"Adding and Removing White Space From a Document."
Domingo, Julho 31, 2005
ou porque é que Bill gates quer 3 000 patentes... [do New York Times]
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Soares tem 80 anos, Cavaco 65. Parece que depois deles falta uma geração inteira. Onde se meteu a gente dos 40 e 50 anos, que devia agora tomar conta do país, com força, com experiência e uma visão nova? Como se explica a esterilidade desta democracia que em 2005, maior e vacinada, volta em desespero ao seu fundador e ao 'pai' do Portugal 'moderno' (que entretanto caiu num buraco sem fundo)? Existe alguma razão especial para a pobreza humana da nossa política?
Vasco Pulido Valente, Público
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uns, mais iguais que os outros...
Publicado por Manuel 12:43:00 0 comentários Links para este post
"A arte da simulação"
O estratego chinês Sun Tzu - venerado nas escolas de gestão de empresas - disse que a guerra é baseada na simulação. Quando se tem capacidade para atacar, simular incapacidade. Quando as tropas estão em actividade, simular inactividade. Quando perto do inimigo, simular que se está longe. Quando longe, simular que se está perto. Num processo [Casa Pia] em que a prova mais abundante é o testemunho, a palavra, as simulações sucederam-se durante oito meses e acentuaram-se a partir do momento em que o julgamento decorreu à porta fechada. No final, independentemente da decisão do colectivo de juízes, a não ser que surja um facto inédito e forte (ainda que, na dialéctica do julgamento e contrariando o senso comum, "contra factos é que há argumentos"), a dúvida persistirá. E uma das razões que contribuirão para a persistência da dúvida prende-se com o acesso (acesso e não presença na sala de audiência) dos jornalistas aos depoimentos das alegadas vítimas. Só ouvindo os seus relatos do princípio ao fim, estando atentos às oscilações na voz, às hesitações, no fundo, ao discurso, é que é possível transmitir aos leitores (ao tal "povo" que conferiu aos tribunais a "competência para administrar a justiça" em seu nome, como bem refere o artigo 202.º da Constituição da República Portuguesa) uma informação rigorosa e minimamente enquadrada. Se o tribunal optar por manter as portas fechadas - refira-se que foi feita uma proposta para que os jornalistas apenas tivessem acesso à voz, a qual passaria pela instalação numa sala de uma saída de áudio - as simulações continuarão. Isto é, os pedaços de informação vertidos para o exterior servirão apenas para simular superioridade ou incapacidade das partes. E, tendo em conta tudo o que rodeou este processo, o tribunal não pode ficar indiferente a este factor. Porque se o objectivo é a realização da justiça, esta também só se realiza quando é transparente e quando, além dos directamente interessados, o tal "povo" compreende as suas decisões.
Carlos Rodrigues Lima, DN
Publicado por Manuel 11:41:00 0 comentários Links para este post
edificante
muito edificante.
Publicado por Manuel 10:38:00 0 comentários Links para este post
O quadrado de Manuel Alegre
Sábado, Julho 30, 2005

Publicado por Carlos 18:11:00 22 comentários Links para este post
uma questão de confiança
O Dr. Menezes resolveu solidarizar-se com Helena Lopes da Costa, que se proclamou vítima de perseguição política, excluída das listas do Dr. Carmona à Câmara de Lisboa, invocando acções de saneamento político a apoiantes seus.
É de notar e deplorar a visão que Menezes tem da política já que ao que parece para Menezes a questão da confiança política e coesão numa equipa autárquica não se põe e é de somenos importância. É que convém recordar que foi Helena Lopes da Costa quem liderou o processo de contestação à candidatura de Carmona Rodrigues à CML, tendo, em on e em off, dito de Carmona o que Maomé não diz do toucinho. Só por masoquismo puro e manifesta má-fé se poderia esperar que Carmona Rodrigues quisesse na sua equipa alguém que não confia nele e dele diz publicamente que é um incapaz.
Menezes alega ainda que todos os que o apoiaram no congresso, ou faziam parte das suas listas, estão a ser boicotados pelo próprio partido como sinal de retaliação política. Talvez seja só uma questão de português mas convinha que Menezes seja mais contido nas palavras e se restrinja aos factos. É díficil imaginar mais apoio e suporte do que o dado áquele que foi o seu primeiro vice-presidente na lista que apresentou no último Congresso - Neto da Silva - na sua presente candidatura autárquica...
Para terminar, mais do que ouvir inconsistências de ocasião, só para moer, o que eu gostava realmente era de ouvir um comentário do Dr. Menezes sobre a entrevista do Dr. Lopes, publicada hoje. É, sabem, uma questão de confiança.
Publicado por Manuel 17:53:00 6 comentários Links para este post
sobre a indigência...
No mesmo dia em que Santana Lopes confidencia ao Expresso o seu desejo de voltar a ser Primeiro-Ministro, e no mesmo registo delico-doce, Manuel de Pinho, Ministro da Economia, tenta responder à avalanche de críticas ao pacote de obras públicas apresentado por este governo, com um artigo de opinião publicado no jornal "Expresso". Infelizmente, se a argumentação apresentada pode ser considerada válida numa qualquer conversa de café, não o é num debate que se quer sério e intelectualmente honesto.
Atentemos, e começando pelo título...E daqui a dez anos?
Daqui a 10 anos Manuel Pinho não é Ministro, nem daqui a 10 meses, em contrapartida, daqui a dez anos todos continuaremos a ser contribuintes.
NA DÉCADA de 90, a economia portuguesa cresceu um total acumulado de 27%, mas na primeira década deste novo milénio não deverá ir além dos 13%. Temos um grave problema de crescimento, cuja solução é o grande objectivo a atingir.
Óbvio.
Além do problema estrutural de baixa competitividade, há dois factores adicionais que estão a arrastar o crescimento em sentido negativo. O aumento do preço do petróleo e a necessidade de pôr em ordem as finanças públicas, depois de o anterior Governo ter deixado o maior défice orçamental da zona euro.
Sim, e ...
Em semelhante situação, nenhum governo pode ficar de braços cruzados à espera que o temporal passe ou, ainda pior, deprimindo ainda mais os portugueses através de um discurso de «tanga».
Ah, o governo não pode deprimir, não pode cultivar uma política de exigência e sacrifício.... logo faz política prozac.
É necessário lançar um plano tecnológico destinado a suprir as deficiências em termos de qualificações, tecnologia e capacidade em inovar e relançar o investimento e as exportações através de políticas pró-activas. Tratar do longo prazo, mas não ignorando o curto prazo.
Soa bem.
Investimentos prioritários. Os grandes projectos de investimento têm de ser enquadrados numa estratégia, não podem ziguezaguear ao sabor das circunstâncias. Por isso, foi lançado um Plano de Investimentos Prioritários (PIIP) num horizonte de quatro anos, no valor de 25 mil milhões de euros.Inclui projectos de origem pública e privada na proporção de cerca de metade-metade. 60% desses projectos destinam-se a aumentar a competitividade e acelerar o acesso à sociedade do conhecimento. A sua selecção tem sido feita com rigor e com o apoio de académicos respeitados. Através de um processo interactivo, chegou-se a 25 mil milhões de euros, partindo de um valor inicial muito superior.
Poético. Até soa bem, mas onde está a transparência do processo ? Onde está o debate público ? Quem são/foram os tais académicos respeitados ? Quais foram os critérios ? Em suma, onde estão, e quem foram, os verdadeiros interlucutores do processo, caracterizado (!) como interactivo ? E - em concreto - qual é a estratégia ?
O Governo espanhol também divulgou um plano de investimento, designado Peit, no valor de 240 mil milhões de euros, unicamente dirigido ao sector dos transportes, considerado de importância estratégica para aumentar a competitividade.
Espanha, outra vez Espanha. Não sendo a ordem dos factores arbitrária, que leva o Ministro a supor que pudemos já imitar Espanha, sem antes fazer o que eles já fizeram, como por exemplo ter contas públicas equilibradas, e uma economia saúdavel ?
Rebater as críticas.Vou rebater as críticas feitas ao PIIP ponto por ponto. Temos de olhar em frente e resolver os nossos problemas, não podemos ficar paralisados por mais análises e especulações.
Mas arriscamo-nos a ficar mesmo paralizados, à espera que duas ou três ideias mirabolantes resolvam (miraculosamete) os problemas estruturais do país.
A primeira crítica foi de «despesismo». Não é verdade, porque os projectos financiados pelo Estado no PIIP são apenas 30% do investimento público do programa de estabilização aprovado por Bruxelas. Portanto sobram 70% como margem de flexibilidade.
O Ministro brinca com os números. Brinca e goza.
A segunda crítica foi de que «para o Governo, o motor do crescimento é o investimento público». Não é verdade, porque as restrições orçamentais a que estamos sujeitos obrigam a que o investimento público seja inferior ao verificado em Espanha, na Irlanda e na Grécia, e quase metade do que na Coreia.
Qualidade, não quantidade. Na defunta Europa de Leste o investimento público atingia valores estratósféricos e nem assim se evitou a queda do muro... Por outro lado, esquecendo a Grécia, não queremos imitar a Grécia, a situação específica portuguesa é assim tão comparável à da Espanha e da Irlanda ? É mesmo ? O Ministro acha que se pode começar a fazer a casa pelo telhado ?
Quem se interesse por esta matéria poderá consultar na Internet um estudo do Fundo Monetário Internacional que mostra o seguinte: no que se refere ao «stock» de capital público por habitante, Portugal tem o valor mais baixo entre 22 países da OCDE. (1)
Qualidade não quantidade, Sr. Ministro.
A terceira crítica foi dirigida especificamente à construção de um novo aeroporto e do transporte ferroviário de alta velocidade, projectos que foram qualificados como «fantasistas».
São fantasistas.
Novo aeroporto e TGV. É interessante discutir se o novo aeroporto deve ser na Ota ou em Rio Frio, ou se a alta velocidade deve ter este ou aquele traçado.
Seja sério. Não é uma questão de ser interessante, é fundamental. E essa devia ser uma discussão prévia a qualquer decisão, minimamente sustentada e definitiva. Eu, por exemplo, concordo que é necessário um novo aeroporto, ou até mais que um, para cobrir a parada espanhola em Badajoz, mais do que para suprir qualquer necessidade imediata em Lisboa, também concordo que é preciso renovar a rede ferroviária - caduca - mas, daí a assinar de cruz dois modelos que não foram discutidos, que não são consensuais, e que num caso - o da Ota - me parece simplesmente insustentável, vai uma grande distância.
Mas esta discussão deve ter elevação. Não deve ser um pretexto para criar a ideia de que, ao mesmo tempo que exige sacrifícios à população, o Governo inicia projectos «faraónicos» que nem aumentam a competitividade da economia nem se justificam. Tal não é verdade.
Merecia ter elavação, sim senhor. Uma impossibilidade, com este Ministro.
Primeiro, porque há estudos sérios (também disponíveis na Net), como o de Marvão Pereira e Andraz, apresentado numa conferência do Banco de Portugal, que demonstram que o investimento em infra-estruturas de transporte tem um forte efeito multiplicador sobre o crescimento da economia - o que se percebe intuitivamente, porque somos um país com uma localização geográfica muito periférica e a comunicação e os transportes são um factor essencial nesta era da globalização.
Este estudo mostra (pág. 17) que cada euro investido em infra-estruturas de transporte gera 8,1 euros de aumento da produção no longo prazo. (2)
Não desconverse, senhor Ministro, fica-lhe mal. O que está por demonstrar é porquê a Ota, porquê este TGV, porquê acabar com a Portela. Estas duas "obras" não se confundem ao conceito de investimento público, logo o estudo não aquece nem arrefece.
Recordo que o plano de investimentos contempla também projectos na modernização dos portos, das plataformas logísticas e no aumento da capilaridade das redes.
O que é bom, e devia ser mais discutido. Mais uma vez não houve qualquer debate público, nacional, sobre o que é essencial e o que é assessório.
Segundo, porque estes dois projectos implicam uma despesa muito pequena na actual legislatura (cerca de 8% de um total de 25 mil milhões).
Já outros os disseram - isto é puro terrorismo intelectual, depois de iniciadas alguém vai ter de pagar as obras, nesta e nas outras legislaturas, que se lhe seguirão. Num espaço de 20/25 anos qual o peso destes (2) investimentos ? Esta é a mesma cassete das SCUTs, quem vier a seguir que pague...
Terceiro, porque o novo aeroporto é financiado quase exclusivamente pelo sector privado, portanto, é um projecto rentável. O comboio de alta velocidade apenas estará pronto dentro de dez anos.
Eu não quero saber quem financia, eu quero é saber se tem sustentabilidade económica (e estratégica), porque se não tiver quem acaba a pagar são sempre os contribuintes... O Ministro importa-se, ainda assim, de definir rentável ? Tem algum estudo que garanta a sustentabilidade económica do empreendimento ? Se tem, então porque é que não deixou a Ota, salvaguardados os interesses do Estado, ser um projecto 100% privado ? Talvez por a solo ninguém estar interessado, não ? Quanto ao comboio de alta velocidade estar pronto daqui a dez anos, quer dizer o quê ? Somos nós na mesma que o pagamos, bem ou mal implementado...
Quarto, porque não podemos ficar paralisados à espera que se resolvam os problemas conjunturais para só depois adoptar uma estratégia de desenvolvimento, nos seus diferentes aspectos. A Espanha também iniciou o projecto de alta velocidade em 1992, numa altura em que tinha grandes problemas, e não foi isso, naturalmente, que a impediu de os solucionar.
Onde está a estratégia integrada de desenvolvimento ? Onde ? E ele a dar-lhe com Espanha...
E quinto, porque não vivemos isolados do resto do mundo. A Espanha tem 9000 quilómetros de auto-estrada, apenas havendo portagens em 2000 km, e vai construir mais 5600 km. O seu plano é aumentar a rede de alta velocidade para 10.000 km, de forma a ligar todas as capitais de província.
Tiro no pé. Na Espanha quase não há portagens, o que quer dizer que tem folga financeira para subsidiar as obras. Bastam as SCUTs para recordar da infelicidade do argumento. Mas mais uma vez, porquê começar a casa pelo telhado ? Não seria mais óbvio criar a tal folga finaceira primeiro ? Por outro lado, o ministro pretende usar estes grandes projectos para vitaminar a economia e as contas públicas ao mesmo tempo que omite que é economia e as contas públicas que tem de estar em ordem, por definição, para estes grandes projectos terem viabilidade.
Se o projecto português de criar a alta velocidade no nosso país é faraónico, então o projecto espanhol é o delta do Nilo.
Com os erros dos outros podemos todos nós bem.
Os críticos a estes dois projectos têm o ónus de defender o oposto daquilo que criticam. Termos em 2015 um aeroporto no meio da cidade e não ter um só quilómetro de alta velocidade, quando a Espanha terá 10.000.
O meu problema não é a Espanha em 2015, o meu problema é ver a Espanha agora, é ver Portugal agora...
Estimular a competitividade. Mas, naturalmente, há muito mais que o investimento em infra-estruturas para estimular a competitividade e relançar a economia. Ao fim de quatro meses, já é possível criar uma empresa na hora, quando até há pouco éramos um país muito mal classificado neste importante indicador. Já foi lançado o Portugal Digital. Já foram repostos os incentivos fiscais para as empresas que investem em investigação e desenvolvimento, que erradamente tinham sido abolidos. Já foram desbloqueados grandes projectos de investimento que se encontravam presos há anos e anos nas teias da burocracia. Já foi lançado um concurso para a produção de energia eólica, que permitirá produzir electricidade suficiente para abastecer uma cidade como Lisboa, criar um «cluster» industrial, aumentar as exportações e reduzir as importações. Já foram aumentados os recursos financeiros disponíveis para incentivos às empresas, garantindo-se que a eles tenham acesso prioritário as que investem no plano tecnológico.
Continuo sem saber o que é o plano tecnológico. Se o ministro queria um plano tecnológico a sério, devia de facto estudar a Coreia, o Japão, e muitos outros casos. E perceber que o Estado deve dar o exemplo. Tem o ministro algum estudo integrado do workflow da máquina do Estado ? Algum projecto de a optimizar/integrar ? Está a multitude de projectos que vão sendo aprovados, muitos só porque são de áreas na moda, a ser ponderada no sentido de garantir a compatibilidade/integrabilidade com todos os outros ? O Ministro sabe como é o ensino na Europa de Leste, e na Ásia ? sabe mesmo ? Há mesmo um plano global ? Onde está ? Ou uma multidão de planinhos avulsas fazem uma estratégia coerente ?
Quando a discussão sobre os grandes projectos acabar, ficará a realidade: na melhor das hipóteses, quando nós tivermos umas centenas de quilómetros de transporte de alta velocidade, a Espanha já terá 10.000.
Realidade ? Qual realidade ? Isto soa a chantagem, a arma mais anti-democrática que se pode conceber. Para Manuel Pinho, ou os projectos (!) dele, ou nada. Há vida para além destes projectos. Como há, e pode haver, investimento público de qualidade. Infelizmente, a discussão real não é em torno da necessidade de investimento público, o problema está em saber se o que Manuel Pinho quer impôr é bom investimento público, e isso ainda não conseguiu demonstrar. As sistemáticas comparações com Espanha metem dó, até fazem lembrar um mau aluno que não tendo estudado para o exame resolveu memorizar as respostas de um outro, já feito.
Publicado por Manuel 12:58:00 2 comentários Links para este post
Ota é um erro histórico
Hoje, no Caderno de Economia do jornal Expresso, um artigo de opinião, onde são explicadas quais as razões pelas quais a Ota não deve ser edificada, e porque a crítica deve ser sempre construtiva, a apresentação de uma solução tida como integrante, concertada e inovadora. Um artigo da co-autoria de António Duarte e de Marco Ferreira.
O artigo será publicado na íntegra nesta Venerável Grande Loja, na próxima 2ª feira de manhã.
Publicado por António Duarte 1:49:00 2 comentários Links para este post
Um pouco de Palma, só para relaxar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda ver que lindo presente
A aurora trouxe para te prendar
Uma coroa de brilhantes para iluminar
O teu cabelo revolto como o mar
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda a ver o gato vadio
À caça do pássaro cantor
Vem respirar o perfume
Das amendoeiras em flor
Salta da cama
Anda viver, meu amor
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
«Acorda, menina linda», Jorge Palma, 1979
No meio destes dias cheios de más notícias, é bom poder fugir um pouco da realidade perturbadora em que este país está cada vez mais afundado e reler as palavras simples, mas sábias, de Jorge Palma. Pode não parecer, mas Portugal ainda nos oferece muitas coisas boas pra usufruir. Há que saber procurá-las.
P.S. Esperemos que o fecho de «O Comércio do Porto» e de «A Capital» não seja mais um passo para um perigoso abismo em que estão a cair as condições laborais nos media portugueses... Onde é que isto vai parar?
Publicado por André 0:52:00 0 comentários Links para este post
boletim metereológico
uma questão de sobrevivência.
Sexta-feira, Julho 29, 2005
Já aqui se falou muito, mesmo muito, da necessidade imperiosa de reformar o sistema político, e de repensar os custos da Democracia nomeadamente os que de advem dos efeitos secundários derivados dos presentes modelos de financiamento partidário, local e nacional. Ninguém liga, é tabú, ou quase. Por cá riem-se, por enquanto, do mensalão no brasil. E no entanto o financiamento partidário - cá - está prestes a entrar na ordem do dia, outra vez.
Quando as pessoas não confiam, e nos próximos tempos vão ter ainda mais razões para desconfiar, no Governo, nos políticos e no sistema, a democracia fica doente, muito doente. Entretanto aguarda-se uma saída da parte de Sócrates para a questão dos elefantes brancos vulgo Ota/TGV, já não é apenas uma questão política, é uma questão de sobrevivência.
José Sócrates tem de perceber que não pode continuar a comportar-se como um puto teimoso e kamikaze, e que a democracia, a nossa democracia, não tem necessariamente de ficar ainda mais doente, muito menos é liquido que resista bem suporta certo tipo de ataques...
Numa nota mais estival parece que o Dr. Lopes considera que foi ferido em combte mas que não morreu, e que o melhor candidato presidencial das direitas é... Marcelo Rebelo de Sousa, para além de picar Cavaco q.b. - foi para ele uma desilusão - e elogiar a entrada de Soares na corrida. Como palhaço - alguém que entretem - tem a sua piada. Pena é, que outros que se tomaram por mais sérios se estejam a revelar tão risíveis quanto ele o foi.
Publicado por Manuel 22:26:00 0 comentários Links para este post
A virtude de saber decidir...
... não é o forte deste Governo. À força de se querer renegar a herança do “diálogo” que Guterres levou ao extremo, com os resultados que se conhecem, parece ter havido uma aposta clara na colagem a uma atitude mais afirmativa e levemente autocrática, ao estilo de Cavaco Silva. Sem sucesso.
Numa altura que Portugal está num ponto decisivo quanto a vários e avultados investimentos públicos o Ministro da Economia deslocou‑se à Ordem dos Economistas para, falar sobre a economia portuguesa, e justificar a melhor forma que permita à mesma sair da grave situação em que se encontra.
E para o governo, a questão é simples. No curto prazo o crescimento da economia portuguesa será sustentado pelo investimento público, independentemente dos efeitos colaterais, da qualidade e da racionalidade que o mesmo possa empreender. No longo prazo, a fórmula de sucesso, é o plano tecnológico.
Várias vezes Manuel Pinho estabeleceu analogias entre a Coreia (um bom exemplo) e Portugal, entre os quilómetros de auto-estrada que a Espanha têm e Portugal não têm, ou entre o TGV Espanhol, que curiosamente os espanhóis assumem não conseguirem rentabilizar e a necessidade de Portugal também possuir, sob pena de ficar ainda mais periférico. Ora mal de quem pensa, que o simples facto de se investir em rodovia e ferrovia, por si só garante robustez no crescimento e sustentabilidade no desenvolvimento.
Argumentos substanciais nem um. Não só isso como ficou sem resposta a maioria das perguntas que foram colocadas ao Ministro sobre a Ota e o TGV, os dois projectos mais proeminentes do plano de investimentos do Governo. O investimento público é de facto essencial a qualquer economia, mas não o pode ser a qualquer preço, sendo ponto assente que a economia portuguesa não precisa de mais investimento público... apenas e só de melhor investimento público.
Entre outras coisas, Manuel Pinho recorreu a manobras evasivas quando confrontado com um desafio para, à semelhança do que o próprio Ministro disse ter encontrado na Internet sobre o plano de investimentos espanhóis, publicar no portal do governo, os estudos que sustentam a decisão do governo em fazer avançar a OTA. Assistindo-se, portanto, a uma situação sui generis em que o Governo defende o investimento em grande obras públicas independentemente da sua racionalidade económica, que se recusa a discutir e que toma como dogma.
As medidas que de facto deveriam motivar o governo, as verdadeiras reformas estruturais, que deveriam ser bandeira, de um governo que se auto intitulou de diferente. Essas ficaram escondidas. E o futuro de Portugal passa pela reforma da educação, quer ao nível do financiamento, quer pela ligação entre universidades e mercado de trabalho de forma eficiente, evitando que o Estado gaste fundos em cursos que o mercado já não absorve. Passa por assumir que a pré falência da segurança social é um dado assumido, em 2020 o défice entre pensões e contribuições será quase de 10 % do PIB. Dois exemplos de como a dimensão dos problemas são manifestamente perigosos, para não se actuar de imediato, e de forma concertada.
Ora o governo, cometeu um enorme erro de análise. Sustenta as medidas com vista ao crescimento económico, e este até pode de facto acontecer, tal a dimensão do apoio financeiro que será criado, mas de alguma forma, poderá o plano tecnológico resolver os problemas estruturais da economia portuguesa, e permitir o seu desenvolvimento?
Esperava-se bem mais do titular da pasta da Economia, que saiu das Novas Fronteiras do PS com o rótulo de salvador da pátria.
artigo de opinião publicado hoje no Independente
Publicado por António Duarte 18:25:00 4 comentários Links para este post
memórias(s)
Há um ano atrás o país político, e o país jornalístico, encarou com serenidade e normalidade, quando não com divertimento, a fuga do Dr. Barroso. Poucos foram os que se indignaram por aí além quando o Dr. Lopes chegou a primeiro-ministro.
De normalidade em normalidade a paciência do comum cidadão foi-se esgotando ao ponto do pacífico Dr. Sampaio se vir na contingência de ter de despedir sumariamente o Dr. Lopes, cuja continuidade era simplesmente insustentável, não tanto para o tal país politico-jornalístico, que reagiu com surpresa, mas para o comum cidadão.
Convinha que o Eng. Sócrates se recordasse do contexto absolutamente excepcional que lhe permitiu ascender ao poder. E convinha que tivesse um bom plano B, que pode passar - simplesmente - por assumir um erro e pedir desculpa aos portugueses. É que - já se percebeu - não vai haver Ota, muito menos esta (b)Ota do Dr. Pinho e do Dr. Lino. Convinha mesmo.
Publicado por Manuel 17:47:00 2 comentários Links para este post
O erro da Ota?
No Tugir, o Carlos Castro reforça com argumentos de Pedro Ferraz da Costa (como lembra o sempre atento brainstormz) as imensas dúvidas, ou melhor, as cada vez mais raras dúvidas sobre o erro colossal que ameaça ser a construção do novo Aeroporto na Ota.
Transcrevo este trecho ...
A OTA significa, face à Portela, mais uma hora a hora e meia em cada sentido. Põe-nos já a mais de quatro horas do centro da Europa, o suficiente para inviabilizar as viagens de um dia características do mundo dos negócios actual e para dificultar o turismo de fim-de-semana, segmento muito importante para o futuro do nosso turismo.
Aliás, não há nenhum agente económico a favor do novo aeroporto. Nem as empresas, nem as companhias aéreas, os agentes de viagens ou os hotéis.
Quanto à necessidade de substituir a Portela, nunca foi apresentado um único relatório que o demonstrasse.
O ministro das Obras Públicas da altura, o eng. João Cravinho, afirmou que a capacidade máxima da Portela era de 12/13 milhões de passageiros, que não era possível levar o metro à Portela, apesar de ir chegar à Gare do Oriente.
O bom funcionamento durante o Euro 2004 demonstrou que afinal, mesmo só com uma pista, daria para muito mais.
O actual ministro, logo quando iniciou funções confessou-se surpreendido por se querer substituir a Portela, que já daria para 22/23 milhões, pela Ota, que não daria para mais de 30 milhões de passageiros.
Talvez para justificar a necessidade do novo aeroporto, a ANA aceitou a desmobilização de terrenos que quase inviabiliza uma segunda pista, com a imediata autorização de construção de habitação nesse terreno, sem isolamento de ruído.
Parece-me que o Governo comprou uma luta que motiva crescentemente pessoas de todos os espectros políticos. Uma boa prova da vitalidade de que a nossa democracia tanto precisa. Por aqui continuaremos a pedir explicações; como disse no início, as dúvidas sobre a Ota encaminham-se a passos largos para o total descrédito da grande aposta de investimento público deste governo. Esperemos que José Sócrates melhore da otite que o Jumento há dias lhe diagnosticou.
Publicado por Rui MCB 16:04:00 2 comentários Links para este post
Última hora
Vital Moreira ataca a racionalidade do Metro de Coimbra porque...
- a) Só quer uma estação ferroviária digna desse nome;
- b) Acha, e bem, que transportes locais não devem ser financiados pelo Orçamento de Estado.
A coerência é uma valor, e há que a respeitar. Rui Rio já deve estar aflito. Lá vai ter de fechar o Metro do Porto.
Publicado por irreflexoes 15:28:00 6 comentários Links para este post
Contas Nacionais 1995 a 2000 – Base 2000
A revisão da base do Sistema de Contas Nacionais Portuguesas (SCNP) conduziu a uma reavaliação média do PIB para o período agora disponibilizado (1995-2000) de 4,9%, apresentando o ano de 1996 a menor reavaliação (4,2%) e 2000 a maior (5,5%). Este resultado decorre de um conjunto de ajustamentos introduzidos no processo de mudança de base, identificando-se como mais relevantes o novo tratamento dos SIFIM (serviços de intermediação financeira indirectamente medidos), o método de cálculo das rendas efectivas e de estimativa do arrendamento imputado, que no seu conjunto contribuem em cerca de 55% para o total da reavaliação registada em 2000.
Mais detalhes aqui (INE)
Publicado por Rui MCB 15:09:00 0 comentários Links para este post
Já!
M I C R O - C A U S A S
pode o governo sff colocar em linha os estudos sobre o aeroporto da ota para que na sociedade portuguesa se valorize mais a "busca de soluções" em deterimento da "especulação" ?
Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções.
Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07
Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.
Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.
José Pacheco Pereira
Mais, foi este o Governo, que quis uma comissão de sábios para investigar as contas do anterior, é este o governo que se arrisca a ser investigado - e humilhado - no futuro por sonegar, se não manipular, informação objectiva que sustente aquilo - que até prova em contrário - ainda mais ninguém viu.
Mais ainda, seria conveniente precisar exactamente em que estudos é que ainda vão ser gastos nos próximos tempos os tais 300 e tal milhões de euros...
apenas
uma questão de Fé!
Publicado por Manuel 14:10:00 14 comentários Links para este post
más contas
O Independente desta semana trás em destaque o facto de o Estado, em relação ao director-geral da DGCI, Paulo Macedo, estar a transferir todos os meses 3706,14€ para o fundo de pensões do BCP aonde se encontra inscrito, ou seja cerca de 17,45% da sua remuneração base que é no valor de 21.236€. A seguir apresenta um conjunto de personalidades, que vão desde um ex juiz do TC a sindicalistas, a considerar que tal carece de fundamento legal. Em minha opinião não têm razão, tratando-se este de um falso problema.
Em qualquer circunstância, é dever do Estado contribuir com uma parte sua para o sistema ou subsistema de aposentação em que o trabalhador esteja inscrito.
Paulo Macedo, para efeitos de aposentação, dependerá um subsistema privado, aliás como dependem quase todos os trabalhadores bancários, logo é para esse que o Estado deve contribuir, à semelhança que pratica para outros trabalhadores requisitados.
Sobre o valor mensal da contribuição, por muito chocante que possa parecer, podemos afirmar que este é bastante inferior ao que o Estado pagaria, caso, por exemplo Paulo Macedo viesse de uma empresa privada abrangida pelo Regime Geral da segurança social. Neste caso estaríamos perante uma contribuição de 23,75% sobre a remuneração e não de 17,45% como acima se referiu.
Pelos vistos, Paulo Macedo não contribui com nenhuma parte do seu salário para o fundo de pensões do BCP. Por muito estranho que isso possa parecer é algo que diz respeito exclusivamente ás partes envolvidas, ou seja BCP e seu empregado. O que se pode também dizer a este respeito é que o Estado também fica a ganhar, pois assim aumenta o rendimento tributável em sede de IRS.
A remuneração de Paulo Macedo na sua globalidade pode ser discutida, o que não me parece suficientemente importante é o detalhe da contribuição para o fundo de pensões do BCP, pois esta está devidamente enquadrada do ponto de vista legal, parece-me.
Publicado por contra-baixo 14:00:00 0 comentários Links para este post
Custo-benefício
O Governo assumiu ontem uma medida - congelar a progressão dos funcionários públicos nas respectivas carreiras - que permite poupar menos de 200 milhões de euros em 2006.
O reverso da medalha, para além dos custos políticos e sociais, é que, na prática, os funcionários públicos sabem que, até ao fim do ano que vem, estão a trabalhar para o boneco.
O Governo nem sabe começar a calcular os custos da quebra de produtividade associada a tal medida, já para não falar na receita fiscal cessante.
Nem, aposto, como explicar que se sacrifiquem 700.000 funcionários para que a dotação dos Gabinetes dos Ministros da República continue a ser, por ano, mais do dobro do que agora se "poupa". Ou que o Instituto do Turismo custe mais 50% do que o que se pretende dizer que se poupa com esta medida.
Ou porque é que o que se poupa aqui é cerca de um quarto do valor do lucro da banca no 1.º semestre, muito do qual resulta da baixíssima taxa real de IRC, que é menos de metade do que os funcionários públicos pagam sobre os seus salários.
Enfim, um desgaste desnecessário, inconsequente e para inglês ver. O peso no OE desta poupança é de menos de 0,25%. É por aqui que vamos?
Sou todo a favor da reforma da administração pública, da redução de privilégios, disso tudo. Mas convém que não se façam meras operações de cosmética.
Publicado por irreflexoes 11:51:00 8 comentários Links para este post
Leituras recomendadas (e cruzadas)
No Independente de hoje, o António Duarte volta a explicar porque é que o Governo não sabe o que anda a fazer nas decisões sobre investimento público.
Publicado por irreflexoes 11:33:00 4 comentários Links para este post
O caso Paulo Macedo (corr.)
Foi grande e de certa forma justificada a polémica quando Manuela Ferreira Leite distituiu o director da DGCI para contratar Paulo Macedo, pago a peso de ouro. Em tempo de vacas magras em que os próprios trabalhadores do fisco eram sujeitos às restrições impostas à generalidade de função pública, ver um director chegar para receber um vencimento aúreo dificilmente poderia ser visto como boa política de recursos humanos, facto particularmente gravaso atendendo à particular relevância do empenho do factor humano para o sucesso do serviço em mãos.
Hoje, a propósito desta notícia...
A Direcção-geral dos Impostos (DGCI) bateu um novo recorde na cobrança de dívidas em processos de execução fiscal, segundo uma nota emitida na passada quarta-feira. (...)
...temos motivos para repensar a rapidez das críticas. Aos poucos e a continuar por este andar, os níveis de evasão fiscal no país poderão atingir níveis aceitáveis, num futuro relativamente próximo.
Talvez a conjuntura política e psicológica seja a pior possível para discutir seriamente toda a política remuneratória associada ao serviço público, mas convém ir sublinhando na memória estes casos que servem de contraponto a muitos outros. Serão informações preciosas para chegarmos a uma solução equilibrada que nos permita obter um melhor Estado.
A ser linear a interpretação desta notícia, um facto parece ser inegável: Paulo Macedo, pago a peso de ouro, está a ter sucesso onde tantos outros falharam redondamente durante demasiado tempo. E assim sendo, justifica plenamente o seu vencimento, assim como todos os que trabalham sobre a sua direcção.
Publicado por Rui MCB 10:37:00 2 comentários Links para este post
bizarro, de facto.
Publicado por Manuel 20:12:00 0 comentários Links para este post
acabou
Na terra de sua majestade não há só más notícias. Hoje há uma excelente notícia. Enfim paz.
Publicado por Manuel 18:52:00 5 comentários Links para este post
uma patetada
... e uma vergonha os sucessivos avanços e recuos do PSD, e do seu grupo parlamentar, acerca da lei de limitação de mandatos de titulares de cargos políticos. Convinha que Marques Mendes também olhasse para estas coisinhas - só tratar das grandes questões, e esperar que ninguém repare nas outras , é ingenuidade pura.
Publicado por Manuel 17:58:00 1 comentários Links para este post
Da Wired uma visão sobre o futuro, o nosso futuro. Para ir pensando.
Publicado por Manuel 17:30:00 1 comentários Links para este post
Soares, ou a arte da guerra
Andam por aí muitas alminhas indignadas com a importância e tempo de antena dadas ao regresso do Dr. Soares à vida política activa, há ainda quem - na sua infinita perspicácia - veja na súbita importância das presidenciais uma elaborada cabala com vista a distrair a plebe da crise e desviar as atenções do Governo, outros há que veêm Soares como o predestinado a impedir o derradeiro assalto do Professor Cavaco, e dos cavaquistas - perigosa espécie de que todos falam mas que ninguém sabe quem são, ao poder.
Como habitualmente é tudo muito mais simples, terrivelmente simples.
O Dr. Soares é candidato presidencial mas, desenganem-se aqueles que pensam que o seu objectivo primário é vencer as presidenciais, porque não é.
A candidatura presidencial é um mero artíficio que Soares encontrou para - agora - colocar as coisas como estas - no seu entender - devem estar. O objectivo primário de Soares é tão somente o de redesenhar o tabuleiro politico-partidário português, nomeadamente à esquerda. O resto é folclore para entreter e inglês ver.
Soares percebeu que a crescente blairização de uma certa esquerda, associado aos assomos de luciez e pragmatismo que de vem em quando a assaltam, eram um perigo, um perigo real, que levaria mais tarde ou mais cedo, a uma excessiva social-democratização do PS, a qual, no limite, poderia levar à sua dissolução, desfeito à esquerda pelo pós Bloco/PC e ào centro por uma diluição com o PSD num grande partido do Bloco Central.
É este - em fim de vida - o grande pesadelo do fundador do PS, que o seu PS, acabe indistiguível do PSD, quando não fundido com este.
Não é por acaso que Soares anda muito atarefado a reunir com Abrantes do PC e com a rapaziada do BE, Soares quer aparecer como o homem da esquerda, e das esquerdas, e sobretudo como o refundador desta.
Dizem por aí que uma candidatura presidencial de Soares é boa para Sócrates porque se Soares perder, é ele - Soares - que perde e não o PS. Puro erro. Em primeiro lugar, Sócrates já perdeu, qualquer que seja o resultado, e perdeu porque o centro que o elegeu não estará maioritariamente com o candidato vencedor, seja ele qual for, e perdeu, em segundo lugar, porque no calor da campanha do Dr. Soares, e na ressaca da mesma, o que vai contar vão ser os valores, as tradições, e a solidariedade/fraternidade, entre as esquerdas. Ainda vamos ver muito soarista de ocasião a exigir a Sócrates, que tem - recorde-se - maioria absoluta, que governe "coligado" com PC e BE.
Soares, modesto como sempre, vê-se a devolver ao PS a sua verdadeira identidade, de esquerda, e secretamente admira a catraiada do Bloco por oposição ao cinzentismo mais ou menos pragmático da geração presentemente à frente do PS. Não é também por acaso que é a ala esquerda do PS a menos receptiva à reemergência de Soares, já perceberam tudo, e não querem repartir o seu espaço com os outros...
À priori, parece que também Soares, ganhando ou perdendo, ganha sempre, aliás para alguns até ganharia mais perdendo, martirizado, pois, com Cavaco em Belém, o fantasma cavaquista seria mais um pretexto para obrigar Sócrates, e o PS, a guinar à esquerda, mas há um pequeníssimo problema.
Soares parte do pressuposto que Cavaco é suficientemente parvo para deixar que as presidenciais sejam apenas e só um, mais outro, embate esquerda/direita. Esqueceu-se que Cavaco ao longo dos anos deixou de ser visto como um património exclusivo da direita, passando a ser respeitado e considerado por todo um país, mesmo por aquele que nunca votaria nele. É ingénuo pensar que Cavaco, que já ninguém confunde com a direita, uma boa parte nunca o engoliu, muito menos com o PSD, pudesse agora voltar a acantonar-se num dos cantos do tabuleiro, como é ingénuo pensar que Cavaco deixará a Soares a definição de toda a agenda do debate político.
As pessoas, e a esquerda inteligente, já não vão na cantiga da memória, da tradição, querem resultados. Querem evolução, que não apenas adaptação às circunstâncias.
Por isso, nas próximas presidenciais, também vai estar muito em jogo a visão que cada um tem para a esquerda moderna - ou que progrida, ou que recue 20 anos. E, se não querem que regrida 20 anos o Dr. Soares deve - tem - sofrer uma derrota histórica.
Quanto à direita, pesem os delírios - à esquerda e à direita - daqueles, mais por razões de agenda própria do que por qualquer lógica racional, que veêm e temem no Prof. Cavaco um perigoso intervencionista, está também ela condenada a reorganizar-se. Cavaco será eleito não com os seus votos, mas apesar dos seus votos.
As coisas, e as regras do jogo, começaram a mudar a 20 de Fevereiro, mudarão ainda mais em Janeiro próximo. Talvez não mudem é no sentido que o Dr. Soares antecipava.
Não é por acaso que Soares é o candidato político, e Cavaco o detestado pelos políticos. Um vive acima do povo, o outro tem tudo para poder ser o digno representante deste, sem intermediários, sem outras agendas, sem limitações.
Publicado por Manuel 16:51:00 4 comentários Links para este post
bem visto
Presidenciais
Se os candidatos fossem Guterres e Santana, o coro era contra a falta de peso dos protagonistas face a outros tempos da nossa história recente. Como os candidatos são, tão só, os dois mais importantes vultos políticos dos nossos trinta anos de democracia, o problema é de geração e da falta de renovação do pessoal político. Qual quê, com a disputa Cavaco-Soares vamos é ter a mais interessante, disputada e decisiva campanha eleitoral em Portugal desde as presidenciais de 1986.
in Mau tempo no Canil
Publicado por Manuel 15:39:00 0 comentários Links para este post
A inimiga da perfeição
Qualquer iniciativa neste sentido parece-me à partida interessante, creio no entanto que a fórmula dois ministérios por cada três meses, seria a mais conveniente, pois permitiria que a sociedade civil se organizasse de forma metódica e sectorial para, no momento próprio, dar o seu contributo, com o privilégio de melhor acompanhamento por parte da comunicação social. Na fórmula do “tudo a monte” tenho grandes dúvidas que essa participação aconteça, pois, como de costume, o debate e cobertura resumir-se-á aos grandes ministérios como os da saúde, educação, justiça e pouco mais, acabando por deixar de fora todos os outros. Isto para além do risco de se ter durante ano e meio todos os ministérios com a sensação de terem a sua actual estrutura com prazo de validade, o que não contribui para se ter as melhores condições para governar.
Publicado por contra-baixo 15:06:00 0 comentários Links para este post
O penacho à custa do terceiro sector.
Publicado por contra-baixo 13:33:00 2 comentários Links para este post
Para o prestígio de Portugal
Não era?
José Manuel Barroso, European Commission president, heads for the beaches of Portugal this week with warnings ringing in his ears to start showing some leadership.
A year after he was confirmed in the job, Mr Barroso's stock has fallen sharply. The knives are out in some of Europe's main capitals, and his own team is becoming restless.
Publicado por irreflexoes 13:04:00 0 comentários Links para este post
moralidade e bons costumes
Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados semestrais do banco, e quando questionado pelos jornalistas se o Governo devia, ou não, avançar com o novo aeroporto e com a Alta Velocidade simultaneamente, Fernando Ulrich [Presidente do BPI] não quis comentar sobre a «bondade» das mesmas para o País, dizendo apenas que para o banco que lidera, seriam bons negócios.
in Agência Financeira
Publicado por Manuel 11:58:00 1 comentários Links para este post
O manifesto das economistas da Grande Loja

Publicado por Carlos 0:45:00 2 comentários Links para este post
A Portugal
Quarta-feira, Julho 27, 2005
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não
Jorge de Sena
Publicado por contra-baixo 23:58:00 4 comentários Links para este post
"Todos os nomes"
Um texto à altura do mais inspirado autor de A Quinta Coluna:
O Benfica pôs o nome do Estádio à venda.
Isto de vender um nome tem que se lhe diga. Já desde o Antigo Testamento que dar o nome significa manifestar o poder que se tem sobre o que se nomeia, fazendo-o sua pertença. Deus mostrou ao homem a sua criação e cada espécie «devia levar o nome que o homem lhe desse. O homem deu nomes a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras selvagens» (Gén. 2, 19-20).
Ainda agora é assim: os pais dão os nomes aos filhos, os empresários às suas empresas, os autarcas às suas rotundas, as crianças aos brinquedos, o regime às suas pontes sobre o Tejo, etc., etc.
Ora, o Benfica, glorioso herói em decadência, fiel espelho da nação,governadogerido pelos modernos empreendedores das negociatas espertas, com o afã de presidentes da junta nos mercados em manhãs de campanha eleitoral, resolveu abdicar do simbólico poder que ainda tinha. Depois de se vender àsujidadesociedade anónima, de destruir a cada ano que passa a mística que tinha (vejam o que se passa com a mudança das camisolas da equipa de futebol em cada ápoca) - e que o levou, com orgulho muito seu, a ganhar a independência que tinha e fazia calar alguns esbirros
do Estado Novo (as eleições no Benfica sempre foram um espinho na garganta do regime, que assistia impávido à única manifestação democrática em Portugal durante décadas e que mostrava ao País que a democracia podia funcionar), depois de vender o coração, vende agora a alma.
Esta operação mercantilista é tão ridícula e as piadas são tão óbvias e fáceis, que até fica mal perder tempo a pensar no assunto sem tristeza. Assim, decidi ajudar o meu clube a estabelecer alguns critérios úteis. Como a ideia é sacar algum dinheiro aos capitalistas, convém que seja aempresas de alguma dimensão, das poucas que, em Portugal, não declaram prejuízos todos os anos. De preferência, uma multinacional, mas dessas que ainda aqui têm estabelecimentos, fábricas e empregam assalariados residentes neste recanto repleto de estádios de futebol novinhos em folha. Por outro lado, para manter uma aparência de dignidade, deve ser uma firma cujo logotipo não seja verde nem azul, mas da cor do nosso sangue:
encarnadovermelho. Assim, não podem ser escolhidas das empresas a quem já foram vendidas algumas bancadas no estádio, como a Portugal Telecom, cujo símbolo já ocupa demasiado espaço nas camisolas dos jogadores, transformando o emblema do clube num acessório menor) ou a Sapo. Era o que faltava, associarmos o nome do Estádio a um sapo, cuja cor, mesmo que esteja saudável e bem-disposto, é uma cor doentia.
Também deve ser rejeitada um empresa portuguesa. Não só porque é difícil encontrar uma com uma imagem de seriedade, competência, modernidade e eficiência, mas porque só uma estrangeira tem a$ qualidade$ nece$$ária$ para não dividir os consumidores e ser penalizada pela inveja dos adeptos de todos os outros clubes. Fica, assim, afastada a Sagres (se bem que a Bohemia é uma bela cerveja, pá), que também tem uma bancada no novo Estádio.
Resta, então, a solução que já era a preferível desde o início: a Coca Cola. A Coca-Cola é antiga, um símbolo
universal de vitória, de sapiência, de modernidade, de história, de estabilidade, de vigor. E além disso, sabe bem, quando fresquinha.
No entanto, deve haver uma referência, ainda que subliminar, ao antigo nome do Estádio, o nome pelo qual era chamado muito depois de ter mudado para Estádio do Sport Lisboa em Benfica, o nome mais poético de todos os estádios e que só em Portugal poderia existir, neste país cujo dia nacional celebra um poeta, o Estádio da Luz. Assim, sugiro aqui à direcção do Benfica, aos accionistas da SAD e aos jornalistas de A Bola e do Record, o nome dos nomes: Estádio Coca-Cola Light.
CC
Publicado por Nino 23:08:00 10 comentários Links para este post
aprender com os outros
Divórcios Sindicais. Boas notícias para os trabalhadores. Por cá, tudo na mesma.
Publicado por Manuel 20:22:00 1 comentários Links para este post
"A Teoria do Perigo"
Vital Moreira vem aqui apresentar a famosa "teoria do perigo", algo de que vamos ouvir falar muitas vezes nos próximos tempos. Segundo ele, Cavaco pode pôr em causa a "estabilidade e a natureza do regime político". Com o devido respeito, se há algo ou alguém que anda a pôr em causa "a estabilidade e a natureza do regime político", é a "situação". Refiro-me à situação de pobreza franciscana - politica e institucionalmente falando - em que vivemos desde, pelo menos, 2001, e a que, com imensa felicidade, António Guterres apelidou de "pântano". É, de facto, algo tão profundo que Mário Soares teve que "reencarnar" junto de Sócrates por manifestamente também não confiar nele. Acha verdadeiramente que Soares, uma vez em Belém, vai deixar Sócrates fazer o que tem de ser feito? Já imaginou o que seriam as romarias da "esquerda em geral" - de que fala Medeiros Ferreira - ao Palácio e os "Portugal, que futuro?" para domar Sócrates, partindo do princípio que este ainda não está completamente rendido à tal "natureza moribunda" do "regime"? O "regime", ou evolui, ou morre. A sua "estabilidade" mole já não convence ninguém. E evolui melhor com Soares ou com Cavaco? Limito-me a reproduzir o seu (bom) argumento: "o argumento mais errado contra a candidatura de Cavaco Silva é o de que ele não tem perfil para o lugar".
João Gonçalves
Publicado por Manuel 19:54:00 0 comentários Links para este post
razões para sorrir
O Prof. Cavaco tem, por estes dias, algumas boas razões, para sorrir. Está, dizem os gurús, desde o arquitecto do Expresso, ao inimitável Luís Delgado, acossado, condenado a correr contra Soares, estará - ui - cheio de medo, dúvidas e incertezas.
Percebe-se este frenesim dos colunistas do regime. Com Cavaco, e apesar de Soares, a questão nunca será simplesmente de esquerda contra direita, PSD contra PS, vencedores contra vencidos. A entrada de Soares na corrida visou - só e apenas - isso, recentrar o debate, e o embate, numa guerra tradicional. Visa defender o sistema, o presente sistema, de um outsider que este tolerou, mas só isso, durante 10 anos. Visa proteger o bloco central.
Porém o país só teria a perder se se passassem as próximas presidenciais a discutir banalidades e quintais. Doa a quem doer, tem que ser tudo discutido, o sistema, as regras, os objectivos, tudo. Cavaco já deu no passado provas inequivocas de saúdavel autocrítica e de inquestionável liberdade pessoal. Não o veremos a defender o seu passado, a sua herança, ou sequer os seus, já sobre Soares, o amigo dos seus amigos, poder-se-á dizer o mesmo ?
Em bom rigor, Cavaco até já ganhou. Literalmente, e seja ou não candidato. O simples facto de ter forçado, porque forçou, a candidatura de Soares e esta ter originado a onda de indignação - mais ou menos virulenta, mais ou menos silenciosa - que originou, sobretudo numa certa esquerda que - indo votar de cruz em Soares - se sente defraudada, e manipulada, fará com que a prazo muita coisa mude. Cavaco poder ter tido muitos tabús, pode até ter gerido de forma péssima alguns deles mas nunca deu o dito por não dito.
Por estes dias, e graças a Cavaco e ao fantasma da sua hipotética candidatura, muitos, e não só Manuel Alegre, começaram a perceber no que dá certa política dos valores, das causas, e dos princípios. Passarão no futuro a exigir maior clareza, transparência e accountability.
Sem ser sequer candidato Cavaco já iniciou um processo, e uma onda, que tornará mais dia menos dia a vida política muito mais transparente. Só razões para sorrir.
Publicado por Manuel 18:55:00 8 comentários Links para este post
manifesto para aqui, manifesto para ali
Também eu, confesso, partilho do meu cepticismo sobre a onda de manifestos que tem emanado da dita sociedade civil. Não que esteja em causa a estimabilidade e boas intenções de muitos dos seus signatários mas, simplesmente, porque estes parecem ainda não ter percebido meia dúzia de coisas básicas.
Sobretudo não perceberam ainda que as pessoas não querem mais diagnósticos, estão fartas destes, ainda não perceberam que muito mais do que elencar de catédra princípios estimáveis os que as pessoas realmente querem é soluções, e que lhes sejam indicadas formas práticas destas contribuirem para o sair da crise.
Não basta dizer que há funcionários públicos a mais, é preciso explicar, que até no interesse destes, e dos seus filhos, é melhor para estes terem menos regalias e estarem - se necessário for - no desemprego, não basta dizer que as obras públicas são más, é preciso explicar que algumas podem chegar a custar a cada um de nós vários meses de salário/ano sem que se perceba benefício evidente, não basta perorar por reformas na saúde e na educação - sem explicar cabalmente que estas não implicam apenas menores custos mas sobretudo melhores serviços, e mais qualidade para os cidadãos.
O pior que a dita sociedade civil esclarecida pode fazer é transformar o debate político em questões meta-filosóficas, mais ou menos axiomáticas, mais ou menos de princípio, que per se pouco dizem às pessoas.
A crise, que existe, é real, e sendo real traz problemas concretos às pessoas, para a resolver serão necessários sacríficios e enquanto não houver um esforço real de as conscencializar dos benefícios a prazo desses sacríficios, num estado mais eficiente, mais prestável, em melhor educação, melhor assistência/segurança social, saúde - públicas ou privadas, de nada servirá andar por aí a clamar aos céus.
Mais do que de teóricos as pessoas querem ouvir verdades, soluções e explicações, simples - concretas. Não querem, nem gostam, de ser tomadas por parvas, e apenas levarem com as conclusões, de uns e de outros.
Até lá, enquanto uns falarem apenas para o umbigo dos outros, nada mudará.
Publicado por Manuel 18:21:00 2 comentários Links para este post
um caso como outro qualquer
Pus-me a ler o despacho n.o 16 205/2005, ontem publicado em DR, onde o Dr. Costa, o da Administração Interna, faz que lava as mãos e reincide no SIRESP do Dr. Lopes.
A argumentação cuidadosamennte bordada diz-nos, no ponto 7 do referido despacho, que...
Do conjunto de pareceres, retiram-se, desde logo, as seguintes conclusões quanto às questões inicialmente formuladas.
- Em primeiro lugar, não são apontados vícios relevantes do ponto de vista técnico na elaboração do caderno de encargos.
- Em segundo lugar, regista-se a adequação da solução técnica proposta adjudicar aos pressupostos constantes do caderno de encargos.
Mas, logo a seguir, poder ler-se, no ponto 8...
Por outro lado, resulta destes pareceres que a adopção de outras soluções técnicas - como o recurso a redes públicas - ou tecnológicas - como as soluções GSM, UMTS/CDMA 450 - não corresponde integralmente aos requisitos constantes do caderno de encargos deste procedimento. Assim sendo, não se pode considerar tais soluções como directamente oponiveis à solução proposta adjudicar.
A comparabilidade de soluções implicaria a abertura de novo procedimento, com um novo caderno de encargos que expressamente admitisse diversas soluções técnicas e tecnológicas, de modo a proceder-se a uma análise custo/benefício aberta a todas estas soluções. Caso venha a anular-se este procedimento, dever ser a solução a adoptar.
... para no ponto seguinte, o 9, não obstante, se ficar a saber que...
Afigura-se contudo, não se poder excluir por ora, a possibilidade de renegociar com o proposto adjudicatário (...).
Jurídica e formalmente, eu - não jurista, até admito que a coisa seja defensável, mas politicamente não há um pingo de seriedade e transparência neste despacho - é - todo ele - uma farsa.
Haverá alguém, com um mínimo de vergonha na cara e, que, sem corar, consiga sustentar ao mesmo tempo um caderno de encargos elaborado sem "vícios relevantes", mas que implica, pelos vistos, uma e uma só solução, um e um só modelo, uma e uma só tecnologia, excluindo todas as outras, as quais por via do mesmíssimo caderno de encargos não são, porque não podem ser, directamente comparáveis ? É que a questão, é essa e só essa.
Há muitos argumentos a favor e contra os diferentes modelos, mas em países civilizados esses modelos foram a jogo e foram-no devidamente escrutinados. Aqui, em Portugal, na infinita e tradicional clarividência dos sábios do regime, uma solução é ungida como a melhor, porque - e é o Ministério que o reconhece - não podem ser discutidas todas, mas todas, as outras. A prova da má consciência do Ministério está em reconhecer, ao mesmo tempo que assobia para o lado, que se se fosse a fazer a coisa de novo, havendo "então um novo caderno de encargos que expressamente admitisse diversas soluções técnicas e tecnológicas" (o que explicitamente reconhece que este que se valida o não permite) permitiria "proceder-se a uma análise custo/benefício aberta" a todas as tais soluções, o que nunca foi feito.
Em suma, ao mesmo tempo que assina de cruz, António Costa confessa que não sabe se a solução ganhadora é a melhor, confessa que afinal há outras, que só não foram consideradas porque o cadernos de encargo o impediu arbitrária e taxativamente e, e mais, nem sequer sabe se a solução ganhadora (era a única...) é economicamente competitiva, porque mais uma vez por via do tal caderno de encargos esta não é passivel de ser comparada com todas as outras.
Haverá - é claro - a urgência, argumento já gizado no passado por Daniel Sanches, MAI do Dr. Lopes.Sim, a urgência. A urgência de se aprender com a Noruega, que no mesmo espaço de tempo em que em Portugal se discutia o sexo dos anjos, com parecer atrás de parecer, dúvida atrás de dúvida, lançou o seu processo de upgrade, transparente, aberto e limpo. É ler, para crer, aqui e atentar aos calendários.
É claro que os noruegueses, como os alemães, são uns néscios - debatem, e fazem consultas públicas antes de decidir. Cá, nada disso é preciso, temos os sábios. Apesar disso, ou talvez por isso, a solução norueguesa cujo procedimento começou depois, vai estar pronta muito antes da nossa. Seria - aliás - interessante, deveras, comparar custos.
Num país normal tudo isto seria um caso de polícia, mas em Portugal temos é que António Costa é o Ministro das polícias.
Publicado por Manuel 17:04:00 1 comentários Links para este post
Viagem ao Mundo do Surreal..por Manuel Pinho
Neste link, poderá encontrar o discurso de Manuel Pinho proferido na segunda-feira à noite na Ordem dos Economistas.
Depois do Manuel Pinheiro, e de também por aqui, nos termos debruçado, sobre o monumental engano do ministro, aqui fica para a posteridade a prova do "crime"...
Recordo que os nossos vizinhos acabam de anunciar um programa gigantesco de 241 biliões de euros de investimento até 2020, quase duas vezes o Pib português, na expansão da sua rede de transportes. Só na rede ferroviária, serão 103 biliões de Euros. Se estivéssemos em Espanha, não se estaria a falar de dois “elefantes brancos”, estaria a falar-se de uma “manada inteira” .
De facto, Manuel Pinho nas suas contas, tem toda a razão em avançar com a OTA. O custo da obra - 5 mil milhões - representa face ao PIB Português - versão Pinho - pouco mais do que 0,02 %, algo perfeitamente displicente.
Acontece que o PIB português - versão real - é de 140 mil milhões de Euros...
Não é um erro. É um verdadeiro vírus no pai do choque tecnológico e no mentor do programa económico do PS... ao pensar que a Espanha poderia investir 10 vezes mais que o PIB Português... quando de facto o investimento espanhol se fica pelo 241 Mil Milhoes de Euros...
Publicado por António Duarte 16:02:00 12 comentários Links para este post
O que querem Cavaco e Soares?
Passado o primeiro choque sobre as surpresas prováveis das presidenciais e feita a devida crítica sobre as fortíssimas limitações dos actuais partidos de poder, demonstradas pelas escolhas em presença (crítica que não se encerra aqui), convém ir pensando no resto do cenário, no filme inteiro. Para isso recomendo hoje o editorial de Martim Avillez Figueiredo no Diário Económico (texto disponível aqui).
Para todos os efeitos acho saudável termos um governo do PS com quatro anos de maioria absoluta, completos. Uma coisa é acabar o estado de graça e ir fazendo marcação cerrada aos deslizes do governo, outra é pedir mudanças governativas em cada meio ano. Se juntarmos este vício à ineficácia dos partidos enquanto geradores de alternativas estruturadas percebemos porque é tivemos vários governos que se mostraram mal preparados para encarar a legislatura. Por agora lá vai recorrendo (o actual governo) ao melhor do preparar para fazer... fazendo. Felizmente quase todos os dias vão chegando algumas boas novas que amenizam os ácidos no estomogo sobre outras panfletárias, medidas que geram um mínimo de expectativas estimulantes como a digitalização de processos na justiça, o reafirmar da implementação do cartão de indentificação único (uma bomba anti-burocracia, a ser implementado), o acerto nos mecanismos de regulação das relações laborais, ou ainda a muito bem divulgada e promovida recuperação de prestações sociais.
Em suma, quando olharmos para as presidenciais temos de olhar também para que governação queremos e, ainda que qualquer um dos candidatos (do PS e do PSD) não sejam os melhores para a actual conjuntura (pós-dissolução e de descrença partidária), conjugando um bocadinho da memória de quem é Cavaco em matérias de autoridade, autoritarismo e exercício do poder, e de quem é Soares, até mesmo pela sua perspectiva jacobina de ver a política de que se falou há dias pela blogoesfera, prefiro claramente pagar para ver, ou seja, votar em quem me dá mais garantias de permitir que se complete o ciclo do executivo sem perder o sentido crítico sobre a governação.
Dez anos de travessia no deserto de Cavaco Silva não me fizeram esquecer os seus péssimos exemplos em matérias que muito preso na democracia, precisamente algumas das características que mais valorizo na figura do Presidente da República.
Quanto à idade, confesso que me preocupa mais o retirar de um certo socialismo ingénuo da gaveta do Soares recente (que não tenho grandes dúvidas voltará a engavetar se reassumir funções de mais alta figura do Estado) do que o que dizem as tábuas de mortalidade ou de morbilidade. Era só o que nos faltava andar a fazer contas de cabeça para reduzir as probabilidades de morte em exercício tendo por base a matemática. Porque não avaliar também o nível de obstrução das coronárias? Já agora que tal divulgar uns testezinhos à apetência para os candidatos desenvolverem doenças degenerativas a curto prazo? A idade apresentada como argumento isolado é demasiado perigosa para a nossa (minha?) própria ideia de sociedade.
Sinceramente, acho que a falência dos partidos em apresentarem novos e bons portugueses para a representação do país deveria ocupar-nos mais as discussões do que os anos dos candidatos. Afinal, a absoluta aversão ao risco (provavelmente reforçada pela fraca auto-confiança nas suas capacidades) é neste momento uma das principais causas de estrangulamento do sistema político em Portugal.
Publicado por Rui MCB 15:20:00 1 comentários Links para este post
fazer sentido
A notícia vem serena e só surpreende os crentes. António Costa recupera negócio (o do SIRESP) que anulou a Santana, e faz a capa do Diário Económico. Ao que parece e depois do barulho todo não foram afinal encontrados vícios relevantes (estranho eufemismo). Renegoceia-se e pronto. Num país normal tudo isto seria um caso de polícia, antes, durante, e agora, mas como o que interessa são as formalidades e a ordem dos factores vai acabar tudo bem, para todos, pelo que até o Dr. Lopes pode ir de férias descansado.
Há, é claro, uma série de coisinhas que ninguém explica adequadamente, e uma delas é a necessidade última do SIRESP tal como está pintado neste estranho "concurso". De certeza que é preciso criar quase de raiz um novo operador móvel, com tecnologia proprietária - com o fim único de servir as forças de segurança e protecção civil ? De certeza mesmo ? Não seria possível - tal como acontece noutros lados - o Estado garantir para si - no âmbito das contrapartidas que os operadores fixos e móveis são obrigados a dar - serviços e largura de banda "mínima", para emergências, sendo que no topo desta largura de banda garantida, haveria então sim uma integração uniforme. Não ficaria assim tudo mais barato, escalável e funcional. A redundância que quatro ou cinco ou seis operadores podem dar é infinitamente superior à que um único dá mas... as coisas são o que são.
A propósito doutro grande mistério dos nossos tempos - a Ota - alguém dizia nos nossos comentários que...
acredito que a decisão do governo tem outros fundamentos. acredito que tenha sido pensada e estudada. de outra forma, nada faz sentido.
Pensemos pois que tudo faz sentido, que tudo foi pensado e estudado, e foi-o, por financeiros e banqueiros, e assobiemos para o lado. Há aliás tradição. Durante 40 anos vivemos numa ditadura "suave", onde - dizem - até não se vivia mal, no Leste era pior, desde que não se pensasse muito e não se fizessem perguntas. Os outros, os que sabiam, decidiam e pensavam por todos. Faz sentido.
Publicado por Manuel 13:13:00 4 comentários Links para este post
a chupeta do Estado
"É evidente que os grandes investimentos em infra-estruturas, dado a sua grandeza e o seu risco, só são, em geral, atraentes para as empresas privadas em regime de parceria com o Estado." afirma candidamente Vital Moreira. Eu - tanso - julgava que na essência da economia de mercado estivesse também o risco (calculado) que os privados cometessem no anseio de obterem os maiores prémios. Vital confunde as garantias (nomeadamente de estabilidade/segurança) que o Estado deve providenciar com a (falta de) sustentabilidade/racionalidade ou não - a médio/longo prazo - de um qualquer grande projecto. É evidente que os grandes projectos não devem ser lançados pelos privados contra o Estado e vice-versa mas, mas convinha que Vital meditasse um bocadinho num único caso - a Lusoponte. Admito que a uma certa esquerda tradicional seja dificil imaginar algo ou alguém a sobreviver sem chupetas do Estado, mas se se esforçar vai ver que chega lá.
Publicado por Manuel 12:57:00 0 comentários Links para este post
Contra os fundamentalismos
Portugal está numa situação sui generis em que o Governo defende o investimento em grande obras públicas independentemente da sua racionalidade económica, que se recusa a discutir e em que toma como dogma e em que os que se opõem a tais projectos defendem, igualmente independentemente da sua racionalidade económica, que qualquer grande projecto é má ideia.
Sendo, como sou, há anos, constestatário da solução Ota, custa-me ver o projecto do TGV metido, sem mais nem ontem, no mesmo saco.
Temos de ter presente que a actual rede ferroviária tem quase 150 anos, que tem uma característica física (a bitola, que representa a distância entre os carris) que nos torna incompatíveis com a Europa - uma decisão tomada após as invasões francesas para blindar a península - e, a prazo, com a própria Espanha, que está a fazer o que deve, usar a nova rede de alta velocidade, compatível com a Europa, para criar uma nova rede de caminhos-de-ferro que possa sustentar a mobilidade interna de pessoas e mercadorias e o tráfego internacional de mercadorias para o centro da Europa.
Os custos de ficarmos confinados, já não à península, mas ao território nacional, têm de ser incluidos na equação.
Publicado por irreflexoes 12:23:00 4 comentários Links para este post
Trata-se afinal de uma proibição que, a ter de existir, não abona nada a favor da classe (o que também só importa a quem acredita na superioridade moral das classes, para mim, como em todas as profissões, existem apenas bons e maus profissionais).
Por outro lado, estranho que, no meio de todo o universo legislativo da função pública, não exista já uma lei aonde se encaixe esta conduta reprovável e que permitisse, a quem tinha a obrigação de o fazer, actuar contra os infractores, já que, à semelhança, imagino que também não seja permitido a funcionários de uma câmara, de uma repartição pública, ou de uma comissão de coordenação regional darem “explicações” privadas sobre como fazer melhor, a troco de dinheiro, não sendo, para o efeito, necessária nenhuma legislação especial a proibir.
Publicado por contra-baixo 12:22:00 4 comentários Links para este post
Aforismo partidário
A absoluta aversão ao risco, reforçada pela fraca auto-confiança nas suas capacidades, é neste momento uma das principais causas de estrangulamento do sistema político em Portugal.
Mais logo, depois de almoço, uma outra visão sobre as presidenciais.
Publicado por Rui MCB 11:03:00 4 comentários Links para este post
Bebés no Hospital S. Bernardo obrigam a transferir piolhos para outros hospitais
Terça-feira, Julho 26, 2005
Não fora assomar inesperadamente na Portela uma excursão de ingleses de jellaba e passa-piolhos, não haveria como transportar os milhares de piolhos e lêndeas hoje despojados da maternidade de Setúbal, uma vez que as ambulâncias não têm resistido aos inúmeros buracos do sistema nacional de saúde e foram colocadas entretanto no prego pelo saudoso Campos e Cunha para ajudar a conter o défice. Votados ao desprezo após séculos de relações estreitas e privilegiadas, os piolhos recordam que “foi graças a nós que, por exemplo, se aprimoraram aparelhos tão úteis como o pente anti-lêndeas, ou a ciência descobriu o gama benzeno hexacloreto, com a fórmula química C6H6CL6, também denominado lindano, um dos mais potentes insecticidas, larvicidas e acaracidas”. O mais grave de tudo, prosseguem, é “o manifesto desrespeito pelos mais idosos inculcado nas gerações mais novas, que se repercutirá tragicamente no futuro, pois, como é justo lembrar: bebé és hoje, piolho serás amanhã”.
Publicado por Nino 21:28:00 1 comentários Links para este post
Tragédia... na Ordem dos Economistas
Para começar, o ministro da economia procedeu à reinvenção do PIB Português, algo característico sempre que o PS chega ao Governo. É certo que Luís Viana no DN, transcreve da seguinte forma...
Recordo que os nossos vizinhos acabam de anunciar um programa gigantesco de 241 mil milhões de euros de investimento até 2020, quase duas vezes o PIB português, na expansão da sua rede de transportes
A verdade é que o Ministro não disse mil milhões... mas sim biliões.
Não é grave, e até Mário Soares já trocou milhares por milhões, o que é grave aqui é o ministro por momentos assumir que o PIB Português é de 120 biliões de euros. De facto assim a OTA era uma pequena migalha. O custo estimado da OTA situa-se nos 5 Mil Milhões de Euros.
Está claro que o Manuel Pinheiro, percebeu logo que deste debate surgiria uma lição da economia keynesiana, e a promoção do investimento público, como motor da economia. Várias vezes Manuel Pinho estabeleceu analogias entre a Coreia e Portugal, entre os kms de auto estrada que a Espanha têm e Portugal não têm, ou entre o TGV Espanhol, que curiosamente os espanhóis assumem não conseguirem rentabilizar e a necessidade de Portugal também possuir, sob pena de ficar ainda mais periférico.
Infelizmente, caí na tentação de questionar pessoalmente, Manuel Pinho...
- a) A semelhança do que conseguiu no Yahoo espanhol, lanço-lhe o desafio de publicar no portal do governo, os estudos que sustentam a decisão do governo em levantar a OTA.
- b) Quando fala na necessidade de mais investimento público, e da sua necessidade, não está a levar em linha de conta que o que Portugal precisa não é mais, mas sim melhor investimento público. Fala na logística de transportes e no conceito de rede, mas no seu discurso nem uma palavra sobre o porto de Sines.
- c) A OTA custará 5 mil milhões de Euros. Saberá o governo que existem melhores soluções e que não colocam Portugal num plano ainda mais periférico, como a OTA nos colocará ?
- d) Manuel Pinho, falou que a estratégia de longo prazo, passa pelo plano tecnológico. E as reformas na educação, na segurança social, na função pública, na organização administrativa do território ?
A tudo isto, Manuel Pinho remeteu-se ao silêncio. Ou melhor respondeu-me, que Portugal deve ombrear com a Espanha, a Coreia, e a Grécia em termos de investimento público. Que o plano tecnológico vai enviar 1.000 jovens para as melhores empresas mundiais de tecnologia - provavelmente já não regressam - Apenas isto !
Já sabia que este governo era mau. Ontem fiquei a saber que o mesmo governo, não só é mau, como é moralmente incapaz, e tecnicamente incompetente, e que de facto não há qualquer estudo para implementar a OTA... Para eles é apenas uma questão de feeling !
Publicado por António Duarte 20:00:00 18 comentários Links para este post
A culpa é da vontade
A culpa não é do sol
se o meu corpo se queimar
a culpa é da vontade
que eu tenho de te abraçar
A culpa não é da praia
se o meu corpo se ferir
a culpa é da vontade
que eu tenho de te sentir
a culpa é da vontade que vive dentro de mim
e só morre com a idade
com a idade do meu fim
a culpa é da vontade
A culpa não é do mar
se o meu olhar se perder
a culpa é da vontade
que eu tenho de te ver
A culpa não é do vento
se a minha voz se calar
a culpa é do lamento
que suporta o meu cantar
a culpa é da vontade que vive dentro de mim
e só morre com a idade
com a idade do meu fim
a culpa é da vontade
Antonio Variações
Publicado por contra-baixo 19:49:00 1 comentários Links para este post
Depois descobriu que eliminaria os apoiantes indefectíveis no Ocidente
Bin Laden tentou envenenar toneladas de cocaína nos EUA.
Publicado por Nino 19:15:00 1 comentários Links para este post
democracia musculada
Há certas medidas que, se forem submetidas a processos prévios de consensualização, como tantas vezes aconteceu no passado, não conduzem a nada
Alberto Costa, o déspota esclarecido, Público - 26/07
Publicado por Manuel 17:42:00 1 comentários Links para este post
equivocos & presidenciais.
Já o escrevi, por aqui, em tempos - que tecnicamente não sou um cavaquista, mais, duvido muito que o cavaquismo, tal como é apresentado por detractores e adeptos, alguma vez tenha existido. Dito isto, é penoso, verdadeiramente penoso, assistir recorrentemente a uma espécie de coligação entre uns e outros com vista a reescrever o passado, que nunca é apresentado como foi mas ou mitificado ou diabolizado. Por estes dias é dislate, atrás de dislate, uns donde se esperaria, outros nem tanto.
O Prof. Cavaco, e a sua governação, é assim apresentado ou como a fonte de todas as virtudes, ou como a raíz de todos os males, não havendo, ao que parece, espaço nem para o meio termo, nem para um mínimo de sensatez. Falta a uns e a outros um mínimo de humildade, a uns, reconher que Cavaco foi de facto o melhor primeiro-ministro da Democracia Portuguesa, e a outros, que tendo sido um excelente primeiro ministro, e até por via da sua qualidade humana, cometeu erros, alguns grandes.
Parece contudo, que não é por via do que Cavaco fez ou deixou de fazer enquanto foi primeiro-ministro que agora - em meu entender - deixa de ser a personalidade adequada para exercer o cargo de Presidente da República. O prof. Cavaco é - no momento - o presidente da república ideal essencialmente por aquilo que fez, e não fez, sobretudo desde que deixou de ser primeiro ministro.
Alguns apontarão a alegada frieza do personagem, outros a alegada falta de cultura, outros ainda o não elitismo do natural de Boliqueime como factores que o desqualificam para o cargo mas, no balanço das virtudes e defeitos, e até por via da sua própria evolução pessoal, Cavaco personifica o cocktail ideal que se espera do próximo presidente da República.
Ao contrário do que se pode dizer de outros - vide o Dr. Soares - nunca, mas nunca em tempo algum, se viu o professor Cavaco interferir desde que abandonou a actividade política activamente na mercearia política. Desligou-se completa e cabalmente do PSD, deixando-o entregue ao seu destino. Todas as intervenções do Professor Cavaco o foram dirigidas ao país, e ao sistema político em geral, abstraídas de questiúnculas partidárias, e grosso modo sempre dessa forma foram - a seu tempo - assim interpretadas. Mais, foi o primeiro a chamar a atenção para o monstro - em tempo de vacas gordas - pelo que não deixa de ser soez a acusação de que o pai do dito é afinal ele (factualmente Portugal e Espanha só começaram a divergir com Guterres já Primeiro-Ministro...). Dito isto, só por má-fé ou manifesta ignorância é que se pode insinuar que Cavaco será - por definição - um Presidente belicoso vocacionado para salvar e vingar a honra das direitas (mas quais ?). Cavaco, ao longo do tempo, sempre demonstrou um apurado sentido de estado e de responsabilidade que o levaram aliás a ser acusado por (ex?!) correlegionários seus de traidor já que ainda no Verão passado pôs claramente os interesses do país - face aos delírios santanistas - à frente dos da força política de que foi líder.
Há - é claro - um fantasma que persegue o Prof. Cavaco - os proclamados cavaquistas. Acontece que ao contrário de outros, e mais uma vez temos a inevitável comparação com o Dr. Soares, nunca o Prof. Cavaco fez questão de ter uma corte, uma quota, ou uma seita, à diposição, nunca, do Além, negociou lugares ou deixou que os regateassem em seu nome, percebendo sempre, e em todo o momento, rigorosamente qual era o seu lugar. É verdade que deixou um estilo, estilo esse pessoal e intransmissível, impassível de ser imitado. O cavaquismo é se o quisermos uma mistura blended de competência e eficâcia, associada a uma gestão política apurada e nunca - como muitos, até auto-proclamados cavaquistas, o querem pintar - uma mera associação de tecnocracia com carisma.
A votos em Janeiro de 2006 vai um Homem, apenas é só um Homem. Um ex primeiro-ministro que não enriqueceu à custa da política, que não se deslumbrou com o poder, e que enquanto o deteve fez o melhor que pode e soube. É verdade que cometeu erros - a sua falta de sensibilidade - à época - para áreas fundamentais como a educação e a saúde - onde teve tantas políticas (divergentes) como ministros ainda hoje saem caro ao país, sendo que - registe-se - ninguém ao tempo questionou verdadeiramente essas mesmas politicas. É verdade que se enganou em algumas escolhas pessoais que fez, quem não engana ? É fácil - dizer-se agora - que com os recursos de que Cavaco dispôs se faria melhor. Talvez se fizesse, mas outros tiveram tantos ou mais recursos e nem aos calcanhares lhe chegaram. Dentro do - humanamente - possível ninguém fez mais, e melhor, que ele.
Por outro lado Cavaco tem uma característica rara num político - o desprendimento, total e absoluto, pelo poder. Nunca o acusaram de pôr o PSD, e os seus interesses, à frente dos interesses do País, e - recorde-se - quando em consciência achou que não tinha mão no PSD saiu. E se o PSD ao fim destes anos todos ainda não se libertou de alguns dos tiques que levaram Cavaco a afastar-se, ninguém em seu pleno juízo pode acusar Cavaco de verdadeiras responsabilidades. Os tabús, os incompreendidos tabús, são, e foram, apenas e só a corporização da rejeição aos timings do sistema e do politicamente correcto.
Desenganem-se pois aqueles que veêm em Cavaco o salvador, ou o derradeiro redentor. Não é por isso, ou para isso, que Anibal Cavaco Silva deve ser Presidente da República.
Devê-lo-á ser porque - em tempo de crise - Portugal e os portugueses precisam de um referencial de estabilidade, de credibilidade, de alguém que saibam, tenham a certeza, que não tem agendas secretas ou camufladas. De alguém que mais do que deixar uma derradeira herança quer apenas e só servir Portugal.
Mas, há ainda uma outra classe de razões para se desejar que o Prof. Cavaco chegue a Presidente da República. É um facto que o actual sistema político funciona mal, tem vícios, e está, mais dia, menos dia, condenado ao fracasso, e também é um facto que per se não se regenerará tão cedo. Ora, a candidatura de Cavaco Silva não será nunca partidária, uma boa parte do aparelho do PSD abomina-o até, mas popular, basista, não será a esquerda vs a direita, mas sim o confronto entre diferentes maneiras de ver Portugal e o mundo, reconciliará pois os eleitores com o eleito, porque sendo desintermediada e livre de vícios aparelhístico-partidários.
Queira Cavaco e, nesta campanha presidencial que se avizinha, pode iniciar uma autêntica revolução - desde logo ao nível do financiamento - aceitando só e apenas , com toda a transparência, doações dos seus apoiantes, desde logo ao nível da participação, fugindo à habitual triagem aparelhistico-partidária, desde logo ao nível dos temas já que pode falar de tudo sem constrangimentos.
O Prof. Cavaco tem hoje - como ninguém - condições objectivas e subjectivas, de fazer o que o país mais precisa - de pensar sobre si próprio - sem auto-censuras politicamente convenientes - e de olhar para o futuro. Dele não se espera que seja tutor ou fiador de coisíssima nenhuma, apenas que seja um garante de progresso e desenvolvimento.
Associada a este upgrade qualitativo - nomeadamente quando comparado com o perfil do ainda titular do cargo - teremos a inevitável, e que só peca por tardia - requalificação do sistema politico-partidário, à esquerda e à direita. À esquerda por cairem de vez os mitos, à direita, porque o Prof. Cavaco será, não duvidem, o primeiro a distanciar-se, e a exigir distância e responsabilidade, até porque qualquer neocavaquismo para o poder ser terá de ser primariamente descavacaínado...
É, para terminar, redondamente falso que o embate entre o Dr. Soares e o Prof. Cavaco seja o embate entre duas figuras do passado. Se pode ser dúbio que o Dr. Soares tenha evoluído nestes últimos 10 anos (e convinha que ele precisasse de novo a sua interpretação dos poderes presidenciais até para o Dr. Sócrates poder dormir mais descansado), não se percebendo o que pode ter a acrescentar, só por manifesta cegueira é que se pode arguir que o Prof. Cavaco não evoluiu, e sobretudo não aprendeu com muitos dos seus erros passados.
Face ao panorama e para alguns, a tentação abstencionista poderá até ser grande mas, na hora da verdade, a pergunta a que é preciso responder é uma e uma só - num momento de aperto, de crise, de incerteza, em quem se confia para tomar uma decisão dura (e que tanto pode passar por exemplo por deixar cair como por segurar Sócrates, a quem já muitos no PS querem de facto e desde já dar a cicuta), difícil mas necessária ? Em Cavaco? Em Soares ? Quem estará mais livre, e imune a pressões ? Tudo o resto, não sendo assessório, quase que passa para segundo plano.
É por tudo isto, e com o à vontade de quem já criticou e há-de, com certeza, voltar a criticar, que eu não posso deixar de votar no Prof. Cavaco.
Publicado por Manuel 16:30:00 12 comentários Links para este post
não deve ser verdade mas...
Ao que parece não é só no seio do Governo que tem havido falhas de comunicação, já que também no interior do Partido Socialista muito boa gente não gostou de ter sabido tarde e a más horas de uma ou outra coisinha. A última que corre é a hipótese de a antiga ministra da igualdade do Eng Guterres, a Dr.a Maria de Belém, ter estado, e ainda estar, a ponderar uma candidatura presidencial, agora, alternativa à do Dr. Soares, impulsionada, não só mas também, pela entourage do Dr. Alegre... stranger things already had happened before.
Publicado por Manuel 15:37:00 0 comentários Links para este post
Publicado por contra-baixo 12:56:00 0 comentários Links para este post
The boogie man
Publicado por irreflexoes 10:21:00 2 comentários Links para este post
O Museu de Cera da República já abriu ao público. Entrada 2€.

Publicado por Carlos 0:04:00 8 comentários Links para este post
Pura Dedução...
Segunda-feira, Julho 25, 2005
- 1. Na questão do novo aeroporto na Ota, o governo assume que a Portela é para encerrar.
- 2. Na questão da privatização da Ana-Aeroportos de Portugal, o governo insiste em não inserir nos activos da empresa, a % que a mesma detêm nos terrenos da Portela.
- 3. Os terrenos da Portela valem qualquer coisa como 980 Milhões de Euros.
Publicado por António Duarte 19:00:00 5 comentários Links para este post

A boy stands near sand sculpture 'Balance' made by Nederlands' sculptors, Martijn Smits and Martijn Rijerse, during a festival of sand sculpture in St. Petersburg, Russia, Friday, July 22 , 2005. Teams from Europe take part in the IV International Festival of Sand Sculpture with motto 'Revolution' at the beach of the St. Peter and St. Poul Fortress. (AP Photo/ Dmitry Lovetsky)
Publicado por Manuel 18:46:00 0 comentários Links para este post
Publicado por Manuel 15:42:00 2 comentários Links para este post
Quadratura do círculo
Já não é só na TV que podemos ver JPP tentar meter quadrados dentro de circulos.
Independentemente de se achar que a candidatura de Mário Soares é uma má ideia (desde logo para o próprio) é um erro crasso afirmar que...
"A candidatura de Soares será o protótipo do intervencionismo presidencial, ao modelo do seu segundo mandato, dominado pela utilização do lugar presidencial para derrubar a todo o custo o governo." para concluir que "Soares será o candidato da instabilidade e Cavaco da estabilidade"
Porque pressupõe que Soares se ocuparia de derrubar um governo de esquerda. Um racíocinio que careceria, pelo menos, de algum aprofundamento.
Porque omite o facto de, muito provavelmente, Cavaco vir a ser pressionado pela direita para demitir este Governo tão breve quanto possível, o que transformaria um episódio único (a "demissão" de Santana Lopes) numa alteração estrutural do equílibrio presidencial-parlamentar que nos rege, que serviria bem o conhecido voluntarismo e autoritarismo do homem de Boliqueime.
Porque serve muito bem uma certa estratégia que a direita possa ter, de virar o PS mais "blairiano" contra o PS mais "puro" mas não é por isso que transparece menos da adopção de tal estratégia um certo desespero de quem pensava que tinha a eleição presidencial no bolso (análise com a qual eu próprio concordei).
A candidatura de Mário Soares deve gerar preocupações, certo, nomeadamente as que se referem à atrofia da classe política e à total incapacidade de o actual sistema político-partidário se renovar. Mas quanto a estabilidade ...
Publicado por irreflexoes 11:13:00 8 comentários Links para este post
prémio de consolação

Para compensar estes engulhos não seria de espantar que o mandatário de Mário Soares venha a ser... Freitas do Amaral. Sim, esse mesmo.
Publicado por Manuel 0:17:00 5 comentários Links para este post
delírios
O conceito da angústia
Li e voltei a ler o último post de Pacheco Pereira, intitulado Candidaturas presidenciais. Há laivos de uma angústia que a face do Prof. Cavaco também evidenciava ontem, quando afirmou perante as câmaras que teria de consultar a família antes de tomar uma decisão sobre a candidatura a Belém. Há no entanto uma diferença abissal: o post de Pacheco Pereira destina-se a atravancar a renúncia do Prof. Cavaco (e não a beliscar Soares), enquanto a audição da família (que não deve conversar sobre outro assunto para aí há dez anos) deixa entreaberta a porta para a desistência. É a segunda vez que o Prof. Cavaco se vê empurrado para Belém – e é a segunda vez que se vê encurralado. Da primeira conhece-se o fim.
podem lêr-se no Diário da República
Publicado por Manuel 0:08:00 1 comentários Links para este post
este também não estudou programa do PS...
Domingo, Julho 24, 2005
Fernando Pinto, administrador-delegado da TAP, deu uma entrevista ao Diário de Notícias que será publicada, na integra, segunda-feira e onde fala sobre o aeroporto da Ota e o da Portela. «Nunca vi um estudo a justificar a Ota. Nem eu, nem ninguém na Associação Portuguesa de Transportadoras Aérea (Aportar)», garante.
Publicado por Manuel 20:56:00 0 comentários Links para este post
semi-quê ?
Ao que tudo indica, aos 81 anos, Mário Soares vai mesmo ser candidato presidencial. A confirmar-se, e com ou sem, o prof. Cavaco na corrida será inevitável uma mudança de regime.
Há, desde já, a registar o dado curioso de que ao mesmo tempo que Vitor Ramalho - amigo intímo de Soares - apela à federação de todas as esquerdas em torno de Soares, nem no PS, este é consensual tendo sido preciso Sócrates erguer a voz, para sair ao menos por cima. A ala esquerda do PS, mormente os sampaistas, fez de tudo para lançar Alegre, e ainda não se lhes ouviu uma palavra de rendição ao tsunami soarista.
Publicado por Manuel 20:06:00 2 comentários Links para este post
Previsão
Atentado terrorista em Portugal em Janeiro de 2006, na semana precedente ao sufrágio presidencial. Ultimato da Al-Qaeda clamando o esboroamento das relações transatlânticas e a eleição de um humanista reconhecido internacionalmente paranifando o diálogo entre a Nação Islâmica e o Ocidente Infiel.
Publicado por Nino 19:06:00 2 comentários Links para este post
Bem-vindo, dr. Soares
1. José Sócrates, famoso em Portugal e arredores pela sua presuntiva autoridade, sofreu, em apenas uma semana, dois reveses nessa sua "qualidade". O primeiro, constituiu-se na "fala" amplamente comentada de Freitas do Amaral, algo que ele suportou menos mal, ruminando a "inteligência" do exercício. Como quase sempre, Freitas marcha a reboque dos acontecimentos. Também aquela sua "fala", como escrevi, antecipou a verdadeira. E chegamos assim à segunda machadada na famosa autoridade. Ainda há poucos dias, Sócrates disse que as presidenciais não estavam nem na sua agenda, nem na agenda dos portugueses. Ninguém, acrescentou, lhe arrancaria o mais vago comentário sobre o assunto, de que cuidaria oportunamente. Engano dele. Mário Soares "obrigou-o" a dizer publicamente quem era o candidato do PS. Ou seja, Soares começa ao contrário. "Encolheu" da nação para o partido, quando normalmente um aspirante presidencial "cresce" de um partido para a nação. Não obstante, é o primeiro melhor último recurso depois de Guterres, Vitorino ou de Alegre que -imagino - deve estar nesta altura "invadido" pelos melhores sentimentos.
2. Os desenvolvimentos dos últimos dias, no seio do governo, trouxeram de volta a lembrança da verdadeira "génese" política de Sócrates. Primeiro, o "aparelho" local partidário, depois o "aparelho" geral partidário, com o mesmo apoio "logístico" de que Guterres já tinha beneficiado contra Sampaio, o omnipresente dr. Jorge Coelho. A grunhice de Mesquita Machado, o "patrão" dos autarcas socialistas, proferida acerca da demissão de Campos e Cunha, avivou-me definitivamente a memória. Mário Soares vem porventura tentar tapar o último buraco da sua carreira política, ao mesmo tempo que ajuda a tapar o do partido e o de Sócrates, manifestamente já "a reboque" do "fundador". O "modelo" presidencial, protagonizado durante algum tempo por Soares e durante todo o tempo por Sampaio, está claramente ultrapassado. Já não basta ser "moderador e árbitro". Vai ser, sobretudo, preciso um "orientador". Soares, de novo em Belém, não quererá deixar de o ser, especialmente em relação a um Sócrates que intimamente deve desprezar e que, mesmo sem ainda ter anunciado nada, já "comanda". Chamar-se-á a isto "estabilidade"?
3. Eu estive no MASP I e II, há mais de vinte e de quinze anos respectivamente, correndo riscos de expulsão partidária no primeiro caso. Quando o desvario Barroso/Santana Lopes estava no auge, defendi aqui uma recandidatura "soarista". Sobreveio inesperadamente Sócrates e, com ele, a maioria absoluta do PS, que apoiei. A entrada de Mário Soares na "corrida" de 2006 confere-lhe indiscutivelmente uma densidade política bastante mais interessante do que se esperava. E, seja qual for o resultado, dará uma legitimidade democrática robustecida ao novo presidente que eu continuo a defender que deve ser Cavaco Silva, por razões que a seu tempo detalharei. Desta vez não o acompanho, dr. Soares. Mas seja bem-vindo.
Publicado por João Gonçalves 18:32:00 3 comentários Links para este post
Curiosidades de além mar
Sábado, Julho 23, 2005
Corrijam-me se me engano.
Nos Estados Unidos da América o combate ao défice orçamental do Estado Federal é motivo de distinção política: os republicanos estão-se pouco lixando com o amanhã e rebentam alegremente com as finanças públicas, reduzindo os impostos que recaem sobre os rendimentos dos mais abastados e investindo exorbitâncias na área da defesa, por exemplo, enquanto minam tudo o que é função social do Estado (cuidados de saúde, segurança social, meios de comunicação social públicos, escolas públicas...), bem como, o estatuto dos funcionários públicos retirando-lhes regalias e direitos adquiridos.
Por lá são apenas os liberais (democratas) que erguem a bandeira do equilíbrio orçamental propondo a reposição da carga fiscal do passado, racionalizando as despesas militares (tentando pela via diplomática arranjar cofinanciamento para as soluções das aventuras militares que desencadearam quase unilateralmente), liberalizando o mercado dos medicamentos (um pouco na linha do que o actual governo português se está a preparar para fazer) e reafirmando o carácter universal dos cuidados médicos, entre outros. Reconhecem contudo que o equilíbrio das contas públicas é condição necessária para ser possível ter um estado interventivo e capaz de assumir as responsabilidades sociais e o carácter regulador, políticass mais caras à esquerda. No ar fica mesmo a sensação de que o desequilíbrio orçamental que George W. Bush iniciou ainda antes do 11 de Setembro de 2001 faz parte da agenda conservadora: não há nada mais eficaz do que rebentar com o Estado levando-o ao ponto de serem necessários varios anos de políticas com o fito quase exclusivo de equilibrar as contas para garantir que o Estado não terá condições de meter o bedelho onde os lobbys que dominam as políticas conservadores não querem.
Sendo ou não verídica esta interpretação o resultado prático das políticas dos republicanos terá inevitavelmente esta consequência.
Por cá, é virtualmente impossível perceber diferenças a este nível. Por cá, seguramente a esquerda não teve o seu Bill Clinton que conquistou um superavite em período de crescimento económico. Por cá todos, da esquerda à direita se preocupam com o défice, todos são corresponsáveis pela situação actual, todos apresentam as mesmas (más) soluções para o problema.
Pior que o ridículo tabu de Cavaco sobre as presidenciais (mais um, igualmente revelador do calibre da figura) é o tabu latente que se encontra na esquerda em querer enfrentar o problema pelo lado das despesas estruturais e definir e assumir os seus valores políticos.
Tão cedo não haverá outra maioria absoluta do PS, perante o desafio nacional existente e o singular ciclo eleitoral (com mais de três anos de poder executivo após as próximas autárquicas e presidenciais) tudo o resto deveria ser pouco mais que insignificante
Políticos com vistas largas perceberiam que esse também é o melhor interesse do partido socialista e, acima de tudo, do país.
(.)
Publicado por Rui MCB 22:45:00 7 comentários Links para este post
jobs for the sons
Segundo o último O Independente a PT emprega, ou empregou, filhos de António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sampaio, Francisco Pinto Balsemão e... Otelo Saraiva de Carvalho. O Estado é grande e manifesta-se das formas mais curiosas.
Publicado por Manuel 19:11:00 6 comentários Links para este post
mel com fel
Publicado por Manuel 19:02:00 1 comentários Links para este post
ah...
Campanhas na feira são «do terceiro mundo»A candidata do CDS-PP à câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, afirmou hoje que não fará visitas a feiras e mercados e condenou essas acções de campanha, considerando-as típicas "do terceiro mundo". (...) "Nunca andarei em mercados, ir incomodar as pessoas, dar sacos de plástico. Acho isso tudo muito mau. Tudo isso, só no terceiro mundo, onde não queremos estar", acrescentou a candidata à Câmara Municipal de Lisboa.
O anterior presidente do CDS-PP, Paulo Portas, destacou-se nas campanhas eleitorais para as europeias de 1999, para as legislativas desse ano e de 2002 e para as autárquicas de 2001, como candidato a presidente da câmara de Lisboa, pelas constantes visitas a feiras e mercados. Pelas frequentes visitas que fazia, o ex-ministro da Defesa ficou conhecido como o "Paulinho das Feiras". (...)
Sublinhou que "há 20 anos que não há uma mulher candidata à câmara de Lisboa", Maria José Nogueira Pinto defendeu uma maior participação das mulheres na política, considerando que "estão habituadas a gerir despesas escassas" e são "muito criteriosas" a fazê- lo.
As mulheres, prosseguiu, "estabelecem prioridades", enquanto "os homens estão mais habituados a comprar tudo a prestações" e, além disso, "efabulam mais, gostam muito de pensar o futuro", ao passo que "as mulheres pensam o presente".
Como razões para a sua pouca participação política, Maria José Nogueira Pinto apontou que, como no seu caso, "as mulheres ainda tomam conta da casa" e que "ainda é pelas mães que os filhos chamam quando estão aflitos".
in Portugal Diário
Publicado por Manuel 18:39:00 0 comentários Links para este post
nós por cá todos bem...
Publicado por Manuel 18:12:00 0 comentários Links para este post
V - for Vendetta

enquanto não chega o filme (da mesma equipa de Matrix) espreite o trailer. Se apenas acha piada ao título, actualize-se.
Publicado por Manuel 17:31:00 0 comentários Links para este post
as escolhas de Rio
Ainda não foi ontem que se ficou a saber tudo, sendo bem provável que nos próximos dias haja grandes surpresas. Pese o lugar nominalmente entregue a Castelo Branco, e ao PP, ainda está vago o lugar do verdadeiro número dois político da lista de Rui Rio à CMP. Um lugar que tanto poderá vir a ser ocupado por Paulo Rangel como por... Poças Martins, ainda número dois de Luis Filipe Menezes na Câmara de Gaia, e com quem anda - presentemente - de candeias às avessas. O que já toda a gente, e nisso o evento de ontem foi sintomático - percebeu é quem se está a preparar para ser o próximo líder distrital do PSD/Porto.
Publicado por Manuel 17:04:00 0 comentários Links para este post
a pólvora
Vem no Expresso, vem no DN, na TSF, e Medeiros Ferreira perora e delira - Mário Soares será (!) o candidato presidencial federador das esquerdas, o salvador que impedirá a segunda vinda de Cavaco.
Confesso que a ideia me atrai, quase tanto como ver o Dr. Lopes ou Sr. Alberto da Madeira candidatos. Mas, em nome de alguma honestidade intelectual, convém dizer que - até do ponto de vista da(s) esquerda(s) - a ideia é profundamente limitada e imbecil.
Não falo da provecta idade do Dr. Soares, 81 anos, mas tão somente do perfil do homem, e da presente conjuntura. Eu percebo que a esquerda trema de pavor com o cenário de Cavaco em Belém mas, convenhámos, tudo - rigorosamente tudo - aquilo que de "indesejável" a esquerda teme em Cavaco - desde a ingerência à dissolução - é, infinitamente, mais susceptivel de acontecer com Soares, já que ao contrário de Soares, Cavaco não tem uma verdadeira corte, pesem os alegados cavaquistas, não tem um partido - se é que alguma vez realmente teve - e tem - coerente e consistentemente - uma visão previsivel e determínistica dos cargos e das funções.
O que une a esquerda em torno de Soares é o desejo de uma fiscalização ideológica, pura e dura, da maioria absoluta de Sócrates, a esquerda, que tolera, mas não confia, em Sócrates, vê em Soares o tutor ideal, o Padrinho. Fosse por absurdo Soares eleito e os Conselhos de Ministros passariam a ser em Belém.
Dito isto, não deixa de ser poético ouvir Medeiros Ferreira, o qual, não se sabe sobre influência de que substâncias, até antevê que se Soares avançar, Cavaco o não fará. Também não deixa de ser irónico ver - agora - Soares, que pôs, em tempos, Eanes a as suas derivas no sítio deixar-se utilizar na mais pura deriva e lógica eanista/messiânica, mas as coisas são o que são.
Nos entretantos, parece que o programa - o Homem tem afinal um programa - do PS, que foi sufragado e tudo, é para tomar à letra, e que quem o não tomar à letra leva. Há - et pour cause - o banalíssimo detalhe de que muitos dos mesmos que agora o recordam omitiram o mesmo aquando da recente subida de impostos. Muito menos, mas isso sou eu um distraído - ouvi algum analista dizer - antes, durante ou após as últimas legislativas - que o PS iria ganhar por causa do seu programa. Mais, estou para ver um qualquer estudo que diga que houve mais gente a votar no PS por via da promessa da Ota e do TGV do que a votarem no PS por via da promessa de não aumentar os impostos (e que foram aumentados), sendo que até um cepo percebe que a esmagadora maioria votou no PS porque não queria ver mais à frente o Dr. Lopes.
Voltando às presidenciais, avance Dr. Soares, avance mesmo! Você talvez não mereça, pelo seu passado, pelo muito que já deu ao país, mas os seus seus - desesperados - apoiantes merecem com toda a certeza uma lição monumental.
Publicado por Manuel 14:10:00 2 comentários Links para este post
recalcamentos
Emagrecer depois de amigo ser é dizer não
Henrique ser ou não Henrique ser é a questão
Enriquecer depois de Henrique ser é o perdão?
Banda do Casaco, LP Dos benefícios de um vendido no reino dos bonifácios, 1974.
Recalcamentos há muitos e sobre estes assuntos da corrupção em larga escala, ainda mais!…
Hoje, o Expresso traz uma notícia sobre um denúncia, bem recalcada, de um director da DCICCEF da PJ, o organismo mais vocacionado para a repressão recalcada do fenómeno. Diz o juiz (?!) Mouraz Lopes que...
O excesso de poder dos funcionários das câmaras municipais que trabalham anos a fio na mesma função e as relações privilegiadas destes com empresários e construtores civis são os principais focos de corrupção nas autarquias.Continua a notícia, dizendo que há 350 inquéritos pendentes na PJ sobre corrupção e peculato em autarquias e a maioria envolve funcionários superiores e vereadores. E Mouraz Lopes (?) esclarece que...
São normalmente funcionários superiores em que os autarcas acabam por confiar quase cegamente. E adquirem grande poder de decisão, apresentando os dossiês prontos a assinar aos vereadores e presidentes.Sobre a investigação, acrescenta a notícia que...
é quase sempre demorada. Em muitos casos é necessário proceder a uma técnica de investigação chamada “following paper trial” , de extrema complexidade, que consiste em seguir o percurso do dinheiro. “ Quando nos deparamos com sociedades off shore chegamos a estar seis meses à espera de respostas das autoridades dos paraísos fiscais onde estão sedeadas.”
É isto, o recalcamento do juiz (?) Mouraz Lopes e da PJ?!
Não sei bem. Apenas sei que não há resultados visíveis, palpáveis nesta investigação de “seguir o rasto dos papéis”. Como se adivinha, é investigação de… secretária e por isso, há de facto um recalcamento que advém da frustração de ver pouco ou nada a fazer-se com eficácia e profissionalismo, como deve ser. Para não falar na impressão difusa de que se trata de caça ao gambuzino ou mesmo de cerco ao jaquinzinho com redes esburacadas.
Por outro lado, Vasco Pulido Valente (outro grande recalcado), na sua crónica do Público, diz que...
a coisa começou com a Europália, uma exibição inútil para `afirmar Portugal na Europa`. Veio a seguir o Centro Cultural de Belém, para o dr. Cavaco receber os colegas com a devida pompa e que hoje vegeta tristemente, abandonado e meio falido. Veio também a Lisboa, Capital da Cultura, uma salada sobre o medíocre que não deixou vestígio. Veio a Expo'98 que não ´salvou`a Lisboa orientale nos deu um monte de arquitectura extravagante, sem uso concebível. Veio o Porto, Capital da Cultura , com uma Casa da Música duvidosa e caríssima. E veio o Euro`2004 com a sua dezena de estádios que ainda hoje estão por pagar e quase todos sem gente.”É este recalcamento espelhado nestas denúncias cruas que incomoda os “instalados” e os “conformados”, como um certo comentador J. que assim o parece entender.
E que fazer deste conformismo e desta anomia rompante e anestesiante?!
Chamar-lhe também recalcamento?! É uma tentação…
Porque efectivamente o é. Recalca-se então, nesse caso, a consciência da mediocridade que conduz a decisões desastrosas para todos nós. Recalca-se ainda a consciência que evidencia à saciedade a existência de inúmeros desvios às normas e regras e que nem são detectadas pelas fiscalizações, pois para isso há peritos, cadernos de encargos e folhas de obras, para além dos sempre necessários autos de medição.
A PJ e o DCIAP e o MP são as instâncias encarregadas em Portugal de descobrir quem come do orçamento do Estado, sem pagar o respectivo custo e sem contrapartidas legítimas. Mas quem denuncia estas práticas e aponta o dedo à tendência anómica é… recalcado!
O recalcamento advém ainda de haver alguém que se recusa a admitir que “está tudo bem” e que a corrupção é um mito, como dizia o tal advogado da PMLJ, Leite de Campos. As críticas ao restaurante Eleven ou aos dinheiros a rodos para avenças (hoje o Expresso confirma algumas avenças da GALP a certos advogados), são tomadas como vindas de ressabiados, invejosos, malevolentes, cínicos, numa palavra - Recalcados! E , de facto, ninguém verdadeiramente se incomoda, pelo que o ápodo tem algum cabimento.
Pelos vistos, a PJ tem 350 Inquéritos para investigar “problemas” autárquicos, mas de investigação confessadamente difícil. O DCIAP nem se sabe bem ao certo quantos tem deste tipo. Alguma vez teve inquéritos a envolver ministérios e ministros e direcções gerais? Dirigentes e tesoureiros de partidos? Presidentes de bancos? Notáveis de empresas públicas? Será preciso responder ou também isto soa a recalcamento?! Porquê continuar a insistir em estatísticas com a apanha do carapau de gato quando os tubarões nos invadem as costas tranquilas e ameaçam comer o que resta de dignidade e de indignação?
Negar a corrupção e remeter o fenómeno para as fímbrias do recalcamento, torna tudo mais fácil e cor de rosa (et pour cause).
Se entendermos os negócios do grande dinheiro como decorrentes de costumes e práticas tão correntes que a troca de malas com dinheiro, entre empreiteiros responsáveis políticos e/ou funcionários, assume contornos de normalidade e vulgaridade, tudo fica bem melhor e mais sossegado.
Se entendermos os negócios das obras públicas, das grandes adjudicações de empreitadas ou encomendas, como fazendo parte daquele modo de entender o mundo e a vida “como sempre o foi” e por isso aceitarmos como normalíssimo que quem decide em nome do Estado receba contrapartidas pessoais em bens ou serviços, fica tudo bem mais tranquilo.
O contrário cria grandes recalcamentos, derivados ainda uma vez mais e por último, da frustração de ver os valores que contam a inverterem-se e passarem a anti-valores.
É isso que os J. comentadores pensam, provavelmente. Em alguns casos, nem troca houve, porque nem sequer existiam para servir de moeda. Quem perde a vergonha, todo o mundo passa a ser seu!
Mas enganam-se! Porque recalcamento sério e fatal é o que advém da recolha para os confins da consciência de valores como a honestidade, a honradez, a competência aplicada e a transparência. Pelo que se vai observando, estes valores foram trocados, pelos da solidariedade, da lealdade partidária e pelo nepotismo mais chão. E quem aqueles defende, torna-se por isso mesmo racalcado, invejoso e moralista que é o novo anátema.
É uma forma de ver o mundo, concedo. Com a qual não me conformo, porém - e por isso recalcado me confesso, até ver as coisas serem alteradas substancialmente.
Para já vou de férias - descansar o recalcamento lá para fora que aqui isto já fede demais.
Publicado por josé 11:16:00 12 comentários Links para este post


Publicado por Manuel 10:59:00 0 comentários Links para este post
Pai leva filho às meninas e Mãe descobre que há vida para além do marido
A Associação de Turismo de Lisboa, num périplo de cinco dias de uma família portuguesa modelar pela Capital, propõe para o terceiro o seguinte programa:
Se tiverem uma filha...
- Mãe e filha fazem compras na Baixa
- Pai joga golfe
- Mãe e filha visitam o museu dos Coches
- Pai encontra-se com a família para saborear uns pastéis de nata
- Jantar nas Docas
Se tiverem um filho...
- Pai e filho vão ao estádio do S.L.Benfica para comprar uma t-shirt
- Mãe faz compras na Baixa
- Pai leva o filho para um "driving rage"
- Mãe encontra-se com a família para saborear uns pastéis de nata
- Jantar nas Docas
Publicado por Nino 10:41:00 0 comentários Links para este post
History will teach us nothing
Sexta-feira, Julho 22, 2005
- 1457 - O golfe é proibido pelo Rei Jaime II, pois os guerreiros escoceses descuidavam-se do treino com arco e flecha, ficando horas e horas a dar tacadas nos campos, interferindo na defesa nacional, na guerra travada com Inglaterra.
- 1491 - O Rei James IV proíbe de novo a prática do Golfe, pela distracção que causava, considerando-o assim nefasto.
- 2025 - O governo português proíbe o golfe por causa da seca.
Publicado por contra-baixo 22:33:00 2 comentários Links para este post
Por muito exagerado que possa parecer o arrazoado oferecido pelo João Morgado Fernandes, de férias, com excesso de tempo livre e por estes dias patrulheiro ideológico da blogosfera, desta vez em escaramuças com terceiros, para a sua Fé inabalável na Ota, e nas decisões deste governo, é perigosamente próximo do dos fundamentalistas islâmicos. Não interessam os factos, não interessam os estudos - não há estudos verdadeiros (vocês querem maior conspiração que esta?!) , todos - todos - servem interesses - este ou aquele. Tudo é verdadeiro, e tudo pode ser falso, sendo que de permeio tudo é relativo. É assim o mundo segundo João Morgado Fernandes. Vale - só e apenas - a convição pessoal, a Fé. Duvido que o Osama, sobre outras matérias, fosse mais ferrenho.
Publicado por Manuel 19:51:00 2 comentários Links para este post
na mouche
Publicado por Manuel 19:46:00 0 comentários Links para este post
Publicado por contra-baixo 19:22:00 0 comentários Links para este post
A Outra Face...
Que António Brito da Silva e respectiva tutela achem normal aquele acumular a Presidência da Entidade Reguladora do Sector Ferroviário (INTF) com a Presidência do conselho estratégico da Associação Industrial Portuguesa para os transportes já é grave.
Que, como hoje acontece (no Diário Económico, p. 9), aquele alto responsável de uma instituição pública escolha falar à imprensa, sobre o TGV, na qualidade de membro da AIP, e defendendo teses muito próximas das de António Mexia diz tudo.
Mário Lino anda a dormir?
Publicado por António Duarte 17:42:00 0 comentários Links para este post
Cartaz Cultural...
Virtual InsanityJamiroquai vem a Portugal, já no próximo mês para num festival ao vivo, lançar a sua última pérola músical... Dynamite !!!
O Festival Sunrise assenta num conceito diferente de todos os realizados até agora, e promete animação das 8 da noite ás 8 da manhã.Uma oportunidade de ouro para em Agosto... ouvir Jamiroquai...
Nem de propósito.
Publicado por António Duarte 17:32:00 0 comentários Links para este post
news.com
Driven to distraction by technology
The typical office worker is interrupted every three minutes by a phone call, e-mail, instant message or other distraction. The problem is that it takes about eight uninterrupted minutes for our brains to get into a really creative state.
The result, says Carl Honore, journalist and author of "In Praise of Slowness," is a situation where the digital communications that were supposed to make working lives run more smoothly are actually preventing people from getting critical tasks accomplished.
[continua aqui]
Publicado por Manuel 17:29:00 0 comentários Links para este post
o cão, o gato e o piriquito.
Vitorino desvaloriza Ota e TGV
O antigo comissário europeu da Justiça e Assuntos Internos, António Vitorino, valoriza o concurso das energias eólicas, em detrimento dos projectos do aeroporto da Ota e do TGV, considerando-o mais interessantes para o crescimento do país.
«Não é manifestamente a Ota e o TGV que vão criar no prazo de três anos a dinâmica de crescimento necessária», disse Vitorino, que falava esta quinta-feira num almoçoconferência organizado pela Câmara de Comércio Luso-Alemã. Escusando-se a tecer maios comentários sobre esta matéria, Vitorino frisou ainda a necessidade de, no plano económico, se transmitir confiança aos investidores privados.
in Diário Digital
a luta no seio do PS está longe de estar resolvida. Ou Sócrates cede ao aparelho e a Coelho, ou perde o Poder e o Governo pode cair já em Novembro.
No PS já se fala em substituir Sócrates por Vitorino por altura do próximo Orçamento do Estado, numa espécie de limpeza dos moderados. Mas, do lado de José Sócrates é a disponibilidade de enfrentar os opositores. Freitas do Amaral é, com Sócrates, o "ticket" que o Governo quer vencedor contra o Aparelho, que aposta em Mário Soares ou em Manuel Alegre e ameaça com o boicote ao primeiro-ministro, depois da derrota socialista nas autárquicas. No primeiro "round" quem perdeu foi mesmo o primeiro-ministro que já teve que sacrificar o seu ministro das Finanças.
Teixeira dos Santos, um honesto e prudente economista, substituiu, ontem, Campos e Cunha, levando consigo para o Governo um excelente técnico, como secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Pina. Os homens de Sousa Franco voltam às Finanças.
in Semanário
Publicado por Manuel 16:59:00 3 comentários Links para este post
O Direito é uma aldrabice?
O grande Professor de Direito da Universidade de Coimbra, Orlando de Carvalho, disse numa entrevista ao Público, pouco antes de morrer, que o Direito era uma "aldrabice secante". O sentido da frase é de alcance comum e não precisa de enquadramento semântico. Quando o Direito diverge da vida como todos a conhecem, torna-se fonte de iniquidade e portanto fundamento de injustiça. Continuará a ser Direito?
Muitas das incompreensões, equívocos e entendimentos desfasados que se lêem e ouvem, a propósito de decisões judiciais sobre casos reais, têm a sua origem neste fenómeno e na ignorância generalizada das subtilezas que enquadram o Direito gizado, planeado e plasmado em leis escritas por especialistas que muitas vezes não são sábios, mas apenas sabões que branqueiam a sujidade que enlameia a realidade.
Uma entrevista, hoje, na revista Sábado, a um prestigiado advogado americano, de ascendência judaica, Alan Dershowitz, também professor em Harvard há dezenas de anos, foi advogado de Michael Jackson depois de o ter sido também, de O.J. Simpson e Mike Tyson.
Como explica ele a absolvição do cantor melodioso da minha infância que trinava "i´ll be there" como se estivesse num coro de igreja e passou a ser olhado como um bizarro weirdo depois das plasticas ao nariz e à pigmentação a branco?
Diz o professor causídico...
Foi um veredicto absolutamente correcto. Se o júri o tivesse condenado, teria sido um erro judicial. Há dois tipos de inocência: a inocência legal e a inocência factual. Não estou em posição -nem eu nem ninguém- de saber o que aconteceu na cama de Michael Jackson a meio da noite. Essa é a inocência factual. Ninguém, excepto ele e a criança, sabe realmente a resposta. Mas em termos de inocência legal, isto é, sobre existirem ou não provas além de qualquer dúvida razoável, ele é claramente inocente.
E depois, a exposição da aldrabice, na resposta à pergunta...
Se ele fosse pobre, teria sido condenado?
Se ele fosse pobre, nunca teria sido acusado com base nas provas que existem. Mas se mesmo assim fosse acusado, nessas circunstâncias, claro que teria sido condenado.
E a seguir, considerações importantes sobre o valor da prova testemunhal de crianças em julgamento...
(...) Nós sabemos que as crianças costumam contar a verdade, mas às vezes isso não acontece. E isso torna as coisas muito complicadas. Quer o sistema de justiça português quer o americano dizem que é melhor um culpado ir em liberdade do que um inocente ser condenado.
Em casos destes (pedofilia) talvez se tenha de absolver apesar de se acreditar que o arguido é culpado.
É esta a essência do mundo dos advogados do crime. Em Portugal como na América.
Conviver com a aldrabice e torná-la secante sempre que tal for conveniente para os clientes.
A Verdade?! Um mero incidente processual. Pode aparecer, mas é irrelevante. O que interessa mesmo é provar a inocência legal que pouco pode ter a ver com a inocência factual.
Onde jaz a consciência, nesta dicotomia entre o "legal " e o "factual"?! Parece-me bem que jaz repousada e bem assolapada, na ambição de ganhar prestígio, dinheiro e clientela. Valores que como todos percebem, andam sempre de mãos dadas com a Justiça e a Verdade.
A Justiça é ceguinha e anda de balança na mão. A Verdade, é como o azeite: acaba sempre por vir ao de cima.
Na distinção entre a Verdade legal e a Verdade factual, há um universo de ficções que nos afastam do Direito, da Justiça e da Verdade. E contudo, a tendência é para aceitar isto como um ideal à maneira da democracia que alguém dizia que era um mau sistema político, mas apesar disso, o melhor de todos. Será o caso?
Publicado por josé 14:38:00 13 comentários Links para este post
é tudo muito simples...
... tudo muito linear. Por estes dias uma série de gente respeitável queima pestanas a explicar - com a maior das boas vontades - a inevitabilidade da saída de Campos e Cunha do Governo quando não a sua inicial inadequabilidade ao cargo (não é político, dizem agora). É pois, à posteriori, tudo óbvio, tudo cristalino, tudo evidente.
Recuemos agora até segunda-feira. Imaginemos - por instantes - que a manchete do DN desse dia não era sobre a putativa falta de solidariedade de Freitas manifestada na sua onanista entrevista, mas sim sobre as declarações deste sobre a comparabilidade da corrupção em Portugal e Angola.
Se tivesse sido ainda acham que quem tinha saído era Campos e Cunha ? Acham mesmo ?
Uma boa parte dos problemas deste país também deriva de muito boa gente - nomeadamente na Imprensa - não saber - ou não querer - distinguir o essencial do acessório, o folclórico do importante. Dá-se primazia à intriga barata, à novela de salão, ao momentâneo e efémero, em detrimento do tema sério e duro, num estilo introduzido em tempos pelo Prof. Marcelo e aperfeiçoado por Manuela Moura Guedes, e depois as coisas dão nisto.
Campos e Cunha não caiu nem foi deixado cair por causa da escolha da manchete do DN da passada segunda feira mas, tivesse sido ela outra, ainda seria ministro. Deveria dar que pensar.
Publicado por Manuel 11:20:00 3 comentários Links para este post
porquê ontem ?
A propósito da saída de Campos e Cunha, eu ainda ontem falava aqui da PT e das sensibilidades à sua volta. Pois bem, e não tendo nada a ver com a saída de Campos e Cunha, ainda ontem a Autoridade da Concorrência, depois de uma enorme novela, e afinal sem quaisquer condições, autorizou a curiosa venda da Lusomundo, pela PT, à Olivedesportos (o putativo comprador tão líquido que precisou de um aval bancário do vendedor para poder avançar...), ainda ontem também foi anunciado que o grupo Prisa (El Pais) ia entrar em força no capital da Media Capital. Resumindo, a Olivedesportos fica com o JN e a TSF parecendo já óbvio que quem vai ficar com o DN é ... a Média Capital/TVI/Prisa/El Pais.
Alta Mercearia num país onde não há coincidências.
Publicado por Manuel 10:07:00 2 comentários Links para este post
humor negro
Publicado por Manuel 10:04:00 1 comentários Links para este post
Leitura recomendada
O Independente de hoje.
Publicado por irreflexoes 9:02:00 0 comentários Links para este post
Abrupto a trotski
Torna-se essencial citar o Abrupto, hoje, para copiar o postal sobre a entrevista do Público a Francisco Louçã.
Fica aqui, com a vénia da praxe e... com avisos de precaução, para aqueles que não gostam do Abrupo. Pela minha parte, este postal, aprecio.
LENDO OS JORNAIS: PORQUE É QUE É INÚTIL ENTREVISTAR ASSIM LOUÇÃ
(Transcrito do Público de hoje. Perguntas a bold, respostas de Louçã em itálico, comentários meus (JPP) entre parêntesis rectos)
Pelo que diz concluo que já não é trotskista.
O Trotsky teve um papel fundamental na luta contra o estalinismo, contra a estalinização, contra o que veio a ser o modelo soviético. Não só ele mas muitos outros.
[Não respondeu, o que dá a resposta.]
Ainda se define como trotskista?
Eu nunca me defini como trotskista. Defini-me sempre como marxista.
[Langue de bois. Os maoistas também não diziam que eram maoistas e os estalinistas idem.]
Integrou uma organização trotskista...
[Não “integrou”, dirigiu e não se sabe bem se dirige. Não se percebe porque razão a organização, o PSR, não é nomeada.]
Mas foi uma organização que nunca se definiu como tal, embora, e eu assumo isso por inteiro, o contributo do Trotsky tenha sido fundamental para pensar o socialismo de hoje. Como foi o de outros, como Rosa Luxemburgo ou Gramsci e alguns outros marxistas. A nossa herança é exactamente essa e vivia sempre da mesma forma.
[Langue de bois.]
Entre o Trotsky e a Rosa Luxemburgo há diferenças substanciais...
[Pergunta irrelevante. Seria bom que o leitor soubesse a que diferenças se está a pergunta a referir.]
Com certeza. Mas eu creio que o socialismo aprendeu com essas diferenças.
[Resposta inútil. O que era decisivo nesta conversa fica sempre vago e não nomeado. Trotsky e Rosa Luxemburgo defendiam a violência revolucionária e a versão da Internacional Comunista da revolução e da ditadura do proletariado. Aqui não há diferenças.]
No BE ainda há marxistas-leninistas?
Depende do que quer dizer com o conceito marxista-leninista.
[Esta frase traduzida significa sim.] Há leninistas certamente, há leninistas que são marxistas. Agora o marxismo-leninismo foi entendido muitas vezes como uma representação do estalinismo e isso não há. Como há não marxistas.
Mas o BE como movimento identifica-se com o leninismo?
Não, o BE não tem que se identificar com o leninismo.
[Resposta ambígua, este "não tem que" é mais que dúbio.]
Portanto, não há ideologia única?
Não há nem vai haver. Como sabe, aliás, o BE nasceu e só podia ter nascido assim não por uma fusão ideológica que reinterpretasse o passado, mas por uma definição da agenda política e do programa. O programa constrói-se na luta social, nas alternativas políticas para o país, para a Europa. E foi isso que nos permitiu aprender um nível de política completamente distinto do que a esquerda radical tinha feito em Portugal durante 30 anos. Nós mudámos completamente a capacidade de actuação política e social, tornando-nos uma força política influente
[Fuga em frente, nada é concreto. Um novo conceito aqui se aplica: enguiismo ideológico.]
Publicado por josé 0:41:00 1 comentários Links para este post
Não sei se alguém já o apontou, a memória é sempre curta, mas o novo Ministro das Finanças tem no seu curriculum o facto pouco abonatório de ter sido secretário de estado do governo mais despesista e que mais contribuiu para o afundanço do país e incremento do déficit dos últimos anos, isto se levarmos a sério o... Relatório Constâncio.
Publicado por Manuel 20:48:00 3 comentários Links para este post
Nada de novo
Eu acho que Portugal, em matéria de corrupção não pode dar lições a nenhum outro país do mundo.
Freitas do Amaral, DN, 20.7.2005.
O problema do combate à corrupção política em Portugal não é simplesmente legislativo, mas de convicção... e de ética!
Luís Sousa, investigador do Instituto Universitário Europeu de Florença, in Público, 7.10.2001
A corrupção em Portugal, está sempre na ordem do dia, ao longo dos anos! De tal modo que alguns, nomeadamente Diogo Leite Campos, o inestimável advogado especialista em ficalidades, até chegou a dizer num programa de tv de grande audiência que não conhecia casos de corrupção, deixando no ar a ideia que é fenómeno que não existe, com a extensão repetida pelas Cassandras habituais e com a intensidade de incomodar espíritos.
Os casos Freeport, Portucale, Oeiras, Amadora e os escândalos bancários que não tardarão e que se seguirão, agora em maré de eleições autárquicas, ameaçam tornar vulgar, para o cidadão eleitor, aquilo que nenhuma país decente do Ocidente tolera: a corrupção entranhada e misturada com a mais perfeita legalidade nos negócios que envolvem dinheiros públicos.
Repescando um texto daqui, já datado, mas actualizado entretanto...
Leis para combater a corrupção, não faltam! Desde a Lei 34/87 de 16/7, destinada a enquadrar a responsabilidade dos titulares de cargos políticos, até à legislação de financiamento dos partidos, - Lei 19/2003 de 20 de Junho - passando pelo catálogo do Código Penal, o cardápio é mais do que suficiente para contentar qualquer gosto republicano e laico ou conservador, estendendo-se até às fímbrias passadistas, de leste a oeste.
Até contempla uma legislação específica para prevenir e reprimir o… tráfico de capitais em regime de branqueamento - pelo Decreto-Lei n.º 313/93 , em que se transpôs a directiva comunitária básica.
Em 1995, legislou-se até no sentido de aplicar pesadas penas de prisão a quem branquear dinheiro proveniente de actividades ilícitas como a corrupção - Decreto-Lei n.º 325/95.
Em 2002, através da Lei n.º 10/2002, e em 2004 - Lei n.º 11/2004, foi aperfeiçoada a legislação por causa das « transacções à distância», com valores superiores a cerca de 15 mil euros.
Apesar disso, os resultados foram sempre... muito pontuais! O exercício venatório particularmente aficionado por antigos directores da PJ, começou na obra faraónica do Centro de Belém, continuou com a desbunda do Fundo Social Europeu, passou pela piolheira da Expo98 e trespassou a rota da JAE. Foi sempre um exercício selectivo, de batida programada e controlada e com o furão amestrado por carta anónima. Como a época era de caça a pato bravo, voador de baixa altitude, o furão ficava a ver navios e os resultados encalhados nas disputas com o chefe da batida. Este, saído da Escola Politécnica, perdido no canavial mas fiado nos binóculos baços e no apito de cana rachada, dava ordens aos caçadores, para escutarem o grasnar e serem lestos no apontar. Porém, fiados na tradição, os perdigueiros seguiam o furão, confundindo apitos com patos e tocas com moitas, apanhando às vezes um marreco sem asa e ficando sempre com as penas na mão.
Nesta actividade venatória tem-se mantido a tradição: o chefe da batida fica em casa, na rua da Escola e à espera da presa; os caçadores batidos, da rua do Freire, vão com o furão. Não fazem equipa, preferindo discussões. Por isso mesmo, apanham pardais e rolas, deixando os faisões.
Esta ave vistosa entoca-se em gabinetes de empresas de obras públicas e às vezes, em sedes partidárias. Apreciam particularmente os edifícios camarários e reproduzem-se aí como cogumelos na humidade. Este fenómeno só é novidade para quem anda a dormir na forma e há casos desses, até nos corredores universitários.
Há uns anos (não muitos…), Macau esteve no epicentro de dois episódios turvos. Os socialistas Rosado Correia e António Vitorino ( sim! esse mesmo) e uma história de mala malpartida e o caso do fax para Melancia que ainda hoje serve de mote para se comentar o sistema de justiça que temos. Foram dois casos conhecidos, e que acabaram no olvido doméstico, como tantos outros acabaram nas prateleiras de arquivo dos tribunais, depois de prescrições e absolvições serôdias.
Essa impunidade de facto e aparentemente de direito, permite as indignações de quem é apanhado, por azelhice, por azar ou pelo despeito de parceiras traídas ou invejas recalcadas de correligionários: Os casos de Belezas; de Curtos; de Judas; de Isaltinos; de Mirandas; de Melancias; de Felgueiras e de outros, escondem a verdade oculta de outros casos com o mesmo contorno e com a mesma base de sustentação em pés de barro: o alegado aproveitamento pessoal de dinheiros que não lhes pertencem! Nessa mistela espúria entre pertenças ilegítimas, aparece a defesa dos visados, sempre de indignação e de protesto de inocência absoluta: acontece no caso de Abílio Curto como no de Fátima Felgueiras e também no de Isaltino e outros Portucale. Nunca, em Portugal, um suspeito de corrupção deixou de clamar a mais completa e rotunda inocência!
Não há um exemplo para a presentar, nem sequer o de Abílio Curto que mesmo após ter sido condenado, já sem apelo possível e ao fim dos anos do costume, antes de entrar na prisão, clamava inocência.
Contudo, não vale a pena malhar no ceguinho que não quer ver a corrupção a irromper por esta via. Já em diversas alturas e circunstâncias, pessoas que conheciam esquemas concretos de corrupção a denunciaram: Garcia dos Santos; Pedro Ferraz da Costa; Saldanha Sanches e a mulher Maria José Morgado; António Borges e agora… Freitas do Amaral!
Não deve existir um único agente da PJ do departamento de fraudes financeiras e fiscais que não saiba realmente o que se passa e muito mais. Não deve haver um único deputado que não saiba determinadas coisas que não pode dizer publicamente. Não deve haver um único responsável por grandes empresas de construção civil e obras públicas que não conheça o esquema e o caminho que conduz à vitória em concursos. Os públicos até são transparentes: os concursantes apresentam as propostas à vista de todos e são abertos os embrulhos perante representantes do Estado. Mesmo sem obras a mais que só vêm depois, é preciso adjudicações para a economia prosseguir! A economia do betão não encontra dissolvente pela frente!
É precisa a circulação de milhões para alimentar a economia destas empresas de construção civil que empregam milhares e recebem milhões.
Há um mundo de arquitectos, engenheiros, técnicos, fiscais, a quem é preciso garantir salários e prebendas em cartões e suplementos, para pagar as casas, nem que sejam nos Algarves e os carros que os alemães nos vendem com ar de perplexidade e atarantados pela nossa evidente prosperidade bacoca.
Pois bem! Neste mundo que todos conhecem, mas fazem de conta que não existe e alguns negam-no como se estivéssemos na Sicília dos anos oitenta, como foi o caso pândego do ilustre causídico especialista em fiscalidade. No pasa nada, dizem!
Toda a gente faz de conta e embarca na grande resposta de Cunha Rodrigues ao General que presidiu à JAE e denunciou esquemas concretos de corrupção e financiamento oculto de partidos através de empresas de construção civil e obras públicas – e até explicou o esquema concreto
O Senhor tem provas?! Se não as tem não vale a pena dizer porque não me interesso por situações em que não haja provas.Tem sido esta a cultura de anos e anos de inépcia e desleixo. Que vem associada à falta de meios na polícia e no MP (numa determinada altura a investigção da Moderna, sob a batuta de um empertigado Negrão, tinha dois agentes, segundo denunciou o próprio Cunha Rodrigues) e à notória e deficiente organização do MP. Há pelo menos vinte anos que a situação se arrasta e não há melhorias à vista, conforme se pode concluir pelas entrevistas de Cândida de Almeida, responsável pelo DCIAP do Ministério Público que é a estrutura encarregada em Portugal da investigação deste tipo de criminalidade.
Por outro lado, os exemplos de investigação recentes e em casos mediáticos como O Apito Dourado e mesmo no de Felgueiras, dão conta de um preocupante e sistemático método usado pela polícia Judiciária, em quem se delega a investigação por ser dessa polícia a respectiva competência exclusiva, em usar a escuta telefónica como método privilegiado de obtenção de provas. Devido ao rigor ultra legalista que assola alguns intérpretes de tribunal, ajudados pelos lentes de Coimbra que delinearam o Código e que não regateiam pareceres para o interpretar à medida das necessidades, temos perante a opinião pública uma panorama de impunidade assegurada para os poucos, pouquíssimos casos que mesmo assim, logram transpor a teia da sala de audiências para os julgamentos em forma.
Para ter uma ideia aproximada das complexidades interpretativas da lei penal que nos legaram os peritos de Coimbra, já conhecidos mas não suficientemente ouvidos pela opinião pública em audiências de televisão, basta ler os jornais e atentar nas notícias sobre nulidades de prova; nulidades na obtenção da prova e nulidades…nulidades mesmo e deles mesmos!
A perplexidade do público cresce à medida em que o sentimento difuso e geral – agora até partilhado por Freitas do Amaral!- de existência de corrupção nos grandes negócios do Estado, começa a aparecer e … no pasa nada!
Não se passa nada na investigação que não tem meios, costumes, rotinas, vocação até, para não mencionar competência, para organizar um acervo de provas que sirva para demonstrar a culpabilidade de suspeitos e a condenação de arguidos, sem o concerto habitual de condenações abosolvições, condenações e absolvições, algumas por vícios insanáveis de forma que inquinam o fundo.
Os arguidos célebres, aliás, já se habituaram a uma assegurada e garantida impunidade através dos mecanismos legalistas, ultra retorcidos e abrigados num guarda chuva penal, aberto pelos próprios penalistas que os gizaram, sempre, sempre em nome do povo… alemão, italiano e até francês! E assim os portugueses arguidos medram de descontracção, por saberem que no fim dos processos, passados os anos da praxe e que sabem de um saber de experiência feita que nunca ficam abaixo da meia dúzia, ainda podem pedir uma indemnização ao Estado por os terem incomodado na sua actividade filantrópica e inocentemente comprovada.
Estas perplexidades um dia mudarão em indignação, mas até lá …folgam as costas! Que são largas, pois o dinheiro a rodos conserta muitas maleitas.
O segredo das Otas e dos Tgv´s passa por aí: mas no pasa nada!
Clamar, como o faz o Manuel, pela intervenção da PGR é mais do ilustre fidalgo idealista espanhol cujo conto faz agora 400 anos.
A PGR nada adianta. No pasa nada! O DCIAP está atado - não tem meios nem competência comprovada! No pasa nada! O DIAP não conta- é para casos menores e pouco faz! No pasa nada! A PJ faz fogachos e largas foguetes, geralmente com pólvora molhada- as técnicas de investigação, à míngua de meios, deitam tudo a perder. No pasa nada!
A lei penal protege os arguidos excelentíssimos, como não poderia deixar de ser, com os mestres que temos. No pasa nada! Os tribunais atafulhados em serviço, gastam meses e anos a "analisar" provas e documentos gravados e registados e mandam para trás para as outras instâncias que os tornam a devolver para cima e ...no pasa nada!
Em jeito de adenda...
Lê-se que o novo ministro das Finanças, um lente que Silva Lopes assegurou ser competente...
não entrega desde 2000 a declaração de rendimentos ao Tribunal Constitucional, como está obrigado devido aos cargos executivos que ocupava até assumir a direcção do ministério.
Durante cinco anos, um lente prestigiado, presidente da CMVM (!!!) não ligou à lei que o abrange. Como dizia o nosso impagável presidente da República, as leis em Portugal, são meras sugestões. É esse um dos nossos problemas, acrescido pelo facto de os lentes que as fazem, não terem bem consciência disso...
Publicado por josé 19:12:00 10 comentários Links para este post
Eu, socialista, me confesso
Achava que tinha votado nisto

mas parece que votei antes nisto
E há todo um mundo de diferença.
Publicado por irreflexoes 18:41:00 2 comentários Links para este post
à atenção do Sr. Procurador Geral da República
Quando as OTA's são o problema ?
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, assumiu ontem no Parlamento que a "localização da OTA é mais vantajosa como alternativa à Portela", fundamentando a sua opinião com razões ambientais. O ruído do actual aeroporto de Lisboa foi a principal razão apresentada.
Lino garantiu ainda que irá avançar com pequenos trabalhos preparatórios da grande obra pública chamada aeroporto internacional da OTA, como drenagens do terreno, expropriações e desvios de linhas de alta tensão.
O que serve para dizer que não há nada a fazer: a OTA está escolhida, a OTA escolhida está.
É um erro colossal. E explico porquê.
Não ponho em causa a necessidade de uma nova infra-estrutura aeroportuária. A Portela não irá além de 2015/2020. Logo, é preciso planear o futuro. Mas com a opção da OTA tal não é feito. Pelo contrário.
- 1 - A zona para onde está planeado construir esse mamute branco não permite a edificação de mais de duas pistas. Leram bem. Não é gralha. São mesmo 2 PISTAS. E depois?, perguntam os pessismistas.
E depois não haverá qualquer hipótese de expansão. Ou seja, a capacidade máxima de 30 milhões de passageiros/ano da OTA será alcançada em 15/20 anos, sendo certo que ao fim desse tempo terá que se construir outro aeroporto. O Governo de Sócrates prepara-se para avançar para um investimento de mais de 3.000 milhões de euros que permitirá construir uma infra-estrutura que terá, no máximo, 20 anos de vida.
Basta dizer que o aeroporto de Barajas, nos arredores de Madrid, tem previstas obras de expansão e construção de novos terminais que permitirão receber 90 milhões de passageiros/anos. E sabem porquê? Porque a área onde está situada a infra-estrutura permite, geograficamente falando, essa expansão. A OTA não.
(As empresas de obras públicas aplaudem a OTA, pensado já no aeroporto sucessor)
- 2 - A zona da OTA tem também problemas ao nível dos solos, por causa das bacias hidrográficas da bacia do Alvarinho e da bacia da OTA. O que obrigará a uma movimentação de terras, segundo especialistas, que poderá chegar aos 50 milhões de metros cúbicos terras. Ou seja, cerca de quatro vezes mais do que os actuais números do país.
(Os empreiteiros esfregam as mãos de contentes com o volume de negócios que a construção do novo aeroporto poderá gerar. Os cofres do Estado ficarão ainda mais vazios, porque esta obra, com a localização da OTA, custará certamente muito mais que 3 mil milhões de euros).
- 3 - Os acessos ao novo aeroporto também poderão elevar o custo da construção. Pela simples razão de que terão que ser construidos a uma cota de cerca de 30 metros, sobre lodos, argilas e areias argilosas do leito das ribeiras.
(Os empreiteiros ficam histéricos. Os seus olhos parecem cifrões)
- 4 - A auto-estrada do Norte terá que ser duplicada naquela zona. Qualquer leitor que conheça a A1 naquela zona, sabe que estamos a falar de um terreno acidentado. Há espaço? Quanto custará? Alguém já fez o estudo de construção?
(A Brisa junta-se aos empreiteiros que, aos saltos de felicidade, não notaram a chegada do novo parceiro)
- 5 - José Sócrates não irá animar a economia com a OTA. Irá levar as empresas de obras públicas ao êxtase e promoverá o crescimento espectacular de um sector de actividade estagnado, eternamente dependente do Estado e do volume de obras públicas, e que, em vez de apostarem na internacionalização, preferem continuar dependentes do mercado nacional.
- 6 - Há uns anos atrás li um estudo comparativo de empresas de obras públicas portuguesas e espanholas. A conclusão era lapidar: tendo em conta o PIB de cada país, as empresas públicas portuguesas estavam claramente sobredimensionadas para o mercado português.
Sabem porquê? Porque o Estado não pára de lhes dar OTA's.
Portugal vive dias difíceis.
Ao contrário dos inúmeros pessimistas que residem neste rectângulo à beira mar plantado - com todas as vantagens daí inerentes -, não penso que estejamos destinados a um fim trágico, sem apelo nem agravo. Nada disso.
Acredito profundamente que, apesar de rezingões e mal-humorados, os portugueses serão capazes de dar a volta por cima. Como invariavelmente deram ao longo de mais de 800 anos de história. Nãoo penso que o caminho necessário para aí chegar passe pela OTA. Nem de perto, nem de longe.
É um péssimo sinal, ao fim de apenas 4 meses de Governo, que José Sócrates se agarre à OTA para recuperar a economia.
(O TGV é conversa para mais tarde)
É importante estudarmos uma nova localização para um novo aeroporto, cuja construção só poderá ser anunciada depois de concluídas as negociações sobre as perspectivas financeiras da União Europeia - porque o financiamento dessa obra depende, em larga escala, dos fundos europeus.
Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar mais de 650 milhões de euros - que é o valor que está orçamento para a OTA no Programa de Investimentos em Infra-Estruturas Prioritárias e não o valor real de 3 mil milhões de euros - em mais estudos e trabalhos preparatórios da construção do futuro aeroporto, como já foi admitido pelo ministro Manel Pinho.
Os recursos do Estado português não são ilimitados. A "qualidade" do investimento público reclamada por Luís Campos e Cunha é um imperativo nacional. Por não ser este o melhor momento das contas públicas, e por ser possível aguentar até ao fim da legislatura sem avançar com um sucessor da Portela, sou contra a construção do novo aeroporto da OTA.
Quando os recursos financeiros do país permitirem, terá que ser estuda uma nova localização para o futuro aeroporto internacional de Lisboa. Essa localização será, obrigatoriamente, como se passa na esmagadora maioria das cidades europeias, fora da capital.
Entre a Serra dos Candeiros e Vila Franca de Xira, seja na margem norte, seja margem sul do rio Tejo, não acredito que não exista uma localização viável sob o ponto de vista técnico e financeiro. E muito mais barata que a OTA.
Luis Rosa
Publicado por Manuel 18:10:00 2 comentários Links para este post
PTgate
O ministro Mário Lino impôs a sua (?) vontade na Ota e no TGV. Está a ter um pouco mais de dificuldades a impôr a sua vontade na PT, onde ainda não conseguiu arranjar um novo CEO consensual com os privados. Acresce que o novo ministro das finanças é alguém tão bem visto na praça que até está no lote do vetados para aquele lugar.
Vamos ver, se num futuro próximo, não haverá novo embate, por entrepostas pessoas ou não, com sucessor de Campos e Cunha por via de visões divergentes em relação à PT.
Dito isto, era dispensável alguma da indignação mais ou menos demagógica que por aí vai em relação ao desejo deste governo em impôr o seu CEO à PT. Se se quer ser frontal e consequente, o que deve ser dito é que a actual dimensão da PT - e tratamento deferencial por parte do Estado que esta tem, desvirtuadora das mais elementares regras de mercado - não faz sentido, devendo esta ser rachada e o Estado deixar de ter qualquer golden share e por consequência qualquer interferência na gestão.
Publicado por Manuel 17:53:00 0 comentários Links para este post
OTAgate (take II)

Um ministro de um país soberano, afirma - ipsis verbis - numa entrevista, a propósito da corrupção existente num outro país soberano - periodicamente denunciada por organizações internacionais - não ter legitimidade moral para se pronunciar por a situação no seu país - infere-se - ser de gravidade similar. Curiosamente, a Procuradoria Geral da República desse país ainda não chamou esse ministro a prestar declarações de modo a devolver ao tal país a legitimidade moral que pelos vistos lhe falta. Noutros tempos, eram comissões de inquérito, túnicas rasgadas, e gritos e mais gritos de indignação, hoje só sorrisos mordazes.
Publicado por Manuel 17:31:00 0 comentários Links para este post
um livrito branco com o top ten
Campos e Cunha já não é Ministro das Finanças, isto é um facto. Ontem, escrevia aqui que...
Serve esta introdução para dizer que eu não acho que exista qualquer divergência de fundo entre o Eng. Sócrates e o Dr. Campos e Cunha, achando mesmo que o célebre artigo de domingo passado dado à estampa no Público, foi objecto de combinação cirúgica entre os dois.
... facto que levantou comentários por essa blogosfera fora assaz mordazes. Errei, não porque Sócrates não soubesse do artigo de Campos e Cunha, não tenho dúvidas de que sabia, mas porque sobrestimei Sócrates. Horas antes, é verdade, tinha antecipado que Campos e Cunha poderia vir a ser - e vai ser - o carrilho de Sócrates, i.e. vai acabar por lhe fazer, o que Carrilho fez a Guterres, mas - é verdade - não me levei demasiado a sério. Por muito pessimista que seja - e geralmente sou - até ontem, dava algum capital se não de competência pelo menos de vontade ao Eng. Sócrates. Ontem dava, hoje manifestamente não dou como ninguém dá.Mas, vamos por partes...
Alguém imagina realmente este governo tão mau, tão mau, mas tão mau, que cada um diz o que quer e o que lhe apetece sem dar cavaco prévio ao Primeiro-Ministro ? Alguém imagina que quer Campos e Cunha, quer Freitas não tenham dado pelo menos uma palavra prévia a Sócrates, informando-o a nível macroscópico, pelo menos do teor das suas declarações ?
Depois vem a enchurrada do revisionismo moralista com efeitos retroactivos, pelos habituais urúbus do regime. Aqui antecipa-se que Campos e Cunha já estaria demissionário desde que o dia em que Sócrates anunciou que o Governo iria legislar no sentido de impedir a acumulação do vencimento de ministro com outras remunerações (no caso, a reforma do Banco de Portugal), mas porque não desde a primeira reunião do Conselho de Ministros ?, aqui e aqui zurze-se em Campos e Cunha por manifestar reservas quanto à Ota e ao TGV já que estes projectos estão consignados no Programa do PS sufragado nas últimas legislativas pelo que automaticamente Campos e Cunha teria é de assinar de cruz. Esta última tese, peregrina, leva os autores - se se dessem ao trabalho de ser coerentes - a questionar automaticamente o aumento das impostos, que não me lembra de ter sido prometido, ou, se calhar, a promover Campos e Cunha a vilão já que só falta mesmo dizer que os implentou à revelia de Sócrates ... Depois, há uma outra tese, neo-realista - de sabor italiano - que culpa Campos e Cunha por não (se) ter aguentado, porque seria melhor dentro que fora, sendo que o azelha acaba por ser ele por não (saber) ser político.
Acontece que quem tem que ser mesmo político e dar a cara não era Campos e Cunha, era José Sócrates. Foi em Sócrates, e no tal Programa de Governo - que subitamente deixou de ser vago e aéreo, que as pessoas votaram, não ?
O que ontem aconteceu é que um ministrozeco de terceira categoria não se limitou a ultrapassar Campos e Cunha, Mário Lino ultrapassou mesmo Sócrates, que até então sempre tinha tido o cuidado de "prometendo" a Ota e o TGV ir dizendo que as verbas inicias eram só para estudos.
É fácil dizer-se agora que Sócrates entre Campos e Cunha e o PS, e os investimentos, escolheu estes últimos. É fácil e até será verdadeiro. Resta saber se um destes dias não se vai é descobrir que Sócrates não quis ter escolha. A Ota, esta Ota, foi imposta a Sócrates, e Sócrates deixou.
Eu já nem quero discutir quanto custa, ou para que serve, bastava-me no imediato um livrito branco com o top ten dos principais beneficiados com tal empreendimento.
Riam-se, riam-se do mensalão.
Publicado por Manuel 16:34:00 2 comentários Links para este post
Não sei
Não sou advinho. Não tenho grandes fontes previligiadas. Deu para saber uns minutos antes de dar na SIC Notícias e pouco mais. A demissão de Campos e Cunha, parece claro, resulta das suas posições sobre dois grandes projectos de investimento: Ota e TGV.
O V. António já explicou muita coisa. O Manuel também, e ainda não acabou.
Eu, por mim, acho que pouco posso contribuir. Não era fã de Campos e Cunha. Para mim, a estória das acumulações foi decisiva. Endeusar hoje um homem que ontem mostrou que não tem ética republicana parece-me hipócrita, mas está a ser alegremente feito por essa blogosfera fora - dos jornais já não espero nada.
O que não impede que tenha uma enorme simpatia pela sua posição nessa matéria. Eu também acho que estes investimentos não estão ainda justificados. Pese embora a fortuna gasta em estudos.
Pessoalmente, e acho que já escrevi o suficiente para se perceber isso, a Ota não me convence, especialmente se se fizer o TGV. Aliás, e para mim, um dos argumentos a favor de uma visão maximalista da futura rede de TGV, que em tempos recusei, é exactamente o de permitir evitar gastar os 5 mil milhões de euros, pelo menos, que a Ota vai custar.

Parece, e a demissão do Ministro das Finanças assim o confirma, que a Ota não pode ser posta em causa. Há quem diga que isso tem a ver com um credo keynesiano do Governo. Outros, mais pragmáticos, falam em interesses imobiliários (na Ota e, aspecto pouco referido, na própria área que a Portela agora ocupa, e que será em breve servida pelo Metro). Eu, pessoalmente, não sei.
Sei isto. Podem ter calado Campos e Cunha, ou ele deixou-se calar, mas não nos podem calar a todos.
A Ota não faz sentido. Demonstrem o contrário ...
Publicado por irreflexoes 14:34:00 14 comentários Links para este post
placeholder
eu comentarei, com calma, esta tarde a demissão de Campos e Cunha, aparentemente incompativel com aquilo que aqui ontem escrevi.
Publicado por Manuel 13:28:00 2 comentários Links para este post
constatações
Os acontecimentos do último dia provam, à exaustão, quanto mais não seja, que o jornalista português que melhor conhece os meandros do Partido Socialista e do Governo se chama Luis Rosa. Com efeito Rosa, no seu blog, onde assina como milhafre - nick adequado - teve o rasgo de a tempo e horas não só prever a queda em desgraça de Campos e Cunha como, e logo ao mesmo tempo, acertar em cheio no nome do sucessor. Quem sabe, sabe.
Publicado por Manuel 13:17:00 1 comentários Links para este post
OTAgate
esta reflexão de Rui Costa Pinto na Visão Online, parece não ter nada a ver com a execução sumária de Campos e Cunha. Todavia tem tudo.
Publicado por Manuel 13:13:00 0 comentários Links para este post
Publicado por contra-baixo 12:55:00 0 comentários Links para este post
Campos e Cunha kaput
Publicado por irreflexoes 11:34:00 0 comentários Links para este post
Não há vida para além da Ota...
Ao fim de 4 meses, ficou claro quais são as teias em se que move o actual governo. Os sinais não foram dados apenas na entrevista de fim-de-semana que Campos e Cunha concedeu, mas sim no “interno” não adiar do lançamento da Ota, como obra-prima deste governo. Mesmo quando e até externamente, há sinais que contrariam esta decisão.
É certo que por aqui muitas vezes se criticaram as medidas de Campos e Cunha, não pelo seu idealismo, mas sim por se achar que as mesmas medidas não eram compagináveis, com o melhor futuro para Portugal. Mas, mesmo assim, há algo que jamais poderá ser imputável ao agora ex-ministro... a tomada de uma decisão de investimento público sem conhecimento público dos seus motivos.
Não falamos de uma qualquer obra. Falamos de um obra que por baixo ascenderá aos 5 Mil Milhões de Euros. É inqualificável que com o passar do tempo o país se tenha vindo a tornar ingovernável, e que a tudo isto Sampaio, com claras responsabilidades, resista a pronunciar-se. Mas verdadeiramente grave é o autismo do governo em levar a obra em frente, não reconhecendo que a mesma merece ser discutida, só pelo simples facto de existirem melhores soluções e que não comprometem o futuro do país...
A partir de hoje as regras do jogo estão claras. Quem se mete com a Ota apanha...
Publicado por António Duarte 10:51:00 4 comentários Links para este post
Superb
Enquanto toda a gente andava entretida com as presidenciais, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, disse mais qualquer coisa que merece ser registada. Até porque, sublinho, foi o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros que disse. Não foi o Manuel aqui da Loja, foi o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
A propósito de PALOP e da sua visita a Angola, de que forma é que Portugal pode chamar a atenção dos responsáveis angolanos para o facto de que os níveis de corrupção não abonam nem a favor do país nem para a sua imagem externa?
Posso ser inteiramente franco consigo? Eu acho que Portugal, em matéria de corrupção não pode dar lições a nenhum outro país do mundo. Infelizmente. Comecemos nós por liquidar esse fenómeno cá dentro e então, depois, talvez possamos falar da nossa experiência perante outros países.

Publicado por Carlos 2:34:00 1 comentários Links para este post
Depois da disponibilidade do Prof. Freitas do Amaral, só espero mesmo que o Dr. Lopes, ou o sr. Alberto da Madeira, perca a timidez, e avance também, rumo a Belém. A sério. Não tenho a menor dúvida de que o Prof. Cavaco deseja o mesmo, já o Eng. Sócrates é que não deve ter pensado nessa possibilidade, não que a estratégia dele não seja bonita, que é...
Publicado por Manuel 20:08:00 3 comentários Links para este post
Sem comentários...
Um olhar atento ao orçamento da segurança social...
Período entre Janeiro e Maio de 2005
- Rendimento Social de Inserção
- 115.766.810,55 euros (crescimento de 15%)
- Subsídio de Doença
- 213.522.074,66 euros (crescimento de 12,96%)
- Abono de Família
- 246.111.611,08 euros (crescimento de 3,2%)
- Subsídio de Desemprego
- 745.866.585,73 euros (crescimento de 6,5%)
- Despesas com a Administração
- 142.630.397,60 euros (crescimento de 4,27%)
Tudo vai bem. É Portugal na sua mania de esconder o óbvio.
Publicado por António Duarte 19:45:00 4 comentários Links para este post
a entrevista, ou a questão do regime
Já por aqui o escrevi várias vezes que em Portugal se confunde muito, e demasiadas vezes, a táctica com a estratégia. Também se confunde vezes sem conta a realidade com aquilo que gostariamos que ela fosse, mas não é.
Serve esta introdução para dizer que eu não acho que exista qualquer divergência de fundo entre o Eng. Sócrates e o Dr. Campos e Cunha, achando mesmo que o célebre artigo de domingo passado dado à estampa no Público, foi objecto de combinação cirúgica entre os dois.
Convém, por uma vez, perceber o Eng. Sócrates. Não subiu por ter ideias, grandes ideias, subiu, simplesmente, porque não foi visto como uma ameaça por nenhum dos grandes poderes fácticos, do PS à chamada sociedade civil, Sócrates singrou porque conseguiu agradar a muitos sem hostilizar, ou fazer sombra, particularmente ninguém em particular. Não ter ideias às vezes faz jeito, porque descompromete e permite fazer no momento isto e o seu contrário sem riscos maiores de contradição, mas também há o reverso da medalha, a inexistência de um rumo claro e seguro.
Sócrates sabe que é chefe mas que ainda não é líder, o seu poder no PS - caucionado por Jorge Coelho - é-o enquanto tiver dinheiro, poder, lugares e benesses para distribuir, sendo que muito boa gente no PS ainda não digeriu a sua entronização como Primeiro Ministro. Sócrates também sabe, faç0-lhe essa justiça, que algo tem de ser feito, porque as coisas no País estão más de mais. Falta-lhe a bagagem, a segurança, a visão e o rasgo, e - certamente - a coragem, sobra-lhe Campos e Cunha.
Campos e Cunha pode ser politicamente infeliz, mas é a única esperança de Sócrates, deste Governo e desta legislatura. É-o porque se houver (alguns) resultados, estes não serão dele, mas de Sócrates, é-o porque ao ser pintado como o duro, protege Sócrates, o contemporizador/gerador de consensos, sendo que se há alguém neste governo com consciência do que está mal (embora nem sempre com as melhores ideias para apresentar) esse alguém é Campos e Cunha.
Irá pelo PS um grande sururú já que alegadamente as declarações de Campos e Cunha serão inoportunas em termos autárquicos, resta saber - numa noite quente de Outubro - se os resultados do PS se deverão mais a Campos e Cunha ou à gestão luminosa de Jorge Coelho do processo autárquico socialista. José Sócrates que tem capitalizado na guerrilha surda entre Coelho e por exemplo António Costa - que de príncipe ainda passa um destes dias a remodelado sem apelo nem agravo - sabe muito bem que enquanto for Primeiro-Ministro será sempre chefe do PS, se chegará a ser líder não sabemos.
Acresce ao enunciado que a entrevista pateta de Diogo Freitas do Amaral, também ela combinada com Sócrates, serve prefeitamente - como uma luva - os intentos do actual primeiro-ministro. Manifestamente José Sócrates conhece muito bem Freitas do Amaral, e também conhece muito bem o seu partido.
Sejamos francos, Freitas, o vaidoso-mor do regime, só aceitou integrar este governo porque lhe foi garantido que seria o candidato do PS contra o Prof. Cavaco. Ao contrário de Freitas que acredita genuinamente poder derrotar Cavaco, Sócrates não só espera, como deseja, Cavaco em Belém. E deseja-o porque não há ninguém no PS que lhe dê garantias de, desde Belém, não interferir, e não havendo só lhe resta menorizar a função presidencial.
Sócrates, que vai tendo memória, tem bem presentes as palhaçadas encenadas por Manuel Alegre no tempo do Eng. Guterres, como conhece muito bem a afeição que Ferro lhe nutre, e sabendo tudo isso prefere ter alguém do outro lado em Belém, e de quem não se espera à priori solidariedade, do que um companheiro de partido, ou de Governo, pronto a apunhalá-lo à primeira oportunidade (alguém está a ver um Freitas Presidente a preocupar-se primeiro com Sócrates, com o Governo ou com o Páis do que com o seu próprio umbigo ?)
Mas não se pense que este desejo de vitória de Cavaco é estritamente inocente ou conjuntural, não é, e é vem a ser aí que entra extraordinária imbecilidade - não há meio termo - do Prof. Diogo Freitas do Amaral. Sócrates quer, ao mesmo tempo que deixa Cavaco ganhar (não tem alternativa) esvaziar de vez a função presidencial, teatralizando-a, tentando assim criar um presidencialismo de primeiro-ministro.
É a esta luz que devem ser interpretadas as palavras de Freitas do Amaral, na sua entrevista de hoje, ao alegar que Cavaco não sendo da área do PS não será automaticamente imparcial e equidistante. Só que o actual MNE - cego pela vaidade - é demasiado limitado para perceber que isto não é sequer uma crítica a Cavaco - que até é, e sempre foi, um formalista, ao contrário por exemplo do guerrilheiro Soares que não se coibiria de dar umas aulitas ao jovem Sócrates - é, antes, um redesenho das funções constitucionais atribuidas a Governo e Presidente, bem delimitadas pela Constituição.
Freitas, enebriado, até nem se importa de ser PR, decorativo q.b., espécie de figura amorfa e palaciana, mestre de cerimónias, já Sócrates, mais lúcido, espera apenas que tal discurso obrigue Cavaco se não a dar garantias de sossego - que dá, aliás, por definição - pelo menos a polarizar realmente as presidenciais (afinal mais de metade dos eleitores que em fevereiro preferiram Sócrates afirmam ir votar em Cavaco) para finalmente poder ter mão num PS, unido finalmente à sua volta, que não vê, ainda, no PSD uma ameaça real.
Freitas é apenas o idiota útil ao serviço da estratégia de Sócrates. Só é pena que a habilidade que parece sobrar a Sócrates para comer o Partido Socialista falte tanto na gestão dos destinos do País.
Publicado por Manuel 16:30:00 10 comentários Links para este post
O pusilânime
Salvo erro, por ocasião das eleições legislativas de 1991, Freitas do Amaral deu uma preciosa entrevista ao Expresso. Era, de novo, líder do CDS e prometia "equidistância" face ao PS e ao PSD. Sabe-se o que aconteceu. Cavaco repetiu a maioria absoluta e Freitas viu o seu partido reduzido a uns reles quatro por cento. Anos volvidos, depois do deserto e de outras humilhações, Freitas, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, dá nova entrevista. Trata-se - não sei se ele se apercebeu disso - de uma nova humilhação. Mais patética - por causa da idade e da "experiência" - mas na mesma linha pusilânime que é a sua maior característica. Por ser quem é, trata-se de uma caso (grave) de pusilanimidade de Estado. Freitas sonha em ser o candidato presidencial das esquerdas, já que não pode ser o das direitas. Isso impele-o a dizer as baboseiras mais extravagantes em nome dessa sublime ambição. Por outro lado, como nunca sabe bem qual é o seu lugar em lado nenhum, "adoça" a boca de Sócrates e do PS com uma convesa sonsa e paternalista sobre "comunicação" e "impostos", manifestando-se muito "solidário" com tudo e todos. Imagino a alegria que deve reinar no Rato com estes "conselhos". Freitas foi MNE noutra encarnação, quando não havia União Europeia, e é quase como um bimbo poliglota que manifesta as suas posições em matéria externa. A parte tragico-cómica da entrevista é, porém, a que concerne às presidenciais. Como o melhor representante da "ala soarista" do governo, Freitas pronuncia-se como se fosse Mário Soares a falar. O novo "frentismo/freitismo", contra o chamado "salvador" da "direita", tem nesta entrevista miserável o seu acmê ideológico. Não é por acaso que, ontem, a pretexto dos trinta anos da manifestação da Alameda, Soares meteu esse "passado" na gaveta, e lembrou - jamais inocentemente - que agora o que é preciso é lutar contra o "perigo" de "sentido contrário". Não sei se os "ideológos" do PS já deram por isso, mas este género de contributos só serve para baralhar ainda mais as contradições do partido em torno das presidenciais. E não ajuda nada ao desempenho, desde já bastante atribulado, do governo. Freitas do Amaral não me surpreende. Da mesma forma que aqui o defendi quando apoiou o PS em Fevereiro - contra os ataques idiotas da "direita" a que ele cerebralmente nunca deixou de pertencer -, logo ali avisei acerca da sua irresistível atracção pela pusilanimidade política. Ele chama-lhe "centrismo", coitado, e há quem, por caridade ou oportunismo, finja que acredita. É o caso do dr. Soares que jamais brinca em serviço. Depois deste episódio grotesco, só posso aconselhar o Prof. Cavaco Silva a permanecer em silêncio até ao momento extremo em que já não haja mais circo deste para oferecer aos distraídos. E, depois, sim, que apareça.
E nos "salve" definitivamente "disto".
Publicado por João Gonçalves 16:10:00 1 comentários Links para este post
Porque
Hoje é bom dia para o repetir.
Porque a entrevista de hoje ao DN mete nojo, e por várias razões.
Porque só proclama a morte das ideologias quem, como é o caso, já as vestiu a todas, como se de casacos se tratassem.
Por isso tudo...
A esquerda carece de uma figura capaz de se debater com dignidade - já para não falar em ganhar - a Cavaco Silva.
Na ausência de António Guterres e António Vitorino, cada qual por seus motivos, a esquerda confronta-se com uma de três possibilidades:
- Um candidato digno mas sem possibilidades reais de ganhar - Almeida Santos, Manuel Alegre, entre outros. Em suma, alguém que esteja disposto a candidatar-se e correr, sabendo sempre que não ganhará nunca.
Freitas do Amaral - Sou dos que nunca perdoaria ao PS tal opção. Em 1986 era apenas uma criança em termos políticos mas lembro-me bem da fractura no país, no leve sentimento de inquietude que se sentia em certos meios de esquerda. Lembro-me dos sobretudos verdes usados como um quase uniforme pela falange de apoio do Dr. Freitas do Amaral.
Lembro-me de ver, na Av. de Roma, as caravanas dos sobretudos e dos casacos de peles preparadas para as comemorações e do alívio que perpassou pelos meus familiares quando os viram, cabisbaixos, retornar a suas casas. Mário Soares tinha derrotado Freitas do Amaral por uma unha negra e contra todas as expectativas. Desde esse dia que sou de esquerda. Porque isso é - também - combater homens como Freitas do Amaral. Independentemente da pele que vistam em dado momento.Mário Soares - Uma má escolha. Eu sei que não parece, especialmente para quem o ouve falar, mas o senhor tem mais de 80 anos. Será possível exigir-lhe (mais) este sacrificio? Face à opção 2) o velho leão poderá sentir-se tentado a vir a terreiro. Mas é sempre um erro: se ganha, será um Presidente limitado pela sua própria idade, perdendo o estatuto de senador que tem vindo a cultivar desde 1996; se perde, mancha uma carreira política com uma derrota no ocaso da vida.
Em suma, a esquerda não tem como ganhar as presidenciais nem como ganhar com elas seja o que for.
Os anos de convivência entre José Sócrates e Cavaco Silva serão uma realidade em breve.
Espero - ardentemente - estar enganado.
Publicado por irreflexoes 16:04:00 3 comentários Links para este post
Qualidade de Vida
O João Morgado Fernandes tem, entre muitas outras qualidades, incontestavelmente sentido de humor. Além disso - magnânimo - até tirou umas horas valentes ao seu descanso para andar no ping-pong a discutir a pátria comigo, e logo comigo que - ingrato - o acusei de só ligar ao Freitas e C.a.
Acha contudo que eu só quero conversa, e que esta não leva a lado nenhum, não sabendo aliás ao certo sobre o que é que foi sequer realmente o debate. E no entanto o João disse-o, e disse-o muito bem. É sobre a tal qualidade de vida, sobre se vale a pena ou não tentar, sonhar, se vale a pena queimar pestanas, se vale a pena acreditar em algo mais do que tar-se bem no dia seguinte. É afinal um debate sobre um certo Portugal, e sobre a atitude colectiva deste e perante este.
Como nota de rodapé, e sobre os fumos que se abatem sobre a residência do João, parece-me que em algumas actividades mais ou menos amadoras a caça a raposos implica sempre umas queimas... quandto mais não seja, de arquivo.
Publicado por Manuel 14:52:00 0 comentários Links para este post

A pigmy hippopotamus (hexaprotodon liberiensis) opens its mouth in its outdoor pen at the Zurich zoo July 20, 2005. Pygmy hippos which range in Western Africa, specifically Liberia, Sierra Leone, Guinea, and Ivory Coast, live comfortably both in water and on land. REUTERS/Sebastian Derungs
Publicado por Manuel 12:26:00 0 comentários Links para este post
ruído
Ouvi na TSF uma gravação de declarações de um personagem que me diziam ser Mário Lino, Ministro das Obras Públicas. Ouvi, mas quero ouvir outra vez para ter a certeza, porque tais declarações a terem existido são inqualificavelmente rascas. Recorrer à chantagem e à demagogia para impor um novo aeroporto e uma determinada localização é demais. E depois que é que o alegado ruído e a ameça velada de que a UE irá encerrrar (!) a prazo a Portela tem a ver com a Ota ? Porquê a Ota, porque não Tires e Beja ? Repetindo, a Portela é mesmo para fechar ? Todo ? É mesmo ?
Num país normal, Mário Lino ao fim do dia já não estava no governo, mas, verdade seja dita, num país normal Mário Lino nunca tinha entrado para o Governo. Entretanto aguardam-se com expectativa as próximas declarações de Campos e Cunha, ministro de Esiatado e das Finanças, porventura um dia destes o Carrilho de Sócrates..
Publicado por Manuel 10:02:00 3 comentários Links para este post
A gozar com a gente. Só podem estar.
Publicado por contra-baixo 23:33:00 2 comentários Links para este post
os raposos também se abatem...

... e os coelhos também. Vem aí - outra vez - a época de caça, veremos se é a doer, ou se é só polvora seca mas, por enquanto há muitos que (des)esperam gelados.
Publicado por Manuel 19:12:00 3 comentários Links para este post
parar para pensar...
... é o que vai fazendo falta a este país.
Publicado por irreflexoes 18:19:00 2 comentários Links para este post
um poço
escreve o João Morgado Fernandes...
Ideias com retorno
Na Grande Loja, insiste-se na questão do TGV. E eu sou obrigado a repetir-me para que não ponham no meu blogue coisas que nunca escrevi.
- 1. Nunca escrevi que o TGV seria prioritário, ou que nos tiraria do poço. Verdadeiramente, nem sei se será útil. Repito: não percebo disso o suficiente.
- 2. Escrevi e repito que, numa economia como a nossa, o estado, infelizmente, ainda é o motor de muita coisa. E é-o não por opção política, mas apenas por escandalosa omissão de quem deveria assumir esse papel - os privados.
- 3. O que eu escrevi, e repito, é que o plano de investimento que o Governo anunciou, e volto a repetir, o plano, constitui um sinal de esperança.
- 4. Aqui, no blogue, e noutros sítios, tenho insistido em que o défice não é o nosso principal problema. Que o nosso principal problema é a economia, se quiserem, o crescimento. Enquanto este não fôr apresentável, o défice nunca será resolvido, ou sê-lo-á pontualmente.
- 5. O António Duarte recorda os casos da Expo e do Euro. Quanto ao futebol, está coberto de razão. Retorno, aquilo? Já no que se refere à Expo, estou convencido de que nunca ninguém se dedicou a fazer um estudo sério sobre o real impacto, ao longo dos anos, ainda hoje, daquele investimento na economia. Reconheço que há uma dificuldade - muito desse impacto não foi directo, nem talvez seja possível medi-lo.
- 6. O caso do Manuel é, sejamos benévolos, mais complicado. Ele quer que eu tenha uma ideia, eu, simples mortal, que a última coisa de que me lembraria na vida era ir para a política. Não Manuel, não tenho de ter uma ideia. Se tivesse, já tinha feito um partido. O mesmo, diga-se, passa-se com o Manuel. Ideia? Népia. A única coisa que consegue encontrar para tirar o país do buraco, em alternativa ao TGV que ele pensa ser a minha proposta, é esse banalidade do mérito. Até eu, rapaz sem ideias, já tinha conseguido chegar lá. Não, Manuel, o país precisa de qualificação, mérito se quiser, mas isso não chega. Nem uma ideia, precisa de várias. Se cada um for tendo uma, viável, interessante, com retorno, por pequena que seja, tudo junto é capaz de nos levar a algum lado.
- a) O João diz que nunca lhe passou pela cabeça escrever que o TGV fosse prioritário, e não sabe se o TGV é útil, até porque não percebe muito do assunto. Sobre as restantes obras públicas em grandes infraestruturas (a maior parte do maná anunciado pelo Eng. Sócrates) permanece o mistério.
- b) Reafirma que o Estado é motor de muita coisa, com a nuance de que tem que ser porque os privados são uns marotos. Tem razão.
- c) Continua a considerar o plano de investmentos um "sinal de esperança" por via de b) mas ignorando estoicamente a) i.e. que o tal plano pode estar cheio de obras não prioritárias e nem sequer necessariamente úteis.
- d) Acha ainda que o principal problema não é o déficit mas sim a economia, o crescimento, ou a falta dele. Está errado, o déficit e as maleitas da economia são ambas sintomas não causas.
- e) Admite a bondade da Expo'98. É justo, um terço dos americanos também acredita em fantasmas e 45% dos brasileiros acha que Lula não sabia de nada do mensalão.
- f) Sobre as ideias, revela-se, e muito mais do que julga. Em primeiro lugar, e ao que parece, está à procura de uma graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande ideia, que não tem, porque se tivesse já teria fundado um partido ou entrado na política, e como não vê nenhuma graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande ideia, refugia-se num somatório poético de pequenas ideias, que todas juntas darão um grande retorno. E o mais curioso é que muitas pequenas ideias podem dar um grande retorno, podem mesmo, mas não pelas razões que o João aponta. Julgando que me acerta, do alto da burra, acusa-me sarcástico, de também não ter ideias, uma única para tirar o país do buraco, acusa-me até - ó, ó - de ser banal ao acenar com essa trivialidade do mérito, e é aí que o João se enterra inapelavelmente, enterra porque ainda não percebeu nada. O que mais há - por esta Venerável Loja, por esse mundo fora, pela sociedade civil - são ideias, pequenas, grandes, boas e menos felizes, coerentes e nem tanto, mas sempre, ou quase, com boa vontade, vontade de mudar. Nunca vi o João comentá-las, relevá-las, a favor, ou contra, e o João não as comenta, como não comentam muitos outros, porque não as leva a sério, porque as vê como um mero fait divers.
Para o João vale mais uma afirmação ambígua do Prof. Freitas do Amaral do que 1.000 textos, como este, pertinentes, sustentados e muito provavelmente inatacáveis, do António Duarte, porque o João não sabe quem ele é, logo não conta, porque não faz parte do sistema, mas já ligava se as propostas apresentadas fossem apresentadas por um qualquer notável pago a peso de ouro.
Para o João as coisas só passam a contar quando houver uma grande ideia luminosa por detrás (é no fundo a tese messiânica) ou então - o vulgar - quando são ditas por quem se conhece, por quem tem lobby, ou já lá está, o resto, serão, boutades de perigosos ingénuos.
O João critica os marotos do empresários, mas não deve ver os Morangos com Açucar na TVI. Se visse percebia que em Portugal quem se aplica, quem estuda, quem quer ser melhor, é pintado como o maluquinho, como o anormal, o desintegrado, se visse percebia que em Portugal o sucesso não se conquista, cai do cêu, se visse percebia o problema o problema geral da economia, de uma economia onde não é preciso ser particularmente bom, particularmente produtivo, ou sequer particularmente competente ou dotado, desde que se tenha um bom apelido, ou os contactos certos. Contactos para singrar, para arranjar emprego ou subsídios, sim, que o Estado só é mau quando dá de mamar aos outros. O João ainda não percebeu que sem se mudar a mentalidade, sem se apostar inapelavelmente na exigência não se vai a lado nenhum.
Os portugueses não são nem melhores nem piores que os outros, lá fora até singram, e se cá não se faz melhor é porque ao contrário do que se passa lá fora cá está-se sempre à espera de um milagre, de uma cunha, de um adiamento, de um subsídio, lá sabem que ganham por aquilo que fizerem, cá, basta picar o ponto. O João nunca ouviu falar nas Leis da Inércia, do atrito, e da inexistência de incentivos a fazer mais e muito melhor.
Em Portugal um pai prefere que um filho passe de ano mesmo sem saber do que repita o ano porque no fundo, no fundo, tem a secreta convição que saber/não saber não tem nada a ver com o sucesso futuro, mas para o João isto serão peanuts banalidades triviais. No fundo espera uma pílula miraculosa que resolva os problemas todos do dia para a noite, de preferência sem dor.
Mas não percebe que nós próprios, individual e colectivamente, somos também parte integrante do problema, da raiz do problema. Há, é claro, uns ingénuos, que não se resignam, acham até que isto pode ser mudado, o João, lúcido e conhecedor dos meandros do sistema, deve achá-los uns loucos, uns revolucionários por ousarem pensar (pensar, sequer) em (tentar) mudar as coisas. Contenta-se que (lhe) giram a crise, sem ondas. Depois espanta-se quando alguém do calibre do Dr. Lopes chega a S. Bento ou Dr. Pinho é apresentado como um génio. Chegaram lá também por culpa dele, porque se calhar o mundo dele, o mundo que dá a ler - como um dos responsáveis de uma das bíblias do regime - e o que não é publicado e como se não tivesse acontecido, se esgota no micro-cosmos deles.
Felizmente, o mundo está a mudar, apesar de que.
Publicado por Manuel 16:33:00 10 comentários Links para este post
ainda para mais...
... aposto que qualquer decisão remotamente inteligente sobre a localização dos parques eólicos está fora de questão
Publicado por irreflexoes 16:15:00 7 comentários Links para este post
E tudo o Vento Levou !
Tal como há uns anos atrás, a moda das energias renováveis voltou a acolher Portugal como país perfeito para a sua implementação. Desta vez, a construção de parques eólicos capazes de reduzir a factura energética do país. Uma falácia.
Acontece que, uma vez mais, Portugal está a fazer tudo ao contrário. As diferentes formas de energias renováveis apresentam de facto uma curva de rendibilidade marginal que, quando comparadas ao actual preço do petróleo, ainda se apresentam com custos mais elevados para o consumidor. Tudo porque a inovação tecnológica, na produção e na distribuição, ainda não está suficientemente desenvolvida para permitir uma redução de custos.
E isto levanta um problema. De que vale a Portugal a produção de energia ainda que a preços mais caros que a que actualmente é importada? Poder-se-á até ajustar o desequilíbrio na balança de pagamentos, mas internamente as empresas terão um custo maior pelo preço da energia, funcionando esta como uma autêntica escapatória de desinvestimento em Portugal.
Quer isto dizer que Portugal deveria estar quieto? Não, seguramente que não, e grande parte da dependência energética do petróleo em Portugal é decorrente de escolhas estatais no modelo de desenvolvimento, por mais escondido que ele seja.
Por exemplo, é conhecida a forte dependência das finanças públicas portuguesas dos valores que o consumo de combustíveis gera, através do ISP. Como se não bastasse o governo Português está de mãos e pés atados no que à área metropolitana de Lisboa e em termos de transportes públicos diz respeito. Os elevados valores que as concessões da Ponte 25 de Abril e Ponte Vasco da Gama, impedem o governo de agir de forma pró-activa num reforço de uma política de transportes públicos integrados. Tudo culpa de quem concedeu à Lusoponte, cláusulas inimagináveis. Quanto pagou o Estado à Lusoponte para o comboio lá andar hoje ?
Uma fórmula duplamente eficiente - O uso dos transportes públicos, reduz o consumo de gasolina e demais combustíveis e melhora a qualidade do ambiente.
Obviamente que a construção de parques eólicos é um princípio, mas não servirá para grande coisa. A redução expectável pelo governo da factura será de 6,00 %, na assumpção que a procura energética não cresce. Ora, é conhecido que um dos efeitos do crescimento da economia assenta no aumento da procura de energia. A redução será seguramente uma miragem.
Compete ao governo tomar as melhores opções. Negociar com Espanha os caudais do Douro e Tejo Internacional que permitam aumentar a produção hidroeléctrica é uma solução de consenso difícil, mas negociável. Mas é sabido que qualquer redução significativa só acontecerá quando se “atacar” o consumo individualizado de petróleo, sentido através do uso do automóvel privado.
Ao mesmo tempo requalificar a produção de energia, já há algo que é manifestamente impossível de efectuar - Portugal foi, é e será sempre dependente do exterior em termos energéticos, dado que os recursos naturais que possuí, os poucos que ainda possuí, não são passíveis de produzir energia, e mesmo a biomassa florestal não é olhada com bons olhos.
No fim a cereja. As autarquias sedentas de novas fontes de financiamento querem pertencer aos parques eólicos integrando o consórcio. Ora a partir deste momento, a medida deixou automaticamente de ser exequível, pois a proliferação de gestores municipais, passará a sugar toda a capacidade financeira dos consórcios.
Há no entanto uma pequena solução. A Galp Energia, que ainda não se sabe bem de quem é, e muito menos quem será o seu próximo dono, sendo apenas certo mais uma elevada mais-valia, deveria definitivamente abandonar a procura de um parceiro estratégico apenas para realizar mais-valias e procurar uma estratégia concertada com Angola e o Brasil.
À Galp Energia não pode estar apenas confinado o papel de gerar mais-valias. Quem não se lembra dos 525 Milhões de Euros de mais-valia, ainda por cima isenta de imposto por Guterres, quando a Petrocontrol vendeu à ENI ? É certo que o Professor Freitas na altura presidente da Petrocontrol, pode falar melhor sobre este assunto...
Começamos pela dívida de Angola a Portugal. Depois de devidamente reclassificada, é apurado um volume de barris de petróleo diários a conceder à Galp Exploração. É certo que a dívida de Angola abate no défice, mas não é menos certo que o crescendo do petróleo tem esse perverso efeito. À Sonangol interessa-lhe a rede de exploração ibérica da Galp. Parece simples, a rede passa a ser detida 51% pela Galp e 49 % pela Sonangol, e em troca mais um acréscimo no volume de barris de petróleo. A Galp ganha capacidade de exploração. A Sonangol capacidade de comercialização que tão cedo não existirá em África. E o Brasil ? A Petrobras, ao fornecer capacidade de exploração à Galp, ganha rede na Europa.
Percebem hoje porque o suposto falhanço na compra da rede Shell em Espanha foi uma machadada que apenas a Pina Moura, e aos seus espanhóis, interessava ?
Perante isto, e uma redução da exposição à variação do preço do petróleo, Portugal estaria em condições de avançar, quer na construção de mini centrais hídricas, capazes de abastecer alguns distritos ou mesmo concelhos mais numerosos, e ao mesmo tempo desenvolver no Alentejo um parque de captação de energia foto voltaica e solar, que fornecesse energia para toda a região a preços mais baratos, capazes de captar investimento, e mesmo na construção de mais barragens.
É certo que para isto funcionar, a Galp tinha que fechar as instalações na Irlanda da sua subsidiária e trading-arm Petrogal Trading Limited e que no ano de 2004, registou vendas num regime fiscal mais favorável , por forma a que quer o Estado quer o país beneficiassem com o diferencial entre a compra e a venda...
Ao mesmo tempo Pina Moura teria que definir em que tabuleiro joga. Se como deputado, se como presidente da Iberdrola Portugal, e representante em Portugal dos interesses espanhóis, sabendo-se como se sabe que qualquer solução para saída da ENI do capital da Galp, passa sempre por ele.
Pina Moura teria de definir, porque ninguém está a ver este governo a definir coisíssima nenhuma.
Publicado por António Duarte 15:30:00 1 comentários Links para este post
Ainda não consegui compreender nenhum dos argumentos invocados pelos responsáveis da Faculdade de Medicina do Porto para se impedir a passagem do metro em frente ao seu hospital.
- Segurança das pessoas e risco de atropelamento?
- Em frente ao hospital já passam milhares de viaturas ligeiras e dezenas ou centenas autocarros.
- limita o acesso à urgência?
- está a ser construído um túnel para o efeito
- perigo de ocorrência de acidente no túnel de acesso?
- e se acontecer na circunvalação, na A4 ou no túnel de Faria Guimarães?
- Interferência nos sistemas electrónicos do hospital?
- não percebo porque é que no Hospital Pedro Hispano, que tem o metro á porta, ninguém se queixa.
O que verdadeiramente me parece é que alguém da metro do Porto se esqueceu que o hospital S. João tem uma direcção bicéfala e, provavelmente, não se lembrou que deveria tratar a parte que se opõe à linha com o devido respeito.
Publicado por contra-baixo 15:12:00 2 comentários Links para este post
mais kiwis?
Um destes dias foi publicado um estudo que demonstrava que o ecologíssimos ethanol, um combustivel limpo - muito politicamente correcto - consome afinal mais energia na sua produção do que aquela que liberta, sendo que como a energia é "clássica", muito provavelmente de origem fóssil, os benefícios para o meio ambiente são nulos, ou mesmo negativos
Vem isto a propósito da anunciada intenção do governo de promover a energia eólica e até de à custa dela (!?) financiar o mírifico choque tecnológico. E vem a propósito, porque nada tendo contra a energia dos ventos, não me parecem suficientemente estudadas matérias fundamentais, não só o impacto ambiental/visual, como muito menos o económico, no médio e no longo prazo. Áparte as boas intenções estou para ver se a coisa é séria, e de fundo, ou se é mais uma moda, como em tempos o foram as plantações de kiwis, para engordar as Iberdrolas deste mundo.
Publicado por Manuel 13:32:00 5 comentários Links para este post
Ensino da Matemática - verdades duras
Matemática compromete recursos humanos do País
Os maus professores de Matemática "estão a comprometer os recursos humanos das próximas gerações de profissionais portugueses". De acordo com os especialistas, depois de 70% dos alunos do 9.º ano terem chumbado à disciplina nos exames nacionais, muitos terão desistido de seguir a sua vocação, voltando-se para áreas que os formarão como técnicos frustrados. Um fenómeno que será visível, pelo menos, nos próximos dez anos.
O problema não é novo, resume anos de inércia e ultrapassa a própria escola. Baixas expectativas, má qualidade do ensino, ausência de uma cultura de valorização do esforço e problemas na orientação pedagógica dos novos professores são só algumas das falhas.
(...) Para Paulo Morais, professor catedrático e um dos responsáveis pela elaboração do programa, "os maus resultados nos exames vão fazer com que jovens que poderiam querer ser bons engenheiros fujam para a área de Humanidades e se transformem em profissionais frustrados ou desempregados". Assim, "faltam agentes nas áreas tecnológicas e científicas e sobram nas ciências sociais e humanas". A responsabilidade cabe, segundo o professor, a "maus docentes que quebram a cadeia da aprendizagem". E porque o ensino da Matemática é sequencial, "um mau professor pode destruir a vocação de centenas de alunos". (...)
No entanto, para José Manuel Matos, se as crianças vivem em meios desfavorecidos, a atitude da escola não deveria ser a de "cruzar os braços". Por isso, defende, "é preciso melhorar a qualidade do ensino, investindo em metodologias mais rentáveis". Portugal é um dos países do mundo que mais tempo gastam a ensinar álgebra e, contudo, os professores queixam- -se que os alunos que lhes "chegam à mãos" não a dominam.
A falta de bases é a razão apontada pelos professores do 2.º e 3.º ciclos ou do secundário para o insucesso. Para Isabel Rocha, presidente da Associação de Professores de Matemática, alunos que passam até ao 9.º ano, depois de sucessivas reprovações, são um dos problemas "É uma bola de neve que leva os alunos a desinvestir. No entanto, se o aluno desistiu, a escola não pode desistir dele e deve apoiá-lo."
Uma ajuda que nem sempre é aproveitada pelo estudante. Por isso, "há que responsabilizar mais os alunos e os seus pais no campo do apoio pedagógico", defende José António Fernandes, para quem o insucesso é "um problema complexo e não é só de agora". Há um motivo mais geral "A sociedade tem uma cultura de menor esforço e trabalho e apresentar a aprendizagem apenas como resultado do prazer e satisfação não é suficiente."
Por outro lado, afirma, "não se tem acautelado a qualidade dos estágios pedagógicos", sobretudo "na forma como se recruta orientadores que, por vezes, se oferecem para esta função apenas para conseguirem um lugar mais perto de casa". A formação contínua, explica José Fernandes, "está muito desligada das didácticas específicas" e a prática pedagógica dos professores pouco assente em trabalho de equipa. A solução não passa por reformas curriculares "Os professores precisam de um certo amadurecimento."
Diário de Notícias
Publicado por Manuel 12:45:00 2 comentários Links para este post
lélés da cuca
Marcelo Rebelo de Sousa está - outra vez - desesperado, já admite às claras ser candidato presidencial, e já entroniza como adversário nada mais nada menos que Mário Soares. É triste. Marcelo já fez trinta por uma linha, já inventou até uma suposta doença incurável ao Prof. Cavaco e mesmo assim ninguém lhe liga, nem à sua putativa predestinação presidencial. Dantes, quando era jovem, e ainda tinha alguma creatividade até ia tendo piada, agora mete dó. Quem vai acabar a lucrar com tudo isto vai ser o Dr. Balsemão, sim, porque na impossibilidade de o fazer na TVI ainda vamos ver o Prof. Marcelo - o génio incompreendido que tomou banho no Tejo - num qualquer reality-show televisivo para a plebe o conhecer melhor.
Entretanto o Prof. Freitas, como consequência de (mais uma crise de) ciúmes pelas reações ao artigo de Campos e Cunha este domingo no Público, resolveu também ele dar uns ares da sua graça. Pretendia Freitas ser ainda mais sublime que Campos e Cunha - que tenta ser poder e oposição ao mesmo tempo - e mostrar da sua suposta lucidez. Acontece que - e atentando apenas às suas esfarrapadas explicações esta manhã à TSF - o que passou foi algo completamente diferente. Cego pela vaidade, e pelo desejo de protagonismo, Freitas acabou por confessar explicitamente aquilo que se suspeitava - que não há apenas um problema de comunicação, mas antes um - de fundo - de estratégia, e de rumo. O que Freitas confessou é que também eles - os tais que ele caucionou depois de saber quem eram - não estavam preparados, foi apenas o poder pelo poder. Não estavam eles, nem estava ele. As coisas são o que são.
Publicado por Manuel 11:21:00 1 comentários Links para este post
O
empresas de alguma dimensão, das poucas que, em Portugal, não declaram prejuízos todos os anos. De preferência, uma multinacional, mas dessas que ainda aqui têm estabelecimentos, fábricas e empregam assalariados residentes neste recanto repleto de estádios de futebol novinhos em folha. Por outro lado, para manter uma aparência de dignidade, deve ser uma firma cujo logotipo não seja verde nem azul, mas da cor do nosso sangue:
lizada pela inveja dos adeptos de todos os outros clubes. Fica, assim, afastada a Sagres (se bem que a Bohemia é uma bela cerveja, pá), que também tem uma bancada no novo Estádio.
A candidata do CDS-PP à câmara de Lisboa, 

conferência organizado pela Câmara de Comércio Luso-Alemã. Escusando-se a tecer maios comentários sobre esta matéria, 


