Entendamo-nos

Um indivíduo que assina CPM e que já se afirmou juiz Conselheiro do STJ, ex-inspector, ( na revista digital In Verbis), depois de ter lá escrito que não vinha por cá , entendeu postar um comentário no postal desta Loja, Inequivocamente: a greve dos juízes, em que me chama implicitamente mentiroso e abertamente indigno, escrevendo eufemisticamente, assim: “E falando ele de indignidade, porque se trata de um procurador adjunto, com o dever da objectividade e da defesa da legalidade democrática, conclua-se pela dignidade deste seu gesto.”

Então, lá vão os pontos para os ii.

Em primeiro lugar, aqui, neste blog ou noutros, sou tanto procurador-adjunto, quanto o tal CPM é juiz-conselheiro. Aliás, é o próprio quem assim se dá a conhecer na revista digital em causa, como se o exercício de uma profissão, mesmo a de juiz conselheiro, ex-inspector, fosse uma condição que autoriza uma beca permanente. Enfim, cada qual veste-se como entende. O que não admito, de todo em todo, porém, é que chame à colação uma eventual actividade profissional que aqui , neste blog, tem tanto cabimento como o deveria ter a actividade de conselheiro numa revista digital. Não entender isto, que é básico, releva de falta de ética mínima, nesta coisa dos blogs e até da vida, o que é lamentável.

Mas, mais importante do que isso, é o esclarecimento dos factos.

Naquela revista digital, CPM escreveu esta pérola, em 20.11.2007, pessoalmente dirigida, num tom de alta dignidade na escrita, :

Bem se vê que o tal José não tem nada que fazer.... "órgãos de soberania" destes o Estado de Direito dispensa-os”.

O comentário seguia numa série de observações escritas, na revista digital em causa, sobre diversos aspectos da magistratura portuguesa e pressupunha uma óbvia e contundente objurgatória pessoal, sobre o trabalho alheio...porque a seguir, vinha a invectiva directa: "em vez disso[andar por aí, a escrever], devia era desenvolver o seu trabalho nos muitos afazeres que a lei atribui ao MP"
Depois disto, perante a reacção de quem se sente, ainda teve a distinta lata de escrever que não; que a afirmação não fora nenhum insulto, - qual quê!- e justificou-se a seguir, deste modo:

Eu não insultei o José. Só disse o que nós os juizes pensamos de si. (…) Deixe os juizes em paz e meta-se na sua vida. “
Cada um, tire as ilações que entender.

Quanto ao meu escrito seguinte e agora vituperado como uma falsidade e que reza assim: "Nas caixas de comentários,[ daquela revista] pelo contrário, vicejam as mais contundentes e inacreditáveis invectivas aos magistrados do ministério público. Malandros, incapazes, incompetentes, os mais fracos, funcionários administrativos, são alguns dos mimos com que alguns comentadores ( um deles, actual Conselheiro do STJ, ex-inspector dos juízes e a quem Vital Moreira um dia, por escrito, apodou de indigno da magistratura) , atingem os magistrados do MP., só me apetece escrever isto:

Para qualquer leitor que preze a inteligência de uma boa interpretação, não subsiste aqui uma acusação directa e pessoal a um qualquer actual conselheiro, ex-inspector, a não ser a referência verdadeira e comprovável, nas caixas de comentários do lugar em causa, no sentido de aí "vicejarem as mais contundentes e inacreditáveis invectivas aos magistrados do MP", da autoria de vários comentadores. Para quem quiser tirar a prova dos nove, basta ir ler, os comentários a um qualquer postal que refira a actividade do MP. Um desses comentadores, não necessariamente o autor de todas aquelas invectivas, como é por demais evidente, e se extrai inequivocamente do que escrevi, é o tal CPM.

Quanto ao insulto de Vital Moreira, nada melhor do que o próprio CPM para obter a explicação, num escrito de Novembro de 2005:

«Inseriu Vital Moreira, no seu blog, um texto que intitulou “salários degradados” afirmando que 9 em cada 10 reformas superiores a 5.000 €, pertencem aos juízes e magistrados do M.º P.
Já cansado de tanta afronta deste “monótono” (o termo é de M.A.Pina – JN de 18.11.05) “moralista”, enviei-lhe um post, referindo-lhe o meu vencimento mensal líquido e desafiei-o a publicar os seus rendimentos mensais, provindos da profissão e dos extras, incluindo os “trabalhos que o poder político lhe solicita”). Respondeu-me, chamando-me “indigno” e invejoso.

É por demais evidente que Vital Moreira, apodou de indigno o conselheiro que assim lhe escreveu e se lhe apresentou. Ou alguém tem alguma dúvida que foi ao cidadão, blogger, anónimo, CPM de seu nome por iniciais, que Vital respondeu, depois daquele, uma vez mais, ter usado o nome, com profissão apegada, para se lhe dirigir?

Não vou entrar em polémica com o CPM em causa, para além disto. Acho ocioso e deprimente. Além do mais, o mesmo costuma versejar e já há por aí um sítio destinado a recolher o que escrevo. Que lhe faça bom proveito, são os meus votos.

Publicado por josé 00:21:00  

7 Comments:

  1. CPM said...
    Estamos entendidos.
    “O indivíduo que assina José” confirma que não chamei ao M.ª P.º “malandros, incapazes, incompetentes, os mais fracos, funcionários administrativos” nem que o Vital Moreira me tenha apodado “de indigno da magistratura”.
    Por isso, o que antes disse, sobre a questão, não corresponde à verdade.
    E se não quer que lhe tragam para a praça pública a sua profissão porque tem comportamento diferente em relação a mim e, ainda por cima, para me tentar denegrir ?
    Também não vou entrar em polémica, por, como diz, ser “acto ocioso e deprimente” e, ainda, porque tenho muito que fazer.
    CPM
    josé said...
    Não. Está outra vez equivocado, CPM.

    O que confirmo, é que não escrevi aquilo que V. disse que eu escrevi. O que é muito diferente.
    Só trago para a praça pública a sua profissão porque é V. mesmo que a publicita e amplifica de modo desajustado, alardeando o que faz, onde faz e ainda o que fez.

    Quanto à dignidade, cada um tem a
    sua.

    E nesse julgamento, V. é parte. Logo, deixe que os juízes- que são os leitores-, decidam soberanamente.

    O único ponto a seu favor, é - paradoxalmente - a capacidade de alguma humildade, apesar da aparente arrogância. E nisso, tiro-lhe o chapéu.
    CPM said...
    Hoje não me apetecia responder-lhe porque estou solidário com o Ministério Público na sua luta contra a funcionalização.
    No entanto, como afirma - “não escrevi aquilo que V. disse que eu escrevi” -, queria lembrar ao José que no dia 24.11.2007 no seu artigo intitulado “a Secessão?” disse, depois de ter especificado que na In verbis são atingidos “magistrados do M.º P.º” a quem chamam “malandros, incapazes, incompetentes, os mais fracos, funcionários administrativos…” que estes “mimos” com que atingem o M.º P.º são proferidos por “alguns comentadores (um deles, actual Conselheiro do STJ, ex-inspector dos juízes e a quem Vital Moreira um dia, por escrito, apodou de indigno da magistratura).”
    Ora, isto significa, para o homem médio, que, na sua boca, eu sou um dos comentadores que proferi esses mimos, o que não é verdade, como o José muito bem sabe, pois se os tivesse proferido não deixaria de me apontar o lugar onde os mesmos estão escritos.
    Portanto, não é verdade que o José não tenha dito isto.
    Ao utilizar a minha categoria profissional, sem necessidade, desprezando-a, pretendeu, à maneira criticável do jornalismo que temos, dar mais eco às suas palavras, o que não me parece correcto, atendendo à sua categoria profissional, referência que considero justificável.
    Depois, ao referir-se ao Vital Moreira e ao impropério que ele injustamente me dirigiu, no contexto em que o foi, o José acrescentou que ele me chamara não só “indigno” mas, antes, “indigno na magistratura”.
    Para lhe lembrar, que ele usou o termo “indigno” e não “indigno na magistratura”, bem como para lhe lembrar também os motivos pelos quais Vital Moreira me lançou o mencionado impropério, recordo-lhe que foi por eu, dando a cara com a minha categoria profissional, aí sim justificável, defender as magistraturas judicial e do M.º P.º, como certamente saberá, bastando consultar o que ele escreveu no seu blog.
    E a minha “indignidade” expliquei-a eu da seguinte forma: “Inseriu Vital Moreira, no seu blog, um texto que intitulou “salários degradados” afirmando que 9 em cada 10 reformas superiores a 5.000 €, pertencem aos juízes e magistrados do M.º P.
    Já cansado de tanta afronta deste “monótono” (o termo é de M.A.Pina – JN de 18.11.05) “moralista”, enviei-lhe um post, referindo-lhe o meu vencimento mensal líquido e desafiei-o a publicar os seus rendimentos mensais, provindos da profissão e dos extras, incluindo os “trabalhos que o poder político lhe solicita”).
    Respondeu-me, chamando-me “indigno” e invejoso”.
    Como vê a minha exposição, foi por uma boa causa e não pelos fundamentos que o José insinua, “sibilinamente”, como já lhe disse, e sem explicar.
    E depois de lhe ter chamado a atenção de que o que José afirmara era faltar à verdade dos leitores do blog, inseriu o texto que ora se comenta, desproporcional ao meu comentário e servindo-se do facto de ter o blog ao seu dispor, técnica utilizada nos jornais, em que o jornalista escreve visando alguém em caixa de primeira página e remete o visado para “cartas ao leitor”.
    Eu não quero entrar em polémicas porque isso não dignifica as magistraturas nem a sua nem a minha, pois me habituei, desde que entrei nelas, primeiro para a do M.ºPº e depois para a judicial, a ser comedido na minha postura social, por concordar com o dito popular de que à mulher de César não basta parecê-lo mas deve que sê-lo.
    Quanto à minha humildade, ela deriva do facto de gostar de aprender com os que sabem mais do que eu mas não de me calar perante a injustiça que o José me fez com os seus textos.
    Não volto a comentar os seus escritos na Grande Loja, mas estarei atento ao que sobre mim escrever.
    Sem cinismo, fique bem.
    CPM
    josé said...
    Sobre estas coisas, talvez valha a pena contar uma história, já antiga e que me contaram em terceira ou quarta mão.
    Um dia, num julgamento colectivo, no Minho, o presidente do dito, amofinado com as constantes interrupções do colega do lado, para reinquirir testemunhas sobre pormenores que o presidente achava despiciendos e já esclarecidos, chamou-o à atenção. Uma e duas vezes. E mais, se calhar. Ao ponto de o asa, ter encrespado e começado um início de discussão impossível, numa audiência pública, para gáudio dos presentes que seriam muitos, incluindo o magistrado do MP e os advogados.
    Então, o presidente, vendo que a figura que ambos denotavam, para o público presente, não seria a mais conveniente à função desempenhada, tomou o processo em mãos, levou-o a tapar a cara e virando-se para o colega de asa, disse-lhe numa voz contida, mas suficientemente audível, devido à deficiente modulação:
    "estamos aqui a fazer uma figura do caralho!"
    Logo, um dos presentes na assistência comentou também em tom audível para outros circunstantes: "o do meio, disse... caralho!"
    arregalando os olhos num espanto nada inusitado.

    A história acaba aqui, porque o comentário também.

    Com votos para passar igualmente bem, de modo também não cínico.
    zazie said...
    AAHAHHAHAHAHAHA

    Que remate delicioso

    ":O)))))
    CPM said...
    Eu não me enquadro nesse colectivo, porque não é a minha postura que se enquandra nele, como penso ter demonstrado.
    CPM
    Maria said...
    Tinha quase a certeza que na magistratura haveria respostas para todas as perguntas, mas ao ler o último comentário do josé dissiparam-se-me quaisquer dúvidas. Há mesmo resposta para tudo!
    Ontem, o jornalista Rui Vasco Neto no blog setevidascomoosgatos, fez a seguinte pergunta:

    " A Ota é longe como o quê?
    «Portela+Montijo é opção fora do baralho» "

    Afinal é longe como as figuras que aqueles magistrados- do Minho, sim! - fazem.

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