quem pode, pode...
segunda-feira, dezembro 22, 2003
do suplemento de economia do Público de hoje ...

Um tribunal cível declarou-se incompetente para autorizar acesso às contas do construtor e conhecido simpatizante do clube encarnado. Dois anos depois o Supremo Tribunal deu razão à administração fiscal mas pode ser tarde.
Passados mais de dois anos após as declarações polémicas do construtor Vítor Santos de que não pagava IRS, a investigação às suas contas bancárias regressou à "estaca zero". O Fisco fez o pedido acesso a esses dados, mas um tribunal cível indeferiu-o ilegalmente, tal como veio a determinar em Julho passado o Supremo Tribunal de Justiça, obrigando o mesmo tribunal a reapreciar a decisão, o que ainda não aconteceu. Contudo, Vítor Santos nega qualquer recusa de acesso às contas bancárias (ver texto nesta página).
A consequência desta lenta tramitação judicial foi a caducidade das eventuais quantias em dívida de 1997 e 1998, estando as de 1999 à beira de seguirem o mesmo caminho, já que o prazo de caducidade é de quatro anos. A administração fiscal terá, segundo indicações dadas ao PÚBLICO, feito diversas correcções à matéria tributável, evitando o pior.
O caso ocorreu em 2001. Vítor Santos, construtor civil, um dos homens fortes do Benfica e com actividade económica ligada a vários empreendimentos de grande dimensão em Lisboa e arredores, declarou à comunicação social que não pagava impostos há dois anos porque só declarava o rendimento mínimo. E essa "isenção" fiscal ocorria apesar de o construtor pagar com cheques seus "grandes despesas" do clube. Face à repercussão verificada, o então primeiro-ministro António Guterres chegou a declarar à revista "Notícias Magazine", em Julho de 2001, que dera instruções para investigar os casos de incumprimento fiscal tornados públicos. Mas o caso não foi longe.
Como conta o acórdão do Supremo Tribunal, a administração fiscal "entendeu necessário aceder à utilização de documentação bancária inerente aos movimentos bancários a débito e a crédito", bem como sobre a "sua proveniência e destino, constantes das contas bancárias de todos eles". Única forma de apreciar se as declarações fiscais eram condizentes com a realidade. Só que o contribuinte recusou esse acesso.

Face a essa recusa, a 1ª Direcção Distrital de Finanças de Lisboa pediu, em Março de 2002, ao tribunal cível de Lisboa que autorizasse o acesso às suas contas bancárias, bem como às de duas das suas sociedades, relativas aos exercícios de 1997, 1998 e 1999. O pedido ao magistrado era então necessário porque, para esses exercícios, ainda não estavam em vigor as alterações à lei introduzidas em 2000 que passaram a permitir um acesso directo por parte da administração fiscal, desde que fosse por decisão do director-geral dos impostos ou das alfândegas.
Decisão estanha
Mas o juiz desse tribunal cível entendeu que o tribunal era incompetente para apreciar esse caso. Uma interpretação sem fundamento segundo o Supremo Tribunal. Os peritos também estranham a decisão do tribunal, uma vez que a Lei Geral Tributária, de 1998, determinava explicitamente que o acesso a informação protegida pelo sigilo bancário dependia de autorização judicial nos termos na legislação aplicável e, em caso de oposição do contribuinte, a diligência da administração fiscal só poderia ser realizada mediante autorização concedida pelo tribunal da comarca competente.
Protestou, pois, o Ministério Público e o Tribunal da Relação de Lisboa acedeu aos seus protestos. Revogou o despacho do juiz e ordenou que o substituísse por outro que declarasse o tribunal competente. Mas desta vez foram os visados pela investigação que protestaram para o Supremo. A sua tese era a de que apenas os tribunais tributários eram as entidades competentes. O Supremo Tribunal concluiu que, como escreveram os juízes Ferreira de Sousa, Armindo Luís e Pires da Rosa, o facto de não se estar "diante de acção de recurso contencioso que tenha por objecto dirimir litígio emergente das relações jurídicas fiscais, não cabe aos tribunais fiscais (tributários) a competência para a apreciação do pedido". Segundo indicações recebidas, o tribunal cível ainda não autorizou o acesso às contas bancárias.

Vitor Santos
"Paguei Tudo"
O construtor Vítor Santos estranha todo este caso judicial, porque, como afirmou ao PÚBLICO, nunca bloqueou qualquer acesso às suas contas bancárias. "Coloquei tudo à disposição, paguei todos os impostos e protestei o que tinha de protestar". Designadamente, os relativos aos anos de 1997, 1998 e 1999. "Paguei tudo". Se o acesso foi bloqueado, foi à sua revelia, afirma. As suas empresas, refere ainda, foram "foram passadas a pente fino" pela administração fiscal. Vítor Santos manifesta-se arrependido: "Apresento as minhas desculpas, errei, mas como eu há 300 mil, 400 mil, 500 mil contribuintes". E questiona o jornalista sobre a necessidade de voltar ao caso: "Acabem com isso, é um favor que lhe peço". "O que fazem é que deixe de investir. Em vez de andar de Volkswagen, compro antes um Opel. Ninguém leva o dinheiro para o caixão". O construtor alega que trabalhou muito na vida e que tem pago os erros cometidos. "Só de coimas e impostos paguei agora em Loures mais de 12 milhões de euros..."
Publicado por Manuel 14:47:00 0 comentários
Lisboa menina e moça
No sábado, fui a uma pastelaria em Lisboa. Até aqui nada de mais.
Pedi um café, uma nata e umas pastilhas «chiclets ice» (boas para o mau hálito)
Chegou a conta: 2,5 euros (500 paus)

Publicado por Carlos 12:26:00 0 comentários
directamente do online do Expresso...

O I Congresso da Justiça foi uma montanha que pariu um rato. Muito se esperava em matéria de propostas que resolvessem alguns dos problemas cruciais do sector, mormente a lentidão exasperante dos tribunais, que leva milhares de processos a prescreverem e outros a serem concluídos quando já não é possível fazer qualquer justiça. Mas sobre isto pouco se disse - ou, pelo menos, pouco transpareceu para a opinião pública.
O primeiro-ministro proferiu o discurso político da praxe. Fez uma profissão de fé na separação dos poderes, disse que a crise da Justiça é uma crise de eficácia e resolveu o problema à boa maneira portuguesa: legislando. Assim, vamos ter até Março propostas em matéria penal e processual, nomeadamente sobre segredo de justiça, escutas telefónicas e prisão preventiva, por iniciativa do Governo.
Sem pôr em causa que tais propostas são absolutamente indispensáveis, também está fora de causa que tais propostas resolvam a crise da Justiça, os milhares de processos que se acumulam nos tribunais, a falta de condições para que juízes e funcionários desempenhem as suas funções.
E a questão não se resolve, como o Governo pretende, privatizando serviços e mais serviços. A questão está nas opções que o Executivo toma. Se a Justiça é uma prioridade, então há que alocar-lhe os meios financeiros necessários. De outro modo, a realidade desmente os discursos, que é o que se verifica actualmente.
Como foi dito no congresso, sem resposta por parte da ministra da Justiça, a privatização dos serviços de cobrança da dívida, que estava a cargo dos tribunais e passou para firmas de solicitadores, está a revelar-se um magnífico fracasso: em três meses, dos 4500 processos entrados em Lisboa foram concluídos dez; no Porto, em 1950 processos, terminaram oito; e em Coimbra entraram 350 e não acabou nenhum.
Nos tribunais existem 1200 vagas de oficiais de justiça, 15 por cento dos efectivos, por preencher. A partir de Janeiro, o número aumenta porque serão instalados 12 novos tribunais administrativos e fiscais e não vai haver recrutamento externo.
E a venda dos 350 cartórios notariais existentes em Portugal aos notários, sem liberalizar o sector, cria um monopólio privado, acabando com um monopólio público, não sendo de esperar resultados muito brilhantes, a não ser para os novos proprietários.
Finalmente, bem prega frei Tomás. O primeiro-ministro não pode bater no peito dizendo que o seu Governo respeita a Justiça acima de tudo - e depois admitir que a bancada parlamentar do PSD mantenha a imunidade do deputado Cruz da Silva para este não responder em tribunal por factos ocorridos antes de ser deputado; ou que diga que tem toda a confiança e mantenha o deputado Tavares Moreira como porta-voz para as questões económicas depois de ter sido sancionado pelo Banco de Portugal com sete anos de suspensão do exercício de funções na administração de bancos ou instituições financeiras por ocultação de prejuízos, manipulação de contas e declarações falsas. Há casos em que a bota não dá decididamente com a perdigota.
O essencial, contudo, é que a crise da Justiça não se resolve com novas leis, privatizações e discursos sobre a moralidade do Governo. E essa foi a receita que o primeiro-ministro passou no Congresso da Justiça. Assim, valha-nos a justiça no Céu - porque a terrena não resolverá os nossos problemas.
Publicado por Manuel 10:10:00 0 comentários
Depois de na quinta, qual clã de avestruzes, todos os partidos politicos, com assento na Assembleia da Répública, terem concordado em não debater nada de essencial e imediato mas só e apenas a problemática do aborto, eis que no grandemente aclamado Congresso da Justiça acontecem coisas parecidas.
O telefone foi inventado antes do sec. XX e, recorde-se, já estamos no século XXI. Nós não temos dúvidas de que lá foram apresentados e debatidos temas e matérias relevantíssimas, mas reduzir o que lá se passou a uma polémica literalmente idiota, redutora e insensata sobre escutas telefónicas é no mínimo absurdo, mas até Durão já prometeu atender aos pedidos...

Sejamos francos e honestos, não é o regime de escutas que é perverso, per se, é a PJ que funciona mal, e seria bom que de uma vez por todas se admitisse isso e se tomassem medidas a sério.
Mais, o drama das escutas, não o é substantivamente por via das legais, é-o, e por força da evolução tecnológica, pelo facto de qualquer gato pingado, com meia dúzia de tostões, público ou privado, poder contractualizar escutas com quem muito bem lhe apetecer e a quem quiser.
Mais ainda, enquanto está tudo fixado nos telefones continua a lei da selva, nos layers que verdadeiramente interessam e que são os das comunicações, e arquivamento de dados por via electrónica e aí parece que todos, desde os partidos políticos à PJ (que apresenta ao Governo drafts de projectos-lei (!)), advogam o vale tudo. Portugal ainda há poucas semanas foi multado por se dar ao luxo de não transpôr simples directivas comunitárias com vista a proteção de dados pessoais.
É importante que se balize o jogo sim senhor, mas era também importante, que de uma vez por todas, se definisse o que se quer. As escutas serão más mas preferem a tortura, os agentes infiltrados, os delatores pagos, arrependidos à medida ?
Definitivamente, tanta gente que não as pensa ...

Entretanto o Juiz Conselheiro Pires Salpico resolveu hoje no Público aplicar um punch a José Miguel Júdice, daqueles que dá K.O. directo. Não sabemso se Pires Salpico é leitor regular desta Grande Loja, mas adoramos ver o homem a pegar, tal como nós aquí, no próprio dia, na questão socrática...
No sapificado Diário Digital o ex do DN, Mário Bettencourt Resendes, assume-se como talvez o primeiro português a concordar pública mas implicitamente com a aprovação, em França, por Chirac do relatório Stasi.
Para terminar o mesmo homem, Figueiredo Tulius Atritus Lopes, que ontem via nas críticas à sua pessoa, e actuação, uma cabala com vista a "derrubar o Governo" sendo que «Algumas das maiores dificuldade que foram colocadas ao ministro tiveram origem em pessoas do PSD» partiu hoje para o Iraque e logo para dar ânimo aos nossos valorosos GNRs.

Por aquí já tememos o pior, pois se o ânimo que der no Iraque ao nosso corpo expedicionário for igual aquele que dá aos seus colegas de Governo de cada vez que faz alguma coisa ...
Publicado por Manuel 19:34:00 0 comentários
Ao menos uma vez
«Eu acredito que não existem heróis. A gente pode ter pessoas realmente espectaculares, por exemplo figuras espiritualizadas, religiosas, que são grandes modelos para a Humanidade, mas na verdade tudo o mundo é igual. Eu não acredito que tenha uma verdade a mais. E principalmente a juventude. Se a juventude cair nesse erro de acreditar que sim, elas inevitavelmente vão acabar descobrindo que o seu ídolo tem pés de barro».
Renato Russo

«Quem me dera, ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais, por não ter nada a dizer
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como isso Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
É isso maldade então, deixar um Deus tão triste.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri que é sempre isso você
Que me entende do início ao fim
E é isso você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Esta em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho,
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim
Quando descobri que é sempre isso você
Que me entende do início ao fim
E é isso você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente -
Tentei chorar e não consegui»
«ÍNDIOS», Legião Urbana, 1986
Letra e música: Renato Russo
Publicado por André 17:39:00 0 comentários
O Cavaleiro da Dinamarca
sexta-feira, dezembro 19, 2003
«Serão poemas que devem traduzir o que há de vital na relação dos homens com a terra, o mar e o cosmos. Não haverá fuga ou evasão, mas presença no mundo. Falamos do real, essa poesia traduzirá o mágico que há na nossa relação com as coisas, o que é próprio do acto de criar, quando o poeta acede à imanência do sagrado. E é por isso que a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma coordenada fundamental de toda a obra poética.»
Sophia de Mello Breyner Andresen

Imbuída do espírito natalício vigente (geralmente hipócrita, mas por vezes capaz de nos surpreender com coisas boas), a Grande Loja recomenda aos nossos leitores um livrinho que se lê em meia-hora.
Foi escrito em 1964. Sophia de Mello Breyner Andresen, a maior escritora portuguesa viva, terá conseguido, nesta obra, a sua melhor história para crianças. E tantas outras elas escreveu, igualmente a não perder -- «A Fada Oriana», «O Rapaz de Bronze», «A Menina do Mar», «A Floresta», contos que Sophia escreveu nas décadas de 50 e 60 e que ficaram marcados como obras incontornáveis no seu riquíssimo percurso literário.

«O Cavaleiro da Dinamarca» é um livro escrito para as crianças mas que todos os adultos deviam ler. É o mais belo conto de Natal que alguma vez já li. Neste caso, li, reli, reli e reli. Já lhes perdi a conta, mas tê-lo-ei lido umas dez vezes, ao longo dos anos.

Fala de um percurso pessoal, fala de honra, fala de História e cruza, de uma forma magistral, a verdade histórica com a imaginação. Apela à memória, mostra a importância de cumprirmos as nossas promessas e faz-nos ver que, por muitas voltas que a vida dê, precisamos muito, precisaremos sempre, de voltar a estar perto de quem nos quer bem. Leiam. É um livrinho, muito barato, muito acessível, que se lê num fôlego. E é muito bonito. Juro que não tenho comissão.
Publicado por André 20:48:00 0 comentários
A Origem do Mal


Publicado por André 03:42:00 0 comentários
um destes dias recebemos um email pretensamente anónimo, e com o seguinte cabeçalho ...
Sent : Friday, December 12, 2003 2:02 AM
To : grandeloja@hotmail.com
MIME-Version: 1.0
Received: from smtp.infonex.com ([168.143.114.4]) by mc3-f2.hotmail.com with Microsoft SMTPSVC(5.0.2195.6713); Thu, 11 Dec 2003 18:10:55 -0800
Received: from localhost.localdomain (outgoing.anonymizer.com [168.143.113.8])by smtp.infonex.com (Postfix) with SMTP id 2DCA934A3EFfor <grandeloja@hotmail.com>; Thu, 11 Dec 2003 18:02:42 -0800 (PST)
X-Message-Info: JGTYoYF78jGxWZf5r2WrHUhoPDftGTq9
X-abuse-complaints: abuse@anonymizer.com
Message-Id: <20031212020242.2DCA934A3EF@smtp.infonex.com>
Return-Path: anonymous@anonymizer.com
X-OriginalArrivalTime: 12 Dec 2003 02:10:55.0724 (UTC) FILETIME=[2D0F5AC0:01C3C055]
... e cujo conteúdo nos abstemos de publicar. Após uma pequena investigação, e com base apenas nos dados acima, e uns telefonemas para os states, decidimos apenas, e após aturada reflexão, devolver o dito mail à "procedência" e desejar Bom Natal.
P.S. sugere-se ao destinatário que aprenda a contar pelo menos até três ...
Publicado por Manuel 03:20:00 0 comentários
O homem mais influente do país é Vasco Rato.
Disfarçado de mero analista de política internacional, aquele que um dia chegou a ser convidado para Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros por Dias Loureiro, antes de este ter decidido que talvez não fosse lá muito boa ideia para os negócios ser ministro, Vasco Rato põe e dispõe da agenda política nacional.
Marcelo está histérico,foi visto no Guincho à uma hora atrás, Pacheco está a pensar em voltar para a Tchechénia, Luís Delgado quase sofria uma overdose de antidepressívos, Karl Rove está roído de ciúmes, e mesmo aqui nesta Venerável Loja não podemos disfarçar o mal estar pesem as excelentes audiências, e o crescimento sustentado do número de ameaças de processos em tribunal ...

Então não é que com a Justiça pelas ruas da amargura e as finanças de rastos de rastos, o Vasco Rato pôs o País inteiro a falar só e apenas do aborto, com um único texto, como se tudo o resto não existisse, não houvesse desemprego nem crise, nem falências, nem coisa que se pareça ...
Absolutamente genial. Do BE ao PP, foi tudo atrás, que nem patinhos ...
Durão e Ferreira Leite esses agradecem encarecidamente.
Entretanto, e dados os tempos, sugerimos a todos os nossos leitores, e em particular ao meritíssimo juiz Rui Teixeira, que vão a correr a um BlockBuster alugar o DVD de um filme excelente - o "Alta Traição", com Kevin Costner, Gene Hackman e Sean Young...

Cada dia que passa o último minuto ajuda a compreender mais coisas ...
Publicado por Manuel 01:35:00 0 comentários
Como sei que o meretíssimo juiz Rui Teixeira é um leitor (regular) da produção intelectual desta Loja, venho por este meio dar-lhe umas pistas para o futuro da sua longa carreira.
Caro meretíssimo,
às vezes os fatos, demasiado apertados, e as capas, incómodas, de super-homens causam demasiados transtornos no exercício das nossas funções. Imagine, dando outro exemplo, se o Batman fosse juiz, a trapalhada que seria uma sentença do homem morcego

Quero com isto dizer que, apesar de nos chamarem os nomes mais rídiculos que possam existir, é preciso manter uma cultura de serenidade, ponderação, ou como dizia o meu avô - ilustre jurista do senso comum, como já mencionei aqui -, citando Gil Vicente, mais vale asno que me carregue que cavalo que me derrube.
Mas, pronto! Todos nós temos dias maus, mas o senhor doutor parece ter mais dias maus do que todos nós.
Por isso, para evitar males no futuro da sua longa carreira como juiz, aconselho a leitura de um artigo da doutora Fátima Mata Mouros, por acaso juiza de instrução criminal (que nada tem, presumo, a ver com estes da concorrência) aqui...
Para atalhar, diz a juiza:

Também no nosso, como na maioria dos ordenamentos evoluídos, a existência da motivação de facto e de direito como condição necessária da validade das decisões jurisdicionais está prescrita por normas específicas. A consequência desta prescrição é que a legitimação interna, jurídica ou formal das decisões judiciais (em especial as penais) está condicionada pela existência e valor das suas motivações
O preço a pagar por uma justiça que não colhe a compreensão imediata da opinião pública é seguramente mais elevado na decisão dúbia e contraditória do que na decisão fundamentada, ainda que o seu sentido não vá ao encontro das expectativas criadas pelo empolamento do caso nos media.
Neste caso, as dúvidas iniciais geradas pelo veredicto ainda poderão ser desfeitas pela leitura atenta das razões integradoras do argumento de autoridade que o suporta. Naquele, o poder judicial ao ceder à facilidade da justificação popular, demitiu-se da sua autoridade e independência o que, a longo prazo se traduzirá no descrédito da justiça administrada pelos tribunais, e no subsequente encorajamento da justiça privada.
Além de escrever, é preciso ler...
Publicado por Carlos 22:40:00 0 comentários
As preferências da Grande Loja são assim. Tornam-se referências para quem gosta mesmo muito de ler...
«No conjunto de crónicas que o Mil Folhas publica sob a designação comum de "A Quatro Mãos", Ana Teresa Pereira reaparece todos os meses com textos que provêm sempre de um certo lugar da literatura. Há nela, no trabalho de escrita de Ana Teresa, uma alucinante fidelidade aos lugares, se por lugares entendermos autores, filmes, rostos, nomes, sítios privilegiados, temas. É isso que torna as suas crónicas simultaneamente tocantes e algo previsíveis: sabemos quase sempre a quem se irá ela referir, quais os nomes convocados, mas enternecemo-nos com essa obsessão magnífica, que mostra que as coisas referidas não são meros emblemas fúteis, mas inscrições profundas e inapagáveis no próprio corpo de quem as escreve. E o que elas dizem é que tais inscrições são mensagens que anunciam e celebram em palavras o desejo de felicidade desse corpo.
Na semana passada, Ana Teresa falava de Paris e vinham em atropelo nomes muito diversos: autores como Julio Cortazar ou Tonino Guerra, Tolstoi ou Rilke, Dylan Thomas ou Tchekov, personagens como Platonov ou Hedda Gabler, artistas como Charlie Parker, Monet, Van Gogh ou Kandinsky. E, sobre o céu de Paris, um anjo desdobra o céu da literatura e da arte, e os dois céus envolvem a cidade como um manto mágico. Diz Ana Teresa Pereira: "Continuamos a perseguir qualquer coisa que não sabemos o que é, mas não fugimos, é isso que os outros não compreendem, perseguimos sempre, mesmo depois de mortos, perseguimos qualquer coisa que talvez nem exista, mas pelo menos estamos a fazê-lo em Paris."

Gostaria de sublinhar aqui diversos pontos. Em primeiro lugar, que os nomes da literatura e da arte que aparecem neste carrossel parisiense (há um ritmo circular arrebatador na cadência escrita desta crónica) não são troféus que se exibem para ostentar cultura - como tantas vezes supõem aqueles que se sentem à margem destas enumerações. São os pontos de apoio de uma vida que se procura a si mesma numa multiplicidade de obsessões, numa exuberância de lugares e que já não teria a identidade que tem se não recorresse a estas siglas. Há uma expressão recorrente, em que se diz que, se a realidade é apenas aquilo que parece ser, "então alguém está a brincar connosco". O que Ana Teresa Pereira faz em tudo o que escreve é dizer que é preciso criar uma conspiração daqueles para quem a realidade só pode ser outra coisa, e que, confrontados com um quotidiano baço, se limitam a repetir: "Tenho um terrível desejo de viver."
E por isso Paris, mobilizando uma memória polícroma, é um lugar privilegiado para quem o percorre com meia dúzia de imagens, melodias, versos ou frases obsessivas. O valor das cidades modernas está em incentivarem em nós o desejo de felicidade dos que sabemos que nelas viveram e que sobre elas sentiram e amaram. Os textos de Ana Teresa Pereira são sempre cantilenas de infância, cantigas para dançar em roda: veja-se o seu livro mais recente, um conjunto de contos, que a Relógio d'Água acaba de publicar».
«UM ANJO DESDOBRA O CÉU», EDUARDO PRADO COELHO, «O Fio do Horizonte» de 17 de Dezembro de 2003
Publicado por André 20:44:00 0 comentários
um (só) Homem ...

As declarações que se citam abaixo não apareceram em nenhum blog anónimo, são transcritas da edição do Público de hoje.
Manuel Queiró acredita que o traçado do TGV, anunciado na Cimeira Ibérica do mês passado, "não é um projecto do Governo", mas sim de "um grupo exterior". "Este não é um projecto de um Governo, é um projecto de um grupo exterior que se impôs sucessivamente aos dois [últimos] Governos", denunciou o dirigente do CDS/PP, anteontem à noite, em Coimbra, num debate onde foi discutido o impacte do transporte ferroviário de grande velocidade na região centro.
"É de um grupo exterior que não tem rosto, que não aparece ou só dá a cara fugazmente", reforçou o ex-deputado centrista, sem contudo nomear responsáveis. Intervindo na qualidade de membro da assistência, Manuel Queiró considerou que o projecto do TGV, "sendo o mais estruturante, será porventura o mais anti-nacionalista que poderíamos ter." Na sua opinião, "é o menos transparente do ponto de vista político, [uma vez que] não foi apresentado à opinião pública, ao Parlamento e nem sequer ao Conselho de Ministros."
Na opinião do antigo parlamentar do CDS/PP o conjunto de traçados dado a conhecer na Cimeira Ibérica realizada na Figueira da Foz (Porto-Vigo, Aveiro-Vilar Formoso, Lisboa-Porto, Lisboa-Badajoz e Évora-Faro-Huelva) "foi apresentado ao país como um facto consumado; três dias depois foram aprovados os fundos comunitários." Circunstâncias que o levaram a considerar: "Isto é uma 'blitzkrieg' [guerra relâmpago]."
Prevendo que "a história vai emitir um julgamento muito severo sobre isto", (...) acrescentando: "Os espanhóis já tiveram aquilo que queriam e nós escusamos de fazer mais asneiras do que aquelas que já fizemos." (...)
Passadas várias horas, não ocorreu nenhum desmentido, e parece até que ninguém ficou particularmente chocado...
Mas as declarações que abaixo se citam, de um barão do PP no activo, familiar de uma membro do Governo, e que não consta que sofra de qualquer perturbação mental - logo não ininuputável - são do mais grave que jamais alguém ousou afirmar nos últimos tempos em Portugal!

Em suma, Manuel Queiró afirmou preto no branco que os Governos, este e o anterior, não mandam no essencial e que outros, não eleitos, decidem por ele. A discussão à volta do TGV e do seu traçado, apesar de ser importante, passou a ser secundária, já que segundo o bem informado Queiró temos em Portugal uma espécie de P2, à italiana, eventual subsidiária de uma qualquer entidade espanhola, que decide em conclave, substantivamente, pelos sucessivos Governos.
Queiró afirmou categorica e inequivocamente que...
Parece que ninguém se importa, ao director do Público, que só sonha com uma estátua no Iraque, isto não mereceu especial atenção, e nos partidos, do BE à ND, nem um pio.
Resta um homem: Souto Moura - Procurador Geral da República ...
Publicado por Manuel 19:22:00 0 comentários

Publicado por Manuel 17:00:00 0 comentários
Carole King
«You've got to get up every morning With a smile in your face
And show the world all the love in your heart
Then people gonna treat you better
You're gonna find, yes you will
That you're beatiful as you feel
Waiting at the station with a workday wind a-blowing
I've got nothing to do but watch the passers-by
Mirrored in their faces I see frustration growing
And they don't see it showing, why do I?
You've got to get up every morning With a smile in your face
And show the world all the love in your heart
The people gonna treat you better
You're gonna find, yes you will
That you're beatiful as you feel

I have often asked myself for reason for sadness
In a world where tears are just a lullabye
If there's any answer, maybe love can end the madness
Maybe not, oh, but we can only try
You've got to get up every morning With a smile in your face
And show the world all the love in your heart
The people gonna treat you better
You're gonna find, yes you will
That you're beatiful as you feel»
«BEAUTIFUL», Carole King
Publicado por André 13:10:00 0 comentários
José António Lima no online do Expresso ...

A TRAPALHADA de versões, rectificações e desmentidos que saíram oficialmente do PSD a propósito da eventual descriminalização do aborto serviu, entre outras finalidades, para comprovar uma evidência: Durão Barroso, que passa cada vez mais tempo no estrangeiro e cada vez menos tempo em Portugal, não controla o Governo nem comanda o partido. E o suposto núcleo de coordenação política do PSD e do Governo, que deveria demonstrar capacidade e autoridade para suprir as ausências e omissões do primeiro-ministro, ou revela uma incipiência próxima da nulidade ou contribui mais para complicar do que para resolver os problemas. É o chamado descomando político e partidário à distância.
As contradições do PSD quanto ao aborto, com o porta-voz Pedro Duarte, Ana Manso e Leonor Beleza de um lado, a dizerem uma coisa, e Guilherme Silva com o CDS do outro lado, a afirmarem o seu contrário, vieram tornar pública a incomodidade de amplos sectores do centro-direita perante o drama social que o aborto clandestino continua a constituir em Portugal. E que o referendo de 1998 não resolveu, fechando as portas à liberalização da interrupção voluntária da gravidez e, ao mesmo tempo, impedindo a alteração da severa moldura penal a que continuam sujeitas milhares de portuguesas que, anualmente, se sentem forçadas a optar pelo recurso ao aborto.
As palavras corajosas e heterodoxas do bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, ou a abertura à tolerância de Pedro Duarte, Ana Manso e Leonor Beleza confirmam que, no espectro ideológico e social do centro-direita a clandestinidade a que permanece remetida a questão do aborto é ainda um problema mal resolvido. E incómodo.
Mas o espectáculo de descoordenação política que o PSD deu, por estes dias, aos portugueses, na praça pública, expressando as mais díspares posições sobre o tema da descriminalização do aborto, tornou claro um outro problema mais fundo: a desorientação e falta de liderança política em que vive a maioria laranja. Este episódio segue-se a muitos outros, ainda recentes, como a salsada em que se converteu o processo da revisão constitucional (com avanços e recuos ao sabor do populismo dominante), o folhetim inacreditável da substituição do comandante da Brigada de Trânsito da GNR, manutenção semiclandestina de Tavares Moreira ou do deputado Cruz Silva nos cargos político-partidários em que representam o PSD, o insustentável e incongruente alinhamento ao lado da França e da Alemanha pelo incumprimento do PEC, a incompreensível e inconsequente política económica do Governo (com dossiês estratégicos como os da GALP, EDP ou Portucel sem linha de rumo nem fim à vista), com a permanente desautorização de Durão Barroso na questão das presidenciais, etc., etc. É o retrato de uma maioria sem rei nem roque.
Percebe-se que Durão Barroso, tal como já acontecera com Cavaco Silva e António Guterres, passe mais tempo a correr mundo do que a governar Portugal. E bastam as múltiplas e exigentes solicitações da União Europeia, com reuniões, cimeiras e contactos bilaterais, para que qualquer primeiro-ministro veja enormemente reduzida a sua disponibilidade para as questões internas.
Acresce que habituados a tratar com os grandes da Europa e do mundo de questões tão decisivas e globais como o alargamento da EU, a futura Constituição da Europa ou a guerra no Iraque, os primeiros-ministros portugueses em exercício sentem cada vez menor vontade e paciência para se ocuparem e preocuparem com problemas caseiros e minudências tão irrelevantes, à escala europeia ou planetária, como a Fundação Minerva ou um qualquer comandante da GNR. O que agrava o seu distanciamento do país e do próprio partido.
E obriga, para evitar o défice ou mesmo o vazio de liderança a que qualquer primeiro-ministro constitua, em estreita ligação consigo e em permanência de funções, um núcleo de direcção político-partidária sólido e eficaz onde estejam os melhores, não só para o aconselhar mas também com capacidade de decidir e liderar nas suas ausências.
Cavaco formou esse «núcleo duro» com Dias Loureiro, Fernando Nogueira e Marques Mendes, entre outros. Guterres, na fase inicial dos seus governos, tinha em S. Bento um núcleo de peso, onde avultavam Jorge Coelho, Pina Moura, José Sócrates, António Costa e António Vitorino. Perdeu-o (e deixou o Governo e o partido à deriva…) quando se viu obrigado a colocá-los em ministérios-chave.
Sendo conciso e factual, a verdade é que Durão Barroso nunca teve um tal núcleo de direcção política e partidárias. Pela falta de qualidade política da maioria que o rodeia e por incapacidade própria. É esse, cada vez mais, o problema central do actual Governo.
Publicado por Manuel 10:05:00 0 comentários
lá como cá, até um dia ...
August 11 - The LA Times reports that the Iraqi military was itself fooled by the creative reporting of furloughed Iraqi Information Minister Muhammed Saeed al-Sahaf (M.S.S.):

17 de Dezembro - o primeiro-ministro, Durão Barroso, reiterou que «Portugal está a começar a sair da crise», prometendo a redução do défice estrutural para 2004. «O défice estrutural está a descer de forma consolidada. Em 2003 foi de 1,7 por cento e em 2004 descerá para 1,3 por cento», garantiu segunda-feira o líder do PSD, num jantar de Natal da distrital de Lisboa do partido, acrescentando que o Executivo «não se vai afastar do caminho do rigor e da consolidação orçamental».
P.S. note-se a nuance muito pouco subtil e ainda menos criativa : agora já não é o "défice", em absoluto, é o "défice estrutural"...
Publicado por Manuel 06:03:00 0 comentários
polaroids de um País ...
terça-feira, dezembro 16, 2003
Alastra o tom e o volume das críticas de Jorge Sampaio ao Governo. Hoje Sampaio exigiu "um acordo político amplo". Já se disse que Sampaio era o verdadeiro líder da Oposição mas ainda não se disse que Sampaio também tem uma agenda.
Sampaio sabe que, por enquanto, não pode contar com um PS feito em cacos e sabe que legislativas agora nada resolvem. Mas Sampaio também tem ouvido com bastante agrado não só os números que revelam o descontentamento generalizado com o bluff deste Governo assim como as vozes que defendem um PR musculado, com ou sem mudança de Constituição, e a continuarem assim as coisas ainda nos arriscamos a ter muita sociedade civil a defender um novo governo de iniciativa presidencial... Sampaio, esse sorrí e agradece. É o velho bloco central na pele do capuchinho vermelho.

Barroso é um mestre na arte de baralhar e dar de novo, não sabemos é até quando. Agora quer fazer um referendo, ainda aquando das Europeias, mas já não sobre a Constituicão Europeia mas sobre a Europa em geral. Não que haja qualquer pergunta óbvia ou com nexo mas porque lhe convém. Antes que o Dr. Monteiro ressuscite de novo com propostas cavernosas nós antecipamo-nos e sugerimos uma pergunta : "Os fundos europeus do QCA3 são bons ou maus para Portugal ?". Absurda ? Claro, tanto como a ideia.

Sobre o aborto: Em voga uma nova táctica: Chutar para canto. Tal como na questão das drogas não se descriminaliza mas despenaliza-se,ou será que vai ser ao contrário ? As questões centrais, essas ficam para depois. Ainda sobre o aborto : é uma questão de consciência e isso não se referenda nunca !
Sobre as finanças públicas e sobre o valor do déficit real: Não vale a pena crucificar mais Manuela Ferreira Leite. A despesa corrente pouco derrapou e na aquisição de bens e serviços houve uma quebra de quase 15%. O grande problema, a par da não receita fiscal, é que a aquisição de bens de capital aumentou 30,4 por cento e os passivos financeiros cresceram 55 por cento. Expressões como leasings, factorings, autarquias, regiões autónomas e afins não devem ser exógenas a tal fenómeno. É tudo uma questão de pulso, ou falta dele. Pulso do Primeiro-Ministro claro está. A propósito, alguém em seu perfeito juízo acredita que Durão e este Governo são o melhor que o PSD tem para dar ao País ?...

Sobre os franceses, e as suas maluquices, poucas palavras que o essencial já foi dito no Abrupto, na Rua da Judiaria e no Aviz: Uma coisa são os sinais exteriores, o véu, o crucifixo, o Kippah, a roupa cor de laranja, whatever, outra que devia ser totalmente diferente são as questões verdadeiramente civilizacionais. Um destes dias alguém citava um artigo imbecil no Le Figaro onde um colunista partia da questão do véu e conseguia chegar à raiz judaico-cristã do Ocidente (!).
Uma coisa são os sinais exteriores que cada um é livre de ter como, quando e onde quiser (e nenhum dos sinais em causa, e em discussão, ofende o próximo, de perto ou de longe), outra totalmente diferente é a desconfiança contra a civilização, no seu sentido mais lato. Como alerta Pacheco o real problema é que ...

Misturar o descrito acima com véus, kippahs, cruzes e afins, como está a ocorrer em França, como se fosse tudo o mesmo plano, é tapar o sol com uma peneira e um alegre passo para o abismo já que não deixa quaisquer margem para a integração. E é essa a verdadeira questão: Como é que se chega a um compromisso entre todas estas diferentes culturas.
De novo sobre Portugal, o Público hoje descobre que "três em cada quatro portugueses não querem mais estrangeiros no país e dois terços concordam com a expulsão dos imigrantes ilegais". Pois é, cinco séculos depois a história quer-se repetir. Há muitos anos atrás um imbecil chamado D. Manuel I, por via da execução de contrapartidas, com os Reis Católicos, por um casamento, acordadas pelo seu antecessor, que não durou muito por via de um certo acidente equestre, despachou todos os judeus de Portugal para o exílio acabando assim com os Descobrimentos e evitando a hipótese de Portugal ter iniciado a revolução industrial com dois séculos de avanço.

Agora, como aquando da expulsão dos judeus de Castela, Portugal recebe uma injecção de capital intelectual (e como bonús de humildade) vinda da Europa de Leste. A paga é o rancor, a dor de cotovelo, os resultados das sondagens e claro o enfase nas máfias. O facto de sem essa gente o país não dar um passo é um pequeno detalhe, como outro pequeno detalhe é que temos a mais baixa taxa de licenciados da Europa mas a mais alta taxa de licenciados desempregados da mesma Europa e, quem não ligar a este último detalhe os resultados da sondagem acima mencionada ou é demagogo ou anda a dormir ...
Publicado por Manuel 22:15:00 0 comentários
Num acto inédito e ecuménico citamos na integra uma prosa do Causa Nossa ...
Jorge Wemans no seu melhor :
A CONFIANÇA ENVIUVOU
também tenho essa virtude, além de outras que não vêm agora ao caso.
O que me espantou no modo de jogar do Marítimo, o que faz toda a diferença para o futebol que a equipa do Benfica pratica, foi a confiança que transpira no seu modo de jogar. Mesmo sabendo que alguns dos jogadores do Benfica não serão grande espingarda, são inegáveis as suas ?vantagens comparativas? quando confrontados um a um com os do Marítimo. Idem para a equipa no seu todo. E no entanto?
É a confiança, estúpido!? ? apetece berrar e é verdade. Movimentar-se sem bola, confiando que ela me vai chegar; ousar sair da minha posição habitual, sabendo que outro a ocupará; pressionar o jogador adversário, seguro de que os meus cobrem os restantes; iniciar uma jogada, certo de que a minha equipa a acompanha e ajuda a construir.
E por aí fora?, sendo que não somos bons, mas damos o melhor e gostamos de jogar à bola. No Benfica é ao contrário: cada qual é ?muita bom?, mas não pode contar com mais ninguém; tem rasgos geniais, mas mais ninguém acredita nisso, preferem ficar a ver se sim ou se não.
A culpa deste estado de coisas que paira para os lados da Luz, não sei de quem é. Mais vale deixá-la morrer solteira, como é hábito entre nós. De resto, já é assim desde o Génesis. Na parte final do mito da criação, Deus pergunta a Adão se é ele o culpado. Qual o quê! ?

Adão passa a bola a Eva, esta à serpente e só ficamos sem saber a quem culparia a serpente, porque Deus, cansado do jogo, já não lhe pergunta nada.
Aceitemos então que a culpa morra solteira. O pior é a confiança ter ficado viúva. Ao contrário daquela com que ninguém conviveu, já o país andou casado com esta. Avivando a memória (e sem recuar aos tempos que agora os neo-conservadores deram em considerar não-democráticos): ainda se recordam dos anos 86-90; ou do período 96-99?
Os economistas dizem que a confiança é um factor ?imaterial? decisivo (há Prémios Nobel atribuídos a quem investigou nesta área). A gente dos media diz que é difícil de conseguir e fácil de se perder. Os políticos pedem-na todos os dias. Os psiquiatras afirmam que sem ela só há vidas sofridas e torturadas. Consumidores, clientes e fornecedores deixam de o ser se a perdem. Todos sentimos (sabemos) que sem confiança não há futuro minimamente apetecível.
Que raio! Talvez valha a pena parar um momento para pensar como e porquê nos divorciámos dela. Mais importante ainda: como a poderemos recuperar? Alguém tem uma pista?
Publicado por Manuel 15:41:00 0 comentários
volta ao mundo em 7 minutos ...
esta «Estava obcecado por um lugar, mas não sabia onde ficava» e depois descobriu que aos domingos de manhã «no lago de Serralves há um cisne branco que sabe ler os pensamentos das pessoas que o observam. Fixa-as com muita atenção enquanto se dirige a elas lentamente sobre a água. Nesse percurso quase se sente o tempo a passar em direcção à tarde», a candura de que falava este só lhe fica bem.
Este, depois de ter visto terroristas aquí, descobre que todos os que não partilham da sua visão do mundo são meros indigentes, enfim, tal como o ET não estamos sós. Aquí a Ana Gomes, que é costume ser fácil detestar, escreve um texto sincero, sensato e sentido (e estamos a medir os adjectivos...) sobre a promiscuidade entre a bola e o futebol, e como bónus desta vez não há cabalas pelo meio e a carapuça também serve ao PS.

Face ao tradicional jacobinismo e imbecilidade francesas, muita sensatez em dose XXL aquí . Entretanto o gato preto conntinua a escrever maravilhosamente bem, mas a precisar de ver uns filmes sobres patinhos feios e cisnes.
Ah, e a Al Qaeda, braço Português, já tem um blog onde entre outras coisas reivindica o atentado que engoliu o autocarro em Campolide.
Quem disse que Portugal era um caso perdido não tem passado muito tempo na nossa blogosfera. Às vezes as (r)evoluções começam onde menos se espera...
Publicado por Manuel 14:39:00 0 comentários
Espalhem a Notícia
«Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou
Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio

e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita...
Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita...»
«ESPALHEM A NOTÍCIA», Sérgio Godinho, 1985
Publicado por André 11:30:00 0 comentários
Nuno Gomes
Nuno Gomes está de regresso. Só falta saber quantos dias faltam para voltar a lesionar-se.

(tanta falta tem feito ao Benfica...)
Publicado por André 08:13:00 0 comentários
Publicado por Manuel 07:06:00 0 comentários
O défice orçamental do subsector Estado agravou-se 29,2 por cento nos primeiros 11 meses do ano, face a igual período de 2002, para 6.797,2 milhões de euros, informou hoje a Direcção-Geral do Orçamento (DGO). Este valor corresponde a 5,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2003.

Para apresentar um défice de 3.886,9 milhões de euros (2,9447 por cento de um PIB de 131.993,8 milhões de euros), como especificado no reporte dos défices e dívida das Administrações Públicas apresentado em 1 de Setembro, a ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, precisa de receitas extraordinárias no montante de 2.910,3 milhões de euros, correspondentes a 2,2 por cento do PIB (riqueza gerada pela economia portuguesa), se a execução de Dezembro repetir o padrão dos últimos 11 meses.
A execução orçamental até Novembro revela uma degradação homóloga (face a igual período do ano anterior) de 44,4 por cento no saldo corrente, que ascende a 4.374,7 milhões de euros, e de 8,5 por cento no saldo de capital, que sobe a 2.422,5 milhões de euros. O saldo corrente resulta da conjugação de um crescimento da despesa corrente em 2,5 por cento, para 30.286,5 milhões de euros, e de uma quebra na receita corrente de 2,3 por cento, para 25.911,8 milhões de euros.

Quanto ao que entrou nos cofres do Estado até ao final de Novembro, os dados ontem revelados pela DGO apontam para uma quebra de 3,1 mil milhões de euros nas receitas fiscais previstas para este ano. O Estado recebeu nos onze meses do ano já cumpridos 23.901,9 milhões de euros dos 29.461,9 milhões de euros que previu a título de receitas fiscais do Estado na proposta de Orçamento de Estado para 2003. Este valor foi revisto em baixa para 27.433,6 milhões de euros na proposta de Orçamento de Estado para 2004.
A manter-se o actual padrão de entradas de receitas fiscais, isto significaria a falta de 3.104,8 milhões de euros, com relação à primeira daquelas previsões, dado que onze doze-avos do total correspondem a 27.006,7 milhões de euros. O valor em falta equivale a 2,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para 2003 no reporte dos défices e dívida das Administrações Públicas. Para o conjunto do ano, o Governo projecta um défice de 3.886,9 milhões de euros, correspondentes a 2,9447 por cento deste valor do PIB.

Do lado da despesa corrente, a que é relativa ao pessoal, registo-se um aumento de 3,5 por cento para 11,4 mil milhões de euros, constituindo as variáveis de abonos e segurança social as que mais contribuíram para este cenário de agravamento. As remunerações certas e permanentes registaram um acréscimo de 0,8 por cento. No que toca à aquisição de bens e serviços, a situação é mais favorável, com uma redução verificada de quase 15 por cento. A despesa corrente total cresceu 2,5 por cento. Já a despesa de capital, acumulava no final de Novembro um valor de 26.330 milhões de euros, o que é quase o dobro do que tinha sido apurado no final do mesmo mês do ano passado.

A aquisição de bens de capital aumentou 30,4 por cento e os passivos financeiros cresceram 55 por cento. O total da despesa realizada nos onze meses de 2003 ascende a 56.703 milhões de euros, o que representa um agravamento de 18,9 por cento.
Publicado por Manuel 03:48:00 0 comentários

«I feel that something's going to give. It's 1985. Fifteen years 'til the third millennium. Maybe Christ will come again. Or maybe the troubles will come, and the end will come and the sky will collapse and there will be terrible rain and showers of poisoned light. Or maybe, maybe my life is really fine. Maybe Joe loves me and I'm only crazy thinkong otherwise. Or maybe not. Maybe it's even worse than I know, maybe. Maybe I want to know, maybe I don't».
Harper, personagem interpretada por Mary-Louise Parker, em «Angels in America»
Realização de Mike Nichols, a partir da história de Tony Kushner, com as participações de Al Pacino, Meryl Streep e Emma Thompson.
Vamos torcer para que não demore muito a chegar a Portugal...

Publicado por André 03:00:00 0 comentários

Carlos Cruz, in mensagem emitida em directo para em jantar de apoio em 15/12/2003.

Publicado por Manuel 01:40:00 0 comentários

