"Papuça e Dentuça - Os inimigos amigos"
Domingo, Novembro 30, 2003
Já aquí se demonstrou que Manuel Monteiro e a Nova Democracia são absolutamente fundamentais para a persecução da estratégia política de Paulo Portas.

O azar de Paulo Portas tem sido Manuel Monteiro não dar uma para a caixa e vai daí há que lhe dar uma mãozinha e um empurrãozinho. O piedoso de serviço foi Telmo Correia que ao criticar violentamente as propostas revolucionárias de Monteiro subitamente as ressuscitou, legitimando assim explicitamente a Nova Democracia.
Quem é que disse que os amigos não eram para as ocasiões ...
Publicado por Manuel 22:50:00 0 comentários Links para este post
ainda o fantasma da ELF ...
Primeiro fomos nós, que aquando do conhecimento da sentença do affair ELF, em França, chamamos a atenção para a temática, tendo na semana passada voltado à carga a propósito de uma notícia do Expresso, depois esta semana o melodramático semanário desenhou um cenário dantesco e hoje o Professor Marcelo, na sua homilia dominical na TVI, voltou, embora muito onírica e suavemente, a abordar a matéria.

E a temática em questão é a de se esclarecerem de uma vez por todas os contornos à volta de certos negócios que envolvem todo o sector energético em Portugal e respectiva política estratégica. Sem entrar em grandes detalhes, parece do mais elementar bom senso solicitar, e com a maior brevidade possível, a uma entidade externa, estrangeira de preferência, acima de qualquer suspeita, uma auditoria rigorosa a tudo o que se tem passado por aquelas bandas desde os tempos de Pina Moura.
Ou isso e já, ou o Ministério Público ao barulho a prazo (se é que isso não é, já, inevitável)
Publicado por Manuel 21:19:00 0 comentários Links para este post
Um "preço" demasiado alto ...
Muito boa gente estranhou a súbita preocupação de Jorge Sampaio com o excesso de revisões constitucionais e a súbita colagem a este de Mário Soares.
É muito simples: Jorge Sampaio já percebeu - e a história das secretas é uma pequeníssima amostra - que Ferro & companhia são capazes de tudo, inclusivé de hipotecar o PS, para se manterem à tona.

Jorge Sampaio receia, justificadamente aliás, que a troco de um pacto de regime que "resolva" algumas contingências derivadas daquilo a que Jorge Coelho um dia, com refinado humor, apelidou de mero "equívoco", o PS ceda em toda a linha, e em todas as frentes, sendo que a primeira dessas frentes é a da Revisão Constitucional.
Em suma, o que Sampaio e Soares vieram dizer, preto no branco, é que apesar de ser necessária uma maioria qualificada de dois terços para rever e alterar a Constituição, não confiam, pura e simplesmente, nesta direcção do PS para negociar com a maioria.
Para bom entendedor ...
Publicado por Manuel 17:08:00 0 comentários Links para este post
"O Ridículo"
Carlos Abreu Amorim, numa das suas conhecedoras análises políticas, não percebe "onde está o "ridículo" de (Manuel Monteiro) censurar a política financeira deste Governo." Mais, "Apoiá-la - sobretudo com argumentos liberais" - é que já lhe parece "trágico-cómico."

CAA não percebe, mas nós explicamos : O ridículo é criticar uma política e não apresentar NADA em alternativa. O ridículo é num dia pedir a Barroso a demissão de Ferreira Leite, noutro a demissão do próprio Barroso - ao falar num moção de censura virtual - e ainda no mesmo dia colar-se a Cavaco, o mesmo que com as suas declarações, seguidas pelas de Pacheco Pereira e Marques Mendes, inviabilizou qualquer hipótese de remo(dela)ção de Ferreira Leite do Governo a curto prazo ("inevitabilidade" sustentada pelo próprio CAA às 17.37 do longíncuo dia 26 de Novembro de 2003).
O ridículo é a Nova Democracia andar por aí a sonhar ser Partido de Governo, e aparte uns sound-bytes sobre a Europa , ninguém saber qual seria o seu Programa de Governo, o ridículo é num Partido de tantos e tão brilhantes quadros só se ver e ouvir Monteiro, Monteiro e mais Monteiro.
e finalmente ridículo é ver uma mente lúcida como CAA acreditar na carochinha e perder tempo a defender o indefensável, mas como há mais alegria no Reino por cada arrependido um dia ele ainda há-de ver a luz ...
Publicado por Manuel 14:45:00 0 comentários Links para este post
Freeze Tag
«We go to the playground
In the wintertime
The sun is fading fast
Upon the slides into the past
Upon the swings of indecision
In the wintertime
In the dimming diamonds
Scattering in the park
In the tickling
And the trembling
Of freeze tag
In the dark
We play that we're actors
On a movie screen
I will be Dietrich
And you can be Dean
You stand
With your hand
In your pocket
And lean against the wall
You will be Bogart
And I will be
Bacall

And we can only say yes now
To the sky, to the street, to the night
Slow fade now to black
Play me one more game
Of chivalry
You and me
Do you see
where I've been hiding
In this hide-and-seek?
We go to the playground
In the wintertime
The sun is fading fast
Upon the slides into the past
Upon the swings of indecision
In the wintertime
Wintertime
Wintertime
We can only say yes now
To the sky, to the street, to the night
We can only say yes now
To the sky, to the street, to the night»
«FREEZE TAG», Suzanne Vega
Publicado por André 13:43:00 0 comentários Links para este post
à atenção do IGAT e da PGR ...
Sábado, Novembro 29, 2003
Não basta a Santana ser o político português do activo com mais experts de comunicação e propaganda ao seu serviço e tudo à pala do contribuinte.
Não basta a Santana Portugal estar afundado numa crise económica gravíssima e mesmo assim ter gasto 100 mil €uros num carro de serviço, nada disto basta a Santana.
Santana só pararia, se o deixassem, quando, qual Coreia do Norte, 100% dos portugueses, e portuguesas, se babassem só de ouvir o seu nome.
E vai daí, e porque ainda não houve coragem de o parar, Santana resolveu encomendar uma sondagem, para saber o que pensam dele os lisboetas, cujos resultados foram divulgados com um timing cirúgico.

Levantaram-se algumas dúvidas e interrogado sobre o facto de uma pergunta feita na sondagem se iniciar com uma afirmação - «há quem diga que a oposição...» -, Rui Calafate, chefe de gabinete do presidente da autarquia, disse que as questões concretas colocadas pelos entrevistadores são da «inteira responsabilidade» da empresa que efectuou a sondagem e não da autarquia, ora assim sendo a sondagem que a autarquia encomendou era sobre quê especificamente ? Sobre a imagem de Santana ?
Se isto não é desperdício de dinheiros públicos nada é ! e se mais dúvidas ouvesse, com isto PSL só prova que não fica nada atrás de Fátima Felgueiras ...
Publicado por Manuel 23:41:00 0 comentários Links para este post

Luís Nazaré, vem hoje na arca de noé socialista na blogosfera, transformada em submarino do capitão Nemo, tais os pesos que alberga, defender a privatização da RTP-1. Como não há coincidências, aguardam-se reações, de dentro do PS evidentemente ...
Publicado por Manuel 20:53:00 0 comentários Links para este post
Manuel Monteiro voltou outra vez a abrir a boca. Apesar de a Nova Democracia ser um Partido cheio de grandes e brilhantes quadros estes sofrem todos, e pelos vistos, de timidez complulsiva pelo que temos de gramar, dia após dia, sempre com Manuel Monteiro a regorgitar disparates.
Desta vez o grande timoneiro da ND partilhou connosco, via Lusa, que
conjuntamente com mais um chorrilho de disparates.
Convinha no entanto a Monteiro explicitar uma ou duas coisinhas : No absurdo de a ND estar representada no parlamento, e admitindo - para efeitos de tese - que não existia uma maioria absoluta, a ND apresentava uma moção de censura exactamente para quê ? Para se apresentar como alternativa coligada ao PS, ao BE ? ou para pedir uma maioria de Governo para a ND nas legislativas que se seguiriam ?

Parafraseando o nosso bom amigo Carlos Abreu de Amorim na política, como no resto da vida, o sentido do ridículo é esencial. E, Manuel Monteiro transbordou-o, mais uma vez, desmesuradamente.
Entretanto, e a provar a particular sagacidade política de Pedro Santana Lopes está a notícia de hoje do Público que nos diz que, tal como aquí se anteveu, "Santana Lopes deverá descolar do Governo".
Se PSL tivesse um minímo de decoro, no mínimo era mais discreto, e esperava mais uns tempinhos, mas nós estamos a falar do Lopes portanto ... (Ah, e aquela comparação a Mário Soares, como que pulgas e elefantes sejam comparáveis, ó que ego Senhor ...)
Publicado por Manuel 19:31:00 0 comentários Links para este post
"O Negócio"
Jorge Van Krieken, Carteira profissional n. 2687, descobriu a pólvora: O escândalo Casa Pia é um negócio.
Escreve JVK:
Desde o dia 24 de Outubro de 2002 ao dia 24 de Outubro de 2003, os serviços informativos regulares da RTP1, RTP2, SIC e TVI emitiram 5.612 notícias sobre o processo Casa Pia, que registaram uma duração total superior às 219 horas.
Estas notícias, obtiveram 8.5% de audiência média, tendo sido seguidas por 798 mil indivíduos. Quando comparadas com as restantes notícias emitidas no período, este valor é relativamente superior, já que a audiência média das restantes notícias se situa nos 7.9%.
Na cobertura deste assunto por canais, observamos o seguinte:
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Publicado por Manuel 16:55:00 0 comentários Links para este post

Há por aí quem jure, aludindo aos timings, que foi por causa disto que um blog muito popular na nossa blogosfera se finou ...
Publicado por Manuel 13:15:00 0 comentários Links para este post
detalhes ou uma questão de agenda...

Publicado por Manuel 10:28:00 0 comentários Links para este post
a vergonha para o próprio, e para o PSD, de Tavares Moreira se ver agora obrigado a sair pela porta dos fundos era escusada. Nós bem que avisamos ...
Publicado por Manuel 0:26:00 0 comentários Links para este post
momento de suspense
Depois da fase dos piropos, a blogosfera em peso aguarda ansiosamente a posição substantiva de Carlos Abreu de Amorim sobre as declarações do Professor Anibal Cavaco Silva.

A Grande Loja sabe que Manuel Monteiro (já) está impaciente ...
Publicado por Manuel 0:20:00 0 comentários Links para este post
o primeiro dia do resto desta legislatura ..
Sexta-feira, Novembro 28, 2003

Publicado por Manuel 23:57:00 0 comentários Links para este post
Desperdício
A selecção portuguesa podia ter uma referência defensiva a exemplo do que teve a Alemanha com Beckenbauer ou, mais tarde, com Augenthaler, Sammer ou mesmo Mathaus (na parte final da carreira do agora treinador do Partizan).
Um dos melhores jogadores de uma das melhores equipas europeias do momento, o Estugarda (se puderem, vejam um jogo desta equipa que não perde em casa há mais de cinco anos), é português e chama-se Fernando Meira. Transpira solidez e dá segurança a qualquer sistema defensivo. O problema é que a sua vocação de liderança assusta um senhor chamado Scolari. O sargentão tratou de afugentar Meira da equipa, sob um falso pretexto, até hoje por esclarecer.
Porquê?
Porque Scolari tem medo de perder o comando do grupo.

Baía foi a primeira vítima, Meira é o novo caso.
De desperdício em desperdício, até ao desastre final?
Temo que sim.
Publicado por André 18:52:00 0 comentários Links para este post
Esta sexta-feira o Professor Marcelo, célebre alquimista que ficou conhecido na juventude por ter inventado uma fórmula de modo a tornar complicados os mais simples problemas, dá, mais uma, onanística entrevista, desta vez à Tempo, sucedánea do defunto eurodisney, perdão Euronotícias, onde fala de tudo e não diz nada.
José Luís Arnaut deixou o leste em paz e tem uma nova namorada além de uma casa nova, modesta e logo na Lapa, e somos imediatamente esclarecidos antes que dúvidas maldosas se levantem que esta lhe foi oferecida pelo seu papá. Quem pode, pode. (Memo para Manuela Ferreira Leite : Checar (fuga eventual ao) imposto sucessório ...)

No semanário, o eixo Arnaut/Santana resolveu pena n-ésima vez, com pouca criatividade aliás, massacrar literalmente Marques Mendes que só lhes pode estar eternamente agradecido dada a qualidade do serviço e no Independente o Ali Babá português, Manuel Joaquim Dias Loureiro, aproveita para recordar que está vivo e, para dizer, o passado a isso o obriga, que apoia Cavaco, mas que também não desdenha Santana, já que a isso o obriga o presente. Ainda no Independente, Paulo Rangel, o insigne jurista nortenho que viu a sua promissora carreira política ter terminado ainda antes de ter começado depois de Carlos Magno, que almoçou esta semana com Mota Amaral, lhe ter prognosticado no DN que viria um dia a ser primeiro-ministro, resolveu perorar sobre a peregrina tese de que Santana Lopes é o pior (!) candidato presidencial do ponto de vista do PP...
Para rematar Durão Barroso, qual padre a ter de afirmar em público a sua Fé em Deus, veio dizer publicamente que apoiava a proposta de revisão constitucional da coligação. Estamos conversados ...
Publicado por Manuel 16:51:00 0 comentários Links para este post
Esclarecedor
O Sporting foi varrido da UEFA por uma equipa desconhecida, com um nome esquisito. Os leões perderam por 0-3 em casa e não foram capazes de gerir um bom resultado que trouxeram da Turquia.
Se o Sporting tivesse a pretensão de ser uma grande equipa, o que aconteceu seria um escândalo. Mas o presidente e o treinador falaram em «azar» e em «coisas que acontecem no futebol». Ficámos, por isso, esclarecidos.
O Sporting tem a noção daquilo que vale.
Publicado por André 15:19:00 0 comentários Links para este post
afirma Paulo Gorjão.
au contraire o regresso de Pacheco é uma das poucas boas notícias com que Barroso pode seguramente contar para 2004. Pacheco dava, é certo, um excelente comissário mas as pastas para as quais estaria fadado e talhado jamais lhe serão atribuídas, a PESC por exemplo - pensa e sabe demais ...

Assim sendo, e com Pacheco no rectângulo, Barroso não ganha um aliado no sentido clássico do termo, mas sim um contrapeso extraordináriamente útil para contrabalançar ou pelo menos desacelarar excessos quer do PP quer de patos bravos como Marcelo e Santana. E Pacheco, por muito que não se reveja nas políticas de Barroso, jamais contribuirá paar entregar o partido nas mãos de gente como Santana, pelo que até aparecer uma alternativa sólida a Barroso, Pacheco no essencial estará com ele.
Já quanto a Vitorino, Barroso bem que lhe pode oferecer o mundo, mas no fundo sabe que se a ocasião se propiciar Vitorino largará tudo para se apresentar como salvador da pátria ...
Entretanto o Público diz-nos que
Gestora de Pousadas da Juventude e Cartão Jovem em Ruptura Financeira
SA Movijovem, entidade gestora das pousadas da juventude e do cartão jovem, está em situação de ruptura financeira e terá usado verbas do PIDDAC (destinadas apenas para investimentos) para pagar despesas correntes, como salários dos seus funcionários.
Sabendo nós quem é a catraiada que ulula por aquelas bandas, e os critérios, passe o eufemismo, que levaram às suas escolhas aguardam-se para breve explicações, e medidas, de José Luís Arnaut. Se demorar muito fica, só e apenas, na mesma triste embrulhada em que se meteu o seu colega da educação ...Publicado por Manuel 13:57:00 0 comentários Links para este post
Vera
Vera Fischer fez ontem 52 anos. Mas ninguém reparou.

Publicado por André 13:15:00 0 comentários Links para este post
Depois da barracada que foram as demissões ao ralenti de Lynce e Martins da Cruz agora a história vai-se repetir ...

Vai ser preciso virem à baila os episódios mais pirotécnicos da CBI para Tavares Moreira ganhar tino e passar à reserva, e na educação, cada dia que passa é um prego a mais no caixão de David Justino que estupida e infantilmente se deixou embrulhar numa história imbecil e terceiro-mundista de cunhas e tráfico de influências, deixando-se tornar, e na melhor das hipóteses cúmplice objectivo, por omissão, de uma absoluta farsa.
Definitivamente, aquela gente não tem emenda.
Publicado por Manuel 1:47:00 0 comentários Links para este post
perguntar não ofende ...
Começam a ser conhecidos (vide abaixo notícia do Independente desta semana) os "pormenores" do acordo abstracto conseguido entre o Governo e o PS à volta da problemática dos nossos serviços secretos.
A coisa, esse pactozinho de regime, não tem nada a ver com a Casa Pia, pois não ?

Publicado por Manuel 0:08:00 0 comentários Links para este post
Marcelo, a arma de cavalaria ...
Quinta-feira, Novembro 27, 2003
há actos que caracterizam indelevelmente a coluna vertebral, ou falta dela, de um homem.
Há semanas na sua homilia semanal na TVI, Marcelo atacou fortemente o PGR - Souto Moura - a propósito da "prescrição" do caso das viagens fantasma. As coisas não foram bem como Marcelo contou e no decorrer da semana seguinte Marcelo recebe uma explicação do PGR himself. O desmentido de Marcelo na homilia seguinte durou 15 meros segundos.

Quem vir nisto um mero lapso do Professor não só não conhece Marcelo como parece ignorar aquilo, e aqueles, com quem ele anda metido ...
Publicado por Manuel 22:55:00 0 comentários Links para este post
Umberto Eco : o papel versus a memória digital
Vegetal and mineral memory: The future of books
The city of Alexandria played host on 1 November to the renowned Italian novelist and scholar Umberto Eco, who gave a lecture in English, on varieties of literary and geographic memory, at the newly opened Bibliotheca Alexandrina. Al-Ahram Weekly publishes the complete text of the lecture
WE HAVE THREE TYPES OF MEMORY. The first one is organic, which is the memory made of flesh and blood and the one administrated by our brain. The second is mineral, and in this sense mankind has known two kinds of mineral memory: millennia ago, this was the memory represented by clay tablets and obelisks, pretty well known in this country, on which people carved their texts. However, this second type is also the electronic memory of today's computers, based upon silicon. We have also known another kind of memory, the vegetal one, the one represented by the first papyruses, again well known in this country, and then on books, made of paper. Let me disregard the fact that at a certain moment the vellum of the first codices were of an organic origin, and the fact that the first paper was made with rugs and not with wood. Let me speak for the sake of simplicity of vegetal memory in order to designate books.
This place has been in the past and will be in the future devoted to the conservation of books; thus, it is and will be a temple of vegetal memory. Libraries, over the centuries, have been the most important way of keeping our collective wisdom. They were and still are a sort of universal brain where we can retrieve what we have forgotten and what we still do not know. If you will allow me to use such a metaphor, a library is the best possible imitation, by human beings, of a divine mind, where the whole universe is viewed and understood at the same time. A person able to store in his or her mind the information provided by a great library would emulate in some way the mind of God. In other words, we have invented libraries because we know that we do not have divine powers, but we try to do our best to imitate them.
To build, or better to rebuild, today one of the greatest libraries of the world might sound like a challenge, or a provocation. It happens frequently that in newspaper articles or academic papers some authors, facing the new computer and internet era, speak of the possible "death of books". However, if books are to disappear, as did the obelisks or the clay tablets of ancient civilisations, this would not be a good reason to abolish libraries. On the contrary, they should survive as museums conserving the finds of the past, in the same way as we conserve the Rosetta Stone in a museum because we are no longer accustomed to carving our documents on mineral surfaces.
Yet, my praise for libraries will be a little more optimistic. I belong to the people who still believe that printed books have a future and that all fears à propos of their disappearance are only the last example of other fears, or of milleniaristic terrors about the end of something, the world included.
In the course of many interviews I have been obliged to answer questions of this sort: "Will the new electronic media make books obsolete? Will the Web make literature obsolete? Will the new hypertextual civilisation eliminate the very idea of authorship?" As you can see, if you have a well-balanced normal mind, these are different questions and, considering the apprehensive mode in which they are asked, one might think that the interviewer would feel reassured when your answer is, "No, keep cool, everything is OK". Mistake. If you tell such people that books, literature, authorship will not disappear, they look desperate. Where, then, is the scoop? To publish the news that a given Nobel Prize winner has died is a piece of news; to say that he is alive and well does not interest anybody -- except him, I presume.
WHAT I WANT TO DO TODAY is to try to unravel a skein of intertwined apprehensions about different problems. To clarify our ideas about these different problems can also help us to understand better what we usually mean by book, text, literature, interpretation, and so on. Thus you will see how from a silly question many wise answers can be produced, and such is probably the cultural function of naive interviews.
Let us start with an Egyptian story, even though one told by a Greek. According to Plato in Phaedrus when Hermes, or Theut, the alleged inventor of writing, presented his invention to the Pharaoh Thamus, the Pharaoh praised such an unheard of technique supposed to allow human beings to remember what they would otherwise forget. But Thamus was not completely happy. "My skillful Theut," he said, "memory is a great gift that ought to be kept alive by continuous training. With your invention people will no longer be obliged to train their memory. They will remember things not because of an internal effort, but by mere virtue of an external device."
We can understand the preoccupation of Thamus. Writing, like any other new technological invention, would have made torpid the human power which it pretended to substitute and reinforce. Writing was dangerous because it decreased the powers of mind by offering human beings a petrified soul, a caricature of mind, a mineral memory.
Plato's text is ironical, naturally. Plato was writing down his argument against writing. But he was also pretending that his discourse was told by Socrates, who did not write (since he did not publish, he perished in the course of the academic fight.) Nowadays, nobody shares Thamus's preoccupations for two very simple reasons. First of all, we know that books are not ways of making somebody else think in our place; on the contrary, they are machines that provoke further thoughts. Only after the invention of writing was it possible to write such a masterpiece of spontaneous memory as Proust's A la Recherche du Temps Perdu. Secondly, if once upon a time people needed to train their memories in order to remember things, after the invention of writing they had also to train their memories in order to remember books. Books challenge and improve memory; they do not narcotise it. However, the Pharaoh was instantiating an eternal fear: the fear that a new technological achievement could kill something that we consider precious and fruitful.
I used the verb to kill on purpose because more or less 14 centuries later Victor Hugo, in his Notre Dame de Paris, narrated the story of a priest, Claude Frollo, looking in sadness at the towers of his cathedral. The story of Notre Dame de Paris takes places in the XVth century after the invention of printing. Before that, manuscripts were reserved to a restricted elite of literate persons, and the only thing to teach the masses about the stories of the Bible, the life of Christ and of the Saints, the moral principles, even the deeds of national history or the most elementary notions of geography and natural sciences (the nature of unknown peoples and the virtues of herbs or stones), was provided by the images of a cathedral. A mediaeval cathedral was a sort of permanent and unchangeable TV programme that was supposed to tell people everything indispensable for their everyday life, as well as for their eternal salvation.
Now, however, Frollo has on his table a printed book, and he whispers "ceci tuera cela": this will kill that, or, in other words, the book will kill the cathedral, the alphabet will kill images. The book will distract people from their most important values, encouraging unnecessary information, free interpretation of the Scriptures, insane curiosity.
During the sixties, Marshall McLuhan wrote his book The Gutenberg Galaxy, where he announced that the linear way of thinking supported by the invention of printing was on the verge of being substituted by a more global way of perceiving and understanding through TV images or other kinds of electronic devices. If not McLuhan, then certainly many of his readers pointed their finger first at a TV screen and then to a printed book, saying "this will kill that". Were McLuhan still among us, today he would have been the first to write something like "Gutenberg strikes back". Certainly, a computer is an instrument by means of which one can produce and edit images, certainly instructions are provided by means of icons; but it is equally certainly that the computer has become first of all an alphabetic instrument. On its screen there run words and lines, and in order to use a computer you must be able to write and to read.
Are there differences between the first Gutenberg Galaxy and the second one? Many. First of all, only the archaeological word processors of the early eighties provided a sort of linear written communication. Today, computers are no longer linear in so far as they display a hypertextual structure. Curiously enough, the computer was born as a Turing machine, able to make a single step at a time, and in fact, in the depths of the machine, language still works in this way, by a binary logic, of zero-one, zero-one. However, the machine's output is no longer linear: it is an explosion of semiotic fireworks. Its model is not so much a straight line as a real galaxy where everybody can draw unexpected connections between different stars to form new celestial images at any new navigation point.
![]() Click to view caption |
| Oedipus, (from a collage novel entitled Une Semaine de bonté), Max Ernst, 1934; The Massacre of the Innocents, Photocollage with gouache, Max Ernst, 1920 |
| "Before the invention of computers, poets and narrators dreamt of a totally open text that readers could infinitely re-compose in different ways. Such was the idea of Le Livre, as extolled by Mallarmé. Raymond Queneau also invented a combinatorial algorithm by virtue of which it was possible to compose, from a finite set of lines, millions of poems. In the early sixties, Max Saporta wrote and published a novel whose pages could be displaced to compose different stories, and Nanni Balestrini gave a computer a disconnected list of verses that the machine combined in different ways to compose different poems" |
Such a difference between text and system is enormously important, and we shall come back to it. For the moment, let me liquidate the most naive among the frequently asked questions, in which this difference is not yet so clear. But it will be in answering this first question that we will be able to clarify our further point. The naive question is: "Will hypertextual diskettes, the internet, or multimedia systems make books obsolete?" With this question we have arrived at the final chapter in our this-will-kill-that story. But even this question is a confused one, since it can be formulated in two different ways: (a) will books disappear as physical objects, and (b) will books disappear as virtual objects?
Let me first answer the first question. Even after the invention of printing, books were never the only instrument for acquiring information. There were also paintings, popular printed images, oral teaching, and so on. Simply, books have proved to be the most suitable instrument for transmitting information. There are two sorts of book: those to be read and those to be consulted. As far as books-to-be-read are concerned, the normal way of reading them is the one that I would call the "detective story way". You start from page one, where the author tells you that a crime has been committed, you follow every path of the detection process until the end, and finally you discover that the guilty one was the butler. End of the book and end of your reading experience. Notice that the same thing happens even if you read, let us say, a philosophical treatise. The author wants you to open the book at its first page, to follow the series of questions he proposes, and to see how he reaches certain final conclusions. Certainly, scholars can re-read such a book by jumping from one page to another, trying to isolate a possible link between a statement in the first chapter and one in the last. They can also decide to isolate, let us say, every occurrence of the word "idea" in a given work, thus skipping hundreds of pages in order to focus their attention only on passages dealing with that notion. However, these are ways of reading that the layman would consider as unnatural.
Then they are books to be consulted, like handbooks and encyclopaedias. Encyclopaedias are conceived in order to be consulted and never read from the first to the last page. A person reading the Encyclopaedia Britannica every night before sleeping, from the first to the last page, would be a comic character. Usually, one picks up a given volume of an encyclopaedia in order to know or to remember when Napoleon died, or what is the chemical formula for sulphuric acid. Scholars use encyclopaedias in a more sophisticated way. For instance, if I want to know whether it was possible or not that Napoleon met Kant, I have to pick up the volume K and the volume N of my encyclopaedia: I discover that Napoleon was born in 1769 and died in 1821, Kant was born in 1724 and died in 1804, when Napoleon was already emperor. It is therefore not impossible that the two met. In order to confirm this I would probably need to consult a biography of Kant, or of Napoleon, but in a short biography of Napoleon, who met so many persons in his life, a possible meeting with Kant can be disregarded, while in a biography of Kant a meeting with Napoleon would be recorded. In brief, I must leaf through many books on many shelves of my library; I must take notes in order to compare later all the data I have collected. All this will cost me painful physical labour.
Yet, with hypertext instead I can navigate through the whole net-cyclopaedia. I can connect an event registered at the beginning with a series of similar events disseminated throughout the text; I can compare the beginning with the end; I can ask for a list of all words beginning by A; I can ask for all the cases in which the name of Napoleon is linked with the one of Kant; I can compare the dates of their births and deaths -- in short, I can do my job in a few seconds or a few minutes.
Hypertexts will certainly render encyclopaedias and handbooks obsolete. Yesterday, it was possible to have a whole encyclopaedia on a CD-ROM; today, it is possible to have it on line with the advantage that this permits cross references and the non-linear retrieval of information. All the compact disks, plus the computer, will occupy one fifth of the space occupied by a printed encyclopaedia. A printed encyclopaedia cannot be easily transported as a CD-ROM can, and a printed encyclopaedia cannot be easily updated. The shelves today occupied at my home as well as in public libraries by metres and metres of encyclopaedias could be eliminated in the near future, and there will be no reason to complain at their disappearance. Let us remember that for a lot of people a multivolume encyclopaedia is an impossible dream, not, or not only, because of the cost of the volumes, but because of the cost of the wall where the volumes are shelved. Personally, having started my scholarly activity as a medievalist I would like to have at home the 221 volumes of Migne's Patrologia Latina. This is very expensive, but I could afford it. What I cannot afford is a new apartment in which to store 221 huge books without being obliged to eliminate at least 500 other normal tomes.
Yet, can a hypertextual disk or the WWW replace books to be read? Once again we have to decide whether the question concerns books as physical or as virtual objects. Once again let us consider the physical problem first.
Good news: books will remain indispensable, not only for literature but for any circumstances in which one needs to read carefully, not only in order to receive information but also to speculate and to reflect about it. To read a computer screen is not the same as to read a book. Think about the process of learning a new computer programme. Usually, the programme is able to display on the screen all the instructions you need. But usually users who want to learn the programme either print the instructions and read them as if they were in book form, or they buy a printed manual. It is possible to conceive of a visual programme that explains very well how to print and bind a book, but in order to get instructions on how to write, or how to use, a computer programme, we need a printed handbook.
After having spent 12 hours at a computer console, my eyes are like two tennis balls, and I feel the need of sitting down comfortably in an armchair and reading a newspaper, or maybe a good poem. Therefore, I think that computers are diffusing a new form of literacy, but they are incapable of satisfying all the intellectual needs they are stimulating. Please remember that both the Hebrew and the early Arab civilisations were based upon a book and this is not independent of the fact that they were both nomadic civilisations. The Ancient Egyptians could carve their records on stone obelisks: Moses and Muhammad could not. If you want to cross the Red Sea, or to go from the Arabian peninsula to Spain, a scroll is a more practical instrument for recording and transporting the Bible or the Koran than is an obelisk. This is why these two civilisations based upon a book privileged writing over images. But books also have another advantage in respect to computers. Even if printed on modern acid paper, which lasts only 70 years or so, they are more durable than magnetic supports. Moreover, they do not suffer from power shortages and black-outs, and they are more resistant to shocks.
Up to now, books still represent the most economical, flexible, wash-and-wear way to transport information at a very low cost. Computer communication travels ahead of you; books travel with you and at your speed. If you are shipwrecked on a desert island, where you don't have the option of plugging in a computer, a book is still a valuable instrument. Even if your computer has solar batteries, you cannot easily read it while lying in a hammock. Books are still the best companions for a shipwreck, or for the day after the night before. Books belong to those kinds of instruments that, once invented, have not been further improved because they are already alright, such as the hammer, the knife, spoon or scissors.
TWO NEW INVENTIONS, however, are on the verge of being industrially exploited. One is printing on demand: after scanning the catalogues of many libraries or publishing houses a reader can select the book he needs, and the operator will push a button, and the machine will print and bind a single copy using the font the reader likes. This will certainly change the whole publishing market. It will probably eliminate bookstores, but it will not eliminate books, and it will not eliminate libraries, the only places where books can be found in order to scan and reprint them. Simply put: every book will be tailored according to the desires of the buyer, as happened with old manuscripts.
The second invention is the e-book where by inserting a micro- cassette in the book's spine or by connecting it to the internet one can have a book printed out in front of us. Even in this case, however, we shall still have a book, though as different from our current ones as ours are different from old manuscripts on parchment, and as the first Shakespeare folio of 1623 is different from the last Penguin edition. Yet, up to now e-books have not proved to be commercially successful as their inventors hoped. I have been told that some hackers, grown up on computers and unused to browsing books, have finally read great literary masterpieces on e-books, but I think that the phenomenon remains very limited. In general, people seem to prefer the traditional way of reading a poem or a novel on printed paper. E-books will probably prove to be useful for consulting information, as happens with dictionaries or special documents. They will probably help students obliged to bring with them ten or more books when they go to school, but they will not substitute for other kinds of books that we love to read in bed before sleep, for example.
Indeed, there are a lot of new technological devices that have not made previous ones obsolete. Cars run faster than bicycles, but they have not rendered bicycles obsolete, and no new technological improvements can make a bicycle better than it was before. The idea that a new technology abolishes a previous one is frequently too simplistic. Though after the invention of photography painters did not feel obliged to serve any longer as craftsmen reproducing reality, this did not mean that Daguerre's invention only encouraged abstract painting. There is a whole tradition in modern painting that could not have existed without photographic models: think, for instance, of hyper-realism. Here, reality is seen by the painter's eye through the photographic eye. This means that in the history of culture it has never been the case that something has simply killed something else. Rather, a new invention has always profoundly changed an older one.
To conclude on this theme of the inconsistency of the idea of the physical disappearance of books, let us say that sometimes this fear does not only concern books but also printed material in general. Alas, if by chance one hoped that computers, and especially word processors, would contribute to saving trees, then that was wishful thinking. Instead, computers encourage the production of printed material. The computer creates new modes of production and diffusion of printed documents. In order to re- read a text, and to correct it properly, if it is not simply a short letter, one needs to print it, then to re-read it, then to correct it at the computer and to reprint it again. I do not think that one would be able to write a text of hundreds of pages and to correct it properly without reprinting it many times.
Today there are new hypertextual poetics according to which even a book-to-read, even a poem, can be transformed to hypertext. At this point we are shifting to question two, since the problem is no longer, or not only, a physical one, but rather one that concerns the very nature of creative activity, of the reading process, and in order to unravel this skein of questions we have first of all to decide what we mean by a hypertextual link.
Notice that if the question concerned the possibility of infinite, or indefinite, interpretations on the part of the reader, it would have very little to do with the problem under discussion. Rather, that would have to do with the poetics of a Joyce, for example, who thought of his book Finnegans Wake as a text that could be read by an ideal reader affected by an ideal insomnia. This question concerns the limits of interpretation, of deconstructive reading and of over-interpretation, to which I have devoted other writings. No: what are presently under consideration are cases in which the infinity, or at least the indefinite abundance of interpretations, are due not only to the initiative of the reader, but also to the physical mobility of the text itself, which is produced just in order to be re-written. In order to understand how texts of this genre can work we should decide whether the textual universe we are discussing is limited and finite, limited but virtually infinite, infinite but limited, or unlimited and infinite.
First of all, we should make a distinction between systems and texts. A system, for instance a linguistic system, is the whole of the possibilities displayed by a given natural language. A finite set of grammatical rules allows the speaker to produce an infinite number of sentences, and every linguistic item can be interpreted in terms of other linguistic or other semiotic items -- a word by a definition, an event by an example, an animal or a flower by an image, and so on and so forth.
Take an encyclopaedic dictionary, for example. This might define a dog as a mammal, and then you have to go to the entry mammal, and if there mammals are defined as animals you must look for the entry animal, and so on. At the same time, the properties of dogs can be exemplified by images of dogs of different kinds; if it is said that a certain kind of dog lives in Lapland you must then go to the entry on Lapland to know where it is, and so on. The system is finite, an encyclopaedia being physically limited, but virtually unlimited in the sense you can circumnavigate it in a spiral-like movement, ad infinitum. In this sense, certainly all conceivable books are comprised by and within a good dictionary and a good grammar. If you are able to use an English dictionary well you could write Hamlet, and it is by mere chance that somebody did it before you. Give the same textual system to Shakespeare and to a schoolboy, and they have the same odds of producing Romeo and Juliet.
Grammars, dictionaries and encyclopaedias are systems: by using them you can produce all the texts you like. But a text itself is not a linguistic or an encyclopaedic system. A given text reduces the infinite or indefinite possibilities of a system to make up a closed universe. If I utter the sentence, "This morning I had for breakfast...", for example, the dictionary allows me to list many possible items, provided they are all organic. But if I definitely produce my text and utter, "This morning I had for breakfast bread and butter", then I have excluded cheese, caviar, pastrami and apples. A text castrates the infinite possibilities of a system. The Arabian Nights can be interpreted in many, many ways, but the story takes place in the Middle East and not in Italy, and it tells, let us say, of the deeds of Ali Baba or of Scheherazade and does not concern a captain determined to capture a white whale or a Tuscan poet visiting Hell, Purgatory and Paradise.
Take a fairy tale, like Little Red Riding Hood. The text starts from a given set of characters and situations -- a little girl, a mother, a grandmother, a wolf, a wood -- and through a series of finite steps arrives at a solution. Certainly, you can read the fairy tale as an allegory and attribute different moral meanings to the events and to the actions of the characters, but you cannot transform Little Red Riding Hood into Cinderella. Finnegans Wake is certainly open to many interpretations, but it is certain that it will never provide you with a demonstration of Fermat's last theorem, or with the complete bibliography of Woody Allen. This seems trivial, but the radical mistake of many deconstructionists was to believe that you can do anything you want with a text. This is blatantly false.
Now suppose that a finite and limited text is organised hypertextually by many links connecting given words with other words. In a dictionary or an encyclopaedia the word wolf is potentially connected to every other word that makes up part of its possible definition or description (wolf is connected to animal, to mammal to ferocious, to legs, to fur, to eyes, to woods, to the names of the countries in which wolves exist, etc.). In Little Red Riding Hood, the wolf can be connected only with the textual sections in which it shows up or in which it is explicitly evoked. The series of possible links is finite and limited. How can hypertextual strategies be used to "open" up a finite and limited text?
The first possibility is to make the text physically unlimited, in the sense that a story can be enriched by the successive contributions of different authors and in a double sense, let us say either two-dimensionally or three-dimensionally. By this I mean that given, for instance, Little Red Riding Hood, the first author proposes a starting situation (the girl enters the wood) and different contributors can then develop the story one after the other, for example, by having the girl meet not the wolf but Ali Baba, by having both enter an enchanted castle, having a confrontation with a magic crocodile, and so on, so that the story can continue for years. But the text can also be infinite in the sense that at every narrative disjunction, for instance, when the girl enters the wood, many authors can make many different choices. For one author, the girl may meet Pinocchio, for another she may be transformed into a swan, or enter the Pyramids and discover the treasury of the son of Tutankhamen.
This is today possible, and you can find on the Net some interesting examples of such literary games.
AT THIS POINT one can raise a question about the survival of the very notion of authorship and of the work of art, as an organic whole. And I want simply to inform my audience that this has already happened in the past without disturbing either authorship or organic wholes. The first example is that of the Italian Commedia dell'arte, in which upon a canovaccio, that is, a summary of the basic story, every performance, depending on the mood and fantasy of the actors, was different from every other so that we cannot identify any single work by a single author called Arlecchino servo di due padroni and can only record an uninterrupted series of performances, most of them definitely lost and all certainly different one from another.
Another example would be a jazz jam session. We may believe that there was once a privileged performance of Basin Street Blues while only a later recorded session has survived, but we know that this is untrue. There were as many Basin Street Blues as there were performances of it, and there will be in future a lot of them that we do not know as yet, as soon as two or more performers meet again and try out their personal and inventive version of the original theme. What I want to say is that we are already accustomed to the idea of the absence of authorship in popular collective art in which every participant adds something, with experiences of jazz-like unending stories.
Such ways of implementing free creativity are welcome and make up part of the cultural tissue of society.
Yet, there is a difference between implementing the activity of producing infinite and unlimited texts and the existence of already produced texts, which can perhaps be interpreted in infinite ways but are physically limited. In our same contemporary culture we accept and evaluate, according to different standards, both a new performance of Beethoven's Fifth and a new Jam Session on the Basin Street theme. In this sense, I do not see how the fascinating game of producing collective, infinite stories through the Net can deprive us of authorial literature and art in general. Rather, we are marching towards a more liberated society in which free creativity will coexist with the interpretation of already written texts. I like this. But we cannot say that we have substituted an old thing with a new one. We have both.
TV zapping is another kind of activity that has nothing to do with watching a movie in the traditional sense. A hypertextual device, it allows us to invent new texts that have nothing to do with our ability to interpret pre-existing texts. I have tried desperately to find an instance of unlimited and finite textual situations, but I have been unable to do so. In fact, if you have an infinite number of elements to play with why limit yourself to the production of a finite universe? It's a theological matter, a sort of cosmic sport, in which one, or The One, could implement every possible performance but prescribes itself a rule, that is, limits, and generates a very small and simple universe. Let me, however, consider another possibility that at first glance promises an infinite number of possibilities with a finite number of elements, like a semiotic system, but in reality only offers an illusion of freedom and creativity.
A hypertext can give the illusion of opening up even a closed text: a detective story can be structured in such a way that its readers can select their own solution, deciding at the end if the guilty one should be the butler, the bishop, the detective, the narrator, the author or the reader. They can thus build up their own personal story. Such an idea is not a new one. Before the invention of computers, poets and narrators dreamt of a totally open text that readers could infinitely re-compose in different ways. Such was the idea of Le Livre, as extolled by Mallarmé. Raymond Queneau also invented a combinatorial algorithm by virtue of which it was possible to compose, from a finite set of lines, millions of poems. In the early sixties, Max Saporta wrote and published a novel whose pages could be displaced to compose different stories, and Nanni Balestrini gave a computer a disconnected list of verses that the machine combined in different ways to compose different poems. Many contemporary musicians have produced musical scores by manipulating which one can compose different musical performances.
All these physically moveable texts give an impression of absolute freedom on the part of the reader, but this is only an impression, an illusion of freedom. The machinery that allows one to produce an infinite text with a finite number of elements has existed for millennia, and this is the alphabet. Using an alphabet with a limited number of letters one can produce billions of texts, and this is exactly what has been done from Homer to the present days. In contrast, a stimulus-text that provides us not with letters, or words, but with pre-established sequences of words, or of pages, does not set us free to invent anything we want. We are only free to move pre-established textual chunks in a reasonably high number of ways. A Calder mobile is fascinating not because it produces an infinite number of possible movements but because we admire in it the iron-like rule imposed by the artist because the mobile moves only in the ways Calder wanted it to move.
At the last borderline of free textuality there can be a text that starts as a closed one, let us say, Little Red Riding Hood or The Arabian Nights, and that I, the reader, can modify according to my inclinations, thus elaborating a second text, which is no longer the same as the original one, whose author is myself, even though the affirmation of my authorship is a weapon against the concept of definite authorship. The Net is open to such experiments, and most of them can be beautiful and rewarding. Nothing forbids one writing a story where Little Red Riding Hood devours the wolf. Nothing forbids us from putting together different stories in a sort of narrative patchwork. But this has nothing to do with the real function and with the profound charms of books.
A BOOK OFFERS US A TEXT which, while being open to multiple interpretations, tells us something that cannot be modified. Suppose you are reading Tolstoy's War and Peace: you desperately wish that Natasha will not accept the courtship of that miserable scoundrel Anatolij; you desperately wish that the marvellous person who is Prince Andrej will not die, and that he and Natasha will live together forever. If you had War and Peace on a hypertextual and interactive CD-ROM, you could rewrite your own story according to your desires; you could invent innumerable "War and Peaces", where Pierre Besuchov succeeds in killing Napoleon, or, according to your penchants, Napoleon definitely defeats General Kutusov. What freedom, what excitement! Every Bouvard or Pécuchet could become a Flaubert!
Alas, with an already written book, whose fate is determined by repressive, authorial decision, we cannot do this. We are obliged to accept fate and to realise that we are unable to change destiny. A hypertextual and interactive novel allows us to practice freedom and creativity, and I hope that such inventive activity will be implemented in the schools of the future. But the already and definitely written novel War and Peace does not confront us with the unlimited possibilities of our imagination, but with the severe laws governing life and death.
Similarly, in Les Misérables Victor Hugo provides us with a beautiful description of the battle of Waterloo. Hugo's Waterloo is the opposite of Stendhal's. Stendhal, in La Charteuse de Parme, sees the battle through the eyes of his hero, who looks from inside the event and does not understand its complexity. On the contrary, Hugo describes the battle from the point of view of God, and follows it in every detail, dominating with his narrative perspective the whole scene. Hugo not only knows what happened but also what could have happened and did not in fact happen. He knows that if Napoleon had known that beyond the top of mount Saint Jean there was a cliff the cuirassiers of General Milhaud would not have collapsed at the feet of the English army, but his information in the event was vague or missing. Hugo knows that if the shepherd who had guided General von Bulow had suggested a different itinerary, then the Prussian army would have not arrived on time to cause the French defeat.
Indeed, in a role-play game one could rewrite Waterloo such that Grouchy arrived with his men to rescue Napoleon. But the tragic beauty of Hugo's Waterloo is that the readers feel that things happen independently of their wishes. The charm of tragic literature is that we feel that its heroes could have escaped their fate but they do not succeed because of their weakness, their pride, or their blindness. Besides, Hugo tells us, "Such a vertigo, such an error, such a ruin, such a fall that astonished the whole of history, is it something without a cause? No... the disappearance of that great man was necessary for the coming of the new century. Someone, to whom none can object, took care of the event... God passed over there, Dieu a passé."
That is what every great book tells us, that God passed there, and He passed for the believer as well as for the sceptic. There are books that we cannot re-write because their function is to teach us about necessity, and only if they are respected such as they are can they provide us with such wisdom. Their repressive lesson is indispensable for reaching a higher state of intellectual and moral freedom.
I hope and I wish that the Bibliotheca Alexandrina will continue to store this kind of books, in order to provide new readers with the irreplaceable experience of reading them. Long life to this temple of vegetal memory.
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Publicado por Manuel 22:03:00 0 comentários Links para este post
jogos de espelhos ...
Há uma terrível tentação, em política e na nossa política, de ver as coisas não como elas realmente são mas como gostavamos que elas fossem ou tivessem ocorrido.
É alias esta obsessão que permite a popularidade dos comentadores políticos - casta criada pelo antigo criador de factos políticos, hoje já em decadência, Professor Marcelo Rebelo de Sousa.
Vem isto a propósito do texto de José Pacheco Pereira no Público, sobre a "resignação" portuguesa quanto ao déficit do eixo franco-alemão, assim como das reações e análises que um pouco por todo o lado surgiram.
É público e notório que não nos revemos na politica de MFL, é tambem público que nunca vimos, em bom rigordsuspeitamos até que nem a própria se vê, MFL como uma espécie de salvadora da Pátria (ainda me recordo de uma crónica completamente tresloucada de António josé Teixeira na TSF nas vésperas de um Congresso do PSD em que este antevia MFL como potencial líder daquele Partido) mas como escreviamos há dias as acções de MFL "são indissociáveis das do primeiro-ministro (como muito bem notava ainda recentemente um editorial do Diário Económico) pelo que pedir a cabeça de Ferreira Leite implica agora, nesta fase, pedir a queda do Governo, pelo que convinha ser consequente".
Pacheco tem razão ao criticar, ainda que encapotadamente Durão, em abono da verdade o grande causador dos sarilhos em que MFL está metida.
Foi Durão que impôs essa coisa inenarrável, da cota do BES, chamada Miguel Frasquilho a MFL, foi Durão que pediu e exigiu rigor a MFL e foi Durão quem sistematicamente deu cobertura a todo o tipo de excepções que resultaram sempre e em última instância na desautorização de MFL. Para quem anda a dormir a última teve a ver com os regimes especiais de excepcão derivados dos fogos desde verão.

O grande erro de MFL não foi tentar domesticar o déficit, o erro de MFL foi não ter exigido condições objectivas, uma ditadura de Ministro das Finanças para o poder fazer.
Quanto à questão do voto a favor ou contra tambem não se tratou de uma simples questão de realpolitik, de príncipios ou falta deles - Portugal tinha de votar a favor.
As artimanhas encontradas sistematicamente para garantir o cumprimento dos objectivos do deficit (sempre através de engenharias financeiras exóticas - como a de pedir à PT para pagar impostos em adiantado) são tão rascas que Portugal não se podia arriscar em armar-se em duro sobe pena de sair feito em carne picada...
Dito isto, há análises que são puro delírio e a de Carlos Abreu Amorim, hoje é uma delas. Durão não pode afrontar Cavaco muito menos despachar MFL, quanto muito tem que rezar para que ela queira saír e de mansinho. O problema de Durão não é Cavaco, que por muito arrependido que hoje esteja o lançou, mas sim o nó cego em que se meteu com a troupe de Santana que tem em José Luís Arnaut um aliado de peso.
O que nem Carlos Abreu Amorim nem José António Lima perceberam é que as presidenciais não são o plano A de Santana. O ego de Santana impele-o a querer ser Presidente mas há gente inteligente a investir demasiado em Santana.
Santana Lopes tem hoje o aparelho do PSD na mão, tem melhor relacionamento com Paulo Portas do que alguma vez Durão há-de ter e se se exceptuar a JSD, onde por razões históricas e conjunturais Santana está condenado a perder apoios gradualmente, mas que não conta para o totobola, Santana pode, em tese, fazer o que quiser com o PSD. Em tese até pode ir a um Congresso, abalrroar Cavaco e fazer-se eleger candidato presidencial, mas é um risco muito grande. As bases não são o aparelho e Cavaco só ganhava com isso.
A estratégia de Santana é outra : é fazer-se caro, um bluff aquí, um bluff alí, deixar ir Cavaco, rezar para que este perca (a convergência estratégica e de bastidores com João Soares, em curso, visa isso mesmo) , e a tempo e horas demarcar-se de Durão para em conluio com Portas fazer um take-over ao PSD antes das próximas legislativas ...
O problema de Santana é que a descrição não é o forte dele e nós somos um dos seus maiores pesadelos.
Publicado por Manuel 19:00:00 0 comentários Links para este post
Clarice Lispector
«Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém»
«LUCIDEZ PERIGOSA», Clarice Lispector

Clarice Lispector é uma escritora a descobrir. Permanentemente. Foi ingnorada pela crítica durante décadas, pagando o preço de estar muitos anos adiantada em relação ao tempo que viveu. Escreveu romances que começam hoje a estar na lista das obras de referência da Literatura do século XX. Amarga ironia para quem quase não foi reconhecida em vida.
Nascida na Ucrânia, Clarice Lispector era judia e foi para o Brasil aos dois anos. Morreu na véspera de completar 57 anos, culminando uma vida intensa e encarada nos limites — como nos seus livros. A sua matriz cultural é brasileira, mas foi vagueando por sítios tão díspares como EUA, Suiça ou Inglaterra. Sempre livre e sempre atenta a um Mundo em ebulição, em plena II Grande Guerra Mundial.
Dona de uma visão nova e revolucionária para a sua época, pela abertura e pela originalidade, Lispector escrevia com a pele. «Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até à última gota. Sem nenhum medo. Não mata».
Mas o tempo deu-lhe razão. Os primeiros a ver em Lispector uma novidade extraordinária chegaram a compará-la a James Joyce e Virginia Wolf (no seu livro «O Lustre», a personagem feminina chama-se mesmo... Viriginia). Houve quem a enquadrasse no movimento feminista. Mas essas comparações não fazem muito sentido. Clarice é única, porque fazia da sua singularidade e da sua independência as suas maiores exigências.
Se «Perto do Coração Selvagem» ditou a novidade, «A Paixão segundo G.H.» (as iniciais de Género Humano...) será a sua obra-prima. Mas há muitos outros títulos que fizeram dela uma escritora diferente de tudo o que já se possa ter conhecido: «A Hora da Estrela», «A Cidade Sitiada», «Quase de Verdade», «A Vida Íntima de Laura», «Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres», «A Imitação da Rosa», «Água Viva», «Para não esquecer», «A Bela e a Fera», «Um Sopro de Vida», tantos outros, para além de crónica escritas com um estilo simplesmente inimitável.
Escreveu com a ferocidade com que encarava o Mundo: de forma crua, sem linhas de fronteira.
«Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo».
Publicado por André 17:42:00 3 comentários Links para este post
A Reforma das Informações
As mais recentes declarações públicas de dirigentes políticos sobre a anunciada reforma dos serviços de Informações portugueses levam qualquer um a trepar pelas paredes.
O caso mais gritante de ignorância compulsiva é o do líder do PS, Ferro Rodrigues. Um pouco acanhado nas palavras - o homem solta-se mais ao telemóvel, Ferro disse que há um convergência de opiniões com o Governo em relação à fusão, o «resto são pormenores».
Ora, Ferro Rodrigues deveria saber que os tais «pormenores» são essenciais neste universo e ao serem remetidos para a categoria de «o resto» não se prevê nada de bom nestas negociações com o Governo. É por causa de sinais como este que a anunciada reforma pode não passar de uma mera operação de fachada, continuando os serviços com os mesmo problemas.
A Grande Loja associa-se a este debate, procurando fornecer pistas para a tal reforma. Começámos pelo início: fusão ou separação?
António Portugal, ex-director do SIEDM
Os modos de actuação dos dois serviços são diferentes. Por essa razão, os serviços devem ser separados, uma vez que a nível conceptual, o SIS dirige as situações internas, logo deve estar adstrito ao MAI, e o SIEDM trata de assuntos exteriores ao país, logo deveria manter-se ligado ao ministério da Defesa. Nos países civilizados (que não estão em guerra), caso da França, Alemanha, Reino Unido, entre outros, os serviços de informações domésticos e exteriores são separados. Apenas em Espanha, com o CESID, ambos os serviços permanecem juntos, mas por lá existem perigos como a ETA e o terrorismo»
General Chito Rodrigues, ex-director geral da DINFO
Sou a favor da criação de um único serviço, mas não da sua fusão. Ou seja, a criação de um serviço de Informações que tenha a componente estratégica de defesa e a componente interna, mas essa componente subsidiária da externa, porque considero que em termos actuais o chamado «inimigo interno» não existe na nossa democracia».
Bramão Ramos, ex-director do SIEDM
Dias Loureiro, antigo ministro da Administração Interna
«Sou a favor de um serviço que em cada país seja operacional e se mostre funcional».
Angêlo Correia, antigo ministro da Administração Interna
«Na lógica dos países democráticos, a segurança interna está adstrita à segurança externa. Nunca um órgão de Informações militares faz Informações de carácter civil. Após o caso «Veiga Simão», a «receita» para o SIEDM é a de reabilitação, não é a de fusão».
N.A.: Todos os depoimentos estão no livro Os Serviços Secretos em Portugal, Pedro Simões (Prefácio, 2002)
Publicado por Carlos 12:33:00 0 comentários Links para este post
há lodo no cais ...
Começamos pela revelação de um dado que visa pacificar o nosso Governo. Na passada terça-feira o DN falava numa atmosfera tensa no interior do Governo afirmando que
Ora como apesar de não falarem uns com os outros todos leêm esta Grande Loja, o suspeito não é desta vez o mordomo, mas quase, é o Ministro Adjunto - José Luís Arnaut, que naturalmente desmente. Resolvido este mistério passemos a outras coisas ainda mais óbvias.
Ainda no DN, mas de hoje, quinta-feira, Jorge Coelho dá sinais de que não só está em grande forma mas de como também não deverá deixar para terceiros, excepto talvez para Vitorino, a tarefa de enterrar e substituir Ferro. Mais do que uma machadada no Governo o artigo de Coelho é mais um sinal a Ferro para ir fazendo as malas, pelo que prevemos a prazo uma solução bicéfala para a PS: Coelho a homem-forte do aparelho e Vitorino candidato a primeiro-ministro. Coelho e Vitorino andam demasiado bem informados para descartarem a hipótese de umas legislativas antecipadas "extraordinárias" pelo que este cenário é o que melhor serve os dois.
Ainda no DN, Santana Chopin Lopes, também continua em campanha - lá mais para o final da semana explicamos de quê ...
Entretanto, e segundo o barómetro da TSF/DN/Marktest, o Professor Cavaco continua imune ao desgaste deste Governo, e favorito para Belém o mesmo não acontecendo com o Lopes. Como não é conhecida a propensão de Santana para se imolar por causas grandes ou pequenas, Durão que se cuide já que para o seu Ivice traição é uma mera questão de datas ...

Para finalizar uma nota sobre Sampaio: numa declaração, em objectividade, capaz de rivalizar com as quadras de Nostradamus, o nosso Presidente pede «pacto» para curar «doença séria». Como é hábito as interpretações do PS e PSD resultantes do apelo presidencial são diametralmente opostas. Em suma mais valia a Sampaio estar calado...
Publicado por Manuel 4:18:00 0 comentários Links para este post
Razia
Quarta-feira, Novembro 26, 2003
Uma adivinha:
- Quais serão os dois jogadores do Benfica que escaparam à maré de lesões graves que o plantel tem sofrido desde o início da época?
Uma pista:
Um é guarda-redes, o outro gaba-se de ser tão forte como o... Robocop.

Realmente, acontece tudo ao Benfica. Nos últimos cinco meses houve 13 lesões musculares. 13! António Gaspar desculpa-se com os maus pisos e as sobrecargas de esforço. Então e os outros, não as têm??? Geralmente, a qualidade de uma boa preparação física mede-se pela quantidade de lesões musculares que um plantel tem ao longo da época.
Razão tem Camacho, que se pergunta todos os dias: «Quando vou poder ter Nuno Gomes em condições?»
Publicado por André 18:06:00 0 comentários Links para este post
um sinal de esperança ...
Se a acção de Ferreira Leite é, muito, discutível, já em relação à de Carlos Tavares os factos falam por sí. Além de estar a fazer uma reforma a sério no seu Ministério, e sem grandes alaridos, os factos falam por sí :
O investimento directo estrangeiro (IDE) produtivo em Portugal aumentou 70 por cento nos primeiros nove meses deste ano, face a igual período de 2002, afirmou esta quarta-feira o ministro da Economia.
«Tendo em conta as informações que temos da Agência Portuguesa para o Investimento (API) acerca dos projectos que estão já decididos e em vias de decisão, as estatísticas para o ano serão seguramente ainda melhores», acrescentou Carlos Tavares.
«Vamos ter mais investimento e, sobretudo, com mais qualidade», disse.
O ministro da Economia falava em Gaia, onde participou na apresentação do novo autocarro Mercedes-Benz Tourino, na sede do grupo Salvador Caetano.
Nos primeiros nove meses deste ano, a API assinou 21 contratos de investimento, no valor de 500 milhões de euros, tendo em análise mais de 100 projectos, orçados em dois mil milhões de euros.
Até Setembro, a agência presidida por Miguel Cadilhe recolheu ainda 56 intenções de investimento que, a concretizar-se, somarão 3.600 milhões de euros.
Em 2003, a API visitou 330 investidores, 270 dos quais estrangeiros e os restantes em Portugal.

Estes números, segundo o ministro, revelam um «ambiente de negócios mais atractivo» no país.
«As decisões de investimento que estão a ser concretizadas mostram que a situação é bem diferente daquela que por vezes se quer fazer crer», afirmou.
Embora admitindo que a situação «não é ainda a ideal», Carlos Tavares considerou que «os números de investimento real em Portugal são muito animadores e bastante melhores do que seria de supor num ano tão difícil como 2003, que em todo o mundo significou uma quebra do investimento directo estrangeiro».
O governante explicou que nos últimos anos Portugal «deixou-se cercar» em termos de competição pelos investimentos internacionais, correndo o risco de perder essa corrida para novos espaços que entretanto se tornaram mais competitivos.
«Felizmente, creio que invertemos essa tendência a tempo, mudámos muita coisa no último ano e meio e muitas vão ainda mudar no futuro para que Portugal seja um dos países mais competitivos em captação de investimento nos próximos três a cinco anos», afirmou.
Publicado por Manuel 17:56:00 0 comentários Links para este post

Ainda sobre as secretas, fundidas ou não: Vão poder fazer escutas ? quem regula, controla e fiscaliza ?...
Publicado por Manuel 17:12:00 0 comentários Links para este post
Aquiles e as tartarugas ...
Há não muito tempo atrás, em Macau, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça criticava a morosidade do nosso sistema judicial. Hoje ficamos a saber que o STJ funciona assim :
O recurso segue assim os trâmites normais e sem carácter de urgência. A possibilidade de ser levantado o efeito suspensivo deste recurso acabou por não se confirmar e é possível que nem na próxima semana se saiba se Rui Teixeira fica ou não na frente do processo «Casa Pia».
Caso o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) tivesse levantado o efeito suspensivo do recurso, as inquirições das testemunhas para «memória futura» podiam avançar já. A possibilidade deste levantamento mantém-se, mas ficou adiada.
Depois de receberem o incidente de recusa os conselheiros analisam o mesmo e não há nenhum limite temporal para que isso aconteça. «Pode ser dois, três ou quatro dias. Dependerá do trabalho de cada conselheiro tem em mãos», explicou fonte oficial do STJ ao PortugalDiário.
O número de volumes que constituem o processo também pode afectar a maior ou menor rapidez de análise. Se, por exemplo, cada conselheiro demorar três dias com o processo na mão, o pedido de afastamento de Rui Teixeira não terá resposta nos próximos oito dias.
Recorde-se que os conselheiros do STJ que vão apreciar este incidente são Pires Salpico (relator), Henrique Gaspar, Antunes Grancho e Silva Flor.

Publicado por Manuel 16:42:00 0 comentários Links para este post
Cavaleiro Andante
«Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras
Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de Maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe
Porque sou o Cavaleiro Andante
Que o teu velho medo inventou
Podes chorar no meu peito
Pois sabes sempre aonde estou
Sempre que a rádio diga
Que a América roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua
Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz
Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau»
«CAVALEIRO ANDANTE»
Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso

Publicado por André 14:18:00 0 comentários Links para este post
perguntar não ofende ...
O PSD e o PP consideraram, hoje que é «inoportuna» a audição parlamentar do ex-presidente do Serviço de Protecção Civil.

Mas, inoportuna porquê ?
Publicado por Manuel 13:02:00 0 comentários Links para este post
"Alberto João, O Homem" ...
quase que por acidente descobrimos neste blog um pequeno compêndio sobre Alberto João Jardim que não resistimos a citar.
Regressemos, regressemos sempre, a «Alberto João, o Homem». Entrevista conduzida por Teresa Mascarenhas e Ana Macedo e Sousa (à semelhança das Edições Golfinho, não há razões para duvidar da sua existência), «Alberto João, o Homem» é um documento ímpar. Já é difícil encontrar exemplares e as Edições Golfinho, como o próprio nome indica, submergiram definitivamente depois da publicação deste clássico da «literatura maldita». Só podemos, por isso, deixar uns trechos da referida obra:
«Lia muito, era o Cavaleiro Andante, por exemplo, que tinha histórias muito pedagógicas, não era a bodega que se vê hoje na banda desenhada»
«Eu hoje falo tão à vontade com um Rei ou com um Presidente como falo com o trabalhador rural mais pobre que exista na Madeira ou em qualquer lado»
«Obrigavam-me a estudar o esqueleto do pombo, a folha do morangueiro, os intestinos do caracol, e isso era um insulto à minha inteligência»
«A minha mãe ao princípio não via a minha mulher com bons olhos»
«Foi um namoro à moda antiga até ao dia do casamento, isso eu garanto. Eu tinha pouco juízo era com as outras...»
«Eu acho que a idade que conta numa pessoa, seja homem ou mulher, é a idade mental»
«Eu não sou propriamente atraente»
«Cuecas e meias é a minha mãe que me oferece. É um privilégio dela»
«Vou sempre de fato escuro, porque acho que me favorece, embora a minha mulher goste mais de me ver de fatos claros»
«Eu sou um homem com imenso sentido de humor»
«Gosto de comer bem»
«Sou um bocadinho esquisito de boca»
«Penso que a boa cozinha, seja em que país for, faz parte da cultura do povo desse país»
«Nós hoje em Portugal temos uma classe política fraquíssima»
«Sei fazer um ovo estrelado»
«Também nado bem»
«Uma coisa de que eu gosto muito é de abrir os olhos debaixo de água»
«Eu hoje em dia fujo um bocadinho dos chantillies e dos molhos»
«Posso pôr uma água de colónia de manhã, se estiver à mão, gosto do Boss, no Inverno, gosto do Aramis»
«Eu não aprecio só os prazeres físicos, também aprecio os prazeres intelectuais»
«Aprecio muito os ritmos latinos»
«A Ásia não é uma coisa que me fascine muito»
«Eu não gosto de perder tempo com coisas secundárias»
«Eu gosto dos grandes objectivos»
«Eu gosto de discutir milhões de contos»
«O meu avô contava-me uma história que era a história da garrafinha de chichi»
«Eu adoro dormir»
«Eu gosto de cumprimentar toda a gente»
«Aturar uma mulher burra é uma coisa insuportável»
«Feminista sou eu, porque eu adoro as senhoras»
«Eu tenho visto raparigas negras e mulatas tão bonitas!»
«Não tenho paciência para aturar uma mulher bonita que seja estúpida»
«O pecado é a consciência do mal»
«Eu para já sou um ecuménico»
«O padre é um homem como os outros»
«Eu condenaria o Hitler a prisão perpétua»
«Sei distinguir o erotismo da pornografia»
«Eu não tenho complexos quanto ao sexo»
«Eu conheci o Doutor Sá Carneiro como não muita gente terá conhecido»
«Não sou muito dado à poesia»
«Eu gosto muito de ler»
«Nós temos de lidar com grandes contingentes humanos»
«Se nós começarmos por dar ao povo coisas que ele não compreende, o que é que vai acontecer?»
«A Eternidade para mim é a fusão na Essência do Bem»

«Acho que sou equilibrado»
Publicado por Manuel 10:17:00 0 comentários Links para este post
à Causa Liberal...
Em relação aos três comentários colocados pela Causa Liberal em relação ao último episódio do nosso ping-pong com Carlos Abreu Amorim acerca do liberalismo revolucionário apenas temos a dizer que subscrevemos na integra os pontos 1 e 2. Quanto ao 3, é uma questão de puro bom senso, aplica-se a tudo - sempre ouve um tempo para ser coruja e outro para ser falcão.

Ainda relativamente à Causa Liberal e à defesa que esta faz de Manuela Ferreira Leite, eu até que que podia subscrever todas as argumentações usadas se individualmente. A prosa peca pela ponderação que é feita dos diferentes valores em equação. Quando se diz que
estamos a falar de puro delírio. Essa é a grande asfixia, e a despesa pública nõ está a dimuir antes está a aumentar!
Para citar, apenas, o mais gritante, e óbvio, é certo que se desacelarou ligeramente a despesa na saúde e na educação, os dois buracos crónicos, mas é incontornável que se está a criar um buraco negro de dimensões incomensuráveis ao não ter pé, nem controlo, nos gastos das autarquias acompanhados da sistemática desafectação de certo tipo de competências do poder central para estas,uma chico-espertice que a prazo pode vir a sair muito cara, mas discutir isto parece ser assunto tabú.
Publicado por Manuel 0:39:00 0 comentários Links para este post
A Nova Democracia pediu hoje, e mais uma vez, a cabeça de Manuela Ferreira Leite depois de há poucas semanas atrás a ter já pedido conjuntamente com a do Ministro da Economia, Carlos Tavares.
É conhecida a pouca simpatia existente por estas bandas pelas políticas de Manuela Ferreira Leite mas, e é um grande mas, estas são indissociáveis das do primeiro-ministro (como muito bem notava ainda recentemente um editorial do Diário Económico) pelo que pedir a cabeça de Ferreira Leite implica agora, nesta fase, pedir a queda do Governo, pelo que convinha ser consequente.
Entretanto e para juntar à confusão, as erupções da Nova Democracia na blogosfera,verdade seja dita muito mais estimulantes que a intelectual pobreza franciscana de Monteiro, vem hoje criticar Ferreira Leite e louvar Miguel Cadilhe. Desculpem-me a lentidão de raciocínio mas, qual é a diferença entre as posições de Cadilhe e as de Carlos Tavares, que o nomeou, e o tal de que se pediu também a demissão ?

Seria pois útil conhecer de uma vez por todas as politicas, as grandes linhas revolucionárias , que a ND preconiza para as finanças nacionais ...
Para rematar, e quanto à referência ao Professor Cavaco feita pelo Paulo Gorjão, Cavaco já se pronunciou em tempo oportuno, primeiro, em espírito, pela pena de António Carrapatoso e depois himself - é só consultar os nossos arquivos ...
Publicado por Manuel 22:30:00 0 comentários Links para este post
tiros nos pés ...
O PSD, e bem, criticou o PS e a ambiguidade inicial deste em relação a casos como os de Fátima Felgueiras e mesmo Paulo Pedroso.
Hoje o mesmo PSD, ao passar um atestado de incompetência ao Banco de Portugal, cometeu um erro de palmatória. Não sabemos se Tavares Moreira é culpado ou inocente e isso cabe em última instância ao sistema decidir.
O que sabemos é que é intolerável o Porta-Voz do mair Partido Português, partido de Governo, poder opinar sobre as finanças de todo um País e, nos entretantos, estar ao mesmo tempo "inibido pelo Banco de Portugal de exercer funções de gestão na banca por sete anos". Às vezes em política o que parece é.
Partido não coloca hipótese de substituir porta-voz para a economia
O PSD reiterou hoje a «confiança pessoal, política e técnica» em Tavares Moreira, inibido pelo Banco de Portugal de exercer funções de gestão na banca por sete anos, garantindo que continuará porta-voz do partido em questões económicas.
«O dr. Tavares Moreira merece total confiança por parte da direcção do partido», afirmou o porta-voz do PSD, Pedro Duarte, em declarações à Agência Lusa.
Segundo a imprensa de hoje, o Banco de Portugal notificou segunda-feira o deputado Tavares Moreira, informando-o de que ficou inibido de exercer funções de gestão em instituições de crédito durante sete anos, na sequência do processo de contra-ordenação instaurado ao Central Banco Investimento (CBI) e aos seus gestores.

Questionado se o deputado vai continuar a exercer as funções que desempenha como porta-voz do PSD para as questões económicas, Pedro Duarte foi peremptório: «A questão nem se coloca. O PSD mantém toda a confiança pessoal, política e técnica no dr. Tavares Moreira».
Tavares Moreira, antigo presidente do Central Banco de Investimento foi ainda condenado ao pagamento de uma coima de 200 mil euros, estando o deputado a preparar recurso, após renunciar ao cargo de administrador do Banco Africano de Investimento (BAI).
A sanção atingiu todos os membros do conselho de administração, com uma excepção, do CBI no período 2000-2001, época em que o Banco de Portugal terá detectado irregularidades, tendo agora concluído pela existência de «infracção especialmente grave», de acordo com a imprensa
N.A. Tavares Moreira denotou ao longo de todo o processo particular lisura tendo mesmo chegado a suspender o seu mandato de deputado. Espera-se agora que mantenha a lucidez e, registando a solidariedade do seu Partido, se retire de cena até que tudo esteja esclarecido.
Publicado por Manuel 17:40:00 0 comentários Links para este post
O (verdadeiro) dia da Liberdade
A Revolução dos Cravos abriu caminho à Liberdade, mas não foi no dia 25 de Abril de 1974 que Portugal conquistou a Democracia.
Foi a 25 de Novembro de 1975, dia que pôs fim ao forrobodó em que este país caiu.
Estivemos a um passo, pequeníssimo passo, de cair numa ditadura de sentido contrário ao do bolorento salazarismo/marcelismo que nos prendeu durante quase meio século. Se o outro lado da barricada tivesse vencido, Portugal teria perdido o comboio da História. Felizmente, por um daqueles pormenores com que a história nos brinda, a facção da democracia representativa e pluralista prevaleceu. Eanes ganhou militarmente e como prémio teve dez anos de Presidência. Soares, Sá Carneiro e Freitas do Amaral derrotaram Cunhal, mas integraram-no no sistema político.
Se fosse ao contrário, não era de certeza assim. (o melhor, de facto, é nem imaginar...)
Faz hoje 28 anos. (de vez em quando, convém lembrar estas coisas...)
Publicado por André 13:47:00 0 comentários Links para este post
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido...
«Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no meu mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim»
«JOÃO E MARIA»
Letra: Chico Buarque
Música: Sivuca
Interpretação: Caetano Veloso e Maria Bethânia

Publicado por André 10:03:00 0 comentários Links para este post
25 de Novembro ...

... de 73, de 75 e claro de 1845 - ano em que nasceu Eça de Queirós.
Publicado por Manuel 6:20:00 0 comentários Links para este post
alta joalharia
uma pérola
A Belgium newspaper, Gazet van Antwerpen is reporting that the family of a recently deceased motorcyclist are suing the funeral firm they chose, after the dead mans cell phone started ringing - from inside the coffin.
The paper reports that Marc Marchal, 32, was killed when his motorbike collided with a tractor near his home town of Rochefort. Mr. Marchal was so badly injured in the accident that the undertakers advised his family that the coffin should remain closed as they said their last farewells.
The night before the funeral, the family gathered at the undertakers for a final private farewell, when they heard the sound of his cellphone ringing from within the sealed coffin. Several distressed members of the family had to leave the funeral home whilst staff rushed to remove the cell phone.
The family is now suing, claiming that the undertakers were negligent in preparing their relative for burial.
e mais outra ...Uma associação de agricultores britânicos está a distribuir um CD com diversos sons, tidos como calmantes, para que os produtores de perus consigam criar animais sem stress, cuja carne é, segundo dizem, mais saborosa.
O CD, que vai ser enviado a mais de uma centena de criadores, tem registados sons como os gorjeios matinais de pássaros e de perus alegres, vozes de baleias e até badaladas de sinos.
O repertório do CD foi aconselhado por especialistas em comportamento animal do Roslin Institute, em Edimburgo, onde foi clonada a ovelha Dolly.
De acordo com a associação responsável pela iniciativa, as aves com stress são menos resistentes a doenças e a maior parte da sua energia é consumida pelo medo, em vez de levar ao crescimento e aumento de peso.
Publicado por Manuel 4:24:00 0 comentários Links para este post
o nosso jet-pimba...
não sabemos se já alguem processou o casal José Castelo Branco/Betty Grafstein por venda de jóias em segunda mão mas esta reportagem do Correio da Manhã é simplesmente genial ...
Publicado por Manuel 3:20:00 0 comentários Links para este post
este acordou agora ...
... é capaz de ser é já um bocadinho tarde de mais
O apelo foi em vão: nas hostes «laranja» não se fala noutra coisa, estando cada vez mais divididas as opiniões entre os adeptos de Santana Lopes, que gostariam de ver o actual presidente da Câmara de Lisboa em Belém, e os militantes que apostam na candidatura presidencial do ex-primeiro-ministro Cavaco Silva. No próprio Governo as opiniões dividem-se: há ministros - como Nuno Morais Sarmento, Manuela Ferreira Leite ou Teresa Gouveia - que preferem de longe uma candidatura presidencial de Cavaco.
Santana, apesar de ser o primeiro vice-presidente do PSD, não tem feito um grande esforço de contenção. Na semana passada, no seu habitual espaço de opinião no Diário de Notícias, o autarca de Lisboa disparava contra Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa a propósito da revisão constitucional. «Marcelo, Marques Mendes e outros muito ligados à revisão de 1997 não querem agora nenhuma revisão. Mas porquê?», escrevia Santana.
ATMOSFERA TENSA Também uma notícia na última edição do Expresso sobre o facto de Morais Sarmento ter gozado dez dias de férias durante o debate do Orçamento de Estado está a causar celeuma. No gabinete de Durão Barroso há quem pense que a notícia que punha em causa o titular da pasta da Presidência teve origem noutro ministério, o que augura alguma tensão nos próximos Conselho de Ministros...
A juntar a isto, que já não é pouco, Durão tem a noção de que há falhas de comunicação entre o Governo e a opinião pública. «O trabalho pode ser bem executado, mas a mensagem não passa», como confidenciou ao DN uma fonte governamental. O ministro adjunto, José Luís Arnaut, geralmente apontado como um dos responsáveis por esta falha, justifica-se em privado pela «acumulação de tarefas», dado fazer parte do núcleo político, ter a tutela do Euro-2004 e ser ainda secretário-geral do PSD.
Os críticos de serviço, sobretudo quando oriundos do próprio partido, lá vão causando as perturbações da praxe. É o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, que ainda no passado domingo, na TVI, acusava o Governo de «não ter secretários de Estado», ao contrário do que sucedia no tempo de Cavaco. Ou de Luís Filipe Menezes, que recentemente, no Público,escrevia com todas as letras que há neste momento «um jogo de marcação recíproca» entre Cavaco e Santana que pode ser útil a terceiros, até porque «a esquerda ainda não perdeu» a corrida presidencial.
Publicado por Manuel 2:00:00 0 comentários Links para este post
rapidez de raciocínio ...
Segunda-feira, Novembro 24, 2003
Depois de numa primeira fase, hoje de manhã, o ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, ter reconhecido "o esforço e todo o trabalho" que o ex-presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) Leal Martins desenvolveu, lamentando apenas "que, em determinado momento, tenha sentido dificuldades em prosseguir com toda a determinação o seu trabalho", isto em reação às declarações deste último ao Público agora à noitinha ficamos a saber que em comunicado emitido hoje ao princípio da noite, o mesmo ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, "considera muito graves as insinuações, factualmente não concretizadas, acerca dos indícios de corrupção ou, pelo menos, de má administração", que Leal Martins "afirma terem existido nas contratações e nas aquisições promovidas pelos serviços que deram origem ao actual SNBPC".

"Face à natureza e à gravidade dos factos aludidos nas declarações públicas agora produzidas, o ministro da Administração Interna vai participar os mesmos ao PGR, a fim de ordenar que sejam investigados pelo departamento competente", refere ainda o comunicado do MAI.
Publicado por Manuel 21:47:00 0 comentários Links para este post
As secretas e o MNE ...
Há um efeito colateral da proposta de fusão das secretas em cima da mesa que não tem sido debatido e quase tem passado desapercebido. Na prática, e nomeadamente no que diz respeito ao estudo de ameaças externas e dado que as operações serão originadas de cada embaixada, o MNE ganha um peso, formal e substancial, como nunca teve até hoje.

Quem julga que o antigo Embaixador na Rússia anda a dormir engana-se ...
Publicado por Manuel 20:50:00 0 comentários Links para este post
um retrato
Eça dificilmente escreveria melhor ...
Publicado por Manuel 18:24:00 0 comentários Links para este post
Francisco José Viegas diz-nos acerca da nova cadeira "politicamente correcta" proposta pelo Professor Freitas do Amaral que

Pois, a nós também, só que o Big Brother de facto já está nos manuais escolares e as memórias do Pai Soares para lá caminham, e as avalanches começam sempre assim, pequenos flocos de neve, por uma encosta abaixo a que, quase, ninguem liga, e ainda bem que ele ligou ...
Publicado por Manuel 18:10:00 0 comentários Links para este post
Em resposta à tréplica de Carlos Abreu de Amorim comecemos por defazer um equívoco : Eu não sou um liberal.
Aliás CAA, e sem querer, explicou porque é que não se pode, ou deve, ser liberal pelo menos segundo a minha bitola.
Portugal pode ser tudo, pode ser um "país católico da Europa do Sul", e não vejo o problema, mas percebo o alcance - falta-nos na opinião de CAA uma certa cultura protestantista, calvinista até, inerente a alguma ideologia liberal, à predestinação darwinista, ao survival of the fittest atrelado ao laissez faire, laissez passer do mercado. Portugal pode ser um País "em que metade da população exige tudo e não quer fazer nada, enquanto a outra suspira, saudosa, por uma disciplina de sacristia de cariz salazarento" e "em que todos assumem o Estado como a componente essencial da sua existência". Talvez, mas é o meu País.
E ser realista, é admitir que se Roma e Via não se fizeram num dia, tambem Portugal não se muda num dia. Aliás não se percebe como se podem condenadar "ligeiras reformas que transformem o péssimo em mau" e ao mesmo tempo fazer a apologia de "reformas substancias" dando de barato que os resultados são sempre de "cariz incerto".
Mas há uma outra variável que é incontornável: Portugal não é uma equação, um modelo ou um objecto.
Portugal são pessoas, boas e más, produtivas e improdutivas, mas todas portuguesas. Da mesma forma que falhou a economia planificada nas sociedades ditas socialistas, também estaria condenada a falhar a revolução liberal planificada, darwinista, qual Conway 's Game defendida por CAA.

Portugal precisa de reformas, muitas, e é certo que muitas reformas fazem uma revolução, mas o facto é que abominando um Estado demasiado espaçoso, demasiado lento, demasiado burocrático, eu quero um Estado forte!
Um Estado que regule, um Estado que arbitre, um Estado que combata monopólios e oligopólios e proteja os mais fracos. Se calhar é defeito meu, que quase chumbava no teste austriaco, se calhar é burrice minha assumir-me mesmo como "social-democrata", mas o facto é que sou assim.
Também eu quero um País melhor, e isso faz-se com convição, com ideias e com as pessoas, mas nunca contra, ou apesar, delas. E apesar do manifesto que o Mata-Mouros tem no seu canto superior esquerdo, que CAA diz professar, o facto é que CAA ao fugir para a frente e ao fazer a apologia de um liberalismo "revolucionário" transforma-o, suprema ironia, num dogma de fé ...
... e depois eu não sei se um dos males deste País, não é, precisamente, muito boa gente achar que como as coisas só se resolvem com grandes passos, com grandes revoluções, então, e nos entretantos, o melhor é não se fazer nada.
P.S. será curioso observar se a Nova Democracia do Dr. Monteiro, e para além das reformas constitucionais - que até agora só têm servido para, em termos relativos, fazerem parecer "normais" e moderadas as da coligação no poder - nos próximos tempos vai aplicar esta lógica revolucionária a outras áreas ...
Publicado por Manuel 15:31:00 0 comentários Links para este post
De regresso
Agora que as minhas ocupações estão inundadas de fraldas, horas de aleitamento e insónias provocadas por terceiros, o tempo disponível para a Grande Loja não é muito. Certo é que nestes dias de ausência, muita coisa aconteceu e que merece umas notazinhas (breves):
- A súbita vocação literária de magistrados da nossa praça: Fátima Mata-Mouros descobriu, ao fim de muitos anos como juiza de instrução, que os juizes não controlam efectivamente as escutas. E está tudo em livro.
- Maria José Morgado resolveu explicar o que sabe sobre crime económico. Uma vez mais não vai além da suspeição.
- A minha avó (86 anos) ficou muito contente pelo anúncio do TGV. Perguntou-me se, com isso, não precisava de esperar tanto no centro de saúde e se tinha vaga para a operação.
- O juiz Rui Teixeira confirmou ao Público o que se tem escrito nos jornais sobre o processo Casa Pia. Diz o magistrado que, na sua opinião, os prazos do inquérito só devem ser alargados em «casos excepcionais em que há várias pessoas a trabalhar numa rede». Ponto final.
- O ex-presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, Leal Martins, denuncia, também ao Público, a «existência de lobbies económicos e políticos na protecção civil e bombeiros». «Recebi ameaças de morte por ter travado um negócio de um milhão de euros». Escusado será perguntar se participou estas situações ao Ministério Público. Obviamente que sim.
- Durão Barroso e Ferro Rodrigues vão conversar sobre a privatização, perdão! , reforma dos Serviços de Informações. Aguarda-se a abertura de concurso público.
Publicado por Carlos 10:58:00 0 comentários Links para este post
"data mining"
Domingo, Novembro 23, 2003
Depois de em 29/10 termos tocado ao de leve na temática (ver post "um airbag chamado Sampaio ... ou direitos, liberdades e garantias") a semana passada no Público, António Barreto escreveu um artigo, onde pura e simplesmente pedia a abolição das escutas telefónicas.
Há alguns dias num outro blog, que desgraçadamente não "bookmarkei" falava-se na nova descriminação dos tempos modernos, enormes call centers, para onde o consumidor ligava e em função do perfil económico deste, e em tempo real, era ou encaminhado para tratamento vip, ou para a musiquinha reservada à plebe.
Esta semana, passou desapercebido, mas com o mesmíssimo consenso, e com as mesmíssimas boas intenções, foram aprovadas medidas que permitem o cruzamento de dados informáticos, naturalmente com a melhor das intenções - o combate à fraude fiscal.

Entretanto Maria José Morgado voltou à carga, na mesma linha em que tinha já aliás defendido aquando das audições parlamentares que resultaram da sua demissão, pedido mais meios e logística para uma causa nobríssima aliás: «Por que é que, em vez de se falar em mudanças que não levam a nada, não se fala antes, por exemplo, na atribuição de meios para o combate ao crime informático e à pornografia infantil na Internet?» questionou.
Em suma, três casos, três exemplos de cruzamento e intercepção de dados, profiling e data mining, sem nada a ver à superfície, mas em tudo similares na sua essência. Quem define a fronteira? Qual é o limite da privacidade ? Que dados dos cidadãos/consumidores é lícito reter e por quanto tempo ? Quem fiscaliza e com que recursos ?
Não são questões fáceis, e não há respostas simples, mas convinha que parassemos um bocadinho para pensar antes que que seja tarde de mais ...
Publicado por Manuel 23:42:00 0 comentários Links para este post
Por uma vez Ferro Rodrigues esteve bem, excelente mesmo. A peregrina proposta de Bagão Félix de reduzir os subsídios de doença às baixas de curta duração é de uma insensibilidade e de uma chico-espertice rasca e demonstra a senda, desta vez na segurança social, de continuar a massacrar os que cumprem e renunciar a perseguir os verdadeiros prevaricadores que como muito bem notou Ferro são os que usam e abusam, no caso das baixas, das doenças de longa duração.
Publicado por Manuel 23:12:00 0 comentários Links para este post
"Imortais"
Num país que ainda não aprendeu a reflectir sobre si próprio, é sempre arriscado fazer um filme sobre um tema tão delicado como a Guerra do Ultramar.
António-Pedro Vasconcelos, um realizador que não prima pela quantidade, mas que tem mostrado uma razoável qualidade sempre que apresenta uma nova obra, experimentou o risco.
«Os Imortais» é um filme que vale a pena ver. Não aborda o tema da guerra da forma mais convencional, mas a questão das consequências que os ex-combatentes podem sofrer está tratada de um modo interessante. Para quem viu «Jaime» pode saber a pouco. APV não manteve a fasquia tão elevada, mas a falta de filmes portugueses sobre o Ultramar faz com que se justifique uma ida ao cinema.
Publicado por André 22:23:00 0 comentários Links para este post
O sentido da neve
«Eles têm trinta palavras diferentes para neve. "Eu vi-te caminhar sobre as águas." "Havia uma camada de gelo." "E antes disso tu caminhaste através de portas fechadas." "Eu tinha uma chave."
Ela é Smilla. Ele é Tørk. Como algumas pessoas têm um sentido de Deus, ela tem um sentido da neve, da natureza; ele representa a ciência ocidental, a destruição do Outro, da imensidão, do que rodeia os seres humanos: o mar, a terra, o gelo. E, como num thriller, um deles vai perseguir o outro até o aniquilar. "Os campos brancos onde a neve se acumulou formam hexágonos no escuro. Corremos através do universo." Muito antes de ler o romance de Peter Høeg, vi o filme de Bille August, "Smilla e o Mistério da Neve". Gabriel Byrne ("e ele, o protagonista do meu livro, tem o teu rosto, os teus olhos, a tua voz, e é irlandês, e tem cinquenta e dois anos"), o mecânico; Julia Ormond, Smilla Jaspersen, uma mulher áspera, não só nas palavras, ela toda, uma mulher que sente a solidão como outros sentem a benção numa igreja, a luz da graça sobre ela, e que não sabe bem quem é (e recorda o mito árctico da criação: mesmo o corvo tinha no início uma forma humana, e procurava no escuro, e agia ao acaso, até que lhe foi revelado quem era e por que é que existia).

A morte misteriosa de Isaiah, um miúdo gronelandês que vive no mesmo prédio que eles, aproxima Smilla e o mecânico, e eles apaixonam-se um pelo outro. Smilla, que por princípio nada sempre contra a corrente, entrega-se ao mecânico, fala de si mesma, "Se alguém me perguntasse o que me faz feliz, eu diria: os números. A neve e o gelo e os números." Os números negativos, o facto de que sentimos a falta, o desejo de algo; as fracções, a consciência dos espaços entre os números, entre as pedras, entre as pessoas; e a história continua, a mente humana vai além da razão e cria os números irracionais, e eles são infinitos, e depois os números imaginários, que a nossa consciência não pode apreender, como uma paisagem aberta, como o horizonte para o qual avançamos e que continua a retroceder. Como a Gronelândia. É por isso que ela não suporta a ideia de estar fechada, quando o pai a trouxe para a Dinamarca recusou-se a dormir dentro de casa, uma ameaça da polícia quase a faz abandonar a investigação. Mas sabe que quando alguém é assassinado a sua alma não tem descanso, e ela quer que Isaiah encontre o descanso, e isso leva-a a continuar, quase perde a vida na explosão de um barco, e é o mecânico que a tira das águas geladas, e a leva para casa, e faz tudo para que ela não perca a consciência, ela tem de falar, fala-me da neve, há muitas espécies de neve, quanik, neve a cair, aquilluqqag, neve húmida, não tem consistência para se construir uma casa, nunca construas com ela, promete. Eu prometo. Depois ela está no quarto dele, na cama, fica comigo, estou mesmo aqui, deita-te comigo. E, como no livro, passamos da cidade (Copenhaga) para o mar, e depois para o gelo, e debaixo do gelo Smilla encontra vestígios de musgo e de salgueiros do Árctico. E o gelo foi criado em beleza, o frio arrancou do mar escuro um roseiral, um manto branco de botões gelados, nessa fase a estrutura dos cristais baseia-se no número 6. À distância há hiku, o gelo permanente, e ivuniq, blocos de gelo empurrados para a superfície, maniilaq, montículos de gelo, apuhiniq, neve que o vento transformou em duras barricadas. E é no gelo que Smilla vinga a morte de Isaiah, a morte de uma forma de vida ligada ao mundo e à natureza, é no gelo que ela descobre, como o corvo, quem realmente é.
E a voz de Gabriel Byrne numa noite de Londres: "Tens de ler o livro, Ana. Eles têm trinta palavras diferentes para neve."
«O sentido da neve», Ana Teresa Pereira

Publicado por André 21:42:00 0 comentários Links para este post
Priscilla
«she'd come to my house
and dance in the hall
with the music up loud
against the light on the wall
I danced beside her
feeling no shame
we were in costume
and this was a game
she'd put on her skirt
of layers of chiffon
the top of the umbrella had come off
so I put that on
we'd dance together then
an awkward ballet
she was 20 years older than I was
but still we did play
She was 20 years older than me
and many times my size
but it's her little feet I remember
and the look in her eyes
once when I saw her
she made me a doll
of ribbon and paper and ink
and lace, I recall
I danced beside her
feeling no shame
we were in costume
and this was a game
I think of her now I'm older
I still love to dance
something will shine through the body
if you give it a chance»
«PRISCILLA», SUZANNE VEGA, 2001

Publicado por André 20:35:00 0 comentários Links para este post

Confúcio (551 BC - 479 BC)
Publicado por Manuel 16:07:00 0 comentários Links para este post
Por estas bandas há várias maneiras de tentar garantir que certas verdades nunca sejam verdadeiramente apuradas e os culpados julgados e condenados.

Temos a estratégia da avestruz que consiste em fazer de conta que nunca se passou nada (funcionou durante décadas com a Casa Pia), a estratégia "quanto mais perto menos se vê" (funcionou na perfeição com Camarate e as sucessivas comissões de inquérito), temos a estratégia dominó, que passa por fazer saber urbi et orbi que se cair "um" caem "todos", temos a estratégia de publicar umas amostras da verdade nos sítios menos credíveis possíveis - O Crime por exemplo - para fazer secar o interesse e credibilidade à nascença, e claro escrever livros sensacionalistas, onde se mistura tudo, qual episódio dos ficheiros secretos, etc, etc, etc ...
Por falar em livros, Maria José Morgado, Procuradora Geral Adjunta, definitivamente estava melhor calada.
Além de não saber escrever, muito menos insinuar - qualquer novela mexicana, dos anos 70, consegue ser mais consistente e excitante que o seu livro - é citada, hoje, no DN comentando a entrevista de Rui Teixeira, aquando de uma cerimónia de promoção do seu livro.
Pelos vistos - agora - defende a "elaboração de uma «noção estratégica de investigação criminal» que seja «transparente» e que «não existe»". A ironia é que foi precisamente a existência muito clara e «transparente» de uma «noção estratégica de investigação criminal» como, à época, muito bem apontou o grande especialista em burkas, e seu marido, Saldanha Sanches, que levaram à demissão forçada de Morgado da PJ ...

Também não fica bem, independentemente do que se pense sobre as ideias de Rui Teixeira, afirmar taxativamente - ainda por cima quando se é Magistrado do MP, e se foi responsável na PJ pelo combate à grande criminalidade - "que o MP «não percebe nada de investigação criminal», não fazendo sentido que passe a dirigir aquela polícia" (a PJ). O despeito, às vezes dá nestes fetichismos...
Publicado por Manuel 6:01:00 0 comentários Links para este post
acerca da cultura geral
Tambeu eu lí as declarações de Freitas do Amaral a pedir uma disciplina de cultura geral nos currículos. Por respeito não ao personagem, não à memória do mesmo mas à memória da imagem que em tempos tive do professor estive tentado a passar ao lado. Mas já que Francisco José Viegas pegou no assunto talvez valha a pena contextualizar a proposta de Freitas num plano mais vasto.
E esse contexto mais vasto é o contexto do politicamente correcto.
A Freitas não preocupa que o nosso sistema de ensino prepare analfabetos funcionais que achem que Afonso Henriques é o nome de um avançado do Vitória de Guimarães, o que realmente preocupa Freitas, e que está subjacente à sua proposta, é a noção de que o Estado por via da escola, por substituição à família e à Igreja, em maior ou menor decadência, deve incutir nos miúdinhos, qual catequisador, uma série de verdades e axiomas sobre o mundo. A essas verdades e axiomas deu Freitas o nome de "cultura geral". É a nova "Religião e Moral" do politicamente correcto.

É politicamente correcto detestar Bush e abominar Sharon, como é politicamente correcto ver a história do Médio Oriente a preto e branco. É politicamente correcto abominar e descriminar os fumadores (nem que os aumentos estratosféricos do preço do tabaco levem, como já acontece em França, a assaltos a tabacarias a fazer lembrar os tempos da lei seca). É politicamente correcto defender o consumo de drogas leves, e despenalizar o das pesadas, assim como defender salas de chuto, até nas prisões (pedindo a demissão última do Estado) mas já é politicamente incorrecto defender pura e simplesmente a nacionalização da distribuição, controlo de qualidade e consumo das mesmas pelo Estado (acabando assim com toda a criminalidade inerente e com o tráfico)
O problema com a proposta de Freitas, como com as propostas politicamente correctas em geral, é que por serem generalistas em demasia e quererem impôr uma certa vontade acabam por minar, em última instância, a individualidade, e o direito ao livre arbítrio e liberdade individual de todos e cada um.
Talvez o sonho de Freitas seja incutir, implantar como no Blade Runner, uma certa visão do mundo quase que de nascença na memória de todos. Não é preciso ter lido o Fatherland para se saber que uma coisa destas só poderá acabar mal.
E depois, porquê ficarmo-nos pela cultura geral, pela memória perfeita? Porque não também genes perfeitos ? ...
Notam um padrão ? eu também ...
Publicado por Manuel 3:32:00 0 comentários Links para este post
"shortcuts"
Enquanto numas declarações à Menezes, o cada vez mais nervoso Pedro Santana Lopes, ensaia uma fuga para ...
... o lado :
O vice-presidente do PSD Pedro Santana Lopes afirmou este sábado, em Montemor-o-Novo, que o seu futuro político passa pela recandidatura à Câmara de Lisboa ou pela corrida presidencial ou por não se candidatar em lado nenhum.
O dirigente social-democrata, que falava aos jornalistas após inaugurar a sede concelhia do PSD em Montemor-o-Novo, admitiu, contudo, ser "mais natural" a recandidatura à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.
"Não excluo na vida, hoje em dia, nada na politica. Agora, o mais natural é recandidatar-me em Lisboa. Tenho trabalho que chegue para isso", disse Santana Lopes, remetendo a decisão sobre essa questão para depois do congresso do PSD.
Ao voltar a ser interrogado se não enjeitaria a possibilidade de candidatura presidencial, Santana Lopes disse não querer falar disso "senão há uma série de pessoas que ficam cheias de nervos".
Marcelo falava ontem ao DN, em Évora, após uma palestra inserida nos 40 anos da Fundação Eugénio de Almeida, considerando, inclusivamente, normal que, enquanto vice-presidente do PSD, Santana Lopes contacte com as bases «num período de crise económica e financeira, em que acabou de ser votado o Orçamento de Estado, que suscitou tanta polémica, e num momento em que há políticas do Governo que estão a motivar grande agitação social». E acrescentou que o próprio CDS «se devia empenhar nesta missão, porque o momento é crítico».
«É injusto acusar Santana Lopes de estar a fazer coisa diversa, daquela que é o contacto normal de um dirigente qualificado do partido com as bases», insistiu, defendendo que tudo o se diga em matéria de Presidenciais no PSD, «faz parte de um processo de especulação, porque as pessoas gostam sempre de olhar para horizontes mais vastos». Ainda nesse sentido, não há, garante Marcelo Rebelo de Sousa, lugar a dizer que as movimentações de Santana Lopes poderão retirar espaço a uma eventual recandidatura de Cavaco Silva a Belém. «Serão sempre análises precipitadas, na medida em que o presidente do partido já disse que antes da europeias era cedo para levantar a questão. É preciso esperar pelo congresso e já se percebeu que ele vai ser só depois das europeias. Aí, é que a questão será tratada», sustenta.

"A presença dele aqui é muito importante para nós. Cataliza pessoas, chama os militantes e mobiliza-os", dissera, momentos antes, Maria de Lurdes Vacas de Carvalho, presidente da Concelhia. E também António Sousa, líder da Distrital social-democrata eborense, elogiou o presidente da Câmara de Lisboa e augurou-lhe "um futuro extraordinário". Tudo expressões de um apoio cada vez mais explícito das bases do PSD a uma eventual candidatura presidencial do vice-presidente "laranja" .
Entretanto, e no dia em que Rui Teixeira resolviu abrir a boca, eis que Manuel Monteiro descobre que «Só vai para juiz quem não tem outro emprego». Declarações curiosas atendendo a que há quem diga precisamente o mesmo de politicos como ele, que primeiro vão para política porque não sabem fazer mais nada e depois arranjam uns biscates porque podem voltar e nos entretantos sempre dão nome ...
Publicado por Manuel 1:30:00 0 comentários Links para este post
"Mystic River" é um filme que é imperdoável não ver. Estamos aliás certos que se o Padre Feytor Pinto fosse crítico cinematográfico lhe daria 20 valores...

Publicado por Manuel 22:36:00 0 comentários Links para este post
acerca dos Cavalos de Tróia e de porque é que às vezes os extremos sempre se tocam ...

Notável a resposta de Rui Albuquerque aos delírios presidencialistas de Monteiro. Quanto ao último parágrafo
era capaz de jurar que já ouvi o Dr. Lopes defender precisamente aquilo ...
Entretanto esta Loja regista o surpreendente espírito revolucionário de Carlos Abreu Amorim. Quando este, respondendo ao Paulo Gorjão diz que
é equilibrado? Eficaz? Estável? Não considera que os exemplos de que fala funcionam bastante melhor do que o nosso? Não será qualquer mudança profunda, qualquer reforma substancial uma "experiência constitucional de cariz incerto"?
está a traír os seus príncipios liberais e de Direita e a revelar uma postura ideológica que nem no Bloco de Esquerda se encontra.

A Direita,e os liberais em particular, é por definição reformista mas não, nunca, jamais, revolucionária pelo que meu caro CAA, cometeu um grandessíssimo tiro no pé ao apologizar que "Não será qualquer mudança profunda, qualquer reforma substancial uma "experiência constitucional de cariz incerto"?", é que já não estamos no tempo do PREC para experimentar primeiro e ver no que dá depois ( e o fumar, mas não inalar não consta que se aplique a reformas constitucionais ...)
Publicado por Manuel 18:46:00 0 comentários Links para este post
feira das vaidades
muito se poderia dizer e escrever sobre a entrevista do Juíz Rui Teixeira ao Público/RR
Só que às vezes uma imagem vale por mil palavras ...

Publicado por Manuel 11:28:00 0 comentários Links para este post
as coisas começam a fazer sentido, ou talvez não ...
grande furo e manchete do Expresso desta semana:
Jovens sociais-democratas ameaçam votar com a Esquerda e derrotar o Governo Consumo de droga arrisca-se a voltar a ser crime

Ora aquí convinha rapidamente saber qual a posição real do líder espiritual, e grande empregador, dos jotinhas, Pedro Santana Lopes sobre a matéria. É que durante a sua campanha autárquica o Dr. Lopes defendeu as tais salas de chuto. Será que por acaso, mero acaso, Santana não está a usar a Jota para chantagear Durão (vide O Independente desta semana) ?...
Publicado por Manuel 0:36:00 0 comentários Links para este post
lapsus linguae ? ...
Sexta-feira, Novembro 21, 2003
Não sabiamos que a politica e as propostas, muito menos as do PND do Dr. Monteiro, eram de tipo "radical".
Aguardamos ansiosamente que Carlos Abreu de Amorim se explique melhor porque senão mentes maldosas ainda vão achar que a ND foi buscar inspiração ao antigo Partido Radical italiano, sabem aquele da Ciciollina ...
Publicado por Manuel 23:53:00 0 comentários Links para este post
o fantasma da ELF ...
No Expresso online está esta pérola:
A VENDA de 18,3% da Galp à Rede Eléctrica Nacional (REN) deverá ser feita em dinheiro, ao contrário da troca de activos que estava prevista, o que permitirá realizar dividendos extraordinários na Galp. O Estado, como accionista da petrolífera, receberá estes dividendos do grupo presidido por Ferreira do Amaral e a ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, poderá utilizar essas verbas para abater o défice orçamental.

Se o Conselho de Ministros aprovar ainda em Dezembro esta venda à REN, será acelerado o processo de transferência do gás da Galp para a EDP. O valor a pagar pela eléctrica para esta transferência pode ter como base a avaliação utilizada na venda dos 18,3% da Galp à REN. Ao contrário do que defende o presidente executivo da EDP, João Talone, é pouco provável que os 14,26% que a EDP detém na Galp cheguem para pagar as empresas de gás da Galp. «A EDP vai ter de entrar com dinheiro», observa uma fonte do sector, admitindo que «assim seriam maximizados os dividendos extraordinários».
Só falta explicar muito bem, muito bem mesmo, quais vão ser as mais valias extra dos italianos da ENI, e a margem adicional de manobra que isto lhes dá no contexto global das negociações, face a este manifesto e absoluto desespero das Finanças em querer cash ...
Publicado por Manuel 21:49:00 0 comentários Links para este post
não há coincidências
Por muito que Carlos Abreu Amorim se contorça, e lhe custe, já não resta dúvida alguma de que Manuel Monteiro é mesmo o idiota útil do eixo Santana/Portas ...
Da Lusa:
Líder da Nova Democracia defendeu um sistema semelhante ao que existe nos EUA
O líder do Partido da Nova Democracia (PND), Manuel Monteiro, defendeu sexta-feira uma alteração constitucional para consagrar um sistema presidencialista semelhante ao que existe nos Estados Unidos da América.
"Vou propor ao Conselho Geral da Nova Democracia um sistema de presidencialismo puro", acentuou Manuel Monteiro após uma audiência com o Presidente da República, Jorge Sampaio, no Palácio de Belém.

De acordo com o ex-presidente do CDS/PP, a proposta assenta numa "alteração profunda" no que se refere ao sistema de governo, no qual o Presidente da República seria o chefe do Governo (sem primeiro-ministro) e funcionaria em pé de igualdade com o Parlamento.
"O Presidente não poderia dissolver o Parlamento e o Parlamento não estaria submetido ao Presidente", explicitou, naquilo que considerou poder ser o início do caminho para a fundação da IV República.
Publicado por Manuel 17:20:00 0 comentários Links para este post
E é mesmo...
Há dias, lancei a expectativa e prometi que quando ouvisse, dizia qualquer coisa. Pois é: ontem comprei o CD da Maria Rita, a tal que é filha da Elis Regina e tem sido endeusada pela crítica brasileira.
Se Elis ficou raínha, Maria Rita é mesmo a princesa. Herdou um timbre de voz único, que durante anos teve várias imitadoras, mas nenhuma sucessora digna. Maria Rita é, como escreveu Artur Dapieve, excepcional. Além de uma voz de sonho, tem uma certa mística que a mãe tão bem sabia mostrar.


São iguais? Não, claro que não. Maria Rita ainda só gravou um disco, Elis deixou-nos dezenas e dezenas de testemunhos eternos. Mas a rapariga tem tudo para ser uma das melhores do seu tempo. A mãe foi a melhor.
Publicado por André 16:03:00 0 comentários Links para este post
"ecce homo"
Do Público ...
Por FERNANDA RIBEIRO
Sexta-feira, 21 de Novembro de 2003
A ausência de Santana Lopes na passada reunião da Assembleia Municipal de Lisboa não se prendeu com o contrato que celebrou como comentador assíduo da SIC às terças-feiras, mas "com o facto de se encontrar doente", esclareceu ontem o gabinete de imprensa do presidente do município.

nós, avisados, bem que pedimos uma junta médica ...
Publicado por Manuel 7:33:00 0 comentários Links para este post
Tempos de coruja e tempos de falcão ...
Já toda a gente percebeu que Pedro Santana Lopes não vai respeitar o silêncio solicitado, mas não imposto, por Durão Barroso em relação às Presidenciais. Isso, em sí, não é novo, afinal quem é que no PSD respeita verdadeiramente Barroso o qual cada dia que passa me faz lembrar o personagem do filme Une héros très discret?
Tambem já toda a gente percebeu que Santana, que segundo o nesta matéria insuspeito Independente já impõe "condições" ao líder, não se vai inibir, se tal achar necessário, de dinamitar o Governo e incendiar o PSD se tal achar conveniente.
Ora este mesmo Santana, esse pensador político nato, esse asceta iluminado da nossa praça, vai iniciar, agora já é oficial, uma volta a Portugal para promover objectivamente a sua candidatura presidencial, e pelo meio dividir e dilacerar o PSD já que a sua proposta de revisão constitucional é tudo menos consensual e, em bom português, uma boa e valente merda, passe o facto de muito boa gente ter medo, vergonha ou falta de coragem de dizer bem alto isso mesmo.

Convinha pois desde já notar que caso Barroso, não queira, ou não tenha pura e simplesmente força, para travar este impeto kamikaze de Santana bem ancorado pelos seus aliados, business friendly, José Luís Arnaut e Nuno Morais Sarmento, fica desde já inexoravelmente colado a todo e qualquer resultado desta estratégia.
Convém também saber desde já quem vai pagar o tour Santanista. Não deve ser a Galp Energia, o seu amigo brasileiro especialista em marketing, muito menos a Câmara Municipal de Lisboa e o Partido Social Democrata é que não pode ser de certeza!
Meus amigos, a guerra começou !
Publicado por Manuel 4:13:00 0 comentários Links para este post
José António Lima no Expresso Online
OS SINAIS vinham-se multiplicando nos últimos meses. Anteontem, o Banco de Portugal veio confirmá-los e tornar reais as mais negras expectativas. Em 2003, o PIB deverá decrescer mais de 1%, o consumo interno está em queda, o investimento ainda mais e o défice orçamental - sem medidas extraordinárias - ficará acima dos 5%. Face a esta certidão de recessão, Durão Barroso diz que «não há alternativa a esta política de contenção orçamental». E, de derrapagem em derrapagem, a ministra das Finanças afirma ter recebido este diagnóstico sombrio «da forma mais positiva possível». Imagine-se qual.
Ora, a questão central da política económica e financeira do país não é, ao contrário do que sugere Durão Barroso, estar-se de acordo ou em desacordo com a política de contenção orçamental. O problema é a avaliação dos resultados da aplicação dessa política pelo Governo, a determinação da sua eficácia. Que, pelos vistos, é mínima.
Se, em 2001, o défice público ficou, depois de muita controvérsia e culpabilização do Governo socialista, fixado em 4,1% do PIB, em 2002, já com Manuela Ferreira Leite no comando das finanças públicas, acabou por atingir 4,2% depois reduzidos para 2,7% graças a receitas extraordinárias de 1,5% do PIB (portagens da CREL, perdão fiscal de fim de ano, etc.) Ora, em 2003 o Banco de Portugal prevê agora que o défice suba até aos 5%...
Donde se conclui que a férrea política de contenção do Governo de Durão Barroso, além de constituir um inevitável travão ao relançamento da economia (o que seria, para muitos, aceitável em nome do rápido saneamento e regularização das contas públicas), nem sequer está a conseguir os efeitos desejados (e prometidos) no défice público.
É que, além dos custos sociais desta política de contenção e austeridade - desemprego em crescimento contínuo, inflação a crescer acima da média europeia e salários reais com crescimento nulo ou negativo -, não se vê quando conseguirá Manuela Ferreira Leite colocar ordem e rigor nas contas do Estado. As receitas caíram drasticamente e a despesa continua a subir, apesar de todos os esforços, cortes e restrições.

As despesas primárias e correntes do Estado não cessam de aumentar de ano para ano, ainda que o seu crescimento se tenha atenuado com a saída de custos dos hospitais-empresarializados. O clientelismo continua a ditar as nomeações e admissões no aparelho de Estado, o despesismo de autarquias e governos regionais permanece incontrolável. Por seu lado, as receitas ressentem-se naturalmente da recessão da economia e, em acumulação, de níveis de evasão fiscal que se mantêm indecorosos em termos europeus. Por este andar, nem em 2006, quando o Governo for avaliado em eleições pelos portugueses, a ministra das Finanças terá alcançado a célebre consolidação orçamental.
Cavaco Silva, insuspeito de qualquer antipatia por Manuela Ferreira Leite, afirmava, na passada semana, que «o défice é um instrumento de pressão para evitar políticas erradas do Governo» e para se levarem à prática reformas estruturais. E alertava: «Mas se o 'monstro' da despesa pública continuar gordo e anafado, se não se travar a fuga ao fisco e se não se resolver o desequilíbrio da segurança social, então a política está errada».
Ao fim de ano e meio, constata-se que, apesar das tentativas da ministra, o monstro continua gordo e anafado. Que a fuga ao fisco atinge valores gigantescos e que o combate à brutal evasão fiscal se tem limitado a paliativos, por falta de coragem política. Que o desequilíbrio da segurança social, em particular da ADSE e do funcionalismo público, permanece irresolúvel. E que a maioria das anunciadas reformas estruturais não passou, ainda, das intenções ou do papel.
Na lógica de Cavaco Silva, isto só pode significar que a política está errada. Ou que a sua execução revela uma confrangedora ineficácia.
Publicado por Manuel 1:13:00 0 comentários Links para este post
Não sabemos, se é um efeito colateral da enchurrada de críticas motivadas pela sua nomeação para Director de pátio (quer dizer redação) do DN, se vendetta pelo não cumprimento de algumas promessas feitas a Martins da Cruz aquando da demissão deste (Anaximandro quer comentar ?) mas o facto é que Fernando Lima tem escrito uns editoriais com piada. O último, que transcrevemos de seguida não é excepção :
Os últimos dados sobre a evolução da economia portuguesa, divulgados por Vítor Constâncio, mostram um ajustamento violento do sector privado - empresas e famílias - e uma enorme rigidez da despesa do Estado - que, apesar de um controlo apertado, continua desproporcionada em relação ao que o País produz. Os dados do Banco de Portugal comprovam ainda a enorme fragilidade no enquadramento da máquina fiscal - com repercussões graves no défice público - e, por último, confirmam a boa notícia de um bom comportamento do sector exportador, apesar das condições adversas.

Em 2002, o Governo, e em particular a ministra Manuela Ferreira Leite, apresentou como objectivo estratégico um ajustamento na despesa do Estado, promovendo a consolidação orçamental, e uma mudança de agulha no modelo da economia portuguesa, que apostaria o seu crescimento no sector exportador com sacrifício da procura interna.
De acordo com a informação veiculada oficialmente, o ajustamento na despesa do Estado seria drástico, enquanto que para o sector privado a transição seria suave. No final de 2003 verificamos o contrário: o esforço foi violento para as empresas e e as famílias e relativamente suave para as despesas públicas correntes, com corte no investimento.
O equilíbrio nas finanças públicas não foi consolidado e o ajustamento da economia, tendo como motor as exportações, está em andamento. Ou seja, o Governo entrou em perda na prioridade das prioridades - o equilíbrio das contas do Estado. Em contraponto, os ganhos na correcção da estrutura da economia portuguesa são atribuídos a terceiros.
Em termos de gestão de expectativas, o Governo está a perder. A «obsessão» ou prioridade do défice tornou-se pouco convincente com o recurso repetido a receitas extraordinárias.
Resta saber se a «obsessão» subordina tudo o mais ou se, como já alguns disseram, o Governo até faz outras coisas, tem uma estratégia, mas não sabe comunicar.
Depois de Cavaco, não deixa ser curioso, quiçá sintomático, ver alguém que num passado tão recente estava tão perto do coração do poder interrogar-se tão explicitamente sobre a existência ou não de uma estratégia de facto por parte da governação de Barroso...
Publicado por Manuel 0:36:00 0 comentários Links para este post
Como?
Quinta-feira, Novembro 20, 2003
A Federação Portuguesa de Futebol exigiu ontem um pedido de desculpas ao seleccionador francês de sub-21 (demissionário). Perdeu-se a vergonha...

Publicado por André 23:49:00 0 comentários Links para este post
Uma Nicole destas nunca é demais
Vejo «Culpa Humana» e tiro todas as dúvidas: Nicole Kidman não é apenas uma actriz. É a actriz do momento. Quem faz «Eyes Wide Shut», «Moulin Rouge», «Os Outros», «Dogville» e este «Culpa Humana» em tão pouco tempo (e com interpretações tão diversas) só pode ser uma actriz de excepção.

Sim: aqueles olhos ajudam. A altura também. E o sorriso também. OK, OK, e aquela pele branca e o cabelo não-se-sabe-bem-se-louro-se-ruivo. Leio num site americano: «Too much Nicole Kidman ?». Que pergunta. Uma mulher destas nunca é demais.
Publicado por André 20:42:00 0 comentários Links para este post
Paulo Gorjão, no seu post 1042 afirma :
É sempre uma chatice para qualquer pessoa ver a sua imagem associada a qualquer coisa que seja um fracasso.
Esperem lá. Já que a derrota parece inevitável, que tal dar-lhe um toque mais romântico? Uma derrota fica sempre mais bonita se se for capaz de dar a imagem ao eleitorado de que se lutou sozinho - sozinho - contra os diversos sistemas instituidos, não é? Parecendo que não, uma derrota nestas condições até pode valer mais do que certas vitórias...
Mal ele sonha que o Lopes está a preparar, para breve, e para isso mesmo uma volta a Portugal para se explicar ao povo... Aqui fica o aviso a Durão.

Quanto à nossa acreditação no Protocolo das Notas Verbais, apenas nos apraz declarar urbi et orbi e em relação ao discurso do Decano dos Pelinipotenciários que sabemos da Quinta Divisão e que quanto à questão da privatização tememos que esta já tenha ocorrido há muito ...
Publicado por Manuel 19:57:00 0 comentários Links para este post
Para a história ficam as declarações da Ministra das Finanças à Lusa:
Aumento dos combustíveis fará entrar 30 milhões euros/ano nos cofres do Estado
A ministra das Finanças afirmou quinta-feira que com o aumento do imposto sobre os combustíveis espera angariar cerca de 30 milhões de euros por ano, verba destinada ao financiamento do Fundo Florestal Permanente.
"O total não deve ir além dos 30 milhões de euros por ano", afirmou Manuela Ferreira Leite, questionada acerca da verba que o Governo espera obter com o aumento de meio cêntimo por litro de gasolina sem chumbo e 0,25 cêntimos por litro de gasóleo.
A proposta de aumentar o imposto sobre os combustíveis com o objectivo de financiar o Fundo Florestal Permanente foi apresentada pela maioria PSD/CDS-PP, tendo sido entregue na quarta- feira na Assembleia da República.
No mesmo documento é proposto que a taxa máxima do imposto sobre a gasolina sem chumbo seja aumentado de 518,75 euros para 552,92 euros.
Ainda sobre a chamada "eco-taxa", Manuela Ferreira Leite afirmou que, tratando-se de uma medida destinada a proteger o ambiente, "é normal" que sejam os automobilistas a pagar.
Lusa
Publicado por Manuel 10:26:00 0 comentários Links para este post
"equílibrio" no terror ?...
QUEIXA CONTRA FIRMA DE JÚDICE

Co-arguido de uma alegada burla que, em 1999, envolveu as Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, indiciado pela co-autoria material de um crime de peculato, por eventual apropriação ilícita de uma verba a rondar os dois milhões de euros, Privitera assegura que os advogados do escritório de Júdice “não” o ajudaram “em nada”. “Não ganharam um único recurso e cobraram-me mais de 220 mil euros, verba que considero exagerada”, afirmou, informando que passou a ser representado por Vera Acabado e por José Maria Martins [defensor de 'Bibi'].
Contactado pelo CM, José Miguel Júdice assegurou desconhecer tal queixa e garantiu que nunca contactou Riccardo Privitera.
Publicado por Manuel 3:54:00 0 comentários Links para este post
obsessões e outras coisas que tais ...
«Não nego que estou um pouco obcecada com este objectivo.» O objectivo é o cumprimento do défice, a autora da frase é... Manuela Ferreira Leite
Entretanto, e apesar da felicidade prematura de Paulo Gorjão, e tal como previsto os "Militares aplaudem fusão das 'secretas'"
Entretanto Jorge Coelho vê-se na obrigação de defender Ana Gomes o que para bom entendedor prenuncia outros voos para breve ...

Para rematar, o político português vivo com mais "técnicos" de comunicação e imagem ao seu serviço, Pedro Santana Lopes, primeiro vice-presidente do PSD, a propósito da propostazeca de pseudo-revisão constitucional de que é signatário, ataca Marcelo para como objectivo final melindrar discretamente Marques Mendes, Ministro dos Assuntos Parlamentares. Uma chico-espertice rasca no dia em que se sabe que "Guilherme Silva vai solicitar uma reunião a Durão Barroso para definir a que nível serão feitas negociações. Se entre direcções partidárias ou parlamentar"...
Publicado por Manuel 2:51:00 0 comentários Links para este post
infelizmente não estamos a gozar, quanto aos outros não sabemos ...
Diz o Liberdade de Expressão ...
"E até vai haver um lugar para um Blogger
A Grande Loja informa (ou então estão a gozar connosco) que Pedro Santana Lopes defende um Senado onde estejam representados, entre outros, os agentes económicos, as universidades, a comunicação social e o poder judicial.
E o futebol? Como é que fica?"
Bem visto, mas esqueceram-se da Maçonaria...
Publicado por Manuel 1:58:00 0 comentários Links para este post
"A Culpa Humana"
... baseado na obra homónima de Philip Roth é o filme a ver para mais tarde meditar...

Para meditar tambem, e agora que não se tem falado muito daCasa Pia, é a ressureição da ideia, segunda a Lusa, de fundir as secretas, e - nuance assaz importante, sob a tutela directa do Primeiro-Ministro. Às mentes perversas que possam ver nisto relação com algum post anterior, acreditem: não há coincidências ...
Coincidência ou não, não deixa de ser curioso ver o Ministério da Defesa assegurar "«rigor jurídico» do concurso" dos submarinos. Atendendo a quem representa juridicamente os franceses por estas bandas a coisa promete...

Entretanto, e a pedir junta médica, segundo a TSF, Pedro Santana Lopes afirmou esta quarta-feira, no Porto, que Portugal «vai passar ao lado de uma grande oportunidade na revisão constitucional» por se limitar a rever o sistema político (mas alguém acredita que ele vá mesmo ser revisto ?) sem mexer no judicial. Mais: Santana Lopes quer ver a comunicação social representada num novo Conselho de Estado/Câmara Corporativa, ou num hipotético Senado. Santana Lopes defende que a revisão constitucional deveria incluir a criação de "um órgão que integre não só os velhos poderes mas também os novos, como os agentes económicos, universidades, comunicação social e judiciais, de modo a concertar posições». E continua : «Alguns podem ver aqui o regresso ao corporativismo, mas não é exactamente assim, houve corporativismo na ditadura mas ele é possível na democracia». Era isto que temia Francisco José Viegas e se ainda não é motivo para desespero mas já faltou mais ...

P.S. Ah, e graças ao que vêem na televisão, e ainda segundo Santana Lopes, os portugueses ficaram a saber que «Portugal voltou a ser o país mais pobre da UE, com a maior retracção do PIB, onde os polícias matam mais pessoas, há mais analfabetos e insucesso escolar, elementos dos corpos de bombeiros vendem material de combate aos incêndios, e 22 por cento dos jovens apresentam sinais de depressão». Seguindo este lindo raciocínio ainda vamos ver o pavão idiota a defender um pacto de regime para que não se fale nos GNRs que vão certamente sofrer no Iraque, nos novos desenvolvimentos da Casa Pia (uma invenção da Imprensa insinuava a semana passada o Bastonário da OA à Visão) e já agora na crise...
Publicado por Manuel 0:20:00 0 comentários Links para este post
irreflexões ...
Quarta-feira, Novembro 19, 2003
O excelente irreflexões cita-nos duas vezes consecutivas a propósito do nosso post "Prognósticos" e antevêem uma perigosa cabala, só que não devem ter lido bem o "deve & haver"

Quando os autores doirreflexões virem o que vai acontecer à fórmulazinha que rege o imposto sobre produtos petroliferos nos próximos tempos perceberão a nossa refinada ironia ...
P.S. : não se esqueçam das Águas de Portugal ...
Publicado por Manuel 20:52:00 0 comentários Links para este post
A Dona Alzira, o Engenheiro Guterres, o Doutor Barroso e uma borboleta chamada Vanda
O Liberdade de Expressão, iliba parcialmente este Governo da quebra de receitas fiscais, e diz que a D. Alzira não pagar impostos não é culpa exclusiva deste Governo.
Remata a prosa afirmando :
E nós perguntamos: se é óbvio, e é-o de facto, excepto claro para Jorge Neto, que :
... não devia isso ter sido equacionado pelas Finanças em tempo oportuno ?
Entretanto, na Bloguitica, Paulo Gorjão, fiel discípulo de São Tomé, mostra-se incrédulo com um post nosso:
Nao me digam que Durão Barroso prefere António Guterres a Cavaco Silva ou Santana Lopes na Presidência da Republica?
Não acredito...
É simples, meras questões de calendário e realpolitik : Temos autárquicas, legislativas e presidenciais por determinada ordem e num curto espaço de tempo. Até pela teoria dos cestos, discutivel, é improvável que o PSD as ganhe todas, ora assim sendo que é que acham que Barroso prefere?

Barroso espera que Santana seja candidato e perca, para ter hipóteses de ser reeleito de seguida nas legislativas, e porque não se pode dar ao luxo de perder Lisboa (o que sem Santana, candidato presidencial, se afigura provável) nas autárquicas. Por outro lado que presidente melhor para Barroso que o dialogante Guterres ? Santana (ver editorial do Semanário da semana passada) acha que consegue ganhar, e com um discurso populista o suficiente para legitimar de seguida um eventual referendo que abra caminho a uma presidencialização do regime pelo que lhe é indiferente quem venças as legislativas sendo que até lhe convém que seja o PS pois tal lhe abre a margem de manobra para uma Chiraquização da Direita. Cavaco, que joga a solo, que não precisa de partidos ou aparelhos para nada, está-se nas tintas para as estratégias dos outros dois e já se viu que não vai se vai atolar no pântano barrosista pelo que é uma ameaça quer a Barroso, a cuja governação nunca esteve realmente colado e da qual descola a grande velocidade, quer a Santana por razões óbvias ...
É a vida, é o que é ...
Publicado por Manuel 19:38:00 0 comentários Links para este post
Por que é que nem nos melhores momentos as coisas podem correr bem à selecção nacional?

A figura que os nossos meninos dos sub-21 fizeram em França envergonha-nos a todos. Tinham acabado de conquistar uma brilhante vitória, frente a uma selecção fortíssima, que vinha de um percurso de tudo vitórias e nenhum golo sofrido na primeira fase. Depois de termos perdido por 1-2 em Guimarães, Portugal fez um grande jogo e conseguiu passar.
O que aconteceu nos balneários não pode ser desculpado com o... calor do triunfo. Não basta saber perder. Saber ganhar, por vezes, é ainda mais difícil.
Publicado por André 11:02:00 0 comentários Links para este post
deve & haver
Paulo Gorjão nos seus posts 1026 e 1027 antevê, com refinada ironia, que "Quando Durão Barroso tiver um grande exito tambem dirá que a culpa é de Antonio Guterres.".
Isso é o mínimo.

O meu grande medo é Guterres vir a ter, de novo, grandes exitos por culpa exclusiva de Barroso que o está a reabilitar de uma forma outrora julgada impossível ...
Em suma, e sem adversários, Barroso teima sistematicamente em ser o melhor avançado da equipa contrária . Ora a continuar assim Durão arrisca-se a ter o mesmo e inglório fim de Balsemão nos longinquos anos 80 ...
Publicado por Manuel 4:06:00 0 comentários Links para este post
eficácias ...
... ou porque é que em Portugal certos crimes compensam
Com o desemprego a disparar, e com aumentos salariais reais mínimos, a cobrança do IRS está 3% acima do previsto.
Em paralelo, a do IVA encontra-se 20% abaixo do inicialmente estimado.

Resumindo o Estado continua a sugar quem nunca pode fugir e a alegremente deixar andar os suspeitos do costume.
Sim, porque uma quebra de 20% não pode ser imputada apenas ao anterior Governo PS, ao 11 de Setembro, à crise global ou aos factores imponderáveis descortinados miraculosamente por Jorge Neto, mas sim, e também a um fracasso absuluto e total do combate à fraude e evasão fiscal !
Para compor o ramalhete só faltava para que para tapar o buraco deste ano se inventasse um novo "último" perdão fiscal ...
Publicado por Manuel 2:03:00 0 comentários Links para este post
tentações, ou um reality show para intelectuais ...

agora que Kasparov empatou o último jogo contra a máquina (resultado final 2-2) o que eu realmente gostava era de ver o Dr. Pacheco a jogar poker com o Dr. Santana, o Professor Marcelo e o Dr. Carrilho ...
Publicado por Manuel 0:52:00 0 comentários Links para este post
prognósticos ...
Depois de Jorge Neto, mais conhecido pelos seus implantes capilares do que pelos seus dotes para a política, ter afirmado à TSF que «Não há propriamente uma contradição entre o discurso do Governo e aquilo que diz o Banco de Portugal, o que há é a constatação de uma realidade inexorável, que é uma baixa significativa das receitas fiscais» acescentando que isso «decorre de um abrandamento significativo económico que foi notório ao longo do ano de 2003, isso implicou uma perda de receitas muito superior àquilo que era expectável e àquilo que foi previsto no início do ano» e de Barroso se desculpar com a ausência de ideias da oposição (uma desculpa original sem dúvida) e relativamente aos prognósticos negros do Banco de Portugal o insuspeito irreflexões pergunta-se:
O défice de 2001 na versão PSD foi de 4,1% e, supostamente, teria deixado o país de tanga. Com o défice actual (o real, que é o que interessa), de mais de 5% (leiam aqui), possivelmente até mesmo 5,5 ou 6%, mascarado por receitas extaordinárias é caso para dizer: Vendemos a tanga. E agora?

Agora, vamos ver mais acrobacias matemático-contabilisticas, Guterres a querer, mas não poder, pôr Durão a seu mandatário, e Cavaco a transformar-se paulatinamente no verdadeiro, único e real líder da Oposição ...
A ironia de tudo isto é que as grandes vítimas políticas disto tudo podem vir a ser os que, como Santana e Jardim andaram a defender a presidencialização do regime ...
Nos entretantos fazem-se apostas sobre quanto tempo mais, semanas?, meses ?, vai Santana estar solidário com Durão ...
Vai uma remodelaçãozinha lá para o Carnaval ?...
Publicado por Manuel 0:20:00 0 comentários Links para este post
Em cheio
Terça-feira, Novembro 18, 2003
Repegando na questão das qualificações dos nossos jovens, e dos problemas estruturais do nosso sistema de Ensino, reproduzo o excelente artigo escrito por Filomena Mónica no Público de ontem. Não podia vir mais a propósito...
Maria Filomena Mónica
«Como contei em anterior artigo, foi com a ajuda de uma irmã, perita em electrónica, que consegui obter os programas que desejava, o do Estudo do Meio do ensino básico (garantem-me que a edição, de 1991, está em vigor), bem como o de Língua Portuguesa dos 10º, 11º e 12º anos (homologado em 2001/02). Por hoje, fico-me pelo primeiro.
O mais impressionante para quem apenas ocasionalmente se debruça sobre estes fenómenos é a forma como, por detrás da cor política dos governantes, a ideologia pedagógica permanece inalterada. Tão ocupados andam os ministros com a gestão dos sarilhos correntes - a abertura do ano escolar, a colocação dos docentes, as pressões dos sindicatos - que não têm tempo para se preocupar sobre o conteúdo do que é ensinado.
Sei que, em outros países da Europa, as ideias pedagógicas não são muito diferentes das que por aí existem. Mas, em Portugal, instalaram-se sobre os escombros do salazarismo, o que lhes confere uma arrogância singular. Do alto das suas cátedras, os modernos doutrinadores proclamam que o ensino se deve basear nos "saberes" trazidos pelos meninos, que a sala de aula deve ser um recreio e que a escola mais não é do que a reprodução da estrutura de classes. No meu livro "Os Filhos de Rousseau" denunciei, a propósito dos exames do 12º ano, a forma como estas ideias tinham minado as escolas. De então para cá - e já lá vão seis anos - nada mudou.
O programa de ensino básico começa logo com uma mentira: "A Reforma Curricular situa-se como componente fundamental da Reforma do Sistema Educativo, concitando [sic] naturais expectativas por parte, não só de quantos se encontram envolvidos no processo educacional, como também de muitos outros e mais vastos sectores da sociedade portuguesa." Como pude constatar, quando andei em busca dos programas, nem os pais nem a sua confederação manifestam o menor interesse pelo assunto, como o atesta a presunção, nos locais para onde telefonei, de que os programas pertencem às escolas.
Eis a filosofia da educação, tal como expressa no preâmbulo: "Deste modo, também
se pretendem ver reformuladas a relação pedagógica e a metodologia do processo de ensino-aprendizagem relativamente aos padrões tradicionais. Se o apelo à participação do aluno na construção e avaliação das suas aprendizagens, ao incentivo da sua autonomia como sujeito intelectual e moral ou à dinamização das actividades criativas dos indivíduos e dos grupos não constituem propostas inovadoras face a práticas já correntes em muitas escolas, o mesmo se não pode dizer da explicitação programática destes princípios."

Não pretendo enjoar o leitor, pelo que salto por cima da retórica analfabeta, concentrando-me na disciplina estranhamente intitulada Estudo do Meio: "O meio local, espaço vivido, deverá ser o objecto privilegiado de uma primeira aprendizagem metódica e sistemática da criança, já que, nestas idades, o pensamento está voltado para a aprendizagem concreta." Em vez de se alargar os horizontes, estes são reduzidos aos que as crianças supostamente trazem de casa.
O Estudo do Meio - um território sem fronteiras que engloba a Biologia, a História, a Psicologia, a Etnografia, a Geografia, a Astronomia, a Física, a Economia e a Química - procura "contribuir para a compreensão progressiva das inter-relações entre a natureza e a sociedade". Como se isto não bastasse, atribui-se-lhe igualmente a função de formar cidadãos: "É ainda no confronto com os problemas concretos da sua comunidade e com a pluralidade das opiniões nela existentes que os alunos vão adquirindo a noção da responsabilidade perante o ambiente, a sociedade e a cultura em que se inserem, compreendendo gradualmente o seu papel de agentes dinâmicos nas transformações da realidade que os cerca." Segue-se a lista dos fins da escolaridade básica, que vai da inculcação de "hábitos de higiene" à identificação de "elementos relativos à História e à Geografia de Portugal". No subcapítulo dedicado à História, diz-se: "O âmbito de estudo da criança vai alargar-se aos outros, primeiramente aos que lhe estão mais próximos e depois, progressivamente, aos mais distantes no espaço e no tempo."
Só depois de ter lido isto fizeram sentido algumas das conversas tidas com as minhas netas. Há tempos, admirara-me o facto de a Rita, que tem oito anos, ao comentar os trabalhos de casa, me ter dito preferir os homens primitivos aos gregos. Interrogada sobre o motivo, confessou que era por serem "diferentes de nós". Noutra ocasião, notei o gozo com que tanto ela como a irmã mais nova haviam devorado "A Idade do Gelo", um DVD no qual uns mastodontes pré-históricos tentam salvar um bebé. De tal forma estão as crianças fartas do Estudo do Meio que só querem ouvir falar da Pré-História.
Como as netas frequentam uma escola que não usa manuais, decidi investigar o que a minha sobrinha andava a ler. Escrito por Isabel Guimarães, Isabel Antunes de Sá e Maria João Pinho, o manual, que se destina a alunos do 4º ano da escolaridade, intitula-se "Outros Tempos/ Outras Histórias - A História no Estudo do Meio". Sei que é difícil escrever para crianças, mas não é demais, julgo, pedir que o que se lhes oferece esteja factualmente correcto. Ora, o livro contém vários erros. Não é verdade que as cortes medievais apenas reunissem a nobreza e o clero, nem sequer é justo o que se escreve sobre o ausente povo: "Nós trabalhamos nas terras dos grandes senhores, seis dias por semana, e pagamos muitos impostos. Para nos distrairmos, apenas temos as romarias, as procissões ou algumas festas nobres importantes."
A fórmula usada para as Fichas de Trabalho, onde é suposto pôr-se um "V", de verdadeiro, ou um "F", de falso, à frente de algumas frases, mais parece saída de um concurso televisivo do que adaptada a uma sala de aula. O caso mais ridículo deste tipo de questionário vem no final: "Salazar foi: um instrumento de culinária/ presidente do Conselho de Ministros/ um realizador de cinema/ um cruzado". Igualmente bizarra é a ideia de usar textos com informações erróneas como forma de se chegar à verdade. Eis o que, a dado momento, se pede ao aluno para comentar: "D. Sebastião embarcou para a América de férias. Aí, lutou na batalha de Alcácer do Sal, da qual saiu vencedor. Regressou a Portugal, num lindo dia de sol."
Finalmente, o espaço que poderia ser dedicado à História Moderna, às invasões francesas, à guerra civil oitocentista ou ao constitucionalismo monárquico, é ocupado com a transcrição da letra do hino da Madeira, de um texto burocrático sobre a adesão de Portugal à União Europeia e de um aviso solene sobre a necessidade de, após o 25 de Abril, se fazer "um esforço comum dos cidadãos e do Estado". Num manual de 96 páginas, mais de metade versa o presente. A História, que, segundo Aristóteles, era um relato do que os seres humanos fizeram e sofreram, transformou-se num amontoado de fichas com quadradinhos, apelando à memorização, à ausência de raciocínio e à preguiça intelectual. Ora, um país que desconhece a sua História não está preparado para enfrentar crises. Como o estamos a verificar».
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"Bóiam farrapos de sombra"
Bóiam farrapos de sombra
Em torno ao que não sei ser.
É todo um céu que se escombra
Sem me o deixar entrever.
O mistério das alturas
Desfaz-se em ritmos sem forma
Nas desregradas negruras
Com que o ar se treva torna.
Mas em tudo isto, que faz
O universo um ser desfeito,
Guardei, como a minha paz,
A 'sp'rança, que a dor me traz,
Apertada contra o peito.
Fernando Pessoa
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Estrela do Mar
«Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia, sozinho, ao relento
E ali longe do tempo, acabei por dormir
Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar
"Sou a estrela do mar só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."
Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar
Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar
"Estrela do mar
Só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."»

«Estrela do Mar», JORGE PALMA, 1984
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"Prozac & Herbalife"
O controlo do défice orçamental transformou-se, para o bem e para o mal, na ‘Operação Triunfo’ do Governo.
Cortar a despesa pública, diminuir o peso do Estado na Economia, moderar fortemente os salários da Função Pública são todos, sem excepção, caminhos que vão dar a Bruxelas. E já não restam hoje dúvidas que Durão Barroso será julgado, em 2006 ou mais cedo se a economia persistir nos seus sinais recessivos, pela sua capacidade de sanear as finanças públicas e promover uma política de efectiva consolidação orçamental.
Ora, Cavaco Silva veio alertar para os riscos desta ortodoxia financeira ditada pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Tal como já o fizera, antes, Jorge Sampaio.
Usando uma linguagem acessível, que não ficaria mal a um candidato presidencial, o ex-primeiro-ministro sintetizou a questão: «Se se continuar a gastar dinheiro em estádios de futebol e se a fuga aos deveres fiscais não acabar», o controlo do défice terá sido em vão.
A coincidência de pontos de vista entre Jorge Sampaio e Cavaco Silva reflecte, sobretudo, uma questão de senso comum: o espartilho orçamental imposto pela ministra das Finanças é um fim em si mesmo para recuperar o estatuto de bom aluno europeu ou é um meio que visa a consolidação orçamental e o relançamento da economia?
É aqui que reside a posição ingrata da ministra das Finanças. Criou-se a ideia, na generalidade da opinião pública, que é da acção de Manuela Ferreira Leite que depende o futuro do País e do Governo.
Essa é, porém, uma ideia falsa. Nem a ministra das Finanças terá sucesso na consolidação orçamental sem a cobertura e a coragem política do primeiro-ministro; nem a disciplina financeira imposta terá qualquer efeito sobre a economia sem a sua conjugação com outras políticas sectoriais.

Ou seja, recorrendo à linguagem médica, o País precisa, em doses certeiras, de uma terapia que lhe permita emagrecer e encarar o futuro da economia com optimismo – um misto de Herbalife e de Prozac.
Não podendo Manuela Ferreira Leite pedir, simultaneamente, contenção e moderação aos agentes económicos e empolgar empresários e investidores, esse papel terá de ser assumido por outros colegas do Governo.
Não se vislumbra, porém, no Executivo quem o faça.
Esse discurso mobilizador está ausente e asfixiado pela obsessão orçamental – que é virtuosa mas não pode ser omnipresente.
A pergunta é, pois, legítima: se Durão Barroso tiver, em 2006, o meritório saneamento das contas públicas como único trunfo para apresentar aos eleitores, o que restará da economia real? E como estará, então, o País?
Miguel Coutinho, Diário Económico 18/11/2003
Publicado por Manuel 10:03:00 0 comentários Links para este post
"Défice do Estado agravou-se 40,6% até Outubro"
O Professor Cavaco não percebe, nós muito menos ...
O défice orçamental do subsector Estado agravou-se 40,6% nos primeiros 10 meses do ano, face a igual período de 2002, para 6.907,1 milhões de euros, informou segunda-feira a Direcção-Geral do Orçamento (DGO).
Este valor corresponde a 5,2% do Produto Interno Bruto estimado para 2003, quantificado em 131.993,8 milhões de euros.

A execução orçamental até Outubro revela uma degradação homóloga (face a igual período do ano anterior) de 58,1% no saldo corrente, que ascende a 4.392,7 milhões de euros, e de 17,9% no saldo de capital, que sobe a 2.514,4 milhões de euros.
O saldo corrente resulta da conjugação de um crescimento da despesa corrente em 3,4%, para 27.298 milhões de euros, e da receita corrente em 3,1%, para 22.905,3 milhões de euros.
Lusa
"Espero que [à ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite] não lhe faltem as forças para cumprir, eventualmente através do controlo do défice, aquilo que é verdadeiramente importante para a economia portuguesa, que são as reformas estruturais", afirmou o antigo primeiro-ministro.
Ora a grande reforma estruturante deste Governo está a ser a chico-espertice de emagrecer o Estado Central, que não as contas públicas, fazendo o outsourcing de muitas das funções e competeências deste para as autarquias. Conhecidos que são o pulso e cartilagens vertebrais de Durão, Arnaut & Associados, passamos de um problema chamado Alberto João a centenas deles em potência ...
É por estas, e por outras, que sendo ferozmente anti-municipalista me vejo na contingência de ser regionalista na medida de que o País precisa rapidamente de uma reforma administrativa e territorial que permita uma eficaz, justa e "controlável" alocação e gestão de recursos...
Publicado por Manuel 1:58:00 0 comentários Links para este post
e agora algo de completamente anormal ...
.. que é meter-me no meio de uma troca de mimos entre dois antigos correligionários do mesmo partido (CDS/PP) agora em barcos separados
Afirma Rui Albuquerque :
Veja-se o caso de Pinto da Costa que criou uma das poucas marcas portuguesas universalmente conhecidas (as outras serão, talvez, a SONAE e o BCP, ainda que em mercados muito especializados), sendo escusado repetir o que o Porto e Portugal ganharam com isso.
Ao longo da sua presidência de mais de vinte anos, lembro-me de o ver atacado por quase todas as razões e motivos: negócios menos claros, a arbitragem, o guarda Abel, a agência Cosmos, o carácter, a educação, o bairrismo, a dimensão da área comercial do novo estádio, a ausência de convites ao Presidente da Assembleia da República, etc. Há até quem compare a sua direcção à família dos Sopranos o que, tendo alguma graça, não deixa de ser ridículo e absurdo.
O que é verdade é que Pinto da Costa é a parte mais importante da história deste clube, que é, actualmente, a principal referência da cidade e da região onde se encontra inserido. E de Portugal, também. Sem dúvida que será um homem de excessos e de facetas desiguais, mas é um líder, uma referência e um construtor, que já ganhou tudo o que tinha para ganhar e que soube ter a superior inteligência, quando lhe acenaram com a política e Lisboa, de ficar no sítio onde sabe ser muito bom: o Futebol Clube do Porto.
Se têm alguma dúvida, desafio-os a fazer uma experiência: "peguem" num bom lisboeta, num assumido alfacinha e ponham-no a falar sobre o Porto. Ouvirão todos os clichés, a pronuncia, o metro, o comboio e a auto-estrada para Lisboa, o clima, o dialecto-morcão, etc.. Depois, no momento em que ele estiver mais animado, peçam-lhe para falar no Presidente. Perguntem-lhe o que pensa de Jorge Nuno Pinto da Costa. E verão como, em segundos, perderá a têmpera, o riso e o raciocinio.

Passe a distância histórica e o texto acima quase que podia, com uns pequenos retoques, funcionar como uma apologia pura e dura à Propaganda Duo (P2) de Liccio Gelli de que Berlusconni aliás foi membro, ou a Pinochet no Chile...
Eu que sou do Norte, e do Porto, tenho vergonha de Pinto da Costa, e quanto aos motivos pelos quais porventura em Lisboa se inveja o homem deixe-me que lhes recorde que da última vez que tentaram arranjar um Pinto da Costa sulista (Vale e Azevedo) a coisa correu um bocado mal.
E depois há aquela insustentável amoralidade e leveza, a de que os fins, e os resultados, justificam todos e quaisquer meio e, não é isso definitivamente que eu quero para o meu clube, a minha cidade e o meu País ...
Publicado por Manuel 1:42:00 0 comentários Links para este post
TSF ...

Uma pessoa percebe, que de facto, Rangel quer arrumar com a TSF quando entra no carro, liga a ignição e sai - na TSF (!) - a banda sonora de uma das novelas da TVI ...
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resposta a Carlos Abreu de Amorim
Segunda-feira, Novembro 17, 2003
Duas notas prévias :
Em primeiro lugar por estas bandas ninguém assumiu, cumulativamente, as dores de terceiros. O Doutor Pacheco costuma saber defender-se razoavelmente bem, e pela sua cabeça, e não consta que passe procurações. Quanto ao PSD, o autor, é de facto militante do mesmo e, pasme-se, até tem as cotas em dia, mas descancem as alminhas mais ortodoxas que não houve qualquer tentantiva ou intuito de defesa do PSD no nosso post original.
Em segundo lugar, sejamos realistas: se se tirar da equação o factor mediático do palco televisivo, e é isso que de facto incomodou CAA, Pacheco Pereira até foi bastante contido nas críticas a Monteiro e ao PND. Por estas bandas já se fizeram críticas muito mais ferozes e o próprio texto a que CAA agora responde é substantivamente muito mais violento do que as criticas originais de Pacheco.
Mais, há uma divergência de fundo, entre a nossa análise, e a de Pacheco, quanto à natureza profunda da ND. Pacheco vê-a aparentemente, e iminentemente, como uma ameaça populista personificada num one men show, o de Monteiro. Nós, como já aquí se escreveu mais que uma vez, entendemos que Monteiro está consciente ou inconscientemente a ser usado, que do ponto de vista dos mentores da ND é descartável e que mais, numa perspectiva puramente estratégica, a ND está a fazer um grande favor ao Dr. Portas e às suas tentativas de hegemonização do Centro e da Direita.
Dito isto e relativamente às justificações de CAA temos a comentar o seguinte:
- Em relação à natureza do PSD, CAA treslê, muito convenientemente as nossas declarações e omite um grande detalhe.
Mas vamos por partes :
O PSD sempre teve no seu seio diferentes correntes, umas mais populistas, outras mais conservadoras, umas mais social-democratas, outras mais liberais e outras mais conservadoras.
Nunca ouve uma corrente única embora haja sempre uma correntre que num dado instante é maioritária. Mas num ponto todas as correntes convergem que é o de um intrinseco espirito reformista e de um certo personalismo humanista.
Agora, o que o PSD nunca fez, personificado num único personagem, e aquí é que está o cerne da questão, foi tentar ser tudo para toda a gente, e basta ler o Expresso desta semana, e as declarações lá proferida pelo Dr. Monteiro, para se perceber que é esse rigorosamente o pecado da ND.
A diferença é que uma coisa é ninguem saber ao certo, por ser imprevisível, o que vai na cabeça do Dr. Monteiro num dado instante, outra completamente diferente é não se saber o que vai na cabeça do Dr. Pacheco, do Dr. Marcelo, do Dr. Santana, etc (e isso toda a gente sabe) ...
O CAA confunde a natural diversidade opinativa de um partido de poder, que cresceu e se solidificou fazendo força da complementaridade das suas diferentes correntes com a contra natura "diversidade", passe o eufemismo, opinativa de uma só pessoa - chame-se ela Monteiro, Portas, ou Sassá Mutema, num dado instante.
Logo, nós não proclamamos a ambiguidade como grande segredo laranja, proclamamos isso sim, a liberdade de expressão e pensamento, dentro de um quadro muito bem definido por Francisco Sá Carneiro como o grande segredo laranja.
- "O PSD não pensa a política – limita-se a aferir para que lado sopra o vento. Foi radical quando os tempos eram agrestes, moderado quando a poeira assentou, contestatário quando as nuvens escureceram, meias-tintas nos momentos de transição. Mas pensamento?" Aparte a citação anterior parecer uma epitáfio funebre de Monteiro ou até Portas esta é particularmente injusta para o PSD. Com efeito parece que o virús revisionista que assolou o último congresso do PP já está a provocar mossa na nóvel ND.
Afirmar que Sá Carneiro ou Cavaco não pensaram a política, ignorar a Nova Esperança e ignorar que o PSD esteve presente em todos om momentos de viragem e verdadeira reforma no pós 25/4, desde o fim do Conselho da Revolução ao fim da loucura estatista só pode ser interpretado como um excesso momentâneo de alguem toldado pela emoção ...
De qualquer modo, quando me encontrar com CAA (somos ambos do Porto e tudo) prometo emprestar-lhe um livrinho com todas as moções presentes a Congresso na história do PSD. De certeza que o vai achar muito pedagógico ...
- Aquí, e passe a boutade que é comparar o PSD ao Benfica, é que CAA demonstra claramente não perceber o espírito do PSD.
Eu não substimo o aparelho; eu abomino o aparelho (e até, pasme-se, defendo a extinção pura e simples da JSD e dos TSD). Só que por muito que custe a muitos, dentro do próprio PSD, este não é, nunca foi, um Partido de "caciques, baronetes, senhores de votos ambulantes e contadores de cabeças votantes". O PSD é antes de mais um partido de gente anónima, que não precisa de ser filiada para se sentir PSD. Aliás sempre que se tentou reduzir o PSD ao aparelho ignorando o pulso do País os resultados foram desastrosos.
Quando Cavaco foi candidato contra Sampaio, o aparelho laranja, senão todo, em boa parte, relaxou "amuado" pelo pretenso deixar cair de Cavaco a Nogueira, nas legislativas anteriores, e não foi por isso que não houve campanha, e não foi por isso, que dadas as circunstâncias, não se obteve um excelente resultado.
Reduzir o PSD ao aparelho é pura ingenuidade política. Mais, quanto aqueles que baixam os braços por causa dos Menezes, Majores, Jorges Ferreira e Castelos Brancos deste mundo só uma nota : enquanto se jogar pelas regras deles estão condenados a perderem ou a acabarem atolados em compromissos artificiais...
- Não se tratam de palpites, tratam-se de factos. Toda a gente tem um passado, não vem do vácuo. E o facto é que por definição a ND tem que ter, não tendo bases, não tendo aparelho - no sentido PSD, PS ou PC do termo - um discurso puramente mediático e esse discurso empurra-a natural e inapelavelmente para o monocromatismo e maniqueismo ideológico. Lógica, meu caro CAA. Mas o futuro falará por nós os dois.
- Eu sei que foi um bocadinho mais complicado. Mas esse bocadinho mais "complicado" noutro Partido era impossível ...
- Não se trata de revelar "uma descrença tão acentuada no sistema que nem sequer consegue admitir que este suporte qualquer abertura ou distinção". Trata-se simplesmente de puro realismo : sou um reformista, não um revolucionário e quando ouço apelos a uma quarta República estremeço. Estremeço porque se trata de pura demagogia. Bem ou mal, vivemos no País que vivemos, no contexto em que vivemos. Não podemos fugir a isso. Querer aparecer, e logo quem, coberto à distância por que tais, como virgens impolutas e com a fórmula da pólvora convenhamos que não é o melhor cartão de visita (e aquí mais uma vez remeto CAA para as declarações de Monteiro ao Expresso ...)
- Antes de mais, que nos metam no mesmo saco que o Pacheco ainda vá que não vá, agora no mesmo da caixa de ressonância do BE, que nem de física elementar percebe é que já era dispensável ...
Não se trata de gostar ou não gostar do Dr. Monteiro. De um ponto de vista prático e até teórico o Dr. Monteiro, como o Dr. Portas e até o Dr. Santana são os adversários ideais: São geralmente mais vulgares do que se julgam, menos cultos do que deviam, mais espertos que inteligentes e absolutamente presunçosos.
Ironicamente é por isso também que arranjam tantos apoios : São óptimos front-ends. Sobre terceiros não comentámos, mas a bitola pela qual atacamos Monteiro, é rigorosamente a mesma pela qual criticamos Portas, Santana, Ferro e Durão.
Para CAA há virtudes em Monteiro e vícios em Ferro. Para nós, não há rigorosamente nenhuma diferença entre a crença na tese da cabala proclamada inicialmente por Ferro e a afirmação despudurada, demagógica e perfeitamente imbecil, urbi et orbi de Manuel Monteiro quando afirmou que na "sua" ND não havia pedófilos.
Quanto ao PSD, e pela parte que me toca, não o encaro como um Clube de Futebol, ou uma seita, não me baste que ganhe, exijo que seja melhor que os outros. Mais, incompetência, por incompetência, prefiro-a feita por outros que não do meu Partido .
É um facto que na humilde e contestável opinião deste escriba, o PSD está a passar uma má fase, mas, meu Caro CAA, e parafraseando Churchill posso garantir-lhe que é sem qualquer dúvida o pior partido com excepção de todos os outros.
Para terminar, e ainda a propósito, da quarta república, se o Dr. Monteiro, ou alguém por ele, conseguir convencer o Dr. Jardim a aderir à ND, eu prometo solenemente deixar de dizer mal da ND por uns tempos; Era de facto um excelente favor que faziam ao PSD e de facto até iam bem um com um outro...
Publicado por Manuel 23:47:00 0 comentários Links para este post
Pura ilusão
A notícia já tem uns dias, mas ainda vale a pena falar sobre isto. Um relatório publicado na semana passada, e que passou relativamente despercebido na agenda jornalística , expôs muito bem o atraso cultural e educacional que o nosso país acusa, quando comparado com os seus parceiros da União Europeia.

Então é assim: a média da UE no que se refere a jovens a frequentar o ensino superior está na ordem dos 70 por cento. Em Portugal, ronda os 10 por cento. A diferença é igualmente preocupante em relação ao ensino secundário.
Não tenho os números exactos na cabeça, mas a proporção é mais ou menos esta. E é, acima de tudo, muito preocupante.
Este relatório é mais um dos que apontam para os grandes problemas de base que o nosso sistema de Ensino vem mostrando ao longo das décadas. Acho extraordinário o argumento recente (terá dez anos, não mais) que refere que Portugal começa a ser um país de... doutores.

Nada mais errado. O nosso país nunca poderá aspirar a dar o salto quando continua a ter uma falta de preparação de base tão grande. Ao contrário do diz o senso comum, faltam licenciados — são os estudos que o mostram. Outra dado interessante, que vai contra as opiniões fáceis: não há áreas com licenciados a mais. Todos os sectores precisam de mais gente formada — e , de preferência, especializada.
A questão do desemprego é outro problema. Existe, está em níveis assustadores, e é um facto que atinge fortemente os jovens licenciados. Mas é como aquela dúvida do ovo e da galinha: sem uma aposta séria na Educação, nunca teremos empresas dinâmicas e, por consequência, um mercado de trabalho capaz de absover a procura.
Perguntem aos irlandeses como conseguiram dar o salto. E perguntem aos checos e aos polacos, que estão prestes a entrar (e em força...) na UE por que é que andam a conquistar empresas multinacionais que, há meia dúzia de anos, escolhiam um certo país de clima agradável que prometia desenvolver-se quase tanto como os espanhóis... Foi há tão pouco tempo e tanta coisa mudou.
«Ai Portugal, Portugal
do que é que tu estás à espera?»
(Jorge Palma)
Publicado por André 20:12:00 0 comentários Links para este post
A arte da ficção...
«Eu estava em Londres por causa dos quadros, Ticiano e Piero della Francesca na National Gallery, Rothko e Mondrian na Tate, e Whistler numa exposição temporária, uma loja escura, o Tamisa ao amanhecer, uma rua coberta de neve.
Uma noite, quando passeava perto da livraria de Michael, reparei nos cartazes de "The Master Builder". Há uns dois anos que procurava o texto da peça, tinha qualquer coisa a ver com os meus livros, não sabia o quê. Uma menina numa aldeia das montanhas, o Construtor que chegou para inaugurar a torre da igreja, a torre mais alta do mundo. Ela viu-o no cimo da torre e apaixonou-se por ele (esta era a peça de teatro preferida de Freud). A menina está sozinha em casa e o Construtor entra na sala e dá-lhe um beijo, muitos beijos. Ele diz que ela é uma princesa e que irá buscá-la daí a dez anos, como um troll, para lhe dar um reino.
Era estranho ver a peça tantos anos depois, o meu velho conto de fadas num velho teatro de Londres. Quando as luzes se acenderam olhei com incredulidade o homem que estava sentado ao meu lado. Era mesmo ele, os olhos muito azuis, o nariz adunco, a boca, aquela figura um pouco sombria que vivia dentro dos meus livros e nos filmes de Bille August, de Bryan Singer, de Jarmusch. E ele sorriu; tínhamos tantas coisas para contar um ao outro, os quadros e a Irlanda, as peças de Ibsen e, o mais estranho de tudo, ele era o protagonista do meu romance e estava a escrever um livro sobre Iris Murdoch. E ele perguntou, tu leste "The Sea, the Sea"? Hilde dizia ao Construtor que viera lembrar-lhe a sua promessa, tinham passado dez anos e ela queria um reino. O Construtor tinha sentimentos de culpa em relação à mulher, pensava que ela ficara despedaçada pela morte dos filhos, mas ela conta a Hilde que só sente a falta das coisas que perdeu no incêndio da casa (são as pequenas coisas que nos partem o coração), os quadros, os vestidos, as jóias e, acima de tudo, as suas bonecas, ninguém se lembrara de salvar as bonecas...
E ele tem o teu rosto, e os teus olhos, e a tua voz, e é irlandês... Ele dizia-me que gostara de ser o demónio num filme, fazer do demónio um homem comum, porque o mal está em todos nós, nas pessoas por quem passamos na rua. E disse-me para ler um livro, é estranho ouvir o actor de um filme dizer que o livro é melhor, o realizador era bom, os actores também, mas os estúdios queriam um thriller; os olhos dele pareciam mais escuros ao falar do livro, eles têm trinta palavras diferentes para neve... (Não sei o que acontece a uma escritora que encontra a sua personagem, só sei que não voltei a escrever...)
O Construtor fingia lembrar-se da história de Hilde e prometia dar-lhe um castelo; disse-lhe que já não construía igrejas, já não trabalhava para Deus; e falou-lhe dos demónios, há os demónios brancos e os demónios negros, e é difícil saber quais são os que nos conduzem... O troll dentro de nós. E Hilde pergunta, tens a certeza de que o troll dentro de ti não chamava por mim? As flores no jardim, as cadeiras de vime, e o Construtor, que tem vertigens, sobe a escada da torre, porque ela lhe pediu para fazer mais uma vez o impossível; mas, como dez anos antes, ele não está sozinho no cimo, discute com alguém ou alguma coisa...
As luzes acenderam-se e ele levantou-se, eu procurei o casaco e quando me voltei ele tinha desaparecido no meio das pessoas que saíam, vesti o casaco devagar, não é possível que tudo tenha terminado aqui... Levantei-me por fim e sentia-me vazia ao descer os degraus, havia poucas pessoas na entrada, mas então vi-o junto à porta, estava à espera, e quando me avistou sorriu abertamente, o troll em mim chamava por ti, pensei, o troll em mim, e quase corri ao seu encontro».
«The Art of Fiction», ANA TERESA PEREIRA, crónica publicada no suplemento «Mil Folhas» do Público de 15 de Novembro de 2003

Publicado por André 19:49:00 0 comentários Links para este post
"Ainda o Equador..."
Domingo, Novembro 16, 2003
"(...) Por mim, uma pergunta: por que razão gasta o PÚBLICO tinta, espaço e trabalho com a incultura quase cómica de Miguel Sousa Tavares? Gostava de perceber. Acredite."
Vasco Pulido Valente Público, 16/11/2003
N.A. Afinal não somos só nós ...
Publicado por Manuel 11:46:00 0 comentários Links para este post
ELF ...
Sábado, Novembro 15, 2003

Multiplicam-se as notícias em França da condenação de ex-responsáveis de topo da ELF. A ver vamos se as atribulações e cambalhotas no nosso sector energético não acabam (ou pelo menos deveriam acabar) da mesma forma ...
Publicado por Manuel 19:05:00 0 comentários Links para este post
ainda o Semanário desta semana ...
O Semanário é sem dúvida um caso único na imprensa universal.
Em primeiro lugar é provavelmente o único jornal à face da terra a ter publicado uma manchete, ser forçado a desmenti-la no dia seguinte em toda a concorrência, em anúncios pagos, ser ameaçado com uma chuva de processos judiciais e ter sobrevivido (dos processos nem sombra).
Depois temos claro, esse expoente do jornalismo lusitano, trabalhador incansável na Caixa Geral de Depósitos, de segunda a quarta, e sexta, e exuberante escriba no semanário à quinta que é Pedro Cid. Para mais as sucessivas empresam que gerem aquele semanário conseguem desmentir sistematicamente a velha máxima do Estado de Direito e de Mercado de que para se sobreviver é preciso pagar impostos, ter uma situação regularizada com a Segurança Social, etc. Em suma, o Semanário apenas sobrevive porque Rui Teixeira Santos e Companhia sempre arranjam maneira, de fazer uns servicinhos aos poderes do momento (sejam eles laranja ou rosa) em troca de um olhar para o lado das Finanças e Segurança Social.
Nesta semana no Semanário, se bem que não seja uma daquelas edições de colecionador, temos duas peças a reter : Uma o editorial de Rui Teixeira Santos e outra o artigo de opinião de Carlos Abreu de Amorim.
Sobre o editorial, uma ode ao Santanismo futuro e à quarta república - esta personificada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, apenas uma nota : O Professor Cavaco, nem de propósito, recordou, ontem mesmo, que está vivo e em grande forma e livre das amarras que às vezes lhe querem impôr...
Sobre a prosa de Carlos Abreu Amorim há várias notas a salientar.
CAA começa por se indignar com a críticas de Pacheco à Nova Democracia de Monteiro para depois desferir um impiedoso ataque ao PSD, manta de retalhos e albergue espanhol, por oposição à ND, o único partido virgem de vícios em Portugal e arredores.
No papel as coisas são muito bonitas mas, além, de, no que à ND diz respeito, Pacheco ter carradas de razão, há o detalhe não negligenciável de aquilo que CAA vê como fraquezas do PSD serem em grande medida a sua força. De facto no PSD não há um pensamento único, nunca houve desde a sua fundação. De facto no PSD, Poder ou Oposição, sempre ouve quem pensasse pela sua própria cabecinha. De facto, e o pós bloco-central e a "inesperada" ascenção de Cavaco é disso paradigmática, sempre houve quem no seu interior tivesse razão antes do tempo, preparando sempre condições para o day after. Por isso todas as incoerências orgânicas que CAA vê no PSD são falsas, e mais, o arrazoado de CAA apenas prova que a ND não vai durar muito. É claro que pelo meio há criticas pertinentes à governação em concreto mas que se perdem na irrazoabilidade da incompreensão do que é de facto o PSD.
E o PSD é, antes de ser um partido de aparelhos, intelectuais, clubes de pensadores, ou iluminados, um Partido de bases. O PSD podia estar um, dois, três meses sem líder, sem líderes distritais, sem concelhias e nem por isso se extinguia ou entrava em colapso.
A ironia de tudo isto é que o raciocínio que suporta a linha coerente que CAA reclama para a ND e que, felizmente, não vê no PSD, foi o mesma que levou à saída de Monteiro do PP, aos processos - ainda no PP - contra CAA aquando das últimas autárquicas (aquí só ficava bem a CAA recordar que foi graças ao mesmissimo ecumenismo laranja que ele agora crucifica que o mesmo CAA entrou nas listas da coligação que conquistou a Câmara do Porto já que por vontade da direçao do PP CAA jamais faria parte das mesma i.e. na prática entrou pela cota do PSD) dado que o PP de facto não suporta por definicão a existência de uam oposição interna - e é a mesma linha de raciocínio que levará, por mera transitividade, à implosão da Nova Democracia.
Admitindo que a ND descola, e numa primeira fase, graças aos bons ofícios de Portas na coligação e à cegueira de Barroso, tem todas as condições para descolar pelos menos nas Europeias, vai ser impossível manter a pureza de pensamentos e dogmtismos iniciais a não ser que se transforme, num partido neo-estalinista formalmente de Direita. Mais, o próprio discurso de CAA é muito mais à direita e liberal do que o ultra ensaiado discurso de Monteiro, que pretende abarcar tudo do BE para a Direita, pelo que a prazo todos os argumentos que CAA usa para criticar o PSD serão válidos, alguns já são, a própria ND, que obviamente, dará primasia à táctica sobre os principios e a estratégia já que uma coisa é ter-se um partido com muita gente e muitos discurso diferentes mas porventura copmplementares outra totalmente diferente é ter-se muito menos gente e discursos du jour. Foi assim no passado com o Dr. Monteiro, vai ser assim no presente com o Dr. Monteiro porque há coisas que nunca mudam e uma delas é o Dr. Monteiro.
Para terminar, uma nota de espanto : CAA está há demasiados anos na política, sabe demasiado bem como funcionava, e funciona o sistema, para poder dizer com seriedade que a ND vem de fora ou é uma lufada de ar fresco, a não ser que não tenha acompanhado com muita atenção os processos que levaram à fundação da mesma ...
Tivesse havido uma verdadeira reforma do financiamento partidário (temática que parece passar à margem do radar da ND) e perceberiamos porquê...
Publicado por Manuel 11:56:00 0 comentários Links para este post
Nós avisámos...
Sexta-feira, Novembro 14, 2003
Nem de propósito: a Grande Loja do Queijo Limiano, no seu espírito de missão que a tem distinguido internacionalmente, tinha avisado para os perigos das burrices do senhor Scolari...
Além de teimoso, Felipão mostrou hoje o seu lado mal-criado. Vindo de quem tem feito resultados hesitantes, pode ser pouco prudente; vindo de quem ganha um balúrdio e ainda não justificou o que lhe pagam é, no mínimo, provocador.
Foi rude para com um jornalista, encheu-se de razão quando não a tinha e insultou um clube português, que por acaso até é o melhor que temos neste momento.

Sai dessa, ó Felipão. Se não te pões a pau, nem chegas ao Euro. Há dúvidas?
Publicado por André 23:00:00 0 comentários Links para este post
Os novos estádios
Em meia dúzia de semanas, o país futebolístico ficou com um conjunto de novos estádios. Mesmo os que foram remodelados (Guimarães, Leiria e Coimbra) podem considerar-se como novos, tão transformados ficaram — e para melhor.

Esta é daquelas questões que dão mesmo para tudo: gastou-se dinheiro a mais? Obviamente que sim. Largar centenas de milhões de contos (no total de todos eles) em anos de aperto orçamental parece imoral? Claro que sim.

Mas a coisa não é tão simples assim. Comparar-se logo esses gastos com o dinheiro que não há para investir na Saúde pode ser perigoso,e demagógico. É preciso perceber que grande parte do financiamento que apareceu foi angariado pelos clubes promotores (nomeadamente no caso dos grandes). Gastaram-se verbas gigantesas, com certeza, mas parte delas vão ter retorno. As empresas que meterem dinheiro nos projectos de Benfica, Sporting e Porto sabem disso: e já estão à espera de encher os cofres com o que vem aí de receitas comerciais e novos espaços de lazer. O exemplo da nova Luz é, nesse aspecto, paradigmático. As novas Antas são também um belo exemplo de como se pode transformar um problema num benefício próprio.

O que se pode pôr em causa não são, curiosamente, os grandes investimentos, porque esses vão mostrar-se viáveis. O problema são os médios projectos (Leiria, Coimbra, Algarve, Guimarães, Braga e Aveiro). Avançar-se para estádios com a capacidade de 35 mil lugares quando já se sabe, à partida, que as médias de espectadores por jogo dessas equipas não ultrapassa os 5 mil, isso sim é irresponsável.
Não ganhávamos a candidatura só com seis estádios? Paciência. Então é porque não valia mesmo a pena tentar. Mas a partir do momento em que a UEFA atribuiu a coisa a Portugal, a vergonha só pôde ser evitada com muita imaginação à mistura. E algum (muito) desperdício pelo meio...
Entendamo-nos: durante o Euro, os estádios vão estar cheios. Todos os sinais apontam para aí. Mas o pior vai ser depois: seis estádios às moscas, seis monstros vazios, expondo megolamanias de quem não se olha ao espelho.
Publicado por André 19:54:00 0 comentários Links para este post
o novo Zandinga ...
MST hoje no Público assina, mais uma, uma odeà imbecilidade humana.
Misturando tudo com tudo, autojustificando-se a torto e a direito (!) a prosa do Tavares começa com o seguinte paragrafo:
Durão Barroso é, definitivamente, um homem de sorte na política. Bastaria que o contingente da GNR, cuja partida para o Iraque foi tantas vezes adiada, tivesse acabado por partir um dia mais cedo, e hoje ele estaria com uma série de cadáveres nos braços. Lá, onde morreram os italianos, era exactamente onde os portugueses deveriam estar, acabados de chegar. Nem na roleta se consegue um golpe destes.

Será curioso, como muito bem observa Paulo Gorjão ouvir os novocomentários de MST às recentes atribulações dos jornalistas luso no Iraque ... Aquí entre nós o Tavares resolveu jogar à roleta russa mas desta vez esqueceu-se de esvaziar o revólver ...
Publicado por Manuel 17:13:00 0 comentários Links para este post
Ai Felipão, Felipão...
Definitivamente, Portugal não é o Brasil. Muito menos no futebol. Scolari, que apesar de às vezes parecer, não é nada burro, sabe perfeitamente que o leque de escolhas que tem por cá é infinitamente menor do que tinha no escrete.
Pode haver diferenças de visões em relação a esta ou aquela aposta, mas há determinadas posições em que o melhor mesmo é não inventar.

Na baliza, qual é a dúvida Felipão?? Apostar em Ricardo até se aceita, mas achar que, neste momento, o guarda-redes do Sporting pode sequer competir com Vítor Baía não é compreensível. Baía é superior a Ricardo em quase todos os aspectos: na experiência (80 internacionalizações), na segurança (é preciso recordar a quantidade de golos sofridos por Ricardo nos últimos meses?), na regularidade (com excepções pontuais, Baía passa jogos seguidos sem sofrer um único golo).
O argumento da idade, todos o sabem, não é tão significativo no que toca a guarda-redes. Achar que Baía já estaria... velho (??) em 2004 chega a ser ingénuo. Ou então... há mesmo algo por trás desta decisão. Mas o quê, Felipão? O quê???

Publicado por André 3:01:00 0 comentários Links para este post
The Queen and the Soldier

«The soldier came knocking upon the queen's door
He said, "I am not fighting for you anymore"
And the queen knew she'd seen his face someplace before
And slowly she let him inside
He said, "I've watched your palace up here on the hill
And I've wondered who's the woman for whom we all kill
But I am leaving tomorrow, and you can do what you will
Only first I am asking you why"
Down the long narrow hall he was led
Into her room with her tapestries red
And she never once took the crown from her head
She asked him there to sit down
He said, "I see you now and you are so very young
But I've seen more battles lost than I have battles won
And I've got this intuition says it's all for your fun
And now will you tell me why?"
Well the young queen, she fixed him with an arrogant eye
She said, "You won't understand, and you may as well not try"
But her face was a child's, and he thought she would cry
But she closed herself up like a fan
And she said, "I have swallowed a secret burning thread
It cuts me inside and often I've bled"
And he laid his hand then on the top of her head
And he bowed her down to the ground
"Tell me how hungry are you, how weak you must feel
As you are living here alone and you are never revealed
But I won't march again on your battlefield"
And he took her to the window to see
And the sun it was gold, though the sky it was grey
And she wanted more than she ever could say
But she knew how it frightened her and she turned away
And would not look at his face again
He said, "I want to live as an honest man
To get all I deserve and to give all I can
And to love a young woman whom I don't understand
Your highness, your ways are very strange"
But the crown, it had fallen, and she thought she would break
And she stood there ashamed of the way her heart ached
And she took him to the doorstep and she asked him to wait
She would only be a moment inside
Out in the distance her order was heard
And the soldier was killed still waiting for her word
And while the queen went on strangling in the solitude she preferred
The battle continued on»
«THE QUEEN AND THE SOLDIER», Suzanne Vega

Ouço-a praticamente desde que me conheço. Teve fases muito diferentes, mas volta ciclicamente ao que o título do seu último álbum de originais descreve bem: «Songs in Red and Grey». Tons de vermelho (dor) e cinzento (tristeza) de letras que vão ficando como marcas dos anos que passam.
Ela é a rapariga de Nova Iorque, que por acaso até nasceu em Santa Mónica, na Califórnia, há 44 anos. A mesma que, há quase 20 anos, lançou um surpreendente álbum de estreia, com o seu próprio nome e que incluía temas da maturidade de «Freeze Tag», ,«Marlene on the Wall» ou este «The Queen and the Soldier» que acima transcrevo.

Novas visitas de Suzanne Vega à Grande Loja, muito em breve...
Publicado por André 2:48:00 0 comentários Links para este post
porque não há guerras triangulares ...
Re:Early Morning Blogs 79
Quinta-feira, Novembro 13, 2003
Al Qaida commander 'anticipates' 100,000 Americans dead in attack
Al-Qal'a (The Fortress) an Islamist Internet forum, posted the first of a two-part interview with a person who introduced himself as Abu Salma Al-Hijazi, one of the Al Qaida commanders closest to Osama bin Laden.The interview was conducted in Iraq, south of Faluja. The article notes that Al-Hijazi was surrounded by five masked men carrying missiles as well as personal weapons. The following are excerpts from the interview:
In regard to rumors about a large-scale attack against the U.S. during the month of Ramadan, Al-Hijazi said that "a huge and very courageous strike" will take place and that the number of infidels expected to be killed in this attack, according to primary estimates, exceeds 100,000. He added that he "anticipates, but will not swear, that the attack will happen during Ramadan."
He further stated that the attack will be carried out in a way that will "amaze the world and turn Al Qaida into [an organization that] horrifies the world until the law of Allah is implemented, actually implemented, and not just in words, on His land... You wait and see that the balance of power between Al Qaida and its rivals will change, all of a sudden, Allah willing."
Regarding Al Qaida detainees, Al-Hijazi said: "We follow their situation closely... the collaborating governments will pay the price for capturing these heroes who want to revive the glory of their nation and shake off the dust of humiliation and disgrace."
Al-Hijazi added that the "collaborating and treacherous" governments should know that Al Qaida has a long reach and its members enjoy popularity that will not end just because apostate governments detain hundreds of Al Qaida's members. "As soon as the governments detain one of our people, ten like him join us... this is no secret."
Al-Hijazi said that Al Qaida instructed its members not to confront the governments of Islamic countries and clarified that Americans are the main target of the organization, wherever they may be, in order to cause their disintegration and collapse, even if it takes a long time. "We are patient," he added, "our patience will only end with the collapse of America and its agents."
Al-Hijazi also said: "There is no doubt that the demise of America and its collapse will lead to the collapse of these fragile regimes that depend on it... We will not stop until we establish the Islamic Caliphate and until Allah's law is implemented in His land."
When asked about the recent bombing in Riyadh, Al-Hijazi referred to Saudi media reports — which claimed that in the attack Muslim women and children were killed — as "merely media deceit." He added: "This place was under surveillance for many months. Following a thorough investigation, it became perfectly clear to us that the people living there were at least 300 Americans and a large group of Lebanese Christians who had tortured Muslims there, in Lebanon, during the civil war. After consultation, we decided it was appropriate to attack this place and destroy it, including the people who lived there, because it housed Americans and a large majority of Christians holding Lebanese citizenship."
"Since the Saudi government is aware of the sensitivity of this place and that it is a declared target for Al Qaida, it surrounded it with very heavy security. However, we gave our people in Riyadh a green light to destroy it on top of those inside. Allah facilitated breaking into the place and bombing the part in which mostly Americans stayed. As a result, praise Allah, at least 40 Americans were killed, as well as 27 Christians from Lebanon, and a group of citizens who were Muslim; also, at least 70 Americans were injured, as well as more than 30 citizens of other countries, most of them Christians from Lebanon."
According to Al-Hijazi, a Saudi religious scholar who is wanted by Saudi authorities will claim responsibility in a televised communiqué for the bombing "and for other operations to come." He added that the wills of the attackers will be published, apparently, in the month of Shawwal — the month following Ramadan according to the Muslim calendar - when Al Qaida's main website, Al-Nida, is due to be reactivated.
Publicado por Manuel 23:39:00 0 comentários Links para este post
vão-se os aneis, que fiquem os dedos ...
Depois de anteriormente se ter referido ao affair Pedroso não como uma "cabala" ou "urdidura" mas como um "equivoco", hoje no DN Jorge Coelho volta a afirmar taxativamente :
Ora para bom entendedor ...
Publicado por Manuel 15:17:00 0 comentários Links para este post
O plano Z...
... ou pequenos crimes entre amigos
Agora que já arrefeceu o delirio colectivo, sob todos os angulos, à volta da Nova Democracia, o partido da pomba gira, passado que está o seu congresso fundador convem, a frio, realçar alguns pontos aos mais distraídos.
O tema já foi profusamente tratado pelo Cataláxia, no Caso Arrumado, e claro está por José Pacheco Pereira .
A maior pérola está sem dúvida no Descrédito (um blog que nos considera de esquerda (!)) que afirma peremptoriamente :
A Nova Democracia surge no momento ideal para ocupar 'fisicamente' o espaço político do antigo CDS.
Estando o PP coligado ao PSD nas próximas eleições europeias, Manuel Monteiro vai às urnas podendo capitalizar tanto o descontentamento com o Governo como o Eurocepticismo junto do eleitorado de centro-direita.
É irónico ver aquele que, com Paulo Portas, destruiu o CDS em PP, vem agora à procura do mesmo espaço político.
Veremos pois se o PP, como diz Pacheco Pereira, é hoje um partido político unipessoal.
E vamos ter o espectáculo adicional da marcação cerrada nas Feiras, Praças e Mercados de todo o País, onde tanto Paulo Portas como Manuel Monteiro se especializaram em vender 'o seu peixe'.

É quiçá patético, sinal dos tempos em que vivemos, mas a Nova Democracia, que não Monteiro, é actualmente o seguro de vida de Portas e o tapete que lhe permitiria a almejada convergência/fusão com o PSD, isto se o destino não lhe vier a tramar o itenerário (a Moderna nao foi nada com o que pode vir aí ...).
A ND modera Portas, que não a coligação e simultaneamente funciona como escape para uma serie de coisas que Portas e o PP, no Governo, pensam mas não podem dizer, mas de que podem ir atrás depois de a ND funcionar como lebre.
A ND funciona também como escape do sistema (não é por acaso que muito do soft money que a mantem à tona vem dos mesmos pragmáticos que financiam o BE), uma espécie de plano Z que garante que em caso de colapso (e não se fala por aí em terramotos ?) dos partidos do arco do sistema as pontas serão suficientemente pragmáticas para garantir que tudo permaneça essencilamente na mesma.
Temos claro o Dr. Monteiro, esse homem do povo, que não andou de Jaguar mas que "lidera" um Partido que tem nos activos dos seus dirigentes o melhor parque automóvel de entre todo e qualquer Partido Português, que vai cometer pela segunda vez o mesmíssimo erro : ser testa de ferro de terceiros.
Primeiro, foi-o de Portas e foi o que se viu, agora é-o, de facto, de uma certa quinta coluna pseudo-tecnocrática, orquestrada à distância pelo seu padrinho e mentor, o enigmático, frio e calculista, Professor Adriano M., quinta coluna esta que como diz o Caso Arrumado se considera a reserva iluminada da nação.
Em suma Monteiro, é descartável, e a prazo será pacatamente substituido por uma cara nova tecnocrata e telegénica q.b. e e vai ser delicioso então apreciar o seu epitáfio.
A ironia, suprema ironia, é que não fossem as tais contingências do destino, e Monteiro funcionava, por entrepostas pessoas - que já devia conhecer melhor - como a marioneta perfeita de Portas e dos seus. Um bom resultado de Monteiro nas Europeias, e uma não muito grande diferença entre a coligação e o PS, seriam ouro sobre azul para as ambições de Portas.
Conceptualmente a estratégia até tem piada, mas a chatice são os imponderáveis e não há apelo presidencial, ou ida a Fátima, que, nesta altura, os possa evitar ...
Publicado por Manuel 2:58:00 0 comentários Links para este post
os amigos continuam a ser para as ocasiões ...
Quarta-feira, Novembro 12, 2003
O inspirar pena e piedade, que não respeito, nunca foi grande estratégia política mas enfim ...

A propósito, o PS é contra as escutas mas faz a defesa do fim do sigilo bancário. Grande coerência ...
Publicado por Manuel 20:26:00 0 comentários Links para este post
triste fim ...

Para quem dúvidas ainda tivesse sobre o triste destino que espera Fernando Lima no DN, a observação do cabeçalho do DN online diz tudo. Um fim triste para alguém que se tivesse tido um mínino de senso poderia vir a terminar a carreira como assessor de imprensa de Cavaco em Belém.
Quem tudo quer ...
Publicado por Manuel 17:04:00 0 comentários Links para este post
Pinto da Costa e a "Casa Pia"
as duas faces da mesma moeda ...
Muita gente espanta-se com o que se passa à volta do caso Casa Pia. O facto, é que passe a particular repulsa que um fenómeno como a pedofilia provoca, as pressões, caneladas, tentativas de silenciamento, demonstrações de força e afins são normais neste País, pelo menos para uma casta de pretensos eleitos acima do bem e do mal.
Um deles, sempre foi Alberto João Jardim, outro sem qualquer sombra de dúvida é Jorge Nuno Pinto da Costa.
O Presidente do Futebol Clube do Porto é sem margem para dúvidas o homem mais poderoso e temido do País. É recebido com honras de Chefe de Estado pelo Papa, decide o que quer, com quem quer e quando quer, tem uma noção peculiar de moralidade (é bom quando nos beneficia, mau quando ocorre o inverso) e tem o hábito de achar que o F. C. Porto está acima do Estado.
Os recentes episódios à volta do veto da presença de Mota Amaral (segunda figura do Estado, que não costa que goste particularmente da bola, e que só iria em representação de Sampaio) pela parte de Pinto da Costa como mais um sinal, e aviso, àqueles que ousam desafiar a "autoridade moral" de Pinto da Costa são vergonhosos, lamentáveis e apenas provam que em matéria de democracia e cultura cívica por vezes não andamos muito longe do Burundi
Os orgãos de soberania, em vez de se unirem em solidariedade com Mota Amaral, não por este mas pelo que representa, ou se remeteram ao mais atroz silêncio (caso de Sampaio) ou se renderam à chantagem portista.
Vai Durão (que já na campanha das legislativas tinha mostrado de que fibra era feito ao apunhalar pelas costas Rui Rio) e vão à inauguração o inimitável José Luís Arnaut, esse especialista em marcas e patentes (incluindo as do Euro/2004), e o Secretário de Estado dos Desportos, antigo vendedor de seguros, que nos abstemos de adjectivar. Mais, no caso dos membros do Governo fizeram questão não só de ir como de realçar urbi et orbi via LUSA esse facto
Num País normal, e seguindo o mesmíssimo raciocínio que Pinto da Costa segue quando boicota o orgão de comunicação social A ou B para o por "à maneira", também o Estado e os seus Orgãos de Soberania deviam boicotar actos oficiais do Futebol Clube do Porto até Pinto da Costa perceber de uma vez por todas que ele não é o F.C.P. e que acima do clube está sem dúvida o País ...
É este pretenso pragmatismo, esta realpolitik, dos nossos políticos, do poder e da oposição, do Governo e do Presidente que continua a apodrecer este País. Era este pragmatismo que nos bons velhos tempos justificava a omertá em Itália e o pagamento das taxas de proteção à máfia. É este pragamatismo, que em nome do superior interesse nacional se verga sistematicamente aos lobbyes do momento ... É este pragmatismo que explica Camarate e muito, senão tudo, do que se passa à volta das investigações do escândalo Casa Pia ...
Uma nota final para salientar que o autor é portista, mas antes dessa qualidade é Português ...
Publicado por Manuel 13:31:00 0 comentários Links para este post
O enigma Mantorras
Por que é que ninguém teve ainda a coragem de admitir que Mantorras é um caso perdido para a alta competição?

O rapaz prometia muito, é uma pena que não tenha podido provar o que vale, mas há coisas que, quando chegam a um ponto de não retorno, devem ser encaradas de frente: mesmo que o angolano volte aos relvados, já não será o grande craque que muitos chegaram a profetizar.
Um ano e tal de ausência é muito tempo e o mais grave é que ainda não se sabe bem qual é a lesão de Mantorras, muito menos como será possível pô-lo bom.
É triste, mas é a verdade...
Publicado por André 1:00:00 0 comentários Links para este post
Uma questão de distâncias
Terça-feira, Novembro 11, 2003
O meu avô, ilustre jurista do senso comum, funciona como uma espécie de oráculo, a quem recorro sempre que dúvidas me assatam. Desta vez, perguntei-lhe:
«Óvelhote, o que achas sobre as decisões judiciais sobre o processo Casa Pia ?».
Enquanto emborcava mais um trago de Jameson, levantou-se, dirigiu-se à estante e retirou um livro do professor Figueiredo Dias. A páginas tantas, começou a ler:
«As mensagens emitidas pela comunidade-ambiente e recebidas num tribunal são provavelmente diferentes das recebidas noutro. Por isso é que o sentido colectivo de justiça de um tribunal se pode afastar consideravelmente do outro situado a poucas milhas»

Publicado por Carlos 14:09:00 0 comentários Links para este post
Sophia
Casa branca
«Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flores marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.»
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, «Casa Branca»

Publicado por André 0:10:00 0 comentários Links para este post
90 anos ...
Segunda-feira, Novembro 10, 2003
... de Cunhal. Passe a ocasional presunção deste senhor, que se julga o maior cunhalogista da galáxia, e o tradicional laissez faire da plebe, Cunhal é hoje visto com "estima", quiçá admiração, pelo povo e admirado até pelo Dr. Portas.
Vamos aos factos, frio e cínico como sempre, e enquanto reafirmava a ortodoxia de sempre, Cunhal reiventou-se e adaptou-se à nova ordem : Pintor, escritor, humanista enfim uma espécie de Che lusitano, um avozinho simpático, que só quis tornar Portugal melhor.
Cunhal foi, e é, um monstro. A sua última prosa é um insulto à memória e se o tivessem deixado tinha transformado Portugal em 75 num imenso Gulag e não consta que alguma vez tenha mostrado algum sinal de arrependimento. Felizmente para todos nós não teve o sucesso de outros. Convém não esquecer isso ...
Publicado por Manuel 22:45:00

