O inferno anda muito pouco cotado

O Rocinante oferece-nos mais uma reflexão vibrante, desta vez num singular texto intitulado "É bem mais fácil ser de direita".

Mais relevante do que esmiuçar as ilações que me parecem caricaturadas, é caso para observar a simplicidade da própria caricatura, porque por vezes é preciso um pouco de maniqueismo para se sublinhar o essencial. Em doses moderadas, bem entendido.

Um excerto do post do Jumento


Cada vez sei menos sobre o que é ser de esquerda e o que é ser de direita, sei apenas que é mais fácil ser de direita, é mais fácil ver pobres e concluir que são pessoas pouco ambiciosas, ver empresas falir e concluir que foram as forças do mercado a eliminar os menos capazes, ver o país a arder e ficar tranquilo porque a intervenção do Estado não será solução.

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"exercício espiritual"


É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora


Mário Cesariny de Vasconcelos , manual de prestidigitação

Publicado por Manuel 21:23:00 0 comentários Links para este post  



Surf ski paddler passes along Manly Beach on Sydney's north shore at sunrise July 31, 2004. REUTERS/Will Burgess

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Por quem canta Morrissey?




The First Of The Gang To Die

You have never been in love, Until you have seen the stars, reflect in the reservoirs

You have never been in love, Until you've seen the sunlight thrown, Over smashed human bone

We are the pretty, petty thieves, And you're standing on our streets
Where Hector was the first of the gang with a gun in his hand
And the first to do time, the first of the gang to die, Such a silly boy
Hector was the first of the gang with a gun in his hand
And the bullet in his gullet and the first lost lad to go under the sod

Habitual em Portugal a atitude do desconcerto absurdo. Se por um lado sabemos que foram os Situacionistas de Guy Debord a prescrever a máxima, para um incêndio levamos gasolina, por outro conseguimos separar mentalmente um movimento de utopias simpáticas mas impraticáveis, levado por académicos simpáticos mas impraticados de um estado de direito que zela pela vida e bem-estar de milhões de pessoas e quilómetros quadrados de bens naturais. Estranho é neste País estar praticamente escrita a constituição moral de cada Português com as teorias destes senhores de 68 (A sociedade do espectáculo, A derive espacial, o agir e pensar ao sabor dos eventos, das situações, etc., etc.).

Todos os anos hão-de morrer pessoas, bombeiros, casas arderão e serras e montes e vidas completas serão tornadas chão de impotência até que se transforme o território em uma imensa esplanada suburbana.

Será que Morrisey canta as vidas de todos os Hector's portugueses, jovens bombeiros, alguns dos quais dão a vida pelos senhores que se passeiam de topos de gama arejados e condicionados ao autismo?

Por outro lado pode-se sempre ensinar os Submarinos a Voar, primeiro, claro está e depois a Cuspir com um certo grau de pontaria acintosa. Talvez milagrosamente resulte e não tenha sido em vão a compra dos charutos aquáticos.

Que compras, já agora, estarão na calha do ministério de Defesa para o próximo ano? Limpa-neves urbanos? Jogadores Gregos de futebol? O Pictionary?

É que falta pouco para restarem só pictures do cândido País que ainda temos...

Estevosso

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"Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto"


Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.


Maria do Rosário Pedreira, A Casa e o Cheiro dos Livros

Publicado por Manuel 2:31:00 1 comentários Links para este post  



Menyaru(L), a young Samatran Orang-utan celebrates his first birthday with his mother Maimunah at the Melbourne Zoo. (AFP/William West)

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Sampaio e os incêndios...

O Dr. Sampaio, avalista do governo do Dr. Lopes e Presidente da República, ressuscitou hoje para assacar críticas a toda a gente no que as incêndios diz respeito. A toda a gente não, porque Sampaio, o pedagogo, não se acha com rigorosamente nenhuma culpa na cartola. Sampaio, o descentralizador, bem que critica os autarcas mas não lhe parece passar por aquela cabeça, cor de cenoura, que é precisamente o modelo de descentralização que tanto aclama e proclama um dos causadores da rebaldaria vigente. Se o Estado central tem culpas inalienáveis a verdade, verdadinha, é que o que se tem passado demonstra também e à exaustão a falência do actual modelo dito municipalista. detalhes.

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O discurso de aceitação de John Kerry – O Iraque e um pouco do resto

Na convenção democrática de ontem, John Kerry não disse qual era a sua solução miraculosa para a situação no Iraque. E não o fez porque ela não existe.

Disse antes que encontrar a solução para o problema passará inevitavelmente por um entendimento com os aliados, por uma partilha de competências e de responsabilidades na condução da situação futura. Foi preparando os americanos para terem de entender um problema que não é, nem nunca foi, linear. Criticou as mentiras que se têm sucedido e das quais Dick Cheaney tem sido um dos mais óbvios propagadores; criticou a ida para a guerra sem um plano de paz.

No final da convenção, os comentadores da CNN, apresentaram a sua declaração sobre a solução da guerra como algo muito difuso, algo em que não se apresenta à vontade. Justificaram esta tese pelo facto de ter sido um dos que apoiou a intervenção num primeiro momento e por hoje não saber como resolver o problema.

Atendendo ao problema em questão e à analise que dele fez John Kerry, julgo que prestou um bom serviço ao seu país e ao mundo permitindo que se sublinhasse a complexidade do problema e deixando espaço para negociar sem vir a ter de faltar à sua palavra.

Já em relação a outras política como a educação, a segurança social, o sistema de saúde ou o acesso ao direito foi bem mais claro e incisivo como convém a um candidato a líder executivo de um país.

Como bem lembrou no seu discurso, quem quiser saber mais detalhes e conhecer melhor os seus compromissos pode e deve passar por John Kerry dot com (ou pelo blogue de campanha).

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"A Inegualável"


Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de setim...
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...

E tão febril e delicada
Que não pudesse dar um passo -
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...

Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas -
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...

Ah! que as tuas nostalgias fossem guisos de prata -
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...



Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim -
Os teus espasmos, de seda...

- Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor por mim...

Mário de Sá-Carneiro, Poemas Completos

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porque é verão...



A monkey eats an ice cream cone given by a visitor in a zoo in Islamabad. (AFP/Jewel Samad)

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Adivinhem quem faz 50 anos?



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o esteta ou a Tégui do PS...

Já aqui o tinhamos antecipado, José Sócrates não vai ser nada no PS. A declaração, ontem, de João Cravinho de que Sócrates nem sequer era o melhor candidato a Primeiro-Ministro, evocando o nome de - surprise - António Vitorino é pura e simplesmente a estocada final. A luta interna no PS é muito mais do que uma mera dicotomia entre duas visões de fazer política, entre alas esquerdas ou republicanas vs alas moderadas, ou entre o passado e o futuro, a luta interna no PS é um sinal, uma metáfora, de tudo o que está mal, podre, na democracia portuguesa.

A entrevista de Sócrates ao último Expresso que agora muitos pretendem menorizar e contextualizar é tudo. Não é apenas o retrato de Sócrates, é o retrato de um certo País, de um certo Portugal. Com uma certa pitada de ironia fico-me por uma e uma só frase de Sócrates ...


Receita de mulher: As feias que me perdoem mas beleza é fundamental. Sim, também sou um esteta.

Está aqui tudo resumido, às claras e sem equívocos.

Também Hitler se considerava um esteta, também Jaime Nogueira Pinto, que pode ser visto a ulular por estas bandas, se considera um esteta, até o Dr. Cunhal se considera um esteta. E ser esteta é moldar a realidade, adaptá-la áquilo que queremos ver, whatever it takes, é querer mostrar só o que se acha que é para ser mostrado, é ser revisionista, é antes de tudo ser cínico, muito cínico.

O Dr. Lopes tem os defeitos que tem estruturalmente, o Eng. Sócrates tem a virtudes que enuncia laboratorialmente. E entre uma aberração da natureza e um monstro criado voluntária e conscientemente em laboratório, mal por mal e pela parte que me toca, sempre prefiro o que é natural...

Voltando às senhoras, uma sugestão grátis a todos os sócrates deste mundo, que não ao próprio, o que interessa não é o hardware mas sim o software, o hardware é uma comodidade, é o software que faz o trabalho todo, bem ou mal... Este conselho de nada vale a Sócrates porque afinal também ele é só hardware, o software é o do momento - o dos spinners, das sondagens, da voragem do dia. A Sócrates só lhe falta pintar o cabelo de louro, é afinal a Tégui do PS...


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"Porta Aberta"


O Dr. Mário Morgado foi-se embora. Haverá, com certeza, um Tribunal da Relação à sua espera. É esta a garantia dos magistrados que, por convicção ou desfastio, brincam, de vez em quando, às políticas. As estruturas sindicais da PSP ficaram contentes.

Na PJ e no SIS também houve manifestações de contentamento. Segundo um jornalismo pimba, que também o há, o juiz, que no momento não era juiz mas serventuário de uma política, bateu com a porta. É evidente que esse jornalismo não compreendeu que o dito só pôde bater com a porta porque a porta lhe foi aberta.

Do ponto de vista da gestão dos quadros, a situação era insustentável para o Dr. Mário Morgado. A dois anos das eleições, o que o Dr. Santana dispensará serão os conflitos laborais, nomeadamente envolvendo milhares de polícias. Onde antes era preciso mostrar firmeza, hoje impõe-se o diálogo. Em nome dos votos, evidentemente.

A questão das informações
que teria sido suscitada pelo Ministro Daniel Sanches, foi apenas um pretexto para o Dr. Mário Morgado voltar ao seu refúgio judicial. O Dr. Morgado deveria saber que o novo ministro é um especialista em secretas e em segredos e que a sua actuação iria passar por estas áreas. Se as queixas do SIS e da PJ não terão chegado aos ouvidos do anterior ministro, parece óbvio que a escolha do Dr. Daniel Sanches teve em vista a resolução dessas tensões.

in Direitos

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questões de sensibilidade...

Num tempo de recessão a direcção do Instituto Português da Juventude duplica custos, num tempo em que se apela à honestidade e transparência as notícias oriundas da Figueira da Foz, e pela segunda semana consecutiva, n' O Independente, a prazo levantam invariavelmente muitas e sérias dúvidas sobre a estirpe moral desse excelente rapaz que é o Miguel Almeida, chefe de gabinete do primeiro -ministro, e também sobre as próprias capacidades oftalmológicas de Pedro Santana Lopes...

Depois temos o 24 Horas - eu não quero saber com quem dorme, se tem mel ou não e o que faz ou que diz o Dr. Lopes quando não está em funções públicas, é um problema dele e só dele. Mas quando Santana Lopes o mesmo que, à custa do pagode, manda duplicar o seu corpo de segurança pessoal para depois achar que toda a gente tem que ler a Caras, a VIP, a OLÁ ou a TVGuia para saber quem é a sua amiga, grande eufemismo, du jour então algo está errado. Há uns anos, já alguns, Mário Soares, então Presidente da República, mandou literalmente passear um guarda da BT, não foi bonito nem delicado, mas ele era o PR, agora que legitimidade tem uma qualquer Catarina ou Joana deste mundo para querer entrar (de Porche) na residência oficial do Primeiro-Ministro, para falar com o Pedro, na premissa que não tem que parar, identificar-se ou dizer àgua vai? É legitimo a Santana Lopes, pelo braço comprido de Miguel Almeida, intentar uma campanha persecutória contra um agente da PSP que pura e simplesmente cumpriu escrupulosamente o seu dever, só para fazer um frete a umas madames amuadas?

Entretanto o Director Nacional da Polícia Judiciária acha que é normal uma casa ser roubada. Deve ser tudo uma questão de sensibilidade...


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"Pretextos para fugir do real"


A uma luz perigosa como água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos
(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. É assim que te faço arder triunfalmente
onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)
Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher
E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços

*

Experimento um grito
Contra o teu silêncio
Experimento um silêncio
Entro e saio
De mãos pálidas nos bolsos

Alexandre O´Neill, Poesias Completas - 1951/1981

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Amanhã n' O Independente

Moita Flores, António Costa, o depoiamento do primeiro e a cabala do segundo...


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Mother and son - Cora, a two-month-old baby tiger plays with her adoptive mother, a four-year-old dog in Villeneuve-d'Asq, northern France. (AFP/Philippe Huguen)

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crónica de uma pilhagem anunciada...


O ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação, António Mexia, pediu à Comissão Executiva da TAP liderada por Fernando Pinto, que previa abandonar a companhia aérea amanhã, para adiar a saída «por mais alguns dias», disse fonte conhecedora do processo à Agência Financeira.

Ao que foi possível apurar, o Governo pretende fazer coincidir a saída dos brasileiros da TAP com o anúncio da nomeação dos novos gestores, fazendo ao mesmo tempo «a passagem de testemunho».

Segundo consta, António Laranjo, que integrou a administração da Sociedade Euro 2004, é o nome de quem se fala para substituir Fernando Pinto.

António Laranjo é já conhecido do actual presidente da TAP, Cardoso e Cunha, com quem já tinha trabalhado na Expo 98.

Contactado, pela Agência Financeira, o Ministério das Obras Públicas escusou-se a fazer qualquer comentário ao assunto.

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"Fahrenheit 7/29"

Espera-se, sentado, que a mesma direita que condenou, e bem, os excessos de Michael Moore no seu Fahrenheit 9/11 critique agora, e com a mesma veemência, o despudurado tempo de antena que o PSD se prepara para emitir urbi et orbi.



A técnica, a desfaçatez, a demagogia e o simplismo da linha de raciocínio são exactamente as mesmas, sem tirar nem pôr...


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Incêndios

Carta aberta a S.E. a Ministra da Cultura


Senhora Ministra,

No momento em que, mais uma vez, o país arde, as prioridades são claras: combater os incêndios e apoiar as vítimas.

Nenhuma destas prioridades tem imediatamente a ver com o Ministério de V. Ex.a. Pode a Senhora Ministra continuar a abanar suavemente o distinto leque com que se refresca - dispensando o requinte burguês do ar condicionado e o risco de infecção por legionella – sem com isso se sujeitar à crítica que se abate sobre alguns dos seus colegas.

Porém, sendo Ministra da Cultura, V. Exa. não pode deixar de ser culta; e, sendo culta e Ministra, será certamente sábia. O governante sábio conhece as virtudes da prospectiva. Sabe que o bater de asas de uma borboleta (ou o abanar de um frágil leque) pode provocar terramotos nos antípodas. Tem sobre os seus ombros sábios a responsabilidade estratégica de antecipar, planear e prover, tudo quanto necessário seja à boa governação da sua pasta. E bem pesada é a pasta da Cultura, carregada que está com o património cultural que partilhamos e temos a responsabilidade de preservar para os vindouros.

Agora que S.E. o Secretário de Estado dos Bens Culturais está ocupado com as incontornáveis prioridades da mudança do seu gabinete para Évora - medida de tão profundo alcance que ainda ninguém esteve à altura de o discernir - é chegado o tempo de V. Exa. governar. E como V. Ex.a sabiamente já terá antecipado, uma das urgentes prioridades dessa governação tem a ver com os incêndios que nos assolam.

É que o património, mesmo o construído em rocha dura, arde. Ainda hoje ardeu em Lisboa parte do Convento do Beato. Recordará também V. Exa. os danos causados na Igreja Matriz de Oleiros, em consequência das elevadas temperaturas provocadas por incêndios ocorridos na sua vizinhança durante o Verão passado.

As medidas de prevenção contra incêndios não podem pois ser descuradas, a começar pelos monumentos nacionais mais vulneráveis às chamas, como é o caso, por exemplo, do Convento de Mafra. Pasmará V. Ex.a, Senhora Ministra, ao saber - como possivelmente já sabe - que a generalidade de tais monumentos, tutelados pelo IPPAR, não tem, sequer, um plano de emergência aprovado, como reconheceu o Senhor Presidente daquele instituto em recente entrevista à Rádio Renascença. Ao que parece, o dito instituto não conseguiu, ainda, dar prioridade a elementares exigências de prevenção e protecção contra o risco de incêndio nos monumentos à sua guarda. Ainda estará a “criar um plano de actuação por fases", sendo que, para a sua implementação, "vão ser necessários meios que, neste momento, o IPPAR não tem". Perante esta cândida confissão do Senhor Presidente do IPPAR, concluiu a RR que “o Instituto do Património espera que, este ano, as chamas se esqueçam dos monumentos nacionais”... Todos esperamos. Mas também esperamos que uma intervenção ministerial, esclarecida e musculada, venha finalmente a pôr ordem nas confusas prioridades dos que consagram dia e noite às responsabilidades do património...

A protecção do património arqueológico será também uma das áreas em que se torna necessário intervir com urgência e determinação, para inventariar as situações de destruição ou de risco e definir medidas a tomar. A acção directa do fogo, a erosão a que as áreas ardidas irão estar sujeitas, os revolvimentos de terras para acções de reflorestação, ..., envolvem um risco potencial de destruição de elevado número de sítios arqueológicos já inventariados ou até agora não detectados.

Já no ano passado esta questão se colocou com enorme acuidade. Ao ponto de o país, com incontido assombro, ter testemunhado uma das raras ocasiões em que o Ministro Dr. Pedro Roseta tomou uma decisão. Decidiu - e bem - o V. digno antecessor, inventariar e avaliar o problema e definir linhas de acção. Do assunto, não se voltou a ouvir falar. O que é mau sinal, num tempo em que as mais ínfimas realizações do Estado são publicitadas urbi et orbi e numa terra em que as preocupações com os incêndios esmorecem com o rescaldo dos mesmos, para só renasceram com o eclodir dos fogos do ano seguinte...

V. Exa. avaliará o que foi feito e decidirá o que há a fazer.

Falar das implicações na Cultura e no Património, no auge do drama dos incêndios, não será politicamente correcto ou consensual. Não esquecemos que as prioridades imediatas são outras. Que os dramas humanos a tudo se sobrepõem. Que as catástrofes ambientais põem em risco um futuro sem o qual nada faz sentido.

Mas também não esquecemos que a nossa congénita incapacidade de prever e evitar factores de risco, de planear, testar e coordenar intervenções, explica em muito o que está a acontecer. Acabar com a cultura do nacional-porreirismo, do improviso e da impunidade tem de ser, de uma vez por todas, um dos principais desígnios nacionais. Fazê-lo hoje – e já - também no domínio do património cultural, é imperativo.

Não podemos deixar de integrar medidas de salvaguarda dos bens culturais na estratégia nacional de luta contra os incêndios, tanto mais que a eventual perda de muitos desses bens seria irreparável.

A Cultura não está, neste momento, debaixo de fogo. Que a titular da pasta saiba tomar, serena mas firmemente, as medidas que se impõem para que não venha a estar, são os votos do cidadão que se subscreve,

com os melhores cumprimentos,


Publicado por Gomez 18:50:00 1 comentários Links para este post  



O que falta a José Sócrates?

O Paulo Gorjão conseguiu sacar duas ou três ideias mais ou menos claras quando leu a entrevista de José Sócrates ao Expresso, mas a sensação dominante com que fiquei partilho-a com o José Manuel Fernandes no seu editorial de hoje: Um Político de Plástico.

Há poucos dias perguntava no meu reservado

“Desde quanto anda José Sócrates a preparar-se conscientemente para concorrer ao cargo de Secretário-Geral (SG) do Partido Socialista e de futuro Primeiro-Ministro?”

Hoje começo a desconfiar que o anda a fazer há "demasiado" tempo. Estar ao “centro” não tem de implicar vogar pelo pântano do qual nunca se sabe bem o que esperar.

Para o centro-esquerda ser uma verdadeira alternativa credível à sucessão de más opções disponíveis, é fundamental não entrar desde o primeiro momento a defender uma suposta lógica de compromisso e a dar sucessivos sinais de tibieza quanto a questões políticas muito claras.

No actual contexto político nem deveria ser muito difícil marcar com clareza o que distingue o alinhamento que teoricamente serve a José Sócrates.

É fundamental ter uma linha de rumo, um conjunto claro de prioridades básicas que fundarão tudo o resto que esteja ainda cinzento no momento do “assalto ao poder”.

Nas últimas semanas aquele que me parece ser o candidato a SG do PS que me está mais próximo não conseguiu mais do que servir-me desilusão em desilusão.

Gostei de José Sócrates enquanto executivo e gostava que hoje ele conseguisse transmitir de forma generalizada aos diversos dossiers, a garra, determinação e orientação quanto ao que pretende fazer se chegar a primeiro-ministro.

Mesmo para quem está ao “centro”, fazê-lo implica marcar uma linha além da qual alguns ficariam desde já a saber que não farão parte dos favorecidos pelo intervencionismo de gestão da coisa pública e que constituirão o adversário público e notório a enfrentar. Não o fazer não tem sido uma prova de cautela, de reserva mental até ter o poder, tem sido antes indício de não se pretender fazer nada.

Futebolesmente - um abraço à comunidade falante de futebolês radicada nos Estados Unidos da Blogoesfera - é no início da partida que o árbito controla ou não o jogo, e a partida para Sócrates (ou para qualquer um dos restantes candidatos a SG) já começou. Começou pela forma como reuniu apoios (e que apoios) mas fundamentalmente começou no dia em que se apresentou ao país como potencial futuro primeiro-ministro.

Seria muito bom que mostrasse que conhece alguns dos principais entraves que terá de enfrentar na governação – deveria ser esse o principal valor acrescentado recolhido da sua experiência enquanto governante - não se limitando a considerações difusas a roçar o auto-elogio.

Ouço-o e sinto um político desequilibrado, a fazer poses que não parecem radicar num desculpável nervosismo, mas antes num mais ou menos meticuloso ensaio que só ajuda a colar-lhe o libelo de político de plástico. Em suma, a campanha de santanização de José Sócrates tem tido na vítima o seu principal aliado, até ao momento.

Ainda é tempo de reverter essa campanha mas talvez primeiro seja tempo de esquecer um pouco da preparação que foi fazendo para chegar a secretário-geral. Talvez seja bom rever os métodos e a calculatória e, se conseguir, é tempo de olhar lá bem para dentro de si e procurar a genuína chave para o sucesso de que precisamos em qualquer político que se preze. Sem isso é entregar-se à esperança absoluta do milagre dos spin doctors e, como já vimos, nesse campo todos têm as suas medidas e contra-medidas em acção.

Trocar um Guterres que apresentava um razoável nível de esclarecimento mas que quase sempre ficou àquem no fazer, por alguém que quer fazer mas não sabe muito bem o quê, não é alternativa que se apresente.

Demonstrar o disparate desta minha última afirmação - que desconfio se vai tentando instalar no subconsciente de muita gente - sem recorrer a sucessivas piruetas à lá José Manuel Comissário, é o desafio daquele que, curiosamente, me parecer um pouco amado candidato a secretário-geral pelos seus pares que dissertam pela Blogoesfera.



Publicado por Rui MCB 17:36:00 7 comentários Links para este post  



The Richardson ground squirrel uses ultrasonic frequencies to provide a warning to fellow members of its group, the first time an animal has been found to use high-frequency sound this way.(AFP/File/Paul Richards)

Publicado por Manuel 16:16:00 0 comentários Links para este post  



"reality distortion field"

O mundo não existe, a incompetência não existe, a pobreza também não. As reformas essas já foram todas feitas e pasme-se "O futuro conta connosco com a nossa experiência e a nossa competência e sobretudo com a nossa auto-estima". Isto não é um qualquer discurso de um qualquer Fidel Castro, ou de um delirante ditador norte-coreano, isto é - pasme-se - o discurso oficial do Partido Social Democrata - braço Santana Lopes em versão tempo de antena.

Não sei se Santana Lopes acredita mesmo nisso, nem me interessa. O Santana Lopes que se move entre a beautifull people deste país não liga a detalhes... Estava escrito nas estrelas quer seria Primeiro Ministro e é-o, logo para quê maçar-se, e maçar-nos com a verdade, quando a verdade é suposto acabar por ser aquilo que ele quer?



Hoje vieram a lume mais uma série de ninharias, daquelas a que o Lopes não liga, porque não se coadunam com a sua grande visão, os seus grandes planos. Uma santanette, agora vice-presidenteda Câmara Municipal de Lisboa, na qualidade de gestora - nomeada pela CML - na sociedade gestora do MARL em conluio com uma outra alminha também gestora achou por bem comprar carrinhas - repito carrinhas - Mercedes alta gama, como viatura de representação. Uma questão de sensibilidade - grande eufemismo - dizem, numa empresa à beira da falência... O director nacional da PSD demite-se. Digam o que disserem sindicatos, e oposições, goste-se ou não do personagem, o facto é que Mário Morgado sabia muito bem o quer queria para a PSP, que funcionava. O novel ministro impôs o downsizing da funcionalidade da PSP e muito dignamente Mário Morgado bateu com a porta. Entretanto a Adelino Salvado assaltaram a casa, é a vida, não lhe levaram o cacetete mas um dia destes cassetes pelo correio ainda lhe vão lixar a vida. No affair GALP sabe-se agora que a Parpública (Estado i.e. nós todos) abdica dos lucros da GALP para um privado poder comprar parcelas da mesma (!), havemos de voltar ao assunto. Noutra frente "três ministérios diferentes do novo Governo estão a cobiçar a Casa do Ambiente e do Cidadão, um palacete na zona da Lapa, em Lisboa, cuja recuperação contou com um forte apoio financeiro da União Europeia no pressuposto de que se destinaria exclusivamente a funções de educação ambiental e participação pública. As obras, concluídas há três anos, orçaram em 1,75 milhões de euros, tendo obtido um apoio de 75% dos fundos comunitários para o ambiente."

Isto, meus caros, já não são meros casos clínicos, são casos de polícia, caso houvesse uma que funcionasse, claro...


Publicado por Manuel 14:48:00 7 comentários Links para este post  



De que fala Nabokov?

Tais pessoas eram capazes de sonhar, mas incapazes de governar. Destruíam as suas vidas e as dos outros. Eram tolas, fracas, fúteis, histéricas; mas, por trás de tudo isto, ouve-se a voz de Tchékhov: abençoado o país que soube gerar este tipo humano. Eles deixavam escapar as ocasiões, evitavam agir, não dormiam à noite inventando mundos que não sabiam construir; mas a própria existência destas pessoas, (...) é uma promessa de um futuro melhor, (...) porque de todas as leis da natureza, a mais maravilhosa é talvez a da sobrevivência dos mais fracos.

Do prefácio de Vladimir Nabokov nos Contos de Tchékhov, Vol. I

Com esta citação entro na roda dos blogs e inicio colaboração aqui nesta Grande Loja, aproveitando este entrementes para saudar vivamente todos os fraternos Irmãos, que na maioria desconheço (ainda) pessoalmente.

Igualmente desejo ressalvar a total independência deste escriba de todas as visões, opiniões e posts aqui expostos, como da mesma forma a minha colaboração teve recomendada liberdade total de acção e pensamento. É este, julgo eu, um dos maiores trunfos da blogosfera, que torna possível reunir em torno de uma casa acolhedora, um corte transversal confluente ou divergente das formas de civilidade em Portugal. Espero contribuir aqui com a minha humilde tempestade de pensamentos. Resumir-me-ei a um foro mais pessoal e intimista. Livros, discos e utopias.

Entretanto a dúvida persiste: De que fala Nabokov? De Portugal, de uma freguesia, de uma agremiação cultural ou da forma como um dono de café trata a cozinheira? A indecisão, como de direito e nação, assiste-nos.

Estevosso, Visconti.


Publicado por Visconti 14:35:00 3 comentários Links para este post  



"Sacode as nuvens"



Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.

Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.


Sophia de Mello Breyner


Publicado por Manuel 12:04:00 0 comentários Links para este post  



A nossa vergonha...

Atentem-se no seguinte raciocínio, todos nós não poucas vezes já nos interrogamos quanto custa efectivamente um incêndio ao país Portugal.

Não se trata apenas de contabilizar os custos dos incêndios, no desgate dos meios, nem tão pouco quanto custa mas sim de calcular o verdadeiro valor da irresponsabilidade de privados e do Estado quando não gerem da melhor forma os incêndios e a sua prevenção.

Esta deveria ser a vergonha de todos os governantes...Todos sem excepção, porque pior que um político que não faz nada é aquele que aproveita os incêndios como meio de auto-promoção política.

Decidi por iniciativa própria e sabendo dos riscos que corro, em meter-me pelos caminhos da modelização económica, sempre sujeita a muitas interpretações, construir o Modelo Económico de avaliação dos custos dos incêndios por incêndio, daqui em diante denominado modelo da vergonha...


Y = Custo Global dos Incêndios
RAh = Rendimento Anual médio por hectare no concelho em análise.
AR = Àrea Ardida
NP = Nº de Anos de improdutividade dos hectares afectados pelo incêndio
ND = Duração do incêndio em dias
CBD = Custos com Bombeiros, gasolina, Àgua, assistência técnica diário.
NAC = Nº horas contratadas para meios àereos
PH = Preço hora dos meios àereos
CD = Compensações Diversas cedidas pelo Estado a título de regimes de calamidade
EP = Postos de trabalho perdidos
MN = Número de Mortes causadas directamente pelos incêndios
CI = Clausula Indeminizatoria atribuida à família.
CP = Compensações Segurança Social Fundo Desemprego
NMM = Numero Meses do subsidio . Neste caso é estabelecido 18 meses.
CFL = Custos de florestação por hectare
CMS = Custo médio de sáude por habitante
PP = Propensão Marginal dos custos de saúde provocados directamente pelos incêndios.

Assim, e por pura dedução lógica..

Y = (Rah*AR*NP) + (ND*CBD) + ( NAC*PH )+ (NM*CI) + CD + ( EP*CP*NMM)+ (CFL*AR) + ( (CMS *PP) + CMS )

No incêndio de Monchique do ano de 2003 arderam 40.587 hectares durante 10 dias. O Rendimento Anual por hectar do Concelho de Monchique é de 4300 Euros. Calcula-se que todos os bombeiros mobilizados tenham gasto cerca de 10.000 Euros por dia. Foram contratados 2 Canadairs durante 10 dias a uma média de 10 horas por dia ao preço de 3.000 euros hora. O estado gastou ao todo 4.573.000,00 até 31/01/2004 em apoios aos concelhos com áreas ardidas . O valor da variável CD é obtidor pela divisão do total pago como indeminizações e apoios face a % da area do incêndio de Monchique relativa ao total da àrea ardida nacional. Como em Monchique ardeu 40.587 e a área ardida em 2003 em Portugal foi de 431.000 hectares, logo o valor calculado corresponde a cerca de 10 %.

Perderam-se 180 postos de trabalho directos, que a Segurança Social comparticipará em 400 euros mensais por 18 meses. O custo de reflorestação está estimado em 350,00 Euros por hectare. Estima-se que a área ardida demore 4 anos a voltar a tornar-se produtiva.

Y =(40.587*4300€*4)+(10*10000€)*(100*3000,00€)+ 457.704,06 € +(350 € * 40.587 )+(180*400*18)= 746.170.560,00 Euros

Setecentos e quarenta e seis Milhões, cento e setenta mil quinhentos e sessenta euros

Já Chega. É este o verdadeiro preço apenas no concelho de Monchique da descoordenação vivida no ano passado.

Nota - O Modelo baseia-se em meras estimativas por baixo. Não estão contabilizados os valores do aumento dos custos de saúde.

Publicado por António Duarte 0:51:00 42 comentários Links para este post  



Federal scientists in Alaska waters have sighted a rare mammal, the endangered blue whale, shown, approximately 100-150 nautical miles southeast of Prince William Sound. The blue whale is the largest animal known to live on Earth. The sighting by researchers on board a National Oceanic and Atmospheric Administration vessel means the blue whale population may be getting healthier and expanding back to traditional territories. (AP Photo/National Oceanic and Atmospheric Administration)

Publicado por Manuel 21:41:00 1 comentários Links para este post  



Magistrados - "Formação descontínua"


Há uns tempos, a propósito de uma acção levada a cabo pela Universidade Católica (Faculdade de Direito do Porto), em conjunto com o Centro de Estudos Judiciários, sobre a nova legislação laboral, uma professora queixava-se da pouca participação dos magistrados. Dois magistrados, com cerca de trinta anos de serviço, que ouviram o desabafo, justificaram-se, a eles e à classe, invocando a falta de tempo face às tarefas que lhes estariam cometidas.

Tratou-se, obviamente, de uma desculpa de ocasião mas que traduz a ideia errada da generalidade dos magistrados sobre a importância da formação.

As grandes transformações doutrinárias e legislativas, ou os diferentes espaços de conflitualidade, ou o novo enquadramento social em que a justiça se exerce, ou a importância das tecnologias na gestão dos processos, impõem aos magistrados uma formação contemporânea que lhes permita um exercício actualizado da função. Essa, porém, tem sido uma vertente descurada. Há uma cultura judiciária que não lhe é favorável.

Ao longo dos últimos vinte anos, a formação destinada à actualização dos magistrados tem sido precária e dispersa. Com uma participação em regime de voluntariado, os magistrados não a sentem como uma obrigação profissional.

Seria interesante saber, nos recentes concursos de graduação para o Supremo Tribunal de Justiça, quantos magistrados teriam documentado o seu percurso profissional com acções de formação
.

Tem-se dado uma relevância predominante à formação inicial, numa perspectiva de preencher, com urgência, a insuficiência de quadros. Persistir nessa política, num momento em que os números, ou a insuficiência deles, deixam de ser preocupação. Relevante será re-formar os magistrados, começando por aqueles que desenvolvem as suas tarefas em instâncias de recurso ou tem funções inspectivas.

in Direitos

Publicado por Manuel 20:07:00 3 comentários Links para este post  



A lone man tries to fight a forest fire early morning in Boticas, Vila Real, northern Portugal, Wednesday, July 28, 2004. Three days of intense blazes have destroyed thousands of hectacres of forest and protected landscape all over the country. (AP Photo/LUSA/Pedro Costa)

Publicado por Manuel 19:16:00 0 comentários Links para este post  



Eu até nem sou de intrigas...

Da revista «Focus»...


Enquanto se prepara para cavar batatas e ordenhar vaquinhas, Jose Castelo Branco vai saltando de festa em festa, surpreendendo tudo e todos com o seu estilo e sentido de humor.




Há dias, num desses eventos, rodeado de curiosos e admiradores, José fez uma revelação surpreendente: "Estou contentíssimo com o novo Governo. Já lá tenho quatro ministros!" E nomeou-os, logo ali, um a um.

Publicado por Carlos 18:30:00 4 comentários Links para este post  



Tudo isto é triste, tudo isto é fado...


Ministro da Agricultura elogia política de prevenção e vigilância de fogos

O novo ministro da Agricultura, Pescas e Florestas, Carlos da Costa Neves, elogiou hoje a política de prevenção e vigilância de incêndios realizada pelo seu antecessor e afirmou que foi feito um "esforço notório".

"Não posso deixar de saudar o trabalho desenvolvido pelos serviços deste Ministério, em articulação com entidades actuantes", referiu.

"Os números falam por si e demonstram a prioridade que esta questão assumiu", salientou o ministro, prometendo para mais tarde a divulgação das medidas que estão em curso.

De acordo com os últimos números disponíveis, até domingo arderam cerca de 30 mil hectares de floresta, uma situação que levou o Governo português a pedir ajuda à União Europeia para o combate às chamas. (...)

Na segunda-feira, o ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, adiantou que nos primeiros dois dias desta semana o número de incêndios quadriplicou relativamente ao mesmo período do ano passado e admitiu que, face à quantidade de fogos, os meios nunca são suficientes. (...)

Cortes na prevenção de fogos atingiram os 50 por cento

Anterior Executivo (de Barroso) reduziu verbas para o Instituto da Conservação da Natureza. Com resultados trágicos no Parque da Arrábida, Peneda-Gerês e Serra de Monchique.



Aumentou a capacidade de resposta aos incêndios", declarou Pedro Santana Lopes a 27 de Julho de 2004 no debate do Programa do Governo, na Assembleia da República, depois de considerar que já o executivo anterior, liderado por José Manuel Durão Barroso, tinha contribuído para melhorar essa capacidade de resposta

mais palavras para quê ?

N.A. O Dr. Lopes tinha prometido hoje "começar a governar". E não, isto não é para os apanhados...


Publicado por Manuel 17:48:00 4 comentários Links para este post  



A dispensa polémica...


Portugal relatou que, após um exame minucioso da situação, concluiu que, pelo momento, a assistência oferecida pela Alemanha, Noruega, e Reino Unido não seria necessária

Para que se tenha a ideia do que falamos, a Alemanha iria disponibilizar ainda hoje 8 helicópteros, a Noruega 1 helicópetro e o Reino Unido iria enviar ainda hoje um avião Lockhead Elektra L188 preparado com tanques de água para combate aos incêndios.

É obviamente discutível a decisão do governo português em abdicar de ajuda que seria paga e proveniente directamente da União Europeia, e dificil de compreender mesma quando se olha para os meios utilizados no combate aos fogos de 2003, segundos os dados do SNBPC e relatório da Comissão eventual sobre os fogos florestais ocorridos em 2003 ...

  • Helicopteros ligeiros - 4 (combate)

  • Helicopteros pesados - 2

  • Helicopteros ligeiros - 19 (primeira intervenção)

Isto é, Portugal desperdiçou a imediata disponibilidade de cerca de metade dos helicópteros que teve ao serviço durante todo o verão de 2003, e ter pela primeira vez em acção o avião Lockhead Elektra L188 a juntar aos Canadairs.

Áparte das críticas de todos, uma vez que parece ser verdade que os meios nunca são suficientes, a quem vou eu pedir responsabilidades pelos hectares que arderão hoje, e que provavelmente poderiam não ter ardido, se Portugal não tivesse recusado a ajuda ? Tudo isto é triste, porque o comunicado actualizado às 12:40 e disponível no site do SNBPC dava conta das seguintes situações...

  • Distrito de Beja - Concelho de Almodôvar, local Monte Zebro, envolvendo no seu combate 178 bombeiros, e 57 Veículos.

  • Distrito de Bragança - Concelho de Mirandela, local Serra dos Paços, envolvendo no seu combate 74 bombeiros, 16 veículos 2 aviões.

  • Distrito de Faro - Concelho de Loulé, local Águas Frias, envolvendo no seu combate 100 bombeiros e 29 veículos, 4 aerotanques pesados, 3 helicópteros bombardeiros pesados, 1 helicóptero bombardeiro médio e 1 helicóptero de coordenação da Força Aérea.

  • Distrito de Vila Real - Concelho de Valpaços, local Veiga do Lila, envolvendo no seu combate 56 bombeiros, e 17 veículos, 1 helicóptero bombardeiro ligeiro e 2 aviões.

Por volta das 14:00, tivemos conhecimento que os fogos de Almodovar e Loulé formaram um frente violenta e única.

Não quero acreditar que a recusa se deva a razões climatéricas, mas a verdade é que a eventual ajuda europeia no combate aos incêndios, iria diminuir as horas de voo utilizadas e devidamente contratadas no tal concurso realizado em abril....


Publicado por António Duarte 16:37:00 0 comentários Links para este post  



Salazar também dispensou o Plano Marshall...


Portugal dispensou, por agora, a assistência aérea de combate aos incêndios oferecida pela Alemanha, Noruega e Reino Unido, numa altura em que as queixas de falta de meios continuam por parte de bombeiros, autarcas e associações ambientalistas.

«Portugal relatou que, após um exame minucioso da situação, concluiu que, pelo momento, a assistência oferecida pela Alemanha, Noruega, e Reino Unido não seria necessária», lê-se no relatório de hoje da Comissão Europeia feito com base nas informações portuguesas de terça-feira à noite, a que a agência Lusa teve acesso.

As autoridades nacionais acrescentam que, para hoje, está prevista uma «diminuição das temperaturas e o aumento dos níveis de humidade», em especial no noroeste e zonas costeiras do país.

Entretanto o Dr. Sampaio anda por aí a vaguear, qual fantasma desaparecido a rezar para que não se lembrem dele...


Publicado por Manuel 16:11:00 0 comentários Links para este post  



"Porque"



Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner

Publicado por Manuel 15:15:00 0 comentários Links para este post  



Brevemente nesta Grande Loja...

Objectivo

O Plano de Combate aos incêndios para a época de 2005.

Documento de utilização livre pelo executivo e em versão pdf.

Publicado por António Duarte 14:27:00 0 comentários Links para este post  



os neo-marxistas de direita ou o liberalismo "cientifico"...

O marxismo, ou o socialismo cientifico, pode ser muito bonito no papel, mas se há coisa que a história nos ensinou é que as implementações práticas foram autênticos desastres, sem excepção. Com efeito a teoria - social, económica ou política - é de todo muito bonita mas não pode ser dissociada da realidade prática, concreta e factual.

Os diferentes escribas do Blasfémias assumem-se como o último estertor blogosférico do liberalismo puro e duro. Já em tempos afirmei aqui numa saúdavel polémica com o eclipsado Carlos Abreu Amorim que eu não era liberal, mas numa pose mais papista que o papa, os ilustres liberais daquelas bandas tem andado, por estes dias, a prestar um enorme desserviço à causa que dizem professar.

Vejamos o caso dos incêndios:

Questiona-se João Miranda...


Pergunta do dia
Se 88% das florestas portuguesas pertencem a privados, porque é que o estado é que é responsabilizado pelo combate aos incêndios?

De novo João Miranda...



Estatismo entranhado

O estatismo é uma coisa tão entranhada na sociedade portuguesa que a minha pergunta anterior chega a ser ofensiva. Afinal porque é que o estado tem que ser responsável pelo combate aos incêndios?

A estocada final de AAA...


Contra a cegueira do estatismo entranhado
Rural/Metro Corporation

As the nation's leading private sector fire protection provider, Rural/Metro is in the forefront of demonstrating how the public and private sectors can come together to provide top notch services for less cost through correctly administered emergency services.

Rural/Metro currently provides fire protection services to more than 25 communities, and responds to more than 60,000 calls annually. Studies have shown that Rural/Metro's fire protection provides residents with a higher degree of safety, while featuring comparatively lower costs. Rural/Metro's emphasis on fire prevention has resulted in an incidence of structure fires that is more than 300% lower than the national average.

In addition to community fire protection, Rural/Metro provides wildland, industrial and aircraft rescue and firefighting (ARFF) services.

Seguindo o mesmíssimo racicínio, e abusando da lógica agit-prop à João Miranda, reduzam-se já os papeis das polícias, ministério público e tribunais... Afinal numa boa parte dos crimes os lesados não são o Estado pelo que as vitimas que se amanhem... Talvez, quiçá, com uma miliciazitas populares ou privadas...

Depois é muito fácil dar exemplos do espaço exterior, de realidadade que não são comparáveis, muito fácil mesmo. Fácil, absolutamente irresponsável, para não dizer demagógico. Também eu quero um Estado mais leve, também eu quero um Estado mais flexível, mais regulador e árbitro que actor, também eu acho que num cenário ideal muita coisa que é feita pelo Estado deva ser feita por privados mas sejamos sérios - para isso é preciso um Estado transparente, um Estado que funcione, um Estado que fiscalize, um Estado que se dê ao respeito, tudo, mas tudo detalhes que o nosso Estado não é. Há alguma entidade reguladora que funcione decentemente em Portugal ? Por acaso o Estado cumpre os seus papeis de árbitro e fiscal ? Por acaso existe qualquer tipo de accountabbility por parte dos privados e do próprio Estado ? Não, a resposta é não, claro que não. E como a resposta é não parem por favor de demagogicamente pedirem para as coisas ficarem ainda piores do que já estão! O Estado que faça outsourcing à vontade mas primeiro que se defina e muito bem o que é core-business, do Estado, e o que não é, quais as regras, quais as obrigações e qual o preço, sim, o preço porque um verdadeiro liberal sabe muito bem que não há almoços grátis...


Publicado por Manuel 13:45:00 5 comentários Links para este post  


SABEDORIA POPULAR

Para os que, distraídos, a esquecem : “o peixe apodrece pela cabeça”.

Publicado por Manuel 12:07:00 0 comentários Links para este post  



Investimento - primeiro semestre ok, segundo?

Novos Hóteis, renovação dos velhos, investimento puro e duro nas empresas de Transportes, Armazenagem e Comunicações, mais uns pozinhos na Banca e Seguros, é este o cenário previsto neste momento para o ano de 2004*. Esperemos pelo segundo semestre.

2003 terá sido tão mau como 1993 em termos de variação de investimento.


Reforço nas intenções de investimento para 2004

Os resultados do Inquérito ao Investimento de Abril de 2004 revelam uma melhoria das intenções de investimento para 2004 face ao previsto no segundo semestre do ano passado. As estimativas apontam para que em 2004 ocorra um reforço do valor da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) empresarial de 5,6%, uma taxa que representa uma revisão positiva face aos resultados do Inquérito de Outubro/Janeiro de 2003 (1,4%). Quanto ao investimento realizado em 2003, verificou-se também uma revisão da respectiva taxa de variação, passando-se de -21,6%, taxa apurada ainda em 2003, para -11,1%, o resultado do presente inquérito (Abril/Julho de 2004).


* O sector da Energia, Água e Gás também se apresentou dinâmico mas, pelo que diz o INE...
O valor apurado com o Inquérito de Outubro de 2003 está enviesado negativamente devido a um erro de registo agora detectado. Assim sendo, a dimensão da revisão real neste sector entre os dois inquéritos (tanto para 2003, como para 2004) não será tão expressiva quanto o
indiciam os números comparados.


Publicado por Rui MCB 11:09:00 8 comentários Links para este post  



O ciclo das citações virtuosas

Depois de passar um ano a "cascar" no director do Público entrei numa fase de sintonia com o senhor. Tudo por causa do seu homónimo Barroso e do mais recente Santana peixe-que-apodrece-pela-cabeça Lopes...

Fica o primeiro parágrafo do editorial de hoje do Público:


Há uns anos perguntei a um dos vários moderadores de um dos muitos debates televisivos em que Santana Lopes se especializara como é que ele fazia. É que, vistos do sofá, esses debates revelavam que a telegenia e habilidade do agora primeiro-ministro escondiam mal a sua ausência de ideias ou de conhecimento dos temas que tinha de discutir. Ele explicou-me que o truque era dirigir sempre a primeira pergunta ao adversário no debate, que Santana depois arranjava sempre forma de reagir. Umas vezes com umas generalidades, outras com ideias soltas, mas assim a coisa disfarçava-se. O risco era colocar directamente, em primeiro lugar, uma questão concreta à popular figura televisiva: o mais provável era não ter nada para dizer e o debate arrancar engasgado.

Publicado por Rui MCB 9:58:00 1 comentários Links para este post  



a bananização da República...

Falou-se muito da italianização do regime com a ascensão, predestinada nas estrelas mas concretizada na secretaria de Belém, de Pedro Santana Lopes a Primeiro-Ministro. Os últimos dados porém apontam é para a mais completa sul-americanização desta república de bananas...



Primeiro foi o Expresso com a pungente notícia de que o Lopes precisava apenas do dobro dos seguranças de Barroso, hoje o 24 vem informar que também Bagão está também protegido porque os serviços secretos (sim, esses mesmo) acham que o homem corre perigo.

Que é que esta gentinha quer, afinal ? Que tenhamos pena deles ? E alguém por acaso tem pena de nós ?

Publicado por Manuel 5:23:00 2 comentários Links para este post  



"Chamo-Te"



Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Publicado por Manuel 4:08:00 0 comentários Links para este post  



N.A. via Jumento


Publicado por Manuel 2:43:00 2 comentários Links para este post  



memória


Convém lembrar aos mais esquecidos que no ano passado o desastre dos incêndios só começou na primeira semana de Agosto. Até lá o volume de área ardida tinha sido um dos mais baixos de sempre

Luis Bonifácio

Publicado por Manuel 0:19:00 0 comentários Links para este post  



A giant panda cub rests at a panda park in the outskirt of Chengdu, capital of China's southwestern Sichuan province, July 27, 2004. China's giant pandas are rebounding from the brink of extinction, thanks to an improved and expanded habitat, but they are not out of the woods yet, forestry officials said in June. The first comprehensive Chinese study of the mammal since 1988 showed that more than 1,590 giant pandas now roam China's forests, and another 161 pandas have been raised in captivity. REUTERS/Bobby Yip

Publicado por Manuel 23:04:00 0 comentários Links para este post  



Os números do negócio

Chega… Basta… (IV)

Segundo os relatórios da Comissão Eventual para os Incêndios Florestais, presidida por Leonor Beleza, divulgou os seguintes números...


No ano de 2000, o nosso país contratou 4 Canadairs a empresas portuguesas, tendo nesse ano ardido 159.604 hectares de floresta e mato. No ano de 2003, com a contratação de 2 Canadairs arderam 416.000 mil hectares de floresta e mato. Não logicamente possível estabelecer uma relação de causa-efeito entre a àrea ardida e o número de Canadairs –aerotanques pesados - , mas não deixa de ser um facto.

No ano de 2003, o orçamento para o combate aos incêndios, foi de 12 Milhões de Euros, excluíndo a contratação de 2 Canadairs à empresa Aerocondor, que custaram perto de 2,8 Milhões de Euros.

Esta Venerável Loja tem travado um debate de ideias interessante com os nossos leitores nos comentários, relativamente às questões que envolvem a utilização de Canadairs, quer sobre a forma de aluguer em concursos públicos internacionais, quer relativamente ao preço dos Canadairs.

Por muito que o debate de ideias seja de facto salutar é por vezes empregue um conjunto de termos, e mais grave deduções que não correspondem à profunda realidade de quem daqui quer dar uma versão o mais próxima possível da verdade, e que várias vezes corresponde aquilo que muitos desconheciam. Como a história que se segue...

Já se percebeu, e penso que todos aqui estarão ao corrente, que falamos da utilização de uma empresa privada cujos lucros são conseguidos em função do número de horas de voo e por conseguinte em função da área ardida. Ainda que seja redutor, quanto maior for a àrea ardida maior é o lucro da empresa. Não se trata aqui se imputar culpas nos incêndios aos accionistas das empresas privadas, mas sim de ter alguma dificuldade em lidar com esta situação.

O grande problema aqui está em definir se deve o Estado assumir, ou não, o combate aos fogos florestais adequando e equipando alguns aviões que dispõem na força aérea para o combate. Bem sabemos que a Força Aérea não dispõem de Canadairs , mas aqui existiriam três situações que poderiam ser empregues pelo Estado

  • Aluguer pela força àerea dos aviões Canadair. Em termos de efeitos práticos o único ganho relativo, que teríamos seria a questão de colocar em mãos públicas a gestão da catastrofe.

  • A aquisição de Canadairs novos com custos a rondar os 25 Milhões de Euros cada aparelho.

  • Aquisição de Canadairs usados com preços substancialmente mais baixos.

Isto porque, o Canadair é o avião que tem demonstrado maior eficácia no combate aos fogos florestais, com algumas vantagens no abastecimento de água, que pode por exemplo ser efectuado em albufeiras, leitos de rio e inclusivé no mar.

Mas como referiamos acima, a história que se segue é provavelmente a clara demonstração de que existem fortes interesses no sector, e que provavelmente é desconhecida do grande público. Como era por mim até ter realizado algumas pesquisas no google, eu que desconhecia o google, estava longe de imaginar...

Os países europeus efectuam em Novembro de cada ano, os seus concursos internacionais de aluguer de aviões Canadairs para as èpocas de incêndio. Falamos pois da Grécia, da França e da Itália que não possuem aviões Canadair em número suficiente para uma correcta cobertura do espaço florestal. Em Portugal o concurso público decorre em Abril, numa altura em que todas as empresas internacionais já alocaram os seus aviões nos concursos ocorridos em Novembro. Não deixa por isso de ser estranho que num concurso público internacional promovido anualmente pelo Estado Português cujos valores ascendem a 20 Milhões de Euros não concorram empresas internacionais. Apenas as portuguesas.

O problema é que o concurso é ganho por empresas portuguesas que não tem os meios próprios. Então funcionam como intermediários, é mais um intermediário na cadeia. Depois têm que ir alugar os meios a empresas na Alemanha e noutros países europeus, mas estas empresas já os têm alugados e, por isso, acabam por ir para a Ucrânia e para a Rússia.

Ou seja, o Estado Português paga mais caro e menor qualidade pelos aviões que aluga para a época de fogos florestais. A somar a isto temos ainda o problema dos pilotos, muitos deles de nacionalidade russa ou angolana a operar em Portugal, que independentemente da qualidade técnica que possam possuir, não tem a disciplina que possuem os italianos ou os espanhóis.



É assim legítimo pensarmos que um concurso desta envergadura tem que ser feito muito cedo e com pré-qualificação de concorrente, com um claro objectivo de reduzir o número de intermediários do negócio, porque cada um vai cobrando a sua comissão e a factura final vai ser cada vez maior. Tem que haver um verdadeiro estudo dos meios aéreos e a solução passa objectivamente pela aquisição destes meios pelo Estado. Além disso, têm que ser pilotados por pilotos da Força Aérea ou do Exército, que pensem em termos de país e não em termos de empresa.

Mas mais grave do que isto, ou apenas o reflexo dos interesses existentes no sector e na actividade, é explicar porque razão desistiu Portugal de um concurso público internacional de aquisição de aviões Canadair , co-financiado pelo Banco Europeu de Investimentos.

O BEI disponibilizou para a Espanha uma linha de crédito por exemplo e ao abrigo deste programa adquiriu cerca de 25 aviões Canadair, tendo cerca de 55 % do custo total sido suportado pelo BEI, pelo simples facto de a Espanha ainda ser considerada elegível para o Fundo de Coesão. Tal como Portugal. O custo final co-financiado ficou em cerca 6,5 Milhões por cada avião novo.

Ou seja, Portugal que até esteve no concurso desistiu de adquirir a preços bem mais acessíveis do que os praticados pelo mercado. Quais foram as razões ?

Preferimos pagar em concursos 20 Milhões de Euros anualmente, ou achamos que adquirir material próprio se tornaria mais dispendioso ainda por cima com co-financiamento da União Europeia ?

Tudo isto se torna ainda mais complicado, quando sabemos que o SNBPC geriu em 2003 um orçamento de 80 Milhões de Euros. Não pela dimensão, mas pelo eventual uso indevido dos fundos.

À atenção e consideração do Senhor Procurador-Geral da República...


Publicado por António Duarte 21:42:00 11 comentários Links para este post  



A polar bear reaches a block of ice containing fruits at an event to cool animals off during hot summer weather, at a zoo in Yongin, south of Seoul, July 27, 2004. REUTERS/You Sung-Ho

Publicado por Manuel 18:22:00 4 comentários Links para este post  



carta aberta a David Justino

Leio o contributo recebido por e-mail, presente no penúltimo post, e apetece-me lançar um repto ao ex-Ministro da Educação, David Justino.

Em diversas ocasiões tive oportunidade de o criticar, de mostrar a minha estupefacção perante os diversos capítulos da novela que invariavelmente se conta a cada novo Ministro e em cada Ministério.

Houve até uma das mais interessante discussões na blogoesfera sobre a questão dos manuais escolares de que o Aviz foi repositório e à qual regressou hoje, ainda que lateralmente.

Apesar das críticas a David Justino, tenho-o em suficiente conta para lhe pedir um último esforço de serviço público: Escreva! Diga coisas, conte-nos a sua visão do que fez e não fez, diga-nos os seus quês e porquês.

O "aparelho" do Ministério parece um autêntico monstro de devorar ministros e pouco estes conseguem deixar de legado útil e/ou visível no final dos respectivos consulados.

O governante precisa urgentemente de aliados, particularmente daqueles que votam e que, perante o silêncio ou as dificuldades de defesa pública de um Ministro, perante grupos tão organizados e profissionalizados em usar a comunicação social, cai facilmente no engodo da crítica ignorante, na manipulação populista dos detractores.

Talvez uma intervenção polémica após a conclusão de um mandato seja recebida de outra forma e colha melhor entre os que o venham a ler do que a própria defesa imediatista do frenesim próprio do exercício do poder.

Temos sempre que admitir que um dia alguém tentará, de novo, combater o imobilismo. Quem lhe segue os passos no actual governo, ou em futuros, passará pelo mesmo e enfrentará, porventura, um "adversário" ainda mais difícil de condicionar e de gerir.

Mais do que identificar-se com um partido, ou com um governo, é preciso defender o Estado de si próprio usando e abusando da sinceridade num último esforço de contribuir significativamente para a coisa pública.

Em Portugal, não há esta tradição dos antigos dirigentes executivos da nação deixarem o seu legado escrito em bom português. Quando muito temos compilações de discursos e, se bem me lembro, houve um ou outro Ministro dos Governos de António Guterres que nos ofereceram alguns contributos que se aproximaram daquilo que aqui tento promover.

Se o relato for genuíno, seja ele mais ou menos apologético, será sempre bem vindo. Para valer a pena, basta que tenha um leitor, mas pode até haver a sorte de ser um leitor particularmente adequado.

Qualquer Ministro que se preze deveria, no mínimo, ler o que os seus antecessores lhe quiseram dizer.

No final, só teremos que lhe agradecer.


Publicado por Rui MCB 16:54:00 13 comentários Links para este post  



A capitulação...

Pedro Santana Lopes, réstia de esperança ainda houvesse, capitulou hoje na Assembleia da República, no debate do Programa de Governo, em toda a linha, e em todas as frentes.

No seu primeiro discurso na Assembleia da República, enquanto chefe do Governo, Pedro Santana Lopes lançou o desafio aos partidos da Oposição para o estabelecimento de «consensos políticos» nas questões de regime, como a política externa, defesa, finanças públicas e justiça.

Ora todos sabemos que as reformas não se fazem com consensos, qualquer reforma é sempre contra algo, contra alguma coisa, a começar pelo conservadorismo inerte que mina o nosso aparelho de Estado. Ao contrário de Guterres, e tal como Barroso, Pedro Santana Lopes não depende de ninguém para fazer reformas, tem uma maioria sólida que o sustenta e cuja utilidade primeira devia ser precisamente a de abalizar as reformas de que o país tanto precisa.

Ao apelar
- agora - a patéticos pactos de regime Santana mais não veio dizer que com ele não haverá reformas, ponto final. Claro que será sempre possível chegar a alguns consensos, aqui e ali, é para isso que serve afinal o Bloco Central, mas quanto a reformas daqui por dois anos talvez se volte a falar delas...

quanto aos incêndios Pedro Santana Lopes, não teve pejo em mostrar o que de mais rasca há na classe política. Num ano em que já ardeu mais que no ano anterior, o melhor que Santana Lopes teve para dizer ao País foram coisas como ...


Aumentou a capacidade de resposta aos incêndios

Entre 01 de Janeiro e 09 de Julho houve menor quantidade de área ardida

As condições climatéricas foram absolutamente adversas

... em suma um absoluto insulto à inteligência de qualquer um.

O estado de desgraça santanista começou.


Publicado por Manuel 16:09:00 2 comentários Links para este post  



correio dos leitores

Educação - notas breves, mas incisivas

De, mais, um leitor, devidamente identificado, aqui seguem estas oportunas reflexões sobre o estado do nosso sistema educativo...


Dois anos desperdiçados

Como a Pátria é a nossa política "no ensinamento de Passos Manuel" as considerações que tecemos são exclusivamente orientadas pelo interesse que julgamos ser o Nacional, e porque muito acima da política mesquinha está a Pátria em que nascemos não nos podemos coibir de publicar o que pensamos, reflectir sobre a realidade em que vivemos e denunciar construtivamente o que nos parece estar errado.

Depois da platónica paixão guterriana pela educação e do inconsumado espírito reformista barrosiano e do seu ministro Justino, só podemos dizer que desperdiçámos dois anos em política educativa, dois anos a somar aos últimos trinta ou quarenta de disparates, alucinações e negligências.

Poupando-nos a grandes elucubrações, basta perguntarmo-nos intimamente: os alunos que terminaram este ano lectivo estão melhor preparados do que os do ano lectivo anterior? Como todos sabem a resposta, escusamos de a dar...

Avançou a revisão curricular no ensino básico, reduzindo-se os tempos lectivos e os conteúdos programáticos, com os seus efeitos previsíveis.. O novo estatuto disciplinar dos alunos poderia permitir resolver alguns dos problemas comportamentais, mas a inércia das escolas e dos professores tem feito da lei simples letra morta. Os mais rigorosos critérios de transição de ano poderiam ter permitido implementar um ensino de mais rigor e de exigência, mas o que se viu nas reuniões de avaliação do terceiro período foi a mesma vergonha de sempre, com alunos a passarem ao abrigo de regimes de excepção quando se verificavam os pressupostos da retenção ou com classificações a serem votadas para que passassem quase todos os alunos. Do novo sistema de concurso do pessoal docente não vale a pena dizer muito... Perdidos mais dois anos e conhecidos o novos dirigentes políticos do Ministério, o caminho que se vislumbra só deixa como dúvida saber se o destino é o velho pântano ou o novo charco...

Imobilidade docente e empenhamento pessoal

Sendo escusado falar do atribulado processo do concurso de professores do corrente ano, pelo muito que já se disse e ainda se dirá dele, limitamo-nos a aflorar uma das ideias que enformam as novas regras que o Ministério da Educação tentou implementar. Ao pretender que os professores leccionem nas escolas a que estão definitivamente vinculados, entendem os pensadores do ministério tutelar que um professor terá um melhor desempenho profissional pelo simples facto de leccionar no estabelecimento de ensino em que é efectivo, partindo do pressuposto de que a imobilidade de um professor numa determinada escola só por si assegurará um maior empenhamento e uma melhor qualidade de ensino. A ideia parece à partida indiscutível, mas soçobra perante a realidade dos factos, desagrega-se com uma elementar reflexão da realidade e desmorona-se pela experiência secular do mundo laboral tanto administrativo como empresarial. Se é certo que a instabilidade laboral e a mudança frequente de local de trabalho não constituem estímulos à dedicação dos trabalhadores, já não é certo que a imobilização de um trabalhador num determinado emprego lhe aumente a produtividade, especialmente quando se contraria a sua vontade e se amputam as suas aspirações.

A dedicação de qualquer trabalhador à função que desempenha depende de um agregado complexo de factores, uns de ordem interior e pessoal, outros de ordem exterior e institucional. Fixar imperativamente um docente à escola em que é efectivo, impedindo ou dificultando o seu destacamento, dificilmente constituirá estímulo ao seu esforço pessoal, principalmente se for forçado a trabalhar 50, 100 ou 200 quilómetros distante da família quando anteriormente tinha a possibilidade de exercer a sua função junto de casa.

Além do mais, quem pode ousar afirmar, com validade universal, que um professor a leccionar na escola em que é efectivo terá invariavelmente um melhor desempenho do que um professor destacado?

Independentemente de questões salariais e da natureza dos vínculos jurídicos que os ligam à entidade patronal, os professores dedicam-se denodadamente às tarefas de que se ocupam quando por razões éticas e morais têm sentido do dever e brio nas funções que exercem. E porque a natureza humana é falível, a sociedade criou instituições para suprirem as carências e limitações individuais. Se ao trabalhador faltam os interiores e pessoais estímulos motivacionais, aí deve intervir o quadro institucional, designadamente através da diferenciação salarial da produtividade, da promoção na carreira que não dependa quase exclusivamente do decurso do tempo e de um sistema de avaliação rigoroso e verdadeiro... tudo o que tem faltado no nosso sistema educativo...

Promover a droga

Segundo um inquérito realizado pelo "Instituto da Droga e da Tóxicodependência", há pouco tempo divulgado, o consumo de estupefacientes continua a crescer nas escolas portuguesas: entre 1999 e 2003, a percentagem de estudantes de 16 anos que já tinha experimentado drogas subiu de 12 para 18%. Nos estudantes com idades entre os 16 e 18 anos o consumo de drogas disparou: em 1995, o número de alunos que afirmavam ter consumido drogas ilícitas nos últimos 30 dias era de 6,5%, subindo para 12% em 2001.

Sendo sabido que a esmagadora maioria dos jovens que se inicia no consumo de drogas ilícitas começou por adquirir hábitos tabágicos e sendo também conhecido que a escola é um dos locais privilegiados para a iniciação do consumo de tabaco, já era tempo de o Ministério da Educação, as escolas e os professores reflectirem profundamente sobre a realidade vigente de generalizado incumprimento da legislação de combate ao tabagismo nos estabelecimentos de ensino, de modo a que a instituição escolar, pela sua negligência e laxismo, não continue a ser promotora inconsciente e indirecta do consumo de drogas e, em vez de realizar uma educação para a saúde e para a cidadania, involuntariamente esteja a pôr em prática uma educação orientada para a morte e para a destruição social. O que explicará esta inacção das instituições do Estado português em fazer cumprir a legislação supostamente em vigor?

Sindicalismo responsável

Durante a realização do Euro 2004, um sindicato de professores empreendeu uma campanha junto dos visitantes estrangeiros, denunciando em múltiplas línguas a existência em Portugal de elevadas taxas de analfabetismo e de desemprego docente. Com tal iniciativa algum dos nossos analfabetos aprendeu a ler e a escrever, algum professor infelizmente desempregado obteve um ambicionado cargo docente e o Ministério da Educação reformou a sua política? Ao invés, quantos milhares de estrangeiros terão ficado mal impressionados com o País que visitaram?
Este lamentável episódio deveria constituir motivo de séria reflexão sobre a postura da generalidade dos sindicatos. Em lugar de fazerem mera agitação política partidária e de estreitarem as suas iniciativas às legítimas mas acanhadas reivindicações laborais, talvez adquirissem mais credibilidade se, pensado no País e nos Alunos, se empenhassem prioritariamente nas questões da qualidade do ensino e do futuro de Portugal, o mesmo é dizer, no sucesso real dos nossos discentes.

Sucesso desmascarado

Um estudo do "Observatório da Ciência e do Ensino Superior", publicado recentemente, relativo ao ano lectivo 2002-03, veio revelar o que qualquer espírito atento à realidade escolar portuguesa já esperaria: cerca de 40% dos alunos que entram no Ensino Superior não concluem os respectivos cursos, sendo que o panorama é mais negro nos institutos politécnicos em que o insucesso se cifra nos 46%, contra os 36,5% registados nas universidades. Em alguns cursos o insucesso ronda os 90%...

Num sistema educativo em que desde os primeiros anos se promove um sucesso artificial, meramente estatístico, em que o rigor e a exigência longe se serem encarados como objectivos basilares são perspectivados como ideias anquilosadas e pedagogicamente ultrapassadas, onde a transição de ano se impõe como regime-regra e a retenção como excepção independentemente das verdadeiras competências adquiridas pelos discentes, em que se conclui o ensino básico de nove anos sem os requisitos elementares que no passado se obtinham ao fim de quatro anos, em que se entra no Ensino Superior com classificações inferiores a dez valores, os resultados não poderiam ser outros...

Num País em que tudo se esconde e quase todos "fazem de conta", há que dizer frontalmente, que mesmo estes resultados tenebrosos ainda obnubilam uma triste realidade: também no Ensino Superior, pela inexorável pressão da ignorância e impreparação dos alunos e pela necessidade de mostrar outros resultados, professores e instituições já começaram a adoptar o modelo do Ensino Básico e Secundário: reduzir objectivos, facilitar a avaliação, mascarar um pouco a situação. A preparação que as últimas levas de licenciados evidenciam, patenteia à saciedade esta trágica realidade. Os que furaram a barreira do desemprego já iniciaram o processo de reprodução social e escolar da sua incultura e incompetência, num ciclo vicioso que os governos não querem quebrar e que muitos professores complacentemente toleram... contribuindo para a perpetuação deste percurso colectivamente suicida...

Publicado por Manuel 14:31:00 1 comentários Links para este post  



"A Abelha"



A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,

Não mudou desde Cecrops. Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.

Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! —
Mortalmente compramos
Ter mais vida que a vida.

Ricardo Reis

Publicado por Manuel 12:09:00 0 comentários Links para este post  



estes não viram o Jurassic Park...



British scientists are to create a 'Frozen Ark' of preserved DNA from endangered animals and birds with the eventual hope of resurrecting species extinct in the future though cloning, project organisers announced(AFP/EPA/File/Matthew Fearn)

Publicado por Manuel 10:44:00 0 comentários Links para este post  



Darfur, Sudão

Eu não sei se há petróleo no Sudão, não sei se o Sudão é geograficamente importante, não sei dos equilibrios estratégicos da zona e sinceramente não quero saber... Sei que estão às portas da morte cerca de 600 000 almas e isso basta-me. E sei que é nestas ocasiões que a ONU e o conselho de segurança deviam servir para alguma coisa, que a expressão solidariedade devia dizer algo...



A displaced Sudanese woman carries her child on a donkey at Farchana refugee camp in eastern Chad, July 26, 2004. The United States is expected to call a U.N. vote this week on Sudan's Darfur region although China, Pakistan and others still object to threatening sanctions against Khartoum, diplomats said. Photo by Radu Sigheti/Reuters

Na fria e calculista aritmérica da realpolitik Darfur poderá não pesar muito, mas em tempos Timor também não pesava. Falar de Darfur é a nossa humilde forma de pressionar para que algo mude para que nem tudo fique na mesma. Aliás está aqui uma óptima oportunidade para José Barroso, e a União Europeia, marcarem a diferença.

Publicado por Manuel 0:31:00 2 comentários Links para este post  



Memória - 26 de Julho de 2003

Alberto João Jardim dá mais um sonoro arroto lá da Madeira, pelo país os foguetes das festas de Verão confundem-se com o exultar de vários autarcas que recebem novo folgo na contratação de crédito às portas do último ano de mandato.

Olho pela janela e espreito Sintra, com medo de vislumbrar um qualquer fumo branco ou negro. Falta-me pedalada para este país carnavalesco. E as férias que tardam.

Preciso de algo que me descanse um pouco do matraquear dos últimos dias. Espreito então uma memória dos bons velhos tempos. Como seria este país há um ano? De que se falava? Do que é que eu escrevia?


Ora se não há gasolina para os tanques invadirem os centros de poder e se estamos num regime democrático autêntico, o que é que temos mais parecido com um golpe de estado militar? Ou uma greve de zelo dos militares em peso, ou ter, por exemplo, o chefe do estado maior do exército a demitir-se afirmando "Perdi a confiança no senhor Ministro da Defesa"! E este não é propriamente o primeiro caso, lembram-se?

Pelo que ouvi hoje na TSF o ministro, ou alguém por ele, anda a contaminar as forças armadas com a política da intriga e do mexerico à boa maneira do "dividir para reinar". Entretanto o "a bem da nação" em termos de defesa fica para, talvez, quem sabe, o próximo governo?

Tenha vergonha caro Ministro. Arranje um pouca da elevação que demonstraram os seus antepassados e demita-se deixando o governo a quem sabe governar. A bem da nação...

Eis um comentário interessante do sempre estimulante General Loureiro dos Santos...
Interferência do comando político no comando militar é «inaceitável»(..) Considerou ainda que o ministro da Defesa não pode ficar mais fragilizado do que já está com a demissão de Silva Viegas porque «a consideração que deveria ter pelos seus subordinados é diminuta se não inexistente.

De facto, o poder militar está, e tem de estar, subordinado ao poder político mas o respeito pela lei vigente impõe que os militares exerçam as competências que têm. Estranha concepção de poder perpassa por alguns ministros deste governo. Preocupante...

Quem disse que o carnaval são três dias?


Publicado por Rui MCB 21:50:00 0 comentários Links para este post  



era uma vez um sapo...



Publicado por Manuel 21:25:00 Links para este post  



"de formação"

enquanto não chegamos a acordo quanto ao cachet, mais um post do Direitos...


A formação tornou-se numa causa fácil dos destemperos da justiça. Todos sabem do assunto e arriscam as soluções mais díspares. A incomodidade alastra e não se adivinha que haja um ponto final para o assunto. direitos, num esforço de se actualizar na matéria, tem vindo a ler sugestões e dislates.

Numa primeira conclusão, afigura-se que a formação deve ser organizada num âmbito próprio, sem interferência directa ou determinante dos Conselhos Superiores da Magistratura ou do Ministério Público. Numa segunda, parece razoável que ela não se deve limitar a ser, ou a pretender ser, uma extensão da formação universitária.

Colocar a formação nas mãos dos Conselhos seria perpetuar os vícios antigos e o despudorado conservadorismo jurisprudencial, seja judicial, seja do Ministério Público. Fazer da formação uma extensão das faculdades, seria esquecer que a justiça também se faz aquém e além do direito.

Admitindo que se encontraria a fórmula consensual capaz de desenhar o magistrado tecnicamente capaz, eticamente responsável, psicologicamente equilibrado, socialmente integrado, culturalmente versátil, seria possível a esse magistrado, no actual contexto judiciário, sobreviver dentro da matriz em que foi formado? A dúvida tem justificação. A força da integração corporativa destrói o que é novo, o que se estrutura dentro de outros parâmetros. Os actuais sistemas de avaliação e classificação privilegiam a imitação funcional.

Apesar da formação, o que continua a ser determinante é a reprodução identificadora dentro do cosmos fechado das magistraturas, criando convicções de auto-suficiência e de recíproca protecção. Da formação à deformação a distância é pequena.

Publicado por Manuel 20:01:00 0 comentários Links para este post  



Basta... Chega... (III)

Em 2003, arderam em Portugal 410 mil hectares de floresta entre os meses de Junho e Setembro, tendo morrido 20 pessoas. Segundo os relatórios oficiais divulgados pelo SNBPC - Serviço Nacional Bombeiros Protecção Civil, foram utilizados 24 helicópteros , 10 aerotanques ligeiros e 2 aviões Canadair contratados à empresa Aerocondor, presidida por Victor Brito.

A escolha das empresas resultou de concursos públicos internacionais, mas, apesar disso, as sociedades contratadas são quase todas portugesas. Os contratos estabelecem um pacote determinado de horas e quando este é ultrapassado, o Estado é obrigado a pagar horas-extra à empresas.

No ano de 2003, foram contratualizadas 350 horas de voo com a empresa Aerocondor relativos aos 2 aviões Canadair, sendo que cada hora é, segundo o mesmo relatório do SNBPC, paga pelo Estado Português pelo valor de 3.000 euros.

Ora, as contas são simples, o valor de horas utilizado pelos aviões Canadair foram de 520 segundo o mesmo relatório, multiplicando por 3.000 euros à hora, temos que no total a factura deveria ser de € 1.560.000,00.

O Estado Português pagou segundo o relatório da SNBPC, cerca de € 2.800.000,00, a empresa Aerocondor, quando o deveria ter feito apenas por cerca de € 1,5 Milhões de Euros.



A factura do Estado Português com empresas relativamente ao combate aos incêndios ascendeu a 12 Milhões de Euros em 2003.

Um Canadair novo custa entre os 2,5 e os 3 Milhões de Euros. A proposta do consórcio alemão para a compra por Portugal de dois submarinos está orçada em 600 Milhões de Euros. A mais cara vale 1 700 Milhões de Euros...

Prioridades.


Publicado por António Duarte 19:20:00 17 comentários Links para este post  



Architect Peter Eisenmann talks to the media between concrete pillars at the site of the Holocaust memorial in Berlin. Germany's new memorial to 6 million European Jews murdered in the Holocaust will need 24-hour protection from neo-Nazi vandalism. Private security firms and Berlin police will carry out round the clock patrols and visitors will have to go though metal detectors and bag checks when the memorial is officially opened to the public in May 2005. (Tobias Schwarz/Reuters)

Publicado por Manuel 19:06:00 0 comentários Links para este post  



A frase


Eis que subitamente me apercebo

Que as únicas árvores a salvo dos incêndios foram as que se abateram para imprimir o Livro Branco. O tal, que tudo ia solucinar ...

in Irreflexões

Publicado por Manuel 18:39:00 0 comentários Links para este post  



Basta...Chega... (II)

Ainda na mesma onda de cinzas, a edição Público informa ...


Estamos a tentar que o fogo não entre no perímetro da fábrica, porque corremos o risco de perder as tintas transportadoras (espécie de passadeiras rolantes que transportam a matéria prima para a cimenteira), que poderão levar muito tempo a reconstruir.

Ao que parece são os próprios empregados que lutam contra as chamas. Se isto pode ser considerado um acto nobre dos trabalhadores que defendem o posto de trabalho e seu ganha-pão, o mais grave é que no reacender do fogo da Arrábida o seu combate faz-se sem nenhum avião.

Esta Venerável grande loja teve acesso em exclusivo aos registos do Serviço Nacional da Protecção Civil...

  • 12:00 - O fogo da Arrábida reacende-se.
  • 12:30 - È prometido um avião Canadair para o combate às chamas lá para as 14:00
  • 15:00 - Os trabalhadores da Fábrica Secil são transformados em bombeiros defendendo as tintas transportadoras.
  • 16:00 - O avião duas horas depois do prometido ainda não surgiu.
  • 16:30 - O comando de Setúbal informa que o avião se encontra a abastecer em Beja.

Ora, isto é no mínimo rídiculo. Um Avião Canadair, pode abastecer no mar, e quem conhece a Arrábida sabe perfeitamente bem que a proximidade do mar, daria uma eficácia brutal ao uso dos aviões. Mas infelizmente existem as horas contratadas, e assim para se combater um incêndio na Arrábida - área protegida que deveria ter um plano específico- um Canadair vai abastecer a Beja.

A isto chamo descoordenação. Total descoordenação.

Foi para isto que fizeram um livro Branco ? O Venerável Irmão Manuel desta Grande Loja, disse há uns posts atrás, que..

Há guerras e causas que eu não sei sinceramente se podem ser ganhas, mas também há guerras e causas que não podem deixar de ser lutadas; a opção é sua.

Esta é seguramente uma delas. A guerra contra a incompetência. E para essa guerra eu vou para à frente da batalha, porque pior que um país pobre é um pobre país com governantes a fazer de conta e a jogar com o dinheiro dos contribuintes como se tivesse a jogar ao Monopólio.

Caros Governantes, infelizmente e pelo andar da carruagem, poderemos pensar em livros negros e não brancos. Porque na realidade eles deveriam ser vermelhos. Livros vermelhos como quem cora de vergonha.

Publicado por António Duarte 18:07:00 4 comentários Links para este post  



"Se alguém bater um dia à tua porta"


Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.

Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta

Fernando Pessoa


Publicado por Manuel 17:41:00 0 comentários Links para este post  



"Pois é, pois é"

Graças a uma pertinente e oportuna nota de Franscisco José Viegas fui parar a um blog anti-semita, extremista e neo-salazarento (!). Quanto à substância do mesmo não vale a pena falar muito - é trash puro e duro. Mas um post em particular que não deixou de me chamar a atenção ...


A posse

O meu amigo Paulo Rangel foi ontem empossado como Secretário de Estado da Justiça. Rapazinho de 35 anos, sentou-se nos anfiteatros de Direito ao lado deste que se assina BOS (viva o curso de 86/91 da Católica!) É um dos poucos com quem mantenho contacto — ele, o Paulo Torres, a Luísa Salgueiro, a Milita, o Carlos Jorge de Oliveira. Todos juristas: advogados, juízes, assistentes universitários.

Ainda há pouco, há poucochinho, ouvi o Rangel dissertar sobre o estado da nossa Justiça. Fê-lo numa tertúlia portuense — e decerto estava longe de imaginar que, alguns meses depois, seria governante. Se levar à prática o que então expôs e defendeu, temos revolução na Justiça. E eu rirei desalmadamente por ver o Rangel investido no papel de revolucionário. Oxalá não desmereça. Ele sabe que, para uns, a política é um modo de ganhar a vida; para outros, um modo de perdê-la. Que não o movem interesses pessoais, sei-o eu bem que o conheço. Espero, entrementes, que se não perca nos labirintos obscuros da governação.

É verdade que Paulo Rangel, o revolucionário (!), não pode escolher os amigos mas eu com elogios destes vindos de amigos deste calibre no lugar dele não precisaria de inimigos...


Publicado por Manuel 16:27:00 1 comentários Links para este post  



Basta....Chega...

Todos os anos por estas alturas, surgem inevitavelmente dois assuntos que marcam a agenda dos media em Portugal. As férias dos portugueses e os incêndios que vão colorindo ano após ano o país de negro.

É verdade que estamos perante uma vaga de calor, mas não é esta a altura do calor? É verdade que em todos os países as matas ardem, mas também é verdade que em nenhum deles a área ardida é menor em proporção face ao território do país em causa. Mas e porque este ano estamos para já livres dos disparates de Arnaut, Guilherme Silva e Amílcar Theias, a verdade é que um hectare que arda é menos um hectare que deixamos de ter.

Numa altura em que algumas das maiores relíquias ardem, a verdade é só uma -90% dos incêndios tem causa no homem. Seja por descuido ou por “cuidado a mais” com a natureza.

Mas os incêndios deste ano, assumem particular importância depois das juras do ano passado. Na altura Figueiredo Lopes afirmou que iria mandar fazer um livro branco, e que os erros não se repetiriam. A verdade é que com livros brancos ou sem eles, as matas continuam a ser consumidas pelo fogo. O único recurso natural renovável que possuímos em abundância, aquele que serve a matéria-prima que permite que sejamos líderes mundiais no mercado da cortiça, continua a ser deixado ao acaso.

Compreender por isso a floresta, e os seus problemas, é compreender, que 92% da mata nacional é privada, e por isso pertence aos privados o ónus de proceder às limpezas das matas. Cabe ao estado avaliar e multar se for caso disso. Nem uma coisa nem outra se resolve.

Compreender a floresta, passa por compreender o porquê de o Estado Português ter desistido de um concurso público para aviões de combate aos fogos florestais, que contratualizaram com o Estado Português um determinado número de horas e que estas depois de ultrapassadas são pagas a peso de ouro.

Compreender os incêndios, passa por perceber que muitos daqueles responsáveis que surgem nas câmaras de televisão a chorar ou a reclamar ainda a casa não ardeu, fundos para a reconstrução. Pior, esses mesmos autarcas são coniventes durante todo a ano com os interesses imobiliários e florestais, e no Verão seja por protagonismo ou por sempre terem vivido de mão estendida para a administração central.

Compreender porque arde o país, pode ser visto, por exemplo na afluência nas festas das Casas do Castelos ou dos T-Clubes portugueses, que estão cheias de políticos e ministros em funções.

Compreender porque ano após ano o país esta sempre cheio de cinzas pode ser constatado pelas afirmações do novo secretário de estado do turismo Carlos Martins esta manhã a comentar os incêndios no Algarve “há aspectos muito estranhos”.

Estranho , senhor secretário de Estado, é que todos anos temos que conviver com isto e pedir ajuda aos países europeus. Sim porque certamente que o nosso advir de decidir construir submarinos é mais forte. Sim, porque demagogicamente falando os submarinos irão certamente ajudar na luta contra os incêndios.

Estranho, senhor secretário de Estado, é que precisamente numa das áreas que ardem no Algarve – Campus de Gambelas – em plena Ria Formosa - está para ser aprovado a construção de mais um projecto semelhante ao conhecido complexo Ria Park, igualmente edificado em pleno parque natural da Ria Formosa.

Estranho, caros leitores, que ano após ano, enquanto uns apagam as chamas, outros choram, e os políticos surgem no final de Agosto, nos seus comícios de rentreé, a afirmar que para o ano será melhor.

Melhor em quê ? é certamente a pergunta que se impõe.


Publicado por António Duarte 14:46:00 2 comentários Links para este post  



a outra fórmula

De acordo com as Cassandras do costume paira sobre nós de novo um fantasma - o da regionalização.

Não que não haja motivos para isso, depois do modelo de "descentralização" implementado ainda pelo Governo do José Barroso, e por esta patetada, que ninguém sabe quanto vai custar, de deslocalizar meia dúzia de secretarias de estado para fora de Lisboa. Ainda ontem mesmo, o Soba madeirense, Alberto João, apelava à insuburdinação popular contra Lisboa e pela regionalização, pelo que de facto como conceito a regionalização anda pelas ruas da amargura.

E no entanto, provavelmente, só uma reforma, de alto a baixo, administrativa do país resolverá os principais problemas de que enferma este País.

Sejamos francos, o actual modelo não funciona. Não funciona porque aqueles que se elegem não são aqueles que decidem, não funciona porque tem demasiados layers entre o vulgar cidadão e o poder central, não funciona porque é um modelo estruturalmente perverso e dado à corrupção.

Só um cego ou demagogo é que pode ver eficácia e racionalidade numa autarquia, quando as grandes decisões, as realmente estruturantes, nunca são tomadas no âmbito dessa autarquia, mas no âmbito de uma "comunidade urbana" ou uma associação de municípios, entes com uma legitimidade democrática nula. O actual conceito de freguesia não funciona e é um absurdo total, como o é a existência de uma Câmara Municipal no âmbito de uma Junta Metropolitana como a de Lisboa... Esta salgalhada, esta amalgama de orgãos, contra-orgãos e niveis de decisão tem um reflexo óbvio e directo na democracia - os partidos moldam as suas estruturas face à estrutura administrativa no que resulta impreterivelmente um afastamente brutal entre a base e o topo.

Depois, há um outro problema, as reformas politicamente correctas fazem-se a par do que já existe, nunca para reformular o que existe. E o que existe, é - doa a quem doer - para deitar fora.

Acabem-se com as freguesias, acabe-se com o actual conceito de concelho (que passaria a ser uma espécie de meta freguesia), criem-se meta-concelhos a sério, com uma massa crítica minima - eleitos directamente e que poderiam corresponder grosso modo às tais comunidades urbanas - e criem-se cinco regiões e duas grandes áreas metropolitanas, também eleitas directamente.

Implemente-se, à inglesa, o conceito de imposto local e, num ápice, em meia dúzia de anos uma boa parte dos problemas deste país estarão resolvidos...

O pessoal político passa para metade (grande drama para os autarcas e caciques profissionais), o aumento do nivel de abstração da administração permitirá uma maior eficácia e rigor na gestão de fundos, e a existência de impostos locais garantirá o fim das rotundas, e outras obras inúteis, porque rapidamente o cidadão eleitor penalizaria quem lhe ia directa e explicitamente à carteira.

Como bónus, e dado que todos os layers eram directamente eleitos e desapareciam as estruturas fácticas intermédias, tudo se tornaria mais simples e compreensivel para o cidadão eleitor, mais simples e mais transparente. Os partidos seriam obrigados a adaptar-se e face à vulnerabilidade de que passariam a sofrer face ao malbaratanço de fundos (com o actual modelo, nunca nenhuma autarca foi penalizado eleitoralmente pelo nivel de rigor financeiro com que gere a sua autarquia) até podia ser que passassem a funcionar com entidade fiscalizadora...

Isto, meus caros, era uma reforma a sério, contra os lobbys, contra os merceeiros, contra os corruptos, em prol da transparência e da verdadeira democracia...

Se calhar, de facto, regionalização até é um mau nome, aceita-se um melhor...

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Eu abaixo assinado...

E se eu passasse a escrever umas coisas na Grande Loja do Queijo Limiano (GLQL)?

Até ver não me trouxeram nenhum avental, nem tive de descer a nenhum poço iniciático na Regaleira. Não assinei nenhum compromisso em como defendo as teses sobre o caso Casa Pia que por aqui têm passado, nem sequer me pediram a opinião sobre o famoso queijo Limiano. Quanto à verdadeira identidade de todos os elementos da Loja, eles até me podiam dizer que eram filhos e netos de militares com jeito para as artes e espectáculo que eu não teria recursos para confirmar.

Não tenho antecedentes criminais conhecidos nem tenho grande dentadura ainda que acossado já me tenham visto a tentar morder alguém. Se passar a interessar aos serviços de informações por escrever aqui recomendo que consultem as vossas fichas internas antes de irem perguntar ao vizinho do rés-do-chão o que tem a dizer sobre a minha pessoa. Sempre poupam a viagem...

E pronto, dito isto, cabe ainda dizer que ninguém além de mim próprio é responsável pelo que escrevo e, naturalmente, não me responsabilizo pelo que outros aqui escrevem.

Quem acompanhou minimamente o Adufe sabe por onde voga o meu pensamento político e afim.

Com pontuais discordâncias de método e de conteúdo, o balanço que faço deste blogue (a GLQL), que fui acompanhando com regularidade e onde agora passo a colaborar, é positivo. Para além de esquerdas e direitas há um conjunto de princípios e de ideais basilares que julgo serem bem defendidos por aqui. A citação ali à direita é particularmente significativa:

Todos os Homens honestos mataram César.
A alguns faltou arte, a outros coragem e a outros oportunidade mas a nenhum faltou a vontade

Marcus Tullius Cicero


Ter-me-ão convidado para ajudar no que souber e quiser, trazendo para a GLQL boa parte do que ao longo de mais de um ano fui levando para o Adufe. Aceite o desafio não fecharei o Adufe. Passando pelo Adufe percebe-se que houve, há e muito provavelmente haverá momentos de grande “produção”, tanta que julgo contraproducente num blogue colectivo que já vai com 13 (ups!) colaboradores.

E que tal especializar a minha colaboração na GLQL - salvo as inevitáveis excepções – em assuntos relacionados com economia/regulação económica/curiosidade estatísticas e política? Bem vistas as coisas estes foram os temas mais profícuos na história existente do Adufe – não necessariamente os melhores - mas não chegam a ser metade dos 1942 post que por lá editei até ao momento. Atendendo a que a GLQL – que tem menos dois mesitos de vida que o Adufe – vai com 1756 posts é capaz de ser mesmo conveniente esta minha restrição. E depois ainda acho que há vantagens específicas a um blogue pessoal que julgo não colidirem com esta colaboração.

Se ambas as partes gostarem da experiência ela continua, se não, amigos como dantes. Para já, vamos ao Queijo!
Rui M Cerdeira Branco

P.S. Aqui que ninguém nos ouve, queijinho do bom é o de mistura, ali das bandas de Castelo Branco/Serra da Estrela :-)


Publicado por Rui MCB 10:32:00 13 comentários Links para este post  

Segundo o Público ...


Acredito que, nas legislativas, o PS talvez tenha a maioria absoluta, pela primeira vez

afirmou o presidente dos socialistas, Almeida Santos. Ora atendendo a que da última vez que o PS pediu explicitamente maioria absoluta, nos idos anos de 1985 e com o próprio Almeida Santos como ponta de lança, os resultados foram o que foram (Cavaco vindo do nada cilindrou), começa a ser altura de reinventar o PSD, tarefa que se impõe já a partir de Setembro...

Publicado por Manuel 9:49:00 0 comentários Links para este post  



mil novecentos e sessenta e oito

O último filme de Bernardo Bertolucci, The Dreamers, já está à venda em DVD na amazon.com. Não sendo para declaradamente qualquer estômago, tem um dos finais mais arrasadores jamais vistos em cinema; Os últimos dois, três minutos são o retrato perfeito de toda uma época e de toda uma geração.

Publicado por Manuel 23:57:00 2 comentários Links para este post  



"última estrela"



Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trêmulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim;
Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te
Sem "estado de alma" nenhum, sonho ver-te.
A tua beleza para mim está em existires
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.

António Caeiro


Publicado por Manuel 22:54:00 Links para este post  



A casa já está a arder?

Acabo de ver na TV as imagens do fogo. O fogo que aparece dali e dacolá, a fustigar árvores, a atacar casas e a assustar pessoas. Sustos a sério. Alguns sem remédio. A TV mostra o desespero de moradores, de vizinhos, de autarcas e de bombeiros. Um desespero enegrecido pelo fumo que se eleva nos montados, por cima das chamas que devoram as copas das árvores e avançam para as casas, em ondulação abrasadora e que aterroriza mesmo quem as vê apenas na TV.

No ano passado, houve muitos fogos assim e na TV, muitas pessoas humildes, a chorar. Um choro genuino e de drama que não deixa ninguém indiferente. Pessoas do campo que ficam sem alfaias e animais; que perdem colheitas e os parcos haveres.

Esta situação não pode continuar assim. De certo que de há um ano para cá se organizaram reuniões e se fizeram estudos. Terão sido gastos milhões em meios terrestres e aéreos. Há gente que percebe do assunto e que tem falado e escrito sobre o mesmo.

Suponho que há gente competente para lidar com o assunto e não apenas para lamentar danos com ar compungido.

Se bem penso, o impulso que me leva a escrever, será igual ao que leva muitas pessoas por esse país fora, a pensar - é preciso fazer alguma coisa de essencial para terminar com este flagelo ou reduzi-lo a proporções aceitáveis.

O primeiro ministro é acusado de ser um populista. Não sei bem o que isso é, mas sei que as populações das áreas onde há incêndios, não se interessam por taxinomias, pois não sabem o que isso é.

Querem ver resultados. E se nada se fizer de consequente e competente contra os incêndios, este ano, aposto facilmente que será aí que o governo se queimará.

Por essa razão, a pasta da Administração Interna está debaixo de fogo. Talvez com o cheiro a fumo, desperte a consciência da sobrevivência, nesse caso política. É tempo de os governantes aparecerem e mostrarem o que sabem fazer. Sem os tiques das secretas ou os segredos de gabinetes.


Publicado por josé 22:20:00 2 comentários Links para este post  



The times they are a changin´

Bob Dylan em Vilar de Mouros'2004

Eu sabia bem ao que ia.

Dylan em Vilar de Mouros, em 2004! Em 1971 por lá passara Elton John, ido de Viana do Castelo, onde ficara hospedado num hotel recente e fizera já exigências de star, muito comentadas na época. Em1982, foi a vez dos U2, num espectáculo memorável, em que Bono ainda tinha energia para subir aos postes do palco, ainda improvisado e amador, a gritar Sunday Bloody Sunday!

Em 2001, num palco já monumental e subsidiado pela Super Bock e outras marcas que apareciam nos écrans gigantes, tocou Neil Young e dedilhou Heart of Gold, antes de passar a Pocahontas, numa noite inesquecível de chuva miudinha e que acabou com Tonight´s the night.

O espectáculo de Vilar de Mouros é também o da multidão que se vai chegando ao palco, para melhor ver os artistas. Como não há cadeiras, o chão serve de almofada. Como há muita gente, espreita-se por entre os ombros. E ouve-se o som enorme da aparelhagem a anunciar o artista - From the USA, a Columbia recording artist - Bob Dylan!

E aparecem as luzes em focos concentrados, a tentar revelar mitos. Primeiro, os músicos. Alinhados e discretos, repartem a secção rítmica, no baixo/bateria, a meio do palco, deixando as pontas para os que merecem destaque: do lado direito, Larry Campbell, um magnífico guitarrista que salva o grupo da irrelevância. Dylan, esquivado no teclado, no canto esquerdo e com um chapéu de aba larga a cair-lhe pelo rosto que não quer mostrar, foge de enfrentar a multidão e nem sequer olha para o público, por uma única vez. Começa e acaba as canções numa penumbra envergonhada e com uma voz que já se tornou irreconhecível, pelo menos desde... 1976!

Ouvir Dylan, actualmente e a interpretar músicas suas, com trinta ou quarenta anos, é a mesma coisa que o ouvir nesse longínquo ano de 76, ano do bi-centenário da independência da América, no disco Hard Rain. As suas canções mais conhecidas só se reconhecem ao fim de algumas estrofes de canto guturalmente esforçado e que literalmente assassina as melodias dos discos originais.

Em Dezembro de 76 a revista francesa Rock & Folk, que celebrava dez anos, um pouco menos que os Beatles que apareciam na capa, recenseava criticamente, assim, o disco gravado ao vivo, no decurso de uma celebrada Rolling Thunder Review ...


...on se demande comment il a pu laisser sortir ça. Est-il devenu sourd? Quel peut bien être le but d´un tel disque, certes enregistré en public, mais rempli uniquemente d´anciens morceaux mal joués et dans des versions em tout point inférieures aux originales?”

A revista Rolling Stone, também em Dezembro do mesmo ano, não poupava nas críticas:...

Melody is all but dismissed, the backup vocals hapharzard, the solos inconsequential.

E continuava, definindo a arte de Dylan ...

Dylan is an instintive artist. His studio albuns have never been elaborately crafted, painstaking efforts. Instead they have been more like live performances in witch he has been concerned capturing the moment. In this sense, is a true rock & roll primitivist.(…) This is not to imply that his work is simple- on the contrary, the emotions, forms and masks are extraordinarily sophisticated. Rather, he is a naïf, so self-absorbed he believes that everything he does is of interest. Like a true primitive, Dylan´s work functions as a direct megaphone to himself. The result has been some of the most brilliant art that popular culture has ever produced. But it also means that Dylan is at once his own best and worst critic.

Os concertos de Dylan, desde aí, e até a maior parte dos seus discos, são um produto dessa última faceta do génio.

Por isso se torna penoso ouvi-lo, em gravações ao vivo, desde 1974 e depois do inultrapassável LP Before the Flood, acompanhado pelos The Band.

Em 2004, em Vilar de Mouros, eu sabia ao que ia. Esperava ouvir o som gutural e envelhecido; as sílabas sopradas e arrebatadas no final de cada estrofe das suas canções originais, para lhes emprestar mais premência e inclemência. Esperava ouvi-lo tocar harmónica. Esperava vê-lo a desafinar em cada canção. Tudo isso ele cumpriu religiosamente, num ritual já com trinta anos.

Eu sabia que Dylan tinha acabado em 1975, com o Lp Blood on the Tracks. Eu sabia isso tudo e contudo fui vê-lo, à espera de um lampejo do génio e para ver o mito. Que me pareceu mais frágil quando no fim apareceu a agadecer ao público, por breves instantes e a saltitar, num passo de pássaro que me fez lembrar...o americano Bush! Bob Dylan não é bem aquele que eu lá vi.

Bob Dylan está nos discos dos anos sessenta e nas dezenas de canções geniais que compôs.

Só no final, repetindo os versos de Don´t think twice it´s allright e acompanhado pela viola acústica de Larry Campbell, numa interpretação excepcional, me dei conta que afinal o tipo que via ali encolhido no canto esquerdo e a esconder as rugas, do público curioso, ainda podia cantar a seguir Like a rolling stone e encantar do mesmo modo que outrora o fizera, Before the Flood.

Valeu a pena.


Publicado por josé 19:23:00 8 comentários Links para este post  




Publicado por Manuel 16:59:00 0 comentários Links para este post  



Um Americano em Paris

Lance Armstrong entrou, há minutos, para a história. Fez uma Volta à França simplesmente fantástica e com uma grande ajuda do português José Azevedo (brilhante quinto posto, o terceiro melhor de sempre de um português).



Pela sexta vez seguida, Armstrong foi um Americano em Paris. Greg Lemond, outro americano, tinha chegado três vezes à capital francesa de amarelo. Mas o texano já dobrou a conta, passando à frente dos imortais Hinault, Merckx e Indurain.

Parabéns, campeão.


Publicado por André 14:45:00 3 comentários Links para este post  



"Introdução ao Canto"


Ergue-te de mim,
substância pura do meu canto.
Luz terrestre, fragrância.
Ergue-te, jasmim.

Ergue-te, e aquece
a cal e a pedra,
as mãos e a alma.
Inunda, reina, amanhece.

Ao menos tu sê ave,
primavera excessiva.
Ergue-te de mim:
canta, delira, arde.

Eugénio de Andrade, in “Coração do Dia”, 1958.

Publicado por Gomez 12:40:00 0 comentários Links para este post  



Laird Hamilton is seen surfing a Tahitian wave in the new documentary 'Riding Giants'. Move over Michael Moore. With the director's controversial 'Fahrenheit 9/11' cooling at box offices after $94 million in ticket sales in about four weeks, a new wave of documentaries is headed for audiences hungry for more than standard Hollywood popcorn. (Sony Pictures Classics/Reuters)

Publicado por Manuel 9:58:00 0 comentários Links para este post  



Justiça - "Um Programa sem programa"

O Programa do Governo na área da Justiça é uma amálgama de lugares-comuns.

Não é um bom começo pretender dar ao Ministério Público uma lição sobre o seu dever óbvio de cumprir a política criminal definida pelo Governo. Seria interessante, isso sim, dizer que política criminal pretende ele, o Governo, levar a cabo.

Por outro lado, passar a mão pelo dorso do Conselho Superior da Magistratura, tentando passar a ideia que a “bolsa de juízes” é um acto de gestão aproveitável, é sinal de quem não tem uma perspectiva sobre o que deveria ser uma organização judiciária eficaz.

Evitar tratar as questões polémicas, não se comprometendo com nada que possa indispor as corporações, é a habilidade do Programa
.

A formação dos magistrados, a qualificação dos funcionários, a redefinação da geografia judiciária, são matérias, entre outras, que deveriam ter merecido uma particular atenção.

Talvez seja o preço a pagar por quem, há meia dúzia de dias, não sonhava estar no Ministério.

Só assim se compreenderá a existência de tão poucos propósitos para tantos Secretários.

Terá de esperar-se pelos próximos capítulos.

in Direitos

O enigmático autor do Direitos teve a piedade de não citar o mais cómico do novo Programa de Governo para a Justiça - a promessa de continuidade...

Entretanto, e com a vénia devida ao Venerável Irmão José, aqui seguem, com o tradicional espirito de caridade que caracteriza esta Venerável Loja, algumas sugestões bem concretas e tangíveis...

  • formação de funcionários deficiente, no que se refere a dactilografia por exemplo (não se vêem filmes americanos?) Que é feito da estenografia, obrigatória, há trinta anos?) e colocação dos mesmos a pedido e segundo regras de concurso, sem atender com quem vão trabalhar e em que sector o vão fazer. É tudo ao calhas.

    Formação de magistrados insuficiente em assuntos que extravasam o conhecimento estritamente jurídico
    . A imensidão das matérias, não dá tempo para mais, mas é essencial que( os juizes) percebam como funcionam as polícias e os organismos da segurança social, pelo menos. É também inportante que se apercebam ao menos do modo de funcionamento das Cãmaras. Sim...das Câmaras!

    A sugestão do Boaventura Sousa Santos de os magistrados terem formação complementar mais frequente e eficaz, também é uma evidência.

  • Definição clara do papel do juiz e do magistrado do MP, a fim de se evitarem as guerras corporativas. Reunião dos Conselhos, num único, como defendia o Laborinho. Extinção da Sindicata dos juizes que não é mais do que um órgão de poder corporativo, espúrio e nocivo e alteração radical do modo de eleição dos juizes para o CSM e dos critérios de escolha para o STJ, atendendo a sugestões já aqui apontadas por Pinto Nogueira. Inspecções dos magistrados mais frequentes e regulares, mas efectuadas aos serviços, sem o actual esquema de inspecção individual pelo inspector "da zona" que em alguns casos já o é, há anos e anos (e quem precisaria de o ser inspeccionado seria ele...).Alteração radical no modo de designação destes inspectores. Amigos, amigos, negócios à parte...

  • Legislação mais bem estudade do que tem sido. Os códigos de processo não deveriam ser revistos ou alterados de seis em seis meses, com leis avulsas.

    Consulta dos mestres de Coimbra responsáveis pelso actuais e discussão na praça pública da televisão, como se faz em Itália, dos assuntos mais controversos, com convidados que defendam soluções antagónicas e esgrimam os argumentos que detém. Presença dos mestres Figueiredo Dias e Costa Andrade nesses debates, para pessoalmente explicarem o que fizeram como e porquê. Uma perfeita Utopia, como se vê...

  • Alteração do modo de funcionamento das Comissões que na AR fazem as leis. Lacões e companhia para a reforma , já! São eles os responsáveis de muita asneira que por aí vai e depois de se repercute em decisões concretas dos tribunais que apanham com o odioso.

  • Fim da ausência de liberdade de expressão de magistrados e funcionários. Ainda há um sentimento geral de medo pelo que se diz ou escreve em público; pelas opiniões que se transmitem sobre este ou aquele assunto.

  • As hierarquias do MP e os Supremos não estãa habituados a qualquer crítica pública e nem sequer pensam um minuto que seja nas razões que têm para assim se comportarem. A educação recebida no tempo do Salazar e Caetano não explica tudo. Até porque a liberdade plena de expressão está assegurada nos corredores e nos compartimentos do Alfa. Por isso, não pode e não deve ser coarctada a outros que não frequentam essas viagens.

  • A gestão do pessoal e equipamentos. Não há estudos sobre racionalização de meios. Saber por exemplo, quantas pessoas e quais são precisas numa secção de serviço externo dos tribunais para fazerem penhoras e/ou indagarem a existência de bens penhoráveis.

  • Edifícios e repartição de espaços. Salas e gabinetes. Muita miséria vai por esse país fora.

    O Laborinho enquanto ministro deixou obra, porque as carências eram mais do que muitas. Mas ainda falta muito, muito mesmo.

    Só este aspecto, daria para ocupar um ministério ou uma direcção geral a tempo inteiro. E a verdade é que por lá pululam engenheiros e engenheiros e engenheiros, aos magotes e que em grupo se deslocam aos locais onde são precisas obras. Dali a três, quatro, cinco anos, começa a falar-se que as obras começam...para o ano que vem.

  • Na justiça penal, reformulação do papel do Ministério Público na investigação criminal. Definição e alargamento do conceito de DIAPs, por todo o país, em sedes do distrito, por exemplo (como me parece que era ideia do Laborinho). Formação dos magistrados nessas áreas. Num ápice (alguns anos,meia dúzia, talvez) desapareciam os conflitos com a PJ e os resultados apareceriam, dignos de um país civilizado e não daquele que nos querem impingir como tal. Quem? Os mesmos de sempre e que vivem à custa do roubo descarado do que é de todos...
Terminando, o Dr. António Borges dizia há algum tempo que um dos principais problemas do país era o nível de corrupção. Estamos convencidos disso e parece-nos que isto, nestes meses que se seguirão, vai ser o "fartar vilanagem".

Temos estruturas judiciárias para responder?! Não! Não! Quem perde? Todos!


Publicado por Manuel 8:01:00 3 comentários Links para este post  



Rogue waves that rise as high as 10-story buildings and can sink large ships are far more common than previously thought, imagery from European Space Agency (ESA) satellites has shown. As part of a scientific project initiated by the European Union in December 2000, two ESA satellites monitored the world's oceans to test the frequency of monster waves that were once dismissed as a nautical myth. A rogue wave is seen in this rare 1980 photo taken aboard a supertanker during a storm near Durban, South Africa. (Philippe Lijour, ESA/Reuters)

Publicado por Manuel 4:35:00 1 comentários Links para este post  



Vasco Pulido Valente - "Mudanças"


Não se deve levar excessivamente a sério o respeito que Santana exibe pelo Presidente e pela Assembleia da República. Como não se deve levar a sério a paixão que Portas constantemente proclama por instituições, do seu próprio partido ao Exército português. Basta olhar para o Governo para perceber porquê. O Governo tem representantes de interesses (muito específicos), que pesam, ou aspiram a pesar, decisivamente na economia do País; tem representantes da Igreja e, dentro da Igreja, do lado mais conservador e militante; tem representantes do CDS e do PSD e de facções, que se detestam, do CDS e do PSD; e tem os favoritos dos chefes, que nada ainda representam mas querem agora a sua fatia do bolo. Ainda por cima, o primeiro-ministro pediu o apoio, e é apoiado, pelos caciques das câmaras, todos com a sua conta no bolso e a sua conhecida voracidade. Além disto, já impressionante, Santana e Portas resolveram distribuir bocados do Governo por Portugal inteiro, mandando seis secretarias de Estado para Coimbra, Santarém, Faro, Évora, Braga e Aveiro. Esta «deslocalização» serve sobretudo para envolver o poder central na pequena política da província e para dividir e manipular as forças locais. Para cúmulo, o próprio Santana, num claro apelo ao regionalismo, parece que pretende instalar um «Gabinete» no Porto. Em resumo, à revelia da Constituição cresce no Estado um regime de «feudos». Cada um com a sua influência e a sua gente. O Governo deixou de ser um Governo regular e clássico. Já não é uma autoridade nacional ou racional, é uma corte, onde os senhores dos «feudos» irão continuamente disputar o favor de um príncipe populista. A desordem favorece Santana, porque só ele ocupa um ponto fixo e só ele, em última instância, decide. Fora a cerimónia e a fachada, a democracia está a caminho do Limbo. Na prática, vamos viver numa «anarquia feudal», à sombra de uma figura «carismática».

in DN

Publicado por Manuel 1:45:00 0 comentários Links para este post  



"Para atravessar contigo o deserto do mundo"


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso


Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)


Publicado por Manuel 22:48:00 0 comentários Links para este post  



9 Minutos de Fama…

Só hoje e passados quase 20 dias é que consigo falar daquele nefasto dia 4 de Julho de 2004. O dia da independência da América e que esteve a um escasso golo de se tornar o verdadeiro dia de Portugal.

Provavelmente, muitos terão abandonado o estádio desfeitos por dentro e por fora, tão perto e tão longe, aquela linda festa no final que tinha tudo para ser nossa, mas que uns Deuses gregos arrebataram em pleno Olímpio. Para muitos como eu que tiveram o prazer de estar no estádio naquele dia, existiram alguns momentos que se tornaram eternos.

Portugal, como país, demonstrou que sabe organizar. Ainda que possamos na essência ter sido criticos quanto à decisão não de organizar, mas de construir 10 novos estádios numa altura em as finanças públicas do país não se encontravam para desvaneios, a verdade é que se quissemos resumir todo o Euro-2004, poderíamos apenas centrarmo-nos na cerimónia de encerramento.

Os adjectivos são parcos para qualificar, aqueles nove minutos que o protocolo desportivo designou para a cerimónia. Normalmente nós os portugueses estamos habituados a ver cerimónias na televisão que achamos fastidiantes e sem graça. Desta vez no estádio, e depois de visionar em casa na televisão, fiquei com a certeza que teremos realizado provavelmente a melhor de todas as cerimónias.

Se na cerimónia de abertura foram invocados os descobrimentos, com uma réplica de uma caravela, e as chaves que os portugueses utilizaram na abertura dos caminhos do mundo, na cerimónia de encerramento, diante de uma enorme e magnífica calçada portuguesa, foi utilizada a caravela do futuro, aquela que nos poderá transportar para um futuro melhor e diferente, condizente e respeitando sempre os valores e os designíos nacionais ali representados pela calçada portuguesa.



Que os governantes saibam compreender, a mensagem, e que na caravela do futuro nunca falte timoneiro, capaz de levar Portugal em busca de mais e melhores caminhos.


Publicado por António Duarte 20:14:00 2 comentários Links para este post  



Tourist line up along the beach in Waikiki Beach to watch the sun set behind the western skyline. Summer travel to Hawaii is projected to top the record-breaking year of 2000. The positive numbers are bringing welcome relief to all parts of the local tourism industry. From hotel occupancy rates to vacation rentals, all segments of the economy are benefiting from high national and international tourist numbers. Picture taken July 23, 2004. REUTERS/Lucy Pemoni


Publicado por Manuel 16:12:00 0 comentários Links para este post  



virtualidades do Municipalismo...

Câmara de Paços de Ferreira Propõe-se Gastar 1,35 Milhões em Piscina "Inútil"

Depois de ter gasto mais de seis milhões de euros num complexo de piscinas que tem uma taxa de ocupação que não chega a 20 por cento e dívidas de curto prazo de quase 700 mil euros, a Câmara de Paços de Ferreira prepara-se para gastar mais 1,350 milhões de euros na construção de outra piscina, desta vez na freguesia de Freamunde.

in Público


Publicado por Manuel 12:14:00 0 comentários Links para este post  



Vasco Pulido Valente - "A fórmula"


Corre por aí que o eng. Sócrates vai ser o próximo secretário-geral do PS. Alguns socialistas cépticos acham Sócrates uma fraca imitação de Guterres, de quem foi o afilhado preferido, e, além disso, uma anacrónica ressurreição da «Terceira Via», quando a «Terceira Via» faliu por todo o mundo. Em grosso, não se enganam. Mas Sócrates tem mais que se lhe diga. Quem o observar bem, nesta sua candidatura, não tarda a verificar com um relativo espanto que ele é um fenómeno novo em Portugal: o político inteiramente «programado». Estudou a imagem que lhe convinha (em princípio com a ajuda de sondagens), pensou numa fórmula (meia dúzia de frases) para a «projectar» e, em cada entrevista, declaração ou discurso, repete fielmente a fórmula. Nunca improvisa. De que se trata, em suma? O principal objectivo de Sócrates consiste em não ofender ninguém dentro e fora do partido. Quer um socialismo «moderado e moderno»; quer «coesão social e desenvolvimento económico»; quer preparar o País para o futuro (vive, jura ele, de olhos «fitos» no futuro); quer, evidentemente, trazer a si os «melhores», como quer «ideias» para os problemas de hoje e de amanhã, sobretudo para os de amanhã. Isto não significa nada, nem o compromete com nada e, ponto essencial, não há quem não queira exactamente o mesmo. De si, Sócrates fala pouco, excepto para lembrar os seus «nervos de aço» e sua invulgar «cordialidade», que revelam o presuntivo primeiro-ministro. Muito bem. Só que por baixo desta conversa na aparência inócua está uma afirmação muito clara e positiva. A saber: «Votem em mim que eu prometo não ofender ou agredir a ordem estabelecida. Eu sou seguro: com uma ou outra reforma, as coisas continuam na mesma.» Não é de prever que este robot, perfeitamente comandado, mude o programa ou ponha um pé em falso. A repetição só o favorece. E atacar a fórmula não parece fácil.

in DN

Publicado por Manuel 5:40:00 0 comentários Links para este post  



"Orgasmo múltiplo"

Número de vezes que a palavra incentivo(s) aparece no programa do XVI Governo -- 32

Número de vezes que a palavra incentivando aparece no programa do XVI Governo -- 13

Número de vezes que a palavra incentivar aparece no programa do XVI Governo -- 5

Número de vezes que a palavra incentivará aparece no programa do XVI Governo -- 3

Número de vezes que a palavra estímulo aparece no programa do XVI Governo -- 17

Número de vezes que a palavra estimular aparece no programa do XVI Governo -- 10

Número de vezes que a palavra estimulando aparece no programa do XVI Governo -- 5

Número de vezes que a palavra estimuladas aparece no programa do XVI Governo -- 1


João Miranda
in Blasfémias


Publicado por Manuel 3:43:00 0 comentários Links para este post  



A golden fish and its reflection. The town of Monza has become the first place in Italy to ban pet owners from keeping their goldfish in bowls (AFP/File/Bay Ismoyo)


Publicado por Manuel 20:56:00 0 comentários Links para este post  



Já sei onde vou passar o fim de semana....



Publicado por Carlos 19:13:00 1 comentários Links para este post  



could you be.....

...the most beautiful girl in the world


Publicado por Carlos 18:05:00 7 comentários Links para este post  



Antevisão da lição do Caso Pedroso

Recebemos de um “cidadão que está a banhos" - devidamente identificado e que pela primeira vez escreve a esta Grande Loja - o seguinte postal que se publica...


Pelo que dizem os jornais, os Juízes do Tribunal da Relação vão confirmar a decisão da Juiz Ana Teixeira Silva. Pelo que dizem os jornais, é óbvio que vão fazê-lo. Aqueles juízes já anteriormente leram o processo. Já apreciaram os factos. Já deliberaram sobre este assunto. E, acima de tudo, seguramente já formaram a sua convicção pessoal quanto à inocência ou culpabilidade do Dr. Pedroso. O desfecho do caso é, portanto, previsível.

Se tudo correr como se prevê, haverá que tirar duas conclusões.

Uma delas, é institucional e refere-se ao aparelho judiciário; a outra é política, e refere-se ao político/deputado.

Em primeiro lugar, institucionalmente, há que concluir que a justiça funciona. Se uns acusam e outros não pronunciam, isso é sintoma salutar de independência das instituições.

É certo que no conjunto de magistrados (judiciais e do Ministério Público) que tiveram que analisar o caso, apenas três concluíram pela não culpabilidade do Dr. Paulo Pedroso. Os restantes (aí se incluindo o desembargador que votou vencido na libertação de Paulo Pedroso), acharam que há indícios de que praticou crime.

Mas é assim a Justiça dos nossos dias. Não pretende ser exemplar para que todos vejam, nem ser justiceira, na perspectiva Stallone. É antes um jogo.

Um jogo tecnicista comparável às competições futebolísticas do tipo Euro 2004.

Neste jogo não vale a pena ser virtuoso, ao estilo Rooney ou Ronaldo, nem tecnicamente perfeito, como Figo ou Zidane. Não é suficiente ter visão de jogo como Deco ou Maniche, nem chega ser capaz de defender o indefensável, como fazem Barthez ou Baía.

O que conta é ganhar.

Não interessa se isso resulta de um golo isolado, descolorido e cinzento, contra a corrente do jogo, marcado por Karisteas ou Zagorakis. Ou se a vitória é a consequência de uma estratégia de defesa que se limita a aproveitar os erros do adversário. Conta é ganhar. Mourinho seria um bom advogado de defesa.

Essa é a lógica do futebol moderno, como a da justiça moderna.

A segunda conclusão a retirar, é política.

O Dr. Pedroso vai ver a sua vida decidida por um tribunal que tem toda a legitimidade constitucional para decidir. A legitimidade e isenção do tribunal não podem ser postas em causa, mas isso não o livra de uma espécie de sensação de estranheza.

O Dr. Pedroso, em particular, não se livra da singularidade da distribuição - é uma enorme coincidência que os mesmos magistrados que o libertaram vão agora ser chamados a decidir quanto à não pronúncia.

Também não se livra do comentário do fado lusitano. Mesmo sabendo-se que os magistrados em causa estão acima de toda a suspeita, a repetição dos interventores fará com que não se livre daquela que será a deplorável e estafada conclusão popularucha que já se antevê: os outros arguidos estiveram muito tempo presos e vão a julgamento; este, porque é quem é, foi libertado mais cedo e não vai a julgamento.

Só por isso, seja qual for a decisão do Tribunal da Relação, politicamente o seu significado já está reduzido a metade. Dito de outra forma, ao nível político, todas as decisões são constitucionalmente legítimas e respeitáveis. Mas há algumas mais respeitáveis que outras.

Cidadão que está a banhos


Publicado por Gomez 16:55:00 0 comentários Links para este post  



"Verdade, Mentira"

Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos
e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.

Alberto Caeiro

Publicado por Manuel 15:39:00 0 comentários Links para este post  



o rescaldo do affair Caeiro...

1-1

Santana Lopes não vai à festa de Jardim

Por razões de «agenda», líder do PSD vai estar ausente da festa laranja. Mas primeiro-ministro não quererá aparecer na «foto» com líderes regionais, para evitar polémicas com CDS.

Cá se fazem, cá se pagam...

Publicado por Manuel 14:33:00 1 comentários Links para este post  



A kayaker makes his way through a roaring set of rapids, at the Great Falls of the Potomac in northern Virginia on the Potomac River. The river began quickly cutting into bedrock about 35,000 years ago, carving out gorges that remain scenic wonders today. (AP Photo/Ron Edmonds, File)


Publicado por Manuel 11:54:00 0 comentários Links para este post  



Vasco Pulido Valente - "à solta"

O público recebeu este Governo como não tinha recebido nenhum outro: com espanto, com assombro, com irrisão, com censura. As trapalhadas não param. Há as trocas e baldrocas de última hora; 38 secretários de Estado, 38!, distribuídos sem lógica nem senso; o secretário de Estado que não toma posse porque foi a Bruxelas com Barroso; a secretária de Estado que fazia mais falta na Cultura do que na Defesa; ministros à procura de ministério ou mesmo no meio da rua à procura de casa; declarações delirantes de Santana e Portas. Numa palavra, a irresponsabilidade chegou ao poder: uma irresponsabilidade nova e nunca vista. Mas não surpreendente para quem conhece os gloriosos chefes da balbúrdia, a que o dr. Sampaio com a sua prudência entregou o País. Santana e Portas vêm da escola da intriga, do boato, do segredo e do truque. Dantes não se notava tanto, porque estavam limitados a uma pequena esfera (o PSD, o CDS, a Defesa e a Câmara) e até certo ponto sob a supervisão de adultos (e mesmo assim arranjaram sarilhos sobre sarilhos). Agora, sem supervisão e com Portugal inteiro para brincar, não existe limite ao que dali eventualmente sairá. Entrámos no universo do imprevisível. Pensar pela cabeça desta espécie política não é coisa fácil. Santana e Portas vivem do exibicionismo, do melodrama, da demagogia. Dizem isto e dizem aquilo e depois desdizem e depois tornam a dizer. Não interessa. Avançam sempre com certeza da inconsciência. Só pensar, ao fim de uma semana, que a ideia do Presidente era garantir a «estabilidade», mostra o erro sem desculpa em que ele caiu. Santana e Portas são, por natureza, o princípio da instabilidade. Sempre a provocaram e se alimentaram dela. Um espectáculo - e eles não passam de um espectáculo - precisa de mudar. De qualquer maneira, o começo promete.

in DN


Publicado por Manuel 3:14:00 5 comentários Links para este post  



Ana Gomes e a teoria do Melão...

O candidato do Conselho Europeu, o português José Manuel Barroso, foi hoje aprovado para futuro Presidente da Comissão Europeia pelo Parlamento Europeu.

Como foi indicado por António Costa, os deputados socialistas portugueses organizaram-se para não inviabilizar a sua eleição. "Não inviabilizar" não é o mesmo que "viabilizar", sublinho.

Como deputada ao PE, votei em consciência e em coerência com o que penso e publicamente tenho dito e escrito sobre José Manuel Durão Barroso, o homem e a sua política como Primeiro-Ministro.

Depois de anunciados os resultados da votação, fui cumprimentar o novo Presidente da Comissão Europeia e disse-lhe: "Espero que sejas melhor para a Europa do que foste para Portugal".

Ana Gomes in Causa Nossa


Mais palavras para quê?...


Publicado por Manuel 22:01:00 1 comentários Links para este post  



Sócrates e a cicuta...

Há por aí muita alminha que ainda não percebeu muito bem como funciona internamente o Partido Socialista. Haverá sim senhor um Congresso, mas este será precedido por umas eleições directas do líder. Ora o detalhe é que quer Soares jr quer o poeta Alegre não são rigorosamente candidatos à liderança de coisíssima nenhuma, estão na corrida única e simplesmente para tirar votos e desgastar José Sócrates...

Assim ou Sócrates esmaga literalmente nas tais directas a oposição interna ou nem lhe vale a pena chegar a tomar posse como líder
. Obviamente, a esta hora, Jorge Coelho só tem motivos para sorrir e pensar para só próprio - "É a matemática estúpidos!"

Publicado por Manuel 21:38:00 6 comentários Links para este post  



slate - "Paint by numbers"



Publicado por Manuel 20:25:00 0 comentários Links para este post  



Os novos Vencidos da Vida

No final do sec. XIX, as grandes obras públicas do Fontismo e a Regeneração, segundo alguns autores, evidenciaram uma crise económica no país que tinha reflexo na degradação da política e agravava a corrupção tornada endémica.

Perante um panorama de negrume sem luz à vista, alguns escritores e fidalgos portugueses e de fibra, reuniram e congregaram indignações em Conferências de Casinos e acabaram por formar um grupo de Vencidos da Vida - Antero de Quental, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins, alguns condes e um outro marquês.

O grupo reunia-se semanalmente onde calhava, geralmente em redor de repastos e aí destilavam a amargura de um país entregeu aos cães.


Não tinham grandes respostas. Basta dizer que Eça de Queirós até propunha o Rei como salvação para a decadência.

Não foi por essa via que os intelectais vencidos da vida, nos salvaram um património inestimável.

Foi por aquilo que escreveram, em ficção e em crónicas de costumes.

Quem temos nós, actualmente, para formar um grupo de “Vencidos da Vida” ?

Quem nos dará a moral que precisamos para aguentar ideais e não sermos arastados pela maré?

Tal como o Romeiro: “Ninguém”!

Deixemos por isso a maré passar que outras ondas virão.

Publicado por josé 19:55:00 9 comentários Links para este post  



"O Homem que mordeu o cão" (versão 33 rotações)

Acordei esta manhã ao som de uma rádio onde todas as manhãs é suposto um Homem morder um cão. Bem sei que não fui único.

Infelizmente, o nosso país tem conhecido algumas histórias que dariam certamente boas rubricas desse programa humorístico nacional. Histórias onde ao contrário do habitual é o Homem que Morde o cão, contra todas as leis da natureza e da vivência de sociedade.

Se há algo que distingue uma sociedade, é exactamente a sua capacidade, nomeadamente a capacidade daqueles que emanam, leia-se políticos em , fazerem-se distinguir por entre os demais. Igualmente sintoma de uma sociedade livre é uma comunicação social que não se coibe de informar o que quer que seja não se sujeitando a pressões. Obviamente que uma sociedade civilizada requer o mais básico dos elementos, o pleno exercício dos direitos, liberdades, deveres e garantias.

Hoje, não há pessoa que seja que não questione a seriedade e a integridade da classe política. Hoje surgiram rumores de que as eleições autárquicas em Lisboa foram adulteradas, exactamente naquilo onde nunca poderia ser, no resultado final. Tudo o que se passou em torno da saída do governo, do novo governo,do pré-conhecimento de nomes,da tomada de posse, do diz que é e depois já não é, suscita por muito que sejamos imparciais , demasiados comentários depreciativos e dignos de um país de terceiro mundo.

Não falo aqui de política, de partidos, de ser de este ou daquele quadrante,mas sim de algo mais relevante que tudo isto. Veja-se por exemplo o caso do actual ministro do ambiente. Ainda a assinatura no Palácio da Ajuda estava fresca, já havia partidos que o acusavam de ser uma nulidade em termos de conhecimentos de ambiente. Dois dias depois o mesmo partido acusa agora de perceber demais. Mas que raio de política é esta? Que responsabilidade podemos incutir à classe política - toda - que pratica esta postura sem se importar com a coluna vertebral, gastando ainda por cima os nossos escassos recursos.

È exactamente esta uma das grandes reformas que Portugal carece, e que sem ela, muito dificilmente chegaremos a lugares de topo. Falo da reforma de mentalidades, da imparcialidade, e de estar na política para servir a política e o país e não o contrário, que infelizmente vai acontecendo com mais frequência do que seria desejável numa sociedade democrática.

Que os próximos tempos sejam manifestamente melhores.


Publicado por António Duarte 19:01:00 1 comentários Links para este post  



"Super Homem"

Lance Armstrong está a poucos dias de entrar para o Olimpo. O ciclista norte-americano será o primeiro a conseguir vencer por seis vezes, e ainda por cima seguidas, a Volta à França.

Tem uma história de vida digna de um filme. Esteve a um passo da morte, teve forças para recuperar e voltou bem melhor do que era: passou de um ciclista de meio de pelotão para o melhor do Mundo.

Contado assim parece fácil. Mas quem está por dentro do ciclismo sabe que terminar uma Volta à França é já uma tarefa hercúlea; ganhar uma edição dá direito a entrar para o clube restrito dos grandes campeões. Ganhar seis é tarefa de um... Super Homem.

Há quem tente minimizar o feito lançando suspeitas de doping sobre Armstrong. Quem pensa que esse factor explica tudo não percebe o que envolve o mundo do ciclismo: quase todos se dopam, desta ou daquela maneira. Quase todos se dopam, mas só um ganha. Em quase 200 ciclistas que compõem um pelotão, só um consegue vencer. Armstrong, claro.

Está a fazer um Tour inesquecível. Um dos seus melhores. Por este andar, acaba a Volta com um avanço superior a cinco minutos sobre o segundo. Fantástico.


Publicado por André 18:14:00 3 comentários Links para este post  



salon.com - "The man who invented the future"



Publicado por Manuel 17:58:00 1 comentários Links para este post  



o retrato possível...



Publicado por Manuel 17:25:00 0 comentários Links para este post  



"Patinha Antão"

Paulo Gorjão, o eterno distraído, interroga-se sobre se o personagem em epigrafe...


...tem algum currículo profissional na área da saúde?

Manifestamente Paulo Gorjão nunca ouviu falar na Associação Nacional de Farmácias.

Publicado por Manuel 16:53:00 2 comentários Links para este post  



"Ninguém é bom juiz em causa própria, costuma dizer o nosso povo."

António Santos Bernardino, novo vice do Conselho Superior de Magistratura ao Público ...

P - Quer comentar as afirmações de que um dos "lobbies" que se movimenta para o acesso ao Supremo está ligado ao Norte e especificamente ao dr. Noronha de Nascimento, seu antecessor na vice-presidência do CSM?

ASM - Essa crítica releva de uma profunda injustiça para os membros do CSM. Pensar-se que estes homens "alinhariam" numa situação destas é perfeitamente descabido. Não há o mínimo de fundamento na existência desses "lobbies" nem percebo bem como é que o dr. Noronha de Nascimento poderia ter uma influência tão grande sobre estas personalidades.

P - Na sua opinião, quais as razões que levam a que, actualmente, a magistratura esteja a ser alvo de tantas críticas?

ASM- Considero que a mediatização da justiça e a envolvência directa de poderosos está na origem desse avolumar das críticas às magistraturas e aos magistrados. A crítica aos juízes ganhou outra dimensão a partir do momento em que alguns poderosos começaram a ser confrontados com a imputação de práticas criminosas e por elas são chamados a responder. Interessa aos poderosos passar para a opinião pública uma imagem de descrédito da magistratura. Mas os juízes saberão enfrentar essa onda de descrédito. Esse avolumar de críticas radica também no desconhecimento do funcionamento dos mecanismos jurisdicionais, sobretudo dos recursos.

P - Não acha que, actualmente, há, em Portugal, um excesso de garantismo?

ASM - Creio que sim. O papel da vítima aparece com maior desprotecção do que deveria. Há mecanismos processuais que, bem utilizados, conduzem a um protelamento do processo que, por vezes, interessa a uma das partes e claramente redunda em injustiça.

Em resumo o homem não percebe como foi eleito, o que é grave, a seguir acha que "Interessa aos poderosos passar para a opinião pública uma imagem de descrédito da magistratura", isto porque o avolumar de críticas "radica também no desconhecimento do funcionamento dos mecanismos jurisdicionais, sobretudo dos recursos" para a seguir terminar afirmando "O papel da vítima aparece com maior desprotecção do que deveria. Há mecanismos processuais que, bem utilizados, conduzem a um protelamento do processo que, por vezes, interessa a uma das partes e claramente redunda em injustiça". Esta sequência de afirmações é capaz de ser do mais coerente, lógico e racional possivel, mas desculpem lá não cabe na minha rica cabecinha...


Publicado por Manuel 15:33:00 2 comentários Links para este post  



Estád(i)o de Direito ?

Ao que parece, e segundo a TSF...

Teresa Caeiro mudou da Defesa para a Cultura porque o Presidente da República pode ter vetado o nome da «filha e neta de militares» para o Ministério da Defesa. O Estado Maior das Forças Armadas terá sugerido a Sampaio que Caeiro não «tinha perfil» para o cargo.
Ora, caros leitores, isto é grave, muito grave.

Eu posso não gostar do Dr. Lopes, do Dr. Portas, posso achar o Dr. Sampaio um fraco, posso achar montes de coisas, mas institucionalmente - e só institucionalmente - respeito-os, porque bem ou mal eles estão onde estão. Não me passa pela cabeça organizar um golpe de estado ou congeminar uma revolução, porque antes de mais sou um Democrata, e apesar de tudo, e passe o facto de às vezes nao se notar muito, Portugal é suposto ser uma Democracia...

E numa Democracia há poderes, há hierarquias, é suposto haver alguma autoridade e responsabilidade. Eu não quero saber porque é que o Dr. Sampaio vetou Teresa Caeiro, não quero saber se foi foi por ser loura, por causa dos militares ou por causa do clima, não quero saber porque isso não interessa.

O que interessa é que Sampaio, não podia vetar a senhora, seja ela ou não uma batata com dois olhos, não podia porque não vivemos num regime presidencialista, não podia porque Sampaio não é o tutor ou baby-sitter de Lopes, Portas & Associados, não podia porque ao empossar o Lopes como PM Sampaio endossou a este, para o bem e para o mal, uma série de responsabilidades incluindo a de Santana ser responsável por aquilo que faz.

O que Sampaio veio ontem dizer é que afinal o Lopes não era maior e vacinado, o que Sampaio veio dizer ao vetar a namorada do patrão da Endemol foi que afinal não respeita o primeiro-ministro.

Depois do que se passou ontem, tivessem Santana e Portas uma réstia de Honra e dignidade e, em coerência, só lhes restaria um caminho - demitirem-se e forçarem antecipadas.

Porque, bem ou mal, um Presidente da República não trata assim um Primeiro-Ministro, não devia pelo menos... Por Princípio, por Respeito, por Definição ...

N.A. O impagável Sir Humprey do "Yes Minister" acreditava naquilo que era oficialmente desmentido... Mas aquilo era tudo ficção claro...


Publicado por Manuel 12:28:00 4 comentários Links para este post  



Picasso, Pablo



Publicado por Manuel 7:25:00 0 comentários Links para este post  



ele dias assim...

Há duas ou três coisa em que sou realmente bom, uma delas é - admito - a dizer mal de quase tudo e mais alguma coisa. Sou incapaz de me calar, não há conceito de timing, etiqueta, conveniência que prevaleça - 'tá mal, não gosto - é na hora, logo, sem paninhos quentes, pimba. Os críticos dizem que esta anomalia comportamental, e que eu prefiro entender como frontalidade e coerência, já me custou a carreira várias vezes. Não sou realista, não sou razoável, espero o impossível, etc, etc, etc... E no entanto, apesar de todo este radicalismo fundamentalista - sim, há muita boa gente que me acha um fundamentalista - há duas ou três coisas de que eu me recuso a dizer mal, a começar de Portugal - como um todo.

Um destes dias um dos nossos leitores escrevia em comentário...

A degradação da classe política, a mediocratização das elites e o abandalhamento dos diversos poderes são factos indesmentíveis. Mas o pior é que a saúde mental, moral, cultural, cívica, familiar e social do chamado povo também anda de rastos, e isso não permite alimentar grandes esperanças de renovação.

O homem comum, o homem da rua, o homem com quem lidamos no dia a dia, está incivilizado, amoral, inculto, boçal. Não tem um ideal, um projecto, um sentido. Aposta tudo no efémero, cultiva o superficial, vai pelo mais fácil, procura o mais vistoso. É interesseiro, "chico-esperto", egoísta e mandrião. (...)

Ora, apesar de ser o tal bota-abaixista profissional eu não posso deixar de discordar. Eu posso concordar que a degradação da classe política, a mediocratização das elites e o abandalhamento dos diversos poderes são factos indesmentíveis mas não me peçam para concordar com o segundo parágrafo. Há de tudo, é um facto, mas também há muito génio, muita candura, muita energia, muita , muito rasgo, muita vontade e muita alma por entre esse povo todo (veja-se aqui para um exemplo arrebatador) . O grande erro de análise que se comete é julgar o todo por aquilo que se vê, e aquilo que se vê - e que não é o que existe - é o que a comunicação social mostra que não é de todo a realidade. O grande erro é resignarmo-nos a escolher de entre o que o sistema nos oferece em vez de ousarmos fazer realmente parte do sistema, e da sua oferta.

Nas suas linhas gerais o modelo de democracia representativa está e é correcto, nem há alternativas, o exercício do poder tem de ser sempre intermediado. O que não está correcto é o divórcio existente entre os Partidos Políticos e a população. Está na hora de quem acha que as coisas estão mal tratar de se mexer, de ter vida cívica, intervenção pública, filiar-se num Partido - porque não?

Os instrumentos existem, os meios também, não são precisas novas Leis ou grandes revoluções, é uma questão estritamente aritmérica - nós somos mais que eles, melhores que eles, chegou a hora de correr com eles. Ordeiramente, com trato, com ideias, com respeito mas com firmeza.

Porque aquilo que nós temos não é o nosso passado, não é o nosso presente - é o nosso futuro. E essa é uma batalha que é digna de ser travada, embora muitos que no seu intímo até possam concordar venham lembrar-se resignados de guerras perdidas, feridas mal saradas, e serem tentados a resignarem-se silenciosos e cabisbaixos...

Há guerras e causas que eu não sei sinceramente se podem ser ganhas, mas também há guerras e causas que não podem deixar de ser lutadas; a opção é sua...



eu, a vítima congénita de pessimite aguda, o tal que diz mal de tudo e mais alguma coisa, acredito que isto tem conserto, no fundo porque acredito também em mim e você, caro leitor ?

Tou a ficar velho, com cabelos brancos, e às vezes dá-me para escrever destas coisas. Prefiro acreditar que não é delírio mas se calhar sou mesmo ingénuo e lírico.

Ele dias assim.


Publicado por Manuel 4:38:00 26 comentários Links para este post  



"(I)mobilidade e renovação das "nossas" elites?"

Um amigo chamou-me, recentemente, a atenção para um facto muito característico no "nosso" meio político: há um grupo relativamente reduzido de pessoas que, sendo todas mais ou menos conhecidas umas das outras, tendo maioritariamente tido, todas elas, experiências sociais e tipos de vida semelhantes, frequentando habitualmente os menos lugares e movendo-se, familiar e preferencialmente (quase em exclusivo), pelo mesmo "circuito" Lisboeta (de instituições, de escritórios, de clubes, de restaurantes e outros espaços públicos e de lazer), divide, desde o "25 de Abril", o Poder. Por Poder entenda-se, não só o conjunto de cargos de poder político directo, propriamente dito - nomeadamente, os que resultam de eleições - mas, principalmente, as funções e os órgãos que se assumem como estrutura ou staff daquele (Secretários e Subsecretários de Estado incluídos, mas, também e principalmente, assessores, adjuntos, chefes de gabinete, secretários qualificados, responsáveis por recursos humanos, por funções de colaboração vária aos decisores políticos, cargos de chefia em Institutos Públicos, sociedades de capitais públicos, etc., etc.).

Mais, referia-me esse amigo - invocando as teses pessoais defendidas por um dos mais reputados e interessantes académicos da nossa "praça" - que, além do mais, essa espécie de grupo ou "casta" que, de um modo geral, vai repartindo maioritariamente, entre si, o dito Poder (os vários poderes ou a verdadeira estrutura do Poder), acabava por ser muito fechado, quase familiar e instintivamente avesso à renovação. A sucessão de pais para filhos, nos respectivos cargos, lugares e funções era frequente. Curioso - notava esse amigo meu - era o facto de quase todos se conheceram, directa ou indirectamente, desde pequeninos; serem ainda "primos" ou "tios" e, ainda que tal familiaridade não fosse tão grande como isso, procurarem sempre, face a terceiros, solidarizarem-se, como que de uma "corporação" (de Poder? Social? Económica? de "vizinhos"?) se tratasse!

E apontava-me exemplos que, no mínimo, eram bizarros: a recém licenciada nomeada para um conselho de administração de uma sociedade de capitais públicos que, por acaso, era sobrinha de um recente ex-ministro; ou, o caso de um jovem, também recém licenciado, que começava a sua vida profissional, desde logo, como assessor do Presidente de um Instituto Público, sendo que o seu "nome de família" era emblemático num certo circuito financeiro; ou o da outra jovem de 23 anos, claro que também recém licenciada, nomeada para a administração de um Hospital público que, por acaso, era filha de um conhecido deputado; ou o Secretário de Estado que, sem nenhum percurso académico ou profissional relevante, sem nenhuma visibilidade ou ligação política, sem possuir alguma (ínfima que fosse) experiência na área da tutela da respectiva Secretaria de Estado era, por acaso, familiar de alguém muito importante, num certo sector de negócios, em Portugal. E os exemplos poderiam continuar....chamava-me a atenção esse amigo com quem tive a referida conversa.

Além disso - continuando a reportarmo-nos ao referido académico da ?nossa praça? ? o Poder (e os vários poderes) têm sido, em Portugal, sobretudo, uma espécie de domaine reservé de um grupo eminentemente familiar (ou que actua numa lógica para-familiar), desde há pelo menos, 200 anos a esta parte!

Grupo esse que, invariavelmente, tem em comum, também, uma certa proveniência "micro- lisboeta", uma capacidade económica considerável, independentemente até do trabalho (bom ou mau) efectivamente exercido e, last but not the least, a interessante coincidência de serem todos familiares ou parentes, mais ou menos chegados, de alguém que também desempenhou funções e ocupou cargos, no mínimo, tão decisivos (e de poder), ao longo de várias eras da nossa história contemporânea - "atravessando" reiteradamente vários regimes - desde a Monarquia Constitucional, passando pela implantação da República, sobrevoando o Estado-Novo e chegando ao pós-"25 de Abril".

Curioso e enigmático era o facto - dizia tal académico sempre "presente" nesta conversa - de nunca nenhum sociólogo, historiador ou mesmo jornalista ter desenvolvido e clarificado (comprovado, acrescentaria eu) estas teses. No fundo, nunca ninguém tenha "pegado" nesta possível radiografia das elites - aparentemente, estáveis e muito pouco permeáveis à renovação - do poder em Portugal...

in Blasfémias


Publicado por Manuel 2:51:00 4 comentários Links para este post  



"Um ministro, três secretários"

Não me lembro da existência de três secretários de Estado no âmbito do Ministério da Justiça. Mas talvez os problemas com os quais o Dr. Aguiar-Branco pensa vir a confrontar-se e os propósitos de resolução em que estará empenhado justifiquem tal extensão numérica.

Se o Prof. Paulo Rangel assumir a matriz ideológica do Ministério e se o Dr. Miguel Macedo vier a fazer a ponte política necessária, a posição do Desembargador António Ribeiro, na Secretaria de Estado da Administração Judiciária, mostra-se como aquela a quem vai ser exigido respostas mais imediatas.

A situação em que se encontra o Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial do Ministério da Justiça, a necessitar de uma rigorosa auditoria externa, a política errática na área da informatização judiciária, o destino a dar a centenas de funcionários com ligação precária à administração, a urgente necessidade de uma efectiva formação contínua que permita a melhoria de uma deficiente produtividade, a debilidade de funcionamento dos novos tribunais administrativos e fiscais, são matérias que não podem ser adiadas e que marcarão, a curto prazo, o desempenho do Ministério.

in Direitos


Publicado por Manuel 0:45:00 1 comentários Links para este post  



Wolf at the Wolf park in Gevaudon. (AFP/Sylvain Macchi)


Publicado por Manuel 23:00:00 1 comentários Links para este post  



só por curiosidade, o Bibi do Benfica teve alguma coisa a ver ?...

Francisco José Viegas no Aviz...

AUTÁRQUICAS DE LISBOA. O Miguel Silva, no Viva Espanha! (e fazendo eco de um texto do Irreflexões e do Diario Digital), relembra uma peça publicada na Grande Reportagem sobre irregularidades no apuramento dos resultados nas últimas autárquicas de Lisboa. Na altura, eu era director da revista, sim, e os dados por nós apresentados na reportagem eram seguros -- e são ainda hoje correctos. Nunca foram desmentidos. E nunca foram contestados por quem devia (seria bom que se explicassem os motivos). Há quem diga que nessa noite eleitoral foi tomada uma das mais perversas decisões familiares que afectaram a democracia portuguesa nos últimos anos -- e, já agora, a vida do PS. Ponto final, e definitivo. Pela minha parte.



Publicado por Manuel 21:21:00 3 comentários Links para este post  



saudades...



Publicado por Carlos 19:27:00 0 comentários Links para este post  



porno & hard-core - parte II


É uma reviravolta inesperada: em cima das 18:00, hora em se inicia a sessão da tomada de posse dos novos 35 secretários de Estado do XVI Governo, Teresa Caeiro - apresentada por Paulo Portas como a nova secretária de Estado-adjunta do ministro e dos Antigos Combatentes - passa afinal para a Secretaria de Estado da Cultura.

A notícia é ainda mais inesperada quando o ministro da Defesa tinha já elogiado publicamente a sua nova adjunta. Em Viana do Castelo, Paulo Portas disse que a (então) «nova secretária de Estado da Defesa», Teresa Caeiro, seria a primeira mulher com funções governativas neste sector, sendo «neta e filha de militares».



O Presidente Sampaio, naturalmente, deverá estar orgulhoso... De resto, num governo em que os dislates são como as cerejas, quem é que ainda tinha ilusões?...


Publicado por Manuel 18:21:00 3 comentários Links para este post  



afinal o segredo está nos genes...

O ministro Paulo Portas salientou esta quarta-feira, em Viana do Castelo, que a nova secretária de Estado da Defesa, Teresa Caeiro, é a primeira mulher com funções governativas neste sector, sendo «neta e filha de militares».

Publicado por Manuel 17:32:00 1 comentários Links para este post  



Publicado por Manuel 17:01:00 3 comentários Links para este post  



"Read My Lips" - Um choque fiscal pode não ser boa ideia...

Antes de mais, é com enorme jubilo, que vejo que os companheiros de blogoesfera acidentais a abandonaram a escrita acompanhada de cartazes, e a dedicaram-se agora, a prosar sobre economia, e logo economia portuguesa. Bem sei que o critério editorial é só vosso entenda-se, mas eu como leitor atento prefiro a actual versão... leia-se sem cartazes e com mais sumo.

O tema não é de fácil resolução, e prende-se essencialmente com a possibilidade aventada por Santana Lopes em baixar os impostos – a ser possível seria o IRS – aliada a ainda débil situação económica das finanças públicas portuguesas.

Em primeiro lugar, convém realçar que Portugal possui ainda a maior carga fiscal de toda a Europa dos 15, quer para as empresas quer para os particulares. Se para as empresas, uma elevada carga fiscal leva que num espaço económico onde não existe harmonização nos impostos, a que se assista a tão famosa deslocalização empresarial, contribuindo assim para o baixo nível do investimento directo estrangeiro em Portugal e para aumento do Investimento Directo no Estrangeiro de Portugal – veja-se os casos específicos da transferência da sede da PT SGPS S.A para a Holanda - , para os particulares, a elevada carga fiscal a que estão sujeitos obriga a que o rendimento disponível obtido pela diferença entre rendimento e impostos acrescido de subsídios seja menor. E menor como diz e bem Luciano Amaral (LA) para o consumo. Sim por que os particulares não se constituem por si só entidades que efectuem investimentos.

Em segundo lugar, e devido à forte dependência da população activa portuguesa do sector empresarial do estado bem como da chamada função pública, é conhecida a forte despesa que o Estado tem. Se por um lado criticamos muitas vezes a inépcia da função pública, por outro achamos intolerantemente que os funcionários públicos deveriam ganhar mais. Não sou a pessoa certa para dizer se eles merecem ou não, sendo justo que uns merecem e outros nem por isso. Por isso caro LM, concordará comigo que se fosse possível efectuar a actual reforma da administração central, que por tanto tempo ficou na gaveta, isso seria o primeiro garante de custo/benefício. Por muito que custe, a administração central é ineficiente tendo um custo salário/produtividade abaixo da média já de si reduzida na economia portuguesa.

Afirma o LA no Acidental , em determinado contexto que

Há duas maneiras de cobrir o défice: ou se arranjam novas fontes de receitas ou a receita aumenta em consequência do crescimento económico.
A afirmação por muito estranha que possa soar, não anda longe da realidade. Parece-me no entanto e como o próprio LA uns posts mais à frente afirma, que a redução da despesa pública deveria ser o modelo empreendido para cobrir o défice. No fundo a chamada consolidação orçamental. Isto porque caro LA, a economia quando cresce, seja ela estimulada pelo consumo ou pelo investimento gera receitas. Foi assim em grande parte da governação socialista que se conseguiu de uma alguma forma “esconder” o estado das finanças públicas. Nessa altura não se estava a reduzir a despesa, mas sim fruto do crescimento da economia, o apuramento de receitas ainda que sujeitos a já tradicional evasão fiscal, induziam em erro o mero espectador dos relatórios de execução orçamental.

O choque fiscal, hoje, pode não ser uma boa escolha. Se for do lado dos particulares, o simples facto de existir mais rendimento disponível, fará com que o consumo aumente. Aumenta por isso a tributação de IVA, e as receitas fiscais crescem duas vezes. Uma pelo IVA outra pelo efeito que o aumento do consumo terá no resultado das empresas. As empresas aumentando os seus resultados, e assumindo que pagam à colecta o imposto antes de lucros, deixam novamente receitas fiscais nos cofres do Estado. Bom, mas assim é, parece óbvio que a descida do IRS, iria beneficiar todos. Não.

Primeiro não está garantida a solidez das finanças públicas para que se possa empreender uma medida deste género. A economia ainda cresce pouco, e não é líquido que o efeito multiplicador da redução do IRS no consumo seja pelo menos igual ao provocado pela descida na taxa. Depois, e porque a economia não é estática, um aumento no consumo, gera por si uma pressão na procura que associada à incapacidade da oferta em satisfazer a procura, originará um aumento do défice comercial, fruto do aumento das importações. Associado a isto, teremos um acréscimo da inflação provocada pelo ajustamento dos níveis da procura elevada face a oferta mais baixa, pela variável preço. Um aumento da inflação irá ter como consequência, temporária um aumento dos lucros nas empresas, mas de seguida, o consumo começará a baixar ajustando-se por baixo. E aqui das duas uma, ou a economia portuguesa dispõem de consumidores endinheirados ou recorre ao endividamento para satisfazer a necessidade consumista. Ou seja na prática uma descida do IRS que imediatamente provoca um aumento no consumo termina com uma descida nos níveis de consumo. Isto é no ponto zero. Para além de uma medida destas se assumir claramente como eleitoralista.

Quanto ao IRC, o caso é diferente. Quanto mais baixo conseguirmos manter o IRC, menor será a nossa diferença para com os países europeus que praticam taxas de IRC mais baixas. Isto traduzir-se-á na capacidade de captação de maiores níveis de investimento directo estrangeiro, fruto do ganho de vantagens competitivas. Mas a descida de IRC provoca “apenas” maiores resultados líquidos nas empresas. Estas podem depois decidir como aplicam os lucros. Ou distribuem pelos accionistas – aumento o rendimento disponível – ou constituem reservas que servirão nos exercícios seguintes para aumentar o investimento. O investimento está directamente relacionado com a taxa de juro controlada agora pelo Banco Central. Um aumento do nível do investimento privado gera sem dúvida um crescimento económico associado ao aumento do nível do emprego. Aumentando o emprego, diminuem as contribuições do Estado para fundos de desemprego e de segurança social, diminuindo assim o défice da segurança social – redução da despesa - , bem como aumentando o rendimento disponível dos novos beneficiados pelo aumento do nível do emprego. Isto é, o Estado ao descer o IRC depara-se com a descida da despesa e com a subida das receitas fruto do aumento do nível de empregados.

Parece-me assim lógico que competirá a cada um decidir agora em plena consciência qual o modelo que escolheria se porventura tivesse sido bafejado com o cargo de Ministro das Finanças. No entanto, alerto novamente para o facto de o Estado das finanças públicas não se coadunar com descidas de impostos.

O choque fiscal deverá ser utilizado sim, como medida de contraciclo e, se me permitem, actualmente estamos em todas as situações menos na situação de crescimento galopante da economia portuguesa.

Caro LA, tenho pena que como diz...
Mas estamos aqui a falar de um governo que vai durar dois anos, que vai querer tomar medidas rápidas e não vai poder cortar nas despesas.

Pior do que um choque fiscal agora, são as medidas que os governos tomam sem a noção do efeito que as mesmas tem no futuro.

Concordará comigo que é desta forma que se colocam em causa as gerações futuras.



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"Barroso une jeunesse portugaise"

LE MONDE

Comment passe-t-on du maoïsme radical à une carrière politique respectable dans un parti de centre droit ? L'itinéraire du futur président de la Commission européenne offre une explication.


"L'une des tactiques favorites de José Manuel Durao Barroso est de laisser tout le monde croire qu'il n'a pas les qualités nécessaires à l'exercice de sa fonction. Il est ainsi certain d'apparaître à l'usage plus brillant que prévu, et d'éviter de décevoir. .." Voilà qui ne va guère aider les parlementaires européens à se faire une idée de la personnalité véritable du "candidat désigné" à la présidence de la Commission européenne, lorsqu'ils auront à voter pour ou contre son investiture, le 21 juillet à Strasbourg. L'auteur de cette remarque aussi perfide qu'admirative, Marcello Rebelo de Sousa, connaît bien "José Manuel" : il a été son professeur de droit à la faculté, lorsque le jeune Barroso militait, après la révolution du 25 avril 1974, dans les rangs du Mouvement de réorganisation du parti du prolétariat (MRPP), le groupe maoïste le plus radical. M. Rebelo fut ensuite l'un des présidents du Parti social-démocrate (PSD), plus centriste que socialiste, où M. Barroso, revenu du marxisme-léninisme, fit toute sa carrière politique... avant de prendre la place de M. Rebelo, en 1999, et de devenir, en 2002, premier ministre du Portugal, à 46 ans.

José Barroso est politiquement difficile à cerner. Né en 1956 d'un père monarchiste et d'une mère républicaine, tous deux enseignants originaires du nord du Portugal, il ne semble avoir puisé ses engagements successifs et contradictoires ni dans une tradition familiale bien établie ni dans une "conscience de classe" affirmée. Est-il bien cet homme de droite que redoutent les socialistes français ? Son alliance avec le CDS-PP (Parti populaire), l'un des plus à droite sur l'échiquier politique portugais, semble le confirmer. Tout comme le choix de Santana Lopes, considéré comme le représentant de l'aile populiste et réactionnaire du PSD, pour lui succéder à la tête du parti et du gouvernement.

Pourtant, Fernando Rosas, un des fondateurs du MRPP, aujourd'hui professeur d'histoire à l'université de Lisbonne, se souvient fort bien que Barroso était l'un de ses militants les plus extrémistes lorsque ce mouvement, après la chute de la dictature, avait fait de la faculté de droit une de ses bases. Un épisode qui ne figure tout simplement pas dans les biographies officielles du premier ministre, mais qu'il n'a pas hésité à présenter aux journalistes comme "le meilleur moment de sa vie" lors de sa désignation à la candidature de la présidence de la Commission.

"Un jour, il nous a apporté tout le mobilier des bureaux du doyen de la fac : c'était une expropriation prolétarienne, destinée à meubler le siège du MRPP. Il a été très déçu quand nous lui avons ordonné de tout remettre en place", raconte, amusé, Fernando Rosas. Déployant alors toutes les ressources de l'art oratoire et du matérialisme dialectique, Barroso réussit à se faire élire président de l'association des étudiants, battant facilement le candidat d'un groupe d'extrême droite, le Mouvement indépendant de droite (MID), qui n'était autre que... Santana Lopes. "Ils partageaient la même chambre d'étudiant et sont devenus bons amis", rapporte José Luis Saldanha Sanches, un autre ancien leader du MRPP. Depuis leurs extrêmes respectifs, les deux amis convergeront peu à peu pour adhérer ensemble au PSD, en 1980.

C'est aussi dans ces moments flamboyants et romantiques que Barroso tombe amoureux d'une belle militante maoïste blonde, Margarida Sousa Uva, qui avait de surcroît l'avantage d'appartenir à une riche famille de propriétaires terriens, piliers du régime de Salazar. Elle est aujourd'hui son épouse, mais la presse portugaise s'est plue à rapporter que Margarida ne fut pas étrangère à la rupture, en 1990, de la vieille amitié entre Santana Lopes, séducteur impénitent qui remplit la presse people de ses frasques, et le froid Barroso. Un temps rivaux de cœur, les deux hommes sont toutefois redevenus amis politiques lorsqu'il a fallu passer des alliances entre factions rivales afin de conquérir la tête du PSD.

Comment Barroso a-t-il pu passer si rapidement de la ferveur révolutionnaire à un petit parti de centre-droit ? Eduardo Damaso, journaliste au quotidien Publico, y voit une certaine cohérence. Le MRPP a été créé en septembre 1970, alors que le conflit sino-soviétique est à son paroxysme. La "ligne" est de barrer la route au Parti communiste portugais (PCP) d'Alvaro Cunhal, l'un des plus pro-soviétiques d'Europe, qui menace ouvertement de prendre le pouvoir à Lisbonne à la faveur de la "révolution des œillets". Les affrontements entre communistes et maoïstes pour contrôler la rue sont alors quotidiens. Le MRPP, qui compte alors près de 3 000 militants dans tout le pays, fait alliance avec le Parti socialiste de Mario Soares pour créer l'Union générale des travailleurs (UGT), destinée à briser le monopole syndical des communistes. Et le MRPP appuiera le coup d'Etat du 25 novembre 1975, qui met un terme à la domination des militaires révolutionnaires proches du PCP. Mais c'est aussi la date que les historiens retiennent comme le "thermidor" portugais.

Désormais, la lutte contre le communisme passe, pour Barroso comme pour d'autres militants du MRPP, par l'engagement dans le PSD, susceptible de devenir le pivot d'alliances anti-PCP, vers la droite comme vers le Parti socialiste.

Mais si José Barroso se retire du MRPP, c'est aussi pour s'occuper de son père, frappé par un cancer. Parti à Londres pour le faire soigner et l'assister dans ses derniers moments, Barroso revient "transformé", les cheveux courts, les idées larges, et adhère au PSD. Est-ce un hommage rendu au père réactionnaire, qui a fait brûler toutes les photos et archives familiales témoignant de l'engagement maoïste de son fils ? L'intéressé lui-même explique plutôt son adhésion comme un hommage rendu aux idées d'un autre mort, Francisco Sa Carneiro, fondateur du PSD, tué dans un accident d'avion en décembre 1980. Ces explications convergent en tout cas pour modifier la trajectoire du jeune militant.

José Barroso passe ses examens, entame une carrière d'enseignant aux côtés des professeurs qu'il avait fait expulser de la faculté trois ans plus tôt, et obtient une bourse pour passer une maîtrise à l'Institut européen de l'université de Genève. Là, il découvre de 1979 à 1984 la science politique et la question de l'unité européenne, sous la houlette du professeur Dusan Sidjanski, chantre des thèses fédéralistes. En 1985, Barroso, déterminé à poursuivre une carrière universitaire, part préparer un PhD (doctorat) à l'Institut des relations internationales de l'université de Georgetown, à Washington, pépinière d'hommes politiques et de diplomates.

Est-ce dans ce bref séjour américain qu'il faut chercher les origines intellectuelles du fameux "sommet des Açores", qui a réuni, en mars 2003, à la veille de l'invasion de l'Irak, George Bush, Tony Blair, José Maria Aznar et José Barroso, forgeant l'image d'un Barroso résolument atlantiste ? Ce tropisme atlantique est en fait une constante de l'histoire portugaise, toujours en balance entre une alliance avec la puissance maritime du moment - l'Angleterre au XIXe siècle, les Etats-Unis aujourd'hui - contre les appétits de la puissance continentale la plus dangereuse - la France napoléonienne, l'Espagne, l'Union soviétique - et la volonté de participer aux équilibres continentaux.

C'est à Georgetown que le démon de la politique reprend José Barroso, en 1985. Cette année-là, son parti, le PSD, arrive enfin au pouvoir grâce à son leader Anibal Cavaco Silva, qui restera premier ministre pendant dix ans. "Cavaco Silva est le premier homme politique portugais qui, formé en Grande-Bretagne, rompait avec la culture politique continentale - Allemagne et Suède chez les socialistes, France gaulliste et Italie démocrate-chrétienne à droite - pour le grand large anglo-saxon", explique José Freire Antunes, historien, lui aussi ancien maoïste passé au PSD.

Cavaco Silva appelle Barroso aux Etats-Unis pour qu'il vienne le rejoindre au gouvernement. Abandonnant son PhD, il devient, à 29 ans, secrétaire d'Etat à l'intérieur, à 31 ans secrétaire d'Etat aux affaires étrangères, et enfin, à 36 ans, ministre des affaires étrangères. José Barroso trouve là une nouvelle passion, l'Angola. Alors qu'une bonne partie de la classe politique portugaise soutient l'Unita de Jonas Savimbi dans la guerre civile qui l'oppose depuis dix ans au MPLA de Dos Santos, Barroso utilise ses connexions américaines pour sentir que le vent tourne à Washington, malgré le soutien proclamé de la Maison Blanche à l'Unita : les compagnies pétrolières américaines ont manifestement décidé que le MPLA était un "client" plus sérieux.

Barroso convainc son parti de tourner casaque. Il obtient d'abord la signature par les deux parties des accords de paix de Bixette en 1991. Puis il appuie le MPLA lorsque celui-ci rompt l'accord en massacrant les cadres de l'Unita en octobre 1992 à Luanda. Certains murmurent même que le gouvernement portugais aurait contribué au repérage de l'escorte de Savimbi, qui permit au MPLA d'éliminer définitivement son ennemi en février 2002. Barroso est en tout cas devenu l'ami intime du président Dos Santos : la presse et l'opposition lui ont violemment reproché d'être allé assister, début 2004, au mariage somptueux de la fille du président angolais, alors que le pays est perclus de misère.

La défaite électorale du PSD, en 1995, réoriente la carrière de Barroso. En quatre ans, il déploie tout son savoir-faire politique pour conquérir la présidence du parti. Et il lui faudra encore trois ans pour mener son parti à la victoire. "Barroso est méthodique, extrêmement rationnel : il planifie tout, jusque dans sa vie privée, rapporte M. Rebelo. Il est par-dessus tout extrêmement méfiant : lorsque quelqu'un lui expose une idée, il se demande toujours où son interlocuteur veut véritablement en venir, et par qui il est envoyé. Je n'ai jamais vu quelqu'un passer autant de temps à étudier les sondages, les profils psychologiques et les déclarations de ses adversaires comme de ses partenaires. Pour lui, la politique est d'abord une science."

Afin de faire cesser les fuites qui étalaient dans la presse les débats internes au parti, Barroso a utilisé une bonne vieille méthode bolchevique : en distillant des confidences différentes à chacun de ses interlocuteurs, il pouvait déceler l'origine des fuites. Depuis, celles-ci ont cessé.

Malheureusement, cette maîtrise de la tactique politique, utile dans la conquête des appareils du parti, n'impressionne guère l'opinion. Barroso est considéré comme un piètre leader de l'opposition et un mauvais débatteur. "Je ne l'ai jamais entendu exprimer une opinion claire et déterminée sur un sujet important. Il a bien changé depuis le MRPP", soupire José-Luis Sardanhes. Il faudra toute l'impéritie des socialistes, contraints par les scandales à répétition d'affronter des élections anticipées, pour que le PSD l'emporte en mars 2002. Certes, les Portugais reconnaissent à leur premier ministre le mérite d'avoir redressé les finances publiques. Mais, comme le note M. Antunes, "Cavaco Silva avait un grand dessein pour le Portugal : ce n'est pas le cas de Barroso, qui n'a su que répéter aux Portugais trente fois par jour " le déficit, le déficit, le déficit ". La différence, c'est que Cavaco Silva a fait gagner 20 % de voix au PSD d'élection en élection, alors que Barroso lui en a fait perdre 30 %".

"Vous savez, dit M. Rebelo avec une suave perfidie, Barroso n'est vraiment pas un doctrinaire. Il n'est ni libéral, ni atlantiste, ni social-démocrate. Mais il étudie avec précision les arguments de ses adversaires - son expérience de jeunesse lui a fait bien comprendre les contradictions de ses adversaires de gauche. Et sur tel sujet, il pourra être plutôt social-démocrate, sur tel autre foncièrement libéral, sur le troisième totalement démocrate-chrétien. Etc."

Antoine Reverchon


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A retoma das OGMA

O Ministro da Defesa recentemente empossado fala abertamente, hoje no jornal Público, referindo ...


É um serviço prestado ao país, que deve ter uma indústria de Defesa e não apenas ser cliente das indústrias de Defesa dos outros


Bom se assim é as empresas SEBASTUR e a THALES E-TRANSACTION CGA deverão fechar as "portas"...

Publicado por António Duarte 13:39:00 0 comentários Links para este post  



"nota da gerência"

Parece que alguns dos nossos leitores, quiçá sob a influência de substâncias psicotrópicas, resolveram disparatar nos comentários...

uma única nota - é preciso ser muito imbecil, ou estar a apostar tudo na confusão, para em seu perfeito juizo alguém assinar que este blog é de um grupo de "magistrados do norte", ainda por cima simpatizante do juiz Rui Teixeira. Atendendo a que - e basta ir aos nossos arquivos - deve ter sido aqui onde mais mais se zurziu nesse "super-magistrado" o resto das "inferições" é de rir e chorar por mais.

Continuem! Se não houver vagas no SIS pode ser que o Jornal do Incrivel reabra...

N.A. - e eu obviamente sou aquele magistrado de Penafiel - o José Narciso - esse mesmo, em quem para disfarçar, só para disfarçar, me farto de bater...

Publicado por Manuel 11:11:00 32 comentários Links para este post  



porno & hard-core...

Arnaut "Despeja" Ambiente da Rua do Século
Por ANAN FERNANDES
Quarta-feira, 21 de Julho de 2004

O novo ministro das Cidades, José Luís Arnaut, ocupou o Ministério das Cidades e do Ambiente, na Rua do Século, impedindo que o titular da outra pasta, Luís Nobre Guedes, pudesse instalar-se no gabinete ministerial.

Assim que tomou posse, no sábado, o social-democrata rumou ao Bairro Alto, entrou no gabinete até então de Arlindo Cunha, e começou a colocar tudo o que dizia respeito ao Ambiente porta fora, isto é, para os corredores. Na segunda-feira, Nobre Guedes arriba à Rua do Século e descobre que tem de se amanhar com um dos gabinetes antes ocupados pelos secretários de Estado. Até ontem, estava sentado à secretária que já foi de José Eduardo Martins.

Segundo os funcionários desta instituição, a confusão é geral. Arnaut terá argumentado com Nobre Guedes que, como o Ministério se chamava, nos últimos dois anos, das Cidades, do Ordenamento do Território e do Ambiente, a prioridade é dele. E também lembrou ao ministro do CDS que ele - Arnaut - era mais antigo no Governo. O pior é que, neste momento, ninguém sabe onde está nada já que toda a documentação que estava na posse de Arlindo Cunha - e que, portanto, se referem a processos pendentes - foram despejados do gabinete sem lei nem ordem.

As questões ambientais estão na Rua do Século desde o início da década de 80, ou seja, há mais de 30 anos. O Ministério das Cidades, como tal, tem três dias. A pasta do poder local estava sob a alçada do responsável pelo Ambiente desde 1999, dos tempos de José Sócrates. A designação "Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente" foi da autoria já do Governo de Durão Barroso, quando, em 2002, Isaltino Morais assumiu a pasta.

Fala-se, agora, em mandar Nobre Guedes para a Casa do Ambiente e do Cidadão, na Rua de S. Domingos à Lapa, um palacete que está ocupado por vários serviços. A outra alternativa são as antigas instalações do Ministério da Economia, na Rua da Horta Seca, um edifício que está na lista do património do Estado a alienar pelas Finanças, razão pela qual todos os serviços lá instalados se tinham mudado no início do ano para o antigo prédio da Tabaqueira, na Rua Laura Alves.

Ou seja, todos os departamentos que funcionam na rua do Século há 30 anos têm de se mudar, com todas as despesas que isso acarreta.

Quem também procura local para instalar o seu novo ministério é Telmo Correia, ministro do Turismo. Até aqui, o Turismo era uma secretaria de Estado integrada no Ministério da Economia. Já o seu secretário de Estado deve instalar-se no Algarve


Publicado por Manuel 8:50:00 0 comentários Links para este post  



A female frog of the more garden variety carries her child across the road. Sierra Leone's fledgling eco-tourism industry could get a boost with the recent re-discovery of a distinctive golden-colored giant frog in the Western area around the capital Freetown.(AFP/File)


Publicado por Manuel 8:26:00 0 comentários Links para este post  



"Bolinhas..."


A Justiça é cada vez mais uma lotaria: depende das bolinhas do sorteio.

Gastão in Incursões


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porque sim...



Publicado por Manuel 21:17:00 0 comentários Links para este post  



"apocalypse soon"

Vivemos no tempos dos factos consumados, no tempo das grandes Verdades, escritas desde tempos imemoriais nas estrelas, vivemos nos tempos d' os escolhidos, d' os iluminados, e d' os eleitos - que não pelo povo. Vivemos num tempo em que tudo é permitido, em que vale tudo, mesmo tudo, porque os fins justificam todos os meios. Vivemos num tempo em que todos sabem qualquer coisa de todos, e onde tudo se transaciona, da honra à verdade, num tempo onde tudo é relativo , relativizado, relativizável.



Vivemos num tempo onde o futuro não existe apenas e só o presente. O curso normal da história esse segue dentro de momentos...




Publicado por Manuel 16:24:00 2 comentários Links para este post  



"Dizem"



Dizem?
Esquecem.
Não dizem ?
Disseram.
Fazem?
Fatal.
Não fazem?
Igual.
Por quê
Esperar ?
Tudo é
Sonhar.

Fernando Pessoa

Publicado por Manuel 2:41:00 2 comentários Links para este post  






Turkish divers pass over the underwater art exhibition called 'Shark' which is situated near the southern Turkish town of Kas in the Mediterranean coast. (AFP/Tarik Tinazay)


Publicado por Manuel 0:10:00 0 comentários Links para este post  



Portas, Jardim e ... Menezes

O autarca social-democrata Luís Filipe Menezes acusou hoje Paulo Portas de ter estado "no momento, sítio e hora errados" quando afirmou, no Funchal, que o ciclo político de Alberto João Jardim estava a terminar.

O autarca de Gaia comentava, à margem da inauguração de uma exposição, a troca de palavras entre Alberto João Jardim e Paulo Portas ocorrida no passado sábado, no Funchal, onde o líder do CDS/PP se deslocou para participar no jantar comemorativo dos 30 anos da fundação do partido popular.

à afirmação de Portas de que "o ciclo político de Jardim estava a acabar", o líder do Governo Regional e do PSD madeirense reagiu afirmando que antes do seu ciclo político acabar na Madeira, "acabará o de Paulo Portas na política".

"Mandava o bom-senso que Paulo Portas se concentrasse apenas nas eleições dos Açores onde há uma coligação para vencer", referiu Menezes.

Luís Filipe Menezes sustentou ainda que "debilitar o Governo de Alberto João Jardim na Madeira é debilitar a coligação no continente".

Segundo o autarca de Gaia, as palavras do líder do CDS-PP e ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar não foram "transcendentes do ponto de vista factual", mas a oportunidade "não foi a mais feliz".

Luís Filipe Menezes considerou, contudo, que o que aconteceu foi apenas um episódio. "Será bom que não se repita", frisou.

Paulo Portas é por estes dias um homem feliz. Só pode. E ainda mais feliz deve ficar depois de ouvir estas declarações de Luís Filipe Menezes... Porque o que Menezes disse é música para os ouvidos de Portas, música celestial mesmo. Quando o autarcazeco de Gaia afirma que "Mandava o bom-senso que Paulo Portas se concentrasse apenas nas eleições dos Açores onde há uma coligação para vencer", sendo ainda por cima um destacado militante do PSD, aquilo que na prática está a afirmar - inferir - é que o PSD e o PP partidariamente e na prática devem funcionar como uma única entidade - um único Partido. Ora nada mais agrada a Portas que essa fusão...


Publicado por Manuel 18:11:00 3 comentários Links para este post  



As palavras que nunca direi

Estive quase a escrever um post sobre a vida amorosa de Pedro Santana Lopes - os amores e desamores. Estive quase a escrever que Pedro Santana Lopes é (ou foi) mulherengo, que gosta de sair à noite e de apreciar umas miúdas nas passerelles. Mas não escrevo!

Portugal, esta Democracia tão jovem, precisa de estabilidade!

E não ficaria de bem com a minha consiciência, ao ver Pedro Santana Lopes a irromper pelo Palácio de Belém queixando-se ao Presidente da República dos ataques que está a sofrer anunciando, por fim, que se retirava da vida política.

Não, isso não!


Publicado por Carlos 17:58:00 7 comentários Links para este post  



"Dívida"

Os tribunais devem aos advogados nomeados oficiosamente, em honorários e despesas, cerca de 5 milhões de €uros. É uma dívida legalmente assumida e relativamente à qual nenhum argumento servirá para justificar o atraso no pagamento. Para muitos advogados, esses dinheiros são essenciais para as suas vidas.

No entanto, a crise do sistema oficioso de representação do cidadão economicamente carecido está aí. Tornou-se uma ficção com a finalidade de sustentar aparências: o acesso de todos à justiça numa aparente situação de igualdade. Poderia dizer-se, até, que mais do que o apoio ao cidadão, o que hoje está em causa é a subsidiação de um número importante de advogados. Uma sopa dos pobres judicial.

Para direitos, este seria um dossiêr que o ministro da Justiça deveria enfrentar de uma vez por todas, pagando-se o que é devido e remodelando o sistema de apoio judiciário de modo a que seja realmente eficaz.


Publicado por Manuel 15:55:00 0 comentários Links para este post  


A puppy for sale in Hong Kong. The pet-mad city can now keep the memories of their dearly departed companions alive in Hong Kong's first-ever pet cemetery, media reports said(AFP/File/Peter Parks


Publicado por Manuel 13:45:00 0 comentários Links para este post  



moralidade e bons costumes...

Este é o meu milésimo post nesta Venerável Grande Loja. Podia ser sobre motivos alegres, sobre passarinhos a chilrear mas não é. É apenas mais um sobre o Caso Casa Pia.

Os juízes Carlos Almeida, Telo Lucas e Rodrigues Simão vão analisar o recurso do Ministério Público sobre a não pronúncia de três arguidos do processo Casa Pia, incluindo Paulo Pedroso, informou hoje fonte da Relação de Lisboa. A fonte do Tribunal da Relação de Lisboa disse à agência Lusa que ocorreu hoje de manhã o sorteio dos juízes que analisam o recurso do MP (...)

Para quem não se lembra Carlos Almeida e Telo Lucas subscreveram alguns dos mais acrobáticos acordãos de que há memória na Justiça Portuguesa e no âmbito do Processo Pio. Foram estes distintos cavalheiros que puseram em causa a validade da identificação por fotografia, a validade dos reconhecimentos e foram estes cavalheiros que intruduziram um novo conceito de análise criminal - o da verosimilhança dos testemunhos face à pretensa honorabilidade pública dos visados...

Não é preciso ser muito dotado, e estar sequer muito bem informado, para se saber que as "conclusões" subscritas por Carlos Almeida e Telo Lucas são parte fundamental das alegações da defesa de Paulo Pedroso quer no requerimento de abertura de instrução quer nas contra alegações ao recurso do MP pelo que inevitavelmente Carlos Almeida e Telo Lucas mais do que julgar da validade da argumentação do MP vão é tratar de garantir a sustentabilidade da sua argumentação prévia, em suma vão defender aquilo que já tinham dito antes.

Legalmente até pode não haver rigorosamente nenhum obstáculo a que esses dois cavalheiros façam parte do colectivo que vai decidir da justeza, ou não, da não pronúncia de Paulo Pedroso, mas aqui o problema não é esse - o problema é muito mais simples, é de credibilidade e transparência.

Ninguém acredita - em boa fé - que os dois magistrados recuem nas posições que no passado já tomaram e a coerência fica-lhes bem, o que já não fica bem, nada bem, é não pedirem escusa do Processo, porque - não o pedindo - a imagem que passa indelevelmente é a de que tudo já está consumado e num bem determinado sentido. É que nestas coisas, o que parece é!


Publicado por Manuel 11:38:00 18 comentários Links para este post  



"Só o Ter"


Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
Basta para podermos
Achar a vida leve.

De todo o esforço seguremos quedas
As mãos, brincando, pra que nos não tome
Do pulso, e nos arraste.
E vivamos assim,

Buscando o mínimo de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
Translúcidos como água
Em taças detalhadas,

Da vida pálida levando apenas
As rosas breves, os sorrisos vagos,
E as rápidas carícias
Dos instantes volúveis.

Pouco tão pouco pesará nos braços
Com que, exilados das supernas luzes,
‘Scolherrnos do que fomos
O melhor pra lembrar

Quando, acabados pelas Parcas, formos,
vultos solenes de repente antigos,
E cada vez mais sombras,
Ao encontro fatal

Do barco escuro no soturno rio,
E os nove abraços do horror estígio,
E o regaço insaciável
Da pátria de Plutão.

Ricardo Reis


Publicado por Manuel 22:01:00 4 comentários Links para este post  



carta aberta a Telmo Correia

Caro Ministro do Turismo,

Transformamos pela primeira vez, a actividade económica em que queremos ser líderes, mesmo sabendo que nunca o seremos em ministério. O turismo que sempre foi tutelado pelo ministério da economia, passa agora a ser senhor de si próprio. É assim em Cabo Verde, Angola, Brasil e agora em Portugal, relativamente ao turismo. É uma decisão que peca por tardia, mas mesmo assim bem-vinda.

Duvido que vossa excelência, para além de ter mostrado a intenção de querer expulsar os visitantes dos claustros da Assembleia da República, conheça de facto na óptica do orgão decisor quais são os verdadeiros problemas do turismo em Portugal.

Duvido igualmente que a descentralização de um ministério até aqui inexistente, para o Algarve, possa de facto resolver os problemas. Porque o Algarve tem uma região de turismo que nunca conseguiu resolver os problemas, apenas contribuíu para os agravar. Não será por isso a tão falada deslocalização que irá transformar da noite para o dia, o panorama do turismo em Portugal. Falo-lhe especialmente do caso da região algarvia.

Considerada a partir do final da década de 50, um paraíso por turistas ingleses abastados que dividiam as suas férias pelas praias de Cascais e Estoril e pelo deserto Algarve inexplorado com poucos habitantes residentes e que tinha nas actividades ligadas ao mar a sua fonte de sustentação ( pesca, indústria conserveira e exploração das salinas ). No interior a agricultura e a pecuária ditavam a dimensão do escasso orçamento familiar.Aos poucos a região começou graças às suas excelentes condições naturais e climáticas a entrar no roteiro de viajantes e turistas do mundo inteiro, aos poucos começam a surgir hóteis de luxo para a época , e começa a iniciar-se um fluxo migratório do Norte do País para o Algarve com vista a estabelecerem-se na região quer na abertura de restaurantes, quer na exploração de hóteis. Aos poucos a região vai percebendo que o turismo é uma actividade com retorno económico e com base nesta percepção vai-se adaptando a actividade. Aqui temos o primeiro erro histórico, a região deixou desde muito cedo que fosse o turismo a ditar o desenvolvimento e não o desenvolvimento da região a potenciar a actividade turística. Aos poucos a região foi-se internacionalizando e copiando alguns dos piores exemplos em matéria de urbanismo e ordenamento do território, quintiplicando a sua capacidade hoteleira e de restauração, mas começando a diminuir os padrões de qualidade que caracterizaram a região nos anos 50. Locais inóspitos como Armação de Pera ou Quarteira ficaram transformados em autênticas urbes sem qualidade e esteticamente reprováveis. Começa a surgir o fenómeno do time-sharing e das vendas de apartamentos, a construção civil apoiada pela expansão da capacidade hoteleira torna-se na segunda actividade da região superando o comércio. É precisamente na década de 80 que se cometem os maiores atentados a sustentabilidade do meio ambiente.

Se por um lado a região recebia milhares de turistas por outro lado era ponto assente que não tinha criado as infra estruturas de base consentâneas com uma actividade motor de toda uma região. Pela primeira vez, o termo sazonalidade entra nos dicionários económicos e nem mesmo a entrada de Portugal para a CEE com consequente aumento da exploração da actividade em 1986 foi capaz de o eliminar, a região fica perto do pleno emprego no Verão mas o número de pedidos de subsídio de desemprego dispara no Outuno. Que o turismo é o motor da região algarvia não é novidade. Que o mesmo representa perto de 7,00% do PIB Português, sendo o Algarve responsável directamente por 67% da riqueza produzida directamente pelo turismo, obriga-nos a olhar para lá com outros olhos.

O ano de 1988 marcou uma viragem na forma de encarar o turismo e aquilo que ele representa para a região, sobretudo o turista português. Outrora claramente explorado e com distinção de preços para o mesmo serviço, o turista português começou a ser acarinhado na região. A razão deveu-se à queda dos mercados alemães e inglês devido à desvalorização do marco e da libra inglesa. Começam a enraizar-se outras épocas de afluxo ao algarve. Ao mês de Agosto, juntam-se a Páscoa, as pontes de Junho e a passagem de ano. Durante muitos anos, defendi que uma percentagem da sazonalidade se devia exactamente à incapacidade da região em captar outras formas de turismo associada claro a uma economia local excessivamente dependente da actividade turística. Apesar de a região possuir três cidades com importância supra-regional ( Faro, Portimão e Loulé) , todas elas com habitantes permanentes superiores a 50.000 hab, a subida para perto de 300.000 habitantes na altura do Verão levantou o véu sobre a incapacidade das infra estruturas existentes em sustentar o uso da população flutuante.

Mas , mesmo aqui a região sofreu importantes obras - O aeroporto de Faro sofreu uma remodelação e teve direito a um terminal novo e moderno, consentâneo com o turismo de qualidade que se pretendia. Em 1992 terminaram as viagens de ferry para ir até Ayamonte, uma nova ponte e uma autoestrada ( Vila Real St António a Albufeira ) colocaram a Andaluzia a pouco mais de 10 minutos e as economias ganham em todos os níveis, com o comércio e a restauração do lado português a apresentarem resultados positivos.

O Sotavento algarvio já possuia alternativa a EN 125, o barlavento havia de ter a Via do Infante (VLA) em 2003. A auto estrada que liga Lisboa ao Algarve ficou concluída em 2002, terminando as filas inóspitas na zona da Mimosa e as viagens de 6 horas. O Hospital do Barlavento abre as portas e dota a regiáo da mais moderna tecnologia médica permitindo assim dividir com Faro os cuidados de saúde outrora totalmente canalizados para a capital algarvia. Ainda antes da VLA ser uma realidade, já Portimão tinha recebido uma nova ponte, bem como uma ETAR novinha em folha e que iria tratar os resíduos antes de estes irem para o rio arade. Mesmo no final do ano e mesmo sem nenhum clube na Superliga, é inaugurado um estádio novinho em folha, fruto da cooperação intermunicipal para receber 3 jogos do Euro-2004. No campo da energia foram reforçadas as ligações de distribuição de energia entre Sines e Tunes e depois criada um linha de abastecimento alternativa para a região, depois do celebre apagão da cegonha. As barragens do Funcho e de Odelouca começaram a ser utilizadas para reforçar o abastecimento de água. Também os comboios algarvios vão receber uma linha electrificada entre Lisboa e o Algarve e já é hoje possível utilizar a ligação Oriente – Algarve via ponte 25 de Abril.Mas todas estas obras, apenas conseguiram atenuar o fenómeno, nunca elimina-lo. A região começa a receber vagas de imigrantes de leste para trabalhar na construção civil, criando-se autênticas comunidades de leste com direito a jornais nas línguas mãe e tudo. Provavelmente o chamado reservo da medalha.

O tecido empresarial da região continua a denotar forte influência do turismo, apesar de se modernizar não soube aproveitar algumas vantagens que a região possui em termos climáticos senão vejamos :

  • Porque razão uma empresa espanhola instalada em Silves foi pioneira na produção de sumo de laranja no país ?
  • Que visão terá tido um empresário holandes em produzir flores na região algarvia e hoje exporta-las para o Benelux ?
  • Por que importa o Algarve produtos horticolas , quando possuí condições para os produzir em excelentes condições apesar de ter uma agricultura de minifúndio ?

A razão constítui o segundo erro histórico da região. O turismo deve funcionar paralelamente com as outras actividades, sendo que estas se estiverem localizadas na região e se utilizarem o turismo como principal consumidor, terão concerteza economias de escala, geração de emprego e eliminação da sazonalidade. Apostar única e exclusivamente no turismo revelou-se um logro, não adequar a oferta turística para com o nível de procura originou entropias que nem mesmo as camas paralelas podem servir de desculpa. O Algarve é hoje uma urbe desorganizada sem sustentabilidade e com fracas noções de estratégia de desenvolvimento.

Numa altura em que o Algarve sofre uma concorrência de mercados mais atraentes por um lado e que recebe os visitantes que outrora preferiam países hoje marcados pelo terrorismo, é importante pensar – algo difícilna estratégia que a região quer para o futuro, mas sobretudo nos meios que se vão utilizar para alcançar os fins desejados. Apesar de ser uma tarefa que o tempo revelou não estar ao alcance de todos na região – pensar - torna-se relevante definir acima de tudo se queremos continuar a apostar no turismo da forma que temos feito até aqui ou se queremos introduzir algo inovador na região - Planeamento.

Não é possível que as autarquias – verdadeiros responsáveis pelo desordenamento do território - continuem a equilibrar os orçamentos municipais através da cobrança da SISA (agora Imposto Municipal de Imóveis) efectuando construções em altura onde nos respectivos PDM´s constam àreas para moradias ou espaços verdes. Não é admíssivel que a Região de Turismo do Algarve continue a ser um mero instrumento dos interesses do sector, é necessário que seja ela a definir algumas linhas do sector. O primeiro passo deverá surgir através de um levantamento da qualidade e da quantidade da oferta turística existente. Se a região recebe 2 Milhões de visitantes por ano faz algum sentido ter uma oferta na casa dos 4 Milhões de camas ? Depois seria eficiente que a própria CCR Algarve fosse chamada a intervir neste processo definindo quais os sectores económicos que mais terão a ganhar com uma colagem ao turismo. Ao garantir a produção de produtos ou serviços para o turismo, se os mesmos forem de qualidade serão certamente utilizados por consumidores fora da região e durante todo o ano.

Mas talvez mais importante que tudo o que para trás se encontra dito, não é aceitável que os responsáveis da região continuem a esgotar os recursos em prol de um inexistente modelo de desenvolvimento, colocando em causa o futuro das próximas gerações. Depois, o produto turístico que o Algarve vende não é único no mundo, pois o sol nasce em todo o lado, mas é exactamente aquilo que a região for capaz de oferecer para além do sol que irá atrair o turista. Seja ele o turismo de inverno ou de verão, o turismo cultural ou desportivo.

Se nada for feito dentro de 10 anos o Algarve estará a beira do colapso em termos de recursos hidricos e de consumo de energia. Mas porque o perigo existe alguém consegue quantificar os efeitos na economia portuguesa se um Prestige qualquer encalhar numa inóspita praia algarvia ? Não creio.

Senhor Ministro,

se não souber porventura estar ao alcance destes desafios, faça aquilo que sempre fez até hoje... Turismo.




Publicado por António Duarte 19:54:00 6 comentários Links para este post  


Paul English Azul's dragon balloon sails over Angel Fire, N.M., Saturday, July 17, 2004, during the Wings Over Angel Fire Balloon and Air Show. (AP Photo/Eric Gay)

Publicado por Manuel 16:01:00 0 comentários Links para este post  



XVI Governo Constitucional

Bem - Vindos

Às 17.00 horas de ontem, em pleno Palácio Nacional da Ajuda, tomou posse o XVI Governo Constitucional da República Portuguesa. Liderado por Pedro Santana Lopes, líder do PSD, e em coligação com o CDS/PP, este governo, terá nos próximos dois anos, alguns desafios que poderão, no caso de serem superados, contribuir para o engrandecer do desenvolvimento do país.

Muito se falou, sobretudo pela forma e pela falta de coragem demonstrada por Jorge Sampaio em não dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas. Muitos à direita acharam que Sampaio fez um favor ao País e que se conheceu um novo presidente. Exactamente aqueles que sempre que Sampaio falava na televisão naquele seu jeito monocórdico e sem acrescentar nada de novo, o criticavam veementemente, e achavam que ele se encontrava ao serviço da esquerda residente no Largo do Rato em Lisboa.

Hoje, o pensamento incoerente desses mesmos, que se encontram politicamente ao centro ou a direita, faz com que uma decisão ou ausência dela por parte de Sampaio tenha transformado,um presidente ausente e sem sentido de Estado, num outro com coragem e que preza a estabilidade política. A verdade é que Sampaio pelas razões sobejamente desconhecidas continuará a ser o mesmo presidente de sempre, ainda que se tenha refugiado no direito de controleiro do Governo de Santana Lopes, tornando-se ambos mutuamente reféns.

Mas, dizia no príncipio, independentemente de gostarmos do rumo que as coisas levaram ou não, devemos por respeito mas acima de tudo por devermos achar que acima das lutas pessoais e políticas se encontra algo muitas vezes esquecido e poucas vezes colocado na ordem inversa das prioridades - Portugal.

Não gosto do estilo de Pedro Santana Lopes, não gosto de alguns ministros, mas eles não estão lá para me agradarem a mim ou a si, mas sim para agradarem a 10 milhões de cidadãos que moram em Portugal. Agradarem, transformando um país letárgico num país dinâmico, colocando para trás os interesses pessoais e servindo a política, não se servindo dela. Não gosto igualmente da coligação e acho que ela só prejudica quer o PPD/PSD, quer por inerência a governação de Portugal. Não gostei da forma apressada como foram convidados alguns ministros e cozinhado o Governo, comprovado até pela reacção de Paulo Portas ao saber em plena tomada de posse que tutelava os Assuntos do Mar. Bem sei que é difícil e não faltará muito tempo para algum ministro por a "pata na poça", por achar que a promiscuidade e as incompatibilidades são males menores, quando se está sentado na cadeira do poder.

Não é assim, mas e porque certamente muitas vezes poderei aqui criticar as medidas do XVI Governo Constitucional, faço naturalmente votos que eles - XVI Governo Constitucional - consigam dar os passos em frente em prol do país. Mesmo não gostando deles, mesmo não gostando da forma como lá chegaram, o que fizerem que o façam de bom.

É tempo de pensarmos se queremos um país que cresça dois anos e esteja em crise 10, ou se queremos de facto tomar as medidas estruturais que tanto ouvimos falar , mas nunca ninguém teve coragem até hoje de as tomar. Pelo discurso mal preparado de Santana Lopes na tomada de posse, ele diz-se preparado para governar sem pensar em eleições. Se nos próximos dois anos ele conseguir fazer entre outras a reforma das reformas, a da mentalidade do país, então terá marcado pontos.

O problema é a inteligência e o facto de alguns acharem que a linha recta é o caminho mais curto entre dois pontos equidistantes, mas isso fica para outro dia. Hoje não sendo dia de festa, deveria ser dia de reflexão. De todos.


Publicado por António Duarte 1:23:00 4 comentários Links para este post  



hat-trick

Vasco Pulido Valente - "O que é isto?"

Depois do jurássico (Barreto e Bagão), chegaram finalmente as novas (?) gerações do «santanismo», que pretendem pastorear o País. Ficou tudo espantado. O que era aquilo? Qual era o nexo? O propósito? A ideia? Ninguém sabe explicar. Muda a «orgânica» do Governo, o que significa meses sem fim de querelas de competência, de orçamento, de personalidades. Não se vai encontrar um papel, um plano, um responsável. A intriga vai ferver. E, ainda por cima, cinco ou seis ministros entram em estado de inocência na trapalhada endémica a que se convencionou chamar, por eufemismo, administração pública. E porquê esta ginástica essencialmente frívola? Por causa de negociações que o primeiro-ministro garante que não houve? Apareceram amigos com «direitos»? Ou, simplesmente, o favor, como o amor, com o favor se paga? O recrutamento também não se percebe: dois chefes de polícia (Fernando Negrão, Daniel Sanches), com certeza um caso único na Europa; duas senhoras sem espécie de experiência política conhecida (Carmo Seabra e Maria João Bustorff); e a direcção do CDS em peso (Portas, Nobre Guedes, Telmo Correia), talvez para fingir que o partido existe. Pior que o recrutamento, só o grande mistério da distribuição: Nobre Guedes no Ambiente? Telmo Correia no Turismo? Negrão na Segurança Social? Vale a pena continuar? O último Governo que deu este sentimento de uma caranguejola fabricada à pressa e ao acaso foi o V Governo de Vasco Gonçalves. A coisa, que podia ser cómica, não tem graça. Metade dos ministros nem sequer imagina no que se está a meter. Não representa uma política e não inspira respeito. Com um dia de vida, o Governo já precisa de uma remodelação e o primeiro-ministro já perdeu o benefício da dúvida. Mas quem paga, é bom lembrar, somos sempre nós.

in DN

Publicado por Manuel 1:19:00 0 comentários Links para este post  



"Meu País Desgraçado"


Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

Sebastião da Gama (1924-1952).


Publicado por Gomez 18:00:00 1 comentários Links para este post  



"IV - Esta Tarde a Trovoada Caiu"

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos ...

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê — eu não tinha medo —
pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranqüilamente, como o muro do quintal;
Tendo idéias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor...

Sentia-me alguém que nossa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!

(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)

(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós ...
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!)

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega.

Alberto Caeiro


Publicado por Manuel 17:10:00 0 comentários Links para este post  



Joan Miró

Women and Bird in the Moonlight, 1949
oil on canvas, 81.3 x 66.0 cm

Tate Gallery, London.


Publicado por Manuel 12:09:00 0 comentários Links para este post  



Vasco Pulido Valente - "Estreia"

Apesar do incompreensível entusiasmo de certa imprensa e meia dúzia de comentadores, Santana Lopes começa mal. A escolha de António Bagão Félix, António Monteiro e Álvaro Barreto é um erro político e um sintoma de fraqueza. É um sintoma de fraqueza, no caso de Bagão, porque revela que ninguém de envergadura do PSD, ou da área do PSD, aceitou as Finanças, fatalmente por pura desconfiança no primeiro-ministro, e que foi preciso recorrer a um homem que já estava no Governo e que, ainda por cima, embora independente, sempre trabalhou com o CDS. É um sintoma de fraqueza, porque promover a ministro o embaixador Monteiro, também prova que não há no partido, ou no «santanismo», uma alternativa decente e razoável. E é um sintoma de fraqueza porque a ressurreição de Álvaro Barreto e sua extravagante ascensão a segunda figura do Governo mostra que, em matéria económica, o primeiro-ministro precisa de um tutor, que o oriente e que inspire por antiguidade (?) algum respeito. Os três - Bagão, Monteiro e Barreto - não passam de remendos. Isto à cabeça. Depois, tirando Monteiro, que não conta, Bagão e Barreto põem um problema grave. A presença de Bagão nas Finanças, com a sua origem CDS e a sua história na banca e nos seguros, transforma uma política nacional (em grosso, a de Ferreira Leite) numa simples política dos patrões. Os patrões, de resto, com a sua atávica estupidez, não se coibiram de aparecer na televisão em êxtase. O resultado não será bom. Quanto a Barreto, que apoiou sucessivamente e sem pestanejar Eanes, Mota Pinto, Sá Carneiro, Balsemão, o «Bloco Central» e Cavaco Silva, e que iria para ministro do Inferno se o Diabo o convidasse, para servir a Pátria e os seus senhores, é a perfeita soma de tudo o que anda mal na vida pública portuguesa. A «nova geração» de Santana Lopes, que tanto por aí se apregoou teve esta estreia. O que virá a seguir?

in DN


Publicado por Manuel 1:04:00 0 comentários Links para este post  



contas de cabeça


Paulo Portas cedeu ao eixo Dias Loureiro/Ângelo Correia o MAI, ficando com a nóvel pasta do Ambiente ora, atendendo à tradicional apetência dos segundos por líquidos, não deixa de ser curioso o valioso preço pago para o ex-DCIAP/PJ/SIS/SEF/(..) Daniel Sanches ocupar a pasta da Administração Interna e assim poder de novo tutelar o SIS e arredores.

Knowledge still is the real power...


Publicado por Manuel 23:59:00 0 comentários Links para este post  



uma flor única ou o retrato impossível de um País que não existe



Publicado por Manuel 22:15:00 0 comentários Links para este post  



"Mais triste do que o que acontece"

Mais triste do que o que acontece
É o que nunca aconteceu.
Meu coração, quem o entristece?
Quem o faz meu? Na nuvem vem o que escurece
O grande campo sob o céu.
Memórias? Tudo é o que esquece.
A vida é quanto se perdeu.
E há gente que não enlouquece!
Ai do que em mim me chamo eu!

Fernando Pessoa


Publicado por Manuel 21:53:00 0 comentários Links para este post  



  • Primeiro-Ministro

    • Pedro Santana Lopes

  • Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho

    • Álvaro Barreto
      (a segunda figura do Governo).

  • Ministro de Estado e da Defesa Nacional

    • Paulo Portas

  • Ministro de Estado e da Presidência

    • Nuno Morais Sarmento

  • Ministro das Finanças e da Administração Pública

    • António Bagão Félix

  • Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas

    • embaixador António Monteiro

  • Ministro da Administração Interna

    • Daniel Sanches

  • Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional

    • José Luís Arnaut

  • Ministro da Justiça

    • José Pedro Aguiar Branco

  • Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas

    • Carlos da Costa Neves

  • Ministra da Educação

    • Maria do Carmo da Costa Seabra

  • Ministra da Ciência e Ensino Superior

    • Maria da Graça da Silva Carvalho

  • Ministro da Saúde

    • Luís Filipe Pereira

  • Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança

    • Fernando Negrão

  • Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

    • António Mexia

  • Ministro da Cultura

    • Maria João Bustorff Silva

  • Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território

    • Luís Nobre Guedes

  • Ministro do Turismo

    • Telmo Correia

  • Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro

    • Henrique Chaves

  • Ministro dos Assuntos Parlamentares

    • Ru