benedito Riollini

O presidente da Câmara do Porto, do alto da sua legitimidade de vencedor com maioria absoluta das recentes eleições, resolveu dar a conhecer melhor algumas das suas ideias e convicções quanto à forma de lidar com a comunicação social. A partir de agora, entrevistas dos autarcas da maioria PSD só por escrito e sobre assuntos que o próprio considere de interesse público. Só não explicou como conseguirá dar por escrito as entrevistas às rádios e televisões!

Lê-se esta notícia e custa a acreditar que tal seja possível. Mais grave ainda, a Nota da Direcção do JN afirma que Rui Rio, durante o anterior mandato, pressionou o poder e administradores da empresa proprietária do JN para substituir a Direcção do jornal. Estes factos são de uma gravidade extrema, mas não são de admirar. Basta lembrar que Rio moveu uma guerra aberta com o “Público”, chegando a boicotar o acesso deste jornal a conferências de imprensa da autarquia e sonegando-lhe informação, e congratulou-se com o encerramento d’ “O Comércio do Porto” pelo facto deste jornal ser muitas vezes crítico da sua actuação. Chegou mesmo a dizer qualquer coisa como “tiveram o que mereceram”. É a velha máxima de que “quem não é por mim é contra mim”.

A ajudar a esta “missa” está o seu pressuroso chefe de gabinete, Manuel Teixeira, ex-director d’ “O Comércio do Porto” e ex-administrador da RádioPress e da TSF. Aliás, era vê-lo de sorrisinho malandro a um canto da sala em que Rio anunciou estas novidades. Só gostava de saber o que verdadeiramente pensam destas medidas os vereadores de Rui Rio e alguns dos seus declarados apoiantes, como Pacheco Pereira ou Miguel Veiga. É nestas questões essenciais que podemos escrutinar melhor a matriz que guia os nossos actores políticos.

José Carlos Pereira

Publicado por Manuel 12:38:00  

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