Imagine-se...

Directamente da caixa de comentários do blog Do Portugal Profundo, copio uma ideia que complemento com uma história ficcionada de proveito e exemplo.

A história começa em 1975. Marques Mendes, o actual primeiro ministro de Portugal, matriculou-se em Setembro no primeiro ano do curso de Direito da Universidade de Coimbra.
Devido a afazeres da futura profissão, em Fafe, sua terra natal, onde o seu pai advogado tem uma posição de relevo político, o curso começa quase por correspondência. O jovem Mendes, passa mais tempo em Fafe do que em Coimbra e consegue passar em claro as aulas inflamadas de retórica do professor Aníbal Almeida e furtar-se às práticas dos assistentes de Introdução ao Estudo de Direito.
Mesmo assim, Mendes, que revela esperteza acima da média, consegue estudar por conta própria e matricula-se como estudante trabalhador para usufruir das vantagens da política local, em nome do PSD que se afirma, sem sofrer as desvantagens da política nacional educativa.
Ao fim de três anos consegue obter as cadeiras necessárias para se afirmar bacharel. Porém, em 1979, o PSD prepara-se para ser governo e Marques Mendes, está na linha da frente da luta política local, seja em Braga, seja em Famalicão, seja na capital. O curso fica em Coimbra e o bacharelato chega por ora.
Em 1980, vem a AD e a consagração de Sá Carneiro. Marques Mendes é figura de estilo importante e já com experiência política, no partido.

O curso de Direito fica a aguardar melhores dias, até meados dos anos noventa, altura em que Marques Mendes já é governante, no governo de maioria absoluta de Cavaco Silva. Nesse tempo de vacas gordas, o PSD no governo, tem alguns personagens do tempo de Coimbra, da faculdade de Direito que Marques Mendes frequentou, uma dúzia de anos antes.

Até aqui a história é parcialmente ficcionada, pois Marques Mendes acabou o curso de Direito em Coimbra, com licenciatura limpa e sem margem para dúvidas.
Por isso, cum grano salis, leia-se o que vem a seguir, pura ficção de proveito e exemplo e com a devida distância aos acontecimentos recentes.

Portanto, imaginemos que Marques Mendes, suposto bacharel em Coimbra, decide em meados dos anos noventa e quando era deputado com vista para o governo nascente de um PSD, acabar o curso de Direito.
Como está em Lisboa, iria para onde? Para a Nova por exemplo. Imaginemos que na Nova leccionava um professor que viera também de Coimbra; era do PSD e até tinha amigos comuns com Marques Mendes, embora este alegadamente nem o conhecesse. Imagine-se que Marques Mendes começa a frequentar o curso de Direito, na Nova, como estudante trabalhador e à noite. Imaginemos que na primeira aula, o tal professor que é de Coimbra, é do PSD e é amigo de amigos comuns, se apresenta a Marques Mendes, no fim da primeira aula.
Imaginemos agora que as cadeiras que são feitas na Nova, durante esse ano, são custosas, difíceis e o tempo não chega para tudo o que um Secretário de Estado pode fazer.
O que poderia resolver Marques Mendes, com ajuda explícita do tal professor? Mudar para outra universidade, por exemplo? Imaginemos então que a mudança se dá para a Independente, onde o tal professor também dá aulas, precisamente aos últimos anos do curso. Imaginemos que é esse mesmo professor quem assegura as equivalências de Marques Mendes, na mudança e lhe vai leccionar quatro das cinco cadeiras que segundo esse plano de equivalências, aprovado por quem nem tinha competência para tal, faltariam para concluir a licenciatura. A última cadeira do curso, é leccionada por um reitor que não existe nessa qualidade nem é sequer professor da cadeira. A prova final , é a um Domingo, como atesta o diploma entregue, assinado pelo tal reitor.

Imagine-se agora que passados dez anos se descobre num blog de um indivíduo que persiste na curiosidade em saber como tal curso se fez, que afinal não há documentação fiável e disponível para assegurar a validade formal dessa licenciatura.
Imagine-se ainda que um jornal de referência, começa a inquirir Marques Mendes, entretanto primeiro ministro de um governo com maioria absoluta na Assembleia, a propósito do percurso académico, dez anos antes e recebe como resposta, uma ameaça velada de processo judicial acompanhada de esclarecimentos que levantam mais dúvidas do que esclarecem, a menor das quais não será o facto de Marques Mendes nem se lembrar de quem lhe leccionou as cadeiras que faltavam, para concluir o curso.
Marques Mendes, então governante muito ocupado, aluno do tal professor, então colaborador do mesmo governo e partido, acaba o curso, num dia de Domingo de Setembro, com uma última cadeira leccionada pelo reitor da universidade, que se vem a descobrir depois que nunca poderia ter sido reitor, pois o verdadeiro reitor era outro professor catedrático que deu o seu nome e honra e que agora se cala e ainda se descobre que nem era sequer professor da cadeira de fim de curso, obtida de modo caricato, por correspondência.
Marques Mendes, agora primeiro- ministro, é confrontado com este problema da obtenção do seu diploma de Direito, pelo jornal que repescou uma informação publicada dois anos antes, num blog animado por um professor universitário. O professor interessou-se pelo percurso académico de Marques Mendes depois de ter desconfiado do modo como o mesmo o poderia ter obtido sendo governante e ao mesmo tempo, numa época em que a universidade Independente apenas iniciara o curso de Direito em causa.
Apesar de fustigado pela imprensa durante mais de quinze dias, para esclarecer as já muitas dúvidas que se levantam, Marques Mendes reduz-se ao silêncio, enquanto se descobrem outros pormenores através de entrevistas de responsáveis pela universidade Independente.
Os jornais não desistem e descobrem que afinal, o curso frequentado por Marques Mendes nem sequer tinha sido apresentado ao Ministério pela universidade, deixando a suspeita de que nem pudesse ter sido realizado naquele ano, quanto às últimas cadeiras dos últimos anos do curso.
Marques Mendes decide então dar uma entrevista à RTP na qual se defende dos factos conhecidos e divulgados, apresentando um diploma passado com data de Agosto do ano de conclusão do curso, desmentindo assim em directo o facto aventado de a licenciatura se ter concluído a um Domingo.
Imagine-se que no dia seguinte, se publica o facto de Marques Mendes que dissera apenas ter conhecido o tal professor enquanto aluno, ter sido aluno do tal professor, um ano antes do ingresso na universidade Independente e de ter sido o mesmo quem lhe avaliara as equivalências.
Imagine-se que Marques Mendes, afinal, dias depois, é obrigado a dar o dito por não dito e a reconhecer que afinal o diploma de curso era mesmo o do Domingo, porque se descobre entretanto, sem explicação plausível , que o diploma apresentado na Tv, está falsificado.
Imagine-se ainda que Marques Mendes confrontado com o facto, remete todas as explicações para a Universidade Independente.
Imagine-se ainda que se descobre que Marques Mendes, enquanto deputado, assinou e entregou uma ficha biográfica onde consta como profissão a de advogado e qualificações académicas, licenciado em Direito quando ainda era apenas bacharel. E que existe outra ficha rasurada. Ambas são cópias de um original que entretando desapareceu, sem explicação plausível. E que se descobre que como governante, Marques Mendes aceitou que a si se referissem oficialmente, no Diário da República, como licenciado, quando ainda o não era de todo.

Imagine-se ainda o que veio a seguir, as explicações contraditórias para os factos; a falta de documentos credíveis sobre a putativa licenciatura; as amizades perigosas que se mantiveram com o tal professor, nos anos seguintes a essa licenciatura, relacionadas com negócios que envolvem o Estado onde governavam amigos de Marques Mendes, ele mesmo e o tal professor.

Perante esta imaginação toda, prefigure-se o que diria disto tudo o líder da oposição, José Sócrates, no Parlamento e na televisão…para além do que diria toda a imprensa, rádio TSF e televisões em prise.

Ah! E o que faria o Presidente da República? Diria também que há assuntos mais importantes que este, não é assim mesmo?
E os jornais em geral? E a televisão?

Imagine-se, porque é um exercício fácil. E depois, veja-se a realidade que se nos vai deparando

Publicado por josé 21:58:00 6 comentários Links para este post  



Contar para viver

O director do semanário O SOL, José António Saraiva, escreve na revista Tabu desta semana, uma espécie de texto desconstrutivo, sobre a polémica (alimentada aliás pelo próprio jornal que dirige) do percurso académico de José Sócrates.
Começa por explicar às crianças e lembrar ao povo adulto, como é que tudo isto começou, numa abordagem algo marxizante, porque tributária de uma certa concepção de luta de classes que conduziu à separação do ensino técnico das escolas comerciais e industriais, do ensino nos liceus de antigamente. Em resumo, nos liceus estavam os ricos; nas escolas técnicas, os pobrezinhos.
A seguir, conta a sua anedota habitual, com vários episódios e de riso garantido. Leiam:

(...)Foi mais ou menos esta a história de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que tanta tinta tem feito correr e afinal se resume a muito pouco.Fez o liceu na Covilhã, como os meninos ‘ricos’. Mas o encerramento, a seguir ao 25 de Abril, da Faculdade de Engenharia do Porto, onde o pai o tinha matriculado, levou-o a inscrever-se num curso médio que lhe dava apenas direito ao título de ‘engenheiro técnico’. Assim, mais tarde, como milhares de outros engenheiros técnicos, Sócrates sentiu necessidade de ter um curso superior, de usar o título de engenheiro sem complexos por não o ser verdadeiramente – e matriculou-se numa universidade que, por não ter grande exigência, não o obrigava a muito trabalho: a Universidade Independente.Deram-lhe as equivalências que entenderam dar (justas ou injustas), fizeram-lhe os exames que entenderam fazer (concedendo-lhe mais ou menos facilidades) – e Sócrates lá ficou engenheiro sem a palavra ‘técnico’ à frente.
À semelhança de muitos outros agentes técnicos, regentes agrícolas e contabilistas por esse país fora, José Sócrates quis limpar essa ‘nódoa’ do seu passado, esse ferrete que significava para quase todos uma marca de classe.Isso constituirá um crime?E que necessidade há de remexer na ferida, de lhe atirar à cara que antes não era bem engenheiro e hoje o é por favor?No fundo, aqueles que atacam Sócrates fazem-no ou por uma mal disfarçada ‘superioridade de classe’ – como quem diz: tu não és um dos nossos – ou por um certo sentimento de inveja – por não se terem formado e não quererem que Sócrates passe por ser mais do que eles.
A mim, a licenciatura do primeiro-ministro não faz nenhuma confusão. Admito que tenha havido aqui ou ali uma certa facilidade. Mas isso terá importância para encher páginas e páginas de jornais ditos ‘sérios’? E quantos alunos se formaram em universidades privadas e públicas sem terem o mínimo de capacidades para serem doutores ou engenheiros?Compreende-se, por todo o envolvimento social, que Sócrates tenha querido ter um canudo. Mas isso não o faz melhor nem pior primeiro-ministro. E quantos têm um canudo que ninguém contesta e não serviriam sequer para dactilógrafos da presidência do Conselho de Ministros?

Publicado por josé 19:04:00 2 comentários Links para este post  



são Rosas, Senhores (banda sonora)

Publicado por Carlos 16:49:00 3 comentários Links para este post  



São rosas, senhores

O Relatório do Tribunal de Contas, da Auditoria aos Gabinetes Governamentais, com incidências nas respectivas despesas, relativas a três anos- 2003, 2004 e 2005, - está disponível na Rede e permite saber que a Auditoria foi realizada por uma equipa constituída por Maria Brochado que coordenou; Luís Filipe Brandão, Liliana Soares, Selema Rebelo e João Rodrigues. Contou ainda com um consultor jurídico, Manuel Ventura e o relatório foi objecto de coordenação geral por Gabriela Ramos e António Garcia, com um tratamento de texto, concepção e arranjo gráfico por Ana Salina.

Este Relatório, publicado em 30.3.2007, contém 250 páginas e é assinado por um colectivo de juízes, em plenário, da 2ª secção do Tribunal de Contas.
São eles, os Conselheiros:
Carlos Moreno que foi o autor do Relatório e os adjuntos:
João Pinto Ribeiro, José Alves Cardoso, Armindo Sousa Mendes, António José Avérous Mira Crespo, Lia Olema Ferreira Videira de Jesus Gomes e Manuel Henrique de Freitas Pereira.
Os Conselheiro, unanimemente, subscreveram o Relatório nos seus aspectos e observações mais críticas e pertinentes, para o governo actual e antecedentes. Todos subscreveram as recomendações severas e os avisos à navegação à vista de interesses imediatos na contratação desenfreada de pessoal ajudante.
Manuel Henrique de Freitas Pereira, entendeu formular uma declaração de voto, também subscrita por João Pinto Ribeiro, relativamente a um único aspecto do Relatório que terá ficado menos esclarecida: o que respeita às “transferências correntes” no valor de 12,4 mil milhões de euros que representam o financiamento do Estado para as despesas de Segurança Social, canalizadas do Orçamento Geral do Estado para o Orçamento da Segurança Social, através de inscrição como despesas dos gabinetes governamentais da Segurança Social. Foi esse apenas o sentido da declaração de voto daqueles dois conselheiros.

Quanto ao resto do Relatório, é ler. Apesar das suas 250 páginas, o arranjo gráfico e os quadros exemplares, reduzem-no a muito menos e dão-nos um retrato aprimorado do funcionamento dos gabinetes governamentais, no que se refere ao regime de contratações de pessoal para ajudar ministros e outros governantes.
As críticas do Tribunal de Contas são demolidoras da credibilidade de qualquer governo que se atreva, depois disto, a reafirmar valores como transparência nas contratações de pessoal para os gabinetes e esforço de diminuição ou contenção de despesas, para além dos aspectos de estrita legalidade e que parecem completamente ausentes, nesses casos, da preocupação de quem governa. A lei, nestes casos, é simples indicação, sem conteúdo vinculativo e os exemplos sucedem-se, às dezenas, numa espiral de descontrolo evidente.
Basta citar um pequeno exemplo, documentado, entre muitos do mesmo género:
Em 2005, foram contratados 7 assessores, em dois gabinetes, que auferiam remunerações mensais superiores ao limite previsto, sem justificação em termos de prossecução do interesse público. Perante estes factos, os argumentos que se podem aduzir, para criticar o Relatório, precisam de desmentir os números expostos que desgraçam a imagem de qualquer governo que se preze. Além disso, os números foram fornecidos pelo próprio governo, actual!
O regabofe exposto, contudo, já nem parece incomodar quem sabe lidar com os media, particularmente a domesticada televisão. A mensagem que passou, única, é também demolidora da nossa atitude cívica e que se reflecte em muitos outros sectores: o primeiro ministro, teve a distinta lata em considerar-se satisfeito com o teor das aclarações, porque entendeu que conseguiu provar que apenas nomeou 53 assessores para o seu gabinete e não aqueles que lhe eram apontados!!! O resto...conta nada para a imagem oficializada.
Outros comentadores, lacaios de profissão e oficiantes habituais do pálio governativo, limitam-se a abanar a cauda do contentamento do patrão. Mesmo que a realidade dos espinhos expostos lhes esfregue o focinho da sabujice e os arranhe o senso, continuam a cheirar as rosas adjacentes.
É o Portugal que temos? Parece. Um Portugal amorfo, desmotivado da crítica e da exigência e conformado, submisso até, à sabujice reinante.
Actualização em 2.5.2007:
Há por aí um funcionário superior da nossa Administração Pública, armado em inspector de relatórios alheios e que escreve em blogs, com nome próprio e pseudónimos manhosos, por vezes assassinos. Gostos .
Topa tudo o que argueira o olho adversário e nunca se dá conta das inúmeras traves que lhe atravancam já o bestunto mais chão.
Por isso, já não lhe dou troco, porque nem adianta. Quem acha que os conselheiros do Tribunal de Contas não são juízes, nem conselhos merece.

Publicado por josé 10:48:00 3 comentários Links para este post  



Os sons da Página Um


Para quem se dignar recordar e voltar a ouvir os antigos sons da Página Um, em modo de escrita, pode ler por aqui, ao virar da esquina.

De resto, aqui fica a imagem da cabina de som, dos antigos estúdios da Rádio Renascença, onde os sons da Página Um eram produzidos.

Publicado por josé 19:40:00 0 comentários Links para este post  



Barómetro França 07'

Ségolène Royal: a candidata socialista tem conseguido recuperar diariamente cerca de 0,5 por cento, mas está ainda a 5 pontos de Sarkozy. A única hipótese que tem de chegar ao Eliseu é conquistar a esmagadora maioria dos votantes em Bayrou


Faltam 7 dias para a segunda volta:

-- Sarkozy 52,5

-- Ségolène 47,5

(Fonte: Ipsos/Dell)

Tendências:

-- Sarkozy partiu com uma boa vantagem da primeira volta e a soma dos candidatos que não passaram parecia dar-lhe avanço confortável

-- No entanto, a rivalidade com Bayrou pode custar problemas a Sarkozy na tentativa (crucial) de conquistar a maior fatia dos votos do candidato da UDF

-- Ségolène recupera cerca de 0.5 por cento todos os dias, mas ainda tem muitos votos para recuperar, até 6 de Maio

-- A candidata socialista necessita de fazer o pleno nos candidatos à sua esquerda e precisa, pelo menos, de 65 a 70 por cento dos votos de Bayrou e ainda de uma boa percentagem (20 ou 30 por cento) dos votos de Le Pen . Não é fácil, mas olhando para os sinais dos últimos dias, não é impossível...

Publicado por André 16:30:00 1 comentários Links para este post  



Anomias políticas

Primeiro foi a notícia de primeira página, de 12.3.2007, do Diário de Notícias dirigido por João Marcelino, o putativo fautor do sucesso do Correio da Manhã, junto do leitorado.
A notícia era devastadora para a imagem do Governo, laboriosamente construída ao longo de meses de spin assessorado: “Governo efectuou 2773 nomeações em dois anos”. E ainda, Primeiro-ministro tem 13 adjuntos, 19 assessores, 15 secretárias e sete motoristas." A notícia refere-se à actualidade, do ano de 2007...
A mensagem que passava, era a realidade: o governo actual que pede sacrifícios ao cidadão comum, nomeia pessoal que se farta e faz como o frade Tomás.

Esta mensagem, aparece ao mesmo tempo que uma outra, com o selo de autenticidade de um tribunal de Contas, renovado por um socialista nomeado que ainda assim jurou a independência exigida.
O tribunal de Contas, além disso, é um Tribunal que entra na orgânica geral do nosso poder judicial, tal como definida no artigo 209º da Constituição e sustenta os mesmos princípio referenciados no artigo 202º: a independência e a especial atribuição de administrar justiça em nome do povo, na defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos.
O relatório do Tribunal de Contas em análise e em crise, refere-se ao resultado da auditoria às despesas dos gabinetes governamentais, num triénio: 2003, 2004 e 2005.

As inevitáveis comparações suscitaram as notícias desprimorosas para o actual governo, ferido na fachada da sua susceptibilidade, logo que se escreveu no relatório difundido que este governo tinha feito 148 nomeações para o gabinete do primeiro ministro. A verdade governamental fixara em apenas 53 , as nomeações da imagem da desgraça. O pormenor, era de relevo e mesmo com alguma distorção, poderia surtir efeito se fosse aclarado, para demonstrar a incompetência de um tribunal e a má fé dos que pretendem beliscar a suprema competência e eficádia deste governo constitucional.

Tal disparidade, deu azo a críticas públicas, pelos visados no governo, destacando-se até neste exercício, o próprio primeiro-ministro. Havia o pormenor...a fazer lembrar o papel das propinas, mostrado como prova de autenticidade de frequência do ensino...

O Governo, sob a chancela do Gabinete do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministro, na batuta de um inefável e inoxidável Jorge Lacão, durante anos e anos, presença permanente nos corredores da Assembleia da República, no Largo do Rato e noutros locais socialistas, tinha já respondido em Dezembro de 2006. Fizera-o no "contraditório" a um relatório preliminar do mesmo tribunal, presidido durante quatro anos, por um outro socialista, habituado aos mesmos lugares e cuja nomeação suscitou controvérsia.
A resposta-ofício, em modo de “competente contraditório”, datada de 27 de Dezembro não deixa de suscitar também algumas perplexidades formais: “Sem embargo não deixa o Governo de exprimir ao Tribunal de Contas o seu melhor empenhamento e disponibilidade para a cooperação construtiva, sempre exigível em quem se esforça por contribuir para aperfeiçoar o fuincionamento e as práticas da Administração Pública”. Foi assim, o modo como o inefável Jorge Lacão entendeu, endereçar ao Tribunal de Contas, a sua resposta-contestação-contraditório em que elencava depois, várias “confusões”, “insuficientes dilucidações” e “incorrecções de avaliação”, para concluir pela geral “deficiência analítica” do mesmo tribunal na auditoria ás despesas dos gabinetes.
Essa resposta, ainda assim, não foi suficiente para que o relatório publicado em Abril, deixasse de merecer mais críticas do Governo, porque os números como o algodão do anúncio, pareciam não enganar e a imagem impoluta do governo saía beliscadíssima.
Em Abril de 2007, o Governo, perante a divulgação do Relatório, requereu ao TC, aquilo que em linguagem jurídica se chama uma aclaração do Relatório, sustentado argumentos que desfizessem a imagem passada para a opinião pública de que o Governo tinha sido despesista, ao contrário do repetidamente afirmado. “Qualquer labéu despesista é efectivamente inaplicável ao Governo”, diz a comunicação de pedido de aclaração, no qual reafirma a “ melhor disponibilidade para a cooperação institucional, no respeito pela autonomia e separação de funções”. Acrescenta ainda que “ O XVII Governo Constitucional espera do Tribunal de Contas a devida ponderação destes elementos, tendo em conta os efeitos de um Relatório de Auditoria que, com insuficiente tratamento da factualidade disponível e insuficiente distinção da natureza das coisas, acarretou um objectivo episódio de desinformação da despesa pública sob a égide de um Governo que, patentemente, tem feito do rigor orçamental um desígnio da sua actuação."

Afinal, que disse o Tribunal de Contas, na resposta à aclaração requerida pelo Governo?
Aclarou agora que “todos os números constantes dos quadros (…) constam de listas nominativas, exaustivas quanto ao respectivo conteúdo, preparadas e elaboradas e posteriormente corrigidas na presidência do Conselho de Minsitros, ente 25.8.2006 e 23.10.2006.”
Diz ainda que nos documentos da Presidência do Conselho de Ministros, referidos especificamente ao Gabinete do Primeiro Ministro, constavam 148 indivíduos, expressa e literalmente considerados, pela dita Presidência do Conselho de Ministros, como “pessoal do quadro e além quadro do Gabinete do Primeiro Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa”.
Refere ainda, outra coisa muito importante: Se erro houvera, tal ficaria a dever-se exclusivamente aos serviços da actual Presidência do Conselho de Ministros e ainda salientou que se agora essa Presidência viera corrigir dados relativos ao Governo actual, não poderia omitir correcções aos outros Governos abrangidos pela Auditoria, como acontecera.
Desmentiu ainda, categoricamente, a alegada “confusão”, referida pelo inefável Lacão e refutou os termos do pedido de aclaração do Governo que afirmava em tonalidade de linguagem política, a ocorrência de um “objectivo episódio de desinformação ".

Os jornais, de ontem e hoje, tratam este assunto de um modo curioso.
O Expresso, “O TC não muda relatório”, e no artigo assinado por dois (!) jornalistas anuncia-se que o TC decidiu não rectificar o relatório e endossa toda a responsabilidade pela informação incorrecta, ao próprio Governo. Ainda assim, relata as diligências do inefável Lacão, para “minimizar os danos políticos”, acrescentado que “é possível que a guerra acabe aqui”.
No Sol, duas jornalistas (!) escreve-se que “Tribunal de Contas diz não a Sócrates”, para explicar que Sócrates pediu uma “rectificação” com o argumento de que “só contratara 46 pessoas, tendo enviado uma lista corrigida, com a indicação de quem está a trabalhar consigo”.
A Auditoria, lembre-se, é restrita ao triénio 2003, 2004 e 2005. Estamos em 2007…
No Público, ontem, uma jornalista, escrevia um pouco mais. Dizia que “Tribunal de Contas rejeitou “erros”, na auditoria sobre gabinetes ministeriais”. “Responsabilizando o Governo, o tribunal rejeita críticas, regista novos dados sobre o número de assessores e mantém críticas à falta de controlo na despesa”.
No Portal do Governo, estão disponíveis as diversas posições institucionais do Governo, nesta matéria.
Ontem, o Primeiro Ministro, numa declaração para a televisão, no decurso de uma feira, em Beja, disse, para toda a gente ouvir bem, que estava satisfeito com a deliberação do Tribunal de Contas, aprovada, na terça-feira passada, sobre o Relatório e sobre as nomeações e despesas governamentais. Cinismo maior, será difícil de encontrar em matéria política.
José Sócrates salientou um aspecto de relevo no que interessa à imagem do Governo. De uma eficácia a toda a prova, disse simplesmente que “o que pretendia está conseguido” e que era demonstrar que apenas fizera 53 nomeações para o seu gabinete, em vez das 148 anunciadas.
Foi esta a mensagem que passou e a imagem que fica, é de que o Tribunal de Contas errou as contas e fez má figura. Mas…fez mesmo?

Quem ler os jornais, não fica a perceber muito bem o que se passa. Percebe que há uma discrepância. Percebe que o Tribunal de Contas teve que aclarar um Relatório, mas nem se dá conta dos contornos legais que tal aclaração significa. Pela leitura dos jornais, que falam em “rectificação”, seria uma espécie de resposta à tutela. O Tribunal de Contas, é apresentado como uma espécie de tribunal, o que é notório dos ofícios do inenarrável Lacão.
Para o Governo, o TC é mesmo uma espécie de tribunal, pratica e objectivamente incluído no âmbito dos “órgãos de supervisão” sobre os quais o Governo tem alguma espécie de tutela, porque tem palavra a dizer na nomeação dos juízes presidentes.
É óbvio que o inenarrável Lacão sabe que assim não é nem pode ser. Mas o timbre dos ofícios, para além da incrível pesporrência institucional, trata o TC como se fosse um departamento da A.R. em que o incrível Lacão percorreu os seus anos incríveis. No seu perfil profissional,no portal governamenta, apresenta-se como "advogado". Advogado?!

Por outro lado, é sabido que os jornais representam uma fatia do leitorado, relativamente pequena. A televisão representa mais o eleitorado do que o leitorado e é aí, na pantalha dos milhões que os assuntos de decidem, em termos de imagem e comunicação.
O primeiro ministro José Sócrates, um sem-vergonha que pretende passar incólume por cima de uma trapalhada inominável e não esclarecida, sobre os seu percurso académico, mais uma vez, se serve da pantalha dos milhões para confundir a opinião pública.
Até quando estas mentiras sucessivas e sem remissão, farão o seu curso, com plena impunidade?
A reacção dos partidos é sintomática da anomia reinante:
Miguel Macedo, pelo PSD, ouvido pela mesma televisão e usufruindo do mesmo espaço de esclarecimento, perde-se em justificações platónicas. O líder do BE, aponta um trocadilho inócuo para a falta de vergonha, reduzindo tudo a uma questão de contas e contabilistas.
Restam os blogs. Que audiência têm os blogs? Mínima. Sem qualquer efeito de beliscadura na imagem falsa de um primeiro ministro com total falta de vergonha. Sem paralelo na União Europeia.

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Carta ao director do Público

Pelos vistos, o Público caiu outra vez nas vendas e não acerta com o mercado a que se dirige.

Pois bem. Compro o Público desde o primeiro número que me desiludiu logo nessa altura, pois esperava um jornal mais aberto às realidades das notícias que o Jornal de Notícias então fazia. Esperava então do Público um jornalismo real, de rua e não de cadeira ou poltrona, do tipo que alguns tipos ainda faziam. Já aqui citei, várias vezes, um jornalista sem peneiras e com muita classe chamado Aurélio Cunha. Porque é que o cito- já o conhecendo pessoalmente- e não me lembro de mais nenhum?
Pela simples razão de me parecer o símbolo do jornalismo que já não há. O jornalista Aurélio Cunha, chegou a investigar factos concretos de casos concretos e falava com as pessoas, procurando ligar factos a realidades e pessoas a acontecimentos. Em poucas palavras, procurava perceber o assunto sobre que ia escrever e não costumava atabalhoar notícias para colocar cachas de primeira página. Em certo sentido, estava nos antípodas do jornalismo tipo Independente de Portas, MEC, Helena S. Osório e Inês Serra Lopes. Todas estas personagens do jornalismo luso, acantonaram-se em lugares esconsos que o actual ministro Santos Silva diria da sarjeta. Desvirtuaram à sua maneira o jornalismo de qualidade, em função da pressa, da avidez de notícias e de cachas para encher papel moeda. Dizem que terão feito jornalismo de causa. Provavelmente sim, manifestamente não.

Voltando ao Público, este tipo de jornalismo, ainda vai vicejando numa ou noutra reportagem, mormente aquelas que vieram recentemente a lume, por causa da Independente, das habilitações do primeiro ministro e dos negócios, com e Estado, de alguns apaniguados. Mas é um jornalismo que tende a desaparecer ou pelo menos não marca a agenda diária do Público. Sendo meramente episódico, por vezes suscita algumas suspeitas de motivações obscuras e dá azo a comentários dos visados que não abona nada a favor do jornalismo independente e separado do poder político.

Sendo assim, qual a razão do declínio progressivo do Público e como é que me atreveria a dar razões para ultrapassar a crise do (ainda) melhor diário português?

O declínio, quanto a mim, está na direcção, quero dizer na linha editorial seguida de há alguns anos a esta parte.
Se o Correio da Manhã ou o Jornal de Notícias, se destinam a um público que pretende ler as notícias e os pormenores sobre os casos de faca e alguidar e ainda os que abalam os telejornais, sobre o mundo judiciário, por que razão o Público continua a manter como repórteres, pessoas que já deram sobejas provas de falta de isenção, noticiando acontecimentos, intrometendo palpites avulsos e pessoais que desvirtuam o sentido das coisas que o leitor pode aquilatar por si, através de outras vias de conhecimento?

As notícias do Público, muitas vezes carecem de densidade informativa. Explico: ontem, a primeira página dava conta da notícia de que o Governo incentivaria funcionários públicos a denunciar a corrupção. Lá dentro, na pág 12, três colunas em nem sequer meia página, procuravam explicar o que era o tal guia de boas práticas. O artigo assinado por Paula Torres Carvalho não dava a ninguém, muito menos aos leitores do Público que frequentaram escolas e sabem ler alguma coisa, a noção exacta do guia e do significado do mesmo. Em algumas frases desgarradas, percebe-se que a autora não percebeu o assunto, nem deu a perceber ao leitor.
Exemplos destes são diários e repetidos, num declínio acentuado na qualidade exigível a um jornal de referência.
O Público, para sobreviver tem que ser melhor que os seus leitores e dar-lhes a conhecer aquilo que eles não sabem! Só isso justificará que o continuem a ler e comprar.
Poderia continuar com os exemplos práticos, mas fico por esse.
Na edição de hoje, o assunto transversal é a liberdade de imprensa e de informação. A ideia geral que perpassa nas notícias e comentários, é a de tentativa de arreata por banda do poder político. Pois bem! Estude-se melhor o assunto. Aprofunde-se o mesmo. Convidem-se peritos e entrevistem-se conhecedores.
A matéria é tão escorregadia que qualquer notícia, sem consistência devidamente embalada, foge do controlo de quem a solta e torna-se…inócua.
O jornal, hoje, Sexta-feira, traz dois ou três suplementos. O de Economia que é dispensável. O Ípsilon que não presta por aí além e deveria ser reformulado. A cópia da net, por vezes é demasiado aflitiva e nunca traz referências como deveria. Neste aspecto, é uma vergonha. Ponham alguém a consultar a net, sobre o que querem escrever e citem os sítios! Duas páginas chegavam! O melhor ainda são as fotos, vá lá. O Inimigo Público que se alarga em páginas repetitivas com o mesmíssimo tipo de humor que de tão previsível e estereotipado, poderia muito bem reduzir-se a meia página com efeitos de riso mais assegurado.Poupem as meninges! Ninguém quer rir tanto de tanta coisa!

No capítulo dos comentários, nada a assinalar. Está bem assim. No aspecto gráfico, idem. Melhorou em relação ao anterior.
Em resumo: mudem o estilo de jornalismo. Sejam mais autênticos e consistentes. Procurem a realidade e não inventem realidades paralelas. Arranjem urgentemente quem faça o que os jornais americanos fazem: fact-checking. Assegurem-se que o que escrevem não traz lapsos graves, noções erradas ( um crime público não é aquele cuja investigação é obrigatória, mas o que não depende de queixa para se investigar), informações factualmente incorrectas, desinformação.

Por hoje é tudo, senhor director.

Publicado por josé 19:40:00 1 comentários Links para este post  



avisos à navegação

All the World's a Bubble
TheStreet.com

How high will the Dow go? 15,000? 20,000?

How about 36,000?

While euphoria sweeps stock markets here and worldwide, there are at least a few voices of dissent.

One, unsurprisingly, is legendary value investor Jeremy Grantham -- the man Dick Cheney, plus a lot of other rich people, trusts with his money. Grantham, chairman of Boston firm Grantham Mayo Van Otterloo, has been a voice of caution for years. But he has upped his concerns in his latest letter to shareholders. Grantham says we are now seeing the first worldwide bubble in history covering all asset classes.

Everything is in bubble territory, he says. Everything. [continua aqui]



Publicado por Manuel 18:55:00 0 comentários Links para este post  



a queda de um anjo

Publicado por Manuel 17:27:00 2 comentários Links para este post  



Barómetro França 07'

A 9 dias da segunda volta...


-- Sarkozy 53

-- Ségolène 47


Fonte: Ipsos/Dell

Publicado por André 13:19:00 0 comentários Links para este post  



um desejo

... para que o Dr. Mendes gira a pessegada na Câmara Municipal de Lisboa um bocadinho melhor, do que o senhor Primeiro-Ministro geriu a questão das suas habilitações académicas. Nestas coisas o timing é tudo.

Publicado por Manuel 13:04:00 0 comentários Links para este post  



um detalhe

Anda para aí muita gente aos pulos - agora - a perorar sobre Televisão, ora sobre a 'ida' de Pina Moura para a TVI, ora sobre o detalhe da SIC ser do Dr. Balsemão. Discutem o acessório. As linhas ficaram bem (de)marcadas na areia quando este governo decidiu renovar automaticamente as licenças de televisão nos idos de 2005. Sobre isso - uma simpatia avaliada em milhões, ninguém fala. O 'mercado' é uma coisa muito complicada, o bloco central também...

Publicado por Manuel 12:58:00 0 comentários Links para este post  



Para o senso comum, já dei.

O jornal Público de hoje, ocupa parte do seu espaço de comentário a glosar o tema da liberdade de expressão e por extensão, de imprensa.

O editorial de José Manuel Fernandes, coloca o dedo numa ferida pustulada e nunca fechada e que afecta o nosso tecido social: os limites da liberdade, naquilo que se pode dizer ou escrever sobre outrém.
Este ano, já são duas, as decisões do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que condenam o Estado português, por causa de decisões de tribunais portugueses acerca da matéria.
O sentido das decisões do TEDH tem sido unânime e rotundo: a liberdade de alguém se exprimir na imprensa relativamente a figuras com relevância política e pública, é mais alargada do que os tribunais ( e a lei) portugueses entendem e interpretam.
Na mesma página em que se dá conta da notícia, é notícia também, a primorosa rectificação do ministro Santos Silva, sobre a declaração de extraordinário bom- gosto, sobre o “jornalismo de sarjeta”. Esclarece que nunca quis qualificar o jornalismo português como sendo de “sarjeta” e que a expressão tem paternidade incógnita mas indigitada a um antigo presidente do Conselho deontológico e uma antiga presidente do Sindicato dos Jornalistas. A gente calcula quem sejam e onde estão, para tão afincadamente defenderem a liberdade, aferrando-lhe o açaime da responsabilidade que aparentemente ninguém contesta, mas que serve na perfeição o desígnio contido de arreata.
A desgraça de Santos Silva, porém, mostra-se logo a seguir, quando reafirma a sua afincada noção que lhe permite distinguir e separar águas: “importa é distinguir com clareza o jornalismo de investigação e aquilo que vários jornalistas chamam e bem, jornalismo de suspeição e/ou jornalismo panfletário”.
Ora aqui temos o sumo da questão, espremido para sintetizar a contradição.
As reportagens jornalísticas, sobre os casos recentes da Eurominas, envelope 9, negócios tipo Ota, tipo aterros sanitários à moda da Cova da Beira, serão, muito naturalmente, incluídos no “jornalismo de sarjeta”. Como o serão também, estas arrelias recentes sobre o percurso académico impoluto e exemplar do primeiro ministro, enquanto estudante trabalhador esforçado, com professores de amizade reconhecida e exames ao Domingo, com provas feitas em casa, por professores estranhos à cadeira e pelo reitor de coisa nenhuma.
Já não serão de sarjeta as notícias que envolvem uma responsável do MIT que há dezenas de anos arranjou um curriculum académico, “à maneira” de outros que se vão conhecendo. Nem são de sarjeta as exigências de demissão desses nepóticos embusteiros estrangeiros, tipo Wolfowitz. Por cá, não. “Nós, por cá, todos bem”. A nossa ética é diferente, consoante se trate dos nossos ou dos deles. No primeiro caso, pára nas fronteiras do nosso proteccionismo de costumes. No segundo, exporta-se com toda a facilidade e ligeireza de comentários em causas que são nossas.

Assim, aquelas notícias de sarjeta, serão em breve sujeitos a descarga de agulheta pressionada, vinda do próprio Estatuto do jornalista e com alto patrocínio dos vigilantes, atentos e veneradores do poder situado, antigos sindicalistas reformados no sucesso da louvaminha habitual e crítica velada e respeitosa que a ninguém incomoda, porque a vidinha custa a todos e “estamos aqui uns para os outros”.
Esta frente de batalha pró-governamental, enfrenta a resistência do povo leitor que pretende saber mais um pouco do que se passa, nos meandros do poder delegado a uns tantos que se escondem para não prestar contas, além das fixadas em regulamentos que não funcionam. A lei serve de escudo a quem não quer dizer o que anda a fazer em nome de todos e os indícios que assim é, são agora preocupantes.
Entre esta tensão, sobre o que se pode ou não pode dizer dos governantes e afins, interpõe-se o aplicador da lei, o poder judicial, supostamente independente, afastado das querelas de partidos e sem ligações aos mesmos. Desgraçadamente, descobre-se sempre que assim não é, por ocasião da corrida a postos de prestígio na administração ou em tribunais de alto coturno Constitucional.
Diga-se assim, de chofre que é para não assustar ninguém: a independência do poder judicial em Portugal, nos casos que contam e são exemplo, assemelha-se cada vez mais a um mito grego, falsificado numa ópera bufa..
A Justiça simbólica de venda nos olhos, balança numa mão e espada na outra, nem símbolo já pode ser, nos tempos que correm. Tornou-se apenas em bibelot de regime, quando lemos certas opiniões de quem tem o dever de a aplicar nos casos concretos. Sendo manifesto que a independência pessoal e integridade de carácter, assegurados os pressupostos legais, são os ingredientes necessários ao exercício da independência judicial, como esperar tal coisa de quem se aproxima tacticamente dos poderes, defendendo publicamente amigos poderosos, contra a evidência do recato exigível? Como se admite por exemplo, um juiz tipo mediático que devendo figurar nas fileiras dos independentes, assume posição pelo poder de facto, sem qualquer pudor de dizer e afirmar amizades e inclinações políticas? Espera-se o quê, deste tipo de juízes ? Justiça nas decisões? Só se for por acaso…

Nesta encruzilhada de ideias e noções, avultam as que a lei fixou como parâmetros de referência. Quem os conhece? Os especialistas divergem na sua interpretação. Os aplicadores afastam-se da unanimidade ou até da sensatez comum e os visados, rejubilam ou resmungam, sempre que se encontram em posições delicadas.
Os requisitos da lei civil não coincidem, como é natural, com os da lei penal e estes são tão restritivos dos direitos à liberdade que só os intérpretes afinam os critérios, segundo critérios que se afiguram muitas vezes manifestamente subjectivos, numa matéria em que isso é fatal, para não se recair na discricionariedade de quem julga.
Os exemplos apontados no editorial do Público de hoje, são redundantemente exemplares. Há tribunais que estendem a liberdade de expressão e há tribunais que a restringem, numa contradição interpretativa que deveria ser inadmissível e que provoca a perplexidade que vemos, sempre que lemos, anos depois, a denegação dos fundamentos dessas restrições, cada vez mais subjectivas, apresentadas no entanto, como o nec plus ultra do rigor e qualidade jurisprudenciais.

Assim, torna-se cada vez mais notória a necessidade de debate dos fundamentos e limites actuais, do direito ao bom nome, boa imagem, honra, consideração e outros valores conexos que sustentam os artigos do Código Penal actual. O tema, de grande dificuldade conceptual, para fixação da precisão dos seus contornos exactos, não pode continuar a balizar-se apenas nos estudos dos anos sessenta do professor Figueiredo Dias ou dos mais recentes, de Costa Andrade, ambos professores de direito penal de Coimbra e da jurisprudência que se limita a reastear esse caminho.
A noção jurídico-penal dos crimes contra a honra, do código penal, assenta em bases teóricas que já mudaram ao longo dos anos.
A compressão ou expansão dos direitos de liberdade de expressão, dependem demasiadas vezes de entendimentos subjectivados, dos intérpretes e aplicadores do direito e da lei, como é patente nas últimas decisões dos tribunais.
A jurisprudência sobre o assunto, abundante e luxuriosa, permite a comprovação fácil da afirmação sobre suspeitas de arbítrio no modo de julgar, ancorado em concepções rígidas de costumes subjectivos.
Há decisões para todos os gostos e feitios, nesta matéria. Já houve quem considerasse ofensivo o epíteto “fascista” e houve o contrário, por exemplo.
No capítulo do direito da informação, a existência de crime pode aferir-se como a imputação de um facto ofensivo à honra – que é a dignidade subjectiva de cada um- e á consideração- que é dignidade objectiva da estima e reputação sociais.
Discutiu-se a intenção de ofensa, para se afastar a sua exigência, como de especialidade, para se dizer que basta a consciência lata de ofender. Igualmente irrelevante foram considerados os motivos determinantes de ofensa. Mas já o não são, os motivos que podem excluir o propósito de ofensa.
Se alguém pretende brincar com outrém, poderá fazê-lo nos limites do ridículo e do mau gosto, dos graçoleiros profissionais que se apresentam em tonalidade fedorenta ou bem cheirosa. Quem definirá depois, se um ofendido deve sê-lo juridicamente? Os tribunais. Com que critério? Ora…os do “bom gosto”, da “graçola permitida” e outros conceitos assim tão engraçados que a subjectividade reside no senso comum. E se o juiz falha neste senso comum? Recurso em cima? E se ainda assim, o senso superior não prevalece? Nada a fazer, como adivinharam os ofendidos de um tribunal militar que se há uns anos se queixaram de um boquejão politicamente bem posicionado.
Também não haverá ofensa criminal, digna de crédito jurídico, se o propósito se limitar a narrar o acontecimento ou o facto, com veracidade informativa.
Mas, neste caso, que dizer da decisão cível, sobre a informação pública das dívidas fiscais de outrém que existem mas parecem não existir e que apenas poderão existir?
Como conciliar o direito a uma informação, com o critério de indemnização vigente no código civil?
Nestas perplexidades, residem muitas das preocupações de quem informa, comenta ou escreve sobre assuntos da sociedade em geral.
Perante uma ideia geral e comum de que os políticos eleitos e figuras públicas que vivem da publicidade à sua imagem, se restringem voluntariamente em alguns dos seus direitos de personalidade, os teóricos de Coimbra citam teóricos alemães, como Roxin e Herdegen, para sustentar que na luta política diária e de formação da opinião pública, há por vezes o recurso a formulações bombásticas exageradas e até picantes. Chamar “homem sem carácter” ou mentiroso, a um político, é difamatório? Pode ser. E será punível criminalmente? Não pode ser.
Diz o teórico de Coimbra, Vieira de Andrade, num parecer antigo:
os direitos fundamentais não podem ser pensados apenas do ponto de vista dos indivíduos, enquanto faculdades ou poderes de que são titulares, antes valem juridicamente também do ponto de vista da comunidade como valores ou fins que esta se propõe prosseguir”.

Ao criticar os políticos e ao levantar questões que envolvem suspeitas naturais, pela ordem do senso comum, de um político como o primeiro ministro, acerca das suas habilitações académicas, um jornal não pode ser considerado como media de sarjeta.
Tal como não o poderá ser, o deputado que ao abrigo da sua imunidade, faz inquirições ao executivo ou contesta ideias alheias e adversárias. Mesmo que o faça com deselegância ou falta de urbanidade. Nem tudo pode ser crime, como nem tudo se pode resolver em tribunais institucionalizados. Muitas vezes, o melhor tribunal, ainda é o da opinião pública. Mesmo manipulado pelos media, consegue geralmente um melhor tom de justiça do que aqueles que se instituíram para aplicar a mesma em nome do povo.
Talvez por isso, o ditado antigo, se deva lembrar: vox populi, vox dei. Dei, como senso comum.

Publicado por josé 12:20:00 0 comentários Links para este post  



descubra as diferenças ou porque é que o portugal é um país muito complicado...

Breaking news

MIT dean resigns over misrepresented credentials

"Marilee Jones, a prominent crusader against the pressure on students to build their resumes for elite colleges, resigned Thursday as dean of admissions at the Massachusetts Institute of Technology after acknowledging she had misrepresented her own academic credentials.
Jones has been a popular speaker on the college admissions circuit, where she urged parents not to press their kids too hard, and told students there are more important things than getting into the most prestigious colleges. She rewrote MIT's application, trying to get students to reveal more about their personalities and passions, and de-emphasizing lists of their accomplishments.
But Jones, dean since 1997, issued a statement saying she had misrepresented her credentials when she first came to work at MIT 28 years ago and "did not have the courage to correct my resume when I applied for my current job or at any time since.
"I am deeply sorry for this and for disappointing so many in the MIT community and beyond who supported me, believed in me, and who have given me extraordinary opportunities," she said, adding she would have no further comment."
Para quem gostou de ler este pequeno naco de prosa, da autoria da AP, e que revela o que se passa no prestigiado instituto que o Governo trouxe para fazer protocolos com o nosso País, eis o resto da notícia na CNN. Como dizia a outra, não há coincidências... Nenhuma, aliás.

FAL, no Corta-Fitas

Publicado por Manuel 21:20:00 2 comentários Links para este post  



diz que é uma espécie de retrato

Publicado por Manuel 20:03:00 0 comentários Links para este post  



uma dúvida...

Será que um blog pode processar uma espécie de revista (alegadamente de grande informação) por difamação ?

Publicado por Manuel 17:15:00 0 comentários Links para este post  



Os blogs da Sábado

Na revista Sábado de hoje, um repórter de nome Jaime Martins Alberto, ( que só pode ser jovem e por isso não pensa duas vezes), escreve sobre "blogues" e o seu poder!

Cita o fatal Abrupo, o equívoco Bloguítica e um oficioso A Nossa opinião, de um António Costa avisado e com algum tempo. Depois, cita o Do Portugal Profundo, como "um sítio pouco visitado até o jornal Público ter decidido investigar as acusações que lá estão". Poderia perguntar-se já: "acusações"?! Ó jovem Alberto, você leu o blog em causa, ou foi só para encher papel e olho de leitor?
A seguir, cita este mesmo blog onde escrevo, para afirmar alegremente que foi "onde escreveu o actual procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro"!!!
Afinal, o homem que disse que os blogs "é uma vergonha!", já por aqui andou a escrever e nunca dei por nada...

Nã...este jovem Alberto não lê blogs. Escreve sobre os blogs; sobre o poder dos blogs e " a nova arma política"; sobre alguns blogs, mas de blogs percebe quase nada.
Então, por que raio escreve sobre o que não sabe?! Para nos rirmos? Epá! Para isso, temos a actualidade política...
Qual foi o editor que lhe deixou passar o artigo? Também será um cómico?

Publicado por josé 13:31:00 4 comentários Links para este post  



Barómetro França 07'

Sarkozy 53.5

Ségolène 46.5


Fonte: Ipsos/Dell

(até à noite da segunda volta, actualizaremos este barómetro, de dois em dois dias)

Publicado por André 3:49:00 0 comentários Links para este post  



Página 1


A minha experiência pessoal do dia 25 de Abril 1974, está ligada ao rádio. Quero dizer, à música que ouvia no rádio. Assim, tal e qual, porque a rádio no feminino, é fenómeno linguístico posterior.
Em plena adolescência e em plena evolução da música popular de expressão anglo-saxónica, nesses anos, todos os meses eram meses de novidades que as revistas traziam e recenseavam.
Em Abril desse ano, o programa de rádio que ouvia religiosamente, em todos os dias que podia, era a Página 1, da Rádio Renascença, das 19h e 30m até às 21h de segunda a sexta.
Nesse programa, passavam todas as novidades que interessavam, da música popular, de várias expressões, incluindo a música popular portuguesa, de cantores de protesto. O Lp de José Afonso, Venham mais cinco, por exemplo.
No entanto, a esmagadora maioria das sonoridades, cantava em inglês e sabia bem ouvir.
Nos primeiros meses de 1974, tinham saído alguns LP´s com interesse intemporal.
Planet Waves de Bob Dylan, sem ser um álbum fundamental, passava depois da banda sonora Pat Garret & Billy the Kid, Knocking on heaven´s door.
Com toda a certeza, ouviam-se as sonoridades perfeitas de Paul Simon, no álbum al vivo, Live Rhymin´Simon e fatalmente reouvia-se The boxer e American Tune.
Com certeza também, os Procol Harum, do LP Exotic Birds and Fruit e o tema Nothing but the truth.
Esses sons possíveis do dia 25 de Abril de 1974, foram apresentados por um indivíduo que agora faz outra coisa e tem um blog: Luís Paixão Martins que então se apresentava como Luís Filipe Martins.
Umas semanas depois, a seguir à introdução sincopada da bateria dos Pop Five Music Incorporated, num rolamento de fracção de segundo, a hora e meia que se seguiu tinha outra voz- a de um tal Artur Albarran. O qual viria a dar que falar, mais tarde e por outros motivos.
Agora fica aqui a minha homenagem ao locutor de grande categoria que era Luís Paixão Martins.
E ao programa Página 1 que começava com a música do mesmo nome que se pode ouvir neste local

Publicado por josé 23:37:00 3 comentários Links para este post  



Vigilância democrática

O blog Do Portugal Profundo, cujo autor levantou a lebre que acossa o primeiro ministro de Portugal, aliás, por factos que apenas a ele são directamente imputáveis, queixou-se publicamente de suspeitas de vigilância electrónica.

Nem quero crer que haja no Portugal democrático dos dias que correm, alguém com responsabilidades oficiais que à margem da lei, se dedique a actividades de pesquisa online, para colocar offline quem desalinha de quem lhe paga o salário ou assegura a carreira.
Não quero crer porque a emenda , pior do que o soneto, significaria uma sinfonia desconcertante e de prisão à vista. Seguramente e num escândalo sem proporções. Além do mais, o diabo tapa com uma mão e destapa com as duas, como é sabido...
Não quero crer que haja, no Portugal democrático dos dias que correm, algum funcionário zeloso que no afã de agradar ao chefe que o promove, infrinja a legalidade mais estrita, vigiando quem lhe convém, em nome de quem manda e sem mandado de juiz. Passam hoje 33 anos, sobre a data em que isso teoricamente acabou.
Se isso, porém, acontecer e se vier a saber, vai ser o cabo dos trabalhos para justificar o injustificável. E a presunção de inocência, será um mito, para quem vier a saber.
A credibilidade das instituições de segurança, afere-se pelo respeito da legalidade e a dedicação à causa do Estado que não se confunde com o ministro x do governo y ou o directorzinho geral de valor z.
A vontade legítima do poder querer perceber quem está por detrás de imaginárias cabalas, já levou no passado, a casos lastimáveis de suspeitas de vigilância ilegal dos nossos serviços que se dedicam a garantir a estabilidade do Estado de Direito. Os serviços secretos civis ou militares, não servem para este tipo de vigilância, a não ser que sigam a opinião moralizadora de que isto que se passa é uma tentativa de golpe de estado através da imprensa...

Embora o ridículo, nos tempos que passam, não mate ninguém e pelo contrário, até engorde, espera-se ainda assim que sobreleve às tentanções, para bem de todos e principalmente deles mesmos, o bom senso que deriva da lei. Só isso, chega.

Publicado por josé 16:45:00 5 comentários Links para este post  



... e viva o 25 de Abril!

Publicado por Manuel 14:24:00 1 comentários Links para este post  



retórica para políticos

«Não me resigno nem me conformo na batalha pela qualidade da democracia portuguesa», afirmou Cavaco Silva na sessão solene do 25 de Abril, no Parlamento, em que defendeu a necessidade de uma «classe política qualificada» e «critérios de rigor ético, exigência e competência».
Lisboa, 25 Abr (Lusa) - O primeiro-ministro, José Sócrates, elogiou hoje o discurso do Presidente da República, considerando "muito apropriado" o apelo aos políticos para que "unam esforços" a favor da "qualidade da democracia".

Estes indivíduos, eleitos para representar o povo português, notoriamente não têm qualquer emenda. Evidentemente, julgam-se acima dos critérios éticos que apresentam aos outros como modelo e perante as evidências gerais de incongruência e contradição, apresentam as superiores razões de Estado como critério supletivo e justificam a inconsistência, com os interesses do povo que eles mesmos interpretam, obliterando os princípios que proclamam e sufocando a obrigação de lealdade à Constituição que juraram cumprir.
A lógico e coerência deste tipo de discursos, perante aquilo a que vamos assistindo e que comentadores insuspeitos como Santana Castilho, no Público de ontem, Marcelo Rebelo de Sousa na RTP e hoje Rui Ramos, no mesmo Público, entre muitos outros, já disseram, vale um zero à esquerda, porque é daí que o desvalor aparece.
Na segunda-feira, no programa Prós & Contras, na RTP1, a propósito das intervenções da entidade de inspecção económica nos restaurantes, mercados e feiras, falou-se em contrafacção de merdadorias. Um vendedor ambulante, cigano, desanimado pela intervenção da fiscalização que lhe apreendeu a mercadoria contrafeita, desabafou para a câmara: “se isto que me levaram é contrafação, então o diploma do primeiro ministro também não é contrafacção?”

Hoje, em Portugal e numa sintonia inédita em mais de 30 anos de democracia, entre intelectuais e povo em geral, a questão das habilitações do primeiro ministro de Portugal aparece pacífica: a honorabilidade política do primeiro ministro é insustentável e inseparável da questão de carácter.
O presidente da Republica, enquanto cidadão que vive em família normal, uma vida normal de português médio, sabe muitíssimo bem que assim é. Então, porque não é? Porque não lhe convém? Porque não convém a quem o apoiou? Quem o apoiou foi o povo em geral. E mais ninguém. Então porque é que não ouve o povo? Ouça os filhos, ao menos...

O discurso hoje, na A.R. pelo primeiro de todos os portugueses, representou apenas os portugueses sentados à sua frente. A maioria deles. E mais ninguém.

Publicado por josé 14:17:00 1 comentários Links para este post  



Quarta-feira, Abril 25, 1974 e dias seguintes.

Esta é a primeira imagem importante, do dia 25 de Abril. No largo do Carmo, o capitão Salgueiro Maia, uma das figuras-chave do movimento dos capitães, explica aos presentes, pelo megafone, que o general Spínola ali chegará em breve, a fim de receber o poder de Marcelo Caetano.



A Junta de Salvação Nacional, poucas horas depois e pela televisão, assumiu o comando do país, em nome do Movimento das Forças Armadas. No dia 28 de Abril, em Santa Apolónia, vindo de Paris, de comboio, chega Mário Soares que vai imediatamente encontrar-se com o general Spínola, na Cova da Moura. No dia 30 de Abril, de avião, proveniente também de Praga ( escala Paris) chega Álvaro Cunhal, ao aeroporto da Portela. Esperava-o uma "multidão numerosa" ( Século Ilustrado de 4.5.1974) . Pouco depois, Cunhal dirigia-se também à Cova da Moura, para se apresentar a Spínola. Na sala do aeroporto, declarou: "Neste momento, o futuro do nosso país está nas mãos de todos os democratas que desejem libertar-se do fascismo". A palavra estava dita. No dia seguinte, 1 de Maio de 1974, no início da tarde, uma multidão de manifestantes, estimada em meio milhão de pessoas, maioritariamente erguia as mãos com o "v" de vitória. Dali a dias, o gesto simbólico, era substituido pelo punho erguido, esquerdo-direito, porque "só de punho erguido, a canção terá sentido". A multidão que se dirigia para o estádio dos trabalhadores da FNAT, que se passou logo a chamar 1º de Maio, poucos slogans tinha e poucas bandeiras empunhava- e na sua maioria nacionais. Mesmo assim, a do "viva o PCP" era uma delas e as saudações ao Cunhal, rivalizavam já com as dirigidas ao general Spínola.

No estádio, os dois líderes dos partidos políticos constituídos- PS e PCP- enquadrados por militares e acompanhados de dirigentes sindicais nacionais e estrangeiros, e ainda de figuras de relevo como Pereira de Moura, dirigiram-se à multidão, com palavras inflamadas, acompanhadas de canções pouco divulgadas e palavras de ordem nunca ouvidas, e em termos inéditos: "Abaixo a guerra colonial!", "Poder aos trabalhadores!", "é mau, é mau, é mesmo mau, o malandro do Tenreiro não nos dava bacalhau!". Como nota de curiosidade, quem é o indivíduo de óculos escuros, à esquerda de Mário Soares? Parece...parece...pois é: um símbolo, de facto.


Os três senhores que seguem, só passados 15 dias se organizaram para formar um partido " na linha da social-democracia alemã". Nessa altura, já havia notícias de sedes desses partidos e ainda de outros mais: o MRPP, a FPLN ( de Manuel Alegre e Piteira Santos), o MES ( de Manuel Galvão Teles, César de Oliveira, Vítor Wengorovius), o PCSD ( partido cristão social democrata, sem nomes á vista), o Movimento Democrático Português ( vindo da CDE de Tengarrinha e Pereira de Moura), a Frente Libertária Portuguesa ( movimento antipartidário, contra todo o Estado) e a LUAR ( de Palma Inácio).

Mário Soares, logo nessa altura, declarava: "Somos contra o partido único, mas o facto de sermos pelo pluralismo dos partidos não significa que não estejamos a assistir , com preocupação, à excessiva fermentação de demasiados grupos, neste breve espaço de dez dias."

Cerca de quinze dias depois, tomava posse como primeiro presidente da República, por decisão da Junta de Salvação Nacional, e proclamado pelo general Costa Gomes, António Spínola. Na chefia do governo provisório, o primeiro de muitos que seguiram, o professor de Direito, Palma Carlos. Porém, a imagem que segue vale mil palavras de significados pesados.

Foram assim os primeiros quinze dias da revolução de 25 de Abril de 1974.
Nota: as imagens foram extraídas das revistas Século Ilustrado de 4.5.1974 e 18.5.1974 e Flama de 10.5.1974
Corrigido e aumentado.

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O Primeiro SInal : As bolhas quando rebentam começam assim

Há uma década que ouvimos falar, numa "bolha especulativa" que se vai alimentado em Espanha, á custa do mercado imobiliário. O circuito esse é fácil de desenhar. Com a ajuda de mão-de-obra magrebina e do leste europeu - mão de obra barata - , o sector imobiliário em fortíssima expansão criou um verdadeiro mercado em Espanha. Mais construção, mexe com o sector cimenteiro. Mais construção eleva as necessidades de financiamento, logo maiores lucros arrecados pelo sector financeiro espanhol e cria-se uma enorme cadeia.
Há uma década que ouvimos falar, que se e quando rebentar, o nosso país pode sofrer gravíssimas consequências, dada a enormíssima dependência do parceiro espanha, para trocas comerciais, investimento e criação de emprego, bem como um acréscimo do risco da perda dos centros de decisão nacional. Tudo claro, porque em termos estruturais, pouco ou nada mudou, e o grau de dependência e exposição a determinados sectores e países é cada vez maior.
Se é verdade que da teoria á prática em economia vai uma larga diferença - ainda hoje ninguém consegue explicar em que teoria económica se terá baseado Pina Moura para congelar os preços dos combustíveis num país de economia aberta e com risco câmbial e de taxa juro aberto - não é menos verdade, que o dia 24 de Abril passará a ter, um significado acrescido para Espanha tal como o tem para Portugal. Cá foi o ultimo dia de um regime ditatorial, lá em Espanha, poderá ter sido o último dia da ilusão que a bolha existindo nunca rebentaria.
Tudo começou, quando a economia espanhola, através do seu sistema financeiro começou simultaneamente a financiar com prazos longos (superiores a 40 anos) a compra de habitação e aproveitando as baixas taxas de juro a financiar sem limites a compra de habitação. Para que se tenha uma noção, em Espanha em 2006, foram construídas 600.000 habitações, quando as necessidades apontavam para 240.000 habitações. Com o mercado de capitais - nos anos 2000 e 2001 - a sofrer o rebentamento da bolha das blue chips, e com o nível das taxas a baixar ao mesmo tempo, investir em habitação em Espanha, passou a ser um autêntico negócio, pois os preços cresceram em média 15 % ao ano nos últimos 8 anos. Se a isto juntarmos um sistema fiscal espanhol que favorece mais a compra que o aluguer, explica-se porque se criou uma bolha.
Ontem dia 23 de Abril, uma empresa de menor expressão chamada "Astroc Mediterraneo", caiu 23 % na bolsa de Madrid. Hoje dia 24 de Abril, o IBEX35, abriu a cair quase 3,00 %, a maior queda dos últimos anos, e empresas fortíssimas como a Ferrovial (-3,62%), Metrovacesa (-4,55%), Inmocaral (-11,27%) e Sacyr ValleHermoso (-8,15 %) cairam a pique, arrastando também a banca - quedas superiores a 3,00 %. De salientar que hoje a Astroc Mediterraneo, caiu mais 17 %, perdendo num acumulado semanal 70% da sua capitalização bolsista. Não é engano, são mesmos 70% a menos. Em Fevereiro cada acção da Astroc, valia 75 euros. Hoje valem 15,95 Euros.
Pode ter sido apenas um sinal, mas os dados estão em cima da mesa, e mesmo os menos crentes, começam a acreditar, que um dia a bolha vai estoirar, e esse dia pode estar perto, e quando rebentar não haverá Ota nem TGV, que nos consiga safar de cair novamente, onde tanto temos feito para estar...na cauda da Europa. Tudo porque o peso de Espanha para Portugal é enorme em todos os aspectos, e foi a mesma Espanha que com a sua bolha, enquanto a Europa caia que segurou Portugal de cair mais, poderá ser a mesma Espanha, que quando a Europa sobe, levará o país ao fundo.

Publicado por António Duarte 22:35:00 1 comentários Links para este post  



há mar e mar...



Acabada a comissão de serviço no DN, João Morgado Fernandes, que brilhava aqui..., qual filho pródigo, regressou à base - é um dos novos otários, digo, assessores de Mário Lino. De facto as coisas são que são.

Publicado por Manuel 22:57:00 5 comentários Links para este post  



diz-se que é uma espécie de poço



o estranho caso da licenciatura do 'tipo farinha Amparo' dura, e dura... e ainda não se chegou ao fundo...

Publicado por Manuel 17:50:00 2 comentários Links para este post  



Brindes

Segundo a última página do Correio da Manhã de hoje, no canto superior esquerdo, Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, na sua intervenção de crónica de costumes políticos, na RTP1, comentou "o facto de Sócrates ter enviado testes pelo correio, dizendo que a sua licenciatura é do tipo farinha Amparo".

Publicado por josé 10:24:00 15 comentários Links para este post  



O ESTRANHO CASO DO LACAIO DO PS


Este lacaio do PS - deste PS - veio meter-se comigo a propósito daquilo que faço profissionalmente e daquilo que escrevo. Direito dele. Para começar, nunca realizei uma sindicância embora a sua pobre cabeça esteja manifestamente a precisar de uma com urgência. Pelo teor da posta, vê-se que o lacaio tem espírito inquisitorial - mais, até, do que alguém que "inspecciona" - típico dos pífios herdeiros do dr. Afonso Costa. Este tardio jacobino também verbera, por tabela, o General Ramalho Eanes quando devia lavar a boca antes de pronunciar ou escrever o seu nome. Foi ele quem lhe outorgou o direito à imbecilidade depois do 25 de Novembro ou a sua idade mental não lhe permite apreender esta evidência? A prosa deste cavalheiro ressuma o ódio pequeno burguês assassino da 1ª República, o que significa que a criatura ainda não abandonou mentalmente o Terreiro do Paço do dia 1 de Fevereiro de 1908. Já que mencionou livros - o que prova que é apenas um analfabeto funcional - recomendo-lhe as "Cartas D'El Rei D. Carlos I a João Franco Castello-Branco, seu último Presidente do Conselho", reeditado pela Bertrand. A criatura - problema dela - é daquelas a quem João Franco se referia como não tendo sequer o "direito a querer ser bem governado" e que aprecia a trela partidária. Direito dela. Finalmente, e quanto à ilustração da sua "posta de pescada", a sopa enlatada de tomate, é a que, se um dia tiver a infelicidade de me cruzar consigo, lhe atirarei à cara. Quanto ao genuíno produto da sopa, duvido que o possua.

Publicado por João Gonçalves 9:47:00 3 comentários Links para este post  



as coisas são o que são


(via Avenida Central)

Publicado por Manuel 20:02:00 1 comentários Links para este post  



Golpes...no Estado

O doutor António José Morais, concede hoje ao DN uma entrevista estruturada que apresenta já uma equivalência: a entrevista do primeiro ministro, José Sócrates, à RTP1, acerca do seu percurso académico.
Sobre as equivalências de Sócrates que o fizeram passar em ascensão fulgurante, do ISEL para a UNI, e aí, surpreender num exame, o ex-futuro reitor que antes de o ser já o era, ninguém melhor do que o estruturado Morais, doutor com distinção e louvor, para a explicar: tinha sido professor do distinto aluno, no ISEL, avaliou as suas competências e equivalências e voltou a ser seu professor de quatro das cinco cadeiras, na UnI quando já estava a dirigir um importante Departamento de Obras do Governo ( GEPI), nomeado por confiança política e a quinta cadeira que faltava, ficou a cargo precisamente do reitor que não era, parece que não é, mas passa agora por sê-lo.
Tal fenómeno surge ainda com toda a naturalidade e legitimidade com que leccionou, examinou, classificou e graduou o futuro licenciado, a um glorioso Domingo. O actual primeiro ministro não se lembrava da efméride, como não se lembrava sequer dos seus dois únicos professores. Não conseguiu dizer o nome deles ao Público, quando foi perguntado. Passavam já muitos anos, cerca de onze e o primeiro ministro é pessoa ocupada com outras obras para ligar a tais minudências, como sejam exames finais de conclusão de curso, domingueiros ou o pormenor banal de ter tido como professor das quatro cadeiras que faltavam, alguém que nos anos a seguir esteve estreitamente ligado ao governo do PS, sendo repetente, por convite de um ministro que Sócrates mal conhece, Alberto Costa e amigo de outro que Sócrates ainda conhece menos, Armando Vara.
O reitor que não era, também não era o professor legítimo da cadeira, cuja prova escrita foi enviada pelo aluno acompanhada de um pequeno cartão do “seu Sócrates”.
O professor legítimo da cadeira feita por correspondência, já afirmou nem conhecer Sócrates como aluno e o reitor que então era mas deixou de ser, nem sequer fala dessa vergonha. O reitor que era mas não era, foi preso por crimes contra o património e anda agora de TIR e a Uni já foi considerada por outros insuspeitos como uma espécie de universidade, o que foi confirmado pelo ministro das mesmas.
Com tudo isto e muito mais que aqui agora não cabe, o doutor estruturado, afirmou agora convictamente que a “licenciatura do cidadão José Sócrates foi obtida regularmente, cumprindo todos os requisitos da instituição”. Os requisitos da instituição vamos sabendo como eram; sobre o cumprimento dos mesmos, também. Sobre a veracidade da afirmação, vale o que vale, vinda de quem vem.
A entrevista precisa assim de análise, equivalente à do PM, na RTP1.
Logo a abrir, o doutor Morais atira-se à estrutura dos jornais que atacam Sócrates. São dois: o Público e o Expresso e descobre-lhes nas notícias que publicam, intenções socapadas de subversão do estado democrático.
A principal prova da acusação intencional, reside num facto singelo apresentado como de evidência estruturante: “O director do Público, José Manuel Fernandes, disse, na SIC, que já corria o boato de que o jornal estaria de algum modo a cumprir determinações dos seus accionistas, por causa da OPA da PT. Foi ele que disse, não fui eu...”
Observação de grande inteligência lógica. Repare-se bem no pormenor fatal de se repescar a defesa do director do Público, na SIC, para afirmar que fora ele mesmo quem dissera que havia alguém que já dizia que corria o boato de que o jornal estaria a soldo do Belmiro por causa da Ota, perdão, OPA.
E o discurso estruturado do doutor Morais realça: “foi ele que disse, não fui eu…”
Sócrates disse mais ou menos o mesmo na RTP1: mostrou papeis de pagamento de propinas, para acusar a ignomínia de quem dissera que não tinha pago, suscitando ele mesmo a questão de um putativo favorecimento por essa via. Veio a saber-se depois que terá ficado isento de pagamento…

Depois , o doutor Morais, não lê jornais: ao dizer que “viu só dois jornais como motor de campanha”, nem se deu conta dos outros todos que seguiram atrás a empurrar, a meter gasolina, a limpar os faróis e medir a pressão dos pneus.
Ainda assim, o doutor Morais é peremptório na evidência cabalística: “ É evidente que o fulcro dessa tentativa são os grupos económicos”, embora reconheça que “Provavelmente nunca se vai saber quem são os autores desta campanha. Você nem sabe quais são os seus objectivos. É derrubar o Governo? É pressionar o Governo? É orientar o Governo? A mim parece-me que esta campanha, que está especialmente centrada em dois órgãos de comunicação social, não é só uma campanha pessoal. Nem é só retaliação sobre o primeiro-ministro. É muito mais do que isso.
Ora aqui, nesta parte, deve reconhecer-se toda a razão ao doutor Morais, malgré lui. O que está em jogo é mesmo muito mais do que isso. Arriscaria mesmo dizer que é um assunto da sua especialidade, a geotecnia. É um caso de tremelique de estruturas, precisamente as do sistema em que vive e prosperam os doutores morais que deixaram infelizmente a moral por mãos alheias e se refastelam no pântano anunciado por quem lhes abriu o caminho para as otas pantanosas e com obras de estaca.
O caso Sócrates é de facto, um caso de moralidade ético-política, o que o doutor Morais não entende de todo, convencido que está de mais uma cabala ignóbil que atinge a bondade intrínseca de um partido que lhes dá quase tudo na vida.
Vejamos algumas razões mais, para a sua admiração, rebuscadas no perfil pessoal que apresenta e nos antecedentes que evoca.
O Doutor Morais, antes de ser professor de Sócrates, não o conhecia sequer. Embora natural da mesma terra das cerejas onde Sócrates cresceu e se fez homem, militantes do mesmo partido, com amigos comuns, Morais só encontrou Sócrates, pela primeira vez, no primeiro dia de aulas no ISEL. Entrou na sala, deu a aula, viu o então modesto deputado e no final foi apresentar-se. Foi assim. Sobre isto, alguém duvida? Veremos.

Segundo o Público de hoje, António José Morais e um seu monitor, serão arguidos num processo crime, aberto em 1999, por factos ocorridos em 1996, no âmbito de concurso de adjudicação de um aterro sanitário na Cova da Beira, ocorrido em Junho de 1996, a uma empresa ( HLC) da qual António José Morais, fora consultor, enquanto exercia o cargo público de director do GEPI ( gabinete de estudos e planeamento de instalações do Ministério da Administração Interna, do qual era então ministro, Alberto Costa).
Segundo o Público de hoje, “em causa estava também o papel atribuído a José Sócrates e a alguns socialistas a ele ligados, como João Cristóvão”. Os factos respectivos a este inquérito demoraram oito anos a serem investigados ( pela PJ) e o mesmo terá sido remetido ao DIAP ( ou será o DCIAP?) com proposta de acusação, por crimes de “favorecimento e corrupção”.
Sobre isto, a entrevista do doutor Morais ao DN, é parca de esclarecimentos. “Parece que houve uma denúncia anónima contra mim, a que se seguiu a abertura de um inquérito judiciário. Foi há oito anos. Fui ouvido uma vez. Não sei exactamente do que se trata porque as perguntas foram vagas.”
E explica então como foi: “A minha empresa foi contratada pela Associação de Municípios da Cova da Beira para a elaboração do caderno de encargos, especificações e desenvolvimento de todo o modelo conceptual à volta do concurso público internacional para a central de combustagem da Cova da Beira, e do tratamento da selagem de lixeiras. Realizamos o trabalho, e seguiu-se o concurso.”
O concurso foi ganho por um consórcio de que fazia parte a empresa HLC , para a qual, segundo o Público, também trabalhou Couto dos Santos que agora, curiosamente, aparece a defender o primeiro ministro, contra o líder do seu partido…
A intervenção de António José Morais, na consultadoria é apresentada de modo muito curioso pelo próprio: “ A minha empresa nunca produziu para a HLC os trabalhos referidos pela comunicação social. A minha empresa foi contratada para realizar estudos semelhantes aos que havia realizado para a Associação de Municípios da Cova da Beira para outras centrais de combustão, mas contratada por uma empresa estrangeira. Acho que as notícias vindas a público pretendem apenas pressionar os magistrados para deduzirem uma acusação. Porém, eu acredito na independência da justiça.”

Quanto à sua entrada no GEPI, em 1996, do ministério titulado por Alberto Costa, no tempo em que este dizia que a polícia que havia e em que mandava, não era a dele, o mistério é nenhum: “Fui para o GEPI por alguma capacidade do PS de base que fez sentir a Armando Vara que um membro do secretariado da comissão política de Lisboa tinha capacidade para desempenhar tarefas a nível governativo. Por isso apostou em mim. Só saí do GEPI quando o PSD ganha as eleições. O lugar é de extrema confiança política.”
Foi certamente por isso que em 2005, Alberto Costa o chamou outra vez para um lugar de confiança política, para o IGFPJ do ministério da Justiça. E António José Morais, explica: “Acha que se tivesse realizado um mau trabalho no GEPI ele me convidaria para o IGFPJ? Os senhores jornalistas é que com uma frase matam o trabalho de dezenas de pessoas. Os jornalistas andam a publicar peças que não representam a qualidade do trabalho ali realizado. Estou de consciência tranquila”.
Ora sobre esta tranquilidade de consciência, os jornalistas do Público, têm-se esforçado por chamar a atenção dos leitores para as obras do GEPI: “A empresa Cosntrope que em 2000 e 2001 construiu a moradia de Armando Vara em Montemor o Novo ( e que teve, segundo o Público, a colaboração do GEPI), conseguiu nesses dois anos 27 adjudicações de obras do GEPI, então dirigido por António Morais, o professor de José Sócrates que Vara nomeou para esse lugar em 1996.”
Uma das obras, fora a remodelação de um palacete na Pontinha, para albergar a futura e funesta Fundação para a Prevenção e Segurança, de Armando Vara.
Nessa obra, segundo o Público, interveio ainda uma arquitecto, colaborador e sócio de António Morais, numa empresa deste.
Em 2002, António Morais abandonou o GEPI, após uma auditoria e nos anos seguintes, as contratações da Constrope, segundo o Público, caíram a pique. Em 2005, em vez das 27 dos dois anos de ouro, teve… duas. Ainda assim, a empresa , em 2005, estava no ranking das 500 maiores empresas de construção civil e obras públicas, num honroso 101º lugar.
Talvez por causa disto tudo, António José Morais, tenha dito logo no início da entrevista que “Acho que estamos a assistir a uma tentativa de golpe de Estado, através da comunicação social.”
“Golpe de estado”?!
Por mim, acho que aquilo a que andamos a assistir, de há uns anos a esta parte, são, golpes, sim, mas …no Estado que nos pertence a todos.

E os golpistas tardam em ser identificados devidamente. E responsabilizados.

Publicado por josé 18:29:00 7 comentários Links para este post  



regras de três

Andam por aí uma série de alminhas a ver cabalas em tudo quanto é lado. Pois sim, ora leiam o texto abaixo, e pensem um bocadinho...

April 22, 2007
50% Good News Is the Bad News in Russian Radio, NYTimes.com
By ANDREW E. KRAMER

MOSCOW, April 21 — At their first meeting with journalists since taking over Russia’s largest independent radio news network, the managers had startling news of their own: from now on, they said, at least 50 percent of the reports about Russia must be “positive.”
In addition, opposition leaders could not be mentioned on the air and the United States was to be portrayed as an enemy, journalists employed by the network, Russian News Service, say they were told by the new managers, who are allies of the Kremlin.
How would they know what constituted positive news?
“When we talk of death, violence or poverty, for example, this is not positive,” said one editor at the station who did not want to be identified for fear of retribution. “If the stock market is up, that is positive. The weather can also be positive.”
In a darkening media landscape, radio news had been a rare bright spot. Now, the implementation of the “50 percent positive” rule at the Russian News Service leaves an increasingly small number of news outlets that are not managed by the Kremlin, directly or through the state national gas company, Gazprom, a major owner of media assets.
The three national television networks are already state controlled, though small-circulation newspapers generally remain independent.
This month alone, a bank loyal to President Vladimir V. Putin tightened its control of an independent television station, Parliament passed a measure banning “extremism” in politics and prosecutors have gone after individuals who post critical comments on Web chat rooms.
Parliament is also considering extending state control to Internet sites that report news, reflecting the growing importance of Web news as the country becomes more affluent and growing numbers of middle-class Russians acquire computers.
On Tuesday, the police raided the Educated Media Foundation, a nongovernmental group sponsored by United States and European donors that helps foster an independent news media. The police carried away documents and computers that were used as servers for the Web sites of similar groups. That brought down a Web site run by the Glasnost Defense Foundation, a media rights group, which published bulletins on violations of press freedoms.
“Russia is dropping off the list of countries that respect press freedoms,” said Boris Timoshenko, a spokesman for the foundation. “We have propaganda, not information.”
With this new campaign, seemingly aimed at tying up the loose ends before a parliamentary election in the fall that is being carefully stage-managed by the Kremlin, censorship rules in Russia have reached their most restrictive since the breakup of the Soviet Union, media watchdog groups say.
“This is not the U.S.S.R., when every print or broadcasting outlet was preliminarily censored,” Masha Lipman, a researcher at the Carnegie Moscow Center, said in a telephone interview.
Instead, the tactic has been to impose state ownership on media companies and replace editors with those who are supporters of Mr. Putin — or offer a generally more upbeat report on developments in Russia these days.
The new censorship rules are often passed in vaguely worded measures and decrees that are ostensibly intended to protect the public.
Late last year, for example, the prosecutor general and the interior minister appeared before Parliament to ask deputies to draft legislation banning the distribution on the Web of “extremist” content — a catch phrase, critics say, for information about opponents of Mr. Putin.
On Friday, the Federal Security Service, a successor agency to the K.G.B., questioned Garry Kasparov, the former chess champion and opposition politician, for four hours regarding an interview he had given on the Echo of Moscow radio station. Prosecutors have accused Mr. Kasparov of expressing extremist views.
Parliament on Wednesday passed a law allowing for prison sentences of as long as three years for “vandalism” motivated by politics or ideology. Once again, vandalism is interpreted broadly, human rights groups say, including acts of civil disobedience. In a test case, Moscow prosecutors are pursuing a criminal case against a political advocate accused of posting critical remarks about a member of Parliament on a Web site, the newspaper Kommersant reported Friday.
State television news, meanwhile, typically offers only bland fare of official meetings. Last weekend, the state channels mostly ignored the violent dispersal of opposition protests in Moscow and St. Petersburg.
Rossiya TV, for example, led its newscast last Saturday with Mr. Putin attending a martial arts competition, with the Belgian actor Jean-Claude Van Damme as his guest. On the streets of the capital that day, 54 people were beaten badly enough by the police that they sought medical care, Human Rights Watch said.
Rossiya and Channel One are owned by the state, while NTV was taken from a Kremlin critic in 2001 and now belongs to Gazprom. Last week, a St. Petersburg bank with ties to Mr. Putin increased its ownership stake in REN-TV, a channel that sometimes broadcasts critical reports, raising questions about that outlet’s continued independence.
The Russian News Service is owned by businesses loyal to the Kremlin, including Lukoil, though its exact ownership structure is not public. The owners had not meddled in editorial matters before, said Mikhail G. Baklanov, the former news editor, in a telephone interview.
The service provides news updates for a network of music-formatted radio stations, called Russian Radio, with seven million listeners, according to TNS Gallup, a ratings company.
Two weeks ago, the shareholders asked for the resignation of Mr. Baklanov. They appointed two new managers, Aleksandr Y. Shkolnik, director of children’s programming on state-owned Channel One, and Svevolod V. Neroznak, an announcer on Channel One. Both retained their positions at state television.
Mr. Shkolnik articulated the rule that 50 percent of the news must be positive, regardless of what cataclysm might befall Russia on any given day, according to the editor who was present at the April 10 meeting.
When in doubt about the positive or negative quality of a development, the editor said, “we should ask the new leadership.”
“We are having trouble with the positive part, believe me,” the editor said.
Mr. Shkolnik did not respond to a request for an interview. In an interview with Kommersant, he denied an on-air ban of opposition figures. He said Mr. Kasparov might be interviewed, but only if he agreed to refrain from extremist statements.
The editor at the news service said that the change had been explained as an effort to attract a larger, younger audience, but that many editorial employees had interpreted it as a tightening of political control ahead of the elections.
The station’s news report on Thursday noted the 75th anniversary of the opening of the Moscow metro. It closed with an upbeat item on how Russian trains are introducing a six-person sleeping compartment, instead of the usual four.
Already, listeners are grumbling about the “positive news” policy.
“I want fresh morning broadcasts and not to fall asleep,” one listener, who signed a posting on the station’s Web site as Sergei from Vladivostok, complained. “Maybe you’ve tortured RNS’s audience enough? There are just a few of us left. Down with the boring nonintellectual broadcasts!”
The change leaves Echo of Moscow, an irreverent and edgy news station that often provides a forum for opposition voices, as the only independent radio news outlet in Russia with a national reach.
And what does Aleksei Venediktov, the editor in chief of Echo of Moscow, think of the latest news from Russia?
“For Echo of Moscow, this is positive news,” Mr. Venediktov said. “We are a monopoly now. From the point of view of the country, it is negative news.”

Publicado por Manuel 17:18:00 0 comentários Links para este post  



"A ESTRELA EMERGENTE"


O Diário de Notícias de João Marcelino e do sr. Oliveira dá hoje "voz" ao famoso engº António José Morais que "completou", com quatro cadeiras na UnI, o curso ao actual primeiro-ministro. Os jornalistas Licínio Lima e João Pedro Henriques foram os "perguntadores de serviço" e percebe-se que só perguntaram ao engº Morais o que ele quis que lhe perguntassem e que ele só respondeu ao que quis responder. Por dever profissional, ouvi-o dois dias seguidos, em 2001, e fiquei definitivamente esclarecido. É claro que o artigo tem momentos maravilhosos como este diálogo surrealista e que diz muito acerca do tipo de gente que nos pastoreia. Vale a pena comentar?

"P: E aí onde é que entra Armando Vara?

R: Eu era uma referência do PS em Lisboa. Tínhamos acabado de ganhar a concelhia. Foi no Altis que fui apresentado a Armando Vara. Ele já estava no Governo.

P:Como é que se torna assessor dele e depois director do GEPI, nomeado por ele?


R: Em 1995 eu tinha uma carreira política. Toda a gente falava de mim. Eu era a estrela emergente do PS em Lisboa. Um putativo candidato a ministro e não a director-geral. É natural que Armando Vara, quando precisou de um engenheiro, se tenha lembrado de mim."

Publicado por João Gonçalves 9:45:00 2 comentários Links para este post  



Le Pen


Sobre se Le Pen é, ou não, um perigo... Cada um terá, naturalmente, a sua opinião. Do ponto de vista eleitoral, limitei-me a considerar que, desta vez, a probabilidade de o candidato da FN passar à segunda volta é muito remota. Apenas isso.

Publicado por André 18:02:00 0 comentários Links para este post  



A complacência absoluta

Num dos comentários da caixa aberta, do blog Do Portugal Profundo, um anónimo, Hugo Dornelo, escreve o seguinte:

A Biografia dos Deputados da VI Legislatura, datada de 1993, na qual Sócrates aparece como Engenheiro e Licenciado em Engenharia, é precisamente a mesma em que o então deputado do PSD aparecia, falsamente, como «Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra» e «Advogado».A edição de «O Independente» desmascarou esse pseudo-licenciado é a de 5 de Maio de 1995, que guardei religiosamente. Nas declarações que então prestou a esse semanário reconhece ter preenchido a ficha com os elementos destinados a integrar a referida Biografia com a indicação de que era «Licenciado em Direito», quando ainda lhe faltavam duas disciplinas (Direitos Reais - com o temível Prof. Doutor Orlando de Carvalho - e Direito do Trabalho). Passou a transcrever o então disse ao jornalista. «Fi-lo porque achei que passados uns meses acabaria o curso». Valha-lhe, ao menos, que não negou o óbvio, ao contrário de Sócrates, que até apresenta duas versões da dita ficha...Todavia, em relação à profissão de «Advogado», igualmente mencionada nessa Biografia, sacudiu a água do capote, como Sócrates, escudando-se (cfr. a citada notícia) «num provável erro dos serviços administrativos do Parlamento».Informados da aldrabice (pelo jornalista de O Independente), alguns companheiros de bancada traçaram logo o seu destino: «Está politicamente arrumado com este episódio». E fontes próximas do grupo parlamentar garantiam que esse gesto de Adérito de Campos iria fazer mossa: «Um tipo que faz uma destas, mentindo descaradamente, sujeita-se às piores consequências, quer a nível partidário, quer a nível da Assembleia da República. E nem o facto de ser um bom homem o vai salvar. Logo numa altura em que a transparência está na agenda do dia!».E que dizer de Sócrates, que não é um simples e cinzento deputado, mas o Primeiro-Ministro deste país à beira-mar plantado, terá dignidade suficiente para tomar a única atitude que lhe restaria num país civilizado (a demissão)????Do «seu» Hugo Donelo (que já teve os seus livros no Index da Inquisição mas continua bem vivo).Hugo Donelo 18.04.07 - 12:42 pm

Esta questão de licenciatura que atinge José Sócrates, permite a certeza de alguns dados de facto e a extensa dúvida relativamente a muitos outros, alguns deles ainda discretos e porventura, até secretos. Permite afirmar sem sombra de qualquer dúvida, que José Sócrates mentiu publicamente, a propósito destes mesmos factos. Disse que era engenheiro e não o era de todo, porque não se licenciara. Agora que a dúvida sobre a própria licenciatura surgiu, as explicações são o que são.
Para o cidadão médio, conhecedor de meandros universitários e experimentado na vida comum, essas explicações são falsas porque atentam contra o sentido comum da realidade das coisas. Uma licenciatura, com um exame final de rigor tabelado e sem favor pessoal, não se faz ao Domingo. Ponto final. E tanto não se faz que logo que surgiu a nesga de oportunidade para a negar, foi isso que aconteceu, com alívio, desmentido logo a seguir numa atrapalhada revelação de falsificação documental de responsabilidade ainda anónima.
Uma licenciatura digna, escorreita e com valor superior como foi o apresentado, não se faz com um único professor para uma caterva de cadeiras difíceis e com outro de empréstimo que nem o podia ser, com um exame mixuruco e de favor já examinado. Qualquer professor mediano sabe isto e foi o que o reitor da Universidade Fernando Pessoa, no último Prós & Contras veio dizer, no silêncio ambiente de outros.

O caso do engenheiro postiço, então deputado, depois ministro e agora primeiro dos ministros, não é um assunto a desvalorizar, contextualizando-o numa ideia intangível de uso social. A verdade é que foi o próprio José Sócrates quem assumiu, assinou e reclamou para si um título académico que não tinha e isso é uma mentira, contextualmente grave.
No caso do deputado Adérito, bastará a consulta aos diários da Assembleia da República para ler as indignações genuínas, as inflamadas proclamações de princípios éticos e as reafirmações seguras dos padrões de exigência para os comportamentos dos eleitos.
Tal aconteceu há mais de dez anos, no mesmo local onde agora se revela que os documentos originais da ficha biográfica de um deputado, desapareceram subsistindo ainda assim, a prova de que essa ficha fora alterada, no seu original ou na sua cópia e pelo seu subscritor, por motivos dúbios. A diferença entre os deputados José Sócrates e Adérito de Campos, reside num pormenor importante: este confessou o facto e explicou por que o fez. Mesmo assim, não houve qualquer contemporização ou complacência.
Actualmente, as explicações dadas pelo presidente da Assembleia da República nem levantam grandes questões: ficou tudo explicado e ninguém se indignou. O bloco é central e já mudou de assunto.

A complacência magna neste assunto, em contradição magnífica e flagrante com um suposto grau de exigência ético, no passado, permite que se questione a evolução democrática portuguesa ou se avalie a natureza da própria democracia que temos e somos.
Um país tido como de brandos costumes, alterna a contemporização mais laxista, com a intolerância mais acerbada, e a incerteza dos valores assentes, permite a certeza do futuro dos sociólogos e crónicos do regime e do contra.

Numa pequena resenha, o retrado de um país:

O jornal Independente saído no final dos anos oitenta, pode ser um bom guia desta esquizofrenia nacional, socialista e democrata.
Nessa época dourada de ética aflorada em papel de jornal, pela dupla Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso, foi notícia, em Março de 1989, o caso de Leonor Beleza como ministra na Saúde e a publicação de um relatório da Inspecção Geral de Finanças, conduziu directamente à demissão do ajudante de ministro Costa Freire, por corrupção. Sabemos como tudo acabou: o ajudante em tempos proclamou a sua intenção de accionar o Estado por ter sido acusado, julgado e …não transitado. O caso, como todos sabem, prescreveu. O futuro de Leonor Beleza perseguiu-a mais uns anos e com a prescrição do caso dos hemofílicos, acabou numa fundação de prestígio e muito dinheiro.
Em Janeiro desse mesmo ano, o caso da casa de Cadilhe, ministro de Finanças que aproveitou o serviço da guarda-fiscal para mudar os trastes de um apartamento modesto trocado para o luxo das Amoreiras, deu o brado necessário, para se entender como eticamente inadmissível tal comportamento, digno de demissão.
Em Fevereiro de 1990. estalava o caso Melancia, nomeado pelo presidente Soares para a governação de Macau: 50 mil contos remetidos ao governador que saíram do escritório de uma empresa alemã, por causa do aeroporto de Macau, sumiram. Em tribunal, Melancia ficou à parte; na outra parte, deu-se como provada a corrupção activa sem se ter determinado o agente da passiva. Melancia sempre negou. Rui Mateus, um íntimo do poder socialista centrado em Mário Soares e Almeida Santos, foi condenado e escreveu um livro a denunciar todas as tramóias que lhe interessavam na altura. Prometeu escrever outro. O principal visado, o dito cujo Mário, mai-lo seu partenaire de partido Almeida Santos, sairam totalmente incólumes do assunto, porque os procuradores gerais, na época, adjuntos do poder socialista, entenderam que o baile parava à porta de Belém. “Não se encontraram indícios suficientes”, foi a justificação legal.
Um desgraçado jornalista- Joaquim Vieira- tentou repescar o assunto da vilania explicada, por ocasião das últimas presidenciais. Fê-lo com tanta oportunidade que acabou despedido e a revista onde publicara o desaforo, fechada para balanço. Quem foi o responsável? O mistério aponta para um poder laico, republicano e de pendor social que se opõe sempre a uma famigerada“direita”, a atentar sempre contra a estimada “esquerda” defensora dos direitos do povo e do socialismo. É este o argumento supremo, sempre que o fogo chega às portas da cidade proibida. Aqui d´el rei! Vem aí a direita! Tem sido o slogan infalível dos sitiados pelos escândalos incontornáveis.
Em 1992, o escândalo rebenta no seio da própria entidade que acima de todas se instituiu como defensora dos interesses dos trabalhadores. A UGT, couto do socialismo à moda de Torres, foi acusada de aproveitar verbas do Fundo Social Europeu para formar vigaristas. Caiu o Carmo, a Trindade e a torre do Tombo afundou-se. Podia lá ser, uma coisa assim! Anos e anos depois, o processo, naturalmente, prescreveu. Couto sumiu, mas outros coutos apareceram e prosperaram, sempre em nome dos trabalhadores.
Em 1994, um outro assunto menor assumiu proporções de grande escândalo: O deputado do PSD e líder parlamentar, Duarte Lima, tinha uma Casa Cheia de coisas fabulosas. O Independente de 9 de Dezembro de 1994, prometia escrever sobre “as fabulosas casas” do deputado, vindo das berças transmontanas, pobre e com uma mão atrás e outra à frente, em busca das luzes da cidade. Uma quinta de 3 hectares, perto de Nafarros, suscitava a atenção do próprio Mário Soares que publicamente exprimia a sua estranheza pelos muros altos da quinta sem dono verdadeiramente conhecido e com movimentações suspeitas de obras e mais obras. Um bom ingénuo, este Soares, proclamava a sua estranheza mesmo, mesmo estranha, na época.
A fuga ao fisco, serviu outra vez para o escândalo estourar, com base sólida, demolida com o pagamento em processo de contra-ordenação e rectificação de declarações fiscais. O resto foi por água abaixo porque em 1994, o tráfico de influências era ainda uma miragem penalmente relevante. O deputado, aliás esteve sempre inocente de todas as acusações e trocou impressões nos jornais contra a inveja pátria.
Em Janeiro de 1996, calhou a vez a um Nabo de apelido, ser incomodado por ter tentado enganar o fisco. Murteira, ministro de Guterres, declarou um preço de compra de uma casa, abaixo do real. Ficou ao léu, porque o pecado era mortal, como fora para Cadilhe e veio a ser igualmente para António Vitorino, alguns anos depois, por causa de um monte alentejano, sem sisa.
Aliás, a falta de cumprimento escrupuloso das obrigações fiscais, tem sido o atoleiro de governantes, em Portugal. O único motivo de demissão de governantes, em Portugal, tem sido apenas esse. Bem, não apenas esse. Houve um outro, ainda mais grave, relacionado com uma anedota sobre hemofílicos.
Os casos de corrupção ou nepotismo, sendo raros, são também do domínio dos assuntos esotéricos. Nunca um político se demitiu por insignificâncias dessas, negadas pelo povo que elege. Fátima Felgueiras? Inocente, até prova provada do contrário. O da mala preta? Qual quê! Isaltino Morais? Nem é preciso acrescentar mais. Narciso Miranda? Nem pensar. Até prepara o seu regresso ao futuro depois do caso desagradável de Sousa Franco que – isso sim!- não se tolera de modo nenhum… durante uns meses!

Nesta jangada de pedra da democracia pátria, a ética na política, parece uma moda, apresentada pelos jornais. Antes, a ética do inadmissível, resumia-se na fuga ao fisco que no fim de contas redundou na prisão de uma única pessoa, um anónimo da Oliva.
A corrupção, nunca se assumia porque não existia, até prova em contrário que nunca se fez. As leis que a combatem são sistematicamente combatidas na Assembleia por quem numa lógica perfeita, se recusa a combater o que não existe.
Os inquéritos no Parlamento, destinados a apurar responsabilidades ético-políticas, redundam sempre no mesmo destino conhecido antecipadamente: conclusões de geometria variável conforme a maioria que vota. A verdade, nisto tudo? Um pormenor casuístico, procurado apenas por interesse politicamente relevante ou pura e simples vingança contra os que ousam afrontar o poder político geral dos eleitos de sempre, em listas dos mesmos de sempre e em nome da democracia formal que juram a pés juntos respeitar.

Como sustentar esta leveza ética e esta pesada herança de irrelevâncias?
Comparemos com outros lados que costumamos imitar, por exemplo, com a nossa mais antiga aliada, a Inglaterra.
O partido trabalhista de Tony Blair, a “nova esquerda” por cá imitada na imagem, mas desprezada na essência, arranjou um problema grave, com as contribuições para o partido, na altura das eleições de 2005. Por força de uma lei de 1925, que proibiu a compra e venda de títulos de nobreza, tornou-se escandaloso, porque criminoso, que alguém do governo proponha um título de nobreza a troco de grossa maquia.
Pois a suspeita de tal malfeitoria foi levantada aquando das últimas eleições na Inglaterra. Milhões de libras foram entregues secretamente, ao partido de Tony Blair, para financiamento da campanha eleitoral de 2005, por indivíduos de indústria suficiente para conseguirem algum tempo depois, os almejados títulos de “sir”. As licenciaturas, por lá, não chegam para ostentar vaidade…e os títulos concedidos, suscitaram suspeitas firmes de trocas de favores.
A denúncia de tais práticas proibidas por lei, em Março do ano passado, por um deputado, suscitou escândalo público e os poderes públicos de polícia foram alertados. A polícia metropolitana inglesa, ao contrário do que por cá tem acontecido, não se pronunciou acerca da falta de indícios ou da falta de fundamentação das queixas, para evitar a investigação ao poder do partido da maioria parlamentar e de governo. Antes pelo contrário, iniciou as investigações de imediato. Como?
Ouvindo pessoas, incluindo o próprio Tony Blair que já foi ouvido duas vezes, o que é uma primícia, mas um indício de que os ingleses não precisam de ter uma constituição escrita que diga que todos são iguais perante a lei. Por cá, só de imaginar tal coisa e os comentários de constitucionalistas notórios , dá para sorrir de pena e desgosto.

Para além de Blair, foram ouvidas mais 136 pessoas, realizadas diligências de busca e apreensão nos próprios gabinetes ministeriais do nº 10 de Downing St e nenhum governante se pôs com ameaças à polícia, mudou algum dos seus dirigentes ou sequer questionou a legalidade e legitimidade de tais práticas, muito menos ainda manifestou a intenção de alterar a lei que tal permite. A comparação releva muito com o que se passou por cá, nestes últimos três anos, depois de um escândalo como o da casa Pia que motivou a perseguição política ao poder autónomo do MP e a alteração de leis processuais para impedir escutas incómodas, buscas embaraçosas e audições constrangedoras.
A investigação, diz o jornal Guardian, (que o Público quis graficamente imitar), resultou num dossier de 216 páginas, agora entregue ao procurador da Coroa. Por cá, nem com vinte volumes de centenas de páginas se conseguiria o mesmo resultado ( compare-se com o caso extraordinário do envelope 9, por exemplo).
A decisão de acusar, compete a um “procurador” especializado em casos sensíveis, como sejam os de homicídio, assassínio e negligência médica! Por cá, o DCIAP e o DIAP, dariam conta do assunto, lá para as calendas- basta atentar no caso de um misterioso António José Morais, há oito anos em bolandas, no DIAP…
O responsável pelos acusadores públicos, Sir Ken Macdonald, já declarou que se distanciará de qualquer decisão do subordinado, por ter sido membro de um escritório de advocacia de que a mulher de Blair também fazia parte. Por cá, membros do Conselho Superior da entidade acusadora, podem ser familiares de acusadores, sem problema algum.
O procurador geral, Lord Goldsmith, declarou já que indicaria um conselheiro especial para apoiar e rever a matéria acusatória, de modo a evitar qualquer conflito de interesses. O deputado do partido nacionalista escocês MacNeill, autor da denúncia, já declarou entretanto que o procurador geral, tendo sido indicado para o lugar pelo primeiro ministro, e estando este no epicentro do caso, deverá afastar-se completamente do assunto, desde já. Compare-se com o que por cá se passa…

Quem ler isto, comparando como o nosso país, aliado da Inglaterra, só pode imaginar que a nossa democracia tem ainda muitos anos de aprendizagem. Porém, com estes mestres que nos sairam em rifa, bem podemos abandonar toda a esperança.
O que resta para a justiça do cidadão que vota, talvez seja a esperança de que algum destes salafrários se esqueça de declarar a sisa integral do apartamento de luxo, comprado com o salário de funcionário público e um jornal que ainda não existe ( o Independente acabou), se lembre da oportunidade do assunto.
Mesmo assim, é de temer que nesta altura, já nem sequer exista assunto de escândalo suficiente.
A prova, cabal e de demonstração directa, está à vista de todos.

Publicado por josé 17:09:00 11 comentários Links para este post  



O PERIGO LE PEN

Oh André, que mal lhe pergunte, o que é o "perigo Le Pen"? Explique-me como se eu fosse, sei lá, o João Marcelino.

Publicado por João Gonçalves 14:28:00 2 comentários Links para este post  



Ségolène Royal - As luzes podem cegar




Entre um conservador politicamente incorrecto , mas previsível, e uma socialista bonita mas muito pouco consistente... venha o diabo e escolha.

Desta vez, não há o perigo Le Pen e o fenómeno Bayrou perdeu terreno nos últimos dias da campanha.

A segunda volta será mesmo entre Sarko e Sego e entre enormes diferenças de estilo, o essencial não mudará muito. Não há razões para temermos uma França para pior, não há esperanças de sentirmos uma lufada de ar fresco do novo (ou da nova) Presidente da Gália.
Sarkozy deve ganhar à segunda volta, muito por culpa de uma campanha decepcionante de Ségolène, ora a piscar o olho aos socialistas tradicionais, ora a dar uma imagem de «esquerda terceria via», em versão francesa e feminina.
Ninguém ficou a saber muito bem o que seria uma Presidente Ségolène e isso, em política, é geralmente fatal. Sarko é calculista, frio, por vezes parece cruel, mas a sua presidência será mais previsível -- e isso, geralmente, dá bons resultados.

Publicado por André 23:43:00 1 comentários Links para este post  



uma sugestão

Ainda vai a tempo, que o sol ainda não se pôs - Eu, se fosse ao Procurador João Guerra, mandava a correr um cartãozinho de agradecimento ao Dr. Mário Soares pelo comovente discurso de ontem à noite a requalificar a tese da cabala. Priceless.

Publicado por Manuel 17:27:00 4 comentários Links para este post  



brincar com o fogo

Os grupelhos de extrema-direita e neo-nazis, que por aí andam serão certamente uma ameaça, como a serão os de extrema-esquerda, que também os há. Dito isto, os acontecimentos 'mediáticos' dos últimos dias, associados a uma série de declarações pomposas, para não dizer exageradas, levam a questionar a 'oportunidade' de certas coisas. Neste país de atrasadinhos, que não percebem nem atingem a lógica e a moral do Estado, ainda vai havendo quem veja um filme ou outro. Um filme, por exemplo, como 'Manobras na Casa Branca', onde na impossibilidade de o cão abanar a cauda se usou a cauda para abanar o cão...

Publicado por Manuel 17:21:00 2 comentários Links para este post  



Interessante

O Estatuto dos Deputados, desde 1995 ( Lei 24/95 de 18 de Agosto), consagra a obrigatoriedade de cada deputado deixar escrito, um registo dos seus interesses. Tal registo de interesses consiste na inscrição, em documento próprio, de todas as actividades susceptíveis de gerar incompatibilidades ou impedimentos.
Esse registo é púbico e pode ser consultado por quem o solicitar.
Antes de 1995, o Estatuto previa um dever de declaração de todos os deputados, a depositar na PGR, de inexistência de incompatibilidade ou impedimento nos 60 dias posteriores à tomada de posse. Actualmente, tal depósito faz-se na Comissão de Ética.

A pergunta: relativamente ao cidadão José Sócrates, tais documentos já foram para o maneta, ou ainda podem ser consultados a solicitação dos interessados?

Publicado por josé 17:10:00 1 comentários Links para este post  



Mariano Gago - diz que é uma espécie de ministro...

Publicado por Manuel 15:18:00 0 comentários Links para este post  



absolutamente tudo óbvio, não é ?

Terreno perigoso

Mário Soares comparou os ”ataques sórdidos e infundados“ a José Sócrates à situação vivida por Ferro Rodrigues.

Rui Costa Pinto

Publicado por Manuel 0:20:00 4 comentários Links para este post  



O regime podre

Em mais de 30 anos de democracia, com governos constitucionais, não me lembro de tão grande bandalheira institucional como a que vivemos por estes dias ( ou meses).
A degradação moral e autêntica corrupção a que assistimos, com assento nas mais altas instâncias do poder político, atingiu um nível tal que dificilmente arranjamos memória repetida.

A inversão de valores atingiu um patamar tão elevado que daqui para a frente, o descrédito não poupará ninguém. As instituições demitiram-se do seu dever e os poderes públicos imobilizaram-se no atavismo da estabilidade artificial.

Procuro um exemplo recente na Europa mais ocidental, recente. Só me lembro da Itália, antes do desaparecimento da Democracia Cristã. Foi aí que surgiu a operação "mãos limpas". Mas isso, foi no século passado e o nosso presente nem parece ter futuro.
Quem é que nos acode?

Publicado por josé 23:54:00 7 comentários Links para este post  



o começo de alguma coisa

Num jogo, no final, só conta uma coisa - o resultado, é verdade. Mas, para haver jogo tem que haver, pelo menos, duas partes, que concordem num número básico de regras - nem que seja em regras mais ou menos ocultas para combinar o resultado, preservando o 'espectáculo'. Dito isto, e nos próximos tempos, por estas bandas o jogo acabou. Não interessa se Sócrates cai, ou se se arrasta moribundo. Não interessa, porque nunca mais vai haver um único debate político com seriedade. Sócrates vai conseguir fazer o que for combinado debaixo da mesa pelos interesses fáticos do costume, isto é apenas e só o que o deixarem fazer. Quanto ao resto - isto é tudo o que é essencial - népias, porque à mínima movimentação será acusado de batoteiro. À primeira vista isto não é grave, dirão os cínicos, porque os partidos sempre jogaram debaixo da mesa. Sim, sim, só que em primeiro lugar parte da beleza do jogo era isso supostamente não dar muito nas vistas, e em segundo lugar era suposto a dita sociedade civil aparecer, quanto mais não seja para compor a fotografia. À custa da palhaçada da Independente, José Sócrates, e os seus acólitos de ocasião - mais preocupados em salvar o seu próprio pêlo, que a sua credibilidade - vieram simplesmente confirmar que as regras, as suas métricas são diferentes das dos meros mortais. É por isso que é impossível, demagógico e lírico, com eles qualquer debate sobre a discussão de questões políticas, puras e duras: o Aeroporto Internacional da Ota, os SAP, o encerramento das urgências, o PRACE, o QREN, o Programa Novas Oportunidades, o referendo e o TCE, as auto-estradas sem portagens, o Complemento Solidário para Idosos, o desemprego, o crescimento do PIB, etc e tal. Qualquer debate que haja nunca será com eles, será apesar deles, até por via das, agora claríssimas, regras. Poder ser o começo de alguma coisa.

Publicado por Manuel 23:23:00 1 comentários Links para este post  



Dilemas morais


À medida que as averiguações jornalísticas avançam, no caso Sócrates, a imprensa começa a falar em nomes e a Visão de hoje, sob o título Unigate, fala de "O canto do Morais", para esboçar um retrato de António José Morais, o misterioso professor das quatro cadeiras de fim de curso de José Sócrates, na UnI.


Na sua entrevista na RTP, José Sócrates assegurou que só conhecia o professor Morais como seu professor. Antes, não o conhecia. Depois, nem isso. Não explicitou muito bem e ficou a impressão que o conhecimento advinha da prelecção, na Uni, das quatro cadeiras e dos exames efectuados que assegurou ter realizado muito tempo antes do mês de Agosto de 1996.

No dia seguinte, o Público manchava a primeira página com a revelação de que afinal o professor Morais, já tinha sido professor de Sócrates no ISEL. Ninguém se deu por achado, porque o primeiro ministro não tinha sido explícito acerca do local exacto onde o conhecera.

Continuamos por isso a aguardar que se possa publicamente saber, como se deu esse conhecimento particular.

Por enquanto, fica a imagem do artigo da Visão e a pergunta que os mistérios tornam legítima:
"Quem é e de onde vem este docente ubíquo?"
Aditamento: Entretanto, o semanário SOl online, revela que "o original da ficha biográfica preenchida por José Sócrates já não existe, tendo sido destruída pelos serviços da Assembleia da República. Esta foi a conclusão do inquérito de Jaime Gama, aberto na sequência da divulgação de duas versões daquele documento, contendo dados discrepantes sobre as habilitações académicas e a profissão do então deputado Sócrates. "
Se este caso não justificar a realização de um Inquérito Parlamentar, teremos certamente muito a lamentar.

Publicado por josé 22:58:00 3 comentários Links para este post  



"O mundo tem dono - é da Independente"

Publicado por Manuel 14:48:00 0 comentários Links para este post  



A razão do "estado a que chegamos"

A legitimidade de um primeiro ministro vem dos votos, não dos títulos académicos. Mas, utilizar um título que não se tem, fazer passar-se por aquilo que não é, revela uma falha de carácter, mina a credibilidade e afecta a sua autoridade.”

Foi isto que o político Marques Mendes disse de José Sócrates a propósito do seu percurso académico e que tem vindo a causa polémica.Nenhum outro político ousou avançar tanto nos comentários ao caso escandaloso.
Há um consenso algo esquisito em comentadores e políticos que se aprestam sempre a demarcar-se destas declarações. Jorge Coelho acha-as “indignas”, o que revela muito sobre o seu conceito de dignidade. Pacheco Pereira, demarca-se e não concorda com apreciações de “carácter”. Duarte Lima, Dias Loureiro, Ângelo Correia e outros, idem. Aliás, estes três personagens da nossa política mediática, enriquecidos pela política, costumam falar estranhamente a uma só voz e uma breve e perfunctória análise do seu percurso político, deveria fazer pensar duas vezes quem os ouve, cuidando de apurar razões para o que dizem.

Assim, o mais interessante, neste caso, começa a ser a observação da atitude pública dos políticos, comentadores e público em geral, bem como da opinião publicada nos media, incluindo blogs.

O caso Sócrates permite avaliar uma fractura importante, tornada explícita pelas diversas reacções públicas e políticas já conhecidas: o actual nível de ética e moral, publicamente exigível a governantes e responsáveis políticos em geral.
Uma esmagadora maioria de políticos de todos os quadrantes e feitios ideológicos, continua a desvalorizar o assunto e começou a comentar o caso, apenas quando o mesmo era inevitável e incontornável. Et pour cause, dir-se-ia.
Objectivamente, resulta como óbvio que todos prefeririam deixar o assunto morrer por si mesmo, na indignação dos blogs anónimos, nunca citados e confundidos com bastidores de mentideros e maledicência. Algo semelhante aos corredores dos círculos de poder onde se diz que disse.
O assunto era incómodo para os poderes, porque colocava em crise aberta, o modo como muitos se alcandoram a esses poderes fácticos e de direito. E são aos milhares, em Portugal!
Mas havia factos. Muitos factos e sem possibilidade de contorno político. E os jornais, fatalmente pegaram neles. Hoje, até o 24 Horas dá destaque de primeira página ao assunto famoso ( e só por isso, claro, que as vendas contam para todos).
Os factos registados, apontavam para sérias dúvidas e interrogações de perplexidade, acerca da correcção de uma qualificação académica e profissional de um indivíduo que pertence à classe política, foi deputado, ajudante de ministro e é actualmente primeiro- ministro. As aparentes incorrecções de datas, números, afirmações, contradições escritas e documentalmente comprovadas, permitem a dúvida séria e consistente no sentido de o diploma de um indivíduo que é primeiro-ministro, poder ter sido obtido através de um eventual favorecimento pessoal, grave nesta circunstância particular. A dúvida foi considerada pelo próprio como "legítima", depois de numa primeira reacção publicada, ter sido considerada uma "calúnia".

Essa circunstância aventada a medo e a custo, foi considerada publicamente, até pelo circunspecto líder do BE, Louça, como o pecado mortal que nunca seria perdoado ao primeiro ministro, nem que fosse confessado.
Há por aqui, uma primeira fractura: uma parte dos políticos, aceita como inadmissível o favorecimento pessoal, na obtenção de um diploma, pelo actual primeiro ministro, mesmo quando ainda nem o pensava ser. Eticamente, há pelo menos esta definição assente.

Outra, que perpassa nas declarações públicas e parece pacífica, será obviamente a que contende com a prática de crimes de catálogo. A falsificação de documentos ou o uso dos mesmos, é naturalmente inadmissível e insuportável, se comprovada. O caso dos manuscritos de José Sócrates, nos boletins biográficos da Assembleia da República, onde perpassam eventuais indicações apócrifas, da autoria do próprio, sem que se conheçam os originais de onde partiram e a atitude manifestamente reservada do próprio presidente da AR, ontem, fazem prever um cenário inadmissível, mesmo para os padrões de laxismo e contemporização mais alargados, onde aliás, o local tem sido fértil ( basta lembrar o caso das viagens dos deputados e as faltas ao plenário com assinaturas presenciais de ausentes).

Temos por isso, outro padrão ético de desvalor evidente, neste caso, até com relevância jurídica, pacificamente aceite pela classe política em particular e cidadãos em geral.

Onde já se torna duvidosa a relevância ética, é na atenção da opinião político-mediática ao “uso social” e também pessoal, de um título profissional por quem nunca o teve nem podia ter. Este pecadilho, desvalorizado e glosado agora como costume social sem importância, distraído do facto incómodo de ser o próprio titular a contemporizar e assumir a sua prática, passa actualmente como a justificação cega para quem não quer olhar para os pecados graves indesculpáveis que podem ocultar-se e aos quais nega a possibilidade de investigação, por afastamento liminar.
É a poeira possível que tentam lançar para quem pode decidir o destino dos seus tachitos de interesses particulares e de grupo: o cidadão médio que se ouve em sondagem na rádio.
Esta atitude cívica, ética e moral diz muito de quem somos e da educação que cultivamos. Diz mais do que mil estudos sociológicos de Antónios Barretos e afins.

Por fim, como corolário de todos estes cenários de amostra dos nossos actuais valores éticos e políticos, apresenta-se um outro fenómeno antigo e de solidez comprovada nos círculos de poder de todas as latitudes e ideologias: o Interesse do Estado. A raison d´ état dos franceses.
Esta razão conhecida e aprovada por alguns, costuma servir para justificar encobrimentos de malfeitorias em nome de valores sólidos, como a estabilidade de um serviço, regime, poder ou para evitar males maiores para um povo, grupo ou interesse relevante. Representa muitas vezes o sacrifício de um valor nobre, para proteger outro de nobreza equivalente ou de significado mais alargado.
Em política, serve como justificação para variadas decisões. Há razões de Estado que evitam guerras e serão aceitáveis. Há razões de Estado que evitam males maiores para uma população e sê-lo-ão também. Há ainda razões de Estado que protegem segredos classificados como tal, e compreendem-se.

O que não se compreende nem aceita de todo em todo, é que se defendam razões do mesmo tipo, para obliterar valores com validade sólida, como a condenação pública e exemplar, da mentira rasteira, da aldrabice mais evidente e da trafulhice mais pegada, para não falar em manigâncias de ordem mais prosaica e que definem exactamente um carácter. Há quem tenha sido substituído num governo por...incompetência? Há?! Então...
Se tal encolher de ombros democrático, se fizer em nome de uma estabilidade de um governo cuja substituição acarreta despesas e resultados incertos para a politiquice e a desestabilização da vida pessoal de quem se acomodou, ainda se compreende menos, porque os valores sacrificados nem sequer se comparam. Nem sequer colhe o argumento da imagem pública internacional. Essa, já se estragou há muito e ainda se estraga mais. Imagine-se o que não se diz por essas chancelarias!
Trocar valores e princípios que deviam ser sólidos, por conveniências de circunstância, parece ser o nosso destino fatal, com estes políticos de pacotilha que andamos a escolher há trinta anos. Não dão exemplo algum de correcção democrática, quando tal se lhes exige, como agora; não cumprem os valores que dizem defender em certas alturas e estão sempre prontos para contemporizar e negar os mesmos valores quando as circunstâncias colocam em risco os lugares que ocupam e interesses particulares que defendem.
São, nesse aspecto, todos iguais e as pessoas em geral, já perceberam isso há muito tempo. Alguns não querem parecer, mas são-no. Outros, não o sendo, aparentam muito bem. Resta saber em nome exactamente de quê e de quem.

Publicado por josé 12:14:00 13 comentários Links para este post  



'A pulsão suicida'


19.04.2007, Constança Cunha e Sá, no Público

O primeiro-ministro foi particularmente atingido por um caso que mostrou ao país o que o seu retrato oficial escondia

Como era de esperar, os "esclarecimentos" do primeiro-ministro à RTP "esclareceram" apenas os que queriam, acima de tudo, ser "esclarecidos". Uma semana depois, a fé dos adeptos, onde se contam inúmeros jornalistas, resiste heroicamente à divulgação de novos dados sobre a licenciatura do eng. Sócrates: para uns, o fim do silêncio do primeiro-ministro devia equivaler ao fim de uma polémica que, segundo um editorial do Diário de Notícias, tem sido alimentada diariamente por "notícias avulsas, sem conteúdo nem sentido"; para outros, esta insistência numa "questão que não interessa nada" (José António Saraiva dixit) revela, como explica candidamente Fernando Madrinha, no Expresso, "uma pulsão suicida que nos puxa para o abismo sempre que um Governo tem condições para definir um rumo e a coragem de seguir em frente, convicto de estar a fazer aquilo que tem de ser feito". Só falta recuperar, embora a recuperação esteja implícita, a famosa frase do prof. Cavaco Silva que o PS tão bem soube aproveitar: "Deixem-nos trabalhar!". Nessa altura, foi o próprio primeiro-ministro que, perante a gargalhada geral, defendeu o seu direito ao sossego e à harmonia institucional. Agora, pelos vistos, são os jornalistas os primeiros a zelar pelos interesses laborais de um Governo que, de acordo com os mesmos, tem um "rumo" para o país e a "coragem" de não o abandonar. Não vale a pena perder muito tempo com a suposta "irrelevância" das notícias que têm vindo a público. Como se viu esta semana, é impossível ignorar a sucessão de factos controversos que enfeitam o percurso universitário do eng. Sócrates. As datas não coincidem, os documentos são contraditórios, as avaliações incompreensíveis, o plano de equivalências inexplicável e as "explicações" oficiais claramente insuficientes. Neste momento, fazendo um ponto provisório da situação, existem dois certificados de licenciatura que não coincidem, um plano de equivalências que não passou pelo conselho científico da Universidade e que não foi sequer aprovado pelo seu reitor, dois curricula na Assembleia da República, quatro cadeiras dadas, no mesmo ano, pelo mesmo professor, uma cadeira que não foi dada pelo professor responsável e, por fim, um exercício de Inglês Técnico feito e avaliado depois da data em que terá sido concluída a licenciatura. Se, no meio de todo este enredo, há quem se considere devidamente "esclarecido", não sou eu, com certeza, que vou desfazer essa doce e miraculosa fantasia. Já a "pulsão suicida" referida por Fernando Madrinha e outros ilustres comentadores merece alguma atenção. Pelo que se depreende do que foi escrito, esta semana, um jornalista responsável não pode fragilizar politicamente um Governo que está "convicto de estar a fazer aquilo que tem de ser feito". Antes de "dar gás" a "trapalhadas" avulsas e crises ministeriais, tem que fazer uma avaliação da política governamental: se esta for positiva, como parece ser a do eng. Sócrates, as "trapalhadas" devem desaparecer perante as velhas e recorrentes questões que interessam verdadeiramente aos portugueses; se, pelo contrário, a política anunciada indiciar o pior, como aconteceu, por exemplo, no tempo do dr. Santana Lopes, então qualquer "trapalhada" deve transformar-se num caso nacional, com direito a primeiras páginas e a aberturas de telejornais. O principal "erro" do dr. Marques Mendes não foi ter falado numa "falha de carácter" do eng. Sócrates: foi ter-se "atrevido" a dar crédito institucional a factos que fragilizam politicamente um Governo - que, de acordo com os poderes estabelecidos, deve ser preservado a todo o custo, de forma a poder cumprir os seus lustrosos objectivos. Acontece que os factos não desaparecem perante as conveniências de uns e o entendimento de outros tantos. Por muito "corajoso" e "determinado" que seja, o primeiro-ministro foi particularmente atingido por um caso que mostrou ao país o que o seu retrato oficial escondia. Por trás da imagem de Estado que ele habilidosamente construiu, durante estes dois anos de Governo, surge, agora, à vista de toda a gente, o Sócrates que ele sempre foi: um político sem espessura, educado nos meandros do aparelho e nos favores do partido, que se notabilizou, a dada altura, pelas qualidades cénicas que revelou. O facilitismo que se detecta no seu percurso académico conjuga-se mal com o "rigor" de que faz gala e com a "determinação" com que enfrenta os "interesses" estabelecidos e os grupos de "privilegiados". Não vale a pena escamotear a realidade. Muito menos alterar critérios noticiosos consoante a opinião política dos jornalistas. O facto (por demonstrar) de este Governo ter um "rumo" e "coragem" para o prosseguir não o exime do escrutínio público, nem pode ser visto como um impedimento à liberdade de informação.

Publicado por Manuel 10:04:00 1 comentários Links para este post  



coisas verdadeiramente importantes

Hotdoll: The Sex Doll for Dogs

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Is your dog in heat and humping anything it can wrap its horny little legs around? Are you constantly having to pry your promiscuous pooch off the legs of guests, parents and members of your church? Protect your leg from a hump attack by getting Scruffy a Hotdoll. Yes, it's a sex doll for dogs. It's shaped like a dog and it'll allow your tension-filled pet to go to town as much as his little heart desires, humping away until he passes out in exhaustion, leaving a wispy coil of friction-singed dog-fur smoke wafting into the air.

[continua aqui]

Publicado por Manuel 23:10:00 1 comentários Links para este post  



PROGRAMA "NOVAS OPORTUNIDADES"

A TVI, via "Mediacapital", passa a ter como administradores os srs. drs. Joaquim Pina Moura e José Lemos, respectivamente um ex-estalinista convertido ao mercado e ao PS, e um socialista que sempre gostou mais de dinheiro do que de outra coisa, tendo sido quase sempre responsável pelas coisas financeiras de algumas campanhas socialistas e afins (como gajo, é um gajo porreiro, mas isso agora não interessa nada, desculpa lá, Zé). O que é que os une? Sócrates. São ambos "socráticos" e não brincam em serviço. Requiem eterno pela TVI.

Publicado por João Gonçalves 21:58:00 0 comentários Links para este post  



Sócrates, aquele que ficou atrás do coxo...

(...) A Universidade Independente (UnI) terá funcionado nos anos lectivos de 1993/94, 1994/95 e até Janeiro de 1996 no prédio da Rua Fernando Palha, 69 e Rua do Telhal, 8A e 8B tornejando para a Rua da Fraternidade Operária, em Lisboa, arrendado ao construtor civil Saúl Maia de Campos. (...)

António Balbino Caldeira, no Portugal Profundo, claro.

P.S. Como bonús levam ainda este comovente retrato do 'porta-voz', esta noite, da Independente - Lúcio Pimentel...

Publicado por Manuel 21:21:00 1 comentários Links para este post  



Não chega...

Agora já é oficial. Lúcio Pimentel, um bom amigo do PS, vindo das berças para a UnI, esclareceu em conferência de imprensa o que o Gabinete do Primeiro Ministro tinha esclarecido antes, desmentindo o que o próprio Primeiro Ministro já tinha dito e agora ficou esclarecido:

José Sócrates afinal, licenciou-se mesmo ao Domingo, em 8 de Setembro de 1996. É estranho? É. Até o Gabinete do Primeiro Ministro o achou e com garbo inusitado, desmentiu a má notícia, dando como certa e definitiva a data de 8 de Agosto de 1996, salvificamente apresentada num certificado existente na Câmara da Covilhã. Quem o apresentou? Mistério, mas apenas mais um pormenor sem importância. Burocracias de secretaria.

E a cadeira de Inglês técnico, última pérola do curso superior de engenharia civil, tirado na UnI? Outro pormenor, do qual Lúcio Pimentel pouco sabe. "Não tem elementos". Foi em Agosto? E o cartão do segundo secretário? "Não tem elementos".
E as propinas? Ninguém perguntou. Também...a quem é que isso interessa, a não ser ao Primeiro Ministro para demonstrar que o querem entalar com infâmias,mostrando os papéis comprovativos, quando estava isento?
E o professor das quatro cadeiras? Nada. "Não tem elementos".
E sobre esse professor que José Sócrates assegurou ter conhecido apenas e só enquanto foi seu professor?
O mistério continua. Uma pergunta chave se coloca agora: José Sócrates já conhecia António José Morais antes de dizer que o conhecia?

Ah! É verdade e já me esquecia: O caso estranho do certificado, certidão ou lá o que é, existente na Câmara Municipal da Covilhã e que foi apresentado pelo Primeiro Ministro como a prova de que tinha concluído o curso num dia decente e de trabalho, não presta e será uma falsificação. Há um crime de falsificação a investigar. Parece...que nestas coisas nunca se sabe. O que é hoje verdade, amanhã pode bem não ser. Como no futebol.

Publicado por josé 20:22:00 1 comentários Links para este post  



mau demais...

... para ser verdade. Chego a casa e estatelo-me com a conferência de imprensa da Universidade Independente. Deprimente. Refugio-me na genial metáfora descrita por Fernanda Câncio - na forma de uma ode à morte do 'seu' aspirador. De facto tudo foi aspirado e reduzido quase ao vácuo - a credibilidade do Primeiro-Ministro e das élites - na sua quase totalidade, do Estado, da Justiça, das instituições, de toda uma arquitectura do nosso sistema político. Só pó e cinzas, e um ar quase irrespirável.

Publicado por Manuel 20:15:00 3 comentários Links para este post  



E lá por fora a vida continua....

A new sick man of Europe

Portugal comes bottom of the European economic growth league

LOOK at any table of European economic data and Portugal stands out. GDP growth last year, at 1.3%, was the lowest not just in the European Union but in all of Europe. Since 2000 the Czech Republic, Greece, Malta and Slovenia have all overtaken Portugal in terms of GDP per head. And Portuguese GDP per head has fallen from just over 80% of the EU 25 average in 1999 to just over 70% last year.

Portugal was the first country threatened with sanctions by the European Commission for breaching the euro zone's stability and growth pact, which sets ceilings for euro members' budget deficits. The commission thinks Portugal's sin was to let public spending soar out of control, pushing the forecast deficit in early 2005 up to 6.8% of GDP, the highest in the euro zone. Ironically the commission is now headed by José Manuel Barroso, a former Portuguese prime minister who ought to shoulder some of the fiscal blame.

The government is still struggling to bring the deficit below the stability-pact ceiling of 3% of GDP. It also wants to shake off its image among economists of being a prime example of how not to behave when joining the euro. What this image neglects is that José Sócrates, the Socialist prime minister, has been getting to grips with reform in Portugal since he took office two years ago—with some success.

After commissioning a central-bank audit that revealed the alarming state of government finances, he broke an election pledge and raised value-added tax from 19% to 21%. He has attacked public-sector privileges by holding down pay, raising the minimum retirement age from 60 to 65 and cutting sick pay sharply. This year the focus is on streamlining the public administration, which costs more as a share of public spending than in any other euro zone country. Doctors, nurses, teachers, police and other public-sector workers have all taken to the streets in protest. But Mr Sócrates's tough approach is bearing fruit. The deficit fell to 3.9% of GDP in 2006, better than the initial target of 4.6%. At the same time, a jump in exports helped to lift growth above forecast.

Sharing the Iberian peninsula with the economic powerhouse of Spain, where growth has been above 3% in all but one of the past ten years, makes Portugal's performance look worse. In a poll last autumn, 28% of respondents said they would prefer to be part of a united Iberia under Spanish rule. Few Portuguese would really go that far, but they do ask why they are doing much worse than their neighbours.

There are several answers, say central-bank economists. Portugal has suffered more than Spain from higher oil prices. Its unit labour costs have risen sharply, whereas Germany's have fallen. Until recently, it has suffered a big drop in demand in its main export markets, especially Germany. Spain's economy has been buoyed by a construction boom fuelled by rising immigration. Renewed political instability has also taken a toll: on average governments in Lisbon have lasted just two years since the return of democracy in 1974.

But the biggest difference is that Spain reformed its public sector and disciplined its public finances before joining the euro, not afterwards. When interest rates fell and released a surge of growth in the late 1990s, Portugal responded with an expansionary fiscal policy instead of taming its deficit. This was Portugal's big missed opportunity: one that Mr Sócrates is now seeking, belatedly, to remedy.

Economist

Publicado por António Duarte 18:34:00 0 comentários Links para este post  



a morte em directo

Universidade Independente atrasa conferência de imprensa para a hora dos telejornais

Publicado por Manuel 18:04:00 0 comentários Links para este post  



um barrete chamado Barreto ?

Não é segredo que eu gosto de cinema. Digo isto, porque ontem à noite, ao ver mais uma vez o proclamado 'documentário' - na RTP/1 - sobre 'os portugueses' dirigido por António Barreto dei comigo a pensar num certo filme. Lembrei-me do 'IA - Inteligência Artificial', do Spielberg. Não por gostar particularmente do filme, mas por causa do enredo. Enredo este que conta as atribulações de um robot, encontrado por uma raça extra-terrestre milhões de anos depois da extinção da raça humana. O requinte da coisa é que com os humanos extintos o tal robot, uma imitação barata de humanidade, no final, era a única coisa que restava para compreender a civilização que o criou e depois mandou para o lixo. A série de Barreto deixa-me numa posição semelhante. Há qualquer coisa ali de plástico, superficial, até coreográfico. Demasiado 'metálica' talvez.

Publicado por Manuel 17:17:00 1 comentários Links para este post  



os dias do fim (prolongamento)

Enquanto o Paulo Gorjão recupera o olfacto (é nestas coisas simples que se percebe porque é que Manuel de Oliveira só podia ser um realizador português...) o descalabro que é o corolário lógico de tudo aquilo que, sendo ululantemente óbvio, tantos não queriam ver, continua. É o ISEL que afinal não se atrasou a passar nenhum certificado, é a UnI que afinal não era onde era hoje, logo não ficava numa localização previlegiada, é o reitor que afinal não o era, é as propinas que afinal não foram pagam, depois de Sócrates ter mostrado na TV o recibo, é a questão das datas, todas, é a figura de Gago, etc. e tal. Pelo simples facto de ter livrado o país de um pesadelo chamado Santana Lopes, José Sócrates tinha - sem mais - um lugar garantido na história. Agora - sem apelo nem agravo - vai garanti-lo por reduzir Santana a um menino de coro - apenas politicamente inimputável e irresponsável. É que de Santana já se disse muito, mas nunca foi acusado - a granel - de ser mentiroso, aldrabão, falsificador de documentos e sonegador de provas, etc e tal. Quanto ao resto... parece-me que Cavaco já reabilitou a imagem de Jorge Sampaio o suficiente, não ?

P.S. No PS há quem trate da vidinha e pense - a sério - no futuro. A transferência de Pina Moura para controleiro na Media Capital diz muito. Bem mais do que parece.

Publicado por Manuel 16:56:00 0 comentários Links para este post  



QI

O gabinete do Primeiro Ministro, tem ocupado tempo a responder por José Sócrates quanto à questão das suas habilitações, noticiadas diariamente.
As desculpas, justificações, contradições, são já patentes e evidentes. Para cada incongruência detectada, há sempre uma explicação adequada, sendo sempre atribuída a responsabilidade a outrém, geralmente " a secretaria". Os erros e lapsos da "secretaria" são já muitos e variados. As incongruências permanecem por explicar convenientemente. Por exemplo, as datas.

É altura de perguntar: até quando os assessores do Gabinete do Primeiro Ministro, vão continuar a brincar com a inteligência do português médio?

Publicado por josé 0:42:00 10 comentários Links para este post  



O exame de inglês (técnico) - aprovado com distinção



O gabinete do primeiro-ministro afirmou, esta noite, que o teste de Inglês Técnico realizado por José Sócrates só prova que o então aluno da Universidade Independente "obteve aproveitamento na disciplina" e que o professor da cadeira foi o reitor Luís Arouca.

Publicado por Carlos 0:23:00 2 comentários Links para este post  



STJ - a defesa da honra

Sobre a condenação, pelo STJ, do Público no processo que o opunha ao Sporting Clube de Portugal, por ter 'publicado notícia verdadeira' Artur Costa, Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal, vem a terreiro defender - com franqueza - a honra da sua casa ao mesmo tempo que lança algumas pistas e alertas que podiam evitar 'falhas de comunicação' como estas. Esta franqueza, a abertura e a frontalidade demonstradas podiam ser um sinal de uma justiça mais aberta, serena e próxima dos cidadãos, mas não - é apenas um mui honrosa excepção. À atenção de políticos, jornalistas e comenatdores de vão de escada, assim como de qualquer pessoa que se interesse por este país.

Publicado por Manuel 0:12:00 1 comentários Links para este post  



exclusivo
a prova!

Viva,

Estive a dar uma vista de olhos na prova do nosso 1º. Para além das notórias falhas de capacidade de ambos (aluno e professor) envio em anexo um PDF com umas anotações do que encontrei de errado e que o Arouca (se foi ele) não encontrou.

Não sei o que tem de técnico o inglês do texto de qualquer das forma é evidentemente produzido por alguém que escreveu (ou organizou ideias) no seu idioma materno e depois o traduziu. De tudo isto resulta uma construção de frases que mete medo e a utilização avulsa de vírgulas só pode ser resultado de tantos anos na política na qual as vírgulas têm outro valor...

15 valores neste desastre... não sei será bom ver os outros testes, sei que sou exigente mas de mim não levava mais que 9 ou 10.

Cumprimentos.
FF. (recebido por email)

N.A. A prova e respectiva podem ser lidas na integra aqui

Publicado por Manuel 23:09:00 8 comentários Links para este post  



l a t a

Por esclarecer se prova foi feita em data posterior à conclusão da licenciatura

O gabinete do primeiro-ministro afirmou, esta noite, que o teste de Inglês Técnico realizado por José Sócrates só prova que o então aluno da Universidade Independente "obteve aproveitamento na disciplina" e que o professor da cadeira foi o reitor Luís Arouca. O gabinete não faz qualquer esclarecimento quanto à prova ter sido feita numa data posterior à conclusão da licenciatura do primeiro-ministro.

Público Online

N.A. 1. nos entretantos continua o para & arranca naquele que - repito - se afigura como o maior insulto ao Estado de Direito pós FPs. E que faz o Estado ? - Treme, vacila, cambaleia. É esta a ditosa Pátria, nossa amada.
N.A. 2. A ler 'A campanha negra' (no Corta-Fitas)

Publicado por Manuel 22:17:00 0 comentários Links para este post  



uma boa ideia

... era mesmo o ainda Sr. Primeiro Ministro, ir de Marrocos directamente para o Brasil, e só voltar daqui - vá lá - a uns vinte anos. A brincar, a brincar, até nem era das saídas menos dignas, se é que agora ainda restam saídas dignas...

Publicado por Manuel 20:12:00 2 comentários Links para este post  



uma questão de Estado



A UnI anunciou "declarações bombásticas" para hoje, mas, à última hora adiou a conferência de Imprensa até ao regresso de Sócrates de Marrocos. Entretanto, tornou-se pública a prova escrita de Inglês Técnico. Tem data posterior ao certificado de habilitações entregue à Câmara da Covilhã.

Expresso Online


Só há um caminho, um único caminho - quer para o actual Primeiro-Ministro, quer para o actual Procurador Geral da República - cada qual à sua maneira - representam as duas faces de uma mesma moeda, de uma muito má moeda!

Publicado por Manuel 19:14:00 1 comentários Links para este post  



Esquerda vs. direita

O fantástico Jorge Coelho, eventualmente nostálgico das antigas lutas sindicais na Carris, passou ao ataque político, trazendo à liça a moralidade elevada da esquerda contra a podridão mesquinha da direita, a propósito do caso Sócrates.

Para Jorge Coelho, agora celebrado empresário de sucesso, com declarações de rendimentos modestíssimas, no tribunal Constitucional e a um tempo considerado pacificamente como o “patrão” do PS, afirmou hoje em Barcelos, por ocasião de um acto público, do partido a que pertence, que a maléfica direita é a provocadora directa desta campanha que tem atingido o seu estimadíssimo colega de partido, actual Primeiro-Ministro, José Sócrates, um esquerdista notório.
Jorge Coelho não se deixa impressionar pelos pormenores ou detalhes que lhe possam tolher a ideia básica: a direita está por trás disto, porque a esquerda que se encontra a governar, tem atacado os interesses da direita e a prova reside nas declarações de esquerdistas notórios que dão pelo nome de... Duarte Lima e Dias Loureiro.

A lógica de Jorge Coelho, que um dia proclamou que os portugueses ainda hádem ver a solidez da sua argumentação brilhante, explana a simplicidade do seu pensamento ideológico: como toda a gente já percebeu, Marques Mendes e o comandante Azevedo Soares são uns perigosos infiltrados de direita, no PSD social-democrata. Por outro lado, Jorge Coelho e o incrível Lello dos estádios do euro, acompanhados de Sócrates, são, muito naturalmente, os digníssimos representantes da esquerda que temos no PS, o que todos já perceberam, principalmente o PCP.

Publicado por josé 19:14:00 0 comentários Links para este post  



3 cenários, para Belém

  • Sócrates sai, e o PS é convidado a apresentar um novo Primeiro-Ministro, e um novo Governo, dada a maioria absoluta, e dado o que aconteceu no passado aquando da fuga de Durão. O drama é que ninguém no PS faz o 'pleno'. António Costa já tentou nos últimos dias várias vezes o golpe, mas não tem espingardas suficientes, muito menos a cobertura de Jorge Coelho, o que não augura grande sucesso. Mais, o que lhe sobra em ambição falta-lhe em inteligência e lucidez. A 'wild card' pode vir a ser... António Vitorino.
  • Cavaco dissolve a AR e convoca legislativas antecipadas. Problemas óbvios - não há garantia que quer o PS, ou o PSD renovem uma maioria absoluta, o que levanta problemas futuros de governabilidade, e dado o que muitos, no saco de gatos que é inner circle cavaquista, tem a Marques Mendes tal iria provocar graves divisões no núcleo duro cavaquista, já que Marques Mendes seria o candidato natural do PSD às Legislativas até pelos sucessivos hara-kiris, e erros de cálculo, da sua oposição interna nos últimos dias.
  • Cavaco não convoca legislativas e nomeia um governo de iniciativa presidencial - com duração limitada - para fazer - de facto - as reformas que faltam, sem quaisquer preocupações eleitoralistas ou conjunturais. Problemas - era preciso que Cavaco soubesse o que de facto 'falta' - há dúvidas, nestes dias, legítimas - e era preciso que personalidades de peso, acima dos Partidos, alinhassem, o que dada a composição do núcleo duro cavaquista, implicaria coragem de uns e garantias cabais do Presidente himself. E era preciso que a AR em funções se comportasse.

    No papel este último cenário - de longe o melhor - até convém aos partidos, que assim viam as reformas - a sério - feitas sem se queimarem, nem alienarem a sua base de apoio,. Na prática, o PS sem Sócrates pode ficar balcanizado, e o PSD, há que não esquecer, tem um grupo parlamentar à imagem do Dr. Lopes, ou seja uma absoluta nulidade, pelo que pela conjugação dos dois factores seja de antever o pior, ou seja desestabilização, q.b.
Dito isto, qualquer dos cenários põe - por definição - em causa a reeleição de Cavaco, daqui a quatro anos, como põe em causa tudo o que se dava por adquirido. Em suma, a política - dura, pura, imprevísivel - vai voltar, para o melhor, e para o pior. Pelas razões mais surreais, os jogos viciados não vão acaba, mas uma boa parte das cartas marcadas vai mesmo sair do baralho.

Publicado por Manuel 18:27:00 0 comentários Links para este post  



move on

Rui Costa Pinto, embevecido, delira com a performance de Maria José Morgado, hoje ao Público. Até elogia Pinto Monteiro pela escolha daquela para o DIAP de Lisboa. Até eu - um dos maus da fita - fico comovido. Esta gente - magistrados, políticos, jornalistas - manda recados de uns para os outros, dia sim, dia sim, e desde que as 'pontes' existam a realidade é o que eles quiserem. Em suma, desde que falem, a métrica é só essa, com quem 'devem' - de preferência pelos cotovelos - está sempre tudo bem, mesmo quando não se faz - invariavelmente - nada.

Atente-se no PGR, o tal que segundo Costa Pinto, 'percebeu no início do mandato o que Souto Moura não foi capaz de perceber' - Sobre a Independente nem uma única acção concreta - nem que fosse para manter as aparências - nem sequer agora para evitar o filme deprimente do cofre, da conferência de imprensa e das revelação bombásticas sobre o dossier de Sócrates. Em contrapartida, preocupa-se bastante com outras matérias. Um destes dias, por exemplo, foi dar à Universidade Portucalense, a atravessar problemas idênticos aos da Independente mas sem o ónus de ter formado, com aulas - e exames - em casa, um PM, e com o bónus de ter lá o irmão do PGR a leccionar, uma conferência em que um do temas abordados foi o das alegadas infelizes criaturas mediáticas - e só dessas - que alegadamente inocentes são vítimas dos alegados atropelos também eles mediáticos do sistema de justiça. Absoluto timing, no tema e no local. Palavras para quê?

Nos entretantos, a Independente 'adiou' a conferência de Imprensa para amanhã, não sem antes dizer que o célebre exame de 'inglês técnico' - e dactilografado - foi feito em casa (!) e entregue com um cartãozinho governamental em anexo. Se isto não é - para além de muito mais - o mais escancarado favorecimento, então não sei o que é. Mas há uma coisa que eu sei - a rábula do 'cofre', que a Independente está a fazer é muito provavelmente, e sem grandes subjectividades, o maior desafio/enxovalho/xacota que se apresenta ao Estado Português, desde os tempos áureos das FP/25. Mais uma vez, et por cause, a PGR nada faz, e o PGR nada diz.

De facto a "arrogância" - sobre a forma de uma serenidade e 'normalidade' imperturbáveis - até pode vir a ter os dias contados, resta saber é quando. "Time to Move On"

Publicado por Manuel 18:00:00 2 comentários Links para este post  



coerência

Já aqui disse que no que diz respeito à Independente, e ao 'affair' Sócrates, Marques Mendes, ainda que falando tarde, não esteve mal. Dito isto, e sem tomar sequer em conta os últimos desenvolvimentos (a fuga de Lipari e o assalto (!) à GEBALIS), há que notar que a coerência - tal como a credibilidade e o carácter - é uma coisa muito bonita, pelo que me pergunto de que raio é que Mendes está à espera para fazer 'cair' - sem dó nem piedade - a Câmara Municipal de Lisboa ? A estabilidade não é um fim em si mesmo, é tão só um meio, e se não servir um fim, então não serve para nada.

Publicado por Manuel 12:50:00 2 comentários Links para este post  



os dias do fim (um desenho)

Publicado por Manuel 12:44:00 1 comentários Links para este post  



Acabaram os direitos absolutos!

O senhor desembargador Eurico Reis, que costuma emparelhar com o senhor desembargador R.Rangel, ( este foi na edição de hoje do Correio da Manhã, para vituperar o MºP que é preciso "pôr na ordem") na aparição pública requisitada pelos media tradicionais, para comentar tudo o que salta na ribalta judiciária, voltou hoje à RTP2, para tecer comentários ao estranho caso da condenação judicial de uma revista e um jornal, no foro cível e por putativas ofensas indemnizáveis, à honra e consideração.

Quanto aos factos, ficaram por explicar devidamente. Deu para perceber que os tribunais condenaram civilmente dois órgãos de imprensa, por ofensa à honra dos ofendidos, embora estes publicassem factos verdadeiros.
Quanto à condenação, o relato do senhor desembargador, foi engraçado.
Explicou que, se calhar, nem devia falar publicamente, porque os casos concretos ainda poderiam vir a calhar-lhe nas mãos…
Ainda assim, falou em direitos paralelos, como o direito à honra e o direito à informação e atalhou, perante as perguntas da jornalistas que “como cidadão também me preocupo”, deixando entrever explicitamente a sua posição que não sendo afirmada foi sendo confirmada.
Os potenciais visados, ficaram a saber qual a jurisprudência particular, nestes casos, do senhor desembargador.
Em certa altura, disse que “não há direitos absolutos”! De repente e de uma assentada, os estudantes de Direito, ficam esclarecidos com uma nova concepção revolucionária que arreda do convívio várias concepções sobre os direitos “erga omnes”, como por exemplo o direito de propriedade. O conceito civilístico, precisa e supostamente a especialidade do senhor desembargador, desaparece assim dos compêndios básicos das faculdades de Direito.
Para além dessa revelação espantosa de inovação, ficou ainda outra novidade, dirigida aos “colegas”:
Ainda há muitos colegas meus que não percebem a importância fundamental e estruturante, para a sociedade democrática, da liberdade de informação”.

Os colegas do senhor desembargador, devem ter ficado boquiabertos...

Publicado por josé 23:16:00 5 comentários Links para este post  



pois...

Se isto para vocês é normal, despeço-me já



João Villalobos, no Cortas-Fitas

Publicado por Manuel 22:57:00 1 comentários Links para este post  



DA REPÚBLICA



Não me é simpática a ideia do anonimato. Na blogosfera ele floresce como cogumelos venenosos. Todavia, quando leio muita da javardice que eminências do jornalismo e da nossa risível "academia" escrevem ou debitam nos mais diversos media, percebo melhor a emergência da famosa "maioria silenciosa". Essa "maioria" pode oscilar entre o puro escarro e o sublime. Depois das peripécias dos últimos dias e semanas - com origem bem clara na blogosfera e, depois, num jornal em quem ninguém pegou para depois se tornar o tema "puta da República à portuguesa" - a blogosfera acedeu a um patamar inesperado para o regime e do qual dificilmente já sairá. Isto porque os media tradicionais - quase todos dirigidos, apascentados e comandados à distância pelo dito regime - "vivem" de transformar "questões duras" em "questões moles", e vice-versa. É, uma vez mais, "a puta da República" a funcionar. A pergunta feita um dia por Pacheco Pereira em um outro contexto - "o que é que comunica a comunicação social?" - nunca fez tanto sentido neste Portugal de pequeninos do ano de 2007. Por isso, e apesar da acumulação de jornais com quase uma semana, fenece-me a vontade de os ler porque deixei de ter paciência para "mais do mesmo". Não me apetece encontrar a "linha da beleza marico-poética" lá onde devia estar escrito a bold o nome da vergonha "democrática". Mete-me nojo o sem-razão de tanto "opinador" do regime com direito a fotografia e a esclerose retórica que já contamina alguma blogosfera mais afoita e doce. Não suporto o "encanar a perna à rã" dos cortesãos dependentes. Perdi o respeito pela democracia portuguesa porque ela não se sabe dar ao respeito. Só me preocupo com os direitos humanos - todos - e a democracia, malgré elle e nessa matéria, não me dá garantias nenhumas de ser "mais respeitosa" do que outra coisa qualquer. Não é ela que tem a culpa, nem os seus founding fathers, os da Europa e os dos EUA. São aqueles a quem colámos - pelo voto - a labita de democratas. A maior parte nunca o foi ou julga que o é apenas por exibir um cartão de partido ou por estar montada numa sinecura. A duplicidade e a cumplicidade dentro do mesmo regime, mata a pureza da democracia como quem recorre a um bordel porque já não suporta "virgens". E ninguém escapa a esta sinistra perversão. Eis como, bruscamente numa primavera qualquer, a República pode passar de respeitosa a puta.
Nota: "Edição" simultânea nos Braganza Mothers e no Portugal dos Pequeninos.

Publicado por João Gonçalves 18:27:00 1 comentários Links para este post  



"Já chega..."

No caso Sócrates, o pessoal do "já chega!" é variado, multifacetado e algum dele, até insuspeito. Geralmente, quanto mais chegados a certos poderes, mais fastio sentem pelas achegas.
Para Valentim Loureiro "já chega". Para Freitas do Amaral, também "já chega". Duarte Lima, já chega. Aliás, quase todo o PS, chega. Só uma pequena parte do PSD achega. Para o resto, "já chega".
Já chegamos mesmo à Madeira, porque também por lá "já chega".

Curiosamente, no grupo selecto dos comentadores da opinião publicada, já são muitas as achegas que continuam a achar que não chega. Algum jornalismo, descobriu, felizmente mas se calhar por pouco tempo, que ainda é cedo para dizer "já chega" e talvez por isso, ainda estaremos longe do ponto de...chegada.

Publicado por josé 16:03:00 4 comentários Links para este post  



Atolados

Ainda cheguei a pensar que num assomo de vergonha, o mentor do causa-nossa, tivesse hibernado para não escrever sobre coisas tristes. Que nenni!
Aí está novamente o nosso prelado laico, núncio da ortodoxia governamental, a colocar os pontos nos ii da correcção política.
A questão de Sócrates continua a ser um mero purismo de linguagem a que só espíritos mesquinhos se dignam conceder importância.

E o resto é...lama. Também concordo.

Publicado por josé 12:26:00 5 comentários Links para este post  



não se faz

  • É, depois de tantos desmentidos, e com tanta convicção, de originais tresmalhados e de segundas vias, sui generis, não é que agora são os 'tratantes' da Universidade Independente que falam(oops) em documentos falsificados, naturalmente para denegrir a imagem daquela instituição...

  • Um bando de engraçadinhos agora empolado pelo Dr. Vital descobriu que alegadamente o Dr. Mendes usa o título de Advogado sem alegadamente o ser. Apesar de não constar que o Dr. Mendes tenha acabado o curso ao domingo, alegam implicitamente que logo a situação do dirigente laranja é similar à de Sócrates. Não é, mas mesmo que fosse isso não era motivo para 'deixar' Sócrates, até porque já se percebeu que Sócrates não está sozinho neste imenso oceano de originalidades. Dito isto, não deixa de ser triste este nivelar - conformado - por baixo.

Publicado por Manuel 10:09:00 8 comentários Links para este post  



um filme, uma lição

A RTP/1 passa daqui a pouco o filme "Hotel Ruanda". Puro serviço público. Ocasião para recordar o que escrevi aquando da estreia do filme no nosso país, em 17 de Fevereiro de 2005.


Hotel Ruanda



Estreia hoje um dos melhores filmes dos últimos dos últimos anos
. De certeza que abomina uma certa esquerda bem pensante que, na boa tradição de Rousseau, nunca lidou muito bem com o irracional, com o mal absoluto, não convenceu, por exemplo, os pseudo-cinéfilos críticos do Público. Hotel Rwanda é uma história dentro de outra história, a do massacre de cerca de milhão, leram bem, de Tutsi por membros de etnia Hutu sobre o olhar complacente da comunidade internacional em... 1994, é a história de um homem que salvou uns quantos, cerca de um milhar, como pode. Uma lição sobre a humanidade, sobre a realpolitik e sobre a maldadade humana. O filme começa com um fundo negro enquanto se ouve o som de uma estação de rádio (Hutu) a apelar ao massacre de Tutsis... Tira o sono, se tira, e até foi baseado numa história real. Mas que interessa afinal ? Eram "pretos ", o Ruanda fica no fim do mundo e nunca foi grande local de férias, pelo que a comunidade internacional nunca ligou grandemente, antes, durante e depois. E no entanto, tomaramos muitos de nós ocidentais ter um décimo da coragem, do civismo, da alma de alguns dos heróis da história. Hotel Ruanda é um filme que é impreterivel ver, porque o mal existe, e o mal maior é ignorar a sua existência. No rescaldo do holocausto, uma alta patente nazi quando confrontada com o genocídio e sobre se não o preocupava o que terceiros achariam da coisa respondeu que não, que não o preocupava, porque as pessoas não iriam simplesmente acreditar. Hotel Ruanda é sobre um mundo que existe, um mundo que fingimos não ver do conforto burguês das nossas casas, Hotel Ruanda é um filme também sobre a esperança de como pode surgir a luz do meio da escuridão.

Dez anos depois, Hotel Ruanda é, só e apenas, um filme que exige que abramos os olhos. A alguns será pedir muito.

Publicado por Manuel 21:47:00 1 comentários Links para este post  



questões de nível

Pense-se o que se pensar sobre José Sócrates é doloroso, e vergonhoso, ver a presente salgalhada em que aquele se encontra envolvido comparada com os ataques de que Sá Carneiro foi vítima no passado. As situações não são comparáveis, ponto final, e citar Sá carneiro é pura e simplesmente um insulto à sua memória. Como também não é intelectualmente honesto comparar a 'questão' às atribulações do Clinton e da menina Lewisnky. Mas as coisas são o que são, e se no tempo do Dr. Lopes nos divertiamos à brava com as acrobacias do Luis Delgado, não deixa de ser relevante constatar que com a nova ordem que se seguiu, mil Luises Delgados floresceram - de Ricardo Costa, ao Tozé Teixeira, passando pelo inimitável Zé Lello (o Junqueiro já foi bem retratado aqui)... Bem pode o establishment clamar - como clama - que sendo isto sendo grave está a ser alimentado e empolado. Sim, sim.


Uma última nota para registar que o Presidente de todos os Portugueses - dos bons, dos maus alunos, e dos que acabaram cursos ao domingo - fez saber que anda preocupado com o nível de instrução dos portugueses. Não é que lhe fique mal, mas se calhar, porque as casas não se começam pelo telhado, talvez também não lhe fosse inoportuno preocupar-se pelo nível de escrúpulos de muitos dos que por aí andam....

Publicado por Manuel 17:35:00 3 comentários Links para este post  



O humor é para rir

A propósito do cartaz do PNR, colocado na rotunda do Marquês, em Lisboa, seguido da réplica do grupo de humoristas “Gato Fedorento”, no Abrupto, adiantam-se algumas explicações interessantes. A essência das mesmas, porém, consiste em algo subjectivamente insuficiente para se entender o tempo actual. A simplicidade de análise levar-nos-ia a considerar que no espaço de discussão pública actual, acerca da imigração, racismo, extrema direita e ideias contrapostas às da esquerda clássica, continuamos exactamente como há trinta anos atrás. Como há trinta anos, não há espaço público onde seja possível discutir ideias apresentadas como extremistas e de direita.
Quanto às de esquerda, mesmo extremada, conglomeradas em grupúsculos políticos e aglutinadas no Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português, nunca houve qualquer limitação de espaço crítico e a liberdade é ampla e total.
Esta diferença, patente e indiscutível, é o verdadeiro fenómeno que ambos os cartazes sugerem. De um lado, o discurso xenófobo, algo incipiente mas suficientemente explícito e supostamente de extrema-direita; do outro, a intolerância à xenofobia, e a ideias pretensamente de extrema-direita, baseada no discurso de contraponto ideológico, mascarado de humor correcto.
A síntese desta contradição de imagens, deu-a, afinal de contas, o autor do cartaz primitivo: “ as ideias discutem-se”, foi a conclusão certa, ainda que de sinceridade incerta. Ironia suave, em contraponto ao fedor sectário.

Em 1974, de Abril a Setembro, a evolução política em Portugal acelerou de tal modo que a esquerda, tomou conta de todo o espaço público de discussão político- ideológica. Aqueles que não se reviam nesse discurso, orientado pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Socialista, antes de ter metido o socialismo na gaveta, tentaram reunir forças e organizar a voz, num comício no Campo Pequeno, marcado para 28 de Setembro.
Chamaram à manifestação, a voz da “maioria silenciosa” copiando um slogan vindo directamente de Maio de 1968, apresentado por De Gaulle, para se defender e atacar as revoltas estudantis.

O cartaz de convocação dessa manifestação, desenhado por Quito ( Francisco Hipólito Raposo) foi publicitado de modo envergonhado, mas ainda assim suficientemente incomodativo para os novos poderes instituídos, a esquerda em progressão ideológica.
















A reacção desses poderes demarcados à esquerda, foi sensivelmente a que podemos ver no cartaz do Gato Fedorento: apropriando a ideia, letra e desenho do cartaz da maioria silenciosa, redesenharam outro, com a mesma imagem, distorcidamente aproveitada e com as palavras de ordem trocadas. O efeito plástico, foi notável e neutralizou de algum modo o cariz mobilizador do cartaz original, ao diabolizar a intenção manifestada e o aspecto da convocatória.
A manifestação, ainda assim, realizou-se. Mas é sabido que foi a partir daí que se intensificaram as perseguições e prisões de supostos adeptos do antigo regime, encarcerados em massa, sem qualquer culpa formada para além do epíteto de “fascistas” e que assim ficaram por largos meses. Sempre que tal episódio vergonhoso para a democracia, é citado, a esquerda escarnece como quem pudesse dizer que “foram poucas!”
O cartaz fedorento, é apenas mais uma das manifestações desse espírito vigilante da democracia intensiva que limita a liberdade de expressão política, ao pensamento correcto, instituído em trinta anos pela esquerda que nos governa e nos educa oficialmente.

A progressão do processo revolucionário foi tal que em Dezembro de 1975, um cartoon de João Abel Manta, publicado em O Jornal, simboliza o que ideologicamente mudara, até essa altura, em Portugal, falsificando a realidade histórica, através de uma redução do universo português de então, a um hipotético país em que se venerava o fascismo como opção assumidamente política. O cartoon equivale à expressão de propaganda ideológica que dava a entender que o "fascismo" publicitava a ideia que os "comunistas comiam criancinhas ao pequeno almoço"...ou seja, tomando a maioria da população por uma camada de parvos, levava a água ao moinho, num misto de abusrdo com humor negro desconcertante.

Publicado por josé 16:38:00 3 comentários Links para este post  



E agora um post dedicado a quem já está farto de pensar no curso de José Sócrates...


Publicado por André 19:31:00 9 comentários Links para este post  



bons exemplos

Cada um ouve aquilo que quer. A imprensa "diz que Cavaco desdramatizou hoje a polémica sobre o percurso académico do primeiro-ministro, José Sócrates, afirmando que este "não é o tempo para falar" desse "problema"." Curioso. A parte que me entrou no ouvido foi que "só pretendia falar dos bons exemplos".

Publicado por Manuel 17:24:00 2 comentários Links para este post  



os dias do fim

Um destes dias numa daquelas rants que ninguém lê atirei-me a Vasco Pulido Valente. Estava longe, muito longe, de imaginar quão cedo o tempo me ia dar razão. Ainda hoje, no Público, VPV comete o mesmo erro pavloviano de que nos idos de Março o acusei. Escreve que Sócrates vai sobreviver porque "ninguém ignora que o país não aguenta eleições" (sic). Wrong. O que o país não aguenta mais é esta classe dirigente, o que o país não aguenta mais é esta falsa solidariedade à volta de Sócrates de aliados e adversários - de Menezes a Duarte Lima, passando pelo Dr. Portas e o Dr. Louçã, até pelo Dr. Jardim, e não aguenta, porque se Sócrates cair - e vai cair - não cai sozinho. Consigo cairá toda uma certa forma de fazer e subir na política, e é isso que assusta, óh se assusta, tanta gente.

Desta vez, o poder caiu mesmo na rua, não está na mão dos Luís Paixões Martins deste mundo, ou dos Ricardos Costas - assessores de imagem do PM - ou dos Luis Bernardos, directores de Informação de um qualquer canal de TV. O poder - bruto, selvagem, desentermediado - está nas mãos de todos e de ninguém. Berra-se, insulta-se, grita-se, mas pelo meio faz-se luz. Luz que ilumina uns e encandeia outros, mas luz que não é mais possível ignorar. Podia falar aqui de conceitos 'sofisticados' como entropia, software livre/de código aberto/opensource, e aplicá-los aos dias que passam, mas ainda é cedo. Um destes dias verão na TV uma qualquer luminária, tipo Dr. Pacheco, que falará - bem - acerca deles com aquela superioridade de quem acabou de descobrir a pólvora. Por falar no Abrupto cronista, este num acervo de lucidez - inspirado - falava sobre o caos que se vive, e referia-se à série (western) Deadwood. Quando a normalidade voltar talvez cite, ele ou VPV, um outro Western - clássico - o último de John Ford - "O Homem que matou Liberty Valance". Seria sinal que finalmente perceberam o que se está a passar.

De resto - é uma questão de determinação, de inteligência e de números. De transparência. E já se viu para que lado está virada a matemática...

P.S. Eu não sei, de facto, se o que vem imediatamente a seguir será melhor. O que sei - tenho a certeza - é que será um passo necessário. Outra coisa que também sei é que tão cedo não vai aparecer por aí mais nenhum iluminado a falar da teoria dos ciclos políticos aplicada aqui à terrinha. "We're all out of the Matrix!" ('tou numa cinéfila hoje)

Publicado por Manuel 15:58:00 4 comentários Links para este post  



Mais um erro administrativo


A história de um documento emitido em 1996, cuja ficha técnica apresenta os números de telefone com o indicativo 21 e não 01. Como é muito cedo, o melhor é conferir tudo Aqui.

Publicado por Carlos 11:42:00 18 comentários Links para este post  



one man, one vote

- Prefiro a 4ª classe do Jerónimo ao curso de engenheiro do Sócrates.

anónimo

Publicado por contra-baixo 23:59:00 3 comentários Links para este post  



Cabala, disse ele!

O euro José Lello nomeia o Dr. Calado, como o cabalista-mor, no caso José Sócrates.
Afirmou agora mesmo na RTPN que há um grupo comandado pelo Comandante Azevedo Soares, acolitado do dr. Vinha da Costa, empenhados na sombra das conspirações, para desacreditar o Primeiro Ministro!

José Lello...outra vez a cabala...o Ps...isto nunca muda.

Publicado por josé 21:29:00 2 comentários Links para este post  



Envergonhado?

Este blog de prelaturas e nunciaturas republicanas laicas, entrou em hibernação, aparentemente prolongada, o que só honra o seu autor.
A última nota oficiosa, data de há oito dias e encomia a prestação notável do ministro da ciência, Gago de apelido, acerca da exemplaridade na actuação com sentido de Estado a propósito daquilo que o próprio autor classificou como "diz que é uma espécie de universidade".
Apesar de o tempo andar muito depressa, ainda nos lembramos muito bem da rigorosa apreciação efectuada sobre as fantásticas universidades por onde passou o nosso Primeiro Ministro, na busca do diploma final.
Vital Moreira! Você é um professor de mérito e categoria. Porque é que ainda alinha com esta gente?!! Você que sabe de universidades e percebe de rigor e qualidade de ensino, já viu por onde andou o Primeiro Ministro? Já viu bem as figuras que o mesmo anda a fazer?

Publicado por josé 19:36:00 3 comentários Links para este post  



os canibais


Com a sua estratégia de comunicação genial (a sério) José Sócrates concentrou todas as espectativas num único evento - a sua entrevista. Melhor do que ninguém sabia que os riscos eram enormes e que as possibilidades de não secar a coisa - eram, no mínimo, reais. Pois bem, não só avolumou as dúvidas, como os dados que já surgiram lhe retiram qualquer hipótese de sair de cena com um módico de dignidade.

Acontece que isto não é um problemazinho dele, afecta todo um País, e afecta também o seu próprio partido. Com ou sem Sócrates o PS tinha todas as condições para indicar um novo PM, e evitar novas legislativas. Tinha, mas já não tem. Ao cairem todos na tentação em que caiu uma boa parte do PSD, no período negro santanista, e ao reduzirem tudo a uma mera questão 'clubística' e de fé, para lá de qualquer réstia de lucidez, racionalidade, bom senso ou sentido de estado, canibalizam toda e qualquer coisinha que pudesse ter restado da maioria absoluta de que dispunham. Ponto.

Para terminar, apraz-me registar o regresso do jornalismo de investigação - puro e duro - agora que fechou "O Independente", lamentavelmente, e na esmagadora maioria dos casos, apenas sobre a forma de refreshes e mais refreshes ao blog, e caixas de comentários do Portugal Profundo. Acontece que não basta saber ler, é preciso saber pensar, e fazer contas... Dito isto o reitor da Universidade Independente até Junho de 1996, foi o Prof. Doutor Ernesto Costa, actualmente professor catedrático da FCT da Universidade de Coimbra, e só depois dessa data é que o Prof. Arouca assumiu o cargo de reitor. Vá lá, agora vão ouvir a 'genial' entrevista outra vez, na parte dos atrasos no certificado de equivalências ...

Publicado por Manuel 17:56:00 3 comentários Links para este post  



Imagens de Imprensa

A revista Sábado desta semana, em artigo assinado por Maria Henrique Espada, desenvolve em quatro páginas, um pequeno retrato de dois assessores de imprensa do Primeiro Ministro. O que fazem os assessores de imprensa do PM? Essencialmente, telefonam e recebem telefonemas. São ambos jornalistas. Um, foi-o na Rádio Renascença e começou com Guterres. Outro, foi-o na TVI e começou com António Maria Carrilho. De nenhum deles se pode dizer que a vida política lhe tenha corrido bem. Mas com certeza que a culpa não foi dos assessores de imprensa. Tal como agora não será. Não é?!

David Damião e Luís Bernardo, são os nomes. As imagens ficam aqui, tiradas da Sábado.




Publicado por josé 17:40:00 3 comentários Links para este post  



Observatório 2008 - Obama e Fred Thompson em alta

Barack Obama: depois de uma certa desaceleração, o senador pelo Illinois voltou a aproximar-se de Hillary Clinton e a sua capacidade de recolher fundos gera grandes expectativas no campo democrata



Sinais recentes da corrida para 2008:

— Barack Obama volta a aproximar-se de Hillary, até no dinheiro obtido: 26 milhões de dólares para a senador por Nova Iorque, 25 para o senador pelo Illinois

— Mesmo com a recuperação de Obama, John Edwards ainda está na corrida e parece vir a ser o grande beneficiário no caso de Al Gore não avançar, cenário que começa a ser muito provável

— Rudy Giuliani perdeu chama, mas mantém vantagem confortável no lado republicano

— Fred Thompson confirma-se como a alternativa dos conservadores «reaganianos»: partiu tarde, mas já ultrapassou Romney e Gingrich e até já há estudos a colocá-lo à frente de John McCain. Será que a corrida republicana passará a ser um duelo Rudy vs Fred? Ainda é cedo para dizer, mas é uma hipótese a ter em conta

— Nos duelos nacionais, Barack Obama está cada vez mais forte: bate todos os rivais republicanos e é o único democrata a conseguir derrotar Rudy Giuliani


DEMOCRATAS

— Hillary 33
— Obama 23
— Edwards 14
— Gore 13
— Outros 5
— Indecisos 13

(Sem Al Gore)
— Hillary 34
— Obama 30
— Edwards 20
(LOS ANGELES TIMES/BLOOMBERG POLL)

-- Hillary 34
-- Obama 29
-- Edwards 15
(RASMUSSEN REPORTS)


REPUBLICANOS

-- Giuliani 29
-- Fred Thompson 15
-- McCain 12
-- Romney 8

-- Giuliani 27
-- McCain 16
-- Fred Thompson 14
-- Romney 12
(RASMUSSEN REPORTS)


POSSÍVEIS DUELOS

(vantagem democrata)

-- Obama 48-Giuliani 42
-- Obama 48-McCain 40
-- Obama 50-Romney 31
-- Hillary 45-McCain 42
-- Hillary 44-Romney 37
-- Edwards 44-McCain 40
-- Edwards 50-Romney 30

(vantagem republicana)
-- Giuliani 48-Hillary 42
-- Giuliani 45-Edwards 43

Publicado por André 15:19:00 0 comentários Links para este post  



Fumos de portugueses suaves

Estamos cá uns para os outros…por isso já sabe! Um abraço!” – José Luís Arnaut, para Valentim Loureiro em 9.12.2003 ( escutas telefónicas no Apito Dourado, transcritas pelo Correio da Manhã de hoje).
Confrontado com estas declarações, em que Valentim Loureiro lhe pedia um favor junto da CGD, para o amigo comum, Sousa Cintra, em dificuldades financeiras, José Luís Arnaut defendeu-se dizendo que “ficou provado que nada fiz de ilegítimo " e que nunca deu andamento aos pedidos de Valentim Loureiro em relação ao empréstimo da CGD a Sousa Cintra. Diz que respondeu aos telefonemas com cortesia e simpatia.

No caso Sócrates, depois da entrevista de quarta feira, na RTP1, perante as “dúvidas legítimas” que se levantaram com os factos já conhecidos e divulgados, alguns já depois da entrevista, uma certa classe de pessoas, a maioria dos políticos deste país e um certo tipo de comentadores, declara-se satisfeita e até plenamente satisfeita, com as explicações do actual Primeiro Ministro. Nada mais há a esclarecer, porque o Primeiro Ministro falou, mostrou assim uns papés a modo de prova plena de honorabilidade e isso chega perfeitamente. A crítica que he fazem é apenas a de não os ter mostrado mais cedo...

Compreende-se. O caso virou assunto de luta politico-partidária. Logo, as regras são outras. Desaparecem os valores de cidadania, para darem lugar aos valores da política á portuguesa.
O caso Sócrates vai morrer assim, às mãos dos políticos, porque a partir daqui, pouco interessa que Sócrates tenha mentido ( quem não mente em politica, interrogam-se os mesmos?); pouco interessa que as explicações para alguns factos não tenham qualquer ponta por onde se lhe pegue ( quem é que no Parlamento ainda não se viu nas mesmas andanças?) e pouco interessa trazer para a política discutida, a valorização ética de procedimentos de carácter ( todos sabem que isso é secundaríssimo perante os interesses politico-partidários e a competência política absorve completamente essas manchas no carácter, seja de quem for).
O que é que nos resta a nós, cidadãos sem partido ou com ideias diferentes dessa lógica de luta pelo poder político?
Lutar também. Pelas ideias que são válidas. A transparência, a alternância democrática, a correcção de procedimentos, a honestidade e verticalidade nos princípios e outros valores éticos e cívicos.
Não falei sequer da legalidade. Podemos ter agora a certeza absoluta que isso é uma ideia feita para inglês ver e que a legalidade para os políticos portugueses é apenas uma arma de arremesso, quando convém.
O descrédito completo dos políticos e da política está patenteado nestas atitudes e as consequências, mais tarde ou mais cedo chegarão. Até para eles.

Publicado por josé 11:51:00 2 comentários Links para este post  



Afonso (um clássico)

Andava tão comprimido
Mal podia respirar
O ano estava perdido
E a raposa a espreitar.

O Pai escreveu-lhe da terra
"Então filho o teu estudo?"
Afonso não deu resposta
Pobre rapaz estava mudo!
bis

Refrão

Oh! Afonso, Oh! Afonso, Oh! Afonso, Oh! Afonso
Olhá sebenta,
Olha que o ano rebenta!
bis

Lá começou a estudar
Horas e horas sem fim
Até esqueceu namorar
Afonso, pobre de ti.

O tempo era sempre curto
E o livro tão comprido
Afonso andava louco

"Ai! Mais um ano perdido!"
bis

Refrão

E lá regressou a casa
Tão triste quase a chorar.
O Pai fez uma festa
Por o seu filho chegar.

"Meu filho já és Doutor!"
Diz o Pai todo possante
"Ó Pai eu não sou Doutor
Eu sou um grande estudante!"

Publicado por Carlos 1:05:00 2 comentários Links para este post  



leituras

  • Está tudo claro, não está? (Corta Fitas)


  • Um exemplo para todos os portugueses, para os estudantes em particular

    Está tudo esclarecido. O PM frequentou as aulas na Universidade Independente, pagou as propinas, estudou, fez exames. Nessa época remota o funcionamento dessa instituição era "absolutamente impecável" (sic). Embora se verificassem certas singularidades: notas dadas pelos professores em período de férias (Agosto), concessão de equivalências sem exibição pelo aluno dos títulos invocados, diplomas passados aos domingos, aulas ministradas pelo (magnífico, como todos eles) reitor (por falta de professores ou excesso de tempo livre do mesmo?)... Mas a culpa não era evidentemente dos alunos. E concretamente aquele aluno fez (e bem) o seu trabalho, aliás em regime pós-laboral, sacrificando assim o seu tempo livre e o merecido descanso das labutas político-governativas: foi a (algumas) aulas (embora não tenha sido avistado por todos os colegas), estudou, fez exames, ficou aprovado em todas as 5 cadeiras (ou bancos, ou "mochos", não sei) que frequentou, sendo de salientar que 4 delas foram regidas pelo mesmo professor, o que indicia tratar-se de um mestre fora-de-série, o que naturalmente acresceria o grau de exigência em relação aos alunos, o mesmo raciocínio sendo válido para a cadeira (banco, etc.) ministrada (magnificamente) pelo próprio reitor. Tudo isto fez o referido aluno com sacrifício e pertinácia, com o único objectivo de se valorizar. É um exemplo para todos os portugueses. É um orgulho para todos nós. E os estudantes que ponham os olhos neste exemplo e cultivem as virtudes que dele se retiram.
    E universidades assim é que se precisam. Universidades que não ponham problemas burocráticos aos alunos na inscrição e nas equivalências, que lhes arranjem planos especiais de licenciatura, que não fechem nas férias e aos domingos, que aproveitem ao máximo a sua massa cinzenta (vulgo corpo docente), evitando contratar massivamente docentes, com a consequente baixa de qualidade do ensino e aproveitando as próprias (e magníficas) capacidades dos reitores. A ordem de fecho da Universidade Independente é um acto gritante de injustiça e um dano irreparável no nosso mundo universitário.

    Eduardo Maia Costa (Sine Die)

Publicado por Manuel 0:17:00 1 comentários Links para este post  



uma dúvida

Com o Dr. Sampaio as coisas também teriam chegado até aqui ? just wondering.

Publicado por Manuel 22:59:00 0 comentários Links para este post  



e ainda não chegamos a sábado ;)



Afinal, havia outro. O.Ops.

Publicado por Manuel 22:47:00 1 comentários Links para este post  



"Apocalypse now" (helicopter attack Scene)

Publicado por Carlos 20:13:00 0 comentários Links para este post  



O sistema funciona?

O estranho caso da licenciatura de Sócrates parece-me cada vez mais similar ao estranho caso Watergate que levou à resignação de Nixon.
No caso Watergate, tudo começou porque os jornalistas do Washington Post desconfiaram de um dos indivíduos envolvidos, por ter trabalhado para a CIA. Tal facto, aparentemente anódino, foi revelado na audiência preliminar de julgamento e um jornalista ouviu e interessou-se pela singularidade do caso. Não fora esse pormenor, tudo ficaria restrito ao âmbito de um vulgar assalto de terceira categoria, como aliás foi classificado inicialmente pelos responsáveis da Administração americana, na tentativa de encobrimento inicial.
No caso de Sócrates, tudo começou porque um blogger ( António Caldeira, Do Portugal Profundo) se interessou pelo percurso académico daquele do já Primeiro Ministro de Portugal, logo nos primeiros meses de 2005; fez perguntas a entidades oficiais que não obtiveram resposta satisfatória, adensando desse modo, as dúvidas e perplexidades surgidas com a esquisita licenciatura na Universidade Independente.
A questão inicial, colocada nessa altura, permanece sem resposta: foi observada toda a legalidade na atribuição de equivalências, em 1995 e na obtenção da licenciatura, em 1996, em engenharia civil, pelo então já governante José Sócrates? O actual primeiro ministro, diz que sim e que tudo não passa de um conjunto de insinuações e calúnias, orquestradas por “forças obscuras”, vindas dos confins da internet.
No entanto, a partir dessa altura, e durante quase dois anos, ninguém dos media tradicionais, deu importância ao assunto que parecia de interesse acabado.
No início de Março de 2007, com a crise na Universidade Independente, o interesse no assunto foi naturalmente retomado e, primeiro um jornal diário, (o Público) e depois um semanário ( o Expresso) , abordaram o tema pela primeira vez.
O artigo do Público, mereceu um comentário do gabinete oficial do PM, em que este se mostrava indignado, difamado e caluniado, ameaçando veladamente agir judicialmente. Não obstante, ontem, na entrevista à RTP, José Sócrates acabou por admitir a legitimidade das dúvidas expostas.
No caso Watergate, Nixon nunca admitiu, até ao momento em que resignou, em Agosto de 1974, a sua responsabilidade directa nos acontecimentos de 17 e 18 de Junho de 1972.
O que o levou a admitir essa responsabilidade foi uma prova fatal, constituida por uma gravação efectuada pelo próprio Nixon, na qual recomendava a colaboradores directos, em 23 de Junho de 1972, para se encobrir o acontecimento e afastar a polícia ( FBI) da investigação.
Perante os primeiros indícios levantados pela imprensa, com destaque para o Washington Post e os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, foi constituída uma Comissão de Inquérito no Senado em Fevereiro de 1973. Durante quase um ano, os indícios de malfeitorias na Administração americana, contra o partido democrata, tinham-se acumulado na imprensa, mas sem consequência grave para Nixon que tinha ganho as eleições em Novembro de 1972. Aos poucos, ia despedindo colaboradores directos, apanhados em contradições e em ligações perigosas com os assaltantes do Watergate.
Desde Fevereiro de 1973, alguns desses colaboradores directos, sob juramento e perante a Comissão de Inquérito, disseram publicamente que Nixon sabia do caso, tentara encobrir e relacionavam factos e datas.
Mesmo assim, com todo a atenção mediática ao acontecimento, Nixon manteve-se na sua posição inalterável de proclamar inocência e desconhecimento directo do caso. Até 8 de Agosto de 1974, Nixon negou o que parecia evidência para o senso comum.
Aliás, não fora a iminência de uma acção de impeachment, aprovada pelo Congresso, perante os dados conhecidos, e Nixon teria ainda resistido às provas apresentadas, porque faltava a rainha delas: a confissão que acabou por surgir com a gravação fatal, a smoking gun indesmentível e que Nixon foi obrigado a mostrar, para prevenir danos ainda maiores.
Não obstante, a conduta de Nixon, revestindo contornos criminais graves, veio a ser perdoada pelo sucessor Gerald Ford, logo em Setembro de 1974.

O estudo do caso Watergate e dos media de então, com a força que estes assumiram para assegurar o privilégio de uma informação ao público, merece destaque, ainda hoje.

No caso da licenciatura de Sócrates, a entrevista de ontem na RTP é apenas mais um episódio, se continuarmos a fazer o paralelo com o caso americano. Com algumas particularidades interessantes que se revelam porque o que está em causa, nos dois casos, é a mesma coisa: a capacidade de investigação jornalística, em relação a um assunto que alguém do poder político procura ocultar.
Em Fevereiro de 1973, por causa da insistência mediática, as forças políticas americanas , obrigaram-se a investigar o caso numa Comissão de Inquérito no Senado.
Por cá, ontem, Marques Mendes sugeriu a instauração de um inquérito, por uma “entidade independente”, a pedido do próprio Primeiro Ministro. A sugestão, obviamente não vai surtir qualquer efeito e estamos assim perante a primeira diferença de vulto: em Portugal não há possibilidade de se constituir uma Comissão de Inquérito a casos como este, com um mínimo de credibilidade, como se pôde amplamente observar nos últimos anos, a propósito dos Inquéritos Parlamentares com conclusões ao sabor das maiorias.
Por outro lado, na vertente estritamente judicial, na América de Nixon e ainda hoje, o poder judicial actua nestes casos com outra dimensão, independência e interesse investigatório que por cá são ainda meras ilusões.
A figura do Procurador Independente, aventada por cá como uma alternativa ao poder do Ministério Público investigar exclusivamente, afigura-se agora como muito interessante, perante este caso singular de investigação ao Primeiro Ministro.
O Procurador Especial, americano, mostrou ser uma forma de investigar estes casos, de modo interessante e alternativo ao sistema que temos. O último caso conhecido e aplaudido pela opinião pública americana, foi o que investigou o caso Valerie Plame/Lewis Scooter Libby, no qual esse Procurador Especial, foi amplamente aplaudido pela opinião publicada, devido ao seu exercício com independência, competência e rigor.
Por cá e perante a recusa de um Procurador Geral em investigar factos que se afiguram no mínimo de legalidade duvidosa, a alternativa a uma investigação criminal com garantias de objectividade, rigor e isenção, deixa-nos num beco sem saída.
Sabendo que os serviços inspectivos dos ministérios não são independentes e não podem pautar-se pela isenção exigível, porque têm chefias dependentes daqueles que podem ser alvo das investigações, que fazer?!
Os tempos das Inspecções Gerais dos ministérios como entidades credíveis e de isenção assinalável, vão longe e alguém fez tudo para que isso acontecesse. A Inspecção Geral de Finanças, depois dos casos Moderna e Ministério da Saúde, mudou e a responsabilidade sabe-se de quem foi: do poder político que não quer ser incomodado por dentro.
O impasse apresenta-se assim como de evidência meridiana. Na ausência de um poder verdadeiramente independente, para investigar criminalmente os actos da Administração superior do Estado e dos próprio agentes políticos de topo, que confiança podem ter os cidadãos, nesta democracia? Muito pouca e residual, é a resposta simples.
Na América de Nixon, o poder judicial actuou de modo exemplar. O juiz Sirica, que julgou os implicados no assalto, sendo então criticado pela demasiada intervenção, procurou a descoberta da verdade, quando se apercebeu das mentiras. Foi ele quem obrigou a Administração a entregar as gravações comprometedoras.
Por cá, quantos juízes Siricas há na Relação, no Supremo e no Constitucional? Haverá algum?
O Presidente da Comissão de Inquérito no Senado, Sam Ervin, no caso Watergate, não se prestou ao frete político e basta ler as intervenções públicas do mesmo, para encontrar uma dignidade que no Parlamento português, pura e simplesmente é utópico esperar. Basta lembrar o que se passou nos recentes inquéritos parlamentares, de uma risível dignidade.
O primeiro procurador especial do caso, Archibald Cox, também fez o que era esperado fazer, no seu papel de inquiridor criminal. Em Portugal, o actual PGR já disse que nada havia a investigar neste caso…e hoje desdisse o que ontem foi dito.

Nesta breve síntese comparativa, quem ler, depressa chegará à conclusão que a democracia em Portugal, precisa de afinação urgente, sob pena de a entrevista de ontem, passar por uma espécie de tribuna de esclarecimento definitivo de um problema que toda a gente séria e minimamente independente de partidos, já percebeu que não é um caso mesquinho.
Em Portugal, actualmente, em vez de Comissões de Inquérito parlamentares respeitáveis e fiáveis; em vez de procuradores especiais, dignos e credíveis; em vez de tribunais independentes e competentes e em vez de uma opinião pública esclarecida e exigente, temos isto que está à vista: um Primeiro Ministro suspeito de graves irregularidades e de mentir às pessoas que o elegeram, em assuntos sérios e que põem em causa o carácter pessoal, tem grandes possibilidades de sair absolvido na opinião pública e sair em ombros nas próximas eleições. Além disso, o partido que o apoia, já disse que não aceita investigações independentes.
Assim, para compensar a ausência de instituições credíveis, temos um ou dois jornais, cuja motivação para o tratamento do assunto já foi questionada e temos... os blogs.
Chegará para termos um país democraticamente, um pouco mais decente?
Claro que não chega. Que país deprimente!
Corrigido.

Publicado por josé 18:33:00 2 comentários Links para este post  



tomem nota (II)




À luz dos recentes acontecimentos, a blogosfera emergiu como parte do processo político pela primeira vez de forma plena. De modo duplo: como local mal frequentado e como centro de vitalidade. Quem vê um sem o outro, engana-se. É como Deadwood, malfeitorias inomináveis, invejas, mesquinhices, ressentimentos, facadas nas esquinas dos comentários, gente vil na sombra do anonimato, mas, ao mesmo tempo, esta lei da selva, altamente competitiva introduz vitalidade, força, vis, numa sociedade amorfa, complacente e muito pouco dinâmica. O balanço do futuro dirá qual dos modos prevalece.

José Pacheco Pereira

Publicado por Manuel 18:26:00 0 comentários Links para este post  



Magistratus facit hominem

Dizer-se que “o ofício faz o homem” é aforismo banal. Mas desactualizado. Nos tempos que correm a regra parece ser outra: “o cargo faz-se para o Homem”. Ainda hoje o Governo nos deu mais um exuberante testemunho da vitalidade desta máxima.

O Coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal (UMRP) – equiparado a Subsecretário de Estado - tomou recentemente posse como Juíz do Tribunal Constitucional.

Até então, era necessária uma UMRP? Pelos vistos, sim.

E agora? Não: uma Resolução do Conselho de Ministros de hoje extinguiu a UMRP.

De acordo com a Resolução que a constituiu (RCM 138/2005), a duração da UMRP só terminaria em Agosto, sabendo-se que é frequente a prorrogação da duração das unidades de missão.

O “caderno de encargos” assumido pelo Coordenador no discurso de tomada de posse parecia longe de estar cumprido. Aliás, ainda há poucas semanas era possível ouvir o Coordenador da UMRP a realçar publicamente a importância de prosseguir os trabalhos da unidade de missão tendentes, por ex., à aprovação de um código de execução de penas ou à sistematização de legislação extravagante.

Sem que nada o fizesse prever, vem hoje o executivo extinguir a UMRP, alegando, em tom sisudo, “estar concluída a maior parte dos trabalhos que lhe foram atribuídos (...) não justificando o remanescente a manutenção de uma estrutura com estas características”.

Notável e conveniente coincidência! Sai o homem, o obreiro e de imediato se constata a desnecessidade do cargo...

Ao vulgo, resta reconhecer o costumado sentido de Estado em matérias da área da Justiça.

Publicado por Gomez 17:33:00 0 comentários Links para este post  



duas citações

"Um dos aspectos mais deploráveis do actual debate político é verificar que o Governo, perante uma situação económica e social tão grave como a que vivemos, não encontre outra mensagem para dirigir aos portugueses que não seja a de que a culpa é dos outros."

in Diário Económico - 25-02-2003


O caso da relação do Ministro Paulo Portas com a Universidade Moderna é um caso político sério. E se alguma coisa se pode concluir deste mês, é que o problema se agravou. Antes tínhamos um problema: a falta de esclarecimento dos factos. Agora temos outro: o Ministro perdeu a cabeça.

in Diário do Fundão - 01-09-2002

Publicado por Manuel 17:22:00 0 comentários Links para este post  



vale tudo

Coloquei esta tarde, no YouTube, extractos de uma gravação da interprelação feita em Outubro de 2004 pelo então líder do PS - José Sócrates - ao então PM - o Dr. Lopes. O video original - retirado do canal parlamento - podia, e pode - por enquanto - ser encontrado no site do Grupo Parlamentar do PS (aqui). 'Desapareceu' do YouTube - evaporou-se... (update - o video está de novo disponível. 'eles' vão ter de se esforçar mais...)

Publicado por Manuel 16:47:00 1 comentários Links para este post  



leituras

Publicado por Manuel 16:40:00 1 comentários Links para este post  



Laura Dern


Se ainda fosse preciso encontrar motivos para ir ver um filme de David Lynch, aqui está mais um.


Publicado por André 16:10:00 1 comentários Links para este post  



o debate que falta

O programa, da RTP1, Prós & Contras, animado por Fátima Campos Ferreira, tem sido pródigo na oportunidade de certos temas: os casos recentes sobre a crise na Justiça, o caso Esmeralda, Ota, etc etc.

O que falta para fazer um programa sobre as licenciaturas nas universidades privadas, assim tipo Independente? Material, há com fartura. Pessoas para intervir, não faltam. Sugerem-se já algumas:

  • Pelos jornalistas
    • Ricardo Dias Felner, do Público
    • o jornalista João Garcia, do Expresso
    • o jornalista Sarsfield Cabral, da RR;
  • Pelos blogs
  • Pelos professores
    • Luís Arouca da UnI
    • Amadeu Lima de Carvalho, pela Uni, (solicitando-se aos serviços judiciários uma saída precária),
    • o antigo dirigente da Moderna, Braga Gonçalves;
    • um professor do Técnico.
    • António José Morais, inevitavelmente.
  • Pelo Governo,
    • Mariano Gago.
  • Pela sociedade civil
    • Armando Vara.

Seria um programa de arromba.

Publicado por Manuel 15:10:00 3 comentários Links para este post  



Tesourinho deprimente




Peço-lhe Sr. Primeiro ministro que resista à tentação do controle da comunicação social, não vá por aí porque nós cá estaremos para evitar essas tentações

Publicado por Carlos 13:50:00 4 comentários Links para este post  



Anedotas obscenas

"Conheci o António Morais numa reunião do PS no hotel Altis. Ele apresentou-se e disse-me o que fazia e que era de Carrazeda de Ansiães, a minha terra. Passado algum tempo, lembrei-me dele para uma função onde precisava de alguém." Entrevista de Armando Vara à revista Sábado, de hoje.

E pronto. Já está explicado.

O tal António Morais, que evidentemente é um pivot no meio disto tudo que afecta José Sócrates enquanto candidato à licenciatura em engenharia civil, precisa de ser mostrado ao povo, como exemplo da classe político-professoral que temos. Precisa de ser...explicado.

José Sócrates, na entrevista à RTP, disse que apenas conheceu este António Morais, enquanto aluno da licenciatura. Nem sequer deu por ele, enquanto director de um Instituto público e que empossou. Portanto, só o conheceu no ano lectivo 1995/96, até porque foi o seu único professor - de quem aliás, há umas semanas atrás, nem sequer se lembrava- em quatro das cinco cadeiras que alegadamente lhe faltavam para concluir a almejada licenciatura.
José Sócrates disse ontem na tv que foi a algumas aulas na UnI( nem todas, a falta de tempo, claro, os afazeres etc etc) e foi com esse único professor que aprendeu o que lhe faltava aprender para ser engenheiro, do pleno direito que confere o grau de licenciatura. Mas, ainda assim, não se lembrava do tal professor...
Acontece porém que o mesmo António Morais, segundo informação recente do blog Do Portugal Profundo, foi professor de José Sócrates, um ano antes, no ISEL.
Se esta informação se confirmar, a falsidade e mentida das declarações de José Sócrates, ontem na RTP, é tão evidente como o é a vontade de encobrir estas coisas, nos media tradicionais.
Na TVI, um jornalista engravatado até ao pescoço, António José Teixeira, achou no jornal da tarde que as explicações de José Sócrates foram totalmente convincentes.
Um jornalista assim, há poucos.

PS. Sobre Armando Vara, poderemos também verificar em registos oficiais dos anos noventa que o bravo goverante, já era dr. antes de o ser. Isto é um pagode...e o ridículo, a esta gente, não mata: engorda!

Publicado por josé 13:26:00 4 comentários Links para este post  



sobre o POC - Processo de Óbito em Curso

4 sobre 1
(fonte: Público) [via McGuffin]


Vasco Pulido Valente
"O sr. primeiro-ministro negou ontem na televisão, indignadamente, que fosse "um especialista em relações públicas". Temos de o acreditar. Mas não há dúvida que ontem na televisão o sr. primeiro-ministro até pareceu "um especialista em relações públicas". Para começar, arrumou com brandura o caso da sua carreira académica, que afinal não é um caso. A Universidade Independente mandou e ele cumpriu. Quanto à burocracia, não sabe, nem se interessa. Quanto ao dr. António José Morais, que lhe "deu" quatro cadeiras, não o conhecia antes. Quanto ao resto, toda a sua vida de estudante só revela "nobreza de carácter", vontade de "melhorar" e de se "enriquecer" (intelectualmente). Um exemplo que ele, aliás, recomenda aos portugueses. Ponto final. A minha ignorância não me permite contestar explicações tão, por assim dizer, "transparentes". Claro que nunca ouvi falar de um professor que "desse" quatro cadeiras no mesmo ano ao mesmo aluno, nem num reitor que ensinasse "inglês técnico", nem num conselho científico que fabricasse um "plano de estudos" para "acabar" uma licenciatura. Falha minha, com certeza. Se calhar, agora estas coisas são normais. O sr. primeiro-ministro também declarou que ele e o seu gabinete não telefonam a jornalistas com a intenção malévola de os "pressionar". Pelo contrário, só os querem esclarecer. Ficamos cientes. Fora isto, Sócrates demonstrou facilmente que o governo é óptimo e que ele é determinado, decidido, inabalável, responsável e bom. Portugal inteiro está, como lhe compete, agradecido."

António Barreto
"Simplesmente patético! Um primeiro-ministro a defender-se com um arguido! Um primeiro-ministro a considerar insinuações as mais legítimas dúvidas da imprensa e da opinião pública! Um primeiro-ministro que acha normal que um deputado, ministro depois, se matricule em curso superior e obtenha diploma académico de recurso (feito em três universidades diferentes), ainda por cima em estabelecimento não reconhecido pela respectiva Ordem profissional! Um primeiro-ministro que não percebe que um deputado e um membro do governo não têm os mesmos direitos, ou antes, as mesmas faculdades que os outros cidadãos e não podem nem devem apresentar-se como candidatos a cursos pós-laborais que lhe confiram estatuto académico a que aspiram! Um primeiro-ministro que considera normal e desculpável que os seus documentos oficiais curriculares sejam corrigidos e alterados ao gosto das revelações públicas! Era tão melhor julgar os políticos por razões políticas e não por motivos pessoais ou de carácter! São, infeliz e necessariamente, sinais dos tempos. Dinheiro, sexo, cultura, vida familiar, gosto e carácter transformaram-se em critérios de avaliação. O facto, gostemos ou não, faz parte das regras do jogo. Com a política totalmente centrada na personalidade do líder, é natural que a totalidade da personalidade seja motivo de interesse e escrutínio. A ponto de, infelizmente, superar os fundamentos e os resultados da acção política. Sócrates está a pagar os custos desta nova tendência. E a verdade é que ele não soube, não quis ou não pôde matar o abcesso à nascença. O facto de o não ter feito avolumou o episódio. Ter dado à imprensa e à opinião pública espaço e tempo para deslindar o confuso mistério dos seus diplomas foi um erro fatal. Ter tentado exercer pressões sobre a imprensa e os jornalistas foi igualmente uma imperícia infantil. Ter a necessidade de mostrar diplomas na televisão revela uma situação em que a palavra já vale pouco e a confiança se esvai. Ter tentado justificar o facto de se matricular, como "humilde deputado", e de se graduar, como ministro, é inútil. Mas revela uma crença perigosa: a de que acha natural e legítimo que um deputado e um membro do governo possam fazer tudo isso! É possível que este homem seja Primeiro-ministro mais dois anos ou até que consiga ser reeleito. Mas uma coisa é certa: a confiança está ferida. Ora, enquanto a utilidade pública vai e vem, a confiança, quando quebra, não tem cura. As feridas de carácter não cicatrizam."

Miguel Gaspar
"O único momento verdadeiramente surpreendente da entrevista do primeiro-ministro à RTP foi quando explicou que escreve o pronome seu no fim das cartas, para ser como o inglês yours. Isso e a ideia de que, afinal, o substantivo engeheiro não designa uma competência mas sim um rótulo social definiram uma entrevista que valeu pelo que não se viu. Desde logo não se viu o balanço dos dois anos do Governo, que era a justificação da entrevista. Ora, gastou-se mais tempo com a Independente. A entrevista ou era uma coisa ou era outra. As duas, não podia ser. O dois-em-um não podia dar certo. José Alberto Carvalho conseguiu o tom certo numa conversa que o entrevistado queria de bom tom. Esforçou-se e tinha sem pre uma pergunta engatilhada. Nomeadamente no dossiê Independente. Maria Flor Pedroso, que é da rádio, estava a jogar fora e deixou-se ficar num papel mais apagado. Ganhou a noite, o primeiro-ministro? Pareceu-me que sim. E como, nestas coisas de televisão, o que importa é parecer, se pareceu, deve ter sido. A entrevista foi um bom sintoma daquilo a que está reduzida a política portuguesa: um aeroporto que ainda não existe e uma coisa que não se sabe se alguma vez foi uma universidade. Onde estão a ideologia, a Europa, as questões sociais? Nada. Sócrates gosta de passar a imagem do homem de acção que fala pouco. O problema é não ter obra para mostrar. Pouco mais pode fazer do que imitar o treinador do Benfica: prometer a Lua, iludir as derrotas e prometer a taça no ano que vem. Mas os eleitores sabem que é a fingir."

Pedro Mexia
"O debate começou bem e foi ficando progressivamente mais complicado, a partir mais ou menos dos 20 minutos. Porque um debate que normalmente seria sobre o estado da Nação a meio de um mandato do Governo, acabou por ser sobre o currículo académico do primeiro-ministro. José Sócrates começou bem, tentando mostrar algum sentido de Estado ao querer separar o seu caso do da Independente. Foi habilidoso. O seu caso exigia, porém, prova documental, e talvez uma entrevista numa televisão não fosse a melhor maneira de a produzir. Conseguiu desmontar bem o alegado caso de assassínio de carácter, mas acabou por se atrapalhar nos pormenores. Ficou muito emperrado na questão emenda dos documentos da Assembleia da República, bem como nas notas lançadas pela Independente a um domingo. As questões de facto foram remetidas para casos de secretaria. José Sócrates quis ainda reconhecer que existem diferenças entre dar explicações aos jornalistas e fazer pressões e foi cínico sobre a OPA. Ninguém acredita que o Governo não tivesse desse indicações à Caixa Geral de Depósitos. Foi de uma candura que soou a cinismo. Foi interessante nesta entrevista a palavra blogosfera ter entrado nesta entrevista na discussão política.

Publicado por Manuel 12:05:00 3 comentários Links para este post  



españa

Parece que o Juiz Baltazar Garzõn deu mais uma entrevista. Diz que há grandes probabilidades de a Al Qaeda voltar a atacar em Espanha. À atenção da malta do BE, mas não só.

Publicado por Manuel 11:09:00 0 comentários Links para este post  



dark, and getting darker

Para os 'crentes' ontem era o dia de Sócrates, o dia em que iria dissipar toda e qualquer dúvida, por K.O.. Não foi, e as dúvidas não só permanecem, como em alguns casos se avolumaram. Pior, está a ser o dia de hoje, com a fuga para a frente da boyada do PS. O tom e o teor, absolutamente rafeiro, das declarações de Raul Junqueiro, dirigente destacado do PS - a passarem de 30 em 30m na TSF - sobre Marques Mendes (que ontem fez o que se lhe exigia, simplesmente) não auguram nada de bom, mesmo nada. Não aprenderam mesmo nada com a espiral que consumiu o último governo do Dr. Lopes... Pior, estão a provar que quando chega a hora da verdade, em matéria de decoro e sentido de Estado, não são diferentes, são iguais... ou piores.

Publicado por Manuel 10:33:00 0 comentários Links para este post  



tomem nota

há uns anos ocorreu um célebre debate nos EUA. Foi entre Nixon e Kennedy. Para quem o ouviu apenas na rádio - Nixon teria ganho sem apelo. Mas aqueles que o viram na TV - que estava a dar os primeiros passos - acharam que a vitória afinal era de Kennedy. Kennedy ganhou (Nixon só chegou ao poleiro uns anos depois). Hoje passou-se em Portugal algo de semelhante. Quem não lê jornais, não vai à net, e só hoje tomou conhecimento do caso que 'afecta' aquele que ainda é Primeiro-Ministro, admito que tenha ficado convencido, com o monólogo travestido de entrevista. Só que o mundo mundou. Portugal não é Coreia do Norte, (já) não há canais únicos, muito menos verdades à la carte. Tal como, com Kennedy, a TV matou a rádio, hoje a Internet emancipou-se. Tomem nota.

Publicado por Manuel 23:15:00 3 comentários Links para este post  



esclarecedor

O Primeiro-Ministro acabou agora de dizer, à saída da RTP, que achou que a sua entrevista foi esclarecedora. Concordo. Foi de facto imensamente esclarecedora. Enfim.

Publicado por Manuel 22:40:00 1 comentários Links para este post  



diálogo socrático

As perguntas colocadas a José Sócrates, por dois jornalistas da RTP1, serviram apenas um único propósito: a defesa do Primeiro Ministro. Disse o que quis, sem contradita, sem contestação e sem qualquer brilho argumentativo que ajudasse a esclarecer a verdade já conhecida.
Se não foi um frete, andou lá perto.
Por isso, a verdade fica para depois. Mas virá, estou certo, porque ninguém pode aguentar o que já se sabe sem esclarecimento cabal. E este não se fez, frustrando as espectativas de quem esperava mais clareza, mais honestidade e mais razoabilidade.
As perguntas continuam e vão surgir mais. As respostas hão-de chegar também. É assim que funciona a democracia e se assim não for, prova-se que vivemos em democracia diminuída.

Publicado por josé 22:17:00 1 comentários Links para este post  



um remake

Está a passar na RTP um remake de muito má qualidade do filme que afirmou a Nicole Kidman no mundo do cinema. O filme original era de Gus Van Sant e por cá chamou-se 'Disposta a tudo'. Duro ? Pois é.

Publicado por Manuel 21:31:00 1 comentários Links para este post  



I´m not a crook

Em 17 de Novembro de 1973, durante uma hora, numa conferência de imprensa que reuniu cerca de 400 jornalistas, Nixon apresentou-se tenso, nervoso, tendo por vezes baralhado as palavras. Contudo, manteve a sua inocência no caso Watergate e prometeu apresentar mais elementos resultantes das gravações.
Garantiu então que as gravações provariam que nunca tivera conhecimento prévio do que se passara no assalto de 18 de Junho de 1972 e só tomara conhecimento de algo em 21 de Março de 73…

O vídeo dessa conferência, pode ver-se, aqui.

Publicado por josé 21:09:00 1 comentários Links para este post  



opções inadiáveis

Suponho que a esta hora o senhor Primeiro-Ministro já terá cancelado a sua entrevista à RTP, substituindo-a por uma comunicação ao País, isto depois de ter falado com o Prof. Cavaco.
Ou talvez não.

Publicado por Manuel 18:35:00 5 comentários Links para este post  



game over!

O Parlamento disponibilizou aos jornalistas duas versões da ficha biográfica de José Sócrates, com a mesma data. São ambas preenchidas e assinadas pelo punho do primeiro-ministro. Pela sobreposição das duas cópias percebe-se que são versões da mesma ficha, com diferenças nos items «profissão» e «habilitações literárias».

Veja aqui reproduções dos documentos

No dia 13 de Fevereiro de 1992, o então deputado José Sócrates entregou no Parlamento um registo biográfico em que coloca «engenheiro» como profissão. No espaço destinado a habilitações preenche «engenharia civil». Estes são dados que constam da ficha biográfica que o agora primeiro-ministro entregou na AR quatro anos antes de ter concluído a licenciatura.

Mas com data do mesmo dia, a AR disponiblizou aos jornalistas uma cópia em que a profissão passou a «engenheiro técnico» e no espaço destinado às habilitações passou a haver «bach.» antes de engenharia civil. As duas fichas são em tudo semelhantes, quer no tipo de letra, quer nas informações prestadas. Sobrepondo os dois documentos à transparência, as letras coincidem perfeitamente. Conclui-se, pois, que uma é uma cópia do original e que a segunda é o mesmo documento, corrigido.

Questionado pelo SOL sobre por que razão o Parlamento tem dois registos biográficos do mesmo deputado, com a mesma data, o gabinete da secretária-geral responde que não tem «a 15 anos de distância, explicação para este facto, não pretendendo sobre este assunto desenvolver quaisquer especulações».

As únicas diferenças entre os papéis são os referidos acrescentos de «técnico» e «bach.». A letra com que o documento é preenchido é idêntica à da assinatura de Sócrates, provando que foi escrito pelo próprio. Há ainda uma outra diferença: numa das fichas (a primeira) está escrito, em cima, secretário de Estado adjunto do ministro do Ambiente, cargo que Sócrates só ocuparia em 1995.

Em nenhuma versão da ficha Sócrates diz ser licenciado. Recorde-se que no livro com os registos biográficos dos deputados da VI legislatura (1991-1995), feito pelos serviços da AR, Sócrates aparece como sendo licenciado em engenharia.

Ontem, o gabinete do primeiro-ministro respondeu que este era alheio a esse facto, e que tal só se poderia explicar por um lapso dos serviços da Assembleia.

Sol.pt

Publicado por Manuel 18:14:00 4 comentários Links para este post  



Demita-se!

Um problema muito grave que só o Laboratório de Polícia Científica da PJ, poderá dilucidar com toda a propriedade.

Entretanto...demita-se, senhor Primeiro- Ministro! Já!

Publicado por josé 17:46:00 1 comentários Links para este post  



sobre o tempo que passa

Por estas horas assalta-me uma terrível perplexidade - Como é que o actual Procurador Geral da República pode esperar pela reality-entrevista de José Sócrates - mais logo - para chegar à conclusão - inevitável - de que - pelo menos - o teor do comunicado exarado ontem ao fim da tarde pela nova administração (?) da Universidade Independente é motivo mais que suficiente para que seja aberta uma investigação judicial! Recordo que lá se diz que o motivo para (o Governo) encerrar a Independente é a tentiva (do Governo) de enterrar o passado. «calar a verdade e enterrar o passado para que nada se descubra» (sic). Entretanto o tempo passa, e cada vez mais gente já fala em legislativas antecipadas. É o pântano é o que é.


A 22 de Março, quando tudo já era mais que evidente apontou-se aqui uma saída. Pense o primeiro-ministro o que pensar deste e doutros blogues, foi uma posta muito franca e leal. Sozinho ou muito mal aconselhado Sócrates não o quis assim, e o tempo não volta para trás. Não vale pois agora (re)contar a história como se gostava que ela tivesse acontecido e, bem ou mal, não aconteceu. Como não vale a muitos - no PS e fora dele - agora - oportunistas - quando a fruta está mais do que madura apontar o óbvio. Tudo tem um tempo, e o tempo certo já passou.

Dito isto, vai chegar para todos, até para o Dr. Mendes.

Publicado por Manuel 17:28:00 0 comentários Links para este post  



Gaguejos

Belos licenciados deve ter dado ao nosso mundo a defunta Universidade Independente, ou será que a constatada "degradação pedagógica" foi doença súbita?
Em 13 anos de actividade que saber produziu? Que marcas deixa na nossa cultura, na nossa ciência, na nossa tecnologia (vá lá!)? Já agora, que credenciais científicas terá exibido para lhe ser dado o alvará por essa senhora tão rigorosa que se chama(va) Manuela Ferreira Leite? E o actual PR, então PM, aliás um universitário, assinou de cruz? Mas o mais triste da conferência de imprensa do Ministro da Ciência (sim, da Ciência) e do Ensino Superior foi a defesa acirrada que fez da genuinidade do diploma do Chefe. Esperava-se mais distanciamento e dignidade de um Ministro da Ciência (sim, da Ciência). Pôr-se a explicar os obscuros critérios da secretaria da Universidade que acabava de mandar encerrar, tentando fazer crer que é na coluna referente ao ano de 1995 que devemos procurar os licenciados de 1996 (!!!) ultrapassa o mais elementar bom senso. Quem fala assim é mesmo gago.

Eduardo Maia Costa (in Sine Die)

Publicado por Manuel 13:46:00 1 comentários Links para este post  



A liberdade está a passar por aqui?

Ontem, no debate na SIC-Notícias que juntou os directores de alguns media de referência ( SIC, Expresso, Público e RR), todos concordaram num ponto: há sérias dúvidas e suspeitas acerca da regularidade e correcção na obtenção do diploma de licenciatura em engenharia civil, na Universidade Independente, em 1996, ( embora o reitor tivesse dito que era em 1997, num lapso, talvez), pelo cidadão José Sócrates. Todos concordaram que tal assunto é matéria com relevante interesse informativo.

Na altura em que a licenciatura terá ocorrido, no Verão de 1996, José Sócrates era membro do Executivo de António Guterres. Antes, fora deputado.
Nessa qualidade, sabe-se agora, José Sócrates figurava nos registos da Assembleia da República como “licenciado em engenharia” , antes de o ser e ainda como tendo a profissão de “engenheiro”, que nunca teve nem podia ter.
Para além disso, José Sócrates figura no Diário da República de 30 de Outubro de 1995, como “engenheiro” nomeado então, Secretário de Estado.

A justificação para tal facto, foi apresentada pelo “gabinete do primeiro-ministro”, numa inadmissível e cada vez mais frequente e desvalorizada confusão de funções, como um “lapso” alheio ao próprio “primeiro-ministro”, continuando-se na confusão semântica a que ninguém parece ligar.
A designação adequada de quem é quem, a figurar no Diário da República, não é um simples purismo de linguagem.
O Diário da República, mesmo nestes tempos de praxe Simplex , é e deve ser um instrumento de rigor de linguagem pois é a respectiva publicação em DR que marca a eficácia jurídica dos actos publicados. Até as rectificações estão previstas na própria lei relativa à identificação, publicação e formulário dos diplomas- ( em 1996, era a Lei 6/93 de 29 de Julho e o D.L. 113/88 de 8 de Abril que regia esta matéria, alterada em 1998 pela Lei 74/98 de 11.11 e agora pela Lei 26/06 de 30.6) .
O artº 6 dessa Lei, refere-se às “rectificações de erros materiais, provenientes de divergências entre o texto original e o texto impresso de qualquer diploma”, para afirmar a sua publicação no mesmo local.

Há obviamente um erro material no Diário da República de 30 de Outubro de 1995 que não foi corrigido. Porém, como escreve hoje o Público, esse mesmo diploma foi corrigido dias depois, relativamente a uma “inexactidão” avulsa e relativa outro nomeado: “onde se lê o Dr. A…deve ler-se o Prof. Doutor A.”
O caso do Secretário de Estado então nomeado, José Sócrates, figurar como “engenheiro”, não é sequer uma inexactidão: é uma fraude, porque é uma falsificação da qualificação profissional do visado. Sócrates não era engenheiro de coisa nenhuma, nessa altura, e nem o facto de poder ser engenheiro técnico, pode minorar esse aspecto fulcral, atento o diploma em que tal ficou plasmado. A diferença é de vulto e nem sequer relevava de inexactidão ou erro material de escrita.
A questão que permanece em aberto é por isso simples de entender e nada releva dos purismos de linguagem que Vital Moreira aparentemente execra: José Sócrates participou nessa fraude?
Só uma investigação que não é necessariamente jornalística o poderá dizer. Se em algum documento assinado pelo mesmo José Sócrates se contiver a menção ao facto que é falso, não é admissível que o actual Primeiro Ministro venha dizer que foi um mero “lapso”.
Aparentemente, os serviços adminsitrativos da Assembleia da República já vieram desmentir a versão dos assessores do primeiro ministro e sacudir a água do capote que os enlameou, sacudida pela pressão daqueles.
Resta saber um simples facto: José Sócrates assinou, nessa altura, algum documento em que fizesse mencionar o facto de ser engenheiro, sem o ser?
O trabalho de investigação compete aos jornalistas e cidadãos interessados. São estes, neste momento em Portugal, a única entidade disposta a investigar estes factos.
E mais ninguém, pelos vistos...A Assembleia da República assobia para o lado. O PGR idem, aspas. O PR está mudo.
Veremos, logo à noite, como é que as coisas se apresentam.

Publicado por josé 10:58:00 6 comentários Links para este post  



intervalo

A propósito da decisão ontem tornada pública do Supremo Tribunal Administrativo em condenar um jornal por este ter publicado uma notícia verdadeira (!), e admitindo que de um ponto de vista estritamente formal a mesma é defensável, à luz da lei vigente, estranho que de tanta luminária que aparece dia sim, dia sim, a perorar sobre o CPP, ainda não tenha aparecido nenhuma
a manifestar o desejo de simplificar o nosso sistema legislativo de modo a que este deixe de permitir decisões tão - diga-se assim - abrangentes. Em particular - regista-se o silêncio do recém-nomeado Juiz do Tribunal Constitucional - Rui Pereira. Q.E.D.

Publicado por Manuel 9:53:00 0 comentários Links para este post  



ler os outros

O melhor jornalismo - com uma falha

As revelações sobre a licenciatura de Sócrates pela Universidade Independente (autêntico serviço público, por muito que haja quem diga o contrário) são do melhor que produziu nos últimos tempos o jornalismo português, que muito carente anda deste tipo de trabalho perseverante e em profundidade - apesar de tanto o Público como o Expresso, nos seus textos iniciais, parecerem estar a pedir desculpa pelo que publicaram. Pena é que no melhor pano caia a nódoa: ambos os jornais omitiram a sua principal fonte, o blogue Do Portugal Profundo, onde há mais de dois anos vive a mãe de todas as investigações sobre o bizarro diploma do primeiro-ministro. Uma prova de que a blogosfera também produz matéria noticiosa e um desmentido em relação àqueles que dizem não se tratar de um medium.

Publicado em 7 Abril 2007 na secção Notas
por Joaquim Vieira.

Publicado por Manuel 7:50:00 0 comentários Links para este post  



mais um prego, mais um


Caso da licenciatura na Independente
Como Sócrates se prepara para a entrevista na RTP
Por Helena Pereira
José Sócrates vai levar um dossiê com os certificados dos cursos tirados em Lisboa e em Coimbra e recibos do pagamento de propinas

O primeiro-ministro, José Sócrates, tem uma pasta com documentos para exibir na entrevista à RTP esta quarta-feira, de maneira a tentar pôr um ponto final na polémica à volta da sua licenciatura na Universidade Independente.

Há três semanas que dura a polémica sobre o caso da licenciatura de Sócrates, na sequência de um trabalho do Público sobre falhas na conclusão da licenciatura. Sócrates nunca reagiu, de viva voz, ao assunto.

Mas durante este tempo, foi à procura dos documentos que tinha em seu poder sobre o processo de equivalência do curso de bacharelato tirado em Coimbra e a licenciatura completada em 1996, na Universidade Independente.

Para os estúdios da RTP, o primeiro-ministro vai levar um dossiê com os certificados dos cursos tirados em Lisboa e em Coimbra, recibos do pagamento de propinas e correspondência trocada com o ex-reitor da Universidade Independente. O objectivo é estar preparado documentalmente sobre as questões que possam ser colocadas.

A entrevista, que vai ser conduzida por José Alberto Carvalho (RTP) e Maria Flor Pedroso (Antena 1), terá cerca de uma hora e José Sócrates não quer, no entanto, que o tempo seja todo utilizado a falar sobre a licenciatura na Independente.

Ao longo da semana, o primeiro-ministro manteve a agenda normal de trabalhos e quarta-feira, horas antes da entrevista na RTP, receberá a primeira-ministra da Nova Zelândia.

O próprio guião de dúvidas ainda sem resposta que o Público publica esta terça-feira serviu para Sócrates treinar. O primeiro-ministro entende que as respostas a muitas dessas questões já foram dadas aos órgãos de comunicação social que têm feito investigações à forma como concluiu a licenciatura. E, portanto, está preparado para reagir.

Apesar dessa preparação, a notícia desta terça-feira do Rádio Clube Português que chamava a atenção para o facto de em 1993 na biografia de Sócrates enquanto deputado constar a licenciatura em Engenharia Civil (que só seria completada em 1996) surpreendeu o gabinete do primeiro-ministro. O gabinete deu a explicação que a informação prestada na altura foi a correcta, a de bacharelato, e que Sócrates é «alheio» ao erro.


Há umas semanas o Major Loureiro, ao Expresso disse que queria ser julgado na televisão. Muitos se riram, mas vê-se agora - não está só. Qual Parlamento, qual imprensa, qual carapuça - o Primeiro-Ministro de Portugal prepara-se - ao que parece - para fazer o mesmo, a propósito do hipotético "canudo dourado". Sinais dos tempos. Mais um prego, mais um.

Publicado por Manuel 23:36:00 5 comentários Links para este post  



Os directores de redacção

No debate na SIC-Notícias que decorre, vários jornalistas-directores de jornais. José Manuel Fernandes, do Público; João Marcelino, do Diário de Notícias; Sarsfield Cabral, da Renascença; João Garcia, do Expresso. Moderador, Ricardo Costa.

De todos, é João Garcia quem coloca a questão correcta: há dúvidas sobre o modo e correcção de obtenção da licenciatura, por José Sócrates e é preciso saber se José Sócrates foi privilegiado na obtenção da licenciatura na Universidade Independente.

João Marcelino, parece não entender. Acha que amanhã, José Sócrates vai esclarecer tudo e fica tudo esclarecido. Curioso..

Sarsfield Cabral queixa-se do comportamento do gabinete do PM, revelando que foi alvo de pressão para não noticiar.

José Manuel Fernandes, tem perguntas para colocar a José Sócrates que relevam das dúvidas que permanecem. Uma delas é a propósito dos professores das cadeiras para conclusão da licenciatura. E cita o aspecto curioso de Sócrates ter afinal dois professores apenas e um deles o próprio reitor, sendo o outro ( António José Morais) um elemento destacado do PS. José Sócrates disse ao Público que não se recordava de quem tinha sido seu professor...
José Manuel Fernandes acha que este comportamente suscita dúvidas e que "o jogo não foi aberto" e as questões adiadas, suscitavam respostas que não pareciam sinceras que determinaram a publicação da reportagem.
Também para José Manuel Fernandes a questão crucial é a do eventual favor a José Sócrates, já então governante e cita o fax emitido no ministério solicitando ao reitor da Universidade, algo que se afigura como um "jeito".

José Manuel Fernandes revela que teve uma proposta de publicação de um artigo sobre esta matéria, "há quase dois anos". Interessante revelação sobre os "timings"...e lá citou a existência de um blog como fonte. Não chegou a dizer o nome do blog que todos eles sabem perfeitamente que é o Do Portugal Profundo, de António Balbino Caldeira, nem algum dos outros achou por bem citar. Ética exemplar...

João Marcelino interpelado por Ricardo Costa sobre " as dúvidas", citando factos algo atabalhoados, diz que sim que também concorda com as "dúvidas", mas nada mais se ouve do actual director do DN, para além da dúvida principal sobre o eventual favorecimento. João Marcelino acha que até agora, nada apareceu para dar consistência a essas dúvidas.
Está à espera do trabalho dos outros, pelos vistos...
Na opinião de Sarfsfield Cabral e de Ricardo Costa, a questão é a do favorecimento e as "trapalhadas" com as notas e os curricula, são secundárias. Pouco lhes interessam...
Os detalhes poucos lhes dizem, querendo saber se houve favorecimento.

Mas para saber se houve favorecimento, talvez seja necessário atender aos detalhes e ás trapalhadas...ou não?
Quem ouve os directores dos jornais presentes fica com a impressão que o jornalista do Expresso é o único que coloca os pontos nos ii.
As prestações de João Marcelino, Ricardo Costa e principalmente Sarsfield Cabral, são francamente deploráveis, enquanto jornalistas.
Com eles à frente do Washington Post, nunca teria havido Watergate. Enfim...é o que temos.

Ricardo Costa acaba por dizer que receberam telefonemas do gabinete do PM e que "tal é perfeitamente normal", dizendo ainda que tinham preparado uma "peça" sobre o assunto das habilitações e em função desses telefonemas, suspenderam a publicação. Depois de dizer isto, acrescentou que não sabia se isso foi por causa dos telefonemas governamentais...
Um retrato perfeito deste inoxidável da informação.

Publicado por josé 22:58:00 2 comentários Links para este post  



Pinto Monteiro - o caminho também é só um...

O PRAZER DE LER
Na TVI, Miguel Sousa Tavares largou uma interessante ponderação. O procurador-geral da República, quando a D. Carolina escreveu aquele livro sobre a flatulência do sr. Pinto da Costa, disse publicamente que o mandou ler e até nomeou uma equipa para tirar as devidas ilações das memórias azuis da senhora. Agora, o mesmo PGR acha que o tema UnI/diplomas é irrelevante para os mesmos efeitos. O "pacto" sobre a justiça frutifica.

João Gonçalves

Publicado por Manuel 20:39:00 1 comentários Links para este post  



Cada cavadela...

Desta vez vou citar o Abrupto, de José Pacheco Pereira para dizer bem. Muito bem, aliás.

Fica uma imagem que vale mil palavras e que retirei de lá...o texto do livro copiado é de 1994. E as informações, dessa vez, não foram com certeza fornecidas pelos serviços da Assembleia da República. Ou seja, a sacudidela de pressão, desta vez, não vai ser fácil...


Publicado por josé 20:28:00 1 comentários Links para este post  



os génios, a tempestades e o copo de água

'Levado' pelo Paulo Gorjão acabei a ler este texto do João Villalobos, no Corta-Fitas, e é difícil não deixar de sorrir. Não pela possibilidade de termos um destes dias no YouTube o video do autor a fustigar-se em pleno Terreiro do Paço mas pela ingenuidade lá manifestadas. Sejamos claros - no imenso copo de água que é o meio político - leia-se agentes políticos, agências de comunicação, jornalistas, imprensa em geral, intriguistas profissionais e afins - a tempestade de facto provavelmente jamais teria ocorrido. Por uma razão muito simples - os checks and balances do sistema, o toma lá/dá cá, - o 'equilibrio no terror' - como em muitos outros casos tê-la-iam feito amainar. Contudo, neste enorme copo de água que é Portugal, temos, senão tempestade, ventos fortes e nuvens sombrias. E temos porque o assunto começou num espaço que não é - por definição - numa sociedade aberta e democrática, todo, e ao mesmo tempo, 'cobrível' pelas tais regras não escritas do sistema. E é aí que começam dos absurdos dos génios (?!) que assessoram José Sócrates. Julgar, como julgaram, que bastava garantir que nenhuma imprensa mainstream pegava no caso para o resolver per se é - pura e simplesmente - manifesta estupidez, incompetência e irresponsabilidade, em especial quando ao mesmo tempo que se afiançava que 'não havia nada' o CV oficial do PM, na página oficial do Governo, ia sendo mudado ao sabor dos 'novos dados'. A ingenuidade fundamental de João Villalobos reside num ponto fundamental - José Sócrates dificilmente estará em condições de assegurar inequivocamente o que quer que seja , porque deixou que a (verificação da) questão deixasse de estar num determinado polígono - finito e controlável - com um número conhecido de vértices, para 'cair' - literalmente na rua, bem fora do copo de água onde Sócrates cresceu e singrou. E basta ver, por estes dias, a imprensa, como 'apanha-bolas' de tudo o que aparece, e mais alguma coisa, online, para se perceber o sarilho - o imenso sarilho - em que os génios meteram Sócrates. Se cai ou não, é irrelevante. Já caiu.

Publicado por Manuel 17:37:00 1 comentários Links para este post  



assina-se por baixo!

Posso?
Ao escrever aqui o nome - conselheiros Salvador da Costa, Ferreira de Sousa e Armindo Luís, dos subscritores desta extraordinária sentença, será que «não hav[erá] em concreto interesse público na divulgação do que foi divulgado, situação que ofende[rá] o crédito e o bom-nome (...) » dos mesmos?

Agirei de «modo censurável do ponto de vista ético-jurídico, entendendo[-se] que o direito à honra se sobrepõe ao dever de informar»?

Estaremos perante uma situação em que seja «irrelevante que o facto divulgado seja ou não verídico para que se verifique a ilicitude a que se reporta este normativo, desde que, dada a sua estrutura e circunstancialismo envolvente, seja susceptível de afectar o seu crédito ou a reputação do visado»?
Ao escrever aqui o nome - conselheiros Salvador da Costa, Ferreira de Sousa e Armindo Luís, dos subscritores desta extraordinária sentença, será que «não hav[erá] em concreto interesse público na divulgação do que foi divulgado, situação que ofende[rá] o crédito e o bom-nome (...) » dos mesmos?

Agirei de «modo censurável do ponto de vista ético-jurídico, entendendo[-se] que o direito à honra se sobrepõe ao dever de informar»?

Estaremos perante uma situação em que seja «irrelevante que o facto divulgado seja ou não verídico para que se verifique a ilicitude a que se reporta este normativo, desde que, dada a sua estrutura e circunstancialismo envolvente, seja susceptível de afectar o seu crédito ou a reputação do visado»?

Gabriel, no Blasfémias

P.S. - Texto Integral do OJNQ - Objecto Jurídico não Qualificável

Publicado por Manuel 15:59:00 1 comentários Links para este post  



confiança e respeito

No fundo, é como nos casais, na relação eleitor/eleito trata-se tão só e apenas de confiança e respeito. O 'resto' até pode ser muito bom, mas no fim, mais dia menos dia, é só a confiança e o respeito que contam, porque é só isso que pode ou não ficar. A perdição de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, o tal que não é arguido ou suspeito no seu percurso académico do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade, não foi o que fez ou deixou de fazer no âmbito da questão Independente, é antes a dúvida insanável que alimentou nos últimas semanas, mal aconselhado, por manifesta arrogância, falta de humildade, sucessivas ambiguidades e erros de avaliação, associada ao desejo incontrolável de querer moldar a realidade a seu bel-prazer. E essa dúvida reduz-se inapelavelmente numa questão de confiança e respeito. Exagero ? O insuspeito Paulo Gorjão, ao mesmo tempo que perora sobre a inversão do ónus da prova já vai dizendo que agora "evidentemente, não mete as minhas mãos no fogo por José Sócrates", e David Dinis, que conhece melhor que muitos os bastidores do poder, diz tão somente isto ...

Mariano Gago acabou de decretar o encerramento compulsivo da Independente. Face ao cenário montado, era a única opção nas suas mãos. Mesmo que a universidade cumprisse todos os requisitos, só assim a idoneidade do Estado ficaria imune a críticas. Agora, a bola está nas mãos do primeiro-ministro.
Simplesmente mortal.

Publicado por Manuel 13:17:00 3 comentários Links para este post  



Fraude

Cartoon daqui.

Em nome do " purismo", conviria que José Sócrates, amanhã, na entrevista à televisão, explicasse a reazão concreta pela qual, em 1993, se intitulava já "licenciado em engenharia", sem o ser verdadeiramente e por isso mesmo, mentindo descaradamente ( se esta notícia for verdadeira).
Não se trata de confundir os termos, fazendo-se passar, no trato comum, por engenheiro quando era apenas mero bacharel ou engenheiro técnico.
Trata-se exactamente de fazer constar num currículo oficial, a categoria de "licenciado em engenharia" quando efectivamente ainda o não era e eventualmente só o viria a ser três anos depois.
Agora, é muito simpes, Vital Moreira: não se trata de um purismo mesquinho, vir para aqui com estas coisas. Trata-se apenas de mera fraude, se esta notícia se confirmar. Fraude mesmo, percebe?!
Aditamento, às 17h e 20:
Afinal, segundo o sempre prestável Gabinete do Primeiro Ministro ( os gabinetes ministeriais fizeram-se tamém para isto, pelos vistos) foi "lapso" . De quem? Ora... "atribuível apenas aos serviços do grupo parlamentar ou aos serviços da Assembleia da República"
Acontece que estes serviços parlamentares não querem apanhar com a água sacudida do capote alheio, certamente no seguimento da sugestão para "sacudir a pressão".
Por isso, "estes serviços parlamentares de apoio lembram que se limitam a transcrever os dados que são preenchidos pelos deputados num impresso que existe para esse efeito. "
Pelos vistos, José Sócrates ou alguém por ele ( o Gabinete é do Primeiro Ministro, não é bem do senhor José Sócrates...) acham que somos todos uma cambada de parvos. "Os serviços parlamentares do PS" parecem não querer fazer a figura de urso e por isso temos mais matéria para investigar.
E que tal um inquérito parlamentar, esforçadíssimo Ricardo Rodrigues? E que tal mais um inqueritozinho, Fernando Rosas?!
Vamos má a isso. Façam o esforço do costume...

Publicado por josé 12:53:00 3 comentários Links para este post  



breves notas sobre um estád(i)o de direito


Eu confesso que julgava que quando apareciam suspeitas sérias sobre alguém, chame-se esse alguém Huguinho, Luízinho ou Zézinho, que quando aparecessem documentos que em vez de aclarar adensassem, ou pelo menos legitimassem, certas e determinadas suspeitas, fosse do interesse quer de quem é acusado, quem de quem tem o dever de investigar, que tudo, mas mesmo tudo fosse aclarado até ao mais ínfimo detalhe para que não restasse toda e qualquer dúvida, ainda que platónica. Julgava aliás que fosse essa uma das boas práticas de qualquer investigação que se levasse a sério. Mas isto era eu que julgava, porque parece que há quem pense que o método correcto de investigar e apurar (?!) responsabilidades, e ainda antes de fazer o que quer que seja, é anunciar que uns são automaticamente inocentes, porque sim, e os outros é que podem ser ou não culpados. Em suma, é o Pântano é o que é.

Publicado por Manuel 20:49:00 1 comentários Links para este post  



diz que é uma espécie de mba

Um dos purismos mesquinhos que tem levado a sucessivas correcções no currículo oficial do Primeiro Ministro, José Sócrates, é o da designação das suas habilitações.

Depois de duas correcções, ficamos a saber que José Sócrates tem um "MBA": Pós-graduação com MBA em gestão de empresas pelo ISCTE, com mais rigor.

No Público de hoje, um leitor que assina como Sérgio Paulo Leal Nunes e é professor, residente em Lavra, Matosinhos, escreve:

" Um MBA não é por definição um Master Business Administration, ou seja, um mestrado em Gestão. Claro que é um curso de pós-graduação, como aliás, um doutoramento. A questão está em saber se o curso pós-graduado, confere um grau de académico ou um diploma.
Um "MBA" que não confira o grau académico de mestre, nos termos da lei, não é um MBA. Pode ter conteúdos mais profundos e interessantes, ter professores mais bem qualificados e reconhecidos, saídas profissionais mais bem remuneradas e perpspectivas de carreira mais aliciantes, mas não é um mestrado. Como tal, não se pode designar por Master...Qual o sentido de um curso de "mestrado em..." que não conduz ao grau de mestre?
A confusão é tal que já tive um aluno que me questionou: por que razão não fazem um MBA em Real Estate” ? Outra vez fui questionado sobre a qualidade de um “MBA em Finanças”. Apeteceu-me responder: vamos almoçar um cozido à portuguesa de lampreia!


Perante estes esclarecimentos do pleno conhecimento de todos os vitais e jornalistas que sufragam as dores de um primeiro-ministro disposto a "sacudir a pressão", porque é que continua a farsa»?! Porque é que não se esclarece tudo, de uma só vez e em vez de continuar a representação?

Publicado por josé 16:52:00 1 comentários Links para este post  



cada país tem os filmes que merece...

Publicado por Manuel 16:24:00 0 comentários Links para este post  



os argueiros do costume e as traves de sempre

«Em Portugal ninguém passa incólume de ataques, mesmo que sejam injustos» - diz um especialista em sondagens de opinião.Os orquestradores da campanha contra Sócrates sabem-no bem...
[Publicado por vital moreira] 8.4.07

Verdade? Em vez de olhar para José Sócrates, figura pública de relevo e sujeita a escrutínio do povo, podem sempre perguntar a Souto Moura e ler os comentários que Vital Moreira foi produzindo ao longo do Processo...

Publicado por josé 16:10:00 0 comentários Links para este post  



"à canelada..."

Não vou perder muito tempo com a pseudo-exêgese do Dr. Pacheco, publicada no passado sábado, no jornal Público, onde zurzia na classe jornalística, que obviamente acusou o toque, a propósito da Independente, e da licenciatura do Engenheiro Sócrates. Não vou, por uma razão muito simples - por muitas verdades que tenha escrito, naquela peça, e escreveu algumas, faltou a Pacheco Pereira, a humildade de se reconhecer também, a ele, como parte do problema. Afinal também ele só se lembrou de perorar sobre o caso depois do Público se aventurar no mesmo, e nos primeiros dias com pinças... O cerne da questão, como Pacheco muito bem sabe, é outro, bem mais atroz. É o medo. Em Portugal não há o Estado, e os privados, em Portugal há apenas e só quem tenha relacionamento com o Estado - omnisciente e omnipresente - isto é, de uma forma ou de outra toda a gente depende do Estado, ponto. Foi por isso, quando os telefonemas de Sócrates já se faziam sentir, mas a castanha ainda não tinha arrebentado que se escreveu aqui isto... Porque no fundo, no fundo os 'democratas', como se intitulam, não querem o debate, preferem como este atirar às pernas, (tentar) matar a mensageiro a discutir a mensagem. Tivesse José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, o tal que não é arguido ou suspeito no seu percurso académico do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade, uma réstia de dignidade, uma réstia de moralidade, e seria o primeiro a condenar este tipo de "black ops", dos seus, soezes e típicas do pior do tempo da PIDE. Mas não. José Sócrates acha-se uma vítima, a única vítima. E no PS, neste PS, as vítimas reagem sempre da única forma que conhecem - à canelada.

Publicado por Manuel 15:29:00 2 comentários Links para este post  



Fundação Nacional para a Educação Cívica

A propósito de Fundações, o falecido Mota Pinto, ensinava no seu manual de Teoria Geral do Direito Civil, algumas noções básicas.

Uma delas, era a de que as fundações, como pessoas colectivas, "são organizações constituidas por uma massa de bens, dirigidos à realização de interesses comuns ou colectivos, às quais a ordem jurídica atribui a personalidade jurídica."
As Fundações têm um substracto integrado por "um conjunto de bens adstrito pelo fundador ( pessoa singular ou colectiva) a um escopo ou interesse de natureza social." É fundamental o elemento patrimonial. Beneficiários e fundador estão, "respectivamente, além e aquém da fundação".
Criada a Fundação, o fundador fica fora dela, escrevia Mota Pinto e as pessoas que preenchem os órgãos de administração da fundação "são serventuários da vontade do fundador e não têm legitimidade originária para alterar as normas ditadas por este.
Um dos elementos essenciais, para a existência legal das fundações, é o elemento intencional, traduzido no "intento de constituir uma nova pessoa jurídica, distinta do fundador ou dos beneficiários".
Estas considerações jurídicas, nascem da leitura de uma notícia do semanário Sol, desta semana que dá conta da instituição , pelo estabelecimento de ensino ISCTE, do Estado, de uma Fundação com um escopo educativo. Ou seja, um estabelecimento educativo do Estado, institui uma Fundação autónoma, para realização de actividades educativas, destinadas a...adultos! Diz a notícia que a fundação tem como objectivo principal " a educação de adultos, através de cursos técnicos, pós-graduações e formações intensivas." Nasceu assim, a FNEC- Fundação Nacional para a Educação Cívica.
Espantoso! Ainda mais espantoso, quando vemos o nome de Paulo Pedroso, à frente da Fundação. Parece que já foi designado...e já quer "parceiros da sociedade civil, virados para a intervenção cívica".
Um único comentário: é de uma pessoa ficar varada!



Publicado por josé 1:18:00 6 comentários Links para este post  



Lux

Ontem fui ao Lux. Melhor, fui até às escadas do Lux. Um senhor à porta disse-me que tinha que pagar 180 euros para entrar. "Consumo mínimo", explicou. Ainda pensei que, apesar de serem duas da madrugada, os tais 180 euros seriam para pagar jantar e espectáculo de variedades. Mas não. Era só para entrar e beber um copo. Não perguntei quantos copos mas, presumo, 180 euros dariam para muitos. Um tipo que por lá andava ainda me disse para esperar um pouco e ir falando com o porteiro. Perguntei-lhe sobre o que é que se fala com um porteiro de um discoteca. Nada de especial, apenas estar ali, segundo me disse, a meter conversa até o homem "engraçar" e deixar-me entrar. Fabuloso!, respondi-lhe. E percebi o poder que um porteiro tem.

Publicado por Carlos 21:21:00 1 comentários Links para este post  



Puro vital

Repare-se nesta pérola branquinha, saída agora mesmo da conchinha da causa nossa:

Parece-me que chegou a altura de Sócrates sacudir a pressão que os media continuam a alimentar por causa do controverso processo da sua licenciatura na Universidade Independente, cujo agendamento público coincidiu "por acaso" com a manifestação do caos institucional dessa mesma universidade privada. O silêncio já não constitui a resposta adequada às especulações jornalísticas e às desconfianças instiladas na opinião pública.
[Publicado por vital moreira 7.4.07]

Já não se trata de algo “mesquinho” e reflexo de um “purismo”. Agora, trata-se de “sacudir a pressão”…

“Sacudir a pressão”, não equivale, nesse modo de escrever, necessariamente , a esclarecer com a verdade dos factos, o que já é uma esmagadora evidência: as várias irregularidades graves de um indivíduo que é primeiro ministro de Portugal .

O que interessa é mesmo… “sacudir a pressão”, esconjurar o demónio das críticas dos mabecos que ameaçam esta belíssima estabilidade governativa que tanto custou a alcançar.

Para tanto, valerá quase tudo. Provavelmente, até tirar olhos aos que não consigam dizer que as traves à vista, são afinal… meros argueiros.

Publicado por josé 15:43:00 16 comentários Links para este post  



Assustado, eu?!

Segundo o jornal 24 Horas, o “gato” Fedorento Ricardo Araújo Pereira e demais colegas de mio politicamente correcto, foram ameaçados por causa do cartaz que garbosa e galhardamente, em nome dos ideais de esquerda, indiscutivelmente correctíssimos , colocaram, ao lado de um outro que veiculava uma mensagem cínica, de boa viagem, a imigrantes indesejáveis.

A prova de valentia humorística, mesmo eivada de flagrante ilegalidade administrativa e que deixou os felinos fedorentos impassíveis na sua razão absolutamente correcta, feita de rebeldia conformista, consistiu num mero achincalhamento pessoal do mentor do cartaz, acompanhada da mensagem adequada e de acordo com os cânones vigentes e de unanimidade mediaticamente assegurada.
Porém, o mais interessante, para além da valentia da provocação genericamente aplaudida, é o discurso fedorento que acompanha esta notícia. Vejamos:

-Ó Gato! Dizem que vocês são uma espécie ameaçada…

- Nã…não me assustam com essas tretas.

- Não te assustam?! Então, porque é que foste bufar o caso… “às autoridades”?

- Sabes, rica Anita, é que eu já sou figura pública de relevo, no humorismo de rasto fedorento, por isso, fico preocupado com estas coisas. Mas não me assustam!

- Mas… ó fedorento, se não te assustam assim tanto, porque é que se diz que já estão a “um passo de ter segurança pessoal”?

- Anita rica, a segurança não é pessoal, querida. É colectiva, é para todos os que largam rasto fedorento.

Então, deixa lá ver: tu, não te assustas com as ameaças?

-Não!

- Mas ainda assim, pediste às autoridades, medidas…

-Sim.

-Ah! Medidas de protecção, não é assim?!

-É. Mas são para todos, não são para mim sozinho…

- Ah! Então, os outros é que estão assustados…

- Bem…os outros não sei. Eu não estou.

- Mas se os outros podem não estar…porque é que foste tu a pedir as medidas “às autoridades”?

-Bem…é só por precaução. Mas eu não estou assustado

Nota: qualquer semelhança com uma rábula que fez longo curso no YouTube, é pura conincidência.



Publicado por josé 15:04:00 0 comentários Links para este post  



Canto de cultura

Um dos blogs que maior sucesso obteve na blogosfera nacional, foi o Espectro, animado por Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente.

O blog, em poucos dias, alcançou uma audiência notável e duvido que alguém habituado a estas andanças, não tenha lá ido dar a sua espreitadela.

Terminou de forma inglória, a seguir ao anúncio de um processo crime, instaurado pela ofendida com um postalzito, assinado por Vasco Pulido Valente. A ofendida era Clara Ferreira Alves que escreve no Expresso e era directora da Casa Museu Fernando Pessoa, nomeada por Santana Lopes.

De relevo, lembro que VPV, escrevera algo a propósito da incapacidade daquela, para o exercício profissional. Uma crítica acerada, mas igual a tantas outras, eventualmente mais suave do que alguns dos postais da Pluma Caprichosa, a zurzir noutras personagens.

Fiquei por isso, deveras surpreendido pelo ataque imediato da ofendida, colocado nos tribunais, e visando o crítico VPV, por ofensas à honra e consideração.

Algo que se dirimia bem num artigo de resposta, num lugar potencialmente mais lido do que um blog, foi assim relegado para apreciação em instâncias diversas e alheias a humores de plumas caprichosas. Nunca percebi a razão, mas percebo-a agora, com o artigo da Pluma Caprichosa, publicado na Única de hoje.

A razão da queixa-crime, segundo agora leio, deixa-me ainda mais perplexo do que antes : a senhora queixou-se porque o crítico teria escrito que ela era apenas uma hipotética “dra”!!!. É esse o corpo de delito: duvidar publicamente da sua excelsa licenciatura em Direito! E a senhora ofendeu-se toda porque lhe telefonaram de todo o lado ( até do Brasil,da Espanha e da Itália, vejam lá!) , pondo em dúvida a sua licenciatura em…Direito.

Ora bolas! Sempre pensei que a putativa ofensa à honra, tinha, como substracto, o essencial do escrito: a flagrante pinderiquice cultural da ofendida. E com isso, podia bem o crítico, pois a prova da verdade dos factos, seria bem simples. Como hoje se demonstra.

Publicado por josé 19:56:00 5 comentários Links para este post  



Um ar do Tempo

O texto que segue, do espaço público do Público de hoje, é de um indivíduo que assina Nuno Rocha, "jornalista e ex-docente da Universidade Independente." Nuno Rocha foi director de um jornal semanário, chamado Tempo. Em tempos- finais dos setenta e início dos oitenta- era um dos poucos baluartes de imprensa de uma certa direita portuguesa quando a esquerda dominava completamente, como hoje, aliás, ainda domina, todo o espectro político da informação impressa.
Não obstante, o semanário tinha um je ne sais quoi esquisito que me afastava da sua leitura. O esquisito, descobri depois, afinal, era o seu próprio director. Coisa estranha. Não me lembro de ler um único texto que me soasse como algo genuíno, como acontecia com os escritos de José Carlos Vasconcelos, de O Jornal ou até os de Barata Feyo ou mesmo os de Sousa Tavares. Se a Direita portuguesa era aquilo, preferia sem dúvida ler a esquerda.
No Público de hoje, Nuno Rocha, desaparecido numa revista de nicho financiada, com certeza, de modo interessante, assina um artigo antológico e desta vez genuíno, em que explica nas entrelinhas, algumas das razões por que falhamos como país que gostaríamos mais civilizado, ao longo destes últimos 25 anos.
É ler...

Depois de ter vendido o Tempo, recebi um con­vite para ensinar Jornalismo na Universidade Independente. A universidade ocupava então umas instalações recém-construídas num edifício residencial junto ao Poço do Bispo e era rudimentar. O reitor Luiz Arouca convidou-me para um almoço onde surgiu o dr. Rui Verde. Os dois falaram-me sobre a universidade e convidaram-me para director do curso de jornalismo. Não aceitei o convite porque não ti­nha experiência de docência, mas ambos insistiram para que ingressasse na universidade. Como não tinha trabalho nessa altura, aceitei ser apenas professor e sugeri Marco Leão para dirigir o curso, o que ele aceitou rapidamente, até porque era também amigo do reitor.

Pouco depois o reitor e Rui Verde decidiram transferir a UnI para umas instalações livres na Gomes da Costa (na Opel), tendo para tal realizado uma operação financeira apoiada pelo BCP. Foi lá que nasceu a nova Universidade Independente, com magníficas salas e, também, com pro­blemas financeiros, já que eu próprio não recebia salário e era pago através de "acções" da universidade. Parecia um bom investimento para a minha vida.

As carências financeiras eram, no entanto, cada vez mais evidentes, pois outros professores não recebiam salários, o que sucede ainda hoje. Como a situação era desesperada apareceram novos investidores, como a família Neiva de oliveira e a Fundação Ilídio Pinho, que depressa deixavam de ser accionistas e partiam.

Para ajudar a universidade criei uma pós-graduação em Marketing Político, que foi um sucesso. Associei-me ao prof. Alejandro Pizarroso Quintero, da Universidade Complutense, e conseguimos a colaboração como pro­fessores de eminentes políticos como Carlos Encarnação, Jorge Coelho ou Ruben de Carvalho. Vieram professores espanhóis da Complutense, que se deslocavam a Lisboa todas as semanas, caso de J. Timoteo Alvarez. Muitos actuais autarcas e políticos conhecidos foram alunos dessa pós-graduação.

Quando decidi aceitar ser professor de Jornalismo, solicitei a Rui Machete, presidente da Fundação Luso­Americana, que me permitisse visitar, juntamente com Marco Leão, a universidade de Jornalismo em Boston e Nova Iorque. Percebi lá como o ensino do Jornalismo em Portugal era, de uma forma geral, mau. Não havia nem alunos (que faltavam todos os dias às aulas), nem livros, nem leitura de jornais. Mesmo assim, convidei para professores na independente pessoas como Joaquim Vieira,Fernando Cascais (presidente do Ceijor),Joaquim Letria, Diniz de Abreu, Fernando Balsinha, Cri