Quarta-feira, Abril 25, 1974 e dias seguintes.

Esta é a primeira imagem importante, do dia 25 de Abril. No largo do Carmo, o capitão Salgueiro Maia, uma das figuras-chave do movimento dos capitães, explica aos presentes, pelo megafone, que o general Spínola ali chegará em breve, a fim de receber o poder de Marcelo Caetano.



A Junta de Salvação Nacional, poucas horas depois e pela televisão, assumiu o comando do país, em nome do Movimento das Forças Armadas. No dia 28 de Abril, em Santa Apolónia, vindo de Paris, de comboio, chega Mário Soares que vai imediatamente encontrar-se com o general Spínola, na Cova da Moura. No dia 30 de Abril, de avião, proveniente também de Praga ( escala Paris) chega Álvaro Cunhal, ao aeroporto da Portela. Esperava-o uma "multidão numerosa" ( Século Ilustrado de 4.5.1974) . Pouco depois, Cunhal dirigia-se também à Cova da Moura, para se apresentar a Spínola. Na sala do aeroporto, declarou: "Neste momento, o futuro do nosso país está nas mãos de todos os democratas que desejem libertar-se do fascismo". A palavra estava dita. No dia seguinte, 1 de Maio de 1974, no início da tarde, uma multidão de manifestantes, estimada em meio milhão de pessoas, maioritariamente erguia as mãos com o "v" de vitória. Dali a dias, o gesto simbólico, era substituido pelo punho erguido, esquerdo-direito, porque "só de punho erguido, a canção terá sentido". A multidão que se dirigia para o estádio dos trabalhadores da FNAT, que se passou logo a chamar 1º de Maio, poucos slogans tinha e poucas bandeiras empunhava- e na sua maioria nacionais. Mesmo assim, a do "viva o PCP" era uma delas e as saudações ao Cunhal, rivalizavam já com as dirigidas ao general Spínola.

No estádio, os dois líderes dos partidos políticos constituídos- PS e PCP- enquadrados por militares e acompanhados de dirigentes sindicais nacionais e estrangeiros, e ainda de figuras de relevo como Pereira de Moura, dirigiram-se à multidão, com palavras inflamadas, acompanhadas de canções pouco divulgadas e palavras de ordem nunca ouvidas, e em termos inéditos: "Abaixo a guerra colonial!", "Poder aos trabalhadores!", "é mau, é mau, é mesmo mau, o malandro do Tenreiro não nos dava bacalhau!". Como nota de curiosidade, quem é o indivíduo de óculos escuros, à esquerda de Mário Soares? Parece...parece...pois é: um símbolo, de facto.


Os três senhores que seguem, só passados 15 dias se organizaram para formar um partido " na linha da social-democracia alemã". Nessa altura, já havia notícias de sedes desses partidos e ainda de outros mais: o MRPP, a FPLN ( de Manuel Alegre e Piteira Santos), o MES ( de Manuel Galvão Teles, César de Oliveira, Vítor Wengorovius), o PCSD ( partido cristão social democrata, sem nomes á vista), o Movimento Democrático Português ( vindo da CDE de Tengarrinha e Pereira de Moura), a Frente Libertária Portuguesa ( movimento antipartidário, contra todo o Estado) e a LUAR ( de Palma Inácio).

Mário Soares, logo nessa altura, declarava: "Somos contra o partido único, mas o facto de sermos pelo pluralismo dos partidos não significa que não estejamos a assistir , com preocupação, à excessiva fermentação de demasiados grupos, neste breve espaço de dez dias."

Cerca de quinze dias depois, tomava posse como primeiro presidente da República, por decisão da Junta de Salvação Nacional, e proclamado pelo general Costa Gomes, António Spínola. Na chefia do governo provisório, o primeiro de muitos que seguiram, o professor de Direito, Palma Carlos. Porém, a imagem que segue vale mil palavras de significados pesados.

Foram assim os primeiros quinze dias da revolução de 25 de Abril de 1974.
Nota: as imagens foram extraídas das revistas Século Ilustrado de 4.5.1974 e 18.5.1974 e Flama de 10.5.1974
Corrigido e aumentado.

Publicado por josé 00:40:00  

4 Comments:

  1. Rui Rebelo said...
    25 de Abril SEMPRE!
    josé said...
    Sempre. Comunismo, nunca mais!
    Jorge said...
    Ó José, para a malta mais nova, diz lá quem é o símbolo que está à esquerda do Mário Soares. Estou aqui em pulgas.
    josé said...
    É melhor comprar o quitoso...

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