Os obituários da Ana Gomes

Do Causa Nossa e da autoria de Ana Gomes:


Passo em revista as horas que passamos no meu gabinete do PS no Rato a trabalhar em textos e a discutir o Iraque, o Afeganistão, a Constituição para a Europa, o dia-a-dia da desgovernação PSD-PP, a Casa Pia e tudo o mais. Decerto deixando a arder orelhas barroselas e outras que tal (inclusive de gente do PS) que se havia passado para o "in", mandando princípios e decência às urtigas...


A Ilda que comigo e outros viveu no PS-Rato os horrores do golpe Casa Pia contra a direcção Ferro Rodrigues-Paulo Pedroso. Que comigo partilhava a indignação e muitas desconfianças sobre quem estaria por detrás dessa abjecta urdidura, que instrumentalizava o sofrimento de gerações das mais desvalidas crianças que o Estado descurara

Ana Gomes, na causa dela, continua a dar-lhe, estugada e com a burra a fugir cada vez mais depressa.
Em dois obituários, recentes, retoma a tese prosaica da urdidura que prefere à mais sofisticada da cabala, no caso Casa Pia e por causa do PS.

O que a mesma escreve, nesses dois obituários, sobre o ambiente que se vivia na sede do PS, no largo do Rato, ao tempo em que Ferro Rodrigues se viu acossado pelo escândalo Casa Pia, é exemplar a vários títulos. E explica o maior escândalo da democracia portuguesa dos últimos trinta anos: o acolhimento como herói e preso político, nas escadarias da AR pelos seus correligionários, de um deputado preso por suspeita de abuso sexual de menores.

Em primeiro lugar, é exemplar, do modo como o partido Socialista, oficiosamente e em peso, lidou na altura, com o escândalo que envolveu ( e continua a envolver , é bom que se diga, porque os ofendidos não se calaram em julgamento que decorre), alguns dos seus lídimos representantes.
Pelos vistos e segundo confissão expressa da lutadora da causa, o ambiente era de facas longas e de reuniões e briefings de emergência, em estado de sítio, sempre no pressuposto de que havia uma cabala em andamento, com propósitos bem definidos e concretos: decapitar a direcção do PS de então. Ferro Rodrigues, em primeiro lugar, passando pelo lugar tenente a quem a lutadora da causa, profetizou e augurou um futuro radioso como primeiro-ministro do Governo de Portugal!
Em segundo lugar, uma óbvia e despudorada acusação, gravíssima, a instituições oficiais do Estado e a outros partidos e pessoas, que no entender da mesma, agiram em completa manipulação de provas, objectivos e desígnios. PGR, PJ, Barroso, Paulo Portas, governo de então, tudo são alvos a abater nessa descabelada acusação de gravidade imensa e que tem passado completamente impune, continuando a mesma a vituperar abertamente os mesmos e a desconsiderar completamente a opinião de membros do seu próprio partido. De nada lhe adianta saber que Rui Pereira, por mais de uma vez, desmentiu a tese e hipótese de cabala ou urdidura. Rui Pereira, sabe porque esteve no SIS, na altura em que esta entidade fez um levantamento do problema da pedofilia, em Portugal.
Em terceiro lugar, as figuras públicas que a lutadora da causa, anda a fazer, repetidamente, com estas acusações insensatas e sectárias até mais não, denotam que o PS, do lado onde se encontra, ainda não desistiu de fazer pagar com língua de palmo, se preciso for, quem organizou imaginariamente, a urdidura.
Temo-lo visto nas alterações legislativas à medida e temo-lo visto, nas movimentações para lugar de relvo político de figuras, sombreadas pelo escândalo.
O escândalo sexual, para Ana Gomes, é apenas e tão só, político.

Assim, tendo o PS de Ana Gomes, assumido o escândalo da Casa Pia, apenas como um facto político, sem atender a qualquer factor de credibilidade que as instituições judiciárias lhe deram, essa circunstância assume foros de escândalo maior do que jamais o seria, na proporção exacta dos factos revelados pelas vítimas e aceites como válidos pelos investigadores e magistrados. E assume, porque politicamente o que parece, é. E não devia parecer o que é...

A completa distorção das funções do poder judicial, na vertente alargada ao Ministério Público, aqui, sem função jurisdicional, que aquela tem vindo a fazer, merecia uma tomada de posição pública do PGR ou uma queixa-crime por ofensa a pessoa colectiva, da PJ ou da PGR, para se dilucidar de uma vez por todas a existência da urdidura imaginada e propalada.

Ana Gomes, não é apenas uma blogger. Foi, é e continua a ser, uma apaniguada do partido actualmente do poder, a quem deve o lugar de deputada na Europa.

Só isso. Pedir maior sensatez, talvez seja pedir demais.

Publicado por josé 13:05:00  

2 Comments:

  1. lusitânea said...
    Esta caça CIA´s deve andar desesperada com as listas da próxima legislatura.Persona non-grata dos nossos maiores aliados não estou a ver os "atlantistas" do PS a desconsiderar os seus americanos...
    E depois lá se vão os cerca 18000 mensais do PE...
    Tino said...
    Utilizar a notícia da morte de alguém, neste caso de duas pessoas, para fazer política, ainda por cima da mais baixa que se possa imaginar, é acto completamente abjecto.

    De facto essa senhora ou padece de grave demência ou não tem o mínimo de dignidade e de decoro.

    Para o caso da senhora Ana Gomes passar por aqui, fica o conselho:

    Com a morte não se brinca, quanto mais não seja porque a fronteira entre ela e a vida é demasiado estreita e oscilante...

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