Notícias da normalidade actual

"Indivíduos balearam casal de vendedores de ouro", foi este o título em rodapé, da notícia que passou agora mesmo, na RTP1. Depois da guerra da Georgia, dos fracassos e sucessos olímpicos e, só por sorte, ou inspiração do programador das notícias, antes do futebol.

Os factos ocorreram hoje mesmo, numa rua movimentada de Valongo, na altura em que vendedores ambulantes, se dirigiam para a feira local, para vender ouro. A condutora da carrinha, explicou que os assaltantes, dispararam tiros de metralhadora, furando a carroçaria, como se viu, não atingindo os ocupantes apenas por força do acaso.
Um outro vendedor, ouvido na reportagem, referiu que este é um assalto que se segue a um outro, há dias. Do mesmo género. Já sem novidade, a não ser a preocupação do mesmo com a criminalidade rompante.

Estas notícias, sobre roubos, na estrada, com armas de fogo, são actualmente correntes, corriqueiros.

Por isso mesmo, o ministro da Administração Interna, nem se dá ao cuidado de falar em directo para as tv´s, sobre os casos. Já entraram na normalidade da vida actual.
Estamos a chegar ao nível de uma Itália, mesmo que não tenhamos a tradição violenta das mafias ou a displicência dos governantes que pouco contam no panorama geral da economia e bem-estar social.
Aqui, pelo contrário, um ministro da Administração Interna, aparece a intervir e a autorizar, dando a respectiva licença para matar, a polícias que cercaram um banco, onde ocorrera um mero assalto, igual a tantos outros que ocorrem semanal e paulatinamente, neste Portugal de costumes brandos.
Isso, depois de chefiar uma Unidade de Missão que reformou códigos penais que facilitam a vida aos bandidos e criminosos de toda a espécie, particularmente a mais especiosa que dantes se chamava de colarinho branco e hoje, pode apelidar-se de cocktail e festa social.
Brandos nas leis e procedimentos de prevenção criminal, entenda-se. Mas de subúrbio de Bronx antigo ou de arrabalde italiano, nas ocorrências diárias que vão sendo relatadas pelos jornais panfletários.
O Correio da Manhã, de há uns anos para cá, é o melhor repositório das notícias e estatísticas criminais.
Sugere-se ao ministro que consulte ou mande consultar todos os últimos mil número do jornal. Três anos de ocorrências. Apare todas as notícias sobre criminalidade. Veja o que sucedeu a esses casos e a essas vítimas e principalmente aos autores, bandidos ou criminosos de meia tijela. Veja, informe-se, actualize-se sobre o que sucedeu. Quantos foram processados, como e porquê. Que penas apanharam, qua penas cumpriram oiu não cumpriram. E então dê uma estátistica, uma entrevista, um parecer escrito.
Estou certo que será medonha, assustadora e vergonhosa, para o trabalho profissional do ministro e da obra que ajudou a colocar em pedestal nos códigos, enquanto responsável número um pela Unidade de Missão.
Pode mandar o trabalho para o deputado do PSD, Paulo Rangel., actual líder parlamentar e responsável igualmente, pelas leis penais que temos.
Estou certo que lhe fará igualmente muito proveito.


Publicado por josé 13:28:00  

4 Comments:

  1. Pois said...
    "onde ocorrera um mero assalto"

    José, vou dar-lhe uma novidade: não houve um mero assalto, houve um caso de sequestro com armas de fogo.
    josé said...
    Igual a outros tantos que na mesma semana ocorreram.

    Aqui a diferença, foi a PSP e o GOE quem a fizeram. E não foi famosa. Foi apenas uma cortina de fumo, para mostrar que estamos( é um modo de dizer, porque não estamos- e a culpa é exclusivamente de quem governa) atentos.

    A populaça engana-se facilmente. Com papas e bolos. Neste caso, com espectáculo policial que podia ter corrido muito mal.

    Nesse caso, os do costume, os que costuma dar o aval e a licença, metiam o rabinho entre as pernas e responsabilizavam o Intendente militarão. Demitiam-no.

    Tão certo como estar aqui a escrever.

    Quer apostar?
    josé said...
    Acabei de receber agora mesmo um telefonema de um número "privado", no qual do outro lado, uma voz masculina, começou assim:

    "Ó filho da puta, chama aí o António!"

    Perante a mina estupefacção inicial, disse-lhe que não conhecia António algum, por aqui e que estava enganado pela certa.

    "Estou nada enganado, filho da puta! Chama aí o António, esse cabrão que me deve dinheiro e não paga".

    Continuando a dizer-lhe para reparar no número que marcou e que se enganou, não teve com meias medidas:

    "Olha filho da puta, vou-te matar, estás a ouvir?"

    Ainda lhe disse que estava redondamente enganado e que o número que queria marcar não era certamente o meu. Disse-lhe que comunicava à polícia e até se riu e voltou aos insultos e ameaças, perante a minha completa perplexidade que me levou a insultá-lo de volta.
    E desligou.

    Este episódio vale o que vale.

    É apenas sinal dos tempos que vamos tendo.

    Rui Pereira e outros, tipo "pois" não entendem isto e como é que se chegou até aqui.

    Estou convencido que esta completa impunidade de quem ameaça, assalta, rouba, agride, só vai parar quando se reverter o esp+irito malsão das leis que temos e se derem poderes à polícia para actuar de forma mais eficaz- que não passa necessariamente pela aplicação pontual da pena de morte.
    Laoconte said...
    Teremos de deixar isto aos nossos filhos neste estado? Ainda me recordo dos tempos em que sonhava com uma sociedade justa e mais ou menos ordenada, mas isto já foi há mais de trinta anos, quando cantava "as gavotas livres" e a "grandôola" no liceu. Quem nos roubou os nossos ideais?

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