramente desconhecida, antes destes grupos a experimentarem. Em 1967, um grupo recém formado que incluía John McEuen, Jiimi Fadden e Jeff Hanna, tocavam já Buy for me the rain, em tom rock tingido de country. Esse grupo da California do sul, os Nitty Gritty Dirt Band, publicaram em 1972 , Will the Circle be Unbroken, um compêndio da música country tradicional, com os músicos tradicionais do género e algumas actualizações de repertório e durante a década de setenta, publicaram uma mão cheia de discos magníficos bem representativos do género, sendo a meu ver, os melhores cultores do género, ou pelo menos os que mais aprecio.
No final dos anos sessenta, um outro grupo americano que publicou outra mão cheia de êxitos inconfundíveis na voz de John Fogerty, tinha marcado os palcos e gira-discos desse tempo. Os Creedence Clearwater Revival, tinham misturado o rock n´roll com o country e o soul, numa amálgama fantástica de som acústico e eléctrico e que durou até ao início dos setenta. Por isso, os ouvidos gerais estavam preparados para a novidade.
Apesar disso, em Portugal, não há notícias dessa moda, embora os Creedence fossem muito credenciados nas vendas de Proud Mary ou Have you Haver seen the rain. Durante a primeira metade da década de setenta, sucederam-se discos impressionantes de qualidade neste género musical, todos provindos do sul da Califórnia e à roda de Los Angeles.
Em seguida ao álbum de Bob Dylan( então com 27 anos), Nashville Skyline, de 1969, e tal como o anterior, gravado em Nashville , terra por excelência do Country( Johnny Cash aparece a cantar logo na primeira canção, em dueto com Dylan), Surgiram ainda os Crosby, Stills & Nash, que acrescentaram depois o Young , de Neil, para publicarem uma outra obra prima aparentada ao género: Déja Vu, em 1970, em que se notavam as harmonias vocais e as composições dos quatro músicos, com o destaque impressionante para uma das melhores composições do género: Teach your Children.
Em 1967, David Crosby, fizera, aliás parte dos Byrds.
Porém, em 1969, quase na mesma altura de Nashville Skyline de Dylan, saiu o Lp dos Flying Burrito Brothers, The Gilded Palace of Sin. Quem não escutou tal disco que começa com Christine Tune em acordes acústicos e se estende no rendilhado líquido da pedal steel de Sneeky Pete Kleinow, num ritmo que os Eagles mais tarde vieram a retomar e explorar, não conhece bem toda a beleza etérea do Country Rock.
O disco não dispensa uma única canção para o olvido fácil e a voz de Gram Parsons é a marca de água que também tinha acompanhado as canções do LP dos Byrds, Sweetheart of the rodeo.
Este LP, originalmente gravado em Nashville, tinha como voz principal a de Gram Parsons no seu estilo inconfundível. Perante a saída deste, logo após a gravação, Roger McGuinn, regravou as vozes, apagando a de Gram Parsons que voltou a ouvir-se apenas em 1990, com a publicação da caixa de 4 cd´s The Byrds e a apresentação dessas versões originais, o que se repetiu já em 2003, com a apresentação luxuosa do disco Sweetheart of the rodeo, em edição duplamente cuidada, da Sony/Columbia/Legacy, onde se podem ouvir versões das canções originais em fase de trabalho e com vocais e instrumentais variados.
Roger McGuinn continuou os Byrds, após a saída de Gram Parsons, deixando entrar um dos maiores guitarristas da música popular: Clarence White, cujo trabalho artístico se pode ouvir nos discos que se seguiram, particularmente Dr. Byrds & Mr. Hide( particularmente o instrumental Nashville West que serviu por uns tempos, de indicativo ao programa Música da América, animado por Jaime Fernandes, na antiga Rádio Comercial de finais dos setenta), onde também colabora outro músico entrado logo a seguir e que ajudará a marcar a sonoridade personalizada dos Byrds de então: Gene Parsons. Este, tinha colaborado antes com Doug Dillard, noutro disco fundamental do género: The fantastic expedition of Dillard & Clark, de finais de 1968.Uma das canções celebradas nesse disco é Train Leaves here this morning, escrito por Gene Clark em parceria com Bernie Leadon que viria a integrar os Eagles, logo no começo, sendo esta música uma das que compõem o ramalhete do primeiro disco do grupo.
E é precisamente através desta canção que se pode descobrir a particularidade da música dos Eagles. A instrumentalização usada na versão original do grupo de Dillard & Clark e na adoptada pelos Eagles, difere pouco. Em ambas a sonoridade é predominantemente acústica, embora a a voz e a guitarra de Gene Clark seja acompanhada por outra em contraponto e por um som afastado de bandolim. Na versão dos Eagles, podem ouvir-se as guitarras acústicas em duplicado ou mesmo a triplicar, numa sonoridade atapetada e ritmo ligeiramente mais suave que preparam o ouvinte para a diferença: a vocalização harmónica e perfeita dos quatro músicos. A produção musical em estúdio, de Glyn Johns faz a diferença entre as versões e basta comparar as duas para perceber uma das razões do sucesso dos Eagles, em detrimento do eventual sucesso de grupos que os precederam, com as mesmas raízes musicais, a mesma verve na escrita e até o mesmo talento. A música dos Eagles, como escreveu o crítico Robert Christgau, é “suave e sintética” e escreveu ainda que era “brilhante mas falsa e nem sempre brilhante”. Experimente-se ouvir Lyin´eyes ou Peaceful Easy Feeling, ou mesmo Tequila Sunrise, todas incluídas no Greatest Hits. Música suave, brilhante, se o adjectivo pode significar alguma coisa nestes domínios do som e…porventura falsa, porque apresenta esse hibridismo musical com uma imagem ( no lp Desperado, de 1973) de rebeldia oca e de cartaz. É um conjunto de sonoridades cativantes, pelas harmonias vocais e as melodias fáceis e inesquecíveis pelo brilhantismo. Foi assim que me ficaram sempre no ouvido, aliás.
Os Byrds, a seguir à cisão de 1968, apesar da altíssima qualidade dos músicos que continuaram o grupo, em termos musicais, pouco mais fizeram de relevante, com excepção do Lp Dr.Byrds& Mr. Hide de 1969.
Contudo, por outro lado, a carreira musical de Gram Parsons, só então expandiu em qualidade artística, culminando com a publicação de dois LP´s fundamentais para a compreensão do Country Rock: GP e Grievous Angel, de 1972 e 1973; este último publicado em Janeiro de 1974, já depois da trágica morte do músico, tornado em cowboy cósmico.
Bernie Leadon, até integrar os Eagles em 1972, tocou ainda com outros músicos da localidade sul californiana, nomeadamente Linda Rondstadt, cujos primeiros LP´s datam de finais dos sessenta, com músicas magníficas como é o caso de Different Drum, de 1968.
Bernie Leadon , o músico mais country dos Eagles, saiu em finais de 1975, insatisfeito com o rumo do grupo e em ruptura pessoal com alguns membros, particularmente um dos líderes, Glenn Frey.
Para o lugar do coutry-rocker entrou Joe Walsh, outro rocker-country, de guitarra e pedal wha-wha à cintura, para além de a invenção particupar da talking box, um device que sincronizava a voz com o som da guitarra, numa sonoridade bizarra, explorada mais tarde por Peter Frampton, no seu disco, também de 1976, Frampton Comes Alive. Joe Walsh chegou ainda a tempo de colaborar no álbum mais célebre do grupo e o que exemplifica de modo sintético e estado da música rock, em meados dos setenta: Hotel California é um magnífico disco, cujas músicas, porém, não chegaram a tempo de integrarem o Greatest Hits.
Quando este disco saiu, em Junho de 1976, os Eagles, com quatro álbuns publicados, eram já um dos maiores grupos da música rock, com concertos em estádios e um estilo de vida em fastlane e o disco apenas veio confirmar a brilhante carreira anterior. .

Ao longo destes trinta anos, o grupo manteve-se em actividade, cantando as músicas de sempre, do mesmo modo de sempre por todos os cantos do mundo.
Em 2004, em Melbourne, na Austrália, gravaram um desses concertos em dvd, onde se pode ver um Joe Walsh imparável nas facécias e na habilidade impressionante no modo como encavalita acordes nas guitarras. Pode ainda ver-se e ouvir aquilo que torna única a sonoridade dos Eagles. Tal como os Crosby Stills Nash & Young, o fizeram durante os anos dourados do início da década de setenta, o modo de cantar dos membros do grupo é escalonado em harmonias aperfeiçoadas, singelas ou em cascata suave, com as vozes dos quatro músicos que se completam de molde a que a singularidade da vocalização de Don Henley ou Glenn Frey, os mestres da banda, venha acompanhada pelas guitarras acústicas, sem notas dissonantes e em simbiose, apenas entrecortada pelos contrapontos dos solos eléctricos num ritmo relaxado de quem saboreia uma bebida fresca ao pôr do sol, observando o voo de uma gaivota.
Roger MacGuinn, o grande génio da passarola dos Byrds, tem hoje um blog ( ou dois, contando com outro sobre novidades tecnológicas…), o que revela que não se afastou do comum dos mortais, gozando os rendimentos eight miles high.
Os Eagles têm um site oficial e vários de aficionados.
Os Byrds têm um site que é um catálogo deste tipo de música e merece a visita só por si.
Os Flying Burrito Brothers avançaram pelos setenta e oitenta, sem brilho especial, mas com a saudade de Gram Parsons, o grande inovador destes sons voadores.

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A lição de Cavaco


A expectativa legitimamente criada no 25 de Abril foi defraudada por uma classe política medíocre que desbaratou a oportunidade ímpar de desenvolvimento. Até o menino do emblemático cartaz que colocava um cravo no cano da espingarda de um militar de Abril foi forçado a emigrar. Aos 35 anos, Diogo Freire é hoje director financeiro de uma empresa de distribuição em Londres. E não parece interessado em regressar.

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Sinais positivos

ONU estima que haja pelo menos 150 mil portugueses seropositivos para o vírus da hepatite C e 32 mil para o HIV.

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A selecção de todos noz

O autocarro que transportava ontem a equipa portuguesa até Colónia, onde esta tarde se estreará no Mundial de futebol da Alemanha, ficou retido num engarrafamento provocado por um acidente de viação. Gilberto Madaíl, presidente da federação, manifestou a sua indignação criticando a organização do Mundial por tão insigne comitiva não ter prosseguido a viagem escoltada pela polícia, consabidamente apanágio de Portugal, nos termos da concordata celebrada entre o Estado e o Futebol.

Publicado por Nino 10:49:00 6 comentários Links para este post  



A Grande Loja na Sábado

A revista Sábado desta semana, num artigo assinado por António José Vilela e segundo tudo indica, à revelia do visado, biografa Alberto Pinto Nogueira, magistrado do MP que assumiu o cargo de procurador-geral distrital do Porto, para o qual foi eleito no CSMP.
O texto, com alguma graça, diga-se, vai um pouco além do jornalisticamente correcto e assimila o novel PGD do Porto a esta Grande Loja, a que chama um “blogue de justiça”. Ora bolas!
Este blog é tanto “de justiça”, como o são alguns outros que têm merecido o desvelo e atenção de certas críticas que por aqui vão passando….com uma diferença que me parece de vulto: enquanto nos blogs, abruptamente em causa deles, se escrevem postais breves e sucintos a zurzir sem grandes fundamentos os “do costume”, por cá tenta-se sempre dizer porque é que se escreve o que se pode ler.
Quanto ao visado, os seus textos ainda estão por cá, e podem ser lidos. O que o mesmo disse de substancial, no discurso de posse como PGD, julgo que já o tinha escrito, por aqui, incidentalmente.
Aqui fica o artigo, porque hoje é Sábado:

"Já conheço esse paleio"; "Sim, sim, vá despache-se"; "Não digo a minha idade"; "Como é que caí nesta?!" Assim dito, parece alguém a despachar um incómodo vendedor de enciclopédias, mas é apenas a boa disposição, talvez disfarçada de enfado, ouvida pela SÁBADO quando falou ao telefone com o novo procurador distrital do Porto. Alberto Pinto Nogueira, 6o anos completados emAbril, tem fama- ele próprio a reivindica - de não ser um magistrado convencional. "Corro por fora", gosta frequentemente de dizer, antes de completar que o faz há 3o anos.
Avesso a entrevistas, parece um miúdo irrequieto numa consulta de dentista. "Só se devia falar quando se tem algo de substancial para dizer, senão mais vale estar calado", sentencia, manifestando-se cansado pelo "paleio" de quem o aborda e quer saber coisas da vida do miúdo de Canidelo, Vila Nova de Gaia, que nasceu numa família onde o pai (falecido há cerca de dois anos) trabalhava numa estamparia à beira Douro. "Sim, fui um bom aluno, mas não tenho vaidade nisso", afirma.

Enquanto a mãe, Elvira, preenchia latas de conserva numa fábrica de peixe e os dois irmãos, Belmira e Vítor, iam fugindo do caminho da escola, Alberto abreviava anos lectivos ancorado em bolsas de estudo. "Gostava tanto dos livros que ainda hoje os lê meio fechados para não os estragar", recorda um membro da família. 0 menino "caladinho", o oposto do irmão Vítor, dois anos mais novo e hoje dono de um armazém de tecidos, veio para Lisboa, estudar na Faculdade de Direito, com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian.
"Fui depois para o Ministério Público, porque era o curso mais barato", diz. Pinto Nogueira está também pouco interessado em falar dos casos judiciais que o marcaram, processos desafiadores, aquilo que fez e o que não o deixaram acabar quando integrou, nos anos 8o, a efémera Alta Autoridade Contra a Corrupção. Ou de uma vida de 2o anos na Procuradoria Geral Distrital do Porto, onde chegou a contrariar (antes de decidir afastar-se)decisões de colegas no processo Apito Dourado. Na sua tomada de posse, que ocorreu na sexta-feira passada no Tribunal da Relação do Porto, voltou a falar de corrupção e de que o "vale de lágrimas da falta de meios" não serve para a combater. Perante Souto Moura, que não o queria no lugar, assumiu o estatuto de dissidente e disse alto e bom som que o Ministério Público não é coutada de ninguém , nem dos que lá lá estão.
Pai de dois filhos, Joana e Rui, casado com uma professora de História, o magistrado assume que gosta de estar em casa a ler ou de passear no Parque da Cidade. Tristes são estes tempos que não lhe permitem dizer por quem torce no futebol ("Não sou bairrista"). Dizem dele que cultiva o humor, "às vezes de uma forma desastrada e com algumas consequências". Será por isso que agora a sua escrita deixou o blogue de justiça Grande Loja do Queijo Limiano?

Publicado por josé 13:06:00 22 comentários Links para este post  



Já chegamos à Madeira!

A propósito da divisão de poderes do Estado e da importância do poder judicial, conta-se que em 1745, o rei da Prússia, Frederico II, instalado num dos seus palácios de Verão, em Potdsdam, a poucos quilómetros de Berlim, ao olhar pelas janelas , reparou num obstáculo que o impedia de contemplar inteiramente a paisagem que se lhe oferecia.
Numa propriedade vizinha, um moinho velho, não o deixava ver, em toda a extensão do seu desejo, o que pretendia. Por isso, consultou conselheiros e ministros que o levaram a intentar uma ordem de destruição do moinho nefasto, após sucessivas recusas do dono em aceder a uma cessão, mesmo com contrapartidas. E perante a menção do soberano em fazer cumprir pela força o que não obteve com jeito, o modesto moleiro de Potsdam, ripostou-lhe que não havia problema de maior- porque ainda havia juízes em Berlim.
A historieta, embora real e contada assim ou assado, ilustra muito bem o essencial da função judicial: decidir pleitos com independência de todos os poderes, em obediência à lei, ao direito e à justiça.
Por estes dias, num simulacro de desejo frustrado de um regime prussiano, na nossa pérola do Atlântico, o presidente eleito do governo regional, desferiu um ataque desmedido contra esse mesmo poder judicial, no caso, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal.
Segundo se lê, no blog Verbo Jurídico, “o Presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou ontem que o Tribunal Administrativo do Funchal devia ser extinto e que vai propor isso mesmo ao Governo de Lisboa.
O TAF do Funchal tem proferido algumas decisões em favor dos cidadãos e empresas que ao mesmo recorrem e em que são visados entes públicos do executivo madeirense.

Será caso para dizer que o presidente do governo regional da Madeira, tem mais barriga que olhos o rei da Prússia.

Nota: O título original(Ainda há juízes na Madeira?) foi ligeiramente alterado...

Publicado por josé 23:42:00 3 comentários  



Enfoques em simplex.

Um conhecido síndico oficioso das medidas tomadas em gabinetes governamentais, insurge-se em postal, no seu habitual think tank, contra o uso de certos termos linguísticos em comunicações oficiais de determinados organismos de Estado.
No caso, parece-lhe algo aberrante que surja em papel timbrado ou em comunicado debruado dos serviços de alguma Excelência, a expressão “foi recepcionado”.
Acha o síndico oficioso que é dislate substituir o simples verbo “receber” por esse composto declinado em particípio passado. E achará bem, também acho.
Porém, a curiosidade em saber de onde provém tanta tralha assim recepcionada, levou-me a suspeitar da origem perversa do termo.
Nas dúvidas cibernéticas fica esclarecido que o verbo recepcionar foi também elencado por José Pedro Machado, mas rareia nos nossos dicionários, ao contrário dos brasileiros que usam o termo como quem bebe caipirinhas, que aliás, também não é palavra de uso corrente nos dicionários lusos.
Acicatado pela curiosidade em descobrir razões para o caiporismo do síndico, acostumado a ver argueiros pesados em prosas oficiais, fui levado( estes malditos particípios…) a consultar documentos valiosos e recentes, para ver se estariam, também eles, expurgados desses incómodos argueiros que justificam a profundidade dos think tanks.
Por exemplo, no celebrado documento...Simplex, título de desarmante e aterradora originalidade, modelo único saído das profundidades de think tanks desconhecidos, com paredes firmes, e que ancorou na Unidade de Coordenação da Modernização Administrativa, organismo oficialíssimo, dependente da Presidência do Conselho de Ministros do nosso país.
O documento, redigido numa linguagem que se esperaria simples e rigorosa, contém também as suas pérolas linguísticas, para além de um curioso uso dos tempos verbais e de uma sintaxe sinuosa e de efeito certo para perplexos.
Contudo, nada disso se aparenta àqueles horrores denunciados. Por exemplo, na página 69, a palavra “enfoque” é mais do que uma pérola, é um foco de luz nas trevas dos dicionários portugueses que a não conhecem.
Porém, se alguém quiser saber qual a palavra chave para entender a essência da densidade das suas 89 páginas, basta digitar a palavra “compreensibilidade” que aparece, profusa e militante, em cinco orações fervorosas( a págs. 12, 27, e em dose dupla na 69), em prol da modernização de métodos e apresentação de medidas para a simplificação de tudo o que se complicou ao longo de décadas de obscurantismo.
A palavra “compreensibilidade” é da família das palavras raras, na linguagem comum, portuguesa, castiça, prosaica ou mesmo erudita. É daquelas palavras que aparecem num texto e soam logo como pouco propínquas.
Contudo, experimente-se digitar o termo num google qualquer e a catadupa de citações remetem-nos logo para os nossos parentes brasileiros que esticam os confins da linguagem, em tratos de polé inimagináveis.
Parentes próximas da “compreensibilidade” poderiam muito bem ser a “significabilidade” e a “manejabilidade”, tal como o verbo intervencionar, o será em relação ao execrado recepcionar.
E no entanto, “compreensibilidade” não afectou a sensibilidade do síndico que certamente leu e releu o… Simplex e terá aprovado intelectualmente e sem pestanejar, a sugestão da designação quiçá genial de…Simplex!
Como também não afectou essa mesma sensibilidade, outra particularidade linguística que se detecta a fls. 69, página manhosa onde, aliás, se aninharam, caprichosas, algumas singularidades.
Aí se escreveu que “confrontamo-nos hoje com um sistema de leis ( ?) :
-de difícil inteligibilidade e compreensibilidade.
-incapaz de identificar as leis vigentes. (…)”,

Daí se parte logo para o alinhamento das simplificações desejáveis.
Algumas delas expõem-se como obrigando a “fazer a análise de alternativas de regulação e a eliminar toda a legislação manifestamente e obsoleta”(sic).
Outra obrigação premente e que se propõe é a de “alcançar um corpo legislativo fiável, actualizado e convivial”!
Nesta altura, já todos perceberam a distinção subtil entre os termos “inteligibilidade” e “compreensibilidade” e a sua redundância oficiosa será certamente fruto da determinação do Simplex. Um sinal, portanto, da sua autoridade argumentativa e orientadora.
O que já não se compreende lá muito bem, no entanto, é a necessidade de um corpo legislativo…convivial! O termo, mesmo na sua natural evolução semântica, remete para conotações algo festivas. Será isso que se pretende com o futuro corpo legislativo? Festas, para além do mais?! Infelizmente, parece que sim. Mas não para todos, claro, que o anfitrião tem poucos lugares nas mesas e parece que já estão tomados.

Será por isso que já se detectam alguns sinais visíveis de festa rija, nos lados de quem legisla no novo modo Simplex?
Segundo o que se pode ler no blog, Dizpositivo, pode escrever-se que houve um autêntico happening ( no melhor pano cai a nódoa do estrangeirismo), lá para as bandas de quem, na Presidência do Conselho de Ministros, rectifica diplomas rectificadores que por sua vez rectificaram rectificações. Exagero, dirão! E com razão…as rectificações foram três- e não quatro, como acabei de escrever.
Logo, este texto, como será fácil de reconhecer, não merece credibilidade por aí além. Aponta argueiros e não vê as traves que se lhe colocam na frente…e depois, no fundo de cada olho que vê, o que é que se escreveu por aqui?
Nada de relevante, para além da sindicância ao escrito do nosso síndico preferido.

Publicado por josé 16:59:00 23 comentários Links para este post  



Separar as águas

Segundo o jornal Correio da Manhã, em 23 de Abril de 2003, na Assembleia da República, o Secretário da Mesa da Assembleia da República, um deputado eleito pelo PS, terá enviado uma mensagem a um outro colega deputado e amigo, do mesmo partido, perguntando-lhe:
"Queres que assine por ti a folha de presenças?
Não está ainda inteiramente esclarecido se o deputado, no momento faltoso e que justificou a pressurosa mensagem escrita do seu colega de partido, simultaneamente Secretário da Mesa da AR, se encontrava antes ou depois dessa mensagem, na AR, nesse dia.
Não obstante, o ex Secretário da Mesa da Assembleia da República, hoje, Secretário de Estado da Administração Interna no actual governo PS, esclareceu assim o assunto, ao mesmo jornal:
No exercício da função [de secretário da Mesa da Assembleia da República] verificaram-se algumas situações em que senhoras e senhores deputados, tendo estado ou estando presentes na sessão plenária, não haviam assinado o livro de presenças. Nessas circunstâncias era assinalada a presença do deputado com um ‘P’. Não se tratava de qualquer assinatura. Também em situações em que uma senhora ou um senhor deputados que entrassem durante a sessão, como aconteceu algumas vezes com os senhores deputados que integravam as direcções de grupos parlamentares, era assinalada a presença na folha ‘rosa’.”

Será este procedimento, vituperado também por deputados ouvidos a propósito, vergonhoso e digno da mais alta censura, como escreve o António no blog Do Portugal Profundo, ou o mal, neste caso singular, reside nas malditas escutas telefónicas que não páram de nos surpreender?

Publicado por josé 0:03:00 51 comentários Links para este post  



"Professores, avaliações, aflições"

Com o objectivo de diminuir a despesa pública e, vá lá, "melhorar a qualidade do ensino", têm vindo a ser anunciadas medidas necessárias para a avaliação de professores e filtragem do acesso aos níveis elevados da carreira. Estando de acordo com o princípio da necessidade de avaliação (assim como o do condicionamento de acesso à carreira em exame nacional), entrevejo uma mão cheia de possibilidades de enviesamento do processo. Ou me engano muito, ou uma parte substancial da concretização das avaliações pode ficar nas mãos do lobby das "ciências" da educação, dado que há uma elevada possibilidade de os coordenadores de departamento curricular (a quem vai incumbir atribuir classificações) serem recrutados entre os inúmeros mestres e doutores, especializados em estudos de acaso, que durante anos interiorizaram a ideologia pedagógica em vigor. Podemos estar a assistir à criação de um corpo de guardiões da execução das orientações metodológicas rígidas e irrealistas que recheiam os programas oficiais. Ironicamente, muitos deles terão sido doutrinados sobre a inadequação dos exames como método de avaliação...

Lendo o anteprojecto de estatuto da carreira docente, disponível no site do ministério da educação, não fico muito descansado quando reconheço, aqui e além, os traços distintivos da escrita em eduquês. Por exemplo, no artigo 36-2º diz-se que são competências dos professores

gerir os conteúdos programáticos, criando situações de aprendizagem que favoreçam a apropriação activa, criativa e autónoma dos saberes da disciplina ou da área disciplinar, de forma integrada com o desenvolvimento de competências transversais.

Isto já foi escrito muitas vezes e não deixou boas recordações.

A avaliação pelos pais, no contexto de facilitismo com que o ensino foi contaminado nos últimos tempos, corre o risco de reflectir, em grande medida, os simulacros de avaliação feitas pelos próprios alunos em 1974 e 1975.

A ministra afirma ainda (PÚBLICO de hoje) que a escola já dispõe de meios de exercer autoridade. Do alto do "observatório da violência" a escola deve ser um pontinho longínquo e perdido no espaço: talvez o envio de uma sonda permita conclusões mais fiáveis. E, quando se humilha publicamente, em bloco, a classe dos professores, a questão deixa de ser a de saber se eles merecem ou não as frases reprovadoras, passando a ser a de avaliar se o efeito não será o mesmo que dizer: batam-lhes mais, que eles merecem.

Falta de Tempo

Publicado por Nino 22:23:00 4 comentários Links para este post  



A sublimação da Fé


Durante a semana que passou,vários cronistas mencionaram a viagem do Papa à Polónia e ao antigo campo de concentração em Auschwitz.
Como tónica dominante, passou uma frase de Bento XVI, dita in loco e que se tornou em paradoxo, glosado logo a seguir: “Onde estava Deus, nesses dias? Porque ficou silencioso?”
Como nota dissonante, surgiram respostas perplexas e as glosa dos ateus militantes. Para estes, Deus estava onde sempre esteve: entre os crédulos e em mais lado nenhum!
E o mote, passou para outro lado, para o da responsabilidade pelos campos e pelo holocausto. Tema milhares de vezes debatido, ainda provoca frisson, se a fricção passa ao lado de todo um povo, para se centralizar num partido, numa política ou numa ideologia. Ouvindo Bento XVI dizer que o povo alemão, de que aliás faz parte, foi então utilizado como instrumento de um bando de criminosos, instituído no Estado e que dele se acapararam, para melhor lograrem a eliminação física e completa de toda uma raça, em nome dos princípios da superioridade de outra, a declaração soou blasfematória dos cânones gerais do politicamente correcto. Revisionismo, escreveram alguns. A Igreja sabia e calou, escreveram outros ( VPV, no Público de hoje).
Há dias, foi mencionada por alto, a efeméride do XX Congresso do PCUS, na antiga União Soviética. Escreveu-se ( no mesmo Público) que a par do Congresso, foi publicado então um relatório – o Relatório Krutschov- no qual se acusava Estaline de “inúmeras malfeitorias ( sic), incluindo crimes e perversões da “legalidade socialista” ( sic).
O Relatório Krutschov era para ser “secreto”. Não foi. Sabe-se hoje um pouco mais acerca das “inúmeras malfeitorias” atribuidas a…Estaline. Sim…a Estaline! O povo russo, em nome do qual havia um partido que não admitia outros partidos e em nome do qual se cometeram as tais “inúmeras malfeitorias”, não é aqui visto nem achado.
Não é por acaso que Estaline foi apelidado de “pai dos povos”, “O maior filósofo de todos os tempos”, o “gigante do pensamento” e outros ditirambos denunciados no Relatório. Os povos estão num lado e Estaline é o seu pai, dito com toda a solenidade de mentes brilhantes.Logo, não faz sentido culpar o povo russo das “inúmeras malfeitorias” e ninguém, jamais, se atreveu a fazê-lo.
Porém, idêntico critério não se segue para analisar o que se passou na Alemanha dos nazis do partido nacional-socialista. Aí, é todo o povo que tem de comer por junto e não há História por menos que isto. E quem disser o contrário, faz revisão histórica, blasfema e nunca entrará no gotha dos bem pensantes.
Mesmo a “pergunta certa” de Vasco Pulido Valente, hoje no Público, suscita perplexidades. “ Onde estava a Igreja e por que ficou silenciosa?” , é a tal pergunta.
Há um filme de Ingmar Bergman, da década de setenta que parece responder de alguma forma à pergunta. Chama-se O Ovo da Serpente. Relata os alvores do nazismo e as razões pelas quais o povo alemão elegeu a ditadura nacional socialista como modelo de organização do Estado. Onde estava a Igreja, nesta altura? Com o povo, certamente. O povo que elegeu democraticamente os fautores de uma catástrofe mundial. Mas, ao contrário do povo que escolhe o reino, a Igreja tem um reino que não é deste mundo visível: o espiritual.
A melhor forma de o descrever e compreender o que se terá passado na Alemanha nazi, no que à Igreja diz respeito, foi escrito mesmo hoje, no mesmo Público, por João Bénard da Costa, num artigo sublime de Fé inabalável e que reverencio, porque ao melhor nível de um…Ratzinger. Aqui fica um excerto do admirável texto:

Que o Vigário de Cristo na Terra - ou aquele que crê e que muitos crêem ser o Vigário de Cristo na Terra- se dirija a esse mesmo Cristo, Deus Nosso Senhor, para Lhe perguntar por que ficou silencioso, onde estava, como tolerou aquilo, é talvez o que de mais ousado e abissalmente radical me lembro de ter ouvido da boca de um Papa.
Todos conhecemos os paradoxos so- bre Deus, que se é Todo Poderoso não é Todo Bondoso ou se é Todo Bondoso não é Todo Poderoso. Uma célebre passagem dos Irmãos Karamazoff foi citada nos últimos séculos vezes sem conta e vezes sem conta nos atiçaram com a história do Grande Inquisidor ou com a morte de Ivan Illich. Mas essas dúvidas, essas interrogações abissais, vinham de fora para dentro ou das margens para o centro. Em Maio de 2006, em Auschwitz, a questão veio do próprio Centro e a terrível pergunta sobre o silêncio de Deus foi a terrível palavra de um Papa.
Mas não podemos dizer que foi Bento XVI o mais terrível interrogador. Dois mil antes dele, na Cruz, Aquele que ele representa interpelou Deus - que Ele também era - da mesma maneira: "Eli, Eli, lamma sabachtani?" ("Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?"). E nunca ninguém encontrou resposta para essa pergunta impossível, em que o próprio Deus se sentiu abandonado pelo próprio Deus. A quem, ou com quem, falava Jesus Cristo na Cruz? Quem O ouvia ou quem O não ouvia? Quem não O podia ouvir ou quem não O queria ouvir? E a nossa única fuga perante estas terríveis questões é a que consiste em responder que todas elas são vazias de sentido, pois que nada que se diga sobre Deus pode ter sentido. Como escreveu Simone Weil: "Caso de contraditórios verdadeiros. Deus existe, Deus não existe. Qual o problema? Tenho a absoluta certeza que Deus existe, no sentido em que te¬nho a absoluta certeza que o meu amor não é uma ilusão. Mas tenho a absoluta certeza que Deus não existe, no sentido em que tenho a absoluta certeza que nada de real se assemelha ao que posso conceber quando pronuncio esse nome. Só que o que não posso conceber não é uma ilusão."
E foi ainda Simone Weil quem sobre o mal ("o triunfo do demónio" como lhe chamou o Papa) escreveu o que ainda mais me faz deter: "Quando se ama Deus através do mal enquanto tal, ama-se verdadeiramente a Deus." Ou: "Amar Deus através do mal como tal. Amar Deus através do mal que se execra, execrando esse mal. Amar Deus como autor do mal que estamos a execrar."
Mas voltemos ao mistério de Deus com Deus. Não é dele ainda que nos fala S. Paulo (II, Cor, 12, 7-10) quando disse aos Coríntios que por três vezes pediu a Deus que dele se afastasse? Mas Deus lhe respondeu: "A minha Graça te basta. Porque o meu poder se manifesta na fraqueza" ("virtus in infirmitate perfícitur", como diz a Vulgata).
"Se Deus existe, odeio-O", diz uma personagem de Bergman quando a querem fazer aceitar, na morte do amado, a vontade de Deus. Será blasfémia? Quantos não terão dito, ou sentido o mesmo, no horror de Auschwítz? Mas foi nesse horror -aprendi-o há bem pouco tempo -que uma rapariga de vinte e sete anos, que mais procurou Auschwítz do que lhe fugiu, escreveu esta coisa enorme, tão enorme como as palavras do Papa: "Se Deus deixar de me ajudar, eu estarei aqui para ajudar Deus."

Publicado por josé 19:31:00 26 comentários Links para este post  



O Código Dos Vencidos

Embora seja uma obra de ficção, a expectativa é grande em redor do filme "Não pensei que estivesse a ser filmado, senão teria apertado a mão ao meu adversário", uma absorvente história auto-biográfica baseada no livro homónimo do mesmo autor do galardoado "A minha casa-de-banho foi mais cara que a tua e só tem inscrições de Kant nas paredes, assinadas por Jean Paul Gaultier".

Tó Manco encarna o professor Manuel Maria, um conceituado especialista de astrologia, que uma noite é chamado pelo ministério da informação para ir ao noticiário da RTP1 denunciar o poder opaco da comunicação social privada.

Enquanto o governo socrático investe as últimas toneladas de ouro na construção de um aeroporto na região oeste (onde se prevê construir a nova capital, cuja região metropolitana abarcará a ultra-periférica Lisboa), em nomeações de gestores públicos formados na Moderna e reformas milionárias a funcionários zelosos da república, o marido da famosa apresentadora de boletins meteorológicos consagra a sua vida a decifrar as pistas da Blue, sob o signo da verdade: gémeos.

Ainda abalado com a derrota do seu pai nas presidenciais, João enterra zangas antigas e acaba por associar-se a Manuel Maria. Juntos revelam um série de segredos escondidos que apontam para uma sociedade secreta de jornalistas débeis mentais, que romperam o contrato de vassalagem à linhagem aristocrática rosa, em vigor desde a revolução dos cravos.

Na caça ao polvo, entra também a Maçonaria, representada na obra como "a boa da fita". Muitas aventuras e reviravoltas esperam Manuel e João que, entre Lisboa, Carnaxide e Barcarena, vão descobrir muito mais do que poderiam esperar. E carpir.

O código é decifrado, mas será alguma vez a mentira inscrita na sociedade?

Publicado por Nino 12:15:00 1 comentários Links para este post  



José Saramago enjeita modelo educacional de esquerda

O escritor afirmou que actualmente se vive "uma situação confusa", em que se confunde a "instrução", ligada ao conhecimento, com a "educação", ligada aos valores. "Onde está a educação na escola em que os professores são agredidos, humilhados, desprezados", questionou, argumentando que os docentes "são os heróis do nosso tempo".

Público

Publicado por Nino 15:29:00 12 comentários Links para este post  



José Saramago adere ao liberalismo

O prémio Nobel da Literatura José Saramago questionou ontem a utilidade de o Estado dar "estímulos" à leitura (...) "O estímulo à leitura é uma coisa estranha, não deveria ter que haver outro estímulo além da necessidade de um instrumento que permita conhecer".

"Mal vão as coisas quando é preciso estimular", defendeu, contrapondo que "ninguém precisa de estímulos para se entusiasmar com o futebol".

Público

Publicado por Nino 15:27:00 1 comentários Links para este post  



Congressional Sale-A-Bration!


Cartoon by Mark Fiore

Publicado por contra-baixo 10:16:00 0 comentários Links para este post