O ciclo das citações virtuosas

Depois de passar um ano a "cascar" no director do Público entrei numa fase de sintonia com o senhor. Tudo por causa do seu homónimo Barroso e do mais recente Santana peixe-que-apodrece-pela-cabeça Lopes...

Fica o primeiro parágrafo do editorial de hoje do Público:


Há uns anos perguntei a um dos vários moderadores de um dos muitos debates televisivos em que Santana Lopes se especializara como é que ele fazia. É que, vistos do sofá, esses debates revelavam que a telegenia e habilidade do agora primeiro-ministro escondiam mal a sua ausência de ideias ou de conhecimento dos temas que tinha de discutir. Ele explicou-me que o truque era dirigir sempre a primeira pergunta ao adversário no debate, que Santana depois arranjava sempre forma de reagir. Umas vezes com umas generalidades, outras com ideias soltas, mas assim a coisa disfarçava-se. O risco era colocar directamente, em primeiro lugar, uma questão concreta à popular figura televisiva: o mais provável era não ter nada para dizer e o debate arrancar engasgado.

Publicado por Rui MCB 09:58:00  

1 Comment:

  1. Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO said...
    Quando era jornalista, havia um importante político do Norte que eu gostava muito de entrevistar e consegui dele magníficas entrevistas. Vaidoso, presumo que gastava horas a preparar as entrevistas com o seu assessor. Imaginavam, ambos, as perguntas que poderiam ser feitas e, juntos, preparavam as respostas. Sempre muito certinhas e politicamente correctas. Um dia descobri o truque para o entalar: era ficar calado no fim de cada resposta queo Sr. me dava. Era engraçado: preocupado por, eventualmente não ter sido muito brilhante, continuava, então, a falar e fugia do guião. Aí nasciam as verdadeiras entrevistas, que tantas dores de cabeça lhe deram...

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