Tempos sombrios
sexta-feira, janeiro 27, 2006

Confirma-se: eles não querem a paz.
O Hamas, movimento radical que há anos tem sido o principal responsável por atentados terroristas, venceu com... maioria absoluta as eleições legislativas na Palestina.
Quem precisava de uma prova de que ainda não há verdadeira democracia do lado palestiniano, aqui está ela: como é óbvio, um movimento como o Hamas nunca poderia ter tido este apoio se estivéssemos a falar uma democracia.
O sinal está dado: não se pode tentar fazer a paz com quem, simplesmente, não quer a paz.
George Bush respondeu com uma... negação da realidade (dizendo que Abbas continuará a ser o seu interlocutor); Sharon está em estado vegetativo e ninguém aposta o que pode acontecer nas eleições em Israel, mas o mais provável é que ganhe o inenarrável Netanyahu; a União Europeia nunca soube, verdadeiramente, como lidar com esta questão dando uma no cravo (solidariedade conveniente com os EUA e, por inerência, com Israel) e outra na ferradura (desculpabilização patética dos crimes praticados pelo lado palestiniano, indo atrás da onda politicamente correcta).
Anunciam-se tempos difíceis e muito, muito sombrios para o Médio Oriente e, por consequência, para o Mundo.
Publicado por André 15:16:00
Em qual dos países haverá mais democracia? Num país do Médio Oriente que aceita um partido como o Hamas ou num país europeu onde se ilegalizam partidos políticos?
O problema é que «compreender» as razões para a irracionalidade não leva a lado nenhum. Perante o avanço do extremismo, só há um caminho: tentar travá-lo, sem lhe dar o mínimo espaço para ser legitimado.
E que dizer de Israel não aceitar um Estado Palestino? E das já anunciadas sanções da UE e dos EUA?
Face à falta de vontade de diálogo, não é de admirar que se extremem as posições. Embora possa desembocar em guerra civil - espero que não chegue a tal - encaro os resultados do Hamas como o resultado de uma vontade firme por parte dos Palestinos de quererem resolver de uma vez por todas, seja a bem ou a mal, um processo que se arrasta há décadas, e recuperar a sua identidade e território.
É preciso ver que quem está a mais naquela região não são os Palestinos, há que não branquear a História...
Creio que convém deixar assente que não sou de modo algum apologista do terrorismo. Ou que concordo com as acções terroristas do Hamas. Discordo em absoluto, tal como discordo das eliminações selectivas levadas a cabo por Israel.
E também não acredito de modo algum que o rumo e exercício da democracia devam ser travados quando os resultados expressos não são os mais agradáveis ou convenientes.
Será que não se consegue distinguir um atentado terrorista em que um autocarro rebenta pelos ares com 40 inocentes lá dentro, numa esplanada num café, sem qualquer distinção entre alvos militares e civis, com as tais «eliminações selectivas» que muito bem referiu dos israelitas?
Entendamo-nos: não há santos nesta história. Os israelitas também já mataram inocentes. Mas a diferença de métodos e práticas está à vista.
É errado o que afirmou, Cardeal: Israel reconhece a existência de um estado palestiniano. Com os recuos conhecidos, a verdade é que, nos últimos anos, chegou-se a avanços significativos neste aspecto.
A Fatah revelou-se, agora, impotente dentro do seu próprio eleitorado, mas é a única força política em condições de ser a interlocutora neste processo.
Já se esqueceu que os israelitas retiraram de Gaza? E que Sharon estava a equacionar mais retiradas? E ainda quer «dialogar» com um bando de terroristas que quer riscar Israel do mapa e que tem, até agora, banhado de sangue toda a sua actividade?
O Hamas não dá qualquer sinal de mudar, mesmo depois de ter ganho as eleições. Repito a frase de Tzipi Livni: não há conversa com quem mata indiscriminadamente.