Felgueiras, a irritante mania da superioridade intelectual de José Pacheco Pereira

O Dr. Pacheco resolveu fazer ironia com o Felgueirasgate. Resolveu até (!) criticar os intelectuais, esses cínicos...

que se comportam como nefelibatas e que se “espantam” porque as pessoas se indignam com o “caso” de Fátima Felgueiras. O mais espantoso é ver este cinismo coexistir com a crítica ao relativismo, mostrando como não bastam algumas leituras da moda, onde falta vida. Seja por puro formalismo jurídico, seja por não se gostar de misturar as suas opiniões com as do vulgo, seja pela irritante mania da superioridade, seja por pedantismo.

Alguns portugueses indignam-se com a saga da fugitiva libertada. É só hipocrisia, dizem os cínicos do intelecto, porque para eles o sinónimo de indignação é a hipocrisia. É, pode ser tudo isso, pode ser uma indignação bacteriologicamente impura, mas é também incómodo, mal-estar, mal connosco próprios, com o país, como o “nosso Portugal”, uma das últimas sobrevivências de um sistema de valores quase de rastos, colocado de rastos também pelos cínicos, um dos últimos restos de alguma coisa a que chamávamos patriotismo. Vão viver para Felgueiras e atrevam-se a criticar a “Fatinha” em público, e não me venham com a Madeira por razões de equidistância, porque isso também mostra que não sabem nada do que estão a falar.

Há alturas de facto em que os intelectuais não prestam mesmo. Há alturas em que os intelectuais não percebem nada. Bem vistas as coisas, é quase sempre assim.

Palavras fortes, palavras duras contra os 'intelectuais'. Palavras vãs porque Pacheco, altivo e arrogante, não sabe pura e simplesmente do que está a falar. Pinta o quadro como lhe convém e apetece, e espera que a realidade se adapte a ele. Se Pacheco saísse à rua, fizesse mais que ler uns livros e falasse com as pessoas, com o 'povo', em vez de passar o tempo em monólogos arrogantes e pretensiosos, talvez percebesse que as coisas não são a preto e branco, antes há demasiados tons de cinzento, talvez percebesse que o que está em causa não é a indignação e vergonha, mais que justificadas, é o enquadramento, a demogogia. Talvez percebesse que uma boa parte dessa indignação e vergonha não será tanto pela substância do que está a acontecer (que se sabe desde há muito) mas pelo estar a 'ver' a acontecer, às claras, a olho nú, à vista de toda a gente, talvez percebesse, se não for muito complicado, que às élites se pede um pouco mais que a meros mortais, sobretudo uma dose extra de responsabilidade e sobriedade.

Pacheco Pereira, sem provavelmente lá ter posto há muito tempo os pés, dá-se ao luxo de desafiar os seus leitores a ir a Felgueiras e criticar a 'Fatinha' em público (relativizando a Madeira) e insinuando que lá não haverá liberdade de expressão (há), que haverá coacção e que quem divergir será sumariamente despido e feito correr pelas ruas da cidade pintado com alcatrão e penas. Só que Felgueiras não é uma ilha (como a Madeira), muito menos um concelho rural e isolado (como o Marco), onde a Câmara é um dos maiores empregadores. Não sabe porventura que em Felgueiras há vários jornais semanários (do pró e do contra) onde se diz de tudo, sobre tudo, etc, etc, etc... O problema de Felgueiras é outro, e Pacheco sabe-o, afinal até o, habitualmente nas nuvens, Pulido Valente, hoje - no Público - percebeu qual era.

E sim, eu sou de Felgueiras e conheço-os a todos, portanto posso dizer com segurança que sei do que falo, Pacheco por puro formalismo , seja por não se gostar de misturar as suas opiniões com as do vulgo, seja pela irritante mania da superioridade, seja por pedantismo...

Publicado por Manuel 17:44:00  

12 Comments:

  1. Anónimo said...
    Meu Caro, V. enfiou a carapuça ...
    Alface said...
    Também tenho na família gente de Felgueiras que defende o indefensável na sua terra e exige o infinito a todos os outros. Ser trafulha das pequenas às grandes coisas (desde que em proveito próprio, da família do lugar, da vila, do clube dos amigos disney da terra, etc.) é sempre a forma correcta de fazer as coisas. E se o resultado for de ostentar, então ninguém os "agarra"!

    Precisam de viajar mais. Sem tiques de novo-riquismo. E serem um pouquinho mais humildes. Que há muito Mundo por aí.
    Anónimo said...
    Manuel

    José Pacheco Pereira não estaria, muito provavelmente, a pensar especialmente em si quando escreveu o post que cita.

    É que numa competição entre egos inchados de intelectuais, o seu perde claramente para o do JPP. Ele até aparece na televisão...

    E isso ofusca qualquer qualificação em Felgueiras que nos queira mostrar.

    A.Teixeira
    Anónimo said...
    Caro A. Teixeira,

    clap, clap, clap!

    :)
    Anónimo said...
    O problema está em muito analfabeto passar por 'intelectual'...
    Anónimo said...
    O Pacheco Pereira é um intelectual que diz que todos os intelectuais são idiotas. Parecem aqueles políticos justiceiros, mas com pés de barro, que dizem que todos os políticos são corruptos ou incompetentes (exceptos eles claro).

    AlterEgo
    Anónimo said...
    O Pacheco Pereira é sempre desdenhoso e arma-se em luminar da humanidade. Nunca o vi escutar , nomeadamente na "Quadratura do Círculo", um interlucotor com alguma placidez amigável, mas antes sempre com um ar de que "eu é que sei". A propalada arrogância do Dr. Carrilho,-embora de expressão argumentativa diferente - não é maior em acutilância e desdém do que a do Pacheco Pereira. Este sr. devia de se lembrar dos seus tempos de eme erre pumpum e fazer alguma auto-crítica.
    Ele gosta de exibir "descobertas", nem que sejam disparates chapados. Lembro-me muito bem de o ver defender a guerra do Iraque, esgrimindo contra o anti-americanismo primário". Foi ele e o prof. Marcelo, outro político-comentador, em que os pamóias portuguesinhos, se fiam.
    Deixem o Pacheco dizer as suas pachecadas, porque ninguém, das cabeleireiras às empregadas domésticas ou os ciganos louvou a trafulhice da Fatinha. Não, que elas têm filhos toxi-dependemtes, na pildra. E viram bem, como há duas Justiças em Portugal. Leia-se a esse propósito o post do Dr. Júlio Machado Vaz no seu blog: murcon, blogspot.com.
    Manuel, bem haja!
    Arrebenta said...
    Pacheco Pereira é uma das "mulheres-alibi" do Regime,
    (procure-se o sentido de "mulher-alibi", em Sociologia)
    e está tudo dito.
    Ponto Final
    Anónimo said...
    O Pacheco é um bocado arrogante e eu não concordo com ele.

    Mas uma "senhora" que foge por cunha que a avisou e depois não é presa e ainda tem vantagem nas sondagens, só mesmo com a justiça e a juiza pelas ruas da amargura. Agora conta mais as picuinhices da lei que o seu espírito??

    Claro que o povinho estúpido e de cabeça sabe-se lá onde também ajuda
    Anónimo said...
    Deixemo-nos de fofoquices limianas que não interessam a ninguém e falemos do que interessa aos portugueses:

    O Ministério da Justiça quer que as decisões dos tribunais sobre cobrança de dívidas sejam estandardizadas, para que possam ser aplicadas a uma multiplicidade de acções.

    Os juízes vão poder juntar vários processos e proferir, para todos, uma só sentença ou despacho genéricos e sem qualquer fundamentação de direito, bastando apenas que adiram às razões dos litigantes vencedores.

    A Ordem dos Avogados concorda com esta reforma. Vai ser uma das maiores reformas do ministério da Justiça. O artesanato judicial vai ter os dias contados. Centenas de milhares de processos vão ser resolvidos de forma automática. E é assim, com a prata da casa e sem consultorias milionárias, que se governa de forma barata e reformista.

    Muito bem sr. ministro da Justiça!
    Depois da reforma que permite criar uma empresa numa hora, vem agora aí a reforma que permite resolver milhares de processos judiciais numa hora!
    Anónimo said...
    "pedantismo..."

    É curioso este post. O Manuel usa palavras violentas para atacar um suposto desconhecimento da realidade local. O que não deixa de ser fantástico neste blogue.

    Basta observar o nome do blogue, inspirado em Daniel Campelo, Ponte de Lima, em queijos e Guterres. O próprio nome dum blogue quer dizer alguma coisa (suponho!). Mas como conhecedor de Ponte de Lima não deixa de ser insólito ler este post quando eu conheço o trabalho fantástico de determinado autarca no seu concelho.
    Teófilo M. said...
    O Manuel ainda não percebeu que o JPP escreveu a opinião a olhar para um espelho?

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