"A Culpa Humana"

... baseado na obra homónima de Philip Roth é o filme a ver para mais tarde meditar...



Para meditar tambem, e agora que não se tem falado muito daCasa Pia, é a ressureição da ideia, segunda a Lusa, de fundir as secretas, e - nuance assaz importante, sob a tutela directa do Primeiro-Ministro. Às mentes perversas que possam ver nisto relação com algum post anterior, acreditem: não há coincidências ...

Coincidência ou não, não deixa de ser curioso ver o Ministério da Defesa assegurar "«rigor jurídico» do concurso" dos submarinos. Atendendo a quem representa juridicamente os franceses por estas bandas a coisa promete...



Entretanto, e a pedir junta médica, segundo a TSF, Pedro Santana Lopes afirmou esta quarta-feira, no Porto, que Portugal «vai passar ao lado de uma grande oportunidade na revisão constitucional» por se limitar a rever o sistema político (mas alguém acredita que ele vá mesmo ser revisto ?) sem mexer no judicial. Mais: Santana Lopes quer ver a comunicação social representada num novo Conselho de Estado/Câmara Corporativa, ou num hipotético Senado. Santana Lopes defende que a revisão constitucional deveria incluir a criação de "um órgão que integre não só os velhos poderes mas também os novos, como os agentes económicos, universidades, comunicação social e judiciais, de modo a concertar posições». E continua : «Alguns podem ver aqui o regresso ao corporativismo, mas não é exactamente assim, houve corporativismo na ditadura mas ele é possível na democracia». Era isto que temia Francisco José Viegas e se ainda não é motivo para desespero mas já faltou mais ...



P.S. Ah, e graças ao que vêem na televisão, e ainda segundo Santana Lopes, os portugueses ficaram a saber que «Portugal voltou a ser o país mais pobre da UE, com a maior retracção do PIB, onde os polícias matam mais pessoas, há mais analfabetos e insucesso escolar, elementos dos corpos de bombeiros vendem material de combate aos incêndios, e 22 por cento dos jovens apresentam sinais de depressão». Seguindo este lindo raciocínio ainda vamos ver o pavão idiota a defender um pacto de regime para que não se fale nos GNRs que vão certamente sofrer no Iraque, nos novos desenvolvimentos da Casa Pia (uma invenção da Imprensa insinuava a semana passada o Bastonário da OA à Visão) e já agora na crise...

Publicado por Manuel 00:20:00 0 comentários  



irreflexões ...

O excelente irreflexões cita-nos duas vezes consecutivas a propósito do nosso post "Prognósticos" e antevêem uma perigosa cabala, só que não devem ter lido bem o "deve & haver"



Quando os autores doirreflexões virem o que vai acontecer à fórmulazinha que rege o imposto sobre produtos petroliferos nos próximos tempos perceberão a nossa refinada ironia ...

P.S. : não se esqueçam das Águas de Portugal ...

Publicado por Manuel 20:52:00 0 comentários  



A Dona Alzira, o Engenheiro Guterres, o Doutor Barroso e uma borboleta chamada Vanda

O Liberdade de Expressão, iliba parcialmente este Governo da quebra de receitas fiscais, e diz que a D. Alzira não pagar impostos não é culpa exclusiva deste Governo.

Remata a prosa afirmando  :

"Todos os governos falharam no combate à evasão fiscal porque nenhum tentou diminuir os incentivos à fuga."

 E nós perguntamos: se é óbvio, e é-o de facto, excepto claro para Jorge Neto, que :

"não devemos ficar surpreendidos se a fuga ao fisco aumenta em tempo de crise" dado que "a fuga ao fisco é tanto maior quanto maiores forem os incentivos para fugir. E os incentivos são maiores quando os impostos são elevados, a burocracia é complicada, as leis do trabalho são pouco flexíveis e as taxas à segurança social são altas. Em tempo de crise, os incentivos aumentam ainda mais porque as receitas habituais diminuem. Uma fracção significativa dos agentes económicos refugia-se na economia informal para manter o mesmo nível de receitas."

... não devia isso ter sido equacionado pelas Finanças em tempo oportuno ?

Entretanto, na Bloguitica, Paulo Gorjão, fiel discípulo de São Tomé, mostra-se incrédulo com um post nosso:

A Grande Loja, no PostDeve e Haver”, diz que “o meu [seu] grande medo é que António Guterres venha a ter, de novo, grandes exitos por culpa exclusiva de Durão Barroso que o está a reabilitar de uma forma outrora julgada impossível..."
Nao me digam que Durão Barroso prefere António Guterres a Cavaco Silva ou Santana Lopes na Presidência da Republica?
Não acredito...

É simples, meras questões de calendário e realpolitik : Temos autárquicas, legislativas e presidenciais por determinada ordem e num curto espaço de tempo. Até pela teoria dos cestos, discutivel, é improvável que o PSD as ganhe todas, ora assim sendo que é que acham que Barroso prefere?


Barroso espera que Santana seja candidato e perca, para ter hipóteses de ser reeleito de seguida nas legislativas, e porque não se pode dar ao luxo de perder Lisboa (o que sem Santana, candidato presidencial, se afigura provável) nas autárquicas. Por outro lado que presidente melhor para Barroso que o dialogante Guterres Santana (ver editorial do Semanário da semana passada) acha que consegue ganhar, e com um discurso populista o suficiente para legitimar de seguida um eventual referendo que abra caminho a uma presidencialização do regime pelo que lhe é indiferente quem venças as legislativas sendo que até lhe convém que seja o PS pois tal lhe abre a margem de manobra para uma Chiraquização da Direita. Cavaco, que joga a solo, que não precisa de partidos ou aparelhos para nada, está-se nas tintas para as estratégias dos outros dois e já se viu que não vai se vai atolar no pântano barrosista pelo que é uma ameaça quer a Barroso, a cuja governação nunca esteve realmente colado e da qual descola a grande velocidade, quer a Santana por razões óbvias ...

É a vida, é o que é ...

Publicado por Manuel 19:38:00 0 comentários  

Por que é que nem nos melhores momentos as coisas podem correr bem à selecção nacional?



A figura que os nossos meninos dos sub-21 fizeram em França envergonha-nos a todos. Tinham acabado de conquistar uma brilhante vitória, frente a uma selecção fortíssima, que vinha de um percurso de tudo vitórias e nenhum golo sofrido na primeira fase. Depois de termos perdido por 1-2 em Guimarães, Portugal fez um grande jogo e conseguiu passar.

O que aconteceu nos balneários não pode ser desculpado com o... calor do triunfo. Não basta saber perder. Saber ganhar, por vezes, é ainda mais difícil.

Publicado por André 11:02:00 0 comentários  



deve & haver

Paulo Gorjão nos seus posts 1026 e 1027 antevê, com refinada ironia, que "Quando Durão Barroso tiver um grande exito tambem dirá que a culpa é de Antonio Guterres.".

Isso é o mínimo.



O meu grande medo é Guterres vir a ter, de novo, grandes exitos por culpa exclusiva de Barroso que o está a reabilitar de uma forma outrora julgada impossível ...

Em suma, e sem adversários, Barroso teima sistematicamente em ser o melhor avançado da equipa contrária . Ora a continuar assim Durão arrisca-se a ter o mesmo e inglório fim de Balsemão nos longinquos anos 80 ...

Publicado por Manuel 04:06:00 0 comentários  



eficácias ...
... ou porque é que em Portugal certos crimes compensam

Com o desemprego a disparar, e com aumentos salariais reais mínimos, a cobrança do IRS está 3% acima do previsto.

Em paralelo, a do IVA encontra-se 20% abaixo do inicialmente estimado.



Resumindo o Estado continua a sugar quem nunca pode fugir e a alegremente deixar andar os suspeitos do costume.

Sim, porque uma quebra de 20% não pode ser imputada apenas ao anterior Governo PS, ao 11 de Setembro, à crise global ou aos factores imponderáveis descortinados miraculosamente por Jorge Neto, mas sim, e também a um fracasso absuluto e total do combate à fraude e evasão fiscal !

Para compor o ramalhete só faltava para que para tapar o buraco deste ano se inventasse um novo "último" perdão fiscal ...

Publicado por Manuel 02:03:00 0 comentários  



tentações, ou um reality show para intelectuais ...



agora que Kasparov empatou o último jogo contra a máquina (resultado final 2-2) o que eu realmente gostava era de ver o Dr. Pacheco a jogar poker com o Dr. Santana, o Professor Marcelo e o Dr. Carrilho ...

Publicado por Manuel 00:52:00 0 comentários  



prognósticos ...

Depois de Jorge Neto, mais conhecido pelos seus implantes capilares do que pelos seus dotes para a política, ter afirmado à TSF que «Não há propriamente uma contradição entre o discurso do Governo e aquilo que diz o Banco de Portugal, o que há é a constatação de uma realidade inexorável, que é uma baixa significativa das receitas fiscais» acescentando que isso «decorre de um abrandamento significativo económico que foi notório ao longo do ano de 2003, isso implicou uma perda de receitas muito superior àquilo que era expectável e àquilo que foi previsto no início do ano» e de Barroso se desculpar com a ausência de ideias da oposição (uma desculpa original sem dúvida) e relativamente aos prognósticos negros do Banco de Portugal o insuspeito irreflexões pergunta-se:


O défice de 2001 na versão PSD foi de 4,1% e, supostamente, teria deixado o país de tanga. Com o défice actual (o real, que é o que interessa), de mais de 5% (leiam aqui), possivelmente até mesmo 5,5 ou 6%, mascarado por receitas extaordinárias é caso para dizer: Vendemos a tanga. E agora?



Agora, vamos ver mais acrobacias matemático-contabilisticas, Guterres a querer, mas não poder, pôr Durão a seu mandatário, e Cavaco a transformar-se paulatinamente no verdadeiro, único e real líder da Oposição ...

A ironia de tudo isto é que as grandes vítimas políticas disto tudo podem vir a ser os que, como Santana e Jardim andaram a defender a presidencialização do regime ...

Nos entretantos fazem-se apostas sobre quanto tempo mais, semanas?, meses ?, vai Santana estar solidário com Durão ...

Vai uma remodelaçãozinha lá para o Carnaval ?...

Publicado por Manuel 00:20:00 0 comentários  



Em cheio

Repegando na questão das qualificações dos nossos jovens, e dos problemas estruturais do nosso sistema de Ensino, reproduzo o excelente artigo escrito por Filomena Mónica no Público de ontem. Não podia vir mais a propósito...


«MUDAM-SE OS TEMPOS, NÃO SE MUDAM AS VONTADES»
Maria Filomena Mónica


«Como contei em anterior artigo, foi com a ajuda de uma irmã, perita em electrónica, que consegui obter os programas que desejava, o do Estudo do Meio do ensino básico (garantem-me que a edição, de 1991, está em vigor), bem como o de Língua Portuguesa dos 10º, 11º e 12º anos (homologado em 2001/02). Por hoje, fico-me pelo primeiro.

O mais impressionante para quem apenas ocasionalmente se debruça sobre estes fenómenos é a forma como, por detrás da cor política dos governantes, a ideologia pedagógica permanece inalterada. Tão ocupados andam os ministros com a gestão dos sarilhos correntes - a abertura do ano escolar, a colocação dos docentes, as pressões dos sindicatos - que não têm tempo para se preocupar sobre o conteúdo do que é ensinado.

Sei que, em outros países da Europa, as ideias pedagógicas não são muito diferentes das que por aí existem. Mas, em Portugal, instalaram-se sobre os escombros do salazarismo, o que lhes confere uma arrogância singular. Do alto das suas cátedras, os modernos doutrinadores proclamam que o ensino se deve basear nos "saberes" trazidos pelos meninos, que a sala de aula deve ser um recreio e que a escola mais não é do que a reprodução da estrutura de classes. No meu livro "Os Filhos de Rousseau" denunciei, a propósito dos exames do 12º ano, a forma como estas ideias tinham minado as escolas. De então para cá - e já lá vão seis anos - nada mudou.

O programa de ensino básico começa logo com uma mentira: "A Reforma Curricular situa-se como componente fundamental da Reforma do Sistema Educativo, concitando [sic] naturais expectativas por parte, não só de quantos se encontram envolvidos no processo educacional, como também de muitos outros e mais vastos sectores da sociedade portuguesa." Como pude constatar, quando andei em busca dos programas, nem os pais nem a sua confederação manifestam o menor interesse pelo assunto, como o atesta a presunção, nos locais para onde telefonei, de que os programas pertencem às escolas.

Eis a filosofia da educação, tal como expressa no preâmbulo: "Deste modo, também
se pretendem ver reformuladas a relação pedagógica e a metodologia do processo de ensino-aprendizagem relativamente aos padrões tradicionais. Se o apelo à participação do aluno na construção e avaliação das suas aprendizagens, ao incentivo da sua autonomia como sujeito intelectual e moral ou à dinamização das actividades criativas dos indivíduos e dos grupos não constituem propostas inovadoras face a práticas já correntes em muitas escolas, o mesmo se não pode dizer da explicitação programática destes princípios."



Não pretendo enjoar o leitor, pelo que salto por cima da retórica analfabeta, concentrando-me na disciplina estranhamente intitulada Estudo do Meio: "O meio local, espaço vivido, deverá ser o objecto privilegiado de uma primeira aprendizagem metódica e sistemática da criança, já que, nestas idades, o pensamento está voltado para a aprendizagem concreta." Em vez de se alargar os horizontes, estes são reduzidos aos que as crianças supostamente trazem de casa.

O Estudo do Meio - um território sem fronteiras que engloba a Biologia, a História, a Psicologia, a Etnografia, a Geografia, a Astronomia, a Física, a Economia e a Química - procura "contribuir para a compreensão progressiva das inter-relações entre a natureza e a sociedade". Como se isto não bastasse, atribui-se-lhe igualmente a função de formar cidadãos: "É ainda no confronto com os problemas concretos da sua comunidade e com a pluralidade das opiniões nela existentes que os alunos vão adquirindo a noção da responsabilidade perante o ambiente, a sociedade e a cultura em que se inserem, compreendendo gradualmente o seu papel de agentes dinâmicos nas transformações da realidade que os cerca." Segue-se a lista dos fins da escolaridade básica, que vai da inculcação de "hábitos de higiene" à identificação de "elementos relativos à História e à Geografia de Portugal". No subcapítulo dedicado à História, diz-se: "O âmbito de estudo da criança vai alargar-se aos outros, primeiramente aos que lhe estão mais próximos e depois, progressivamente, aos mais distantes no espaço e no tempo."

Só depois de ter lido isto fizeram sentido algumas das conversas tidas com as minhas netas. Há tempos, admirara-me o facto de a Rita, que tem oito anos, ao comentar os trabalhos de casa, me ter dito preferir os homens primitivos aos gregos. Interrogada sobre o motivo, confessou que era por serem "diferentes de nós". Noutra ocasião, notei o gozo com que tanto ela como a irmã mais nova haviam devorado "A Idade do Gelo", um DVD no qual uns mastodontes pré-históricos tentam salvar um bebé. De tal forma estão as crianças fartas do Estudo do Meio que só querem ouvir falar da Pré-História.

Como as netas frequentam uma escola que não usa manuais, decidi investigar o que a minha sobrinha andava a ler. Escrito por Isabel Guimarães, Isabel Antunes de Sá e Maria João Pinho, o manual, que se destina a alunos do 4º ano da escolaridade, intitula-se "Outros Tempos/ Outras Histórias - A História no Estudo do Meio". Sei que é difícil escrever para crianças, mas não é demais, julgo, pedir que o que se lhes oferece esteja factualmente correcto. Ora, o livro contém vários erros. Não é verdade que as cortes medievais apenas reunissem a nobreza e o clero, nem sequer é justo o que se escreve sobre o ausente povo: "Nós trabalhamos nas terras dos grandes senhores, seis dias por semana, e pagamos muitos impostos. Para nos distrairmos, apenas temos as romarias, as procissões ou algumas festas nobres importantes."

A fórmula usada para as Fichas de Trabalho, onde é suposto pôr-se um "V", de verdadeiro, ou um "F", de falso, à frente de algumas frases, mais parece saída de um concurso televisivo do que adaptada a uma sala de aula. O caso mais ridículo deste tipo de questionário vem no final: "Salazar foi: um instrumento de culinária/ presidente do Conselho de Ministros/ um realizador de cinema/ um cruzado". Igualmente bizarra é a ideia de usar textos com informações erróneas como forma de se chegar à verdade. Eis o que, a dado momento, se pede ao aluno para comentar: "D. Sebastião embarcou para a América de férias. Aí, lutou na batalha de Alcácer do Sal, da qual saiu vencedor. Regressou a Portugal, num lindo dia de sol."

Finalmente, o espaço que poderia ser dedicado à História Moderna, às invasões francesas, à guerra civil oitocentista ou ao constitucionalismo monárquico, é ocupado com a transcrição da letra do hino da Madeira, de um texto burocrático sobre a adesão de Portugal à União Europeia e de um aviso solene sobre a necessidade de, após o 25 de Abril, se fazer "um esforço comum dos cidadãos e do Estado". Num manual de 96 páginas, mais de metade versa o presente. A História, que, segundo Aristóteles, era um relato do que os seres humanos fizeram e sofreram, transformou-se num amontoado de fichas com quadradinhos, apelando à memorização, à ausência de raciocínio e à preguiça intelectual. Ora, um país que desconhece a sua História não está preparado para enfrentar crises. Como o estamos a verificar».

Publicado por André 23:54:00 0 comentários  



"Bóiam farrapos de sombra"


Bóiam farrapos de sombra
Em torno ao que não sei ser.
É todo um céu que se escombra
Sem me o deixar entrever.

O mistério das alturas
Desfaz-se em ritmos sem forma
Nas desregradas negruras
Com que o ar se treva torna.



Mas em tudo isto, que faz
O universo um ser desfeito,
Guardei, como a minha paz,
A 'sp'rança, que a dor me traz,
Apertada contra o peito.

Fernando Pessoa

Publicado por Manuel 21:46:00 0 comentários  



Estrela do Mar


«Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia, sozinho, ao relento
E ali longe do tempo, acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

"Sou a estrela do mar só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."

Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar

"Estrela do mar
Só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."»



«Estrela do Mar», JORGE PALMA, 1984

Publicado por André 17:34:00 2 comentários  



"Prozac & Herbalife"


O controlo do défice orçamental transformou-se, para o bem e para o mal, na ‘Operação Triunfo’ do Governo.

Cortar a despesa pública, diminuir o peso do Estado na Economia, moderar fortemente os salários da Função Pública são todos, sem excepção, caminhos que vão dar a Bruxelas. E já não restam hoje dúvidas que Durão Barroso será julgado, em 2006 ou mais cedo se a economia persistir nos seus sinais recessivos, pela sua capacidade de sanear as finanças públicas e promover uma política de efectiva consolidação orçamental.

Ora, Cavaco Silva veio alertar para os riscos desta ortodoxia financeira ditada pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Tal como já o fizera, antes, Jorge Sampaio.

Usando uma linguagem acessível, que não ficaria mal a um candidato presidencial, o ex-primeiro-ministro sintetizou a questão: «Se se continuar a gastar dinheiro em estádios de futebol e se a fuga aos deveres fiscais não acabar», o controlo do défice terá sido em vão.

A coincidência de pontos de vista entre Jorge Sampaio e Cavaco Silva reflecte, sobretudo, uma questão de senso comum: o espartilho orçamental imposto pela ministra das Finanças é um fim em si mesmo para recuperar o estatuto de bom aluno europeu ou é um meio que visa a consolidação orçamental e o relançamento da economia?
É aqui que reside a posição ingrata da ministra das Finanças. Criou-se a ideia, na generalidade da opinião pública, que é da acção de Manuela Ferreira Leite que depende o futuro do País e do Governo.

Essa é, porém, uma ideia falsa. Nem a ministra das Finanças terá sucesso na consolidação orçamental sem a cobertura e a coragem política do primeiro-ministro; nem a disciplina financeira imposta terá qualquer efeito sobre a economia sem a sua conjugação com outras políticas sectoriais.



Ou seja, recorrendo à linguagem médica, o País precisa, em doses certeiras, de uma terapia que lhe permita emagrecer e encarar o futuro da economia com optimismo – um misto de Herbalife e de Prozac.

Não podendo Manuela Ferreira Leite pedir, simultaneamente, contenção e moderação aos agentes económicos e empolgar empresários e investidores, esse papel terá de ser assumido por outros colegas do Governo.

Não se vislumbra, porém, no Executivo quem o faça.

Esse discurso mobilizador está ausente e asfixiado pela obsessão orçamental – que é virtuosa mas não pode ser omnipresente.

A pergunta é, pois, legítima: se Durão Barroso tiver, em 2006, o meritório saneamento das contas públicas como único trunfo para apresentar aos eleitores, o que restará da economia real? E como estará, então, o País?

Miguel Coutinho, Diário Económico 18/11/2003

Publicado por Manuel 10:03:00 0 comentários  



"Défice do Estado agravou-se 40,6% até Outubro"

O Professor Cavaco não percebe, nós muito menos ...


O défice orçamental do subsector Estado agravou-se 40,6% nos primeiros 10 meses do ano, face a igual período de 2002, para 6.907,1 milhões de euros, informou segunda-feira a Direcção-Geral do Orçamento (DGO).

Este valor corresponde a 5,2% do Produto Interno Bruto estimado para 2003, quantificado em 131.993,8 milhões de euros.



A execução orçamental até Outubro revela uma degradação homóloga (face a igual período do ano anterior) de 58,1% no saldo corrente, que ascende a 4.392,7 milhões de euros, e de 17,9% no saldo de capital, que sobe a 2.514,4 milhões de euros.

O saldo corrente resulta da conjugação de um crescimento da despesa corrente em 3,4%, para 27.298 milhões de euros, e da receita corrente em 3,1%, para 22.905,3 milhões de euros.

Lusa


"Espero que [à ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite] não lhe faltem as forças para cumprir, eventualmente através do controlo do défice, aquilo que é verdadeiramente importante para a economia portuguesa, que são as reformas estruturais", afirmou o antigo primeiro-ministro.

Ora a grande reforma estruturante deste Governo está a ser a chico-espertice de emagrecer o Estado Central, que não as contas públicas, fazendo o outsourcing de muitas das funções e competeências deste para as autarquias. Conhecidos que são o pulso e cartilagens vertebrais de Durão, Arnaut & Associados, passamos de um problema chamado Alberto João a centenas deles em potência ...

É por estas, e por outras, que sendo ferozmente anti-municipalista me vejo na contingência de ser regionalista na medida de que o País precisa rapidamente de uma reforma administrativa e territorial que permita uma eficaz, justa e "controlável" alocação e gestão de recursos...

Publicado por Manuel 01:58:00 0 comentários  



e agora algo de completamente anormal ...

.. que é meter-me no meio de uma troca de mimos entre dois antigos correligionários do mesmo partido (CDS/PP) agora em barcos separados

Afirma Rui Albuquerque :

A gratidão não é, decididamente, uma das características da humanidade.
Veja-se o caso de Pinto da Costa que criou uma das poucas marcas portuguesas universalmente conhecidas (as outras serão, talvez, a SONAE e o BCP, ainda que em mercados muito especializados), sendo escusado repetir o que o Porto e Portugal ganharam com isso.

Ao longo da sua presidência de mais de vinte anos, lembro-me de o ver atacado por quase todas as razões e motivos: negócios menos claros, a arbitragem, o guarda Abel, a agência Cosmos, o carácter, a educação, o bairrismo, a dimensão da área comercial do novo estádio, a ausência de convites ao Presidente da Assembleia da República, etc. Há até quem compare a sua direcção à família dos Sopranos o que, tendo alguma graça, não deixa de ser ridículo e absurdo.

O que é verdade é que Pinto da Costa é a parte mais importante da história deste clube, que é, actualmente, a principal referência da cidade e da região onde se encontra inserido. E de Portugal, também. Sem dúvida que será um homem de excessos e de facetas desiguais, mas é um líder, uma referência e um construtor, que já ganhou tudo o que tinha para ganhar e que soube ter a superior inteligência, quando lhe acenaram com a política e Lisboa, de ficar no sítio onde sabe ser muito bom: o Futebol Clube do Porto.

Se têm alguma dúvida, desafio-os a fazer uma experiência: "peguem" num bom lisboeta, num assumido alfacinha e ponham-no a falar sobre o Porto. Ouvirão todos os clichés, a pronuncia, o metro, o comboio e a auto-estrada para Lisboa, o clima, o dialecto-morcão, etc.. Depois, no momento em que ele estiver mais animado, peçam-lhe para falar no Presidente. Perguntem-lhe o que pensa de Jorge Nuno Pinto da Costa. E verão como, em segundos, perderá a têmpera, o riso e o raciocinio.


Passe a distância histórica e o texto acima quase que podia, com uns pequenos retoques, funcionar como uma apologia pura e dura à Propaganda Duo (P2) de Liccio Gelli de que Berlusconni aliás foi membro, ou a Pinochet no Chile...

Eu que sou do Norte, e do Porto, tenho vergonha de Pinto da Costa, e quanto aos motivos pelos quais porventura em Lisboa se inveja o homem deixe-me que lhes recorde que da última vez que tentaram arranjar um Pinto da Costa sulista (Vale e Azevedo) a coisa correu um bocado mal.

E depois há aquela insustentável amoralidade e leveza, a de que os fins, e os resultados, justificam todos e quaisquer meio e, não é isso definitivamente que eu quero para o meu clube, a minha cidade e o meu País ...

Publicado por Manuel 01:42:00 0 comentários  



TSF ...


Uma pessoa percebe, que de facto, Rangel quer arrumar com a TSF quando entra no carro, liga a ignição e sai - na TSF (!) - a banda sonora de uma das novelas da TVI ...

Publicado por Manuel 00:45:00 0 comentários  



resposta a Carlos Abreu de Amorim

Duas notas prévias :

Em primeiro lugar por estas bandas ninguém assumiu, cumulativamente, as dores de terceiros. O  Doutor  Pacheco costuma  saber defender-se razoavelmente bem, e pela sua cabeça, e não consta que passe procurações. Quanto ao PSD, o autor, é de facto militante do mesmo e,  pasme-se, até  tem as cotas em dia, mas descancem as  alminhas mais ortodoxas que não houve qualquer tentantiva ou intuito de defesa do PSD no nosso post original.

Em segundo lugar, sejamos realistas: se se tirar  da equação o factor mediático do palco televisivo, e é isso que de facto incomodou CAA, Pacheco Pereira até foi bastante contido nas críticas a Monteiro e ao PND. Por estas bandas já se fizeram críticas muito mais ferozes e o próprio texto a que CAA agora responde é substantivamente muito mais violento do que as criticas originais de Pacheco.

Mais, há uma divergência de fundo, entre a nossa análise, e a de Pacheco, quanto à natureza profunda da ND. Pacheco vê-a aparentemente, e iminentemente, como uma ameaça populista personificada num one men show, o de Monteiro. Nós, como já aquí se escreveu mais que uma vez, entendemos que Monteiro está consciente ou inconscientemente a ser usado, que do ponto de vista dos mentores da ND é descartável e que mais, numa perspectiva puramente estratégica, a ND  está a fazer um grande favor ao Dr. Portas e às suas tentativas de hegemonização do Centro e da Direita.

Dito isto e relativamente às justificações de CAA temos a comentar o seguinte:

  1. Em relação à natureza do PSD, CAA treslê, muito convenientemente as nossas declarações e omite um grande detalhe.

    Mas vamos por partes :

    O PSD sempre teve no seu seio diferentes correntes, umas mais populistas, outras mais conservadoras, umas mais social-democratas, outras mais liberais e outras mais conservadoras.

    Nunca ouve uma corrente única embora haja sempre uma correntre que num dado instante é maioritária. Mas num ponto todas as correntes convergem que é o de um intrinseco espirito reformista e de um certo personalismo humanista.

    Agora, o que o PSD nunca fez, personificado num único personagem, e aquí é que está o cerne da questão, foi tentar ser tudo para toda a gente, e basta ler o Expresso desta semana, e as declarações lá proferida pelo Dr. Monteiro, para se perceber que é esse rigorosamente o pecado da ND.

    A diferença é que uma coisa é ninguem saber ao certo, por ser imprevisível,  o que vai na cabeça do Dr. Monteiro num dado instante, outra completamente diferente é não se saber o que vai na cabeça do Dr. Pacheco, do Dr. Marcelo, do Dr. Santana, etc (e isso toda a gente sabe) ...

    O CAA confunde a natural diversidade opinativa de um partido de poder, que cresceu e se solidificou fazendo força da complementaridade das suas diferentes correntes com a contra natura "diversidade", passe o eufemismo, opinativa de uma só pessoa - chame-se ela Monteiro, Portas, ou Sassá Mutema, num dado instante.

    Logo, nós não proclamamos a ambiguidade como grande segredo laranja, proclamamos isso sim, a liberdade de expressão e pensamento, dentro de um quadro muito bem definido por Francisco Sá Carneiro como o grande segredo laranja.

  2. "O PSD não pensa a política – limita-se a aferir para que lado sopra o vento. Foi radical quando os tempos eram agrestes, moderado quando a poeira assentou, contestatário quando as nuvens escureceram, meias-tintas nos momentos de transição. Mas pensamento?" Aparte a citação anterior  parecer uma epitáfio funebre de Monteiro ou até Portas esta é particularmente injusta para o PSD. Com efeito parece que o virús revisionista que assolou o último congresso do PP já está a provocar mossa na nóvel ND.

    Afirmar que Sá Carneiro ou Cavaco  não pensaram a política, ignorar a Nova Esperança e ignorar que o PSD esteve presente em todos om momentos de viragem e verdadeira reforma no pós 25/4, desde o fim do Conselho da Revolução ao fim da  loucura estatista só pode ser interpretado como um excesso momentâneo de alguem toldado pela emoção ...

    De qualquer modo, quando me encontrar com CAA  (somos ambos do Porto e tudo) prometo emprestar-lhe um livrinho com todas as moções presentes a  Congresso na história do PSD. De certeza  que  o vai achar muito pedagógico ...

  3. Aquí, e passe a boutade que é comparar o PSD ao Benfica, é que CAA demonstra claramente não perceber o espírito do PSD.

    Eu não substimo o aparelho; eu abomino o aparelho (e até, pasme-se, defendo a extinção pura e simples da JSD e dos TSD). Só que por muito que custe a muitos, dentro do próprio PSD, este não é, nunca foi, um Partido de "caciques, baronetes, senhores de votos ambulantes e contadores de cabeças votantes". O PSD é antes de mais um partido de gente anónima, que não precisa de ser filiada para se sentir PSD. Aliás sempre que se tentou reduzir o PSD ao aparelho ignorando o pulso do País os resultados foram desastrosos.

    Quando  Cavaco foi candidato contra Sampaio, o aparelho laranja, senão todo, em boa parte, relaxou "amuado" pelo pretenso deixar cair de Cavaco a Nogueira,  nas legislativas anteriores, e não foi por isso que não houve campanha, e não foi por isso, que dadas as circunstâncias, não se obteve um excelente resultado.

    Reduzir o PSD ao aparelho é pura ingenuidade política. Mais, quanto aqueles que baixam os braços por causa dos Menezes, Majores, Jorges Ferreira e Castelos Brancos  deste mundo  só uma nota : enquanto se jogar pelas regras deles estão condenados a perderem ou a acabarem atolados em compromissos artificiais...

  4. Não se tratam de palpites, tratam-se de factos. Toda a gente tem um passado, não vem do vácuo. E o facto é que por definição a ND tem que ter, não tendo bases, não tendo aparelho - no sentido PSD, PS ou PC do termo - um discurso puramente mediático e esse discurso empurra-a natural e inapelavelmente para o monocromatismo e maniqueismo ideológico. Lógica, meu caro CAA. Mas o futuro falará por nós os dois.

  5. Eu sei que foi um bocadinho mais complicado. Mas esse bocadinho mais "complicado" noutro Partido era impossível ... 

  6. Não se trata de revelar "uma descrença tão acentuada no sistema que nem sequer consegue admitir que este suporte qualquer abertura ou distinção". Trata-se simplesmente de puro realismo : sou um reformista, não um revolucionário e quando ouço apelos a uma quarta República estremeço. Estremeço porque se trata de pura demagogia. Bem ou  mal, vivemos no País que vivemos, no contexto em que vivemos. Não podemos fugir a isso. Querer aparecer, e logo quem, coberto à distância por que tais, como virgens impolutas e com a  fórmula da pólvora convenhamos que não é o melhor cartão de visita  (e aquí mais uma vez remeto CAA para as declarações de Monteiro ao Expresso ...)

  7. Antes de mais, que nos metam no mesmo saco que o Pacheco ainda vá que não vá, agora no mesmo da  caixa de ressonância do BE, que nem de física elementar percebe é que já era dispensável ...

    Não se trata de gostar ou não gostar do Dr. Monteiro. De um ponto de vista prático e até teórico o Dr. Monteiro, como o Dr. Portas e até o Dr. Santana são os adversários ideais:  São  geralmente mais  vulgares do que se julgam, menos cultos do que deviam, mais espertos que inteligentes  e absolutamente presunçosos. 

    Ironicamente é por isso também que arranjam tantos apoios : São óptimos front-ends. Sobre terceiros não comentámos, mas a bitola pela qual atacamos Monteiro, é rigorosamente a mesma pela qual criticamos Portas, Santana, Ferro e Durão

    Para CAA  há  virtudes  em Monteiro e  vícios em Ferro. Para nós, não há rigorosamente nenhuma diferença entre a crença na tese da cabala proclamada inicialmente por Ferro e a afirmação despudurada, demagógica e perfeitamente imbecil, urbi et orbi de Manuel Monteiro quando afirmou que na "sua" ND não havia pedófilos.
A questão, quanto a Monteiro, meu,  Caro CAA, quase que se podia resumir ao parágrafo acima. Não se trata de diabolizar o passado : Por muito que doa , de facto o Dr. Monteiro não mudou no presente ...

Quanto ao PSD, e pela parte que me toca, não o encaro  como um Clube de Futebol, ou uma seita, não me baste que ganhe, exijo que seja  melhor que os outros. Mais, incompetência, por incompetência, prefiro-a feita por outros que não do meu Partido .

É um facto que na humilde e contestável opinião deste escriba, o PSD está a passar uma má fase, mas, meu Caro CAA, e parafraseando Churchill posso garantir-lhe que é sem qualquer dúvida o pior partido com excepção de todos os outros.

Para terminar,  e ainda a propósito, da quarta república, se o Dr. Monteiro, ou alguém por ele, conseguir convencer o Dr. Jardim a aderir à ND, eu prometo solenemente deixar de dizer mal da ND por uns tempos; Era de facto um excelente favor que faziam ao PSD e de facto até iam bem um com um outro...   

Publicado por Manuel 23:47:00 0 comentários  



Pura ilusão

A notícia já tem uns dias, mas ainda vale a pena falar sobre isto. Um relatório publicado na semana passada, e que passou relativamente despercebido na agenda jornalística , expôs muito bem o atraso cultural e educacional que o nosso país acusa, quando comparado com os seus parceiros da União Europeia.



Então é assim: a média da UE no que se refere a jovens a frequentar o ensino superior está na ordem dos 70 por cento. Em Portugal, ronda os 10 por cento. A diferença é igualmente preocupante em relação ao ensino secundário.

Não tenho os números exactos na cabeça, mas a proporção é mais ou menos esta. E é, acima de tudo, muito preocupante.

Este relatório é mais um dos que apontam para os grandes problemas de base que o nosso sistema de Ensino vem mostrando ao longo das décadas. Acho extraordinário o argumento recente (terá dez anos, não mais) que refere que Portugal começa a ser um país de... doutores.



Nada mais errado. O nosso país nunca poderá aspirar a dar o salto quando continua a ter uma falta de preparação de base tão grande. Ao contrário do diz o senso comum, faltam licenciadossão os estudos que o mostram. Outra dado interessante, que vai contra as opiniões fáceis: não há áreas com licenciados a mais. Todos os sectores precisam de mais gente formada — e , de preferência, especializada.

A questão do desemprego é outro problema. Existe, está em níveis assustadores, e é um facto que atinge fortemente os jovens licenciados. Mas é como aquela dúvida do ovo e da galinha: sem uma aposta séria na Educação, nunca teremos empresas dinâmicas e, por consequência, um mercado de trabalho capaz de absover a procura.

Perguntem aos irlandeses como conseguiram dar o salto. E perguntem aos checos e aos polacos, que estão prestes a entrar (e em força...) na UE por que é que andam a conquistar empresas multinacionais que, há meia dúzia de anos, escolhiam um certo país de clima agradável que prometia desenvolver-se quase tanto como os espanhóis... Foi há tão pouco tempo e tanta coisa mudou.

«Ai Portugal, Portugal
do que é que tu estás à espera?»

(Jorge Palma)


Publicado por André 20:12:00 0 comentários  



A arte da ficção...


«Eu estava em Londres por causa dos quadros, Ticiano e Piero della Francesca na National Gallery, Rothko e Mondrian na Tate, e Whistler numa exposição temporária, uma loja escura, o Tamisa ao amanhecer, uma rua coberta de neve.

Uma noite, quando passeava perto da livraria de Michael, reparei nos cartazes de "The Master Builder". Há uns dois anos que procurava o texto da peça, tinha qualquer coisa a ver com os meus livros, não sabia o quê. Uma menina numa aldeia das montanhas, o Construtor que chegou para inaugurar a torre da igreja, a torre mais alta do mundo. Ela viu-o no cimo da torre e apaixonou-se por ele (esta era a peça de teatro preferida de Freud). A menina está sozinha em casa e o Construtor entra na sala e dá-lhe um beijo, muitos beijos. Ele diz que ela é uma princesa e que irá buscá-la daí a dez anos, como um troll, para lhe dar um reino.

Era estranho ver a peça tantos anos depois, o meu velho conto de fadas num velho teatro de Londres. Quando as luzes se acenderam olhei com incredulidade o homem que estava sentado ao meu lado. Era mesmo ele, os olhos muito azuis, o nariz adunco, a boca, aquela figura um pouco sombria que vivia dentro dos meus livros e nos filmes de Bille August, de Bryan Singer, de Jarmusch. E ele sorriu; tínhamos tantas coisas para contar um ao outro, os quadros e a Irlanda, as peças de Ibsen e, o mais estranho de tudo, ele era o protagonista do meu romance e estava a escrever um livro sobre Iris Murdoch. E ele perguntou, tu leste "The Sea, the Sea"? Hilde dizia ao Construtor que viera lembrar-lhe a sua promessa, tinham passado dez anos e ela queria um reino. O Construtor tinha sentimentos de culpa em relação à mulher, pensava que ela ficara despedaçada pela morte dos filhos, mas ela conta a Hilde que só sente a falta das coisas que perdeu no incêndio da casa (são as pequenas coisas que nos partem o coração), os quadros, os vestidos, as jóias e, acima de tudo, as suas bonecas, ninguém se lembrara de salvar as bonecas...

E ele tem o teu rosto, e os teus olhos, e a tua voz, e é irlandês... Ele dizia-me que gostara de ser o demónio num filme, fazer do demónio um homem comum, porque o mal está em todos nós, nas pessoas por quem passamos na rua. E disse-me para ler um livro, é estranho ouvir o actor de um filme dizer que o livro é melhor, o realizador era bom, os actores também, mas os estúdios queriam um thriller; os olhos dele pareciam mais escuros ao falar do livro, eles têm trinta palavras diferentes para neve... (Não sei o que acontece a uma escritora que encontra a sua personagem, só sei que não voltei a escrever...)

O Construtor fingia lembrar-se da história de Hilde e prometia dar-lhe um castelo; disse-lhe que já não construía igrejas, já não trabalhava para Deus; e falou-lhe dos demónios, há os demónios brancos e os demónios negros, e é difícil saber quais são os que nos conduzem... O troll dentro de nós. E Hilde pergunta, tens a certeza de que o troll dentro de ti não chamava por mim? As flores no jardim, as cadeiras de vime, e o Construtor, que tem vertigens, sobe a escada da torre, porque ela lhe pediu para fazer mais uma vez o impossível; mas, como dez anos antes, ele não está sozinho no cimo, discute com alguém ou alguma coisa...

As luzes acenderam-se e ele levantou-se, eu procurei o casaco e quando me voltei ele tinha desaparecido no meio das pessoas que saíam, vesti o casaco devagar, não é possível que tudo tenha terminado aqui... Levantei-me por fim e sentia-me vazia ao descer os degraus, havia poucas pessoas na entrada, mas então vi-o junto à porta, estava à espera, e quando me avistou sorriu abertamente, o troll em mim chamava por ti, pensei, o troll em mim, e quase corri ao seu encontro».

«The Art of Fiction», ANA TERESA PEREIRA, crónica publicada no suplemento «Mil Folhas» do Público de 15 de Novembro de 2003



Publicado por André 19:49:00 0 comentários  



"Ainda o Equador..."

"(...) Por mim, uma pergunta: por que razão gasta o PÚBLICO tinta, espaço e trabalho com a incultura quase cómica de Miguel Sousa Tavares? Gostava de perceber. Acredite."

Vasco Pulido Valente Público, 16/11/2003

N.A. Afinal não somos só nós ...

Publicado por Manuel 11:46:00 0 comentários  



ELF ...



Multiplicam-se as notícias em França da condenação de ex-responsáveis de topo da ELF. A ver vamos  se as atribulações e cambalhotas no nosso sector energético não acabam (ou pelo menos deveriam acabar) da mesma forma ...

Publicado por Manuel 19:05:00 0 comentários  



ainda o Semanário desta semana ...

O Semanário é sem dúvida um caso único na imprensa universal.

Em primeiro lugar é provavelmente o único jornal à face da terra a ter publicado uma manchete, ser forçado a desmenti-la no dia seguinte em toda a concorrência, em anúncios pagos, ser ameaçado com uma chuva de processos judiciais e ter sobrevivido (dos processos nem sombra).

Depois temos claro, esse expoente do jornalismo lusitano,  trabalhador incansável na Caixa Geral de Depósitos, de segunda a quarta, e sexta, e  exuberante escriba  no semanário à quinta  que é  Pedro Cid. Para mais as sucessivas empresam que gerem aquele semanário conseguem desmentir sistematicamente a velha máxima do Estado de Direito e de Mercado de que para se sobreviver é preciso pagar impostos, ter uma situação regularizada com a  Segurança Social, etc.  Em suma, o Semanário apenas sobrevive porque Rui Teixeira Santos e Companhia  sempre arranjam maneira, de  fazer uns servicinhos aos poderes do momento (sejam eles laranja ou rosa) em troca de um olhar para o lado das Finanças e Segurança Social.

Nesta semana no Semanário, se bem que não seja uma daquelas edições de colecionador,  temos duas peças a reter : Uma o editorial  de Rui Teixeira Santos e outra o artigo de opinião de Carlos Abreu de Amorim.

Sobre o editorial, uma ode ao Santanismo futuro e à quarta república - esta personificada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, apenas uma nota : O Professor Cavaco, nem de propósito, recordou, ontem mesmo, que está vivo e em grande forma e livre das amarras que às vezes lhe querem impôr...

Sobre a prosa de Carlos Abreu Amorim há várias notas a salientar.

CAA começa por se indignar com a críticas de Pacheco à Nova Democracia de Monteiro para depois desferir um impiedoso ataque ao PSD, manta de retalhos e albergue espanhol,  por oposição à ND, o único partido virgem de vícios em Portugal e arredores.

No papel as coisas são muito bonitas mas, além, de, no que à ND diz respeito, Pacheco ter carradas de razão, há o detalhe não negligenciável de aquilo que CAA vê como fraquezas do PSD serem em grande medida a sua força. De facto no PSD não há um pensamento único, nunca houve desde a sua fundação. De facto no PSD, Poder ou Oposição, sempre ouve quem pensasse pela sua própria cabecinha. De facto, e o pós bloco-central e a "inesperada" ascenção de Cavaco é disso paradigmática, sempre houve quem no seu interior tivesse razão antes do tempo, preparando sempre condições para o day after. Por isso todas as incoerências orgânicas que CAA vê no PSD são falsas, e mais, o arrazoado de CAA apenas prova que a ND não vai durar muito. É claro que pelo meio há criticas pertinentes à governação em concreto mas que se perdem na irrazoabilidade da incompreensão do que é de facto o PSD.

E o PSD é, antes de ser um partido de aparelhos, intelectuais, clubes de pensadores, ou iluminados, um Partido de bases. O PSD podia estar um, dois, três meses sem líder, sem líderes distritais, sem concelhias e nem por isso se extinguia ou entrava em colapso.

A ironia de tudo isto é que o raciocínio que suporta a linha coerente que CAA reclama para a ND e que, felizmente, não vê no PSD, foi o mesma que levou à saída de Monteiro do PP, aos processos - ainda no PP - contra CAA aquando das últimas autárquicas (aquí só ficava bem a CAA recordar que foi graças ao mesmissimo ecumenismo laranja que ele agora crucifica que o mesmo CAA entrou nas listas da coligação que conquistou a Câmara do Porto já que por vontade da direçao do PP CAA jamais faria parte das mesma i.e.  na prática entrou pela cota do PSD) dado que o PP de facto  não suporta por definicão a existência de uam oposição interna - e é a mesma linha de raciocínio que levará, por mera transitividade, à implosão da Nova Democracia.

Admitindo que a ND descola, e numa primeira fase, graças aos bons ofícios de Portas na coligação e à cegueira de Barroso,  tem todas as condições para descolar pelos menos nas Europeias, vai  ser impossível manter a pureza de pensamentos e dogmtismos iniciais a não ser que se transforme, num partido  neo-estalinista formalmente de Direita. Mais, o próprio discurso de CAA é muito mais à direita e liberal do que o ultra ensaiado discurso de Monteiro, que pretende abarcar tudo do BE para a Direita, pelo que a prazo todos os argumentos que CAA usa para criticar o PSD serão válidos, alguns já são, a própria ND, que obviamente, dará primasia à táctica sobre os principios e a estratégia já que uma coisa é ter-se um partido com muita gente e muitos discurso diferentes mas porventura copmplementares outra totalmente diferente é ter-se muito menos gente e discursos du jour. Foi assim no passado com o Dr. Monteiro, vai ser assim no presente com o Dr. Monteiro porque há coisas que nunca mudam e uma delas é o Dr. Monteiro.

Para terminar, uma nota de espanto : CAA está há demasiados anos na política, sabe demasiado bem como funcionava, e funciona o sistema, para poder dizer com seriedade que a ND vem de fora ou é uma lufada de ar fresco, a não ser que não tenha acompanhado com muita atenção  os processos que levaram  à fundação da mesma ...

Tivesse havido uma verdadeira reforma do financiamento partidário (temática que parece passar à margem do radar da  ND) e perceberiamos porquê...

Publicado por Manuel 11:56:00 0 comentários  



Nós avisámos...

Nem de propósito: a Grande Loja do Queijo Limiano, no seu espírito de missão que a tem distinguido internacionalmente, tinha avisado para os perigos das burrices do senhor Scolari...



Além de teimoso, Felipão mostrou hoje o seu lado mal-criado. Vindo de quem tem feito resultados hesitantes, pode ser pouco prudente; vindo de quem ganha um balúrdio e ainda não justificou o que lhe pagam é, no mínimo, provocador.
Foi rude para com um jornalista, encheu-se de razão quando não a tinha e insultou um clube português, que por acaso até é o melhor que temos neste momento.



Sai dessa, ó Felipão. Se não te pões a pau, nem chegas ao Euro. Há dúvidas?

Publicado por André 23:00:00 0 comentários  



Os novos estádios

Em meia dúzia de semanas, o país futebolístico ficou com um conjunto de novos estádios. Mesmo os que foram remodelados (Guimarães, Leiria e Coimbra) podem considerar-se como novos, tão transformados ficaram — e para melhor.



Esta é daquelas questões que dão mesmo para tudo: gastou-se dinheiro a mais? Obviamente que sim. Largar centenas de milhões de contos (no total de todos eles) em anos de aperto orçamental parece imoral? Claro que sim.



Mas a coisa não é tão simples assim. Comparar-se logo esses gastos com o dinheiro que não há para investir na Saúde pode ser perigoso,e demagógico. É preciso perceber que grande parte do financiamento que apareceu foi angariado pelos clubes promotores (nomeadamente no caso dos grandes). Gastaram-se verbas gigantesas, com certeza, mas parte delas vão ter retorno. As empresas que meterem dinheiro nos projectos de Benfica, Sporting e Porto sabem disso: e já estão à espera de encher os cofres com o que vem aí de receitas comerciais e novos espaços de lazer. O exemplo da nova Luz é, nesse aspecto, paradigmático. As novas Antas são também um belo exemplo de como se pode transformar um problema num benefício próprio.



O que se pode pôr em causa não são, curiosamente, os grandes investimentos, porque esses vão mostrar-se viáveis. O problema são os médios projectos (Leiria, Coimbra, Algarve, Guimarães, Braga e Aveiro). Avançar-se para estádios com a capacidade de 35 mil lugares quando já se sabe, à partida, que as médias de espectadores por jogo dessas equipas não ultrapassa os 5 mil, isso sim é irresponsável.

Não ganhávamos a candidatura só com seis estádios? Paciência. Então é porque não valia mesmo a pena tentar. Mas a partir do momento em que a UEFA atribuiu a coisa a Portugal, a vergonha só pôde ser evitada com muita imaginação à mistura. E algum (muito) desperdício pelo meio...

Entendamo-nos: durante o Euro, os estádios vão estar cheios. Todos os sinais apontam para aí. Mas o pior vai ser depois: seis estádios às moscas, seis monstros vazios, expondo megolamanias de quem não se olha ao espelho.

Publicado por André 19:54:00 0 comentários  



o novo Zandinga ...

MST hoje no Público assina, mais uma, uma odeà imbecilidade humana.

Misturando tudo com tudo, autojustificando-se a torto e a direito (!) a prosa do Tavares começa com o seguinte paragrafo:


Durão Barroso é, definitivamente, um homem de sorte na política. Bastaria que o contingente da GNR, cuja partida para o Iraque foi tantas vezes adiada, tivesse acabado por partir um dia mais cedo, e hoje ele estaria com uma série de cadáveres nos braços. Lá, onde morreram os italianos, era exactamente onde os portugueses deveriam estar, acabados de chegar. Nem na roleta se consegue um golpe destes.




Será curioso, como muito bem observa Paulo Gorjão ouvir os novocomentários de MST às recentes atribulações dos jornalistas luso no Iraque ... Aquí entre nós o Tavares resolveu jogar à roleta russa mas desta vez esqueceu-se de esvaziar o revólver ...

Publicado por Manuel 17:13:00 0 comentários  



Ai Felipão, Felipão...

Definitivamente, Portugal não é o Brasil. Muito menos no futebol. Scolari, que apesar de às vezes parecer, não é nada burro, sabe perfeitamente que o leque de escolhas que tem por cá é infinitamente menor do que tinha no escrete.

Pode haver diferenças de visões em relação a esta ou aquela aposta, mas há determinadas posições em que o melhor mesmo é não inventar.



Na baliza, qual é a dúvida Felipão?? Apostar em Ricardo até se aceita, mas achar que, neste momento, o guarda-redes do Sporting pode sequer competir com Vítor Baía não é compreensível. Baía é superior a Ricardo em quase todos os aspectos: na experiência (80 internacionalizações), na segurança (é preciso recordar a quantidade de golos sofridos por Ricardo nos últimos meses?), na regularidade (com excepções pontuais, Baía passa jogos seguidos sem sofrer um único golo).

O argumento da idade, todos o sabem, não é tão significativo no que toca a guarda-redes. Achar que Baía já estaria... velho (??) em 2004 chega a ser ingénuo. Ou então... há mesmo algo por trás desta decisão. Mas o quê, Felipão? O quê???


Publicado por André 03:01:00 0 comentários  



The Queen and the Soldier



«The soldier came knocking upon the queen's door
He said, "I am not fighting for you anymore"
And the queen knew she'd seen his face someplace before
And slowly she let him inside

He said, "I've watched your palace up here on the hill
And I've wondered who's the woman for whom we all kill
But I am leaving tomorrow, and you can do what you will
Only first I am asking you why"

Down the long narrow hall he was led
Into her room with her tapestries red
And she never once took the crown from her head
She asked him there to sit down

He said, "I see you now and you are so very young
But I've seen more battles lost than I have battles won
And I've got this intuition says it's all for your fun
And now will you tell me why?"

Well the young queen, she fixed him with an arrogant eye
She said, "You won't understand, and you may as well not try"
But her face was a child's, and he thought she would cry
But she closed herself up like a fan

And she said, "I have swallowed a secret burning thread
It cuts me inside and often I've bled"
And he laid his hand then on the top of her head
And he bowed her down to the ground

"Tell me how hungry are you, how weak you must feel
As you are living here alone and you are never revealed
But I won't march again on your battlefield"
And he took her to the window to see

And the sun it was gold, though the sky it was grey
And she wanted more than she ever could say
But she knew how it frightened her and she turned away
And would not look at his face again

He said, "I want to live as an honest man
To get all I deserve and to give all I can
And to love a young woman whom I don't understand
Your highness, your ways are very strange"

But the crown, it had fallen, and she thought she would break
And she stood there ashamed of the way her heart ached
And she took him to the doorstep and she asked him to wait
She would only be a moment inside

Out in the distance her order was heard
And the soldier was killed still waiting for her word
And while the queen went on strangling in the solitude she preferred
The battle continued on»

«THE QUEEN AND THE SOLDIER», Suzanne Vega




Ouço-a praticamente desde que me conheço. Teve fases muito diferentes, mas volta ciclicamente ao que o título do seu último álbum de originais descreve bem: «Songs in Red and Grey». Tons de vermelho (dor) e cinzento (tristeza) de letras que vão ficando como marcas dos anos que passam.

Ela é a rapariga de Nova Iorque, que por acaso até nasceu em Santa Mónica, na Califórnia, há 44 anos. A mesma que, há quase 20 anos, lançou um surpreendente álbum de estreia, com o seu próprio nome e que incluía temas da maturidade de «Freeze Tag», ,«Marlene on the Wall» ou este «The Queen and the Soldier» que acima transcrevo.



Novas visitas de Suzanne Vega à Grande Loja, muito em breve...

Publicado por André 02:48:00 0 comentários  



porque não há guerras triangulares ...

Re:
Early Morning Blogs 79

Al Qaida commander 'anticipates' 100,000 Americans dead in attack

MIDDLE EAST MEDIA RESEARCH INSTITUTE
Thursday, November 13, 2003

Al-Qal'a (The Fortress) an Islamist Internet forum, posted the first of a two-part interview with a person who introduced himself as Abu Salma Al-Hijazi, one of the Al Qaida commanders closest to Osama bin Laden.The interview was conducted in Iraq, south of Faluja. The article notes that Al-Hijazi was surrounded by five masked men carrying missiles as well as personal weapons. The following are excerpts from the interview:

In regard to rumors about a large-scale attack against the U.S. during the month of Ramadan, Al-Hijazi said that "a huge and very courageous strike" will take place and that the number of infidels expected to be killed in this attack, according to primary estimates, exceeds 100,000. He added that he "anticipates, but will not swear, that the attack will happen during Ramadan."

He further stated that the attack will be carried out in a way that will "amaze the world and turn Al Qaida into [an organization that] horrifies the world until the law of Allah is implemented, actually implemented, and not just in words, on His land... You wait and see that the balance of power between Al Qaida and its rivals will change, all of a sudden, Allah willing."

Regarding Al Qaida detainees, Al-Hijazi said: "We follow their situation closely... the collaborating governments will pay the price for capturing these heroes who want to revive the glory of their nation and shake off the dust of humiliation and disgrace."

Al-Hijazi added that the "collaborating and treacherous" governments should know that Al Qaida has a long reach and its members enjoy popularity that will not end just because apostate governments detain hundreds of Al Qaida's members. "As soon as the governments detain one of our people, ten like him join us... this is no secret."

Al-Hijazi said that Al Qaida instructed its members not to confront the governments of Islamic countries and clarified that Americans are the main target of the organization, wherever they may be, in order to cause their disintegration and collapse, even if it takes a long time. "We are patient," he added, "our patience will only end with the collapse of America and its agents."

Al-Hijazi also said: "There is no doubt that the demise of America and its collapse will lead to the collapse of these fragile regimes that depend on it... We will not stop until we establish the Islamic Caliphate and until Allah's law is implemented in His land."

When asked about the recent bombing in Riyadh, Al-Hijazi referred to Saudi media reports — which claimed that in the attack Muslim women and children were killed — as "merely media deceit." He added: "This place was under surveillance for many months. Following a thorough investigation, it became perfectly clear to us that the people living there were at least 300 Americans and a large group of Lebanese Christians who had tortured Muslims there, in Lebanon, during the civil war. After consultation, we decided it was appropriate to attack this place and destroy it, including the people who lived there, because it housed Americans and a large majority of Christians holding Lebanese citizenship."

"Since the Saudi government is aware of the sensitivity of this place and that it is a declared target for Al Qaida, it surrounded it with very heavy security. However, we gave our people in Riyadh a green light to destroy it on top of those inside. Allah facilitated breaking into the place and bombing the part in which mostly Americans stayed. As a result, praise Allah, at least 40 Americans were killed, as well as 27 Christians from Lebanon, and a group of citizens who were Muslim; also, at least 70 Americans were injured, as well as more than 30 citizens of other countries, most of them Christians from Lebanon."

According to Al-Hijazi, a Saudi religious scholar who is wanted by Saudi authorities will claim responsibility in a televised communiqué for the bombing "and for other operations to come." He added that the wills of the attackers will be published, apparently, in the month of Shawwal — the month following Ramadan according to the Muslim calendar - when Al Qaida's main website, Al-Nida, is due to be reactivated.

Publicado por Manuel 23:39:00 0 comentários  



vão-se os aneis, que fiquem os dedos ...


Depois de anteriormente se ter referido ao affair Pedroso não como uma "cabala" ou "urdidura" mas como um "equivoco", hoje no DN Jorge Coelho volta a afirmar taxativamente :

"Eu não acredito na tese da «cabala» no que se refere ao escândalo da Casa Pia."

A este propósito há, desde já, uma conclusão a tirar : Afinal, e ao contrário do que pensam Ana Gomes & Companhia, o MP e a Procuradoria segundo Jorge Coelho (ex-MAI, e que logo tutelou o SIS, lembram-se ?) não andam exactamente a delirar.

Ora para bom entendedor ...

Publicado por Manuel 15:17:00 0 comentários  



O plano Z...
... ou pequenos crimes entre amigos

Agora que já arrefeceu o delirio colectivo, sob todos os angulos, à volta da Nova Democracia, o partido da pomba gira,  passado que está o seu congresso fundador convem, a frio, realçar alguns pontos aos mais distraídos.

O tema já foi profusamente tratado pelo Cataláxia, no Caso Arrumado, e claro está por José Pacheco Pereira .

A maior pérola está sem dúvida no Descrédito (um blog que nos considera de esquerda (!)) que afirma peremptoriamente :


A partir de ontem, após o 1º Congresso do Partido da Nova Democracia, Manuel Monteiro torna-se formalmente no maior pesadelo de Paulo Portas.

A Nova Democracia surge no momento ideal para ocupar 'fisicamente' o espaço político do antigo CDS.

Estando o PP coligado ao PSD nas próximas eleições europeias, Manuel Monteiro vai às urnas podendo capitalizar tanto o descontentamento com o Governo como o Eurocepticismo junto do eleitorado de centro-direita.

É irónico ver aquele que, com Paulo Portas, destruiu o CDS em PP, vem agora à procura do mesmo espaço político.

Veremos pois se o PP, como diz Pacheco Pereira, é hoje um partido político unipessoal.

E vamos ter o espectáculo adicional da marcação cerrada nas Feiras, Praças e Mercados de todo o País, onde tanto Paulo Portas como Manuel Monteiro se especializaram em vender 'o seu peixe'.



É quiçá patético, sinal dos tempos em que vivemos, mas a Nova Democracia, que não Monteiro, é actualmente o seguro de vida de Portas e o tapete que lhe permitiria a almejada convergência/fusão com o PSD, isto se o destino não lhe vier a tramar o itenerário (a Moderna nao foi nada com o que pode vir aí ...).

A ND modera Portas, que não a coligação  e simultaneamente funciona  como escape para uma  serie de coisas que Portas e o PP, no Governo, pensam mas não podem dizer, mas de que podem ir atrás depois de a ND funcionar como lebre.

A ND funciona também como escape do  sistema (não é por acaso que muito do soft money que a mantem à tona vem dos mesmos pragmáticos que financiam o BE), uma espécie de plano Z que garante que em caso de colapso (e não se fala por aí em terramotos ?) dos partidos do arco do sistema as pontas serão suficientemente pragmáticas para garantir que tudo permaneça essencilamente na mesma.

Temos claro o Dr. Monteiro, esse homem do povo, que não andou de Jaguar mas que "lidera" um Partido que tem nos activos dos seus dirigentes o melhor parque automóvel de entre todo e qualquer Partido Português,  que vai cometer pela segunda vez o mesmíssimo erro : ser testa de ferro de terceiros.

Primeiro, foi-o de Portas e foi o que se viu, agora é-o, de facto, de uma certa quinta coluna pseudo-tecnocrática, orquestrada à distância pelo seu padrinho e mentor, o enigmático, frio e calculista, Professor Adriano M.,  quinta coluna esta que como diz o Caso Arrumado  se considera a reserva iluminada da nação.

Em suma Monteiro, é descartável, e a prazo será pacatamente substituido por uma cara nova tecnocrata e telegénica q.b. e e vai ser delicioso então apreciar o seu epitáfio.

A ironia, suprema ironia, é que  não fossem as tais contingências do destino, e Monteiro funcionava, por entrepostas pessoas - que já devia conhecer melhor -  como a marioneta perfeita de Portas e dos seus. Um bom resultado de Monteiro nas Europeias, e uma não muito grande diferença entre a coligação e o PS, seriam  ouro sobre azul para as ambições de Portas.

Conceptualmente a estratégia até tem piada, mas a chatice são os imponderáveis e não há apelo presidencial, ou ida a Fátima, que, nesta altura, os possa evitar ...

Publicado por Manuel 02:58:00 0 comentários  



os amigos continuam a ser para as ocasiões ...

O inspirar pena e piedade, que não respeito, nunca foi grande estratégia política mas enfim ...



A propósito, o PS é contra as escutas mas faz a defesa do fim do sigilo bancário. Grande coerência ...

Publicado por Manuel 20:26:00 0 comentários