O discurso de aceitação de John Kerry – O Iraque e um pouco do resto

Na convenção democrática de ontem, John Kerry não disse qual era a sua solução miraculosa para a situação no Iraque. E não o fez porque ela não existe.

Disse antes que encontrar a solução para o problema passará inevitavelmente por um entendimento com os aliados, por uma partilha de competências e de responsabilidades na condução da situação futura. Foi preparando os americanos para terem de entender um problema que não é, nem nunca foi, linear. Criticou as mentiras que se têm sucedido e das quais Dick Cheaney tem sido um dos mais óbvios propagadores; criticou a ida para a guerra sem um plano de paz.

No final da convenção, os comentadores da CNN, apresentaram a sua declaração sobre a solução da guerra como algo muito difuso, algo em que não se apresenta à vontade. Justificaram esta tese pelo facto de ter sido um dos que apoiou a intervenção num primeiro momento e por hoje não saber como resolver o problema.

Atendendo ao problema em questão e à analise que dele fez John Kerry, julgo que prestou um bom serviço ao seu país e ao mundo permitindo que se sublinhasse a complexidade do problema e deixando espaço para negociar sem vir a ter de faltar à sua palavra.

Já em relação a outras política como a educação, a segurança social, o sistema de saúde ou o acesso ao direito foi bem mais claro e incisivo como convém a um candidato a líder executivo de um país.

Como bem lembrou no seu discurso, quem quiser saber mais detalhes e conhecer melhor os seus compromissos pode e deve passar por John Kerry dot com (ou pelo blogue de campanha).

Publicado por Rui MCB 18:59:00  

7 Comments:

  1. dot said...
    Ó Ruizinhooo, ganheite pá, carago, eu cãocordo cão o que iscrebeste, mas eu bi olho-na-CNN o discurço, e cumentei logo a eça óra.

    (Á, e bóta os linques direitos, ou o Manéli bai trabalhar cumó carago... ;-))
    Inté eu os infio maizómenos cãopostos!

    (Istranho que afora nózes ambos, num aija muintos cumentários ó discurço nem em jurnais nem belogues)
    Carlos said...
    Alvino,

    Não te preocupes. O Manel, na qualidade de director executivo da Loja, tá cá pra isso. Pra corrigir os links
    zazie said...
    Ehehehe o discurso do Kerry... se o gajo falasse assim cá na santa terrinha era corrido a pontapé como exemplo de americanismo balofo “:O)))

    Vocês têm muito sentido de humor...
    Luís Bonifácio said...
    Ò Rui, vai ser gira, caso Kerry seja eleito, ver o Mário Soares no dia seguinte a dizer de Kerry o que hoje diz de Bush.
    Rui MCB said...
    Ó Zazie,
    Balofo? Mas o tipo é um trinca espinhas? Ainda se fosse o Michael Moore :-)

    O Bush também foi muito balofo nos seus primeiros discursos ao prometer que ia reduzir os impostos aos "menos desfavorecidos", tanto que foi uma das suas primeiras medidas concretizadas. E ao prometer aumentar os gastos com a defesa, tanto que estourou em três tempos com o superavite corrente dos orçamentos da administração Clinton.

    Quem nos dera ter um político que soubesse fazer um caldinho entre demagogia, refutação da argumentação adversária e comprometimento como o que escreveram ao Kerry antes de ontem.
    Mas deixa-me cá calar que se o João Miranda nos apanha com este discurso ainda nos acusa de estarmos a interferir com as liberdades dos eleitores americanos.
    Afinal de contas, o que é a América?
    zazie said...
    olá rui,
    Estou num cyber por isso isto vai um pouco tosco que o teclado está marado.
    Balofo de verbo, saco cheio de ar. E não disse que o Bush era umadelícia. Acho que são uns toscos os dois. Mas a questão não é esta e até percebo o JM. A questão é que acho tonto a forma como se vive em propaganda umas eleições em que não participamos, como se isso fosse um imperativo mundial. A única coisa que podemos fazer é votar cá pelo alinhamento com a política externa, por exemplo. O que nos restava era discutir teoria que, essa sim, pode ser geral. Ora, em termos de teoria este Kerry é uma anedota, pelo que me parece uma ideia muito pobre defender o mal menor utilitário numa coisa que nada de útil tem para nós.
    zazie said...
    por outro lado, ao passar-se por cima do que pode ser uma teoria para casos de aplicação concreta num país totalmente diferente do nosso, apenas podemos cair em falácias, tipo, se eu fosse americana para mim preferia... isto ou aquilo. Pois preferia, para começar até era capaz de preferir ser americana primeiro para depois saber o que preferia eheheh
    agora como tuga preferir pelo que não sou é preciso demasiada ambição ou então um conhecimento e vivência in loco que me parece que não é o caso.
    Fica a defesa em geral de ideias pobres que nem para nós queríamos, apenas porque há quem sinta que pertence a uma "família ideológica"...
    azar o meu que as não tenho...
    topas?

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