A caminho de 4 de Novembro (XXVI): o discurso de aceitação de Obama

Não há discursos perfeitos, mas o que Barack endereçou ontem de madrugada, em Denver, perante 80 mil pessoas, ao aceitar a nomeação do seu partido para Presidente dos Estados Unidos, andou lá perto.

Obama, em 45 minutos, juntou o seu carisma, a sua capacidade retórica e de apelo ao «sonho americano», com uma nova faceta, que será fundamental nesta fase decisiva: a de um candidato mais agressivo, que responde à letra aos ataques de McCain, mas sem cair numa batalha na lama.

Desde que se deu a conhecer à América e ao Mundo, precisamente há quatro anos na Convenção Democrata que investiu John Kerry, este terá sido um dos três melhores discursos de Obama, a par dessa intervenção de 2004 e da que fez, a 18 de Março passado, em Filadélfia, sobre a questão da raça, na resposta notável que fez à controvérsia levantada pelo reverendo Wright.

Foi programático e concreto nas propostas, apesar das críticas de ter uma «retórica vaga»; foi eloquente, como sempre é; falou das suas raízes, do seu percurso, daquilo que acha que os americanos devem voltar a ser, daquilo que o Mundo deve voltar a ser.

Para quem gosta de acompanhar as eleições americanas, e não pôde ver em directo, vale a pena tirar 45 minutos e assistir. É só clicar aqui em baixo:

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A caminho de 4 de Novembro (XXV): McCain surpreende e escolhe Sarah Palin



Total surpresa na escolha feita por John McCain para a vice-presidência do «ticket» republicano. Mitt Romney e Tim Pawlenty eram os nomes mais plausíveis, mas McCain voltou a mostrar a sua face de «maverick» e decidiu arriscar na aposta para seu «running mate».

Sarah Palin, 44 anos, governadora do Alaska, é a segunda mulher a entrar num «ticket» presidencial de um grande partido americano, 24 anos depois de Geraldine Ferraro ter sido candidata a vice-presidente de Walter Mondale.

Num ano em que os democratas oscilaram entre uma mulher e um negro, McCain percebeu o momento histórico e decidiu jogar forte, ao escolher uma mulher. Para mais, Sarah tem apenas 44 anos, o que a torna numa das candidatas mais novas da história americana a aspirar à Casa Branca.

Esta escolha tem riscos óbvios: Palin só é governadora há dois anos; para mais de um estado pouco ou nada relevante na alta política americana, como é o Alaska.

Mas tem, também, grandes vantagens:
-- perante a juventude e a novidade de Obama, Sarah Palin confere um novo dinamismo à campanha de McCain
-- como mulher, Sarah Palin pode ser um bom isco para as eleitoras que queriam votar em Hillary (a hipótese de ser escolhida uma mulher esteve sempre em cima da mesa, mas Meg Whitman, ex-presidente do EBay, e Kay Bailey Hutchinson, senadora pelo Texas, surgiam como alternativas mais credíveis)

Sarah Louise Palin nasceu a 11 de Fevereiro de 1964 e governa o Alaska há apenas dois anos. Além de ser a primeira mulher a ocupar o cargo, é também a pessoa mais nova a governar o estado. Formada em Jornalismo pela Universidade de Idaho, é casada com o jornalista Todd Palin e liderou a Câmara de Wasilla entre 1996 e 2002.

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A caminho de 4 de Novembro (XXIV): não esteve bem durante as primárias, mas o velho Bill reapareceu em grande...



... com um brilhante discurso na Convenção de Denver.

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Os CTT Correios de Portugal, servem para quê?

...Essencialmente, para entregarem correspondência aos cidadãos.

No site da empresa, escreve-se eufemisticamente num elaborado Código de Ética que a missão da empresa, é o estabelecimento de ligações físicas e electrónicas entre os cidadãos”. Seja.

Vejamos então, este exemplo prático de ética empresarial: Um dos tais cidadãos que esperam da empresa que cumpra o que promete, recebe uma encomenda, um “ objecto volumoso”, na gíria postal do carteiro que muda mensalmente.

Como não se encontra em casa à hora da entrega, neste caso 12 horas, o carteiro que muda frequentemente, deixa um aviso, onde anota o dia e hora da entrega frustrada e avisa o destinatário que a pode reclamar num posto dos CTT Correios de Portugal, no dia seguinte a partir das 9 horas.

O cidadão destinatário chega entretanto a casa, na tarde desse mesmo dia e ainda a tempo de se dirigir ao posto dos CTT Correios de Portugal indicado no aviso, o que faz perto do encerramento do posto, a fim de permitir a devolução e depósito da mercadoria, pelo carteiro.

Apresenta o aviso à menina do guichet. Esta, comunica-lhe amavelmente que só no dia seguinte poderá ser levantada a embalagem. A qual estivera cerca das 12 horas em sua casa e só não fora entregue, porque ninguém lá se encontrava para a receber.

O carteiro não passa duas vezes pelo mesmo lugar e por isso, o objecto volumoso regressou à base da tranquilidade de estante postal, à espera do dia seguinte. Mesmo que já lá se encontre aquando da reclamação ao balcão. “Ordens superiores”, informa a menina. É proibido expressamente entregar correspondência, depois de ter sido depositada pelo carteiro, após o giro. Ainda que já aí esteja...

Então, é assim: O carteiro passa uma vez. Toca à porta, duas ou três. Ou nenhuma , até. Não entrega o objecto volumoso e deixa um aviso de levantamento, consignando que só no dia seguinte tal poderá suceder.
O destinatário, sabendo que o giro do carteiro, termina ainda antes das 15 horas e por isso, a correspondência se encontrará no posto, por volta das 17 horas, tenta a recuperação do objecto que lhe pertence, nesse mesmo dia, porque dele precisa e pagou a despesa inerente ao serviço prestado pelos CTT Correios de Portugal.

Esta entidade, empresa com a missão de “estabelecer ligações físicas entre os cidadãos “, corta a ligação, porque a administração decidiu que toda a correspondência devolvida no mesmo dia e depositada pelos carteiros, já nunca mais não pode ser levantada pelos proprietários, nesse mesmo dia. Mesmo que estes a estejam a ver com os olhos que observam as estantes. À vista de todos.

É para isto que servem os CTT Correios de Portugal? Então, arranjem-me outra empresa. Ou outra administração.

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A caminho de 4 de Novembro (XXIII): Mitt Romney na «pole-position»



Mitt Romney , 61 anos, ex-governador do Massachussets, filho de um antigo governador do Michigan, terceiro classificado nas primárias do Partido Republicano em 2008, deve ser a escolha de John McCain para a vice-presidência dos Estados Unidos, embora o governador do Minnesota, Tim Pawlenty, se mantenha como hipótese muito forte.

O campo republicano revelará o candidato a número 2 já amanhã, numa tentativa de esvaziar a euforia mediática em torno da Convenção Democrata, que hoje termina em Denver.

O suspense em torno da aposta de McCain é enorme. Se, do lado democrata, já era difícil acertar no «vice», do lado republicano a incerteza é ainda maior. Pesados os prós e contras dos nomes que integram a shortlist, a Grande Loja aposta em Mitt Romney, pelas seguintes razões:

-- o sucesso empresarial que teve na sua vida profissional confere as credenciais económicas que faltam a McCain
-- Romney tem um apoio junto da base conservadora, crucial para o perfil eleitoral dos votantes republicanos, que compensa a fama de «maverick» de McCain
-- Mitt pode ser decisivo para ajudar McCain a batalhar em estados como Michigan ou Nevada

John McCain terá hesitado até ao último momento na sua escolha -- e, insistimos, não é certo que seja Romney. Aqui vão outras três alternativas muito sólidas:

-- Tim Pawlenty, governador do Minnesota, 47 anos, dá juventude ao mais velho candidato não-incumbente
-- Joe Lieberman, senador independente pelo Connecticut, candidato a «vice» de Al Gore, em 2000, daria ainda mais créditos a McCain no eleitorado independente e democrata
-- Meg Whitman, ex-presidente e CEO do «EBay», poderá ser a escolha-surpresa: é mulher, atrairia eleitoras de Hillary ainda feridas com a derrota de Clinton nas primárias democratas, e transmite imagem de sucesso empresarial

Esperemos, pois, por amanhã...

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A caminho de 4 de Novembro (XXII): talvez o melhor discurso de Hillary

Claro, limpo, seguro, eloquente, sem uma ponta de ambiguidade em relação ao apoio a Obama. Corrosivo para McCain. O discurso de Hillary, esta madrugada, na Convenção de Denver terá sido o melhor de todo o percurso político da senadora, desde que começou a corrida presidencial.

Ironicamente, foi exactamente no momento em que selou a concessão a Obama...

Fica a recompensa: se Barack perder para McCain, é já um dado quase certo que os democratas, em 2012, vão mesmo nomear Hillary Clinton. Se nada mais tiver conseguido, o brilhante discurso de ontem, que pode ver carregando em baixo, terá garantido esse mal menor.

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A caminho de 4 de Novembro (XXI): um grande discurso, uma grande senhora

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Está dito

"OS POLÍTICOS ESCOLHEM QUEM GANHA CONCURSOS PARA AS OBRAS PÚBLICAS"

- Siza Vieira ao Diário de Notícias, citado pelo O Diabo de hoje.


"A CLASSE POLÍTICA PORTUGUESA ESTÁ A COMPORTAR-SE COMO A AFRICANA"

-Fernando Dacosta, ao O Diabo de hoje.

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A caminho de 4 de Novembro (XX): Obama escolheu mesmo Joe Biden



A Grande Loja avançou, na passada terça-feira, que era a hipótese mais provável -- e hoje confirmou-se mesmo: Joe Biden é o «vice» no ticket democrata, liderado por Barack Obama.

Nos últimos dias, os media americanos (e portugueses, também, por arrasto...) falavam, com mais insistência, de Evan Bayh e, sobretudo ontem, houve um zunzum de que a escolhida seria Hillary (o Sol foi atrás, como se pode ver na última página de hoje no jornal de José António Saraiva...). Até Al Gore foi referido como hipótese.

Mas sempre nos pareceu que Joe Biden era a cartada mais forte: confere uma enorme solidez no plano da política internacional (lidera a Comissão de Relações Externas do Senado e está no Capitólio há três décadas), uma mais-valia fundamental para Obama, que terá na sua falta de experiência internacional o seu maior calcanhar d'Aquiles.

Como em tudo na vida, esta é, também, uma solução com alguns contras: Biden é pouco conhecido do grande público, teve uma corrida presidencial fraca (desistiu logo após o Iowa, no arranque das primárias) e vem de um dos estados menos relevantes na política americana (o Delaware).

Além de tudo isto, Obama, ao escolher Biden, assumiu um risco de que, certamente, está consciente: com esta dupla, os democratas voltam a compor um «ticket» composto por dois senadores, uma solução que há quatro anos deu maus resultados, com Kerry/Edwards.

Somados os prós e contras, terá sido esta uma boa escolha? Acreditamos que sim. Mas a resposta, como é óbvio, só surgirá a 4 de Novembro...

No próximo dia 29 de Agosto, sexta-feira, será conhecida a escolha de John McCain. A Grande Loja voltará a tentar acertar na escolha dentro de poucos dias. Antes da aposta final, aqui vai a shortlist dos três mais prováveis:

-- Mitt Romney, ex-governador do Massachussets, filho de um antigo governador do Michigan, terceiro classificado nas primárias de 2008
-- Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, segundo classificado nas primárias de 2008
-- Joe Lieberman, senador independente pelo Connecticut, candidato a «vice» do lado democrata, em 2000, com Al Gore

Barómetro diário GALLUP:
-- Obama 46
-- McCain 44


(faltam 73 dias)

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A caminho de 4 de Novembro (XIX): Obama três pontos à frente

SONDAGEM FOX/OPINION DYNAMICS POLL

-- Barack Obama 42
-- John McCain 39
-- Outros+indecisos 19

(faltam 74 dias)

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Assim se vê a força de um jornal



Em dia de vitória clara do campeão europeu de futebol, Espanha, sobre a Dinamarca (3-0), em dia de intensas finais olímpicas, a Marca faz hoje uma primeira página de grande classe, digna de um jornal de dimensão europeia, que é muito mais do que uma publicação desportiva.

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A caminho de 4 de Novembro (XVIII): Biden muito bem colocado






Joe Biden, 65 anos, senador pelo Delaware, líder do Comité de Relações Externas do Senado, quinto classificado nas primárias do Partido Democrata em 2008, senador há quase 30 anos, político experiente e perito em questões internacionais, é a escolha mais provável de Barack Obama para a vice-presidência dos Estados Unidos da América.

A decisão será conhecida nos próximos dias, talvez já amanhã. Biden não é o único nome de que se fala, mas é o que reúne mais garantias.

Outras escolhas prováveis:
-- Bill Richardson, governador do Novo México
-- Kathleen Sebelius, governadora do Kansas
-- Evan Bayh, senador pelo Indiana
-- Chuck Hagel, senador do Nebraska eleito pelo Partido Republicano (mas muito crítico da guerra do Iraque...)

Há mais hipóteses (Hillary, Edwards, Wesley Clarck, Sam Nunn...), mas seria uma enorme surpresa se Obama não anunciasse um dos cinco nomes acima destacados.

Esperemos para ver. McCain revelará o seu vice logo a seguir à Convenção Democrata, lá para dia 29.

Barómetro diário GALLUP:
-- Obama 45
-- McCain 44

(faltam 77 dias)

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A legítima academia


A académica Fernanda Palma, publicou no passado Domingo, na sua página de opinião no Correio da Manhã ( o melhor observatório da criminalidade rompante, em Portugal), um artigo sobre o instituto da...legítima defesa. Coincidência, por certo, sendo sabido que a autora , é mulher do ministro Rui Pereira.

Os três primeiros parágrafos, dizem tudo, sobre a premência actual deste assunto candente:

"Por influência alemã, a doutrina da legítima defesa tem considerado que não há que respeitar qualquer proporcionalidade na reacção contra agressões ilícitas. Quer isto dizer que se poderá usar a força mais intensa para repelir uma ofensa a bens pouco importantes, se isso for indispensável para o êxito da defesa.

Até há alguns anos, era esta a perspectiva dominante entre os penalistas portugueses. Porém, os tribunais orientaram-se (e bem) para critérios de proporcionalidade. Mantiveram-se fiéis a um arquétipo da consciência jurídica, que subsiste por influência de uma tradição diferente da prussiana – a católica.

Em 1992, defendi que só há legítima defesa ilimitada perante agressões contra a vida, a integridade física, a liberdade e até contra o património, desde que sejam afectadas as condições de realização da pessoa. Nesses casos, é insuportável a não defesa, mesmo que a defesa conduza à morte do agressor."

A primeira frase do texto, traz-nos a indicação das nossas raízes teóricas no Direito Penal: a teoria alemã. Amplamente estudada nas faculdades de Direito, plasmada nos códigos penais, tem conduzido a estes belos resultados que todos podemos apreciar, no que se refere à prevenção geral e especial da criminalidade. Notável resultado que so poderia conduzir a este belíssimo panorama nacional e diário que o Correio da Manhã, permite descortinar diariamente.

No fim do artigo, Fernanda Palma conclui que O Estado não pode admitir a persistência de agressões graves contra a liberdade ou a integridade. Nos sequestros, as negociações têm como justificação preservar a vida das vítimas e utilizar o meio de defesa menos danoso. O tempo da negociação não é ilimitado e depende desses parâmetros.”


A defesa do legítimo, neste caso, torna-se evidente. No entanto, Fernanda Palma tem um extenso currículo teórico-prático nestas matérias do Direito Penal. Basta consultar a sua bibliografia. Não é preciso, por isso, atrelar a defesa do legítimo, à defesa da oportunidade dessa legitimidade.

Mesmo assim, no jornal onde escreve, dá-se conta, diariamente, da ocorrência de situações concretas, onde o exercício da legítima defesa, se entende, adequa e até tornaria plenamente justificável, segundo o seu critério alargado.

No mesmo número em que escreve e na mesma página – 12- faz-se uma resenha da “Segurança dia a dia”, da semana que passou. Na Sexta-Feira, o jornal, dava conta de que nos primeiros seis meses de 2008, tinham já ocorrido cem assaltos a bancos, em Portugal, numa média de quatro por semana.



Presume-se que em todos eles, se justifique o exercício da legítima defesa, segundo o entendimento de Fernanda Palma e que passa previamente pelo requisito da verificação de afectação “das condições da pessoa”, seja lá isso o que realmente for.


O ministro da Administração Interna, pode aproveitar a lição e nas futuras e previsíveis ocorrências, determinar que a intervenção do GOE não se fique pelo caso isolado de Campolide, com o resultado conseguido e aplaudido.



Por outro lado, a publicidade ampla a este género de posições teóricas, deveria também permitir um mais amplo uso do direito efectivo a essa legítima defesa, por banda dos particulares. Como?

Admitir e advogar, em consonância com a teoria defendida, que Portugal se transforme numa região tipo Far West, com armas distribuidas em qualquer esquina, para que o exercício da legítima defesa de terceiros, vinda da doutrina alemã e temperada por cá, nos tribunais, permita o abate, a torto e a direito, de quem se atrever a colocar em risco o património, afectando de caminho “as condições de realização da pessoa.”


A teoria, neste caso, em vez de alemã, pagaria direitos de autor e imagem, aos filmes de Hollywood e westerns spaghetti.


Perante a falência do Estado, e do respectivo ministro, em pôr cobro à criminalidade mais violenta, só resta efectivamente a alternativa ao uso do direito de legítima defesa, pelos cidadãos, tal como defendido pela académica Fernanda Palma. Se preciso for, a tiro e a matar. E com sangue real em vez de polpa de tomate.



Nota em modo de justificação: reparo agora que em sucessivos postais, o nome de Rui Pereira e também agora o de sua mulher, a Professora Fernanda Palma, acabam citados. É preciso dizer que nada de pessoal me move contra qualquer um. Aliás, no caso de Rui Pereira, tenho-o por indivíduo impecável e de bom trato, humanista e pessoa de bem. Portanto, pessoa estimável, como já tive ocasião de presenciar por várias vezes. Pena é que seja ministro assim e tenha sido responsável por uma Unidade de Missão assado. Mas é tudo. E nada mais.

Publicado por josé 16:57:00 1 comentários Links para este post  



Assembleia Constitucional


“Um estudo recente de dois investigadores portugueses e uma italiana, conclui que os juízes do Tribunal Constitucional são influenciados não só pela filiação ideológica e partidária como também pela presença do seu partido no governo.” – O Diabo, edição de hoje.


Os investigadores, são: Nuno Garoupa, Sofia Amaral Garcia e Veronica Grombi. O estudo e as conclusões, em atenção ao resultado e métodos aplicados na análise, não é meramente empírico. O período temporal em análise, estendeu-se de 1983 a 2007 e versou sobre a fiscalização preventiva das leis, apenas.

Mais de vinte anos de actividade na fiscalização legalmente preventiva, do Tribunal Constitucional português, para se concluir de modo metodicamente científico , que os juízes do tribunal Constitucional português, afinal, fazem fretes ao governo e ao partido que os indicou para integrar esse alto tribunal. Não é exagerado o epíteto, porque os investigadores ficaram sem dúvidas que o TC, durante esse período reflectiu que a "política partidária é mais importante quando estão interesses mais altos em jogo".

Uma vergonha inominável? Nem tanto. Apenas uma pedra mais, no túmulo da credibilidade do nosso sistema político-judicial. E com uma conclusão preocupante: o investigador Nuno Garoupa, acha até que o actual sistema de escolha dos juízes é adequado.
E o penalista Germano Marques da Silva, primeiro responsável pela reforma do processo penal em 1998, da época Guterres, também concorda: não há alternativa.

Nuno Garoupa, aponta como a última vergonha conhecida, a nomeação de Rui Pereira, para juiz, com a sua desvinculação posterior e de seguida, para integrar este governo que manda, no sector da Administração Interna e cuja última realização de tomo, ocorreu há dias, com a licença concedida ao GOE, para matar.

Portanto, o que não tem remédio, remediado está. Fiquemos apenas com a certeza de que a fiscalização preventiva é um acto aleatório, cujo resultado depende em primeira linha, da composição político-partidária dos juízes do TC.

Uma vez que a independência e isenção destes juízes é um mito demonstrável, devemos todos conhecer a respectiva filiação partidária ou político-ideológica dos juízes que compõem o Tribunal Constitucional.

Por mim, só vejo uma solução de recurso: conhecer o currículo integral dos candidatos ao lugar. Saber quem são; de onde vêm, onde estiveram; que trabalho concreto fizeram; o que pensam deles, quem os conhece bem; como os encaram no exercício de funções tão elevadas e como se pode reconhecer explicita, clara e publicamente, o mérito dos candidatos.

Actualmente, em Portugal, poucos admitiriam um candidato a juiz do Tribunal Constitucional que defendesse em tempos, o regime de Salazar e Caetano. Poucos? Ninguém o admitiria! O fa(s)cismo não passará, nunca, pelo TC.
A inteligentsia dominante, nunca permitiria tal excrescência na democracia que defendem ,em naipe ideologicamente restrito.

Pelo contrário, constitui carta da mais alta recomendação para o lugar efectivo, o candidato que foi do partido comunista ou que militou na extrema mais esquerdista. E nem sequer o esconde, porque é uma mais valia para a nomeação.
É assim que estamos e este estudo, comprova-o devidamente. Vergonhosamente.

A foto é da revista Tabu e retrata a anterior composição do Tribunal Constitucional, ainda do tempo do ser presidente, Artur Maurício, entretanto falecido. Nela ainda figura Maria Fernanda Palma, mulher de Rui Pereira, eleita pela AR, em 1994 e reeleita em 1998.


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A caminho de 4 de Novembro (XVII): disputa sobe de tom, McCain volta a reduzir diferença

John McCain insiste na ideia de que o plano de Obama vai carregar os americanos de impostos...




Barack Obama cola as visões de McCain ao desastre da Administração Bush...




BARÓMETRO DIÁRIO GALLUP:
-- Obama 46
-- McCain 43

(faltam 78 dias)

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O MP investiga e acusa; o juiz julga.

"Os juízes devem julgar. Não devem investigar. E muito menos devem ter funções administrativas. A investigação deve ser feita pelo MP."

Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, agora mesmo, em entrevista à Sic-Notícias.

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça, quarta figura institucional do Estado português, há uns meses e por duas vezes, disse o contrário. Sem grande relevância mediática, mas com o peso institucional da afirmação do representante máximo do poder judicial.

Pinto Monteiro, exerceu funções como juiz Conselheiro do STJ, durante oito anos. Ainda assim, entende, passados estes meses em funções como PGR, que há uma distinção importante que se deve fazer, entre quem exerce funções judiciárias e judiciais. Entre quem investiga e quem julga. Entre quem controla a legalidade e quem aplica a lei e segue o Direito.
O equilíbrio de poderes, é mais aperfeiçoado, num sistema acusatório do que num sistema meramente inquisitorio, em que há confusão de papéis, entre o julgador e o investigador.

De resto, de há vinte anos a esta parte, todos os procuradores gerais que passaram no cargo, têm entendido do mesmo modo.

Para destoar deste entendimento, sobre o sistema judicial e que se saiba, publicamente, há dois ou três indivíduos, juízes relativamente novos, anódinos até na argumentação e um antigo, o actual presidente do STJ.

Nada mais. Sobre os seus argumentos, pouco se sabe de relevante, a não ser um, sempre repetido: a polícia investiga e o MP acusa.
Por isso mesmo, nesta lógica, nem se compreende que seja o juiz a investigar. E nunca se lêem outros argumentos que vão para além desta noção simplista e atávica. Nunca os li.

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Os nossos cientistas


São deste tipo, que por aqui aparecem, numa foto tirada da revista Única do Expresso que foi descobrir um casal de investigadores universitários.
Elvira e Rodrigo, integram uma equipa que investiga na área científica e prática, da microelectrónica. A equipa compreende ainda cientistas de várias proveniências e nacionalidades, com destaque para alguns da Ásia ( dois indianos, dois chineses, um cingalês do Sri Lanka e um bielorusso, admitidos por concurso curricular e escolhidos entre muitos outros candidatos que se apresentam , por conhecerem a fama do lugar).
Elvira, vinda de família modesta, acabou o curso secundário em 1982, com notas medianas. Entrou na Engenharia Física e dos Materiais e deu-se bem com o assunto. Doutorou-se em 1995, na área do marido que aí conheceu.

A investigação que fazem actualmente, no âmbito da universidade ( faculdade de Ciências e Tecnologia, no campus do Monte da Caparica, está sob a mira atenciosa de alguns fabricantes dos futuros écrans onde se escrevem, lêem e vêem, as imagens e signos do mundo computadorizado. e televisivo, como a Samsung.
Transístores de papel, é uma das últimas novidades, e que já mereceu a atenção dos media internacionais ( BBC, Corriere della Sera, Finantial Times, por exemplo).

A família Martins, tem uma filha, adolescente. A mãe, tirou sempre os cursos em escolas públicas. No entanto, a filha, "nunca irá para uma escola pública, com o ensino como está hoje", diz o pai, um professor catedrático.

Será preciso melhor metáfora, para o ensino de hoje, e para os ministérios da Educação dos últimos vinte anos?
Quem forma hoje, as Elviras de amanhã?

Publicado por josé 17:51:00 5 comentários Links para este post