A doença prolongada da democracia

A ler, o último postal assinalado a mastim, no Abrupto de JPP. Diz assim:

Sabem o que cada vez mais isto me parece, a sensação com que já fiquei depois da história do "diploma"? É que é tudo muito parecido com o estilo das "jotas", uma indiferença face à honestidade e à verdade, uma política feita de trapalhices e trapacices, um vale tudo para manter o poder, ganhar uns pontinhos, esmagar um adversário, um autoritarismo com os fracos e subserviência para com os fortes, um parecer mais que ser. A todo o custo.

Residirá nesta explicação prosaica a causa da anomia geral que nos consome?
É bem possível. Qual o remédio para esta maleita ainda não diagnosticada devidamente, mas pressentida pelos sintomas específicos?

Eleições? Com os mesmos de sempre, a usar os truques de sempre e as manipulações discursivas do costume?

A Verdade desta gente educada em jotas, já de percurso corrompido, é sempre uma verdade pequenina, instrumental e particular. Ao serviço dessa verdadinha, está porém, um batalhão de apaniguados do sistema que nos consome os recursos e nos mina a democracia real.
Será este o cancro da democracia?

Publicado por josé 13:06:00  

7 Comments:

  1. zazie said...
    Uma boa parte será isto, mas não é tudo. Há um outro fenómeno de dependência ideológico-clubística que não existe nos países com menos estado ou com maior tradição democrática. A anomia não existe apenas nos partidos e isso é que é mais estranho.

    É um fenómeno de novo-riquismo. Está-se tudo nas tintas porque andam a aprender a "ser gente de sucesso". Claro que num país pobre, sem exigência para nada, a chico-espertice transforma-se nisto- na indigulgência de quem também não quer ser importunado.

    Esta questão do simples curriculo académico era impensável noutros países. Para qualquer emprego que se vá exige-se o curriculo e este é confirmado de fio a pavio. São as próprias agências de emprego quem o faz. Chega-se a demorar mais de um mês até assinar contrato. Porque eles confirmam tudo- até às notinhas de liceu. Com telefonemas, com pedidos de cópias- tudo.

    Bastava este aspecto existir por cá para as pessoas sentirem a injustiça. Assim não. Assim todos sabem que a coisa funciona mais ou menos por máfia, por cunha, por treta.

    Como disse e repito- o Sócrates, com esta papelada, não só não conseguia emprego num país europeu, como ficava queimado no meio. Não havia empresa que o quisesse. Nem agência que aceitasse. As próprias agências vivem do crédito que têm perante as empresas.
    E ninguém ia dizer que a culpa não era dele, que era da universidade. Nem pouco mais ou menos. Quem apresenta papelada ilegal é que é responsável- porque é esse que quer beneficar dela.
    Gomez said...
    Não basta haver eleições, ainda que livres, para consolidar um regime democrático (não é preciso recuar a Hitler e quejandos, Chavez e outros contemporâneos estão aí para o provar).
    A Democracia é frágil e volátil. Requer atenção permanente.
    A nossa não pode continuar a ser mais do mesmo, sob pena de ser posta em causa.
    O único caminho pragmático passa pelo reforço do Estado de Direito, da separação de poderes e do sistema de freios e contra-pesos. Passa também por uma overdose de ética republicana, que deve ser afirmada e reclamada, sem tréguas, pela "maioria silenciosa", que sancione democraticamente os desvios. E passa também pela tomada dos partidos pela "boa moeda"; enquanto os cidadãos verdadeiramente empenhados na defesa altruísta do interesse público (tal como o entendem) continuarem afastados (por um nojo que é compreensível) da vida político-partidária, deixando o campo livre para as tropelias dos "Jotas", não haverá saída.
    São precisos novos políticos. E novos contra-poderes. Jornalistas dignos desse título. Magistrados que entendam que não podem andar em permanednte conúbio com o poder político, em cargos de nomeação e confiança política. Uma sociedade civil verdadeiramente autónoma e empenhada...
    Vamos a isso?
    JM Coutinho Ribeiro said...
    As jotas não serão, certamente, o único cancro que mina a democracia. Mas é um deles. Se soubessem o que a rapaziada prende por lá!
    Mas, não me parece, Gomez, que seja fácil mudar isto. Quem passa pela política com outro espírito é logo trucidado. E fica vacinado.
    Gomez said...
    Não tenho dúvidas a esse respeito, caro CR. A mudança só será possível se e quando os que querem mudar conseguirem reunir "massa crítica" bastante. Mas não vejo outro caminho...
    Um abraço,
    Carlos Medina Ribeiro said...
    Dizem-me que, na placa comemorativa do novo Açude Insuflável de Abrantes, consta para a posteridade que a obra foi inaugurada por um tal "engenheiro" José Sócrates.

    Comentário:

    É claro que toda a gente (incluindo os que se fazem de desentendidos - como o "encomendador" da dita placa) está farta de saber que, em termos legais (algo que é suposto aplicar-se a um primeiro-ministro), José Sócrates não tem (nem nunca teve) direito ao título de "engenheiro".
    Goste-se ou não do facto; concorde-se ou não com ele - é assim que reza a lei.

    No entanto, e como também se sabe, os seus defensores incondicionais, num exercício de tontice, ignorância ou má-fé (dando sobejas mostras de que eram capazes de fazer o mesmo), usam o argumento de «Como o tratam assim... é como se fosse» - uma falácia grosseira (a que ele mesmo recorreu na célebre entrevista na RTP1), e que nunca ouvi a nenhum outro dos inúmeros engenheiros-técnicos com quem, durante mais de 30 anos, convivi e trabalhei.

    O certo é que a insistência nesse argumento grotesco não me deixa esquecer um electricista que eu conheci e que, por motivos de saúde, abandonou as obras, passando a trabalhar no escritório da empresa onde, por ser muito versátil, era pau-para-toda-a-obra.

    Tratava-se de uma pessoa estimável e estimada, a quem todos tratavam carinhosamente por "Arquitecto", alcunha que ganhou quando os colegas lhe reconheceram uma inexcedível aptidão para montar, desmontar e remontar divisórias de "open-space".

    Nos últimos tempos, tenho tentado encontrá-lo, pois a minha ideia é dizer-lhe que, já agora, aproveite a onda para actualizar - já não digo o curriculum (que, se calhar, nunca fez), mas ao menos os cartões-de-visita, se os tiver...
    Carlos Medina Ribeiro said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    Carlos Medina Ribeiro said...
    Uma das coisas curiosas no Despacho de Acusação contra o Professor Fernando Charrua (que pode ser visto em http://sorumbatico.blogspot.com/2007/06/blog-post_19.html) é o uso da "font" "Comic" - o que, vendo bem, até tem alguma lógica, especialmente quando se refere José Sócrates como "engenheiro"...

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