O resumo sai amanhã no Público. António Vitorino passeou na 2:. Concorde-se ou não com o que diz, e o discurso não deixa de ser intrinsecamente socialista ainda que com toques de verdadeira e genuína social-democracia, António Vitorino é tudo aquilo que Sócrates e Santana não são. Credível, fluente e consistente em matérias diversas e, sobretudo, político. Ouve-se o homem, e ouve-se um político. Em estado puro, destilado e sem intrigas e ruídos. É raro. Se o quiser, e se Sócrates tiver um dedo de testa, o antigo comissário Europeu será tudo no próximo Governo. É verdade que uma andorinha nunca fez a Primavera, e é também verdade que as companhias são as que são, mas se o programa do PS é apesar de tudo tragável, passem as recorrentes derivas populistas do Eng. Sócrates, isso também se deve a António Vitorino. Daria concerteza um excelente ministro da Justiça, e vice-primeiro-ministro, que me perdoem os do sistema conformados com uma alegada inevitabilidade chamada Alberto Costa.

Publicado por Manuel 23:31:00  

3 Comments:

  1. LS said...
    Caro Manuel, acabei de ver o programa e fiquei com a mesmissima impressão. Bem gostaria que vitorino ocupasse uma pasta de destaque, mas sobretudo, gostaria de o ver como vice primeiro-ministro!
    Luís Bonifácio said...
    Vice-Primeiro-Ministro???
    Primeiro Ministro lá para 2006 ou inicio de 2007.
    A capa de hoje da Capital (Orgão do PS) não deixa qualquer dúvida!
    Carlos said...
    Não resisto a partilhar convosco o comentário inserido na publicação "The Europeans of the Year" (editada pelo European Voice ) acerca do ex-comissário António Vitorino. As minhas desculpas por uma tradução aproximativa que de qualquer forma reproduz o essencial dos comentários que surgem sempre que o nome de António Vitorino é mencionado nos círculos europeus.

    " No one yet knows how the European Union main gain from the appointment of José Manuel Barroso as president of the European Commission but one of the drawbacks is already clear. Because Portugal could only send one commissioner to Brussels, Barroso's appointment meant Antonio Vitorino's career as a European commissioner was brought to an end. Until Barroso emerged as a compromise candidate for the presidency, Vitorino's return had been taken for granted. That some people were even talking of the possibility of a President Vitorino is testimony of the skill with which he had handled a difficult task. Justice and home affairs issues are still relatively new to the EU stage and legislative proposals frequently arouse the suspicions of national governments anxious to protect their powers. The terrorist attacks of 11 September and 11 March have increased the political pressure for anti-terrorist measures, while heightening concern about threats to civil liberties. Vitorino is in his element in this complex and sensitive environment. An adept performer during the Convention on the Future of Europe, he is alive to the sensitivities of each EU institution. He is a charmer and a negotiator, combining good humour in various languages, with knowledge of his dossiers. Once a judge in the Portuguese Constitutional Court, he knows the importance of mastering his brief. Although still just 47 years old, Vitorino has a wealth of experience. He was a member of the European Parliament in 1994, before being called back to Lisbon to become deputy prime minister and minister of defence in 1995-97. Now he is repeating the journey, but this time with no government post awaiting him. "

    Ninguem sabe o que pode vir a ganhar a União Europeia com a nomeação de José Manuel Barroso para presidente da Comissão Europeia mas um dos inconvenientes torna-se já claro. Porque Portugal apenas pode enviar um único comissário para Bruxelas, a nomeação de Barroso significou que a carreira de António Vitorino como comissário europeu chegou ao fim. Até Barroso emergir como o candidato de compromisso para a presidência, a recondução de Vitorino era tida como garantida. O facto de algumas pessoas falarem mesmo da possibilidade de um presidente Vitorino é testemunho da perícia com que desempenhou uma tarefa particularmente difícil. O tema "justiça e assuntos internos" é ainda relativamente recente no cenário europeu e as propostas legislativas neste domínio suscitam reservas nos governos nacionais ansiosos de salvaguardar as suas prerrogativas. Os ataques terroristas de 11 de Setembro e 11 de Março aumentaram a pressão política no sentido de medidas anti-terroristas, ao mesmo tempo que aumentava a preocupação com as ameaças às liberdades civis. Vitorino está no seu elemento ao lidar com estas questões complexas e altamente sensíveis. Um convicto participante na Convenção sobre o Futuro da Europa está bem a par das sensibilidades de cada instituição da União Europeia. É um sedutor e um negociador, capaz de combinar o humor em várias línguas com um profundo conhecimento dos dossiers. Em tempos juíz do Tribunal Constitucional em Portugal sabe como é importante dominar os assuntos sob a sua responsabilidade. Apesar de ter apenas 47 anos Vitorino conta com uma vasta experiência. Foi membro do Parlamento Europeu em 1994, antes de ser chamado a Lisboa para se tornar ministro adjunto do primeiro ministro em acumulação com a pasta da defesa em 1995-97. Agora repete a viagem de regresso mas desta vez sem que tenha á sua espera um posto governamental.

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