A Lista do PS

O Partido Socialista apresentou, ontem na Convenção, o cabeça de lista para as eleições europeias. António Sousa Franco, professor universitário, foi a figura escolhida para suceder a Mário Soares.

Uma escolha carregada de simbolismo, sobretudo pelo sinal de renovação geracional que o líder, Ferro Rodrigues, quer dar ao País.

O secretário-geral dos socialistas definiu como prioridade a apresentação de novos valores da política portuguesa ao eleitorado.

Esta Grande Loja, sempre atenta à actualidade, revela o resto da lista:

  1. Sousa Franco



  2. Almeida Santos



  3. Manuel Alegre



  4. Medeiros Ferreira



  5. Celeste Correia


  6. Willie Brandt



  7. Militante de base


Publicado por Carlos 17:38:00 0 comentários Links para este post  



sinais...

Enquanto Cavaco Silvasinais da maturidade e ponderação que se esperam de um estadista, para acabar de  vez com uma das questões que dividem, artificilamente, esquerda e direita, à esquerda Vital Moreira, aproveita para apunhalar sibilinamente Sousa Franco, no dia da sua entronização como cabeça de lista do PS às Europeias, a propósito da Concordata. São posturas ...

Publicado por Manuel 19:26:00 0 comentários Links para este post  

Num texto, muito apreciado em determinadas hostes,  Ana Sá Lopes, no Público, publicou, faz esta sexta feira uma semana, uma interessante prosa entitulada "O Sorriso de Mona Lisa" onde basicamente afirmava entre outras coisas que ...

"Santana Lopes é o protótipo do político populista. Zurzi-lo por isso e opor-lhe Cavaco Silva como antonímia é um rematado disparate: nessa matéria, Cavaco sempre foi o mestre. Uma campanha eleitoral de Santana Lopes tem a mesma base de uma campanha eleitoral de Cavaco Silva - está lá dentro toda a América Latina. Os dois apelam à emoção e não à razão: a diferença é que Santana Lopes o assume e, para o eleitorado-alvo a que se destina, assumi-lo é vantajoso. Cavaco apela à emoção travestida de razão: não o pode assumir, fala para outro público."

logo de seguida não se coibe de afirmar ...

Nestas "alegadas" primárias dentro do PSD, estará em jogo o grau de populismo para o qual o partido (e por extensão o país) está preparado. Boa parte do PSD revê-se em Santana Lopes, porque não esquece que Cavaco Silva lhe destruiu o partido, ao sabor das suas conveniências pessoais - e é óbvio que o país (ou boa parte dele) não esquece o cavaquismo.

Quando o PSD invoca a "fuga" de António Guterres esquece-se do mais mirabolante abandono da vida política dos últimos anos, que foi o de Cavaco Silva: Cavaco Silva inventou um "tabu" que deixou o país suspenso e o partido de mãos atadas; "mandou" elaborar uma moção de estratégia a um congresso; já a moção de estratégia estava pronta, anunciou que não era candidato; já não havia tempo para fazer mais moções; os candidatos que apareceram ficavam (e ficaram) sujeitos à moção de Cavaco Silva; Cavaco manteve-se primeiro-ministro, enquanto Fernando Nogueira, o desgraçado vencedor do congresso, fingia que era líder do PSD. E por aí fora, até à derrota eleitoral do partido. Verdade se diga que só uma criatura, à época, teve coragem para denunciar todo o absurdo que revolveu o PSD na transição 1994-1995: Santana Lopes, o próprio.

Escrever isto é do mais puro delírio, e revisionismo histórico, e só não é mais grave porque é assumido como apenas a opinião da jornalista e não como uma "notícia" ou facto.

Dá-se um desconto a Ana Sá Lopes que devendo passar demasiado tempo na Capital veja o resto do País como a América Latina, mas manifestamente falta-lhe a autoridade para falar, ou, então, está com problemas de memória porque nunca assistiu a nenhuma campanha do agora esquerdista Dr. Soares (pai) ou do Engenheiro Guterres. Em política, ser populista, não é crime, ser demagógico e incendiário já é!

O facto que leva Santana a ganhar qualquer eleição autárquica em que se meta (a reeleição em Lisboa é outra história) é o mesmo que levou Vale e Azevedo à liderança do Benfica. Durante anos e anos os benfiquistas execraram Pinto da Costa e Vale de Azevedo, passe o curriculum, era o Pinto da Costa deles. Com Santana passa-se rigorosamente o mesmo, Santana promete resultados, promete por as coisas no mapa, não interessa como, e em certa medida está para o País como o Major Valentim Loureiro está para Gondomar, já que a lógica é  rigorosamente a mesma.

Meter Cavaco neste circo não é sequer um insulto ao natural de Boliqueime, é pura e simplesmente não perceber o País. O tipo de sentimentos que levam a votar num ou noutro são completamente antagónicos, assim como o que um outro representam mas enfim ...

Logo a seguir, Ana Sá Lopes vem dizer-nos que uma boa parte do PSD acha que Cavaco destruiu o PSD. É verdade, verdadinha só que não pelas razões que ASL enuncia.

Cavaco nunca considerou estratégico o controlo do Partido, sendo um Primeiro-Ministro forte, e só tarde e a más horas percebeu que estava a lidar com um monstro. O que Cavaco fez, foi pura e simplesmente cortar as vazas a um aparelho extremamennte voraz, que o via a ele - Cavaco - apenas como um meio de  atingir os seus fins. Com isso, Cavaco quase que salvava o PSD, se lá dentro se tivesse ganho juízo.

Nos dias de hoje o PSD  encontra-se rigorosamente  na mesma situação em que Cavaco o "matou", com um aparelho hiper-voraz mas desta feita controlado por ...  Santana Lopes, e com a agravante de o líder e na mais benevolente das apreciações ser um frouxo. Cavaco não fugiu, Cavaco hibernou apenas e só um monstro.

O que choca
, hoje, o aparelho, quer do PSD, quer de todos os outros partidos, é o facto incontestável de Cavacao não precisar dele para chegar ao País. Isto torna-os, aos aparelhos, descartáveis, e torna Cavaco imune a pressões. É em suma o verdadeiro fim do Bloco Central...

Entretanto a imprensa deste fim de semana diz-nos que o PSD hesita, para cabeça de lista às europeias, entre Leonor Beleza e Dias Loureiro (que nas palavras do Independente é a verdadeira eminência parda deste governo, o que se fosse verdade explicava muita coisa).

O método de decisão ? Sondagens, claro está.

Ainda neste fim de semana, o General Azeredo deu uma curiosa entrevista ao Independente onde zurziu forte e feio em Cavaco. Há uns dias atrás um Marcelo feliz e contente estava no lançamento das suas memórias. É o que se chama cobrir todo o campo...

Um destes dias, passou desapercebida uma entrevista de Álvaro Castelo Branco, coordenador autárquico do PP,  ao Jornal de Notícias, onde este declarava todo o seu apoio à candidatura de Avelino Ferreira Torres à Câmara Municipal de Amarante. A este propósito espera-se de Rui Rio, que pode ter muitos defeitos mas que é um homem sério, e que é Vice-Presidente do PSD uma posição firme, clar a e frontal...

Ah, e hoje, o Professor Cavaco, veio baralhar, e de que maneira a vidinha da maioria por causa da questão do Aborto. A vidinha da maioria, a vidinha do Lopes (que não pode alienar nem o PP nem a sua hipotética mensagem "jovem") e arruinar, de vez, as ex-futuras ambições presidenciáveis de Freitas que deve estar siderado por tão inesperado apoio.

Faça Durão o que fizer, Cavaco já ganhou.

Publicado por Manuel 16:33:00 0 comentários Links para este post  



"Widow's Walk"

«Consider me a widow, boys
and I will tell you why.
It's not the man, but it's the marriage
that was drowned.

So I walk the walk
and wait with watchful eye out to the sky,
Looking for a kind of vessel
I have never found.

Though I saw it splinter
I keep looking out to sea,
Like a dog with little sense,
I keep returning,

To the very area where
I did see the thing go down
as if there's something at the site
I should be learning.

That line is the horizon.
We watch the wind and set the sail,
but save ourselves when all omens
point to fail.

If I tell the truth
then I will have to tell you this
Though I grieve (and I believe
i feel it truly)

but I knew that ship was empty
by the time it hit the rocks,
we could not hold on
when fate became unruly.

So consider me a widow, boys,
and I have told you why.
Does the weather say
a better day is nearing?

I'll set my house in order now
and wait upon the Will
It's clear that I need
better skill in steering...

That line is the horizon.
We watch the wind and set the sail,
But save ourselves when all omens
point to fail»



«Widow's Walk», in Songs in Red And Grey, 2002

Letra, música e interpretação de Suzanne Vega

Publicado por André 14:28:00 0 comentários Links para este post  



"O Acossado"


Santana Lopes - Foto: Arquivo DN SEGURANÇA PESSOAL
Santana Lopes lamenta críticas da oposiçãoSantana Lopes lamenta críticas da oposição sobre a sua segurança pessoalSantana Lopes diz que ter segurança pessoal não é uma situação agradável e pede a quem critica que pense como seri se estivesse em causa a sua integridade física

Santana Lopes não entende as críticas da oposição relacionadas com o problema da segurança pessoal. Pela primeira vez, o autarca de Lisboa falou à TSF sobre as medidas excepcionais de segurança de que beneficia.

«Eu já assisti a isso noutras épocas, nomeadamente até nos anos 80. Lamento que de vez em quando neste país se vá à 'ementa', eu diria, das atitudes mais desagradáveis que se podem ter na política e na vida e que se repitam», disse o autarca de Lisboa à TSF.

«Vi uma vez acontecer com uma pessoa com quem eu trabalhei um debate destes, volto a ver atitude idêntica. Lamento», acrescentou.

Tudo serve para se ser falado, desde brincar com coisas sérias até à pirosa comparação a Francisco Sá Carneiro, que deve estar a dar cambalhotas na tumba de nojo.



Mas, e se Santana Lopes explicasse tim tim por tim tim porque carga d' água é que ele precisa de segurança ou é segredo de estado ?...

Ah, a prosa da TSF termina assim...

Estas declarações de Santana Lopes foram feitas à margem da apresentação do festival Rock in Rio. A abertura será dia 28 com Paul McCartney. Os bilhetes estão à venda a partir de segunda-feira.
   
Mais palavras para quê ?

Publicado por Manuel 18:44:00 0 comentários Links para este post  



"The Passion", ou porque é somos todos judeus...

Vai grande a algazarra na blogosfera, e não só, sobre o último filme de Mel Gibson.

Agora que já está disponivel nas profundezas da internet um screener do "The Passion" já é possivel ter uma opinião abalizada sobre a "obra".

Em primeiro lugar, e para que não haja dúvidas trata-se de um mau filme, sem um argumento real, e com uma fotografia assim-assim.

Em segundo lugar, e para sossego de uns e desassossego de outros, o visionamento do filme não altera em nada para cima, ou para baixo, as ideias que se tinham antes do visionamento do dito cujo.

Em termos teológicos puros, o filme representa, entre aspas claro, infinitamente mais a mão do Diabo que a do Espírito Santo, já que além de tecnicamente ser herético, adultera, de alto a baixo, a mensagem dos Evangelhos.


Neste contexto é penoso ver as cambalhotas, de gente que devia ter Juízo, para as bandas do Vaticano, ora a abalizarem, ora a chutarem para o lado. É forçoso recordar que foi o mesmo Vaticano que condenou veemente a "Ultima Tentação", obra sublime, de Scorcese, e que ainda estou para tentar perceber onde é que vai contra a ortodoxia católica, apostólica romana.

O filme falha porque Gibson, por muito que se julgue embuído de , erra completa e redondamente na interpretação dos Evangelhos. Falha porque os evangelhos são uma mensagem de Esperança, de Amor e de Perdão, e o que se no "The Passion" é tudo menos isso, é violência gratuita, sem um fim óbvio. Não se Jesus a perdoar aos seus  algozes, o episódio do "bom ladrão", nunca existiu, o próprio mistério da Ressureição ocupa apenas uns breves nano-segundos finais, e o que passa é um sofrimento mais ou menos gratuito. Não há  Perdão, não há Compaixão, não há Amor, apenas dor e sofrimento explorados à exaustão...



Quanto à questão do anti-semitismo na minha modesta opinião está toda a gente a ver a coisa pelo ângulo errado. Para quem tem , e é uma matéria estritamente nesse campo, Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados, pelos pecados de todos nós. Mesmo que, por absurdo, o povo judeu tivesse culpas no cartório, o que não é de todo liquído, Cristo teria morrido pelos pecados deles, e nossos, logo tornando-nos a todos judeus.

É, à luz, deste raciocínio, da mais simples e elementar lógica, que se torna incompreensível o silêncio, e o ruído, provenientes das bandas da Praça de São Pedro...


Publicado por Manuel 17:52:00 0 comentários Links para este post  



Óscares

Num ano fecundo para a grande indústria cinematográfica (não só em quantidade, mas também em qualidade), a Grande Loja lança aqui duas apostas para os vencedores dos Óscares do próximo domingo.

Primeiro vão os palpites sobre quem ganha, depois as nossas próprias escolhas...

Palpites para DOMINGO ...

  • Melhor filme: O Senhor dos Anéis

  • Melhor realizador: Peter Jackson

  • Melhor actor principal: Jude Law

  • Melhor actriz principal: Charlize Theron




As escolhas da Grande Loja ...

  • Melhor filme: Cold Mountain (nem sequer está nomeado)

  • Melhor realizador: Sofia Coppola (está nas cinco nomeações, mas não deverá ganhar já este ano)

  • Melhor actor principal: Sean Penn (apesar do bom desempenho de Jude Law, em «Cold Mountain»)
    |


  • Melhor actriz principal: Nicole Kidman (também não está nomeada, talvez pela vitória no ano passado, mas as suas representações em «Cold Mountain» e em «Culpa Humana» justificavam nova atribuição)

Publicado por André 16:18:00 0 comentários Links para este post  



Xutos

«N'América

Viver a vida sempre preocupado
Passar o tempo sem ir a nenhum lado
Deixa-me seco, eu vivo esgotado
Tendo prazeres em dias alternados

E ando sempre vivendo estados
E por vezes bem desamparados
Rebusco os cantos, nem sempre recheados
Eu faço as coisas tão desnorteado

Mas em dias por vezes espaçados
Vêm-me à cabeça pontos desfocados
Desse mundo sempre agitado
Possível sonho todo bem rodado
E na TV, produtos embalados
Entram em nós, bem camuflados
Como é que eu fico, eu fico engasgado
Com o novo mundo mesmo ali ao lado

Está mesmo ali ao lado

E eu vou ter que sair, e eu vou ter que partir
Finalmente vais ver
O que é que iria ser, o que é que eu iria ter

N'América
N'América...»



N'América, in Circo de Feras, Xutos & Pontapés, 1987
Letra: Zé Pedro
Música: Xutos & Pontapés

Publicado por André 15:59:00 0 comentários Links para este post  



Um cronista na pele de jornalista

O Público tem ao seu serviço um "jornalista" que costuma "escrever" nas páginas do jornal, sobre questões de Justiça.

Supõe-se que esteja minimamente habilitado para o fazer e pelo menos tarimba deve ter, pois há vários anos frequenta Congressos de Magistrados, de caneta e papel na mão, solícito e empenhado na recolha de opinião.



Suspeita-se, porém, que tais convívios de pouco lhe tem servido para o exercício do múnus que deveria distinguir-se um pouco mais da atitude subjectiva e militante de um cronista de opinião ou de qualquer outro barnabé.

Hoje, o jornal, pela sua pena periclitante na objectividade e enviesada no preconceito, destaca na primeira página, a notícia...

“Souto Moura Quer Suspender Processos Contra Testemunhas da Casa Pia

Um leitor de escaparate, olha, lê e fica sem saber o que quer dizer semelhante “notícia”.

Porém se se aventurar na procura da página, o que encontra em título?

“Souto Moura "Protege" Testemunhas “

A notícia que se pretende dar sobre uma “circular” do Procurador Geral da República a que o Públicoteve acesso”, é falha no mais elementar que o jornalismo exige:

Ao relatar o quem, o quê, quando, onde, como e porquê, ficamos a saber o porquê, dado por assente na visão do escriba.

No caso, o manhoso do procurador-geral quer subtrair processos a quem de direito, ou seja aos seus imediatos inferiores hierárquicos, uma vez que tal prerrogativa, lhe está evidentemente negada pelas normas estatutárias, conforme sugere o escriba sabedor.

O Procurador, para isso e com esse turvo objectivo agora descoberto pelo inteligente escriba ...

“definiu regras especiais para o tratamento a dar, pelo Ministério Público, às queixas por denúncia caluniosa apresentadas por figuras públicas”.

E mais adianta a “notícia”...

A tentativa do procurador-geral da República para subtrair a outros magistrados a avaliação dos fundamentos da investigação de uma situação que foi controlada no último ano pelos três procuradores por si nomeados não é inédita.

E ainda mais ...

Este eventual cerceamento da capacidade de actuação de magistrados do MP no escalão máximo da carreira e com um currículo superior ao dos procuradores do Departamento de Investigação e Acção Penal”

Ficamos assim a saber que há por ali manobra, para os lados da Escola Politécnica. Que evidentemente foi descoberta pelo escriba "sabedor" e "sagaz", que já deu provas de ser capaz de citar juristas sem os nomear e normas legais sem as indicar.

Por isso, ficamos sem saber de que circular se trata, a quem foi dirigida e quando, como foi veiculada e principalmente qual o seu verdadeiro conteúdo e contexto.

Tudo isso ficou no tinteiro do escriba. E no jornal não há ninguém que lhe mostre o manual de jornalismo onde se distingue uma notícia de uma crónica ou de um texto de opinião.

A menção, parcial e desconexa, que o escriba transcreveu, do texto da circular - "O prosseguimento regular dos inquéritos [contra algumas testemunhas do processo da Casa Pia] poderia redundar em decisões contraditórias e inconciliáveis, por se virem a considerar simultaneamente indiciados crimes de abusos sexuais de menores e crimes de denúncia caluniosa ou difamação decorrentes da imputação dos factos integradores dos abusos." - deveria bastar para o obrigar a informar-se um pouco mais.

Palpita-lhe porém que a circular se destina a obviar “a preocupação do procurador-geral da República quanto a eventuais ondas de choque negativas geradas pelo facto de algumas testemunhas do processo da Casa Pia serem ouvidas como arguidos num processo por calúnia ou difamação

E ficamos assim com esse palpite e a opinião avalizada do escriba sobre a intenção do procurador geral.



Para isto, é preferível ler o Luís Delgado.



Adenda em tempo de comentários(28.2.04-12h 45m)

O jornalista visado neste blogpost, aparentemente e a acreditar na fidedignidade da identidade, comentou-o.
Quanto à primeira parte do comentário, não faço comentários.
Quanto á segunda, escreveu:
“O que importa é saber se há ou não interesse público na divulgação da intenção do PGR de suspender o inquérito numa fase em que ele mal começou. Ou se teria de esperar pela acusação ou/e pela abertura da instrução. Ver artigo 7º -3 do CPP”

A resposta óbvia, não deve relegar para o esquecimento, a questão aqui colocada neste blogpost: onde estão os factos relatados na “notícia” ? Onde está o teor da “circular” para o leitor avaliar por si, a suspeita intenção que é atribuída ao procurador geral? Porque não deixar os leitores fazerem a sua própria interpretação, sem a muleta prestimosa do cronista-jornalista? Outros jornalistas o fizeram, por exemplo a SIC, sem buchas ou muletas interpretativas.

Isso, para não falar já do modo como a circular terá sido obtida- que não é obrigação do jornalista esclarecer, mas é legítimo que nós, leitores, nos interroguemos como e de onde veio e prinpipalmente com que finalidades. Se veio do MP, como obviamente tudo indica, ainda há uma outra consideração a fazer: há alguém na estrutura hierárquica que, pelo menos neste processo, tem sido desleal ao procurador geral. E, isso sim, é que é a grande notícia! Contudo, como pode o jornalista transmiti-la se ele próprio se torna protagonista, malgré lui?

Por outro lado, a menção ao artigo 7º nº 3 do CPP é novidade- geralmente os artigos assinados pelo jornalista especialista em questões jurídicas são omissos nas citações legais, apesar de os chimpar com pinceladas atestando ilegalidades flagrantes ou colisões irremediáveis com a lei processual. Os anátemas, para além disso, costumam vir embrulhados em sumários quanto doutos pareceres de juristas a quem não é dado o nome.
Sobre questões de processo penal, concreto e prático, será bom lembrar ao jornalista que Souto Moura , que tenho defendido apenas por me parecer que nestes assuntos tem tido razão, é um jurista que terá a noção exacta das colisões e dos estragos que elas provocam. Nem todos concordam e isso vê-se a cada passo, nas romagens anunciadas e nas entrevistas generosamente concedidas para impedir estragos que se anunciam e serão, esses sim, irremediávei- para eles.
Segundo tudo indica, o jornalista do Público resolveu dar eco a esses agravados. É pena , porque a noção que tenho de jornalismo impediria que se escrevesse, por exemplo “João Guerra cometeu um erro de cálculo” ; “(...) tentativa falhada do procurador João Guerra para sonegar a alguns queixosos”.

Para além disso, a “análise” intitulada “Colisão com o Código Processo Penal”, está eivada de inuendos e processos intencionais que passam perfeitamente nos blogs, como este, mas nos jornais de grande circulação exigem pelo menos o aval de quem perceba do assunto. Manifestamente, não é o caso do jornalista. Que me desculpe a franqueza, mas é a opinião fundada naquilo que tenho visto escrito no jornal que leio ( e compro) regularmente, desde o primeiro número. E, pelos comentários, não sou o único a pensar assim.

Por outro lado, saúdo a interacção, mesmo a título de comentário. É saudável debater ideias, principalmente entre diletantes. E eu nunca disse que era outra coisa.


Publicado por josé 13:09:00 0 comentários Links para este post  

Coitado! que em um tempo choro e rio;
Espero e temo, quero e aborreço;
Juntamente me alegro e entristeço;
Duma cousa confio e desconfio.

Voo sem asas; estou cego e guio;
E no que valho mais menos mereço.
Calo e dou vozes, falo e emudeço,
Nada me contradiz, e eu aporfio.



Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me e estar quedo;
Usar de liberdade e estar cativo;

Queria que visto fosse e invisível;
Queira desenredar-me e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo!

Luís Vaz de Camões

Publicado por Manuel 1:07:00 0 comentários Links para este post  

Do nosso correspondente na América, Joe Dalton, recebemos o seguinte dispatch:



Acabo de saber que Departamento de Estado deste país armado em polícia do mundo, verberou acidamente o vosso sistema de justiça.

Dizem que as vossas prisões não têm condições, estão sobrelotadas e há droga, violência, falta de condições de higiene e saúde e até maus tratos dos guardas prisionais.

Humm!
Então, vejam lá se é como aqui:

Mais por causa dos meus irmãos, tenho passado temporadas aqui, em algumas cadeias. São privadas e agora são uma indústria , para dar lucro.

Há por aí algumas más línguas que costumam dizer mal disto, aqui na América, que não nos deixam levar livros para as celas, por exemplo. É verdade - mas deixam-nos ver televisão! E têm o costume de aplicar choques com bastões electrificados - é verdade- mas é só aos piores e quando se portam mal. Já apanhei alguns. E tratam bem os "pretos"...

“Although only 7% of the California population is black and blacks commit only 20% of all felonies, 43% of prisoners sentenced under this law are black. Of the more than 3,000 men and women on death row in the United States, 40% are black.”

E quanto à ressocialização?!

Bem, a última tendência são as correntes nos pés, como havia nos anos sessenta.

Mas atenção! É só no Alabama. E as algemas, isso já nem conta. Filme em que apareça preso sem algemas, vale alguma coisa?!

E isto para não falar nos presos que andam a cantar a Guantanamera há longos meses, a fio, longe dos familiares que nem sabem se são vivos ou mortos; sem saber do que são acusados; sem poderem comunicar; sem terem direito aos Ricardos Sá Fernandes que também temos por cá.

Quanto à pedofilia e o vosso sistema de justiça, também, se calhar, exageram um bocado...



Aqui na América andaram a difamar os padres católicos quando na verdade só um pequeníssima percentagem deles, incluindo bispos, é certo, é que abusaram de crianças.
Injusto.

No relatório não dizem, mas dá para desconfiar que às tantas, por aí , tendes caça grossa a esconder...e é por isso que o vosso sistema de justiça funciona mal. Modernizai-vos!

Aqui, é outra coisa. Vejam algumas estatísticas... 

Nem vou falar da justiça à moda do Texas, só fica aqui um cheirinho a... cadeira eléctrica...

“Felony offenses are divided into five types, from the most serious felony to the least serious, and are also defined by their punishment. With the exception of persons committing capital felonies, habitual offenders, and certain other violent offenders, persons sentenced for felony offenses are eligible for placement under community supervision. A capital felony offense carries punishment of life in prison or the death penalty. A first degree felony is punishable by five to 99 years in prison and a fine not to exceed $10,000. Second degree felonies carry a punishment range of two to 20 years in prison and a fine of up to $10,000. Third degree felonies carry a punishment range of two to 10 years in prison and a fine up to $10,000. State Jail felonies are punishable by a term of 180 days to two years in a state jail facility and a fine of up to $10,000.

E também prefiro não falar do célebre juiz Roy Bean - cuja divisa era "Hang 'em first, try 'em later."

Mas podem consultar os links que vos mando e que ilustram bem a nossa tradição humanista que nos confere a vantagem moral de vos poder criticar sempre que alguém nos chame à atenção para o vosso sistema.

Assim, para terminar, apetece-me dar-vos conta desta pequena história e a compareis com uma que o vosso jornal Público publica hoje, a propósito da absolvição de um Justo, para lá do Marão.



Aqui fica a história - e as minhas despedidas, desejando-vos as maiores felicidades no vosso caminho certo de andaram aos tiros para os pés.

"Nearly a third of the New York State prison population — roughly 19,000 inmates — are serving time for drug crimes. Many are incarcerated under the Rockefeller Drug Laws, which mandate minimum sentences regardless of extenuating circumstances. Darryl Best, 45, is one of these inmates

On November 3, 2000, Best signed for a Fed Ex package that came to his uncle's Bronx apartment building. The package contained just over 16 ounces of cocaine, and the deliveryman was an undercover cop.
The package came from Waco, Texas and it was addressed to "Linda Williams"; Best's uncle had a neighbor named Doreen Williams. Though accounts differ, it is agreed that Best signed for the package, estimated to be worth $14,000 on the street.

Under the Rockefeller Laws, anyone convicted of possessing over four ounces or selling over two ounces of a controlled substance (an A-1 felony) must serve a minimum sentence of 15 years to life.

The Bronx County prosecutor's office offered Best a sentence of 18 months to 4-1/2 years if he pleaded guilty. Best, maintaining his innocence, refused to accept the plea bargain and went to trial. Despite the muddled circumstances and Best's clean record, the jury found him guilty, and on October 23, 2001, he was sentenced to 15 years to life. He is currently at the Eastern New York Correctional Facility in Napanoch, New York."

Joe Dalton



Publicado por josé 16:37:00 0 comentários Links para este post  



De se tirar o chapéu...

O FC Porto foi brilhante e voltou a provar que é a única equipa portuguesa com dimensão internacional.



A Grande Loja gostou muito do que viu e sublinha, com prazer, a excelente atitude demonstrada pelos campeões nacionais, o Porto foi muito melhor que o Manchester United e relegou uma das melhores equipas de Mundo para uma posição de grande inferioridade.

Estar a perder em casa por 0-1 com o Manchester e conseguir dar a voltaé muito complicado.

Fazer isso da forma como o Porto fez é ainda mais significativo, os dragões tiveram uma resposta brutal à situação de adversidade e mereciam uma vitória mais folgada.

Duas ou três ideias soltas do grande jogo no Dragão: Maniche é uma força da Natureza, Carlos Alberto tem uma técnica soberba, mas precisa de aprender a passar mais depressa, McCarthy fez dois golos esplendidos. O Porto é, neste momento, das melhores equipas do Mundo a fazer circulação de bola. Tem um futebol coeso, assente num jogo rápido e inteligente.

E é impressionante como, sem meia equipa titular disponível, o Porto manteve os níveis de excelência nos máximos.



Ao contrário de algumas bocas da reacção, a Grande Loja nada tem contra José Mourinho e, desta vez, só tem um recado a dar ao treinador do FC Porto:

- parabéns...

Publicado por André 15:41:00 0 comentários Links para este post  



"Elevado grau de acidez"

Alguns podem achar a escrita desta humilde Loja ácida, por vezes. Assim será.

Contudo, dificilmente atingirá o grau de acidez que sai do bestunto desta cronista que também dirige uma Casa- atribuída à memória de Fernando Pessoa. Que, às vezes, ao ler as crónicas claras, deve revolver-se no túmulo.



Por exemplo, esta...

"Os ministros sem figura e sem currículo, aos quais é pedida a tarefa de aprender a governar no cargo. Um destes ministros, ou ministras, é Celeste Cardona, a ministra da Justiça. A senhora é uma nódoa. No período mais conturbado da Justiça em Portugal, com as deficiências do sistema à vista e atropelos de toda a ordem, com magistrados, procuradores, polícias, advogados, juizes, réus, bastonários, sem rei nem roque, desfrutando da glorieta televisiva e não prescindido dos seus 15 minutos de imortalidade, a senhora ministra devia ser o chamado «pilar de serenidade» e de bom senso, exercendo o cargo com a vigilância democrática e a autoridade e gravidade que se espera da pasta. E com inteligência. "´

Haja alguém, lá na Casa, que ensine à cronista que ainda por cima é formada em Direito, a teoria básica da separação de poderes...

Basta que lhe digam que há um legislativo, um executivo e um judicial.

E que a ministra é do executivo.

Publicado por josé 12:42:00 0 comentários Links para este post  



Ao cuidado de quem se interessar

O Jornal de Notícias de hoje releva um assunto pouco debatido e desconhecido do grande público.

Como a Justiça também se faz destas coisas que envolvem eleições, campanhas eleitorais e listas concorrentes, alinhadas por aqui ou por ali, para o acesso aos postos de comando dos Conselhos Superiores, talvez valha a pena focar esse Olimpo onde se reunem alguns dos gestores dos magistrados que temos .

A notícia que se copia , é esta ...

Sociólogo defende reorganização urgente dos conselhos superiores dos juízes e dos magistrados

Ineficazes, corporativistas e pouco democráticos. É assim que o sociólogo João Paulo Dias caracteriza os conselhos superiores das magistraturas, num livro que vai lançar amanhã, sob a chancela da "Almedina", intitulado "O mundo dos magistrados- a evolução da organização e do auto-governo judiciário".

João Paulo Dias, que trabalha no Observatório Permanente da Justiça, dirigido por Boaventura Sousa Santos, defende que uma reforma da Justiça passa necessariamente pela reorganização dos órgãos de gestão e disciplina, pois a "legitimidade democrática (dos magistrados) depende da forma como desempenham a sua função".

O que o sociólogo encontrou, ao estudar a organização judicial desde o 25 de Abril, foi ineficácia e corporativismo, sobretudo ao nível das avaliações e da acção disciplinar.

Os magistrados são avaliados mais pela antiguidade do que pelo mérito.

O próprio regime das avaliações o impõe: só muito excepcionalmente é possível atingir a nota máxima (muito bom), antes de cumprir dez anos de profissão.

Os medíocres e os insuficientes (nota já de si negativa, uma vez que a primeira avaliação é geralmente bom) são raros e os conhecimentos pessoais influenciam a avaliação.

João Paulo Dias, que assistiu a uma reunião do Conselho Superior do Ministério Público, conta uma alteração da avaliação, para cima, porque um dos membros conhecia o avaliado e descreveu-o como sendo um magistrado "de primeira apanha".

Os critérios de avaliação são também pouco objectivos e os resultados "demonstram um baixo grau de actuação". O autor lembra que há cada vez mais juízes, mais inspecções e mais inquéritos, "mas mantêm-se estáveis as medidas disciplinares aplicadas". "Talvez devido a um certo laxismo corporativo", avança.

Um estatuto e um conselho único, mais profissional, é uma proposta que João Paulo Dias não descura, por considerar que aumentaria "o mútuo controlo das magistraturas" e permitiria "uma melhor coordenação das acções".

Seja como for, alguma coisa tem de mudar, pois é a própria Justiça e os seus corpos profissionais que se descredibilizam. E a crise da Justiça passa também por aí . Não bastam alterações às leis para a resolver, defende.

Uma outra notícia na mesma secção do Jornal de Notícias refere-se a um acto de relevo, num desses Conselhos Superiores - o presidente do Conselho Superior de Magistratura é, por inerência, o presidente do STJ.

Eleições marcadas para 9 de Março

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Aragão Seia, vai recandidatar-se nas eleições do próximo dia 9, adiantou, ontem, a agência Lusa, citando fonte daquele tribunal. Trata-se da quarta figura do Estado, a seguir ao presidente da República, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro.

Aragão Seia, 67 anos, ex-alto comissário contra a Corrupção em Macau e antigo vogal do Conselho Superior da Magistratura, foi eleito pela primeira vez presidente do STJ em Março de 2001, derrotando o então presidente, juiz conselheiro Cardona Ferreira.

As pessoas, em geral, deviam dar mais atenção a estas coisas. Mas isto, é opinião de copista.

Por outro lado, um sociólogo que fundamenta a sua opinião sobre o funcionamento do Conselho Superior da Magistratura referindo que assistiu a uma reunião do dito, que apreciação merece? Experiente? Ponderado? Sabedor? Objectivo? Terá boa capacidade de análise?

Têm a palavra os corporativos.

Publicado por josé 11:31:00 0 comentários Links para este post  



"O Desembargador Amado"

Um texto de Eça de Queirós - da obra "O Conde de Abranhos", tal como publicado na revista do MP 84.



"O Sr. Desembargador Amado era de uma boa família do Norte e tivera uma carreira singularmente fácil. Dizia-se dele: “aquele deixou-se ir e chegou.”

Sustentado pela vasta influência da parentela, fora com efeito levado, sem abalos nem choques, numa ascensão gradual e confortável, até á sua poltrona de damasco vermelho da Relação de Lisboa. Aí se deixara cair com o peso da sua obesidade,e cruzando as mãos sobre o estômago, começara a ruminar regaladamente. Que de modo nenhum se creia que eu queira diminuir com azedume os méritos deste varão obeso: quero somente mostrar a natureza, toda de indolência e de egoísmo, do Desembargador Amado, ocupado em se nutrir com abundância, atento exclusivamente ao jogo das suas funções, assustado se a bexiga, ou o baço, ou o fígado denunciavam alterações, sem ter coragem de se mexer do sofá durante noites inteiras, completamente desinteressado dos homens – e mesmo de Deus.

O nosso imortal José Estêvão, vendo-o um dia numa recepção em casa do chorado duque de Saldanha, exclamou, designando-o com um verso conhecido de Juvenal:

- Aquele ventre que ali vem, é o Amado!

Era com efeito um ventre, que em certos dias da semana punha sonolentamente os óculos, e assinava com a mão papuda, onde os colegas lhe indicavam com o dedo; da sua ciência jurídica, nada direi, para não envergonhar as paredes e os móveis deste quarto onde escrevo; da sua honestidade, sei que a sua grande fortuna e as suas propriedades de Azeitão o tornavam indiferente ás tentações do dinheiro; mas condenaria Jesus e absolveria o mau ladrão, se o peitassem com um casal de patos bem gordos ou com um salmão fresco do Rio Minho.

Fazia, ao comer a sopa, um glou glou nojento e repelente, e atirava para o soalho os escarros que merecia na face. Tal era esta besta obesa. (...)

Morreu. Morreu da bexiga. (...)

O caixão em que o levaram pesava arrobas, e quando o embalsamaram e lhe extrairam o cérebro, viram que não era mais volumoso que o de um bacorinho recém-nascico. Na cavidade craniana meteram-lhe um pedaço de esponja, velha, decerto útil e tão inteligente como o cérebro que substituía!

Amortalharam-no na sua beca de cetim,- que não cobre agora um desembargador mais morto e mais pútrido do que tinha coberto nos dias de sessão da Relação de Lisboa. Levaram-no ao alto de S. João, ao passo de quatro éguas cobertas de panos negros; e as quatro éguas agitavam a cabeça, parecendo vaidosas do cadáver que arrastavam: foi o único orgulho que inspirou jamais a companhia da sua pessoa. Ali apodrece aquele resto de matéria mal organizada, que rebolou durante 60 anos pela terra, sob o nome desacreditado de Justiniano Sarmento Amado."


Amém.

Publicado por josé 22:54:00 0 comentários Links para este post  



Mais histórias do País do faz-de-conta

O Público, pela pena de Cristina Ferreira, escreve hoje duas páginas exemplares do país do faz- de- conta e reveladoras do pântano de que falava Guterres. E a história é do tempo dele - ano 2000.


Protagonistas...

  • António de Sousa,presidente da Caixa Geral de Depósitos.
  • Fernando Sequeira, administrador, ligado, segundo o Público, ao grande, grande Pina Moura que neste caso é responsável pelas nomeações destes gestores geniais.
  • Oliveira Cruz, administrador.
  • Gracinda Raposo, directora de operações.
  • Sales Caldeira, idem.

Beneficiário: Armando Martins e Marc Rich, um americano "amigo".

Esta história contada no Público, a um copista, só sugere a imagem do pântano guterreano.


O melhor é ler e deve notar-se que a reportagem publica, certamente, o que pode ser publicado...

Aqui fica uma pequena passagem...

"A Caixa Geral de Depósitos (CGD) emprestou 75 milhões de euros ao promotor imobiliário Armando Martins, sem que o financiamento tivesse sido submetido previamente à decisão do Conselho de Administração (CA) ou sequer ao Conselho de Crédito (CC) como mandam as regras internas da instituição, revelam documentos a que o PÚBLICO teve acesso. Esta terá sido uma entre várias operações de crédito realizadas pelo banco público entre 2000 e Janeiro de 2002 que não constam das actas do CA nem dos registos do CC, situação que terá levado à saída de dois administradores da instituição, Almerindo Marques e Tomás Correia, em 2002 e 2003, respectivamente.

Os 75 milhões de euros faziam parte de um crédito de 125 milhões de euros - assegurado por um consórcio bancário constituído pela própria CGD, que liderou a operação, Montepio Geral, Caixa Açoreana, Banif e BPN - destinado a financiar a aquisição da Imosal, sociedade que tinha como único activo o edifício Atrium Saldanha em Lisboa, por Armando Martins ao financeiro de origem norte-americana Marc Rich, célebre pelas suas relações com o ex-presidente dos Estados Unidos da América Bill Clinton. "

Este assunto, provavelmente, deveria merecer investigação criminal. Provavelmente, não vai merecer.

E a razão é muito prosaica, segundo o copista:

Não temos em Portugal, capacidade adequada de investigação, na PGR.

A PJ nem sequer cheira o assunto como deve ser. Por motivos que serão igualmente prosaicos. Basta ler as declarações do seu director, Adelino Salvado, ao Correio da Manhã de domingo, para perceber o que é óbvio para muita gente...

"Onde ainda não conseguimos ter bastante rapidez é em tudo o que envolva perícias informáticas e de análise contabilística. Isso nota-se na criminalidade económica e financeira e na corrupção. Precisamos de mais especialistas, mais investigadores e mais pessoal de apoio."

Pois precisam. Claro que precisam. E ainda precisam mais de vontade... de incomodar quem tem de ser incomodado.

O país é de todos; não tem de ser uma oligarquia de bloco central.


Aquele pequeno grupo desse bloco central que nos governa, à vez, e nos tem incomodado, a nós que votamos neles, é que são a fonte do incómodo geral.

Se não houvesse imprensa e, vá lá, uma certa rotatividade nos cargos,ainda era pior.

Publicado por josé 19:08:00 0 comentários Links para este post  

Augusto Mateus confessa-se a' O Diabo, hoje, dia de Quarta- Feira de cinzas.

O que diz substancialmente o ex-ministro da Economia de Guterres?

Que Portugal é um país do faz-de-conta!

E porquê ? Segundo ele ...

perde-se tempo demais com debates e notícias estéreis sobre matérias desfocadas, inexistentes ou que não permitem chegar a nenhuma acção correctora dos problemas que são identificados. No fundo, muita teoria e pouca prática.

Ainda segundo o prático ...

Não teremos futuro se se persistir no modelo económico que vimos seguindo há duas décadas.

Qual é esse modelo?

O crescimento deve ser intensivo, primeiro a produtividade e o emprego, e não o inverso , como temos vindo a fazer.

Portugal tem que operar mudanças substanciais no seu modelo de negócio, na sua especialização produtiva, no ordenamento do território, na qualidade de vida nas cidades, etc.

O que vai acontecer se Portugal não mudar?

“Se Portugal não mudar vai ter tempos difíceis, isto é vai entrar num ciclo que muitos países da América latina conheceram, com ziguezagues, alternando anos negativos com outros menos maus, ou que vão traduzir instabilidade e crescimento diminuido.”

E sobre os milhões do Euro/2004 também tem opinião avalizada e antiga...

“Os recursos afectados para a competição desportiva correspondem a 10 anos de investigação e desenvolvimento empresarial que, a meu ver, seriam mais úteis para o país.

Eu insisto que o Euro/2004 seria um investimento interessante e perfeitamente razoável se o dinheiro fosse privatizado. Canalizando dinheiros públicos isso significa que o Estado está a afectar meios a uma actividade (o futebol) que eu creio ser secundária e com menos efeitos na nossa economia e na nossa sociedade.

Para além do mais, não faz sentido construir estádios com capacidade para 40 mil pessoas em cidades com 35 mil habitantes. É mais um exemplo do país faz de conta...”

Nesta lógica, coincide com as críticas recentes, de Miguel Cadilhe que acrescentou ao rol de investimentos supérfluos, a Expo/98 e a Porto-Capital da Cultura..



Será que os ex-ministros estão de acordo quanto ao esses desmandos no destino do país?

Lendo com atenção:

“A minha lógica não é essa. As minhas críticas dirigem-se para os critérios de afectação e não condeno que o Estado gaste concentradamente recursos em certos projectos.”

Pois ficamos entendidos...

Em 27/3/1996 o ex-ministro guterreou na Economia do Governo, até 25/11/1997, altura em que entrou o grande, grande, Pina Moura, brilhante arquitecto do acordo com a Grão-Pará, que assegurou a manutenção do Grande Prémio de Fórmula 1 em Portugal , no que constitui um exemplo eloquente daquilo que não é fazer de conta, mas simplesmente fazer contas.


Parece que desde Março de 1996 a Novembro de 1997, Portugal andou a fazer de conta, com um ministro da Economia do país das maravilhas. Isto segundo o ex-Cadilhe...

Como há desacordo nas opiniões, continuaremos a fazer de conta que estamos de acordo quanto ao essencial!

Publicado por josé 14:06:00 0 comentários Links para este post  

Nós aqui que nos fartamos de dizer mal de Luís Delgado fazemos um sentido mea culpa, pois o seu texto hoje no DD, é puro serviço público.

Primeiro faz o grandessíssimo favor a Cavaco de lembrar a algumas alminhas que lhes fica muito mal aparecerem agora a limparem o seu passado na forma de um apoio a Cavaco, o que só poupa incomodos ao Professor que não consta que tenha apreciado particularmente alguns apoios ...

Depois compara a frente não Santanista àqueles que estiveram contra a invasão do Iraque. Ora eu, com o à vontade de quem apoiou a invasão, estou siderado com esta comparação, afinal o Delgado num acto de sobriedade nele anormalmente raro admite explicitamente que, tal como Bush, o Lopes também poderá adulterar as regras do Jogo i.e  fabricando "Verdades" à medida ...

O que não se percebe é dizer que no final quem decide são os portugueses quando Santana, num acto da mais pura cobardia, já disse que não ia a votos contra Cavaco preferindo fazer trinta por uma linha no interior do PSD. A este propósito a prosa da Rainha de Inglaterra também no Diário Digital vem mesmo a calhar.

Mas, há um ponto em que o Delgado falha redondamente já que Santana representa tudo, mas tudo, menos o "regresso da política"Santana tem de, e pode, ser combatido e desmascarado no plano das ideias que não tem, da coerência que nunca teve, dos princípios voláteis por que se rege, dos constante insultos à memória de Sá Carneiro que passa a vida a fazer (como se Sá Carneiro fosse vivo alguma vez o apoiasse).



Santana é o expoente máximo da não política, das não-posições, da demagogia e do explorar das emoções mais básicas das massas. Combatê-lo no mesmo plano em que ele sempre jogou é um erro crasso e foi isso que fez na passada sexta o Paulo Coelho português, Miguel Sousa Tavares...

Fazer regressar a política, pura e dura, é a melhor forma de cilindrar Santana e, a Política, a sério, não é, nem pode ser, "emocional, decisiva e picante" é, antes, a discussão séria, consequente e frontal de ideias e projectos e isso nem Santana, nem este Governo nem a oposição têm feito...

Que regresse então a política e, ... o Futuro!

Publicado por Manuel 22:48:00 0 comentários Links para este post  



se fosse juíz ia logo para a relação ...

DIRECTOR DA PSP CONDUZIA MOTO EM ZONA PROIBIDA
O director nacional da PSP, Mário Morgado, poderá ficar inibido de conduzir temporariamente a sua moto, pois foi ‘apanhado’ a circular num viaduto onde é proibido o trânsito a motociclos. ‘Apanhado’ porque caiu da moto.

Publicado por Manuel 0:49:00 0 comentários Links para este post  

João Pereira Coutinho é sem sombra de dúvida um caso fora de série. Sendo supostamente de Direita, arranja teses tão mirabolantes que só servem para credibilizar, e de que maneira, a esquerda. O prémio é ter passado a escrever no Expresso.



A última da criatura foi espezinhar o Ary dos Santos pelo que na próxima semana se espera um arraial de porrada no... Zeca Afonso. O espantoso é que há quem ache este cromo troglodita, a começar pelo próprio, um génio...  É um sinal dos tempos...



Ninguém reparou mas Eduardo Dâmaso escreveu um destes dias um editorial  no  Público  anormalmente profundo e simultaneamente  ambiguo... Que é que no Público já se sabe mas ainda não houve coragem de publicar ?...



Uma dica, aconteça o que acontecer o António Arnaldo Mesquita vai ter que passar uns tempos, largos, a escrever sobre floricultura e quiçá sobre moda, cosmética e astrologia... É aquilo que se chama o sistema a funcionar...

Publicado por Manuel 0:08:00 0 comentários Links para este post  



pontos nos ís ...

Num exercício inédito o Bloguítica decidiu colocar no seu próprio site um "direito de resposta" relativamente a uma prosa nossa ...

A Grande Loja, no seu texto “O Cavalo de Tróia” (19.2.2004), manifestou a sua discordância relativamente a alguns dos meus pontos de vista e acusou-me de falta de lucidez, mimo que passo a retribuir-lhe de imediato…

Tal como a Grande Loja, já se percebeu que por aqui não se grama Pedro Santana Lopes (PSL) nem com molho de tomate.

Tal como a Grande Loja, a razão principal para esta animosidade é o facto de PSL – como muitos outros – representar tudo, ou quase tudo, o que de errado existe na política e nos políticos.

Porém, ao contrário do que afirma a Grande Loja, não se declarou a sua morte política ou a irrelevância das suas posições.

O que não se comete é o erro oposto e no qual cai a Grande Loja: valorizar em excesso a personagem. De resto, excepto numa situação, não existem grandes divergências de análise entre a Grande Loja e o Bloguítica.

A grande divergência, que me permite retribuir o mimo de “pouca lucidez” à Grande Loja surge quando se traça o seguinte quadro:

…o cenário de um golpe de estado interno no PSD, na premissa de que com Santana a líder poderiam existir boas hipóteses de renovar a actual maioria pela coligação no poder não é totalmente invendável ao aparelho.

Isto é puro delírioSe alguém pensa que Santana Lopes poderá chegar ao poder através de um golpe de estado interno no PSD, então, de imediato, perca as ilusões. A queda de Durão Barroso, de acordo com esse cenário, inevitavelmente, seria seguida pela clássica alternância política entre o PSD e o PS. Por muito esfrangalhado que o PS esteja…


Apesar de haver quem humildemente ache que Vasco Pulido Valente é um "nabo" e que apenas "regressou ao seu melhor nível: banalidades, banalidades e mais banalidades." recomenda-se ao Paulo Gorjão a leitura atenta da prosa do Vasco do passado sábado. Está lá tudo, pelo que no delírio estamos muito bem acompanhados...

Mas, para contextualizar, e porque os excessos de realismo, e o culto da realpolitik, a que se costumam chamar cinismo ou calculismo, ou simples comodismo, costumam acabar mal (a história está repleta de exemplos a começar  na tolerância e complacência para com Hitler nos tempos iniciais do seu consulado), e que se manifestam quer na forma complacente e respeitosa como se defende o tratamento da China apesar  dos direitos humanos, no caso a falta deles, quer seja na análise dos fenómenos políticos internos e corriqueiros segue abaixo um pequeno compêndio de "delírios" ocorridos num passado recente ...
  1. Cavaco, o tal que Soares não sabia quem era, ganha o Congresso da Figueira da Foz, basicamente devido a um excesso de confiança da troupe de João Salgueiro. Quando força a queda do Governo de que fazia parte o PSD (o célebre bloco central), recusa uma coligação com o CDS de Lucas Pires (que queria um terço dos lugares) e vai a votos... GanhaOs analistas à época  não davam um tostão furado pelo homem, o PS até só queria mais oito por cento para ter uma maioria. Em dez anos mudou Portugal.
  2. Congresso do Coliseu, epitáfio do cavaquismo. Barroso, o desejado das élites, da Imprensa e do povão, é esmagado por um Nogueira que tinha o aparelho a seus pés.
  3. Barroso, contra o calculismo e cinismo de muitos (incluindo deste modesto escriba) que achavam que era sempre cedo para o reformar, chegou a primeiro-ministro. O desastre está à vista...
Em suma, e no caso concreto do Lopes, nós não descrevemos os factos como gostavamos que eles acontecessem, nós descrevemos os factos como não gostavamos que acontecessem. Os eventos deste fim de semana apenas nos vem dar razão.

Santana, a demonstrar que o seu verdadeiro alvo, não é Cavaco, veio louvar as reações sensatas deste à sua entrevista, e subrepticiamente puxar as orelhas, e ameaçar com um ajuste de contas, aqueles que não compreenderam a sua jogada i.e. hesitaram, leia-se a dupla Barroso/Morais Sarmento, ou que a atacaram explicitamente como Pacheco. As peças começaram a mover-se e não é por acaso que Guilherme Silva diz hoje o que diz ...

Mas o facto político da semana foi sem dúvida protagonizado por José Pacheco PereiraPacheco, embora ressalvando as dificuldades de Durão, veio dizer alto e bom som que são precisas mudanças na estrutura do actual Governo a começar por mexidas na Defesa e Justiça.

Traduzindo para português, isto significa pôr o Dr. Portas como Ministro de Estado ou vice-Primeiro Ministro (sem Pasta), ou então tranferi-lo para outro Ministério dado que a sua remoção do governo é impossível dada a sua qualidade de líder do PP e seu pouco desapego ao poder. Qualquer destes dois cenários é inviável, noutras pastas  o Paulinho iria incorrer invariavelmente nos mesmos comportamentos desviantes que provocam o pedido da sua remoção da pasta da Defesa, como Ministro sem pasta, a sua posição seria fragilíssima já que não se antevê como tal situação se poderia compatibilizar com os tempos de crise que vivemos...

Assim, o que Pacheco vai dizendo é que Barroso não tem condições para remodelar, porque sendo chefe mão manda. Mais umas semanas e ainda vamos ver Pacheco a pedir a remodelação de Durão - é o corolário lógico e natural.

Há apenas uma salvação possível para Durão mas de remota probabilidade: Sabe-se que Portas, e a sua troupe, devida à lendária queda do Paulinho para os números, irritaram solenemente uns certos amigos do Sr. Rumsfeld. Se Durão não andasse a dormir na forma talvez essa irritação lhe pudesse ser muito útil mas falta saber se para os Americanosdiferenças entre Portas e Durão...

Ainda sobre Durão, é suposto o homem saber uma coisa ou duas de política externa. Tem-se visto! A cimeira da Figueira da Foz foi da mais completa palhaçada, amadorismo e rendição aos interesses de Espanha, ao se optar pelo TGV, quando o investimento estratégico da década devia ser o aeroporto da Ota, e antes de Espanha se decidir, já decidiu ?, a construir um grande aeroporto do outro lado da fronteira e que reduziria eternamente o da Portela a mero aeroporto regional... Depois é a inenarrável Teresa Patrício Gouveia, criatura estimável, que percebe tanto de diplomacia como eu de escrita linear cretense. É a apologia do investimento estrangeiro em Portugal por causa... da mão de obra barata, é o ler num discurso solene o introito de um decreto-lei, é o facto de o MNE não ser tido nem achado quando o PM vai a Espanha, e a saca rolhas subscreve uma declaração que serve os interesses de Espanha, é  o  José Cesário que se não existisse teria que ser inventado, é enfim...

Publicado por Manuel 20:01:00 0 comentários Links para este post  

Francisco José Viegas directo, incisivo e certeiro como poucos ...

L'IMPORTANCE DES RÉFÉRENCES. O Le Monde publicou um texto sobre o caso Casa Pia e Portugal. Medeiros Ferreira (os seus textos do Diário de Notícias têm sido dos mais ponderados sobre o assunto) fala dessa descoberta assustadora: a de que, debaixo do verniz do País que viveu Expo98 «e a sua arquitectura futurista», estava um outro País, atrasado – «Et ça fait mal!» Daí também se explica a aliança entre o populismo e a televisão. «Graças ao pequeno ecrã», diz Medeiros Ferreira, «assistimos a uma verdadeira catarse no País.» Mas o Le Monde também ouviu Manuel Alegre, que se manifesta contra a ideia de «catarse». É mais um «linchamento mediático»: «Quand je pense que nous avions fait une révolution exemplaire, tout cela pour tomber à nouveau dans la culture du doute!»; «La justice, ce n’est pas faire le procès des institutions. Un pays a besoin de références.» Ora esse é que é um problema: as referências passavam pela tranquilidade do silêncio em relação à Casa Pia e à honorabilidade intocável e insuspeita de todo o sistema politico e dos média. Isso já não é possível. Ao contrário do que se diz no artigo, essa é, precisamente, vantagem de trinta anos de democracia, e não a destruição dessa democracia. Os mais cépticos podem perguntar-se se o País precisa mesmo destas referências, mas talvez seja excesso de cepticismo e de má-fé; acho é que as referências do País já são outras, para o pior e para o melhor, nem são as instituições que estão a ser atacadas. Concordo que «les références» são importantes, mas lembro-me sempre dos senadores italianos nestas circunstâncias.

mais palavras para quê ?

Publicado por Manuel 14:01:00 0 comentários Links para este post  



Venham mais cinco da pop portuguesa

Cinco putos do Porto, no fim dos anos sessenta, fizeram um grupo rock e chamaram-lhe Pop Five Music Incorprated.

Álvaro Azevedo, Tozé Brito, Paulo Godinho , Luís Vareta e Nuno Cameira, a que se seguiram, em substituição, David Ferreira e Miguel Graça Moura, tocavam em bailes, festas e festivais e as músicas eram quase sempre iguais quando não eram alheias.

Sabiam tocar os intrumentos, onde predominava o órgão Hammond de sonoridades envolventes e determinantes, que expelia a maestria recolhida do músico Graça Moura, ambientado em Conservatório.

Por isso, num mesmo disco, misturavam Ob La di Ob la da com uma arranjada Aria de Bach. Como eram do Porto, cidade ligada a ingleses, então em plena explosão rock, recebiam os discos de lá e plagiavam-nos cá, em versões amanhadas de ouvido, mas atrevidas, de um fulgor de juventude que nem sequer estacava perante um Jimi Hendrix ou evitava a banda sonora de Lalo Schifrin para uma Missão Impossível.

Note-se que o Pop Five, na altura, era um grupo português entre outros. Noutro grupo da época, como o Sindicato, tocavam Rui Cardoso, Jorge Palma, Vítor Mamede, Rão, entre os outros nove músicos que tentavam imitar os Blood Sweat and Tears.

Os anos dos Pop Five terminaram em 1972, quando os putos atingiram a idade de ir à tropa que na altura se fazia no Ultramar.

No ano anterior, juntaram-se aos Sindicato, Psico, Quarteto 1111, Objectivo, Pentágono, Chinchilas, Contacto e Celos, em Vilar de Mouros, para cerca de 20 mil pessoas ouvirem e onde se apresentou aos portugueses, um certo Elton John, antes deste se tornar o "rocket man".

A apreciação crítica no Mundo da Canção nº 21, pela pena implacável do crítico Jorge Cordeiro, que lá esteve, é expressiva e breve: "música sem grande força e de execução medíocre". A nota positiva de Vilar de Mouros 71, em música rock nacional, foi para os Psico:" "conseguiram a primeira adesão macissa(sic) do público : para tal tiveram que executar um velho rock dos anos 50. O público pôs-se de pé, entrou no balanço e terminou apoteoticamente."
Nesse relato circunstanciado do festival, o crítico abalança-se ao retrato sociológico da juventude do Portugal de então: "Nascia finalmente o Festival? Não. E porquê? Não só pela frieza do nosso público que ainda está imbuido de muitos preconceitos, mas por culpa dos próprios grupos. A música praticada foi toda ela muito igual, muito semelhante mas principalmente porque entre cada actuação queimavam minutos a afinar instrumentos verificar aparelhagem, experimentar microfones, numa minúcia ridícula e cocabichinha, denunciadora de insegurança e até cabotinismo."

Quais são as obras primas dos Pop Five? Duas: Page One de 1970 e Orange de 1971, esta gravada em Inglaterra e que apesar disso decepcionou, por falta de originalidade e nível musical, o crítico do jornal Disco de 1.9.1971, Hélio Sousa Dias que o assimilou abertamente à influência dos Wallace Collection, grupo menor e que chegou a visitar Portugal para tocar "Daydream".

A primeira dessas músicas tem autoria equívoca, atribuída ao grupo, segundo Álvaro Azevedo que assim o escreveu no pequeno livreto de apresentação da colectânea Odisseia, agora lançada e que reune toda a obra gravada do grupo: " o Tozé Brito também colaborou com a sua criação.", nas palavras aí escritas. Contudo, a autoria deverá atribuir-se a Miguel Graça Moura, o qual não só na enjeita essa paternidade como a reivindica.

O tema "Page One", foi adoptado por um radialista da Rádio Renascença para anunciar o seu programa Página Um que preenchia um horário ajantarado, das 19h 30m às 21h e que constitui, sem qualquer dúvida, um dos melhores programas de rádio de sempre. Pelo formato, pela inovação, pelo gosto musical e pela sobriedade na apresentação. Por aí passaram, sucessivamente José Manuel Nunes, Adelino Gomes, Luís Filipe Martins e Artur Albarran.

"Page One" é uma música de marcação funky, onde predomina a secção rítmica baixo-bateria que lhe imprimia uma cadência urgente, na abertura daquele programa de rádio que se prolongou até alguns anos depois do 25 de Abril e que normalmente passava em primeira mão, as novidades discográficas vindas de Londres, por via aérea e contando com a colaboração de portugueses aí emigrados, como era o caso de António Cartaxo, hoje apresentador na Antena 2.
A música mais conhecida dos Pop Five é assim, uma reminiscência de um belíssimo programa de rádio e com uma sonoridade rítmica inicial, tentadoramente copiada e semelhante à sonoridade funky de um Lee Dorsey de Get Out of My Life Woman ou de um Lowell Fulson de Tramp, ambos de 1966 e avoengos do Hip-Hop.



No início de 2003, os Pop Five, minus Graça Moura, ocupado nessa altura noutros assuntos que o afastaram desse convívio revivalista, reuniram no Porto e retocaram algumas cantigas, num espectáculo gravado em DVD e que acompanha a "Odisseia".

Pode ser impressão de copista, mas a versão de To Love Somebody dos Bee Gees, incluida em disco no ano de 1969, tem uma vocalização melhor pelo Tozé Brito actual, no espectáculo de 2003, do que o de antanho. Odisseia, é obra a merecer audição, porque a qualidade técnica da gravação e a recuperação para cd digitalizado a 24 bits também o reclamam. Quanto à música, "memories are made of this". "Who am i to disagree?"

Publicado por josé 11:35:00 0 comentários Links para este post  



"A Noite Dá-Me Um Nome"

«Uma jovem preceptora chega a uma casa de campo nas proximidades de um lago. Os seus alunos, Miles e Flora, são duas crianças encantadoras. Mas ela começa a perceber que no silêncio da casa há "presenças", um homem e uma mulher que viveram ali há algum tempo; estão mortos e voltaram para levar as crianças com eles.

No conto "The Middle Years", Henry James escreve: "Trabalhamos no escuro - fazemos o que podemos - damos o que temos. A nossa dúvida é a nossa paixão e a nossa paixão é o nosso trabalho. O resto é a loucura da arte." O protagonista do conto é um velho escritor que acabou de receber o seu último livro; sentado num banco de jardim começa a folheá-lo e, quase sem se dar conta, a corrigi-lo, como um Bonnard um pouco menos real que aproveita a distracção do guarda de um museu para retocar um dos seus quadros. Henry James pensou em estudar pintura com William Morris Hunt (desistiu e voltou às suas leituras) e no ensaio "The Art of Fiction" fala da relação entre a pintura e a escrita, da importância das imagens e do "ponto de vista"; uma novela (ou um quadro) é um organismo vivo, e em cada uma das suas partes há algo de todas as outras. Num texto sobre literatura fantástica, diz que o ideal é o conto de fadas puro e simples; e o que mais se aproxima do conto de fadas é a história de fantasmas.



"A Volta no Parafuso" é uma "ghost story"; numa véspera de Natal, algumas pessoas reunidas numa casa de campo contam histórias assustadoras, e a referência a algo de estranho que aconteceu a uma criança faz com que um dos convidados, Douglas, se lembre de uma preceptora que conheceu quando era um rapazinho. E depois temos a narrativa da preceptora, na primeira pessoa, o que permite a James usar a técnica do ponto de vista, que faz com que muitos dos seus textos sejam extremamente enigmáticos e ambíguos. Por exemplo, Charlotte Stant, uma das suas personagens femininas mais fascinantes, só nos é mostrada através dos olhos de outras personagens de "The Golden Bowl". Num conto como "The Friends of the Friends", vemos os factos pelos olhos da mulher que escreve: um homem e uma mulher parecem feitos um para o outro e por isso mesmo nunca se podem encontrar; até que ela morre; e então começa a sua história de amor, ou pelo menos é o que pensa a narradora. E não sabemos se os fantasmas existem ou não no mundo lá fora. Na escrita de James o mundo interior e o mundo exterior misturam-se muitas vezes, o importante não é o que acontece mas a impressão que fica na consciência de alguém.

Em "A Volta no Parafuso" nunca saberemos se os fantasmas existem lá fora ou somente na imaginação da jovem preceptora. A novela deu origem a muitas discussões de críticos (e de psicanalistas): alguns defendem a existência dos fantasmas, outros acreditam que a história é uma série de alucinações da preceptora. Talvez James não tivesse lido Freud na altura em que escreveu "A Volta no Parafuso", mas devia conhecer os estudos de Charcot sobre a histeria. A ideia inicial parece ter surgido durante uma visita ao arcebispo de Canterbury, em que este referiu o caso de duas crianças perseguidas pela aparição de criados mortos. Talvez James quisesse unicamente contar uma bela história de fantasmas, provocar o assombro, porque para ele uma das coisas mais importantes era assombrar-se; foi um texto no qual só usou valores "brancos" (não escritos), forçando o leitor a imaginar o mal que nunca é nomeado. Eu sempre achei que havia uma terceira leitura da novela, uma outra volta no parafuso: o ponto de vista não é o da preceptora mas o do menino.

Ou seja, a resposta à pergunta que surge logo no início, "por quem estava apaixonada a jovem preceptora", não é de forma alguma a mais óbvia. E numa entrevista de Jack Clayton, que realizou o filme "The Innocents" segundo um guião de Truman Capote, fiquei com a impressão de que ele sentia o mesmo; no filme Miles oferece flores à preceptora (Deborah Kerr) como se lhe fizesse a corte, e no final há um beijo que pode ter muitos sentidos.



As outras duas hipóteses também são fascinantes. Quint e Miss Jessel, dois amantes malditos, continuam a rondar Bly, a casa silenciosa onde durante a noite se ouvem por vezes passos no corredor ou crianças a chorar, e querem ser vistos (algumas das cenas mais arrepiantes são essas trocas de olhares entre os vivos e os mortos). Os fantasmas não existem: a jovem preceptora apaixonou-se pelo tio das crianças, um homem que só viu duas vezes, e na solidão e no silêncio de Bly encena aquele amor, com os dois duplos que ela mesma criou, o homem rude mas muito belo que veste a roupa do patrão e parece um actor (embora ela nunca tenha visto um actor), a mulher muito bela e melancólica vestida de negro que vagueia perto do lago e se senta à velha secretária para escrever não se sabe a quem. Henry James acreditava na importância das imagens. Não é possível esquecer o fim de tarde em que a preceptora regressava de um passeio pelos campos e viu Peter Quint no cimo da torre; ou o dia em que voltou à sala para procurar as luvas e viu o rosto dele encostado à vidraça; a noite em que se encontraram nas escadas e se olharam longamente (se fossem dois criminosos teriam trocado alguma palavra); Miles e Flora brincando no jardim; a preceptora a ver-se pela primeira vez de corpo inteiro num espelho; o lago de águas frias e agitadas; Miss Jessel vestida de luto passeando junto ao lago. Trabalhamos no escuro...



No conto "O Desenho no Tapete" (outro de que os psicanalistas gostam muito), James fala do "segredo" que o autor vai tecendo no próprio corpo do texto, o fio no qual estão enfiadas as pérolas, enfim a verdadeira história que, se o romance ou conto tiver vida, está em todas as partes, e é contada por cada palavra, por cada sinal de pontuação. Claro que se existe um inconsciente do texto, e eu não tenho dúvidas de que existe, o autor pode ser o último a saber ou até nunca saber. Em "A Volta no Parafuso" James deixou falar livremente o seu desejo e o seu medo. Mas é o nosso desejo e o nosso medo que vamos encontrar na novela.

Os fantasmas de Bly são os nossos. Como no poema de Rilke: "a noite dá-me um nome / que nenhum daqueles a quem de dia falei / ouviria sem angústia - / Cada porta cede / dentro de mim..."»

«A noite dá-me um nome», Ana Teresa Pereira
(crónica publicada no suplemento «Mil Folhas», do Público de 31 de Janeiro de 2004)

Publicado por André 21:31:00 0 comentários Links para este post  



Queda livre

João Pinto já chegou a ser um dos melhores jogadores portugueses. Teve épocas em grande plano no Benfica, numa altura em que a águia tinha uma equipa bem mais fraca do que tem hoje. Chegou, nessa fase, a carregar o Benfica às costas e até pode queixar-se de ter prejudicado a sua ascensão pessoal, ao não ter ido para o Corunha.

Mas isso já foi há muitos anos. Agora, JVP está em nítida curva descendente. Teve o seu canto do cisne na época em que o Sporting foi campeão, fazendo excelente dupla com Jardel. Depois, foi sempre a descer.



No mundial, João Pinto já não justificava ter sido titular. Pior ainda foi o que fez no Portugal-Coreia, comprometendo a qualificação para os oitavos-de-final. Como se não bastasse, nunca pediu desculpa aos portugueses.

Preferiu permanecer em silêncio durante meses e meses e meses. Quando voltou a falar em público, ressalvou sempre que não abordaria o tema selecção. Lembrou-se agora de desafazer o tabu -- 20 meses depois!



E o que nos disse Pinto? Que «algumas pessoas deveriam revelar algumas coisas»!!!

Só pode ser piada, ò Pinto...

Publicado por André 20:57:00 0 comentários Links para este post  



"A Cartomante"

«Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja

Nos dias de hoje esteja tranquilo
Haja o que houver, pense nos seus filhos

Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo



Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida

Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo

Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço

Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada...»



Letra: Ivan Lins
Interpretação de Elis Regina

Publicado por André 20:44:00 0 comentários Links para este post  



Na vanguarda do crime

A nossa Direcção Geral de Contribuições e Impostos não pára de surpreender. Os tipos que tratam do graveto de todos nós andam muito preocupados.

Esta Grande Loja sabe que uma dessas preocupações prende-se com esquemas de falsificação do Escudo.



Perante tal ameaça, a DGCI esteve reunida esta semana com a Directoria de Combate ao Crime Económico da PJ. Um encontro em que a malta da Judite ouviu as preocupações da DGCI sobre falsificação do Escudo.

Sempre na vanguarda do crime, a Grande Loja sabe ainda que as próximas investidas da DGCI serão sobre fotocópias das antigas notas de 100. Sendo que, as verdinhas notas de 20, que ainda circulam por aí­, mereeco uma especial atenção.

Publicado por Carlos 17:05:00 0 comentários Links para este post  



O Cerco

Esta noite fui ao cinema. O facto de as premieres serem agora às quintas tem as suas vantagens - não há enchentes, as salas estão quase vazias, o que quer dizer que se pode assistir pacatamente ao filme e simultaneamente estar informado sobre o que de relevante se passa na Pátria em tempo real i.e. ter o telemóvel ligado.

Assim enquanto assistia ao último exercício de virtuosismo de John Woo, lá fui sendo informado da overdose informativa nas TVs por causa do affair Vale Azevedo, confesso aqui que fiquei um bocado deprimido por o homem só ter estado em "liberdade" breves segundos; esta tarde, e inspirado no último artigo do, ex-futuro Primeiro Ministro, Paulo Rangel no Público (a segunda alma mais modesta que conheço no mundo a seguir a José Mourinho, sendo que este último lá vai ganhando umas coisas), já estava a antever, e sendo garantido que Guterres não avança, o homem como candidato presidencial dos reformistas do regime, trupe encabeçada por  Eurico de Figueiredo, Paulo Mendo, Miguel Veiga mais seis milhões de portugueses...

Depois foram mais reclamações por causa do Santana, parece que dou "muita importância" ao homem, "é preciso desdramatizar", "O Barroso é o que há", etc, etc... É claro que o pequeno detalhe de Santana ir fazer o que lhe apetecer nas listas Europeias, impondo, e vetando, quem quiser, de ir ter o Rock in Rio enquanto o governo tem o Euro/2004 onde obviamente Portugal se vai sagrar campeão, e de não ter nada a perder num futuro Congresso ao contrário de todos os outros, são tudo pequenos detalhes que não interessa discutir, porque não é tempo...

Na senda das reclamações, também Marcelo é um incompreendido, infamemente metido no mesmo saco do outro, do Lopes. Lá me recordam pela bilionésima vez que, assim, eu não tenho futuro, porque (!) "não sei (con)viver com as coisas como elas são". Há, mais uma vez, o pequeníssimo detalhe de que eu conheço o Excelentíssimo Professor, estando farto de assistir às suas performances ao vivo, sempre uma memória prodigiosa, aquele sorriso de falsete do desculpem lá qualquer coisinha no passado, e o marcar de milhentos almoços com milhentas pessoas ao mesmo tempo para ficar de bem com a sua própria consciência, é claro, que mais tarde ou mais cedo, e aos crentes, a sua fiel secretária acaba sempre por recordar que ao contrário da lenda  o homem só faz mesmo uma coisa de cada vez, e em cada sítio... Nunca vi Marcelo desancar ninguém ao vivo e frontalmente, só chá e bolinhos, falinhas mansas e paninhos quentes acompanhados claro de um ilimitado faqueiro para as inevitáveis traquinices.

Enquanto que Santana me provoca nojo e repulsa, Marcelo inspira-me apenas , dons tão grandes e tão desbaratados ...

Mais à frente, fico a saber que o Independente já tinha fechado a edição e que, esta semana, seríamos contemplados com uma overdose de Cavaco.

Antes do filme acabar ainda ouve tempo para apelarem à minha moral católica por ter invocado em vão uma Santa e Doutora da Igreja para ironizar com uma promissora jornalista do Público cujo único defeito é ser "muito nova" e por isso "não saber dizer que não" (às teses peregrinas das fontes entenda-se). Quase que estive para meter a Milú, ex-DN e agora no exílio em Londres, ao barulho, mas não estava com pachorra...

Chegado a casa, ligo o meu IBM T41p à net e lá vou espreitar o Indy. Eu, que nasci antes de 74, senti-me logo 10 anos mais novo, finalmente outra capa com Cavaco! só factos consumados e certezas axiomaticamente definidas à boa maneira daquela casa.

Começando pelo fim, temos um editorial elíptico de Inês Serra Lopes, da qual ficamos a saber que Barroso tem (!) uma estratégia, "a qual passará muito mais pelas próximas eleições legislativas do que pelas presidenciais",  já ontem o José António Lima no Online do Expresso dava de barato Barroso no poleiro por mais uns largos tempos, como se dava Guterres até à véspera do dia em que fugiu...

Indo aos pratos fortes temos uma biografia da Nova Esperança, que o "Líder do PSD quer antecipar congresso para o início do Verão, para relançar o Governo. Santana Lopes foi informado e decidiu assumir a sua candidatura presidencial mais cedo", e fundamentalmente o desvendar do hipotético calendário de Cavaco. Conhecendo o curriculum de quem assina os textos, e do que a casa gasta, a fonte mais que certa é o amigo do senhor professor, que em tempos se gabava de ser dono do Indy, e que é muito amigo de um certo advogado muito notado por ter aparecido no lançamento do último pisa-papeis do Lopes.

Se a ideia era, e não o era, fazer um frete a Cavaco, querendo estar bem com Deus e com o Diabo, o que passa é um absoluto atestado de menoridade a Cavaco.

Fontes anónimas, amigos próximos, confidentes, ex-colaboradores, é assim que funciona a intriga clássica mas Cavaco não precisa disso para nada, porque afinal "os portugueses conhecem-no".

No entanto a imagem que passa a quem ler o Indy, é a de um candidato clássico, completamente inserido no sistema, rodeado por cínicos e terroristas profissionais, que jogam ao mesmo nível de Lopes e companhia, e por um bando de "vencidos" da vida (a antiga "Nova" Esperança), os quais sem qualquer ponta de pudor não hesitam em se pôr em bicos de pés como que reclamando troco por favores passados, remontando alguns aos longíncuos tempos do Congresso da Figueira da Foz.

Com a farra  desta sexta, depois de ontem Cavaco com uma simples frase ter posto Santana K.O. o Indy forneceu a Santana munições para semanas ...

Cavaco pode, deve, e tem de estar acima desta palhaçada toda, porque com
amigos destes não precisa muito de inimigos... (Dele depende única e exclusivamente o evitar que a coisa se transforme numa novela - o que só convém a Santana, e em certa medida a Barroso)

Cavaco é afinal o único político em Portugal que não precisa de fazer compromissos, e no actual estado do País mesmo que precisasse devia recusá-los, até porque em Política, por muito injusto que isso seja, o que parece é...

P.S. 1. Parece que agora é chique desancar e vulgarizar  Vasco Pulido Valente. O homem pode não ter razão em tudo o que escreve, e não tem, mas faz sempre pensar. Esta sexta acertou em cheio no porta aviões...
P.S. 2. Ainda no Indy, uma entrevista com Fukyama, o tipo que previu o fim da História, com este a dizer que Bush não tem as eleições garantidas. Eu também espero que não, mas com declarações destas o testa de ferro de Karl Rove pode dormir mais descansado...
P.S. 3. Francisco José Viegas afirma que não conhece nenhuma grande ideia a Santana Lopes. Eu também não, nem grande nem pequena, aliás não conheço nenhuma grande ideia a nenhum membro do Governo que não seja tratar da própria vidinha e assegurar a sobrevivência... já sobre Guterres e a China tem carradas de razão. Na questão fiscal manda a bola ao poste; O problema não é a obrigatoriedade moral de pagar ou não impostos, meu caro FJV, o problema é que as pessoas acham mais confortável contornar a lei, nas questões fiscais como em muitas outras, passando pelo aborto e pela corrupção, do que discutir os temas a sério. Afinal a sociedade civil somos todos nós.
P.S. 4. parafraseando VPV  e sobre Santana "É na guerra que ela pensa e não aceita menos". ah, e nessa guerra quem inevitavelmente só tem tudo a perder é Durão...

P.S. 5. Uma certa noção de eugenia social e intelectual nunca foi estranha a uma certa esquerda. As declarações de Ana Gomes sobre o escândalo Casa Pia, o tal que era todo uma cabala, como justificação para o aborto são do mais infeliz que há. E depois há quem se queixe que os debates sobre a matéria não são intelectualmente sérios...
P.S. 6. Vital Moreira tem toda a razão do mundo em pedir a cabeça de Celeste Cardona por causa de "nomeações irresponsáveis". Mas em nome da coerência propomos-lhe um pequeno exercício  complementar : Enumerar quantas nomeações desse tipo ocorreram durante o consulado  de Guterres por indicação do Tó Zé Seguro...

Publicado por Manuel 3:04:00 0 comentários Links para este post  



O Cavalo de Tróia

Que fique claro, eu não gosto do Dr. Santana Lopes. Para mim ele representa tudo, ou quase, o que de errado existe na política e nos políticos.

Dito isto, e face aos acontecimentos recentes, declarar pura e simplesmente a morte politica da criatura ou a irrelevância das suas posições é no mínimo contraproducente e, na opinião deste modesto escriba, revelador de muito pouca lucidez.

Mas, por incrível que pareça, foi o que fizeram por ângulos diferentes mas complementares Paulo Gorjão, José António Lima e, pasme-se, José Pacheco Pereira.

Paulo Gorjão, afirma relaxadamente ...

Como muito bem nota a Grande Loja do Queijo Limiano, existe aqui claramente uma ameaça directa ao Primeiro-Ministro. Porém, deve-se de imediato desmistificar esta declaração e dizer que tal não passa de um tigre de papel, na medida em que PSL sabe perfeitamente que não deixaria de pagar um elevado custo político, se fosse identificado como o responsável pela queda do Governo.
A não ser que queira jogar à roleta russa, PSL não está em condições para fazer ameaças a Durão Barroso ou a Cavaco Silva.

Ora, escrever, isto é não conhecer minimamente o PSD. Quem de facto controla o aparelho é Pedro Santana Lopes. Quem faz o obséquio de quando é preciso desacelerar a JSD, Fernando Ruas ou até Alberto João Jardim é ,ele mesmo, Santana Lopes. Quem domina a esmagadora maioria dos aparelhos distritais é, again, Santana Lopes. Quem mais boys coloca é, surpresa, Santana Lopes, em alegre joint-venture com José Luís Arnaut.

O Lopes é, de facto, um jogador puro, mas o preço político a pagar por correr com Durão numa boa parte dos cenários possíveis é zero, como ele hoje explica pacientemente na sua prosa no DN. Santana não seria  identificado como o responsável pela queda do Governo, mas sim como o perpetuador da coligação já que ele, e apenas ele, a garantiria. Com a economia no estado em que está, com sinais lentos de recuperação, com o desemprego a aumentar, com um PS esfrangalhado, o cenário de um golpe de estado interno no PSD, na premissa de que com Santana a líder poderiam existir boas hipóteses de renovar a actual maioria pela coligação no poder não é totalmente invendável ao aparelho.

Pacheco Pereira, acerta no acessório, mas cai escusadamente na armadilha do Lopes, e que é fatalmente acabar a discutir Presidenciais. José António Lima, comete o mesmíssimo erro.

Ontem, na CPN do PSD, ninguém ousou criticar Santana, por outras palavras o custo político que ele pagou por esta aventura foi zero, o que quer dizer que vai invariavelmente haver mais, muito mais... Santana goza, e conta, descaradamente com a sua inimputabilidade  para continuar descontraidamente os seus fins ... Porque o verdadeiro problema é que em política existe horror ao vazio, e sendo Durão o vácuo absoluto, em ideias, em liderança, em afirmação do poder, é ele o melhor seguro de vida de Santana...

Ou, se se quiser,  Durão é o verdadeiro Cavalo de Tróia de Santana ...

Publicado por Manuel 15:07:00 0 comentários Links para este post  



clarificações...

Passou a ser oficial, Pedro Santana Lopes não desmentiu Luís Delgado, logo assume publicamente que está a triturar Durão. Mais logo, na SIC-Notícias vamos ter Nuno Morais Sarmento a explicar o inexplicável, i.e. que Durão é líder mas não é frouxo, e a tentar apaziguar a maioria silenciosa que não se revê nos delírios do Lopes. Não vai conseguir mas dava um bom ginasta...

Para rematar, directamente da TSF um xanax para o Lopes ...

Cavaco Silva - Foto Lusa CAVACO SILVA
«Não me deixo pressionar por ninguém»Cavaco Silva diz que «não se deixa pressionar por ninguém»

O ex-primeiro-ministro não quis reagir à polémica levantada com a entrevista de Santana Lopes ao «Expresso», mas deixou um «recado» ao autarca de Lisboa. «Quem me conhece sabe que não me deixo pressionar por ninguém», afirmou Cavaco Silva.

Publicado por Manuel 21:16:00 0 comentários Links para este post  



Quem sairá?...

A selecção tem hoje um teste importante -- certamente o mais importante antes da fase final do Euro. Geralmente, damo-nos bem com a Inglaterra. Vamos ver se isso acontecerá de novo...

Pessoalmente, confesso que tenho uma enorme curiosidade em saber como é que Portugal se irá comportar diante de um dos mais fortes candidatos à vitória.

A quatro meses do Euro, Scolari tem já quase tudo decidido. As últimas escolhas apontam, claramente, para um grupo de 18 a 20 jogadores com lugar praticamente garantido. Restam poucas dúvidas.

A Grande Loja fez contas e concluiu que destes 24 nomes, um terá que sair. E assim ficam, quase de certeza, os 23 eleitos para a fase final.


Vejamos...

  • 3 guarda-redes: Ricardo, Quim e Bruno Vale

  • 8 defesas: Paulo Ferreira, Miguel, Fernando Couto, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Beto, Rui Jorge e Nuno Valente

  • 3 médios-defensivos: Tiago, Petit e Costinha

  • 4 médios-criativos: Rui Costa, Maniche, Hugo Viana e Deco

  • 4 extremos:Figo, Simão, Cristiano Ronaldo e Boa Morte

  • 2 pontas-de-lança: Pauleta e Nuno Gomes




Destes 24 nomes, um sai e ficamos com a mais que provável lista dos 23.

Talvez Maniche seja a unidade mais em risco. Quaresma teria algumas hipóteses, mas deverá ser o brinde para os sub-21, porque os outros três (Viana, Ronaldo e Tiago) são incontornáveis.

Mas ainda é cedo para saber ao certo... Claro que estes nomes decorrem das escolhas de Scolari.

A Grande Loja não se cansa de apontar o dedo ao seleccionador por deixar de fora Vítor Baía e Fernando Meira. Mas, nesta fase da preparação, torna-se por demais evidente que nenhum dos dois vai ao europeu.

Em breve, voltaremos a abordar estas duas estranhíssimas ausências...

Publicado por André 18:04:00 0 comentários Links para este post  



Elsa Raposo, o "24 Horas" e a manchete que afinal não era..

Descansem, rapazes!

afinal, ela continua do nosso lado...



(para quem não acompanhou a novela, o 24 Horas surpreendeu o país masculino com uma manchete que mostrava Elsa Raposo, num banho de espuma, a garantir que, a partir de agora, só iria 'namorar com mulheres'. A ex-apresentadora do Sex Appeal nega tudo e até escreveu uma carta, com direito de resposta, para o jornal dirigido por Pedro Tadeu...)

Publicado por André 17:23:00 0 comentários Links para este post  



se a moda pega ...
... ou porque é que o primeiro dever de um preso é fugir.



Fugir a impostos é «moralmente justo»
Primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, diz ser «uma verdade» do «direito natural»  

Publicado por Manuel 16:10:00 0 comentários Links para este post  



Luta de Galos

Juizes & Advogados, Associados.

Publicado por josé 11:09:00 0 comentários Links para este post  



faca & alguidar



"A não esquecer: na posição em que está, e com a força que tem, Santana pode ser muito mais demolidor para o Governo, e a maioria, do que dois Cavacos juntos e três Marcelos dominicais. Basta que deixe de ser um protector do Executivo, colocando-se numa posição presidenciável, e aí Durão perde uma pedra-chave no controlo de dano e explicação das suas políticas. Só por esta razão, o PSD não pode deixar de enquadrar este quase candidato, embora sem perder o seu espaço de manobra."

A prosa acima vale por mil textos explicativos nesta Grande Loja, e é assinada no DN de hoje, nada mais nada menos, perdão por Luís Delgado, gestor da LUSA por nomeação, sim desse, de Nuno Morais Sarmento.

 

Para quem ainda não percebeu, ou anda a dormir, Luís Delgado explica preto no branco, aquilo que andamos a dizer à meses, e que é a forma, baixa e rasteira, como Santana Lopes está objectiva e substantivamente a chantagear Durão. Só há uma coisinha que não encaixa, alguém se lembra de uma e uma só medida governamental, que Santana tenha explicado às massas ?



Entretanto, a Grande Loja está em condições de afirmar, que para grande desgosto de António Arnaldo Mesquita, Tânia Laranjo, Carlos Tomás e claro do Van Krieken, Santa Teresa D'Ávila está é preocupada com essa crente imaculada que é Helena Pereira. Com efeito com muita, mas mesmo muita, diria mesmo infinita,, é que se é a única criatura da galáxia e arredores a acreditar, e publicar, que Santana tinha sincronizado a sua entrevista com Durão...

Publicado por Manuel 1:42:00 0 comentários Links para este post  

  • O show dos Marretas

    Finda a era dos Zés Marias, dos Marcos e das Martas, as TVs viraram-se para um novo tipo de reality show - a política.

    Estrelas confessas desta nova forma de garantir audiências - Marcelo Sebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes.

    Em bom rigor estes dois marmanjos não existem.

    Existe, isso isso, uma imagem que ao longo do tempo os dois passaram para as massas deles próprios e de que ironicamente são agora prisioneiros ...

    Marcelo, é o político de salão puro, vive mais da fama que outra coisa, intriguista exímio mas péssimo estratego. Marcelo nunca dá tempo a que uma das suas tácticas se converta numa estratégia consistente porque entretanto já se lembrou da táctica seguinte...

    Santana, é o caciquista puro, bem falante, galanteador q.b., é o demagogo por excelência ou se se quiser a reincranação perfeita do Conde d'Abranhos do imortal Eça.

    No entanto, e dizêmo-lo com as letrinhas todas, não passam de dois cobardes, de dois bluffs puros e duros...

    Quem se lembra do último debate a sério onde participou um ou outro ?

    Quem se lembra de ver um ou outro expostos ao exercício do contraditório em tempo real ?

    Marcelo e Santana são dois actores, de um reality show televisivo, que vendem muito mas não convencem... Entretem mas ninguém os leva a sério porque o mundo deles não é o do comum dos mortais, nunca foi...

    E o grande drama de um e de outro é que cada vez menos controlam os scripts das salgalhadas em que se metem ou julgam que metem os outros, (já) não controlam a única coisa realmente importante em política - o timing... Cavaco que o diga...

  • Fantasmas da meia-noite à uma

    A entrevista do Lopes ao Expresso provocou do lado das suas hostes o apoio isolado de João Jardim,  uma  desautorização da mesma por parte de Nuno Morais Sarmento  (o qual, ficamos a saber, contínua vivo e de boa saúde ...), e a ressurreição de uma série de criaturas, de estirpe igual ou inferior à de Santana (Eurico de Melo, Couto dos Santos - salvaguarda-se aquí a de Lopes Cardoso, a única com conta, peso, medida e autoridade - só faltando mesmo o Isaltino), as quais sobre a batuta do angêlico e desinteressado Professor Marcelo, desataram a apoiar Cavaco. Cavaco, esse continua calado, a rir-se da inocência destes apoios...

  • Uma questão de coerência ...

    Miguel Cadilhe, continua alegre e contente,  a sua cruzada contra os desperdícios do Estado em Lisboa - capital.

    Em nome da coerência espera-se que Cadilhe um dia destes, arranje tempo, e também critique os exageros da Casa da Música e do Edifício Transparente... no Porto.

  • Por causa das Presidênciais... Monteiro arrisca-se a ser despedido pelos seus actuais mentores,

    Por causa das Presidênciais... o frio, calculista e absolutamente pragmático Nobre Guedes, o inventor de Portas, já começa a fazer  contas e a ameaça  fazer  a Portas o que  este outrora  fez a Monteiro.

    Por causa das Presidênciais...
    vai começar mais cedo do que o previsto a refundação do PSD a qual vai passar pela absoluta destruição do actual aparelho ...

    Por causa das Presidênciais... ninguém fala na Europa, nas Europeias, no descalabro das contas públicas e das contas das novas Empresas Públicas ...

Publicado por Manuel 21:43:00 0 comentários Links para este post  



Só isto...

«Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos»

PITÁGORAS



Publicado por Carlos 19:28:00 0 comentários Links para este post  



"Maggie May"

«I'll never be your Maggie May
the one you loved and left behind
the face you see in light of day
and then you cast away
that isn't me in that bed you'll find

I'd rather take myself away
be like those ladies in Japan
rather paint myself a face
conjure up some grace
or be the eyes behind a fan

And so you go
no girl could say no
to you



there's the way we may appear
but that will change from day to night
would you ever see within?
underneath the skin?
could I believe you had that sight?

And so you go
no girl could say no
to you

I'll never be your Maggie May
the one you loved and then forgot
I'll love you first and let you go
because it must be so
and you'll forgive or you will not

and so a woman leaves a man
and so a world turns on it's end
so I'll see your face in dreams
where nothing's what it seems
you still appear some kind of friend

And so you go
no girl could say no
to you»



«Maggie May (I'll never be your)», in Songs in Red and Grey, 2002

Letra, música e interpretação de Suzanne Vega

Publicado por André 18:23:00 0 comentários Links para este post  



"Os cavaleiros andantes"

Aqui ficam declarações fresquíssimas de doiscavaleiros andantes”, na expressão do Eurico de Figueiredo ao jornal O Diabo de hoje, 17 de Fevereiro de 2004.

A entrevista é um aperitivo para a "pièce de résistence", de centerfold: o inefável advogado portuense Miguel Veiga, estende-se nas duas páginas centrais...  em declarações comprometidas com o grupo de cavaleiros andantes que querem por a andar o PGR Souto Moura e reformar a Justiça.

Para eles, isto anda numa "bandalheira".

A causa principal? A violação do segredo de justiça no caso Casa Pia! Nem mais!

Primeiro, o inefável Miguel Veiga...

A Justiça está na ordem do dia . Pensa que o caso Casa Pia abriu a Caixa de Pandora?

"Os sucessivos governos nunca deram a devida importância ao fenómeno da Justiça.

Consideraram que o sistema estava à margem, e era gerido por uma seita de sacerdotes, uns juizes, outros advogados. A Justiça é a instituição mais simbólica do Estado porque governa apenas com os sinais da autoridade.

Se o sinal é fraco e decadente é todo o organismo social que está em causa. O desprestígio da justiça não afecta só os agentes judiciários mas todo o respeito que os cidadãos devem a si próprios e põe em causa o principal normativo social, que é o Direito.

Antecipei que um dia ia haver uma calamidade, mas ninguém ligou bóia. Refugiaram-se e, slogans do tipo “ o poder judicial é autónomo”, “ a justiça é soberana”, etc. , à medida que o Estado de Direito se ia tornando cada vez mais sofrível e até mesmo medíocre.

A maioria dos deputados era quase analfabeta em matéria de Justiça e o Estado de Direito era uma espécie de alegoria que servia para tudo. Os políticos assobiaram para o lado, nomeadamente Cavaco e Guterres, e a máquina começou a emperrar.

E até mesmo Durão, que eu defendo, entregou a pasta da Justiça ao PP. De há 15 dias a esta parte o primeiro-ministro tem-se visto obrigado a fazer intervenções neste domínio, isto para não falar das intervenções contínuas do PR, que faz apelos porque não tem poderes para mais nada. Sampaio gostaria de explicitar mais opiniões sobre a Justiça, mas não pode fazer, senão caía o Carmo e Trindade.

Um grupos de personalidades pediu a substituição do PGR. Qual o papel do MPO no estado da Justiça?

Creio, antes de mais que a queixa teria mais eficácia se fosse apresentada ao Provedor de Justiça que tem poderes constitucionais de mandar fazer a investigação. Solicitar ao PR ou ao primeiro ministro é um pedido condenado ao logro, pois eles vão dizer: “isto já está complicado, agora querem a bomba atómica?”

A PGR não deve ser uma magistratura, o procurador-geral é um advogado do Estado. É inadmissível que Souto Moura venha dizer que não sabe de onde vêm as falhas no circuito. O que se tem passado ultimamente em relação à PGR, a começar pela violação do segredo de justiça brada aos céus. Obviamente que as violações partem de quem guarda o processo. Estranho é que nunca se descobriu nada."


E a seguir, o cavaleiro Eurico de Figueiredo...


O senhor faz parte de um grupo de personalidades que elaborou um documento dirigido ao Primeiro Ministro, onde é pedida a demissão do procurador- Geral da República. Esse pedido decorre da forma como ele tem agido no âmbito do caso Casa Pia?

"São crimes hediondos que estão em causa nesse processo e é surpreendente que por irresponsabilidade , por incapacidade ou por outras razões que desconheço da parte da Procuradoria , neste momento os portugueses olhem para este processo como “tudo é possível...”. Tudo pode estar na origem do descontrolo da própria Procuradoria. Eu ficaria muito preocupado se os portugueses acabassem por se habituar a que uma instituição que tem por obrigação respeitar e defender o Estado de Direito e a democracia acabe por ser o seu próprio coveiro...por irresponsabilidade, por incapacidade, ou por conspiração! Todas estas possibilidades, a meu ver, estão em aberto.

O que está em causa, e leva este grupo a pedir a demissão do PGR, são as sucessivas quebras de segredo de justiça, as fugas de informação...

Sim, da falta de controlo sobre o segredo de justiça...Eu fui director de um hospital psiquiátrico, e não era concebível para mim que houvesse uma fuga de segredo profissional sem que ao fim de dois ou três dias eu soubesse quem foi o enfermeiro , ou a secretária, ou o médico.
Para mim, isso é impensável que numa instituição com a importância da PGR se passem meses sem que se que se saiba que é que de facto anda a brincar com os portugueses.

Presume então que o procurador saiba de alguma coisa...

Eu não sei se sabe ou se não sabe! Sei é que ele, ou é irresponsável ou incompetente. Eu não admito que um PGR em dois ou três dias não descubra de onde saem as fugas...Se os processos estão em algum sítio, se alguém os controla, se há secretárias que tem ou não acesso, se há juizes que tem ou não acesso...Ou então há uma balbúrdia completa, e uma irresponsabilidade completa, e cuidado, não pode ser assim! Ou não se está a fazer o trabalho para averiguar de onde é que saem as fugas de informação."


O copista fica perplexo com estas declarações!

O que diz Eurico sobre os métodos de averiguação das fugas, são de antologia e um programa para o PS e o seu já tão badalado projecto de Código de Processo Penal.

Qual Lacão, qual Costa! Ponham lá o Eurico!

Ele sabe investigar fugas e diz como é que se faz, ó gente ignara!

Mas...

... de onde é que saem estes melros e em que oliveira costumam pousar?!

Porque é que se preocupam tanto com a violação do segredo de justiça e a bandalheira” de se saber o que se passa no processo?! Como é que têm ambos tanta certeza na presunção de culpa do PGR?

A divulgação das escutas telefónicas efectuadas foi, de facto, um terramoto, como se está a ver! Mas não entendem os cavaleiros que a mesma só ocorreu quando o processo estava no tribunal da Relação?

Não entendem que a divulgação da carta anónima veio fatalmente da defesa dos arguidos do processo?!

Agora é a vez de o copista leitor se perguntar: que segredos terríveis guardarão aqueles autos para pôr tanta gente em pânico?!

De quem têm medo afinal, os Euricos, Veigas e demais cavaleiros andantes que se viram para o PGR com uma sanha persecutória completamente descabelada?

Esta fona que se traduz em romagens, entrevistas, projectos de alteração legislativa à pressa e a contrariar princípios anteriores de que nunca se deveria legislar à pressão e por causa de um caso, deixam no ar as maiores interrogações.

Quem são estas pessoas que tem estado na ribalta nos últimos vinte ou trinta anos e afinal são a geração que criou este estado de coisas?!
 
O que justifica este pavor da opinião pública?

Porque se assuntam tanto e se preocupam agora, mostrando tanto fervor e dedicação, à causa da justiça, ao ponto de quererem a ... substituição do PGR?!

O programa, pelos vistos, é só esse...


Publicado por josé 11:28:00 0 comentários Links para este post  



"Canção de D. Maria esperando o regresso das Naus"

«Por tanto homem atrair
Tem la mar de ser mulher
Com voz de sereia os chama,
Com segredinhos de dama
Deles faz o que bem quer.

Fracos abismos se escondem
Debaixo da minha saia.
A rival que assim me mata
É feita de espuma e prata,
Dorme em leitos de cambraia.

Aquelas gentis gentias
Que feitiços te farão?
Passo a noite a magicar,
Agulha de marear
Cravada no coração.



Ai que mentiras guardavas,
Meu marido em teu olhar.
Mal tomavas de mim posse,
Já te rendias ao doce
Chamamento de la mar

Dizem que trazes fortuna,
Escravos, pós e pedraria.
Que me importa tal riqueza,
Se eu já estarei já, com certeza,
Velha e feia, morta e fria?

Ai, pobre de mim, traída
Ai, pobre de mim, deixada!
Se me voltarás com vida,
Se te esperarei honrada?
Ou se me acharás perdida,
Por sol-posto inda deitada
Com escudeiro que ao meio-dia
Me namorava a criada?»

«Canção de D. Maria esperando o regresso das Naus», in L’Amar, 1993

Letra: Hélia Correia

Música: Vitorino

Interpretação de Filipa Pais

Publicado por André 23:11:00 0 comentários Links para este post  



e é esta a ditosa Pátria nossa amada ...

Marcelo esta noite apareceu na TVI a responder a Santana Lopes que 30 minutos antes estivera na SIC a delirar enquanto tentava desdramatizar (!) a sua entrevista ao Expresso ...

Ambos lélé da cuca  já  se vê ...

Publicado por Manuel 21:42:00 0 comentários Links para este post  



"Rapariga com Brinco de Pérola"

Há dias, a Grande Loja já havia assinalado o excelente desempenho de Scarlett Johansson, estrela em ascensão do universo cinematográfico, em «Lost in Translation».

A jovem Scarlett, de origens nórdicas e tenros 19 anos, é apontada pelo inner circle do exigente meio da crítica de cinema como a grande revelação do último ano e a provar tudo isso esteve a atribuição do prémio de melhor actriz principal pelos óscares ingleses, os Baftas (da Academia Britânica de Cinema).

Mais um dado que faz com que aumentem as expectativas em torno da sua interpretação em «Girl With a Pearl Earing».



Com realização de Peter Webber, «Rapariga com Brinco de Pérola» estreou no circuito português na passada quinta-feira e está nomeado para três óscares.

Publicado por André 19:51:00 0 comentários Links para este post  



Os marretas

Em mais um exclusivo mundial, a Grande Loja presenteia os seus leitores com a foto dos presidentes do Benfica, Luís Filipe Vieira, e do Sporting, Dias da Cunha, inimigos meses e aliados há uns diitas, quando os dois dirigentes assistiam, na Tribuna Presidencial da Luz, ao Benfica-FC Porto de ontem à noite...





Publicado por André 19:23:00 0 comentários Links para este post  

A propósito de algumas proposições irreflectidas sobre uma eventual imputabilidade do actual Procurador Geral da República -  Souto Moura, o copista, mesmo sem procuração do Procurador, vai entrar, por uma vez e sem mais exemplos, no ping pong da reflexão sobre um caso - o arquivamento dos processos das viagens dos deputados.

O caso já tem barbas. Porém, alguns tem-nas mantido de molho, para efeitos de conveniência e de circunstância, como seja o ataque irreflectido e aparentemente ignorante de certas regras do direito processual penal.

Merece, por isso, um outro trailer que mostre o panorama do filme, em traços gerais e de sinopse necessariamente lacunar..

Comecemos pela origem do problema: a Assembleia da República, onde se encontram os deputados eleitos pelo povo, indirectamente, como tem sido regra. Foi nesse pano imaculado que cairam as nódoas fantasma, durante anos a fio e ninguém deu por nada (et pour cause... )

Como diz este blogueador - e muito bem - , ser deputado é um sacrifício que se faz pelo povo e quase apetecia transcrever aqui o célebre poema de Bertoldt Brecht - Sobre a Dificuldade de Governar...

Um parlamentar, fundador e dirigente de Partido, legislador, governante e sombra tutelar da democracia , pediu em tempos, qualidade nessa mão de obra legislativa.

Contudo, por causa dessas viagens sem destino nenhum, houve algumas pessoas que não compreenderam o esforço do deputado fundador e legislador e avinagraram escritos como se pode ler por esta cópia daqui ...

“No dia 29.10.99 na RTP1 pelas 20.20 o Presidente da Assembleia da República Almeida Santos disse que achou muito estranho que se tenha considerada burla agravada a uma prática generalizado durante uma dezena de anos.

Segundo percebi, isto vem na sequência do escândalo do deputado chamado "Batman" pelas suas viagens incríveis, pagas pelos mais honestos contribuintes, mas que ele não fez nem poderia ter feito.

Se bem me recordo, (já passaram muitos anos como em todos os processos polémicos e não só), ele defendeu-se dizendo que todos faziam o mesmo.

Exatamente como Craxi se defendeu perante Antonio Di Pietro numa audiência transmitida pela RAI ...

... desde quando usava colções na escola sabia da prática generalizada de apoio ilegal aos partidos e de muita corrupção na política. "Toda a gente sabia. Só não sabia quem não queria saber"- disse Craxi agora em exílio para fujir à Justiça italiana”

Então, qual o papel da PGR neste assunto fantasmático?

Desde cedo que os comunicados sairam à rua, em dia assim ...

E até assim

Não obstante a secura de comentários dos comunicados da PGR e que são muitas vezes a origem da sede de conhecimento de jornais e jornalistas, por inexperiência, ineficácia ou falta de savoir-faire dos serviços, a comunicação socialfoi dando conta dos recadosaqui, ali  e acolá, e foi contando até chegar ao último capítulo da telenovela e que é este

Chegados aqui, nesta viagem guiada, é preciso dizer que o regime de prescrições tem um prazo de validade e que o PGR Souto Moura chegou à PGR quase no final de 2000.

Se houve negligência da parte dos serviços, por não conseguirem atalhar o que já estava atrasado, pelos anos e anos de incúria daqueles pobres sacrificados da A.R., ainda assim haverá que compreender a que tipo de queixas se referem as queixas irreflectidas ...

  • - Serão as queixas crime?! 
    Não pode ser, porque os crimes estavam prescritos
    .
  • -  Serão as queixas derivadas e com reflexo nas acções cíveis?!
    Também não terão seguimento, por causa da mesma prescrição.

Para perceber bem o assunto
, não basta ler jornais... porque a informação é fragmentada e o Direito não é assim tão linear ou vulgar, de Lineu.

Qual a culpa do PGR neste imbróglio?!

Como copista, custa-me muito a ver... mas ainda assim dou alguma razão ao irreflectido:

O esclarecimento destas coisas, pela PGR, custava tão pouco... e tem uns custos tão elevados!

Publicado por josé 15:38:00 0 comentários Links para este post  

Alguns dos nossos leitores mais impacientes estranham o facto de ainda não se ter aqui comentado a entrevista de Pedro Santana Lopes ao Expresso deste fim de semana.



Em bom rigor o essencial das declarações do Lopes já foi de facto aqui comentado, há vários meses até, (começando em finais de Setembro) o que só por si demonstra a absoluta previsibilidade e rigorosa falta de imaginação desse politico menor que é Pedro Santana Lopes.

Mas o mais interessante, e que parece escapar aos analistas do costume, não é sequer o timing ou o conteúdo das declarações de Santana Lopes per se, mas sim a forma como Santana se enquadra e enquadra terceiros. Sem nunca precisar de citar  Monteiro de facto Santana Lopes advoga um sistema presidencialista puro e duro. Ao afirmar que só ele, e só ele, poderá ser o garante da estabilidade da actual coligação no poder  Santana passa um atestado de menoridade política a Durão e afirma implicitamente que apesar de ser o número dois do PSD sem ele a coligação não funcionaria logo coloca-se desde já num patamar superior a Durão.

Mas Santana diz mais, diz que "não há um só candidato possível, nem para Belém, nem para Lisboa, nem para primeiro-ministro". Ora como não há memória de alguém depois de ter sido Presidente aceitar de ser Primeiro-Ministro na prática o que o Lopes está a fazer é chantagem pura e dura com o actual inquilino de São Bento explicando urbi et orbi que caso o actual líder do PSD não o apoie para Belém então Santana pode ele próprio decidir-se por São Bento. Os calendários eleitorais (no caso os nacionais  e  internos do PSD) jogam a favor deste último cenário, o qual recorde-se foi equacionado aqui nesta humilde loja em devido tempo publicamente e em primeira mão.

Parece também que muita gente ficou chocada com estas declarações que não são mais do que excelente notícias para Cavaco.

Em definitivo  Santana  cometeu a proeza de transformar Cavaco ainda mais num asset  nacional que do próprio PSD (resolvendo-lhe o único handicap e permitindo-lhe entrar pelo eleitorado de centro esquerda dentro) já que ao se afirmar como o santo padroeiro da coligação no poder, e quiçá de uma posterior fusão entre PS e PSD, Santana comete o erro capital de confessar que nunca poderia ser o Presidente de todos os Portugueses.

O mais longe que Santana vê como "sentido de Estado" é, pasme-se, manter os compadres no poleiro o que para um candidato a PR é sintomático...

Mais, e onde alguns analistas de paróquia vêem como um erro de palmatória de Cavaco o cada vez maior divórcio entre este e o aparelho, que não as bases,  do PSD, nós vemos aí  o grande trunfo  de Cavaco.

Tem seguros o eleitorado tradicional de direita, fica imune a eventuais escândalos, à francesa, envolvendo peixe graúdo do PSD, continua imune aos dislates governamentais, e ainda fica com espaço para piscar o olho ao eleitorado que sendo de esquerda tem a sensatez e o sentido patriótico suficientes para reconhecer em Cavaco o Estadista que outros nunca foram. Para o tabuleiro de Cavaco ficar mesmo perfeitofalta mesmo Dias Loureiro aparecer a apoiar Santana (Proença de Carvalho consta que já apoia ...)

Se Santana tivesse algo mais do que garganta, e se estivesse assim tão convicto das convicções que nunca teve, avançava para PR com ou sem Cavaco na corrida, mas Santana sabe que nesse tabuleiro não tem hipóteses e por isso joga tudo contra Durão. Durão que, desde já, se vê confrontado com o seu número dois (!?) a dar por consumada e garantida uma nova coligação para as próximas legislativas, facto derivado da forma trapalhona e apressada como deixou negociar a coligação já para as próximas europeias. Durão que vê hoje no Público José Luís Arnaut, pela pena de Helena Pereira, ter a lata de afirmar que a entrevista no Expresso foi sincronizada com ele, Durão que, mais uma vez, perde espaço para fazer uma tão necessária remodelação já que o liliputeano Portas está de novo numa posição de bloqueio.

Mas há um outro motivo, inconfessável, para Santana aparecer agora a cantar de galo contra CavacoSantana Lopes tem telhados de  vidro e, se o impossível acontecer, desde logo está  encontrado o autor da cabala contra Santana, Cavaco claro está. O facto do Lopes não fazer perder um nano segundo que seja de sono ao Professor é um detalhe para quem sempre se habituou a viver de aparências ...



P.S. 1.
se Durão aparece como vítima é porque fez a cama onde hoje está deitado. O mesmo Durão que , no El Pais, ética na demissão de Martins da Cruz, é o mesmo que é incapaz de demitir essa nódoa absoluta que é José Cesário, que acabou de despachar para conselheiro para assuntos sociais em Londres, um compadre cansado da vida no coração da União Europeia, etc, etc, etc ... 
P.S. 2. O patriotismo é muito bonito, mas se Belmiro decidir pôr o Público à venda, entre a Cofina e o grupo Prisa, do El Pais, preferimos claramente estes últimos ... e em nome do interesse nacional!
P.S. 3. Anda muita gente a gastar tinta com o encontro do Beato. A coisa começou, e acabou, com o discurso de António Borges, o único que sabe o que quer e para onde vai. Borges  foi o único a perceber que as reformas tem que ser feitas por dentro do sistema, e apesar  deste, não contra ele, os outros mais pareceram membros do COPCON travestidos de neoliberais de aviário. Carrapatoso e Mexia bem que se podem desfazer em lágrimas ...
P.S. 4 Teresa Caeiro é o Pedro Santana Lopes de saias do PP, e não estamos a falar de política. Tendo em conta que aquele é o Partido de Mariana Cascais, a coisa até tem a sua piada. Viva a Hipocrisia...
P.S. 5 O autor do Irreflexões não gosta de Souto Moura. Prefere porventura o regresso do Príncipe ou da Santa Inquisição, que agia por inspiração pretensamente divina.
Nós não dissemos que estávamos sempre de acordo com as decisões de Souto Moura, e nem sempre estamos, apenas que estamos convictos de que este as toma sempre de acordo só e apenas com a sua consciência, e princípios, e não tendo em conta interesses superiores inconfessáveis ... Para estas bandas é quanto basta.



Publicado por Manuel 0:49:00 0 comentários Links para este post  



A ressocialização da escola de Direito de Coimbra.

O Público de hoje, destaca cinco páginas de escrita sobre as cadeias e fatalmente refere uma palavra e um conceito caro a certas elites: ressocialização!

Perante uma estatística que contabiliza em mais de 50% o número de reincidentes, o incómodo de quem pensa e manda é notório e é assim que deve ser.

Uma tese de doutoramento de Fernando Barbosa, da Fac. de Psicologia da Universidade do Porto, investigou o assunto e o autor propõe soluções, mostra algumas incoerências sistemáticas e apita para quem deve ouvir os recados: “a cadeia não está a cumprir o seu papel ressocializador.
 

Indo um pouco mais além, qual Buzz Lightyear, em vista do horizonte deste écran, o copista pergunta:

faz sentido a filosofia ressocializadora do Código Penal actual e que temos há vinte anos?

Se alguma coisa ou alguém, em Portugal, pode simbolizar a ideia de elite, essa coisa é o Código Penal de 1982 e esse alguém, as pessoas que o pensaram e o elaboraram. Quanto ao pensamento, não há mistério: a introdução do diploma diz quem foi e quando foi. Eduardo Correia, de Coimbra, é o seu nome e as ideias são dos anos sessenta. A ideia do Código na parte geral, designa-se como ”correspondendo a uma visão unitária, coerente, marcadamente humanista e em muitos aspectos profundamente inovadora.” Não envergonham ninguém, estes desígnios.

O projecto foi devidamente mastigado e ruminado durante anos de governos e comissões - e disso dá conta essa Introdução.

Não foi mais uma lei experimental lançada às feras dos diários da república que se alimentam de papel como como as locomotivas a carvão: em fornalha intensiva, como tem acontecido nos últimos anos de fona legislativa.

Nos anos oitenta, uma nova Comissão presidida por Figueiredo Dias lançou a obra mestra do nosso direito penal, seguindo os ensinamentos daquele mestre , com ajuda de outros, entre os quais Cunha Rodrigues, personagem incontornável nestas coisas da justiça das últimas décadas.

Quem se der ao trabalho de ler essa Introdução ao Código Penal, há-de reparar que entre “mediações axiológicas”, menções explícitas a votações no Parlamento alemão(!), referências à culpa como medida da pena e a uma prevenção geral e especial, a peregrinação chega à ideia de que os delinquentes devem ser para recuperar!

A prevenção especial só pode ganhar sentido e eficácia se houver uma participação real, dialogante e efectiva do delinquente. E esta só se consegue fazendo apelo à sua total autonomia, liberdade e responsabilidade” .

Até para um copista, esta leitura é penosa, mas a verdade é que esta filosofia de vida não se fica por aqui...

Verifica-se a assunção conscienciosa daquilo a que a nova sociologia do comportamento designa por desdramatização do ritual e obrigam-se as instâncias de execução da pena privativa de liberdade a serem co-responsáveis do êxito ou do fracasso reeducativo ou ressocializador. Pensa-se ser esta uma das formas que mais eficazmente pode levar à reintegração do delinquente na sociedade.”

Mesmo contando com a aparência elíptica deste escrito, com um pequeno esforço interpretativo toda a gente lhe capta a semântica, a sua origem e destino.

E melhor ainda se percebe quando o Prof. Faria Costa, recentemente e sem elipses, disse com um sentido muito chão das realidades que a ideia de ressocialização do Código Penal tinha falhado, provavelmente adivinhando estas investigações e lendo estatísticas recentes.

Antes, já o próprio Figueiredo Dias tinha confessado publicamente a sua ingenuidade madura, a propósito das soluções inovadoras vindas directamente da tecnologia do pensamento alemão. E muito antes também, já tinha amargurado a incompreensão da plebe perante ideias tão avançadas.

E acha o copista que ainda vai amargar mais, designadamente quando a plebe se aperceber duma solução tão engenhosa como perfeita, conseguida por outra Comissão dirigida pela mesma elite e que se pode ler no artigo 355º do Código de Processo Penal.

Em poucas palavrinhas, mandam-se às malvas muitos actos do Inquérito, obrigando a que toda a prova se faça na audiência de julgamento! As consequências, particularmente em processos penais onde a prova assenta em testemunhos, ainda se irão ver de forma mais nítida, agora, nesta vertigem processualística.

Assim, resumindo e na linguagem tradicionalmente campónia, aquela elite coimbrã deu pérolas a... portugueses executivos!

Porém, aqueles dois eméritos professores fazem parte do gotha do Direito de Coimbra que nos impingiu aquelas ideias que agora denunciam como falhadas, com a agravante de atribuírem a desgraça a outros, particularmente os aplicadores dessas brilhantes ideias.

Essa escola de Direito de Coimbra, é uma verdadeira elite no sentido tradicional do termo. É um escol, de grupo reservado e atencioso aos mestres das lentes.

É coerente nos escritos e age em conformidade quando lhes pedem pareceres ou opinião.

Os lentes são um punhado fechado que não larga mão das cadeiras mestras. Não saiem dali, encafuados que estão em gabinetes de tectos altos e janelas que já foram medievais e a bem dizer fazem bem, porque o ambiente, sendo de catacumba, tem bons respiradouros nas bibliotecas. Quem se respalda nos sofás de couro dos corredores, sente o saber fluir dos cartazes que anunciam cursos de pós-graduação, à semelhança das pancartas anunciadoras da última novidade da Colgate-Palmolive num qualquer supermercado de pingo doce.

Aliás, pressente-se que o objectivo marketinesco é o mesmo: vender um produto e isso eles aprenderam depressa!

Os catedráticos em Direito não abundam, em Coimbra ou em qualquer outro lado, por razões misteriosas e já em tempos analisadas por Vasco Pulido Valente, num escrito de Junho de 1989!

Uma frase resume todo um programa elitista...

“A Faculdade , ou seja, de facto, o pequeno grupo que tradicionalmente a explora e dirige, tem um só propósito: o de se perpetuar.”

Curiosamente, como copista, lembro agora que um dos catedrático da dita cuja é Vital Moreira e nunca se viu um escrito seu, singelo que fosse, sobre o assunto.

Sobra-lhe tempo para descascar o corporativismo de juízes; ferve-lhe o sangue se lhe cheira a sotaina por perto ou em grupo; contudo, sobre esta elite a que pertence e dá corpo, nunca lhe foi detectada a publicação de escrito esclarecedor... particularmente sobre esse fenómeno estatístico da carência de titulares de cátedra em Direito.

Se o lente ler isto, o copista sugere que rebata e adocique afirmação amarga daquele Valente, Pulido, no mesmo artigo e que dizia que

“...os académicos portugueses pretende, na sua maioria, apenas tomar de assalto uma prateleira do orçamento e arrumar-se e arrumar os parentes e protegidos. O ideal de professor continua a ser o Padrinho e a troca de serviços, curriculares e outros, o principal critério científico.”

Perante o exposto, será o escol de Coimbra uma das poucas elites existentes e resistentes que ainda temos?!
A resposta será tentada numa próxima ocasião.

Adenda copiada

Neste local sereno se poderá encontrar o resume de todas as teses de doutoramento apresentadas à Universidade de Coimbra, desde 1988. Direito tem 32!

Seria interessante conhecer as de Lisboa.

Publicado por josé 15:50:00 0 comentários Links para este post  

Mangadalpaca, personagem misteriosa e atenta, remeteu mais um texto de glosa a uma notícia recente do Portugal Diário, acerca de comportamentos curiosos de um juiz descontraído.

Aqui fica o postal, tal como recebido:



Mangadalpaca® e a «face humana» da Justiça


E ainda dizem que os servidores da Justiça são arrogantes, prepotentes e indiferentes aos sentimentos e anseios dos cidadãos utentes do sistema.

A história não é de hoje, mas é edificante...E conta-se em poucas palavras (vem noticiada no Portugal Diário de 13/02/04).

Tem a ver com a sina de uma eleita local (politicamente exilada) para a presidência da câmara municipal de Felgueiras, mas só indirectamente.

Há poucos anos, o Ministério Público num Tribunal administrativo do Porto requereu a perda de mandato da dita eleita local por ninharias várias, mas que tinha fundamentalmente a ver com a alegada compra de um terreno para urbanização por parte do seu ex-marido, antes dessa zona ser classificada para construção, com conhecimento da sua iminente reclassificação (matéria de facto não provada).

Pretendia-se demonstrar que o ex-marido da dita eleita – antes do divórcio – teria informações privilegiadas para aproveitar a compra do dito terreno por um preço de terreno agrícola, após o que maximizaria o investimento por ser reclassificado como apto para construção.

Isto é, o MP quis demonstrar o indemonstrável – que o marido de uma presidente de câmara sabe dos dossiers que a mesma trata e que esta tem conhecimento dos negócios do marido.

Até aqui, tudo normal...

Sucede que no dito processo, interveio um juiz conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo.

Como testemunha. E, nessa qualidade, depondo com honra de magistrado, logrou convencer o Tribunal que a demandada não sabia dos negócios do ex-marido e, muito menos, que este soubesse de qualquer iminente reclassificação (e consequente revalorização) dos terrenos em causa.

Ah! Cumpre esclarecer que a inspectora da IGAT arrolada como testemunha não foi ouvida e que o juiz fundamentou a sentença de indeferimento do pedido do MP com o convencimento resultante do depoimento das testemunhas da (injustificadamente) demandada.

Até aqui, tudo normal, também. Excepto num pormenor(maior).

O Mangadalpaca só se espanta como é que com semelhantes apoios, a dita eleita local exilada se continua a ver a braços com um problema com a «Justiça do seu país» e permanece exilada.

Não logrou, até agora, êxito na sua súplica perante o Presidente da República.

Os advogados (brasileiro e português) da dita cidadã não atam nem desatam, apesar do «medo do MP em acusá-la».

De qualquer modo, o Tribunal Constitucional já lhe possibilitou retomar o cargo.

Por isso, o Mangadalpaca põe-se a pensar: afinal, naquele processo, o juiz do STA só quis evitar um recurso escusado para o seu tribunal, deixando a indicação ao juiz da 1.ª instância de como a causa seria, logo ali, bem decidida.

Ainda andam p´ra aí a dizer que a Justiça não tem uma «face humana»...

P.S. Resta acrescentar que a dita eleita local vai ter uma vigília de saudade e desagravo no dia 13, perdão, no dia 1 de Maio.

Mangadalpaca®

Publicado por josé 11:55:00 0 comentários Links para este post  



Perguntar não ofende (parte II)

Há dias que esta Loja mais parece a secção de «Indiscretas» desse grande jornal de referência que é «O Crime». Mas pronto. Como cidadão, não posso deixar de partilhar com os leitores este enigma:

- Quem é o mediático e eclético advogado que, em 2003, estava tão certo que um tribunal superior iria libertar o seu cliente que contratou uma empresa de catering para organizar uma pequena festarola lá em casa?

A empresa preparou as coisinhas, montou as mesinhas e os «comes e bebes», só que o cliente acabou por ficar detido. Até hoje o mediático e eclético advogado ainda não pagou a factura




Publicado por Carlos 14:47:00 0 comentários Links para este post  



Peclecs explicados

Um dos aspectos mais interessantes destas janelas virtuais alcandoradas no universo blogosférico é a variedade e diversidade de temas e textos que se abrem e ficam expostos ao navegante ocasional.

Nas lojas da blogosfera nacional, o visitante encontra de tudo um pouco, mas rareiam os artigos essenciais: os de informação esclarecida.
 
Sobra a opinião, escasseiam os factos em primeira mão. Copia-se largo e em extensão e por isso, a maior parte dos blogs são eminentemente dispensáveis, como diria o Vasco Pulido, em dia amargo de entrevista de ocasião.

Se alguma coisa podemos dizer que nos é essencial e primordial, é a saúde. Daí que assuma importância fundamental conhecer quem nos trata dela e quem dela se ocupa para também a ter.

Não adianta apontar mais longe ou prolegomenar mais: o que aqui me traz, são dois blogs - dois - e os escritos sobre a nossa saúde!

Um deles, tenta explicar alguma coisa de medicina a quem não entende - os intelectuais!

Às vezes atrapalha-se, mistura desabafos com diagnósticos e radiografias e a explicação prometida fica adiada. Outras vezes, abre as portas do conhecimento a quem estiver interessado. Como por exemplo aqui, nesta cópia que transcrevo, prestando a vénia devida:

“Há cerca de um ano, "Por motivos de saúde que requereram uma opinião urgente de determinada especialidade, desloquei-me por mais do que uma vez à urgência central do Hospital de Santa Maria. Segui todos os trâmites que seguem todos os outros doentes: inscrição, espera, triagem, e aguardei, aguardei e aguardei, observando.

As comunicações móveis e os cochichos entre os vizinhos de cadeira, ambos facilmente audíveis, permitiram que fosse suspeitando dos diagnósticos dos meus colegas de ocasião (longe de imaginarem que o colega de ocasião era um médico-doente).

Como médico, entristeceu-me ver a sala de espera repleta de pequenos casos: pais com filhos com febre, filhos com os pais com febre, pequenos traumatismos, infecções urinárias, lombalgias à espreita de uma chapa, cefaleias e depressões e outras situações menores.

De quando em vez entravam alguns directos.

Um denominador comum nas suas conversas para justificar a vinda ao hospital central era o facto de não terem encontrado uma alternativa personalizada em quem pudessem confiar, isto é, o seu médico de família.

Os próprios reconheciam que poderiam ser tratados noutro local e terminavam assim: não encontrei o médico de família, não o pude contactar, o centro de saúde estava fechado, para ir a outro médico que não conheço, venho antes aqui, etc.
Se estes doentes tivessem uma relação personalizada, próxima do seu médico ou uma pequena equipa de médicos, se os médicos dos centros de saúde fossem responsáveis pela organização dos seus serviços, se ganhassem pelo que produzissem, incluindo consultas telefónicas tipo call-center, não tenho dúvida de que os doentes prefeririam muito mais uma opinião conhecida, que aceitariam e que lhes transmitisse confiança e os médicos sentir-se-iam com mais vontade de trabalhar, se o seu ordenado não dependesse apenas da assinatura mensal da folha de ponto, quer trabalhem no duro, quer cocem as paredes e das muitas vénias ao Sr. Director".

Este texto tem um ano ao qual dei o título de "As Portas Fechadas".

Este é que é o problema das nossas urgências hospitalares. Lado a lado, a atrapalharem-se e a atrapalharem os médicos e outro pessoal da saúde, estão feridas com meio centímetro e grandes eventrações, estão infecções urinárias e septicémias, estão traumatismos cranianos com massa encefálica no exterior e pequenos "galos", estão paragens cardíacas e neuroses cardíacas e muitos outros exemplos.

Haverá por parte de alguns utentes falta de civismo, mas para muitos, falta de informação ou mesmo de alternativas.

E já agora pergunto: quantos habitantes da blogosfera, não recorreram já às urgências hospitalares centrais por dor de dentes? Por dor de ouvidos? Por dor de *....”

Outro blog que explora as mesmas vias, por caminhos mais ínvios, às vezes escatologicamente anarca na escrita e radicalmente ético no conceito , é o do AlVIno.

É blog que se com os óculos do sentido de humor. Não é para toda a gente , porque o dom, infelizmente, não chega a todos.

Mas é radical e urgente no desabafo em que se escreve sobre quem nos trata da saúde, nos hospitais do SNS e dos PECLECS. Eu fiquei assustado, porque o diagnóstico é de tumor maligno! E não vejo quem o extirpe!

O PECLEC, para quem anda distraído, é o Programa Oficial de Recuperação das Listas de Espera. E as estatísticas até Agosto passado estão aqui:

Segundo outros desabafos na blogosfera:

“Nesta intricadas decisões entra sempre o factor das Listas de espera dos Hospitais. Não sei se os leitores se recordam das críticas quase diárias às listas de espera nos tempos dos Governos Socialistas; era incrível como os Ministros de Guterres não resolviam aquela velha questão; o PSD obrigou todos os Ministros do Governo Socialista a prestar contas quase mensais na Assembleia da República. A recuperação de listas de espera iniciou-se em vários Hospitais, mas sempre debaixo de fogo cerrado da oposição.

E agora que o PSD está no poder? Decide-se! Criou-se o PECLEC (Programa Oficial de Recuperação das Listas de Espera). Acabaram os doentes? Qual quê! Os doentes do PECLEC serão intervencionados durante as horas normais de serviço? Deve ser, porque o Senhor Ministro já admitiu que já entraram nas listas de espera mais doentes do que aqueles que foram resolvidos e que o PECLEC terá de ser esticado por mais 2 dois, pelo menos…

Ou seja, a recuperação de listas de espera andará por aí à espera do seu fim, enquanto semanalmente o Ministro vai decidindo quantos novos doentes entram e saem das ditas listas… A decisão fundamental não é tomada? Que interessa se se fazem muitas ou poucas cirurgias? O que interessa é que o povo vá acreditando que este Governo está a decidir…”

Quanto à escrita Alvinesa, aqui fica só uma amostra:

"Açim, é fássil ganhar guita... E bão ber que os mesmos médicos uperam nas óras de cirurgia de rutina, e consultam nas mesmas órinhas, e mamam o urdenado normal e o guito todo do PECLEC?

E os que se baldam purque ficão a durmir, que uperaram muito nos PECLECs na béspera? Açinam cumo se foçem aos Servissos, na boa... cumessa a trafulhisse pelos diretores, claro!

O isquema não paça de chular umas guitas ao istado, desdobrar as cirurgias se puçível, no tempo já pago pelo urdenado abiar os PECLECs, currer pra clínicas e cãotinuar a PECLECar...

Os auditores são nabos, em geral, e cãofião nos dados e registos... forjados pelos PECLECadores... bão tupar 2 ou 3 cazos mal rejistados mas não tópão a estrutura da trafulhisse! "

Parece-me um retrato demasiado impressionista para não ser verdadeiro!

Publicado por josé 12:13:00 0 comentários Links para este post  



o puto ou o sindroma das baratas tontas ...



Por motivos ecológicos não vamos comentar o teor das declarações de Pedro Duarte, porta-voz (!) do PSD, ao Indy. Vai ser muito mais divertido comentar as consequências ...

Publicado por Manuel 22:59:00 0 comentários Links para este post  



"Sempre Sophia"...

«O meu país sabe a amoras bravas
no Verão.

Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.

Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul»



«As Amoras», Sophia de Mello Breyner Andresen, 1985

Publicado por André 21:52:00 0 comentários Links para este post  



Três cenários para a Luz

Os lagartos que me perdoem, mas mesmo estando o Sporting em segundo lugar, um Benfica-FC Porto (em Lisboa ou no Porto) continua a ser o duelo mais apetecível do futebol português.

E como já dizia o outro, «um clássico é sempre um clássico... e vice-versa!»

Respondendo ao desejo de vários e digníssimos leitores, a Grande Loja partilha aqui o seu habitual poder de antecipação e revela os três cenários possíveis para o grande embate de domingo à noite.

Aqui vão:

  1. O Porto ganha e garante, na prática, a revalidação do título, a 12 (!) jornadas do fim.

    José Mourinho desvaloriza o resultado e garante que foram «apenas mais três pontos ganhos».

    Pinto da Costa renova com o treinador do FC Porto até 2015 e jura a Mourinho «amor eterno».



  2. O Benfica vence por 1-0, iguala o Sporting que não vai além de um empate em casa com o Moreirense, e ficam os dois rivais de Lisboa a seis pontos do FCP.

    José Mourinho pede a Pinto da Costa que o demita, emigra para Inglaterra, mas volta ao Dragão a meio da semana seguinte e afasta Baltemar Brito, que assume o comando interino da equipa, à espera que o Grande Líder regressasse da Velha Albion.



  3. O duelo da Luz tem o mesmo desfecho do de Alvalade, há duas semanas, empate.

    José Mourinho rasga a camisola de Miguel, que fez o lançamento de linha lateral que desmarcou Simão para a área e para o golo.

    João Malheiro
    volta ao seu papel de porta-voz da águia e desmente, «com toda a clareza», que alguma vez o treinador do FC Porto tenha passado pela Luz. «Esse senhor nunca teria a dimensão de ser treinador do Benfica», refere Malheiro.

    Pinto da Costa mete-o em tribunal e acusa-o de ter convertido a sua ex-mulher à causa benfiquista.




Publicado por André 19:31:00 0 comentários Links para este post  

    Não quero rosas, desde que haja rosas.
    Quero-as só quando não as possa haver.
    Que hei-de fazer das coisas
    Que qualquer mão pode colher?


    Não quero a noite senão quando a aurora
    A fez em ouro e azul se diluir.
    O que a minha alma ignora
    É isso que quero possuir.

    Para quê?... Se o soubesse, não faria
    Versos para dizer que inda o não sei.
    Tenho a alma pobre e fria...
    Ah, com que esmola a aquecerei?...

    Fernando Pessoa, 7-1-1935.

Publicado por Manuel 16:56:00 0 comentários Links para este post  



A encruzilhada

Não é segredo para ninguém que por estas bandas se nutre uma confessada simpatia pelo actual Procurador Geral da RepúblicaSouto Moura. Para surpresa de muitos, o calmo e sereno Homem, não travou, não arquivou, não desviou o olhar, não cedeu a pressões ou telefonemas e permitiu que muita gente perca hoje o sono.

Enquanto outros podem agora a cabeça do Homem, nós só pedimos que agora o Homem não perca a cabeça.

Por muito que lhe custe, para Souto Moura o pior ainda está para vir. Num terreno minado, onde na sua própria casa pululam Brutus que fazem do lema "a traição é uma mera questão de datas" o seu modus operandi e da sobrevivência e progressão na carreira "whatever it takes"  o objectivo mor impoêm-se a Souto Moura decisões dificeis e porventura dolorosas.

Souto Moura  está agora no meio da "ponte", chegou até lá,  basicamente, deixando  as coisas acontecerem naturalmente mas, para chegar ao outro lado terá, incontornavelmente, de se livrar daqueles, que à volta dele, não hesitarão, mais ou menos às claras, com maior ou menor lealdade, em dinamitar a ponte onde ele se encontra e tudo aquilo que ele  até hoje construíu.



Além da honestidade e sobriedade até agora demonstradas as circunstâncias exigem agora, ainda mais, coragem e uma acção ainda mais firme e determinada.

As movimentações públicas, e privadas, dos Cunhas Rodrigues, Clunys, Cândidas Almeidas, Van Dunnens e outros que  tais, não deixam a Souto Moura grandes alternativas, e dar estoica e sistematicamente a outra face não é manifestamente opção.

Há muito boa gente que aposta que Souto Moura será incapaz de dar o tal murro na mesa que se impõe
, e as circunstâncias exigem, mas esses são os mesmos que antes garantiram que nada se poderia vir a passar.

Mais uma vez
, e contra todas as estatisticas, esperamos que o Homem volte a surpreender,  porque se não o fizer ainda vai ter muito mais surpresas desagradáveis do que as que teve até agora.

Publicado por Manuel 22:36:00 0 comentários Links para este post  



O iconoclasta

O advogado e jornalista António Marinho Pinto, autor de recente livrito sobre a crise na justiça, que tal como outros do mesmo teor está fatalmente destinado a adornar a montra de monos de futuras feiras do livro, escreveu em tempos uma das crónicas mais vitriólicas de que há memória na imprensa escrita.

O artigo, inserido em jornal de circulação restrita ao centro do país, aparentemente não teve reprodução noticiosa, na altura.

Contudo, sendo um panfleto virulento contra uma das figuras emblemáticas e intocáveis do Portugal que temos, talvez seja oportuno lembrar aqui o escrito que por acaso o copista encontrou e está disponível na net.

Fica o link, para quem quiser ler, e algumas frases lapidares e incómodas ...

"Confesso que não sei por que é que o séquito de prosélitos do soarismo (onde, lamentavelmente, parece ter-se incluido agora o actual presidente da República), apareceram agora tão indignados com as declarações de governantes angolanos e estiveram tão calados quando da publicação do livro de Rui Mateus sobre Mário Soares.

Na altura todos meteram a cabeça na areia, incluindo o próprio clã dos Soares, e nem tugiram nem mugiram, apesar de as acusações serem então bem mais graves do que as de agora. Por que é que Jorge Sampaio se calou contra as «calúnias » de Rui Mateus ?

PRESSÕES SOBRE MAGISTRADOS

Aliás, só num país sem cultura democrática e sem qualquer respeito pelas mais elementares regras da justiça é que a publicação de um livro como o de Rui Mateus, não teve quaisquer consequências. Num país minimamente decente e onde a cidadania não fosse uma miragem, um dos dois estaria a contas com a justiça : ou o autor do livro como caluniador, ou o visado como autor dos comportamentos imputados.

Mas não ; tudo se calou e nem sequer um processo crime por difamação foi instaurado. A própria Procuradoria Geral da República assobiou para o lado, como se nada tivesse acontecido.

Mário Soares manifestou um profundo desprezo pela independência da justiça portuguesa e tentou pressionar publica e indevidamente magistrados no exercício das suas funções, aparecendo publicamente a solidarizar-se com Leonor Beleza no caso dos hemófilicos e proferindo declarações gravíssimas para a idoneidade e independência de magistrados.

Tudo para impedir um julgamento de uma figura política, apesar de haver fortíssimos indícios da prática dos delitos imputados.

Soares, como advogado que foi sabia que, perante certos factos, só em julgamento é que se pode verdadeiramente apreciar a culpabilidade ou inocência das pessoas envolvidas, mas tudo fez, juntamente com outros políticos, para impedir esse julgamento."

Publicado por josé 20:49:00 0 comentários Links para este post  



"Diário de um vítima", ou porque é que acham que toda a gente é parva ...

Parece que o grande drama que varre os intervenientes no Processo Casa Pia prende-se com as datas dos crimes.

Muita gente ficou estarrecida pelo facto de o Juiz ter desvalorizado as datas apontadas pelas testemunhas, afirmando que as mesmas podem ser corrigidas no decurso do Processo.

caiu o Carmo e a Trindade. Os arguidos do Processo querem saber exactamente em que datas precisas é que as testemunhas afirmam terem sido violadas, para melhor elaborarem as respectivas defesas.

Sinceramente, concordo.

Eu também acho que um puto que foi violado tem que obrigatoriamente ter uma agenda pessoal. E no fim de cada encontro fazer pequenas anotações. Por exemplo ...

«10 de Abril - Fui sodomizado outra vez. A violência do agressor foi tal que me provocou lesões irreparáveis. Psicologicamente, sinto-me dividido, entre duas realidades: a minha, a que eu acredito, e outra, que me fazem acreditar, em que a minha líbido é desviada, por gente que corrompe.

P.S. - Escrevo desta forma, um pouco mais cuidada, para daqui a uns anos dar credibilidade ao meu depoimento e para que não me chamem de mentiroso
».



E pronto! Assim terminava um chorrilho de estapafurdices escritas, bem como se poupava dinheiro gasto em convites a psicólogas cujo passatempo é andar por aí a dizer que se é boa naquilo que se faz.

Fica tudo tim tim por tim tim, bem passadinho à mão.



Publicado por Carlos 18:14:00 0 comentários Links para este post  



perguntar não ofende ...



Quem terá sido o mediático causídico da nossa praça, envolvido num processo ainda  mais mediático, que muito recentemente quando o seu cliente foi ouvido pelo Juíz do caso em questão, e num acto de comovente apego à profissão e desapego à família, se fez acompanhar pela filha, também jurista, indo esta com uma mini-mini-saia, de modo a que o dito Juíz se mantivesse "concentrado" e não adormecesse durante a apresentação das provas ?... 


Publicado por Manuel 16:14:00 0 comentários Links para este post  



"Diz-me com quem andas ..."



Esta Grande Loja regista sem surpresa a adesão ao movimento que quer decepar a investigação do Processo Casa Pia de Adelino Maltez, dirigente da Nova Democracia de Monteiro e, muito mais importante, uma extensão do Venerável Adriano Moreira...




Publicado por Manuel 22:40:00 0 comentários Links para este post  



Uma Loja Global ...


Publicado por Manuel 19:34:00 0 comentários Links para este post  

Mangadalpaca® e os notáveis que exigem a demissão de Souto Moura.



Pois é. O inevitável aconteceu.

Há tempos, o Mangadalpaca já tinha escrito, a propósito das notícias que davam como certo o afastamento de Souto Moura, que o Procurador Geral da República não é descartável.

Reafirma-o, agora, com mais ênfase ainda.

Contactado pela TSF, o gabinete de Souto Moura não quis comentar estas declarações, mas lembrou que estão em curso vários processos-crime para encontrar os responsáveis pelas violações ao segredo de justiça no processo Casa Pia.

Eurico Figueiredo sugeriu a criação de uma comissão independente de juristas para fiscalizar as violações do segredo de justiça.


Pergunta humilde do Mangadalpaca: cadê eles?

Bem, agora, pelo menos, que o processo saíu do controle do MP, já não há violações do segredo de justiça.

O Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura até quer que o juiz fale (não se sabe do quê).

Os advogados de defesa vão pedir à Ordem dos Advogados autorização para violar o segredo de justiça.

Está tudo muito mais civilizado. Não há dúvida...

Fernando Condesso, Eurico Figueiredo e Paulo Mendo: já viram o grupo de cidadãos que exigiria a vossa demissão (se ainda estivessem em funções de responsabilidade na saúde e no Parlamento), pelo lindo estado em que deixaram esses sectores?

A que propósito se lembram de vir fazer este papel?

Que interesse têm estas distintas figuras na exigência que anunciaram ir fazer ao primeiro ministro?

Apetece perguntar a este grupo de qualificados cidadãos, quais senadores desta venerável República, quem lhes encomendou o sermão?

Não consta que pelo facto de já não frequentarem o Parlamento, esta instituição tenha melhorado.

Não era melhor ficarem caladinhos? Já vão tendo idade para ter juizinho....

Ah, o Mangadalpaca deixa uma sugestão: - para a próxima, apanhem a assinatura do Dr. Pinto Ribeiro...

Publicado por josé 17:11:00 0 comentários Links para este post  



"Traduções literais..."

Passo os olhos pelo cartaz dos filmes em exibição no circuito nacional e fico estupefacto com as traduções. Só alguns exemplos ...

  • «Lost in Translation»«O Amor é um Lugar Estranho»

  • «Along Came Polly» «Romance Arriscado»

  • «Infernal Affairs» «Inflitrados»

  • «Anything Else» «A Vida e Tudo o Mais»

Faço um esforço e lembro-me de muitos outros exemplos de traduções, no mínimo, descontraídas. Como «Vertigo», uma das obras-primas de Hitchcock, que em Portugal teve como título... «A Mulher Que Viveu Duas Vezes»!!



'Tá tudo doido ou há alguma coisa que me está a escapar?...

Publicado por André 16:10:00 0 comentários Links para este post  



Os romeiros de S. Bento

Da TSF ...

“Um grupo de cidadãos de várias sensibilidades políticas quer que Souto Moura seja afastado do cargo de procurador-geral da República, uma vez que a crise que se vive na Justiça está a pôr em causa a própria democracia portuguesa .

Entre os promotores da iniciativa contam-se os ex-deputados Eurico Figueiredo (PS) e Fernando Condesso (PSD), e o ex-ministro da Saúde Paulo Mendo, que vão ainda esta terça-feira pedir uma audiência ao primeiro-ministro, para lhe explicar as razões da sua exigência.

Em declarações à TSF, Eurico Figueiredo (na foto) explicou que, tendo em conta a «gravidade» da actual situação na Justiça, o primeiro-ministro e o Presidente da República devem actuar, afastando Souto Moura da Procuradoria, porque se atingiu «uma crise na própria democracia» portuguesa.

«Estamos surpreendidos com o funcionamento da Justiça em geral e sobretudo com os serviços de Estado», disse o ex-deputado.

Numa alusão às «violações do segredo de Justiça» que se têm verificado nomeadamente no «caso» Casa Pia, Eurico Figueiredo lamentou que «direitos constitucionais básicos que tocam na dignidade do próprio Parlamento e Presidente da República» sejam «constantemente postos em causa».”

Vejamos os termos da acusação ...

O mote da demissão é o “funcionamento da Justiça em geral e sobretudo com os serviços de Estado”!

O socialista Eurico de Figueiredo está escandalizado com as violações do segredo de justiça e que sejam postos em causa os «direitos constitucionais básicos que tocam na dignidade do próprio Parlamento e Presidente da República»!

Eurico disse hoje, expressamente à TSF, que Souto Moura lhe parece incompetente, “manifestamente incompetente”!  E apodou-o abertamente como “esse senhor que continua a descredibilizar a justiça portuguesa!

Presume-se que os subscritores do pedido de audiência e que são Fernando Condesso (?!!) e Paulo Mendo(?!!), na suprema qualidade de ex-deputados e ministro, e outros que irão eventualmente aparecer por aí, em manifestações de solidariedade logística (com “G”), corroboram as afirmações.

É caso para perguntar como é que estes dois melros aparecem nesta oliveira, e de onde saíram para cantar, mas compreende-se e presume-se que é por serem entendidos nos supremosaffaires de l´État” e por isso entrosados há muito nos mistérios insondáveis da sabedoria que dá o poder destinado fatalmente à estabilidade.

Aparentemente, esta corre riscos e sério perigo e os mouros do souto não entendem a solenidade do momento e principalmente não ouvem os apelos Independentes.

E essa é uma razão de peso para mais uma lide e estes “cabeças de turco” aparecerem agora, vindos do limbo de um olvido.

O bom povo português que tricota telenovela e apaparica futebol nem vai dar conta da intrujice, perdido que anda com as tropelias do Mourinho e as andanças de um Lineu, Pipo ou Joana.

Qual é o corpo de tão grande delito imputado a Souto Moura ?!

Bem, segundo parece... é a violação do segredo de justiça e... a... a... incompetência!

A incompetência?!

Eurico, Mendo e Condesso a esgrimirem a competência como critério e a incompetência como arma de arremesso?!

Entenderão que é assim que se destitui um PGR? Por incompetência decretada pelo tal Eurico?! E quem será o/a competente que querem lá?!

terão nome?!

Estas movimentações de Carnaval, contudo, têm pretextos e contextos aparentes :

  • O pretexto geral

    • a divulgação de uma carta anónima e o bruá bruá que se seguiu. Não conta o facto de toda a gente, sem excepção, atribuir a violação selectiva e intencional, a pessoas ligadas à defesa de alguns arguidos do processo Casa Pia. O que interessa é fazer passar a mensagem críptica de que a violação de segredos é culpa do PGR.

  • O contexto geral

    • os malditos processos extraídos da motherlode da Casa Pia e o fantasma do rato que rói a rolha da garrafa do rei da Rússia.

    • a insensibilidade do PGR Souto aos apelos lancinantes, no sentido de esses processos delicadíssimos serem dirigidos de outra forma, mais competente e com mais garantias para os arguidos e suspeitos, no sentido de se eliminarem de vez as violações de segredos, rasgando as cartas anónimas.

  • O procurador geral

    • Aparentemente, isto provoca pânico nas hostes e Souto Moura não liga.

    • Aparentemente também, é esta atitude magistral e vertical que incomoda até aos limites do suportável quem se sente incomodado com a insuportável leveza do ser.
E é esta, aparentemente, a razão de ser da romagem.

Nunca, em tempo algum, foi tão útil para a democracia ter um presidente e um primeiro ministro de cor política diferente.

Nunca
, em tempo algum nestes 30 anos de democracia, foi tão útil estar atento.

Porque o que está em jogo é o poder e quem pode mais é o povo! É em nome dele que se exerce o poder e se administra a Justiça.
Se há pessoa que a tem dignificado nestes últimos tempos, é precisamente o Procurador Geral da República - Souto Moura. Não é preciso sondagens gerais para se perceber esta evidência. Basta perguntar na rua, ao primeiro que apareça e esteja de boa fé.

Por uma simples razão, segundo o modesto entender de copista: tem olhado para a lei de olhos vendados e ouvidos tapados, porque a sabe de cor e melhor do que os todos romeiros que se dirigem aos beneditinos.

Aprendeu, malgré lui, a não falar do que não pode e segundo tudo indica, não tem agenda com números de telefone de jornalistas.

Como não ouve, escapam-lhe os apelos lancinantes; como não vê, fogem-lhe as caras que o procuram de mão estendida. Sabe que são essas as regras do jogo limpo, porque as ensinou a muita gente.

E cumpre-as! Com competência, ao contrário dos romeiros do Agravo.

Estes querem, aberta e despudoradamente, correr com aquele que vêem como um mouro, do souto da PGR. Têm tentado várias estratégias, até agora sem sucesso.

Chegou a altura das orações a S. Bento. Como também têm lá devotos, esperam ser ouvidos . Se o não forem, irão a pé a Belém, em romagem alargada e compungida. Se mesmo assim não conseguirem, invocarão o santo nome do povo - e será em vão!

Publicado por josé 14:53:00 0 comentários Links para este post  



"the p-files"

Há 15 dias o Indy deu voz ao fantasma de Cunha Rodrigues, a semana passada deu voz a António Cluny, esta semana, depois das declarações de Noronha de Nascimento, na TSF, a mandar "falar" Rui Teixeira em nome do CSM (!), enquanto o Presidente da Associação Sindical dos Juízes mandava calar Sá Fernandes, só falta mesmo o Independente publicar uma entrevista com o Vice do Conselho Superior de Magistratura...

Publicado por Manuel 11:00:00 0 comentários Links para este post  



Tempos de Esperança

  • Pela segunda semana consecutiva o Expresso teima em arranjar emprego a António Borges. A semana passada era Comissário Europeu, esta é para Presidente da CGD... Compreende-se o medo e o temor, que Borges inspiram em certas cúpulas laranja mas tomá-lo por parvo não ajuda à festa já que quem julga que o consegue amarrar e comprometer com o status quo vigente definitivamente não conhece o personagem.

    Nós aquí, nesta Venerável Loja, também temos dois cargos que assentam como uma luva ao ex-reitor do INSEAD - Líder do PSD e Primeiro-Ministro ...

  • Eu não sou jurista mas sempre julguei que houvesse uma subtil diferença entre segredo profissional e segredo de justiça. Nos próximos dias a Ordem dos sete Advogados dirá de sua Justiça ... Espera-se tudo.

  • Consta que Rodrigo Santiago poderá vir a integrar a equipa de defesa de um dos presentes, ou futuros, arguidos do Caso Casa Pia. O próprio não desmente e diz que está em reflexão. Não é preciso ser-se um génio para se ver que tal qualidade será mutuamente exclusiva com a de ex advogado do Embaixador Ritto.

    A propósito, onde param as conclusões  da deontologia da OA a propósito da (im)compatibilidade de um Sá Fernandes productor/realizador/argumentista /consultor da TVI nas peças iniciais sobre e o escândalo pedófilo com um Sá Fernandes agora advogado de um dos acusados e detractor dos actores de outrora ?

  • João Nabais é o nosso homem da semana. Um dia explicaremos porquê.

  • De modo a ajudar o PS a arranjar um cabeça de lista como deve ser, Durão Barroso anunciou antecipadamente a derrota da maioria nas europeias.

    Não é a primeira vez que Durão aposta na estratégia do underhiping, da última vez quando falou da tanga viram-se os resultados, desta aguarda-se para ver quem quer ser cabeça de lista... Pacheco dizia que nas Europeias se ia discutir tudo menos a Europa, errou, para Barroso as Europeias não vão existir.

    Edificante.

  • Vasco Pulido Valente acha que Portas acabou. Era bom que assim fosse, mas infelizmente Vasco Pulido Valente esquece-se de um pequeno mas muito importante detalhe, a putrefação, tal como a corrosão, é contagiosa.

    Portas bem pode estar a apodrecer, mas sabe muito bem que do outro lado, do PSD, só há fracos, no corpo e na mente, que ele não hesitará em levar com ele...

    Em suma, quanto pior estiver Portas maior será a chantagem deste sobre este PSD e Portas sabe muito...

  • Jorge Coelho assumiu-se como o João Baptista de Vitorino. Nada que não se tivesse já aquí escrito. É o regresso da tropa de Macau em força.

  • Termina-se com uma sugestão ao Público. Atentem aos gastos informáticos deste Ministério da Justiça...


Publicado por Manuel 16:47:00 0 comentários Links para este post  



"The Man Who Shot Liberty Valance" (take II)

Dando seguimento ao post publicado pelo Venerável Irmão Manuel, a Grande Loja recorda aqui uma belíssima letra de James Taylor, a propósito do filme de John Ford, «The Man Who Shot Liberty Valance», um clássico do Velho Oeste, feito em 1962, com as participações de John Wayne, James Stewart e Lee Marvin:

«When Liberty Valance rode to town the womenfolk would hide, they'd hide
When Liberty Valance walked around the men would step aside
'cause the point of a gun was the only law that Liberty understood
When it came to shootin' straight and fast -- he was mighty good.

From out of the East a stranger came, a law book in his hand, a man
The kind of a man the West would need to tame a troubled land
'cause the point of a gun was the only law that Liberty understood
When it came to shootin' straight and fast -- he was mighty good.



Many a man would face his gun and many a man would fall
The man who shot Liberty Valance, he shot Liberty Valance
He was the bravest of them all.

The love of a girl can make a man stay on when he should go, stay on
Just tryin' to build a peaceful life where love is free to grow
But the point of a gun was the only law that Liberty understood
When the final showdown came at last, a law book was no good.

Alone and afraid she prayed that he'd return that fateful night, aww that night
When nothin' she said could keep her man from goin' out to fight
From the moment a girl gets to be full-grown the very first thing she learns
When two men go out to face each other only one retur-r-r-ns



Everyone heard two shots ring out, a shot made Liberty fall
The man who shot Liberty Valance, he shot Liberty Valance
He was the bravest of them all.

The man who shot Liberty Valance, he shot Liberty Valance
He was the bravest of them all...»



«The Man Who Shot Liberty Valance», James Taylor


Publicado por André 14:16:00 0 comentários Links para este post  



A cópia do dia ...

Do Público ...

Investimentos de 164 milhões em sete anos
Auditoria Arrasa Informática da Segurança Social EM DESTAQUE
Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2004

Os "gastos elevados" realizados entre 1996 e 2002 nos sistema de informação, elementos-chave no combate à evasão e fraude contributivas, fizeram-se com "baixos níveis de eficiência e controlo e, por vezes, com custos muito acima da média europeia, conclui análise aos contratos acima de 500 mil euros a que o PÚBLICO teve acesso

João Ramos de Almeida

Aquilo que o Governo PS quis evitar, acabou por acontecer. Tal como no mandato de Cavaco Silva, o sistema de informação da Segurança Social continua com graves deficiências de funcionamento e fortemente dependente de empresas fornecedoras. Os "gastos elevados" entre 1996 a 2002 (164 milhões de euros) fizeram-se com "baixos níveis de eficiência e controlo", por vezes com custos muito acima da média europeia, sem levantamento de inventários e, em metade dos contratos de aquisição e manutenção, sem que se possua informação suficiente sobre a utilização dos contratos.

Esta é uma das conclusões de uma auditoria realizada pela consultora internacional Protit/Gartner a pedido do actual ministro da Segurança Social e do Trabalho, Bagão Félix, cujo texto final foi congelado desde Maio de 2003 e impedido de ser fornecido à comunicação social, apesar dos múltiplos pedidos do PÚBLICO. A auditoria aconselha o óbvio: utilização de "peritos em negociação" em futuras aquisições, criação de um "órgão de pilotagem" que controle custos e resultados dos diversos projectos e acompanhe a sua consistência entre si. E concluiu pela necessidade de a Segurança Social, mais uma vez, "definir a arquitectura do novo sistema de informação". Bagão Félix encomendou, já em 2003, um estudo à firma Accenture para essa nova arquitectura e as suas conclusões estão já sobre a mesa do ministro. Isso prenuncia mais gastos no futuro para fazer o que não foi feito, mas que acabará por ser pago pelo Orçamento de Estado.

Ineficiência do Estado favorece fornecedores

"O investimento feito e o tempo já gasto no novo sistema de informação não permitem que a Segurança Social pare muito tempo para repensar a sua estratégia, sob risco de eternizar a situação", refere a auditoria. Foi proposto um plano de acção. Mas desconhece-se - por ausência de resposta oficial até ao fecho da edição - se os responsáveis do Ministério cumpriram as recomendações traçadas de emergência. Sabe-se, sim, que os prazos estabelecidos pelo próprio Governo estão, como no passado, a derrapar.

O sistema de informação da Segurança Social é dos elementos-chave no controlo das suas contas e na prevenção contra a evasão e fraude contributivas. Mas, contra todos os discursos de intenções, a realidade sugere que os responsáveis políticos têm estado desatentos à incompetência dos responsáveis dos organismos públicos encarregados da informatização, o que se tem traduzido em sucessivos adiamentos de prazos, anúncios de novas metas e, consequentemente, novos gastos e menores receitas a cobrar. Beneficiam disso, sobretudo, as marcas fornecedoras e as empresas prestadoras de serviços. Uma das principais firmas fornecedoras, a Novabase, chegou a colocar no seu Relatório & Contas de 1998 uma declaração com fotografia do membro do conselho do Instituto de Informática e Estatística da Solidariedade (IIES) Gilberto Antunes, a elogiar o trabalho feito.

As conclusões desta auditoria, embora limitadas, são suficientemente pesadas e ilustrativas do que se passou. A situação resulta ainda mais grave se se tiver em conta que em Maio de 1998, foi criado o IIES - Instituto de Informática e Estatística da Solidariedade, presidido por João Lourenço Fernandes (ex-INESC e ex-Novabase), com autonomia administrativa e financeira e capacidade para poder competir com o mercado de profissionais (à margem dos serviços de informática da Segurança Social) cuja função era, entre outras, precisamente a de assegurar o rigor e adequação das aquisições face à estratégia definida e garantir a autonomia do sistema face aos fornecedores. Com a criação do IIES pretendia-se ainda evitar o que aconteceu no mandato de Cavaco Silva em que o sistema da Segurança Social foi repartido entre três marcas (IBM, Unisys e ICL), com três sistemas incomunicáveis entre si, cujas repercussões ainda hoje se sentem. O ex-secretário de Estado do governo socialista e actual porta-voz do PS José António Vieira da Silva não quis pronunciar-se, sem analisar a auditoria.

Bom e caro mas inútil

Para já, os 164 milhões de euros de investimentos entre 1996 e 2002 estão subavaliados, porque não se encontrou dados fiáveis relativos ao período entre 1996 e 2000. Na aquisição de equipamento e "software", comprou-se em grande e de grande qualidade técnica, mas decidiu-se com "pouco conhecimento da situação global e falta rigor técnico que permita o suporte à tomada de decisão". Mais: foram realizadas aquisições "com base em expectativas mais tarde frustradas ao nível de desenvolvimentos, traduzindo-se em encargos de manutenção acrescidos". Quando se contratou pessoal técnico de empresas especializadas, para colmatar lacunas técnicas da Segurança Social, verificou-se "insuficiente controlo na utilização dos recursos externos" e uma "grande dependência das empresas externas".

As estruturas públicas que lidaram com esses contratos e empresas especializadas revelaram "conhecimento insuficiente da dimensão e complexidade dos projectos e das reais cargas das tarefas". Isso traduziu-se numa "grande dependência de elementos externos para a execução e condução dos projectos, agravada por uma coordenação global insuficiente e não integrada". A somar a isso e no caso dos contratos para desenvolvimento do que deveria ser o novo sistema de informação da Segurança Social, verificou-se "discrepâncias entre o âmbito e prazos de implementação definidos nos contratos e a situação efectiva encontrada no terreno". E ficou patente a ausência de uma visão detalhada da arquitectura do que deveria ser esse novo sistema de informação centralizado, para cuja construção esses contratos foram assinados.

Ainda no que se refere a custos, a auditoria conclui que em média, os preços pagos excederam os do mercado, sobretudo, nos gastos com entidades e pessoal externo. Os custos no IIES - onde supostamente se deveria ser mais rigoroso - estão "muito acima dos valores" de referência para sistemas de dimensão semelhantes. "A principal razão são os custos dos serviços" que foram 2,5 vezes superior à referência de "outsourcing" e 6,5 vezes superiores às referências globais, devido sobretudo à "utilização sistemática de recursos 'outsourcing' para o desenvolvimento de aplicações". "Os indicadores obtidos revelam uma eficiência baixa no desenvolvimento de aplicações", refere a auditoria. Salvo na actividade dos grandes sistemas em "mainframe" - Centro Nacional de Pensões (Unisys), Centro Distrital de Lisboa (IBM) e ISSS (ICL) -, os restantes sistemas apresentaram custos mais elevados que a referência.


Parabéns ao jornalista!  Aconselha-se a leitura complementar destes sete casos exemplares ...

Análise
Sete Casos Exemplares
Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2004

Equipamentos guardados em armazém ou sobredimensionados levaram especialistas a recomendar, entre outras medidas, a revisão da abordagem global de implementação dos sistema ou mesmo a renegociação de contratos

J.R.A.

Dos dez contratos de aquisição e manutenção de valor superior a 500 mil euros, metade deles, com um valor próximo dos 14 milhões de euros possuem informação insuficiente sobre a sua utilização. Nos cinco contratos para desenvolvimento do novo sistema, quatro deles - com um valor global superior a sete milhões de euros - possuem informação insuficiente sobre o seu âmbito e deficientes enquadramento na estrutura da arquitectura do sistema. No único contrato de contratação externa de pessoal, com a firma NovaBase, o controlo de horas gastas era muito deficiente. Seguem-se sete casos entre os 21 contratos analisados.

Centro de Leitura Óptica

Custo: 11.345.058 euros

Prazo: de Novembro de 2001 a Dezembro de 2004

Firma: Datinfor

Objectivo: criação e gestão de centro de leitura óptica para impressos da Segurança Social

Análise: Toda a tecnologia "Hardware e Software" bem como instalações e recursos humanos são do fornecedor. A proposta é actual e a firma reconhecida. Mas "não foram encontradas justificações/análises que suportem o volume de digitalizações mensais contratadas. Durante o ano de 2002 só foram tratadas 2.691.958 (17 por cento) declarações de uma capacidade total equivalente a 16 milhões". "O sistema está sobredimensionado".

Recomendação: Renegociação imediata do contrato.

Contrato de fornecimento de servidores

Custo: 696.650 euros

Prazo: de Maio de 2002 a Maio de 2005

Firma: Compaq Computer Portugal

Objectivo: fornecimento de 82 servidores Tipo I e 82 tipo II

Análise: A tecnologia é actual e respeita os requisitos do IIES. Mas "dos 110 servidores somente 50 foram instalados, estando os restantes em armazém". "Mais uma vez a aquisição de equipamentos informáticos no IIES realiza-se sem haver um conhecimento exaustivo do parque informático da Segurança Social".

Contrato e adenda de Times & Materials (T&M)

Custo: 1.534.634 euros

Prazo: de Abril a Dezembro de 2002

Firma: Novabase

Objectivo: fornecimento de serviços de consultoria e serviços técnicos

Análise: "A quantidade de horas imputadas pela Novabase (20.550h) é 10,2 niferior à contratada (22.880h). No entanto, o valor pago é apenas 2,5 por cento inferior ao contratado. Os custos estão alinhados com os preços de mercado, mas "verificou-se a inexistência de um sistema centralizado de imputação de horas, sendo as mesmas registadas de forma manual (folha Excel) e geridas independentemente pelos coordenadores de diferentes áreas".

Recomendação: "A utilização de T&M pode ser arriscada para os clientes, dado que exige uma forte componente de controlo por forma a garantir prazos e custos. Assim recomenda-se a implementação de um sistema de controlo de horas automatizado e centralizado no IIES".

Contratos e adendas de migração e sincronismos de dados

Custo total: 4.702.409 euros

Prazo: de Maio de 2001 a Janeiro de 2003

Firma: Novabase

Objectivo: análise, levantamento e avaliação dos dados migrados

Análise: "O processo de migração de dados, bem como a implementação do novo sistema de informação possui um risco elevado de derrapagem de prazos e, consequentemente, nos custos". "Nenhum dos contratos analisados respeitou os prazos estabelecidos. O primeiro contrato obrigou a uma adenda que também não foi respeitada. "O âmbito do projecto de migração de dados, tal como a figura nos contratos, não está claramente definido e tem vindo a ser alterado para reflectir alterações à abordagem de implementação do novo sistema". "A abordagem de migração faseada (...) apesar de parecer razoável (...) contribui de forma significativa para acentuar o risco de derrapagem de prazos".

Recomendação: Como a migração de dados do velho sistema para o novo está dependente da consolidação das aplicações, recomenda-se que seja coordenada no projecto do novo sistema. "Criação de uma 'task-force', multidisciplinar para rever a abordagem global de implementação do novo sistema".

Sistema de prestações

Custo: 2.047.312 euros

Prazo: de Setembro de 2001 a Maio de 2003

Firma: Novabase

Objectivo: Análise do sistema de prestações (desemprego, impossibilidade temprária, prestações familiares, contas correntes, controlo de pagamentos, terceiros, agregados familiares, provas escolares e rendimento), planeamento, levantamento de requisitos de negócio, elaboração de documentos

Análise: "As dificuldades na realização do projecto estiveram associadas a um conjunto de factores dos quais se destacam os aspectos organizacionais". Falta de capacidade de decisão, alterações da lei, entre os principais. "Actualmente o projecto está em fase de reestruturações de âmbito funcional, pelo que não tem existido evolução apreciável nos trabalhos previstos, existindo o risco que a análise feita tenha de ser novamente revista e, no pior dos casos, totalmente refeita, com as consequentes implicações nos prazos e custos dos projectos".

Recomendação: Criação de equipa de negociação com capacidade de decisão e reavaliação dos contratos.

Gestão de Tesouraria (GT)

Custo: 2.431.851 euros

Prazo: de Dezembro de 2000 a Dezembro de 2002

Firma: Novabase

Objectivo: desenvolvimento o sistema de gestão de tesourarias

Análise: O primeiro desenvolvimento foi congelado para se desenvolver uma solução de contingência (GT'/GT2000) que incluísse expansões de âmbito, para dar resposta ao Euro. Criou-se uma adenda ao contrato. Foi instalada nos centros distritais, "mas devido à maior instabilidade do GT2000, não entrou formalmente em produção, encontrando-se ainda instalada, embora de acesso fechado". Procedeu-se a correcções e "actualmente pretende-se desenvolver uma nova arquitectura para a solução GT, com base na versão anteriormente congelada". "A indisponibilidade da aplicação tem colocado a hipótese de reanálise de uma solução local". "O projecto apresenta uma grande dependência dos recursos da Novabase".

Recomendação: "A implementação de uma aplicação seja antecedida por uma análise do tráfego gerado". "Numa solução de 'full-outsourcing', como é o caso da GT, é necessário que os processos e mecanismos de controlo do projecto estejam definidos e implementados" pelo IIES.

Sistema de Gestão de Contribuintes (SGC)

Custo: 2.102.798 euros

Prazo: de Dezembro de 2001 a Março de 2002

Firma CaseEdinfor

Objectivo: concepção, desenvolvimento e implementação de um sistema de gestão de contribuintes

Análise: "O desenvolvimento da aplicação teve por objectivo substituir a aplicação de Gestão de Contribuintes do IIES cuja implementação não foi possível concluir na data definida pela tutela (Setembro de 2001)". Depois de as alterações internas entre o IGFSS e o ISSS atrasaram. "A solução que foi definida para concliliar os requisitos técnicos do IIES e requisitos do negócio do IGFSS obriga as delegações distritais a efectuarem o registo dos contribuintes em dois sistemas. Os resultados actuais, segundo os serviços ouvidos pelo PÚBLICO, levantam muittas dúvidas.

Recomendação: Que "qualquer decisão para implementar uma solução para o negócio de um "package" ou desenvolvimento à medida seja sempre acompanhada de um estudo custo/benefício". Topo de Página

Mais Palavras para quê ?


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"No Pasa Nada !"

"O problema do combate à corrupção política em Portugal não é simplesmente legislativo, mas de convicção... e de ética!"

Luís Sousa, investigador do Instituto Universitário Europeu de Florença, in Público, 07/10/2001


Leis para combater a corrupção, não faltam!

Desde a Lei 34/87 destinada a enquadrar a responsabilidade dos titulares de cargos políticos, até à legislação de financimanto dos partidos, de 1993, e a recente Lei 56/98 de 18 de Agosto com alterações da Lei 23/2000 de 23 de Agosto, passando pelo catálogo do Código Penal, o cardápio é mais do que suficiente para contentar qualquer gosto republicano e laico ou conservador, estendendo-se até às fímbrias passadistas, de leste a oeste.

Apesar disso, os resultados foram sempre... muito pontuais!

O exercício venatório particularmente aficionado por antigos directores da PJ, começou na obra faraónica do Centro Cultural de Belém, continuou com a desbunda do Fundo Social Europeu, passou pela piolheira da Expo/98 e trespassou a rota da JAE.

Foi sempre um exercício selectivo, de batida programada e controlada e com o furão amestrado por carta anónima.

Como a época era de caça a pato bravo, voador de baixa altitude, o furão ficava a ver navios e os resultados encalhados nas disputas com o chefe da batida.

Este, saído da Escola Politécnica, perdido no canavial mas fiado nos binóculos baços e no apito de cana rachada, dava ordens aos caçadores, para escutarem o grasnar e serem lestos no apontar.

Porém, fiados na tradição, os perdigueiros seguiam o furão, confundindo apitos com patos e tocas com moitas, apanhando às vezes um marreco sem asa e ficando sempre com as penas na mão.

Nesta actividade venatória tem-se mantido a tradição: o chefe da batida fica em casa, na rua da Escola e à espera da presa; os caçadores batidos, da rua do Freire, vão com o furão.

Não fazem equipa, preferindo discussões. Por isso mesmo, apanham pardais e rolas, deixando os faisões.

Esta ave vistosa entoca-se em gabinetes de empresas de obras públicas e, às vezes, em sedes partidárias. Apreciam particularmente os edifícios camarários e reproduzem-se aí como cogumelos na humidade.

Este fenómeno só é novidade para quem anda a dormir na forma e há casos desses, até nos corredores universitários.

As leis que proíbem o financiamento partidário por determinadas formas, são explícitas e punem com prisão os infractores.

Foram feitas pelas potenciais vítimas em nome do povo que os elegeu, para que este os elegesse outra vez. Esse catálogo de crimes, relacionado com o financiamento partidário e a utilização de dinheiros públicos, estão muito bem definidos e têm um âmbito de proibições que é muito bem conhecido pelos visados, porque foram eles próprios quem os delineou.

Porém, quando algum suspeito dessas más práticas, é apanhado, cai logo o Carmo e a Trindade, mesmo que o caso se passe na Guarda, em Viseu, Marinha Grande, Matosinhos, Felgueiras ou em Lisboa!

Para começar, estão sempre inocentes!

E a seguir, vem a imputação cabalística: manobra obscura de inimigos sem rosto, mas de objectivos claros!

É sempre isto! Claro que o povo ignaro, apreciador de futebol à manada e telenovela à jantarada, não vai nisto. Mas o povo ignaro só manda de vez em quando e em conjunto...

... e eles sabem que a memória de quem choram a morte de alguém, num campo de futebol, num Domingo e no seguinte, no mesmo sítio, a envergonha, é necessariamente uma memória curta e se conta por junto.

Assim, aparece agora um político do PS - Abílio Curto -  a declarar ao Expresso (07/02/2004) a sua inocência depois da condenação a 5 anos de cadeia, transitada em julgado, portanto insusceptível de presunção.

Aponta o dedo ao partido ...

"Todo o dinheiro foi para o PS".


Vital Moreira, no seu blog, doeu-se e desmontou brilhantemente a acusação:

Não! Para o partido não foi! Se até o próprio denunciante diz que algum dinheiro foi para a Associação Desportiva da Guarda! Como poderá o ingrato dizer que foi todo para o partido? E para a eleição autárquica lá da terra! Que é que o partido tem a ver com isso? - Pergunta o lente!

Custa a ver pessoas inteligentes e sérias a argumentar desta forma e a tentar fazer os outros passar por néscios, para não dizer parvos que é expressão que não engana a massa ignara, do futebol e telenovela.

A única justificação para mais esta faena só pode estar numa obnubilação momentânea em tons de rosa.


Estou a temer uma futura argumentação em favor da vítima de outra cabala gigante e obscura, porque ainda indefinida no contorno - Fátima Felgueiras. Ou até do Isaltino de Oeiras.

Quanto a este, toda a gente compreende a miserável perseguição que lhe andam a mover, a ele e a um seu sobrinho taxista e milionário, ás vezes.

Como temo seriamente, neste caso, mais uma história de patos e furões, associada às tradicionais discussões com pareceres jurídicos a mostrar alçapões, não ficaria admirado.

Como o jackpot estará na Suíça temo também que o destino se assemelhe ao dos Airbus de 1995 e ao compadre Santos Martins. Quanto a este, porém, há uma certidão de limpeza passada pela PGR de então.

Como se sabe, é difícil viajar entre a Suiça e Portugal e as cartas rogatórias costumam viajar de caracol.

Ainda falta entrar em cena, a este propósito, o inefável maestro de corso, da Madeira.

Em 15 de Fevereiro de 2000 escrevia n' O Diabo, um artigo sobre as ignominiosas perseguições que o sistema judicial dos respectivos países fizeram a essas vítimas que foram Bettino Craxi e Helmutt Kohl!

Laudava o rufador de corso, nesse escrito, uma decisão do Parlamento italiano que impunha inquérito raso aos magistrados da "mani pulite" italiana.

Escrevia o corsário ...

"É que se trata de algo positivamente novo na Europa democrática. Depois de um período de covardia e de abdicação nos regimes políticos europeus, onde grandes capitalistas, jornalistas e agentes da justiça se vinham tornando nos principais poderes do Estado, por cima e até através das cedências dos eleitores pela soberania popular, finalmente um parlamento repõe o primado da autoridade dos eleitos e das instituições representativas.

Com efeito, foi precisa a tragédia de Bettino Craxi e mais esta descarada perseguição a Helmut Khol, para que finalmente alguém acordasse. "

E escreve mesmo sobre "face ao positivismo idiota de leis de finaciamento dos partidos políticos, qual a opção?"

Face a esta análise jurídica e sumária da natureza positivamente idiota da lei de financiamento partidário e das incompatibilidades dos titulares de cargos políticos, pouco lhe interessava, ao corsário da palavra desbocada, que o Craxi , tivesse sido condenado, várias vezes, a prisão perpétua, sendo-o à revelia porque em devido tempo se pirou para a Tunísia; pouco interessava ao corsário desbocado que Helmutt Kohl estivesse em vias de ser condenado, como o foi, a pena que no caso particular foi de multa.

Coincidindo no tempo e no estilo, nesta catilinária contra os poderes judiciais, sintonizou nessa altura e no mesmo registo o grande Mário Soares deste Portugal pequenino.

Escreveu artigo na Focus  13/2000 que já foi em tempos assinalado nesta porta, a defender a intocabilidade da grandeza do Khol. Os alemães não devem ter ouvido.

Porém, aqui neste cantinho, parece que se dá ouvidos a estas pessoas e a estas ideias e se entendem as leis do financiamento dos partidos como "idiotas" , no solene manifesto do corsário da ilha

Parece, efectivamente, que os poderes de investigação criminal da PJ e do Ministério Público hesitam e se assustam com esta confusão deliberadamente lançada por gente de primeira que olha para os outros do alto do seu poder e se considera imune às próprias leis que permitiram e até aprovaram- para empater le bourgeois - segundo tudo indica e a creditar naqueles propósitos.

Parece também que em Portugal, ninguém que esteja minimamente bem informado - e hesito em incluir neste grupo Vital Moreira " terá a mais leve dúvida de que os partidos políticos vivem numa constante mentira ao longo dos anos:

Mentem nas contas que apresentam ao eleitorado perante quem têm obrigações especias;

Mente-se ao Tribunal Constitucional para esconder dinheiros de proveniência descaradamente ilegal e criminosa e mente-se por consequência ao povo, em nome de quem tudo se faz.


E se é assim, como parece ser, por que razão insondável, as pessoas não se apoquentam e fazem como as avestruzes quando pressentem perigo?

Talvez seja tempo de as pessoas, em suficiente massa crítica, encararem o problema de frente e assumirem que o cancro que mina a sociedade democrática em que vivemos, não se compadece com complacências e tergiversações de tourada.

Porque as farpas que fazem sangue no tecido social e o gozo na arena tem sempre uma única vítima: o povo, nele se incluindo a massa ignara que cega com o futebol e sonha com a telenovela!

Há suspeitas generalizadas e solidificadas de que muito dinheiro das obras públicas, desde há dezenas de anos, tem servido para alimentar máquinas partidárias em esforço eleitoral, principalmente em hora de ponta.

Tem havido denúncias concretas e definidas ao longo dos anos: desvio astronómico de verbas do Fundo Social Europeu que encheram bolsos a muita gente e eventualmente estarão na origem do boom de capital circulante e algum fixo que medrou desde finais dos oitenta. Verbas importantes dos grandes empreendimentos públicos na construção de estradas serviram para pagar campanhas eleitorais. Há uns anos, Macau esteve no epicentro de dois episódios turvos. Os socialistas Rosado Correia e António Vitorino (sim! Esse mesmo) e uma história de mala malpartida e o caso do fax para Melancia que ainda hoje serve de mote para se comentar o sistema de justiça que temos.

 Foram dois casos conhecidos, mas quantos outros passaram da penumbra dos gabinetes, para os cofres seguros do conforto doméstico, com toda a impunidade?

Essa impunidade de facto, que não de direito, permite as indignações de quem é apanhado, por azelhice, por azar ou pelo despeito de parceiras traídas ou invejas recalcadas - Os casos dos Belezas, dos Curtos, dos Judas, dos Isaltinos, dos Mirandas, dos Melancias, das Felgueiras e de outros, indiciam e de algum modo escondem a verdade oculta de outros casos com idêntico contorno e base de podridão: o aproveitamento pessoal de dinheiros que não lhes pertencem, misturado com as doações ao partido, também ilegais e ocultas.

Nessa mistela espúria entre pertenças ilegítimas, aparece a defesa dos visados, sempre de indignação e de protesto de inocência: acontece no caso de Abílio Curto como no de Fátima Felgueiras.

E bebem todos na mesma fonte daquela apontada pelo corsário da ilha: a legalidade e a legitimidade, como o próprio teve a distinta lata de intitular o escrito!

Todos eles acham legítimo apoderarem-se de dinheiros para o partido, mesmo à revelia das regras que instituiram e contra a lei que o considera como crime.

É uma suprema hipocrisia, que pode compreender-se e comparar-se a outra: a da violação do segredo de justiça pelos jornalistas. Todos acham que é crime, mas não assumem a consequência lógica de tal facto, porque seria socialmente insuportável.

A melhor explicação para se ultrapassar o paradoxo deu-a o próprio Mário Soares que sobre o assunto deve perceber o suficiente para ensinar: no caso de Kohl ele entendia que era uma ignomínia o que lhe estavam a fazer, devido á grandeza natural do homem e do estadista.

Só por esse facto, estava fora da alçada da lei! Contudo, confrontado com a incoerência, adiantou candidamente ...

"Não digo que não se assinalasse o facto uma vez que surgiu"

Pois...

já que se falou no assunto, haveria que fazer alguma coisa.

Essa coisa, porém, nunca poderia ser a incriminação do indivíduo numa lei que era clara e não excluía ninguém.

Não encontro melhor escrito de Mário Soares para definir uma hipocrisia e no fundo uma atitude tão antidemocrárica e desrespeitadora do princípio da legalidade.

Venha alguém rebater a afirmação!


Até 2000, as empresas podiam dedicar-se livremente à actividade filantrópica de ajudar máquinas partidárias, com registo de valores. Não o podendo fazer desde então, o problema confinou-se a critérios de honestidade e ética porque na realidade nada o impede: o que é que lhes acontece, se o fizerem?!

Apanham uma multa (coima)!

Ou então, se não quiserem ter a maçada, socorrem-se da consultadoria política. A partir de 2005 logo se verá se as penas de prisão anunciadas entrarão em vigor.

Não vale a pena malhar no ceguinho que não quer ver a corrupção a irromper por esta via.

Já em diversas alturas e circunstâncias, pessoas que conheciam esquemas concretos de corrupção a denunciaram: Garcia dos Santos, Pedro Ferraz da Costa, Sladanha Sanches e a mulher Maria José Morgado, António Borges;

Um responsável antigo das Finanças até denunciou em concreto como era o esquema: rasganço de papéis, antes da informatização das Finanças e falsificação a seguir.

Não deve existir um único agente da PJ do departamento de fraudes financeias e fiscais que não saiba isto e muito mais.

Não deve haver um único deputado que não saiba que isto é assim.


Não deve haver um único responsável por grandes empresas de construção civil e obras públicas que não conheça o esquema e o caminho que conduz à vitória em concursos públicos.

Pois bem! No pasa nada!

Toda a gente faz de conta e embarca na grande resposta de Cunha Rodrigues ao General que presidiu à JAE e denunciou esquemas concretos de corrupção e financiamento oculto de partidos através de empresas de construção civil e obras públicas " e até explicou o esquema concreto ...

"O Senhor tem provas?! Se não as tem não vale a pena dizer porque não me interesso por situações em que não haja provas."


Tem sido esta a cultura de anos e anos de inépcia e desleixo.

Que vem associada à falta de meios na polícia e no MP (numa determinada altura a investigação da Moderna, sob a batuta de um empertigado Negrão, tinha dois agentes, segundo denunciou o próprio Cunha Rodrigues) e à notória e deficiente organização do MP.

Há pelo menos vinte anos que a situação se arrasta e não há melhorias à vista, conforme se pode concluir pela entrevista de Cândida de Almeida ao Expresso da semana passada.

Aparentemente tudo vai continuar assim, porque de contrário surgem as Cassandras a anunciar a vinda eminente da República de Juizes!

E isso, para eles, é pior do que a gripe das galinhas.

E como os juizes, magistrados e advogados também não querem tal coisa, cá vamos, cantando e rindo!


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um filme ...

The Man Who Shot Liberty Valance







Starring Lee Marvin, Vera Miles, Edmond O'Brien, James Stewart, John Wayne. Directed by John Ford. (NR, 119 minutes).

Like Pontius Pilate, director John Ford asks "What is truth?" in The Man Who Shot Liberty Valance--but unlike Pilate, Ford waits for an answer. The film opens in 1910, with distinguished and influential U.S. senator Ransom Stoddard (James Stewart) and his wife Hallie (Vera Miles) returning to the dusty little frontier town where they met and married twenty-five years earlier. They have come back to attend the funeral of impoverished "nobody" Tom Doniphon (John Wayne). When a reporter asks why, Stoddard relates a film-long flashback. He recalls how, as a greenhorn lawyer, he had run afoul of notorious gunman Liberty Valance (Lee Marvin), who worked for a powerful cartel which had the territory in its clutches. Time and again, "pilgrim" Stoddard had his hide saved by the much-feared but essentially decent Doniphon. It wasn't that Doniphon was particularly fond of Stoddard; it was simply that Hallie was in love with Stoddard, and Doniphon was in love with Hallie and would do anything to assure her happiness, even if it meant giving her up to a greenhorn. When Liberty Valance challenged Stoddard to a showdown, everyone in town was certain that the greenhorn didn't stand a chance. Still, when the smoke cleared, Stoddard was still standing, and Liberty Valance lay dead. On the strength of his reputation as the man who shot Valance, Stoddard was railroaded into a political career, in the hope that he'd rid the territory of corruption. Stoddard balked at the notion of winning an election simply because he killed a man-until Doniphon, in strictest confidence, told Stoddard the truth: It was Doniphon, not Stoddard, who shot down Valance. Stoddard was about to reveal this to the world, but Doniphon told him not to. It was far more important in Doniphon's eyes that a decent, honest man like Stoddard become a major political figure; Stoddard represented the "new" civilized west, while Doniphon knew that he and the West he represented were already anachronisms. Thus Stoddard went on to a spectacular political career, bringing extensive reforms to the state, while Doniphon faded into the woodwork. His story finished, the aged Stoddard asks the reporter if he plans to print the truth. The reporter responds by tearing up his notes. "This is the West, sir, " the reporter explains quietly. "When the legend becomes fact, print the legend." Dismissed as just another cowboy opus at the time of its release, The Man Who Shot Liberty Valance has since taken its proper place as one of the great Western classics. It questions the role of myth in forging the legends of the West, while setting this theme in the elegiac atmosphere of the West itself, set off by the aging Stewart and Wayne.


Publicado por Manuel 16:13:00 0 comentários Links para este post  



"Irlanda"

«Para desenjoar da choldra portuguesa não há nada como passar uns dias na Irlanda, esse pequeno país da Europa que estava também na cauda da Europa e que agora está entre os mais ricos e com maior taxa de crescimento.

A Irlanda apostou nas novas tecnologias, na educação, poupou o dinheiro que recebeu da Europa em vez de o desbaratar, investiu na saúde e no bem-estar dos seus habitantes, bateu-se pelos direitos humanos no mundo (através do papel desempenhado pela sua ex-Presidente, a senhora Mary Robinson), usou com frugalidade e inteligência os seus recursos e impediu que o turismo selvagem e de pé descalço desse cabo do seu país.



A beleza do país de James Joyce e de vários Prémios Nobel de Literatura, o último dos quais o poeta Seamus Heaney, permanece intocada e bravia, um grande plano cinematográfico com água e céu e vento, e uma terra verde-lavanda, cor indefinida como só a natureza consegue criar. A Irlanda não tem má arquitectura, condomínios privados, favelas, televisões privadas, lumpen, telejornais imbecis. Não tem estradas novas, nem estádios novos, nem rasgões na paisagem. A educação é o seu objectivo essencial, educação universal e gratuita, educação qualificada, que não arredou os escritores e a literatura dos currículos. Na Irlanda, a memória literária é poderosa, impõe respeito.

O progresso e desenvolvimento terceiro-mundista que deram cabo da paisagem portuguesa não se apresentam ali, e a classe dos novos ricos, se existe, vive com discrição e recato e segundo as regras do bom gosto. As pessoas lêem livros e jornais de qualidade e a televisão é uma coisa dispensável.



Não espanta que tantos europeus nacionais de outros países tenham decidido «exilar-se» na Irlanda, desde o jornalista da BBC John Simpson ao escritor francês Michel Houellebecq. A Irlanda tornou-se um lugar que escapa ao ruído e vulgaridade contemporâneas. Um lugar conservador, conservado, com algumas semelhanças com Portugal. Eles são um pequeno povo de poetas e de bêbados e nós também. Mas, eles são corteses e civilizados e nós somos brutos e desbragados. Olhar a Irlanda e os irlandeses é olhar o que Portugal podia ter sido se tivesse tomado as decisões certas sobre o seu modelo de crescimento. Somos mais do que eles e podíamos ter sido melhores do que eles, tínhamos tudo para isso, incluindo o clima ameno que eles não têm. Tornámo-nos nisto.»



«Os Dubliners», Clara Ferreira Alves, crónica publicada no Diário Digital.


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"Batatal"

Depois da estreia oficial, a Grande Loja corrobora os elogios feitos ontem ao Estádio do Dragão no que toca ao conforto e funcionalidade.

Em relação ao estado do relvado, a tal questão que falta resolver (coisa pouca...), esta Venerável Loja apresenta, num exclusivo mundial, uma foto pormenorizada do tapete do novo recinto portista ...






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"traceback"

Nem de propósito, há dias em amena cavaqueira com um amigo, acho que ele não se importa por eu o tratar assim, veio à baila o mediático advogado Ricardo Sá Fernandes, e dizia-me ele que o grande drama de Sá Fernandes era não saber envelhecer.

Hoje, à distância, percebo verdadeiramente o alcance dessas sábias palavras.

Ricardo Sá Fernandes, como Cunha Rodrigues, como Almeida Santos, Mário SoaresMarcelo e tantos outros acham-se verdadeiramente de uma casta especial, de uma élite escolhida para nos guiar a nós tristes plebeus...

Nessa qualidade tudo lhes é permitido, tudo podem dizer porque eles, e eles, é que sabem. Só eles é que sabem o que deve  ser a Verdade, o que deve ser discutido, o que pode ser publicado e, claro, só eles sabem o que é bom ou mau para aqueles que podendo votar não consideram cidadãos de pleno direito porque não percebem, porque não tem a grandeza necessária as grandes questões realmente em jogo.

Ontem, na SIC, Ricardo Sá Fernandes disse coisas assombrosas mas que ele certamente acha naturalíssimas, e não me refiro às provas demolidoras, que se espera não incluam fenómenos tão curiosos como compras sempre no mesmo supermercadomúltiplos jantares no mesmo dia ou sequer  feitos miraculosos do género estar num sítio a pagar em cash uma portagem (apresentando o respectivo talão) e instantes depois, estar bem distante, a pagar outra portagem desta vez via multibanco, embora Ricardo Sá Fernandes, Jorge Van Krieken e toda a equipa de defesa de Carlos Cruz, tenham o direito de, enquanto estratégia de defesa, acharem que toda a gente é parva.

Ontem, Ricardo Sá Fernandes afirmou taxativamente urbi et orbi que Carlos Cruz não podia cometer os crimes que lhe são imputados, não por causa das 10.000 provas apresentadas (do calibre das acima citadas) mas porque através dos dados fornecidos por uma operadora móvel foi possível reconstruir "geograficamente" todos os passos de Carlos Cruz, o que demonstraria que ele não podia estar onde a acusação e as testemunhas o afirmam.

Nas palavras do ressuscitado Van Krieken, que já coloca Carlos Cruz na categoria de preso político (!) ...

(...) As provas foram conseguidas graças ao sistema de traceback, que permite saber de que locais se fazem as chamadas pelo telemóvel. (...