Velhas tácticas: propaganda para iniciados.


1. Promessas

Promessa, enquanto substantivo, é uma afirmativa, dirigida a outrém ou ao próprio, no sentido de se cumprir algo. O verbo prometer, significa, por outro lado, obrigar-se verbalmente ou por escrito, a fazer ou dar alguma coisa.

Por exemplo, neste caso concreto, relatado e documentado, de Janeiro de 2005:

José Sócrates prometeu, esta segunda-feira, recuperar no período de uma legislatura os 150 mil empregos perdidos nos últimos três anos pelos governos PSD/CDS-PP, caso os socialistas vençam as eleições legislativas de 20 de Fevereiro.


2. Cartaz de propaganda.

Cartaz é um suporte, geralmente em papel grande, contendo um anúncio, afixado em lugar público.
Já propaganda, é um substantivo que refere o acto ou efeito de propagar. Pode ser uma doutrina ou uma ideia qualquer. Uma mentira também. Um desejo inalcançável. Uma aldrabice, por suposto.
Por exemplo, fazer passar a ideia de que um partido político, em véspera de eleições, tem como objectivo concreto e realizável, recuperar 150 mil empregos perdidos pelo partido rival.
Mensagem subliminar: os 150 mil, estão no papo de todos, se votarem em nós, em vez dos outros que os deitaram a perder.

3. Aldrabice política.

Aldrabice, em bom português, é uma patranha. Uma trapaça. Política, se referida a um objectivo político.
O exemplo anterior serve perfeitamente, como modelo:

Num cartaz de propaganda política, um partido fixa um objectivo que o dirigente máximo desse partido, apresentou publicamente como uma promessa.

Não conseguindo o objectivo, uma vez tomado o poder de os recuperar, e por incompetência política, a aldrabice ressalta à vista de todos, como uma promessa incumprida.

E nem é preciso ter feito a quarta classe antiga. Basta ter frequentado qualquer curso das Novas Oportunidades...ou ler certos blogs de propaganda.
Nota: a imagem foi pirateada. De onde? Vá-se lá saber...

Publicado por josé 16:13:00  

10 Comments:

  1. A. João Soares said...
    Caro José,
    O Baptista Bastos classificava há dias estas propagandas como «palavras desnecessárias». Iremos ter muitas semelhantes e a repetição destas durante os próximos meses, porque sentem a necessidade de preparar a mente débil da maioria dos eleitores para votar neles. Para os políticos que temos essa actividade de mentira é a essência da política, quando na verdade devia ser a procura doi bem comum a felicidade do povo.
    O que les precisem é que grande parte dos eleitores vá às assembleias de voto e entregue o boletim em branco.
    Abraço

    No blog Do Miradouro há novos artigos
    Laoconte said...
    Eu preferiria os 500 milhões de euros da CML, mesmo devendo.
    homoclinica said...
    Como essa mentira de querer distinguir os bons dos maus professores! Querem sim pagar menos!
    Assim, apenas uns poucos são arbitrariamente escolhidos como sendo "excelentes" por critérios onde imperam coisas como ter cargos de gestão, não ter estado doente, etc, mas nunca o ter sabido "ensinar", que deveria ser a principal qualidade dum professor.
    Não interessa nada saber ensinar, porque também não interessa nada aprender, pois segundo esta equipa ministerial, as criancinhas no ensino obrigatório, devem ter aprovações automáticas. Daí que os professorzecos se devam reduzir a meros entertainers.
    Dylan T. said...
    Caro José,

    Vai desculpar-me mas a única coisa que está documentada é que o jornalista da TSF tomou a liberdade de escrever esse parágrafo dizendo 'Sócrates prometeu'.

    Cumprimentos

    Dylan T.
    zazie said...

    Ideias feitas
    Há uma certa ideia feita que muitos procuram tornar ainda mais feita: a de que não existem diferenças entre o PS e o PSD. É preciso dizer com clareza que só a preguiça, uma preguiça que convém a alguns, ou a mais pura das leviandades, podem levar a afirmar isso, que constitui, desde logo, uma brutal injustiça.
    Basta consultar o programa que o PS apresenta a estas eleições, elaborado sob coordenação do António Vitorino e com a colaboração de alguns dos melhores especialistas portugueses em cada uma das áreas, para perceber diferenças fundamentais.
    O PS tem propostas concretas que claramente o diferenciam. A aposta no emprego - mais 150 mil empregos durante a próxima legislatura -, conciliando a criação de mais emprego com o crescimento económico. A reforma tecnológica, a política fiscal - em que apostamos numa política de verdade, são alguns exemplos claros da diferença.
    O PS recusa o facilitismo, fala a linguagem da verdade, não tem «varinhas mágicas» que outros parecem ter, só agora, à sua disposição. Há, aliás, uma diferença fundamental: vamos fazer o que dizemos e por isso não dizemos o que sabemos não poder fazer.
    Do PSD basta recordar o que se passou com o célebre «choque fiscal», a principal promessa da campanha de há três anos... Desta vez, desse lado, surgem propostas económicas verdadeiramente delirantes (que nem sequer correspondem às que este Governo do PSD fez chegar a Bruxelas). É como se entre o PSD e a realidade houvesse uma incompatibilidade insanável. Já todos desconfiávamos.
    José Sócrates
    Posted by campanhaps at 12:27 AM
    Fernando Oliveira Martins said...
    É impressão minha ou o senhor do cartaz tinha na altura o nariz bastante mais pequeno e as orelhas eram mais claras?

    PS - E uma palavrinha de solidariedade para com os professores? Era bonito e temos de ser uns para os outros...
    zazie said...
    Para o Dylan, caso ainda tenha dúvidas da citação
    Carlos Medina Ribeiro said...
    A seu tempo (há MUITO...), Sócrates já esclareceu que a história dos 150 mil empregos não era uma "promessa" mas um "objectivo"...

    Que diabo! Se a semântica não vem em seu auxílio, quem é que há-de vir?!
    Dylan T. said...
    Cara Zazie,

    Não seria tanto para mim como para o José, que apresentou uma prova documental que deixava a desejar.
    Bom trabalho de assessoria, embora continue a não descortinar a "promessa", apenas objectivo ou proposta, até porque - e como é óbvio - promessas de postos de trabalho de um primeiro-ministro (ou candidato a sê-lo) só num regime comunista ou admitindo esse número em funcionários públicos.

    Também é verdade que um qualquer principiante em indicadores económicos sabe que se pode inverter uma tendência de perda, com criação objectiva de emprego, e ao mesmo tempo verificarem-se aumentos de população activa e taxa de população desempregada.
    Mas isso é uma outra conversa.

    Cumprimentos

    Dylan T.
    josé said...
    Dylan t:

    V afinal, acaba por explicar a aldrabice.

    Ainda bem que a percebeu.

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