Rui Ramos, um artista português, dá palpites ao Prof Cavaco. Pérfido q.b. mistura e confunde tudo num discurso pirómano e redutor. Ramos pinta (convenientemente) Soares como o seguro de vida de Sócrates e espera a que Cavaco se limite a federar todos os descontentes 'entusiasmando o eleitorado traído pelo PS e desiludido pela incapacidade dos actuais líderes políticos'. Nunca, jamais. Porque, o que se espera de Cavaco não é que lidere o país a partir de Belém, mas simplesmente que, a partir de Belém, catalize as reformas sem laivos intervencionistas ao pior estilo do eanismo ou do soarismo, o que se espera é que Cavaco mobilize a boa moeda, à esquerda e à direita, que atraia para a política sangue novo, e que una o país em terno de reformas essenciais. Independentemente da péssima performance deste Governo um voto em Cavaco não pode ser um voto contra Sócrates, tem que ser algo mais, muito mais. Depois de tudo o que se tem passado à volta de Soares, um voto em Cavaco é simplesmente um voto num político em quem se pode confiar. Uma andorinha não faz a primavera, cabe pois a Cavaco conseguir mobilizar a andorinha que há em todos e em cada um de nós. Soares nem Alegre conseguiu mobilizar (até Guterres o conseguiu).

Publicado por Manuel 16:44:00  

8 Comments:

  1. Anónimo said...
    Se votar em Cavaco não é um voto contra Sócrates e o voto em Soares é apoiado por Sócrates não vale a pena votar.

    O que eu quero realmente é votar contra Sócrates. Nem que seja pelo voto em branco.

    José Manuel
    Anónimo said...
    "mobilizar a andorinha que há em todos e em cada um de nós"... !!??!!...!!!

    eh lá, esta paixão bateu forte!
    Anónimo said...
    Esta da andorinha tem uma explicação freudiana. O Manuel bem sabe que a candidatura de Cavaco não é o pássaro na mão, mas é antes vê-lo voar (e dizer-lhe adeus).
    Podemos pedir que esta manuelina cavaquite aguda deixe de se manifestar de forma tão primária? É que quem admira Cavaco Silva, o que ele representa, e lastima que o país não venha a beneficiar da mais-valia que ele constituiria na presidência da república, já não tem pachorra para aturar tão canina cegueira sobre uma mais do que certa derrota de Cavaco face a Soares. Poupem o homem, for God's sake!
    Anónimo said...
    Um voto em Cavaco, è votar, em alguem que sabe as asneiras que fez no passado e vai querer remedia-las. Precisa de um primeiro que saiba de wconomia e dum ministro das finanças que não seja do tipo tótó que temos de momento, o resto vai por arrasto.!
    Agora Jose Manel, votar em branco, não revela inteligencia........
    Anónimo said...
    "O que eu quero realmente é votar contra Sócrates."...
    revela inteligência, coragem, arrojo, determinação, esclarecimento.

    Revela também é falta de timing. Não percebeu que houve eleições legislativas há 6 meses?
    É que isto em Democracia é assim, como as marés... umas vezes em alta outras em baixa...
    olhe... paciência...
    Fernando Oliveira Martins said...
    Manuel, este texto é um bom exemplo da superioridade moral da Monarquia quanto à chefia de estado...
    Eu não quero um Chefe de Estado que divida os cidadãos, pressione o Governo, divida o país...
    E Soares ou Cavaco é o que, quando um deles for eleito, irá fazer...
    Soares, no 2º Mandato, deu a ideia de querer trabalhar como um Monarca Constitucional, mas pouco tempo depois caiu na aselhice de ir a votos (queria ser referendado como Presidente do Parlamento Europeu, aproveitando para fazer um frete ao seu PS...). Cavaco, se eleito será um entrave ao Governo e a quem se oposer às suas ideias de Renovação...

    Quando é que o pesadelo acaba...?
    Anónimo said...
    Fernando Martins
    Essa da superioridade moral da monarquia é para rir. A última vez que tivemos monarquia metemo-nos num pântano com mais lodo do que o actual.
    Basta ver o velho Bordalo e o Eça para perceber como o tráfico de influências funcionava na velha monarquia.

    José Manuel
    Anónimo said...
    São evidentes as vantagens para Portugal do candidato Mário Soares sobre um candidato apoiado pelo PSD e CDS. Senão vejamos:

    a) Muito maior experiência de Mario Soares, em especial na cena internacional. Se for preciso abrir uma porta em qualquer lado em favor de Portugal, o peso de Soares é muito maior do que o de Cavaco Silva. Mesmo na direita europeia, pesa mais Soares do que Cavaco.

    b) Soares tem experiência interna em matéria de crises e de como as ultrapassar. Foi em dois govermos presididos por ele, em 1977/78 e em 1983/85, que o FMI ajudou Portugal a ultrapassar duas graves crises financeiras do país. Cavaco, ao contrário, foi o perdulário nos anos dos seus governos que conduziu o país para o buraco em que estamos. Soares equilibrou as finanças públicas (com a ajuda de Vítor Constâncio, primeiro, e Hernani Lopes, depois), Cavaco desequilibrou-as, por não conseguir conter o apetite dos seus companheiros de partido. Os défices reais (sem receitas extraordinárias) dos anos da governação de Cavaco Silva são pavorosos e foram tão grandes ou superiores aos de hoje, da governação de Durão Barroso e de Santana Lopes.

    c) Muitos apoiantes de Cavaco Silva julgam que se ele for eleito poderá encetar reformas do nosso sistema político e administrativo.
    Nada mais ilusório, pois quem tem poderes para tal, nos termos Constitucionais, é a Assembleia da República e o Governo e partido(s) que o apoia. Ora, o governo actual é do PS, que tem apoio maioritário na AR. Portanto, se o governo quiser encetar reformas profundas, terá em Mário Soares um interlocutor mais compreensivo do que em Cavaco Silva, pois este pertence a uma família política diferente da do executivo e que nunca esteve para aí virada.

    d) O actual governo está a levar a cabo um conjunto de reformas de fundo importantes. Se Cavaco Silva for eleito, por pressão de lobies ligados aos partidos que o apoiam, poderá tender a ceder a essas pressões, acabando por boicotar a acção do governo e da maioria da Assemblea da República. Cavaco Silva, em vez de ser a solução, seria parte do problema. E não se diga que Cavaco Silva não é pessoa para se deixar pressionar porque o seu passado deixa antever exactamente o contrário. Não se deixará pressionar pela oposição nem por comentaristas agressivos, mas é-o pelos seus apaniguados mais espertos, como demonstra o lixo todo de corrupção que se desenvolveu ao longo dos seus mandatos como primeiro ministro, precisamente envolvendo altas figuras do seu partido. Alguém se esquece do que foi o Fundo Social Europeu, entregue a figuras gradas do PSD estrategicamente colocadas em certas empresas e organismos do Estado? Fez na altura Cavaco Silva alguma coisa para evitar essa corrupção?
    Soares sim, deu provas de combater a corrupção, tendo criado um Alto Comissariado para o efeito quando foi primeiro ministro pela primeira vez, chefiado por Costa Brás, o qual teve uma acção importante no combate à corrupção.

    e) Cavaco Silva é um candidato que divide os portugueses, ao contrário do que querem fazer crer alguns dos seus apoiantes. Cavaco nunca terá boa imagem dentro do mundo do trabalho. Carvalho da Silva e Proença, os dois líderes mais representaivos das duas confederações sindicais estiveram presentes na apresentação da candidatura de Soares. Isto diz muito da simpatia que Soares goza no mundo do trabalho. E Cavaco Silva?
    Ora, estando o governo a proceder a reformas profundas, algumas manifestamente impopulares para certos sectores da população, na presidência da república quere-se alguém que tenha uma base social de apoio forte no mundo do trabalho. Neste contexto, é evidente que Soares e Sócrates congregam em ambos essa maior base social de apoio, o que tornará muito mais fácil fazer as refomas de que o país precisa.

    Por estas razões principais, as classes médias e uma certa tecnocracia do país, se forem inteligentes, votam em Mário Soares.
    Não que Cavaco Silva não seja de per si um homem inteligente e íntegro, mas está rodeado de sanguessugas corporativas que se degladiam entre elas para ver quem apanha o melhor bocado.
    Soares pode ter atrás de si poetas, pintores, artistas, escritores, gente de letras e de ciência que mal conhece a tabuada das finanças e da economia. Embora também tenha com ele ilustres economistas e gestores.
    Cavaco Silva tem à sua volta duas classes de gente: os revanchistas de antigamente e as sanguessugas insaciáveis. Na sua corte, pouco sobra para gente de bem. O resto, ou são eleitores indiferenciados ou gente que sonha com outro país que nunca existiu nem jamais existirá.
    Soares é o realismo político. Já deu provas disso como presidente da república e como combatente contra o descalabro das finanças públicas.
    Cavaco é um mito, que falhou mais rotundamente exactamente onde alguns julgam que ele é mais fiável - nas finanças públicas. E não sou eu que o digo, foi o ex-ministro de Cavaco Silva, Miguel Cadilhe.

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