triste fim ...



Para quem dúvidas ainda tivesse sobre o triste destino que espera Fernando Lima no DN, a observação do cabeçalho do DN online diz tudo. Um fim triste para alguém que se tivesse tido um mínino de senso poderia vir a terminar a carreira como assessor de imprensa de Cavaco em Belém.

Quem tudo quer ...

Publicado por Manuel 17:04:00 0 comentários  



Pinto da Costa e a "Casa Pia"
as duas faces da mesma moeda ...

Muita gente espanta-se com o que se passa à volta do caso Casa Pia. O facto, é que passe a particular repulsa que um fenómeno como a pedofilia provoca, as pressões, caneladas, tentativas de silenciamento, demonstrações de força e afins são normais neste País, pelo menos para uma casta de  pretensos  eleitos acima do bem e do mal.

Um deles, sempre foi Alberto João Jardim, outro sem qualquer sombra de dúvida é Jorge Nuno Pinto da Costa.

O Presidente do Futebol Clube do Porto é sem margem para dúvidas o homem mais poderoso e temido do País. É recebido com honras de Chefe de Estado pelo Papa, decide o que quer, com quem quer e quando quer, tem uma noção peculiar de moralidade (é bom quando nos beneficia, mau quando ocorre o inverso) e tem o hábito de achar que o F. C. Porto está acima do Estado.

Os recentes episódios  à volta do veto  da presença  de Mota  Amaral (segunda figura do Estado, que não costa que goste particularmente da bola, e que só iria em representação de Sampaio) pela parte de Pinto da Costa como mais um sinal, e aviso, àqueles que ousam desafiar a "autoridade moral" de Pinto da Costa são vergonhosos, lamentáveis e apenas provam que em matéria de democracia e cultura cívica por vezes não andamos muito longe do Burundi


Os orgãos de soberania, em  vez de se unirem em solidariedade  com Mota  Amaral, não por este mas pelo que representa, ou se remeteram ao mais atroz silêncio (caso de Sampaio) ou se renderam à chantagem portista.

Vai Durão (que já na campanha das legislativas tinha mostrado de que fibra era feito ao apunhalar pelas costas Rui Rio) e vão à inauguração o inimitável José Luís Arnaut, esse especialista em marcas e patentes (incluindo as do Euro/2004), e o Secretário de Estado dos Desportos, antigo vendedor de seguros, que nos abstemos de adjectivar. Mais, no caso dos membros do Governo fizeram questão não só de ir como  de  realçar  urbi et orbi via LUSA esse facto

Num País normal, e seguindo o mesmíssimo raciocínio que Pinto da Costa segue quando boicota o orgão de comunicação social A ou B para o por "à maneira", também o Estado e os seus Orgãos de Soberania deviam boicotar actos oficiais do Futebol Clube do Porto até Pinto da Costa perceber de uma vez por todas que ele não é o F.C.P.  e que acima  do clube está sem dúvida o País ...

É este pretenso pragmatismo, esta realpolitik,  dos nossos políticos, do poder e da oposição, do Governo e do Presidente que continua a apodrecer este País. Era este pragmatismo que nos bons velhos tempos justificava a omertá em Itália e o pagamento das taxas de proteção à máfia. É este pragamatismo, que em nome do superior interesse nacional se verga sistematicamente aos lobbyes do momento ...  É este pragmatismo que explica Camarate e muito, senão tudo, do que se passa à volta das investigações do escândalo Casa Pia ...

Uma nota final para salientar que o autor é portista, mas antes dessa qualidade é Português ...

Publicado por Manuel 13:31:00 0 comentários  



O enigma Mantorras

Por que é que ninguém teve ainda a coragem de admitir que Mantorras é um caso perdido para a alta competição?



O rapaz prometia muito, é uma pena que não tenha podido provar o que vale, mas há coisas que, quando chegam a um ponto de não retorno, devem ser encaradas de frente: mesmo que o angolano volte aos relvados, já não será o grande craque que muitos chegaram a profetizar.

Um ano e tal de ausência é muito tempo e o mais grave é que ainda não se sabe bem qual é a lesão de Mantorras, muito menos como será possível pô-lo bom.

É triste, mas é a verdade...

Publicado por André 01:00:00 0 comentários  



Uma questão de distâncias

O meu avô, ilustre jurista do senso comum, funciona como uma espécie de oráculo, a quem recorro sempre que dúvidas me assatam. Desta vez, perguntei-lhe:
«Óvelhote, o que achas sobre as decisões judiciais sobre o processo Casa Pia ?».

Enquanto emborcava mais um trago de Jameson, levantou-se, dirigiu-se à estante e retirou um livro do professor Figueiredo Dias. A páginas tantas, começou a ler:


«As mensagens emitidas pela comunidade-ambiente e recebidas num tribunal são provavelmente diferentes das recebidas noutro. Por isso é que o sentido colectivo de justiça de um tribunal se pode afastar consideravelmente do outro situado a poucas milhas»



Publicado por Carlos 14:09:00 0 comentários  



Sophia

Casa branca


«Casa branca em frente ao mar enorme,

Com o teu jardim de areia e flores marinhas

E o teu silêncio intacto em que dorme

O milagre das coisas que eram minhas.


A ti eu voltarei após o incerto

Calor de tantos gestos recebidos

Passados os tumultos e o deserto

Beijados os fantasmas, percorridos

Os murmúrios da terra indefinida.


Em ti renascerei num mundo meu

E a redenção virá nas tuas linhas

Onde nenhuma coisa se perdeu

Do milagre das coisas que eram minhas.
»

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, «Casa Branca»



Publicado por André 00:10:00 0 comentários  



90 anos ...

... de Cunhal. Passe a ocasional presunção deste senhor, que se julga o maior cunhalogista da galáxia, e o tradicional laissez faire da plebe, Cunhal é hoje visto com "estima", quiçá admiração, pelo povo e admirado até pelo Dr. Portas.

Vamos aos factos, frio e cínico como sempre, e enquanto reafirmava a ortodoxia de sempre, Cunhal reiventou-se e adaptou-se à nova ordem : Pintor, escritor, humanista enfim uma espécie de Che lusitano, um avozinho simpático, que quis tornar Portugal melhor.

Cunhal foi, e é, um monstro. A sua última prosa é um insulto à memória e se o tivessem deixado tinha transformado Portugal em 75 num imenso Gulag e não consta que alguma vez tenha mostrado algum sinal de arrependimento. Felizmente para todos nós não teve o sucesso de outros. Convém não esquecer isso ...

Publicado por Manuel 22:45:00 0 comentários  



Afinal...

Nunca perdendo a isenção que a caracteriza, a Grande Loja do Queijo Limiano congratula-se por verificar que, afinal, José Mourinho não é imbatível. O FC Porto estava à espera de dar um belo passeio rumo ao título, mas o empate com o modesto Moreirense veio baralhar isto tudo...

Publicado por André 19:44:00 0 comentários  



Figo é Figo

Muitos já o tinham dado como acabado para o futebol, mas o exagero, está provado, foi notório. Luís Figo já foi o melhor jogador do Mundo. Não estará, neste momento, entre os três melhores, mas mostra, jogo a jogo, na Selecção e, sobretudo, no Real Madrid, que continua a ser grande. Grande pelo profissionalismo, pela qualidade e pela importância que assume num colectivo.




Nunca percebi as reservas que muitos portugueses colocam quando se fala da qualidade de Figo. Aos 31 anos, o português voltou a ser reconhecido, ao ser colocado na lista dos candidatos a melhor jogador do Mundo, num leque que engloba também Deco e Pauleta. Figo foi o melhor jogador que passou pelo Barcelona depois de Romário e é, há alguns anos, o melhor jogador português.

Dificilmente voltaremos a ter um jogador capaz de ser reconhecido como o melhor do Mundo. Figo não terá a magia de Zidane, mas conseguiu ter uma carreira mais longa do que o francês: parecendo que não, Figo está no «top» há 11 anos. A mudança para Madrid foi o toque decisivo que o lançou para a história do futebol mundial. No Sporting, foi excelente; em Barcelona, foi tudo; em Madrid, impôs-se como indiscutível numa constelação de estrelas. E isso, meus amigos, só está ao alcance dos predestinados.

Publicado por André 19:38:00 0 comentários  



Teso



O Zézinho deste site anda teso. A Grande Loja, como é óbvio, não podia ficar indiferente e promete ajudar com a divulgação do link para contribuir



Publicado por Carlos 17:39:00 0 comentários  



Filhos de um Deus menor

Tenho pena que o dr. Rui Frade (alegado psiquiatra) tenha entrado em depressão. Acho que, depois deste fim de semana, o Paí­s precisa , mais do que nunca, dos seus serviços - sobretudo na sua capacidade analí­tica em detectar amnésias lacunares.

O primeiro cliente do dr. Rui Frade bem poderia ser o Manuel Monteiro, que foi confirmado como presidente do PND (Partido da Nova Democracia). Partido cujo nome poderia ser PMA (Partido do Monteiro e dos Amigos).



Se analisarmos bem o discurso que foi destilado em Famalicão, o PMA não quer ser mais do que o Bloco de Esquerda da Direita. Resumindo: isto tá tudo mal e o dr. Monteiro, tal Neo, apresenta-se como o Escolhido para mudar o estado de coisas.

No fundo, isto será o regresso aos cartazes dos tachos, à demagogia - certeira a análise de Pacheco Pereira no Jornal da Noite da SIC - e a tudo o que possa valer um votos. Bem pregará Frei Monteiro que a política não é um catálago, mas será tudo uma questão de tempo para começar com as soluções "à la carte".

No último dia de conví­vio Manuel Monteirp lançou a acusação: «Quem manda [no Paí­s] é quem paga as sedes dos partidos»já agora, para clarificar: Quem pagava as sedes do CDS/PP quando foi líder?; e só mais uma coisinha: Quem pagou o aluguer do espaço em Famalicão; quem financia a Nova Democracia?

"Liderança condicional"


Há que tirar o chapêu à malta do Expresso por este delicioso tí­tulo, no último sábado, a propósito de Ferro Rodrigues.

Apesar do discurso choramingas na Comissão Nacional, reavivando a teoria da cabala -


Ponham-se no meu lugar. O que aqui está em causa é a solidariedade polí­tica e quem tiver dúvidas que tenha a coragem de manifestá-las. Não foi apenas o Paulo Pedroso que foi incriminado. O meu nome também apareceu nos depoimentos [das testemunhas] e foram levantadas contra mim suspeitas criminosas. Aqueles que coordenaram estas calúnias foram os mesmos que fizeram a divulgação das escutas

A verdadeira nota de interesse prende-se com a intervenção do provedor do militante socialista, Jorge Coelho. Numa única frase, Coelho disse tudo:

Damos-te uma oportunidade

A mesma coisa que um treinador de futebol diz a um jogador das reservas: «Vai lá, mostra o que vales», já sabendo que o tipo não se aguenta mais de meia hora em jogo.



Só por isto, percebe-se que Ferro não é um lider. Vive à mercê da corte, vigiado, sitiado, à espera que ela decida o seu futuro.

Perante tal quadro clí­nico, o dr. Rui Frade analisaria assim a questão: SPTPTM - Suicí­dio para todos e por todos os meios. ("Como me tornei estúpido", Martin Page, ASA)

Publicado por Carlos 11:48:00 0 comentários  



Uma série de factos absolutamente avulsos...



O Independente disse-nos que o SIS está em reestruturação, e que as empresas espanholas só se associam às portuguesas por causa dos contactos destas junto das autarquias (!). O parceiro estratégico da Lusomundo em terras de Castela é, segundo parece, o grupo proprietário do conservadorissimo ABC cujo antigo correspondente em Lisboa ocupa agora cargo de destaque no novo DN. Uma série de blogs (Notas Verbais e Pipi Room incómodos para o status quo são selectivamente assediados. Caimoto Duarte, diplomata de carreira, continua no SIEDM e segundo o Expresso Pedro Santana Lopes tem um carro novo que só custou 100 mil €uros ... Para terminar consta por aí que a grande àrea de negócio em Portugal, cujo volume de negócios não para de crescer, é a da cirugia estética a laser já que subita e inesperadamente muito notável começou a sentir-se mal com a sua pele, aspecto e nomeadamente sinais particulares ...

Publicado por Manuel 04:50:00 0 comentários  



"Lynce admite ter sido enganado"


Ex-ministro do Ensino Superior só conheceu muitas peças do processo depois de ter apresentado a demissão

Pedro Lynce admite ter sido enganado no processo do alegado favorecimento à filha do ex-ministro dos Estangeiros, Martins da Cruz, e garante que só conheceu os elementos todos do processo depois de pedir a demissão.

«Admito que fui enganado» confessa em entrevista ao «Expresso». Mais: o ex-governante desmente o seu chefe de gabinete, Rui Trigoso, e garante que este pediu a demissão e informou que iria trabalhar para o MNE, um mês e meio após Lynce ter assinado o despacho a autorizar o ingresso da filha de Martins da Cruz em Medicina.

Pedro Lynce diz ainda que a denúncia partiu «de pais do Liceu Francês» cujos alunos, por sua decisão, perderam o direito, no último ano, a uma bonificação de três valores na nota final do 12º ano.

Publicado por Manuel 09:37:00 0 comentários  



Kaká e Rui Costa

Não é só no Real Madrid que há problemas de excesso de estrelas. No AC Milan, Carlo Ancelotti tem uma questão bem bicuda entre mãos: quem pôr de início, Kaká ou Rui Costa? Kaká tem tudo para ser um dos grandes craques dos próximos anos. Vejam dois jogos do rapaz e concordam, de certeza, comigo. Rui Costa está noutra fase da carreira: não terá a frescura dos tempos do Benfica e da Fiorentina, mas ainda é o maestro, o melhor reggista que o campeonato italiano viu desde Platini.



O Milan funciona no modelo de 4x3x1x2 (leiam, precisamente sobre isto, o excelente artigo de Luís Freitas Lobo em «A Bola» desta sexta-feira). A dupla de avançados Inzaghi/Shevchenko é tão forte que nem se pode pôr em causa. Por isso, não dá mesmo para pôr Kaká e Rui Costa ao mesmo tempo. Rivaldo (grande jogador, mas incompatível com o calcio) foi a primeira vítima. Resta saber como é que é possível gerir um equilíbrio destes: é um crime pôr qualquer um deles de fora!!!


Publicado por André 20:57:00 0 comentários  



A noite mais escura da alma


«Naquela noite sonhou que tinha voltado à torre.

A sua torre.

Não sabia localizá-la. No fim de um caminho entre rochas escarpadas (onde cresciam flores brancas), atrás de uma povoação fantasma varrida pelo vento, ou vagamente confundida com uma casa em ruínas onde entrava o nevoeiro.

Estivera lá muitas vezes, ao longo dos anos, sempre com aquela sensação de reconhecimento, de “voltar”. Mas nunca trouxera a sua imagem para a vida acordada, era um local nocturno, de um outro mundo.

A torre era de pedra, com aberturas irregulares por onde se viam as rochas e o mar. Tinha a vaga ideia de já ter descido as escadas, de ter mergulhado em pântanos e silêncio.

Mas era a primeira vez que se lembrava da torre ao despertar... O mesmo não acontecera com a livraria, a livraria escura que fiava numa cave em ruas que existiam de facto, e onde encontrara livros impossíveis de Richmal Crompton, John Dikinson Carr e mais recentemente de Iris Murdoch.

Abriu os olhos e percebeu que o sol entrava pela janela. Talvez por isso, não esquecera nada; agora tinha sempre estes sonhos estranhos ao amanhecer.

Era como se a casa fosse um poço, um espaço onde só se podia cair. Começara a vaguear mais fundo dentro de si mesmo, tão fundo como nunca estivera, e as imagens misturavam-se na superfície com os primeiros raios de Sol.

Tudo faria sentido se tivesse vivido naquele lugar em criança. Então seria uma história, poderia fantasiar que o menino que percorrera os quartos escuros sonhava dentro dele.

Mas nunca estivera lá, antes aquele dia de Outono em que parara o automóvel junto ao portão de madeira e olhara com encantamento a velha casa de pedra, quase submersa no jardim imenso, inimaginável.

Algumas vezes na vida sentira que estava num lugar que existia dentro de si mesmo. Numa praça de Florença, numa catedral em Roma, numa casa de campo de uma novela de Henry James, na casa de praia dos livros de Iris Murdoch.

E agora estava a acontecer outra vez. Aquele local era familiar porque existia também dentro de si. Como a livraria dos sonhos. Ou como (só pensaria nisso mais tarde) a torre de pedra.

Um parente de que nem se lembrava deixara-lhe aquela quinta. E de alguma forma isso estava certo.

Abriu os olhos e por segundos teve uma sensação de irrealidade. No umbral da porta que dava para o jardim (as cortinas de veludo azul eram como uma moldura) estava a mulher mais bonita que vira na sua vida.

O perfume e a luminosidade do jardim confundiam-se com ela. E tudo na sala, incluindo ele próprio, se tornara quase escuro, sombrio».

«A noite mais escura da Alma», Ana Teresa Pereira






Para quem ainda não conhece, eis um dos maiores nomes da literatura portuguesa das últimas décadas. Mais excertos para breve...

Publicado por André 20:43:00 0 comentários  



Lobo Antunes

Pode não se gostar de alguns livros, e pode, sobretudo, criticar-se o estilo por vezes demasiado pedante. Mas António Lobo Antunes é, sem dúvida, um escritor extraordinário. A crónica que a «Visão» publica esta quinta-feira entra directamente na lista dos melhores textos publicados numa revista portuguesa. Leiam.

Publicado por André 16:02:00 0 comentários  




Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Luí­s Vaz de Camões

Publicado por Manuel 05:47:00 0 comentários  



Cuidado, benfiquistas!!

O Benfica não vai poder contar com Sokota no jogo de logo à noite com o Molde. É mau. Mas o Zahovic está de regresso e há a possibilidade de ser titular. E isso, convenhamos, é ainda mais preocupante.

Publicado por André 12:57:00 0 comentários  



Bom senso de onde menos se espera...


«Se a América pode ter uma aliança com Israel, por que é que não deve haver uma aliança entre países árabes vizinhos do Estado judaico, que compartilham interesses, língua e ideologia?»

Xeque Ahmad Yassin, líder espiritual do Hamas

Neste mundo de cinzentos, há quem insista em dividir a coisa em preto e branco; bom e mau; verdadeiro e falso. Nada mais errado.


Peguemos neste exemplo: no conflito israelo-árabe, a minha posição é claramente pró-israelita. O que se tem passado desde que um senhor chamado Ariel Sharon é chefe do governo de Telavive é que é outra coisa. Sharon faz o que quer e sabe que tem as costas aquecidas por Washington. Afinal o lobby judaico é fortíssimo nos EUA e Bush, em apuros desde que se lembrou de entrar em Bagdade, precisa do dinheiro e da influência dos judeus como de pão para a boca (e já faltou mais até Novembro de 2004...)

O Hamas é um grupo extremista que apoia a causa palestiniana e boicota sistematicamente o processo de Paz do Médio Oriente. A gente imagina que o Xeque Ahmed Yassin (sim, esse mesmo, o que aparece numa cadeira de rodas e barbas maiores do que as do Pai Natal sempre que há um atentando suicida) não seja, propriamente, o que se possa chamar uma pessoa tolerante e razoável.

Mas a verdade é que a frase acima transcrita é dele. Cada um terá a sua opinião sobre ela, mas vale a pensar no caso: alguém imagina que alguma vez este processo pode redundar em paz quando os dois lados estão tão terrivelmente desequilibrados?

É extraordinário que um líder tão extremista como Yassin chegue a uma conclusão tão sensata: perante a desproporção de meios, o apoio desavergonhado de Bush a Israel abre caminho ao fundamentalismo islâmico.

Publicado por André 21:14:00 0 comentários  



já não há pachorra ...



...para mais um raid, amanhã, de exercícios onanísticos à volta desse absoluto mito dos tempos modernos, espécie de Professor Pardal (o tal que inventou uma lâmpada para escurecer lugares claros) da politica lusitana, o Professor/Comendador/Senador Marcel(l)o Rebelo de Sousa ...

O desemprego sobe, Carlos Tavares está a ficar farto, Santana Lopes é inimputável e António José Teixeira escreve o epitáfio fúnebre de um salvador, Durão Sassá Barroso, que nunca o chegou a ser e o Ministro da Agricultura reiterou hoje a ideia que deixou ontem no Parlamento, quando afirmou que "em Portugal não se sabe atacar fogos florestais" isto e apesar de manter a afirmação polémica, Sevinate Pinto assegura que "jamais pretendeu atribuir aos bombeiros a responsabilidade dos trágicos acontecimentos deste ano".

se calhar está mesmo a chegar a hora ...


Publicado por Manuel 19:47:00 0 comentários  


Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!



Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa, 2-8-1933

Publicado por Manuel 19:28:00 0 comentários  



Oliveira, Pinto da Costa e o FCP...

Um ano e meio depois do mundial, António Oliveira reapareceu. O agora presidente do Penafiel deixou-se fotografar a assinar um documento de apoio à recandidatura de Pinto da Costa à presidência do Porto até 2007.



iQuem se lembra da forma como Oliveira saiu das Antas acha, no mínimo, estranho.

O que é que andará a preparar desta vez? Será uma resposta «papal» à mais do que provável preparação de uma alternativa, que pode aparecer via Veiga-Gomes-Octávio-Alexandre Pinto da Costa? Responda quem souber...

Publicado por André 18:19:00 0 comentários  



Elis e ela

«Ajuda ser filha de Elis, ajuda ter uma gravadora multinacional apostando todas as fichas nela? Claro que sim, mas isso não pode obscurecer o essencial: Maria Rita é excepcional».
Artur Dapieve, crítico musical brasileiro

Já tinha lido qualquer coisa sobre uma filha da Elis Regina que cantava e até já me tinham dito que a miúda tinha jeito para a coisa. Mas só depois de ler a Revista do Expresso deste sábado me apercebi que podemos estar perante um daqueles casos de «filha de peixe que sabe nadar». Não faço ideia se comparar a Maria Rita à mãe é um exagero ou não, porque ainda não ouvi a rapariga, mas depois de ler o que li, fiquei uma grande vontade de saber se é mesmo assim tão boa. Uma coisa é certa: compararem a miúda à mãe é porem-lhe as responsabilidades no limite: Elis era única. Cantava como ninguém: com alma, sentimento e com algo mais que não é, simplesmente, possível de definir. («sem carinho, sem coberta, no tapete atrás da porta, reclamei baixinho...»)



Depois dela, vieram várias sucessoras: algumas boas (Adriana Calcanhoto pela versatilidade, Marisa Monte pela originalidade), outras nem por isso. Mas como Elis ainda não apareceu ninguém. Será que só mesmo por transmissão genética? Estou ansioso por saber a resposta.

Publicado por André 15:37:00 0 comentários  



O Benfica de Vieira

Luís Filipe Vieira ganhou, com 90 por cento dos votos, as eleições no Benfica. Dificilmente as coisas seriam de outra maneira. Vieira teve o apoio da inteligentsia benfiquista e reunindo um consenso que há meia dúzia de meses era de todo improvável, travou qualquer tipo de alternativa credível. Um projecto como o de Luís Tadeu nas eleições de 1999 (perdeu por uma unha negra para Vale e Azevedo) não teve, desta vez, espaço para avançar porque um homem que transmite tudo menos confiança como é Vieira acabou por conseguir capitalizar algum crédito.

Os anos até à queda de Vale e Azevedo foram demasiado maus e o mandato de Vilarinho, assumido politicamente a partir de certa altura por Vieira, foi um mandato de uma ligeira recuperação: o Benfica há uns anos era sexto no campeonato e agora luta pelo segundo; as dívidas foram estancadas; a ideia de um clube-caloteiro está a ser combatida.



É pouco para um clube habituado a ter que ganhar tudo e não ganha nada há dez anos? Claro que é. Mas entre mais uma aventura irresponsável semelhante à de Vale e Azevedo (Guerra Madaleno) e uma incógnita do tamanho do novo estádio da Luz (Jaime Antunes), os benfiquistas preferiram dar mais uma oportunidade ao homem que resolveu a inquietação de se construir um dos melhores estádios do mundo em um ano.

A vitória de Luís Filipe Vieira foi o primeiro sinal de sportinguização do Benfica: a águia caminha para o décimo ano sem ser campeão, mas os sócios já nem deitam os presidentes abaixo por isso. Mais oito anitos e igualam o recorde de jejum do leão.

Publicado por André 13:16:00 0 comentários  



O Zé Maria dos tribunais ...
... ou uma OPV sobre a Verdade

Há entrevistas que de tão ridículas que são devem ser recortadas e arquivadas. É o caso da mais recente do advogado de Carlos Silvino ao Correio da Manhã. O jornalista pergunta:


De que adianta a Carlos Silvino voltar a colaborar com a Justiça se for julgado e condenado no primeiro processo da Casa Pia?

Resposta - Há muita gente a rezar a Nossa Senhora de Fátima para que o meu cliente seja julgado e punido já, com uma pena elevada. A partir desse momento, ele, se calhar, não tem mais motivos para confiar na Justiça e para falar. Há muitas pessoas que, neste caso, ficariam muito favorecidas. Isso é objectivo de muita gente que diz que tem interesse na defesa das vítimas e não o tem. Há pessoas que querem é controlar as vítimas para conseguirem os menores danos possíveis. Há muita gente nervosa e como medo. Nada melhor do que o Carlos Silvino ser já julgado, para inviabilizar qualquer colaboração no processo.

Quem são essas pessoas?

Resposta: Não vou especificar. Os portugueses sabem bem quem são

Além de mais uma invocação do nome de Nossa Senhora de Fátima em vão (a santa já tinha empurrado a lama do Prestige para Espanha, lembram-se?), o advogado, com este tipo de respostas, contraria todos os apelos que ao mais alto nível têm sido feitos sobre o processo Casa Pia.



No fundo, José Maria Martins está- na qualidade de advogado com conhecimento e interesses no processo - a legitimar todo o tipo de boatos que inundam a sociedade portuguesa. É bem possível que haja pessoas com interesse em manter o senhor Silvino calado. Aliás, penso mesmo que Carlos Silvino poderá conhecer melhor que ninguém a história contemporânea de Portugal.

O que José Maria Martins não pode é usar a sua qualidade de advogado de um arguido para lançar uma espécie de private-message seja para quem for. Isto é, se o senhor Carlos Silvino tem algo a dizer que o diga. Se Carlos Silvino não quiser falar, então não fale. Simples !

Agora, fica muito mal ao seu advogado lançar a ideia de que sabe alguma coisa e com isso parecer estar a chantagear muita gente através de indirectas.

A defesa de um arguido é um acto de elevação e nobreza, passe o detalhe de ao longo deste processo isso não se ter notado muito. E não de pura traulitada mediática.

Assim, qualquer otário é advogado.

Publicado por Carlos 18:08:00 0 comentários  



enfim ...

da Lusa:

Governo admite avançar com cruzamento de dados já em sede de orçamento
   
O Governo admitiu segunda-feira que pode vir a introduzir, no Orçamento do Estado para 2004, legislação que sustente o cruzamento de dados entre o Fisco e a Segurança Social.

Em Comissão conjunta de Economia e Finanças e Execução Orçamental, para debate do OE, a ministra de Estado e das Finanças Manuela Ferreira Leite afirmou que pode introduzir já a norma que legisla sobre a possibilidade da Administração Fiscal vir a cruzar informação sobre os contribuintes com a Segurança Social.


Esta possibilidade de avançar no combate à fraude e evasão fiscais surge alguns dias depois de uma polémica que opunha Ferreira Leite à Comissão Nacional de Protecção de Dados, onde se discutia de quem era a responsabilidade pelo atraso no cruzamento de informação fiscal entre Fisco e Segurança Social.

A ministra escusou-se a adiantar o montante que pretende arrecadar com esta medida, em termos de receitas extraordinárias, nem avançou qual será o custo da operação.

Não está previsto um projecto piloto que permita monitorar autarcas e dirigentes desportivos ...

Publicado por Manuel 18:05:00 0 comentários  



A miserável



Algures, por esse Portugal silencioso, uma nova classe de miseráveis está a formar-se sem que ninguém repare nela, porque não tem "voz". Neste país pobrete e alegrete, o importante não é ler, trabalhar, cumprir um dever. O importante é escrever explicando porque é que não se consegue ler, trabalhar e cumprir um dever neste desgraçado país...

Publicado por Manuel 17:12:00 0 comentários  



Dois homens e e um funeral ...

depois de ler a última prosa do Director do Público só mesmo recordar a presente saga de José Manuel Fernandes, de Fernando Lima e de Mário Bettencourt Resendes...



... para desanuviar claro.

Publicado por Manuel 15:14:00 0 comentários  



O beijo de Judas...

Anda por aí muito boa gente espantada com a última entrevista do Dr. Monteiro e até lá veja, pasme-se, rasgados elogios ao Dr. Portas

Puro erro. A entrevista do Dr. Monteiro apenas prova que este apreendeu  bem as lições do seu  mestre e padrinho, o Professor Adriano M., e é um notável exercício não só de realpolitik como de refinado cinismo.

Como já aquí em tempos se escreveu, a coligação PSD/PP para as europeias será um erro de proporções históricas para o PSD. Monteiro apenas enfatiza esse ponto. Gabar Portas é garantir que este continua coladinho ao PSD e sem veleidades de atacar frontalmente a Nova Democracia. Falar numa eventual fusão PSD/PP é atar o PSD a Portas. Falar no bom relacionamento entre Durão e Portas é gozo puro e duro.

Por obra e graça do Dr. Durão Barroso, nas próximas europeias vai-se discutir tudo menos a questão europeia, que, em bom rigor, tambem não convém a Monteiro explorar. 


Ora ao fundir o PSD/PP no plano táctico, e ao elogiar Portas, Monteiro imuniza-se de ataques vindos daquela área (ele até foi cavalheiro, logo o odioso virá sempre do lado da coligação, isto assumindo que Jorge Ferreira continua quedo e mudo) e legitima-se como o albergue espanhol de todos os descontentes com o status quo e que não se reveêm no Bloco de Esquerda.

Nos entretantos, e aproveitando a boleia da crise que se crê prolongada, já fala de economia e finanças, pedindo  a cabeça dos dois titulares, e, se no caso das Finanças, passe o esforço de Vasco Valdez e Norberto Rosa, a posição de Ferreira  Leite  é cada dia que passa mais insustentável, já no caso da Economia é pura demagogia, dado que, a par de Marques Mendes, Carlos Tavares é simplesmente o melhor ministro deste Governo.

Resumindo e concluindo e graças aos maravilhosos, e brilhantes, estrategos deste PSD e deste Governo, e só neste fim de semana, assistimos ao início da ressureição política  de Guterres (com os Soares (pai e filho) a apoiarem (!)) e ao eclodir da Nova Democracia ...

Depois não digam que não foram avisados ...

Publicado por Manuel 11:59:00 0 comentários  



há qualquer coisa ...

...de trágico e absurdo na senda do Benfica.



Luis Filipe Vieira ganha com percentagens dignas de uma equipa qualquer da Coreia do Norte. O estádio, a catedral, como lhe chamam é de facto avassalador, os resultados, esses, são dignos de uma qualquer equipa do Bangladesh ...

Publicado por Manuel 23:00:00 0 comentários  



"Todos somos culpados"

Acerca do pântano, Francisco José Viegas de novo, para que a memória não esqueça :

De facto, isto não é rigorosamente verdade. De facto, não é minimamente verdade. Mas essa expressão, «somos todos culpados» (retiro este refrão ao Zé Diogo Quintela, que comentava a «comunicação ao país» de Catalina Pestana), está a ser mais utilizada do que seria normal. Há coisas de que «não somos todos culpados», e uma delas é o escândalo da Casa Pia. Os «culpados» chamam-se responsáveis políticos pela Casa Pia. Foram muitos ao longo dos anos; muitos deles souberam o que se passava; calaram-se; abafaram rumores e processos disciplinares; afastaram os protestos e os mensageiros dos protestos; encolheram os ombros ou minimizaram a história; preferiram a «estabilidade da instituição» ao esclarecimento, à investigação e à punição. Não vejo melhor definição do que foi o «bloco central». A Casa Pia é uma antecâmara da covardia e da abjecção; secretários de Estado, directores-gerais, inspectores, directores, todos os que souberam ou suspeitaram, e não fizeram nada — esses sim, são culpados. Como são culpados os que — sabe-se agora — investigaram o processo dos «ballets blue», na década de setenta, e esqueceram o caso. E os magistrados e juízes que mexeram no processo e «não se lembram de nada» (como aquela juíza de Cascais, de memória flutuante). E, evidentemente, aqueles que devem ser julgados por terem de facto praticado aqueles crimes. Aqui, a acusação é dupla: do ponto de vista moral, que deve chamar-se à discussão (o Estado tomou conhecimento de um crime ou de indícios desse crime e não tratou de tornar imprescindível a investigação sobre a Casa Pia); e do ponto de vista legal, que é prioritário na matéria.

Corre hoje por aí fora a ideia — até pela origem de classe, interesses profissionais, formação académica, etc., dos autores dos comentários — de que o que está em causa é sobretudo a «natureza da prisão preventiva», as ameaças da «república dos juízes» e o carácter do MP. Pode estar, sim, e é bom que se trate do assunto. Mas não deixa de ser interessante ver como os interesses corporativos se sobrepuseram, ao longo destes vinte ou trinta anos, à ideia da «necessidade do inquérito» que ia sendo sucessivamente desvalorizado depois de avaliada a «qualidade das testemunhas». É o mesmo método que está hoje a ser utilizado.

Com isso, tem aparecido um interessante argumento, que já vi escrito várias vezes: o de que a investigação à Casa Pia configura uma «perseguição moral», misturando «pedofilia» com «abuso sexual», «abuso sexual de menores», «formação de rede criminosa», «abuso de menores», «homossexualidade», «pederastia», etc.

Ora, o que está aqui em causa é uma única coisa: «abuso sexual de menores» e consequente «formação de rede criminosa». Trata-se de um crime que, esse sim, é cometido contra todas as crianças, com a agravante de essas crianças terem sido confiadas à guarda do Estado — e o Estado não cumpriu a sua obrigação. Ninguém tem nada a ver com a «orientação sexual» de seja quem for; nem o Estado, nem a vizinhança, nem a imprensa. Mas é o Estado que também está no banco dos réus, e de que maneira — e não por motivos de ordem moral.


Este trabalho de desvalorização do processo, da investigação e das testemunhas faz-se independentemente da «qualidade das testemunhas», da existência de «falhas na investigação», do «papel do MP» (entretanto comparado à PIDE e à Gestapo, acusação que dá bem a imagem do aviltamento e da parvoíce que toca a todos), etc. É um trabalho de diluição do próprio caso: lento, paciente, corajoso, esse «trabalho em curso» tem objectivos muito claros. Apagar o processo é o mais ousado, mas vai por etapas. Depois da montagem da famosa «tese da urdidura» nem era preciso dizer mais.

Como a memória costuma ser curta, eu recomendaria que se escutassem — de novo — as declarações dos teóricos, patrões ou sobreviventes do Bloco Central e dos seus interesses, no princípio deste Verão. Essa onda de protestos, indignações, ares escandalizados e quase «maioria moral», merece ser vista e revista. Precisamente porque estão lá todos os sinais, a que acabou por associar-se involuntariamente a prestação do Presidente durante a sua jornada açoriana do 10 de Junho (com o «patriotismo moderno e democrático» e outras ideias ainda não esclarecidas a propósito da «dignidade dos políticos») — ainda por cima atiçada pela recordação da aministia (perdão de pena, aliás) dos 25 anos do 25 de Abril.

Evidentemente que não há coincidências. Que não se podem erguer e reerguer permanentemente teorias da conspiração sobre este caso. Que é manifesto o perigo do aparecimento de uma «onda de justiceiros» a sobrepôr-se a tudo. Mas há qualquer coisa aí.

Ia a dizer «qualquer coisa que nos escapa». Mas não é verdade.

Publicado por Manuel 22:16:00 0 comentários