Boletim de Governação

O Desemprego

Os jornais anunciam hoje uma quebra no desemprego. Sinais da retoma dizem alguns, "Uma diminuição que reflecte já a viragem da economia", diz Carlos Tavares.

Os centros de emprego registaram 462 056 desemprgados no final de Abril de 2004, número inferior ao registado em Janeiro ( 464 450 ). O Desemprego desceu é um facto.

Se por um lado é um dado assumido que a descida do desemprego - menos 9003 desempregados registados - acontece pela primeira vez no ano de 2004, tal facto deve ser enaltecido, mas tendo em atenção que :

a) A descida de 1,9 % regista-se no número de desempregados e não na taxa de desemprego, que pode imagine-se ter aumentado, se as "estimativas" que o INE faz para evolução da população activa tiver subido mais de 9003 habitantes.

b) O facto de a região que mais contribuí para este décrescimo ser o Algarve, com menos de 15,3 % de desempregados registados. Tal indica que o Algarve começou em Abril a efectuar o anualmente faz. Contratos de 6 meses para a época de Verão.

c) No entanto o desemprego homológo subiu 9 %, o que revela que a economia ainda não estará propriamente no ponto da retoma esperada e que todos desejamos.

Ou seja, o número de desempregados efectivamente desceu, devido ao fenómeno do emprego sazonal que a região algarvia possuí. Poderão os mais regimentados com o Governo afirmar que tal sazonalidade só foi possível devido a retoma da economia, o que eu até aceito. Mas se assim for, em Outubro quando terminarem os contratos, e sendo certo que não serão renovados, a economia algarvia não terá capacidade de criar emprego para os agora "sazonalizados".

A retoma económica

Com o preço do petróleo a atingir os 35 dólares por barril, a agência internacional da energia adverte : A subida acentuada dos preços do petróleo vai provocar consequências nefastas no crescimento económico. Os países da zona euro, altamente dependentes das importações petrolíferas, irão sofrer, no curto prazo, o efeito directo desta subida, com o PIB a cair 0,5% e a inflação a subir 0,5% em 2004.

A Bomba(rdier) de Carmona

Talvez escaldado com o caso do túnel, o ministro não esconde nada e responde as perguntas todas ainda que isso coloque em causa outros colegas.

Carlos Tavares, ministro da Economia, dizia ontem no debate parlamentar "a trabalhar diariamente ao mais alto nível» para tentar reutilizar a capacidade produtiva da Bombardier, mas escusou-se a adiantar detalhes desse processo «para não destruir uma solução".

Carmona Rodrigues taxativamente afirmou " A CP e a EMEF podem assegurar a manutenção da fábrica da Bombardier, na Amadora. O Governo tem desenvolvido contactos com a Bombardier, através dos embaixadores portugueses no Canadá e na Alemanha, para encontrar uma solução que evite o encerramento da unidade no final deste mês".

Sintomática, esta falta de articulação e fuga de informação.

Publicado por António Duarte 11:09:00 0 comentários  



até às últimas consequências!

  "O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) deteve ontem Pierre Falcone quando este homem de negócios francês com um mandado de captura internacional pendente desembarcou no aeroporto da Portela, em Lisboa. Falcone acabaria por ser libertado a tempo de apanhar um voo para Londres, depois o incidente o ter levado a perder o avião em que devia viajar para a capital inglesa.

O incidente não foi comunicado às autoridades judiciais competentes, no caso o Ministério Público, a quem Falcone deveria ter sido apresentado pelo SEF, quando os elementos deste serviço constataram que era alvo de um mandado de captura internacional emitido por um juiz francês. Ao invés, por razões que o PÚBLICO não conseguiu apurar, apesar de ter contactado uma fonte oficial do SEF, Falcone não foi conduzido ao Tribunal da Relação de Lisboa para ser apresentado pelo MP a um desembargador."


A Grande Loja não acredita que esta acção do SEF tenha sido resultado de uma acto  isolado sem conhecimento de instâncias superiores. 

Exige-se
desde já um inquérito rigoroso e transparente e por uma vez não queremos acreditar que esta decisão "burocrática" tenha tido a ver com o GALPgate, a Sonangol e as ligações do Sr. Falcone ao Sr. Charles Pascua - figura grada na farsa "Oil for food"/GITE que temos estado a investigar...

Publicado por Manuel 06:44:00 0 comentários  



Ângelo Correia, esse mesmo, 24 horas depois...
ou como se pode ser muito sério mas mentir tão mal...

Petrolífera
Ângelo Correia admite financiamento da Caixa à Carlyle

O consórcio Luso-Oil liderado pela Carlyle admite vir a recorrer ao financiamento da Caixa Geral de Depósitos (CGD) se ganhar o concurso de venda de uma posição de até 47% da Galp Energia.

Em declarações ao Diário Económico, o porta-voz do consórcio, Ângelo Correia, esclarece que, apesar de ter «o problema resolvido em termos de financiamento e composição accionista», não afasta o cenário de envolvimento do banco estatal na operação enquanto financiador. Acrescenta ainda que a actual participação do banco é de mero consultor. A posição agora assumida vai, aliás, ao encontro do desejo da CGD. O banco público recusou um envolvimento accionista no consórcio e tem a montagem e financiamento da operação aprovado.


Não era de todo má ideia congelar esta palhaçada toda até que as coisas fossem um bocadinho mais transparentes.  Nem nos tempos de Pina Moura se viu tanta trapalhada e batê-lo era suposto ser mesmo difícil, senão impossível...

Publicado por Manuel 05:47:00 0 comentários  

A Grande Loja está em condições de informar que a condução do Processo "Apito Dourado" continuará onde sempre esteve, a norte. Os ecos causados pelo desgosto derivado desta decisão absolutamente sensata de Souto Moura, já se fazem ouvir urbi et orbi nomeadamente nos sectores do DCIAP mais apreciados pelo lobby de Macau e nos sectores da PJ afectos a Artur Pereira (Salvado não conta para o totobola). Em suma, as supresas vão continuar a acontecer e desfaz-se toda e qualquer dúvida que pudesse houver sobre a lisura como o primeiro round foi conduzido.

P.S. 1 A história da carochinha que o JN, de 6 de Maio, nos conta sobre o assunto acima é de ir à lágrimas, particularmente porque não há uma co-gestão do Ministério Público entre Souto Moura e Cândida Almeida, muito menos estes estão a par. O primeiro é superior hierárquico da segunda e ponto final.
P.S. 2 O timing escolhido por Cândida Almeida para botar faladura, vai esta quinta ser entrevistada no Canal 1 já que é para isso que  servem os amigos, não podia ser mais revelador sobre as motivações da personagem.  A vaidade sempre foi - nos outros - o meu pecado favorito.

Publicado por Manuel 23:53:00 0 comentários  

a Grande Loja tem novo email - Grande.Loja@gmail.com

Publicado por Manuel 20:38:00 0 comentários  

Limiano às Fatias

edição extra

Ainda
, e outra vez, a privatização da GALP

Na telenovela que rodeia a privatização da GALP o Público informa que no dia 25 de Abril, no programa "Contas de Cabeça", o presidente do grupo CGD, António de Sousa, afirmou à TSF que a participação da Caixa no caso GALP era de efectuar "a montagem financeira" e que a hipótese de ser accionista "não estava completamente esgotada". 

Mais tarde, fonte oficial da CGD negou que alguma vez tenha surgido a hipótese de pertencer ao núcleo accionista do consórcio, mas não recusou financiá-lo e aconselhá-lo; os outros concorrentes pediram a participação financeira da CGD, mas a Caixa recusou-se ou por "já ter sido contactada por" outro candidato, ou "por ter um contrato de exclusividade celebrado com o grupo Carlyle para ser financiadora e "adviser". A 30 de Abril, um comunicado já só referia que a CGD decidira, "há um mês atrás, consorciar-se com o BES no aconselhamento financeiro do grupo Carlyle (...), tendo vindo a recusar a sua participação nesses consórcios financeiros dados os compromissos já existentes" com a Carlyle.

Dois dias antes, em conferência de imprensa, o consórcio Luso-Oil divulgou um documento em que explicita contar com o "apoio financeiro ímpar" do BES/ Barclays, Citigroup, Royal Bank of Scotland e CGD. Um porta-voz do Ministério das Finanças confirmou, igualmente, a participação financeira da CGD no consórcio Carlyle. E recusou-se a comentar se a tutela da CGD fora ouvida ou tomara conhecimento da intenção da Caixa Geral de Depósitos de participar na operação (o regime jurídico do sector empresarial do Estado e das empresas públicas (decreto-lei 558/99), aponta para a necessidade de uma opinião da tutela. O decreto estabelece a obrigatoriedade de as entidades públicas responderem às orientações estratégicas traçadas pelo Governo e que compete ao ministro das Finanças "a verificação do cumprimento dessas orientações estratégicas". O Governo parece interpretar a lei no sentido de que não é estratégica a entrada da Caixa - principal instituição financeira nacional, detida pelo Estado - na operação de venda da Galpenergia, envolvendo a transferência de centros de decisão nacional de um sector estratégico nacional, nomeadamente quando a instituição pública escolheu um concorrente estrangeiro).

Ontem, Ângelo Correia veio dar uma novidade. A CGD não ia participar sequer como financiadora, mas apenas como "adviser", e o banco público ratificou esta opinião. A CGD remeteu para o comunicado em que se refere apenas ser "adviser". Mas, em resposta a questões do PÚBLICO, a Caixa deu o dito por não dito. E respondeu: "A CGD é 'adviser' e aceitou ser financiadora do consórcio Carlyle", mas que "desde o início que a CGD comunicou ao líder do sindicato bancário que não desejava entrar no capital", o que contraria o próprio António de Sousa. E que "desde o início que a administração da CGD admitiu ser financiadora das operação".

Ah, e ainda temos as declarações do responsável máximo da Carlyle na Europa ao último Expresso já aqui referenciadas e a entrevista de Mira Amaral ao Diário Económico esta segunda feira...

Tanta mentira e contradição já começa a feder, e a recusa da CGD em comunicar com os outros dois consórcios concorrentes só reforça uma de duas teses - ou o "concurso" é de facto uma palhaçada ou se é de facto um concurso o grupo Carlyle está numa posição de concorrência desleal com os outros concorrentes pois por artes mágicas bloqueou de facto o acesso destes à CGD...


porno chique




Piromanias

O ministro da Administração Interna mostrou-se hoje receoso quanto às capacidades do país para evitar situações gravosas na próxima época de fogos florestais, caso se combinem factores tão adversos como os que ocorreram no último Verão. Em suma vai continuar a descoordenação no SNB, a má gestão e distribuição de meios, etc, etc, etc. Os inquéritos e livros brancos não serviram para nada e agora, em Maio, é que Figueiredo Lopes garantiu que o Governo vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance no sentido de melhorar e prevenir... No mínimo, o homem tem muita lata.

Falhas de Comunicação

O director clínico do Hospital de Santarém disse à TSF que desconhece o plano de contingência, apresentado pelo ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, que pretende fazer face a eventuais ondas de calor, já a partir de 15 de Maio. 

António Pinto Correia, director do hospital de uma das cidades mais quentes no Verão, diz que só conhece o plano em causa pelos jornais.

No entanto, o Hospital de Santarém, já definiu algumas estratégias para enfrentar o calor do Verão de 2004, mas que não estão relacionadas com o plano apresentado por Luís Filipe Pereira...

informalidades

Com o refinado sentido de humor que se lhe reconhece o director dos Serviços de Informações Estratégicas de Defesa e Militares (SIEDM), Embaixador Caimoto Duarte, aceitou participar num debate moderado pelo porta-voz da Luso-Oil Ângelo Correia, onde aproveitou para dizer que defende uma única mega-secreta e que a cooperação existente entre os actuais serviços de informação é "apenas" informal. Tendo em conta que há não muito tempo foi criado um mecanismo para olear e institucionalizar a cooperação inter-serviços de informação estamos conversados...

já falta pouco ...

... para Santana Lopes incendiar o PSD e o Governo.

não digam a ninguém mas...

... as investigações sobre aquelas histórias que metiam tráfico de armas, Maçonaria, Casa do Sino, Jaguares e a Universiade Moderna no mesmo filme  ainda  não acabaram, longe disso. Quanto à Lusíada, a chave é africana.

Desespero

Num editorial no jornal electrónico da Nova Democracia Carlos Abreu Amorim ensaia uma nova linha de ataque ao PSD/PP e pisa terrenos perigosos...

"A dita Direita que está no poder enche a boca com a família e os seus valores. Arvoram-se em paladinos da moral e da virtude cristã – no entanto, é graças a uma proposta sua e ao seu voto na recente revisão constitucional que os homossexuais, os “gay” como gostam de se autodenominar, vão poder casar-se legalmente, bem como adoptar crianças. Não foi a esquerda parlamentar que sugeriu essa modificação constitucional mas os partidos da actual coligação que a apresentaram e possibilitaram a sua consagração na lei fundamental."

Com tão pouca tolerância depois indignam-se quando há menções de que são de extrema-direita ou ultra-...

Publicado por Manuel 19:04:00 0 comentários  



Próximo da perfeição

O FC Porto de José Mourinho já atingiu o brilhantismo em várias ocasiões (vitória na Grécia por 2-0, goleada à Lazio de 4-1, vitória sobre o Manchester e mais umas tantas lições) mas o êxito de ontem, na Corunha, terá sido o melhor exemplo de como uma táctica bem escolhida é decisiva num combate tão equilibrado como foi esta meia-final entre Corunha e FC Porto.



A Grande Loja, que não perde estes grandes momentos futebolísticos, traça aqui um conjunto de três ou quatro explicações para mais uma epopeia portista:

1- Uma concentração extrema de todos, mas todos, os jogadores, sem passes falhados de forma disparatada, ou faltas evitáveis

2- Um estudo aprofundado, e muito bem preparado, do Depor: da sua forma tão original de abordar o jogo, das suas pedras mais influentes e das possíveis alterações que Javier Irureta pudesse fazer ao longo do jogo

3- O regresso de Derlei aos grandes jogos. Quem ainda tivesse dúvidas, tirou-as ontem: a desaceleração do FC Porto nos últimos jogos para o campeonato não foi só poupança para a Champions: faltava mesmo poder de fogo ao dragão, sobretudo com um McCarthy tão apagado... há tanto tempo

4- O dedo de José Mourinho. Ache-se o que se achar do (ainda) treinador do FC Porto, quem acompanha o futebol há alguns anos sabe que Mourinho é um fenómeno. Tacticamente, a leitura que fez do jogo foi perfeita. Mais importante do que isso, acertou em cheio na aposta em Derlei (apesar dos quatro meses de paragem e das dúvidas de Irureta), na preocupação em reforçar o meio-campo com Pedro Mendes (Alenitchev teria tido muitas dificuldades num jogo tão rápido e combativo a meio-campo como foi este), na previsão das apostas de Irureta.

Publicado por André 19:03:00 0 comentários  



"Big Brother" à portuguesa.

"PJ quer aceder a tudo o que circula na Internet"

em Portugal o rídiculo não mata. É que a PJ já pode aceder a tudo o que circula na net. O que a PJ com o beneplácito de uma Ministra ignorante pretende é muito mais. Já existem mecanismos legais que permitem o wiretapping num espaço de tempo muito curto,como nas comunicações móveis e fixas, após a autorização de um juíz¸ de comunicações electrónicas e com o acompanhamento de magistrado do MP como manda a Lei. O que se pretende implementar é um esquema absolutamente repelente e coscuvilheiro de pré inquérito onde a PJ teria poderes absolutamente descricionários (imagine-se o que seria poder escutar telefones arbitrariamente ao saber dos interesses de algumas mentes iluminadas da PJ).

O elemento fundamental de qualquer investigação é o factor humano e a qualidade dos investigadores. Não é o acesso puro e simples (como demonstrou o flop das secretas americanas aquando do 11 de Setembro) a quantidades monstruosas de informação que resolve qualquer problema.

Uma dúvida assaltou de repente o meu espírito - O Núcleo de Assesoria Técnica da PGR existe ?

P.S. Ah, e há por aí umas alminhas que muito convenientemente até contra escutas perfeitamente legais são contra mas que sobre estas matérias nem uma letra ... É o que se chama indignação on-demand.

Publicado por Manuel 15:56:00 0 comentários  

D' Os Cordoeiros trascrevemos a seguinte prosa, que se subscreve na integra...

Abaixo a prisão preventiva

Carlos Cruz foi ontem libertado, ou melhor, mudou de gaiola – passou da prisão carcerária para a domiciliária, com mais conforto.
Por mim, acho muito bem. Se o processo me calhasse, há muito que o tinha solto, sem mais. Se é verdade que ele está (presumidamente) inocente, para quê prendê-lo? Não se prendem inocentes, mesmo presumidos.

Como diz Luigi Ferrajoli, em Diritto e Ragione. Teoria del Garantismo Penale, pp. 559-560, o princípio da jurisdicionalidade – ao exigir que ninguém seja culpado sem julgamento e, mais, que a acusação seja submetida a prova e a contestação – postula a presunção de inocência do arguido. Se a jurisdição é a actividade necessária para alcançar a prova de que alguém cometeu um crime, até que tal prova seja obtida através de um julgamento regular, nenhum crime pode considerar-se cometido, e nenhuma pessoa pode ser considerada culpada nem sujeita a pena até prova em contrário confirmada por sentença definitiva de condenação.
Por conseguinte, se existe a presunção de inocência até prova em contrário, a alcançar num julgamento, é uma violência prender quem quer que seja antes do julgamento e da condenação.

Por exemplo, os autores materiais do 11 de Setembro (os que morreram de encontro às torres) são presumidamente inocentes, porque ainda não foram julgados. E, como já não o podem ser, são mesmo eternamente inocentes ou, pelo menos, devem gozar dessa presunção até ao Juízo Final. E por aí fora.
No caso concreto, como ninguém ainda foi julgado, não se pode dizer, em bom rigor, que os putos da Casa Pia foram violados. Apenas comeram pastéis de Belém.
Eu penso assim. A não ser que essa história da presunção de inocência seja uma grande hipocrisia constitucional… E aí já teria que dar razão a um conceituado doutrinador moderno, Gandalf, ainda vivo, acolhido num lar blogosférico cujo nome não recordo, para quem não há presunções de inocência.


J. Erico

Publicado por Manuel 03:19:00 0 comentários  



Uma vista de encher os olhos



Porto de Baniyas na Síria.

Publicado por António Duarte 02:00:00 0 comentários  



"Oil for Food - United Nations scandal"

Como temos referenciado nesta Venerável Grande Loja, o escândalo "Oil for food" fala português, mas deixemos essa parte para um destes dias. Muito se têm falado sobre o escândalo, mas em Portugal, à boa maneira, muito pouco tem sido esclarecido sobre de facto o que se passou. A AL-Mada list não passará para muitos de nós uma qualquer lista de uma loja de conveniência iraquiana, quando na realidade revela 270 nomes que beneficiaram do petróleo de Saddam Hussein.

Não queremos tornar a Grande Loja do Queijo Limiano, num posto de abastecimento, mas nas investigações que temos feito detectamos algo que não podíamos deixar de revelar aos nossos sempre atentos leitores.

Durante o embargo das Nações Unidas ao Iraque, foi criado o programa "Oil for food" por forma e como o nome indica, a permitir a troca de alimentos por petróleo iraquiano. Esta medida visava que o Iraque não utilizasse as receitas do petróleo na aquisição de armamento. Mas pelos vistos não resultou. Durante o embargo todo o petróleo que era "legalmente" exportado pelo Iraque, saia via pipeline por Ceyhan, um porto turco no Mediterrâneo.

A empresa farmaceutica Alcon , com sede na Suiça, e uma subsidiária de nome Alcon Petroleum com sede no Liechenstein - das 4 empresas petrolíferas citadas, sediadas no Lienchenstein, já descobrimos duas - , terá alegadamente feito sair via Ceyhan cerca de 23 Milhões de barris de crude provenientes do Iraque. Na Al-Mada list, a mesma Alcon recebeu uma comissão de quase USD 2.500.000,00. Suficientemente grave para nos preocupar a todos, mas de facto, esta é apenas a primeira parte.

As Nações Unidas inocentemente não divulgam os participantes no programa "Oil for food" , mas depois permite que relatórios confidenciais circulem livremente pela Internet, onde rapidamente se constata que em troca do petróleo iraquiano, o regime de Saddam Hussein recebeu da ... Alcon (Alcon Chemicals) 44,600 BOTTLES ATROPINE SULFATE EYE DROPS e 96 AMPULES BOTULISM TRIVALENT ANTITOXIN 20 MILLIGRAM/INJECTION. Componentes utilizados no fabrico de armas biólogicas e gases afins...

Retiro-me por hoje sem quais comentários... Alguém falou em petróleo por alimentos ?

Nota : A dedução entre os componentes acima referidos e o seu eventual uso, encontra-se taxativamente referido da mesma forma na revista TIME.

Publicado por António Duarte 01:59:00 0 comentários  



um pouco de consequência se fazem favor...

Há imagens que valém por mil palavras. A saída de Carlos Cruz do EPL num bruto mercedes Classe S, pertença de um dos seus advogados, diz muito do estado da Justiça em Portugal. Quem pode, pode.

Entretanto, e depois da meteórica passagem pela blogosfera de José Bourbon Ribeiro, chefe de gabinete de Portas e o tal que se tivesse nascido iraquiano teria sido apoiante de Saddam, eis que chegou à blogosfera mais uma parelha de iluminados -  Paulo Pinto Mascarenhas e Vasco Rato. 

Tecnicamente, a primeira vítima destes justiceiros blogosféricos foi o Bloco de Esquerda mas, crueldade das crueldades, eles só acabam por provar que são iguaizinhos ao Bloco.

Imediatistas no raciocínio, maniqueístas na linguagem, tacticistas na práxis e absolutamente fixados em estourar com o adversário whatever it takes.  Não se lhes  vislumbra  um objectivo,  uma causa nobre, apenas o absoluto bota-abaixismo puro e duro remanescente da escola dos editoriais de Portas, enquanto jovem...

O patético ping-pong entre estes tristes e Daniel Oliveira apenas comprova a absoluta boçalidade dos extremos do nosso espectro partidário - existem em função do outro extremo.

No entanto, e para que não digam que não somos magnânimos, deixamos aqui um desafio a Daniel Oliveira e a Vasco Rato  (este último, pelo menos periodicamente ainda vai demonstrando momentos de lucidez enquanto que Paulo Pinto Mascarenhas não passa de um patetinha arrogante deslumbrado pelo poder, momentâneo, de que se julga instituido).

  • A Daniel Oliveira que prove que há consequência política por parte do BE e que a menção por Franscisco Louçã do affair GALP no Parlamento não foi apenas um acto isolado, um pretexto, para criar um facto político.

  • A Vasco Rato que explique que partes do affair GALP aprofundadas nesta Venerável Grande Loja são "insultuosas invenções"...
Uma excelente altura para ambos os extremos se deixarem de futilidades e provarem que não são e passam de meros produtos da política fast food...

Publicado por Manuel 23:52:00 0 comentários  


Publicado por Manuel 22:40:00 0 comentários  



detalhes...

Alguém é capaz de explicar porque razões é que a cada vez mais internacionalmente célebre, pelas piores razões, GALP precisou de se associar - via a Galp International Trading (GITE) -  na forma de cedência - paralegal, já que não comunicada ao mercado - de uma participação não negligenciável à GITE a uma enigmática "fundação", a  Lissarasso Stiftung, cujas virtualidades, segundo a entidade que a arquitectou são ...

"The great advantage of a correctly applied and professionally serviced foundation scheme is that even during his lifetime the assets can no longer be imputed to the client."

Em suma quem, e que interesses perversos, se esconde atrás da Lissarasso ?

N.A. Ainda não chegamos à fase de
dissertar bastante sobre o Mediterrâneo, nomeadamente a Síria e a Turquia...

Publicado por Manuel 19:30:00 0 comentários  

Para amenizar um pouco o ambiente, uma imagem vale por mil palavras.



Como se trata de ´atices, lad´ão que ouba a lad´ão , mesmo ético, tem pe´dão!

Publicado por josé 19:24:00  




Há um frio e um vácuo no ar
 
Há um frio e um vácuo no ar.
Stá sobre tudo a pairar,
Cinzento-preto, o luar. Luar triste de antemanhã
De outro dia e sua vã
Sperança e inútil afã. É como a morte de alguém 
Que era tudo que a alma tem

Fernando Pessoa



Publicado por Manuel 17:30:00 0 comentários  



a cruz dos outros...


Publicado por Manuel 15:43:00 0 comentários  



boletim clínico

Consta, em círculos governamentais, por aí que José Luís Arnaut além de "desaparecido" anda à beira de uma depressão. Antigos amigos de peito agora dizem que só o conhecem de vista e até já há que quem tenha pudor em falar com ele ao telefone, etc, etc, etc ... Porque será ?

Publicado por Manuel 23:49:00 0 comentários  



ora diga lá outra vez, senhor Major ....

«Dou a minha casa de brinde, avaliada para cima de 200 mil contos, se houver no processo escutas ou gravações que provem a deslocação de membros disciplinares da Liga a minha casa para negociar penalizações com dirigentes».

Publicado por Manuel 19:17:00 0 comentários  


Publicado por Manuel 18:35:00 0 comentários  



no se pasa nada

Ontem na sua homília dominical na TVI o Professor Marcelo dissertou longa e languidamente sobre a operação  "Apito Dourado", e que nos disse Marcelo ? tentou passar uma esponja no assunto afirmando que os "métodos" detectados, e tornados públicos  pela investigação, são raridades, resquícios do passado, de uma velha geração - presume-se que em vias de extinção. É óbvio que esta visão contextualizante das evidências é de uma inocência brutal já que tenta acantonar as coisas a um grupo restrito de personagens da era glaciar como Valentim, Ferreira Torres e outros. Marcelo sabe, toda a gente sabe, que o problema não é, nem nunca foi, geracional, é antes endémico e cultural e resulta de uma amoralidade cada vez mais reinante da qual ele - Marcelo, o sofista - é um dos expoentes.

Entretanto Durão Barroso irá manter a tutela "técnica" do dossier de privatização da Galp Energia nos ministros da Economia e das Finanças e a gestão política em Morais Sarmento. Ficamos a saber que a análise das propostas a concurso (e não a definição das regras do mesmo) além de uma componente técnica tem uma de "gestão política"... Não estratégica, política. Mas e pondo de parte, por momentos, a CGD (de onde ninguém corre nem Mira Amaral nem António de Sousa já que um dos dois, pelo menos, mentiu descaradamente ao longo deste processo) é normal o CEO da GALP, onde está com a anuência - e por indicação - do Estado, tomar descaradamente partido por um dos concorrentes ? Isto não seria uma violação das regras básicas de transparência se isto fosse de facto um concurso ?

Ah, o PCP, o PS e a Nova Democracia continuam calados que nem ratos e o Bloco parece ter ficado sem pilhas...

Enquanto que em Portugal para tentar abafar a coisa António Mexia continua a usar e abusar do enorme budget publicitário de que dispõe, no resto do mundo, a GALP International Trading Corp. (GITE) é motivo das mais graves acusações. A última aparece num, note-se, editorial do insuspeito e conceituado Washington Times onde se pode ler ...

"Among Saddam's oil customers after 1997 was a Liechenstein-based company called Galp International Trading Establishment. Galp chose as its legal representative in Liechenstein a company called Asat Trust — designated by the United States and the United Nations itself as a financier of al Qaeda through its ties with Al Taqwa — a multinational web of financial entities controlled by members of the Muslim Brotherhood (a parent organization of the terrorist group Hamas)."

Por cá, o assunto é tabú... resta saber até quando.

Publicado por Manuel 16:24:00 0 comentários  



pequenas mentiras entre "amigos"...

Mira Amaral

Energia
CGD abandona projecto de entrar como accionista na Galp Energia

António de Sousa manifestou intenção de a Caixa ter uma posição residual na petrolífera. Mira Amaral informou Carlyle da desistência.

O presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Mira Amaral, comunicou à Carlyle, na passada sexta-feira, que o banco estatal não será accionista da Galp Energia, contrariando assim as informações avançadas pelo consórcio liderado pelo fundo de investimento norte-americano.

Mira Amaral explicou, em declarações ao Diário Económico (DE), que convocou na passada sexta-feira «o conselho alargado de crédito e risco da CGD, onde foi decidido o não envolvimento do banco como accionista da petrolífera». Na sequência dessa decisão, o mesmo responsável esclareceu que «recebi o representante da Carlyle em Espanha, Pedro de Esteban, onde lhe comuniquei essa mesma decisão, que aliás estava já coordenada com António de Sousa».

O mesmo responsável esclareceu que «o envolvimento da Caixa Geral de Depósitos na Galp decorre de um compromisso assumido entre António de Sousa [presidente do conselho de administração da CGD] e Ricardo Salgado [presidente do Banco Espírito Santo] e limita-se à montagem e financiamento da operação desse consórcio». Um compromisso que consta de um memorando de entendimento assinado entre os ‘partners’ do consórcio e que obriga a CGD a actuar em regime de exclusividade.

Mira Amaral explica que este «foi um ‘dossier’ que herdei quando assumi a presidência da comissão executiva do banco [7 de Abril de 2004] e que vou obviamente respeitar». Além destas premissas assumidas por António de Sousa, fonte oficial do consórcio assegura que houve «uma manifestação informal de interesse por parte da CGD em posicionar-se novamente como accionista da Galp, embora com uma participação residual». Desejo que fica agora abandonado.

Fora de hipótese está mesmo um futuro envolvimento accionista do banco público. Mira Amaral admite que «não antevejo qualquer posição accionista da CGD na empresa» e descarta o cenário envolvendo eventuais direitos de preferência da CGD para a aquisição da posição da Carlyle.

Recorde-se que a presença deste fundo na petrolífera, apesar de ser considerada pela própria Carlyle como estratégica, será sempre temporária. Na proposta a entregar hoje à Parpública ficará prevista a possibilidade de a Carlyle alienar aos restantes accionistas nacionais, entre eles o Banco Espírito Santo, bem como à angolana Sonangol, a sua posição num horizonte futuro.

A Caixa Geral de Depósitos foi até há cerca de um mês um dos principais accionistas da Galp Energia com uma posição de cerca de 14%, tendo alienado a sua participação à Rede Eléctrica Nacional (REN), no âmbito de reestruturação do sector energético, por indicações do accionista Estado. Esta operação, que rendeu aos cofres da instituição financeira cerca de 322 milhões de euros, destinou-se ainda a impedir que a italiana Eni, até então parceira estratégica da Galp Energia, exercesse um eventual direito de opção de compra da petrolífera que lhe daria o acesso à maioria do capital.

Troca de acusações
A posição agora assumida por Mira Amaral foi mal recebida pelo consórcio liderado pela Carlyle. Fonte ligada a este candidato à compra da Galp, diz que a decisão da CGD em não participar como accionista foi vista como um conflito de interesses. São apontadas as anteriores ligações do presidente do executivo da CGD ao Banco BPI, enquanto administrador e representante desta instituição na administração da Unicer. Empresa que é presidida por Ferreira de Oliveira, antigo presidente da Petrogal, nomeado por Mira Amaral, enquanto ministro do Governo de Cavaco Silva, e que lidera juntamente com o BPI a proposta da Viacer, um dos principais concorrentes da Carlyle.

A troca de acusações sobe de tom à medida que o tempo escasseia. Recentemente, Ferreira de Oliveira lembrou que os grupos nacionais que estão na corrida à Galp – BES, Fundação Oriente, Amorim e Grupo José de Mello – integravam a Petrocontrol, que detinha 45% da Petrogal, os quais venderam a respectiva participação à Eni. Outra das criticas incide sobre as mais-valias realizadas de 525 milhões de euros pelos accionistas da Petrocontrol, que o então Governo isentou de imposto.

RAR desmente participação
O grupo RAR, dado como integrante do consórcio da Carlyle, veio a público desmentir qualquer participação na aliança do fundo de investimento norte-americano. «Esta participação tem sido sucessivamente negada pela RAR», lê-se num comunicado emitido pela ‘holding’ liderada por Nuno Macedo Silva, que assim se coloca de fora do lote dos interessados na operação Galp.


Traduzindo, à mesma hora em que Durão se indignava com Louçã no Parlamento ainda estava em aberto a CGD participar como comprador no consórcio liderado pelo Carlyle. Obviamente ninguém se demite.

Publicado por Manuel 01:52:00 0 comentários  



sob supeita

Esta farsa à volta da privatização da Galp anda a gerar as mais estranhas convergências...

Mas antes uma nota prévia - de um ponto de vista estratégico e económico podem haver milhares de razões absolutamente pertinentes para o consórcio liderado pelo grupo Carlyle ser a melhor opção para a Galp e o que melhor defende os interesses nacionais (é dúbio mas é defensável).

Agora o que não há é moral, e politicamente, qualquer razão que justifique um "concurso" que na prática é uma autêntica palhaçada já que muito antes de ser anunciado já se sabia quem ia ser o vencedor. Se o Governo queria o Carlyle que fizesse um ajuste directo e ponto final!

José Pacheco Pereira abruptamente interroga-se retóricamente ...

"E quanto a Louçã? Porque é que ninguém se lembra de lhe perguntar se, depois dos desmentidos da CGD e da ausência de provas que revelou para as suas graves acusações, não deveria tirar consequências e pedir, pelo menos, desculpa? Qual quê, o homem tem um estatuto especial, pode acusar todos de tudo, com a sua total arrogância moral, que ninguém se importa."

Na mesmissima (!) linha de Pacheco também Paulo Portas...

"... acusou Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, de usar a imunidade parlamentar como «uma forma de cobardia» para evitar provar as insinuações que fez no parlamento.

Falando num jantar convívio dos populares açorianos, sábado à noite em Angra do Heroísmo, Paulo Portas, que garantiu a sua «solidariedade a Durão Barroso», sustentou ser «inaceitável que radicais extremistas queiram incendiar a governação sem terem provas das suas acusações».

O ministro de Estado e da Defesa Nacional desafiou mesmo o deputado bloquista a retirar a sua imunidade parlamentar e provar, de facto, as acusações que proferiu."

Nós não gostamos do Louçã, somos insuspeitos de morrer de amores pelo Bloco e a que Portas goze na cara da plebe  já estamos  mais que habituados, mas em que planeta anda Pacheco ? Em Marte ?

Este sábado no Expresso podia ler-se ipsis verbis...

"Pedro de Estèban, responsável do grupo Carlyle para a Europa, afirmou que a Caixa Geral de Depósitos foi convidada a entrar no projecto como accionista. De início aceitou, mas posteriormente, mudou de opinião. "A CGD mostrou interesse em entrar no capital da GALP, mas, no último minuto, informou-nos que já não iria comprar acções da GALP, limitando-se a participar como financiadora."

Será que a CGD vai - agora -  desmentir o próprio Grupo Carlyle ?

Nós, ao contrário de Franscisco Louçã não somos deputados, não temos qualquer tipo de imunidade, por isso gostavamos que alguém nos explicasse em primeiro lugar se é normal um banco 100% detido pelo Estado ter sequer admitido intervir numa privatização como comprador - facto confirmado pelo número um do grupo Carlyle para a Europa...

Mais, e isto não é nenhuma ameaça, sobre que é que Carlucci, Durão Barroso e António Mexia conversaram num certo dia em que estiveram todos ao mesmo tempo no mesmo local ? Sobre o sexo dos anjos ?

E ainda a procissão vai no adro...

Publicado por Manuel 00:10:00 0 comentários  



"Domingo...é dia de Passeio dos Alegres"

A mensagem é curta. Afinal o "Apito Dourado" também se estende aos financiamentos partidários, aos sacos azuis ou blue bags como preferirem, tudo isto com a anuência - e a fazer fé nas palavras da juíza Ana Oliveira -  de Valentim Loureiro e Castro Neves. A Juíza vai mais longe e diz que não suspendeu o Major do cargo de presidente da câmara de Gondomar, porque apenas o Tribunal Administrativo têm competência para tal, mas e citando "os arguidos não podem não só falar sobre questões ligadas ao futebol, como também de natureza camarária".

Ou seja, num partido que não é uma máquina mas que têm emoções é tempo de acrescentar a estes sentimentos um pouco de discernimento, um pouco de virtude mas acima de tudo transparência.

Obviamente demita-se Senhor Major!

Publicado por António Duarte 15:37:00 0 comentários  

Vasco Pulido Valente
Responsabilidade

Há mais de um ano que Portugal fala sem parar da rede pedófila da Casa Pia. O caso atulhou a imprensa e as televisões, deu cabo do PS e empurrou para a sombra tudo o que verdadeiramente interessava o país. Temos vivido numa dieta forçada de pedofilia e estamos todos fartos de pedofilia. Mas nunca nessa longa história apareceu uma pergunta básica e, por assim dizer, obrigatória: quem eram os responsáveis políticos pela coisa? Afinal, sendo a Casa Pia uma instituição do Estado, tutelada por um ministério, há com certeza políticos que por negligência permitiram o abuso sistemático de crianças sob a sua guarda. A esses não se pediu seriamente contas, a pretexto de que não sabiam, ou se lhes podia pedir que soubessem, o que se passava. O Parlamento e os partidos não quiseram incomodar a sua gente. A opinião concordou. E agora esta cegueira volta à cena com o «Apito Dourado». Um exemplo. Até prova em contrário, a lei manda presumir a inocência de Valentim Loureiro. Muito bem. Só que nada, rigorosamente nada, justifica a ascensão desse major aos cargos que ocupava (e, em parte, ainda tranquilamente ocupa): conselheiro nacional do PSD, vice-presidente da Mesa do Congresso, presidente da Câmara de Gondomar, presidente da Junta Metropolitana e do Metropolitano do Porto. Mesmo com o Boavista e a Liga (que, em bom princípio, o deviam desqualificar para grandes voos), Valentim Loureiro precisou da cumplicidade e do apoio de várias direcções do seu partido para chegar onde chegou. Essas direcções, que o promoveram e usaram, são inteiramente responsáveis por ele e pelas suspeitas que sobre ele impendem. Fingir que não é uma descarada hipocrisia. A responsabilidade política existe e não deixa de existir quando convém. Esperemos que não se esqueça este facto simples, como foi esquecido na questão Casa Pia.


Publicado por Manuel 01:38:00 0 comentários  

Limiano às Fatias
Edição nº 5 - 01 de Maio de 2004

Editorial

Depois de durante muitos anos termos assistido a uma aparente calma , de pequenos e insignificantes escândalos que em pouco ou nada afectavam as classes dominantes ou eventualmente atingidas, o panorama mudou, e de que maneira em Portugal. Sinais dos tempos ou apenas o reflexo de uma sociedade democrática onde a corrupção e o tráfico de influências são vírus que se propagam à velocidade da luz.

Primeiro foi o mediático Caso da Casa Pia, que envolvendo personalidades de nome e responsabilidade, atirou para as primeiras páginas constantes desenvolvimentos e investigações dos jornais. Tudo começou as declarações inocentes sobre uma universidade privada e que rapidamente se tornou num escândalo com dimensões internacionais. Depois da suja Bélgica de Marc Dutroux, chegou a vez de Portugal conhecer aquilo que todos já sabiam que existia , mas que quase todos tinham medo. Rapidamente os advogados mais famosos deste país foram contratados para defender, as vítimas – indiciados de pedofilia – dos ataques de difamação de que eram vitímas das crianças manipuladas.

Depois, veio o escandâlo Apito Dourado. Aquilo que a princípio parecia ser um “simples” caso de corrupção no futebol, para aparente benefício de um clubezeco de segunda linha nacional, rapidamente se está a transformar numa verdadeira teia de favorecimentos políticos a empresas e consórcios, envolvendo todos no mesmo ramalhete.

Ao ser tornado público que afinal o Major também terá usado da sua importância no consórcio do Metro do Porto, beneficiando em 23 Milhões de Contos a NorMetro, surge o alegado envolvimento da Câmara Municipal da Figueira da Foz (ainda com Pedro Santana Lopes como presidente) e o Grupo Amorim  (Valentim Loureiro foi representante no negócio) ao apresentarem uma mais-valia em apenas 24 horas, de um valor superior a 1 milhão de euros num negócio tripartido. Com as escutas apensas ao processo de instrução, foi pública a história das fábricas de conserva, das ligações do programa PER a Gondomar, e as preocupações do Major em contactar Arnaut para sossegar Durão Barroso.

Depois e talvez não contentes, são as sequelas do caso Felgueiras, com a empresa RESIN, afinal a estar envolvida em mais autarquias , ridiculamente da mesma forma que estava em Felgueiras. Não sabemos se mais autarquas vão desertar, mas sabemos que provavelmente mais câmaras vão arder, da direita à esquerda.

Ainda não satisfeitos, as perigosas ligações que a Inspecção Geral de Finanças detectou entre o Futebol Clube do Porto, a autarquia do Porto, na cedência dos terrenos do futuro estádio do Dragão. Rui Rio sempre afirmou que havia ilegalidades e teve metade da cidade contra ele, por estar a prejudicar o clube . Como é possível que uma cidade prefira que se beneficie um clube em prol de um país. Agora sabe-se que Nuno Cardoso já teve a visita dos novos cobradores do fraque – Polícia Judiciária – e que o Fernando Gomes já disse que o negócio é da responsabilidade de Nuno Cardoso, pois ele de nada sabia.

Mas e para terminar em beleza, o aparente processo de corrupção nas escolas de condução da Tábua , tem apenso ao processo várias escutas telefónicas, que entre outras coisas constam coisas como “Virgilio Sobral de Sousa pergunta pela nossa vida a António Preto, ao que este responde que o nosso amigo Carmona Rodrigues disse para estarmos sossegados” ...

A justiça ainda não deu provas de funcionar em Portugal, mas a investigação marca pontos atrás de pontos, e não fossem algumas bocas soltas que vindas de directores, ou coordenadoras nacionais, que parecem mais encomendadas para espantar a caça do que para informar , então os resultados seriam certamente de outra nomeada.

Mas, os portugueses que estejam tranquilos, pois quando o verdadeiro escândalo que toda a imprensa internacional cita, envolvendo uma empresa portuguesa de petróleo através de uma subsidiária sua com sede no Liechenstein rebentar cá dentro, então aí, teremos o verdadeiro terramoto que alguns falam mas poucos sabem medir a escala.

Para já dormimos todos embalados pela música que toca no rádio.


Alargamento Europeu - Novos Desafios

É oficial, a União Europeia passa a ter 25 países, cerca de 500 milhões de habitantes, e mais uns problemas acrescidos para resolver. Para começar o problema de Chipre, que adere a União Europeia apenas atráves da metade sul da Ilha, deixando a parte norte com os turcos de fora, depois o impasse eterno que os balcãs sempre vêm adiando, a União herda 10 novos países , 8 deles que a segunda guerra mundial deixou do lado errado da cortina de ferro.

O maior bloco comercial a partir de hoje, constrasta com o fraco ritmo de crescimento das economias em comparação com o vigor da america, o envelhecimento da população anteve uma crise nos sistemas de segurança social, e o distanciamento das emergentes economias asiáticas que podem constituir uma ameaça ao crescimento económico europeu.

Sem dúvida que se vive hoje um dia histórico, onde os caminhos conciliadores de paz, liberdade e vigor económico podem encontrar um marco comum. Mas o mundo depois de 11 de Setembro mudou, a segurança e os riscos são autênticos multiplicadores de anseios e convicções, a à parte do alargamento, que todos saúdamos, existem inúmeros riscos.

O primeiro surge da perda de homegeneidade do espaço europeu. Os novos países trazem de facto sangue novo a União, uma cultura muito própria, e grandes divergências nos aspectos económicos. Estará a União preparada para enfrentar autênticas vagas de migração dentro do espaço comunitário ? Mesmo os indicadores económicos que aparentemente apresentam crescimentos económicos superiores a média comunitária estão largamente empolados pelos mecanismos de pré-adesão que a União disponibilzou- cerca de 750 Milhões de Euros - e contrabalanceados pelos défices de 12,6 % da República Checa ou as elevadas taxas de desemprego nos países PECO ( Países Europa Central e Oriental ) que aderiram hoje. Com tudo isto é de esperar consequências nos orçamentos comunitários e aumento das quotas dos seus financiadores – países – que poderão não ver com bons olhos o aumento do seu “dízimo" .

Segundo a Comissão, os custos resultantes do alargamento serão financiados através de algumas economias ao nível das políticas da União, em especial da política de estruturas (10,1 Milhões de Euros), o que não deixará de ter reflexos na coesão económica e social, podendo passar a ideia de que o alargamento se está a fazer à custa dos países menos desenvolvidos, entre os quais Portugal. Para além disso, será necessário um aumento dos recursos próprios comunitários de modo a permitir a cobertura dos cerca de 70 Milhões de Euros restantes. Como os recursos próprios tradicionais são relativamente rígidos e constituem uma pequena parcela dos recursos próprios totais, estes custos acabarão, necessariamente, por ser financiados pelos recursos IVA e PNB, o que exigirá um esforço financeiro dos Estados membros proporcional à sua riqueza relativa.

Ainda que todos nos envaideçamos, os desafios são de facto enormes para a Europa, mas também para Portugal. Recordando os tempos que marcaram a nossa adesão, os desafios da altura não foram de facto concretizados, e se por um lado se abrem hoje novas janelas de oportunidades, por outro lado Portugal poderá ter perdido a sua vez, tudo dependendo da forma como se relacionar com os novos países, mas sobretudo da decisão do caminho que quiser percorrer na sequência da estratégia de Lisboa, reforçando a sua credibilidade externa, afirmando-nos como parceiros credíveis e cooperativos.

Ainda a Bombardier

Depois de todo o escândalo que envolveu a Bombardier, soube-se agora, que na câmara municipal da Amadora, existe um plano de urbanização , permitindo a construção em altura nos terrenos ainda ocupados pela Bombardier, datado de 2002. Ou seja já em 2002 que o municipio da Amadora sabia que poderia existir ali qualquer coisa - deslocalização da empresa - .

Estranho são as críticas do socialista Joaquim Raposo, à actuação do Governo na resolução do caso Bombardier, quando ele se preparou há dois anos para efectuar alterações ao PDM da Amadora, permitindo assim a construção. O estudo de urbanização para a zona existe desde 2002. O seu promotor é a Câmara Muncipal da Amadora. O seu presidente Joaquim Raposo.


10 anos depois

Faz hoje precisamente dez anos que o Ayrton Senna da Silva nos deixou. Um dos melhores gigantes que a fórmula 1 já conheçeu. Dez anos, como o tempo passa, mas gratificante saber que as memórias ficam.

Frases da Semana

"Portugal deixa de estar na cauda da Europa"
João de Deus Pinheiro, cabeça de lista pela coligação PSD/PP ao Parlamento Europeu, respondendo depois de mais um birdie, qual seria a principal consequência para Portugal. De entre tanta coisa para dizer, Deus Pinheiro, escolheu o mais óbvio. Os eleitores costumam ser mais selectivos.


"Estou triste mandamos a soberania para o cesto dos pápeis "
Manuel Monteiro, líder da Nova Democracia. Caso Manuel Monteiro não se tenha apercebido, mandamos a " soberania " para os pápeis quando assinamos Maastricht e ratificamos Amesterdão, era o senhor deputado do partido hoje na coligação. Não foi hoje Drº, foi em 1996.


Sugestões de Fim de Semana

Nada como à beira do Europeu exercitar os nosso dotes de futebolista. Aqui . Bons Golos !!!

Publicado por António Duarte 20:41:00 0 comentários  



"Política Pop"

Com fúria e raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra


Sophia de Mello Breyner Andresen

Publicado por Gomez 18:47:00 0 comentários  

Fireworks explode over St. Vitus cathedral at Prague Castle to mark the European Union's enlargement at midnight, Saturday, May 1, 2004, when the Czech Republic together with nine other countries, joined the EU. (AP Photo/CTK, Jan Trestik)

Fireworks explode over St. Vitus cathedral at Prague Castle to mark the European Union (news - web sites)'s enlargement at midnight, Saturday, May 1, 2004, when the Czech Republic together with nine other countries, joined the EU. (AP Photo/CTK, Jan Trestik)

Publicado por Manuel 16:44:00 0 comentários  



as coisas pelos nomes...

A Nova Justiça
Por EDUARDO DÂMASO
Sábado, 01 de Maio de 2004

Procurando superar os evidentes embaraços que o caso "Apito Dourado" veio criar ao Governo e ao PSD, Durão Barroso tem oscilado entre o silêncio ruidoso e comentários de circunstância sobre uma espécie de nova justiça, que não olha a nome nem condição social e política dos arguidos, e que, supõe-se, terá nascido com o seu Governo.

Não há nenhuma nova justiça criada por este Governo mas, no quadro da luta política, é compreensível que Durão Barroso o insinue porque, na verdade, tem muito pouco a dizer sobre processos judiciais, tendo em conta a separação de poderes consagrada constitucionalmente.

As suas palavras configuram meramente à superfície da conflitualidade partidária uma débil tentativa de apropriação política do facto de meramente existirem investigações judiciais sobre eventuais crimes de corrupção, tráfico de influências, abuso de poder, peculato, nas esferas políticas e económicas mas isso é o que há muito se tornou habitual esperar dos dirigentes políticos, seja qual for o partido que está no poder.

Nestes casos desencadeados pelo "Apito Dourado" e, agora, pela acusação do processo de Felgueiras, as novidades, como já aqui se disse em relação aos dois inquéritos, são outras. A mais grave, no imediato, tem sido o lamentável espectáculo dado por sectores da Polícia Judiciária, incluindo o seu director nacional, e do Ministério Público, que exibem em surdina ou através de outras vozes, a raiva quase incontida de estes serem processos que lhes passaram praticamente à margem, ou seja, não foram por eles controlados.

O processo de Felgueiras, aliás, é um verdadeiro caso de estudo, tal como o "Apito Dourado" ameaça ser. O "saco azul" foi investigado quase contra tudo e contra todos. Com escassos meios humanos e periciais, desbloqueados a ferros, este inquérito só foi mesmo investigado porque andou sempre bem longe de todo o tipo de hierarquias policiais e judiciais. O "Apito Dourado" resultou da plena autonomia da Polícia Judiciária do Porto e só faltava mesmo era que agora viessem dizer que, afinal, só estragou um "processo maior", certamente mergulhado há uns bons anos na opacidade, no mistério, no cinzentismo dos muitos depósitos deste país para processos que aguardam prescrição... Só faltava, também, que os magistrados e os polícias que nele trabalham levassem agora uns processos disciplinares por não terem avisado ao que iam na execução dos mandados de busca e detenção. Em Portugal é assim: quem trabalha só incomoda...

A outra novidade importante é para Durão Barroso. Tal como Cavaco Silva e António Guterres, o actual líder do PSD e primeiro-ministro está confrontado com os tradicionais problemas que os aparelhos partidários colocam: financiamentos de duvidosa legalidade (para sermos generosos...), ligações promíscuas ao futebol e aos empreiteiros, adjudicações de obras públicas "a la carte", cunhas, favores, jeitinhos e toda a espécie de "facilidades" que o Estado concede a quem o domina. É a vida. E é má para todo o líder que se limite a receber o partido em herança e não mude as regras internas de poder e financiamento, que não se desligue das muitas formas de caciquismo que o dominam e da voracidade de poder e benesses dos seus homens. Enquanto assim for, ninguém resistirá a 15 mil horas de escutas telefónicas, e será sempre necessário dizer que um partido não é uma máquina e tem os seus afectos... Topo de Página

Celeste Cardona ainda é Ministra da Justiça,  Adelino Salvado e Artur Pereira ainda continuam na PJ e Cândida Almeida ainda paira pelas bandas do DCIAP. Barroso, Arnaut, Ferro, Sócrates e Coelho, e muitos outros ainda continuam a fingir que não se passa nada. Vai passar e, já se começa a ter uma ideia de quando...

Publicado por Manuel 15:07:00 0 comentários  



e dizem que ele não está em forma...

Vasco Pulido Valente
'Pop star'

O dr. Santana Lopes não é bem um político, é uma pop star. Sem o seu Sporting, sem a televisão, sem o 24 Horas, sem a imprensa dos «famosos», sem uma vida imensamente pública, o dr. Santana Lopes não seria essa personagem tão querida ao coração da plebe democrática. Como disse um admirador, Rolo Duarte, ele pertence à era do marketing, do soundbyte e do reality show. A sua carreira sempre foi, de facto, um reality show. No PSD, por exemplo, «animava» os Congressos, que sem ele, não teriam espécie de «audiência»: e toda a gente lhe agradecia o número. Mesmo, nos seus grandes momentos, não se conseguiu nunca distinguir a substância do espectáculo, porque, na verdade, não havia diferença. Por causa disso o dr. Cavaco não o fez ministro. Mas também por causa disso Rolo Duarte o adora e o acha um «gajo como nós», um irmão concorrente do Big Brother português. Só que uma pop star tem uma exigência essencial: o melodrama. Um Santana Lopes calado, gerindo em sossego a Câmara de Lisboa, não existe. Para existir, o Santana Lopes genuíno precisa de estar continuamente em cena e, de certa maneira, em perigo. Precisa de uma candidatura à Presidência da República, que surpreenda, confunda, irrite, crie polémica ou suspense ou inimigos. E de obras clamorosas, que agitem e perturbem a cidade: um túnel impensável, um Parque Mayer de fantasia, uma coisa qualquer protuberante. Agora parece que lhe arranjaram (ou ele arranjou) um sarilho com o túnel. Melhor. A candidatura a Belém anda sobre o murcho. A SIC já não lhe dá tempo de antena. Excepto no 24 Horas, ele ia a pouco e pouco entrando numa perigosa meia sombra e uma pop star não se pode esvair assim. O embargo do túnel é a salvação. Santana Lopes, no seu papel de vítima, vai com certeza refulgir. Lisboa que se lixe.

Publicado por Manuel 02:05:00 0 comentários