"If you don't take a job as a prostitute, we can stop your benefits'"

Vem no insuspeito e sóbrio The Guardian...

A 25-year-old waitress who turned down a job providing "sexual services'' at a brothel in Berlin faces possible cuts to her unemployment benefit under laws introduced this year.

Prostitution was legalised in Germany just over two years ago and brothel owners – who must pay tax and employee health insurance – were granted access to official databases of jobseekers.

The waitress, an unemployed information technology professional, had said that she was willing to work in a bar at night and had worked in a cafe.

She received a letter from the job centre telling her that an employer was interested in her "profile'' and that she should ring them. Only on doing so did the woman, who has not been identified for legal reasons, realise that she was calling a brothel.

Under Germany's welfare reforms, any woman under 55 who has been out of work for more than a year can be forced to take an available job – including in the sex industry – or lose her unemployment benefit. Last month German unemployment rose for the 11th consecutive month to 4.5 million, taking the number out of work to its highest since reunification in 1990.

The government had considered making brothels an exception on moral grounds, but decided that it would be too difficult to distinguish them from bars. As a result, job centres must treat employers looking for a prostitute in the same way as those looking for a dental nurse.

When the waitress looked into suing the job centre, she found out that it had not broken the law. Job centres that refuse to penalise people who turn down a job by cutting their benefits face legal action from the potential employer.

"There is now nothing in the law to stop women from being sent into the sex industry," said Merchthild Garweg, a lawyer from Hamburg who specialises in such cases. "The new regulations say that working in the sex industry is not immoral any more, and so jobs cannot be turned down without a risk to benefits." (...)

É, obviamente, um caso extremo, barroco, e pode-se alegar que por cá nunca acontecerá disto, uma mulher arriscar-se a ficar sem subsídio de desemprego por... recusar um emprego como call girl, mas esta visão crua, geométrica e pragmática, chamemos-lhe assim, do mundo dá que pensar. É, tão só é bom recordar, uma visão tecnocrata.

Publicado por Manuel 21:50:00 2 comentários Links para este post  



Memorable Moments of last 10 years in Portugal (I)

A decisão de congelar o preço dos combustíveis pelo governo do Partido Socialista, gerou alguma apreensão nos revendedores, e alegria nos consumidores.

Ao melhor estilo, Pina Moura decidiu, em plena fase de avaliação da escolha de um parceiro estratégico para a Galp Energia - viriam a ser escolhidos os italianos da ENI - , congelar o preço ao consumidor, "obrigando" o Estado a ajustar a percentagem de incidência do imposto sobre sobre produtos petrolíferos, por forma a colmatar o diferencial entre preços internacionais e preço ao consumo.

O custo da medida, foi de uns míseros 370 Milhões de Euros, que o Estado deixou de arrecadar directamente em imposto sobre produtos petrolíferos.

Se aos 370 Milhões de Euros de imposto sobre produtos petrolíferos a menos cobrados entre 1999 e 2000, se juntarem os 125 Milhões de Euros de isenção concedidos a título gracioso pelo Engº Guterres à Petrocontrol de Diogo Freitas do Amaral, pelas mais valias geradas com a alienação da participação da Galp à ENI, temos um dos 10 melhores momentos de política em Portugal nos últimos 10 anos...

No ano de 2000, o Partido Socialista no Governo deixou de arrecadar 495 Milhões de Euros para os cofres do Estado, por única e exclusiva responsabilidade das suas políticas e seus princípios de responsabilidade governativa.

Publicado por António Duarte 18:27:00 4 comentários Links para este post  



Hoje em Cascais, um governo em gestão

Vai ser bom para a restauração, para a hotelaria, para a marina e para as queijadas de Sintra. Porque é que a restauração, a hotelaria, a marina e a fábrica das queijadas não pagaram a factura? Porque é que não imitaram o Casino do Estoril que promove por lá espectáculos com o fito de atrair público para as slot machines, por exemplo?

Afinal se o investimento é bom para tanta gente e em particular para o tecido empresaria local de Cascais-Lisboa deveriamos ter uma, duas ou três associações de empresários a promover a iniciativa. De que estou a falar?

Nem sei bem meus amigos, sei é que ouvi que hoje em Cascais voaram mais 16 milhões de euros do erário público para o binómio "desporto-turismo". Vai tudo fazer vela para a baia de Cascais.

Setenta e cinco por cento dos atletas olímpicos estarão lá.

É a crise. É o défice. É o estímulo às actividades produtivas mais necessitadas de mama.

A conjuntura que se lixe.

Publicado por Rui MCB 18:00:00 0 comentários Links para este post  



Seca Extrema

Quando em Outubro, do ano de 2004, o ministro do ambiente Luís Nobre Guedes, veio a público afirmar que poderia faltar a água no Algarve na época de veraneio em 2005, logo foi crucificado, pelos empresários hoteleiros (?), pelos políticos algarvios e até por Sua Eminência Macário Correira, ex-ambientalista, hoje presidente da autarquia de Tavira, onde assina despachos de construção em plena Ria Formosa... adiante.

Hoje, quando as previsões dão seca extrema na região do Algarve, os mesmos que há 3 meses, diziam que o ministro estava a assumir uma postura catastrófica perante a região, e inclusive a fomentar a má publicidade da região no mercado inglês e alemão - o tal mercado que se abastece nos supermercados, tal a qualidade de turismo que os abomináveis empresários criaram - , dizem hoje que era impossível de prever que não chovesse de outubro até hoje, e imagine-se preparam-se para pedir fundos para impedir a calamidade.

Ora, pode-se não gostar de Nobre Guedes. Ele até pode ou não violado as regras na Arrábida, mas quanto ao Algarve deu uma verdadeira bofetada de luva branca a todos os parasitas da região. Utilizou a cabeça num momento de lucidez, e pensou... a longo prazo. Colocou a hipótese de não chover e pensou.

Ora, basta percorrer meio Algarve e perceber, que Macários, Vitorinos, Manueis da Luz e afins, fazem tudo desde rotundas a hóteis em cima da falésia, mas recusam-se liminarmente a pensar. Desconhece-se se tal se deve ao calor marroquino que bloqueia os neurónios, ou se por pura e manifesta incapacidade para tal... pensar entenda-se.

Hoje, as barragens estão a 14% (Arade). Se em Outubro se tivesse iniciado um plano de pré-contigência de abastecimento de água - cortando a água selectivamente por concelhos em determinados períodos nocturnos e diurnos- e acima de tudo alertando a população para o problema, incitando esta a consumir de forma mais racional a água, hoje a barragem do Arade teria entre 22% e 28 % da sua capacidade.

Mas não. O que é importante é a Fashionalgarve e o HermanSic na Penina. Primeiro cantaram... no verão haverão de dançar...

Nota : As autarquias do Algarve deram o seu aval e apoiaram a construção do autodrómo do Algarve em Portimão. A cerca de 15 kilometros de distância, está bloqueada a construção da barragem de Odelouca por questões ambientais, que motivou a Comissão Europeia a cancelar os fundos comunitários. As autarquias nunca moverão um linha para desbloquear a situação.

Publicado por António Duarte 13:45:00 0 comentários Links para este post  



Mas isto é por eu ser um provocador perverso

Esta exposição em Berlim é um exemplo de como podem acabar mal alguns casamentos com a arte. É que estetizar o mal não deixa de ser uma forma, mesmo que indirecta, de se fazer a sua apologia. Mas o melhor exemplo ainda continua a ser o grande filme - Salò o le centoventi giornate di Sodoma de Pier Paolo Pasolini. É que à custa da denúncia do fascismo, estetizando-o até ao limite, pode conduzir a que se conclua também que este era profundamente belo.

Publicado por contra-baixo 13:07:00 3 comentários Links para este post  



Inquérito de Conjuntura ao Investimento - Resultados do Questionário de Outubro de 2004

Taxa de variação do investimento empresarial para 2004 revista em baixa


Os resultados do Inquérito ao Investimento de Outubro de 2004 revelam uma deterioração das intenções de investimento para 2004, face ao previsto no primeiro semestre do mesmo ano. As estimativas apontam para que em 2004 ocorra uma quebra da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) empresarial de 0,6%, uma taxa que representa uma revisão negativa face aos resultados do Inquérito de Abril/Julho de 2004 (5,6%).

Quanto ao investimento previsto para 2005, a primeira estimativa agora recolhida indicia um aumento do investimento na ordem dos 6,2% face ao valor apurado para 2004.

in INE (destaque completo aqui)

Publicado por Rui MCB 11:13:00 1 comentários Links para este post  



e não se pode votar nela ?...


Publicado por Manuel 5:29:00 1 comentários Links para este post  



A pronúncia do norte

(...) Há pelo menos uma coisa positiva que se pode fazer: ter as quotas em dia. Vai ser preciso. (...)

in Abrupto


Publicado por Rui MCB 2:12:00 0 comentários Links para este post  



Tónico

Ouvir e ver hoje António Vitorino em entrevista à 2: (Público + Rádio Renascença) não pode deixar de ser um contraponto. Um contraponto a muitas coisas ruins e medíocres que por aí andam. Ainda há Políticos na política! Aleluia!

O senhor, a sua conduta, a forma como se nos dirige por via dos jornalistas deveria ser a regra e não a excepção. Ninguém poderá deixar de dizer que Vitorino é um político na acepção mais clássica do termo, e ninguém poderá deixar de comprovar que é um político tecnicamente bem informado em muitas matérias. Nas áreas que melhor conheço (economia) convenceu-me. Não me convenceu de possuir poderes místicos mas convidou-me a partilhar da sua razão e do caminho que levará para ajustar as políticas de governação às condições que viermos a ter.

Foi até engraçado ver a dada altura a cautela dos jornalistas em exporem perguntas. Políticos deste gabarito exigem jornalistas muito bem informados. O risco de levarem um baile e serem polidamente corridos com evidente rótulo de "ignorantes" agrava-se quando têm, por exemplo, António Vitorino pela frente.

Será Vitorino um tecnocrata? Felizmente, é acima de tudo um avaliador arguto da realidade. Um concidadão que de facto consegue dar valor acrescentado a quem o ouve ainda que nos fale exactamente como político. Por enquanto, nada mais me resta do que espantar-me com a excepção, ter esperança que haja por aí uma fornada de Antónios Vitorinos um pouco por todos os partidos e recordar-me a cada momento de desilusão que a sua presença e papel no delinear do projecto de legislatura do PS são uma mais valia poderosa para contrabalançar uma boa dose de engulhos que ainda haja para engolir. Afinal de contas, votar no PS é também votar em António Vitorino. Melhor campanha do que esta não deverão encontrar por aqui até 20 de Fevereiro...

(.)

P.S.: Parece que estou largamente em sintonia com o Manuel. O post já estava escrito, fica aqui em jeito de declaração de voto. Além de simpatizante continuarei a ser eleitor do PS nas próximas legislativas.

Publicado por Rui MCB 1:59:00 0 comentários Links para este post  

O resumo sai amanhã no Público. António Vitorino passeou na 2:. Concorde-se ou não com o que diz, e o discurso não deixa de ser intrinsecamente socialista ainda que com toques de verdadeira e genuína social-democracia, António Vitorino é tudo aquilo que Sócrates e Santana não são. Credível, fluente e consistente em matérias diversas e, sobretudo, político. Ouve-se o homem, e ouve-se um político. Em estado puro, destilado e sem intrigas e ruídos. É raro. Se o quiser, e se Sócrates tiver um dedo de testa, o antigo comissário Europeu será tudo no próximo Governo. É verdade que uma andorinha nunca fez a Primavera, e é também verdade que as companhias são as que são, mas se o programa do PS é apesar de tudo tragável, passem as recorrentes derivas populistas do Eng. Sócrates, isso também se deve a António Vitorino. Daria concerteza um excelente ministro da Justiça, e vice-primeiro-ministro, que me perdoem os do sistema conformados com uma alegada inevitabilidade chamada Alberto Costa.

Publicado por Manuel 23:31:00 3 comentários Links para este post  



A esquerda moderna

Na revista Sábado - cada vez melhor- o início da colaboração do grande Miguel Esteves Cardoso, deu-se com uma magnífica entrevista a Francisco Louçã.

Algumas passagens...

MEC - O BE continua a ser revolucionário?
Francisco Louçã- O BE é um movimento socialista. Desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa.

MEC - Pretende alterar o modelo de sociedade?
FL - Sim. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais.E isso é inaceitável. Uma coisa é que meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados e vividos em igualdade de oportunidades pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado.

No sábado, Jerónimo de Sousa, dizia ao Expresso...

Expresso - O marxismo-leninismo pode explicar o mundo do séc.XXI?
Jerónimo de Sousa - A luta de classes continua a ser a grande questão da nossa época, perante a miséria, a fome, a ofensiva a direitos que pareciam perenes. Marx e Lenine têm uma grande actualidade.

Expresso - O PCP continua a ter o objectivo de construir uma sociedade socialista. Qual o modelo, a URSS?
Jerónimo de Sousa - É muito difícil encontrar um projecto de socialismo que seja igual a qualquer outro. (…) Defendemos uma democracia avançada no limiar do séc. XXI, que tem como pressuposto a construção do socialismo e onde as eleições e a democracia são intrínsecas. Na economia, defendemos a coexistência dos sectores públicos, privado e cooperativo.

Expresso
- Esse modelo já é em si uma sociedade socialista?
Jerónimo de Sousa - É um modelo de democracia avançada.

Expresso - O socialismo é algo que ainda está depois?
Jerónimo de Sousa - Naturalmente. Não abdicamos desse horizonte.

Expresso - Como o seu camarada Domingos Abrantes, também pensa que a queda da URSS foi “uma enorme tragédia para o mundo”?
Jerónimo de Sousa - E foi. E foi. No seguinte sentido: o imperialismo, sem ter o contraponto das forças progressistas, sem ter o freio nos dentes, está a procurar implementar à escala planetária o seu sistema(…).

Expresso - Os grandes empresários são um inimigo a abater?
Jerónimo de Sousa - O PCP apenas combate privilégios, mas não defende renacionalizações, nem tem um grande plano de ofensiva contra “o grande capital”, passe o termo”.

Quem tinha dúvidas acerca do aggiornamento dos partidos de esquerda tradicional portuguesa, enterre-as aqui, à roda destas solertes declarações destes dois crentes indefectíveis no socialismo clássico, puro e duro que um dia virá, redentor e salvífico, como sempre foi e será, suplantar o modo de produção que temos, substituindo o capitalismo burguês, pelo socialismo proletário e depois pelo comunismo radioso.

Será então que se cumprirá a profecia: a cada um segundo as suas necessidades; de cada um segundo as suas possibilidades. Harmonia Mundi!

À porta destas declarações, ficam as esperanças de quem algum dia pensou que seria possível transformar o partido comunista português, num partido de social democracia, de ascendência capitalista, como fizeram os italianos.

À soleira destes propósitos ficam aqueles que um dia, julgaram que as propostas do BE, eram uma lufada de ar fresco e uma releitura da ideologia marxista-leninista, abandonando o comunismo agora semioticamente transmudado em esquerda moderna e socialista. As palavras enganam. E não deviam. Eles aldrabam… eles ganham?!

Nesta altura do postal, fui à busca do conceito de trotskismo do BE. E encontrei isto que é tudo o que queria dizer, com uma vantagem: está bem escrito; melhor do que eu o faria. Por isso o transcrevo, pedindo licença ao autor –Nuno Cunha Rolo - que publicito.

Para os bloquistas, o comunismo/trotskismo é a etapa suprema da democracia, o fim derradeiro e esperançado da universalização da justiça social e da igualdade material, únicas e exclusivas 'utopias reais' da humanidade.

O Bloco, que tem na sua génese partidos e movimentos políticos defensores do estatismo colectivista e combatentes dos dogmas socialistas do politicamente correcto, é hoje, e sempre assim foi, um grupo político deveras defensor do conservadorismo político e social da extrema-esquerda.

Um dos maiores traumas originários do Bloco é a sua concepção de Política como um exercício de distribuição de produtos com o controlo (quase) total dos produtores. Pensam a Política sobretudo como um instrumento de embandeirar ideias em preterição dos resultados e dos actos a médio e longo prazo. A salvaguarda dos estatutos sociais, a defesa desenfreada dos direitos adquiridos a todo o custo, a protecção desmedida dos 'operários' em vez dos operadores, a maniqueísta visão de que quem não está com o Estado está contra ele, confundindo Estado com Administração.

Muitos autores (liberais é certo, refira-se), como Locke, Tocqueville, Constante, Olivier, Von Mises, entre outros, há muito escreveram que o maior perigo para a liberdade é o igualitarismo que, no campo das ideias, traduz-se numa profunda intolerância para o pluralismo político e social (se têm dúvidas, leiam o "1984" de Orwell).

Das utopias da "República", de Platão, e da "Utopia, de Morus, às distopias modernas de "O Leviatã", de Thomas Hobbes, "As viagens de Gulliver", de Swift, "A máquina do Tempo", de Wells, "Nós", de Ievguêni Zamiátin, "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "O Zero e o Infinito", de Arthur Koestler, entre outros o mundo mudou. Mudou e comprovou-se que a fantasia de outrora pode bem ser a realidade da futura aurora.

Friederich Nietzsche, na sua obra "Para além do Bem e do Mal" escreveu «A loucura é um fenómeno raro em indivíduos – em grupos, partidos, povos e eras, é a regra.». A propósito, o mundo do BE é um mundo onde os recursos disponíveis pelo Estado são (quase) ilimitados, sobretudo porque sempre se pode ir buscar mais aos mais ricos, como se neste mundo fosse impossível, ou mesmo imporvável, a um pobre coitado a simples operação de deslocar o seu dinheiro de um banco para outro, ou de uma aplicação financeira para outra, ou mesmo de um país para outro.

A lógica do BE é a lógica do "Eles comem tudo", "O centro não existe", da "revolução", do assumir-se ser "Contra o sistema"... Para o BE o centro político é a luta social, o campo de batalha, o lugar por excelência da guerra contra "os patrões" e o diabólico insuperado "capitalismo".

No dia 24 de Julho de 2004, perguntava aqui «Porque é que há pessoas do centro-direita e do centro-esquerda a votar no Bloco de Esquerda (BE)?» E respondi (ou tentei responder) assim:

A minha tese, salvo seja, é a seguinte: as pessoas que se situam no «centrão» e votam no BE fazem-no porque querem que o BE seja oposição (ou seja, que nunca ganhe as eleições).

Bem sei que à primeira vista pode ser contraditória, todavia, como diria Hegel, as palavras são enganadoras. Na verdade, estes votantes do BE não defendem as ideias do BE, muitos até são declaradamente contra, outros, as desconhecem quase no seu todo, contudo, vêem no BE, nomeadamente em Francisco Louçã, um partido opositor, combativo, coerente, sério, competente.

Podemos dizer que o BE tem pouca concorrência no mercado da oposição política e parlamentar, Ferro e Carvalhas não têm o carisma e o intervencionismo políticos necessários para fazer frente a Louça e, entre outras razões, o BE cresceu em eleitores. Conjugando a oportunidade e a veemência do BE com a ausência de afirmação de liderança política e comunicacional no resto da esquerda, Francisco Louçã e o BE conseguem fazer uma oposição incisiva, sábia e eficaz ao governo da coligação. Assim, o voto «centrista» no BE é um voto de delegação de poderes de controlo e fiscalização do governo, não é um voto na ideologia ou ideias bloconianas. É, no fundo, um voto passivo e de conforto. Os eleitores do «centrão» votam no BE para não terem que intervir politicamente e para que este continue a fazer aquilo que melhor sabe.

Naturalmente que outras razões podem aventar-se, eu também tenho outras embora ache que são menores ou secundárias, no entanto, acho que esta é a que responde melhor à pergunta que fiz. E note-se que não quero dizer que este tipo de eleitores são a maioria do eleitorado do BE, isso daria azo a outra pergunta e a outras respostas...

A pergunta mantém-se...assim como aquilo de que é feito o BE. A sobranceria moral e, despudoramente, humana bloquista (porque não dizê-lo: conservadora!) teve o seu auge na 'condenação' de Louçã a Paulo Portas no debate da SIC-Notícias, subtraindo a este direitos por 'negligência de concepção paterna'.

Em nome do contraditório livre, e para um bloqueio de ideias, ler o respectivo Programa.

NCR


Publicado por josé 19:57:00 4 comentários Links para este post  

Admito que seja maçador e deprimente. É. Quanto menos tempo falta para o dia 20 de Fevereiro maior é o calvário, menor é o debate e maior é a vergonha. Vergonha em ver dois partidos de regime, PS e PSD, incapazes de apresentar propostas concretas e cabais, vergonha em ver dois partidos incapazes de apresentar lideranças credíveis e confiáveis e equipas fortes que as sustentem. Vergonha porque nunca uma campanha andou de facto tão distante daquilo que realmente interessa, isto apesar de nunca provavelmente se ir falar tanto de uma, por todas as razões erradas. Infelizmente a vergonha não vai acabar a 20 de Fevereiro, vai continuar e aumentar, porque a incapacidade gritante, à esquerda e à direita, em discutir Política, note-se a maiúscula, vai continuar. Não é que não haja ideologias, há-as, mas dá muito trabalho fazer os trabalhos de casa. Para alguns as coisas querem-se simples, assépticas, inodoras e incolores, o que interessa são os resultados, omitindo que estes muitas vezes são indissociaveis do processo por que foram alcançados. Substitui-se a política pela técnica, os políticos pelos homens de sucesso, as ideias pela competência, que se passa a medir apenas pelo sucesso, pelos resultados, pelas benchmarks. Em suma, nega-se a política. Não se decide, gere-se. É óbvio que precisamos de gente tecnicamente competente mas convém não esquecer, nestes dias de vendaval, que no fundo, no limite, toda e qualquer decisão técnica é também, sempre, política, porque a Política, outra vez a maiúscula, não se compadece apenas com resultados, trimestrais ou anuais, ou ciclos, a Política é sobretudo acerca de desígnios, de objectivos de longo prazo, de ideias, de grandes projectos. É verdade que o país é actualmente, muito, mal gerido mas daí a termos de nos contentar-mos com uma mera gestão corrente vai muito. É que este discurso delicodoce dos resultados mais não é uma e outra forma de escamotear uma gritante falta de ideias, um avassalador vazio, um vazio gerador de falsos consensos, num país que parece ter horror ao verdadeiro debate, que também é uma das múltiplas formas do bloco central.

[Ler também o Pula Pula Pulga]

Publicado por Manuel 18:34:00 0 comentários Links para este post  



Se elas querem um abraço ou um beijinho

Santana a Primeiro-Ministro, Zezé Camarinha a Presidente. Vamos a elas. Às eleições.

Publicado por Nino 17:48:00 0 comentários Links para este post  

DA SARJETA Como previ há dias, Santana Lopes já está confortavelmente instalado na sarjeta. Ontem, rodeado de cerca de mil minhotas, Lopes não resistiu ao seu impulso maior, o de vedeta de "revistas do coração". Apesar da localização do evento, a coisa ressumou "américa latina" por todos os poros. Só faltaram os fadistas marialvas do PPM para o ramalhete ser perfeito. Uma "doméstica" não resistiu a expôr a "natureza sedutora" daquele homem. E uma "funcionária pública" jurou que "ele ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras". Terminou, espera-se que a pensar no marido, dizendo que "bem haja os homens que amam as mulheres". Lopes, babado e inspirado por aquela corte de indigentes, "avisou" que "não quer fazer chicana política". Mas lá foi deixando cair que "estes colos sabem bem", presumivelmente os das minhotas, e que "o outro candidato tem outros colos". Esta nota de tão intenso bom gosto diz tudo acerca do carácter do personagem. Estaria ele porventura a lembrar-se do "colo" do dr. Portas sem o qual não estaria onde presentemente está? Sabemos o que a sua campanha, não por acaso "tropical", anda por aí a espalhar miseravelmente. Sabemos que, na vertigem do afundamento anunciado, vai valer tudo. Com uma clareza cristalina, excitada pelo ambiente cobarde de aviário em que se encontrava, a natureza reles do argumentário populista de Santana Lopes veio naturalmente à superfície. É para isto que os tolos e alguns comentadores querem os "debates"? Acham mesmo que há alguma coisa séria na cabeça do ainda primeiro-ministro para "debater"?

in Portugal dos Pequeninos

Publicado por Manuel 17:20:00 5 comentários Links para este post  



Eles comem tudo e não deixam nada

Faleceu Aragão Seia, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, e carpiram os políticos inconsoláveis a perda de um homem de "superiores qualidades intelectuais". Mas, afinal, o que pensava em vida Aragão Seia de quem se curva hoje perante a sua memória?


Aragão Seia assinalou o seu receio pela possível partidarização que poderá verificar-se com uma eventual alteração da composição dos Conselhos Superiores das Magistraturas, bem como pelos novos critérios de promoção nas carreiras que são sugeridos em "discursos velados" e, "mais sub-repticiamente", por novas regras de ingresso nas carreiras.

Tudo isto, a par das "vozes a defender a constituição de um conselho único para as magistraturas ou a reclamar a interpenetração das carreiras", levam Aragão Seia a aceitar com naturalidade que tais questões "permanecem abertas ao debate".

Contudo, disse ser preocupante "que dessa insistência, resulte na opinião pública a ideia de que a melhoria da justiça dependa sobretudo de reforma nas magistraturas".

Salientou ainda que "a imputação aos magistrados dos males da justiça pode pretender abrir caminho a reformas cujo intuito seja apenas o de as domesticar e funcionalizar".

"A verdade é que tais reformas, podendo satisfazer diversos interesses, não garantirão seguramente a pretendida melhoria do funcionamento da justiça", disse, advertindo que, pelo contrário, "provavelmente ameaçarão - isso sim - a independência do judiciário, o que afectará directamente o Estado de Direito e o regime democrático".


[Jornal de Notícias, via ASFIC]


Publicado por Nino 16:31:00 0 comentários Links para este post  



Vasco Pulido Valente
"Santana Contra Mundis "

A campanha de Santana Lopes começa a merecer algum interesse pela sua própria extravagância. Como trata dele, e só dele, acabou por se tornar num romance de aeroporto sobre a loucura e queda de um político. Espero que alguém o escreva ou, pelo menos, que a "Oficina do Livro" o encomende. A personagem intriga e a história da ambição falhada foi sempre um tema literário popular. Além disso, Santana passou por tudo: pelo partido, pelo governo, pelos jornais, pela televisão, pelo futebol e até, ou principalmente, pela chamada "noite de Lisboa". O melodrama e a "modernidade" estão lá, basta aproveitar; e, ainda por cima, ele não se esqueceu de fornecer um fim digno do seu princípio. Não sai com um suspiro, sai com um estrondo. Não deixa de ser admirável, pelo puro espectáculo, a fúria e a cegueira com que tenta salvar a sua amada pessoa. O país desapareceu e o PSD também. Ficou ele. A realidade excede a ficção. Quem se lembraria de um cartaz como o do "Contra Ventos e Marés"? Parece o desafio de Rastignac: "E, agora, Paris, nós dois". Portugal não entra ali, é Santana contra mundis, mais nada. Claro que, neste romance, o inimigo, omnipresente e perverso, persegue o herói sem culpa, porque obrigatoriamente Santana tem de triunfar da injustiça, da traição, da indiferença, da manha e, em geral, da maldade humana. Mas não sem luta, não sem provar primeiro a sua força e a sua razão. A Sampaio, que o tramou. Aos companheiros, que o traíram. Aos rivais, que o esfaquearam. Ao CDS, que o despreza. À "mega-fraude" das sondagens que o dão por acabado. E à imprensa, que "não o leva ao colo". No fundo, ao destino. A glória virá, depois do martírio, do incorrupto povo do PPD/PSD. Não porque esse povo descubra de repente qualquer vantagem em o eleger. De certa maneira, Santana já largou a política e, politicamente, a sua campanha não faz sentido. O que interessa no romance é o reconhecimento, na última cena do último capítulo, da íntima natureza do herói e o perdão dos seus pecados; o reencontro do PPD/PSD com o seu filho querido. Quer aconteça ou não, na noite de 20 de Fevereiro, e com certeza que não acontece, esta apoteose deve fechar a carreira sentimental, imensamente pública, de Santana Lopes. O menor vestígio de pudor e bom senso seria absurdo.

in Público

Publicado por Manuel 13:53:00 0 comentários Links para este post  



Ana Sá Lopes
"Este Homem Já Sabem Quem É"


O fim político de Santana Lopes - que diariamente agoniza aos nossos olhos - está a ser uma tragédia: o homem está a morrer no circo, ao estilo de sacrifício romano. Já nada lhe resta, os sucessores sucedem-se diariamente no PSD, perdeu o parceiro de coligação que descola a todo o vapor do mais patético primeiro-ministro que Portugal conheceu nos anos de democracia e, provavelmente, enlouqueceu.

A pantomina da democracia portuguesa iniciada em Julho passado assume agora foros de irrealidade: o homem já não tem nada para vender. Resta-lhe o currículo conhecido do eleitorado através das "revistas do coração", onde se passeava semana sim semana não - foi casado várias vezes, namorou algumas raparigas. Ontem lançou o mais estranho mote da campanha eleitoral: votem em mim porque eu gosto de raparigas. Chegámos ao patamar que nunca pensámos atingir na política. Só um miserável - e quem é Santana Lopes, neste momento do campeonato, senão um pobre despojado de qualquer bem válido para a polis? - pode utilizar em comícios, como aquele em que ontem participou, com 1000 mulheres, em Braga, o facto de ser aquilo a que se chama, em alguma gíria, "um femeeiro". Já tínhamos visto o absurdo de políticos desesperados a utilizar a estabilidade familiar como argumento de campanha - que foi o que João Soares fez contra o próprio Santana Lopes na campanha de Lisboa. Agora, vem o primeiro-ministro de Portugal rodear-se de mulheres que dizem que ele é "conhecido pela sua natureza sedutora" e "ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras".

O fervor homofóbico é espantoso e quase irreal. Num comício de Lopes grita-se: "Bem hajam os homens que amam as mulheres!". E o primeiro-ministro candidato a novo mandato diz que "o outro candidato tem outros colos" e que "estes colos sabem bem".

Já nada Lopes tem para oferecer: com a credibilidade política de rastos, atira-nos um cartaz para a frente que diz "Este homem sabe o que é". Saberá? Nós sabemos. É o que Jorge Sampaio, com o apoio generalizado do país, mandou para a rua por falta de credibilidade e incompetência manifesta. Afinal, é mais o quê? Um "femeeiro". É este o currículo que Santana Lopes agora transformou em arma eleitoral: namorou com várias mulheres. Mais de 30? Menos de 100? Só um louco descontrolado traz esta matéria para a campanha, mas de Santana Lopes tudo se pode esperar - eventualmente até um "strip-tease" no comício de encerramento.

Nada mais resta a Santana Lopes. Tem o corpo, e só o corpo, à venda no dia 20 de Fevereiro. Mas o mais provável é que, ao fim da noite, o corpo já seja um cadáver.

in Público

Publicado por Manuel 10:06:00 1 comentários Links para este post  



O regresso às questões "fracturantes"

Parece, dizem, que referendar questões relacionados com os direitos dos homossexuais no mesmo dia em que se votou para a presidência dos Estados Unidos terá tido um efeito bola de neve em favor da candidatura Republicana. Como se a questão que tocava mais fundo em alguns estados onde a moral cristã é lei tivesse contagiado a outra votação, como se votar em John Kerry fosse incoerente com votar a favor da igualdade de direitos para os homossexuais, como se a presidência se resumisse a isso... Dizem, lá na América, desde o momento em que se começaram a conhecer os resultados definitivos. Provavelmente, dizem bem.

Por cá Santana Lopes tenta o mesmo jogo, lançando o isco ao eleitorado mais conservador que eventualmente esteja a pensar ficar em casa. Parece-me que desta vez, o PS não mordeu o isco e Sócrates capitalizou a sua posição já antiga de distanciamento face à igualdade absoluta de direitos (envolvendo, por exemplo, a questão dos direitos de adopção). Para este PS há ainda um caminho a percorrer nesta matéria (consultar estes arquivos para conhecerem a "evolução/discussão" que fui fazendo) e, claramente, face aos problemas em cima da mesa, esta não será uma prioridade na próxima legislatura e, muito menos, nesta campanha eleitoral. Apesar da minha opinião sobre o assunto, parece-me muito bem. Assim como me teria parecido muito bem o oposto, caso Sócrates tivesse a história passada de Zapatero. A táctica ao serviço da estratégia. Esta é uma daquelas situações...

(.)

Publicado por Rui MCB 0:11:00 0 comentários Links para este post  



uma sucessão de equivocos

O Dr. Lopes entendeu por bem declarar-se contra o casamento entre homossexuais e desafiou os restantes candidatos a definirem a sua posição sobre a matéria. Esta pequena boutade diz bem do estado das coisas já que tanto quanto se sabe o assunto nunca esteve em cima na mesa nem consta, que ao contrário do que aconteceu em Espanha, o Partido Socialista, mal tome posse pretendesse tomar qualquer iniciativa sobre a matéria. É, em suma, e sendo piedoso, apenas e só mais um fait-diver. Só que é assim que se passa o tempo. Não se discutem ideias, parece que há aliás bastantes consensos alargados com o PS a ser acusado pelo Dr. Lopes de de copiar (!) o PSD, discutem-se apenas personalidades. Os portugueses ou não conhecem o Eng. Sócrates e conhecem o Dr. Lopes, ou vice-versa, e não passamos disto. Acontece que por muito importantes que sejam as lideranças, são, por fundamental que seja estas serem fortes, é, a credibilidade de um partido ou projecto politico não se esgota nas virtualidades, ou falta delas, da sua liderança. Tão importante como esta é saber quem é a equipa, e em que bases é formada. Falando do caso concreto do PSD, e por muito que eu não goste do Dr. Lopes, e não gosto, este está longe de ser o único problema do PSD e, em bom rigor, se calhar até nem é o maior. O Dr. Lopes, como antes dele o Dr. Barroso, chegou ao poder caucionado substantivamente por uma série de gente a quem na melhor das hipóteses falta nível. Ora, não basta, no futuro, arranjar um líder apresentável, bem falante e palatável, é preciso reformar o PSD. É preciso saber se o poder é um valor tão absoluto que em nome da sua manutenção se tenham de tolerar ad eternum personagens como Alberto João Jardim, o inefável Marco António ou o inenarrável José Raúl dos Santos, entre outros. Não bastarão, em suma, meras operações de lifting para consumo externo, embora seja quase certo que é apenas e só isso que vai acontecer. O Dr. Lopes, por muitas e variadas razões, não merece cair e ser enterrado sozinho, se o for a vergonha e humilhação que o PSD vai passar, independentemente do PS ter ou não maioria absoluta, coisa que duvido, a 20 de Fevereiro próximo, não terá servido de nada.

Publicado por Manuel 21:26:00 1 comentários Links para este post  



"A Angústia da influência"


Ler "O Dilema" no Causa Nossa. Vital Moreira, partindo da semi-angústia partidária de Pacheco Pereira (que não é homem para "estados de alma"), elabora uma interessante ponderação acerca dos militantes do PSD. Como é que um militante do PSD que não acompanha a deriva "santanista" deve proceder nas eleições de 20 de Fevereiro? Só posso falar por mim e num contexto completamente diverso. Em 1985, eu ainda estava longe de ser o empedernido "cavaquista" em que me tornei. Apoiava Mário Soares para Belém e desconfiava adolescentemente da figura austera recém chegada ao partido. Assisti a uma única acção de campanha, na Alameda das Universidades, e foi a custo que aceitei colocar um auto-colante de Cavaco. No dia das eleições, encaminhei-me para a escola onde voto sem saber o que ia fazer. Em não sei quantos actos eleitorais em que já participei, foi essa a única vez em que só no momento da "cruzinha" me decidi. E decidi-me pelo PSD. Se ainda fosse militante do partido, teria seguramente hoje menos "angústias" do que nesse ano remoto. Santana Lopes não representa uma interrogação. É, infelizmente, uma má certeza. Nisso, os brasileiros da sua campanha acertaram no último outdoor. "Este, sim, sabe quem é", diz o cartaz, referindo-se a Lopes, num registo "pimba" de "por amor a Portugal"! É exactamente por saberem "quem ele é" que muitos militantes e eleitores do PSD "não respondem" nas sondagens, engrossando as fileiras dos "indecisos" e dos potenciais "abstencionistas". Mas não dizem que votam diferente. O único líder com perfil social-democrata que concorre às eleições de Fevereiro, José Sócrates, deve meditar nisto. A maioria absoluta, tão incerta quanto precária, vai decidir-se apenas nesse caminho solitário para as assembleias de voto sob a "angústia da influência".

in Portugal dos Pequeninos

Publicado por Manuel 16:43:00 1 comentários Links para este post  

Faleceu Aragão Seia, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Paz à sua alma.

Publicado por Manuel 10:59:00 0 comentários Links para este post  

O líder socialista, José Sócrates, defendeu hoje que o aprofundamento da autonomia dos Açores e Madeira deve constituir um processo contínuo, porque permite ao Estado ser «mais eficaz e ter maiores capacidades para servir» os cidadãos. Mais, «O reforço da autonomia é um processo sem fim e a confiança nas instituições democráticas regionais deve continuar», salientou. O Dr. Jardim pode continuar descansado, e se o o Eng. Sócrates não tiver maioria absoluta já sabe que não precisa de se coligar com o PP, o BE, ou o PC. O PSD/Madeira dará uma mãozinha.


Publicado por Manuel 5:20:00 3 comentários Links para este post  



Abutres... É o tempo deles...




Publicado por Manuel 2:03:00 1 comentários Links para este post  

A BABOSEIRA DO DIA

Pertence a Luis Nobre Guedes, o reciclado "verde" do PP. Numa entrevista ao Diário de Notícias, diz esta coisa extraordinária, sem se rir, presumo: "Eu acho que o dr. Paulo Portas, pelo perfil que tem, pela sua cultura, pelo mundo que conhece, podia ser o nosso [André] Malraux."

in Portugal dos Pequeninos


Publicado por Manuel 23:08:00 0 comentários Links para este post  



Vasco Pulido Valente
"Higiene Pública"


Assisti, sem pasmo, ao momento de verdade de Francisco Louçã na conversa com Paulo Portas. Para Louçã, Portas não podia condenar o aborto, porque nunca tinha "gerado" e nunca vira o sorriso de uma filha. "Gerar" e ver o sorriso de uma filha parece que transforma um homem e o legitima para condenar ou defender o aborto. Esta idiotia, que no fundo não passava de uma insinuação torpe, indignou toda a gente e a própria esquerda. Aqui Louçã, o apologista da liberdade pessoal, caiu em si e o "Bloco" veio pressurosamente em seu socorro. Para o "Bloco" a coisa devia ser vista em "contexto". Que espécie de "contexto"? Ora muito bem: se Paulo Portas se declarava "conservador", estava necessariamente obrigado a viver como um conservador. No caso, a casar e a produzir, no mínimo, uma filha com um sorriso tão admirável como o sorriso da filha de Louçã. Caso contrário, era um hipócrita e merecia a uma boa correcção em público. Como costumava dizer o Partido Comunista, merecia que o "desmascarassem".

A técnica conhecida por "desqualificação do adversário" não nasceu ontem e não admira que persistisse no "Bloco", herdeiro do que havia de pior na tradição revolucionária clássica. Mas, dado o "contexto", talvez fosse de esperar do "Bloco" mais cuidado. Porque afinal quem são os senhores do "Bloco"? São uma centena de intelectuais de Lisboa e do Porto, com um eleitorado de classe média urbana, que subiram à custa de imaginárias "rupturas" com a moral tradicional, de um radicalismo inteiramente retórico e de um certo talento para a televisão. Nada disto é de esquerda e nada disto lhes permite falar em nome dos trabalhadores ou, de resto, de quem quer que seja. Não representam mais do que uma difusa repugnância pelo regime e as banalidades da moda ideológica do tempo. Se aplicassem a si próprios a regra que pretendem aplicar a Paulo Portas, também eles precisavam de mudar de vida. Repudiar a gravata, a favor de um arzinho "estudantil", não é identificação bastante com o povo explorado e oprimido. Se o conservadorismo pede a Paulo Portas que ele "gere" uma filha com um sorriso, o que não pedirá o trombeteado esquerdismo do "Bloco"? Uma pessoa treme de pensar e ninguém deseja que o dr. Louçã se incomode e sofra. Só convinha talvez que se coibisse de examinar a virtude do próximo e que não falasse tanto em "hipocrisia". Por razões de gosto e de higiene política.

in Público

Publicado por Manuel 20:06:00 2 comentários Links para este post  



a excepção à regra

Por uma vez, uma única vez, o Dr. Lopes comportou-se com um mínimo de sobriedade. Refiro-me à sua reacção à notícia d' A Capital que o dava como (ex-)devedor ao fisco. Nada de cabalas, apenas a admissão pura e simples e a garantia de que tudo está regularizado. Fosse sempre assim, mas não é. Parece que há uma mega-fraude eleitoral em curso (!) que urge denunciar... Deprimente, isto ainda não é a Ucrânia.

Publicado por Manuel 18:31:00 3 comentários Links para este post  



à canelada...



A campanha soma e segue, à canelada. Agora são as alegadas dívidas fiscais do Dr. Lopes, que o PS não perdoa, isso, e as estranhíssimas declarações de Bagão Félix sobre um parecer do Presidente da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos, o Prof. Freitas. António Bagão Félix disse lamentar e estranhar que Freitas do Amaral, "presidente da assembleia geral da Caixa Geral de Depósitos [CGD], cujo único accionista é o Estado, tenha dado um parecer [aos sindicatos] a propósito da transferência parcial do fundo de pensões para a CGA, sem sequer ter falado com o accionista que representa e que o nomeou". António Bagão Félix não tem que se lamentar coisíssima nenhuma; como bem disse, o único accionista é o Estado, logo das duas, uma, ou este confia em Freitas do Amaral em ser um bom e competente presidente da assembleia geral da Caixa Geral de Depósitos, ou não confia, e essa confiança do Estado em quem nomeou não tem nada a ver com questões de consciência do nomeado. Por outro lado, tudo indica que, tomando as dores do CDS/PP, o Dr. Bagão pegou foi no primeiro pretexto que arranjou para acertar no Prof. Freitas. É que não é preciso morrer de amores pelo personagem, e eu manifestamente não morro, para ter que concordar, com um mínimo de honestidade intelectual, que formal e substancialmente o Prof. Freitas não foi desleal para com a CGD, já que a decisão que comentou é da estrita competência do Governo. A não ser, a não ser, e convinha que António Bagão Félix esclarecesse isso, que seja entendimento (do Governo?, da coligação?, do PP?) que qualquer nomeado para este tipo de cargos o é por confiança política (!), logo não pode nunca discordar de quem o nomeou, e não por estrito mérito e confiança... Quanto à questão fiscal do Dr. Lopes (e vai ser curioso ver se o Dr. Bagão vai mexer uma palha que seja para apurar dos autores da eventual fuga de informação e repectiva violação do sigilo fiscal...), sendo manifestamente matéria de relevância pública, teria sido muito mais sensato ao PS não se meter no assunto e deixar o esclarecimento deste a cargo da comunicação social e do Dr. Lopes...


Publicado por Manuel 16:58:00 0 comentários Links para este post  



Celorico! Celorico! Celorico!

Só como curiosidade informo que - a propósito da "história" do poder de compra concelhio e da ameaça do presidente da câmara do município em processar o INE -, independentemente dos méritos da metodologia que não quero comentar, na penúltima versão do dito estudo, divulgada em 2002, Celorico de Basto ocupava o mesmíssimo lugar, o último.

Lembram-se de ter havido estardalhaço na altura?

Publicado por Rui MCB 16:12:00 0 comentários Links para este post  



Achas para uma fogueira II

O Daily Telegraph de terça-feira noticiou a mudança de política na Universidade de Oxford na aceitação de canditaturas. Passará a ser prioridade absoluta a aceitação de aplicantes estrangeiros em preterimento dos do território UK. Estes têm fundos governamentais e as propinas reduzidas enquanto os foreigners pagam full fee. Acresce a extinção dos tutorials pessoais. O debate e a polémica estão lançado na ilha de sua majestade.

P.S. Por referir o reino unido lembro igualmente a inexistência de debates televisivos nas campanhas políticas entre tories e labour. A prática e a experiência, ou seja o pragmatismo e a cultura assim o têm ditado. Já por cá...

Publicado por Visconti 14:53:00 1 comentários Links para este post  



PS: Conselhos emprestados - o bom cliente e o choque tecnológico

Sobre o choque tecnológico e os detalhes que se lêem no programa do PS, um conselho emprestado.

Muito provavelmente o próximo governo fará mais por estimular o desenvolvimento tecnológico do país se, em relação ao que já compra e ou que de novo desejar adquirir, for um cliente exemplar na exigência de uma boa prestação de serviço/fornecimento, do que pela implementação de qualquer medida de subsidiação que venha a praticar.

O político condicionará o que encomendar, podendo desencadear um "choque" de qualificação na administração pública de acordo com o seu ideário político/operacional. Condicionará as áreas prioritárias de investimento público - podendo privilegiar as "intensivas em tecnologia". Determinará o perfil dos recursos humanos a contratar, dos equipamentos; em suma fará o pedido ao mercado. Contudo, deverá garantir que seja a concorrência leal no mercado a prover-lhe aquilo de que necessita. O peso do Estado cliente na economia poderá ser o elemento decisivo para o desenvolvimento, ou não, de alguns projectos inovadores no país, poderá, sublinho. No entanto, não deverá condicionar a escolha dos vencedores por preceitos de "interesse nacional". O concurso deverá ser público e internacional, salvo raríssimas excepções.
Naquilo que politicamente for definido ser a esfera do Estado, este deve ser servido pelos melhores entre os melhores. A máxima é esta e será já um choque implementá-la.

Além disso, canalizar verbas para subsidiação será retirar investimento necessário à racionalização da Administração Pública. Uma racionalização que, não tenho dúvidas, para ser bem sucedida exigirá em muitas organizações do Estado investimento considerável.

A prática de atribuição de subsídios e criação de benefícios fiscais ao sector produtivo, neste país, tem-se revelado desastrosa para muitos, particularmente para a classe média que tem sido crescentemente chamada a contribuir para o financiamento do Estado. Não nos enganemos, não é José Sócrates que me dá garantias de transformar as raras excepções positivas de intervencionismo do Estado junto das empresas, em prática generalizada. Tenho ainda alguma esperança que tenha competência para condicionar positivamente e de forma informada as tais prioridades de que falo.

Se conseguir fazer do Estado um cliente modelar já terá valido a pena votar neste PS, e a próxima legislatura já terá valido mais a pena que qualquer uma das anteriores.

Não nos iludamos, a tarefa é suficientemente árdua e exige conjugação com a aposta na desburocratização e no reforço do papel regulador do Estado. Exige, obviamente, um combate duro contra muitos interesses parasitários (pois todos os subsídios e benefícios em vigor deverá ser criteriosamente escrutinados). Um combate duro contra muita corrupção instituída e latente. Um tipo de corrupção que, pasme-se, na cabeça de muitos infractores (políticos inclusive) não é já percebida como tal.

Essa era uma guerra que gostaria de ver José Sócrates comprar. Antes de eventualmente podermos desenhar medidas de intervenção pontual e temporalmente bem limitadas por parte do Estado, há esta prova crucial a superar. Uma prova a ter em mente do primeiro ao último dia de governação e que nos ajudará a todos a perceber e interiorizar uma das premissas fundadoras de democracia: a política ao serviço do país, de todos os portugueses.

Julgo que na mesma linha, ler o editorial de hoje de Sérgio Figueiredo no Jornal de Negócios.

(.)

Publicado por Rui MCB 13:51:00 1 comentários Links para este post  



Achas para uma fogueira

O flagelo das propinas nos EUA

O que está actualmente a acontecer no ensino universitário americano dá toda a razão a todos aqueles que se insurgiram contra a aplicação indiscriminada de propinas no sistema universitário, especialmente num país com graves carências educacionais como é caso português. Para que se possa ter uma ideia do verdadeiro flagelo que está a acontecer no ensino universitário americano, vamos aos números:

- Nos últimos 10 anos as despesas de inscrição nos estabelecimentos públicos universitários subiram 47%, nos privados subiram 42%.

- 600 mil estudantes por ano abandonam os estudos antes de obter o diploma final por causa de dívidas incomportáveis contraídas para pagar os estudos.

- A dívida média de um aluno que acaba o curso de direito: 80 000$ (36 000$/ano salário de um emprego de início de carreira)

-17,9 milhões de americanos com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos não possuem qualquer cobertura médica de base.

Resulta deste tipo de políticas um sistema de ensino universitário orientado para alunos de famílias ricas e para uma reduzida minoria de alunos que conseguem obter bolsas por mérito estudantil atribuídas por algumas empresas privadas e pelos ministérios da educação e da ciência de países europeus e asiáticos. Não estranha pois que os EUA tenham o Presidente que têm, um indivíduo que era um exemplo de insucesso escolar transformado num licenciado em Yale. Um medíocre rico pode ser o que quiser, um bom aluno pobre arrisca-se a ter que abdicar dos mais altos graus do ensino.

Quem defende o regime de propinas (há até quem diga que são baratas em Portugal) deveria reflectir seriamente sobre este exemplo. Porque este é um exemplo claro como a água.

Adoptou-se um determinado tipo de política e os resultados são o que são.

É certo que os EUA continuam a ter as melhores universidades do mundo, mas é do conhecimento geral que a Europa ultrapassou vertiginosamente a produção científica dos EUA há cerca de dois anos e estudos recentes indicam que as empresas de países europeus como a Alemanha e a França - que não adoptaram esta política de propinas - são neste momento em média mais produtivas que as empresas americanas.

in Klepsýdra (Rui Curado Silva)

Publicado por Rui MCB 10:48:00 20 comentários Links para este post  

O Independente desta sexta-feira traz uma interessante peça, discretamente mencionada na capa, sobre as aventuras de um mestre de obras, de seu nome Luís Filipe Vieira. Está lá tudo, negócios obscuros, relações perigosas, empresas públicas, hiperbólicas decisões governamentais, autarquias, um partido e até sociedades de advogados. Só no casozito citado fala-se em verbas da ordem dos 500 milhões de €uros, a maior parte miraculosas mais-valias. Num país normal, António Mexia, essa virgem que agora aterrou na política, Carmona Rodrigues, Pedro Santana Lopes e, claro, Luís Filipe Vieira iam a correr prestar esclarecimentos à PGR... Mas como estamos em Portugal logo é apenas business as usual, ou ainda iamos ter uma cabala contra o presidente de 6 milhões de Portugueses, i.e. do Sport Lisboa e Benfica. Ao que vale, contra ventos e marés, a norte, o Apito ainda não ficou sem pilhas.

Publicado por Manuel 1:01:00 4 comentários Links para este post  



a jardinização do sistema judicial do contenente

Segundo a Lusa...

o Presidente da República (PR) defendeu esta quinta-feira, durante a cerimónia de abertura do ano judicial, uma definição dos «termos em que o Ministério Público (MP)poderá receber instruções genéricas sobre a política criminal». Jorge Sampaio frisou que ao MP cabe somente «executar» as políticas criminais. «Executar, lembro, e não definir». Não se trata, afirma o PR, de «tomar de assalto» o poder judicial, esclareceu o chefe de Estado, para quem essa «desconfiança» no poder político parece «inaceitável».

«Uma coisa é ter prudência de instituir um regime que previna intromissões e abusos, outra é, a pretexto desse regime, manter uma situação em que ninguém é efectivamente responsável por nada», sublinhou o Presidente. Sampaio criticou o «estabelecimento casuístico de prioridades na perseguição criminal, que ficam ao critério de cada um e que ninguém controla», frisando que «não pode atribuir-se à Assembleia da República e ao Governo a responsabilidade de definição da política criminal, como faz a Constituição, e seguir-se um vazio de regras e de práticas que fazem do preceito constitucional letra morta».

Para Jorge Sampaio «é preciso que se criem condições para a justiça prestar contas», sendo certo que, isso «não significa dizer qual o sentido, em cada caso, da actuação do Ministério Público; ou em todos os casos, das decisões dos juízes». Aproveitando o momento «singularmente propício» da pré-campanha eleitoral, o Presidente apelou ao consenso entre os partidos políticos para viabilizar a reforma da justiça, tendo em conta que essa concretização «não se esgota numa legislatura». Trata-se de um «trabalho de fôlego, que não pode ficar à mercê de ziguezagues de percurso».

Ora bem, é tudo muito bonito, em abstracto; convinha que, em concreto, se dissessse, apesar de as desconfianças no poder político serem inaceitáveis (!, como?), como é que se vai fazer para evitar a Jardinização da Justiça no Continente. É que lá o Governo Regional do Dr. Jardim de facto define... O artigo do Miguel Carvalho na Visão saiu só a semana passada. Será a memória de Sampaio tão curta ou... ? Pois é, pois é...

Publicado por Manuel 22:37:00 2 comentários Links para este post  

Confesso que cada vez menos tenho ilusões, se algumas vez as tive, e muito menos heróis. É concerteza da idade e dos cabelos brancos. Alguma direita escandalizou-se, ou talvez, não com o apoio do Prof. Freitas do Amaral ao PS e o seu apelo a uma maioria absoluta do Eng. Sócrates. Confesso que o assunto não me atrai, afinal o homem só vale um voto. Não me interessa, pois, saber que o Prof. Freitas apoie desinteressadamente o Eng. Sócrates, é mais um; mas já me interessa, e muito, em nome da clarificação, saber se o PS, depois de ganhar as eleições e formar governo, vai apoiar, sem mais, o Prof. Freitas, ou melhor os interesses que o Prof. Freitas representa como front-end da Petrocontrol, na luta pelo controlo da GALP, agora que tudo pode, ou não, voltar à estaca zero. Sou um cínico, já sei.

Publicado por Manuel 21:30:00 1 comentários Links para este post  



Ler

"O bom povo e os maus políticos" por José António Lima, no Exp(r)esso Online. Nada que não se tenha já dito por aqui.

Publicado por Manuel 19:27:00 0 comentários Links para este post  

O fim da inocência, ou alguma esquerda a tentar chegar à idade adulta, libertando-se do sindroma Peter Pan. "A natureza do Bloco" por Pedro Oliveira no barnabé. De mais a mais, o BE já cumpriu o seu desígnio estratégico, que foi o de asfixiar o PC (gripando a renovação deste ao destruir a sua capacidade de captação de novos militantes, na juventude).

Publicado por Manuel 18:15:00 0 comentários Links para este post  



Por todas as razões, hoje, ler o Lutz no Quase em Português

(...) Quando refiro, no início do post, o país pacífico, solidário e decente, em que me lembro ter crescido, faço-o hoje com a consciência incómoda de que foram só 15 anos, que separavam este país do país de Auschwitz, e que as mesmas pessoas ainda viviam nele [as mesmas] que viviam no anterior...

Este incómodo cresce com os anos, em que passo a perceber cada vez melhor que quinze anos são muito pouco. Não tinhamos e não temos consciência disto. Porque todos nós os alemães, que nascémos depois do holocausto, partilhamos uma sensação: Não interessa quão drasticamente fomos confrontados com estes horrores, quão seriamente queremos aprender com eles, sempre tomamo-los por histórias dum passado remoto e também por isso - quer nos parecer - incompreensível.

Lutz in Quase em Português


Publicado por Rui MCB 16:05:00 0 comentários Links para este post  



Renda-se, isto é um microfone...

Algumas das altas individualidades intervenientes na chamada Sessão Solene de Abertura do Ano Judicial - com destaque para o Senhor Bastonário da Ordem dos Advogados - aceitaram antecipar à comunicação social as linhas mestras, mais ou menos detalhadas, dos discursos que ali iriam proferir, revelando apurada sensibilidade para a gestão dos tempos mediáticos e escassa atenção ao decoro institucional que seria devido.

Não se vislumbra que ingente necessidade informativa possa ter justificado tal desconsideração pelas instituições perante as quais a mensagem deveria ser solenemente apresentada, em primeira mão.

Quem assim se rende à voracidade dos media, dificilmente poderá contribuir para pôr ordem no clima de vale tudo que vai campeando na relação destes com os operadores judiciários.

Começamos bem...

Publicado por Gomez 15:50:00 4 comentários Links para este post  



Contra a corrente

A indicação de José António Barros, actual gestor do Coliseu do Porto e da SPGM, para Presidente do Conselho de Administração da Fundação Casa da Música. Trata-se de alguém que conhece muito bem a profundidade das linhas com que se cose o negócio que vai administrar, sem que, sabendo-se, alguma vez nele ter andado a chafurdar e que, para além da cultura de rigor que irá impor ao estabelecimento, saberá também fazer a ponte entre os fundadores privados que, pensa-se, o indigitaram e o Estado que, admita-se ou não, irá ter sempre um papel fundamental no financiamento da sua programação e manutenção.

Contra a corrente...
  • (i) porque é uma nomeação baseada em critérios de exclusiva competência e mérito pessoal
  • (ii) porque, sem fugir a ela, escapou à vigilância crítica a que foram sujeitas todas as nomeações mais recentes
  • (iii) porque é um reconhecimento - o que decorre do trabalho que desenvolveu e está a desenvolver à frente da sala mais emblemática e musical da cidade do Porto que é o Coliseu
  • (iv) porque chocará quase de certeza com a personalidade (e só por este motivo) do outro regresso já sugerido pelo fundador BPI (Artur Santos Silva) – Pedro Burmester, quiçá para substituir futuramente o britânico Anthony Wittworth-Jones (contrariando assim os desejos de quem há muito aspira pelo cargo) a não ser que se concretize a subida do pianista do Porto a outros patamares
  • (v) e, finalmente, porque até eu próprio, que não simpatizo lá muito com o estilo musculado do futuro presidente da Casa da Música, estou aqui a elogiar a sua nomeação.

Publicado por contra-baixo 13:01:00 0 comentários Links para este post  

Chico Patanisca

Francisco Louçã continua a espalhar a sua superioridade moral pelas câmaras de televisão que o acompanham na sua pré-campanha. Depois do atestado de inimputabilidade política passado a Paulo Portas por causa da questão do aborto, eis que o camarada Louçã considera Bagão Félix sem "qualificação" para debater a temática do fascismo.
Ao contrário de muitos outros, não vou criticar o líder cooptado do Bloco de Esquerda. Elogio-lhe a franqueza e a honestidade intelectual em assumir o que Pedro Oliveira do Barnabé designou de "moralismo jacobino", ou seja, o "elemento intrínseco à cultura política do BE".

Também Mário Soares, no principio dos anos 80, deixou que o PS patrocinasse uma campanha nojenta que atacava politicamente Francisco Sá Carneiro pelo facto de viver em união de facto com Snu Abecassis quando ainda não se tinha divorciado da sua primeira mulher. Essa campanha foi tão nojenta como aquela que Pedro Santana Lopes, verdadeiro autista do poder, permite que dirigentes do PSD espalhem por telemóveis pagos pelo Estado visando o líder socialista José Sócrates. Tal como em 1980, Sá Carneiro ganhou a primeira maioria absoluta à frente da AD, também Sócrates poderá ter o mesmo resultado. Esse será o prémio para os palermas social-democratas que pensam que boatos acerca da vida íntima das pessoas rendem votos.

Da mesma forma, Francisco Louçã arrisca-se a ficar bem atrás da CDU de Jerónimo de Sousa. Primeiro, porque exclui boa parte da sua base social de apoio, como os casais e os estudantes sem filhos, os homossexuais e os transexuais, da discussão sobre o aborto. E, finalmente, porque muitos poucos têm verdadeiramente "qualificação" para discutir com Louçã e os seus camaradas bloquistas. A verdade absoluta que representa o programa do BE só está ao alcance da compreensão dos iluminados. Aqueles que viram a luz como o Chico Patanisca.

Luis Rosa in O Insubmisso

Publicado por Manuel 11:49:00 0 comentários Links para este post  



Pesada baixa

ESTE BLOGUE
...termina aqui.

in Bloguítica.


Poupo-me aos elogios fúnebres, tudo o que havia para dizer foi dito em devido tempo. Até um dia e obrigado Paulo.

Publicado por Rui MCB 10:21:00 0 comentários Links para este post  

Está a acabar um interessante, e revelador, debate no canal 1 sobre a reforma do sistema político. Até lá está o Eng. Ângelo Correia, pasme-se. Debate emblemático porque revelador de que a maior parte dos palestrantes faz parte é do problema e não vislumbra, de facto, qualquer solução. Salvou-se Joaquim Aguiar. O Dr. Seara, a representar o PSD, até acha que está tudo bem porque nos tempos dos avós dele já funcionava tudo (mal) na mesma. Disgusting.

Publicado por Manuel 1:36:00 1 comentários Links para este post  



Ler

"O indigno estratagema do Boato", artigo de Jorge Coelho no DN de hoje. Está lá tudo, mesmo tudo.

Publicado por Manuel 1:21:00 4 comentários Links para este post  



nulo questio

O presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, condenou hoje as agressões de que foi vítima terça- feira o líder da Concelhia do PS/Gondomar, Ricardo Bexiga, num parque de estacionamento do Porto. "São públicos os sucessivos ataques políticos, e não só, que ele [Ricardo Bexiga] me tem dirigido, alguns dos quais me obrigaram a mover-lhe processos criminais", afirma o autarca, ressalvando, no entanto, que quem o conhece sabe que não aceita nem pactua com este tipo de acções.

Em comunicado emitido pela autarquia de Gondomar ao fim da tarde, Valentim Loureiro refere que Ricardo Bexiga é o único dirigente socialista, tanto a nível local como nacional, com quem cortou relações pessoais e políticas. O corte de relações aconteceu há três anos, durante a última campanha eleitoral autárquica.

Também a Distrital do PSD/Porto condenou "de forma veemente" a agressão a Ricardo Bexiga, num comunicado em que defende que "a força das ideias deve prevalecer, sempre, na luta política sobre o uso da força".

in Portugal Diário

Publicado por Manuel 22:14:00 0 comentários Links para este post  



Two Bactrian camels flirt at the zoo in Berlin. (AFP/DDP/Johannes Eisele)

Publicado por Manuel 20:16:00 0 comentários Links para este post  



Savonarola, seguido de Bloco de Esquerdola


His preaching began to point plainly to a political revolution as the divinely-ordained means for the regeneration of religion and morality, and he predicted the advent of the French under Charles VIII, whom soon after he welcomed to Florence. Soon, however, the French were compelled to leave Florence, and a republic was established, of which Savonarola became the guiding spirit, his party ("the Weepers") being completely in the ascendant.

The republic of Florence was to be a Christian commonwealth, of which God was the sole sovereign, and His Gospel the law: the most stringent enactments were made for the repression of vice and frivolity. Thr vanities of dress were restrained by sumptuary laws. Even the women flocked to the public square to fling down their costliest ornaments and Savonarola's followers made huge "bonfires of the vanities."



Mudando agora completamente de Assunto, das fogueiras de vaidades e das morais exacerbadas...


Publicado por Visconti 17:15:00 1 comentários Links para este post  



Uma lição?

Há praticamente 100 anos, as causas defendiam-se com todo o empenho e vigor, enfrentando-se e afrontando-se adversários. Os textos não eram subliminares, não tinham retorno possível, os bois eram chamados pelos nomes, eram bem escritos pelos (próprios) autores que eram processados e julgados a seguir, defendidos na barra pelos amigos e correligionários políticos, pagavam multas e não se retratavam ou justificavam. Hoje, quase 100 anos depois, ainda são publicados, o que revela, para além do interesse histórico-político, valor e a qualidade literária. O artigo de que ora se fala, foi escrito por Guerra Junqueiro no jornal “A Voz Pública” em 2 de Dezembro de 1906, e está publicado pela Lello & IrmãoEditores na colectânea de escritos políticos do autor “Horas de Combate”.

2 de Dezembro de 1906

Todas as tiranias são ferocidades, e acusam portanto, na máscara do homem, a descendência do monstro.

Há tiranias dominadoras e fulgurantes, de olhos de águia, e tiranias lívidas, obliquas, de olhar de hiena. Ambas trágicas: um Bonapartre ou um Filipe II.

A tirania do Sr. D. Carlos procede das feras mais obesas: do porco. Sim, nós somos escravos de um tirano de engorda e de vista baixa.

Que o porco esmague o lodo, é natural. O que é inaudito é que o ventre de um porco esmague uma nação, e dez arrobas de sebo achatem quatro milhões de almas!

Que ignomínia!

Basta. Viva a República, viva Portugal!

Publicado por contra-baixo 16:43:00 2 comentários Links para este post  



O Emprego e o PS ( II )

A afirmação de que o mais importante é o emprego, caro CMC , não sei se apenas sua, se extensível a todo o Partido Socialista, mostra o porque de o nosso país continuar na cauda da Europa. Mostra porque discutimos o acessório, e não as causas que permitiriam mudar o actual rumo das coisas.

Obviamente, que o desemprego é um problema grave que quando comparado com o problema das tensões inflacionistas geradas pelos choques assimétricos da procura sobre a oferta, por mais graves que sejam os efeitos destes choques, o choque do desemprego nas famílias e na quebra do seu rendimento é mais grave.

Mas em vez de tentarmos evitar que esse choques sejam menores, não. Preocupamo-nos com o problema do desemprego. Perceberá mais abaixo que a mera possibilidade de reduzir os choques, reduziria o desemprego e outras coisas mais.

Portugal possuía em Novembro e segundo o INE, perto de 375 mil desempregados. Um grave problema sem dúvida. Primeiro porque aumentam as contribuições do fundo de desemprego. Segundo porque diminui a captação de receita fiscal. Terceiro é de pessoas que falamos e não de números. Finalmente , porque diminui a produtividade.

Poderia aqui explicar-lhe alguns malefícios para a economia, de vivermos numa situação de pleno emprego. Poderia dizer-lhe que nesta situação suportada em norma pelo Estado, não há competitividade no mercado da oferta de trabalho.

Mas não, prefiro dizer-lhe que o mais importante não é o emprego. O mais importante é a riqueza produtiva que esse emprego gera. A produtividade, que esse emprego gera e que conseguirá através do seu efeito multiplicador gerar investimento, que por sua vez gerará emprego.

Ao contrário, do que se afirma, e porque o problema é algo estrutural que nem os programas eleitorais do PS e do PSD, parecem ser capazes de contornar, o verdadeiro problema reside exactamente na verdadeira vontade em mudar, sendo impopular hoje para ganhar futuro.

Os choques que lhe falava acima, devem-se á incapacidade da nossa oferta interna em satisfazer a procura sempre que esta acelera, motivada por um consumo interno gerado a partir de rendimentos e endividamento. Ora na mera hipótese de tentarmos resolver o problema pelo lado da oferta, não estamos outra vez a resolver o problema pelo lado da procura.

Já pensou que em qualificar a oferta, aumentando a sua produtividade, as empresas necessitariam de mais e melhores empregados ? Já pensou que ao aumentar a produtividade, os lucros das empresas serão maiores, os impostos cobrados em maior nível mesmo com o nível de evasão fiscal que temos ? Já pensou que com maiores lucros as empresas investem mais ? Já reparou que mais investimento gera mais emprego ?

Obviamente que qualificar a oferta interna, é algo que figura em qualquer programa eleitoral apenas para encher - vulgo palha - , porque para se qualificar a produção interna, se e quando o fizermos, estaremos a alterar algo que é estrutural e não conjuntural.

De que vale admitirmos 75.000 mil funcionários públicos, se eles não forem necessários ou porventura colocados em locais já de si excedentários de pessoal. De que valerá o Estado pagar os salários a estes nobres 75.000 funcionários públicos se eles não acrescentarem qualquer valor acrescentado, não porque não possuam capacidades, mas porque estarão inseridos numa máquina pesada e com demasiados vícios assumidos e imutáveis ? Não seria mais racional mudar primeiro a máquina ?

Valerá a pena o Estado continuar a apostar na agricultura da forma errada como o tem feito até hoje ? Sabe o número de funcionários que o Estado tem para um sector primário como a agricultura que vale o que vale em termos de riqueza nacional ?

Há certamente áreas da função pública que necessitam de pessoal e outras que o tem a mais, mas há seguramente 65 % de uma função pública que trabalha apenas para permitir que a função pública exista.

Foram seguramente, 80 % da totalidade dos fundos comunitários, que foram empregues em salários e transferências sociais em vez de irem para as reformas estruturais.

Há seguramente uma tendência em privatizar serviços que até dão lucro, e ficar com aqueles que apenas dão prejuízo, talvez porque o Estado goste de ser masoquista.

Há seguramente uma tendência crónica para não percebermos isto.

O mais importante CMC, não é o emprego. O mais importante é criar condições que permitam que o Mercado/Estado gerem emprego produtivo, até porque o PIB real está manifestamente distante do PIB potencial.

Publicado por António Duarte 14:42:00 0 comentários Links para este post  



uma obra

O dr. Lopes tentou explicar aos militantes das Caldas por que é que o défice do subsector Estado, em 2004, aumentou 10,1%, segundo as contas oficiais. Nem eu, na cadeira de "análise económica" com que me tentaram iluminar na Católica há uns bons pares de anos, teria sido tão mau na explicação do inexplicável. Isto passou-se num intervalo, supostamente lúcido, entre as habituais diatribes "anti-todos" que caracterizam as sublimes intervenções do primeiro-ministro em "comícios-jantares" do PPD/PSD. Em duas palavras, a coligação falhou a "consolidação orçamental" e a "música" do défice continuará tranquilamente a tocar. Por uma questão de decoro, a palavra "competência" que aparece invarivelmente na tribuna do líder devia ser removida. No Homem sem Qualidades, de Robert Musil, há um apontamento que ilustra bem este transe de Santana Lopes. O modo como, através da realidade, nos aproximamos ou afastamos das pessoas e das coisas, é mais importante do que a nossa relação com ela. Lopes, neste seu lance alucinado, está a conseguir simultaneamente afastar-se da realidade, das pessoas e das coisas. É, realmente, uma obra.


Publicado por João Gonçalves 10:38:00 0 comentários Links para este post  



"talk is cheap"

João Miranda que descobriu que combater a corrupção, o combate à fraude e evasão fiscal e implementar melhorias na gestão, tudo a sério, não só seria impopular como muito mais difícel de cumprir e muito mais caro do que se pensa. Pois.

Publicado por Manuel 1:19:00 0 comentários Links para este post  



desnorte

O DN de hoje é emblemático. O vice-presidente do PSD e ministro da Presidência, Morais Sarmento, escreveu uma carta, patética diga-se, ao número dois do CDS, António Pires de Lima, que este diz ainda não ter recebido ao contrário do DN o que é indiciador do estado em que estão as coisas e do que ainda há-de vir..., acusando os democratas-cristãos de não respeitarem o acordo pré-eleitoral entre os dois partidos e visa tanto Pires de Lima como o próprio Portas. Entretanto o Dr. Lopes, recomposto das maleitas que o afectaram, foi ontem a Leiria reconhecer que a maior parte dos indecisos são eleitores que, em 2002, votaram PSD. Porque será ? Mais a Norte o Dr. Menezes veio propor que, para combater o desemprego, o Estado, o Estado senhor!, contrate mais professores, como se não haja professores a mais. Só para Braga antevê lugar para mais 100 professores de inglês, 350 docentes de educação física e formação desportiva, igual número de professores de expressão artística e musical e 200 monitores de informática e tecnologias de comunicação. Assim, o Eng. Sócrates precisa de abrir a boca para quê ? Triste, muito triste.

Publicado por Manuel 0:39:00 0 comentários Links para este post  



DA "MATURIDADE"


Raramente leio o Barnabé. Não pertenço ao clube dos aduladores do Bloco de Esquerda. Às vezes acho piada ao dr. Louça, mas não suporto a sua arrogância de evangelista iluminado. Quanto aos restantes membros da pequena seita moralista, a minha alergia aumenta. O prof. Rosas, com a sua insuportável sobranceria, o mano Portas, um mero burocrata da esquerda, o rapaz do norte cujo nome me escapa, a filha do dr. Amaral Dias, a moçinha Drago, etc. Todos eminentemente esquecíveis. Hoje, por causa do Abrupto, fui ler uma prosa de Pedro Oliveira intitulada Maturidade. Parece que causou grande comoção entre os habituais frequentadores do estaminé de Daniel Oliveira. Ousou quebrar o "politicamente correcto" que o BE representa e que "este" Oliveira tão bem defende na praça pública. Discordo, no entanto, da tese do "outro" Oliveira. A maioria absoluta do PS, a ser alcançada, precisa tanto dos votos da "esquerda" encantada ou desencantada com o folclore do BE, como dos votos do eleitorado do "centro esquerda" e do "centro direita" que não confia em Santana Lopes. Eu atrever-me ia a dizer que precisa mais destes, até por uma questão de credibilidade. Votar no BE pode ser muito colorido e modernaço, mas não resolve um problema ao país. A "maturidade" reside precisamente, como lembra Pedro Oliveira, em perceber isso.

in Portugal dos Pequeninos

Publicado por Manuel 21:39:00 0 comentários Links para este post  

A subida de Paulo Teixeira Pinto ao trono do BCP não é apenas um assunto interno daquele banco, é matéria da maior relevância política. Antecipa-se desde já que o grupo BES vai ter a vida bem menos facilitada até porque não é de crer que Paulo Teixeira Pinto vá perfilar do absoluto low profile de Jardim Gonçalves antes optando pela diplomacia musculada. Os próximos tempos vão ser interessantes, se vão, porque apesar do vácuo existente nos partidos arco do regime o poder nunca fica no vácuo...


Publicado por Manuel 20:20:00 2 comentários Links para este post  



breve ensaio sobre a perfídia...
(act.)

  • Ainda a propósito do debate com o Dr. Portas na SIC/N o Dr. Louçã defende-se hoje nas páginas no Público, atacando. É uma estratégia, de denial, que partilha com muita boa gente por este rectângulo fora. Com mais ou menos nuances o Dr. Portas mereceu ouvir aquilo, dizem eles, em nome do direito à indignação evidentemente. Curiosamente, ou talvez não, é este mesmo raciocínio, esta mesmíssima lógica, que é usado pela Administração Bush para justificar Guantanamo...

    [Actualização - Tarde e a más horas Francisco Louçã admitiu hoje que afinal o argumento que usou no debate televisivo com Paulo Portas na questão do aborto não foi claro e que evitaria usar de novo a mesma formulação para evitar ambiguidades. Agora é só esperar a pirueta da pandilha que tanto o defendeu... ]
  • Muito boa gente à esquerda e à direita acham que se o Dr. Lopes sobreviver a 20 de Fevereiro como líder do PSD então o Dr. Cavaco não será candidato presidencial. Eu acho que acham mal mas, é o que eles pensam. Por outro lado, muito boa gente acha que com uma maioria absoluta do PS o Eng. Guterres não tem hipóteses de chegar a Belém, muito menos contra o Prof. Cavaco. Concordo. Daí, que mesmo partindo de uma premissa errada - a de que o Prof. Cavaco não concorreria contra, ou apesar do, o Dr. Lopes, a única hipótese do Eng. Guterres seja a de esperar que o PS não tenha maioria absoluta. Não sei se o beato Eng. Guterres se lembrou que ser ele a pedir uma maioria absoluta para o Eng. Sócrates talvez fosse a melhor maneira, ou quase, de este não a ter...
  • E se o PS e o Eng. Sócrates ganhassem as eleições mas o Eng. Sócrates não fosse o empossado como Primeiro-Ministro? Pensem nisso.
  • O Dr. Lopes por estes dias comparou o Eng. Sócrates a um menino da escola que não queria brincar. Ora, no meu tempo a esses meninos chamava-se uma outra coisa, eu sei, era um deles. Vai bonita a festa vai...

Publicado por Manuel 18:06:00 4 comentários Links para este post  



Memórias de uma Humanidade Destruída (I)

Por ordens do Reich, Heinrich Himmler abria em 27 de Abril de 1940, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.



No próximo dia 27 de Janeiro celebram-se 60 anos da libertação deste campo pelas forças aliadas, da Rússia. Mesmo já em declínio o Reich, obrigou dezenas de milhares de judeus a marcharem pela Alemanha e pela Polónia fora, naquelas que ficaram conhecidas como as marchas da morte.

Para que nunca se esqueça. Mas acima de tudo para que nunca mais se repita.

Publicado por António Duarte 15:58:00 6 comentários Links para este post  



Pactos para patos.

Ontem, no DN, Joaquim Fortunato, presidente da AECOPS, dizia que...

Ou há pacto de regime ou há revolução para que entre uma nova classe política. Tem de haver uma política coerente, uma estratégia para os grandes projectos de infra-estruturas que tenha o acordo dos dois principais partidos, para não haver sobressaltos.

Exactamente! E ainda disse mais...

...não podemos é continuar a viver num regime em que um governo chega, estabelece prioridades, define as infra-estruturas necessárias ao desenvolvimento do país e, quando as empresas começam a preparar-se, a criar gabinetes de estudo, a admitir técnicos, a encomendar projectos, a constituir consórcios para concorrer e executar obras, vem outro Governo e diz que tudo aquilo é um disparate, que não se vai fazer. E pára tudo.


No mesmo jornal e secção, noticia-se que as imperiosas Associação Industrial Portuguesa e a Associação Empresarial de Portugal, dirigidas por luminárias como Ludgero Marques e Rocha de Matos...
entregaram um documento aos partidos políticos que pode ser visto como um caderno de encargos prè-eleitoral para o crescimento da economia. (...) Concertaram um conjunto de propostas que consideram indispensáveis para estimular a competitividade , ressaltando a imperiosidade de reformar a administração pública e redefinir o papel do Estado

Tal e qual! "Redefinir o papel do Estado"! "Revolução se não houver pacto...", etc. etc.

Os nossos detentores do capital e de meios de produção estão cada vez mais afoitos em reivindicações aos políticos e governantes. Falam alto, de cátedra e em tom ameaçador.

Só faltam os 500 romeiros do Beato, - os detentores de cargos nas administrações das Galp's, das EDP's, das PT's, das REFER´s , das CGD's … os gestores e os seus ex-gestores, e quadros superiores, presidentes de Institutos Públicos, coordenadores dos "grupos-de-estudo" e que fazem consultadoria para os vários ministérios aparecerem também a reivindicar qualquer coisinha dos políticos... que os nomearam!

Aliás, já o fizeram! Deram de barato 30 medidas para pôr Portugal nos eixos!

É o Portugal do colarinho branco e gravata a condizer com o fato liso ou de risca, a sair à rua, num dia assim, a anunciar a morte da economia se ficarem... enfim! É o anúncio da Revolução, já, se os políticos não obedecerem, agora!

É inédito, espantoso e temível. Dá a verdadeira dimensão do Estado a que chegamos. A revolta não vem dos descamisados da função pública que não recebe aumentos há dois anos. Não vem dos pensionistas e assalariados pelo mínimo. Marx, enganou-se! O PCP está perdido! A revolução não é proletária nem virá dos pequenos e médios empresários e comerciantes em convivência alegre com os assalariados.

Virá antes das cúpulas da super-estrutura empresarial, já anunciada se não houver pactos! Virá da ACEOPS!

No mesmo jornal, e em contraponto, João Cravinho , escrevia...
Nos últimos tempos sucederam-se apelos a pactos de regime, como se a salvação do país deles dependesse. Curiosamente, um dos raros, senão o único recomendável nas actuais circunstâncias, nem sequer é mencionado. Nada poderia ser mais salutar para consolidar a confiança nos políticos, partidos e instituições democráticas que um exigente e eficaz pacto anticorrupção. Que a ideia não tenha ainda ocorrido a quem solicita a confiança do eleitorado é mistério desconcertante.

Será assim tão misterioso e de desconcerto, a falta de acerto dos políticos mais em evidência, em pactuar com a transparência nos concursos e nas empreitadas e nas fiscalizações das mesmas e nas responsabilizações pelos incumprimentos? E que dizer das consultadorias várias e das encomendas de pareceres e atribuições de avenças aos mais diversos profissionais liberais da nossa praça?

João Cravinho ainda adianta que "O princípio da administração aberta deveria ser objecto de aperfeiçoamento e aplicação rigorosa." Administração aberta? Talvez, mas só a quem sabe bater às portas certas...

Por exemplo, como se concebe, em regime democrático e de administração aberta, o que se passou com a atribuição de uma consultadoria ao escitório de advogados PLMJ, de José Miguel Júdice, aquando da última "fase" privatização da GALP? Que sabemos nós sobre isso? Quanto foi pago até agora? Porquê e para quê? Alguém ainda deu resposta pública à solicitação pública do deputado António Galamba do PS, efectuada no Parlamento?!

Alguém se importa?!

João Cravinho ainda vai mais longe...
Certos actos, contratos ou procedimentos passariam a ser acessíveis em suporte informático, sempre que possível em tempo real, á inspecção do respectivo ministério, Tribunal de Contas e Inspecção Geral de Finanças. Os departamentos do Estado deveriam realizar auditorias específicas de risco de fraude, corrupção ou abuso de finalidade traduzidas em adequados planos de prevenção e correctivos, sob responsabilidade directa de membros do Governo. As missões e meios das inspecções dos ministérios deveriam ser reequacionadas. O Conselho de Ministros realizaria periodicamente sessões especialmente dedicadas ao combate contra a fraude, a corrupção e desvios contra a transparência. O seu relato pormenorizado ficaria acessível ao público, salvo restrições de confidencialidade.
Pois é. João Cravinho foi ministro; é socialista da esquerda antiga do MES; acreditou eventualmente na revolução proletária por meios pacíficos, (como se isso fosse possível!); será até de loja secreta e mesmo assim, não se abastardou. É um exemplo pelo que diz, porque não há outra forma de o dizer!

Quis reformar a JAE, por causa destes problemas. É dos poucos, em Portugal, que escreve sobre estes assuntos, conhecendo-os por dentro e aos corredores onde eles se geram.

Que paralelo poderemos fazer entre esta concepção de João Cravinho e de um ou outro notável que por vezes escrevem sobre estas coisas e a do empresariado português das AECOPS e AIP´s, em comandita com os gestores públicos que tramitam de EP para EP, como os dossiers nos armários?

O paralelo é de preocupação pela discrepância de conceitos de vida pública e de sentido do Estado. Há uma distância que se mede em anos luz de concepções democráticas e de transparência e modernidade, entre as reivindicações das AECOPS e AIP`s o bem público.

Provelmente, o que Cravinho diz é olhado com menosprezo, senão com desprezo absoluto, pelo liberalismo rompante que entende estas coisas como fenómenos menores e laterais ao progresso individual e à própria ideia de "sucesso". A corrupção não é problema para um liberal porque é um problema do Estado e o Estado é abominável. Logo, sem Estado, não há corrupção, certo?!

Errado! A corrupção não é só um problema do Estado, mas da mentalidade reinante do esquema de enganos. Quando o sucesso é meta, não importam os atalhos. No fim, sobram os melhores. Não é assim a competição?

A corrupção mais perigosa e alienante é a do sentido crítico. A aceitação da prática de esquemas de negócios que contrariam regras gerais e aumentam custos, subverte a boa convivência em sociedade, ao criar distorções entre o que se diz publicamente e o que se faz secretamente. É por isso, uma Mentira, aquela em que vivem os condescendentes com estas práticas. A Mentira é um Mal! Ponto final.

A prova da afirmação, está à vista: somos o país mais atrasado da Europa, mesmo depois de termos recebido fundos de maneio da Comunidade para nos posicionarmos no pelotão da frente! O dinheiro chegou e foi distribuído. Como, é que já não se sabe muito bem. Mas talvez a ACEOPS e a AIP e os gestores do Beato saibam algo sobre isso.

Como nos atrasamos desse modo inadmissível para muitos e criminoso para outros tantos, a AECOPS talvez pudesse dizer-nos alguma coisa, em vez de ameaçar fazer a Revolução!

Pouparia, além do mais, trabalho a sociólogos que se esmeram em análises empíricas baseadas em estudos do meio.

Talvez bastasse perguntar aos senhores doutores e engenheiros da AECOPS que conhecimento têm do modo como as empresas existentes à época e criadas para o efeito, negociaram com o Estado (os governos, os ministros, os directores-gerais), os fundos estruturais que chegaram em carradas da CEE e da UE ; como fizeram as auto-estradas, as pontes e viadutos; como foram realizadas as grandes Obras do CCB; da Expo'98 que se pagava a si mesma; do Euro'04, etc. etc.

Mais, talvez fosse conveniente perguntar quem decidiu na realidade dos factos nus e crus, fazer tais obras?

A resposta andará certamente no vento, como dizia o poeta, mas por mim, sugeria umas perguntas sociologicamente orientadas (talvez pelo António Barreto) a estes senhores. A estes também. E também a estes. E principalmente a estes!

E depois de obter essas bravas respostas, falemos então de pactos, para os patos que somos nós.

Publicado por josé 15:22:00 1 comentários Links para este post  



Emprego e PS (I)

Confesso que fiquei surpreso, pela atitude e pela ideia defendida, pelo blog Tugir, acerca da política emprego que se encontra inscrita no programa socialista.
A medida não é cega e corresponde ao princípio básico, mas fundamental, da coesão social. Ninguém é despedido.


De facto, a medida não é cega, como não são cegos os própositos de a inscrever em programa eleitoral, confessemos. Agora importa explicar aos portugueses como se conseguirá pagar, hoje e amanhã, esta medida, demonstrando que o Estado das Finanças Públicas ou melhor do Estado do nosso país, não se coaduna com facilistismo nem com ideias pré-concebidas, de que as coisas conseguem-se, porque com um governo socialista, o Estado assumirá certamente o seu papel de Estado-Providência porque esse é o seu papel, do Estado entenda-se.

Em primeiro lugar, uma das razões pelas quais hoje nos encontramos assim, à beira do caos, deve-se ao facto, de como em tudo na nossa história, termos passado do oito ao oitenta em matéria de participação do Estado na economia. Ontem eramos todos a favor do Estado-Providência, hoje assumimos medidas que apenas agudizam a crise desse mesmo Estado-Providência.

Em segundo lugar, tenho sérias dúvidas de que o Estado precise de 75.000 novos funcionários públicos, quanto mais de pelo facto de saírem 150.000, apenas, entrarem metade deles. Se a razão de substituição fosse de 1 para 1, então a proposta de emprego ficava resolvida para o PS, mas dava demasiado nas vistas, assim passa despercebido, o seu âmbito financeiro.

Como sempre, e aqui não é original do PS, em vez de falarmos de reformas profundas na administração pública, em vez de pegarmos no modelo de ensino superior e adequá-lo às necessidades do mercado, reduzindo as vagas que apenas servem para as universidades se financiarem via Estado, porque não primeiro assumimos um compromisso de contratação colectiva a longo prazo.

Espero ainda esta semana, poder contribuir para a discussão que se gera entre o Jaquinzinhos e o venerável Irmão Irreflexões

Ora, tal do ponto de vista económico e de equilíbrio das contas públicas internas, consiste um atropelo grave as regras instítuidas, sendo mesmo um verdadeiro erro caro CMC :

  • Se pensamos que a questão do défice e olhamos para o seu cumprimento, apenas porque se trata de uma regra europeia, então ainda não percebemos nada. A importância de existir consolidação orçamental resulta acima de tudo por equilíbrios internos.

  • O Investimento Público apesar de gerar os cash flows esperados, hoje quer pelo facto de não existir uma política monetária nacional, e pelas externalidades que o mesmo investimento possuí não é automáticamente rentável nem as suas vantagens automaticamente difusas.

  • A não contabilização das despesas do choque tecnológico e de educação dentro do défice é uma cópia da proposta do Partido Comunista para a revisão do PEC. Informo aos economistas da área do PS, que em ciclos retraccionistas da economia, ao enverdarmos por esta forma de "cumprir" o défice, o cumprimento do défice restante, estaria dissociado do investimento do Estado na Economia. Mesmo assim subsistem neste modelo(?), duas perguntas - De onde vem o dinheiro necessário ao financiamento desses investimento - temo que lá vamos novamente à dívida pública - e se estamos apenas a pensar colocar lá estas duas componentes, ou se porventura também lá colocaremos como choque tecnológico, algumas despesas... como remunerações de pessoal que o orçamento não sustenta.

  • A entrada de 150.000 novos reformados nos próximos 4 anos saldar-se-á conjugadamente, e tal como acima de suspeita, num aumento das necessidades de financiamento da segurança social


Mas como para o PS o importante é ninguém ser despedido. O importante não é saber de que forma se pode primeiro reformular a administração pública, congregando departamentos, colocando em prática um sistema de avaliação dos funcionários públicos que distingua o mérito.

Não o importante é o emprego.

Publicado por António Duarte 13:21:00 3 comentários Links para este post  



Disfunções

António Guterres conseguiu ontem provar duas vezes que é um homem com uma deficiente leitura dos momentos políticos.

Quando podia e devia ter pedido maioria absoluta torceu-se, hesitou, temeu uma derrota nas urnas e pediu uma coisa parecida como quem pedia sem pedir.

O povo português respondeu nas urnas com um inusitado resultado que partia o parlamento - rigorosamente - ao meio.

Agora, num gesto de grande coragem pessoal, quando o pescoço não é o próprio, vem falar na necessidade de maiorias abolutas.

Precisamente no momento em que isso pode custar muito voto útil ao PS e assustar indecisos que têm medo - e percebe-se , crescentemente, porquê - de dar a José Sócrates carta branca.

Se era para isto, podia bem ter feito de Cavaco e olhado antes pela carreira académica.

Publicado por irreflexoes 11:26:00 0 comentários Links para este post  

O dia chegou ao fim e ninguém se pronunciou, ninguém, nem do Bloco, do PC, passando pelo PS e pelo PSD, afinal o respeitinho é muito bonito. Discreto, sibilino, o Presidente da AECOPS (Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas), um tal de Joaquim Fortunato, no DN, foi sibilino - clama por um entendimento PS/PSD sobre “os grandes projectos estruturantes para o País”, e vai avisando (quem pode manda?!) - “ou há um pacto de regime ou se faz uma revolução, para que entre uma nova classe política”. A classe política, pelos vistos, ouviu e calou, alguém tem que pagar as campanhas e as idas (pr)à Suíça e iafinal há assuntos que não se discutem em público. De facto, como lembrava aqui o Venerável Irmão Gomez, é preciso uma “revolução”, para que entre uma nova classe política, uma classe política que nos livre de Santanas, Portas e Sócrates e meta na ordem boys e girls, obreiros e mestres de obras, jotinhas e outros calões, autarcas comissionistas, futeboleiros e... presidentes da AECOPS...

Publicado por Manuel 0:01:00 3 comentários Links para este post  

Previsão

É tão lindo, tão lindo ver as evoluções de tantas criaturas - nomeadamente na imprensa - quando começa a cheirar a um eventual futuro governo PS. É um espectáculo delicioso, digno de ser descrito num romance de David Lodge. Lodge, se viesse a Portugal, perdia-se de amores e aviava um romance em quinze dias. Está tudo à mão de semear, é só trocar os nomes e inventar uns lugares. Que ninguém pense que certas virgens que diariamente combatem Santana Lopes em tanto lado e com tanto afã ousarão levantar um dedo a José Sócrates. Serão atentos, veneradores e obrigados. Wait and see...

Ana Sá Lopes

Publicado por Manuel 20:49:00 0 comentários Links para este post  

Ver, e ouvir, aqui uma antevisão, apocalíptica qb, do admirável mundo novo, e que se dedica ao José Pacheco Pereira...

Publicado por Manuel 19:07:00 0 comentários Links para este post  

Passou mais ou menos desapercebida a facada que, na SIC, o Dr. Lopes espetou aos Dr.s Asnaut e Mexia quando disse que foi ele convenceu o primeiro das virtualidades da lei das rendas e o segundo dos malefícios das SCUTs, como também está a passar desapercebida a facada que esta tarde o Sr. Relvas, secretário-geral do PSD, cravou ao Dr. Lopes. Ao dizer que o acordo pré-eleitoral entre o PSD e PP é válido para além das lideranças, e atendendo a que o Dr. Portas só sai do PP quando quiser, o Dr. Relvas foi assim mais um a recordar que os dias do Dr. Lopes enquanto líder do PSD estão contados... Ainda não sei é se, um destes dias, ainda vamos ver o Dr. Lopes dizer que foi ele que convenceu o Sr. Relvas da sua própria mortalidade política ou que foi ele que também convenceu o Dr. Mexia a ir, himself, fazer a manchete da semana passada d'O Independente. É a vida.

Publicado por Manuel 18:12:00 0 comentários Links para este post  



a Jihad de Vicente Jorge Silva...

Vicente Jorge Silva, qual fariseu, toma as dores de uma certa esquerda, aquela que proclama a supremacia moral, e atira-se com unhas e dentes a uma certa direita. A uma direita que acusa de ultraconservadora. Ora leia-se...


em abstracto, não me parece lógico nem consequente que um dirigente de um partido que perfilha ostensivamente uma ideologia hiperconservadora no plano moral se ache dispensado de ser coerente com ela em todos os domínios da sua vida privada. Ou seja: eu não tenho culpa de ele ser hiperconservador e utilizar uma suposta superioridade moral contra mim, se acaso infringe as regras fundamentalistas que me quer impor. Isso chama-se duplicidade -- e a duplicidade não pode ser acantonada, conforme as conveniências do dúplice, neste ou naquele campo específico das suas opções morais públicas e do seu comportamento privado.

Por outras palavras à direita, a certa direita, não basta parecer, tem necessaria e imperiosamente de ser, certa esquerda, porque dona e guardiã absoluta da verdade, está isenta porque não (alegadamente) dúplice. Vicente Jorge Silva infantilmente esquece-se que há valores que são absolutos, e não relativos, e o direito à reserva da vida privada é um deles. Vicente Jorge Silva gosta afinal de paparazzi, afinal certa esquerda é assim - pimba, rasca, caceteira, numa palavra, básica. O que Vicente escreveu não é diferente do que escreveria o senhor Kenneth Starr, o que investigou a menina Lewisnky, o charuto e a casa oval do Sr. Clinton (embora Clinton fosse de esquerda... ai se fosse Bush, perfeito...), ao fazer a apologia do politica e socialmente correcto (?) o ayatollah Vicente mais do que não defende uma lógica eugénica, redutora e, sim, fascizante quasi nazi, porque ninguém é perfeito, à direita, e... à esquerda.

A este propósito ler ainda a prosa certeira do Pedro Mexia.

Publicado por Manuel 17:04:00 5 comentários Links para este post  



debates

Habilmente, e contando com a tradicional inteligência do PS, o PSD e o Dr. Lopes estão a arrastar a data de ocorrência dos diferentes debates para cada vez mais próximo do acto eleitoral. Ousado e arriscado, porque ninguém espera que se discuta o que quer que seja nos mesmos. Já deu para perceber que o Dr. Lopes aposta tudo no corpo a corpo com o Eng. Sócrates. Infelizmente ainda não percebeu que não lhe basta provar que é, hipoteticamente, melhor tribuno, que não lhe basta mandar uma, duas, três, estocadas, cirúgicas e certeiras (e esperemos que dentro dos limites da decência política, que isto ainda não é o Brasil...). Infelizmente o Dr. Lopes ainda não percebeu nada, resta saber se o Eng. Sócrates ao menos percebe alguma coisa.

Publicado por Manuel 16:49:00 0 comentários Links para este post  



imperdoável

Confesso que não falei até hoje no debate entre os Drs Portas e Louçã por duas ordens de razões - pudor e falta de habilidade. Agora, já não vale a pena estar calado, o mal já está todo feito. Com efeito, para mim, foi óbvio desde o primeiro momento a intenção soez do Dr. Louçã ao atirar à cara do Líder do CDS/PP que ele não poderia falar do aborto porque não sabia o que é ter um filho. Não me interessa agora saber se foi uma canalhice pensada ou improvisada na hora, o mal está feito e a campanha provavelmente entornada de vez. Queira-se ou não, aquelas palavras tiveram um efeito, e tiveram-no porque foram ditas, especificamente, ao Dr. Portas, ninguém está a imaginar alguém a proferi-las ao Dr. Mota Amaral, por exemplo. Ora, já aqui se tinha antecipado que esta seria provavelmente a campanha mais suja de sempre mas, e isto não deixa de se ser sintomático, nunca ninguém pensou que o tiro de partida formal viesse a ser dado pelo Bloco de Esquerda... Sejamos claros, há franjas, nomeadamente no PSD, que pensam que a introdução no mainstream da campanha de determinadas temáticas, invariavelmente relacionadas com a vida privada, benefeciará indirectamente Santana Lopes pois haverá uma parte tangivel do eleitorado que não se reverá num Primeiro-Ministro com determinadas (alegadas) características da sua vida pessoal. Até à semana passada as tentativas de introduzir o tema reduziram-se a bocas plantadas na imprensa brasileira, a capas de pasquins de terceira linha como o Diabo e o O Crime e a uma peça hiperbólica na Visão sobre boatos. Agora, é ler a pena de Ana Sá Lopes no Público de ontem, ou no causa nossa um jacobino chamado Vicente Jorge Silva, já se discute abertamente a, alegada, vida privada do Dr. Portas. Do Dr. Portas ao Eng. Sócrates será provável e infelizmente apenas mais um passo. Algures na entourage do Dr. Lopes já há gente a sorrir. Por cá pode ser também assim que se dinamitam maiorias absolutas. Imperdoável. Cairam todos como patinhos (há excepções - note-se a forma hábil como Graça Franco hoje, no Público, fala sobre o assunto, não caindo no óbvio)...

Publicado por Manuel 15:30:00 2 comentários Links para este post  



Manifesto de Desagrado

Portugal vai a votos dia 20 de Fevereiro.

E sim, de entre todas as forças políticas, que se apresentam com os seus fastidiosos programas eleitorais, e mesmo aquelas que já apresentaram os seus pseudo-ministros, mesmo sabendo que nunca em Portugal conseguirão ser governo, não há em todas elas uma programa que satisfaça aquilo que o país pretende e aquilo que o país precisa.

Portugal, vê-se assim a braços com um dilema enorme. Escolher entre um incompetente e um incoerente.



(C) Grande Loja Queijo Limiano


A incompetência de Pedro Santana Lopes e do seu PPD/PSD, em conseguir formar um grupo de pessoas que lutem e se mostrem fiéis à política nacional. A incapacidade em chamar para a cena política nacional, desconhecidos capazes de com as suas ideias mudarem, dialogarem e transformarem o rumo, mesmo contra ventos e marés.

A tudo isto,Santana Lopes, preferiu passar por cima e continuar agarrado aos Santanettes e as Santanettes que há 20 anos, esperavam (?!) por este momento.

Dos episódios da incubadora ao episódio da tomada de posse e da ausência da chefe de gabinete Ana Costa Almeida por 15 dias para preparação da boda de sua filha até ao "flirt" da nomeação que afinal tinha sido feita já pelo PSD ou mais grave, e indutora de imaturidade, em revelar o seu programa eleitoral apenas 20 horas antes de Sócrates ou melhor dizendo quase todos menos o seu líder, o fazerem.

A tudo isto Santana Lopes foi incapaz de bater com a "mesa na mão", e mudar o rumo. Continuam todos.

O país sofreu com a crise europeia e mundial, já que é incapaz de sobreviver sem os seus parceiros europeus. As empresas portuguesas sofreram com a crise do petróleo e viram os seus custos elevaram-se. Até a forte valorização da moeda euro face ao dólar, contribuiu em certa medida para a diminuição das exportações. Tudo isto associado às medidas restritivas - que friso tinham que ser tomadas - por Manuela Ferreira Leite, contribuíram para a perda de competitividade da economia portuguesa, e perda de emprego.

A incompetência de Santana Lopes chega ao ponto de nunca o termos ouvido falar destes motivos que todos aceitariam para justificar ainda que uma pequena parte da recessão que atravessamos.

A incoerência de um engenheiro Sócrates, que sendo líder do partido socialista, para além de quase não falar, quando fala envolve-se em contradições difíceis depois para Vitorino, Coelho e Pinho de justificarem.

A incoerência de querer assim como quem dá cá aquela palha de eliminar 75.000 postos de trabalho na função pública, da maneira mais simplista. Como nos próximos 4 anos se reformam 150.000, só entrarão 75.000 novos funcionários públicos e récem-licenciados de preferência. Ora a medida tem tanto de profilática como de perversa, mas revela o que nos espera os próximos 4 anos. Será que todos os problemas da função pública se resolvem desta maneira ?

Será que são precisos mais 75.000 novos funcionários, que terão um encargo anual na ordem dos 750 Milhoes de Euros só em salários? Por muito que o consumo privado possa ganhar com esta medida, por muito que a economia possa ganhar com esta medida, a incoerência de Sócrates assume-se quando afirma querer reduzir o peso do Estado na economia, e está desta forma a aumentar o peso do Estado nas famílias.

A incoerência de lutar até à exaustão pela não aprovação de um orçamento de Estado e depois quase que o ratifica em programa eleitoral. A incoerência de estar contra a presença das tropas portuguesas no Iraque e depois confessar a Zapatero que é favor de um alargamento da permanência das mesmas.

A incoerência em querer aumentar as pensões que estão no limiar de pobreza - aconselhamos a ver a definição do Banco Mundial para limiar de pobreza - e depois afirmar que a idade de reforma deve ser equivalente à da esperança média de vida.

Portugal têm este dilema para resolver. Escolher entre um incompetente e um incoerente, isto enquanto não surge na sociedade portuguesa um projecto catalizador e moralizador e com a coragem de apresentar aquilo que todos, mas mesmo todos, sabem que é necessário fazer, mas que ninguém tem coragem de dizer, com medo de perder...a cadeira do poder.

Nota - Dos partidos pequenos, vulgo meretrizes do poder como o PCP que não está de acordo com a política de emprego do PS mas que se mostra disponível para coligar, ou do PP que possuí uma alegada coligação pós-eleitoral com o PSD, mas que para "evitar" que "os neo-fascistas do bloco" (sic) cheguem ao poder está disponível a viabilizar um governo de esquerda, desses nem vale a pena falar muito, pois sofrem de incompetência associada à incoerência, além de viverem agarrados e amarrados a ideologias (o PP tem alguma?) que já não vendem.

Publicado por António Duarte 13:34:00 1 comentários Links para este post  



Declaração de voto

Este fim de semana o Sport Lisboa e Benfica perdeu, corrijo, foi humilhado, no Estádio da Luz, frente ao modesto Beira-Mar. Eu não sou do Benfica, nem sequer gosto particularmente da bola, mas, por uma vez, compreendo perfeitamente o drama, a angústia, de seis milhões (?) de portugueses. Deve doer ver ver um clube com tanta história, com tantos pergaminhos, fazer tão triste figura, ser humilhado no seu próprio Estádio. Eu sei que doi pois eu sinto o mesmo, não com o Benfica mas com este PSD. É tudo mau demais, rasca de mais, surreal até. E no entanto como (muitos d)os benfiquistas que acenaram no final do jogo com lenços brancos a Trappatoni, na Luz, e que estarão lá no próximo jogo eu votarei no PSD em 20 de Fevereiro próximo. Não porque acredite no Dr. Lopes, não acredito, não porque não interesse uma maioria absoluta do Dr. Sócrates, ao país convém sempre uma maioria absoluta, mas pura e simplesmente porque, apesar de tudo, é o meu partido. O facto do Dr. Durão ter sido o que foi e o Dr. Lopes ser hoje primeiro-ministro deve-se também ao falhanço de alminhas como eu. Por cinismo, calculismo, laxismo, incompetência, o que que quer que seja, eu também os deixei chegar, por isso, ironicamente, votar neles é a minha penitência. E é a minha penitência porque apesar de tudo eu ainda acredito no regresso, rápido, do PSD à pureza e ingenuidade original de Sá Carneiro e porque no dia em que deixar de acreditar pura e simplesmente desfilio-me. Dito isto, confesso, não vejo razões a quem não seja militante, esteja nas listas ou deva algo , um tacho, a este PSD para votar no Dr. Lopes, afinal as coisas são mesmo o que são.

Publicado por Manuel 1:28:00 8 comentários Links para este post  



4x4

O "ZÉ MARIA" Ontem, no carro, a caminho da Convenção das Novas Fronteiras, ouvia o final de uma entrevista com Almeida Santos. Perguntado acerca do que é que andava a ler, Almeida Santos falou em ensaios, "muitos". Disse que já não tinha tempo para ler "romances" e do que mais precisava era de "ideias". Isto vindo de uma respeitável figura na orla dos oitenta, teve graça. Mais tarde, na dita Convenção, também Eduardo Lourenço, aos 81 anos, explicou lenta e serenamente a "vantagem" do pensamento. Isto faz toda a diferença. Sem nenhuma espécie de arrogância "intelectual", que eu abomino, gostava de perguntar a Santana Lopes, que alarvemente gozou com as "velhas fronteiras", o que é que ele tem para nos oferecer em troca. Os fadistas do PPM? Os sempre estimulantes António Calvário, Artur Garcia ou Maria José Valério? Já percebemos que Lopes não vai resistir à sarjeta nesta campanha eleitoral. E para lá todos quer arrastar: Sócrates, Marques Mendes, Cavaco, Sampaio, até Portas já esteve mais longe disso, parte da sua comissão política, etc. No Expresso, um responsável brasileiro pela sua campanha explicava as vantagens deste registo insuportável do "mal amado". Segundo ele, "foi assim que Zé Maria ganhou o Big Brother", tipo "o patinho feio", coisa muita apreciada, de acordo com o mesmo visionário, pelo eleitorado feminino. Sabe-se como começou e acabou a aventura mediática do "Zé Maria". O show de Santana Lopes é mais perigoso porque é encenado sobre o país. O eng. º Sócrates, como lembrou o Bloguítica, colocou a questão fundamental de forma enxuta: continuidade ou mudança? Eu também pergunto: entre a realidade e o "Zé Maria", o que é que escolhem?

O "CHEQUE EM BRANCO" Marcelo apareceu numa acção de campanha do PSD na província. Apareceu para "apoiar" o extravagante dr. Menezes e para dizer mal de Sócrates. Terá tido o cuidado de nunca apelar directamente ao voto no seu partido já que isso, hoje, quer dizer Santana. Terminou a coisa perguntando aos comensais e, por interpostas televisões, ao país, se este estaria disposto a passar um "cheque em branco" ao eng. º Sócrates. Como Marcelo estava onde estava e estava com quem estava, eu devolvo-lhe a pergunta: com aparições deste género, está afinal o meu caro professor disposto a passar um "cheque em branco" ao dr. Santana Lopes e aos seus bonzos?

O VELHO "TEMPO NOVO" Santana Lopes apresentou o programa eleitoral do "seu" PSD. Falou do futuro como se não fosse responsável por este obscuro presente. Dirigiu-se-nos como um desbravador de "terras prometidas" quando nem sequer conseguiu dar conta de um recado a termo certo. Falou de "contratos" e de "garantias" quando é o último dos últimos em quem podemos tranquilamente confiar. Puseram-lhe à frente um papel onde vinha escrita uma nova ventura, "o choque de gestão". Quem não soube gerir e dar confiança, pode agora clamar semelhante coisa para uma nova legislatura? A inquietação incrédula, estampada nos rostos dos devotos que assistiam ao exercício, fala por si. Lopes insiste na tecla do "tempo novo" quando, na realidade, nestas eleições ele personifica o falhanço absoluto dessa miragem sem grande sentido. É, pois, preciso perguntar claramente aos portugueses: querem mais deste velho "tempo novo" que o dr. Santana Lopes vem semeando desde Julho último?

QUEM DIRIA!
Desprovido de "ideias" para a campanha, suspeito que Santana Lopes esteja a ser aconselhado pelos seus amigos brasileiros no sentido de explorar à exaustão o "fait-divers". No governo, seguramente a mesma "via tropical" aconselha a que se anuncie diariamente um pedaço de céu. Percebe-se que o objectivo - associado com demagogia ao tropismo do "país que não pode parar" - é deixar o território minado para quem vier a seguir. Alinhar no "fait-divers" é alimentar este circo. E aí ganha Lopes. Chega a ser confrangedor ouvir um primeiro-ministro neste registo, mas, enfim, trata-se "deste" primeiro-ministro. Lopes ainda não percebeu que o país não liga minimamente ao seu estudado exercício do "coitadinho" aplicado. Quem percebeu tudo isto rapidamente, e se pôs discretamente "ao largo", foi Paulo Portas. Fez uma coisa que merece elogio. Apresentou um "elenco governativo" com alguns créditos. É um bom princípio pôr rostos aos programas. A maior parte das vezes nunca se chega a entender muito bem as razões de certas escolhas, encerradas as eleições e composto um governo. O mais natural é que nenhuma daquelas catorze almas chegue ao executivo depois de Fevereiro. Porém, entre isto e os "jogos florais" em que todos acabam sempre a perder qualquer coisa, eu prefiro este modesto empenho cívico de um pequeno partido. Quem diria!

in Portugal dos Pequeninos

Publicado por Manuel 18:30:00 0 comentários Links para este post  



Inveja ou ignorância?




Ao ler a edição de hoje do Expresso online, deparei com uma daquelas consultas a que chamam "barómetro" e em que os cibernautas votam.

Pergunta-se desta vez "qual dos políticos faz mais marketing?". Poderia aqui debater-me sobre o significado da palavra marketing e sobre a formulação da pergunta, mas passo adiante.

O facto, é que o resultado, quando eu vi, dava uma vantagem de praticamente maioria absoluta ao líder do PSD, Santana Lopes, seguido de Francisco Louçã.

Já a famosa "Central de Informação" tinha provocado na opinião pública uma indignação generalizada, por pretender o Governo criar de forma oficial e estruturada um departamento governamental onde o fluxo de informação gerado pelo Estado pudesse receber um tratamento profissional e sistemático. Anteriormente, assisti à patetice da crítica velada ao facto de José Sócrates ter utilizado durante o Congresso do Partido Socialista um "teleponto", de forma a optimizar a sua capacidade de discurso.

Durante a minha vida profissional, assisti a uma disputa pela provedoria de uma delegação da Santa Casa da Misericórdia, em que o principal argumento do adversário na corrida eleitoral era o seu opositor ter, enquanto provedor, contratado uma agência de comunicação que ajudasse a Santa Casa a comunicar.

E nem sequer vou falar de lobbys e da promoção dos mesmos. Essa palavra "maldita" possui uma conotação altamente negativa em Portugal (só em Portugal), sendo vista quase como um criminoso quem alguma vez resolveu dedicar-se a criar algum.

Na verdade, o marketing, o lobbying, a assessoria mediática, o tratamento de imagem, a criação de estratégias de comunicação ou a utilização de recursos tecnológicos ou outros no sentido de melhor comunicar e fazer passar mensagens ou imagens, são actividades com a mesma nobreza que qualquer outra em qualquer país ocidental e evoluído.

Na verdade, a prestação de qualquer desses serviços é um acto de enorme dignidade quando praticado com rigor, profissionalismo e ética. Na verdade, só a falta de cultura democrática, o retrocesso social, tacanhez de espírito e a hipocrisia podem considerar que ler um "teleponto" ou desenvolver uma campanha de marketing político pode ser reprovável, condenável, pouco claro ou pernicioso.

Na verdade, numa sociedade de grande pressão na informação, de enormes e constantes ruídos e onde as estratégias de desinformação contribuem para despistar do trigo os que só cultivam joio, comunicar de forma eficaz, com verdade e, porque não, com o recurso aos melhores assessores e às mais modernas tecnologias, é sinal de inteligência e deveria merecer a consideração e aplauso do público e dos políticos.

Só que, o que me parece estar implícito naquela pergunta do Expresso, e mais ainda nas respostas, é que se utilizou a nobre palavra marketing como eufemismo de demagogia. Isto é, não tendo "coragem" para tratar os "bois pelos nomes", utiliza-se o instrumento profissional e a dignidade moral de uma classe, insultando-a.

"Fazer marketing" não é nem crime nem condenável, pelo menos não o é nas sociedades evoluídas e culturalmente esclarecidas. Mas se me espanta que a "opinião pública" que visita o site do "Expresso", supostamente das "classes A e B" e, em boa medida também, da franja intelectualóide nacional, manifeste ignorância, já me questiono mais sobre como é possível, a classe jornalística e os profissionais da comunicação em geral, supostamente mais conhecedores e informados sobre estas matérias, criticarem um líder partidário por usar um "teleponto" ou deixarem no ar esta "acusação" de que "tem assessores" ou "faz marketing" como se de um crime de "lesa Nação" se tratasse?

Não crendo acreditar que escapa aos directores de jornais e aos jornalistas a utilização de dicionários no seu dia-a-dia de trabalho ou que, "as amplas liberdades" que por vezes reivindicam estão resumidas a dogmas mais ou menos soviéticos nas redacções, e tendo em conta a aptência [sic] que os jornalistas têm para, na primeira oportunidade, saltarem para um desses "condenáveis" e bem remunerados lugares, então, só pode ser inveja.

in Nónio

Publicado por Rui MCB 11:34:00 7 comentários Links para este post  



Blogues ( II )

Não há tempo para debates. Mas sempre se arranja um tempinho para escrever aqui.

Publicado por António Duarte 23:43:00 0 comentários Links para este post  



Blogues ( I )

Na última página do Expresso, vem a notícia, que 4 candidatos, tem a partir de hoje blogs oficiais no portal Sapo.

O Paulo Gorjão, posta e bem, que aquilo não são blogs são quanto muito páginas oficiais.

No fim deixa uma espécie de pergunta/afirmação


Aparentemente, o Bloco de Esquerda não se mistura com o povo

Paulo, então e o Barnabé ?

Entrentanto aqui Morais Sarmento, fala...

Publicado por António Duarte 23:21:00 4 comentários Links para este post  



Serão de TV-é-o-vias

Sentei-me em frente ao televisor para ouvir finalmente alguns detalhes sobre o programa eleitoral do PS, pela boca do seu Secretário Geral, já agora.

O canal que sintonizei transmitiu três ou quatro minutos de directo e seguiu para estúdio ouvir comentadores. Mudei de canal. Ofereceram-me mais comentadores. Outro canal, já nem era notícia.

Incrédulo liguei o rádio e confirmei que o discurso estava no auge e decorria ainda. Esperei mais um pouco com a televisão acesa e finalmente o directo, outro directo, para a opinião em jeito de comício de Santana Lopes, seguiu-se pouco depois outro directo para ouvir na íntegra Marcelo Rebelo de Sousa e Luis Felipe Menezes algures num jantar de campanha ou coisa que o valha.

Bela merda de critérios jornalisticos
, digo eu.

O que este país precisa, o que alguns portugueses precisam, é de um valente choque eléctrico.

Foi birra por causa do ralhete que lhes deu Sócrates de que falou o Manuel aqui há tempos? Foi acerto de contas por Sócrates não se dispôr a debates promotores de audiências televisivas? Não sei, mas fica-me a impressão de que a "classe" jornalística revelou quão canalha consegue ser e o quanto tem em consideração o seu público.

Consegui ouvir melhor o que disse George W. Bush ou John Kerry nos seus discursos de aceitação - que comparo à apresentação do programa eleitoral cá na nossa terra - do que as palavras oferecidas pelo tantas vezes omisso José Sócrates.

Hoje, a minha coluna do "desce" vai para os senhores jornalistas com responsabilidade nos alinhamentos dos telejornais. Não dando a notícia, montaram o circo. Todos diferentes, todos iguais.

Também por aqui a democracia vai perdendo lustro.

Fica a ligação para o PDF do programa eleitoral do Partido Socialista.

Publicado por Rui MCB 21:54:00 6 comentários Links para este post  



E eis que do nada...

Que é como quem diz se vislumbra não um mas dois tandens no PSD ...

O primeiro, com a dupla Marcelo Rebelo de Sousa/António Borges.

O segundo com a dupla Santana Lopes/Morais Sarmento.

Quem ganhará? dúvidas? Por muito santanista-barrosista convertido que esteja infiltrado e alapado na estrutura decisória do PSD, o Congresso não deixará de ver a luzCristo desceu à terra e trouxe o D. Sebastião com ele.

Resta saber se Cavaco se vai sentar a deixar que decidam por ele. É que existe uma substancial diferença entre Cavaco não ir às Presidenciais porque não quer, recusando-se ao partido do que não ir porque não pode, porque o partido se lhe recusa.

Publicado por irreflexoes 18:00:00 1 comentários Links para este post  

Depois do 'inda líder do PSD ter cometido mais uma monumental gaffe, o Eng. Sócrates decidiu humilhar o Dr. Lopes ao não aceitar o seu pedido de desculpas deste. Fez mal e foi pouco inteligente. Como é muitíssimo pouco inteligente ainda ninguém qualificado do PS, que não - obviamente - o Eng. Sócrates, ter vindo pedir ao PSD que se demarque pública e inequivocamente de certos e determinados voluntarismos, passe o eufemismo, apócrifos, e que resultam em coisas como a capa de ontem de "O Crime"... Isto, antes que seja tarde de mais.

Publicado por Manuel 16:25:00 1 comentários Links para este post  



Demagogia demográfica

No Público de hoje, temos um retrato do país que também ainda somos...

Vinhais, distrito de Bragança, tem quase dois pensionistas por cada pessoa que trabalha. Em Penedono, nordeste de Viseu, o valor médio das pensões de velhice, invalidez e sobrevivência é o mais baixo do país: 163 euros por mês. A taxa de desemprego em Almodôvar, Baixo Alentejo, é de mais de 20 por cento.Qualquer um destes concelhos bate recordes em diferentes indicadores. E faz parte de um dos grupos mais desfavorecidos em matéria de pobreza e exclusão social, onde se incluem 68 concelhos. Vivem um estádio anterior ao da "morte social".

O facto de muitos jovens não terem, ainda assim, abandonado estas zonas pode ser um sinal de esperança. Mas só se forem tomadas medidas. "

Dizem os autores do documento, ainda em fase de finalização, que este território, habitado por 7,8 por cento da população portuguesa, está deprimido, empobrecido e desqualificado.

É um retrato de atraso social e miséria material. Muita miséria e que atinge centenas de milhar de pessoas! Em 7,8 da população portuguesa nota-se, a olho nu, essa miséria despida que nos repele a consciência quando a defrontamos. São pessoas que nasceram, cresceram e envelheceram num ambiente natural muitas vezes de excepcional beleza – o nosso país ainda conserva essa prodigalidade da natureza - e vivem em casebres, com tv e telenovela; vão às tascas mesmo rascas; convivem nos adros e terreiros e aguentam-se numa economia doméstica de algumas centenas de euros por mês, entregues pela Segurança Social a seu tempo e a descontar em estações de correios.

Comem o quê, essas pessoas, nossas iguais em direitos e deveres? Talvez fosse interessante um estudo sobre esses hábitos. A carne e o peixe entram na ementa habitual? Cozinham em casa o quê? Aguentam-se à custa dos animais domésticos? Das galinhas e coelhos? E nas cidades pequenas que não têm quintal? Enfim, esperemos que o estudo futuro de António Barreto ou outros sociólogos, nos elucidem sobre estas minudências do estômago dos carenciados.

Mas nem tudo são más notícias, nesta matéria !

Há um outro Portugal, o do "beautiful people" que nem aparece nas revistas da pinderiquice habitual e que se vendem junto às caixas de hipermercado. É um Portugal sofisticado no gosto e caro nas preferências e que gasta num almoço o equivalente à pensão mensal daqueles desvalidos do interior desertificado.

Ora tome-se nota, para gáudio do nosso espírito e alegria do nosso apetite:

" Já há algum tempo que se aguardava com enorme expectativa o restaurante que «um grupo de milionários» iria abrir no alto do Parque Eduardo VII, que se assumia logo como candidato a estrelas Michelin... Pois bem, o mistério abriu ontem as portas ao curioso público e não há dúvida que é de causar espanto: poucas vezes Lisboa terá visto um projecto de restaurante tão bem delineado e concretizado.Vamos começar a decifrar o código do seu nome, Eleven (onze em inglês). É o número de sócios, será o número da porta, foi o dia que se estreou só para os amigos, no mês de Novembro (11.º do ano). Os responsáveis querem também que os algarismos se identifiquem com as célebres duas colunas que Keil do Amaral projectou e que simbolizam todo o parque.E quem são os «onze»? José Miguel Júdice, José Bento dos Santos, Américo Amorim, o arquitecto João Correia (responsável pelo projecto do edifício, construído de raiz), Stefano Saviotti, Joachim Koerper ( chefe alemão de 51 anos, duas estrelas Michelin no seu restaurante Girasol, em Alicante), o banqueiro João Rendeiro e os empresários Nabil Aouad, José Marques da Silva, Hipólito Pires e Tiago Câmara Pestana.«É bastante exagerado falar de milionários. É antes um grupo de amigos interessados em gastronomia», esclarece Miguel Júdice (filho do actual bastonário da Ordem dos Advogados). «Depois da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, tínhamos interesse num projecto de qualidade em Lisboa. Havia este terreno, que a câmara tinha posto a concurso e cuja concessão foi ganha pelo arq. João Correia, e vimos que precisávamos de sócios que nos ajudassem no investimento».

Não se diga que a iniciativa empresarial neste ramo anda em crise. E não se diga também que não há bom gosto neste nível e que somos um país de labregos e com 7,8 da população ao nível da indigência...

O Menu Degustação conta com a apresentação de cinco pratos, cada um a seu tempo, uma selecção de queijos, sortido de sobremesas, doces e telhas. Por 79 euros com um suplemento de 29 euros para vinhos e água. Mas também há o Menu Eleven de três pratos e sobremesa à escolha de entre duas sugestões e ainda o Menu Expresso. Aquela qualidade, mas para os mais apressados...

Outro ingrediente da refeição, é o vinho. A carta está a ser complementada e até ao final do primeiro ano contam chegar aos 300 rótulos de uma selecção cuidada elaborada pelo jovem escansão João Pedro Fonseca. Néctares de todas as regiões vitivinícolas nacionais mas com espaço ainda para sumos de paragens internacionais. Franceses, australianos, californianos...

À mesa, os 11 escolheram tudo do melhor. Não só o que se come, como se viu e se provou, mas também o que contribui para o sucesso de uma expeiência deste tipo. Talheres Hepp, copos Schott Wiesel e loiça Vista Alegre. Afinal, a aposta é também dos sentidos.


E está pronto a servir! Mesmo sem escanção... mas com alguma escansão, reconheço.

Publicado por josé 11:44:00 7 comentários Links para este post  



Sobre o direito ao repouso

Num estado democrático o cidadão tem direito a que o deixem descansar. Ora desde fins de Dezembro que, na envolvente do Terreiro do Paço, ninguém dorme.

A Grande Loja está em condições de avançar que tal despautério resulta do facto de os funcionários da Direcção-Geral do Orçamento normalmente encarregues de martelar as contas da execução estarem com mais dificuldades do que o costume.


De facto, os velhos e confiáveis instrumentos de trabalho, tão lentos e seguros quanto silenciosos já não servem. Depois de muitos anos de bom e leal serviço a sucessivos Ministros das Finanças, desde que começou esta coisa do Euro e que o povo descobriu o que significava défice (sim, porque o Prof. Cavaco fazia-os de 8 e 9% e ninguém piava ...) chegou finalmente a sua hora.


A gravidade da situação ditou a necessidade de recorrer a maquinaria mais potente, e trepidante.

Afinal, trata-se de tapar enormes buracos do lado da receita e da despesa, ao mesmo tempo, em proporções inauditas.

O volume de "detritos" a remover é mais ou menos o necessário para fazer o planalto onde querem construir a Ota.

Mais ou menos o mesmo que alisar as colinas a Lisboa, portanto (todas as 7).

Apesar desta bravíssima medida de gestão ainda está para ver a luz do dia o Boletim Informativo da Execução Orçamental do passado mês de Dezembro, sendo que a publicação ocorre sempre, o mais tardar, a 15 do mês seguinte. Faz amanhã oito dias, portanto.

Fontes hostis ao Governo mencionam mesmo um pedido urgente ao Metropolitano de Lisboa para que empreste a tuneladora Micas. A ver se se começa a ver a luz ao fundo do túnel ... e se as contas de 2004 não saem só depois de 20 de Fevereiro.

Palhaçada a que este Governo, decerto, não se prestaria.

Publicado por irreflexoes 10:22:00 0 comentários Links para este post  



Relativismo moral

É, publicamente, um presidente que dirige um organismo público que é parte legítima em parcerias ser, ao mesmo tempo, contratado por uma das outras partes, para prestar serviços complementares à empresa conjunta.

Publicado por contra-baixo 19:16:00 0 comentários Links para este post  



É mentira ?

As notícias recentes sobre concentração dos media, e especialmente sobre o facto do grupo Lusomundo Media estar sobre a alçada da PT, levaram a que se começasse a preparar a alienação deste grupo de forma fragmentada.

Assim sendo, é mentira que...

... a Autoridade da Concorrência (AdC) , presidida por Abel Mateus, estivesse a apreciar a compra do remanescente da SIC por parte da Impresa, notificada já este ano, quando soube, por portas e travessas, que Pinto Balsemão se prepara afincadamente para comprar o DN e a TSF ?

Ora a SIC, com a saída do BPI da holding Impresa, não possuí capitais próprios para a operação, e vai daí... terá oferecido um retalho da SIC à PT...

Quase automaticamente, a AdC terá lançado uma investigação, em larga escala, por forma a que autorizada a primeira concentração não fosse depois impossível de justificar uma eventual recusa na segunda concentração.

Ao mesmo tempo, os espanhóis da Vovento - ajudados pelo BES e pelo BPI que já terão montado a operação financeira e tudo - terão feito uma proposta concreta de compra da totalidade da Lusomundo Média. O grupo Vovento incluí títulos como a televisão Tele 5 e o diário El País.

Finalmente, Paulo Fernandes e sua Cofina, terá uma especial atenção no JN e nessa operação que gerará enormes mais-valias, também João Pereira Coutinho terá uma palavra a dizer.

Recordamos aos mais desatentos, que a Lusomundo custou 600 milhões de euros.

Publicado por António Duarte 17:47:00 2 comentários Links para este post  



A teia do medo

O que se passa na Madeira, uma ilha, pérola do Atlântico, com cerca de 260 mil habitantes, 120 mil deles concentrados no Funchal, costuma interessar pouca gente.

As notícias saltam, às vezes, para dar conta de antagonismos políticos acirrados e que redundam em peixeiradas visíveis para a comunicação social "mainstream", como foi o caso recente dos "sifões de retrete" para "hipopótamos adormecidos".

Se a Madeira tivesse a importância da Itália, porém, os fenómenos provavelmente já teriam dado à capa da Economist. Assim, só se fala de rábulas carnavalescas e do traje de ocasião do presidente do Governo Regional!

Porém, o que vem hoje na Visão parece-me uma daquelas reportagens cujas imagens valem mil palavras e em que as centenas de palavras do artigo assinado por Miguel Carvalho, valem um retrato preciso e uma imagem focada e que se assemelha ao verdadeiro autoritarismo fascista: o da repressão efectiva e eficaz da discordância e dissidência, com a disseminação do medo, generalizado, de falar livremente e de afrontar os poderes fácticos aí instalados.

Não se trata de um problema da oposição. Não é mais uma questão de política interna a espelhar a luta pelo poder político. É muito mais do que isso, embora muitos o queiram reduzir a essa disputa, iludindo a questão de princípio.

Esta, foi bem explicitada nas palavras de despedida do ex-comandante da Zona Marítima da Madeira, Figueiredo Robles a quem aí chamaram "colonialista"! Escreveu uma carta aberta a Alberto João Jardim em que lhe disse da "inqualificável pressão par fins pouco claros, a qualquer preço e sem qualquer pudor." E falou ainda da coragem dos que têm de enfrentar o medo, na região. Que medo é este?
Segundo o antigo advogado do regime, Filipe Sequeira, titular do escritório SMS, por onde , dantes, passava tudo, é mesmo um medo físico, de agressões concretas e que o faz dizer seriamente que "corro riscos ao dar esta entrevista", (à Visão).

Para se entrever a expressão deste medo, comecemos pelas imagens da Visão...

Em seis fotogramas alinhados no topo de duas páginas, vemos uma sequência delas, tiradas pelo fotógrafo da Visão num espaço público - a Assembleia Regional - onde se reconhece um tal Cunha e Silva, advogado e antigo sócio daqueloutro, actualmente vice-presidente do Governo regional, a olhar, notoria e desconfiadamente desagradado, para o fotógrafo.

No segundo fotograma, o deputado Cunha e Silva esconde a cara e a expressão, com a mão, e segundo o fotógrafo, nesta altura estaria a avisar Alberto João Jardim, ao seu lado e a discursar, fazendo-lhe notar discretamente, o intruso.

Jardim olha para o fotógrafo de modo iniludível e severo e dirige-se ao presidente da Assembleia que por sua vez, mira o fotógrafo com curiosidade que se estende a um assessor que, também ele, olha para o mirone da Assembleia.

No último fotograma, vê-se o tal Cunha e Silva a fotografar, por sua vez, o fotógrafo, com o telemóvel em riste.

É só isto! As imagens até podem estar manipuladas, embora se deva presumir a inteira credibilidade do fotógrafo e por isso a fiabilidade da interpretação, tendo em conta o contexto .

Mas quem as olhar e ler o texto, perceberá numa instante, aquilo de que fala Umberto Eco, ao escrever sobre o "fascismo eterno",o Ur-fascismo, num dos seus Cinco Escritos Morais.

Tal como Eco descreve, por ali, na reportagem da Visão de hoje, passa a imagem, em palavras, da recusa do pensamento crítico que opera distinções e erege o desacordo como traição; por ali passa o medo à diferença e a recusa de intrusos; por ali passa a imagem clara da ascensão de uma classe média nova-rica; ali passa uma espécie de xenofobia disfarçada e que repele o "contenente", num nacionalismo ilhota e que por vezes aflora em escritos e dizeres públicos com ameaças de secessão.

Ali passa a imagem do medo do putativo "inimigo", bem notórias na foto; ali passa o princípio da guerrilha permanente de palavras e actos consecutivos. Ali passa também a imagem de uma transferência da vontade de poder para questões sexuais, com o machismo latente e pesporrente nos ditos desbocados . Ali passa o populismo aberto e qualitativo, com denúncia da III República apodrecida em Lisboa e a consequente deslegitimação dos poderes constituidos. Por ali passa uma neo-linguagem, para uso em comícios regados de boa disposição e alarvidades várias, com heroísmos de feira. Por ali passa ainda a noção de que a instrução deve ser primária, porque assim chega. Por ali passa, finalmente, a real apetência pelo elitismo das altas esferas e o desprezo pelos mais fracos que se calam com medo desse poder avassalador que lhes tiraria o emprego num instantinho.

Foi por isso que Figueiredo Robles também disse que...

curvo-me respeitosamente perante aqueles que, vivendo o quotidiano nessa região, ousam fazer da sua verticalidade um hino à coragem.

Como se torna isto possível neste cantinho de Portugal que se costuma chamar a pérola do Atlântico? Não temos exemplos destes em mais nenhuma outra região do país! Não há nada que se pareça e seja conhecido, mesmo nos locais de maior caciquismo tradicional.

A Visão aponta uma explicação...

Festas, beberetes, jantares do Rotary Club, dos Amigos do Peixe e da Academia das Carnes, os convívios entre figuras gradas da política e do meio judicial são constantes. " O ritual de encantamento sobedece a regras muito rigorosas e incide sobre um vasto leque de altos funcionários forasteiros: ministros da República, majores-generais,capitães-de-mar-e-guerra, juizes, procuradores, comandantes da GNR, coordenadores da PJ,SEFe SIS e directores de Finanças" , ilustrou, em recente crónica, Miguel Fernandes Luís, do DN da Madeira. Depois das sudiências da praxe, a "vítima" recebe semanalmente, "dezenas de convites para iniciativas(...)Com tanto convívio é fácil fazer novos amigos que, por sua vez, têm conhecidos/familiares com pequeninos problemas que "o amigo visitante" ajuda a resolver.

Uma mão lava a outra, escreve o jornalista. Ferreira Neto, durante 13 anos foi juiz de círculo na Madeira, mas...
pagava o preço de ser isento e independente. Se não formos alinhados, marginalizam-nos socialmente. Com grandes custos familiares. A dada altura , conhece-se toda a gente, é difícil ser juiz. (...) Sentia-me incómodo para o poder político. E como não sou domesticável...
, diz o juiz.

Segundo a Visão...
" Num curso de jornalismo judiciário na Madeira, os jornalistas queixaram-se, na presença de juízes de fazerem notícias de casos polémicos que depois não são investigados pelas entidades competentes. O jornalista é que apanha uma queixa por difamação."
E o advogado
António Fontes, social democrata, diz ainda mais...
Estou convicto da existência de uma grande promiscuidade entre o poder político e o poder judicial.
Pois...

A reportagem da Visão da semana é um retrato do medo... na Madeira, já denunciado por outros e nunca entendido pela maioria.

Em Portugal, em 2005, numa ilha que é parte integrante de Portugal, mais de trinta anos depois do 25 de Abril e por causa de uma pessoauma única pessoa, repare-se bem!- que consegue ganhar eleições a eito, e se resguarda inevitavelmente nesse alibi inatacável, vive-se assim!

Muitos se queixam; poucos se fazem ouvir. A resposta do poder instituído na Madeira, aliás, legitimado democraticamente, é sempre a mesma: antes do poder da trilateral e da maçonaria era a esquerda o bombo da festa. Agora, continua a ser a esquerda e "os idiotas úteis" a que se acrescentam as oposições, mais os jornais que não escrevem artigos laudatórios das grandes obras. E são estes, sempre que é preciso, que pagam a despesa, pois é com estes que ela se tem feito também. Segundo a reportagem- o jornal JM recebeu durante 2003, mais de mil contos por dia!

Deverão os restantes 10 milhões de portugueses, ficar constantemente sujeitos a estes enxovalhos? A esta vergonha permanente? A democracia compadece-se com isto? Não há volta a dar-lhe?!

! E a resposta está obviamente no poder político central! Particularmente no PSD nacional! A reportagem da Visão devia fazer acordar muita gente para este pesadelo e despegar de mais uma anomia.


Publicado por josé 15:21:00 2 comentários Links para este post  



Coincidências... ou simples falta de atenção

Afinal a Petrocer não vai ficar com a Galp Energia...

As notícias, vindas hoje a público, dão conta que a Petrocer afinal só poderá ficar com a posição da ENI na Galp, se e só a ENI sair conforme o modelo negociado, algo que, após o chumbo da operação em Bruxelas, deixou de ser manifestamente possível.

De entre os vários posts que aqui nesta Loja dedicamos ao assunto, já no longíquo dia 30 de Maio de 2004, por aqui se escrevinhava algo como isto.

Um passarinho contou-nos que poderá ser o grupo do Norte o primeiro a ser chamado para negociar com o Estado a compra da GALP mas que não deverá ser este, contudo, o consórcio vencedor


Na altura quase ninguém ligou.

Entretanto no dia 28 de Dezembro de 2004, também aqui se dizia que...


Faltam 3 dias e 10 horas e 32 minutos...

... para a empresa ENI Portugal Investments SPA ser detentora se assim o desejar e de forma automática de 45,34 % do capital social da empresa Galp Energia...Tudo corria bem até que a Comissão Europeia chumbou o processo de integração do gás. Sem ele não há EDP Gás para ninguém. Sem a EDP Gás , a ENI volta a ser accionista da Galp. E ao voltar no dia 1 de Janeiro pode obrigar a Parpública e vender os 12,00 % a preços de 2000, conforme acordado


Hoje, dia 20 de Janeiro, o país ficou a conhecer que afinal não é a Petrocer que ficará com 45,34 % do capital social da empresa Galp Energia.

Mas ainda não foi hoje que o país ficou a saber qual a compensação que será paga ao consórcio Petrocer/BPI pela saída "forçada".

Também não será hoje que se saberá quando a Petrocontrol, eventualmente com outra designação, vai re-entrar na corrida... O Prof. Freitas, esse mesmo, está na GALP à espera...

Publicado por António Duarte 14:39:00 0 comentários Links para este post  



O eleitor é Juiz (e o estado do País)

A lógica que preside o pensamento do eleitor em Portugal nos últimos anos pauta-se pelo ajuízamento da prestação dos tipos que lá estavam. Esta lógica, muito similar à tipologia de jornal desportivo a dar notas de jogo aos miúdos do bolapé, é responsável pelo estado das coisas.

A cada povo o governo que merece, diz quem sabe. Em portugal vota-se assim: "vou botar nos outros proquestes já enjoam" e tudo tristemente se explica.

A velha metáfora em que cada português de médico e louco tinha um pouco pode-se infelizmente alterar para treinador de bancada e juiz político.

Votar implica responsabilidade civíl, informar-se dos programas e das ideias políticas ,talvez assim com o crivo do espírito crítico apareçam ideias, lógicas, consequencias pensadas. O leitor dirá: Lirismo do escriba.

O estado actual do voto reacção condena-nos por muitos anos à américa latina actual.

Publicado por Visconti 13:20:00 1 comentários Links para este post  



Os Tuaregues do Tejo

Ouço muito falar em Travessias do Tejo para cá e Travessias do Tejo para lá nos últimos dias. Parecem-me mais prováveis as Travessias do Deserto do que as do mar da palha. Estarei enganado?

Publicado por Visconti 13:16:00 0 comentários Links para este post  

Já passaram umas horitas e o Eng. Sócrates ainda não se demarcou das espúrias declarações de Nuno Cardoso, esta noite às televisões. Convinha ao país saber se o Eng. Sócrates, putativo futuro primeiro ministro, concorda com a análise feita pelo ex Presidente da Câmara Municipal do Porto quando ao funcionamento da máquina judicial portuguesa em relação à sua pessoa. Desta vez não fomos presenteados com cabalas em abstracto mas com insinuações bem concretas pelo que das duas uma, ou o Eng. Sócrates as subscreve ou não, e nesse caso só lhe deveria restar retirar a confiança política a Nuno Cardoso. Nestas coisas o meio termo não existe.

Publicado por Manuel 23:00:00 4 comentários Links para este post  



independência para quê ?

"O desemprego segue atrás do ciclo económico e o resto é demagogia." afirmou o João Miranda. Eu vou dissertar sobre a demagogia... Deve ser demagogia esperar-se uma economia suficientemente forte e dinâmica de forma a poder amortecer factores exôgenos que a desacelerem, deve ser lirismo esperar, mesmo sabendo que se está num economia global, uma economia suficientemente dinâmica que cresça mais quando os outros crescem e resista mais quando as condições externas forem menos favoráveis. O problema é não há um ciclo económico próprio, já que o nosso ciclo económico é, só e apenas, o externo, e não há porque não há políticas nem estratégias nem reformas... Enquanto houver muitos que pensem como o João Miranda aliás nunca vai haver, é mais prático rir quando os outros riem e chorar quando os outros choram (e assim a culpa é sempre dos outros, dos de fora) do que criar o nosso próprio microclima. Reformas para quê, aliás independência para quê !? O seu simples debate deprime, como diz o Dr. Portas... Não há pachorra.

Publicado por Manuel 20:08:00 0 comentários Links para este post  


Levantamentos. O dr. António Costa, um sólido político, explicou que só a maioria absoluta do PS pode resolver o problema da governação. É assim - continuou - porque não existem condições para "alianças" com a "esquerda" do sr. Sousa ou do dr. Louçã. Com um bocadinho de sorte, ainda vamos ver o eng. º Sócrates a avisar a nação que só aceita governar se lhe for outorgada a dita maioria. Seria, no mínimo, um remake despropositado de Cavaco em 1991 e de resultado mais do que duvidoso agora. Ninguém mais do que eu acha que a maioria é realmente necessária. Pedi-la, no entanto, não se reduz a um mero exercício lexical ou psicológico. Ajuda, de facto, e pouco mais. O eleitorado a quem o pedido primordialmente se dirige já não tem quaisquer ilusões. Precisa de um "mais" que o convença. Entre isso e o partir para a abstenção ou para um voto inútil, o passo é deveras curto. Miguel Cadilhe disse outro dia uma coisa interessante à qual porventura não se prestou a devida atenção. De entre o emaranhado de problemas que impedem que isto ande para a frente, é melhor escolher um, decisivo, e definir uma "meta" razoável e verosímil para o procurar resolver. Nada, pois, de "hiper-realidades" ou de torrentes incontroláveis de "soluções" em que ninguém acredita. De qualquer forma, já não há "soluções felizes" e é este "realismo" que deve ser explicado claramente às pessoas. Se assim for, é possível que a resposta ao "levantamento nacional" solicitado pelo dr. Santana Lopes seja a maioria absoluta do Partido Socialista.

Uma Boa Não Promessa
... de José Sócrates, a de que, com ele, não haverá lugar a candidaturas megalómanas à realização de grandes eventos desportivos entre nós, designadamente esse extraordinário delírio dos jogos olímpicos.

in Portugal dos Pequeninos

Publicado por Manuel 17:08:00 0 comentários Links para este post  



Por vezes pergunto

Se a regra é o “dono da obra” contratar o “empreiteiro geral” e este depois subcontratar outros para as especialidades sobre facturando-lhe os trabalhos com mais 30% e se aquele também contrata entidades para a “gestão” e “fiscalização” da dita, porque é que ele próprio não faz uma administração directa da mesma. É que sempre ficava mais barato.


Publicado por contra-baixo 13:48:00 12 comentários Links para este post  



Altas Velocidades, Pontes...o Messias chegou

O país foi acordado com notícias que elevam, nos próximos anos, o nível do investimento público para níveis só igualáveis aos dos primórdios dos fundos comunitários.

Seriam certamente boas notícias se os investimentos anunciados tivessem associados uma unanimidade na sua execução capaz de gerar uma onda a favor da sua realização. Mas não, e se é no mínimo questionável a capacidade de um governo de gestão em se comprometer futuramente com compromissos desta ordem de grandeza, é igualmente verdade que António Mexia está literalmente a confundir os papeis, entre redactor do programa eleitoral do PSD e ministro das obras públicas do governo de gestão. E ao confundir estes papeis acaba por cair em erros, que mesmo para quem não tenha acesso a grandes números, consegue no mínimo questionar.

Nos últimos 3 dias, o governo de gestão da coligação, anunciou as seguintes obras de investimento público...

  • Projecto de Alta Velocidade Lisboa - Porto

    Contrariando tudo e todos os estudos até então efectuados, e mesmo quando o consórcio para a assessoria financeira do projecto está em banho-maria, António Mexia decidiu lançar uma obra nos seguintes moldes...


    Em primeiro lugar, e dando de oferta o timing do anúncio perfeitamente justificável pelo facto de este ser um projecto de índole nacional que foi tanto proposto pelo PS como PSD, existem algumas considerações que importa relevar...

    O custo da ligação Lisboa – Porto na totalidade através da modernização efectuada na Linha do Norte, ascenderá a 2.700 mil milhões de euros. Se contarmos que o tempo de viagem é de 2H20 neste cenário, e que a modernização se arrasta desde os tempos de João Cravinho no Ministério, pelo que grande parte do valor está efectivamente gasto, esta solução permitiria uma diferença de custos directos de 1.114 mil milhões de euros, para um tempo de viagem superior em 45 minutos.

    A diferença entre a escolha entre o uso da linha da Norte na sua totalidade e este projecto de António Mexia ascende a uns escandalosos 25 milhões de euros por minuto.

    Em segundo lugar, e não desprezível e António Mexia não o disse, de que forma será efectuada a entrada da Alta Velocidade no Porto? Através da linha convencional ou teremos uma nova ponte com um novo terminal ferroviário?

    Em terceiro lugar e porque o verdadeiro TGV em Portugal, deverá ser sempre a original ligação Lisboa –Madrid, e o traçado apresentado oferece algumas resistências por colocar a OTA fora da ligação directa, e fazia algum sentido coloca-la na rota por questões relacionadas com a ambição da construção de uma plataforma ibérica de aviação, caso a ideia da OTA vá mesmo em frente. Caso contrário uma OTA sem TGV não significa mais do que o assumir de compromissos imobiliários já estabelecidos para a Portela.

    Finalmente, uma ligação de alta velocidade com tantas paragens e dois intercambiadores de bitola, perde o efeito devido à desacelaração necessária. Numa distância tão curta, faria sentido uma paragem em Coimbra com conexão com a rede convencional do Norte.

  • Travessia Ferroviária sobre o Rio Tejo

    A apresentação da nova travessia ferroviária Chelas - Barreiro, foi apresentada como tendo à cabeça a justificação de que seria impossível passar o TGV pelo eixo ferroviário da 25 de Abril - Oriente . Ora não é crível que com a solução apresentada o comboio possa circular a 200 km/hora, tal como hoje, e por isso a utilização do eixo ferroviário da cintura de Lisboa, devidamente modernizado e relembro que os pendulares o utilizam nas ligações Algarve-Oriente, seria uma forma de pouparmos...250 milhões de euros. O custo da Obra.

  • Travessia Rodoviária sobre o Rio Tejo

    Ora Lisboa e o Tejo, e a experiência adquirida em túneis na cidade de Lisboa e junto ao rio, permite-nos encarar com optimismo a ideia de um túnel que ligue Trafaria a Algés. Depois de Carmona Rodrigues ter avançado com a ideia faraónica de um túnel entre cacilhas e Lisboa, chegou a vez de Mexia ter também o seu túnel. A ideia não é nova, mas carece de um parecer técnico para a sua apresentação. E quem conhece morfologicamente o solo do lado da trafaria sabe que a ideia não tem pés nem cabeça. Esta obra está orçada em 200 milhões de euros se a opção for ponte ou 400 milhões se a opção for túnel.

    Lisboa, precisa, e é um facto de uma nova travessia rodoviária, e a ligação Trafaria- Algés permitirá a conclusão da ligação pela CRIL, mas não seria mais exequível e rentável uma ligação rodoviária entre Chelas e Barreiro ? Ou a solução para os problemas do trânsito em Lisboa, está nos termos de contrato assinados com a Lusoponte que impede o Estado de promover de forma activa o uso de transporte público ?
Conclusões

Se por um lado o efeito na economia portuguesa deste nível de investimento será visível quer no emprego, quer no aumento do consumo privado, quer no sector da construção e cimentos, por outro lado e porque a União Europeia não comparticipa a totalidade dos investimentos, a forma como foram apresentados levanta séria dúvidas quanto a sua racionalidade económica. E um ministro não pode apresentar assim as coisas ao país.

O projecto TGV é algo que temos que aprender de uma vez por todas, tem que contemplar a ligação Lisboa- Madrid, e tudo o resto são estórias de embalar. O nosso país geográficamente é demasiado pequeno para o termos ligado por TGV puro.

Publicado por António Duarte 13:40:00 4 comentários Links para este post  



Síntese Económica de Conjuntura - Dezembro 2004


A informação sobre os principais parceiros comerciais de Portugal continua a revelar sinais de fragilidade na retoma internacional.

No plano interno, o indicador de clima económico agravou-se em Dezembro mas o indicador de actividade recuperou em Novembro, invertendo o movimento dos cinco meses precedentes.

O consumo privado desacelerou ligeiramente devido à evolução menos positiva do consumo corrente, enquanto o de bens duradouros apresentou um ritmo mais intenso de crescimento.

A confiança dos consumidores sofreu um novo retrocesso em Dezembro, afastando-se ainda mais do nível máximo de 2004, alcançado em Agosto. O indicador sobre o investimento recuperou ligeiramente em Dezembro, o que se ficou a dever à evolução positiva do material de transporte e das máquinas e equipamentos. Os dados sobre o comércio externo até Outubro apresentaram acelerações em ambos os fluxos, tendo aumentado o diferencial entre o ritmo de crescimento das importações e o das exportações.

No mercado de trabalho registou-se um agravamento da maioria dos indicadores disponíveis, exceptuando apenas as expectativas de evolução do emprego.

Em Dezembro a inflação estabilizou em 2,5%, registando-se movimentos inversos nas suas componentes, tendo a de bens acelerado 0,1 pontos percentuais (p.p.) e a de serviços abrandado 0,2 p.p.. A inflação subjacente manteve-se em 1,5%.

in INE

Publicado por Rui MCB 13:23:00 13 comentários Links para este post  



PP - Política Prozac

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, criticou hoje o documento apresentado pela Sedes (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social), alertando que "Portugal não precisa de uma atitude pessimista". "Fico não muito impressionado com documentos que habitualmente acentuam a depressão do país", afirmou Paulo Portas, num jantar com cerca de uma centena de empresários em Lisboa. Ao mesmo tempo, na sua chafarica, um dos seus seus fieis escudeiros, Paulo Pinto Mascarenhas, atirava-se a João Salgueiro perguntando, e referindo-se ao Presidente da Sedes, "E se fizesse alguma coisa de útil?" (!)... Ainda por aquelas bandas uma Inês Teotónio Pereira descobria virtualidades numa candidatura presidencial do Dr. Balsemão e na eventual entrada de João Pereira Coutinho no negócio dos média. Começando pelo fim tudo isto faz sentido, demasiado sentido, João Pereira Coutinho declarou-se contra o "pessimismo" dos média, contra o excesso de más notícias, contra a overdose de realidade e e aí que está a chave. Portas, e os seus acólitos, acredita piamente que se determinado tipo de problemas não forem debatidos publicamente então é como se não existissem, é a lógica pura e dura da avestruz. A verdade, seja qual for, sobre o que for, é só para alguns. A plebe, o povo, esses incultos a quem de tempos a tempos é preciso convencer a ir votar, uma maçada, não tem estaleca para perceber os problemas, deprime-se, alegam eles, precisa é de Big Shows SICs, Quintas de Celebridades e jogos de futebol para se entreter. Uns democratas é o que é. O pequeno facto de tudo o enunciado no documento da SEDES ser um lugar comum, absolutamente óbvio, e - entre alminhas intelectualmente honestas - absolutamente consensual é obviamente negligenciável até porque para esta tropa os factos não se discutem, fabricam-se. O pântano também é isto, resta saber até quando.

Publicado por Manuel 23:32:00 6 comentários Links para este post  

Já dava para desconfiar, hoje teve-se a certeza, o blasfemo polemista João Miranda não é um liberal, apenas um anarquista envergonhado. Dar de barato que o "O desemprego segue atrás do ciclo económico e o resto é demagogia." pode ser redutor e demagógico mas diz tudo sobre quem faz tal afirmação.

Publicado por Manuel 21:25:00 0 comentários Links para este post  

A Conferência Episcopal espanhola, órgão máximo da Igreja católica em Espanha, defendeu hoje o uso de preservativos, afirmando que estes "têm o seu contexto numa prevenção integral e global da Sida". Segundo o porta-voz e secretário-geral da Conferência Episcopal, Juan António Martinez Camino, as posições da Igreja sobre a Sida estão avalizadas por propostas científicas publicadas pela prestigiada revista "The Lancet", nas quais se defende uma estratégia que combina abstinência sexual, fidelidade e uso de preservativos.

Publicado por Manuel 19:50:00 0 comentários Links para este post  

Já dava para desconfiar, hoje teve-se a certeza, o blasfemo polemista João Miranda não é um liberal, apenas um anarquista envergonhado. Dar de barato que o "O desemprego segue atrás do ciclo económico e o resto é demagogia." pode ser redutor e demagógico mas diz tudo.

Publicado por Manuel 18:12:00 4 comentários Links para este post  

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, considerou, segunda- feira à noite, que o problema de Portugal "é a falta de ousadia" e lembrou o exemplo dos últimos 30 anos de audácia do arquipélago. Naturalmente tem razão. Há em Portugal muita timidez, timidez e cobardia, que permite a alguém como o Dr. Jardim poder pagar, impune e serenamente, com dinheiros públicos, a um pasquim de extrema-direita, para que este lhe publique os seus textos. De facto num país normal até nem era preciso ousadia, apenas vergonha na cara mas num país onde um reformado precocemente por motivos psíquicos é convidado a dirigir a PSP já se espera de tudo... Resta saber até quando.

Publicado por Manuel 17:28:00 2 comentários Links para este post  



"Consultor fiscal todo-o-terreno"


A fortuna bateu-lhe à porta quando Oliveira e Costa, o voluntarioso secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco Silva, entrou de supetão, fora de horas, nas instalações do IVA e ele ainda por lá andava. Logo ali Amaral Tomás foi feito dirigente e incumbido de vender a reforma fiscal pelas secções do PSD. Fê-lo com tanto ardor que, em breve, seria nomeado assessor de Oliveira e Costa, trampolim para se alçar à Reper. A travessia do guterrismo fê-la como pôde, mostrando que não é pessoa para desânimos. Quando parecia abrigado das tempestades, eis que Martins da Cruz o recambia da embaixada em Londres, quando acabou com a «diplomacia do croquete». De regresso à pátria, Amaral Tomás pediu sucessivamente emprego a Barroso e a Santana Lopes: no governo de Barroso, foi adjunto do secretário de Estado da Economia; no governo de Santana, adjunto do secretário de Estado dos Assuntos Europeus. Subitamente, Sampaio dissolve a Assembleia da República e Amaral Tomás aparece nas Novas Fronteiras: é o rosto na área fiscalOs pactos de regime fazem-se com camaleõesnão com palavras ocas. Já estou a começar a entender o que o Filipe Nunes, um dos bloggers que mais gosto de ler, quis dizer quando falava na necessidade de cativar «os sectores mais dinâmicos da sociedade». Só não foi preciso cativá-los... Pela sua própria natureza, os Valadares Tavares, os Carlos Pinto Coelho, até os Amaral Tomás são gente sempre disposta a aceitar novos desafios

in Pula Pula Pulga

Publicado por Manuel 16:38:00 0 comentários Links para este post  



Bilião - a quem interesse

bilião
numeral cardinal e substantivo masculino
1. um milhão de milhões; a unidade seguida de doze zeros (1012);
2. Brasil mil milhões; a unidade seguida de nove zeros (109);
(Do fr. billion, «id.»)


© Copyright 2003-2005, Porto Editora.


Alguns jornais e ministros parecem ter-se rendido à norma anglo-saxónica (dominante também no Brasil). Será intencional? Trata-se do novo acordo ortográfico? É mais um episódio da questão atlântica ou tratar-se-á de um lapso? Pelo sim pelo não, por estes dias, é melhor perguntar quanto vale um bilião.

P.S.: No Brasil diz-se também bilhão.

Publicado por Rui MCB 14:34:00 1 comentários Links para este post  



emancipação precisa-se...

Ontem a RTP/1 passou um debate onde alguns dos senadores desta nação peroraram sobre o futuro do país. Mário Soares, Pinto Balsemão, Freitas do Amaral e Adriano Moreirabrilharam, não que fosse díficil. À primeira vista o mais fácil é dizer-se que já não se fazem políticos com antigamente mas, depois fica um sabor amargo na boca. Porque a política não é apenas saber falar bem e dizer coisas com nexo, é algo mais, é ter objectivos e ser coerente, na teoria e na prática. O mesmo Dr. Soares que se lamenta é o mesmo que falando da imperiosidade das reformas a seguir gaba o programa (exequibílissimo) do Bloco porque não quer uma maioria absoluta do PS, etc, etc, etc... O Dr. Balsemão, cujo canal vende políticos como sabonetes, no final lá aparece com um paternalista discurso em relação ao Dr. Lopes, o Prof. Adriano omite que inventou o inenarrável Dr. Monteiro, e dá aulas ao Dr. Portas, e o Prof. Freitas esqueceu-se de mencionar que quando chega a hora da verdade a vaidade o leva a caucionar quem quer que esteja no poleiro. Em bom rigor Portugal também está assim por causa destes senhores. Porque fugiram a assumir as responsabilidades, no conforto das vidas privadas, e caucionarm, por acção e omissão, troupes sucessivas de incompetentes e inaptos. No fundo conforta-os que a actual geração não lhes faça sombra, de facto não faz e o problema é todo esse. E não faz porque em parte eles não quiseram, e não deixaram, o pântano conforta-os.

Publicado por Manuel 11:58:00 1 comentários Links para este post  



manifesta infelicidade

No Quinto dos Impérios João Vacas escreve ...


O DN de hoje transcreve uma afirmação de Silvana Koch-Merin, deputada alemã ao Parlamento Europeu: «toda a Europa sofreu no passado em consequência dos crimes dos nazis. Por isso, seria lógico que os símbolos nazis fossem banidos de toda a Europa». E pronto.
Recorrendo ao mesmo critério, e admitindo que essa coisa do banimento de símbolos é factível (e não é contraproducente), lembro-me de mais qualquer coisa a juntar à lista de proscrições.

ao que justa dois selos como ilustração - uma com uma suástica e outro com uma foice e um martelo.

É uma declaração manifestamente infeliz e insensata. Goste-se ou não, o facto é que antes, e depois, da Revolução Russa, pesem os Estalines, e os Pol Pots deste mundo, sempre existiu uma componente ideológica mais ou menos abstracta, pacífica e "respeitável" do comunismo/marxismo/socialismo. Ora tal não se pode dizer, nem de perto nem de longe, do nazismo que, como doutrina, nunca foi dissociável da sua praxis. Só por isso o defendido pelo João Vacas é uma monumental disparate, um disparate que equivale não a demonizar o comunismo na pessoa da foice e do martelo mas sim a relativizar o nazismo. Esperava-se mais juízo.

Publicado por Manuel 10:06:00 2 comentários Links para este post  



roupa suja...


Percebe-se que o poder é tentador e que por essas redacções estão os futuros assessores do putativo Governo PS. Percebe-se que a vitória de Sócrates implica a venda a qualquer preço do grupo de comunicação social da PT, uma promessa feita na sequência de uma campanha obscena contra os jornais do grupo, em particular o DN. Percebe-se. Mas tentem ao menos disfarçar o que lhes vai na alma. Os vossos patrões vão com certeza perceber.

António Ribeiro Ferreira, DN

Publicado por Manuel 1:45:00 0 comentários Links para este post  

Na RTP peroram o creme de la creme dos senadores da nossa República. Ouço Freitas do Amaral afirmar, com escândalo, que só em 2003 a administração pública encomendou 50 milhões de contos em pareceres a luminárias externas à mesma. Presumo que o homem saiba do que fala e ignoro se por razões éticas recusou fazer algum, retenho apenas a verba - 50 milhões de contos, 250 milhões de €uros. É também assim que se seguram e fidelizam clientelas em certas élites da dita sociedade civil...

Publicado por Manuel 1:33:00 22 comentários Links para este post  


O que me intriga é outra coisa: o que faz o PSD supor que o consumo de energias e tempo de antena com esta monomania é eleitoralmente compensador? Num estudo de 2002, realizado pelo ICS, 73% dos inquiridos afirmavam ter "pouca" ou "nenhuma" confiança nos partidos, enquanto que apenas "44% deles afirmavam ter "pouca" ou "nenhuma" confiança nos institutos de sondagens. Bem ou mal, justas ou injustas, as percepções são estas. E posto isto, o que pensa o PSD poder ganhar ao chamar ainda mais a atenção para resultados que lhe são manifestamente desfavoráveis, e nos quais os eleitores parecem confiar mais do que nos próprios partidos? Mistério.

E há outro mistério que gostava de decifrar. Ontem, depois de atravessar o viaduto Duarte Pacheco na direcção de Lisboa, julguei vislumbrar um novo outdoor do PSD onde se mostrava um gráfico com os resultados de várias sondagens, indicando uma linha ascendente do PSD (repetindo, aliás, outdoor semelhante já usado nas autárquicas por Santana Lopes). Pareceu-me que uma das sondagens cujos resultados visavam validar esta curva ascendente era uma sondagem do Expresso. Da Eurosondagem. Não pode ser. De certeza que vi mal. Ou não?

Pedro Magalhães, Margens de Erro

Ainda a propósito do excelente contributo do Pedro Magalhães uma ou duas palavrinhas para as hordas que se lamentam para a falta de qualidade da oferta do nosso sistema político, é só atentar ao que é dito aqui. O facto é que só 16% dos inquiridos afirmam ter alguma vez contactado directamente com um deputado do seu círculo eleitoral; mais de metade dos inquiridos afirma não saber o nome de algum deputado ou deputada que tenha sido cabeça de lista por algum partido no seu círculo eleitoral; cerca de 75% dos inquiridos afirmam “concordar” ou “concordar completamente” com as afirmações de que “os políticos só estão interessados nos votos das pessoas e não nas opiniões delas” ou que “os partidos criticam-se muito uns aos outros, mas no fundo são todos iguais”;

Não sei se perguntaram quantos pensaram em aderir a um partido político com o fim de mudar as coisas, porque a questão é mesmo essa. Por muitos vícios que o actual sistema político tenha tenha, e tem, por muitas resistências que o sistema tenha à mudança, também tem, o facto é que muito boa gente não está para se maçar, e a política (já) não é vista como algo de nobre, antes pelo contrário. O drama todo é esse. O facto é que diga-se o que se disser as coisas ainda não estão sufiucientemente mal que forcem as pessoas a fazer, elas próprias, uma limpeza geral nos partidos arco do regime, leia-se PS e PSD, porque quando estiverem realmente mal, e é só subirem a sério as taxas de juro ou a inflação disparar, podem ter a certeza que ela acontecerá. Nos entretantos, a sociedade demite-se, porque é de uma demissão que se trata, dos seus deveres cívicos, e delega no vácuo a condução da coisa pública. É a vida.

Publicado por Manuel 0:12:00 1 comentários Links para este post  



falar claro...

Ainda falta mais de um mês para o dia 20 de fevereiro e já começa a ser um lugar comum falar da questão da sucessão no seio do PSD... Ao que parece qualquer militante qualificado (?) serve, chame-se ele Dias Loureiro, Rui Rio ou Marques Mendes. O que interessa é, segundo parece, apenas e só a tal qualificação.

Acontece que este debate não só é estemporâneo como contraproducente
, é, em suma, um erro. Um erro porque o PSD não vai perder as próximas eleições legislativas devido a uma qualquer lógica de ciclo, cansaço ou alternância, o PSD vai perder as próximas eleições, no dia 20 de fevereiro, porque mesmo contra o PS do Eng. Sócrates os portugueses o acham uma pior opção.

O PSD vai pois perder as próximas eleições porque é considerado pior que mau, e o Eng. Sócrates é mesmo mau, e, em democracia, os eleitores tem sempre razão. Ora uma derrota do PSD não pode ser imputada apenas e só a Pedro Santana Lopes. Sem menosprezar a responsabilidade do Dr. Lopes o facto é que ele não chegou aonde chegou sozinho, antes pelo contrário. Reduzir o balanço das legislativas, no seio do PSD, a uma mera questão de liderança é tacticamente interessante, na lógica de sobrevivência de alguns, mas estratégicamente um disparate, porque o problema não é o Dr. Lopes ter sido o líder que foi a votos perdeu, o problema é alguém com as caracteristicas do Dr. Lopes ter conseguido chegar a líder. Porque um partido como o PSD tem que almejar sempre a infinitamente mais que o Dr. Lopes.

Quando cair, e vai cair, o Dr. Lopes não pode cair sozinho como algo de que o PSD se livra embaraçado, sem se entrar em lógicas de purga o facto é que esteve com ele, quem o caucionou, quem, no seu consulado, escolheu, por opção única e exclusiva, apostar na vida política tem que natural e consequentemente tirar ilações e assumir co-responsabilidades.

A grande discussão que tem que se fazer a partir de 20 de feverreiro é sobre o que está errado no seio do PSD, na forma como internamente este funciona e na forma como se relaciona com a sociedade em geral, perceber porque é que não é um lugar de excelência, etc e tal. Qualquer discussão em torno da liderança que não seja precedida por um debate interno sério condena o PSD a ser apenas uma versão mais à direita do PS, embora haja naturalmente quem se contente e dê por feliz com isso.

Uma das grandes questões que tem sido afloradas, periodicamente, no seio do PSD, e que vai ser aliás fracturante no day after, é o comportamento face ao posicionamento do Prof. Cavaco em relação à actual liderança. Aqui pede-se, aliás exige-se, coerência. Coerência porque o Prof. Cavaco não deve rigorosamente nada ao PSD, o PSD e o País devem-lhe tudo. Alegar-se que o Prof. Cavaco fez mal, e foi prejudicial o PSD, porque se não gostava do Dr. Lopes devia ter ido a Conselho Nacional (e se tivesse ido seria acusado de paternalista, como se adiantasse alguma coisa) é da maior desonestidade intelectual possível, e é, outra vez, reduzir o PSD a uma lógica clubistica e diminuir os seus militantes a meras caixas de ressonância de uma qualquer claque.

, no interior do PSD, quem já tenha dito que não votará no Prof. nas próximas presidenciais, há quem o acuse agora de cobarde e traidor, afinal é disso que se trata quando se afirma que ele "deveria estar disponível para ajudar o partido nas horas difíceis", e há quem se cale tacita e muito convenientemente. Para os mais esquecidos recorda-se que sempre que falou, nos últimos anos, o Prof. Cavaco falou para o País, não para o interior do PSD, e se presentemente o PSD não é a melhor opção para o País isso, sendo um problema de facto do país, não pode ser imputado, com honestidade, ao Prof. Cavaco. Mais, insinua-se egoismo na recusa do Prof. Cavaco em ajudar o PSD nestes "momentos díficeis", mas afinal o homem está a ajudar o Partido muito mais do que se pensa. Podia ter ficado calado, podia olhar para o lado, podia chutar para canto, como agora se diz, mas não, educada e polidamente, Anibal Cavaco Silva deu um sinal - um sinal de responsabilidade, num acto de pedagogia, recordou aquilo que é um dos ensinamentos básicos de Sá Carneiro, que é o de nunca ficar calado, doa a quem doer.

E o grande drama, a grande doença, desde os tempos em que ele foi primeiro-ministro, é que nunca se debateu a sério no interior do PSD, houve alianças, tricas para aqui, tricas para acoli, mas nunca houve debate verdadeiro, nunca houve clarificações. O que o Prof. Cavaco, militante de base, veio dizer foi tão só que o tempo do silêncio acabou, um verdadeiro drama para aqueles que não tem nada de verdeiramente relevante para discutir, porque demasiado habituados a negociar lugares e carreiras, jogar com fidelidades ou à espera que o poder lhes caia no regaço...

(continua)

Publicado por Manuel 23:31:00 0 comentários Links para este post  



Absoluta?

Pertenço a um conjunto, que espero vasto, de pessoas que em 20 de Fevereiro tencionam mudar o seu sentido de voto. Grande parte dos quase oitocentos posts deste blogue [o Portugal dos Pequeninos] explicam amplamente porquê. A minha confiança neste PSD terminou definitivamente no dia em que o dr. Barroso decidiu abandonar o seu posto. E a forte empatia pessoal que sinto por Pedro Santana Lopes não chega para lhe continuar a entregar, sem mais, os destinos da nação. Dito isto, e porque o caso é verdadeiramente sério, desejo uma maioria absoluta do Partido Socialista para, como escrevi outro dia, fazer o que tem de ser feito. A seguir - mas isso é mais lá para diante -, quero pôr Cavaco Silva no lugar de Jorge Sampaio. Não andarei seguramente longe da verdade se disser que deve ser assim que muito eleitor pensa. Não me parece, no entanto, que este eleitor esteja muito entusiasmado. Nem julgo que se manifeste disponível para aguentar promessas vãs ou martirizações infantis. Entenda-se, uma vez por todas, que o país está legitimamente cansado e indignado. Mobilizar todo este incómodo não é nada fácil. Esta semana começou, nesta matéria, com um horrível "pingue-pongue" entre o PSD e o PS por causa daquilo que se pensa que se vai fazer. Eu pergunto se alguém sinceramente sabe qual é o autêntico "estado da arte". O governo já deu bastas provas que navega à vista. E é impossível que o PS conheça em detalhe aquilo que vai encontrar se formar governo. Ontem, gratuitamente, o eng. º Sócrates permitiu que um amável Santana Lopes disparasse um "tiro" no seu "porta-aviões". Eu nada tenho contra a circunstância de o eng. º Sócrates "ferver em pouca água". E ainda menos contra o facto de, em cada esquina, a toda a hora, aparecer uma "solução" para quase tudo. Estas eleições decidem a credibilidade de dois homens. O resto é folclore. Para o PS, essa credibilidade joga-se no lance da maioria absoluta. Não é só com o eleitorado tradicional do PS que ela se conquista. Nós, os que estamos "de fora", não somos demasiado tolerantes. Já não temos pachorra. Por isso, eu perguntaria, a um mês do acto eleitoral, se o eng. º José Sócrates acha que este é "o rumo" certo para chegar à dita maioria. A sério, tem a certeza? Absoluta?

Publicado por João Gonçalves 21:18:00 1 comentários Links para este post  



Ai não ?!

Hoje, no Palácio da Moncloa, aonde foi prestar vassalagem ao Sr. Zapatero, o Eng. Sócrates declarou solenemente - "Eu não sou igual ao Dr. Santana Lopes".

Ora bem, na passada sexta-feira informamos aqui que o Eng. Sócrates tinha arregimentado uma boa parte da pool de jornalistas encarregue de cobrir a campanha do PS num pequeno-almoço no Hotel Altis. Pequeno-almoço esse rapidamente convertido numa espécie de sessão de catequese/puxão de orelhas aos mesmos jornalistas pela forma pouco respeitosa como estes estavam a cobrir a campanha do PS e a performance do Eng. Sócrates em particular, com muito enfase na cobertura televisiva. Diga-se, em abono da verdade, que, na hora e passada a perplexidade inicial, nenhum dos presentes se comprometeu ao pacto de bom "comportamento" mais ou menos insinuado, antes pelo contrário. Estiveram presentes, entre outros, no tal pequeno almoço a Ana Sofia Vinhas (TVI), o Pedro Coelho (SIC), a Elsa Marujo (RTP), o João Pedro Henriques (Público), o Pedro Morais Fonseca (Lusa), o Martin Silva (DN), a Alexandra Marques (JN), a Rita Tavares (Diário Económico) e a Mariana Adams (A Capital). Dos semanários tanto quanto sabemos não esteve ninguém e esteve ainda representada a RR e a TSF. Todos diferentes, todos iguais.

Publicado por Manuel 19:21:00 3 comentários Links para este post  



"Os "Marrões""


Como é que é possível que Sócrates se deixe enredar e acabe a debater "detalhes", ou a fazer promessas dando uma imagem quase tão trapalhona, ou desesperada do PS como a que o PPD tem agora?

Quando é que os nossos líderes terão a coragem para assumir perante os jornalistas e fazedores de opinião que eles nem têm de saber de cor os números do PIB, nem o valor ao cêntimo do défice. Têm, isso sim, que saber ver como se estivessem no topo de uma colina, com visão de conjunto e convicções fortes quanto à direcção a seguir.

É que isto definitivamente não vai lá com "marrões"...

in Para Lá de Bagdad

Publicado por Manuel 18:40:00 0 comentários Links para este post  



Dicionário....

A Grande Loja informa que o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências bem como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa acabam de produzir, em conjunto, um verbete sobre um novo vocábulo da língua portuguesa a figurar na próxima edição daquelas duas obras de referência:


Santanice s.m. (2004) 1. Acto ou acção de alguém que acaba sempre por prejudicar outrem e ser também ele prejudicado com esse acto ou acção, sem ter disso consciência disso. 2. Forma de agir inopinada e irresponsável que prejudica toda a gente envolvida directa ou indirectamente na acção, sem que o autor tenha uma consciência absoluta dos consequências dessa acção <Tá bem, pronto, eu volto>. 3. Estupidez, parvoíce, inexperiência, irresponsabilidade de grande dimensão, efeito negativo de algo dito ou feito por um inconsciente com poder para o fazer. 4. Um misto de sacanice com trapalhada, ou de sacanagem com trapalhice. 5. Feitiço, mau olhado <Virou-se a santanice contra o santana (feiticeiro)>. Etim. Santana + ice.

Publicado por António Duarte 17:40:00 3 comentários Links para este post  



Mota Amaral

Ao que parece no Congresso do PSD/Açores que decorreu este fim de semana apelou-se à candidatura presidencial de Mota Amaral por oposição a uma hipotética candidatura do Prof. Cavaco, em quem se zurziu e muito. Atendendo a que Mota Amaral é o cabeça de lista pelos Açores do PSD há que convir que falar agora na sua candidatura presidencial é um acto de coragem. Ora sendo, antes de mais, Mota Amaral um fenómeno regional se não ganha, numas legislativas em que é cabeça de lista, e não constitui mais valia na sua própria terra como esperar que seja um candidato vencedor nas presidenciais, a nivel nacional ? E o argumento de que não é ele que vai a votos mas sim Santana não colhe, porque ao lado, na Madeira o Dr. Jardim, que não consta vá ser candidato Presidencial, vai manter o PSD acima da linha d'água. Logo e em suma, regista-se a coragem de Mota Amaral e dos seus acólitos; Se perder agora nos Açores não poderá ser jamais candidato presidencial, se ganhasse podia continuar a sonhar... É a vida.

Publicado por Manuel 16:25:00 1 comentários Links para este post  



O que nos espera...

Incoerência e incompetência são sinónimos que certamente se aplicarão ao próximo governo de Portugal, quer seja ele de direita quer seja ele de esquerda.

Incoerência à esquerda, porque não se compreende o porquê de um voto contra na aprovação de um orçamento geral de Estado, para 15 dias e apenas 15 dias depois, efectuar uma colagem a esse mesmo orçamento, mantendo o corte nos benefícios fiscais e a redução nos escalões de IRS. Ao PS ficou só a faltar explicar, se em 2005 o mesmo PS se for eleito irá exigir aos portugueses que descontem mais do que pelas novas regras lhe deveriam ser descontados, para e deixando correr 3 quartos do ano de 2006, o mesmo PS devolver o que amealhou em excesso no ano anterior, sob a forma de reembolso pré-autárquico.

Incompetência à esquerda, na forma como levianamente se mostra ao país a sua verdadeira proposta, da qual traçamos aqui desde já o seu efeito :



Notas...
  • a) O valor do consumo privado é obtido na assumpção que 70 % do rendimento disponível se destina consumo
  • b) Deduz-se que o salário criado para os 150.000 novos empregos, andará em média nos 500 euros líquidos
  • c) Aplicado uma dedução de 11 % no IRS e 24,50 % para a Segurança Social). Assume-se que existe de facto um acréscimo no emprego em 150.000 novos postos

Ora, e visionando assim ao de leve, parece que Sócrates re-inventou a economia. Mas falta aqui algo de muito importante, e que obviamente Sócrates não disse, e passa por saber onde se vão criar estes novos 150.000 empregos ?

Na função pública ? Bom para que se tenha a mínima noção, criar apenas metade (75.000 ) novos empregos na função pública, aumentando de facto o número de funcionários públicos em 75.000, tal teria um efeito equivalente na rubrica de remunerações igual a 60 % da remuneração inscrita no orçamento de 2004.

Assumindo que a função privada cria 75.000 novos empregos ao fim de 4 anos, isto levaria a taxa de desemprego para os 3,00 %, ou seja, semelhante ao pleno emprego. Por outras palavras Sócrates sem o dizer conseguiu ser incoerente, incompetente e pautar pelo pleno emprego, algo que é prejudicial à economia.

Não é sequer ao Estado possível criar - aumentando - mais empregos, devendo a lógica funcionar precisamente ao contrário. Quanto à função privada e face ao efeito que a deslocalização dos têxteis terá não será crível que a nossa economia, nos actuais moldes e sem reformas de fundo a curto prazo, seja capaz de criar/aumentando 35.000 empregos por ano.
Demagogia, pura e simples, é o que representa a proposta de Sócrates.

Depois quanto a Santana Lopes, ontem domingo dia de família que paga fraldas para bébés a 19%, mesmo se esses bébés já estejam maduros e não levem "estalos" dos irmãos, fica apenas uma pergunta..

Se o presidente da república tivesse poderes para dissolver o líder de um partido político, como tem para dissolver a Assembleia República, para além de dissolver a liderança do PS, será crível que jamais Pedro Santana Lopes tivesse alguma vez tomado posse... como líder do PPD/PSD?


Notas finais
  1. Ao Tugir preocupado com a integridade do PS, nem uma palavra sobre a promiscuidade assumida pelo candidato a ministro das finanças ou da economia pelo PS, de seu nome Joaquim Pina Moura, que teve o descaramento de afirmar no Independente que estava disponível em part-time para a política. Recomenda-se ao aludido blog, que veja se Pina Moura não é presidente da Iberdrola Portugal, uma empresa com interesses na re-privatização da Galp e sobretudo no negócio do gás.

Publicado por António Duarte 14:04:00 5 comentários Links para este post  



Para que não haja surpresas

Se não estou totalmente enganado, o único debate acerca do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a que vamos assistir durante a campanha eleitoral centrar-se-á na discussão das virtudes e dos defeitos dos vários modelos jurídicos e de gestão dos hospitais do Estado até agora propostos.

Partindo do princípio universalmente aceite que só existe uma forma de gestão – a boa – manifesto a esse tipo de debate o meu desde já total desinteresse, ao qual prestarei apenas atenção ao ínfimo aspecto da discussão do binómio legalidade versus eficácia da despesa.

Assim, e em face do não debate que se advinha sobre medidas que irão doer a todos, propondo que o mesmo seja tão-somente sobre a questão ideológica do papel do Estado no financiamento do SNS.

Publicado por contra-baixo 11:13:00 2 comentários Links para este post  



"O Sono"


O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono! ...

Álvaro de Campos

Publicado por Manuel 22:48:00 0 comentários Links para este post  

Se calhar sou mesmo eu que não gosto do Dr. Lopes mas há qualquer coisa de insólito quando um primeiro-ministro, demitido é certo mas no exercício de funções, e líder partidário convoca, num domingo, uma conferência de imprensa para atacar o líder da oposição, costuma ser ao contrário. Dito isto, e passe a espuma, aguarda-se pacientemente a divulgação dos programas de governo do PS e do PSD...

Publicado por Manuel 19:24:00 3 comentários Links para este post  

Numa entrevista ao JN muito bem conseguida Pedro Santana Lopes traça um excelente retrato da crise, segundo si próprio. Não dá para perceber tudo mas dá para perceber muita coisa, como por exemplo o papel, nos bastidores do poder, de personagens sem qualquer legitimação democrática como o banqueiro Ricardo Espiríto Santo Salgado. A brincar, a brincar é assim que se percebe como nulidades como Luis Delgado chegam a Administradores da Lusomundo...

Publicado por Manuel 16:17:00 0 comentários Links para este post  



a verdade da mentira

Já mais do que uma vez aqui se notou o caso impar que é o Semanário no panorama jornalistico português. A edição da passada sexta-feira é mais uma edição de colecionador e algumas coisas que lá aparecem escarrapachadas não merecem o desprezo a que são votadas, quer sejam falsas, quer sejam verdadeiras. Numa enorme peça, tema de capa, onde pretende retratar a situação interna no PSD no rescaldo dos incidentes que rodearam a ida de Morais Sarmento a S. Tomé, e ao mesmo tempo que se tecem retratos para o futuro, são feitas en passant uma série de afirmações que se por um lado deveriam merecer imediatamente uma exigência de desmentido dos visados (o Semanário é aliás, recorde-se, aquele orgão de informação que já uma vez teve de desmentir em toda a concorrência, em anúncio, uma manchete sua, que levou ao anúncio da instauração de uma série de processos dos quais nunca mais se soube de nada...) por outro lado deveriam levar imediatamente a Procuradoria Geral da República a agir, quanto mais não seja para garantir o bom nome e imagem do Estado de Direito. Nem uma coisa nem outra aconteceu até agora. Ficam pois no ar, para memória futura, as graves suspeitas sobre privatizações (!) piratas da TAP, ao BES, sobre ligações perigosas entre a sociedade de advogados a que pertence o Dr. Sarmento, a PLMJ do Dr. Júdice, os negócios do petróleo, e o governo, etc, etc, etc... É que assim, com tanto recato, passa a ideia de que pode ser tudo verdade, ou quase, e o que definitivamente interessa é não levantar mais ondas. Pois.

Publicado por Manuel 13:23:00 0 comentários Links para este post  



Sobre o país de Hugo Chavez, que conta por cá também com muitos adeptos mais ou menos confessos...

A tour of socialist Venezuela, where 98 percent of the people are poor and the other 2 percent ogle metrosexual Tarzans and silicone-perfect blonds at a well-lubed fashion show. [ler aqui/salon.com]

Publicado por Manuel 10:03:00 2 comentários Links para este post  



Mendes Bota...

O cabeça de lista por Faro pelo PSD, o tal que ficou mais conhecido por ter editado um CD de música do que pelo seu trajecto de euro deputado, lança-se a José Sócrates, por causa deste ter atirado para as calendas o referendo sobre a regionalização.

Ora, a Mendes Bota ficou-lhe a faltar um pequeno detalhe, tal e qual a faixa escondida que o seu CD continha e nunca ninguém conseguiu encontrar. A Mendes Bota ficou a faltar-lhe, ele próprio, falar da regionalização, ela própria.

Sobre a regionalização os nossos políticos ainda não perceberam que começam sempre por discutir o mais complicado e esquecem-se de explicar o que de facto melhoraria com a mesma regionalização.

Num país onde os eleitores acreditassem de facto no sistema político que elegem um projecto desta envergadura, que trata apenas da organização administrativa do país, era efectuado por decreto. Mas não, Portugal teima não só em gastar mais dinheiro em actos eleitorais que nunca levarão a lado nenhum, como pasme-se em discutir o sexo dos anjos, no que à regionalização diz respeito.

Discutir a sério a regionalização em Portugal seria, por exemplo, pensar nos benefícios que traria acabar com os quase 400 mini-governos – leiam-se autarquiasque existem e substitui-los por 5 grandes governos regionais.

Mas isso Mendes Bota não quer. Discutir entenda-se. Primeiro porque não lhe abunda o dote para o discurso ainda que sobre para a música, e depois porque discutir algo deste género implicaria explicar aos amigos Macários, Vitorinos e Catunas que a partir desse momento, por exemplo, as ordens para alterar o PDM em zonas de reserva natural passariam a ser emanadas por um órgão muito mais acima, muito mais escrutinado, e não por eles próprios em assembleia municipal...

De facto, isso seria um passo de gigante, que os nossos políticos se recusam a dar...

Publicado por António Duarte 21:45:00 0 comentários Links para este post  

Pedagógico, q.b., o "debate" à volta de uma biografia apócrifa de Maria José Morgado aqui nos comentários...

Publicado por Manuel 20:03:00 0 comentários Links para este post  



Sharks swim in the aquarium at the zoo in Madrid in 2004.

Publicado por Manuel 19:13:00 0 comentários Links para este post  

O português deve ser mesmo uma língua muito complicada, há já vários dias que o Eng. Sócrates se enrola, e enrola, e volta a enrolar por ter declarado, e bem, que, apesar de ter sido contra, se for eleito não vai revogar as mexidas inseridas no último OE e que resultam na eliminação dos benefícios fiscais e na redução do IRS. Sócrates disse que o fazia em nome da estabilidade fiscal e de cada vez que fala no assunto embrulha-o ainda mais. A futura oposição, do PSD ao PP passando ao BE e ao PCP barafusta. Acontece que, e aparte não se saber exprimir, para variar a declaração de intenções de Sócrates é do mais puro bom senso, afinal não lembra ao macaco chegar ao poder e revogar o OE em vigor e fazer um novo de raiz, a meio do ano, porque é disso que se trata, e é isso que de facto se está a discutir. O resto é espuma...

Publicado por Manuel 15:23:00 0 comentários Links para este post  



Ministério da Família pondera subsidiar estágios no Reino Unido

Segundo um estudo publicado no Público, enquanto os homens portugueses gastam sensivelmente o mesmo número de horas semanais nas lides domésticas que os seus congéneres ingleses (cerca de 6), as mulheres dos primeiros consagram mais doze horas que as dos segundos (22 contra 10). A priori, poder-se-ia considerar que a maior dedicação corresponderia uma limpeza superior. Na realidade, a perfumaria é uma indústria particularmente pujante por terras gaulesas, mas incipiente no Reino de sua majestade, pelo que se supõe ser a higiene dos seus súbditos razoável. Então, poderemos concluir que a endémica falta de produtividade nacional também ecoa dentro das quatro paredes? Ou de facto a qualidade do trabalho é superior mas incomensurável? São questões a que os candidatos a Primeiro urgem responder (depois, evidentemente, de definirem o próximo desígnio futebolístico nacional), a fim de determinar o sentido de voto de milhões de pais de família.

Publicado por Nino 13:30:00 0 comentários Links para este post  



"Da Virtude"


O primeiro-ministro e líder do PSD concedeu uma entrevista ao Jornal de Notícias. Descontados os habituais "estados de alma", Santana aproveitou o ensejo para lançar alguns "recados" ao dr. Portas. Lembrou-lhe que, nas autárquicas de 2001, ele foi "o herói da esquerda" e que agora aparece como o depositário de todas "as virtudes". Por contraste com ele próprio, presume-se. Por seu lado, Portas pôe hoje na rua o seu cartaz onde aparece entalado entre as palavras "voto útil". A devastação provocada pela inépcia destes últimos meses e o "balanço" fortemente negativo que é forçoso fazer da experiência da coligação, não deixam praticamente nenhuma margem para a "retoma eleitoral". Isto quer dizer que o PSD de Santana e o CDS/PP vão disputar basicamente o mesmo eleitorado. Em linguagem chã, têm que se enfrentar e opôr. Portas tem feito campanha à custa da sua "imagem" de ministro de Estado e da Defesa, repetindo à exaustão os seus "méritos" e as suas "medidas", reanunciadas vezes em fim. Tem a crédito a distância prudente a que se colocou das infantilidades do seu parceiro maior. Lopes naturalmente já percebeu o que é que isto quer dizer. Acontece que, nesta matéria, nenhum deles é particularmente "virtuoso". Preparemo-nos, pois, não para uma "campanha alegre", mas para uma campanha sórdida onde cada um tentará mostrar que "a minha virtude é maior que a tua".

in Portugal dos Pequeninos

Publicado por Manuel 10:48:00 0 comentários Links para este post  



" Triangulações: sugestões para uma próxima revisão constitucional"


Maria José Morgado é novamente notícia, ao voltar à carga com a corrupção, enfatizando, segundo a comunicação social, os problemas que fustigam o futebol. A procuradora tem razão, mas de tanto se falar no triângulo da corrupção descrito por Saldanha Sanches (clubes/autarquias/construtores civis) pode perder-se a medida das coisas. A tribo do futebol – e aí Valentim Loureiro parece estar certo – não é responsável por tudo quanto acontece de mal (leia-se, corrupção) no país. Haverá outros eixos do mal – ou triângulos -, mas o(s) do futebol, quando comparado(s) com outras actividades, não passa(m) de tirocínio de pilha-galinhas.

Não é preciso ser-se muito arguto para detectar a existência de outros triângulos mais poderosos. Por exemplo, o constituído pelo Estado, pelos grupos económicos («nacionais» ou não) e pelos escritórios de advogados. Não há escritório que se preze que não esteja representado adequadamente no Governo. Mudam os governos, mas os escritórios mantêm-se galhardamente em funções, ocupando sempre lugares de destaque na hierarquia do Estado. E, convenhamos, não é exactamente a mesma coisa discorrer sobre um grande negócio da Administração Central ou barafustar contra um arranjinho de alternadeiras para relaxar árbitros de futebol ao fim-de-semana. Mesmo que, associado a isso, alguma construção civil floresça.

Se todos andamos preocupados com a eficiência e a eficácia da governação, por que não consagrar em próxima revisão da Constituição o estabelecimento, na composição do governo, de uma quota intransmissível para cada um dos principais escritórios de advogados? Mais: para evitar perdas de tempo com a passagem dos dossiers, por que não consagrar que os membros do governo designados por tais escritórios poderiam transitar de um executivo para outro, sem sequer ser necessária a sua nomeação pelo presidente da República (reduzindo-se, assim, ao mínimo os poderes de Belém)?

Eis duas sugestões que contribuiriam para melhorar o desempenho dos governos em gerale que, de resto, seriam uma forma de ajustar o texto constitucional à realidade.

Em tempo:

«A Comissão Europeia anunciou hoje que vai levar Portugal a tribunal por desrespeito das regras europeias de concursos públicos, nomeadamente nos sectores da água, da energia, dos transportes e das telecomunicações.»

in Pula Pula Pulga

Publicado por Manuel 21:54:00 14 comentários Links para este post  



Poeiras

Este aficionado da ciência astronómica tem mérito. Durante umas horas e numa progressão entusiasta, colocou no blog notícias sobre a odisseia da Cassin-Huygens.

Agora, leio que publicou a "confirmação da data recebida"*, antes da CNN o fazer...

Pronto! É verdade que se não fosse o blog Abrupto, também não teria dado por nada de relevante.

Mas também é verdade que actualmente, basta clicar os nomes certos no Google e temos informação abrupta e ininterrupta.

Caro JPP, "the times they are a changin´"! Indeed! "Poeira de mudança", é o que é...

*corrigido

Publicado por josé 20:50:00 1 comentários Links para este post  



A vida não está fácil...

Enquanto a janela de Bélem e da sucessão de Sampaio não se abre, há que ganhar currículo, e entre o cargo de consultor na CGD e o de presidente da Internacional Socialista, o engº António Guterres encontra-se afincadamente a preparar um seminário no Instituto Superior Técnico de Lisboa, que para além de ser curricular está imagine-se subordinado ao tema Desenvolvimento Sustentado.

Ora a Grande Loja questiona, e porque a temática da sustentabilidade do ambiente é hoje importante, se o programa do mesmo seminário incluí algum capítulo destinado a pantânos.

E se porventura o docente ainda não tiver percebido que a melhor forma de contribuir para a sustentabilidade do país hoje, sem colocar em causa as gerações futuras, é permanecer na carreira de docente, ainda que pago a peso de ouro (por que tabelas ou indíces já agora ?, fala-se num ordenado mensal de vários, muitos, milhares de euros) por todos nós, contribuintes, e cada vez mais financiadores por excelência através das deduções de IRS, das asneiras que um Estado irresponsável vai cometendo, então é mesmo caso para dizermos que a vida não está fácil.

Publicado por António Duarte 19:58:00 0 comentários Links para este post  



Tendo em conta

que o descaramento não tem mesmo limites, nesta terra que é a nossa, convém atentar nesta frase, dita em resposta à pergunta se estaria disponível para ser Ministro:


A avaliação que fiz, em função das obrigações profissionais que tenho, é que a minha disponibilidade para a acção política é total, desde que exercida em regime de não exclusividade.

O seu autor não será - não pode ser - candidato a Ministro das Finanças e/ou da Economia, em part-time, pelos vistos, de um futuro putativo (que estaria cada vez mais distante, se os portugueses tivessem fosse para onde fosse para onde se pudessem virar) Governo do PS.

De sua graça... Pina Moura, quem mais.

À atenção de José Sócrates.

post excepcionalmente em estéreo.

Publicado por irreflexoes 19:08:00 1 comentários Links para este post  

O núcleo duro do partido socialista está profundamente descontente com a presente falta de vigor da campanha eleitoral, pelo que já é certo que rolarão cabeças nas próximas horas ou dias. Entretanto no PSD, os colaboradores do marketeiro brasileiro encarregue de planear a campanha laranja temem pelo seu emprego no dia seguinte às eleições já que é praticamente certo que o sr. Paz rumará ao Brasil. Este senhor Paz é o mesmo que vai confidenciando aos amigos e colaboradores que apesar de não lhe faltar dinheiro nem meios não sabe o que fazer na campanha para vendê o Pedro...

Publicado por Manuel 17:14:00 1 comentários Links para este post  



e x c l u s i v o
José Sócrates, o grande manipulador...

Esta manhã informalmente o eng. Sócrates pequenalmoçou, no Hotel Altis, com alguns jornalistas dos principais orgãos de comunicação social nacional [que estarão escalados para acompanhar o PS na campanha eleitoral] para os educar sobre a forma como estes o devem tratar, e fazer a cobertura noticiosa ao PS, na campanha eleitoral.

Na ementa esteve a definição ["imposição"] de regras, rígidas e claras, sobre a forma como a imprensa, e as televisões em particular, se deveriam dirigir, em especial, ao Eng. Sócrates. Perante a perplexidadade dos presentes foi comunicado, pelo próprio, o profundo desagrado, desgosto até, pela forma como o líder do PS, e proclamado futuro primeiro ministro, viu alguns incidentes ocorridos nos últimos dias retratada na comunicação social, particularmente nas TVs que o não terão tratado com a deferência devida. Os presentes foram elucidados que quando é feita uma pergunta a que não é dada resposta [pelo Eng. Sócrates] os jornalistas não devem insistir, por respeito ao tal primeiro ministro que o irá ser, e se continuarem muito interessados, devem tentar obter a resposta mais tarde em off.

Em suma, a comunicação social foi avisada, sem eufemismos, pelo tal futuro primeiro ministro, himself, a portar-se bem. Todos nos lembramos da bronca que foram as declarações do Ministro Rui Gomes da Silva, que redundaram no affair Marcelo/TVI/AACS, todos sabemos da fixação mediática do actual primeiro-ministro e da defunta central de comunicação... Os portugueses tem também direito a saber daquilo que este PS também anda a fazer nos bastidores. Todos diferentes, todos iguais.

Publicado por Manuel 15:50:00 8 comentários Links para este post  

A doutora Maria José Morgado acha que "o Estado pode ficar de joelhos perante os clubes de futebol" se ceder no totonegócio. A observação é pertinente, e o timing curial, agora que se aproxima mais uma dança nas cadeiras do poder, mas vai cair em saco roto. Aliás, o Estado já está de joelhos perante a bola, e muitos outros, há muito tempo...

Publicado por Manuel 12:20:00 1 comentários Links para este post  



anomia

Confesso que li e não liguei especialmente. Um blog referia que o actual director nacional da PSP, magistrado, antes de ser chamado este verão a dirigir aquela policia se tinha reformado antecipadamente com base em motivos de saúde que o incapacitavam de exercer a sua função. Não liguei porque ao de leve o assunto, a reforma, já tinha abordado aquando da sua nomeação para a PJ. Não relevei o dado que terá sido omitido no verão passado - a reforma antecipada deu-se por razões psíquicas. Ao que vale outros relevaram. Não vale a pena glosar com as palavras, o facto é que uma série de gente, uma junta médica ?, terá achado normal (?) aposentar alguém por motivos psíquicos (e não me digam que o stress/depressão derivado da função de magistrado é maior que o de ser responsável máximo pela PSP) sem motivos, de longa duração... Tão normal, que eu nem relevei... Há meses o Venerável Irmão José falava do conceito de anomia. É isto. Às vezes uma pessoa não quer simplesmente acreditar.

Publicado por Manuel 10:49:00 1 comentários Links para este post  

O presidente da Casa da Música, Couto dos Santos, considerou afinal, na quinta-feira, à noite que não existem nem atrasos nem derrapagens (!) na construção do edifício que inicialmente foi aprazado para estar pronto aquando da «Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura». Estas declarações, que só surpreendem os mais distraídos, servem para mostrar que, também, a Norte o Bloco Central está bem e se recomenda...