Diário de um tipo que saiu à noite
segunda-feira, maio 30, 2005
Sábado/Domingo - 28, 29 de Maio de 2004
Ontem, fui beber um copo ao Hard Rock Café, ali nos Restauradores. Nada de excitante. Um carro pendurado no tecto, mais uns plasmas espalhados pelas paredes, ao lado de uma (supostas) relíquias. Enfim... Porém, a coisa não correu da melhor maneira. Logo à entrada, os meus ouvidos tiveram que gramar com Gloria Gaynor e I will survive. Pode haver gente mais sensível que ache piada à música, mas eu, sinceramente, não. Ainda dizem por aí que o tema foi um hino a isto e aquilo e mais não sei o quê. Pra mim, é o que é, e só gosta daquilo quem daquilo gosta.
Bem, eu ainda pensei que a coisa poderia animar, mas, mais música menos música, começam a ouvir-se os metais dos Village People. "Pelo amor de Deus", pensei, ao que um amigo, vendo a minha expressão, me disse: "É pá, isto agora em Lisboa é por todo lado". No meio daquela confusão, nunca cheguei a perceber (nem insisti) o que era o "isto". Seja como for, considero-me um tipo moderado, moderno. Vejam, consegui escrever sobre esta matéria, sem fazer piadas com a malta do O Acidental.
Tirando estes dois pequenos e insignificantes momentos de mau gosto do homem que estava a misturar as músicas, a noite até nem correu mal. Enquanto saboreava um JB num copo, cujo cheiro a detergente acaba por atenuar os efeitos do álcool, um amigo que estava comigo grita-me aos ouvidos: "É pá! Olha aquela miúda ali a dançar feita uma maluca". À primeira vista, pareceu-me uma autora deste blogue mas, vendo melhor, não, não era. Era uma, em linguagem moderna, chavaleca que, em vez de dançar, parecia estar numa sessão de contorcionismo. "Olha lá", disse ao meu amigo, "a miuda deve ter pra aí 14 aninhos, portanto põe-te a pau. Ainda entra por aí o procurador João Guerra num Suburu e lá vais tu". Ele, responde-me: "....e andei. Mando um recurso pra 3ª secção e tou cá fora", encolhendo os ombros e dirindo-se ao bar para mais dois copitos de JB (não havia Famous Grouse).
Acabamos por sair dali e cada um foi à sua vida. Ele, provavelmente, para um clube de diversão nocturna, eu para casa, para colocar a leitura em dia. Ainda pensei passar os olhos por aqui mas, confesso, que desde que Nazaré e a Maria Leitão Marques começaram a trabalhar deixer de ler. Eram os meus autores favoritos. É pena. O Vital Moreira também não é assim tão mau como dizem...
Leio a coluna de Armando Rafael, disponível aqui, e, ainda hoje, retenho na memória o início: "Haverá vida para além do défice, agora que o Benfica foi campeão e a Elsa Raposo arranjou novo namorado? A avaliar por aquilo que o primeiro-ministro disse há dias, é de crer que sim, embora José Sócrates tenha sido omisso quanto ao Benfica e à Elsa Raposo". Acabei por adormecer a cantar: "Ninguém pára o Benfica, ninguém pára o Benfica, olé!"
P.S. - "Em 1994 eu falava com alguma frequência com António Guterres", diz José António Saraiva, no Expresso. Leio e releio o relatório da Comissão Constâncio e esta questão não vem identificada como uma das causas para o défice de 6,83%.
Publicado por Carlos 00:41:00 6 comentários
Um pequeno contrinuto para o défice
domingo, maio 29, 2005
Um povo que descobriu o caminho marítimo para a Índia dificilmente se deixará sobressaltar pelo facto de ser obrigado a percorrer a rota do equilíbrio orçamental.
Antes de mais, não será despiciendo reter que, se nos colocarmos numa perspectiva histórica, logo verificaremos que a ocorrência de défices orçamentais está longe de representar uma originalidade - constitui, pelo contrário, uma situação recorrente. De facto, "a história do deficit é a história das finanças portuguesas". De tal modo que, com inegável humor, Rodrigues Sampaio (1806-1882) não hesitou em exclamar perante o parlamento: 'Eu quase me chego a assustar de que acabe o défice entre nós, com medo de que, acabando ele, acabe o sistema parlamentar'".
Excerto de um texto de Albano Santos, Economista convidado do ISCSP, publicado na revista Nova Cidadania, nº14, Outubro/Novembro de 2002
Publicado por Carlos 23:23:00 0 comentários
Alá é grande
Contrariando a tese de xenofobia clubista, milhares de portistas esta noite vibraram com a estonteante vitória mourisca sadina, num fúlguro prenúncio de concórdia e rectidão por todo o reino.
Publicado por Nino 22:43:00 1 comentários
- Há Europa depois do Não!
Publicado por Manuel 22:08:00 1 comentários
Alípio Abranhos de Penafiel diz-nos por email o seguinte...
o grande salto em frente -- em direcção ao abismo, entenda-se -- foi dado pelo saudoso eng.º guterres quando deu luz verde ao Estatuto da Carreira Docente.post em stereo no Despesa Pública.
De repente, vimos dezenas e dezenhas de milhares de professores do ensino básico (os antigos prof's do ensino primário, muitos deles antigos regentes escolares, com a 4.ª classe + um cursilho de formação para fazer de conta), a subir os respectivos vencimentos para os 2 500 € / mês. e, porque era injusto não repescar os prof's que já estavam aposentados, tambem esses viram aumentadas as suas pensões para o mesmo patamar (a mãe de um amigo meu, senhora de uns valentes 90 anos, tem uma pensão dessas: nem sabe o que há-de fazer ao dinheiro !). se pensarmos que a grande maioria desses prof's são mulheres -- a viver bem mais que nós, homens -- vemos a factura que o saudoso eng.º nos arranjou. acresce ainda que algumas dessas senhoras são viuvas e têm direito a receber a pensão de sobrevivência (um caso meu conhecido: a senhora em questão leva para casa à volta de 4 125,00 €, sendo 1 375 € a pensão do falecido).
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Publicado por Manuel 21:14:00 0 comentários
A transcrição integral da entrevista dada por Medina Carreira a semana passada à SIC pode ser lida aqui. Serviço Público dos insurgentes.
post em stereo no Despesa Pública.
Publicado por Manuel 18:45:00 0 comentários
Eu até não vou muito à bola com o senhor Santana, mas desta vez....
Risos do Deputado do PS José Sócrates.
… aquele em que é sempre mais fácil, porque com menor escrutínio, fazer aceitar os acertos inevitáveis para cumprimento de obrigações externas.
O Sr. José Magalhães (PS): - Exacto!
Jaime Gama: - Este Orçamento, inequivocamente, já não é um orçamento de consolidação orçamental mas, antes, um orçamento de descontrolo orçamental não disfarçado.
Vozes do PS: - Muito bem!
Jaime Gama: - Considerando as necessidades globais de financiamento do Estado do sector público administrativo, das empresas públicas deficitárias, dos hospitais SA e de outros, o défice anual já é superior a 6%. Ora, isto coloca um conjunto de problemas a prazo, exigindo soluções, igualmente a prazo, que não se vislumbram, minimamente, nas propostas do Governo. Para manter o défice abaixo dos 3% e cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento, era necessária uma abordagem mais rigorosa, sobretudo quando o recurso às privatizações é algo que tende a acabar e a precariedade de outras receitas extraordinárias já salta à vista. O Governo não só não apresenta linhas de compromisso para equacionar um controlo da situação das finanças públicas nacionais como desvaloriza a gravidade da própria situação, numa lógica de ilusão que é, sobretudo, uma gigantesca auto-ilusão.
Aplausos do PS
Sessão plenária de 18 de Novembro de 2004
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Publicado por Carlos 16:20:00 2 comentários
A preparação estética do monstro
A Grande Loja descobriu o especialista a quem Sócrates confiou a resolução temporária do défice orçamental.
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Publicado por Nino 09:32:00 0 comentários
um fait diver patético
Faz um certo sentido a prosa de Santana Lopes hoje no DN. Sem qualquer ideia para o futuro ele, que continua por aí, continua a remexer no passado, num passado que ele voluntaria e conscientemente herdou e que única e exclusivamente desbaratou. Não aprendeu nada.
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Publicado por Manuel 01:55:00 2 comentários
Cadilhe, o outro candidato presidencial do PS...
sábado, maio 28, 2005
O Dr. Cadilhe passou ao lado de uma grande carreira única e exclusivamente por ser arrogante e vaidoso. A estes factos há agora a juntar o de ser um enorme ressabiado, como o demonstra à saciedade hoje pomposamente publicitado pelo Expresso. O Prof. Cavaco fez muitas asneiras, permitiu muitas outras, e deixou muito por fazer, mas pintar as coisas da forma simplista como Cadilhe agora, e repito o (só) agora, as pinta é um exercício da mais pura demagogia e desonestidade intelectual.
No andar em que as coisas estão o que sobra é mais um putativo candidato presidencial para o ... Partido Socialista. Se calhar e bem vistas as partes até é justo para ambas as partes...
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Publicado por Manuel 21:11:00 3 comentários
Raramente os personagens de ficção são transpostos e visualizados para o grande ecrã com a grandeza/subtileza que, numa boa obra, se pode intuir. Há, claro, excepções, como o desempenho fabuloso de Jeremy Brett enquanto Sherlock Holmes ou o de David Suchet enquanto Poirot. O contrário, retratar fielmente enquanto ficção personagens reais, também é raro, muito raro. Correndo o risco de isto se transformar num post à Pacheco Pereira há que dizer que a personagem "Luísa", interpretada por Alexandra Lencastre, da telenovela "Ninguém como tú", TVI, é provavelmente a coisinha mais parecida que alguma vez vamos ver sobre a forma, e a lógica, como funciona a cabeça de alguns políticos da nossa praça, isto para não citar nenhum professor em particular.
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Publicado por Manuel 20:49:00 1 comentários
Despesa Pública
Um Leitor nosso, Saldanha Sanches, hoje no Expresso, faz um apelo à cidadania de todos nós. Não nos pede, como parece querer pedir este governo, para denunciarmos o vizinho do lado por fuga ao fisco, pede-nos simplesmente que ajudemos este governo a identificar onde e como o Estado, que é de todos, gasta mal gasto.
Assim nasceu a Despesa Pública, o continuar de um caminho que já estava a ser trilhado antes, um blog que não é de ninguém, é de todos, e está aberto a todos os que quiserem contribuir enviando-nos os seus contributos. Não se pretende fazer lá doutrina ou análise política, sequer oposição, apenas é só cumprir um objectivo - a de ajudar a racionalizar e tornar mais produtivo o dinheiro dos nossos impostos.
Têm pois todos a palavra.
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Publicado por Manuel 19:34:00 2 comentários
O abraço internacional do poder masculino
O Bloco de Esquerda, vocacionado para pleitear o direito de fumar um charro em qualquer canto do mundo, pactua silenciosamente com a opressão feminina no mundo árabe, o assassinato de mulheres arrojadas, a humilhação obscena e a exortação à lapidação de mulheres temerárias, a castração feminina, o abuso sexual, o crime de honra, preferindo pelo contrário eleger como algozes do mundo os livres Estados Unidos e Israel. O que incomoda a ambos, islamistas e filósofos de café, é a propulsão do género feminino, matriz de uma sociedade comprometida no conhecimento e convívio fraterno, computada sem pejo na erradicação de maleitas e cartilhas marialvas seculares.
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Publicado por Nino 19:30:00 0 comentários
Os alvos certos
Sob o título "Os cortes orçamentais - que alvos?", José Luís Saldanha Sanches, no Expresso/Economia, explica que, para controlar a despesa pública, "alvos não faltam: o modo como alguns sectores do Estado gastam o dinheiro dos contribuintes revela, nalguns casos, uma tal imaginação que merecia um prémio". Relembra, a título exemplificativo, "os submarinos do dr. Portas", "as equipas de futebol da Madeira a concorrer na divisão principal à custa de dinheiros públicos" ou "a GNR com milhares de homens fechados em quartéis à espera do golpe de Estado ou da insurreição popular".
Saldanha Sanches cita "pequenos exemplos": "há pavilhões gimnodesportivos de terras sem habitantes tão vazios como as cabeças dos adidos culturais de algumas embaixadas portuguesas", "comarcas com juiz, ministério público e funcionários, mas sem processos", o Estado que "gasta milhões com advogados para não perder processo sobre processo", quando "os ministérios continuam a ter auditores e auditorias destinados a defender os interesses do Estado". Na sua opinião, "os apertos financeiros do Estado português deviam pôr tudo isso em causa: mas tal como não há nenhuma racionalidade no crescimento do Estado (vai crescendo ao abrigo de impulsos momentâneos), também não há nenhuma racionalidade no corte das despesas públicas".
Cita a Grande Loja a propósito do "colégio" do Instituto de Reinserção Social, onde 31 almas asseguram a "recuperação" de nove (9) jovens delinquentes e faz votos "para que a sua recuperação seja tão completa que acabem por ser canonizados". Foi por causa deste episódio que me lembrei de proceder - com a ajuda dos meus eventuais leitores - à "anatomia" do "monstro" no "Portugal dos Pequeninos " , correspondendo involuntariamente ao apelo de Saldanha Sanches : "Tudo isto pode continuar ou não. Depende da opinião pública . Um prémio sobre a forma mais imaginativa de gastar o dinheiro dos contribuintes deixaria o júri perante as maiores dificuldades. Mas era bom que o concurso começasse já e que os alvos para os cortes começassem a ser identificados. Ninguém fará um blogue só com este objectivo, para que a enumeração comece e os alvos sejam devidamente identificados?" É - conclui ele - "o único modo de evitar que os cortes nas verbas das quantias destinadas aos cavalos da GNR ou do Instituto de Reinserção Social não sejam percentualmente iguais aos cortes nas verbas destinadas ao serviço de urgência do Hospital de S. João" . Continuemos, pois, a descobrir os alvos certos.
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Publicado por João Gonçalves 16:54:00 0 comentários
Indigência ameaça 200 deputados
(...)quando se ouviu o primeiro-ministro prometer acabar com os "privilégios injustificados" da classe política, nomeadamente em termos de reformas, o embaraço [na assembleia] durou uns segundos..
(...)todos aqueles deputados que actualmente já tenham completado 12 anos na Assembleia da República terão direito, caso o requeiram, a receber a subvenção. Que é calculada à razão de 4 por cento do vencimento por cada ano de exercício do mandato, até ao limite de 80 por cento do salário de deputado.
(...)não serão afectados os titulares de cargos políticos que acumulem esse vencimento com pensões(...)
Campos e Cunha, que se reformou dos quadros do Banco de Portugal, recebeu 114 mil euros de pensões, mais do que os rendimentos do trabalho.
"(...)os ex-primeiros-ministros que tenham ocupado o cargo durante quatro anos, seguidos ou interpolados, têm direito a receber uma subvenção mensal vitalícia, no valor de 80 por cento do salário do chefe do Governo.
(...)José Manuel Durão Barroso esteve no cargo cerca de dois anos, entre 2002 e 2004, apenas lhe cabendo cerca de 2800 euros mensais.
(...)Como [Pedro Santana Lopes] só permaneceu no cargo cerca de nove meses, o montante não ultrapassa os mil euros mensais.
Fonte: Diário de Notícias, 1 e 2
Publicado por Nino 07:58:00 1 comentários
Não fica bem a um cavalheiro arrepender-se
sexta-feira, maio 27, 2005
É perfeitamente natural que os homens fiquem cegos por algumas mulheres.
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Publicado por Nino 23:06:00 0 comentários
Nubentes devem esmiuçar programa de matrimónio
Um procurador da república em França impediu o casamento entre Camille Barré, uma transsexual operada, reconhecida como mulher pelo Estado Francês, e Benito Martin Leon, um travesti argentino, alegando uma "ausência de projecto matrimonial".
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Publicado por Nino 22:31:00 1 comentários
Um blogue que estima as suas leitoras
José Sócrates, o galã do serviço de urgência orçamental.
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Publicado por Nino 22:03:00 0 comentários
Breve intermezzo
Não querendo contribuir para o desaparecimento daquela bela imagem dos ecrãs de todos nós mas querendo contribuir para o desparecimento desta última, não tão bela, gostaria só de lançar uma ideia. Prometo ser breve.
Face a coisas destas porque não obrigar a um seguro de responsabilidade profissional por parte de Ministros, Secretários de Estado, Directores-Gerais, Presidentes de Institutos Públicos, Gestores Públicos, etc.
O prémio, que se antecipa alto, seria, naturalmente, pago pelos próprios.
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Publicado por irreflexoes 16:36:00 4 comentários
Back to real life
Um exemplo do choque tecnológico ou apenas indícios do corte de despesa pública ?
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Publicado por António Duarte 16:23:00 0 comentários
E agora um post só para aumentar as audiências (já chega de défice.....)
És tão boa, és tão boa, és tão boa, és tão boa
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Publicado por Carlos 14:43:00 15 comentários
As ideias (boas ou más) não pagam impostos ...
A questão da mexida no IRC, de que o António fala ali, é importante. Mas, como concordámos (em off), é preciso um policy mix, nenhuma medida isolada poderia ser eficaz por si só. Muito menos só do lado da receita.
Portanto, fica aqui uma (ir)reflexão do lado da despesa. O pessoal. A enorme conta com ordenados, subsídios e quejandos. E a quase impossibilidade jurídica e, especialmente, política, de praticar uma política de despedimentos (reformas antecipadas não são parte da solução, mas sim do problema).
Que tal um programa de saídas voluntárias da Administração Pública?
Decerto que poderemos encontrar formas de estimular a saída de quadros para o sector privado. Os últimos anos de congelamentos salariais e o anunciado congelamento das progressões na carreira durante dois anos são já uma ajuda. Se quisermos, são o "stick". Falta uma "carrot".
Este post devia ficar por aqui. É que até aqui tenho uma convicção séria de razoabilidade da proposta e da validade da mesma. Daqui para baixo trata-se mais de pensar em público, o que, para mais num blog onde militam tantas cabeças capazes, é um exercício de risco calculado muitas vezes mal compreendido.
Ainda assim, sinto-me tentado a dizer que a tal cenoura poderia assumir a forma de um incentivo monetário equivalente a meio ano de vencimentos ao trabalhador, cabendo à empresa que o contrate, nacional ou estrangeira (com um vínculo permanente, ninguém vai trocar uma posição segura por um vínculo precário) um crédito fiscal no mesmo valor, a usar para dedução de despesas de investimento em I&D, se for o caso de uma empresa nacional, ou um crédito fiscal para investimento em Portugal, no caso de ser uma empresa estrangeira.
O trabalhador poderia pedir o reingresso na função pública durante um prazo de dois anos. A reforma seria assegurada pelo regime geral da segurnaça social, sendo creditados os anos de descontos feitos no regime da função pública e a respectiva transferência de capital da CGA para o IGFSS.
Identifico eu próprio vários problemas com a medida, que aqui ficam elencados, juntamente como uma pequena nota de pistas para os minorar:
- i) porque pode não ser incentivo suficiente para uma saída em número suficientemente expressivo (mas, enfim, uma saída que fosse já era positivo);
- ii) porque vai levar da Administração Pública os quadros mais novos e mais capazes, deixando ficar para trás uma geração envelhecida e sem qualificações de maior (mas, em bom rigor, será o mercado a funcionar, e isso não tem nada de mau em si mesmo, cabendo ao Estado gerar condições para reter os melhores);
- iii) porque a medida só poderá ter sucesso num clima de crescimento económico, com uma taxa de desemprego a baixar e não a subir, como actualmente (o que significa que esta não seria uma medida de curto prazo com efeitos imediatos mas antes um programa a 10 ou 15 anos);
- iv) porque a claúsula de reingresso, que é importante para incentivar as pessoas a correrem o risco, pode levar a passeatas mais recreativas que outra coisa pelo sector privado (sendo, portanto, necessário, arranjar mecanismos de penalização quer do trabalhador quer da empresa, v.g., a obrigação de devolver os incentivos).
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Publicado por irreflexoes 14:17:00 3 comentários
moralidade e bons costumes...
- O país está em crise logo impõe-se sacríficios. José Sócrates, e a sua troupe, dá o exemplo impondo sacríficios a alguns dos seu apaniguados...
Impuseram a Fernando Gomes o supremo sacríficio de aceitar ser administrador executivo da GALP. O coitado foi apanhado de surpresa e diz que ainda não sabe quais vão ser as condições em que vai desempenhar o cargo na petrolífera portuguesa. Sabemos todos contudo que vai ganhar milhões de €uros num espaço de tempo bem mais curto que o comum dos mortais. Que se saiba ser administrador da GALP não é um cargo de confiança política (é?) logo presume-se que Fernando Gomes, que é economista, foi escolhido pela sua capacidade e perfil técnico, mas será normal uma empresa, uma das maiores empresas do País, contratar alguém, ainda por cima para administrador, sem uma entrevista prévia, sem verificar se há um fit entre o candidato e as funções ?
Em Portugal obviamente que é normal e tanto o é que no po(l)vo socialista que tanto criticou a nomeação (errada) de Celeste Cardona para a CGD nem uma única voz se levanta a proclamar o óbvio. Até Manuel Alegre está afónico.
Mas não é só a Fernando Gomes que são pedidos sacríficios deste calibre, mais dia menos dia, o controleiro-mor do PS - Jorge Coelho - (isto enquanto Sócrates não for forçado a escolher entre ele o António Costa) vai ter de arranjar poiso a Nuno Cardoso (que não foi para a presidência da AdP), a Narciso Miranda, a Manuel Seabra e Orlando Gaspar, e isto só para mencionar alminhas do Grande Porto que é preciso encaixar para não perturbar o processo autárquico...
Mas há mais, será normal que praticamente ao mesmo tempo que se sabe que Mário Lino vai ser Ministro das Obras Públicas e Transportes, uma empresa por ele tutelada, o Metro de Lisboa, admita em 10/03, por proposta interna datada (!) do dia anterior, para os seus quadros nada mais, nada menos, que a esposa (Maria Sofia Pedro Venceslau de OLiveira) daquele que veio a ser o seu presente chefe de gabinete (Guilherme Dray)? É óbvio que é normal (e aqui ao contrário do caso de Fernando Gomes registe-se que não estão em causa as habilitações da senhora, que manifestamente as tem, para o cargo onde foi encaixada, apenas a coincidência...). - O DN publica hoje uma estranha nota, assinada por Duarte Lima, em três partes (I, II e III), onde se perora sobre os estranho comunicado do BES que aquele grupo financeiro fez publicar na imprensa acerca do affair sobreiros. Acontece que não é o Estado, ou a coerência deste, que está em investigação, bem ou mal essa é julgada de quatro em quatro anos, logo a infeliz prosa - que coloca o BES no papel de vítima ignata da burocracia - mais não faz do que tentar encapotadamente contextualizar o lobbying como uma inevitabilidade face às alegadas deficiências de funcionamento do Estado, algo que nem o comunicado do BES tentou. Acresce que o problema não é estritamente burocrático, mas também é político. Para rematar Duarte Lima disserta sobre o segredo de Justiça e já vê na penumbra uma cabala que o leva a firmar que é "legítimo pensar que se está a querer criar uma convicção e um julgamento antecipado na opinião pública" logo com vista a arruinar o BES, os Dr. Nobre Guedes e Abel Pinheiro & C.a.
Formalmente Duarte Lima tem razão, tem toda a razão, só que às vezes na nossa peculiar justiça o único julgamento que há condições para realizar ainda é mesmo o da opinião pública logo e enquanto houver quem pense assim, e nada se fizer para que se deixe de pensar assim... - Ainda no DN e depois de se ler esta prosa também de Duarte Lima, fica-se à espera que este, em coerência, abandone o Grupo Parlamentar do PSD e adira ao do PS...
- Os senhores deputados da República querem um novo edíficio para gabinetes individuais. Um gabinete por cada dois não lhes chega. E que tal reduzir o número de deputados para metade ou quase ?
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Publicado por Manuel 12:38:00 4 comentários
para que servem as maiorias absolutas (II)
(Já) Era esperado. José Sócrates no dia mais díficil (!) da sua vida anunciou aumentos, mais ou menos imediatos, maciços de impostos, e cortes simbólico-platónicos nas despesas. Errado, errado e errado. Errado economicamente e errado politicamente.
Admita-se de barato que o dinheiro é preciso, Sócrates, assessorado pelos seus magos da propaganda, achou politicamente mais sensato massacrar todo um país com um aumento de impostos que comprar uma "guerra" passageira e localizada em meia dúzia de locais abragidos pelas SCUTs. Estranhamente esta decisão de aumentar os impostos sendo de facto eleitoralista (as luminárias do PS acham que diluindo o descontentamento homogeneamente por todo o País perdem menos que focando-o nas zonas onde há SCUTs) é das mais imbecis de todos os tempos. E é-o porque não há sinais de que o petróleo vá descer (o que mitigaria o aumento do imposto sobre produtos petrolíferos, (70% do preço da gasolina já são impostos...)) pelo que o aumento dos combustíveis levará inapelavelmente a um aumento dos transportes, dos passes sociais, etc, etc... Sobre o aumento do IVA, bem, é comparar com o valor praticado em... Espanha.
Sobre o corte das regalias de que usufruem os dirigentes políticos alguém deve ter convencido o Eng. Sócrates de que se ia apresentar medidas que projudicavam toda a gente, incluindo os mais necessitados, então tinha de apresentar também uma ou duas que penalizasse os "favorecidos", e as vítimas foram os políticos. Patético. Patético porque Portugal tem uma classe política mal paga, e, goste-se ou não, a maioria das "regalias imorais" com que Sócrates quer agora acabar serviam como um parco estimulo, face à exiguidade dos salários, à boa moeda para esta a abdicar do conforto e segurança do sector privado e arriscar uma carreira política. É verdade que há políticos a mais, é verdade que a maioria são de qualidade sofrivel, mas a prazo o que Sócrates consegue com esta medida é apenas uma muito maior degradação da já péssima qualidade da classe política, porque "profissionaliza" ainda mais aquela classe, reduzindo cada vez mais os "incentivos" a quem não nasceu político numa qualquer jota a inveredar peal vida política. Depois do susto inícial os aparelhos partidários hão-de achar esta medida brilhante. Há ainda uma refinada hipocrisia nas medidas apresentadas por Sócrates já que só na superfície estas atingem o verdadeiro grosso dos beneficiados pelas tais "regalias imorais" de que goza a classe política - os autarcas. Mais uma vez todos iguais, mas com os autarcas a serem, mais uma vez, mais iguais que todos os outros.
Brilhante.
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Publicado por Manuel 12:04:00 0 comentários
Aos poucos vão conseguindo...
No site da empresa de aviação Ryanair, encontra-se uma explicação clara, quedemonstra como o nosso ICEP, anda a trabalhar muito bem e, milhões gastos em promoçãodo país merecem um reforço...
To / From London Stansted from 99p
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Spain
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Almeria, Porto, Seville, Valladolid, Zaragoza
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Publicado por António Duarte 11:35:00 0 comentários
Cartão Fast
Por cada 25 litros de combustível você estará a contribuir com 6 euros para o cumprimento de uma promessa eleitoral, e ainda receberá 100 pontos extra no seu cartão.
Lembre-se que há sorrisos que dependem de si.
N.A. : Consta que Macário Correia vai proibir todos os munícipes de Tavira assim como os seus próprios serviços autárquicos de abastecer em Ayamonte.
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Publicado por António Duarte 02:10:00 2 comentários
Metade do Caminho...
quinta-feira, maio 26, 2005
Portugal prepara-se para gastar em 2005 ...
- Juros Bonificados para habitação : 400 milhões de Euros.
- Formação Profissional : 900 Milhões de Euros.
- Pagamento às SCUTS : 400 Milhões de Euros.
Estão aqui, grosso modo, 1,7 mil milhões de euros. Metade da despesa pública que Campos e Cunha quer que em 2008, não exista. Basta querer.
N.A. - Dados transmitidos por Medina Carreira numa entrevista hoje à SIC Notícias.
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Publicado por António Duarte 23:51:00 3 comentários
Clarividência
Sócrates torpedeou o eleitorado que o sufragou. Rechaçar a evidência de que o IVA abaixo de 25% seria um escolho à prosperidade de países deveras evoluídos, como a Suécia e a Dinamarca, é uma assombrosa cedência aos interesses corporativos dos trabalhadores por conta de outrem e dos empresários inábeis na evasão fiscal. Mas a mais infausta decisão foi mesmo a de agravar o imposto sobre o tabaco. Este, reduzindo a esperança média de vida em 15 anos, assomaria como a melhor solução para acautelar a ruptura a longo prazo da segurança social.
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Publicado por Nino 18:23:00 0 comentários
Um silêncio demasiado ruid(n)oso
A propósito de planificação, ainda estou por perceber porque razão se massificou daquela forma a programação musical na semana de inauguração e nas semanas que se lhe seguiram. Só no próximo fim-de-semana, por exemplo, contam-se lá 6 acontecimentos diferentes. Todos ou quase todos de inegável qualidade e que estão a competir directamente com outras ofertas culturais na cidade. Será que o público, em particular a população do Porto e arredores, tem capacidade para responder a tanta oferta e que a procura está a ser trabalhada de outra forma que não seja a publicação em massa de anúncios - publicidade paga - na comunicação social; será que a CdM tem uma estrutura e organização de pessoal qualificado, suficientemente agilizada para receber tantos espectáculos ao mesmo tempo; será que a programação artística que está está a executada tem em conta uma, diria mesmo, qualquer política pública, em vez de um mero exercício de (bom) gosto e que esta foi trabalhada em função da realidade sociológica da região e não apenas da disponibilidade de momento dos artistas que por lá vão passando. Enfim, pergunto se o que está a acontecer, não é apenas porque há recursos têm forçosamente de ser consumidos e porque é preciso justificar o quanto antes a necessidade de outro tanto ou de muito mais. Recomenda-se, a quem de direito, alguma atenção, pois um mau começo pode ser a forma de matar um projecto à nascença, sendo que a sua ressurreição será sempre muito mais complicada e cara.
Publicado por contra-baixo 01:07:00 1 comentários
para que servem as maiorias absolutas (I)
quarta-feira, maio 25, 2005
O estado de graça do Dr. Sócrates acabou formalmente hoje. A desgraça geral, essa, continua.
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Publicado por Manuel 19:27:00 3 comentários