era uma vez um País...
terça-feira, outubro 05, 2004
Esta Venerável Loja não está em condições de garantir que o Objecto Voador Não Identificado, avistado em Abrantes, não tenha sido pilotado pelo ayatollah Rui Gomes da Silva, embora não deva ter sido, já que não se despenhou...
Publicado por Manuel 01:16:00 0 comentários
o homem do sino...
segunda-feira, outubro 04, 2004
Rui Gomes da Silva tem no seu curriculum muitas coisas, é um expert em materias colaterais a temáticas de defesa, sempre se deu bem com aventais, sejam regulares ou irregulares, sobreviveu à Moderna e é um dos compagnons de route da longa caminhada do camarada Lopes. Com a ascensão deste ao poder Rui Gomes da Silva viu-se subitamente fora da Comissão de Defesa da AR, longe de Conselhos Superiores mas ministro, enfim ministro. E logo dos Assuntos Parlamentares. Infamemente ignorado pela comunicação social (que nem quando ele apareceu ao lado de Morais Sarmento aquando de uma célebre conferência de Imprensa da Ministra da Educação lhe ligou puto) eis que o senhor Ministro resolve dar nas vistas... E, como se sabe, para este Governo a melhor maneira de dar nas vistas é marrar com a cabeça na parede, quantas mais vezes melhor. Não se sabe se por produção própria se por indução de algum consultor comunicacional o certo é que Rui Gomes da Silva decidiu promover o inócuo professor Marcelo a líder da Oposição. Assim e segundo o membro do Governo, "nem o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda juntos conseguem destilar tanto ódio ao primeiro-ministro e ao Governo como esse comentador (Marcelo Rebelo de Sousa), que, sob a capa de comentário político, transmite sistematicamente um conjunto de mentiras com desfaçatez e sem qualquer vergonha". "Nesses comentários, não temos uma análise independente à realidade política nacional, mas apenas espírito de ódio e de ataque pessoal", características próprias de quem se revela "inadaptado" pelo facto de ver Pedro Santana Lopes no cargo de primeiro-ministro, disparou ainda Rui Gomes da Silva. Ora o drama é que aquilo que irritou Gomes da Silva, as críticas de Marcelo à ponte, são das declaraçõ0es mais sensatas e sóbrias que Marcelo exarou nos últimos tempos. A semanas do Congresso do PSD percebe-se a ideia de inventar um papão interno - pretensamente alinhado com o inimigo externo - mas Marcelo?! Até Pacheco se vai solidarizar com ele, ena, até eu estou solidário (!)... Há erros que se vão pagar muito caro... Entretanto Marques Mendes deve estar a divertir-se à brava, esse era sim Ministro dos Assuntos Parlamentares.
Publicado por Manuel 20:18:00 6 comentários
crise...
... de valores, na religião, no desporto, nos negócios, procura de conselhos alternativos. Sai de baixo!
P.S. Por falar no transcendente e sobrenatural disseram-me, há dias, que nas provas escritas de um curso para coordenadores superiores de investigação da Polícia Judiciária, os alunos utilizaram telemóveis com câmeras fotográficas para fotografar as perguntas e receber as respostas por SMS. Simplesmente, não acreditei. É mais um boato que outra coisa. Só pode.
Publicado por Carlos 19:42:00 1 comentários
White House'04
Bush vs Kerry (XIV)
A Grande Eleição nunca esteve tão quente: a menos de um mês do sufrágio, que decidirá quem ocupa a Casa Branca até Janeiro de 2009, John Kerry e George Bush aparecem com resultados quase iguais nas últimas sondagens.
O candidato democrata voltou a liderar em dois estudos de opinião, depois de várias semanas atrás do republicano: uma sondagem da Newsweek dá 49 por cento, contra 47 de Bush e 2 e de Nader.
O Gallup, instituto que há poucos dias dava uma vantagem de 12 pontos ao Presidente, mostra agora um empate: 49/49, com apenas 1 por cento de intenções de voto para Ralph Nader e 1 por cento para todos os outros candidatos juntos.
Prova-se, assim, que a vitória de Kerry no primeiro debate teve mesmo consequências na corrida eleitoral. Falta saber a verdadeira extensão dessas consequências, mas, num plano largo, podemos dizer que o senador pelo Massachussets recuperou entre 3 a 6 pontos percentuais nas sondagens.
O «Election Projection» confirma esta tendência: na actualização feita hoje, Bush recebe 50 por cento dos votos a nível nacional, Kerry 48, sobrando dois por cento para os outros candidatos (Nader, Peroutka, Cobb, Admonson, Badnarik, Peltier, Dodge, Calero, Brown, Grimes, DiGiulio, Karr e Wells).
Mantendo esta tendência, o barómetro diário do «Rasmussen Reports» dá 48,6 por cento a George Bush; 46,1 a John Kerry; 1,9 aos outros, com 3,5 por cento de eleitores indecisos.
Em contra-corrente, a Universidade George Washington lançou uma pesquisa que confere uma vantagem de oito pontos a Bush: 47 por cento ao candidato republicano; 39 a Kerry, 1 a Nader, 1 aos outros, mas com um dado que pode explicar muita coisa: 12 por cento de indecisos.
Saber, ao certo, qual é a franja de indecisos, neste momento, é fundamental: a maior parte das sondagens aponta, apenas, 4 a 8 por cento, sendo certo que, nos últimos dias, Kerry tem conseguido captar a maior parte dos indecisos que passaram a declarar um sentido de voto.
Mas há também os «persuadíveis» (aqueles que declaram intenção de voto num candidato, mas podem ainda mudar o seu sentido de voto). Estima-se que haja entre 15 a 30 por cento de «persuadíveis». Este número aumenta consideravelmente (para perto de 40 por cento) nos «Swing States».
Por tudo isto, nunca foi tão adequado dizer que a eleição está empatada - «too close to call».
Dentro de uma semana, a Grande Loja publicará mais uma actualização das contas do Colégio Eleitoral, aquele que decidirá o vencedor.
Os números acima mostrados confirmam a ideia de que John Kerry ganhou um novo fôlego na batalha eleitoral. No entanto, do mesmo modo que antes do primeiro debate dizíamos que a vantagem de Bush nas sondagens nacionais podiam ser enganosas, também nos parece prematuro afirmar que Kerry passou a liderar a corrida.
De facto, um dos estados indecisos, a Florida, mostra agora uma forte tendência Bush. O Gallup publicou, há três dias, um estudo que dá 53 por cento ao Presidente no sunshine state, mais 10 do que Kerry (43 por cento).
A Taxa de Aprovação do Presidente oscila entre os 50 e os 53 por cento; nas eleições para o Congresso, o Partido Democrata lidera por 45/40 sobre o Partido Republicano. Três em cada 100 eleitores americanos votarão num «terceiro partido» (nem republicano, nem democrata), mas há ainda 12 por cento de indecisos.
Amanhã acontecerá o debate entre os vices - John Edwards e Dick Cheney defrontar-se-ão em Cleveland, no Ohio. O maior poder oratório de Edwards torna o candidato democrata um super-favorito para este debate.
Tradicionalmente, o debate entre os vices não tem grandes reflexos nas sondagens. Mas a vitória clara de Kerry no primeiro debate faz aumentar o apetite quanto aos restantes dois duelos entre os candidatos à Presidência - o próximo é já dia 8, sexta-feira, na Universidade de Saint-Louis, no Missouri. O último confronto é no Arizona, a 13 de Outubro.
Dia a dia, a Grande Loja faz uma cobertura exaustiva da Grande Eleição de 2 de Novembro. Sondagens, pesquisas, surpresas e os grandes temas a marcar em campanha s(er)ão aqui dissecados.
Publicado por André 18:44:00 0 comentários
"neverland"
João Morgado Fernandes tirou algum do seu tempo para um conjunto de réplicas tão enternecedoras quão esclarecedoras aos meus posts "Rosa ..." / "... e laranja". Para começar o João valoriza excessivamente a alegada discussão ideológica que terá ocorrido no processo eleitoral ora finalizado no seio do PS e que mais não é/foi do que uma questiúncula semântico-metafísica. Se exceptuarmos os delírios (não há outro nome...) colectivistas e nacionalizadores de João Soares a que se resume a dicotomia entre a ala esquerda e a ala pragmática do PS ? Apenas e só a questões colaterais (por muito que rendam num dado momento) como o aborto, o Iraque e pouco mais. Mesmo Ferro que é suposto ser um porta-estandarte da ala esquerda apresentou Sousa Franco às Europeias, Carrilho, esse perigoso esquerdista apoiou Alegre... Mais, o PC como de esquerda o validounovo PS de Sócrates ao não excluir convergências futuras, antes aceitar ponderá-las... Por isso, e se excluirmos questões de linguagem, onde aí sim há diferenças, as querelas ideológicas no seio do PS são meramente virtuais. Em suma não houve pois nenhum debate decisivo. Todas as matérias onde hav(er)ia duas soluções eram por definição secundárias. Até na questão presidencial o apoio a Guterres acaba unânime (Ferro dixit). Não foram apresentados dois modelos divergentes de governação concreta do País, etc, etc, etc... e todos nós nos recordamos das figuras (tristes) que Alegre fez nos Congressos da era Guterres que acabou sempre a apoiar. Saltando para as propostas concretas que concede "ainda não saltaram" o João confessa que é...
daqueles que consideram os famosos Estados Gerais do eng.º Guterres uma das coisas mais interessantes dos últimos anos na política portuguesa. Pela abertura à sociedade e pela possibilidade de circulação de ideias e propostas. Não terá sido por acaso que o PSD e (é verdade!!!) até o PCP tentaram imitar a ideia. Daí que me parece excelente que Sócrates siga o mesmo caminho. Pelos calendários normais, estamos a dois anos de eleições legislativas (a um ano, pelo calendário das antecipadas...), pelo que acho normal que Guterres - perdão, Sócrates - queira gerir esse calendário. E que as propostas venham a seu tempo.
E aqui é que colidimos frontalmente. Eu também acho em tese os Estados Gerais, as Convenções e eventos congéneres muito interessantes de um ponto de vista platónico mas, caiamos na real. Uma coisa é a participação da sociedade civil na vida pública, e por conseguinte política, outra bem diferente é o outsourcing que uma força política faça na "sociedade civil", permutada numas quantas dezenas de notáveis e independentes, boys em potência, para que esta apresente, qual teleponto, as soluções que esse Partido deva defender. Um partido deve, e pode, validar a bondade das suas propostas e ideias junto da sociedade civil, mas nunca deve delegar nesta, à bolina, a indicação de quais deverão ser as suas propostas du jour, isso é formalmente o mesmo que governar, ou fazer política, por sondagens ou feelings de assessores de comunicação... Resumindo o João Morgado Fernandes concede que de momento Sócrates não terá propostas concretas e substanciais. Q.E.D. Mas o João não se coibe ainda de afirmar com a maior candura deste mundo que ...
Pretendia-se, ainda, um nome para as Finanças. Essa é hilariante.
Lembram-se dos nomes que Durão queria para as Finanças? Presumo, mesmo, que muitos tenham votado nele a pensar num ministro das Finanças específico (e, já agora, no choque fiscal...). Acabou por ter que se amanhar com que havia. E que veio a sair melhor que a encomenda...
E ele que me perdoe mas hilariante é a argumentação dele. Depois de um destes dias Alegre ter considerado Sócrates mais à direita que Cavaco (coisa que o Professor, que foi visto pela última vez no concerto da Madonna encarecidamente agradece) eis que o João vem dizer, preto no branco, que Sócrates não é melhor que Barroso. Não espera, pelos vistos, que Sócrates seja capaz de apresentar (nomeadamente na área crucial que é a económico-financeira) uma equipa, e uma estratégia, sólida, coesa e corente. Em suma, parece que a melhor estratégia de Sócrates é, seguindo o raciocínio, peregrino, do João, nunca apresentar nomes e políticas concretas antes de ser eleito Primeiro-Ministro, porque podendo ser um fraco, como Durão, pode não conseguir uma vez eleito construir o Governo com os nomes, e as políticas, (não) anunciados em campanha... Como duvido que o João pense mesmo isto aguardo esclarecimentos...
Para rematar o autor do Terras do Nunca resolveu dedicar algum do seu grego à minha prosa sobre a manchete do Expresso do fim de semana transacto. Se por um lado não deixa de ser poético vê-lo corroborar teses do inefável Luis Delgado por outro lado a sua análise peca por ser rebuscada de mais. Inferir que a guerrilha, que vem desde os dias que precederam a formação deste Governo, entre o PP e o PSD existe com vista a essencialmente obscurecer mediaticamente o PS é um acto de manifesta coragem. Como é um acto de absoluta cegueira ignorar o que se tem passado nomeadamente nos últimos dias no seio da coligação, a não ser que o João, num acto de piedade cristã, esteja a fazer a vontade ao Primeiro-Ministro e a dar a este Governo o (i)merecido estado de graça que o Dr. Lopes esta semana pediu. Mas de novo, sobre o laranjal depois de dia 15 falamos.
Ainda a propósito do PS imperdível a prosa de Eduardo Dâmaso hoje no Público. Porém, Dâmaso tendo razão em tudo o que escreve deveria meditar melhor nas profecias, afinal o seu amigo, e Director, em tempos também assinou em tempos uma prosa entitulada "O Homem que nunca será primeiro-ministro" sobre um tal de José Barroso...
Publicado por Manuel 17:56:00 0 comentários
salon.com
"Oil, oil, toil and trouble"
The future won't be defined by East vs. West or Christian vs. Muslim. As Michael Klare's new book, "Blood and Oil," shows, it's all about who has, and who wants, the black gold.
Publicado por Manuel 15:55:00 0 comentários
réplica
Refere o sempre interessante De Direita.
António
Três pontos...
- 1. IVA. Se via imposto o preço dos bens aumenta 2%, vai existir influência no consumo segundo as elasticidades. Tudo bem. Acontece que a retração de consumo também acontece durante recessões, ou seja, só podemos comparar a receita de IVA se soubessemos qual o valor do consumo se a taxa se mantivesse a 17%.
Nesta recessão, com taxa de IVA constante, o consumo sofreria retração, logo a receita de IVA também.
É plausível, em teoria, argumentar que a subida para 19% minimizou a queda da receita via bens cuja elasticidade permite ganhos de receita fiscal.
Se foi o caso, ou o que aconteceu foi o que argumentas, são precisos alguns estudos e números que eu ainda não vi.
- 2. Túnel do Marquês. Triste retrato do país que temos, mas a diferença entre este túnel e inúmeras outras situações país fora reside em que houve um advogado que decidiu colocar isto em tribunal.
- 3. Funcionários públicos. 100% de acordo. Mas e a solução é?
A minha réplica...
- 1. IVA. Estamos de acordo que subir a taxa de IVA tem efeitos no nível de consumo. Estamos de acordo que determinados bens por serem mais ou menos elásticos sofrem mais ou menos em termos de venda devido a uma subida do IVA. Aliás o próprio ministro Bagão Félix ao propor uma subida do preço do tabaco para o dobro taxando o imposto sobre tabaco, não o esta a fazer por questões de saúde, mas sim porque sabe que a % de pessoas que deixará de fumar devido ao aumento do preço será redundante.
Portugal foi o país onde o consumo privado apresentou a maior queda, não porque o IVA subiu, mas porque a recessão assim o infligiu. Certamente que te recordas da intervenção do FMI em Portugal e te lembras das conclusões que a subida de impostos em ciclo contraccionista da economia, é um medida de contra-ciclo que quando tomada em no ciclo errado agudiza a crise.
Se o motivo da subida do IVA tivesse sido o controlo da inflação, e eu nem diria nada, porque independentemente da quebra de receita fiscal, o objectivo era estancar a massa monetária em circulação. Agora com o objectivo de aumentar a receita fiscal aumentar um imposto ao consumo, não me parece que o meio justifique sequer o fim. Olha, se em vez de subir o IVA tivessem descido o mesmo IVA em 1%, estimulando o consumo, será que a receita fiscal não seria superior a verificada com o aumento de 2% ? Ou se tivessem mantido o IVA, e subido por exemplo o Imposto sobre Produtos Petrolíferos, fazendo recair esse aumento no diferencial com os preços internacionais, não teria sido bem mais eficiente ?
- 2. Túnel do Marquês. Triste retrato do país que temos, mas a diferença entre este túnel e inúmeras outras situações país fora reside em que houve um advogado que decidiu colocar isto em tribunal.
Manuel, não podemos condenar um advogado que, vá se lá saber porquê, decidiu instruir-se de responsabilidade social e meter um processo em tribunal. O que me preocupa aqui, é que cada dia de obra parada, quer concordemos com ela quer não, é dinheiro que sai exactamente do meu e do teu bolso.
- 3. Funcionários públicos. Manuel, temo que se disser aqui tudo o que penso, essas duras verdades possam doer.
Em primeiro lugar, não podemos ter uma função pública que em 80% do País trabalhe para si. A Função pública deve ter sim 80% dos seus serviços a laborar para o país. Portanto, e em primeiro lugar, uma clara reorganização estrutural, onde se efectue o aglomerado de serviços que tratam das mesmas coisas, num só serviço central. Centralizar, neste caso, é sinal de melhor gestão.
Em segundo lugar, assumir que existem funcionários públicos a mais não chega. É preciso introduzir sangue novo, produtivo e acima de tudo competente. E é preciso negociar saídas, aumentando claro as contribuições da segurança social para os que voluntariamente abandonarem a função pública.
Em terceiro lugar, é ou não verdade que alguns serviços actualmente prestados pela função pública podem ser prestados por privados sem por em causa a imagem do Estado ? Um exemplo, os notários. Avance-se com isso.
A reforma da administração pública é, algo que me custa dize-lo mas será sempre, uma eterna reforma adiada, porque implica despedimentos, reorganizações, horários cumpridos, produtividade nos serviços. Mas também implica responsabilidade do Estado, melhores instalações, uma maior informatização e acima de tudo uma capacidade, até aqui não demonstrada, do Estado em possuir serviços que possam servir o país e não o contrário.
Publicado por António Duarte 11:15:00 0 comentários
Publicado por Manuel 04:00:00 1 comentários
shorts
- Igreja da Lapa, coração da cidade do Porto. A meio de uma celebração dominical os fiéis são informados de que no exterior todos os domingos passam a estar 3, três, seguranças privados a vigiar o parque automóvel dos presentes, em média cada domingo, e durante as celebrações, dois a três veículos eram assaltados e face à inoperância da PSP eis a contratação de uma empresa privada. Rui Rio, o tal que foi eleito com promessas de acabar com os arrumadores, devia meditar no assunto.
- Os maiores disparates, as maiores tragédias, começam quase sempre com as melhores das intenções. No Afixe e com o pretexto de que se tal não ocorrer será "a desculpa necessária, a quem dela precisa e por ela porfia, para acabar com este meio de liberdade em que se consubstanciam os blogues." defende-se a auto-regulação da blogosfera. "O problema é que sempre que o homem abusa da liberdade que lhe é dada, o passo seguinte é ser encarcerado numa teia de restrições. Dê-se uma vista de olhos pela história da comunicação social em Portugal e no mundo. Após momentos de grande liberdade e abertura, vieram as inevitáveis tendências para abusar e consequentemente períodos de censura e obscurantismo." pode lêr-se lá. O pretexto para tão nobres quão obtusos raciocínios é, what else, o Caso Pio e a cobertura "apaixonada" que o Do Portugal Profundo tem feito do caso. O autor da peregrina ideia não percebeu, mas nós explicamos - o problema é sempre o limite e quem o define. No caso presente ele não gosta que certas matérias relativas ao Processo Casa Pia venham a público, mas e nos outros casos ? O ministro Nobre Guedes também não deve achar piada nenhuma ao blog que lhe descobriu a careca no caso da Arrábida... Qual é a fronteira entre serviço público (que é o que suponho considera a denúncia do estranho caso das ruínas que até de sítio mudaram) e a "poluição" que será a divulgação de documentação relativa ao Processo Pio e que tanto quanto se sabe não estão sequer em segredo de justiça ? No Afixe defende-se (?) uma blogosfera eugénica, limpa, de preferência sem más notícias, sem sangue, sem maus... Se o mundo não é assim, porque há-de a net ser diferente ? A blogosfera indígena é tão somente o espelho de um certo Portugal, se não se gosta do mesmo, então que se trabalhe para mudar o país, não para objectivamente amordaçar a blogosfera. É que havendo por aí muita coisa de que não gosto, de um extremo ao outro, sempre vou preferindo que as coisas vão sendo feitas às claras, do que naquela clandestinidade complacente em que este país é pródigo, e depois quem define bom gosto? O país não ficará melhor se subitamente certas temáticas deixarem de ser discutidas ou defendidas online, o país ficará muito melhor quando não houver ou necessidade de as discutir ou quem as discuta quer online quer de formas mais arcaicas. Quanto ao limite este existe, é muito claro, e é a Lei geral.
- Um senhor que ao que parece é reitor da Universidade Católica Portuguesa, não se sabe é até quando, dá uma entrevista ao Público/RR/2: e entre outras coisas afirma que "está preocupado com o sucesso escolar dos alunos que chegam ao ensino superior e considera que um dos factores que contribuem para o insucesso é a existência de uma "pressão" da indústria nocturna sobre os estudantes." Mais, e segundo o Público o tal reitor defende que "o poder político deve intervir na regulamentação desses espaços de diversão, de modo a que os estudantes não os frequentem tão intensamente". Sinceramente não se percebe porque fica o homem por aí, afinal canais de TV e rádio a funcionar 24h/dia, acesso à net 24h/dia são formas de pressão (!) tão grandes como as da indústria nocturna, ou não são? Era suposto quem quem acede a um establecimento de ensino superior tivesse já um mínimo de maturidade, afinal ou já podem votar, ou pouco lhes falta, mas, e onde menos se espera, lá se encontram uns encapotados seguidores das teses do Camarada Mao. Falando de coisas sérias, ou Braga da Cruz tinha alguma coisa para dizer e dava a entrevista ou não tinha e ficava calado. A Universidade Católica Portuguesa enquanto instituição é algo de demasiado sério para andar ao sabor das vaidades pessoais e passava bem sem mais (este) motivo de chacota. A propósito, o senhor reitor também falou de financiamentos (públicos), pode ter toda a razão do mundo e é um facto que a UCP globalmente já fez muito pelo país, mas antes de pedir mais um chavo que explique muito bem o que se passou, e vai passando, no soon-to-be-closed Polo de Viseu da UCP. Por aquilo que se sabe, e, sobretudo, pelo que não se sabe muito menos consegue perceber, aquilo é um caso de polícia, nada, mas nada católico.
- Ainda a propósito da recém aprovada Lei-Quadro dos Serviços de Informações ninguém ligou, ninguém estranhou, nem mesmo Vital Moreira, que se mantem num púdico e reservado silêncio, mas eu continuo sem perceber. Reorganizam-se as secretas, permite-se a nomeação de um espião-mor, com mandato vitalício, e tudo, tudo mas mesmo tudo, sem ter que se dar cavaco ao Presidente da República. Se o PR não serve para nada bem, então, que o digam com as letras todas. Algo me diz que este acordo PS/PSD/PP sobre a bloco-centralização da recolha e tratamento de informação sensível e previlegiada vai servir de template para pactos de regime que aí virão. Péssimo sinal, péssimo sinal mas como o tema não vende do Bloco ao PCP nem um pio... É a democracia que temos.
Publicado por Manuel 03:06:00 2 comentários
A fossa pup takes a quick peek under the watchful eye of its dam (mother) on Friday, Oct. 1, 2004 at the San Diego Zoo. The fossa pup is one of three fossas to be born at the Zoo since 1994. The two females and one male, can be seen spending their day following the adult female while exploring their new exhibit and playing. Fossas are only found in the forests of Madagascar where they are the island's largest carnivores.They are now considered an endangered species. (AP Photo/San Diego Zoo, Ken Bohn)
Publicado por Manuel 02:13:00 0 comentários
"o portugal futuro"
o portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhes chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo
Publicado por Manuel 01:12:00 0 comentários
... e laranja
domingo, outubro 03, 2004
Para as bandas da coligação no poder a rebaldaria total e completa continua. Tal como se previa a rapaziada do PP, calejada e absolutamente profissional, colocou o PSD in su sitio. Miguel Relvas, secretário-geral do PSD, já veio sorrateiramente informar que em matéria de coligações o PSD não tomaria - pudera, não pode, porque senão o Governo cai automaticamente - nenhuma decisão antes de ... 2006. Ora o Congresso do PSD é para o mês que aí vem. Não se percebendo a manchete do Expresso desta semana, percebe-se que esta é no entanto o príncipio do fim de qualquer coisa. Não que haja uma lógica por detrás da tal manchete pomposa do Expresso até porque a "fonte" - desmentida pelo Dr. Portas - "altamente bem colocada" (sic) de que falava esta noite o Prof. Marcelo só pode ter sido, a existir, o Dr. Lopes, como continua a ser absolutamente deprimente ver dia-a-dia o absoluto défice de autoridade, a começar na do Primeiro-Ministro, projecto e estratégia que grassa neste Governo. A verdadeira peixeirada à volta da questão da central de comunicação governamental, e sobretudo de quem a controla, não pode servir para escamotear o essencial - a política tem que ser feita por políticos pois são esses que são eleitos e escrutinados. Dito isto, a partir do momento em que não são políticos mas técnicos comunicacionais que marcam a agenda, que definem o que é feito e quando, então alguma coisa está bem mal, a começar pela essência do nosso sistema democrático. Compreendia-se que houvesse um controleiro no seio do Governo, fosse ele quem fosse, mas um político, puro e duro, já não se compreende que questões fulcrais sejam decididas, em regime de outsourcing, por mercenários emprestados - a ganhar até mais que o Presidenteda República (!) - por esta ou aquela agência de comunicação. Nos entretantos, temos um PSD, partido de poder, refém, absolutamente refém, de um PP liliputiano, um Governo com políticas avulsas e desconexas e umas finanças públicas no estado que se conhece. O Orçamento é já dia 15, depois falamos...
Publicado por Manuel 22:08:00 1 comentários
rosa ...
Acabou o Congresso do PS. José Sócrates é agora formalmente líder da oposição e putativo candidato a primeiro-ministro.
Um destes dias o João Morgado Fernandes escrevia ...
Dou-me cada vez pior com os lugares-comuns. Deve ser falta de paciência, uma forma educada de me referir à minha própria idade. Um dos lugares-comuns em que mais tropecei nas últimas semanas respeita à corrida para a liderança do PS. Que foi uma troca de insultos, ouvi. Que foi um deserto de ideias, li. Que nada de novo trouxe, disseram. O lugar-comum: a política caiu no vazio. Discordo. Como raras vezes antes, discutiu-se política. Com ideias, com propostas marcadamente diferentes. Com propostas construtivas, no caso, de uma alternativa. Até com elevação, apesar das picardias normais, e até desejáveis, nestas coisas. Parece-me que, nestes longos meses de campanha, ficou claro que Alegre e Sócrates têm um PS bem diferente um do outro na cabeça [parece que havia um terceiro candidato...]. A política de alianças, o papel do Estado, o aborto... uma data de coisas em que divergem e sobre as quais se pronunciaram. E tudo isto foi feito em público, com clareza de linguagem. Pela parte que me toca, estava bastante curioso acerca do desfecho, embora não tivesse dúvidas sobre o vencedor. Mas, pela primeira vez, ia ser esclarecido acerca do que pensa e que quer o eleitor médio do PS - parto do princípio de que os militantes são, de alguma forma, representativos do eleitorado. Após o recentramento da era Guterres, interessava-me saber que PS temos, onde exactamente se coloca ele no espectro partidário. Sobre isso, esta disputa pela liderança foi clarificadora. Como poucas vezes na política portuguesa. E é por isso que não entendo os comentadores.
Estive quase, quase, mesmo quase, para replicar na hora mas, por uma vez, esperei. Esperei pelo Congresso, pela entronização, a ver se se consumava algo que me tivesse passado ao lado. Não me parece que tenha passado.
Eu lembro-me de João Soares (aquele que falou vagamente em nacionalizações (!)) insinuar que Sérgio Sousa Pinto, apoiante de Sócrates, teria dito que os resultados seriam sempre num mesmo sentido, lembro-me de Alegre se queixar do peso excessivo da estrutura no universo eleitoral do PS, lembro-me de umas polémicas por causa da existência ou não de debates entre os candidatos e em que termos, e até me lembro das picardias ocorridas no final de um no Porto. Eu constatei a falta de speed de Sócrates na recta final (que antecedeu as directas) que fez voltar à ribalta a máquina de Coelho, o qual cobrará a seu tempo bem caro o elevado score que a sua gente conseguiu a Sócrates, também me lembro de um texto vago e nebuloso publicado no Público antecedido por um outro publicado no DN, lembro-me de isso tudo. Mas debate sobre temas concretos, reais, substantivos, projectos, reformas ? E sei que a esmagadora maioria dos militantes do PS que votaram em Sócrates o fizeram por uma, e uma só, razão bem prosaica - por o considerarem, só e apenas, como o mais bem colocado para recolocar o PS no poder, independentemente das teses, projectos e ideias que defenda que isso é secundário. O PS não virou à direita, ao centro ou à Armani, o PS simplesmente prepara-se para tentar reconquistar o poder e Sócrates estava lá. Hoje, ouvi atentamente o discurso da vitória de Sócrates, como ontem tinha ouvido o de Gama, e está lá tudo. O que devia estar, e o que se calhar não devia. Está lá a sede de poder, o desejo de vencer, está lá a energia, como está lá toda a tropa, e todos os vícios, da era Guterres. Sócrates não é líder, Sócrates é, por enquanto, quanto muito o farol. É ver o olhar reluzente de Coelho, o sorriso de António Costa ou a monumental lata do Tó Zé Seguro que negociou a sua continuidade na liderança do grupo parlamentar pelos jornais, o à vontade dos pesos pesados que apoiaram Alegre para se perceber que Sócrates é chefe, mas pouco. Até no caso da inclusão de Narciso Miranda e Manuel Seabra, o duo dinâmico de Matosinhos, nos orgãos nacionais, Sócrates perdeu ocasião de brilhar - foram os senhores que sairam pelo seu próprio pé, não o líder que disse alto e bom som que os não queria lá... Quanto ao discurso final no que tem de diagnóstico objectivo até eu o subscrevo em boa parte, no estilo é só e apenas um guterrismo new age, nas propostas, bem, nas propostas, vamos ter uns novos Estados Gerais, por outro nome, mas de substantivo nada, rigorosamente nada. E eu até nem sou muito exigente, só queria saber o que pensa, e o que propõe, José Sócrates em matéria de políticas económicas e financeiras, só e apenas. Revê-se no SPD alemão ? nas políticas do senhor Zapatero ? nas até há bem pouco tempo do senhor Chirac ? A mim bastava-me, não queria mais. Estou-me nas tintas para saber se o PS está mais à esquerda ou à direita, afinal se tal questão não preocupa o PCP que esperou que Sócrates fosse eleito para anunciar a sua disponibilidade para "acordos" então não preocupa ninguém logo e por muito que custe a Alegre todo o putativo debate em torno desta foi puro vapor... Muito provavelmente vai haver eleições antecipadas, muito provavelmente Sócrates terá boas hipóteses de as ganhar, ao contrários destes que estão no poleiro não está publicamente queimado e a memória é curta, mas substantivamente continuo sem saber o que irá realmente fazer muito menos quem será o seu Ministro das Finanças. Talvez o João Morgado Fernandes me saiba dizer...
Publicado por Manuel 18:45:00 5 comentários
Deus está em todo o lado ou não está em lado nenhum
O Vaticano (João Carlos Espada pronuncia-se na próxima semana) acha infeliz a aprovação do anteprojecto de lei espanhol que possibilita aos homossexuais casarem-se e adoptar crianças. falemos para já apenas do primeiro aspecto. O Vaticano não entende medidas destas como conquistas da modernidade e da democracia, antes como o início do fim. Eu, que passo a vida a reler o Livro do Apocalipse, nunca lá vi nada que me confirme as previsões do Vaticano, mas adiante. A família tradicional heterossexual está em crise? Pois está. Experimente o Vaticano passar a exigir às meninas casadoiras de branco vestidas que se apresentem virgens no altar, e a crise será ainda maior. Ensaie o Vaticano a monitorização do cumprimento das promessas de "união para todo o sempre" que esposos pios e beatos proferem no altar ( ou seja, excomungue os que seis meses depois já separaram o que Deus uniu) e a crise terá proporções biblícas.
Verifique o Vaticano se as estaladas e sovas de cinto com que o esposo brinda a esposa são conformes ao respeito pela santa figura da mãe de filhos baptizados, e crise será termo brando para definir a coisa.
Mas não. Parece que o problema da sagrada família para o Vaticano reside no facto de gays e lésbicas quererem a benção de Deus e a autorização do Estado, antes ou depois de juntarem os trapinhos. Parece que isso arruina a família tradicional.
Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado
Publicado por Manuel 17:49:00 0 comentários
A calico moor goldfish, an entry in the Jakarta Fish Fair 2004, swims in its tank on the last day of the three-day fish expo in Jakarta September 28, 2004. REUTERS/Darren Whiteside
Publicado por Manuel 16:11:00 0 comentários
O "recado" espanhol
Lê-se no Portugal dos Pequeninos:
O presidente do governo espanhol. José Luis Zapatero deu na passada sexta-feira uma interessante entrevista ao jornal Público. Quando a li, fiquei com a sensação de que, apesar da proximidade geográfica, continuamos bovinamente a milhas dos nossos vizinhos, como aliás sempre estivemos, mesmo com Franco. Não obstante os sorrisinhos e as amabilidades que fazem as "cimeiras ibéricas", desde Gonzalez a Zapatero, a verdade é que nós jamais conseguimos acompanhar o estonteante "ritmo" espanhol. Nem na alegria nos podemos equiparar, muito menos nas prioridades ou na qualidade de vida. Zapatero explicou que cerca de um quarto do orçamento de Estado é destinado à ciência. Para mudarmos o modelo de crescimento temos de ter mais laboratórios, mais títulos académicos e menos tijolos, disse ele. Lopes terá percebido? E não o preocupa ficar na história como um "grande líder político". Prefere antes ser conhecido como "um grande democrata". De facto, e no momento em que decorria a primeira "cimeira" com Santana, o país de Zapatero introduzia uma modificação legislativa impensável há uns anos na catolicíssima terra do macho taurino, aparentemente com ampla caução da actual sociedade espanhola. Eu subscrevo a ideia de que nem o código civil nem qualquer igreja têm o direito de interferir na minha concepção de família. Não são quatro ou cinco artigos espúrios da lei ou um sermão que devem deterninar com quem é que cada um pode viver, dormir ou ser simplesmente feliz. De Espanha, finalmente, sopram bons ventos e bons casamentos.
Publicado por Rui MCB 13:53:00 7 comentários
A bull elk stands on the shore of Coldwater Lake near Mount St. Helens at first light Saturday, Oct. 2, 2004 in Washington State as mist rises from the lake's surface. The massive 1980 eruption of Mount St. Helens formed Coldwater Lake, and now the terrain surrounding the mountain is ideal for elk habitat and the site is home to the largest herd of elk in the state. (AP Photo/Ted S. Warren)
Publicado por Manuel 04:17:00 0 comentários
Quem tem medo do Narciso Seabra?
sábado, outubro 02, 2004
(...) O secretário-geral tem direito a designar os primeiros nomes da lista para a comissão nacional, órgão que é composto por 251 dirigentes. Parte substancial da lista é designada, contudo, pelas estruturas locais do partido e pelos delegados eleitos ao congresso, que propõem os nomes ao responsável máximo pela lista. Nesse âmbito, a estrutura local de Matosinhos propôs os nomes de Manuel Seabra, presidente da concelhia, e Narciso Miranda, presidente da Câmara. Nomes que não foram rejeitados por Sócrates. (...)
in Público
O orgão tem 251 membros. Demasiados para que o PS se possa dar ao luxo de propiciar um certo "low profile" aos dois senhores ?
Sócrates já começou a pagar as facturas. Não se estará a vender por pouco?
Ou temos Maquiavel? Quem tem medo do Narciso Seabra?
(.)
Publicado por Rui MCB 23:48:00 0 comentários
Newsweek
"The Race is On"
With voters widely viewing Kerry as the debate’s winner, Bush’s lead in the NEWSWEEK poll has evaporated.
Publicado por Manuel 20:43:00 2 comentários
Saudades do futuro?
Soneto, s/ título, dedicado a J. Félix dos Santos
Sempre o futuro, sempre! e o presente
Nunca! Que seja esta hora em que se existe
De incerteza e de dor sempre a mais triste,
E só farte o desejo um bem ausente!
Ai! que importa o futuro, se inclemente
Essa hora, em que a esperança nos consiste,
Chega... é presente... e só à dor assiste?...
Assim, qual é a esperança que não mente?
Desventura ou delírio?... O que procuro,
Se me foge, é miragem enganosa,
Se me espera, pior, espectro impuro...
Assim a vida passa vagarosa:
O presente, a aspirar sempre ao futuro:
O futuro, uma sombra mentirosa.
Antero de Quental, “Sonetos” (1860-62).
Publicado por Gomez 16:02:00 0 comentários
File photo from July 22, 1980 showing the eruption plume from Mount St. Helens, with Mount Rainier in the background. Mount St. Helens again spewed steam and gray ash from a small explosive eruption in its crater on October 1, 2004, as the volcano awoke from its slumber for the first time in nearly two decades. A plume rose in a column from the crater on Friday in the first eruption since 1986, but was well below the scale of the catastrophic 1980 eruption that blew off the top of the mountain and spread ash across North America. REUTERS/Jim Valance/USGS/Cascades Volcano Observatory
Publicado por Manuel 01:06:00 0 comentários
executive summary
sexta-feira, outubro 01, 2004
Ontem, tecnicamente, ocorreu mais uma reunião do conselho de ministros, em Coimbra. Isto na teoria, porque na prática por causa de falhas de comunicação relativas à metodolgia a adoptar para resolver as mesmas houve foi muito, mas mesmo muito, wrestling verbal mais umas propostas direitinhas para o lixo.. Assim não há assessores milionários que adociquem o supositório, e isto até vai estar calmo até à aprovação do orçamento.
Publicado por Manuel 23:41:00 1 comentários
White House'04
Bush vs Kerry (XIII)
E depois do debate?
Kerry ganhou o primeiro debate, mas é ainda cedo para se determinarem as verdadeiras consequências desse triunfo. O avanço de Bush nas sondagens forçava o candidato democrata a apostar quase tudo no duelo de Coral Gables.
O senador pelo Massachussets respondeu bem: foi mais claro que o seu opositor e assumiu as rédeas do confronto. Tinha a necessidade de provar aos americanos que, com ele, não têm a temer novos ataques terroristas. Kerry subiu o tom das críticas à política externa de Bush e prometeu que retomará o multilateralismo, em contraponto com o isolacionismo de Bush, pós-11 de Setembro.
O tema favorecia, aparentemente, o texano — é a luta contra o terrorismo e o medo de novos ataques que estão a manter o Presidente à frente nas sondagens. Mas Kerry soube enconstar Bush às cordas, acusou-o de ter mentido aos americanos e de não saber como irá resolver o problema do Iraque, e, de acordo com os números publicados hoje, esta estratégia resultou.
Bush apareceu, por vezes, impaciente e até um pouco irritado. O melhor poder oratório de Kerry veio ao de cima e, tudo somado, a eleição parece ter ficado relançada. Os analistas referiam, antes do debate, que uma vitória clara de Bush praticamente selaria a eleição ontem à noite. Mas o cenário que ocorreu permite uma ainda maior aproximação entre os dois: Kerry terá, nos próximos dias, que saber vender a ideia de que o seu campo está a a recuperar e ganhou um novo fôlego.
O democrata soube confirmar a ideia de que, em debates, é mais forte do que Bush. Para mais, o de ontem não foi propriamente um debate: os candidatos não podiam dirigir-se um ao outro directamente, nem fazer perguntas (havia dois minutos para cada resposta, com 90 segundos de contra-resposta do adversário).
A fórmula dos outros dois pode favorecer ainda mais John Kerry. Recorde-se que a 8 de Outubro haverá um debate na Universidade de Saint Louis, Missouri, e o último a 13 de Outubro, na Universidade de Tempe, Arizona. Pelo meio, a 5 de Outubro, em Cleveland, Ohio, John Edwards e Dick Cheney farão o duelo dos vice-presidentes.
Numa actualização dos números que a Grande Loja libertou esta tarde, aqui fica uma nova pesquisa do American Research Group sobre quem terá ganho o debate de Miami: Kerry 56 por cento; Bush 41; Empate 3.
Entre os eleitores republicanos: Bush 88; Kerry 6; Empate 6
Entre os eleitores democratas: Kerry 98; Bush 2
Entre os eleitores independentes: Kerry 56; Bush 40; Empate 4
Nos media norte-americanos, a ideia de que Kerry venceu o debate foi praticamente unânime: «Kerry marca pontos e continua a perseguição», titula «The Nation»; «Um vencedor na substância, o outro no estilo», observa o «New York Post»; «Não foi vitória por KO, mas há boas notícias para Kerry», sentencia o «Chicago Sun Times».
Durante o decisivo mês de Outubro, a Grande Loja conta-lhe tudo sobre a Grande Eleição de 2 de Novembro. E a coisa está mesmo a aquecer...
Publicado por André 22:38:00 0 comentários
Alta Voltagem... Baixa Preocupação
A notícia foi publicada mas a sua principal conclusão passou despercebida a todos. A comissão europeia está à beira de chumbar o processo de integração da Gás e da Electricidade na empresa EDP Gás. Ao que parece os serviços da CE já aconselharam o comissário italiano, Mário Monti, a lançar um ultimato às empresas sob a forma de um ‘comunicado de objecções’ o qual, regra geral, indicia um chumbo ao processo.
Bom, e o que é isto tem de bombástico ?
Apenas, isto, sem a fusão aprovada não há reorganização de accionistas na Galp Energia para ninguém, apenas e só por isto :
A italiana ENI, aproveitou o erro do Engº Guterres, que vá se lá saber porque, e fez o negócio da China. Comprou os 22,34% á Petrocontrol e os 11,00% á Parpública. Pagou por eles 917 Milhões de euros.
A ENI recebeu 650 milhões pela saída. Mais 17 Milhões de dividendos. Mais 49% da futura EDP Gás avaliada em 800 milhões de Euros. Ou seja 1017 Milhões de Euros, realizando uma mais-valia de 100 Milhões de Euros, coisa pouca em menos de 2 anos.
Leram bem... EDP Gás ... a tal empresa que resulta da fusão do Gás na Electricidade, a tal empresa que se a Comissão Europeia vetar poderá resultar apenas nisto :
- Ou o Estado Português paga os 800 milhões de euros acrescidos de algo mais, para compensar os 49% do capital da EDP Gás que a ENI iria deter.
- Ou a ENI Spa impugna o concurso por incumprimento de uma cláusula, e isto meus caros, um reles detalhe, só implica que a Petrocer fica fora da Galp Energia.
Sim porque está implicto no acordo que sem EDP Gás a ENI SPA, não vende à Parpública os 33,44 % do capital da Galp Energia...
Meus caros, se isto não é Alta Voltagem...
Publicado por António Duarte 19:17:00 2 comentários
A 29 de Setembro de 2004, pelo Governo da República Portuguesa
14 710- (2) DIÁRIO DA REPÚBLICA— II SÉRIE N.o 232 — 1 de Outubro de 2004 - PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Gabinete do Primeiro-Ministro
Despacho n.o 20 381-A/2004 (2.a série).— Considerando que, no ano de 2004, o feriado de 5 de Outubro recai numa terça-feira;
Considerando que, no ano de 2004, muitos dos feriados estipulados na lei coincidiram com fins-de-semana:
Ao abrigo da alínea d) do artigo 199.o da Constituição e no uso dos poderes delegados pelo n.o 3 do artigo 3.o do Decreto-Lei
n.o 215-A/2004, de 3 de Setembro, determino:
1 — A concessão de tolerância de ponto aos funcionários e agentes do Estado, dos institutos públicos e dos serviços desconcentrados (...)
Publicado por Rui MCB 16:32:00 1 comentários
White House'04
Bush vs Kerry (XII)
Kerry ganhou o primeiro debate
John Kerry venceu o primeiro dos três debates presidenciais, realizado esta madrugada, na Universidade de Miami, Florida.
Uma sondagem feita pela estação televisiva CBS mostra que 43 por cento dos espectadores analisados disseram que Kerry esteve melhor, contra apenas 28 de Bush. 29 por cento acham que houve um empate.
Esta tendência é reforçada por pesquisas da CNN/Gallup e do American Research Group. O Gallup dá o triunfo a Kerry por 53/37, ao passo que o ARG estabeleceu dois critérios de análise: do seu painel habitual e uma votação dos seus leitores. O painel dá a vitória ao candidato democrata por 52/42 sobre Bush. Os visitantes conferem um triunfo bem mais expressivo do senador pelo Massachussets: 59/37.
Tradicionalmente, o primeiro debate é o mais relevante nos resultados eleitorais. E os últimos dados apontam para que haja ainda 17 por cento de «persuadíveis» (eleitores que podem ainda mudar o seu sentido de voto) e cerca de seis milhões de indecisos (talvez mesmo um pouco mais).
Falta saber que peso na votação irão ter os debates. Uma coisa é certa: se a vantagem de Bush não era definitiva, a partir de hoje a eleição está relançada com este novo fôlego de Kerry.
A Grande Loja publicará, ainda hoje, uma análise mais aprofundada sobre o conteúdo e a forma do debate de ontem. Será esta noite, com mais dados entretanto publicados e reacções dos comentadores. A não perder, portanto...
Publicado por André 15:40:00 5 comentários
Perceber as SCUTS....
Basicamente o que divide a sociedade neste capítulo, e a escolha entre o utilizador-pagador ou o modelo onde o Estado paga directamente ao concessiónario por cada veículo que lá passa. Infelizmente para mim, falar de SCUTS significa ir muito mais além.
A origem das SCUTS, surgem da necessidade do executivo de António Guterres em cumprir um plano rodoviário nacional que continha cerca de 3.000 kms de estradas e auto-estradas. Existem vantagens ao adoptarmos o modelo SCUT, e a principal prende-se com a entrada antecipada da via em funcionamento ao público, o que até veio a não verificar-se.
Perceber o processo SCUT é perceber um pouco do que foi a governação de António Guterres, um país sem capacidade de dotar anualmente o Instituto de Estradas de Portugal em mais de 500 milhões de Euros .
O processo SCUT não é mais que uma vã tentativa de se erguer obra sem possuir recursos financeiros para tal alongando no tempo esses custos, diluídos de uma forma que extravasa o modelo tradicional, através de um mecanismo de cobrança virtual com um ponderador de flutuação de tráfego no futuro e , imagine-se com fortes restrições durante o período da concessão na construção e beneficiação de vias principais adjacentes. O maior exemplo choque, chama-se Estrada Nacional 125 no Algarve.
Discutir de uma forma coerente as SCUTS, é assim relativizar sobre os seus custos e raramente a sociedade portuguesa tem sido colocada à prova, com questões sobre a verdadeira utilidade em termos de criação de riqueza nacional com estradas sejam elas SCUTS ou não. Parece-me que o tempo do betão que Cavaco Silva levou a cabo, deveria dar lugar a uma aposta noutro material também cinzento, mas denominado massa...a massa cinzenta. Mas é óbvio que o país necessita de melhores vias de comunicação, mas elas já não deviam hoje ser encaradas como um prioridade como o foram e bem, durante os primórdios do recebimento dos fundos estruturais.
Veja-se por exemplo, o caso da SCUT da Costa da Prata , que liga Vagos a Coimbrões, pouco mais de 80 Kms, em termos de execução financeira, e perceba-se, que o custo total final é :

Modelo Tradicional : € 77 Milhões de Euros
Modelo SCUT : € 129,4 Milhões de Euros
Perceba-se na leitura do gráfico, o que nos falta pagar, por uma estrada que agora e bem vistas as coisas se calhar até não era lá muito necessária.
Perceba-se que este é apenas um exemplo de uma SCUT e não das 9 existentes. Perceba-se que o diferencial em 80 Kms é superior a 55 Milhões.
Perceba-se que o sistema SCUTS tem activos neste momento perto de 1.400 kms.
Perceba-se de uma vez por todas este dilema, independentemente do sistema adoptado, que jamais nós deveríamos ter aventurado em algo que não conseguiríamos pagar no futuro, esse sim o verdadeiro erro, as SCUTS foram apenas a pior forma encontrada de consumar o erro.
A seguir... As razões insensatas de António Mexia para acabar com as SCUTS
Publicado por António Duarte 15:39:00 2 comentários
"Moções"
Está tudo vulgarizado. As moções de confiança e as de desconfiança.
No tempo do PREC, era jovem e crente na Revolução, fazíamos moções de manhã num sentido, de tarde noutro e à noite noutro ainda. Ao sabor da conjuntura e do frenesim dos acontecimentos.
Depois, após Novembro, tudo isso foi arquivado sem melhor prova que o estado democrático fora, finalmente, restaurado. Entrámos na República, a sério. Mas ficou-nos essa coisa das moções que os políticos usam nos partidos e a própria Assembleia da República usa com alguma parcimónia.
Os tempos foram decorrendo e as moções de confiança ou censura foram perdendo algum significado, mas existem, são praticadas, mesmo quando pouco inteligíveis, sobretudo quando provenientes de certas fontes.
Uma moção, mesmo em tempos em que se lhe reconheça algum significado político, carece, fatalmente, de sentido se é parida num centro de poder que nada tem que ver com quem quer ou não apoiar.Aí é um acto meramente inócuo.
Se, só a título de exemplo, friso eu, mas friso mesmo, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) se lembrar de ir agora aprovar uma moção de apoio ao seu Venerando Presidente, entra pelos olhos adentro que isso não faz qualquer lógica. Porque o CSM não tem essas competências, porque o Presidente não depende do mesmo conselho. Exerce um cargo que se alicerça numa eleição, com muita ou pouca legitimação.
O mesmo se passa com o Conselho Superior do Ministério Público (CSMP). Porque o CSMP não tem tais atribuições, porque o seu Presidente, o Procurador-Geral da República (PGR), depende, não do conselho, mas da confiança do Governo e do Presidente da República.
O Conselho não pode "censurar" o PGR, como, do mesmo passo, não pode votar moções de louvor ou confiança. É inverter as coisas.
O PGR, como tal, e como Presidente do CSMP, é o agente máximo do Ministério Público e que, pelo seu estatuto constitucional e legal está, com cristalina evidência, acima de moções de censura ou de confiança. De censura pela natureza das coisas ( o inferior não censura,juridicamente, o superior, podendo, óbvio, censurar noutras perspectivas ), de confiança por lhe falecer competência para o efeito.
Ao censurar ou louvar o Presidente do CSM, , ao louvar ou censurar o PGR, se o fizessem, os conselhos estariam não a censurar ou louvar, mas antes a colocar-se indevidamente num grau superior a esses cargos, assim os descaracterizando e desvalorizando.
É claro que há momentos históricos em que o processo político como que nos arrasta para o abismo, nos perturba e calamos a nossa revolta num silêncio de trovão.
Mas é aí, nesses momentos, que se encontram aqueles que, "malgré tout" ainda conseguem gritar que pode não ser assim, como "ninguém" aqui fez em tempos contra a corrente e clamando por decência (1).
Passada a tempestade, acalmados os ânimos, não interessa antes buscar as razões de eventuais fracassos do que esconder debaixo da mesa o incorrecto, fazer de conta que está tudo bem, bater palmas sem que o espectáculo tenha findado? Ainda por cima não pertencendo à comissão de festas?
Alberto Pinto Nogueira
(1) Posts, "Contra A Corrente" (23.8.04) e " Haja Decência" (9.9.04)
Publicado por josé 10:34:00 0 comentários
"Obscenidades"
De um nosso leitor, Mário Rodrigues, recebemos para publicação a seguinte missiva, que se transcreve...
Como cidadão português, neste momento em que se fala no início da recuperação económica e se exige aos portugueses mais trabalho e mais produtividade, considero obsceno que o Governo, conduzido que assessores e dirigido por manipuladores de imagem, conceda tolerância de ponto na próxima segunda-feira, em especial quando as sondagens revelam um sério tombo que o Executivo se apresta a dar. Como funcionário público, fico envergonhado perante todos os demais trabalhadores do meu País que na véspera do 5 de Outubro terão de labutar enquanto alguns privilegiados podem ir gozar de um suplementar período de férias...
Como professor sinto um profundo nojo quando o Governo permite às escolas adiarem ainda mais o início das actividades lectivas, depois do escandaloso processo de colocações e do atraso que provocou na abertura do ano escolar, julgando que com estas "papas e bolos" diminui o descontentamento de um grupo de profissionais que estes políticos de terceira categoria tomam
ignobilmente por tolos...
Mesmo tendo sido espoliado do lugar a que tinha direito, ao ser ultrapassado no destacamento por docentes ordenados quinhentas e mil posições atrás de mim graças às novas regras pejadas de injustiças que o dr. David Justino urdiu, espero que a minha escola tenha a dignidade de me
permitir comparecer na sala de aula no próximo dia 4, facultando aos meus alunos uma oportunidade de aprenderem alguma coisa cultural e cientificamente útil, fenómeno que é cada vez mais raro neste miserável sistema educativo que faz dos professores técnicos de ocupação dos tempos livres e dos alunos um bando de analfabetos..
Publicado por Manuel 00:07:00 1 comentários
ouch...
quinta-feira, setembro 30, 2004
O imobiliário é óptimo
O Jornal do Imobiliário, distribuido pelo diário da Rua Viriato, tem uma notícia premonitória para as próximas autárquicas.
Tem a foto de António Costa (ex-ministro da Justiça e actual eurodeputado do PS) e outra de Carmona Rodrigues (ex-ministro das Obras Públicas e actual presidente da Câmara de Lisboa). O título é «Costa vs Carmona em Lisboa».
«Ainda não são candidatos», mas são «os nomes mais fortes para travarem o combate» pela Câmara de Lisboa em 2005.
Na página 3, o Editorial, de Pedro Sousa Dias, tem o títutulo: «Os "Amigos do Imobiliário"».
Fica registado!
Nuno Simas in Glória Fácil
Publicado por Manuel 21:44:00 0 comentários



