sondagens há muitas seus @#$%*& ! ..

Estou a ver na SIC Notícias que 55,1 por cento dos portugueses "acham" que o PS tentou pressionar a Justiça no processo da Casa Pia.


Publicado por Carlos 23:45:00 0 comentários Links para este post  



"Magistrados do MP aceitam desculpas de Pires de Lima"

Pires de Lima, depois das inenarráveis declarações em que comparou a actuação do Ministério Público à PIDE e à Gestapo, veio pedir desculpa aos Magistrados do MP afirmando que as "discordâncias relativamente à missão do Ministério Público/MP (...) não têm o intuito de denegrir a imagem da instituição ou de qualquer dos seus membros".



Ora as declarações originais foram corroboradas de forma explí­cita pelo Alberto João Jardim, a quem só se pede que esteja calado, e, de forma menos piromana e discreta mas igualmente grave, por Jorge Sampaio, na sua entrevista à RTP, como já aquí­ se notou.

Assim a questão que se põe é, quando é que Jorge Sampaio tambem pede desculpas ?

Publicado por Manuel 18:17:00 0 comentários Links para este post  



O testamento ...

Hoje no Diário Digital, o, ainda, Director do Diário de Notícias Mário Bettencourt Resendes escreve com um cinismo mortal a sentença de morte do seu sucessor e fala das razões que não permitiram a sua continuidade.

Afirma o ainda Director :

«Spin doctors», precisam-se...

Não me admira que o dr. Durão Barroso pense, por estes dias, que deveria ser possível «encomendar» ministros sem som...


De facto, uma série de episódios dos últimos meses, envolvendo membros do Governo, confirmam a «fraqueza da carne» sempre que se vê confrontada com microfones ou câmaras de televisão. Perante a perspectiva da celebridade, por mais efémera que seja, os homens não resistem e acabam, muitas vezes, por falar mais do que o aconselhável.
O actual Governo tem falhas e debilidades, como também tem pontos fortes. Mas tem, sobretudo, um fortíssimo problema de comunicação e de coordenação de transmissão da mensagem.

Por agora, o primeiro ministro vai fazendo de bombeiro e tem conseguido, com êxito, apagar os fogos de excessos e deficiências de comunicação. Mas Durão Barroso não ignora que cada novo caso deixa mossas, para além de retirar ao chefe de Governo a disponibilidade necessária para outras tarefas onde a sua intervenção é mais necessária.
Os governos das democracias modernas confiaram, há muito, as vicissitudes da comunicação a especialistas, que dão a cara e marcam as tónicas das relações com os media.

São os chamados «spin doctors». É uma profissionalização que, entre outras vantagens, permite que, quando alguma coisa corre mal, se poupe o membro do governo e se sacrifique o «spin doctor».

O spin doctor do momento é pois  Fernando Lima, e já se percebeu, vindo da pena mais insuspeita qual vai ser a sua missão, e a do novo Diário de Notícias, resta saber quandos dias faltam até ao seu sacríficio ...

Publicado por Manuel 15:37:00 0 comentários Links para este post  



Uma fraude ...

Anda por aí muita alminha feliz e contente com os resultados do último Barómetro TSF/DN e ondeo  PS cai cinco por cento,  recolhendo 37 por cento das intenções de voto e o PSD sobrem seis pontos e estão no limiar da maioria absoluta com 44 por cento das intenções de voto.


Aparte a forma como funciona o mercado das sondagens, que não as feitas em dias daseleições, convém recordar um pequeno detalhe aos mais crentes: Os resultados acima valem ciêntifica e politicamente ZERO dado que não contemplam a taxa de abstenção, que se prevê altíssima dado o estado do PSe a ausência de alternativas ao PSD, taxa de abstenção esta que penalizará sempre em muito maior grau os partidos mais votados e  arcos dos sistema (o bloco central) e menos os anti-sistema (no caso o BE e a Nova Democracia e em  menor grau o  PC). Ah,  e espantosamente tambem não há indecisos ...

Publicado por Manuel 11:36:00 0 comentários Links para este post  



"A serenidade"

ou o direito à indignação

O Jornal de Notí­cias publica hoje mais um texto, que gostariamos de ter escrito, mas que é da pena assombrosa de Francisco José Viegas.


Terá o país ficado mais deprimido com a publicação da reportagem sobre a prostituição de raparigas brasileiras em Bragança, na revista "Time"?
Não me parece. O assunto é folclórico e cómico. A "Time" não acrescentou, sobre o assunto, nem mais uma vírgula em relação ao que a própria Imprensa portuguesa tinha publicado há meses tirando umas fotografias de mais qualidade e com alguma relevância erótica. A reportagem da "Time" também foi publicada em Portugal (pela "Visão"), e a "Veja", no Brasil, concedeu-lhe duas páginas delicadas e de boa qualidade jornalística. A reportagem da "Time", aliás, é jornalisticamente irrepreensível.

Ora, eu acho lamentável que se destaque a reportagem da "Time", do ponto de vista moral, e não se destaque o que é mais deplorável: o tráfico criminoso de raparigas brasileiras, submetidas a verdadeira escravatura, por "empresários portugueses" que, esses sim, deviam ser investigados.

Parece-me normal que um conjunto de raparigas brasileiras altere a vida na pacata Bragança e, dessa forma, constitua um chamariz. Já não me parece normal que a existência de proxenetas escravocratas mereça ser escondida da opinião pública. As raparigas brasileiras alegram a vida sexual dos adúlteros transmontanos; os proxenetas escravocratas são mais uma nódoa no "tecido empresarial português". Era nisso que a Imprensa também devia pensar.

O senhor presidente da República, entrevistado na televisão, foi chamado a comentar o assunto de Bragança. Qual seria a melhor reacção sobre a reportagem da "Time"? perguntaram os jornalistas. "Partir ao ataque", sugeriu o presidente.

Lembrar que os americanos também têm braganças. O "El Pais" sugere que Portugal está deprimido. Como se deve reagir? Lembrando que os espanhóis também têm as suas depressões. Isto são deduções minhas, evidentemente a partir da entrevista do presidente que, uma semana antes, tinha pedido "serenidade" aos portugueses a propósito do escândalo da Casa Pia.




Concordei em absoluto. Ainda não tinha visto a entrevista do dr. José Maria Martins, na RTP, nem a conferência de Imprensa de Catalina Pestana, nem as acusações a João Guerra, o procurador. O desejo de "serenidade", manifestado pelo presidente, é legítimo; mas interrogo-me sobre as razões profundas desse pedido. E temo que a "serenidade" tenha, na sua raiz, as mesmas motivações patrióticas ou de "marketing patriótico": dar de Portugal essa imagem cheia de paisagens bucólicas e de cientistas que investigam a malária.

Se é pelos cientistas, até estou disposto a concordar. Se é pelos proxenetas de Bragança ou pelas manigâncias de juristas apostados em atrasar, adiar e – finalmente – impedir que se apure a verdade sobre a Casa Pia, acho que devemos exaltar-nos.


Bragança e a Casa Pia não são matéria do mesmo compêndio. Bragança é cómico e folclórico (tirando o essencial, que é a existência de uma rede de tráfico de mulheres, que nos devia envergonhar).

A Casa Pia é um nome doloroso. E mais: arrisca-se a ser um nome vergonhoso. Não sei (por mais aceitáveis que ache os argumentos do senhor presidente) até que ponto poderemos manter a nossa "serenidade". Temo bastante que essa "serenidade" se confunda com a "serenidade" que permitiu que os processos anteriores fossem arquivados e que a Casa Pia se transforme no lodaçal criminoso de que hoje suspeitamos. A única maneira de regressar à serenidade é, justamente, prendendo os proxenetas escravocratas de Bragança, investigar até ao fim o drama da Casa Pia e impedir que as testemunhas do processo sejam aviltadas desta forma insane e criminosa.



Nisso, o senhor presidente tem toda a razão; mas a "serenidade" tem um preço alto e nobre.

É importante saber se a "alma portuguesa" está disposta a pagá-lo. Não há "marketing patriótico" que salve a Pátria em momentos como este.

Porque Portugal é mesmo assim.


Publicado por Manuel 1:05:00 0 comentários Links para este post  



em nome do regular funcionamento das instituições ...



... aguarda-se serenamente uma explicaçãozinha do Ministério das Finanças em relação às fortunas proclamadas por alguns dos candidatos à presidência do Benfica ...

Publicado por Manuel 23:05:00 0 comentários Links para este post  



"Portugal visto do cabeleireiro" ...

Miguel Carvalho hoje na Visão Online traça um retrato desencantado, quase apocalíptico, do nosso País, à beira-mar plantado.

Escreve o Miguel:


O professor Marcelo Rebelo de Sousa é a pessoa mais respeitada e ouvida no País. Eu sei. Disse-me uma cabeleireira. Fala por ela e pelas clientes. À segunda-feira, entre uma tesourada e uma permanente, lá vem a pergunta sacramental: «Ouviu o Marcelo, ontem?». Por mim, não preciso de mais sondagens. Esta chega muito bem. Se o Marcelo já chegou aos cabeleireiros, Durão Barroso que se cuide porque os comentários de domingo do professor podem bem tornar-se a tosquia deste Governo.

Explico: quem me corta o cabelo é a Cristina, cabeleireira da Baixa do Porto. Fartei-me dos barbeiros porque as conversas tinham futebol a mais e bom senso a menos. E poucas revistas cor-de-rosa para ler enquanto se espera. No cabelereiro da Cristina estou em boas mãos. E não é só por me tratar o cabelo por tu. Ali, tenho toda a variedade de revistas da moda à disposição e uma fornada sempre quentinha de comentários e fofoquices a propósito dos mais diversos temas. Da pedofilia à gravidez da Barbára Guimarães, passando pelos mais nobres assuntos de Estado.

Pelo cabeleireiro da Cristina passa o Porto chique, o Porto remediado e o Porto maltraplilho. A senhora da Foz com vivenda e piscina, a sopeira do empregado bancário e a empregada de limpeza dos dormitórios dos arredores da cidade. É um cabeleireiro interclassista e termómetro muito fiável da temperatura do País. Quando a Cristina me diz que Portugal anda angustiado, eu acredito. Ela sabe do que fala. Passam-lhe pelo cabeleireiro dezenas de mulheres por dia, seis dias por semana. E para todas a Cristina tem uma palavra, uma meiguice, um tempinho. Elas aproveitam e falam também dos maridos, dos namorados, dos amantes, dos filhos. E eu, à espreita e caladinho, fico também com uma boa sondagem sobre o que pensa o macho português e o que pensam as mulheres deles que eles andam a fazer quando não estão com elas.

Há dias, a Cristina disse-me que o País está muito mal. E eu, uma vez mais, acreditei. Ela diz que as pessoas estão fartas do folhetim da pedofilia porque começam a perceber que o processo vai acabar bem para os poderosos. Também estão fartas do Big Brother, mas com «zapping» a mais ou a menos, não têm alternativa a não ser convidar todos os dias a televisão para jantar.

De resto, ela ouve cada vez mais queixas sobre o comportamento das televisões, acusadas de serem cada vez mais a voz do Governo e só darem notícias para entreter ou chocar. Uma ementa de incêndios, assaltos e pedofilia é servida todas as noites «e não se fala do que é mais importante». Se é verdade que as pessoas se viram para as telenovelas da vida real e as outras, isso tem uma explicação: diz ela que o supérfluo é um escape. Por isso lhe entram pela porta, todos os dias, histórias de famílias endividadas.



No cabeleireiro, a Cristina ouve cada vez mais relatos de um País a necessitar de consulta psiquiátrica. Diz ela que as pessoas andam deprimidas e oprimidas. Sobretudo no local de trabalho. Ainda há dias, conta, o marido foi chamado à administração da empresa onde trabalha para explicar o que queria dizer quando respondeu «faz-se o que se pode» em relação ao andamento de um serviço. E está na iminência de ir «descansar» para casa com um processo disciplinar.

A Cristina diz que a precaridade do emprego, a tirania dos chefes e o salve-se quem puder praticado pelo coleguismo no local de trabalho têm mantido as pessoas atadas, anestesiadas e viciadas em anti-depressivos. É só por isso que ela acha que esta revolta interior nunca fará saltar a panela de pressão. Quando muito, as pessoas «fugirão do País» como já fizeram «muitos bons chefes de família»: emigram seis meses e regressam mais aliviados. Da cabeça e do bolso.

A Cristina, que não tem partido, vai percebendo que o povo está mortinho por deitar este Governo pela borda fora, mas poucos parecem tentados a votar num PS em tão mau estado. É por isso, talvez, que a Cristina ouve cada vez mais as clientes dizerem que faz falta um Salazar «que ponha isto na ordem por muitos anos». Tão depressa diz isto como se arrepia. Desabafa então, quase resignada: «E andaram uns tipos a fazer uma revolução para isto».

Nós, que somos nesta matéria insuspeitos, vamos dar ao Miguel Carvalho alguns motivos de alegria e optimismo:

A revolução pode não ter servido para muita coisa, mas pelo menos sempre vai permitindo que muitos como o Miguel se vão expressando livremente e sem grandes censuras (e depois temos sempre a blogosfera).

Naquilo que MC vê secura e amargura, nós vemos o emergir de uma consciência cívica, ausente por demasiado tempo, que mais tarde ou mais cedo vai acabar por contaminar, no bom sentido, os aparelhos partidários na prática destruindo-os. Não sabemos quanto tempo vai faltar para existirem em Portugal caucus partidários à americana mas que são inevitáveis são.

É um facto que há motivos para preocupações como o populismo maniqueista e requintado do pretensamente elitista Marcelo aos domingos (apesar de tudo causador de danos limitados. Marcelo já provou ser bom a deitar terceiros ao chão mas tambem já provou que não consegue manter-se firme e hirto por muito tempo), Os delírios periódicos do Lopes de Lisboa ou o discurso terceiro-mundista do Monteiro, marioneta do Adriano M.

Mas por muito que se preocupem, e contorçam com o clamor pelo fantasma de Salazar, que está bem morto e enterrado, Portugal tem boas e sólidas referências para o Presente e para o Futuro !

Dois nomes apenas : Anibal Cavaco Silva e António Borges ...

Publicado por Manuel 22:04:00 0 comentários Links para este post  



o primeiro ...

António Carrapatoso, o wonder boy da Vodafone, putativo e eterno ministeriável, e uma das estrelas do PSD na última campanha para as legislativas veio hoje num artigo notável no Diário de Notícias passar a certidão de óbito político a Manuela Ferreira Leite e às políticas reformistas deste Governo.

Com uma frieza e precisão notáveis, e tendo o cuidado de nunca atingir directamente Durão, Carrapatoso remata a sua prosa com a pergunta fatal:


Estamos ou não dispostos e somos ou não capazes de aceitar e realizar o esforço necessário para ultrapassar todos estes desafios?


Fosse a prosa publicada em campanha eleitoral, ou nas primeiras semanas após a tomad de posse deste Governo, e nada de notável haveria a assinalar. Mas nesta altura, escrever o que Carrapatoso escreveu equivale pura e simplesmente a comparar estes Ministros de Barroso aos de Guterres...

A prosa na integra :

Divergir para convergir


Tudo indica que iremos ter pelo menos três anos (2002/4) de crescimento económico divergente, relativamente à média europeia;

há mesmo poucas certezas de que em 2005 já seremos capazes de crescer mais do que a Europa. Nos três anos referidos, o PIB português crescerá, em termos acumulados, menos 3,5% do que o PIB europeu. Países como a Espanha ou a Grécia irão continuar a convergir para a média europeia e, portanto, a ganhar uma vantagem adicional face a Portugal. Arriscamo-nos a ficar cada vez mais últimos.

Quanto à produtividade do País, a divergência já vem desde 1997, tendo o crescimento do PIB verificado nesses anos resultado, em grande medida, do aumento do emprego e do número de horas trabalhadas. Aliás, em parte o crescimento do PIB não foi, provavelmente, virtuoso, porque resultou do aumento do emprego e de custos de pessoal da função pública - o que contribui para o PIB ao ser, também, contabilizado como valor acrescentado bruto.

No período de 1974 a 2003, o nosso crescimento foi superior ao europeu, mas nos últimos cinco anos entrámos claramente num ciclo não convergente que se acentuou explicitamente desde 2002.

Fomos, assim, capazes de tirar algum partido da nossa integração na Europa e no mercado único, mas não soubemos alterar suficientemente a nossa estrutura e modelo económico, por forma a conseguir projectar uma convergência continuada, a exemplo do que fizeram outros países _ como sucedeu no caso típico da Irlanda e mesmo com a Espanha.

Temos que ser particularmente críticos relativamente aos anos de 1997 a 2001, em que, numa conjuntura bastante favorável, perpetuámos e agravámos uma organização de sociedade e um modelo económico que já evidenciavam necessitar de uma alteração significativa.

Problemas fundamentais na despesa pública como a necessária redução dos custos de pessoal da função pública e a pressão das transferências para a Segurança Social, derivada da prevista evolução demográfica, não foram atacados, mas antes agravados. Neste período, adiámos as reformas estruturais, continuámos a deixar crescer o peso do Estado na economia (enquanto outros o diminuíram) e não melhorámos significativamente a qualidade dos serviços públicos. Por outras palavras, continuámos a manter um Estado pesado e paternalista mas fraco, e a não acreditar, responsabilizar e incentivar adequadamente os portugueses, asfixiando as potencialidades da iniciativa privada, da sociedade civil e de cada cidadão. Os erros do passado (e aqui podemos recuar até onde quisermos) explicam, assim, o agravamento da divergência que irá ocorrer nestes três anos (2002/4). Agora, mais importante do que saber se a intensidade e o tempo da divergência que experimentamos é mesmo inevitável, é estarmos certos de que finalmente estamos a realizar as mudanças estruturais de que o País carece. O que dificilmente será desculpável, é que estes três/quatro anos de profunda divergência não se venham a traduzir numa verdadeira alteração estrutural do nosso país que nos projecte para um mais longo e convergente período de saudável crescimento no futuro. O Governo tem vindo a lançar um conjunto de reformas que vão, de um modo geral, no bom sentido. É importante que essas reformas sejam aprofundadas e de facto bem implementadas na nossa sociedade.

O mesmo é dizer que é importante que exista uma clara e convicta liderança política relativamente aos principais projectos de mudança e uma acrescida capacidade de gestão, designadamente no Estado, para os realizar. Se não formos agora capazes de renovar o papel e a organização do Estado, criando as bases para reduzir significativamente o seu peso no futuro, sem pôr em causa a sua vocação social e a qualidade dos serviços públicos prestados... Se não formos capazes de lançar as bases para uma acelerada convergência da qualificação dos nossos recursos humanos, face à dos outros países, através duma verdadeira reforma do ensino... Se não formos capazes de garantir uma sã concorrência, abertura e igualdade de oportunidades em todos os mercados, desde o mercado dos factores ao dos bens não transaccionáveis... Se não formos capazes de criar um enquadramento à actividade económica estimulante e eficiente (desde o sistema de justiça, regulamentar e de licenciamento, até as necessárias infra-estruturas) que incentive o investimento de qualidade... Então este período de divergência e de sofrimento de pouco ou nada terá servido. Estas reformas económicas devem ser lançadas numa perspectiva plurianual, com identificação dos objectivos e metas a atingir e atribuição clara das respectivas responsabilidades, devendo a sua execução ser acompanhada por um sistema de coordenação e controlo adequados.

Têm também que estar enquadradas numa visão mais geral e estratégica do que queremos que seja a nossa sociedade no futuro, num conjunto de princípios e valores a consolidar e num reforço claro da democracia, da responsabilização e participação dos cidadãos. Um novo modelo económico deverá sempre ser encarado como algo instrumental (não sendo sequer o único instrumento) para alcançar os objectivos últimos da sociedade, que passam pela qualidade de vida, realização pessoal e felicidade de cada cidadão, numa perspectiva solidária e de equilíbrio sadio entre liberdade e igualdade. A concretização das reformas implica a concretização de alterações legais fundamentais que vão da introdução duma futura maior flexibilidade na legislação laboral (que acaba de ser aprovada) até à revisão da Constituição, passando por uma alteração profunda do estatuto e organização da função pública e revisão dos seus principais processos. Implica ainda a aceitação de novos paradigmas, pela sociedade, das organizações e do cidadão em particular.



São de realçar alguns dos novos paradigmas que teremos de adoptar: «Os deveres de cidadania são para cumprir»; «O Estado somos todos nós, serve-nos a todos e, por isso, temos todos que financiar o seu custo e somos co-responsáveis pelo seu desempenho»; «Quando exigimos mais contrapartidas do Estado temos que identificar de onde vem o dinheiro para as pagar, se estamos dispostos a comparticipar no respectivo custo e se essa é a melhor opção para o desenvolvimento da sociedade»; «Não deve existir, porque é pernicioso a prazo para os próprios trabalhadores e para a economia, o conceito de emprego garantido para toda a vida, devendo-se privilegiar uma relação mais saudável e flexível entre procura e oferta no mercado laboral»; «Cada cidadão é também responsável pela sua própria formação e angariação de competências que lhe permitirão dispor de mais alternativas no mercado de trabalho»; «A responsabilização e apreciação do mérito de cada um traduzem-se num bem comum»; «Uma concorrência sã e equilibrada em todos os mercados e no interior das organizações é um estímulo necessário à inovação e à criação de riqueza.»

As bases para uma convergência futura duradoura e significativa passam pela realização no terreno das reformas referidas, por alterações legislativas corajosas e pelo assumir de novos paradigmas na nossa sociedade.

Estamos ou não dispostos e somos ou não capazes de aceitar e realizar o esforço necessário para ultrapassar todos estes desafios ?


Hoje também no Diário de Notícias António Ribeiro Ferreira fez o maior insulto de todos os tempos a Mário Soares (fazendo-o descer ao nível de Sampaio) ao insinuar que tal como nos velhos tempos, hoje a sede da Oposição reside em Belém.

Se Ribeiro Ferreira se desse ao traballho de ler o seu próprio jornal talvez tivesse reparado que a sede da Oposição está afinal bem no interior do PSD.



E isso, meus caros, é um óptimo sinal para a Democracia, ainda por cima face ao eclipse total do PS, porque significa que há gente que não cede aos interesses clubísticos do momento e é capaz de dizer com frontalidade que se a realeza não vai ainda toda despida pelo menos já vai em topless ...

Publicado por Manuel 17:41:00 0 comentários Links para este post  



os amigos são sempre para as ocasiões ...

... e hoje o Correio da Manhã, propriedade da Cofina, resolveu dar uma mãozinha à Lusomundo publicando uma entrevista com Fernando Lima, o aclamado futuro (?) director do Diário de Notícias ...



Para a posteridade a constatação de que Mário Bettecourt Resendes já não conta para o totobola, a auto-comparação do entrevistado a Marcelo e Pacheco (!) e uma singela frase : "Não sou um desempregado político"

Pois não, de facto não é ...

Publicado por Manuel 11:44:00 Links para este post  



um caso clí­nico ...

Depois de ouvir os discursos dos três putativos candidatos a coveiros do Benfica só mesmo Pedro Santana Lopes para os fazer parecer sérios e credíveis ...

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa decidiu justificar os honorários de Frank Ghery (qualquer coisa como 2 milhões de contos fora os tradicionais desvios para cima da praxe) com a quantia despendida pelo Real Madrid para contratar Figo.



Que o Lopes tem a mania das grandezas já todos sabemos mas comparar os cofres da Câmara Municipal de Lisboa que é financiada por todos nós aos do Real Madrid sempre é de mais.

Tal como é politicamente correcto em relação ao Alberto João Jardim também ninguém se vai preocupar excessivamente com mais este absoluto delírio do Lopes...

Depois queixem-se do deficit.

Publicado por Manuel 0:10:00 0 comentários Links para este post  



Uma lição vinda do reino Unido ...

O PS bem que podia apreender alguma coisinha com o que se está a passar no Partido Conservador Britânico ...

Publicado por Manuel 22:58:00 0 comentários Links para este post  



it's all about money ...

directamente da Lusa:


Lisboa, 29 Out (Lusa) Os trabalhadores do Diário de Notícias rejeitaram hoje a decisão da administração de indigitar Fernando Lima como director de redacção do jornal, aprovando uma moção de crítica e de censura em plenário, referiram, em comunicado. A reunião juntou mais de 100 jornalistas do diário da Lusomundo, que reiteraram a posição assumida quarta-feira pelo conselho de redacção, aprovando a moção com quatro votos contra e 10 abstenções. (...) "Isto é um sinal claro a Fernando Lima de que ele não é em bem vindo na redacção do jornal", explicou à agência Lusa Pedro Correia, do conselho de redacção, acrescentando ser também "um sinal para o exterior".

A moção de crítica e censura hoje aprovada tem como base "o percurso profissional de assessoria de imprensa [do ex-primeiro- ministro] Cavaco Silva, primeiro, e [do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros] Martins da Cruz, mais recentemente", que, segundo afirmam os trabalhadores em comunicado, afasta Fernando Lima "do perfil exigido ao líder executivo de um projecto de comunicação social como o Diário de Notícias".

Contactado pela agência Lusa, Henrique Granadeiro afirmou manter a posição assumida hoje, em comunicado noticiado pelo Diário de Notícias, segundo o qual, a administração mantém a indigitação de Fernando Lima como director de redacção do jornal, apesar do "chumbo" dado pelo conselho de redacção. O presidente da administração do jornal adiantou ainda que Fernando Lima "deverá assumir a direcção na próxima semana, coincidindo com o início do mês" de Novembro. (...)



Escusado será dizer que se Fernando Lima tivesse um mínimo de vergonha e decência na cara recusava o lugar ...

Escusado será tambem dizer que a Rainha de Inglaterra, Mário Bettencourt Resendes, sai muito mal disto ...

É o dinheiro, é o que é ...

Publicado por Manuel 21:20:00 0 comentários Links para este post  



Sinais ou o príncipio do fim ...


CNPD reafirma que nunca emitiu parecer sobre cruzamento de dados


O magistrado Luís Silveira, que preside à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), está disponível para ir à Assembleia da República esclarecer que «até à data nunca recebeu qualquer pedido de parecer sobre cruzamento de dados entre a Segurança Social e a Administração Tributária», como frisou em declarações ao Diário Digital. Luís Silveira reafirma assim a posição da CNPD, assegurando, contudo, e desde já, que «se um requerimento dessa natureza for feito será obviamente analisado e objecto de parecer». Ao Diário Digital, o presidente da CNPD assume ainda estar «à disposição da Comissão de Economia e Finanças para esclarecer a questão», revelando mesmo ter já enviado um ofício, dando disso conta ao presidente da Comissão. Desde o passado dia 22, dia em que Ferreira Leite foi ouvida na Comissão de Economia e Finanças, que subsiste um imbróglio dado a ministra ter imputado dificuldades à CNPD, para poder avançar com o cruzamento de dados entre o Fisco e a Segurança Social.

Em comunicado, esta quarta-feira, o Ministério das Finanças afirma que, na Comissão Parlamentar, Ferreira Leite «invocou as dificuldades» referindo-se ao acesso da Polícia Judiciária (PJ) aos dados da administração fiscal. O comunicado afirma, contudo, que a CNPD já se teria pronunciado sobre o cruzamento de dados entre Fisco e Segurança Social, facto sobre o qual Luís Silveira é peremptório: «Não recebemos qualquer projecto sobre esse assunto!»




Em suma, ou a Ministra das Finanças mentiu, ou lhe mentiram, ou o Presidente da CNPD está a mentir. Tão simples quanto isto ...

No entanto a novela continua e ninguém tira ilações.

Entretanto o Ministro do Ambiente confirmou a existência de uma proposta sobre a eventual transferência de áreas protegidas para o Ministério da Agricultura, mas diz que a mudança já não vai acontecer. Durão Barroso garante que a proposta nunca existiu e Sevinate Pinto, Ministro da Agricultura, vem dizer que afinal a questão foi mesmo abordada informalmente em Conselho de Ministros...

Durão Barroso arrisca-se mesmo a conseguir aquilo que era suposto ser verdadeiramente impossível : reabilitar Guterres...

Deve ser a este tipo de coisas que o Sampaio se refere quando diz que as "instituições funcionam" ...

Publicado por Manuel 20:39:00 0 comentários Links para este post  



Novo léxico nacional ...

O processo da Casa Pia está a alargar bastante o léxico indígena.

Depois dos alegados pedófilos e das alegadas vítimas, chegou a vez dos alegados psiquiatras


Publicado por Carlos 16:30:00 0 comentários Links para este post  



Três homens, um destino ...



Vou ser tentar ser curto e objectivo: o meu candidato é Guerra Madaleno

E por uma razão muito simples: enquanto que os outros dois, Luis Filipe Vieira e Jaime Antunes apresentam uma campanha bem elaborada, com programas, propostas, comissões de honra, o jornal A BOLA, num ápice, convenceu-me a gostar mais do Madaleno:


A Arca do Tesouro

«Guerra Madaleno levou ontem os jornalistas a uma dependência do BES, em cujo cofre pessoal o candidato guarda um título de tesouro americano no valor de 100 milhões de dólares»

Publicado por Carlos 16:08:00 0 comentários Links para este post  



Quercus surpreendida com "excesso de honestidade" do ministro do Ambiente




A associação ambientalista Quercus está surpreendida com as declarações do ministro do Ambiente, Amílcar Theias, que definiu uma hipotética mudança de tutela do Instituto de Conservação da Natureza como "uma cedência a interesses particulares". Francisco Ferreira diz que o ministro foi "politicamente incorrecto", mas congratula-se com a sua postura, que revelou "um excesso de honestidade".(...)

Publicado por Manuel 11:17:00 0 comentários Links para este post  



um airbag chamado Sampaio ...
... ou direitos, liberdades e garantias

Não era suposto falarmos da última entrevista de Sampaio, até porque como é hábito Sampaio não disse nada de verdadeiramente relevante. Ouvir Sampaio é como ouvir o Prof. José Hermano Saraiva, até dá para passar o tempo, mas passada meia hora já ninguém se lembra ao certo do que disse.

É certo que Marcelo achou a entrevista notável mas Marcelo deve ter visto a coisa com o mesmo cuidado com que confessou no passado sábado ao DN ler os livros que recomenda - na diagonal ...

No ententanto o diabo está sempre nos detalhes, e os detalhes num Presidente da República, ainda que de bananas, são fundamentais.

Ora o que disse Sampaio sobre a veia poético-anal de Ferro quando ao telefone ?


P. - Um candidato a primeiro-ministro teve declarações menos prestigiantes sobre segredo de justiça...

R. - Não vou comentar isso, até porque noutros tempos, quando havia escutas antes do 25 de Abril, nós dizíamos sempre — eu pessoalmente — "agora é para os que estão a ouvir", e saía uma roda de palavrões. Eu ainda hoje faço isso por reflexo ao ridículo.


Pois, Sampaio, o humanista, Sampaio, o solidário com Souto Moura, Sampaio o justo com este pequeno grande raciocínio corroborou pura e simplesmente não só Pires de Lima mais as suas imbecis declarações (as que até meteram a Gestapo ao barulho), as quais não podia deixar de conhecer além de implicitamente legitimar a nova estratégia de Júdice que é recentrar as caneladas na equipa do Procurador João Guerra (cujos métodos pelos vistos fazem lembrar a Sampaio os da PIDE) !



Entretanto, e enquanto toda a gente se indigna com a legislação sobre escutas (recorde-se que da autoria de António Costa, Ministro da Justiça de um Governo PS) seria útil saber a opinião de todas estas luminárias sobre que métodos pretendem usar para combater o crime e o terrorismo organizado à escala global.

É que por acaso e na prática só há, como qualquer pessoa com dois dedos de testa pode inferir, duas, e duas só, alternativas (quando deveriam ser complementos) às escutas e intercepção de dados (e que fique claro que autor é ferozmente contra qualquer tipo de legislação remotamente semelhante ao PATRIOT Act americano) que são ou a utilização massiça de arrependidos ou os agentes infiltrados/provocadores ...

Curiosamente, e também por estes dias surgiram umas falhas de comunicação, entre os elementos da Comissão Nacional de Proteção de Dados e a Ministra das Finanças não se percebeu ainda muito bem por causa de quê, embora como habitualmente já se tenha percebido que a merceeira do regime (simplesmente o maior bluff da história do PSD e jà bem à frente de Leonor Beleza) vai ficar mal no filme.



Se Sampaio, Vital Moreira e os moralistas/legalistas do costume não estivessem tão distraídos com o "acessório" talvez tivessem tempo para se debruçar sobre a matéria do cruzamento de dados pessoais não só entre diferentes organismos governamentais, mas também entre estes e privados e mesmo entre privados.

É que por acaso se há potencial para um monumental Big Brother é precisamente nesta matéria e não numa ou noutra escuta ordenada por um juíz.

Não é por acaso que os experts em "processamento de informação" (depois de fazerem a formação profissional no SIS, nas secretas militares ou até no SEF) acabam quase sempre a fazer consultadoria para o sector bancário ou similar. É tudo uma questão de data mining ...



De facto e ao contrário do que diz Sampaio os "Portugueses normais" não "são sempre os culpados de Tudo" ...

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Mensagem em código de António José Teixeira a Fernando Lima, director indigitado do DN e não só


Portugal demissionário


Portugal mergulhou num clima demissionário.

Não são apenas os ministros e os líderes partidários que se demitem ou cuja cabeça surge dependurada na praça pública.

É também uma certa cobardia ou impotência que contagiou o País. Não partilho a ideia de que os responsáveis políticos apenas devam prestar contas ao eleitorado no final dos mandatos. Há quebras de ética e legalidade que justificam ilações exigentes. Como há tragédias em que o zelo público não esteve à altura das responsabilidades e que devem ter consequências.

O respeito pelos cidadãos tem por isso algumas vezes um preço muito elevado. Um preço que os delegados do poder dos eleitores devem assumir como exigência permanente. Desde logo não se demitindo das suas responsabilidades. A demissão é, regra geral, o reconhecimento do fracasso.

Logo, evitar o fracasso, cumprir as promessas, garantir o progresso, é não se demitir da responsabilidade. É sobretudo não iludir os problemas. Por exemplo: não se pode dizer que o Estado não tem dinheiro para com isso justificar, por si só, a privatização das suas funções. A receita do Estado deriva dos impostos que cobra. É assim desde que há Estado.

Ora, se o Estado não consegue cobrar os impostos, a consequência inevitável não tem de ser a entrega a privados dessa cobrança. A ineficácia do Estado não deve ser «resolvida» pelo esvaziamento do próprio Estado. A ineficácia do Estado deve, antes de mais, ser combatida com racionalidade, tecnologia e exigência.



A reforma da administração pública deveria servir para isso. Mas o argumento repetido dos governantes é o da poupança de recursos. Importante, sem dúvida, num Estado depauperado. Mas onde está a orientação estratégica? Ainda há poucos dias a ministra das Finanças dizia que «as funções do Estado terão de ser repensadas».

Terão? Não seria pressuposto que já o tivessem sido? Antes de se pôr em prática um economicismo cego. Quando se proclama na saúde que se gastou menos do que no ano anterior, isso seria um feito notável se traduzisse uma melhoria do atendimento. Ora, em boa parte dos casos, a situação agravou-se ou então as dívidas transferiram-se do Estado para o Estado-sociedade anónima...

Quando lemos que foram roubados computadores nas Finanças de Lisboa, e com eles desapareceu a lista dos maiores devedores ao fisco, percebe-se a fragilidade da máquina do Estado. E é aqui que se joga o demissionismo dos delegados do poder dos eleitores, que não zelam pelo interesse público, pela solidez das instituições, que desvalorizam a regulação, a fiscalização e a coerção, que abdicam de tornar o Estado eficaz, e que nem sequer colocam à nossa consideração aquilo que entendem deverem ser hoje as funções do Estado.

Demissionismo também nosso porque abdicamos da nossa palavra perante alterações profundas na nossa segurança. «Se o Estado é forte, esmaga-nos; se é fraco, perecemos» era o dilema de Paul Valéry. É hoje também o nosso dilema. Quererá o País trocar umas ideias sobre o assunto? Ou preferirá demitir-se?...

P.S. Ferro Rodrigues é um líder consentido. Demissionário. À espera de sentença. Durão Barroso foi vaiado no futebol. Mesmo sem oposição. À espera da retoma. E quem espera desespera


... e o absolutamente espantoso é que o Tó Zé Teixeira conseguiu articular em duas penadas aquela que deveria ser estratégia deste governo (e que por acaso até está toda consignada no Programa de Governo) melhor do que Durão Barroso desde que é PM ... Ora como o primeiro não é, apesar de tudo um génio, ficamos e mais uma vez esclarecidos sobre as não qualidades do segundo. Logo a questão que se impõe é quem, e quando, vai ser o primeiro peso pesado (eu não conto - a minha hora ainda não chegou) a pedir um Congresso extraordinário no PSD...

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Opinião de Mário Bettencourt Resendes sobre a qualidade geral das publicações do grupo Lusomundo e do DN em particular ...


Um telejornal em 29 minutos

Na noite de segunda-feira, o principal serviço de notícias da televisão norte-americana CBS começou à hora programada e acabou, como sempre, exactamente 29 minutos depois de se ter iniciado.

Na abertura, Dan Rather apresentou, a partir das ruas de S. Diego, o tema do dia, os catastróficos incêndios na Califórnia. Depois do que aconteceu em Portugal no último Verão, impressionou a sensação de reprise: bombeiros a queixarem-se de falta de meios para combate aos fogos, suspeitas de incêndios de origem criminosa, queixas sobre matas mal limpas e descuidadas pelas autoridades responsáveis, famílias inteiras em desespero perante a sua incapacidade para impedir o avanço das chamas, que já destruíram mais de 1100 casas e mataram 13 pessoas, para além de terem devastado muitos milhares de hectares de floresta. Com o apoio de uma infografia muito clara, Rather introduziu quatro reportagens em directo a partir de lugares mais flagelados.



Os jornalistas envolvidos remeteram-se, como se exige, a um papel secundário e deram voz a casos humanos que documentavam a imensidão da tragédia. No alinhamento do telejornal, seguiu-se um pequeno apontamento sobre eventuais consequências de um medicamento no cancro do pâncreas, uma notícia sobre a compra de um banco em Boston e a evolução dos índices das bolsas de Nova Iorque (mais de 60 por cento das famílias norte-americana têm poupanças aplicadas em títulos cotados em bolsa). Houve ainda uma reportagem de consumo, muito bem documentada, a propósito de um defeito de fabrico de um dos carros mais populares nos Estados Unidos.

A terminar, o telejornal regressou a S. Diego e Dan Rather concluiu com uma peça onde se explicava os motivos da violência dos incêndios deste ano. Tudo em 29 minutos, incluindo três intervalos para publicidade. Luxos de países onde deve haver escassez de matéria-prima noticiosa...


N.A. Como nova Raínha de Inglaterra do grupo Lusomundo, e à Sampaio, o homem já começou a treinar ...


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«Portugal é um país de bufos», diz João Jardim


Alberto João Jardim concorda com Pires de Lima quando o ex-bastonário da Ordem dos Advogados diz que as escutas só devem ser permitidas em casos excepcionais.



N.A. Desde já pedimos desculpas aos membros da Liga dos Amigos das Abóboras por usarmos a foto de uma e logo associada ao Alberto João Jardim e ao Pires de Lima, mas a ocasião impunha-o ...

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Sabemos que não tem nada a ver...

... mas gostariamos de partilhar com todos os leitores da Grande Loja do Queijo Limiano a figura e o curriculum do nosso ministro preferido




curriculum vitae

Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente

Amílcar Theias


Nascido em Lisboa em 9 de Agosto de 1946, casado, 3 filhos

Habilitações Académicas

Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Ciência Económicas e Financeiras (1971)
Estágios

Banco da Union Parisienne (França)

Banco Raiffeisen (Holanda)

Curso de Finanças Públicas do Fundo Monetário Internacional (Washington)

Serviço Militar

Oficial da Reserva Naval (1971-1974) (2)

Actividade profissional

Técnico Superior do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério das Finanças (1971-1977)

Subdirector-Geral do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério das Finanças (1977-1980)

Vogal do Conselho Nacional de Estatística (1973)

Correspondente do Fundo Monetário Internacional do domínio das estatísticas das Finanças Públicas (1976)

Vogal da Comissão de Reforma Fiscal (1978)

Vogal da Comissão de Reforma do Ministérios das Finanças (1979)

Vogal do Conselho Consultivo do Instituto de Investimento Estrangeiro (1978-1979)

Representante do Ministério das Finanças junto da Comissão de Integração Europeia (1979)

Membro da delegação

Negociações do acordo "stand-by" com o FMI (1978)

Exame OCDE da Economia Portuguesa

Comité de Política Económica da OCDE

Comité Económico da EFTA

Presidente da Comissão de Fiscalização do Crédito Predial Português (1977-1980)

Conselheiro financeiro da Missão e da Representação Permanente de Portugal junto das Comunidades Europeias (1980-86). No exercício destas funções, acompanhou as negociações de adesão nos domínio monetário-financeiro, orçamental e fiscal, bem como nas áreas do direito de estabelecimento bancário e dos seguros. Assegurava ainda as relações com o
Banco Europeu de Investimento

Director (1986-90) e Director-Geral (desde 1990) no Secretariado Geral do Conselho de Ministros da União Europeia com funções específicas na área económico-financeiro. No âmbito das suas funções acompanhava os trabalhos do Comité Monetário e do Instituto Monetário Europeu

Colaborador do Grupo BPN (2001-2002)

Vice-Presidente do Fórum para a competitividade

Actividade docente

Assistente e Regente de várias cadeiras no Instituto Superior de Economia (1972-1976)

Co-regente da cadeia de Finanças Públicas na Universidade Católica (1977-1979)

Professor do curso de Finanças Comunitárias na Universidade Católica (1981-1985)

Conferencista no Instituto Nacional de Administração sobre finanças comunitárias e o euro

Conferencista na Universidade Autónoma de Lisboa

Actividade Política e Associativa

Militante do Partido Social Democrata

Membro da SEDES e da Ordem dos Economistas

Outras Referências

Comendador da Ordem do Mérito (2)


1e 2 - Elementos no curriculum que foram preponderantes para ser o escolhido para a pasta do Ambiente, Cidades e Ordenamento do Território por José Manuel Durão Barroso

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A Justiça




I never saw a wild thing
sorry for itself.
A small bird will drop frozen dead from a bough
without ever having felt sorry for itself.

D. H. Lawrence


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uma questão de valores e prioridades...

Ontem, um alucinado, apenas ex-Bastonário da Ordem dos Advogados e advogado do Ministro de Estado e da Defesa, meteu no mesmo saco as atrocidades da Gestapo, as barbaridades da PIDE e a actuação do Ministério Público no caso Casa Pia.

Hoje, nem uma voz, seja do Governo (com nove ministros, nove, a visitarem um dos cinco países mais corruptos do mundo), nem dos Partidos (aquí até o PS podia fazer um floreado a manifestar-se chocado com o manifesto delírio), nem do Presidente da República se ouviu ...



Está visto que quando convém, que se $#%^& nos príncipios, e se para atingir a investigação em curso for preciso branquear quarenta anos de ditadura e um dos regimes mais sanguinários e bárbaros que jamais existiu então que se branqueie ...

Só mesmo à canelada...

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Fim de semana Lusitano

Se há coisa que eu gosto é de um bom fim de semana. A sério! Gosto mesmo! Tal como o último.

Sabe bem acordar, sair de casa a caminho da tabacaria, gramar com uma interminável fila para registar o Totoloto (um sacrifício necessário - o que é meia hora à espera para meter um papel numa máquina, quando esse papel pode valer 3 milhões de euros?).

Apesar da espera, o papel acabou por ter um valor inferior, até deficitário, ao pretendido. Começo a achar que existe uma cabala, urdidura, maquinação, ou o que queiram chamar, na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O sábado foi também interessante porque a TVI ofereceu-me uma mega-produção à volta da inauguração do novo Estádio da Luz. Ainda cheguei a pensar que iriam aparecer uns quantos adeptos, com a voz e imagem distorcida, a dizerem que o Luís Filipe Vieira é pedófilo.

Mas não! Graças a Deus - ou, como gosta de dizer o Nuno Morais Sarmento, com a «Graça de Deus».



E, como adoro a TVI lá fiquei colado durante todo o dia.

Eram para aí 16,30, quando um amigo meu - licenciado em Direito, a preparar um doutoramento em Direito Constitucional - liga-me e pergunta: "O que é que estes gajos estão a festejar ?"

Estão falidos, não ganham nada há 10 anos, o estádio está hipotecado, e este ano se conseguirem chegar à UEFA podem agradecer a Nossa Senhora de Fátima (Dr. Paulo Portas, peço desculpa pelo meu amigo...).

Estas palavras recordaram-me a velha teoria da hiena: Andava um puto no Jardim Zoológico, quando o guia da visita começa a explicar: «A hiena é um animal pouco sociável, não se dá com os outros animais, alimenta-se das fezes dos outros animais e passa o tempo a rir-se».

Pergunta o puto: «Um animal que não se dá com os outros, come merda, ri de quê?». Glorioso SLB.

Um jornal que gosto de ler é o PÚBLICO. E no sábado estava muito interessante. A começar com um artigo, notável, de Helena Matos e um outro de Augusto Santos Silva (ASS), também notável, mas por razões diferentes.

Diz o ASS que oos últimos desenvolvimentos do processo Casa Pia tiveram como objectivo «liquidar Ferro Rodrigues e envolver o bastonário». Só mesmo a cabecinha de ASS é que pode pensar assim...

Pergunto: Quem se daria ao trabalho de liquidar alguém que já se encontra em processo de erosão política e cujo fim é só uma questão de tempo?

Ou ASS ainda vê qualidades políticas em Ferro que toda a gente desconhece?



Depois vem o envolvimento do Bastonário, o «Júdice», como foi carinhosamente chamado.

Ò meu caro ASS, não foram os jornalistas que se dirigiram «à casa do Júdice» para lhe mostrar um documento, ou foram?

O «Júdice» foi envolvido neste processo por dirigentes socialistas e não por jornalistas - que se saiba....

Embalado pela pena, ASS diz que este «não é um problema do PS, mas da Democracia». Pela parte que me toca - se enterdermos a Democracia como um sistema representativo - EU NÃO TENHO NADA A VER COM ISSO. Tal como confundiram a Assembleia da República como um edifício privado do PS, os socialistas querem agora confundir um caso pessoal com um problema geral da «Democracia».

Que eu saiba, a Democracia não tem nenhum problema com a Justiça: Sobre a «Democracia» não recaem «fortes indícios» da prática de um crime; os amigos da «Democracia» não andaram a telefonar para gente com influência; A «Democracia» não andou a inventar teses da cabala; A «Democracia» não leu, em pleno púlpito da Assembleia da República, extractos de um relatório da PJ sobre o Paulo Portas, quando este não foi constituído arguido de nada (e eu até nem simpatizo nada com o homem...). Que me recorde, nessa altura o Souto Moura era o maior....



Citando o Manel Maria Carrilho (Expresso de 25 de Outubro): «As teorias da conspiração são um eloquente exemplo de populismo».

No fundo, caro ASS, a «Democracia» é como a «Cantiga da Rua»: Vai de boca em boca/ É de toda a gente/Não é de ninguém

Publicado por Carlos 13:52:00 0 comentários Links para este post  



notável ...



... a reverência hoje demonstrada pelos noticiários dos dois canais da RTP para com as abomináveis e execráveis declarações de Pires de Lima.

Publicado por Manuel 22:16:00 0 comentários Links para este post  



porno & hard-core

Já aquí tinhamos antecipado oportunamente, numa reacção a um post do Mata-Mouros, que Frank Gehry iria ser de facto o arquitecto responsável pelo projecto de reconversão do Parque Mayer e que as declarações anteriores de Pedro Santana Lopes, pondo tal em dúvida, se destinavam apenas e só a preparar as massas para os reais custos do projecto.

Hoje sabemos que a Câmara Municipal de Lisboa chegou a um acordo com o afamado arquitecto que prevê que os custos totais do projecto (excluindo a execução da obra) rondem os 28 milhões de euros (18 dos quais, pelo menos, serão pagos pela câmara).

Crise, deficit orçamental, contenção, apertar do cinto, obra de emergência ?



Num País normal, seriam o Primeiro-Ministro e a Ministra das Finanças os primeiros a pôr cobro a tal pornochochada, mas como estamos no País do Euro/2004 e onde os orçamentos originais nunca sofrem desvios nada se vai passar.

Depois queixem-se da abstenção, dos populismos, dos políticos esses eternos incompreendidos, das doenças da democracia e de outras coisas que tal ...

Publicado por Manuel 14:57:00 0 comentários Links para este post  



Um País a preto e branco...

Definitivamente o País, e a blogosfera estão divididos.

Temos os bons, os moralistas, os quais cientes da sua , toleram tudo com a maior das piedades farisaicas, desde que lhes convenha, e temos os maus, que - pasme-se - questionam a honra de uns quantos e, pior do que isso, se recusam a ir atrás de ideias pré-concebidas e pensam pela sua própria cabeça. Para rematar há ainda a categoria dos vilões onde está omnipresente o Ministério Público e o Procurador Geral da República.

A Grande Loja, e este modesto escriba em particular, estão definitivamente na categoria dos maus, e se dependesse da vontade de alguns já estavamos num qualquer index blogosférico.

E porquê ? porque aquí se destilam "insultos e idiotices" e mais: "ódio" !

Pior, parece que achamos por aquí "que todos (e nós sabemos quem são os "todos") são culpados até prova em contrário".

Em primeiro lugar convém esclarecer que só lê este blog quem quer.

Em segundo lugar nunca tentamos por meios menos ortodoxos influenciar nem a linha editorial de blogs terceiros nem muito menos tentar dividir os autores desses mesmos blogs entre sí.

Em terceiro lugar, a identidade dos autores deste blog é um segredo tão bem guardado que só não sabe quem somos quem não quer ou não se dá sequer ao trabalho de perguntar.

Em quarto lugar vamos às questões centrais : Ninguém aquí sabe se A ou B são culpados, o que temos a certeza é que se tem passado uma série de fenómenos a montante e a juzante, e que os bons acham naturalíssimos quando lhes convém e execraveis quando é ao contrário, que no minimo põe em causa o Estado de Direito, o normal funcionamento das instituições e a igualdade de todos perante o sistema. Aquilo que se tem verificado é que todos somos iguais mas há uns muito mais iguais que outros ...



Hoje Pires de Lima destila 3 páginas de puro "bom-senso" na revista dominical do Público. Uma entrevista claro, para ser reverenciada e aclamada pelos bons e "politicamente correctos".

E que diz Pires de Lima de concreto ? Compara "o Ministério Público com a PIDE e com a Gestapo"

Com a Gestapo Senhor!

Sim, porque naquele tempo havia equipas de super advogados, e jornalistas freeelancers a intoxicar a opinião pública, e todos tinham direito de apelo!

Sim porque naquela época se podia recorrer para a Relação, para o Supremo e para o Constitucional.

Sim porque naquele tempo não se passou nada de mais errado do que aquí agora se passa.

Só por estas declarações Pires de Lima, que num País normal, e a frio, devia ir passar uns dias na cadeia, ainda bem que estamos do lado dos "maus" !

Porque pelos vistos os dramas de Pedroso, Ferro, Cruz e companhia são comparaveis aos dos milhões de vitímas e mortos pela máquina nazí.

Em nome dos que não tem voz e aos milhões de vitimas nazís pedimos desculpa pelos dislates de alguém sem perdão. Só esperamos que daquí a uns anos, e tal como o Big Brother o já é agora, esta entrevista não seja um referencial num qualquer manual escolar ...

Ah, e quanto ao ódio, não é ódio: é raiva por comportamentos e declarações como esta de Pires de Lima ... Politicamente correctas já se vê!

Para terminar, se dizer o que pensamos, e pensando sempre no que dizemos, nos custa uma descida nos inbound links porque um qualquer badameco adiantado mental nos resolve abater da sua lista de links e insultar por e-mail, então que o seja !

É um preço insignificante preço a pagar para podermos ser livres ...

Publicado por Manuel 10:19:00 0 comentários Links para este post  



"Leituras para os dias de chumbo"

A nova Raínha de Inglaterra do grupo Lusomundo escreve hoje um curioso e sintomático editorial no, em breve defunto por via da fusão com o JN, Diário de Notícias.



Na boa tradição de Marcelo e Pacheco, o agora proto-senador Mário Bettencourt Resendes recomenda três livros.

Um, o de Clancy, é o tipíco livro de aeroporto, estilo comida chinesa, lê-se bem mas passadas umas horas já ninguém se lembra da história - dará no entanto um bom blockbuster...

Já as outras duas recomendações são muito mais refinadas dado que lidam, só e apenas, com o conceito de vingança, traição e redenção (os dois) assim como com a velha história do David contra Golias (o Avenger)...

Para bom entendedor...

Publicado por Manuel 1:11:00 0 comentários Links para este post  



há qualquer coisa de errado ...

... nesta euforia toda à volta do novo estádio da Luz.



Não sei porquê mas as únicas imagens que me vem à cabeça são de um filme, salvo erro com Marcello Mastroianni, sobre um grupo de "burgueses" que se enclausura numa casa`e se "suícida" com uma overdose de comida i.e. empaturrando-se até à morte ...

Publicado por Manuel 23:19:00 0 comentários Links para este post  



perguntar não ofende ...



Quais foram os verdadeiros termos políticos do acordo entre Nuno Morais Sarmento e Emídio Rangel que permitiu a saída airosa deste último da RTP e que abriu caminho à fulgurante ascensão de Rangel a ponto de este ser hoje a eminência parda do ramo média da PT capaz de pôr em sentido operacionais como Granadeiro e Manuel Teixeira ?

Publicado por Manuel 18:20:00 0 comentários Links para este post  



Crónica de uma ruptura anunciada ...

Já toda a gente percebeu que a investigação sobre o Processo Casa Pia, mais o que se passa a montante e a juzante deste , não vai parar.

O que se viu até agora, no ecosistema, indústria até, que se desenvolveu à volta de todo o Processo, dava só por sí para fazer um Tratado.

Já não interessa que ninguem fale a sério na cabala (que aliás nunca foi citada uma e uma única vez nas escutas a dirigentes do PS durante os muitos dias durante que precederam a detenção de Pedroso)

Já não interessa que quem montou o circo das fugas tenha sido o próprio PS (vide a última Visão de Julho)

Já não interessa o triste episódio dos clones de Inês Serra Lopes, ou esse momento execrável da nossa vivência democrática que foram as publicações do GOVD, quer em papel quer na net por via do defunto muitomentiroso.

Já não interessa o unilateralismo revelado por muitos, em alinhar por mera solidariedade ideológica (só ?) com um dos lados  (vide o Público e as suas recentes cambalhotas)...

Já nada disto interessa.

Ana Gomes diz agora que a cabala vem do seio do próprio PS.

Vem sim, mas ela já não fala da cabala original: são só e apenas os amigos de ontem, os que viabilizaram as fugas originais, que ao perceberem que Ferro e Pedroso estão (politicamente no minimo) acabados resolveram entrar no jogo do day after ... Ana Gomes -  como antes a defesa de Pedroso, agora estranhamente silenciosa -  foi apenas a última a perceber que em matéria de fugas quem colhe ventos semeia tempestades.

Só um cego ou um louco pode achar que a haver prevaricadores estes orbitam todos à volta do PS. É a esta luz que devem ser interpretadas as sistemáticas, e recorrentes, prosas histéricas de Luís Delgado, o controleiro político da LUSA, a nomeação de Fernando Lima (a qual num País normal levaria a muito rolanço de cabeças a começar nas de Nuno Morais Sarmento e José Luís Arnaut) para Director do DN, a inocuização da TSF  ou  as aventuras na RTP.

Entrou-se na fase do controlo de danos.

No fundo é como na trilogia Matrix : É a máquina a perguntar a todos, e a cada um, se querem realmente saber a verdade e se estão preparados para isso.



Para alguns académicos, numa lógica tit for tat, mais tarde ou mais cedo, as partes chegariam inevitavelmente a um equilíbrio, a um compromisso que permitisse a sobrevivência do sistema logo, incontornavelmente, a um pacto de regime. Note-se que o tit for tat é um modelo ESS (Evolutionary Stable Strategy), mas não é liquido que seja viável enquanto  modelo CSS (Culturally Stable Strategy), já que é por definição amoral, mas  mesmo que fosse este último, a história, a História a sério, faz-se de rupturas, de transições epsilon, e se até os dinossaursos se extinguiram não se percebe porque é que este sistema  se há-de perpetuar ...

Há muita gente por aí que não percebeu o que se passou nas últimas autárquicas, contra todas as espectativas das opiniões  publicadas. Definitivamente, todos esses que são especialistas a analisar o passado, e a esperar que o presente se consume, talvez venham a ter algumas amargas surpresas ...

A Verdade anda por aí ...

Publicado por Manuel 15:35:00 0 comentários Links para este post  



"segredo de quê?"


A culpa é do sistema. Em Maio, o bastonário da Ordem dos Advogados e dirigentes do PS discutiram documentos em segredo de justiça. O bastonário não considerou que tal colidisse com o seu cargo e os dirigentes do PS também não. Em Outubro, o mesmo bastonário sugeriu que se pusesse termo ao procurador-geral da República porque este não põe termo às fugas ao segredo de justiça. No mesmo mês de Outubro, o PS considera também que as fugas ao segredo de justiça visam destruir os dirigentes daquele partido.

Ou seja, em Maio, para evitar a prisão de Paulo Pedroso, a direcção do PS procurou tirar benefício das violações do segredo de justiça. Em Outubro, a mesma direcção considera que as violações do segredo de justiça fazem parte da cabala, maquinação, urdidura, campanha... contra o PS e clama contra as violações contra o segredo de justiça. Afinal, em que ficamos?

Quer o bastonário da Ordem dos Advogados quer a direcção do PS reagiram à divulgação das transcrições das escutas telefónicas como um bando de miúdos que tivessem conseguido entrar fora de horas num supermercado para provar umas guloseimas. Uma vez descobertos, fazem tábua rasa do acto que praticaram, proclamam-se vítimas e acusam o segurança de ter adormecido e não os ter visto entrar. O que foram lá fazer? Isso agora não interessa nada. E já agora como é que os senhores souberam que nós lá entrámos?

O que chocou os portugueses na transcrição das escutas não foi ouvirem Ferro Rodrigues dizer que se estava "cagando para o segredo de justiça". Aliás é a única coisa de mais genuíno que ali se entende. Porque o que chocou os portugueses foi precisamente não os perceberem indignados com o que lhes estava a acontecer. Teria sido humano que aqueles homens gritassem ir dar uma sova no procurador ou em quem tivesse inventado tudo aquilo. Mas nada disso se ouviu. Apenas combinações de contactos. O que chocou foi não haver emoção mas sim esquemas.

De mau a piau. A velha boca dos anarquistas nos anos 70 ainda deve ser a melhor definição para as violações do segredo de justiça em Portugal. O segredo de justiça está, neste momento, em Portugal, ao nível das licenças de isqueiro. Ninguém as tirava, mas toda a gente sabia que existiam. E algum agente de autoridade, em dia de azedume, podia perguntar por ela ao primeiro fumador que lhe aparecesse.

A justiça tem de adequar vários dos seus funcionamentos e linguagem ao tempo em que estamos. O caso do segredo de justiça é claramente um deles. Dada a rapidez das comunicações e a própria evolução dos "media", o segredo de justiça acaba a funcionar de forma perversa. Ou seja, em vez de defender o nome das pessoas que estão a ser investigadas, leva a que se multipliquem as mais variadas e, por vezes, derazoadas teses sobre essa investigação. Não percebo em que possa perturbar a investigação a publicação pelo jornal "24 Horas" do acórdão da Relação. Li-o todo e após a sua leitura só posso concluir que seria bom que o outro acórdão da Relação também tivesse sido divulgado na íntegra em vez de cirurgicamente seccionado.

Não ponho em causa a necessidade de existir segredo de justiça. Mas outra coisa bem diversa é esta concepção quase casular do segredo de justiça. Como algo que preserva os diferentes agentes da justiça do contacto com a sociedade até ao derradeiro momento em que majestaticamente julga ou manda arquivar.

Por fim, sublinhe-se que segredo de justiça quer dizer isso mesmo: segredo a que estão obrigados os agentes da justiça, sejam eles advogados, juízes, procuradores... Os jornalistas não têm de zelar pelo cumprimento do segredo de justiça pela mesma razão que os advogados, os arguidos, os procuradores e os juízes não vêm escrever notícias. Aos jornalistas cabe zelar pelo direito a informar.

O circo mediático. Em primeiro lugar, há que recordar que tudo começou com uma investigação jornalística. Mais precisamente com um trabalho assinado por Felícia Cabrita. Nos primeiros dias, não faltaram elogios ao trabalho desta jornalista e dos outros que se passaram a debruçar sobre o caso. Mas, passada a fase da estupefacção e do horror perante o que acontecera àquelas crianças, começou a insinuar-se que a investigação, afinal, também não era tanta. Tudo provinha de fugas de informação. E os outros jornalistas partem de manhã a correr o país em busca de informações sobre os crimes, as falências, as OPV...? Muitas das notícias, muitas vezes as mais importantes, nascem de fugas de informações. O caso Watergate, por exemplo!

Por fim, chegámos à fase do circo mediático. Do "há que pôr um travão a isto". Entendendo-se por "isto" o interesse dos jornalistas por determinados factos. Como se os envolvidos quisessem acreditar que se esvairia o problema caso aquele magote de microfones e câmaras lhes desaparecesse da frente.

Não deixa de ser curiosa esta concepção dos jornalistas como alguém que perturba, incomoda, atrapalha o que devia ser o curso natural do trabalho dos especialistas, sejam eles juízes, procuradores, advogados, líderes partidários, governos... Concede-se que os jornalistas descubram umas coisas mas, em seguida, pede-se-lhes que se retirem porque chegou a hora de trabalhar a sério no problema. A este título é exemplar o pedido do advogado João Nabais aos jornalistas para que não perturbassem com perguntas o seu cliente. Considerava mesmo este advogado que o teor das respostas dadas por Hugo Marçal a alguns jornalistas havia contribuído para que este tivesse sido detido preventivamente. Agora que Hugo Marçal era posto em liberdade, João Nabais apelava aos jornalistas para que não lhe fizessem entrevistas. Não é aos jornalistas que cabe avaliar se o conteúdo das respostas de Hugo Marçal se adequa ou não à estratégia da defesa ou da acusação. O que pensará do papel dos jornalistas um advogado que lhes pede à porta dum tribunal para não fazerem perguntas ao seu cliente para não o prejudicarem? O que achará que é o papel deles? Perguntam quando dá jeito e ficam calados depois?...

Convém que se sublinhe que o circo mediático faz vítimas. Geralmente estas vítimas são aquelas mesmas pessoas que muito partido souberam tirar do imediatismo dos jornalistas e da sua ansiedade por uma notícia. Sendo certo que, antes de o dito circo mediático se ter instalado à volta do caso Casa Pia, juízes, procuradores, advogados, líderes partidários, governos... nada fizeram por aquelas crianças. O "circo mediático" tem contribuído decisivamente para que o mundo em que vivemos seja melhor e mais justo. Pensem como seria este caso sem os jornalistas à porta das prisões para ouvir a opinião dos familiares. Sem os jornalistas para ouvir os advogados de defesa. Sem os jornalistas para ouvir as vítimas. Quer se goste quer não, o circo mediático contribuiu decisivamente para mudar para melhor a vida das crianças da Casa Pia. Tal como serviu para libertar Dreyfus, em França. Tal como serviu para desencadear o caso Watergate. Depor Collor de Melo no Brasil...

Helena Matos, Público - 25/10/2003

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A última tentação segundo Miguel Sousa Tavares

Há muitos anos atrás, um engraçadinho, creio que francês, decidiu escrever um livro, nada mais nada menos que sobre a Bíblia.

Pretendia demonstrar que todos os milagres citados na Bíblia, Antigo e Novo Testamento incluídos, tinham explicações "ciêntíficas".

Não interessa para o caso que algumas das naturalíssimas explicações arranjadas fossem mais  mirabolantes e implausiveis do que os "milagres" que se pretendiam desmontar em sí.

O homenzinho acabou por ficar na história não pelas explicações mas, só e apenas, pela ausência de explicação para um único milagre : a conversão de São Paulo a caminho de Damasco.

Vem isto a propósito do texto de hoje, publicado no Público, por Miguel Sousa Tavares. Confesso que o título, o pomposo "Algumas reflexões rigorosamente inúteis", convida pura e simplesmente a passar à frente e ignorar a ignóbil prosa.

Mas, o que lá está escrito é demasiado grave para passar em claro.

Demasiado grave porque revela não ignoráncia mas má fé. Demasiado grave porque apela ao que de mais baixo na natureza humana - a sobrevivência a qualquer preço. Demasiado grave porque o bravo, e corajoso, Miguel Sousa Tavares se revela no fundo um mero cobarde, que se esconde atrás de linhas e linhas, sem coragem de assumir o óbvio. Demasiado grave, porque Miguel Sousa Tavares, na sua auto proclamada qualidade de profeta, convida o País a caminhar alegremente em direcção ao abismo.

Mas vamos por partes:

1 - Com dois dias de intervalo, conhecemos dois acórdãos do Tribunal da Relação de Lisboa referentes à prisão preventiva do deputado Paulo Pedroso. O primeiro arrasou a investigação em curso, o trabalho do Ministério Público e a decisão de prisão preventiva do juiz de instrução.

O segundo arrasou a defesa do arguido, subscreveu por inteiro a posição do MP e do juiz, mas foi ainda mais longe: numas insólitas e deslocadas considerações, dedicou-se também a arrasar o carácter do suspeito, num tom de ódio que se percebe extensível a toda a classe política.

Mais do que decidir que a prisão preventiva era legal, os desembargadores passaram directamente à sentença condenatória, acrescentando-lhe o enxovalho do arguido e um panfleto político para destinatários certos.

Socorrendo-me do "Dicionário da duplicidade quotidiana", de Pacheco Pereira, confesso que "nunca antes" tinha visto tal coisa.

Mas os tempos vão, de facto, para coisas nunca antes vistas.

Aprecie-se a esperteza saloia do Tavares : O primeiro acordão, o da libertação, não é questionado nem por um nano-segundo, isto apesar de todo o País saber hoje as circunstâncias peculiares que rodearam a sua elaboração: o Processo não foi consultado, não foi aprovado por unanimidade, aproxima-se mais de um manifesto planfletário destinado a consumo da comunicação social e deíficação do Pedroso, etc, etc.

O segundo, aprovado por unanimidade, por gente que se rebaixou ao ponto de - magna heresia - consultar o processo, quando, a inocência de Pedroso e a ausência de pressões saltam à vista de todos, é esse sim enxovalhado.

Miguel Sousa Tavares pode não ter qualificações para mais nada, mas só pelo ponto 1, tem de certeza qualificações para ensinar jornalismo na Coreia do Norte ...

2 - Tento não formar juízes fundados apenas em sinais exteriores, mas não consigo deixar de achar preocupante o "show-off" de que se rodeia o juiz Rui Teixeira, publicitando o seu culturismo ou o todo-o-terreno e passeando-se de seguranças para todo o lado, como se estivesse ameaçado pela Máfia ou pela ETA. Acho preocupante o relato que li no "24 Horas" de que, anteontem, ao condenar um homicida da mulher a 19 anos de cadeia, Rui Teixeira "arrasou" o réu, dizendo-lhe: "Infelizmente, o senhor existe." Acho preocupante, a ser verdade, aquilo que Paulo Pedroso contou ao PÚBLICO: que, durante todo o interrogatório perante o juiz, Rui Teixeira nunca o tratou por "senhor deputado", "senhor doutor", "senhor Paulo Pedroso" ou, ao menos, por "senhor Pedroso". Tratou-o sempre e só por "senhor Paulo". E Paulo Pedroso e o seu advogado ficaram-se.

Passe a anedota que é o introito, o Processo é de facto "inócuo" : já fez correr mais tinta que todo e qualquer processo nos últimos 100 anos - mas é tão inócuo que nem se percebe aliás porque razão se dá o Tavares ao trabalho de escrever por causa dele. De qualquer modo, e só por este introito,  quando o Berlusconni precisar de um novo ministro da Justiça aquí o nosso Tavares tem as credenciais exactas para substituir o actual lá do sítio. 

De seguida o  Tavares, muito pouco criativo, decide entrar na mesma linha do Prado Coelho no dia anterior, e indigna-se pela história do "senhor Paulo". Infelizmente para Tavares todos somos iguais perante a Constituição independentemente do título, seja ele conde, doutor, Tavares ou deputado. É uma chatice para a costela monárquica do Tavares mas a igualdade perante a Lei, às vezes pelo menos existe!

3 - As alegações completas do Ministério Público no recurso da prisão preventiva de Paulo Pedroso, incluindo a transcrição integral das escutas, veio publicada esta semana como suplemento de 12 páginas no jornal "24 Horas". Repito: as alegações completas, com indicação de origem e tudo. Segredo de justiça? Lealdade processual? Presunção de inocência? Direito ao sigilo da correspondência de quem não é parte em processo nem suspeito? O que é isso? Repito o que disse há dias: a PIDE também escutava, mas, ao menos, não publicava as escutas.

É pena, que para nós reles mortais, o Tavares, não tenha fornecido uma e uma única prova de que foi o MP, ou alguém ligado à investigação, que libertou a papelada... Para ele, a divindade, o iluminado, deve ser mais que óbvio, mas, para nós reles mortais, onde estão as provas ? Para todos os efeitos, isto até podia estar no defunto "muito mentiroso"  já que o grau de sustentabilidade é exactamente o mesmo.

4 - Não aguento o farisaísmo do PSD em toda esta história, repetindo até à náusea a sua jura eterna no princípio da separação de poderes, como se fosse isso que estivesse em causa. O "Dicionário da duplicidade" de Pacheco Pereira sofre de uma falta de memória selectiva: no passado, quando as fugas e os julgamentos mediáticos atingiam os ministros de Cavaco, não foram só Mário Soares e Proença de Carvalho quem se indignou. Muitos outros o fizeram, pelas mesmíssimas razões que o fazem hoje e que são as inversas que levam outros a agora calarem o que dantes os indignava. O mais grave é que não se trata apenas de duplicidade: trata-se de uma estúpida tentativa de viver de cabeça enterrada na areia enquanto se espera que a borrasca não saia de cima do telhado do vizinho. Mas leiam o acórdão da Relação de que acima falei e vejam se abrem esses olhos cuidadosamente fechados e percebem o que está em jogo.

Aquí o Tavares, ensaia uma de Mephistofoles de vão de escada, tentando seduzir o PSD e o Governo não para a tese da cabala, mas para a tese do pântano, já soberanamente desmontada pelo Francisco José Viegas ...

5 - A facilidade com que a defesa de Hugo Marçal destruiu as "provas" laboriosamente recolhidas por uma superequipa de investigação, em nove meses de trabalho contínuo, forçando Rui Teixeira a soltá-lo, é preocupante e explica muitas das coisas já antes vistas: sempre que há fugas de informação na fase de instrução de processos que envolvem figuras públicas, sempre que começam a aparecer notícias cirúrgicas do tipo das testemunhas ameaçadas e juízes que requerem segurança, eu já sei do que se trata: a investigação está a patinar. Atente-se no caso, completamente diferente, do pedófilo "Mike", que se dava ao luxo de filmar abundantemente as sevícias a que submetia as crianças recolhidas no Parque e algures, deixando pelo caminho um mar de provas, e que teve esta semana drasticamente reduzida pelo Supremo a pena solicitada pelo Ministério Público: as testemunhas "sólidas" foram dispensadas, os indícios esfumaram-se, as provas reduziram-se ao mínimo. E o "Mike" está, aliás, em parte incerta. Terão sido "pressões políticas" a inviabilizar uma investigação capaz? Quem é o Mike?

Passando à frente da questão dos 900 km/hora do Marçal de vamos directos ao que realmente interessa: Ou o Tavares sabe algo sobre o Processo do Mike de Oeiras que nós não sabemos, e aí devia explicar, ou está na melhor linha do muitomentiroso, a atirar lama para o ar e a difamar as instituições! Quem é o Tavares ?

Para finalizar ainda sobra tempo ao Tavares para perorar  sobre  Carrilho  e o PS.  Sobre  o PS já aquí dissemos que a questão da liderança é um problema estrito dos seus militantes embora seja dramático ver um País com um Governo, globalmente, rasca com uma oposição à rasca . Sobre  Carrilho, e independentemente dos seus timings e motivações, tem uma dignidade e uma coragem que o Tavares nunca teve ...

Há muitos Tavares neste País, especialistas sobre tudo mas nunca dizendo nada, mas sempre com uma perfeita noção de timing. Para este Tavares, o timing é tudo. É a arte de nunca dizer mal, nem antes nem depois do tempo, é a maldicência elevada à categoria de um bocado de cortiça. E agora, meus caros, o timing é o de apelar ao bom senso, a uma certa auto-censura do sistema judicial, não directamente que isso queima, mas lançando o medo, a incerteza e a dúvida.

Se o Tavares fosse um Homem, com tudo no sítio, dizia, alto e a bom som, aquilo que ele e muitos pensam em surdina : Que é preciso, imperativo até, acabar com as investigações, à canelada, ou de que forma for, para que muitos que hoje são "heróis" não acabem "enterrados" como vulgares criminosos. Afinal é a isso que se resume o seu texto depois de espremidos ...

Mas Tavares é um cobarde, limita-se a atirar as pedras e a esconder as mãos ...

E infelizmente não só "existe" como há gente que se deixa levar por ele ...

Publicado por Manuel 22:04:00 0 comentários Links para este post  

«Fernando Lima, ex-assessor de Martins da Cruz, vai ser o próximo director do «Diário de Notícias»



Publicado por Carlos 17:31:00 0 comentários Links para este post  



"Ana Gomes diz que cabala pode vir do PS"



este post é dedicado a esse expoente máximo do neo-calvinismo  blogosférico que é o Miguel Marujo...

Publicado por Manuel 11:13:00 0 comentários Links para este post  



O regresso da Cabala

Quem será o, outrora temido, assessor ministerial que esta tarde se desdobrou em telefonemas frenéticos para tudo é redacção, tudo por causa da sombra do fantasma da cabala que sobre ele se pode de novo abater ?

Consta, que anda agora mesmo, à noitinha, desesperado à procura de um exorcista ...



Que São Julião o acuda ...

Publicado por Manuel 20:00:00 0 comentários Links para este post  



Para ouvir
(Jorge Palma)


Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado

Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram



Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões para se culpar

Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição
Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação

Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: fora-da-lei

Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora

Publicado por Carlos 16:43:00 0 comentários Links para este post  



Ilusões acústicas ...


"O senhor procurador-geral tem de pôr termo a isto, ou então alguém tem de pôr termo ao procurador. É tão simples como isto"

José Miguel Júdice, Jornal 2 da RTP/2 - 21 de Outubro de 2003



"Mas desde já quero tranquilizá-los pois, como é obvio, não pedi, não exigi, não ultimei, não fiz nada que possa ser interpretado como não querendo que o PGR continue"

José Miguel Júdice, 23 de Outubro de 2003

Publicado por Manuel 11:11:00 0 comentários Links para este post  



O Caixote do Lixo do Bloco Central

Nem de propósito, no mesmo dia em que Francisco José Viegas nos alerta para os perigos do Bloco Central a pretexto da "novela" casapiana, eis que surge o primeiro grande apelo a esse mesmo bloco central, pela voz, ainda que velada, de Eduardo Dâmaso no Público de hoje.



O pretexto segundo Dâmaso : "Nunca chegámos tão baixo na degradação da autoridade política e moral do Estado.".

Pois não!

E por isso é que não é altura de "parar" (a pretexto de "andar"melhor) , ou olhar para trás ...

Publicado por Manuel 10:15:00 0 comentários Links para este post  



ipsis verbis

O pântano, sim

É muito provável que o presidente da República não tivesse feito o seu discurso de anteontem caso não tivesse sido directamente visado pelo material que consta das escutas telefónicas – ainda bem que o fez dessa maneira aparentemente tranquila, respondendo directamente às dúvidas dos cidadãos.

Porque, como todos vamos concluindo, o retrato de conjunto paranóico em que se transformou o processo da Casa Pia é ainda pouco para o que veremos, para o que saberemos e para o que poderemos vir a suspeitar.

É cada vez mais difícil sobreviver e manter a lucidez no meio dessa paranóia.

Só assim se explicam algumas das intervenções políticas mais recentes e o complexo de exageros que diariamente o cidadão pode recolher pela Imprensa.

Portugal transformou-se no país da suspeitasobre a justiça e as suas investigações, sobre os políticos e os seus encobrimentos e alianças, sobre a Imprensa e os seus "alinhamentos".

No caso da Casa Pia, essa suspeita recai sobre mais duas entidades: os que estão a ser acusados de crime, e as vítimas desse crime. Não sei o que é pior, mas suspeito que a desvalorização do papel das testemunhas é um factor de perturbação que pode vir a tocar o limite do abjecto.

Se nos lembrarmos de outros casos semelhantes ocorridos – em Espanha –, o massacre das testemunhas conduziu àquilo que se teme que venha a acontecer em Portugal: a diluição do processo. A partir daí, a suspeita sobre as testemunhas leva ao fim da investigação. Claro como água.

Seria conveniente proceder à comparação dos processos e dos acontecimentos, para evitar essa verdadeira hecatombe.

Provavelmente de forma involuntária, Francisco Louçã citou Guterres ao referir-se ao processo da pedofilia, usando as expressões "lama" e "pântano", depois do seu discurso na AR – a melhor intervenção parlamentar sobre o assunto.

Em resumo, transformar o processo da Casa Pia num "processo político" consistiria, basicamente, em arrastar a política para o pântano em que se transformou o conjunto de pressões, desvarios e enormidades que têm vindo a ser produzidas todos os dias. Causa por isso alguma apreensão que Ana Gomes tenha – depois do "apelo ao silêncio", de António Costa – dado uma entrevista à "Antena Um", em que reafirma que, para o PS, este será um "combate político".

Só por isso, a realização de um congresso extraordinário do PS seria ou um ofício de defuntos ou uma sessão de psicanálise.

É curioso como algumas almas se têm mostrado mais sensíveis à violação do segredo de justiça e aos vários delírios judiciais, do que às consequências que a "pantanização" do processo podem vir a ter para o país inteiro.

Essa permanente "pantanização" tem um objectivo claro – não apenas retirar peso e importância ao próprio caso (banalizando-o), mas também retirar credibilidade às testemunhas e vítimas.

Dentro de algumas semanas, caso a paranóia se mantenha, não faltarão vozes chamando a atenção para os prejuízos que o processo vai causar na "imagem de Portugal" (esquecendo que "isto" – o processo – é mesmo Portugal).

Ora, a última coisa de que Portugal precisa, nestas circunstâncias, é de um acordo de Bloco Central para que tudo se dilua, tudo se perca em discussões entre juízes e advogados (cada qual com a sua república) e, afinal de contas, tudo permaneça neste limbo de suspeita.

Tendo em conta que há vários indícios de que se pode preparar esse cenário, convém dizer, desde já, que esse será o pior dos sinais. A encenação dessa desistência moral da sociedade portuguesa (porque é disso que verdadeiramente se trata) não é tão absurda como isso. Basta ver a quem serve.

Francisco José Viegas, in Jornal de Notícias 23/10/2003

Publicado por Manuel 1:31:00 0 comentários Links para este post  



Anatomia de uma violação...
... do segredo de justiça

o , tal como muitos, fora assessor no tempo do Tonecas, bom salário, boas mordomias, viagens q.b., o País e o mundo vistos dos andares de cima ... A festa acabou e o nosso  lá voltou cabisbaixo, à sua antiga redacção. 

Vê aqueles que antes olhava  com desdem e superioridade,  ou irem eles para o Governo, para lugares como o que tinha sido dele, ou ficarem com os melhores nacos de prosa. Para castigo supremo ainda o obrigam a escrever sobre cultura e imagine-se local.

Um dia tudo muda, rebenda o escândalo ! Não um escândalo qualquer mas o escândalo ! A bomba, o terramoto como agora se diz!

Os rumores voam, a confusão aumenta e nesse dia, um antigo chefe telefona-lhe para almoçar.

"É tudo uma cabala!"  diz aquele, "uma urdidura e uma maquinação".  acredita, por e amizade.

Nos dias seguintes tudo muda:  na redação é o maior. Tem acesso às "provas", às provas da cabala e logo na versão unplugged.

lembra-se do "diálogo", do "tu cá, tú lá", dos tempos de Guterres, não liga às transcrições, às escutas, está tudo nos sublinhados, os resumos e memorandos coligidos pela defesa são do melhor que há, o importante são os "princípios", isso e ajudar os amigos em apuros.

Exclusivo atrás de exclusivo, capa trás de capa, as vendas e as audiências disparam, e é de novo olhado com inveja e admiração pelos colegas... 

O tempo passa, e um dia o "vento" muda, cada vez há menos exclusivos para sí e mais para os outros.

para para pensar, é novo, tem 38 anos, divorciado, 3 filhos e uma  nova companheira, muito para viver, faz contas, os seus amigos não vão sobreviver até ao próximo ciclo, o Director pressiona, são precisas mais histórias, verdadeiros exclusivos ...



olha de novo para os papeis, não apenas as partes cuidadosamente sublinhadas, e assinaladas por cirúgicos post-its, mas começa a ler tudo de uma ponta à outra, pela primeira vez ...  Irrita-se por  não ter  conseguido uma entrevista, uma declaração exclusiva, uma mera frase, do libertado,  não dorme,  fuma que se farta ... 

Uma tarde vai falar com o Director  - pede um aumento e diz que consegue fazer subir  em  40% as audiências. Pede isso , e umas férias  extra.  O Director  acede.

Maços de papeis aterram, nessa tarde em cima da redacção.

"Uma mina !", diz o calejado Director.  "Não se pode matar a galinha dos ovos de ouro" diz logo um  Administrador.

E assim, ovo a ovo, dia a dia, fuga a fuga, vai saindo uma frase, uma citação, uma deixa, deixando sempre a ideia que no dia seguinte há mais. E há mais, muito mais.

As audiências disparam, é o mercado a funcionar ...

Na semana seguinte cruza-se com o seu amigo, o antigo chefe, agora deputado, desculpa-se:  "tou de licença, pá - não suportava aquilo - dá um abraço à malta" diz sem parar ...

acende mais um cigarro e sorri: Tinha-se lembrado  da velha máxima do Cardeal favorito de Dumas "A traição é uma mera questão de datas"

N.A. esta short story é dedicada ao Dr. José Miguel Júdice...

Publicado por Manuel 23:22:00 0 comentários Links para este post  



quem AVIZa amigo é ...


"eu temo, sinceramente, um acordo de Bloco Central sobre a matéria [caso Casa Pia]. Todos os sinais estão por aí, dispersos. Questão de marketing patriótico."


Neste capítulo, a ambiguidade, ou não, que amanhã resultar dos sinais de fumo, em on ou em off, que sairem da reunião entre Sampaio e Souto Moura serão muito reveladores ...

Publicado por Manuel 19:50:00 0 comentários Links para este post  



Finanças Públicas : A caminho do abismo ...

Para quem não tinha percebido bem o "alcance" do Editorial do DE que citamos esta manhã e da politica municipalista deste Governo, Durão Barroso, esclareceu tudo hoje durante o dia . "Descentralização «não vai parar», diz Durão" no Portugal Diário.



É «Necessário restaurar a confiança nas autarquias locais» e «fazer da descentralização um motor de desenvolvimento moderno e equilibrado de Portugal» continua Durão.

Os resultados estão à vista ...

P.S. Não admira que os autarcas laranja abominem Cavaco. Com ele nunca seria assim...

Publicado por Manuel 16:11:00 0 comentários Links para este post  



"Tiro ao PGR"


(...) O terceiro e principal objectivo do Presidente era o de condenar a guerra surda que se trava nos bastidores do processo da Casa Pia e da qual resulta a «criminosa e despudorada violação do segredo de Justiça» que, diz Sampaio, não pode ficar impune. Aqui, sim, foi francamente esclarecedor e terrivelmente eficaz.

Tão eficaz que logo se levantaram vozes a pedir a cabeça do Procurador-Geral da República, começando pelo Bastonário da Ordem dos Advogados. Júdice parte do princípio, muito conveniente para quem lidera a organização de classe dos advogados - que tem muitos e poderosos membros envolvidos neste processo, como se sabe –, de que vem do Ministério Público a «despudorada e criminosa violação do segredo de Justiça». Ora, a menos que Júdice e os comentadores mais ansiosos por sangue tenham informação privilegiada sobre a origem das fugas relativas às escutas, o Ministério Público não é de forma alguma o único suspeito.



A realidade revela-se, quase sempre, bem mais complexa do que a imaginamos.

E muitas vezes não basta fazer a pergunta clássica - «a quem aproveita o crime ?» - para chegar à verdade.

A pressa com que, à boleia do discurso do PR, se declarou aberta a sessão de tiro ao procurador é, pois, no mínimo precipitada - senão bastante suspeita.


Fernando Madrinha, Editorial do Expresso Online

Publicado por Manuel 13:16:00 0 comentários Links para este post  



à atenção de todos aqueles que acreditam nos impetos reformistas de Durão e na "coragem" de Manuela Ferreira Leite ...


(...)
E no mesmo dia em que o Eurostat deu “luz verde” à engenharia financeira de Manuela Ferreira Leite para suprir parte da falha de cerca de, pelo menos, dois mil milhões de euros de receitas fiscais este ano, a ministra das Finanças recebeu uma má notícia: os limites de endividamento estabelecidos pelo Governo para as autarquias têm quase tantos buracos como o segredo de Justiça tem fugas.

Ou seja, entre Janeiro e Agosto deste ano, os níveis de endividamento das autarquias ultrapassaram em 124 milhões de euros o valor que foi enviado a Bruxelas no âmbito do reporte dos défices excessivos. Mais: no quadro das excepções previstas a esse limite – os investimentos relacionados com o Euro 2004 –, cinco câmaras já foram à banca buscar 285 milhões de euros entre 2002 e 2003, um valor que supera os números conhecidos para o autofinanciamento desses estádios…



O que suscita três conclusões. A primeira é a de que o Governo revela dificuldades na travagem do impulso despesista das autarquias e manifesta-se incapaz para travar um dos ‘lobbies’ mais poderosos do país; a segunda é que o futebol não faz apenas a alegria de muitos portugueses, é também a tábua de salvação financeira de muitas autarquias; e a terceira é a mera constatação de que o ‘cocktail’ entre futebol e autarquias é, no mínimo, explosivo e obriga qualquer cidadão lúcido a temer o pior sobre a viabilidade financeira do Euro 2004.
(...)


Miguel Coutinho, Editorial do Diário Económico

Publicado por Manuel 9:43:00 0 comentários Links para este post  



"Contradições socialistas"
um dia dizem uma coisa, outro dia dizem outra - Exemplos práticos e irrefutávaveis


As escutas realizadas a membros da direcção do PS revelam contradições flagrantes. Há exemplos para todas as situações. Para a prisão de Pedroso, para o seu regresso à Assembleia e sobre o valor dado ao segredo de justiça. Muito foi dito e escrito. O PS chegou mesmo a afirmar que, caso Paulo Pedroso visse a prisão preventiva revogada, não voltaria à AR enquanto o processo não terminasse. Não foi o que se viu.

Vamos às declarações. Depois de ter sido ouvido no Departamento de Investigação de Acção Penal (DIAP), a 4 de Junho, Ferro Rodrigues disse em declarações aos jornalistas que nada podia dizer sobre o interrogatório devido ao «estrito cumprimento e respeito pelo segredo de justiça».

A 21 de Maio, numa conversa telefónica escutada pela Polícia Judiciária, e já amplamente revelada pelos órgãos de comunicação social, Ferro Rodrigues terá manifestado outro tipo de consideração pelo mesmo segredo de justiça. A frase «Estou-me cagando para o segredo de justiça» fala por si.

Sobre o tão falado regresso de Paulo Pedroso à Assembleia da República e ao seu lugar de deputado há também contradições. A 2 de Julho, um dos principais dirigentes socialistas garante à agência Lusa que o ex-ministro do governo de Guterres só voltará à actividade política quando a sua inocência estiver completamente provada.

Segundo o mesmo responsável - próximo do ex-ministro socialista - para Paulo Pedroso regressar à política nem sequer lhe bastará que o processo em que é acusado seja arquivado. Ficava a sugestão de que jamais voltaria ao Parlamento.

O próprio Paulo Pedroso na carta que escreveu, enquanto ainda estava detido, afirmou que «é importante que em nenhum momento os criminosos que me atingiram possam sentir o prazer, porventura desejado, de atingir também o PS». A intenção do deputado cai por terra. O processo Casa Pia está a deixar o PS em maus lençóis.

Dito e esquecido

Os novos dados sobre as escutas telefónicas, revelados nos últimos dias, trazem também a lume declarações já antes proferidas pelos seus protagonistas. Já a 23 de Maio, dois dias após a detenção de Pedroso, António Costa veio dizer que tinha contactado o Procurador-Geral da República.

O artigo de opinião escrito, esta terça-feira, no jornal Público, pelo líder parlamentar do PS, é a reafirmação das declarações que proferiu a 4 de Junho.

Também o bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, já tinha afirmado, a 5 de Julho, fazer parte de um «filme» sem ter sido contactado antes.



A 23 de Julho veio ainda a público um comunicado da Procuradoria-Geral da República que pretendia esclarecer a validade das conversas escutadas. No comunicado, pode ler-se: «Numa investigação apenas as conversas telefónicas importantes são transcritas para os autos». Será que a polémica frase de Ferro Rodrigues, a propósito do segredo de justiça, foi mesmo considerada importante?


A prosa acima, não é da autoria dos perigosos "extremistas" desta Grande Loja, acusados por alguns de colaborarem na tal cabala contra o Partido Socialista. É uma prosa, integral, do insuspeito Portugal Diário ...

Contra factos, meus caros, não há argumentos !

Publicado por Manuel 9:29:00 0 comentários Links para este post  



Poema Pial

Toda a gente que tem as mãos frias
Deve metê-las dentro das pias.

Pia número UM
Para quem mexe as orelhas em jejum.

Pia número DOIS,
Para quem bebe bifes de bois.

Pia número TRÊS,
Para quem espirra só meia vez.

Pia número QUATRO,
Para quem manda as ventas ao teatro.

Pia número CINCO,
Para quem come a chave do trinco.


Pia número SEIS,
Para quem se penteia com bolos-reis

Pia número SETE,
Para quem canta até que o telhado se derrete.

Pia número OITO,
Para quem parte nozes quando é afoito.

Pia número NOVE,
Para quem se parece com uma couve.

Pia número DEZ,
Para quem cola selos nas unhas dos pés.

E, como as mãos já não estão frias,
Tampa nas pias!

Fernando Pessoa

Publicado por Manuel 1:59:00 0 comentários Links para este post  



"Excepção à regra"

Há só uma coisa que pode ser dita do texto abaixo, porque está lá tudo, que é dar os sinceros parabens ao autor.


Tenho tentado, com muito esforço, não me pôr aqui a comentar seriamente o processo Casa Pia/Paulo Pedroso. Tenho tentado muito e isso é verificável no Glória Fácil .

Acontece, porém, que a paciência tem limites. E esses limites são os da inteligência - ou, melhor dizendo, os da falta dessa inteligência.

Assisti há poucas horas, em directo e ao vivo, à comunicação ao país do sr. Presidente da República (PR). Escrevi a respectiva notícia.

Finda essa tarefa, eis o desabafo: não paro de me espantar com a forma como, dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, jorram os discursos que mais munições dão aos populistas deste caso (como os Namoras e Catalinas e afins). Discursos oriundos de onde menos se espera: do Palácio de Belém, por exemplo.

Porque foi isto que o sr. Presidente ontem fez quando tratou o caso como uma "novela judiciária" (sic). Os demagogos desta história (repito: Namoras, Catalinas e afins) têm agora um pretexto maravilhoso para dizerem que, ao mais alto nível na hierarquia do Estado, o caso é desvalorizado, achincalhado, vulgarizado, etc, etc.

Ora isto era perfeitamente escusado. Deste discurso é este micro-sound-byte ("novela judiciária") que vai ficar. O PR não podia deixar de o saber. Os populistas desta história (Namoras, Catalinas e afins) vão poder agora dizer que é gravíssimo tratarem-se das vítimas do processo Casa Pia ("as crianças", dizem eles, como se as representassem) como personagens de uma "novela judiciária". Isto não acontece por acaso - mas não pensem que defendo alguma tese conspirativa para explicar este discurso do PR.

A minha "conspiração" é muito simples: quando debaixo de fogo, o dr. Sampaio deixa-se levar pela irracionalidade. Responde com o coração na boca. E se calhar porque pensa que que os populistas, por apelarem às emoções, só se movem, eles próprios, no campo dessas emoções.

Erro, erro, erro: as emoções populares convocam-se pelo uso apuradíssimo da racionalidade de quem convocar essas emoções. Não há sujeito mais racional do que o populista. O instrumento de resposta ao populista é o mesmo que ele usa para ser populista: a racionalidade. Isso falhou, ontem, no Palácio de Belém.

João Pedro Henriques


Transcrito, com a vénia devida, do Glória Fácil

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gato escondido com rabo de fora ...

Isto da violação do segredo de justiça e da divulgação selectiva de escutas está a deixar muita boa gente com selectivas indignações e raciocínios ainda mais selectivos ...

Se nos dias que precederam a detenção do Dr. Pedroso, assim como nesse dia, nada mas nada de anómalo se passou no que a cunhas, pressões, manobras de diversão e afins diz respeito, e se como se dizem por aí, o que circula são tudo extractos descontextualizados de conversas inócuas, e fora de contexto, porque é que a defesa de Paulo Pedroso, o próprio secretário-geral do PS, o Dr. Costa, o Dr. João Pedroso e todas as personalidades hipoteticamente consultadas para "lobbing" e já citadas na comunicação social, não solicitam ao Ministério Público a divulgação integral e imediata do contexto dos extractos das ditas escutas vindas a público ?



A Lei prevê este tipo de excepções e não é crivel que a Procuradoria recusasse.

Assim sendo, e se nada de anormal se passou e estão todos de consciência tranquila, porque esperam ?

Uma nota final para a tristeza que é ver um Bastonário da Ordem dos Advogados com um discurso ao nível de um qualquer Narciso Miranda. Quem o viu e quem o vê ...

Publicado por Manuel 23:20:00 0 comentários Links para este post  



Notas do Portugal Profundo...
... ou dicas para distrair o povo dessa coisa da Casa Pia


Enquanto os residentes treinavam o teatro de fantoches, o e a Diana foram para o Quarto do Líder. Conversa puxa conversa, o casal acabou na cama....

Entre beijos e carícias, os ânimos foram aquecendo e as emoções foram ao êxtase debaixo do edredão. Movimentos de anca anunciavam o acto de "amor".



Mas, de repente entrou o Ricardo B. A tossir para anunciar a presença, o alentejano entrou no quarto e mostrou a t-shirt que a namorada lhe dera. O residente percebeu a situação e rapidamente saiu do quarto.

Mas nem a visita inesperada desanimou o casal, que continuou com a sessão amorosa. Depois de alguns minutos de agitadas movimentações, o destapou a cabeça para conseguir respirar e a Diana limpou-lhe o suor da testa.

«Tenho de ir à Casa-de-banho». Antes de se levantar, o espreitou dentro do edredão para ver se estava tudo ok.

Publicado por Carlos 22:29:00 0 comentários Links para este post  



Sampaio ou a insustentável leveza do vácuo ...

Que disse Sampaio ?

Nada !

A não ser que a Casa Pia não pode ser a "árvore" que tapa a "floresta" que são os problemas do País e que ele Sampaio, não pressionou ninguém.

Aquilo que Sampaio disse hoje ao País, sobre as "pressões", devia ter dito, na altura própria, aos seus amigos socialistas de modo a quebrar pela raíz toda e qualquer "ilusão" que estes pudessem ter ...

Ao não o ter feito, e não fez, já que estes sempre tiveram a "esperança" (na hipótese mais benévola) Sampaio errou e há erros que um Presidente não pode cometer ...

Uma última nota para árvores e florestas : O "escândalo Casa Pia" não é a árvore que esconde a floresta é antes a árvore decepada que nos permite ver a verdadeira floresta que esquistece este País ...

Publicado por Manuel 20:30:00 0 comentários Links para este post  



os dadaistas da blogosfera ...
(actualizado)

Apareceu por aí um blogzito novo, com um nome até respeitável mephistopheles, e que prometia ...



Mas afinal tudo não passa de uma experiência ciêntifica, mais que batida ... Em suma, puseram uma galinha em cima de um teclado, a uma tecla associaram uma lista de blogs da moda (1 por cada post) e às restantes um conjunto de palavras, bocas e insultos mais ou menos eruditos (mas não queirosianos - suprema heresia).

O resultado, pouco famoso, pode ser visto aquí

Tem claro a vantagem de fazer publicidade às vítimas mas o facto é que, pelo menos na blogosfera, o Diabo já não é o que era ...

post scriptum Este pobre Mephistozinho dos nossos dias, escorrega na primeira esquina, na primeia provocação e logo num "ataque de compaixão". Fausto, o de Goëthe, ao menos ainda tentou negociar, este caíu que nem um tordo ... Que chatice, assim nem gozo dá, já parece o Sampaio ...

Publicado por Manuel 20:20:00 0 comentários Links para este post  



Duas saídas...
Dois casos, a mesma patologia

Mira Amaral e Luis Delgado são dois casos crónicos ...

O primeiro super-boy, o outro nem tanto, receberam de bónus uns quintaizinhos para brincarem.

A Mira calhou a CGD, a Delgado a Lusa. No entanto nem um nem outro descansam.


Mira, e a sua entourage, passam literalmente a vida a meter o nariz na politica económica, nomeadamente na relacionada com a área da energia, e a armar sarilhos e confusões.

Delgado, não contente com a Lusa sonha em ser uma espécie de S. João Baptista dos "amigos"... A sua última intifada contra o PGR revela tudo...

Para um e para outro tanto "voluntarismo" vai acabar mal, são meros peões, descartáveis e muito pouco cuidadosos...

É a velha história, quem tudo quer tudo perde...

Publicado por Manuel 2:29:00 0 comentários Links para este post  

Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.

Fernando Pessoa, 15-11-1930

Publicado por Manuel 1:12:00 0 comentários Links para este post  



Desportos radicais - versão PS ...


Publicado por Manuel 23:56:00 0 comentários Links para este post  



E agora Dr. Sampaio ?

Aquando da divulgação das primeiras escutas, Ferro Rodrigues não hesitou em recordar a sua condição de Conselheiro de Estado ...



Agora, a questão que se (im)põe é : Conselheiro de Estado até quando ?

Entretanto parece que o Dr. Sampaio só vai falar depois de ser capa da Time, ou talvez da Interviú ...

Publicado por Manuel 21:03:00 0 comentários Links para este post  



D. Quixote e Dulcineia ...

Mark Kirby, claramente não está preparado para as luzes da ribalta.

Chefe de Gabinete de Ferro e assistente universitário de Marcelo, Mark Kirby bem vocifera, esbraceja até, no seu blog...

Mas ninguém lhe liga, não ligou Marcelo, não lhe ligam agora quando voluntariosamente pede cabeças ...



Manifestamente não leu Cervantes, se o tivesse feito, saberia o que fez Dulcineia a D. Quixote, depois de este ter combatido tanto moinho de vento...

A vida às vezes é mesmo cruel quando as pessoas não sabem quando parar ...

Publicado por Manuel 19:28:00 0 comentários Links para este post  



A herança de Pol Pot ...

Na prosa mais imbecil, asquerosa e reacionária dos últimos tempos, a lembrar aliás um qualquer discurso de Pol Pot, Clara Ferreira Alves hoje no Diário Digital cega pelo ódio dá um novo sentido à expressão "revisionismo".

Diz Clara Ferreira Alves ...


A luta de morte


O pior cego é aquele que não quer ver. Anda por aí muito boa a gente convencida de que o PS devia demonstrar, provar, dizer em público e reiterar, que não é o partido que está envolvido no escândalo da pedofilia, e que não existe entre o partido e a máquina judiciária e judicial uma guerra. O PS não pode fazer isto por uma razão simples. O partido está irremediavelmente comprometido no escândalo da pedofilia, e a guerra entre o partido e os acusadores, existe. E não pode deixar de existir.

Em primeiro lugar, o porta-voz do PS, o seu líder parlamentar e o seu secretário-geral são os nomes que a máquina judicial e judiciária e, sobretudo, personagem nefasta do procurador, tentaram comprometer, e conseguiram, no processo. Não estamos a falar de backbenchers, estamos a falar da espinha dorsal do partido. Paulo Pedroso passou quatro meses e meio em prisão preventiva, foi linchado publicamente, as escutas telefónicas foram divulgadas e a sua defesa foi posta em causa. António Costa e Ferro Rodrigues foram ouvidos no DIAP, e, num determinado momento, o nome de Ferro Rodrigues apareceu nos jornais como um dos citados como uma das testemunhas do processo. Apareceu como pedófilo, nem mais. A certa altura, chegou mesmo a pensar-se, e a notícia correu os «mentideros», que Ferro Rodrigues poderia ser preso.

Não se vislumbra como é que o partido se pode pôr de fora disto, como se nada tivesse a ver com isto, continuando uma oposição ao Governo de assobio nos dentes enquanto fingia que tudo estava bem no Largo do Rato. Os dirigentes que discordam da liderança de Ferro aproveitaram logo para dar a ferroada mas, nem um segundo o PS conseguiu concluir que aquela era a sua luta e aquela era a sua gente e que ou estava solidário com os seus chefes ou demarcava-se para sempre deles. O resultado desta ambiguidade é hoje visível e é fatal. Ou o PS acredita que tem de limpar o nome de três dos seus principais dirigentes, ou não acredita.

Porque, aconteça o que acontecer, a guerra entre o partido, o procurador e os acusadores e investigadores da pedofilia é total e é até à morte. Ou caem os socialistas, ou cai toda a máquina que investigou e desenhou este caso. Porque, como se viu após a libertação de Pedroso, o «outro lado» não hesita no golpe baixo e na má língua. A divulgação destas escutas telefónicas destinadas a destruir Ferro Rodrigues e a envolver outra vez o nome de Jorge Sampaio são um sinal de que a democracia portuguesa está profundamente doente.

Não é apenas por boas razões que a máquina judicial e judiciária anda a violar o segredo de justiça, é também porque quer transformar Pedroso e Ferro, e os outros, em canalhas e culpados. Esta gente sabe que se perder este processo, perde a carreira e perde a dignidade. Sabe que se perder esta guerra perde o emprego e a credibilidade, e perde a vida. Por isso, utiliza todos os truques e subterfúgios e vai «vomitando» esta papa para os jornais, que a publica, evidentemente. A única reacção que podemos ter é a do asco.

O PS tem de perceber que este é o seu combate, mesmo que não pareça. E que se não ganhar este, não ganha nenhum outro. Porque, se deixar cair Ferro, Pedroso e Costa, e continuar a fazer oposição como se nada fosse, perdeu a autoridade e a legitimidade moral. O modo como o PS tem administrado este caso é desastroso, tem sido desastroso. Passa da euforia ao desnorte em segundos. Todos falam e ninguém diz nada. Todos falam demais e agem de menos.

Ou o PS parte o elo que o une, e parte-se aos bocados, ou reúne as tropas e começa a raciocinar friamente. Porque, de facto, a cabala não deve existir mas existe gente que não tem escrúpulos nem vergonha. E essa gente tem de ser denunciada. E têm de existir mecanismos de controle desta gente, mecanismos democráticos. Uma «cabala» pode ser constituída por um intriguista bem colocado. Além do PS, estão a destruir a democracia. O PS tem de começar a preparar a sua defesa.



A visão unilateralista, mesmo de Jihad pura e dura, de Clara Ferreira Alves talvez sirva para convencer um marciano mas por outro lado o que é que impede alguém de seguindo exactamente o mesmíssimo raciocínio afirmar que :

Os acusados, de quem Clara Ferreira Aves toma todas as dores, "essa gente sabe que se perder este processo, perde a carreira e perde a dignidade.

Sabe que se perder esta guerra perde o emprego e a credibilidade, e perde a vida.

Por isso, utiliza todos os truques e subterfúgios e vai «vomitando» esta papa para os jornais, que a publica, evidentemente.

A única reacção que podemos ter é a do asco
" ?

Publicado por Manuel 17:42:00 0 comentários Links para este post  



Ò tempo volta pra trás...

Diz a Lusa:


A Base Naval do Alfeite, Almada, recebeu hoje cerca de 70 dos 100 mancebos convocados para o primeiro dia de comemorações do Dia da Defesa Nacional, com muitas caras ensonadas e risos a denunciarem algum nervosismo.



Mais ou menos intimidados, os jovens foram colocados lado a lado para assistir, ao som do hino nacional, ao hastear da bandeira, quebrando a solenidade do momento com alguns risos que deixaram escapar.....

A única voz dissonante no grupo, Pedro Barro, colocou a questão a partir de um ponto de vista mais crítico: "Eu vou servir a minha pátria, uma bala atinge-me. Fico paralítico e aí a guerra é outra. Esquecem-me tal como aconteceu com os ex-combatentes do Ultramar".

A tenente Cristina Santos, psicóloga de formação, explicou que "não é bem assim, apesar de ser essa a ideia que passa" e relativizou o hipotético problema.

"Nas Forças Armadas há mais riscos. Mas um acidente pode acontecer em qualquer profissão e, se calhar (as Forças Armadas) estão melhor preparadas para enfrentar a situação", disse. "Continua assim, chegas a capitão"

Publicado por Carlos 16:27:00 0 comentários Links para este post  

Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Publicado por Manuel 4:04:00 0 comentários Links para este post  



Em defesa de Souto Moura

A 9 de Outubro escreveu-se aquí que :


Manifestamente o actual Procurador Geral , Souto Moura não é fadado para o prime-time. Não é fotogénico, provavelmente abomina jornalistas, nunca ouviu falar neste Queijo, confunde articulados com comunicados à Imprensa e não domina a lógica do sound-byte, etc .

Mas o que é realmente dramático é ver e ouvir o Homem, que é, sem sombra de dúvida Honesto e Competente, , e quixotescamente, a (ter de) clamar o óbvio : A independência dos Tibunais, a separação de poderes, que até ao lavar dos cestos ainda há vindima e por aí fora ...



Ainda por cima há alguns "iluminados", para não chamar as coisas pelos nomes, que confundem essa acção meramente pedagógica e do mais elementar bom senso com "reacção de um mau perdedor".

Lamentável.


Ontem no Diário Digital, Luis Delgado, intímo de Santana Lopes e comissário político de Nuno Morais Sarmento na LUSA, logo particularmente insuspeito neste filme todo, vem pedir a demissão de Ferro mas com uma nuance curiosa já que a usa como mero pretexto para pedir a seguir a demissão de Souto Moura.

Souto Moura teria de se demitir segundo Luis Delgado:

Não porque seja ele a dirigir este processo, ou porque é um líder de uma conspiração judicial contra os socialistas, mas pelo simples facto de ser o mais alto responsável da instituição de onde partem as fugas de informação.

Sejam as escutas, sejam partes selectivas dos processos, sejam induções subjectivas de peças e testemunhos das vítimas.

O PGR já não tem condições para reganhar a credibilidade perdida do MP, posta em causa pelos próprios juizes, advogados, e até procuradores.


Já hoje, e na sua crónica diária no DN, Luís Delgado promete voltar à carga, sobre o PGR, de quarta a sexta-feira ...

Não fosse o DIAP ter mais que fazer, seria curioso saber como é que Delgado tem tantas certezas sobre a origem das "fugas de informação sejam as escutas, sejam partes selectivas dos processos, sejam induções subjectivas de peças e testemunhos das vítimas". Afinal o mesmissímo Delgado que pede a demissão de Ferro, só e apenas porque ...

Como político, as transcrições das conversas telefónicas «matam» em definitivo o líder do PS, pela linguagem, pelo tom, e pela postura sobre questões fundamentais. É o «síndrome de Nixon» aplicado ao PS: Nixon poderia ter resistido muito mais na Casa Branca, se as transcrições das suas conversas não fossem reveladas aos americanos: eram de uma «baixeza» inadequada a um presidente, ou, neste caso, ao líder do maior partido da oposição. Ferro tem de sair, e ele sabe disso.

e apesar de ...

Como cidadão, Ferro Rodrigues, e outros, é objecto da mais indigna e obscena campanha dos tempos mais recentes, e através do meio mais inconstitucional e violador das garantias fundamentais, que é a escuta telefónica a pessoas que não são suspeitos ou arguidos de coisa nenhuma.

cai ele próprio na mesma cova em que se enterrou o PS que foi apostar tudo na tese da cabala ... Cabala esta que para Luis Delgado obviamente vem de dentro do MP do qual em última análise Souto Moura é responsável...



Tal como Ferro e o PS antes, tambem Delgado não consegue explicar o porquê e os objectivos últimos da hipotética libertação de "fugas de informação sejam as escutas, sejam partes selectivas dos processos, sejam induções subjectivas de peças e testemunhos das vítimas" por parte do MP.

Mas há uma coisa que o DN de hoje ajuda a explicar, e que é a irritação de Delgado para com o MP. Afinal, e como se pode ler aquí e aquí a Direcção do PS pode não ter tido grande sucesso com Marcelo mas terá sido suficientemente convincente com, nada mais nada menos, Nuno Morais Sarmento, e a tal ponto que este "ter-se-á comprometido a revelar a teoria ao seu «chefe», que o Ministério Público entende ser Durão Barroso.".

Aguardamos pois ansiosamente pelas croniquetas de Delgado das proximas quarta, quinta e sexta já que talvez a luminária nos revele que isto não passa afinal (!) de uma cabala sim, mas contra Nuno Morais Sarmento, quiçá até também Pedro Santana Lopes, e de que Ferro e Pedroso são os aperitivos ...



Voltando a Souto Moura, é verdade que tem punhos de renda a mais, é verdade que é excessivamente simpático, por vezes mesmo excessivamente confiante no próximo, é verdade que é um autêntico desastre a lidar com os média (ai Senhor, cada comunicado da PGR...) mas é, sem sombra de dúvida Honesto e Competente, e é, doa a quem doer, à sua "sombra" que se desenvolve a mais complexa e productiva investigação Judicial de todos os tempos no Portugal Democrático !

Àqueles que pedem a cabeça de Souto Moura uma e uma só pergunta : sabendo o que já se sabe, a investigação teria chegado onde chegou, começado até, com outro Procurador Geral da República que não Souto Moura ?

Ora aí está!...

P.S. Por piedade`não comentamos nem a velada simpatia de Delgado por Nixon, nem os montes de textos que este escreveu a louvar Keneth Starr (isto a propósito da vinda de Clinton a Portugal e do último ponto da prosa de hoje de LD no DN)...

Publicado por Manuel 1:58:00 0 comentários Links para este post  



fiat lux...



Escutas telefónicas

A 19 de Maio, dois dias antes da prisão de Paulo Pedroso, a PJ intercepta uma conversa entre Ferro Rodrigues (FR) e António Costa (AC), divulgadas ontem à noite pela SIC.

Os dois afirmam que o Presidente da República «já tinha sido informado da situação» e prepararam-se para «a possibilidade de uma intervenção rápida». Neste contexto, segundo o Ministério Público (MP), fala-se em Pedro Santana Lopes. «O dr. Lopes que é bem informado e que poderia ir informar alguém».

E «o gajo da Pedro Álvares Cabral», que o MP diz ser Morais Sarmento, e que já teria sido informado da alegada cabala e assumido o compromisso de não falar com ninguém sobre esta matéria a não ser com o «chefe» dele. O MP apurou ser o primeiro-ministro.

A 20 de Maio, FR e AC discutem a forma como hão-de apurar o teor do encontro entre «o gajo do almoço de hoje» e o Presidente, em que alegadamente se terá discutido «o caso do deputado do PS envolvido na coisa da Casa Pia». Para o MP, o gajo era o PGR.

Noutro telefonema, os dois discutem a possibilidade de conversar com Marcelo Rebelo de Sousa, para que este pressionasse a opinião pública em sentido favorável à defesa do arguido.

A 21 de Maio, meia hora antes da conferência de imprensa de Pedroso, a PJ intercepta uma conversa entre João Pedroso e Vieira da Silva sobre o teor da conferência de imprensa que o arguido ia dar. Para o MP, a conversa revela esforço em demonstrar que não se perceba a intenção de perturbar o processo.

João Pedroso: «A minha dúvida é ficar a ideia de que ele vai perturbar a prova. Porque vai perseguir os caluniadores mas ele não pode dizer outra coisa.»

Vieira da Silva: «Ele não pode deixar de dizer isso. Isso é o aspecto central disto tudo.»

No mesmo dia, às 18.37, FR e Mariano Gago concordam que o Presidente não podia intervir directamente nesta questão, tal como o próprio FR, e concluem que «outros o podem fazer».

FR telefona a Mark Kirkby, seu chefe de gabinete, e pede-lhe para «puxar dos galões» e tornar pública a natureza do despacho do juiz Rui Teixeira, revelando-o ao seu «chefe» que o MP apurou numa outra conversa ser Marcelo Rebelo de Sousa.

Pouco depois, às 18.55, FR diz a AC que «a fileira de que são conhecidos os nomes deveria ser divulgada em off junto de algumas pessoas». O MP diz que FR quando foi ouvido no DIAP explicou que a fileira tinha a ver com «pessoas ligadas a gabinetes ministeriais e a altas instâncias do Estado» que pertenciam a uma organização que levantou urdidura contra o arguido, o PS e ele próprio.

O Ministério Público diz que não se espantou quando ouviu da boca de FR a frase «tou-me cagando para o segredo de justiça» porque já o tinha ouvido dizer também que o processo não pode ser resolvido «num plano tão elevado mas antes à canelada».

Publicado por Manuel 0:20:00 0 comentários Links para este post  



aguarda-se ...

a reacção de João Pedroso às deduções de Marcelo Rebelo de Sousa esta noite.



Ainda sobre esta matéria espera-se que o Conselho Superior de Magistratura abra imediatamente uma investigação aberta e transparente a todas as actividades de João Pedroso no mesmo ...

P.S. Marcelo já se explicou na medida do possível... faltam o "amnésico" Dr. Lopes, Nuno Morais Sarmento, o Dr. Júdice - o qual pode aproveitar a ocasião para explicar se é normal um advogado a tempo inteiro no Conselho Superior de Magistratura poder defender um arguido, antes, durante e depois de este o ser - e claro Jorge Sampaio ...

Publicado por Manuel 23:07:00 0 comentários Links para este post  



A coerência segundo o PS ...

Paulo Pedroso sobre Fátima Felgueiras:



O Partido Socialista entende claramente que a Drª Fátima Felgueiras só deve voltar a exercer as suas funções de Presidente de Câmara quando toda esta situação estiver esclarecida e se ela vier a ser declarada inocente.

Até ao cabal esclarecimento da situação ela não deve voltar a exercer o cargo. Se ganhar o recurso, devia suspender o mandato pela sua vontade.

Por muito doloroso que isso seja, eu separo o que tem a ver a responsabilidade política com a solidariedade pessoal.

Grande Júri/TSF, 11 de Janeiro de 2003

N.A. Pérola encontrada no Veto Político

Publicado por Manuel 19:00:00 0 comentários Links para este post  



Acerca da natureza humana

Da Lusa e ipsis verbis ...


Ferro Rodrigues adverte para "ameaças populistas à democracia e ao PS"


O secretário-geral do partido Socialista, Ferro Rodrigues, advertiu este domingo, em Angra do Heroísmo, Açores, para a existência em Portugal de "ameaças populistas fortes à democracia e ao PS, que exploram a mesquinhez, a inveja" e a bisbilhotice.

Ferro Rodrigues frisou que "ocorrem campanhas selectivas e sem escrúpulos contra alguns políticos, em que colaboram órgãos de comunicação social, com o objectivo de intimidar e controlar o exercício das funções políticas".

"No PS quem manda são os socialistas e não os comentadores de televisão", sustentou Ferro Rodrigues, que falava no encerramento do XI Congresso dos socialistas açorianos.

No entanto, o secretário-geral do PS nunca mencionou expressamente a questão das escutas telefónicas divulgadas sexta- feira pela SIC, no Jornal da Noite.

Por outro lado, Ferro Rodrigues salientou que estava nos Açores para enaltecer a obra do partido socialista na região a quem aconselhou "a nunca se esquecer dos mais desfavorecidos e fazer uma permanente oposição à corrupção, à pobreza e às injustiças".

Martins da Cruz pode dormir descansado, afinal há gente, neste País, com mais desplante, desfaçatez e cinismo que ele!

Ferro Rodrigues é uma dessa pessoas...

Martins da Cruz não hesitou em deixar cair Lynce, brincar com as palavras e com a sua Honra, denegrir o Estado e o Governo até finalmente ser vítima de sí próprio e das suas contradições ...

Ferro, hoje, e apesar de todas as evidências, demonstrou que para se tentar safar não hesita em envolver tudo e todos incluindo o Presidente da República.

Em matéria de princípios estamos conversados ...

Mas convém olhar com mais alguma precisão para as palavras de Ferro :

"ameaças populistas fortes à democracia e ao PS, que exploram a mesquinhez, a inveja, (...) ocorrem campanhas selectivas e sem escrúpulos contra alguns políticos, em que colaboram órgãos de comunicação social, com o objectivo de intimidar e controlar o exercício das funções políticas".


Mais populismo e simplismo que a teses da cabala?

Mais populismo do quer vir chorar para as televisões ?

Mais mesquinhez do que devassar a vida privada de Juizes e Procuradores ?

Mais rasca, e com menos escrúpulos, do que o muitomentiroso e que o reporterX.net ?

Mais cínico que a "elaboração" da entrevista de Pedroso ao CM (vide as fotos, inclusivé a levar o filho à escola) ?

Campanhas mediáticas mais selectivas que as promovidas pelas defesas (vide o "circo" aquando da libertação de Pedroso) ?



Nesta altura, já só não vê quem não quer ...


P.S. Tendo em conta que desde o início o Ferro & Companhia apostaram tudo na bigbrotherização do Processo Judicial (alguém tem agora dúvidas sobre quem chamou a SIC para acompanhar Rui Teixeira na Assembleia da República ?) nao deixa de ser irónico observar agora o mesmo Ferro a diabolizar a mesmísima Comunicação Social ... Como diz o povo, quem com ferro mata com ferro morre!

Publicado por Manuel 15:34:00 0 comentários Links para este post  



180°...

A 9 de Outubro, escrevemos aqui :


Assumindo aquilo que já era de facto a linha editorial do PÚBLICO, um claro, obsceno e unilateral, alinhamento pelas teses da Defesa, JMF assume hoje urbi et orbi, e num desarticulado Editorial, como axioma a tese da cabala. Não vale a pena apelar ao bom senso do Conselho Editorial do Público (o mesmo que demorou QUATRO meses a pronunciar-se sobre a publicação de um texto "histórico" claramente revisionista).

Apela-se apenas que, aquando do assentar dos factos e da poeira, e face à objectividade da cobertura destes pelo PÚBLICO que então se apurará, José Manuel Fernandes tire as devidas as ilações !




Hoje, dez dias depois, o mesmo Público tem como manchete a frase «Ferro Rodrigues Admitiu Que Processo de Paulo Pedroso Só ia "à Canelada"»

Diz quem sabe, José Manuel Fernandes e Eduardo Dâmaso foram vistos, hoje, algures em Lisboa, a passear com a cabeça dentro de um saco ...

Publicado por Manuel 9:36:00 0 comentários Links para este post  



O dia seguinte ...


Publicado por Manuel 8:15:00 0 comentários Links para este post  



Jorge Sampaio - Por uma saída com dignidade !

Hoje, no Diário de Notícias, e relativamente às polémicas escutas reveladas sexta-feira pela SIC, António Ribeiro Ferreira vai quase até ao fundo da questão ...

Uma prosa notável e coerente, mas com um parágrafo a menos (o que focaremos no final), que transcrevemos de seguida, com a vénia devida:


Escutas e Almoços


A revelação de escutas telefónicas envolvendo directamente Ferro Rodrigues, António Costa e Paulo Pedroso e de forma indirecta o Presidente da República e o Procurador-Geral da República é mais um facto grave do processo de pedofilia e mostra que o tempo vai dando razão aos que interpretaram o comportamento dos dirigentes socialistas como uma pressão sobre o poder judicial.

É evidente que há outros aspectos relevantes destas escutas, nomeadamente o desprezo que o líder do principal partido da oposição confessa ter pelo segredo de justiça, um factor a ter em conta quando os portugueses forem chamados a escolher um novo Governo e um novo primeiro-ministro.

Se o comportamento público de Ferro Rodrigues ao longo deste processo tem sido desastroso, o que tem sido revelado pelas escutas telefónicas é deveras preocupante para quem aspira a ser um dia a terceira figura do Estado.

Mas se este é, em primeiro lugar, um problema para os socialistas resolverem, importa exigir a todos os responsáveis de órgãos de soberania e titulares de cargos públicos uma cabal explicação dos seus actos no dia da prisão de Paulo Pedroso e nos que o antecederam, particularmente desde o momento em que souberam que o deputado socialista andava a ser investigado no âmbito do processo de pedofilia.



Importa também exigir ao Presidente da República, primeira figura do Estado e garante das leis do País, que esclareça os portugueses sobre as suspeitas que naturalmente o atingem quando o secretário-geral do PS se mostra desapontado pela inutilidade de um eventual almoço entre Sampaio e o Procurador Souto Moura.

O inquilino de Belém tem falado de justiça e do processo da Casa Pia em inúmeras ocasiões.

Na mais controversa chegou mesmo a criticar o comportamento processual do juiz Rui Teixeira.

Agora terá de falar de escutas e de almoços, que raramente são grátis, como se sabe.

A questão que falta colocar como corolário é saber se, em primeiro lugar Jorge Sampaio tem explicação possível, e em segundo lugar se Jorge Sampaio, ao contrário dos seu amigos sampaistas agarrados ao Poder que se encontram hoje na direcção do Partido Socialista, vai ter coragem de sair com a dignidade que se impõe à primeira figura do Estado e garante das leis do País...

Publicado por Manuel 1:17:00 0 comentários Links para este post  



"O Convite"

A Grande Loja do Queijo Limiano está em condições de revelar, em rigoroso exclusivo, o teor de uma missiva dirigida por uma conhecida Instituíção portuguesa ao Procurador Geral da República.


Meu Caro Dr. Souto Moura,

Como sabe (presumo que sabe), temos uns problemazitos com a Instituição que V.Exa tão nobremente dirige.

Há por aí uns tipos que, no mais escrupuloso cumprimento da Lei e do Estado de Direito, continuam a querer avançar com umas queixas contra a instituição que a minha pessoa dirige.

Enfim... nada de muito grave, mas, como sabe é coisa para manchar o curriculum.

Como já me apercebi que qualquer pessoa que tenha esse tipo de problemazitos pode requerer um almoço com V.Exa, ou pelo menos requerer uma cunha ao Presidente da República, e tratar dos processos pendentes pessoalmente - num contexto de «tu cá, tu lá» ou «veja lá o que pode fazer» , venho por este meio convidá-lo para um humilde churrasco (sabe, é que andamos um pouco tesos e não temos condições para lhe oferecer um almoço num bom restaurante de Lisboa) aqui pelas nossas bandas.



A malta do Grupo de Zés-Pereiras «Os Unidos da Paróquia» ficaria muito contente se V.Exa pudesse comparecer, até porque todos gostariam de conhecer pessoalmente a pessoa que aparece nas televisões à entrada e à saída de casa ou a entrar ou a sair para o carro.

Assim, poderíamos todos passar um bom domingo.

Isto aqui é simples: primeiro os homens fazem o fogo, depois enquanto as mulheres tratam do mais fácil - grelhar as bifanas, as costeletas, cozer o arroz, fazer a «sangria» - nós vamos passando o tempo numa «sueca» - jogo de cartas, entenda-se.

Enquanto se joga, poderíamos discutir os nossos casos pendentes.

Penso que este seria o melhor método, porque já está mais que provado que telefonar para V.Exa é muito perigoso.

Penso que irá gostar da proposta, sempre é mais «divertida» do que almoços com «gajos» engravatados aí da capital.

E, damos a nossa palavra de honra, que nunca, jamais, nunca, em tempo algum, o iremos tratar como o «gajo do churrasco».

Acreditando que aceitará o nosso convite,

Subscrevemo-nos,

Óscar Alho, porta-voz dos «Unidos da Paróquia»

P.S. Queriamos aproveitar para agradecer ao nossos amigos da comunidade das informações portuguesa, sem a colaboração dos quais jamais teriamos obtido este exclusivo !

Publicado por Carlos 23:52:00 0 comentários Links para este post  



Eu sei que o País anda estranho ...

... mas alguém pode explicar isto:



João Pedroso explicou ao PÚBLICO que a defesa do seu irmão "nunca foi informada quanto à existência desta escuta"

João Pedroso disse ao PortugalDiário que não pretende comentar as escutas reveladas pela SIC, uma vez que estas não são novidade. «Eu próprio já revelei estas escutas»

O irmão de Paulo Pedroso, o jurista João Pedroso disse à TSF que as escutas telefónicas agora divulgadas revelam «uma violação do segredo de justiça» que é preciso investigar...


"- Scully, clones talvez, não ?"

Publicado por Carlos 18:39:00 0 comentários Links para este post  



O último grito ...

... nos dias que correm é uma alminha sentir-se profundamente chocada com a revelação dos factos, em vez de se sentir chocado por eles terem acontecido ...


Publicado por Manuel 17:45:00 0 comentários Links para este post  



"O homem que nunca será Primeiro-ministro"

Há uns anos, o lúcido director do Público escreveu um lancinante texto sobre José Manuel Durão Barroso.

Revelando uma clareza na análise, aliada à sua habitual previsão certeira dos acontecimentos, o raciocínio de José Manuel Fernandes era bastante claro: Se José Manuel não conseguia controlar o partido, muito menos conseguiria controlar o país.

Ainda hoje, me lembro do título: "O Homem que nunca será Primeiro-ministro".



Non, ou a vã Glória de telefonar!
(em exibição num Partido perto de sí)



Publicado por Carlos 16:54:00 0 comentários Links para este post  



"Hoje é o primeiro dia do resto do processo Casa Pia."

A frase acima é da autoria de Ana Sá Lopes, e é sem dúvida a mais lúcida frase, acerca do "terramoto", saída da pena de altas patentes do Público nos últimos tempos ...

Às 22.33 de ontem, Gabriel Silva dizia acerca do meu post diagnosticando a morte política de Paulo Pedroso:


(...) defende que a carreira política de Paulo Pedroso terminou hoje. E apresenta os argumentos. Todos são verdadeiros, incisivos e sem contestação. Apenas discordo quanto às consequências, o referido "fim político".

É que, como já ontem postei aqui, estamos sim perante um relançamento, de uma nova vida política de Paulo Pedroso.

Nisso ele é muito claro.

Leia-se com atenção a entrevista ao Público.

Seria o fim da carreira de qualquer político se não vivessemos em Portugal.

Eu queria concordar consigo, mas acho, para mal de todos nós, que estamos a assistir ao início de algo novo: o relativismo total aproxima-se do poder político.



Deixem-me, antes de mais, que partilhe com vocês um "segredo" :

Conheço muita gente em Felgueiras, assistí de relativamente perto, ao ascender político de Fátima Felgueiras - antes, durante e depois.

Assistí, por assim dizer, ao filme muito antes de ele ser publicitado "urbi et orbi" ...

Todos aqueles - do PC ao PP - que agora se regojizam com a queda do anjo, nos bons velhos tempos, numa ou noutra altura, negociaram com o inimigo, isto quando não estiveram literalmente com ele, ora na bola, ora aquí, ora acolá ...

Nunca ninguém, realmente, acreditou que a senhora caísse e, foi preciso um fait-divers menor (diz quem sabe que uma mera questão de saias) para a coisa arrebentar e mesmo assim foi ao rallenti ...

Agora são todos uns santos e a antiga quinta coluna ou é agora PS reformista ou acampou no PP e no PSD. Não interessam os montes de barbaridades que foram aprovadas por unanimidade, etc, etc ...

Quer isto dizer que não há finais felizes?

Não, quer dizer apenas que mais tarde ou mais cedo todos serão apanhados porque meus caros, como o Professor Marcelo apreendeu (ou talvez ainda não) à sua custa, não há crimes ou golpadas perfeitas ...



Todo este introito vem a propósito da divulgação que a SIC fez de umas "inócuas" escutas hoje no Jornal da Noite.

O País pode ver o que é uma troupe de políticos rasca realmente à rasca ...

Há claro a questão da violação do Segredo de Justiça mas quem das "vítimas" da SIC, tem legitimidade para falar ? É verdade que citando Cícero "todos somos escravos das Leis de forma a sermos todos Livres" mas também é verdade que às vezes é preciso contornar a Lei de modo a que ela possa continuar a ser cumprida ...


O PS repudiou sexta-feira a existência de «interpretações abusivas» das escutas telefónicas realizadas a alguns dos seus dirigentes no dia da detenção de Paulo Pedroso (21 de Maio), considerando que esse caso está encerrado.

Em comunicado, ao qual a agência Lusa teve acesso, a direcção do PS refere que a «estação de televisão SIC divulgou hoje no seu jornal da noite extractos de conversas telefónicas envolvendo dirigentes do PS, efectuadas meses atrás no dia da detenção para interrogatório do deputado Paulo Pedroso».

«A notícia, construída a partir de extractos de conversas retirados dos seu contexto pretendeu fundamentar conclusões inaceitáveis a propósito de presumíveis pressões sobre o sistema de justiça», acrescenta o comunicado do PS.

Ainda sobre o teor das conversas entre Paulo Pedroso, o seu irmão João Pedroso, o secretário-geral e o líder parlamentar socialista, Ferro Rodrigues e António Costa, refere «um acórdão do domínio público» proveniente do Tribunal da Relação de Lisboa.

Os socialistas dizem que o Tribunal da Relação de Lisboa pronunciou-se da seguinte forma: «também não conseguimos perceber qualquer perigo em conversas de terceiros, nomeadamente aquelas que foram transcritas no despacho que fundamentou o pedido de levantamento da imunidade parlamentar e as referidas no despacho recorrido, ou em quaisquer outras, todas elas completamente inócuas».

«O PS repudia frontalmente todas as interpretações abusivas de acontecimentos que consideramos encerrados», conclui o comunicado emitido pela direcção dos socialistas.
(LUSA)


Eu confesso que não percebo o que é uma "interpretação abusiva" na terminologia oficial do Partido Socialista.

Será que o PS pensa que alguém interpretou erroneamente esta poética declaração de Ferro : "tou-me cagando para o segredo de justiça" como indiciando o facto de Ferro usar o Código de Processo Penal como papel higiénico ?

Será que o PS pensa que alguém interpretou o facto de antes de acabar o interrogatório a PedrosoAntónio Costa saber que "uma testemunha da judiciária não é fiável" como indiciando que estava alguma toupeira do PS, a trabalhar na PJ, e a assistir ao interrogatório, e a passar informação cá para fora, que não era fiável?

Será que o PS acha realmente que somos todos parvos ?

É pena ver gente inteligente como António Costa metida neste filme mas, meus caros, António Costa morreu politicamente também ...

Como vão morrer rapidamente José Miguel Júdice, Pedro Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa e Nuno Morais Sarmento se não explicarem muito bem e rapidamente, porque carga de àgua é que passou por certas cabecinhas a ideia de que eles, logo eles, podiam ser "úteis" a abafar um Processo em curso e logo aquele processo...

Quanto ao PS, várias notas : Quanto a Pedroso, se lhe restar algum amor ao Partido (e eu estou mais do que à vontade pois nunca votei PS) o mínimo que pode fazer, e rapidamente, é desfiliar-se dado que já causou danos que chegassem ... Quanto a Ferro, tornou-se simplesmente no melhor avançado das equipas contrárias por isso cabe aos militantes do PS decidirem.

Quanto à Justiça, personificada na equipa do Procurador João Guerra e no Juíz Rui Teixeira é bom ver que por uma vez ela foi firme e serena ...

Quanto ao País em geral, hoje caiu a máscara de alguns, mas tal como no actual microcosmos felgueirense, e quais camaleões muitos, e de todos os quadrantes, julgam poder safar-se, até um dia ...

O País está a acordar e a ganhar uma consciência que se calhar nunca teve... é um caminho dificil e minado; Manuel Monteiro já diz "Não há suspeitos de pedofilia na Nova Democracia» (!), uma afirmação curiosamente muito similar a uma muito recente do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, mas aconteça o que acontecer, também Monteiro, mais tarde ou mais cedo, vai "arder no Inferno" como os demais ...

Há riscos, há o risco da demagogia, há o risco de se passar a desconfiar de todo e qualquer político, há o risco de numa renovação à pressa a emenda ser tão má como o soneto e há por aí muito tecnocrata de colarinho branco à espreita, e com aspirações, completamente amoral (vide a título de exemplo a última "campanha" da Yorn)

Há montes de riscos, mas há também esperança!

Esperança num Portugal melhor !

Uma última nota para o Acordão da relação que soltou Pedroso e que o PS faz questão de recordar no seu imbecil, sim imbecil, comunicado desta noite:

Eu fui dos muitos que não percebí, à época, por que raio é que tinham ido aquelas transcrições no pedido de levantamento da imunidade parlamentar original.

Agora percebo!

Foi por pudor e respeito do Juíz pelas Instituições ...

Note-se pois a refinada hipocrisia do PS quando fala de «um acórdão do domínio público» quando sabem que as transcrições destas escutas vieram de certeza (e por um mero e elementar exercício de lógica) do outro Acordão que foi manchete ontem, sexta no DN ...

Note-se ainda e tambem a ironia e cinismo contidos na frase «também não conseguimos perceber qualquer perigo em conversas de terceiros, nomeadamente aquelas que foram transcritas no despacho que fundamentou o pedido de levantamento da imunidade parlamentar e as referidas no despacho recorrido, ou em quaisquer outras, todas elas completamente inócuas» recolhida do Acordão que libertou Pedroso...

Sabem que mais ? Parafraseando Ferro apetecia-me fazer algo em cima dos seus autores ...

P.S. I Não me esqueci nem de Souto Moura nem de Jorge Sampaio. Vão ter ambos, muito em breve, posts "personalizados" ...
P.S. II Há quem não suspeite mas as piores turbulências são as que começam muito ao chão ...
P.S. III Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa D. José Policarpo anda preocupado ... Ele lá saberá porquê ...


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"Vendaval"


Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!

Indômita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!

Mas dura planície, praia atra em fereza,
Só têm a tristeza que a gente lhes vê
E nisto que em mim é vácuo e tristeza
É o visto o que vê.

Ah, mágoa de ter consciência da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles - teu pulso divida
Minh'alma do mundo!

Ah, se, como levas as folhas e a areia,
A alma que tenho pudesses levar -
Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia
De eu ter que pensar!



Abismo da noite, da chuva, do vento,
Mar torvo do caos que parece volver -
Porque é que não entras no meu pensamento
Para ele morrer?

Horror de ser sempre com vida a consciência!
Horror de sentir a alma sempre a pensar!
Arranca-me, é vento; do chão da existência,
De ser um lugar!

E, pela alta noite que fazes mais'scura,
Pelo caos furioso que crias no mundo,
Dissolve em areia esta minha amargura,
Meu tédio profundo.

E contra as vidraças dos que há que têm lares,
Telhados daqueles que têm razão,
Atira, já pária desfeito dos ares,
O meu coração!

Meu coração triste, meu coração ermo,
Tornado a substância dispersa e negada
Do vento sem forma, da noite sem termo,
Do abismo e do nada!

Fernando Pessoa, 16-2-1920

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interpretem como quiserem ...

Do Portugal Profundo e com a vénia devida :


(...)
Em Abril de 1999, numa altura em que os sócios da Jardim, Sampaio, Caldas e Associados eram respectivamente Ministro da Justiça, Presidente da República e ex-Bastonário da Ordem dos Advogados (tinha deixado de ser há sete meses), foi decretada uma amnistia, a pedido do Presidente, para comemorar os vinte e cinco anos do 25 de Abril, que abrangeu também os crimes de corrupção.

A Bayer, diz Pequito, e não desmente Jardim, era representada, entre outros, por este escritório de advogados.
(...)


Publicado por Manuel 23:13:00 0 comentários Links para este post  



in memoriam José Cesário


N.A. Este post é dedicado, sem quaisquer reticências, ao Notas Verbais

Publicado por Manuel 21:12:00 0 comentários Links para este post  



uma questão de bom senso ? take II

O Paulo Gorjão, sem querer dá-me razão em todas as frentes, no seu excelente Blóguitica Internacional (post 613).

A questão para ele é :


Se bem percebo, a solução para o Manuel passa por definir e balizar o que é o bom senso.
A meu ver, aqui sim, entramos numa area tremendamente subjectiva.
Quais são os elementos que definem objectivamente o bom senso?
Definir o que deve ou nao ser publicado pelos media em função do "bom senso", cai precisamente no ambito dos tais riscos incalculaveis referidos pelo Glória Fácil e pelo Aviz.


Ora aí está!

Eu falei em bom senso, não senso comum (há aliás algures uma prosa notável do Professor Carrilho - confesso também leio os escritos do homem; sou ecuménico... - sobre as diferenças entre uma coisa e outra).

Bom senso, é o que nos mantém vivos.
Bom senso é que nos permite (con)viver em sociedade.
Bom senso é máxímo denominador comum que nos une a todos.
Bom senso é a nossa memória colectiva em termos civilizacionais.
Bom senso é isto e muitos mais ...

Não deixa de ser irónico, que na ausência de uma base de referências ético/morais sólida haja o risco de se cair num moralismo extremado e terrivelmente amoral ...



A virtualidade do texto de FJV era precisamente mais do que dar respostas obrigar os leitores a pensar ...

... A pensar que sobre certas matérias, que fazem parte da nossa humanidadee "fraqueza", quem estiver "limpo" a 100% que atire a primeira pedra.

P.S. Poupo-os a todos a citações de Aquino, Santo Agostinho, Kant e Popper ...

Publicado por Manuel 20:55:00 0 comentários Links para este post  



uma questão de bom senso ?

A propósito do excelente artigo no JN de Francisco José Viegas que aquí citámos, em bom tempo na integra, desenrolou-se uma polémica quasi-kafkiana na nossa blogosfera.

O Bloguítica Nacional, o Glória Fácil, o Núcleo Duro e o Guerra e Pas , entre outros, entretiveram-se a definir as fonteiras do público e do privado, e por aí fora, muitas vezes com exemplos tão cirúgicos que era intelectualmente mais honesto ou citar os visados pelo nome ou não dar "aqueles" exemplos ... Já antes, no Expresso, o Grande Arquitecto lá do sitio tinha entrado em terrenos pantanosos e movediços ...



Meus Caros,

Nos tempos que correm é assim tão díficil definir, e balizar, o que é o bom senso ?

Ou a dificildade, e as comichões, que a leitura do texto de FJV provoca será afinal, apenas e só, uma manifestação colateral da crise de valores que parece atravessar tudo e todos ?

Publicado por Manuel 17:07:00 0 comentários Links para este post  



Polí­tica à Portuguesa : Um retrato de Paulo Pedroso...

A partir de hoje já não interessa saber se Pedroso é culpado ou inocente.

Se um mínimo de decência existir neste País, a carreira política de Paulo Pedroso acabou pura e simplesmente hoje!



Hoje, diz-nos o DN, "Um dia depois de Paulo Pedroso estar em liberdade, um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa critica fortemente a defesa do deputado.".

É justo, afinal é o tal sistema a funcionar ...

O que não é nem justo, nem tolerável é o aproveitamento e filtragem que Pedroso e os seus tem feito de uma pequena parte dos factos de modo a tentar encobrir o todo!

Já não se fala da palhaçada na Assembleia da República mas, alguém acredita que Pedroso demorou aquele tempo todo a sair da EPL a arrumar meias ? Ou será que tudo foi milimétricamente cronometrado para calhar em prime-time nas TV's ? ...

Quanto ao raid de entrevistas, cirurgicamente negociadas, primeiro os jornais, depois as TVs (para a semana) nem vale a pena falar, afinal é tão culpado Pedroso como quem lhe dá corda nas condições em que dá e sabendo-se o que se sabe...

Agora, hoje Pedroso passou todas as marcas!

Quando inquirido sobre a manchete do DN, Pedroso afirmou qos jornalistas que não falava sobre o seu caso na AR (!) (estamos a falar, note-se, do mesmo Pedroso que queria explicar o seu drama - que é classificado por Jorge Coelho como "equivoco" - na mesmíssima AR no dia anterior), e que de qualquer modo isso era matéria para os seus advogados comentarem, que não ele.

Em suma, durante todas as entrevistas e declarações, que não as do dia da sua libertação, Paulo Pedroso sabia que existia um outro Acordão da Relação, votado por unanimidade, de sentido antagónico ao do da sua libertação.



Ao omitir esse detalhe, ao fazer de conta e ao deixar Ana Gomes fazer as figurinhas que fez, Paulo Pedroso, sempre recordando a sua condição de eleito, deu a pior imagem que um político pode dar de sí próprio afinal nem Fátima Felgueiras teve tanto desplante ...

Não se lembrou de que é possivel enganar muita gente durante muito tempo, mas jamais toda a gente durante todo o tempo !

Com "amigos" destes o PS definitivamente não precisa de inimigos ...

É a vida, é o que é ...

Publicado por Manuel 11:03:00 0 comentários Links para este post  

- O CORVO -
(de Edgar Allan Poe e traduzido por Fernando Pessoa)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".



E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhão também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".



A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Nauqele veludo one ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".



"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Édem de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

Publicado por Manuel 22:46:00 0 comentários Links para este post  



"Agora é que vamos ver se funciona"...

a partir desta notícia do Última Hora do Público, o Liberdade de Expressão antevê o seguinte :



1. A SIC Notícias fará um debate para saber se crianças com 4 e 5 anos podem mentir;
2. Paulo Pedroso será o primeiro a defender que o arguido é inocente até prova em contrário;
3. O Bastonário da Ordem dos Advogados vai receber os advogados de defesa;
4. O arguido será defendido por uma super-equipa constituida por Rodrigo Santiago, João Nabais, Ricardo Sá Fernandes e Serra Lopes;
5. Jorge Sampaio apelará à serenidade e dirá que a justiça funciona;
6. Nos dias pares, o Procurador Geral da República será criticado por falar. Nos dias impares, será criticado por não falar;
7. A Relação, após verificar que existem contradições nas declarações de crianças de 5 anos, libertará o arguido da prisão domiciliária;
8. Na sequência da decisão da Relação, a competência do Juiz de Instrução será colocada em causa;
9. Não será permitido que as crianças prestem declarações por teleconferência para que seja garantido aos arguidos todos os direitos de defesa;
10. Vários especialistas de Coimbra vão exigir o fim da prisão domiciliária;
11. Vários pedopsiquiatras vão garantir que as crianças podem mentir e vão desaconselhar a teleconferência;


Publicado por Manuel 21:30:00 0 comentários Links para este post  



Preocupações

O meu amigo - penso que posso tratá-lo assim - Marujo anda preocupado. Vão lá espreitar.


Publicado por Carlos 17:01:00 0 comentários Links para este post  



Eternamente Incompreendido


Publicado por Carlos 13:21:00 0 comentários Links para este post  



Não há machado que corte a raiz do pensamento ...

Publicado por Carlos 12:18:00 0 comentários Links para este post  



"Uma só nota"


Uma só nota: acredito desde sempre com convicção na inocência de Paulo Pedroso e tenho a certeza que este desagradável equivoco será resolvido.

Como responsável político sempre defendi e continuo a defender o Estado de Direito com total separação de poderes como matriz central duma democracia séria e avançada que quero para o meu País.

O PS sempre o defendeu, quer antes quer depois do 25 Abril e é respeitando os seus valores e os seus princípios de sempre que deve prosseguir os seus combates.



Qualquer cedência ao que quer que seja nesta matéria custar-lhe-ia muito caro no presente e hipotecaria o seu futuro.

Estou certo que isso não acontecerá.

Jorge Coelho, Diário de Notícias


É a vida, é o que é ...

Publicado por Manuel 4:23:00 0 comentários Links para este post  



ainda a coligação PSD/CDS-PP para as europeias...

... Miguel Veiga diz hoje na Visão que Durão gosta tanto de Portas como ele e manifesta-se outra vez "furioso" com a anunciada coligação entre o PSD e o PP.

Acontece que, como o até o Professor Marcelo pode explicar, a polí­tica nunca é movida por paixões antes por objectivos e conveniências, tão simples quanto isso !

Paulo Portas já foi militante do PSD, Paulo Portas quer federar, e liderar, a Direita, Paulo Portas sabe que jamais o fará a partir do microscópico PP logo o objectivo de Portas é diluir o seu PP no PSD, no médio prazo, de tal modo que um dia a fusão entre os dois seja natural e discreta.



O nome voltaria a ser PPD e Portas sabe que conta no PSD com um aliado natural - Pedro Santana Lopes.

Na lógica dos ciclos, Santana chegaria a Presidente da República, e a Portas bastaria esperar, 4 a 6 anos, até que quando voltasse a hora do PSD, então PPD, ele fosse o lí­der e chega-se a Primeiro-Ministro.

Esta teoria, que se desenvolve como um virús, tem no entanto uma "pequena" falha ...

Há um Homem em Portugal que tudo fará para impedir Portas de a concretizar, e esse Homem chama-se Anibal Cavaco Silva ...

O Professor não precisa do aparelho, que aliás abomina, não precisa sequer do PSD e não há, por muitas Cofinas que surjam, fogo de barreira para calar e silenciar o Homem. Afinal, qualquer tentativa, como se tem verificado, só o credibiliza e fortalece ainda mais. Resolve-lhe aliás o único potencial handicap - o de ser conotado excessivamente com o PSD.

Se o Professor for candidato, e mesmo que Santana o seja tambem (tem ego para isso e muito mais, e era de facto delicioso uma segunda volta entre os dois...), ganha e ganhando acaba-se o sonho da dupla Portas/Santana, daí­ esta pressa toda ...



Quanto a Durão julga que divide para reinar mas, aconteça o que acontecer vai acabar sempre muito mal já que ficar sempre bem enpaladinho no meio da ponte nunca foi boa estratégia mas para quê preocuparmo-nos com o destino, ou falta dele, de um mero tacticista que chegou ao poder por mero e puro acaso da história ?

Os primeiros tiros a sério já foram disparados com as patéticas declarações de João Jardim a comparar Santana a de Gaule, o resto é só esperar ...

Publicado por Manuel 1:58:00 0 comentários Links para este post  



"O fim da inocência"

Francisco José Viegas tem hoje no Jornal de Notícias de hoje uma prosa absolutamente fora de série e que não resisistimos a citar com a vénia devida :


Estávamos longe disto, muito longe.

As notícias sobre o "escândalo Gary Hart" (o democrata que foi obrigado a desistir da corrida à Casa Branca devido ao seu envolvimento com uma jovem, aliás bonita) ou sobre os vários "escândalos Clinton" (o presidente democrata que tinha a mania de se relacionar com jovens, aliás feias) nunca passaram à nossa porta. Não porque não existissem razões para se falar do assunto.



À boca pequena, com o rigor de qualquer boato, sempre se mencionaram casos, aventuras, incidentes, pequenos escândalos. Mas o domínio do "íntimo", do particular, do pessoal – do sexual – raramente passou para as páginas da Imprensa.

Felizmente para todos nós, que pudemos manter um razoável nível de sanidade e de dignidade. Não se tratava da intervenção do casto pudor português. Tratava-se, apenas, de pudor.

Era, foi, uma das nossas boas virtudes: as orgias dos vizinhos são coisa deles. Aplicava-se a mesma coisa à vida dos políticos. Repito: ainda bem.

Julgar a actividade de um político (de um deputado, de um ministro) pelo ritmo das suas aventuras amorosas sempre me pareceu um critério desajustado a toda e qualquer circunstância, desde que o Estado não sofresse com isso. Geralmente, como se sabe, somos nós a sofrer com o Estado.



O presidente Clinton sobreviveria à vontade em Portugal – embora sofresse mais, naturalmente, caso Hillary fosse portuguesa. Mas, em termos estritamente políticos, não estou a ver um procurador português, adepto de futebol ou de comida minhota, inquirir o presidente da República, com a serenidade de um pervertido, sobre sexo oral e humidificação de charutos. Há coisas que não aconteceriam em Portugal.

O "escândalo Casa Pia" (limito-me a colocar o acento tónico na sua dimensão de "escândalo" – para não citar o processo) pode bem constituir a reviravolta nesta simpática prática portuguesa.

José António Saraiva, no "Expresso" da semana passada, deu o mote: "Será normal que um político que toma decisões em nome de um país ou um colunista que influencia milhares de leitores ande disfarçado atrás de jovens no Parque Eduardo VII?" Eu compreendo a ideia e acho-a aceitável.

Porém, há um risco aparentemente invisível de que convém não nos aproximarmos: o da moralização da vida pública através da Imprensa, por exemplo, é um deles. Se andar atrás de jovens no Parque Eduardo VII é criticável, e pode configurar um ilícito de certa gravidade, um passo em frente seria suficiente para cairmos na paranóia: um ministro que se dedica a actividades de comércio carnal com uma actriz, uma deputada que negoceia afectos com um deputado de outra bancada, um político apanhado em Bali na companhia de uma senhora. É importante definir os critérios dessa avaliação.



Poderá um fumador ser ministro?

Poderá um praticante de ioga ser juiz de um tribunal?

Poderá um motard sentar-se no Parlamento?

Eu estou de acordo no seguinte: quem pratica crimes não pode nem deve deixar de ser julgado, independentemente das suas preferências ou aventuras sexuais.

Mas abrir a porta para a "escandalização" da nossa pobre e cinzentíssima vida política é meio caminho para a desgraça. O moralismo das primeiras páginas é o pior de todos.


Mais palavras para quê ? ...

Publicado por Manuel 0:59:00 0 comentários Links para este post  



sem comentários ...


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O Lopes e Frank Gehry ...

Desta notícia o Mata-Mouros infere que Frank Gehry vai ser dispensado por Pedro Santana Lopes.



Infere mal, porque sabendo nós do que a casa gasta, Santana está apenas a preparar o estômago da plebe para os custos da coisa ...

Afinal, o presidente da Câmara de Lisboa sublinhou que ainda está "convencido que o projecto virá a ser feito por Frank Gehry", mas frisou novamente que "o arquitecto tem determinados custos"...

Publicado por Manuel 22:00:00 0 comentários Links para este post  



fait-divers ...

e enquanto está tudo entretido a falar da Time e do corte de Publicidade governamental (entretanto descancelado depois de explicações (!)) nesta (acto justo, segundo o habitualmente lúcido Mata-Mouros) ninguém fala da Cofina e da teia de participações que esta urdiu, muito provavelmente em violação de directivas comunitárias, de modo a ter uma cotazinha em praticamente toda quanto é holding de Comunicação Social, com a habitual complacência deste Governo que só se queixava da concentração dos meios de comunicação social quando estava na oposição ...



É a vida, é o que é ...

P.S. Embora não tenha nada a ver, regista-se que nunca mais ninguém tocou na investigação da CMVM relativa a inside trading por parte do gestor de topo da Cofina ...

Publicado por Manuel 20:40:00 0 comentários Links para este post  



E Paulo Pedroso chegou ao nosso ditoso Parlamento...


Publicado por Carlos 19:48:00 0 comentários Links para este post  



Francisco Louçã ...

Afirma aquí que "os politícos falam de mais" ...

É pena que ninguém do BE se tenha lembrado disso aquando das festividades na AR derivadas da libertação de Paulo Pedroso ...



Enfim, isto de querer estar com todos, até se ver quem "ganha" dá nisto ...

Publicado por Manuel 19:07:00 0 comentários Links para este post  



Estaline e Trotsky



Diz o Barnabé:

Pedro Namora está, neste momento, sentado nas galerias da Assembleia da República, com um grupo, vestidos de branco, para receber Paulo Pedroso.

Namora, para quem não conheça, é um estalinista daqueles que já não se fazem.

Perguntem lá no PCP. Até os ortodoxos coram...


se o ridículo matasse ...

Publicado por Carlos 19:01:00 0 comentários Links para este post  



"Guerra" é a arte da simulação

Há muitos séculos atrás, um General chinês elaborou uma espécie de cartilha sobre a guerra: tácticas, estratégias, conselhos, espionagem, etc.

Sun Tzu era o nome desse General e a obra chamava-se a "A Arte da Guerra" e pode-se resumir na máxima de que «guerra é a arte da simulação».



Duvido que, ainda hoje, este príncipio se aplique em cenários beligerantes, dado que a guerra moderna é bastante expedita. Metem-se uns aviões a descarregar caixas de bombas, limpa-se tudo, avançam as tropas terrestres e canta-se vitória. Só depois disto tudo é que surgem as baixas entre as tropas... Modernices....

Penso que a guerra de Sun Tzu aplica-se, hoje, ao Processo Casa Pia. Tudo parece estar a decorrer debaixo de um ambiente simulado, qual Matrix, cujos comportamentos parecem estar previstos de modo a que o sistema funcione.



No meio de tanta informação e contra-informação, a minha única dúvida em relação a este Processo é simples: Sun Tzu aconselhava às partes na guerra que "se estiveres forte, mostra que estás fraco" e "se estiveres fraco, mostra que estás forte".

Resta saber, no Processo Casa Pia, quem é quem, logo esperar que as coisas não sejam o que por vezes parecem ...

Publicado por Carlos 16:48:00 0 comentários Links para este post  



e é esta a ditosa Pátria nossa amada ...

No dia em que o Público publica uma lancinante entrevista com Paulo Pedroso, a qual diz quem sabe se terá prolongado por seis (!) horas, e ficamos a saber que Paulo Pedroso é agora o único Português a acreditar na Palavra de Honra de Martins da Cruz...

No dia em que ficamos a saber que António Costa se perfila como o senhor que se segue no PS ao ousar mandar calar tanto Pedroso como Ana Gomes logo por transitividade também Ferro (ainda que não deva durar muito, fruto de excitações passadas) ...

No dia em que Eduardo Dâmaso, e ainda no Público tenta emendar a mão, perdendo pé ...



Neste dia, há um editorial de Raul Vaz a não perder no Diário Económico :

O que é que o PS sabe?


Seguindo Diogo Freitas do Amaral: aceite-se como inevitável a politização do caso de pedofilia, acreditando que daí não vem mal maior ao mundo, nenhum mal para uma sociedade adulta.

Aconteceu no momento em que um político foi detido, replicou-se em excesso quando o político foi libertado. É isso que também fica na cabeça das pessoas, além daquilo que os sentimentos sugerem.

Antes e depois, importa o que cada um julga: e só pode ser genuína a crença da direcção socialista na tese da cabala. Desde o início, num acto de fé em Paulo Pedroso, num movimento que cria divisões internas mas faz o seu caminho. Ferro Rodrigues e aqueles que se alistam num combate de vida estão disponíveis para a correspondente e fundamental prova?

Deixemo-nos de receios pelos populismos emergentes na atitude ou temores enviesados em construções apocalípticas de manifestações de extrema-direita. Esse é, tem sido, o estilo defensivo de Ferro Rodrigues.

O que está em causa permite e chegará para justificar algumas derivas. Como a atribuída a Ana Gomes, a dirigente socialista mais autêntica ou ingénua neste processo. A notícia do ‘Le Point’ será também ela uma deriva ou haverá quem tenha conhecimento factual da história e matéria de prova que sustente o que Catalina Pestana profetizou como o advento de um «terramoto»?



Deixemo-nos de jogos mais ou menos florentinos, conforme a perceptibilidade, aceitando que o mal existe e foi feito. Com a obrigação de nada fazer para que ele perdure ou, pior, seja branqueado. É mau para o país? Pois que seja, para que o espelho reflicta uma verdade sem distorções.

Para que tal aconteça é preciso ser-se autêntico. Não permitir, ou contribuir, para que o exibicionismo seja motivo para um apelo à calma. É esse o estilo de António Costa, um homem inteligente, mas que se deixa ir e, assim, se perde no entusiasmo.

Não se sabe quem decidiu a romaria ao Parlamento. Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso, o PS?

Não se conhecendo a verdade, é possível deixarmo-nos ir pela inteligência de Paulo Pedroso e perceber que o espectáculo lhe foi circunstancialmente benéfico. O que não se pode admitir como razoável é a possibilidade de Pedroso ter voluntariamente exposto um partido político em favor das suas dificuldades, por circunstanciais que sejam.

Esperemos pois a prometida intervenção de Paulo Pedroso, hoje, no Parlamento. Bem como a entrevista anunciada no Público.

Esperando que o deputado tenha a coragem de revelar toda a prova junta pelo seu partido para sustentar a tese da conspiração. Tendo a consciência que a justiça não se fundamenta em rumores ou boatos.

É necessário que quem sabe, denuncie. Dando a cara. Foi assim que se conheceu o que hoje se sabe. Trinta anos depois de tudo ter começado.

P.S. Sigam também as «interrogações intrigantes» de José António Saraiva – onde estão e o que fazem hoje os clientes do Parque Eduardo VII que procuravam prostitutos? Para que não se perca a pergunta legítima do director do Expresso: «Será normal que um político que toma decisões em nome de um país ou um colunista que influencia milhares de leitores ande disfarçado atrás de jovens no Parque Eduardo VII?».



Entretanto, José Luis Arnaut decidiu proíbir publicidade na Time (um boicote portanto) acerca do Euro/2004 por causa da "notícia" desagradável sobre Bragança.

Convém referir que JLA pertence ao mesmo Governo de Nuno Morais Sarmento que não vê qualquer problema, presente ou futuro, no facto de a Cofina ter assento, directa ou indirectamente, na administração de praticamente todos os grandes orgãos de comunicação indígenas...

Quem não vê qualquer nexo entre os dois factos, anda muito, mas muito, distraído mesmo...

Publicado por Manuel 13:45:00 0 comentários Links para este post  



Perguntar não ofende ...



Depois de na semana passada ter decidido informar os portugueses sobre as atribulações do processo de divórcio do Procurador João Guerra porque é que O Independente não informa os mesmos portugueses sobre os factos eventualmente ocorridos aquando de um outro divórcio - o de Paulo Pedroso?...

Assim a devassa (da vida privada...) seria total ...

Publicado por Manuel 19:40:00 0 comentários Links para este post  



Aguardamos serenamente que ...

... a Drª Ana Gomes diga alto e bom, e em nome dos princípios que diz ter, que a PGR também devia ter investigado Ferro Rodrigues em face da "denúncia" do Le Point !



Senão, estamos conversados ...

P.S.: isto também se aplica aos notáveis que acham que Ana Gomes tem razão na substância mas que a perde na forma ...

Publicado por Manuel 18:45:00 0 comentários Links para este post  



"Le Point"

A questão fatal sobre os últimos dislates de Ana Gomes, que teima em ignorar os sábios conselhos de António Costa, é levantada pelo Fumaças:


porque é que a Drª Ana Gomes não fala deste parágrafo do célebre artigo do Le Point, publicado já nos idos de Junho (nº 1605 - 20 de Junho)?

"... Dernière personnalité sur le gril, Eduardo Ferro Rodrigues, le patron du PS portugais, dont certains témoins affirment qu'il assistait parfois, sans y participer, aux parties pédophiles.

Para mim, tem exactamente o mesmo valor de qualquer outro extracto do mesmo artigo!




dans la mouche !

Publicado por Manuel 17:21:00 0 comentários Links para este post  



Investimento Estrangeiro em Bragança ...

Na sequência da capa da TIME transcreve-se, com a devida vénia, abaixo o texto, que em momento da mais pura inspiração, Paulo Gorjão escreveu no seu Bloguitica Nacional:


O Bloguitica sabe que a Associação dos Industriais do Sexo de Amesterdão (AISA) está preparada para investir uns largos milhões de euros em Bragança.

Em termos do PIB português, a AISA pretende rivalizar com a Auto-Europa no espaço máximo de três anos.

Para tal pedem o mesmo tratamento de privilégio por parte do Estado português.

A AISA promete criar milhares de postos de trabalho a montante e a jusante.



Ao contrário da élite económica e financeira portuguesa, a AISA compromete-se a não criar contas em bancos no regime de off-shore e a cumprir todas as suas responsabilidades de contribuintes.

Por último, a AISA pede que sejam colocadas algumas placas de orientação nas saídas da auto-estrada a indicar onde é que fica o Red Light District de Bragança.

Publicado por Manuel 16:51:00 0 comentários Links para este post  



Porque hoje é terça-feira

Apetece-me desejar uma boa semana para toda a gente. E peço encarecidamente que votem na nossa sondagem.



Ao assunto voltaremos, porque há coisas que não podem passar em claro.

Publicado por Carlos 16:19:00 0 comentários Links para este post  



Nem Durão conseguiu tanto ...


Prostitutas brasileiras de Bragança são capa da TIME

Revista conta como vida mudou com a chegada do fenómeno da prostituição


A edição europeia da revista Time, que é posta à venda terça-feira, elege esta semana para tema de capa o fenómeno da prostituição brasileira em Bragança.



O novo bairro europeu da prostituição (europe's new red light district) é o título que ilustra a fotografia de Bragança que serve de capa à revista.

Numa extensa reportagem assinada por Amanda Ripley e Martha de La Cal, correspondente da revista, e sugestivamente intitulada "Quando as meninas chegaram à cidade", conta-se como a vida mudou em Bragança com a chegada das prostitutas brasileiras.

Pela reportagem passam as vozes das "meninas brasileiras", dos homens que as frequentam, dos empresários de bares e bordéis, mas também das "Mães de Bragança", que se organizaram em acções de protesto para expulsar da cidade quem lhes anda a desviar os maridos.

Um segundo artigo da revista, assinado por David Stewart, enquadra o fenómeno de Bragança na vaga migratória de "trabalhadores do sexo", calculados em cerca de 500.000 mulheres e crianças, que desembarcaram na Europa provenientes sobretudo da Europa de Leste, África, América do Sul e Sueste Asiático.



O movimento das mulheres de Bragança contra a prostituição na cidade fez a sua primeira aparição na imprensa, como, aliás, recorda a Time, em 30 de Abril, através de uma reportagem de Helena Fidalgo, correspondente da Agência Lusa na cidade.

Publicado por Manuel 0:57:00 0 comentários Links para este post  



Até que enfim ...


Em causa declarações de Ana Gomes sobre a prisão preventiva do antigo porta-voz do PS

António Costa pede reserva nos comentários sobre Paulo Pedroso




O Líder parlamentar do PS, António Costa, apela a todos os socialistas para manterem uma atitude de reserva nos comentários públicos acerca da libertação do deputado Paulo Pedroso, suspeito de envolvimento no caso de pedofilia da Casa Pia.

Lá vamos ver se o Ferro recebe lições de bom senso deste ...

Publicado por Manuel 0:18:00 0 comentários Links para este post  



A Alma gémea de Luis Delgado ...

Directamente daquí, e sem mais comentários ...


País estranho

Luís Delgado


O país está estranho, irrequieto, tenso, maldizente, preparado para o pior, e tudo isto tem a ver com o caso da pedofilia. Há amargura, azedume, irritação e excesso de palavras, de todas as partes, nestes dias.

Há juizes contra juizes, advogados contra procuradores, políticos contra o PGR, e este contra todos.

Ana Gomes, e a sua falta de contenção palavrosa, e insinuação fútil, irritou ainda mais os que estão fora e dentro deste processo. Primeiro convém dizer à dirigente socialista que o excesso de irritação prejudica o seu partido, o seu líder, e o deputado Paulo Pedroso. Não lembra a ninguém, diga-se, o seu pedido de explicações sobre um texto do «Le Point», que em si mesmo nada dizia ou acrescentava, e isso a PGR lá veio esclarecer.


Será que Luís Delgado já acredita no Terramoto ?


Qual é o objectivo? Desviar atenções? Criar mais agitações? Ninguém percebe, de todo. Ana Gomes, por diversas vezes, parece perder a cabeça, e a moderação, à mínima controvérsia. É uma agitadora perfeita, mas mais anarquista do que propriamente figura elevada do maior partido da oposição. Estranho comportamento para uma diplomata, ou ex-diplomata.

Mas convenhamos que os dias não têm sido pacíficos: a confusão está agora instalada no seio da própria Justiça, com juizes a criticar juizes, métodos de acção, e excessos de prisão. Já é um avanço, embora à primeira vista possa não parecer salutar.

O país está estranho, à beira de uma borrasca. Será?

Publicado por Manuel 23:31:00 0 comentários Links para este post  



O Abismo

A cada dia que passa, o chamado processo de pedofilia da Casa Pia está a revelar tudo o que de mais podre infesta, há séculos, a classe política portuguesa.

Há quem ache graça, quem veja, em determinadas manifestações, formas de intervenção democrática, quem ache que o Estado de Direito (conceito tão abstracto nos dias que correm...) funciona e outro tipo de barbaridades que se dizem....

Já escrevi aqui (algures, é só procurarem) que a pouca-vergonha está instalada. Não sei, confesso, se Eduardo Lourenço algum dia reflectiu sobre este tema mas, se me é permitido, sugeria ao Mestre que o pensasse e depois o traduzisse em palavras.

Portugal precisa, urgentemente, de um Golpe de Estado.



Calma! Não estou com saudades do Otelo. O que pretendo, e defendo, é um urgente Golpe de Estado geracional que passe além das das «Jotas» partidárias - autênticas «Madrassas» dos vícios actuais.

Só com uma nova geração de dirigentes políticos, que tenham como ideal único o «bem comum» da população, poderemos aspirar a um estádio de civilização mais apurado, acabando de vez com esta República dos Ananases, onde tudo o que é «doce» é devorado por alguns, deixando o «caroço» aos mais incautos.

Portugal tem que mudar a todos os níveis: Governo, Partido Políticos, Administração Pública, Polícias, Tribunais, Ministério Público, empresários, professores, etc.

Há tempos, o professor Cavaco pediu, salvo erro, uma vassourada para o PS.

Eu, humildemente, peço uma vassourada para o actual estado de coisas.



Se nada mudar, nada mais nos resta do que, em frente ao abismo, dar um passo em frente.

Por favor, preocupem-se! (Quem disse isto, quem foi ?)

Publicado por Carlos 23:28:00 0 comentários Links para este post  



Sinais ...



ver aquí

Publicado por Manuel 23:04:00 0 comentários Links para este post  



Souto Moura

Transcreve-se, com a vénia devida, do Cidadão Livre :


"Se Souto Moura se demitir nos próximos tempos, teremos duas hipóteses: ou durante meses o PSD e o PS não se entendem sobre quem será o próximo PGR ou se houver "consenso" fácil, o novo PGR será sempre visto como mais "amistoso" para o partido da oposição, tendo a sua autoridade minada logo de início."

Publicado por Manuel 22:32:00 0 comentários Links para este post  



Serviço Público - Correio dos Leitores

Recebemos de um leitor fiel o e-mail que se transcreve de seguida :


No site da Câmara Municipal de Lisboa há uma zona à direita com ligações importantes.



Ia eu à procura de ONG's, Clubes, Associações, Colectividades, etc... e saiu-me a lista abaixo. Fiquei banzado!

Zé Ferreira

* Alta Autoridade para a Comunicação Social
* Banco de Portugal
* Bloco de Esquerda
* Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos
* Comissão de Coordenação da Região Centro (CCRC)
* Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo (CCRLVT)
* Comissão de Coordenação da Região do Alentejo (CCRALT)
* Comissão de Coordenação da Região do Algarve (CCRALG)
* Comissão de Coordenação da Região Norte (CCRN)
* Comissão Nacional de Eleições
* Comissão Nacional de Protecção de Dados
* CPLP
* Governo Civil de Lisboa
* Partido Comunista Português
* Partido Ecologista "Os Verdes"
* Partido Popular
* Partido Social Democrata
* Partido Socialista
* Procuradoria Geral da República
* Provedor de Justiça
* Torre do Tombo




Pois é, de facto a lista de "Entidades não Governamentais" está aquí. Aguardam-se esclarecimentos ...

Publicado por Manuel 22:01:00 0 comentários Links para este post  



"O descontrolo"

O Diário Económico de hoje traz um Editorial notável, ainda mais depois de se ver/ouvir Ana Gomes, qual peixeira da doca de Matosinhos, esta noite nos Jornais da Noite da SIC e da TVI, que se transcreve:




Editorial > 2003-10-13 00:01

Ana Gomes veio esclarecer o país, numa entrevista ao Diário de Notícias, de que a tentativa de ligar Paulo Pedroso ao caso de pedofilia não configura uma cabala, mas, sim, uma «urdidura».

A dirigente socialista não revelou, porém, se os factos se poderiam enquadrar no conceito de intriga ou assumir uma simples, mas pérfida, tramóia. Mas, no seu estilo impulsivo e de catarse, foi categórica: a justiça é vítima, neste processo, de uma maquinação, pelas «suas insuficiências».

À margem da semântica, valerá a pena reflectir nas palavras da dirigente do PS.

Quando diz que «as acusações contra Paulo Pedroso não têm ponta por onde se lhe pegue» e «são escandalosamente aleivosas», Ana Gomes, pelo cargo que ocupa, está a revelar o grau de respeito que merece ao principal partido da Oposição o sistema de Justiça. E que está, numa versão generosa, abaixo de zero.



Quando afirma que está «profundamente convencida da inocência» de Paulo Pedroso, Ana Gomes sobrepõe, uma vez mais, a emoção à razão. Por mais fortes que sejam as ligações de amizade e solidariedade que a unem ao arguido, o eventual envolvimento de um alto dirigente político num caso de pedofilia não pode ser retirado, por quem tem responsabilidades públicas, do plano judicial para resumir-se a uma mera lotaria de palpites e intuições.

Quando refere o «abandalhamento e infiltração das instituições por esquemas perversos», uma deputada da Nação tem de pesar as palavras, fundamentando-as ou apresentando provas do que afirma. A frase, assim, solta e descontextualizada, é de uma ligeireza que atinge a credibilidade de Ana Gomes e, sobretudo, do partido que representa.

Independentemente da inocência ou culpa de Paulo Pedroso – que cabe aos tribunais apreciar –, a entrevista de Ana Gomes vem esclarecer, de uma vez por todas, que o PS não está a saber lidar com a eventual ligação de um dos seus dirigentes a um caso de pedofilia. Esse misto de precipitação e imaturidade fica-lhe mal, além de instabilizar e contaminar a relação dos cidadãos com os partidos.

Onde deveria haver tranquilidade e confiança na independência do poder judicial, floresce uma torrente de emoções desajustadas e uma sequência, nunca explicada, de insinuações que descrevem o país e as suas instituições como um pântano viciado, despojado de regras e valores.



Ao PS pede-se que seja oposição, com propostas credíveis e soluções alternativas. Num país em que o Governo chega atrasado a todas as crises, essa missão está longe de ser impossível.

A não ser que o descontrolo de Ana Gomes faça doutrina – e o principal partido da oposição prefira substituir-se à Justiça em detrimento do objectivo natural de ser Governo.


disgusting

P.S.: Antes desta fuga para a frente, Ana Gomes andou pelos cantos a chorar baba e ranho afirmando que as suas declarações que tinham sido postas no ar, inicialmente, por uma Rádio Local exprimiam o seu pensamento mas não eram para ser publicitadas urbi et orbi ...

Publicado por Manuel 20:21:00 0 comentários Links para este post  



Perguntar não ofende ...



Porque é que o PS e Ana Gomes, não pedem à PGR e ao CSM, uma investigação aturada às omissões do Acordão da Relação que libertou Pedroso ?

... ou será que os últimos raids de Ana Gomes são precisamente para escamotear esse "detalhe" ?

Publicado por Manuel 18:10:00 0 comentários Links para este post  



A contra-maré ...


«A revista 'Le Point', francesa, trazia um artigo, assinado por dois jornalistas, um português e outro francês, a dizer que neste Governo havia dois ministros pedófilos. Há alguma investigação em curso sobre isso? Se falamos em politização, então porque é que não há? A quem compete? Não é à procuradoria-geral da República? Eu gostava de saber se existe. Eu hei-de fazer esta pergunta mais vezes nos próximos dias»

Ana Gomes - Membro do Secretariado Nacional do PS



Será esta a contra-maré aflorada por Almeida Santos, no dia da libertação de Paulo Pedroso? Aguardemos...

Publicado por Carlos 13:23:00 0 comentários Links para este post  



e o Jardim já sabe ?



"Nas próximas eleições isso não se coloca, porque aí estamos a falar. É um bocadinho como as eleições presidenciais, toda a gente tem pressa em falar. Só um tonto é que pensa ter hoje os dados todos para essas questões e só um tonto é que pensa que os dados não evoluem até lá. Portanto, se não os temos todos e se eles podem evoluir, não somos obrigados a tomar a decisão hoje.



Nuno Morais Sarmento, em entrevista ao Público/RR


Publicado por Manuel 11:43:00 0 comentários Links para este post  



"Temos Processo" ...

António Ribeiro Ferreira em mais um momento de inspiração e lucidez no DN :


O processo de pedofilia da Casa Pia está a mostrar o que há de melhor e de pior na sociedade portuguesa e, sem dúvida nenhuma, a fazer estalar alguns dos melhores vernizes da classe dirigente lusa.

O frenesim, a contra-informação, desde a básica à sofisticada, o espectáculo de emoções, a transformação do Parlamento num arraial partidário de muito mau gosto, as espantosas afirmações de indivíduos com imensa responsabilidade e muita experiência política, que levados pela paixão chegam ao cúmulo de transformar um acórdão da Relação, votado por maioria, numa quase sentença de absolvição e, qual cereja em cima de um bolo cheio de bolor, afirmam em público que, afinal, o processo não existe por falta de queixa das vítimas de abusos sexuais. Neste, como nos momentos que se irão seguir, é preciso muita serenidade e bom senso.



Como o DN hoje noticia, é evidente que existem queixas, é evidente que o processo não vai ser anulado e é evidente que o desembargador relator do acórdão da Relação só não o soube porque não se deu ao trabalho de ser esclarecido nesta como noutras matérias.

A situação seria apenas caricata se não revelasse muito do que se passa nos bastidores de um processo que assusta muita gente e que, de acordo com Catalina Pestana, irá provocar um terramoto na sociedade portuguesa.

A data limite para o Ministério Público formular as acusações aproxima-se rapidamente. É possível que aos actuais arguidos se possam juntar outros, já referidos nos autos de um inquérito com milhares de páginas, dezenas e dezenas de testemunhos e histórias de horror.



É por isso natural que quem teme as revelações e vê a hora da verdade aproximar-se a uma velocidade e alcance não muito usuais na justiça portuguesa comece a usar todo o tipo de armas pesadas.

Seja como for, os portugueses podem estar sossegados.

O processo da Casa Pia não morreu e as vítimas dos crimes não vão acabar na prisão.

Publicado por Manuel 9:35:00 0 comentários Links para este post  



galardões ...

O Mata Mouros decidiu presentear-nos com o seu galardão máximo, ainda por cima ex-aquo com o Abrupto (!)...



Embora não merecedores de tamanha gentileza, não podemos deixar de agradecer a mesma ao Mata Mouros!

Publicado por Manuel 0:15:00 0 comentários Links para este post  



um jardim chamado Portugal ...

Descoberta pelo Paulo Gorjão, já regressado à Bélgica, temos uma notícia inenarrável na LUSA, que a mim só dá vontade de gritar ...




12-10-2003 19:56:00 GMT

Pedro Santana Lopes poderá ser o De Gaulle português, diz João Jardim


O presidente do Governo Regional da Madeira disse este domingo que se não houver revisão constitucional há a esperança de um candidato presidencial fazer a ruptura do sistema e considerou que Santana Lopes poderá ser a pessoa indicada.



"Se não houver revisão constitucional, primeiro o povo saberá responsabilizar quem sabotou o País. Em segundo lugar, há uma esperança ainda para fazer, que é um Presidente da República que se candidate propondo um referendo, o povo elege-o, ele está mandatado democraticamente para fazer um referendo constitucional", explicou.

"Foi assim que, em França, o general De Gaulle, democraticamente, passou da IV para a V República", exemplificou João Jardim, que falava à margem de uma inauguração na Ribeira Brava.



"Penso que o dr. Santana Lopes tem condições para fazer este projecto, aliás, ele é o responsável principal pela revisão constitucional do PSD", afirmou João Jardim, depois de questionado sobre se o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e vice- presidente do PSD poderia ser esse candidato.

Lusa

Depois queixem-se quando chegar a "guerra civil" ao PSD ...

Publicado por Manuel 21:17:00 0 comentários Links para este post  



Era uma vez a América ...



Filho: Paizinho, porque é que tivemos que atacar o Iraque?
Pai: Porque eles tinham armas de destruição em massa, filho.
F: Mas os inspectores não encontraram nenhumas armas de destruição em massa.
P: Isso é porque os iraquianos as esconderam.
F: E porque é que nós invadimos o Iraque?
P: Bom, as invasões funcionam sempre melhor que as inspecções.
F: Mas depois de os termos invadido, AINDA não encontrámos nenhumas armas, pois não?
P: Isso é porque as armas estão muito bem escondidas. Mas deixa lá, haveremos de encontrar alguma coisa, provavelmente antes mesmo das próximas eleições.
F: Para que é que o Iraque queria todas aquelas armas de destruição em massa?
P: Para as usar numa guerra, claro.
F: Estou confuso. Se eles tinham todas aquelas armas e planeavam usá-las numa guerra, então porque é que não usaram nenhuma quando os atacámos?
P: Bem, obviamente não queriam que ninguém soubesse que eles tinham aquelas armas, por isso eles escolheram morrer aos milhares em vez de se defenderem.
F: Isso não faz sentido, paizinho. Porque é que eles haveriam de escolher morrer se tinham todas aquelas armas poderosas para lutar contra nós?



P: É uma cultura diferente. Não é suposto fazer sentido.
F: Não sei o que é que tu achas, paizinho, mas não me parece que eles tivessem quaisquer daquelas armas que o nosso governo dizia que eles tinham.
P: Bom, sabes, não interessa se eles tinham ou não aquelas armas. De qualquer modo nós tínhamos outra boa razão para os invadir.
F: E qual era?
P: Mesmo que o Iraque não tivesse armas de destruição em massa, Saddam Hussein era um cruel ditador, o que é outra boa razão para invadir outro país.
F: Porquê? O que é que um ditador cruel faz para que seja correcto invadir o seu país?
P: Bom, pelo menos uma coisa, ele torturava o seu próprio povo.
F: Assim como fazem na China?
P: Não compares a China com o Iraque. A China é um bom parceiro económico, onde milhões de pessoas trabalham por salários de miséria, em condições miseráveis, para tornar as empresas norte-americanas mais ricas.
F: Então, se um país deixa que o seu povo seja explorado para o lucro das empresas americanas, é um bom país, mesmo se esse país tortura o povo?
P: Certo.
F: Porque é que o povo no Iraque era torturado?
P: Por crimes políticos, principalmente, tais como criticar o governo. As pessoas que criticavam o governo no Iraque eram presas e torturadas.
F: Não é isso exactamente o que acontece na China?
P: Já te disse, a China é diferente.
F: Qual é a diferença entre a China e o Iraque?
P: Bom, pelo menos uma coisa, o Iraque era governado pelo partido Baas enquanto que a China é comunista.
F: Não me tinhas dito uma vez que os comunistas eram maus?
P: Não; só os comunistas cubanos são maus.
F: Porque é que os comunistas cubanos são maus?
P: Bom, pelo menos uma coisa, as pessoas que criticam o governo em Cuba são presas e torturadas.
F: Como no Iraque?
P: Exactamente.
F: E como na China, também?
P: Já te disse, a China é um bom parceiro económico. Cuba, por outro lado, não é.
F: Porque é que Cuba não é um bom parceiro económico?
P: Bem, é assim, no princípio dos anos 60, o nosso governo fez umas leis que tornaram ilegal que os norte-americanos tivessem trocas comerciais ou outros negócios com Cuba, até que eles deixassem de ser comunistas e começassem a ser capitalistas como nós.
F: Mas se nós acabássemos com essas leis, abríssemos o comércio com Cuba, e começássemos a fazer negócios com eles, isso não ajudaria os cubanos a tornarem-se capitalistas?
P: Não te armes em chico-esperto.



F: Eu acho que não sou.
P: Bom, de qualquer modo, também não há liberdade de religião em Cuba.
F: Assim como na China, com o movimento Falun Gong?
P: Já te disse, deixa-te de dizer mal da China. De qualquer maneira, Saddam Hussein chegou ao poder através de um golpe militar, por isso ele não era realmente um líder legítimo.
F: O que é um golpe militar, paizinho?
P: É quando um general toma conta do governo de um país pela força, em vez de eleições livres como nós temos nos Estados Unidos.
F: O líder do Paquistão não chegou ao poder através de um golpe militar?
P: Referes-te ao General Pervez Musharraf? Uhm, ah, sim, foi; mas o Paquistão é nosso amigo.
F: Como é que o Paquistão é nosso amigo se o seu líder é ilegítimo?
P: Eu nunca disse que Pervez Musharraf era ilegítimo.
F: Não acabaste de dizer que um general que chega ao poder pela força, derrubando o governo legítimo de uma nação, é um líder ilegítimo?
P: Só Saddam Hussein. Pervez Musharraf é nosso amigo, porque ele nos ajudou a invadir o Afeganistão.
F: Porque é que nós invadimos o Afeganistão?
P: Por causa do que eles nos fizeram no 11 de Setembro.
F: O que é que o Afeganistão nos fez no 11 de Setembro?
P: Bem, em 11 de Setembro de 2001, dezanove homens, quinze dos quais da Arábia Saudita, desviaram quatro aviões e lançaram três contra edifícios, matando mais de 3000 norte-americanos.
F: Então, onde é que o Afeganistão entra nisso tudo?
P: O Afeganistão foi onde esses homens maus foram treinados, sob o regime opressivo dos Taliban.
F: Os Taliban não são aqueles maus radicais islâmicos que cortam as cabeças e as mãos das pessoas?
P: Sim, são esses exactamente. Não só cortavam as cabeças e as mãos das pessoas, como também oprimiam as mulheres.
F: Mas o governo de Bush não deu aos Taliban 43 milhões de dólares em Maio de 2001?
P: Sim, mas esse dinheiro foi uma recompensa porque eles fizeram um bom trabalho na luta contra as drogas.
F: Na luta contra as drogas?
P: Sim, os Taliban ajudaram muito, para obrigar as pessoas a deixarem de cultivar papoilas de ópio.
F: Como é que eles fizeram tão bom trabalho?
P: É simples. Se as pessoas fossem apanhadas a cultivar papoilas de ópio, os Taliban cortavam-lhes as mãos e as cabeças.
F: Então, quando os Taliban cortavam as cabeças e as mãos das pessoas que cultivavam flores, isso estava certo, mas não se eles cortavam as cabeças e as mãos por outras razões?
P: Sim. Nós achamos bem se os radicais fundamentalistas islâmicos cortam as mãos das pessoas por cultivarem flores, mas achamos cruel que eles cortem as mãos das pessoas por roubar pão.
F: Mas na Arábia Saudita eles não cortam também as mãos e as cabeças das pessoas?
P: Isso é diferente. O Afeganistão era governado por um patriarcado tirânico que oprimia as mulheres e as obrigava a usar burqas sempre que elas estivessem em público, e as que não cumprissem eram condenadas à morte por apedrejamento.
F: Mas as mulheres na Arábia Saudita não têm também que usar burqas em público?
P: Não, as mulheres sauditas simplesmente usam uma vestimenta islâmica tradicional.
F: Qual é a diferença?
P: A vestimenta islâmica tradicional usada pelas mulheres sauditas é uma roupa modesta mas em moda que cobre todo o corpo da mulher excepto os olhos e os dedos. A burqa das afegãs, por outro lado, é um instrumento maligno da opressão patriarcal que cobre todo o corpo da mulher excepto os olhos e os dedos.
F: Parece-me a mesma coisa com um nome diferente.
P: Bom, não vais agora comparar o Afeganistão com a Arábia Saudita. Os sauditas são nossos amigos.
F: Mas parece-me que disseste que 15 dos 19 piratas do ar do 11 de Setembro eram da Arábia Saudita.
P: Sim, mas foram treinados no Afeganistão.
F: Quem é que os treinou?
P: Um homem muito mau, chamado Osama Bin Laden.
F: Ele era do Afeganistão?
P: Aahh, não, ele era também da Arábia Saudita. Mas era um homem mau, um homem muito mau.
F: Se bem me lembro, ele já tinha sido nosso amigo.
P: Só quando nós o ajudámos e aos mujahadin a repelir a invasão soviética do Afeganistão nos anos 80.



F: Quem são os soviéticos? Não era o Império do Mal, comunista, que o Ronald Reagan falava?
P: Já não há soviéticos. A União Soviética acabou em 1990, ou mais ou menos, e agora eles têm eleições e capitalismo como nós. Agora chamamos-lhes russos.
F: Então os soviéticos, quero dizer, os russos, agora são nossos amigos?
P: Bem, não efectivamente. Sabes, eles foram nossos amigos durante uns anos quando deixaram de ser soviéticos, mas depois decidiram não nos apoiar na invasão do Iraque, por isso agora estamos aborrecidos com eles. Também estamos aborrecidos com os franceses e os alemães porque eles também não nos ajudaram a invadir o Iraque.
F: Então os franceses e os alemães também são maus?
P: Não completamente, mas suficientemente maus para termos mudado o nome das French Fries (batatas fritas}, e das French Toasts para Freedom Fries (batatas da liberdade}, e Freedom Toasts.
F: Nós mudamos sempre os nomes à comida quando outro país não faz o que nós queremos?
P: Não, isso é só com os nossos amigos. Os inimigos invadimo-los.
F: Mas o Iraque não foi um dos nossos amigos nos anos 80?
P: Bem, sim. Durante algum tempo.
F: Saddam Hussein não era então o líder do Iraque?
P: Sim, mas nessa altura ele estava em guerra contra o Irão, o que fez delem nosso amigo, temporariamente.
F: Porque é que isso fez dele nosso amigo?
P: Porque nessa altura o Irão era nosso inimigo.
F: Isso não foi quando ele lançou gás contra os curdos?
P: Sim, mas como ele estava em guerra contra o Irão, nós olhámos para o lado, para lhe mostrar que éramos seus amigos.
F: Então, quem lutar contra um dos nossos inimigos torna-se automaticamente nosso amigo?
P: A maior parte das vezes sim.
F: E quando alguém luta contra um dos nossos amigos torna-se automaticamente nosso inimigo?
P: Às vezes isso é verdade, também. Porém, se as empresas americanas poderem lucrar vendendo armas a ambos os lados ao mesmo tempo, tanto melhor.
F: Porquê?
P: Porque a guerra é boa para a economia, o que significa que a guerra é boa para a América. Além disso, visto que Deus está do lado da América, quem se opõe à guerra é um ateu, anti-americano, comunista. Percebes agora porque é que atacámos o Iraque?
F: Acho que sim. Nós atacámos porque era a vontade de Deus, certo?
P: Sim.
F: Mas como é que nós sabíamos que Deus queria que atacássemos o Iraque?
P: Bem, estás a ver, Deus fala pessoalmente com George W. Bush e diz-lhe o que deve fazer.
F: Então, basicamente, estás a dizer que atacámos o Iraque porque George W. Bush ouve vozes na cabeça?
P: Sim! Finalmente percebes como o mundo funciona. Agora fecha os olhos, aconchega-te e dorme. Boa noite.
F: Boa noite, paizinho.


Publicado por Carlos 19:40:00 0 comentários Links para este post  



prémio fair play du jour ...
ou porque é que o PS, tal como o Paí­s, é um enorme fait divers

José Lamego sobre Ana Gomes ...



«Não vou devolver à Dr.ª Ana Gomes o insulto de lhe perguntar quem lhe paga para tão afanosa e sistematicamente estar a destruir a credibilidade que o PS acumulou em matéria de política externa nos quase trinta anos que levamos de vida democrática - 11 anos, digo-o com orgulho, sob a minha directa responsabilidade».


P.S. : Aguardamos a reacção serena de um peixe de águas profundas chamado Jaime Gama ...

Publicado por Manuel 19:08:00 0 comentários Links para este post  



para meditar ...

Directamente da Reuters e para meditação pela classe política cá do rectângulo ...


Germans Criticize Leaders, Admire 'Arnold Effect'


By Erik Kirschbaum

BERLIN (Reuters) - Call it the "Arnold Effect."

The straight-talking Hollywood action star's election win in California has had an electrifying impact on Germany, leading to calls Friday for top politicians to voice clear ideas in simple language or be swept away at the polls.

"The more confused we are by what they say, the greater our longing for a man or woman with simple words," wrote Bild newspaper columnist Franz Josef Wagner. "The only problem is that it's the wrong ones who usually master simple language."

Schwarzenegger's victory in the California race for governor has led to editorials calling for German politicians to abandon their barely comprehensible speaking style in favor of "Klartext" (straight talk).

But Wagner and others also warn of the dangers of falling for simple remedies from loud Austrians who enthrall the masses. Austrian-born Adolf Hitler still casts a long shadow in Germany.

Celebrities, columnists, ordinary citizens and even some politicians have joined the chorus of calls for less talk and more action to get Germany moving again after years of economic stagnation and political standstill.

"My first thought was 'Oh my God, not another Austrian emigrant -- the first one caused enough damage"' wrote Peter Boenisch, a former government spokesman and newspaper editor, in an analysis on Schwarzenegger for the tabloid Bild.

"But Germany urgently needs something Schwarzenegger-like: a can-do spirit, unconventional thinking, courage, strength and vision. We're facing the worst crisis since the war," he wrote.

Manfred Guellner, managing director of the Forsa polling institute, said there is widespread discontent with politicians.

"The dissatisfaction is growing every day," he told Reuters. "Germany and Europe are ripe for the same sort of phenomenon. People feel they're being messed with. They want simple language and simple remedies."

A survey by the Emnid institute to be published Saturday in the conservative daily Die Welt found 49 percent even want a popular television game show host, Guenther Jauch, to lead them.

The irreverent left-wing newspaper Tageszeitung voiced concern about the calls for straight-talking leaders, noting that Hitler had attacked the German parliament as a "Talking Shop" before abolishing it.

"People want to be entertained and not bothered with problems," wrote the liberal Sueddeutsche Zeitung. "People want a strong leader."

Ordinary Germans said Arnold would cut a good figure here. "I can imagine someone like Arnold would be good for Germany," said Karin Rittmeister, 59, a university librarian in Berlin.

Ronny Zibinski, a 19-year-old Berlin technician, said he liked the idea of a Schwarzenegger-type chancellor for Germany. "We need someone like that to clean up the mess and blow away the lousy politicians," he said.



Por cá, convinha que alguém explicasse, e fizesse desenhos, ao Grande Timoneiro do PSD que as reais consequências da coligação conjunta PSD/PP para as europeias e que vai inevitávelmente abrir caminho a discursos populistas dispensáveis e de consequências imprevisiveis a médio prazo (ver nos nossos arquivos o post "Os Canibais", de 29/09) para perceber porquê...) além de obviamente ir lançar mais tarde ou mais cedo o PSD numa guerra civil ...

Publicado por Manuel 17:49:00 1 comentários Links para este post  



25 anos que mudaram o mundo ...


Publicado por Manuel 13:00:00 0 comentários Links para este post  



O PS no seu melhor ...

Hoje no DN Ana Gomes dá uma curiosa entrevista onde afirma :


"Eu não falo em cabala, nem o PS usou essa palavra. Mas falo no que o advogado do Paulo Pedroso falou: urdidura ou maquinação. E temo que o objectivo seja, não atacar o PS, mas a justiça. E salvar os criminosos, da pedofilia ou outros.".


No mesmíssimo DN ficamos a saber que o ex-ministro do PS, o todo poderoso Jorge Coelho, e que em tempos tutelou o SIS, regressou ontem, no Porto, ao palco da vida partidária no PS, mas recusou comentar o tema da semana. Sobre Paulo Pedroso e o seu regresso ao Parlamento, nem uma palavra...

Curioso, curioso mesmo ...

Publicado por Manuel 8:41:00 0 comentários Links para este post  



Um cata-vento açoreano ...

O JN traz hoje a história de uma daquelas cambalhotas que tanto contribuem para credibilizar o nosso sistema político.

Desta vez o protagonista é João Bosco Mota Amaral.

É ler para crer :


Mota Amaral passou de chocado a compreensivo


O presidente da Assembleia da República (AR), Mota Amaral, recuou nos comentários feitos aos incidentes gerados no Parlamento devido à libertação de Paulo Pedroso. De "chocado", Amaral passou a "compreensivo".

A edição de ontem do semanário "Expresso" referia que Mota Amaral tinha ficado "chocado" com a confusão provocada pela chegada de Pedroso à AR. Jornalistas e deputados acotovelaram-se e, no meio do frenesim, uma secretária antiga acabou danificada. Contudo,
em declarações à TSF, ontem, o presidente do Parlamento disse "compreender" a "emoção" que o caso suscitou.

"Não os critico pelo seu entusiasmo e emoção, porque admito que estaria nas mesmas circunstâncias também emocionado e nervoso se estivesse directa e pessoalmente envolvido".



Amaral lamentou apenas os "estragos e a perturbação", assinalando, porém, que se trata de um problema sem grande significado.

Sobre a "confusão" gerada na Assembleia República quando Paulo Pedroso saiu da cadeia e se dirigiu para o Parlamento, onde foi recebido em festa pelos socialistas, Ferro Rodrigues disse, ontem, em Caminha que essa é uma ques-tão "sem a mínima relevância".
"Estou aqui para falar de coisas muito sérias, e não de fait-divers", referiu Ferro Rodrigues.

Assaz edificante para quem já sonhou poder vir a ser candidato Presidencial ...

Publicado por Manuel 0:45:00 0 comentários Links para este post  



Acerca do Referendo sobre a Europa ...

O último expoente da velha tradição do Chico-Espertismo é a peregrina ideia de Durão Barroso de querer fazer ocorrer o Referendo sobre a Constituição Europeia no mesmo dia das eleições Europeias.

DB sabe muito bem que, quer o PSD quer o PS, por serem arcos de regime, acabam na matéria a referendar por ter posições próximas, logo nada melhor do que ter duas votações simultâneas: uma onde PS e PSD cantam em coro (logo com o debate restrito às franjas), e outra, por via da anterior, e como já notou Pacheco Pereira, apenas focada em questões internas...



Há quem ache esta ideia genial, nós por cá pensamos que é simplesmente um insulto!

Um insulto à inteligência dos Portugueses, um insulto à "Europa" e um insulto a uma instituição chamada Referendo.

Publicado por Manuel 20:39:00 0 comentários Links para este post  



teste de ética

Leia atentamente os extractos, abaixo citados, da prosa hoje publicada no Público e subscrita por Helena Matos.

Substitua agora "PS" por "Público", "Assembleia da República" por "Redação do Público", "Largo do Rato" por "Rua do Viriato" e "segundo maior Partido" por "mais lido jornal de referência" nesse texto e releia-o.



Disserte sobre as semelhanças/diferenças e paralelismos entre os dois textos e elabore sobre a actual linha editorial do Público...


"Tenho como um dos fenómenos mais intrigantes da actual política portuguesa a gestão suicidária dos actuais líderes do PS. Em cada acto, em cada decisão que sai do Largo do Rato parece haver a intenção de frisar que este PS não está interessado em ser governo. Como é que pode sair um governo da bancada parlamentar que recebeu Paulo Pedroso daquela forma na Assembleia da República? (...)

Parafraseando Augusto de Castro, eles no PS estão equivocados. Quem foi preso, quem é arguido é Paulo Pedroso, não é o PS! Mas na forma como o PS reagiu à libertação de Paulo Pedroso sobressai, tal como já havia sobressaído na sua detenção, esta bizarra intenção de atrelar o PS ao desfecho do caso Pedroso.



Mais uma vez reagiram como se fosse o PS, e não um seu militante, que tivesse saído da prisão preventiva. O que quer dizer que, quando o julgamento começar, o PS, se não arrepiar caminho desta estratégia, se vai sentar também no tribunal. Donde, seja qual for a sentença, nunca sairá bem. Porque se Paulo Pedroso for considerado culpado, o PS também o será. E se Paulo Pedroso for considerado inocente, assistiremos ao "remake", em versão "hard", do que se viu esta semana na Assembleia da República: um partido em rota de colisão com o poder judicial.

Se o PS fosse um qualquer grupelho, o caso não teria especial gravidade. Mas o PS é o segundo maior partido de Portugal. E espera-se que um dia venha a ser governo. "


N.A. este post é dedicado ao Glória Fácil...

Publicado por Manuel 11:41:00 0 comentários Links para este post  



Luí­s Delgado e as eleições na Califórnia ...

Luís Delgado é uma personagem impar. Em duas ou três penadas desfaz a Reserva Ferderal, o BCE e ai do Ministro que não lhe caia no goto. Amigo dos seus amigos, nunca têm dúvidas e muito menos se engana e a coerência é o seu ponto forte...

Vem este introito a propósito da imensidão de prosas com que o LD presenteou a plebe sobre o percurso triunfal do Arnold até ser eleito Governador da Califórnia. Para LD tudo é simples, para nós não exactamente.



A vitória de Schwarzenegger representa o principio do fim da era de George W. (que tal como o seu pai se arrisca a não conseguir ser reeleito).

Representa o fim, porque abala a fundo a linha neo-con tão apreciada entre nós por LD e pelo Director do Público, representa o fim porque a vitória de Arnold foi objectivamente e também fruto de um voto contra o status-quo, contra o ultra-conservadorismo (ainda que "compassionate") e contra a política (económica e fiscal) Federal (a candidatura adicional de um puro e duro republicano apenas realça este facto).



Mas sobretudo, e aquí entre nós, a vitória de Schwarzenegger mostra as acrobacias que alguns são capazes de fazer, aquí no rectângulo, para estarem sempre com os vencedores ...

É a vida, é o que é ...

Publicado por Manuel 9:05:00 0 comentários Links para este post  



Ferro Rodrigues se calhar tinha razão ...



daquí e sem mais demoras :

"(...) O relator do acórdão, o juiz Carlos de Almeida, é claro ao afirmar que «não vemos que tenha sido apresentada tempestivamente qualquer queixa, nem nos foi remetida certidão de nenhum despacho do Ministério Público, que tenha em nome do interesse de cada uma das concretas vítimas, decidido exercer a acção penal». O que implica que o prazo para as vítimas apresentarem queixas terá prescrito (art.115 do Código Penal) e que o Ministério Público, que tem o direito de os representar, não enviou as queixas em nome delas. (...)

Ao que o PortugalDiário apurou, as queixas existem e estão no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa. «Bastava que os senhores desembargadores fossem consultar o processo», garante ao PortugalDiário fonte ligada à investigação. A mesma fonte dá como exemplo o que aconteceu quando o primeiro recurso de Carlos Cruz subiu ao Tribunal da Relação, em que o colectivo de juízes que o apreciou deslocou-se ao TIC e consultou todo o processo."




Entretanto o DN afirma aquí que :

«Terceiros» põem inquérito em risco


Ao contrário dos juízes Carlos Rodrigues de Almeida e Horácio Telo Lucas, que decidiram a libertação de Pedroso, o desembargador João Luís de Moraes Rocha não considerou frágeis os testemunhos das alegadas vítimas.

Aliás, perante a conjugação desses testemunhos, entende que «existem fortes indícios da prática por parte do arguido de crime(s) doloso(s) punível com pena máxima superior a três anos», isto é, abuso sexual de crianças.

Para o desembargador, que votou vencido, pelo que não foi o relator do acórdão, «dos autos emerge de forma clara e repetida a intervenção de terceiros que no interesse do arguido actuam de forma a criar perigo de perturbação do decurso do inquérito».

E, apesar de o requisito não ter sido inicialmente indicado para ditar a prisão preventiva, Moraes Rocha diz que «surge como razoável o perigo de fuga». Assim, a prisão domiciliária de Pedroso, que o desembargador defendia, seria proporcional à gravidade do alegado crime _ abuso sexual de menores _ e às sanções que «presumivelmente venham a ser aplicadas».

Os dois colegas do TRL não percebem, «mesmo que se desse credibilidade a todos os elementos de prova, sem proceder a qualquer exame crítico», como como Pedroso pode ser suspeito de 15 crimes, uma vez que o número de vítimas é menor. Neste contexto, recorde-se que Bibi é suspeito de 15 crimes de abuso sexual contra quatro crianças da Casa Pia de Lisboa.




Sabem que mais, se calhar há mesmo uma cabala ...

Publicado por Manuel 3:11:00 0 comentários Links para este post  



Sugestão de fim de semana
(só para maiores de 18 anos e não recomendada a pessoas facilmente susceptíveis)

Depois de passar horas e horas a ler algumas prosas recentemente emanadas dos nossos tribunais, só me apetece recomendar a muito boa gente que faça compras aquí

Bom fim de semana

Publicado por Carlos 21:48:00 0 comentários Links para este post  



Perguntar não ofende ...


«Juí­zes não sabem apreciar a prova»



Quem o diz é o juiz desembargador Carlos Rodrigues Almeida, precisamente um dos membros do colectivo de juí­zes que decidiu alterar a medida de prisão preventiva do deputado Paulo Pedroso, decretada pelo juiz Rui Teixeira, para o termo de identidade e residência.



Ora, à luz dos factos abaixo descritos, ele sabe ?

Publicado por Manuel 20:18:00 0 comentários Links para este post  



Contas, Pesos e Medidas ...

O irmão de Paulo Pedroso, ex-Juiz e membro com mandato suspenso no Conselho Superior de Magistratura, a propósito do acordão de libertação de Paulo Pedroso, afirmava ontem que "Há manipulação de provas" indo mesmo mais longe e dizendo que «acusação e o Procurador Geral têm que tirar conclusões».



Ontem ainda, e no PÚBLICO, o seu Director afirmava taxativamente que "O certo é que (a relação) não encontrou, tal como não haviam encontrado todos os que, desde há muito, suspeitavam que a decisão de Rui Teixeira não tinha fundamento sólido."



Luís Delgado, hoje no DN, volta a pedir cabeças e afirma "O acórdão que levou à libertação de Pedro Pedroso é absolutamente demolidor, e suficientemente grave, para pôr em causa tudo o que se tem ouvido e escrito sobre este caso."



Entretando, hoje veio-se a saber, segundo o Portugal Diário, que afinal os doutos Magistrados da Relação poderão ter sido selectivos nas "provas" que resolveram arrasar e nas que pura e simplesmemente decidiram ignorar !

Em nome da Verdade, em nome da Justiça, em nome do Estado de Direito, o País tem o DIREITO de saber se certas franjas do sistema funcionam como outrora terão funcionado os sorteios dos árbitros ...



Por uma questão de Honra, bom nome e idoneidade das instituições que representam e por respeito à inteligência dos Portugueses espera-se (sentado) que os personagem acima, e outros que tais, dediquem tanta tinta, e prime-time, a explicar as estranhas "omissões" da Relação como gastaram a celebrá-las ...

... Senão, estamos conversados !

Entretanto transcreve-se abaixo e com a vénia merecida o texto integral do Portugal Diário:

"Casa Pia: Testemunhas credíveis - peritos

10-10-2003 18:01

EXCLUSIVO: Relação terá ignorado «peritagens» do Instituto de Medicina Legal

O acórdão do Tribunal da Relação que libertou Paulo Pedroso está a gerar polémica nos meios judiciais.

O texto final, segundo fontes contactadas pelo PortugalDiário, excedeu o que era questionado - a medida de coação aplicada por Rui Teixeira ao deputado do PS.

Os desembargadores questionaram a credibilidade das testemunhas, que tinha sido atestada por peritos do Instituto de Medicina Legal de Lisboa (IML). Pelo menos 32 alunos e ex-alunos da Casa Pia fizeram exames, físicos e psicológicos, no IML durante os meses de Verão. Segundo informações recolhidas pelo PortugalDiário terão sido estes resultados os responsáveis pela decisão do juiz Rui Teixeira, quanto à opção pela videoconferência.



Ao contrário do que terá sido dado a entender, não foram pareceres entregues pela acusação que fizeram Rui Teixeira voltar atrás na primeira decisão. Além dos exames fisiológicos, que detectaram marcas de reiterado abuso sexual, os alunos da Casa Pia foram submetidos por técnicos do IML a «peritagens» psicológicas que atestaram a veracidade dos depoimentos e a vulnerabilidade psicológica das mesmas.

Fontes ligadas à investigação estranham por que é que tais pareceres não terão sidos levados em conta pelos desembargadores da Relação, que fizeram vários juízos de valor quanto à credibilidade das testemunhas.

E, a existirem dúvidas, tal como aconteceu na altura do recurso de Carlos Cruz, os desembargadores poderiam consultar todo o processo no Tribunal de Instrução Criminal, o que não aconteceu.

Os peritos

Todos os médicos e técnicos do IML são considerados peritos nas suas respectivas áreas e são muitas as vezes que o tribunal recorre aos seus pareceres.



Aliás, estes são os únicos pareceres válidos como «provas» perante a lei.

O PortugalDiário sabe que os exames terão tido um acompanhamento especial por parte do director do Instituto, cujo computador foi «assaltado» durante o Verão.

Todavia, o disco rígido levado «sem autorização» não continha qualquer informação relativamente às testemunhas do processo Casa Pia".


Publicado por Manuel 18:47:00 0 comentários Links para este post  



"A Justiça funciona"

Com o Público em transe, e o Bérnard da Costa a escrever lá prosas com escatológicos tí­tulos como "Adolf Hitler no Céu"(!), resta no DN a sobriedade de António Ribeiro Ferreira que de seguida se transcreve:


"A justiça funciona.

Este lugar-comum tem sido repetido sempre que um dos arguidos do processo de pedofilia da Casa Pia ganha um recurso nas diversas instâncias do sistema judicial.

Mas também é verdade que a justiça funcionou ontem quando a Relação deu razão ao juiz Rui Teixeira por ter antecipado a apreciação da prisão preventiva de Paulo Pedroso, funcionou quando o mesmo órgão revogou a prisão preventiva do deputado socialista, funcionou quando recusou afastar o juiz de instrução do processo e funcionou quando o Supremo e o Tribunal Constitucional negaram o habeas corpus a Carlos Cruz. Isto é, usando este estafado lugar-comum, a justiça funciona sempre.

Funcionou quando Paulo Pedroso foi obrigado a levantar a imunidade parlamentar, funcionou quando foi preso preventivamente por suspeita da prática de 15 crimes de abuso sexual de menores e funcionará se for julgado e condenado por tais práticas.

E funcionou também para os outros arguidos do caso da rede de pedofilia da Casa Pia. O que não se admite de gente responsável é a dualidade de comportamentos e critérios perante actos normais de qualquer processo judicial. Falar em golpes de Estado judiciais, de graves atropelos à lei, de violações dos direitos constitucionais dos cidadãos sempre que uma decisão judicial não agrada à defesa dos arguidos e aos seus amigos é estar a contribuir para o descrédito das instituições do Estado de direito, em particular as da Justiça.



E como as emoções andam à flor da pele, espera-se muita serenidade de todos os responsáveis, sejam polí­ticos, magistrados, advogados, comentadores ou jornalistas.

O processo de pedofilia é demasiado grave para não ser levado até ao fim, com o julgamento e condenação dos responsáveis.

Se tal não acontecer, por inépcia da investigação ou intoleráveis intromissões do poder polí­tico, a justiça sofrerá um rude golpe de consequências imprevisí­veis.

E, então sim, a justiçaa não terá funcionado para as centenas de criançaas ví­timas de criminosos sem nome."

Publicado por Manuel 11:54:00 0 comentários Links para este post  



Homenagem ao deputado desconhecido III

A Grande Loja continua a revelar os mais brilhantes parlamentares portugueses, mas cuja timidez faz com que sejam relegados dos holofotes dos media



Marco Costa(PSD/Porto)


Maria Vieira (PSD/Porto)


Isabel Faria (PS/Braga)


Luís Duarte (PS/Açores)


Telmo Correia (CDS/Lisboa)


Duarte Pacheco (PSD/Lisboa)


Guilherme Silva (PSD/Madeira)

Publicado por Carlos 7:17:00 0 comentários Links para este post  



Prémio "É preciso ter lata - 2003"


"O Estado de Direito só será uma realidade neste país, citando Souto Moura, quando nenhum cidadão, político ou não, puder estar um ano preso sem ser acusado de crimes concretos e determinados. O procurador-geral deveria estar preocupado com isso e não com a suposta politização da Justiça. A não ser que ele saiba algo que não sabemos, não encontro politização da Justiça no arraial que celebrou ou condenou a libertação de Pedroso."




Inês Serra Lopes
Editorial, O Independente 10/10/2003





Publicado por Manuel 1:06:00 0 comentários Links para este post  



A "defesa" belga ...



"We have helped ourselves, creating real things, not illusions."

"We have always said: We will succeed only if we use our full energies."


Joseph Goebbels


Publicado por Manuel 23:41:00 0 comentários Links para este post  



"Martins da Cruz pediu demissão duas vezes ..."


Publicado por Manuel 20:27:00 0 comentários Links para este post  



Aguarda-se ...

... a todo o momento uma sucessão de gestos demonstradores da mais profunda indignação por parte de todos aqueles que prezam um Estado de Direito - nomeadamente o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República e o Primeiro-Ministro - face à mais que óbvia (nas palavras de Costa Andrade à TSF) violação do segredo de Justiça da parte de Jorge Lacão, presidente da Comissão de Ética da Assembleia da República.



N.A. : Manifestamente o actual Procurador Geral , Souto Moura não é fadado para o prime-time. Não é fotogénico, provavelmente abomina jornalistas, nunca ouviu falar neste Queijo, confunde articulados com comunicados à Imprensa e não domina a lógica do sound-byte, etc .

Mas o que é realmente dramático é ver e ouvir o Homem, que é, sem sombra de dúvida Honesto e Competente, , e quixotescamente, a (ter de) clamar o óbvio : A independência dos Tibunais, a separação de poderes, que até ao lavar dos cestos ainda há vindima e por aí fora ...



Ainda por cima há alguns "iluminados", para não chamar as coisas pelos nomes, que confundem essa acção meramente pedagógica e do mais elementar bom senso com "reacção de um mau perdedor".

Lamentável.

Publicado por Manuel 19:43:00 0 comentários Links para este post  



... e o PÚBLICO à roleta russa ...

José Manuel Fernandes escreve hoje no PÚBLICO uma prosa a todos os titulos notável. É pena que o seja pelas piores razões.



Assumindo aquilo que já era de facto a linha editorial do PÚBLICO, um claro, obsceno e unilateral, alinhamento pelas teses da Defesa, JMF assume hoje urbi et orbi, e num desarticulado Editorial, como axioma a tese da cabala. Não vale a pena apelar ao bom senso do Conselho Editorial do Público (o mesmo que demorou QUATRO meses a pronunciar-se sobre a publicação de um texto "histórico" claramente revisionista).

Apela-se apenas que, aquando do assentar dos factos e da poeira, e face à objectividade da cobertura destes pelo PÚBLICO que então se apurará, José Manuel Fernandes tire as devidas as ilações !



Para que o SISTEMA funcione ...

Publicado por Manuel 18:21:00 0 comentários Links para este post  



O Expresso também joga aos dados ... (update)

Depois da emocionante sequência a que já fizemos referência, o Online do Expresso está de volta com mais uma emocionante prosa do inimitavel José António Lima ... Além das indirectas bem directas a Santana Lopes por causa do ex-futuro Senado e da lavagem de roupa suja interna há a destacar :




" 4O PS e o próprio Paulo Pedroso já deviam ter percebido que não têm qualquer vantagem em colocar no plano partidário a sua prisão e a sua condição de arguido no processo de pedofilia.

Torna-se mesmo contraproducente, tanto para o partido como para o próprio.

Ao sair da prisão, ainda na condição de arguido, Pedroso deveria remeter ao plano pessoal a sua reacção. E aguardar o final de todo o processo com alguma reserva e no recato do plano individual, antes de qualquer intervenção a nível partidário. O seu emocionado (e irreflectido…) regresso ao Parlamento, ontem à tarde, foi o contrário de tudo isto.

Com esta misturada de planos, querer-se-á significar que a hipotética absolvição de Pedroso será a absolvição do PS e que a eventual condenação de Pedroso equivalerá a condenação do PS?

É um caminho perigoso e armadilhado."


Entretanto, e com a vénia devida, transcreve-se do Expresso Online o seguinte comentário à prosa acima citada:

Pseudoeter 11:19 9 Outubro 2003

Caro JAL

Concordo com quase tudo o que escreveu.
Falta só um bocadinho de coerência na omissão de uma outra conclusão no P.S. 2.

Se a revogação deste despacho revela que Rui eixeira decidiu mal neste caso, não revelará a confirmação dos restantes que o mesmo, nestes outros, decidiu bem ?

Ou as decisões da Relação que efectivamente conheceram de recursos (casos Paulo Pedroso e Carlos Cruz, por ex.) só são reveladoras de alguma coisa quando nos agradam e agradam àqueles de quem gostamos ?

P.

Aguarda-se a resposta de JAL, ou talvez não ...

Publicado por Manuel 17:54:00 0 comentários Links para este post  



Homenagem ao deputado desconhecido (II)

E aqui vão mais alguns dos nossos ilustres deputados da Nação que poucos conhecem, mas cujo trabalho árduo não passa desapercebido aos mais atentos...



Isménia Fraco (PSD/Aveiro)


Virgí­lio Costa (PSD/Braga)


Eduardo Rodrigues (PS/Lisboa)


Luí­s Miranda (PS/Beja)


Manuel Cambra (CDS/Aveiro)


Jerónimo de Sousa (PCP/Setúbal)

Publicado por Carlos 15:21:00 0 comentários Links para este post  



O Planeta dos Macacos

A entrada triunfal de um preso político na Assembleia da República fez-me chorar.

Parece que tinha regressado ao tempo em que os comboios que paravam em Santa Apolónia traziam nas carruagens homens que se bateram pela liberdade. Recordo-me de estar lá a esperar Álvaro Cunhal e Mário Soares, recordo-me ainda daquele aceno de Soares ao povo português que o esperava ansiosamente.

A História, por muito que os marxistas digam que não, repete-se: Paulo Pedroso, o preso político dos tempos modernos, saiu em liberdade, e entrou triunfal no Palácio dessa mesma liberdade: a Assembleia da República.




Entre encontrões, empurrões e «chega pra lá» dos jornalistas, o cidadão Paulo Pedroso dirigiu-se à Nação: «Quero saber toda a verdade sobre os crimes prescritos e não prescritos».

Interessante... Um homem que passou quatro meses na pildra quer saber toda a verdade sobre os "crimes prescritos e não prescritos".

Não aceito de que o espaço da Assembleia da República tenha sido instrumentalizado para uma manifestação de apoio a um militante partidário. Não faz sentido! A Câmara Municipal de Felgueiras também nunca foi, por isso não há drama.

Aliás, se recuarmos uns meses, Fátima Felgueiras, quando saiu do Tribunal, só não se dirigiu para a Câmara porque àquela hora estava tudo fechado em Felgueiras. São os custos da interioridade.

O que é preciso é sublinhar as palavras de Manuel Alegre: foi por ocasiões destas que ele, e outros, combateram pelo 25 de Abril, mas se repararmos o deputado socialista até invoca o 25 de Abril quando há cheias em Águeda. Adiante....

Espero ainda estar vivo para assistir à aterragem do avião da Varig que transportará Fátima Felgueiras para Portugal. Lá estarei, dando vivas a uma combatente pela liberdade e lá estarei na Sessão Solene do Parlamento para receber mais uma uma exilada política.

25 de Abril, SEMPRE !

Publicado por Carlos 13:56:00 0 comentários Links para este post  



A estratégia da Cenoura.

O Presidente da República é o garante das Instituições e do funcionamento do Sistema Democrático.

Depois das ambiguidades que permitiu acerca das possíveis interpretações do seu recente discurso em Braga, o mínimo que se lhe pedia, ontem e hoje, é que estivesse à altura dos acontecimentos e contribuisse para serenar os ânimos...



Jorge Sampaio pode ser amigo de Paulo Pedroso, mas acima disso é Presidente da República, e como tal bastava-lhe uma palavra ou a corroborar - ainda que de forma suave - Souto Moura ou a recordar o eufemismo supremo destes dias : "Que o Sistema está a funcionar e é preciso esperar até ao fim...". Sampaio nada disse e quem cala consente.

Ao ficar calado Jorge Sampaio mostrou de que fibra é feito. É a vida ...

Publicado por Manuel 11:50:00 0 comentários Links para este post