As benevolentes


A entrevista de Catalina Pestana ao Sol, é explosiva no que diz, no que deixa adivinhar e no que fica por dizer. Mas suficiente para se ficarem a saber as suas convicções de pessoa que lidou com o assunto por dentro, ouviu os menores concretamente abusados, ouviu pessoas ligadas à instituição e sabe aquilo que muitos comentadores de secretária, tipo Ana Gomes ou Adão Silva, entre uma imensa caterva, nunca sabem, nem lhes interessa saber.

Publicado por josé 13:15:00  

11 Comments:

  1. zazie said...
    Estas coisas incomodam-me. Não sei, não compreendo. Não compreendo os meios-termos. Agora é tarde, agora já se safaram.

    Tenho a ideia que quem é testemunha de algo que a indigna deve entrar logo ali em guerra- atirando com a porta, atirando com a bomba e não poupando absolutamente nada.

    Depois, que venha lá a lei e mais o resto e safem-se ou não se safem, mas no barco é que não se continua.
    zazie said...
    Agora se há estômago para aguentar o cheiro, nesse caso usa-se a manha e caçam-se os ratos. Mas caçam-se a sério, sem hipótese de engano, em flagrante, com todas as provas, nem que para isso se infiltrasse na porcaria.

    ehehe
    Verdade, acho que existem situações em que pode estar na mão de uma simples pessoa deixar alastrar ou estancar a peçonha.
    josé said...
    Não escrevi isto no postal, mas ainda o farei um dia:

    há duas dimensões ( ou mais até) neste tipo de coisas. Uma delas, é a dimensão criminal que traz consigo todas as regras aplicáveis, com as garantias de defesa e com as provas admissíveis.
    Pode e deve discutir-se se neste caso, o uso de garantias de defesa que a lei processual permitia e agora ainda mais permite, foi entrave para que a verdade, pelo menos a processual se viesse a saber.

    Passo por cima dessa verdade, porque não vou aqui discutir, como nunca o fiz, todo o processo e elementos de prova que nem conheço na totalidade.
    O mais longe que alguma vez fui neste assunto, foi dizer que segundo me parecia e lendo os indícios que o MP recolheu, provavelmente havia matéria suficiente para um julgamento. Mas isso, porque li as motivações de recurso do MP e nem quero fazer mais juizos de valor sobre isso.

    Depois, há outra dimensão: a política porque neste caso, é disso que se trata.
    Nesta dimensão, é possível recorrer a outras regras de análise e a outros métodos de avaliação.

    O que me permito dizer, sobre isto, é que o grupo parlamentar do PS entrou num pântano e numa vergonha inaudita.
    Nunca deveriam ter descido as escadas do Parlamento naquela tarde. Nunca! Para todo o sempre perderam a pouca vergonha que ainda poderiam ter. Inadmissível numa sociedade democrática. Na Itália, o PS de Craxi nunca chegou a tais baixezas políticas, publicamente asumidas.

    Depois há a dimensão do senso comum, de quem olha, ouve e vê.
    E o que vê, são depoimentos como este. E sabe ainda que há muitas pessoas que lidaram directamente com as pessoas envolvidas no caso; que ouviram directamente dos ofendidos ( e nem todos segundo diz a entrevistada) o que eles tinham para contar.
    Foram talvez dezenas de pessoas, contando com os peritos e os magistrados e os polícias.
    Todos, sem excepção, entenderam que havia suspeitas fortíssimas que sustentaram uma acusação criminal.

    Isso para mim, chega-me para poder dizer que uma pessoa, pode enganar-se. Duas, ainda vá lá. Agora, dezenas delas, estão enganadas, como chegou a dizer o juiz Rui Teixeira?!!

    Estarão enganadas, todas?

    Esta dúvida, a mim, ninguém ma tira, porque sei como se passam as coisas, nestes diferentes níveis.
    E é por isso que lamento dizer, mas quem se vê envolvido nestes assuntos, mesmo sob a forma de suspeita, ainda que sustentada da maneira que vemos, deve abandonar definitivamente qualquer cargo de natureza política.
    E se o não fizer, deve ser o partido a obrigá-lo a tal.
    SImples.
    MARIA said...
    Eu concordo em absoluto .
    Acontece que nestes últimos tempos vemos acontecer um fenómeno estranho em Portugal : a aplicação de regras técnico-jurídicas a determinadas situações da vida por parte da Justiça, que como se sabe nem sempre pode conduzir à verdade. Pois, na Justiça não mais se alcança que uma verdade processual, discutível em função dos elementos disponíveis.
    Vem servindo para branquear tais situações, criando nas pessoas a perversa impressão de que se a Justiça julgou e não condenou é porque para tanto não tinha razão.
    Ou então , em causa fica a credibilidade da própria Justiça ...
    É como um jogo perverso...
    Jamais se viu "uma utilização tão utilmente inteligente " dos Tribunais, que por outro lado, na minha modesta opinião, nunca foram tão desconsiderados a todos os níveis pelo Poder que os "usa" quando precisa e transfere responsabilidades difíceis de assumir, indirectamente .
    Um beijinho.
    Maria
    lusitânea said...
    Eu também acho que existe muito OMO a trabalhar na justiça...
    Ou esta arranja maneira de disciplinar estas coisas ou acabam a levar todos por tabela.
    H said...
    Só uma coisa me faz imensa confusão, mas por certo será implicância minha: porque razão a Dr Catalina Pestana esteve 4 anos a dirigir a Casa Pia e só no ultimo dia de mandato relatou às autoridades as suas suspeitas?
    Deve haver uma explicação, mas como sou tontinho não a compreendo!
    Isabel said...
    «(...) quem se vê envolvido nestes assuntos, mesmo sob a forma de suspeita, ainda que sustentada da maneira que vemos, deve abandonar definitivamente qualquer cargo de natureza política.
    E se o não fizer, deve ser o partido a obrigá-lo a tal.
    SImples.»

    Exactissimamente.
    Dylan T. said...
    h,

    Não será tão difícil assim compreender esta epifania de última hora: auto-canonização, justificar o que fez e não fez com as suas responsabilidades - não esquecer que a dra. Catalina já pertencia há muito ao universo da Casa Pia, mesmo antes de ser provedora, o que torna extraordinário o à vontade como fala do passado sombrio da instituição -, e, não menos importante, pôr-se à disposição dos interessados em branquear uma investigação feita com os pés, que de tanto querer que apenas saíssem os ovos premiados acabou por dar cabo da galinha. Penso que até o José terá consciência disso e já não terá grande vontade de cozinhar as omeletas.

    Isabel,

    Está a dar um beneplácito pueril à forma mais simples de assassinar o carácter de qualquer pessoa. Seria tão fácil escolher a dedo qualquer pessoa cujo carácter se quisesse destruir. Um político, um não político, eu, a Isabel. Com base numa forma de suspeita, verdadeira ou não, investigada ou não, consubstanciada ou não? Exactissimamente.

    Dylan T.
    josé said...
    Dylan t.

    Mesmo que tivesse razão, a política como actividade nobre,precisa de sacrificados; não de anjinhos.

    Só se mete na política quem quer e para servir.

    Quem tem o azar de lhe cair em cima qualquer lama, mesmo injusta, que saia. Não é possível controlar todos os estragos possíveis e injustiças haverá sempre.
    O cinismo nesta actividade é de lei e é válido o velho dito de Salazar: em política o que parece, é.

    Azar aqueles em quem cai o parecer injusto. Mas é só mesmo isso: azar. Acontece. E para bem de todos, devem sacrificar-se.
    Isabel said...
    Dylan, t;

    "Só se mete na política quem quer e para servir.

    Quem tem o azar de lhe cair em cima qualquer lama, mesmo injusta, que saia. "

    Até que se esclareça!

    Porque "à mulher de César...", etc e tal...
    rb said...
    "A entrevista de Catalina Pestana ao Sol, é explosiva no que diz"

    Só é pena que o José não nos diga onde é que ela é explosiva, já que é assim tanto. Para mim, que levado pelo conto do vigário comprei o Sol, não vejo ponta por onde se lhe pegue.
    Senão vejamos:
    Começa pelo título da capa da Tabu que diz que Catalina está finalmente livre para falar - até aparece na praia a caminhar descalça e de cabelos ao vento. Livre agora porquê. Foi difícil mas lá encontrei a resposta: porque já não é provedora da Casa Pia (desde Maio deste ano mas isso o Sol não diz). Estes timings e este jornalismo já não impressionam o José. Nada a dizer.
    Depois a entrevista "explosiva" que vem na Revista Tabu apesar de o ocupar toda a página do 1.º Caderno em grandes parangonas junta,mente com um grande plano da cara da senhora com ar grave e sério.
    Nesse 1.º Caderno há um subtítulo que diz que CP de início acreditou na inocência de PP. Ora isso é muito bem explicado por ela na entrevista quando diz que o único aluno que o referenciava era o braço direito de Carlos Silvino, um rapaz que segundo ela está muito bem de vida sem se saber como (ou melhor sabe-se).
    E depois falou em que houve uma altura que circulavam umas famosas listas de tudo quanto era boa gente e os casapianos estavam a ser instigados com uns euros para indicar nomes importantes porque quanto mais confusão melhor para abafar os verdadeiros nomes da rede.
    Depois vem a parte em que ela explica porque perdeu a confiança em PP, afinal a grande questão que alimentava o título do jornal, que cabe numa resposta ao de leve à pergunta que se impunha.
    Ora, diga-me lá o José, que é tão dotado de adivinhação, qual a razão que CP apresentou para desacreditar na inocência de PP? Só isso.

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