2097
Quinta-feira, Março 31, 2005
Morreu a congolesa Donna Lukemba, cujo estado nascituro demandava auxílio para alimentação, sem necessidade de ventilação artificial. Instigado pelo adolescente que concomitantemente negava a capacidade de pensar e asseverava o desânimo de viver da sua pequena irmã, o tribunal decidiu mandar retirar esse instrumento de alta tecnologia que é o biberão, demonstrando cientificamente que a vida humana é incompatível com a sede e a fome.
Publicado por Nino 17:39:00 4 comentários Links para este post
ainda não é e desta que acabam os governos civis... é preciso combater o desemprego.
Publicado por Manuel 16:43:00 1 comentários Links para este post
2005
Morreu a norte-americana Terri Schiavo, cujo estado vegetativo demandava uma sonda naso-gástrica para alimentação, sem necessidade de ventilação artificial. Instigado pelo marido que concomitantemente negava a capacidade de pensar e asseverava o desânimo de viver de sua esposa, o tribunal decidiu mandar retirar esse instrumento de alta tecnologia que é o tubo de alimentação, demonstrando cientificamente que a vida humana é incompatível com a sede e a fome.
Publicado por Nino 16:36:00 3 comentários Links para este post
O furto aconteceu cerca das 04:00 na loja de conveniência de um posto Galp da estrada nacional 13 (EN13), na freguesia da Estela, não havendo indicações do montante que havia na caixa Multibanco. Fonte das Relações Públicas da Brigada da GNR disse não dispor, «para já», de elementos que lhe permitam perceber se este furto foi concretizado pelo mesmo gang que 24 horas antes tentara levar a máquina Multibanco do posto de abastecimento de combustíveis da freguesia de Terroso, no mesmo concelho. Essa tentativa foi frustrada alegadamente devido à aproximação de uma patrulha policial. A fonte disse também desconhecer que equipamento foi utilizado para concretizar o furto da caixa Multibanco, que pesa cerca de 800 quilos. «Sabemos apenas, de acordo com testemunhos já recolhidos, que forçaram a porta da loja de conveniência com um pé de cabra e usaram um furgão branco para levar a máquina», disse a fonte. Uma caixa Multibanco com 800 quilos de peso foi furtada hoje de um posto de combustíveis da Póvoa de Varzim, 24 horas depois de frustrada idêntica tentativa noutra gasolineira daquele concelho, disse fonte policial.
Publicado por Manuel 13:17:00 0 comentários Links para este post
"bloco central"
Quarta-feira, Março 30, 2005

Publicado por Manuel 23:32:00 1 comentários Links para este post

e contudo a terra move-se... Falta é um livro branco para esclarecer o freeport e as histórias da mala, que não se sabe se era preta, e ..., e ..., e..., ...
Publicado por Manuel 21:59:00 1 comentários Links para este post
uma história moral, ou "O Estado da Nação"
Fulano, chamemos-lhe assim, era, e é, político. Fulano era uma das estrelas da equipa do chefe, um dia zangaram-se e bateu intempestivamente a porta com estrondo. Apressou, dizem, até a queda do chefe. Em tempos o chefe enviuvara, e passado o luto, travou conhecimento com uma colaboradora próxima de Fulano, e vieram a casar. Despeitado, enfurecido, pela desconsideração de que tinha sido alvo, tinha perdido o palco, Fulano fez questão de fazer chegar himself ao pasquim de referência, sim esse mesmo, alguma "documentação", correspondência intima entre o seu ex-chefe e a sua antiga colaboradora, que arranjou vá lá saber-se como. Para variar, o tal pasquim não publicou. Hoje, passados alguns anos, Fulano está, de novo, na mó de cima, se está. Coitado é do próximo "chefe" que se desentender com ele... Coitado desse, e coitados de nós.
Publicado por Manuel 20:37:00 3 comentários Links para este post
mais uma medida fracturante, ter que pagar (ao Estado) para poder pagar impostos...
Publicado por Manuel 19:01:00 0 comentários Links para este post
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Publicado por contra-baixo 17:23:00 2 comentários Links para este post
Mau jornalismo.
O Público publica a notícia, com chamada gorda de primeira página:
"Ministério Público investiga negócio de 538 milhões de euros adjudicado três dias depois das eleições."
"Aberto Inquérito judicial sobre adjudicação de sistema de comunicações para as polícias pelo ex-ministro da Administração Interna, Daniel Sanches. " E na pág. 12 lá vem o desenvolvimento, assinado por Mariana Oliveira e que pouco mais diz de substancial a não ser a revelação de pormenores do negócio que são importantes mas que não estão ainda esclarecidose e que fogem à captura da primeira página.
A "gorda" é assim a notícia de que o MP abriu um Inquérito!
Segundo a PGR, via Portugal Diário, abriu nada!
"Informa-se que não foi, até ao momento, instaurado pelo Ministério Público qualquer processo crime relacionado com a adjudicação de um sistema de comunicações para as polícias, da responsabilidade do ex-ministro da Administração Interna", diz a PGR , em comunicado.
Aqui chegado, o público que vê , ouve e lê, fica naturalmente perplexo. Abriu ou não abriu o tal Inquérito que não é judicial, porque isso não existe, mas sim Inquérito, tout court, ou se se quiser, processo crime?
E se abriu, quem mandou? Como começou? Qual é a suspeita de crime? Quem são os suspeitos?
Nada disto se adianta na notícia que pode muito bem ser uma outra não-notíca, como já aconteceu com casos similares, o último dos quais o do Freeport, para entalar um Sócrates e um PS, em derradeiro esforço de campanha eleitoral.
Como é que se abre um Inquérito em Portugal?
Repete-se o que já aqui foi escrito:
"O processo penal serve essencialmente para punir todos os criminosos, mas só os criminosos.
Para isso, o que se faz, é:
-reconstituir um facto.
-indagar a culpa- artigos 16º nº 2; 280;281 e 182, todos do Código de Processo Penal.
-tomarem-se providências cautelares, por quem tiver o dever de o fazer, nomedamente as polícias- 248º e seguintes do C.P.P.
-fazer-se um eventual pedido de indemnização cível.
Quem faz o Inquérito?
-A direcção pertence exclusivamente ao MºPº, assistido pelos órgãos de polícia criminal- artº 263º do C.P.P.
Ou seja, mais ninguém, em Portugal, pode organizar e dirigir um Inquérito criminal. Mesmo que seja outra entidade a tomar conhecimento do facto criminoso, tem a obrigação de transmitir ao MºPº, no mais curto espaço de tempo, esse conhecimento. É o que se retira do artigo 245º do C.P.P.
Isso tem uma importância fundamental, porque é num Inquérito que se investigam os crimes e vigora em Portugal o princípio da legalidade que segundo o artº 262º nº2, C.P.P. " a notícia de um crime dá sempre lugar à abertura de Inquérito", ressalvando-se algumas excepções que têm a ver com a actuação cautelar das polícias, ainda antes do Inquérito estar formalmente organizado e classificado, mas que obrigam estas entidades a dar conta do que fizeram, em relatório ( 253º C.P.P.).
Não há oportunidade legalmente consagrada para a actuação do MºPº. "
O MP não pode ponderar, sem mais, que uma queixa, participação ou denúncia de um crime deve ir directamente para o lixo, sem qualquer indagação.
A única afloração desta oportunidade de actuação do MºPº, ou seja, o de prosseguir ou não com a acção penal, vê-se precisamente num instituto que tem sido alvo do espanto generalizado, compreensível também pelo generalizado desconhecimento destas matérias: o da suspensão provisória do processo( artº 281 C.P.P.) que permite a "negociação" do MºPº com ofendido e arguido, em relação a delitos corriqueiros.
Como começa um Inquérito?
Vejamos o que diz a lei processual penal:
CAPÍTULO I
Da notícia do crime
Artigo 241.Aquisição da notícia do crime
O Ministério Público adquire notícia do crime por conhecimento próprio, por intermédio dos órgãos de polícia criminal ou mediante denúncia, nos termos dos artigos seguintes.
Agora, atente-se neste artigo do C.P.P.:
Artigo 247.Registo e certificado da denúncia -
1.O Ministério Público procede ou manda proceder ao registo de todas as denúncias que lhe forem transmitidas.
Assim, o MºPº adquire notícia do crime por conhecimento próprio, podendo lavrar auto de ocorrência quanto a:-rumores públicos.-delacção.-constatação de flagrante pelo próprio MºPº, caso em que deverá mesmo escrever auto de notícia.
É por isto que uma notícia de jornal ou um comunicado anónimo ou uma carta anónima pode efectivamente ser registada como auto de ocorrência e iniciar um Inquérito crime, dentro da mais perfeita legalidade. E tem sido assim desde 1.1.1988. Isto não é novidade recente. A maior parte dos crimes de "colarinho branco" , ou seja e dito de forma mais prosaica, de corrupção , têm sido investigados em Inquéritos desta forma e com este início: a denúncia anónima! "
O que é que pode então ter acontecido com a notícia do Público?!
Uma única coisa, a meu ver: a instauração de um procedimento administrativo para ponderação da eventualidade de instauração de Inquérito. Pode isso fazer-se?
Parece que sim, se atendermos ao facto de uma entidade da PGR, o DCIAP, ter a incumbência de fazer o seguinte:
Compete ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal realizar as acções de prevenção relativamente aos seguintes crimes:
Branqueamento de capitais;
Corrupção, peculato e participação económica em negócio;
Administração danosa em unidade económica do sector público;
Fraude na obtenção ou desvio de subsídio, subvenção ou crédito;
Infracções económico-financeiras cometidas de forma organizada, com recurso à tecnologia informática;
Infracções económico-financeiras de dimensão internacional ou transnacional.
Terá sido isso que aconteceu e o Público baralhou tudo, por ignorância e pressa na cacha?!
Não sabemos...talvez amanhã haja novas do Público que quer, aparentemente , nestas matérias concorrer com o imbatível Independente!
Publicado por josé 17:03:00 3 comentários Links para este post
eu acho que já vi este filme...
A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu hoje que não foi instaurado qualquer processo-crime relacionado com a criação de um sistema de comunicações para a polícia, adjudicado pelo anterior Governo três dias depois das eleições. "Informa-se que não foi, até ao momento, instaurado pelo Ministério Público qualquer processo crime relacionado com a adjudicação de um sistema de comunicações para as polícias, da responsabilidade do ex-ministro da Administração Interna", refere a PGR em comunicado. O jornal Público noticia na edição de hoje que foi aberto pelo Ministério Público um inquérito (processo crime) para investigar o negócio de mais de 500 milhões de euros, adjudicado pelo ex-ministro Daniel Sanches e pelo ex-titular da pasta das Finanças, Bagão Félix, três dias após as eleições legislativas de 20 de Fevereiro, que o PS venceu com maioria absoluta.
in Portugal Diário
Publicado por Manuel 14:28:00 1 comentários Links para este post
A Santa Casa anda a passar, em tudo quanto é meio de comunicação social, uma campanha publicitária onde nos recorda quantos milhões distribui em prémios, e em acção social... Só não diz é quanto, do dinheiro, apostado, vai, direitinho, para impostos. Um detalhe.
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Publicado por Manuel 10:40:00 0 comentários Links para este post
A taxa de natalidade em Portugal baixou para metade em quarenta anos, revela um estudo da União Europeia, que recomenda um aumento da imigração para assegurar o crescimento da população.
in TSF
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Publicado por Manuel 9:08:00 1 comentários Links para este post
cegos, surdos e mudos ?

Chinese dancers perform the dance 'thousand-handed Goddess of Mercy' during a show in Sanya, south China's island province of Hainan, March 25, 2005. The dance was presented by 21 deaf and mute dancers from China's Disabled People's Performing Arts Troupe. The troupe, established in 1987, is an amateur mass art troupe composed of visually impaired, audibly impaired and physically and mentally challenged people. Picture taken March 25, 2005. CHINA OUT REUTERS/China Newsphoto
Agora que o blogger parece ter voltado à normalidade estamos de volta à nossa programação habitual...
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Publicado por Manuel 7:50:00 0 comentários Links para este post
Limiano às Fatias - Edição nº 5
Terça-feira, Março 29, 2005
Já se encontra disponível para download a edição nº 5 do Limiano às Fatias.
Basta clicar aqui.
Boas leituras.
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Publicado por António Duarte 11:34:00 0 comentários Links para este post
A maçã de Adão
Segunda-feira, Março 28, 2005
É consensual que qualquer reforma tarda décadas a frutificar, encontrando-se aí o cerne da relutância dos sucessivos governos em as fundear. Teve mérito Sócrates em apostar no inglês em desfavor do português, esse linguajar voluptuoso que já só seduz os brasileiros e os africanos - e alguns loucos por casa. Intrépido, vinga a sua ambição de que esta colónia americana, à beira-mar arrancada, receba condignamente os metropolitanos. Não contou, decerto, foi com a implantação do espanhol como língua oficial acima do México, que o peso demográfico imporá inapelavelmente por meados do século.
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Publicado por Nino 22:06:00 0 comentários Links para este post
Rui Pereira, eminência parda do PS, ex director do SIS, e candidato a candidato a próximo PGR, caso este venha a ser um civil, foi esta tarde à TSF apregoar as virtualidades do Estado colecionar ao molho dados genéticos de todos os seus cidadãos. Tudo em nome do combate à alta criminalidade e ao terrorismo. Fosse tão peregrina ideia lançada nos tempos idos do Dr. Lopes (nos securitários Estados Unidos o máximo de que se fala é na recolha e arquivamento de dados biométricos (altura, foto, peso, etc), e mesmo lá, só com esses dados há polémica...) e cairia o Carmo e a Trindade, as esquerdas federadas rasgariam as túnicas e o Dr. Sampaio ainda usaria tal intenção como, mais um, pretexto para a, inevitável, dissolução. Falar-se-ia em direitos liberdades e garantias, dir-se-ia que o Estado não tem nada que saber se fulano tem predisposicão para dormir mal, para problemas cardiacos ou o diabo a quatro. Mas isso seria antes, sobre o Estado do Dr. Lopes, porque o novo Estado, o do Eng. Sócrates, que por acaso é o mesmo, já é pessoa de bem. Assim, ninguém tuge, ninguém muge, ninguém se indigna. É este o estado da nossa (des)graça.
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Publicado por Manuel 21:08:00 1 comentários Links para este post
Bares de alterne mantêm-se fiéis à medicina natural
Os cafés e bares pretendem vender medicamentos, alegando constituirem a maior rede nacional em contacto directo com a população. Os arrumadores de carros já contestaram.
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Publicado por Nino 19:11:00 0 comentários Links para este post
Ainda sobre Pulido Valente, um comentário assaz pertinente promovido daqui à primeira página...
VPV, para bem de todos nós, assume como ninguém, um espírito de Cassandra..
É por isso que gosto de ler o que escreve, porque também escreve bem o português e usa alguns termos esquecidos que depois são repescados por outros (leia-se João Pereira Coutinho), meros diletantes na arte de dar palpites sobre tudo e mais alguma coisa e com pouco ou nenhum interesse, por falta de densidade e peso específico.
O VPV que gosto de ler é aquele que escreveu sobre a indigência mental dos políticos que vamos tendo. Porque essa escrita estimula interrogações e talvez algumas respostas.
Nesta crónica sobre a direita e a Igreja, também me parece que a subtileza vai um pouco mais além do que atirar à cara da direita uma omissão indesculpável.
O que VPV tenta fazer, parece-me, é mostrar que os valores apregoados pela Igreja, não podem dissociar-se da discussão sobre o assunto. E se a direita os defende, não poderá obliterar o papel da instituição, mesmo que tente seguir o princípio de "dar a César o que é de César".
Porém, juntar política com religião, costuma dar maus resultados, principalmente se vêm ao de cima as ideias fundamentalistas. Veja-se o caso do italiano Buttiglioni; veja-se o caso da introdução à Constituição Europeia e veja-se o caso da recente polémica com o padre que defendeu a não-comunhão para certo tipo de pessoas.
O problema mostrado por VPV é o conjunto de várias contradições que uma certa direita, ligada ao CDS, precisa de resolver.
Mas haverá direita, em Portugal?!
Ou o que temos, como direita, é apenas um caldinho de ideias dispersas e fugazes, sem concretização teórica, como já foi apontado por José Adelino Maltez?
Jaime Nogueira Pinto pode considerar-se um teórico da direita?!
É que me parece o único a escrever sobre esse propósito.. .uma vez que o prof. Martinez ou o prof. Hermano José Saraiva, não contam: gostam demasiado do salazarismo para merecerem atenção!
Publicado por Manuel 16:21:00 2 comentários Links para este post
Vasco Pulido Valente (quem ?)
Vasco Pulido Valente é, na análise política, incontornável. Retrata de uma forma sádica, cínica e precisa a conjuntura cá do quintal e, facto não negligenciável, faz pensar. O que não quer dizer que tenha sempre razão, ou que acerte sempre. Aliás VPV ilustra bem o facto de ser muito mais simples elencar problemas do que apresentar soluções. Ainda ontem, numa prosa manifestamente infeliz, o cronista a propósito da crise, bem real, das direitas clamava uma e outra vez contra a indigência indigena. Desta vez afirmava "Que num debate sobre a direita, a uns dias do referendo sobre o aborto, e quando se recomenda o "debate ideológico", a Igreja não se mencione é um contra-senso ou uma fuga". Resumindo, e para o grande Vasco Pulido Valente o futuro, quiçá a redenção, da nova direita, estará na religião, à americana. Não se sabe o que diria o VPV, cronista, desta gaffe, do VPV armado ao político mas sabe-se que, graças a Deus, não parece que a Direita vá por aí. Por várias ordens de razão, certas e erradas. Em primeiro lugar porque de todas as vezes que a Igreja se meteu na política mais tarde ou mais cedo se saiu mal, e saiu-se mal porque a mensagem da Igreja Católica se pretende abrangente e inclusiva, da mesma forma qualquer plataforma de direita ganhadora se pretende abrangente e inclusiva sendo que não é líquido que as duas se possam facilmente sobrepor. Por outro lado, e sendo certo que existe uma crise grave de valores, não é de todo liquido reduzir a solução desta a um maniqueismo, que só alienaria, entre os que tem Fé, e os que não tem. Por outro lado ainda e ao contrário do que se infere da prosa de Pulido Valente, pese a influência aritmérica que a Igreja Católica tem no ensino superior, pese a influência operativa implacável da Obra do Senhor, o facto é que esta influência não é orgânica, é apenas instrumental. Goste-se ou não, a Igreja, no Portugal presente, é - apenas - mais um lobby, que é preciso respeitar, nem mais, nem menos. Mais, se a ideia da Hierarquia Católica é (é mesmo?) moldar, ou condicionar, o que quer que seja através da Universidade Católica, então é forçoso afirmar que esta tem sido um rotundo fracasso, e Não é preciso ter ido a uma qualquer festa da Católica para o confirmar. A tropa que sai da Católica, na sua maioria, poderá não ser de esquerda, mas o culto da eficácia, do sucesso, do liberalismo cego e atroz, de um certo fatalismo calvinista, não vai nada, nada mesmo, com a doutrina social da Igreja muito menos com ideologias. Vasco Pulido Valente só tinha a ganhar, de quando em vez, se parasse de separar o mundo, e a vida, em gavetinhas estanques e contíguas. Se olhasse de uma só vez para a mobília toda, e como um todo, talvez descobrisse um outro país. Ganhava ele, ganhavamos nós.
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Publicado por Manuel 14:48:00 3 comentários Links para este post
Habituem-se...
O Governo vai criar uma base de dados genética de identificação civil que abrangerá toda a população portuguesa e que será utilizada na investigação criminal. Ou seja, actualmente cada cidadão tem a sua impressão digital num arquivo central, a partir daqui também o perfil genético será incluído numa base de dados, para ser comparado com amostras biológicas recolhidas nas cenas de crime.
Esta proposta - um modelo que não é usado em nenhum país europeu- está a gerar forte discussão nos meios científicos, académicos e judiciais sobre os critérios de inclusão de pessoas numa base deste tipo. Há quem defenda que nesta seja apenas incluída informação sobre condenados, há quem receie a ausência de confidencialidade e o acesso ilegítimo dos dados.
Do gabinete do ministro da Justiça garantiram ao DN que este é um "objectivo a cumprir nesta legislatura" e é mesmo "uma das primeiras prioridades" da acção governativa, estando já Alberto Costa a trabalhar no assunto.in DN
Havemos de voltar ao assunto.
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Publicado por Manuel 13:27:00 3 comentários Links para este post
Devido ao rigoroso Inverno, e na sequência da precipitação ocorrida em Outubro de 2004, e face aos padrões normais de chuva que ocorrem em Novembro, Dezembro e Janeiro, alguém ordenou, que as barragens portuguesas efectuassem na primeira semana de Novembro, fortes descargas da água armazenada.
Ora, como em Novembro, Dezembro e Janeiro, não choveu, as barragens rapidamente entraram em quotas mínimas. A verdade é que na primeira semana de Novembro, nenhuma barragem portuguesa se encontrava acima da quota máxima, sendo por isso um péssimo acto de gestão, as descargas efectuadas. A menos que por questões "eléctricas" tal se tenha verificado.
A única barragem que decidiu não seguir as instruções - barragem de Montargil - ostenta hoje um nível da sua capacidade acima dos 50%.
Portugal, receberá certamente um prémio por esta boa prática de gestão de recursos hídricos.
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Publicado por António Duarte 12:25:00 1 comentários Links para este post
vergonha
à atenção do Prof. Freitas do Amaral, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Não há desculpas, ou também vai haver ?
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Publicado por Manuel 12:13:00 0 comentários Links para este post
a TV que temos...
SOS no triângulo das Bermudas por Eduardo Cintra Torres.
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Publicado por Manuel 10:41:00 0 comentários Links para este post

A hummingbird flies in a garden of Mexico City. (AFP/Omar Torres)
Publicado por Manuel 8:05:00 0 comentários Links para este post
peditórios, e peditórios...
aqui está uma óptima ideia para recolher fundos para combater o déficit... Por outro lado 6 milhões de portugueses são capazes de pagar, concerteza, para manter as coisas como estão no Futebol Clube do Porto.
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Publicado por Manuel 6:10:00 0 comentários Links para este post
Pura Luz Pensante
Tudo é tudo ou quase tudo
e nada é a mesma coisa.
Na realidade são tudo coisas indiferentes.
(Imagens...Imagens...Imagens...)
É este o caminho da Inocência?
Existe tudo e a aparência de tudo. (Imagens...)
Totalmente tolerante é
a matéria metafórica da infância.
Tenho que tornar a fazer tudo,
a emoção é um fruto fútil, a pura luz
pensando dos dois lados da Literatura.
Aqui estão as palavras, metei o focinho nelas!
Manuel António Pina, 1978
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Publicado por Manuel 4:40:00 0 comentários Links para este post
"Isaltino Morais ensina cidadãos a serem bons autarcas"
O PSD vai organizar o primeiro curso de formação de autarcas, sendo o objectivo «incutir cidadania nas pessoas». Já se encontram inscritas 125 pessoas na iniciativa organizada pelo PSD de Cascais e as portas estão abertas a todos, mesmo os que não são «laranjas». O presidente secção de Cascais, Carlos Carreiras acha que a «incompetência pode causar tantos prejuízos numa autarquia como a corrupção». E acrescenta que «quantos mais cidadãos estiverem envolvidos, mais se consegue evitar o risco de entrar na corrupção ou na incompetência». (...) O curso, que vai decorrer durante quatro sábados nos meses de Abril e Junho, contará com a participação de alguns oradores de relevo. Entre eles, destacam-se os nomes de Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Mota Amaral, António Borges, Isaltino Morais e António Capucho.
in Portugal Diário
Um destes dias ainda vamos ver o dr. Lopes a dar um curso de formação par futuros candidatos a primeiro-ministro, ou o dr. Jardim a palestrar sobre etiqueta e boas maneiras, ou ainda, já agora, António Preto como coordenador de um curso sobre a circulação manual de capitais corados no espaço da União Europeia... Mas, se o Dr. Isaltino "serve", até fizeram um simulacro de referendo que está na moda, para recandidato à Câmara de Oeiras (serve ?, serve mesmo ?) porque é que não há-de servir para palestrar num curso destes ? Afinal o sucesso, a eficácia, são cegos, não é ?... Se calhar são mesmo.
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Publicado por Manuel 2:59:00 0 comentários Links para este post
salon.com
"How Paul Wolfowitz can save the world"
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Hardheaded, passionate and conservative in the old-fashioned sense, Jeffrey Sachs' new book could -- but probably won't -- show the next head of the World Bank how to end global poverty. [ler aqui]
Publicado por Manuel 2:20:00 0 comentários Links para este post
"resumos" sumários...
Suponho que o New York Times não é um perigoso e reacionário orgão de informação da direita religiosa e ultramontana americana. Aqui fica uma peça, mais uma, sobre a questão Schiavo, a história triste de um ser que por estes dias, e em nome da humanidade (!), morre (porventura de novo) à fome. Nada, claro, que vá abalar as certezas absolutas de quem já tomou posição, ou se abstém de tomar. A comunicação social, com os seus resumos, já decidiu. O problema é se, um dia, algum de nós for o sujeito de um destes "resumos", arbitrário, simplista, utilitarista e subjectivo, e nós o objecto de um desses julgamentos sumários. Às vezes ler Brecht fazia jeito, porque não acontece só aos outros.
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Publicado por Manuel 1:48:00 0 comentários Links para este post
josé freire antunes, deputado do psd eleito - ainda não deve saber como - pelas listas do porto, foi número dois (!) em substituição de pôncio monteiro, também vai apresentar uma moção ao próximo congresso do psd. «caso surjam dois ou mais candidatos nas áreas do centro e da direita, o psd promoverá um referendo interno, tendo por universo os seus 133 000 militantes, para decidir qual o candidato a apoiar», propõe o historiador na sua moção, hoje divulgada, avançando com a data de 1 de setembro para a realização da consulta. é a tentativa manifesta de guterrização do psd, quando não se tem ideias, chuta-se para canto, um demite-se de tomar, e assumir, decisões, neste caso propõe-se um referendo. e já agora que tal uma sondagem primeiro para ver quais os nomes adequados ao tal referendo ? patético.
uma última nota ainda sobre freire antunes, e aquele outro autarca em part time de ourique - não consta que as culpas da sua entronização como deputados da nação possam, em bom rigor, ser todas assacadas ao dr. lopes. e, não podendo, há por aí alguns neo-reformistas a quem só ficava muito bem um mea culpa.
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Publicado por Manuel 0:41:00 2 comentários Links para este post
Só Vós sois o Santo
Domingo, Março 27, 2005
Está na moda colocar em dúvida o carácter sobre-humano de Jesus Cristo. Há até um livro com um código dos vencedores de um concurso da eurovisão em 1989 que vendeu mais que alguns rolos de papel higiénico sobre a temática. O único comprovadamente divino é Santana Lopes, o político que ressuscitou da morte política ao leme da Câmara Municipal de Lisboa.
Glória a Pedro nas alturas,
e paz na terra às mulheres
por Ele amadas.
Senhor Pedro, Rei das Noites,
Pedro Pai Todo-Poderoso,
nós Vos louvamos,
nós Vos bendizemos,
nós Vos adoramos,
nós Vos glorificamos,
nós Vos damos graças,
por Vossa imensa glória.
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Publicado por Nino 23:12:00 1 comentários Links para este post
anda-se a falar, e a disparatar, muito a propósito da (re)fundação da direita. confesso-me francamente optimista. uns já foram alegremente incenerados nas urnas, outros, que a elas sempre fugiram, por demasiado nobres para irem a votos, suicidam-se com pompa. pelo meio tombam alguns justos, iludidos, azar. outros ainda agora tem oportunidade de mostrar o que realmente valem...
pelo meio fala-se de carisma, e da falta dele. é um erro de amador e de principiante, mais, sinal de pura ingenuidade. a direita não quer saber do carisma, este aliás não se tem, antes se conquista, a direita respeita, isso sim, é quem tem autoridade, autoridade para falar, para mandar, para decidir, para arriscar e sobretudo para pensar pela própria cabeça. e essa autoridade, e esse respeito, também se conquistam, não se apregoam.
uns anitos longe do poder vão fazer milagres. por agora é o tempo dos cordeiros. boa páscoa
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Publicado por Manuel 17:07:00 0 comentários Links para este post
EM PAZ
Deve andar por perto o congresso do PSD. As coisas chegaram a um ponto tal que, apenas três anos volvidos sobre o poder "absoluto" de Barroso, o Pombal - parece que é aí que tem lugar o conclave - recebe um ex-fulgurante Santana Lopes e duas figuras menores da nomenclatura partidária para disputar a liderança. Aquele que ainda há um ano era o partido do poder, chega ao Pombal envergonhado e reduzido praticamente a escombros às mãos de uma combinação entre dois "amigos de Peniche", Santana e Barroso. É difícil ter sido tudo tão mau em tão pouco tempo. Agora, na tentativa infantil de "dar uma volta a isto", os "intelectuais orgânicos" da direita querem "refundá-la". Já apareceu o inevitável mito Borges, acompanhado por uma rapaziada comprometida com todos os passados verosímeis e inverosímeis do PPD/PSD. Os "comentadores" tecnocratas e os tais intelectuais orgânicos conseguem ver em Borges o que ele manifestamente não tem: densidade política. E empurram o vazio que ele representa para a frente como se dali viesse, agora ou daqui a uns anitos, a salvação. O que se salva é que aparentemente Borges tem a noção daquilo que vale e deixa a coisa para "profissionais", leia-se Marques Mendes. Ele, modesto, limita-se a "marcar posição" com o seu pequeno rebanho de "zés-sempre-em-pé". No meio desta trapalhada "refundadora", os inimigos de estimação de Cavaco Silva - a tal "intelectualidade orgânica" - persistem em arrastá-lo para esta lama. Volta não volta, enchem a boca com o seu nome, ora na defesa hipócrita da sua candidatura presidencial, ora contra ela. Se alguém terá de se arrastar atrás da candidatura de Cavaco é esta indigência política e nunca o contrário. Cavaco já voa por cima desta miséria há muito tempo e jamais se comprometerá com ela. Não esperem de Cavaco qualquer gesto "federador" de desgraças alheias. Podem esperar sentados os que pensam que a risível "refundação" da direita virá do palácio de Belém. Cavaco terá legitimamente mais que fazer e suspeito que não lhe desagradará a parelha com Sócrates. Borges e tutti quanti podem continuar entretidos com os jogos florais que animarão o PPD/PSD nos próximos tempos. O PP nem sequer entra nesses jogos, desfeito no incómodo de partido unipessoal. Em suma, Sócrates, para nosso bem, pode governar em paz.
in Património
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Publicado por Manuel 15:54:00 0 comentários Links para este post
A bitola valente
Sábado, Março 26, 2005
O habitual Pulido Valente escreve hoje no Público ( aproveitar a ligação enquanto é tempo…) uma crónica excruciantemente pascal.
Sob o pretexto circunstancial da sucessão da liderança no PSD, expõe uma paisagem de gólgota, no panorama das elites políticas com imagem pública e apetência de mando em Portugal.
Vai ao fundo do cálice e bebe a última gota, ao sintetizar numa “indigência mental devastadora e lúgubre”, a nossa inteligentzsia com vocação de poder. Encerra num saco de plástico a imitar a linhagem antiga, um António Borges, uma Leonor Belza, um Rui Rio, um Aguiar Branco e outros, incluindo um tal Jorge Bleck que diz não saber quem é, mas seria bom conhecer para melhor entender o nosso panorama económico-político-social… e como cobertura caramelizada em bolo de supermercado, fora de prazo, o próprio Cavaco!
Argumento base...
Cavaco inaugurou a estirpe dos políticos que não conheciam Portugal: a história, a sociedade, a cultura. Estes de agora só vão até ontem. Antes de Cavaco o país não existia e hoje só existe como abstracção estatística.
E para o retrato ficar mais nítido, acrescenta-lhe os tons sombreados do relevo:
De onde vêm eles? Que tradições representam? Quem os recomenda e apoia fora do pequeno mundo em que circulam? Ninguém sabe. Aconteceu o mesmo com o Compromisso Portugal e o Portugal Positivo. Um certo sucesso, uma certa competência e muita "modernidade" saloia chegaram para convencer personagens dolorosamente modestas da sua importância e lucidez.
Percebe-se o intelectual Pulido: antes dos Cavacos e dos Borges, já o Vasco Valente escrevia livros, crónicas e antes até participava em mesas-redondas patrocinadas pelo Expresso e pelas revistas da modernidade nascente, perorando inteligentemente sobre as idiossincrasias da pátria.
Os seus livros rezam alguma história do séc. XIX, sobre personagens obscuros e tiragens insignificantes.
Há um compêndio de crónicas Às Avessas da Assírio & Alvim de 1990 e que se lêem de um fôlego, de tão leves que são. Há um artigo, em 25 páginas, assim a modos de ensaio, publicado no nº 2 da revista K, de Novembro de 1990, sobre Marcelo Caetano e que começa assim: “ Já do Brasil, Marcello Caetano escreveu a Veríssimo Serrão que “não tinha nascido em berço de ouro como Álvaro Cunhal”, “filho de um advogado com nome e dinheiro” nem tinha sido um “menino rico” como Soares, cujo pai “se incumbia” de trabalhar por ele.”
As suas crónicas na revista Grande Reportagem, (dirigida por J. M. Barata Feyo), de meados dos anos oitenta, são um compêndio abreviado de história da cultura literária e portuguesa, de bolso, e até dos políticos que fomos tendo.
Para exemplo proveitoso, ficam aqui excertos escolhidos de uma crónica scannerizada dessa Grande Reportagem de 29 de Março a 4 de Abril de 1985, intitulada "Os políticos e a história"...
Nos últimos anos, como toda a gente, perdi horas sem fim a discutir as miudezas de carácter, de temperamento, de educação e de estilo dos grandes e pequenos príncipes que nos pastorearam. Discuti, evidentemente, Eanes, Sá Carneiro, Soares; o que, com alguma bondade, talvez se desculpe. Mas devo comessar que não fiquei por aí. Movido por uma estranha perversidade, cheguei a preocupar-me com personagens tão intimamente insignificantes como Balsemão ou Lucas Pires, Eurico de Mello ou Helena Roseta.
Atribuo em parte esta aberração ao facto de os conhecer e à circunstância infeliz de se me ter metido na cabeça, por razões inteiramente misteriosas, que me competia salvar a Pátria com as minhas mais do que duvidosas luzes, o que me obrigou durante uns meses a observar os colegas de ofício. Gostaria, no entanto, de alegar uma atenuante. Sendo profissionalmente um historiador da política, senti a seguir ao 25 de Abril uma irresistível tentação de ir ver e escarafunchar (em espírito, claro) esses curiosos animais que me ocupava a estudar, com o consentimento de instituições respeitáveis como universidades e institutos de investigação científica. Admito que não se trata de uma reacção natural. Privo com altos académicos que produzem tratados sobre anarquistas e operários vidreiros e que nunca cometeram o excesso de os atrair à sua intimidade. Desgraçadamente, a reserva não é o meu forte.
Com estratagemas que, por pura modéstia, me coíbo de qualificar, introduzi-me na presença do meu objecto de estudo, cheio de nervosismo e de palpitações. Como seriam eles em carne e osso? Que heroicidades ou malvadezas se praticariam por trás daquelas portas guardadas por polícias, contínuos e secretárias aterrorizantes? De que é que eles falavam? Suponho que há excêntricos americanos que se precipitam com a mesma voracidade sobre os papuas e zoólogos que ambicionam coabitar com orangotangos. O amor da ciência conduz a tudo.
Gastei, assim, esforços, energia, zelo e ternura, em quantidades extravagantes, a examinar os políticos. Ao contrário das noções correntes - e até das minhas em momentos de especial irritação - achei-os geralmente honestos, cumpridores e um pouco patéticos. É que invejados, exaltados, vilificados, gloriosos ou abjectos, eles sofrem sempre de uma aflição ignorada, irremediável e horrivelmente dolorosa: só existem enquanto são e só existem por ser.
(...)a biografia não pertence à tradição portuguesa. Garanto aos incrédulos que não encontrei de 1974 para cá nenhum político que conhecesse o nome e, muito menos o papel histórico, de dez primeiros-ministros do século XIX. Para minha surpresa, esta simpática ignorância não os inquietava. Da gente que conheciam, aliás, tinham as opiniões da historiografia jacobina ou de Oliveira Martins. D. João VI, um dos mais subtis e pertinazes diplomatas do seu mundo, era um imbecil. D. Pedro IV, que criou o Brasil independente e unido e conduziu uma guerra revolucionária em Portugal, era um carroceiro e um vaidoso. Palmela, que sustentou a causa liberal na sua pior crise e contribuiu para fundar a estabilidade da «Regeneração», um habilidoso e um agente inglês. Passos Manuel, que, lacrimejando, jamais percebeu o que queria, um democrata e um patriota. Costa Cabral, que pôs em pé o Estado liberal, um corrupto e um ditador. Fontes Pereira de Melo um engenheiro obtuso que fazia estradas. E por aí adiante.
O que me intrigava, o que me intriga, nas extraordinárias ideias que precedem não é a incrível perenidade da asneira. É uma coisa bem mais perturbadora: se eles pensam aquilo dos outros, que será que eles pensam que vão pensar deles?
Passaram vinte anos! Vasco Pulido Valente não mudou, aparentemente, um parágrafo do que então escrevia! Coerência?! Sem dúvida! Mas que raio é que lhe adiantou andar a escrever crónicas, e livros a recolhê-las, se no final de contas, as “elites” não só não mudaram como se abastaram ainda mais, ao ponto de se tornar visível e imponente a “indigência mental” com que lhes afinfa a preceito?
Terá razão VPV?! Ao falar de Borges como um incapaz de distinguir a gestão de um país, da gerência da Goldman Sachs, por ignorância endémica de humanidades e de história pátria do séc. XIX, estará o iconoclasta-mor a ser justo e – mais importante!- saberá ele o que diz?!
Aqui há uns tempos, o historiador, antigo ministro da Educação e adepto confesso do salazarismo, Hermano José Saraiva, dizia que Cavaco tinha sido “um bom gerente”, corrigindo a anterior afirmação de que tinha sido “um pobre diabo”. Percebe-se de algum modo o que o ressabiado Saraiva queria dizer: as elites não são o que eram - e dantes eram melhores! E ele tem saudades desse tempo. Subscrevo, do alto da minha ignorância, tal afirmação, que empiricamente me parece certeira, mas duvido da sua justeza.
Borges, Beleza, Mendes, Aguiares e C.ª são medíocres?! Por qual bitola?
A da competência técnica em lidar com assuntos de contas, números e estatísticas? Aí, não me parece que o VPV tenha razão e antes me parece que lhe falha a ele, essa competência analítica que é muito concreta e essencial.
Faltar-lhes-á, a esses novos pretendentes do poder político, a visão histórica, a cultura humanística e os conhecimento sólido da sociologia ministrada nas salas do Instituto? Pois faltará. Será essa falha, o impedimento fatal para a excelência? Duvido.
É que isso não falta a VPV. Nem falta a António Barreto, por exemplo. Nem a um José Adelino Maltez, um dos poucos que me parecem perceber estas subtilezas da mediocridade ambiente.
Não faltará ainda a outros comentadores de jornal de fim-de-semana. Isso adianta para quê?! Ora! No fim de contas, tudo somado, adianta para escrever crónicas de escárnio e mal dizer. E os visados passam, na caravana, sem sequer se aperceberem do ruído.
No entanto, são preciosas essas crónicas! Porque é essencial, esse ruído! É calibrador do viver democrático e fundamental para a mudança, se se agregarem em massa crítica.
O bom é inimigo do óptimo e, neste caso, ainda nem chegamos ao bom. Parámos, por uns anos, na mediocridade...e há quem nos avise, do alto do farol.
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Fado na estrada
Para inglês ver, o novo código da estrada entrou em vigor há escassas horas. Para português sentir, na carteira ou atrás das grades, somente dentro de três meses. Entretanto, as mortes e os estropiamentos diários processam-se em obediência a um destino inexorável, que António Patrício sintetizou:
Somos navegadores pr’além da morte
Temos a Índia eterna da saudade
Rumando para sempre a nossa sorte.
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O cristão velho
Sexta-feira, Março 25, 2005
A candidatura de Luís Filipe Menezes postula que os delegados ao congresso do PSD não necessitam "de nenhum cristão-novo para lhes apontar o caminho", numa alusão clara a António Borges, que vaticinou a vitória de Marques Mendes. Cinco séculos depois, o anti-semitismo não foi erradicado em Portugal, caro Nuno Guerreiro.
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Publicado por Nino 21:57:00 0 comentários Links para este post
Revelação
O blasfemo CAA assumiu que um cristão não pode ser de direita:
«Um esquerdista é um fulano que não entende muito bem o que é isso da «Lei da Oferta e da Procura». Acha que os problemas sociais nada têm a ver com tal lei e que tudo se resolve com carinho e dedicação à humanidade»[João Miranda]
A asserção é fantástica e concordo plenamente.
Mas suscita-me a seguinte dúvida:
- E a doutrina social da igreja, quanto a esta questão em geral, difere em algum aspecto do que pensa o referido "esquerdista"???
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Epidemia
Durão Barroso e António Guterres podem vir a permanecer de quarentena por suspeita de terem contraído febre hemorrágica, de acordo com um comunicado da Direcção-Geral de Saúde. Suspeita-se que o vírus de Marburg se aloje nos interstícios da cadeira de primeiro-ministro, provocando febre de poder e sangria para o estrangeiro.
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Férias, feriados e faltas...de senso!
O primeiro ministro do Governo que temos, anunciou na AR que as férias judiciais de Verão, seriam reduzidas para metade, e conta-se que a medida seja para entrar a vigorar já no próximo ano.
Assim, em vez de 15 de Julho a 15 de Setembro, o período de férias judiciais de dois meses, serão reduzidas para… metade!
Primeiro problema - o mês de férias que passar a vigorar como lei geral, vai ser definido? E quem vai escolher esse mês, naturalmente entre Junho e Setembro?
Segundo, terceiro e seguintes problemas...
A ideia do Governo, aparentemente, será a de assimilar as férias judiciais às dos demais funcionários públicos e por via travessa, acantonar a magistratura e os funcionários dos Tribunais, num pan-funcionalismo agregante ao restante funcionalismo público, amarfanhando e subjugando as páginas de todos os capítulos do Título V da Constituição (e talvez do VI que se refere ao trib. Constitucional…) aos artigos do título IX que se referem ao estatuto da Função Pública.
Vital Moreira já vituperou os privilégios e em nome de uma igualdade com “ os demais servidores públicos”. “A redução das férias judiciais é justa e só peca por defeito. Não há razão nenhuma para que os tribunais estejam encerrados durante tanto tempo -- se é que se justifica o seu encerramento de todo em todo (sobretudo tendo em conta a morosidade da nossa justiça) -- e que os agentes do sistema de justiça tenham na pratica mais férias do que os demais servidores públicos. “
Além disso, “A Administração pública não deve confundir-se com um conjunto de feudos ministeriais.”
Assim, vamos lá a ver esses privilégios, mesmo sem atender a outros privilegiados, e menos ainda a OUTROS, nada privilegiados no seu direito a pelo menos três meses de férias! Vamos então analisar essa lógica niveladora e a amálgama de preceitos constitucionais.
O Regime Jurídico das Férias Feriados e Faltas da Função Pública-Decreto-Lei n.º 100/99 de 31 de Março- Artigo 2.º, consagra
Direito a férias:
1 - O pessoal abrangido pelo presente diploma tem direito, em cada ano civil, a um período de férias calculado de acordo com as seguintes regras:
a) 22 dias úteis de férias até completar 39 anos de idade;
b) 23 dias úteis de férias até completar 49 anos de idade;
c) 24 dias úteis de férias até completar 59 anos de idade;
d) 25 dias úteis de férias a partir dos 59 anos de idade.
A marcação das férias, também não é assim “à balda”!
No artigo 5.º diz-se que...
1 - As férias podem ser gozadas seguida ou interpoladamente, não podendo um dos períodos ser inferior a metade dos dias de férias a que o funcionário ou agente tenha direito.E agora talvez seja altura de chamar a atenção para os imensos privilégios que decorrem da Lei n.º 44/96 de 3 de Setembro que criou 50 tribunais de turno.
2 - Sem prejuízo dos casos de conveniência de serviço devidamente fundamentada, não pode ser imposto ao funcionário ou agente o gozo interpolado das férias a que tem direito.
(...)
7 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, aos cônjuges que trabalhem no mesmo serviço ou organismo é dada preferência na marcação de férias em períodos coincidentes.
(..)
Artigo 8.º
Gozo de férias
Salvo nos casos previstos no presente diploma, as férias devem ser gozadas no decurso do ano civil em que se vencem.
Artigo 9.º
Acumulação de férias
1 - As férias respeitantes a determinado ano podem, por conveniência de serviço, ou por acordo entre o funcionário ou agente e a Administração, ser gozadas no ano civil imediato, seguidas ou não das férias vencidas neste.
2 - No caso de acumulação de férias por conveniência de serviço, o funcionário ou agente não pode, salvo acordo nesse sentido, ser impedido de gozar metade dos dias de férias a que tiver direito no ano a que as mesmas se reportam.
3 - A invocação da conveniência de serviço deve ser casuística e devidamente fundamentada.
No que se refere aos funcionários judiciais, o Artigo 85º
Direito a férias e a dias de descansoOra bem, resulta daqui o seguinte: os funcionários judiciais, - e os magistrados - não podem ficar com menos privilégios, como será de inteira justiça- como funcionários públicos, têm direito a férias! E férias seguidas, de preferência! Pelo menos, -sempre pelo menos que é para vincar os privilégios…- serão 22 dias úteis!
1 - Os funcionários de justiça têm direito, em cada ano civil, a um período de férias igual ao previsto no regime geral do funcionalismo público, acrescido de tantos dias de descanso quantos os de prestação de serviço em dia de descanso semanal, complementar e feriado, designadamente em secretarias de tribunais de turno, relativos ao ano anterior.
2 - O período de férias e de dias de descanso deve ser gozado, ainda que interpoladamente, durante o período de férias judiciais, em especial as de Verão.
(...)
Se o serviço de turnos habitual, permanente e corrente, durante o ano, implicar para cada um dos funcionários e magistrados, o acréscimo – vamos lá fazer um cálculo muito por baixo, por causa dos privilégios…- de cerca de 10 dias, esses dias, deverão ser gozados como férias e que acrescerão aos tais 22 dias úteis.
Como naturalmente, o Governo em nome daquele princípio da igualdade que Vital Moreira também acha uma medida justa e que “só peca por defeito”, vai fixar um mês de férias para os agora privilegiados, pergunta-se onde é que o Governo; o ministro Alberto Costa e Vital Moreira , como bravo extintor de privilégios, vão desencantar os dias úteis, durante o período de férias, para serem gozados pelos privilegiados que trabalham em turno durante o ano?!
Não quererão retirar-lhes direitos fundamentais, pois não?! Nem quererão ser acusados de, em nome da igualdade, gerarem novas e mais gravosas desigualdades para trabalhadores da função pública, pois não?!
O universo dos visados pelo serviço de turno é extenso… e parece-me bem que os privilegiados de agora vão ter argumentos para brandir numa discussão pública sobre estas matérias. Argumentos que até agora não vi que fosse utilizados, mas que me parecem bem pertinentes.
É claro que o Governo no seu conjunto e particularmente o esclarecido ministro da Justiça, já pensaram nestes problemas; senão, como se poderia pensar que o primeiro ministro tenha sido tão lesto no anúncio da medida?!
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Publicado por josé 18:11:00 3 comentários Links para este post
Mais vale um mau subsídio do Estado que um bom seguro privado
Parte dos subsídios concedidos nos anos transactos aos agricultores em apuros converteram-se milagrosamente em viaturas e vivendas. Este ano, milhares de animais estão a sucumbir à fome e à sede. Seja solidário. Contribua para minorar a catástrofe. Adopte uma ovelha.
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Publicado por Nino 16:01:00 0 comentários Links para este post
O melros e as carriças
No Expresso de hoje, em página recuada do suplemento Guia, a seguir à "agenda", pode ler-se esta crónica...
Miguel na terra dos novos santos populares
A voz, ainda impúbere, pairava acima do feminino e do masculino. As palavras eram simples, ingénuas, retiradas da espuma de que são feitas as canções. O timbre podia definir-se como angelical, mas sem a limpidez casta que se encontra no canto coral - talvez por causa da adstringência do gueto e pela vibração do Gospel nas igrejas Baptistas.
Ouvi-a pela primeira vez no “Página Um”, o programa do José Manuel Nunes. Parecia cantarolar na imensa soleira da infância, "I´ll be there", "I´ll be there", mas era já a voz dos Jackson Five, uma das muitas bandas negras geradas na Tamla Motown, essa editora de brancos que forjou a música Soul, que, dizem os entendidos, é apenas o Gospel erotizado.
Michaell Jackson não esfolou os joelhos na infância a andar de bicicleta ou a jogar basquetebol.
Passou-a em estúdios, à frente de microfones pasmados com o seu canto, em motéis, em lúgubres cafés na berma da estrada comendo «donuts», em palcos, aviões, autocarros com beliches, vigiado pelos pais, pelos irmãos, pelos «road-managers».
Foi amestrado para o sucesso, amanhado como um negócio futuro, discutido entre "managers", executivos, advogados, guardado em estufa numa Disneylândia privada, apartado do mundo para não se contaminar com a vida real, com os sonhos comuns, espécie de canário virtuoso que só pode comer painço real e alpista refinada. A sua missão era só uma: arrebatar «grammys» e discos de platina.
Os vídeos mostravam-no como um Fred Astaire negro, andrógi¬no, desarticulado de forma harmoniosa, à volta de quem se cons¬truíam lendas, como essa de so¬frer de descoloração natural da pe¬le, um caminho dec1inante do es¬curo para o claro por via duma doença estranha e exótica.
No auge da fama, a sua «entourage» adquiriu o catálogo de canções dos Beatles; e fê-lo com a naturalidade de uma poderosa multinacional de cosméticos que lança uma OPA sobre uma empresa de «batôns» que, numa certa época, protegeu a alma do mundo contra o cieiro.
Na mais pura tradição pagã, a cultura pop ergue os seus ídolos e põe-nos no lugar dos santos cristão arcaicos, tal como estes tomaram um dia o lugar dos deuses gregos romanos. Actores de cinema, cantores, guitarristas, atletas, corredores de Fórmula Um, são santcs descartáveis que num dia se cumulam de ouro, com sessenta mil círios acesos em santuários, estádios, rockódromos, e, no dia seguinte são lapidados com uma volúpia quase medieval.
As tendas do circo estão montadas para Michal Jackson. Os advogados pronunciam os seus “statements” à porta do tribunal. Os jornalistas inundam as televisões com imagens só para provar que na América ninguém está acima da lei, principalmente quando está em causa o decoro.
Ao mesmo, tempo que os marines patrulham Bagdade, a CNN serve um "zombie" de óculos escuros à massas que o adoraram e que agora agitam a gasolina para inflamar a fogueira sacrificial em que o vão incinerar. É um palhaço caído em desgraça a chegar ao tribunal em chinelos, calças de pijama às flores, com o juiz prestes a emitir com uma mão o mandado de captura pelo atraso, enquanto que com a outra, lavra um parecer a garantir a liberdade de Jay Leno poder contar piadas sobre o julgamento no seu “talk-show”.
Para não ficar atrás, o “site” do artista põe à disposicão dos membros do clube de fãs a transcrição das actas de cada sessão do tribunal, por uma quantia mensal módica e justa.
Algures num canto da memória, ouço ainda aquela voz de anjo negro a cantar “I'll be there”, “I´ll be there”. Onde?
Esta crónica de Carlos Tê é um exemplo de que a geração dos quase cinquentões que testemunharam os tempos áureos da explosão do Rock, e a imposição gradual da cultura popular no gosto comum, alimentaram o espírito com algo mais do que donuts e mac´s, servidos em doses reforçadas, em estabelecimnentos televisivos e cozinhados em escolas de facilidade.
Talvez por isso, saibam bem apreciar o sabor de um texto cozinhado à portuguesa, “com todos”, incluindo os ingredientes meta-linguísticos de luxo, raríssimos nos dias correntes e que são manifestamente desconhecidos para os RAP´s e outros Fedorentos que apesar de inegável qualidade, usam do meta-linguarejar mais rasteirinho e handicapam-se na subtileza que se aprende na prática das dificuldades e carências. Não será pior, mas é certamente diferente e diferenciável.
Carlos Tê, é um dos autores mais importantes da língua portuguesa actual e popular. Que me desculpe o MEC ( Miguel Esteves Cardoso), mas no concurso para um mundo ideal da escrita em temas populares, de canções ou de jornal, CTê ( Carlos Alberto Gomes Monteiro) vai à frente, uns passos largos .
Escreveu todas a letras importantes dos discos de Rui Veloso e escreveu um livro a que deu o título de O Voo Melancólico do Melro, publicaco na Assírio & Alvim, no início de 2000.
No dito do autor, ao DN de 9.1.2000, “ escrevi sobre algo que conhecia: uma certa atmosfera de paróquia, de clausura cultural.” É um livro sobre o silêncio dos tempos da ditadura. Um silêncio difuso e constante que até afectava os putos. Mas que preeenchia um parte da vidas das pessoas que hoje em dia se concentram no consumo de bens correntes como objectivo meritório.
A certo ponto, Carlos Tê/ Vladimiro, escreve: “A profissão que eu gostaria de exercer, se existisse, era a de inspector-geral de musgos, vadiar pelos bosques no Inverno a medir a espessura dos musgos, a campânula dos cogumelos, a voragem dos fungos por um raio de sol.”
São também desta estirpe, as letras que escreveu para as canções de Rui Veloso e é pena que as colunas dos jornais de referência tenham vindo a ser tomadas por quem não sabe distinguir uma rola de uma pomba, em detrimento daqueles que no seu tempo sabiam de cor a côr dos ovos dos melros, por os verem nos ninhos.
Aliás, agora nem precisam: vêem-nos na televisão e em anúncios, plastificados pelo Photoshop ou cromados a airbrush!
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Publicado por josé 15:53:00 0 comentários Links para este post
O fim da linha
José Bourbon Ribeiro (ex-chefe de gabinete de Paulo Portas) reactivou o blogue "O estado das coisas". Depois de tanta dedicação ao líder, Bourbon Ribeiro enfrenta de cabeça erguida, revelando coragem e firmeza nos princípios, os naturais problemas do ser humano.
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Publicado por Carlos 15:32:00 0 comentários Links para este post
análise política
Alguma fruta não é deixada amadurecer. É cortada demasiado verde, antes do tempo, com vista a ter melhor aspecto e durar mais no supermercado. O problema é que madura, madurinha é que ela é realmente saborosa. Existe pois um dilema, uma incompatibilidade entre os interesses dos eventuais consumidores da fruta, e da própria fruta, e de quem faz o comércio...
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Publicado por Manuel 15:08:00 0 comentários Links para este post
São jovens e tal e tal
Um cocktail à base de Viagra, ecstasy e Red Bull está a deixar jovens impotentes.
Espero que o governo não satisfaça unicamente as aspirações dos idosos em disponibilizar nos hipermercados e gasolineiras a panaceia para o seu reumatismo. Não faz sentido que os jovens incorram em ser assaltados e violentados, por essas brumosas ruas e vielas noite dentro, a fim de aviar uma simples receita de viagra surripiada ao avô, ou paguem uma exorbitância por umas minudências de ecstazy contrafeito, sem controlo de qualidade.
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Publicado por Nino 14:37:00 0 comentários Links para este post
Q.E.D.
O MINISTÉRIO da Agricultura emprega um funcionário por cada quatro agricultores. Luís Vieira, secretário de Estado da Agricultura e Pescas, reconhece que o número de funcionários é elevado mas diz que não está prevista qualquer redução. «Um dos combates do Governo é o da redução do desemprego, por isso não queremos nem podemos contribuir para o seu aumento», explica Vieira.
in Expresso
Política prozac, ou o retrato fiel das reformas do Eng. Sócrates...
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Publicado por Manuel 12:49:00 0 comentários Links para este post
Os pais que amam os filhos
Numa plateia de meia centena de juristas, a maioria rejubilou com a iminente utilização de embriões humanos para fins terapêuticos. É provável que venham a contribuir para a natalidade em Portugal. Alguns dos seus filhos terão nomes invulgares como Fígado, Pâncreas ou Rim.
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Publicado por Nino 8:30:00 2 comentários Links para este post
Esoterismo
Quinta-feira, Março 24, 2005
Um comentário de Lutz, sobre o aborto...
E os que nunca foram concebidos também não! Tantos potenciais seres humanos nunca chegaram a ter a sua oportunidade! Tantos esperatozoides e óvulos morrem sem chegar a concretizar o seu destino!
As ecografias durante a gravidez deviam ser banidas da medicina. É às ciências ocultas que cabe o estudo de potenciais seres humanos.
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Publicado por Nino 23:21:00 4 comentários Links para este post
Assim ia o país no dia 30 de Outubro de 1999. Marcelo, o professor que costuma deixar a excelente Ana Sousa Dias aos tremeliques, confessava-se ao Expresso: «Não tenho perfil para candidato a Belém». Note-se: o que aparentemente lhe falta não é perfil para presidente, mas para candidato… Para ter de se fazer à estrada. Cerca de cinco anos depois, mais precisamente ontem, num jantar/debate intitulado «Conversas com Marcelo», no feudo de Alberto João, que não apoia o outro professor, Marcelo lá foi dizendo: «Em função ao futuro não vale a pena fazer declarações dogmáticas e definitivas no sentido de que, eu, nunca mais vou fazer...», rematando assim: «Nunca, nunca, nunca, é difícil dizer nunca». E por que está o outro professor em vantagem na corrida para Belém? Marcelo descortina três razões: primeiro, porque «está em fim de carreira», contrariamente a Marcelo, subentende-se; segundo, porque «mostra vontade de ser candidato», diversamente de Marcelo, que não tem perfil… para candidato; terceiro, porque «beneficia de um contexto favorável devido à actual maioria de esquerda, na lógica, referiu, de que os portugueses não gostam de pôr "todos os ovos no mesmo cesto"» - o que a realidade política vem comprovando de cinco em cinco anos, como se sabe. Cristo... Páscoa, diz-vos alguma coisa? A gente ainda se vai divertir muito.
in Pula Pula Pulga
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Publicado por Manuel 19:40:00 2 comentários Links para este post
Haja esperança!
No blog Incursões, um postal assinado por Gastão, começa assim...
A propósito deste magnífico postal, glosador da recente iniciativa governamental em reduzir para um mês (!!) as férias judiciais, um comentador anónimo e que se confessa "da corporação" , escreve esta, também magnífica, peça jocosa e de espírito aberto que nos faz pensar que na magistratura nem tudo está perdido...
Férias e mais lérias...
A Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais diz assim, no seu artigo 12.º:
As férias judiciais decorrem de 22 de Dezembro a 3 de Janeiro, do domingo de Ramos à segunda-feira de Páscoa e de 16 de Julho a 14 de Setembro.
E se dissesse assim?:Não seria a mesma coisa?
- 1 - O ano judicial tem a duração de um ano e inicia-se a 15 de Setembro.
- 2 - À excepção dos períodos de 22 de Dezembro a 3 de Janeiro e do domingo de Ramos à segunda-feira de Páscoa, o período normal de funcionamento dos tribunais judiciais decorre de 15 de Setembro a 15 de Julho, sem prejuízo da prática dos actos urgentes definidos por lei.
Será que, com esta redacção, alguém escreveria, por exemplo isto?..
A redução das férias judiciais é justa e só peca por defeito. Não há razão nenhuma para que os tribunais estejam encerrados durante tanto tempo -- se é que se justifica o seu encerramento de todo em todo (sobretudo tendo em conta a morosidade da nossa justiça) -- e que os agentes do sistema de justiça tenham na pratica mais férias do que os demais servidores públicos.
Vejamos agora.
O artigo 47.º do Regimento da Assembleia da República diz assim: ( continua aqui).
Pertenço à corporação e, em consciência, tenho que concordar com a medida.
Mas queria mais:Feito em férias da Páscoa, já podre de sono, a não dizer coisa com coisa, e só para aligeirar um bocadinho o stress de não ter processos para despachar, com a esperança de que nada disto seja levado a sério por ninguém, ou, como dizia o Tacitus, com animus jocandi vel gozandi
- sujeição dos magistrados a rigoroso controle do horário, através de LPDB (livro de ponto digital bivalente), com acostagem da íris e inserção do indicador direito, à entrada e à saída;
- garantia do PTHE (pagamento, até ao tostão, de todas as horas extraordinárias);
- estabelecimento dos NMPM (níveis mínimos de produtividade dos magistrados), fiscalizando-se permanentemente o seu cumprimento, por meios informáticos adequados, e pedindo contas imediatas aos calaceiros relapsos;
- extinção do CEJ e criação da EPMA (Escola Prática de Magistrados e Advogados), onde, expurgada a dita de todo o academismo, se ministrasse, entre múltiplas outras artes e técnicas judiciárias, o ensino da língua portuguesa, com treinos intensivos no uso do algoritmo de compressão do MP3: transformação, sem perda de qualidade, de cada conjunto de 10 linhas de paleio jurídico, numa única linha de texto escorreito;
- extinção da OA e criação do EPA (Estatuto do Profissional de Advocacia), não podendo a quota máxima anual de advogados no activo exceder as 5 mil unidades, e a que só concorreriam juristas que, após frequência com bom aproveitamento do estágio na EPMA supra referida, garantissem, sob fiança, que nunca venderiam a alma ao diabo;
- fusão de todos os códigos processuais e procedimentais num só CFJ (Código das Formalidades Judiciárias), fixando-se previamente na CR que tal código não poderia ultrapassar jamais os 100 artigos, cada um com o máximo de 5 linhas e cada linha com o máximo de 10 palavras, e que só seriam admissíveis 2 formas de processo: a sumária e a sumaríssima;
- transformação de todos os prazos em prazos peremptórios e encurtamento dos mesmos para 8 dias úteis, fosse qual fosse o acto a praticar;
- criação da TMJ (taxa moderadora da justiça), com diversos escalões em função do valor da causa, ou da gravidade do crime, e da condição económica dos litigantes, aferindo-se esta de modo proporcionalmente inverso ao do valor da declaração de IRS ou IRC;
- revogação do CCJ e criação de uma TGPJ (Tabela Geral dos Preços da Justiça), a qual conteria a lista exaustiva dos actos processuais legalmente admissíveis, com indicação do preço de cada um deles, IVA incluído, e pago à cabeça, podendo a lei discriminar aqueles que, excepcionalmente, beneficiariam de comparticipação do Estado (a título de exemplo, a fórmula para calcular o preço de 1 petição, 1 requerimento, 1 despacho, 1 promoção, 1 acórdão ou 1 parecer na 1ª instância seria algo como isto: 100€ * nº de págs. elevado ao quadrado, agravando-se o preço, geometricamente, à medida que se subisse na instância (e sem dispensar, antes pelo contrário, os advogados e os magistrados do seu pagamento);
- requisitos para aceder aos tribunais superiores: saber ler e escrever; saber utilizar o computador "na óptica do utilizador"; tempo mínimo de serviço na 1ª instância, ou na cátedra de uma qualquer faculdade pública, de 15 anos; tamanho médio das peças processuais produzidas na 1ª instância não superior a 2 páginas A4 (incluindo a data e a assinatura); nº médio de citações ou notas de rodapé por cada peça processual não superior a 0; garantia, sob fiança, de não transmissão onerosa ou gratuita da alma ao diabo e de recusa da utilização de cachecóis, aventais ou de outras peças suspeitas, qualquer que seja a respectiva cor;
- criação da CD (caderneta do delinquente): o seu titular limitar-se-ia a efectuar pré-carregamentos de x anos de prisão por cada conjunto de crimes que desejasse praticar; não haveria processos nem julgamentos e o juiz limitava-se a ir carimbando a caderneta assegurando-se de que o saldo nunca ficaria deficitário (esta foi-me sugerida há anos por um ilustre Desembargador);
- venda de medicamentos nas salas de espera dos tribunais;
- coincineração de todos os processos logo que, independentemente da fase processual, atingissem as 100 folhas (capas e subcapas incluídas);
- referendo às medidas propostas neste post;
- etc.
- etc.
Haja esperança!
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Publicado por josé 16:30:00 1 comentários Links para este post
Sobre a promiscuidade entre políticos e empresas
Publicado por Manuel 16:20:00 0 comentários Links para este post
Eyes Wide Shut

Tudo, obviamente, gente crescida e, presume-se, vacinada. Por cá não há nada disto, naturalmente.
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Publicado por Carlos 0:39:00 0 comentários Links para este post
Em política é suposto ganhar-se ou perder-se, de preferência com dignidade, o que não quer dizer que seja sempre assim. Às vezes não se resiste à tentativa absoluta de K.O., ao achincalhamento e à humilhação gratuita de quem, no momento, é visto como (o) adversário. É o que acontece na edição desta semana d' O Independente em relação a António Borges... Transforma-se acintosamente uma não notícia em tema de capa. Suspeito que o Dr. Borges não deverá achar grande piada à notícia (hilariantemente mal construída aliás) mas...
... que raio terá o homem, que até nem tem estado particularmente bem nos últimos tempos (a sua ligação à não candidatura da Dr. Ferreira Leite não foi das mais felizes, como o não foram algumas das companhias), para provocar tanto temor, raiva e despeito ?
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Publicado por Manuel 23:14:00 0 comentários Links para este post

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A still nameless baby elephant plays with an Easter egg filled with fruits and vegetables in the Hamburg, northern Germany, zoo on Wednesday, March 23, 2005. (AP Photo/Christof Stache)
Publicado por Manuel 20:57:00 0 comentários Links para este post
Aborto
O referendo no qual apenas podem participar aqueles que não foram abortados.
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Publicado por Nino 20:32:00 1 comentários Links para este post
é mesmo ?
O PP apoiará, na primeira volta, e sem condições prévias, uma candidatura presidencial de Cavaco Silva.
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Publicado por Manuel 18:38:00 0 comentários Links para este post
Uma sentença
Com enfoque nos limites da liberdade de expressão.
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Publicado por contra-baixo 17:26:00 1 comentários Links para este post
Manuela Ferreira Leite - sem emenda...
A lista de delegados encabeçada por Manuela Ferreira Leite perdeu esta terça-feira a eleição na «secção F» da distrital de Lisboa contra a outra lista liderada por Luís Brito Correia. Apesar de ter garantido a presença de dois delegados no XXVII Congresso do PSD, a lista da dama de ferro saiu derrotada: o resultado final foi de 62 contra 56 votos. A derrota da ex-ministra das Finanças do governo de Durão Barroso foi «inesperada» e uma «surpresa», defendem fontes sociais-democratas contactadas pelo PortugalDiário.Mas, segundo outra fonte «laranja» contactada pelo PortugalDiário, a derrota de Ferreira Leite não tem que ver com divisões entre apoiantes de Menezes e Marques Mendes, mas com questões internas da «secção F».
Se, por um lado, Ferreira Leite apoia Marques Mendes, o segundo delegado da sua lista vai votar Menezes. Por outro, Luís Correia de Brito também é mendista e o segundo delegado da sua lista apoia Menezes.
Por um lado saúda-se a dignidade de Manuela Ferreira Leite em ir a votos nestas eleições de delegados. Outros, como ela, em tempos candidatos a candidatos, baldaram-se à última da hora porque tiveram medo de perder. Manuela não teve, o que só lhe fica bem.
Quanto ao resto, tudo é triste, tudo é fado. Vota-se no nome, no amigo, vota-se contra fulano e beltrano, vota-se pelas razões da conjuntura, não se vota no projecto, no ideal, no futuro. Em suma, é uma irresponsabilidade total e absoluta. Foi assim que o Dr. Lopes chegou aonde chegou, com a culpa a ser de todos e de ninguém.
Imagine-se agora, por absurdo, que no próximo Congresso do PSD o Dr. Menezes era eleito com um voto de diferença em relação ao Dr. Mendes, com o voto do segundo da lista da Dr.a Ferreira Leite. Que é que a Dr.a Ferreira Leite ia a seguir dizer ao país?, ela que não foi candidata porque alegou que a sua candidatura poderia potenciar uma vitória do tal dr. Menezes com resultados inimagináveis para o partido e para o país, sendo que o Dr. Menezes acabaria eleito à custa do voto de um delegado só eleito à custa do seu (de MFL) nome...
Sem emenda. Uma pena, mas as coisas são o que são.
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Publicado por Manuel 15:38:00 1 comentários Links para este post
contagem decrescente...
Mais dia menos dia os portugueses vão apanhar um susto. Vão perceber que o novo governo do Eng. Sócrates é igual, na substância, à Elsa Raposo quando esta aparece sem maquilhagem (confesso penitente que ontem passei os olhos pela quinta do Moniz na TVI)...
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Publicado por Manuel 12:52:00 2 comentários Links para este post
os limites da vida, e da decência.
Terça-feira, Março 22, 2005
A comunicação social americana tem agora um novo hit. Não se trata de um novo reality show, embora seja parecido. Em tempos uma jovem de 26 anos, Terri Schiavo, sofreu um precalço que a deixou inconsciente e mais ou menos cerebralmente morta há uma série de anos, sendo que se mantém viva ligada a um tubo que a alimenta permanentemente. Resumindo, todo o organismo continua a funcionar menos o cérebro.
O marido da senhora conformou-se, tratou de fazer nova vidinha, e defende que o tubo lhe seja retirado forçando o corpo a morrer literalmente à fome (processo que é suposto levar cerca de 15 dias) sendo que com a esposa morta se pode casar formalmente de novo e receber o pilim do seguro de vida que não será pequeno. Por outro lado os pais da jovem, que agora já não é tão jovem, querem-na ligada à máquina em regime de permanência ad eternum à espera que aconteça um milagre pondo de permeio em causa a completa e irreversível morte cerebral. Entre os desejos terminais do marido e o sonho dos pais o caso andou por variados tribunais anos a fio até que um destes dias um juiz determinou que o tubo fosse retirado. Parece que nem uma lei especial de corrida do presidente Bush vai fazer alterar o caso.
Não sendo simples, nada simples, ler o que se tem escrito por lá e por cá sobre o caso, causa alguma perplexidade. Causa perplexidade por ver o direito de posse, porque é isso que de facto se trata, a ser exercido pelo marido sobre a de facto ainda mulher. A sr.a deixou de (lhe) ser útil, será um vegetal (pese o facto de estes não rirem ou chorarem), não lhe garante qualidade de vida logo deixa-se morrer à fome. Causa perplexidade a posição de muito boa gente, presumivelmente, sensata em relação às fronteiras entre a vida e a morte, causa perplexidade o extraordinário pragmatismo discursivo sobre a utilidade humana.
Sobretudo causa temor a absoluta inumanidade subjacente a toda a discussão do caso. Eu não sei se a senhora está viva ou cerebralmente morta, tenho muitas dúvidas sobre se a posição dos pais se resume a amor filial ou se também contém doses estratosféricas de fanatismo religioso, agora o que não tenho rigorosamente dúvida nenhuma é de que é completamente desumano deixar morrer à fome por via legislativa/judicial, literalmente, um ser humano. E curiosamente este é o ângulo que ninguém discute.
Se dar uma qualquer droga para provocar uma morte rápida e serena é eutanásia, deixar a senhora secar, literalmente, durante duas semana, é o quê ? Um acto de humanismo, como apregoa o marido ? Eu não costumo perder muito tempo a pensar nestas coisas, mas há qualquer coisa nestas éticas (?) modernas que vai acabar mal... E daqui podia aproveitar a boleia e falar de Weimar. Fica para outra altura.
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Publicado por Manuel 21:48:00 11 comentários Links para este post
Por esse país fora uma série de inveterados, amantes da bola, desde Miguel Sousa Tavares a Carlos Abreu Amorim, queixam-se desalmadamente de que o Sport Lisboa e Benfica anda a ser levado ao colo para ganhar o campeonato de futebol. Talvez. Infelizmente nenhum diz que o Futebol Clube do Porto o merece ganhar. Não merece. E a partir do momento que não merece, e para qualquer bom portista, tudo o resto se torna secundário.
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Publicado por Manuel 20:39:00 2 comentários Links para este post
A inversão da pirâmide demográfica no concelho da Guarda
- 1900

população jovem com alto índice de natalidade. - 2001

população idosa sem capacidade de regeneração.
Consultar pormenores no excelente Jornal Nova Guarda.
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Publicado por Nino 20:01:00 0 comentários Links para este post
E o Belmiro a rir-se
Técnicos de farmácia querençosos de trabalhar nas grandes superfícies. De batinha branca imaculada, sempre seriam confundidos por doutores.
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Publicado por Nino 19:31:00 2 comentários Links para este post
A Polícia Judiciária e a Polícia de Segurança Pública garantem que não existe qualquer espécie de «intimidação» em relação aos bairros problemáticos dos arredores de Lisboa. A operação desta manhã, no bairro Cova da Moura, é a prova disso mesmo. Os directores nacionais das duas polícias, PJ e PSP, apareceram juntos, esta terça-feira, para apresentar a operação conjunta que resultou na detenção do principal suspeito da morte do agente Irineu Diniz, no passado dia 17 de Fevereiro na Cova da Moura. Santos Cabral, director nacional da PJ, garante que «há ainda algo a esclarecer», já que o crime terá sido cometido em co-autoria. A operação desta manhã contou com a participação de cerca de 180 efectivos da PSP e da PJ, incluindo duas forças do Corpo de Intervenção e do Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP. Magina da Silva, comandante do GOE explica que uma parte da operação, que decorreu no Cacém, «foi apenas mais uma igual a muitas outras. Procedemos à abertura da porta do apartamento, onde estavam três suspeitos, dois adultos e um adolescente, que não ofereceram resistência». No bairro da Cova da Moura, 18 buscas domiciliárias levaram à detenção de seis pessoas e à apreensão de uma caçadeira de canos cerrados, uma pistola de guerra e três armas de calibre 6.35.
Portugal Diário

O português é uma lingua traiçoeira. Mau seria se 180 agentes, em simultâneo, armados até aos dentes, se sentissem intimidados ao entrar num qualquer bairro português. Nem no Iraque. O problema não é nem nunca foi esse. O problema é que estas medidas pontuais tomadas fora de horas - porquê só agora ? - não resolvem coisíssima nenhuma. Porque o comum dos mortais continuará intimidado ao circular na área, porque é uma medida conjuntura, e sem nada de perene. Que medidas reais, concretas, vão ser tomadas para repor a normalidade ? Aumentar o policiamento ? patrulhas regulares ? fiscalização efectiva ? É isso que interessa, só isso, e não demonstrações mais ou menos balofas de poder de fogo para impressionar a comunicação social. Por outro lado não deixa de ser pitoresco o destaque dado à posse de armas proíbidas, das quais só falta mesmo dizer o número de série. Para além de a sua publicitação, e tão detalhada, urbi et orbi ser provavelmente um crime platónico de violação de segredo de justiça, parece-me a mim que o enfoque excessivo dado à presença das mesmas é de todo contraproducente. Porque coloca as forças de segurança no papel paradoxal de estarem a fazerem publicidade, gratuíta, irresponsável e infantil, aos circuitos clandestinos de tráfico de armas. Até ao fim de semana provavelmente muito membro de gangs da Amadora e arredores conheceria as GLock só dos filmes... hoje sabe que os colegas as obtiveram, e não vão descansar enquanto não obtiverem também a sua...
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Publicado por Manuel 16:50:00 2 comentários Links para este post
imigração - a queda dos mitos...
Mais de 60 por cento dos portugueses consideram que os imigrantes são fundamentais para a vida económica do país, revela o estudo «Os Imigrantes e a População Portuguesa» apresentado hoje em Lisboa. De acordo com os resultados preliminares do estudo coordenado pelo professor universitário Mário Lages, entre 2002 e 2004 «verifica-se um acréscimo muito significativo na percentagem das pessoas que reconhecem os imigrantes como fundamentais para a vida económica do país». Em consonância com estes dados, quatro em cada cinco portugueses inquiridos durante a realização do estudo admitem que «os imigrantes fazem o trabalho que os portugueses não querem». Aos olhos da população portuguesa, «os imigrantes de Leste são os que mais trabalham», tendo 70 por cento dos inquiridos considerado que essa população tem qualificações a mais para o trabalho que desempenha em Portugal. O estudo revela ainda que os portugueses têm presente que, perante o mesmo trabalho, os imigrantes recebem menos salário..
Portugal Diário
Publicado por Manuel 16:14:00 0 comentários Links para este post
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Publicado por contra-baixo 15:04:00 6 comentários Links para este post

Two Toucan birds, also known as the Ramphastos toco, rest inside a cage in the Beijing Zoo in the Chinese capital March 22, 2005. Beijing Zoo, generally acknowledged as the biggest one in China, will celebrate its 100th anniversary next year. REUTERS/Jason Lee.
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Publicado por Manuel 14:37:00 0 comentários Links para este post
Venha para cá o dinheirinho …
Aliás, no momento de aquisição das propriedades, ficou suspenso o pagamento do Imposto Municipal de sisa durante três anos, tendo em conta que as parcelas tinham sido adquiridas para "revenda".
A inviabilização da construção das frentes urbanas do Parque da Cidade impediu a negociação ou o aproveitamento urbanístico dos terrenos. Assim, a suspensão de três anos expirou em Março de 2003. O consórcio foi notificado para o pagamento de sisa, mediante a taxa de 10% aplicada aos terrenos para construção. Estas verbas, colectadas pelas Finanças, destinam-se às autarquias.
Neste caso, foram recebidas pela Câmara do Porto, que, perante o Tribunal Cível do Porto (ler caixa), defendeu que os terrenos não têm capacidade construtiva, uma vez que o Plano Director Municipal de 1993 não permitia edificação na zona e as Normas Provisórias, que substituíram o plano, são "inconstitucionais" e "ilegais".
in JN
Publicado por contra-baixo 12:25:00 0 comentários Links para este post
Cheguei atrasado ao trabalho …
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Publicado por contra-baixo 11:22:00 0 comentários Links para este post
NASSÍRIA VERSUS AMADORA O Estado português decidiu envolver-se na guerra do Iraque, ao longo de meses preparou os soldados da GNR, encomendou o equipamento adequado, fizeram-se cerimónias de despedida, os ministros visitaram o local e felizmente os nossos compatriotas voltaram sem um arranhão. Foi sorte, como em tudo na vida, mas também foi preparação e adequação dos meios e da actuação às circunstâncias. Aqui mais perto o mesmo Estado manda agentes da PSP sem preparação, sem meios, sem estratégia, de corpo aberto ao encontro de marginais melhor preparados e equipados do que alguns revoltosos iraquianos; não há dinheiro para equipamentos, vão mal armados e proibidos de dar um tiro, não ganham prémios de risco, não têm direito a visitas ministeriais nem a perus de Natal. Vão e em meia dúzia de dias morreram três jovens cujas famílias vão ser entregues à sua sorte. Para ficarmos bem aos olhos de Bush até soubemos fazer as coisas, para cuidar da integridade dos nossos polícias é o que se vê. Podem morrer porque daí não resulta a queda de nenhum governo. É triste, não é?
in Jumento
Publicado por Manuel 0:50:00 4 comentários Links para este post
"Acção Socialista" - edição especial...
... é o que parece a edição desta terça-feira do DN. António Ribeiro Ferreira, babado, até acha que Sócrates nem é de esquerda e que "entrou a matar no debate do programa do Governo e deixou a esquerda estatista, conservadora e retrógrada em verdadeiro estado de choque ao afirmar que o mercado e a concorrência são duas prioridades absolutas da política económica". Quanto a Luis Delgado, fulminado, diz que "este PM poderia muito bem estar no centro-direita, porque a maioria das medidas que agora explicitou são tipicamente desse espectro político e, mais, de um pragmatismo que tradicionalmente distingue a esquerda da direita." Infelizmente, não me parece que algum tenha razão. Mas percebo-os. Santanistas ou portistas empedernidos ainda há bem pouco, comissários, por feitio e vocação, reveêm-se na eficácia, na superficialidade, na "simplicidade", nas generalidades debitadas. Sócrates é na prática o que o Dr. Lopes seria na teoria - o sabonete perfeito. Num ponto Delgado tem razão - "nenhum partido, tirando o que sectorialmente pode advir de um debate mais concreto, conseguiu atrapalhar Sócrates". Está na altura de aprender a fazer verdadeira oposição.
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Publicado por Manuel 0:21:00 1 comentários Links para este post
POSE O dr. Portas, agora na modesta qualidade de deputado da nação, abandonou o seu ar empertigado de homenzinho de Estado, para voltar a dar lugar ao truculento Paulo Portas doutros tempos. Lançou uma diatribe contra o ministro dos negócios estrangeiros que o deixou manifestamente contentinho. O "tom" a que recorreu representa a sua verdadeira "pose". A outra, a dos últimos três anos, muito lhe deve ter custado a aguentar. Como diria o "nosso" Pacheco Pereira, quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré.
in Património
Publicado por Manuel 23:58:00 0 comentários Links para este post
Porque hoje (também) é dia da mulher
O processo de vitimização pessoal é um processo curioso pelo qual de resto, e por motivos muito pessoais, nutro um certo deslumbramento desdenhoso. Nutro no entanto, e com o mesmo vigor, as mesmíssimas sensações pouco cordiais relativamente às mulheres que se arvoram em superiores a todas quanto, pelos mais variados motivos, cuidam de forma preocupada da sua aparência e do seu corpo. Porque, se deste lado se escondem as vaidades, a tentativa de agradar e atrair o macho, preocupações de resto milenares e co-partilhadas com os restantes animais, do outro, escondem-se tantas vezes as inseguranças, a falta de auto-estima, os traumas relacionados com um corpo pouco atractivo, por mulheres frustradas e que, pouco crentes na sua feminilidade, escamoteiam a sua verdade por detrás de uma atitude supostamente intelectual, arrogante e desleixada.
Hoje é dia da mulher. Celebrem-se as conquistas do direito ao voto, do direito ao trabalho, da assistência na maternidade, da assistência e acompanhamento às vítimas de violência doméstica mas não a masculinização da mulher. É que eu cá gosto de andar arranjada, perfumada, depilada, de usar lingerie sensual, gosto de ser desejada pelos meus parceiros e por mim própria. Sejamos francos, ser-se um objecto sexual não é só para quem quer mas também (e ai que inveja...) para quem pode! Quanto a mim, continuo a conseguir pensar mesmo de salto alto...
Bastet in Sol&Tude
Publicado por Nino 22:44:00 1 comentários Links para este post
"fulminante", ou de como o "choque tecnológico" se transforma afinal num mero frete aos grandes empreiteiros de obras públicas...
Sócrates foi fulminante na Assembleia. Há anos que não via um primeiro-ministro tão afirmativo, esclarecido, seguro do caminho, disposto a trabalhar.Quanto à parte do "como vai ele convencer privados nacionais e estrangeiros a investir 20 mil milhões em auto-estradas, aeroportos e coisas do género" é simples. Impostos. Porque quando se fala em privados, se fala em vinte mil milhões de €uros, ou se está a falar de coisas como portagens ou de miragens como SCUTS. Um primeiro ministro a sério diria simplesmente que não havia dinheiro para tudo e que portanto seriam definidas verdadeiras prioridades, faria a triagem entre o essencial e o assessório, entre o necessário e imperioso e o desejável, mas como até estamos em ano de autárquicas, como certos lobbies adoram grandes e faraónicas obras públicas, como estas são uma forma de manter o desemprego artificialmente não muito alto e injectar - algum - dinheiro na economia tivemos o anúncio de hoje. Não se aprendeu com a Expo/98 (que iria dar lucro lembram-se), com o Euro/2004 (cadê os resultados) e continua sem se apreender. Afinal é infinitamente muito mais díficil dizer que não, estes anúncios fulminantes - a expressão não é sequer minha - soam melhor. E depois convinha olhar para a Irlanda. Eu sei que é um chavão, mas lá eles reformaram primeiro o Estado, e sobretudo a Educação, arrumando a casa, e só depois fizeram as grandes obras públicas. Por cá, as grandes obras públicas já estão feitas, foram-no no tempo do cavaquismo, serão precisas mais, são, mas não servirão rigorosamente de nada, repito, de nada, se o resto não for feito. E só se arranja dinheiro para as pagar, só se arranja uma economia capaz de as sustentar, uma sociedade capaz de as usufruir se antes tudo o resto for reformado. Por cá fulminantemente vai-se começar, outra vez, a casa pelo telhado, infelizmente ninguém explicou ao Eng. Sócrates que a ordem dos factores não é arbitrária e que nem Deus fez o mundo todo ao mesmo tempo...
João Morgado Fernandes
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Publicado por Manuel 20:56:00 1 comentários Links para este post
Um discurso muito reaccionário (desaconselhável a almas justas e sensíveis)
- 1- O Código Penal pune o crime de homicídio qualificado com uma pena até 25 anos de prisão. Porém, como não existe acumulação de penas, 25 multiplicado por 2, 3, 1000 vítimas, é sempre igual a 25.
- 2- Se o condenado não cometer um novo crime no estabelecimento prisional, é tido automaticamente por "exemplar", beneficiando de uma redução de um terço na pena. E 25 metamorfiza-se em 18.
- 3- Numa década, comemora-se sempre alguma efeméride do 25 de Abril, que nos trouxe a liberdade, com o sacrossanto dever de distribuir por quem dela carece - porque não há maus rapazes. E o senhor presidente, emocionado, terá dó, recordando a família enlutada - como se sabe, um homem preso é um vivo morto. E de 18 se passará a uma dúzia. De mesa, cama e roupa lavada. Que a família das vítimas pagará.
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Publicado por Nino 20:20:00 1 comentários Links para este post
uma lição
Alguma blogosfera indignou-se com uma prosa acintosa e reaça publicada hoje no Público. Curiosamente acho a publicação de tal texto da autoria de Pedro Pinto absoluto serviço público. Serve para recordar que é, pelo menos foi, possível um indigente, um absoluto e completo indigente, a todos os títulos, chegar a vice-presidente do PSD, e só não chegou a ministro porque não calhou. É isso que é verdadeiramente lamentável, resta saber se o PSD vai aprender a lição.
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Publicado por Manuel 19:46:00 0 comentários Links para este post
Dr. Sampaio = Dr. Lopes
irresponsabilidade/incompetência = OE/2005
O ministro de Estado e das Finanças admitiu hoje que o défice orçamental seja actualmente superior a seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB), sem receitas extraordinárias. Luís Campos e Cunha, que falava no debate do Programa do Governo, considerou de um «enorme irrealismo o Orçamento do Estado [de 2005] herdado do governo anterior» e adiantou que apresentará antes do Verão uma proposta de Orçamento Rectificativo. «É tal o irrealismo do Orçamento do Estado herdado que me vejo já obrigado a alertar a Assembleia da República», declarou o titular da pasta das Finanças, antes de o deputado socialista Joaquim Pina Moura ter avaliado o défice real da economia portuguesa entre 6,5 e os sete por cento.
Dou de barato que o OE/2005 é um desastre, escrevêmo-lo a seu tempo por aqui. Mas porque não ser inteira e totalmente consequente ? Não foi ele APROVADO pelo presidente da república, com um governo despedido, e debaixo de todas as críticas ? Isto é, aplicando a Sampaio os mesmíssimos critérios, que este usou para sanear, e bem, o Dr. Lopes haverá condições políticas objectivas, face à anunciada apresentação de um orçamento rectificativo, para este ter legitimidade para voltar a dizer o que quer que seja sobre política económica ? Afinal, ao aprovar este OE não foi o Dr. Sampaio tão irresponsável como a troupe do Dr. Lopes, quando todo o bom senso indicava que o mais sensato era um OE por duodécimos até um novo governo tomar posse?
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Publicado por Manuel 19:30:00 0 comentários Links para este post
sobre o "capital privado"...
Segundo o Público o primeiro-ministro, José Sócrates afirmou hoje na Assembleia da República, durante a apresentação do programa do XVII Governo Constitucional, que serão investidos durante a actual legislatura mais de 20 mil milhões de euros em áreas que considera vitais para o país, com "origem principal" em capitais privados. Para quem anda mais distraído convém recordar que capital privado também é todo o dinheiro que vai para impostos, antes de ter ido...
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Publicado por Manuel 18:57:00 0 comentários Links para este post
Ainda a propósito do post anterior queixam-se-me do título. Dizem-me que o destinatário não deve ser primordialmente o Dr. Mariano Gago, mas essencialmente o Ministério da Educação por via do que se (não) passa no ensino básico e secundário. Falam-me de um caldo de cultura onde se mede o avanço e o sucesso de uma escola pelo número de PCs per capita na escola, onde se impelem os pais a dar um PC aos filhos, porque os tornam mais inteligentes, presume-se, onde no verão estes são seduzidos a pôr os filhos a apreender "internet" em cursos pagos a peso de ouro. Rendo-me.
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Publicado por Manuel 18:02:00 0 comentários Links para este post
choque tecnológico - à atenção do Dr. Mariano Gago e não só.
Por cá somos um país prá frentex, sempre fomos. Um professor de matemática não precisa de saber a tabuada, e muitos não a sabem de facto, basta-lhe ter muita "aptidão pedagógica" (mesmo que esta de nada sirva se não souber o que ensinar), a concursos de TV até vão professoras de química confessar que não sabem o que é um ângulo recto, etc, etc, etc. Gosta-se de comprar tudo feito, o quilo é igual ao litro, e Deus, felizmente, inventou a máquina de calcular.
Agora há um novo remédio para todos os males, inclusive o da falta de competitividade, o computador, e por via deste, a net, nomeadamente o Google, se lá vem deve ser verdade e ai do catraio que não tiver um PC para aceder a este...
São estas as verdades fáceis. A realidade porém não é tão simples. Um computador, como qualquer outro instrumento, é um meio, uma forma de acesso. Só e apenas um meio. Ter um computador não torna ninguém automaticamente mais esperto, não ensina a pensar, não agiliza a mente. De nada serve ter acesso à informação se não se souber triar, ponderar, processar e tratar esta. E para pensar, e antes de se saber inglês, é fundamental ser bom a duas coisas - na lingua materna - o português e a matemática. E não o somos, nem temos bons professores, nomeadamente no básico e no secundário.
A prosa que abaixo se transcreve saiu hoje no Daily Telegraph... Devia ser absolutamente óbvia, não é. A demagogia, como o prozac, é mais fácil de vender e engolir.
The less pupils use computers at school and at home, the better they do in international tests of literacy and maths, the largest study of its kind says today.
The findings raise questions over the Government's decision, announced by Gordon Brown in the Budget last week, to spend another £1.5 billion on school computers, in addition to the £2.5 billion it has already spent.
Mr Brown said: "The teaching and educational revolution is no longer blackboards and chalk, it is computers and electronic whiteboards."
However, the study, published by the Royal Economic Society, said: "Despite numerous claims by politicians and software vendors to the contrary, the evidence so far suggests that computer use in schools does not seem to contribute substantially to students' learning of basic skills such as maths or reading."
Indeed, the more pupils used computers, the worse they performed, said Thomas Fuchs and Ludger Wossmann of Munich University.
Their report also noted that being able to use a computer at work - one of the justifications for devoting so much teaching time to ICT (information and communications technology) - had no greater impact on employability or wage levels than being able to use a telephone or a pencil.
The researchers analysed the achievements and home backgrounds of 100,000 15-year-olds in 31 countries taking part in the Pisa (Programme for International Student Assessment) study in 2000 for the Organisation for Economic Co-operation and Development.
Pisa, to the British and many other governments' satisfaction, claimed that the more pupils used computers the better they did. It even suggested those with more than one computer at home were a year ahead of those who had none.
The study found this conclusion "highly misleading" because computer availability at home is linked to other family-background characteristics, in the same way computer availability at school is strongly linked to availability of other resources.
Once those influences were eliminated, the relationship between use of computers and performance in maths and literacy tests was reduced to zero, showing how "careless interpretations can lead to patently false conclusions".
The more access pupils had to computers at home, the lower they scored in tests, partly because they diverted attention from homework.
Pupils tended to do worse in schools generously equipped with computers, apparently because computerised instruction replaced more effective forms of teaching.
The Government says computers are the key to "personalised learning" and computers should be "embedded" in the teaching of every subject.
Ruth Kelly, the Education Secretary, has said: "We must move the thinking about ICT from being an add-on to being an integral part of the way we teach and learn."
Publicado por Manuel 17:35:00 3 comentários Links para este post
Durante anos assistiu-se em Portugal a uma "estupidificação" do debate e do argumento político. Algumas élites em conluio alegre com os media, acharam e acham, que o povão médio não tem arcaboiço, nem pachorra, para perceber as grandes questões e como tal deve contentar-se em vê-las servidas e embrulhadas de uma forma minimalista, maniqueísta, e quase sempre simplória. Fizeram-se e desfizeram-se carreiras políticas com base no sound-byte, nas declarações avulsas, da boca no momento certo, foram os anos das verdades, e perseguições, fáceis do Independente do Dr. Portas, e da mensagem black & white do PP do Dr. Monteiro, foram os anos dos tutoriais do Prof. Marcelo, foram os anos das propostas fracturantes do Bloco de Esquerda. E agora é a vez do PS do Eng. Sócrates, até ver o mais eficaz e todos.
Não vale a pena pois criticarem, os mesmos do costume, o novo estilo do Eng. Sócrates, este está a ser simplesmente o melhor, e de longe, a executar uma filosofia que vem de longe.
Para quê arriscar a impopularidade de reformas díficeis e dolorosas se no imediato se sossega o bom povo com placebos e paliativos ? A receita é simples, pegue-se numa área política sensivel, identifiquem-se os hot spots, e apregoe-se a medida mais vistosa e espalhafatosa possível, não necessariamente eficaz ou sensata. Foi assim, hoje, outra vez, com o anúncio gratuíto da redução das férias (quem o ouvir pensará aliás que os agentes judiciais tem dois meses de férias ao contrário do comum dos mortais) e vai ser assim muitas mais vezes. É mais simples encurtar as tais férias judiciais (a única altura em que livres de julgamentos os magistrados tinham tempo para por trabalho em dia) do que verificar da produtividade e do trabalho que é ou nõa feito nas mesmas. Muito provavelmente esta medida até vai entupir ainda mais a justiça mas que interessa isso ? - já cumpriu a sua função, encheu o olho e deixou as oposções sem pio.
Há no entanto vantagens a prazo, e grandes, desta nova postura do Eng. Sócrates. Uma delas é que mais tarde ou mais cedo as oposições, mormente o PSD, vão ter que perceber que não é possível competir, e seguindo estas mesmas regras, com o Governo em funções. Mais tarde, ou mais cedo, vão ter de perceber que a actividade política não se resume a um ping pong constante em que o que se disse ou fez ontem não interessa nem conta no que se vai dizer amanhã. Vão ter de perceber que é preciso planeamento, que é preciso ter políticas (que não apenas personalidades) sectoriais claras, concretas e com um minimo de estabilidade e sobretudo vão ter de perceber que a única maneira de terem hipóteses de serem ouvidos e levados a sério é começando a explicar, e não só desmontando o discurso do governo, muito bem as suas propostas, as suas prioridades, aos eleitores, a tempo e horas.
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Publicado por Manuel 16:03:00 3 comentários Links para este post
pastilha elástica (só) de venda exclusiva em farmácias ?
Chewing gum can 'enhance breasts'
A chewing gum which the makers say can help enhance the size, shape and tone of the breasts has proved to be a big hit in Japan.
B2Up says its Bust-Up gum, when chewed three or four times a day, can also help improve circulation, reduce stress and fight ageing. The gum works by slowly releasing compounds contained in an extract from a plant called Pueraria mirifica.
In theory, this helps to keep the muscle tissue in good order. Pueraria mirifica, also known as Kwao Krua, is a species found in Thailand and Burma.
It has long been used by indigenous hill tribe people as a traditional medicine. The plant's underground tubers contain a number of chemicals called phytoestrogens - natural compounds which mimic the effects of the female sex hormone oestrogen.
These include miroestrol and deoxymiroestrol, which are believed to exert a particularly strong effect, as they are very close in chemical structure to oestradiol, the main human oestrogen. B2Up says that it is the effect of these two chemicals, coupled with a third phytooestrogen isoflavone, which makes its gum so effective.
It cites tests carried out by Thailand's Chulalongkorn University which found Pueraria mirifica therapy was able to enhance breast size by 80%.
BBC News
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Publicado por Manuel 15:15:00 0 comentários Links para este post
Um enigma …
O comentário com que Augusto M. Seabra, crítico do Público, terminou a sua crónica dominical de ontem, glosando em post-scriptum sobre a Fundação Casa da Música...
Importa esclarecer a que título, em representação de quem, está Artur Santos Silva enquanto presidente do Conselho de Fundadores.Nota: De acordo com o projecto de estatutos da FCM, o presidente do Conselho de Fundadores é designado pelo Estado português por despacho conjunto do Ministro das Finanças e do Ministro da Cultura. Artur Santos Silva é também um dos fundadores privados da Fundação Casa da Música, para além de ser a pessoa que mais contribuiu para a existência de mecenato cultural em Portugal. Continuo, no entanto, com a sensação que Augusto M. Seabra não se satisfaz com uma resposta tão simples. Porque será?
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Publicado por contra-baixo 14:25:00 0 comentários Links para este post
Haxixe impediu viagem de finalistas
Mais de 400 doses individuais de haxixe foram apreendidas a três estudante da Escola Secundária da Feira que seguiam numa viagem de finalistas para Espanha, numa operação levada a cabo pela PSP de Santa Maria da feira, em colaboração com a de S. João da Madeira e Ovar.
Ao final da tarde de anteontem, a PSP mandou parar dois autocarros cheios de estudantes pouco depois de terem saído daquele estabelecimento de ensino, levando-os até junto das instalações da PSP, onde foram revistadas as bagagens de cerca de uma centena de alunos e encontrada a droga.
Dois rapazes de 17 e 18 anos e uma rapariga de 17 anos foram detidos, tendo dormido nos calabouços da PSP de S. João da Madeira. Ontem de manhã, o tribunal libertou-os, fixando-lhes termo de identidade e residência
Jornal de Notícias
Publicado por Manuel 12:42:00 3 comentários Links para este post
Limiano às Fatias - Edição nº 4
Já se encontra disponível para download, a edição nº 4 do Limiano às Fatias.
Basta para isso, clicar aqui,para ser direccionado para a página, onde se encontra disponível o pdf para download.
Na edição desta semaa poderá encontrar, a opinião nas colunas que já estão enraizadas :
Coluna Vertebral por Manuel
Lex Mole pelo Venerável José
O Estado Imperfeito pelo Impecável GWOM
A sempre directa Torre de Babel pelo Irreflexões
O Venerável Rui Branco estreia uma coluna denonimada o Embalo de Lisboa.
Na capa, a história de um novo affaire Bombardier ali para os lados da Azambuja, ao mesmo tempo que Luís Flipe Menezes fazia afirmações patéticas, imputando responsabilidades da Bombardier ao executivo de Sócrates.
Finalmente, de ecrãn para ecrãn, uma nova rubrica assinada semanalmente por GWOM.
Boas Leituras
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Publicado por António Duarte 11:40:00 0 comentários Links para este post
God save the queen
A rainha da Inglaterra, recebeu no princípio deste mês, alguns músicos e artistas da música popular em homenagem à indústria musical britânica.
No grupo, vinha incluído um certo número de guitarristas da música rock, a quem os media apelidam de "lendários": Eric Clapton, Jimmy Page, Jeff Beck e Brian May.
Todos ingleses de gema e que moldaram, nos anos sessenta e setenta, o formato da música rock na sua melhor expressão artística.
No caso de Eric Clapton, a sua contribuição fundamental centra-se num seminal LP de 1970, em que aparece ao lado de outros músicos, sob o disface de Derek and the Dominoes e a cantar os amores de Layla. O LP é, certamente um dos discos maiores da música popular de expressão anglo-saxónica.
Desde então, Eric Clapton, publicou muitos outros discos; deu outros tantos concertos desmultiplicados e por via da indústria gerou milhões, sendo considerado um dos músicos mais ricos da Inglaterra, com um património avaliado em 120 milhões de libras.
O mesmo se pode dizer de Jimmy Page, o fantástico guitarrista dos Led Zeppelin e de Brian May o inventivo guitarrista dos Queen. Cada um deles vale para cima de 50 milhões de libras.
Há pouco mais de um ano, Eric Clapton, com outros, aliás, foi elevado socialmente à categoria de Commander of the Order of the British Empire!
Pois bem! A Rainha de Inglaterra, no dia 1 de Março, olhou para eles e perguntou: "Who are you?"
No caso de Eric Clapton, ainda lhe perguntou: "então, e o que é que V. faz?" , para ouvir o Commander dizer-lhe: "toco guitarra há 45 anos..."
God save the Queen!
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Publicado por josé 10:41:00 3 comentários Links para este post
Quem quer adoptar, traz água no bico [princípio primeiro]
Domingo, Março 20, 2005
Dentro de alguns anos, um juiz benévolo há-de devolver aos pais o bebé de um ano que eles próprios abandonaram hoje à beira da estrada, em Loulé. É que qualquer outra família nunca cumpriria o extenso rol de requisitos definidos na adopção de uma criança.
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Publicado por Nino 20:32:00 0 comentários Links para este post
Estado de Sítio
Uma das prerrogativas, por definição, do Estado de Direito é a do exercício da Autoridade, e da Força, para manter um patamar mínimo de Ordem.
Ontem as forças policiais intervieram, e bem, para evitar um mini PREC nas instalações da Bombardier na Amadora. De todas as críticas a mais imbecil e hipócrita veio, não do BE, mas , pasme-se, do PP, que criticou a ordem dada às forças polícias de manterem a ordem pública nas instalações propriedade da Bombardier.
Agora, é de bom tom malhar na Bombardier, é de bom tom ter pena dos desempregados, é de bom tom ser simplista. Já não é nada de bom tom olhar bem para aquele e outros casos e perceber porque aconteceram. O caso Bombardier aconteceu por via de políticas de privatização avulsas e sem nexo, aconteceu porque o Estado, a nossa classe política, não sabe negociar, não tem objectivos de longo prazo para o País, não faz planeamento, etc, etc, etc, e isso ninguém questiona, é incómodo. Ora, que se saiba a propriedade privada ainda existe e é reconhecida neste País, será que há alguma ordem judicial que impeça a administração da Bombardier de fazer o que está a fazer ? A acção desta é assim tão inesperada ? É mesmo ? Com o devido respeito aos trabalhadores da Bombardier um qualquer remendo que lhes salve no imediato os postos de trabalho é o melhor, a prazo e no futuro, para eles e para a economia nacional ?
Uma das causas do triste estado da nossa economia e da nossa falta de competitividade não será esta eterna política de remendos ? Há quantos anos, décadas aliás, se sabe que sem alterações profundas o sector textil e do calçado, por exemplo, estão condenados ? Porque é que se não condicionou a política de subsídios e incentivos a uma reestruturação drástica dos mesmos ? Podia continuar a noite toda com mais exemplos...
Neste País, do BE ao PP, o que dá é a hipocrisia, o remendo, não se pensa, não se planeia, desenrasca-se e o futuro depois se verá.
Entretanto morreu mais um agente da PSP na Amadora. Porquê ? Porque fere menos as consciências gelatinosas de muito boa gente ir a mais um funeral do que atacar de frente as causas profundas do problema, hoje até recomeça a Quinta das celebridades e daqui a dois ou três dias já ninguém fala no caso, até tombar o próximo. E depois porque razão haveriam os criminosos e levar a sério o Estado (representado neste caso pelas forças políciais) quando este, o Estado, personificado por esta classe política, não se leva a sério.
Num país normal, impunha-se repôr a normalidade em certas zonas da Amadora. No fundo era só substituir, até que a tal normalidade voltasse, o actual estado de sítio, que existe, por um outro, legítimo e imposto pelo Estado, pelas forças policiais e se necessário militares. Sou um radical já sei, afinal há quem defenda o diálogo com a ETA e com o sr. Bin Laden logo o problema todo deve ser a falta de diálogo com os assassinos.
Publicado por Manuel 20:12:00 4 comentários Links para este post
"Contrabandwith"
People can get almost anything on the black market—drugs, passports, even human organs. Now add Web sites to the list. Inside many authoritarian regimes that closely monitor and censor the Internet, access to blocked Web sites has become a black market commodity like any other. Typically, the process is simple: Savvy black marketers in cybercafes, universities, private homes, and elsewhere exploit technological loopholes to circumvent government filters and charge fees for access. According to the OpenNet Initiative (ONI) (www.opennetinitiative.net), a research organization devoted to tracking blocked Web sites, black market access to filtered pages in Saudi Arabia runs anywhere from $26 to $67 per Web site.
Such tactics are becoming increasingly common. Shahin Amard, who runs a Web site (www.derafsh-kaviyani.com, blocked in Iran for its unsanctioned religious content) from an undisclosed location, says that people constantly “e-mail from inside Iran and ask for direction, help, and advice” in gaining access to the Web. But, he says, “the majority of people…give up when they don’t get through, or they get scared and don’t try anymore.”
Sometimes, it is the authoritarians that profit from the illegal trade. In Cuba, where Fidel Castro presides over one of the world’s most technologically repressive regimes, the Communist government limits Internet access both by making the Web prohibitively expensive and by blocking unsuitable material (roughly defined as any site that doesn’t promote Cuban tourism). Only a small minority of state officials are allowed limited Internet access. Yet computers are widely accessible. And, according to Philip Peters, vice president of the Lexington Institute, a nonpartisan think tank, many state officials sell passwords and account information on the black market for monthly fees of about $20 to $30. Buyers, Peters says, use the Net access to visit free online e-mail services to connect with friends and family in other countries or to read foreign news sources.
So, will buying access to blocked Web sites remain a part of the black market bazaar? As long as governments try to restrict what sites their citizens can visit, the answer is probably yes. But ONI Executive Director Ronald Deibert warns that government censorship “is spreading worldwide, and…the countries that are doing it are getting better at it.” Which means the price is going up.
in Foreign Policy
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Publicado por Manuel 18:38:00 0 comentários Links para este post
Por que é que os nossos agentes policiais continuam a ser abatidos como tordos nas ruas dos arredores de Lisboa? Por que é tão difícil encontrar, em democracia, um patamar de equilíbrio cívico que simultaneamente evite a deriva securitária e o garantismo suicidário? António Costa já tem "T.P.C" para as férias da Páscoa. E esta é, evidentemente, a "sua" polícia.
in Património
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Publicado por Manuel 16:36:00 3 comentários Links para este post
Às portas de Lisboa II
África do Sul - 45 milhões de habitantes, 5 Portugueses abatidos desde o dealbar do ano.
Amadora, cidade saudável - 175 mil habitantes, 3 jovens agentes da PSP assassinados num mês.
Aguarda-se a qualquer momento a indignação de Francisco Louçã pela forma abusiva como os recatados cidadãos portadores de armas de grande calibre são abordados pelas autoridades.
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Publicado por Nino 12:26:00 33 comentários Links para este post
" Simulacros e simulações"
Tal como foi anotado algures aqui, há contrastes entusiasmantes na lusofonia. O Diário de Notícias regista um desses. Num, aliás trabalho jornalístico meritório, que combina informação e dados adicionais do que está em causa.
Já o Expresso dá-nos o retrato do País real que temos: do egocêntrismo sem limites (Santana admite ser candidato); da cultura instalada na administração pública do pequeno esquema (Montámos um expediente para trazer dinheiro para a terra. Não devia, mas não fiz mal a ninguém - Patacão Rodrigues, autarca do PS em Vila Viçosa; dos supostos paralelismos desculpantes (O meu caso é igual ao do procurador geral da República, o dr. Souto Moura, com aquela funcionária corrupta que está a ser julgada - Avelino Ferreira Torres); até à concretização do artigo 20 do Código Penal (Não ponho a hipótese de ser constituído arguido. Não fiz nada que me pese na consciência - Isaltino Morais).
Ainda por cima, conta-se que esta publicação, detida pelo governo regional da Madeira pagou uma feriazinhas ao único juiz do tribunal administrativo e fiscal. Mas nada que uma boa explicação não possa resolver, e o caso (mais um) servirá apenas como um aviso para os juízes mais incautos.
Neco Pedreira
Publicado por Manuel 10:31:00 0 comentários Links para este post
Às portas de Lisboa
A Amadora consolida a sua reputação de próspera e tranquila cidade portuguesa. Além do investimento internacional, tradições como a matança dos agentes da PSP desempenham uma função social relevante na nova configuração das comunidades suburbanas.
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Publicado por Nino 9:27:00 5 comentários Links para este post
Blasfemização do direito de trabalho
João Miranda, o guru neo-liberal, está preocupado com a falta de confiança transmitida aos eventuais investidores que centrem no futuro a decisão de se instalar em Portugal exclusivamente nos baixos salários e precariedade, que suscita a decisão governamental de não manietar os trabalhadores da Bombardier.
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Publicado por Nino 8:35:00 1 comentários Links para este post
Dentistas substituem professores
O governo tem uma oportunidade soberana para aumentar a curto prazo a literacia e a produtividade dos Portugueses - implementar um programa de higiene oral que contemple a troca de mãos ao lavar os dentes, actividade que, de acordo com o Instituto de Inteligência, incrementa a concentração e a capacidade cognitiva. O ministro das finanças já deve respirar de alívio. Sempre fica mais barato investir em escovas do que em livros.
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Publicado por Nino 1:08:00 0 comentários Links para este post
A democracia é sempre virtuosa
A população de Souselas, freguesia de Coimbra, apesar da pretérita contestação da prossecução da co-incineração nos fornos da cimenteira local, concedeu uma expressiva maioria ao Partido Socialista nas últimas eleições, de modo que o ainda presidente da Junta de Freguesia, eleito pela CDU, ao insistir na denúncia do mais que previsível desastre ambiental, está a fazer ressoar impudicamente os interesses de uma minoria - os que não votaram PS.
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Publicado por Nino 0:39:00 0 comentários Links para este post
Deus no céu, mãe na terra
Sábado, Março 19, 2005
Há um qualquer direito inalienável de propriedade das mães sobre os filhos neste país, que inclui uma gama completa de maus tratos, desde o simples espancamento ou esfaqueamento à refinada manipulação e intimidação psicológicas.
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Publicado por Nino 20:18:00 0 comentários Links para este post
Sobre as farmácias e a politica do medicamento é imperativo meditar no que é dito aqui.
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Publicado por Manuel 19:29:00 3 comentários Links para este post
choque tecnológico
"Sapato usado para defraudar casinos"
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Publicado por Manuel 17:19:00 0 comentários Links para este post
Justiça ?! À atenção do Dr. Sampaio
3. Sob o título "Filho adoptivo perdido para mãe biológica", relatava o Expresso, na sua última edição, a decisão do Tribunal de Vila Franca de retirar uma criança de 11 anos à família de acolhimento com quem vivia há mais de cinco para ser entregue à sua mãe biológica. A mesma mãe a quem a criança, tal como os outros três irmãos, fora retirada há oito anos, por abusos e maus tratos.
A notícia choca a vários níveis. Em primeiro lugar pela forma como tudo se processa: o juiz não só não aceitou a presença de qualquer responsável pela criança - pais ou advogados - na sessão do tribunal que determinou o seu futuro, como não autorizou a família de acolhimento a despedir-se do menino. Como classificar o contraste entre a omnipotência deste juiz decidindo sem o estorvo dos advogados e dos pais e o leque de garantias e procedimentos a que recorrem os advogados dos arguidos do processo Casa Pia?
Helena Matos
Ler mais aqui. Infelizmente, este caso não mete gente famosa, a sua mediaticidade é momentânea e não garante audiências prolongadas, pior, envolve uma familia e um catraio anónimos sem influência e políticos na família, e não merecerá por certo a atenção do Conselho do Cachecol. Não vai acontecer mas, e se acontecesse alguma coisa ao miúdo ? Quem é o responsável pelos traumas ? Quem é ? E a culpa ? De todos e de ninguém. A culpa cá morre sempre solteira.
É pedir muito, mesmo demasiado, mas se houvesse, se tivesse de facto havido, um bocadinho de coerência, um bocadinho de genuidade e sinceridade em declarações passadas sobre outras temáticas cromáticamente muito mais ambivalentes e dúbias, então seria de esperar uma palavrinha de atenção do Mais Alto Magistrado da Nação, o Dr. Jorge Sampaio. É para isso que serve, não é só para correr mini-maratonas...
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Publicado por Manuel 15:22:00 0 comentários Links para este post
é, se é...
"uma bela parte da actividade governamental de hoje é a gestão da informação e há um claro consenso das elites sobre isso" no Público numa hilariante prosa entitulada "Comportamento de Sócrates é comparável ao de Cavaco Silva". E só passaram oito dias.
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Publicado por Manuel 14:15:00 0 comentários Links para este post
Vasco Pulido Valente
"A "refundação" da direita"
A derrota de 20 de Fevereiro provocou por aí uma conversa sobre a "refundação da direita". Uma vez que foi quase integralmente demolida, é natural que a direita se queira refundar. Mas como? Em democracia, a direita portuguesa tem uma espécie de pecado original: o "salazarismo" continua a ser a sua única tradição autêntica. Antes do "salazarismo" não se reconhece verdadeiramente em nada e depois também não. O próprio Salazar se apresentou como um fenómeno sem exemplo e aboliu o século XIX da história do país. Para ele, o Portugal transviado e perdido do parlamento e dos partidos não existia e não podia, portanto, legar qualquer inspiração ou precedente ao recomeço absoluto do Estado Novo. Infelizmente a ideologia do "salazarismo", que, na essência, apresentava a ordem política como "natural", não serve de muito à direita de hoje. Só à superfície os "valores" dessa ordem - Deus, Pátria, família, trabalho, autoridade - parecem ressurgir na América de Bush e aqui e ali em pequenos recantos da "Europa". De facto, na civilização individualista, igualitária e secular do Ocidente inteiro, mudaram de sentido e perderam a força. O Papa, aliás, bem se queixa disso.
Ora, sem Salazar, a direita portuguesa fica num vácuo. Sá Carneiro não durou o bastante para lhe dar forma e a consolidar. O "cavaquismo" , sendo um governo meritório, não deixou uma doutrina ou um método. O ensaio "populista" de Santana e Portas faliu na abjecção. Sobrou o quê? Sobrou um vago liberalismo, que se imagina esperto e na prática repete as banalidades da moda. O liberalismo, de resto, não é fácil num país como Portugal. A pobreza indígena sempre viveu da protecção do Estado e sempre desesperadamente a exigiu: a nobreza e a burguesia, o povo rural e o povo urbano, a Igreja e a Universidade, a agricultura e o comércio, a indústria e os serviços, o funcionalismo e, claro está, a arte. Toda a gente em Portugal espera tudo ou quase tudo do Estado, a começar pelos "liberais" de agora, que esperam do Estado negócios, privilégios, parcialidade e favores. Uma direita liberal portuguesa é uma contradição de termos.
Mas, se a direita não for conservadora, porque Salazar morreu e não há nada a conservar, e se não for liberal, por causa da eterna indigência do país, que será ela? Boa pergunta. Uma pergunta que, ao fim de trinta anos, já merece resposta. No fundo, a direita portuguesa não precisa de se "refundar", precisa simplesmente de se fundar.
in Público
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Publicado por Manuel 11:57:00 1 comentários Links para este post
o comboio apita sempre duas vezes...

- Futebol português na rota de dinheiro 'sujo'
- FC Porto diz não poder divulgar investidores do GSI
- PJ garante estar "atenta" a transferências de jogadores
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Publicado por Manuel 7:41:00 1 comentários Links para este post
"como toda a gente"
Sou vil, sou reles, como toda a gente
Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem.
É com a imaginação que eu amo o bem.
Meu baixo ser porém não mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
Ébrio, por intervalos, de um Além.
Como todos não creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto não morro, falo e leio.
Justificar-me? Sou quem todos são...
Modificar-me? Para meu igual?...
— Acaba lá com isso, ó coração!
Álvaro de Campos
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Publicado por Manuel 4:08:00 0 comentários Links para este post
Ai Cândida, Cândida...

Isaltino "só eu posso ganhar Oeiras" Morais concede uma entrevista antológica ao Expresso. A reter o facto de ainda não ter sido ouvido pelo MP no que diz respeito à história das contas na suiça em nome do sobrinho taxista...
Publicado por Manuel 2:18:00 1 comentários Links para este post
bananas somos nós...
UM JUIZ madeirense, o único titular do Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal, passou férias em Porto Santo, pelo menos por três vezes, tendo as viagens e a estadia no hotel sido pagas pela empresa que detém o «Jornal da Madeira» - que é propriedade da Diocese do Funchal e da Região Autónoma, através do Governo Regional da Madeira.
A denúncia enche uma página da edição da semana passada do quinzenário regional «Garajau» - uma publicação com cerca de um ano, conhecida pela revelações de vários escândalos envolvendo figuras e instituições na Madeira - e até agora não provocou qualquer reacção na região.
O juiz, Paulo Pereira Gouveia, que já noutra ocasião fora alvo de notícias no «Garajau», não prestou qualquer esclarecimento ao jornal. Confrontado pelo EXPRESSO, preferiu também manter o silêncio. Fontes próximas do magistrado disseram, no entanto, que Paulo Pereira Gouveia é colaborador pontual no «Jornal da Madeira» e que as férias seriam um meio de «pagamento de direitos de autor».
in Expresso
Publicado por Manuel 1:01:00 1 comentários Links para este post
Ferro K.O. ?
Alegre apoia Carrilho
Manuel Alegre apoia a candidatura de Manuel Maria Carrilho à Câmara de Lisboa. «Mantenho o apoio a Carrilho com a convicção de que ele é o melhor candidato», afirmou Alegre ao EXPRESSO, salientando, no entanto, que «manter a unidade do partido é essencial para ganhar a Câmara».
in Expresso, edição em papel
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Publicado por Manuel 0:11:00 0 comentários Links para este post
A respeito da deliberação de ontem, do CSM, «por unanimidade»:
A crer no Mensageiro, fica a impressão de que isto não tem mesmo remédio.
Então (ao menos) ninguém lamenta nada ?
Por outro lado, se não há infracção alguma, porque é que se tem de lembrar aos outros que têm o dever... ?
Haverá algum equívoco, na Mensagem ?
in é dia de sessão
Publicado por Manuel 22:57:00 0 comentários Links para este post

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A royal Bengal tiger yawns inside its enclosure in a zoo in New Delhi. Photo by Kamal Kishore/Reuters
Publicado por Manuel 20:44:00 0 comentários Links para este post
notícias do menezistão
Enquanto o Dr. Mexia escreve a moção de estratégia do Dr. Menezes ao próximo Congresso do PSD, revelando-se assim, um verdadeiro liberal de ... esquerda, o Dr. Isaltino Morais prepara-se para ganhar retumbantemente, com uma votação bem superior a 100%, o "referendo" que decorrerá este fim de semana para saber se deve ser ou não recandidato à Câmara Municipal de Oeiras, dizem-nos que a forte votação da comunidade oeirense na suiça é decisiva para os expressivos resultados finais. A par de tudo isto assiste-se a um fenómeno quase tão extraordinário como a conversão de Saulo de Tarso em S. Paulo (a caminho da estrada de Damasco), e que é, a caminho do Pombal, a conversão oportuna do Dr. Menezes ao cavaquismo de conveniência. Para terminar, e não é uma notícia do menezistão mas quase parece que o Dr. Ferro Rodrigues vai mesmo ser o candidato do PS a Câmara Municipal de Lisboa. Só falta mesmo o PSD vir a apoiar uma candidatura... independente do Dr. Carrilho.
Publicado por Manuel 18:52:00 0 comentários Links para este post
Finalmente!
Avançaremos, também, para formas de recrutamento e actividade das respectivas direcções artísticas que as tornem menos dependentes da lógica de nomeação governamental directa e mais distintas das funções de administração.
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Publicado por contra-baixo 16:47:00 0 comentários Links para este post
Atrás dos tempos...
Ontem, no blog Blasfémias, em comentários alusivos à decadência da cultura e da ascensão imparável da mediocridade, espelhada nas actuais leituras correntes, atrevi-me a prometer uma tentativa de demonstração do que afinal pode muito bem ser... indemonstrável: que antes do 25 de Abril de 1974, o grau de evolução cultural médio, referido ao leitor médio, era mais elevado e interessante do que actualmente.
A minha tese empiricamente exposta era ( e é) a de que antes do 25/A, se dominavam melhor os conceitos gerais da cultura geral; o vocabulário e o uso da linguagem eram mais primorosos e que, no fim de contas, a cultura geral de um leitor do Diário Popular de então, era sensivelmente mais elevada do que a de um leitor do mesmo tipo de jornal, de hoje em dia, seja o 24 Horas, seja o Correio da Manhã.
Para reflectir sobre este assunto, coligi algumas peças jornalísticas de antanho, do início dos anos setenta.
Uma vezes que o assunto é extenso, o arquivo fica por aqui, na portadaloja.
Nesta loja mais hiper, transcrevo a seguir um exemplo do rigor nos conceitos técnico-jurídicos e precisão nos termos de linguagem.
Vem no Diário Popular de 9 de Novembro de 1971 e é um relato de um julgamento - o do caso da Herança Sommer que opôs o falecido Champalimaud a outros herdeiros .
Julgamento do caso da Herança Sommer”, com relato do depoimento da testemunha José Cruz Silva, técnico fiscal, que foi instado pelo dr. Salgado Zenha, advogado do réu revel ( António Champalimaud), esgotaram mais uma sessão, a 208ª do julgamento do caso da herança Sommer.” (…) Perguntado à testemunha se algo sabe sobre a restituição dos respectivos títulos, feita pelo arguido ausente a suas tias, respondeu afirmativamente. Declarou que essas acções foram restituídas em 1957. A ordem, dirigida ao sr. Constantino Sobral, partiu do sr. António Champalimaud. Declarações de registo, Pagamento de dividendos. Correspondência entre os títulos e o registo. Técnicas para operar a destrinça de acções – campo em que o depoente espraiou os seus conhecimentos.”
Basta comparar este pequeno texto com os relatos jornalísticos do julgamento dos processos mediáticos, para perceber o fosso cultural que separam estas gerações! Querem melhor demonstração?
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Publicado por josé 11:41:00 27 comentários Links para este post
"Ser Democrata"
Fica um postal, assinado com nome próprio, enviado pelo próprio, para publicação...
Apesar de tudo, de todos os vícios, de todas as virtudes, nas noites de eleições, os políticos transmitem, em geral, ensinamentos de democracia. Festejam a vitória os vencedores, têm um gesto e uma palavra de solidariedade para com os vencidos. Estes, no geral, suportam a derrota com estoicismo, cumprimentam e felicitam os vencedores...
Ao que parece, e o que parece muitas vezes é, assumem uma postura democrática - é assim a democracia, uns ganham, outros perdem, pela força do voto de quem tem legitimidade para exercer o direito político (qual cívico?), de votar. Não é legítimo, eu julgo, afirmar que os políticos transmitam aquela ideia inferior do "vae victis". Todos são necessários ao estado, à Democracia.
Se é assim nas eleições para os altos cargos do Estado, de uma autarquia, do Parlamento Europeu, lamentavelmente já não é assim nas corporações.
Quanto mais insignificante é o colégio eleitoral, seja lá para o que for, maior é o despeito para com o adversário vencedor. Nutridos pela tramóia, pela intriga, pelos favores ocultos aos amigos da corporação, os candidatos sentem-se traídos se não venceram, não têm um gesto genuinamente democrático para quem venceu, lançam dúvidas e reservas sobre a composição do exíguo colégio eleitoral, feito de meia dúzia de pares da corte.
O verniz democrático é, de súbito, riscado, homens ditos de esquerda, ou da esquerda, assumem posições condenáveis... porque os outros venceram e eles perderam... É confrangedor. Apregoam aos quatro ventos que contaram os votos e que os seus pares foram injustos, que alguns deles não deviam votar, deveriam ficar em casa a curtir e derramar mágoas dessa injustificável "capitis diminutio".
A ambição do poder, assente não se sabe em que direito de natureza política, ou associativa, ou corporativa, cega-os. Não discutem princípios, nem regras, nem sistemas, deixam maliciosamente a dúvida, questionam, sem questionar, as eleições que perderam.
Discutem só de como foram vítimas pois os eleitores foram injustos, não exerceram o voto com justiça, tinham a obrigação de neles votar. Sem eles, o grupo não vai ser nada, antes deles era o caos, agora vem aí o dilúvio. A corporação vai irremediavelmente tombar no coro dos necrófagos.
São os imprescindíveis de que estão cheios tudo quanto é arquivo de antiguidades, desde a Torre do Tombo ao mais longínquo arquivo de antiguidades que ninguém visita por óbvias razões de higiene primária.
São assim os corporativos.
O mais triste é que nem se dão conta disso. Se não fosse triste, dava para rir às gargalhadas.
Alberto Pinto Nogueira
Publicado por josé 9:58:00 2 comentários Links para este post
O desafio para toda uma civilização
Combater o terrorismo sem provocar o terror. Ou melhor, sem provocar mais terror. Se é por aqui que vamos as coisas não vão acabar bem. Atente-se neste depoimento...
"[E]arly last year, when one afternoon I went to the bank, and 10 armed policemen bundled me into an unmarked van on suspicion of being an al-Qaida terrorist. I ended up in Belmarsh for five months without any charge being brought against me, petrified that I would be deported to Guantánamo Bay.
(...)
I was sent to Belmarsh, locked up for 23 hours a day. Whenever we left the cells, there were fights. One Tunisian inmate dressed like a devout Muslim. Prisoners would often pull his beard or take his religious hat off and play "catch" with it. After five months I was told that I could leave prison and go to a detention centre, where I have spent the past nine months.
Recently my solicitor visited me and told me that the police investigation into me had finished and that they were satisfied that I was not a terrorist. They never had any evidence against me whatsoever. It was bizarre. I have been able to write to my mother and tell her not to worry and that I love her. I call her sometimes but I end up crying because she is crying. Many of us have left prison but are still held in detention centres for months while the authorities decide what to do with us. The one thing that keeps me cheerful in here is sport. Algerians are very passionate about football.
(...)
I love the freedom of England: that's what I came here for. All I needed was the chance to make a bit of money towards a house; the minimum things that any man would want. I was totally exhilarated when I first came here. Now I'm too tired to struggle any more. To be locked up for something you never even have a chance to deny makes you despair. All my dreams are broken.
Texto integral aqui.
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Publicado por irreflexoes 8:54:00 0 comentários Links para este post
Ainda o affair Freeport... Um oceano de diferença...
Hoje à tarde escrevia sobre a penumbra que rodeia o caso Freeport e a aparente despreocupação do Eng. Sócrates e companhia. Nem de propósito, mas muito a propósito, no site daquele cujo lema é (?) "Vote num Homem sério e ganhe seu cemitério", pode ler-se...
Afinal do Brasil não chegam só novelas, nem é só carnaval. Nós por cá vamos chorando... e rindo (de vergonha).Uma extraordinária e única lição de transparência
Tudo começou com uma reportagem desta publicação sobre um alegado financiamento por parte das FARC, em 2002, ao partido do presidente Lula. Uma operação registada nos arquivos da Agência Brasileira de Inteligência. Para rebater os dados apresentados, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência não se refugiou num obscuro comunicado, nem em nada que se pareça. Elaborou um pormenorizado e documentado relatório na sala de imprensa do respectivo site.
Nota: O jornalista da Veja afirma que só publicou o texto "cinco semanas" após ter confirmado todas as informações dos documentos.
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Publicado por Manuel 1:35:00 0 comentários Links para este post
"basta conhecer"
de vez em quando O Independente lá faz serviço público (esta semana até tem um editorial com pés e cabeça, imaginem só...). Assim, e na edição desta sexta-feira entrevistou Moita Flores, o "candidato" à câmara de Santarém que "já conta com o apoio do PSD apesar de votar PS e ser um homem de esquerda".
Um extracto...
E pronto. Em Portugal não é preciso conhecer os pensamentos políticos, "basta conhecer". Se o Moita 0 diz...
I. Identifica-se mais com Marques Mendes ou com Luís Filipe Menezes?
M. F. Dou-me muito bem com os dois e como não sou do PSD não respondo. Do ponto de vista da análise política não sei em que é que um é diferente do outro.
I. Parece que um é social-democrata o outro liberal…
Não sei bem, não conheço os pensamentos políticos para poder responder.
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Publicado por Manuel 0:00:00 0 comentários Links para este post
(um)a frase
Quinta-feira, Março 17, 2005
Vê-lo não é suficiente
Lembro-me de uma atleta olímpica de tiro com arco que confessava que não só era míope, como também tirava os óculos para conseguir acertar no alvo.
in seta despedida
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Publicado por Manuel 21:58:00 0 comentários Links para este post
Fátima felgueiras - a verdadeira face do reformismo judicial ?
Para a Justiça toda a gente quer reformas, até pactos... Para se perceber melhor do alcance potencial das mesmas, particularmente se feitas à pressa, e sobre prazos apertados, nada melhor do que ler com atenção o entendimento das mesmas que faz Fátima Felgueiras, ainda no exílio.
Ouvida pela TSF, a partir do Rio de Janeiro, onde está desde Janeiro de 2003, Fátima Felgueiras garantiu que quer estar em Portugal para o início do julgamento, mas não quer ser automaticamente detida.
«Doa a quem doer, tenho que estar nesse julgamento, quero estar e vou estar, se a justiça não criar condições para que assim seja, todos teremos que tirar as nossas conclusões», adiantou.
Fátima Felgueiras disse ainda que acredita sinceramente que vão ser criadas as condições para que possa vir a Portugal para o julgamento.
«Acho que hoje o clima que se vive em Portugal já não é o que se vivia há uns anos atrás, hoje estamos num clima diferente, basta ter em atenção as declarações do senhor presidente da República sobre a necessidade da reforma da justiça urgente», acrescentou.
A autarca espera também que o julgamento decorra de forma séria o que segundo ela não aconteceu com a investigação.
«O processo é todo ele ilegal, porque é assente em denúncias anónimas, violações do segredo de justiça, em depoimentos anónimos e no testemunho e orientação de uma investigação feita por arguidos», adiantou Fátima Felgueiras.
A autarca afirma também que «o julgamento deve ser claro, sério, justo e objectivo». Fátima Felgueiras quer que se «apure a verdade e essa não se consegue sem a minha presença», acrescentou.
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Publicado por Manuel 20:50:00 0 comentários Links para este post
do freeport ao cachecol...
Depois de várias horas em meditação o Conselho Superior de Magistratura decidiu por unanimidade (!) e ouvidas as explicações do próprio não abrir um inquérito ao seu vice-presidente no caso do cachecol rosa-choque. Em suma foi aceite a explicação do próprio (que irá, pasme-se, ser enviada a todos (!) os juízes lusos - o rídiculo ainda não mata...) que afirmou outra vez que não reparou que lhe puseram o tal cachecol do PS ao pescoço. Para as luminárias do CSM a questão resumiu-se ao que parece mesmo e literalmente ao cachecol, não se sabendo (a Lusa não o diz) se o sr. vice do CSM também não reparou que a foto que lhe tiraram com o cachecol ao pescoço o foi numa noite eleitoral e dentro de uma sede partidária, ou se nõa se lembrade ter ido para lá. Por menos, muito menos, já muito magistrado foi alvo de inquérito.
Mas em Portugal uns ainda são mais do que outros e se ao CSM bastou ouvir as explicações do seu vice não se percebe porque é que em coerência e perante matéria claramente indiciadora de paralegalidade não se chamam a plenário os visados dando-lhes também a estes a oportunidade de resolver o problema antes deste se iniciar. O que se passou hoje no CSM é uma vergonha para Portugal e para os Portugueses, mais é uma vergonha para todos os magistrados judiciais, e é o expoente máximo do corporativismo e de um certo país em circuíto fechado. É uma questão menor porventura mas é exemplar.
Se tivessemos um país a sério seria o próprio Ministro da Justiça, até por ter sido eleito deputado pelo distrito em cuja sede distrital do PS o senhor vice presidente do CSM foi fotografado, a pedir para tudo ser esclarecido, by the book, até às últimas consequências. Infelizmente um dos motivos aventados por alguns para deliberar como deliberararm foi (!) não hostilizar o senhor ministro da justiça. Mas também se tivessemos um ministro da justiça a sério já tinha sido criada uma comissão com gente idónea - que existe - para aclarar muito bem o chamado caso freeport. Como surgiu, como "acabou", se era tudo mentira, se era tudo verdade, ou algures no meio. Obviamente que nunca se vai saber nada, como nunca mais se vai ouvir falar no "processo" ao Independente que aliás e como seria de esperar ficou sem pilhas. Pairará sempre, e se calhar a ideia é mesmo essa, a dúvida sobre a idoniedade do Eng. Sócrates. Eng. Sócrates que tendo - presume-se - a consciência limpa e tranquila devia também ter todo o interesse em ver esclarececido, e de uma vez por todas, tudo o que se passou ou não.
Portugal é assim. Até quando ?
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Publicado por Manuel 20:29:00 6 comentários Links para este post
A pauta desenrolada
Todos os dias Portugueses conhecem o seu estado seropositivo para o Vírus da Sida. A maioria casualmente, na preparação de cirurgias ou contratação de seguros. Entretanto preferem eleger a Sida uma doença das pessoas diferentes, daquelas com comportamentos desviantes, como os toxicodependentes ou os homossexuais. Não acreditar que contraíram o vírus no bar de alterne da esquina ou na escapadela com o colega de trabalho. E estamos ainda no prelúdio. O essencial da partitura será tocado nos próximos anos, podendo-se antever no presente de Moçambique, que já regista uma prevalência de 40% na segunda maior cidade do país.
Publicado por Nino 18:02:00 0 comentários Links para este post
O estado da (des)graça
Se havia ilusões estas já se perderam, todas. Temos de facto um governo mais discreto, mais sóbrio, mas da mais pura gestão corrente. Reformas, a sério, o Eng. Sócrates só as fará se for obrigado. Por estes dias aquilo a que temos assistido é do mais puro profissionalismo, é um facto, mas, é só cosmética.
Atente-se no caso do anúncio da a liberalização da venda dos medicamentos que actualmente não precisam de receita médica. Um governo forte, e que quisesse ser levado a sério, numa matéria destas que é eminentemente política, deliberava, decidia e legislava, sem hesitações Por cá anunciou-se, lançaram-se para o ar umas ambiguidades para segurarar a Associação Nacional de Farmácias, e desespera-se. O que vai acabar por ser feito sobre a capa de liberalização (e adorava podre estar enganado) vai ser permitir - apenas - a criação de farmácias puras e duras em grandes superficies e similares, mas só com um farmacêutico por perto (!) isto para vender aspirinas e afins... Esta até pode ser uma excelente medida para combater o desemprego de desempregados liicenciados em farmácia mas, e essa é que é a questão, não é uma liberalização da venda de medicamentos (os tais que não tem receita médica), é simplesmente uma extensão do cartel das farmácias às grandes superfícies. Uma liberalização a sério seria permitir a qualquer entidade criar a sua própria farmácia, onde lhe desse na gana, desde que cumprisse os requisitos legais (farmacêutico, etc) sendo que o mercado se encarregaria de decidir do número, e localização, ideal de farmácias acrescida da possibilidade de vender em cada loja da esquina os tais medicamentos que não necessitam de receita. Até prova em contrário nada disto vai acontecer.
O que está a acontecer é que o PS não precisou de anunciar a intenção de criar uma qualquer central de informação, porque já tem uma a funcionar, e muito bem.
Quem manda neste governo não são os ministros, são os spinners ... Os ministros mandam-se calar pura e simplesmente. As notícias i.e. as medidas caem a conta gotas, cuidadosamente, sem overlappings para não se perderem, e são todas estudadas, muito bem estudadas. Eu não tenho nada contra que um governo trate e bem da sua imagem, acho-o aliás fundamental, mas para mim isso passa por explicar as coisas bem, e não vender banha da cobra.
Se este governo acha que é preciso um aumento de impostos que o diga, e já ! O povo português não é parvo e já percebeu que está a ser sondado, testado. Todos os dias saem notícias, fugas cirúgicas e anónimas, é o IVA que pode subir, é o preço do Imposto Automóvel ou do Imposto sobre os combustíveis, é do raio que o parta, nunca se confirmam, até ver. Eles, os polsters, estão a ver o que provoca menos irritação, o que passa melhor, com mais "serenidade". Em suma estamos a ser governados às apalpadelas, enquanto cobaias.
As coisas podem ser assim ou assado, dependendo das sondagens do dia, e nunca se fizeram tantas sondagens como agora. Ironicamente, ou se calhar não, nada disto é original ou exclusivo do Dr. Sócrates, o Sr. Bush, e o Sr. Clinton antes dele, governaram e governam grandemente assim, cá na europa o Sr. Berlusconni faz o mesmo. É a esquerda, a nossa puritana esquerda, nas melhores companhias.
Quer isto dizer que não vai ser feito o que tem que ser feito mas simplesmente o que "puder" ser feito sendo que quem decide são as sondagens.
Isto, meus caros, não é ouvir as pessoas, isto é manipular as pessoas e, invariavelmente, vai acabar mal. E vai acabar mal porque se o producto for bom uma boa publicidade só ajuda, se não for... Tanta eficácia comunicativa só pode acabar mal. Porque mais dia menos dia um dos sabonetes (i.e. ministro ou afim) vai escorregar e escorregando quando maior for a distância entre o public(it)ado e a realidade pior vai ser, porque os amigos não vão conseguir abafar todas as notícias, todo o tempo... E vai também acabar mal porque numa medida intrinsecamente de esquerda este governo começa a dar mostras de ser incapaz de assumir rupturas, e assumir rupturas implica que alguns terão de fazer mais sacríficios para que no futuro todos possam viver melhor.
A discussão que se vive por estes dias sobre a carga fiscal demonstra e é indiciadora da cobardia deste governo . Entre fazer as reformas, e assumir os tais sacríficios, com cortes reais na despesa, com despedimentos - na função pública, com fim da manutenção artificial através de subsídios de subsectores sem qualquer viabilidade, etc - e não as fazer e diluir os custos por todos (aumentando a carga fiscal) o caminho está a ser traçado, continuando assim a hipotecar-se o futuro e perpetuando com novas vestes a estratégia da avestruza, o que é feito desde o tempo do Eng. Guterres...
O Eng. Sócrates é de facto, e até ver, bem menos trapalhão que o Dr.Lopes, mas fora isso, fora a embalagem, está a demonstrar ser igual... É a vida.
Publicado por Manuel 16:15:00 1 comentários Links para este post
O ponto de vista de um farmacêutico
A minha farmácia
Precisar de uma farmácia/farmacêutico para comprar medicamentos que não necessitam de receita médica, é o mesmo que precisar de uma softwarehouse/engenheiro informático para afixar uns posts num blog.
De certa forma era engraçado que isso acontecesse.
Imaginem se eu, engenheiro informático, tivesse a minha "farmácia-informática". Lá estaria eu de bata branca, atrás de um balcão, pronto a receber os pedidos de publicação de textos e imagens. Imagino alguns bloggers a aparecerem ali para aviar uns textos e umas imagens
Aparecia o Marujo com um texto de ferroada nalgum político e uma imagem de uma tipa boazuda. E eu daria o meu sábio conselho técnico: "Tenha cuidado para não afixar a imagem depois da refeição" ou "Há agora outras imagens de moças com linha de anca mais pronunciada. Não quer experimentar?"
Seguia-se o Lutz. Um texto com um poema em alemão e a playmate semanal. Olhava cuidadosamente para o material e diria: "Este poema só com receita. Traz-me depois, está bem?"
Posteriormente uma freguesa: a Ana Gomes: "Ó Sr. Engenheiro-Farmacêutico! Na semana passada coloquei um post sobre as poucas mulheres no governo e houve por aí imensa azia. Não tem aí nenhum post a sugerir o nome de algumas mulheres para o Governo?" E a minha sábia resposta: "No seu caso talvez fosse melhor um genérico. Porque é que não publica antes uma coisa genérica sobre a igualdade de direitos entre homens e mulheres?"
Surgia então o João Miranda. Trazia-me um daqueles posts defendendo argumentos liberais em vários parágrafos, numerados sequencialmente. Eu examinaia o material, e diria "Sim senhor... vamos lá a publicar isto... Já não é a primeira vez que você defende uma coisa destas, hein?... Sabe que pode sentir uma irritaçãozinha ao ler os comentários, certo?"
Por fim, lá vinha o Daniel Oliveira, trazendo o Nuno Sousa pela mão. E dizia-me: "Sabe o que é? O moço afixou um texto sobre a saúde do Papa e isso provocou convulsões. Tem alguma coisa para agitar ainda mais a situação?" E da minha sabedoria técnica viria o conselho sábio: "Bem... vamos lá a ver... você podia colocar um post ligando a Igreja Católica ao caso do Apito Dourado..." "Mas como é que eu faço isso?" perguntava o Daniel já com os olhinhos a brilhar. "É simples. Você pode sempre associar o Cónego Melo com o Sporting de Braga. A partir daí é simples insinuar que se não fosse a Concordata, o Sp. Braga estaria no meio da tabela..."
in Povo de Bahá
Publicado por Nino 13:44:00 0 comentários Links para este post
Síntese Económica de Conjuntura - Fevereiro de 2005
A informação sobre as condicionantes externas da economia portuguesa revela ainda sinais de fragilidade na retoma internacional. No plano interno, o indicador de clima económico permaneceu em Fevereiro num valor já registado nos dois meses anteriores e o indicador de actividade desacelerou ligeiramente em Janeiro, contrariando o movimento registado no mês precedente. O consumo privado acelerou em Janeiro, de acordo com o respectivo indicador quantitativo, devido à evolução mais positiva tanto do consumo corrente como do de bens duradouros. Em Fevereiro, também o indicador qualitativo de consumo apresentou um desagravamento das opiniões dos empresários do comércio a retalho, enquanto a confiança dos consumidores manteve o nível anterior. Quanto ao investimento, verificou-se uma desaceleração em Fevereiro, o que se ficou a dever à evolução da componente de construção, mantendo as restantes comportamentos favoráveis. Os dados até Dezembro do comércio internacional apresentaram acelerações em ambos os fluxos, tendo aumentado o diferencial entre o ritmo de crescimento das importações e o das exportações. No mercado de trabalho registou-se um agravamento da generalidade dos indicadores disponíveis. Em Fevereiro, a inflação aumentou 0,2 pontos percentuais (p.p.), ao alcançar 2,2% de variação homóloga, registando-se movimentos contrários nas suas componentes, uma vez que a de bens acelerou 0,3 p.p. e a de serviços abrandou 0,2 p.p.. A inflação subjacente manteve-se em 1,3%.
in INE (ligação para o destaque)
Publicado por Rui MCB 11:17:00 0 comentários Links para este post

Flamingos drink water at the Planckendael zoo, near Brussels March 17, 2005. The Planckendael park specializes in breeding rare endangered species. REUTERS/Francois Lenoir
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Publicado por Manuel 23:07:00 0 comentários Links para este post
Scuts...Um paraíso perdido
Para que não restem dúvidas, e de uma forma clara, no regime tradicional, pagam todos aqueles que utilizam a auto-estrada, naquilo que é conhecido por princípio do utilizador-pagador.
No regime SCUT e ainda sem adiantar a lógica, se é que ela existe, o Estado paga directamente ao concessionário através de dotações orçamentais, as passagens que virtualmente vão sendo efectuadas. Se o pagamento é efectuado via orçamento geral do Estado, então pagam os que utilizam e aqueles que não utilizam.
Discutir de uma forma coerente as SCUTS, é assim relativizar sobre os seus custos e raramente a sociedade portuguesa tem sido colocada à prova, com questões sobre a verdadeira utilidade em termos de criação de riqueza nacional com estradas sejam elas SCUTS ou não.
O processo SCUT, não é novo. Têm 6 anos.
Entre Dezembro de 1997 e Abril de 1999 foram lançados doze concursos públicos internacionais para a atribuição de outras tantas concessões, dos quais 7 concessões SCUT com uma extensão de 973 Km e com uma estimativa de valor de contratação da ordem de 1200 milhões de contos. Deste conjunto foi concessionada definitivamente ainda em 1999 a SCUT da Beira Interior e já em 2000 as SCUTS do Algarve e da Costa de Prata.
Em primeiro lugar, importa perceber se o país em 1996, tinha quer condições financeiras, quer uma necessidade própria de possuir estas estradas. Como Cravinho, e bem, em tempos disse, o país não dispunha de condições orçamentais para erguer esta obra. Se não as tinha, e a obra surgiu, é óbvio que o preço futuro a pagar, terá um ónus. Um duro ónus. Desde 1996, que Vítor Constâncio sabe que as contas públicas não permitiriam que as SCUTS fossem erguidas com financiamento do Estado. Quando em cima falava de lógica, que lógica é esta que imputa a mais um valor de 600 milhões de euros numa auto-estrada como a da Beira interior ?

Se é verdade que sem regime SCUT estas auto-estradas não se construíam, também é verdade que a sua construção deveria em devida altura ter alertado os governantes para o problema futuro. O problema da forma como se fará o pagamento. As SCUTS na sua versão original deveriam ser vistas como uma forma de discriminação positiva, mas transformaram-se num autêntico elefante branco e a pagar em vários anos.
Em segundo lugar, um dos argumentos mais utilizados para defender as Scuts, passa pela capacidade ou não do Estado possuir recursos e/ou restrições orçamentais que lhe permitam efectuar a obra. Por outras palavras, se a obra tiver mesmo que ser realizada, o que o regime SCUT permite é fazer a obra, sem onerar no imediato mas sim onerando a longo prazo.
Assim e no caso português, qualquer tentativa de análise que envolva o Estado Português não é exequível, uma vez que o Estado não possui capacidade para se endividar em tal grandeza.
Pior, parece ser o facto de como atesta o quadro abaixo, e recordo apenas para as três SCUTS acima indicadas, o Estado português ter que cobrar acrescidamente os montantes assinalados de receitas fiscais, para fazer face ao desígnio SCUT.

Parece evidente, que a aceitação pública do dever de pagar de impostos apesar de depender em elevado grau da demonstração da qualidade das despesas que o esforço dos contribuintes permite ao Estado realizar, não pode servir como argumento para que se realizem obras desta envergadura e com este impacto financeiro futuro, sem pelo menos acautelar os riscos futuros que lhes estão associados.
Ora, tal pensamento, ainda se torna mais relevante quando as SCUTS acarretam despesa pública.
E o governador do Banco de Portugal acordou ontem para este problema. E lembrou-se que as SCUTS poderiam afinal ser financiadas, pelo aumento da carga fiscal , nomeadamente no Imposto Automóvel e no Imposto sobre os combustiveís.
Ora, há algo que um governador do Banco de Portugal deveria saber. A consignação de receitas é algo que é quase proibitivo e ainda recentemente as autarquias foram impedidas de o fazerem ainda que directamente.
Parece-me assim incoerente que Constâncio tente agora, influenciar um aumento da carga fiscal que incide sobre os automóveis, logo no país que maior tributação apresenta neste capítulo. Parece, incompetência, estar a "promover" uma indução do aumento do ISP - Imposto de Produtos Petrolíferos - quando existe uma liberalização-cartelização no mercado com os resultados que todos conhecemos. Não têm adjectivo a consignação do somatório destas receitas ao pagamento do custo de financiamento de SCUTS.
Por outro lado, a missão do Banco de Portugal é em larga escala extravazada com as declarações de Vítor Constâncio. É missão do BP, conduzir a política câmbial e monetária. Não é missão do BP, influenciar de forma directa a política económica, sob pena de futuramente os governos, se sentirem limitados na condução da política económica pelo discurso que a instituição profere.
De qualquer forma, com este discurso, Constâncio, fica sujeito à pergunta sobre o que andou a fazer nos últimos 6 anos no que às SCUTS diz respeito. Em 1996 era governador do Banco de Portugal. Onde estava quando Guterres e Cravinho, colocaram um ónus duríssimo no futuro?
P.S. Finalmente Vital Moreira acordou para o problema. Parabéns.
Publicado por António Duarte 15:45:00 2 comentários Links para este post
Don't ask, don't tell...
Publicado por Manuel 12:52:00 0 comentários Links para este post
por uma questão de coerência...
Mais logo à tardinha, anuncia-se na TSF, o Padre Melícias, Vitor, vai fazer uma pequena homilia, irá até apelar a uma candidatura presidencial do Eng. Guterres. Espera-se que alguma associação cívica mais zelosa faça, em coerência, a competente queixa à PGR...
Publicado por Manuel 11:36:00 0 comentários Links para este post
Quem ainda tem medo do lobo mau?
Com o que vou lendo sobre a potencial candidatura de Ferro Rodrigues e a disputa com Santana Lopes, apetece-me perguntar...
Será que ninguém assistiu à última campanha eleitoral, nomeadamente aos debates televisivos e, no final da noite, aos resultados eleitorais? Onde é que há lobo mau? Mas será que estou a menosprezar demasiado o "inimigo"?
Prefiro elevar a fasquia, há tempo na política em que também é preciso fazer isso. E sinceramente, se não se faz contra Pedro Santana Lopes, faz-se contra quem?
Há que actualizar o valor de mercado de Pedro Santana Lopes! Já se o candidato do PSD fosse Carmona Rodrigues, a luta poderia ser mais renhida na contagem de votos, e muito provavelmente mais digna para os lisboetas, digo eu...
Quanto ao handicap de Ferro Rodrigues, sinceramente não me parece que, em condições normais de campanha, venha a influenciar negativamente de forma decisiva uma eventual vitória do PS.
Pessoalmente talvez gostasse mais de ver uma candidatura de Mega Ferreira, mas compreende-se o acerto de contas que - contrariamente ao que Eduardo Prado Coelho vaticina nas páginas do Público - me parece que um certo PS quer fazer com Ferro Rodrigues em jeito de "reparações de guerra".
José Sócrates (com a ajuda de alguma sondagenzita, talvez) terá a última palavra e dir-nos-á quão abrangente é esse PS.
Publicado por Rui MCB 11:22:00 0 comentários Links para este post
Habituem-se
Alguém português se lembra de ter votado no Dr. Constâncio para o que quer que seja, recentemente ? Se a memória não me falha a definição e prossecução das políticas económicas compete ao Governo da República, sendo que o Governador do Banco de Portugal é independente e não uma extensão ou porta-voz de qualquer Governo...
Publicado por Manuel 10:50:00 1 comentários Links para este post
Index já ...
E se O código Da Vinci não fosse um romance mas antes uma tese de investigação cientifica...
Publicado por contra-baixo 10:13:00 0 comentários Links para este post
Sim ...
Mas desta vez perguntem aos próprios cabo-verdianos se estão interessados.
Publicado por contra-baixo 8:54:00 2 comentários Links para este post
FARSA
Pedro Santana Lopes parece que trata os seus colaboradores como meros lacaios. O grave é que parece que eles gostam. E, para não perder tempo, começa logo nos mais próximos. Constava que Carmona Rodrigues tinha conseguido devolver alguma dignidade à função presidencial camarária. Discreto e aparentemente competente, Carmona não despertou animosidade nas oposições e mobilizou minimamente a anquilosada máquina da Câmara. Mesmo que o faça em nome da amizade, a farsa em que se deixou envolver nos últimos dias, por causa do "volta-não-volta" de Santana, é imperdoável. O respeito por si próprio e pela forma como exerceu o seu curto mandato não são compatíveis com a não-posição que tomou. Era preferível ter saído de rosto erguido a ter ficado, ainda que tenha "poderes reforçados". Se tão pouco lhe basta como consolo, este gesto pusilânime coloca-o à altura do seu mentor. Por isso, nem um, nem sobretudo o outro, merecem continuar depois de Outubro.
in Património
Publicado por Manuel 6:01:00 0 comentários Links para este post
A pedido de várias famílias
Ele está de volta. E em grande forma, provando mais uma vez que, com ele, nunca se pode dizer nunca e o impensável se conjuga sempre no passado, senão leia-se...
Regresso à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa para cumprir um dever que muito me honra. Faço-o com gosto, quando, como sempre, surgiram outros desafios na minha vida profissional. Quero, por isso, deixar claro que dou todo o meu trabalho até ao final do mandato sem procurar vantagens materiais. (...) Também em 1991, o Dr. Jorge Sampaio regressou à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa depois de ter suspendido o mandato para disputar Eleições Legislativas com um resultado semelhante.
Publicado por irreflexoes 2:10:00 0 comentários Links para este post
Quatro realidades que já se adivinhavam...
1. O FC Porto disse adeus à Champions e terá terminado, esta noite, um ciclo de sucesso. A crise vai ser longa e a primeira consequência será, com quase toda a certeza, finalizar esta temporada sem qualquer êxito (além da Intercontinental e da Supertaça portuguesa, conquistadas por… Fernandez)
2. Couceiro tem hoje um dos casos mais bicudos que algum treinador português alguma vez já resolveu. Terá que ser muito bom para não ser a próxima vítima.
3. Sem deslumbrar, entre esta ou aquela escorregadela, o Benfica apresta-se a voltar a ser campeão nacional, pondo fim a um jejum de mais de uma década. Se o Sporting bater o FC Porto no clássico de Alvalade (neste momento, o resultado mais provável), o Benfica passa a ter a faca e o queijo na mão.
4. Mourinho garantiu praticamente o título inglês, ao aumentar para 11 o avanço sobre o Manchester. Na Champions, só vejo uma equipa capaz de travar José: o AC Milan, de Rui Costa. De recorde em recorde, um treinador português prepara-se para entrar na história. Se for campeão inglês e europeu, imediatamente depois de ter sido campeão europeu pelo FC Porto, e dois anos depois de ter ganho a Taça UEFA, então aí, não restarão mesmo dúvidas: ele será mesmo o melhor treinador do Mundo nas últimas décadas largas. Podemos achá-lo antipático e arrogante – ambas as coisas são verdade – mas ele é mesmo o melhor do Mundo.
Publicado por André 0:38:00 1 comentários Links para este post
eliminados...
Terça-feira, Março 15, 2005
Publicado por Manuel 21:50:00 3 comentários Links para este post
esplendor na relva
Quando um tipo pensa que já tinha visto tudo no PSD eis que se fica a saber que o PSD/Santarém não arranja ninguém melhor para concorrer à edilidade local que... Moita Flores.
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Publicado por Manuel 18:38:00 1 comentários Links para este post
Dez litros de super e meio litro de líquido amniótico
Como um dos mecanismos de acção das afavelmente designadas "pílulas do dia seguinte" é o impedimento da nidação do óvulo fecundado, vai passar-se a poder abortar nos supermercados, estações de gasolina e tabaqueiras.
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Publicado por Nino 17:24:00 2 comentários Links para este post
Limiano às Fatias - Edição nº 3
Nesta edição poderá ler as nossas colunas ...
Lex Mole pelo Venerável Irmão José
A Torre de Babel pela escrita do Venerável Irreflexões
E o GWOM que estreia uma novíssima coluna de opinião... O Estado Imperfeito
Poderá encontrar todas as edições anteriores, bem como esta edição no blog-irmão desta Venerável Loja.
Aqui em Limiano às Fatias.
Publicado por António Duarte 14:58:00 0 comentários Links para este post
Habituem-se...
Sócrates impõe «blackout» a membros do Governo.
Publicado por Manuel 11:59:00 0 comentários Links para este post
À chapada ...
Quem não está completamente inocente nesta questão são os sindicatos que têm ignorado o fenómeno, contribuindo assim para a ausência de regulação das próprias carreiras, concentrando o seu objectivo na defesa dos que engrossam as suas fileiras, não prevendo a admissão dos trabalhadores em regime de CIT (conheço pelo menos um caso em que o pedido foi rejeitado).
Sobre a lei que institui e generaliza a aplicação do CIT na administração pública o que se pode dizer é que, em alguns aspectos, prevê o pior dos dois regimes. Estou, aliás, muito curioso em relação ao que se passa nos hospitais SA, aonde as duas formas de contratação já correm em paralelo, para ver como tudo isto vai acabar, estando eu em crer que, se nada for feito em contrário, vai ser à “chapada”.
Publicado por contra-baixo 10:51:00 5 comentários Links para este post
um retrato

Pinky, a Moluccan cockatoo, rides a bicycle in a show at Parrot Jungle in Miami. (AP Photo/Danny Harpaz)
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Publicado por Manuel 0:13:00 0 comentários Links para este post
CANSAÇO
O Pedro perdeu e automaticamente perdeu-se. O Pedro está cansado e nós estamos terrivelmente cansados dele. O Pedro verdadeiramente já só representa cansaço. Um imenso cansaço.
in Património
Publicado por Manuel 21:39:00 0 comentários Links para este post
uma questão de bom senso...
O Dr. Noronha do Nascimento, outrora todo-poderoso, segundo se diz, controleiro do Conselho Superior de Magistratura, dá hoje uma curiosa entrevista ao Jornal de Notícias.
A mera publicação da entrevista é por si só absoluto serviço público. E é serviço público porque mostra a verdadeira face de um dos homens, ainda, mais poderosos e influentes do país. É ainda serviço público porque, mais uma vez, serve para mostrar as ideosincrasias existentes na actual orgânica do Supremo Tribunal de Justiça assim como a necessidade imperiosa de adaptar a sua orgânica, transparência, funcionamento e democraticidade/representatividade.
Sejamos claros, absolutamente claros, o Dr. Noronha do Nascimento fez carreira sendo um cacique, um absoluto cacique, e era por isso, só por isso, que contava ser eleito Presidente do STJ. Não era, nunca foi, pelas ideias, pela ideologia, pela religião, por qualquer questão geracional, ou sequer pelo avental, esperava ser eleito, pura e simplesmente, porque achava, e continua a achar depreende-se lendo a entrevista, que as pessoas lhe deviam isso.
Era só chegar, ver e vencer. Perdeu. Contra todas as espectativas, perdeu mesmo. Seria de esperar talvez um pouco de humildade, um tudo nada de descrição, mas não. Tinha de falar ou arrebentava. Não teve uma palavra para o vencedor, não teve uma palavra para os que não votaram nele, mas descobriu um novo papão! Perdeu, sim, mas por culpa dos militares, logo o STJ é controlado pelos militares. Perfídia e insídia, em toda a linha, apimentada com doses elevadas da mais pura desonestidade intelectual.
É que não é preciso ser magistrado, muito menos jurista, para se saber que não há, nem pode haver, membros do STJ de primeira ou de segunda categoria, (o S é de Supremo), há, apenas, membros que podem ser eleitos Presidente e membros que, simplesmente, não podem ser eleitos Presidente (os militares). Em tudo o resto é suposto um voto ser um voto, ou será que na lógica peregrina do Dr. Noronha os militares eram dignos e tinham estirpe moral para votar sobre esta ou aquela matéria ("civil") e já não a tinham para votar para presidente ? Mas o dr. Noronha diz mais, diz, ipsis verbis, que "A questão devia ter sido levantada, mas não o quis fazer, porque o meu opositor era o doutor Nunes da Cruz. Se fosse outro, levantava a questão". Assim, ou a questão militar não é relevante e apenas é levantada agora por mau perder, ou então pura e simplesmente o Dr. Noronha julgava mesmo, e sabe-se que julgava, que ia ganhar, e nesse contexto a questão continuava a não ser relevante. É só escolher. Acresce que ao insinuar que perdeu por causa dos militares o Dr. Noronha implicitamente afirma saber quem votou em quem... bonito e edificante.
Mas a questão de fundo é ainda pior. O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça é, segundo a Constituição, a quarta figura da nação, e, desse instituto, do STJ, espera-se clareza, objectividade e sensatez. Num país onde é comum num dia, e sobre a mesma matéria, a justiça decidir uma coisa, e noutro, o contrário, a entrevista do Dr. Noronha veio lançar a sombra e a suspeita sobre o Supremo Tribunal de Justiça. Para começar, e aos olhos do candidato derrotado, o seu presidente não tem legitimade, pois foi eleito com os votos dos... militares. Os civis que não se reviram no Dr. Noronha devem ter sido, perigosamente, coagidos sob a força das armas a votar no vencedor. A brincar, a brincar, e muito a sério é só isto que se pode depreender das declarações do Dr. Noronha do Nascimento ao Jornal de Notícias. Para ele os seus votos eram dos bons, os do outro já não. Um verdadeiro democrata.
O que o Dr. Noronha fez hoje foi transportar para o STJ o clima de intriga que o manteve à tona do CSM durante uma eternidade. Foi espalhar a confusão e a dúvida, lançar a incerteza. Depois da entrevista de hoje, um exercício compungente de ressabianço e mau perder, que certezas podemos ter do Dr. Noronha do Nascimento, Vogal do STJ ? Que é sereno ? Que é recatado ? Que é sensato, responsável ? E sobre o STJ ? Que é sereno, uno e que apenas se pronuncia tecnicamente sobre matérias júridicas ? Ou que é, mais, um palco de batalhas campais ?
Esperam-se, sinceramente, nos próximos dias, e a bem da sanidade do sistema judicial português, duas coisas, uma, que o Dr. Noronha se retrate das declarações que fez e onde, inequivoca e objectivamente, põe em causa a legitimidade do recém-eleito presidente, e a outra, que todos os membros, mormente os eleitores do Dr. Noronha, manifestem clara e inequívoca solidariedade face ao Presidente eleite e dissipem qualquer dúvida que possa restar sobre qualquer falta de legitimidade.
Ainda sobre o bom-senso este mesmo Dr. Noronha na mesmíssima entrevista, quando questionado, diz...Mas os factores de graduação também eram alvo de críticas. Acha normal que o aprumo seja um dos factores para entrar no Supremo?
Não são apenas factores de carácter técnico que contam. O bom senso também pesa nas decisões. Uma pessoa pode ser fabulosamente inteligente e fazer decisões estapafúrdias. O Direito não é feito para Marte, é feito para pessoas que vivem neste Mundo.
Como ? Eu sei que aos olhos do Dr. Noronha devo estar no lote dos que tem "coeficiente intelectual muito baixo" mas na minha terrinha uma decisão ou está certa ou está errada, porque se estiver tecnicamente muito bem fundamentada mas continuar errada então ou é a lei que está errada ou é apoiada em factos falsos ou errados. Aquilo que é apelidado de "bom senso" não tem pois rigorosamente nada a ver com o caso, e, é, antes, um eufemismo para outra coisa qualquer. Se calhar não há é, no CSM, critérios objectivos e consistentes de medir o tal caracter técnico, que se mede por atacado e a peso, pelo que sobra o tal bom senso, consumado nas amizades, na aparência e noutras coisas que tais...
Para terminar, e sobre o estranho caso do cochecol rosa-choque, será normal um vogal do Supremo, ainda por cima ex vice-presidente do CSM dar palpites, às claras, sobre o que este orgão deve ou não fazer ? Será curial exprimir, em público, de barato que não é preciso nenhum inquérito ao comportamento - ilegal - do actual vice? Isto alinhando ao lado do corporativismo balofo do presidente do sindicato dos juízes para quem estar numa noite eleitoral num sede partidária não é (!) um acto político ? Não pode ser interpretado como uma forma de pressão ? Ou de coação ? É isto que é o tal bom senso ?
Publicado por Manuel 19:55:00 11 comentários Links para este post
Governo com efeitos secundários
A primeira medida da era socrática foi a liberalização dos medicamentos não sujeitos a receita médica. De onde se depreende que há, pela primeira vez na história recente de Portugal, uma clara vontade política de mitigar os problemas que mais cruciam o cidadão comum: a dor, a azia e a prisão de ventre.
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Publicado por Nino 19:12:00 0 comentários Links para este post
Jornal propriedade da Sonae garante....
Venda de alguns medicamentos fora das farmácias não é perigosa.
Publicado por Nino 17:32:00 2 comentários Links para este post
miragens
Ainda a propósito da entrevista da Maria José Nogueira Pinto... Há uma certa direita (?) em Portugal que se dá mal com a intelectualidade, pois aos seus olhos esta acaba por ser sempre de esquerda. Apesar disto, ou talvez mesmo por isso, não deixam de periodicamente inventar novos gúrus intelectuais, alegadamente de direita. A miragem dura sempre pouco, já que mais tarde ou mais cedo rapidamente os renegam, umas vezes por manifesta falta de qualidade outras por deslealdades... orgânicas. A última invenção, por estes dias a ser levado ao colo, é um tal de Rui Ramos, "historiador". A sua escrita, a sua clarividência, provoca vómitos e nâusea, tal o insulto à inteligência e bom senso. Afirma-se de direita, mas, não passa, voluntáriamente ou não, de um grande avançado da equipa contrária, quanto mais não seja pelo descrédito que causa.
É que a direita para ser levada a sério não tem que dizer mal nem bem da esquerda, ser diferente, só por ser, ou ter que ser, tem é que apresentar, se o tem, um projecto alternativo ao desta, apesar do desta, coerente e credivel. Se a esquerda tradicionalmente é revolucionária nos princípios e conservadora nos objectivos a minha direita não é, nem pode nem deve ser, conservadora nos objectivos, é-o e deve-o ser, é verdade, nos princípios, e sendo-o, e por o ser, revolucionária nos objectivos. Um mundo de diferença. Infelizmente, há muita gente que ainda não percebeu isto.
Publicado por Manuel 15:24:00 0 comentários Links para este post
"A posse e o perfil..."
e mais outro postal de Olho Crítico...
... ou o perfil e a posse.
Para se ocupar um lugar, um cargo ou um tacho, há virtudes que se devem ter. São traços de carácter, qualidades próprias que distinguem o escolhido de todos os outros concorrentes ao tacho, ao cargo ou ao lugar.
A questão é que, não se prescindindo do "perfil", não poucas vezes ninguém vê onde estão os tais traços que separam o ocupante do cargo ou lugar de dezenas de milhares de outros com perfil, ou qualidades para os mesmos. Inquirimo-nos das razões e, não as encontrando, confabulamos e somos profundamente injustos com os escolhidos, pois que, se o foram, mais virtudes têm que todos os outros. Quem escolhe é que sabe e nós temos de crer no perfil de quem escolhe e manda. Sempre foi assim e não há razão para deixar de o ser.
Já se não fala de "tachos" porque isso é terminologia culinária e não exige perfil, antes padrinhos de baptismo ou casamento, seja ele de que instituição for, laica, ou religiosa.
De modo que, quando o sociólogo António Barreto falava1 de "...Os mais baixos exercícios que os homens conhecem..." dos que "...se punham nas pontas dos pés. Os que lambiam as botas. Os que dobravam a espinha. Os que davam graxa...", estava, lamentavelmente, a esquecer que o perfil é para ser ajuizado por quem manda, por quem tem o poder vindo de Deus e que, na conjuntura, a avaliação do perfil não é para ser discutida. Exerce-se e pronto. Quem não é escolhido não tem perfil. Se o quer ter, que dê graxa, que se curve, que lamba botas. Fica na lista.
O grande equívoco de António Barreto provém do facto de não ser jurista. Ignora, o que não é perdoável, o Código Civil, onde o legislador, sempre inspirado e com toda a razão, define o que é a "posse". Ter "posse" é ser proprietário, é ser dono de algo, de uma vivenda no Estoril, ou de uma courela seca em Bragnça, ou de um cargo, ou de um lugar. Quem toma posse disso ou de qualquer outra coisa, passa a ser dono. Faz o que quer. Assim, o primeiro ministro é dono do governo, do país, o director geral da direcçao-geral, o empresário da empresa e por aí fora até aos confins de tudo quanto pode ser possuído. Depois da posse, a gente faz o que quer.
Não presta contas.
António Barreto escrevia por despeito. Queria algo que não lhe deram, ultrapassaram-no. Tem de vergar a espinha, dar graxa, lamber botas. O que, convenha-se, não diz bem com a sua natureza de intelectual de valia.
(1) Público, 13/03/05
Olho Crítico
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Publicado por josé 12:18:00 5 comentários Links para este post
ler os outros...
Estudo de caso: o tom das manchetes do 24 Horas por Eduardo Cintra Torres.
Publicado por Manuel 9:41:00 0 comentários Links para este post
Estimulante, e provocatória, Maria José Nogueira Pinto no Diga Lá Excelência. Não é da minha direita, mas faz pensar.
Publicado por Manuel 7:30:00 0 comentários Links para este post
Moralista. eu ?
Domingo, Março 13, 2005
Ao que parece a RTP/1 vai passar um destes dias, outra vez, o filme "Strip Tease" com a Demi Moore. Normal. Acresce que no spot promocional que o canal público está a passar a RTP deve ter conseguido incluir as vezes todas (que são poucas, queixem-se à DECO) em que a senhora aparece com uma parte relativa dos seus "dotes" naturais (?) à mostra no tal filme. Deve ser um novo conceito de serviço público...
Publicado por Manuel 22:59:00 0 comentários Links para este post
SEXO E A CIDADE
1. O primeiro-ministro começou bem. Em vez das habituais vacuidades proclamatórias, Sócrates foi aconselhado a deixar logo "preto no branco" duas "medidas". Uma - a dos medicamentos - irritou sumariamente a corporação farmacêutica. Um bom sinal. A outra - coincidência do referendo à constituição europeia com as autárquicas - é, no mínimo, sensata, isto se o "regime" não quiser passar por mais um vexame. Também a "forma" ajudou. A rapidez e a discrição da posse parecem indiciar um novo estilo anti-espectáculo o qual, nem por isso, deixa de ser menos mediático.
2. Até Jorge Sampaio se conteve, contrariamente ao que tinha acontecido no "dia internacional da mulher". De facto, soube pelo País Relativo que Sua Excelência disse esta coisa extraordinária: "não é justo nem razoável que persistam enviesamentos masculinocêntricos tão acentuados na selecção das questões políticas agendáveis". Esta "tirada" deve ter caído no goto das "mulheres socialistas", raivosas com o desprezo a que Sócrates as votou na constituição do governo. Sócrates decidiu não considerar as "mulheres" como uma "questão política agendável" e demonstrou um preocupante "enviesamento masculinocêntrico". Ou seja, não foi "politicamente correcto". Também aqui esteve bem. A política não deve ter sexo. Alguém que a ela é chamado não o deve ser por ser homem, mulher ou hermafrodita. Deve-o ser apenas porque serve ou não serve, porque é competente ou não é e porque tem alguma densidade ou não tem. Nem a piloca nem as maminhas são para aqui chamadas. Só mesmo a cabeça.
in Património
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Publicado por Manuel 21:50:00 1 comentários Links para este post
Álvaro de Campos
O Sono
O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.
O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.
Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.
Meu Deus, tanto sono! ...
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memórias dos idos de Março de 75
Águas de Março, Tom Jobim, 1972A canção de Tom Jobim é de 1972 e a genial interpretação de Elis Regina, também.
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É um resto de mato na luz da manhã
Em Março de 1975, já nos meus últimos “teens”, ouvia música, como os “teens” de hoje. E lia. Livros, jornais e revistas - que guardei.
Em dois dias do mês, a 6 e 7, tinham tocado os Genesis, em Cascais, num pavilhão desportivo.
A imprensa da época ligou menos ao assunto do que a de agora, trinta anos passados sobre a efeméride. O Expresso, no seu suplemento (excelente, aliás) Actual, de 5/3/05, dá-lhe quatro páginas, em que César Avó tenta explicar o fenómeno musical e o acontecimento desse mês de há trinta anos, nada parco doutros acontecimentos historicamente marcantes. A crítica musical do Expresso de há trinta anos, num quadradinho de fim de página do segundo caderno do dia 1.3.1975, intitulado Pop Corner, sem assinatura, dizia assim...
“Nas próximas quinta e sexta feiras ( 6 e 7 de Março) o calmo meio musical português vai ser abalado por um grande acontecimento: a actuação de um importante grupo britânico em dois concertos que constituirão porventura os mais altos momentos de “rock” ao vivo no nosso país, depois dos concertos dos Procol Harum há dois anos atrás. O nome desse grupo é Génesis.” E continuava por mais umas linhas a apelar à presença nos concertos, porque “perder os Genesis é seguramente perder uma das raras oportunidades de ver um bom concerto de “rock” em Portugal.
Mesmo ao lado da crónica, Pedro Pyrrait assinava a recensão crítica dos discos de Leonard Cohen, “New Skin for the old ceremony” , um disco single dos ELP (Emerson Lake and Palmer) e o primeiro dos Bad Company que continha “Can´t Get enough”!
Seria de esperar que na semana seguinte, viesse a reportagem com fotos e entrevista…mas quem folhear o número do Expresso de 8/3/1975, lerá muita coisa; porém, sobre música, e sobre o concerto dos Génesis, a melhor metáfora vem no fim da página VIII, sob a forma de um anúncio a um filme de Igmar Bergam - “O Silêncio” . Nem uma linha sobre o concerto que seria um “grande acontecimento”!
Silêncio que se redrobou na semana seguinte, para dar conta de “ O 11 de Março passo a passo” e perguntar “ Quem armou a mão de Spínola?”, cuja resposta, ao fim de umas linhas se adivinha ...“ainda não encontrámos uma resposta cabal”! Contudo, fala-se em “ ambiente de profunda tensão, com rumores de golpes,inclusivé anunciados na imprensa estrangeira” “Nós próprios”, diz o Expresso no artigo não assinado, “ alertámos através do noticiário apresentado, descrevendo as correntes divisionistas no se



