Esta Gente
terça-feira, abril 05, 2005
Neste tempo sombrio, de ausência de referências e um manto de apatia e cinismo, é urgente recordar Sophia. Que falta ela nos faz...
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
De um tempo justo»
«Esta Gente», Sophia de Mello Breyner Andresen in «Geografia», 1967
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Publicado por André 01:23:00 0 comentários
Candidata ao Nobel da Paz
segunda-feira, abril 04, 2005
Ana Gomes encomia João Paulo II num texto notabilíssimo, quase o absolvendo do pecadilho de não ter anuido ao "direito à vida", que é, nas suas palavras, a morte do feto.
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Publicado por Nino 22:53:00 0 comentários
O carnaval é quando o homem quiser
Alberto João Jardim empenhado na luta "contra abusos de poder que se continuam a praticar e a se desenvolver neste país".
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Publicado por Nino 22:43:00 1 comentários
mau demais...
Ao início da tarde de hoje correu por aí a possibilidade de ser adiado o próximo Congresso do PSD. Às 15.30 reuniu até a Comissão Permanente do PSD para discutir o tema. Talvez haja razões pertinentes para adiar o Congresso, não me recordo de nenhuma, mas poderão existir, agora alegar como motivo de adiamento o facto de à hora do ínicio do Congresso (20h de sexta-feira), e do discurso de despedida, balanço & contas do Dr. Lopes, as TVs estarem todas a abrirem os telejornais com as exéquias do Papa, é, no mínimo, mau gosto. E no entanto foi este o motivo dado, esta tarde, pelo Dr. Lopes para que se ponderasse o tal adiamento. É de facto mau demais...
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Publicado por Manuel 18:27:00 0 comentários
Barómetro Grande Loja
Tal subida, agora verificada, vem apenas, na consonância das verificadas desde Janeiro de 2003, altura em que o indicador de confiança, atingiu o seu valor mais baixo. Alias é hoje possível verificar, para um passado não menos longíquo, que se a queda em Portugal foi bastante mais forte que a verificada na zona euro, a subida que se lhe seguiu foi naturalmente mais concisa que a verificada na zona euro. Correcção típica dos mercados.
A subida agora verificada em março é exactamente igual à que a zona euro, experimenou em igual período, pelo que , não há qualquer relação de causa-efeito, entre as eleições legislativas e uma subita confiança depositada no governo.
De qualquer forma, para um país de serviços, a queda da expectativa, reflecte algo que a economia portuguesa e os seus governantes, decidiram para já, passar ao lado...a directiva dos serviços...ou a famosa directiva Bolkenstein. E para um país de serviços não é mau que a indústria transformadora suba, mas sim que as expectativas nos serviços, descam.
Finalmente uma pequena nota no que aos consumidores diz respeito e que certamente este indicador não reflecte ainda. A recente reforma(?) do PEC, irá traduzir-se numa subida dos juros e consequente aumento do serviço da dívida de famílias.
O futuro... está aí.
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Publicado por António Duarte 17:38:00 1 comentários
Já tenho o gato e o periquito
O aborto será enfim legalizado pelo governo do Partido Socialista, respondendo aos anseios de milhares de eleitores que votaram Bloco.
Mulher oprimida, burguesa, operária, homem enrascado, casado, namorado: libertai-vos da responsabilidade da vida.
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Publicado por Nino 16:55:00 12 comentários
PLÁGIO REGENERADOR (digo, Sebastianista)
Recebido de Juvenal, publica-se este postal...
---Depois de em marcha sonâmbula – mas rodeada de alvíssaras e amanhãs róseos – muito calcorrear Lisboa (e até cidades e serras) o Partido Sebastianista(digo, Regenerador) ressuscitou um dia, alvoroçado por entre as brumas duma chaminé co-inceneradora, pronto a reformar as suas hostes e o País contribuinte.
---Era um personagem de fato austero, passo hirto, voz possante, sorriso comedido às ovações esperançadas que o acolhiam de volta ao mundo dos vivos.
Ninguém sabia bem o que aquilo queria e, à esperança juntava-se a curiosidade.
Mórbida é certo – alguns mirones diziam ser um óbvio D.Sebastião, recauchutado sob a forma europeísta, outros, pelos cafés, alvitravam tratar-se só de uma variante latina dos mórmones ou, mesmo, a face pública de uma associação secreta de cangalheiros, rendidos ao choque tecnológico do século XXI.
Pelo País, alegadamente moribundo, e por Lisboa (que é o resumo do País) corriam, pois, os mais inverosímeis boatos. Mas, imperturbável, pelo Rossio o personagem avançava, a passo certo, pesado, com a solene solidez de centurião romano em procissão de semana santa.
---Ao princípio, e apesar dos vivórios, o seu caminhar seguro causava uma imensa impressão nos passantes e nas senhoras que andavam às compras na Baixa mas, por último, alguns atrevidos (incluindo jornalistas) foram-se chegando, e já no Terreiro do Paço, aí por alturas do "Martinho d’Arcada", começaram a tocar-lhe com o dedo, a ver se era de pau ou de alguma liga metálica, importada da aeronáutica. Era de carne…real. Percebeu-se mesmo que suava.
Com audácia crescente resolveu-se pô-lo a perguntas.
---Senhor – adiantaram com vénia – circula por aí que vindes regenerar, restaurar o País, com a confiança da Vossa maioria absoluta. Qual o Arquétipo, o Lema, qual o Princípio, a Idéia em suma, que norteia a Vossa missão reconstituinte?...
Em matéria de Educação, por exemplo?
– Contra os "lóbies"! – respondeu, seco e sábio, o Partido Regenerador(Sebastianista, digo).
---Espanto geral.
---Bom…e em matéria de Defesa Nacional?
– Choque tecnológico! – grunhiu, saboreando o impacto, o Partido Sebastianista(digo, Regenerador).
---Silêncio incrédulo….
---Ora, e no Trabalho?
– Contra os "lóbies"! – roncou, triunfante.
---Bem, e na Segurança Social?
– Choque tecnológico! – rugiu, firme.
---Como…? Na Segurança Social?
– Contra os "lóbies"! – voltou a rugir.
---Safa!...E na Economia? na Agricultura?
– Contra os "lóbies"! – urrou.
---Bolas…! E na Cultura?
– Choque tecnológico! – mugiu, de olhos já revirados.
---Caramba!...E a Questão Europeia?
– Contra os "lóbies"! – bradou, possesso.
---Irra!...Mas, na questão do Aborto?
– Choque tecnológico! – uivou.
---Também no Aborto?
– Contra os "lóbies"! – tornou a bramar.
--- Já agora, e na Co-Incineração?
– Choque tecnológico! – ganiu, com raiva.
---Silêncio de chumbo…
---…E na área da Justiça, dos Tribunais?
– Contra os "lóbies"! Contra os "lóbies"! – espumou, com rouca indignação, dando enérgicas patadas no lajedo.
---... Aí tentaram apaziguá-lo, enquanto um sujeito de óculos e cachecol, que se acercara vindo do largo portal que n’Arcada dava acesso ao Supremo Tribunal de Justiça, dizia, pressuroso, que não valia a pena tudo aquilo, sugerindo um leque, um abano…
– Contra os "lóbies"!...mmee…éh…ih… – rouquejava, já.
---O sujeito de óculos, curvava-se de ouvido sagaz, ajeitava o cachecol, chamava a atenção, parecia-lhe que o Partido Sebastianista acrescentara mais um fonema, mesmo uma idéia: «menos férias» ou algo assim…e apoiava muito! dizia, apoiava muito!
---Com redobrado interesse e esperançados naquela variante, fizeram-no sentar então, por alvitre do sujeito do cachecol, no degrau do largo portal do Supremo e repetiram, todos à uma: – Menos férias? Nos Tribunais, é?...
– Contra os "lóbies"!...mmee…éh…ih… – estertorava, os lábios brancos de saliva seca, dando novas patadas ansiosas no lajedo.
---Instalou-se, então em volta, um desorganizado terror. Voltaram até a tocar-lhe com o dedo…continuava de carne. Continuava a suar. Já exalava, mesmo. Aquilo não dizia mais nada, e sem variantes, afinal…
---Foi aí que um moço louro, estreado há dias nos Noticiários duma rádio local, recobrou o sangue frio e sugeriu novas experiências, augurou novas variantes…
---Que horas são?
– Contra os "lóbies"! – rosnou, retomando a voz com rancor.
--- Apre!... sabes qual a farmácia de serviço?
– Contra os "lóbies"! – espumou, num sufôco, feroz.
---De redor trocavam-se olhares esgazeados, desabotoavam-se colarinhos, arregaçavam-se mangas de camisa, num esforço de compreensão solicitou-se, mesmo, o auxílio dum padre que por ali passava e que, debruçado, numa voz meiga, sugeriu tentativas mais pedagógicas, mais doces:
--- Bom…agora com calma: Gostas mais do papá ou da mamã?...
– Contra os "lóbies"…! – gemeu, exausto.
---Deram-lhe finalmente um copo de água.
---O sujeito de óculos e cachecol quis afastar dali uns fotógrafos da imprensa, assegurando, com muita rectidão, que não tinham nada que o fotografar naquela cena, que só tinha vindo cumprimentar um amigo, aliás que já se ia embora, e num gesto de compulsiva caridade retirou o cachecol, enrolou-o com presteza no pescoço solene do Partido Sebastianista, acautelando-lhe a infrene rouquidão e retirou-se, recomendando muito que, na próxima, o copo d’água – fosse com açúcar…
---A imprensa, o padre e os curiosos debandaram. Ao longe continuava o vivório.
---Foi, então, com desgostada mágoa que os moços da imprensa reconheceram, nos periódicos da manhã seguinte, a grande Saudade dos tempos do Diálogo em S.Bento e do fado manso gargarejado em água benta. É que, mais uma vez, o partido Regenerador (digo, Sebastianista) não tinha Idéias: só reacções de Pavlov…arrancos vocais…entradas de leão...e, de novo, mesmo, só uns tiques remoçados de autoritarismo pombalino.
---Ah!: e publicaram, com feia malícia, a foto com o sujeito de óculos e cachecol. Andou muito tempo, coitado, a justificar-se (não fossem pensar que também não tinha idéias…).
---Que sina.
Notas de Rodapé
("…estalando de riso por todas as entrelinhas, mesmo quando franzem a testa" - Eça de Queiroz
[sobre as Farpas, in «Uma Campanha Alegre»] )
JUVENAL
contribuinte fiscal
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Publicado por josé 15:08:00 0 comentários
Começar pelo fim
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Publicado por contra-baixo 13:41:00 0 comentários
Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores - Março de 2005
Confiança das Empresas recupera na Indústria Transformadora, na Construção e no Comércio e degrada-se nos Serviços indicador de confiança nos Consumidores voltou a melhorar
Em Março, o Indicador de Clima recuperou ligeiramente.
Em termos sectoriais, verificaram-se recuperações dos níveis de confiança na Indústria Transformadora, na Construção e no Comércio, enquanto que nos Serviços se registou uma deterioração pelo quarto mês consecutivo.
Em Março, o indicador de confiança dos consumidores melhorou novamente, atingindo o melhor valor desde Novembro de 2004.
in INE
Muito curiosos os números antes do alisamento com médias móveis de três meses, relativos aos consumidores. O indicador de confiança disparou em Março. Querem ver que afinal as expectativas políticas são mesmo importantes para os portugueses?
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Publicado por Rui MCB 12:06:00 0 comentários
360o
PT - a chantagem divina.
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Publicado por Manuel 10:31:00 1 comentários
para memória futura...
domingo, abril 03, 2005
The Village Voice, Terry Schiavo - Judicial Murder
Her crime was being disabled, voiceless, and at the disposal of our media
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Publicado por Manuel 22:07:00 0 comentários
Por quem os sinos dobram
Às 21.37 o Santo Padre João Paulo II partiu para junto do Pai.
Foi desta forma que os peregrinos que se encontravam na praça de São Pedro em Roma, e todos os outros que pelo mundo fora, rezavam e se encontravam em profunda reflexão, tomaram conta da notícia, já há alguns dias esperada, depois da lenta e progressiva agonia, que representaram os seus últimos dias.
Profundo devoto do culto mariano, João Paulo II foi mais que um Papa. As suas enciclícas, constituíram verdadeiras profissões de fé perante um mundo ostilizado e martirizado pelas guerras, pela fome, e sobretudo pelo medo. João Paulo II, deu à igreja e ao Vaticano em especial, uma dimensão que transcedeu em muito, o que normalmente são as obrigações de um Papa.
João Paulo II, foi o homem, que contribuiu positivamente para a queda do regime comunista na Polónia, com o seu apoio, muitas vezes incompreendido pelo próprio Vaticano, ao movimento Solidariedade de Lech Waleza. Depois da Polónia, seguiram-se como se chama, todos os outros países, caindo uma cortina de ferro em torno de um regime marxista-leninista, e prevalecenco a democracia.
Por isto, João Paulo II, e por ter contribuído decisivamente para a aproximação entre regiliões, entre credos, por ter chamado o povo judeu à igreja e a fé, por ter pedido perdão pelos crimes cometidos pela Igreja, pelo silêncio que a Igreja teve durante o holocausto nazi, e por ter prometido, que jamais a Igreja se calaria, perante tamanhas atrocidades.
Partiu certamente João Paulo II para junto do Pai. O seu episcopado, será certamente recordado, como aquele, onde os jovens e a sua missão profunda de evangelização perante uma sociedade descrente nos valores morais e sociais, foram constantemente acarinhados por Ele.
Partiu um Homem. O Mundo inteiro em silêncio, agradece a benção não da sua partida, mas sim daquilo que pelo Mundo fez, enquanto seu líder na Terra. Uns mais comovidos, outros menos atentos, todos reconhecem na figura do Papa, uma figura ímpar da história moderna do mundo.
Mesmo na hora da sua partida, e ciente de todo o sofrimento que sobre ele, se abateu, João Paulo II, mostrou-se ao mundo, ciente, que tranquilo partiria, quando todo o Mundo por ele rezava. Uma demonstração clara, que a sua personalidade extravazou durante o seu pontificado, a igreja. Uma demonstração do reconhecimento que o Mundo por ele tem.
Que descanse em Paz.
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Publicado por António Duarte 16:07:00 1 comentários
A esperança do outro que me contagia
Sobre a morte do Papa, a lucidez do Carlos Castro no Tugir em Português ou de Ana Gomes no Causa Nossa.
Dito isto fica o meu desejo, que venha um outro homem bom, melhor, porque é possível.
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Publicado por Rui MCB 14:52:00 1 comentários
Publicado por Manuel 21:09:00 4 comentários
sobre o nevoeiro...
Publicado por Manuel 15:29:00 0 comentários
Affairs d´état
É imperioso esclarecer o caso das telecomunicações das polícias e da emergência médica, sob pena de se ter abdicado de um mínimo de transparência e legalidade nos negócios públicosO negócio de compra de um sistema integrado das redes de telecomunicações de emergência e segurança para as polícias, bombeiros, emergência médica e protecção civil, por 538 milhões de euros, adjudicado três dias depois das eleições, é pouco transparente e parece muito mau para o Estado. Porquê? Porque a adjudicação acabou por ser decidida em função de um critério - urgência - que foi sucessivamente demolido pelo arrastamento do processo do concurso.
A anos de distância do Euro 2004 dizia-se que tudo devia estar a postos para o Campeonato Europeu de Futebol e acabou por não estar. Antes disso já era urgente, porque as comunicações de emergência, policiais, médicas e protecção civil há anos que estavam obsoletas, com os equipamentos a atingirem o fim do ciclo de vida útil. A urgência actual, ditada pelas mortes recentes de bombeiros e polícias, foi, mesmo assim, um dos argumentos políticos invocados pelo ex-ministro da Administração Interna Daniel Sanches, mas nada justificaria que juridicamente a argumentação se resumisse a um "parecer" transmitido aparentemente apenas de forma oral pelo magistrado do Ministério Público colocado na assessoria do MAI. Tantos outros polícias e bombeiros mortos na última década e meia justificariam, há muito tempo, ter o Estado dotado os seus corpos de servidores em áreas tão sensíveis como a segurança, sinistralidade e emergência médica com o equipamento adequado!
Para um concurso que começou a ser preparado em 1996 a partir de uma experiência-piloto na PSP de Coimbra já não há urgência possível que justifique qualquer passo mais relativizador dos critérios legais. Sejam esses critérios relacionados com o concurso propriamente dito ou com os actos que um governo de gestão pode ou não praticar. Ainda menos se compreende a adjudicação três dias depois das eleições, se pensarmos nas ligações cruzadas, mesmo que se possam colocar acima de qualquer suspeita, entre o ex-ministro Daniel Sanches e uma das principais empresas (Sociedade Lusa de Negócios) do consórcio vencedor, e Dias Loureiro, também ex-ministro da Administração Interna e contratante, para o Banco Português de Negócios, de dois altos quadros do Estado, Daniel Sanches e o antigo director do SEF Lencastre Bernardo, que tiveram, em momentos e circunstâncias diferentes, intervenção no processo.
Por fim, se agora se conclui que as condições do contrato não justificam o recurso a uma parceria público-privado, porque o custo do projecto é praticamente o mesmo para o Estado, caso tivesse optado por desenvolver o projecto sozinho, então porquê tanto tempo perdido?! Seria muito mau, se no fim deste processo se viesse a concluir que tudo isso só aconteceu, porque, também aqui, o Estado esteve este tempo todo subordinado a interesses particulares e não à prossecução de um fim público. Ainda por cima em áreas tão sensíveis como as da segurança interna, protecção civil, bombeiros e socorros médicos. Isso será, caso se comprove, uma irresponsabilidade criminosa!
Os negócios de Estado desta importância não podem ter tal vulnerabilidade, não podem demorar tanto tempo sem razões objectivamente compreensíveis, ainda para mais num processo que nem foi marcado por uma lógica de contencioso. Se não se vier a esclarecer e a compreender este caso, então é porque neste país já se desistiu de defender os mínimos exigíveis de legalidade e transparência nos negócios públicos.
Eduardo Dâmaso, Público
Publicado por Manuel 10:43:00 3 comentários
"- A esperança é eterna, JP2."
sexta-feira, abril 01, 2005

Publicado por Manuel 19:35:00 1 comentários

Emperor penguins look up at a giant imposter at Tokyo's Ueno Zoo, Japan. Zoo director Teruyuki Komiya dressed up for a stint in the penguin enclosure for the annual April Fool event to display a human being at the zoo(AFP/Yoshikazu Tsuno)
Publicado por Manuel 18:52:00 1 comentários
Minoria absoluta
Se acreditas em ti, não temes os desafios, abominas ceder nas tuas convicções e te divertes com o rastilho de inveja que o teu sucesso acende, adere ao partido 4-3-3.
Publicado por Nino 18:51:00 0 comentários
é irrefutável. A NASA garante, "Water On Mars ".
Publicado por Manuel 17:21:00 0 comentários
CONVERSA DA TRETA Estão em curso umas patuscas reuniões "de alto nível" aparentemente destinadas a resolver a ocupação dos cargos dirigentes na administração pública. A coisa oscila entre a nomeação "política" e o concurso "democrático", por um lado, e os "níveis" aos quais qualquer um destes "métodos" deve ser aplicado, por outro. Talvez a opinião pública, com alguma equanimidade, prefira pensar que o "concurso" é mais "transparente" do que a nomeação. Puro engano. Os concursos, de uma maneira geral, são abertos com "retratos a cores" dos concorrentes. Ou seja, são para "aquelas" pessoas e não para todos os putativos concorrentes em igualdade de circunstâncias. Por isso, eu preferirei sempre a nomeação "política", seja para que "nível" for, a qualquer concurso trapalhão e hipócrita. Os que nomeiam e os nomeados sabem todos com o que contam. Assiste a uns e a outros a legitimidade de confiarem ou não confiarem uns nos outros. Em ambos os casos, a democrática porta da rua é a serventia da casa quando qualquer das partes não está satisfeita. Por exemplo, eu gostava de saber quantos "dirigentes" actuais da administração pública que não "confiam" neste governo, já falaram. Ou quantos ministros e secretários de Estado que não "confiam" nesses dirigentes, já o disseram. Não é por haver mais ou menos nomeações "politicas" ou mais ou menos concursos "democráticos" que o governo - este ou outro qualquer - vai deixar de colocar quem entender onde entender, como, aliás, deve acontecer. Tudo o que se disser em contrário releva apenas do domínio da conversa, da conversa da treta.
João Gonçalves
Publicado por Manuel 16:36:00 0 comentários
Uma questão de esquerda ou de direita?
O aborto é o assassinato de um ser humano não registado na conservatória de registo civil. Alguns empresários também não entendem que direitos podem ter os trabalhadores sem documentos, imigrantes ilegais.
Publicado por Nino 15:36:00 5 comentários
Porto - rescaldos do edifício transparente...
tudo isto é triste, tudo isto é fado.
Publicado por Manuel 15:06:00 0 comentários
Quase ...quase ...lá
Porque sou liberal, sinto-me envolvido por uma perplexidade que ainda não consegui resolver. Uma coisa tenho, para mim, como certa. A afectação dos recursos é melhor feita pelo mercado, mas só será assim enquanto existirem recursos e enquanto existir vida. E como procriei, preocupa-me que os meus descendentes encontrem um planeta onde possam habitar com qualidade e onde existam recursos suficientes para satisfazer as suas necessidades múltiplas. Já não estou tão certo de que essas necessidades tenham que ser multiplicadas em relação às nossas de hoje em dia. O que contraria a ideologia vigente.
Aqui
Publicado por contra-baixo 14:44:00 0 comentários
"vanity has allways been my favourite sin"...
Por estes dias a performance política de António Borges só faz lembrar o desempenho do Futebol Clube do Porto esta época, uma imensa e enorme desilusão, o mínimo que se esperava, de alguém de quem se fala há anos, é que tivesse feito os trabalhos de casa, e manifestamente não fez. António Borges está no seu direito de não se rever no actual PSD, este irritante escriba também não se revê, está no seu direito em querer apresentar uma alternativa, o que não pode, sob o risco de não ser levado a sério, e se descredibilizar totalmente, é ignorar totalmente as realidades no terreno.
António Borges tem que decidir rapidamente o que quer ser. Se quiser continuar a ser tomado como um ingénuo, então pode continuar ostensiva, e alegremente, a ignorar as condicionantes da presente situação política, a fazer tábua rasa do estado actual das coisas, e a falar em abstracto e de cor, baseado numa visão etérea, aérea, não substantiva e actuante. Se quiser ser levado a sério tem que perceber como é que as coisas, bem ou mal, são agora, e porque é que chegaram a tal ponto - e isso manifestamente não percebeu - para então sim apresentar soluções, e pontos de partida, e chegada.
António Borges será certamente uma pessoa estimável, tem a sorte de ter muitos amigos, simpáticos, que o gostariam de ver na política, não se sabe agora se pelas suas capacidades se pela falta de algumas delas. É unanimemente reconhecido como tecnicamente capaz e competente, mas está a revelar a mais estrondosa falta de tacto e sensibilidade política. Pior, baseia a sua análise em dados, e premissas, virtuais e irrealistas. Dramático mesmo, é que, a continuar por este caminho, acabará por por ser recordado como uma outra versão, remake em registo yuppie e infinitamente mais respeitável, do Dr. Lopes, outro para quem a realidade sempre foi um pequeno detalhe. É pena, pena mesmo, porque de facto o Dr. Borges até podia vir a dar muito ao País, mas nunca assim.
Eu não conheço do Dr. Borges, mas espero que ele tenha pelo menos um amigo, a sério, que lhe explique, se necessário com desenhos, a triste figura que está a fazer, de preferência antes do Congresso e antes do Professor Marcelo se cansar, parar de rebolar de riso, e o chumbar na televisão.
O que o PSD, em concreto, e o espaço político da não esquerda, em geral, precisam, objectivos claros e determinados, claramente articulados com príncipios e valores. No presente falta ao PSD uma agenda específica e clara, porque será nessa, e só nessa, que se reverão, ou não, as pessoas, é essa que lhes resolverá ou não os problemas, e lamentavelmente não se tem ouvido falar muito da reforma do sistema político, provavelmente a única maneira de acabar de vez com a exclusão da maioria silenciosa do eleitores da vida política.
Publicado por Manuel 14:15:00 2 comentários
Mais uma coisa boa
Antes que acabe a blogoesfera deixem-me eleger alguém, não será um blogue pois não consigo decidir-me sobre qual foi o melhor em 2004, mas sobre um jornal diário. Um dos poucos dignos desse nome, que vou lendo com regularidade e que espero continue no rumo da melhoria continuada, é o Jornal de Negócios. Porquê este elogio, agora? Porque a leitura de quase todos os outros me levou a isso; porque a crise está instalada na imprensa diária e não só. Em vez de destilar contra as vergonhas preferi exaltar quem tenta manter um rumo e o vai conseguindo com raras excepções.
A menção honrosa vai para A Capital. Espero que haja recursos para dar o salto de que preciso para jogar na primeira liga. Ainda falta qualquer coisa...
Já agora uma sugestão de leitura do Editorial de ontem do Jornal de Negócios. Tem por lá uns recados muito avisados para o actual Governo, por exemplo, sobre o INE, apesar de tudo...
P.S. A primeira coisa boa é esta de um outro jornal em crise de identidade.
Publicado por Rui MCB 12:54:00 0 comentários
A vizinha do lado
Los españoles son melómanos, cada vez más cinéfilos y no ven 'telebasura', según Cultura
El Mundo
Publicado por contra-baixo 11:07:00 0 comentários
decisão fracturante do dia...
vou adoptar este gatinho...
Publicado por Manuel 10:55:00 0 comentários
Publicado por contra-baixo 10:49:00 0 comentários
"Esperança contra toda a esperança"
No momento em que escrevo - às primeiras horas do dia - João Paulo II parece estar entre a vida e a morte. Quando teve início este papado eu entrava na universidade. Agora, se pudesse, já me aposentava. Tantos anos não podem passar sem deixar uma marca profunda na história da igreja e em nós. Nessa altura eu era seguramente muito mais crente do que sou hoje. Muitas das "convicções" deste Papa contribuíram - para além da minha própria "vida" e do conhecimento dos "outros", particularmente dos que passam o tempo a bater com a mão no peito -, para me afastar da "igreja una, apostólica, romana" que me ensinaram a respeitar. Nada disso me impede de reconhecer em Karol Wojtyla uma dos carácteres mais poderosos do século XX. Teimoso, conservador, fiel ao "núcleo duro" da doutrina, de João Paulo prefiro reter a frase do homem proferida aquando da sua primeira visita à Argentina: "I hope against all hope". Para mim, que creio em pouca coisa, esta é uma mensagem de esperança desesperada que valeu uma missão: manter a esperança contra toda a esperança.
in Património
Publicado por Manuel 08:03:00 0 comentários

No momento em que escrevo - às primeiras horas do dia - João Paulo II parece estar entre a vida e a morte. Quando teve início este papado eu entrava na universidade. Agora, se pudesse, já me aposentava. Tantos anos não podem passar sem deixar uma marca profunda na história da igreja e em nós. Nessa altura eu era seguramente muito mais crente do que sou hoje. Muitas das "convicções" deste Papa contribuíram - para além da minha própria "vida" e do conhecimento dos "outros", particularmente dos que passam o tempo a bater com a mão no peito -, para me afastar da "igreja una, apostólica, romana" que me ensinaram a respeitar. Nada disso me impede de reconhecer em Karol Wojtyla uma dos carácteres mais poderosos do século XX. Teimoso, conservador, fiel ao "núcleo duro" da doutrina, de João Paulo prefiro reter a frase do homem proferida aquando da sua primeira visita à Argentina: "I hope against all hope". Para mim, que creio em pouca coisa, esta é uma mensagem de esperança desesperada que valeu uma missão: manter a esperança contra toda a esperança.