Cindy Lauper, 23 anos depois - «Time after time»

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A Itália aqui tão perto

Por indicação de um comentador anónimo, dá-se conta da seguinte notícia, com origem na SIC Online.
A notícia que segue lembra-me, estranhamente, a Itália dos anos 90.

Começou hoje nos Açores o julgamento da mulher acusada de uma uma burla de mais de 6 milhões de euros na Caixa Geral de Depósitos açoriana. Débora Raposo enfrenta o tribunal quase uma década depois dos crimes e ao fim de vários anos em fuga.
Durante os últimos sete anos, Débora Raposo viveu no Canadá fugida às autoridades, que a acusam de uma burla de 6 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos.

Em 2000, quando outros nove arguidos foram julgados, a antiga professora primária era dada como estando em parte incerta. A reportagem da SIC localizou-a em Toronto.

No mês seguinte, foi aberto um processo de extradição que só se concretizou em Agosto deste ano.

Débora Raposo vai responder pelos crimes de associação criminosa, burla qualificada e falsificação de documentos.

Fazendo crer que era uma mulher rica, Débora Raposo procurava descontar cartas de crédito de bancos russos em instituições financeiras nacionais. A Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo, nos Açores, foi o alvo escolhido.

Durante os anos de 95 e 96 uma linha de crédito financiou a mulher e os seus assessores e colaboradores em viagens e estadias em hotéis de luxo.

A rede, que se dedicava entre outros negócios à lavagem de capitais, pretendia avançar com um colégio internacional a ser construído no Funchal, mas o projecto acabou por fracassar quando a burla começou a ser investigada.

Ricardo Rodrigues, o actual vice-presidente do grupo parlamentar do PS e antigo advogado de Débora Raposo, é agora testemunha no julgamento depois de ter sido arguido e ter visto os seus autos arquivados.

Apesar da Polícia Judiciária ter referenciado o envolvimento de Débora Raposo com redes internacionais de lavagem de dinheiro, a investigação não foi alargada para fora do país.

Publicado por josé 22:40:00 4 comentários Links para este post  



O deputado legislador

O semanário O Diabo, afirma hoje na primeira página que "está em condições de afirmar que o "pai afectivo" do acrescento ao nº 3 do artº 30º do Código Penal, que viabiliza a atenuação de pena no caso de abusos sexuais reiterados contra a mesma vítima, é o deputado socialista açoriano Ricardo Rodrigues, embora este atribua a paternidade à Unidade de Missão criada pelo governo para redigir o CP." Rui Pereira já negou a paternidade...

É caso para comentar: este deputado Rodrigues tem um poder do caraças, não tem? Assim, legislador avulso e singular, em nome da Nação, não será demasiada responsabilidade para um indivíduo só? E isto vai ficar assim, também?

Publicado por josé 18:50:00 8 comentários Links para este post  



O poder que incomoda o poder

Mais uma de Vital Moreira. Sempre que o caso mete magistrados e poder judicial, nunca deixa passar em branco o reparo, a vituperá-los.

Hoje escreveu no blog da causa que afinal, é sempre a mesma e é só uma: a nunciatura do poder político. Isto:
Parece-me evidente que os juízes são titulares de cargos públicos e não funcionários públicos -- o que não é a mesma coisa --, ainda que se lhes possa e deva aplicar o regime destes naquilo que não seja incompatível com a função judicial. Todavia, quando os juízes têm sindicato, fazem greve e, de vez em quando, invocam um horário de trabalho (!?), correm o risco de ser inadvertidamente tomados por aquilo que parecem ser e não por aquilo que são.
[Publicado por Vital Moreira] [29.10.07]

Em 1993, após a revisão de 1992, numa anotação ao artigo 218 da CRP ( hoje artº 216 e que conserva a mesmíssima redacção, não se conhecendo se Vital mudou de posição intelectual) que se refere às garantias e incompatibilidades dos juízes, Vital Moreira, co- anotava, assim, numa pequena notinha com o nº IX...
Enquanto titulares de cargos públicos e elementos pessoais de órgãos de soberania independentes, não subordinados a ordens ou instruções, os juízes não se enquadram integralmente nos conceitos constitucionais de trabalhador nem de funcionário público, para efeito de gozarem directamente dos respectivos direitos constitucionais específicos . Todavia, tendo em conta o carácter profissional e permanente do cargo de juiz, tudo aponta para que lhes sejam reconhecidos aqueles direitos, incluindo o direito à associação sindical.

O problema para Vital Moreira, é sempre o mesmo, também: a coerência. E tem outro que se nota demais, quando se lêem certos escritos antigos, como este, escrito no fulgor de uma manifestaçã geral nas escadas do Parlamento português:

Um jovem e prestigiado dirigente partidário, ex-ministro e deputado, foi humilhantemente buscado em plena Assembleia da República por um juiz de instrução feito rambo-justiceiro, para ser preso preventivamente por um crime infamante. Passou meses na prisão, antes de ser libertado por decisão do Tribunal Constitucional. Foi injuriado e ofendido pela imprensa de direita e vítima de selectivas e reiteradas fugas de supostas provas da sua culpa. Foi acusado pelo Ministério Público, possesso de uma vertigem persecutória. Despronunciado pelo tribunal, viu agora finalmente confirmada a decisão pelo Tribunal da Relação, que rejeitou o recurso com que o Ministério Público teimosamente insistia em levá-lo a julgamento sem nenhuma base consistente. A decisão do TRL não podia ser mais contundente para os acusadores. O juízes-desembargadores classificam as declarações aduzidas contra Paulo Pedroso de "falsas, inventadas, contraditórias e delirantes", acusando o MP de "tentativa de manipulação grosseira de depoimentos". Concluem que este nunca devia ter sido acusado neste processo, quanto mais arguido. A acusação de manipulação contra o Ministério Público não podia ser mais comprometedora. É uma acusação de parcialidade e de perseguição. O PGR deu cobertura consciente e continuada a essa manipulação, desde o início. Só lhe resta assumir a responsabilidade que a dignidade da função exige. A partir de agora é cúmplice de grosseiro abuso de poder.

É claro que o escrito foi refeito, podando-o das ignomínias mais soezes que eram falsas, mas nunca explicado ou com desculpas ao leitor, pelas tresleituras graves que encerra e que denota algo de especial: uma atitude.

Ou este, de 4.10.2004, quase sobre o mesmo assunto:.

Agora Souto Moura vem dizer em entrevista ao Expresso que, tendo sido nomeado por um Governo socialista, ele «seria o último a querer prejudicar o PS» no caso "Casa Pia". O PGR não se dá conta de que com esta pequena manobra de diversão ele só pretende esconder que foi justamente por dever a nomeação ao PS que ele o deixou massacrar e ao seu secretário-geral durante meses, sem fazer nada, só para exibir uma zelosa independência e não poder ser acusado de estar a fazer um "jeito" a quem devia o cargo. Há complexos assim...

Escrito isto, pergunta-se mais uma vez: que credibilidade deve merecer, Vital Moreira, quando escreve sobre estes assuntos e com estes antecedentes?



Publicado por josé 15:35:00 1 comentários Links para este post  



O Orçamento Segundo o PCP


Nos últimos 4 anos, o PCP reagiu assim ao Orçamento de Estado.


Comentários do PCP á Proposta do Orçamento para 2008
" PCP anuncia o seu voto contra este Orçamento de Estado por considerar este orçamento negativo para os portugueses porque agrava as desigualdades sociais e compromete o crescimento do emprego e do desenvolvimento económico do país"


Comentários do PCP á Proposta do Orçamento para 2007
" que a política do Governo PS continua centrada na perda de poder de compra e na redução dos rendimentos dos trabalhadores e das famílias...A antecipação pelo Governo de que a proposta de Orçamento do Estado para 2007 prosseguirá não apenas a cega obediência ao Pacto de Estabilidade - traduzida no corte do investimento e da despesa pública - como será um novo momento para impor a redução do valor real dos salários e das pensões"


Comentários do PCP á Proposta do Orçamento para 2006
"Em vez de se trabalhar para modernizar a economia, trabalha-se para manter a estagnação da economia e, matematicamente, aumenta-se o nível do défice" Bernardino Soares


Comentários do PCP á Proposta do Orçamento para 2005
"um amontoado de truques e habilidades", considerando o anúncio da convergência da pensão mínima com o salário mínimo apenas como "uma entre muitas outras promessas eleitorais...A proposta do Orçamento de Estado para 2005 não serve o país, não defende a sua capacidade produtiva, não aposta num crescimento rápido, não promove a inovação tecnológica, não investe na formação e na qualificação, não dignifica os trabalhadores, não combate o desemprego, não garante os direitos sociais" Honório Novo.


Publicado por António Duarte 14:49:00 3 comentários Links para este post  



Conclusão


Se o que diz hoje o Público for verdade, então a conclusão é óbvia: em Portugal é mais seguro falar ao telemóvel do que ter conversas cara a cara. Não é?

Publicado por Carlos 11:23:00 0 comentários Links para este post  



Nandim de Carvalho

Já percebi: Nandim de Carvalho está no Prós e Contras na qualidade de presidente da Assembleia Geral da Associação de Investidores. Pronto...estragou-me a prosa...Eu que já tinha alinhavado um texto sobre a entrada da Maçonaria no bastião financeiro da Opus Deis e mais não sei quê...Enfim...Nada disto. Factualmente, a associação apoia a fusão Millennium/BPI.

Publicado por Carlos 0:36:00 0 comentários Links para este post  



'No comments' really, ou a verdadeira faxe do 'Eng.' Sócrates...



N.A. 'Obviamente' Luis Amado não viu motivo para se demitir... (Via Corta-Fitas)
P.S. se não funcionar clicar aqui. A rapaziada da corporação e as horas extra...

Publicado por Manuel 23:32:00 3 comentários Links para este post  



Berardo! (Prós e Contras)


Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!Berardo!

P.S. - Na plateia, está um indivíduo que é a cara do Nandim de Carvalho. Se for, ainda não percebi o que faz por lá....

Publicado por Carlos 22:53:00 2 comentários Links para este post  



O orçamento dos liberais

Do Correio da Manhã de hoje:

O Governo prevê gastar no próximo ano mais de 190,4 milhões de euros em estudos, pareceres, projectos e consultadorias. Uma verba que representa um aumento de 74 milhões (62 por cento) em relação ao montante despendido este ano : 116 milhões. PSD e CDS-PP exigem explicações ao Governo sobre o aumento “excessivo”.

Das duas, uma:
Ou estas pessoas que estão no Governo, são um grupo de incompetentes que só sabem governar a pedir opiniões a quem supostamente sabe e nesse caso pode sempre questionar-se, como fazia o falecido João César Monteiro- “se não sabem, por que perguntam?”; ou então, o caso será pior:
Estas pessoas que nos governam, querem ostensivamente ajudar a governar outros. A vidinha de outros, entenda-se. Escritórios de consultadoria, de advocacia e de outsourcing, são os beneficiários directos destas verbas imensas e liberalizadas no Orçamento, com destino certo e que até a oposição, acha "excessivo", numa admirável qualificação hipócrita.
O advogado Marinho e Pinto, na semana passada, escreveu um artigo a pedir contas públicas, acerca do montante das verbas públicas, entregues pelo governo, nos últimos anos, aos cinco maiores escritórios de advocacia. Esperemos pela resposta, mas sentados, porque se vier como veio a que foi pedida pelo deputado ( do PS) António Galamba, a propósito da verba dispendida com o escritório de José Miguel Júdice e associados ( PLMJ), por causa da Galp/Parpública, estamos bem entendidos e ficaremos na mesma- sem resposta.
Em Portugal, de facto, não há corrupção grave, como até o actual PGR afirma. Há anomia, que é um conceito também sociológico, mas um pouco mais suave, como é tonalidade do bom povo português, habituadinho a que lhe comam as papas na cabeça, sem protestar.

Publicado por josé 11:17:00 4 comentários Links para este post  



A anarquia sem tomates


O Público de hoje, celebra uma efeméride curiosa, em duas páginas com quatro colunas de texto, na secção P2. O artigo, assinado por Vítor Belanciano, assegura que os Sex Pistols, “há trinta anos desafiaram o mundo”.

Numa sequência de referências estereotipadas, escreve a dado passo que “ A utopia hippie finava-se. Os ideiais contraculturais eram a nova norma.” Assim mesmo, apesar de um pouco mais à frente, escrever que “os Sex Pistols foram uma criação do se polémico manager, Malcolm Maclaren o qual depois de uma viagem a Nova Iorque “percebeu que a música e a atitude punk, tinham tudo para vingar em Londres, onde abrira uma loja de roupa chamada Sex.” É esta a noção de contracultura que nos é dado a entender, como cultivada pelo manager dos Pistols que os criou do nada dos clubes.

O problema destes artigos sobre música, no Público, à semelhança de outros, é o tom oco e a soar a falso, dos factos que relatam e dos elementos informativos que apresentam. Hoje em dia, qualquer consulta online a seguir a uma busca aleatória no Google nos traz uma miríade de referências que podemos pedir emprestadas sem dizer a ninguém.

Não quer dizer que seja esse o caso, agora; quer apenas dizer que é perfeitamente redundante e quase inútil, reproduzir numa letra de jornal impresso, ideias emprestadas em livros e revistas, quando as temos à mão de semear, na Rede que nos fornece informação a rodos.

O problema deste artigo do Público, à semelhança de tantos outros, é a ausência de perspectiva diacrónica, de referência ao tempo real em que os factos ocorreram, no lugar do fenómeno e no lugar daqui, de quem o observou, se foi esse o caso.

Portugal, em Outubro de 1977 e a seguir, ligou quase nada aos Sex Pistols, embora o movimento musical Punk não fosse algo desconhecido, porque a rádio de António Sérgio encarregava-se de no-lo lembrar. A quem queria perceber o que se passava no Reino Unido e o significado do Never mind the bollocks que reuniu alguns temas dos Sex Pistols, António Sérgio passava as novidades em single com bastante oportunidade. Stranglers, na altura ainda na fase do Rattus norvegicus, apareceram logo a seguir com No more heroes; também a recém chegada New Wave, com os The Jam ( This is the modern world), Blondie, Richard Hell, Buzzcocks, Cock Sparrer ( We love you, adorável) Ian Dury (Sex and drugs and rock n´roll), Ramones, Clash, etc. etc, tinham lugar nas emissões do dj português, de quem agora se esquecem os radialistas responsáveis. Os Pistols, eram mais um grupo e não me recordo de os ter ouvido nessa altura, tirando um ou outro single esparso ( Anarchy in UK, de Dezembro de 1976 e God save the queen, de Maio de 77, salvo o erro) e nem sequer de o álbum, cujo 30º aniversário agora se celebra, ter sido editado por cá.

Portugal, em 1977, vivia em grave crise económica, com desvalorizações acentuadas do escudo e com preocupações de ordem económica aceleradas. A Espanha, aqui ao lado, saía nessa altura do seu período negro de ditadura franquista e convivia democraticamente com partidos rivais, da direita e da esquerda de um modo que por cá nem sonhávamos sequer. A Espanha, aliás, tinha nessa altura um rendimento per capita de 3000 dólares enquanto por cá ainda nos arrastávamos pela metade – e não melhoramos muito em trinta anos.

Porém, tínhamos notícias do Punk e das editoras independentes que na Inglaterra lhe davam expressão activa e dinâmica. No entanto, se o quiséssemos comprovar teríamos de ler a imprensa estrangeira, nomeadamente os jornais musicais ingleses, o Melody Maker e o New Musical Express que passaram então pela sua melhor fase de sempre.

Por cá, a revista Música & Som, pouca importância deu ao fenómeno e os anúncios eram ao LP dos Tantra- Mistérios e maravilhas, um género de música que o Punk veio precisamente destronar, ou até a Jorge Palma com o LP Té já. E as poucas referências ao Punk, vinham assinadas na revista, precisamente pelo António Sérgio.

Assim, o LP dos Pistols, foi apenas notícia por causa do barulho da proibição na BBC e da sua divulgação pública. A música era o menos e já era conhecida; o barulho era demais e o espalhafato não tinha rivais, porque o fizeram durante um ano, com os singles e os concertos.

Celebrar os trinta anos de Never mind the bollocks, aqui no nosso país, não faz muito sentido, a não ser para encher papel. Nem como símbolo, a não ser agora e emprestado de outras paragens. Para isso, temos os Clash e os Stranglers ou até Elvis Costello, muito mais importante musicalmente e surgido durante a onda punk. O Punk não nasceu com os Pistols, embora estes o impulsionassem, nem sequer cresceu com eles. No entanto, valem pela estética que representaram, pela frescura da inovação anárquica na reacção ao establishment intelectual e pela música de três acordes sem parar o ritmo frenético.

Imagem tirada da revista Uncut presents Punk, de há uns anos atrás.

Publicado por josé 23:55:00 6 comentários Links para este post  



Diz que está bem assim

O quarto ensaio do programinha dos fedorentos, merece um encómio, sem reservas: o sketch sobre o subsídio do Estado a grávidas, foi muito bem feito. Sans blague. E nem é preciso ver o resto. Parabéns, desta vez.

Publicado por josé 21:58:00 0 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - democratas ganham em todos os cenários

É uma tendência que se acentua: os dois principais pretendentes democratas, Hillary Clinton e Barack Obama, ganham todos os duelos com os quatro possíveis adversários republicanos.

As distâncias são muito idênticas (oscilam entre os 3 e os 15 pontos, tanto para Hillary como para Barack), sendo que o candidato republicano que consegue uma diferença mais apertada continua a ser Rudy Giuliani, sinal que reforça a sua liderança, ainda que não esmagadora, no campo republicano.
Aqui vão os números de uma pesquisa feita, no final da semana passada, pelo Bloomberg Poll, para o Los Angeles Times:
HILLARY CLINTON «vs»...
-- Rudy Giuliani, 47/41
-- Fred Thompson, 49/38
-- John McCain, 48/38
-- Mitt Romney, 49/34
BARACK OBAMA «vs»...
-- Rudy Giuliani, 43/40
-- Fred Thompson, 46/31
-- John McCain, 44/36
-- Mitt Romney, 42/32
Conclusões a tirar: apesar de estar em segundo lugar nas primárias republicanas, Fred Thompson é o menos forte na luta com os democratas, talvez por estar a ser o mais à direita na campanha republicana. A chave desta corrida parece estar a ser a conjugação de
capacidade de mudança, apelo à conciliação após uma grande polarização entre o lado democrata e o lado republicano que caracterizou os anos Bush, crítica à guerra no Iraque e vontade de apresentar soluções de retirada militar.
Dos quatro republicanos, Giuliani é, claramente, o que consegue fazer melhor a demarcação da herança de Bush e, como tal, está a conseguir entrar melhor no eleitorado independente e democrata.
John McCain, depois de meio ano de inferno, sempre a cair nas sondagens, está a a recuperar ligeiramente e talvez venha a ser o principal adversário de Giuliani à medida que a corrida venha a aproximar-se dos seus meses decisivos.
Romney, mesmo com muito dinheiro e excelentes resultados no Iowa e no New Hampshire, não deverá ter grandes hipóteses de discutir a nomeação quando chegarmos aos estados que elegem o maior número de delegados.

Publicado por André 15:58:00 1 comentários Links para este post  



os sábios

John Hogan, jornalista de temas "científicos" e que trabalhou dez anos na Scientific American ( 86-97, segundo o Público de hoje, que menciona a conferência que o mesmo deu, na sexta-feira passada, na Gulbenkian), autor do livro O Fim da Ciência, que alegadamente lhe terá custado o lugar daquela prestigicada revista( tudo informações do artigo do Público de hoje), disse o seguinte, sobre a neurobiologia, a ciência do cérebro e da consciência: "Tem havido poucos avanços na compreensão da mente". E ainda acrescentou que é por isso que a psicanálise de Freud continua a ter grande sucesso, apesar de carência de provas da sua validade científica. "Ninguém sabe como é que o cérebro consegue integrar as informações que recebe ao nível dos seus diversos centros especializados para criar o "eu", apesar de esta ser uma das questões fundamentais que preocupam os seres humanos".

Ninguém sabe? Experimentm ler o Diário Ateísta e ficam com toda a informação sobre a vida, o Homem, e a metafisica do além inexistente.

Publicado por josé 13:42:00 43 comentários Links para este post  



Inquérito Parlamentar, já!

Do jornal Correio da Manhã, de 26.10.2007:

As reformas do Código Penal (CP) e Código do Processo Penal (CPP) têm “soluções arrepiantes” do ponto de vista constitucional, afirmou ontem [24.10.2007], em Coimbra, o penalista Costa Andrade. Segundo o mesmo especialista, os legisladores tinham todas as condições políticas para responder aos problemas da Justiça, mas deixaram-se condicionar “pelos crimes sexuais sobre menores”, influenciados pelos efeitos do caso Casa Pia.

Do mesmo Jornal, em 27.10.2007,

“Uma reforma que se deita com um caso mediático, acaba rapidamente solteira”, começou por dizer Costa Andrade. “Não me parece que seja uma reforma inocente”, acrescentou. Sem nunca se referirem a qualquer processo concreto, designadamente ao caso da Casa Pia, os penalistas debruçaram-se, entre outros temas, sobre as alterações ao segredo de justiça, escutas telefónicas e responsabilidade penal das pessoas colectivas. Neste último caso, foi consensual a crítica ao catálogo de crimes. “Como é que se pode imputar a uma sociedade um crime de violação?”, questionou Costa Andrade, que chamou a atenção para o artigo do homicídio qualificado, classificando-o como um “dos mais cómicos”: “Por que é que não pomos também o padeiro, que tem uma função tão importante”, na alínea onde se define em que casos, consoante a vítima, se considera haver homicídio qualificado. Barreiros sublinhou estar convicto que a reforma foi levada a cabo numa lógica de “ofensiva do legislativo sobre o judiciário”, com a “intenção de gerar problemas”, e deixou uma pergunta: “Quantas amnistias indirectas se vão conseguir com esta reforma? Um processo que devia ser claro está sob suspeita de ser uma forma indirecta de criar amnistias.”.

Se isto não justifica um Inquérito Parlamentar, com incidência particular em certas figuras, o que é que justifica?

Não é escândalo suficiente, isto? Estão à espera de quê?

PS. Era certamente para casos como este que o deputado Ricardo Rodrigues, do PS, chegou a ponderar com grande seriedade de propósitos, a criação da figura peregrina do "procurador especial". Acho que afinal tinha razão: um procurador especial, neste caso, com poderes alargados de investigação, como os americanos e com ampla margem de publicidade, daria um belíssimo resultado, estou em crer. Talvez desse até, numa reforma da nossa democracia doente e lograsse identificar a origem dos males de que padece e muitos suspeitam. Por exemplo, Pedro Namora que ontem fez declarações, também elas arrepiantes, sobre certos "importantes", com posições de poder de decisão e influência e que a exercem sobre o Estado e que continuam a alimentar o vício pessoal da pedofilia, em lugares esconsos e ao abrigo de investigação. Pedro Namora, escreve assim, no seu blog:

Já se sabe que o PS tudo fez, ainda na oposição e recorrendo aos boys que instalou em locais fundamentais do Estado, para destruir a investigação ao designado Processo Casa Pia. Mário Soares, Ferro Rodrigues e amigos, na linha da estratégia delineada por Carlucci há já muitos anos, não descansaram: importava difundir que a investigação era uma cabala. Por isso afastaram Souto Moura, destruiram a brigada que investigou os crimes sexuais e substituiram Catalina Pestana.
A par disso promoveram alterações legislativas, nos códigos processual penal e penal para proteger os pedófilos, como bem assinala, sem papas na língua, o juiz Rangel. Basta aliás atentar no artigo 30.º do Código Penal.

Epílogo, retirado da crónica de António Barreto de hoje, no Público:

"Há quem pense que a mentira é reservada ás ditaduras. Sem imprensa livre, escrutínio parlamentar ou oposição legal, qualquer ditador mente quanto e quando lhe apetece. A liberdade de expressão e a imprensa seriam suficientes para conter a mentira. O Parlamento, os partidos e as associações de interesses obrigariam os governos da dizer a verdade. As eleições seriam um correctivo para os políticos mentirosos: exigentes, os eleitores castigá-los-iam. Infelizmente, nada disto é verdade. A democracia vive hoje da mentira. Sob todas as suas formas: ocultação contradição, correcção, circunstância superveniente ou melhor ponderação. A política tem regras parecidas com as que vigoram no futebol , nalguns negócios e na guerra: o único critério importante é ganhar. Só são condenados os que mentem e perdem. Os que mentem e ganham são respeitados. "

Belíssimo quadro da nossa actual democracia e que nos oferece a galeria dos retratos: cínicos e patetas. Haverá, objectivamente, outros perfis?


Publicado por josé 12:33:00 17 comentários Links para este post  



As cantigas de amigo

A discussão aberta sobre o MP, situa-se já no âmbito das pelejas medievais. O PGR, um suserano do “órgão de supervisão”, definiu-se como vivendo em meio feudal e logo surgem os trovadores e cavaleiros andantes. Uns a cantar loas ou a recitar cantigas de escárnio e maldizer; outros, cavalgando em defesa de damas obscuras e virgens púdicas, contra os castelos que defendem o último reduto do Estado: a legalidade e a igualdade dos cidadãos perante a lei.

O último a aparecer, é o cavaleiro Júdice que escreve hoje no Público, que “Pinto Monteiro, com coragem e determinação, decidiu que tinha de limpar os estábulos”. Triste figura!

O advogado José Miguel Júdice, armado em donquijote de entalados em processos penais, entende o MP como uma espécie de coudelaria real, onde o suserano vai buscar o cavalo ou égua que lhe agradar para a caçada a encetar.
Talvez por isso, este cavaleiro, em tempos suserano de uma Ordem que nunca lhe obedeceu, e ainda o processou por declarações públicas, entende que o assunto é de estrebaria e de bosta para limpar.

Tirando estes jogos florais, que pretende exactamente, Júdice, com estas arremetidas periódicas? À semelhança de um Rodrigo Santiago, de um Proença de Carvalho e de outros, como um Eurico Rangel, talvez instalar um entendimento da hieraquia mais consentâneo com ideias que peregrinam. Por exemplo, um que lhes permitisse substituir um João Guerra, quando este ou outro como ele, fossem pouco flexíveis aos interesses da alta cavalaria.
Este entendimento singelo e fácil de alcançar, é o que falta para fazer companhia a recentes alterações da lei, aplaudidas de pé, por tais cavaleiros. Tal seria suficiente para acabarem as investidas contra os castelos de defesa da legalidade e a estrebaria passar a salão de baile, com trovadores e poesia em cantigas de amigo.

Publicado por josé 14:42:00 3 comentários Links para este post  



tit for tat

Ao contrário de alguns que acham que o que foi, é, será e durará para sempre, já há quem se vá preparando, e posicionando, para o day after, o tal que não se sabe quando vai ser, apenas que vai acontecer, um dia, e que não vai ser nada bonito. O artigo de Campos e Cunha (ler aqui) hoje no Público é, pois e neste contexto, emblemático. Fosse Sócrates coerente, e teria de processar o seu ex-ministro das Finanças, como processou o Balbino Caldeira, do Portugal Profundo, por ofensas àquilo que considera a sua 'honra'. Afinal chamar, como Campos e Cunha chamou, a Sócrates a alminha gémea, 'em termos intelectuais', if you know what he mean, de Santana Lopes é, em bom rigor, o maior insulto que se pode fazer ao actual inquilino do Palácio de S. Bento (aliás a alguém que se tenha em boa conta...). Outro que devia ler com muita atenção o artigo de Campos e Cunha, e fazer contas à vida, é o Professor Cavaco, já que é o Presidente da República o verdadeiro e único destinatário da 'bomba' assinada por Campos e Cunha.

Publicado por Manuel 13:23:00 4 comentários Links para este post  



A Origem do Mal



«Encontrei Adão e Eva
no Palácio de Cristal
ainda o mundo era puro
e sem pecado original

foram ver o Marco Paulo
que já andava a cantar
depois foram de mãos dadas,
mas nada de namorar

eu disse que era a serpente
e que trazia a tentação
estendi-lhes friamente
uma talhada de melão

e a Eva era uma ingénua,
não pressentiu a marosca
comeu todo o veneno
e ao Adão deixou a casca

e o veneno era doce
mais doce que chila e mel
mais doce que chila e mel...

o Adão achou-a estranha
e nunca chegou a saber
porque é que Eva comia
e ronronava de prazer

e então fez-lhe um sermão
e inventou a moral
provou-lhe que no melão
estava a origem do mal

e a Eva ficou triste
com a verdade cruel
por não comer do veneno
mais doce que chila e mel

por isso hoje o Adão,
só come fruta sagrada
e a Eva, essa, ficou
para sempre a mesma ougada
ougada...

E o veneno era doce
Mais doce que chila e mel»

«A Origem do Mal», letra de Carlos Tê, música e interpretação de Rui Veloso, 1986

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Observatório 2008 - Obama no seu terreno de excelência

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Um pouco mais de...sei lá o quê!

Ler o que Vital Moreira vai escrevendo sobre assuntos políticos, é muitas vezes, uma fonte de perplexidades garantidas.
A presteza na mudança de orientação com os ventos que sopram do lado mais apetecido, é impressionante.
Sobre os tratados europeus, definidores de políticas gerais da União, aquilo que se pode ler, escrito pelo constitucionalista Vital Moreira, é ainda mais divertido para quem se der ao trabalho de procurar as entrelinhas ou até mesmo os parágrafos corridos.

Em Novembro de 2004, colocava-se a questão de um novo tratado para a União Europeia que configurava uma verdadeira Constituição Europeia. Vital exultou. Em artigo dessa época, no Público de 2.11.2004, ( disponível no site Aba da Causa), escrevia ditirambos ao novo projecto da União, com acento tónico nas suas excelentes soluções na Carta Social Europeia, trazida de documentos anteriores e que conferia um carácter de esquerda à União.

Porventura a maior inovação seja de natureza conceptual e simbólica, com a adopção da noção de Constituição, com tudo o que ela pressupõe e implica.”

Nessa altura, colocava-se ao país político o problema de um referendo a este tratado constitucional e Vital Moreira,no entanto, parecia específico, escrevendo no Público de 12.10.2004 que não! Um referendo sobre uma coisa destas, nem pensar! E ensinava o que é um referendo, como a nossa Constituição então o entendia, na sua interpretação de constitucionalista:

A filosofia do regime constitucional do referendo assenta na ideia de que numa democracia que se quer essencialmente representativa a decisão popular não deve incidir directamente sobre leis ou tratados internacionais, devendo a sua aprovação pertencer sempre aos órgãos representativos, designadamente à Assembleia da República. Alem disso, mesmo sob o ponto de vista de uma democracia referendária, seria democraticamente contestável submeter a votação popular, em bloco, a aprovação de leis ou tratados internacionais extensos, muitas vezes com dezenas ou centenas de artigos (como é o caso da Constituição europeia), que poucos votantes podem apreender.”

Alguém tem alguma dúvida sobre o sentido destas palavras concretas, escritas por Vital Moreira em 12.10.2004?
Se alguém tiver, que leia a seguir, escrito pelo mesmo, dois dias depois, no blog causa nossa, em 14.10.2004:

Eu defendo, desde o início, um referendo sobre a Constituição europeia. Mas continuo a pensar que, tal como os demais referendos, ele deve incidir sobre as principais opções de fundo do tratado, concretamente identificadas, o que permite aos cidadãos saber exactamente o que estão a decidir, e não genericamente sobre o texto globalmente considerado, dada a sua extensão e complexidade, que o tornam inacessível à generalidade dos mortais, permitindo responder sim ou não pelas razões mais díspares, e logo politicamente inconclusivas (o que é o contrário da decisão democrática). Por natureza, há sempre um risco de instrumentalização demagógica dos referendos. Os referendos com objecto demasiado amplo ou indefinido só potenciam esse risco.

Novembro passou. O governo PSD/PP caiu e em Março de 2005, o tribunal Constitucional acabou com as veleidades referendárias ao chumbar a pergunta proposta pelos partidos, na Assembleia.

Veio o tempo de eleições e de maioria absoluta do PS. Que defende hoje Vital Moreria sobre estes assuntos?
Ah! Isso é que é mesmo especioso.

Hoje, quer dizer, em Abril de 2007, Vital Moreira já defendia o referendo ao novo “tratado constitucional”, ou seja, o contrário do que defendia em 12.10.2004, embora dois dias depois disso, já admitisse o referendo -desde que sobre questões concretas e precisas que tratem as “questões de fundo”. Referendos genéricos, esses, não! Nunca!

Assim, com este novo Tratado que para Vital Moreira é meramente Reformador e pouco tem de constitucional, as questões deixaram de ser genéricas e de tão concretas, complexas e específicas que são, não podem ser apreendidas pelo vulgar cidadão que nada entende de direito comunitário da concorrência ou até mesmo da Carta Social Europeia que se dirige aos trabalhadores europeus.

Agora, em Outubro de 2007, Vital Moreira acha que não. Um referendo sobre este Tratado que nada tem de constitucional seria uma incongruência, um erro, uma aleivosia, por essas duas ordens de razões:

Não se destinar a sufragar uma constituição europeia e por outro lado, ser tão específico e de complexidade tão técnica que nenhum vulgar cidadão votante, perceberá seja o que for, logo a partir da segunda página!

E não se diga que houve contradição entre o escrito de Abril e o de Outubro. Vital Moreira explica: são coisas diferentes. Antes, com o frustrado tratado constitucional, a substância jurídica e política, era essencialmente diferente do que existe agora com o tratado Reformador. Daí, a matreirice.

Por outro lado, isso, foi ontem. Hoje, afinal, continuando a não concordar com o referendo ao tratado Reformador, já aceita o referendo depois da aprovação do tratado. Mas esse, sim, o verdadeiro referendo que agora a Constituição já admite: "Portugal deve sair da UE?"

Ou seja,um referendo amplo a valer. Da maior amplitude possível.

É caso para perguntar retoricamente:

Uma pessoa que escreve isto, deve ser levada politicamente a sério?

Publicado por josé 15:42:00 6 comentários Links para este post  



A Guerra continua

2º programa da Guerra: bom episódio. A montagem continua a deixar a desejar outra coisa, mas o recheio foi digno de registo, desta vez. Venha o seguinte.

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Ciclo Clarice Lispector (III): uma entrevista da autora, no ano da sua morte

Publicado por André 19:55:00 2 comentários Links para este post  



Que há-de ser de nós?




«Já viajámos de ilhas em ilhas
já mordemos fruta ao relento
repartindo esperanças e mágoas
por tudo o que é vento

Já ansiámos corpos ausentes
como um rio anseia pela foz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?

Que há-de ser do mais longo beijo
que nos fez trocar de morada
dissipar-se-á como tudo em nada?

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós

Já avivámos brasas molhadas
no caudal da lágrima vã
e flutuando, a lua nos trouxe
à luz da manhã

Reencontrámos lágrimas e riso
demos tempo ao tempo veloz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?

Que há-de ser da mais longa carta
que se abriu, peito alvoroçado
devolver-se-á: «endereço errado?»

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós

Já enchemos praças e ruas
já invocámos dias mais justos
e as estátuas foram de carne
e de vidro os bustos

Já cantámos tantos presságios
pondo o fogo e a chuva na voz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?

Que há-de ser da longa batalha
que nos fez partir à aventura?
que será, que foi quanto é, quanto dura?

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços que hão-de ser de nós...»

«Que há-de ser de nós», Sérgio Godinho e Ivan Lins

Publicado por André 16:47:00 0 comentários Links para este post  



Pois sim

Daqui:

O director nacional da Polícia Judiciária (PJ), Alípio Ribeiro, disse que as escutas em Portugal «são judiciais e não administrativas, como acontece noutros países», pelo que dependem sempre da vontade das magistraturas. Referindo-se a alegadas escutas ilegais, Alípio Ribeiro foi peremptório: «Não há.
O ministro da Justiça, Alberto Costa, classificou de «construtiva» a intenção do PGR ao referir-se às escutas telefónicas. Mas Alberto Costa criticou algum «alarmismo injustificado» que se seguiu às declarações, «criando-se um debate que se justifica menos hoje do que no passado».

Ficamos todos cientes, a partir das declarações destes altos responsáveis, daquilo que já sabíamos: em Portugal, não há ilegalidades cometidas pelas autoridades quanto a escutas telefónicas. Não duvido e não é disso que se trata na entrevista do PGR.
Porém, ficamos na mesma quanto a uma das interpretações possíveis ( explicou-se mal, a meu ver) da entrevista do PGR: e quanto às escutas clandestinas e criminosas, em que são visados altos responsáveis por certas funções do Estado? Alguém, nomeadamente o director da PJ, pode garantir que as não haja?

Melhor ainda: tendo em conta o que se sabe ser possível, em certas áreas de poder fáctico, ligado umbilicalmente ao político, precisamente reveladas em escuras legais, alguém garante que a apetência e a aparente impunidade, de que gozam certos sectores da sociedade, evitará a ocorrência do fenómeno? É que parece que foi exactamente aí, nessa área de obscuridade, que foi lançado o foco de luz da atenção do PGR…
E ainda outra coisa que o ministro da Justiça parece esquecer e talvez não lhe agrade, na conversa "construtiva": o PGR falou das "escutas exageradas" quando lhe perguntaram a opinião acerca de os serviços de informação serem autorizados, legalmente, a fazê-las...

Publicado por josé 15:09:00 2 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Hillary, consistente, joga os seus trunfos

Publicado por André 0:46:00 0 comentários Links para este post  



Os feudos do MP

O PGR, Pinto Monteiro, na entrevista ao Sol-Tabu, referiu-se ao Ministério Público em modo equívoco. Disse que o MP é uma estrutura hierarquizada – é assim que está na lei. Mas não é assim na prática: o MP é um poder feudal neste momento. Há o conde, o visconde, a marquesa e o duque”.

O actual procurador- geral da República, desde 1979, fez carreira essencialmente na área cível”. Os anteriores ocupantes da cadeira, foram responsáveis também pela área penal, directa ou indirectamente e o Ministério Público, lida essencialmente com essa área delicada da nossa sociedade.

O actual PGR, mostra esse lado civilista, descontraído e sem grandes preocupações em provar seja o que for, porque “ se amanhã deixar de ser procurador-geral, volto a ser conselheiro”, o que já era há oito anos e meio.

Talvez por isso, no último ano, deparou com a outra magistratura, a do MP que é estatutariamente paralela à de juiz e passou a chefiar a hierarquia da mesma.

Não obstante aquela afirmação polémica e que causa perplexidade na magistratura do MP, o actual PGR, afirmou na mesma entrevista acreditar na autonomia do MP, o que o leva a defender a formação comum, ab initio, dos magistrados. Pinto Monteiro opõe-se à funcionalização da magistatura do MP.

Hoje, no programa da TSF em que intervêm ouvintes em directo, um juiz desembargador, Eurico Reis , sujeito muito susceptível e que não autoria que se brinque com o que vai dizendo por aí, declarou-se amigo do actual PGR; defendeu-o da polémica sobre as escutas, de modo judicioso, e ao mesmo tempo declarou perceber e justificar o que Pinto Monteiro dissera sobre a magistratura do MP ser um poder feudal.

O referido juiz, especializado na área cível, habitual comentador da TSF, logo de manhã e que conjuntamente com outro colega de profissão, Rui Rangel, constituíram recentemente uma nova associação de magistrados judiciais, de carácter sindical, reafirmou velhas ideias sobre a magistratura do MP. Que é mesmo um poder feudal e que se assim não fosse, não estaríamos a assistir a determinadas coisas, que a entrevista do PGR reflecte e que este só falou publicamente porque esgotou a possibilidade de falar dentro da instituição.

Foi assim mesmo que eu ouvi. Defendeu publicamente a extinção do Conselho Superior do Ministério Público e reafirmou a necessidade de responsabilização hierárquica e subordinação dos magistrados de escalão inferior aos superiores., de modo que não explicou, como de costume, mas que deixa adivinhar a ideia de chefe, de respeitinho e de ordem nova.

Rui Rangel, mais tarde na mesma TSF que parece não conhecer outros juízes a quem entrevistar, depois destas declarações, reafirmou-as no mesmo sentido, atirando ainda outras achas para esta fogueira que ambos se têm esforçado por não deixar esmorecer, sem que alguém lhes oponha contraditório condigno. Sente-se muito encolher de ombros, que apesar de tudo faz muito barulho.
Estes juízes que se declaram amigos e defensores entusiastas do actual PGR, em confronto com o anterior que notoriamente execravam, deixam perpassar naquilo que vão dizendo, uma ideia de hostilização do MP, entendendo , na prática do que vão dizendo, esta magistratura como subalterna e necessitada de arrimo.

Ora este arrimo pretendido, pode significar uma de duas coisas: a perda de autonomia face ao poder político-legislativo, o que carece de revisão constitucional e os coloca contra o entendimento explícito daquele que dizem defender e ainda a estruturação do poder hierárquico de modo legalmente diferente do actual, que necessita igualmente de revisão legal, no código processual recentemente revisto e no estatuto respectivo.

Nesta última vertente, não se percebe a essência da argumentação dos ditos especialistas do cível, sempre prontos a palpitar ideias frescas sobre penal e processo penal.

A intervenção hierárquica do PGR, efectua-se no interior da estrutura do MP que é complexa e compreende vários órgãos, o mais importante dos quais é a Procuradoria Geral da República, que compreende ainda Conselho Superior do MP, precisamente aquele que o tal juiz quer ver extinto, mas não fundido com o Conselho da Magistratura, como acontece na Itália, com bons resultados. O procurador- geral da República é apenas o presidente desse órgão de cúpula do MP.

Para além disso, a própria Constituição afirma o estatuto do MP como um corpo de magistrados “responsáveis, hierarquicamente subordinados, e não podem ser transferidos, suspensos, aposentados ou demitidos senão nos casos previstos na lei, cuja nomeação, colocação, transferência e promoção dos agentes do Ministério Público e o exercício da acção disciplinar competem à Procuradoria-Geral da República.”

A composição do MP e da Procuradoria em particular, não comporta a ideia de “chefe”, de caudilho, de general comandante, operativamente actuante como tal e com a informalidade de comando que é própria a essas organizações, com obediência imediata e permanente às ordens dele emanadas. Quem disser ou pensar o contrário, terá que repensar e desdizer-se e quem quiser mudar o actual estado de coisas, deverá antes do mais, justificar porquê, atendendo em primeiro lugar ao interesse do povo em geral.

Ao PGR compete uma série de atribuições, entre as quais, a de “inspeccionar ou mandar inspeccionar os serviços do Ministério Público e ordenar a instauração de inquérito, sindicâncias e processos criminais ou disciplinares aos seus magistrados”.

Mas o poder disciplinar sobre os magistrados em concreto, esse, pertence ao Conselho Superior ( a que o PGR aliás, preside) , nestes termos:

A gestão de quadros e a acção disciplinar relativas à magistratura do Ministério Público pertencem ao Conselho Superior do Ministério Público, ao qual compete: a) nomear, colocar, transferir, promover, exonerar, apreciar o mérito profissional, exercer a acção disciplinar e, em geral, praticar todos os actos de idêntica natureza respeitantes aos magistrados e agentes do Ministério Público, com excepção do procurador-geral da República; “

Por aqui, será fácil de entender, porque é que o PGR, não tem o poder de mandar directa e imediatamente sobre os seus subordinados: por causa da própria lei que estabelece esses limites em função da noção de autonomia que se caracteriza, simplesmente, por isto: “pela existência de mecanismos de governo próprio, pela vinculação dos magistrados a critérios de legalidade e objectividade e pela sua exclusiva sujeição às directivas, ordens e instruções previstas no Estatuto do Ministério Público.”

Confuso? Não: democrático e para atenuar a característica monocrática do MP. Retirando-se ao PGR o poder de exercício disciplinar e ainda de apreciação do mérito profissional. Estes dois poderes, pertencem ao CSMP.

É isto que aqueles dois juízes, como muita gente que opina e palpita de modo avulso, não aceitam nem aparentemente percebem.

Daí ao comentário sobre feudos e poderes territorialmente conquistados, vai um passo. Porque os órgãos são colegiais,- DCIAP, DIAP, Conselho Consultivo, NAT, DCE, Inspecção do MP, Procuradorias- gerais distritais etc. - constituídos por magistrados de carreira e que obedecem todos ao mesmo princípio da legalidade e objectividade.

Há quem não entenda, quem não aprecie e quem não tenha sequer alternativas a isto, senão o velhinho ditado: manda quem pode; obedece quem deve. Foi no tempo de Salazar, de ditadura e autoritarismo, mas se falarem nisso, renegam. O ditado- que não a mentalidade.

Aditamento, em 23.10.2007:

Um dos que parece não entender esta engrenagem de poderes balanceados, é o director do Público, José Manuel Fernandes, no editorial de hoje.

Escreve que "das duas uma: ou tem poderes, como procurador-geral , para colocar a casa em ordem, ou deve reivindicar esses poderes. Ou assumir que o problema é outro: falta de autoridade para se tornar no líder natural de uma casa que exige uma liderança forte.

Há grandes equívocos nesta ordemd e considerações. O primeiro é um insustentável apelo a uma ordem nova que segrega autoritarismo por todos os poros. Foi essa a questão que conduziu a que no Estatuto dos magistrados, fosse subtraído ao PGR o poder disciplinar ou de classificação dos magistrados. Será que o director do Público e quem pensa como ele - e são muitos!- entende porquê? Principalmente, entenderá as razões que subjazem e justificam o poder mitigado do PGR, em relação aos magistrados do mesmo ofício? Saberá José Manuel Fernandes, por que razões assim se entendeu noutras paragens e latitudes?

Poder ou não poder disciplinar- é essa a questão. Quem adianta razões que transcendam o mero palpite opinativo, tipo Eurico Rangel? Quem estabelece o paradigma certo e o modelo correcto?

Mais ainda: que razões justificam neste momento que se coloque a questão, nestes termos simplistas de reivindicar poderes para o PGR para se "tornar líder natural de uma casa que exige uma liderança forte? "Liderança forte?" É o que já disse: a ideia antiga permanece actual, nos espíritos afeiçoados ao poder de mandar. Dantes detestavam o poder ditatorial e combatiam-no, indo parar a prisões por causa disso. Uma vez que se apanham no poleiro, toca a fazer exactamente o que vituperavam e combatiam: mandar com "liderança forte". Manda quem pode; obedece quem deve. A mentalidade antiga tem muita força.


Publicado por josé 23:10:00 2 comentários Links para este post  



A coerência tem dias, mas poucos

O Blasfémias, topou-lhe mais uma faena:

Vital Moreira, hoje, pergunta assim, sublinhando a veemência: "Não será tempo de deixar de brincar aos referendos?"

O mesmo Vital Moreira, ontem, ( há seis meses atrás), escrevia assim: "Penso que não faz sentido recuar na perspectiva de referendo, a não ser que o "tratado constitucional" venha a ser substituído por um "minitratado" de âmbito puramente institucional".

Que credibilidade merece uma pessoa que assim escreve?

Publicado por josé 19:27:00 4 comentários Links para este post  



Pink Martini com gelo

Publicado por André 19:15:00 1 comentários Links para este post  



Tudo como dantes,

O Abrantes ( para os íntimos, mas isto dos blogs é assim) da Câmara Corporativa ( para os apaniguados do sistema que está), esmera-se sempre no trato pessoal, em certos temas ilustrados.

Exemplos variados, podem colher-se ao acaso dos meses de escrita laboriosa, sempre a horas mortas que a repartição não dá para mais e o patrão é zeloso.

Há temas perenes no blog que continua como dantes. Por exemplo, sobre magistrados.

Os jubilados, a quem as viagens e as casas de função, incomodam sobremaneira, são ilustrados assim:

Depois, vem o sindicalismo no MP, sempre visto de modo torpe, redundante e palafreneiro. O “sempre vitalício” presidente do Sindicato, António Cluny, que só diz “baboseiras”, tem merecido os encómios mais esmerados do intrépido blogger de pasta inspectiva na mão: “ ignorante”, “intriguista”, “ da “facção sindical dos sovietes”, “ da “orquestra vermelha”, do “gulag”. Mimos, como só o Abrantes consegue cultivar. Primícias da sua horta particular. As ilustrações são muitas, de zombaria pegada e estas são apenas as que vieram à rede da sorte em duas buscas:







Por contra, o pobre do magistrado António Ventinhas, denunciado pelo espreita caixas de comentários, como um perigoso e interesseiro cônjuge de uma notária, esse, simplesmente, só diz “atoardas” e fica nos braços, exangue, de uma piedosa.

O jornal Público, agora, é tratado abaixo de cão que passa em vinha vindimada. O seu director, é designado habitualmente por “dr. José Manuel Fernandes”, numa subida consideração de quem lhe desanca nos escritos associando-se sempre aos interesses do patrão.

O antigo procurador-geral, Souto Moura, actual juiz conselheiro do STJ, esse, nem merece mais do que isto que o tempo da chacota pegada já lá vai e foi um pagode. Mesmo chinês.







O jornalista Manuel Pina, já lhe mereceu o destaque personalizado com a referência à filha, em modo de elevada consideração, num rodapé de um postalzito venenoso.

O professor Costa Andrade, é tido como um mero “vaidoso”, um vulgar cantor de fados de Coimbra, e “génio especialista de citações latinas e alemãs”, profissional de um lugar de “frades guerreiros da ciência criminal”

Estes são os conteúdos mais relevantes dos postais do dito blog, só no mês de Setembro de 2007.

Para trás, ao longo dos meses, as ignomínias, os insultos pessoais, as verdadeiras chacotas, as asneiras silenciadas sempre que anotadas, as omissões de tudo o que desdiga a maravilhosa política geral deste governo, não têm conta nem medida, a não ser com umas boas horas a catá-las.

Não obstante, este pândego que assina Miguel Abrantes, tem a distinta lata de se mostrar ofendido, tomando putativas dores alheias, como se suas fossem, a propósito de se escrever aqui que o PGR precisa de um Columbo no MP, para lhe topar quem o andará a escutar…

E para corroborar o escrito, insulta mais uma vez uma data de pessoas, colando-lhes o símbolo da anarquia. Onde estará o quartel-general do Abrantes?

É preciso escrever? Os sinais falam por si.

PS: Abrantes: vai-te catar, pá. Olha-me para essas traves que se te atravessam no bestunto!


Publicado por josé 18:53:00 1 comentários Links para este post  



Diz que continua na mesma

Acabou mais um ensaio - já é o terceiro- do programinha de tv que imita no genérico o Clo Clo de antigamente. A inspiração continua em alta. Um dos artistas já põe a mão no nariz, de vez em quando.

Publicado por josé 22:23:00 2 comentários Links para este post  



sinais dos tempos

Ri-me mais ontem a ler a entrevista do PGR, em exercício, do que hoje a ver o Gato Fedorento...

Publicado por Manuel 22:21:00 0 comentários Links para este post  



O escritor em construção

"Finalmente, estou a tornar-me escritor"
Miguel Sousa Tavares, ilustrando a figura, na capa da revista Única, do Expresso.


O novo "romance histórico", do escritor em construção, Miguel Sousa Tavares, vem aí, com todo o cortejo publicitário que a proximidade à intelligentsia pátria concede. Capa na Visão e na Sábado, em simultâneo e ainda nas revistas de jornais de fim de semana; entrevistas extensas a promover o produto intelectual, preparando a facturação que segue. As editoras precisam; o mercado está à espera do que lhe deitam e o beneficiário directo, não se faz rogado. Vem aí, por isso, uma ofensiva do novel escritor, ainda em construção, mas já com os caboucos prontos .

O anterior romance histórico, confessadamente ( à Única), rendeu-lhe uma casa no Alentejo e a habituação à caça, mesmo com os 42% de impostos que diz ter pago ao ministro das Finanças, o que se torna curioso, sabendo que os direitos de autor, nem metade disso pagam. Os Beatles, em determinada altura, diziam que escreviam piscinas e carros, quando publicavam singles, como declarou um deles em entrevista cândida e reveladora de que afinal andavam naquilo, pela massa (We´re only in it for the money, anunciava Frank Zappa, nessa altura).
Apesar da anormalidade deste panorama editorial que vamos tendo, ainda há quem manifeste perplexidade pela intrusão publicitária das capas de revista; quem escreva contra o pechisbeque da escrita de cronista, armado ao pingarelho da obra literária, agora superiormente elaborada e que se vende por obra e graça publicitária, da imagem publicamente cultivada
Ainda há quem escreva contra a fraude comum, de querer fazer passar uma coisa por aquilo que não é. Um produto literário, não é necessariamente uma obra literária de mérito e se isso acontecer, a leitura crítica o dirá.

Produtos, aliás, é o que não falta, nas prateleiras de supermercado. E num mercado pequeno de concorrência aberta, a vantagem competitiva, reside no agenciamento das promoções.
Vasco Pulido Valente, não pertence ao grupo dos promotores e agenciadores, muito menos deste tipo de escritores que apresentaram telejornais.

Ontem, na Única, a entrevista de MST, dava conta de passagem antiga ( Novembro de 2003) em que VPV arredondou o discurso crítico do anterior "romance histórico". Nessa altura, VPV, numa breve mas elucidativa menção, em carta ao director do Público, reflectia assim, sobre os méritos da opus em causa:

"Equador" é um romance popular, com a típica obsessão do género pela comida, a roupa, a paisagem, a meteorologia e o sexo. Fora isso, é também uma absurda idealização do autor, entre o patusco e o patético. Esta literatura tem, e merece, o respeito concedido a qualquer indústria alimentar. Mas, para seu mal, e por evidente snobismo, Sousa Tavares decidiu transferir as suas proezas de grande sedutor e a sua famosa "consciência trágica" para o princípio do século passado, época sobre a qual nada sabe. E, claro, a inveja não perdeu a oportunidade. Agora parece que há uma polémica, cuja natureza não se entende, e que Sousa Tavares se apressou a garantir que em "2000 informações histórico-factuais" do seu romance não existem mais do que duas dezenas de erros, já devidamente corrigidos e, de resto, em si irrelevantes.
Por mim, uma pergunta: por que razão gasta o PÚBLICO tinta, espaço e trabalho com a incultura quase cómica de Miguel Sousa Tavares? Gostava de perceber. Acredite.
Vasco Pulido Valente - Hospital Amadora-Sintra»

Este incidente mereceu então do visado, apenas os desejos de rápidas melhoras e foi entendido como a expressão da quintessência da inveja nacional pela genialidade criativa, o que foi amplamente comentado pelos promotores habituais dos romancistas de supermercado. Os mesmos que desvalorizaram imediatamente, um estranho fenómeno lobrigado na obra: coincidências precisas, em descrições, acerca de ambientes e figuras orientais, com semelhanças flagrantes na escrita de outro livro, francês, da década de setenta. Plágio, tornou-se palavra impronunciável, porque no entender dos entendidos, só plagia quem copia tudo- e não era o caso.

Agora, na entrevista à Única, lembrando o incidente, MST diz assim:

"Vasco Pulido Valente arrasou o Equador sem o ter lido. Dizia que era exotismo, culinária e erotismo. E, passados uns tempos, estive a falar com um amigo comum que me disse:
" Sabes que o Vasco não tinha lido o teu livro e eu insisti: ´ó Vasco, mas lê o livro`e o Vasco, `não, é uma merda`. Até que um dia ele disse que o livro até não era mau. Foi-me contado assim e eu acredito na fonte."

Por esta hora, o entrevistado já deve ter lido a crónica do Público. Que diz assim:


Publicado por josé 18:19:00 6 comentários Links para este post  



Novas da nunciatura

"Que o Ministério Público é uma magistratura hierarquizada e responsável, comandada pelo PGR --, tal é o que resulta da Constituição e da lei. Que a realidade não condiz bem com essa configuração --, bem se sabe, desde há muito.
No entanto, o papel do PGR não pode ser o de vir fazer queixas públicas sobre o "feudalismo" e os senhorios particulares dentro do Ministério Público, mas sim de fazer prevalecer a sua autoridade sobre a instituição e assumir a sua responsabilidade.
[Publicado por Vital Moreira] [21.10.07]", comentando a entrevista do PGR Pinto Monteiro, à Tabu.

Mais uma vez, cá temos a habitual faena de Vital Moreira.

A "realidade não condiz bem com essa configuração", e ainda por cima “desde há muito”- porquê?

Achará que o MP é assim a modos de uma tropa fandanga cujo comandante põe e dispõe a seu bel-prazer, das tropas sempre prontas a dizer, “sim, meu comandante” ? Acha, claro que acha. E nem precisa de justificar, porque a estes núncios tudo lhes tem sido permitido, mesmo desinformar com má-fé.

É por isso que escrevem que o PGR deve “fazer prevalecer a sua autoridade sobre a instituição”.

Vital sempre entendeu assim, o exercício de autoridade: manda quem pode; obedece quem deve. Neste caso, foi Salazar quem disse, mas a distância ideológica de Salazar a Vital, foi e continua a ser, apenas uma: a simétrica.

Quem manda? Vital. Vital. Vital.

Publicado por josé 16:55:00 2 comentários Links para este post  



O «Boss» é o «Boss»

Publicado por André 13:42:00 0 comentários Links para este post  



Desculpe, só mais uma coisa...


Excertos da entrevista do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, à Tabu do Sol:

" Considero que fizeram uma boa escolha [para o lugar de PGR] , pois sempre fui um bom juiz e um homem que nunca teve medo de ninguém. Nunca. Sempre afrontei os problemas sozinho, sem qualquer temor."

"Eu vou dizer uma coisa com toda a clareza que talvez não devesse dizer: acho que as escutas em Portugal são feitas exageradamente. Eu próprio tenho muitas dúvidas que não tenha os telefones sob escuta(...)penso que tenho um telemóvel sob escuta. Às vezes faz uns barulhos esquisitos.
(...)
- Somos um país de corruptos?
- Não. A corrupção maior é a corrupção de Estados. E em Portugal não temos as verbas fantásticas do petróleo ou aquelas que vão para África, por exemplo. É claro que há tráfico de influências, há a corrupção do "cafezinho" e o "tome lá uns euros para fazer andar", num país com a burocracia que nós temos."

Ficamos elucidados. Maria José Morgado, anda a fazer o quê, no combate à corrupção, pelos visto inexistente? E o DCIAP, onde se controlam as escutas, serve para quê?
Além disso, se as escutas só podem ser autorizadas por um juiz de instrução, quem é que anda a escutar o PGR? Os serviços secretos, não podem ser: não estão autorizados. Então, quem será?
Fico perplexo. Pinto Monteiro precisa de um Columbo no MP. Imagem, porém, já temos.




















Sem um Columbo, um dia destes, a casa vem abaixo...



















Imagens: Tabu, anúncio de filme e revista Rolling Stone ( detective Columbo da série de tv dos anos setenta)de 24.4.1975

Publicado por josé 16:07:00 18 comentários Links para este post  



Djavan para desfrutar o sábado

Publicado por André 13:55:00 0 comentários Links para este post  



Culto


A série mais famosa da blogosfera tem novos episódios. O Sexo e os Tribunais é já uma série de culto. Brevemente em DVD...

Publicado por Carlos 22:32:00 2 comentários Links para este post  



uma imbecil (com as letras todas)

prefácio - o título deste post é uma IVG - Interrupção Voluntária da Gravitas.


"choca-me que usem os impostos para promover a natalidade"

manuela arcanjo, semanário económico, 19.10.2007

via O Insubmisso.

N.A. é ao ler pérolas destas que se percebe a verdadeira natureza dos que se julgam fadados para pastorear esse imenso rebanho que é Portugal...

Publicado por Manuel 20:13:00 4 comentários Links para este post  



affairs d'Etat

O José António Barreiros, hoje, lembrou-se de pedir bandeira a meia haste, por causa da conversinha de pé de orelha do sucessor do sr. Blair com o Sr. Sócrates, a propósito do MaddieGate. Tem razão, e não tem. A subsidiarização do Direito, e do Estado de Direito, aquilo que, no momento e no contexto, é visto como do, e no, interesse do Estado, ou daqueles que (julgam) se confundem com ele tem, por estas bandas, larga tradição. Antes, e depois do 25 de Abril. O facto é que (um ministro disse-o) o Director da PJ é um mero alto funcionário (e não um magistrado sujeito a regras de independência, etc e tal), e o PGR - objectivamente - para lá caminha. Assumidamente o poder político 'funcionalizou' o poder judicial, ponto. Ora, onde há uma relação objectiva de patrão/empregado não há verdadeira independência (porque neste ramo não há mercado - o Estado é só um), ponto final. É pois, caro JAB, inútil e contraproducente, clamar contra este ou aquele caso particular. O problema é geral, e está para durar... O caso Maddie, antes, durante, e após o 'lobbying' britânico é apenas mais um exemplo do que é tentar gerir (com os pés, aliás) de forma política problemas que nunca o deveriam ser...

Publicado por Manuel 16:19:00 1 comentários Links para este post  



Telhados de vidro?

A propósito de uma notícia na última página do jornal O Crime (!), sobre Vital Moreira e o seu exercício público da profissão de professor universitário, se a mesma se confirmar como verdadeira ( e espera-se que o mesmo esclareça rapidamente), apetece dizer que quem tem telhados de vidro de ética, nunca deveria atirar pedras de vitupério aos outros.

Publicado por josé 0:21:00 7 comentários Links para este post  



um requiem por Jardim Gonçalves

Por estes dias, e desde há uns tempos para cá, não há alminha que se preze que não tenha opinião sobre o BCP, e sobre o seu fundador Jardim Gonçalves. As 'notícias ', e as 'análises', sucedem-se, e a conclusão é unânime - Jardim Gonçalves 'acabou', está 'a mais', é em suma um 'obstáculo' ao 'futuro'. Em resumo, uma das maiores pulhices dos últimos tempos. Jardim foi tolerado, adulado, endeusado, temido, e 'respeitado' enquanto parecia que estava por cima, mas sempre teve as suas regras, a sua lógica. Bem ou mal, nunca se misturou, nunca foi um dos 'deles'. Agora, com a idade a não perdoar, com o tempo a jogar contra si, Jardim Gonçalves é visto como um perdedor antecipado. O raciocínio pode ser legítimo mas não justifica tudo. Não justifica, por exemplo, o absoluto e vergonhoso engajamento da comunicação social, praticamente sem excepção, aos senhores que (julgam) se seguem, a absoluta ausência de investigação, e análise, séria e distanciada, etc e tal.

Como antes no Caso Pio, também aqui todos pressentir vencedores e vencidos, e - naturalmente - alinham ao lado dos vencedores, até, porque dos outros - julgam - não reza a história. A 'verdade' aqui só tem um lado - a dos que se julgam vencedores.

Depois, e isso 'eles' não percebem, há qualquer coisa de nobre, heróico, irracional até, na 'resistência' que dizem fútil de Jardim Gonçalves. 'Eles' associam-na à de um 'velho', de outro tempo e de outro espaço, que não sabe quando sair, que não compreende que as regras mudaram. Não compreendem de facto. Jardim Gonçalves tinha caminhos mais fáceis - podia fazer como outros - tantos - fizeram, deixar cair os seus, deixar cair a 'família' - no sentido literal e figurado, e seguir em frente. Vergar a espinha, como agora se diz. Podia até ter deixado cair, em tempo útil, essa imensa luminária que se revelou Paulo Teixeira Pinto, quando se apercebeu da aventura Angolana deste, e afins. Mas não. Optou pelo, dizem, impossível - bater o pé por um modelo, por uma filosofia, que sempre foi a do BCP, segundo as 'regras' que - registe-se - sempre seguiu, e que levaram o BCP até onde está hoje. Digam o que disserem, é bonito. Infelizmente, vivemos num tempo em que a firmeza se confunde com fundamentalismo e irracionalidade, e o que conta é tão só e apenas o 'momento', e o seu contexto. A memória não existe, a não ser a de muito curto prazo - a dos milhões do Sr. Berardo, que com o seu proverbial mau feitio pode decidir num ápice adquirir o patrão de quem ousar dizer mal dele...

Ostensivamente reservado, não fala, não 'aparece', não dá festas nem jantares. Leva 'porrada', com meias verdades, e ruído e mais ruído, e torna a levar. Sempre em silêncio. Jardim Gonçalves, dizem, não se adaptou, aos novos tempos. Mais mediáticos, caceteiros, e menos ponderados e florentinos. Talvez. A mim parece-me é que uma boa parte dos 'novos' ainda não apreendeu uma realidade, que me parece básica - que nem tudo se resume ao fast-food mediático e financeiro.

O fado, provavelmente, é Jardim Gonçalves perder. Para mim, que nunca lhe apreciei o estilo, e no meu ranking, já ganhou. Uma posição minoritária, bem sei.

Publicado por Manuel 12:18:00 3 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Hillary «vs» Giuliani


Começa a ganhar força o cenário de um duelo nova-iorquino na grande final de Novembro de 2008: do lado democrata, a senadora por Nova Iorque desde 2000, Hillary Clinton, e no campo republicano Rudy Giuliani, ex-Mayor da Big Apple.
Uma sondagem da CNN, divulgada hoje, aponta: Hillary 49-Giuliani 47
Os números nacionais das primárias estão assim:
DEMOCRATAS
-- Hillary 51
-- Obama 21
-- Edwards 15
REPUBLICANOS
-- Giuliani 27
-- Thompson 19
-- McCain 17
-- Romney 13

Publicado por André 15:41:00 1 comentários Links para este post  



Não, claro que não, jamais, em tempo algum


Quanto ao coordenador da Unidade de Missão, embora não me tenha obviamente passado procuração, pergunto a José António Barreiros se não é verdade que em muitas revisões anteriores os presidentes das comissões votaram algumas vezes vencidos. Qual é a estranheza? Falta de transparência e democracia não será fingir unidade de pontos de vista onde ela não existiu?

Publicado por Carlos 15:10:00 0 comentários Links para este post  



A Guerra, "O" Documentário



De Ken Burns e Lynn Novick no PBS

Publicado por Carlos 12:50:00 0 comentários Links para este post  



De noite, todos os gatos são pardos


Uns certos gatos pardacentos da nossa putativa renovação literário-intelectual-politica, entendem que a Constituição que temos está bem assim e nada é preciso alterar. Citam um velho defensor da sua dama antiga, Paulo Mota Pinto, também da nova geração putativamente renovadora, para dizerem que este tipo de propostas de rupturas institucionais é eminentemente terceiro-mundista e, de carrinho, contestam a necessidade de revisões de um texto que está muito bem assim, dando razão aos reaccionários que se opõem a qualquer mudança.

Ora , há quem entenda precisamente o contrário e que a CRP pode e deve ser revista, porque como por aqui se diz, “ a actual é programática, socialista, intervencionista, contraditória e desrespeitadora dos direitos individuais.”
É certo que ali, não se justificam as afirmações, tornadas assim apodícticas, como é norma corrente de quem se acha dispensado de fundamentar o que escreve.

Mas o problema proposto, transcende a ideia conformista do gato pardo.
A questão fundamental com a revisão constitucional, não é apenas a da sua inocuidade, como factor impeditivo de desenvolvimento. É mais o do exemplo e do paradigma que deve estruturar uma trave mestra da construção do edifício legislativo de um país.
Não é preciso ser especialista em constitucionalismo, como alguns que para aí andam, para entender que uma lei fundamental tem que servir de referência às demais, ordenando e balizando as grandes ordinárias e as mais singelas, com os regulamentos que as pormenorizam.

Uma lei fundamental que não se respeita a si mesma, não pode infundir respeito às demais e aos que as devem cumprir.
Como é possível respeitar uma lei fundamental que afirma que ainda vamos a caminho de um lado que todos sabem ser infrequentável? Nem à força de um idealismo serôdio lá se chega, porque na verdade nunca se encetou caminho por essa via- a maioria sempre o rejeitou. Mas a lei fundamental continua a dizer que sim, é por aí, para nenhures, que temos de ir.
Como é possível respeitar uma lei fundamental que continua a programar um leque muito alargado de direitos sociais, como por exemplo o de garantir aos trabalhadores o direito ao trabalho e a segurança no emprego, estabelecendo um catálogo de obrigações do Estado , ao mesmo tempo que este Estado, uma vez no Governo, se liberta progressiva e liberalmente dessa incumbência, entregando a tarefa a uma economia de pendor liberal e até ultra liberal, patrocinada por um poder executivo socialista?

Como é possível respeitar uma lei fundamental que consagra uma generosa segurança social e ao mesmo tempo se vai sabendo que um em cada cinco portugueses é pobre de mais, ridicularizando de passagem essa proclamação solene e constitucional?

Como é possível finalmente, afirmar peremptória e fudamentalmente que há uma subordinação do poder económico ao poder político democrático, quando é precisamente o contrário que vemos na governação de todos os dias?

Em suma, que adianta uma Constituição proclamadora de direitos e orientações políticas gerais, que se denegam na prática política diária?
Adianta e vale pouco. E todos sabem disso mesmo, porque ninguém liga ao valor de troca que foi aplicado no texto constitucional.
É exactamente por isso, por valer pouco e nada influenciar, que os do gato pardo, acolitados pelos defensores da excelsa dama que garante um emprego e ocupação aos prosélitos, entendem que não vale a pena mudar nada.
Afinal, como dizia o outro que já saiu da função de garante dessa mesma constituição, as leis em Portugal são, muitas vezes, meras sugestões.
Quando o primeiro magistrado do país, garante das instituições e defensor dos vínculos constitucionais, afirma publicamente uma coisa deste teor, com a seriedade que o cargo empresta, ficamos todos cientes que tudo vale e tudo é relativo, no domínio das leis.
Quando uma lei fundamental se torna meramente sugestiva de tendências, aproximada ao virtual e meramente indicativa de um regime, sem seriedade suficiente para se impor com a coercividade natural das normas, as demais ordinárias podem muito bem ser constitucionalmente conformes à anomia reinante.
Por isso, se tornam meras sugestões, como a lei de financiamento partidário, a de incompatibilidades e as do código da Estrada, para não falar das que combatem a corrupção. A anomia geral tem que vir de algum lado e os gatos pardos, como se vê, pouco vislumbram desta temática e preferem o conformismo atávico, associados aos teórico-praticos do sistema que os sustenta.
E a prova, são as decisões dos defensores da dama que lhes deu o emprego e que se chama poder. Uma puta que vai com quem a agarrar e lhe pagar mais.
Um gattopardo, de noite, a querer ir às putas? Curioso.

Publicado por josé 10:14:00 4 comentários Links para este post  



«Kayleigh», Marillion

Publicado por André 4:08:00 1 comentários Links para este post  



Relapso

Ali em baixo escrevi que Vital Moreira tem uma velha e relha pecha que se revela sempre que os juízes tomam posições que lhe desagradam: avilta-lhes a imagem, achincalhando-os enquanto colectivo.
Mais uma vez, a prova aí está: "um mata; o outro diz esfola".

Publicado por josé 0:17:00 0 comentários Links para este post  



A Guerra começou

Não gostei do primeiro episódio da Guerra. Tecnicamente, ou seja da montagem, não gostei por aí além. E substancialmente, ainda menos. Demasiado palavroso no discurso directo de alguns intervenientes, repetitivo, e principalmente sem acrescentar novidade ao enquadramento político, do ponto de vista do país- do nosso país- na época.
Além disso, as imagens não revelam nada de especial em relação ao que se conhecia. Ocupar tempo com Holden Roberto, a explicar o que poderia bem ser explicado por outros, é apenas um exemplo.
Veremos o que nos reservam os restantes oito episódios, mas o sentimento geral, é de falta de objectividade e com um sentimento difuso de hostilidade em relação ao regime de Salazar.
Ainda não é desta que veremos um documentário com um mínimo de imparcialidade e objectividade histórica.
Mas...de resto, porque haveríamos de esperar tal coisa, neste contexto e com estes autores- jornalistas que passaram estes últimos trinta anos acantonados a ideias tipicamente de esquerda?

Ontem no Prós e Contras, um militar, tenente-coronel aviador, Brandão Ferreira, tipicamente de uma direita que apoiou a guerra do Ultramar, com a justificação do regime e com motivos patrióticos, discutíveis, mas que se devem ouvir, por respeito democrático e de equilíbrio de opiniões, foi manifestamente apupado, por militares presentes, seus colegas.
Este fenómeno denota que ainda não será tempo para se debaterem estes assuntos com serenidade. Duvido que a opinião de alguém como esse militar, seja devidamente ouvida, com o respeito devido, no programa da Guerra de Joaquim Furtado. Veremos.

Publicado por josé 22:14:00 13 comentários Links para este post  



Inquérito parlamentar, já!

"A tragédia desta reforma foi o facto consumado", declarou ontem, no Porto, o professor catedrático de Direito Penal, Costa Andrade, perante dezenas de juristas, no Tribunal da Relação do Porto.

O Público que noticiou hoje o acontecimento, em artigo assinado por Arnaldo Mesquita, continua:

«Os penalistas da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra receberam um telefonema de uma funcionária da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República comunicando-lhes que tinham quatro dias para se pronunciar sobre a revisão dos Códigos Penal e do Processo Penal.
A revelação foi feita ontem pelo professor catedrático Manuel da Costa Andrade, durante uma sessão promovido pelo Tribunal da Relação do Porto, a que assistiram dezenas e dezenas de magistrados judiciais e do Ministério Público, e foi presidida pelo presidente daquele tribunal superior, desembargador Gonçalo Silvano.»
Costa Andrade revelou o episódio quando um juiz lhe perguntou por que não foram envolvidos na revisão daqueles dois diplomas, alguns dos mais conhecidos penalistas portugueses. "Se fosse o Scolari, escolhia dos melhores", acrescentou o juiz, antes de citar nomes bem conhecidos: Figueiredo Dias, Costa Andrade, Teresa Beleza, Maria João Antunes e Anabela da Costa Rodrigues. Não foram só os penalistas esquecidos, também o procurador-geral da República, conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça e outros magistrados."

Costa Andrade, lembrou que na Alemanha, o poder político tem encarado a revisão do Código Penal, num processo que decorre há muitos anos, e a ser profundamente reflectido.

Por cá, só para dar um exemplo, o artigo 30º do Código Penal sofreu um acrescento apócrifo que estabelece como letra de lei, a aplicação do regime de crime continuado, mais favorável para o arguido, no caso de ofensas a bens pessoais, desde que a vítima seja a mesma.
As denúncias desta alteração legal, cirúrgica e com objectivos enviesados, particularmente para aplicação a crimes sexuais, em julgamento e em investigação , ligados à Casa Pia, foram já publicadas. O primeiro a fazê-lo foi o advogado José António Barreiros. Seguiram-se outros.
Mesmo em termos de jurisprudência, a alteração não seria inteiramente pacífica e houve oposição de juristas, mesmo os ligados directamente à revisão do Código de Processo.
Segundo notícia do Correio da Manhã, dois nomes se destacam neste procedimento obscuro: Uma certa Catarina e o deputado Ricardo Rodrigues, o autor da ideia peregrina do "procurador especial" e incentivador da ideia do Inquérito parlamentar ao caso do envelope nove.
A notícia dizia:

«Segundo apurou o CM, a proposta para retirar a parte final partiu de Ana Catarina Mendes. No entanto, a deputada foi de licença de parto, sendo substituída por Ricardo Rodrigues, e o texto acabou por ser aprovado com a versão inicial. Ao CM, o deputado açoriano revelou que também teve dúvidas sobre o artigo, mas acabou por votá-lo favoravelmente após ter consultado “seis acórdãos desde 1996/97” do Supremo Tribunal de Justiça que defendiam a aplicação da figura do crime continuado aos bens eminentemente pessoais. “Para corresponder à jurisprudência do Supremo”, acrescentou.» (...)

Se este assunto não é caso para Inquérito Parlamentar, não sei o que seja.


Publicado por josé 21:08:00 1 comentários Links para este post  



newsflash

Pinto Monteiro ainda é Procurador Geral da República...

Publicado por Manuel 17:54:00 0 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Nobel não dará a presidência a Al Gore

Ao contrário do que algumas reacções precipitadas (sobretudo na imprensa portuguesa) fizeram crer, o facto de Al Gore ter ganho o Prémio Nobel da Paz em quase nada altera a corrida às presidenciais americanas.

É certo que os movimentos de apoio ao ex-vice de Bill Clinton ganharam um novo impulso, a ponto de terem sido recolhidas quase 150 mil assinaturas para desafiar Gore a concorrer à Casa Branca, desde que o Comité Nobel atribuiu o seu mais importante prémio ao autor do documentário «Uma Verdade Inconveniente», mas não há qualquer novo sinal que aponte numa alteração de posição de Gore quanto à sua intenção de não entrar nesta batalha.
Aliás, quase todos os sinais indicam no sentido de não concorrer: a candidatura de Hillary está cada vez mais organizada e eficiente, marcando pontos atrás de pontos; se algum factor inesperado retirar o favoritismo da senadora, Barack Obama também dá mostras de poder ser um front-runner de respeito.
Al Gore está na política americana há 30 anos, desde o final da década de 70. Sabe, perfeitamente, que, a dois meses e meio das primárias no Iowa e no New Hampshire, já será tarde para avançar para uma candidatura ganhadora. A única dúvida prende-se com qual será o candidato que o Nobel da Paz vai apoiar: ou muito me engano, ou Hillary será, dos três major do campo democrata, a que menos recolhe as simpatias de Gore. Apostava, talvez, em John Edwards, que tem insistido na tecla ambientalista.
Nos próximos dias, a Grande Loja completará a ronda pelo campo democrata falando do actual momento da candidatura de Edwards. Em Novembro, quando faltar exactamente um ano para as eleições, dedicaremos a nossa atenção aos quatro principais candidatos do lado republicano.

Publicado por André 16:03:00 0 comentários Links para este post  



Juízos constitucionais

Hoje no Público, a discussão aberta pelo novo líder do PSD, a propósito da extinção do Tribunal Constitucional, a par da revisão extensa da Constituição ( uma nova Constituição), suscita dois artigos de defensores estrénuos da funcionalidade actual do Palácio Ratton. Paulo Mota Pinto e Vital Moreira, defendem, cada um a seu jeito, a sua antiga dama.

Um dos argumentos de Vital Moreira, é de cair da cátedra:
No caso português acresce que a justiça constitucional nunca poderia ser atribuída a um dos tribunais supremos ( ou no caso, o STJ), pela simples razão de que ela é transversal ás várias ordens de tribunais, tendo portanto de pertencer a um órgão judicial autónomo, independente dos tribunais supremos de cada uma das ordens judiciais existentes, ou seja, os tribunais judiciais e os tribunais administrativos ( para além do tribunal de Contas). Seria perfeitamente ilógico confiar ao STJ o julgamento de recursos de constitucionalidade oriundos, por exemplo do STA.”

O que esta afirmação revela, pelo menos, são duas coisas. A primeira, inequivocamente, é a de que Vital Moreira, considera o Tribunal Constitucional, o órgão de topo da magistratura e do poder Judicial, em Portugal. Ora, tal está longe de ser verdade e de ser pacífico.
O protocolo do Estado, assim o pode indicar, o que para Vital parece nada dizer. O que parece indesmentível, em todo o caso, é que a quarta figura institucional do Estado português, é o presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Não é o do Tribunal Constitucional.
Isto revela afinal, uma vela pecha e tendência de Vital Moreira, em desvalorizar sistematicamente e por vezes achincalhar ( uma vez escreveu sobre “despautérios judiciais” em modos assim) o poder Judicial. A sobrevalorização das funções do Tribunal Constitucional em detrimento das eventuais competências de uma secção do STJ dedicada a assuntos constitucionais pode muito bem ter aqui a explicação cabal e preconceituosa. É um argumento, por isso, sem valor específico, porque demasiado especificado.
Outra coisa, ainda mais interessante, é a seguinte: Diz Vital que seria “ilógico” que fosse o STJ a julgar recursos oriundos por exemplo do STA”. Pode até dizer-se mais: e do próprio STJ…
O que esta afirmação suscita, é um aspecto curioso e pouco divulgado: os juízes “magistrados” do Tribunal Constitucional, agora e antes, são quase todos provenientes do Supremo Tribunal Administrativo.
Actualmente, dos seis juízes magistrados ( por imposição legal) a que acresce um que foi cooptado por todos, cinco deles foram directamente, do STA para o Constitucional ou por lá passaram como juízes, tendo aí feito seu percurso profissional mais importante. Curioso? Talvez e para cuja explicação cabal, o presente modo de escolha e designação de juízes para o TC nada adianta.
Ou seja, actualmente, no Tribunal Constitucional, em treze juízes, (com sete de carreira), assentam cinco juízes provenientes da superior justiça administrativa. É conferir, verificar e ajuizar da congruência destes argumentos vitalícios.

Publicado por josé 11:40:00 24 comentários Links para este post  



A Guerra das palavras



No programa Prós e Contras de hoje, elaboram-se argumentos, opiniões e ideias sobre o período da guerra que Portugal defrontou em África, com os movimentos de libertação das chamadas províncias ultramarinas. O pretexto, excelente aliás, é uma série de episódios, nove ao todo, do primeiro programa que a RTP vai divulgar, brevemente a sobre esse assunto de relevo.

Mais uma vez o problema coloca-se também no início: no verbo. Na linguagem escolhida e nos termos utilizados para as designações. Um exemplo, concreto:

Joaquim Furtado, que tem fama de ser um dos melhores jornalistas portugueses, (com Adelino Gomes também que escreve no Público sobre este assunto) , explicou porque é que decidiu chamar aos acontecimentos dessa época A Guerra.

Esclarece que em Portugal, o governo, as pessoas em geral e os apolíticos e sem intervenção activa, nessa altura dos acontecimentos, designavam-nos como Guerra do Ultramar, o que não é bem aceite pela simples razão de no lado oposto da Guerra, os movimentos a designarem de outro modo: como guerra de libertação ou de independência e do lado da ONU, guerra colonial, no que era acompanhada pela esquerda esclarecida de então, escondida e que se mostrou em pleno dia de 25 de Abril.

Extraordinário argumento! Guerra do Vietname; guerra da Argélia; guerra do Congo, foram designações comuns, no tempo delas, para os vários países que lidarem com estes fenómenos.

Tomemos por exemplo a guerra da Argélia, que envolveu os franceses, no final dos anos cinquenta. Para os franceses que escrevem em jornais e assim lêem a realidade, essa guerra é sempre a da Argélia. Para os argelinos, porém é a guerra da independência, da libertação e até da Revolução.

Antes da Argélia, os franceses tiveram outra guerra de libertação do colonialismo: a guerra da Indochina.

Ninguém, em França se lembra, porém de as designar de outro modo, incluindo os esquerdistas, simpatizantes do comunismo então considerado como libertador desses povos.

Quem determina as designações que as coisas devem ter?

Neste caso, Joaquim Furtado, como bom esquerdista antigo e solidamente lembrado, não admite o termo Ultramar, porque tal ultraja os colonizados e até a ONU não usava o termo.

Tomemos o caso do Vietnam. Alguém designa por escrito esta guerra, outro modo, por exemplo, de libertação?

A linguagem em Portugal continua a ser a da Esquerda. E para não se notar muito, Joaquim Furtado capou o termo. Em vez de Ultramar, chamou-se simplesmente Guerra. Não chega. É tempo de perceber que os termos usados para designar as coisas, são os que as designavam no devido tempo. E nesse tempo, era efectivamente Guerra do Ultramar, o termo certo para o acontecimento. Guerra colonial, foi termo apócrifo, divulgado logo depois do 25 de Abril de 1974, pela Esquerda, toda a esquerda, a reboque do PCP e do PS.

Pergunta-se: qual o termo certo, para designar a Guerra em África? A do tempo em que ela decorreu, ou seja, Guerra do Ultramar, ou a do tempo em que se procurou acabar com a mesma, de qualquer maneira, como de facto aconteceu- ( Nem mais um soldado para as colónias!) ?

Imagem: daqui.

Publicado por josé 0:31:00 12 comentários Links para este post  



O trovador militante












Adriano Correia de Oliveira, 25 anos de morto, em 16 de Outubro. Um dos ícones da Esquerda que no início dos anos setenta do século passado, cantou contra o Estado Novo de Marcelo Caetano, juntamente com José Afonso, José Mário Branco, Fausto, Manuel Freire e muitos outros. Alguns foram baladeiros; outros, compositores, como José Niza, a quem a música popular portuguesa deve dezenas de canções de muita qualidade e significado; arranjos e composições de cantigas de festival e populares e que merecia uma homenagem só por isso.

Adriano cantou poucos anos antes de 25 de Abril, as canções de Manuel Alegre, no Canto e as Armas e é a poesia de Alegre que remete para Adriano: “ Quem poderá domar os cavalos do vento/ quem poderá domar este tropel/ do pensamento à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste/ que diz por dentro do que não se diz/ da fúria em riste/ do meu país?
Estas letras cantadas pela voz única de Adriano, soaram antes e depois de 25 de Abril de 1974. Não eram proibidas, ouviam-se na rádio, embora pouco e no disco Gente de aqui e de agora. As músicas, na sua maioria, eram de José Niza. Este disco de 1972, será talvez o mais emblemático do “trovador militante”, no dizer de Vital Moreira ( no Público, nestes dias, que vai publicar sete cd´s acompanhados de livretos com a obra de Adriano Correia de Oliveira

O trovador militante, nos anos setenta, cantava a liberdade, enunciada pelos poetas, como Manuel Alegre e Manuel da Fonseca. Liberdade? Que liberdade? A que surgiu no 25 de Abril, certamente, mas com um grão de sal: uma liberdade condicionada a um modelo de sociedade inclinado à Esquerda que nessa altura era a socialista, mesmo comunista; em alguns casos de democracia popular.

O idealismo de referência marxista, sempre pautou os “trovadores militantes”, como Adriano. Mais de trinta anos depois e 25 a seguir à morte do trovador, onde pára a liberdade cantada? Na bancada do PS, do lado esquerdo afectivo? Manuel Alegre ainda lá está, no lugar simbólico, onde continuam a congregar-se todas as ilusões.

O programa do PS, colocou o socialismo numa gaveta sem fundo e retomou ideias alheias, mesmo liberais ( credo!) que os desvirtuam, mas os idealistas, mesmo com protestos, ainda por lá andam. A deputar, cantar e a comemorar o passado. Sem futuro, a não ser na memória musical, aliás de grande riqueza e sentido.

Nota: as imagens são da revista Cinéfilo de 6.4.1974, como se vê, fazendo uns toc´s. O artigo em que se diz "naquela noite, no Coliseu, senti-me", nesse I encontro da canção ( meses mais tarde viriam os cantos livres), foi escrito por Mário Contumélias.

Publicado por josé 22:15:00 3 comentários Links para este post  



deja vu

A história do Congresso que entronizou Santana Lopes, escassas semanas antes de ser corrido, sem apelo nem agravo de primeiro-ministro, repetiu-se este fim de semana. Resta aguardar, e ajudar o dr. Menezes a acabar com dignidade. Menezes merece o partido que 'conquistou', como merece o 'apoio' descomprometido do Dr. Lopes. Sócrates também merece um líder da oposição 'assim'. Quanto ao 'povo' provavelmente também merece representantes desta estirpe, quanto mais não seja pelo pecado da omissão. A cada momento os partidos são espelhos da sociedade, e verdade seja dita, nese capítulo PS e PSD representam bem, nas suas pequenas vaidades, traições, misérias e indigências o país que temos.
more later.

Publicado por Manuel 15:51:00 3 comentários Links para este post  



Sigamos Marisa Monte

Publicado por André 14:27:00 1 comentários Links para este post  



Anedotas políticas

Vital Moreira, acha que o objectivo proclamado pelo Partido Comunista Chinês, visando criar na China “uma sociedade socialista, justa e democrática,” não passa de uma anedota política, sustentada na realidade chinesa- de ditadura e capitalismo selvagem.

Porém, não é só na China em que os palhaços de regime contam balelas. Por cá, também se encontra farto anedotário político, com palhaçadas recorrentes, em certos programas partidários. Por exemplo, neste:

"Se a plena aceitação da economia de mercado distingue, com clareza, a esquerda democrática das concepções colectivistas da organização económica e social, a defesa do Estado Social e a valorização das políticas e dos serviços públicos, em domínios centrais da vida colectiva, assim como a acessibilidade e a qualidade dos serviços públicos, distinguem radicalmente a esquerda democrática das formas neoliberais de ataque ao estado e menosprezo pela administração pública.”

Publicado por josé 10:08:00 0 comentários Links para este post  



Legião Urbana

Os Legião Urbana foram um grupo de culto no Brasil, tendo existido entre 1982 e 1996, até à morte do seu líder, vocalista e principal mentor, Renato Russo, fez na passada quinta-feira 11 anos. Numa mistura de rock urbano e letras de grande qualidade (fortes, por vezes cruas, e muito incisivas), os Legião marcaram toda uma geração de bandas brasileiras, sobretudo os Paralamas do Sucesso -- que lhes dedicaram um concerto --, mas também os Barão Vermelho, os Skunk e, mesmo, experiências de rock urbano mais recentes, como Fernanda Abreu.

Já passou mais de uma década, mas ficam os temas e as letras. Como esta:

«Quem me dera
ao menos uma vez

Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais, por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim

E é só você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho,
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim

E é só você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente -
Tentei chorar e não consegui...»

«Índios», Legião Urbana, letra e música de Renato Russo

Publicado por André 1:19:00 0 comentários Links para este post  



Os artistas dos blogs

Vamos propor uma pequena questão de netiqueta:

Um comentador anónimo, entra numa caixa de comentários de um blog, onde se permite o anonimato de quem aparece, mesmo que controlado previamente pelo administrador do blog.
O administrador, percebendo a putativa identidade do comentador, (no que revela imediatamente um afã curiosamente voyeurista), pessoa conhecida publicamente ou não, decide publicar o registo obtido através do google search, comentando jocosamente a habilidade e desfazendo assim o anonimato do comentador, que o próprio administrador admitira.

Como é que isto se pode qualificar em termos de ética na internet e nos blogs?

A seguir, direi quem foi o "artista" que assim procedeu. Ou melhor, digo já que isto parece-me uma pulhice, a precisar de desculpas.

Publicado por josé 23:03:00 28 comentários Links para este post  



Diz que ainda não presta

O programinha da RTP1 que continua a plagiar a pequenina marrafinha do grande Clo Clo, continuou hoje os ensaios iniciados na semana passada. Hoje teve um bónus. Um pequeno cantor com uma grande voz: Ricardo Azevedo.

Publicado por josé 22:18:00 0 comentários Links para este post  



Funcionários do quadro da política

Duas imagens, onde basta fazer dois toc´s para perceber uma questão essencial para a nossa vida democrática. A política e os políticos, não são cargos vitalícios, com carreiras como se fossem função pública. Quando isso acontece, a política em democracia aproxima-se da oligarquia. Um regime republicano nunca admitiria que o qualificassem dessa maneira. Mas aquilo que sucedeu nas escadas do Parlamento, aqui referido, remete para essa área obscura da nossa democracia. É por isso que uma deputada ao Parlamento Europeu, escreve como escreve, sem qualquer pudor ou sentido das realidades. Há muito que anda fora delas.


Publicado por josé 21:19:00 8 comentários Links para este post  



«Cloudbusting» - onde a Kate prova que, afinal, nem todos os Bush são de má qualidade

Publicado por André 1:46:00 1 comentários Links para este post  



Sugestão de título para uma notícia sobre o caso de Madeleine Mccann

"Gémeos não são irmãos"

Publicado por Carlos 1:24:00 3 comentários Links para este post  



Nova temporada da série o Sexo e os Tribunais


Está já disponível no Direito de Pernada. Nos novos episódios, a acção decorre nos Julgados de Paz. A não perder.

Publicado por Carlos 0:41:00 1 comentários Links para este post  



Os parodiantes

Um pândego, daqui, achou por bem gozar com o novo santuário de Fátima.
Este, em maqueta e que ao parodiante parece um ovni:


Em má hora, porém. Antes, deveria ter gozado, do mesmo modo, com outro santuário, também de formas esquisitas.

Este ( e outros parecidos):


Não é maqueta. É mesmo um santuário, de culto a um outro deus. E também tem um papa.

Publicado por josé 23:06:00 6 comentários Links para este post  



Fátima tem um novo santuário

Neste momento, decorre a procissão de velas, em Fátima. Muitas dezenas de milhar de pessoas, reunidas, com um simples propósito: a prática da sua religiosidade, em grupo e congregação.
Hoje, as imagens passam em directo, na RTP1. Amanhã, estarão nos jornais.

Para todos os laicistas, com o ateísmo à ilharga, aí fica uma lição. Em vão, certamente.

Publicado por josé 22:17:00 44 comentários Links para este post  



As políticas de esquerda

Daqui:

A taxa de desemprego em Portugal sofreu um agravamento em Agosto, fixando-se nos 8,3 por cento da população activa, o que faz com que o nosso país ocupe o quinto lugar na lista de países com maiores níveis de desemprego entre os 27 Estados-membros da União Europeia.


Dali, ou de acolá; de um lado qualquer, à esquerda do senso comum:


É caso para perguntar: esta gente ri, de quê? Das figuras que esta esquerda faz? Deve ser.

Publicado por josé 19:46:00 0 comentários Links para este post  



Sophia, 1967


«Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova

E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
De um tempo justo»

«Esta Gente», Sophia de Mello Breyner Andresen, in «Geografia», 1967

Publicado por André 2:03:00 1 comentários Links para este post  



O comentário semanal do professor Marcelo do Porto em 3 partes

Parte I



Parte II



Parte III

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Sítio do Picapau Amarelo, 1978

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pivots de ouro

O Correio da Manhã, noticia hoje que o jornalista-pivot da RTP, José Rodrigues dos Santos e por extensão os outros, como Judite de Sousa e Carlos Daniel e certamente ainda uns tantos mais, como José Alberto Carvalho, para não falar dos corpos gerentes, ganham bem.

São funcionários da RTP, uma empresa pública que nos mostra o mundo, as fantasias e a ficção da realidade, pela janela do écran. O Estado português, este ano que passou, deu-lhe, através do Orçamento pago com impostos de todos, e como forma de indemnização compensatória, pela prestação de serviço público, mais de 150 milhões de euros.

Os pivots de informação, aparecem a dar a cara pelas notícias que escolhem e os deixam escolher, segundo tudo indica e o próprio confirmou. Um trabalho de peso, conta e medida, que pelos vistos tem de ser pago a peso de ouro. Se estes faltarem não há mais. São raros e o trabalho é de artista.

E isso parece valer, para cada um deles, um ordenado de cerca de 2 600 euros por mês, o que fica dentro dos parâmetros médios, para o alto, da função pública.

A este ordenado, porém, acresce uma importância de prémios e subsídios que isto de ganhar o salário médio tem o que se lhe diga de ficar muito a desejar.

Assim, cerca de 11 600 euros, acrescem, como prémios e subsídios, ao bolo do fim do mês, que fica mais compostinho com cerca de 14 mil euros. Dois mil e oitocentos contos dos antigos.

O Correio da Manhã, em 2004, escrevia que estes ordenados eram milionários.

Se lhes forem perguntar, aos pivots, o que pensam disso, provavelmente olharão para o entrevistador, com cara de... "boa noite. Até amanhã". E dantes ainda diziam ..." se Deus quiser". Agora, nem isso.

Publicado por josé 18:44:00 0 comentários Links para este post  



Ana Gomes, uma pia de ética

Sobre Ana Gomes, já por aqui, nesta Loja, elogiei a sua desassombrada atitude de afrontar correligionários, quando estes a apunhalam pelas costas- o que parece frequente, aliás.
Nessa altura, o espanto da desassombrada, virava-se para o seu correligionário Lello, apanhado e enxofrado em escutas comprometedoras, em putativo espeto de adaga nas espaldas, por causa do futebol. O acólito informador do despautério lelliano, fora outro, um dos cavaleiros andantes da modalidade que não estava com meias medidas e afiançava ao interlocutor comprometido: "...vou-lhe chegar”, “...essa vai comer...” ou “...para a gaja desandar...”. E continuava, mas o melhor é (re)ler a história toda, para ver a fibra da desassombrada.

Ana Gomes, parafraseando uma expressão antiga do agora noticiado José Rodrigues dos Santos, sobre a sua colega Cecília do Carmo, é "uma mulher de barba rija".

Seja apenas por isso que o seu postal, - pia a ex-provedora-a desfazer Catalina Pestana, vale um tostão furado de indignação. A sua piadética referência ao processo da Casa Pia, está casada com a sua extraordinária visão de prè-cog, sobre o futuro de um acusado de abuso sexual, vir a tornar-se um futuro primeiro-ministro deste pobre país. Escrevia assim, a prè-cog, em 9.11.2005: "Tomem nota: Paulo Pedroso vai ser um dia Primeiro Ministro de Portugal."

O problema da prè-cog, vem todo daí, desse estado de transe, que lhe afecta de vez em quando o bestunto. Como desta vez. Mais uma vez. E já são muitas vezes. Demais.

Publicado por josé 18:03:00 4 comentários Links para este post  



boletim meteorológico

Ontem, passei a noite a fazer zapping. As aventuras dos 'Tudors', e por agora de Henrique VII, na RTP/1, e mais um episódio do Polvo, na RTP/Memória. Tudo muito pedagógico. Quase tão pedagógico e elucidativo como este post de Ana Gomes no 'Causa Nossa'.

Com efeito, 'dantes' podia haver bons e maus, mas cada lado sabia exactamente o que representava, assim como o que (não) representavam os 'outros'. Isto era dantes. Agora, sinal dos tempos, não há bons nem maus, como não há bem nem mal, é tudo relativo, fruto da conveniência, e do posicionamento de cada instante. Os princípios que se lixem, o que interessa é tão só e apenas tratar da vidinha.

Eu já escrevi aqui muito sobre o Caso Pio, quem quiser que consulte os arquivos. Continuo a achar que - tudo ponderado - foi uma honrosa excepção, pela positiva, na forma como se tratam casos a partir de determinada dimensão (nomeadamente pela qualidade do trabalho desenvolvido pela equipa do MP) mas não tenho ilusões. Ainda falta muito tempo para que muita coisa fique óbvia. Dito isto, Catalina Pestana tinha feito melhor em estar calada, ou pelo menos em ser mais discreta. Não vou explicar porquê - é-me óbvio. Transporta outra vez o domínio dos factos (dos que chegaram, e estão, a julgamento) para o da caça aos gambuzinos, enquanto matéria de fé (vide as declarações da nova Provedora), com a poeira resultante a gambuzinar e relativizar o julgamento em curso. Enfim.

Quanto a Ana Gomes, bem, quanto a Ana Gomes, o que vale é que ninguém liga pevide aos estados de alma da senhora, porque senão o País e as instituições tinham um grave problema para debater. Pelo meio há coisas que se percebem na lógica refinada da €uro-deputada. Que Catalina, na opinião de Ana Gomes, não é perfeita e também terá rabos de palha, logo, não tem moral para acusar/denunciar quem quer que seja. E que o grande osso atravessado nas goelas de Ana Gomes não tem a ver com Pedroso ou Ferro mas com o facto simples de a 'Caterine Deneuve' não ter tido sido mais que uma nota de rodapé em todo o filme. Assim, como ninguém é perfeito - e acusar só Deus - todos são inimputáveis.



Obviamente, Ana Gomes não percebeu nada de nada. Mistura factos, boatos, rumores, com ficção descarada, tudo condimentado com doses marcianas de 'convicção' e 'fé'. Mas há outra questão, igualmente relevante, que, apesar de tudo, agiganta Catalina ao pé de uma liliputiana Ana Gomes. Catalina, antes de falar com o Sol, foi à PGR, dizer do que suspeitava. Ana Gomes, a Ana Gomes que fala de malas, e coisas que tais, e clama por investigações 'sérias', antes de escrever no blog, foi aonde ? Q.E.D.

Publicado por Manuel 17:03:00 0 comentários Links para este post  



O professor Marcelo do Porto

Publicado por Carlos 13:37:00 2 comentários Links para este post  



Os protocolos

Vital Moreira, assina hoje um artigo num jornal, o Diário Económico, como "presidente do CEDIPRE

O artigo é sobre as ordens profissionais e Vital Moreira expende considerações judiciosas sobre o estatuto e a conveniência em que o Estado estabeleça " um conjunto de regras comuns básicas sobre a organização, o governo e o funcionamento das ordens profissionais", para "definir de uma vez por todas as atribuições das ordens na regulação do acesso à profissão, pondo termo a abusos que não podem continuar."

Ora o que chama a atenção, é aquela particular qualidade de "presidente do CEDIPRE".
O que é o CEDIPRE? É um "instituto de investigação e pós-graduação da FDUC", na Universidade de Coimbra, portanto.
Para além disso, é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, que se rege por estatutos e pela lei, com sede na própria FDUC, ou seja nas instalações da Universidade pública.
Como é que se relaciona esta associação privada, com a universidade pública?
Assim: por protocolo (!) que define a utilização de espaços, pessoas, instalações, equipamentos, e até a própria aquisição de livros. Além disso, toda a actividade académica da associação privada, deve ser aprovada previamente pela FDUC que também pode impedir actividades da associação, na escola. É também aí que se definem as contrapartidas da associação para com a escola pública. E que virão no protocolo.
Assim, a FDCU, manda nos espaços, no pessoal, no equipamento, nas instalações e nas iniciativas que a associação dispõe e exerce, no local que é da FDUC, ou seja, um local público, como é o de qualquer escola do Estado.
A Universidade de Coimbra, em face da lei, como os demais estabelecimentos públicos do ensino superior, tem uma amplo grau de autonomia, estatuária, académica, científica, pedagógica e naturalmente de autogoverno, com órgãos próprios.
É no exercício desta ampla e regalada autonomia que a FDUC e a Universidade, sustentam outras associações de direito privado sem fins lucrativos, em que participam uma boa parte dos professores da própria universidade.
Várias associações deste teor, apoiam e organizam quase dúzia e meia de cursos de pós-grauação, com duração variável e destinados a licenciados, em regime "pós-laboral", ou seja, nas últimas horas das Sextas-feiras e aos Sábados.
Quem frequenta estes cursos, de pós-graduações, paga bom dinheiro - a quem? À entidade privada ou à pública?- pela inscrição e pelas propinas.
Segundo as contas do CEDIPRE, por exemplo no ano de 2005, a maioria das despesas da associação, contabilizadas como "custos", foi para..."honorários" (sic). Isso, mesmo com altos patrocínios público-privados, obtidos por protocolo, de empresas com óbvias ligações ao Estado, como Anacom, ERSE, Banco de Portugal, Instituto de Seguros de Portugal e Instituto Nacional de Transporte Ferroviário.

Esta orgânica e esta mecânica de funcionamento dos cursos de pós-graduação, pode aparentemente estender-se às outras associações privadas que funcionam simultaneamente, nas instalações da FDUC, com pessoal da FDUC e com equipamento da FDUC, ao fim de semana e que ministram uma profusão de cursos e cursinhos de pós-graduação.

É certo que o propósito destes cursos e destas actividades é altamente louvável. Não é isso que está em causa, com esta exposição. São verdadeiras oportunidade de valorização cultural e profissional aquilo que oferecem. Mas...ainda assim, há anos que me intrigam. Cursos destes, em escolas públicas, num regime híbrido, porquê, exactamente?
Ocorre perguntar, como é que isto funciona, assim, com tanto curso e tanta gente, ligada umbilicalmente à universidade pública, agregada ao mesmo tempo em associações privadas, com as características que se conhecem e a funcionar deste modo e nesta- há que dizê-lo- promiscuidade do público com o privado que pelos vistos é vituperada em relação a certas instituições e neste caso- moita carrasco?
Directamente, então: quem é que mais ganha com isto? Os alunos? A universidade pública? Os docentes? E quanto a estes, como é que se compatibiliza a sua especial natureza de funcionários públicos, pagos pelo Orçamento do Estado, com o pagamento de "honorários", obtidos deste modo?
Quanto a estes, escusado será dizer que a ampla margem de autonomia, permite a contratação de juristas que também são profissionais de outras áreas que não o ensino, técnicos de outras profissões, etc. etc.
Estará certo, isto? Será este o ensino público que se pretende, deseja e incentiva? Que diferença fazem, neste aspecto particular e organizativo, das universidades que concedem brindes aos alunos?

Ficam as perguntas, com a promessa de retornar ao tema. Depois de saber onde e quais são os protocolos. Porque de facto, mesmo procurando, não os encontrei. Podem mostrá-los?

Publicado por josé 23:42:00 5 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Iowa é o «must-win state» para Obama


No segundo capítulo desta ronda pelas candidaturas com hipóteses de chegar à nomeação, falaremos hoje sobre os pontos fortes e fracos de Barack Obama, senador pelo Illinois e segundo classificado da corrida democrata.

Trata-se de uma candidatura que vive num dilema: o que já conseguiu é fantástico, tendo em conta que Obama tem 46 anos e só é conhecido a nível nacional há apenas dois anos e meio, mas a dureza dos números mostra que, se nada de substantivo acontecer, o que Barack já conquistou de nada lhe valerá para 2008.

Inteligente, jovem, bem-parecido, Obama tem passado a mensagem de ser o candidato do futuro, aquele que não está comprometido com os vícios de Washington e com os erros dos últimos anos, contrapondo com a excessiva colagem de Hillary aos anos Bill Clinton e mesmo ao que se passou desde 2000, dado que a senadora votou a favor da guerra no Iraque, ao contrário de Barack que, enquanto membro do senado estadual, em Chicago, foi dos primeiros líderes democratas a estar contra a intervenção no Iraque.

O problema de Obama é que a sua realidade é o segundo lugar. Como nem sequer é provável que Hillary o vá convidar para seu vice-presidente (Joe Biden ou Bill Richardson são hipóteses mais prováveis), isto significa que o fenómeno Obama só pode vir a colher frutos no plano nacional em... 2016, se Hillary vencer em Novembro do próximo ano, ou em 2012, na hipótese de a Casa Branca se manter no lado dos republicanos.

Capaz de atrair multidões, campeão da arrecadação de receitas até ao mês passado (no somatório, ainda tem mais dinheiro do que Hillary, mas se contarmos a partir do Verão, a senadora por Nova Iorque já o ultrapassou, fruto da normal capacidade de atracção de quem vai à frente), Obama sabe que terá que ser, nos próximos três meses, ainda mais extraordinário se quiser sonhar com a nomeação.

Não contestando as capacidades da sua principal adversária, Obama considera-se, no entanto, em melhores condições para «reconciliar a América», fazendo uso de um discurso inspirador, que apela ao sonho.

Só que a eficácia de Hillary, que tem conseguido passar a mensagem de que é a candidata mais bem preparada, mais experiente e em melhores condições de ganhar a eleição nacional (as duas primeiras premissas talvez estejam certas, a terceira ainda não é líquida) tem levado a que, nos últimos meses, a diferença entre Hillary e Obama se tenha aproximado dos... 20 pontos percentuais.

Barack está, pois, num autêntico contra-relógio para tentar contrariar o superfavoritismo de Hillary Clinton. Se uma consulta pelas sondagens a nível nacional nos levaria a achar que a missão de Obama é quase impossível.

Mas vários analistas avisam: a nomeação ainda não está fechada do lado democrata. No caucus do Iowa, tudo está em aberto: alguns estudos dão uma escassa vantagem a Hillary, mas outros põem Obama à frente, com John Edwards sempre muito perto dos dois principais candidatos.

E, olhando para exemplos como os de John Kerry ou Bill Clinton — que partiram para as primárias atrás de Howard Dean e Paul Tsongas, respectivamente, mas acabaram por obter a nomeação pelo balanço ganho por bons resultados nas primeiras consultas — convém não colocar, desde já, Obama do lado dos derrotados.


É certo que a vantagem de Hillary é muito grande, mas se Obama vencer no Iowa (o que, neste momento, é perfeitamente possível) tudo pode mudar. «Iowa is a mus-win state for Obama», titulava o Rasmussen Reports, na semana passada.

E a verdade é que, há poucos dias, a Newsweek fez uma sondagem no Iowa com números animadores para Barack: Obama surge à frente, com 28 por cento, com Hillary em segundo, 24, e Edwards em terceiro, reunindo 22 por cento das intenções de voto.

Mas uma vitória no estado de arranque pode não chegar: Obama terá, depois, que confirmar o balanço ao vencer pelo menos um dos dois estados seguintes: New Hampshire e Carolina do Sul.

Para que tal seja possível, terá que conseguir ser mais eficaz a captar votos junto do eleitorado negro, muito numeroso na Carolina do Sul (onde Hillary ainda domina, capitalizando a enorme simpatia que Bill Clinton tinha junto dos negros).

Outro trunfo que Obama ainda conserva, na comparação com Hillary é o facto de se revelar mais forte no duelo com os dois mais prováveis candidatos republicanos. Obama está à frente de Giuliani com um avanço entre os 4 e os 10 pontos e lidera o duelo com Fred Thompson entre os 6 e os 12 pontos, números superiores aos de Hillary.

Um estudo do Gallup, maior instituto de sondagens dos EUA, avaliou, itens fundamentais, quem se encontra em melhores condições junto dos americanos: Hillary ou Obama. A senadora ficou à frente em temas mais ligados à economia, aos impostos e à saúde, mas Obama mostrou-se mais forte em questões como «inspirar os americanos», «relações entre diferentes raças» ou «capacidade de unir o país».

Aqui ficam os resultados desse interessante estudo:
«QUE CANDIDATO LHE INSPIRA MAIS CONFIANÇA NOS SEGUINTES TEMAS...»

SAÚDE: Hillary 65-Obama 14

ABORTO: Hillary 61-Obama 14

ECONOMIA: Hillary 58-Obama 21

RELAÇÕES EXTERNAS: Hillary 54-Obama 21

RELAÇÕES ENTRE AS RAÇAS: Obama 58-Hillary 30

CAPACIDADE DE UNIR O PAÍS: Obama 47-Hillary 34

RECONCILIAR A AMÉRICA: Obama 55-Hillary 29

Publicado por André 20:14:00 2 comentários Links para este post  



Não há um Prémio Nobel para este médico???


Médicos na Austrália salvaram a vida de um turista italiano envenenado alimentando-o durante três dias com vodca por via intravenosa (do SOL)

O turista italiano de 24 anos foi levado ao Hospital Mackay Base, no norte do Estado de Queensland, depois de ter ingerido uma grande quantidade de etilenoglicol, um componente de aditivos de radiador de automóveis, numa suposta tentativa de suicídio

O etilenoglicol pode paralisar o funcionamento dos rins e é fatal.

O médico Pascal Gelperowicz, que liderou a equipa de tratamento em conjunto com Todd Fraser, afirmou que o italiano estava inconsciente quando chegou ao hospital. O tratamento foi iniciado imediatamente com o álcool farmacêutico, que funciona como um antídoto para o etilenoglicol.

Mas os suprimentos de álcool farmacêutico do hospital de Queensland acabaram.

«Rapidamente usámos todos os frascos disponíveis e decidimos que havia outra opção: fornecer álcool ao paciente através de bebidas alcoólicas colocadas na sua sonda nasogástrica» , disse Gelperowicz ao jornal The Australian.

Todd Fraser disse que o tratamento pode não ser convencional, mas foi bem sucedido, pois o paciente recuperou totalmente.

«O paciente recebeu o equivalente a três doses comuns a cada hora, durante três dias, enquanto permaneceu na unidade de terapia intensiva» , afirmou Fraser.

«A direcção do hospital foi compreensiva quando explicamos as nossas razões para a compra de uma caixa de garrafas de vodca» , acrescentou.

Publicado por Carlos 18:37:00 4 comentários Links para este post  



A festa e a farsa

Ontem, era o PCP. "Os do costume", no dizer do primeiro ministro. Hoje, depois de reflectir no efeito da frase, perante os manifestantes na escola da Covilhã, já é "a festa da democracia".

Há coisas fantásticas... Não há?

Publicado por josé 20:06:00 10 comentários Links para este post  



O ministério da oposição interna

Os cultores da imagem do governo e demais núncios em geral, têm afazeres suplementares estes dias, para se desfazerem da estupidez de alguns zeladores.
Depois da inteligente medida da PSP da Covilhã, em prevenir manifestações sem aviso prévio, recolhendo papéis subversivos, já têm outro assunto com que se entreter: o processo disciplinar ao jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos, para o despedir por delito de opinião.
Parece incrível? Nem por isso. Basta ir ao Abrupto e ler a arguta argumentação, do director de informação do canal informativo do Estado.

Às vezes, nem é preciso oposição. A gente do governo, generosa, fá-la. Muito bem feita.

Publicado por josé 19:26:00 0 comentários Links para este post  



Escutas? Que escutas?!

Ontem, no final do Prós e Contras, da RTP1, Rui Pereira e Paulo Portas, foram perguntados pela animadora do programa, sobre os costumes que se podem ouvir nas conversas gravadas no processo Portucale e recentemente transcritas pelo Sol.

Ambos disseram nada, o que é sintomático do conceito particular da democracia que praticam.

Paulo Portas, ainda se desplantou a dizer que não comentaria o teor dessas escutas, porque…”estaria a validar uma ilegalidade “! E Rui Pereira, passou as marcas do desplante ao perguntar mesmo, à animadora: “Escutas? Que escutas?!’

Esta malta goza connosco, como feitores de quinta abandonada pelo dono. O Povo parece não querer perceber a gravidade destes assuntos e os candidatos a eleições, eleitos e reeleitos e sempre nas listas para as candidaturas de arranjo, já perceberam que reinam na mais completa impunidade popular. Quem manda, sabem eles muito bem, são os partidos. E se eles mandarem nos partidos, o povo vota e acabou a conversa. Satisfações, só na urna. De voto na mão.

Só assim se compreende que mandem os demais curiosos da coisa pública, que também votam, dar uma volta ao bilhar grande. Como ontem fizeram.

Publicado por josé 19:20:00 2 comentários Links para este post  



Os subversivos

A visita do primeiro-ministro José Sócrates, a uma escola secundária, na Covilhã, já deu que falar, hoje, daquilo que o mesmo não gosta: críticas certeiras a atitudes erradas.
A CGTP, agregada de vários sindicatos de professores, como o sindicato dos Professores da Região Centro, planearam uma acção de eventual protesto contra o governo deste primeiro-ministro, à semelhança do que tem ocorrido noutros locais do país.
Para o primeiro-ministro, de riso amarelo afivelado, estas acções são promovidas pelo partido comunista que ainda não se adaptou à democracia e só sabe protestar através de insultos.
Até aqui, tudo normal, se não quisermos analisar mais além , a subtileza da noção de democracia de José Sócrates que o leva a execrar seja que manifestação for que não traga sorrioso e aplausos para as suas políticas excelsas que nos puseram com mais de 8% de desempregados.
Os manifestantes que aplaudem, são ordeiros, pacíficos e em nada perturbam a ordem pública. Mesmo não avisando com antecedência, são sempre bem vindos.
Os demais, como os dos sindicatos, são uma corja antiga, sempre a mesma e que se compõem dos maledicentes do costume, associados aos derrotistas que nunca vêem a luminosidade das medidas deste governo ou doutros. Como tal, bastão para cima deles e processos crimes por injúrias à autoridade e por se manifestarem ilegalmente- porque não avisam antes. Os outros já são avisados por naturez, porque são educados e de bom tom e só não trazem bandeirinhas para acenar, porque ainda ninguém se lembrou disso.

Soube-se agora que uns agentes voluntariosos da PSP da localidade, visitaram a sede daquele sindicato, para se inteirarem sobra a natureza dos “protestos”, perante um simples funcionário que os atendeu e passou a novidade, contada em única e primeira mão.
A atitude, no contexto daqueloutras, sumamente inteligentes, do primeiro-ministro, assumiu logo foro de escândalo maior, com direito a forum na TSF e rasganço de vestes variadas, do BE ao CDS, incluindo o próprio PS.
A atitude dos esbirros foi imediata e livremente assimilada às acções da antiga polícia política, que andava sempre à cata de subversivos.
Para o PCP, o gesto é simplesmente pavloviano: mais uma oportunidade de ouro para se falar na PIDE e no regime de ditadura feroz que capava as liberdades democráticas, como se o regime que sempre defenderam fosse capaz de agir de modo diverso.
Os apaniguados, Vital, Magalhães e associados, desta vez, clamam pela estupidez da análise que os incrimina. Seriam lá capazes de mandar fazer uma coisa destas! Como se viu no caso Charrua, o respeitinho, tem que havê-lo, mas não se castiga ninguém pelo zelo. Seria excessivo.
Palpita-me que desta vez, alguém na PSP da Covilhã, não vai ter a sorte da professora Margarida. O zelo também tem dias.

Publicado por josé 15:53:00 1 comentários Links para este post  



Elis, 1981, no último concerto, já muito perto do fim

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El Che morreu há 40 anos.





















Faz hoje 40 anos que Che Guevara foi executado, por um comando boliviano, poucos minutos depois das 13 horas locais, num Domingo boliviano.
Começara o mito. A sua denúncia, só agora se revela ao mundo, em termos mediáticos. Da Loja, faz-se um relato, pequeno, de uma reportagem da revista francesa L´Express, com uma passagem em que se transcreve o que conta o seu executor, Felix Rodriguez - um cubano, antigo agente da CIA, hoje exilado nos Estados Unidos.
Segundo relatos recentes, Che, enquanto comandante da prisão de Cabana, foi responsável directo e até executor, de dezenas de prisioneiros.

Félix conta que até ao último instante, El Comandante, pensava que iria ser poupado. Não foi, por ordem superior. No momento da execução, disse-lhe: Diz à minha mulher que volte a casar e tente ser feliz." Aleida March de la Torre, parece que tentou.

A última imagem do Che, minutos antes de morrer, é esta. Félix, está atrás, à esquerda de quem olha de frente para a imagem.


Nota: A hora exacta da execução, é apontada por Rodriguez, na L´Express como sendo as 13h e 20m. Na entrevista à Veja brasileira, refere 13h e 10m. Tanto faz, mas o pormenor da foto, interessa mais: quando foi tirada, Che ainda pensaria que sobreviveria. Logo a seguir, uma chamada, codificada, dos comandantes bolivianos, indicou a Félix Rodriguez, o que fazer: execução imediata. Segundo Rodriguez, El Che, quando se apercebeu do destino iminente, ficou lívido. Pudera.

O Público de hoje, consagra duas páginas centrais à efeméride. Duas páginas que acrescentam ao mito e nada fazem para o trazer à realidade dos factos históricos, só agora conhecidos. Há opções que definem outros mitos e lêndias.

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Estado, religião, tradição, costume e cultura

O laicismo tem dias. Um destes dias, ainda percebe o lugar que ocupa nesta sociedade.











Imagens tiradas do Público

Publicado por josé 14:25:00 11 comentários Links para este post  



moca filosofal

Em Fevereiro de 2005, José Sócrates entendia que a taxa de 7,1% no desemprego, era a prova provada do falhanço do governo anterior e que os portugueses precisavam de um novo governo. Os portugueses, deram-lho. Com uma maioria absoluta anexa.
Que fizeram dela, estes filósofos de nome e curso saído na farinha Amparo?

Passados quase três anos, o desemprego subiu para mais de 8%. Conclusões? Ah... coisa e tal, estamos no bom caminho, o melhor vem já a seguir e isto vai ser uma maravilha, connosco no poder.Votem em nós!
Em política, o que hoje é verdade, amanhã, pode ser mentira. Como no futebol da liga milionária, sem fundos à vista.
Não têm um pingo de vergonha naquele jeito de propaganda de "bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo que fossa através de tudo num perpétuo movimento."

Publicado por josé 14:09:00 2 comentários Links para este post  



Ciclo Clarice Lispector: capítulo II


«Se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, sairá de si para ver como é às vezes o outro. Se é pobre, não estará me lendo porque ler-me é supérfluo para quem tem uma leve fome permanente. Faço aqui o papel de vossa válvula de escape e da vida massacrante da média burguesia. Bem sei que é assustador sair de si mesmo, mas tudo o que é novo assusta»

in «A Paixão Segundo G.H.», romance publicado em 1964, talvez o seu melhor livro. As iniciais G.H. referem-se a 'Género Humano', sobre o qual a autora discorre em todas as suas obras
"...uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente"...
«Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida»
Tudo o que Clarice escrevia tinha uma marca de água e era matéria para pensar. Até ao próximo dia 9 de Dezembro, data do 30.º aniversário da sua morte, a Grande Loja dedicará um ciclo à escritora brasileira, nascida na Ucrânia e que chegou a Maceió aos dois meses, tendo vivido a maior parte da sua vida no Brasil, com passagens pela Europa.
Escritora surpreendente, por vezes cortante na frieza das suas análises, aliava uma visão quase cruel da existência com um lado místico que chegou a levá-la a participar no Congresso Internacional de Bruxas, na Colômbia, em 1975.
Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores intelectuais brasileiros do século XX, definiu-a assim:
«Clarice veio de um mistério e partiu para outro. Continuamos sem conhecer a essência desse mistério. Ou talvez não fosse essencial descobri-lo, pois o mais importante era Clarice viajar nele».
Para conhecer ainda mais sobre Clarice Lispector, pode consultar «http://haialispector.blogspot.com», um blogue de José António Barreiros exclusivamente dedicado à escritora.

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Clo Clo em repetição

Epá! Acabou agora mesmo a retoma do Isto é uma espécie de magazine, na RTP1.
Espero pelo próximo. Desta vez, só passaram o ensaio. Mas já se nota a qualidade reforçada; a originalidade repetida e a inventividade recalcitrada.
Vai longe, esta espécie de humor.

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Xaile em Belém



É o reconhecimento da qualidade de um grupo que, com quatro meses de existência, ainda está em afirmação, mas já bem maduro na forma e no conteúdo.

Este «Xaile», estou certo, ainda dará muito que falar. Para já, foi a exibição, em pleno Palácio de Belém, a convite do Presidente Cavaco Silva e perante dois mil convidados, num concerto integrado nas comemorações da implantação da República, no passado dia 5 de Outubro.

Uma escolha adequada, tendo em conta que o Xaile reúne, no estilo, na memória e na tradição, uma síntese do ser português: folclore misturado com sonoridades sofisticadas, a remeter, em simultâneo, para o passado e para o futuro.

A Grande Loja continuará, pois, a seguir de perto a carreira do grupo de Lília, Bia, Marie, Johnny Galvão e Rui Filipe.

Publicado por André 20:27:00 2 comentários Links para este post  



Os manhosos do costume

Continua o desentendimento dos entendidos do costume: a entrevista de Cravinho, tal como o artigo de VPV, não visam um qualquer corrupto de Câmara, ou um venal da Assembleia.
Esses, estão bem alçados na lei penal- se forem apanhados, mas isso são contas de outro rosário que o mostrengo traz consigo.
Aquilo que eles disseram tem a ver com o sistema político que temos e que produz luminárias para quem a corrupção é apenas um problema restrito, de polícia e de lei.
Tudo o resto, que envolve incompatibilidades, conflitos de interesses, ética e deontologia, serviço público exclusivo e a bem da causa pública, é verbo de encher para essas luminárias de memória apagada.
Todos os valores republicanos se cingem à lei, para estes positivistas desentendidos.
A moral, o costume, os princípios de boa governação em prol do bem e da coisa públicas, a ética republicana, plasma-se na lei e daí não sai, nem daí ninguém a tira.

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E que tal uma informação a sério?

E depois temos o atavismo de dezenas de anos de dependências várias. "A administração da RTP "passa recados" do poder político", diz no Público de hoje, o pivot- jornalista, da RTP1, José Rodrigues dos Santos, já com 16 anos de experiência e o único que ainda não vi a pender em entrevistas, para o lado mais correctamente político.
A entrevista da RTP1 a José Sócrates, por ocasião da explicação pública acerca de dois anos de governa...perdão, da licenciatura, foi uma autêntica vergonha que define o tipo de jornalismo que actualmente se espera, também tristemente, de uma estação pública subordinada ao poder que lhe pode alterar os cargos de gerência bem paga: atenta, veneradora e obrigada ao respeitinho.
Juntando a isso uma SIC coordenada na informação por uma luminária tipo Ricardo Costa, temos um panorama televisivo a que só falta a TVI. Essa, tem um tudólogo, às terças-feiras à noite e que explica ao telespectador o que ele nunca entendeu nem entenderá: como é possível uma coisa daquelas passar por exemplo de isenção, competência e imparcialidade na análise de tudo e mais um par de botinhas.
Nos jornais, o problema já diverge: as audiências dos mais lidos, ficam-se pela centena de milhar. E os putativamente mais influentes, na intelligentsia, vendem um cabaz deles que nem dá para mandar cantar um cego. Dependem por isso de um poder que os alimenta a publicidade.
Nas rádios ? Impera a voz do dono publicitário. Sem grandes modulações de frequência. Na pública, manda o mesmo da RTP e nas outras, fica tudo assim.

Para quando um jornal a sério?

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A lógica dos do costume

Vasco Pulido Valente retoma a entrevista de Cravinho à Visão, já por aqui glosada, para lhe dar a interpretação extensivamente correcta e que alguns correligionários do actual consultor do BERD, manifestamente não quiseram entender e encaixar:

VPV diz muito simplesmente que “não existe um Estado independente do “bloco central” e muito menos dos “negócios”, que o apoiam e sustentam: da banca e da energia, a quatro ou cinco escritórios de advogados”.

Nesta afirmação, carrega-se a tinta da corrupção do Estado, daquela que não vem no Código Penal e assenta arraiais na praça pública da anomia.

Para muitos comentadores, com destaque para os situacionistas do momento, escrever algo como isto, releva mais de estultícia ou pura heresia que de sageza. Parece-lhes patético que alguém se atreva a dizer publicamente que a honra do Estado está perdida há muito e quem a deitou a perder foram precisamente os seus guardiães mais responsáveis, com destaque para os dois partidos de bloco central.

E no entanto, é meridianamente evidente que as leis do Estado para combater a corrupção, focam apenas no desgraçado que é apanhado em troca de favores directos, de toma lá, dá cá, tipo Domingos Curto Felgueiras e poucos mais. E as novas leis que se vão refazendo, vão protegendo cada vez mais, objectivamente esse núcleo duro e reservado, onde se acoita o mostrengo. Sempre, porém, com um discurso diverso e enganador.

O aparelho investigador e repressivo do Estado, foi capado, há muitos anos, para não andar a incomodar demasiado, as virgens púdicas da política portuguesa que se abanca à mesa do Orçamento como gente grande e com os amigos de sempre.

Aqueles desgraçados, apanhados ainda assim, pela investida libidinosa dos capados, e peranto o mostrengo que conhecem de gingeira, indignam-se com toda a naturalidade: eu?! Cadê os outros?- simulando a já antiga indignação brasileira que lhes serve de refúgio e exemplo.

Um exemplo, desta pequena criminalidade de ratolas da democracia e que distrai da outra que nem chega a tal patamar legal, mas que avança para além do tolerável em democracia?

Abílio Curto, membro destacado do PS, logo que condenado sem mais apelo, a cinco anos de cárcere por delitos associados a corrupção de que cumpriu já metade da pena) em Fevereiro de 2004, apelou à compreensão pública: “"Todo o dinheiro foi para o PS".

Confissão de condenado. Sem outro objectivo que não a verdade das coisas e de entendimento lógico e singelo para o comum dos cidadãos.

Perante isto, de uma evidência de fazer corar as pedras da calçada, que fazem os apaniguados do sistema que dele vivem e à sua sombra vicejam? Renegam o traidor. E do mesmo passo, defendem o sistema à outrance, se o ataque visa o partido protegido.

Vital Moreira, no próprio dia da confissão pública, apontou logo, no blog, que tal coisa era impossível. Se até a própria condenação dizia que o dinheiro tinha ido para a campanha autárquica do condenado! É ler para crer.

E também perceber porque é que o sistema não muda: precisamente porque anda ratado e minado por dentro, por interesses e lógica de poder partidário.

Trinta anos desta lógica, deu nisto que agora Cravinho denuncia e VPV reanuncia.

Em 25.1.2005, nos pactos para patos, escrevia-se nesta Loja, além do mais, algo que parece ainda actual. Aí se menciona que Joaquim Fortunato, presidente da AECOPS, numa entrevista ao DN dizia, expressamente e sem grandes rodeios:

Ou há pacto de regime ou há revolução para que entre uma nova classe política. Tem de haver uma política coerente, uma estratégia para os grandes projectos de infra-estruturas que tenha o acordo dos dois principais partidos, para não haver sobressaltos.

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Discussão para um domingo à tarde


Contrapondo com a visão do «Anónimo» (http://oanonimoanonimo.blogspot.com, de Coutinho Ribeiro, cuja leitura recomendamos), que cita um estudo da Forbes, a Grande Loja considera, no mínimo, estranho que Jennifer Aniston venda mais revistas que a menina acima retratada.
Por isso, e sobretudo desde que é a musa de Woody Allen, o nosso prémio irá sempre para Scarlett Johansson.
Está, pois, lançada a polémica...

Publicado por André 15:27:00 1 comentários Links para este post  



Onde está o Walter?


Na semana passada, foi Filomena Mónica, a assestar baterias de crítica fundamentada, sobre o secretário de estado Valter Lemos, o licenciado em Biologia, Master od Education, já em tempos remotos, pela universidade americana de Boston.
Hoje, é António Barreto no Público, a castigar o mesmo indivíduo governante, apontando-o como flagrante exemplo dos males do nosso ensino.
Depois de transcrever um despacho normativo, assinado pelo secretário de Estado, António Barreto escreve: " É fácil compreender as razões pelas quais chegamos onde chegamos. E ainda por que, assim, nunca sairemos de onde estamos."

O tal despacho, cita um Decreto Lei de 2004, revisto e alterado, através de declarações de rectificação, sucessivas e exemplares, para António Barreto, da "obsessão normativa e regulamentadora, na origem de um afã legislativo doentio".
Nada mais diz, António Barreto. Mas diz o suficiente, porque o resto já ficou dito na semana passada.

Publicado por josé 14:58:00 9 comentários Links para este post  



Espalhem a Notícia


«Espalhem a notícia

do mistério da delícia

desse ventre

espalhem a notícia

do que é quente e se parece

com o que é firme

e com o que é vago

esse ventre que eu afago

que eu bebia de um só trago

se pudesse


Divulguem o encanto

o ventre de que canto

que hoje toco

a pele onde à tardinha

desemboco tão cansado

esse ventre vagabundo

que foi rente e foi fecundo

que eu bebia até ao fundo

saciado


Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher


vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher bonita

A terra tremeu ontem

não mais do que anteontem

pressenti-o

o ventre de que falo

como um rio transbordou

e o tremor que anunciava

era fogo e era lava

era a terra que abalava

no que sou


Depois de entre os escombros

ergueram-se dois ombros

num murmúrio

e o sol, como é costume,

foi um augúrio de bonança


sãos e salvos, felizmente

e como o riso vem ao ventre

assim veio de repente

uma criança

Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher


vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

bonita


Falei-vos desse ventre

quem quiser que acrescente

da sua lavra

que a bom entendedor

meia palavra basta,

é só adivinhar o que há mais

os segredos dos locais

que no fundo são iguais

em todos nós


Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo do mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

bonita...»


«Espalhem a Notícia», Sérgio Godinho, in «Canto da Boca», 1981

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A avoenga da criatura

José Pacheco Pereira, registou a paternidade da palavra Populismo: é dele. Vem no artigo da Sábado desta semana.
Não vem lá a definição do termo, que isso é outra loiça. Vem apenas o pechisbeque de quem o usa, sem lhe reconhecer a procedência legítima.
Da Loja, vem a explicação. Do termo e da avoenga da criatura.

Acrescento em 6.10.2007:

Depois do grande divulgador, Pacheco Pereira, ter assumido a paternidade da revelação do bicho populista, aparece hoje Vasco Pulido Valente a enunciar os termos sumários da definição, em modo de crónica na última página do Público.

O populismo é, em substância,uma doutrina ou uma prática política que nega ou tenta enfraquecer o princípio da representação. O populismo promete ao "homem da rua" ou às "bases do partido" ( ao povo numa variante ou noutra) o exercício directo do poder.

Numa coisa coincidem , JPP e VPV: Luís Filipe Menezes é um populista.

A base do argumento definidor de VPV é algo deletério, sintetizado na afirmação de um dos jovens turcos: “ a ligação directa ( do chefe) ao país real”. Essa ligação, liberta o chefe de qualquer programa ou obrigação programática, porque tudo passa a depender da vontade do chefe, em ligação privilegiada à vontade do povo.

Esta definição já tinha sido enunciada por Edward Shill,, nos anos 50 e este conceito de populismo, enunciado por VPV, parece-me o mesmo, escrito em 1989, na Vida do Independente, para definir Cavaco Silva e o seu modo de governar, como já foi apontado no escrito anterior.

O que traz um problema suplementar: Se Cavaco Silva também era ( é?) um populista, que dizer do conceito, assim definido?

Talvez elaborar um pouco mais e não ficar pelas análises perfunctórias, mal acabadas e que ressumam a mero preconceito, seja a solução. E no caso português, vamos provavelmente descobrir que o sistema político-partidário, não admite grandes populismos. Antes, suporta grandes partidos entrosados já em sub-sistemas oligárquicos de manutenção de poder.

Balsemão, um dia destes num Prós e Contras qualquer, dizia-se muito satisfeito pelo sistema político português que congrega já um número assinalável de profissionais da política.

Marques Mendes é o quê, senão um profissional da política que um ressabiado Belmiro dizia há uns anos que nem para porteiro o queria? Sócrates, com a engenharia que tem, é o quê, também?

E quem é que atende verdadeiramente ao aperfeiçoamento da democracia, através da criação e incentivo a instituições políticas, sólidas e autónomas, com regras de igualdade para todos e empenhadas em fazer respeitar as regras de mercado, sem intervenção na economia, para realizar interesses próprios , no dizer de David Grassi?

O que dizer da governamentalização do sistema político, com subalternização do Parlamento, como se tem visto em Portugal? E que dizer do modo como se escolhem deputados e comissários vários?

Isso é o quê? Democracia avançada, para o século XXI?

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As benevolentes


A entrevista de Catalina Pestana ao Sol, é explosiva no que diz, no que deixa adivinhar e no que fica por dizer. Mas suficiente para se ficarem a saber as suas convicções de pessoa que lidou com o assunto por dentro, ouviu os menores concretamente abusados, ouviu pessoas ligadas à instituição e sabe aquilo que muitos comentadores de secretária, tipo Ana Gomes ou Adão Silva, entre uma imensa caterva, nunca sabem, nem lhes interessa saber.

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Os zangãos

As reacções zangadas de Vitalino Canas e de Alberto Martins, dois líderes do PS actual, habituais entronizadores de chefes, à entrevista de Cravinho, mostram que não querem dar a entender o que perceberam - porque de facto, perceberam- da mensagem de João Cravinho, com a entrevista à Visão de hoje.
Para eles, é tudo um problema de leis. Para inglês ver. Para Cravinho, é muito mais do que isso: é o espírito das próprias leis e aquilo que as precede: a consciência ética dos princípios.
Cravinho, na entrevista, fala expressamente do desentendimento a propósito do "juizo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre as instituições democráticas".
Claro que o dr. Vitalino e o dr. Martins, fazem-se desentendidos. China, Stanley Ho, Angola, interesses económicos diversos, contratos milionários, pareceres avulsos aos milhões para algumas dezenas, advocacia de negócios rendosos, por conta do Estado ou umbilicalmente a ele ligados, são assuntos que têm a ver exclusivamente com leis, como toda a gente sabe. E quem não sabe, nem precisa de saber.
É por demais evidente que João Cravinho há tempos que pretende atingir o porta-aviões dos interesses avulsos e anónimos.
Ética? Conflitos de interesses? Que é isso?! Já temos leis que cheguem e Portugal até está muito bem no ranking mundial da corrupção.
Ah! E ainda falta a reacção do timoneiro Jorge Coelho, mas estamos certo que ainda se há-de ver. Correctamente pronunciada, desta vez.

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Suzanne Vega em ponto de «Caramel»

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Coragem portugueses, o futuro será grandioso

«Adolescentes fumam menos e têm mais sexo»

in jornal «Público» desta quinta-feira

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Bye bye, mr. Cravinho

Venha o tema “corrupção” para a discussão pública e é certo que o nome de João Cravinho saltará como um exemplo de político preocupado com o assunto, de modo a enquadrar o fenómeno no seu habitat natural: entre a classe política.

Cravinho foi deputado e como tal, escreveu dos artigos mais cáusticos contra a anomia reinante e apontou o sítio concreto onde o bicho se acoita: no seio do aparelho de Estado.

As propostas legislativas de Cravinho para estancar a sangria de custos éticos e políticos, foram apresentadas ao público e tiveram pouca repercussão entre os pares. Et pour cause?

Cravinho, indicado por este governo socialista, foi para Londres, para o BERD, numa fuga entendida publicamente como uma capitulação no combate, por dentro do sistema ,ao cancro que o corrói. No limite, foi mais uma vítima do mostrengo de mil caras e outras tantas máscaras.

A revista Visão de hoje, entrevista Cravinho, sobre esse e outros assuntos. No essencial, diz Cravinho:

os diplomas foram , de facto, debatidos nessa altura. Esgotei a minha missão, os meu poderes como deputado. Fui até ao limite do que podia. Após um processo longo e muitas discussões, formei uma ideia sobre as razões das divergências profundas – porque as havia e eram manifestas- entre mim e a direcção do grupo parlamentar em questõs fulcrais. A primeira tem a ver com um juízo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre o funcionamento das instituições democráticas. Penso que é um fenómeno grave, extenso e sem mecanismos de contenção à altura.. Alguns dos meus camaradas não são nada dessa opinião. O presidente do grupo, Alberto Martins, disse que o fenómeno existia, mas que Portugal não estava numa situação particularmente gravosa. Pelo contrário, nas comparações internacionais estava muito bem. Fiquei de boca aberta. Nem rebati, porque um homem como Vera Jardim disse logo que, pelas informações que lhe chegavam de homens de negócios, a corrupção era grave e estava em crescendo. Mas também não estávamos de acordo sobre a natureza do fenómeno.
(…)
Prevaleceu no debate uma visão eminentemente policia da corrupção. A minha é que existe esse lado policial, que também é importante – e não podem acusar-me de o ignorar, porque pedi e fiz propostas orçamentais que, aliás, só foram aprovadas parcialmente, para reforço do combate policial e da investigação criminal. Depois, o PSD e o CDS pegaram nisso, mas estive bastante isolado. Só que a corrupção como fenómeno novo, associado à globalização, torna a concepção policial obsoleta. Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis. Embora, aparentemente, tudo se faça segundo a lei, com mais ou menos entorses. A corrupção, antes de ser um fenómeno do domínio policial, é um problema de risco, de sistema, a ser gerido e não reprimido como se fosse um conjunto de factos isolados. Deve ser objecto de uma responsabilização total a nível administrativo e político. E ficou evidente que esta ideia não era partilhada. Assim como o papel do Parlamente no controlo do combate á corrupção. “Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis.”

A frase, assim proferida, rebola como uma granada por despoletar. Visa atingir o quê e quem? Os lóbis, é uma expressão vaga, de significado equívoco.

Os escritórios de advogados do PS e respectivo bloco central, organizam-se como lóbis?

Estou a referir-me em concreto aos escritórios de pessoas conhecidas, do próprio PS e de figuras gradas, ou do PSD e de bloco central. Há vários e para gosto variado, pelo que seria injusto para uns não os citar aqui, com outros que merecem igual citação. Assim, não cito nenhum. Toda a gente os conhece, porque estão sempre a aparecer e têm os seus deputados de estimação que podem acumular tarefas e trabalho em part-time, ou subrogado em substitutos legais, na Assembleia.

São esses que João Cravinho pretende atingir? Que o diga!

No caso de um dos escritórios mais conhecidos, a PLMJ, de Júdice, já se sabe que um dos sócios de capital, o fiscalista catedrático Mota de Campos, carrasco de Saldanha Sanches , já afirmou publicamente que não conhecia nenhum caso de corrupção. Ora, é exactamente isso que Cravinho diz: o problema é não haver corrupção como caso de polícia, mas sim ético-político. É aí que entronca a discussão cívica que não se faz, ou se renega.

Serão também esses lóbis que indica genericamente, as grandes empresas de construção civil, como a Somague e a Mota & Companhia e outras e os grupos que gravitam à volta dos seus negócios?

A REFER, outras empresas públicas e ainda as empresas de saneamento das autarquias, por exemplo, nadam neste pântano denunciado por Cravinho? E quem é que mergulha de alto nesse lodo?

Um caso como a da Bragaparques, em que há acusações oficiais e concretas de corrupção, é diferenciado deste tipo de fenómeno ou é farinha do mesmo saco?

E em que se configura exactamente aquele fenómeno apontado como sendo das franjas da corrupção que assim nem é considerada, porque foge à previsão legal?

Uma coisa ficamos a saber pela certa: é o PS deste grupo liderado por Alberto Martins que se recusa a aceitar a discussão nos termos propostos. Não querem. Acham que não há corrupção em Portugal que possa fazer perigar a estatística internacional e a boa imagem que temos de ficarmos quase no primeiro quarto dos 100 países mais corruptos, com tendência para aumentar exponencialmente. Contentam-se com essa mediocridade, por razões inconfessáveis, mas fáceis de adivinhar: o país é pobre e muitos não têm emprego compatível com o trem de vida. Aliás, quem é que paga em Portugal, mais de 5 mil euros por mês a licenciados de meia tijela que passaram toda a vida nas sedes partidárias e nada mais sabem fazer, se não à sombra do Estado protector, deles e dos seus?

Cravinho não responde agora e nem se aproxima de uma resposta que em tempos deu numa entrevista notável ao Público, em 5 de Dezembro de 2006, na qual dizia que a corrupção era um problema de sistema que vicejava "entre grupos, de certos sectores da administração".
Que grupos de que administração? São as autoestradas mais caras, talvez a saúde mais cara, as casas mais caras, tudo."

Nessa entrevista, Cravinho aproximou-se tanto do mostrengo que só tinha um destino à porta: o da chupeta internacional, no BERD ou noutro sítio onde se amamentam desiludidos.

A desilusão agora é tanta que perante a pergunta do repórter Visão ( Emília Caetano, em Londres), sobre o caso da licenciatura de José Sócrates, Cravinho nada melhor teve para responder do que isto:
Depois da investigação da PGR, o assunto está esclarecido”.
Pois está. Eticamente coerente, ficamos assim todos esclarecidos quanto ao realismo do combate de Cravinho e com a espinha encravada daquilo que podia ser o vislumbre de uma saída airosa e a tempo deste pântano em que meteram a vida colectiva deste pobre país.

Bye, bye, mr. Cravinho. You´re deceiving us all. E desculpe o tecnicismo do inglês...

Publicado por josé 15:51:00 3 comentários Links para este post  



Durão Barroso versão MRPP



(com a devida vénia ao PortugalDiário)

Publicado por André 2:39:00 3 comentários Links para este post  



De facto, é uma pomada do melhor


Na boca é terroso, guloso e quente, fruta muito madura misturada com chocolate negro - é sem dúvida um vinho todo no estilo moderno e linear. Porém, quando (dele) menos se espera, emerge timidamente alguma frescura proporcionado-lhe uma vitalidade sofisticada

Publicado por Carlos 2:17:00 1 comentários Links para este post  



As farsas

Segundo o Correio da Manhã de hoje:

D. José Policarpo acredita que há “forças na sociedade” que não vêem com bons olhos a presença da Igreja nos hospitais e garante que a questão financeira não é argumento válido. “Se fosse preciso pagar, pagávamos”, admite o cardeal patriarca de Lisboa. No seu entender, é aceitável a discussão sobre “se os capelães devem fazer parte da estrutura de funcionários públicos”, apesar de essa não ser uma situação que lhe agrade. “Há que arranjar uma maneira de compensar o capelão pelo tempo que passa no hospital”, sublinha.

Segundo o Causa Nossa, também hoje:

«O cardeal patriarca de Lisboa criticou ontem o Governo por causa do diploma que prevê o fim dos capelães nos quadros hospitalares, cessando igualmente a assistência espiritual aos doentes internados(...)», diz o Correio da Manhã de hoje. Mas a parte sublinhada é falsa. Ninguém pretende acabar a assistência religiosa aos doentes.Assim se faz jornalismo em Portugal...

É este, evidentemente, o tal jornalismo de sarjeta. As máscaras, por natureza, devem esconder o real e como as intenções não são perscrutáveis, a não ser pelos sinais que as traem, ficamos com mais uma farsa à vista.

Publicado por josé 10:44:00 0 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - as propostas de Hillary

Hillary Clinton entre os seus rivais, John Edwards e Barack Obama: a liderança da senadora por Nova Iorque é confortável, mas a nomeação ainda não está garantida


A Grande Loja retoma hoje a cobertura das primárias norte-americanas para 2008, fazendo um ponto da situação das três candidaturas que ainda reúnem condições de lutar pela vitória no campo democrata: vamos começar pela favorita, a senadora por Nova Iorque e Primeira Dama entre 1992 e 2000, Hillary Clinton; no próximo post, falaremos sobre a actual situação da candidatura do senador pelo Illinois e único negro no Capitólio, Barack Obama; e, num terceiro texto, abordaremos as (curtas) esperanças que o ex-senador pela Carolina do Norte, e candidato a vice-presidente em 2004, John Edwards, ainda reúne para chegar à Casa Branca.

No próximo bloco de capítulos deste «Observatório 2008», faremos o mesmo em relação aos quatro candidatos que podem obter a nomeação no campo republicano: o ex-mayor de Nova Iorque, Rudy Giuliani; o ex-senador pelo Tennessee, Fred Thompson; o senador pelo Arizona e segundo classificado nas primárias de 2000, John McCain; e o ex-governador do Massachussets, Mitt Romney.

Mas centremo-nos, hoje, no campo democrata, aquele que, de acordo com a actual tendência, mais hipóteses tem de investir o próximo Presidente dos Estados Unidos.

Os últimos estudos, a nível nacional, dão Hillary com uma vantagem confortável, de cerca de 15 pontos percentuais, em relação a Obama, mas o senador pelo Illinois voltou a ganhar algum impulso nas últimas semanas, conseguindo recuperar (ainda que muito ligeiramente) um atraso que chegou a ser de mais duas dezenas de pontos sobre Hillary.

Edwards continua muito forte no Iowa, o estado de arranque, mas perdeu a liderança nas sondagens para aquele estado-chave e, depois de quase ter apanhado Obama no segundo lugar, volta a cair para números pouco acima dos 10 por cento — manifestamente pouco para sonhar com uma viragem.

Vejamos, então, os pontos fortes e fracos de Hillary Clinton.

HILLARY CLINTON: é, indiscutivelmente, a favorita
, tanto da corrida democrata como da eleição geral. Tem sabido responder aos ataques dos republicanos ainda que, para muitos analistas, o tradicional jogo sujo do GOP ainda esteja para vir — virá, em crescendo, se se confirmar o claro ascendente da senadora nas primeiras consultas nas urnas.

Como front-runner inequívoca, que está à frente de todas as sondagens nacionais que se fizeram desde Maio (a única que deu Obama à frente foi a do Rasmussen Reports, a 11 de Maio, numa pequena diferença de 35-33), Hillary pode dar-se ao luxo de fazer uma campanha de minimização de danos. Mas a senadora tem-se revelado muito forte e determinada nos debates, onde, até ao momento, não cometeu qualquer gaffe significativa.

Os analistas elogiam a consistência das propostas da ex-Primeira Dama, que tem sabido centrar a agenda da campanha democrata nos seus temas favoritos, que domina há anos e onde se sente particularmente à-vontade: a reforma da Saúde e da Segurança Social, a reanimação da economia, o combate à exclusão social e às tensões raciais (continua a ter vantagem sobre Obama no eleitorado negro, potenciando o apoio esmagador que Bill Clinton tinha junto dos negros). É aí que Hillary se sente melhor e é nessa esfera que tem apostado: na classe média, por um lado; e nas classes desfavorecidas e minoritárias, por outro.

Não por acaso, esses dois megaestratos foram, ao longo de oito anos, a base social de apoio de Bill Clinton e Hillary já escolheu, claramente, recuperar esse trilho que levou o casal Clinton ao poder, pela primeira vez, na década de 90.

Mas será que Hillary vai tentar decalcar a papel químico a presidência do marido? Ela garante que não: «Bem, não faria tudo igual ao que aconteceu nos anos 90. Estou, desde aí, mais velha e mais prudente. O mundo mudou muito nos últimos anos, temos que o abordar noutra perspectiva», garante, citada num longo artigo na New Yorker, sob o título: «The political scene: the legacy problem».

O que fará, então, Hillary de diferente? «Não assinaria o NAFTA (ndr: North American Free Trade Agreement, o acordo de comércio livre entre EUA, Canadá e México) nos termos em que o fez Bill. Creio que o tratado não atingiu os benefícios que chegaram a ser anunciados».


Também não assinaria, diz, o Acto de Telecomunicações assinado em 1996, que diminuiu a regulação sobre os operadores de novos meios tecnológicos, mas, nesse aspecto, iliba o marido e responsabiliza o então Vice-Presidente: «Têm que perguntar a Al Gore por que o fez...»

Seja como for, numa campanha tão vasta, em que Hillary tem tentado dirigir-se ao maior leque possível de eleitores — de modo a diminuir a taxa de rejeição elevada que, até há poucos meses, tinha junto dos americanos (46 por cento deles diziam, à partida, que «nunca votariam em Hillary», muito acima da taxa de rejeição de Obama, 33%, talvez reflexos, ainda, dos tempos de polarização dos últimos anos do segundo mandato de Bill Clinton) — a líder da corrida democrata tem sabido gerir, com perícia, o tal legado dos anos Clinton, conseguindo herdar os aspectos bons (e são muitos) e sair relativamente ilesa dos maus (que foram alguns).

Outro mérito de Hillary tem sido contornar a questão do Iraque que, no início da sua candidatura, prometia ser o seu calcanhar d’Aquiles. Mesmo tendo sido um dos membros do Senado que deu apoio ao Presidente Bush para invadir o Iraque e derrubar Saddam (ao passo que Obama, então ainda no senado estadual em Chicago, foi dos poucos democratas a estar contra a guerra desde o início), Hillary soube virar a agulha a tempo e, desde que está na corrida, tem sido uma crítica feroz do pós-guerra e da forma como Bush se tem atolado no caos do Iraque «democrático».

Apesar de alguma inconsistência na mudança de posição sobre este tema tão central para a realidade americana, a verdade é que as sondagens mostram que Hillary não será penalizada pela questão do Iraque. Se, porventura, Obama conseguir roubar a nomeação à senadora por Nova Iorque, é quase certo que não será pela questão do Iraque.

Para reforçar as suas garantias no plano militar, Hillary já anunciou, de resto, que escolherá Wesley Clark, general na reserva e terceiro classificado nas primárias do Partido Democrata em 2004, para seu secretário da Defesa.

O senador Joe Biden (também candidato a Presidente e actual líder da Comissão de Relações Externas no Senado) e Bill Richardson (candidato presidencial e governador do Novo México) são duas hipóteses muito fortes para futuras escolhas de Hillary para Vice-Presidente, tendo em conta a sólida experiência internacional que congregam. Richardson foi, de resto, secretário do Comércio na primeira Administração Clinton e Biden é um dos aliados de Hillary no Senado.

Usando a sua experiência na primeira Administração Clinton, quando tentou uma reforma ousada do Medicare e do Medicaid (1993/1994), Hillary retomou as suas ideias sobre o Sistema Nacional de Saúde e tem dominado a sua mensagem, nas últimas semanas, com este tema.

Hillary aprendeu a lição de há 14 anos, quando foi simplesmente trucidada pelos republicanos por ter querido implantar um sistema pesado, que daria grandes protecções aos utentes mas implicaria grandes custos e aumentos de impostos.

Mais moderada, apresentou agora uma proposta menos arrojada, mas que, garante, permitirá que «cerca de 40 milhões de americanos que, neste momento, não têm seguro de saúde passem a receber cuidados médicos essenciais». O segredo parece estar na escolha: «Quem estiver satisfeito com o seguro que tem, óptimo: nada terá que mudar. Mas o Governo federal tem a obrigação de dar uma resposta aos 40 milhões de desprotegidos do actual sistema», lança a poderosa senadora.

No actual clima da vida política americana, os republicanos não terão, agora, grandes condições de desconstruir este argumento — pelo menos, durante a campanha.

Hillary tem sabido lançar os seus trunfos. E, se os próximos três meses não trouxerem grandes novidades, está muito bem lançada para vencer as primárias no Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul. Se o fizer, obterá, certamente, a nomeação, dado que revela já vantagens muito confortáveis nos estados que conferem mais delegados, como Califórnia, Nova Iorque, Florida ou Ohio.

No próximo post falaremos sobre Barack Obama, que tenta fazer história ao ser o primeiro Presidente negro e o mais jovem desde John Kennedy, a par de Bill Clinton (terá 47 anos à data da eleição).

Publicado por André 18:52:00 0 comentários Links para este post  



Direito de Pernada

Mais um episódio da série líder de audiências O Sexo e os Tribunais

Publicado por Carlos 15:15:00 2 comentários Links para este post  



O estímulo vital

Confesso já: Vital Moreira é dos poucos escribas públicos que apetece comentar. À semelhança de uns poucos, como Graça Moura ou Pacheco Pereira, anda sempre ali, nos interstícios dos escritos, uma agressividade latente que parece natural e sem freio, uma atitude de provocação do outro que discorda, de modo a desfazer a inteligência alheia e uma independência de pensamento peregrino que incomoda a pacatez dos benevolentes.
Adivinha-se ali, um auto-convencimento seguro, de residência da inteligência rara e cara e isso paga-se, para quem o contesta.
Vital Moreira, além disso, é um académico de matérias políticas o que acrescenta divertimento ao jogo da crítica. E além do mais, tal como os outros, é um peludo notório que se ofende com tudo aquilo a que diz não ligar, o que ainda mais divertido se torna, porque o faz de modo sobranceiro e ridiculamente superior e distante que evidentemente é apenas a máscara da falta do mais básico fair-play e de quem se toma a sério mesmo quando vai à casa de banho.
Assim, vamos a isto que se faz tarde:

Está visto que Vital Moreira não suporta a crítica num determinado tom. Em tom baixo, sussurado, com o devido respeito, salvo pela “ideia” peregrina, ainda vá que não vá.
Se for em tom desabrido e a puxar lustro à indignação, pelas faenas de atitude pública, já não há suporte a não ser o insulto que diz execrar e nunca suporta, com nenhum fair play, mas que pratica a seu bel-prazer eufemístico e sofisticado.
Adjectivações várias como a de “mabecos”, “peões do clericalismo indígena”, “tolos”, “atávicos”, “ressabiados”, “panditas auto-encartados”, “disparates”, “anedotário”, “faz fretes”, “dislate malévolo”, etc etc. e para só citar as do último mês de postais, para além das fartas insinuações directas sobre intenções alheias, processadas na mente do escriba, ou sobre a personalidade de “certas companhias”, são o dia a dia da escrita no blog da causa nossa.

Ou porque uns serão isto; ou porque pretenderão aquilo, os postais de Vital, são sempre um must, com um leit–motiv: a defesa à outrance, muitas vezes, das posições ortodoxas de uma putativa esquerda que este Governo ainda incorpora para o escriba e se revela agora mais folclórica do que ideológica, mas que lhe permanece referencial e distintiva, ainda que meramente imaginária.
É nessa dança de ideogramas que aparece de vez em quando a crítica avulsa a medidas de governo ou a atitudes de responsáveis, que caucionam o equilíbrio autosatisfeito, para se proclamar um fiel de balança analítica.
Em relação a desconhecidos que lhe respondem em tom idêntico, mesmo sarcástico, já escreveu que não lê e não responde. Não liga. Mói-se, mas não se mata com o assunto,porque perde o sério e a compostura.
Em relação a conhecidos que o vituperam, mesmo moderadamente, fica sempre com o caldo entornado no pelo eriçado e na irritação à flor da pele.
A última vítima deste destempero natural, é o Arrastão que vai fazendo pela vida, no blog onde escreve para todos lerem que existe uma inteligência assim, neste canto.
O pobre escriba teve o azar de lhe repontar a crítica em que Vital o apelidou metonimicamente de anedota, dizendo-lhe apenas que era o Vasco Graça Moura da esquerda. Ó insulto maior! Ó desgraça! Ó arrastão- para a lama!
Este tipo de alusões, nunca fica sem resposta de Vital e esta vez não é excepção. O pobre Oliveira, sem figueira para se pendurar, leva a abrir, com o epíteto de “aleivoso”, que é em bom português, calunioso, traiçoeiro. Porca miseria!
E a seguir, para remate final, acaba por lhe cortar a colecta. Exemplar. Melhor: estimulante.

Publicado por josé 10:23:00 4 comentários Links para este post  



'só o que convém'

Enquanto não arranjo tempo para escrever sobre o CPP e sobre o PSD, segue uma pequena nota sobre as declarações hoje à imprensa, sobre o Caso Maddie, do elemento da PJ 'coordenador' da 'investigação'. Numa palavra lamentável. Jogar, outra vez, a cartada 'nacionalista, desta vez declarando guerra (!) à polícia inglesa, 'a soldo dos McCann' é de uma imbecilidade atroz. Vai ser, aliás, curioso seguir os próximos passos quer do Governo, quer da Direcção Nacional da PJ, nesta matéria. Estas declarações provam, à exaustão, porém um facto - Com ou sem 'culpas' do lado de lá, todo o processo, desde o início, do lado de cá, foi conduzido com os pés. 'Berrar' agora,ainda por cima tarde e a más hoiras, só reforça o facto.

Publicado por Manuel 10:12:00 4 comentários Links para este post  



Saudemos o novo mês com este «Mar D'Outubro», da Sétima Legião

Publicado por André 1:20:00 1 comentários Links para este post  



A balança da tv

Mais uma vez no Prós e Contras, da RTP1, um julgamento popular de uma decisão judicial. Desta vez e outra vez, sobre o caso da pequena Esmeralda e a recente decisão da Relação de Coimbra, que a entregou à guarda do pai que a reivindica há anos.

De um lado, uma senhora publicamente conhecida, por ser casada com outro senhor que se conhece publicamente como pai de coisa mais antiga que ele, torna-se defensora de uma das partes, particularmente o casal que tomou conta da pequena Esmeralda. Não precisa de argumentos. Basta-lhe conhecer o casal. Ainda a defender este casal, está presente um dos directores de um lar ( Aboim Ascensão) que já defendeu antes a legitimidade de a pequena Esmeralda,a quem ele trata como Ana Filipa, ficar à guarda"de quem a ama e a protege".
Na plateia, uma pediatra de direcções que fala de guarda conjunta, sem perceber o que isto é, e uma senhora deputada que assume esta qualidade para dizer que não pode ali mesmo contrapor o poder legislativo ao judicial, defendem implicitamente o interesse superior da criança em ficar com o casal com quem está.

A outra parte, que é o pai da Esmeralda, e que anda há mais de três anos a reivindicar a guarda da filha, tem ninguém na sua defesa, neste programa.

Dois juízes experientes, um deles de matéria cível e de menores e mais um jubilado na plateia, tentam fazer a ponte entre estas partes do Prós e a do Contra que não existe no programa.
O problema dos juízes do programa ainda acresce com a circunstância de não poderem lidar com elementos concretos do processo que as partes usam com discrição.
Ainda assim, o jubilado diz que a lei manda atender aos pais e pessoas legalmente responsáveis, para se aferir o superior interesse da criança. Parece que ninguém entendeu muito bem o alcance da disposição legal.

No programa, há um elemento escondido: nenhum dos intervenientes do Prós, deu a conhecer os interesses particulares que os animam a tomar a posição que tomam. E deviam ter dado. Pelo que se conhece publicamente, nem a senhora casada com o senhor publicamente conhecido é imparcial; nem o é o psiquiatra que fala na tv e que se fica a saber que deu parecer técnico no processo em causa, a favor do casal; nem o senhor do refúgio Ascensão. E quanto à senhora deputada, temos caso particular de opinião para o lado certo da correcção politicamente assegurada.
Há ainda outro elemento à vista: o processo e os elementos concretos de facto e de direito, são secundários, para os peritos apontados. E sê-lo-iam sempre, porque já há muito decidiram, sem apelo. Além disso este painel de peritas, lembra, inapelavelmente uma série de coisas antigas e bem antigas. Lembra efectivamente um Movimento Nacional Feminino que se julgaria já um resquício do passado remoto.
Como é que se chega aqui? Como é que ninguém se lembra de colocar a questão mais óbvia e importante: saber como foi possível a um tribunal Constitucional deixar um processo deste género parado, sem movimento durante...anos?! Quem foi o juiz que assim procedeu por omissão?
Mais: como é possível em termos práticos, que estes processos ( e há provavelmente dezenas ou centenas deles em todo o Portugal), tenham prazos alargados e se olhe para os mesmos com olhos diferentes dos que servem para ver o processo penal?
De quem é a responsabilidade concreta do facto de estes processos demorarem anos a serem resolvidos a contento? Dos tribunais? E porquê, se for assim? Da lei? E porquê, se assim for?

E é assim, em Prós e Contras como este, que se julgam os tribunais, em Portugal: num Prós sem contra algum. Uma balança que rouba o consumidor que vê como espectador.

Publicado por josé 23:03:00 16 comentários Links para este post  



A tradição nova




Esta imagem tem uma história e tradição milenares. É a de Santa Cecília, padroeira dos músicos, cujo dia se celebra no próximo 22 de Novembro. E é das catacumbas de S. Calisto, perto de Roma.

Hoje é dia Internacional da Música, criado há pouco mais de trinta anos, pela UNESCO e por Y. Menuhin, o violinista prodígio de origem judaica.

Para além desta nova tradição, há a antiga, Da Loja.

Publicado por josé 19:53:00 0 comentários Links para este post  



O jacobinismo assenta-lhes tão bem!


O Governo quer mudar a assistência hospitalar nos hospitais do Estado. O sistema actual parece ter inconvenientes para a paz pública. Num certo sentido, com esta medida, observa-se uma violação do princípio de separação da sociedade civil e das religiões: o Estado escusa-se a exercer qualquer poder religioso e as Igrejas qualquer poder político- ou seja, o Estado, ao invés de se cingir à esfera temporal, parece querer “espiritualizar-se”, impondo a anti-religiosidade à sociedade. Isto acontece porque usa o seu poder político para restringir, de uma forma incompreensível, o exercício da missão religiosa, considerando-a supersticiosamente como uma ameaça.O Estado é laico e não tem sentimento religioso, mas condicionar por preconceito a assistência espiritual de quem, por força da doença, está retido numa cama hospitalar pública é, em si mesmo, um sinal de intolerância.” Pedro Afonso, médico psiquiatra, Público de 1.10.07


Os capelistas anti-clericais, seja o dos Grilos, seja a dos enfados jornalísticos, sejam mesmo os que não compreendem a natureza das coisas, afirmando-se sabichões das comichões, são os saltões do costume: tudo o que lembre o período de séculos de influência da Igreja católica apostólica romana, é visto como uma ameaça ao laicismo que convocam e provocam.

Os herdeiros da ideologia de Afonso Costa, estão vivos e actuantes.


Mas, afinal, os jacobinos, são os antigos esquerdistas, antes de o termo ter sido cunhado. Vindos da Revolução francesa terminaram o seu breve reinado de terror, num Termidor que normalizou e conformou a sociedade e conduziu a Napoleão.

Os actuais jacobinos, são os novos revolucionários do costume e contestatários arreigados da tradição. No século propício, opunham-se à monarquia, reivindicando a república, por meios violentos. Hoje, sem grandes horizontes, depois da derrota da ideologia que herdaram, definham a reivindicar bandeiras avulsa.

O anti-clericalismo, é uma delas. Atacar igrejas, padres e símbolos de crença religiosa, é a nova bandeira do jacobinismo, à falta de outras e depois de falhar a ideia global de criação do Homem Novo. A ideia, por isso mesmo, é velha.

Michelet, dizia que alguns indivíduos já nascem jacobinos. Está-lhes no sangue, a atitude permanente de se arvorarem em sentinelas da virtude democrática, à sua maneira e que passa pela postura radical da destruição do adversário. Antes, pela perseguição e morte física, agora, depois da amenização de costumes, pela perseguição política, perseguida, no entanto, com o mesmo afã de intolerância radical.

Se procurarmos com atenção, nos mais activos jacobinos da época presente, encontraremos os mais activos perseguidores de inimigos de classe, do antigamente. A “burguesia”, conceito espúrio e ensombrado por séculos de equívocos, concentrava em si, o ódio de classe. Acabada a burguesia, por falência ideológica, subsiste o poder espiritual como inimigo inventado.

Os jacobinos de hoje, são os activistas de punho no ar e murro na mesa, de ontem. Sempre contra um putativo poder que lhes faz frente ao totalitarismo e agora com um alibi ideológico, depois de terem perdido o paradigma.

Hoje, mesmo com assento seguro no poder político, não esquecem o inimigo imaginário de sempre e que o motiva sempre para a luta radical.

Não acreditam? Leiam aqui.


Assembleia Constituinte, 16 de Julho de 1975...


«Vital Moreira (PCP) - Se os projectos do PPD e do CDS fossem aprovados e promulgados seria impossível julgar em tribunal revolucionário os responsáveis pelo 11 de Março, o que está anunciado pelo Conselho de Revolução desde 12 de Março. E o mesmo acontece, estranhamente, com o projecto do PS. (Apupos. Aplausos)

Cabe aqui referir, entretanto, que essa posição não se limita aos projectos do PPD, do CDS e do PS. Ainda recentemente o grémio dos advogados, em reunião realizada em Coimbra, tomava a mesma posição, ao mesmo tempo que se preocupava com os réditos da profissão e com os vencimentos dos seus empregados, sem deixar de rejeitar uma moção de apoio ao Conselho da Revolução e de aprovar uma moção de apoio à intervenção do deputado António Arnault feita aqui há dias.Retomemos o fio. Se os projectos do CDS, do PPD (e também, estranhamente, do PS) fossem aprovados e promulgados...

Vozes: - Não apoiado!(Manifestações nas galerias)

Vital Moreira: -... Eu limito-me a pedir à Mesa que me seja descontado o tempo das interrupções.

Presidente: - O público não pode intervir, senão terei que mandar evacuar as galerias. Será descontado o tempo correspondente às interrupções.

V.M.: - Se os projectos do CDS, do PPD (e também, estranhamente, do PS) fossem aprovados e promulgados, não poderiam haver mais saneamentos, quer no aparelho de Estado, quer em instituições privadas. Se os projectos do PPD, do CDS (e também, estranhamente, do PS) fossem aprovados e promulgados...

Vozes: - Muito bem!(Vozes discordantes)

V.M.: - ...Nas próximas eleições já teríamos a votar e a candidatar-se os ex-informadores da PIDE, os saneados, os ex-dirigentes da ANP e da UN, os ex-ministros de Salazar e Caetano.

Vozes: - Não apoiado!

Uma voz: - Desonesto!»-

in Cenas Parlamentares - Humor, agitação e ataques na Constituinte, de Vitor Silva Lopes.


Como refere o Dragão, num retrato perfeito do jacobinismo rompante:


Eles bem viram a casaca, mas a alminha de esbirro, essa, nunca muda. O fervor de meirinho, de beleguim às ordens serve de cabide permanente à casaca variável. A quadrilheirice é vital(ícia). Ontem como hoje, o instinto canino persiste. E porfia.Registe-se ainda que quando o Avô Cantigas, na sua fase heróica, refere, em tom depreciativo, os "ex-informadores da PIDE", significava com isso apenas os ex-informadores que não eram militantes do PCP antes do dia 25 de Abril, nem correram a alistar-se nesse mesmo partido nos dias seguintes. E foram muitos. Julgo que o que o preocupava, à época, era, tão sòmente, uma minoria residual de não-contritos.

Publicado por josé 11:50:00 1 comentários Links para este post