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"O indigno estratagema do Boato", artigo de Jorge Coelho no DN de hoje. Está lá tudo, mesmo tudo.

Publicado por Manuel 01:21:00 4 comentários  



nulo questio

O presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, condenou hoje as agressões de que foi vítima terça- feira o líder da Concelhia do PS/Gondomar, Ricardo Bexiga, num parque de estacionamento do Porto. "São públicos os sucessivos ataques políticos, e não só, que ele [Ricardo Bexiga] me tem dirigido, alguns dos quais me obrigaram a mover-lhe processos criminais", afirma o autarca, ressalvando, no entanto, que quem o conhece sabe que não aceita nem pactua com este tipo de acções.

Em comunicado emitido pela autarquia de Gondomar ao fim da tarde, Valentim Loureiro refere que Ricardo Bexiga é o único dirigente socialista, tanto a nível local como nacional, com quem cortou relações pessoais e políticas. O corte de relações aconteceu há três anos, durante a última campanha eleitoral autárquica.

Também a Distrital do PSD/Porto condenou "de forma veemente" a agressão a Ricardo Bexiga, num comunicado em que defende que "a força das ideias deve prevalecer, sempre, na luta política sobre o uso da força".

in Portugal Diário

Publicado por Manuel 22:14:00 0 comentários  



Two Bactrian camels flirt at the zoo in Berlin. (AFP/DDP/Johannes Eisele)

Publicado por Manuel 20:16:00 0 comentários  



Uma lição?

Há praticamente 100 anos, as causas defendiam-se com todo o empenho e vigor, enfrentando-se e afrontando-se adversários. Os textos não eram subliminares, não tinham retorno possível, os bois eram chamados pelos nomes, eram bem escritos pelos (próprios) autores que eram processados e julgados a seguir, defendidos na barra pelos amigos e correligionários políticos, pagavam multas e não se retratavam ou justificavam. Hoje, quase 100 anos depois, ainda são publicados, o que revela, para além do interesse histórico-político, valor e a qualidade literária. O artigo de que ora se fala, foi escrito por Guerra Junqueiro no jornal “A Voz Pública” em 2 de Dezembro de 1906, e está publicado pela Lello & IrmãoEditores na colectânea de escritos políticos do autor “Horas de Combate”.

2 de Dezembro de 1906

Todas as tiranias são ferocidades, e acusam portanto, na máscara do homem, a descendência do monstro.

Há tiranias dominadoras e fulgurantes, de olhos de águia, e tiranias lívidas, obliquas, de olhar de hiena. Ambas trágicas: um Bonapartre ou um Filipe II.

A tirania do Sr. D. Carlos procede das feras mais obesas: do porco. Sim, nós somos escravos de um tirano de engorda e de vista baixa.

Que o porco esmague o lodo, é natural. O que é inaudito é que o ventre de um porco esmague uma nação, e dez arrobas de sebo achatem quatro milhões de almas!

Que ignomínia!

Basta. Viva a República, viva Portugal!

Publicado por contra-baixo 16:43:00 2 comentários  



O Emprego e o PS ( II )

A afirmação de que o mais importante é o emprego, caro CMC , não sei se apenas sua, se extensível a todo o Partido Socialista, mostra o porque de o nosso país continuar na cauda da Europa. Mostra porque discutimos o acessório, e não as causas que permitiriam mudar o actual rumo das coisas.

Obviamente, que o desemprego é um problema grave que quando comparado com o problema das tensões inflacionistas geradas pelos choques assimétricos da procura sobre a oferta, por mais graves que sejam os efeitos destes choques, o choque do desemprego nas famílias e na quebra do seu rendimento é mais grave.

Mas em vez de tentarmos evitar que esse choques sejam menores, não. Preocupamo-nos com o problema do desemprego. Perceberá mais abaixo que a mera possibilidade de reduzir os choques, reduziria o desemprego e outras coisas mais.

Portugal possuía em Novembro e segundo o INE, perto de 375 mil desempregados. Um grave problema sem dúvida. Primeiro porque aumentam as contribuições do fundo de desemprego. Segundo porque diminui a captação de receita fiscal. Terceiro é de pessoas que falamos e não de números. Finalmente , porque diminui a produtividade.

Poderia aqui explicar-lhe alguns malefícios para a economia, de vivermos numa situação de pleno emprego. Poderia dizer-lhe que nesta situação suportada em norma pelo Estado, não há competitividade no mercado da oferta de trabalho.

Mas não, prefiro dizer-lhe que o mais importante não é o emprego. O mais importante é a riqueza produtiva que esse emprego gera. A produtividade, que esse emprego gera e que conseguirá através do seu efeito multiplicador gerar investimento, que por sua vez gerará emprego.

Ao contrário, do que se afirma, e porque o problema é algo estrutural que nem os programas eleitorais do PS e do PSD, parecem ser capazes de contornar, o verdadeiro problema reside exactamente na verdadeira vontade em mudar, sendo impopular hoje para ganhar futuro.

Os choques que lhe falava acima, devem-se á incapacidade da nossa oferta interna em satisfazer a procura sempre que esta acelera, motivada por um consumo interno gerado a partir de rendimentos e endividamento. Ora na mera hipótese de tentarmos resolver o problema pelo lado da oferta, não estamos outra vez a resolver o problema pelo lado da procura.

Já pensou que em qualificar a oferta, aumentando a sua produtividade, as empresas necessitariam de mais e melhores empregados ? Já pensou que ao aumentar a produtividade, os lucros das empresas serão maiores, os impostos cobrados em maior nível mesmo com o nível de evasão fiscal que temos ? Já pensou que com maiores lucros as empresas investem mais ? Já reparou que mais investimento gera mais emprego ?

Obviamente que qualificar a oferta interna, é algo que figura em qualquer programa eleitoral apenas para encher - vulgo palha - , porque para se qualificar a produção interna, se e quando o fizermos, estaremos a alterar algo que é estrutural e não conjuntural.

De que vale admitirmos 75.000 mil funcionários públicos, se eles não forem necessários ou porventura colocados em locais já de si excedentários de pessoal. De que valerá o Estado pagar os salários a estes nobres 75.000 funcionários públicos se eles não acrescentarem qualquer valor acrescentado, não porque não possuam capacidades, mas porque estarão inseridos numa máquina pesada e com demasiados vícios assumidos e imutáveis ? Não seria mais racional mudar primeiro a máquina ?

Valerá a pena o Estado continuar a apostar na agricultura da forma errada como o tem feito até hoje ? Sabe o número de funcionários que o Estado tem para um sector primário como a agricultura que vale o que vale em termos de riqueza nacional ?

Há certamente áreas da função pública que necessitam de pessoal e outras que o tem a mais, mas há seguramente 65 % de uma função pública que trabalha apenas para permitir que a função pública exista.

Foram seguramente, 80 % da totalidade dos fundos comunitários, que foram empregues em salários e transferências sociais em vez de irem para as reformas estruturais.

Há seguramente uma tendência em privatizar serviços que até dão lucro, e ficar com aqueles que apenas dão prejuízo, talvez porque o Estado goste de ser masoquista.

Há seguramente uma tendência crónica para não percebermos isto.

O mais importante CMC, não é o emprego. O mais importante é criar condições que permitam que o Mercado/Estado gerem emprego produtivo, até porque o PIB real está manifestamente distante do PIB potencial.

Publicado por António Duarte 14:42:00 0 comentários  



uma obra

O dr. Lopes tentou explicar aos militantes das Caldas por que é que o défice do subsector Estado, em 2004, aumentou 10,1%, segundo as contas oficiais. Nem eu, na cadeira de "análise económica" com que me tentaram iluminar na Católica há uns bons pares de anos, teria sido tão mau na explicação do inexplicável. Isto passou-se num intervalo, supostamente lúcido, entre as habituais diatribes "anti-todos" que caracterizam as sublimes intervenções do primeiro-ministro em "comícios-jantares" do PPD/PSD. Em duas palavras, a coligação falhou a "consolidação orçamental" e a "música" do défice continuará tranquilamente a tocar. Por uma questão de decoro, a palavra "competência" que aparece invarivelmente na tribuna do líder devia ser removida. No Homem sem Qualidades, de Robert Musil, há um apontamento que ilustra bem este transe de Santana Lopes. O modo como, através da realidade, nos aproximamos ou afastamos das pessoas e das coisas, é mais importante do que a nossa relação com ela. Lopes, neste seu lance alucinado, está a conseguir simultaneamente afastar-se da realidade, das pessoas e das coisas. É, realmente, uma obra.


Publicado por João Gonçalves 10:38:00 0 comentários  



"talk is cheap"

João Miranda que descobriu que combater a corrupção, o combate à fraude e evasão fiscal e implementar melhorias na gestão, tudo a sério, não só seria impopular como muito mais difícel de cumprir e muito mais caro do que se pensa. Pois.

Publicado por Manuel 01:19:00 0 comentários  



desnorte

O DN de hoje é emblemático. O vice-presidente do PSD e ministro da Presidência, Morais Sarmento, escreveu uma carta, patética diga-se, ao número dois do CDS, António Pires de Lima, que este diz ainda não ter recebido ao contrário do DN o que é indiciador do estado em que estão as coisas e do que ainda há-de vir..., acusando os democratas-cristãos de não respeitarem o acordo pré-eleitoral entre os dois partidos e visa tanto Pires de Lima como o próprio Portas. Entretanto o Dr. Lopes, recomposto das maleitas que o afectaram, foi ontem a Leiria reconhecer que a maior parte dos indecisos são eleitores que, em 2002, votaram PSD. Porque será ? Mais a Norte o Dr. Menezes veio propor que, para combater o desemprego, o Estado, o Estado senhor!, contrate mais professores, como se não haja professores a mais. Só para Braga antevê lugar para mais 100 professores de inglês, 350 docentes de educação física e formação desportiva, igual número de professores de expressão artística e musical e 200 monitores de informática e tecnologias de comunicação. Assim, o Eng. Sócrates precisa de abrir a boca para quê ? Triste, muito triste.

Publicado por Manuel 00:39:00 0 comentários  



DA "MATURIDADE"


Raramente leio o Barnabé. Não pertenço ao clube dos aduladores do Bloco de Esquerda. Às vezes acho piada ao dr. Louça, mas não suporto a sua arrogância de evangelista iluminado. Quanto aos restantes membros da pequena seita moralista, a minha alergia aumenta. O prof. Rosas, com a sua insuportável sobranceria, o mano Portas, um mero burocrata da esquerda, o rapaz do norte cujo nome me escapa, a filha do dr. Amaral Dias, a moçinha Drago, etc. Todos eminentemente esquecíveis. Hoje, por causa do Abrupto, fui ler uma prosa de Pedro Oliveira intitulada Maturidade. Parece que causou grande comoção entre os habituais frequentadores do estaminé de Daniel Oliveira. Ousou quebrar o "politicamente correcto" que o BE representa e que "este" Oliveira tão bem defende na praça pública. Discordo, no entanto, da tese do "outro" Oliveira. A maioria absoluta do PS, a ser alcançada, precisa tanto dos votos da "esquerda" encantada ou desencantada com o folclore do BE, como dos votos do eleitorado do "centro esquerda" e do "centro direita" que não confia em Santana Lopes. Eu atrever-me ia a dizer que precisa mais destes, até por uma questão de credibilidade. Votar no BE pode ser muito colorido e modernaço, mas não resolve um problema ao país. A "maturidade" reside precisamente, como lembra Pedro Oliveira, em perceber isso.

in Portugal dos Pequeninos

Publicado por Manuel 21:39:00 0 comentários  

A subida de Paulo Teixeira Pinto ao trono do BCP não é apenas um assunto interno daquele banco, é matéria da maior relevância política. Antecipa-se desde já que o grupo BES vai ter a vida bem menos facilitada até porque não é de crer que Paulo Teixeira Pinto vá perfilar do absoluto low profile de Jardim Gonçalves antes optando pela diplomacia musculada. Os próximos tempos vão ser interessantes, se vão, porque apesar do vácuo existente nos partidos arco do regime o poder nunca fica no vácuo...


Publicado por Manuel 20:20:00 1 comentários  



breve ensaio sobre a perfídia...
(act.)

  • Ainda a propósito do debate com o Dr. Portas na SIC/N o Dr. Louçã defende-se hoje nas páginas no Público, atacando. É uma estratégia, de denial, que partilha com muita boa gente por este rectângulo fora. Com mais ou menos nuances o Dr. Portas mereceu ouvir aquilo, dizem eles, em nome do direito à indignação evidentemente. Curiosamente, ou talvez não, é este mesmo raciocínio, esta mesmíssima lógica, que é usado pela Administração Bush para justificar Guantanamo...

    [Actualização - Tarde e a más horas Francisco Louçã admitiu hoje que afinal o argumento que usou no debate televisivo com Paulo Portas na questão do aborto não foi claro e que evitaria usar de novo a mesma formulação para evitar ambiguidades. Agora é só esperar a pirueta da pandilha que tanto o defendeu... ]
  • Muito boa gente à esquerda e à direita acham que se o Dr. Lopes sobreviver a 20 de Fevereiro como líder do PSD então o Dr. Cavaco não será candidato presidencial. Eu acho que acham mal mas, é o que eles pensam. Por outro lado, muito boa gente acha que com uma maioria absoluta do PS o Eng. Guterres não tem hipóteses de chegar a Belém, muito menos contra o Prof. Cavaco. Concordo. Daí, que mesmo partindo de uma premissa errada - a de que o Prof. Cavaco não concorreria contra, ou apesar do, o Dr. Lopes, a única hipótese do Eng. Guterres seja a de esperar que o PS não tenha maioria absoluta. Não sei se o beato Eng. Guterres se lembrou que ser ele a pedir uma maioria absoluta para o Eng. Sócrates talvez fosse a melhor maneira, ou quase, de este não a ter...
  • E se o PS e o Eng. Sócrates ganhassem as eleições mas o Eng. Sócrates não fosse o empossado como Primeiro-Ministro? Pensem nisso.
  • O Dr. Lopes por estes dias comparou o Eng. Sócrates a um menino da escola que não queria brincar. Ora, no meu tempo a esses meninos chamava-se uma outra coisa, eu sei, era um deles. Vai bonita a festa vai...

Publicado por Manuel 18:06:00 1 comentários  



Memórias de uma Humanidade Destruída (I)

Por ordens do Reich, Heinrich Himmler abria em 27 de Abril de 1940, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.



No próximo dia 27 de Janeiro celebram-se 60 anos da libertação deste campo pelas forças aliadas, da Rússia. Mesmo já em declínio o Reich, obrigou dezenas de milhares de judeus a marcharem pela Alemanha e pela Polónia fora, naquelas que ficaram conhecidas como as marchas da morte.

Para que nunca se esqueça. Mas acima de tudo para que nunca mais se repita.

Publicado por António Duarte 15:58:00 6 comentários  



Pactos para patos.

Ontem, no DN, Joaquim Fortunato, presidente da AECOPS, dizia que...

Ou há pacto de regime ou há revolução para que entre uma nova classe política. Tem de haver uma política coerente, uma estratégia para os grandes projectos de infra-estruturas que tenha o acordo dos dois principais partidos, para não haver sobressaltos.

Exactamente! E ainda disse mais...

...não podemos é continuar a viver num regime em que um governo chega, estabelece prioridades, define as infra-estruturas necessárias ao desenvolvimento do país e, quando as empresas começam a preparar-se, a criar gabinetes de estudo, a admitir técnicos, a encomendar projectos, a constituir consórcios para concorrer e executar obras, vem outro Governo e diz que tudo aquilo é um disparate, que não se vai fazer. E pára tudo.


No mesmo jornal e secção, noticia-se que as imperiosas Associação Industrial Portuguesa e a Associação Empresarial de Portugal, dirigidas por luminárias como Ludgero Marques e Rocha de Matos...
entregaram um documento aos partidos políticos que pode ser visto como um caderno de encargos prè-eleitoral para o crescimento da economia. (...) Concertaram um conjunto de propostas que consideram indispensáveis para estimular a competitividade , ressaltando a imperiosidade de reformar a administração pública e redefinir o papel do Estado

Tal e qual! "Redefinir o papel do Estado"! "Revolução se não houver pacto...", etc. etc.

Os nossos detentores do capital e de meios de produção estão cada vez mais afoitos em reivindicações aos políticos e governantes. Falam alto, de cátedra e em tom ameaçador.

Só faltam os 500 romeiros do Beato, - os detentores de cargos nas administrações das Galp's, das EDP's, das PT's, das REFER´s , das CGD's … os gestores e os seus ex-gestores, e quadros superiores, presidentes de Institutos Públicos, coordenadores dos "grupos-de-estudo" e que fazem consultadoria para os vários ministérios aparecerem também a reivindicar qualquer coisinha dos políticos... que os nomearam!

Aliás, já o fizeram! Deram de barato 30 medidas para pôr Portugal nos eixos!

É o Portugal do colarinho branco e gravata a condizer com o fato liso ou de risca, a sair à rua, num dia assim, a anunciar a morte da economia se ficarem... enfim! É o anúncio da Revolução, já, se os políticos não obedecerem, agora!

É inédito, espantoso e temível. Dá a verdadeira dimensão do Estado a que chegamos. A revolta não vem dos descamisados da função pública que não recebe aumentos há dois anos. Não vem dos pensionistas e assalariados pelo mínimo. Marx, enganou-se! O PCP está perdido! A revolução não é proletária nem virá dos pequenos e médios empresários e comerciantes em convivência alegre com os assalariados.

Virá antes das cúpulas da super-estrutura empresarial, já anunciada se não houver pactos! Virá da ACEOPS!

No mesmo jornal, e em contraponto, João Cravinho , escrevia...
Nos últimos tempos sucederam-se apelos a pactos de regime, como se a salvação do país deles dependesse. Curiosamente, um dos raros, senão o único recomendável nas actuais circunstâncias, nem sequer é mencionado. Nada poderia ser mais salutar para consolidar a confiança nos políticos, partidos e instituições democráticas que um exigente e eficaz pacto anticorrupção. Que a ideia não tenha ainda ocorrido a quem solicita a confiança do eleitorado é mistério desconcertante.

Será assim tão misterioso e de desconcerto, a falta de acerto dos políticos mais em evidência, em pactuar com a transparência nos concursos e nas empreitadas e nas fiscalizações das mesmas e nas responsabilizações pelos incumprimentos? E que dizer das consultadorias várias e das encomendas de pareceres e atribuições de avenças aos mais diversos profissionais liberais da nossa praça?

João Cravinho ainda adianta que "O princípio da administração aberta deveria ser objecto de aperfeiçoamento e aplicação rigorosa." Administração aberta? Talvez, mas só a quem sabe bater às portas certas...

Por exemplo, como se concebe, em regime democrático e de administração aberta, o que se passou com a atribuição de uma consultadoria ao escitório de advogados PLMJ, de José Miguel Júdice, aquando da última "fase" privatização da GALP? Que sabemos nós sobre isso? Quanto foi pago até agora? Porquê e para quê? Alguém ainda deu resposta pública à solicitação pública do deputado António Galamba do PS, efectuada no Parlamento?!

Alguém se importa?!

João Cravinho ainda vai mais longe...
Certos actos, contratos ou procedimentos passariam a ser acessíveis em suporte informático, sempre que possível em tempo real, á inspecção do respectivo ministério, Tribunal de Contas e Inspecção Geral de Finanças. Os departamentos do Estado deveriam realizar auditorias específicas de risco de fraude, corrupção ou abuso de finalidade traduzidas em adequados planos de prevenção e correctivos, sob responsabilidade directa de membros do Governo. As missões e meios das inspecções dos ministérios deveriam ser reequacionadas. O Conselho de Ministros realizaria periodicamente sessões especialmente dedicadas ao combate contra a fraude, a corrupção e desvios contra a transparência. O seu relato pormenorizado ficaria acessível ao público, salvo restrições de confidencialidade.
Pois é. João Cravinho foi ministro; é socialista da esquerda antiga do MES; acreditou eventualmente na revolução proletária por meios pacíficos, (como se isso fosse possível!); será até de loja secreta e mesmo assim, não se abastardou. É um exemplo pelo que diz, porque não há outra forma de o dizer!

Quis reformar a JAE, por causa destes problemas. É dos poucos, em Portugal, que escreve sobre estes assuntos, conhecendo-os por dentro e aos corredores onde eles se geram.

Que paralelo poderemos fazer entre esta concepção de João Cravinho e de um ou outro notável que por vezes escrevem sobre estas coisas e a do empresariado português das AECOPS e AIP´s, em comandita com os gestores públicos que tramitam de EP para EP, como os dossiers nos armários?

O paralelo é de preocupação pela discrepância de conceitos de vida pública e de sentido do Estado. Há uma distância que se mede em anos luz de concepções democráticas e de transparência e modernidade, entre as reivindicações das AECOPS e AIP`s o bem público.

Provelmente, o que Cravinho diz é olhado com menosprezo, senão com desprezo absoluto, pelo liberalismo rompante que entende estas coisas como fenómenos menores e laterais ao progresso individual e à própria ideia de "sucesso". A corrupção não é problema para um liberal porque é um problema do Estado e o Estado é abominável. Logo, sem Estado, não há corrupção, certo?!

Errado! A corrupção não é só um problema do Estado, mas da mentalidade reinante do esquema de enganos. Quando o sucesso é meta, não importam os atalhos. No fim, sobram os melhores. Não é assim a competição?

A corrupção mais perigosa e alienante é a do sentido crítico. A aceitação da prática de esquemas de negócios que contrariam regras gerais e aumentam custos, subverte a boa convivência em sociedade, ao criar distorções entre o que se diz publicamente e o que se faz secretamente. É por isso, uma Mentira, aquela em que vivem os condescendentes com estas práticas. A Mentira é um Mal! Ponto final.

A prova da afirmação, está à vista: somos o país mais atrasado da Europa, mesmo depois de termos recebido fundos de maneio da Comunidade para nos posicionarmos no pelotão da frente! O dinheiro chegou e foi distribuído. Como, é que já não se sabe muito bem. Mas talvez a ACEOPS e a AIP e os gestores do Beato saibam algo sobre isso.

Como nos atrasamos desse modo inadmissível para muitos e criminoso para outros tantos, a AECOPS talvez pudesse dizer-nos alguma coisa, em vez de ameaçar fazer a Revolução!

Pouparia, além do mais, trabalho a sociólogos que se esmeram em análises empíricas baseadas em estudos do meio.

Talvez bastasse perguntar aos senhores doutores e engenheiros da AECOPS que conhecimento têm do modo como as empresas existentes à época e criadas para o efeito, negociaram com o Estado (os governos, os ministros, os directores-gerais), os fundos estruturais que chegaram em carradas da CEE e da UE ; como fizeram as auto-estradas, as pontes e viadutos; como foram realizadas as grandes Obras do CCB; da Expo'98 que se pagava a si mesma; do Euro'04, etc. etc.

Mais, talvez fosse conveniente perguntar quem decidiu na realidade dos factos nus e crus, fazer tais obras?

A resposta andará certamente no vento, como dizia o poeta, mas por mim, sugeria umas perguntas sociologicamente orientadas (talvez pelo António Barreto) a estes senhores. A estes também. E também a estes. E principalmente a estes!

E depois de obter essas bravas respostas, falemos então de pactos, para os patos que somos nós.

Publicado por josé 15:22:00 1 comentários  



Emprego e PS (I)

Confesso que fiquei surpreso, pela atitude e pela ideia defendida, pelo blog Tugir, acerca da política emprego que se encontra inscrita no programa socialista.
A medida não é cega e corresponde ao princípio básico, mas fundamental, da coesão social. Ninguém é despedido.


De facto, a medida não é cega, como não são cegos os própositos de a inscrever em programa eleitoral, confessemos. Agora importa explicar aos portugueses como se conseguirá pagar, hoje e amanhã, esta medida, demonstrando que o Estado das Finanças Públicas ou melhor do Estado do nosso país, não se coaduna com facilistismo nem com ideias pré-concebidas, de que as coisas conseguem-se, porque com um governo socialista, o Estado assumirá certamente o seu papel de Estado-Providência porque esse é o seu papel, do Estado entenda-se.

Em primeiro lugar, uma das razões pelas quais hoje nos encontramos assim, à beira do caos, deve-se ao facto, de como em tudo na nossa história, termos passado do oito ao oitenta em matéria de participação do Estado na economia. Ontem eramos todos a favor do Estado-Providência, hoje assumimos medidas que apenas agudizam a crise desse mesmo Estado-Providência.

Em segundo lugar, tenho sérias dúvidas de que o Estado precise de 75.000 novos funcionários públicos, quanto mais de pelo facto de saírem 150.000, apenas, entrarem metade deles. Se a razão de substituição fosse de 1 para 1, então a proposta de emprego ficava resolvida para o PS, mas dava demasiado nas vistas, assim passa despercebido, o seu âmbito financeiro.

Como sempre, e aqui não é original do PS, em vez de falarmos de reformas profundas na administração pública, em vez de pegarmos no modelo de ensino superior e adequá-lo às necessidades do mercado, reduzindo as vagas que apenas servem para as universidades se financiarem via Estado, porque não primeiro assumimos um compromisso de contratação colectiva a longo prazo.

Espero ainda esta semana, poder contribuir para a discussão que se gera entre o Jaquinzinhos e o venerável Irmão Irreflexões

Ora, tal do ponto de vista económico e de equilíbrio das contas públicas internas, consiste um atropelo grave as regras instítuidas, sendo mesmo um verdadeiro erro caro CMC :

  • Se pensamos que a questão do défice e olhamos para o seu cumprimento, apenas porque se trata de uma regra europeia, então ainda não percebemos nada. A importância de existir consolidação orçamental resulta acima de tudo por equilíbrios internos.

  • O Investimento Público apesar de gerar os cash flows esperados, hoje quer pelo facto de não existir uma política monetária nacional, e pelas externalidades que o mesmo investimento possuí não é automáticamente rentável nem as suas vantagens automaticamente difusas.

  • A não contabilização das despesas do choque tecnológico e de educação dentro do défice é uma cópia da proposta do Partido Comunista para a revisão do PEC. Informo aos economistas da área do PS, que em ciclos retraccionistas da economia, ao enverdarmos por esta forma de "cumprir" o défice, o cumprimento do défice restante, estaria dissociado do investimento do Estado na Economia. Mesmo assim subsistem neste modelo(?), duas perguntas - De onde vem o dinheiro necessário ao financiamento desses investimento - temo que lá vamos novamente à dívida pública - e se estamos apenas a pensar colocar lá estas duas componentes, ou se porventura também lá colocaremos como choque tecnológico, algumas despesas... como remunerações de pessoal que o orçamento não sustenta.

  • A entrada de 150.000 novos reformados nos próximos 4 anos saldar-se-á conjugadamente, e tal como acima de suspeita, num aumento das necessidades de financiamento da segurança social


Mas como para o PS o importante é ninguém ser despedido. O importante não é saber de que forma se pode primeiro reformular a administração pública, congregando departamentos, colocando em prática um sistema de avaliação dos funcionários públicos que distingua o mérito.

Não o importante é o emprego.

Publicado por António Duarte 13:21:00 2 comentários  



Disfunções

António Guterres conseguiu ontem provar duas vezes que é um homem com uma deficiente leitura dos momentos políticos.

Quando podia e devia ter pedido maioria absoluta torceu-se, hesitou, temeu uma derrota nas urnas e pediu uma coisa parecida como quem pedia sem pedir.

O povo português respondeu nas urnas com um inusitado resultado que partia o parlamento - rigorosamente - ao meio.

Agora, num gesto de grande coragem pessoal, quando o pescoço não é o próprio, vem falar na necessidade de maiorias abolutas.

Precisamente no momento em que isso pode custar muito voto útil ao PS e assustar indecisos que têm medo - e percebe-se , crescentemente, porquê - de dar a José Sócrates carta branca.

Se era para isto, podia bem ter feito de Cavaco e olhado antes pela carreira académica.

Publicado por irreflexoes 11:26:00 0 comentários  

O dia chegou ao fim e ninguém se pronunciou, ninguém, nem do Bloco, do PC, passando pelo PS e pelo PSD, afinal o respeitinho é muito bonito. Discreto, sibilino, o Presidente da AECOPS (Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas), um tal de Joaquim Fortunato, no DN, foi sibilino - clama por um entendimento PS/PSD sobre “os grandes projectos estruturantes para o País”, e vai avisando (quem pode manda?!) - “ou há um pacto de regime ou se faz uma revolução, para que entre uma nova classe política”. A classe política, pelos vistos, ouviu e calou, alguém tem que pagar as campanhas e as idas (pr)à Suíça e iafinal há assuntos que não se discutem em público. De facto, como lembrava aqui o Venerável Irmão Gomez, é preciso uma “revolução”, para que entre uma nova classe política, uma classe política que nos livre de Santanas, Portas e Sócrates e meta na ordem boys e girls, obreiros e mestres de obras, jotinhas e outros calões, autarcas comissionistas, futeboleiros e... presidentes da AECOPS...

Publicado por Manuel 00:01:00 2 comentários  

Previsão

É tão lindo, tão lindo ver as evoluções de tantas criaturas - nomeadamente na imprensa - quando começa a cheirar a um eventual futuro governo PS. É um espectáculo delicioso, digno de ser descrito num romance de David Lodge. Lodge, se viesse a Portugal, perdia-se de amores e aviava um romance em quinze dias. Está tudo à mão de semear, é só trocar os nomes e inventar uns lugares. Que ninguém pense que certas virgens que diariamente combatem Santana Lopes em tanto lado e com tanto afã ousarão levantar um dedo a José Sócrates. Serão atentos, veneradores e obrigados. Wait and see...

Ana Sá Lopes

Publicado por Manuel 20:49:00 0 comentários  

Ver, e ouvir, aqui uma antevisão, apocalíptica qb, do admirável mundo novo, e que se dedica ao José Pacheco Pereira...

Publicado por Manuel 19:07:00 0 comentários  

Passou mais ou menos desapercebida a facada que, na SIC, o Dr. Lopes espetou aos Dr.s Asnaut e Mexia quando disse que foi ele convenceu o primeiro das virtualidades da lei das rendas e o segundo dos malefícios das SCUTs, como também está a passar desapercebida a facada que esta tarde o Sr. Relvas, secretário-geral do PSD, cravou ao Dr. Lopes. Ao dizer que o acordo pré-eleitoral entre o PSD e PP é válido para além das lideranças, e atendendo a que o Dr. Portas só sai do PP quando quiser, o Dr. Relvas foi assim mais um a recordar que os dias do Dr. Lopes enquanto líder do PSD estão contados... Ainda não sei é se, um destes dias, ainda vamos ver o Dr. Lopes dizer que foi ele que convenceu o Sr. Relvas da sua própria mortalidade política ou que foi ele que também convenceu o Dr. Mexia a ir, himself, fazer a manchete da semana passada d'O Independente. É a vida.

Publicado por Manuel 18:12:00 0 comentários  



a Jihad de Vicente Jorge Silva...

Vicente Jorge Silva, qual fariseu, toma as dores de uma certa esquerda, aquela que proclama a supremacia moral, e atira-se com unhas e dentes a uma certa direita. A uma direita que acusa de ultraconservadora. Ora leia-se...


em abstracto, não me parece lógico nem consequente que um dirigente de um partido que perfilha ostensivamente uma ideologia hiperconservadora no plano moral se ache dispensado de ser coerente com ela em todos os domínios da sua vida privada. Ou seja: eu não tenho culpa de ele ser hiperconservador e utilizar uma suposta superioridade moral contra mim, se acaso infringe as regras fundamentalistas que me quer impor. Isso chama-se duplicidade -- e a duplicidade não pode ser acantonada, conforme as conveniências do dúplice, neste ou naquele campo específico das suas opções morais públicas e do seu comportamento privado.

Por outras palavras à direita, a certa direita, não basta parecer, tem necessaria e imperiosamente de ser, certa esquerda, porque dona e guardiã absoluta da verdade, está isenta porque não (alegadamente) dúplice. Vicente Jorge Silva infantilmente esquece-se que há valores que são absolutos, e não relativos, e o direito à reserva da vida privada é um deles. Vicente Jorge Silva gosta afinal de paparazzi, afinal certa esquerda é assim - pimba, rasca, caceteira, numa palavra, básica. O que Vicente escreveu não é diferente do que escreveria o senhor Kenneth Starr, o que investigou a menina Lewisnky, o charuto e a casa oval do Sr. Clinton (embora Clinton fosse de esquerda... ai se fosse Bush, perfeito...), ao fazer a apologia do politica e socialmente correcto (?) o ayatollah Vicente mais do que não defende uma lógica eugénica, redutora e, sim, fascizante quasi nazi, porque ninguém é perfeito, à direita, e... à esquerda.

A este propósito ler ainda a prosa certeira do Pedro Mexia.

Publicado por Manuel 17:04:00 5 comentários  



debates

Habilmente, e contando com a tradicional inteligência do PS, o PSD e o Dr. Lopes estão a arrastar a data de ocorrência dos diferentes debates para cada vez mais próximo do acto eleitoral. Ousado e arriscado, porque ninguém espera que se discuta o que quer que seja nos mesmos. Já deu para perceber que o Dr. Lopes aposta tudo no corpo a corpo com o Eng. Sócrates. Infelizmente ainda não percebeu que não lhe basta provar que é, hipoteticamente, melhor tribuno, que não lhe basta mandar uma, duas, três, estocadas, cirúgicas e certeiras (e esperemos que dentro dos limites da decência política, que isto ainda não é o Brasil...). Infelizmente o Dr. Lopes ainda não percebeu nada, resta saber se o Eng. Sócrates ao menos percebe alguma coisa.

Publicado por Manuel 16:49:00 0 comentários  



imperdoável

Confesso que não falei até hoje no debate entre os Drs Portas e Louçã por duas ordens de razões - pudor e falta de habilidade. Agora, já não vale a pena estar calado, o mal já está todo feito. Com efeito, para mim, foi óbvio desde o primeiro momento a intenção soez do Dr. Louçã ao atirar à cara do Líder do CDS/PP que ele não poderia falar do aborto porque não sabia o que é ter um filho. Não me interessa agora saber se foi uma canalhice pensada ou improvisada na hora, o mal está feito e a campanha provavelmente entornada de vez. Queira-se ou não, aquelas palavras tiveram um efeito, e tiveram-no porque foram ditas, especificamente, ao Dr. Portas, ninguém está a imaginar alguém a proferi-las ao Dr. Mota Amaral, por exemplo. Ora, já aqui se tinha antecipado que esta seria provavelmente a campanha mais suja de sempre mas, e isto não deixa de se ser sintomático, nunca ninguém pensou que o tiro de partida formal viesse a ser dado pelo Bloco de Esquerda... Sejamos claros, há franjas, nomeadamente no PSD, que pensam que a introdução no mainstream da campanha de determinadas temáticas, invariavelmente relacionadas com a vida privada, benefeciará indirectamente Santana Lopes pois haverá uma parte tangivel do eleitorado que não se reverá num Primeiro-Ministro com determinadas (alegadas) características da sua vida pessoal. Até à semana passada as tentativas de introduzir o tema reduziram-se a bocas plantadas na imprensa brasileira, a capas de pasquins de terceira linha como o Diabo e o O Crime e a uma peça hiperbólica na Visão sobre boatos. Agora, é ler a pena de Ana Sá Lopes no Público de ontem, ou no causa nossa um jacobino chamado Vicente Jorge Silva, já se discute abertamente a, alegada, vida privada do Dr. Portas. Do Dr. Portas ao Eng. Sócrates será provável e infelizmente apenas mais um passo. Algures na entourage do Dr. Lopes já há gente a sorrir. Por cá pode ser também assim que se dinamitam maiorias absolutas. Imperdoável. Cairam todos como patinhos (há excepções - note-se a forma hábil como Graça Franco hoje, no Público, fala sobre o assunto, não caindo no óbvio)...

Publicado por Manuel 15:30:00 2 comentários  



Manifesto de Desagrado

Portugal vai a votos dia 20 de Fevereiro.

E sim, de entre todas as forças políticas, que se apresentam com os seus fastidiosos programas eleitorais, e mesmo aquelas que já apresentaram os seus pseudo-ministros, mesmo sabendo que nunca em Portugal conseguirão ser governo, não há em todas elas uma programa que satisfaça aquilo que o país pretende e aquilo que o país precisa.

Portugal, vê-se assim a braços com um dilema enorme. Escolher entre um incompetente e um incoerente.



(C) Grande Loja Queijo Limiano


A incompetência de Pedro Santana Lopes e do seu PPD/PSD, em conseguir formar um grupo de pessoas que lutem e se mostrem fiéis à política nacional. A incapacidade em chamar para a cena política nacional, desconhecidos capazes de com as suas ideias mudarem, dialogarem e transformarem o rumo, mesmo contra ventos e marés.

A tudo isto,Santana Lopes, preferiu passar por cima e continuar agarrado aos Santanettes e as Santanettes que há 20 anos, esperavam (?!) por este momento.

Dos episódios da incubadora ao episódio da tomada de posse e da ausência da chefe de gabinete Ana Costa Almeida por 15 dias para preparação da boda de sua filha até ao "flirt" da nomeação que afinal tinha sido feita já pelo PSD ou mais grave, e indutora de imaturidade, em revelar o seu programa eleitoral apenas 20 horas antes de Sócrates ou melhor dizendo quase todos menos o seu líder, o fazerem.

A tudo isto Santana Lopes foi incapaz de bater com a "mesa na mão", e mudar o rumo. Continuam todos.

O país sofreu com a crise europeia e mundial, já que é incapaz de sobreviver sem os seus parceiros europeus. As empresas portuguesas sofreram com a crise do petróleo e viram os seus custos elevaram-se. Até a forte valorização da moeda euro face ao dólar, contribuiu em certa medida para a diminuição das exportações. Tudo isto associado às medidas restritivas - que friso tinham que ser tomadas - por Manuela Ferreira Leite, contribuíram para a perda de competitividade da economia portuguesa, e perda de emprego.

A incompetência de Santana Lopes chega ao ponto de nunca o termos ouvido falar destes motivos que todos aceitariam para justificar ainda que uma pequena parte da recessão que atravessamos.

A incoerência de um engenheiro Sócrates, que sendo líder do partido socialista, para além de quase não falar, quando fala envolve-se em contradições difíceis depois para Vitorino, Coelho e Pinho de justificarem.

A incoerência de querer assim como quem dá cá aquela palha de eliminar 75.000 postos de trabalho na função pública, da maneira mais simplista. Como nos próximos 4 anos se reformam 150.000, só entrarão 75.000 novos funcionários públicos e récem-licenciados de preferência. Ora a medida tem tanto de profilática como de perversa, mas revela o que nos espera os próximos 4 anos. Será que todos os problemas da função pública se resolvem desta maneira ?

Será que são precisos mais 75.000 novos funcionários, que terão um encargo anual na ordem dos 750 Milhoes de Euros só em salários? Por muito que o consumo privado possa ganhar com esta medida, por muito que a economia possa ganhar com esta medida, a incoerência de Sócrates assume-se quando afirma querer reduzir o peso do Estado na economia, e está desta forma a aumentar o peso do Estado nas famílias.

A incoerência de lutar até à exaustão pela não aprovação de um orçamento de Estado e depois quase que o ratifica em programa eleitoral. A incoerência de estar contra a presença das tropas portuguesas no Iraque e depois confessar a Zapatero que é favor de um alargamento da permanência das mesmas.

A incoerência em querer aumentar as pensões que estão no limiar de pobreza - aconselhamos a ver a definição do Banco Mundial para limiar de pobreza - e depois afirmar que a idade de reforma deve ser equivalente à da esperança média de vida.

Portugal têm este dilema para resolver. Escolher entre um incompetente e um incoerente, isto enquanto não surge na sociedade portuguesa um projecto catalizador e moralizador e com a coragem de apresentar aquilo que todos, mas mesmo todos, sabem que é necessário fazer, mas que ninguém tem coragem de dizer, com medo de perder...a cadeira do poder.

Nota - Dos partidos pequenos, vulgo meretrizes do poder como o PCP que não está de acordo com a política de emprego do PS mas que se mostra disponível para coligar, ou do PP que possuí uma alegada coligação pós-eleitoral com o PSD, mas que para "evitar" que "os neo-fascistas do bloco" (sic) cheguem ao poder está disponível a viabilizar um governo de esquerda, desses nem vale a pena falar muito, pois sofrem de incompetência associada à incoerência, além de viverem agarrados e amarrados a ideologias (o PP tem alguma?) que já não vendem.

Publicado por António Duarte 13:34:00 1 comentários  



Declaração de voto

Este fim de semana o Sport Lisboa e Benfica perdeu, corrijo, foi humilhado, no Estádio da Luz, frente ao modesto Beira-Mar. Eu não sou do Benfica, nem sequer gosto particularmente da bola, mas, por uma vez, compreendo perfeitamente o drama, a angústia, de seis milhões (?) de portugueses. Deve doer ver ver um clube com tanta história, com tantos pergaminhos, fazer tão triste figura, ser humilhado no seu próprio Estádio. Eu sei que doi pois eu sinto o mesmo, não com o Benfica mas com este PSD. É tudo mau demais, rasca de mais, surreal até. E no entanto como (muitos d)os benfiquistas que acenaram no final do jogo com lenços brancos a Trappatoni, na Luz, e que estarão lá no próximo jogo eu votarei no PSD em 20 de Fevereiro próximo. Não porque acredite no Dr. Lopes, não acredito, não porque não interesse uma maioria absoluta do Dr. Sócrates, ao país convém sempre uma maioria absoluta, mas pura e simplesmente porque, apesar de tudo, é o meu partido. O facto do Dr. Durão ter sido o que foi e o Dr. Lopes ser hoje primeiro-ministro deve-se também ao falhanço de alminhas como eu. Por cinismo, calculismo, laxismo, incompetência, o que que quer que seja, eu também os deixei chegar, por isso, ironicamente, votar neles é a minha penitência. E é a minha penitência porque apesar de tudo eu ainda acredito no regresso, rápido, do PSD à pureza e ingenuidade original de Sá Carneiro e porque no dia em que deixar de acreditar pura e simplesmente desfilio-me. Dito isto, confesso, não vejo razões a quem não seja militante, esteja nas listas ou deva algo , um tacho, a este PSD para votar no Dr. Lopes, afinal as coisas são mesmo o que são.

Publicado por Manuel 01:28:00 8 comentários  



4x4

O "ZÉ MARIA" Ontem, no carro, a caminho da Convenção das Novas Fronteiras, ouvia o final de uma entrevista com Almeida Santos. Perguntado acerca do que é que andava a ler, Almeida Santos falou em ensaios, "muitos". Disse que já não tinha tempo para ler "romances" e do que mais precisava era de "ideias". Isto vindo de uma respeitável figura na orla dos oitenta, teve graça. Mais tarde, na dita Convenção, também Eduardo Lourenço, aos 81 anos, explicou lenta e serenamente a "vantagem" do pensamento. Isto faz toda a diferença. Sem nenhuma espécie de arrogância "intelectual", que eu abomino, gostava de perguntar a Santana Lopes, que alarvemente gozou com as "velhas fronteiras", o que é que ele tem para nos oferecer em troca. Os fadistas do PPM? Os sempre estimulantes António Calvário, Artur Garcia ou Maria José Valério? Já percebemos que Lopes não vai resistir à sarjeta nesta campanha eleitoral. E para lá todos quer arrastar: Sócrates, Marques Mendes, Cavaco, Sampaio, até Portas já esteve mais longe disso, parte da sua comissão política, etc. No Expresso, um responsável brasileiro pela sua campanha explicava as vantagens deste registo insuportável do "mal amado". Segundo ele, "foi assim que Zé Maria ganhou o Big Brother", tipo "o patinho feio", coisa muita apreciada, de acordo com o mesmo visionário, pelo eleitorado feminino. Sabe-se como começou e acabou a aventura mediática do "Zé Maria". O show de Santana Lopes é mais perigoso porque é encenado sobre o país. O eng. º Sócrates, como lembrou o Bloguítica, colocou a questão fundamental de forma enxuta: continuidade ou mudança? Eu também pergunto: entre a realidade e o "Zé Maria", o que é que escolhem?

O "CHEQUE EM BRANCO" Marcelo apareceu numa acção de campanha do PSD na província. Apareceu para "apoiar" o extravagante dr. Menezes e para dizer mal de Sócrates. Terá tido o cuidado de nunca apelar directamente ao voto no seu partido já que isso, hoje, quer dizer Santana. Terminou a coisa perguntando aos comensais e, por interpostas televisões, ao país, se este estaria disposto a passar um "cheque em branco" ao eng. º Sócrates. Como Marcelo estava onde estava e estava com quem estava, eu devolvo-lhe a pergunta: com aparições deste género, está afinal o meu caro professor disposto a passar um "cheque em branco" ao dr. Santana Lopes e aos seus bonzos?

O VELHO "TEMPO NOVO" Santana Lopes apresentou o programa eleitoral do "seu" PSD. Falou do futuro como se não fosse responsável por este obscuro presente. Dirigiu-se-nos como um desbravador de "terras prometidas" quando nem sequer conseguiu dar conta de um recado a termo certo. Falou de "contratos" e de "garantias" quando é o último dos últimos em quem podemos tranquilamente confiar. Puseram-lhe à frente um papel onde vinha escrita uma nova ventura, "o choque de gestão". Quem não soube gerir e dar confiança, pode agora clamar semelhante coisa para uma nova legislatura? A inquietação incrédula, estampada nos rostos dos devotos que assistiam ao exercício, fala por si. Lopes insiste na tecla do "tempo novo" quando, na realidade, nestas eleições ele personifica o falhanço absoluto dessa miragem sem grande sentido. É, pois, preciso perguntar claramente aos portugueses: querem mais deste velho "tempo novo" que o dr. Santana Lopes vem semeando desde Julho último?

QUEM DIRIA!
Desprovido de "ideias" para a campanha, suspeito que Santana Lopes esteja a ser aconselhado pelos seus amigos brasileiros no sentido de explorar à exaustão o "fait-divers". No governo, seguramente a mesma "via tropical" aconselha a que se anuncie diariamente um pedaço de céu. Percebe-se que o objectivo - associado com demagogia ao tropismo do "país que não pode parar" - é deixar o território minado para quem vier a seguir. Alinhar no "fait-divers" é alimentar este circo. E aí ganha Lopes. Chega a ser confrangedor ouvir um primeiro-ministro neste registo, mas, enfim, trata-se "deste" primeiro-ministro. Lopes ainda não percebeu que o país não liga minimamente ao seu estudado exercício do "coitadinho" aplicado. Quem percebeu tudo isto rapidamente, e se pôs discretamente "ao largo", foi Paulo Portas. Fez uma coisa que merece elogio. Apresentou um "elenco governativo" com alguns créditos. É um bom princípio pôr rostos aos programas. A maior parte das vezes nunca se chega a entender muito bem as razões de certas escolhas, encerradas as eleições e composto um governo. O mais natural é que nenhuma daquelas catorze almas chegue ao executivo depois de Fevereiro. Porém, entre isto e os "jogos florais" em que todos acabam sempre a perder qualquer coisa, eu prefiro este modesto empenho cívico de um pequeno partido. Quem diria!

in Portugal dos Pequeninos

Publicado por Manuel 18:30:00 0 comentários  



Inveja ou ignorância?




Ao ler a edição de hoje do Expresso online, deparei com uma daquelas consultas a que chamam "barómetro" e em que os cibernautas votam.

Pergunta-se desta vez "qual dos políticos faz mais marketing?". Poderia aqui debater-me sobre o significado da palavra marketing e sobre a formulação da pergunta, mas passo adiante.

O facto, é que o resultado, quando eu vi, dava uma vantagem de praticamente maioria absoluta ao líder do PSD, Santana Lopes, seguido de Francisco Louçã.

Já a famosa "Central de Informação" tinha provocado na opinião pública uma indignação generalizada, por pretender o Governo criar de forma oficial e estruturada um departamento governamental onde o fluxo de informação gerado pelo Estado pudesse receber um tratamento profissional e sistemático. Anteriormente, assisti à patetice da crítica velada ao facto de José Sócrates ter utilizado durante o Congresso do Partido Socialista um "teleponto", de forma a optimizar a sua capacidade de discurso.

Durante a minha vida profissional, assisti a uma disputa pela provedoria de uma delegação da Santa Casa da Misericórdia, em que o principal argumento do adversário na corrida eleitoral era o seu opositor ter, enquanto provedor, contratado uma agência de comunicação que ajudasse a Santa Casa a comunicar.

E nem sequer vou falar de lobbys e da promoção dos mesmos. Essa palavra "maldita" possui uma conotação altamente negativa em Portugal (só em Portugal), sendo vista quase como um criminoso quem alguma vez resolveu dedicar-se a criar algum.

Na verdade, o marketing, o lobbying, a assessoria mediática, o tratamento de imagem, a criação de estratégias de comunicação ou a utilização de recursos tecnológicos ou outros no sentido de melhor comunicar e fazer passar mensagens ou imagens, são actividades com a mesma nobreza que qualquer outra em qualquer país ocidental e evoluído.

Na verdade, a prestação de qualquer desses serviços é um acto de enorme dignidade quando praticado com rigor, profissionalismo e ética. Na verdade, só a falta de cultura democrática, o retrocesso social, tacanhez de espírito e a hipocrisia podem considerar que ler um "teleponto" ou desenvolver uma campanha de marketing político pode ser reprovável, condenável, pouco claro ou pernicioso.

Na verdade, numa sociedade de grande pressão na informação, de enormes e constantes ruídos e onde as estratégias de desinformação contribuem para despistar do trigo os que só cultivam joio, comunicar de forma eficaz, com verdade e, porque não, com o recurso aos melhores assessores e às mais modernas tecnologias, é sinal de inteligência e deveria merecer a consideração e aplauso do público e dos políticos.

Só que, o que me parece estar implícito naquela pergunta do Expresso, e mais ainda nas respostas, é que se utilizou a nobre palavra marketing como eufemismo de demagogia. Isto é, não tendo "coragem" para tratar os "bois pelos nomes", utiliza-se o instrumento profissional e a dignidade moral de uma classe, insultando-a.

"Fazer marketing" não é nem crime nem condenável, pelo menos não o é nas sociedades evoluídas e culturalmente esclarecidas. Mas se me espanta que a "opinião pública" que visita o site do "Expresso", supostamente das "classes A e B" e, em boa medida também, da franja intelectualóide nacional, manifeste ignorância, já me questiono mais sobre como é possível, a classe jornalística e os profissionais da comunicação em geral, supostamente mais conhecedores e informados sobre estas matérias, criticarem um líder partidário por usar um "teleponto" ou deixarem no ar esta "acusação" de que "tem assessores" ou "faz marketing" como se de um crime de "lesa Nação" se tratasse?

Não crendo acreditar que escapa aos directores de jornais e aos jornalistas a utilização de dicionários no seu dia-a-dia de trabalho ou que, "as amplas liberdades" que por vezes reivindicam estão resumidas a dogmas mais ou menos soviéticos nas redacções, e tendo em conta a aptência [sic] que os jornalistas têm para, na primeira oportunidade, saltarem para um desses "condenáveis" e bem remunerados lugares, então, só pode ser inveja.

in Nónio

Publicado por Rui MCB 11:34:00 7 comentários  



Blogues ( II )

Não há tempo para debates. Mas sempre se arranja um tempinho para escrever aqui.

Publicado por António Duarte 23:43:00 0 comentários  



Blogues ( I )

Na última página do Expresso, vem a notícia, que 4 candidatos, tem a partir de hoje blogs oficiais no portal Sapo.

O Paulo Gorjão, posta e bem, que aquilo não são blogs são quanto muito páginas oficiais.

No fim deixa uma espécie de pergunta/afirmação


Aparentemente, o Bloco de Esquerda não se mistura com o povo

Paulo, então e o Barnabé ?

Entrentanto aqui Morais Sarmento, fala...

Publicado por António Duarte 23:21:00 3 comentários  



Serão de TV-é-o-vias

Sentei-me em frente ao televisor para ouvir finalmente alguns detalhes sobre o programa eleitoral do PS, pela boca do seu Secretário Geral, já agora.

O canal que sintonizei transmitiu três ou quatro minutos de directo e seguiu para estúdio ouvir comentadores. Mudei de canal. Ofereceram-me mais comentadores. Outro canal, já nem era notícia.

Incrédulo liguei o rádio e confirmei que o discurso estava no auge e decorria ainda. Esperei mais um pouco com a televisão acesa e finalmente o directo, outro directo, para a opinião em jeito de comício de Santana Lopes, seguiu-se pouco depois outro directo para ouvir na íntegra Marcelo Rebelo de Sousa e Luis Felipe Menezes algures num jantar de campanha ou coisa que o valha.

Bela merda de critérios jornalisticos
, digo eu.

O que este país precisa, o que alguns portugueses precisam, é de um valente choque eléctrico.

Foi birra por causa do ralhete que lhes deu Sócrates de que falou o Manuel aqui há tempos? Foi acerto de contas por Sócrates não se dispôr a debates promotores de audiências televisivas? Não sei, mas fica-me a impressão de que a "classe" jornalística revelou quão canalha consegue ser e o quanto tem em consideração o seu público.

Consegui ouvir melhor o que disse George W. Bush ou John Kerry nos seus discursos de aceitação - que comparo à apresentação do programa eleitoral cá na nossa terra - do que as palavras oferecidas pelo tantas vezes omisso José Sócrates.

Hoje, a minha coluna do "desce" vai para os senhores jornalistas com responsabilidade nos alinhamentos dos telejornais. Não dando a notícia, montaram o circo. Todos diferentes, todos iguais.

Também por aqui a democracia vai perdendo lustro.

Fica a ligação para o PDF do programa eleitoral do Partido Socialista.

Publicado por Rui MCB 21:54:00 1 comentários  



E eis que do nada...

Que é como quem diz se vislumbra não um mas dois tandens no PSD ...

O primeiro, com a dupla Marcelo Rebelo de Sousa/António Borges.

O segundo com a dupla Santana Lopes/Morais Sarmento.

Quem ganhará? dúvidas? Por muito santanista-barrosista convertido que esteja infiltrado e alapado na estrutura decisória do PSD, o Congresso não deixará de ver a luzCristo desceu à terra e trouxe o D. Sebastião com ele.

Resta saber se Cavaco se vai sentar a deixar que decidam por ele. É que existe uma substancial diferença entre Cavaco não ir às Presidenciais porque não quer, recusando-se ao partido do que não ir porque não pode, porque o partido se lhe recusa.

Publicado por irreflexoes 18:00:00 1 comentários