Os "anónimos" de nick na net

Alguns snipers de dedo nervoso, têm apontado crónicas e disparado postais, ao alvo fácil dos escribas anónimos de blogs, negando-lhes o direito de não dizerem quem são e impondo-lhes o dever de mostrar o BI em lugar de se ver.

Embora reconhecendo toda a legitimidade dessa opinião, também legitimamente se poderá perguntar pelos motivos e indagar das razões para os anátemas usuais que os de BI em riste, atiram aos da contra-mão.

Segundo alguns, o anonimato de quem escreve é uma ignomínia a quem mostra cara descoberta e nome em pancarta, ou por baixo da carta, no blog de ocasião. Mesmo que esse nome seja desconhecido e de facto anónimo consumado, de direito é que não e por isso onde poderia estar uma faculdade a exercer, estabelecem eles um dever e uma obrigação, sem a tolerância do meio termo.

Para os que relevam a ética do nome próprio ou apelido a condizer, postado em blog como dever, um anónimo é um muitomentiroso, é um cobarde que se recusa a mostrar a mão quando atira a pedra do escrito sarcástico ou da ironia mordaz, mesmo em flagrante irrisão.

Um BI em riste, fica triste por não ver a cara do nome de quem escreve em heterónomo. E exige a autenticação do escrito, só afogando o despeito perante um nome aberto.

Estes respeitáveis fetichistas do nome próprio ou apelido a preceito, assemelham-se assim a voyeurs da identidade alheia. Não lhes interessa a escritura, na falta de assinatura. E controlam a eito, faltas de respeito. Se assinadas, estão perdoadas; caso contrário, atiçam fogueiras e não há perdões, nem com confissões.

A verdade, porém, é que este comportamento também tem explicação.

O ferrete do panfleto e o medo de uma difamação precede a condenação. Quem teme o anónimo terá razões anónimas também, porque não inteiramente confessadas.

As únicas explicações que jamais vi apontadas pelos autores de nome feito e BI em riste, para atirar ao “outro” que não conhecem e por isso temem, num complexo difícil e inexpugnável, são as do anátema à cobardia e o medo atávico dos insultos, boatos e intrigas. E são bem fortes razões. Mas justificam elas o abandono do anonimato, só para evitar um risco?

Nas citações, dá-se aqui preferência a um presumido opositor do anónimo enquanto autor.

Já há algum tempo, nas "I Jornadas sobre comunicação no Algarve" Pacheco Pereira afirmou que...

“as sociedades modernas vivem num mundo de pseudo-transparências, não um mundo de democracia mas sim um mundo de demagogia”, onde “quem controla as palavras, controla a realidade”.


Talvez seja por isso que na opinião de alguns, eventualmente também a do autor do Abrupto, importa conhecer os anónimos...

Se for verdadeira essa concepção, o perigo vem do controlo das palavras e por isso pouco importará quem as profere. Contudo, a tentação de ligar e escrito ao autor e manietá-lo se for preciso, atirando-lhe outras palavras ou encostando-o às diversas esquinas da vida em sociedade, só é possível com o conhecimento do BI... e daí o anátema certo e a condenação dos anónimos à fogueira, num reflexo antigo e descontrolado.

A internet e agora os blogs, são essencialmente um meio de comunicação e estes meios
"sempre preocuparam o Palácio do Príncipe, fosse ele o poder dinástico, politico, militar ou religioso”.


A Internet é demasiado aberta, libertária e perigosa para os poderes
.

Assemelha-se a uma espécie de floresta de Sherwood onde tantos Robin Hood podem crescer e multiplicar-se e daí a preocupação das patrulhas do Sheriff de Notingham, em conhecer, vigiar, controlar e delimitar veredas e percursos, estabelecendo interditos.

E não faltará muito até que apareçam jornalistas preocupados em não perder prerrogativas no direito de informar.

Nessas mesmas jornadas interveio o jornalista, José Pedro Castanheira que falou da credibilidade do jornalismo online...
“Para o jornalista do Expresso a Internet é o “reino do anonimato”.

E nessa sua principal característica reside a “magia”, “sedução” ou mesmo a “maldição” da “rede”. Recorrendo a um estudo por si efectuado no ano de 2000, José Pedro Castanheira apresentou dados estatísticos que reforçaram a ideia de que o anonimato é uma clara arma de navegação pelo mundo e de utilização indevida de nomes e instituições. Para o jornalista, sendo a Internet um meio de informação rápida por excelência, também o é a nível da desinformação. Mesmo assim, jornalista sublinhou não ser contra o anonimato. Na opinião de José Pedro Castanheira, o anonimato, direito que assiste quem quer que seja, é muitas vezes fundamental para os jornalistas.

A partir dessa reserva de identidade os jornalistas constróem as suas notícias, desde que o teor da informação seja credível e confirmado. “A partir de denúncias anónimas já fiz histórias. [o anonimato] É matéria- prima para os jornalistas, fonte para o jornalismo de investigação”, acrescentou.

No que respeita à opinião, o anonimato permite a desinibição e a total transparência dos leitores sobre assuntos a opinar. Mesmo que, por vezes, estes prefiram assinar com nomes falsos ou mesmo com nomes de figuras públicas.
Outros efeitos do jornalismo online são, para José Pedro Castanheira, a “despersonalização dos leitores” e uma “cultura de difamação”, o que põe em causa a vantagem da Internet. Mas o jornalista do Expresso ressalva: “é um risco, de facto, e recupero aqui a intervenção de Thierry de Smetd, e acrescento: é um risco apaixonante”.


Pois é neste risco que me situo!


Sendo condenável, como princípio, o uso do anonimato para ofender, difamando ou caluniando, nem todo o abuso neste sentido pode ser atendido. E tomar esse receio como bitola para proibições ou imposições, parece-me exagerado e releva do espírito censório que se julgava arredado no Portugal actual.

Os blogs são geralmente cantinhos de opinião. Mesmo anónima, se fundamentada, não se vêem razões para alarme. Manifestar opiniões, neste caso, equivale a fazer perguntas e não afirmações. E neste caso, que também os há, as afirmações valem o que valem consoante a fonte, o destinatário e o âmbito do assunto.

Neste blog em que agora escrevo, sob o relativo anonimato de um nome anódino, não me parece que seja justa a condenação que vi escrita e que por outros lados, quanto a outros blogs igualmente anónimos, também já vi referida.

Este blog tem um endereço de email que é real; tem escribas de blogposts que usam o email pessoal; tem, além disso, preocupações de nunca passar do ataque às ideias que determinada pessoa transmite para o pessoal e ad hominem. Sempre que uma sombra disso por aqui perpassa, no caso que me diz respeito, não deve ser levado muito a sério. Os blogposts sobre pessoas e no meu caso, foram, se bem me lembro, sobre MST, EPC e JPP, foram escritos em cima da lâmina irónica e quando muito sarcástica, mas sempre tendo como causa directa e imediata, outros artigos de opinião, onde essas personalidades que nem conheço pessoalmente, nem me interessa conhecer, atacaram ou escreveram de modo a merecer o meu reparo escrito. Se ainda assim, as marcas do respeito exigível foram ultrapassadas, pois... paciência! Estarei sempre pronto a pedir desculpas, se elas forem devidas.

E com isto me fico - que é suficiente e precisava de o dizer.

Publicado por josé 18:30:00 0 comentários  



sobre a cobertura da SIC à libertação de Cruz...

e deconstruindo o circo mediático Eduardo Cintra Torres assina no Público uma prosa absolutamente notável. Com a devida vénia transcreve-se a parte final...


A linguagem utilizada na peça ajuda a entendê-la. Eis alguns termos usados: "libertação", "libertação mitigada", CC "referência nacional" e "senhor televisão", CC "cabisbaixo" por "crime que não cometeu" e "prisão que não se justificava", "reencontro com a liberdade", "grande festa", "muito feliz", "muitos beijinhos". E eis alguns termos excluídos pelo narrador ou personagens da peça: prisão domiciliária, arguido, acusação, processo, Casa Pia, vítimas, pedofilia.


Publicado por Manuel 17:31:00 0 comentários  



O melhor onze

Nestes dias que se seguem ao fim de um campeonato, já é habitual levantar-se esta dúvida: qual teria sido o melhor onze da prova?

Em função do domínio quase absoluto do FC Porto, escolher a equipa habitual dos dragões não seria muito arriscado. Mas houve, de facto, alguns destaques individuais noutros clubes que merecem ser referidos.

Por isso, e porque é objectivamente impossível eleger o melhor por posição sem esquecer outros nomes que vale a pena serem elogioados, a Grande Loja opta por fazer um onze-base, mas com um outro alternativo, com as segundas escolhas para cada lugar.

Aqui vão eles:

Onze-base
Vítor Baía; Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Rossato; Deco, Maniche, Tiago e Costinha; Derlei e Sokota

Onze alternativo:
Moreira; Miguel, Van Der Gaag, Ricardo Rocha e Nuno Valente; José Manuel, Petit, Rochemback e Simão; Adriano e McCarthy

Menos dúvidas restam quanto à escolha de melhor jogador do campeonato. Apesar de Rossato, Paulo Ferreira, Derlei e alguns mais, a Grande Loja atribui esse prémio, sem grandes hesitações, àquele que será, neste momento, o melhor defesa-central da Europa: Ricardo Carvalho.

Publicado por André 16:33:00 0 comentários  



curiosidades

Uma breve pesquisa no google revela que a Fundação Mário Soares detem 1% da Fomentinvest, holding integrante do consórcio Luso-Oil.


É sempre bom saber que as subvenções estatais são bem aplicadas...

Publicado por Manuel 13:37:00 0 comentários  



"equilibrismos"...


Publicado por Manuel 12:24:00 0 comentários  



"Oil for food" : As pistas portuguesas - Parte II

Um documento oficial das Nações Unidas coloca ainda mais dúvidas quanto à participação da GALP Energia - via Petrogal - no programa "Oil for food".

A única fase onde se encontram contratos alocados a empresas "portuguesas" decorre de 30 de Maio de 1998 até 30 de Novembro de 1998.

Ainda que a GALP diga que participou ao abrigo da resolução 986 este contrato celebrado com uma empresa portuguesa - PETROGAL - foi feito ao abrigo da resolução 661 o facto é nos anos subsequentes não se encontram quaisquer referências a qualquer petrolífera "portuguesa".

Como a GALP Energia também diz que participou entre 1997 e 2000, no referido programa, perguntamos como ?

E não, isto não tem nada a ver com contrabando de petróleo, contabilidade criativa, fuga ao fisco, violações de embargos e tratados internacionais, ligações perigosas com grupos terroristas, pagamento de luvas a chefes de estado corruptos, off-shores muito supeitas, corrupção, financiamento partidário ou outras coisas que tais...

Publicado por António Duarte 04:12:00 0 comentários  



"XXXIV - Acho tão Natural que não se Pense"

Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa ...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas. . .
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente. . .

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos ...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

Alberto Caeiro

Publicado por Manuel 03:34:00 0 comentários  



Bush...


Publicado por Manuel 02:16:00 0 comentários  



A irracionalidade das coisas

A vida transforma-nos o caminho à medida que decidimos percorrê-lo. A escolha dos caminhos que fazemos, mas sobretudo as paragens que decidimos fazer, mostram muito da nossa forma de estar na vida.

A propósito disto tudo, o blog A razão das coisas, na pessoa de Afonso Neves, escreveu no passado dia 05 de Maio, um artigo, que apelava à consciência de cada um, sempre que visitasse a Grande Loja.

Ainda que se referisse várias vezes que esta era a primeira impressão que tinha adquirido ao consultar a Grande Loja, e que precisava de mais tempo para ter uma ideia certa sobre aquilo que escreviamos, não se coibiu de fazer algumas acusações e tirar algumas ilações, que dentro do princípios que regem a democracia são legitimas, mas perfeitamente e à luz desses mesmos principios refutáveis.

Todos nós que escrevemos na Grande Loja, temos personalidade e assumimos a responsabilidade total de cada palavra que publicamos aqui, e o facto de o lema desta Venerável Loja ser “Não deixe que a Verdade estrague uma boa história“, não pode de maneira alguma permitir que sejamos comparados com esse blog de triste memória para todos, ou muito menos a comparação entre os Veneráveis Irmãos com os "jornalistas" citados, não nos pode levar a deduzir que somos justiceiros ou conspirativos, muito menos da forma leviana com que deduziu.

Isto não significa que não erramos, não somos perfeitos, mas não fazemos do erro um modo de vida, mas estamos certo, que concordará que é muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espirito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.

Aliás caro Afonso Neves, uma breve passagem sobre o seu blog, onde ao que julgo saber escrevem também o Sr. Miguel Anacoreta e a Srª Raquel Abreu causa alguma perplexidade. Não me compete a mim decidir o critério editorial do vosso blog, mas estranho o silêncio sobre alguns temas que no momento afectam a nossa sociedade.

O simples facto de colocarmos em linha aquilo que está disponível para todos mas que nem todos querem ver, não faz de nós justiceiros, e muito menos conspirativos, tão só as mesmas pessoas que eramos antes de começarmos a escrever aqui.

O nosso, pouco, anonimato permite-nos ser lidos e julgados apenas por aquilo que escrevemos e não pela fama ou não que possamos ter.

Passados cinco dias, da publicação do seu post, achamos que estariam dadas as condições para uma segunda apreciação, que poderia vir acompanhada ou não de um pedido de desculpas. Mesmo na blogoesfera a sua liberdade termina onde começa a dos outros, e aqui segue a nossa reacção a frio, ponderada e pensada.

Publicado por António Duarte 00:39:00 0 comentários  



"Oil for food" - As pistas portuguesas

Confirmada que está a participação da Petrogal no programa "oil for food" desenvolvido pelas Nações Unidas, importa agora que alguém responda de facto à seguinte questão :

A Galp Energia garantiu, acerca da envolvência da GITE - Galp International Trading Limited- com a Asat trust, que no que concerne ao programa "Oil for food", nunca a GITE esteve envolvida, e que a participação no programa "Oil for Food" decorreu durante os anos de 1997 a 2000, adquirindo algumas cargas de petróleo ao abrigo da resolução 986 do Conselho das Nações Unidas.

Mas apenas o relatório S/1998/1100, das Nações Unidas, refere efectivamente o país Portugal como tendo efectuado um contrato em 1998.

Ora assim, a pergunta que se impõe, é à luz do que disse a Galp Energia, quem nos outros anos quem foi a entidade com que foi celebrado o contrato ?...

Publicado por António Duarte 20:48:00 0 comentários  



"For Old Times Sake"

«Let's make love for old times sake.
Let's set right an old mistake.
Let's invite our hearts to break.
It's right tonight, but just for old time's sake.

Remember you as Mars, and me as Venus.
Strange to see the grey in your hair.
And now to feel a peace so deep between us,
And to realize that we still care.

Let's make love for old times sake.
Let's set right an old mistake.
Let's invite our hearts to break.
It's right tonight, but just for old time's sake.

I used to think we would wind up together,
Our destinies always entwined.
Oh, but your heart kept changing like the weather,
And you wound up leaving me behind.

Let's make love for old times sake.
Let's set right an old mistake.
Let's invite our hearts to break.
It's right tonight, but just for old time's sake.



Let's make love for old times sake.
Let's set right an old mistake.
Let's invite our hearts to break.
It's right tonight, but just for old time's sake.

It's right tonight, yeah,
But just for old time's sake...
It's right tonight for old time's sake.
For old time's sake.
Old times sake...»



«For Old Times Sake», Carly Simon

Publicado por André 19:43:00 0 comentários  



"Agarrado..."

João Pinto já foi um dos melhores jogadores portugueses.

Dizemos bem... «Já foi».



Agora está na sua curva descendente e uma das principais virtudes de um jogador nessa fase é, precisamente, essa - a de identificar o momento da queda.

Há 10 anos, em 1994, João Pinto já ganhava perto de 20 mil contos no Benfica. Nos últimos três anos, auferiu um ordenado superior a 35 mil contos (175 mil euros) no Sporting.

Mas mesmo depois de ganhar tanto dinheiro há tanto tempo, João Pinto achou «pequena» a oferta de renovação que o Sporting lhe fez. Quer mais. Ainda mais. Há já quem diga que o Benfica pode estar na corrida, naquela que seria mais uma prova de que se a vida dá muitas voltas, o futebol dá, mesmo, voltas inimagináveis.



Com tanto dinheiro já ganho, e em nítida curva descendente, é caso para perguntar - será que João Pinto não tem noção da realidade?

Ou será que a nossa amiga Marisa tem gostos (e gastos)... sumptuários???

Publicado por André 19:07:00 0 comentários  



O Virús

Depois das declarações poéticas de Dias Loureiro secundadas e reforçadas por José Luis Arnaut e Durão Barroso sobre esse exemplo para o Mundo que é Alberto João Jardim eis que também Pacheco Pereira decidiu entrar no campo do delírio puro e duro.

Seguindo, mais uma vez, a cartilha do dr. Portas e numa lógica abrupta Pacheco decidiu contextualizar as recentemente divulgadas atrocidades cometidas pelas tropas da coligação no Iraque recordando que também por cá o Major Tomé, da antiga UDP, terá cometido abusos semelhantes.

A miopia inerente a este raciocínio é lancinante; Não só se compara o periodo actual no Iraque ao nosso PREC, como se acaba comparando as tropas americanas ao nosso COPCON e quejandos. Os amigos americanos do Dr. Pacheco devem estar felizes por esta grande ajuda.

Não se arranja por aí uma junta médica ?

Publicado por Manuel 17:05:00 0 comentários  



A Alta Velocidade em Portugal : 1ª Parte

É indiscutível que um projecto de alta velocidade para um país como Portugal se possa traduzir num desenvolvimento associado ao crescimento económico. Não querendo entrar na dictomia crescimento vs desenvolvimento, estou certo, que o projecto trará as duas vertentes.

O crescimento económico provocado pelo investimento público na concepção da obra, o desenvolvimento económico conseguido pela diminuição das assimetrias quer internamente, quer a nível europeu, bastando recordar que hoje uma viagem entre Lisboa e Paris em comboio demora cerca de 16 horas da seguinte forma...

  • Lisboa- Vilar Formoso – 450 Kms – 5 horas

  • Vilar Formoso – Irun – 800 Kms – 6 horas

  • Irun – Paris ( em TGV ) – 1100 Kms – 5 horas

É assim sintomático o ganho em termos reais que passageiros e mercadorias poderão ter com a entrada do TGV. A nível interno ainda que o projecto seja ambicioso, a aparente exclusão do novo aeroporto da OTA no projecto, invalida aquilo que de facto se poderia chamar de transporte integrado. A construção da OTA associada ao RAVE – Rede de Alta Velocidade, traria certamente a consumação de uma plataforma internacional ao nível aéreo, quem sabe abrindo novos mercados nas zonas distantes de aeroportos em Espanha, e relembro aqui por exemplo a Estremadura espanhola ou a enorme Andaluzia.

Mas por outro lado, dada forma como a ferrovia foi desenvolvida em Portugal existe o problema chamado serra dos candeeiros, e segundo os estudos da RAVE existem duas opções ...

  • a) um corredor nascente a partir da Ota com uma estação em Entroncamento-Tomar e um corredor poente, também a partir da Ota, com uma estação em Leiria. Daí para norte é pacífico que a linha "toque" Coimbra e Aveiro antes de chegar ao Porto.

  • b) Abandonar definitivamente o aeroporto da Ota e construir uma terceira travessia do Tejo por onde partiriam os comboios de alta velocidade que, na margem sul, inverteriam para norte pela margem esquerda do rio, atravessando-o na zona do Entroncamento e furando a serra dos Candeeiros por um túnel para servir Leiria.

Esta última hipótese, aumenta o tempo de viagem, entre Lisboa e o Porto, tem os custos da nova ponte e do túnel, mas fica mais barata devido ao fácil relevo e poucas expropriações na travessia do Ribatejo pela margem esquerda do rio. Mas será do agrado de Carmona Rodrigues, que deixará de falar na OTA, e inclusive permite relançar a opção Rio Frio para o aeroporto, já que o traçado passará lá.

Conforme a Ordem dos Economistas já alertou publicamente...

“Sem orientações muito precisas sobre como fará a saída da linha de alta velocidade em Lisboa, a Rave tem-se concentrado nas formas possíveis de atravessar o país para chegar ao Porto e na articulação da linha de alta velocidade com a rede convencional por forma a garantir a intermodalidade com os comboios clássicos e a rede viária. A principal dificuldade tem sido a aproximação aos grandes centros urbanos que faz disparar os custos de construção da linha. A equação é de difícil resolução: é nas cidades que está o mercado para a alta velocidade e uma clientela exigente que quer ter o comboio no seu centro para se convencer a não usar o automóvel, mas é na sua travessia que cada quilómetro custa rios de dinheiro devido às expropriações e à construção de túneis e viadutos.”


Tudo se trata de vantagens comparativas e acima de tudo competitivas que o país pode ou não optar por seguir. Neste momento a decisão está certamente nas mãos dos governantes.

È igualmente indiscutível que a alta velocidade se aplicada ao transporte de mercadorias, trará um ganho enorme de competitividade.

A ligação Aveiro-Salamanca será certamente a mais beneficiada, pois não só se possibilitará a substituição do transporte rodoviário pelo ferroviário, com inerentes ganhos ambientais e de gestão de tráfego, como se eliminará algumas das entropias que o transporte rodoviário tem em Portugal. O senão é lógico e passará pelo certo encerramento das companhias de transporte de mercadorias menos competitivas ou pela fusão de algumas mesmas, capazes de competir. A forma como as companhias de mercadorias forem capazes de se modernizar será um barómetro do sucesso do projecto.

Ao nível do transporte de passageiros, confesso que é suspeito que Portugal disponha para já, e com os hábitos de uso de automóvel que possuímos, procura interna capaz de sustentar ao mesmo tempo a CP e a RAVE.

Na ligação Lisboa-Porto , o problema não se colocará, mas nas outras ligações , será difícil obter o “ break-even-point” nos primeiros 10 anos, a menos que a ligação Faro-Huelva se transforme num pólo subsequente ao uso do aeroporto internacional de Faro, conquistando assim de vez o mercado andaluz, ou que a ligação Porto-Vigo se transforme num transforme num pólo subsequente ao uso do aeroporto Sá Carneiro, conquistando assim de vez o mercado galego.

Questionável é que a modernização necessária da linha do Norte, não tenha desde logo contemplado, a possibilidade da alta velocidade. Questionável é que os valores gastos na aquisição dos Pendulares, possam vir a ser a breve prazo colocados em causa pela Alta Velocidade.

Coloca-se depois aqui uma questão de importância vital. Qual será o papel ou melhor qual será o caminho que a CP E.P. terá que seguir ? Será inevitável que sem a ligação Lisboa-Porto, a empresa perde a linha de longo curso mais rentável. Se a RAVE for uma empresa à parte no processo, a CP terá um peso pesado do lado esquerdo do balanço operacional. O maior problema que a RAVE tem trata-se da ligação com as linhas convencionais, o que permitirá a continuidade do negócio nesta.

Para percebermos a incompatiblidade de duas empresas públicas, é "espantoso" como a Refer e a Rave, sendo ambas do Estado e tendo até o mesmo presidente nas suas administrações, conseguem trabalhar de costas voltadas. Ou seja a REFER continua a programar independentemente do que a RAVE pretende fazer.

No entanto, o projecto por si só, é catalizador de mais valias.

Saberemos nós aproveita-las?

Publicado por António Duarte 13:04:00 0 comentários  



Ainda a Galp Energia - Mais questões pertinentes

Os quatro consórcios que disputam uma participação entre os 33,34% e 48% - Consórcio Luso-Oil, José Mello, Petrocer e a CVC – apresentaram propostas abaixo do valor de mercado da empresa.

Uma breve consulta à actividade da empresa permite constatar que a empresa terá um valor de mercado entre os 3,2 e os 6,4 Mil Milhões de Euros, dependendo de ...




Estes cálculos resultam dos rácios normalmente utizados para avaliação do valor das empresas (PER, Price to sales, Price to Cash Flows), que a Grande Loja calculou.

Ora sabendo que o Carlyle Group terá avaliado a totalidade do capital da Galp Energia em 2 mil milhões de euros, e tendo em conta os dados acima sabemos que...

  • Para uma aquisição de 33,34% - O valor mínimo seriam 870 Milhões de Euros

  • Para uma aquisição de 48,00% - O valor mínimo seriam 1,25 Mil Milhões de Euros.
O Carlyle Group nunca oferecerá mais do que 660 Milhões de Euros por 33,34 % ou 960 Milhões de Euros por 48%. Ou seja a Grande Loja informa que com base nos cálculos efectuados, com base no valor de mercado, a Galp Energia está a ser literalmente oferecida.

Ainda que possam entrar nas contas as parcerias que com a vitória do Carlyle Group – anunciada na Grande Loja a 28 de Fevereiro do corrente – as parcerias estratégicas com a Sonangol e a Petrobras, é um facto de o Governo vende a Galp agora a um preço inferior do que comprou a posição da ENI Spa, pois aquando da alienação da participação da ENI, o Estado pagou 650 Milhões de Euros pelo capital de 33,34 %, mais 17 Milhões referentes a dividendos e ainda 49,0 % do capital da futura EDP Gás, que está avaliada em 800 milhões de euros na sua totalidade.

Luso–Oil - o que pretende fazer ?

A Luso-Oil quer investir na Galp mil milhões de euros, num horizonte de três a cinco anos, verba que será repartida pela área da refinação e logística, 600 milhões de euros, sendo os restantes 400 milhões de euros canalizados para o retalho. Os investimentos incidem em unidades de transformação de fuel em gasóleo para adaptar a produção ao mercado futuro e instalar equipamentos para tratar crudes pesados. E é aqui que se poderá encaixar a parceria com a Sonangol, cujos crudes têm estas características, permitindo diminuir a volatilidade do negócio da refinação.

Luso–Oil - O Falso controlo nacional

Sobre o controlo nacional que supostamente é conferido pelo direito de preferência aos portugueses do consórcio Carlyle, não será mais realista perguntarmo-nos se terão estes capacidade de o exercer? E se sim, porque não comprarem agora que é certamente muitíssimo mais barato, pois ainda não tem a mais-valia da Carlyle. Por outro lado, estes são os mesmos que preferiram anteriormente realizar mais valias em vez de assumirem uma posição estratégica na Empresa. Juntando as peças deste puzzle, a opção Carlyle poderá conduzir a nova nacionalização da Galp, mas desta vez pelo Estado Angolano, através da Sonangol. Esta visão é tão realista quanto preocupante para o comum cidadão português.

As estranhas coincidências

Uma das provas que podem funcionar como simples e mera coincidência de como o Carlyle Group já ganhou, resulta na notícia que o Expresso ontem troxe a público. Um conjunto de 24 iraquianos está a estagiar em Portugal, pagos pelo Carlyle Group, tendo a parte prática nas instalações da GalpEnergia e a parte téorica na Universidade Lusíada, cujo reitor é o Dr. António Martins da Cruz, pai do ex Ministro dos Negócios Estrangeiros Martins da Cruz, aconselhado por Durão Barroso a ser o advisor do Carlyle Group para Portugal na operação da Galp, de acordo com a revista Tempo.

Publicado por António Duarte 18:56:00  



"Uma Visão do Inferno"

O PSD está mesmo determinado em fazer tudo para perder as eleições europeias. Atente-se ao Público deste domingo...

O presidente do congresso nacional do PSD, Dias Loureiro, gostaria que Portugal "fosse, de norte a sul, uma imensa Madeira". "Emocionado" com tudo o que disse ter visto na região governada por Alberto João Jardim, o dirigente social-democrata aproveitou a intervenção na abertura do congresso regional para elogiar a sua "revolução dos factos, das obras e de quem quer sempre mais".

Loureiro, afirmando-se "um PSD da Madeira", declarou que nesta região está "o melhor que há da democracia" e que "é difícil encontrar no mundo outro lugar onde a mão de Deus e do homem tenham trabalhado em tanta sintonia".

Mas os elogios a Jardim não se quedaram por aqui. Incumbido de transmitir ao político madeirense a "solidariedade da direcção nacional do PSD", o secretário-geral do partido, José Luís Arnaut, apontou o governante madeirense como "exemplo de comportamento ético"

Compreende-se o interesse e o esforço em sossegar Jardim em vésperas de Congresso mas o que é demais, é demais. Não está em causa a obra, estão apenas em causa os meios.  E Jardim, cujo modus operandi não é diferente do de um Narciso, de um Ferreira Torres ou do de um Valentim, representa o que de pior pode ter a Democracia.

Entretanto, para ainda não percebeu porque é que Barroso se vê à rasca para conseguir fazer uma remodelação é fundamental dar uma olhada à prosa de José Bourbom Ribeiro, chefe de gabinete de Paulo Portas, n' O Acidental. Aquele texto apenas nominalmente tem a ver com o Iraque ou com a demissão, ou não, de Rumsfeld. Aquele texto é a materialização da cartilha de Portas, do velho, e do novo, Portas, a estratégia do whatever it takes, ou, mais erudiramente, de como os fins justificam, ou desculpam, todos os meios. Afinal diz o rapaz...

"Não há grandes empreitadas sem pequenos erros. Grave é quando se fazem pequenas empreitadas com grandes erros. (...)  O deslize, incompetência ou a imbecilidade de alguns não podem, nem devem, ser confundidas com a coragem e a determinação da maioria(...)"

Sem Oposição digna desse nome, isto é uma Visão do Inferno, é o que é!

P.S. O Dr. Portas justifica a boleia aos seus confrades de heli nos Açores com o facto de no tempo de Guterres outros terem feito actos semelhantes. O relativismo moral, típico do personagem, e a imbecilidade inerente do raciocínio, que mais não é do que um insulto à inteligência, dispensam mais comentários.


Publicado por Manuel 17:07:00 0 comentários  

Em prisões baixas fui um tempo atado,
vergonhoso castigo de meus erros;
inda agora arrojando levo os ferros
que a Morte a meu pesar já tem quebrado.

Sacrifiquei a vida a meu cuidado,
que Amor não quer cordeiros nem bezerros;
vi mágoas, vi misérias vi desterros
parece-me qu’ estava assi ordenado.

Contentei-me com pouco, conhecendo
que era o contentamento vergonhoso,
só por ver que cousa era viver ledo.

Mas minha estrela, que eu já ‘gora entendo,
a Morte cega, e o Caso duvidoso
me fizeram de gostos haver medo.


Luís de Camões

Publicado por Gomez 00:09:00 0 comentários  

Limiano às Fatias

edição extra
Ainda Fátima Felgueiras...

A 5 de Maio de 2003  Fátima Felgueiras, ao saber por portas travessas da decisão do Tribunal da Relação, tomou a dolorosa decisão de caminhar para o exílio.

Apanhou o avião em Madrid, comprando aí o bilhete, com destino ao Rio de Janeiro. Utilizou, como meio de pagamento, um cartão Visa pertença de um familiar próximo e respeitante a uma conta no Valley Bank of the Kalispell, em Montana, nos Estados Unidos.

Sobre a forma como Fátima Felgueiras antecipadamente soube da decisão de que iria ter de ficar em prisão preventiva o Conselho Superior de Magistratura ainda mandou uma alminha caridosa ao presumível local da fuga de informação averiguar. Não que a investigação tenha sido  particularmente penosa já que se limitou à inquirição dos potenciais suspeitos sobre se tinham sido eles a avisar a Senhora de Felgueiras.

Não foi
, por exemplo, feito qualquer esforço para consultar quer os registos telefónicos, quer do tribunal em questão, muito menos os dos telemóveis dos tais suspeitos que assim foram todos ilibados.

Certo é que não consta que Fátima, a de Felgueiras, tenha sabido da notícia de qualquer forma sobrenatural.

Mas muitíssimo mais grave é que não foi feita na sequência da fuga qualquer investigação no sentido de apurar se, naquele banco longínquo, que emitira o VISA, não se esconderiam alguns dos proveitos da sua "actividades" azuis...


GALP, ou o ataque do clones ...

O dossier GALP entretanto passou do domínio da palhaçada para o da pornochochada pura e dura.

Por muitas juras, por muitos comités de "sábios" que se entronizem, por muito que se invoque a Goldman Sachs o que é imperioso é não omitir o essencial -  Os "sábios" e a Goldman Sachs vão apenas pronunciar-se sobre o que se passou a posteriori da decisão do Governo Português de vender atabalhoadamente e à pressa quase metade da GALP.

Nenhuma entidade independente e credível avalizou ou aconselhou este Governo sobre a forma da venda, as regras do jogo, a oportunidade da mesma, ou sequer sobre o método como os compradores foram selecionados.  Em  suma, o Governo definiu as regras do jogo como muito bem lhe apeteceu, com uma transparência zero, e pede agora a terceiros que sobre estes alicerces o caucionem. Chico-espertice pura e dura.

Entretanto sabe-se hoje que no Conselho de Sábios nomeado pelo Governo está um tal João Morais Leitão. Um outro João Morais Leitão aparece(u) referenciado como presidente da Assembleia Geral da GALP, um outro ainda como pertencente a uma firma de advogados tal que ...

"Morais Leitão, J Galvão Teles & Associados a major player in Portugal's privatisation programme. The firm advised the Italian energy group, ENI in the acquisition of share capital in the Portuguese gas and oil holding company GALP."

Nota: esta última informação encontra-se apenas disponível na cache do Google aquí. Depois de esta informação ter sido referenciada ao de leve no passado por esta Venerável Loja, o site em questão foi convenientemente depurado, mas não serviu de muito...

Curiosamente , numa press release  de 7 de Abril de 2004 a Linklaters torna a  ligar outro  João Morais Leitão  à ENI...

O Expresso hoje lança aquilo a que chama a "one million dolar question"...

"Foi o Carlyle que se enteressou pela GALP por causa da Sonangol ou foi a Sonangol que se interessou pela GALP por causa do grupo Carlyle."

mas diz-nos mais, sobre o sindicato financeiro BES/Barclays...

"O aspecto peculiar da questao financeira relaciona-se  com o facto do responsável do Barclays para este sector ser Rogério Alexandre,  a mesma pessoa, que aconselhou  Pina Moura, na procura de um parceiro estratégico para a Galp. Rogério Alexandre  estava então no Credite Suisse First Boston  e foi assim que surgiram os italianos da ENI"


more later.

linhas cruzadas

Depois do DCIAP ter ficado a chuchar no dedo, e não tendo nada a ver, o sulista Expresso está manifestamente decidido a descredibilizar a operação Apito Dourado. Não que Pinto da Costa seja a Madre Teresa de Calcutá, mas pelo teor kitch e timing das estórias que vem publicando.

Os caucionadores da maioria

O perturbador silêncio de Manuel Monteiro sobre o escândalo GALP é de uma conveniência extraordinária. Ao manter-se quedo, mudo e calado, Monteiro permite que a questão pareça ser uma mera trica Direita vs Esquerda. O sistema no seu melhor.

Outro silêncio díficil de explicar é o de José Pacheco Pereira. Talvez a operação GALP não seja tão importante como a patética reconciliação de Durão com Saramago, mas mesmo assim...

Publicado por Manuel 18:42:00  



"O perigo número 1"

A Grande Loja começa hoje um especial final da Champions League.

Até 26 de Maio, dia da grande decisão, faremos a antevisão do duelo entre FC Porto e Monaco, pegando por várias perspectivas e dando a melhor informação aos nossos leitores.

E nada melhor, para começar, do que apontar o perigo número 1 para as esperanças dos azuis e brancos - Fernando Morientes, o melhor marcador desta edição da Liga dos Campeões.



Jorge Valdano, o director-desportivo do Real Madrid, que muito admiramos, terá cometido o erro da sua vida ao permitir a dispensa deste fantástico avançado, que tem todas as características que se pedem a um ponta-de-lança do futebol moderno: é inteligente, rápido e matador.
(tanta falta tem feito a Carlos Queirós esta época; a propósito, ao contrário do que se chegou a noticiar, nunca Queirós apoiou a dispensa de Morientes e até já contestou publicamente essa decisão)

Publicado por André 10:17:00 0 comentários  

Limiano às Fatias

edição extra
Figueiredo Lopes, outra vez ...

O ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, garantiu hoje que não houve qualquer falha das autoridade portuguesas na passagem de Pierre Falcone pelo aeroporto de Lisboa, e que foi respeitada a legalidade.

O empresário francês Pierre Falcone é acusado de tráfico de armas para Angola e alvo de um mandato de captura internacional, mas quarta-feira fez escala no Aeroporto da Portela e seguiu para Londres, sem que tenha sido presente a um juiz desembargador como prevê a lei.

"Não tenho informação nenhuma de que tenha havido falhas" e "os serviços já informaram perfeitamente o que se passou", sustentou.

Em suma, e segundo Figueiredo Lopes, ficamos todos a saber que a Sala VIP do Aeroporto da Portela não é território nacional.

kill bill

Luís Delgado é o exemplo acabado de um vira-casacas, amoral, incoerente e apenas preocupado em tratar da vidinha e fazer fretes aos seus senhores... A última do Luisinho está no Diário Digital ...

O jornalismo «serial killer» está na moda: «o senhor major não tem vergonha de estar aqui?» É o estilo modernaço, género morte instantânea, que se pratica em alguns directos. A razão era a vinda de Valentim Loureiro às comemorações do PSD, mas na verdade isto aplica-se a qualquer pessoa, de qualquer partido.

«Não se sente mal?» Porquê, ainda tentou Valentim, numa posição visivelmente de quem tem o sangue a ferver. «O senhor está indiciado...» E depois, tentou argumentar.

Também é chegada a altura de o jornalismo, como a Justiça, olhar para si próprio, e começar a aplicar algumas regras de bom senso, contenção, e menor quantidade de sangue. O estilo «mata agora e pergunta depois» não tem saída a longo prazo, particularmente quando a regra não é esclarecer, perceber ou informar, mas apenas «matar», «massacrar», e «trucidar».

Quem não percebesse o que estava em causa, dava a ideia, no «ataque» às portas da sede do PSD, que Valentim era um barão da droga, acabado de fugir de uma penitenciária de alta segurança, numa bravata à Al Capone, perante o horror de uma turba de jornalistas ansiosos pela sua prisão imediata. Tanto sangue só no Kill Bill.

É esta mentalidade, à Fátima Felgueiras, que é intolerável. Para Luis Delgado o crime de colarinho branco não existe. Para Luis Delgado as actividades de que António Preto e Valentim Loureiro  estão indiciados devem ser a  coisa mais banal e natural do mundo. Não o são, e o grave, muito grave, é que Luis Delgado, um boy destacado do PSD,  se permita gozar assim com a legalidade.

memória

Paulo Portas forçou a demissão de Miguel Cadilhe há largos anos por causa de umas mudanças deste auxiliadas por um organismo do estado tutelado por Cadilhe.

O mesmíssimo Paulo Portas não vê inconvenientes em dar boleia num heli do Estado, do seu ministério, a confrades seus de Partido.

É aquilo que se chama de coerência selectiva.

Publicado por Manuel 20:26:00 0 comentários  



como tudo se esfumou...

O traficante, empresário, embaixador Pierre Falcone passou por Lisboa e não foi detido.

Pronto! Pouco mais há a dizer.

O que ainda não se explicou foi o que falhou naquele processo tão complexo que é deter um meliante e apresentá-lo a um juiz.

A Grande Loja, conta-lhe como tudo se passou.


Por distracção, um funcionário do SEF reparou que o careca que acabava de aterrear em Lisboa era o Pierre Falcone. O tal funcionário (que admite furar a greve durante o Euro 2004), lembrou-se da cara do suspeito, porque este há dias deu uma entrevista ao Expresso. Então, começou a telefonar para saber o que fazer:

  • Ligou ao director do SEF, mas este respondeu-lhe que já se tinha demitido

  • Ligou ao director da PJ, Adelino Salvado, que lhe respondeu que estava com uma dúvida: o tal Falcone era angolano ou francês?

  • Ligou à directora do SIS, Margarida Blasco, mas a chamada foi para a caixa de mensagens. «Neste momento estou no salão da minha cabeleireira e não posso atender. Por favor deixe mensagem»

  • Ligou ao director do SIEDM, Caimoto Duarte, mas este estava ocupado a aprender árabe enquanto via a Al-jazera.

  • Ligou ao ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, e este respondeu: «Meu caro amigo, pense duas vezes antes de fazer greve durante o Euro 2004. É a imagem de Portugal que está em causa»

  • Ligou ao PM, Durão Barroso: «Ó Ângelo Correia, atende-me esta chamada»

  • Ligou ao ministro da Defesa, Paulo Portas: «Meu concidadão, o CDS/PP nunca esqueceu as promessas que fez sobre os ex-combatentes»

  • Ligou à MNE, Teresa Gouveia, que respondeu: «Isso vem escrito no Notas Verbais ?»

  • Ligou para o director da PSP, Mário Morgado, e este respodeu: «Ó homem!, quero lá saber disso, fui apanhado em excesso de velocidade e querem-me apreender a mota»

  • Ligou para a embaixada de França, mas não percebeu a resposta.

  • Ligou para a embaixada de Angola e estes responderam: «Yo! Pierre é um gajo baril»
  • <>
  • Ligou para o juiz Rui Teixeira, mas este disse-lhe que agora estava em Torres Vedras.

  • Ligou para a coordenadora do DCIAP, Cândida Almeida, que lhe respondeu que estava a preparar a entrevista para a RTP.

  • Ligou para o procurador João Guerra, mas este disse-lhe que a fotografia do Falcone não estava no álbum.

  • Ligou para o Tribunal da Relação de Lisboa e uma secretária respondeu-lhe: «Olhe, o melhor é deixá-lo ir, porque não está cá ninguém da 9ª secção. Por isso, mesmo que ele venha cá, acaba sempre por ir embora.»

  • Ligou ainda para a SIC e para a TVI, mas ambas as estações mandaram-lhe perguntar ao Falcone se estava cá para visitar o Carlos Cruz...

Cansado, o funcionário foi à sala VIP do aeroporto de Lisboa e disse: «Senhor Falcone, olhe…não consigo falar com ninguém. Por isso siga, que depois alguém entra em contacto consigo».

P.S – A embaixada de Angola contactou posteriormente o aeroporto de Lisboa, garantindo que as despesas de Pierre Falcone na sala VIP seriam pagas, não disse é quando.

Publicado por Carlos 15:26:00 0 comentários  


Publicado por Manuel 13:24:00 0 comentários  



A cópia do dia é da capa da Economist.

Resign, Rumsfeld
 
From The Economist

Responsibility for errors and indiscipline needs to be taken at the top

YOU are fighting against international terrorists in a battle that both they and you describe as being one about values. You fight a war against Saddam Hussein at your initiative, not his, and you say that it is a war about law, democracy, freedom and honesty. A big metaphorical banner hangs above both wars proclaiming that your aim is to bring freedom, human rights and democracy to the Arab world. All of that sets admirably high standards for the conduct of your forces as well as of your government itself. Now, however, some of your own armed forces are shown to have fallen well below those standards. What do you do?

One answer is exactly what George Bush has done in response to revelations of torture and humiliating treatment of Iraqi prisoners at the Abu Ghraib jail (see article): to make it clear, in public, that you find such action abhorrent and unacceptable, and that the perpetrators of it will be punished. That has also been the approach of the British government in response to the publication of photographs that may well be fakes but that could nevertheless indicate that genuine abuses have taken place (see article). Yet such statements are not enough, especially in the American case. The scandal is widening, with more allegations coming to light. Moreover, the abuse of these prisoners is not the only damaging error that has been made and it forms part of a culture of extra-legal behaviour that has been set at the highest level. Responsibility for what has occurred needs to be taken—and to be seen to be taken—at the highest level too. It is plain what that means. The secretary of defence, Donald Rumsfeld, should resign. And if he won't resign, Mr Bush should fire him.



Why he should go


That recommendation will elicit several different responses. One, from critics of the war, will be to point out that the highest level is in fact held by Mr Bush, and that it is the president who should go. The answer is that the electorate has a chance to dismiss Mr Bush in November, while Mr Rumsfeld is an unelected official who, if he is loyal to Mr Bush, ought to want to take the bullet in order to protect his boss. Another response, though, will be to say that the expulsion of Mr Rumsfeld would be disproportionate: wars always bring some abuses, for the soldiers who take part in them have been trained to kill, and the important question is whether the abuses are properly punished when they occur. A third response would be a cynical one: perhaps he should go, it may be said, but he won't. It's an election year. Get real.

The cynics may be proved right; they usually are. But these are exceptional circumstances. The pictures of abuse, especially the one on our cover of the hooded man wired as if for electrocution, stand an awful chance of becoming iconic images that could haunt America for years to come, just as the famous photograph of a naked girl running during a napalm attack did during the Vietnam war. One way of dealing with that risk is by countering it with your own iconic act: ejecting the man at the head of the Pentagon, the man most identified with America's use of military power during the past three years. He is also, however, the man most identified with the wider culture to which these abuses may be connected.

That approach was epitomised by the setting up of a prison camp at Guantánamo Bay in Cuba in 2001. The decision to detain combatants caught in Afghanistan for an indefinite period, with no access to lawyers and no legal redress, was understandable as a short-term response to the threat of terrorism and to ignorance about who might actually be terrorists, but it was nevertheless both wrong and disastrous for America's reputation. It was wrong because it violated the very values and rule of law for which America was supposedly fighting, and soon produced evidence of double standards: some American citizens captured in Afghanistan were allowed to stand trial in American courts in the normal way, but such rights were denied to mere foreigners, every single one of whom was labelled as a dangerous terrorist by Mr Rumsfeld, regardless of any evidence. It has been disastrous for America's reputation because of that hypocrisy but also because it has become a symbol of a “we'll decide” arrogance.

The Geneva conventions that have governed the treatment of prisoners of war for decades were waved aside. And the argument used to justify America's rejection of the new International Criminal Court—that its soldiers would be vulnerable to unreasonable persecution, with necessary military actions defined as crimes—looked ever more hollow. Thanks to Guantánamo, critics could argue that America really does need the check of the ICC, and that its claim that abuses would readily be dealt with in domestic courts was also hollow.

The domestic courts are now gradually taking on the issues raised by Guantánamo, with a ruling awaited from the Supreme Court. And the promise by Mr Bush and Mr Rumsfeld this week that abuses in Iraq will be punished is no doubt sincere. It may be that the shoulder-shrugging pragmatists are right when they say that abuses are an inevitable consequence of war; and it may be that they would have happened regardless of Guantánamo. But the culture that it represented, with all prisoners considered guilty until proven innocent, with dubious interrogation methods widely considered to be condoned, could well have had an influence on the attitudes and behaviour of lower ranks. To stem such an influence right now, and to offer an indubitable demonstration to all Iraqis of the importance America places on eliminating such abuse, Mr Rumsfeld must take responsibility.

To June 30th and January 2005
Some may worry that a change of defence secretary now would further endanger the effort in Iraq. The opposite is the case, for although Mr Rumsfeld is rightly credited with a successful steering of the conventional war a little over a year ago, he and his team have also been responsible for many of the blunders since then: appalling post-war planning, inadequate troop numbers, excessive deBaathification, and more. For that reason, if he were to go it would be unwise to replace him simply with one of his own team, such as Paul Wolfowitz.

As the recently retired British envoy to Iraq, Sir Jeremy Greenstock, writes in this issue (see article), nothing is easy in an Iraq mired in violence and with fractured and volatile political groupings. But the political course now set, of handing more authority to a new, UN-picked interim government after June 30th in preparation for elections next January, is the right one. All efforts must be made to prevent that course from being disrupted or blocked by violence, by sectarian divisions or by Iraqi mistrust of the whole process.

This week, things seemed to be improving as an Iraqi-led force began to police Fallujah, the rebellious Sunni town to which the Americans had laid siege, and as the main Shia rebel, Muqtada al-Sadr, was becoming more isolated by his fellow Shias. Mr Bush's television broadcasts condemning the abuses at Abu Ghraib and promising punishment probably helped cool the atmosphere, though he ought also to have offered a straightforward apology. Better still if he and Mr Rumsfeld were now to demonstrate one of the true American values: that senior people take responsibility.

Publicado por josé 12:13:00  



Um erro de casting demonstrado à exaustão.

Depois da "entrevista" dada esta noite à RTP por Cândida Almeida, ainda Coordenadora do DCIAP, o sistema pode ficar mais descansado, pelo menos em relação ao DCIAP. Tanta candura, tanta compreensão, tanta ingenuidade metem pura e simplesmente dó. O País, diz ela, está todo numa boa, a corrupção não é generalizada, é tudo boa gente, e quando há barraca é no fim do mundo, em Gondomar ou Felgueiras, e a senhora até estatísticas tem para o demonstrar. O problema é que as estatísticas são como o discurso da senhora - mostram tudo menos o essencial.

E Cândida Almeida demonstrou hoje que nem o acessório é capaz de perceber.

P.S. 1 Nem sequer vamos aprofundar aquele brilhante raciocínio de que (tudo ?!) o que atrai muita gente só pode ser coisa boa ...
P.S. 2 Como muito bem nota o Venerável Irmão José nos comentários "(Cândida Almeida) sobre o que se passou em Gondomar disse que sabia do essencial porque era ela quem coordenava e que só não soube do timing da operação!! Melhor coordenação do que esta, é impossível... Triste."

Publicado por Manuel 00:13:00 0 comentários  



Aniversário Abrupto.

Abruptamente, lá passou um ano e a blogosfera dos anónimos, antónimos e outros heterónomos, rende-se em homenagem ao mais divertido, de humor inebriante e diversificado, dos blogs que temos: o Abrupto!

Aquele que recitando Sá de Miranda, às vezes se espanta e outras se envergonha, começou por intrigar o leitor que não lhe adivinhava o pedigree. Lembro bem o início e a dúvida que se instalou na blogsofera: será ?! Não será?! Era! E o método de autenticação foi tirado dos melhores “page turners”.
 
O autor, em dia de inspiração, escreveu: Ó incréus! Vós duvidais deste que vos escreve e vos fala em espanto e vergonha? Pois ficai a saber que amanhã, bem cedo como é de preceito, um jornal de referência desta terra, trará em certa página, um escrito com as palavras que agora vos dou em antecipação. E logo ali, naquele recanto blogosférico de espanto e vergonha, os felizardos leitores puderam apreciar uma passagem escolhida da crónica do dia seguinte!

E o espanto foi geral e as visitas acorreram em barda a saudar o novel blogueador que citava Sá de Miranda e se admirava com a beleza segura dos... selos! Assegurando ali e naquele momento que o selo era um veículo de cultura como poucos!

Confesso que caí nas costas do meu espanto. E não corei de vergonha. Então, ali, naquele sítio tão catita e de humor tão seguro e contagiante, em vez do autor e dono de biblioteca de fazer inveja à da antiga Alexandria, aninhava-se afinal um novo Nestor Halambique!

O imortal personagem de Tintin na aventura do Ceptro de Ottokar, refazia a existência virtual e voltava a falar-nos da suprema importância da sigilografia.

Ó bem aventurada hora em que ali pousei os olhos! Ó magnífico momento de êxtase! Os selos e os sinetes! E já salivava mentalmente perante a antecipada e esperada visão do maravilhoso selo de S. Luis; do selo de Carlos Magno; do selo do Doge de Veneza, Gradenigo, ou , - quem sabe! - o sinal de um sinete do tempo do Cruel Pedro.

Cruel foi, de facto, a expectativa! O que tivemos direito foi apenas a raridades que se folheiam na rua do Alecrim. Enfim...

Depois dessa decepção inicial, lenificada apenas pelo seguro e repousante sentido de humor e o magnífico recorte literário dos postais telegrafados das terras vulcânicas ou escritos nos vaporettos, confesso que lá voltei a espreitar.

E o que vi agradou-me! Dos postais sobre blues matinais, tirei inspiração para me deitar cedo. Das ilustrações recortadas e abarrocadas para respeitarem direitos, também apreciei o estilo. E dos postais escritos a preceito, confesso que só lembro um: aquele em que abruptamente se dizia que havia na blogosfera uns engraçadinhos...

Fónix!

Publicado por josé 23:57:00 0 comentários  

Sobre a Europa, simplesmente mortífero o Venerável Anaximandro no sempre actual Notas Verbais. É de supor que a manifesta disponibilidade desse grande educador de massas hoje aniversariado para participar na campanha eleve o nível pelo menos por parte do PSD.

Sobre a GALP, regista-se, e louva-se, a consequência ainda que tímida de Franscisco Louçã que mesmo assim rebocou toda a esquerda parlamentar assim como o perturbador silêncio de Vasco Rato.

Publicado por Manuel 21:22:00 0 comentários  



vergonha



Há muita coisa que se podia dizer sobre os 30 anos do PSD mas há um facto que releva tudo o resto. A absoluta vergonha que é a presença de Valentim Loureiro no jantar comemorativo do Aniversário. Tivesse Durão autoridade e tal jamais aconteceria. Escusado será dizer que com Sá Carneiro, ou Cavaco, as coisas jamais seriam assim. Até quão mais baixo vai descer o PSD?

Publicado por Manuel 20:00:00 0 comentários  



ainda e outra vez a GALP... (à atenção dos ratos deste mundo)

Ode à coerência ...

(via Barnabé)

"Acha o Governo insultuoso que se pergunte porquê este acordo? Em nome de quê? Em benefício de quem?

É ou não verdade que empresas do Estado receberam instruções expressas do Governo para se associarem a um dos empresários interessados ? O que levou o Governo a tomar essa decisão ? Qual o interesse do Estado nessa associação ? E porque é que o Estado decidiu associar-se a este interessado e não a qualquer outro ?”

Manuela Ferreira Leite, no dia 30 de Abril de 1998, sobre as desventuras de Pina Moura, a EDP e a ENI.

Publicado por Manuel 18:45:00 0 comentários  



Só uma nota sobre testemunhas e testemunhos

«Ora, é dos livros e da experiência da vida, que os testemunhos presenciais se diferem nas referências de pormenor, pois as pessoas vêem de modo diverso o mesmo acontecimento, retendo umas factos que outras olvidam, de modo a não haver duas versões rigorosamente iguais da situação que se descreve. Quando os depoimentos são iguais em todos os pormenores, como no caso acontecia, é de presumir combinação prévia»

José Marques Vidal, «Casos de Tribunal»

Publicado por Carlos 18:32:00 0 comentários  



posição oficial do CSM e do CSMP acerca dos royalties da liga dos magistrados da bola...


Publicado por Manuel 18:01:00 0 comentários