Um post para a malta do Bloco de Esquerda meter comentários: Vaca das Cordas


Ponte de Lima acolhe quarta-feira mais uma edição da popular corrida da «Vaca das Cordas», uma tradição que remonta a 1646 e que todos os anos se repete na véspera da festa do «Corpo de Deus», noticia a agência Lusa.

Apesar de ter vaca no nome, a corrida traduz-se numa espécie de tourada ao ar livre, pelas ruas da vila de Ponte de Lima, tendo sempre como protagonista principal um touro, este ano com cerca de 450 quilos de peso e oriundo de Montemor-o-Novo.

Como manda a tradição, o animal é guardado nas instalações da Casa do Conde de Aurora, de onde sai pelas 18h do dia da corrida, conduzido por cerca de dezena e meia de pessoas e preso por duas cordas.

É conduzido até à Igreja Matriz e preso à janela de ferro da Torre dos Sinos, sendo-lhe dado um banho de vinho tinto da região, «lombo abaixo para retemperar forças», disse à Lusa, Aníbal Varela, responsável pela organização da corrida.

Depois, dá três voltas à igreja, sempre com percalços e muitos trambolhões à mistura dos populares que lhe ousam fazer frente, após o que é levado para o extenso areal da vila, onde tem lugar a verdadeira «tourada».

Ao anoitecer, quando touro e populares estão já «extenuados», o animal é recolhido, voltando ao local de onde saiu, enquanto que os foliões retemperam energias pela noite dentro, nos bares e espaços de comes e bebes espalhados um pouco por toda a sede do concelho.

A mais antiga referência que se conhece desta tradição remonta a 1646, em que um código de posturas abrigava os moleiros do concelho (ministros de função), a conduzir, presa por cordas, uma vaca brava, sob condenação de 200 reis pagos na cadeia.

Diz a lenda que a Igreja Matriz, da primitiva vila, era um tempo pagão dedicado a uma deusa, simbolizada por uma vaca.

Mais tarde, este tempo foi transformado em igreja pelos cristãos que retiraram do seu nicho a imagem da «deusa vaca» e com ela deram três voltas à igreja, após terem-na arrastado pelas ruas da vila, para alegria de todos os habitantes.

Daí virá o costume da «Vaca das Cordas», um ritual que foi interrompido em 1881 pela vereação, tendo reaparecido por volta de 1922/23 e que se mantém até hoje.


Fonte

Publicado por Carlos 11:59:00  

2 Comments:

  1. Isabel Magalhães said...
    Eu não sou do Bloco...! :)))

    Gosto de festas, feiras e romarias e das tradições que lhes estão associadas.

    A 'Vaca das Cordas' também é uso nos Açores e na Aldeia do Penedo, Concelho de Sintra.

    Denominada 'Corrida à Corda', de que há registos de 1984, "SINTRA" I-II 1982-1983. Câmara Municipal de Sintra, Serviços Culturais, fotos 22 a 25.

    O animal, [touro] corrido á corda, em volta do núcleo mais antigo da aldeia, era aproximado à forca, sangrado em plena via pública depois de ali ter sido abatido, - a imolação era feita pelo magarefe com recurso a uma choupa - posteriormente esfolado, cortados os cascos e a cabeça, pendurado na forca para remoção das vísceras.
    Depois de esquartejada a carcaça era separada em dois lotes, um destinado ao Bodo e outro vendido.

    Nos anos sessenta, anos da minha adolescência, assisti várias vezes à 'corrida à corda' mas nunca ao abate e esquartejamento.

    Saudações digitais.
    I.
    zazie said...
    Bem lembrado!

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