'convergência'

Mea Culpa, mea maxima culpa. Também eu ando distraído. Em bom rigor, as escutas telefónicas reveladas este fim de semana não são novidade. Já foram até capa de jornal, só que sobre outro ângulo. Há meses, numa terça-feira, dia 31 de Maio de 2005, na ressaca dos sobreiros, o Público, numa prosa assinada, a três mãos, por António Melo, Eduardo Dâmaso e António Arnaldo Mesquita [rectificado, ver comentários], falava na indisposição e incómodo que em certos sectores estaria a causar o facto (conhecido) de Abel Pinheiro ter estado sobre escuta. Esses sectores eram, segundo noticiava o Público, nada mais, nada menos, da Maçonaria, mais precisamente do GOL/Grande Oriente Lusitano - então a atravessar um conturbado processo de eleições internas, onde Abel Pinheiro, 'tesoureiro' da candidatura que acabou por vencer, tinha um papel chave e relevante. Ora, convém explicitar que não é só Abel Pinheiro que é do GOL, essa conhecida associação secreta que se dedica à filantropia platónica. Rui Pereira, o tal que ia ser (PGR) mas não foi, e Marques da Costa, o tal que apenas se apresenta como o principal conselheiro de Jorge Sampaio, também são. E é aí que reside o pânico. A discutir a sucessão do PGR não estavam dois dirigentes políticos e um conselheiro presidencial, mas sim, tão somente, (pelo menos) três veneráveis irmãos maçons.

Não é pois por acaso, que hoje, Paulo Portas, pela voz de Nuno Melo, líder parlamentar do PP, veio 'pedir' esclarecimentos à PGR a propósito das 'tais' escutas. Portas, que nisto Melo não conta para o totobola, a 'pedido' da irmandade, e do PS, mas não só, vem na prática interceder e apelar à destruição de escutas validadas e devidamente transcritas num processo judicial em curso. Ironicamente, Nuno Melo, cuja habilidade nunca foi famosa, trai-se quando afirma que a notícia do Expresso é 'factualmente falsa , pelo menos no que diz respeito ao CDS', já que, na prática, isso significa, e confirma, que Abel Pinheiro não falava em nome do PP, como dirigente político, mas sim como uma das eminências pardas do GOL (onde aterrou no rescaldo das 'aventuras' da Casa do Sino/Universidade Moderna...).

Publicado por Manuel 19:58:00  

4 Comments:

  1. Arid Monk said...
    Bem visto, meu muito Venerável Irmão. Na prática isto tudo quer dizer que a razão pela qual as ditas 'escutas' foram transcritas no processo tem a ver, talvez, com as partes que não foram transcritas no jornal...

    E tanta gente que se indignou por 2 ou 3 pacatos cidadãos parecerem não ter o direito de discutir entre si o nome mais adequado para o cargo de PGR... que é coisa que eu, por exemplo, faço quas etodos os dias... ao telefone...
    josé said...
    Este GOL só marca golos na própria baliza...
    Cavalo Marinho said...
    Estamos em França ou na ... Itália?
    aamesquita said...
    Ò Manuel: Uma ligeira correcção: o autor da notícia sobre os incómodos do GOL em relação às escutas do sobreiro fui eu, António Arnaldo Mesquita e não o meu amigo e camarada de redacção António Marujo.

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