o primeiro grande erro de Cavaco

Dez anos volvidos os apelos ao "diálogo" voltaram. Não, ainda não foi desta que o Engº Guterres regressou do Nevoeiro, mas quase. Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, num gesto radical e fracturante, decidiu tomar o partido explícito da CAP, no "conflito", muito pouco elegante registe-se, que a opõe ao Ministro da Agricultura, apelando ao... diálogo. É pena. É pena porque, independentemente da maior ou menor habilidade de Jaime Silva, a Agricultura portuguesa precisa de ser reformada, e reformada radicalmente, mais, precisa de ser colocada no seu lugar e requalificada à sua exacta e precisa dimensão. Não é simplemente concebível que o orçamento do Ministério da Agricultura seja comparável ao do do Ministério da Justiça e do da Administração Interna... combinados, ponto.

Cavaco escolheu, infelizmente o caminho mais fácil. Tal como outros, no caso das maternidades, esquivou-se à substância e refugiou-se num apelo cínico ao... diálogo, para gáudio da Confederação dos Agricultores. Mal, muito mal, péssimo. Ora, aquilo que a CAP ainda não provou, desde os tempos idos em que Cavaco era (aliás) primeiro-ministro, e em que enterrou milhões de fundos europeus destinados à agricultura numa... sede faraónica, é que quer verdadeiramente modernizar e racionalizar o sector agrícola português. Na prática, só se ouvem quando se trata de discutir subsídios, ora porque chove, ora porque faz sol.

Cavaco, melhor que muitos, conhece os problemas das contas públicas, melhor que quase todos é suposto saber do imperativo da implementação de reformas. Reformas que terão que passar também inapelavelmente pela agricultura e pelo fim de muitos dos regímes de previlégio e excepção que pululam naquele sector. É por isso que é de todo incompreensível, para não dizer irracional, esta sua atitude, a qual voluntária e conscientemente, fragiliza as tímidas reformas e passos que se tentavam dar para racionalizar a Agricultura, e o respectivo Ministério (que no limite não deveria ser mais do que uma secretária de estado do ministério da economia, ordens de magnitude mais leve e ágil), em Portugal. Afinal, não foi para que tudo continuasse na mesma que eu votei no Prof. Cavaco, nem eu, nem, suspeito, muita gente...

Publicado por Manuel 14:28:00  

9 Comments:

  1. Fernando Martins said...
    E é por estas (e por outras) que eu, que sou monárquico mas que tive de votar ACV, cada mais aprecio a Monarquia...
    Astrolábio said...
    Monarquina nunca!
    maloud said...
    Ao que li por aí, há uma guerra surda entre Sevinate Pinto, conselheiro do PR para estas questões e Jaime Silva. Talvez o PR deva chamar a si o dossier da Agricultura e ouvir menos o conselheiro.
    rb said...
    Bem lembrado, Maloud, é de facto no mínimo curioso ver que o ex-ministro esté a fazer oposição pela calada.

    Aqueles que desejam ardentemente a suave presidencialização do regime não se impacientem, Cavaco sabe levar a água ao moinho, lenta e despercebidamente.
    maloud said...
    Como sabe, Atento, eu não votei em Cavaco Silva, mas desde que foi democraticamente eleito é também o meu Presidente. Ora, não julgo que corramos o risco da presidencialização do regime, porque acredito que ele respeite integralmente a Constituição. Mas o PR não é a rainha de Inglaterra, e é natural que chame a atenção, para o que na sua opinião corre menos bem. Neste caso concreto, parece-me que está mal aconselhado, razão porque em comentário anterior defendi que ele próprio tomasse conta do dossier. Espero que o tempo me dê razão no juízo que agora faço.
    rb said...
    Eu acho é que ele devia ter mais cuidado a escolher os colaboradores, se ele realmente pensa como acredita a Maloud
    sniper said...
    Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
    zazie said...
    e viva o reizinho!

    também sou por ele

    http://cocanha.blogspot.com/2006/01/esclarecimento-pblico.html#comments


    ":O)))
    o-espectro said...
    Cavaco Silva governa-se com as fraquezas dos outros. O sr. Sevinate Pinto pode provocar a primeira crise PR/Governo. Constitucionalmente, o PR devia estar calado. A macabra dança e contradança do afrontamento institucional vai ainda dar mais cabo do estado do País, com sérios e terríveis desafios a vencer: Welsch e toda a mprensa económica Mundial o dizem: Portugal, os seus dirigentes, deviam ter vergonha do estado a que o país chegou.Cavaco quer ser o Nero e partir para soluções ainda mais á direita? Sem futuro? O NY Times conta a blague( a partir da 1.° Página) de que os computadores podiam e deviam arranjar soluções para os problemas portugueses... NIET

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