2004
- o ano de todas as revelações -



Votos de um Feliz 2004, com paz, amor, trabalho e sossego para todos ...


P.S. Espera-se que para 2005 a mensagem de Ano Novo do Governo senha mais optimista que a abaixo...



Publicado por Manuel 16:44:00 0 comentários Links para este post  



ipsis verbis

PGR confirma violação da lei por Pedro Lynce

A Procuradoria-Geral da República (PGR) considera que o ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior, Pedro Lynce, violou a lei ao permitir a entrada no curso de Medicina da filha de Martins da Cruz, então titular da pasta dos Negócios Estrangeiros.

O parecer da PGR, elaborado a pedido do próprio Pedro Lynce, conclui que «o primeiro segmento do despacho do ministro da Ciência e do Ensino Superior, de 1 de Agosto de 2003, na medida em que soluciona uma questão individual e concreta, reveste a natureza de acto externo e enferma do vício de violação de lei».

A PGR dá assim por confirmada a situação de favorecimento pessoal, uma vez que a situação é excepcional em relação ao regulamento de acesso ao ensino superior para filhos de diplomatas. Ao que o DN apurou, este parecer foi já homologado pela sucessora de Lynce, Maria Graça Carvalho, tendo o Governo decidido apresentar, em breve, um novo diploma relativo aos regimes especiais de acesso e ingresso ao ensino superior. Objectivo: «Salvaguardar a total transparência dos mesmos e a sua interpretação inequívoca.» (...)


Aguarda-se serenamente que José Cesário, ou alguém por ele, tire, tarde e más horas, as devidas ilações ...

Publicado por Manuel 1:01:00 0 comentários Links para este post  

momentos que definem inexoravelmente o carácter, no caso a falta dele, de uma pessoa.

Raquel Rocheta
, companheira de Carlos Cruz, quando inquirida pela SIC sobre o que achava do conteúdo da acusação do Processo Casa Pia afirmou apenas, com o sorriso mais pérfido deste mundo, "achar graça".

Um absoluto insulto às vítimas, um insulto até ao próprio Carlos Cruz , que deve achar um piadão estar detido, e sobretudo um insulto a todos os Portugueses ...



Raquel Rocheta é o retrato de um certo Portugal: amoral, altiva e acima do bem e do mal.

É apenas o vácuo moral absoluto !

Publicado por Manuel 21:01:00 0 comentários Links para este post  

No DN desta terça consta esta pequena prosa...

Pedofilia continua sob investigação
As investigações aos crimes de abuso sexual de menores vão continuar.
O anúncio foi feito ontem aos jornalistas pelo procurador-geral da República (PGR). De acordo com Souto Moura, foi ordenada a extracção de certidões para a organização de processos autónomos. Esta decisão consta do despacho de acusação que o Ministério Público (MP) deu ontem a conhecer aos dez arguidos do processo Casa Pia agora pronunciados.

Naqueles novos processos, para além dos indícios de abuso sexual de menores, estão a ser investigados outros crimes, nomeadamente os de favorecimento pessoal, ilícitos fiscais, lenocínio (fomentar, favorecer ou facilitar o exercício de prostituição de menores), tráfico de menores, entre outros - «os quais , ou não têm conexão com a matéria dos autos, ou reclamam uma investigação cuja morosidade se não compadece com os prazos que há que respeitar», esclareceu Souto Moura.
Mas há mais. Segundo o PGR, ao longo da investigação do processo de pedofilia, que tem mais de um ano e envolve alunos da Casa Pia de Lisboa, foram sendo extraídas outras certidões para a organização de processos autónomos, num total de 14. Na conferência de imprensa, Souto Moura explicou que estes processos «se reportam a factualidades não conexionadas directamente com a matéria aqui alvo de investigação».
(...)

Quem julga que já sabe sabe tudo e que pode afirmar que o terramoto chegou, como Inês Serra Lopes no seu pérfido editorial no Indy que sai amanhã, quarta, ainda vai ter muitas surpresas ...

Publicado por Manuel 7:29:00 0 comentários Links para este post  



A terceira via

Helena Pereira que está para o Público como a saudosa Milú, agora na embaixada de Madrid,  estava para o DN nos velhos tempos, e no que ao PSD diz respeito, descobriu a pólvora: "PSD Baixa Expectativas para as Eleições Europeias" . O título só por sí já diz tudo. A reter ainda do mesmo texto a tese do  adianço da remodelação para alturas do próximo Congresso do PSD.  Pois, só faltava escrever quem foi a fonte mas enfim ...

Entretanto, e para não causar dramas existenciais aqui, já que Vitorino continua entretido com as Europas e Portugal não precisa de tecnocratas bem comportadosAntónio Borges dá também no Público, com uma perninha no DN, uma  lição de savoir-faire, classe e bom senso. Marcelo é literalmente desfeito por K.O., Santana relativizado qual pulga perante o elefante Cavaco e Barroso é contextualizado  não por aquilo que fez mas por aquilo que ainda falta fazer (ou seja tudo) explicando pelo meio ao ainda PM o verdadeiro significado da palavra reformas ... 

Em 27 de Julho de 2001 Nicolau Santos escrevia no Expresso Online ...

A rodagem do carro de Borges

Nicolau Santos

Quando Leonor Beleza afirmou, no final de mais uma sessão das Noites de Oposição, que a mobilização das pessoas não passa por coisas muito complicadas, mas por «ir atrás de uma ideia, ir atrás de um líder», ficou dado o mote para o que pode vir a significar para o PSD e para o país a entrada de António Borges na vida política activa.

Há muitos anos que uma pessoa com uma carreira académica e profissional tão destacada não entrava na política portuguesa. E esse é o primeiro factor relevante, que justificou os elogios de Cavaco Silva - «mais que uma alegria, é uma honra para o PSD a adesão do Prof. António Borges» - ou o apoio discreto mas significativo de Leonor Beleza a voos mais altos do ex-vice-governador do Banco de Portugal, do que ser presidente da assembleia regional de Alter do Chão ou apenas um futuro ministro das Finanças.

Borges tem, aliás, vindo a fazer a cama onde se quer deitar. O ex-reitor do INSEAD, que foi capa das maiores revistas financeiras internacionais e que ocupa agora o cargo de vice-presidente da Goldman Sachs não veio a Portugal nos últimos meses fazer algumas intervenções públicas de grande impacto - concedendo entrevistas a Maria João Avillez, na SIC Notícias, ao «Público» e ao «Diário Económico» - por mero acaso. E também não foi por acaso que criticou a política monetária da Reserva Federal norte-americana e o seu presidente, Alan Greenspan.

Teve também o cuidado de sublinhar que não é um neófito em política, lembrando que participou no primeiro congresso do PSD, tendo sido saneado da faculdade onde dava aulas no dia seguinte por causa dessa decisão. E passou a mensagem que, sendo um homem da área financeira, tem uma visão do mundo muito completa. Finalmente, integrou já as preocupações sociais no seu discurso, uma área onde o seu pensamento não era conhecido e em relação à qual sempre se mostrou frio e distante.

Colocou, por fim, a cereja em cima do bolo, a ideia que mobilizará as pessoas. A primeira prioridade de um futuro Governo a que pertença deverá ser combater a corrupção. Porquê? «Porque temos um problema extraordinariamente sério de corrupção a todos os níveis», que «afasta as pessoas honestas da política»

Há três pessoas para quem a chegada de Borges à política é preocupante. Borges é tão bom orador como Guterres, mas é muito mais consistente e decidido; passa tão bem em televisão como Marcelo mas é infinitamente mais credível; e é melhor em tudo em relação a Barroso. O que quer dizer que Borges irá ao próximo congresso do PSD, para fazer a rodagem de um carro novo, que há-de comprar.

Nos entretantos Guterres fugiu e o poder caiu literalmente no regaço de Barroso. Só que o que tem de ser tem muita força ... e Marcelo e Santana vão prestar um valioso serviço à pátria anulando-se um ao outro... Barroso, esse afunda-se a sí mesmo.

Ah,e a rodagem do carro começou ontem ...

P.S. Entretanto o discurso, a pose, o saber estar e clarividência, evidenciados por Borges deviam servir de lição para esses revolucionários da Nova Democracia. Um tem uma ideia e uma visão para Portugal, os outros contas a ajustar com o passado e com os seus próprios fantasmas ...

Publicado por Manuel 4:29:00 0 comentários Links para este post  



Sem jeito

Rivaldo no FC Porto? Faria sentido, se o brasileiro pudesse jogar na Liga dos Campeões...

Mas, infelizmente, ele já actuou pelo Milan esta época na mesma prova.



Assim sendo, seria deitar dinheiro fora (mesmo contando com as receitas de merchandising que pudessem advir). E convenhamos que a SAD do FC Porto não está, propriamente, a nadar em dinheiro...

No ponto em que as coisas estão, seria maior o interesse de Rivaldo em vir para o FC Porto do que, propriamente, o contrário. Já foi um dos melhores do Mundo, mas tem 31 anos e está em nítida curva descendente. O salário que viria auferir era proibitivo para os cofres do Dragão e se o o objectivo é mesmo chegar longe na Liga dos Campeões...

Publicado por André 1:21:00 0 comentários Links para este post  



"29 de Dezembro"




It's not
What you thought
When you first began it

You got
What you want
Now you can hardly stand it though,

By now you know
It's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

You're sure
There's a cure
And you have finally found it

You think
One drink
Will shrink you 'til you're underground

And living down
But it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

Prepare a list of what you need
Before you sign away the deed

'Cause it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
So just...give up

Aimee Mann

Publicado por Carlos 0:06:00 0 comentários Links para este post  



smoke and mirrors ...



Algumas citações de William Shakespeare adequadas a estes dias ...

The Merchant of Venice

"The devil can cite Scripture for his purpose".
(Act I, Scene III)

Measure for Measure

"Our doubts are traitors, and make us lose the good we oft might win, by fearing to attempt".
(Act I, Scene IV)

"Some rise by sin, and some by virtue fall".
(Act II, Scene I)

"The miserable have no other medicine but only hope".
(Act III, Scene I)

King Henry the Sixth, Part I

"Delays have dangerous ends".
(Act III, Scene II)

"Of all base passions, fear is the most accursed".
(Act V, Scene II)

Macbeth

"There 's daggers in men's smiles".
(Act II, Scene III)

Publicado por Manuel 22:25:00 0 comentários Links para este post  



É a Vida (O que é que se há-de fazer?)


«Há-de ser mais claro
tudo um dia, vais ver
tudo nos lugares
que tu separares
entre
o tanto que há pra viver

Por agora é tudo
confusão, tempestade
grita no mar alto
dança no asfalto
cruza
os dias da tua idade

É a vida
o que é que se há-de fazer?
é a vida
o que é que se há-de fazer
Viver!

A noite agora acaba
a lua segue p'ro sol
faz uma directa
corre que nem seta
rumo
ao branco do teu lençol

Olha-te ao espelho
triste-alegre estarás
na boca um sorriso
nos olhos granizo
do amor
hoje deixado p'ra trás

É a vida
o que é que se há-de fazer?
Viver!



Mais tarde verás
o que hás-de ser nesta vida
doutor de aventuras
médico de curas
actor
duma comédia sentida

Sejas o que sejas
hás-de ser invencível
escolhe bem amores
enche-te de cores
pinta
tudo o que em ti é possível

É a vida
o que é que se há-de fazer?
Viver!»

«É A VIDA (O QUE É QUE SE HÁ-DE FAZER)», Domingo no Mundo, 1997
Letra e música: Sérgio Godinho

Publicado por André 19:28:00 0 comentários Links para este post  

Norberto Rosa em grande no DE ...

Defesa
Portas intimado a adoptar sistema de contabilidade das Finanças



A Defesa tem gasto «avultadas verbas» no Sistema Integrado de Gestão, que não dá resposta a todos os parâmetros das Finanças, diz a DGO.

O Ministério das Finanças impôs ao Ministério da Defesa o seu Sistema Integrado de Contabilidade (SIC), comprometendo a generalização do Sistema Integrado de Gestão adoptado pela Marinha, e defendido por Paulo Portas para todos os ramos das Forças Armadas. Num despacho de 5 de Dezembro, – a que o Diário Económico teve acesso – o secretário de Estado do Orçamento, Norberto Rosa, ameaçou o ministro da Defesa com a retenção de verbas «incluindo as de pessoal», caso não fosse adoptada a solução das Finanças para a Reforma da Administração Financeira do Estado (RAFE).

Norberto Rosa escreveu que via «com muita preocupação» uma nota da direcção-geral do Orçamento, dando conta que a Defesa não tinha respondido a um ofício do dia 4 de Novembro, «sobre a instalação dos SIC nos serviços» da Defesa. E enfatizou as consequências que isso poderia ter: «Não sendo possível, por razões técnicas, dar continuidade ao actual sistema de controlo orçamental, torna-se imperioso a adopção da solução preconizada pela DGO [Direcção-Geral do Orçamento] sem o que estará em causa a libertação de créditos para a realização de quaisquer despesas, incluindo as de pessoal. Assim, perante a gravidade da situação, reitero o meu despacho de 2003/10/31, colocando de novo esta questão à especial atenção do Senhor Ministro de Estado e da Defesa Nacional».

A Defesa não só ignorou as indicações das Finanças desde Outubro, tal como sublinhou Norberto Rosa, como também revelou má coordenação, pois o documento refere que os ramos não tiveram conhecimento da matéria até ao início deste mês.

Nessa nota da DGO, a delegada das Finanças na Defesa, Elvira Martins Tavares, destacou a «urgência da questão», uma vez que «só através dos SIC poderão os serviços proceder ao levantamento de fundos». E salientou que a transição se revestia «da máxima urgência, atendendo à dificuldade em controlar a realização das despesas públicas».

Mas a sub-directora-geral do Orçamento, Ana Maria Gouveia, num apontamento manuscrito na mesma nota, tece outras críticas à Defesa: «O MDN tem gasto avultadas verbas na implementação de um sistema designado por “Sistema Integrado de Informação Financeira” (SIIF) que não dá resposta à unidade de tesouraria e unidade orçamental, sistema esse, ao que se julga, apenas a Marinha o utiliza, já que nos outros ramos e no EMGFA operam com sistemas diferentes».

Foi este sistema da Marinha – uma aplicação SAP, muito usada nas empresas – que Portas quis implementar nos outros ramos, mas isso agora está comprometido. Pelo menos o Exército, apurou o DE, vai adoptar o sistema das Finanças e a Armada terá de compatibilizar o seu.

«Na Marinha, no corrente ano económico com a aplicação do novo sistema informático, a sua execução orçamental é cada vez mais dificultada pelo número exagegrado de requisições de fundos e alterações orçamentais apresentadas», aponta ainda a DGO.

Na semana antes do Natal, o secretário-geral do Ministério da Defesa, Bernardo Carnall – que já se reuniu com a DGO –, convocou os ramos para lhes colocar a questão e defender o sistema da Marinha, afirmaram ao DE fontes militares.

Questionado pelo DE, o Ministério das Finanças respondeu que «a instalação dos SIC nesse como noutros sectores que ainda deles não dispõem tem vindo a ser acompanhada tendo em vista a sua aplicação generalizada em 2004». A Defesa não respondeu às questões colocadas.

N.A. o SAP é muito bonito mas provocou bastantes estragos à Jerónimo Martins ..

Publicado por Manuel 16:46:00 0 comentários Links para este post  


O sistema começa finalmente a funcionar




Publicado por Manuel 13:03:00 0 comentários Links para este post  

do Porta da Loja, e com a devida vénia ...

A Ordem e Santiago

Excertos da entrevista do advogado Rodrigo Santiago à Visão de 23.12.03:

Visão: Considera que o juiz Rui Teixeira nunca deveria ter sido escolhido para este processo? ( da Casa Pia).

Rodrigo Santiago: “ Sempre comentei com os meus colegas o contrário. Ou seja, que a escolha do juiz Rui Teixeira dá-me garantias de erro. Entre um juiz mau e um bom, prefiro , como é evidente, um mau. Em cada despacho, o juiz Rui Teixeira comete uma asneira. Resultado disso são os cerca de 60 recursos já apresentados no processo Casa Pia.”

Comentário do copista: passando ao lado da ignorância da pergunta, ao pressupor como facto a “escolha” do juiz, quando é sabido que um juiz de Instrução não é escolhido assim como quem escolhe um cartório notarial para fazer uma escritura ou uma esquadra de polícia para apresentar queixa, a resposta do advogado é extraordinariamente reveladora do conceito que o mesmo tem: do Direito; da Justiça em geral; das relações entre magistrados e advogados e da étida profissional de alguma forma vertida nos estatutos da Ordem de que faz parte.

Basta ler os artigos que seguem, para perceber onde pára a ética destre advogado:

Estatuto da Ordem dos Advogados
Decreto Lei 84/84, de 16 de Março

ARTIGO 78.º
Deveres do advogado para a comunidade
Constituem deveres do advogado para com a comunidade:
a. Pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento das instituições jurídicas;
b. Não advogar contra lei expressa, nao usar de meios ou expedientes ilegais, nem promover diligências reconhecidamente dilatórias, inúteis ou prejudiciais para a correcta aplicação de lei ou a descoberta da verdade.

ARTIGO 82.º
Da discussão pública de questões profissionais
l. O advogado não deve discutir, ou contribuir para a discussão, em público ou nos meios de comunicação social, questões pendentes ou a instaurar perante os tribunais ou outros órgãos do Estado, salvo se o conselho distrital concordar fundamentalmente com a necessidade de uma explicação pública, e nesse caso nos precisos termos autorizados pelo conselho distrital.
2. O advogado não deve tentar influir de forma maliciosa ou censurável na resolução de pleitos judiciais ou outras questões pendentes em órgãos do Estado.

ARTIGO 87.º
Dos deveres para com os julgadores
l. O advogado deve, sempre sem prejuízo da sua independência, tratar os juizes com o respeito devido à função que exercem e abster-se de intervir nas suas decisões, quer directamente, em conversa ou por escrito, quer por interposta pessoa, sendo como tal considerada a própria parte.
2. É especialmente vedado aos advogados enviar ou fazer enviar aos juizes quaisquer memoriais ou recorrer a processos desleais de defesa dos interesses das partes.

Para além daquela afirmação, o advogado vai mais longe, ao falar daquilo que se passou durante o interrogatório feito ao seu cliente, pelo referido juiz.
Disse por exemplo que o seu cliente Ritto, “ é acusado por três rapazes. Dois deles dizem tê-lo visto em Elvas, quando o meu cliente me diz que nunca lá esteve. Falam dum descampado, quando, ao que sei, a casa de Elvas fica numa rua muito movimentada. “

À pergunta: “ Neste interrogatório, ficou a saber as datas dos crimes?” Respondeu: “Apenas que teriam ocorrido durante a época de Páscoa, em 2000 e 2001.”

Disse ainda a seguir, outra coisa extraordinária: que sabe que os depoimentos das testemunhas são falsos, porque sabe quem os ensinou a mentir, mas nãopode revelar! Logo a seguir, porém, diz que crê, ter sido “unicamente o Dr. Pedro Strecht quem examinou e periciou as testemunhas”.

Comentário do copista:
Qualquer uma destas afirmações sobre o que se passou no interrogatório, viola o dever de sigilo imposto pelo Código de Processo Penal. Ou seja, o advogado R.Santiago incorreu na prática do crime de violação do famigerado segredo de justiça.
Tanto quanto se sabe, nem a Ordem dos Advogados tugiu; nem o Conselho Superior da Magistratura mugiu; nem a comunicação social amplificou. Talvez seja devido à época.

P.S. 1 outro blog  a seguir com muita atenção ...

Publicado por Manuel 10:16:00 0 comentários Links para este post  



a febre de Domingo à noite ...

Pacheco, na SICempala Santana mostrando que por detrás de toda propaganda, a Câmara Municipal de Lisboa continua a descurar o essencial, no caso a prevenção de terramotos. Sobra-lhe tempo para pôr a nú a hipocrisia de Sampaio ao indultar a  enfermeira da Maia, que alguns querem promover a heroína nacional, e a tal que tinha rendimentos de milhares de contos/ano à custa do drama de terceiros, e para marcar Marcelo e Santana a propósito das Presidenciais metendo-os no mesmo saco. A rematar um toque poético ao recitar Shakspeare.



Marcelo na TVI, empala Portas e bem na questão da imigração, iliba Sampaio no caso  do indulto omitindo alguns detalhes bem relevantes, deconstroi - ele (!) - a comunicação social que faz histórias sobre nada - no caso o equívoco à volta da interpretação das suas própria declarações, promove Ferreira Leite a Figura Nacional do Ano. O resto folclore prá plebe ...



Em suma, e num cenário completamente imponderável e imprevisível, e excluindo-se Cavaco e a escolher entre Marcelo e Santana (que como aquí já se disse estão noutra guerra) antes  Pacheco para Presidente ...


P.S. 1. Com Monteiro calado a ND às vezes até tem piada.
P.S. 2. No Jornal Nacional do passado domingo antes de Marcelo iniciar a sua homilia, a TVI anunciou o fim da vida política de Marcelo em 2005. Marcelo, que falou de seguida, não dementiu a não ser hoje uma semana depois.
P.S. 3. Na agora célebre entrevista a Maria João Avilez, Marcelo comparou o Governo a um "bando de Escuteiros". Hoje ficamos a saber que o tal bando de escuteiros marcha ao som da flauta de Ferreira Leite
...

Publicado por Manuel 22:05:00 0 comentários Links para este post  



Os meus domingos*

Os domingos são sempre bons. Além de ir à missa – sempre acompanhado pelo fotógrafo da terra, que também faz casamentos e baptizados – gosto de ler os jornais domingueiros. Hoje não podia deixar de comprar o Correio da Manhã, e ler uma profunda entrevista ao Rui Teixeira.

Entrevista essa que me fez recordar as longas sessões com um psicólogo – para o qual fui encaminhado por um conjunto de professores do liceu - que garantiam que eu era um terrorista -  que ao princípio ser achei ser um pouco abichanado até pelas perguntas que fazia. Na primeira sessão, disse-me para me sentar no sofá. Sentei-me e ficamos a conversar. Já na segunda, disse-me para sentar e para por à vontade. Aí, saí disparado, dizendo ao tipo que comigo não fazia farinha. A questão resolveu-se quando comecei a ser seguido por uma psicóloga. Nunca protestei quando ela dizia: «fique à vontade».

Enfim....Isto tudo para dizer que o diálogo entre o juiz e o jornalista é tão vazio como o próprio juiz. Se a intenção era dar a conhecer o lado humano do Rui Teixeira, então a conlusão é simples: o homem é inócuo e o jornalista, enfim, cada um que pense o que quiser....



Eis algumas passagens ...

Correio da Manhã - Como se define como pessoa?

Rui Teixeira - Francamente, não sei. É uma questão que deve ficar ao critério dos outros. Fazer esse tipo de introspecção é um bocado difícil.
(....)

CM - Canta no duche?

RT - Não estou lá para fazer sala.

Nota - Ficou por perguntar que champô usa, se faz algum tratamento capilar, se se esfrega bem, se gosta de hidromassagem, jacuzzi, banho turco, sauna, etc. A curiosidade do jornalista...Hum....

(...)

CM – Prato preferido?

RT - Um bom cozido à portuguesa e tudo aquilo que seja alentejano. Tudo coisas que me fazem mal e não como.

CM - Acompanhado com que bebida?

RT - Sempre água.

Nota - Esta custa! Comer cozido e tudo o que é alentejano com água??? Vá lá....não desce nas sondagens se disser que gosta de uma boa pinga....

(...)

CM - Que recordações tem desse tempo (escola primária)?

RT - As brigas em que me metia, as chatices que dava aos meus pais, as batatadas em que andava.

Nota - É o velho problema da infância problemática. Tal como eu, o juiz andava à batatada. Inspirado no Rocky IV, eu gostava de chamar a atenção das miúdas e vai daí, não havia recreio em que não houvesse molho. A coisa complicou com a introdução das «naifas» e das «borboletas», mas isso fica para outro post.

(...)

CM - Tímido ou extrovertido?

RT - Tímido

Nota - Lá está a lenga-lenga do meu psicólogo. Este jornalista do CM.........

(...)

CM - Actor preferido?

RT - Harrison Ford

CM - Actriz?

RT - Nenhuma.

Nota - A coisa complica-se……

(...)

CM - Tinha medo do escuro quando era criança?

RT - Não

Nota - Põe-te ao fresco!!Olha o que eu te digo!!!!!





Frases de Rui Teixeira a reter

«Não posso dizer que era um bom aluno. Acabei o curso com média de 12»

Melhor Nota: «Um 15 ou 16 a Direito Internacional Privado»

Pior Nota: «Um 10 a qualquer coisa, dado que negativas nunca tive»

Nota:  terá sido à cadeira de Direito Processual Penal ?

Conclusão - Será que depois desta entrevista, o pai de Rui Teixeira vai dizer: «O que foste fazer, filho!»

*Título plagiado, copiado, a António Lobo Antunes

Publicado por Carlos 12:39:00 0 comentários Links para este post  

No sábado passado, o Expresso afirmava peremptoriamente que Cavaco ia avançar enquanto candidato presidencial sabendo-se agora que a fonte anónima e íntima do Professor Anibal era, who else, o próprio Marcelo.

No domingo seguinte, enquanto era inaugurada uma biblioteca com o seu nome Marcelo Rebelo de Sousa afirmava que abandonaria a política em 2005 (não se recandidatando à Assembleia Municipal de Celorico de Basto).



No último Semanário era afirmado, em primeira página, que afinal Marcelo subiria a Ministro de Estado na próxima remodelação. Ainda no último Semanário era afirmado que Santana espera esclarecimentos de Durão acerca do hipotético apoio deste a uma candidatura de Cavaco (apoio em abstrato absolutamente equivalente ao de Santana que já tinha afirmado que apoiaria Cavaco caso este se candidatasse).

Hoje, em tudo quanto é sítio, ficamos a saber que afinal em entrevista ao programa «Conversa Afiada», na «SIC-Notícias», o ex-líder do PSD afirmou que «natural» seria Cavaco apresentar-se como candidato presidencial do PSD, mas admitindo que num «quadro totalmente imprevisível» ele próprio possa avançar.

Marcelo é infinitamente mais culto e inteligente que Santana mas, tal como ele próprio -  ainda  pregava na TSF -  um dia afirmou sobre Lucas Pires, está condenado a não passar, nunca, de um mero entertainer. Às vezes com piada mas, já, não, nunca, mais, que isso. Marcelo tal como Santana é um jogador, e tal como a sua némesis mais ou menos amoral. Marcelo sabe que não tem qualquer hipótese de ser candidato a Belém como sabe, ao contrário do que outros possam julgar, que a candidatura de Cavaco depende apenas e só do próprio e é imparável.



Marcelo já percebeu que o verdadeiro alvo de Santana não é Belém mas sim São Bento. A jogada de Marcelo é ser a saída airosa de Barroso num eventual, mas cada vez mais certo, assalto ao PSD de SantanaNo  more, no less

O objectivo de Marcelo é pois suceder a Barroso como PM e líder do PSD travando Santana e, como bónus, Portas ...

Manchetes como as do último Semanário apenas legitimam o gradual afastamento de Santana de Barroso, factor que Marcelo activamente promove ao convencer Barroso que ao este dar-lhe corda controla Santana.

O resto está escrito, como diz Santana, nas estrelas e algures, desde há muito, nos nossos arquivos...

Publicado por Manuel 22:28:00 0 comentários Links para este post  



Marilyn Cruz

O Expresso brindou-nos, este sábado, com uma revelação: Marilyn, como tantos admiradores insistiram durante anos em garantir, afinal está viva.



A foto não mente...

Publicado por André 13:35:00 0 comentários Links para este post  



realidades virtuais

João Pedro Henriques, no Glória Fácil escreve ...

Audiências da TSF 


Está a chegar Janeiro. Estão chegar as primeiras audiências da "nova" TSF. Aposto o que quiserem em como nos vão garantir que subiram. E ainda que alguns novos produtos - como o inenarrável Fórum Mulher - são um sucesso.

Mas agora eu digo: é mentira. É rigorosamente impossível que as audiências tenham subido. A rádio não conseguiu um único ouvinte novo (porque o que não falta, naquela onda sonora, é outra oferta melhor). E, por outro lado, terá perdido milhares, que não se conformam com a nova identidade da rádio.

Sabemo-lo todos, não é? Mas também sabemos como o orgulho se alimenta de mentiras. E portanto vamos ver as audiências subir. Pois...

É verdade, mas não são só os estudos de audiência que vão aparecer inquinados... Os dados do barómetro, esses pois, também ...

Publicado por Manuel 0:13:00 0 comentários Links para este post  



pequenos equí­vocos entre amigos...

A dúvida metódica ...

"Resta saber se Rui Rio está à altura daqueles que ainda o conseguem defender."

Carlos Abreu de Amorim


P.S. 1. Ainda sobre a Câmara do Porto ler, não porque concordemos na integra mas porque merece ser lido e reflectido,  o post "O disparate não tem descanso" no Cabo Raso .
P.S. 2. Carlos Abreu Abreu de Amorim considera que José Manuel Fernandes não tem "o direito de distorcer a realidade" ao qualificar a ND como extrema-direita. Duas notas, em primeiro lugar para dizer que o director do grande farol da imprensa lusitana não classificou a ND ipsis verbis como extrema-direita no seu editorial, mas sim como "o mais próximo que temos da extrema-direita europeia" ora, em segundo lugar, e sendo público que CAA professa urbi et orbi a natureza anti-sistémica e mesmo revolucionária da ND seria útil que clarificasse o que define e entende por "extrema-direita", é que mais do que por esta ou aquela temática o extremismo  define-se, e sustenta-se, por uma certa praxis ... 
P.S. 3. a ortodoxia,  pura e dura, chegou à blogosfera. Está aquí ...

Publicado por Manuel 22:09:00 0 comentários Links para este post  



Atrás dos Tempos Vêm Tempos e Outros Tempos Hão-de Vir


«Eu pego na minha viola
E canto assim
Esta vida
A correr

Eu sei que é pouco e não consola
Nem cozido à portuguesa há sequer
Quem canta sempre se levanta
Calados é que podemos cair
Com o vinho molha-se a garganta
Se a lua nova está para subir

Que atrás dos tempos vêm tempos
E outros tempos hão-de vir
Eu sei de histórias verdadeiras
Umas belas
Outras tristes de assombrar

Do marinheiro morto em terra
Em luta por melhor vida no mar
Da velha criada despedida
Que enlouqueceu e se pôs a cantar
E do trapeiro da avenida

Mal dormido se pôs a ouvir
Que atrás dos tempos vêm tempos
E outros tempos hão-de vir
Sei de vitórias e derrotas
Nesta luta que se há-de vencer
Se quem trabalha não esgosta
No seu salário sempre a descer



Olha a polícia
Olha o talher
Olha o preço da vida a subir
Mas quem mal faz
Por mal espere
Se o tirano fez a festa
P'ra fugir
Que atrás dos tempos vêm tempos
E outros tempos hão-de vir
Mas esse tempo que há-de vir
Não se espera como a noite
Espera o dia

Nasce da força que transpira
De braços e pernas em harmonia
Já basta tanta desgraça
Que a gente tem no peito
A cair
Não é do povo
Nem da raça
Mas do modo como vês o porvir

Que atrás dos tempos vêm tempos
E outros tempos hão-de vir»

«ATRÁS DOS TEMPOS VÊM TEMPOS»
Letra e música: Fausto Bordalo Dias



(Fausto, um dos maiores escritores de canções em português, acaba de lançar mais uma obra, nove anos depois das «Crónicas da Terra Ardente». Chama-se «A Ópera do Cantor Maldito» e é, obviamente, obrigatório para quem gosta da música portuguesa de qualidade)

Publicado por André 20:25:00 0 comentários Links para este post  



o dia seguinte ...

Parar numa área de serviço, para reabastecer o depósito, de gasóleo, é sempre uma excelente oportunidade para ver como param as modas na nossa imprensa. Assim, hoje decidí dar uma espreitadela nesse referencial da nossa Alta Sociedade que é a Caras e, claro, nessa referência inolvidável para esta Venerável Grande Loja que é o Semanário

Assim e na Caras, temos uma reportagem enternecedora com o casal vítima de uma das maiores cabalas dos últimos tempos, a dupla José Castelo Branco/Betty. Depois temos num exclusivo, porno e hard-core, todos os detalhes do modesto casamento da filha de Eduardo dos Santos. O nosso primeiro lá aparece numa foto à lá carte com o casal e consta até que também existirão fotos, não publicadas obviamente, dele em amena cavaqueira com o senhor Falcone, aquele porreiraço, com uns negócios estranhos, com quem a justiça francesa embirrou, mas  a quem o dos Santos deu passaporte diplomático e um cargo na UNESCO... Pelo meio desta edição da Caras ainda há, como habitualmente, espaço para o Lopes.



O Semanário, noutra absoluta edição de colecionador, tem uma entrevista com o ideologozeco do Lopes - Gonçalo Capitão - a quem fizeram a infámia de trocar a foto na primeira página. O Capitão não diz nada de novo a não ser o de se assumir cada vez mais às claras como os neurónios do Santanismo, mesmo quando forçado a dizer que a bola vai para um lado para abrir espaço para ela poder ir por outro.

Ainda
no Semanário, e depois de na semana passada o angélico Professor Marcelo ter plantado inocentemente no Expresso a notícia do "avanço" de Cavaco (até o avisado Pacheco caiu na armadilha), temos mais recados, Cavacopode concorrer a um mandato, ao qual se sucederá o de Barroso sendo que, afinal, Santana é um bom candidato presidencial mas  para a esquerda, porque deixa a direita orfã (!),  pelo que o destino  do Lopes, e do seu amigo Portas, é imagine-se refundar a Direita fundindo o PSD e o PP à espanhola. Nada que não se tenha escrito e antecipado por estas bandas portanto muito criativos o Lopes & Associados



P.S. 1. A não perder também as previsões metereológicas, perdão astrológicas, d 'O Crime para 2004.
P.S. 2. Num post entitulado "a senhora dos sapatos" JPP diz a certa altura ...

"A Senhora dos Sapatos é uma figura marcante, imponente, daquelas pessoas que se percebe estarem habituadas a mandar como quem respira. Atrás vinham duas aias, ou damas de companhia, ou criadas, e um segurança. Não se percebia bem a qualidade das senhoras, mas a dama levantava um dedo e uma ia logo falar-lhe e fazer qualquer coisa que ela pedia. Era uma cena oriental ou antiga, na Europa já não há disto."

Manifestamente Pacheco anda a passar demasiado tempo fora do rectângulo. Infelizmente em Portugal ainda há daquilo. Ainda sobre o mesmo post e pesem as nossas reservas ao levantamento do sigilo bancário a torto e a direito, um regime especial que obriga a banca a comunicar ao Banco de Portugal depósitos acima de determinado valor ou de origem suspeita. Assim sendo, seria de esperar que já tivesse sido veementemente desmentido pelo Banco de Portugal, ou pela  Associação Portuguesa de Bancos a existência de depósitos da família Marcos em Portugal já que a existirem são manifestamente ilegais ...
P.S. 3. Na noite de consoada a RTP-1 passou, tarde e a más horas, "E do cêu caíu uma estrela". Apesar do horário, puro serviço público.
P.S. 4. Será curioso ver quanto é que Manuela Ferreira Leite arrecada de receitas extraordinárias face à desvalorização do dólar e à imutabilidade do preço dos combustíveis.
P.S. 5. Esta notícia  merecia esclarecimentos aprofundados mas enfim ...
P.S. 6. Durão Barroso, no seu discurso de Natal afirmou que o pior já passou e que 2004 vai ser o ano da retoma.  Acreditar em Barroso conhecendo-o, e conhecendo o seu Governo, é um acto de . Valha-nos a Nª
Srª de Fátima, com a ajuda de Deus e do BCE ...
P.S. 7. Diz-se, mas custa a acreditar, que as unidades da PJ encarregues de combater certa criminalidade económica receberam directivas informais para desacelarar nos primeiros seis meses de 2004. Em nome do Euro/2004 e do prestígio nacional. Espera-se que seja mentira.
P.S. 8. Em publicidade, de página inteira, a CML do Lopes jura a pés juntos gastar menos em propaganda do que no tempo de João Soares. Só uma dúvida, o batalhão de jornalistas, técnicos de imagem, consultores comunicacionais, que  está pulverizado por toda a CML  em lugares que vão desde assessores a gestores (!) de empresas municipais passando por chefes de gabinete também entrou nas contas apresentadas ?  e a publicidade à CML feita encapotadamente  através de Empresas de capital municipal ? just asking ...

Publicado por Manuel 17:55:00 0 comentários Links para este post  



à atenção nomeadamente dos nossos canais de televisão ...

Top German Paper Publishes Only Good News For Xmas
12-24-03



BERLIN (Reuters) - Germany's top-selling newspaper published nothing but good news Wednesday, dropping its normal fare of crime, violence and scandal for stories about tax cuts, falling petrol prices and accelerating economic growth.
 
"There's only good news today," Bild wrote in two-inch high letters at the top of page one, where the giant headlines are usually devoted to sex scandals, Germany's cannibal trial, killers, adulterers or dishonest politicians.
 
Urging Germans to shed their natural frosty demeanor for the Christmas holiday season, Bild columnist Peter Bacher said there was always plenty of good news around, even if it was "sometimes overshadowed by evil, horror and terror."
 
Bild also reported churches were full for Christmas services, California's earthquake spared San Francisco, president Johannes Rau appealed for more state money for families, share prices rose, and political leaders promised more big tax cuts.
 
Skipping its usual "loser of the day" entry, Bild picked two "winners of the day," including rock star Ozzy Osbourne who was released from intensive care in hospital after an accident in Britain.
 
Even a story in the paper with 12 million readers about a Berlin celebrity who broke up with her boyfriend took a positive approach: "Great news, Djamila Rowe is single again."
 
Copyright © 2003 Reuters Limited. All rights reserved. Republication or redistribution of Reuters content is expressly prohibited without the prior written consent of Reuters. Reuters shall not be liable for any errors or delays in the content, or for any actions taken in reliance thereon.

Publicado por Manuel 14:02:00 0 comentários Links para este post  



Derlei só há um

Mesmo liderando com uma vantagem considerável a SuperLiga, o FC Porto termina o ano de 2003 com um sorriso amargo. Necessariamente com um sorriso, porque os portistas fizeram um ano simplesmente espectacular e que talvez não repetirão.

Mas a perda de Derlei é um revés demasiado duro para uma equipa que sonha ir longe na Liga dos Campeões.



Derlei é o jogador que qualquer presidente gostaria de contratar: foi barato, não dá ares de vedeta, não será particularmente dotado tecnicamente. Mas trabalha, trabalha, trabalha. E marca, marca, marca. Faz mais golos que o ponta-de-lança (seja ele McCarthy ou Jankauskas), corre mais que os médios (mesmo com Maniche e Pedro Mendes na equipa). Dá tudo -- por ele, mas sobretudo pela equipa.

Sem Derlei, o FC Porto perdeu grande parte da sua eficácia. Não perdeu a sua maior estrela (Deco), nem o seu jogador mais regular (Costinha). Mas perdeu aquele que, no momento que menos se espera, surpreende e faz muito mais do que se lhe pede.

E agora? Agora, os senhores do Dragão têm um grande problema entre mãos. Precisam de acertar em cheio na contratação que vão fazer. Vem aí Maciel, que é um bom jogador, mas não chega aos pés do seu antigo companheiro no Leiria (e nem sequer pode jogar na Liga dos Campeões, porque já actuou por outr clube esta época nas competições europeias).

Muito provavelmente, virá Carlos Alberto, que foi um dos melhores jogadores do mundial de sub-20, mas ainda é muito novo para dar garantias. E o Porto precisa de alguém que faça a diferença lá na frente, não de mais um médio.

E agora, José????



Publicado por André 11:51:00 0 comentários Links para este post  



prendas de Natal

Às vezes as prendas de Natal, chegam das formas mais inesperadas. A nossa apareceu aquí .




Publicado por Manuel 14:23:00 0 comentários Links para este post  



A todos um Bom Natal

Na impossibilidade de o fazermos individualmente (até a mailbox do hotmail entupiu) vimos, por este meio, agradecer não só a todos aqueles que nos desejaram  votos de Bom Natal, mas também a  todos aqueles que com a sua assiduidade, com as suas críticas, indignações e  apoio assim como com as suas sugestões tem permitido o sucesso desta Grande Loja, desejar um Santo e Feliz Natal extensivo às respectivas famílias.




Pinheirinho, Pinheirinho,
De ramos verdinhos

Pra enfeitar, pra enfeitar
bolas e bonequinhos

Uma bola aqui
Um laço acolá
Luzinhas que brilham
Que lindo que está

Olha o Pai Natal
De barbas branquinhas
Traz o saco cheio
De lindas prendinhas

Pinheirinho, Pinheirinho,
De ramos verdinhos

Pra enfeitar, pra enfeitar
bolas e bonequinhos



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Borboleta Natalícia...


«Borboleta pequenina que vem para nos saudar
venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal
Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
ando no meio das flores procurando quem me queira

Borboleta pequenina, saia fora do rosal
venha ver quanta alegria que hoje é noite de Natal
borboleta pequenina venha para o meu cordão
venha ver cantar o hino que hoje é noite de Natal



eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
ando no meio das flores procurando quem me queira
borboleta pequenina, saia fora do rosal
venha ver quanta alegria que hoje é noite de Natal»

«BORBOLETA», Mais, 1991

Letra: Arnaldo Antunes
Interpretação de Marisa Monte

Publicado por André 1:54:00 0 comentários Links para este post  



directamente destes ...


Mensagem de Natal de Fátima Felgueiras. 

Portugueses, portuguesas.

Antes de mais, quero esclarecer que não fugi. Simplesmente tive de efectuar uma retirada estratégica em virtude da má qualidade da justiça portuguesa. Como alguém disse e muito bem, a justiça portuguesa é a continuação do Santo Ofício na sua versão actualizada.

Ora, eu Fátima, que sempre desejei o bem da população de Felgueiras, chegando mesmo a abdicar de prevílegos pessoais para que Felgueiras fosse maior, nunca poderia aceitar de ânimo leve ser presa, ainda por cima, sem ter culpa.

Como qualquer pessoa normal pode constatar, fui vítima de uma cabala que visa denegrir a minha vida política e pessoal.

Felgueirenses, vocês sabem bem o trabalho que executei em prôle de vocês. TENHO OBRA FEITA!!!

Felgueirenses, a cabala não é só dirigida à minha pessoa. É para impedir a continuidade do meu trabalho em benefício da maravilhosa cidade de Felgueiras.

Felgueirenses, nessa hora difícil para a nossa cidade, vamos juntar-nos para atingir o bem comum, MODERNIZAR Felgueiras.

Felgueirenses, para terminar, sabem perfeitamente que estou inocente. Se hoje estou no Brasil é por vossa causa, porque Felgueiras, para mim, está acima de tudo, e presa não poderia fazer nada pela cidade.

Felgueirenses, juntos iremos fazer justiça.

Feliz Natal para todos os Felgueirenses.

Publicado por Manuel 20:02:00 0 comentários Links para este post  

Se há uns meses, se dizia que que o Verão de S. Martinho era bom para fazer novos amigos, agora pode dizer-se que o «bacalhau à EPL» é óptimo para juntar velhos amigos à mesa

Publicado por Carlos 10:54:00 0 comentários Links para este post  



detalhes

Primeiro foi a história das secretas com o PS a oferecer de bandeja a Portas o controlo directo do DIMIL, agora há partidos de primeira e partidos de segunda. O Conceito Militar Estratégico foi hoje explicado ao PS. Só ao PS. O ministro da Defesa deixou de fora o BE e o PCP. Porque o tema não deve «ser conversado com partidos que se opõem aos eixos estruturantes» da política de Defesa, explicou Paulo Portas.



Recorde-se que este é o mesmo Portas que condecorou o saudoso João Amaral entre outras coisas pelo seu trabalho na Comissão Parlamentar da Defesa ...

P.S. 1 Maria Manuel Leitão Marques citou Lawrence Lessig no causa nossa ... Só  pode ser um bom sinal.
P.S. 2 A CGD perdeu a corrida pelo líbio Atlântico para o Sabadell. Boas notícias a curto prazo para Jardim Gonçalves mas não necessariamente a médio ...
P.S. 3 O tempo pode ser de crise, mas “o apertar do cinto” passa manifestamente ao lado do Banco de Portugal. A autoridade de supervisão, que tem apelado à moderação salarial na Função Pública, renovou este ano parte da sua frota automóvel composta por 66 veículos. O governador, Vítor Constâncio, teve direito a um BMW 530 D, no valor de 67400 euros (13400 contos). Para dois administradores foram um Saab Sport Sedam 2.2 , no valor de 37 mil euros (7400 contos) e um Volvo V40 1.9D, de 36730 euros (7363 contos). Mesmo assim nada parece bater os cerca de 100 000 euros da carripana de Pedro Santana Lopes ... 

Publicado por Manuel 2:17:00 0 comentários Links para este post  



Alice nos País das Maravilhas ...

O Público trás hoje na capa que "Proprietários de Casas Degradadas Serão "Obrigados" a Reabilitar Ou a Vender Os Seus Edifícios". 



Tal medida apesar de polémica e com o selo de qualidade de Rosário Águas, ex vereadora de Pedro Santana Lopes na Figueira na Foz, alma impoluta, acima de qualquer suspeita, abominada por todo e qualquer lobbie tal a sua estoicidade, e uma referência de ortodoxia para qualquer inspector do IGAT pode ser muito bonita no papel, mas, e a mil vezes prometida moralização do regime de rendas pré-históricas ?

Como estamos em Portugal ainda vamos ver o Estado inquilino, a pagar rendas de miséria a expropriar imóveis por o desgraçado do senhorio não receber o suficiente para os manter em bom estado ...

Espera-se que o bom senso regresse e a lei ou vá para o lixo ou seja devidamentge enquadrada num pacote de medidas que salvaguarde os legítimos direitos dos senhorios. A Constituição apesar de esquerdista ainda garante o Direito à propriedade ...



P.S. 1 O facto de termos citado no post anterior, a propósito da amizade do Embaixador António Monteiro, perdão, do Primeiro Ministro Durão Barroso por Eduardo dos Santos, um take da Lusa  e não o editorial do Público (excelente) não significa, descansem, que abominemos mais o Director desse farol da imprensa iraquiana, perdão, portuguesa,  do que o Manuel Monteiro.
P.S. 2 Deliciosa a prosa do Delgado, hoje no DN. Não se pode mander o homem mais a Teresinha das pérolas Costa MacedoLíbia ? O ambiente sempre ficava mais respirável ...
P.S. 3 Na página 4, da edição de sexta-feira, 5 de Setembro, do semanário "O Independente" sob o título de "Paraíso imobiliário", o jornalista Luís Rosa analisa o negócio dos terrenos do Vale do Galante numa prosa que começava assim ...

"Esta é a história de como a inacção de um Presidente da Câmara pode provocar uma mais-valia de 229 mil contos a um grande grupo imobiliário em menos de 24 horas. Duarte Silva, presidente da autarquia da Figueira da Foz, o grupo Amorim e uma empresa local de construção são os respectivos protagonistas. Como actores secundários temos o major Valentim Loureiro, o presidente da União de Leiria, João Bartolomeu e o actual chefe de gabinete de Santana Lopes na Câmara de Lisboa e ex-vereador da autarquia figueirense, Miguel Almeida de seu nome. No centro da história um terreno municipal"


Publicado por Manuel 23:52:00 0 comentários Links para este post  



Moby Dick


«O meu avô atravessou todas as ondas
Cruzou as monções e arpoou as baleias
Cantava de noite uma canção mágica
Que chama às redes os bandos de moreias

Contou-me histórias de grutas azuís
Onde as medusas estão de guarda às maresias
E de mulheres como estátuas de sal
Para sempre à sua espera em praias vazias



O meu avô amuou a baleia branca
Por ela se foi perder nos dentes do mar
Mas deixou um mapa no meu travesseiro
Para quando também eu já não quiser voltar

Só eu conheço o rumo do norte
Que atravessa os olhos verdes das sereias
Até às baías de cristais de gelo
Onde em segredo se vão amar as baleias»

«MOBY DICK», Avenidas, 1996
Letra: Clara Pinto Correia
Música: Rui Veloso

Publicado por André 22:38:00 0 comentários Links para este post  



Finalmente, Nedved

Depois de ter ficado em quarto lugar no Prémio FIFA, atribuído pelos seleccionadores nacionais, Pavel Nedved viu, finalmente, reconhecido o ano fantástico que teve e venceu a Bola de Ouro 2003, distinção atribuída pela revista France Football.



A seguir ao Prémio FIFA, a Bola de Ouro é a distinção mais reconhecida inernacionalmente. Nedved chega, assim, ao topo, numa altura em que, com 31 anos, começava a correr o risco de ver o seu valor permanentemente na sombra.

É, por isso, com grande satisfação que a Grande Loja verifica que, uma vez mais, apostou no cavalo certo...

Nedved é a figura principal de uma República Checa fortíssima, que pode dar cartas no Euro-2004. Na Juventus, é o líder do meio-campo, tendo sido um digno sucessor de Zidane, quando Zizou rumou a Madrid.



Nedved perdeu a oportunidade de jogar a final da Liga dos Campeões, com o Milan. E há mesmo quem garanta que com o checo em campo, aquele título nunca teria escapado à Juve...

Publicado por André 18:22:00 0 comentários Links para este post  

A provar que o maior inimigo da Nova Democracia é o próprio Monteiro está o take da Lusa que baixo se cita. Objectivo, consciso, eficaz ...

Durão participou em casamento «insultuoso»

Nova Democracia diz que luxo e fausto da festa é um insulto aos angolanos
 
O Partido da Nova Democracia (PND) manifestou hoje a sua «indignação» por o primeiro-ministro, Durão Barroso, ter participado no casamento da filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que considerou «insultuoso» para os angolanos.

Na sexta-feira passada, o primeiro-ministro português deslocou-se a título particular a Luanda, em voo comercial, para participar no matrimónio da filha do chefe de Estado angolano.



Em declarações à agência Lusa, a porta-voz da Nova Democracia, Sara Marques, afirmou que o seu partido recebeu com «indignação a confirmação de que Durão Barroso participou mesmo nesse luxuoso casamento, que constituiu um autêntico insulto ao povo angolano».

«Conhecendo-se a situação de miséria em que vive a maioria do povo angolano, esse casamento cheio de fausto só pode ser caracterizado como insulto», frisou a porta-voz do PND.

A mesma dirigente aludiu ainda à recente visita oficial do chefe do Governo português a Angola, «de onde regressou sem nada para os portugueses ou para os angolanos».

Em suma, para a ND conseguir passar uma mensagem, ou outra, basta ter o Dr. Monteiro caladinho e arranjar quem consiga transmitir em Português escorreito uma e uma só mensagem de cada vez ...

Ainda a propósito deste casamento, da filha de um puro cleptocrata, não deixa de ser curioso o silêncio envergonhado de todos os partidos com assento parlamentar (não que dúvidas haja de que se por absurdo a ND estivesse no governo, calava-se como todos os outros : realpolitik oblige).

Publicado por Manuel 17:55:00 0 comentários Links para este post  



quem pode, pode...

do suplemento de economia do Público de hoje ...





Eventuais impostos em atraso de 1997 e 1998 em risco caducaram
Lentidão dos Tribunais Salva "Bibi do Benfica" das Mãos do Fisco

Um tribunal cível declarou-se incompetente para autorizar acesso às contas do construtor e conhecido simpatizante do clube encarnado. Dois anos depois o Supremo Tribunal deu razão à administração fiscal mas pode ser tarde.

Passados mais de dois anos após as declarações polémicas do construtor Vítor Santos de que não pagava IRS, a investigação às suas contas bancárias regressou à "estaca zero". O Fisco fez o pedido acesso a esses dados, mas um tribunal cível indeferiu-o ilegalmente, tal como veio a determinar em Julho passado o Supremo Tribunal de Justiça, obrigando o mesmo tribunal a reapreciar a decisão, o que ainda não aconteceu. Contudo, Vítor Santos nega qualquer recusa de acesso às contas bancárias (ver texto nesta página).

A consequência desta lenta tramitação judicial foi a caducidade das eventuais quantias em dívida de 1997 e 1998, estando as de 1999 à beira de seguirem o mesmo caminho, já que o prazo de caducidade é de quatro anos. A administração fiscal terá, segundo indicações dadas ao PÚBLICO, feito diversas correcções à matéria tributável, evitando o pior.

O caso ocorreu em 2001. Vítor Santos, construtor civil, um dos homens fortes do Benfica e com actividade económica ligada a vários empreendimentos de grande dimensão em Lisboa e arredores, declarou à comunicação social que não pagava impostos há dois anos porque só declarava o rendimento mínimo. E essa "isenção" fiscal ocorria apesar de o construtor pagar com cheques seus "grandes despesas" do clube. Face à repercussão verificada, o então primeiro-ministro António Guterres chegou a declarar à revista "Notícias Magazine", em Julho de 2001, que dera instruções para investigar os casos de incumprimento fiscal tornados públicos. Mas o caso não foi longe.

Como conta o acórdão do Supremo Tribunal, a administração fiscal "entendeu necessário aceder à utilização de documentação bancária inerente aos movimentos bancários a débito e a crédito", bem como sobre a "sua proveniência e destino, constantes das contas bancárias de todos eles". Única forma de apreciar se as declarações fiscais eram condizentes com a realidade. Só que o contribuinte recusou esse acesso.



Face a essa recusa, a 1ª Direcção Distrital de Finanças de Lisboa pediu, em Março de 2002, ao tribunal cível de Lisboa que autorizasse o acesso às suas contas bancárias, bem como às de duas das suas sociedades, relativas aos exercícios de 1997, 1998 e 1999. O pedido ao magistrado era então necessário porque, para esses exercícios, ainda não estavam em vigor as alterações à lei introduzidas em 2000 que passaram a permitir um acesso directo por parte da administração fiscal, desde que fosse por decisão do director-geral dos impostos ou das alfândegas.

Decisão estanha

Mas o juiz desse tribunal cível entendeu que o tribunal era incompetente para apreciar esse caso. Uma interpretação sem fundamento segundo o Supremo Tribunal. Os peritos também estranham a decisão do tribunal, uma vez que a Lei Geral Tributária, de 1998, determinava explicitamente que o acesso a informação protegida pelo sigilo bancário dependia de autorização judicial nos termos na legislação aplicável e, em caso de oposição do contribuinte, a diligência da administração fiscal só poderia ser realizada mediante autorização concedida pelo tribunal da comarca competente.

Protestou, pois, o Ministério Público e o Tribunal da Relação de Lisboa acedeu aos seus protestos. Revogou o despacho do juiz e ordenou que o substituísse por outro que declarasse o tribunal competente. Mas desta vez foram os visados pela investigação que protestaram para o Supremo. A sua tese era a de que apenas os tribunais tributários eram as entidades competentes. O Supremo Tribunal concluiu que, como escreveram os juízes Ferreira de Sousa, Armindo Luís e Pires da Rosa, o facto de não se estar "diante de acção de recurso contencioso que tenha por objecto dirimir litígio emergente das relações jurídicas fiscais, não cabe aos tribunais fiscais (tributários) a competência para a apreciação do pedido". Segundo indicações recebidas, o tribunal cível ainda não autorizou o acesso às contas bancárias.





Vitor Santos
"Paguei Tudo"

O construtor Vítor Santos estranha todo este caso judicial, porque, como afirmou ao PÚBLICO, nunca bloqueou qualquer acesso às suas contas bancárias. "Coloquei tudo à disposição, paguei todos os impostos e protestei o que tinha de protestar". Designadamente, os relativos aos anos de 1997, 1998 e 1999. "Paguei tudo". Se o acesso foi bloqueado, foi à sua revelia, afirma. As suas empresas, refere ainda, foram "foram passadas a pente fino" pela administração fiscal. Vítor Santos manifesta-se arrependido: "Apresento as minhas desculpas, errei, mas como eu há 300 mil, 400 mil, 500 mil contribuintes". E questiona o jornalista sobre a necessidade de voltar ao caso: "Acabem com isso, é um favor que lhe peço". "O que fazem é que deixe de investir. Em vez de andar de Volkswagen, compro antes um Opel. Ninguém leva o dinheiro para o caixão". O construtor alega que trabalhou muito na vida e que tem pago os erros cometidos. "Só de coimas e impostos paguei agora em Loures mais de 12 milhões de euros..."


Publicado por Manuel 14:47:00 0 comentários Links para este post  



Lisboa menina e moça

No sábado, fui a uma pastelaria em Lisboa. Até aqui nada de mais.

Pedi um café, uma nata e umas pastilhas «chiclets ice» (boas para o mau hálito)

Chegou a conta: 2,5 euros (500 paus)

Publicado por Carlos 12:26:00 0 comentários Links para este post  



directamente do online do Expresso...

 


O I Congresso da Justiça foi uma montanha que pariu um rato. Muito se esperava em matéria de propostas que resolvessem alguns dos problemas cruciais do sector, mormente a lentidão exasperante dos tribunais, que leva milhares de processos a prescreverem e outros a serem concluídos quando já não é possível fazer qualquer justiça. Mas sobre isto pouco se disse - ou, pelo menos, pouco transpareceu para a opinião pública.
 
O primeiro-ministro proferiu o discurso político da praxe. Fez uma profissão de fé na separação dos poderes, disse que a crise da Justiça é uma crise de eficácia e resolveu o problema à boa maneira portuguesa: legislando. Assim, vamos ter até Março propostas em matéria penal e processual, nomeadamente sobre segredo de justiça, escutas telefónicas e prisão preventiva, por iniciativa do Governo.
 
Sem pôr em causa que tais propostas são absolutamente indispensáveis, também está fora de causa que tais propostas resolvam a crise da Justiça, os milhares de processos que se acumulam nos tribunais, a falta de condições para que juízes e funcionários desempenhem as suas funções.
 
E a questão não se resolve, como o Governo pretende, privatizando serviços e mais serviços. A questão está nas opções que o Executivo toma. Se a Justiça é uma prioridade, então há que alocar-lhe os meios financeiros necessários. De outro modo, a realidade desmente os discursos, que é o que se verifica actualmente.
 
Como foi dito no congresso, sem resposta por parte da ministra da Justiça, a privatização dos serviços de cobrança da dívida, que estava a cargo dos tribunais e passou para firmas de solicitadores, está a revelar-se um magnífico fracasso: em três meses, dos 4500 processos entrados em Lisboa foram concluídos dez; no Porto, em 1950 processos, terminaram oito; e em Coimbra entraram 350 e não acabou nenhum.
 
Nos tribunais existem 1200 vagas de oficiais de justiça, 15 por cento dos efectivos, por preencher. A partir de Janeiro, o número aumenta porque serão instalados 12 novos tribunais administrativos e fiscais e não vai haver recrutamento externo.
 
E a venda dos 350 cartórios notariais existentes em Portugal aos notários, sem liberalizar o sector, cria um monopólio privado, acabando com um monopólio público, não sendo de esperar resultados muito brilhantes, a não ser para os novos proprietários.
 
Finalmente, bem prega frei Tomás. O primeiro-ministro não pode bater no peito dizendo que o seu Governo respeita a Justiça acima de tudo - e depois admitir que a bancada parlamentar do PSD mantenha a imunidade do deputado Cruz da Silva para este não responder em tribunal por factos ocorridos antes de ser deputado; ou que diga que tem toda a confiança e mantenha o deputado Tavares Moreira como porta-voz para as questões económicas depois de ter sido sancionado pelo Banco de Portugal com sete anos de suspensão do exercício de funções na administração de bancos ou instituições financeiras por ocultação de prejuízos, manipulação de contas e declarações falsas. Há casos em que a bota não dá decididamente com a perdigota.
 
O essencial, contudo, é que a crise da Justiça não se resolve com novas leis, privatizações e discursos sobre a moralidade do Governo. E essa foi a receita que o primeiro-ministro passou no Congresso da Justiça. Assim, valha-nos a justiça no Céu - porque a terrena não resolverá os nossos problemas.

Publicado por Manuel 10:10:00 0 comentários Links para este post  

Depois de na quinta, qual clã de avestruzes, todos os partidos politicos, com assento na Assembleia da Répública, terem concordado em não debater nada de essencial e imediato mas só e apenas a problemática do aborto, eis que no grandemente aclamado Congresso da Justiça acontecem coisas parecidas.

O telefone foi inventado antes do sec. XX e, recorde-se, já estamos no século XXI.  Nós não temos dúvidas de que lá foram apresentados e debatidos  temas e matérias relevantíssimas, mas reduzir o que lá se passou a uma polémica literalmente  idiota, redutora e insensata sobre escutas telefónicas é no mínimo  absurdo, mas até Durão já prometeu atender  aos pedidos...



Sejamos francos e honestos, não é o regime de escutas que é perverso, per se, é a PJ que funciona mal, e seria bom que de uma vez por todas  se admitisse isso e se tomassem medidas a sério.

Mais, o drama das escutas, não o é substantivamente por via das legais, é-o, e por força da evolução tecnológica, pelo facto de qualquer gato pingado, com meia dúzia de tostões, público ou privado, poder contractualizar escutas com quem muito bem lhe apetecer e a quem quiser.

Mais ainda, enquanto está tudo fixado nos telefones continua a lei da selva, nos layers que verdadeiramente interessam e que são os das comunicações, e arquivamento de dados por via electrónica e aí parece que todos, desde os partidos políticos à PJ (que apresenta ao Governo drafts  de projectos-lei (!)), advogam o vale tudo. Portugal ainda há poucas semanas foi multado por se dar ao luxo de não transpôr simples directivas comunitárias com vista a proteção de dados pessoais.

É importante que se balize o jogo sim senhor, mas era também importante, que de uma vez por todas, se definisse o que se quer.  As escutas serão más mas preferem a tortura, os agentes infiltrados, os delatores pagos, arrependidos à medida ?

Definitivamente, tanta gente que não as pensa ...



Entretanto o Juiz Conselheiro Pires Salpico resolveu hoje no Público aplicar um punch a José Miguel Júdice, daqueles que dá K.O. directo. Não sabemso se Pires Salpico é leitor regular desta Grande Loja, mas adoramos ver o homem a pegar, tal como nós aquí, no próprio dia, na questão socrática...

No sapificado Diário Digital o ex do DN, Mário Bettencourt Resendes, assume-se como talvez o primeiro português a concordar pública mas implicitamente com a aprovação, em França, por Chirac do relatório Stasi.

Para terminar o mesmo homem, Figueiredo Tulius Atritus Lopes, que ontem via nas críticas à sua pessoa, e actuação, uma cabala  com vista a "derrubar  o Governo" sendo que «Algumas das maiores dificuldade que foram colocadas ao ministro tiveram origem em pessoas do PSD» partiu hoje para o Iraque e logo para dar ânimo aos nossos valorosos GNRs.



Por aquí já tememos o pior, pois se o ânimo que der no Iraque ao nosso corpo expedicionário for igual aquele que dá aos seus colegas de Governo de cada vez que faz alguma coisa ...

Publicado por Manuel 19:34:00 0 comentários Links para este post  



Ao menos uma vez


«Eu acredito que não existem heróis. A gente pode ter pessoas realmente espectaculares, por exemplo figuras espiritualizadas, religiosas, que são grandes modelos para a Humanidade, mas na verdade tudo o mundo é igual. Eu não acredito que tenha uma verdade a mais. E principalmente a juventude. Se a juventude cair nesse erro de acreditar que sim, elas inevitavelmente vão acabar descobrindo que o seu ídolo tem pés de barro».

Renato Russo



«Quem me dera, ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais, por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como isso Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
É isso maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri que é sempre isso você
Que me entende do início ao fim
E é isso você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Esta em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.



Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho,
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim
Quando descobri que é sempre isso você
Que me entende do início ao fim
E é isso você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente -
Tentei chorar e não consegui»

«ÍNDIOS», Legião Urbana, 1986
Letra e música: Renato Russo

Publicado por André 17:39:00 0 comentários Links para este post  



O Cavaleiro da Dinamarca


«Serão poemas que devem traduzir o que há de vital na relação dos homens com a terra, o mar e o cosmos. Não haverá fuga ou evasão, mas presença no mundo. Falamos do real, essa poesia traduzirá o mágico que há na nossa relação com as coisas, o que é próprio do acto de criar, quando o poeta acede à imanência do sagrado. E é por isso que a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma coordenada fundamental de toda a obra poética.»

Sophia de Mello Breyner Andresen



Imbuída do espírito natalício vigente (geralmente hipócrita, mas por vezes capaz de nos surpreender com coisas boas), a Grande Loja recomenda aos nossos leitores um livrinho que se lê em meia-hora.

Foi escrito em 1964. Sophia de Mello Breyner Andresen, a maior escritora portuguesa viva, terá conseguido, nesta obra, a sua melhor história para crianças. E tantas outras elas escreveu, igualmente a não perder -- «A Fada Oriana», «O Rapaz de Bronze», «A Menina do Mar», «A Floresta», contos que Sophia escreveu nas décadas de 50 e 60 e que ficaram marcados como obras incontornáveis no seu riquíssimo percurso literário.



«O Cavaleiro da Dinamarca» é um livro escrito para as crianças mas que todos os adultos deviam ler. É o mais belo conto de Natal que alguma vez já li. Neste caso, li, reli, reli e reli. Já lhes perdi a conta, mas tê-lo-ei lido umas dez vezes, ao longo dos anos.



Fala de um percurso pessoal, fala de honra, fala de História e cruza, de uma forma magistral, a verdade histórica com a imaginação. Apela à memória, mostra a importância de cumprirmos as nossas promessas e faz-nos ver que, por muitas voltas que a vida dê, precisamos muito, precisaremos sempre, de voltar a estar perto de quem nos quer bem. Leiam. É um livrinho, muito barato, muito acessível, que se lê num fôlego. E é muito bonito. Juro que não tenho comissão.

Publicado por André 20:48:00 0 comentários Links para este post  



A Origem do Mal



Publicado por André 3:42:00 0 comentários Links para este post  



um destes dias recebemos um email pretensamente anónimo, e com o seguinte cabeçalho ...

From :     Anonymous <anonymous@anonymizer.com>
Sent :     Friday, December 12, 2003 2:02 AM
To :     grandeloja@hotmail.com
MIME-Version: 1.0
Received: from smtp.infonex.com ([168.143.114.4]) by mc3-f2.hotmail.com with Microsoft SMTPSVC(5.0.2195.6713); Thu, 11 Dec 2003 18:10:55 -0800
Received: from localhost.localdomain (outgoing.anonymizer.com [168.143.113.8])by smtp.infonex.com (Postfix) with SMTP id 2DCA934A3EFfor <grandeloja@hotmail.com>; Thu, 11 Dec 2003 18:02:42 -0800 (PST)
X-Message-Info: JGTYoYF78jGxWZf5r2WrHUhoPDftGTq9
X-abuse-complaints: abuse@anonymizer.com
Message-Id: <20031212020242.2DCA934A3EF@smtp.infonex.com>
Return-Path: anonymous@anonymizer.com
X-OriginalArrivalTime: 12 Dec 2003 02:10:55.0724 (UTC) FILETIME=[2D0F5AC0:01C3C055]

... e cujo conteúdo nos abstemos de publicar. Após uma  pequena  investigação, e com base apenas nos dados acima, e uns telefonemas para os states, decidimos apenas, e após aturada reflexão, devolver o dito mail à "procedência" e desejar Bom Natal.

P.S. sugere-se ao destinatário que aprenda a contar pelo menos até três ...

Publicado por Manuel 3:20:00 0 comentários Links para este post  

O homem mais influente do  país é Vasco Rato.

Disfarçado de mero analista de política internacional, aquele que um dia chegou a ser convidado para Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros por Dias Loureiro, antes de este ter decidido que talvez não fosse lá muito boa ideia para os negócios ser ministro, Vasco Rato põe e dispõe da agenda política nacional.

Marcelo está histérico,foi visto no Guincho à uma hora atrás, Pacheco está a pensar em voltar para a Tchechénia, Luís Delgado quase sofria uma overdose de antidepressívos, Karl Rove está roído de ciúmes,  e mesmo aqui nesta Venerável Loja não podemos disfarçar o mal estar pesem as excelentes audiências, e o crescimento sustentado do número de  ameaças de processos em tribunal ...



Então não é que com a Justiça pelas ruas da amargura e as finanças de rastos de rastos, o Vasco Rato pôs o País inteiro a falar só e apenas do aborto, com um único texto, como se tudo o resto não existisse, não houvesse desemprego nem crise, nem falências,  nem coisa que se pareça ...

Absolutamente genial. Do BE ao PP, foi tudo atrás, que nem patinhos ...

Durão e Ferreira Leite esses agradecem encarecidamente.

Entretanto, e dados os tempos, sugerimos a todos os nossos leitores, e em particular ao meritíssimo juiz Rui Teixeira, que vão a correr a um BlockBuster alugar o DVD de um filme excelente - o "Alta Traição", com Kevin Costner, Gene Hackman e Sean Young...



Cada dia que passa o último minuto ajuda a compreender mais coisas ...

Publicado por Manuel 1:35:00 0 comentários Links para este post  

Como sei que o meretíssimo juiz Rui Teixeira é um leitor (regular) da produção intelectual desta Loja, venho por este meio dar-lhe umas pistas para o futuro da sua longa carreira.

Caro meretíssimo,

às vezes os fatos, demasiado apertados, e as capas, incómodas, de super-homens causam demasiados transtornos no exercício das nossas funções. Imagine, dando outro exemplo, se o Batman fosse juiz, a trapalhada que seria uma sentença do homem morcego



Quero com isto dizer que, apesar de nos chamarem os nomes mais rídiculos que possam existir, é preciso manter uma cultura de serenidade, ponderação, ou como dizia o meu avô - ilustre jurista do senso comum, como já mencionei aqui -, citando Gil Vicente, mais vale asno que me carregue que cavalo que me derrube.

Mas, pronto! Todos nós temos dias maus, mas o senhor doutor parece ter mais dias maus do que todos nós.

Por isso, para evitar males no futuro da sua longa carreira como juiz, aconselho a leitura de um artigo da doutora Fátima Mata Mouros, por acaso juiza de instrução criminal (que nada tem, presumo, a ver com estes da concorrência) aqui...

Para atalhar, diz a juiza:

É a motivação que confere um fundamento e uma justificação específica à legitimidade do poder judicial e à validade das suas decisões, a qual não reside nem no valor político do órgão judicial nem no valor intrínseco da justiça das suas decisões, mas na verdade que se contém na decisão



Também no nosso, como na maioria dos ordenamentos evoluídos, a existência da motivação de facto e de direito como condição necessária da validade das decisões jurisdicionais está prescrita por normas específicas. A consequência desta prescrição é que a legitimação interna, jurídica ou formal das decisões judiciais (em especial as penais) está condicionada pela existência e valor das suas motivações

O preço a pagar por uma justiça que não colhe a compreensão imediata da opinião pública é seguramente mais elevado na decisão dúbia e contraditória do que na decisão fundamentada, ainda que o seu sentido não vá ao encontro das expectativas criadas pelo empolamento do caso nos media.

Neste caso, as dúvidas iniciais geradas pelo veredicto ainda poderão ser desfeitas pela leitura atenta das razões integradoras do argumento de autoridade que o suporta. Naquele, o poder judicial ao ceder à facilidade da justificação popular, demitiu-se da sua autoridade e independência o que, a longo prazo se traduzirá no descrédito da justiça administrada pelos tribunais, e no subsequente encorajamento da justiça privada.

Além de escrever, é preciso ler...

Publicado por Carlos 22:40:00 0 comentários Links para este post  

As preferências da Grande Loja são assim. Tornam-se referências para quem gosta mesmo muito de ler...


«No conjunto de crónicas que o Mil Folhas publica sob a designação comum de "A Quatro Mãos", Ana Teresa Pereira reaparece todos os meses com textos que provêm sempre de um certo lugar da literatura. Há nela, no trabalho de escrita de Ana Teresa, uma alucinante fidelidade aos lugares, se por lugares entendermos autores, filmes, rostos, nomes, sítios privilegiados, temas. É isso que torna as suas crónicas simultaneamente tocantes e algo previsíveis: sabemos quase sempre a quem se irá ela referir, quais os nomes convocados, mas enternecemo-nos com essa obsessão magnífica, que mostra que as coisas referidas não são meros emblemas fúteis, mas inscrições profundas e inapagáveis no próprio corpo de quem as escreve. E o que elas dizem é que tais inscrições são mensagens que anunciam e celebram em palavras o desejo de felicidade desse corpo.

Na semana passada, Ana Teresa falava de Paris e vinham em atropelo nomes muito diversos: autores como Julio Cortazar ou Tonino Guerra, Tolstoi ou Rilke, Dylan Thomas ou Tchekov, personagens como Platonov ou Hedda Gabler, artistas como Charlie Parker, Monet, Van Gogh ou Kandinsky. E, sobre o céu de Paris, um anjo desdobra o céu da literatura e da arte, e os dois céus envolvem a cidade como um manto mágico. Diz Ana Teresa Pereira: "Continuamos a perseguir qualquer coisa que não sabemos o que é, mas não fugimos, é isso que os outros não compreendem, perseguimos sempre, mesmo depois de mortos, perseguimos qualquer coisa que talvez nem exista, mas pelo menos estamos a fazê-lo em Paris."



Gostaria de sublinhar aqui diversos pontos. Em primeiro lugar, que os nomes da literatura e da arte que aparecem neste carrossel parisiense (há um ritmo circular arrebatador na cadência escrita desta crónica) não são troféus que se exibem para ostentar cultura - como tantas vezes supõem aqueles que se sentem à margem destas enumerações. São os pontos de apoio de uma vida que se procura a si mesma numa multiplicidade de obsessões, numa exuberância de lugares e que já não teria a identidade que tem se não recorresse a estas siglas. Há uma expressão recorrente, em que se diz que, se a realidade é apenas aquilo que parece ser, "então alguém está a brincar connosco". O que Ana Teresa Pereira faz em tudo o que escreve é dizer que é preciso criar uma conspiração daqueles para quem a realidade só pode ser outra coisa, e que, confrontados com um quotidiano baço, se limitam a repetir: "Tenho um terrível desejo de viver."

E por isso Paris, mobilizando uma memória polícroma, é um lugar privilegiado para quem o percorre com meia dúzia de imagens, melodias, versos ou frases obsessivas. O valor das cidades modernas está em incentivarem em nós o desejo de felicidade dos que sabemos que nelas viveram e que sobre elas sentiram e amaram. Os textos de Ana Teresa Pereira são sempre cantilenas de infância, cantigas para dançar em roda: veja-se o seu livro mais recente, um conjunto de contos, que a Relógio d'Água acaba de publicar».

«UM ANJO DESDOBRA O CÉU», EDUARDO PRADO COELHO, «O Fio do Horizonte» de 17 de Dezembro de 2003

Publicado por André 20:44:00 0 comentários Links para este post  



um () Homem ...



As declarações que se citam abaixo não apareceram em nenhum blog anónimo, são transcritas da edição do Público de hoje.

Manuel Queiró Diz Que Traçado do TGV Foi Decidido por "Grupo Exterior"

Manuel Queiró acredita que o traçado do TGV, anunciado na Cimeira Ibérica do mês passado, "não é um projecto do Governo", mas sim de "um grupo exterior". "Este não é um projecto de um Governo, é um projecto de um grupo exterior que se impôs sucessivamente aos dois [últimos] Governos", denunciou o dirigente do CDS/PP, anteontem à noite, em Coimbra, num debate onde foi discutido o impacte do transporte ferroviário de grande velocidade na região centro.

"É de um grupo exterior que não tem rosto, que não aparece ou só dá a cara fugazmente", reforçou o ex-deputado centrista, sem contudo nomear responsáveis. Intervindo na qualidade de membro da assistência, Manuel Queiró considerou que o projecto do TGV, "sendo o mais estruturante, será porventura o mais anti-nacionalista que poderíamos ter." Na sua opinião, "é o menos transparente do ponto de vista político, [uma vez que] não foi apresentado à opinião pública, ao Parlamento e nem sequer ao Conselho de Ministros."

Na opinião do antigo parlamentar do CDS/PP o conjunto de traçados dado a conhecer na Cimeira Ibérica realizada na Figueira da Foz (Porto-Vigo, Aveiro-Vilar Formoso, Lisboa-Porto, Lisboa-Badajoz e Évora-Faro-Huelva) "foi apresentado ao país como um facto consumado; três dias depois foram aprovados os fundos comunitários." Circunstâncias que o levaram a considerar: "Isto é uma 'blitzkrieg' [guerra relâmpago]."

Prevendo que "a história vai emitir um julgamento muito severo sobre isto", (...) acrescentando: "Os espanhóis já tiveram aquilo que queriam e nós escusamos de fazer mais asneiras do que aquelas que já fizemos." (...)

Passadas várias horas, não ocorreu nenhum desmentido, e parece até que ninguém ficou particularmente chocado...

Mas as declarações que abaixo se citam, de um barão do PP no activo, familiar de uma membro do Governo, e que não  consta que sofra de qualquer perturbação mental - logo não ininuputável - são do mais grave que jamais alguém ousou afirmar nos últimos tempos em Portugal!



Em suma, Manuel Queiró afirmou preto no branco que os Governos, este e o anterior, não mandam no essencial e que outros, não eleitos, decidem por ele. A discussão à volta do TGV e do seu traçado, apesar de ser importante, passou a ser secundária, já que segundo o bem informado Queiró temos em Portugal uma espécie de P2, à italiana, eventual subsidiária de uma qualquer entidade espanhola, que decide em conclave, substantivamente, pelos sucessivos Governos.

Queiró afirmou categorica e inequivocamente que...

... não há democracia em Portugal !

Parece que ninguém se importa, ao director do Público, que só sonha com uma estátua no Iraque, isto não mereceu especial atenção, e  nos partidos, do BE à ND, nem um pio. 

Resta um homem:  Souto Moura - Procurador Geral da República ...

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Carole King


«You've got to get up every morning With a smile in your face
And show the world all the love in your heart
Then people gonna treat you better
You're gonna find, yes you will
That you're beatiful as you feel

Waiting at the station with a workday wind a-blowing
I've got nothing to do but watch the passers-by
Mirrored in their faces I see frustration growing
And they don't see it showing, why do I?

You've got to get up every morning With a smile in your face
And show the world all the love in your heart
The people gonna treat you better
You're gonna find, yes you will
That you're beatiful as you feel



I have often asked myself for reason for sadness
In a world where tears are just a lullabye
If there's any answer, maybe love can end the madness
Maybe not, oh, but we can only try

You've got to get up every morning With a smile in your face
And show the world all the love in your heart
The people gonna treat you better
You're gonna find, yes you will
That you're beatiful as you feel»

«BEAUTIFUL», Carole King

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José António Lima no online do Expresso ...




 
A TRAPALHADA de versões, rectificações e desmentidos que saíram oficialmente do PSD a propósito da eventual descriminalização do aborto serviu, entre outras finalidades, para comprovar uma evidência: Durão Barroso, que passa cada vez mais tempo no estrangeiro e cada vez menos tempo em Portugal, não controla o Governo nem comanda o partido. E o suposto núcleo de coordenação política do PSD e do Governo, que deveria demonstrar capacidade e autoridade para suprir as ausências e omissões do primeiro-ministro, ou revela uma incipiência próxima da nulidade ou contribui mais para complicar do que para resolver os problemas. É o chamado descomando político e partidário à distância.
 
As contradições do PSD quanto ao aborto, com o porta-voz Pedro Duarte, Ana Manso e Leonor Beleza de um lado, a dizerem uma coisa, e Guilherme Silva com o CDS do outro lado, a afirmarem o seu contrário, vieram tornar pública a incomodidade de amplos sectores do centro-direita perante o drama social que o aborto clandestino continua a constituir em Portugal. E que o referendo de 1998 não resolveu, fechando as portas à liberalização da interrupção voluntária da gravidez e, ao mesmo tempo, impedindo a alteração da severa moldura penal a que continuam sujeitas milhares de portuguesas que, anualmente, se sentem forçadas a optar pelo recurso ao aborto.
 
As palavras corajosas e heterodoxas do bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, ou a abertura à tolerância de Pedro Duarte, Ana Manso e Leonor Beleza confirmam que, no espectro ideológico e social do centro-direita a clandestinidade a que permanece remetida a questão do aborto é ainda um problema mal resolvido. E incómodo.
 
Mas o espectáculo de descoordenação política que o PSD deu, por estes dias, aos portugueses, na praça pública, expressando as mais díspares posições sobre o tema da descriminalização do aborto, tornou claro um outro problema mais fundo: a desorientação e falta de liderança política em que vive a maioria laranja. Este episódio segue-se a muitos outros, ainda recentes, como a salsada em que se converteu o processo da revisão constitucional (com avanços e recuos ao sabor do populismo dominante), o folhetim inacreditável da substituição do comandante da Brigada de Trânsito da GNR, manutenção semiclandestina de Tavares Moreira ou do deputado Cruz Silva nos cargos político-partidários em que representam o PSD, o insustentável e incongruente alinhamento ao lado da França e da Alemanha pelo incumprimento do PEC, a incompreensível e inconsequente política económica do Governo (com dossiês estratégicos como os da GALP, EDP ou Portucel sem linha de rumo nem fim à vista), com a permanente desautorização de Durão Barroso na questão das presidenciais, etc., etc. É o retrato de uma maioria sem rei nem roque.
 
Percebe-se que Durão Barroso, tal como já acontecera com Cavaco Silva e António Guterres, passe mais tempo a correr mundo do que a governar Portugal. E bastam as múltiplas e exigentes solicitações da União Europeia, com reuniões, cimeiras e contactos bilaterais, para que qualquer primeiro-ministro veja enormemente reduzida a sua disponibilidade para as questões internas.
 
Acresce que habituados a tratar com os grandes da Europa e do mundo de questões tão decisivas e globais como o alargamento da EU, a futura Constituição da Europa ou a guerra no Iraque, os primeiros-ministros portugueses em exercício sentem cada vez menor vontade e paciência para se ocuparem e preocuparem com problemas caseiros e minudências tão irrelevantes, à escala europeia ou planetária, como a Fundação Minerva ou um qualquer comandante da GNR. O que agrava o seu distanciamento do país e do próprio partido.
 
E obriga, para evitar o défice ou mesmo o vazio de liderança a que qualquer primeiro-ministro constitua, em estreita ligação consigo e em permanência de funções, um núcleo de direcção político-partidária sólido e eficaz onde estejam os melhores, não só para o aconselhar mas também com capacidade de decidir e liderar nas suas ausências.
 
Cavaco formou esse «núcleo duro» com Dias Loureiro, Fernando Nogueira e Marques Mendes, entre outros. Guterres, na fase inicial dos seus governos, tinha em S. Bento um núcleo de peso, onde avultavam Jorge Coelho, Pina Moura, José Sócrates, António Costa e António Vitorino. Perdeu-o (e deixou o Governo e o partido à deriva…) quando se viu obrigado a colocá-los em ministérios-chave.
 
Sendo conciso e factual, a verdade é que Durão Barroso nunca teve um tal núcleo de direcção política e partidárias. Pela falta de qualidade política da maioria que o rodeia e por incapacidade própria. É esse, cada vez mais, o problema central do actual Governo.

Publicado por Manuel 10:05:00 0 comentários Links para este post  



lá como cá, até um dia ...


August 11 - The LA Times reports that the Iraqi military was itself fooled by the creative reporting of furloughed Iraqi Information Minister Muhammed Saeed al-Sahaf (M.S.S.):

After the information minister claimed that Iraqi forces had retaken the Baghdad airport from U.S. troops, two former commanders said, Republican Guard Gen. Mohammed Daash was dispatched to check out a rumor that four or five American tanks had survived the Iraqi counterattack. Daash returned to his headquarters in a panic. "Four or five tanks!'' the commanders quoted Daash as telling his fellow generals. "Are you out of your minds? The whole damn American Army is at the airport!''



17 de Dezembro - o primeiro-ministro, Durão Barroso, reiterou que «Portugal está a começar a sair da crise», prometendo a redução do défice estrutural para 2004. «O défice estrutural está a descer de forma consolidada. Em 2003 foi de 1,7 por cento e em 2004 descerá para 1,3 por cento», garantiu segunda-feira o líder do PSD, num jantar de Natal da distrital de Lisboa do partido, acrescentando que o Executivo «não se vai afastar do caminho do rigor e da consolidação orçamental».

P.S. note-se a nuance muito pouco subtil e ainda menos criativa : agora não é o "défice", em absoluto, é o "défice estrutural"...

Publicado por Manuel 6:03:00 0 comentários Links para este post  



polaroids de um País ...

Alastra o tom e o volume das críticas de Jorge Sampaio ao Governo. Hoje Sampaio exigiu "um acordo político amplo". Já se disse que Sampaio era o verdadeiro líder da Oposição mas ainda não se disse que Sampaio também tem uma agenda.

Sampaio sabe que, por enquanto, não pode  contar com um PS feito em cacos e sabe que legislativas agora nada resolvem. Mas Sampaio também tem ouvido com bastante agrado não só os números que revelam o descontentamento generalizado com o bluff deste Governo assim como as vozes que defendem um PR musculado, com ou sem mudança de Constituição, e a continuarem assim as coisas ainda nos arriscamos a ter muita sociedade civil a defender um novo governo de iniciativa presidencial... Sampaio, esse sorrí e agradece. É o velho bloco central na pele do capuchinho vermelho.



Barroso é um mestre na arte de baralhar e dar de novo, não sabemos é até quando. Agora quer fazer um referendo, ainda aquando das Europeias, mas já não sobre a Constituicão Europeia mas sobre a Europa em geral. Não que haja qualquer pergunta óbvia ou com nexo mas porque lhe convém. Antes que o Dr. Monteiro ressuscite de novo com propostas cavernosas nós antecipamo-nos e sugerimos uma pergunta : "Os fundos europeus do QCA3 são bons ou maus para Portugal ?". Absurda ? Claro, tanto como a ideia.



Sobre o aborto: Em voga uma nova táctica: Chutar para canto. Tal como na questão das drogas não se descriminaliza mas despenaliza-se,ou será que vai ser ao contrário ? As questões centrais, essas ficam para depois. Ainda sobre o aborto : é uma questão de consciência e isso não se referenda nunca !

Sobre as finanças públicas e sobre o valor do déficit real: Não vale a pena crucificar mais Manuela Ferreira Leite. A despesa corrente pouco derrapou e na aquisição de bens e serviços houve uma quebra de quase 15%. O grande problema, a par da não receita fiscal, é  que a aquisição de bens de capital aumentou 30,4 por cento e os passivos financeiros cresceram 55 por cento. Expressões como leasings, factorings, autarquias, regiões autónomas e afins  não devem ser exógenas a tal fenómeno. É tudo uma questão de pulso, ou falta dele. Pulso do Primeiro-Ministro claro está. A propósito, alguém em seu perfeito juízo acredita que Durão e este Governo são o melhor que o PSD tem para dar ao País ?...




Sobre os franceses, e as suas maluquices, poucas palavras que  o essencial já foi dito no Abrupto, na Rua da Judiaria e no Aviz:  Uma coisa são os sinais exteriores, o véu, o crucifixo, o Kippah, a roupa cor de laranja, whatever, outra que devia ser totalmente diferente são as questões verdadeiramente civilizacionais. Um destes dias alguém citava um artigo imbecil no Le Figaro onde um colunista partia da questão do véu e conseguia chegar à raiz judaico-cristã do Ocidente (!).

Uma coisa são os sinais exteriores que cada um é livre de ter como, quando e onde quiser (e nenhum dos sinais em causa, e em discussão, ofende o próximo, de perto ou de longe), outra totalmente diferente é a desconfiança contra a civilização, no seu sentido mais lato. Como  alerta Pacheco o real problema é que ...

há mulheres muçulmanas que se recusam a seguir num elevador sózinhas com homens, que se recusam a ser observadas num hospital por médicos masculinos, empresas que não querem empregadas de véu a atender o público. Uma empresária dizia que não podia ter empregadas que se recusavam apertar a mão aos clientes, nem aceitava um conselho que um muçulmano lhe tinha dado de "as pôr a trabalhar longe dos olhos dos outros". Protestava: "como é que eu posso ter empregadas que tenho que esconder por serem mulheres?"



Misturar o descrito acima com véus, kippahs, cruzes e afins, como está a ocorrer em França, como se fosse tudo o mesmo plano, é tapar o sol com uma peneira e um alegre passo para o abismo já que não deixa quaisquer margem para a integração. E é essa a verdadeira questão: Como é que se chega a um compromisso entre todas estas diferentes culturas.

De novo sobre Portugal, o Público hoje descobre que "três em cada quatro portugueses não querem mais estrangeiros no país e dois terços concordam com a expulsão dos imigrantes ilegais". Pois é, cinco séculos depois a história quer-se repetir. Há muitos anos atrás um imbecil chamado D. Manuel I, por via da execução de contrapartidas, com os Reis Católicos, por um casamento, acordadas pelo seu antecessor, que não durou muito por via de um certo acidente equestre, despachou todos os judeus de Portugal para o exílio acabando assim com os Descobrimentos e evitando a hipótese de Portugal ter iniciado a revolução industrial com dois séculos de avanço.



Agora, como aquando da expulsão dos judeus de Castela, Portugal recebe uma injecção de capital intelectual (e como bonús de humildade) vinda da Europa de Leste. A paga é o rancor, a dor de cotovelo, os resultados das sondagens e claro o enfase nas máfias. O facto de sem essa gente o país não dar um passo é um pequeno detalhe, como  outro pequeno detalhe é que temos a mais baixa taxa de licenciados da Europa mas a mais alta taxa de licenciados desempregados da mesma Europa e,  quem não ligar  a este último detalhe os resultados da sondagem acima mencionada ou é demagogo ou anda a dormir ...

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Num acto inédito e ecuménico citamos na integra uma prosa do Causa Nossa ...

Jorge Wemans no seu  melhor :

A CONFIANÇA ENVIUVOU

Na sexta-feira vi o Marítimo-FCP na televisão. Não todo, mas quase todo. Sou benfiquista ?

também tenho essa virtude, além de outras que não vêm agora ao caso.

O que me espantou no modo de jogar do Marítimo, o que faz toda a diferença para o futebol que a equipa do Benfica pratica, foi a confiança que transpira no seu modo de jogar. Mesmo sabendo que alguns dos jogadores do Benfica não serão grande espingarda, são inegáveis as suas ?vantagens comparativas? quando confrontados um a um com os do Marítimo. Idem para a equipa no seu todo. E no entanto?

É a confiança, estúpido!? ? apetece berrar e é verdade. Movimentar-se sem bola, confiando que ela me vai chegar; ousar sair da minha posição habitual, sabendo que outro a ocupará; pressionar o jogador adversário, seguro de que os meus cobrem os restantes; iniciar uma jogada, certo de que a minha equipa a acompanha e ajuda a construir.

E por aí fora?, sendo que não somos bons, mas damos o melhor e gostamos de jogar à bola. No Benfica é ao contrário: cada qual é ?muita bom?, mas não pode contar com mais ninguém; tem rasgos geniais, mas mais ninguém acredita nisso, preferem ficar a ver se sim ou se não.

A culpa deste estado de coisas que paira para os lados da Luz, não sei de quem é. Mais vale deixá-la morrer solteira, como é hábito entre nós. De resto, já é assim desde o Génesis. Na parte final do mito da criação, Deus pergunta a Adão se é ele o culpado. Qual o quê! ?



Adão passa a bola a Eva, esta à serpente e só ficamos sem saber a quem culparia a serpente, porque Deus, cansado do jogo, já não lhe pergunta nada.

Aceitemos então que a culpa morra solteira. O pior é a confiança ter ficado viúva. Ao contrário daquela com que ninguém conviveu, já o país andou casado com esta. Avivando a memória (e sem recuar aos tempos que agora os neo-conservadores deram em considerar não-democráticos): ainda se recordam dos anos 86-90; ou do período 96-99?

Os economistas dizem que a confiança é um factor ?imaterial? decisivo (há Prémios Nobel atribuídos a quem investigou nesta área). A gente dos media diz que é difícil de conseguir e fácil de se perder. Os políticos pedem-na todos os dias. Os psiquiatras afirmam que sem ela só há vidas sofridas e torturadas. Consumidores, clientes e fornecedores deixam de o ser se a perdem. Todos sentimos (sabemos) que sem confiança não há futuro minimamente apetecível.

Que raio! Talvez valha a pena parar um momento para pensar como e porquê nos divorciámos dela. Mais importante ainda: como a poderemos recuperar? Alguém tem uma pista?

Publicado por Manuel 15:41:00 0 comentários Links para este post  



volta ao mundo em 7 minutos ...

esta «Estava obcecado por um lugar, mas não sabia onde ficava»  e depois descobriu que aos domingos de manhã «no lago de Serralves há um cisne branco que sabe ler os pensamentos das pessoas que o observam. Fixa-as com muita atenção enquanto se dirige a elas lentamente sobre a água. Nesse percurso quase se sente o tempo a passar em direcção à tarde», a candura de que falava este só lhe fica bem. 

Este, depois de  ter visto terroristas aquí, descobre que todos os que não partilham da sua visão do mundo são meros indigentes, enfim, tal como o ET não estamos sós. Aquí a Ana Gomes, que é costume ser fácil detestar, escreve um texto sincero, sensato e sentido (e estamos a medir os adjectivos...) sobre a promiscuidade entre a bola e o futebol, e como bónus desta vez não há cabalas pelo meio e a carapuça também serve ao PS.



Face ao tradicional jacobinismo e imbecilidade francesas, muita sensatez em dose XXL aquí . Entretanto o gato preto conntinua a escrever maravilhosamente bem, mas a precisar de ver uns filmes sobres patinhos feios e cisnes.

Ah, e a Al Qaeda, braço Português,  já tem um blog onde  entre outras coisas reivindica o atentado que engoliu o autocarro em Campolide.

Quem disse que Portugal era um caso perdido não tem passado muito tempo na nossa blogosfera. Às vezes as (r)evoluções começam onde menos se espera...

Publicado por Manuel 14:39:00 0 comentários Links para este post  



Espalhem a Notícia


«Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre

Espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago

esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco

a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o

O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio



e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita...

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita...»

«ESPALHEM A NOTÍCIA», Sérgio Godinho, 1985

Publicado por André 11:30:00 0 comentários Links para este post  



Nuno Gomes

Nuno Gomes está de regresso. Só falta saber quantos dias faltam para voltar a lesionar-se.



(tanta falta tem feito ao Benfica...)

Publicado por André 8:13:00 0 comentários Links para este post  


e tudo será consumado ...



... a 31 de Janeiro de 2004

Publicado por Manuel 7:06:00 0 comentários Links para este post  

Receitas fiscais estão 3,1 mil milhões de euros abaixo do previsto


ultrapassa os cinco por cento do PIB

O défice orçamental do subsector Estado agravou-se 29,2 por cento nos primeiros 11 meses do ano, face a igual período de 2002, para 6.797,2 milhões de euros, informou hoje a Direcção-Geral do Orçamento (DGO). Este valor corresponde a 5,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2003.



Para apresentar um défice de 3.886,9 milhões de euros (2,9447 por cento de um PIB de 131.993,8 milhões de euros), como especificado no reporte dos défices e dívida das Administrações Públicas apresentado em 1 de Setembro, a ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, precisa de receitas extraordinárias no montante de 2.910,3 milhões de euros, correspondentes a 2,2 por cento do PIB (riqueza gerada pela economia portuguesa), se a execução de Dezembro repetir o padrão dos últimos 11 meses.

A execução orçamental até Novembro revela uma degradação homóloga (face a igual período do ano anterior) de 44,4 por cento no saldo corrente, que ascende a 4.374,7 milhões de euros, e de 8,5 por cento no saldo de capital, que sobe a 2.422,5 milhões de euros. O saldo corrente resulta da conjugação de um crescimento da despesa corrente em 2,5 por cento, para 30.286,5 milhões de euros, e de uma quebra na receita corrente de 2,3 por cento, para 25.911,8 milhões de euros.



Quanto ao que entrou nos cofres do Estado até ao final de Novembro, os dados ontem revelados pela DGO apontam para uma quebra de 3,1 mil milhões de euros nas receitas fiscais previstas para este ano. O Estado recebeu nos onze meses do ano já cumpridos 23.901,9 milhões de euros dos 29.461,9 milhões de euros que previu a título de receitas fiscais do Estado na proposta de Orçamento de Estado para 2003. Este valor foi revisto em baixa para 27.433,6 milhões de euros na proposta de Orçamento de Estado para 2004.

A manter-se o actual padrão de entradas de receitas fiscais, isto significaria a falta de 3.104,8 milhões de euros, com relação à primeira daquelas previsões, dado que onze doze-avos do total correspondem a 27.006,7 milhões de euros. O valor em falta equivale a 2,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para 2003 no reporte dos défices e dívida das Administrações Públicas. Para o conjunto do ano, o Governo projecta um défice de 3.886,9 milhões de euros, correspondentes a 2,9447 por cento deste valor do PIB.



Do lado da despesa corrente, a que é relativa ao pessoal, registo-se um aumento de 3,5 por cento para 11,4 mil milhões de euros, constituindo as variáveis de abonos e segurança social as que mais contribuíram para este cenário de agravamento. As remunerações certas e permanentes registaram um acréscimo de 0,8 por cento. No que toca à aquisição de bens e serviços, a situação é mais favorável, com uma redução verificada de quase 15 por cento. A despesa corrente total cresceu 2,5 por cento. Já a despesa de capital, acumulava no final de Novembro um valor de 26.330 milhões de euros, o que é quase o dobro do que tinha sido apurado no final do mesmo mês do ano passado.



A aquisição de bens de capital aumentou 30,4 por cento e os passivos financeiros cresceram 55 por cento. O total da despesa realizada nos onze meses de 2003 ascende a 56.703 milhões de euros, o que representa um agravamento de 18,9 por cento.

Publicado por Manuel 3:48:00 0 comentários Links para este post  



«I feel that something's going to give. It's 1985. Fifteen years 'til the third millennium. Maybe Christ will come again. Or maybe the troubles will come, and the end will come and the sky will collapse and there will be terrible rain and showers of poisoned light. Or maybe, maybe my life is really fine. Maybe Joe loves me and I'm only crazy thinkong otherwise. Or maybe not. Maybe it's even worse than I know, maybe. Maybe I want to know, maybe I don't».

Harper, personagem interpretada por Mary-Louise Parker, em «Angels in America»


Realização de Mike Nichols, a partir da história de Tony Kushner, com as participações de Al Pacino, Meryl Streep e Emma Thompson.

Vamos torcer para que não demore muito a chegar a Portugal...


Publicado por André 3:00:00 0 comentários Links para este post  

É esta "naturalidade", esta total "ausência" de quaiquer artificialidade e cinismo, acrescida dos pungentes textos assinados, mas não lidos certamente,  pela prestimosa companheira (ao que parece o casamento na Tailândia sempre é nulo) que cada dia que passa é suposto convencer-nos a nós todos da "inocência" do personagem.
 


"Então é assim: se vocês forem neste Natal beijar a imagem do Menino Jesus, assegurem-se primeiro de que não estão a ser observados por nenhum jornalista de algum correio ou pelo olhar vigilante e esbugalhado, mesmo a saltar das órbitas, de algum Big Brother ou Big Sister. É que correm o risco de verem, mais tarde, um bebé, de máscara branca na cara e choro distorcido, acusar-vos de coisas horríveis",

Carlos Cruz, in mensagem emitida em directo para em jantar de apoio em 15/12/2003.



P.S. E depois, independentemente da , ou falta dela, de cada um era mesmo preciso, em pleno Natal, meter o Menino Jesus ao barulho ? Porno & hardcore ...

Publicado por Manuel 1:40:00 0 comentários Links para este post  



Perfeição


«Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões

Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião

Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais



Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos

Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo

Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar

Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos

Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal

Vamos cantar juntos o hino nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão

Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada

Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso

Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já aqui também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção

Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição»



«PERFEIÇÃO», Legião Urbana, 1993
(in «O Descobrimento do Brasil», 1993, e «Mais do Mesmo», 1998)

Letra e interpretação: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá

Publicado por André 1:00:00 0 comentários Links para este post  

não há guerras triangulares e a descolagem de Durão em relação a Santana começou ... resta saber se ainda vai a tempo.



Durão na homenagem a Marcelo

O primeiro-ministro, Durão Barroso, descerra dia 21, em Celorico de Basto, uma placa com a designação Biblioteca Municipal de Celorico de Basto - Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. De acordo com a autarquia, cuja assembleia municipal é presidida pelo ex-líder do PSD, a designação «reconhece o alto mérito» do autarca e «os enormes benefícios que resultam do seu grande amor à terra onde tem as suas origens». Para além de ter «beneficiado com ajudas financeiras, associações e outras entidades que lhe têm solicitado ajuda», Rebelo de Sousa «muito tem contribuído para o enriquecimento da Biblioteca, através da doação de milhares de livros, manuscritos e publicações diversas».

c 'est la guerre ...

Publicado por Manuel 0:35:00 0 comentários Links para este post  



Novembro em Paris


«"J'ai terriblement envie de vivre", diz Platonov, pouco antes de morrer. E lembrei-me de Hedda Gabler que se suicidou porque a vida era pequena de mais para ela. E de Charlie Parker, mas Charlie Parker num conto de Julio Cortázar de que sempre gostei muito: "El perseguidor". O livrinho da Folio custava dois euros e chamava-se "L'homme à l'affût". A história passa-se em Paris, um homem sozinho como um gato, perdido no tempo e na música, no álcool e na marijuana, que lê um livro de poemas de Dylan Thomas, muito velho e muito anotado; mas "at least I am doing it in Paris" (uma frase de "Round Midnight").

Monet e Van Gogh, e Kandinsky (a arte é sempre religiosa, uma ideia de Tolstoy). E aquela salinha do Louvre, os ícones russos (um ícone é uma oração tornada visível), os dois anjos que dobram o firmamento no final dos tempos. Lembrei-me de Tonino Guerra e dos mosaicos que ele viu na Rússia, e das suas palavras: "Io conosco lei dall'inizio del mondo". E lembro-me da voz dele e de tudo o que aquela voz me faz sentir: "un lontano pensiero vivo". Os ícones russos e o silêncio da sala, e a impressão de que já vivi aquilo amanhã. Comprei uma edição de "Vergers" e uma pequena biografia de Rilke e não fiquei muito surpreendida ao encontrar a reprodução de um fresco de Andrei Rublev onde um anjo desdobra o céu, é só um fragmento, não posso ver o anjo do outro lado.

O protagonista do conto de Julio Cortázar não acredita em Deus (eu também não), e se alguém vê nele um anjo quando está a tocar, ele não tem culpa. (Six, sax, sex, o narrador é um crítico que na verdade não suporta o músico
e a forma como se atira contra as paredes, mas por vezes tem a intuição de que ele vê mais fundo, porque se a realidade é aquilo, se a realidade é ser crítico de jazz alguém está a gozar connosco.) Ele só sabe que ao tocar
saxofone passa para o outro lado do tempo, e tenta forçar a porta a abrir-se, a realidade que para os outros é tão óbvia está cheia de fendas, de campos de urnas brancas; e folheia o seu livrinho de Dylan Thomas como eu folheio o de Rilke, e mesmo se não encontrarmos nada pelo menos estamos a fazê-lo em Paris.

"J'ai terriblement envie de vivre", diz Platonov (ou antes, um actor da Comédie Française chamado Denis Podalydès), mas a realidade não pode ser isto, ter-me transformado num mestre-escola casado e com um filho, e ser amado pelas mulheres e odiado pelos homens, se a realidade é isto alguém está a brincar connosco. E deve ser o que pensava Hedda Gabler, se a realidade é estar casada com um homem qualquer e ter filhos, e o homem que quase amei não é o herói que eu queria que ele fosse, alguém anda a brincar connosco. Charlie Parker toca "Amorous", se existisse um deus ele estaria naquele estúdio, e depois vai sentar-se num canto e exige que destruam a gravação, porque ele já tocou aquilo amanhã.



E o nome da estrela é Absinto; apetece-me encher os bolsos do casaco de folhas, as folhas das árvores que têm todas as cores de que fala Kandinsky, o amarelo e o azul, o quente e o frio, o terrestre e o celestial, e atravessar o rio mais uma vez, ver os nenúfares de Monet, e as íris, e as catedrais, e aquela solitária meda de feno, e a noite estrelada de Van Gogh, e as telas de Mondrian, caminhar nas ruas e respirar fundo, ler um poema de Rilke junto ao Sena, como Charlie Parker abria o seu livrinho muito velho e anotado e lia um poema de Dylan Thomas, continuamos a perseguir qualquer coisa que não sabemos o que é, mas não fugimos, é isso que os outros não compreendem, não fugimos, perseguimos sempre, mesmo depois de mortos, perseguimos qualquer coisa que talvez nem exista, mas pelo menos estamos a fazê-lo em Paris».



«Novembro em Paris», Ana Teresa Pereira
(crónica publicada no suplemento «Mil Folhas», do Público de 13 de Dezembro de 2003)

Publicado por André 0:22:00 0 comentários Links para este post  



o plano z

talvez seja delírio, provocado pelo ruído nocturno das gaivotas, mas começa a cheirar-me que dado ser muito cedo para Vitorino e Coelho não querer ser, ele, o número um, este senhor que se cita abaixo, depois de limpar a "coligação" a saca-rolhas  PSD/PP nos Açores, vai ter o  PS nacional a seus pés...  Coelho estender-lhe-á o tapete, os outros vão para a Europa e Ferro já terá sido levado pela espuma do tempo ...

Caso de pedofilia nos Açores
Carlos César rejeita cabala
 
 
O presidente do Governo Regional dos Açores, o socialista Carlos César, rejeita a existência de uma cabala contra o PS no caso da pedofilia, contrariando assim o líder do seu próprio partido, Ferro Rodrigues.

Publicado por Manuel 0:01:00 0 comentários Links para este post  

Depois do patriotismo demonstrado por um dos bons rapazes, Diogo Vaz  Guedes, continuam as dúvidas, e que dúvidas, nomeadamente  sobre o verdadeiro reach  dos negócios da CGD e o sector energético...

Editorial > 2003-12-12

Para Espanha e sem força

Miguel Coutinho - DE



Uma dúvida inevitável assalta os espíritos mais curiosos: de quem é a paternidade da expansão da Caixa Geral de Depósitos em Espanha, através de uma eventual compra do banco Atlántico?

Será uma instrução do primeiro-ministro e da ministra das Finanças prontamente executada pelo presidente da Caixa Geral de Depósitos? Ou será uma iniciativa de António de Sousa que, para abrilhantar o seu final de mandato com uma lança em Espanha, convenceu o accionista Estado?
Será, em suma, uma decisão de gestão com consequências políticas ou uma opção política travestida de acto de gestão?

A questão terá a maior relevância para quem vive atemorizado com a eventual veracidade dos rumores segundo os quais a compra pela Caixa de um banco em Espanha terá como contrapartida um acordo político que reforçará a posição da banca espanhola em Portugal.

Não é, porém, essa a questão central. Num mercado aberto o curso natural das coisas é que os bancos espanhóis reforcem, se possível dentro dos limites do bom senso, a sua posição em Portugal e que, em muito menor escala, os bancos portugueses vão entrando paulatinamente em Espanha.

Num mundo ideal poder-se-ia crer que o sistema financeiro português seria o último reduto dos centros de decisão nacional, uma espécie de aldeia dos gauleses dos livros de banda desenhada. A desconstrução desse mundo ficcionado, pela dinâmica das economias ou pelas cedências dos políticos, deverá reduzir-se a uma mera questão de tempo.

A questão central é, sim, a de saber se valerá a pena o esforço da Caixa Geral de Depósitos. Se a posição que o banco público adquire em Espanha valerá o investimento e pagará o ónus do precedente que vai inevitavelmente criar. Se ao foguetório decorrente de uma eventual vitória da Caixa não se seguirá uma ressaca dolorosa. A dúvida é legítima atendendo ao rol de insucessos do banco público em matéria de internacionalização, nomeadamente em Espanha.

Portugal tem este terrível defeito de viver de fogachos, de se impressionar com a espuma dos dias e desmerecer o equilíbrio e a consistência.

É essa atracção pelo abismo, pelo ilusório que faz faísca, que poderá fazer a Caixa Geral de Depósitos subir a parada na corrida por um pequeno banco espanhol com capitais líbios.

Entretanto algumas perguntas continuam por responder. Como e por ordem de quem foi introduzida entre as votações na generalidade e na especialide do Orçamento uma verba de 400 milhões para financiar a operação da Caixa? Estarão a Caixa e a economia portuguesa em condições de ir para Espanha e em força com o dinheiro dos contribuintes? Ou ficará esta operação recordada como uma triste ‘nacionalização’ de um banco privado espanhol por uma instituição pública portuguesa? Nem Vasco Gonçalves, nos anos loucos da revolução, foi tão longe com os bancos estrangeiros… em Portugal.

Escusado será dizer que os oráculos desta Grande Loja não auguram nada de bom ... e não se pode dizer que não tenhamos avisado a tempo e horas.




Entretanto e não tendo rigorosamente nada a ver com nada, também nós fomos espreitar o novo look do antigo jornal online do amigo íntimo de Santana, Mexia & C.a Luis Delgado - o Diário Digital. A reter, a integração no SAPO, pelo que se presume que houve uma entradazinha de capital do universo PT, com venda ou não de cotas, e os patrocinadores no espaço nobre de publicidade, a Galp Energia e a Somague...

P.S. Com um atraso inqualificável, também metemos água às vezes, agradecemos as palavras amáveis do FNV do Mar Salgado.

Publicado por Manuel 20:39:00 0 comentários Links para este post  

Já muito se escreveu e há-de escrever sobre o futuro julgamento de Saddam.

Na humilde opinião desta Venerável Grande Loja, os Estados Unidos não ponderaram bem todos os factores e precipitaram-se na sua decisão arriscando-se agora a serem acusados de não conseguirem organizar um julgamento justo e imparcial.

Com efeito, Saddam Hussein, deveria ser julgado em Portugal.

Apesar de Portugal ter apoiado a coligação  não existem noutro país no mundo, tribunais onde Saddam possa ter um julgamento tão equilibrado como em Portugal.

Senão vejamos, uma defesa dourada com João Nabais e Sá Fernandes à cabeça, um universo de garantismos e mecanismos dilatórios que já fizeram as delícias de tantos, que nunca chegaram a ser condenados ou sequer acusados.




Depois, juízes trapalhões, que apanham com despachos a voltarem para trás por pouparem nas BIC.

Ah, e o único que até agora deu mostras de remar, e que remar, contra a maré, o Procurador João Guerra rapidamente seria afastado pela Defesa por motivos religiosos ...  Portanto como bonús ainda tinhamos o Cunha Rodrigues a dirigir a acusação.

Depois Saddam até teria cá testemunhas abonatórias, afinal todos os ilustres membros da velha Liga de Amizade Portugal-Iraque, cuja lista publicaremos brevemente, concerteza que não se inibiriam de dar uma palavrinha simpática ao agora prisioneiro, em nome dos velhos tempos e dos bons negócios de outrora

Em suma, melhor é impossível ...

Publicado por Manuel 18:40:00 0 comentários Links para este post  



Zidane!



Agora, já é oficial: Zidane voltou a ser o melhor do Mundo.

Zizou repetiu as conquistas de 1998 e 2000 e sucede a Ronaldo (2002) e a Figo (2001), seus companheiros de equipa no Real Madrid.

Escolher Zidane nunca pode ser uma decisão errada.

Zizou tem pormenores de sonho e será, de facto, o jogador mais virtuoso entre todos os que pisam os grandes palcos internacionais. Mas a minha aposta, este ano, recaía sobre Henry, que fez uma época soberba no Arsenal.

Thierry terá que se contentar com o segundo lugar, um claro sinal de que, no próximo ano, pode ser ele o eleito (tudo depende do que acontecer no Euro-2004).

Ronaldo foi o terceiro, Nedved o quarto. Aceita-se, mas alterava a ordem. Para mim, seria Henry o primeiro, Nedved o segundo, Zidane o terceiro e Ronaldo o quarto. O nosso Figo ficou em 11.º, já longe do pódio a que teve direito entre 1998 e 2001, mas ainda com lugar reservado no estrelato.

Mais: dois seleccionadores nacionais escolheram Figo como o melhor do Mundo. Um outro colocou-o em segundo, e mais quatro puseram-no em terceiro lugar.

O melhor jogador português ficou à frente de grandes nomes como Pablo Aimar, Ballack, Allesandro Nesta, Buffon, Kahn ou Michael Owen.

Bem bom para quem já o tinha dado como morto...

Publicado por André 16:55:00 0 comentários Links para este post  



Diariamente




«Para calar a boca: Rícino
Pra lavar a roupa: Omo
Para viagem longa: Jato
Para difíceis contas: Calculadora
Para o pneu na lona: Jacaré
Para a pantalona: Nesga
Para pular a onda: Litoral
Para lápis ter ponta: Apontador
Para o Pará e o Amazonas: Látex
Para parar na pamplona: Assis
Para trazer à tona: Homem - Rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: Marzipã
Para Adidas o Conga: Nacional
Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda -Sol
Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência
Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café
Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça Paladar
Para uma voz muito rouca: Hortelã
Para a cor roxa: Ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser moda: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado
Para a cama de mola: Hóspede
Para trancar bem a porta: Cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
Para quem não acorda: Balde
Para a letra torta: Pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: Amnésia
Pra estourar a pipoca: Barulho
Para quem se afoga: Isopor
Para levar na escola: Condução
Para os dias de folga: Namorado
Para o automóvel que capota: Guincho
Para fechar uma aposta: Paraninfo
Para quem se comporta: Brinde
Para a mulher que aborta: Repouso
Para saber a resposta: Vide - o - Verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: Hipofagi
Para a comida das orcas: Krill
Para o telefone que toca:
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta

Diariamente...»

«DIARIAMENTE», 1991
Letra: Nando Reis
Interpretação: Marisa Monte

Publicado por André 0:07:00 0 comentários Links para este post  



A insustentável leveza ...

«Morais Sarmento, c’est moi»

"Além de ministro já ninguém quer ir
Aquém de ministro já ninguém quer estar." [Pedro Oom]



Esta semana, o extraordinário Morais Sarmento deu um colossal uppercut no Código Cooperativo, maltratando vários artigos e, num assomo de cérebro em fogo, teve tempo de aplicar um golpe de olhos fechados (apoiado majority draw pela governação) à Fundação Espírito Santo, Fundação Calouste Gulbenkian e à Fundação de Serralves. Pelo caminho ficaram estendidas várias outras Fundações invocadas no combate de retórica politica, pareceres do Instituto Cooperativo António Sérgio e da CNAVES. Sendo certo que o swing do Ministro não é de desprezar na chicana técnica-jurídica, acontece que, fora o Professor Marcelo (esta noite falará na TVI sobre o facto politico: «Aconteceu-me uma Fundação»), meia dúzia de taxistas de Lisboa, um sabido comentador de futebol, a minha funcionária a dias e os amigos do Bloco Central, todos num shadow boxing a celebrar o sapiência de experiência feita e iluminada de Morais Sarmento, na restante populaça ilustrada o mutismo foi total, exemplar. Contrariamente, pois, aos que prescrevem melhor protagonismo explicativo das politicas governativas, bastou alguém aparecer - braço dado com antigos inquilinos do Bloco Central - dizendo: «Morais Sarmento c’est moi», para todos meterem uma resma de Códigos "entre as pernas" e velozmente partirem (Ferro Rodrigues deu o Amem) para outro peditório político. Estamos conversados.

masson in Almocreve das Petas

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Tudo o que tem um início tem um fim ...

Publicado por Manuel 10:58:00 0 comentários Links para este post  



Segundo o jornal 'A Capital' desta sexta feira a Câmara Municipal de Lisboa diminuiu em 36 por cento o orçamento para a segurança e aumentou em 150 por cento o orçamento para publicidade.

P.S. Amanhã vai ser o primeiro dia do, pouco, tempo que falta para a amizade entre Durão e Santana se romper outra vez ...

Publicado por Manuel 16:28:00 0 comentários Links para este post  

José Miguel Júdice, actual Bastonário da Ordem dos Advogados, é um dos sócios  de topo da PLMJ, apenas a maior e mais bem sucedida sociedade de advogados do País.

Hoje, no Expresso, JMJ, e mais uma vez, veio pronunciar-se sobre o negócio dos submarinos. JMJ, que via PLMJ, representa os franceses da DCM, vem dizer que...

considera que o concurso dos novos submarinos para a Marinha, atribuído aos alemãs do German Submarine Consortium, «é um processo chocante» e «um caso exemplar de como as coisas não devem ser feitas». O bastonário é o advogado da empresa francesa derrotada. a qual apresentou anteontem, no Supremo Tribunal Administrativo, recurso à decisão do Governo de adjudicar o fornecimento dos submarinos aos alemães.



Estas afirmações levantam, de novo, alguns pontos bastante  pertinentes: 
  • JMJ não confia na capacidade dos seus pares na PLMJ  para defender condignamente os interesses da  DCN.
  • JMJ não confia em termos latos nos seus pares para gerirem a carteira DCN.
  • os pontos anteriores não fazem sentido e JMJ está a usar a sua capacidade de Bastonário como, mais uma, forma de pressão sobre o poder ...
Talvez existam outras explicações para o estranho comportamento de JMJ que não as três  hipóteses aventadas acima mas quais ?

Para finalizar, e quanto a comportamentos chocantes, e porque às vezes a memória é curta,  foi a DCN que há alguns meses atrás fez publicar na Visão um enorme  suplemento publicitário sobre o dossier  submarino ...

N.A. Obviamente que esta Grande Loja defende uma decisão salomónica: Ainda ninguém conseguiu demonstrar cabalmente a utilidade real dos ditos submarinos nomeadamente para proteger a maior ZEE da UE. Assim anulava-se a compra dos ditos, adquiriam-se vasos de superfície mais leves e flexíveis, e com maior mobilidade e rapidez, modernizava-se a rede de radares costeiros como deve ser, e o Estado não só pouparia bastante como obteria  muito mais resultados (alguém em seu perfeito juízo está a ver os submarinos a serem úteis no combate à imigração ilegal ou ao desembarque ilícito de estupefacientes ?...)

Publicado por Manuel 13:27:00 0 comentários Links para este post  

Já aquí se falou disso, mas há gente que definitivamente ainda não percebeu o fenómeno blogosférico.

Os blogs não tem que ser mais rápidos ou mais lentos que os outros média. Os blogs são um média, com uma vida e dinâmica próprias. Há por aí  umas alminhas chocadas por a blogosfera  ter demorado  a responder ao artigo de José Pacheco Pereira no Público.



O que é que Pacheco disse, de novo, no Público, que não tivesse já sido dito noutro lado, na blogosfera por exemplo ?   A comentar por comentar, era hoje a reação patética de Santana ao mesmo Público ... 

Acho que a última coisa que o próprio JPP quererá para ele próprio é ser identificado como uma espécie de Dalí, que recorde-se tinha o hábito de assinar telas em branco,  da política nacional, em que qualquer coisa que diga, por mais banal e óbvia que seja, é fenómeno e notícia só por ser dita por ele ...



Uma última nota para o facto de Pacheco estar radiante por conjuntamente com outros dois blogs estar no top 100 da technorati. Em primeiro lugar, isto nada diz sobre audiências, em segundo lugar as companhias de JPP são de facto esclarecedoras. Dos três blogs mais linkados do país, um é uma "produção fictícia", o outro é porno-(pseudo)chique e finalmente temos o Abrupto. Para retrato do país acho que chega.

Pacheco
às vezes não as pensa ...

Publicado por Manuel 0:03:00 0 comentários Links para este post  



O fim

Rui Teixeira, juiz titular do processo Casa Pia...

Publicado por Carlos 19:40:00 0 comentários Links para este post  



o perú ...

Luís Delgado, gostava de ser o Ministro da Informação desta maioria. Gostava, mas não é, tem a garra, mas definitivamente não tem nem a lucidez nem a inteligência, muito menos a serenidade e bom senso pretendidos. Não passa de uma caixazeca de ressonância de meia dúzia de fantasmas e grupos de interesse  que se movem mais ou  menos na penumbra e dos quais LD, se assume periodicamente como moço dos recados.

Hoje decidiu dissertar sobre a "obsessão" de  Pacheco, o qual, note-se a objectividade, está numa campanha "isolada" contra (quem mais) Pedro Santana Lopes. Pelo menos  qual Irmã  Lúcia faz-nos uma revelação bombástica : O "Pedro está empenhado em perceber o sentimento político do centro-direita para as presidenciais, e sua capacidade". O leitor, e as leitoras, rebolam com esta mostra de intimidade.

Mas diz mais: Diz que "
Que Pacheco não quer o Pedro em Belém? Certo, problema dele. Que não quer uma aliança tácita e formal entre o PSD e o PP nas presidenciais? É remar contra o tempo, a maré, e o desejo da maioria."

Só fica uma dúvida, LD é militante do PSD ? Que autoridade já não falo opinativa, mas política, tem o comissário político Luís Delgado para afirmar taxativamente que "é remar contra o tempo, a maré, e o desejo da maioria"  não querer o tal Pedro aos pulos, a fazer figuras tristes, nos entretantos, e afirmar, que não só é extemporâneo falar de presidenciais até porque se há um candidato natural ele é obviamente Anibal Cavaco Silva ?



Mas há outra questão que escapa a Delgado. escapou a Pacheco mas não parece ter escapado ao sibilino, e por estes dias muito palrador e risonho, Professor Marcelo.

Falta muito tempo para o Congresso do PSD. O  Santana  sabe muito  bem como estas coisas dos apoios são voláteis, sabe ainda melhor que as coisas no governo não estão famosas e ainda esta semana na SIC tivemos esse espectáculo fabuloso que foi o primeiro vice-presidente do PSD pura e simplesmente abdicar de defender o, seu, Governo.

E se Santana não estiver a pensar, apenas, nas presidenciais ?

E se o Lopes estiver a pensar que Durão não se aguenta nas canelas ?

E se o Lopes, com o silêncio tácito de Portas, provocar um Congresso antecipado e resolver tentar substituir Durão, quer de líder do PSD, quer de PM ?

Marcelo esse equaciona esse cenário: Por isso, aparece dia sim, dia não a dar conselhos ao Governo, sem se colar, e em simultâneo marca Santana. Na cabecinha  do Professor, este já se vê como o salvador que vai fazer a rodagem de uma nova gravata salvando in extremis Durão de uma saída demasiado desonrosa e barrando Santana ...

Publicado por Manuel 18:09:00 0 comentários Links para este post  



Já chega

Não, não é embirração: é uma simples constatação de um facto.

Baía está num dos melhores momentos de forma da sua carreira. No seu caso, isso quer dizer que está a um nível próxima da excelência.



Se Scolari viu o Real Madrid-FC Porto (era o que faltava se o seleccionador de Portugal não tivesse visto um jogo da Liga dos Campeões em que participou uma equipa portuguesa...), das duas uma:

- ou mudou finalmente de ideias e vai chamar o grande Baía à selecção, evitando aquele que seria o maior erro da sua carreira;

-- ou mantém a estupidez de o deixar de fora, passando a si próprio um atestado de incompetência.

Como é que é Felipão? Mudar, por vezes, não é um sinal de fraqueza. É um sinal de inteligência.

P.S.: a propósito: se Baía é indiscutivelmente o melhor guarda-redes português do momento, convém ainda dizer que Ricardo nem sequer é o segundo. Basta ver um jogo do Braga para perceber que Quim está bem melhor... Faltam seis meses para começar o Euro. Começa a ser tempo de acabar com a brincadeira.

Publicado por André 13:35:00 0 comentários Links para este post  



Nunca é Tarde para se ter uma Infância Feliz


«A gente já não sabe o que há-de fazer com a lua
Gerou-se um curto-circuito no canal telepático
E a caverna clandestina por detrás da cascata
Onde os amantes se entregavam à eternidade
Hoje não passa dum moderno armazém de sucata

Existem mil produtos para encher o vazio
Criámos computadores para ampliar a memória
E todos nós temos disfarces para aumentar a confusão
Só não sabemos como fazer o amor durar
O grande enigma continua a dar-nos cabo do coração

"Olá, a que horas parte o teu comboio?
O meu é às cinco e trinta e três
Ainda falta um bom bocado,
Queres contar-me a tua história?
Espera, deixa-me adivinhar,
Vais recomeçar noutro lado...
Trazes escrito na bagagem
Que a coisa aqui não deu...
Quanto a mim, também me sinto um pouco desenraízado... "

Também o amor se adapta às leis da economia
Investe-se a curto prazo e reduz-se a energia
E quando o barco vai ao fundo ninguém quer ser culpado
Mas nunca é tarde para se ter uma infância feliz
O cavaleiro solitário ainda sonha acordado
AIÔ - AIÔ - AIÔ - AAAAAHHH!
AIÔ - AIÔ - AIÔ - AAAAAHHH!
AIÔ - AIÔ - AIÔ - AAAAAHHH!
AIÔ - AIÔ - AIÔ - AAAAAHHH!»

«NUNCA É TARDE PARA SE TER UMA INFÂNCIA FELIZ», Jorge Palma, 1985


Publicado por André 9:40:00 0 comentários Links para este post  



elementar, meus caros ...

Do JN ...

O advogado António Marinho vai lançar, hoje, em Lisboa, o livro "As faces da Justiça". Uma obra profundamente crítica ao sistema judicial português e que promete gerar enorme polémica, sobretudo, entre a classe dos magistrados.
Hoje, é a vez de António Arnaut, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, apresentar o livro, na Casa da Imprensa.


Publicado por Manuel 1:08:00 0 comentários Links para este post  



crimes sem castigo ...


(...) Gosto é de alguma razoabilidade, seriedade se quiserem. Ora é isso que não vejo na GL. Aquilo é um simples chorrilho de disparates embrulhado de muita prosápia. A GL está para o debate de ideias como o terrorismo está para a política.(...) Cometi o crime de num dos textos criticar a «ambivalência» da GL quanto a este assunto. Por um motivo claríssimo: não percebo como se pode defender que as investigações vão até ao fim no Continente e nos Açores e se defenda a inacção na Madeira, sob a alegação de que investigar a Madeira iria encobrir o resto.(...)

jmf in Terras do Nunca



Nós gostavamos de saber onde é que escrevemos, e ou defendemos, que  "investigar a Madeira iria encobrir o resto", dado que, passe o fumo todo acima, foi, e continua a ser, essa a questão central, porque aquí não foi de certeza. Quanto ao resto o leitor saberá julgar ...

N.A. para contextualizar melhor a coisa a polémica iniciou-se quando enviamos ao Autor do Terras do Nunca via email um pedido de esclarecimento com o seguinte texto:

Nós agradeciamos que nos aclarasse sobre qual foi a parte que não percebeu do  post "para memória futura: O pântano, ou o regresso do equílibrio no terror" e que lhe permitiu tirar as brilhantes conclusões que infere no seu post "Tragédias, ambivalências" . É que parece-nos que não leu bem o nosso post e a, mera, insinuação de ambivalência é "per se" insultuosa ... 

Saudações da Grande Loja


É ao email acima citado que jmf se refere aquí. E depois os terroristas somos nós ...

Publicado por Manuel 23:05:00 0 comentários Links para este post  



entretanto ...

... o Gato Preto contínua a dar que pensar .

Publicado por Manuel 22:00:00 0 comentários Links para este post  

Segundo a Lusa ...

"O ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, considerou hoje que a transformação da Universidade Lusíada de cooperativa em fundação era a única solução para evitar que os seus estabelecimentos de ensino encerrassem por um prazo longo."

Isto deve ser o mercado a funcionar mas, em primeiro lugar não sabiamos que a Lusíada estava a beira da falência, da insolvência ou de qualquer outro estado que pudesse provocar que "os seus estabelecimentos de ensino encerrassem" a médio prazo e  em segundo lugar, e como normalmente as coisas encerram por questões financeiras (e os nossos amáveis leitores que nos corrijam se este raciocínio estiver errado), ficamos a saber, por  uma voz absolutamente insuspeita,  que vai ser com o que a nova Lusíada vai pagar a menos ao Estado que se vai garantir a sobrevivência da mesma.



Entretanto, e ainda segundo a mesma Lusa,

A administração da empresa francesa DCN pediu quinta-feira ao Supremo Tribunal Administrativo (STA) a anulação da decisão do Governo de adjudicar a compra de dois submarinos aos alemães da HDW, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

Este recurso (contencioso de anulação) deu entrada no STA e foi acompanhado de pareceres dos professores Marcelo Rebelo de Sousa e Robin de Andrade.

Ao mesmo tempo, a empresa francesa fez um pedido de suspensão da eficácia do acto de adjudicar aos seus concorrentes alemães a compra dos dois submarinos, devendo o STA notificar o Governo desta situação.

A adjudicação do contrato de fornecimento das duas embarcações foi feita à alemã GSC, consórcio liderado pela Howaldtswerke-Deutsch Werft (HDW), por 842,6 milhões de euros.

Como diria Jorge Sampaio, as instituições funcionam.

Publicado por Manuel 21:44:00 0 comentários Links para este post  



fala quem sabe ...



O circo tem até os seus bobos, os comentadores -- uma espécie de caixeiros viajantes do comentário -- cujas palavras fáceis servem sobretudo para tilintar na caixa registradora dos próprios, e na do patrão.

Jorge Van Krieken, sobre a Casa Pia


Publicado por Manuel 21:00:00 0 comentários Links para este post  



Legião Urbana


«Não tinha medo, o tal João de Santo Cristo,
Era o que todos diziam quando ele se perdeu.
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu.
Quando criança só pensava em ser bandido,
Ainda mais quando com um tiro de um soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu.

Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar.
Sentia mesmo que era mesmo diferente
E sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria, escolheu a solidão

Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze foi mandado para o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.

Não entendia como a vida funcionava -
Discriminação por causa de sua classe ou sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.

E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou com um boiadeiro com quem foi falar
o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar.
Dizia ele: - Estou indo pra Brasília,
Neste país lugar melhor não há.
Estou precisando visitar a minha filha
Então fico aqui e você vai no meu lugar.

E João aceitou sua proposta e num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal.
- Meu Deus, que cidade linda,
No ano-novo eu começo a trabalhar.
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava três mil por mês em Taguatinga.

Na sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô:
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar.

E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mas conversa e decidiu que,
Como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E, sem ser crucificado, a plantação foi começar.

Logo logo os maluco da cidade souberam da novidade:
- Tem bagulho bom aí!
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos traficantes dali.
Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente, sob uma má influência dos Boyzinhos da cidade
Começou a roubar.

Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês.

Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal.
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general.
Foi quando conheceu uma menina
E de todos seus pecados ele se arrependeu.
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele
Pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
- Maria Lúcia pra sempre eu vou te amar
E um filho com você eu quero ter.

O tempo passa e um dia vem à porta um senhor de alta classe com dinheiro a mão
E ele faz uma proposta indecorosa e diz que quer uma resposta
Uma resposta de João:
- Não boto bomba em banca de jornal nem em colégio de criança
Isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas, que fica atrás da mesa
Com o cú na mão.
E é melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião.
Mas antes de sair com ódio no olhar o velho disse:
- Você perdeu sua vida meu irmão.

Você perdeu a sua vida meu irmão. Você perdeu a sua vida meu irmão.
Essa palavras vão entrar no coração
E eu vou sofrer as conseqüências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certo
E seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro
Trabalhado em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia e Santo Cristo revendia em Planaltina.

Mas acontece que um tal de Jeremias, traficante de renome
Apareceu por lá,
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
E o Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que o Jeremias começasse a brigar.

(O Jeremias, maconheiro sem-vergonha, organizou a Rockonha
E fez todo mundo dançar.)

Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente mas não sabia rezar.

E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
- Eu vou embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já tá em tempo da gente se casar.

Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia, Jeremias se casou
E um filho nela ele fez.

Santo Cristo era só ódio por dentro e então o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanhã às duas hora na Ceilândia, em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia, aquela menina falsa pra que jurei o meu amor

Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter na televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão.

No sábado então, às duas horas, todo povo
Sem demora foi lá só pra assistir
Um homem que atirava pelas costa
E acertou o Santo Cristo começou a sorrir.
Sentido o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo ali.

E se lembrou de quando era uma criança e de tudo que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
- Se a via-crucis virou circo, estou aqui.

E nisso o sol cegou seus olhos e então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester-22
A arma que seu primo Pablo lhe deu.

- Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é.
E não atiro pelas costas não.
Olha pra cá filha da puta, sem-vergonha,
Dá uma olhada no meu sangue
E vem sentir o teu perdão.

E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor.

E o povo declarava que João de Santo Cristo era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade não acreditou na estória que eles viram na TV
E o João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente
Que só faz sofrer»



«FAROESTE CABOCLO», Legião Urbana
Letra: Renato Russo



No passado dia 11 de Outubro, passaram sete anos da morte de Renato Russo.

Quem era? Era o líder dos «Legião Urbana», o seu criador, o autor das letras e o vocalista. Mas era muito mais do que isso. Para muitos, era um deus. A sua morte prematura elevou-o à figura de Mito.

A Grande Loja está a preparar um texto aprofundado sobre os Legião Urbana e, em especial, sobre a figura, interessantíssima, de Renato Russo. Está para breve...

Publicado por André 20:30:00 0 comentários Links para este post  



mercearias ...



Para colmatar o déficit informativo da plebe, e apesar de sabermos que não tem nada a ver, mas só por curiosidade, e fazendo contas por alto, atendendo a  outros casos semelhantes já enunciados por Nuno Morais Sarmento esta tarde,  a mudança de estatuto da entidade que controla a Universidade Lusíada para fundação poderá vir a permitir, mais tarde ou mais cedo, aos Estado perder qualquer coisa  como  um milhão de €uros/ano de receitas fiscais ...

P.S. Apesar do que possa agora vir a ser dito se o regime legal que rege as cooperativas fosse assim tão simpático ninguém quereria dar o  salto  para Fundação ... Ah, se o clã Braga Gonçalves se tivesse lembrado desta a tempo ...

Publicado por Manuel 19:31:00 0 comentários Links para este post  



directamente do Expresso Online ...



 
NOS meus tempos de miúdo, havia uma secção nalguns jornais, como o «Diário Popular», e revistas de aventuras que despertava sempre a minha curiosidade. Intitulava-se «Acredite se quiser...» e era um misto de retratos do insólito e de jornal do incrível, onde se relatavam factos extravagantes e acontecimentos inacreditáveis.
 
Desde então, há frases e atitudes de responsáveis políticos que, pela sua inverosimilhança ou hipocrisia, me fazem lembrar, inevitavelmente, essa fantástica secção. É o caso de algumas afirmações recentes dos mais lídimos representantes do populismo político português, Santana Lopes e Paulo Portas (e já não se incluem os disparates do mais novo «compagnon de route» de ambos, Alberto João Jardim, para poupar os leitores do Online).
 
Diz Santana Lopes que «o mais natural será candidatar-me a um segundo mandato em Lisboa, mas vamos ter que esperar. Eu não sou de obsessões». E assalta-nos, de imediato, a pergunta: Onde é que eu já ouvi isto? Na Figueira da Foz? No Sporting?
 
E, como se vestisse outra pele e passasse uma esponja sobre tudo o que tem dito e feito desde há um ano, acrescenta: «Este ainda não é o tempo de falar de eleições presidenciais. O que se disser sobre o assunto não ajuda nada». Durão Barroso ainda deve estar de boca aberta depois de ter lido tal afirmação e confirmado quem era o autor. Santana Lopes, ele mesmo, que num último requinte para os mais incrédulos, conclui: «Nas eleições presidenciais não pode haver um miligrama de irresponsabilidade». Acredite se quiser...
 
Por seu lado, Paulo Portas, que redescobriu agora, a propósito da revisão da Constituição e das homenagens a Maggiolo Gouveia, a sua vocação de neocolonialista retardado, veio informar o país que o «dr. Mário Soares também cometeu erros trágicos, como na descolonização». E no combate que travou durante 30 anos contra a ditadura e o colonialismo, esqueceu-se de acrescentar.
 
Não se conteve, no entanto, de dissertar sobre «as três derrotas» que Mário Soares sofreu recentemente: «João Soares perdeu as eleições para a Câmara de Lisboa; Maria Barroso não se manteve à frente da Cruz Vermelha Portuguesa; Jorge Sampaio é o Presidente da República». Pacheco Pereira já salientou o significado de Portas se referir nestes termos ao afastamento político (que ele próprio promoveu!) de Maria Barroso. Mas a referência a Jorge Sampaio não lhe fica atrás, no que respeita à elegância política e ao sentido de Estado que se esperam de um ministro de Estado e da Defesa.
 
Acredite, se quiser, que é a esta dupla Santana/Portas que a direita quer entregar os destinos do país.

Publicado por Manuel 16:58:00 0 comentários Links para este post  




"Pequenos Crimes entre Amigos"

Grande filme. No fim morreram todos.
(mataram-se uns aos outros)



Publicado por Manuel 14:33:00 0 comentários Links para este post  



game over

Barrosocaiu da cadeira. Pacheco dixit


“O GOVERNO TEM QUE EXPLICAR MELHOR AS SUAS POLÍTICAS”

sempre me pareceu um falso problema. O governo tem é que governar melhor, não “explicar melhor”. As boas políticas explicam-se a si próprias e as políticas impopulares tem sucesso quando os seus autores têm credibilidade. As pessoas torcem o nariz, protestam, mas, ou acreditam nos governantes ou não. Não há marketing que, a prazo, transforme uma má política numa boa, nem “explicação” que substitua a confiança.

          

Publicado por Manuel 22:22:00 0 comentários Links para este post  



breve ensaio sobre a cegueira.



Desculpem-me a franqueza mas o autor do Terras do Nunca é literalmente um neo-revisionista.

Onde ocorrem conversas sérias sobre problemas reais vê o "empobrecimento do debate a que assistimos por todo o lado"

Permite-se a veleidade do alto do Olimpo de escrever nacos como "Tivesse eu a mania da perseguição ou simplesmente o raciocínio apressado que faz os nossos dias e a esta hora estaria aqui a escrever que a blogosfera portuguesa foi atacada por uma conspiração judaica. Isto a avaliar pelo volume, e por vezes o tom, das reacções que surgem sempre que se fala de judeus, anti-semitismo e temas conexos", etc, etc, ...

Para quem vê o empobrecimento do debate e cabalas, de presumiveis lunáticos, em todo o lado, a interpretação que é feita de uma prosa nossa, entitulada "para memória futura:  O pântano, ou o regresso do equílibrio no terror", e posterior explicação dessa interpretação, são do mais puro terrorismo e desonestidade intelectual possiveis.

Mas vamos por partes, diz jmf:

A minha discordância com a GL começa logo na interpretação das palavras de Soares. O homem compara a investigação nos Açores com a falta de investigação na Madeira, não fala no Continente. Por isso, acho que não faz sentido falar em «branqueamento» do que se passa no Continente.

O problema do discurso de Soares é outro e infinitamente mais grave! Soares relativiza objectivamente o crime que é a pedofilia, já que nos  Açores não terá morrido ninguém  (os  infelizes até seriam "bem" pagos, não o disse mas de certeza pensou) enquanto  que na Madeira terão existido vítimas.

Ora o problema é que a pedofilia não é mais ou menos crime, não é mais ou menos hedionda, dependendo desse tipo de efeitos colaterais.

É abominável, ponto final.

Em segundo lugar, é óbvio  como o  FNV do Mar Salgado em boa hora apontou que "Soares está uma vez mais a insinuar que nestas "coisas" os tribunais, a PJ, a Procuradoria, o MP, têm uma bitola diferente consoante se trata do PS ou do PSD, favorecendo claramente este último".

Ora isto tem tudo, mas tudo, a ver com o que se passa no Continente.

É esta a essência  da tese da Cabala!

depois vem,

Depois, parece-me que Soares diz explicitamente que gostaria de ver tudo investigado e não implicitamente que gostaria de ver tudo abafado. [É curioso, freudiano mesmo, que a GL quando fala em «ilhas» esteja a pensar na Madeira e quando fala em «Continente» baralhe o verdadeiro continente com os Açores - gato escondido... ou a política a baralhar o raciocínio.]

Eu quando falei em ilhas não fiz distinção de arquipélagos, ponto final. Freudiano, ou pavloviano, é tresler o contrário.

Além de que é absolutamente insultuoso insinuar sequer que por razões partidárias fazemos distinções.  Nesse capítulo, e em particular no que à pedofilia diz respeito, os nossos arquivos falam por sí.   

Quanto à peregrina tese de que Soares quer tudo explicadinho, esta  é linda, tão densa que para Soares a explicação/insinuação é a tese da cabala pura e dura.

a rematar temos ...

Discordo também da GL quando faz uma referência ao «bloco central» para recusar uma lógica de contrapesos na investigação. Porque não é nada disso que está em causa. O que está em causa é que, há vários anos, que se fala em rumores de pedofilia nos Açores, na Madeira e no Continente. [Ontem, Mota Amaral, diz que no seu tempo, há uma década, já havia rumores, e o que me espanta é que ninguém se espante que só agora estejam a ser feitas investigações]. Pois bem, o que Soares disse, embora de forma atabalhoada, é que se investiguem todos os rumores. Porque a lógica de justiça tipo bloco central, que a GL tanto abomina, parece ter sido substituída por uma lógica de justiça tipo AD, em que só se investigam os rumores se a investigação prejudicar um determinado lado.
Acima de tudo, não vejo como é que eventuais investigações na Madeira poderiam branquear, ou sequer ofuscar, as que decorrem no Continente ou nos Açores.

Aquí jmf, enfim revela-se e subscreve finalmente, e na integra, a tese da cabala ao admitir a sua sedução pela "lógica de justiça tipo AD"

Quanto ao facto de jmf  não ver ligações entre as ilhas e o continente nós explicamos: Nos três lados há, só e apenas, pedófilos.  Não há  alminhas inocentadas à partida por serem da cor A, B ou C nem alminhas  condenadas à partida por serem  da cor contrária.  Não há meio termo possível. 

Ora  não foi nada disto que Mário Soares veio dizer, nem de perto nem de longe. Mário Soares veio lançar (novas) suspeitas de maquinação pura e simplesmente.

Antes já jmf se tinha descaído ao  dizer que "Soares fala daquilo de que toda a gente fala. Infelizmente, não lhe posso dizer mais nada, sob o risco de ser acusado de Muito Mentiroso."

Como ? Muito Mentiroso ? aquilo  era credível ? alguma vez foi ? uma das mais cobardes e sacanas campanhas de contra-informção de que há memória e jmf diz que se falar pode ser confundido com esses patrioteirozecos do GOVD ? é essa a referência moral do jmf ?

Voltando à cabala, e porque cada um acredita no que quer, e muitos jmfs existiam no tempo da República de Weimar, só uma perguntinha a jmf: Admitamos por absurdo que o PS e Ferro tinham razão na questão da cabala e no envolvimento da dupla Portas/Pedro Guerra. Como se explica então que o mesmo PS tenha agora entregue de bandeja a tutela do DIMIL a Portas ? É uma questão bem mais importante que os perús e discursos de plástico  ...

P.S. jmf não tem que concordar connosco, estamos em democracia. O que tem é de ler e comentar, se quiser, o que os outros realmente escrevem e não posts ficcionados. A insinuação de que o nosso primeiro post é "ambivalente" é tão torpe que não nos merece qualquer comentário.

Publicado por Manuel 21:21:00 0 comentários Links para este post  



oops...

Naquilo que o próprio classificou como "sacudir a água do capote", hoje no Público, José Miguel Júdice, a dada altura, no ponto 13 promove Sócrates a eminente filósofo sofista. É aquilo a que se pode chamar a "calinada  padrão" .



Sobre o resto não vale a pena falar, já foi tudo dito.

Publicado por Manuel 19:36:00 0 comentários Links para este post  



O fim da picada

Pimenta Machado não pára de nos surpreender. Depois de ter que pagar, há pouco mais de um ano, uma caução de...

... um milhão de euros para não ficar detido, eis que tira da cartola essa pérola dos treinadores portugueses que é Jorge Jesus.



Ao que isto chegou....

Publicado por André 12:53:00 0 comentários Links para este post  



Separados à nascença

Porque hoje é quarta-feira......

Sheikh Ahmed Yassin



Sauroman



Publicado por Carlos 11:58:00 0 comentários Links para este post  



para memória futura:

O pântano, ou o regresso do equílibrio no terror

Agora estalou na blogosfera e arredores um murmúrio acerca de umas enigmáticas declarações do Dr. Mário Soares à SIC-Notícias onde, e a propósito do escandalo pédofilo em propagação nos Açores,  parece que terá afirmado qualquer coisa como "há três anos houve uma coisa parecida na Madeira, pior porque até morreu uma criança, e nunca se soube de nada, não se investigou.".

Eu sobre esta matéria julgava  que no Mar Salgado tinha sido dita a única coisa que havia para dizer e ponto final. Mas não, afinal havia muito para dizer e logo houve quem recordasse os "anos eufóricos do cavaquismo"(!), não sei se a causa de todos os males.

Alberto João Jardim está no poder desde 1978 e pode, como é dito no Terras do Nunca ser completamente inimputável mas se o é, é-o simplesmente porque as pessoas o deixam ser e todos os Governos deixaram.

A inimputabilidade de Jardim, a pedofilia nos Açores, como a fome em África, a droga e a SIDA ou os massacres no Ruanda há muito que não ferem as nossas boas consciências...

Pura e simplesmente não ligamos, ou é longe ou é sempre com outros ou são causas perdidas que só acontecem a terceiros, dizem muitos para sí próprios. E é este não ligar, esta indiferença que depois  nos causa espanto quando a coisa não é nos confins  da Terra, é cá no continente, com gente conhecida, se calhar na casa do vizinho do lado.



É por estas e por outras que seria trágico que em nome, claro, do interesse nacional, do bloco central dos interesses, se viesse a desviar, como está objectivamente implícito nas nada inocentes palavras de Soares, para as ilhas toda a fúria  acumulada  por décadas de  () consciência, e problemas oftalmológicos,  para que cá no continente fiquem todos subitamente branqueados...  Não que não se  deva  investigar  tudo, em todo o lado, e até às últimas consequências, mas nunca, jamais, numa qualquer lógica "do toma lá dá cá", do tit for tat  ...
 

Publicado por Manuel 7:01:00 0 comentários Links para este post  

Num dos clássicos da Economia Política aparece escrito que todas as leis ou regulamentos propostas por homens de negócios devem ser encaradas com extrema cautela e suspeita, porque "é geralmente do interesse deles enganar ou mesmo oprimir o público".

Quem é o autor desta frase ? Karl Marx ? Não, meus amigos!

A frase foi escrita pelo pai  da moderna teoria económica , Adam Smith na "Riqueza das Nações":

(...) The interest of the dealers, however, in any particular branch of trade or manufactures, is always in some respects different from, and even opposite to, that of the public.

To widen the market, and to narrow the competition, is always the interest of the dealers.

To widen the market may frequently be agreeable enough to the interest of the public ; but to narrow the competition must always be against it, and can only serve to enable the dealers, by raising their profits above what they naturally would be, to levy, for their own benefit, an absurd tax upon the rest of their fellow-citizens.

The proposal of any new law or regulation of commerce which comes from this order, ought always to be listened to with great precaution, and ought never to be adopted till after having been long and carefully examined, not only with the most scrupulous, but with the most suspicious attention. It comes from an order of men, whose interest is never exactly the same with that of the public, who have generally an interest to deceive and even to oppress the public, and who accordingly have, upon many occasions, both deceived and oppressed it. (...)




P.S. Tavares Moreira, ex-governador do Banco de Portugal e por este  impedido de exercer actividade na banca, a ser investigada pela PGR por indícios de "ocultação de prejuízos e manipulação de contas" aquando da sua passagem pelo Conselho de  Administração do   Central - banco de investimento , teve de demitir-se da administração do Banco Africano de Investimento mas continua alegremente deputado e porta-voz para a área financeira do PSD porque caso contrário, e segundo o próprio, "isso significaria dar razão ao Banco de Portugal". Ora para além  da insustentabilidade e absoluto delírio deste peregrino raciocínio (que abole entre outras coisas o conceito de  prisão preventiva ...) começa a ser incrível o facto de Tavares Moreira, ainda não ter feito as malas, e passado à reserva, pelo menos até que tudo esteja esclarecido. Parece que espera que se fale na mala... Com amigos assim não há consultores de imagem que valham a Durão Barroso.

Publicado por Manuel 4:47:00 0 comentários Links para este post  



Isto de se, querer, ser mais papista que o Papa tem muito que se lhe diga. Tal como previsto, hoje Luís Delgado pinta um quadro cor de rosa derivado da divulgação das últimas estatísticas do INE relativas ao PIB, assim remata a sua prosa afirmando:

(...) A queda do dólar também está a ajudar a economia nacional, na parte dos custos, particularmente na factura do petróleo, que usa a moeda norte-americana como referência.
Afinal, nem tudo era tão mau como os profetas da desgraça proclamaram no início deste ano.


Como, ainda, há gente lúcida neste País, no mesmo DN, Franscisco Sarsfield Cabral termina a crónica dele perorando:

Ora uma queda brutal do dólar, com a inerente subida do euro, daria uma machadada nas exportações europeias, liquidando no ovo a recuperação económica da zona euro. E levaria a uma subida dos juros nos EUA, travando a actual expansão.

 Qod Erat Demonstrandum

Publicado por Manuel 1:44:00 0 comentários Links para este post  



o abuso de Poder segundo José Pacheco Pereira ...


SENTIDO DE ESTADO

Segundo os jornais, Paulo Portas terá dito que Mário Soares terá “sofrido recentemente «três derrotas». A saber: «João Soares (filho) perdeu as eleições para a Câmara Municipal de Lisboa; Maria Barroso (mulher) não se manteve à frente da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP); Jorge Sampaio é o Presidente da República.»



Portas, como dirigente partidário, pode falar do primeiro e último facto como “derrotas”, nunca do segundo, o afastamento de Maria Barroso da Cruz Vermelha, pelo Ministro da Defesa, ele próprio. Porque se é assim,a razão para o afastamento de Maria Barroso foi por motivos políticos e por ser esposa de Mário Soares, e isso configura um acto de retaliação inaceitável num estado democrático. Pela boca morre o peixe.

Publicado por Manuel 0:37:00 0 comentários Links para este post  



o nevoeiro já está aí­ ...

Apesar da reformulação o INE continua alegrem ente ao lado das forças de bloqueio. já que "a economia portuguesa contraiu-se 0,9 por cento no terceiro trimestre do ano, em comparação com o período homólogo transacto, revelaInstituto Nacional de Estatística (INE)". Nada de novo portanto.



Novidade, novidade serão os argumentos aduzidos pelo inabalável Luís Delgado amanhã no DN. Mais do mesmo, claro está ...

Publicado por Manuel 19:19:00 0 comentários Links para este post  



sinais ...

Ainda no Diário Económico Raul Vaz pensa em voz alta ...

"Procura e encontrarás..."

P.S. A investigação à pedofilia aterrou nos Açores sem fazer escala na Madeira. Não fará parte da cabala, mas não deixa de ser estranho. Por que será? Por nada, certamente.


Pois, só que às vezes há coisas que nem o interesse nacional consegue contornar e a determinação é uma delas ...

Publicado por Manuel 17:36:00 0 comentários Links para este post  

O jornal PÚBLICO é óptimo para aquelas alturas em que não se passa nada. A malta de lá, quando assim é, mete a cabeça a funcionar e sai com coisas extraordinárias. A última foi a colecçãoo de textos sobre a geração seguinte no PS.

À boa maneira siciliana, os quatro candidatos têm uma marca. Tal como «Manny, o degolador», «Rizzo, o corta-mãos» ou «Mário, o avental» - tudo gente das minhas relações, como podem comprovar através da foto da ficha técnica -, a famí­lia (com caixa-baixa) socialista, segundo o Público, também tem os seus hitmen. Homens de fino porte, cujas proezas passaram já à categoria de mitos no sub-mundo das Famílias.

A saber:

Costa, o político



Sócrates, o mediático



Assis, o intelectual



Seguro, o profissional



Os interessados devem imprimir formulário e enviar para a Grande Loja.


Publicado por Carlos 15:15:00 0 comentários Links para este post  

Notável a prosa que se cita abaixo, do Diário Económico e com a vénia devida, sobre a guerrilha interna no sector da economia e arredores...

A seita

António Cunha Vaz

Conta-se que Mobutu Sesse Seku era um homem determinado na gestão do seu país.  E para que o povo não fosse prejudicado por alguma hesitação na gestão da coisa pública muitas são as histórias sobre medidas que, na Europa, só são comparáveis em dureza às que Manuela Ferreira Leite toma em defesa do controlo do défice ou à que o Senhor Prodi tomará, estou certo, em relação à França e à Alemanha. E de Mobutu em concreto se diz que, desconfiando da lealdade de um dos membros do seu governo, convocou um conselho de ministros ao qual não compareceu. Mandou, em seu lugar e com poderes para sanar a situação, um acólito do exército que, na dúvida, “demitiu” permanentemente de funções todo o elenco governamental. Ao autor destas linhas aconteceu que três cheques lhe foram passados e todos os três devolvidos. Contactou o facínora sobre quem tinha os créditos informando-o que os iria depositar no dia seguinte. Não conhecendo, ao tempo, o Presidente Mobutu, contentou-se com a resposta: “Ó dr., deposi-tá-los amanhã é uma desonestidade da sua parte porque sabe muito bem que não têm cobertura”. E esta relação entre a política e a economia não foi aqui trazida a despropósito. Diz-se que há um plano maquiavélico para derrubar o Ministro da Economia, substituindo-o, em posto, por candidatos de vária origem, como institutos públicos, empresas públicas e mesmo multinacionais ou institutos superiores de educação pós-licenciatura.

Diz-se que o ministro é mau, que cada semana que passa é mais um tiro no pé, que a Portucel foi o fim, que a ligação aos espanhóis é excessiva, que este plano da CGD em Espanha é para facilitar a vida aos ditos cá dentro, que quem o determinou foi o Primeiro-ministro na reunião com Aznar, enfim …que o Primeiro já lhe retirou dossiers, entre outras maldades. Diz-se, com igual frequência, que um presidente de um instituto público - que se prepara ou que está a ser preparado com afinco para ser membro do governo - teria afirmado perante colaboradores que o seu ministro “é um ministro de passagem, o próximo é muito melhor e até já foi patrão dele;” e “…, asseguro que durante esse outro tempo nunca vi o tal ministro fazer nada que o destacasse.” E o que faz o ministro? Convoca uma reunião com os vários presidentes de institutos públicos ou empresas participadas pelo Estado ou, ainda, restantes candidatos ao seu lugar? Falta à reunião e manda uma qualquer sétima escolha para secretário de estado demiti-los sem ser definitivamente, como Mobutu, claro - e põe cobro à situação?
Não! A grande diferença entre Carlos Tavares e Mobutu é o profundo sentido democrático que move o primeiro. E o Ministro tem dado uma grande lição. Se estou errado é que é pena e tudo o que eu julgava estratégia de Ministro da economia pode não passar de uma grosseira fuga de informação, só comparável àquela que aconteceu quando Veiga Simão decidiu - também com profundo espírito democrático - divulgar a lista dos espiões.

É que só um apurado sentido de democracia participativa pode justificar que os jornais de fim-de-semana, num momento em que está mais que nunca acesa a disputa entre um Ministro e alguns dos seus tutelados, sejam nutridos com tanta notícia apetitosa e tanta informação confidencial. E a novela promete continuar, porque explicar devagarinho é garantia do palco que, quer o ministro, quer os seus putativos sucessores apreciam. Fala-se de negócios imobiliários entre empresas participadas pelo estado e amigos dos seus dirigentes, bem como de divergências entre comissões de trabalhadores das mesmas empresas e a actual gestão, ilibando de responsabilidades as gestões anteriores, como que a pedido. Da suposta existência de uma nova confraria, a caminho - há quem me garanta que a mais de meio do caminho - de ser tão poderosa como a Opus Dei e a Maçonaria, mas integrada por gente que, não querendo correr qualquer risco pessoal, está disposta a vender o país aos espanhóis - o eterno perigo - apenas para garantir um lugar ao sol. São as mensagens sobre o efectivo poder do ministro que não quer deixar de ser ministro e sobre o presidente do instituto público que não é o único candidato a ministro. Sobre alguns de entre os jovens da nova confraria, que, na sua ânsia de gerir confortavelmente o risco que outros correm, também querem o lugar em causa. As notícias de que alguns dos criadores destas jovens criaturas, face ao resultado da sua criação se distanciam delas, lavando as mãos …
Certo é que “Na seita não há papão. Tudo tem explicação”.


para bom entendedor ...

Publicado por Manuel 10:03:00 0 comentários Links para este post  



"Carinho Lusófono"

se fosse escrito por alguma luminária direitista, imagino o que diria (e se calhar muito bem) alguma esquerda disto. Mas como é um ilustre socialista ninguém comenta ...

Publicado por Manuel 1:56:00 0 comentários Links para este post  



Ana Teresa Pereira

«Costumava chamar-me anjo. Coisas que um homem diz à mulher que ama»
(Iris Murdoch)


Descobri a escrita de Ana Teresa Pereira no Verão de 1998. Estava em Lagos, em férias, e uma entrevista no suplemento cultural do «Público» despertou-me um interesse inusitado. Quem seria aquela escritora enigmática, de quem nunca tinha ouvido falar? O título destacava uma forma estranha, mas terrivelmente cativante, que decidi averiguar: «Normalmente sou vampiresca».



Já não me lembro se essa entrevista foi feita a propósito do lançamento de «A Coisa Que Eu Sou» ou se de «As Rosas Mortas». O que sei é que tive, ainda que nada tenha feito por isso, a sorte de encontrar uma entrevista concedida pela minha autora preferida. Ana Teresa Pereira raramente dá uma entrevista. Raramente aparece em público. Vive no seu mundo muito próprio, habitado por casas no meio da floresta, raparigas de cabelo ruivo, muito magras, que descobrem, numa tarde de Verão, o seu lado negro. «Normalmente sou vampiresca», dizia Ana Teresa Pereira nessa entrevista. Decidi investigar porquê.

 «— Talvez tenha a sorte de ver um vampiro. O outro sorriu. — Morcegos sim. Há muitos. Procurou algo no bolso. Estendeu um cartão a Tom. — Venha jantar connosco hoje à noite. Tom procurou qualquer coisa para dizer, mas Mantle já saíra da carruagem. O jovem seguia-a, ainda ensonado, e saltou para a plataforma. A rapariga de branco aproximou-se com passo leve e beijou Mantle na boca. Tom reconhecera-a . Era Kathleen Moore»
(«A Cidade Fantasma», Ana Teresa Pereira)


Comprei, de uma assentada, três livros dela. Ainda em Lagos, na Feira do Livro que se realiza no final de Agosto, descobri «As Rosas Mortas», «A Coisa Que Eu Sou» e «A Cidade Fantasma». Mesmo não tendo lido nada dela antes, estava seguro de que iria gostar. Aquela entrevista tinha-me ficado na cabeça. Ainda que as expectativas que criei tenham sido elevadas, confesso que a leitura desses três livros me surpreendeu. Uma descoberta literária desta qualidade passou a ser, para mim, uma revelação a explorar constantemente. Uma boa notícia a divulgar com urgência. Ana Teresa Pereira nasceu em 1958, na cidade do Funchal. É formada em Filosofia e tirou o curso na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Tem 45 anos e só começou a publicar aos 31, com «Matar a Imagem», um romance surpreendente para quem se estava a estrear — e que mereceu, por razões óbvias, o Prémio Caminho de Literatura Policial desse ano de 1989.

Os considerandos então tecidos pelo júri bateram completamente certo: «Ana Teresa Pereira é uma jovem escritora que mostra ser um dos nomes mais promissores da literatura policial». Os anos seguintes mostraram isso, mas muito mais. Revelaram uma escritora com um universo muito próprio, muito seu, fruto das referências que, com muita clareza, marcam o seu imaginário: os policiais ingleses, os filmes antigos, os escritores marginais, os universos paralelos...

«’O Rosto de Deus’, dissera a Marisa. E Marisa contava a história devagarinho, distante, com palavras seguras, quase como se estivesse estado lá. ‘Compreendes, quando encontramos alguém, que nos lembra o rosto de Deus, a princípio é terrível, mas depois... há só o desejo de estar com ele, de abandonar-se... Foi o que ela sentiu.»
(«O Rosto de Deus», Ana Teresa Pereira)

A escrita de Ana Teresa Pereira é assumidamente autobiográfica. E tem uma imagem-fétiche, uma obsessão que perpassa por todas as obras da autora: Iris Murdoch, a escritora irlandesa falecida há quatro anos e que escreveu tão intensamente como viveu («you can’t go through the looking-glass without cutiing yourself»). O estilo de Iris é a escola de Ana Teresa: é lá que bebe o essencial, numa relação que vai muito além de autor/leitor ou mesmo de escritora que influencia outra escritora: «— You were once adored, Iris. Tu és adorada...» (pág. 184 de «Se Eu Morrer Antes de Acordar»). Iris é Iris Murdoch, mas também é Ana Teresa Pereira, uma vez que as personagens e os textos parecem revelar a verdadeira personalidade da(s) escritora(s):

«...não havia nenhum escritor vivo que lhe fizesse falta. Ted Hughes morrera, e Marguerite Duras, a escritora que mais amava, e nenhum deles escreveria um próximo livro...»

Mas também há William Irish (Cornell Woolrich), o «poeta das sombras», precursor do «estilo noire» na literatura inglesa dos anos 40 e 50, que Ana Teresa Pereira cita constantemente («First we dream. Then we die...» e a quem vai buscar um dos seus títulos mais felizes: «If I Should Die Before I Awake (Se Eu Morrer Antes de Acordar»). Conta a escritora madeirense: «E William Irish... Eu era ainda menina quando lera If I Should Die Before I Awake. Percebi nesse momento que teria de conhecer tudo sobre ele». A imensa variedade de referências e citações faz dos livros de Ana Teresa Pereira uma colectânea de sentimentos, afectos e fruições: um poema de William Blake; um conto de Edgar Allan Poe; um quadro de Dante Gabriel Rossetti ou de Chagall; um romance de Iris Murdoch; uma aventura de Enyd Blyton; uma reprodução de Rothko; um thriller de Alfred Hitchcock (a alusão à cena do banho em «Psico» é paradigmática); um western de Nicholas Ray; um beijo no grande ecrã entre Ingrid Bergman e Cary Grant.

Ou mesmo uma manhã de Veneza; um crime numa rua escusa de Londres numa noite fria de nevoeiro; uma torre abandonada; uma caverna ao fundo das rochas com um homem muito velho lá dentro e que sorri perante o nosso medo de o encontrar; uma casa no meio da floresta; um anjo negro que habita os sonhos de uma menina feliz

«oh mom, the dreams are not so bad, it’s just that there is so much to do, and I’m tired of sleeping/ oh mom, the old man is telling me something/ his eyes are wide and his mouth is thin/and I just can’t hear what he is saying..»
Suzanne Vega, «Tired of Sleeping»

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«How can one be happy when one loves a demon?» (Iris Murdoch) Em comum há apenas um referencial: um imaginário de «algo muito antigo, algo livre e etéreo...». As histórias de Ana Teresa Pereira nunca têm uma localização precisa — com a singularíssima excepção de «Matar a Imagem», em que a acção ocorre primeiro em Lisboa e depois numa ilha que tudo aponta ser a Madeira. Claro que não é por acaso: este é o livro mais autobiográfico dela, que nasceu na Madeira, foi para Lisboa tirar o curso de Filosofia, deu aulas na capital durante alguns anos e depois voltou para a sua terra natal. Ana Teresa Pereira escreveu «Matar a Imagem» quando tinha 30 anos. Nunca mais desistiu de procurar a sua ilha encantada. De descobrir os contornos profundos da relação de Marisa e Patrícia, irmãs, delas duas com Tom (a personagem comum a todas as suas obras), deste com Carla, desta e das irmãs com Paulo e Miguel, que «aprendeu russo para descobrir o que acontecia aos lábios do menino num poema de Andrei Tarkovski» (A Linguagem dos Pássaros).

«Nasceram naquela cama. Os braços abertos, ela apertou com força os varões de ferro da cabeceira, enquanto ele os tirava de dentro do seu corpo. Como uma gata, quase não sentiu dor. Mas quando o homem começou a lambê-los, algo se quebrou dentro de si e perdeu os sentidos. Mais tarde, despertou para os seus beijos, as suas carícias, para as flores na mesa-de-cabeceira, os lençóis lavados, os dois pequenos seres deitados ao seu lado. Eram iguais, belos, silenciosos, parecidos com bichos»
(«A Coisa Que Eu Sou», Ana Teresa Pereira)


Com a tal excepção de «Matar a Imagem», as histórias de Ana Teresa Pereira passam-se num local não especificado, porque habitado por personagens intemporais e irreais, porque se repetem, nos nomes e nas formas, em momentos e livros diferentes. No limite, essas personagens são só uma. As histórias de amor entre essas personagens são quase sempre atribuladas, muito diferentes da superficialidade dos hábitos contemporâneos, porque chegam a uma profundidade para além do carnal — quase sempre vão dar à morte. «Até Que a Morte nos Separe». Nesse livro de transição numa fase que estava a ser algo repetitiva, depois de «O Rosto de Deus» e «Se Eu Morrer Antes de Acordar», Ana Teresa Pereira faz um tributo a Nicholas Ray, realizador de filmes que fazem parte das suas melhores recordações. Como também faz ‘Notorius’, de Hitckcock, filme no qual decorre a cena que dá capa ao livro. Cary Grant beija uma Ingrid Bergman esplendorosamente bela — ela, que foi talvez a mulher mais bonita da sua geração e a prolongou na geração seguinte, na sua filha, Isabella Rosselini. «Sempre gostei de histórias de solidão», escreve Ana Teresa Pereira no prólogo, onde compara a beleza dos filmes de Nicholas Ray às interpretações de Duke Ellington ou Ella Fitzegerald.

 

«Não podemos fugir... e no entanto, há momentos em que somos quase felizes, quando de olhos fechados as minhas mãos deslizam no seu rosto, num reconhecimento que tem sempre algo de milagre, quando lemos um livro juntos na cama, as faces encostadas, quando nos encontramos a nós mesmos no fundo do corpo um do outro. Somos quase felizes. Mas o fim é inevitável. Ambos o sabemos. Só não sabemos quando. Ou qual de nós o fará. ‘Tell me you still love me like I love you’. Quando o amor acabar…»
(Até que a Morte nos Separe», Ana Teresa Pereira)

Outra característica que torna Ana Teresa Pereira uma escritora especial tem a ver com a sua impressionante produção literária: 22 títulos em 14 anos! A intensidade da escrita tem aumentado ainda mais desde 1997, com uma média de dois livros por ano. Os seus livros mostram-se uma agradável sucessão de histórias obviamente relacionadas entre si, mas com um relevo e um contorno próprio. As diferentes fases de Ana Teresa Pereira podem, curiosamente, ser equiparadas às duas editoras para quem produziu quase todas as suas obras. A primeira fase, na «Caminho», data de 1989 a 1996 e caracteriza-se mais pelas influências dos policiais ingleses. Com a passagem para a «Relógio D’Água», Ana Teresa Pereira revela um estilo mais próprio, impõe muito mais o seu universo e mostra-o logo nas capas que escolhe: pinturas de mulheres jovens, de cabelos compridos e claros, ou então escuros e curtos, colhendo flores e olhando as águas do rio. Mas há ainda uma terceira fase, também na «Relógio D’Água», que não chega a ser de ruptura em relação à segunda, mas que se diferencia pela própria encadernação dos livros. É a fase iniciada com «Até Que a Morte nos Separe» e confirmada em «A Linguagem dos Pássaros» e «A Dança dos Fantasmas».

«Miguel fizera um escritório no quarto de cima da torre. Levara para lá uns quantos livros e cadernos, uma secretária, colara na parede reproduções de Rothko e fotografias a preto e branco, havia uma de Andrei Tarkovski, sentado na sua cadeira de realizador, algumas de Veneza em manhã de nevoeiro, e no lugar de honra, perto da janela, o seu ícone, os três anjos»
A Linguagem dos Pássaros, Ana Teresa Pereira»

A variedade de temas de interesse de Ana Teresa Pereira fez com que experimentasse, quase como experiência-provocação, a escrita de um western: «O Vale dos Malditos», publicado na editora Black Sun. Pensando bem, nem é assim tão estranho o gosto da escritora madeirense por westerns: são histórias de coragem, abandono e de honra, protagonizadas por heróis que não existem.
 

Conhecer o mundo de Ana Teresa Pereira é o primeiro passo para se desejar conhecer a sua obra. Ela conta:

BIBILIOGRAFIA DE ANA TERESA PEREIRA

Romances:
Matar a Imagem, 1989 (Caminho)
As Personagens, 1990 (Caminho)
A Última História, 1991 (Caminho)
A Cidade Fantasma, 1993 (Caminho)
Num Lugar Solitário, 1996 (Caminho)
Fairy Tales, 1996
A Noite Mais Escura da Alma, 1997 (Relógio D’Água)
A Coisa Que Eu Sou, 1997 (Relógio D’Água)
As Rosas Mortas, 1998 (Relógio D’Água)
O Rosto de Deus, 1999 (Relógio D’Água)
Se Eu Morrer Antes de Acordar, 2000 (Relógio D’Água)
Até Que a Morte nos Separe, 2000
A Linguagem dos Pássaros, 2001 (Relógio D’Água)
A Dança dos Fantasmas, 2001 (Relógio D’Água)
Intimações de Morte, 2002 (Relógio D'Água)
O Ponto de Vista dos Demónios, 2002 (Relógio D'Água)

Livros para crianças:
A Casa das Sombras, 1991 (Editorial Caminho)
A Casa dos Penhascos, 1991 (Editorial Caminho)
A Casa da Areia, 1991 (Editorial Caminho)
A Casa do Nevoeiro, 1991 (Editorial Caminho)
A Casa dos Pássaros, 1991 (Editorial Caminho)

Western:
O Vale dos Malditos, 2001 (Editora Black Sun)

Crónicas no suplemento «Mil Folhas», do Público
«I desired dragons...», 1 de Dezembro de 2001
«Mil Raios e Coriscos!», 29 de Dezembro de 2001
«My Lady», 26 de Janeiro de 2002
«O Tigre», 9 de Fevereiro de 2002
«Porque Só Eu Vou Morrer», 9 de Março de 2002
«O Primeiro Amor», 7 de Abril de 2002
«O sonho de Caliban», 7 de Maio de 2002
«És a Terra e és a Morte», 29 de Junho de 2002
«Outono», 28 de Setembro de 2002
«Se nos Encontrarmos de Novo», 21 de Dezembro de 2002
«A Dança», 25 de Janeiro de 2003
«Titan Blue»
«O que viram os meus olhos»
entre outras...
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Publicado por André 1:43:00 0 comentários Links para este post  

daquí se transcreve com a devida reverência a nota que se segue ...

Saramago e o escândalo

Leio no JN de hoje que José Saramago revelou que o seu novo livro Ensaio sobre a lucidez vai ser "um escândalo dos diabos". Além disso, fiquei também a saber que o livro irá ter uma edição de 100 mil exemplares.
Para além do facto do título conter, para mim, alguma ironia, pois, como é que alguém que demorou 40 anos para fazer uma crítica ao regime cubano pode querer fazer um ensaio sobre a lucidez, parece-me que Saramago ao forçar sobre a nota do "escândalo" é porque nada mais tem de relevante a dizer-nos e por isso resta-lhe apenas o escândalo.

Ou então, tendo em conta o número de exemplares da edição, tudo não passa de uma estratégia de marketing. Saramago devia lembrar-se do que diz Boileau (inspirado em Horácio) em L'Art Poétique, III, vv. 269-274:

Que le début soit simple et n'ait rien d'affecté.
N'allez pas dès l'abord, sur Pégase monté,
crier à vos lecteurs, d'une voix de tonerre:
«Je chante le vainqueur des vainqueurs de la terre.»
Que produira l'auteur après tous ces grands cris?
Le montagne en travail enfante une souris.

Será que Saramago grita por escândalo e, depois, tudo não passa de uma tempestade num copo de água? O futuro dirá...

Publicado por Manuel 0:13:00 0 comentários Links para este post  

Há milhentas razões para não gostar de Maria José Morgado, no entanto a humanista Clara Ferreira Alves lá conseguiu arranjar maneira de se ser obrigado a simpatizar com a Procuradora-Adjunta agora virada escritora.



Numa prosa onde destila ódio misturado com uns pózinhos de má-fé, CFL remata-a escrevendo:

Tendo eu tido 20 anos como Maria José Morgado, e não dizendo como ela que foi a mais bela idade da minha vida, pasmo ao ler estas palavras desta mulher. Nenhum pensamento me repele mais do que este, esta negação da vida e da beleza, esta negação do pensamento e da inteligência, esta negação da sensibilidade e da arte. Esta negação da vida e da falha humana. Isto, para mim, é a apologia do fascismo intelectual, do kitsch histórico. A matriz do Gulag, de Auschwitz e dos campos de Pol Pot.

Pessoas como Maria José Morgado faziam-me, naquela altura, muita impressão e muita pena. E continuam a fazer, apesar de ela dizer que mudou. Há outra coisa que estas pessoas me fazem: medo. Muito medo. Ainda bem que a revolução deles não venceu.


A propósito, eu não acredito que as pessoas mudem assim tanto.

Ao contrário de outros, MJM deu o salto, e ao contrário de outros continuou empenhada em causas, ainda que por vezes as confunda com moinhos de vento e vice-versa, ao contrário  de outros  mudando nunca desistiu. Hoje depois de ler o trash  da Ferreira Alves  eu desgosto um bocadinho menos da Procuradora-Adjunta, porque onde a outra vê um je ne sai quoi pas de fundamentalismo eu vejo, apenas e só, humanidade e coragem de olhar não só para trás como para o próprio espelho, e isso em alguém que eu sempre achei vaidosa e levemente arrogante é muito, muito mesmo.

Ah, e entre a humanidade e falibilidade de Maria José Morgado e a visão asséptica, levemente matrixiana logo fascista, e politica e socialmente  correcta  do que deve ser a vivência de uma vida de Clara Ferreira Alves escusado será dizer qual  prefiro ...

Publicado por Manuel 22:38:00 0 comentários Links para este post  

está tudo calmo, estranhamente calmo, deve ser do Natal.

Da Casa Pia vai-se agora falando com um estranho pudor como que se se desejasse que nada tenha acontecido, que ninguém seja culpabilizado. É certo que nasceu nova novela nos Açores, mas isso fica longe, longe das nossas consciências, por isso que ardam nos Açores para que se respire de alívio no continente. No Governo é a palhaçada do costume, não se sabe quem manda, nem com que objectivos...

Entretanto caiu o primeiro mito (de muitos, que hão-de cair) - O Professor Marcelo. O primeiro a reparar foi o Francisco José Viegas, e  sinal dos tempos caíu por causa de uma ataque de riso. Se o homem não se leva a sério (nunca se levou é certo) porque há-de a plebe levá-lo ? Nunca mais leva... O PS onde antes via cabalas e conspirações vê agora pontos de convergência com a maioria. É o regresso do fantasma dos fantasmas, o  fantasma do Bloco Central, que tudo abafa, tudo aconchega, tudo relativiza, tudo negoceia.



Entretanto continua tudo calmo, uma acalmia entorpedecedora já que os telemóveis continuam a tocar, os profissionais do costume a conspirar e negociar a detente do momento, mas é tudo com, e sobre, os outros como se este País já não fosse o nosso. Diz a lenda que o Eng. Guterres só tomou consciência de que era remodelável no próprio dia da sua demissão, mas eu não sei o que se vai dizer, e escrever, no dia em que todo um País, demitido à muito de se encontrar a sí próprio, acordar e reparar que está há beira do Abismo.

Um Abismo que não são os outros, somos nós também ...

Publicado por Manuel 21:24:00 0 comentários Links para este post  



E se de repente?...

... o campeonato ainda não estivesse decidido???



O Porto voltou a mostrar na Madeira claros sinais de fragilidade quando apanha pela frente uma equipa vincadamente ofensiva e sofreu a sua terceira escorregadela no campeonato.

Ao mesmo tempo, Benfica e Sporting confirmaram uma tendência ascendente. Se mantiverem esse espírito mais umas semanas, pode ser que voltemos a ter emoção na luta pelo título...

Quem disse que Mourinho é imbatível?


Publicado por André 18:38:00 0 comentários Links para este post  



Queirós

Os portugueses têm uma estranha tentação de dizer mal dos seus melhores e de pôr em causa o valor de quem é reconhecido internacionalmente.

Já vos tinha falado do caso de Figo. Outro exemplo é o de Carlos Queirós.



Acreditei no sucesso de Queirós desde que, em 1989, ele conquistou o primeiro título mundial para o futebol jovem português. O grau de admiração e confiança no seu trabalho aumentou depois de o conhecer pessoalmente. Queirós é, simplesmente, a pessoa que mais sabe de futebol que já conheci até hoje.

Isso é tudo? Não. Mas o resto ajuda a perceber o fenómeno: Queirós alia um enorme conhecimento teórico com uma grande capacidade de organização e liderança. Tem a noção de que, nos tempos que correm, a imagem é muito importante. Mas a imagem sozinha não basta: sem trabalho e sem resultados nunca poderia ter chegado onde chegou.



Queirós ocupa o cargo mais cobiçado por todos os treinadores no Mundo. Lidera a equipa técnica do melhor plantel do planeta. Alguém acredita que foi por sorte ou por alguma... ajuda divina?

Os media espanhóis têm-lhe colocado a fasquia elevadíssima, mas mesmo assim os resultados estão à vista: no Real Madrid, a única solução possível é ganhar. Muitas vezes, nem isso basta. É preciso ganhar e encantar.

O Real não ganhava em Barcelona para a Liga há 20 anos. Foi Queirós quem conseguiu quebrar esse enguiço. Esse feito já ninguém lhe tira.

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Duas Amigas


«Eram duas amigas desfolhando a sorte
Acenando os dotes que a vida lhes deu
Eram duas compinchas a tagarelar
Dispunham de tempo e espaço
O limite era o céu.

Eram duas amigas
Eram unha com carne
Semeando os gestos ao deus dará
Eram protagonistas nos retratos
Entre um decote mais ousado
E um golo de chá

Veio o ciúme, veio a paixão
Veio o abismo onde cai a razão
Vieram dias escuros cada vez mais iguais
Cada uma mais perto de ter a verdade na mão

Eram duas amigas
Entretendo o tempo, tecendo muros de papel
Eram duas comadres desconversando
Perdidas no traço fino
Entre o fel e o mel



Eram duas amigas
Ecoando ao fundo
No centro do Mundo, onde eu morei
Eram dois segundos de concentração
Vestidos de cores que eu nunca mais descreverei

Veio o silêncio ensurdecedor
Ainda há contacto mas não há calor
Quando as mãos ficam rijas e a alma se esconde
E fica entrincheirada
Entre o ódio e o amor
Entre o ódio e o amor»

«DUAS AMIGAS», Jorge Palma, 2001

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"o caminho"



Publicado por Manuel 18:42:00 0 comentários Links para este post  

O Semanário desta semana é outa vez uma daquelas edições de colecionador. Além de retratar  a actividade governamental de José Luís Arnaut não como ela é mas como aquele gostaria que fosse, temos páginas cheias de intriga pura e dura sobre o nosso eco-sistema económico/financeiro desta feita descortinando uma guerra entre velhas guardas e a geração  dos M