«O sexo fraco»


Ao longo de séculos de história procurou-se minimizar o sexo feminino relegando-o a um lugar e papel secundários, à estupidez e à fragilidade, vedando às mulheres o acesso à cultura, à decisão, ao trabalho, ao prazer, etc, etc. Talvez seja à custa de ultrapassarem todos estes obstáculos que as mulheres são hoje na sua grande maioria incomparavelmente mais versáteis, mais profissionais, melhores seres humanos, mais resistentes aos confrontos e às adversidades.

A Igreja Católica assumiu e propagandeou secularmente uma perversa e demoníaca imagem da mulher enquanto responsável pela tentação do homem e pela sua queda em pecado (temos pois um Adão fraco, idiota e incapaz de resistir e decidir por si próprio). A Igreja de resto é ainda hoje, no meu modestíssimo entendimento, responsável por inúmeros traumas sexuais e comportamentos desadequados de jovens que se debatem interiormente entre os dogmas católicos (que lhes são impostos como condição necessária para a aceitação familiar) e a liberdade saudável e responsável da prática sexual. Destes comportamentos desviantes são exemplos as jovens que para se casarem virgens se entregam exclusivamente à prática do sexo anal e os jovens de ambos os sexos que se espartilham em "manobras preliminares" consideradas menos censuráveis que o acto sexual completo, ou seja que a penetração. Gostaria muito de saber qual seria o entendimento de Jesus Cristo sobre esta interpretação mitigada da doutrina da Igreja e do natural desejo sexual dos nossos jovens... (...)»

in
Sol&Tude

Publicado por Nino 10:40:00  

3 Comments:

  1. zazie said...
    Que conversa de chacha... isto agora está na moda bater-se na Igreja Católica. Como se já não bastassem os outros fundamentalismos deu-lhes para isto... é no Blasfémias e agora até aqui... que boa treta. Tão demagógico e básico este discurso. Mas então o que é querem? Ó tempo, volta para trás, é? Para a barbárie pré-cristã? Ou será que acreditam que os tempos eram calminhos e meigos para todos e para as mulheres também e que se não fosse a Igreja o passado era um conforto...
    Ai... ai.. tanta seitinha que anda por aí...
    zazie said...
    se fossem iconoclastas faziam mas era um post a desmontar a efiminização da sociedade e das instituições ":OP
    Anónimo said...
    Apreciei a citação porque não me parece demais denunciar as questões que relevam a submissão da mulher, que considero continuar a ser a peça mais fragilizada na atitude de “crença” (ou “confiança”) exigida pelo “amor”. Porque de amor se fala e não de relações laborais – essas de um foro repleto de legislação e afogado em incumprimentos.

    A fisiologia da mulher, que está inexoravelmente habitada pela expectativa da gestação, tem-se vindo a libertar da rotinização dos procedimentos domésticos mas não da história dos processos de longa duração, implicados na formação de núcleos familiares, para os quais se exige uma polivalência de qualificações que se insiste em reduzir, em algumas sociedades, às da “submissão”.

    Aos que acreditam vivermos já no processo inverso da efiminização da sociedade, que poderá prejudicar o ego masculino, diria que, pelo contrário, vejo manterem-se os antigos cultos do equívoco em todo o tipo de relações que exigem “confiança” – i.é, relações onde ninguém deveria consentir em submissões.

    Equívoco que, sendo mantido com suprema perversidade nas relações sexuais, afecta as demais extensões da libido e a actuação do homem e da mulher, inclusive nas relações laborais.

    Sendo que, hoje, o culto do equívoco encontra um terreno extremamente fértil nos registos virtuais e assume-se através de uma enormidade de subtilezas e requintes técnicos – como os de “habitar” na net – mas não consegue entorpecer a crença em algo para lá do sensível que tem tido gerações de adeptos e que se costuma chamar “amor” ou “confiança”.

    Sorte a daquele/a a quem já foi dado experimentar esse produto, fora de qualquer "igreja" ou "agremiação".

    zz-e-ai

Post a Comment